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PCI I – Bloco I Histologia – Prof. Ronaldo – Aula II A cartilagem é um tipo de tecido conjuntivo composto por células chamadas condrócitos e por matriz extracelular altamente especializada, abundante, de firme consistência, mas com flexibilidade. É um tecido avascularizado, portanto não possui vaso linfático e nervos, possui baixo metabolismo (é anaeróbio), sua nutrição ocorre a partir do pericôndrio (camada de células e fibras do tecido conjuntivo propriamente dito que reveste a cartilagem). Possui função de revestimento de superfícies articulares, suporte de tecidos moles e formação e crescimento de ossos longos. A resistência e durabilidade da cartilagem são propriedades da MEC, por ser composta de fibras colágenas (principalmente colágeno tipo II) e/ou elásticas, agregados de proteoglicanos (proteínas + glicosaminoglicanos), ácido hialurônico e glicoproteínas de adesão. Existem três tipos de cartilagem que se diferem na aparência e propriedades mecânicas, de acordo com as características da matriz: cartilagem hialina, cartilagem elástica e fibrocartilagem. Cartilagem hialina Geralmente encontrada no esqueleto temporário do embrião, cartilagens articulares, cartilagens costais e cartilagens das vias respiratórias (nariz, laringe, traquéia e brônquios). Sua MEC é caracterizada pela presença de finas fibrilas de colágeno (principalmente colágeno tipo II), glicosaminoglicanos (GAGs), proteoglicanos (PGs) sulfatados (metacromasia, basofilia e PAS+), glicoproteínas de adesão e água. DCT: Tecido conjuntivo denso P: Pericôndrio GC: Cartilagem em crescimento N: Núcleo de condrócitos MC: Matriz capsular – intensamente corada; ao redor dos condrócitos; maior concentração de PGs sulfatados; colágeno tipo VI (ancoragem de condrócitos a MEC). TM: Matriz territorial – rede disposta ao acaso de fibrilas de colágeno tipo II e PGs sulfatados (concentração menor que na MC). IM: Matriz interterritorial – ampla e pouco corada; circunda a matriz territorial; ocupa os espaços entre os grupos de condrócitos; maior proporção de colágeno tipo II e menor de PGs. Condrócitos: células maduras responsáveis pela manutenção da matriz e pelo controle metabólico da cartilagem em que se encontra. Possui superfície irregular e realiza interação com o meio extracelular, seu metabolismo é anaeróbio. Histogênese: é a formação e desenvolvimento de diferentes tecidos embrionários. No caso da cartilagem, sua origem embrionária é no mesênquima do embrião. O mesênquima superficial irá formar o pericôndrio. Cartilagem hialina – crescimento aposicional x intersticial A cartilagem possui dois tipos de crescimento: aposicional e intersticial. No crescimento aposicional (que ocorre fora do tecido) a cartilagem irá crescer através da edição de uma matriz na superfície da cartilagem pré-existente por células condroprogenitoras do pericôndrio, fazendo com que surjam novas células cartilaginosas, os condroblastos. No crescimento intersticial (que ocorre dentro do tecido) ocorre a mitose dos condrócitos dentro de suas lacunas, as células-filhas ocupam de forma temporária a mesma lacuna e se separam com a contínua produção de matriz. O crescimento aposicional é mais importante que o intersticial (praticamente só ocorre nas primeiras fases de vida da cartilagem), uma vez que a matriz vai se tornando mais rígida, fazendo com que o crescimento intersticial se torne inviável. Cartilagem elástica É envolta pelo pericôndrio e cresce principalmente por aposição, possui fibras elásticas em abundância. Encontrada na orelha externa e interna, epiglote e tuba auditiva. Fibrocartilagem Não possui pericôndrio, possui fibras de colágeno tipo I e uma baixa concentração de PGs e água (matriz eosinofílica). Contém condrócitos e fibroblastos. É um tecido intermediário entre a cartilagem hialina e o tecido conjuntivo denso (resistente a compressão e a forças de cisalhamento). É geralmente encontrado em discos intervertebrais, meniscos e locais de inserção de tendões e ligamentos. Cartilagem articular Tecido que reveste as superfícies articulares, não possui pericôndrio. Essa cartilagem é dividida em zonas e é nutrida pelo líquido sinovial. Possui as funções de reduzir o atrito entre as superfícies articulares, proteger as superfícies ósseas e absorver o impacto. É um tecido pouco vascularizado, portanto sua capacidade regenerativa diante de lesões é bem restrita. Osteoartrite: desordem músculo-esquelética muito comum, caracterizada pelo desgaste da cartilagem articular e por alterações ósseas (como por exemplo os osteófitos, conhecidos por “bicos de papagaio”). Hérnia de disco: causada pelo envelhecimento, desgaste ou deslocamento do disco intervertebral. Lesões em cartilagens revestidas por pericôndrio As lesões cartilaginosas ocorrem quando as tensões locais acabam excedendo a tensão de resistência que a cartilagem pode suportar. O fato de que o tecido cartilaginoso é avascular, implica na sua dificuldade em se regenerar, além do fato que os condrócitos maduros possuem uma limitação em sua capacidade de proliferação e não possuírem mobilidade. O reparo cartilaginoso é pericôndrio resulta da atividade de células progenitoras localizadas no pericôndrio e ainda assim, poucas células cartilaginosas ou nenhuma, são produzidas. O reparo irá envolver a produção de tecido conjuntivo denso. Lesões em cartilagens articulares As células-tronco são capazes de se tornar outros tipos celulares, além disso possuem a capacidade de se autorrenovar, fazendo com sejam geradas outras células- tronco, sendo portanto grandes aliadas no tratamento por terapia celular em lesões em cartilagens articulares. Outra técnica que pode ser utilizada é a de microfratura, onde são feitas pequenas aberturas na superfície da articulação, fazendo com que o corpo crie um novo tecido na articulação.