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Orgânica Experimental 5930184 - Licenciatura e Bacharelado em Química – FFCLRP – USP-RP. 1º Semestre 2023 Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto- USP. Av. Bandeirantes, 3900. Monte Alegre, CEP 14040-901, Ribeirão Preto, SP. Síntese da cicloexanona: Oxidação de álcoois a compostos carbonílicos por métodos de Química verde. *Camila de Oliveira Murari, Gabriela dos Reis de Souza e Marco Aurélio Teodoro da Silva. Departamento de Química, Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto- USP. Av. Bandeirantes, 3900. Monte Alegre, CEP 14040-901, Ribeirão Preto, SP. *camilaomurari@usp.br Palavras-chave: síntese orgânica, oxidação, química verde. A oxidação em química orgânica corresponde, normalmente, ao aumento do grau de ligação do carbono a um átomo eletronegativo. Uma das reações mais importantes que os álcoois sofrem é a oxidação, pois os produtos carbonílicos produzidos por essa transformação são amplamente aplicados industrialmente. Álcoois primários são oxidados aldeídos ou a ácidos carboxílicos, já os secundários podem ser oxidados a cetonas e os terciários não reagem com maioria dos agentes oxidantes devido à falta de hidrogênio ao carbono hidroxilado. Na literatura é descrito um grande número de reagentes para oxidação de álcoois, principalmente a base de cromo, que apesar de apresentarem rendimentos satisfatórios ofertam risco ambiental muito grande. Dado aplicação da química verde, tais reagentes vêm sendo substituídos por substancias que ofertam risco menor ao meio ambiente e a saúde humana. A Química Verde é um ramo da Química que foi definido pela primeira vez em 1991, por John Warner e Paul Anastas, membros da agência ambiental norte-americana Environmental Protection Agency (EPA). Isso ocorreu após a criação de uma lei nacional de prevenção à poluição. Os dois definiram a Química Verde como sendo o “desenvolvimento de produtos químicos e processos que buscam a redução ou eliminação do uso e da geração de substâncias perigosas”. Esse conceito foi aceito pela IUPAC em 1993. Dessa forma, a Química Verde apresenta os seguintes objetivos: Redução de consumo de energia; Redução dos dejetos (materiais que são descartados na natureza); Redução da toxicidade; Redução do uso de fontes não renováveis; Redução dos riscos de poluição ao meio ambiente; Redução do uso de matéria-prima. Para tentar resolver a problemática gerada pelas ações do homem ao longo do tempo na natureza, a Química Verde busca incessantemente o desenvolvimento de novas tecnologias e reações químicas que não gerem poluição a do meio ambiente. Para isso, existem algumas ações que são obrigatórias dentro da Química verde: Utilizar reagentes alternativos e renováveis; Utilizar reagentes que diminuam a perda de materiais; Substituição dos solventes tóxicos; Aprimorar processos naturais de síntese; Desenvolver novas substâncias que não poluam o meio ambiente; Introdução Resultados e Discussão mailto:*gabriela.souza6331@usp.br Orgânica Experimental 5930184 - Licenciatura e Bacharelado em Química – FFCLRP – USP-RP. 1º Semestre 2023 Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto- USP. Av. Bandeirantes, 3900. Monte Alegre, CEP 14040-901, Ribeirão Preto, SP. Desenvolvimento de condições para que as reações químicas tenham maior rendimento e produzam menos impurezas; Minimizar o consumo de energia. Consoante a isto, a oxidação de álcoois é considerada uma das principais transformações químicas na indústria, e já estão sendo utilizadas técnicas que atendam os princípios da química verde. Existem alguns métodos menos prejudiciais que são utilizados para oxidação de álcoois. Porém, tratando-se dos métodos convencionais, sabe-se que o produto formado a partir da oxidação de álcoois depende tanto do agente oxidante utilizado, bem como a natureza do álcool de partida. Por exemplo, os álcoois primários, por meio de oxidação controlada, produzem aldeídos. Dessa forma, a oxidação é feita com uma solução de Dicromato de potássio, em água e em meio ácido, porém, torna-se necessário utilizar um sistema de destilação para realizar a remoção do aldeído que também é formado, visto que os aldeídos são facilmente oxidados aos ácidos carboxílicos correspondentes. Portanto, em alguns casos, a utilização de Dicromato de potássio é excessiva e pode-se utilizar aldeídos para sua remoção. No entanto, apesar de ser um processo relativamente barato e simples, a amostra pode ser contaminada com os ácidos carboxílicos produzidos pela redução do Dicromato. Além disso, se pode produzir cetonas nesse processo também, dificultando a purificação e aumentando o custo da oxidação. Nesse sentido, tem-se que o 1-propanol, em condições controladas, irá se oxidar a propanal, conforme reação abaixo. 3CH3CH2CH2OH + 2K2Cr2O7 → CH3CH2CHO + 4Cr Quando a reação de um álcool primário com o Dicromato de potássio ocorre em condições não controladas, ocorre a formação principalmente do ácido carboxílico correspondente, de modo que o 1- propanol irá oxidar a ácido propanóico: Figura 1. Reação de 1-propanol oxidando a ácido propanoico. Fonte: Professor Ufop – Química Orgânica Ambiental. Outrossim, na oxidação de um álcool primário à aldeído o produto formado deve ser removido por destilação, uma vez que os aldeídos são facilmente oxidados aos ácidos carboxílicos correspondentes devem-se remover o mais rápido possível o aldeído que vai sendo formado. Enquanto isso, um álcool secundário é oxidado a uma cetona. Nesse caso, também se utiliza uma solução de K2Cr2O7 + H2SO4. O 2-pentanol é oxidado então a 2-pentanona, seguindo a reação abaixo mostrada: Figura 2. Reação de álcool secundário oxidado a uma cetona com utilização de uma solução de K2Cr2O7 + H2SO4. Fonte: Professor Ufop – Química Orgânica Ambiental. É importante ressaltar que os álcoois secundários se oxidam apenas em cetonas, que não passam por uma nova oxidação, enquanto que como já dito os álcoois primários podem se oxidar a aldeídos e a ácidos carboxílicos. Isso comprova que as reações de oxidação de álcoois secundários apresentam melhores rendimentos. É possível realizar a oxidação de um álcool secundário utilizando como agente oxidante o ácido crômico (H2CrO4). Sabe-se que o ácido crômico é preparado pela adição do óxido crômico (CrO3) ou dicromato de sódio (Na2Cr2O7) ao ácido sulfúrico (H2SO4). O ácido crômico é classificado como um ácido ligeiramente forte, de modo que seu primeiro hidrogênio é Orgânica Experimental 5930184 - Licenciatura e Bacharelado em Química – FFCLRP – USP-RP. 1º Semestre 2023 Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto- USP. Av. Bandeirantes, 3900. Monte Alegre, CEP 14040-901, Ribeirão Preto, SP. facilmente perdido. Faz-se uso de uma solução sulfocrômica, de modo que a quantidade de hidrônio é muito grande e de total importância para a reação. Figura 3. Reação de oxidação de um álcool secundário utilizando como agente oxidante o ácido crômico. Fonte: Professor Ufop – Química Orgânica Ambiental. Devido ao caráter positivo formado no átomo de cromo, o oxigênio do álcool doa um par de elétrons para o íon crômico, o hidrogênio da hidroxila é abstraído para a formação do hidrônio e uma hidroxila do ácido crômico captura um próton do hidrônio. Nesse momento, a água funciona como uma base e o álcool é capaz de doar um próton. Figura 4. Reação de oxidação de um álcool secundário utilizando como agente oxidante o ácido crômico. Fonte: Professor Ufop – Química Orgânica Ambiental. O oxigênio atrai fortemente o par da ligação cromo-oxigênio, desestabilizando a ligação que é rompida, saindo então como grupoabandonador. Novamente, o cromo retorna a ter uma carga positiva que vai ser compensada através de uma nova ligação com o oxigênio com carga negativa presente na molécula formando uma dupla ligação. Figura 5. Reação de oxidação de um álcool secundário utilizando como agente oxidante o ácido crômico. Fonte: Professor Ufop – Química Orgânica Ambiental. A posterior oxidação do álcool e redução do cromo se dá pelo fato de que o éster cromato é muito instável e assim transfere um próton para uma base e simultaneamente elimina o íon HCrO-3, de modo que o cromo sai com o par de elétrons que pertencia ao álcool, formando então a cetona. Figura 6. Reação de oxidação de um álcool secundário utilizando como agente oxidante o ácido crômico formando a cetona. Fonte: Professor Ufop – Química Orgânica Ambiental. Vale ressaltar que, a oxidação dos álcoois secundários obtém melhores resultados pois em sua oxidação irão formar apenas um composto cetona. Já com os álcoois primários é necessário obter a primeira oxidação que irá formar aldeído, a após a oxidação do aldeído a oxidação continua, pois reagentes para oxidar álcool são mais fortes do que os usados para oxidar um aldeído, produzindo então um ácido carboxílico. Orgânica Experimental 5930184 - Licenciatura e Bacharelado em Química – FFCLRP – USP-RP. 1º Semestre 2023 Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto- USP. Av. Bandeirantes, 3900. Monte Alegre, CEP 14040-901, Ribeirão Preto, SP. Figura 7. Reação de oxidação de álcoois secundários. Fonte: Professor Ufop – Química Orgânica Ambiental. O 1,4-hexanodiol é oxidado a ácido 4- oxohexanóico, visto que possui um álcool primário, formando um ácido carboxílico e um álcool secundário, formando uma cetona. Figura 8. Reação de oxidação do 1,4-hexanodiol a ácido 4-oxohexanóico. Fonte: Professor Ufop – Química Orgânica Ambiental. Já o ácido 4-hidroxioctanóico possui como funções um álcool e um ácido carboxílico. O ácido carboxílico se encontra no seu máximo estado de oxidação, por esse motivo, apenas o álcool secundário presente será oxidado, formando então o ácido 4-oxo-octanoico. Figura 9. Reação de álcool secundário sendo oxidado, formando o ácido 4-oxo-octanoico. Fonte: Professor Ufop – Química Orgânica Ambiental. É importante ressaltar que existem outros métodos para a preparação de cetonas. Dentre esses métodos, pode-se citar o método de ozonólise de alquenos, hidratação de alquinos e síntese de Friedel-Crafts. A ozonólise de alquenos produz cetonas, aldeídos ou uma mistura de ambos. É produzido por hidrólise. Figura 10. Reação de ozonólise de alquenos. Fonte: Professor Ufop – Química Orgânica Ambiental. Também é preciso ressaltar que a hidratação de Markovnikov de um alquino produz inicialmente um álcool vinílico que então se rearranja rapidamente para uma cetona. A adição de água a alquinos em presença de ácido forte e íons mercúrios Hg2+ forma como produto um álcool vinílico que se tatutomeriza para uma cetona. Figura 11. Reação de hidratação de Markovnikov de um alquino. Fonte: Professor Ufop – Química Orgânica Ambiental. A síntese de Friedel-Crafts é utilizada para a obtenção de cetonas aromáticas. Figura 12. Reação de síntese de Friedel-Crafts. Fonte: Professor Ufop – Química Orgânica Ambiental. Ademais, um aldeído (por exemplo, acetaldeído) pode ser usado para destruir o excesso de dicromato na reação de oxidação, uma vez que esta, é tida como branda, o que permite que o aldeído consuma todo o excesso de dicromato. Excesso de dicromato Orgânica Experimental 5930184 - Licenciatura e Bacharelado em Química – FFCLRP – USP-RP. 1º Semestre 2023 Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto- USP. Av. Bandeirantes, 3900. Monte Alegre, CEP 14040-901, Ribeirão Preto, SP. oxida o aldeído a um ácido carboxílico, de modo que o aldeído é destilado à medida que forma (volátil). A vantagem está relacionada com a retirada de cromo do meio (que em seu estado de oxidação VI pode causar danos) e as desvantagens são desconhecidas. Sendo os agentes oxidantes à base de cromo tóxicos e prejudiciais ao meio ambiente e saúde humana, conforme descrito, atualmente, propõe-se novos métodos dentro da química orgânica. Uma das maneiras mais limpas e práticas de obter-se cetonas a partir de álcoois secundários é a oxidação com hipoclorito de sódio, o qual pode ser fornecido a partir de água sanitária. A oxidação citada inicia-se com a adição de ácido acético à água sanitária, esse procedimento, provoca a formação de ácido hipocloroso, HOCl. O cloro, nesse caso, encontra-se em seu estado de oxidação +1. Portanto, a reação origina íons Cl+. Após a formação desse agente oxidante, o ácido hipocloroso abstrai um próton da solução ácida, originando a espécie H2OCl+. O par de elétrons disponível no oxigênio do ciclohexanol, ataca o átomo de cloro, de modo que, ocorre a formação de uma molécula de água. Posteriormente, a água abstrai um próton do carbono da hidroxila, formando uma ligação dupla e eliminando o cloreto. O esquema abaixo permite a melhor compreensão dos mecanismos envolvidos. Figura 13. Reação de obtenção de cetona a partir de álcool secundário, através da oxidação com hipoclorito de sódio (água sanitária). Fonte: Simpósio de Iniciação Científica, Didática e de Ações Sociais da FEI. Figura 14. Esquema de aparelhagem para obtenção de cetona a partir de álcool secundário com a oxidação do hipoclorito de sódio. Fonte: Autoria própria. Figura 15. Esquema de aparelhagem para obtenção de cetona a partir de álcool secundário com a oxidação do hipoclorito de sódio. Fonte: Autoria própria. Após a formação do produto desejado, faz-se uma lavagem com bissulfito de sódio. A adição desse composto é realizada a fim de retirar-se os agentes oxidantes que ainda possam estar presentes na amostra. O bissulfito é redutor, portanto, permite a conversão de HOCl em NaCl, caso ainda exista esse reagente presente. Por fim, realiza-se uma extração com fase orgânica (diclorometano), de modo a aproveitar-se ao máximo a distribuição do analito nesse solvente. Orgânica Experimental 5930184 - Licenciatura e Bacharelado em Química – FFCLRP – USP-RP. 1º Semestre 2023 Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto- USP. Av. Bandeirantes, 3900. Monte Alegre, CEP 14040-901, Ribeirão Preto, SP. Por isso, realiza-se duas extrações com volumes iguais em substituição a apenas uma com volume dobrado. A extração liquido-liquido baseia-se na distribuição da amostra desejada em diferentes solventes. No entanto, existe um limite em que a amostra pode ser particionada entre as duas fases, relacionado a constante chamada coeficiente de partição. Essa constante está intrinsicamente ligada a razão entre a solubilidade do analito em cada um dos solventes e permanece constante durante o equilíbrio de solubilidade. Assim, quando realizamos duas extrações, a primeira retira apenas uma parte da amostra, de modo que, a quantidade restante, na segunda extração, é novamente distribuída entre as fases. Caso realizássemos apenas uma, a amostra ficaria limitada ao coeficiente de partição (ainda que é possível extrair mais com maior volume), e, portanto, a quantidade restante não poderia ser aproveitada. Figura 16. Etapa da extração com fase orgânica (diclorometano). Fonte: Autoria própria. Figura 17. Etapa da extração com fase orgânica (diclorometano). Fonte: Autoria própria. Em seguida, as fases orgânicas foram reunidas em um erlenmeyer e foi utilizado um agente secante, filtrou-se e foi transferido para um balão de fundo redondo. Secou-seem evaporador rotativo conforme demonstra a Figura 18. Figura 18. Esquema da aparelhagem do evaporador rotativo. Fonte: Autoria própria. O produto obtido (descrever o produto) foi destilado em sistema de destilação fracionada (Figura 19) para obtenção da ciclohexanona. Orgânica Experimental 5930184 - Licenciatura e Bacharelado em Química – FFCLRP – USP-RP. 1º Semestre 2023 Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto- USP. Av. Bandeirantes, 3900. Monte Alegre, CEP 14040-901, Ribeirão Preto, SP. Figura 19. Esquema da aparelhagem para a etapa de destilação fracionada. Fonte: Autoria própria. Figura 20. Esquema da aparelhagem para a etapa de destilação fracionada. Fonte: Autoria própria. A observação dos esquemas representados acima, permite determinar-se o rendimento da reação de oxidação. A primeira reação é a formação do ácido hipocloroso através do hipoclorito de sódio e ácido acético. Foram adicionados 4,0 mL de ácido acético glacial, de densidade 1,05 g/mL. Além disso, 130 mL de solução 0,74 mol/L de hipoclorito de sódio. Desse modo, sabendo-se que a massa molar do CH3COOH é 60,052 g/mol, têm-se que em moles: Á𝑐𝑖𝑑𝑜 𝑎𝑐é𝑡𝑖𝑐𝑜: 4,0 𝑥 1,05 60,052 = 0,070 𝑚𝑜𝑙𝑠 𝐻𝑖𝑝𝑜𝑐𝑙𝑜𝑟𝑖𝑡𝑜 𝑑𝑒 𝑠ó𝑑𝑖𝑜: (0,00074 𝑥 130) = 0,096 𝑚𝑜𝑙𝑠 Portanto, como a reação é 1:1, o hipoclorito de sódio está em excesso, de forma que, são produzidos 0,070 mols de ácido hipocloroso. Essa quantidade reage com igual quantia de ciclohexanol, portanto, espera-se formar 0,070 mols de ciclohexanona (massa molar = 98,15 g/mol). Sendo assim: 𝑅𝑒𝑛𝑑𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 = 𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑜𝑏𝑡𝑖𝑑𝑎 𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑒𝑠𝑝𝑒𝑟𝑎𝑑𝑎 = 3,7967 0,070 𝑥 98,15 𝑥 100% = 55,26% Urge pautar que, não houve tempo necessário para realizar a destilação fracionada até a conclusão da mesma. Dessa forma, o grupo não pode afirmar que foi realizada a destilação fracionada de maneira certeira a se obter somente a ciclohexanona. O valor da massa obtida, foi o valor da massa pesada sem a realização da destilação, a mesma foi montada e iniciada, porém precisou ser interrompida pela falta de tempo para finalizá-la. Além disso, sabe-se que, a água sanitária é uma solução contendo hipoclorito de sódio, hidróxido de sódio, cloreto de sódio e cloro gasoso. A adição de ácido acético promove a formação de ácido hipocloroso e acetato de sódio. Na oxidação de álcoois utilizando água sanitária e ácido acético, o agente oxidante é o íon Cl+, gerado a partir de NaOCl, HOCl ou CI2. Logo, um mecanismo possível para a oxidação do ciclo-hexanol (formando cicloexanona), a partir da redução do íon Cl+ (gerando CI-) é expresso na Figura 21. Figura 21. Mecanismo possível para a oxidação do ciclo-hexanol (formando cicloexanona), a partir da redução do íon Cl+. Fonte: Professor Ufop – Química Orgânica Ambiental. Orgânica Experimental 5930184 - Licenciatura e Bacharelado em Química – FFCLRP – USP-RP. 1º Semestre 2023 Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto- USP. Av. Bandeirantes, 3900. Monte Alegre, CEP 14040-901, Ribeirão Preto, SP. Sendo assim, a caracterização do produto obtido pela reação de oxidação indica que o ciclohexanol não foi totalmente convertido em ciclohexanona. Isto é, no produto final ainda existia quantidade significativa do material de partida, uma vez que a destilação fracionada foi interrompida. O procedimento objetivava a produção da ciclohexanona, no entanto, não se pode obter tal composto. Um dos motivos para a falha no procedimento pode ser a temperatura da reação. A oxidação do ciclohexanol precisa de temperatura controlada em 40-45°C, de modo que, abaixo de 40 °C, o rendimento da reação é drasticamente reduzido. Portanto, um controle malsucedido pode reduzir a oxidação. Além disso, a etapa de purificação deve ser realizada com extrema precisão, pois constitui-se de uma destilação fracionada. A diferença entre as temperaturas de ebulição da ciclohexanona e ciclohexanol é de apenas 5 °C, logo, uma destilação malfeita e/ou não realizada de maneira certeira e completa pode provocar a contaminação por ciclohexanol. Soma-se a esses fatores, a possível decomposição da água sanitária, originando uma solução de menor concentração de hipoclorito de sódio. Ainda é possível que a amostra tenha sido contaminada com oxigênio e água atmosféricos ou outros compostos presentes no ar. 5- Sugira um mecanismo para a oxidação de um álcool secundário, utilizando-se Na2Cr2O7/H2SO4 como oxidante: Ou Dado o exposto, acredita-se que _________________________________________ 1 Zorzanelli, B. C.; Muri, E. M. F. Oxidação de Álcoois em Química Verde. Rev. Virtual Quim., 2015, 7 (2), 663-683. 2 Correa, A, G, de Oliveiro, K.T.; Paixão, M.W.; Brocksom, T.J. Química Orgânica Experimental: Uma abordagem de Química Verde, 1 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016 Conclusão Orgânica Experimental 5930184 - Licenciatura e Bacharelado em Química – FFCLRP – USP-RP. 1º Semestre 2023 Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto- USP. Av. Bandeirantes, 3900. Monte Alegre, CEP 14040-901, Ribeirão Preto, SP. Sintetizar a cicloexanona a partir do ciclo- hexanol, por meio da oxidação de água sanitária comercial (hipoclorito de sódio) em meio ácido. Um funil de adição, uma tampa esmerilhada e um condensador foram adicionados a um balão de 3 bocas de 250 mL. Ao balão, adicionou-se 8,0 mL de ciclohexanol e 4,0 mL de ácido acético glacial. Ao funil, adicionou- se 130 mL de solução 0,74 M de hipoclorito de sódio (água sanitária). O NaOCl foi adicionado cuidadosamente à mistura do balão por aproximadamente 20 minutos gota a gota. A temperatura da reação foi controlada em 40-45°C. O sistema foi agitado ocasionalmente e após a adição total de hipoclorito de sódio, a mistura ficou em repouso por 15 minutos. Após repouso, adicionou-se 3 mL de solução saturada de bissulfito de sódio, agitou-se e transferiu-se a mistura para um funil de separação. No funil, uma extração foi realizada com duas porções de diclorometano de 20 mL. A fase orgânica foi retirada e seca com carbonato de potássio anidro. Filtrou-se diretamente em um balão e levou-se ao evaporador rotativo para eliminação do solvente. O material obtido foi então transferido a um balão menor e purificou-se o produto final por destilação fracionada. Por fim, foi pesado o produto final e calculou-se o rendimento. Objetivo Procedimentos Experimentais Conclusão Dado o exposto, acredita-se que o experimento permitiu aos alunos a compreensão e aplicação de alguns dos princípios de química verde, a qual demonstra-se de grande importância em sínteses orgânicas. Além disso, atingiu com eficiência o objetivo de auxiliar no entendimento de alguns mecanismos de oxidação em química orgânica, assim como as condições envolvidas nesses processos e seus reagentes. Apesar de atingir os objetivos de ensino, a prática foi incapaz de produzir o composto desejado por oxidação do ciclohexanol. O procedimento pode ter falhado por três fatores principais: controle de temperatura, purificação e reagentes. Possivelmente, a temperatura não foi bem controlada e a purificação mal realizada (destilação fracionada interrompida), não alcançando a completa oxidação da molécula. O rendimento calculado (de 55%) não é real, visto que, o produto não era composto por ciclohexanona, logo, possivelmente contaminado com outras substâncias. A prática pode ser melhorada com uma padronização da solução de água sanitária comercial, a qual, eventualmente, não apresenta a concentração informada. Além disso, com um melhor controle de todos os fatores envolvidos durante o procedimento.