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Prévia do material em texto

Caro aluno 
Ao elaborar o seu material inovador, completo e moderno, o Hexag considerou como principal diferencial sua exclusiva metodologia em período integral, com aulas e Estudo 
Orientado (E.O.), e seu plantão de dúvidas personalizado. O material didático é composto por 6 cadernos de aula e 107 livros, totalizando uma coleção com 113 exemplares. 
O conteúdo dos livros é organizado por aulas temáticas. Cada assunto contém uma rica teoria que contempla, de forma objetiva e transversal, as reais necessidades dos 
alunos, dispensando qualquer tipo de material alternativo complementar. Para melhorar a aprendizagem, as aulas possuem seções específicas com determinadas finalidades. 
A seguir, apresentamos cada seção:
De forma simples, resumida e dinâmica, essa seção foi desen-
volvida para sinalizar os assuntos mais abordados no Enem e 
nos principais vestibulares voltados para o curso de Medicina 
em todo o território nacional.
INCIDÊNCIA DO TEMA NAS PRINCIPAIS PROVAS
Todo o desenvolvimento dos conteúdos teóricos de cada co-
leção tem como principal objetivo apoiar o aluno na resolu-
ção das questões propostas. Os textos dos livros são de fácil 
compreensão, completos e organizados. Além disso, contam 
com imagens ilustrativas que complementam as explicações 
dadas em sala de aula. Quadros, mapas e organogramas, em 
cores nítidas, também são usados e compõem um conjunto 
abrangente de informações para o aluno que vai se dedicar 
à rotina intensa de estudos.
TEORIA
No decorrer das teorias apresentadas, oferecemos uma cui-
dadosa seleção de conteúdos multimídia para complementar 
o repertório do aluno, apresentada em boxes para facilitar a
compreensão, com indicação de vídeos, sites, filmes, músicas, 
livros, etc. Tudo isso é encontrado em subcategorias que fa-
cilitam o aprofundamento nos temas estudados – há obras
de arte, poemas, imagens, artigos e até sugestões de aplicati-
vos que facilitam os estudos, com conteúdos essenciais para 
ampliar as habilidades de análise e reflexão crítica, em uma
seleção realizada com finos critérios para apurar ainda mais
o conhecimento do nosso aluno.
MULTIMÍDIA
Atento às constantes mudanças dos grandes vestibulares, é 
elaborada, a cada aula e sempre que possível, uma seção que 
trata de interdisciplinaridade. As questões dos vestibulares 
atuais não exigem mais dos candidatos apenas o puro co-
nhecimento dos conteúdos de cada área, de cada disciplina.
Atualmente há muitas perguntas interdisciplinares que abran-
gem conteúdos de diferentes áreas em uma mesma questão, 
como Biologia e Química, História e Geografia, Biologia e Ma-
temática, entre outras. Nesse espaço, o aluno inicia o contato 
com essa realidade por meio de explicações que relacionam 
a aula do dia com aulas de outras disciplinas e conteúdos de 
outros livros, sempre utilizando temas da atualidade. Assim, 
o aluno consegue entender que cada disciplina não existe de 
forma isolada, mas faz parte de uma grande engrenagem no 
mundo em que ele vive.
CONEXÃO ENTRE DISCIPLINAS
Um dos grandes problemas do conhecimento acadêmico 
é o seu distanciamento da realidade cotidiana, o que difi-
culta a compreensão de determinados conceitos e impede 
o aprofundamento nos temas para além da superficial me-
morização de fórmulas ou regras. Para evitar bloqueios na
aprendizagem dos conteúdos, foi desenvolvida a seção “Vi-
venciando“. Como o próprio nome já aponta, há uma preo-
cupação em levar aos nossos alunos a clareza das relações
entre aquilo que eles aprendem e aquilo com que eles têm
contato em seu dia a dia.
VIVENVIANDO
Essa seção foi desenvolvida com foco nas disciplinas que fa-
zem parte das Ciências da Natureza e da Matemática. Nos 
compilados, deparamos-nos com modelos de exercícios re-
solvidos e comentados, fazendo com que aquilo que pareça 
abstrato e de difícil compreensão torne-se mais acessível e 
de bom entendimento aos olhos do aluno. Por meio dessas 
resoluções, é possível rever, a qualquer momento, as explica-
ções dadas em sala de aula.
APLICAÇÃO DO CONTEÚDO
Sabendo que o Enem tem o objetivo de avaliar o desem-
penho ao fim da escolaridade básica, organizamos essa 
seção para que o aluno conheça as diversas habilidades e 
competências abordadas na prova. Os livros da “Coleção 
Vestibulares de Medicina” contêm, a cada aula, algumas 
dessas habilidades. No compilado “Áreas de Conhecimento 
do Enem” há modelos de exercícios que não são apenas 
resolvidos, mas também analisados de maneira expositiva e 
descritos passo a passo à luz das habilidades estudadas no 
dia. Esse recurso constrói para o estudante um roteiro para 
ajudá-lo a apurar as questões na prática, a identificá-las na 
prova e a resolvê-las com tranquilidade.
ÁREAS DE CONHECIMENTO DO ENEM
Cada pessoa tem sua própria forma de aprendizado. Por isso, 
criamos para os nossos alunos o máximo de recursos para 
orientá-los em suas trajetórias. Um deles é o ”Diagrama de 
Ideias”, para aqueles que aprendem visualmente os conte-
údos e processos por meio de esquemas cognitivos, mapas 
mentais e fluxogramas.
Além disso, esse compilado é um resumo de todo o conteúdo 
da aula. Por meio dele, pode-se fazer uma rápida consulta 
aos principais conteúdos ensinados no dia, o que facilita a 
organização dos estudos e até a resolução dos exercícios.
DIAGRAMA DE IDEIAS
© Hexag SiStema de enSino, 2018
Direitos desta edição: Hexag Sistema de Ensino, São Paulo, 2022 
Todos os direitos reservados.
Coordenador-geral
Raphael de Souza Motta
reSponSabilidade editorial, programação viSual, reviSão e peSquiSa iConográfiCa 
Hexag Sistema de Ensino
editoração eletrôniCa
Felipe Lopes Santos
Letícia de Brito Ferreira
Matheus Franco da Silveira
projeto gráfiCo e Capa
Raphael de Souza Motta
imagenS
Freepik (https://www.freepik.com)
Shutterstock (https://www.shutterstock.com)
Pixabay (https://www.pixabay.com)
ISBN: 978-85-9542-200-1
Todas as citações de textos contidas neste livro didático estão de acordo com a legislação, ten-
do por fim único e exclusivo o ensino. Caso exista algum texto a respeito do qual seja necessária a in-
clusão de informação adicional, ficamos à disposição para o contato pertinente. Do mesmo modo, 
fizemos todos os esforços para identificar e localizar os titulares dos direitos sobre as imagens pub-
licadas e estamos à disposição para suprir eventual omissão de crédito em futuras edições.
O material de publicidade e propaganda reproduzido nesta obra é usado apenas para fins didáticos, não repre-
sentando qualquer tipo de recomendação de produtos ou empresas por parte do(s) autor(es) e da editora.
2022
Todos os direitos reservados para Hexag Sistema de Ensino.
Rua Luís Góis, 853 – Mirandópolis – São Paulo – SP
CEP: 04043-300
Telefone: (11) 3259-5005
www.hexag.com.br
contato@hexag.com.br
SUMÁRIO
BIOLOGIA
ECOLOGIA 5
AULAS 9 E 10: INTRODUÇÃO À ECOLOGIA 7
AULAS 11 E 12: PIRÂMIDES E EFICIÊNCIA ECOLÓGICAS 14
AULAS 13 E 14: RELAÇÕES ECOLÓGICAS 19
AULAS 15 E 16: DINÂMICA POPULACIONAL E SUCESSÃO ECOLÓGICA 27
ZOOLOGIA 33
AULAS 9 E 10: REINO PROTOCTISTA II: ALGAS 35
AULAS 11 E 12: PORÍFEROS E CNIDÁRIOS 43
AULAS 13 E 14: PLATELMINTOS 54
AULAS 15 E 16: NEMATELMINTOS 61
CITOLOGIA 69
AULAS 9 E 10: INTRODUÇÃO À CITOLOGIA 71
AULAS 11 E 12: CITOPLASMA 85
AULAS 13 E 14: NÚCLEO 95
AULAS 15 E 16: DIVISÃO CELULAR: MITOSE 101
Co
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tê
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Ci
a
 1
Compreender as ciências naturais e as tecnologias a elas associadas como construções humanas, percebendo seus papéis nos processos de 
produção e no desenvolvimento econômico e social da humanidade.
H1 Reconhecer características ou propriedades de fenômenos ondulatórios ou oscilatórios, relacionando-os a seus usos em diferentes contextos.
H2 Associar a solução de problemas de comunicação, transporte, saúde ou outro, com o correspondente desenvolvimento científico e tecnológico.
H3 Confrontar interpretações científicas com interpretações baseadas no senso comum, ao longo do tempo ou em diferentes culturas.
H4
Avaliar propostas de intervenção no ambiente, considerando a qualidadeda vida humana ou medidas de conservação, recuperação ou utilização 
sustentável da biodiversidade.
Co
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Ci
a
 2 Identificar a presença e aplicar as tecnologias associadas às ciências naturais em diferentes contextos.
H5 Dimensionar circuitos ou dispositivos elétricos de uso cotidiano.
H6 Relacionar informações para compreender manuais de instalação ou utilização de aparelhos, ou sistemas tecnológicos de uso comum.
H7
Selecionar testes de controle, parâmetros ou critérios para a comparação de materiais e produtos, tendo em vista a defesa do consumidor, a saúde 
do trabalhador ou a qualidade de vida.
Co
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 3
Associar intervenções que resultam em degradação ou conservação ambiental a processos produtivos e sociais e a instrumentos ou ações 
científico-tecnológicos.
H8
Identificar etapas em processos de obtenção, transformação, utilização ou reciclagem de recursos naturais, energéticos ou matérias-primas, con-
siderando processos biológicos, químicos ou físicos neles envolvidos.
H9
Compreender a importância dos ciclos biogeoquímicos ou do fluxo energia para a vida, ou da ação de agentes ou fenômenos que podem causar 
alterações nesses processos.
H10
Analisar perturbações ambientais, identificando fontes, transporte e(ou) destino dos poluentes ou prevendo efeitos em sistemas naturais, produ-
tivos ou sociais.
H11 Reconhecer benefícios, limitações e aspectos éticos da biotecnologia, considerando estruturas e processos biológicos envolvidos em produtos biotecnológicos.
H12 Avaliar impactos em ambientes naturais decorrentes de atividades sociais ou econômicas, considerando interesses contraditórios.
Co
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a
 4
Compreender interações entre organismos e ambiente, em particular aquelas relacionadas à saúde humana, relacionando conhecimentos científicos, 
aspectos culturais e características individuais.
H13 Reconhecer mecanismos de transmissão da vida, prevendo ou explicando a manifestação de características dos seres vivos.
H14
Identificar padrões em fenômenos e processos vitais dos organismos, como manutenção do equilíbrio interno, defesa, relações com o ambiente, 
sexualidade, entre outros.
H15 Interpretar modelos e experimentos para explicar fenômenos ou processos biológicos em qualquer nível de organização dos sistemas biológicos.
H16 Compreender o papel da evolução na produção de padrões, processos biológicos ou na organização taxonômica dos seres vivos
Co
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Ci
a
 5 Entender métodos e procedimentos próprios das ciências naturais e aplicá-los em diferentes contextos.
H17
Relacionar informações apresentadas em diferentes formas de linguagem e representação usadas nas ciências físicas, químicas ou biológicas, 
como texto discursivo, gráficos, tabelas, relações matemáticas ou linguagem simbólica.
H18 Relacionar propriedades físicas, químicas ou biológicas de produtos, sistemas ou procedimentos tecnológicos às finalidades a que se destinam.
H19
Avaliar métodos, processos ou procedimentos das ciências naturais que contribuam para diagnosticar ou solucionar problemas de ordem social, 
econômica ou ambiental.
Co
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Ci
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 6
Apropriar-se de conhecimentos da física para, em situações problema, interpretar, avaliar ou planejar intervenções científicotecnológicas.
H20 Caracterizar causas ou efeitos dos movimentos de partículas, substâncias, objetos ou corpos celestes.
H21 Utilizar leis físicas e (ou) químicas para interpretar processos naturais ou tecnológicos inseridos no contexto da termodinâmica e(ou) do eletromagnetismo.
H22
Compreender fenômenos decorrentes da interação entre a radiação e a matéria em suas manifestações em processos naturais ou tecnológicos, 
ou em suas implicações biológicas, sociais, econômicas ou ambientais.
H23
Avaliar possibilidades de geração, uso ou transformação de energia em ambientes específicos, considerando implicações éticas, ambientais, 
sociais e/ou econômicas.
Co
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Ci
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 7
Apropriar-se de conhecimentos da química para, em situações problema, interpretar, avaliar ou planejar intervenções científicotecnológicas.
H24 Utilizar códigos e nomenclatura da química para caracterizar materiais, substâncias ou transformações químicas.
H25
Caracterizar materiais ou substâncias, identificando etapas, rendimentos ou implicações biológicas, sociais, econômicas ou ambientais de sua 
obtenção ou produção.
H26
Avaliar implicações sociais, ambientais e/ou econômicas na produção ou no consumo de recursos energéticos ou minerais, identificando transfor-
mações químicas ou de energia envolvidas nesses processos.
H27 Avaliar propostas de intervenção no meio ambiente aplicando conhecimentos químicos, observando riscos ou benefícios.
Co
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Ci
a
 8
Apropriar-se de conhecimentos da biologia para, em situações problema, interpretar, avaliar ou planejar intervenções científicotecnológicas.
H28
Associar características adaptativas dos organismos com seu modo de vida ou com seus limites de distribuição em diferentes ambientes, em 
especial em ambientes brasileiros.
H29
Interpretar experimentos ou técnicas que utilizam seres vivos, analisando implicações para o ambiente, a saúde, a produção de alimentos, matérias 
primas ou produtos industriais.
H30
Avaliar propostas de alcance individual ou coletivo, identificando aquelas que visam à preservação e a implementação da saúde individual, 
coletiva ou do ambiente.
MATRIZ DE REFERÊNCIA DO ENEM 
BIOLOGIABIOLOGIA
CIÊNCIAS DA
NATUREZA
e suas tecnologias
TEORiA
DEDE AULAAULA
2
 ECOLOGIA
BIOLOGIABIOLOGIA
CIÊNCIAS DA
NATUREZA
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INCIDÊNCIA DO TEMA NAS PRINCIPAIS PROVAS
UFMG
A compreensão de teias e cadeias alimen-
tares e da interação entre os seres vivos 
é fundamental para resolver as questões 
de ecologia, que são interdisciplinares e 
pedem temas atuais com relação aos im-
pactos ambientais.
As perguntas estão relacionadas majori-
tariamente à área de ecologia, com foco 
principal em cadeias e teias alimentares, 
conceitos presentes nas primeiras aulas 
dessa frente.
Prova interdisciplinar que, em muitos casos, 
estimula a interpretação de gráficos. Assim 
como na Fuvest, a ecologia tem posição de 
destaque, em que interações ecológicas e 
teias alimentares são comuns.
Nessa prova, é comum aparecerem casos 
atuais de desastres ambientais. Saber 
relacionar problemas ecológicos com con-
teúdos simples, como teias alimentares, é 
essencial.
Prova interdisciplinar que mobiliza conheci-
mentos básicos e estruturantes da ecologia 
nas questões de cadeia e teia alimentar. Em 
geral, o assunto é trabalhado em questões 
de nível intermediário, mas, em perguntas 
que relacionam diferentes áreas da Biolo-
gia, o nível de dificuldade pode 
ser maior.
Prova com poucas questões de ecologia, 
sendo que o tema que mais aparece é a 
interação entre os seres vivos (teias alimen-
tares e relações ecológicas).
Prova com questões que misturam diferen-
tes áreas da Biologia. Aparecem assuntos 
como sucessão ecológica, problemas am-
bientais e relações ecológicas.
Problemas ambientais, relações ecológicas 
e conceitos básicos relacionados à ecologia 
(população, comunidade, ecossistema) são 
muito presentes.
Prova com forte presença de ecologia: 
cadeias alimentares, relações ecológicas 
e problemas ambientais são os principais 
assuntos.
É uma prova com questões interdiscipli-
nares que cobram conteúdos altamente 
específicos. Conceitos gerais de ecologia, 
assim como pirâmides e relações ecológi-
cas, costumam aparecer.
Questões com alto nível de especificidade, 
com conceitos como cadeias alimentares, 
pirâmides e relações ecológicas.
Prova com temas como dinâmica popula-
cional, relações ecológicas e teias alimen-
tares.
Na ecologia, a prova é similar à do Enem, 
com ênfase em problemas ambientais e 
relações ecológicas.
Com perfil similar à prova da Fuvest e 
questões bem específicas, ostemas mais 
frequentes são problemas ambientais e 
relações ecológicas.
É uma prova que privilegia citologia e ge-
nética, de forma que não há muitas ques-
tões sobre ecologia; nessa área, os temas 
mais abordados são relações ecológicas e 
problemas ambientais
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1. Introdução
O termo ecologia deriva do grego oikos, que significa 
“casa” ou “lar”, e logos, que significa “estudo”. Assim, a 
ecologia estuda as relações dos seres vivos entre si (bióti-
co) e com o meio em que vivem (abiótico).
Os ecólogos analisam a dinâmica de populações, a intera-
ção entre as espécies, o meio ambiente, o fluxo de energia, 
os padrões de distribuição e de sucessão ecológica, etc. 
A ecologia também estuda os efeitos das atividades hu-
manas sobre o meio natural e os desequilíbrios (ou novos 
equilíbrios) ecológicos que elas provocam. De um ponto de 
vista mais crítico e ideológico, os ecólogos e outros adep-
tos de ações em defesa da preservação do equilíbrio do 
planeta se opõem ao uso irresponsável e desmedido dos 
recursos naturais para sustento de processos industriais. A 
industrialização pouco criteriosa, fundamentada no consu-
mo desenfreado, no lucro e na visão largamente difundida 
de que os recursos do ambiente podem ser livremente ex-
plorados até a exaustão, mostrou ter consequências desas-
trosas para o ecossistema planetário.
A intensificação do efeito estufa e do aquecimento global, 
o desflorestamento, a chuva ácida, a desertificação, a ex-
tinção de espécies, a poluição e a destruição da camada 
de ozônio são alguns aspectos desse impacto negativo 
da ação humana sobre a natureza. Já medidas a favor da 
preservação ambiental – como mudanças no sistema de 
produção, no emprego de energia e no uso de recursos 
– fazem parte do esforço positivo necessário para evitar a 
degradação do meio ambiente.
Dessa maneira, a ecologia possibilita a compreensão do 
funcionamento dos sistemas naturais e incentiva a prática 
da conservação da natureza.
2. Níveis de organização 
ecológica
Os níveis de organização biológica são estudados na eco-
logia por meio de uma amplitude de escalas, passando 
desde o organismo até a biosfera.
RepResentação dos níveis de oRganização biológica. a ecologia estuda as inteRações 
dos oRganismos em níveis de população, comunidade, ecossistema e biosfeRa
O organismo representa o indivíduo da espécie e, por 
meio de sua análise, é possível pesquisar os efeitos da sele-
ção natural e de outros fenômenos evolutivos, identifican-
do as adaptações e as interações com o meio. 
organismo > população > comunidade > ecossistema 
> bioma > biocora > biociclo > biosfera
Um conjunto de organismos da mesma espécie que intera-
gem e habitam uma determinada região durante um certo 
período de tempo constitui uma população. Sua pesquisa 
permite analisar, por exemplo, a quantidade de indivíduos, 
a distribuição populacional no espaço e as mudanças ocor-
ridas ao longo do tempo:
 exemplo de uma população de elefantes maRinhos (miRounga leonina)
INTRODUÇÃO 
À ECOLOGIA
COMPETÊNCIA(s)
3 
HABILIDADE(s)
8 e 9
CN AULAS 9 E 10
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Já a reunião de várias populações de diferentes espécies que interagem e habitam determinado espaço e tempo forma uma 
comunidade biológica, biota ou biocenose. Seu estudo possibilita investigar as variações numéricas dos indivíduos e 
das espécies, as características estruturais das populações e as interações entre os organismos:
arborícola
Rã
Jiboia
Preguiça
Tucano
Papagaio
Gavião-real
Borboleta Morpho
Macaco-
Beija-flor
-aranha
Sagui
Cobra arborícola
Ocelote
Tatu gigante Anta Tarântula
exemplo de comunidade biológica em um tRecho de mata tRopical.
O ecossistema, por sua vez, compreende a interação 
da biota com o seu meio ambiente, formando uma rede 
complexa de relações de mútua influência entre os seres 
vivos de uma determinada área e todos os seus elementos 
físicos naturais (geológicos, climáticos, etc.). Dessa forma, 
pode apresentar distintos tamanhos e escalas. 
as comunidades biológicas de um ecossistema aquático.
O conjunto de vários ecossistemas que interagem é deno-
minado bioma. A mata Atlântica, a Amazônia, o cerrado, 
a caatinga e o Pantanal são exemplos de biomas, uma 
vez que são formados por diversos tipos de ecossistemas 
interligados. Observe na figura a seguir o caso do cerrado:
o bioma ceRRado e seus ecossistemas associados.
A biocora é a reunião de vários biomas com caracterís-
ticas próprias e pode ser classificada em floresta, campo, 
savana e deserto. Por exemplo, embora sejam diferentes 
ecologicamente, a mata Atlântica, a Amazônia e a taiga 
são formações “basicamente” florestais, o que permite co-
locá-las na biocora das florestas.
O agrupamento de biocoras com características particulares 
de um dado compartimento da Terra é denominado bioci-
clo. Os biocoros marinhos constituem o biociclo marinho 
ou talassociclo, os biocoros terrestres constituem o bioci-
clo terrestre ou epinociclo e os biocoros de água doce 
constituem o biociclo dulcícola ou limnociclo.
A biosfera, por fim, é o conjunto de todos os biociclos 
e forma a camada ou superfície do planeta, que contém, 
sustenta e mantém a vida. 
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VIVENCIANDO
a biosfeRa e sua posição em Relação a outRas camadas componentes do planeta teRRa.
2.1. Habitat e nicho ecológico 
Em uma comunidade biológica, diversos seres vivos intera-
gem entre si e com o meio e formam relações complexas, 
assumindo lugares e funções específicas. Para posicionar 
uma espécie nessa rede de interações, a ecologia utiliza 
dois conceitos fundamentais. O habitat descreve o local 
mais provável de se encontrar a espécie, isto é, onde ela 
vive e realiza suas atividades. Já o nicho ecológico é 
o papel que a espécie desempenha no ambiente (o seu 
modo de vida) e se caracteriza pelo total de informações 
biológicas que se pode obter acerca de uma espécie:
 § Quanto à biologia alimentar: o que, quando, quanto 
e onde come; como obtém o alimento e com que fre-
quência se alimenta.
 § Quanto à biologia comportamental: se vive isolada ou 
em grupo; que tipo de relação existe entre os indivídu-
os da população (machos, fêmeas, jovens, adultos e ve-
lhos); como é a sua distribuição espacial; se é séssil, de-
fende o seu território ou movimenta-se continuamente.
 § Quanto a sua reprodução: se é sexuada ou assexuada; 
se existe cuidado com a prole ou não; se existe pares, 
casais fixos ou haréns; se há ninhos e postura de ovos; se 
a fecundação é interna ou externa; se o desenvolvimento 
é direto ou com formação de larvas; se há dependência 
em relação à água para a fecundação, etc. 
aspectos Relacionados a nicho ecológico
Assim, por ser um conceito mais abrangente, o nicho de 
uma espécie envolve o seu habitat (caso 2), visto que a 
cada papel que desenvolve associa-se uma porção ou fra-
ção do seu habitat. Entretanto, se uma lagoa (ambiente) for 
considerada um habitat, é certo que nesse habitat haverá 
inúmeras espécies e, portanto, inúmeros nichos (caso 1).
Habitat
RepResentação de habitat e nichos ecológicos.
Através da elucidação dos habitats e dos nichos ecológicos dos seres vivos, pode-se estabelecer a região que estes per-
manecem e suas possíveis relações ecológicas, permitindo desenvolver programas de proteção de espécies ameaçadas 
de extinção. Estudos ecológicos em que os habitats e os nichos ecológicos ocupados são bem estabelecidos servem de 
subsídios para argumentos contrários à construção de estradas, hidrelétricas, rodovias que prejudicam as relações intra 
e interespecíficas, entre outros. Além disso, é de grande importância conhecer esses níveis ecológicos de maneira cada 
vez mais detalhada para aumentar a compreensão sobre as relações ecológicas e a preservação ambiental.
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2.2. Composição e estrutura 
dos ecossistemas
Os ecossistemas apresentam um componente biótico, re-
presentado pelas comunidades biológicas, e um abiótico, 
caracterizado pelos elementos físicos e químicos do meio. 
Logo, a parte biótica é constituída por tudo o que é consi-
derado vivo, como plantas, animais e microrganismos, en-
quanto a abiótica é o conjunto de tudo o que não é vivo, 
como nutrientes, água, ar, gases, energia e substâncias or-
gânicas e inorgânicas do meio ambiente.
Além disso, um ecossistema é caracterizado pela presença 
de dois processos: o ciclo da matéria, em que observa-se a 
reciclagem dos elementos entre os seres vivos e o ambiente, 
e o fluxo de energia – o qual tem início com a energia 
solar e demonstra a conversão, uso e transporte da energia 
entre os seres vivos. 
Uma vez que cada ecossistema é relativamente autônomo 
e apresenta equilíbrio dinâmico, as espécies biológicas e as 
condições de vida tendem a não se alterar drasticamente e 
a se preservar ao longo do tempo – embora a curto prazo 
apresentem modificações constantes e em pequena escala. 
os ecossistema envolvem um sistema (s) delimitado mas abeRto 
que peRmite um ambiente de entRada (ae) e um ambiente de 
saída (as) de eneRgia, mateRiais, oRganismos e outRos.
O ecótono é a zona de transição entre ecossistemas di-
ferentes e, por isso, possui características de cada uma das 
comunidades fronteiriças nela existentes. Assim, em um 
ecótono encontra-se maior biodiversidade do quem cada 
um dos ecossistemas adjacentes.
esquema da zona de tRansição (ecótono) entRe ecossistemas.
Assim, em um ecótono encontra-se maior biodiversidade 
do que em cada um dos ecossistemas adjacentes.
2.3. Cadeias alimentares
A cadeia alimentar é a sequência de transferências de ma-
téria e energia, sob a forma de alimento, de um organismo 
para outro. Esse ciclo vital garante o equilíbrio e a manu-
tenção dos ecossistemas. 
Os diferentes seres vivos de um ecossistema cumprem 
papéis específicos dentro da cadeia alimentar e, dessa 
maneira, podem ser classificados em três níveis distintos: 
produtores, consumidores e decompositores. Os produ-
tores são os organismos capazes de converter matéria 
inorgânica em orgânica e, consequentemente, produzir seu 
próprio alimento (autótrofos). Enquanto os quimiossinteti-
zantes oxidam substâncias minerais para produzir energia, 
os organismos clorofilados, como as plantas e as algas, uti-
lizam a fotossíntese para sintetizar compostos orgânicos a 
partir da luz solar. Vale ressaltar que os produtores fotos-
sintetizantes sintetizam quase toda a totalidade da matéria 
orgânica que servirá de alimento para a biota.
Essa energia produzida sustenta, direta ou indiretamente, 
os organismos consumidores que não conseguem pro-
duzir seu próprio alimento e, portanto, precisam ingerir do 
meio externo (seres heterótrofos). Eles são classificados 
como consumidores primários, quando se alimentam dire-
tamente do produtor (herbívoros), ou como secundários, 
terciários, etc., ao se alimentarem de outros animais (carní-
voros). Animais onívoros podem ocupar diferentes posições 
dependendo da alimentação analisada.
Quando os dejetos desses animais são lançados no solo e se 
juntam ao material morto ali presente, entram em ação os de-
nominados organismos decompositores, fungos e bacté-
rias. Eles completam o ciclo vital, pois decompõem a matéria 
orgânica presente nos organismos mortos e a transformam 
novamente em compostos inorgânicos. Graças a eles, o solo é 
remineralizado e os produtores podem realizar seus metabo-
lismos de construção, produzindo novamente a matéria que 
vai fluir ao longo das teias alimentares e do meio físico.
Produtor
Consumidor 
primário
Consumidor 
secundário
Consumidor 
terciário
exemplo de cadeia alimentaR
Entre outros fatores, o equilíbrio do ecossistema depende 
da realização de cada uma dessas etapas da cadeia ali-
mentar. A drástica redução dos animais carnívoros, por 
exemplo, pode resultar na proliferação desenfreada dos 
animais herbívoros e, com isso, na escassez ou extinção de 
algumas espécies vegetais.
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fonte: Youtube
Cadeia Alimentar
multimídia: vídeo
A teia alimentar é uma das principais interações entre os 
organismos em ecossistemas reais. Ela é caracterizada por 
diversas cadeias alimentares interligadas. Em uma cadeia 
alimentar, tem-se uma sequência de seres vivos que apre-
sentam relações tróficas entre si, isto é, cada ser vivo se 
alimenta do organismo que o antecede e serve de alimento 
para o que o sucede, ocorrendo, assim, transferências de 
matéria e energia ao longo das cadeias.
Lobo Puma Gato
Lebre MartenBassarisco
Largato
Águia
Borboleta Esquilo Cervo
Rato Sapo
Marta
Sitta
esquema de teia alimentaR
As setas utilizadas nos diagramas e esquemas de teias e cadeias 
indicam o sentido da matéria e energia. Dessa forma, são uni-
direcionais e sempre têm a sua origem no organismo que serve 
de alimento e apontam para o organismo que se alimenta. 
www.infoescola.com/biologia/nicho-ecologico/
brasilescola.uol.com.br/biologia/habitat-nicho-ecologico.htm
www.infoescola.com/biologia/niveis-troficos
multimídia: site
2.4. Nível trófico
O nível trófico é a posição que o organismo ocupa na 
cadeia e, portanto, representa também a distância entre 
o indivíduo e o início da teia. Os organismos em uma 
cadeia têm a sua disposição quantidades diferentes de 
energia no alimento que ingerem, uma vez que as perdas 
energéticas de um nível para outro são muito grandes – 
ao longo da cadeia a energia é utilizada pelos seres vivos 
e dispersada para o ambiente. 
Logo, quanto mais afastado o organismo está do início da 
cadeia, maiores foram as perdas energéticas até ele. Da 
mesma maneira, quanto mais próximo do início, maior é a 
energia disponível. Isso significa que a posição que o orga-
nismo ocupa na cadeia é fundamental e que o número de 
níveis tróficos é limitado pela disponibilidade de energia. 
RepResentação do uso e peRda de eneRgia ao longo dos níveis tRóficos.
Dependendo de quem ocupa o primeiro nível trófico, é pos-
sível classificar a cadeia ou teia em dois tipos básicos: a de 
pastejo, na qual a energia que sustenta a cadeia são as 
plantas (autótrofos) e o segundo nível trófico é ocupado 
por herbívoros; e a de detritos, na qual a base é a matéria 
orgânica não viva, que será processada por seres detritívo-
ros e decompositores (segundo nível trófico).
Detritívoros Decompositores
Buracos feitos
 por besouros
Marcas deixadas
 por besouros
Galerias de
 formigas
 Formigas e 
Cupins agindo
 na madeira
 Madeira reduzida
 a pedaços 
 menores
Cogumelo
Progressão do tempo
Decomposição
 por fungos
.
Decompositores reduzem a matéria orgânica
(restos de madeir V
figuRa com a ação dos seRes detRitívoRos e decompositoRes 
em um tRonco de madeiRa, ao longo do tempo.
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ÁREAS DE CONHECIMENTO DO ENEM
HABILIDADE 8
Identificar etapas em processos de obtenção, transformação, utilização ou reciclagem de recursos naturais, 
energéticos ou matérias-primas, considerando processos biológicos, químicos ou físicos neles envolvidos.
Nessa questão sobre teias alimentares é preciso identificar corretamente a forma com que os seres vivos 
obtêm energia e matéria orgânica e a partir disso saber colocá-los nos níveis tróficos correspondentes.
MODELO 1
a) Consumidor primário, pois ataca diretamente uma espécie herbívora.
b) Consumidor secundário, pois se alimenta diretamente dos tecidos da lagarta.
c) Organismo heterótrofo de primeira ordem, pois se alimenta de pólen na fase adulta.
d) Organismo heterótrofo de segunda ordem, pois apresenta o maior nível energético na cadeia.
e) Decompositor, pois se alimenta de tecidos do interior do corpo da lagartae a leva à morte.
ANÁLISE EXPOSITIVA
Deve-se entender a forma de obtenção de alimento pelos parasitas e, consequentemente, saber associar 
corretamente a qual nível trófico da cadeia alimentar esse ser vivo é inserido. O parasita em questão obtém 
seu alimento quando consome tecidos no interior da lagarta. Como a lagarta é consumidora primária, pois 
se alimenta de produtores, logo, o parasita é um consumidor secundário.
RESPOSTA Alternativa B
(Enem) Os parasitoides (misto de parasitas e preda-
dores) são insetos diminutos que têm hábitos muito 
peculiares: suas larvas podem se desenvolver dentro 
do corpo de outros organismos, como mostra a figura. 
A forma adulta se alimenta de pólen e açúcares. Em 
geral, cada parasitoide ataca hospedeiros de determi-
nada espécie e, por isso, esses organismos vêm sen-
do amplamente usados para o controle biológico de 
pragas agrícolas. A forma larval do parasitoide assume 
qual papel nessa cadeia alimentar? 
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HABILIDADE 9
Compreender a importância dos ciclos biogeoquímicos ou do fluxo energia para a vida, ou da ação de 
agentes ou fenômenos que podem causar alterações nesses processos.
Nesse exercício é necessário conhecer como ocorre o fluxo energético nas cadeias alimentares. Qual nível 
trófico possui a maior quantidade de energia disponível e como isso influencia os demais níveis.
MODELO 2
(Enem) Estudos de fluxo de energia em ecossistemas demonstram que a alta produtividade nos manguezais 
está diretamente relacionada às taxas de produção primária líquida e a rápida reciclagem dos nutrientes. Como 
exemplo de seres vivos encontrados nesse ambiente, temos: aves, caranguejos, insetos, peixes e algas.
Dos grupos de seres vivos citados, as que contribuem diretamente para a manutenção dessa produtividade no 
referido ecossistema são
a) aves;
b) algas;
c) peixes;
d) insetos;
e) caranguejos.
ANÁLISE EXPOSITIVA
Conhecer quem são os tipos de organismos responsáveis pela produtividade e como o fluxo energético 
ocorre é de grande importância para entender como se dá todos os níveis tróficos que ocorrem em um 
ecossistema. A produtividade está relacionada sempre aos organismos fotossintetizantes (autótrofos ou 
produtores) que captam a energia solar e o gás carbônico e transformam em matéria orgânica. Essa 
energia e matéria orgânica ficam então disponíveis para o resto dos níveis tróficos que as obtêm através 
da alimentação. Como as espécies utilizam a energia nos seus processos metabólicos, a quantidade dispo-
nível diminui a cada nível trófico. Com isso, a produtividade de todo ecossistema, nesse caso o manguezal, 
depende diretamente dos organismos produtores (algas).
RESPOSTA Alternativa B
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1. Fluxo de energia
Enquanto a matéria realiza um ciclo pelos compartimen-
tos da biosfera (atmosfera, hidrosfera e litosfera) e tem a 
decomposição biológica como responsável principal pela 
remineralização do ambiente, a energia flui pelos com-
partimentos da biosfera e posssui como principal fonte 
primária o sol. 
FLUXO DE ENERGIA
CICLO DE NUTRIENTES
FLUXO DE MATÉRIA E ENERGIA NOS ECOSSISTEMAS
ECOSSISTEMA
RepResentação do ciclo da matéRia, a qual atRavessa os 
elementos e RetoRna ao ecossistema, e do fluxo de eneRgia, 
que passa pelos seRes vivos e se dispeRsa no ambiente.
A luz solar é usada pelas plantas durante o processo fotos-
sintético para converter matéria inorgânica em orgânica e, 
dessa forma, permitir um aporte nutricional e energético 
aos demais níveis tróficos. Assim, é fundamental compre-
ender que, sem esse insumo energético contínuo do Sol, 
não haveria matéria orgânica e calor para os ecossistemas.
figuRa da chegada e dos caminhos dos Raios solaRes na supeRfície 
da teRRa. apesaR da fotossíntese utilizaR uma quantidade pequena, 
o sol ainda é a fonte pRimáRia de eneRgia da biosfeRa.
Outro ponto que merece destaque é o uso dos compostos 
orgânicos para gerar a energia (em especial na respiração 
celular) e a eliminação de calor nas transformações meta-
bólicas nos seres vivos, que ajudam a explicar a constante e 
contínua ingestão de alimentos. Isso significa que a energia 
disponível diminui ao longo da cadeia alimentar, pois (1) 
cada organismo utiliza uma quantidade para manter seus 
processos metabólicos funcionando e (2) as perdas através 
da teia não podem ser reaproveitadas. Portanto, o fluxo de 
energia é sempre unidirecional e decrescente.
Respiração
Fotossíntese
Cons. primários
 (herbívoros)
De
co
m
po
sit
or
es
Cons. secundários Cons. terciários
Calor não utilizável
pelos organismos
do ecossistema
Fotossíntese
Digestão, assimilação e crescimento
Excreção e morte
Respiração
esquema do fluxo de eneRgia nos níveis tRóficos. 
obseRve o caminho eneRgético desde a conveRsão dos Raios solaRes pela 
fotossíntese até o uso da matéRia oRgânica pelos consumidoRes em pRocessos 
metabólicos e a peRda em foRma de caloR. 
os decompositoRes adquiRem eneRgia de todos os níveis tRófico.
2. As pirâmides ecológicas
As pirâmides ecológicas são representações gráficas das in-
terações existentes entre os organismos nas cadeias e teias 
alimentares. Elas indicam as quantidades de indivíduos, 
massas e energia incorporadas nas relações entre os seres 
vivos envolvidos. Os “retângulos” ou níveis nas pirâmides 
são elaborados de acordo com proporções matemáticas, 
cada um representando um nível trófico. Assim, os produ-
tores ocupam nível trófico primário, os consumidores primá-
rios ocupam nível trófico secundário, os consumidores se-
cundários ocupam nível trófico terciário, e assim por diante. 
Existem diferentes tipos de pirâmide e cada uma delas pos-
sui informações diferentes, além de também apresentar 
PIRÂMIDES E 
EFICIÊNCIA 
ECOLÓGICAS
COMPETÊNCIA(s)
3 
HABILIDADE(s)
8 e 9
CN AULAS 11 E 12
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CONEXÃO ENTRE DISCIPLINAS
limitações específicas – em nenhuma delas, por exemplo, 
há a representação dos decompositores e do seu papel fun-
damental na manutenção do ecossistema. Assim, para uma 
melhor análise, é interessante consultar diversas pirâmides 
ecológicas juntas para que forneçam dados mais completos.
2.1. Número
A pirâmide de número mostra a quantidade de organismos 
em cada nível trófico, dessa maneira sua disposição se altera 
de acordo com o ecossistema analisado. Porém, como não 
representar o tamanho dos indivíduos ou a quantidade de 
matéria orgânica, essa pirâmide não é muito utilizada. 
No primeiro caso, observa-se um exemplo de pirâmide dire-
ta, em que é necessário uma grande quantidade de produ-
tores de pequeno porte para sustentar um número menor 
de consumidores primários que, então, seriam alimento de 
uma quantidade menor ainda de consumidores secundá-
rios – situação que ocorre em uma cadeia contentendo, por 
exemplo, gramíneas (autótrofas fotossintetizantes), roedores 
(herbívoros) e aves de rapina (carnívoros).
Já no segundo e no terceiro casos, tem-se uma pirâmide 
invertida. Em uma cadeia de predadores é possível ter um 
produtor de grande porte e pouco numeroso, como uma 
árvore, que serve de alimento a um número maior de con-
sumidores primários, como insetos. Estes seriam predados, 
por exemplo, por aves que estariam em menor quantidade. 
Na cadeia de detritos ou de parasitas, o “produtor” pode 
ser tanto matéria orgânica decomposta, a qual é consumida 
por organismos detritívoros, quanto um hospedeiro (árvore) 
contendo diversos parasitas (pulgões).
2.2. Biomassa
Essa pirâmide mostra a quantidade de biomassa (kg ou g) 
em cada nível trófico, isto é, a massa total de todos os orga-
nismos vivos de uma espécie em qualquer área ou volume 
dado. Trata-se de um termo amplo, que na ecologia se refere 
ao número de organismos multiplicado pelo seu peso unitá-
rio, geralmente em massa seca (após adesidratação), e divido 
por unidade de área. É importante lembrar que a biomassa 
registra um momento específico, não a média ou acúmulo da 
biomassa ao longo do tempo
Como a de número, sua forma também varia de acordo 
com o ecossistema. Em geral, a pirâmide é direta com o 
ápice para cima, mas em ecossistemas aquáticos ela pode 
ser invertida. Isso ocorre quando o produtor é formado por 
fitoplânctons (organismos microscópios fotossintetizantes) 
que possuem ciclo de vida curto, o qual permite uma rápida 
renovação dos indivíduos conforme são predados pelo con-
sumidor primário (zooplâncton). 
Cadeia terrestre de biomassa de predadores Cadeia aquática de biomassa de predadores
2.3. Energia
A pirâmide energética, finalmente, mostra em cada nível 
trófico a biomassa acumulada (em grama ou quilocaloria) 
por área (m²) e por tempo (geralmente ano). Ela representa 
o fluxo de energia desde os produtores que sintetizam ma-
téria orgânica e consomem parte dela para manutenção 
do seu próprio metabolismo, até o caminho do restante 
desse recurso que estará disponível para os próximos níveis 
tróficos. Portanto, como há apenas uma entrada de energia 
(primeiro nível trófico) que ao longo da cadeia é utilizada 
Para a compreensão do funcionamento de uma pirâmide energética, são aplicados dois conceitos de química 
e física. Primeiro, como descrito pela lei de conservação de massa e energia, bem como pela memorável de-
claração de Lavoisier: “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Além disso, segundo a 
lei da entropia, essa transformação não é de todo eficiente e uma parcela da energia é dispersa em forma de 
calor. Logo, o fluxo energético em uma pirâmide ecológica diminui quando se distancia da base da pirâmide, 
pois parte dele é consumida pelos organismos e perdida em forma de energia térmica. Assim, os próximos 
níveis tróficos superiores possuem sempre uma quantidade de energia menor quando comparada com aquela 
presente no nível trófico anterior.
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VIVENCIANDO
e perdida em forma de calor, uma pirâmide energética 
nunca é invertida.
exemplo de piRâmide de eneRgia
3. Produtividade de 
um ecossistema
A produtividade de um ecossistema indica a sua capacida-
de de crescimento e de manutenção de espécies. 
A energia acumulada pelos produtores por meio de fo-
tossíntese é denominada produtividade primária bru-
ta (PPB). A PPB não está totalmente disponível para os 
consumidores primários, uma vez que os produtores con-
somem uma parcela em processos metabólicos, como a 
respiração celular (RC), para se manterem vivos. Esse saldo 
entre a produção e o consumo energético do ecossistema é 
chamado de produtividade primária líquida (PPL) e é 
efetivamente a energia que está disponível para o próximo 
organismo sob a forma de matéria orgânica. 
PPL = PPB - RC
Em seguida, os herbívoros, assimilam parte da energia 
em tecidos, enquanto outra parcela é usada na respiração 
celular ou eliminada na forma de fezes, excretas e calor. 
É essa matéria acumulada que estará disponível para os 
carnívoros que, de maneira similar, consomem uma fração 
da energia e a transferem para o nível trófico seguinte. O 
acúmulo e transferência de biomassa pelos heterótrofos é 
chamado de produtividade secundária (ou terciária, 
quartenária, etc., dependendo do nível trófico analisado).
esquema de cadeia tRófica. obseRve o valoR decRescente 
da pRodutividade líquida ao longo dos níveis tRóficos
A produtividade primária de um ecossistema depende, por-
tanto, do alto desempenho fotossintético de seus produto-
res e possui fatores limitantes relacionados à fotossíntese 
– tais como luminosidade, altitude (ambientes terrestres) ou 
profundidade (aquático), temperatura, pluviosidade, dispo-
nibilidade de água líquida e de nutrientes. 
De maneira geral, a transferência de energia de um nível 
trófico para outro é ineficiente: apenas cerca de 5 a 20% 
da biomassa está disponível para o consumidor seguinte. 
Assim, também é fundamental evitar a perda de energia 
ao longo da cadeia para que haja acúmulo de biomassa e 
crescimento das populações. 
Altos valores de PPL permitem grande crescimento da co-
munidade biológica, tanto em número quanto no tamanho 
dos indivíduos, enquanto índices pequenos representam 
apenas a capacidade de sustentabilidade, ou seja, a autos-
suficiência do ecossistema.
Por exemplo, certos ecossistemas florestais apresentam 
uma grande quantidade de indivíduos vegetais de alto por-
te que possuem, em consequência, altas taxas de PPB e RC. 
Isso significa que a PPL tende a zero – característica presen-
te nas chamadas comunidades clímax, as quais serão 
explicadas em detalhes na aula de sucessão ecológica. Ape-
sar de se sustentar e se manter equilibrado, o ecossistema 
consome quase toda a matéria orgânica produzida e, con-
sequentemente, apresenta baixos índices de crescimento. 
Diversos ecólogos aplicam os conhecimentos sobre pirâmides ecológicas e fluxo de energia para prever a extinção 
de uma espécie e as consequências desse processo no ecossistema. Segundo a União Internacional para Conser-
vação da Natureza, existem atualmente mais de 5 mil espécies de animais em risco de extinção. O elefante-afri-
cano, por exemplo, teve sua população diminuída em 63% desde 2002 devido, principalmente, à caça em busca 
de marfim. Esses animais possuem relações importantes com outros seres vivos, como a simbiose com as acácias, 
em que os elefantes comem os frutos dessa planta e dispersam as sementes pelas fezes. Assim, a extinção de uma 
espécie não é apenas um dano local, mas um acontecimento que modifica várias pirâmides ecológicas.
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O manguezal, em contrapartida, é um ecossistema alta-
mente produtivo porque possui, além de uma vegetação 
própria, deslocamento de grande quantidade de matéria 
orgânica com o continente e o oceano. Essa riqueza de nu-
trientes permite que muitas espécies, como peixes e crustá-
ceos, utilizem o manguezal para se abrigar, crescer e repro-
duzir. Devido a essa e outras características, os manguezais 
são chamados de berçários.
O gráfico abaixo apresenta diversos ecossistemas e suas 
respectivas áreas de cobertura no planeta, bem como sua 
PPL média e sua PPL proporcional à produtividade do pla-
neta. Observe que as florestas tropicais, os litorais e as áre-
as úmidas (como pântanos e manguezais) estão entre os 
ecossistemas mais produtivos. 
Oceano aberto -
Plat. continental -
Estuário -
Macroalgas e recifes -
Ressurgência -
Ambientes extremos -
Desertos -
Flor. trop. chuvosa -
Savana -
Cultivos -
Floresta boreal -
Campo -
Arbustos -
Tundra -
Flor. trop. sazonal -
F. temp. decídua -
Flor. temp. perene -
Pântanos -
Rios e lagos -
0 10 20 30 40 50 60
 65,0
 5,2
 0,3
 0,1
 0,1
 4,7
 3,5
 3,3
 2,9
 2,7
 2,4
 1,8
 1,7
 1,6
 1,5
 1,3
 1,0
 0,4
 0,4
70,8% 29,2% 0,8%
Porcentagem de área no planeta
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0
50
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1,0
00
1,5
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2,0
00
2,5
00
 125
 360
 1,500
 2,500
 500
 3,0
 90
 2,200
 900
 600
 800
 600
 700
 140
 1,600
 1,200
 1,300
 2,000
 250
4985 10133 2250
PPL média (g/m²/ano)
-
-
-
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-
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-
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-
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-
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-
0 5 10 15 20 25
 24,4
 5,6
 1,2
 0,9
 0,1
 0,04
 0,9
 22
 7,9
 9,1
 9,6
 5,4
 3,5
 0,6
 7,1
 4,9
 3,8
 2,3
 0,3
32,2% 74,8% 2,6%
Porcentagem de PPL no planeta
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DIAGRAMA DE IDEIAS
PIRÂMIDES ECOLÓGICAS
NUMÉRICA (N)
BIOMASSA 
(KG OU G)
ENERGIA 
(CAL/G/ÁREA)
EFICIÊNCIA ECOLÓGICA
FLUXO ENERGÉTICO 
(UNIDIRECIONAL)
PPB > PPL > PSL > PTL > PQL
&
PRODUTIVIDADE DE 
UM ECOSSISTEMA
PPL = PPB - RC
PRODUTOR 
(PPB - RC = PPL)
CONSUMIDOR 
PRIMÁRIO 
(PSB - RC = PSL)
CONSUMIDOR 
SECUNDÁRIO 
(PTB - RC = PTL)
CONSUMIDOR 
TERCIÁRIO 
(PQB - RC = PQL)
CADEIA DE PREDADORES 
COM PRODUTOR DE PORTE 
PEQUENOE NUMEROSO
CADEIA TERRESTRE 
DE PREDADORES
QUALQUER 
CADEIA
CADEIA AQUÁTICA 
DE PREDADORES
CADEIA DE PREDADORES 
COM PRODUTOR DE GRANDE 
PORTE E POUCO NUMEROSO
CADEIA DE DETRITOS OU DE 
PARASITAS COM “PRODU-
TOR” REPRESENTADO POR 
CADÁVERES OU HOSPEDEIRO
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1. Introdução
Como nenhum organismo vive de maneira isolada, é espe-
rado que em uma comunidade biológica os seres vivos se 
relacionem e se influenciem. 
fonte: Youtube
RELAÇÕES ECOLÓGICAS
multimídia: vídeo
Ha dois critérios básicos que estão envolvidos na classifi-
cação das relações ecológicas. Em primeiro lugar, deve-se 
verificar se a interação ocorre entre organismos da mes-
ma espécie ou não. Enquanto relações intraespecíficas 
ou homotípicas ocorrem entre dois ou mais organismos 
da mesma espécie, as interespecíficas ou heterotípicas 
descrevem interações entre dois ou mais seres vivos de es-
pécies diferentes.
Em segundo lugar, deve-se verificar se essa relação traz 
algum tipo de prejuízo ou benefício ao seres envolvidos. 
Nesse caso, pode-se classificá-las em harmônicas ou de-
sarmônicas, como será visto a seguir.
2. Relações harmônicas
Nessa interação não existe desvantagem para as espécies 
envolvidas. É possível que ambos os organismos se bene-
ficiem ou que pelo menos um deles obtenha vantagem, 
enquanto o outro permanece indiferente. 
2.1. Relações harmônicas 
intraespecíficas ou homotípicas
2.1.1. Colônias
As colônias são constituídas por organismos da mesma 
espécie, que ficam unidos anatomicamente entre si. 
As colônias podem ser classificadas em homomorfas ou 
heteromorfas. 
As colônias homomorfas ou isomorfas são formadas por 
organismos idênticos entre si e que exercem as mesmas 
funções, isto é, não existe uma divisão de trabalho. As cra-
cas (crustáceos), os corais e as esponjas são exemplos de 
organismos formadores de colônias homomorfas. 
fotogRafia de colônia homomoRfa de coRais.
As colônias heteromorfas, por sua vez, são formadas por 
dois ou mais tipos de seres vivos com morfologia diferente 
e com divisão de trabalho fisiológico. As colonias dimór-
ficas são formadas por dois tipos de organismos, como 
a Obelia sp., uma colônia de pólipos (cnidários) formada 
por indivíduos gastrozoides, responsáveis pela nutrição, e 
gonozoides, responsáveis pela reprodução. Já as colônias 
polimórficas são formadas por mais de dois indivíduos di-
ferentes, cada um adaptado para uma função distinta. Um 
clássico exemplo dessa forma é a caravela, uma complexa 
colônia de cnidários formada por uma vesícula flutuante 
e cheia de ar (pneumatóforo) de onde partem indivíduos 
responsáveis pela reprodução (gonozoides), nutrição (gas-
trozoides), natação (nectozoides) e defesa (dactilozoides).
fotogRafia de colônia heteRomoRfa de uma caRavela.
RELAÇÕES 
ECOLÓGICAS
COMPETÊNCIA(s)
3 
HABILIDADE(s)
8 e 9
CN AULAS 13 E 14
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2.1.2. Sociedades
As sociedades são associações de organismos da mesma 
espécie que não vivem ligados anatomicamente e 
possuem uma organização social cooperativista, com divi-
são do trabalho. Entre os insetos existem sociedades com-
plexas e extremamente desenvolvidas, como as formigas, 
os cupins, as abelhas e as vespas.
Nas abelhas, por exemplo, é possível observar três castas: a 
rainha, o zangão e as operárias. Nessa sociedade existe ape-
nas uma rainha e ela é a única fêmea fértil de toda a colmeia. 
Os zangões são machos férteis com função de fecundar a 
rainha, após isso são expulsos e acabam morrendo por de-
bilidade extrema (inanição). Já as operárias são fêmeas esté-
reis e possuem funções como as de obter alimento (pólen e 
néctar) e produzir a cera e o mel. A cera é usada para confec-
cionar os locais onde serão postos os ovos, enquanto o mel é 
fabricado por meio da transformação do néctar e tem como 
base principalmente a glicose e a frutose.
fotogRafia de abelhas opeRáRias em uma colméia, 
exemplificando a sociedade das abelhas.
2.2. Relações harmônicas 
interespecíficas ou heterotípicas
2.2.1. Protocooperação
A protocooperação, também denominada cooperação, é 
uma associação entre duas espécies diferentes, na qual 
as duas são beneficiadas. Entretanto, esse tipo de asso-
ciação não é obrigatória à sobrevivência. Ou seja, 
mesmo os organismos não estando associados, eles con-
seguem sobreviver. 
 § O pássaro-palito e o crocodilo: o pássaro-palito 
obtém seu alimento a partir de vermes e restos alimen-
tares presentes na boca doe os crocodilos das margens 
do rio Nilo, enquanto, por conta disso, o réptil se livra 
dos parasitas.
 § O anu e o gado: a ave anu se alimenta dos carrapa-
tos presentes no corpo do gado. O gado, por sua vez, 
livra-se dos parasitas indesejados.
a Relação de benefícios mútuos entRe gado e anu.
 § O paguro-eremita e a anêmona: esse crustáceo 
marinho, também chamado de caranguejo-bernardo-e-
remita, apresenta o abdômen mole e desprotegido de 
exoesqueleto. Para protegê-lo, o paguro-eremita vive no 
interior de uma concha vazia de um molusco gastrópo-
de. Sobre a concha, fixam-se e se desenvolvem larvas de 
anêmonas providas de tentáculos urticantes (como os 
tentáculos das águas-vivas). A vantagem da anêmona é 
ser transportada pelo paguro, facilitando a captura do 
alimento. E o caranguejo, por sua vez, aumenta sua pro-
teção contra a ação de predadores.
2.2.2. Mutualismo
O mutualismo, assim como a protocooperação, é o tipo 
de interação em que os dois organismos envolvidos saem 
beneficiados. Entretanto, diferentemente da protocoopera-
ção, o mutualismo é uma relação necessária à sobrevi-
vência das espécies, que não conseguem viver separa-
das umas das outras. 
 § Bactérias do gênero Rhizobium e as raízes de 
leguminosas: essas bactérias vivem em nódulos pre-
sentes nas raízes das leguminosas e fazem parte do ci-
clo do nitrogênio, produzindo compostos nitrogenados 
que são aproveitados pelas plantas. Por outro lado, as 
bactérias Rhizobim recebem das leguminosas a maté-
ria orgânica sintetizadas pela fotossíntese. 
 § Micorrizas: são associações entre fungos e raízes de 
certas árvores. O fungo, organismo da classe dos decom-
positores, fornece nitrogênio e outros nutrientes minerais 
para a árvore e, em contrapartida, recebe matéria orgâ-
nica proveniente da fotossíntese da planta.
 § Cupins e certos protozoários: os cupins não possuem 
a enzima celulase responsável pela quebra da celulose, 
assim, quando ingerem a madeira, não conseguem reali-
zar sua digestão. Porém, em seu tubo digestório, existem 
alguns protozoários flagelados do gênero Thiconympha 
que possuem essa enzima e são capazes de digerir a ce-
lulose, recebendo em troca abrigo e alimento.
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 § Líquens: o líquen é uma associação entre fungos e 
algas (ou cianobactérias). Eles ficam firmemente aderi-
dos às rochas ou às cascas de árvores, formando uma 
crosta verde-acinzentada. A alga ou a cianobactéria 
(organismos autótrofos fotossintetizantes) produzem a 
matéria orgânica que é utilizada pelo fungo (organis-
mo heterótrofo), enquanto são envolvida pelas estrutu-
ras do fungo e protegidas contra a desidratação. 
liquens sobRe tRonco de áRvoRe.
2.2.3. Comensalismo
O comensalismo se relaciona à obtenção de alimento. Nes-
sa interação a espécie chamada comensal é beneficiada, 
enquanto a outra não leva vantagem nem prejuízo. 
 § Rêmora ou peixe-piolho e o tubarão: No alto da 
cabeça, a rêmora possui uma ventosa, por meio da 
qual se fixa no tubarão. O efeito sobre o tubarão é nulo, 
mas a rêmora se beneficia, porque obtém as sobras ali-
mentares do peixe e se desloca sem gasto de energia. 
Assim, o tubarão é o organismo hospedeiro e a rêmora 
é o organismo comensal.
2.2.4. Inquilinismo
O inquilinismo é uma associação muito semelhante ao co-
mensalismo. Entretanto, não envolve alimento, masum local 
para a proteção e o desenvolvimento do organismo inquili-
no. Essa associação ocorre quando uma espécie (inquilino) 
procura abrigo ou suporte no corpo de outra espécie, sem 
que haja malefício a esse hospedeiro.
 § O peixe-agulha e o pepino-do-mar: devido ao seu 
corpo fino e alongado, o peixe-agulha consegue se 
abrigar no interior das holotúrias (pepino-do-mar) e se 
proteger contra as ações dos predadores, sem prejudi-
car o pepino-do-mar.
 § O epifitismo é um tipo específico de inquilinismo en-
tre plantas ou algas, em que as epífitas utilizam o outro 
organismo como suporte físico e não causam qualquer 
prejuízo. No ambiente terrestre se relaciona principal-
mente à obtenção de uma maior quantidade de luz 
solar, como no caso de orquídeas e bromélias que cres-
cem sobre os troncos e galhos de plantas maiores.
fotogRafia com bRomélias (plantas epífitas) dispostas sobRe áRvoRes.
fonte: Youtube
Relações Harmonicas e Desarmonicas...
multimídia: vídeo
3. Relações desarmônicas
Nas relações desarmônicas um dos organismos envolvi-
dos sofre algum tipo de prejuízo, podendo até mesmo ir à 
óbito. Porém, é importante lembrar que as interações são 
essenciais para o equilíbrio das comunidades e que, mes-
mo uma relação com prejuízos para alguns dos seres vivos, 
pode contribuir positivamente para o ecossistema.
3.1. Relações desarmônicas 
intraespecíficas ou homotípicas
3.1.1. Competição intraespecífica
É a relação que se estabelece quando indivíduos da mes-
ma espécie concorrem por recursos iguais, como espaço e 
alimento. Ela costuma instalar-se em função de aumento 
da densidade populacional ou da seleção natural, atuando 
sobre a variabilidade intraespecífica de certa população. 
A territorialidade, a disputa por alimento e a procura por 
parceiros são exemplos de fatores que levam à competição 
intraespecífica.
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3.1.2. Canibalismo
Canibal é o indivíduo que mata e come outro da mes-
ma espécie. Quando há falta de alimento, por exemplo, 
a predação intraespecífica pode ocorrer para favorecer 
adultos em detrimento de filhotes. Outro caso é o do 
canibalismo sexual, em que um dos organismos, geral-
mente a fêmea, consome o parceiro antes, durante ou 
após a cópula. Por exemplo, as fêmeas de louva-a-deus 
que em certas ocasiões consomem o macho.
fotogRafia de exemplo de canibalismo sexual, em que a 
fêmea de louva-a-deus se alimenta do macho.
3.2. Relações desarmônicas 
interespecíficas ou heterotípicas
3.2.1. Competição interespecífica
A competição entre indivíduos de populações diferentes se 
estabelece quando as espécies envolvidas possuem o mes-
mo habitat e o mesmo nicho ecológico. Como resultado, há 
redução da taxa de sobrevivência, do sucesso reprodutivo e 
do crescimento em pelo menos uma das espécies.
A figura a seguir apresenta um exemplo de competição in-
terespecífica entre duas espécies do crustáceo comumente 
denominado como craca. Observa-se que disputam espa-
ço no costão rochoso e que a sua distribuição depende do 
quanto estão adaptadas à exposição solar e à dessecação. 
Assim, os fatores abióticos preponderantes nesse caso são 
os ciclos de emersão e submersão, o ritmo das marés, o 
impacto das ondas, a radiação e outros.
esquema da distRibuição de cRacas pelo costão Rochoso. 
devido à competição inteRespecífica, a espécie balanus 
balanoides se localiza na paRte de baixo e limita a chthamalus 
stellatus paRa a paRte acima. sem a pResença do balanus, a 
chthamalus ocupa o costão até a paRte de maRé baixa.
Como em uma comunidade diversos organismos compar-
tilham os mesmos fatores, é coerente pensar que não é 
interessante para as populações competir o tempo todo 
por recursos iguais ou parecidos. Quando espécies dife-
rentes dividem por muito tempo o mesmo habitat e nicho 
ecológico, a competição interespecífica pode levar à mútua 
exclusão das espécies – princípio de Gause.
Em 1934, Georgy Gause desenvolveu um experimento 
com duas populações de espécies diferentes de paramé-
cios, em que os organismos são colocados para crescer 
isoladamente (Gráfico A) e em interação (Gráfico B), mas 
sempre com o mesmos recursos. Observe que a compe-
tição por sobreposição de nichos é intensa, a ponto de 
eliminar a população de P. aurelia.
RepResentação do cRescimento de populações de paRamecium caudatum 
e paRamecium auRelia, isolados (gRáfico a) e em inteRação (gRáfico b), 
ao longo do tempo.
Dessa maneira, é improvável a ocorrência de duas espé-
cies que ocupem o mesmo habitat e nicho ecológico. De 
modo geral, as populações podem coexistir e comparti-
lhar recursos do mesmo habitat, desde que o façam de 
modos distintos.
3.2.2. Amensalismo
No amensalismo, uma espécie, denominada inibidora, 
secreta substâncias que impedem o crescimento, o de-
senvolvimento e a reprodução de outra espécie, chamada 
amensal. É importante ressaltar que a espécie inibidora 
libera suas substâncias na presença ou não da espécie 
amensal. Um exemplo dessa relação é a maré verme-
lha. Em determinadas condições ambientais, ocorre uma 
acentuada proliferação de certas espécies de protistas do 
grupo de dinoflagelados, as quais eliminam toxinas que 
provocam a morte da fauna marinha. Outro caso é re-
presentado por alguns fungos que produzem antibióticos 
e, assim, impedem o desenvolvimento de bactérias em 
seu entorno, como a penicilina sintetizada pelo fungo do 
gênero Penicillium.
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CONEXÃO ENTRE DISCIPLINAS
3.2.3. Predatismo
Predador é o indivíduo que consome a presa, pertencen-
te a outra espécie. Os animais carnívoros, como os leões, 
são ótimos exemplos de predadores. Porém, é importante 
ressaltar que a herbivoria também é um tipo de predação, 
uma vez que os animais herbívoros eliminam a presa (se-
mente, alga, etc.) de sua população.
Na relação presa-predador, a variação da quantidade nos 
dois grupos está relacionada: a queda do número de linces 
diminui a predação e possibilita que as lebres deixem mais 
descendentes. Esse aumento no número de presas significa 
maior disponibilidade de alimento para os predadores e, ao 
mesmo tempo, um agravamento da competição intraespe-
cífica das lebres. Assim, a população de lince se expande 
gradualmente, enquanto a de lebre encolhe. A queda da 
população de presas e o consequente aumento da compe-
tição entre os predadores reduz o número de linces, dando 
continuidade ao ciclo.
1845 1855 1865 1875 1885 1895 1905 1915 1925 1935
Anos
Lebres
Linces
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120
140
160
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gRáfico da vaRiação do númeRo de indivíduos nos pRedadoRes 
(lince) e nas pResas (lebRe) ao longo do tempo. obseRve como a 
quantidade de oRganismos nas populações se influenciam.
Para analisar a interação presa-predador, são utilizados princípios da Matemática, como gráficos de tempo × 
número de indivíduos, que auxiliam na compreensão do crescimento populacional de ambas as espécies envol-
vidas nessa interação ecológica. Além de aspectos matemáticos, também podem ser utilizados princípios esta-
tísticos para prever como determinadas populações de presa-predador irão se comportar ao longo do tempo.
3.2.4. Parasitismo
No caso do parasitismo, uma das espécies (parasita) se 
alimenta de outra (hospedeira). Como o parasita é depen-
dente de seu hospedeiro, essa relação é geralmente mais 
duradoura que a de predatismo e, além disso, não costuma 
levar a espécie parasitada à morte.
Pode-se classificar os parasitas de acordo com sua localiza-
ção no corpo da outra espécie. Os ectoparasitas, como as 
sanguessugas e carrapato, vivem exteriormente ao corpo do 
hospedeiro, enquanto os endoparasitas, como as tênias e 
as lombrigas, se encontram dentro do corpo do hospedeiro.
Com relação aos vegetais, pode-se, ainda, subdividir os ec-
toparasitas em holoparasitas (parasitas totais) e hemi-
parasitas(parasitas parciais). O cipó-chumbo é um tipo de 
holoparasita, pois suas raízes penetram na seiva elaborada 
da planta hospedeira, retirando a matéria orgânica direta-
mente. Já a erva-de-passarinho é um tipo de hemiparasita, 
pois suas raízes atingem a seiva bruta do hospedeiro, assim 
ela utiliza a água e sais minerais para realizar fotossíntese e 
produzir sua própria matéria orgânica.
3.2.5. Esclavagismo ou sinfilia
Trata-se da relação ecológica entre indivíduos que se be-
neficiam da exploração das atividades, do trabalho ou dos 
produtos de outros organismos.
 § Formigas e pulgões ou afídeos: os pulgões são in-
setos sugadores de seiva elaborada dos vasos liberia-
nos das plantas. Apesar de rica em açúcar, a seiva con-
tém poucas quantidades de aminoácidos. Assim, para 
formar suas próprias proteínas, os pulgões precisam de 
grandes quantidades dessa seiva, cujo excesso é secre-
tado. As formigas, por conta disso, mantém os pulgões 
“cativos” dentro do formigueiro para se alimentar do 
açúcar eliminado. Contudo, muitos autores classificam 
essa interação como protocooperação, uma vez que as 
formigas protegem os pulgões de predadores e, em al-
guns casos, também cuidam de sua prole. 
fotogRafia mostRando a inteRação entRe foRmigas e pulgões.
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VIVENCIANDO
 § Chupim é uma ave que se aproveita do ninho de outras para pôr os próprios ovos. Espécies como o tico-tico preservam os 
ovos do chupim até que venham à eclosão.
Quadro com resumo das relações ecológicas
simbioses harmônicas interespecíficas
mutualismo (+ / +) vínculo obrigatório líquens; leguminosas e Rhizobium; micorrizas
cooperação (+ / +) sem vínculo obrigatório paguru e anêmona; ruminantes e aves
comensalismo (+ / 0) alimento tubarão e rêmora
Inquilinismo (+/0) proteção e suporte físico plantas epífitas; peixe-agulha e pepino-do-mar
simbioses harmônicas intraespecíficas
sociedade (+ / +) divisão do trabalho insetos sociais: abelha, cupins
colônia (+ / +) vínculo físico caravela; corais
simbioses desarmônicas interespecíficas
predatismo (+ / –) alimentação onça e capivara; vaca e capim
parasitismo
(+ / –) exploração do hos-
pedeiro por alimento
pulga, tênia, esquistossomo
competição (– / –) sobreposição de nichos espécies diferentes de cracas no costão rochoso
esclavagismo (+ / –) exploração trabalho pulgões e formigas
amensalismo (0 / −) substâncias inibidoras fungos que produzem antibióticos; eucalipto
simbioses desarmônicas intraespecíficas
canibalismo (+ / -) predação intraespecífica aracnídeos; tubarões; louva-a-deus
competição (- / -) disputa por recursos conflito entre linces pela mesma presa
A consultoria ambiental é um ramo com alto crescimento nos últimos tempos, sendo cada vez mais procurada 
por instituições, empresas e governos. O objetivo principal é avaliar e analisar os danos e as consequências 
biológicas e ambientais de um projeto específico. Assim, compreender as relações entre os seres vivos e o meio 
é fundamental para que biólogos consigam analisar a área e avaliar pedidos de liberação para, por exemplo, 
projetos de construção. Além disso, pode auxiliar no mapeamento de espécies e na elaboração de estratégias de 
uso consciente do local.
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ÁREAS DE CONHECIMENTO DO ENEM
HABILIDADE 9
Compreender a importância dos ciclos biogeoquímicos, ou do fluxo de energia para a vida, ou da ação de 
agentes, ou fenômenos que podem causar alterações nesses processos.
O tema relações ecológicas é comum nas provas do Enem. Há uma preocupação em conhecer como as 
espécies se relacionam entre si, como isso estabiliza o ecossistema e ainda como uma interferência nessas 
relações pode causar danos ao meio ambiente.
MODELO 1
(Enem) A mata Atlântica caracteriza-se por uma grande diversidade de epífitas, como as bromélias. Essas 
plantas estão adaptadas a esse ecossistema e conseguem captar luz, água e nutrientes mesmo vivendo 
sobre as árvores.
disponível em: <www.ib.usp.bR>. acesso em: 23 fev. 2013 (adaptado).
Essas espécies captam água do(a):
a) organismo das plantas vizinhas;
b) solo, através das suas longas raízes;
c) chuva acumulada entre suas folhas;
d) seiva bruta das plantas hospedeiras;
e) comunidade que vive em seu interior.
ANÁLISE EXPOSITIVA
A relação ecológica estabelecida entre as bromélias e as árvores é denominada inquilinismo, no qual uma 
espécie é beneficiada por meio da relação, e a outra espécie é indiferente (+0). Nesse caso, a espécie 
beneficiada é a bromélia, que, ao ficar no topo das árvores, consegue captar luz, água e nutrientes com 
mais facilidade e sem prejudicar as árvores. Para captar água, as bromélias utilizam as suas folhas, que se 
apresentam em um formato que possibilita a acumulação de água.
RESPOSTA Alternativa C
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DIAGRAMA DE IDEIAS
RELAÇÕES ECOLÓGICAS
DESARMÔNICASHARMÔNICAS
INTRAESPECÍFICAS
• CANIBALISMO (+-)
• COMPETIÇÃO (--)
INTRAESPECÍFICAS
INTERESPECÍFICAS
INTERESPECÍFICAS
• SOCIEDADE (++)
NÃO UNIDOS ANATOMICAMENTE
• COLÔNIA (++)
UNIDOS ANATOMICAMENTE
• PROTOCOOPERAÇÃO (++)
NÃO OBRIGATÓRIA
• MUTUALISMO(++)
OBRIGATÓRIA
• COMENSALISMO (+Ø)
• INQUILINISMO (+Ø)
• PREDAÇÃO (+-)
• PARASITISMO (+-)
• ESCLAVAGISMO (+-)
• COMPETIÇÃO (--)
• AMENSALISMO (Ø-)
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1. Dinâmica populacional
Como visto anteriormente, as populações são conjuntos 
de organismos da mesma espécie que ocupam uma certa 
região durante determinado tempo. A dinâmica populacio-
nal, então, utiliza de vários parâmetros e taxas para estudar 
as variações numéricas de indivíduos, suas possíveis causas 
e as consequências esperadas ou observadas.
gRáfico com as cuRvas de 
cRescimento populacional 
ao longo do tempo
a: capacidade supoRte do meio
b: potencial biótico
c: cRescimento Real
d: Resistência do meio
A curva em forma de “J”, representada no gráfico pela letra 
B, caracteriza um crescimento exponencial, contínuo e sem 
interferências do ambiente. Assim, ela equivale ao poten-
cial biótico (PB) da espécie: a capacidade reprodutiva e de 
desenvolvimento de uma população em condições ideiais. 
Porém, no meio existem diversos fatores limitantes que al-
teram a inclinação da curva, diminuindo-a e conferindo-Ihe 
uma forma bem mais real – “S“ (sigmoide). Essas barrei-
ras, representadas pela letra D, constituem a resistência 
ambiental e determinam a capacidade de suporte do 
meio (CS), isto é, o número máximo total de indivíduos 
que um ambiente consegue tolerar (letra A). Desse modo, a 
curva C demonstra o crescimento real de uma população, 
após a influência do meio no seu potencial biótico. Observe 
que sua taxa de crescimento é menor e que, após algum 
tempo, o valor se estabiliza em torno da CS e sofre apenas 
pequenas alterações. 
Crescimento real = Potencial biótico – Resistência 
do meio
 Explosão
populacional
Morte por falta de alimento
 A população é mantida
em equilíbrio pelos predadores
naturais
Curva em S
e
d
g
c
f
b
a Curva em J
Gerações
Po
pu
la
çã
o
gRáfico compaRando as duas cuRvas de cRescimento 
(J e s) ao longo das geRações. 
1.1. Resistência do meio (RM)
A resistência do meio pode ser compreendida como o 
conjunto de fatores que limitam o crescimento exponen-
cial de uma população. Os habitats fornecem recursos 
de tipos diversos, como água, espaço, refúgio, alimento e 
outros. Porém, esses recursos são compartilhados dentro 
de alguns limites determinados pelo próprio ambiente. 
Quando a demanda é maior que a disponibilidade, o 
meio começa a impor certas restrições e, consequen-
temente, a reduzir o crescimento populacional. Outros 
fatores – como poluição, condições ambientais, movi-
mentos de migração e relações ecológicas – também 
influenciam na resistência.1.2. Capacidade de suporte (CS)
A capacidade de suporte de um ambiente pode ser en-
tendida como o número limite de indivíduos que o meio 
suporta, sua carga biótica máxima. Esse valor é particular 
de cada espécie, varia de acordo com o meio analisado e é 
determinado pela resistência ambiental. 
A mata tropical, por exemplo, é um ambiente com grande 
capacidade de suporte e, por isso, apresenta limites mais 
flexíveis e uma menor resistência do meio. Já o deserto, por 
outro lado, é um ambiente com pequena capacidade de 
suporte e, consequentemente, apresenta limites mais es-
treitos e maior resistência ambiental. Assim, analisando-se 
um determinado ambiente, pode-se dizer, matematicamen-
te, que a resistência do meio é inversamente proporcional à 
capacidade de suporte.
DINÂMICA 
POPULACIONAL 
E SUCESSÃO 
ECOLÓGICA
COMPETÊNCIA(s)
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1.3. Curva de sobrevivência
A taxa de sobreviventes ao longo da vida para cada es-
pécie determina a sua curva de sobrevivência. Assim, é 
possível avaliar quando no ciclo de vida os indivíduos es-
tão mais vulneráveis e apresentam maior quantidade de 
mortes. Existem, basicamente, três tipos de curvas, como é 
possível observar no gráfico a seguir. CURVA DE SOBREVIVÊNCIA
1,000
100
10
1
0
III
50 100
II
I
Porcentagem de Longevidade
N
úm
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de
 s
ob
re
vi
ve
nt
es
gRáfico com difeRentes cuRvas de sobRevivência indicando o 
númeRo de indivíduos pela poRcentagem de longevidade (tempo).
A curva I indica que a mortalidade aumenta à medida que 
a idade avança, característica típica da espécie humana. A 
curva II aponta que a mortalidade é praticamente constan-
te ao longo da vida, tanto para o indivíduo jovem quanto 
para o adulto e o idoso. A curva III, por sua vez, mostra que 
há maior mortalidade no início do ciclo, o que demonstra 
maior vulnerabilidade dos indivíduos jovens.
1.4. Densidade populacional
Para estudar a demografia de uma população, é necessário 
analisar o número de indivíduos e sua distribuição pelo espaço 
(densidade populacional), dois elementos que variam ao longo 
do tempo e recebem influência de fatores bióticos e abióticos.
Os movimentos migratórios, por exemplo, interferem no 
contingente populacional. A imigração (I) consiste na 
chegada de indivíduos à população, enquanto a emigra-
ção (E) consiste na saída de indivíduos da população.
A taxa de natalidade (TN) é caracterizada pelo total de 
nascimentos em um intervalo de tempo, enquanto o total 
de mortes caracteriza a taxa de mortalidade (TM). As 
expressões abaixo mostram as interações e consequências:
I + TN > E + TM 
O contingente está aumentando; 
logo, há crescimento populacional.
I + TN < E + TM
O contingente está diminuindo; 
logo, a população está decrescendo.
I + TN = E + TM
O contingente tende a ficar constante; 
logo, a população parou de crescer.
2. A sucessão ecológica 
nos ecossistemas
As comunidades biológicas são conjuntos de populações 
de espécies diferentes que ocupam e interagem com o 
meio de determinada área, sofrendo mudanças em sua 
composição através dos anos. Essas alterações progres-
sivas nas comunidades e no ambiente físico ao longo do 
tempo caracterizam a sucessão ecológica.
2.1. Fases da sucessão ecológica
A primeira a se estabelecer no ambiente é a comunidade 
pioneira ou ecese, enquanto os estágios seguintes e de 
transição são denominados sere. Por fim, a que se estabe-
lece por último é chamada de comunidade clímax, um 
estágio autossuficiente e com propriedades homeostáticas. 
A tendência ao longo desse processo sucessional é a 
de aumento no número de espécies, habitats, biomassa 
e interações. Por isso, ao se analisar a produtividade, é 
esperado que a PPB e a taxa de respiração aumentem. 
Como PPB – RC = PPL, observa-se que a PPL na comuni-
dade clímax tende a zero. Ou seja, tudo o que se produz 
é consumido. Assim, a comunidade se mantém sem altas 
taxas de crescimento ou sobras, em volume, de matéria 
orgânica e oxigênio.
Pioneira Sere(s) Climax
figuRa mostRando as vaRiações nos paRâmetRos ambientais 
duRante as difeRentes fases de uma sucessão ecológica.
A Amazônia, a Mata Atlântica e os cerrados são exem-
plos de comunidades em estado clímax. Como suas PPL 
tendem a zero, não há grandes excedentes de oxigênio 
e, por conta disso, também não podem ser responsá-
veis pela liberação de oxigênio atmosférico. Apesar das 
grandes e extensas florestas, com a Amazônia, serem 
fundamentais na regularização das condições climáti-
cas, a função de “pulmão do mundo” é do fitoplâncton 
marinho que contribui em pelo menos 70% do total de 
oxigênio do planeta.
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Estágio Produtividade Bruta Produtividade Líquida Biomassa Biodiversidade
ecese pequena alta pequena pequena 
seres aumenta diminui aumenta aumenta 
clímax alta pequena alta alta 
tabela com as vaRiações na ppb, na ppl, na biomassa e na biodiveRsidade em difeRentes estágios da sucessão ecológica.
ATRIBUTOS DO ECOSSISTEMA Em desenvolvimento Clímax
Condições Ambientais variável e imprevisível constante ou previsivelmente variável
POPULAÇÕES
Mecanismos de determinação de tamanho populacional abióticos, independentes de densidade bióticos, dependentes de densidade
Tamanho do indivíduo pequeno grande
Ciclo de vida curto/simples longo/complexo
Crescimento rápido, alta mortalidade lento, maior capacidade de sobrevivência competitiva
Produção quantidade qualidade
Flutuações + pronunciadas – pronunciadas
ESTRUTURA DA COMUNIDADE
Estratificação 
(heterogeneidade espacial)
pouca muita
Diversidade de espécies (riqueza) baixa alta
Diversidade de espécies (equitatividade) baixa alta
Diversidade bioquímica baixa alta
Matéria orgânica total pouca muita
ENERGÉTICA DA COMUNIDADE
PPB/R > 1 = 1
PPB/Biomassa alta baixa
PPL alta baixa
Cadeia alimentar linear (simples) em rede (complexa)
NUTRIENTES
Ciclo de minerais aberto fechado
Nutrientes inorgânicos extrabióticos intrabióticos
Troca de nutrientes entre organismos e ambiente rápida lenta
Papel dos detritos na regeneração de nutrientes não importante importante
POSSIBILIDADE DE EXPLORAÇÃO 
PELO SER HUMANO
Produção potencial alta baixa
Capacidade de resistir à exploração grande pequena
tabela compaRando diveRsos paRâmetRos nas comunidades em desenvolvimento e na clímax, ao longo da sucessão ecológica.
2.2. Sucessões primária e secundária
Afirma-se que o processo sucessivo é primário quando ele ocorre em substratos não previamente ocupados por orga-
nismos. Exemplos: afloramentos rochosos, exposição de camadas profundas de solo, depósitos de areia, lava vulcânica 
recém-solidificada, etc.
O processo é considerado secundário quando os referidos substratos já foram anteriormente ocupados por uma comunidade e, 
consequentemente, contêm matéria orgânica viva ou morta (detritos, propágulos). Exemplos: clareiras, áreas desmatadas, fundos 
expostos de corpos de água, etc.
Assim, qualquer regeneração ou recuperação de área degradada é exemplo de sucessão secundária, enquanto o estabelecimen-
to de mata amazônica, há cerca de 10 mil anos, num período de glaciação, que diminuiu o nível dos mares e oceanos rasos da 
localidade, é um exemplo de sucessão primária.
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VIVENCIANDO
Veja a seguir um exemplo de sucessão ecológica secundária 
a partir de uma área originalmente ocupada por um ecos-
sistema florestal que foi desmatada, originando campos de 
cultura. Observe que o solo superficial é totalmente alterado 
e impactado pelo uso de arados e outros implementos agrí-
colas. Essa situação destrói quase completamente o banco 
de sementes local, limitando a regeneração da floresta.
Campos cultivados
figuRa com a áRea após o desmatamento e a foRmação de campos de cultivo.
Com o abandono dos campose a predominância de solos 
expostos, formam-se condições microclimáticas muito típicas, 
como alta incidência solar, ventos intensos e pouca retenção 
de umidade devido a elevadas taxas de evapotranspiração.
Essas pressões seletivas favorecem algumas poucas espécies 
resistentes a condições ambientais estressantes, caracteri-
zando a comunidade pioneira.
Abandono dos campos de culturacom o abandono dos campos de cultuRa, inicia-se uma sucessão 
ecológica a paRtiR do estabelecimento de uma comunidade pioneiRa.
Desse modo, a ocupação pioneira altera as condições am-
bientais, favorece um novo conjunto de espécies e determi-
na as mudança gradativas na composição de espécies do 
meio. A partir dela, ocorre a substituição das comunidades 
em estágios intermediários (seres) e, posteriormente, em 
uma comunidade clímax. 
 Estágio
 sucessional
 adiantado
figuRa em um estágio sucessional adiantado, mostRando a Região 
dos campos cultivados após o pRocesso de sucessão ecológica.
Quanto menor o impacto sofrido, mais parecida com a ori-
ginal é a mata que surge depois da sucessão. Desse modo, 
uma área com poucos anos de cultivo permite uma melhor 
regeneração do que uma área com muito tempo de cultivo. 
Apesar da sucessão não recuperar de fato a formação ori-
ginal, a comunidade alcança uma composição de espécies 
e uma estrutura máxima para as atuais condições.
fonte: Youtube
Sucessão
multimídia: vídeo
Observe na figura a seguir outro exemplo de sucessão: 
o amadurecimento de lagos de reservatórios em usinas 
hidroelétricas. Os lagos recém-formados recebem matéria 
orgânica, a qual favorece o desenvolvimento de decom-
positores e de espécies do fitoplâncton. A presença des-
tes, por sua vez, permite a manutenção de zooplânctons 
e de peixes que, então, podem ser colocados no lago.
ao se apResentaRem condições favoRáveis ao desenvolvimento da vida, 
lagos de ReseRvatóRios em usinas hidRelétRicas se toRnam cenáRio 
da sucessão ecológica.
Usar de forma equilibrada os recursos naturais é um dos maiores desafios do ser humano na atualidade. A intera-
ção do ser humano com o meio é complexa e, muitas vezes, leva à degradação ambiental e ao comprometimento 
da vida futura. A crescente conscientização dos indivíduos para a necessidade de conservação e restauração dos 
recursos naturais estimulou diversos projetos de restauração de ecossistemas devastados pela atividade huma-
na. Utilizando dados fitossociológicos (estudo de comunidades vegetais) e o conceito de sucessão, é possível 
restaurar processos ecológicos fundamentais na reconstrução de uma comunidade funcional com alta diversida-
de e reconstruir um ecossistema semelhante ao sistema degradado.
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DIAGRAMA DE IDEIAS
DINÂMICA POPULACIONAL SUCESSÃO ECOLÓGICA
PRIMÁRIA
SECUNDÁRIA
OCUPAÇÃO DE AMBIENTES 
ESTÉREIS
OCUPAÇÃO DE AMBIEN-
TES QUE SOFRERAM 
ALTERAÇÕES AMBIEN-
TAIS DRÁSTICAS
ECESE
ESPÉCIES PIONEIRAS
SERE
APARECIMENTO, EXTIN-
ÇÕES E ALTERAÇÕES 
NA ABUNDÂNCIA 
DE POPULAÇÕES
CLÍMAX
ESTABILIDADE NA COMPO-
SIÇÃO DAS COMUNIDADES
TAXAS E PARÂMETROS 
POPULACIONAIS
(A) CAPACIDADE DE SUPORTE (CS)
(B) POTENCIAL BIÓTICO (PB)
(C) CRESCIMENTO REAL (CR)
(D) RESISTÊNCIA DO MEIO (RM)
D
A
B
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Nº
 d
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In
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Tempo
Curva de crescimento populacional
IMIGRAÇÃO (I) | EMIGRAÇÃO (E)
TAXA DE NATALIDADE (TN) | 
TAXA DE MORTALIDADE (TM)
I + TN > E + TM 
 CRESCIMENTO POPULACIONAL
I + TN < E + TM 
 DIMINUIÇÃO POPULACIONAL
I + TN = E + TM 
 POPULAÇÃO CONSTANTE
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ANOTAÇÕES
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ZOOLOGIA
BIOLOGIABIOLOGIA
CIÊNCIAS DA
NATUREZA
e suas tecnologias
TEORiA
DEDE AULAAULA
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INCIDÊNCIA DO TEMA NAS PRINCIPAIS PROVAS
UFMG
É frequente a presença de questões relacio-
nadas a doenças infectoparasitárias, como 
as causadas por vermes.
Na Fuvest, a zoologia é um dos temas mais 
comuns; as questões são frequentemente 
comparativas entre os diferentes filos.
Uma prova generalista com relação às 
características dos seres vivos, não aborda 
grupos específicos, ao contrário, abrange 
um vasto número de grupos sempre com-
parando-os.
Doenças causadas por vermes são comuns 
nas questões da Unifesp, bem como a ana-
tomia de invertebrados.
Nessa prova é importante reconhecer 
semelhanças e diferenças entre os filos 
animais.
Possui maior foco em teorias evolutivas e 
na taxonomia dos seres vivos.
Prova com caráter essencialmente com-
parativo e questões que misturam dife-
rentes áreas da Biologia. Há presença de 
assuntos como diversidade de seres vivos 
e comparação entre os reinos e entre os 
filos animais.
Com poucas questões de Biologia, a PUC 
de Campinas cobra conhecimento acerca 
da anatomia comparada dos filos animais 
e da classificação dos seres vivos.
A Santa Casa cobra conhecimentos relacio-
nados a verminoses comuns no Brasil, além 
de anatomia comparada dos animais.
É uma prova com questões interdiscipli-
nares que cobram conteúdos altamente 
específicos. É importante reconhecer as ca-
racterísticas dos animais e saber comparar 
os diferentes filos.
Questões com alto nível de especificidade 
que cobram conhecimentos sobre doenças 
causadas por vermes e anatomia compara-
da dos diferentes filos animais.
Apresenta questões relacionadas à ana-
tomia comparada, porém com enfoques 
que não estão muito presentes em outros 
vestibulares.
Relações evolutivas, taxonomia e vermi-
noses são conteúdos muito presentes nas 
provas da UERJ.
Com questões bem específicas, os temas 
mais frequentes dentro da zoologia são 
as características exclusivas e as diferenças 
entre os filos animais.
Saber ler cladogramas, classificar seres vi-
vos e diferenciar os animais de diferentes 
filos são competências fundamentais para 
ter sucesso nessa prova.
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1. Protoctistas autótrofos
Os protoctistas podem ou não apresentar clorofila. Aque-
les que não contêm clorofila (helerotróficos) são deno-
minados protozoários, incluindo as amebas, os pa-
ramécios, os plasmódios, etc. Os que contêm clorofila são 
chamados de protófitos, como as algas unicelulares: as 
diatomáceas (crisofíceas), os dinoflagelados (pirrofíceas) 
e as euglenofíceas. Por sua vez, os representantes pluri-
celulares e que não possuem tecidos verdadeiros cons-
tituem o grupo das algas, formado pelas algas verdes, 
algas pardas e algas vermelhas.
2. Algas
As algas são seres eucariotos, unicelulares ou pluricelula-
res, com pigmentos fotossintéticos diversos, além das clo-
rofilas. Essas algas habitam ambientes terrestres úmidos, 
na água doce ou no mar, onde vivem na superfície consti-
tuindo o fitoplâncton ou permanecem fixas no fundo por 
meio de seus apressórios, constituindo o fitobentos. As 
algas pluricelulares dividem-se em três grupos: clorofíce-
as (algas verdes), feofíceas (algas pardas) e rodofíceas 
(algas vermelhas).
As algas foram incluídas há muito tempo no reino das 
plantas, e há autores que consideram apenas alguns gru-
pos de algas unicelulares como pertencentes aos protistas. 
A opção atual, de acordo com Margulis e Schwartz, é abor-
dar todas algas no Reino Protoctista.
As algas formam um grupo bastante numeroso e biodiver-
so, como pode ser observado a seguir:
micRasteRias 
célula única volvox: colônias
scenedesmus: 
pacotes de 4 células
spiRogYRa: 
filamentosa
Dictyota Cutleria
Fucus
Marcocytosis Sargassum Padina
Egregia
Sargassum
Dictyopteria undulata
alguns componentes do diveRso gRupo de algas, com 
RepResentantes unicelulaRes e pluRicelulaRes de vaRiadas coRes.
Os corpos das algas multicelulares, denominados ta-
los, podem formar filamentos, lâminas denominadas 
formas parenquimatosas ou estrututuras que se as-
semelham a pequenas folhas, chamadas cenocíticas. 
A estrutura interna dos talos indica que o conjunto 
de células não forma tecidos verdadeiros nem órgãos. 
Observe a figura a seguir: 
estRutuRa de alga pluRicelulaR
As algas apresentam uma grande variedade de pigmentos 
que lhes fornecem diferentes tonalidades de cor e permi-
tem seu estudo e classificação em algas pardas, verdes, 
vermelhas ou douradas. Esses pigmentos são organizados 
em plastos, organelas similares aos cloroplastos.
2.1. Algas verdes (Filo Chlorophyta)
As algas verdes podem ser unicelulares (isoladas ou colo-
niais) ou pluricelulares. Em seus cloroplastos, os pigmentos 
mais presentes são as clorofilas A e B, embora possam conter 
carotenos (laranja) e xantofilas (amarelo). A reserva é repre-
sentada por amido, e as paredes celulares possuem celulose. 
Elas são muito comuns e vivem em água doce, salgada e em 
ambientes terrestres úmidos. Também participam de diferen-
tes associações simbióticas, como na formação dos líquens. 
Com cerca de 17.000 espécies, destacam-se os seguintes 
gêneros: Spirogira, Ulva, Volvox, Acetabularia, Porphyra e 
Caulerpa. É provável que esse grupo compartilhe um ances-
tral próximo com as briófitas, cuja evolução apresenta adap-
tações para o ambiente terreste. Observe na figura a seguir a 
diversidade das clorofíceas.
REINO PROTOCTISTA II: 
ALGAS 
COMPETÊNCIA(s)
4 e 8
HABILIDADE(s)
16 e 29
CN AULAS 9 E 10
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algas veRdes 
filamentosas
algas veRdes 
unicelulaRes
algas veRdes 
coloniais - volvox sp.
algas veRdes 
pluRicelulaRes
fonte: Youtube
Clorofíceas ou algas verdes – 
Diversidade dos Seres Vivos
multimídia: vídeo
A reprodução sexuada ocorre por isogamia (fusão 
entre gametas iguais em forma e função), heterogamia 
(fusão entre gametas distintos em forma e/ou função) ou 
oogamia (fecundação de um gameta feminino imóvel e 
grande por um gameta masculino móvel e pequeno). A 
reprodução assexuada ocorre por meio de esporos. 
Muitas espécies apresentam alternância de gerações 
ou metagênese. Note nas figuras a seguir os processos 
de reprodução sexuada e a metagênese.
Isogamia
Fecundação
Célula-ovo ou
zigoto
Isogametas
Heterogamia morfológica
microgameta
macrogameta
Célula-ovo
ou zigoto
Fecundação
Heterogamia �siológica
Oogamia
Gameta móvel
Fecundação
Gameta imóvel
Célula-ovo
ou zigoto Gameta
(oosfera)
Fecundação
Gameta
(anterozoíde)
Célula-ovo
ou zigoto
RepRodução sexuada das algas e tipos de gametas
metagênese em algas. ciclo de vida de ulva, uma alga veRde membRanosa.
fonte: Youtube
Características gerais das Algas - Diversidade
multimídia: vídeo
2.2. Algas pardas (Filo Phaeophyta)
As algas pardas, chamadas de feofíceas, são pluricelula-
res, com o talo (corpo) filamentosas ou parenquimatosas. 
Algumas algas podem apresentar talos de até 70 metros 
de comprimento, como as espécies dos gêneros Lamina-
ria ou as Kelps, que trazem a aparência de florestas para 
o fundo dos oceanos. Outros tipos de algas que apresen-
tam longos talos são: Sargassum (30 m) e Macrocystis 
(15 m). Possuem um pigmento denominado fucoxantina 
ou xantofila (amarelo), que, junto com a clorofila (verde), 
dá a cor parda que as distingue dos outros filos. Essas 
algas possuem uma grande importância ecológica, po-
dendo servir de habitat a numerosos grupos de animais 
marinhos. Podem ser utilizadas como adubo e fonte de 
nutrientes, além de servir como fonte de extração de iodo 
e de ágar (uma mucilagem, matéria-prima para gelatinas 
e meios de culturas), que é utilizado em técnicas de labo-
ratório de microbiologia na preparação de laxantes pela 
indústria farmacêutica e na alimentação.
fonte: Youtube
Feofíceas ou algas pardas – 
Diversidade dos Seres Vivos
multimídia: vídeo
As algas pardas possuem o corpo revestido por uma mu-
cilagem chamada algina ou alginato. Essa mucilagem 
estabilizante é extraída das algas pardas e utilizada na 
fabricação de sorvetes, caramelos e cosméticos. Algumas 
espécies dessas algas são comestíveis. Vivem fixas no fun-
do do mar (bentônicas); a maioria das espécies é marinha 
e poucas são de água doce.
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Elas se reproduzem sexuada e assexuadamente, e muitas 
espécies apresentam alternância de gerações (metagênese). 
Observe na figura a seguir alguns representantes das feofíceas.
exemplos de feofíceas, algas paRdas pluRicelulaRes. da esqueRda paRa 
a diReita: fucus, laminaRia sp., saRgassum sp., Kelps e macRoRYstis.
2.3. Algas vermelhas (Filo Rodophyta)
Conhecidas também pelo nome de rodofíceas, as algas 
vermelhas vivem principalmente no mar, em zonas que 
normalmente não ficam descobertas pelas marés. São plu-
ricelulares, filamentosas e fixam-se nos fundos litorâneos 
e oceânicos (bentônicas). Nos plastos, além da clorofila, 
encontra-se outro pigmento predominante, a ficoeritrina 
(vermelho), podendo ser encontrada também a ficociani-
na (azul). As algas vermelhas são capazes de fornecer ágar 
(ágar-ágar) e carragem (carragim), outra mucilagem com 
finalidade alimentícia que também é usada na fabricação 
de caramelos e sorvetes. Algumas espécies são revestidas 
de carbonato de cálcio (CaCO3). Esses sais de cálcio as 
tornam mais resistentes ao rebentamento das ondas, seus 
talos ficam mais rígidos e fazem parte da formação dos re-
cifes de corais. Por esse motivo, são chamadas de algas 
coralíneas ou calcáreas. A reprodução pode ser sexuada 
ou assexuada, e muitas apresentam metagênese. A seguir, 
estão relacionados alguns representantes das rodofíceas. 
RepResentantes de Rodofíceas, algas veRmelhas pluRicelulaRes.
diatomáceas, com suas caRapaças de silício.
fonte: Youtube
Rodofíceas ou algas vermelhas – 
Diversidade dos Seres Vivos
multimídia: vídeo
3. Os protófitos
Os protófitos são seres clorofilados unicelulares que reali-
zam fotossíntese e, portanto, apresentam nutrição autótro-
fa. Eles são encontrados no mar,na água doce e também 
nos solos úmidos. A reprodução mais frequente é assexua-
da, por meio da bipartição (cissiparidade). Nesse caso, uma 
célula se divide, dando origem a duas outras, embora ocor-
ra também reprodução sexuada.
3.1. Diatomáceas (Filo Bacillariophyta)
As diatomáceas também são chamadas de crisofíceas ou 
algas douradas. A maioria é unicelular e apresenta os pig-
mentos caroteno (laranja) e xantofila (amarelo), além da clo-
rofila. As diatomáceas, ilustradas a seguir, são os representan-
tes mais conhecidos. Trata-se de seres unicelulares, raramente 
formam colônias, e suas células são recobertas por uma cara-
paça, chamada de frústula, formada de dióxido de silício 
(SiO2). A frústula pode ser formada por duas partes ou valvas 
de tamanhos iguais ou diferentes que se encaixam.
Diatomáceas
valvas de diatomáceas maRinhas
Essas algas podem viver em água doce e em solos úmidos, 
mas são predominantemente marinhas, ocupando o fito-
plâncton. São consideradas os mais importantes produtores 
no mar e são fonte de alimento para animais. Suas carapaças 
podem se depositar no fundo de mares e rios e formar gran-
des depósitos ricos em sílica, denominado diatomito, que 
é utilizado para polir metais, fabricar cerâmica e dinamite.
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diveRsos tipos de fRústuRas de diatomáceas
fonte: Youtube
Diatomáceas: parte 3 (Português)
multimídia: vídeo
Observe na figura a reprodução assexuada por cissiparidade das diatomáceas, que origina duas células filhas de tamanhos 
desiguais, uma maior, como a progenitora, e uma menor, por conta das valvas de tamanhos diferentes. Esse processo invia-
biliza a reprodução das células menores.
EPIVALVA
CÍNGULO
NOVAS VALVAS FORMADAS
(HIPOVALVAS)
(PARENTAL)
HIPOVALVA
(PARENTAL)
CÉLULAS-FILHAS CÉLULAS-FILHAS
HIPOVALVA PARENTAL
1ª GERAÇÃO 2ª GERAÇÃO
EPIVALVA PARENTAL
modelo esquemático da RepRodução assexuada das diatomáceas.
Terra de diatomáceas (diatomitos)
A maior parte das diatomáceas vive nos oceanos, 
particularmente os de águas frias. Quando morrem, 
depositam no fundo as suas carapaças de sílica, 
formando depósitos conhecidos como “terra de dia-
tomáceas”. Essa terra é usada na fabricação de pasta 
dentifrícia e dos denominados pós-dentifrícios. É tam-
bém utilizada para polimento e para fabricação de 
filtros industriais.
Petróleo
As diatomáceas armazenam parte de seus alimen-
tos em forma de óleo. Acredita-se que as diatomá-
ceas foram responsáveis pela formação do petróleo. 
Eventualmente, os geólogos encontram depósitos de 
petróleo por meio da identificação de diatomáceas 
nas amostras de terra obtidas em perfurações.
3.2. Algas pirrofíceas (Filo Dinophyta)
As pirrofíceas são algas unicelulares, eucarióticas, biflage-
ladas e podem apresentar, além da parede celular celulósica, 
uma cobertura externa chamada de teca. Ocorrem princi-
palmente no plâncton marinho, entretanto podem existir 
formas de água doce. Os dinoflagelados, como também são 
chamados, possuem clorofila, xantofilas e carotenos. Algu-
mas formas estão ilustradas na figura a seguir Os dinoflage-
lados reproduzem-se vegetativamente por meio de simples 
divisão celular. Ocorre também reprodução sexuada através 
da formação de gametas (isogamia ou anisogamia).
Gymnodinium Ceratium Noctiluca
RepResentantes de dinoflagelados.
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fonte: Youtube
Maré vermelha e presença de toxina diarréica 
suspende comércio de mariscos em Santa Catarina
multimídia: vídeo
Podem causar as marés vermelhas, que correspondem 
a um aumento do número de indivíduos devido a fatores 
ambientais, como o aumento de nutrientes relacionado 
a atividades antrópicas e temperaturas altas, formando 
manchas de coloração visível nos mares. Esse fenômeno, 
demonstrado na figura a seguir, causa a morte de peixes, 
devido ao consumo exagerado de oxigênio e à produção 
de toxinas das algas. Essas toxinas atuam no sistema ner-
voso. Os moluscos, mesmo não sendo sensíveis, podem 
acumular essas toxinas e, depois de serem ingeridos, po-
dem contaminar o homem e outros mamíferos. 
a maRé veRmelha, Resultado da explosão populacional de dinoflagelados.
Alguns gêneros de Dinophyta (Pyrrophyta) apresentam bio-
luminescência. Por meio da oxidação causada pela enzima 
luciferase na substância luciferina, presente em suas células, 
ocorre a formação de um produto molecular excitado que li-
bera energia luminosa na forma de fótons. Além disso, repre-
sentates desse grupo, as chamadas zooxantelas ou espécies 
impregnadas com carbonato de cálcio (CaCO3), compõem 
de forma simbiótica os recifes de corais.
4. Euglenoides (Filo 
Euglenophyta)
Os euglenoides são unicelulares, não apresentam parede 
celular e se locomovem por flagelos. Vivem principalmente 
em água doce e apresentam um vacúolo pulsátil que, ao 
contrair-se, expulsa o excesso de água absorvido continua-
mente do meio por osmose. Observe na figura a seguir sua 
estrutura celular e a Euglena viridis.
estRutuRas coRpóReas de euglena.
euglenoides vistos pelo micRoscópio óptico.
Os seus cloroplastos realizam a fotossíntese; contudo, na 
ausência da luz e na escassez de reservas nutritivas, os 
euglenoides são capazes de ingerir partículas alimentares, 
que entram pela boca da célula (citóstoma), passam pela 
citofaringe e sofrem digestão de vacúolos digestórios; os 
resíduos, por sua vez, são eliminados pelo citopígeo, como 
em unicelulares heterótrofos. Essa característica e a estru-
tura de suas células assemelham-se muito às de alguns 
protozoários, o que culminou no estudo das euglenas tam-
bém como protozoários flagelados. Possuem uma região 
chamada estigma, responsável pela percepção de luz. A 
reserva é um tipo de amido conhecido por paramilo.
5. Reprodução nas algas
As algas apresentam processos de reprodução assexuada 
por cissiparidade (divisão binária), fragmentação de seus talos, 
e reprodução sexuada (isogamia, anisogamia e oogamia).
A
Plasto
B
Valva menor
Vacúolo Núcleo Valva maior
Representações esquemáticas de divisão binária em algas
RepResentações esquemáticas de divisão bináRia em pRotistas.
Algumas algas multicelulares soltam células flageladas 
assexuadas, os zoósporos, que nadam até atingir locais 
adequados, onde, ao se fixarem, originam assexuadamente 
novos indivíduos. Essa reprodução é chamada de zoospo-
ria, ilustrada na figura a seguir.
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Reprodução assexuada nas algas (cont.)
Zoósporos: Ulothrix Zoósporos formados
 por mitose
 Zoósporos
sendo liberados
(talo haploide)
zoósporo germina
exemplo de RepRodução assexuada em algas.
Reprodução sexuada
Organismos adultos
 haploides (n)
União
sexual
 Fusão
citoplasmática
 Fusão dos
 núcleos e
 formação
do zigoto (2n)
Zigósporo
MEIOSE
Organismos jovens
 haploides (n)
 Ciclo sexuado da
 alga verde
 unicelular
Chlamydomonas sp.
a RepRodução sexuada é comum em quase todas as algas. naquelas 
que são unicelulaRes, cada oRganismo pode compoRtaR-se como 
um gameta e, ao se fundiRem, foRmam um zigoto. esse zigoto 
sofRe meiose e foRma quatRo novos indivíduos haploides.
A maior parte das algas multicelulares apresenta o 
fenômeno de alternância de gerações, em que a 
meiose ocorre na formação de estruturas reprodutivas 
chamadas esporos, enquanto os gametas são origina-
dos por mitose.
Nesse ciclo, um indivíduo forma gametas, por isso ele é 
conhecido como gametófito. Os gametas originam, por 
fecundação, um zigoto. O zigoto se desenvolve por multi-
plicação celular, originando outro indivíduo que em deter-
minado período gera esporos, por isso é denominado es-
porófito. Cada esporo origina, por multiplicação celular, 
um novo gametófito, e assim por diante.
Esporos haploides
(13 cromossomos) Células onde
ocorreu meiose.Detalhe do
 esporó�to
Gametó�tos haploides
 (13 cromossomos)
 Detalhe do
 gametó�to
Células formadoras
 de gametasDesenvolvimento
 do zigoto
 Gametas
(13 cromossomos)
 Fecundação
 Esporó�to diploide
 (26 cromossomos)
 Zigoto diploide
(26 cromossomos)
 Ciclo alternante de Ulva lactuca
metagênese em alga veRde
Na conjugação, ilustrada na figura a seguir, há fusão de 
células com formação de zigotos.
imagem de micRoscopia mostRando detalhes da conJugação.
6. Importância das algas
As algas são os principais seres fotossintetizantes e, por-
tanto, produtores dos ambientes aquáticos (mares, rios, 
lagos e lagoas) e em especial aquelas que participam das 
comunidades da superfície desses ecossistemas, o plâncton, 
constituindo o componente autótrofo chamado fitoplânc-
ton. As algas, assim, sustentam troficamente, direta ou in-
diretamente, todos os demais seres que formam as redes ou 
teias alimentares desses ambientes. Outro fator importante 
é o fato de serem responsáveis por cerca de 90% do oxi-
gênio atmosférico, graças a sua atividade fotossintética. 
Climaticamente, são importantes pela liberação na atmos-
fera de DMS (dimetil-sulfeto), substância que age como 
facilitador na formação de núcleos de condensação e, 
portanto, de chuvas. Do ponto de vista econômico, são utili-
zadas diretamente na alimentação (verdes, pardas e verme-
lhas), fornecem matérias-primas importantes, como o ágar 
e a carragenina (algas vermelhas). O ágar tem importância 
na indústria de alimentos e na pesquisa científica, enquanto 
que a carragenina é usada como estabilizante na fabricação 
de cremes dentais e laxantes, por exemplo.
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ÁREAS DE CONHECIMENTO DO ENEM
HABILIDADE 29
Interpretar experimentos ou técnicas que utilizam seres vivos, analisando implicações para o ambiente, a 
saúde, a produção de alimentos, matérias-primas ou produtos industriais.
As bactérias são um exemplo da utilização de seres vivos na indústria para a produção de energia. Nesse ex-
ercício, é importante a interpretação do experimento proposto e o reconhecimento de como a adição de outro 
ser vivo (algas) vai ou não potencializar a produção de energia pela bactéria. Também é importante conhecer 
como isso pode impactar o meio ambiente.
MODELO 1
(Enem) Um estudo modificou geneticamente a Escherichia coli, visando a permitir que essa bactéria seja capaz 
de produzir etanol pela metabolização do alginato, açúcar presente em grande quantidade nas algas marrons. 
A experiência mostrou que a bactéria transgênica tem capacidade de obter um rendimento elevado na produ-
ção de etanol, o que pode ser aplicado em escala industrial. 
combustível de algas. Revista pesquisa fapesp, ed.192, fev. 2012 (adaptado).
O benefício dessa nova tecnologia, em comparação às fontes atuais de produção de etanol, baseia-se no fato 
de que esse modelo experimental
a) Aumentará a extensão de área continental cultivada.
b) Aumentará a captação de CO2 atmosférico.
c) Facilitará o transporte do etanol no final da etapa produtiva.
d) Reduzirá o consumo de água doce durante a produção de matéria–prima.
e) Reduzirá a contaminação dos mares por metais pesados.
ANÁLISE EXPOSITIVA
O alginato é um açúcar presente em algas pardas e é uma mucilagem que reveste o corpo desses organismos. 
Em geral, essa substância é utilizada na fabricação de sorvetes, doces e cosméticos. Nesse exercício, o açúcar 
foi adicionado a uma colônia geneticamente modificada de Escherichia coli, uma bactéria que, nessas condi-
ções, teve o rendimento de produção de etanol aumentado. Como as algas pardas são predominantemente 
de água salgada, o consumo de água doce para a obtenção dessas algas será reduzido durante a produção 
de matéria-prima.
RESPOSTA Alternativa D
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DIAGRAMA DE IDEIAS
DIATOMÁCEAS
• CAROTENO E XANTOFILA 
FRÚSTULA (SIO2)
• DIATOMITO
• CISSIPARIDADE
TIPOS DE ALGAS UNICELULARES
PIRROFÍCEAS
• FLAGELADAS 
(DINOFLAGELADOS)
• CLOROFILA, XANTOFILAS 
E CAROTENO
• DIVISÃO SIMPLES 
(ASSEXUADA) OU 
ISOGAMIA (SEXUADA)
• MARÉ VERMELHA
• BIOLUMINESCÊNCIA 
(LUCIFERINA)
EUGLENOIDES
• AUSÊNCIA DE 
PAREDE CELULAR
• FLAGELOS
• ESTIGMA
• PARAMILO
ALGAS VERDES
• CLOROFILAS A E B
• CAROTENOS E XANTOFILAS
• AMIDO (RESERVA)
• CELULOSE
• REPRODUÇÃO SEXUADA 
(ISOGAMIA, HETEROGAMIA 
OU OOGAMIA)
• REPRODUÇÃO 
ASSEXUADA (ESPOROS)
TIPOS DE ALGAS PLURICELULARES
ALGAS PARDAS
• FUCOXANTINA OU 
XANTOFILA
• IODO E ÁGAR
• ALGINA
• REPRODUÇÃO ASSEXUADA 
OU POR ALTERNÂNCIA 
DE GERAÇÕES
ALGAS VERMELHAS
• CLOROFILA
• FICOERITRINA
• FICOCIANINA
• ÁGAR E CARRAGEM
• CARBONATO DE CÁLCIO 
(RECIFE DE CORAIS)
ALGAS 
(PROTOCTISTAS AUTÓTROFOS)
EUCARIONTES E 
FOTOSSINTETIZANTES
• FITOPLÂNCTON
• FITOBENTOS
• PIGMENTOS FOTOSSINTETIZANTES
• CLOROFILAS
• MARINHAS OU DE ÁGUA DOCE
• AMBIENTES TERRESTRES ÚMIDOS
UNICELULARES 
(PROTÓFITOS)
PLURICELULARES 
(SEM TECIDO VERDADEIRO)
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1. Introdução ao estudo 
dos metazoários
O estudo do Reino Animal é responsabilidade da zoologia. Os 
animais, ou metazoários, são seres multicelulares e heterótro-
fos e a hipótese mais aceita é que evoluíram de organismos 
eucarióticos unicelulares flagelados que viviam de forma colo-
nial e aumentaram de forma crescente sua interdependência. 
O Reino Animal pode ser divido em dois sub-reinos: parazo-
ários, que incluem as esponjas (poríferos), animais que não 
apresentam organização em tecidos, e os eumetazoários, que 
incluem todos os demais grupos, pois formam tecidos verda-
deiros – células que se organizam de forma interdependente. 
Além dessa divisão, há diferentes características do desenvol-
vimento e da fisiologia dos animais que nos permitem clas-
sificá-los e analisar a evolução biológica do Reino. Assim, a 
zoologia mostrará graus de complexidade bastante diferentes 
entre os 29 filos e 1,5 milhão de espécies conhecidas.
1.1. Desenvolvimento e 
embriologia dos metazoários
Todos os animais são diploides que se desenvolvem a par-
tir de um zigoto formado pela fecundação de dois gametas 
haploides, os quais, por sua vez, são formados por meiose. 
O zigoto inicia o desenvolvimento a partir de sucessivas mi-
toses e, nesse processo, surgem camadas de células deno-
minadas folhetos germinativos, que serão diferenciadas em 
tecidos e órgãos. Os cnidários, primeiros eumetazoários, são 
chamados de animais diblásticos, pois formam apenas 
dois folhetos germinativos: endoderme e ectoderme. A par-
tir dos platelmintos, todos são chamados de triblásticos, 
pois observa-se a presença de três folhetos embrionários, a 
ectoderme, a endoderme e a mesoderme. Basicamente, a 
ectoderme origina a epiderme, a endoderme origina o reves-
timento interno do tubo digestivo, e a mesoderme origina os 
demais tecidos, como a musculatura. Assim, trata-se de um 
indicador de maior compexidade. Nos animais triblásticos 
é possível que ocorra a formação de uma cavidade corpórea, 
fundamental para acomodar órgãos e estruturas internas. 
Essa cavidade atua na circulação de substâncias ao longo 
do corpo, acolhe resíduos celulares que serão eliminados e 
pode, ainda, estar preenchida de líquido sob pressão, que 
funciona como estrutura de sustentação em um esqueleto 
hidrostático. Os animais sem cavidade corpórea são denomi-
nados acelomados; os animais cuja cavidade é o celoma, 
ou seja, revestida unicamente por mesoderme, são denomi-
nados celomados; e os animais cuja cavidade corpórea é 
revestida pela mesoderme e pela endoderme são denomina-
dos pseudocelomados. Observe abaixo a exemplificação 
da presença do celoma nos animais:
Tubo digestório
Pseudocelomado
Pseudoceloma
Celomado
Ectoderme
Mesoderme
Endoderme
Acelomado
caRacteRização dos seRes vivos em Relação ao celoma.
http://www.sobiologia.com.bR/conteudos/embRiologia/RepRoducao12.phpSEM FOLHETOS EMBRIONÁRIOS poríferos
diblásticos cnidários
triblásticos
acelomados platelmintos
pseudocelomados nematódeos
celomados
anelídeos
moluscos
artrópodes
equinodermas
cordados
No estágio do desenvolvimento embriológico denominado 
gástrula, forma tridimensional com uma cavidade (arquênte-
ro), há uma comunicação com o meio chamada blastóporo 
e ela formará o ânus nos deuterostômios (equinodermos e 
cordados) e a boca nos seres protostômios, que são todos os 
PORÍFEROS 
E CNIDÁRIOS
COMPETÊNCIA(s)
4 e 8
HABILIDADE(s)
13, 15, 16 e 28
CN AULAS 11 E 12
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outros grupos. Observe a seguir a exemplificação do desen-
volvimento embrionário dos protostômios e deuterostômios:
Arquêntero
Alongamento
Blastóporo
Gástrula
em corte
Boca
Ânus
Deuterostômio
Girino (vertebrado)
Protostômio
Hidra (cnidário)
Prostostômios e deuterostômios
 
pRostostômios e deuteRostômios
Nos protostômios, o celoma origina, entre o conjunto de 
células mesodérmicas, um espaço chamado de esquizoce-
loma. Nos deuterostômios, a invaginação da mesoderme 
forma bolsas, cuja cavidade interior é o celoma, o qual é 
denominado de enteroceloma.
1.2. A simetria corporal
A ideia de simetria corresponde a "similar", "idêntico". O 
plano de simetria corporal corresponde a um plano imaginá-
rio que, passando pela região intermediária do animal, pode-
ria dividi-lo em duas metades semelhantes. Assim, um peixe, 
um inseto ou um cachorro apresentam simetria bilateral, da 
mesma forma que os platelmintos, uma vez que apresentam 
duas metades semelhantes: a direita e a esquerda. No caso 
de uma anêmona-do-mar (cnidário), a simetria é denomina-
da radial. Há mais de um plano imaginário que divide o ser 
em metades semelhantes. Veja alguns exemplos de simetria:
Simetria bilateral
Simetria radial
Simetria bilateral
Simetria radial
Para animais sésseis, a simetria radial é uma vantagem ao 
permitir respostas ao ambiente em todas as direções a partir 
do local que se situam. Já com o surgimento dos bilaterais, 
é possível falar em região anterior, posterior, dorsal ou ven-
tral. Essa organização corpórea permite a organização de 
um sistema digestório completo e muito mais eficiente, pois 
possibilita uma abertura bucal, na extremidade anterior, e 
outra anal, na extremidade posterior. Outra característica im-
portante, derivada da bilateralidade, é que a região anterior 
pode concentrar estruturas nervosas e sensoriais no proces-
so de cefalização. A cefalização viabilizou maior complexida-
de do sistema nervoso e uma extraordinária capacidade de 
exploração do ambiente ao redor.
2. Poríferos (Espongiários)
Os poríferos são também conhecidos como esponjas. 
Existem cerca de 5 mil espécies, predominantemente ma-
rinhas, sendo apenas 150 espécies dulcícolas. Observe a 
seguir exemplos dessa diversidade.
exemplo da biodiveRsidade de poRífeRos
Dentro da escala zoológica, as esponjas são os represen-
tantes mais simples, em termos evolutivos.
As esponjas não possuem tecidos verdadeiros e, em conse-
quência, não apresentam órgãos definidos. Essa é a carac-
terística que favorece a grande capacidade de regene-
ração desses animais. Quando cortada em vários pedaços, 
uma esponja pode reconstituir diversos novos indivíduos.
CÉLULAS CAPAZES
DE ORIGINAR
NOVAS ESPONJAS
ESPÍCULAS
GEMULAÇÃO
ESPONJA
 VIVA
ESPONJA
DESAGREGADA
FORMAÇÃO DE
NOVAS ESPONJAS
REORGANIZAÇÃO
 CELULAR
REGENERAÇÃO
http://www.geocities.ws/pRi_biologiaonline/RepRoducao_esponJas.html 
http://wesleibio.blogspot.com.bR/2016/05/filo-poRifeRa.html
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fonte: Youtube
Coanócitos – Emanuel
multimídia: vídeo
2.1. Estrutura e fisiologia
As esponjas são animais filtradores, ou seja, retêm par-
tículas existentes nas correntes de água que atravessam o 
corpo. Elas capturam partículas suspensas na água e geram 
um fluxo de água que entra pelos poros ao longo do corpo 
até alcançar uma cavidade denominada átrio ou espon-
giocele. No átrio, os coanócitos, células com aspecto de 
colarinho, geram o fluxo de água por meio de movimentos 
contínuos dos flagelos e também capturam as partículas e 
as digerem. A água é enviada para o meio externo por uma 
abertura maior, central, denominada ósculo. 
A organização do corpo de um porífero
saída de água
ósculo
espículas
poros
entrada
de água átrio
(espongiocela)
�agelo
colarinho coanócito
amebócito
espículas
pinacócitos
porócito
a oRganização do coRpo de um poRífeRo.
O alimento é digerido por vacúolos no interior das células (di-
gestão intracelular) e, posteriormente, distribuído para todo o 
corpo através de células denominadas amebócitos. Exter-
namente, a parede corpórea é revestida por células epidérmi-
cas achatadas denominadas pinacócitos, que têm a função 
de revestimento e proteção.A organização do corpo de um porífero
saída de água
ósculo
espículas
poros
entrada
de água átrio
(espongiocela)
�agelo
colarinho coanócito
amebócito
espículas
pinacócitos
porócito
Entre a camada de pinacócitos (pinacoderme) e a de coa-
nócitos (coanoderme), há uma região intermediária que é 
preenchida pelo mesênquima, uma estrutura gelatinosa 
que contém, além de amebócitos, uma rede de proteínas, 
denominada espongina, e espículas de carbonatos 
de cálcio ou sílica, que se prestam à sustentação das 
partes moles. Também apresentam os porócitos, células 
tubulosas percorridas por uma perfuração cônica que re-
gulam a entrada de água e formam os numerosos poros 
que caracterizam as esponjas.
Quando adultos, são sésseis, isto é, fixos principalmente a 
substratos rochosos e conchas. Existem três tipos estrutu-
rais de esponjas: áscon, sícon e lêucon, que apresentam 
gradual aumento da superfície de contato dos coanócitos 
com a água, de modo que as esponjas do tipo lêucon estão 
mais adaptadas a promover uma filtração mais eficiente da 
água e aproveitam melhor os nutrientes disponíveis. Ob-
serve os esquemas das três principais formas de poríferos:
Átrio Átrio
Água Água
Câmaras
�ageladas
Ascon Sycon Leucon
esquema RepResentativo dos tRês tipos estRutuRais de poRífeRos
O tipo áscon ou asconoide aparece como um vaso ou 
tubo fixado no substrato. A parede do corpo é formada por 
duas camadas celulares – dermal e gastral – separadas 
pelo mesênquima. A água, portanto, segue o seguinte flu-
xo: poros, átrio e ósculo.
O tipo sícon ou siconoide possui a parede do corpo es-
pessa e percorrida por um sistema de curtos canais radiais: 
inalantes e exalantes. Os primeiros abrem-se na superfície 
externa e terminam em fundo cego. Os exalantes são in-
ternos e desembocam no átrio. Os pinacócitos revestem os 
canais inalantes e o átrio, ficando os coanócitos limitados 
aos canais exalantes. Entre os dois tipos de canais, a comu-
nicação é realizada pelos porócitos. 
O tipo lêucon ou leuconoide é o mais complexo. O átrio 
é reduzido, enquanto a parede do corpo é bastante desen-
volvida e percorrida por um complexo sistema de canais e 
câmaras. Os coanócitos só aparecem nas câmaras esféricas, 
interpostas no trajeto dos canais. Os canais que partem dos 
poros e atingem as câmaras são denominados inalantes 
ou aferentes. Os canais exalantes ou eferentes saem das 
câmaras e atingem o átrio. 
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A partir dessa estrutura corporal e celular, a digestão é do 
tipo intracelular, a excreção é realizada por difusão para 
o meio externo, não há sistema nervoso e a respiração é 
aeróbica, sendo realizada diretamente pelas células. Ape-
sar da simplicidade desses organismos, calcula-se que uma 
esponja de 10 cm de altura e 1 cm de diâmetro é capaz de 
bombear e filtrar cerca de 22 litros de água por dia, a partir 
do batimento flagelar dos coanócitos.
2.2. Reprodução
Esponja Indivíduos unidos
Broto
Indivíduos isolados
RepRodução poRbRotamento em esponJa.
CÉLULAS CAPAZES
DE ORIGINAR
NOVAS ESPONJAS
ESPÍCULAS
GEMULAÇÃO
ESPONJA
 VIVA
ESPONJA
DESAGREGADA
FORMAÇÃO DE
NOVAS ESPONJAS
REORGANIZAÇÃO
 CELULAR
REGENERAÇÃO
As esponjas podem se reproduzir de forma sexuada, 
quando ocorre a união de gametas masculino, liberado na 
água, e feminino, formando um zigoto que origina uma 
larva ciliada (anfiblástula), ou assexuada, que pode ocor-
rer por brotamento, regeneração e por meio de gêmulas 
(gemulação) que aparecem mais em esponjas de água 
doce. A reprodução mais comum é o brotamento. Obser-
ve na figura a seguir um exemplo de reprodução sexuada.
Penetração através
 do porócito
Desenvolvimento da
An	blástula (larva)
 Liberação da
an	blástula através
 do ósculo
Desenvolvimento
Esponja
 Liberação de
espermatozoides
Fecundação
 Óvulo
Fixação ao substrato
RepRodução sexuada de poRífeRos
2.3. Sustentação do corpo
Os espongiários possuem um endoesqueleto, localizado 
entre as duas camadas celulares, podendo ser mineral ou 
orgânico. O esqueleto mineral é formado por espículas 
calcárias e silicosas com um, três ou mais eixos. Quanto 
ao esqueleto orgânico, é constituído por uma densa rede 
de fibras de espongina, uma escleroproteína. A esponja 
de banho usada antigamente é apenas o esqueleto orgâ-
nico de esponjas marinhas.
espículas
 
Espículas de poríferos: das mais variadas formas.
espículas de poRífeRos das mais vaRiadas foRmas. 
https://pRezi.com/ggx6ctd6liz-/filo-poRifeRa/
fonte: Youtube
Filtração esponja
multimídia: vídeo
3. Celenterados (cnidários): o 
surgimento da cavidade gástrica
Os cnidários são organismos com simetria radial; predomi-
nantemente aquáticos marinhos, podem nadar livremente 
(medusas) ou viver fixos (pólipos) no fundo do mar ou dos 
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rios, sozinhos ou formando colônias. Esse grupo compreen-
de as hidras, os corais e as anêmonas-do-mar. Trata-se de 
animais predadores, com tamanho variando desde formas 
microscópicas até outras macroscópicas de muitos metros. 
Observe a seguir exemplos da biodiversidade do grupo:
 
exemplo da biodiveRsidade de cnidáRios
São os primeiros representantes do Reino Metazoa a apre-
sentarem tecidos verdadeiros e especializados, que origi-
nam órgãos e estruturas mais complexas.
3.1. Estrutura e fisiologia
O corpo dos cnidários é organizado por uma cavidade que 
atua na digestão e na circulação de nutrientes, chamada 
de cavidade gastrovascular que se abre para o meio exter-
no por meio da boca. Em torno da boca, há tentáculos que 
auxiliam na captura das presas. É a presença da cavidade 
que deu esse nome aos celenterados, devido ao fato de 
serem os primeiros ou os mais próximos dos ancestrais dos 
primeiros seres com uma cavidade digestiva (cele = cavi-
dade; enteron = digestiva). Existem dois padrões de formas 
nesses animais: pólipo e medusa, os quais são observados 
na imagem a seguir. 
http://www.euqueRobiologia.com.bR/2013/10/
filo-cnidaRia-caRacteRisticas-geRais.html
Os pólipos possuem corpo tubular e apresentam duas extre-
midades: uma é fechada, que o fixa ao substrato; a outra con-
tém a boca e os tentáculos. Os pólipos podem viver isolados 
ou formar colônias. Exemplos: anêmonas-do-mar, hidra e co-
rais. A maioria é fixa, mas podem se locomover. Um exemplo 
é a hidra de água doce, que se locomove por cambalhotas.
As medusas possuem o corpo em forma de guarda-chuva: 
a boca se localiza na região central da superfície côncava, 
e os tentáculos pendem dos bordos. São móveis e de corpo 
gelatinoso, por isso são conhecidas como águas-vivas. O 
movimento é realizado pelos tentáculos em torno da boca, 
ou por jato-propulsão quando apresenta um véu que per-
mite manter a água sob pressão.
Embora os celenterados apresentem certa organização nos 
sistemas digestivo e nervoso, eles não possuem sistema 
respiratório e circulatório definidos. A excreção ocorre atra-
vés da difusão dos excretas pela superfície interna e exter-
na do corpo. Restos alimentares podem ser eliminados pela 
boca, uma vez que o sistema digestório é incompleto.
3.1.1. O significado e a importância 
da cavidade digestiva
A presença de uma cavidade digestiva permite ao animal 
realizar parte da digestão de forma extracelular e, conse-
quentemente, ingerir alimentos maiores. Esses alimentos 
gradativamente sofrerão o ataque de sucos digestivos 
constituídos por enzimas, que catalisarão a sua degrada-
ção em substâncias menores absorvíveis e utilizáveis no 
metabolismo pelas demais células do corpo. Nesse grupo, 
a digestão é extracelular e intracelular. A vantagem de in-
gerir alimentos maiores e digeri-los eficientemente reside 
na possibilidade de atender uma maior demanda energé-
tica do organismo e desenvolver maior complexidade es-
trutural, de comportamento, de metabolismo e distribuição 
mais ampla de habitats que os poríferos. Observe a seguir 
a estrutura da cavidade gastrovascular:
epiderme
nematocisto
mesogleia
gastroderme
célula
glandular
célula
�agelada
gastroderme
célula
interstical
mesogleia
epiderme
célula
nervosa
célula
sensitiva
célula
intersticial
célula
epitélio-
muscular
cnidoblasto
com
nematocisto
célula
epitélio-
digestivas
tentáculo
boca
pé
cavidade gastRovasculaR dos cnidáRios
3.1.2. Sistema nervoso difuso e o arcorreflexo
Esses animais apresentam reações a estímulos externos 
que permitem a eles se defenderem ou capturarem suas 
presas. Isso se deve ao fato de possuírem uma rede de cé-
lulas nervosas que conduzem impulsos ao longo de todo 
o corpo. Trata-se da primeira ocorrência de células 
nervosas (neurônios) no reino animal. Nessa estrutura 
nervosa, os neurônios se associam em uma rede difusa, 
com células sensoriais e atuam sob células epitélio-mus-
culares, que permite movimentos rápidos (arcorreflexo) e 
úteis na captura de presas e na defesa contra seus pre-
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dadores. Ao contrário do que ocorre com mamíferos, por 
exemplo, o impulso nervoso não é unidirecional, sendo 
transmistido nos dois sentidos.
SISTEMA NERVOSO DIFUSO EM CNIDÁRIOS
REDE DIFUSA DE NEURÔNIOS QUE TOMAM PARTE EM
ROTAS DE REFLEXOS SIMPLES
CÉLULAS NERVOSAS QUE INTERAGEM COM CÉLULAS
SENSORIAIS E CÉLULAS EPITÉLIO-MUSCULARES (CONTRÁTEIS)
O MESMO TIPO DE RESPOSTA MOTORA É USADA PARA DIFERENTES
PROPÓSITOS (POR EX. REFLEXO DE CAPTURA DE ALIMENTO E FUGA
DE PREDADORES É O MESMO TIPO SOMENTE MAIS ACELERADO NO
TEMPO)
TEIA NERVOSA
NEURÔNIOS DA REDE
NERVOSA
CÉLULA EPITÉLIO-MUSCULAR
CÉLULA SENSORIAL
PORÇÃO CONTRÁTIL DAS CÉLULAS
EPITÉLIO-MUSCULARES
ANÊMONA DO MAR
Rede nervosa
sistema neRvoso difuso em cnidáRios
SISTEMA NERVOSO DIFUSO EM CNIDÁRIOS
REDE DIFUSA DE NEURÔNIOS QUE TOMAM PARTE EM
ROTAS DE REFLEXOS SIMPLES
CÉLULAS NERVOSAS QUE INTERAGEM COM CÉLULAS
SENSORIAIS E CÉLULAS EPITÉLIO-MUSCULARES (CONTRÁTEIS)
O MESMO TIPO DE RESPOSTA MOTORA É USADA PARA DIFERENTES
PROPÓSITOS (POR EX. REFLEXO DE CAPTURA DE ALIMENTO E FUGA
DE PREDADORES É O MESMO TIPO SOMENTE MAIS ACELERADO NO
TEMPO)
TEIA NERVOSA
NEURÔNIOS DA REDE
NERVOSA
CÉLULA EPITÉLIO-MUSCULAR
CÉLULA SENSORIAL
PORÇÃO CONTRÁTIL DAS CÉLULAS
EPITÉLIO-MUSCULARES
ANÊMONA DO MAR
Rede nervosa
fonte: http://isaninhacientista.blogspot.com.
bR/2012_06_01_aRchive.html
3.2. A embriologia dos diblásticos 
A parede do corpo é formada por duas camadas celula-
res separadas pela mesogleia, de natureza gelatinosa. 
São organismos diblásticos, com órgãos apresentando 
funções bem definidas. A camada celular externa é a ec-
toderme, na qual aparecem três tipos de células: epité-
lio-muscular, sensoriais e cnidoblastos. As primeiras 
são cilíndricas e apresentam fibrilas contrácteis. Dispostas 
longitudinalmente, executam duas funções: proteção e 
movimento. Contraindo-se ou distendendo-se, as células 
epitélio-musculares atuam como musculatura longitudinal, 
encurtando o corpo e os tentáculos.
As célulassensoriais são delgadas e possuem no polo api-
cal um curto bastonete sensorial. Através da base, entram 
em contato com uma rede de células nervosas. Os cni-
doblastos aparecem principalmente nos tentáculos.
Na camada interna, denominada gastroderme, são en-
contrados dois tipos de célula: musculares digestórias 
e glandulares. As musculares digestórias possuem a 
mesma forma das epitélio-musculares, dispostas transver-
salmente, e funcionam como musculatura transversal, re-
duzindo o diâmetro do corpo. O polo apical dessas células 
biflageladas emite pseudópodes para fagocitar partículas 
alimentares. As células glandulares secretam enzimas di-
gestórias. Observe a seguir a estrutura descrita:
Gema
Ovário
Testículo
Boca
Tentáculo
Fibrilas contrácteis
Mesogleia Vacúolo digestório
 Células do
mesênquima
 Célula
sensorial
Cnidoblasto
Pseudópode
Partícula
alimentar
Célula glandular
Célula nutritiva-muscularCélula nervosa
Endoderme (gastroderme)
Célula epiteliomuscular
Ectoderme
estRutuRa da gastRodeRme
3.2.1. Os cnidoblastos
Os celenterados são animais predadores e carnívoros que, 
além dos tentáculos, descarregam uma substância urtican-
te para capturar suas presas. Essa substância está presente 
nos cnidócitos ou cnidoblastos, células cuja presença exclu-
siva nesse grupo permitiu nomeá-los de cnidários. O cni-
doblasto é dotado de uma cápsula, o nematocisto, que 
abriga em seu interior um tubo filamentoso enovelado e 
envolvido por um líquido urticante; contém ainda um cílio 
sensorial que funciona como um “gatilho”: ao ser estimu-
lado, o filamento desenvagina-se rapidamente, penetrando 
no animal que tocou o cnidocílio e injetando o líquido.
Conhecido como hipnotoxina, o líquido paralisa as pre-
sas maiores e mata as menores. No homem, provoca as 
“queimaduras” características das chamadas águas-vivas. 
Observe a seguir o esquema:
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Cnidoblasto
Opérculo
Filamento
 urticante Cnidocílio
(cílio sensível ao contato)
estRutuRa de um cnidoblasto
fonte: http://tudodeconcuRsosevestibulaRes.blogspot.com.
bR/2013/01/cnidaRios-questoes-vestibulaR.html
fonte: Youtube
Cnidários: Anêmonas, Medusas, Hidras...
multimídia: vídeo
3.4. Reprodução
3.4.1. Brotamento
A reprodução dos celenterados pode ser assexuada e se-
xuada. Na figura, é possível observar o brotamento em 
hidra, representando um processo assexuado. O broto for-
mado pode se desprender, fixar-se ao substrato e crescer 
como um indivíduo separado, ou permanecer ligado ao 
indivíduo original e formar uma colônia.
 
RepRodução assexuada poR bRotamento
3.4.2. Metagênese
Existe uma grande variedade de espécies de celenterados e 
alguns grupos apresentam uma peculiaridade na reprodu-
ção. No ciclo reprodutivo, há duas formas de vida que se 
alternam. Uma forma de pólipo dá origem a medusas por 
reprodução assexuada. As medusas geram gametas que for-
mam um zigoto. Esse zigoto origina uma larva ciliada, que se 
fixa e forma um novo pólipo. Essa alternância de gerações, 
em que uma fase se reproduz assexuadamente e a outra 
sexuadamente é conhecida como metagênese. A fase se-
xuada é representada pela forma medusoide, produtora de 
gametas que se encontram externamente, gerando uma lar-
va denominada plânula. A larva origina a forma polipoide. 
A fase assexuada é representada pelo pólipo, que se repro-
duz por brotamento ou por estrobilização (fragmentação). 
Observe a seguir os ciclos reprodutivos existentes no grupo:
Reprodução sexuada:
colônia �xa
FASE ASSEXUADA
medusas livres
FASE SEXUADA
espermatozoide óvulo
zigoto
fecundação
blástula
 larva
plânula
pólipo jovem
alteRnância de geRações nos cnidáRios
fonte: https://pt.slideshaRe.net/matheusfelipe56/poRifeRoscelenteRados-6
óvulo na superfície
do corpo 
feminino
 embrião em
desenvolvimento
 hidra
 em
desenvolvimento
 nova hidra
espermatozoides
3.5. Classificação dos cnidários
Os cnidários apresentam quatro classes principais, das quais 
apenas a classe Anthozoa não apresenta fase medusoide.
3.5.1. Classe Anthozoa
A maior classe dos cnidários, com mais de 6.000 espécies, 
não apresenta metagênese, ou seja, os organismos perma-
necem na forma de pólipos durante todo o ciclo de vida. Os 
antozoários são o grupo basal dentro do Filo Cnidaria, ou 
seja, é o primeiro grupo dentro da filogenia do grupo Cni-
daria a partir do qual os outros se diversificaram. Os repre-
sentantes mais importantes são as anêmonas-do-mar, que 
têm hábitos solitários, e os corais, os quais são coloniais, 
além de secretar e depositar carbonato de cálcio de forma 
contínua em sua epiderme externa.
3.5.2. Classe Hydrozoa
Além da hidra, existem inúmeros representantes da classe dos 
hidrozoários, como a obelia e a caravela (Physalia) – indivíduo 
colonial muito comum nos mares tropicais e temperados. 
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VIVENCIANDO
hYdRa viRidissima
fonte: https://en.wiKipedia.oRg/wiKi/hYdRa_viRidissima
A reprodução das obelias obedece a um ciclo em que se 
alternam pólipos (fase assexuada e duradoura) e medusas 
(fase sexuada e pouco duradoura). Num polipeiro (colônia), 
há dois tipos de pólipos: o nutridor e o reprodutor. O re-
produtor origina medusas por brotamento. São pequenas 
e produzem gametas masculinos e femininos; os esperma-
tozoides são liberados na água e o óvulo pode ou não ser 
liberado. Ocorrida a fecundação, forma-se o zigoto, do qual 
se desenvolve o embrião e o nascimento da larva ciliada, a 
plânula – importante forma de dispersão da espécie. Fixada 
a um substrato apropriado, ela transforma-se em um novo 
pólipo que vai gerar novo polipeiro.
3.5.3. Classe Scyphozoa
As formas predominantes – e sexuadas – dos cifozoários 
são bonitas medusas de cores variadas, as águas-vivas ver-
dadeiras. Os pólipos, por sua vez, são pequenos e resultam 
da pouco duradoura fase assexuada.
Poríferos e cnidários produzem compostos que são de interesse farmacológico e biológico, especialmente os 
cnidários, pois são animais que produzem diversos tipos de toxinas utilizadas na defesa ou na predação. Essas to-
xinas podem ser utilizadas como ferramentas na pesquisa biomédica para analisar as propriedades das moléculas 
e os tipos de célula que elas afetam, como canais iônicos e outras proteínas de membrana. Essas moléculas de 
toxinas podem ser aplicadas em estudos farmacológicos como base para o desenvolvimento de drogas aplicadas 
a doenças humanas, devido às suas propriedades analgésicas, bioativas, como citotoxicidade (ações antitumo-
rais), propriedades cardiotônicas e anti-inflamatórias, etc.
As medusas apresentam formato de guarda-chuva, que 
podem alcançar de dois a 40 centímetros de diâmetro, di-
ferentes, portanto, das do grupo de hidrozoários. Dois me-
tros de diâmetro é a medida a que pode chegar a medusa 
gigante do Atlântico Norte. 
A fecundação da espécie Aurelia aurita é interna; depois de 
nadar durante certo tempo, a plânula dá origem a um pólipo 
fixo, o cifístoma; representante de uma geração assexuada, 
ele se reproduz por estrobilação. Nesse processo, fragmentos 
sucessivos do corpo do pólipo formam uma pilha de discos 
(éfiras, medusa jovem) e amontoam-se uns sobre os outros. 
Depois de certo tempo de crescimento, são liberados para 
dar origem a uma medusa adulta, fechando o ciclo.
auRelia auRita
3.5.4. Classe Cubozoa 
Nos cubozoários, é o cifístoma (pólipo) que dá origem a uma 
medusa, sem estrobilação nem formação de éfiras. A vespa-
-do-mar (Chinorex fleckeri) é a cubomedusa mais perigosa. 
Ela é dotada de um veneno gravemente tóxico e em quan-
tidade suficiente para matar 60 pessoas. Predadores ativos 
podem levar a vítima a óbito em apenas dois minutos.
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CONEXÃO ENTRE DISCIPLINAS
CLASSES DE CELENTERADOS
Classe Relação pólipo/medusa RepresentantesHydrozoa Pólipos predominantes
Hydra sp (dulcícolas), Obelia sp (colonial), 
Physalia sp (caravelas e coloniais)
Scyphozoa Medusas predominantes (água-vivas) Aurelia sp
Anthozoa Exclusivamente polipoides
Actinia sp (anêmonas-do-mar) e corais (com exoesqueletos 
calcários que participam da formação de recifes)
Cubozoa Pólipo dá origem à medusa Chironex Fleckerí
O conceito químico de filtração, que é o “método utilizado para separar sólido de líquido ou fluido que está 
suspenso, pela passagem do líquido ou fluido através de um meio permeável capaz de reter as partículas sóli-
das”, é aplicado para designar o tipo de alimentação dos poríferos. Os poríferos são bem conhecidos pela sua 
capacidade de filtração, processo pelo qual esses animais sem tecidos definidos obtêm seu alimento. Assim, esse 
conceito químico de separação de mistura é usado dentro da zoologia para definir o modo de vida das esponjas.
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ÁREAS DE CONHECIMENTO DO ENEM
HABILIDADE 15
Interpretar modelos e experimentos para explicar fenômenos ou processos biológicos em qualquer nível de 
organização dos sistemas biológicos.
A figura representa um fenômeno decorrente da poluição de ambientes aquáticos. Nesse caso, a poluição 
está associada à acidificação de meio causada pelo aumento do dióxido de carbono. Associar esse problema 
ambiental em conjunto com o esquema apresentado sobre os recifes de corais é fundamental para a resolu-
ção correta.
MODELO 1
(Enem) Parte do gás carbônico da atmosfera é absorvida pela água do mar. O esquema representa reações 
que ocorrem naturalmente, em equilíbrio, no sistema ambiental marinho. O excesso de dióxido de carbono 
na atmosfera pode afetar os recifes de corais.
 
O resultado desse processo nos corais é o(a):
a) seu branqueamento, levando à sua morte e extinção;
b) excesso de fixação de cálcio, provocando calcificação indesejável;
c) menor incorporação de carbono, afetando seu metabolismo energético;
d) estímulo da atividade enzimática, evitando a descalcificação dos esqueletos;
e) dano à estrutura dos esqueletos calcários, diminuindo o tamanho das populações.
ANÁLISE EXPOSITIVA
O aumento de gás carbônico é prejudicial aos organismos aquáticos que possuem estruturas com bicar-
bonato de cálcio. O gás carbônico em água forma ácido carbônico e, consequentemente, íons bicarbonato, 
que, por sua vez, dissociam-se em íons hidrogênio e íons carbonato. Essa acidificação danifica os esquele-
tos calcários dos recifes de corais e, consequentemente, leva à diminuição das populações.
RESPOSTA Alternativa E
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DIAGRAMA DE IDEIAS
PORÍFEROS CNIDÁRIOS&
• ESPONJAS
• FILTRADORES ESPONGIOCELE
• COANÓCITOS FLUXO DE ÁGUA
• ABERTURA ÓSCULO 
• AMEBÓCITOS DISTRIBUIÇÃO DE ALIMENTO
• ENDOESQUELETO MINERAL - Ca ou Si
 ORGÂNICO - Espongina
• REPRODUÇÃO SEXUADA (LARVA ANFIBLÁSTULA)
 ASSEXUADA BROTAMENTO 
 OU GEMULAÇÃO
• TIPOS ESTRUTURAIS ASCON
 SYCON
 LEUCON
• HIDRAS, CORAIS E ANÊMONAS-DO-MAR
• DIBLÁSTICOS 
• SIMETRIA RADIAL
• CAVIDADE DIGESTIVA
• CNIDOBLASTOS HIPNOTOXINA
• SISTEMA NERVOSO DIFUSO
• REPRODUÇÃO ASSEXUADA BROTAMENTO 
 OU 
 ESTROBILIZAÇÃO
 ALTERNÂNCIA DE GERAÇÕES
PÓLIPO FASE ASSEXUADA MEDUSA FASE SEXUADA
(LARVA PLÂNULA)
• TIPOS ESTRUTURAIS PÓLIPO
 MEDUSA
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1. Platelmintos – surge a 
simetria bilateral e a triblastia
Durante muito tempo, os vermes foram considerados ani-
mais de corpo alongado que se deslocam rastejando no 
substrato. Atualmente, o termo é aplicado na zoologia sem 
valor taxonômico e envolve três grupos de animais bem 
diferentes: platelmintos, nematelmintes e anelídeos.
Os platelmintos (do grego: plathis = achatado; helminthes 
= verme) são os primeiros animais nos quais ocorre a sime-
tria bilateral. Eles possuem corpo alongado e dorsoventral-
mente achatado. O tamanho é variado, indo de alguns mi-
límetros até vários metros. O habitat e o hábito de vida são 
variados. Os animais de vida livre aparecem na água doce, 
salgada e na terra úmida, geralmente abrigados embaixo 
de folhas, gravetos e troncos. Também existem os parasitas, 
que vivem às custas de outros seres, explorando-os como 
ecto ou endoparasitas.
planáRia
schitosoma mansoni
taenia sp
fonte: Youtube
Planária Vídeo
multimídia: vídeo
2. A estrutura do corpo
A parede do corpo dos platelmintos ou tubo músculo-der-
mático é constituída por uma epiderme com um epitélio 
simples (apenas uma camada de células), ciliado e recober-
to por cutícula nos parasitas. A musculatura é formada por 
duas camadas de fibras musculares lisas, a externa circular, 
e a interna longitudinal. Essa estrutura garante proteção, 
locomoção e sustentação, uma vez que não há outro ele-
mento esquelético. Observe a seguir:
estRutuRa do coRpo dos platelmintos
PLATELMINTOS
COMPETÊNCIA(s)
4 e 8
HABILIDADE(s)
13, 15, 16 e 28
CN AULAS 13 E 14
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3. Fisiologia
 § Nutrição – o sistema digestório é incompleto, pois 
apresenta uma única abertura, a boca, que serve para 
a ingestão de alimentos e para a eliminação de resídu-
os. A boca é seguida por uma faringe e, depois, por um 
intestino terminado em fundo cego e multirramificado, 
que facilita a distribuição do alimento por todas as par-
tes do corpo do animal. Esse aspecto é uma grande 
vantagem, uma vez que não há sistema circulatório. A 
digestão ocorre nos meios extracelular e intracelular. 
Existem espécies parasitas, totalmente desprovidas de 
sistema digestório. A figura a seguir apresenta a estru-
tura digestória de uma planária:
sistema digestóRio da planáRia e outRas estRutuRas (à esqueRda). 
planáRia vista pelo micRoscópio óptico (à diReita).
 § Respiração e trocas gasosas – não há estruturas 
responsáveis pelas trocas gasosas com o meio. As es-
pécies de vida livre são aeróbias e as trocas são reali-
zadas por simples difusão entre o epitélio permeável 
do animal e o meio. Os endoparasitas são anaeróbios.
 § Excreção – esse grupo inaugura na escala zoológica a 
ocorrência de um sistema excretor, os protonefrídeos, que 
são formados por um conjunto de tubos ramificados; nas 
extremidades das ramificações existem estruturas espe-
cializadas, as quais variam nos distintos grupos de platel-
mintos: em alguns são os solenócitos (que têm um único 
flagelo), e em outros, como a planária, são as células-fla-
mas (que têm vários flagelos). Os metabólitos, retirados 
pelas células-flama, que filtram o meio interno do animal, 
são transportados a canais excretores que desembo-
cam na superfície do corpo por meio de diminutos poros.
Células-�ama
Poros excretores
 Canal
excretor
Cordões nervosos
 longitudinais
Nervos
Canal
excretor
Tufo de
cílios
Citoplasma
Núcleo
estRutuRa do sistema excRetoR dos platelmintos
fonte: http://bloggiologia.blogspot.com.bR/2011/10/platelmintos.html
 § Coordenação nervosa – nesses organismos, tem-se 
a primeira ocorrência de cefalização, isto é, uma ca-
beça. São os primeiros animais da escala a apresentar 
um sistema nervoso central e elementos sensoriais na 
região anterior do corpo. Assim, são portadores de um 
centro de coordenação nervosa, em que apare-
cem dois gânglios cerebroides ou um anel ner-
voso, ligados a cordões nervosos longitudinais, 
transversalmente unidos por cordões transversais, as 
comissuras. Nas planárias de água doce, existem dois 
ocelos com células fotorreceptoras capazes de perceber 
luminosidade, embora não consigam formar imagens. 
Na região cefálica, há projeções laterais, as aurículas, 
que são capazes de identificar substâncias químicas.
estRutuRa do sistema neRvoso dos platelmintos§ Reprodução – normalmente são hermafroditas ou 
monoicos com fecundação interna e um desenvolvi-
mento direto ou indireto. Há espécies que se reprodu-
zem assexuadamente, principalmente por regeneração.
4. A classificação dos platelmintos 
 § Classe Turbellaria (turbelários): seres de vida livre 
com epitélio ciliado. Exemplo: planária.
 § Classe Trematoda (trematódios): seres parasitas 
com epiderme não ciliada e uma ou mais ventosas. 
Exemplo: Schistosoma.
 § Classe Cestoda (cestódios): seres parasitas com 
corpo dividido em anéis ou proglotes. Exemplos: Taenia 
solium e Taenia saginata.
5. A esquistossomose e o ciclo 
de vida do Schistosoma mansoni
A esquistossomose intestinal, popularmente conhecida como 
barriga-d’água, é uma doença provocada pelo platelminto 
Schistosoma mansoni, um verme dioico com nítido dimorfis-
mo sexual. O macho, que mede de 1 a 2 cm de comprimento, 
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apresenta o corpo com duas porções distintas: uma anterior e 
afilada, na qual aparecem as duas ventosas, e outra posterior, 
que forma ventralmente uma dobra, o canal ginecóforo, 
no qual se aloja a fêmea. A fêmea, que mede de 1,5 a 2,5 
cm de comprimento, é mais longa e delgada do que o macho.
Macho
Fêmea
dimoRfismo sexual do s. mansoni
http://www.geocities.ws/ceueteRRa/schistosomamansoni.htm
O verme adulto habita os vasos do sistema porta-hepáti-
co, um conjunto de veias que atravessa o fígado. Para se 
reproduzir, o macho elimina os espermatozoides no canal 
ginecóforo; a partir desse ponto, eles penetram no poro 
genital da fêmea. 
Por ocasião da postura, os vermes acasalados abandonam 
o sistema porta-hepático e atingem as veias da parede in-
testinal, onde as fêmeas realizam a postura dos ovos. A 
obstrução de vasos pelo verme causa o consequente acú-
mulo de líquido no abdômen, o que explica o nome popu-
lar da doença: barriga d'água.
Providos de um espinho lateral, os ovos furam os tecidos e 
caem na luz intestinal, sendo eliminados com as fezes. No 
interior da casca, há uma larva ciliada, o miracídio.
Saindo do ovo, o miracídio nada em busca do hospedei-
ro intermediário, um caramujo (molusco) pertencente 
ao gênero Biomphalaria, que vive em locais de água pouco 
corrente ou estagnada, principalmente lagoas. 
No interior do caramujo, o miracídio perde os cílios, cresce 
e se transforma no esporocisto, um saco que produz, por 
pedogênese, as cercárias, larvas com um corpo alonga-
do e uma cauda bifurcada. Saindo do molusco, as cercárias 
penetram de forma ativa no homem, o hospedeiro defi-
nitivo. A penetração produz uma irritação cutânea, daí o 
nome de “lagoas de coceira” dado àquelas lagoas que são 
infestadas pelos parasitas. Em certas regiões interioranas, 
também é comum a expressão: “Se nadou e depois coçou, 
é porque pegou”. Na pele, a cercária perde a cauda, trans-
formando-se em metacercária, caindo na circulação e 
atingindo, finalmente, os vasos do sistema porta-hepático 
e transformando-se nas formas adultas. Observe a seguir o 
ciclo de vida do Schistosoma mansoni:
ciclo de vida do schistosoma mansoni.
fonte: https://www.ResumoescolaR.com.bR/biologia/ 
plasmodios-esquistossomose-e-teniase-ciclo-
de-vida-tRansmissao-e-causadoRes/
No quadro clínico mais comum, os sintomas são febre, 
anorexia, diarreias, dor abdominal e hepatoesplenome-
galia. Nas complicações mais graves, ocorre a hipertensão 
portal, que provoca severa insuficiência hepática, capaz de 
causar a morte do hospedeiro. As medidas profiláticas mais 
comuns são:
1. Tratamento dos doentes por meio da destruição dos ver-
mes no organismo humano.
2. Saneamento básico, que impede que os ovos contami-
nem a água.
3. Combate aos caramujos transmissores.
4. Evitar nadar em lagos e rios contaminados.
6. Teníase e cisticercose: o 
ciclo de vida de Taenia sp.
A teníase é uma doença causada pela presença das formas 
adultas das tênias ou solitárias no intestino delgado 
humano. O indivíduo parasitado normalmente só apresen-
ta um parasita, daí o verme ser conhecido por solitária. A 
teníase pode ser provocada por duas espécies de platel-
mintos: a Taenia solium e a Taenia saginata. Outra doença 
causada pelos organismos é a cisticercose, determinada 
pela presença das ovos embrionados (cisticercos) da Taenia 
solium nos tecidos humanos, como nos olhos e no cérebro.
As tênias apresentam o corpo dividido em três partes 
com características diferentes para cada espécie: escólex, 
colo e estróbilo. 
Na Taenia Solium, o escólex ou cabeça é a porção anterior 
destinada a fixar a tênia na superfície interna da parede 
intestinal. É globoso, com cerca de 1 mm de diâmetro e 
apresenta o aparelho de fixação constituído por quatro 
ventosas e uma dupla coroa de ganchos quitinosos. O pes-
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coço ou colo é a porção mais delgada que liga o escólex ao 
corpo. O estróbilo ou corpo é constituído por uma série de 
800 a 900 segmentos denominados de anéis ou proglotes. 
fonte: Youtube
Teníase achado colonoscópico
multimídia: vídeo
Na parte anterior, aparecem os anéis jovens (imaturos); 
na mediana, os anéis maduros, onde há testículos e ová-
rio, já que são hemafroditas; e, na região mais posterior 
do animal, os grávidos constituídos por apenas um útero 
desenvolvido contendo os ovos formados por autofecun-
dação. Esse verme mede normalmente de 2 a 3 metros 
de comprimento, mas pode alcançar de 8 a 10 metros. 
A Taenia saginata apresenta escólex quadrangular, com 
1,5 mm de diâmetro e quatro ventosas, sem ganchos 
quitinosos. O estróbilo atinge entre de 4 a 12 metros de 
comprimento e até 2 mil anéis.
As planárias podem ser usadas como bioindicadores biológicos da qualidade da água. Diversos fatores podem 
contribuir para a alteração da qualidade das águas continentais, como defensivos agrícolas, metais pesados, entre 
outros. Essas substâncias tóxicas apresentam um risco para a saúde humana e de outros seres vivos. A detecção 
dessas substâncias pode ser realizada por meio de recursos altamente eficientes, como análise química, métodos 
radioquímicos, cromatográficos, entre outros; no entanto, esses recursos são custosos e trabalhosos. Outra técnica 
para esse tipo de análise envolve a participação de organismos vivos sensíveis a mudanças na qualidade da água, 
funcionando como indicadores da presença de substâncias nocivas, estranhas ou venenosas.
As tênias obtêm seu alimento através da absorção de líquidos nutritivos do hospedeiro e não possuem sistema digestório, 
o que representa uma extrema adaptação à vida parasitária. Observe na figura a seguir a estrutura corpórea de uma tênia:
estRutuRa da taenia sp.
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CONEXÃO ENTRE DISCIPLINAS
A teníase apresenta duas fases: uma no hospedeiro inter-
mediário, porcos ou bois, e outra no hospedeiro definitivo, o 
ser humano. Na reprodução sexuada, ocorre autofecundação 
e as gônadas degeneram nos anéis grávidos, restando ape-
nas um útero desenvolvido contendo os ovos. Na T. solium, 
esses anéis são expulsos passivamente durante ou após a 
evacuação; na T. saginata, são expulsos isolada e ativamente, 
forçando o esfíncter anal fora das evacuações. Os ovos são 
embrionados e ingeridos pelo hospedeiro intermediário: o 
porco, no caso da T. solium, e o boi, no caso da T. saginata.
Atravessando a parede intestinal e caindo na circulação, 
os ovos atingem a musculatura do animal, onde se alojam 
formando granulações denominadas cisticercos. Caso o ser 
humano coma carne malpassada, o cisticerco sobrevive-
rá e libertará um pequeno escólex que formará uma nova 
solitária. A presença do verme adulto no intestino huma-
no provoca uma série de perturbações: bulimia, anorexia, 
náuseas, diarreias, insônia, fadiga e irritação nervosa. As 
medidas profiláticas são a inspeção de matadouros para 
verificara presença de cisticercos na carne, o cozimento 
adequado desta e saneamento básico, pois a existência de 
redes de esgotos impede que as fezes humanas infectadas 
sejam ingeridas pelo gado.
No grupo dos platelmintos (vermes achatados), existem indivíduos que são parasitas anaeróbicos, e, portanto, 
necessitam de hospedeiros para sua sobrevivência. Para auxiliar na compreensão de como os parasitas anaeró-
bicos sobrevivem no interior do corpo do hospedeiro, são utilizados conceitos químicos, como reações químicas 
e enzimas participantes do processo de respiração anaeróbica. 
Observe abaixo um tipo de reação química que pode ocorrer na respiração anaeróbica:
ciclo de vida da taenia solium.
fonte: http://biologiasemcomplicacao.blogspot.com.bR/2011/10/o-ciclo-de-vida-da-taenia-solium.html
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A cisticercose é a enfermidade causada pela localização 
do ovo embrionado no organismo do ser humano, que pas-
sa a funcionar como hospedeiro intermediário. O homem 
se infesta ingerindo ovos existentes em água poluída, hor-
taliças e frutos. Transportados pela corrente circulatória, os 
ovos embrionados atingem principalmente os olhos e o 
cérebro; em casos mais raros, fixam-se nos músculos cau-
sando dores e fraqueza muscular. Bem mais graves são as 
localizações nos olhos, provocando a cegueira, ou então no 
cérebro, determinando epilepsia e até desordens mentais.
http://www.sobiologia.com.br/conteudos/Reinos2/
platelmintos.php
multimídia: site
ÁREAS DE CONHECIMENTO DO ENEM
HABILIDADE 15
Interpretar modelos e experimentos para explicar fenômenos ou processos biológicos em qualquer nível de 
organização dos sistemas biológicos.
As doenças causadas por vermes platelmintos ainda preocupam pessoas que vivem em determinadas re-
giões do Brasil. A dificuldade em combater essas doenças se dá pela falta de medicamentos disponíveis no 
mercado. Essas doenças são negligenciadas, e conhecer o seu ciclo de vida é fundamental para entender 
como o produto natural indicado na questão pode ajudar no combate a uma dessas doenças.
MODELO 1
(Enem) Euphorbia mili é uma planta ornamental amplamente disseminada no Brasil e conhecida como coro-
a-de-cristo. O estudo químico do látex dessa espécie forneceu o mais potente produto natural moluscicida, 
a miliamina L.
moReiRa. c.p.s.; zani. c.l.; alves, t.m.a. atividade moluscicida do látex de sYnadenium caRinatum boiss. (euphoRbiaceae) 
sobRe biomphalaRia glabRata e isolamento do constituinte maJoRitáRio. Revista eletRônica de faRmácia, n. 3, 2010 (adaptado).
O uso desse látex em água infestada por hospedeiros intermediários tem potencial para atuar no controle da:
a) dengue;
b) malária;
c) elefantíase;
d) ascaridíase;
e) esquistossomose.
ANÁLISE EXPOSITIVA
O produto miliamina L é moluscicida, isto é, combate espécies de caramujo. Dentro do grupo de vermes 
causadores de doenças, existe um platelminto da espécie Schistosoma mansoni causador de uma doença 
denominada esquistossomose, também conhecida como barriga d'água, em que o seu hospedeiro inter-
mediário é um caramujo. Assim, o produto teria um potencial controle da doença.
RESPOSTA Alternativa E
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DIAGRAMA DE IDEIAS
PLATELMINTOS
CLASSIFICAÇÃOCARACTERÍSTICAS
SIMETRIA 
BILATERAL
SISTEMA 
DIGESTIVO 
INCOMPLETO
TURBELLARIA
• PLANÁRIA
• EPITÉLIO CILIADO
• VIDA LIVRE
CIRCULAÇÃO E 
RESPIRAÇÃO
EXCREÇÃO
CEFALIZAÇÃO
REPRODUÇÃO
• DIFUSÃO
• PROTONEFRÍDEOS
• SISTEMA NERVOSO 
CENTRAL
• HERMAFRODITAS 
OU MONOICOS 
(SCHISTOSSOMA)
• FECUNDAÇÃO INTERNA
• DESENVOLVIMENTO 
DIRETO OU INDIRETO
TREMATODA
• PARASITAS COM 
EPIDERME NÃO CILIADA
SCHISTOSSOMA 
MANSONI
ESQUISTOSSOMOSE
CESTODA
• PARASITAS COM CORPO 
DIVIDIDO EM ANÉIS
TAENIA SOLIUM
TAENIA SAGINATA
TENÍASE
INGESTÃO DE CISTI-
CERCOS DE CARNE 
DE PORCO OU BOI
CISTICERCOSE
INGESTÃO DO OVO
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1. Os asquelmintos 
(nematelmintos) – o surgimento 
do sistema digestório completo
Os Nematelmintes (do grego nema = fio + helminthes = 
verme) são organismos vermiformes, isto é, possuem corpo 
cilíndrico, mas não segmentado, com típica simetria bilateral 
e extremidades afiladas. Trata-se de animais de ampla distri-
buição que vivem na água doce, no mar e no solo. Diversas 
espécies de nematelmintos são parasitas de vegetais e ani-
mais. As principais parasitoses que infestam o homem são: 
ascaridíase, ancilostomíase, oxiurose e elefantíase.
1.1. A estrutura do corpo
A parede do corpo, tubo músculo-dermático, é formada por 
três camadas: cutícula, epiderme e a musculatura. A cutícula, 
uma camada externa secretada pela epiderme, é acelular. 
A epiderme é constituída por um epitélio simples que, ao 
perder as membranas celulares, origina um sincício, ou 
seja, uma massa citoplasmática plurinucleada. A muscula-
tura é formada por duas camadas, uma longitudinal mais 
interna e abaixo da epiderme, e outra transversal. Ao lado, 
há um corte transversal.
Cavidades
Cutícula
Epiderme
Músculo Nervo dorsal
Cavidade do
Intestino
Excretor
Músculo
Célula
Nervo ventral
estRutuRa coRpoRal básica de um nematelminto
fonte: Youtube
TV DR. MOISES - Verminose - 
Medicação de rotina? Não!
multimídia: vídeo
2. Fisiologia
 § Digestão – trata-se dos primeiros animais da escala a 
apresentar um sistema digestório completo com 
boca anterior e ânus posterior. A digestão extracelular 
ocorre por meio de enzimas liberadas no interior do 
tubo digestório. A distribuição dos nutrientes resultan-
tes do processo digestivo ocorre por difusão. 
esquema anatômico de um nematelminto
 § Excreção – constituído por um ou dois canais ou tu-
bos longitudinais. Cada tubo é formado por uma célula 
gigante e canaliculada, também denominada célula H.
NEMATELMINTOS
COMPETÊNCIA(s)
4 e 8
HABILIDADE(s)
13, 15, 16 e 28
CN AULAS 15 E 16
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 § Circulação e trocas gasosas – não possuem siste-
mas respiratório e circulatório. Nas espécies de vida li-
vre, a respiração é aeróbia, cutânea e ocorre por difusão 
simples. Nos parasitas, ocorre a respiração anaeróbia.
 § Coordenação nervosa – formado por um anel nervo-
so anterior e uma série de cordões nervosos longitudinais.
 § Reprodução – com raras exceções, os nematoides 
são animais dioicos, quase sempre com dimorfismo 
sexual. Os machos são sempre menores, menos nume-
rosos e de vida curta; diferenciam-se morfologicamente 
das fêmeas pela extremidade posterior do corpo, que 
se enrola em espiral ou se expande formando a bolsa 
copuladora. A fecundação é interna e o desenvolvimen-
to direto ou indireto.
3. Ascaridíase
A ascaridíase é uma parasitose intestinal, cujo agente 
etiológico é o Ascaris lumbricoides, popularmente conhe-
cido como lombriga. Nos dois sexos, distingue-se a boca 
trilabiada. A fêmea apresenta de 35 a 40 cm de com-
primento, e sua extremidade posterior é alongada, com 
ânus ventral e subterminal. O macho mede de 15 a 35 
cm, possui a extremidade posterior recurvada e apresenta 
duas espículas copuladoras.
Linha lateral Fêmea
Macho
Boca trilabiada
Espículas
Macho Fêmea
dimoRfismo sexual de ascaRis sp.
fonte: https://blogdoenem.com.bR/filo-nematodea-ascaRidiase-lombRiga/
Os vermes adultos vivem e se reproduzem na luz do in-
testino delgado. Os ovos, eliminados com as fezes, são 
dotados de grande resistência e se desenvolvem no solo 
até o estágio da larva rabditoide que fica alojada no in-
teiror na casca. A infestação ocorre quando o hospedeiro 
ingere ovos embrionados por meio de frutas e verduras 
contaminadas. No duodeno, a casca é digerida, libertan-
do a larva que atravessa as paredes do intestino delgado 
e atinge as veias. A larva, transportada pela circulação 
venosa, atinge a metade direita do coração, sendo levada 
aos pulmõespela pequena circulação.
ciclo RepRodutivo do a. lumbRicoides
Por meio da árvore respiratória, a larva atinge os brônquios 
e a traqueia e chega à epiglote, passando para o esôfago, 
o estômago e voltando ao intestino, onde se transforma em 
adulto. Em relação à patogenia, deve-se considerar as pertur-
bações provocadas pelas larvas e pelos adultos. As migrações 
das larvas através dos pulmões determinam lesões hemor-
rágicas e processos inflamatórios. Os adultos, localizados no 
intestino, produzem cólicas abdominais, náuseas e irritação 
no sistema nervoso. Quando ocorrem em grande número, 
chegam a provocar a oclusão intestinal. A profilaxia consiste 
principalmente no saneamento básico (rede de esgoto, água 
tratada, etc.) e na educação sanitária, com o uso de instala-
ções sanitárias, lavagem cuidadosa das mãos e alimentos, etc.
4. Enterobiose ou oxiurose
Ingestão de ovos com
embrião pela pessoaI
2
3
Larvas eclodem no
intestino delgado
4
Adultos no
lúmen do
coco.
1
 prenhas migram para
a região perianal à noi-
te, botando os ovos
5
I Estágio de Infecção
D Estágio de Diagnóstico
D Ovos nas pregas perianais
Larvas nos ovos maturam
em 4 a 6 horas.
ciclo RepRodutivo do e. veRmiculaRis
fonte: cdc - centeRs foR disease contRol and pRevention
A enterobiose, oxiurose ou oxiuríase é uma doença intes-
tinal causada pelo nematelminte Enterobius vermicularis, 
um verme pequeno e filiforme (formato de fio). O macho 
mede de 3 a 5 mm de comprimento, com a extremidade 
posterior recurvada e dotada de uma espícula copuladora. 
A fêmea, com 8 a 12 mm, possui cauda longa, reta e afila-
da. A infestação ocorre pela ingestão dos ovos. Os vermes 
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fixados no intestino produzem inflamação, náuseas e dores abdominais. O sintoma mais típico é o intenso prurido anal, 
principalmente quando o hospedeiro se deita e o calor da cama ativa os parasitas. A educação sanitária e o saneamento 
básico são as principais medidas preventivas.
5. Ancilostomose – o amarelão
fonte: https://pt.slideshaRe.net/loRenasalesleite/oxiuRose
A ancilostomose, também conhecida como amarelão ou opilação, é uma parasitose causada pelos vermes Ancylostoma 
duodenale e Necator americanus.
Esses vermes apresentam nítido dimorfismo sexual. O corpo cilíndrico é afilado nas duas extremidades da fêmea e apenas na 
extremidade anterior do macho. Eles medem cerca de 1 cm de comprimento. Na cápsula bucal apresentam dentes, com os 
quais se fixam na parede intestinal do hospedeiro e perfuram vasos sanguíneos para sugar o sangue. Os ovos são eliminados 
nas fezes do hospedeiro e evoluem no solo, produzindo as larvas infestantes. A infestação pode ser ativa e passiva. Observe 
na figura a seguir a representação do ciclo da doença do amarelão:
As larvas desenvolvem-se
e é nesta fase que podem
 contaminar 3
4 As larvas penetram a
 pele
 Depois de penetrar a
pele, as larvas chegam ao
 coração e pulmões
através do sangue até se
 instalarem no intestino
5
 As larvas tornam-se
adultas no intestino e
 formam ovos
1
 Os ovos do parasita são
eliminados pelas fezes no solo
2
 As larvas saem dos ovos
 e permanecem no solo
ciclo RepRodutivo do a. duodenale. 
cdc - centeRs foR disease contRol and pRevention.
As doenças causadas por vermes, como os nematelmintos, são um dos grandes problemas da saúde pública. A 
maioria das doenças causadas por esses vermes cilíndricos possui um ciclo oral-fecal; dessa forma, campanhas 
que envolvam higiene pessoal e cuidados com os alimentos são partes fundamentais nesses programas. Outro 
ponto importante nas campanhas contra as verminoses está relacionado aos programas de saneamento básico, 
como o tratamento de água e esgoto para populações carentes e comunidades rurais, pois são localidades em 
que a frequência dessas doenças é alta e onde, na maioria das vezes, não existem esses tipos de tratamento. 
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A primeira fase é cutânea. As larvas penetram ativamente 
através da pele, principalmente dos pés descalços, caem na 
circulação e atingem coração, pulmões, brônquios, traqueia, 
esôfago e intestino delgado, onde se transformam em adul-
tos. Na penetração passiva, as larvas podem chegar, por meio 
de água ou alimentos contaminados, ao estômago e intesti-
no, onde atingem a forma adulta.
CONEXÃO ENTRE DISCIPLINAS
Para auxiliar na compreensão do processo de respiração e difusão de nutrientes de alguns nematelmintos, são 
utilizados princípios químicos, como a difusão simples, que é “um tipo de transporte passivo (não há gasto de 
energia celular) de um soluto através da membrana, a fim de estabelecer a isotônica, ou seja, alcançarem a 
mesma concentração, pois o movimento é a favor de um gradiente de concentração”. Como esses vermes são 
desprovidos de sistemas respiratório e circulatório, a distribuição de gases e nutrientes ocorre célula a célula, por 
meio do processo de difusão simples descrito acima.
A ancilostomose causa anemia intensa, variando a gravidade 
com o grau de infestação. Por esse motivo, o indivíduo para-
sitado perde cor, tornando-se amarelado (daí o nome amare-
lão) e fraco. A redução de hemácias afeta o transporte de oxi-
gênio, afetando o coração e o cérebro, ocorrendo insuficiência 
cardíaca, sonolência, apatia e confusão mental. A prevenção 
envolve higiene, saneamento básico e uso de calçados.
6. Filaríase ou elefantíase
O causador da elefantíase é o verme Wuchereria bancrofti, que possui corpo filiforme com 3 cm (macho) a 10 cm (fêmea) de 
comprimento. Os vermes adultos parasitam os gânglios e vasos linfáticos. As larvas vivem no sangue e somente à noite atin-
gem os vasos periféricos, período que coincide com a atividade dos mosquitos transmissores. No Brasil, o principal transmissor 
é o mosquito Culex fatigans, vulgarmente conhecido como pernilongo. As larvas ingeridas pelo transmissor são depois ino-
culadas em outro hospedeiro. A filariose causa edemas que provocam deformações, principalmente nos membros inferiores, 
como é possível observar na figura:
Verme causador: Wuchereria bancrofti. Vive nos vasos linfáticos humanos
A presença da filária nos vasos linfáticos obstrui a circulação da linfa e causa seu 
acúmulo em certos órgãos.
A perna de um indivíduo infectado chega a ficar tão grossa quanto a de um elefante, daí o nome da doença.
Também provoca hipertrofia dos testículos no homem e dos seios na mulher. A prevenção consiste no tratamento dos infec-
tados e no extermínio do transmissor.
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ciclo RepRodutivo do w. bancRofti
cdc - centeRs foR disease contRol and pRevention
7. O bicho-geográfico
Animais silvestres, como o cão e o gato, apresentam parasitas específicos, cujas larvas infestantes completam o ciclo apenas 
quando penetram no hospedeiro próprio. Eventualmente, essas larvas podem penetrar no homem, migrando e realizando 
um trajeto sinuoso no tecido subcutâneo, provocando uma dermatose conhecida como larva migrans ou bicho-geográfico. 
Os principais agentes etiológicos são o Ancylostoma caninum e o Ancylostoma braziliense, parasitas intestinais do cão e do 
gato. A parasitose é comum em praias frequentadas por cães que carregam os parasitas.
Contato com
 pele lesadaLarva Migrans
adulta no solo
Ingestão por
 animais
Larva Migrans
Elim
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ção
 de
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larv
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ela
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 Larva Migrans
reproduzindo no
 intestino
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3
ciclo RepRodutivo do ancYlostoma sp.
fonte: https://www.tuasaude.com/bicho-geogRafico/
Ancylostoma brasiliense
Female Male
2mm 2mm
exemplo de lesões causadas pelo bicho-geogRáfico
fonte: Youtube
Filariose 03 – entrevista
multimídia: vídeo
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ÁREAS DE CONHECIMENTO DO ENEM
HABILIDADE28
Associar características adaptativas dos organismos com seu modo de vida ou com seus limites de distri-
buição em diferentes ambientes, em especial, em ambientes brasileiros.
Doenças causadas por vermes nematelmintos são negligenciadas, pois, em geral, são endêmicas em regiões mais 
carentes e com falta de saneamento básico. Conhecer como esses vermes se reproduzem, isto é, conhecer o seu ci-
clo de vida e tentar impedir de alguma maneira sua reprodução é a maneira mais eficiente de evitar essas doenças. 
Esse conhecimento é importante para a resolução da questão.
MODELO 1
(Enem) Lagoa Azul está doente 
Os vereadores da pequena cidade de Lagoa Azul estavam discutindo a situação da saúde no município. A situ-
ação era mais grave com relação a três doenças: doença de Chagas, esquistossomose e ascaridíase (lombriga). 
Na tentativa de prevenir novos casos, foram apresentadas várias propostas: 
 § Proposta 1: Promover uma campanha de vacinação. 
 § Proposta 2: Promover uma campanha de educação da população com relação a noções básicas de higie-
ne, incluindo fervura de água. 
 § Proposta 3: Construir rede de saneamento básico. 
 § Proposta 4: Melhorar as condições de edificação das moradias e estimular o uso de telas nas portas e 
janelas e mosquiteiros de filó. 
 § Proposta 5: Realizar campanha de esclarecimento sobre os perigos de banhos nas lagoas. 
 § Proposta 6: Aconselhar o uso controlado de inseticidas. 
 § Proposta 7: Drenar e aterrar as lagoas do município.
Para o combate da ascaridíase, a proposta que trará maior benefício social, se implementada pela prefeitura, será:
a) 1. 
b) 3. 
c) 4. 
d) 5. 
e) 6.
ANÁLISE EXPOSITIVA
A ascaridíase é causada pelo verme nematelminto Ascaris lumbricoides, com o qual as pessoas se infectam 
devido à presença de ovos em alimentos contaminados ou na água contaminada. Isso se deve ao fato de 
que, em regiões muito carentes, não há rede de tratamento de esgoto. Em consequência disso, ocorre a 
contaminação da água e dos alimentos. Assim, entre as propostas apresentadas, a construção de uma rede 
de saneamento básico seria ideal para combater a ascaridíase.
RESPOSTA Alternativa B
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DIAGRAMA DE IDEIAS
NEMATELMINTOS
CILÍNDRICOS
NÃO SEGMENTADOS
SISTEMA DIGESTIVO 
COMPLETO
EXCREÇÃO POR 
CÉLULAS EM H
SISTEMAS CIRCULATÓRIO E 
RESPIRATÓRIO AUSENTES
DIOICOS COM 
DIMORFISMO SEXUAL
DOENÇAS CAUSADAS 
POR NEMATELMINTOS
ANCILOSTOMOSE
ASCARIDÍASE
CARACTERÍSTICAS
• ANCILOSTOMA DUODENALE
• NERCATOR AMERICANUS
• ASCARIS LUMBRICOIDES
OVOS
LARVAS PENETRAM 
PELO PÉ
CORAÇÃO E 
PULMÕES
INTESTINO
INTESTINO
DEGLUTIÇÃO
INGESTÃO 
DE OVOS
LARVA ROMPE 
O INTESTINO
CIRCULAÇÃO
INTESTINO
ELEFANTÍASE
BICHO GEOGRÁFICO
OXIUROSE
• WUCHERERIA BANCROFTI
• PICADA DO MOSQUITO 
CULEX SP
• ANCYLOSTOMA CANINUM
• PARASITAS DE CÃES 
E GATOS
• ENTEROBIUS VERMICULARIS
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ANOTAÇÕES
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CITOLOGIA
BIOLOGIABIOLOGIA
CIÊNCIAS DA
NATUREZA
e suas tecnologias
TEORiA
DEDE AULAAULA
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INCIDÊNCIA DO TEMA NAS PRINCIPAIS PROVAS
UFMG
Processos relacionados com síntese protei­
ca (transcrição e tradução), metabolismo 
energético (respiração celular e fotossín­
tese) e biotecnologia são assuntos com 
presença garantida.
A citologia é foco de boa parte das ques­
tões dessa prova. Questões relacionadas 
com a identificação e o funcionamento de 
organelas e divisões celulares estão sempre 
presentes.
Prova com caráter muito interdisciplinar, 
com questões que abrangem principal­
mente processos bioquímicos e funções 
de organelas.
Função e reconhecimento de organelas são 
essenciais nessa prova.
Prova que frequentemente apresenta ques­
tões relacionadas com metabolismo ener­
gético (respiração celular e fotossíntese) e 
bioquímica básica.
Divisões celulares, funções e identificação 
de organelas e metabolismo energético 
(respiração celular e fotossíntese) são te­
mas bastante presentes.
Nessa prova, as questões costumam abor­
dar diferentes áreas da Biologia; dessa 
maneira, é importante saber relacionar o 
funcionamento e a diferenciação das cé­
lulas com o tecido que elas compõem e o 
meio em que vivem.
Vestibular que envolve, em todos os anos, 
assuntos como divisões celulares, metabo­
lismo energético (respiração celular e fotos­
síntese) e funções das organelas.
A citologia é um dos assuntos mais pre­
sentes nas provas da Santa Casa, com 
questões sobre funções das organelas, 
transporte através de membrana, divisões 
celulares e metabolismo energético.
Prova com questões com alto grau de espe­
cificidade envolvendo principalmente sínte­
se proteica e o dogma central da Biologia, 
além de transporte através de membrana e 
divisões celulares.
Questões com alto nível de especificida­
de relacionadas a funções de organelas, 
divisões celulares e transporte através da 
membrana.
Principal área cobrada em Biologia nessa 
prova. Muitas questões abordam divisões 
celulares e síntese proteica (transcrição e 
tradução), além de propriedades e trans­
porte através da membrana.
Nessa prova, a citologia é um dos temas 
mais recorrentes, sendo que os assuntos 
principais são bioquímica, síntese proteica, 
divisões celulares e identificação e função 
das organelas.
Prova com alto grau de especificidade nas 
questões. Em citologia, os assuntos mais 
cobrados são metabolismo energético (res­
piração celular e fotossíntese) e análise das 
organelas (funções e identificação).
Um dos principais focos dessa prova, a 
citologia é abordada principalmente por 
questões que tratam do metabolismo ener­
gético (respiração celular e fotossíntese) 
e das divisões celulares (propriedades e 
comparações).
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1. Introduçãoà citologia
As células são unidades estruturais e funcionais dos or­
ganismos vivos, isto é, todos os seres vivos são formados 
por células – compartimentos envolvidos por membrana e 
preenchidos por uma solução aquosa concentrada de subs­
tâncias químicas. As formas mais simples de vida são células 
individualizadas que se multiplicam por divisão bi nária ou 
cissiparidade, chamadas de organismos unicelulares. 
Contudo, existem também muitos organismos formados 
através de conjuntos de células interdependentes, que são 
classificados como organismos pluricelulares. A maioria dos 
organismos pluricelulares apresenta, de modo geral, ti­
pos diferentes de células que variam em tamanho, forma e 
funções. Conjuntos de células semelhantes adaptadas a uma 
determinada função formam estruturas chamadas de teci-
dos. Diferentes tecidos que executam uma mesma função 
básica do organismo formam os órgãos, que, integrada­
mente, compõem os sistemas ou aparelhos do organismo, 
que executam sua função essencial para a manutenção da 
vida do organismo. Por fim, um conjunto organizado de sis­
temas forma um organismo ou um indivíduo.
1.1. A importância da citologia
A importância da citologia reside no fato de que o conhe­
cimento sobre a célula constitui a base para o estudo de 
outras disciplinas. Os fenômenos fisiológicos essenciais dos 
organismos vivos ocorrem no âmbito celular, ou seja, as 
necessidades básicas de um organismo representam as 
mesmas de suas células. Nesse sentido, o estudo que pro­
cura relacionar e integrar a morfologia à fisiologia se torna 
mais interessante. Por exemplo, o estudo do núcleo celular 
e dos cromossomos que se localizam ali elucida muito so­
bre o papel dessa organela e dos próprios cromossomos 
na coordenação da atividade celular e na transmissão dos 
elementos hereditários, assim como estudos sobre mito­
côndrias celulares são essenciais para compreender os pro­
cessos metabólicos dos organismos.
1.2. O descobrimento da célula
As células são pequenas e com plexas, o que torna difícil 
observar suas estruturas, descobrir sua composição mole­
cular e, mais difícil ainda, encontrar funções para seus vá­
rios componentes. Uma célula animal típica tem um diâ­
metro de 10 a 20 micrômetros, o que é aproximadamente 
5 vezes menor do que a menor partícula visível a olho nu.
A invenção do microscópio permitiu a descoberta da cé­
lula por Hans e Zacharias Janssen (1590). Em 1665, Ro bert 
Hooke apresentou os resultados de suas pesquisas sobre 
a estrutura da cortiça, observada ao microscópio em finos 
cortes. O material se apresentava formado por pequenos 
compartimentos hexagonais, delimitados por paredes es­
pessas. Cada compartimento foi chamado de célula (pe­
quena cavidade). 
Porém, somente quando microscópios ópticos de boa qua­
lidade tornaram­se disponíveis, no início do século XIX, pô­
de­se descobrir mais sobre as células, sobretudo sobre as 
células animais, que são, de modo geral, menores que as 
células vegetais. 
A observação e aprofundamentos do estudo da célula, 
impulsionados principalmente pelos cientistas alemães 
Schleiden e Schwann, em 1838, marcam o nascimento for­
mal da biologia celular.
As células animais não são apenas minúsculas, mas também 
incolores e translúcidas; assim, para visualizá­las foi funda­
mental o desenvolvimento de técnicas de microscopia que 
permitissem a visualização de suas estruturas internas.
INTRODUÇÃO À 
CITOLOGIA 
COMPETÊNCIA(s)
4
HABILIDADE(s)
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1.3. A análise da célula
Por apresentarem dimensões tão reduzidas (a maioria das 
células eucariontes mede 10 mm), as células não podem 
ser vistas a olho nu. Para que as céulas possam ser estu­
dadas, o aparelho habitualmente usado é o microscópio 
óptico comum ou microscópio composto, que costuma dar 
aumentos de até 2 mil vezes. No óptico, as células podem 
ser observadas vivas (“a fresco”) ou mortas (“fixadas”) pelo 
álcool ou formol. É comum o uso de corantes para realçar as 
estruturas celulares. Alguns corantes podem ser usados em 
células vivas (corantes vitais), mas, geralmente, são aplica­
dos depois da morte (fixação) da célula. Os órgãos, por sua 
vez, são observados na maioria das vezes em finos cortes 
feitos com um aparelho chamado micrótomo.
O microscópio eletrônico, atualmente mais utilizado nos 
estudos citológicos, dá aumentos da ordem de até 250 
mil vezes. A estrutura da célula observada com muito mais 
detalhes no microscópio eletrônico é denominada ultra-
estrutura celular.
1.4. Unidades de medida
Para exprimir dimensões celulares, são usadas habitual­
mente três unidades: micrômetro, nanômetro e angströn. 
Observe o quadro a seguir:
Unidade Símbolo Valor Uso em citologia
milímetro mm 0,001 m
Domínio macroscópico 
(vista desarmada).
Células grandes.
micrômetro mm 0,001 mm
Microscopia óptica. 
Maioria das células e 
organelas maiores.
nanômetro nm 0,001 mm
Microscopia eletrônica.
Organelas menores, as 
maiores macromoléculas.
angströn Å 0,1 nm
Microscopia eletrônica.
Moléculas e átomos.
1.5. Teoria celular
Uma das mais importantes generalizações da Biologia é a 
teoria celular, que pressupõe as seguintes premissas:
 § Todos os organismos vivos são formados por cé-
lulas. Essa generalização se estende desde os organis­
mos mais simples, como bactérias e amebas, até os mais 
complexos, como um homem ou uma árvore. A única 
exceção são os vírus, como comentaremos adiante.
 § Todas as reações metabólicas de um organismo 
ocorrem no nível celular. Em qualquer organismo, 
as reações vitais, isto é, as metabólicas, sempre aconte­
cem no interior das células.
 § As células originam-se unicamente de células 
preexistentes. Não existe geração espontânea de cé­
lulas. Por meio de processos de divisão celular, as células­
­mães produzem células­filhas, provocando a reprodu­
ção e o crescimento dos organismos.
 § As células possuem material genético. As células 
têm DNA (ácido desoxirribonucleico), por meio do qual 
características específicas são transmitidas da célula­
­mãe para a célula­filha.
1.6. Os vírus 
Os vírus são seres muito simples e pequenos, e ainda há 
discussão entre os cientistas se eles são considerados seres 
vivos ou não, uma vez que não apresentam os componen­
tes celulares básicos de todos os seres vivos. Os vírus são 
formados basicamente por uma cápsula proteica envolven­
do seu material genético, que, dependendo do tipo de ví­
rus, pode ser o DNA ou RNA. Alguns vírus também podem 
apresentar um envelope lipoproteico externo. 
Os vírus não apresentam ribossomos, consequentemente, 
não sintetizam proteínas e não são capazes de se reproduzir 
por conta própria. Sendo assim, os vírus precisam infectar 
uma célula (chamada de hospedeira) para então usar a ma­
quinaria de produção de proteínas dessa célula para produ­
zir cópias de suas proteínas virais e de seu material genético.
Existem diversos vírus circulando na natureza, capazes de 
infectar diversos tipos celulares, como bactérias, células ve­
getais e células animais, porém, cada tipo de vírus costuma 
ser bem específico com relação ao tipo de célula que infec­
ta, ou seja: um vírus que infecta bactérias provavelmente 
não infecta nenhum outro tipo celular; ou ainda, um vírus 
que infecta uma espécie de animais dificilmente infecta ou­
tras muito diferentes. 
Porém, os vírus podem também sofrem mutações em seu 
material genético, formando variações virais ou até mesmo 
originando novos vírus, que podem ser capazes de infectar 
diferentes hospedeiros.
2. Origem das células
A questão da origem das células está diretamente relacio­
nada à origem da vida em nosso planeta. Isso deve ter 
ocorrido há 3,5 bilhões de anos, no começo do período 
Pré­cambriano. Nesse período, a atmosfera provavelmen­
te continha vapor de água, amônia, metano, hidrogênio, 
sulfeto de hidrogênio e gás carbônico. O oxigênio livre só 
surgiu mais tarde, graças à atividade fotossintéticadas cé­
lulas autotróficas. Antes de surgir a primeira célula, teriam 
existido grandes massas líquidas, ricas em substâncias de 
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composição muito simples. Essas substâncias, sob a ação 
do calor e da radiação ultravioleta vinda do Sol e de des­
cargas elétricas oriundas de tempestades frequentes, com­
binaram­se quimicamente para constituírem os primeiros 
compostos contendo carbono. Substâncias relativamente 
complexas teriam aparecido graças às diferentes combina­
ções das substâncias mais simples. Em 1953, o cientista 
norte­americano Stanley Miller realizou experimentos fun­
damentais que corroboraram essa possibilidade. Produzin­
do descargas elétricas em um recipiente fechado, contendo 
vapor de água, hidrogênio, metano e amônia, ele descobriu 
que se formavam aminoácidos, como alanina, glicina, áci­
dos aspárticos e glutâmicos.
Estudos posteriores, simulando as condições pré­bióticas, 
permitiram a produção de 17 aminoácidos (dos 20 que 
podem compor as proteínas). Também foram produzidos 
açúcares, ácidos graxos e as bases nitrogenadas que for­
mam parte do DNA e RNA. Essa etapa de evolução quí­
mica foi provavelmente precedida de outra na qual se for­
maram as proteínas pela polimerização dos aminoácidos. 
Essa etapa posterior provavelmente ocorreu em meios 
aquosos, onde as moléculas orgânicas se concentravam 
para formar uma espécie de “sopa primordial”, na qual 
foram favorecidas as interações e onde se formaram com­
plexos maiores denominados coacervados ou proteinoi­
des, com uma membrana externa envolvendo um fluido 
no interior (micelas). Mais tarde, originou­se o código 
genético, provavelmente surgindo primeiro o RNA e, em 
seguida, o DNA e as diversas moléculas que participaram 
da síntese de proteínas e da replicação, produzindo célu­
las capazes de se autorreplicarem.
A hipótese mais provável é que, sem oxigênio na atmos­
fera, os primeiros procariontes tenham sido anaeróbicos 
(não dependem de oxigênio para seu metabolismo) e he-
terotrófico (dependem de matéria orgânica externa para 
obterem energia). Posteriormente, surgiram os seres auto-
tróficos (capazes de produzir sua própria matéria orgâni­
ca necessária para obterem energia), como as algas azuis, 
que contêm pigmentos fotossintéticos. 
Até este momento, todos os seres vivos também eram pro-
cariontes, ou seja, tinham seu material genético disperso 
por toda a célula.
Porém, com a fotossíntese realizada pelos seres autotró­
ficos, quantidades muito grandes de gás oxigênio foram 
liberadas na atmosfera, permitindo o surgimento de orga­
nismos aeróbicos (que necessitam de gás oxigênio para 
suas reações metabólicas) a partir dos quais originaram­se 
os seres eucariontes (que apresentam seu material genéti­
co em uma região específica das células, o núcleo, delimi­
tado por uma membrana celular). 
2.1. Surgimento das células eucariotas 
Até o momento, estamos falando de organismos unicelu­
lares e procariotos, muito simples e que habitavam prin­
cipalmente o ambiente terrestre. Porém, com o passar do 
tempo, as células dos seres vivos aumentaram de comple­
xidade. É bastante provável que as organelas membrano­
sas, como o retículo endoplasmático, o aparelho de Golgi 
e até a própria membrana nuclear, que envolve o material 
genético das células, tenham se formado a partir de invagi­
nações da membrana plasmática, formando as primeiras 
células eucariotas. 
Por sua vez, as organelas com DNA próprio (mitocôndrias, 
cloroplastos) provavelmente surgiram como uma simbiose 
entre procariontes, como foi teorizado em 1981 pela bióloga 
Lynn Margulis, em seu livro chamado Symbiosis in Cell Evoly­
tion (Simbiose e evolução das células, em tradução livre). 
Acredita­se que um organismo eucarionte englobou uma 
partícula procarionte autotrófica. A partir disso, eles inicia­
ram uma relação de cooperação, e um organismo passou 
a viver no interior do outro (endossimbiose). Com o tempo, 
essa relação tornou­se tão importante que os organismos 
não poderiam mais viver de forma isolada. Provavelmente o 
organismo procarionte autotrófico beneficiou a célula hos­
pedeira garantindo processos como a respiração celular, no 
caso da mitocôndria, e a fotossíntese, no caso dos cloroplas­
tos. Já a célula hospedeira garantia proteção e nutrientes às 
novas organelas celulares, formando assim as células euca­
riotas como conhecemos hoje – com núcleo individualizado 
e presença de mitocôndrias e cloroplastos. A teoria endos­
simbionte é baseada em cinco principais evidências:
1) A presença de uma dupla membrana envolvendo mito­
côndrias e cloroplastos. Essa dupla membrana, provavel­
mente, é resultado da membrana que já pertencia ao or­
ganismo procarionte, somada à membrana do organismo 
eucarionte que realizou o processo de englobamento.
2) Mitocôndrias e cloroplastos apresentam tamanhos se­
melhantes aos das bactérias.
3) Cloroplastos e mitocôndrias possuem DNA próprio, in­
dependente do DNA celular, e esse material genético é cir­
cular, assemelhando­se às moléculas de DNA encontradas 
em bactérias.
4) Possuem capacidade de autoduplicação independente 
da divisão celular.
5) Tanto mitocôndrias quanto cloroplastos apresentam ri­
bossomos próprios e sintetizam algumas de suas proteínas. 
Também vale destacar que a população de seres eucario­
tos primitivos primeiramente englobou os seres procariotos 
que originaram as mitocôndrias, já que essa organela está 
presente em todos os eucariotos atuais (animais, plantas, 
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algas, fungos e protozoários). Como os cloroplastos só estão presentes atualmente nas plantas e algas, provavelmente a 
população de eucariotos primitivos que deu origem a esses grupos englobou os seres precursores dos cloroplastos depois de 
já terem englobado os precursores das mitocôndrias, como no esquema a seguir:
Procarionte
ancestral
heterotrófico
aeróbio Mitocôndria
Célula hospedeira 
ancestral
Estabelecimento de 
relações de simbiose
Os cloroplastos evoluíram depois das mitocôndrias, por 
relações de endossimbiose com procariontes autotróficas
Procarionte 
ancestral
fotossintético
Cloroplasto
Mitocôndria
Mitocôndria
3. Organização celular de seres procariontes e eucariontes
A microscopia eletrônica demonstrou que existem duas classes de células: as procarióticas, cujo material genético não está 
separado do citoplasma por uma membrana, e as eucarióticas, que possuem um núcleo bem individualizado e delimitado pelo 
envoltório nuclear. Embora a complexidade nuclear seja utilizada para dar nome às duas classes de células, há outras diferenças 
importantes entre procariontes e eucariontes. Do ponto de vista evolutivo, os procariontes são considerados ancestrais dos 
eucariontes. Os procariontes surgiram há cerca de 3 bilhões de anos, enquanto os eucariontes surgiram há 1 bilhão de anos.
Apesar das diferenças entre as células eucarióticas e procarióticas, há semelhanças importantes em sua organização molecular 
e em sua função. Por exemplo, todos os organismos vivos utilizam o mesmo código genético e uma maquinaria similar para a 
síntese de proteínas. As células procarióticas, porém, não apresentam organelas membranosas como retículo endoplasmático ou 
complexo de golgi e também não apresentam uma membrana separando seu material genético do citoplasma. Os seres vivos 
procariontes atuais são as bactérias e as cianobactérias. 
Embora possuam uma estrutura relativamente simples, as células procarióticas são bioquimicamente versáteis e diver sas: por 
exemplo, todas as principais reações metabólicas são encontradas em bactérias, incluindo os três processos para obtenção de 
energia: glicólise, respiração e fotossíntese.
A bactéria Escherichia coli é a célula procariótica mais bem estudada. Dada a sua simplicidade estrutural, rapidez de multi­
plicação e não patogenicidade, a E. coli se revelou excelente para osestudos de biologia molecular.
As células eucarióticas, por definição, e em contraste com as células procarióticas, têm um núcleo (caryon, em grego) que contém 
a maioria do DNA celular envolvido por uma dupla camada lipídica. O DNA é assim mantido num compartimento separado dos 
outros componentes celulares que se situam num citoplasma, em que a maioria das reações metabólicas ocorrem.
No citoplasma das células eucariotas ficam as organelas, que são estruturas celulares que desempenham funções específicas 
do metabolismo celular, como mitocôndrias, cloroplastos, retículo endoplasmático, entre outras que estudaremos mais adiante.
COMPARAÇÃO ENTRE PROCARIONTES E EUCARIONTES
procariontes eucariontes
Organismo bactéria e cianobactéria protozoários, algas, fungos, plantas e animais
Tamanho da célula geralmente de 1 a 10 micrômetros geralmente de 5 a 100 micrômetros
Metabolismo aeróbico ou anaeróbico aeróbico e anaeróbico
Organelas ribossomos
núcleo, mitocôndrias, cloroplastos 
(apenas nos fotossintetizantes), retículo endoplasmático, 
complexo de Golgi, lisossomos, ribossomos, centríolos
DNA DNA circular no hialoplasma longas moléculas de DNA contendo muitas regiões não codificantes: envolvidas por uma membrana nuclear
RNA e proteína sintetizados no mesmo compartimento: hialoplasma
RNA sintetizado e processado no núcleo, 
proteínas sintetizadas no citoplasma
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COMPARAÇÃO ENTRE PROCARIONTES E EUCARIONTES
procariontes eucariontes
Citoplasma ausência de citoesqueleto, fluxo citoplasmático, ausência de endocitose e exocitose
citoesqueleto composto de filamentos de proteínas, fluxo 
citoplasmático, presença de endocitose e exocitose
Divisão celular cromossomos se separam ligados ao mesossomo cromossomos se separam pela ação do fuso do citoesqueleto
Organização celular maioria unicelular maioria multicelular, com diferenciação de muitos tipos celulares
Tempo de existência cerca de 3 bilhões de anos cerca de 1 bilhão de anos
3.1. Estruturas básicas das células
Observe na ilustração a seguir três componentes fundamen­
tais de uma célula: membrana plasmática, citoplasma 
e núcleo.
plasmática
 
célula animal 
célula bacteRiana 
Parede celular
Membrana celular
Aparelho 
de Golgi
Cloroplasto
Membrana
vacúolo
Mitocôndria
Citoplasma
Ribossomo
Núcleolo
Núcleo
Retículo 
endoplasmático
Amiloplasto
Célula vegetal
célula vegetal
3.1.1. A célula procariótica
As células procarióticas possuem estrutura celular muito 
simples. Possuem membrana plasmática, e o material ge­
nético (cromatina) aparece disperso no hialoplasma, onde 
a única organela é o ribossomo. Observe que não existe 
membrana envolvendo o material genético nem delimitan­
do o núcleo. Esse tipo de célula caracteriza os seres proca­
riontes, representados pelos integrantes do Reino Monera, 
isto é, as bactérias e cianobactérias.
3.1.2. As células eucariotas
O constituinte celular mais volumoso da célula é o citoplas­
ma. Ele é formado pelo citosol e pelas organelas celulares. 
O citosol, também chamado de hialoplasma, é um líquido 
transparente homogêneo e sem estrutura no qual estão 
mergulhados as organelas celulares.
Dentre os organoides celulares, é possível citar: retículo 
endoplasmático (uma rede de vesículas e canais que 
se intercomunicam e que auxilia na distribuição e no ar­
mazenamento de substâncias celulares); ribossomos 
(pequenos grânulos nos quais ocorre a síntese de proteí­
nas); mitocôndrias (corpúsculos esféricos ou alongados 
relacionados à respiração celular, processo que fornece a 
energia necessária às atividades celulares); lisossomos 
(pequenas “bolsas” contendo enzimas digestivas); com-
plexo de Golgi (pilha de vesículas circulares e achatadas, 
das quais as secreções são liberadas para fora da célula); e 
centríolos (dois cilindros perpendiculares entre si relacio­
nados à divisão celular e à formação de cílios e flagelos).
Geralmente situado na parte central da célula eucariótica, o 
núcleo apresenta uma membrana, a carioteca, que envolve 
o carioplasma, líquido (cariolinfa ou nucleoplasma) no qual 
estão imersos o nucléolo e os cromossomos (onde encon­
tram­se os genes, elementos responsáveis pela coordenação 
das diversas atividades celulares, constituídos por DNA).
3.2. Estrutura e função da 
membrana plasmática
As membranas celulares possibilitam que as células criem 
barreiras para confinar moléculas particulares em compar­
timentos específicos. Essas membranas são formadas por 
uma dupla camada contínua (bicamada) de moléculas de 
lipídios na qual as proteínas estão embebidas. A bicamada 
lipídica fornece a estrutura básica e a função de barreira 
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de todas as membranas celulares. As moléculas de lipídios 
da membrana possuem tanto regiões hidrofóbicas quanto 
hidrofílicas. Elas se arranjam espontaneamente em bicama­
das quando colocadas em água, formando compartimentos 
fechados que se resselam quando rompidos.
Há três classes principais de moléculas lipídicas da mem­
brana: fosfolipídios, esterois e glicolipídios. A bicamada lipí­
dica é fluida, e moléculas lipídicas individuais são capazes 
de difundir­se dentro de sua própria monocamada; contu­
do, elas não saltam espontaneamente de uma monoca­
mada para a outra. As duas camadas da bicamada lipídica 
têm diferentes composições de lipídios, refletindo as fun­
ções diferentes das duas faces de uma membrana celular.
As células ajustam a fluidez de suas membranas de acordo 
com as modificações da composição lipídica dessas mem­
branas. A bicamada lipídica é impermeável a todos 
os íons e moléculas polares grandes, mas é perme-
ável a moléculas apolares pequenas, como o oxigê-
nio e o dióxido de carbono, e a moléculas polares 
muito pequenas, como a água.
As proteínas da membrana são responsáveis pela maioria 
das funções, como o transporte de pequenas moléculas 
hidrossolúveis pela bicamada lipídica. As proteínas trans­
membranas se estendem através da bicamada lipídica, 
enquanto outras proteínas não se estendem através dela, 
mas se ligam a um dos lados da membrana, seja por asso­
ciação não covalente com outras proteínas da membrana, 
seja por ligação covalente a lipídios. Muitas proteínas e 
parte dos lipídios expostos na superfície das células estão 
ligados a cadeias de açúcares (glicocálix) que auxiliam a 
proteger e a lubrificar a superfície celular e estão envolvi­
das no reconhecimento célula­célula.
A membrana plasmática mantém o conteúdo interno ou ci­
toplasmático separado, porém não isolado do meio externo, 
uma vez que ela possui permeabilidade seletiva quanto 
ao que entra e sai da célula. As membranas celulares são 
muito delgadas. A membrana plasmática mede cerca de 75 
Å de espessura e não é visível ao microscópio óptico comum. 
Na figura, é possível observar o modelo estrutural mais acei­
to atualmente, que foi proposto pelos cientistas Singer e Ni­
cholson, em 1972. As proteínas apresentam uma mobilidade 
especial, podendo deslocar­se lateralmente ou atravessar a 
bicamada lipídica, projetando­se nas superfícies interna ou 
externa da membrana plasmática.
Dessa forma, conclui­se que a membrana é relativamente 
fluida, pois as moléculas de proteínas apresentam certa li­
berdade de movimentação. Por essa razão, o modelo de 
Singer e Nicholson é denominado mosaico fluido.
Esse modelo explica as capacidades e funções membrano­
sas, especialmente a sua permeabilidade seletiva. Os lipíde­
os, principalmente os fosfolipídios, correspondem a cerca de 
25% a 40% das estruturas das membranas celulares, e as 
proteínas correspondem a cerca de 60% a 75% do total. 
Em quantidades bem inferiores é possível encontrar: antíge­
nos, enzimas, glicídios e outras moléculas permanentes ou 
transitórias. Por esse motivo, as membranas celulares são 
denominadas lipoproteicas, pois representam uma associa­ção entre lipídios e proteínas.
Glícido
Glícoproteína
Glícolípido
Meio extracelular
 Filamentos
do citosqueleto
Colesterol
 Proteína
integrada
 Proteína
periférica Citoplasma
aRRanJo da membRana plasmática segundo o modelo do mosaico fluido.
3.2.1. Especializações da membrana
As especializações da membrana são regiões diferencia­
das, constituindo adaptações que executam várias funções, 
como absorção, transporte, aderência e reconhecimento. 
As principais são: microvilosidades, invaginações de base, 
desmossomos, junções e glicocálix.
 § Microvilosidades – são expansões cilíndricas da 
membrana que aparecem na superfície livre da célula, 
ampliando a superfície de contato e a capacidade de ab­
sorção. Localizadas, por exemplo, no epitélio intestinal, 
as microvilosidades aumentam a eficiência na absorção 
do alimento digerido.
 § Invaginações de base – a regulação da quantidade 
de água existente no organismo é uma das funções 
dos rins. Cada rim é formado por cerca de 1 milhão de 
estruturas idênticas denominadas néfrons ou canais re­
nais. As células desses canais renais possuem, na base, 
profundas invaginações relacionadas com o transporte 
de água reabsorvida pelos rins. As mitocôndrias são 
abundantes entre as invaginações.
 § Especializações de contato – os epitélios são teci­
dos formados por células justapostas, entre as quais se 
encontra uma substância intercelular que atua como um 
cimento ligando as células. Além da substância citada, a 
adesão entre as células é mantida por especializações, 
como os desmossomos, as interdigitações e as junções.
 § Desmossomos – são espécies de “botões adesivos” que 
aparecem nas membranas adjacentes de células vizinhas.
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 § Interdigitações – são dobras da membrana que se 
encaixam e aumentam a adesão intercelular.
 § Junções estreitas ou oclusivas – encontradas em 
células do epitélio intestinal, são regiões diferenciadas 
que vedam o espaço intercelular, impedindo a passa­
gem de líquidos entre as células, fator que regula o 
controle de absorção para cada célula.
 § Junções comunicantes ou nexos – diferentemen­
te das anteriores, permitem a passagem de íons e 
pequenas moléculas, associando metabolicamente as 
células vizinhas.
 § Glicocálix – nas células animais, a membrana plas­
mática é frequentemente recoberta por uma delgada 
película de natureza glicoproteica denominada cutí­
cula ou glicocálix. Além de proteger a membrana, o 
glicocálix atua no reconhecimento celular por meio 
de um complexo código molecular. É através do glico­
cálix que ocorre a distinção das células de um mesmo 
organismo e a rejeição de células estranhas, como as 
de um enxerto.
Microvilosidades
Interdigitação
Mitocôndria
Núcleo
Mitocôndria
Núcleo
Mitocôndria
Invaginações
As microvilosidades. Inaginações de base.
Meio extracelular
Desmossomo
Interdigitação
 Espaço
intercelular
 Desmossomo
Interdigitações e desmossomos.
Glicocálix
Face externa
 da célula Lipídio
Proteína
Face interna
 da célula
O glicocálix.
Junção oclusiva
Junção comunicante
Os tipos de junções.
3.2.2. As funções da membrana plasmática
 § Manutenção da integridade celular – se a mem­
brana for lesionada, o citoplasma extravasa, e a célula 
se desintegra em um processo denominado citólise. En­
tretanto, pequenas lesões não afetam a estrutura celu­
lar, uma vez que a membrana apresenta a capacidade 
de regeneração sem destruir a célula. A regeneração 
possibilita os processos de micromanipulação, por meio 
dos quais a célula pode ser submetida, por exemplo, a 
transplantes de núcleo.
 § Reconhecimento intercelular – na superfície da 
célula existe um mecanismo de reconhecimento mole­
cular por meio do qual uma célula é capaz de distinguir 
células similares ou estranhas. Esse processo permite 
que as células se identifiquem e se unam, originando 
os tecidos; as células também podem se rejeitar, como 
acontece nos transplantes.
 § Permeabilidade seletiva – a célula precisa realizar 
uma série de trocas com o meio externo para sobreviver. 
Substâncias essenciais, como água, oxigênio e nutrien­
tes, devem entrar na célula, enquanto gás carbônico e 
substâncias tóxicas, resultantes da atividade celular, 
devem ser eliminados. Por meio da chamada permea­
bilidade seletiva, a membrana regula a entrada e saída 
de substâncias, permitindo à célula manter uma compo­
sição química equilibrada e diferente do meio externo.
3.3. Parede celular
A parede celular é uma estrutura rígida localizada externa­
mente à membrana plasmática. Por esse motivo, as células 
que possuem parede celular têm menos possibilidade de 
modificar sua forma. A parede celular é uma estrutura pre­
sente em bactérias, fungos e em vegetais Nas bactérias, a 
parede celular é composta basicamente de proteoglicanos 
(carboidratos ligados à proteínas). No fungos, é formada 
por um carboidrato chamado quitina. Nas plantas, a pare­
de celular é composta por outro carboidrato, a celulose, por 
isso também é denominada membrana celulósica.
Na célula vegetal jovem, a parede celular (primária) é fina e 
pouco rígida, o que lhe permite crescer. Depois de crescida a 
célula, a parede celular pode apresentar espessamentos, re­
sultado de novos depósitos interiores de celulose. Essa nova 
parede recebe o nome de parede celular secundária.
A parede secundária é a principal responsável pela grande 
resistência da parede celular. Em alguns casos, há também 
depósitos de lignina e de suberina (outros tipos de carboi­
dratos) na parede celular, substâncias que lhe conferem 
ainda mais resistência. É característica das células vegetais 
a presença de pontos de contato entre células vizinhas, am­
biente em que não há deposição de parede celular. Nesses 
pontos de contato, formam­se canais citoplasmáticos de­
nominados plasmodesmos, que conectam o citoplasma 
das células vizinhas. Eles são delimitados pela membrana 
plasmática comum a essas células.
Entre as paredes celulares de células adjacentes há uma 
fina camada formada principalmente por pectina (um po­
lissacarídeo) que une uma célula a outra. Essa camada é a 
lamela média, interrompida nos plasmodesmos.
citoplasma
Vacúolo
lamela mediana
parede primária
parede secundária
parede secundária
lamela mediana 
composta
lamela mediana 
composta
paredes
celulares
plasmodesmo
1 mm
membrana
plásmatica
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3.4. A permeabilidade seletiva e 
os transportes de membrana
A bicamada lipídica das membranas celulares é bastante im­
permeável à maioria das moléculas hidrossolúveis e a todos 
os íons. A passagem de nutrientes, metabólitos e íons através 
da membrana plasmática e membranas celulares internas é 
realizada por proteínas transportadoras de membrana. As 
membranas celulares contêm uma grande variedade de pro­
teínas transportadoras, cada uma das quais é responsável 
pelo transporte de um tipo particular de soluto.
Existem duas classes de proteínas transportadoras de mem­
brana – proteínas carreadoras e proteínas de canal. O gra­
diente eletroquímico representa a força impulsora resultante 
que atua sobre um íon devido ao seu gradiente de concen­
tração e ao campo elétrico. No transporte passivo, um so­
luto sem carga se move espontaneamente a favor de seu 
gradiente de concentração, e um soluto carregado (um íon) 
se move espontaneamente a favor de seu gradiente eletro­
químico. No transporte ativo, um soluto sem carga, ou um 
íon, é transportado contra o seu gradiente de concentração 
ou eletroquímico, em um processo que necessita de energia.
As proteínas carreadoras ligam solutos específicos (íons 
inorgânicos, pequenas moléculas orgânicas ou ambos) e 
os transferem através da bicamada lipídica por sofrerem 
mudanças conformacionais que expõem o sítio ligante de 
soluto, primeiro em um lado da membrana e depois no 
outro. As proteínas carreadoras podem atuar comobom­
bas para transportar um soluto contra o seu gradiente ele­
troquímico, utilizando energia fornecida pela hidrólise de 
ATP, por um fluxo “para baixo” de Na+ ou de íons H+, ou 
pela luz. A bomba de Na+ / K+ da membrana plasmática de 
células animais é uma ATPase que transporta ativamente 
Na+ para fora da célula e K+ para dentro, mantendo o forte 
gradiente de Na+ através da membrana, que é usado para 
impulsionar outros processos de transporte ativo e para 
transmitir sinais elétricos.
As proteínas­canal formam poros aquosos de um lado para 
o outro da bicamada lipídica, pelos quais solutos podem di­
fundir­se. Enquanto o transporte por proteínas carreadoras 
pode ser ativo ou passivo, o transporte por proteínas­canal 
é sempre passivo. A maioria das proteínas­canal é um ca­
nal iônico do tipo seletivo que permite que íons inorgânicos 
de tamanhos e cargas apropriados cruzem a membrana a 
favor de seus gradientes eletroquímicos. O transporte pelos 
canais iônicos é, no mínimo, mil vezes mais rápido do que 
o transporte por qualquer proteína carreadora conhecida. 
A maioria dos canais iônicos possui portões e se abre tran­
sitoriamente em resposta a um estímulo específico, como 
uma mudança no potencial de membrana (canais com por­
tões controlados por voltagem) ou a ligação de um ligante 
(canais com portões controlados por ligantes). Observe a 
seguir uma ilustração das proteínas­canal.
Mesmo quando abertos por seu estímulo específico, os 
canais iônicos não permanecem abertos continuamente: 
eles oscilam aleatoriamente entre as conformações aberta 
e fechada. Um estímulo ativador aumenta a proporção do 
tempo que o canal gasta no estado aberto. O potencial 
de membrana é determinado pela distribuição desigual de 
cargas elétricas nos dois lados da membrana plasmática 
e é alterado quando íons fluem através de canais abertos.
Os componentes hidrofóbicos, solúveis nos lipídios, atra­
vessam facilmente a membrana, uma vez que ela é for­
mada por uma bicamada lipídica. Esse é o caso dos áci­
dos graxos, dos hormônios esteroides e dos anestésicos. 
As substâncias hidrófilas, insolúveis nos lipídios, penetram 
nas células com mais dificuldade, fator influenciado pelo 
tamanho da molécula e por suas características químicas. 
A configuração molecular poderá permitir que a substância 
seja transportada por meio de um dos mecanismos espe­
ciais desenvolvidos durante a evolução, como o transporte 
ativo e a difusão facilitada.
3.4.1. Transporte de substâncias 
através da membrana celular
passagem de substâncias atRavés de pRoteínas de canal 
de um lado a outRo da membRana plasmática.
 § Difusão passiva – muitas substâncias penetram nas 
células ou delas saem por difusão passiva, ou seja, 
como a distribuição do soluto tende a ser uniforme em 
todos os pontos do solvente, o soluto penetra na célula 
quando sua concentração é menor no interior celular 
do que no meio externo, e sai da célula no caso contrá­
rio. Nesse processo não há consumo de energia.
 § Difusão facilitada – algumas substâncias, como a 
glicose, a galactose e alguns aminoácidos possuem 
tamanho superior a 8 angströns, o que impede a sua 
passagem através dos poros. Essas substâncias não são 
solúveis em lipídios, o que também impede a sua difu­
são pela matriz lipídica da membrana. Entretanto, essas 
substâncias passam através da matriz, por transporte 
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passivo, contando, para isso, com o trabalho de proteí­
nas carreadoras ou permeases (proteínas transportado­
ras). Por exemplo, a combinação entre a glicose e a pro­
teína carreadora forma uma combinação lipossolúvel 
que passa a se difundir de um lado para outro da mem­
brana. Do outro lado da membrana, a glicose separa­se 
do carreador e passa para o interior da célula, enquanto 
o carreador retorna ao meio externo para buscar mais 
moléculas de glicose.
 § Transporte ativo – nesse caso, ocorre gasto de ener­
gia (ATP), e a substância pode ser transportada de um 
local de baixa concentração para outro de alta concen­
tração, isto é, o soluto pode ser transportado contra 
um gradiente. O transporte ativo é bloqueado pelos 
inibidores da respiração (dinitrofenol, cianetos e azida) 
e pelos inibidores da síntese de ATP (iodoacetato). O 
esquema a seguir apresenta um processo passivo e a 
favor do gradiente de concentração, representado por 
A, e um processo ativo e contrário ao gradiente de con­
centração, representado por B.
Substância
em solução
Substância
em solução
A B
ATP ADP
Membrana
Plasmática
tRanspoRte ativo de substâncias, com gasto de atp
 § Bomba de sódio e potássio – é comum serem ob­
servadas diferenças de concentrações iônicas entre os 
meios intra e extracelular. Para exemplificar, serão utili­
zados a célula nervosa (neurônio) e o glóbulo vermelho 
do sangue (hemácia). Ao serem comparadas as con­
centrações de íons de potássio (K+) e de sódio (Na+), 
verifica­se que a concentração de K+ é maior dentro do 
neurônio, enquanto a concentração de Na+ é maior no 
líquido que o envolve. A hemácia possui no citoplasma 
concentração de K+ vinte vezes maior do que o plas­
ma, que, por sua vez, apresenta concentração de Na+ 
vinte vezes maior do que a hemácia. Nos dois casos, 
é evidente que essas concentrações não se igualam, 
apesar de a membrana apresentar permeabilidade 
passiva aos dois íons. Para manter a diferença iônica, a 
célula continuamente absorve K+ e elimina Na+ através 
da bomba de Na+ e K+. Uma proteína conhecida como 
bomba Na+/K+ ATPase funciona transportando K+ para 
o interior e Na+ para o exterior da célula. Os íons Na+ 
intracelulares se ligam à ATPase que, transformando 
ATP em ADP, obtém energia necessária a sua mudança 
de conformação, expelindo­os para o meio extracelular. 
Os íons K+, por mecanismo idêntico, são transferidos 
para o citoplasma. Observe a seguir o esquema da 
bomba de Na+ e K+:
funcionamento da bomba na+ / K+ atpase
3.4.2. Osmose – a difusão da água
 § Osmose – é um fenômeno de difusão em presença de 
uma membrana semipermeável. Nesse processo, duas 
soluções de concentrações diferentes estão separadas 
por uma membrana que é permeável ao solvente e pra­
ticamente impermeável ao soluto. Ocorre, então, a pas­
sagem do solvente de onde ele está em maior quanti­
dade (solução hipotônica) para onde está em menor 
quantidade (solução hipertônica). Com essa passagem, 
verifica­se um aumento da quantidade de água na so­
lução hipertônica, fazendo com que haja maior diluição 
da solução e, consequentemente, diminuição da sua 
concentração. É possível dizer que é a osmose que pos­
sibilita isotonia entre uma solução hipertônica e uma 
hipotônica, com passagem de solvente através de uma 
membrana semipermeável. Isso pode, inclusive, ser 
fatal para a célula, como no caso das hemácias, que, 
em presença de soluções pouco concentradas, sofrem 
hemólise. Observe, na figura a seguir, que as hemácias 
(A) em solução hipertônica (situação 1) perderão água 
e murcharão (crenação), já em solução hipotô nica (si­
tuação 2) ganham água por osmose, podendo sofrer 
rup tura da membrana (lise celular).
Resultados da imeRsão de hemácias em solução 
hipotônica (2) e solução hipeRtônica (1).
A presença da parede celular nas células vegetais torna 
peculiar esse fenômeno, em que a célula vegetal, mesmo 
em meios muito pouco concentrados em relação aos seus 
vacúolos, não explode.
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Tonoplasto
Parede celular
Plasmalema
CitoplasmaNúcleo
Estrutura da célula vegetal
Núcleo
Vacúolo
Célula túrgida
VacúoloNúcleo
Célula murcha
Suco
vacuolar
I
II III
Tonoplasto
Parede celular
Plasmalema
CitoplasmaNúcleo
Estrutura da célula vegetal
Núcleo
Vacúolo
Célula túrgida
VacúoloNúcleo
Célula murcha
Suco
vacuolar
I
II III
Tonoplasto
Parede celular
Plasmalema
CitoplasmaNúcleo
Estrutura da célula vegetal
Núcleo
Vacúolo
Célula túrgida
VacúoloNúcleoCélula murcha
Suco
vacuolar
I
II III
a célula vegetal em difeRentes momentos.
Geralmente, a concentração do suco vacuolar é maior do 
que a solução do solo; isso quer dizer que a pressão de 
difusão da água dentro da célula é menor que a pressão 
da difusão no meio externo. Consequentemente, a tendên­
cia de a água penetrar na célula é menor que a de sair. 
Essa tendência será maior quanto maior for a concentra­
ção da solução do suco vacuolar. Ou seja, quanto maior a 
pressão osmótica do suco vacuolar, maior a tendência de 
penetração da água. Existe, portanto, uma força no interior 
da célula com tendência para retirar a água do ambiente. 
Essa força é denominada pressão osmótica do suco vacuo­
lar, que será representada por PO ou Si (sucção interna da 
célula). A água penetra no vacúolo da célula e começa a 
distendê­lo. Em consequência, surge uma pressão (pressão 
de turgescência) sobre a membrana celulósica.
Como a membrana é dotada de elasticidade, ela vai se dis­
tendendo, originando uma força contrária à distensão, ten­
dendo a voltar à sua posição inicial. Essa força é chamada 
de pressão de turgescência (turgor) e representada por PT 
ou M (resistência da membrana). 
A penetração de água no interior da célula vegetal vai de­
pender dessas forças.
a. pressão osmótica do suco vacuolar (PO) – favorá­
vel à entrada de água;
b. pressão de turgescência (PT) – contrária à entrada 
de água.
Assim, é possível dizer que a entrada de água nas célu­
las vegetais depende de seu deficit de pressão de difusão 
(DPD ou Sc). A fórmula a seguir permite calcular a sucção 
celular (Sc ou DPD) da célula. A tendência de a água entrar 
na célula vegetal depende de uma pressão favorável (PO) e 
de outra contrária (PT).
DPD = PO - PT 
ou
Sc = Si - M
A célula estará saturada (túrgida) com água quando:
PT = PO Si = M 
DPD = 0 Sc = 0
Assim, a célula estará murcha (flácida) quando:
PT = 0 M = 0 
DPD = PO Sc = SI
DPD = PO - PT
ou
Sc = Si - M
A célula estará saturada (túrgida) com água quando:
PT = PO Si = M
DPD = 0 Sc = 0
Núcleo
PT DPD
PO
A tendência de a água entrar na célula vegetal depende de uma
pressão favorável (PO) e outra contrária (PT).
A membrana reage
 contra a distensão
 (M)
 A água penetra
 na célula
 por causa da
pressão osmótica
 do suco
 vacuolar (PO) 
H2O
Núcleo
A água que penetrou
na célula pressiona a
membrana celulósica
 (PT)
Esquema mostrando o movimento osmótico na célula vegetal.
Assim, a célula estará murcha (�ácida) quando:
PT = 0 M = 0
DPD = PO Sc = SI
a tendência de a água entRaR na célula vegetal depende de 
uma pRessão favoRável (po) e de outRa contRáRia (pt)
DPD = PO - PT
ou
Sc = Si - M
A célula estará saturada (túrgida) com água quando:
PT = PO Si = M
DPD = 0 Sc = 0
Núcleo
PT DPD
PO
A tendência de a água entrar na célula vegetal depende de uma
pressão favorável (PO) e outra contrária (PT).
A membrana reage
 contra a distensão
 (M)
 A água penetra
 na célula
 por causa da
pressão osmótica
 do suco
 vacuolar (PO) 
H2O
Núcleo
A água que penetrou
na célula pressiona a
membrana celulósica
 (PT)
Esquema mostrando o movimento osmótico na célula vegetal.
Assim, a célula estará murcha (�ácida) quando:
PT = 0 M = 0
DPD = PO Sc = SI
esquema mostRando o movimento osmótico na célula vegetal
 § Plasmólise – caso a célula seja mergulhada em uma 
solução de concentração superior à do vacúolo, ou seja, 
dentro de uma solução hipertônica em relação ao DPD 
da célula, ela perderá água contraindo­se até ficar frou­
xa. O vacúolo segue perdendo água, e o citoplasma vai 
se afastando da parede celular. O espaço existente entre 
o citoplasma e a parede fica cheio com a solução exter­
na, uma vez que a membrana celulósica é permeável. Às 
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vezes, o afastamento do citoplasma da parede celulósica 
não é total, ficando o citoplasma ligado à parede por 
meio de finos ligamentos de Hecht. Nessa situação, DPD 
= PO e PT = 0. A plasmólise não provoca a morte da 
célula vegetal. Caso a célula seja mergulhada em água 
ou solução hipotônica, ela voltará a absorver água até 
voltar ao estado inicial. Esse fenômeno é denominado 
desplasmólise. Observe a seguir ilustrações sobre a plas­
mólise e desplasmólise da célula vegetal. Em seguida, o 
diagrama de Höfler, que mostra as variações de volume 
de uma célula vegetal colocada em diferentes meios. Em 
1, a célula está murcha e, em 3, está túrgida.
diagRama RepResentativo das vaRiações de volume celulaR 
em decoRRência das alteRações osmóticas do meio
3.4.3. Transporte em quantidade
 § Transporte em quantidade – o transporte em quan­
tidade para dentro da célula, também chamado de 
endocitose, é realizado por dois processos denomina­
dos fagocitose e pinocitose. Quando a transferência de 
macromoléculas ocorre em sentido inverso, ou seja, do 
citoplasma para o meio extracelular, o processo recebe o 
nome genérico de exocitose.
RepResentação de endocitose
RepResentação de exocitose
 § Fagocitose – é o nome dado ao processo pelo qual a 
célula, graças à formação de pseudópodos, absorve, no 
seu citoplasma, partículas sólidas. A fagocitose é um pro­
cesso seletivo, conforme pode ser observado no exemplo 
da fagocitose de paramécios pelas amebas. Nos mamífe­
ros, a fagocitose é realizada por células especializadas na 
defesa do organismo, como os macrófagos, e por células 
endoteliais dos capilares sanguíneos.
 § Pinocitose – é o nome dado ao processo pelo qual 
a célula, graças a delgadas expansões do citoplasma, 
engloba gotículas de líquido. Assim, formam­se va­
cúolos contendo líquido que se aprofundam no cito­
plasma tornando­se cada vez menores, o que sugere 
uma transferência de líquido para o hialoplasma. No 
processo da pinocitose, formam­se longas projeções 
laminares da superfície celular, visíveis ao microscópio 
óptico, que dão origem a vesículas também grandes 
no processo denominado macropinocitose. Observe a 
seguir que os vacúolos originados pela fagocitose (II) 
e pinocitose (I) são fundidos a lisossomos produzidos 
pelo complexo de Golgi.
 Retículo
endoplasmático
 granular
Complexo
 de Golgi
Lisossomo vacúolo autofágico
 corpo
residual
 vacúolo
digestivo
fagossomo
II
I
III
o papel do complexo de golgi nos difeRentes 
tipos de digestão intRacelulaR
fonte: Youtube
Animação Célula 3D
multimídia: vídeo
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CONEXÃO ENTRE DISCIPLINAS
VIVENCIANDO
Dado que a citologia é o estudo da célula individualizada, é possível utilizar esse ramo das Ciências Biológicas para 
estudar as estruturas celulares e como elas interagem umas com as outras. Esse conhecimento serve para mapear 
as funções das células de cada tecido do corpo humano e distinguir, por exemplo, microrganismos que podem ser 
patógenos ou até mesmo células do próprio organismos que foram modificadas devido às mutações. A detecção de 
células anormais e de doenças, como câncer e/ou anomalias no pré­natal, são alguns exemplos disso.
Uma aplicação corriqueira da citologia é o exame do Papanicolau, que consiste na coleta de células do colo do 
útero e da vagina para análise no microscópio. Esse exame previne doenças como câncer, infecções vaginais, HPV, 
tricomoníase, candidíase, gonorreia, sífilis, entre outras.
No estudo das plantas, para compreender como um vegetal retira água do solo, é necessário o uso de termos 
físicos, como pressão osmótica. A pressão osmótica é a força com que a água se move através das membranas 
celulares. Outro exemplo é a pressão de turgescência, que é a resistência da membrana celulósica à entrada de 
água na célula. A diferença entre a pressão osmótica e a pressão de turgescência resulta no deficit de pressão, 
que mostra o sentido do movimento da água nas raízes das plantas.
DPD = PO – PT, onde:
DPD= deficit de pressão
PO = pressão osmótica
PT = pressão de turgor
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ÁREAS DE CONHECIMENTO DO ENEM
HABILIDADE 14
Identificar padrões em fenômenos e processos vitais dos organismos, como manutenção do equilíbrio 
interno, defesa, relações com o ambiente, sexualidade, entre outros.
A absorção de nutrientes através do intestino é um processo essencial para a manutenção do equilíbrio 
interno dos organismos. Associar as funções e os tipos de especializações de membranas celulares com os 
esquemas apresentados facilitará a resolução da questão.
MODELO 1
(Enem) Para explicar a absorção de nutrientes, bem como a função das microvilosidades das membranas das 
células que revestem as paredes internas do intestino delgado, um estudante realizou o seguinte experimento:
Colocou 200 ml de água em dois recipientes. No primeiro recipiente, mergulhou, por 5 segundos, um pedaço 
de papel liso, como na FIGURA 1; no segundo recipiente, fez o mesmo com um pedaço de papel com dobras 
simulando as microvilosidades, conforme FIGURA 2. Os dados obtidos foram: a quantidade de água absorvida 
pelo papel liso foi de 8 ml, enquanto pelo papel dobrado foi de 12 ml.
figuRa 1 figuRa 2
Com base nos dados obtidos, infere­se que a função das microvilosidades intestinais com relação à absorção 
de nutrientes pelas células das paredes internas do intestino é a de
a) manter o volume de absorção;
b) aumentar a superfície de absorção;
c) diminuir a velocidade de absorção;
d) aumentar o tempo da absorção;
e) manter a seletividade na absorção.
ANÁLISE EXPOSITIVA
Nesse exercício é essencial reconhecer a importância das microvilosidades, que são especializações da mem­
brana plasmática encontradas principalmente nas células do intestino delgado. Essas especializações têm 
como função promover uma área maior de absorção de nutrientes, fenômeno que ocorre em grande quan­
tidade no intestino. No esquema apresentado com figuras, representando os papéis, é possível observar que, 
ao esticar totalmente o papel da figura 2, a sua área será maior do que o papel representado na figura 1.
RESPOSTA Alternativa B
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DIAGRAMA DE IDEIAS
CITOLOGIA
NÚCLEO 
ORGANIZADO
ATIVO OSMOSEEM QUANTIDADE
CÉLULA
ORIGEM
• ENDOSSIMBIOSE
• INVAGINAÇÃO DA 
MEMBRANA
PROCARIONTE
• RIBOSSOMOS
• DNA CIRCULAR 
• UNICELULAR
MEMBRANA
PLASMÁTICA
TRANSPORTE
PAREDE 
CELULAR
• FUNGOS ­ QUITINA
• VEGETAIS ­ CELULOSE
• BACTÉRIAS ­ 
PROTEOGLICANOS
ORGANELAS
CITOPLASMÁTICAS
• LISOSSOMOS
• MITOCÔNDRIAS
• RETÍCULO ENDOPLASMÁ­
TICO (LISO E RUGOSO)
• COMPLEXO DE GOLGI
• PEROXISSOMO
• CLOROPLASTO EVACÚOLO 
(CELULA VEGETAL)
ESPECIALIZAÇÕES
• MICROVILOSIDADES
• INVAGINAÇÕES DE BASE
DE CONTATO
• DESMOSSOMOS
• INTERDIGITAÇÕES
• JUNÇÕES CELULARES
PASSIVO
DIFUSÃO
• SIMPLES
• FACILITADA
EUCARIONTE
TEORIA CELULAR
• TODO SER VIVO É FORMADO POR CÉLULAS
• TODA REAÇÃO METABÓLICA OCORRE EM NÍVEL CELULAR
• TODA CÉLULA SE ORIGINA DE OUTRA PREEXISTENTE
• TODA CÉLULA POSSUI DNA
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1. Organelas citoplasmáticas
O citoplasma é o constituinte celular mais abundante. Ele 
é composto pelo citosol e pelos organoides. O citosol, tam­
bém chamado de hialoplasma, citoplasma fundamental ou 
matriz citoplasmática, é uma solução aquosa que constitui 
o meio interno da célula. Imersos no citosol, aparecem os 
organoides ou organelas, os elementos responsáveis pelas 
atividades celulares.
1.1. Ribossomos
Os ribossomos são as organelas que sintetizam as proteínas. 
Eles se apresentam sob a forma de partículas globulares com 
15 a 20 nm de diâmetro. Estão presentes em todos os seres 
celulares. Os ribossomos não são limitados por membranas e 
ocorrem tanto em procariontes quanto em eucariontes. Nos 
eucariontes, é comum que os ribossomos estejam associa­
dos às membranas de partes do retículo endoplasmático.
https://www.blogs.unicamp.br/cienciapelosolhosde­
las/2016/07/22/nobel­ada­yonath­desvendando­os­
­ribossomos/
multimídia: site
Os ribossomos de eucariontes são ligeiramente maiores 
que os de procariontes. Estruturalmente, o ribossomo é 
formado por uma subunidade pequena e outra maior. Bio­
quimicamente, ribossomo consiste em moléculas de RNA 
ribossômico (RNAr) associadas à cerca de 50 nucleoproteí­
nas estruturais. Essa estrutura foi determinada pela cientis­
ta Ada E. Yonath, que ganhou o prêmio Nobel de Química 
em 2009 por essa descoberta. 
O RNAr é sintetizado no núcleo, a partir de genes específicos. 
Esses genes estão em constante transcrição (fabricação de 
RNA) e a região do núcleo onde eles se localizam pode ser 
observada através de microscópios de luz como uma man­
cha mais clara; essa região é chamada de nucléolo.
Observe a ilustração a seguir:
Retículo endoplasmático 
rugoso
Ribossomo livres
Ribossomo
 
subunidade
 pequena
subunidade
 grande
Retículo endoplasmático
 rugoso
Ribossomos livres
Ribossomo.
0,5 µm
RepResentação esquemática do Ribossomo, com subunidades (à esqueRda) e 
sua disposição no Retículo endoplasmático Rugoso (à diReita).
fonte: https://pt.slideshaRe.net/cleunii/Ribossomos
Os ribossomos e a síntese proteica
A síntese proteica é o processo pelo qual os ribosso-
mos produzem proteínas usando como matéria-prima 
os aminoácidos. As proteínas diferem entre si pelo nú-
mero, tipo e sequência de aminoácidos. A informação 
genética para o encadeamento dos aminoácidos está 
contida no DNA intranuclear, e os ribossomos, agentes 
do processo, estão presentes no citoplasma. A trans-
missão da receita, do DNA para os ribossomos, ocorre 
através de outra macromolécula, o RNA mensageiro. 
A função do ribossomo é ler a mensagem contida no 
RNA mensageiro e, por meio de suas informações, 
adicionar aminoácidos e sintetizar proteínas.
1.2. Retículo endoplasmático
O retículo endoplasmático é formado por uma rede de es­
truturas tubulares e vesiculares achatadas, sendo que os 
túbulos e as vesículas são interconectados uns aos outros. 
CITOPLASMA
COMPETÊNCIA(s)
4
HABILIDADE(s)
13 e 14
CN AULAS 11 E 12
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Pode­se distinguir dois tipos de retículo endoplasmático: 
o retículo endoplasmático rugoso (RER) ou granular e o 
retículo endoplasmáticos liso (REL) ou agranular. O RER 
também é chamado de ergastoplasma e é formado por 
sacos achatados, cujas membranas têm aspecto rugoso 
devido à presença de grânulos (ribossomos) aderidos à sua 
superfície externa, voltada para o citosol. O REL é formado 
por estruturas membranosas tubulares, sem ribossomos 
aderidos e de superfície lisa.
1.2.1. Funções do retículo endoplasmático
 § Produção de lipídios – a lecitina e o colesterol são 
exemplos de componentes lipídicos que existem em to­
das as membranas celulares e são produzidos no REL. 
Outros tipos de lipídios produzidos são os hormônios 
esteroides, dentre os quais estão a testosterona e o 
estrógeno (hormônios sexuais gerados nas células das 
gônadas de animais vertebrados).
 § Desintoxicação – o REL participa dos processos de 
desintoxicação do organismo. As substâncias tóxicas são 
absorvidas nas células do fígado e, posteriormente, são 
modificadas ou destruídas, de modo a não causarem da­
nos ao organismo. A atuação do retículo das células he­
páticas permite eliminar parte do álcool, medicamentos 
e outras substâncias potencialmente nocivas.
 § Armazenamento de substâncias – os vacúolos das 
células vegetais são exemplos de bolsas membranosas 
derivadas do REL, que crescem devido ao acúmulo de 
soluções aquosas ali armazenadas.
 § Produção de proteínas – as proteínas fabricadas 
no RER (devido à presença dos ribossomos) penetram 
nas bolsas e se deslocam em direção ao complexo de 
Golgi,passando pelos estreitos e tortuosos canais do 
REL. Observe a seguir um detalhe das cisternas (bolsas 
membranosas) do retículo.
Ribossomos Membranas
o Retículo endoplasmático com suas cisteRnas
1.3. Complexo de Golgi
O complexo de Golgi está presente em praticamente todas 
as células eucariontes e geralmente é formado por quatro 
ou mais camadas empilhadas de delgadas vesículas acha­
tadas, que se situam próximas ao núcleo.
1.3.1. Funções do complexo de Golgi
 § Secreção de enzimas digestivas – as enzimas di­
gestivas do pâncreas são exemplo de enzimas produ­
zidas no RER e levadas até o complexo de Golgi, onde 
são empacotadas em pequenas bolsas, que se des­
prendem dos dictiossomos e se acumulam em um dos 
polos da célula pancreática. A produção de enzimas 
digestivas pelo pâncreas é apenas um entre muitos 
exemplos da função do complexo de Golgi nos proces­
sos de secreção celular.
 § Formação do acrossomo do espermatozoide – o 
acrossomo é uma bolsa de enzimas digestivas do es­
permatozoide maduro que perfurarão as membranas 
do óvulo permitindo a fecundação.
esquema de foRmação do acRossomo
fonte: https://Renathalicebioifes.woRdpRess.com/categoRY/citologia/
 § Síntese de glicoproteínas – No sistema golgiense, 
os monossacarídeos são transformados em polissaca­
rídeos e, em seguida, associados às proteínas sinteti­
zadas pelos ribossomos, originando as glicoproteínas 
conhecidas como muco ou mucopolissacarídeos, que 
aparecem revestindo, por exemplo, internamente o 
tubo digestório.
 § Síntese de glicolipídios – o sistema golgiense atua 
na síntese de lipídios, como é o caso dos glicolipídios 
do glicocálix.
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 § Formação da lamela média em células vegetais 
– o complexo de Golgi participa ativamente da formação 
da lamela média, a primeira membrana que separa duas 
células recém­originadas na divisão celular. Grandes ve­
sículas derivadas do complexo de Golgi acumulam pecti­
na, que é eliminada entre as células­irmãs recém­forma­
das, constituindo, assim, a primeira separação entre elas 
e, mais tarde, a lâmina que as mantém unidas.
esquema de foRmação da lamela média em células vegetais
 § Formação de lisossomos – os lisossomos são bolsas 
circundadas por uma membrana de bicamada lipídica e 
preenchidas por um grande número de pequenos grânu­
los, que são agregados proteicos de enzimas hidrolíticas 
(digestivas) capazes de digerir diversas substâncias or­
gânicas. Eles se originam no complexo de Golgi e estão 
presentes em praticamente todas as células eucariontes.
1.4. Lisossomo
Os lisossomos são pequenas vesículas que transportam en­
zimas responsáveis pela digestão celular.
 § Tipos de lisossomo
1. Lisossomo primário: é o lisossomo propriamente 
dito, isto é, a vesícula que possui em seu interior as en­
zimas digestivas.
2. Lisossomo secundário ou vacúolo digestivo: re­
sulta da fusão do lisossomo primário com a partícula 
englobada, que pode estar dentro de um fagossomo ou 
pinossomo.
3. Corpúsculo residual: é formado quando a vesícula 
lisossômica, por exocitose, elimina na periferia celular o 
material não assimilado.
4. Vacúolo autofágico: é formado quando a vesícula 
lisossômica digere uma partícula pertencente à própria 
célula. A autofagia é uma atividade indispensável à 
sobrevivência da célula. Assim, a digestão intracelular 
pode ser classificada em:
Autofagia – quando os lisossomos digerem uma par­
tícula pertencente à própria célula; e
Heterofagia – quando a partícula digerida pelos lisos­
somos é proveniente do meio extracelular.
 mecanismos envolvidos na digestão intRacelulaR.
o complexo de golgi foRmando vesículas de secReção e lisossomos
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fonte: Youtube
Organelas celulares
multimídia: vídeo
Doenças lisossômicas
As doenças lisossômicas estão associadas a anomalias 
relacionadas à membrana ou ao conteúdo enzimático 
dos lisossomos. Como exemplo é possível citar as pneu-
moconioses e a doença de Pompe. As primeiras são co-
muns em indivíduos que trabalham em minas, sendo 
caracterizadas por lesões pulmonares causadoras de 
dispneias, isto é, dificuldades respiratórias. Quando os 
mineiros inalam partículas de silício, berilo, estanho e 
zinco, elas são fagocitadas por células conhecidas como 
macrófagos. Os lisossomos primários se unem aos va-
cúolos digestórios, originando os lisossomos secundá-
rios, cujas paredes se rompem por ação das partículas 
fagocitadas. Os macrófagos morrem e liberam suas en-
zimas, que causam as lesões pulmonares. Na doença de 
Pompe, ocorre acúmulo de glicogênio nos lisossomos, 
que aumentam de volume. A doença se caracteriza, 
desde o nascimento do indivíduo, por uma dispneia 
associada a problemas cardíacos. A morte acontece ao 
final do primeiro ano de vida.
1.5. Vacúolos
Um vacúolo é qualquer porção no citoplasma delimitado por 
uma membrana lipoproteica. As variedades mais comuns 
são: vacúolos relacionados com a digestão intracelular, va­
cúolos contráteis (ou pulsáteis) e vacúolos vegetais. Também 
podem existir estruturas no citoplasma chamadas de inclu­
sões, que são derivadas dos vacúolos e acumulam amido ou 
lipídios. O conjunto de inclusões se denomina paraplasma. 
Os vacúolos das células vegetais são tidos como regiões 
expandidas do retículo endoplasmático. Quando se trata 
de células vegetais jovens, são pequenos e isolados um 
do outro. À medida que a célula se desenvolve, esses pe­
quenos vacúolos se fundem, formando um único, grande e 
central vacúolo (observe a figura a seguir). A expansão do 
vacúolo, quando armazena alguma substância, leva o res­
tante do citoplasma a ficar comprimido e restrito à porção 
periférica da célula. Sua função também é a de regular as 
trocas de água na osmose.
foRmação de vacúolo na célula vegetal adulta 
http://www.estudopRatico.com.bR/vacuolos-tipos-
e-funcoes-desta-oRganela-celulaR/
Em protozoários de água doce, há vacúolos pulsáteis, tam­
bém denominados contráteis, cujo papel é de regulação 
osmótica. A integridade celular corre riscos em razão do 
absorção constante de água do meio para o interior da 
célula. Removê­la continuamente mantém equilibrada a 
concentração dos líquidos celulares e evita riscos de rompi­
mento da célula, trabalho esse que consome energia.
paRamécio, pRotozoáRio de água doce, com seu vacúolo contRátil.
1.6. Peroxissomos
Os peroxissomos são, em termos físicos, semelhantes aos 
lisossomos, mas diferem em dois aspectos importantes: pri­
meiro, acredita­se que sejam formados por autorreplicação 
(ou talvez por brotamento do REL) e não pelo complexo de 
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Golgi; segundo, contêm oxidases e não hidrolases. Além de 
conterem enzimas que degradam gorduras e aminoácidos, 
possuem também grande quantidade da enzima catalase, que 
converte o peróxido de hidrogênio (água oxigenada) em água 
e gás oxigênio. Os peroxissomos estão presentes em grande 
quantidade nas células de defesa, como os macrófagos, e 
também existem nas células vegetais, em que participam do 
processo da fotorrespiração. A função dos peroxissomos no 
metabolismo celular ainda é pouco conhecida, mas acredita­
­se que participem dos processos de desintoxicação da célula.
1.7. Mitocôndrias
As mitocôndrias são formadas por duas bicamadas lipídi­
cas: uma membrana externa e uma membrana interna. En­
quanto a membrana externa é mais permeável e contínua, 
a membrana interna é bastante impermeável e possui inú­
meras pregas chamadas cristas mitocondriais, nas quais se 
fixam enzimas oxi dativas fundamentais para o processo de 
respiração celular. A cavidade interna das mitocôndrias é 
preenchida por um fluido denominado matriz mitocondrial, 
que contém grande quantidade de enzimas dissolvidas, ne­
cessárias para a extração de energia dos nutrientes.
A composição química das mitocôndrias é riquíssima,no­
tando­se principalmente a presença de DNA, RNA, proteí­
nas, carboidratos, enzimas, ATP, adenosina difosfato (ADP), 
etc. No interior das mitocôndrias, ocorre a respiração ce­
lular, que é o processo em que moléculas orgânicas de 
alimento reagem com gás oxigênio, transformando­se em 
gás carbônico e água e liberando energia na forma de ATP, 
como podemos ver na equação simplificada abaixo. Essa 
energia é essencial para todas as atividades celulares.
Toda mitocôndria surge da reprodução de uma outra mito­
côndria, sendo que a divisão da mitocôndria é denominada 
condrocinese ou condrogênese. Observe a microfotografia 
de uma mitocôndria com as cristas bastante evidentes.
 Espaço entre
 as membranas
externa e interna Membrana
 interna
Membrana
 externa
Matriz
Cristas
Ribossomo Sintetase do ATP DNA
esquema RepResentativo da mitocôndRia
É importante lembrar que as mitocôndrias são de origem 
materna, uma vez que, ao penetrar no óvulo, apenas o ma­
terial genético do espermatozoide é inserido.
1.8. Plastos
Os plastos são orgânulos citoplasmáticos encontrados nas 
células de plantas e de algas. Eles são classificados em 
cromoplastos, que são plastos coloridos que armazenam 
pigmentos, e leucoplastos, que são plastos incolores que 
armazenam substâncias nutritivas, como os amiloplastos 
(amido), os oleoplastos (óleos) e os proteoplastos (proteí­
nas). Os plastos participam da fotossíntese (cromoplastos) e 
armazenam substâncias nutritivas (leucoplastos).
plastos pigmentos cor
cloroplastos clorofila verde
xantoplastos xantofila amarelo
eritroplastos eritrofila vermelho
cianoplastos cianofila azul
feoplastos feofila parda
Os cloroplastos são orgânulos citoplasmáticos discoides 
que possuem duas membranas envolventes e diversas 
membranas internas que formam pequenas bolsas dis­
coidais e achatadas denominadas tilacoides. Os tilacoides 
se organizam uns sobre os outros e formam estruturas ci­
líndricas semelhantes a pilhas. Cada pilha é um granum, 
palavra do latim que significa “grão”. O espaço interno do 
cloroplasto é preenchido por um fluido viscoso chamado 
estroma, que corresponde à matriz das mitocôndrias e con­
tém DNA, enzimas e ribossomos. Observe a estrutura do 
cloroplasto na figura a seguir. 
disposição do cloRoplasto na célula vegetal e detalhes da sua estRutuRa.
1.9. Centríolos
Os centríolos são estruturas citoplasmáticas que estão pre­
sentes na maioria dos organismos eucariontes, não ocor­
rendo nos vegetais superiores, nos fungos complexos e nos 
nematoides. O centríolo é um cilindro, cuja parede é for­
mada por nove conjuntos de três microtúbulos. Em geral, 
eles ocorrem aos pares nas células. Os centríolos são des-
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providos de membrana e são constituídos por túbulos 
de natureza proteica (tubulina). Os centríolos dão origem a 
estruturas locomotoras denominadas cílios e flagelos, que 
diferem entre si quanto ao comprimento e número por cé­
lula. Os flagelos são longos, pouco numerosos e executam 
ondulações que se propagam da base em direção à extre­
midade livre. Além disso, os flagelos possuem um eixo de 
sustentação formado pelos centríolos chamado axonema, 
que é envolvido por uma membrana lipoproteica. Os cílios 
são curtos, muito numerosos e executam um movimento 
semelhante ao de um chicote, com a altíssima frequência 
de 10 a 40 batimentos por segundo.
1.9.1. Função dos centríolos
 § Orientar a divisão celular, pois originam uma estrutura 
denominada fuso mitótico, em que se prendem os cro­
mossomos.
 § Originar cílios e flagelos – locomoção da célula, mo­
vimentação de líquido extracelular e limpeza das vias 
respiratórias. Os flagelos trabalham como chicotes que 
puxam ou empurram o organismo pela água. Os cí­
lios trabalham como remos (o paramécio tem, em sua 
superfície exterior, 17 mil cílios que remam dando­lhe 
movimento). A primeira figura abaixo mostra a ultraes­
trutura do centríolo, e a segunda figura apresenta a es­
trutura do axonema em um corte transversal da cauda 
do espermatozoide.
Centríolos
Movimentos por batimento dos cílios
Deslocamento por batimento de �agelos
Centríolos
os centRíolos foRmadoRes de cílios e flagelos e os difeRentes 
tipos de movimentos Realizados poR essas estRutuRas.
http://mundobiologico-geRal.blogspot.com.bR/p/citologia.html
Bainha central
Membrana
Microtúbulos
Filamento
secundárioBraços
Fibrilas
centrais
Membrana
 ciliar ou
 �agelar
Membrana
plasmática
Placa
basal
Corpúsculo
basal
 
Bainha central
Membrana
Microtúbulos
Filamento
secundárioBraços
Fibrilas
centrais
Membrana
 ciliar ou
 �agelar
Membrana
plasmática
Placa
basal
Corpúsculo
basal
estRutuRa de cílios e flagelos.
fonte: Youtube
Citologia: Célula Animal e Celula Vegetal.
multimídia: vídeo
1.10. Filamentos intermediários
O citoplasma de uma célula eucariótica é sustentado e or­
ganizado por um citoesqueleto de filamentos intermediá­
rios, microtúbulos e filamentos de actina. Os filamentos in­
termediários são polímeros estáveis de proteínas fibrosas, 
em forma de corda, que conferem resistência mecânica às 
células. Alguns tipos revestem internamente a membrana 
nuclear formando a lâmina nuclear; outros estão distribu­
ídos por todo o citoplasma. Observe o esquema a seguir:
Membrana
Plasmática
 Retículo
endoplasmático
Ribossomos
Micro�lamentos
 e �lamentos
 intermediários
microtúbulo
mitocôndria
componentes do citoesqueleto demonstRando seu 
papel na sustentação da foRma celulaR
http://www.estudopRatico.com.bR/citoesqueleto-funcao-e-componentes/
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VIVENCIANDO
FILAMENTOS INTERMEDIÁRIOS
25 µm
25 µm
MICROTÚBULOS
25 µm
25 µm
FILAMENTOS DE ACTINA
25 µm
25 µm
estRutuRa de componentes do citoesqueleto e sua disposição na célula.
1.11. Microtúbulos
Os microtúbulos são tubos rígidos e ocos formados pela 
polimerização de subunidades diméricas da proteína tubu­
lina. São estruturas polarizadas com uma extremidade ne­
gativa (–), de crescimento mais lento, e uma extremidade 
positiva (+), de crescimento mais rápido. Os microtúbulos 
se concentram em centros organizadores, como o centros­
somo, a região organizadora de microtúbulos, onde estão 
localizados os centríolos, e crescem centrifugamente.
As extremidades negativas permanecem imersas no centro 
organizador. Na célula, diversos microtúbulos se mantêm 
em um estado dinâmico lábil, no qual alternam entre um 
estado de crescimento e um de retração. Essas transições, 
conhecidas como instabilidade dinâmica, são controladas 
pela hidrólise da ATP ligada aos dímeros de tubulina.
FILAMENTOS INTERMEDIÁRIOS
25 µm
25 µm
MICROTÚBULOS
25 µm
25 µm
FILAMENTOS DE ACTINA
25 µm
25 µm
Cada dímero de tubulina possui uma molécula de ATP 
firmemente ligada, que é hidrolisada a ADP, depois que a 
tubulina se organiza em microtúbulo. A hidrólise da ATP 
reduz a afinidade da subunidade por sua vizinha e diminui 
a estabilidade do polímero, ocasionando sua desagrega­
ção. Os microtúbulos podem ser estabilizados por proteí­
nas que capturam a extremidade positiva, um processo que 
influencia a posição do feixe de microtúbulos dentro de 
uma célula. As células possuem muitas proteínas associa­
das a microtúbulos, que os estabilizam, ligando­os a outros 
componentes celulares e utilizando­os para funções espe­
cíficas. As quinesinas e as dineínas são proteínas motoras 
que usam a energia de hidrólise da ATP para se deslocar 
Com a compreensão do papel de cada organela dentro de uma unidade celular, tornou­se possível elucidar a 
causa de algumas doenças que acometem os seres vivos, como os problemas com os lisossomos.
O desenvolvimento da genética na prática médica tem provocado impacto na compreensão, no diagnóstico e 
mesmo no tratamento de diversas condições pediátricas nas últimas décadas. Tecnologias recentes têm sido dis­
ponibilizadas no campo terapêutico das doençaslisossômicas (DL), condições consideradas uma causa importante 
de doença pediátrica neurodegenerativa. Trata­se de um modelo único para a condução de pesquisas que podem 
levar ao desenvolvimento e monitoramento de terapias restauradoras ou modificadoras do curso natural da doença.
O termo “doenças lisossômicas” (DL) foi introduzido por Hers (1965) ao explicar a patogênese da doença de Pom­
pe, glicogenose tipo II, DL causada pela atividade deficiente da enzima α­1,4­glicosidase, localizada nos lisossomos. 
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s CONEXÃO ENTRE DISCIPLINAS
unidirecionalmente ao longo dos microtúbulos. Elas trans­
portam organelas membranosas e outras estruturas e, des­
sa maneira, mantêm a organização espacial do citoplasma.
Os cílios e flagelos eucarióticos são formados por um feixe 
de microtúbulos estáveis. Seu batimento é consequência 
da flexão dos microtúbulos, comandada por uma proteína 
motora denominada dineína ciliar. Os filamentos de acti­
na são polímeros helicoidais de moléculas de actina. Eles 
são mais flexíveis dos que os microtúbulos e encontrados 
com frequência formando feixes ou redes associados com 
a membrana plasmática.
1.12. Filamentos de actina
Os filamentos de actina são estruturas polarizadas, conten­
do uma extremidade de crescimento rápido e uma de cres­
cimento lento; sua montagem e desmontagem são contro­
ladas pela hidrólise da ATP que está firmemente ligada a 
cada um dos monômeros de actina.
FILAMENTOS INTERMEDIÁRIOS
25 µm
25 µm
MICROTÚBULOS
25 µm
25 µm
FILAMENTOS DE ACTINA
25 µm
25 µm
As diferentes formas e funções dos filamentos de actina 
nas células dependem de múltiplas proteínas ligadoras de 
actina. Essas proteínas controlam a polimerização dos fila­
mentos e as ligações cruzadas entre eles, formando redes 
frouxas ou feixes rígidos, ligam­nos às membranas ou os 
deslocam uns em relação aos outros.
As miosinas são proteínas motoras que usam a energia de 
hidrólise da ATP para se deslocar sobre os filamentos de ac­
tina; elas podem transportar organelas ao longo dos trilhos 
de filamentos ou permitir o deslizamento dos filamentos, uns 
sobre os outros, nos feixes contráteis. Uma rede de filamen­
tos de actina forma, sob a membrana plasmática, o córtex 
celular, que é responsável pela forma e pelo movimento da 
superfície celular, incluindo os movimentos envolvidos com o 
deslocamento de uma célula sobre uma superfície, como a 
diapedese e mesmo com a formação de pseudópodos. A 
contração muscular depende do deslizamento dos filamen­
tos de actina, comandado pelo movimento repetitivo das 
cabeças de miosina. A contração é iniciada pelo aumento 
súbito dos níveis de Ca2+ citosólico, o que libera, via prote­
ínas ligadoras de Ca2+, um sinal para o aparelho contrátil.
http://www.sobiologia.com.br/conteudos/Citologia/
cito15.php
multimídia: site
A compreensão da atividade das organelas presentes no hialoplasma, como os peroxissomos, envolve 
princípios químicos, como oxidação, redução e radicais livres. A catalase, enzima presente nos peroxisso­
mos, decompõe o peróxido de hidrogénio (H2O2), de acordo com a reação química 2H2O2 → 2H2O + O2.
O peróxido de hidrogênio é uma molécula oxidante (recebe elétrons durante uma reação química de 
outro composto); assim, ele é capaz de reagir com o DNA, o que pode produzir mutações no material 
genético. Dessa forma, o peroxissomo tem a função de destruir essas substâncias e proteger o DNA de 
possíveis danos. 
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ÁREAS DE CONHECIMENTO DO ENEM
HABILIDADE 14
Identificar padrões em fenômenos e processos vitais dos organismos, como manutenção do equilíbrio 
interno, defesa, relações com o ambiente, sexualidade, entre outros.
O tema das organelas celulares sempre aparece no Enem. É importante saber relacionar a organela à sua 
função correspondente para o funcionamento celular.
MODELO 1
(Enem) As proteínas de uma célula eucariótica possuem peptídeos sinais, que são sequências de aminoácidos 
responsáveis pelo seu endereçamento para as diferentes organelas, de acordo com suas funções. Um pesqui­
sador desenvolveu uma nanopartícula capaz de carregar proteínas para dentro de tipos celulares específicos. 
Agora, ele quer saber se uma nanopartícula carregada com uma proteína bloqueadora do ciclo de Krebs in 
vitro é capaz de exercer sua atividade em uma célula cancerosa, podendo cortar o aporte energético e destruir 
essas células.
Ao escolher essa proteína bloqueadora para carregar as nanopartículas, o pesquisador deve levar em conta um 
peptídeo sinal de endereçamento para qual organela?
a) Núcleo.
b) Mitocôndria.
c) Peroxissomo.
d) Complexo golgiense.
e) Retículo endoplasmático.
ANÁLISE EXPOSITIVA
O ciclo de Krebs é uma das etapas da respiração celular. Esse processo tem como função produzir nas 
células energia na forma de ATP (adenosina trifosfato). A organela presente em células eucariontes, res­
ponsável por essa síntese de energia e onde ocorre o ciclo de Krebs, é a mitocôndria.
RESPOSTA Alternativa B
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DIAGRAMA DE IDEIAS
ORGANELAS 
CITOPLASMÁTICAS
DIGESTIVO
RUGOSO
VEGETAIS
CLOROPLASTO
• CÉLULA VEGETAL
• FOTOSSÍNTESE
MITOCÔNDRIA
• SÍNTESE DE ENERGIA 
NA FORMA DE ATP
• RESPIRAÇÃO AERÓBIA
PEROXISSOMO
• CONVERTER PERÓXIDO 
DE HIDROGÊNIO EM 
ÁGUA E OXIGÊNIO
CENTRÍOLOCOMPLEXO DE GOLGI
• DIVISÃO CELULAR
• CÍLIOS E FLAGELOS
• AUSENTE EM 
CÉLULAS VEGETAIS
DIGESTÃO 
CELULAR
LISOSSOMO
• AUTOFAGIA
• HETEROFAGIA
• AUTÓLISE
RIBOSSOMO
• SÍNTESE 
PROTEICA
PULSÁTIL
VACÚOLO
• PROTOZOÁRIOS 
DE ÁGUA DOCE
• OSMORREGULAÇÃO
FILAMENTOS IN TERMEDIÁRIOS
MICROTÚBULOS:
FILAMENTOS DE ACTINA:
CITOESQUELETO
• RESISTÊNCIA MECÂNICA
• FORMADOS POR TUBULINA 
• FORMAM CÍLIOS E FLAGELOS
• CONTRAÇÃO MUSCULAR
• FORMAÇÃO DE PSEUDÓPODOS 
LISO
RETÍCULO 
ENDOPLASMÁTICO
• SÍNTESE E TRANSPORTE 
DE LIPÍDEOS
• DESINTOXICAÇÃO 
DO ORGANISMO
• CÉLULAS FAGOCITÁRIAS
• SÍNTESE E TRANSPORTE 
DE PROTEÍNAS
• ARMAZENAMENTO 
DE SUBSTÂNCIAS
• CONTROLE OSMÓTICO
• SECREÇÃO DE 
ENZIMAS DIGESTIVAS
• ACROSSOMO
• LAMELA MÉDIA 
(CÉLULA VEGETAL)
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1. Introdução
O Núcleo é uma estrutura celular que abriga o DNA das cé­
lulas eucariotas. O núcleo é delimitado por uma membrana 
chamada envoltório nuclear. Durante a divisão celular, esse 
evoltório nuclear é desfeito, de modo que o material gené­
tico pode ser dividido entre as células­filhas. Quando uma 
célula não está passando por divisão celular, dizemos que 
ela se encontra em interfase. Observe na figura a seguir 
os componentes do núcleo interfásico: 
Carioplasma
Carioteca
Eucromatina
Heterocromatina
Poro
Nucléolo
Envoltório 
nuclear
composição do núcleo celulaR duRante a inteRfase
1. O envoltório nuclear 
e o nucleoplasma
O envoltório nuclear, também denominado envelope nu­
clear ou carioteca, é constituído por uma dupla membrana 
com duas lâminas (externa e interna) separadas pelo espa­
ço perinuclear e providas de uma série de poros. De natu­
reza lipoproteica, o envoltório está em continuidade com o 
retículo endoplasmático, do qual é uma diferenciação. Os 
poros do envoltório intervêm na regulação das trocas entre 
o núcleo e o citoplasma. Dessa forma, quanto maior for a 
atividade metabólica de uma célula, maior será a quan­
tidade de poros. No interior do envoltório, encontra­se o 
nucleoplasma ou carioplasma, um gel proteico cujas pro­
priedades são comparáveis às do hialoplasma; nele estão 
imersos o nucléolo e a cromatina.
2. O nucléolo
Nucléolos são regiões intranucleares ricas em RNA ribos­
sômico. Por meio do microscópio eletrônico, é possível 
verificar que os nucléolos não são envolvidos por membra­
nas. Uma importante função do nucléolo é a produção 
do RNA ribossômico, por isso é bastantedesenvolvido 
nas células com intensa síntese proteica. No início da divi­
são celular, os cromossomos começam a se condensar, e 
consequentemente a produção de RNAs, inclusive RNA ri­
bossômico, é pausada. Por isso, é possível observar através 
de microscópios que, durante o inicio da divisão celular, os 
nucléolos vão se reduzindo conforme os cromossomos se 
condensam, sendo reconstituídos no fim da divisão a partir 
da expressão de genes chamados RON’s, isto é, regiões 
organizadoras do nucléolo, localizados em cromossomos 
específicos, que são conhecidos como cromossomos orga­
nizadores nucleolares. 
fonte: Youtube
Replicação e Compactação do DNA 
(3D Animation Legendado)
multimídia: vídeo
3. A cromatina
É no interior do núcleo, nos eucariontes, que se localiza o 
material genético. No núcleo interfásico, o material gené­
tico está descondensado, e se organiza como um amonto­
ado de grânulos e filamentos dificilmente observáveis ao 
microscópio óptico. Esse conjunto de material genético in­
terfásico é chamado de cromatina. A cromatina é compos­
ta de longos filamentos, que se apresentam distendidos ou 
enrolados helicoidalmente. As porções enroladas são cha­
madas de condensadas, e as distendidas, de descondensa­
das. O material genético é constituído por DNA e proteínas 
básicas, denominadas histonas.
NÚCLEO
COMPETÊNCIA(s)
4
HABILIDADE(s)
13 e 14
CN AULAS 13 E 14
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Em relação à estrutura e função, a cromatina é classificada 
em: eucromatina e heterocromatina, como é possível ob­
servar na figura a seguir. A eucromatina aparece descon­
densada na interfase, condensando­se progressivamente 
durante a divisão celular, sendo geneticamente ativa, isto 
é, capaz de produzir o RNA mensageiro. No estágio in­
terfásico, a heterocromatina se apresenta condensada, 
formando grânulos conhecidos como cromocentros, sendo 
chamada de inativa por não produzir o RNA mensageiro.
as distensões de cRomatina: heteRocRomatina (inativa) e eucRomatina (ativa).
fonte: Youtube
Citologia – Componentes celulares
multimídia: vídeo
4. Número e tamanho
Em geral, as células não possuem mais do que um núcleo, 
embora existam células binucleadas, como as do fígado e 
as cartilaginosas, e plurinucleadas, como é o caso das mus­
culares estriadas. O tamanho do núcleo varia de um tipo 
celular a outro, mas é único para o mesmo tipo. O volume 
do núcleo interfásico é proporcional ao volume celular, o 
que é expresso pela denominada relação nucleoplasmática 
(RNP), que pode ser assim expressa:
Na célula jovem, o núcleo é volumoso e a RNP é elevada. Du­
rante o crescimento celular, a RNP diminui, pois o volume cito­
plasmático aumenta e o nuclear permanece inalterado. Quan­
do a RNP atinge certo valor mínimo e crítico, a célula se divide.
5. A função do núcleo
A principal função do material genético (que está presente 
no núcleo) é controlar e regular todas as atividades metabóli­
cas da célula. A sua importância na vida da célula pode ser 
evidenciada com uma experiência clássica, conhecida como 
merotomia. Uma ameba é cortada em dois fragmentos: um 
nucleado e outro anucleado. O primeiro, nucleado, sobrevive, 
e o segundo, devido à falta do material genético, degenera.
6. A estrutura cromossômica
Cada cromossomo é formado por uma única molécula 
de DNA associada a proteínas, cujo conjunto forma uma 
complexa estrutura denominada cromatina. Examinada ao 
microscópio eletrônico, a cromatina se apresenta sob a for­
ma de um filamento helicoidal, com 30 nm de espessura. 
Quando distendido, esse filamento passa a ter 11 nm de 
espessura, com uma estrutura semelhante a um colar de 
contas. Assim, as contas são representadas pelos nucleos­
somos, e o fio, pela molécula de DNA, com 2 nm de espes­
sura. Cada nucleossomo é formado por um octâmero, 
constituído por quatro pares de moléculas proteicas, de­
nominadas histonas. Observe na ilustração a seguir o ciclo 
cromossômico de condensação:
a foRmação do cRomossomo a paRtiR da molécula de dna.
6.1. A forma do cromossomo
Em um cromossomo condensado existe uma região estran­
gulada que o divide em duas partes: os braços. Denomina­
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VIVENCIANDO
da constrição primária ou centrômero, essa região é 
útil para a fixação do cromossomo nas fibras do fuso durante 
a mitose. Além da constrição primária, certos cromossomos 
possuem estreitamentos que aparecem sempre no mesmo 
lugar, são as constrições secundárias. O estudo do processo 
de reorganização nucleolar demonstrou que as constrições 
secundárias possuem uma região denominada Zona Sat, sa­
télite ou região organizadora do nucléolo. 
Em certos cromossomos, é possível observar na extremidade 
de um dos braços uma pequena esfera presa por fina trabé­
cula: trata­se do satélite. As extremidades dos cromossomos 
são denominadas telômeros e os protegem e finalizam.
caRacteRização de um tipo de cRomossomo.
De acordo com a localização do centrômero e o tamanho rela­
tivo dos braços, distinguem­se quatro tipos de cromossomos: 
acrocêntrico, submetacêntrico, metacêntrico e telocêntrico.
tipos de cRomossomo
 § Telocêntrico – cromossomo com centrômero terminal.
 § Acrocêntrico – cromossomo com centrômero sub­
terminal, ou seja, situado quase na extremidade do 
cromossomo, dividindo­o em dois braços, um grande e 
outro muito pequeno.
 § Submetacêntrico – cromossomo com centrômero 
submediano, dividindo o cromossomo em dois braços 
desiguais, um menor e outro ligeiramente maior.
 § Metacêntrico – cromossomo com centrômero me­
diano, dividindo o cromossomo em dois braços iguais.
7. A duplicação dos cromossomos
A duplicação cromossômica é realizada longitudinalmente 
e ocorre no período S da interfase, sendo determinada 
pela replicação do DNA. 
Depois da duplicação, cada cromossomo apresenta­se dividi­
do em duas metades denominadas cromátides, unidas pelo 
centrômero que permanece indiviso, isto é, sem se dividir.
cRomátides: distintas em cRomossomo duplicado.
Por meio do estudo do núcleo, ou seja, por meio da contagem do número de cromossomos presentes no núcleo 
de uma determinada célula, é possível determinar uma espécie do ponto de vista molecular. Assim, seres vivos 
que eram considerados da mesma espécie pela classificação morfofisiológica foram realocados em grupos dis­
tintos depois de uma análise genética detalhada dos componentes nucleares.
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CONEXÃO ENTRE DISCIPLINAS
8. O número de cromossomos 
e a ploidia
A ploidia indica a quantidade de conjuntos cromossômi­
cos que uma célula possui. 
A célula que possui apenas um conjunto simples de cro­
mossomos é denominada haploide, ou seja, tem apenas 
um único exemplar de cada tipo de cromossomo. Também 
é possível afirmar que apresenta somente um genoma, 
que é o conjunto das moléculas de DNA que a célula pos­
sui. Lembre­se de que uma molécula de DNA é equivalente 
geneticamente a um cromossomo. 
A célula diploide possui dois conjuntos de cromossomos, 
ou pares de homólogos ou, ainda, dois genomas. O geno­
ma é representado por (n).
As células humanas são diploides e possuem 46 cromos­
somos ou moléculas de DNA. Dessa forma, deve ser identi­
ficada assim: 2n = 46, por possuir dois genomas, uma vez 
que são diploides, totalizando 46 cromossomos. Observe o 
exemplo a seguir:
caRacteRização de diploidia e haploidia.
9. O cariótipo
O número, o tamanho e a forma dos cromossomos dos in­
divíduos de uma mesma espécie não variam. Esse conjunto 
de características ou constantes cromossômicas é denomi­
nado cariótipo. O exame do cariótipo, também chamado de 
cariotipagem, é realizado durante a uma etapa da divisão 
celular chamada de metáfase, quando os cromossomos 
são mais visíveis por estarem condensados ao máximo. 
Para análise do cariótipo, fotografa­se a célula em metáfa­
se,recortando­se os cromossomos, que são arrumados em 
ordem de tamanho decrescente. A cariotipagem humana, 
por exemplo, é realizada com células cultivadas em labora­
tório e obtidas por biópsia de medula óssea, pele, testículos 
e sangue. Espécies diferentes possuem cariótipos distintos. 
Observe a seguir a ilustração do cariótipo humano:
caRiótipo humano masculino (xY)
Em relação à dinâmica da ativação e desativação dos genes, é fundamental conhecer grupos químicos 
orgânicos, como o metil e o acetil. Além disso, também é importante possuir conhecimentos sobre 
ligações químicas.
Histonas acetiladas representam um tipo de marco epigenético dentro da cromatina. As ligações dos grupos 
acetil possuem uma carga negativa, neutralizando a carga positiva característica das histonas, reduzindo 
assim a interação das histonas com os grupos fosfato negativamente carregados do DNA. Em consequência, 
a cromatina é descondensada, permintindo maiores níveis de transcrição de genes. Esse descondensamento 
pode ser revertido pela atividade de enzimas deacetiladoras e enzimas metiladoras. A ação de metilação é 
indireta e não tem efeito sobre as cargas, porém, está relacionada com a condensação de genes e consequen­
temente com uma queda da transcrição gênica.
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Os cromossomos humanos
Em 1921, Theophilus Painter, observando ao micros-
cópio finos cortes de testículos humanos, contou, 
pela primeira vez, 48 cromossomos. A experiência 
foi confirmada por observações de outros biólogos 
e durante 35 anos o número 48 sempre foi citado e 
adotado. Em 1955, Tijo e Levan, utilizando técnicas 
mais aprimoradas, constataram a existência de 46 
cromossomos. http://www.sobiologia.com.br/conteudos/Citologia2/
nucleo.php
multimídia: site
ÁREAS DE CONHECIMENTO DO ENEM
HABILIDADE 13
Reconhecer mecanismos de transmissão da vida, prevendo ou explicando a manifestação de características 
dos seres vivos.
Dentro do núcleo das células eucarióticas, os cromossomos podem estar organizados de diferentes maneiras. 
Para a resolução dessa questão, é fundamental entender o conceito de ploidia e cariótipo, de acordo com o 
número e com a quantidade de pares de cromossomos. Além disso, o conhecimento sobre divisão celular, que 
é assunto das próximas aulas, também auxiliará na resolução.
MODELO 1
(Enem) Quando adquirimos frutas no comércio, observamos com mais frequência frutas sem ou com poucas 
sementes. Essas frutas têm grande apelo comercial e são preferidas por uma parcela cada vez maior da po­
pulação. Em plantas que normalmente são diploides, isto é, apresentam dois cromossomos de cada par, uma 
das maneiras de produzir frutas sem sementes é gerar plantas com uma ploidia diferente de dois, geralmente 
triploide. Uma das técnicas de produção dessas plantas triploides é a geração de uma planta tetraploide (com 
4 conjuntos de cromossomos), que produz gametas diploides e promove a reprodução dessa planta com uma 
planta diploide normal.
A planta triploide oriunda desse cruzamento apresentará uma grande dificuldade de gerar gametas viáveis, 
pois como a segregação dos cromossomos homólogos na meiose I é aleatória e independente, espera­se que:
a) os gametas gerados sejam diploides;
b) as cromátides­irmãs sejam separadas ao final desse evento;
c) o número de cromossomos encontrados no gameta seja 23;
d) um cromossomo de cada par seja direcionado para uma célula­filha;
e) um gameta raramente terá o número correto de cromossomos da espécie.
ANÁLISE EXPOSITIVA
A ploidia se refere à maneira como os cromossomos se organizam nas células. Quando estão individuais, afir­
ma­se que as células são haploides; quando estão em pares, diploides; em trio, triploides; e assim por diante. 
Um organismo que é naturalmente diploide geralmente produz gametas haploides. Portanto, o gameta desse 
organismo triploide raramente terá o número de cromossomos da espécie, pois, durante a divisão meiótica, os 
cromossomos vão se separar de diferentes maneiras.
RESPOSTA Alternativa E
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DIAGRAMA DE IDEIAS
NÚCLEO CELULAR
CARIOPLASMA
• GEL PROTEICO 
ONDE SE ENCONTRA 
O NUCLÉOLO E 
A CROMATINA
NUCLÉOLO
CROMATINA
• PRODUZ RNAR
• REGIÃO DESCONDENSADA E ATIVA
DO DNA 
• PRODUZ RNA MENSAGEIRO
• REGIÃO CONDENSADA E INATIVA 
DO DNA
• NÃO PRODUZ RNA MENSAGEIRO
EUCROMATINA HETEROCROMATINA
RELAÇÃO 
NUCLEOPLAS-
MÁTICA
VOLUME NUCLEAR 
VOLUME CELULAR ­ 
VOLUME NUCLEAR
CARIOTECA
• MEMBRANA 
NUCLEAR
• POROS QUE 
CONTROLAM A 
ENTRADA E A SAÍDA 
DAS SUBSTÂNCIAS
CROMOSSOMO 
DNA condensado
HAPLOIDE 
(N = 3)
DIPLOIDE
(2N = 6)
• TELOCÊNTRICO
• ACROCÊNTRICO
• SUBMETACÊNTRICO
• METACÊNTRICO
• BRAÇO
• CENTRÔMERO
• SATÉLITE
• TELÔMERO
PLOIDIA
PARES HOMÓLOGOS
 (CROMOSSOMOS HOMÓLOGOS)
TIPO ESTRUTURA BÁSICA
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1. Ciclo celular e mitose
A maioria das células realiza um ciclo celular que consiste 
num programa para o crescimento, a divisão e a prolifera­
ção celular. O ciclo compreende duas etapas: interfase e 
mitose ou divisão celular. A interfase é o intervalo entre 
as divisões, durante o qual ocorre o crescimento da célula. 
A análise de um tecido com células em divisão, como a 
extremidade de uma raiz, pode mostrar que a maioria das 
células se encontra em interfase; somente uma pequena 
porcentagem aparece em divisão.
1.1. A interfase
Na interfase, são identificadas três fases: G1, S e G2.
A fase G1 (do inglês gap, que significa “intervalo”) é ca­
racterizada por dois processos: crescimento e diferencia­
ção. Nessa fase, ocorre a síntese de proteínas, processo 
que depende da atividade dos genes. Cada cromossomo 
aparece descondensado e constituído por uma molécula 
de DNA, em que estão contidos os genes. Cada gene, ao 
entrar em atividade, realiza a transcrição, isto é, sintetiza 
uma molécula de RNA mensageiro, cuja função é trans­
mitir aos ribossomos a informação genética necessária à 
síntese de proteínas estruturais e reguladoras. As proteínas 
estruturais atuam na edificação das estruturas celulares; as 
reguladoras são as enzimas que ativam o metabolismo ce­
lular. Por meio desses processos, ocorrem o crescimento e 
a diferenciação da célula. Durante a diferenciação, a célula 
sofre importantes transformações estruturais e morfológi­
cas, adaptando­se a exercer uma função específica.
Em S (S de síntese), ocorre a síntese de DNA, que permite 
a replicação da molécula e a consequente duplicação dos 
filamentos de cromatina. Nessa fase, cada filamento ou 
molécula de DNA aparece constituído por duas cromátides 
unidas pelo centrômero.
Durante a fase G2, em menor escala, a célula novamente 
cresce e sintetiza proteínas necessárias para a divisão ce­
lular, como os microtúbulos que formarão o fuso mitótico. 
Em seguida, a célula entra em M, etapa que corresponde 
à divisão celular ou mitose. Ocasionalmente, a célula pode 
sair de G1 e entrar em G0, fase na qual o metabolismo 
celular é relativamente estável e não ocorre crescimento. 
Células musculares e nervosas que não se dividem estão 
constantemente em G0.
Observe na figura a seguir o ciclo celular e um destaque 
da interfase:
vaRiação da quantidade de cRomossomos duRante a inteRfase e a divisão celulaR.
1.2. O controle do ciclo celular
O ciclo celular é regulado pela ativação e desativação de um 
sistema de controle complexo formado por duas proteínas: 
a quinase dependente da ciclina (Cdk), e a ciclina. A Cdk 
deve associar­se à ciclina para ser ativada e iniciar o ciclo. A 
cada ciclo celular, as ciclinas são sintetizadas e usadas para 
ativar as Cdk. Atualmente são conhecidas duas ciclinas: a 
ciclina de fase S, que desencadeia a duplicação do DNA, e a 
ciclina mitótica, que promove o início da mitose (M).
Danos irreversíveis no material genético (DNA) podem des­
controlaro ciclo celular e ativar mecanismos que ocasio­
nam a morte celular programada, fenômeno denominado 
apoptose. Células em G0 não sintetizam ciclinas. Em cé­
lulas cancerosas, a síntese dessas proteínas é intensa, pois 
nessa situação há uma elevada proliferação celular.
1.3. Características e funções da mitose
A mitose é o processo de divisão celular que possibilita a 
distribuição dos cromossomos e dos constituintes citoplas­
máticos da célula­mãe entre as duas células­filhas. Trata­se 
DIVISÃO CELULAR: 
MITOSE
COMPETÊNCIA(s)
4
HABILIDADE(s)
13 e 14
CN AULAS 15 E 16
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do processo responsável pela multiplicação dos organis­
mos unicelulares e pelo crescimento e regeneração dos 
pluricelulares devido ao aumento do número de células. A 
mitose possui duas etapas: a cariocinese, ou divisão do 
material genético do núcleo, e a citocinese, ou divisão do 
citoplasma. A cariocinese é um processo contínuo; contu­
do, para efeito didático, é dividido em quatro fases: prófa-
se, metáfase, anáfase e telófase. Observe o esquema 
na figura a seguir:
-
o ciclo celulaR com destaque paRa as fases da mitose.
 § Prófase: nessa fase, cada cromossomo é constituí­
do por duas cromátides resultantes da duplicação do 
DNA no período S da interfase. As cromátides são 
unidas pelos filamentos do centrômero. A prófase se 
caracteriza por apresentar DNA e centríolos duplica­
dos, além da espiralização ou do condensamento dos 
cromossomos, que se tornam mais curtos e grossos 
devido ao processo de helicoidização. Os nucléolos se 
desorganizam, e os centríolos, que foram duplicados 
durante a interfase, migram para polos opostos da cé­
lula. O citoesqueleto se desorganiza e seus elementos 
vão se tornar o principal componente do fuso mitótico 
que inicia sua formação do lado de fora do núcleo. O 
fuso mitótico é uma estrutura bipolar constituída 
por microtúbulos e proteínas associadas. O estágio 
final da prófase, também chamado de pré­metáfase, 
tem como principal característica o desmembramen­
to do envoltório nuclear em pequenas vesículas que 
se espalham pelo citoplasma. O fuso é formado por 
microtúbulos ancorados nos centríolos que crescem 
em todas as direções. Quando os microtúbulos dos 
centrossomos opostos interagem na zona de sobre­
posição, proteínas especializadas estabilizam o seu 
crescimento. Os cinetócoros dos centrômeros ligam­
­se na extremidade de crescimento dos microtúbulos. 
Assim, o fuso entra na região nuclear e tem início o 
alinhamento dos cromossomos para o plano equato­
rial, como é possível observar na figura a seguir:
alteRações no núcleo e na estRutuRa dos cRomossomos que maRcam a pRófase
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fonte: Youtube
Já pensou em aprender Mitose assim?
multimídia: vídeo
Em seguida, graças ao alongamento das fibras de um 
áster, aparentemente os dois centros celulares são 
empurrados para polos opostos da célula, motivo pelo 
qual passam a ser chamados de fibras polares.
Na anáfase, a tarefa do fuso mitótico é conduzir os 
cromossomos para polos opostos.
No centrômero de cada cromossomo duplicado, duas 
estruturas especializadas, denominadas cinetócoros – 
outro centro organizador de microtúbulos – são orien-
tadas em direções opostas.
Depois de organizados pelo cinetócoro, os microtúbu-
los passam a ser denominados fibras cromossômicas 
ou cinetocóricas, que vão aparecer na prometáfase.
As fibras cromossômicas também fazem parte do 
fuso mitótico. O fuso mitótico, portanto, é formado 
pelas fibras polares e do áster, organizadas pelos 
centros celulares, e pelas fibras cromossômicas, or-
ganizadas pelos cinetócoros.
 § Metáfase: nessa fase, os cromossomos duplos ocupam 
o plano equatorial do aparelho mitótico. Os cromosso­
mos adotam uma orientação radial, constituindo a placa 
equatorial. Os cinetócoros das duas cromátides estão 
voltados para os polos opostos. Ocorre um equilíbrio de 
forças. É momento de maior condensação dos cromos­
somos. 
CENTROSSOMO
CROMOSSOMOS CINETÓCORO
MICROTÚBULOS LIVRES
MICROTÚBULOS POLARES
MICROTÚBULOS 
DO CINETÓCORO
a metáfase é maRcada pelo alinhamento dos cRomossomos na Região equatoRial da célula.
 § Anáfase: essa fase tem início quando os centrômeros se tornam funcionalmente duplos. Com a separação dos centrômeros, 
as cromátides se separam e iniciam sua migração em direção aos polos. O centrômero precede o resto da cromátide. Os 
cromossomos são puxados pelas fibras do fuso e assumem um formato característico em V ou L, dependendo do tipo de cro­
mossomo. A anáfase se caracteriza pela migração polar dos cromossomos. Os cromossomos se movem na velocidade de cerca 
de 1 micrômetro por minuto. Nesse estágio, dois movimentos podem ser distinguidos: os microtúbulos cinetocóricos encurtam 
quando os cromossomos se aproximam dos polos.
Fuso mitótico
Logo no início da prófase, os microtúbulos do citoes-
queleto se desorganizam, enquanto as moléculas de 
tubulina que os compõem permanecem no citosol. 
Durante a divisão celular, essas moléculas contri-
buem com a formação dos microtúbulos que vão dar 
corpo ao fuso mitótico. Os primeiros elementos do 
fuso mitótico surgem nessa fase: as fibras do áster 
e as fibras polares. Entra em ação o centro celular 
que organiza essas fibras, esses microtúbulos, uma 
vez que essa é a região do citoplasma relacionada à 
formação do citoesqueleto.
Em cada centro celular, as fibras do áster se dispõem 
radialmente, apresentando duas estruturas. A princí-
pio, ficam dispostas lado a lado, próximas à carioteca. 
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CENTROSSOMO
CINETÓCORO
CROMOSSOMOS
MICROTÚBULOS POLARES
MICROTÚBULOS 
DO CINETÓCORO
na anáfase, os cRomossomos são sepaRados e dispostos em polos opostos.
 § Telófase: a telófase se inicia quando os cromosso­
mos­filhos alcançam os polos. Os microtúbulos cine­
tocóricos desaparecem e os microtúbulos polares se 
alongam. Os cromossomos, num processo inverso à 
profáse, passam a se desenrolar. Esses cromossomos se 
agrupam em massas de cromatina que são circunda­
das por cisternas do retículo endoplasmático, as quais 
se fundem para formar um novo envoltório nuclear.
Centríolos
Cromossomo
Núcleo
Envoltório nuclear 
em formação
Anel de actina e 
miosina contrátil
Microtúbos remanescentes
(interzonais)
na telófase, a divisão celulaR é concluída com 
a sepaRação das células-filhas.
 § Citocinese: é o processo de clivagem e separação do 
citoplasma. A citocinese tem início na anáfase e termi­
na após a telófase, com a formação das células­filhas. 
Em células animais, forma­se, na zona equatorial da 
célula­mãe, uma constrição que progride e estrangula 
o citoplasma. Essa constrição é causada pela interação 
molecular entre actina, miosina e microtúbulos. Uma 
divisão mitótica gera duas células­filhas com número 
de cromossomos igual ao da célula­mãe.
o ciclo celulaR em detalhes de cada fase componente e de sua Respectiva duRação.
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VIVENCIANDO
1.4. Variação da quantidade 
de DNA no ciclo celular
Durante o período G1 da interfase, a quantidade de DNA 
equivale ao estoque diploide de cromossomos. Durante a 
fase S, essa quantidade dobra e assim permanece em G2, 
na prófase e metáfase. Durante a anáfase, a partição dos 
cromossomos leva a quantidade de DNA nas células­filhas 
ao valor do estado diploide. Observe no gráfico a seguir a 
variação da quantidade de DNA no ciclo celular:
Prófase e metáfase
Anáfase
Telófase
TempoG1 S G2
Q
ua
nt
id
ad
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de
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Prófase até anáfase
Telófase e citocinese
na vaRiação da quantidade de mateRial genético no ciclo celulaR, note 
como, na mitose, a quantidade de dna se mantém ao final da divisão.
fonte: http://www.coladaweb.com/biologia/
biologia-celulaR/mitose-e-meiose2. A mitose e as organelas 
citoplasmáticas
Além dos cromossomos, as células­filhas herdam da cé­
lula­mãe as organelas citoplasmáticas. Organelas que se 
autoduplicam, como é o caso de cloroplastos e mitocôn­
drias, dobram a cada ciclo celular e são distribuídas pelas 
células­filhas. Os ribossomos são formados pelos nucléolos, 
e os lisossomos pelo sistema golgiense. Outras organelas 
membranosas, como o sistema golgiense e o retículo endo­
plasmático, fragmentam­se durante a divisão celular e são 
distribuídas pelas células­filhas.
3. Diferenças entre a mitose 
animal e a vegetal
Os fenômenos morfológicos da mitose descritos anterior­
mente são observados nas células animais; com efeito, o 
mesmo processo ocorre nas células vegetais, embora com 
duas diferenças fundamentais.
 § Mitose astral e anastral – na célula animal, os cen­
tríolos são envolvidos pelas fibras do áster, configuran­
do uma mitose astral. Os vegetais superiores não pos­
suem centríolos e, por isso, não formam ásteres; essa 
mitose é denominada anastral.
paRticulaRidades da mitose na célula animal 
(à esqueRda) e vegetal (à diReita).
 § Citocinese – na célula animal, a citocinese ocorre por 
estrangulamento da membrana plasmática, sendo cha­
mada de centrípeta. Nos vegetais, por sua vez, não 
ocorre o processo de estrangulamento citoplasmático, 
por isso é chamada de centrífuga.
Dentro da área de biotecnologia, o processo de mitose possui aplicação prática. 
Os avanços na criação de órgãos a partir de células­tronco, no tratamento do câncer mediante a imunoterapia 
e na exploração espacial foram algumas das principais notícias da ciência em 2013. Pela primeira vez, cientistas 
japoneses da escola de medicina da Universidade de Yokohama conseguiram reproduzir in vitro, a partir de célu­
las pluripotentes induzidas (iPS), um fragmento de fígado humano que, ao ser transplantado em ratos, funcionou 
corretamente.
fonte: <http://exame.abRil.com.bR/ciencia/pesquisa-com-celulas-tRonco-avanca-Rumo-a-cRiacao-de-oRgaos>.
Para formar esse fragmento de fígado humano, as células­tronco realizaram sucessivas mitoses para criar esse 
tecido hepático. Com efeito, trata­se apenas de uma das aplicações da mitose dentro da área de biotecnologia. 
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CONEXÃO ENTRE DISCIPLINAS
Na região equatorial, no meio do fuso, surgem vesículas 
limitadas por uma membrana. No início, as vesículas apare­
cem na região central e depois aumentam para a periferia; 
por isso, fala­se em divisão centrífuga. 
O conjunto de tais vesículas constitui o fragmoplasto. As 
vesículas se fundem, formando uma lâmina que separa as 
duas células­filhas. No interior da cavidade formada pela 
confluência de tais vesículas, acumula­se celulose, origi­
nando nova membrana esquelética.
a citocinese centRífuga da célula vegetal.
4. O controle do ciclo celular 
e a origem do câncer
As células ner vosas e musculares não se dividem e per manecem 
estacionadas no período chamado G0. equivalente à interfase, 
período de intensa atividade metabólica do ciclo celular.
Os agentes antimitóticos
Os agentes antimitóticos, também denominados inibi-
dores da mitose, compreendem radiações ou substân-
cias químicas capazes de bloquear as mitoses. Esses 
inibidores atuam principalmente sobre o DNA, o fuso e 
a citocinese.
 § Inibidores da síntese do DNA – sabe-se que a 
mitose só ocorre depois da síntese do DNA, que 
ocorre na interfase. Por esse motivo, os agentes 
que impedem a síntese do DNA atuam como an-
timitóticos. Entre os bloqueadores da síntese do 
DNA, é possível citar os raios X e a aminopterina. 
 § Inibidores do fuso mitótico – 
quando uma célula é tratada pela 
colchicina, os fenômenos mitóti-
cos se desenrolam normalmente 
até a metáfase; contudo, o fuso 
de divisão não se forma. A célula 
pode voltar a um estado interfási-
co, ficando tetraploide. O mesmo 
ocorre quando as células absor-
vem a vincalencoblastina.
 § Inibidores da citocinese – a cisteamina e a cito-
calasina inibem a divisão do citoplasma e provo-
cam a formação de células binucleadas.
Célula 2N
Colchinina
Célula 4N
O crescimento de uma colônia bacteriana ocorre por meio do processo de mitose. Para estipular o tamanho 
populacional dessa colônia ao longo do tempo, podem ser utilizadas fórmulas matemáticas.
As bactérias crescem na sequência de uma progressão geométrica em que o número de indivíduos duplica após 
um determinado período de tempo denominado tempo de geração (O). Assim, pode­se calcular o número de 
bactérias (N) depois de um número de gerações (n) por meio da equação N = NO × 2N × N0, sendo o número 
de células presentes. O número de gerações pode ser calculado como n = T/O, onde t é o tempo decorrido. 
fonte: <www.monogRafias.com/tRabaJos27/cRecimiento-bacteRiano/cRecimiento-bacteRiano.shtml>
A interfase das células que se dividem ativamente é suce­
dida pela mitose, que culmina na citocinese. A passagem 
de uma fase para outra é controlada por fatores – em geral 
proteicos – de regulação. Eles atuam nos chamados pontos 
de checagem do ciclo celular. Entre essas proteínas, desta­
cam­se as ciclinas, que controlam a passagem da fase G1 
para a fase S e a passagem da G2 para a mitose.
Caso haja alguma anomalia numa dessas fases, como um 
dano no DNA, o ciclo é interrompido até que esse dano seja 
reparado e o ciclo celular possa continuar. Caso contrário, a 
célula é conduzida à apoptose (morte celular programada).
Outro ponto de checagem é o da mitose, que promove a 
distribuição correta dos cromossomos pelas células­filhas. 
Visto que o ciclo celular é perfeitamente regulado e está 
sob controle de diversos genes, o resultado disso é a multi­
plicação e diferenciação das células que compõem os dife­
rentes tecidos do organismo. Os pontos de checagem são 
mecanismos que evitam a formação de células anômalas.
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o ciclo celulaR com destaque paRa os pontos de checagem, que contRibuem paRa evitaR a foRmação de células anoRmais.
Anomalias na regularidade do ciclo celular, descontrole da 
mitose e alterações no funcionamento de genes controla­
dores, em decorrência de mutações, sáo fatores relaciona­
dos à origem de células cancerosas.
mecanismo de foRmação de metástases, fotos 
tumoRais em difeRentes Regiões do coRpo.
Os telômeros estão relacionados a outra ocorrência que al­
tera a regularidade do ciclo celular. Trata­se de segmentos 
de moléculas de DNA com repetições de bases que atuam 
como “capas protetoras” da extremidade dos cromossomos.
Nas células humanas normais, a cada ciclo celular os telô­
meros diminuem progressivamente ao mesmo tempo que as 
extremidades dos cromossomos. Caso alcancem um limite 
mínimo de tamanho incompatível com a vida da célula, as 
divisões celulares são paralisadas e o fim da vida da célula 
é consolidado.
Graças à reposição constante de telômeros, a enzima telo­
merase – em células cancerosas – é responsável pela trans­
posição que as mantêm com o tamanho original, permitindo 
assim que as células se dividam continuamente e tornem­se 
praticamente “imortais”.
localização dos telômeRos em cRomossomo.
5. A divisão da célula bacteriana
O processo de divisão da célula bacteriana é mais simples 
do que o das eucarióticas e costuma ser chamado de bipar­
tição simples ou fissão bacteriana.
A divisão das bactérias se inicia pelo alongamento da célu­
la, seguido da duplicação de seu material genético circular. 
Em seguida, a membrana plasmática, mais interna à pare­
de celular, se invagina e cria uma região da membrana cha­
mada de mesossomo. A região do mesossomo interage 
com o DNA duplicado e auxilia na separação das duas có­
pias. A região do mesossomo migra em direção aos polos 
da bactéria, interagindo e levando cada cópia separada do 
material genético para um polo da célula bactéria. Segui­
damente, a membrana plasmática começa a se invaginar 
naregião média e separa as duas células filhas.
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ÁREAS DE CONHECIMENTO DO ENEM
HABILIDADE 13
Reconhecer mecanismos de transmissão da vida, prevendo ou explicando a manifestação de características 
dos seres vivos.
Dentro do núcleo das células eucarióticas, os cromossomos podem estar organizados de diferentes manei­
ras. Para a resolução dessa questão, é fundamental entender o conceito de ploidia e cariótipo, de acordo 
com o número e com a quantidade de pares de cromossomos. Além disso, o conhecimento sobre divisão 
celular, que é assunto das próximas aulas, também auxiliará na resolução.
MODELO 1
(Enem) Os seres vivos apresentam diferentes ciclos de vida, caracterizados pelas fases nas quais gametas são 
produzidos e pelos processos reprodutivos que resultam na geração de novos indivíduos. Considerando­se um 
modelo simplificado padrão para geração de indivíduos viáveis, a alternativa que corresponde ao observado 
em seres humanos é:
a) b)
c) d)
e)
ANÁLISE EXPOSITIVA
Os ciclos de vida podem ser haplobiontes, em que a meiose acontece depois da formação do zigoto, e os 
gametas são gerados por mitose, como ocorre em algumas algas; haplodiplobiontes, em que a meiose 
ocorre na formação de esporos, como ocorre nos vegetais; e diplobiontes, em que a meiose é gamética, 
como ocorre nos animais. Assim, o ciclo de vida que representa corretamente o ser humano é o diplobionte.
RESPOSTA Alternativa C
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DIAGRAMA DE IDEIAS
CICLO CELULAR 
E MITOSE
INTERFASE 
(PERÍODO ENTRE DUAS 
DIVISÕES CELULARES)
MITOSE
G1
PRÓFASE
METÁFASE
ANÁFASE
TELÓFASE
S
G2
G0
• CRESCIMENTO E 
DIFERENCIAÇÃO
• SÍNTESE DE PROTEÍNAS
• MIGRAÇÃO DOS CENTRÍOLOS 
PARA OS POLOS
• UNIÃO DOS CROMOSSOMOS 
AO FUSO MITÓTICO
• CROMOSSOMOS ALINHADOS 
NO PLANO EQUATORIAL
• GRAU MÁXIMO DE 
CONDENSAÇÃO
• MIGRAÇÃO DAS 
CROMÁTIDES 
PARA OS POLOS
• FORMAÇÃO DO NÚCLEO
• CARIOCINESE
• DUPLICAÇÃO DO DNA
• SÍNTESE DE PROTEÍNAS 
UTILIZADAS NA DIVISÃO
• METABOLISMO 
CELULAR CONSTANTE
• NÃO HÁ DIVISÃO
Prófase e metáfase
Anáfase
Telófase
TempoG1 S G2
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ANOTAÇÕES
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