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Aulas de Ecologia Geral e Animal 
1. Introdução ao estudo da Ecologia 
A palavra ecologia deriva do grego que significa estudo da casa. Mas de forma mais ampla esta 
refere ao estudo científico do ambiente e os seres vivos. Os ecólogos estão interessados na 
solução para problemas ambientais que passa obrigatoriamene pela ecologia. Através da 
ecologia, pode-se entender o funcionamento da natureza e as alterações neste funcionameto. 
No entanto, vale a pena salientar que ecologia é muito mais que simples ambientalismo, embora 
esta seja uma das aplicações da ecologia. 
A Ecologia é uma ciência que tem se desenvolvido muito e se torna cada vez mais importante 
nos dias atuais, uma vez que tem aumentado consideravelmente a interferência do homem 
sobre os ecossistemas. Essa interferência, em geral, provoca sérios desequilíbrios ecológicos. 
Por isso, é cada vez mais imperioso conhecer a estrutura e o funcionamento dos ecossistemas, 
a fim de se poder propor maneiras racionais de utilização dos recursos naturais sem provocar 
alterações ambientais drásticas que possam, ao longo do tempo, levar ao desaparecimento da 
vida. 
1.1. História da Ecologia 
1.1.1. Origem da Ecologia 
Assim como muitas outras ciências a ecologia foi estudada pelo filosofo grego Aristóteles. 
Aristóteles era um naturalista interessado em estudar tudo. Mas foi o seu sucessor Teofrasto 
que começou o estudo sistemático e formal do ambiente. 
Alem do Aristóteles e o Teofrasto, os primeiros ecólogos foram os nossos antepassados 
hominídeos. Se eles não soubessem como utilizar os recursos do ambiente não estaríamos aqui 
hoje. Embora o seu " estudo" do ambiente não pode ser definido como ciência, eles devem ter 
notado a associação do clima e as plantas resultando em formas primitivas de agricultura. 
Embora o conhecimento natural sobre o ambiente tenha se estendido desde os antigos 
ancestrais ate ao Aristóteles e o Teofrasto a grande ênfase ocorreu nos sec. XVIII e XIX pelos 
estudantes da história natural como o Buffon, o Linnaeus, Reaumur, o Darwin, o Wallace entre 
outros. 
Estes naturalistas, davam muita atenção aos detalhes, faziam medições e registos com extrema 
precisão, reconheciam e interpretavam variáveis, criavam hipóteses e teorias alem de 
ferramentas de análise. Portanto, faltava nesses estudos de história natural um foco unificador, 
essencial ao desenvolvimento de conceitos e teorias. Esse foco apareceu com o delineamento 
de uma área a partir da sua definição. 
Se já na antiguidade era possível encontrar escritos e filósofos ocupados da relação utilitária 
que o Ser Humano mantem com o ambiente biofísico, foi no início do século XX, no seio da 
Ecologia Urbana da Escola de Chicago, que a Ecologia Humana se afirmou como domínio do 
conhecimento científico, assente numa base conceptual e metodológica concreta. 
Desde o surgimento da ecologia, e o posterior aparecimento da ecologia humana, existe uma 
questão central dessa disciplina. A que ciência pertence a ecologia humana? Várias ciências 
reivindicam propriedade sobre a ecologia humana. A biologia, com o estudo das cadeias 
tróficas e o ser humano, a geografia humana, com as dispersões populacionais e os estudos 
migratórios, a sociologia, através da pesquisa social-metabólica das comunidades humanas, a 
antropologia, com os estudos adaptativos-culturais da raça humana e a psicologia, através das 
pesquisas que relacionam o meio-ambiente e o comportamento humano. 
De fato a ecologia humana é uma ciência transdisciplinar, que toca todos esses campos e exige, 
para uma pesquisa séria, uma cuidadosa escolha do objeto de estudo e a escolha da, ou das, 
metodologias e disciplinas envolvidas na pesquisa. Sem dúvida, a ecologia humana é uma 
ciência nova, que tem, para evolução da ciência humana, contribuindo com as bases teóricas 
do desenvolvimento sustentável e apontando limites e perspectivas que o homem precisa ter 
no seu processo evolutivo no planeta Terra. 
A Ecologia Humana tem origem na Escola de Chicago da segunda década do século XX. 
Durante o século XX, novos contextos da humanidade exigiram o aprofundamento e revisão 
das perspetivas científicas tradicionais, cuja resposta foi, para algumas ciências, a diluição das 
suas fronteiras e subsequente abertura à cooperação com outros territórios científicos. Essa 
simbiose, particularmente entre as ciências naturais e exatas e as ciências sociais e humanas, 
desenvolveu-se sobre um suporte metodológico inteiramente científico, abrindo novos e 
criativos caminhos. 
 A Ecologia Humana, cujo desígnio inicial era responder à complexificação de problemas dos 
habitantes das grandes metrópoles americanas nos anos 20 do século XX, inscreve-se nessa 
lógica de novas formas de conhecimento. 
Historicamente, os problemas ambientais cresceram, generalizaram-se e agravaram-se à 
medida que a população humana foi, também ela, “ ganhando terreno” , quer do ponto de vista 
do seu volume mundial, quer, nomeadamente a partir da Revolução Industrial, com o 
intensificar dos padrões de consumo, potenciados por um avanço tecnológico que serviu 
também como arma de ataque à própria Natureza. 
Uma das características desse crescimento foi o diferencial entre vários pontos do Globo; outra 
foi a convergência demográfica nos grandes centros urbanobuis, levando a um incremento da 
população urbana mundial de 15% para quase 50% durante o século passado, segundo o World 
Watch Institut (2007) e o Programa Habitat Nações Unidas (2011). 
Procurando tornar-se uma ponte sistémica entre a Sociologia Urbana e a Ecologia, a Ecologia 
Humana nasce no âmbito da Ecologia Urbana do conjunto de autores, suas teorias e obras 
conhecidos como “ A Escola de Chicago” . Este grupo de urbanistas e sociólogos - onde se 
destacam R. Ezra Park, Ernest Burgess e Robert D. McKenzie – reagia, nos anos 20 do século 
passado, às crescentes pressões demográficas daquela cidade americana, caracterizadas por 
inéditos fluxos migratórios e inédita rotação de habitantes (Hawley, 1986). 
O seu objetivo inicial - estudar as mal conhecidas relações sociais no seio de uma população 
condicionada pela nova realidade – era conservador e visava manter a estrutura e o equilíbrio 
dos urbanos originais, neutralizando ou evitando a mudança não planeada e não desejada. 
No seu contexto, Burgess (1925) comparava o crescimento urbano aos processos de 
organização e desorganização análogos aos processos anabólico e catabólico do metabolismo 
corporal, enquanto Mackenzie imputou à Ecologia Humana a responsabilidade de estudar as 
ligações interespaciais e temporais dos humanos “ urbanos” , afetados por mecanismos de 
seleção, distribuição e de adaptação ao Ambiente – os mesmos fatores que entram no jogo de 
sobrevivência das restantes espécies vivas do Planeta. 
 Eugene Odum (1973, 2004:815) sublinha que a interação entre as esferas natural e cultural 
deve ser acolhida pela Ecologia Humana muito para além dos princípios da ecologia geral 
aplicados à espécie humana, já que lhe estão associadas a “ tendência para desenvolver cultura 
independentemente do ambiente” e capacidades em matéria de conduta, de flexibilidade e de 
dominação do meio muito superiores às das outras espécies. Nesta sequência, acrescenta: 
“ Chegou o momento de o homem administrar tanto a sua própria população com os 
recursos de que depende, dado que pela primeira vez na sua breve história se encontra 
perante limitações definitivas, e não puramente locais. O ordenamento dos ecossistemas 
e a ecologia humana aplicada tornaram-se assim novos empreendimentos que requerem 
a fusão de um conjunto de disciplinas e de missões” . 
Numa sociedade global crescentemente mais urbana, mais populosa e mais heterogénea, a 
Ecologia Humana vai além da posição assumida pelo grupo de Chicago, ao admitir a 
necessidade e a inevitabilidade da mudança. Reconhece nas variáveis ambientais, 
nomeadamente nas oscilaçõesde disponibilidade dos recursos naturais, inegáveis factores de 
mudança social a que os grupos humanos têm de se adaptar. 
A ecologia tradicional, ao se preocupar tanto com os aspectos físicos e bioquímicos da 
natureza, solidificando uma ecologia dos bichos e outra ecologia das plantas, deixou de fora 
um grupo-chave para o entendimento das dinâmicas dos ecossistemas: a espécie humana, 
objeto-sujeito da ecologia humana. Mas se trata ainda de uma área do conhecimento pouco 
conhecida no mundo, particularmente, nos muros acadêmicos. 
Segundo Dr. Juan J. Tapia, a Ecologia Humana é uma hipótese sobre a convivência, a ética e a 
condição humana. É um conhecimento aplicável a serviço da convivência e da vividade 
humana, através de um treinamento sistemático, que tem como objetivo recuperar a harmonia 
com o meio ambiente e devolver o respeito e a ética aos Deveres Humanos. 
A meta da Ecologia Humana é devolver aos seres humanos uma capacidade que traz em latente 
desde a concepção: poder viver com plena autonomia, com o máximo de seu potencial e auto-
estima, em função de uma ética essencial e de uma inata necessidade de auto-proteção, auto-
abastecimanto, auto-realização e harmonização. 
A Ecologia Humana considera que enquanto o ser humano não for capaz de cuidar de cada 
metro cúbico de onde vive, nunca poderá participar com êxito da preservação da vida e do meio 
ambiente. Por isso, considera essencial para a sobrevivência individual e planetária, dar a todos 
as bases de uma ética individual para desenvolver uma ética global. 
A Ecologia Humana participa da crucial campanha pela preservação do planeta e da 
humanidade, propondo um conhecimento e uma tecnologia que desenvolva uma natural ética 
individual para o maior número de pessoas, no menor tempo e com o mais baixo custo. 
1.1.2. Conceito da Ecologia e objecto de estudo 
O termo ecologia deriva de duas palavras gregas: oikós (= “ casa” ) e logos (= “ estudo” ). 
Assim, ecologia significa, literalmente, o “ estudo da casa” . Em sentido mais amplo, pode-se 
considerar o termo “ casa” como todo o ambiente terrestre; a palavra ecologia, então, passa a 
se referir ao “ estudo do ambiente” . 
Este termo foi utilizado pela primeira vez em 1866, pelo biólogo alemão Ernest Haeckel, para 
designar o estudo das interacções dos organismos entre si e com o meio ambiente. 
Entretanto, foi somente no final do sec. XX que o termo foi reconhecido e amplamente 
utilizado. 
Assim a ecologia define-se usualmente como estudo das relações entre os organismos com o 
seu ambiente, ou ciência das inter-relações que ligam os organismos vivos ao seu ambiente. 
Entretanto, a acepção mais moderna define a ecologia como o estudo da estrutura e do 
funcionamento da natureza e, provavelmente, a longo prazo, ecologia poderá ser definida de 
forma mais curta e menos técnica como, por exemplo, “ biologia do ambiente” (ODUM, 
1988). 
De fato, a Ecologia estuda os seres vivos acima do nível do organismo individual. Estuda a 
população, a comunidade, o ecossistema, e a biosfera. 
O objecto de estudo da ecologia são os seres vivos e suas interacções com o meio ambiente 
onde vivem. A Ecologia também se encarrega de estudar a abundância e distribuição dos seres 
vivos no planeta Terra. 
Alvim (2012:15) diz que a ecologia humana pode ser compreendida como “ uma ciência que 
estuda as relações humanas, individuais e coletivas com seu entorno, tornando-se um grande 
instrumento de reflexão e mudança de paradigma em prol da vida” . A ecologia humana é uma 
ecologia que coloca gente nos ecossistemas, e estudo suas relações e consequências. 
Donald Pierson, na sua obra referencial “ Estudos de Ecologia Humana” (1945), que 
influenciou gerações de pesquisadores na área de Ecologia Humana no Brasil, já dizia que 
tratava-se de um campo das ciências sociais “ relativamente novo” que diferenciava-se da 
Geografia Humana e da Antropogeografia. Dizia estar mais relacionada a Ecologia Animal, 
Ecologia Vegetal e com a Biologia do que com essas outras ciências. Diz que a Ecologia 
Humana “ estuda o processo de competição e as relações dele provenientes; relações de homem 
para homem; de grupo humano para grupo humano e de instituição para instituição, como estas 
se revelam por índices físicos, principalmente os de espaço, se interessa pelas relações pessoais, 
na medida em que estas se refletem por sua vez nas relações espaciais” (1945:12-13). 
No seu livro A Ecologia Humana das Populações da Amazônia (1990:34), Emílio Moran, 
cubano naturalizado americano, diz-nos que a ecologia humana “ visa integrar o conhecimento 
sobre a diversidade de comportamentos das populações humanas com os sistemas dentro do 
qual tais populações se encontram” . 
A Professora Iva Pires, do Círculo Europeu de Ecologia Humana, também docente do 
doutorado de Ecologia Humana da Universidade Nova de Lisboa, define a ecologia humana 
como “ uma ciência social pluridisciplinar para a abordagem privilegiada das múltiplas 
dependências entre os sistemas sociais e naturais, enfatizando os aspectos culturais e 
tecnológicos de uma gestão dos impactos ambientais suscitados pela civilização humana 
A Ecologia Humana deixa de ser encarada como extensão, prolongamento ou capítulo da 
Ecologia Geral ou de outra ciência, como síntese de todas as ciências, estudo de áreas marginais 
das várias disciplinas ou somatório de determinadas áreas de diferentes ciências ou como um 
movimento de opinião. 
Tal como explica Nazareth (2004: 65), na actualidade é definida: como o estudo das relações, 
em tempo e espaço, entre a espécie humana e as outras componentes e processos do ecossistema 
de que é parte integrante. O seu objectivo é conhecer a forma como as populações humanas 
concebem, usam e afectam o ambiente, bem como o tipo de respostas existentes às mudanças 
ocorridas no ambiente biológico, social e cultural” . 
A Ecologia Humana tem pois objecto de estudo, metodologia e objectivos prospectivos. O 
objecto de estudo é constituído pelas interacções permanentes e recíprocas Homem-Ambientes 
(natural e construído). O ramo científico da ecologia humana tem como objecto de estudo a 
relação do ser humano com o seu ambiente natural. 
Ainda que a metodologia e as técnicas de observação e análise em Ecologia humana sejam 
igualmente as empregues por outras disciplinas, a sua singularidade e vocação 
interdisciplinar/transdisciplinar, emprestam-lhe a particularidade da ênfase na abordagem 
holística, que partilha com a Ecologia Geral, relativamente às problemáticas objecto de estudo 
sob novos e diferentes paradigmas. 
1.1.3. Divisões da ecologia 
O estudo de Ecologia Geral pode ser dividido em vários ramos (áreas): Biologia da 
Conservação, Ecologia da Restauração, Ecologia Numérica, Ecologia Quantitativa, Ecologia 
Teórica, Macroecologia, Ecofisiologia, Agroecologia, Ecologia da Paisagem, Ecologia 
Vegetal, Animal Ecologia Terrestre e Aquática. Os três principais ramos desta ciência são: 
Autoecologia, Sinecologia e Demoecologia. A divisão da Ecologia nestes três grandes ramos 
de estudo foi feita pelo botânico Carl Schroter no começo do século XX. 
Autoecologia 
Estuda as espécies a partir de suas relações com o meio ambiente. Ou seja, como cada espécie 
(animal ou vegetal) reage separadamente à determinados factores ambientais (clima, 
vegetação, relevo, etc.). É o um ramo científico clássico e, actualmente, seguido por poucos 
cientistas. 
Nos estudos de autoecologia pretende verificar-se como cada espécie se adaptou a um 
determinado biótopo, tanto do ponto de vista da fisiologia como da etologia, incluindo as suas 
migrações e as suas relações com outras espécies que coabitam o mesmo ecossistema. 
Sinecologia 
Também conhecida como Ecologia Comunitária, é voltada para o estudo das comunidades de 
seres vivos. A Sinecologia foca a distribuição das populações, suas relações ecológicas, 
demografia, deslocamentoe quantidades. A Sinecologia também se encarrega de examinar as 
estruturas das cadeias alimentares, sucessões ecológicas e inter-relações entre predadores e 
presas. 
A sinecologia teve origem na sociologia vegetal europeia. A ecologia comunitária moderna 
examina padrões tais como a variação de riqueza de espécies, produtividade e estrutura da 
cadeia alimentar; examina também processos como a dinâmica populacional predador-presa, 
a sucessão ecológica e a organização da comunidade. 
Demoecologia 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Biologia_da_Conserva%C3%A7%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Biologia_da_Conserva%C3%A7%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ecofisiologia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Agroecologia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Bi%C3%B3topo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Fisiologia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Etologia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Migra%C3%A7%C3%A3o_de_animais
http://pt.wikipedia.org/wiki/Rela%C3%A7%C3%B5es_ecol%C3%B3gicas
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ecossistema
http://pt.wikipedia.org/wiki/Europa
http://pt.wikipedia.org/wiki/Padr%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Riqueza_de_esp%C3%A9cies
http://pt.wikipedia.org/wiki/Produtividade
http://pt.wikipedia.org/wiki/Cadeia_alimentar
http://pt.wikipedia.org/wiki/Din%C3%A2mica_populacional
http://pt.wikipedia.org/wiki/Predador
http://pt.wikipedia.org/wiki/Presa
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sucess%C3%A3o_ecol%C3%B3gica
Também conhecida como Dinâmica das Populações ou Ecologia das Populações, faz o estudo 
de cada população separadamente. A demoecologia ou dinâmica das populações é um ramo 
da Ecologia que trata do estudo de cada população em separado. 
O objetivo da Ecologia é o equilíbrio entre as diversas formas de vida na Terra. Para 
desenvolver o seu trabalho, o ecologista precisa ter conhecimentos de várias áreas, entre as 
quais, Zoologia, Botânica, Paleontologia, Geologia Histórica, Geografia, Meteorologia e 
Demografia. Entre suas atividades estão a investigação da distribuição das espécies animais e 
vegetais e da distribuição e do funcionamento dos sistemas ecológicos. O ecologista estuda 
também o impacto da ação do homem sobre o meio ambiente, analisando as consequências 
provocadas pela poluição, pelos desmatamentos e pelas obras em geral. Estuda ainda, os efeitos 
dos produtos químicos como fertilizantes e defensivos agrícolas sobre a flora, fauna e sobre a 
saúde do homem. 
1.1.4. Interdisciplinaridade da Ecologia 
A ecologia é um ramo que vem recebendo bastante destaque ultimamente. E assim como 
muitas outras disciplinas a ecologia também tem suas interligações com outras matérias, como 
física, química, geografia, historia, etc. 
A ecologia Humana é uma ciência de base humana, aberta à transversalidade e à complexidade 
das problemáticas que estuda, interdisciplinar, na confluência entre as Ciências da Natureza e 
as Ciências Sociais, ligando o particularmente natural e o particularmente social, que rejeita 
predições deterministas. Ela introduz uma nova dimensão na conceptualização da Ecologia, 
qual é a humanização dos comportamentos do Homem, enquanto resultantes da dinâmica das 
interacções entre si, com os ambientes com que se relaciona e destes relativamente ao ser 
humano (Lamy, 2001; Jaquard, 2004). 
A ecologia humana pode assim ser definida como uma ciência social pluridisciplinar, ou a mais 
social das ciências sociais, pois estuda as relações do homem com o meio físico e biótico, 
relações essas que são mediadas pela cultura (Avila-Pires, 2009). Este estatuto é próprio de 
uma perspectiva científica que reivindica, a propósito das questões sociais e ambientais, os 
contributos originais das ciências naturais, mas muito especialmente o desenvolvimento de 
uma nova forma de abordagem que aproveitaria, no campo das ciências sociais, as análises 
oriundas da geografia, antropologia, psicologia e sociologia, ciências que pareciam 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ecologia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Popula%C3%A7%C3%A3o
desenvolver entre si relações de concorrência para o monopólio da compreensão da condição 
humana e dos comportamentos sociais. 
1.1.5. Importância do estudo da ecologia 
Esta ciência é de extrema importância, pois os resultados de seus estudos fornecem dados que 
revelam se os animais e os ecossistemas estão em perfeita harmonia. Numa época em que o 
desmatamento e a extinção de várias espécies estão em andamento, o trabalho dos ecologistas 
é de extrema importância. 
Através das informações geradas pelos estudos da Ecologia, o homem pode planejar acções 
que evitem a destruição da natureza, possibilitando um futuro melhor para a humanidade. 
A Ecologia é uma ciência que tem se desenvolvido muito e se torna cada vez mais importante 
nos dias actuais, uma vez que tem aumentado consideravelmente a interferência do homem 
sobre os ecossistemas. Essa interferência, em geral, provoca sérios desequilíbrios ecológicos. 
Por isso, é cada vez mais imperioso conhecer a estrutura e o funcionamento dos ecossistemas, 
a fim de se poder propor maneiras racionais de utilização dos recursos naturais sem provocar 
alterações ambientais drásticas que possam, ao longo do tempo, levar ao desaparecimento da 
vida. 
Estudos ecológicos de longo prazo promovem importantes registos para entender melhor os 
ecossistemas no espaço e no tempo.vamos 
O homem é considerado o maior degradador no sistema ecológico, pois interfere no 
ecossistema através de suas atitudes e de seus lixos poluentes, por exemplo, nas fábricas há a 
utilização de produtos químicos, esses produtos exterminam os insectos viventes que por sua 
vez não transportavam o pólen das plantas, dificultando o ato de se reproduzir. 
1.2. Conceitos básicos em Ecologia 
Habitat de uma espécie é o conjunto do meio físico-químico favorável à sua sobrevivência e 
à sua reprodução e um ambiente biológico que faz com que inúmeras outras espécies povoem, 
ao mesmo tempo, este meio. É o lugar na natureza onde uma espécie vive. 
O nicho ecológico é um conjunto de condições em que o indivíduo (ou uma população) vive 
e se reproduz. Pode se dizer ainda que o nicho é o "modo de vida" de um organismo na natureza. 
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E esse modo de vida inclui tanto os fatores físicos - como a umidade, a temperatura, etc - quanto 
os fatores biológicos - como o alimento e os seres que se alimentam desse indivíduo. 
O nicho mostra também como as espécies exploram os recursos do ambiente. Assim a zebra, 
encontrada nas savanas da África, come as ervas rasteiras, enquanto a girafa, vivendo no 
mesmo hábitat, come as folhas das árvores. Observe que cada espécie explora os recursos do 
ambiente de forma um pouco diferente. 
 
Espécie: é um conjunto de indivíduos que têm em comum várias características, anatómicas, 
fisiológicas e de comportamento podendo cruzar entre sí dando origem a descendentes férteis. 
População: esse termo é utilizado originalmente para referir-se a um grupo de pessoas. Em 
Ecologia, ele significa um grupo de indivíduos da mesma espécie, habitando uma determinada 
área. Assim, falamos em populações de pardais, de formigas, e assim por diante. 
Comunidade ou biocenose: o conjunto de populações de uma determinada área forma uma 
comunidade. Todas as populações de animais e plantas que vivem em um bosque, por exemplo, 
constituem uma comunidade. 
Biótopo: o conjunto dos fatores do meio ambiente que não têm vida tais como a areia, as 
rochas, a argila, os minerais, as substâncias inorgânicas, o ar, a energia do ambiente, etc. 
Ecossistema ou sistema ecológico: uma comunidade e o ambiente físico onde ela vive formam 
um ecossistema. Ele envolve as relações existentes entre os animais, as plantas, o ar, a água, a 
temperatura e tudo o mais que existe em um certo ambiente. Existem ecossistemas pequenos, 
como um pequeno lago que enfeita um jardim; já as lagoas, rios, campos e florestas são grandes 
ecossistemas. O conjuntoformado pela biocenose e pelo biótopo. 
Sistema (do grego systēma, através do latim systēma), é um conjunto de elementos 
interconectados, de modo a formar um todo organizado. Do ponto de vista puramente 
ecológico, um sistema é qualquer unidade que abrange todos os organismos que funcionam em 
conjunto, em uma determinada área. Esses organismos interagem com o ambiente físico e 
promovem a constante movimentação dos elementos necessários à existência de todos. 
Biosfera: a parte da Terra ocupada pelos seres vivos é a biosfera. Ela representa o conjunto de 
todos os ecossistemas. 
Questões de debate 
Por que eu devo aprender ecologia? 
Como o conteúdo desta disciplina pode me ajudar profissionalmente? 
2. Interacções entre Organismo e Factores Ecológicos 
2.1. Meio Ambiente e os Factores Ecológicos 
2.1.1. Factores ecológicos 
Factor – é um agente ou aquilo que faz ou executa uma coisa ou causador ou 
elemento que concorre para um resultado ou criador ou autor ou fabricante de alguma coisa. 
Factor ecológico é todo elemento do meio ambiente (biótico ou abiótico) capaz de actuar 
directamente sobre os seres vivos mesmo durante a fase do ciclo do seu desenvolvimento 
biológico. 
Em ecologia, factores ecológicos são elementos do ambiente que influenciam organismos 
vivos. Os factores ecológicos podem afectar as espécies: de forma contínua, entre níveis 
extremos (por exemplo, temperatura e pH); só afectando o desempenho quando atingem 
valores elevados (por exemplo, toxinas e poluentes); ou o factor é essencial em pequenas 
quantidades, mas tem influência negativa em valores elevados (por exemplo, NaCl nos animais 
e micronutrientes como Zinco e Magnésio nas plantas). Os factores ecológicos actuam sobre 
os organismos: 
- Eliminando-os: influência na sua distribuição geográfica 
- Modificando o seu desenvolvimento: reprodução, germinação, taxa de natalidade, taxa de 
mortalidade, hibernação, reacções fitoterapêuticas, etc… 
http://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADngua_grega
http://pt.wikipedia.org/wiki/Latim
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ecologia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ambiente
http://pt.wikipedia.org/wiki/Organismo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Temperatura
http://pt.wikipedia.org/wiki/PH
http://pt.wikipedia.org/wiki/Toxina
http://pt.wikipedia.org/wiki/Polui%C3%A7%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/NaCl
http://pt.wikipedia.org/wiki/Micronutriente
http://pt.wikipedia.org/wiki/Zinco
http://pt.wikipedia.org/wiki/Magn%C3%A9sio
http://pt.wikipedia.org/wiki/Planta
- Influenciando seu crescimento: altura, peso, volume, forma, metabolismo; 
- Favorecendo a sua adaptação ao meio: de tipo anatómico ou fisiológico (Ex: espinhas, pelos); 
- Provocando migrações, agindo na densidade daspopulações. 
2.1.2. Tipos de factores ecológicos 
Os factores ecológicos podem ser: 
1. Factores Bióticos (Bio = vida) 
Em ecologia, chamam-se factores bióticos todos os elementos causados pelos organismos em 
um ecossistema que condicionam as populações que o formam. Por exemplo, a existência de 
uma espécie em número suficiente para assegurar a alimentação de outra condiciona a 
existência e a saúde desta última. Muitos dos factores bióticos podem traduzir-se nas relações 
ecológicas que se podem observar num ecossistema, tais como a predação, o parasitismo ou a 
competição. 
• Factores bióticos: produtores, consumidores, consumidores. 
2. Factores Abióticos (A =não, bio = vida) 
Em ecologia, denominam-se factores abióticos, todas as influências que os seres vivos possam 
receber em um ecossistema, derivadas de aspectos físicos, químicos ou físico-químico do meio 
ambiente, tais como a luz, a temperatura, o vento, etc. 
• Factores abióticos: Substâncias inorgânicas, compostos orgânicos, clima, temperatura, 
luz, pH, oxigénio e outros gases, humidade, solo, etc. 
- Factores do Clima: luminosidade, temperatura, pressão atmosférica, ventos, humidade e 
pluviosidade. 
- Factores Físicos- radiação solar, tipo de estrutura do solo, chuva, nuvens, etc. 
- Fatores Químicos: quantidade relativa dos diversos elementos químicos presentes na água e 
no solo. 
- Factores Tróficos/os fatores alimentares. 
- Factores Edáficos- solo influenciando nos seres vivos. 
- Factores Hídricos- água influenciando nos seres vivos. 
- Factores Antropogênica- erosão dos solos pelo manejo inadequado, isto prejudica todo 
ecossistema alterando drasticamente as possibilidades de armazenagem e troca dos nutrientes, 
o uso do fogo como técnica de manejo da vegetação, a poluição das águas solo e a atmosferaco 
detergentes, adubos pestecidas insecticidas, herbecidas, nematecidas, metais, etc. 
Em função do ambiente os factores ecológicos podem ser mais ou menos importantes: 
- Ambiente aéreo: temperatura, pressão, humidade, vento, alguns tipos de radiações, 
precipitações, luz e alguns nutrientes; 
- Ambiente terrestre: morfologia, textura, pH, salinidade, água e nutrientes; 
- Ambiente aquático: alguns tipos de radiações, densidade, viscosidade, temperatura, pressão, 
pH, salinidade, corrente, luz, oxigênio e nutrientes. 
2.2. Lei do mínimo, lei de tolerância e factores limitantes 
Todos os seres vivos sofrem acções de vários factores do meio ambiente em que vive. Cada 
factor ecológico actua com a "lei do mínimo", isto é, apresenta um mínimo e um máximo que 
impedem o desenvolvimento do ser, o qual atinge sua melhor condição quanto o factor se 
aproxima do óptimo. Assim, cada espécie apresenta em função dos factores ecológicos, limites 
de tolerância (mínimo e máximo) entre os quais se situa o chamado óptimo ecológico. 
 O ponto óptimo de um factor é aquele que o desenvolvimento e a reprodução dos organismos 
de uma determinada espécie atingem sua máxima intensidade. Já o factor limitante é quando 
qualquer agente torne difícil a sobrevivência, o crescimento ou a reprodução de uma espécie. 
Em 1840 Liebig, estudando o crescimento das plantas formulou a seguinte lei, conhecida como 
lei do mínimo: 
“ O crescimento dos vegetais é limitado pelo elemento cuja concentração é inferior a um valor 
mínimo abaixo do qual as sínteses das substâncias orgânicas não podem mais ocorrer” . Esta 
lei não é abrangente, necessitando de ser ampliada para: 
- Incluir todos os factores ecológicos; 
- Incluir todos os organismos; 
- Contemplar a possibilidade de o crescimento ser limitado não só por défice mas também por 
excesso; 
- Além de tudo dito acima, a lei do mínimo só se aplicaria a ambiente estável, o que não é 
comum na natureza. 
A ampliação da lei do mínimo levou a lei da tolerância por Shelford em 1911: 
“ Para cada espécie, existem amplitudes de tolerância (com limites mínimos e máximos) aos 
factores ecológicos, dentro das quais sua existência é possível” ou “ cada ser vivo apresenta 
em função dos diversos factores ecológicos limites de tolerância dentre os quais situa-se o seu 
óptimo ecológico” . 
As leis de Liebig e Shelford podem resumir-se no princípio de factor limitante: 
“ Quando um factor ecológico determina a presença ou ausência duma dada espécie, este 
constitui um factor limitante” ou seja, um factor ecológico constitui factor limitante quando 
está ausente ou reduzido, abaixo do mínimo critico ou quando excede o nível máximo 
tolerável” . 
Factor limitante (ou recurso limitante) é a designação dada ao parâmetro ambiental (biótico 
ou abiótico) que efectivamente controla o crescimento de uma população num determinado 
biótopo ou ecossistema, limitando o desenvolvimento do organismo e por essa via o tamanho 
e a distribuição da população a que o organismo pertence. 
Note-se que a limitação tanto pode decorrer da escassez como do excesso, pelo que o conceito 
de factor limitante não pode ser reduzido à mera determinação da disponibilidade, sendo assim 
muito mais inclusivo que a Lei de Liebig. 
Em função dos limites de tolerância, as espécies possuem determinada capacidade de povoar 
ambientes diferentes, suportando grandesvariações ambientais - valência ecológica. 
Dá-se o nome de Valência ecológica de uma espécie a capacidade que ela tem de povoar 
ambientes diferentes caracterizados por grandes variações dos factores ecológicos. Em função 
da Valência ecológica, as espécies são divididas em: 
Euriécia - espécie de grande Valência ecológica, podendo povoar ambientes variados. 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Par%C3%A2metro
http://pt.wikipedia.org/wiki/Factor_bi%C3%B3tico
http://pt.wikipedia.org/wiki/Factor_abi%C3%B3tico
http://pt.wikipedia.org/wiki/Popula%C3%A7%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Bi%C3%B3topo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ecossistema
http://pt.wikipedia.org/wiki/Organismo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Distribui%C3%A7%C3%A3o_natural
http://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_de_Liebig
Estenoécia – espécie de pequena Valência ecológica, suportando pequena variação de factores 
ecológicos e restrita a determinados ambientes. 
A Valência ecológica regula as possibilidades de expansão das espécie que podem, então ser 
divididas em: 
Euritópicas – é a espécie com ampla distribuição, sendo normalmente euricéia. 
Estenotópicas – espécie restritamente localizada, com pequena distribuição, sendo estenoécia. 
Esta classificação não é rígida, uma vês que uma espécie pode ser simultaneamente euritópica 
e estenoécia, quando vive em um ambiente pouco extenso, mas repetido em numerosas regiões. 
A temperatura é um factor abiótico de grande importância para os seres vivos e influencia 
seus períodos de actividade, suas características morfológicas e seus comportamentos. Divide 
os seres vivos em alguns grupos como: 
Estenotérmicos: São organismos que não toleram grandes variações térmicas. Exemplo: 
lagartixa; 
Euritérmicos: São organismos capazes de tolerar grandes variações térmicas. Exemplo: lobo; 
A água é de fundamental importância a todos os seres vivos e essencial a vida. 
TPC - como são classificados os seres vivos em relação a tolerância da água? 
A luz é fundamental no processo fotossintético, responsável pela produtividade nos 
ecossistemas, é um importante factor abiótico e actua sob diversas formas (intensidade, 
radiação, direcção e duração). Divide os seres vivos em alguns grupos como: 
Eurifóticos: São seres que suportam grandes variações de luz. 
Estenofóticos: São seres que não suportam grandes variações de luz. 
Quanto a pressão os seres vivos são divididos em: 
Euribáricos: São seres capazes de suportar grandes variações de pressão. 
Estenobáricos: São seres incapazes de suportar grandes variações de pressão. 
A salinidade é o factor abiótico primordial na distribuição dos seres vivos aquáticos. Divide 
os seres vivos em: 
http://www.infoescola.com/mamiferos/lobo/
http://www.infoescola.com/biologia/fotossintese/
Eurialinos: Seres que suportam grandes variações de salinidade. 
Estenoalinos: Seres que não suportam grandes variações de salinidade. 
A valência ecológica condiciona, juntamente com outros factores a capacidade reprodutiva, 
história evolutiva, a distribuição e abundância das espécies. 
3. Acção de factores ecologicos sobre os organismos 
Os fatores abióticos afetam a distribuição dos seres vivos (ex. distribuição dos organismos em 
ambiente com temperaturas e solos – deserto/floresta); influenciam o seu comportamento (ex. 
deslocação dos caracóis à procura de humidade) e afetam o seu desenvolvimento/crescimento 
(ex. a germinação e crescimento de sementas na ausência/presença de água/luz). 
A acção dos fatores abióticos não ocorre isoladamente mas de modo conjunto. Os fatores 
abióticos determinam os seres vivos que ocupam uma dado habitual. Algumas espécies 
apresentam limites de tolerância relativamente a alguns fatores (ex. temperatura). Só se 
desenvolvem em determinados valores mínimos e máximos desses fatores (ex. 15-20º C ocorre 
o crescimento das larvas de libélulas). Os fatores abióticos que exercem uma maior influência 
sobre os seres vivos são a luz, a temperatura, a humidade/água e o solo. 
Esses factores variam de valor de local para local, o que determina uma grande variedade de 
ambientes. O total de espécies pode aumentar ou diminuir e a abundância dessas espécies 
também pode variar localmente em função das variações ambientais. 
Os organismos reagem as alterações do ambiente através de adaptações que favorecem o seu 
desenvolvimento: compensando os factores ecológicos mais limitantes e aproveitando as 
condições óptimas dos outros factores. 
 A distribuição geográfica de um organismo depende da sua tolerância a um conjunto de 
factores ambientais. Tomamos o exemplo duma planta, mesmo que a luz e a temperatura duma 
dada região sejam confortáveis para a planta, a falta de água pode bloquear o seu crescimento 
e reprodução, constituindo assim um factor limitante. 
As adaptações conduzem a existência de populações localmente adaptadas - os Ecótipos ou 
raças ecológicas – que estão adaptadas a diferentes limites de tolerância do mesmo factor 
ecológico podendo essa adaptação ser herdada após o processo de fixação genética mantendo-
se nos indivíduos caso estejam submetidos em novos habitats. 
Se, em vez da fixação genética, as populações estiverem adaptadas graças a processos de 
acomodação ou aclimatação, então estas denominam-se raças fisiológicas ou falsos ecótipos. 
Os ecótipos, considerados variedades ou subespécies, podem evoluir à espécies propriamente 
ditas. 
3.1. Acção da luz e a temperatura sobre as plantas e os animais 
A luz e a temperatura variam conjuntamente, uma vez que ambos os factores são resultantes 
da radiação solar nos ecossistemas naturais. A luz influencia o desenvolvimento e o 
crescimento de animais e de plantas. A luz pode afectar os ciclos de vida e comportamento dos 
seres vivos, o fotoperíodo (número de horas de luz durante um dia). A luz, resultante da 
radiação solar, é a fonte de energia para as plantas produzirem o seu alimento. Varia com: 
Altitude, Latitude, Exposição do relevo, Neblusidade, Cobertura vegetal, Estações do ano, 
horas do dia. 
As plantas são as mais afectadas pela variação da luminosidade, pois na ausência de luz não se 
desenvolvem. A luz é indispensável para a realização da fotossíntese. A fraca intensidade 
luminosa, o crescimento dos órgãos aéreos das plantas é acentuado, ficando contudo com cor 
amarela e aspeto frágil – estioladas. Quando a intensidade luminosa é ideal, o crescimento das 
plantas é normal e as plantas ficam verdes e robustas. 
Plantas heliófilas (plantas de sol) – encontram-se em locais bem iluminados. Ex. Girassol. As 
plantas terrestres não necessitam de igual quantidade de luz para se desenvolverem. As espécies 
que necessitam de pouca luz, como os fetos e os musgos, encontram-se nos estratos inferiores 
ou nas fendas das rochas. Plantas Umbrófilas (plantas de sombra) – encontram-se em locais 
sombrios. Ex: avencas e fetos. 
Relativamente às plantas, a luz influência a germinação das sementes/floração, o fototropismo 
– movimento de orientação das plantas em direção à luz (ex. as papoilas florescem no verão, 
quando as noites são curtas e os dias longos). As plantas com maiores necessidades de 
exposição à luz tendem a ser maiores para a poderem captar mais facilmente (ex. pinheiro, 
sequoia), e as plantas com menor necessidade em termos de luz tendem de luz tendem a ser 
mais rasteiras (ex. fetos, mugos). Existem plantas que conseguem suportar a luz são designadas 
por heliófilas (ex. papoila, girassol, carvalhos) e outras que não conseguem, que são chamadas 
de esquilófilas (ex. crisântemos). 
Relativamente aos animais, existem aqueles indiferentes ao fotoperíodo (ex. homem, cão); 
aqueles que só se mostram ativos durante a noite, ou seja, noturnos (ex. coruja e mocho); 
aqueles que preferem o crepúsculo (pôr do sol), como o morcego; aqueles chamados animais 
lucifugos, pois não conseguem suportar a luz (ex. minhoca, barata, toupeia) e ainda os animais 
lucifilos, que se sentematraídos pela luz (ex. percevejo do monte, borboletas, insetos). 
Os ciclos reprodutivos de alguns animais são também influenciados pelo fotoperíodo (ex. 
trutas). A mudança da cor da pelagem permite uma maior camuflagem (raposa-do-ártico e 
lebro-do-ártico). A síntese da vitamina D (antirraquítica) é efetuada pela ação da luz (radiação 
UV).A luz influencia principalmente: período de actividade, comportamento, distribuição 
geográfica, migração, reprodução, cor da pelagem, distribuição do alimento nos oceanos, etc. 
Questão de debate- De que forma é que o comportamento ou as características dos animais 
podem depender da acção da luz? 
A luz tem igualmente uma grande influência na distribuição dos seres aquáticos. A luz 
influencia a distribuição em profundidade dos seres marinhos. Os animais e as plantas 
apresentam fotoperiodismo, isto é, capacidade de reagir à duração da luminosidade diária a que 
estão submetidos. 
A temperatura é a quantidade de calor presente num dado momento, onde a principal fonte 
de calor é o sol. Para sobreviver, cada organismo tem de ser capaz de resistir às variações de 
temperatura. A vida só é possível em certos limites de TºC, limites que variam conforme a 
espécie. 
Temperatura é um factor de grande importância para os seres vivos, infulencia o período de 
actividade, as características morfológicas, o comportamento, etc. Temperatura induz diversos 
comportamentos, condiciona a distribuição dos seres vivos e conduz ao desenvolvimento de 
adaptações morfológicas. 
Para os indivíduos de cada espécie existe uma temperatura óptima para a realização das suas 
actividades vitais. Seres estenotérmicas são espécies que sobrevivem entre estreitos limites de 
temperatura (pequena amplitude térmica) Ex: Lagartixa. Os seres euritérmicos são espécies 
que resistem a grandes variações de temperatura (grande amplitude térmica) Ex: Lobo, homem. 
Os nimais cuja a temperatura corporal varia com a temperatura ambiente são poiquilotérmicos, 
ex: répteis, crocodilo, anfíbios. Animais com capacidade para regular a temperatura interna, 
independentemente da temperatura ambiente são Homeotérmicos, ex: Aves e mamíferos. 
A luz e a temperatura exercem a sua ação em conjunto, por exemplo, na hibernação, quando 
a atividade do organismo reduz-se ao mínimo, pois não conseguem estar ativos a baixas 
temperaturas (ex. urso, esquilo, anfíbios). O objetivo deste recurso é que o animal consiga 
sobreviver sem se alimentar, utilizando apenas as reservas de gordura que armazenou antes da 
chegada da estação desvaforável. Outro exemplo é a estivação, que acontece quando os seres 
vivos reduzem a sua atividade vital ao mínimo quando a temperatura se eleva e a humidade 
diminui durante longos períodos de tempo. 
À deslocação dos animais para ambientes mais favoráveis, durante as épocas adversas dá-se o 
nome de migração. A migração possibilita o aumento da taxa de natalidade (e assim um maior 
desenvolvimento da população) e a procura de regiões mais quentes onde exista alimento 
abundante (ex. andorinhas, cegonhas, flamingos). 
Relativamente aos animais, algumas aves e mamíferos resistem às baixas temperaturas, devido 
à camada de gordura e ao revestimento corporal que apresentam (ex. pelos e penas). 
Relativamente às plantas, aquelas de folha persistente possuem geralmente forma cónica em 
que os ramos são inclinados para o solo, para que a neve possa escorregar sem os partir. As 
folhas são muito estreitas, para reduzir as perdas de calor, e são muito escuras, para uma maior 
absorção de energia calorífica (ex. pinheiro, pinheiro nórdico). As plantas de folha caduca 
perdem as folhas antes da chegada da estação fria (outono) – (ex. carvalho). Existem outras 
plantas que ficam reduzidas à parte subterrânea (ex. batatas, bananeira, cebola). 
3.2. Adaptações morfológicas, fisiológicas, comportamentais e etologia dos organismos 
A Ecologia tem por fundamento evidenciar as interacções recíprocas entre o meio e os seres 
vivos e a adaptação destes às condições de vida. 
Adaptação: processo que possibilita o ajuste dos seres vivos a um meio variável, assegurando 
a sobrevivência das espécies, permitindo a sua extensão geográfica e diversificação. As 
respostas adaptativas incluem: mudanças fisiológicas, morfológicas e/ou etológicas, que 
garantam a sobrevivência, reprodução e o desenvolvimento. 
O processo de adaptação acontece quando organismos são amoldados pelo ambiente, 
conseguem sobreviver, e produzir descendência próspera. Quando isto acontece, a espécie 
evolui e as gerações subsequentes são melhor adaptadas. Processo que implica que organismo 
tornar-se ajustado ao ambiente, dinâmica esta que pode exigir mudanças morfológicas, 
bioquímicas, fisiológicas ou comportamentais no indivíduo e que o tornam mais capacitado 
para sobreviver e reproduzir-se, em comparação com outros membros da mesma espécie. 
O meio ambiente exerce influência sobre os seres vivos que a ele se adaptam. A eficiência dos 
mecanismos de adaptação pode significar a sobrevivência do indivíduo e até da espécie. 
Algumas plantas desenvolveram de folhas largas para aumentar a superfície de absorção de 
luz. Plantas de dia curto, plantas que florescem quando o fotoperíodo é curto (inferior a 8 
horas). Plantas de dia longo, plantas que florescem quando o período de luz é maior que o 
período nocturno, isto é, plantas que florescem quando o fotoperíodo é longo (superior a 12 
horas), ex: cevada e papoila. Plantas indiferentes, plantas que florescem independentemente do 
fotoperíodo ser longo ou curto. Consoante a intensidade luminosa, o comportamento das 
plantas é diferente. As plantas utilizam a luz solar para, através da fotossíntese, crescerem e se 
desenvolverem plenamente. 
As plantas adaptam a sua própria morfologia às elevadas ou às baixas temperaturas. Existem: 
plantas anuais, plantas bienais e plantas vivazes ou perenes. Ao longo do ano, certas plantas 
sofrem alterações no seu aspecto, o que lhes permite enfrentar melhor a estação mais 
desfavorável. Enquanto algumas árvores perdem as folhas, algumas plantas ficam reduzidas à 
raiz ou caule e outras sobrevivem sob a forma de sementes. Exemplo de árvores que perca as 
folhas durante a época desfavorável são: carvalho, freixo. 
Muitas plantas, no inverno, não resistem ao frio. A parte aérea desaparece e ficam reduzidos a 
órgãos subterrâneos (rizomas, tubérculos ou bolbos) ou a sementes, mantendo-se assim até que 
a temperatura aumente. Plantas anuais – não suportam o frio deixando as sementes para 
germinar no ano seguinte, ex: feijoeiro. Plantas bienais – perdem a sua parte aérea mas mantêm 
a parte subterrânea, ex: lírio. Plantas vivazes ou perenes – mantêm a sua estrutura todo o ano, 
apesar de algumas serem de folha caduca. 
Plantas de folha caduca as folhas caem na estação fria, ficando num estado latente (repouso) 
durante o inverno, e, começam a desabrochar quando aumenta a temperatura. Nos cactos as 
folhas são reduzidas a espinhos para evitar a evaporação, possuem células que acumulam água, 
funcionando como um reservatório. 
Nas regiões de climas frios, os animais apresentam pelo comprido e muito espesso; possuem 
várias camadas de gordura que servem de isolante térmico (razão pela qual os animais que 
habitam nestas regiões são maiores do que os seus parentes que vivem em zonas temperadas 
ou zonas quentes); possuem extremidades curtas (evitando-se as perdas de calor e a 
possibilidade de congelamento)e possuem orelhas e focinho curto. Nas regiões de climas 
quentes, os animais apresentam pêlo curto e pouco espesso; têm menor quantidade de gordura; 
as orelhas e o focinho são mais alongados e as extremidades são grandes para ajudar na perda 
de calor. Estas características facilitam a perda de calor para o meio e evitam o sobre 
aquecimento. 
Relativamente às adaptações dos animais à baixa humidade/escassez de água o camelo 
armazena grandesquantidades de gordura de onde vai retirando a água. Perde pouca água pelo 
corpo, urina muito concentrada, possui cascos almofadados para evitar a transferência de calor, 
pêlo curto e amarelado que reflecte a luz solar. Os répteis possue pele impermeável para 
proteger contra a desidratação. A gazela, elemina das fezes desidratadas, é um exemplo de ser 
com diminuição da produção de urina. A atividade noturna de alguns seres vivos vai permitir 
uma transpiração muito reduzida (ex. rato-canguru). 
As plantas adaptam-se à baixa humidade/escassez de água através das folhas reduzidas, em 
alguns casos é através das folhas transformadas em espinho diminui a perda de água por 
transpiração (ex. catos), da posse de sistemas radiculares longos e ramificados com que podem 
absorver água em vastas áreas, de raízes extensas à superfície e de caules carnudos, obtendo 
uma maior retenção de água. 
Em resumo, as adaptações morfológicas das plantas em ralação a humidade são: as folhas 
reduzidas a espinhos, caule volumoso e carnudo, raízes longas podendo ser superficiais 
revestimento por ceras impermeáveis (cutícula espessa). As adaptações dos animais são: a 
produção de urina muito concentrada, por vezes, quase sólida, o revestimento impermeável do 
corpo impede az saída de água. O Comportamento de não ingestão de água (obtida através dos 
alimentos), adopçãzo de hábitos nocturnos, estivação. 
3.3. Acção da água, Ventos, solo e Fogo como factores limitante 
90% dos seres vivos da Terra desenvolvem-se na água/humidade. Todos os seres vivos 
necessitam de água para aa suas funções vitais e é um substrato para os seres aquáticos. A 
biodiversidade de um dado ecossistema, depende em muito da quantidade de água acessível 
aos seres. Para os seres terrestres a água é de extrema importância tornando-se muitas vezes 
um fator limitante. A quantidade de água que existe no solo ou na atmosfera designa-se por 
humidade. A humidade é um fator diretamente relacionado à água e que tem grande influência 
nos ecossistemas. Ela tende a ser alta durante a noite e baixa durante o dia. A humidade, a luz 
e a temperatura ajudam a regular as atividades dos organismos e a limitar sua distribuição. 
Os animais podem regular suas atividades para evitar a desidratação mudando-se para lugares 
protegidos ou tornando-se ativos durante a noite. Além de seu envolvimento nas atividades 
celulares, a água tem importância na fisiologia vegetal (transpiração e condução das seivas). 
É dos solos que as raízes retiram a água necessária para a sobrevivência dos vegetais. 
O solo, com a sua estrutura, pH e nutrientes inorgânicos, é um importante fator limitante da 
distribuição das plantas e por consequência dos animais herbívoros. Variações na composição 
do solo são responsáveis pelas diferentes plantas que crescem em diferentes ecossistemas. O 
solo é um fator que influencia diretamente na disponibilidade de água para o ecossistema. Solos 
mais arenosos retém menos água e solos com mais matéria orgânica e argila retém grande 
quantidade de água. 
O fogo, da mesma maneira que os tufões e as erupções vulcânicas, são, raras vezes mas com 
grande imprevisibilidade, altamente prejudiciais aos ecossistemas. O fogo ocorre com alguma 
frequência nos ecossistemas com vegetação rasteira e nas florestas em regiões secas. O fogo é 
um fator de perturbação de muitos ecossistemas terrestres onde geralmente determina a 
estrutura da vegetação e sua biodiversidade. O efeito imediato é redução da cobertura vegetal 
e mineralização da matéria orgânica, afetar a sobrevivência das partes aéreas, a germinação 
após a queimada, a regeneração vegetativa, a reprodução sexuada e a mortalidade. 
O vento é um fator abiótico importante por várias razões. Alguns organismos, como, por 
exemplo, bactérias, protistas e muitos insetos que vivem nos picos gelados das altas montanhas, 
necessitam para sobreviver dos alimentos que os ventos transportam até eles. O vento aumenta 
a perda de água por evaporação. A consequente diminuição de temperatura provocada pela 
evaporação pode ser útil num dia quente de verão mas pode causar prejuízos irreversíveis num 
dia frio de inverno. Os organismos têm a capacidade de sobreviver e de se reproduzir num 
determinado ecossistema como resultado da seleção natural. Eliminando os indivíduos menos 
adaptados, o meio "força" a sobrevivência das populações nas condições abióticas que 
encontram, como já acontece com as condições bióticas. 
O vento impulsionam as massas de vapor de água, e modelam as paisagens. A Ação Mecânica 
- quebra as copas, derruba, ou muda o porte árvores. A Ação Fisiológica- migração de vegetal 
e animal. 
3.4. Solo (composição, estrutura e microrganismos) 
O fator abiótico solo é o substrato dos seres terrestres e a sucessão de camadas horizontais. 
Forma-se a partir da erosão de rochas pré-existentes provocadas por agentes atmosféricos e a 
atividades dos seres vivos. O solo é indispensável à vida das plantas (produtores), pois 
oferecem nutrientes minerais, água e suporte. É a camada mais superficial da crosta constituída 
por zonas sobrepostas, que apresentam características favoráveis ao desenvolvimento de 
animais e de outros seres vivos. 
O solo é constituído pela matéria mineral (35%) – resulta da alteração da rocha que originou 
o solo; matéria orgânica (15%) – originada a partir da atividade dos seres vivos, ou seja, resulta 
da morte e decomposição dos seres vivos que a transformam em húmus; seres vivos (5%) – 
podem distinguir-se: em microrganismos – decompositores (ex. batérias e fungos) que 
transformam a matéria orgânica em húmus e consequentemente em matéria mineral ou em 
macrorganismos (ex. minhoca, escaravelhos, toupeira); água (25%) – que circula no solo e 
transporta sais minerais (esta substância é que determina a fertilidade dos solos e condiciona o 
tipo de plantas que ocorrem nos diferentes locais) e gases dissolvidos (ex. CO2, O2) e ao ar 
(20%) – condiciona a vida dos seres vivos no interior do solo. 
Os solos podem distinguir-se em: porosidade – espaços existente entre os componentes sólidos 
o que permite a existência de ar, água e seres vivos no seu interior; permeabilidade – 
capacidade que o solo tem de ser atravessado pela água, isto é, regula a circulação da água e 
pela textura – refere-se ao tamanho dos grãos que constituem os solos (ex. cascalho, areias, 
argilas). 
Existem vários tipos de solo: solo argiloso – retém muita água, pois possui grãos/partículas de 
pequenas dimensões, como tal apresenta poros muito pequenos o que ajuda na retênção de 
água, apesar de ter fraca permeabilidade; solo arenoso – não retém água, pois possui grãos de 
diferentes tamanhos, como tal apresenta poros de grades dimensões, permitindo um grande 
arejamento do solo e a água atravessa com grande facilidade. Pode-se dizer que este tipo de 
solo tem grande permeabilidade. O solo rico em húmus é muito fértil, arejado, possui uma boa 
capacidade de reter água e contêm os sais minerais em quantidades necessárioas para o bom 
desenvolvimento das plantas e animais. 
4. Dinâmica das relações ecológicas 
Nas comunidades bióticas dentro de um ecossistema encontram-se várias formas de interacções 
entre os seres vivos que as formam, denominadas relações ecológicas ou interacções 
biológicas. Essas relações se diferenciam pelos tipos de dependência que os organismos 
mantêm entre si. Algumas dessas interacções se caracterizam pelo benefício mútuo de ambos 
os seres vivos ou de apenas um deles, sem o prejuízo do outro. Essas relações são denominadas 
harmónicas ou positivas. Outras formas de interacções são caracterizadas pelo prejuízo de um 
de seus participantes em benefício do outro. Esses tipos de relações recebem o nome de 
desarmónicas ou negativas. 
Tanto as relações harmónicas como as desarmónicas podem ocorrer entre indivíduos da mesma 
espécie e indivíduos de espécies diferentes. Quandoas interacções ocorrem entre organismos 
da mesma espécie, são denominadas relações interaespecíficos ou homotípicas. Quando as 
relações acontecem entre organismos de espécies diferentes, recebem o nome de 
interespecíficos ou heterotípicas. 
4.1. Relações harmónicas 
1. Sociedades 
As sociedades são associações entre indivíduos da mesma espécie, organizados de um 
modo cooperativo e não ligados anatomicamente. Os indivíduos denominados sociais, 
colaboram com a sociedade em que estão integrados graças aos estímulos recíprocos. 
Sempre observamos a existência de hierarquia, uma divisão de funções para cada 
membro participante, o que gera indivíduos especialistas em determinadas funções 
aumentando a eficiência do conjunto e sobrevivência da espécie, a ponto de ocorrerem 
selecções na escolha da função de acordo com a estrutura do corpo de cada animal. Por 
exemplo, formigas e abelhas. 
- Sociedades animais e humanas 
Uma sociedade humana é uma rede de relacionamentos entre pessoas, uma comunidade 
interdependente. O significado geral de sociedade refere-se simplesmente a um grupo de 
pessoas vivendo juntas numa comunidade organizada. A sociedade é a consequência do 
comportamento propositado e consciente. Isso não significa que os indivíduos tenham firmado 
contratos por meio dos quais teria sido formada a sociedade. As ações que deram origem à 
cooperação social, e que diariamente se renovam, visavam apenas à cooperação e à ajuda 
mútua, a fim de atingir objetivos específicos e individuais. 
Sociedade é divisão de trabalho e combinação de esforços. Por ser um animal que age, o homem 
torna-se um animal social. O ser humano nasce num ambiente socialmente organizado. O 
indivíduo vive e age em sociedade. Mas a sociedade não é mais do que essa combinação de 
esforços individuais. A sociedade em si não existe, a não ser através das ações dos indivíduos. 
2. Colónias 
Uma colónia é o agrupamento de vários indivíduos da mesma espécie que apresentam um 
elevado grau de dependência entre si, podendo ou não ocorrer divisão do trabalho. Quando 
constituídas por organismos que apresentam a mesma forma, não ocorre divisão de trabalho, 
todos os indivíduos são iguais e executam as mesmas funções vitais, nesses casos são 
denominadas colonias isomorfas. Por exemplo as colónias de corais. 
Quando constituídas por indivíduos com formas e funções distintas ocorre a divisão de 
trabalhos, (são denominadas colonias heteromorfas). Um exemplo é o celenterado da espécie 
Physalia physalis, popularmente conhecida por “ caravela” , que forma colónia com indivíduos 
especializados na protecção e defesa, os chamados dactilozoides, especializados na reprodução 
os chamados gonozoides, especializados em natação os chamados nectozoides, especializados 
na flutuação os chamados pneumozoides, e os especializados em digestão os chamados 
gastrozoides, cada qual desempenhando funções diferentes no conjunto. 
3. Mutualismo 
O mutualismo é uma relação entre indivíduos de espécies diferentes, em que ambos são 
beneficiados. Um bom exemplo desta relação costumava ser a associação de algas e fungos 
formando os líquens, porém estudos recentes classificam esse tipo de relação como um 
parasitismo controlado, uma vez que foi evidenciada uma estrutura do fungo chamada 
apreensório, que possui a função de agarrar a alga (estrutura é comum em parasitas). 
Outro exemplo é a relação entre os cupins e a triconinfa. Os cupins, ao comerem a madeira, 
não conseguem digerir a celulose, mas em seu intestino vivem os protozoários, capazes de 
digeri-la. Os protozoários, ao digerirem a celulose, permitem que os cupins aproveitem essa 
substância como alimento. Dessa forma, os cupins atuam como fonte indireta de alimentos e 
como “ residência” para os protozoário 
4. Comensalismo 
O comensalismo é um tipo de associação entre indivíduos onde um deles se aproveita dos restos 
alimentares do outro sem prejudicá-lo. O ser vivo que se aproveita dos restos alimentares é 
denominado comensal, enquanto que o ser vivo que lhe proporciona esse alimento fácil é 
denominado anfitrião. Alguns exemplos de comensalismo: A rêmora e o tubarão. A rêmora ou 
peixe-piolho é um peixe ósseo que apresenta a nadadeira dorsal transformada em ventosa, com 
a qual se fixa no ventre, próximo à boca do tubarão e é levada com ele. Quando o tubarão 
estraçalha a carne de suas presas, muitos pedacinhos de carne se espalham pela água e a rêmora 
se alimenta desses restos alimentares produzidos pelas atividades do tubarão. 
O exemplo didático mais antigo e mais clássico de comensalismo é o caso das hienas que se 
aproveitam dos restos das carcaças deixadas pelos leões. No entanto, algumas observações 
realizadas indicam que as hienas esperam que o leão faça o trabalho de abater a presa, em 
seguida o bando de hienas ataca o leão de forma a afugentá-lo e assim conseguem se apoderar 
de sua caça, inclusive impedindo que ele se alimente da caça que ele mesmo abateu, 
caracterizando assim uma relação de esclavagismo interespecífico e não propriamente de 
comensalismo. Vez por outra as hienas abatem leões e os devoram numa relação clara de 
predatismo. O comensalismo entre hienas e leões só acontece quando o leão já está fartamente 
alimentado e já tendo saciado a sua fome, abandona os restos da carcaça para as hienas e 
abutres. 
5. Inquilinismo ou Epifitismo 
O inquilinismo (ou epifitismo no caso das plantas) é um tipo de associação em que apenas um 
dos participantes se beneficia, sem causar qualquer prejuízo ao outro. Nesse caso, a espécie 
beneficiada obtém abrigo ou, ainda, suporte no corpo da espécie hospedeira, e é chamada de 
inquilino. Um exemplo típico é a associação entre orquídeas e árvores. Vivendo no alto das 
árvores, que lhe servem de suporte, as orquídeas encontram condições ideais de luminosidade 
para o seu desenvolvimento, e a árvore não é prejudicada 
Outro exemplo é o do Fierasfer, um pequeno peixe que vive dentro do corpo do pepino-do-
mar (Holoturia). Para alimentar-se, o Fierasfer sai do pepino-do-mar e depois volta. Assim, o 
peixe encontra proteção no corpo do pepino-do-mar, que não recebe benefício nem sofre 
desvantagem. 
4.2. Relações desarmónicas ou antagónicas 
1. Competição 
Existem duas modalidades de competição: Competição interespecíficos e Competição 
intraespecífica. 
A competição interespecíficos é uma relação de competição entre indivíduos de espécies 
diferentes, que concorrem pelos mesmos factores do ambiente, factores existentes em 
quantidades limitadas. 
Exemplos: 
- Corujas, cobras e gaviões são predadores que competem entre si pelas mesmas espécies de 
presas, principalmente por pequenos roedores (ratos, coelhos etc...) que são as presas 
predilectas destes diferentes predadores, portanto é uma competição por alimento. 
- Árvores de diferentes espécies crescendo umas muito próximas das outras competem entre sí 
pelo espaço para as copas das árvores se desenvolverem e assim obterem mais luz solar para 
realizarem a fotossíntese, portanto é uma competição por luz solar. 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Orqu%C3%ADdea
https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81rvore
https://pt.wikipedia.org/wiki/Pepino-do-mar
https://pt.wikipedia.org/wiki/Pepino-do-mar
A competição intraespecífica é uma relação de competição entre indivíduos da mesma 
espécie, que concorrem pelos mesmos factores do ambiente, que existem em quantidade 
limitada. A competição intraespecífica determina, basicamente, a densidade da população em 
certo local. Um exemplo desse tipo de competição é a territorialidade: disputa por espaço. 
Machos de uma mesma espécie precisam competir entre si pelas fêmeas dessa mesma espécie, 
fenômeno esse chamado "selecção sexual". O leão, por exemplo, tem que competir com os 
outros leões do bando porque os leões praticam a poligamia patriarcal e é necessário competir, 
lutar para ganhar ou perder, a chance de se acasalar com todas aquelasfêmeas do bando. 
2. Amensalismo (Alelopatia e antibióticos) 
O amensalismo ou antibiose consiste numa relação desarmônica em que indivíduos de uma 
população secretam ou expelem substâncias que inibem ou impedem o desenvolvimento de 
indivíduos de populações de outras espécies. O exemplo mais clássico de amensalismo são os 
antibióticos produzidos por fungos que impedem a proliferação das bactérias. Esses 
antibióticos são largamente utilizados pela medicina, no combate às infecções bacterianas. O 
mais antigo antibiótico que se conhece é a penicilina, substância produzida pelo fungo 
Penicillium notatum. 
Algumas plantas produzem substâncias inibidoras que são exaladas ao seu redor com a 
finalidade de inibir a germinação de outras plantas evitando assim que surjam plantas 
competidoras nas proximidades da planta inibidora, plantas que poderiam competir por espaço, 
luz e água mas que nem chegam a germinar porque foram inibidas, deixando assim a área livre 
para a inibidora se desenvolver sozinha. 
3. Predatismo 
Predação é uma relação desarmônica em que um ser vivo, o predador, captura e mata um outro 
ser vivo, a presa, com o fim de se alimentar com a carne dele. Geralmente, é uma relação 
interespecífica, ou seja, uma relação que ocorre entre espécies diferentes. 
 
Os carnívoros são exemplos de animais predadores, o leão, o lobo, o tigre e a onça são 
predadores que caçam, matam e comem zebras, coelhos, alces, capivaras e outros animais. Nas 
águas são comuns os peixes predadores que vivem caçando e matando outros peixes a fim de 
se alimentarem; aves predadoras, que matam e comem outros animais, como as corujas, águias 
e gaviões que atacam aves menores, ou seus ovos. 
Raros são os casos em que o predador é uma planta. As plantas carnívoras, no entanto, são 
excelentes exemplos, pois aprisionam, matam e digerem principalmente insetos afins de 
absorver os minerais contidos na carne deles. 
Os predadores estão sujeitos a fortes pressões selectivas para aprimorar dois aspectos da sua 
habilidade: a sensibilidade e especificidade de detectar a presa e as adaptações que ajudem a 
capturar e dominar a sua preza (garras desenvolvidas, dentes aguçados, bicos fortes e curvados, 
deslocamento rápido, salto ou voo picado e órgãos de sentido bem apurados). 
Por seu turno, as presas enfrentam também fortes pressões selectivas para contornar as 
adaptações dos seus predadores : mecanismos para subverter as modalidades sensoriais dos 
predadores e para escapar à captura caso sejam detectados (camuflagem, mimetismo, coloração 
de aviso, defesa química). 
4. Canibalismo 
Canibalismo é uma relação de predatismo intraespecífico em que seres de uma mesma espécie 
comem outros seres da sua própria espécie. 
Muitas espécies de peixes devoram os alevinos de sua própria espécie, jacarés e crocodilos 
também devoram filhotes das suas espécies. As fêmeas da aranha viúva-negra e dos insetos 
louva-a-deus devoram o macho logo após acasalamento, para obter as proteínas de seu 
organismo, necessárias para desenvolver os ovos no seu organismo e também para impedir que 
o macho copule com outras fêmeas, a fim de passar a melhor genética para seus descendentes 
e não deixar que passe essa genética para descendentes de outras fêmeas. 
5. Parasitismo 
Parasitismo é uma relação desarmônica entre seres de espécies diferentes, em que um deles é 
o parasita que vive dentro ou sobre o corpo do outro que é designado hospedeiro, do qual retira 
alimento para sobreviver em um tempo constante. 
Os parasitas geralmente não têm intenções de causar a morte dos hospedeiros, no entanto por 
vezes a população do parasita cresce exageradamente em determinados hospedeiros de forma 
que a superpopulação desses parasitas acaba causando a morte desses hospedeiros devido ao 
excesso de prejuízos causados pela quantidade anormal de parasitas parasitando um só 
organismo hospedeiro, designada hiperinfestação de parasitas. 
Quanto à localização no corpo do hospedeiro, os parasitas podem ser classificados em: 
Ectoparasitas "ecto" significa à superfície, Endoparasitas "endo" significa internos, Parasitas 
intracelulares "intra" significa dentro das células. Ectoparasitas são parasitas que vivem no 
exterior do corpo dos hospedeiros como os carrapatos, piolhos, pulgas, mosquitos e outros. 
Endoparasitas são parasitas que vivem no interior dos hospedeiros como a maioria das bactérias 
patogênicas, protozoários, o bicho-geográfico da dermatite linear sepiginosa, bicho-de-pé da 
tungíase, vermes intestinais e outros. Parasitas intracelulares são parasitas microscópicos que 
vivem e se reproduzem no interior das células dos hospedeiros, como os vírus e alguns 
protozoários, como o Plasmodium causador da malária. 
6. Esclavagismo 
Esclavagismo é um tipo de relação ecológica entre seres vivos onde um ser vivo se aproveita 
das atividades, do trabalho ou de produtos produzidos por outros seres vivos. Existem duas 
modalidades de esclavagismo: esclavagismo interespecífico e esclavagismo intraespecífico. 
Esclavagismo interespecífico é uma modalidade de esclavagismo quando esse tipo de relação 
ocorre entre indivíduos de diferentes espécies de seres vivos, exemplos: humanos e abelhas; 
formigas e pulgões. 
Esclavagismo intraespecífico é uma outra modalidade de esclavagismo que ocorre quando esse 
tipo de relação se desenvolve entre indivíduos da mesma espécie, exemplos: o leão "macho 
alfa" do bando é um esclavagista porque se aproveita do trabalho das leoas: a hiena "matriarca" 
do bando é uma esclavagista porque se aproveita do trabalho do bando: o homem é ou já foi 
esclavagista se aproveitando do trabalho de escravos humanos. 
 
 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Rela%C3%A7%C3%B5es_ecol%C3%B3gicas
https://pt.wikipedia.org/wiki/Humano
https://pt.wikipedia.org/wiki/Abelha
https://pt.wikipedia.org/wiki/Escravo
 
4.3. Coevolução nas diferentes formas de interacção 
A coevolução pode ser definida como a evolução simultânea de duas ou mais espécies que têm 
um relacionamento ecológico próximo. Através de pressões seletivas, a evolução de uma 
espécie torna-se parcialmente dependente da evolução da outra. É uma influência recíproca, 
onde as mudanças evolutivas de cada espécie influenciam as mudanças evolutivas da outra 
espécie. A coevolução é um processo biológico em que duas espécies exercem influência uma 
sobre a outra e evoluem juntas. 
As coadaptações que ocorrem entre algumas espécies provavelmente acontecem devido a 
coevolução entre elas, mas é necessário que seus ancestrais tenham evoluído juntos, ou seja, 
que desde os ancestrais das duas ou mais espécies já ocorriam adaptações mutuas que foram 
evoluindo reciprocamente levando às espécies atuais. Pode ocorrer que duas espécies evoluam 
independentemente e quando se encontram já estão coadaptadas, mas nesse caso não ocorreu 
uma coevolução entre elas. A coevolução pode acontecer com um benefício mútuo entre as 
espécies, que é quando ocorre a relação de mutualismo, ou pode acontecer por um processo 
antagônico, como na relação parasita-hospedeiro. 
4.3.1. Coevolução entre predadores e presas 
A coevolução, no caso da predação, tende a moldar predadores mais perigosos e estratégias de 
defesa mais eficazes por parte das presas. Sendo assim, continuamente há seleção de boas 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Evolu%C3%A7%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Esp%C3%A9cie
http://pt.wikipedia.org/wiki/Press%C3%A3o_seletiva
técnicas de predação (velocidade, força, precisão, adaptações morfológicas, etc.), já que 
predadores pouco eficientes não são capazes de capturar as presas mais adaptadas ao escape, e 
são selecionados negativamente frente ao mais eficientes. Concomitantemente, presas tendem 
a ser selecionadas quanto à capacidade de evitar a predação (defesas melhores, capacidade de 
fuga, estratégias crípticas, etc.). 
A corrida armamentista evolutiva pode atuar em vários tipos de relações ecológicas,sendo 
em espécies diferentes, ou até mesmo organismos de mesma espécie, desde que haja algum 
tipo de competição entre os participantes da corrida. 
O tipo mais comum e mais estudado em que a corrida ao armamento pode ser entendida é a 
relação entre presa-predador. Vermeij (1987) sugeriu que ao longo do tempo a briga evolutiva 
entre presa-predador vem se tornando cada vez mais forte, pois predadores desenvolvem 
adaptações cada vez mais eficientes para capturar a presa e ao mesmo tempo as presas 
melhoram suas defesas com o surgimento de características que elevam seus valores 
adaptativos. 
Em seu trabalho Vermeij propos o termo escalada evolutiva, tentando ilustrar que mesmo ao 
longo da evolução, os predadores atuais não são mais nem menos eficientes em capturar as 
suas presas se comparados aos predadores ancestrais. Esse argumento se encaixa na hipótese 
da Rainha Vermelha e na corrida armamentista evolutiva, pois mesmo adquirindo várias 
adaptações para a predação, o resultado foi um processo de soma igual a zero, pois a presa, ao 
longo do tempo, apresentou também especialidades que diminuem ou anulam o valor 
adaptativo conseguido pelo predador, igualmente a relação de predadores e presas ancestrais. 
 
O exemplo mais clássico de corrida armamentista evolutiva entre a relação presa-predador é 
entre a lebre e a raposa. A lebre como presa, constantemente tem que desenvolver estratégias 
de camuflagem e fugas mais rápidas para escapar com sucesso da raposa, e se manter viva. 
Caso isso ocorra, e se a raposa for monófaga (se alimenta de apenas um tipo de presa), ela 
sofrerá uma pressão seletiva e, se quiser obter alimento, terá que desenvolver ao longo do 
tempo adaptações, como por exemplo, músculos que a tornam mais rápida, que melhoram sua 
investida e eficiência na captura da lebre. Então a pressão seletiva agora se volta para o lado 
da lebre e mais uma vez será a presa que terá que evoluir nas seguintes gerações para não ser 
predada pela raposa, e assim sucessivamente. Desse modo a lebre corre pela vida e a raposa 
pelo alimento, sendo movidas por motivos diferentes, assim são componentes desse ciclo que 
é a corrida evoutiva. 
De acordo com Van Valen (1973), a evolução não é progressiva, pois as curvas de 
sobrevivência taxonômicas em escala logarítmica são lineares. Também mostrou que a 
macroevolução é moldada por um modo de coevolução chamado Rainha Vermelha. A 
coevolução em escalada é um exemplo de coevolução Rainha Vermelha. Essa log-linearidade 
mostrou que a probabilidade de uma espécie ser extinta independe de há quanto tempo ela 
existe. 
Na coevolução Rainha Vermelha, o nível de adaptação de uma espécie que está competindo 
com outra não muda, pois enquanto uma espé 87cie investe em armamentos, a outra investe 
em defesa, mantendo sempre uma competição estável. Assim as espécies se mantém em 
equilíbrio Rainha Vermelha, sempre que possível evoluem para alcançar um melhoramento 
adaptativo. 
Essa hipótese Rainha Vermelha é devido à Rainha Vermelha em Alice Através do Espelho do 
livro de Lewis Carrol: "aqui, veja você, é preciso correr tanto quanto se consegue para ficar no 
mesmo lugar". Na coevolução Rainha Vermelha, as espécies sofrem pressão seletiva para que 
seja capaz de enfrentar as espécies competidoras, melhorando em uma taxa constante. 
4.3.2. Coevolução entre Parasita-Hospedeiro 
A hipótese da Rainha Vermelha, através da corrida armamentista, se tornou muito evidente 
também em espécies que desempenham a relação parasita-hospedeiro. Tendo isso como base, 
é fácil imaginar uma corrida evolutiva nesse tipo de relação. Uma mudança no parasita que 
aumente sua capacidade de penetrar ou de se estabelecer no hospedeiro trará problemas a esse 
último. Então será necessária uma mudança no hospedeiro que sobreponha a adaptação 
conquistada pelo parasita, e caso sejam gerados mutantes com frequência, esse ciclo pode 
perdurar por muito tempo. 
 
Neste tipo de interação, o exemplo mais claro de corrida evolutiva ocorre entre um vírus e seu 
hospedeiro, muito provavelmente pela alta taxa de mutação e evolução do vírus. O vírus, por 
ser um organismo muito simples, consegue se reproduzir e obter mutações de maneira muito 
rápida e evoluir para formas diferentes constantemente, dificultando a proteção imunológica 
de seu hospedeiro. 
 
O vírus da gripe (Influenza) é comum entre os seres humanos e está em constante corrida 
devido a sua alta taxa de mutação. Ao ser infectada, uma pessoa (tomando como exemplo o ser 
humano) sofre os sintomas e relativamente com pouco tempo pode obter uma imunidade àquele 
vírus, seja por mutação, por medicamento, entre outros. 
 Aquele vírus que foi eliminado, não infectará mais a pessoa que adquiriu a imunidade, a menos 
que este vírus sofra uma mudança e apresente um novo sistema de infecção capaz de penetrar 
e se estabelecer na pessoa. A taxa de evolução de um vírus é muito alta, e com a gripe não é 
diferente, logo irá sofrer uma mutação que lhe permitirá contaminar aquele hospedeiro. 
Novamente se restabelece o ciclo da corrida armamentista evolutiva, mas agora a pessoa 
infectada terá que desenvolver imunidade ao novo vírus que a infectou. 
 Por esse motivo a gripe é muito frequente entre os seres humanos, e nunca uma pessoa será 
infectada pelo mesmo vírus e mesma gripe mais de uma vez, ou seja, cada gripe é única. No 
caso do Influenza, bastando adquirir imunidade a um determinado tipo uma vez, ele não 
infectará mais, a menos que outro tipo infecte, ou que aquele tipo anterior sofra uma mutação 
permitindo a conquista do hospedeiro que ainda não possui um sistema imunológico capaz de 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Influenza
combater essa nova forma do vírus. O fato do vírus conseguir mudar de forma rapidamente, 
como por exemplo o da gripe, faz com que ele não seja exatamente igual ao de antes, assim o 
sistema imunológico de uma pessoa não reconheçe aquele parasita como o mesmo que a 
contaminou anteriormente, então o corpo terá que desenvolver uma nova defesa contra o atual 
infectante. 
Muitos outras espécies se relacionam na forma parasita-hospedeiro e estão em constante 
corrida de modo que suas pressões seletivas são guiadas de acordo com o surgimento de uma 
nova adaptação do outro componente da interação. Daphnias (conhecidas como pulgas 
d’ água), por exemplo, são frequentemente infectadas por parasitas microscópios que através 
de sua virulência conseguem reduzir a densidade populacional das pulgas d’ água, mas em 
contrapartida esse pequeno crustáceo nas próximas gerações pode gerar alguma progênie 
mutada que apresenta resistência ao infectante, inibindo ou diminuindo o parasitismo, forçando 
o parasita a entrar na corrida evolutiva. 
Vermes, insetos, protozoários, bactérias, fungos, todos esses possuem exemplos de parasitismo 
em vários hospedeiros, como plantas, vertebrados, invertebrados, entre outros, assim então 
podendo entrar em um ciclo de coevolução que é a corrida armamentista. 
4.3.3. A coevolução entre mutualistas 
Pode conduzir a um arranjo estável de adaptações complementares que promovam a interação. 
Segundo Futuyma (2003), o termo coevolução foi utilizado pela primeira vez 
por Erlich e Raven (1964) na descrição sobre prováveis influencias que plantas e insetos 
herbívoros têm sobre a evolução do outro. Duas espécies podem estar evoluindo de modo 
independente e em um determinado tempo pode simplesmente ocorrer que as duas formas 
estejam mutuamente adaptadas (pré-adaptadas). 
Logo, para demonstrar coevolução deve-se não só mostrar que as duas formas estejam 
coadaptadas hoje, mas que seus ancestrais evoluíram juntos, exercendo forças seletivas um 
sobre o outro. Não há um acordo coletivo entre a definição do termo. Tem sido amplamente 
definido como evolução na qual a adaptabilidade de cada genótipo depende das densidades 
populacionais e da composição genética da própria espécie e da espéciecom a qual interage. 
4.3.4. Coevolção entre predadores 
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Daphnias&action=edit&redlink=1
Dois pressupostos básicos: (1) sobreposição de utilização de recursos e (2) co-ocorrência (local 
e temporal). Para que se tenha segurança ao se discutir coevolução entre competidores, sugere-
se que as seguintes evidências sejam buscadas: 
• Divergência entre as espécies precisa ter ocorrido (ex. fósseis). 
• A divergência deve ter ocorrido devido à competição entre as espécies. 
• A divergência deve apresentar base genética (não deve se tratar de plasticidade 
fenotípica somente). 
Questão de debate: a coevolulução entre competidores pode conduzir aos indivíduos 
competidores a desenvolver preferência aos recursos diferentes. Justifique. 
4.3.5. Mimetismo 
 
Um dos anéis miméticos mais conhecidos entre espécies de borboletas Helicoidae. 
Mimetismo consiste na presença, por parte de determinados organismos denominados 
mímicos, de características que os confundem com um outro grupo de organismos. Por 
exemplo o bicho-folha é confundido com a folha de determinada espécie de planta. Essa 
semelhança pode se dar principalmente no padrão de coloração, textura, forma do corpo, 
comportamento e características químicas, e deve conferir ao mímico uma vantagem 
adaptativa. 
Mimetismo é o caso em que uma espécie possui características que evoluíram especificamente 
para se assemelhar com as de outra espécie, um exemplo de evolução convergente. 
Essa semelhança confere vantagens, tais como proteção contra predação para um ou ambos os 
organismos, através de algum fluxo de informação entre os organismos miméticos e 
mimetizados, e o agente que recebe os sinais miméticos (agente de seleção). O agente de 
seleção (predador, simbionte, ou hospedeiro de parasita, dependendo do tipo de mimetismo 
encontrado) interage diretamente com os organismos aparentemente similares e é iludido por 
sua similaridade. 
Este tipo de seleção distingue o mimetismo de outros tipos de semelhança convergente, 
resultantes de outras forças seletivas, como a camuflagem, que se refere ao padrão de coloração 
e textura, que torna um organismo semelhante ao seu entorno, dificultando a sua detecção. 
4.3.5.1. Etimologia 
Proveniente do termo grego "mimetés" que significa imitação. Era originalmente usado para 
descrever pessoas, só foi aplicado em biologia a partir do início do século XIX. 
4.3.5.2. Histórico 
Em 28 de maio de 1848, dois jovens naturalistas ingleses aportaram em Belém do Pará, Brasil, 
em busca de conhecimentos sobre história natural e principalmente em busca de espécimes 
para vender a colecionadores diletantes da Inglaterra e assim pagar as despesas da viagem. Os 
dois naturalistas eram Henry Walter Bates e Alfred Russel Wallace. Nesta viagem que durou 
cerca de 11 anos Bates viajou pela Amazônia e foi com as observações que lá obteve sobre 
grupos de borboletas impalatáveis Heliconiidae, e as palatáveis Dismorphiinae (Pieridae) que 
cunhou o termo mimetismo e a teoria de que espécies desprotegidas podem levar vantagem 
adaptativa ao parecerem com espécies protegidas (posteriormente denominado mimetismo 
batesiano) em 1862. 
Bates também havia observado exemplos de espécies de borboletas aparentemente 
desagradáveis que se assemelhavam a outro tipo também desagradável: "Não só, porém, são as 
Heliconidae os objetos selecionados para a imitação, alguns deles são eles próprios os 
imitadores". 
Bates sugeriu que espécies raras, independente de sua palatabilidade, poderiam ganhar proteção 
contra predadores, assemelhando-se às mais comuns da espécie antecipando Múller por mais 
de uma década. 
Johannes Friedrich Müller, que havia emigrado para o Brasil em 1852, foi atingido pelo mesmo 
fenômeno intrigante de mimetismo entre borboletas palatáveis. Müller propôs várias 
explicações para a tendência, uma explicação inicial foi inspirada pela teoria de Darwin da 
seleção sexual, especificamente, que os indivíduos podem desenvolver uma preferência por 
parceiros com padrões de cores certas depois de ver outras formas (da mesma espécie ou 
espécie diferente), com aparências semelhantes. 
No entanto, se este argumento particular estivesse correto, então seria de se esperar que o 
processo tendesse a produzir semelhanças mais próximas entre organismos masculinos co-
mímicos que os femininos, porém, onde o dimorfismo sexual ocorre, são as fêmeas que tendem 
a ser miméticos. 
Em 1878, Müller fez uma breve descrição de uma explicação diferente para o fenômeno, desta 
vez, como a teoria original de Bates, ele assumiu que o mimetismo surgiu como conseqüência 
da seleção imposta por predação. O argumento de Müller baseou-se na "força dos números": 
duas ou mais espécies não palatáveis podem evoluir para uma aparência semelhante, 
simplesmente por compartilharem custos de mortalidade menores envolvidos no ensino de 
predadores ingênuos para evitá-los. 
4.3.5.3. Evolução do mimetismo 
Ainda há muitas perguntas sobre a via evolutiva do mimetismo que não foram elucidadas, no 
entanto, várias hipóteses foram geradas para tentar explicar como as alterações na aparência 
dos organismos que emitem sinal semelhante se movem em relação um ao outro durante a 
evolução. 
Dixey em 1897 argumentou que a aparência do modelo não se altera durante a evolução do 
mimético. Este raciocínio baseia-se no pressuposto de que a resposta mimética gradual atinge 
seu máximo com a manutenção das características do modelo. Assim mutações no modelo 
seriam geralmente menos eficientes. 
Fisher em 1930 argumentou contra Dixey e afirmou que a seleção tenderá a modificar o modelo 
de modo a torná-lo diferente do organismo mimético e tão evidente, chamando atenção do 
predador, quanto possível. No entanto, manteve a idéia de que o valor mimético atinge seu 
máximo com a manutenção das características do modelo. Sua explicação foi baseada na 
suposição de que o valor mimético é assimétrico, de modo que as mutações que distanciam o 
modelo do mimético são menos desvantajosas que aquelas que o aproximam. 
Recentemente, pesquisadores têm argumentado que o modelo se afasta do mimético, mas a um 
ritmo mais lento onde, o mimético deve ser capaz de se aproximar do modelo mais rápido do 
que este se afasta para que o mimetismo possa se estabelecer. Parece necessário para a 
aparência do modelo alterar-se durante a evolução, caso contrário o mimetismo mülleriano 
tornar-se-ia um problema, pois, ambos o modelo e o mimético podem ser vistos como modelo 
um para o outro. Se a aparência dos dois organismos for diferente e ambos estiverem em sua 
resposta máxima, eles podem evoluir para esse novo sinal que os diferencia? 
Uma alternativa para este dilema foi feita por Nicholson em 1927, a hipótese das duas etapas. 
Nela o primeiro passo é a mutação de um gene modificador que atua na regulação de um 
complexo super-gene, trazendo uma espécie mais próxima em aparência da outra rapidamente. 
O segundo passo seria de pequenas mutações que ajustariam a semelhança perfeita entre 
modelo e mimético. 
4.3.5.4.Classificação 
Existem diversos tipos de mimetismo, e estes podem ser classificados quanto ao valor 
adaptativo que beneficia a espécie imitadora ou também podem ser classificados quanto às 
diferentes funções que desempenham na vida do organismo. 
4.3.5.4.1.Classificação quanto ao valor adaptativo 
Essa classificação leva em conta o valor adaptativo que beneficia a espécie imitadora. Existem 
quatro tipos de mimetismo: Batesiano, Mülerriano, Peckhamiano e Wasmanniano. 
1. Batesiano 
O mimetismo Batesiano ocorre quando a espécie mimética e o modelo vivem no mesmo espaço 
geográfico ao mesmo tempo, mas não interagem de forma direta. É notável que uma 
característica presente neste tipo seja a maior abundância do organismo modelo na natureza 
que o ser mimético, de modo que o predador tenha maiores chances de predar o modelo 
(impalatável,agressivo...) e aprenda a evitá-los. Mimetismo Batesiano é conhecido como o 
fenômeno onde um animal inofensivo ou palatável evolui semelhante a um animal perigoso ou 
desagradável (modelo). 
 
Aranha mimetizando formiga. 
Exemplos 
Um dos modelos mais imitados por aranhas e outros artrópodes são as formigas, isso porque 
as formigas são evitadas pela grande maioria dos grupos animais por apresentarem ferrão, 
fortes mandíbulas, exoesqueleto duro, substâncias irritantes como o ácido fórmico e um sistema 
de defesa espetacular já que vivem em colônia. 
As aranhas que imitam formigas acabam apresentando um corpo que aparenta ser dividido em 
três segmentos, suas pernas se tornam longas e finas e suas quelíceras se asemelham a 
mandíbulas como as da formiga. Os olhos e o ferrão são imitados pela cutícula e fiandeira. 
2. Peckhamiano 
Ocorre quando a espécie mimética é o predador, que engana sua presa para se aproximar o 
suficiente a ponto de capturá-la. 
3.Wasmanniano 
Neste tipo de mimetismo as estratégias são variadas. Os estímulos utilizados dependem da 
forma na qual o hospedeiro reconhece co-específicos, podendo os estímulos serem químicos 
ou táteis. Neste mimetismo a espécie mimética não afeta negativamente a espécie imitada já 
que cada uma utiliza-se de presas distintas e a presença do mímico não tem efeito algum sobre 
o sucesso reprodutivo do modelo. Seriam basicamente comensalistas. 
4. Mülleriano 
 
Diversas espécies inofensivas que mimetizam vespas. 
Neste tipo de mimetismo a interação entre o modelo, a espécie mimética e o receptor do sinal 
igual é semelhante ao visto no batesiano, porém neste, tanto o modelo quanto o mimético 
compartilham sinais defensivos, coloração, forma e odores que conferem uma vantagem 
adaptativa ao facilitar a memorização destes animais pelo predador. 
Fazendo com que o predador associe a imagem da presa como imprópria para consumo, porém 
essa imagem é compartilhada entre 2 espécies diferentes, fazendo com que nenhuma dessas 
espécies seja predada.. 
Exemplo 
Um exemplo bem conhecido é o da lagarta Euchelia jacobaea, berrantemente colorida com 
faixas amarelas e negras, é rejeitada por aves insetívoras após um contacto mínimo, devido a 
secreções nauseabundas que emanam de sua derme. As vespas que trazem o mesmo padrão de 
coloração têm igualmente um gosto nauseabundo, por causa de seus órgãos digestivos. As aves, 
após terem atacado vespas ou lagartas daquelas espécies, rejeitam qualquer inseto que exiba o 
mesmo tipo de padrão cromático. 
4.3.5.4.2. Classificação quanto à função 
 
Coral falsa. 
1. Defensivo 
Tem como alvo os predadores do mímico. Quando um organismo (perigoso ou não) mimetiza 
outro organismo perigoso. Como o mimetismo batesiano, onde uma espécie inofensiva 
mimetiza uma espécie perigosa. 
2. Agressivo 
Tem como alvo a presa do mímico. Organismos perigosos que imitam situações inofensivas, 
como as aranhas do gênero Myrmarachne, Família Salticidae, que se disfarçam de formigas. 
Em algumas situações é vantajoso para um predador para se assemelhar a sua presa, ou um 
parasita seu hospedeiro (mimetismo do tipo peckhamiano). Para o mimetismo agressivo, a frase 
"um lobo em pele de cordeiro" é uma descrição apropriada, pois não envolve os mecanismos 
de alerta. 
O imitador adota algumas das marcas de reconhecimento de seu modelo, a fim de assegurar 
vantagem em relação ao modelo ou em relação a uma terceira espécie que interage com o 
modelo. O modelo pode ser mimetizado durante apenas uma etapa única do ciclo de vida, como 
no caso de cucos parasitárias, que pôem ovos que se assemelham aos de seus hospedeiros, ou 
o modelo pode imitar uma presa da vítima, como no caso dos peixes pescador, que possuem 
espinhos modificados com uma "isca" para atrair outros peixes próximos. 
Exemplo 
Nesta classe de mimetismo exemplos como aranhas gênero Zodarion, Aphantochilus e 
Strophius são especializadas em se alimentar de formigas e para facilitar tal processo predatório 
estas mimetizam as formigas. As formigas não apresentam boa visão e isso é uma vantagem 
para o mimetismo das aranhas. As formigas interpretam o ambiente usando sensores químicos 
e táteis, muito pouco a visão. A estratégia agressiva da aranha é simples, primeiro atrai ou passa 
despercebida pela formiga para capturá-la. Geralmente evitam contato físico para evitar a 
defesa coorporativa, ou seja, o ataque de oda a colônia. 
3. Reprodutivo 
Muito comum em plantas, que mimetizam a fêmea de algumas espécies de inseto e se 
beneficiam da tentativa de cópula do macho para sua polinização. Um grande número de 
plantas, especialmente orquídeas, usam a mímica para atrair insetos polinizadores à visitar a 
flor e polinizar com sucesso sem recompensa alimentar, como no caso de plantas que ofertam 
néctar, ao inseto polinizador. 
 
Orquídea mimetizando fêmea de artrópode. 
Exemplo 
Muitas flores que são vermelho escuro ou vermelho-púrpura produzem um perfume que é 
semelhante ao cheiro de carne podre. Neste caso, o polinizador visita a flor acreditando que há 
uma refeição ou uma carcaça, em que poderá colocar seus ovos. Moscas fêmeas pousam sobre 
essas flores, colocam seus ovos, e no processo de mudança de flor, inadvertidamente, 
polinizam-lo. 
 No entanto, quando os ovos eclodem as larvas morrem, pois não há carne podre para comer. 
Em outros casos, polinizadores enganados sobre a flor ao se moverem em torno desta, 
inadvertidamente, polinizam-a, enquanto tentam encontrar a carne podre para comer. Além da 
necessidade de comer, polinizadores precisam se acasalar, a fim de produzir a próxima geração 
e assegurar a continuidade da espécie. 
Muitas orquídeas aproveitam esse comportamento inato para se reproduzir. A verruga martelo 
orquídea da Austrália Ocidental produz um odor químico quase idêntico ao feromônio que a 
vespa Thynnine fêmea libera quando está sexualmente receptiva. O labelo da orquídea (lábio 
inferior) é também moldado de forma semelhante ao corpo da vespa fêmea. A vespa Thynnine 
macho agarra a fêmea imitação e tenta voar, neste processo ele carrega pólen alí contido, 
levando à outras orquídeas. 
Exemplos de mimetismo na natureza 
Invertebrados 
 
Mimetismo de aranhas. 
Joaninha (Coccinellidae) e besouros (Chrysomelidae) são considerados impalatáveis, e 
apresentam cores de destaque denominadas aposemáticas, geralmente, com manchas 
contrastantes. Um grupo inteiro de baratas filipinas do género Prosoplecta mimetiza esses 
besouros, tendo sofrido modificações profundas para alcançar a semelhança. Para simular a 
forma curta e arredondada das joaninhas, as grandes asas traseiras das baratas são enroladas e 
dobradas em uma forma sem paralelo em outros insetos. Outro grupo que comumente imita 
joaninhas são as aranhas que imitam as cores e manchas na parte superior. 
A ordem Lepidoptera é rica em mímica batesiana, o mais conhecido dos quais é uma borboleta 
de rabo de andorinha, Papilio Dardano, uma espécie comum em África. Em muitas populações 
desta espécie as fêmeas são polimórficas, isto é, um número de diferentes tipos de coloração 
são encontrados, com cada tipo sendo um mímico de uma espécie de borboleta não comestível 
de outro género (quer Danaus ou Amauris). Em todas as populações, os machos não são 
mímicos, mantendo o mesmo padrão amarelo e preto. 
A ordem Hymenoptera (especialmente as abelhas, vespas e marimbondos), normalmente é bem 
protegida contra a maioria dos predadores, possuindo além de uma coloração de advertência, 
picadas dolorosas. Sendo assim são imitados por insetos de muitas outras ordens. 
4. Vertebrados 
O fenômeno do mimetismo, onde uma espécie evolui para se assemelhar a outras surgem 
muitas vezes ao longo dos processos evolutivos dos reinos animal e vegetal. Em peixes 
marinhos este tipo de comportamento e muito bem documentado por Randall (2005). O 
trabalho de Sazima (2002) revisa os principais casos de mimetismoagressivo tanto para peixes 
de água doce quanto para peixes marinhos. 
 Em anfíbios (salamandras) o mimetismo é bem conhecido e estudado, envolve duas formas de 
cor da salamandra-de-dorso-vermelho comum, Plethodon cinereus. Tal salamandra 
normalmente apresenta pigmentação escura nas laterais do corpo, mas em algumas regiões 
encontra-se uma forma que não possui a pigmentação escura e possue coloração vermelho-
alaranjada nos flancos e dorso. Esta forma assemelha-se aos tritôes-vermelhos que são 
extremamente tóxicos e pode dar algum grau de proteção a estas salamandras que são 
palatáveis. 
4.3.6. Coevolução entre plantas e Herbívoros 
As defesas vegetais contra a herbivoria incluem uma série de adaptações desenvolvidas pelas 
plantas para aumentar sua sobrevivência e reprodução por meio da redução no impacto dos 
herbívoros. 
Há quatro estratégias básicas empregadas por plantas para reduzir o dano por herbívoros. Uma 
delas é escapar ou evitar os herbívoros no tempo ou no espaço, por exemplo crescendo num 
local em que plantas não são facilmente acessadas ou então crescendo durante um período 
curto, em que haja poucos herbívoros. Outra possibilidade é a tolerância à herbivoria, 
principalmente levando o herbívoro a se alimentar de tecidos não essenciais ou desenvolvendo 
uma maior capacidade de recuperação dos danos. 
Uma terceira estratégia, conhecida como defesa indireta, é a atração de inimigos naturais dos 
herbívoros, que ao se alimentarem destes, acabam reduzindo a herbivoria. Finalmente, as 
plantas também tem a capacidade de se protegerem diretamente, pelo uso de defesas químicas 
ou mecânicas. Essas defesas envolvem o uso de toxinas que matam os herbívoros ou reduzem 
sua capacidade de digerir a planta e espinhos e outras estruturas que dificultam o acesso aos 
tecidos da planta. Essas defesas podem ser constitutivas, estando sempre presentes na planta, 
ou induzidas, produzidas em resposta a dano ou estresse causado por herbívoros. 
Historicamente, os insetos são os herbívoros mais importantes no que concerne ao impacto que 
realizam nas plantas, e a evolução das plantas terrestres está fortemente associada à evolução 
dos insetos. Enquanto a maior parte das defesas vegetais é direcionada aos insetos, outros tipos 
de defesa evoluíram, direcionada a herbívoros vertebrados, principalmente mamíferos. O 
estudo de defesas vegetais contra herbivoria é importante, não apenas do ponto de vista 
evolutivo, mas também de maneira aplicada, por seu impacto na agricultura e na busca por 
plantas de importância médica. 
 
A hera venenosa, Toxicodendron radicans, produz urushiol como proteção contra herbívoros. 
Em humanos, essa substância causa uma alergia cutânea, conhecida como dermatite de contato 
induzida por urushiol. 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Vertebrado
 
Espécies do gêneroDigitalis produzem diversas substâncias mortais, principalmente 
glicosídeos do tipo cardíaco e esteróide. Sua ingestão pode causar náuseas, vômito, 
alucinações, convulsões e morte. 
4.3.6.1.Co-evolução 
Herbívoros dependem das plantas para se alimentarem, e desenvolveram mecanismos para 
obter esse tipo de alimento apesar da evolução de um conjunto de recursos defensivos por parte 
das plantas. Adaptações nos herbívoros contra defesas vegetais são consideradas 
características ofensivas e consistem em adaptações que permitem um aumento no uso de uma 
planta hospedeira. 
Interações entre herbívoros e suas plantas hospedeiras frequentemente resultam em mudanças 
evolutivas recíprocas, fenômeno denominado co-evolução. Quando um herbívoro se alimenta 
de uma planta, ele atua seletivamentebeneficiando plantas com a capacidade de expressar uma 
resposta defensiva. 
Em casos em que essa relação apresenta especificidade (a evolução de uma característica é 
resultado da outra), e reciprocidade (ambas as características evoluem), considera-se que as 
espécies tenham passado por co-evolução. O mecanismo co-evolutivo de "fuga e radiação" 
consiste na idéia de que adaptações em herbívoros e suas hospedeiras tem sido a força 
propulsora da especiação, e teve um papel importante na radiação dos insetos durante a 
existência das angiospermas 
Alguns herbívoros desenvolveram maneiras de subverter as defesas químicas vegetais em 
benefício próprio, sequestrando esses compostos e utilizando-os para se protegerem de 
predadores. 
4.3.6.2. Tipos 
Defesas vegetais podem ser genericamente classificadas como induzidas ou constitutivas. 
Defesas constitutivas estão sempre presentes na planta, enquanto as induzidas são sintetizadas 
ou mobilizadas para o local em que a planta sofre danos. 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Co-evolu%C3%A7%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Co-evolu%C3%A7%C3%A3o
Há grandes variações na composição e concentração de defesas constitutivas e elas variam de 
defesas mecânicas a redutores de digestibilidade e toxinas. A maioria das defesas mecânicas, 
defesas químicas do tipo quantitativo, que requerem grandes quantidades de recursos e são 
difíceis de mobilizar são geralmente constitutivas. 
Defesas induzidas incluem produtos do metabolismo secundário, assim como mudanças 
morfológicas e fisiológicas. Um vantagem das defesas do tipo induzido sobre as constitutivas 
é que o aumento na variabilidade torna essas defesas mais eficientes. 
Essa vantagem vem da idéia de que se herbívoros podem escolher entre diferentes plantas, ou 
tecidos dentro de uma planta, eles evitarão se alimentar de plantas que possuam ambos os tipos 
de defesa, constitutiva e induzida. 
1. Defesas químicas 
 
O Caqui, gênero Diospyros, tem um alto conteúdo de tanino, que dá ao fruto seu sabor 
adstringente e amargoquando verde. 
A evolução das defesas químicas nas plantas está ligada ao surgimento de substâncias químicas 
que não estão envolvidas nas atividades metabólicas essenciais para a fotossíntese. Essas 
substâncias, metabólitos secundários, são compostos orgânicos que não são necessários para o 
crescimento, desenvolvimento e reprodução desses organismos e são frequentemente 
sintetizados como sub-produtos do metabolismo de compostos primários. Esses metabólitos 
secundários exercem um papel muito importante nas defesas contra herbívoros. 
Metabólitos secundários são frequentemente caracterizados como quantitativos ou 
qualitativos. Metabólitos qualitativos são definidos como toxinas que interferem no 
metabolismo dos herbívoros, frequentemente bloqueando reações bioquímicas específicas. 
Esses metabólitos estão presentes nas plantas em concentrações relativamente baixas 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Metab%C3%B3lito_secund%C3%A1rio
(geralmente menos de 2% do peso seco), e seus efeitos independem da dosagem em que são 
ingeridos. 
 Essas defesas apresentam propriedades que facilitam sua síntese, transporte e armazenamento 
(como por exemplo, solubilidade em água, pequeno tamanho molecular e baixo custo 
energético). Essas substâncias são eficientes contra espécies de herbívoros não adaptadas a 
eles. 
 Compostos quantitativos são aqueles presentes em alta concentração nas plantas (de 5% a 40% 
do peso seco) e são igualmente efetivos tanto contra herbívoros especialistas como generalistas. 
A maioria dos metabólitos quantitativos funciona reduzindo a digestibilidade, tornando a 
parede celular das plantas indigerível aos animais. 
Os efeitos dos compostos quantitativos é dependente da dosagem, e portanto quanto maior a 
proporção desses compostos, menos nutrientes o herbívoro consegue obter ao se alimentar dos 
tecidos vegetais. Por serem geralmente moléculas grandes, essas defesas são energeticamente 
custosas para sintetizar e manter, e frequentemente levam mais tempo para sintetizar e 
transportar do que os compostos qualitativos. Portanto, essas substâncias devem exercer um 
papel importante na planta. 
- Tipos de defesa química 
Coletivamente denominados compostos anti-herbivoria, podendo ser classificados em trêssub-
grupos: compostos nitrogenados (incluindo alcalóides, glicosídeos cianogênicos e 
glicosinolatos), terpenóides, e compostos fenólicos. 
Alcalóides derivam de diversos aminoácidos. Mais de 3000 alcalóides são conhecidos, com 
exemplos incluindo nicotina, cafeína, morfina, colchicina, ergolinas, estriquinina e quinino. 
Alcalóides têm efeitos farmacológicos em humanos e outros animais; alguns alcalóides inibem 
ou ativam enzimas, ou alteram o armazenamento de carboidratos e gorduras, por inibição da 
formação de ligações fosfodiéster envolvidas em sua degradação. 
Alguns alcalóides se ligam a ácidos nucleicos e podem inibir a síntese de proteínas e afetar 
mecanismos de reparo de DNA. Alcalóides também podem afetar membranas celulares e a 
estrutura do citoesqueleto, causando enfraquecimento, vazamento ou rompimento das células, 
o que pode também afetar a transmissão nervosa. 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Alcal%C3%B3ide
Glicosídeos cianogênicos se tornam tóxicos ao serem quebrados pelas enzimas do trato 
digestivo dos herbívoros e liberam Cianeto de hidrogênio, que bloqueia a respiração celular. 
Glicosinolatos são ativados de maneira semelhante aos glicosídeos cianogênicos, e seus 
produtos podem causar gastroenterite, salivação, diarréia e irritação na boca. 
Os terpenóides, também denominados isoprenóides, são compostos orgânicos similares aos 
terpenos, derivados de unidade de cinco carbonos de isopreno. Há mais de 10.000 tipos de 
terpeno conhecidos. A maioria é formada por estruturas multicíclicas que diferem entre si tanto 
quanto aos grupos funcionais como nos esqueletos básicos de carbono. 
Monoterpenos, contendo duas unidades de isopreno, são óleos essenciais voláteis como 
citronela, limoneno, mentol, cânfora e pineno. Diterpenos, formados por quatro unidades de 
isopreno, são amplamente distribuídos no látex e em resinas, e podem ser tóxicos. Diterpenos 
são responsáveis pela toxicidade nas folhas de Rhododendron Esteróis e esteróides vegetais 
também são produzidos a partir de precursores terpenóides. Entre eles inclui-se a vitamina D, 
glicosídeos (como em digitalis) e saponinas (que causam o rompimento de hemácias dos 
herbívoros). 
Fenóis consistem de um anel aromático de seis carbonos ligados a um grupohidroxila. Alguns 
fenóis têm propriedades anti-sépticas, enquanto outros interrompem as atividades do sistema 
endócrino. Fenóis variam dos simples taninos até flavonóides mais complexos que dão às 
plantas a maioria de seus pigmentos vermelhos, azuis, amarelos e brancos. 
Fenóis complexos, denominados polifenóis são capazes de produzir efeitos diversos nos seres 
humanos, atuando inclusive como antioxidantes. Alguns exemplos de fenóis usados na defesa 
de plantas incluem: lignina, silibinina e canabinóides. Taninos condensados, polímeros 
compostos por dois a 50 (ou mais) moléculas de flavonóides, inibem a digestão dos herbívoros 
se ligando às proteínas vegetais consumidas, tornando-as difíceis de digerir. Além disso, 
interferem na absorção das proteínas e na ação de enzimas digestivas. Sílica e lignina, que são 
completamente indigeríveis por animais, gastam as mandíbulas dos insetos. 
Além dos três grandes grupos de substâncias mencinado acima, compostos derivados de ácidos 
graxos, aminoácidos e até peptídeos, podem também ser usados como defesa. A toxina 
colinérgica cicutoxina das plantas do gênero Cicuta, é um derivado do metabolismo de ácidos 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Fen%C3%B3is
http://pt.wikipedia.org/wiki/Anel_arom%C3%A1tico
http://pt.wikipedia.org/wiki/Anti-s%C3%A9ptico
http://pt.wikipedia.org/wiki/Taninos
http://pt.wikipedia.org/wiki/Flavon%C3%B3ide
http://pt.wikipedia.org/wiki/Polifen%C3%B3is
gráxos. A síntese de fluoroacetato em diversas plantas é um exemplo do uso de pequenas 
moléculas para perturbar o metabolismo do herbívoro, nesse caso o ciclo do ácido cítrico. 
2. Defesas mecânicas 
 
Os espinhos do pé de framboesa, atuam como defesa mecânica contra a herbivoria 
As plantas possuem muitas defesas estruturais externas que desestimulam a herbivoria. 
Dependendo das características físicas do herbívoro (como por exemplo tamanho e presença 
de algum tipo de proteção), as defesas estruturais presentes nos ramos e folhas das plantas 
podem afastar, ferir ou matar o herbívoro. 
Alguns compostos produzidos internamente são liberados na epiderme e atuam como defesas 
mecânicas; por exemplo, resinas, ligninas, sílica e cera cobrem a epiderme de plantas terrestres 
e alteram a textura dos tecidos vegetais. As folhas de plantas do gênero illex (gênero da erva-
mate, entre outras espécies), por exemplo, são muito lisas e escorregadias, tornando a 
alimentação difícil. Algumas plantas produzem substâncias viscosas que aprisionam os insetos 
herbívoros. 
 
Coqueiros protegem seus fruto s revestindo-os com múltiplas camadas de armaduras 
As folhas e ramos de uma planta podem estar cobertas de espinhos ou tricomas - pelos na 
superfície da folha, frequentemente com ramificações, e às vezes contendo substâncias 
irritantes ou venenosas. Características mais estruturais das plantas, como espinhos e acúleos 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Fluoroacetato
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ciclo_do_%C3%A1cido_c%C3%ADtrico
reduzem a alimentação por grandes herbívoros ungulados (por exemplo, kudus, impalas, e 
cabras) restringindo a sua taxa de alimentação ou desgastando os molares. 
 A estrutura de uma planta, seu padrão de ramificação e arranjo das folhas pode também ter por 
função reduzir o impacto de herbívoros. Os arbustos da Nova Zelândia desenvolveram 
adaptações que acredita-se ser uma resposta a aves pastadoras, como os moas. De maneira 
semelhante, Acacias africanas é densamente coberta de espinhos na região externa da copa, 
mas nenhum na região mais interior, que é comparativamente mais segura de herbívoros como 
girafas. Acácias jovens, que poderiam ser vulneráveis devido à sua proximidade ao chão, 
possuem maior quantidade de espinhos, que se reduzem gradativamente com a idade. 
Árvores como os coqueiros e outras palmeiras, podem proteger seus frutos com várias camadas 
de armaduras, sendo necessárias ferramentas eficientes para romper o fruto e chegar até o 
conteúdo da semente, além de grande habilidade para escalar o caule alto e relativamente liso. 
4.3.7. Mimetismo e Camuflagem 
Algumas plantas mimetizam a presença de ovos de inseto em suas folhas, desestimulando 
insetos a ovipositarem. Porque as fêmeas de algumas espécies de borboleta tem uma menor 
tendência a ovipositar em plantas que já possuam outros ovos, algumas espécies de trepadeira 
neotropicais do gênero Passiflora (plantas aparentadas do maracujá), possuem estruturas 
semelhantes aos ovos amarelos das borboletas do gênero Heliconiusem suas folhas, que 
desencorajam a oviposição por borboletas. 
1. Defesas indiretas 
 
As grandes estípulas semelhantes a espinhos de Acacia collinsiisão ocas e fornecem abrigo 
para formigas, que em troca, protegem a planta contra herbívoros. 
Outra categoria de defesas vegetais são aquelas características que protegem a planta 
indiretamente. Elas atuam aumentando a probabilidade de que os herbívoros sejam atacados 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Cabra
porinimigos naturais. Tal interação, entra a planta e os predadores, é conhecida como 
mutualismo, já que tanto as plantas como os inimigos naturais se beneficiam com a interação. 
Um tipo de interação desse tipo é a liberação de compostos de sinalização pelas plantas. 
Quando atacadas por herbívoros, algumas plantas liberam compostos voláteis que são 
percebidos por predadores e parasitóides como um indicativo da presença de herbívoros, sendo 
atraídos. A redução no número de herbívoros confere à planta um benefício em suaaptidão, 
demonstrando o efeito indireto desses voláteis. A produção de voláteis pode, no entanto, ser 
prejudicial em algumas situações, já que alguns estudos mostraram que eles podem atrair maisherbívoros. 
As plantas podem também utilizar a estratégia de fornecer abrigo e itens alimentares para 
inimigos naturais dos herbívoros como uma forma de manter sua presença e atividade. Por 
exemplo, árvores do gênero Macaranga possuem uma adapatação nas finas paredes de seus 
ramos que criam abrigos ideais para algumas espécies de formigas do gênero Crematogaster. 
As formigas, em troca, protegem a planta de herbívoros. Nesse caso, além de fornecerem 
abrigo, a planta também produz, em estruturas denominadas corpos alimentares, uma fonte 
nutritiva muito rica para as formigas. De maneira semelhante, algumas espécies de Acacia 
desenvolveram espinhos com a base dilatada, formando uma estrutura oca que funciona como 
abrigo. 
Essas árvores também produzem, em nectários extraflorais presentes nas folhas, néctar que é 
utilizado como alimento pelas formigas. Essa estratégia de produzir néctar em nectários 
extraflorais para atrair formigas é muito comum nas plantas tropicais, sendo observada em até 
metade das árvores em algumas regiões. 
A maioria das plantas possui endófitos, organismos microbianos que vivem no interior das 
plantas. Enqunato alguns são patogênicos, outros protegem as plantas de herbívoros e 
patógenos. Endófitos podem contribuir produzindo toxinas prejudiciais a outros organismos 
que atacam a planta. Por exemplo, alguns fungos que vivem no interior de gramíneas produzem 
alcalóides protetores. 
4.3.7.1. Perda das folhas e coloração 
Há indícios de que a queda das folhas (abscisão foliar), pode ser uma resposta que protege a 
planta contra doenças e certos tipos de herbívoros, como insetos galhadores e minadores, e 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Parasit%C3%B3ide
http://pt.wikipedia.org/wiki/Acacia
http://pt.wikipedia.org/wiki/End%C3%B3fito
http://pt.wikipedia.org/wiki/Pat%C3%B3geno
http://pt.wikipedia.org/wiki/Gram%C3%ADnea
http://pt.wikipedia.org/wiki/Abscis%C3%A3o_foliar
endófagos de folhas em geral. Outras respostas como a mudança de cor das folhas antes de cair 
tem sido hipotetizadas como adaptações que contribuem prejudicar a camuflagem dos 
herbívoros. 
Tem sido proposto que a mudança de coloração nas folhas durante o outono atue como um 
sinal honesto de que a planta vai alocar defesas contra insetos herbívoros que migram para as 
árvores no outono. 
4.3.7.2. Custos e benefícios 
Estruturas e substâncias químicas de defesa são custosas, já que demandam recursos que 
poderiam ser utilizados pelas plantas para maximizar o crescimento e reprodução. Muitos 
modelos tem sido propostos para explorar como e por que algumas plantas realizam esse 
investimento em defesa contra herbívoros. 
4.3.7.3. Hipótese de defesa ótima 
A hipótese de que a defesa ótima procura explicar como tipos particulares de defesa utilizadas 
por uma planta refletem as ameaças a que cada indivíduo está exposto. Esse modelo considera 
três fatores principais: risco de ataque, valor do tecido para a planta e custo da defesa. 
O primeiro fator determinando as defesas ótimas são o risco: Qual a probabilidade de uma 
planta, ou determinada parte de uma planta, ser atacada? Isso está também relacionado à 
hipótese de conspicuidade, que afirma que uma planta irá investir em defesas altamente 
efetivas quando puder ser facilmente encontrada por herbívoros. 
Exemplos de plantas que produzem esse tipo de defesa sistêmica incluem algumas árvores de 
vida longa, arbustos, e gramíneas perenes. Plantas pouco conspícuas, como plantas efêmeras, 
dos primeiros estágios sucessionais, por outro lado, investem preferencialmente em pequenas 
quantidades de defesas qualitativas, que são compostos tóxicos para a maioria dos herbívoros, 
mas susceptível a herbívoros especialistas. 
O segundo fator é o valor da proteção: Será que a planta teria menos chances de sobreviver e 
se reproduzir após a remoção de parte de sua estrutura por um herbívoro? Nem todas as partes 
da planta têm o mesmo valor para a aptidão. Portanto, partes mais valiosas devem conter mais 
defesas. 
O estágio de desenvolvimento no momento em que ela sofre o ataque também afeta a perda de 
aptidão resultante. Experimentalmente, o valor adaptativo de uma estrutura da planta é medido 
retirando-se essa parte da planta e observando o efeito . Em geral, órgãos ligados à reprodução 
(flores e sementes) não são tão facilmente substituídas como tecidos vegetativos, ramos e 
folhas apicais tem maior valor do que folhas da base dos ramos, e a perda de partes da planta 
no meio da estação de crescimento tem um maior efeito negativo do que a remoção no início 
ou final da estação. 
Sementes, particularmente, tendem a ser muito bem protegidas. Por exemplo, as sementes de 
frutos comestíveis contêm glicosídeos cianogênicos, como aamigdalina. Isso resulta do balanço 
entre a necessidade de fazer o fruto atrativo para os dispersores, enquanto assegurando que as 
sementes não sejam destruídas pelo animal. 
O último fator a ser considerado é o custo da defesa: quanto vai custar, em gasto energético e 
em nutrientes, uma determinada estratégia defensiva? Isso é especialmente importante, já que 
a energia gasta com defesas não pode ser usada para outras funções, como crescimento e 
reprodução. A hipótese de defesa ótima prevê que plantas vão alocar mais energia para defesa 
quando os benefícios da proteção forem maiores do que os custos de produção das defesas, 
especificamente em situações em que haja alta pressão de herbivoria. 
4.3.7.4. Hipótese de balanço Carbono: nutriente 
A hipótese de balanço Carbono: nutriente, também conhecida como hipótese de restrições 
ambientais, propõe que os vários tipos de defesas vegetais sejam respostas a variação nos níveis 
de nutrientes no ambiente. Essa hipótese prevê que a razão entre Carbono e Nitrogênio em 
plantas determina quais metabólitos secundários serão sintetizados. 
Por exemplo, plantas crescendo em solos pobres em Nitrogênio irão utilizar defesas baseadas 
em Carbono (principalmente redutores de digestibilidade), enquanto aquelas crescendo em 
ambientes com pouco carbono (como locais sombreados) têm maior chance de produzir toxinas 
baseadas em nitrogênio. 
A hipótese também prevê que as plantas podem mudar suas defesas em resposta a mudanças 
nos nutrientes. Por exemplo, se plantas se desenvolvem em condições pobres em nitrogênio, 
essas vão implementar estratégias de defesa compostas por defesas constitutivas baseadas em 
carbono. Se os níveis do nutriente aumentam, por exemplo pela adição de fertilizantes, essas 
defesas baseadas em carbono devem diminuir. 
4.3.7.4. Hipótese da taxa de crescimento 
A hipótese da taxa de crescimento, também conhecida como hipótese da disponibilidade de 
recursos, afirma que as estratégias de defesa são determinadas pela taxa de crescimento 
intrínseco da planta. A principal suposição é de que a disponibilidade de recursos é o fator 
limitante na determinação da taxa de crescimento máxima de dada espécie vegetal. Esse 
modelo prevê que o nível de investimento em defesas vai crescer à medida que se reduza o 
potencial para crescimento se reduza. Além disso, plantas em áreas pobres em recurso, com 
taxas de crescimento intrinsecamente menores, tendem a ter folhas e ramos mais longos, e a 
perda desses órgãos pode levar a uma perda de recursos escassos e valiosos para a planta. 
Um teste recente desse modelo consistiu em transplantes recíprocos de plântulas de 20 espécies 
de árvores entre solos argilosos (ricos em nutriente) e arenosos (pobres em nutriente), para 
determinar se o balanço entre as demandas conflitantes de ter um alta taxa de crescimento e 
investir em defesas restringia as espécies a determinados habitats. Plântulas originárias do solo 
arenoso tiveram maiores níveis de defesas baseadas em carbono, mas quando foram 
transferidas para solos argilosos ricos em nutriente, elas sofreram maior mortalidade por 
herbivoria. Esses resultados permitem sugerir que estratégias defensivaslimitam os habitats de 
algumas plantas. 
5. Ecossistema Sob Ponto De Vista Funcional 
Na biosfera podem delimitar-se várias unidades funcionais, os ecossistemas, ou seja, conjuntos 
formados por um meio físico (biótopo) e pelos seres vivos que nele habitam (comunidade 
biótica ou biocenose). Como a comunidade e o biótopo são mutuamente dependentes, o 
ecossistema é considerado como um sistema de influências mútuas entre os componentes da 
comunidade, e desses com o meio abiótico. 
Do ponto de vista funcional podem distinguir-se num ecossistema quatro componentes 
principais: os produtores, os consumidores, os decompositores e os factores abióticos. Por 
muito diferentes que possam ser o tipo de espécies e os factores abióticos nos vários 
ecossistemas, em principio estes quatro componentes encontram-se sempre na mesma relação 
funcional. Há grande diversidade de ecossistemas. 
5.1. Ecossistemas naturais 
São aqueles que não são modificadas pelo homem. A composição dos ecossistemas naturais, 
originalmente, é formada em decorrência de um longo processo de interação entre o meio 
ambiente e os seres vivos que foram se adaptando, se auto regulando, até atingirem um 
equilíbrio que dá sustentabilidade ao ecossistema e os tornam capazes de resistir a pequenas 
variações. Nenhum ecossistema natural é completamente independente, nem tem um tamanho 
definido ou ideal. Exemplos: bosques, florestas, desertos, prados, rios, oceanos, etc. 
Ambientes naturais são aqueles que se formaram sem intervenção humana, como os lagos, 
pântanos, oceanos. Entretanto, esses ambientes não são estáticos, têm sua dinâmica e, em 
muitos casos, são influenciados pela acção humana. 
5.2. Ecossistemas artificiais 
Um ecossistema artificial, como o nome sugere, é aquele criado pelo homem para imitar um 
ecossistema natural. Existe muito mais controle em um ecossistema artificial. A localização 
das plantas, quais animais vivem ali, o conteúdo do solo e, em alguns casos, como terrários, 
até a luz e a temperatura podem ser controladas. Exemplos: construídos pelo Homem: aquários, 
plantações, etc. 
Ambientes artificiais são aqueles que se formaram com a intervenção do Homem, como jardins, 
salinas, campos cultivados e o próprio ambiente urbano. 
Assim, consideram-se, quanto às dimensões, os ecossistemas seguintes: 
- microecossistemas, por exemplo, um tronco de uma árvore morta e uma poça de água; 
Numa floresta, por exemplo, as clareiras e as zonas densas, a face voltada a norte ou a sul de 
um tronco de árvore, apresentam comunidades bióticas distintas. Constituem pequenos 
ecossistemas no grande ecossistema que é a floresta. 
- mesoecossistemas, por exemplo, uma floresta e um lago; 
- macroecossistemas, por exemplo, um rio, um oceano e os grandes biomas. 
Por questões práticas, e atendendo às metodologias implicadas no estudo dos ecossistemas, 
estes podem considerar-se divididos em ecossistemas terrestres e ecossistemas aquáticos 
(marinhos, estuarinos e dulciaquicolas) 
5.3. Transferência de Energia nos Ecossistemas 
Nos ecossistemas a energia e a matéria é transferida entre os seres vivos e o meio físico. A 
principal fonte de energia nos ecossistemas é o Sol. Como sabemos o Sol é a única estrela do 
sistema solar, e liberta uma energia para a Terra que por sua vez são chamados de energia 
luminosa e energia solar. Essa energia é captada pelas plantas. As plantas, por fotossíntese, 
transformam energia solar em energia química e matéria orgânica, que por sua vez será 
transferida a outros organismos através da sua alimentação. 
Num ecossistema, as matérias são transferidas de organismo em organismo, ou seja as plantas 
na sua fotossíntese produz uma matéria orgânica a partir de uma matégria mineral, e que são 
autotróficas. Essa matéria será o alimento das plantas. Os animais precisam de se alimentar 
para ter matéria orgânica, por isso são heterófilos. Quando um organismo autotrófico e um 
organismo hetetrófico morre ou expela dejetos, os micro-organismos vão decompo-lo e assim 
vão transformar a matéria orgânica em matéria mineral, e será transformado em matéria 
orgânica pelas plantas, e assim recomeçando de novo o ciclo. 
A energia também transfere, mas pelo contrário de matéria a energia depende do Sol e isso 
significa que nunca volta ao mesmo, cada organismo nunca volta a ter a mesma energia. A 
energia que cada organismo armazena dentro de si só é transferido, quando é comido por outro 
ser vivo, mas cada ser vivo armazena uma pequena porção de energia dentro de si e é essa 
percentagem de energia que vai ser transferido. 
5.3.1. Fluxo de energia nos ecossistemas 
A luz solar representa a fonte de energia externa sem a qual os ecossistemas não conseguem 
manter-se. A transformação (conversão) da energia luminosa para energia química, que é a 
única modalidade de energia utilizável pelas células de todos os componentes de um 
ecossistema, sejam eles produtores, consumidores ou decompositores, é feita através de um 
processo denominado fotossíntese. Portanto, a fotossíntese - seja realizada por vegetais ou por 
microorganismos - é o único processo de entrada de energia em um ecossistema. 
Muitas vezes temos a impressão que a Terra recebe uma quantidade diária de luz, maior do que 
a que realmente precisa. De certa forma isto é verdade, uma vez que por maior que seja a 
eficiência nos ecossistemas, os mesmos conseguem aproveitar apenas uma pequena parte da 
energia radiante. Existem estimativas de que cerca de 34% da luz solar seja refletida por nuvens 
e poeiras; 19% seria absorvida por nuvens, ozônio e vapor de água. Do restante, ou seja 47%, 
que chega a superfície da terra boa parte ainda é refletida ou absorvida e transformada em calor, 
que pode ser responsável pela evaporação da água, no aquecimento do solo, condicionando 
desta forma os processos atmosféricos. 
 A fotossíntese utiliza apenas uma pequena parcela (1 a 2%) da energia total que alcança a 
superfície da Terra. É importante salientar, que os valores citados acima são valores médios e 
nãos específicos de alguma localidade. Assim, as proporções podem - embora não muito - 
variar de acordo com as diferentes regiões do País ou mesmo do Planeta. 
Um aspecto importante para entendermos a transferência de energia dentro de um ecossistema 
é a compreensão da primeira lei fundamental da termodinâmica que diz: “ A energia não pode 
ser criada nem destruída e sim transformada” . Como exemplo ilustrativo desta condição, pode-
se citar a luz solar, a qual como fonte de energia, pode ser transformada em trabalho, calor ou 
alimento em função da atividade fotossintética; porém de forma alguma pode ser destruída ou 
criada. 
Outro aspecto importante é o fato de que a quantidade de energia disponível diminui à medida 
que é transferida de um nível trófico para outro. Assim, nos exemplos dados anteriormente de 
cadeias alimentares, o gafanhoto obtém, ao comer as folhas da árvore, energia química; porém, 
esta energia é muito menor que a energia solar recebida pela planta. Esta perda nas 
transferências ocorrem sucessivamente até se chegar aos decompositores. 
 
 
 
E por que isso ocorre? A explicação para este decréscimo energético de um nível trófico para 
outro, é o fato de cada organismo; necessitar grande parte da energia absorvida para a 
manutenção das suas atividades vitais, tais como divisão celular, movimento, reprodução, etc. 
Os compostos orgânicos obtidos como produto da fotossíntese são utilizados pela planta como 
energia para seu metabolismo e eliminados como gás carbônico e água. Uma parte da matéria 
orgânica e da energia fica retida na planta, como no caule, folhas, dentre outros e servem de 
alimento para os consumidores primários e a outra parte sai sob a forma de calor. 
Os consumidores, ao se alimentarem dos seres autótrofos, eliminam parte da energia nas fezes 
e urina e outra é oxidada na respiração para a produção deenergia do ser vivo. A matéria que 
circula dos produtores para os consumidores, volta ao ecossistema ficando disponível para os 
produtores sob a forma inorgânica pela ação dos decompositores. Como a energia utilizada não 
é reaproveitada pelos seres vivos, sendo que apenas 10% da energia de um nível trófico passa 
para o seguinte, diz-se que o fluxo de energia num ecossistema é unidirecional. 
Fluxo de energia e ciclo da matéria no ecossistema. 
Como na transferência de energia entre os seres vivos não há reaproveitamento da energia 
liberada, diz-se que essa transferência é unidirecional e se dá como um fluxo de energia. A 
matéria, no entanto, pode ser reciclada. 
 
 
 
 
5.3.2. Pirâmides ecológicas 
As transferências de matéria e de energia nos ecossistemas são frequentemente representadas 
de forma gráfica, mostrando as relações entre os diferentes níveis tróficos em termos de 
quantidade. Como há perda de matéria e de energia em cada nível trófico, as representações 
adquirem a forma de pirâmides. 
 
Pirâmides ecológicas representam, graficamente, o fluxo de energia e matéria entre os níveis 
tróficos no decorrer da cadeia alimentar. Para tal, cada retângulo representa, de forma 
proporcional, o parâmetro a ser analisado. As pirâmides ecológicas podem ser de número, de 
biomassa ou de energia. 
1 Pirâmide de números 
Representa a quantidade de indivíduos em cada nível trófico da cadeia alimentar 
proporcionalmente à quantidade necessária para a dieta de cada um desses. 
 
Indica o número de indivíduos em cada nível trófico. Por exemplo: em um campo, 5000 plantas 
são necessárias para alimentar 300 gafanhotos, que servirão de alimento para apenas uma ave. 
Nesse exemplo, a pirâmide tem o ápice para cima. É necessário grande número de produtores 
para alimentar uns poucos herbívoros que, por sua vez, servirão de alimento para um número 
ainda menor de carnívor. Em uma floresta, uma única árvore pode sustentar grande número de 
herbívoros. Nesse caso, a pirâmide terá a forma inversa. 
 
 
 Em alguns casos, quando o produtor é uma planta de grande porte, o gráfico de números 
passa a ter uma conformação diferente da usual, sendo denominado “ pirâmide invertida” . 
 
 
Outro exemplo de pirâmide invertida é dada quando a pirâmide envolve parasitas, sendo assim 
os últimos níveis tróficos mais numerosos. 
2 Pirâmide de biomassa 
A biomassa é expressa em termos de quantidade de matéria orgânica por unidade de área, em 
um dado momento. A forma da pirâmide de biomassa também poder variar, dependendo do 
ecossistema. De modo geral, a biomassa dos produtores é maior que a de herbívoros, que é 
maior que a de carnívoros. 
 
Nesses casos, a pirâmide apresenta o ápice voltado para cima. Isso ocorre nos ecossistemas 
terrestres, em que, em geral, os produtores têm grande porte. Às vezes, no entanto, a pirâmide 
de biomassa apresenta-se invertida, como pode ocorrer nos oceanos e nos lagos, onde os 
produtores são pequenos e rapidamente consumidos pelos consumidores primários. 
 
3 Pirâmide de energia 
A energia solar captada pelos produtores vai-se dissipando ao longo das cadeias alimentares 
sob a forma de calor, uma energia que não é utilizável pelos seres vivos. À medida que esta 
energia é dissipada pelo ecossistema, ocorre uma permanente compensação com a utilização 
de energia solar fixada pelos produtores, passando depois através de todos os outros elementos 
vivos do ecossistema. 
O nível energético mais elevado, nos ecossistemas terrestres, é constituído pelas plantas 
clorofiladas (produtores). O resto do ecossistema fica inteiramente dependente da energia 
captada por eles, depois de transferido e armazenada em compostos orgânicos. O nível imediato 
é constituído pelos herbívoros. Um herbívoro obterá, portanto, menos energia das plantas 
clorofiladas do que estas recebem do Sol. O nível seguinte corresponde ao dos carnívoros. 
Apenas parte da energia contida nos herbívoros transitará para os carnívoros e assim 
sucessivamente. 
Foi adaptado um processo de representação gráfica desta transferência de energia nos 
ecossistemas, denominado pirâmide de energia, em que a área representativa de cada nível 
trófico é proporcional à quantidade de energia disponível. Assim, o retângulo que representa a 
quantidade de energia que transita dos produtores para os consumidores de primeira ordem é 
maior do que aquele que representa a energia que transita destes para os consumidores de 
segunda ordem e assim sucessivamente. 
As cadeias alimentares estão geralmente limitadas a 4 ou 5 níveis tróficos, porque há 
perdas de energia muito significativas nas transferências entre os diferentes níveis. 
Consequentemente, a quantidade de energia que chega aos níveis mais elevados já não é 
suficiente para suportar ainda outro nível trófico. 
 
 
 
A pirâmide de energia é construída levando-se em consideração a biomassa acumulada por 
unidade de área (ou volume) por unidade de tempo em cada nível trófico. Por considerar o fator 
tempo, a pirâmide de energia nunca é invertida. 
 
 
 
Estima-se que apenas cerca de 10% da energia disponível em um nível trófico sejam utilizados 
pelo nível trófico seguinte. Por exemplo: 
 
Por causa dessa redução da energia disponível a cada nível trófico, dificilmente há mais do que 
cinco elos em uma cadeia alimentar. 
 
 
Calculou-se que uma superfície de 40000m2 pode produzir, em condições adequadas, arroz em 
quantidade suficiente para alimentar 24 pessoas durante um ano. Se esse arroz, em vez de servir 
de alimento ao Homem, fosse utilizado para a criação de gado, a carne produzida alimentaria 
apenas uma pessoa nesse mesmo período. 
Quanto mais curta for uma cadeia alimentar, maior será, portanto, o aproveitamento da energia. 
Em países com falta de alimentos, o Homem deve optar por obtê-los através de cadeias curtas. 
Para cálculo da eficiência nas transferências de energia de um nível para o outro, há necessidade 
de avaliar a quantidade de matéria orgânica ou de energia existente em cada nível trófico, ou 
seja, é necessário conhecer a produtividade ao longo de todo o ecossistema. 
5.3.3. O modelo do fluxo energético 
Apesar de as pirâmides de energia constituírem uma das melhores maneiras de se representar 
a transferência de matéria e de energia nos ecossistemas, elas possuem três inconvenientes 
básicos, comuns também às outras pirâmides ecológicas. Elas não representam: 
- os decompositores, que são uma parte importante dos ecossistemas 
- a matéria orgânica armazenada, que é a matéria não utilizada e não decomposta; 
- a importação e a exportação de matéria orgânica de e para outros ecossistemas, uma vez que 
os ecossistemas são sistemas abertos, realizando intercâmbio uns com os outros. 
A melhor maneira de representar todos esses fatores é através do modelo do fluxo energético. 
 
 
 
5.4. A produtividade do ecossistema 
A atividade de um ecossistema pode ser avaliada pela produtividade primária bruta (PPB), que 
corresponde ao total de matéria orgânica produzida em gramas, durante certo tempo, em uma 
certa área ambiental: 
PPB = massa de matéria orgânica produzida/tempo/área 
Descontando desse total a quantidade de matéria orgânica consumida pela comunidade, durante 
esse período, na respiração (R), temos a produtividade primária líquida (PPL), que pode 
ser representada pela equação: 
PPL = PPB – R 
A produtividade de um ecossistema depende de diversos fatores, dentre os quais os mais 
importantes são a luz, a água, o gás carbônico e a disponibilidade de nutrientes. Em 
ecossistemas estáveis, com frequência a produção de (P) iguala o consumo de (R). Nesse caso, 
vale a relação P/R = 1. 
 
 
Produtividade Primária Bruta (PPB) = Taxa fotossintética total 
Produtividade Primária Líquida (PPL) = PPB - Respiração dos autótrofos 
Produtividade Líquida da comunidade (PLC)= PPL - Consumo por herbívoros 
5.5. Eficiência Ecológica 
Eficiência ecológica é a porcentagem de energia transferida de um nível trófico para o outro, 
em uma cadeia alimentar. De modo geral, essa eficiência é, aproximadamente, de apenas 10%, 
ou seja, cerca de 90% da energia total disponível em um determinado nível trófico não são 
transferidos para a seguinte, sendo consumidos na atividade metabólica dos organismos do 
próprio nível ou perdidos como restos. Em certas comunidades, porém a eficiência pode chegar 
a 20%. 
5.6. Cadeia alimentar 
 
A maioria das relações que os seres vivos tem entre si são referentes à alimentação, ou seja, é 
quando um organismo obtém de, outros a energia e a matéria orgânica para manter a sua 
sobrevivência. Cadeia alimentar é uma relação em que vários organismos estão interligados 
uns com os outros por alimentação. Esta relação começa normalmente pelas plantas, de seguida 
a matéria é transferido para outro, que por sua vez são comidos e assim seguindo o mesmo 
padrão. 
1º nível : Produtores - são organismos que produzem a sua própria matéria. 
2º nível : Consumidores primários - são organismos que se alimentam dos produtores. 
3º nível : Consumidores - são organismos que se alimentam dos consumidores. 
5.7. Teias alimentares 
Cada ser vivo tem uma alimentação variada, e isso significa que não se alimenta de uma 
espécie, por isso, estará sempre na mesma cadeia alimentar. As teias alimentares são um 
conjunto de cadeias alimentares. 
 
5.8. Pirâmides alimentares 
As pirâmides alimentares, também designadas por pirâmides trófica é uma representação onde 
indica a biomassa em cada nível trófico de um determinado ecossistema. 
 
 
6.Os ciclos biogeoquímicos 
A biogeoquímica é uma ciência que estuda a troca de materiais entre os componentes bióticos 
e abióticos da biosfera. Os seres vivos mantêm constante troca de matéria com o ambiente. Os 
elementos químicos são retirados do ambiente, utilizados pelos seres vivos e novamente 
devolvidos ao ambiente, num processo que constitui os ciclos biogeoquímicos. 
Os ciclos biogeoquímicos podem ser definidos como processos naturais que, por diversos 
meios, reciclam vários elementos em diferentes formas químicas do meio ambiente para os 
organismos e depois, fazem o processo inverso. Assim, a água, o carbono, o nitrogênio, o 
oxigênio, o enxofre, o fósforo, entre outros elementos, percorrem esses ciclos transformando o 
planeta Terra em um sistema dinâmico. 
Todos os elementos químicos tendem a circular na biosfera em vias características, do ambiente 
aos organismos e destes, novamente, ao ambiente. Como os recursos na Terra são finitos e a 
vida depende do equilíbrio natural desse ciclo, esse processo de reciclagem da matéria é de 
suma importância. A interferência do homem nos ciclos biogeoquímicos acelera o movimento 
de muitos materiais e assim os ciclos tendem a se tornar imperfeitos. 
O estudo desses ciclos se torna cada vez mais importante, com, por exemplo, para avaliar o 
impacto ambiental que um material potencialmente perigoso, possa vir causar no meio 
ambiente e nos seres vivos que dependem direta ou indiretamente desse meio para garantir a 
sua sobrevivência. É essencial a compreensão do funcionamento dos ciclos para um melhor 
monitoramento da poluição; estabelecimento de técnicas de manejo, tendo em vista das 
necessidades sustentáveis; determinação e controle da perda de fertilizantes; uso racional de 
recursos hídricos e minerais; controle do aumento de CO2 na atmosfera. 
Um ciclo biogeoquímico pode ser entendido como sendo o movimento ou um ciclo de um 
elemento ou elementos químicos através da atmosfera, hidrosfera, litosfera e biosfera da Terra. 
Tais elementos são essenciais à vida e são incorporados aos organismos na forma de compostos 
orgânicos ou através de diversas reações químicas. 
Os elementos essenciais quando disponíveis na forma molecular ou iônica recebem o nome de 
nutrientes, divididos em macronutrientes (participam com quantidades superiores a 0,2% do 
peso orgânico seco ou p.o.s.) e os micronutrientes (participam com quantidades inferiores a 
0,2% do p.o.s.). Entre os principais macronutrientes, encontra-se o Hidrogênio, o Oxigênio, o 
Fósforo, o Nitrogênio entre outros. No grupo dos micronutrientes destacam-se o Alumínio, o 
Boro, o Zinco e o Cromo. 
 6.1. Ciclo Hidrológico ou da Água 
Na natureza, a água é encontrada em três estados físicos: sólido, líquido e gasoso. A maior 
parte, aproximadamente 98%, está sobre a superfície da Terra sob a forma líquida: são os 
mares, os rios e as lagoas, além de uma pequena quantidade encontrada no interior do corpo 
dos seres vivos e no interior do solo. A água salgada compreende a maior parte da água líquida. 
A água doce é encontrada sob as formas sólida (75%), líquida (quase 25%) e gasosa, sendo 
esta última representada por pequeníssima quantidade de vapores de água encontrada na 
atmosfera. 
A pequena, embora importantíssima, quantidade de vapor de água encontrada na atmosfera tem 
duas origens: evaporação: da água líquida (salgada ou doce) e transpiração: dos seres vivos. 
A água que se evapora transporta energia e, à medida que sobe à atmosfera, é resfriada. O 
resfriamento causa a condensação dos vapores de água, que voltam à superfície terrestre sob a 
forma líquida (chuva). Havendo resfriamento excessivo, os vapores de água podem dar origem, 
ainda na atmosfera, à água no estado sólido, que cai sob a forma de neve ou de granizo. 
 
 
 
 
6.2 Ciclo do gás carbônico 
O gás carbônico é encontrado na atmosfera na proporção aproximada de 0,03% e também, em 
proporção semelhante, dissolvido nas águas superficiais de mares, rios e lagos. O gás carbônico 
é retirado do ar ou da água pelo processo de fotossíntese e a eles devolvido pela respiração. A 
decomposição do corpo de organismos mortos também participa do ciclo do CO2, pois nesse 
processo os microorganismos oxidam a matéria orgânica, liberando CO2 para a atmosfera. 
Outro factor de liberação de gás carbônico para a atmosfera é a queima de combustíveis fósseis, 
representados principalmente pelo carvão-de-pedra e pelo petróleo. A constante queima de 
combustíveis fósseis tem provocado aumento significativo da taxa de gás carbônico no ar, 
causando grande preocupação em termos do futuro da Terra. Assim, em virtude do aumento do 
carbono, maior quantidade de calor está sendo retida na atmosfera, pois o CO2 é um dos 
elementos que contribui para o incremento do efeito estufa. 
 
 
 
6.2.1. Efeito estufa 
O Efeito Estufa é a forma que a Terra tem para manter sua temperatura constante. A atmosfera 
é altamente transparente à luz solar, porém cerca de 35% da radiação que recebemos vai ser 
refletida de novo para o espaço, ficando os outros 65% retidos na Terra. Isto deve-se 
principalmente ao efeito sobre os raios infravermelhos de gases como o Dióxido de Carbono, 
Metano, Óxidos de Azoto e Ozônio presentes na atmosfera (totalizando menos de 1% desta), 
que vão reter esta radiação na Terra, permitindo-nos assistir ao efeito calorífico dos mesmos. 
Nos últimos anos, a concentração de 
dióxido de carbono na atmosfera tem 
aumentado cerca de 0,4% anualmente; 
este aumento se deve à utilização de 
petróleo, gás e carvão e à destruição das 
florestas tropicais. A concentração de 
outros gases que contribuem para o 
Efeito de Estufa, tais como o metano e 
os clorofluorcarbonetos também 
aumentaram rapidamente. O efeito 
conjunto de tais substâncias pode vir a 
causar um aumento da temperatura 
global (Aquecimento Global) estimado 
entre 2 e 6 ºC nos próximos 100 anos. 
Um aquecimento desta ordem de 
grandeza não só irá alterar os climas em 
nível mundial como também irá 
 
 
aumentar o nível médio das águas do 
mar em, pelo menos, 30 cm, o que 
poderá interferir na vida de milhões de 
pessoas habitando as áreas costeiras 
mais baixas. Se a terra nãofosse 
coberta por um manto de ar, a 
atmosfera, seria demasiado fria para a 
vida. 
As condições seriam hostis à vida, a qual de tão frágil que é, bastaria uma pequena diferença 
nas condições iniciais da sua formação, para que nós não pudessemos estar aqui discutindo-a. 
 
O Efeito Estufa consiste, basicamente, na acção do dióxido de carbono e outros gases sobre os 
raios infravermelhos refletidos pela superfície da terra, reenviando-os para ela, mantendo assim 
uma temperatura estável no planeta. Ao irradiarem a Terra, parte dos raios luminosos oriundos 
do Sol são absorvidos e transformados em calor, outros são refletidos para o espaço, mas só 
parte destes chega a deixar a Terra, em consequência da ação refletora que os chamados "Gases 
de Efeito Estufa" (dióxido de carbono, metano, clorofluorcarbonetos- CFCs- e óxidos de azoto) 
têm sobre tal radiação reenviando-a para a superfície terrestre na forma de raios 
infravermelhos. 
Desde a época pré-histórica que o dióxido de carbono tem tido um papel determinante na 
regulação da temperatura global do planeta. Com o aumento da utilização de combustíveis 
fósseis (Carvão, Petróleo e Gás Natural) a concentração de dióxido de carbono na 
atmosfera duplicou nos últimos cem anos. Neste ritmo e com o abatimento massivo de 
florestas que se tem praticado (é nas plantas que o dióxido de carbono, através da fotossíntese, 
forma oxigênio e carbono, que é utilizado pela própria planta) o dióxido de carbono começará 
a proliferar levando, muito certamente, a um aumento da temperatura global, o que, mesmo 
tratando-se de poucos graus, levaria ao degelo das calotes polares e a grandes alterações a nível 
topográfico e ecológico do planeta. 
6.3 Ciclo do Oxigênio 
O oxigênio participa não somente da composição da água e do gás ca99 i8 87cie i7 i9rbônico, 
mas também de numeroso compostos orgânicos e inorgânicos. Na atmosfera e na hidrosfera é 
encontrado livre, sob a forma de substância pura, simples, de fórmula O2. É uma gás liberado 
pelos organismos fotossintetizantes, através do processo de fotossíntese. É utilizado para a 
respiração de plantas e de animais, processo que resulta na produção de gás carbônico. 
A manutenção das taxas de oxigênio e de gás carbônico no ambiente depende desses dois 
processos opostos: a fotossíntese e a respiração. A fotossíntese é realizada somente durante 
o dia; a respiração é um processo contínuo, realizado pelas plantas e pelos animais, de dia e de 
noite. 
É interessante notar que o oxigênio é uma substância que não somente garante a vida na Terra, 
mas também origina-se da atividade vital. Praticamente todo o oxigênio livre da atmosfera e 
da hidrosfera tem origem biológica, no processo de fotossíntese. 
O O2 produzido pode participar também da formação da camada de ozônio (O3) na atmosfera. 
A presença de ozônio na atmosfera é de extrema importância para a humanidade, pelo papel 
que exerce de filtro das radiações ultravioletas, as quais, úteis em determinada intensidade, são 
nocivas em intensidades maiores. A nocividade das radiações ultravioletas está ligada a 
doenças como o câncer de pele e as alterações genéticas, por induzirem mutações indesejáveis. 
A camada de ozônio vem sendo progressivamente destruída, principalmente por ação de um 
gás conhecido por clorofluorcarbono, também designado por suas iniciais, CFC. O 
clorofluorcarbono é utilizado em sprays (aerossóis), condicionadores de ar, geladeiras, espuma 
plástica, componentes eletrônicos e outros produtos. O CFC liberado na atmosfera atravessa a 
troposfera, atingindo a estratosfera, onde se situa a camada de ozônio. 
O encontro do CFC com o ozônio determina a redução da quantidade de ozônio pelo seguinte 
processo: 
- Radiação ultravioleta do Sol quebra as moléculas de CFC deixando livres átomos de cloro: 
 
- Os átomos de cloro reagem com o ozônio, dando oxigênio e monóxido de cloro: 
 
- A radiação ultravioleta quebra moléculas de ozônio, originando oxigênio e átomos de 
oxigênio: 
 
- Os átomos de oxigênio reagem com o monóxido de cloro, formando oxigênio e deixando 
átomos de cloro livres: 
 
Com a liberação de átomos de cloro, reinicia-se o ciclo. 
Existem cálculos que estimam que em 75 anos a vida útil do CFC, e em cerca de 100 mil o 
número de moléculas de ozônio que podem ser destruídas por um único átomo de cloro. Em 
virtude dos sérios danos que esse gás pode causar, foi assinado um acordo mundial em 1987, 
conhecido como Protocolo de Montreal, que prevê a redução do uso desse gás à metade, até 
1999. Desde a assinatura do acordo têm-se procurado substitutos para o CFC, existindo já 
algumas substâncias sendo selecionadas. Uma delas é o hidrofluorcarbono (HFC), que contém 
hidrogênio em lugar de cloro. 
 
 
6.4 Ciclo do Nitrogênio 
O nitrogênio é um gás que ocorre na atmosfera na proporção aproximada de 79%. Apesar disso, 
não é utilizado de forma direta pelos seres vivos, com exceção de alguns microorganismos. Seu 
aproveitamento pela generalidade dos seres vivos está na dependência de sua fixação e 
posterior nitrificação. 
A fixação do N2 pode ser feita através de radiação ou da biofixação, sendo este último processo 
o mais importante. A biofixação é realizada por bactérias, cianobactérias e fungos que podem 
viver livres no solo ou associados a plantas. Esses organismos são os únicos que conseguem 
transformar o N2 atmosférico em uma forma utilizável pelos seres vivos: a amônia (NH3). Os 
biofixadores que vivem associados a plantas são mais eficientes nesse processo que os de vida 
livre. Isso porque a planta fornece um hábitat apropriado, geralmente nódulos nas raízes, que 
protege esses microorganismos contra um excesso de O2 (o qual inibe a fixação do nitrogênio) 
e fornece energia para a realização do processo. Em troca, a planta recebe um farto suprimento 
de nitrogênio sob a forma assimilável. 
 
A amônia produzida pelos biofixadores associados é incorporada diretamente aos aminoácidos 
da planta onde vivem. Já a amônia produzida pelos biofixadores de vida livre é transformada 
em nitrito e depois em nitrato, pela ação das bactérias nitrificantes (Nitrosomonas e 
Nitrobacter). Essas bactérias são autótrofas quimiossintetizantes, que utilizam a energia da 
nitrificação para a síntese de suas substâncias orgânicas. 
 
 
 
 
 
O nitrato pode ser absorvido pelos vegetais e o nitrogênio nele contido é utilizado na síntese 
de aminoácidos, proteínas e ácidos nucléicos. Essas substâncias são transferidas direta ou 
indiretamente para os animais, ao longo das cadeias alimentares. Os animais, portanto, só 
conseguem captar o nitrogênio indispensável para a síntese de suas proteínas e ácidos nucléicos 
ingerindo diretamente plantas ou, indiretamente, alimentando-se de outros animais da cadeia 
alimentar. 
O nitrogênio deixa o corpo dos organismos por dois processos: excreção de produtos 
nitrogenados e/ou decomposição dos organismos mortos. Os excretas nitrogenados uréia e 
ácido úrico são transformados em amônia por bactérias e fungos decompositores. Estes 
organismos também degradam as substâncias nitrogenadas contidas no corpo dos organismos 
mortos, transformando-as em amônia. 
A amônia pode retornar ao ciclo sendo transformada em nitrito e nitrato pelas bactérias 
nitrificantes, ou em nitrogênio (N2), por bactérias desnitrificantes. O N2 volta para a 
atmosfera, podendo entrar novamente na fase biológica do ciclo através dos processos de 
fixação. 
 
 
6.5. Ciclo do fósforo 
Além da água, do carbono, do nitrogênio e do oxigênio, o fósforo também é importante para 
os seres vivos. Esse elemento faz parte, por exemplo, do material hereditário e das moléculas 
energéticas de ATP. Em certos aspectos, o ciclo do fósforo é mais simples do que os ciclos 
do carbono e do nitrogênio, pois não existem muitos compostos gasosos de fósforo e, portanto, 
não há passagem pela atmosfera. Outra razão para a simplicidadedo ciclo do fósforo é a 
existência de apenas um composto de fósforo realmente importante para os seres vivos: o íon 
fosfato. As plantas obtêm fósforo do ambiente absorvendo os fosfatos dissolvidos na água e no 
solo. Os animais obtêm fosfatos na água e no alimento. 
 
 
A decomposição devolve o fósforo que fazia parte da matéria orgânica ao solo ou à água. Daí, 
parte dele é arrastada pelas chuvas para os lagos e mares, onde acaba se incorporando às rochas. 
Nesse caso, o fósforo só retornará aos ecossistemas bem mais tarde, quando essas rochas se 
elevarem em consequência de processos geológicos e, na superfície, forem decompostas e 
transformadas em solo. 
Assim, existem dois ciclos do fósforo que acontecem em escalas de tempo bem diferentes. 
Uma parte do elemento recicla-se localmente entre o solo, as plantas, consumidores e 
decompositores, em uma escala de tempo relativamente curta, que podemos chamar “ ciclo de 
tempo ecológico” . Outra parte do fósforo ambiental sedimenta-se e é incorporada às rochas; 
seu ciclo envolve uma escala de tempo muito mais longa, que pode ser chamada “ ciclo de 
tempo geológico” . 
6.6. Ciclo do Cálcio 
O cálcio é um elemento que participa de diversas estruturas dos seres vivos, ossos, conchas, 
paredes celulares das células vegetais, cascas calcárias de ovos, além de atuar em alguns 
processos fisiológicos, como a concentração muscular e a coagulação do sangue nos 
vertebrados. As principais fontes desse elemento são as rochas calcárias, que, desgastando-se 
com o tempo, liberam-no para o meio. No solo, é absorvido pelos vegetais e, por meio das 
cadeias alimentares, passa para os animais. Toneladas de calcária são utilizadas com frequência 
para a correção da acidez do solo, notadamente nos cerrados brasileiros, procedimento que, ao 
mesmo tempo, libera o cálcio para o uso pela vegetação e pelos animais. 
 
Nos oceanos o cálcio obtido pelos animais pode servir para a construção de suas coberturas 
calcárias. Com a morte desses seres, ocorre a decomposição das estruturas contendo calcário 
– conchas de moluscos, revestimentos de foraminíferos – no fundo dos oceanos, processo que 
contribui para a formação dos terrenos e rochas contendo calcário. Movimentos da crosta 
terrestre favorecem o afloramento desses terrenos, tornando o cálcio novamente disponível 
para o uso pelos seres vivos. 
6.7.Ciclo do Enxofre 
Enxofre é uma substância amarela encontrada no solo, que queima com facilidade. Ele entra 
na produção de ácido sulfúrico, uma substância muito utilizada para fertilizantes, corantes e 
explosivos (pólvora, palitos de fósforo, etc). O enxofre é encontrado nas rochas sedimentares, 
(formadas por depósitos que se acumularam pela acção da natureza) nas rochas vulcânicas, no 
carvão, no gás natural etc. 
O enxofre é essencial para a vida, faz parte da moléculas de proteína, vitais para o nosso corpo. 
Cerca de 140g de enxofre estão presentes no ser humano. A natureza recicla enxofre sempre 
que um animal ou planta morre. Quando apodrecem, as substâncias chamadas de “ sulfatos” , 
combinados com a água são absorvidos pelas raízes das plantas. Os animais o obtêm comendo 
vegetais ou comendo outros animais. 
Quando o ciclo é alterado, animais e plantas sofrem, isso vem acontecendo através da constante 
queima de carvão, petróleo e gás. Esses combustíveis são chamados de “ fósseis” , pois se 
formaram há milhões de anos, a partir da morte de imensas florestas tropicais ou da morte de 
microscópicas criaturas denominadas “ plânctons” . 
 
 
 
 
6.7.1. Chuva Ácida 
Ao queimar combustíveis fósseis para acionar as usinas, fábricas e veículos, é lançado enxofre 
no ar. Esse enxofre sobe para a atmosfera na forma de gás chamado “ dióxido de enxofre” , 
um grande poluente do ar. Quando o dióxido de enxofre se junta à umidade da atmosfera, forma 
o ácido sulfúrico, um dos principais componentes das chuvas ácidas. 
O dióxido de enxofre é produzido também nos pântanos e vulcões, mas em quantidades que o 
meio ambiente consegue assimilar. Atualmente existem enormes quantidades de fontes 
poluidoras, tornando as chuvas mais carregadas de ácido, dificultando ao meio ambiente anular 
seus efeitos. A chuva causa danos às folhas de espécies vegetais comprometendo a produção 
agrícola. Torna-se mais grave próxima às grandes concentrações industriais, atinge as florestas, 
os peixes e corroe edificações de pedra e concreto, inclusive metais expostos ao tempo que 
enferrujam mais rápido, como as pontes e edificações de aço. 
7. Sucessão ecológia 
Sucessão ecológica é o nome dado à sequência de comunidades, desde a colonização até a 
comunidade clímax, de determinado ecossistema. Estas comunidades vão sofrendo mudanças 
ordenadas e graduais. 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Comunidade
http://pt.wikipedia.org/wiki/Coloniza%C3%A7%C3%A3o_(ecologia)
http://pt.wikipedia.org/wiki/Comunidade_cl%C3%ADmax
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ecossistema
As primeiras plantas que se estabelecem (líquens, gramíneas) são denominadas pioneiras, e 
vão gradualmente sendo substituídas por outras espécies de porte médio (arbustos), até que as 
condições ambientais chegam uma comunidade clímax (árvores grandes), apresentando uma 
diversidade compatível com as características daquele ambiente. Nesta fase, o ecossistema 
apresenta um equilíbrio com o meio. 
Alguns fatores são importantes para a dinâmica da sucessão. As condições ambientais locais e 
as interações entre as espécies são fatores que contribuem para as mudanças ecológicas. 
A sucessão ecológica passa por três fases: 
• Comunidade pioneira ou ecese; 
• Comunidade secundária, intermediária ou seral; 
• Comunidade clímax. 
7.1. Tipos de sucessão 
1 Sucessão Primária 
Ocorre em ambientes desprovidos de vida anteriormente, como dunas de areia, rochas varridas 
pela erosão, um fluxo de lava, um lago recém-formado, etc. De acordo com as condições de 
geração deste novo substrato, seu desenvolvimento pode ser classificado como: 
• Hidrossere: comunidades em água doce 
• Lithosere: comunidades sobre rochas 
• Psammosere: comunidades em areia 
• Xerosere: comunidades em áreas secas 
• Halosere: comunidades em corpo salino (ex: pântanos) 
2 Sucessão secundária 
Ocorre num ambiente que foi anteriormente ocupado por outras comunidades e que sofreu 
algum tipo de perturbação, como forças naturais (vendavais, inundações, deslizamentos, 
furacões, etc), ou perturbações provocadas pelo homem ou animais (fogo, áreas cultivadas, 
corte de florestas, etc). 
7.2. Mecanismos de sucessão 
Uma teoria descritiva da sucessão, proposta por Frederic Clements em 1916, é hoje vista como 
uma teoria ecológica clássica, e de acordo com o autor, o processo envolve várias fases: 
http://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADquens
http://pt.wikipedia.org/wiki/Gram%C3%ADnea
http://pt.wikipedia.org/wiki/Arbusto
http://pt.wikipedia.org/wiki/Comunidade_cl%C3%ADmax
http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81rvore
http://pt.wikipedia.org/wiki/Diversidade
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ambiente
http://pt.wikipedia.org/wiki/Comunidade_pioneira
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ecese
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Comunidade_secund%C3%A1ria&action=edit&redlink=1
http://pt.wikipedia.org/wiki/Comunidade_cl%C3%ADmax
http://pt.wikipedia.org/wiki/Eros%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Substrato
http://pt.wikipedia.org/wiki/Perturba%C3%A7%C3%A3o
• Nudação – A sucessão começa com o acontecimento de uma perturbação e o 
surgimento de um sítio nu, desprovido de vida. 
• Migração – Chegada de propágulos ao ambiente. 
• Ecese – Estabelecimento e crescimento das primeiras plantas (pioneiras). 
• Concorrência - Fase em que o estabelecimento de novas espécies provoca uma 
competição por espaço, luz e nutrientes. 
• Reação – Como resultado da concorrência que o habitat impõe, as espécies vão sendo 
substituídas, de uma comunidade vegetal para outra. 
• Estabilização – A comunidade seestabiliza após as fases de reação, e surge o 
desenvolvimento de uma comunidade clímax. 
Ecólogos perceberam que este processo é dado não de forma aleatória, mas sim de forma 
determinística, sugerindo, no geral, três modelos de sucessão ecológica. 
1- O modelo de facilitação 
Parte do princípio de que as espécies pioneiras da sucessão possam alterar as condições e/ou a 
disponibilidade de recursos em um habitat de maneira que favoreça a entrada e o 
desenvolvimento de novas espécies. 
2- O modelo de inibição 
Sugere que os invasores iniciais regulam a sucessão de modo a não permitir a invasão e o 
crescimento de outras espécies sem prejuízo para as espécies iniciais. 
3- O modelo de tolerância 
Propõe que colonizadores iniciais não sejam nem facilitadores, nem inibidores da chegada de 
futuras espécies, sendo assim espécies mais eficientes na exploração de espaço e recursos, 
presumivelmente cada uma delas especializada em diferentes tipos ou proporções de recursos 
(MIRANDA,2009). 
Só precisamos prestar atenção na afirmação de Turner (1983), quando explica que só um tipo 
de modelo pode não ser suficiente para explicar a sucessão. Os mecanismos podem se alternar 
durante o processo, em determinado momento pode ocorrer facilitação, em outro pode ocorrer 
inibição. Um simples modelo pode ser resultado de um grande número de mecanismos. 
7.3. Implantação de espécies pioneiras 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Migra%C3%A7%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ecese
http://pt.wikipedia.org/wiki/Concorr%C3%AAncia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Nutrientes
http://pt.wikipedia.org/wiki/Rea%C3%A7%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Habitat
http://pt.wikipedia.org/wiki/Comunidade_cl%C3%ADmax
São as primeiras espécies vegetais que conseguem se estabelecer. Sua taxa de disseminação é 
alta e sua dispersão é facilitada por ação do vento ou de outros fatores ambientais (rios, 
correntes marítimas). Toleram altos níveis de radiação solar para germinar e se desenvolver e 
criam condições para o desenvolvimento de outras espécies vegetais denominadas 
intermediárias e tardias. 
7.4. Interações interespecíficas: 
• Facilitação: Uma ou mais espécies permitem o estabelecimento, crescimento e 
desenvolvimento de outras espécies. 
• Inibição: Uma ou mais espécies dificultam ou prejudicam o estabelecimento de futuras 
espécies. Isto pode ocorrer por competição pelo espaço e nutrientes, sombreamento ou 
produção de substâncias alelopáticas que inibem a germinação de outras sementes. 
• Tolerância: Espécies que não afetam o estabelecimento das demais espécies. 
7.5. Comunidade seral 
São os estágios intermediários da sucessão das comunidades ecológicas, que se iniciam após a 
implantação de espécies pioneiras, passando por um ou mais estágios intermediários, até atingir 
as condições de uma comunidade clímax. 
Cada ecossistema apresenta diferentes padrões de clima e substrato. Na medida em que se 
estabelece a dinâmica dos eventos que envolvem a sucessão das formas vegetais, as condições 
de luz, a ocupação e proliferação dos microorganismos e animais também vai se apresentar de 
forma diferenciada em cada etapa. 
7.6. Mudanças na vida animal 
As etapas iniciais da sucessão não apresentam condições para o estabelecimento de uma fauna 
diversificada, por não apresentarem recursos suficientes para a sua instalação. Verifica-se nesta 
fase a ocorrência de poucos animais como ácaros, formigas e aranhas. Na medida em que as 
espécies intermediárias da sucessão conseguem se estabelecer e diversificar, a fauna vai 
aumentando em espécies, até atingir as condições de uma comunidade clímax, com muitas 
espécies de invertebrados, insetos, répteis, anfíbios, aves e mamíferos. 
Dependendo do ecossistema, esta diversificação pode ser diferenciada. As regiões tropicais 
oferecem condições para abrigar uma grande diversidade de plantas e animais, enquanto 
regiões temperadas, geladas, desérticas, esta diversidade é mais restrita. 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Dispers%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Nutrientes
http://pt.wikipedia.org/wiki/Germina%C3%A7%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Microorganismos
http://pt.wikipedia.org/wiki/Fauna
http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81caros
http://pt.wikipedia.org/wiki/Comunidade_cl%C3%ADmax
http://pt.wikipedia.org/wiki/Invertebrados
http://pt.wikipedia.org/wiki/Insetos
http://pt.wikipedia.org/wiki/R%C3%A9pteis
http://pt.wikipedia.org/wiki/Anf%C3%ADbios
http://pt.wikipedia.org/wiki/Aves
http://pt.wikipedia.org/wiki/Mam%C3%ADferos
http://pt.wikipedia.org/wiki/Regi%C3%B5es_tropicais
http://pt.wikipedia.org/wiki/Regi%C3%B5es_temperadas
7.7. Microssucessão 
A sucessão microbiológica envolve a existência de substrato (recurso) para a diversificação de 
microorganismos como fungos e bactérias, que se diversificam com o aparecimento de 
vegetação em decomposição, excrementos e carcaças de animais, etc. 
7.8. O conceito de clímax 
É sucessão ecológica quando o ser consegue alcançar um equilíbrio com o ambiente físico e 
biótico, ou estado estacionário. A comunidade atinge o ápice de suas relações ecológicas,onde 
se chega ao ponto final da sucessão, ou clímax. Esta diversidade vai persistir indefinidamente, 
a não ser por ocorrência de grandes perturbações. 
Comunidade Clímax - estágio de máxima estabilidade atingido por uma comunidade durante 
o seu desenvolvimento. 
Comunidade clímax é uma biocenose caracterizada pela estabilidade onde o ecossistema está 
em equilíbrio dinâmico. A estabilidade está associada ao aumento de uma variedade de 
espécies e também pelo aumento da complexidade das relações alimentares. 
Nesta comunidade onde existe um perfeito equilíbrio com o meio ambiente, a biomassa total e 
a biodiversidade são maiores. O total de matérias orgânicas produzidas na comunidade é 
grande e a produtividade líquida é quase nula, pois tudo o que é produzido a própria 
comunidade consome. Isso mostra que a comunidade clímax tende a ser sempre estável. 
7.8.1. Características do clímax 
As populações não se alteram e o ecossistema está equilibrado. 
• Últimas espécies a instalarem-se, onde os indivíduos são substituídos por outros da 
mesma espécie. 
• De acordo com as formas de vida ou crescimento, são considerados indicadores de 
clima da região. 
• Para cada ambiente físico, há um tipo de clímax. 
7.8.2. Tipos de clímax 
Clímax Climático – Apenas uma comunidade clímax, sendo que, esta se encontra em 
equilíbrio com o clima regional. 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Substrato
http://pt.wikipedia.org/wiki/Microorganismos
http://pt.wikipedia.org/wiki/Fungos
http://pt.wikipedia.org/wiki/Bact%C3%A9rias
http://pt.wikipedia.org/wiki/Decomposi%C3%A7%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Estado_estacion%C3%A1rio
http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81pice
http://pt.wikipedia.org/wiki/Rela%C3%A7%C3%B5es_ecol%C3%B3gicas
http://www.infoescola.com/biologia/ecossistema/
http://www.infoescola.com/ecologia/comunidade-climax/
http://www.infoescola.com/combustiveis/biomassa/
http://www.infoescola.com/geografia/biodiversidade/
http://www.infoescola.com/ecologia/comunidade-climax/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ecossistema
http://pt.wikipedia.org/wiki/Comunidade_cl%C3%ADmax
http://pt.wikipedia.org/wiki/Equil%C3%ADbrio
Clímax Edáfico – Mais de uma comunidade clímax, modificada pelas condições locais. 
Término da sucessão ecológica, onde as condições edáficas não permitem que o clímax 
climático se desenvolva. 
Clímax Catastrófico ou Cíclico – Ecossistema com clímax natural cíclico vulnerável a um 
evento catastrófico. 
Disclímax (Clímax de distúrbio) – Comunidade estável, não incluindo clímax climático ou 
edáfico, mantido pelo homem ou seus animais domésticos, onde ocorrem distúrbios repetidos, 
muitas vezes decorrentes de atividades antrópicas. 
Subclímax – Precede o estágio final da sucessão ecológica. 
Pré-clímax e Pós-clímax – Em áreas com condições climáticas semelhantes, diferentes 
comunidades clímax se desenvolvem. Se apresentaremformas de vida inferiores aos 
apresentados no clímax climático, são denominadas pré-clímax. Se apresentam maior 
diversidade, são denominadas pós-clímax. Estas diferenças de pré e pós-clímax se explicam 
pelo fato de, numa mesma região, haver diferenças de umidade e alterações pequenas de 
temperatura, devido às mudanças de altitude, ou por proximidade à fontes de água, encostas de 
morros, etc. 
7.8.3. Teorias sobre o clímax 
Monoclímax – Defendida por Clements (1916), o clímax da unidade vegetacional e animal 
(bioma) é determinada apenas pelo clima. 
Policlímax – Para Tansley (1935), o clímax não é determinado apenas pelo clima, mas 
também pela combinação de outros fatores, como topografia, nutrientes e umidade no solo, 
ação do fogo e animais. 
Clímax Padrão – Proposta por Whittaker (1953), reconhece uma variedade de clímax regido 
pelas respostas da comunidade às condições de estresses bióticos e abióticos do ambiente. É 
definida como clímax climático a comunidade central e mais difundida na região. 
Uma teoria apresentada recentemente, chamada Teoria Alternativa dos Estados Estáveis, 
sugere que não há um ponto final na sucessão, mas muitos estados de transição ao longo do 
tempo ecológico (Jackson, 2003). 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Comunidade_cl%C3%ADmax
http://pt.wikipedia.org/wiki/Vulner%C3%A1vel
http://pt.wikipedia.org/wiki/Dist%C3%BArbio
http://pt.wikipedia.org/wiki/Antr%C3%B3pica
http://pt.wikipedia.org/wiki/Altitude
http://pt.wikipedia.org/wiki/Bioma
http://pt.wikipedia.org/wiki/Clima
http://pt.wikipedia.org/wiki/Clima
http://pt.wikipedia.org/wiki/Topografia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Nutrientes
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ambiente
http://pt.wikipedia.org/wiki/Transi%C3%A7%C3%A3o
7.8.4. Quebra do Clímax na Comunidade 
O clímax é quebrado por uma perturbação natural ou antrópica. Exemplos de quebra natural 
deste estágio são ações vulcânicas, glaciação, desequilíbrio específicos, etc. Já as causas 
antrópicas são decorrentes de ações humanas. Exemplos de eventos que causam a disrrupção 
do estágio climático são desmatamentos, poluição, chuva ácida, queimadas. Então a 
comunidade será transformada ou exterminada após esses acontecimentos, onde não 
conseguirá se manter resiliente e perderá sua estrutura clímax. 
Dado esse efeito, o conceito de clímax é seriamente discutido, visto que aumento da 
temperatura mundial, seja esse causado pelo homem ou de origem natural, modifica o 
equilíbrio competitivo das espécies. Logo, o estágio climáxico pode não ser algo fixo 
temporalmente, caso o clima também não seja 
8. Ecologia das populaçõe 
Os ecólogos estudam a estrutura populacional em diferentes escalas espaciais, variando de sub-
populações locais a espécies inteiras. Um novo ramo da Ecologia, denominado Ecologia de 
paisagem, focaliza o número e a distribuição espacial dos indivíduos, uma vez que essas 
características influenciam a estabilidade das populações e afetam as interações entre espécies. 
A população é a unidade de analise da ecologia de populações. Uma população consiste nos 
indivíduos de uma espécies que vivem, interagem e migram através do mesmo nicho e habitat. 
Demografia é a ciência que estuda a dinâmica populacional humana por meio de estatísticas 
que utilizam como critérios e religião, educação, etnia e outros critérios que são influenciados 
por fatores como taxa de natalidade, fecundidade e migrações. 
A Demografia é uma área da ciência geográfica que estuda a dinâmica populacional humana. 
O seu objeto de estudo engloba as dimensões, estatísticas, estrutura e distribuição das diversas 
populações humanas. Estas não são estáticas, variando devido à natalidade, mortalidade, 
migrações e envelhecimento. A análise demográfica centra-se também nas características de 
toda uma sociedade ou um grupo específico, definido por critérios como a Educação, a 
nacionalidade, religião e pertença étnica. 
No século XIX, mais precisamente no ano de 1855, Achille Guillard em seu livro Eléments de 
Statistique Humaine ou Démographie Comparée (Elementos de Estatística Humana ou 
Demografia Comparada), usou pela primeira vez o termo demografia. 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Resili%C3%AAncia_(ecologia)
http://www.infoescola.com/geografia/dinamica-populacional/
http://www.infoescola.com/sociologia/demografia/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Din%C3%A2mica_populacional
http://pt.wikipedia.org/wiki/Popula%C3%A7%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Natalidade
http://pt.wikipedia.org/wiki/Mortalidade
http://pt.wikipedia.org/wiki/Migra%C3%A7%C3%A3o_humana
http://pt.wikipedia.org/wiki/Envelhecimento_populacional
http://pt.wikipedia.org/wiki/An%C3%A1lise_demogr%C3%A1fica
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sociedade
http://pt.wikipedia.org/wiki/Educa%C3%A7%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Religi%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Grupo_%C3%A9tnico
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Achille_Guillard&action=edit&redlink=1
A demografia estendeu-se além do campo da antropologia. Principalmente na segunda metade 
do século XX, muitos estudos voltaram-se ao estudo da demografia de animais e de plantas. 
Significado: Demo- povo; Grafia- estudo, ou seja, Demografia é o estudo do povo/população. 
A demografia é um estudo que engloba desde estudos individuais e dependentes até projetos 
do governo em relação à população. 
8.1. População 
O conceito de população vem do termo latim populatio. Na sua acepção mais habitual, a palavra 
faz referência ao conjunto de pessoas que habitam a Terra ou qualquer divisão geográfica desta. 
Também permite referir-se ao conjunto de edifícios e espaços de uma cidade e à acção e ao 
efeito de povoar. 
Para a ecologia, a população é um conjunto de indivíduos da mesma espécie que ocupam a 
mesma área geográfica. Para a sociologia, em contrapartida, trata-se de um conjunto de 
indivíduos ou coisas submetido a uma avaliação estadística através da realização de uma 
sondagem. 
Convém ressaltar que o estudo das populações costuma ser regido pelas leis da probabilidade, 
pelo que as conclusões desses trabalhos podem não ser aplicáveis a certos indivíduos. A 
disciplina que estuda as populações humanas é a demografia. 
 
A análise da progressão da população humana indica que esta está crescendo cada vez mais 
lentamente (atualmente 1.14% ao ano) e prevê-se que estabilize nos 10 bilhões por volta do 
ano 2200. A população mundial é de cerca de 7310 milhões de pessoas. 
8.2. Dinâmica das populações 
Dinâmica das populações é a parte da ecologia que estuda as variações de ocorrência de 
indivíduos da mesma espécie (população) e procura definir a(s) causa(s) dessas variações. 
Exemplo: com a caça de jacarés, há um aumento da população de piranhas resultando, desta 
forma, em uma variação de ocorrência. 
Para um estudo de populações, alguns conceitos são importantes, como o caso da densidade de 
populações, sendo definido como o número de indivíduos em uma determinada área, ou seja, 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Antropologia
http://conceito.de/populacao
http://conceito.de/populacao
http://conceito.de/populacao
é o tamanho da população em relação a alguma unidade de espaço. Geralmente é avaliada e 
expressa como o número de indivíduos ou a biomassa da população por unidade de área e de 
volume. 
Densidade demográfica, densidade populacional ou população relativa é a medida 
expressada pela relação entre a população e a superfície do território, geralmente aplicada a 
seres humanos, mas também em outros seres vivos (comumente, animais). É geralmente 
expressada em habitantes por quilômetro quadrado. 
Densidade populacional é o numero médio de indivíduos divididos pela área em que ocupam, 
ou seja, o numero de pessoas por espaço habitado. 
 
Quatro fatores influenciam a densidade: 
Imigração: Número de indivíduos que, vindos de outras áreas, entram na população; 
Emigração: Número de indivíduos que saem da população; 
Natalidade: Número de indivíduos que nascem por unidade detempo; 
Mortalidade: Número de indivíduos que morrem. 
De modo geral, as taxas de natalidade e de imigração tendem a aumentar a densidade da 
população e as taxas de mortalidade e de emigração tendem a diminuí-la, sendo assim, a 
população se encontra em equilíbrio quando a soma da taxa de natalidade com a de imigração 
for igual à soma da mortalidade e de emigração. 
Assim: a migração e natalidade: aumentam a densidade populacional, a emigração e 
mortalidade: diminuem a densidade populacional. 
As populações possuem diversas características próprias, mensuráveis. Cada membro de uma 
população pode nascer, crescer e morrer, mas somente uma população como um todo possui 
taxas de natalidade e de crescimento específicas, além de possuir um padrão de dispersão no 
tempo e no espaço. O tamanho de uma população pode ser avaliada pela sua densidade. A 
densidade populacional pode sofrer alterações, mantendo-se fixa a área de distribuição. 
8.2.1. Curvas de crescimento 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Popula%C3%A7%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Territ%C3%B3rio
http://pt.wikipedia.org/wiki/Quil%C3%B3metro_quadrado
A curva S é a de crescimento populacional padrão, a esperada para a maioria das populações 
existentes na natureza. Ela é caracterizada por uma fase inicial de crescimento lento, em que 
ocorre o ajuste dos organismos ao meio de vida. A seguir, ocorre um rápido crescimento, do 
tipo exponencial, que culmina com uma fase de estabilização, na qual a população não mais 
apresenta crescimento. Pequenas oscilações em torno de um valor numérico máximo 
acontecem, e a população, então permanece em estado de equilíbrio. 
Observe o gráfico abaixo para ententer melhor: 
 
Fase A: crescimento lento, fase de adaptação da 
população ao ambiente, também chamada de fase lag. 
Fase B: crescimento acelerado ou exponencial, também 
chamada de fase log. 
Fase C: a população está sujeita aos limites impostos 
pelo ambiente, a resistência ambiental é maior sobre a população. 
Fase D: estabilização do tamanho populacional, onde ocorre oscilações do tamanho 
populacional em torno de uma média. 
Fase E: é a curva teórica de crescimento populacional sem a interferência dos fatores de 
resistência ambiental. 
 
A curva J é típica de populações de algas, por exemplo, na qual há um crescimento explosivo, 
geométrico, em função do aumento das disponibilidades de nutrientes do meio. Esse 
crescimento explosivo é seguido de queda brusca do número de indivíduos, pois, em 
decorrência do esgotamento dos recursos do meio, a taxa de mortalidade é alta, podendo, 
inclusive, acarretar a extinção da população do local. 
 
8.2.2. Fatores que regulam o crescimento populacional 
A fase geométrica do crescimento tende a ser ilimitada em função do potencial biótico da 
espécie, ou seja, da capacidade que possuem os indivíduos de se reproduzir e gerar 
descendentes em quantidade ilimitada. 
Há porém, barreiras naturais a esse crescimento sem fim. A disponibilidade de espaço e 
alimentos, o clima e a existência de predatismo e parasitismo e competição são fatores de 
resistência ambiental (ou, do meio que regulam o crescimento populacional. 
O tamanho populacional acaba atingindo um valor numérico máximo permitido pelo ambiente, 
a chamada capacidade limite, também denominada capacidade de carga. 
 
A curva (a) representa o potencial biótico da espécie; a curva (b) representa o crescimento 
populacional padrão; (c) é a capacidade limite do meio. A área entre (a) e (b) representa a 
resistência ambiental. 
8.2.3. Factores dependentes da densidade 
Os chamados fatores dependentes da densidade são aqueles que impedem o crescimento 
populacional excessivo, devido ao grande número de indivíduos existentes em uma dada 
população: as disputas por espaço, alimento, parceiro sexual, acabam levando à diminuição da 
taxa reprodutiva e ao aumento da taxa de mortalidade. O predatismo e o parasitismo são dois 
outros factores dependentes da densidade, na medida em que os predadores e parasitas 
encontram mais facilidade de se espalhar entre os indivíduos de uma população numerosa. 
8.3. Curvas de sobrevivência 
Curvas de sobrevivência correspondem a gráficos que indicam a quantidade de indivíduos de 
uma população que sobrevive ao longo de um determinado período de tempo. Corresponde, 
por isso, à probabilidade que um determinado individuo, possui à nascença, de atingir uma 
certa idade. Trata-se de uma representação gráfica da probabilidade de sobrevivência de um 
individuo (população) ao longo de um período de tempo. De uma forma geral, admitem-se três 
tipos de curvas de sobrevivência. 
Curvas de sobrevivência: 
 
Tipo I – corresponde a uma população cujos membros vivem, em geral, um longo período de 
tempo, as mortes à nascença são mínimas. A maior quantidade de mortes ocorre nas últimas 
fases da vida, sendo que o número de indivíduos na população se vai mantendo constante até 
às últimas etapas da vida. Indivíduos que possuem estas estratégias correspondem, por 
exemplo, ao grupo dos grandes mamíferos; 
Tipo II – corresponde a uma população em que a mortalidade encontra-se distribuída de forma 
igual por todas as faixas etárias, não havendo predominância em nenhuma, muitas espécies de 
aves enquadram-se neste tipo de curva de sobrevivência; 
Tipo III – caracteriza uma população cujos membros morrem maioritariamente à nascença ou 
nas primeiras etapas de vida. Estas curvas correspondem normalmente a espécies de plantas ou 
animais que apostam na produção massiva de descendentes (sementes no caso das plantas e 
ovos no caso dos peixes, por exemplo) de forma a aumentar a probabilidade de sobrevivência 
da descendência. Nestas curvas é possível visualizar uma diminuição brusca inicial seguida de 
uma maior estabilidade na taxa de mortalidade. 
Dentro de uma mesma espécie, a curva pode variar como consequência de alterações 
ambientais, pode também ser influenciada pelo sexo do individuo, por aspectos genéticos ou 
ainda pode variar consoante o número de machos e de fêmeas presentes, uma vez que há um 
grande gasto de energia a quando da corte o que pode levar a que o macho possua um maior 
índice de mortalidade do que aquele que inicialmente se admite. 
Alguns indivíduos podem ainda mostrar um tipo de curva modificada em que apresentam 
grande mortalidade nas primeiras fases de vida assim como nas fases de vida mais avançadas, 
sendo que a mortalidade nas fases de vida intermédia mantêm-se constantes. 
As curvas de sobrevivência têm grande importância dentro do ramo da ecologia, já que 
representam a fase em que os animais estão mais fracos. Sendo assim, o processo de 
intervenção do homem pode ocasionar efeitos no crescimento de uma população. Veja os três 
tipos de curva de sobrevivência: 
1) Curvas convexas: é determinado pelos indivíduos que têm a mesma durabilidade de vida, 
como é o caso dos seres humanos, da drosófila e da maioria dos mamíferos: 
 
2) Reta: é representada pelos indivíduos que possuem a taxa de mortalidade constante por toda 
a vida, como é o caso da hidra. 
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javascript:void(0)
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3) Curva côncava: é representada pelos indivíduos que apresentam alta taxa de mortalidade 
durante a idade juvenil. 
 
8.4. Estratégias Alternativas de selecção e reprodução 
Se um organismo não reproduz, está morto geneticamente. Um atributo que aumenta a 
probabilidade do sucesso reprodutivo de um indivíduo é adaptivo e tem maior probabilidade 
de ser selecionado e repassado a próxima geração. Mas Darwin observou que alguns atributos 
aparentam ser desvantajosos a sobrevivência, como os chifres de um veado, ou o rabo de um 
pavão realmente, dificultam o escape da predação. Por isso Darwin propus: a Seleção Natural 
versus a Seleção Sexual 
Seleção Sexual Charles Darwin distinguiu entre os atributos usados para sobreviver e aqueles 
usados para adquirem pares sexuais. Darwinreconheceu que os indivíduos diferem no seu 
sucesso reprodutivo. Ele chamou isso de seleção sexual. A Seleção Sexual é o sucesso 
reprodutivo diferencial devido a variação entre indivíduos no sucesso de copulas. Em termos 
evolutivos, se não copula e deixa filhotes, isso equivale a morte. 
Darwin postulou que a seleção sexualseria uma força que atua em oposição aseleção natural. 
A seleção sexual opera somente pelas diferencias entre os indivíduos na sua capacidade de 
adquirir pares reprodutivos. A seleção sexual vira uma força forte quando o sistema de copula 
é a poliginia. Essa depende da vantagem que certos indivíduos têm em relação a outros do 
mesmo sexo e espécie, em relação exclusiva a reprodução.” 
Se um atributo resulta num aumento da probabilidade de reprodução será selecionado. Os 
chifres grandes de um veado aumentam a probabilidade de ganhar uma luta com outro macho 
e o macho dominante depois tem acesso as fêmeas. Darwin (1871) descreveu dois padrões: 
Competição entre machos e escolha pela fêmea. Os machos competem e as fêmeas escolhem. 
Existem três tipos de competição intra-sexual entre machos: Armamentos, Lutas e Combate. 
Na agressão entre machos o único macho dominante controla várias fêmeas. Escolha pela 
Fêmea resulta em exposições elaboradas dos machos, ocorre quando os machos não podem 
monopolizar o acesso as fêmeas. As fêmeas são altamente seletivasnessas situações. 
 Em relação a reprodução, Sendo mais visto, mais atrativo, ou mais charmoso a sexo oposto, 
assim ganhando a vantagem da copula– Seleção Inter-sexual, escolha pela ‘ fêmea’ ganhando 
na competição com outros membros do mesmo sexo em contestos que determinam o sucesso 
da copula. Muitos animais fazem propaganda de seu sexo e sua disponibilidade de copular por 
meio dos comportamentos, rituais de cortejo, frequentemente bem elaborados, incorporando 
períodos de retirada, e jogos de sedução. Cada animal tem razão para se aproximar a outro, mas 
cada um tem razão de sentir perigo do outro. 
Táticas alternativas de aproximação e afastamento provavelmente servem para avaliar a 
intenção do outro animal. Muitas espécies exibem dimorfismo sexual, seja morfologia ou 
comportamento. Por que? Se mostra adaptação, que precisa ser avaliado, então diferenças 
existem nas pressões seletivas. Alguns atributos aparentam ser caros a sobrevivência.Darwin 
(1871) descreveu como a plumagem de aves deve reduzir asobrevivência. Para ser ADAPTIVO 
(aumentar o sucesso reprodutivo), esse CUSTO precisa ser COMPENSADO por um aumento 
desproporcional de um dos componentes de aptidão – provavelmente o NÚMERO de proles. 
Isso é afeitado pelo acesso a pares, número de pares, número de proles, e a qualidade das proles. 
Essas diferenças precisam variar entre SEXOS para explicar o dimorfismo, limitando o acesso 
ao par do sexo oposto. 
A resposta de Darwin: uma forma especial de pressão selectiva existe, que tende a maximizar 
o sucesso reprodutivo: a seleção sexual. A seleção natural torna uma população mais adaptadaa 
seu ambiente, mas a seleção sexual, torna um sexo mais exitoso na copula com o outro sexo, 
aumenta o aptidão pelo aumento do sucesso reprodutivo. 
A Forca da Seleção Sexual determina o ponto de equilíbrio entre o beneficio de reprodução e 
os custos de sobrevivência, e assim determina o grau de elaboração do atributo, depende da 
variância do sucesso reprodutivo, e é mais forte onde a variância é maior. Muitos 
comportamentos tem raízes genéticas, que também são herdados pela prole. Se esses 
comportamentos contribuem ao sucesso reprodutivo, os animais com esses comportamentos 
terão mais proles. Uma proporção maior da próxima geração herdara os genes que codificam 
o comportamento. 
Dessa forma a seleção natural resultará na evolução do comportamento do animal como no 
caso da anatomia do animal. Exemplos da Seleção sexual por Comportamento Sapos: os 
machos mais fortes ocupam os locais melhores dos poços. As fêmeas escolham macho com 
local melhor. Isso garanta a oferta de alimento da prole. Aves: rituais de cortejo envolvem o 
macho que proporciona alimento a fêmea. O macho ajuda criar a prole, e por isso pode ser 
demonstrando sua capacidade de coletar alimento. 
Os comportamentos de copula aumentam o sucesso reprodutivo – Existem vários tipos de 
sistemas de copula nos animais. Promíscuos: nenhuma ligação forte entre os pares de machos 
e fêmeas Monógamos: um macho com uma fêmea, Polígamos: individuo de um sexo copula 
com vários indivíduos do outro sexo. 
As necessidades das proles e a certeza da paternidade ajudam explicar as diferencias nos 
sistemas de copula e de cuidado parental. Os jovens necessitados geralmente têm parentes 
monógamos (como muitos pássaros). A copula e o nascimento estão separados no tempo que 
pode resultar no cuidado parental dos machos (como em vários peixes). 
O comportamento de copula freqüentemente envolve rituais elaborados de cortejo. Em várias 
espécies, os rituais de cortejo confirmam que os indivíduos são: da mesma espécie, do sexo 
oposto, estão fisicamente apto para copular e não representam uma ameaça. Os rituais de 
cortejo são atividades de grupo em algumas espécies, membros de um ou ambos sexos 
escolhem pares de um grupo de candidatos. 
Segundo Bateman 1948, Trivers 1972 o tamanho das gametas é uma diferença fundamental em 
sexos opostos na maioria das espécies. Nas espécies anisogamas (gametas de tamanhos 
diferentes), a fêmea produz poucas gametas grandes e os machos produzem quantidades 
grandes de gametas pequenas. Por isso, a fêmea investe mais energia em cada gameta. Assim, 
o sucesso reprodutivo da fêmea é limitado pelo número de ovos que ela pode produzir e proles 
criadas. Porém, o sucesso reprodutivo do macho é limitado ao acesso de pares. 
Em algumas espécies o macho proporciona todo o cuidado parental. A fêmea põe seus ovos 
diretamente na bolsa do macho e o macho proporciona os ovos com oxigênio e nutrientes até 
eclodir. Nesses cacos o acesso as bolsas do macho limita o sucesso reprodutivo da fêmeas. As 
fêmeas devem competir entre elas e os machos devem ser exigentes. 
No Homem, a propaganda estrutural das diferenças sexuais são menos desenvolvidas. A 
mulher ao é uma excepção a regra. Para alguns pesquisadores, os seios da fêmea evoluíram 
para o propósito de sinalizar. Danças, outras exposições funcionam como atributos fora de 
controle. O esforço de exposição pode ser um indicador de condição. A seleção sexual pode 
resultar em diferenças secundárias grandes entre os sexos. Os machos e as fêmeas são 
diferentes não somente nos órgãos reprodutivos, mas geralmente em atributos secundários que 
não se associam diretamente com areprodução. Essas diferenças, dimorfismo sexual, podem 
incluir diferenças de tamanho, coloração, atributos exagerados ou grandes, ou outros adornos. 
Geralmente os machos são maiores e fazem mais propaganda, pelo menos nos vertebrados. 
As fêmeas copulam com um ou dois machos geralmente, número de fêmeas, número de pares 
Alguns machos têm muitos parceirasmas outros tem poucas ou nenhuma. Todo atributo 
exagerado informa as fêmeas quais machos são os mais aptos, pode ser ou não: alguns atributos 
podem sobrecarregar o sistema sensorial da fêmea, promovendo decisões erradas de copula e 
não indicandoo aptidão do macho. Outros atributos podem ser indicadores mais confiáveis do 
aptidão do macho, e as fêmeas que preferem esses atributos produzirão filhotes mais aptos. 
O comprimento e a velocidade do canto são relevantes a escolha da fêmea. Quando os machos 
escutam outros machos cantando próximo aumentam a velocidade e comprimento do canto. As 
fêmeas procuram um macho cantando mais longe implicando uma forte selecção. 
As plantas frequentemente tem dimorfismo sexual. O parente da semente (fêmea) realiza 
uminvestimento reprodutivo muito maior do que odoador de pólen. A copula envolve a 
polinização de sucesso. Osprincípios da seleção sexual prevê que o sucesso dos doadores de 
pólen é mais limitadopelo acesso aos polinizadores do que no parenteda semente (fêmea) 
Porém, as plantas com flores amarelas obtiveram 75% das visitas dos polinizadores. Se o 
sucesso reprodutivo do macho é limitado pelas visitas dos polinizadores então as plantas com 
flores amarelas devem receber ¾ do sucesso reprodutivo, porque recebem ¾ das visitas. ¾ das 
sementes produziram plantas de flores amarelas. O sucesso do macho foi relacionado 
diretamente ao acesso aos polinizadores e onde colocara o pólen. Mas o parente da semente 
(fêmeas) tem sucesso iguais na produção de sementes sem importância qual macho proporciona 
o pólen Por isso, o sucesso reprodutivo dos machos é mais limitado pelo acesso aos 
polinizadores do que para as fêmeas 
Todos os organismos buscam atingir o sucesso reprodutivo: capacidade de machos e fêmeas 
de deixar descendentes férteis que consigam se reproduzir. O sucesso reprodutivo dos machos 
está limitado ao potencial reprodutivo da fêmea. Sendo assim, um sexo passa a limitar o sucesso 
reprodutivo do outro. 
ESTRATÉGIAS REPRODUTIVAS- conjunto de comportamentos que expressam os 
mecanismos de escolha de competição e a competição pelos parceiros para o acasalamento e, 
consequentemente, para reproduzir. Essas diferenças se iniciam no momento em que se inicia 
o interesse de machos e fêmeas. 
Homens e mulheres são expostos a cargas hormonais diferentes durante o período pré-natal e 
durante a adolescência, desenvolvendo características distintas, resultando em 
comportamentais características distintas, morfofisiológicas fornecendo pistas e e 
disponibilidade para o acasalamento. Pressuposto básico: existem diferenças na capacidade de 
competir com outros indivíduos do mesmo sexo ou do sexo oposto por melhores parceiros para 
o acasalamento e na habilidade para atraí-los. 
Machos e fêmeas, em maior ou menor grau, competem ou escolhem seus parceiros, ou 
apresentam ambas as estratégias. Exemplos: Bonobos, Gorilas, Cercopitecos e babuínos. Foi 
considerada a teoria menos interessante de Darwin: Competição entre machos (seleção 
intrasexual) e escolha pelas fêmeas (seleção inter-sexual). 
8.4.1. Mecanismos de selecção sexual 
Rapidez com a qual o indivíduo pode gerar descendente; Razão entre número de machos e 
fêmeas sexualmente ativos num dado momento; Cuidado parental; Relação entre estes fatores 
que passam a determinar os padrões de escolha e competição pelos parceiros sexuais. 
8.4.2. Estratégias sexuais em humanos 
 Similaridades: gentileza/compreensão; inteligência. 
Para homens: parceiras inteligentes; compatíveis; atrativas fisicamente 
Para mulheres: ombros mais largos do que a cintura e o quadril, queixo e maçãs do rosto 
proeminentes, razão entre circunferência da cintura e do Quadril’ , Status Social, distribuição 
gordura, disponibilidade de investimento corporal é um indicador da na estrutura familiar de 
competência reprodutiva, preferências mudam de acordo com o período do ciclo. 
Os homens também cuidam dos filhos. “ Neste caso, em vez de papéis típicos de machos e 
fêmeas, os seres humanos passam a apresentar um tipo de estratégia mista, que envolve tanto 
a competição como a escolha do parceiro, por ambos os sexos.” O que pode influenciar as 
estratégias sexuais a aptidão abrangente de um indivíduo: é a capacidade e disposição de 
investimento na prole; os recursos genéticos e sociais de um parceiro; a exclusividade em 
parcerias reprodutivas. 
Os tipos de união entre homens e mulheres e as estratégias reprodutivas associadas a estes 
relacionamentos, tanto de curta como de longa duração, refletem predisposições biológicas e 
são influenciados por variáveis sociais, ecológicas, culturais e socioeconômicas na sua 
expressão. Presentear e Cortejo: Ida a restaurantes. Preço do presente e do restaurante 
influenciam em alguma coisa? Ciclo Menstrual: Tipo e quantidade de Comida. Preferência por 
roupas, aumenta o uso de roupas curtas, produtos de beleza e uso de salto. 
8.5. Dispersão 
Dispersão biológica: conjunto dos processos que possibilitam a fixação de indivíduos de uma 
espécie num local diferente daquele onde viviam os seus progenitores. 
Na Natureza, determinados indivíduos deslocam-se de uns locais para outros, modificando 
constantemente a distribuição da população. Esta mobilidade constitui a dispersão, sendo as 
suas possibilidades numerosas. Assim, nas plantas a dispersão tem um carácter geralmente 
passivo, sendo unicamente uma parte do indivíduo disseminada pelo vento, pela água, etc. 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Dispers%C3%A3o_biol%C3%B3gica
 Nos animais a dispersão é geralmente ativa, deslocando-se os indivíduos coletivamente pela 
marcha, pelo voo e pela natação. Para que aconteça uma verdadeira mudança na distribuição 
da população, é preciso que depois da dispersão ou disseminação se forme uma colónia. A 
formação de colónias por uma população começa, geralmente, pela instalação de um indivíduo 
ou de alguns indivíduos, que em seguida se multiplicam, o que leva à formação de agregados 
coloniais. Assim ocorre uma extensão da população que se pode processar de uma maneira 
indefinida e gradual e que se denomina propagação. Pode também ocorrer de uma maneira 
precisa, entre dois ou mais pontos geograficamente bem definidos e mais ou menos afastados. 
É a migração. Conforme o modelo de migração, fala-se de emigração, imigração ou migração 
de ida e volta. A imigração em massa de uma população para uma nova região pode tornar-se 
numa invasão se esta população exercer efeitos prejudiciais sobre determinadas populações 
autóctones da região invadida. 
A dispersão de uma população é limitada por numerosos fatores, como a água, a temperatura, 
a humidade, etc. A ação dos fatores limitantes pode manifestar-se numa determinada região 
pelo fracionamento da população inicial em subpopulações ou pequenas populações 
elementares. É no seio destas populações que se verifica a seleção natural entre os indivíduos 
melhor adaptados e os pior adaptados. A competição com as populações de outras espécies 
constitui também um travão e uma limitação importante à distribuição espacial das populações. 
8.6. Pirâmide etária 
Pirâmide etária também conhecida como pirâmide demográfica ou pirâmide populacional, 
é uma ilustração gráfica que mostra a distribuição de diferentes grupos etários em uma 
população (tipicamente de um país ou região do mundo), em que normalmente cria-se a forma 
de uma pirâmide. Esse gráfico é constituído de dois conjuntos de barras que representam o sexo 
e a idade de um determinado grupo populacional. É baseado numa estrutura etária da 
população, ou seja, a repartição da população por idades 
Pirâmide Etária é um gráfico que permite analisar a distribuição da população por idade. 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Gr%C3%A1fico
http://pt.wikipedia.org/wiki/Popula%C3%A7%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Pa%C3%ADs
http://pt.wikipedia.org/wiki/Regi%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Mundo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Pir%C3%A2mide
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sexo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Idade
 
Pirâmide etária é um gráfico organizado para classificar a população de uma determinada 
localidade conforme as faixas de idade, dividindo-as por sexo. Esse gráfico é formado por 
barras superpostas que se concentram em torno de um eixo. As barras inferiores representam a 
população mais jovem e as barras superiores representam a população mais velha. Do lado 
direito do eixo, sempre se quantifica a população feminina e, do lado esquerdo, a população 
masculina, conforme o exemplo acima ilustrado. 
As pirâmides populacionais são importantes no sentido de elaborarem um planejamento 
público a médio e longo prazo. Por exemplo, se a estrutura etária da população apontar que há 
uma grande quantidade de jovens, com elevados índices de natalidade, alerta-separa a 
necessidade de implantação de políticas que atendam à inclusão das faixas etárias no futuro, 
com medidas que visem, por exemplo, à ampliação e melhoria de creches e escolas. 
Outra importância da observação e análise das pirâmides etárias é conhecer a evolução da 
população, avaliando as taxas de natalidade em comparação à população adulta, aferindo sobre 
a existência de uma política de controle de natalidade no país ou se ela precisa ser adotada. 
As pirâmides etárias são usadas, não só para monitorar a estrutura de sexo e idade, mas como 
um complemento aos estudos da qualidade de vida, já que podemos visualizar a média do 
tempo de vida, a taxa de mortalidade e a regularidade, ou não, da população ao longo do tempo. 
Quanto mais alta a pirâmide, maior a expectativa de vida e, consequentemente, melhor as 
condições de vida daquela população. É possível perceber que quanto mais desenvolvido 
economicamente e socialmente é o país, mas sua pirâmide terá uma forma retangular. 
Existe a possibilidade de se realizar projeções etárias utilizando também o formato de 
pirâmides, para se calcular qual vai ser o formato da população, podendo realizar previsões a 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Qualidade_de_vida
http://pt.wikipedia.org/wiki/Taxa_de_mortalidade
respeito da quantidade de jovens e da população economicamente activa de um período em 
comparação à população idosa e infantil. 
Existem quatro tipos principais de pirâmides populacionais, que são classificadas conforme a 
idade predominante da população. 
Pirâmide Jovem: possui uma base mais larga, em virtude dos altos índices de natalidade e um 
topo muito estreito, em função da alta mortalidade e da baixa natalidade em tempos anteriores. 
Esse tipo de pirâmide é visto com mais frequência em países subdesenvolvidos. 
Pirâmide Adulta: possui uma base também larga, porém com uma taxa de natalidade menor 
em face da população infantil e jovem. A pirâmide brasileira representada é um exemplo de 
pirâmide adulta. 
Pirâmide Rejuvenescida: apresenta um relativo aumento do número de jovens em relação a 
um período anterior, em função do aumento da fecundidade, geralmente em países 
desenvolvidos que estimulam a natalidade. 
Pirâmide Envelhecida: a população adulta é predominante e a base bem reduzida, 
apresentando uma quantidade de idosos significativamente maior em comparação às demais 
pirâmides. Esse tipo de pirâmide é mais comum em países desenvolvidos. 
8.7. Esperança de vida 
O número médio de anos que se tem possibilidade de viver a partir do nascimento denomina-
se esperança de vida ou duração média de vida. Os humanos, enquanto indivíduos, possuem 
meios de luta natural contra as diversas doenças. Mas, como ser social, o homem pode descobrir 
ou conhecer meios de proteção artificiais que lhe permitem combater mais eficazmente todas 
as agressões de que é vitima. 
Estes meios dependem dos trabalhos e das descobertas realizados por gerações sucessivas e 
são conquistas da sociedade e não de um indivíduo isolado. Todos os progressos emergidos ao 
longo dos anos têm tido por objetivo lutar contra a morte acidental, provocada, por exemplo, 
por doenças, má-nutrição ou condições de vida não higiénicas. A morte é um acontecimento 
natural da vida, que atinge sem exceção a totalidade dos membros da totalidade das espécies. 
Não é uma regra, é uma lei. 
O tempo que decorre desde o nascimento até à morte é muito diverso entre as espécies, mas é 
pouco variável entre os indivíduos da mesma espécie. Contudo, um acontecimento não 
esperado pode provocar a morte antes que decorra o tempo correspondente à esperança de vida. 
Doenças infantis, doenças nos adultos ou uma doença de idade que mata antes da 
hora marcada para a marcha natural das coisas. 
A luta atual contra a morte deve dirigir-se quase exclusivamente à morte acidental. A sociedade 
deve lutar para evitar ao máximo a morte acidental. Diminuindo a mortalidade infantil, 
melhorando as condições de alimentação em qualidade e quantidade, alcançando-se progressos 
médicos no diagnóstico e no processo de cura, implementando-se a utilização generalizada de 
vacinas, a idade média da vida alonga-se pouco a pouco. É nítido o seu maior valor nas 
populações dos países desenvolvidos do que nos países subdesenvolvidos. 
Numa dada população, a expectativa de vida ao nascer ou esperança de vida à nascença é 
o número médio de anos que um grupo de indivíduos nascidos no mesmo ano pode esperar 
viver, se mantidas, desde o seu nascimento, as taxas de mortalidade observadas no ano de 
observação. 
A expectativa de vida no nascimento é também um indicador de qualidade de vida de um país, 
região ou localidade. Pode também ser utilizada para aferir o retorno de investimentos feitos 
na melhoria das condições de vida e para compor vários índices, tais como o Índice de 
Desenvolvimento Humano (IDH). 
É calculada considerando-se, além das taxa de mortalidade geral e infantil segundo a classe de 
renda, o acesso a serviços de saúde, saneamento, educação, cultura e lazer, bem como os 
índices de violência, criminalidade, poluição do local onde vive a população. 
A expectativa de vida – também chamada de esperança de vida – é um dado estatístico que 
procura estimar por quanto tempo se espera que as pessoas de uma determinada faixa de idade 
vivam em um determinado lugar. Geralmente, essa taxa é calculada com base nas condições 
de vida e saúde da população, bem como através de outros índices, como o número de 
acidentes, doenças e taxas de mortalidade. 
Quando dizemos que um determinado país possui uma esperança de vida de 69 anos, não quer 
dizer que todas as pessoas atingirão essa idade e, logo após, morrerão. Significa apenas que a 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Taxa_de_mortalidade
http://pt.wikipedia.org/wiki/Qualidade_de_vida
http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%8Dndice_de_Desenvolvimento_Humano
http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%8Dndice_de_Desenvolvimento_Humano
http://pt.wikipedia.org/wiki/Taxa_de_mortalidade_infantil
http://pt.wikipedia.org/wiki/Renda
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sa%C3%BAde
http://pt.wikipedia.org/wiki/Saneamento
http://pt.wikipedia.org/wiki/Educa%C3%A7%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Cultura
http://pt.wikipedia.org/wiki/Lazer
http://pt.wikipedia.org/wiki/Viol%C3%AAncia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Criminalidade
http://pt.wikipedia.org/wiki/Polui%C3%A7%C3%A3o
tendência é que a média da população atinja essa idade, com uns ultrapassando esse valor e 
outros nem tanto. 
É importante lembrar que a expectativa de vida não está relacionada somente com a qualidade 
de vida da população, pois nem sempre os motivos de morte são doenças, fome ou causas 
naturais, podendo também estar relacionados com acidentes de trânsito e domésticos, entre 
outros fatores. 
8.8. Crescimento populacional 
O crescimento populacional ou crescimento demográfico é a mudança positiva do número 
de indivíduos de uma população. O termo população pode ser aplicado a qualquer espécie viva, 
mas aqui refere-se aos humanos. A população mundial em 1950 era de 2,5 bilhões de pessoas. 
Em 2000 já havia mais de 6 bilhões de humanos no planeta. Para um estudo da população, é 
essencial a análise estatística acompanhada das características históricas e geográficas das 
sociedades existentes no planeta. Alguns locais que apresentam elevadas taxas de densidades 
demográficas são: Sudeste Brasileiro, nordeste dos Estados Unidos da América, leste da China 
e sul da África. Cada umas dessas regiões tem as suas particularidades socioeconômicas, 
culturais e ambientais. 
De acordo com os dados obtidos junto à ONU, no nosso planeta vivem mais de 7 bilhões de 
pessoas. Dessas, mais de 75% vivem em países subdesenvolvidos e com menos de dois dólares 
por dia, 22% são analfabetos, metade nunca utilizou um telefone e apenas 25% têm acesso à 
internet. A ONU estima que no ano 2000 a população mundial crescia então a um ritmo de 
1,2 % (77 milhõesde pessoas) por ano. Isto representa um decréscimo da taxa de crescimento 
em relação ao seu nível em 1990, sobretudo devido à quebra das taxas de natalidade. 
A China era, nessa altura, o país mais populoso do mundo com 1300 milhões de habitantes, 
porém, devido à baixa taxa de natalidade poderá ser superada em 2050 pela Índia que, se 
mantiver a taxa de natalidade de 2000, atingirá os 1600 milhões. 
8.8.1. Causas do rápido aumento da população mundial 
Foram várias as causas desta fase de rápido crescimento da população mundial. Os índices de 
mortalidade nos países em desenvolvimento tiveram uma queda significantemente grande após 
a Segunda Guerra Mundial. Campanhas de saúde pública e de vacinação reduziram 
espetacularmente as doenças e a mortalidade infantil. Nos países desenvolvidos, esses 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Popula%C3%A7%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Humano
http://pt.wikipedia.org/wiki/1950
http://pt.wikipedia.org/wiki/Estat%C3%ADstica
http://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria
http://pt.wikipedia.org/wiki/Geografia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sociedade
http://pt.wikipedia.org/wiki/Regi%C3%A3o_Sudeste_do_Brasil
http://pt.wikipedia.org/wiki/Nordeste
http://pt.wikipedia.org/wiki/Estados_Unidos_da_Am%C3%A9rica
http://pt.wikipedia.org/wiki/China
http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81frica
http://pt.wikipedia.org/wiki/Cultura
http://pt.wikipedia.org/wiki/ONU
http://pt.wikipedia.org/wiki/Pa%C3%ADses_subdesenvolvidos
http://pt.wikipedia.org/wiki/D%C3%B3lar
http://pt.wikipedia.org/wiki/Analfabeto
http://pt.wikipedia.org/wiki/Telefone
http://pt.wikipedia.org/wiki/Internet
http://pt.wikipedia.org/wiki/2000
http://pt.wikipedia.org/wiki/Taxa_de_natalidade
http://pt.wikipedia.org/wiki/China
http://pt.wikipedia.org/wiki/2050
http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%8Dndia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Mortalidade
http://pt.wikipedia.org/wiki/Pa%C3%ADses_em_desenvolvimento
http://pt.wikipedia.org/wiki/Segunda_Guerra_Mundial
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sa%C3%BAde_p%C3%BAblica
http://pt.wikipedia.org/wiki/Vacina%C3%A7%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Doen%C3%A7as
http://pt.wikipedia.org/wiki/Pa%C3%ADses_desenvolvidos
declínios na mortalidade tinham levado séculos para ocorrer, à medida que a própria sociedade 
gradualmente se transformava, tornando-se mais urbanizada e menos dependente de grandes 
famílias. Como resultado, as taxas de natalidade e mortalidade tendiam a decrescer 
proporcionalmente e as taxas de crescimento populacional nunca atingiram o nível que 
atingiriam mais tarde, nos países em desenvolvimento. Na década de sessenta, as mulheres nos 
países em desenvolvimento estavam tendo, em média, seis filhos. 
8.8.2. Previsões sobre a população mundial futura 
O crescimento futuro da população é difícil de prever. As taxas de natalidade estão a diminuir 
em geral, mas variam muito entre países desenvolvidos e países em desenvolvimento. As taxas 
de mortalidade podem mudar inesperadamente devido a doenças, guerras e catástrofes, ou 
avanços na medicina. A ONU publicou várias projecções da população mundial futura, 
baseadas nos diferentes pressupostos. Ao longo dos últimos dez anos, a ONU tem revisto 
constantemente as suas projecções da população mundial, corrigindo-as para valores inferiores 
aos anteriormente anunciados. 
8.8.3. Consequências do aumento populacional 
O contínuo aumento populacional pode ter várias consequências negativas. A mais falada é a 
questão da escassez de alimentos, mas a verdade é que os alimentos estão mal distribuídos 
mundialmente, uma vez que, nos países desenvolvidos existe um grande problema de saúde 
por excesso de alimentação (obesidade e problemas cardiovasculares). 
Com o aumento da população e desenvolvimento dos países aumenta também a poluição 
produzida, e se já com a população actual os problemas ambientais relacionados com a poluição 
são bastantes, então deduz-se que serão muito piores com uma população ainda maior e a 
produzir cada vez mais desperdícios; este aumento da poluição poderá implicar também a 
degradação de muitos ecossistemas naturais. 
Na sociedade globalizada em que vivemos outro grave problema é a propagação de epidemias, 
que agora o fazem com muito mais facilidade devido ao contacto entre indivíduos de todos os 
pontos do mundo uns com os outros, provocado pelos avanços dos meios de transporte. O facto 
de haver cada vez mais gente, para menos área habitável faz também com que comecem a 
surgir populações que habitam áreas perigosas do planeta, facilmente susceptíveis a catástrofes 
(ex.: áreas de grande actividade vulcânica). Têm também preocupado as autoridades 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sociedade
http://pt.wikipedia.org/wiki/Fam%C3%ADlia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Crescimento
http://pt.wikipedia.org/wiki/Pa%C3%ADses_desenvolvidos
http://pt.wikipedia.org/wiki/Pa%C3%ADses_em_desenvolvimento
http://pt.wikipedia.org/wiki/Mortalidade
http://pt.wikipedia.org/wiki/Doen%C3%A7a
http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra
http://pt.wikipedia.org/wiki/Cat%C3%A1strofe
http://pt.wikipedia.org/wiki/Medicina
http://pt.wikipedia.org/wiki/Alimento
http://pt.wikipedia.org/wiki/Pa%C3%ADses_desenvolvidos
http://pt.wikipedia.org/wiki/Obesidade
http://pt.wikipedia.org/wiki/Cardiovascular
http://pt.wikipedia.org/wiki/Polui%C3%A7%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Desperd%C3%ADcio
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ecossistema
http://pt.wikipedia.org/wiki/Epidemia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Meios_de_transporte
governamentais os problemas associados à criação de empregos, meios de habitação, 
transportes, educação e saúde. 
8.8.4. Medidas a tomar para conter tal aumento 
Para tentar conter o elevado aumento populacional já estão sendo tomadas e estudadas certas 
medidas. É necessária a expansão de serviços de alta qualidade de planejamento familiar e 
saúde reprodutiva. As gestações indesejadas ocorrem quando os casais que não querem ter uma 
gravidez não usam nenhum método para regular eficazmente a fertilidade. Uma das prioridades 
de vários governos dos países em via de desenvolvimento deve ser oferecer aos casais e a 
pessoas individuais serviços apropriados para evitar tais gravidezes. 
Deve-se também divulgar mais informação sobre planeamento familiar e aumentar as 
alternativas de métodos anticoncepcionais, nos casos em que tal seja legal. É também muito 
importante a consciencialização do público sobre os meios existentes para a regulação da 
fertilidade e o seu valor, da importância da responsabilidade e da segurança na prática de 
relações sexuais e a localização dos serviços. Deverão ser criadas condições favoráveis para 
várias famílias pequenas. 
Importa também aumentar a escolaridade, especialmente entre as adolescentes. Melhorias na 
situação econômica, social e jurídica das jovens e das mulheres poderão contribuir para 
aumentar o seu poder de negociação, conferindo-lhes uma voz mais forte nas decisões 
relacionadas com os aspectos reprodutivos e produtivos da família. 
A taxa de crescimento de uma população é a variação do número de indivíduos num 
determinado espaço de tempo. Quando levamos em conta apenas a variação do número de 
indivíduos em um determinado período, estamos falando de taxa de crescimento absoluto, que 
é calculada da seguinte forma: 
Taxa de crescimento absoluto = (Nf - Ni) / t 
Onde: 
Ni = número de indivíduos no início do período considerado 
Nf = número de indivíduos no final do período considerado 
t = duração do período considerado. 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Emprego
http://pt.wikipedia.org/wiki/Habita%C3%A7%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Educa%C3%A7%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Planejamento_familiar
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Sa%C3%BAde_reprodutiva&action=edit&redlink=1
http://pt.wikipedia.org/wiki/Governo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Anticoncepcional
http://pt.wikipedia.org/wiki/Rela%C3%A7%C3%B5es_sexuais
http://pt.wikipedia.org/wiki/Escolaridade
http://pt.wikipedia.org/wiki/Adolescentes
A variação donúmero indivíduos de uma população em relação ao seu número inicial é 
chamada de taxa de crescimento relativo, e é calculada da seguinte forma: 
taxa de crescimento relativo = ((Nf - Ni) / Ni) / t 
Se estivermos utilizando o cálculo entre duas espécies, podemos saber qual está crescendo mais 
rápido que a outra. 
Taxa de natalidade: é o número de crianças nascidas, no período de um ano, para cada 1.000 
indivíduos na população. 
Taxa de mortalidade: é o número de óbitos, no período de um ano, para cada 1.000 indivíduos 
na população. 
Ambas as taxas determinam o crescimento de uma população. Esse crescimento também pode 
ser afetado pela emigração e pela imigração. 
O índice de fertilidade é o número médio de descendentes gerados por uma fêmea em seu 
período reprodutivo, esse tipo de informação é muito útil em certas populações para indicar 
aumento ou diminuição da tendência ao crescimento populacional. 
9. Espectro de Malthus e as Possibilidades da Biosfera 
9.1. População humana, crescimento e distribuição 
Thomas Malthus, foi um economista, estatístico, demógrafo e estudioso das Ciências Sociais, 
inglês, que elaborou uma teoria que afirmava que a população iria crescer tanto que seria 
impossível produzir alimentos suficientes para alimentar o grande número de pessoas no 
planeta. Dentre suas obras a principal foi o Princípio da População. 
Em 1798 Thomas Robert Malthus fez uma previsão famosa que produção de alimentos crescia 
de forma aritmética, enquanto o crescimento populacional crescia de forma alarmante, ou seja, 
a população cresce muito mais rápido do que a produção de alimentos. Para ele o mundo 
deveria sim ter doenças, guerras, epidemias, ele também propôs uma política de controle de 
natalidade para que houvesse um equilíbrio entre produção de alimentos e população. 
A teoria de Malthus observou que o crescimento populacional, entre 1650 e 1850, dobrou 
decorrente do aumento da produção de alimentos, das melhorias das condições de vida nas 
cidades, do aperfeiçoamento do combate as doenças, das melhorias no saneamento básico, e os 
http://www.infoescola.com/demografia/taxa-de-mortalidade/
http://www.brasilescola.com/geografia/thomas-malthus.htm
http://www.brasilescola.com/geografia/thomas-malthus.htm
benefícios obtidos com a Revolução Industrial, fizeram com que a taxa de mortalidade 
declinasse, ampliando assim o crescimento natural. Preocupado com o crescimento 
populacional acelerado, Malthus publica em 1798 uma série de ideias alertando a importância 
do controle da natalidade, afirmando que o bem estar populacional estaria intimamente 
relacionado com crescimento demográfico do planeta. Malthus alertava que o crescimento 
desordenado acarretaria na falta de recursos alimentícios para a população gerando como 
consequência a fome. 
A Teoria Neomalthusiana, da segunda metade do século XX, principalmente na década de 60, 
houve uma explosão demográfica, esse crescimento populacional deu início novamente às 
ideias de Malthus, mas com uma adaptação concernente às condições históricas, ficou 
denominada de Teoria Neomalthusiana, essa teoria se atenta para o crescimento populacional 
decorrente dos países subdesenvolvidos, tal crescimento provocaria a escassez dos recursos 
naturais, além do agravamento da pobreza e do desemprego. Para os Neomalthusiana, a 
superpopulação dos países era a causa da pobreza desses países e, uma população numerosa 
seria um obstáculo ao desenvolvimento e levaria ao esgotamento dos recursos naturais, ao 
desemprego e à pobreza. Afirmam também que é possível melhorar a produtividade da terra 
com uso de novas tecnologias, e que é possível reduzir o ritmo de crescimento da população 
através do planejamento familiar. 
Para evitar esses contratempos os Neomalthusiana propuseram políticas efectivas de controlo 
de natalidade que foram denominadas de “ planejamento familiar” . Os Neomalthusiana 
afirmam que a população cresce em Progressão geométrica enquanto o alimento cresce em 
Progressão aritmética. O espectro de Malthus ainda ronda na consciência dos países 
subdesenvolvidos em torno da escassez de recursos. 
Durante 200 anos, economistas afirmaram que Malthus ignorou o avanço tecnológico, o que 
teria permitido que a curva de crescimento da população se mantivesse à frente da curva de 
alimentos. O argumento é que a produção de alimentos pode na verdade crescer 
geometricamente porque além da terra. Com os avanços na produção de sementes, nutrientes 
do solo, reposição de nutrientes ─ como fertilizantes químicos ─ irrigação, mecanização e 
outros, os suprimentos de alimentos podem permanecer bem à frente da curva de crescimento 
da população. Em outras palavras, os avanços tecnológicos em todos seus aspectos ─ 
agricultura, energia, uso da água, manufactura, controle de doenças, gerenciamento de 
informação, transporte, comunicações ─ permitem que a produção de alimentos cresça mais 
rápido que a população. 
Um outro factor, ao que tudo indica, que solapa o argumento de Malthus é a transição 
demográfica. De acordo com essa transição, as sociedades passam de condições em que altos 
índices de fertilidade são, a grosso modo, compensados por altos índices de mortalidade, para 
condições de baixos índices fertilidade, com baixas taxas de mortalidade. Malthus não contava 
com os avanços na saúde pública, planejamento familiar e métodos modernos de contracepção, 
que juntamente com a urbanização e outras tendências, resultariam num declínio acentuado nas 
taxas de fertilidade chegando até abaixo da “ taxa de substituição” de 2,1 filhos por casal. 
Talvez a população do mundo tenha revertido sua tendência de crescimento em progressão 
geométrica. 
Qual a importância da Teoria de Thomas Malthus? Segundo Jeffrey Sachs (director do 
Earth Institute da Universidade de Colômbia) a teoria é importante: 
• Por mostrar o poder de uma previsão matemática para mudar o destino da humanidade. 
• Pela alteração das condições de contorno dos problemas. 
• Hoje, vivemos uma situação semelhante em relação às teorias de aquecimento global. Se 
nada for feito, os modelos indicam fim da humanidade, pelo menos em 65% das cidades que 
existem hoje até 2100. O homem encontrará soluções para que isto não aconteça, mas isto não 
quer dizer que as teorias actuais estão erradas e sim que se as condições actuais forem mantidas, 
haverá uma catástrofe. 
Segundo a FAO, o custo da refeição média, ao nível mundial, aumentou 40% ao longo de 2007. 
Evidentemente, essas altas afectam mais as camadas sociais de menor renda, cujos gastos em 
alimentação atingem elevada proporção do orçamento familiar. Thomas Robert Malthus 
mesmo, como pastor que foi, defendia a abstinência sexual como solução para o problema da 
superpopulação. 
9.2. As ideias de Thomas Malthus (1766-1834) 
Defendeu a sua teoria da população (teoria Malthusiana) na obra "Um ensaio sobre o princípio 
da população" em 1798 segundo a qual: 
- Existe no mundo uma pressão constante para o crescimento da população, que foi combatida 
ao longo de toda a história por “ cheques positivos" tais como "a guerra, a fome e a doença"; 
- A escassez de alimentos, em particular, é inevitável já que a população cresceu, porque a 
população cresce geometricamente (2,4,8,16...), enquanto a produção de alimentos pode 
crescer apenas aritmeticamente (2,3,4,5...); 
- Segundo a “ equação malthusiana", muito rapidamente a população ultrapassaria a comida 
disponível caso mecanismos de controlo, aos quais considerou divinos, não existissem. Este 
pensamento do clérigo Malthus levou a igreja Inglesa a opor-se ao controlo da natalidade em 
1930. 
9.3. Ideias de Malthus no mundo actual 
No mundo actual se ouve vários ecos de Malthus (as visões neo-malthusianas): 
- A visão de que, finalmente, o crescimento populacional é a causa da pobreza, da fome e da 
degradação ambiental; 
- Argumentos de que o bem-estar é a causa da monoparentalidade.Será a sobrepopulação a causa da “ crise em” África? 
Será a epidemia subsaariana do HIV/SIDA um “ cheque Malthusiano” ? 
9.4. Superpopulação 
Superpopulação é o excesso de população. As populações de seres vivos coexistem em 
equilíbrio há milhares de gerações porque em condições normais uma população equilibra a 
quantidade de organismos existentes nas outras populações e vice versa, no entanto se por 
factores diversos, internos ou externos à própria população, havendo oferta de alimento em 
abundância e espaço para a população conquistar, a taxa de natalidade fica maior que a taxa de 
mortalidade e com isso ocorre a explosão populacional, a população cresce exageradamente e 
passa a se designada como uma superpopulação. Muita gente em pouco território. È quando há 
um excesso da população, ela cresce rápido demais e por isso ocorre esse excesso. 
9.4.1. Perigo da Superpopulação 
Acima de um rácio populacional no qual o sistema permanece em equilíbrio e a capacidade de 
carga é excedida, está-se perante o fenómeno da sobrepopulação. Muitas vezes, a capacidade 
de carga de uma região num dado ponto no tempo é impulsionada pela apropriação da 
capacidade de carga de outras pessoas e até mesmo outras gerações. Tal apropriação afeta 
recursos que incluem o petróleo, peixes de águas profundas, a estabilidade do clima global e 
os sistemas ecológicos. 
9.4.2. Causas da Superpopulação 
A crítica à civilização pretende não mais do que pensar no que fizemos no passado que não 
queremos fazer no futuro. Um dos argumentos que geralmente são usados para desqualificar a 
crítica à civilização é simplificar o problema dizendo que é tudo culpa da superpopulação, que 
por sua vez é apenas um resultado do crescimento populacional acelerado. Isso pressupõe que 
tal crescimento é uma coisa que acontece espontaneamente, como se a responsabilidade não 
fosse nossa. Por outro lado, o crescimento populacional é geralmente visto como uma grande 
conquista da humanidade, e a civilização é supostamente a melhor forma de organizar uma 
sociedade de massas. Logo, a civilização está acima de qualquer questionamento. A 
necessidade da civilização é afirmada por uma suposta necessidade da sociedade de massas, 
que é resultado inevitável do crescimento populacional acelerado, ainda que este gere 
superpopulação e todos os problemas sociais e ambientais decorrentes dele, que são 
literalmente todos os problemas sociais e ambientais dignos de preocupação. 
A estabilidade populacional é vista como algo que apenas o desenvolvimento económico pode 
nos dar. O que parece estranho é que tínhamos uma população estável antes da civilização, e a 
mortalidade não era um problema terrível. Numa população pequena, o número de mortos 
também é pequeno. Certamente aqueles que estão defendendo a “ redução da mortalidade” 
não estão interessados se mais pessoas estão morrendo. Mas ao dizer isso é como se não se 
importassem realmente com o valor da vida humana, mais vale milhões morrerem num mundo 
com “ baixa mortalidade” que apenas alguns milhares morram num mundo com “ alta 
mortalidade” . 
Outro dado importante é que mesmo que a mortalidade tenha caído, a taxa de mortes violentas 
e de suicídios aumentou desproporcionalmente, assim como o número de doenças. As cidades 
são o ambiente perfeito para microorganismos causadores de doenças, e para a expansão da 
indústria farmacêutica também. Bactérias e vírus se tornaram muito mais fortes quando nós 
quebramos as fronteiras populacionais e criamos meios de transporte que podem fazer uma 
epidemia se alastrar pelo mundo em poucas horas. A maioria dessas doenças foi transmitida 
pelos animais que nós domesticamos e matamos para comer. Câncer, doenças do coração, 
diabetes, enfisemas, hipertensão e cirrose são hoje 75% das causas de morte no mundo. Todas 
essas doenças praticamente não existiam antes da civilização. 
http://umanovacultura.blogspot.com/2007/08/causas-da-superpopulao.html
9.4.3. Como evitar a superpopulação? 
Muitos países usam o controle de natalidade. Mas no caso de cidades urbanas deve-se criar 
melhores condições de vida nas zonas rurais. 
9.4.4. Status quo 
Status quo (da expressão in statu quo res erant ante bellum) é uma expressão latina que designa 
o estado actual das coisas, seja em que momento for. Emprega-se esta expressão, geralmente, 
para definir o estado de coisas ou situações. Na generalidade das vezes em que é utilizada, a 
expressão aparece como "manter o statu quo", "defender o status quo" ou, ao contrário, "mudar 
o statu quo". 
É discutida entre os entendidos e, sobretudo, varia de país para país a adopção preferencial das 
fórmulas reduzidas statu quo e status quo. A dúvida é sobre se deve continuar a usar o ablativo, 
que ocorria na frase original, ou se deve optar pelo nominativo, que é regra nos empréstimos 
do latim. A forma statu quo é a mais frequente na França, Portugal, Espanha e Itália, com apoio 
da grande maioria dos dicionaristas. Status quo é a versão usada nos países anglófonos, na 
Alemanha, Holanda, Rússia, Polónia, Hungria, Suécia, Turquia, etc. 
9.5. Esperança de vida do homem 
A expectativa de vida começou a cair desde a criação da agricultura, e tem se recuperado apenas 
recentemente por causa do avanço da medicina, mas apenas para quem pode pagar. 
Trabalhadores pobres continuam tendo uma expectativa de vida menor que a que tínhamos 
antes da civilização. Mas chamar o desenvolvimento económico de solução para todos os 
problemas é ignorar que ele não pode existir sem desigualdade, e que foi a desigualdade que 
deu origem a nossos problemas. Não pode haver “ redução da mortalidade” sem 
desenvolvimento tecnológico, já que ela é um resultado da medicina moderna. Mas antes que 
haja desenvolvimento tecnológico, precisou haver um modo de vida voltado à produção, que 
por sua vez não pode existir sem divisão de trabalho. Um modo de vida que retira o aspecto 
sagrado da terra, tratando-o como mera propriedade. Quando a comida é vista como um 
produto do trabalho humano, e não como uma dádiva da terra, a própria terra passa a ser não 
mais do que um objecto. 
A relação do homem com a natureza precisou se modificar completamente antes que o 
crescimento populacional fosse possível. Em outras palavras, a mudança de visão de mundo é 
a verdadeira causa desses eventos, e é esta visão que inaugura e fundamenta a civilização. A 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Latim
causa da superpopulação não é falta de desenvolvimento. O crescimento populacional 
acelerado não aconteceu por factores meramente externos, não fomos vítimas dela. Nossas 
escolhas culturais foram suas causadoras, e o crescimento populacional não é sempre benéfico, 
especialmente nessa proporção. Sem mudar a visão que propicia o crescimento, não é possível 
resolver os problemas gerados por ele, apenas mudá-los de lugar. Ainda que tenhamos uma 
população estável novamente, será preciso cada vez mais desenvolvimento. 
A expectativa de vida ao nascer indica o número de anos que um recém-nascido viveria se os 
padrões de mortalidade no momento do seu nascimento eram para permanecer o mesmo ao 
longo de sua vida. 
 
9.5.1. Qual a expectativa de vida do ser humano hoje e no passado mundialmente? 
No Renascimento a idade média do homem era de 32 anos, para se ter uma ideia o homem 
durante toda sua vida não se deslocava mais de um raio de 2 quilómetros em média. Estima-se 
que em 30 anos os idosos irão crescer mais ou menos em 25% comparado com os dias actuais. 
Em muitos países já está se pensando em esticar o caso das aposentadorias. 
9.5.2. Índice de Desenvolvimento Humano 
O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é uma medida comparativa que engloba três 
dimensões: riqueza, educação e expectativa de vida ao nascer. É uma maneira padronizada de 
avaliação e medida do bem-estar de uma população. O índice foi desenvolvido em 1990 pelos 
economistas Amartya Sen e Mahbub ul Haq, e vemsendo usado desde 1993 pelo Programa 
das Nações Unidas para o Desenvolvimento no seu relatório anual. Todo ano, os países 
membros da ONU são classificados de acordo com essas medidas. 
9.6. O homem e suas necessidades alimentares 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Riqueza
http://pt.wikipedia.org/wiki/Educação
http://pt.wikipedia.org/wiki/Expectativa_de_vida_ao_nascer
http://pt.wikipedia.org/wiki/1990
http://pt.wikipedia.org/wiki/Economista
http://pt.wikipedia.org/wiki/Amartya_Sen
http://pt.wikipedia.org/wiki/Mahbub_ul_Haq
http://pt.wikipedia.org/wiki/1993
http://pt.wikipedia.org/wiki/Programa_das_Nações_Unidas_para_o_Desenvolvimento
http://pt.wikipedia.org/wiki/Programa_das_Nações_Unidas_para_o_Desenvolvimento
http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_países_por_�ndice_de_Desenvolvimento_Humano
http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_países_por_�ndice_de_Desenvolvimento_Humano
Durante toda a vida, o ser humano deve alimentar-se correctamente para garantir a sua saúde. 
Porém, cada período da vida de cada um, desde o seu nascimento até à morte, exige um tipo de 
alimentação. 
Quando ainda se é bebé é fundamental que a alimentação seja à base de leite materno, de forma 
a assegurar as forças e as defesas naturais do bebé. Mais tarde, e já na adolescência, é 
fundamental garantir o crescimento e desenvolvimento natural do jovem, sendo necessário 
recorrer a uma alimentação à base de nutrientes. Numa fase mais tardia, na velhice, os cuidados 
também não são menores, pois os idosos necessitam de muitas proteínas, hidratos de carbono, 
vitaminas, entre outros, para se manterem sãos e fortes. Para falar das necessidades alimentares 
como tal, devemos antes porém esclarecer a alimentação em cada fase da vida. 
Comecemos pelo nascimento: A base da alimentação do bebé é o leite materno. Nele se 
encontram todos os nutrientes que a criança necessita nos primeiros meses de vida, mas quando 
a criança começa a crescer, o leite única e exclusivamente, já não é suficiente. A partir dos 6 
meses, pode ser dado à criança outros nutrientes que contenham energia, proteínas, sais 
minerais e vitaminas, embora nunca se dispense o leite. Vegetais, frutas, produtos de origem 
animal e legumes devem ser, por isso, adicionados à alimentação da criança. Posteriormente, e 
quando os dentes já tiverem em fase de nascimento já podem ser dados à criança alimentos 
mais sólidos. O crescimento da criança deve ser assegurado da melhor forma possível, 
conferindo-lhe tudo aquilo que ela necessita para crescer forte. Aliás, é na idade da infância 
que se começa logo a preparar a saúde futura do ser humano para a idade adulta. 
Para os adolescentes: os conselhos mantêm tal como para as crianças, com a diferença de que 
agora são necessárias ao organismo muitas vitaminas, nomeadamente A, C, e D, ferro e cálcio, 
para fortalecer os ossos. Há que garantir igualmente a ingestão de proteínas e produtos 
energéticos durante toda a adolescência, ao mesmo tempo que deve ser incutida desde esta 
altura, ou antes, a prática de exercício físico a fim de evitar problemas mais tarde. No entanto, 
uma má alimentação pode provocar igualmente anemia ou problemas de falta de cálcio. 
Diversifique as refeições e coma em quantidades reduzidas. 
A pessoa idosa: precisa igualmente de alguns cuidados alimentares especiais. Começa a faltar 
o apetite, as forças, a energia, surgem problemas em diversas zonas do corpo, e é normal que a 
pessoa se comece a sentir desmotivada e mais fraca. Quadro perfeitamente normal nesta altura 
da vida, é preciso conseguir invertê-lo e dar aquilo que o organismo precisa. Muita fruta, 
legumes, carnes, produtos lácteos, grãos e vegetais, devem ser a base da ementa diária dos 
idosos. 
Segundo professor ANDRÉ MAYER (Ex. Presidente do Conselho Executivo da FAO), 
alimentação permite a cada um de nós satisfazer um conjunto de necessidades, que vão desde 
o dispêndio energético, substâncias minerais e orgânicas, líquidos aos simples prazeres do 
estômago. A necessidade energética total, é a soma dos consumos fixos necessários ao 
funcionamento corporal e dos variáveis ligados à actividade. Frutas, vegetais, alimentos com 
muita proteína, líquidos e energia, são os pilares fulcrais para a alimentação. 
9.6.1. Fome no mundo e pobreza absoluta 
Na realidade, a fome colectiva é um fenómeno social bem mais generalizado. É um fenómeno 
geograficamente universal, não havendo nenhum continente que escape à sua acção nefasta. 
Toda a terra dos homens tem sido também até hoje terra da fome. 
Segundo Alberto Garuti (no Relatório Global da Competitividade, pp.39) Considerou áreas de 
fome aquelas em que pelo menos a metade da população apresenta nítidas manifestações 
carências no seu estado de nutrição, sejam estas manifestações permanentes (áreas de fome 
endémica), sejam transitórias (áreas de endémica de fome) (nota: fome no sentido lato). Não é 
o grau de especificidade carência que assinala a marca a área, mas a extensão numérica em que 
o fenómeno incide na população. As áreas culturais, sob quais quer aspectos em que sejam 
encaradas, só poderão ser classificadas á base da verificação dos traços predominantes que lhes 
dão expressão típica, e não de seus traços excepcionais, por mais gritantes que eles se 
apresentem em sua categoria de excepção. Para que uma determinada região possa se 
considerada área de fome, dentro do nosso conceito geográfico, é necessário que as deficiência 
alimentares que aí se manifestam iniciam sobre a maioria dos indivíduos que compõem seu 
efectivo demográfico. 
9.6.2 Fome 
Segundo “ Previsões para o ano 2020 sobre a alimentação mundial: tendências alternativas e 
escolhas” apresentado em Bohn, Alemanha, no mês de Setembro durante a Conferência 
Mundial sobre Alimentação, as Nações Unidas estabeleceram que “ todo homem, mulher, 
criança, tem o direito inalienável de ser livre da fome e da desnutrição...” . Portanto, a 
comunidade internacional deveria ter como maior objectivo a segurança alimentar, isto é, “ o 
acesso, sempre, por parte de todos, a alimento suficiente para uma vida sadia e activa” . 
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Relat%C3%B3rio_Global_da_Competitividade&action=edit&redlink=1
E isso quer dizer: 
- Acesso ao alimento: é condição necessária, mas ainda não suficiente; 
- Sempre e não só em certos momentos; 
- Por parte de todos, não bastam que os dados estatísticos sejam satisfatórios. É necessário que 
todos possam ter essa segurança de acesso aos alimentos; 
- Alimento para uma vida sadia e activa, é importante que o alimento seja suficiente tanto do 
ponto de vista qualitativo como quantitativo. 
Os dados possuídos dizem que estamos ainda muito longe dessa situação de segurança 
alimentar para todos os habitantes do planeta. 
9.6.3. Quais são as causas? 
Segundo o Ifpri, instituto americano que faz pesquisas sobre a economia dos países pobres 
ligados à FAO, a situação precisa ser enfrentada, pois uma pessoa faminta não é uma pessoa 
livre. Mas é preciso, em primeiro lugar, conhecer as causas que levam à fome. Muitos acham 
que as conhecem, mas não percebem que, quando falam delas, se limitam, muitas vezes, a 
repetir o que tantos já disseram e a apontar causas que não têm nada a ver com o verdadeiro 
problema. Por exemplo: 
• A fome é causada porque o mundo não pode produzir alimentos suficientes. Não é verdade, 
a terra tem recursos suficientes para alimentar a humanidade inteira. 
• A fome é devida ao fato de que somos “ demais” . Também não é verdade, há países muito 
populosos, como a China, onde todos os habitantes têm, todo dia, pelo menos uma quantidade 
mínima de alimentos e países muito pouco habitados, como a Bolívia, onde os pobres de 
verdade padecem fome. 
• No mundo há poucas terras cultiváveis, também não é verdade. Por enquanto, há terras 
suficientes que, infelizmente, são cultivadas, muitas vezes, para fornecer alimentos aos países 
ricos.9.6.4. As verdadeiras causas 
Segundo o Ifpri, as causas da fome no mundo são várias, não podem ser reduzidas a uma só. 
Entre elas: 
• As monoculturas: o produto nacional bruto (pib) de vários países depende, em muitos casos, 
de uma cultura só, sem produções alternativas, a economia desses países depende muito do 
preço do produto, que é fixado em outros lugares, e das condições climáticas para garantir uma 
boa colheita. 
• Diferentes condições de troca entre os vários países: alguns países, ex-colónias, estão 
precisando cada vez mais de produtos manufacturados e de alta tecnologia, que eles não 
produzem e cujo preço é fixado pelos países que exportam. Os preços das matérias-primas, 
quase sempre o único produto de exportação dos países pobres, são fixados, de novo, pelos 
países que importam. 
• Multinacionais: são organizações em condições de realizar operações de carácter global, 
fugindo assim ao controle dos Estados nacionais ou de organizações internacionais. Elas 
constituem uma rede de poder supranacional. Querem conquistar mercados, investindo capitais 
privados e deslocando a produção onde os custos de trabalho, energia e matéria-prima são mais 
baixos e os direitos dos trabalhadores, limitados. Controlam 40% do comércio mundial e até 
90% do comércio mundial dos bens de primeira necessidade. 
• Dívida externa: conforme a Organização para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a dívida 
está paralisando a possibilidade de países menos avançados de importar os alimentos dos quais 
precisam ou de dar à própria produção agrícola o necessário desenvolvimento. A dívida é 
contraída com os bancos particulares e com Institutos internacionais como o Fundo Monetário 
e o Banco Mundial. Para poder pagar os juros, tenta-se incrementar as exportações. Em certos 
países, 40% do que se arrecada com as exportações são gastos somente para pagar os juros da 
dívida externa. A dívida, infelizmente, continua inalterada ou aumenta. 
• Conflitos armados: o dinheiro necessário para providenciar alimento, água, educação, saúde 
e habitação de maneira suficiente para todos, durante um ano, corresponde a quanto o mundo 
inteiro gasta em menos de um mês na compra de armas. Além disso, os conflitos armados 
presentes em muitos países em desenvolvimento causam graves perdas e destruições em seu 
sistema produtivo primário. 
• Desigualdades sociais: a luta contra a fome é, em primeiro lugar, luta contra a fome pela 
justiça social. As elites que estão no governo, controlando o acesso aos alimentos, mantêm e 
consolidam o próprio poder. Paradoxalmente, os que produzem alimento são os primeiros a 
sofrer por sua falta. Na maioria dos países, é muito mais fácil encontrar pessoas que passam 
fome em contextos rurais do que em contextos urbanos. 
Quando um país vive numa situação de miséria, podemos dizer que, praticamente, todas essas 
causas estão agindo ao mesmo tempo e estão na origem da fome de seus habitantes. Algumas 
delas dependem da situação do país, como o regime de monocultura, os conflitos armados e as 
desigualdades sociais. Elas serão eliminadas, quando e se o mesmo país conseguir um 
verdadeiro desenvolvimento. Mas outras causas já não dependem do próprio país em 
desenvolvimento, e sim da situação em nível internacional. Caso é às condições desiguais de 
troca entre as várias nações, à presença das multinacionais, ao peso da dívida externa. Isso quer 
dizer que os países em desenvolvimento, não conseguirão sozinhos vencer a miséria e a fome, 
a não ser que mudanças verdadeiramente importantes aconteçam no relacionamento entre essas 
nações e as mais industrializadas. 
Calcula-se que 815 milhões, em todo o mundo sejam vítimas crónica ou grave subnutrição, a 
maior parte das quais são mulheres e crianças dos países em vias de desenvolvimento. O 
flagelo da fome atinge 777 milhões de pessoas nos países em desenvolvimento, 27 milhões nos 
países em transição (na ex-União Soviética) e 11 milhões nos países desenvolvidos. 
Segundo o Banco Mundial, Abril de 2003, apresentou os seguintes Dados Estatísticos: 
Há 800 milhões de pessoas desnutridas no mundo. 11 Mil crianças morrem de fome a cada dia. 
Um terço das crianças dos países em desenvolvimento apresentam atraso no crescimento físico 
e intelectual. 1,3 Bilhão de pessoas no mundo não dispõe de água potável. 40% Das mulheres 
dos países em desenvolvimento são anémicas e encontram-se abaixo do peso. Uma pessoa a 
cada sete padece fome no mundo. 
 9.7. Pobreza 
Etimologicamente a palavra "pobre" veio do latim "pauper", que vem de pau- = "pequeno" e 
pario = "dou à luz". Segundo a United Nations Development Programme a pobreza pode ser 
entendida em vários sentidos, principalmente: 
Carência material; tipicamente envolvendo as necessidades da vida quotidiana como 
alimentação, vestuário, alojamento e cuidados de saúde. Pobreza neste sentido pode ser 
entendida como a carência de bens e serviços essenciais. 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Latim
http://pt.wikipedia.org/wiki/United_Nations_Development_Programme
http://pt.wikipedia.org/wiki/Alimentação
http://pt.wikipedia.org/wiki/Vestuário
http://pt.wikipedia.org/wiki/Alojamento
Falta de recursos económicos; nomeadamente a carência de rendimento ou riqueza (não 
necessariamente apenas em termos monetários). As medições do nível económico são baseadas 
em níveis de suficiência de recursos ou em "rendimento relativo". A União Europeia, 
nomeadamente, identifica a pobreza em termos de "distância económica" relativamente a 60% 
do rendimento mediano da sociedade. 
Carência Social; como a exclusão social, a dependência e a incapacidade de participar na 
sociedade. Isto inclui a educação e a informação. As relações sociais são elementos chave para 
compreender a pobreza pelas organizações internacionais, as quais consideram o problema da 
pobreza para lá da economia. 
Apesar da pobreza mais severa se encontrar nos países subdesenvolvidos esta existe em todas 
as regiões. Nos países desenvolvidos manifesta-se na existência de sem-abrigo e de subúrbios 
pobres. A pobreza pode ser vista como uma condição colectiva de pessoas pobres, grupos, e 
mesmo de nações. Para evitar este estigma essas nações são chamadas normalmente países em 
desenvolvimento 
9.7.1. A Pobreza Absoluta 
A situação de pobreza absoluta ocorre quando um determinado indivíduo ou grupo se encontra 
num nível abaixo do rendimento mínimo, o que não lhes permite comprar bens essenciais. 
A pobreza pode ser absoluta ou relativa. A pobreza absoluta refere-se a um nível que é 
consistente ao longo do tempo e entre países. Um exemplo de um indicador de pobreza absoluta 
é a percentagem de pessoas com uma ingestão diária de calorias inferior ao mínimo necessário 
(aproximadamente 2000/2500 kilocalorias). 
A pobreza absoluta divide-se em: pobreza primária, quando o rendimento permite apenas a 
manutenção, ainda que ao mais baixo nível; e pobreza secundária, ocorre quando o rendimento 
é suficiente para satisfazer as necessidades básicas, mas devido a má administração dos 
rendimentos, estas não são satisfeitas. 
O número de pobres não para de crescer e já chega a 307 milhões de pessoas no mundo. 
Relatório da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad) 
recentemente publicado, mostra que nos últimos 30 anos o número de pessoas que vivem com 
menos de US$ 1,00 duplicou nos países menos desenvolvidos. 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Rendimento
http://pt.wikipedia.org/wiki/Riqueza
http://pt.wikipedia.org/wiki/Exclusão_social
http://pt.wikipedia.org/wiki/Educação
http://pt.wikipedia.org/wiki/Informação
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sem-abrigo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Subúrbios
http://pt.wikipedia.org/wiki/Países_em_desenvolvimento
http://pt.wikipedia.org/wiki/Países_em_desenvolvimento
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Kilocaloria&action=edit&redlink=1
http://pt.wikipedia.org/wiki/Pobreza
Para a agência daONU, o dado mais preocupante é a tendência de que esse número aumente 
até 2015, quando os países menos desenvolvidos poderão passar a ter 420 milhões de pessoas 
vivendo abaixo da linha da pobreza. 
Em algumas regiões, principalmente na África, parte da população já tem um consumo diário 
de apenas 57 centavos de dólares, enquanto um cidadão suíço gasta por dia 61,9 US$. Nos anos 
70 cerca de 56% da população africana vivia com menos de 1,00 US$, hoje este valor é de 
65%. A pobreza está a aumentar, em vez de diminuir. 
Segundo o Professor Carlos Serra (docente da Universidade Eduardo Mondlane, 
Moçambique), O país está numa "suposta viragem", o problema é que a pobreza está em todo 
o lado. Há quem diga que temos feito esforços assinaláveis para a vencer. Quando é que se 
considera que a pobreza é absoluta? Resposta de Professor Carlos Serra: "Considera-se 
absoluta a pobreza que não tenha nada nas mãos senão a miséria. O cidadão é pobre. Este é 
miserável. O miserável, por sua vez tem muita fome na barriga, uma fome de dias e nenhuma 
esperança para desalojá-la. Tem a pele e o corpo cheios de frio, um frio implacável de modo 
que ele respira um ar quase gelado, de morto, que ele quase que é. A sua habitação é um abrigo 
primitivo com ligeiras melhorias. O que ele chama de cobertura mete dó, tanto dó quanto mete 
o que ele chamaria de panela ou prato. Água não tem. Lume, quase que não tem. Não tem 
enxada." 
9.7.2. Causas da Pobreza 
A pobreza não resulta de uma única causa mas de um conjunto de factores: 
- Factores político-legais: corrupção, inexistência ou mau funcionamento de um sistema 
democrático, fraca igualdade de oportunidades. 
- Factores económicos: sistema fiscal inadequado, representando um peso excessivo sobre a 
economia ou sendo socialmente injusto; a própria pobreza, que prejudica o investimento e o 
desenvolvimento, economia dependente de um único produto. 
- Factores sócio-culturais: reduzida instrução, discriminação social relativa ao género ou à raça, 
valores predominantes na sociedade, exclusão social, crescimento muito rápido da população. 
- Factores naturais: desastres naturais, climas ou relevos extremos, doenças. 
http://www.jornalnoticias.co.mz/pls/notimz2/getxml/pt/contentx/27895
http://www.jornalnoticias.co.mz/pls/notimz2/getxml/pt/contentx/27895
http://pt.wikipedia.org/wiki/Corrupção_política
http://pt.wikipedia.org/wiki/Democracia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Democracia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Investimento
http://pt.wikipedia.org/wiki/Desenvolvimento
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Discrimina%C3%A7%C3%A3o_social&action=edit&redlink=1
http://pt.wikipedia.org/wiki/Exclusão_social
http://pt.wikipedia.org/wiki/Clima
- Problemas de Saúde: adição a drogas ou alcoolismo, doenças mentais, doenças da pobreza 
como a SIDA e a malária; deficiências físicas. 
- Factores históricos: colonialismo, passado de autoritarismo político. 
- Insegurança: guerra, genocídio, crime. 
9.7.3. Consequências da Pobreza 
Muitas das consequências da pobreza são também causas da mesma criando o ciclo da pobreza. 
Algumas delas são: 
- Fome; Baixa esperança de vida; Doenças; Falta de oportunidades de emprego; Carência de água 
potável e de saneamento; Maiores riscos de instabilidade política e violência; Emigração; 
Existência de discriminação social contra grupos vulneráveis; Existência de pessoas sem-
abrigo; Depressão, etc. 
9.7.4. Eliminação da pobreza 
O combate à pobreza é normalmente considerado um objectivo social e geralmente os governos 
dedicam-lhe uma atenção significativa. A estratégia do Banco Mundial contra a pobreza 
depende grandemente da promoção do crescimento económico, considerando, contudo 
algumas reservas relativamente ao seu impacto só por si. O Banco Mundial defende com base 
em vários estudos que: 
- O crescimento económico é fundamental para a redução da pobreza e em princípio não cria 
desigualdades. O crescimento acompanhado de políticas sociais é melhor do que apenas 
crescimento. Uma desigualdade inicial elevada prejudica a redução da pobreza no futuro. A 
pobreza é ela própria uma barreira à sua própria diminuição. 
 Índices internacionais como o Relatório Global da Competitividade, o Índice da Facilidade em 
Realizar Negócios ou o Índice de Liberdade Económica sugerem uma série de condições que 
ajudam a aumentar o crescimento e a reduzir a pobreza. 
A caridade particular é também muito importante, sendo muitas vezes encorajada pelos 
governos. 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Doença_mental
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Doen%C3%A7as_da_pobreza&action=edit&redlink=1
http://pt.wikipedia.org/wiki/SIDA
http://pt.wikipedia.org/wiki/Malária
http://pt.wikipedia.org/wiki/Colonialismo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra
http://pt.wikipedia.org/wiki/Genocídio
http://pt.wikipedia.org/wiki/Crime
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ciclo_da_pobreza
http://pt.wikipedia.org/wiki/Fome
http://pt.wikipedia.org/wiki/Esperança_de_vida
http://pt.wikipedia.org/wiki/Emigração
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sem-abrigo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sem-abrigo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Banco_Mundial
http://pt.wikipedia.org/wiki/Crescimento_econômico
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Relat%C3%B3rio_Global_da_Competitividade&action=edit&redlink=1
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=%C3%8Dndice_da_Facilidade_em_Realizar_Neg%C3%B3cios&action=edit&redlink=1
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=%C3%8Dndice_da_Facilidade_em_Realizar_Neg%C3%B3cios&action=edit&redlink=1
http://pt.wikipedia.org/wiki/�ndice_de_Liberdade_Econômica
http://pt.wikipedia.org/wiki/Caridade
Muitos empresários e académicos defendem a redução das barreiras para a criação de empresas 
e a redução das limitações à sua actividade fautores importantes para a criação de emprego e 
para trazer mais pessoas para a economia formal. 
Os governos podem ajudar os necessitados. Nos países ocidentais, durante o século XX foram 
implementadas numerosas medidas que construíram o chamado Estado Social, beneficiando 
especialmente os idosos e as pessoas com deficiência. 
9.7.4. Medidas para melhorar o ambiente social e a situação dos Pobres 
Habitação económica e regeneração urbana. Educação acessível. Cuidados de saúde acessíveis. 
Ajuda para encontrar emprego. Subsidiar o emprego para grupos que normalmente tenham 
dificuldade em consegui-lo. Encorajar a participação política e a colaboração comunitária. 
Trabalho social e voluntário. 
10. Recursos Naturais E Sustentabilidade 
Recursos naturais são bens que estão à disposição do Homem e que são usados para a sua 
sobrevivência, bem-estar e conforto. São considerados recursos naturais os bens que são 
extraídos da natureza de forma direta ou indireta, e são transformados para a utilização na vida 
do ser humano. 
Os recursos naturais mais importantes do nosso planeta são a água e o ar, porque enquanto é 
possível viver sem petróleo, carvão ou energia elétrica, é impossível viver sem ar e sem água. 
É por esse motivo que a poluição do ar e da água é uma das maiores ameaças para o ser humano. 
Se esses recursos são prejudicados, a qualidade de vida desce significativamente. 
O solo terrestre também pode ser considerado um recurso natural, pois nele é possível encontrar 
outros recursos minerais, além de cultivar alimentos através da agricultura. Os próprios seres 
vivos também são recursos providenciados pela natureza. 
 
10.1. Recursos naturais renováveis e não renováveis 
Os recursos naturais renováveis, como o próprio nome indica, são recursos que podem ser 
renovados, ou seja, não se esgotam. Como exemplo disso temos a energia eólica, obtida através 
do vento. Também existe a energia solar, que pode ser acumulada com a utilização de 
equipamentos especiais, como paineis solares. 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Empresário
http://pt.wikipedia.org/wiki/Empresa
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Estado_Social&action=edit&redlink=1http://www.significados.com.br/agricultura/
http://www.significados.com.br/energia-eolica/
Alguns recursos importantíssimos como a água, solo e florestas (providenciam madeira e outras 
coisas) são descritos como potencialmente renováveis, porque dependem muito da atuação do 
Homem em relação a esses recursos. Por esse motivo, é essencial cuidar desses recursos. Por 
outro lado, existem os recursos naturais não renováveis, cuja exploração e utilização um dia 
chegará ao fim, porque são recursos limitados. Exemplos desses recursos são minerais como 
carvão, ferro, petróleo, gás natural, ouro, alumínio, etc. 
10.2. Conservação dos recursos naturais 
O esgotamento de alguns recursos naturais pode ser um grande problema e por isso, a sua 
conservação é de elevada importância. Os recursos naturais não renováveis como o petróleo, 
são usados como fonte de energia, para o funcionamento de motores de combustão em carros, 
por exemplo. Como um dia o petróleo vai acabar, é importante usar uma fonte de energia 
alternativa. No caso da indústria automóvel, já existem carros que usam gás natural e 
eletricidade como combustível. 
10.3. Problemas ambientais suas causa e sustentabilidade 
Hoje vivenciamos uma nova era, dominada pela ciência e pela tecnologia, requisitos esses 
criados pelo homem para permitir a sua sobrevivência às condições do meio. Ora o uso 
irracional destes culminou com uma intensificação dramática da degradação do meio uma vez 
que; retira-se matéria prima do meio ambiente, transforma-a, repassa-se ao consumidor a utiliza 
e os resíduos da produção e do consumo são descartados diretamente no ambiente. O 
importante nesse processo não é o que é bom ou justo e sim o que trará maiores lucros a curto 
prazo. Umas das causas podemos citar industrialização e urbanização. 
Foi partir da revolução industrial que a poluição passou a constituir um problema para a 
humanidade. A indústria é a principal responsável pelo lançamento de poluentes no meio 
ambiente, a industrialização culminou com a aglomeração urbana, que já é por si só uma fonte 
de poluição, pois implica numerosos problemas ambientais, como o acumulo de lixo, o enorme 
volume de esgotos, os congestionamentos de tráfego etc. 
Como consequências o problema da poluição, portanto, diz respeito à qualidade de vida das 
aglomerações humanas. A degradação do meio ambiente do homem provoca uma deterioração 
dessa qualidade, pois as condições ambientais são imprescindíveis para a vida, tanto no sentido 
biológico como no social. se a degradação ambiental continuar ao mesmo ritmo que si verifica 
hoje, as possibilidades das gerações futuras desenvolverem estará muito limitada pois as 
condições necessárias para que haja vida estarão compremetidas. Portanto torna-se necessário 
http://www.significados.com.br/energia-nao-renovavel/
o homem incutir-se de novos valores que prezam pela conservação do meio, não olhar o meio 
ambiente de forma isolada, predestinada para o seu usufruto pessoal, pois ele é parte integral 
do meio ambiente e causando danos a estes as consequências são recíprocas. 
Segundo o Relatório de Brundtland (1987), o uso sustentável dos recursos naturais deve "suprir 
as necessidades da geração presente sem afetar a possibilidade das gerações futuras de suprir 
as suas". 
O conceito de desenvolvimento sustentável - entendido como o desenvolvimento que atende 
às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade das futuras gerações de 
atenderem às suas próprias necessidades - foi concebido de modo a conciliar as reivindicações 
dos defensores do desenvolvimento econômico com as preocupações de setores interessados 
na conservação dos ecossistemas e da biodiversidade. 
Sustentabilidade é uma característica ou condição de um processo ou de um sistema que 
permite a sua permanência, em certo nível, por um determinado prazo. Ultimamente, este 
conceito tornou-se um princípio segundo o qual o uso dos recursos naturais para a satisfação 
de necessidades presentes não pode comprometer a satisfação das necessidades das gerações 
futuras. Este novo princípio foi ampliado para a expressão "sustentabilidade no longo prazo", 
um "longo prazo" de termo indefinido. 
A sustentabilidade também pode ser definida como a capacidade de o ser humano interagir 
com o mundo, preservando o meio ambiente para não comprometer os recursos naturais das 
gerações futuras. O conceito de sustentabilidade é complexo, pois atende a um conjunto de 
variáveis interdependentes, mas podemos dizer que deve ter a capacidade de integrar as 
questões sociais, energéticas, econômicas e ambientais. 
Questão social: é preciso respeitar o ser humano, para que este possa respeitar a natureza. E do 
ponto de vista humano, ele próprio é a parte mais importante do meio ambiente. 
Questão energética: sem energia a economia não se desenvolve. E se a economia não se 
desenvolve, as condições de vida das populações se deterioram. 
Questão ambiental: com o meio ambiente degradado, o ser humano abrevia o seu tempo de 
vida; a economia não se desenvolve; o futuro fica insustentável. 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Relat%C3%B3rio_de_Brundtland
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ecossistema
https://pt.wikipedia.org/wiki/Biodiversidade
https://pt.wikipedia.org/wiki/Processo
https://pt.wikipedia.org/wiki/Sistema
https://pt.wikipedia.org/wiki/Princ%C3%ADpio
https://pt.wikipedia.org/wiki/Recursos_naturais
https://pt.wikipedia.org/wiki/Necessidade
https://pt.wikipedia.org/wiki/Meio_ambiente
https://pt.wikipedia.org/wiki/Vari%C3%A1vel_(estat%C3%ADstica)
https://pt.wikipedia.org/wiki/Sociedade
https://pt.wikipedia.org/wiki/Energia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Economia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Meio_ambiente
https://pt.wikipedia.org/wiki/Meio_ambiente
O princípio da sustentabilidade aplica-se a desde um único empreendimento, passando por uma 
pequena comunidade (a exemplo das ecovilas), até o planeta inteiro. Para que um 
empreendimento humano seja considerado sustentável, é preciso que ele seja: 
• Ecologicamente correto 
• Economicamente viável 
• Socialmente justo 
• Culturalmente diverso 
O conceito de sustentabilidade comporta sete aspectos ou dimensões principais, a saber: 
- Sustentabilidade Social - melhoria da qualidade de vida da população, eqüidade na 
distribuição de renda e de diminuição das diferenças sociais, com participação e organização 
popular; 
- Sustentabilidade Econômica - públicos e privados, regularização do fluxo desses 
investimentos, compatibilidade entre padrões de produção e consumo, equilíbrio de balanço de 
pagamento, acesso à ciência e tecnologia; 
- Sustentabilidade Ecológica - o uso dos recursos naturais deve minimizar danos aos sistemas 
de sustentação da vida: redução dos resíduos tóxicos e da poluição, reciclagem de materiais e 
energia, conservação, tecnologias limpas e de maior eficiência e regras para uma adequada 
proteção ambiental; 
Sustentabilidade Cultural - respeito aos diferentes valores entre os povos e incentivo a 
processos de mudança que acolham as especificidades locais; 
- Sustentabilidade Espacial - equilíbrio entre o rural e o urbano, equilíbrio de migrações, 
desconcentração das metrópoles, adoção de práticas agrícolas mais inteligentes e não 
agressivas à saúde e ao ambiente, manejo sustentado das florestas e industrialização 
descentralizada; 
- Sustentabilidade Política - no caso do Brasil, a evolução da democracia representativa para 
sistemas descentralizados e participativos, construção de espaços públicos comunitários, maior 
autonomia dos governos locais e descentralização da gestão de recursos; 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ecovilas
https://pt.wikipedia.org/wiki/Terra
- Sustentabilidade Ambiental - conservação geográfica, equilíbrio de ecossistemas, 
erradicação da pobreza e da exclusão, respeito aos direitos humanos e integração social. Abarca 
todas as dimensões anteriores através de processos complexos. 
10.4.Ar e poluição atmosférica 
Desde a metade do século XVIII, com o início da Revolução Industrial na Inglaterra, cresceu 
significativamente a poluição do ar. A queima do carvão mineral (fonte de energia para as 
máquinas da época) jogava na atmosfera das cidades industriais da Europa, toneladas de 
poluentes. A partir deste momento, o homem teve que conviver com o ar poluído e com todas 
os danos advindos deste "progresso" tecnológico. 
A poluição do ar está diretamente relacionada com vários problemas de saúde, principalmente 
respiratórios e cardiovasculares. O desenvolvimento dos grandes centros urbanos e o consumo 
cada vez mais exagerado dos humanos são os grandes responsáveis por tornar o mundo cada 
dia mais poluído. A poluição é um problema real que atinge o ar, a água e o solo, tornando-se 
cada vez mais acentuada graças às nossas atitudes. 
A poluição do ar pode ser definida como a presença de substâncias provenientes de atividades 
humanas ou da própria natureza que podem colocar em risco a qualidade de vida dos seres 
vivos. O ar poluído pode causar sérios problemas ao homem e a outros seres, portanto, ele é 
impróprio e nocivo. 
A poluição do ar tem se intensificado desde a primeira metade do século XX com o aumento 
crescente de indústrias e carros, que lançam diversos poluentes na atmosfera. Vale destacar, no 
entanto, que também existem fontes naturais de poluição atmosférica, tais como a poeira da 
terra e vulcões. 
Os poluentes atmosféricos podem ser divididos em dois grandes grupos: os poluentes primários 
e os poluentes secundários. Os poluentes primários são aqueles emitidos diretamente por uma 
fonte de poluição, como um carro. Já os poluentes secundários são aqueles que sofrem reações 
químicas na atmosfera, ou seja, são formados a partir da interação do meio com o poluente 
primário. 
Dentre os principais poluentes do ar, podemos citar a fumaça, partículas inaláveis, dióxido de 
enxofre, ozônio, dióxido de nitrogênio e monóxido de carbono. Essas substâncias podem 
http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/geografia/a-poluicao-nas-grandes-cidades.htm
http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/biologia/poluicao.htm
http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/biologia/agentes-poluidores-ar.htm
causar sérios danos à saúde de homem. O monóxido de carbono, por exemplo, diminui a 
capacidade do sangue de transportar oxigênio pelo corpo, podendo causar hipóxia tecidual. Já 
o ozônio possui papel oxidante e citotóxico, podendo causar irritação nos olhos e diminuição 
da capacidade pulmonar, por exemplo. O dióxido de enxofre relaciona-se com irritações nas 
vias aéreas superiores, assim como o dióxido de nitrogênio. Esse último também pode provocar 
danos graves aos pulmões. 
Além desses problemas, a poluição do ar desencadeia diversas outras consequências para nosso 
corpo. Ela está relacionada com a diminuição da eficácia do sistema mucociliar das nossas 
narinas, aumento dos sintomas da asma, infecções das vias aéreas superiores e incidência de 
câncer de pulmão e doenças cardiovasculares. É importante frisar que crianças e idosos são os 
mais vulneráveis, sendo frequentemente internados, principalmente com doenças respiratórias. 
A qualidade do ar pode melhorar ou piorar de acordo com as condições do tempo de uma 
cidade. Quando há períodos com baixa umidade e pouco vento, é comum vermos cidades com 
maior concentração de poluentes. Isso se deve ao fato de que a dispersão dessas substâncias 
ocorre lentamente. Sendo assim, é fundamental atenção redobrada nessas épocas do ano. 
10.4.1. Causas e consequências da poluição do ar 
Nos dias de hoje, quase todas as grandes cidades mundiais sofrem com os efeitos da poluição 
do ar. Cidades como São Paulo, Belo Horizonte, Tóquio, Nova Iorque e Cidade do México 
estão na relação das mais poluídas do mundo. 
 
A poluição gerada nos centros urbanos de hoje são resultado, principalmente, da queima dos 
combustíveis fósseis como, por exemplo, carvão mineral e derivados do petróleo (gasolina e 
diesel). A queima destes produtos tem lançado um alto nível de monóxido e dióxido de carbono 
na atmosfera terrestre. Estes dois combustíveis são responsáveis pela geração de energia que, 
alimenta os setores industrial, elétrico e de transportes de grande parte das economias do 
mundo. Portanto, coloca-los de lado atualmente é extremamente complicado. 
Este tipo de poluição tem provocado muitos problemas nas grandes cidades. A saúde das 
pessoas, por exemplo, é a mais afetada com a poluição atmosférica. Várias doenças 
respiratórias como a bronquite, rinite e asma levam milhares de adultos e crianças aos hospitais 
todos os anos. A poluição também tem causado danos aos ecossistemas e ao patrimônio 
histórico e cultural. Resultado desta poluição, a chuva ácida mata plantas, animais e vai 
corroendo, com o passar do tempo, monumentos históricos (prédios, monumentos, igrejas etc). 
Nos últimos anos, a Acrópole de Atenas passou por um processo de restauração, pois a milenar 
construção grega estava sofrendo desgaste com a poluição da capital da Grécia. 
O clima do planeta também é afetado pela poluição atmosférica. O fenômeno do efeito estufa 
está aumentando a temperatura no planeta Terra. Ele ocorre da seguinte forma: os gases 
poluentes formam uma camada de poluição na atmosfera, impedindo a dissipação do calor. 
Desta maneira, o calor fica concentrado nas camadas baixas da atmosfera, provocando 
mudanças no clima. Pesquisadores afirmam que já está ocorrendo a elevação do nível de água 
dos oceanos, provocando o alagamento de ilhas e cidades litorâneas. Muitas espécies animais 
poderão entrar em extinção e tufões e maremotos poderão ocorrer com mais freqüência e 
intensidade. 
10.4.2. Em busca de soluções 
Diante das notícias negativas, o homem tem procurado encontrar medidas para solucionar estes 
problemas ambientais. Os sistemas tecnológicos estão avançando no sentido de criar máquinas 
e combustíveis cada vez menos poluentes ou que não gerem nenhuma poluição. Muitos 
automóveis já estão utilizando gás natural como combustível. No Brasil, por exemplo, temos 
milhões de automóveis movidos a álcool, combustível renovável, não fóssil, que poluí pouco. 
Testes realizados com hidrogênio tem mostrado que num futuro bem próximo, os carros 
poderão usar um tipo de combustível que lança no ar apenas vapor de água. 
10.5.Poluição atmosférica mudanças climática 
As mudanças climáticas são alterações que ocorrem no clima geral do planeta Terra. Estas 
alterações são verificadas através de registros científicos nos valores médios ou desvios da 
média, apurados durante o passar dos anos. 
10.5.1. Fatores geradores 
As mudanças climáticas são produzidas em diferentes escalas de tempo em um ou vários 
fatores meteorológicos como, por exemplo: temperaturas máximas e mínimas, índices 
pluviométricos (chuvas), temperaturas dos oceanos, nebulosidade, umidade relativa do ar, etc. 
As mudanças climáticas são provocadas por fenômenos naturais ou por ações dos seres 
humanos. Neste último caso, as mudanças climáticas têm sido provocadas a partir da 
http://www.suapesquisa.com/geografia/planeta_terra.htm
Revolução Industrial (século XVIII), momento em que aumentou significativamente a poluição 
do ar. 
10.5.2. Consequências 
Atualmente as mudanças climáticas têm sido alvo de diversas discussões e pesquisas 
científicas. Os climatologistas verificaram que, nas últimas décadas, ocorreu um significativo 
aumento da temperatura mundial, fenômeno conhecido como aquecimento global. Este 
fenômeno, gerado pelo aumento da poluição do ar, tem provocado o derretimento de gelo das 
calotas polares e o aumento no nível de água dos oceanos. O processo de desertificação também 
tem aumentado nas últimas décadas em função das mudanças climáticas. 
 As mudanças climáticas ocorridas ao longo dos anos tiveram um papel fundamental na 
multiplicação ou desaparecimento de diversas espécies de animais e vegetais.Estas alterações 
continuam ocorrendo, cada dia mais, devido à poluição atmosférica e à falta de cuidado dos 
homens com o meio ambiente. 
O clima muda devido à poluição 
Todo esse descaso tem provocado mudanças drásticas em todo o planeta, na temperatura, 
pressão atmosférica, vento, umidade, quantidade de chuvas ou neve. Todas essas variáveis que 
constituem o clima podem sofrer alterações quando há poluição. 
O aumento das chuvas ácidas é outro problema causado pela poluição do ar. É causado pela 
emissão de gases ricos em partículas de enxofre que se acumulam no ar. Assim, quando chove, 
esses gases “ grudam” na água, deixando a chuva ácida. 
Escurecimento global 
A poluição atmosférica também pode provar o escurecimento global. Esse fenômeno consiste 
na diminuição da visibilidade e luminosidade de uma determinada região. Assim como o 
escurecimento, a destilação global também é uma consequência da poluição do ar. Este, por 
sua vez, é caracterizado pelo transporte de agentes químicos por meio do ar das regiões quentes 
para as frias. 
Principais problemas 
No entanto, os dois principais problemas para o meio ambiente causados pela poluição 
atmosférica, que influência diretamente no clima das regiões, são: o efeito estufa e a diminuição 
da camada de ozônio. 
O primeiro deles é causado pela radiação emita pelo Sol que é absorvida pela Terra através dos 
gases presentes em alta concentração no ar. Esta energia é emitida para Terra em grandes 
quantidades, fazendo com que a superfície fique 30 °C mais quente do que estaria sem a 
presença dos gases de efeito estufa. Já o segundo faz com que as radiações emitidas pelo sol 
causem danos aos seres humanos, como câncer e outros problemas de pele. 
10.6.Recursos hídricos 
Recursos hídricos são as águas superficiais ou subterrâneas disponíveis para qualquer tipo de 
uso de região ou bacia. Os recursos hídricos podem ser vistos de varias formas, temos que 
sempre observar se há uma relação com a agropecuária. 
As águas subterrâneas são os principais reservatórios de água doce disponíveis para os seres 
humanos (aproximadamente 60% da população mundial tem como principal fonte de água os 
lençóis freáticos ou subterrâneos). 
À partida, sendo a água um recurso renovável estaria sempre disponível para o homem utilizar. 
No entanto, como o consumo tem excedido a renovação da mesma, atualmente verifica-se um 
stress hídrico, ou seja, falta de água doce principalmente junto aos grandes centros urbanos e 
também a diminuição da qualidade da água, sobretudo devido à poluição hídrica por esgotos 
domésticos e industriais. 
No âmbito do desenvolvimento sustentável, o manejo sustentável dos recursos hídricos 
compreende as ações que visam garantir os padrões de qualidade e quantidade da água dentro 
da sua unidade de conservação, a bacia hidrográfica. 
É atualmente aceito o conceito de gestão integrada dos recursos hídricos como paradigma de 
gestão da água. Quase todos os países já adotaram uma "legislação das águas" dentro da 
disciplina de Direito Ambiental. No Brasil é a Lei 9.433/97 também denominada Lei das 
Águas. 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Regi%C3%A3o
https://pt.wikipedia.org/wiki/Bacia
https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81gua_doce
https://pt.wikipedia.org/wiki/Qualidade_da_%C3%A1gua
https://pt.wikipedia.org/wiki/Polui%C3%A7%C3%A3o_h%C3%ADdrica
https://pt.wikipedia.org/wiki/Esgoto
https://pt.wikipedia.org/wiki/Desenvolvimento_sustent%C3%A1vel
https://pt.wikipedia.org/wiki/Padr%C3%A3o
https://pt.wikipedia.org/wiki/Qualidade
https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81gua
https://pt.wikipedia.org/wiki/Bacia_hidrogr%C3%A1fica
https://pt.wikipedia.org/wiki/Direito_Ambiental
Procurar este conceito e dar relevância à necessidade de integrar a gestão da água em função 
dos seus diferentes tipos de uso: (irrigação, abastecimento, energia hidráulica, controle de 
enchentes, piscicultura, lazer e outros) das diferentes dimensões de conhecimento que estão 
envolvidas, dos diferentes tipos de instituições. Pressupõe a valorização da água em função da 
sua natureza renovável e fluida. 
As ações a desenvolver no âmbito da gestão das águas podem ser de diferentes tipos: 
• Preventivas ou corretivas; 
• Pontuais ou distribuídas; 
• Educativas e legislativas. 
O estudo da água na natureza, nas suas diversas formas, é objeto da ciência da Hidrologia. 
Estas matérias e outras correlatas são normalmente estudadas nos cursos de Engenharia 
hídrica/hidráulica e Engenharia sanitária/ambiental. 
A água pura (H2O) é um líquido formado por moléculas de hidrogênio e oxigênio. Na natureza, 
ela é composta por gases como oxigênio, dióxido de carbono e nitrogênio, dissolvidos entre as 
moléculas de água. Também fazem parte desta solução líquida sais, como nitratos, cloretos e 
carbonatos; elementos sólidos, poeira e areia podem ser carregados em suspensão. Outras 
substâncias químicas dão cor e gosto à água. Íons podem causar uma reação quimicamente 
alcalina ou ácida. As temperaturas apresentam variação de acordo com a profundidade e com 
o local onde a água é encontrada, constituindo-se em fatores que influenciam no 
comportamento químico. 
Subentende-se água como sendo um elemento da natureza, recurso renovável, encontrado em 
três estados físicos: sólido (gelo), gasoso (vapor) e líquido. As águas utilizadas para consumo 
humano e para as atividades socioeconômicas são retiradas de rios, lagos, represas e aquíferos, 
também conhecidos como águas interiores. 
A água é um bem precioso e cada vez mais tema de debates no mundo todo. O uso irracional e 
a poluição de fontes importantes (rios e lagos), podem ocasionar a falta de água doce muito em 
breve, caso nenhuma providência seja tomada. 
10.6.1. Falta de água 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Irriga%C3%A7%C3%A3o
https://pt.wikipedia.org/wiki/Abastecimento
https://pt.wikipedia.org/wiki/Energia_hidr%C3%A1ulica
https://pt.wikipedia.org/wiki/Enchente
https://pt.wikipedia.org/wiki/Piscicultura
https://pt.wikipedia.org/wiki/Hidrologia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Engenharia_h%C3%ADdrica
https://pt.wikipedia.org/wiki/Engenharia_h%C3%ADdrica
https://pt.wikipedia.org/wiki/Engenharia_hidr%C3%A1ulica
https://pt.wikipedia.org/wiki/Engenharia_sanit%C3%A1ria
https://pt.wikipedia.org/wiki/Engenharia_ambiental
Este milênio que está começando, apresenta o grande desafio de evitar a falta de água. Um 
estudo recente da revista Science (julho de 2000) mostrou que aproximadamente 2 bilhões de 
habitantes enfrentam a falta de água no mundo. Em breve poderá faltar água para irrigação em 
diversos países, principalmente nos mais pobres. Os continentes mais atingidos pela falta de 
água são: África, Ásia Central e o Oriente Médio. Entre os anos de 1990 e 1995, a necessidade 
por água doce aumentou cerca de duas vezes mais que a população mundial. Isso ocorreu 
provocado pelo alto consumo de água em atividades industriais e zonas agrícolas. Infelizmente, 
apenas 2,5% da água do planeta Terra são de água doce, sendo que apenas 0,08% está em 
regiões acessíveis ao ser humano. 
10.6.2. Causas da poluição das águas do planeta 
As principais causas de deteriorização dos rios, lagos e dos oceanos são: poluição e 
contaminação por poluentes e esgotos. O ser humano tem causado todo este prejuízo à natureza, 
através dos lixos, esgotos, dejetos químicos industriais e mineração sem controle. 
Em função destes problemas, os governos preocupados, tem incentivado a exploração de 
aqüíferos (grandes reservas de água doce subterrâneas). Na América do Sul, temos o Aqüífero 
Guarani, um dos maiores do mundo e ainda pouco utilizado.Grande parte das águas deste 
aquífero situa-se em subsolo brasileiro. 
10.6.3. Problemas gerados pela poluição das águas 
Estudos da Comissão Mundial de Água e de outros organismos internacionais demonstram que 
cerca de 3 bilhões de habitantes em nosso planeta estão vivendo sem o mínimo necessário de 
condições sanitárias.Um milhão não tem acessoà água potável. Em virtude desses graves 
problemas, espalham-se diversas doenças como diarréia, esquistossomose, hepatite e febre 
tifóide, que matam mais de 5 milhões de seres humanos por ano, sendo que um número maior 
de doentes sobrecarregam os precários sistemas de saúde destes países. 
10.6.4. Soluções 
Com o objetivo de buscar soluções para os problemas dos recursos hídricos da Terra, foi 
realizado no Japão, em março de 2003, o III Fórum Mundial de Água. Políticos, estudiosos e 
autoridades do mundo todo aprovaram medidas e mecanismos de preservação dos recursos 
hídricos. Estes documentos reafirmam que a água doce é extremamente importante para a vida 
e saúde das pessoas e defende que, para que ela não falte no século XXI, alguns desafios devem 
ser urgentemente superados: o atendimento das necessidades básicas da população, a garantia 
do abastecimento de alimentos, a proteção dos ecossistemas e mananciais, a administração de 
riscos, a valorização da água, a divisão dos recursos hídricos e a eficiente administração dos 
recursos hídricos. 
Embora muitas soluções sejam buscadas em esferas governamentais e em congressos mundiais, 
no cotidiano todos podem colaborar para que a água doce não falte. A economia e o uso racional 
da água deve estar presente nas atitudes diárias de cada cidadão. A pessoa consciente deve 
economizar, pois o desperdício de água doce pode trazer drásticas conseqüências num futuro 
pouco distante. 
Dicas de economia de água: Feche bem as torneiras, regule a descarga do banheiro, tome 
banhos curtos, não gaste água lavando carro ou calçadas, reutilize a água para diversas 
atividades, não jogue lixo em rios e lagos, respeite as regiões de mananciais. 
Dicas para ajudar a diminuir a poluição das águas: não jogar lixos em rios, praias, lagos, etc. 
Não descartar óleo de fritura na rede de esgoto. Não utilizar agrotóxicos e defensivos agrícolas 
em áreas próximas à fontes de água. Não lançar esgoto doméstico em córregos. Não jogar 
produtos químicos, combustíveis ou detergentes nas águas. 
10.7.Recursos Energéticos 
Recursos energéticos são recursos que diretamente ou indiretamente originam ou acumulam 
energia. Recursos energéticos, atualmente é o nível dos países industrializados, utilizam-se 
como principal fonte de energia os combustíveis fósseis, os quais têm reservas limitadas e a 
sua utilização tem causado graves consequências para o ambiente, como o efeito estufa, a 
destruição da camada de ozono e as chuvas ácidas. Agora também existe a obtenção de energia 
a partir do vento, das ondas do mar, do Sol etc. 
A era industrial iniciou-se no fim do século XVII, na Inglaterra, e conduziu a exploração em 
escala inédita dos recursos naturais do planeta. O mundo Industrial e urbano baseia-se,em 
especial, num consumo intenso de energia. As máquinas industriais e domésticas, os meios de 
transportes modernose a iluminação pública exigem a produção de enormes quantidades de 
combustíveis e eletricidade. 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Energia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Combust%C3%ADveis_f%C3%B3sseis
https://pt.wikipedia.org/wiki/Meio_ambiente
https://pt.wikipedia.org/wiki/Efeito_estufa
https://pt.wikipedia.org/wiki/Camada_de_oz%C3%B4nio
https://pt.wikipedia.org/wiki/Chuvas_%C3%A1cidas
Recurso energético é o conjunto de meios com os quais os países do mundo tentam atender às 
suas necessidades de energia. As principais fontes energéticas são: o petróleo, o gás natural, o 
carvão, os combustíveis sintéticos, energia nuclear, energia solar, biomassa e energia 
geotérmica, (VITORIA,2015:37). 
Até meados do século XIX, a sociedade humana utilizava ainda pequenas quantidades de 
energia nos seus gastos. 
Os recursos energéticos dividem-se em dois grupos: renováveis e não renováveis. 
10.7.1. Recursos energéticos não renováveis 
São aqueles que existem na natureza em quantidades limitadas e podem por excesso da 
utilização esgotar-se. Ou seja, eles só podem renovarem-se numa escala geológicos (podem 
renovarem-se após de milhões em milhões de anos). 
Exemplos: 
• Energias fosseis: petróleo, gás natural e carvão. 
• Energia nuclear: uranio e tório. 
1. Petróleo 
É um hidrocarboneto e forma-se em ambientes com grande abundancia de matéria orgânica e 
pouco oxigénio. Ao longo do tempo acumula-se em rochas-armazéns que mais tarde serão as 
rochas de cobertura. Assim se formam os jazidos petrolíferos. 
2. Gás natura 
O gásnatural, tambémé um hidrocarboneto. O processo de formação das jazidas é igual ao do 
petróleo. 
3. Carvão mineral 
É uma rocha que resulta da decomposição de restos de plantas que com a temperatura e a 
pressão transforma-se em carvão. 
Passa por três fases: Lignite; Carvão betuminoso; Antracite. 
 
4. Energia nuclear 
É um recurso energético não renovável a partir de minerais radiativos como uranio e 
tórioemque se produz uma grande quantidade de calor para produção de energia eléctrica. É 
mais barata e permite não depender tanto dos combustíveis fosseis. 
10.7.2.Vantagens da utilização de recursos não renováveis 
• São rentáveis quando as reservas são muito grandes; 
• Elevado rendimento energético; 
• Cria muitos postos de trabalho; 
• Fácil de transportar; BH 
• Variedade de utilização. 
10.7.2. Desvantagens 
• São muito poluentes e causas problemas para saúde pública; 
• Podem causar desastres ambientais muito graves; 
• Alterações climáticas; 
• Resíduos radioativos ficam activos durante milhares de anos; 
• Esgotam-se à escala da vida humana; 
• Por serem concentrados, os custos de exploração, transporte e refinação são muito 
elevados. 
10.7.3. Recursos energéticos renováveis 
São aqueles que quando a sua utilizaçãoé inesgotável e as suas reservas são ilimitadas por via 
de uma constante renovação. 
Exemplo: biomassa, energia das ondas, energia hidroeléctrica, energia geotérmica, energia 
eólica e energia solar. 
10.7.4. Biomassa 
Através da fotossíntese, as plantas capturam a energia do sol que transforma em energia 
química. Esta energia pode ser convertida em electrecidade, combustível ou calor. A biomassa 
é o material que imaginamos como lixo. 
Existem três fontes energéticas de origem natural: 
a) Biomassa solida tem como fonte os produtos e resíduos de agricultura, da floresta e das 
indústrias conexas e a fracção biodegradável do resíduo industrial e urbano. 
b) Biocombustíveis gasosos também conhecidos com biogás tem origem efluentes 
agropecuários, da agro-indústria e urbanos e ainda nos aterros nos resíduos sólidos 
urbanos. 
c) Biocombustíveis líquidos destingui-se três tipos, sendo: 
• Biodiesel (obtidos apartir de óleo da cozinha ou girassol, por um processo químico 
chamado transesterificação); 
• Etanol (álcool mais comum, produzida a partir da fermentação de hidratos de 
carbono ou por processos sintéticos); 
• Metanol (obtida através da síntese a partir do gás natural da madeira. 
10.7.5. Energia das ondas 
é definida pela energia total contida em cada onda. Esta energia resulta através da forca do 
vento exercida na superfície dos oceanos. 
10.7.6. Energia hidroeléctrica 
É a electrecidade produzida através do movimento da água. Esta usa energia cinética da água 
para produzir electrecidade, é energia renovável mais usada. Ela não é 100% limpa, apesar de 
não lançar poluentes na atmosfera, causa graves problemas: 
• Dependem das condições naturais da região (como relevo, e caudal do rio) 
• Construções de barragens exigem elevados investimentos 
• Produção de energia varia anualmente (ex: rseca) 
10.7.7. Energia geotérmica 
É a energia calorifica que vem da terra resultado do fluxo do calor das camadas mais profundas 
devido a magma, e radioatividade natural. É usada para aquecer prédios, casas e piscina. 
10.7.8. Energia eólica 
Esta é produzida através da forca do vento. Ela depende de: 
• Condições naturais (ex: ventos períodos, intensidade regular); 
• Exige elevados investimentos.10.7.9. Energia solar 
Esta energia pode também ser utilizada para produzir electrecidade. É possível transformar 
a luz solar directamente em electrecidade usando as células solares. A energia solar é uma 
das alternativas energéticas mais promissoras para o futuro. 
10.10. Vantagens e desvantagens de recursos energéticos renováveis 
Não causam danos ao meio ambiente; 
Exigem elevados investimentos na sua instalação; 
Produção reduzida (perante as necessidades); 
A produção é variável em função das características naturais. 
São mais práticos e seguros. 
10.11.Crise energética 
É o risco da falta de energia, isto é, as usinas produtoras não conseguirem produzir o total de 
energia consumida isso resulta a falta de luz para todos. A maioria parte da geração de energia 
eléctrica ate hoje é por usinas hidroeléctricas. Umas usinas hidroeléctricas funcionam por 
movimentação da água fazendo girar turbinas, que acumulam energia, transformando energia 
transformando em electrecidade. 
Para isso é necessário ter grande volume de água e desnível, para que essa água caia e a força 
dessa queda gire as turbinas Em alguns anos, acumula-se lodo no fundo dos reservatórios e a 
usina vai deixando de produzir energia, porque diminui o desnível e a quantidade de água para 
poder girar as turbinas. 
Com a escassez de água no planeta e as crescentes estiagens, somando ao aumento da 
população (consumindo mais água e mais energia), os reservatórios das usinas estão ficando 
com pouca água, causando dificuldades no abastecimento de energia. 
Há solução para isso, que é o investimento em outras formas de geração de energia, como o sol 
e os ventos. Aliás, a utilização de energia solar e eólica é muito mais prática, barata e não causa 
nenhum prejuízo ao meio ambiente. As pessoas do poder é que são incoerentes de não 
investirem pesados nessas formas ao invés de continuarem deslocando cidades inteiras, 
inundando florestas e destruindo a natureza para fazer hidrelétricas. 
 A economia vive em redor da energia, depende dela e das suas fontes. Desta forma, percebe-
se como a crise energética poderá ter afectado a crise económica que vivemos actualmente. O 
petróleo é o ingrediente muito importante para as indústrias, para o desenvolvimento 
económico e para a nossa prosperidade, contudo nós vivemos uma crise energética global, com 
os recursos naturais a serem esgotados rapidamente, devido ao consumo excessivo. 
As razões para esta crise energética global podem ser várias. Pode ser o envelhecimento das 
infraestruturas (o que atrasa a sua extração, transporte e tratamento) pode ser as actividades 
suspeitas nas refinarias de petróleo, o consumo excessivo durante invernos. Em certos casos, 
acidentes e falhas nos gasodutospodem causar crises no fornecimento de energia, certos 
eventos políticos (mudança de regime) podem causar desordem na produção de petróleo e gás 
natural, fazendo aumentar os preços dos mesmos. Outra possibilidade para esta crise 
energética, é o facto das reservas que vão restando de petróleo, serem cada vez mais 
dispendiosas de aceder, tornando a extracção mais cara e resultando na subida do preço. 
Contudo, a grande causa da crise energética é o facto de sermos dependentes de recursos não 
renováveis e o facto de não apostarmos na utilização de energias alternativas. 
10.12.Soluções 
 Agora que as nações têm noção do risco da nossa situação actual, têm implementado medidas 
que protegem não só o ambiente, mas a economia. Dentro dessas medidas podemos destacar a 
criação de tecnologia em prol da eficiência energética, nós somos de uma era de gastos e 
ineficiência e se nós usarmos a energia eficientemente, usaremos menos e pouparemos o custo 
da energia que não consumimos. Outra medida é a procura de outras fontes de energia, não só 
o investimento em projectos de energias renováveis é importante, como a educação da 
população é essencial, uma vez que sempre vivemos limitados ao petróleo como fonte de 
energia. Na procura de novas fontes de energia é essencial que haja investimento na 
investigação e que se tente criar legislações favoráveis. 
10.13.Biocombustível e Produção alimentar 
Os biocombustíveis são combustíveis de origem biológica. São fabricados a partir de vegetais, 
tais como: milho, soja, cana-de-açúcar, cânhamo, entre outros. O lixo orgânico também pode 
ser usado para fabricação de biocombustível. 
Os biocombustíveis são apresentados como alternativas aos combustíveis fósseis, visto que são 
energias renováveis, o que não acontece com os combustíveis fósseis. Em geral, apresentam 
um balanço de CO2 melhor que os combustíveis fósseis, pois os cultivos absorvem o carbono 
atmosférico durante o seu crescimento. Todavia, é preciso atentar que o avanço das lavouras 
para biocombustíveis pode competir com a produção de alimentos ou exercer pressão sobre 
áreas de ecossistemas nativos. Existem vários tipos de biocombustíveis: biomassa, biodiesel, 
bioetanol, biogás, biometanol, bioéter dimetílico, entre outros. 
A biomassa é uma fonte de energia limpa e renovável disponível em grande abundância e 
derivada de materiais orgânicos. Todos os organismos capazes de realizar fotossíntese (ou 
derivados deles) podem ser utilizados como biomassa. Exemplo: restos de madeira, estrume de 
gado, óleo vegetal ou até mesmo o lixo urbano. O biometanol e bioéter dimetílico são aderidos 
de biomassa. 
O biodiesel é derivado de lipídios orgânicos renováveis, como óleos vegetais e gorduras 
animais, para utilização em motores de ignição por compressão (diesel). É produzido por 
transesterificação e é também um combustível biodegradável alternativo ao diesel de petróleo, 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Combust%C3%ADvel_f%C3%B3ssil
https://pt.wikipedia.org/wiki/Energia_renov%C3%A1vel
https://pt.wikipedia.org/wiki/Energia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Fotoss%C3%ADntese
https://pt.wikipedia.org/wiki/Madeira
https://pt.wikipedia.org/wiki/Estrume
https://pt.wikipedia.org/wiki/Gado
https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%93leo_vegetal
https://pt.wikipedia.org/wiki/Lixo
https://pt.wikipedia.org/wiki/Biodiesel
https://pt.wikipedia.org/wiki/Lip%C3%ADdios
https://pt.wikipedia.org/wiki/Transesterifica%C3%A7%C3%A3o
criado a partir de fontes renováveis de energia, livre de enxofre em sua composição. É obtido 
a partir de óleos vegetais como o de girassol, nabo forrageiro, algodão, mamona, soja, algas e 
também lixo orgânico. 
O bioetanol é a obtenção do etanol através da biomassa, para ser usado directamente como 
combustível ou se juntar com os ésteres do óleo vegetal e formar um combustível, a esse 
processo se dá o nome de transesterificação. O etanol é um álcool incolor, volátil, inflamável 
e totalmente solúvel em água, derivado da cana-de-açúcar, do milho, da uva, da beterraba ou 
de outros cereais, produzido através da fermentação da sacarose. Comercialmente, é conhecido 
como álcool etílico e sua fórmula molecular é C2H5OH ou C2H6O. 
Biogás: gáscombustíveis produzido a partir da biomassa e da fracção biodegradável de 
resíduos e pode ser purificado ate a qualidade do gás natural para uso como biocombustível ou 
gás de madeira. 
10.12.Alimentos Utilizados param Produção de Biocombustíveis 
Milho: Para produzir o etanol feito com o milho, é necessário retirar dois componentes, a 
lignina e a celulose, sendo que essa última é fermentada para a produção de etanol. Esse, por 
sua vez, pode ser utilizado puro ou junto com a gasolina. Para os críticos, para produzir esse 
produto feito à base de milho, gera-se mais gases nocivos à natureza do que o uso de 
combustíveis fósseis. 
Soja: Utilizado principalmente na produção de biodiesel, a soja é um importante alimento 
consumido no mundo. A produção é feita com a extração de óleo da soja, que depois é filtrado, 
catalisado para que seja retirada sua glicerina. A outra parte pode abastecer um carro movido 
a diesel. 
Palma: Para se produzir o óleo de palma, é necessáriouma grande demanda de energia e 
dinheiro. Ele é retirado das sementes da palmeira e usado como biocombustível. 
Amendoim: O óleo de amendoim é bastante usado nos alimentos, na indústria de corantes, 
produção de plásticos, dentre outros. Graças a essas utilidades, a produção de biocombustível 
utilizando o amendoim é bem menor se for considerarmos as outras matérias-primas. 
Pinhão Manso: Essa matéria-prima ainda é pouco conhecida no Brasil e é mais usada em 
países asiáticos e africanos. 
Óleo de Cozinha: O óleo de cozinha usado contém esteres de alquilas de ácidos graxos e isso 
faz com que ele se torne uma opção para motores a diesel. 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Enxofre
https://pt.wikipedia.org/wiki/Girassol
https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Nabo_forrageiro&action=edit&redlink=1
https://pt.wikipedia.org/wiki/Algod%C3%A3o
https://pt.wikipedia.org/wiki/Mamona
https://pt.wikipedia.org/wiki/Soja
https://pt.wikipedia.org/wiki/Alga
https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Lixo_org%C3%A2nico&action=edit&redlink=1
https://pt.wikipedia.org/wiki/Transesterifica%C3%A7%C3%A3o
https://pt.wikipedia.org/wiki/Cana-de-a%C3%A7%C3%BAcar
https://pt.wikipedia.org/wiki/Milho
https://pt.wikipedia.org/wiki/Uva
https://pt.wikipedia.org/wiki/Beterraba
https://pt.wikipedia.org/wiki/Fermenta%C3%A7%C3%A3o
https://pt.wikipedia.org/wiki/Sacarose
https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81lcool_et%C3%ADlico
https://pt.wikipedia.org/wiki/F%C3%B3rmula_molecular
 
 
 
 
	As sociedades são associações entre indivíduos da mesma espécie, organizados de um modo cooperativo e não ligados anatomicamente. Os indivíduos denominados sociais, colaboram com a sociedade em que estão integrados graças aos estímulos recíprocos.
	Sempre observamos a existência de hierarquia, uma divisão de funções para cada membro participante, o que gera indivíduos especialistas em determinadas funções aumentando a eficiência do conjunto e sobrevivência da espécie, a ponto de ocorrerem selecç...
	- Sociedades animais e humanas
	2. Colónias
	4.2. Relações desarmónicas ou antagónicas
	1. Competição
	4.3.2. Coevolução entre Parasita-Hospedeiro
	4.3.5. Mimetismo
	4.3.5.1. Etimologia
	4.3.5.2. Histórico
	Em 28 de maio de 1848, dois jovens naturalistas ingleses aportaram em Belém do Pará, Brasil, em busca de conhecimentos sobre história natural e principalmente em busca de espécimes para vender a colecionadores diletantes da Inglaterra e assim pagar as...
	4.3.5.4.1.Classificação quanto ao valor adaptativo
	1. Batesiano
	2. Peckhamiano
	3.Wasmanniano
	4. Mülleriano
	4.3.5.4.2. Classificação quanto à função
	1. Defensivo
	2. Agressivo
	3. Reprodutivo
	Exemplos de mimetismo na natureza
	Invertebrados
	4. Vertebrados
	1. Defesas químicas
	2. Defesas mecânicas
	4.3.7. Mimetismo e Camuflagem
	1. Defesas indiretas
	4.3.7.1. Perda das folhas e coloração
	4.3.7.2. Custos e benefícios
	4.3.7.3. Hipótese de defesa ótima
	4.3.7.4. Hipótese de balanço Carbono: nutriente
	4.3.7.4. Hipótese da taxa de crescimento
	5.2. Ecossistemas artificiais
	5.7. Teias alimentares
	5.8. Pirâmides alimentares
	7.1. Tipos de sucessão
	1 Sucessão Primária
	7.2. Mecanismos de sucessão
	7.3. Implantação de espécies pioneiras
	7.4. Interações interespecíficas:
	7.5. Comunidade seral
	7.6. Mudanças na vida animal
	7.7. Microssucessão
	7.8. O conceito de clímax
	7.8.1. Características do clímax
	As populações não se alteram e o ecossistema está equilibrado.
	Clímax Climático � Apenas uma comunidade clímax, sendo que, esta se encontra em equilíbrio com o clima regional.
	7.8.3. Teorias sobre o clímax
	Monoclímax � Defendida por Clements (1916), o clímax da unidade vegetacional e animal (bioma) é determinada apenas pelo clima.
	Clímax Padrão � Proposta por Whittaker (1953), reconhece uma variedade de clímax regido pelas respostas da comunidade às condições de estresses bióticos e abióticos do ambiente. É definida como clímax climático a comunidade central e mais difundida na...
	Uma teoria apresentada recentemente, chamada Teoria Alternativa dos Estados Estáveis, sugere que não há um ponto final na sucessão, mas muitos estados de transição ao longo do tempo ecológico (Jackson, 2003).
	7.8.4. Quebra do Clímax na Comunidade
	8.6. Pirâmide etária
	Pirâmide etária também conhecida como pirâmide demográfica ou pirâmide populacional, é uma ilustração gráfica que mostra a distribuição de diferentes grupos etários em uma população (tipicamente de um país ou região do mundo), em que normalmente cria-...
	Pirâmide Etária é um gráfico que permite analisar a distribuição da população por idade.
	8.8. Crescimento populacional
	De acordo com os dados obtidos junto à ONU, no nosso planeta vivem mais de 7 bilhões de pessoas. Dessas, mais de 75% vivem em países subdesenvolvidos e com menos de dois dólares por dia, 22% são analfabetos, metade nunca utilizou um telefone e apenas ...
	8.8.1. Causas do rápido aumento da população mundial
	8.8.2. Previsões sobre a população mundial futura
	8.8.3. Consequências do aumento populacional
	8.8.4. Medidas a tomar para conter tal aumento
	10.1. Recursos naturais renováveis e não renováveis
	10.2. Conservação dos recursos naturais
	O clima muda devido à poluição
	Escurecimento global
	Principais problemas
	10.11. Crise energética
	10.13. Biocombustível e Produção alimentar
	10.12. Alimentos Utilizados param Produção de Biocombustíveis

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