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Universidade Tiradentes - Medicina P3 Envelhecimento celular patologia ● Os indivíduos envelhecem porque suas células envelhecem. ● O envelhecimento tem consequências importantes para a saúde, pois a idade é um dos mais fortes fatores independentes de risco para muitas doenças crônicas, como o câncer, a doença de Alzheimer e a doença isquêmica do coração. ● O envelhecimento celular não é simplesmente uma consequência de as células “perderem as forças”, mas, na verdade, é regulado por genes que são evolutivamente conservados desde as leveduras, passando pelos vermes até os mamíferos. ● O envelhecimento celular é resultado do declínio progressivo da função e viabilidade celulares causado por anormalidades genéticas e acúmulo de danos moleculares e celulares devido aos efeitos da exposição a influências exógenas. ● O envelhecimento é influenciado por um número limitado de genes, e anormalidades genéticas embasam síndromes que lembram o envelhecimento precoce em humanos. ● Esses achados sugerem que o envelhecimento está associado a alterações patogenéticas definidas. ● Acredita-se que vários mecanismos, alguns intrínsecos da célula e outros induzidos pelo ambiente, desempenhem um papel no envelhecimento. ● Uma variedade de agentes (físicos, químicos e biológicos) exógenos e fatores endógenos, tais como as ERO, ameaçam a integridade do DNA nuclear e mitocondrial. ● Embora a maioria das lesões do DNA seja reparada por enzimas de reparo de DNA, algumas persistem e se acumulam à medida que a célula envelhece. ● Várias linhas de evidência apontam para a importância do reparo de DNA no processo de envelhecimento. ● Estudos de sequenciamento de DNA de nova geração vêm mostrando que, em média, as células-tronco hematopoiéticas sofrem 14 novas mutações por ano, e é provável que esse dano cumulativo explique porque, como a maioria dos cânceres, as neoplasia malignas hematológicas mais comuns são doenças de idosos. ● O DNA-helicase é uma proteína envolvida na replicação, reparação e outras funções que necessitam do desenrolamento do DNA. ● Um defeito nessa enzima provoca a rápida acumulação de danos 1 Introdução 2. Dano ao DNA 2 cromossômicos que imitam a lesão que normalmente se acumula no envelhecimento celular. ● A instabilidade genética em células somáticas também é característica de outros distúrbios nos quais os pacientes exibem algumas das manifestações do envelhecimento. ● Todas as células normais têm uma capacidade limitada de replicação, e após um número fixo de divisões, as células ficam paradas em um estado final em que não existe mais divisão, conhecido como senescência replicativa. ● O envelhecimento está associado com a senescência replicativa progressiva de células. ● Células de crianças têm a capacidade de realizar mais ciclos de replicação do que células de pessoas idosas. ● Acredita-se que dois mecanismos justifiquem a senescência celular: Desgaste do telômero: ● Envolve o encurtamento progressivo dos telômeros, o que acaba resultando na interrupção do ciclo celular. ● Os telômeros são sequências repetidas e curtas de DNA, presentes nas extremidades dos cromossomos lineares, que são importantes para garantir a replicação completa de extremidades dos cromossomos e para proteger as extremidades de fusão e degradação. Q ● Quando as células somáticas se replicam, uma pequena seção do telômero não é duplicada e os telômeros diminuem cada vez mais. ● Como os telômeros tornam-se mais curtos, as extremidades dos cromossomos não podem ser protegidas e são vistas como DNA quebrado, o que sinaliza para as células a interrupção do ciclo celular. ● O comprimento do telômero é mantido pela adição de nucleotídeos mediada por uma enzima chamada telomerase. ● A telomerase é um complexo RNA-proteína especializado, que usa seu próprio RNA como molde para a adição de nucleotídeos nas extremidades dos cromossomos. ● A atividade da telomerase é expressa em células germinativas e está presente em níveis baixos em células-tronco, mas está ausente nos demais tecidos somáticos. ● A medida que as células somáticas envelhecem, mais curtos ficam os seus telômeros e elas saem do ciclo celular, resultando em uma incapacidade de gerar novas células para substituir as danificadas. ● Por outro lado, nas células cancerosas imortalizadas, a telomerase é geralmente reativada e o comprimento dos telômeros fica estabilizado, permitindo que as células proliferem indefinidamente. Ativação de genes supressores de tumor: ● Além do desgaste nos telômeros, a ativação de determinados genes supressores de tumor, especialmente aqueles codificados pelo locus CDKN2A, também parece estar envolvida no controle da senescência replicativa. ● O locus CDKN2A codifica duas proteínas supressoras de tumor, e a expressão de uma delas, conhecida como p16 ou INK4a, está correlacionada com a idade cronológica em praticamente todos os tecidos humanos. ● Ao controlar a progressão das fases de G1 a S durante o ciclo 2 3. Senescência celular 3 celular, p16 protege as células de sinais mitogênicos descontrolados e empurra as células ao longo da via de senescência. ● A homeostase das proteínas envolve dois mecanismos: ○ Os que mantêm as proteínas em conformações corretamente dobradas (mediada por chaperonas) ○ Outros que degradam proteínas mal dobradas pelos sistemas de autofagia-lisossomo e da ubiquitina-proteossomo. ● Há evidência de que tanto o dobramento normal de proteínas quanto a degradação de proteínas mal dobradas estão prejudicados com o envelhecimento. ● Os camundongos mutantes deficientes em chaperonas envelhecem rapidamente, e, por outro lado, aqueles que possuem chaperonas em excesso vivem mais. ● Existem dados semelhantes para o papel da autofagia e da degradação proteossômica de proteínas. ● A homeostase anormal de proteínas pode ter muitos efeitos sobre a sobrevivência, replicação e outras funções celulares. Além disso, ela pode conduzir a um acúmulo de proteínas mal dobradas, que pode desencadear as vias da apoptose. ● A restrição calórica aumenta a expectativa de vida em todas as espécies eucarióticas em que foi testada, com resultados animadores. ● Devido a essas observações, há muito interesse em decifrar o papel da detecção de nutrientes no envelhecimento. ● Dois grandes circuitos neuro- hormonais que regulam o metabolismo: A via de sinalização de insulina e do fator de crescimento semelhante à insulina 1 (IGF-1): ● O IGF-1 é produzido em muitos tipos de células em resposta à secreção do hormônio do crescimento pela hipófise. ● O IGF-1 imita a sinalização intracelular pela insulina e, assim, informa as células sobre a disponibilidade da glicose, promovendo um estado anabólico, bem como o crescimento e a replicação celular. ● A sinalização de IGF-1 tem vários alvos celulares; relevantes para essa discussão são duas cinases: AKT e seu alvo subsequente, o mTOR, que é inibido pela rapamicina. Sirtuínas: ● As sirtuínas são uma família de desacetilases de proteínas NAD- dependentes. Existem, diferentes tipos de sirtuínas que estão distribuídas em diferentes compartimentos celulares e possuem funções não redundantes destinadas a adaptar 3 4. Homeostase defeituosa da proteína 5. Detecção desregulada de nutrientes 4 as funções corporais a vários estímulos ambientais, incluindo a privação de alimento e danos ao DNA. ● Acredita-se que as sirtuínas promovam a expressão de vários genes, cujos produtos aumentam a longevidade. Estes incluem proteínas que inibem a atividademetabólica, reduzem a apoptose, estimulam o dobramento de proteínas, e inibem os efeitos nocivos de radicais livres do oxigênio. ● As sirtuínas também aumentam a sensibilidade à insulina e o metabolismo da glicose, e podem ser alvos para o tratamento do diabetes. ● Acredita-se que a restrição calórica aumente a longevidade de dois modos: ○ Pela redução da intensidade da sinalização da via do IGF-1: causa a diminuição das taxas de crescimento e metabolismo celular e, possivelmente, redução do dano celular.Esse efeito pode ser mimetizado pela rapamicina. ○ Pelo aumento das sirtuínas: particularmente a sirtuína-6, tem duas funções: (1) as sirtuínas contribuem para adaptações metabólicas à restrição calórica e (2) elas promovem a integridade genômica, ativando enzimas de reparo de DNA por desacilação. ● Os amantes do vinho ouvem que um constituinte do vinho tinto ativa as sirtuínas e, assim, aumenta a espectativa de vida. ● As várias formas de desequilíbrios e adaptações celulares abrangem um amplo espectro, compreendendo: ○ adaptações do tamanho, crescimento e funções celulares; ○ formas reversíveis e irreversíveis de lesão celular aguda; ○ tipos de morte celular regulada representado pela apoptose; ○ alterações patológicas nas organelas celulares; e ○ formas menos ameaçadoras de acúmulos intracelulares, incluindo as pigmentações. 4