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|13300024 APG 6 ANATOMIA GERAL SOI IV |13300024 O CÓLON ➔ Formado pelo ceco, cólon ascendente, transverso, descendente e sigmoide. É a porção mais dilatada do tubo digestivo. Se diferencia do ID devido a posição periférica, o maior calibre e grau de fixação e a presença de 3 características distintas: tênias, apêndices epiploicos e haustrações. Recebe do ID cerca de 1,5L de líquidos, cerca de 200 a 400mL são eliminados nas fezes. Função do cólon é absorver fluidos e transportar os resíduos para o reto, para expeli-los ou armazená-los até a defecação.O RETO ➔ Apresenta lúmen amplo e facilmente distensível, não apresenta tênias ou haustrações, 12 a 15cm, apresenta 3 curvas laterais luminais (Válvulas de Houston). É um propulsor do esvaziamento das fezes (apesar de ser visto como reservatório em 60% dos pacientes apresenta-se vazio ao toque retal), acredita-se que a angulação lateral do sigmoide e as válvulas de Houston seja uma barreira mecânica à eliminação das fezes. Limite proximal é a junção retossigmoide e o limite distal é o anel muscular anorretal (cirurgiões) ou a linha denteada/pectínea (anatomistas). O reto ocupa a cavidade sacral e termina 2 a 3 cm anteroinferiormente a extremidade distal do cóccix, nesse ponto ele curva para trás pelos músculos elevadores e continua como canal anal. O CANAL ANAL ➔ Apresenta cerca de 4cm da margem anal ao anel retal (cirurgião) e 2cm da margem anal a linha denteada (anatômico). O anel anorretal delimita o canal anal como região de alta pressão intraluminal. O ânus é o orifício anal, ou seja, uma fenda cutânea em continuação com o canal anal que permanece virtualmente fechada no repouso. Os músculos da pelve podem ser divididos em 3 grupos: complexo anal esfincteriano, músculos do assoalho pélvico e músculos laterais da parede pélvica.O M. esfíncter interno do ânus (EIA) é a musculatura lisa circular distal do reto que permanece em estado de contração contínua máxima ➔ principal barreira natural à perda involuntárias de vezes e gases. Inervado pelo SNA simpático (modulam sua contração) e parassimpático (são inibitórios e reduzem o tônus). A distensão retal por fezes ou gases induz o relaxamento do EIA ➔ Reflexo inibitório retoanal. O M. esfíncter externo do ânus (EEA) é a musculatura estriada cilíndrica elíptica que envolve o comprimento total do musculo liso terminando distalmente ao EIA. Apresenta tônus de repouso basal e sua contração efetiva ocorre voluntariamente por via reflexa ➔ Inervação somática pelo ramo hemorroidário inferior ou perineal do nervo pudendo. É um músculo que mantem contínuo e inconsciente tônus de repouso em um arco reflexo ao nível da cauda equina (diferente dos outros músculos esqueléticos que no repouso são inativos). Em resposta a condições que põem em risco a continência anal (aumento da P intrabdominal e distensão retal) o EEA e o M. puborretal se contraem. O músculo puborretal é uma forte alça em U de musculatura estriada que suspense a junção anorretal (porção distal do M. levantador do ânus), tem relação ao componente profundo do EEA. Devido junção com EEA e eles serem inervados pelo nervo pudendo, ele é considerado por alguns autores como parte do EEA e não do complexo levantador do ânus. Os músculos levantadores do ânus delimitam o anel e o ângulo anorretal, o anel anorretal é um anel muscular facilmente notado ao toque retal que representa o terço proximal do canal anal ➔ formado pela associação entre o m. puborretal a porção profunda do EEA. O ângulo anorretal é resultado da configuração em U do m. puborretal ao redor da junção anorretal e da sua atividade tônica, que traciona o canal anal anterossuperiormente. |13300024 FISIOLOGIA DA FORMAÇÁO DAS FEZES Cerca de 1,5L de quimo passam pela válvula ileocecal a cada dia, grande parte da água e dos eletrólitos são absorvidas no cólon, menos de 100mL são excretados nas fezes. A absorção de sódio e cloreto cria um gradiente osmótico que leva a absorção de água. ➔ Grande parte da absorção se dá na metade proximal de cólon (cólon absortivo), enquanto o cólon distal funciona principalmente no armazenamento de fezes até o momento propício de excreção (cólon de armazenamento). Dois movimentos característicos do cólon realizam a função de transporte e absorção ➔ As contrações não propulsivas que misturam as fezes e auxiliam na absorção e as contrações longas e coordenadas (HAPC/ Ondas de propagação de alta amplitude) que conduzem as fezes em movimentos de massas do cólon ascendente para o descendente. As HAPC ocorrem tipicamente pela manhã após o despertar e podem se acentuar com outros estímulos como alimentação de deambulação. O trânsito colônico em um adulto leva de 20 a 72 horas. As fezes são comportas por ¾ de água e ¼ de matéria sólida (compostas de 30% bactérias mortas, 10 a 20% de gorduras, 10 a 20% matéria inorgânica, 2 a 3% de proteínas e 30% de restos indigeridos dos alimentos e constituintes secos dos sucos digestivos como pigmentos da bile e células epiteliais degradadas). A cor é devido a estercobilina. O odor é devido os produtos bacterianos (depende da flora da pessoa) como indol, escatol, mercaptanas e sulfeto de hidrogênio. FISIOLOGIA DA DEFECAÇÃO/EVACUAÇÃO A maior parte do tempo o reto fica vazio devido ao fraco esfíncter funcional entre o sigmoide e o reto e também a angulação na junção retossigmoide. Quando o movimento de massa força as fezes para o reto surge a vontade de defecar (a passagem das fezes pelo ânus é evitada pela constrição dos EIA e EEA) ➔ com contração reflexa do reto e o relaxamento dos esfíncteres anais. REFLEXOS DA DEFECAÇÃO (iniciam a defecação) Reflexo intrínseco ➔ mediado pelo SN entérico local, quando as fezes entram no reto, a distensão da parede retal estimula receptores de estiramento do musculo do assolho pélvico e desencadeia sinais aferentes que se propagam pelo plexo mioentérico para dar início as ondas peristálticas no cólon distal e reto empurrando as fezes, a medida que as fezes se aproximam do ânus, o EIA relaxa por sinais inibitórios do plexo mioentérico (RIR ➔ reflexo inibitório retoanal), se os EEA estiver relaxado consciente e voluntariamente ocorre a defecação lOMoARcPSD|13300024 É um reflexo relativamente fraco, para ser efetivo é preciso associação de outro reflexo. Reflexo da defecação parassimpático ➔ envolve os segmentos sacros da ME. Quando as terminações do reto são estimuladas ➔ sinais são transmitidos à ME ➔ volta ao cólon distal e reto pelas fibras do SNP nos nervos pélvicos. Os sinais parassimpáticos intensificam as ondas peristálticas e relaxam o EIA, convertendo o reflexo mioentérico fraco em um processo intenso de defecação. Efetivo para o esvaziamento do IG da curva esplênica até o ânus. Os sinais de defecação que entram na ME iniciam outros efeitos como inspiração profunda, fecha a glote e contrair os músculos da parede abdominal ➔ forçando o conteúdo fecal do cólon para baixo, ao mesmo tempo fazendo com que o assoalho pélvico relaxe, empurrando o anel anal para baixo para eliminar as fezes. A mucosa retal é altamente sensitiva, quando o EEA se abre suas terminações livres conseguem discriminar se o conteúdo a ser eliminado são gases ou fezes ➔ Mecanismo de sampling. urgência evacuatória. Em condições sociais inapropriadas o reto acomoda o conteúdo fecal temporariamente ➔ há contração voluntária do EEA leva ao relaxamento da parede retal e acomodação do conteúdo fecal ➔ resultando na dissipação da Se o desejo não é atendido em poucos minutos, as fezes retornam ao cólon por meio do peristaltismo reverso, onde mais água é absorvida, o que reduz temporariamente a pressão e o estiramento no reto até umapróxima peristalse em massa, que geralmente acontece após 15 a 30 minutos das refeições. Se a defecação é adiada repetidamente, a matéria fecal aumenta de volume, sofre autólise e endurece, formando o fecaloma e dificultando sua eliminação. Se o desejo de evacuar for atendido a posição sentada ou de cócoras é assumida ➔ ângulo retal se torna obtuso, o aumento da P intrarretal e da intrabdominal resultam no relaxamento dos dois esfíncteres e do músculo puborretal. A consistência das fezes vai determinar o esvaziamento “em massa” ou a eliminação em etapas/intermitente das fezes. As contrações transitórias do EEA e do músculo puborretal após a evacuação (REFLEXO DE FECHAMENTO) restauram o tônus do esfíncter anal interno e oclui o canal anal. Definida como evacuações infrequentes, dificultosas e/ou alterações na consistência (endurecidas de cíbalos). Mais comumente fala-se em constipação quando o paciente evacua menos de 3 vezes por semana, mas o constipado crônico pode ainda se considerar constipado independente do ritmo evacuatório, quando apresenta: • sensação de evacuação incompleta, • aumento da consistência fecal • necessidade de grande esforço as dejeções e utilização de manobras digitais A constipação intestinal pode ser classificada como secundária, quando se apresenta como sintoma associado a algum fator etiológico ou como funcional, quando não se encontra uma etiologia estrutural, metabólica ou farmacológica para explicar o quadro clínico, ou também como aguda ou crônica. EPIDEMIOLOGIA Acomete qualquer faixa etária desde o lactente ao idoso. Nos adultos atinge de 2 a 28% da população geral e predomina no sexo feminino. Nas crianças a prevalência varia de 0,7 a 30% mostrando maior prevalência nos meninos do que nas meninas, o pico de incidência ocorre quando elas começam ir ao banheiro (2 a 4 anos de idade), + 1/3 dos pacientes evolui para forma crônica. É um importante problema de saúde pública, com altas taxas de absenteísmo, restrições a vida diária e impacto na qualidade de vida. FATORES DE RISCO São fatores de risco para constipação segundo Roma IV: • Idade >50 anos, particularmente aos 70 anos • Sexo feminino • Baixa ingestão calórica • Polifarmácia • Sedentarismo • Baixas condições econômicas e educacionais IDADE: Isso porque a prevalência de constipação aumenta com a idade, o principal sintomas no idoso parece ser o esforço evacuatório ➔ essa alta prevalência assim como as complicações como impactação fecal e incontinência fecal fazem com que a constipação tenha um impacto negativo na qualidade de vida desses pacientes. SEXO FEMININO: 1,5 a 3 vezes maior em relação aos homens. FATORES LIGADOS AO ESTILO DE VIDA: Ingestão inadequada de fibras, ingestão inadequada de líquidos, baixo nível de atividade física. GRAVIDEZ: 11 a 38% das grávidas sofrem de constipação, essa alteração parece estar relacionada com o aumento dos níveis de progesterona, diminuição da atividade física e uso de suplementos com efeitos constipantes (sulfato ferroso e cálcio). CONSTIPAÇÃO INTESTINAL ETIOPATOGENIA DA CONSTIPAÇÃO AGUDA (PRIMÁRIA) Ocorre geralmente após mudanças na rotina alimentar, viagem ou mesmo mudança de ambiente, diminuição da atividade física, imobilização no leito (pós-operatório, estado mórbido) ou em cadeia de rodas, uso de drogas constipantes. O reestabelecimento da função intestinal ocorre espontaneamente após a correção dos fatores desencadeantes. Não é raro o uso de laxativos para evitar a evolução crônica, especialmente em faixas etárias mais vulneráveis como crianças em fase de treinamento esfincteriano. Sem diagnostico e intervenção terapêutica precoce a constipação aguda pode se tornar crônica. ETIOPATOGENIA DA CONSTIPAÇÃO INTESTINAL SECUNDÁRIA Pode ser secundário a distúrbios intestinais e extraintestinais, inclusive de lesões estruturais dos cólons e da região anorretal, medicamentos constipantes e varias doenças metabólicas e sistêmicas. LESÕES DA MEDULA ESPINHAL 42 a 95% dos pacientes com lesões da ME sofrem de constipação. A gravidade é maior nas lesões completas e existe evidencia de que o quadro progride com o tempo. A constipação é mais grave nos pacientes com lesão abaixo de T7 sem reflexos sacrais que apresentam trânsito colônico lentificado. ESCLEROSE MÚLTIPLA 36 43% dos pacientes, piora com o tempo, propõe-se que seja devido a lesões no SNC e/ou disfunção autonômica, alguns pacientes apresentam trânsito colônico lento outros dificuldade para evacuar devido impossibilidade de relaxar os músculos do assoalho pélvico. PARKINSON 2/3 dos pacientes, a alteração mais frequente é a evacuação obstruída com dificuldade para evacuar e sensação de evacuação incompleta. Parece ter relação com a alterações distônicas da musculatura estriada, incluindo EEA. Outra alteração presente é aumento do trânsito colônico. CHAGAS A colopatia chagásica é uma neuropatia de etiologia desconhecida. A desnervação colônica leva ao aparecimento do megacólon e sua principal complicação é o fecalomas. Geralmente é uma constipação de evolução lenta e progressiva. DM Provavelmente ocorre devido alterações neurológicas nos cólons, que levam ao aumento do trânsito colônico e ausência do reflexo gastrocólico, também diminuição do tônus do esfíncter anal e aumento do limiar de percepção para a sensação retal ➔ contribuem para constipação e para incontinência fecal. HIPOTIREOIDISMO Provavelmente devido a alterações da motilidade colônica secundária a infiltração da parede por tecido mixedematoso. CONSTIPAÇÃO FUNCIONAL – ROMA IV O Roma IV define a constipação funcional como “afecção funcional onde predominam sintomas de evacuação infrequente, difícil ou incompleta”. Esses pacientes não podem se encaixar na definição de SII (embora possam apresentar dor abdominal). O início do quadro deve ocorrer pelo menos 6 meses antes do diagnóstico, devendo estar ativos nos últimos 3 meses. A constipação crônica ou funcional tem fisiopatologia complexa e seu diagnóstico é meramente clínico. Apresenta 3 categorias de afecção colônica descritas: 1) Constipação com trânsito colônico normal 2) Constipação com trânsito colônico lento 3) Desordens evacuatórias MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS Alterações nas características das fezes ou fecaloma ao exame do abdome, são queixas comuns evacuações pouco frequentes, fezes calibrosas ou fragmentadas (cíbalos), incontinência fecal, dor e/ou esforço ao evacuar associado ou não a sangramento retal, distensão ou desconforto abdominal, flatulência, náuseas e vômitos. NA CRIANÇA E ADOLESCENTE É um problema comum na infância, em 17 a 40% dos casos a constipação começa no primeiro ano de vida. Utiliza-se a escala de Bristol para avaliação das fezes ao diagnóstico e durante o tratamento. A constipação pode ser definida como atraso ou dificuldade na defecação presente por duas ou mais semanas causando desconforto no paciente na infância. Ela resulta da retenção voluntária de fezes pela criança ou dolescente relacionada ao medo de evacuar causando por uma evacuação previa dolorosa. Um ciclo vicioso é formado levando a impactação fecal e algumas vezes a incontinência fecal, perda da sensação de distensão retal e por último perda de urgência normal de defecar. Em 25 a 50% dos pacientes constipados observam-se anormalidades da dinâmica da defecação, isto é, contração anormal do EIA e/ou contração paradoxal dos músculos do assoalho pélvico, o que contribui para quadros de incontinência fecal retentiva ➔ eliminação involuntária de pequenas quantidades de fezes após 4 anos de idade, pode ocorrer varias vezes ao dia e geralmente está associada a impactação fecal e megarreto. Já a incontinência fecal não retentiva é mais comum em escolares e adolescentes, caracteriza-sepela eliminação completa das fezes em roupa íntima ou em locais diferentes dos usuais e os indivíduos não assumem postura retentiva. Comumente quando a criança é levada para consulta já está no círculo vicioso da constipação. INVESTIGAÇÃO DIAGNÓSTICA ANAMNESE ➔ Avaliar a forma da fezes (Escala de Bristol), a frequência das evacuações e a época da vida que esses sintomas se iniciaram, pode-se recomendar diários para avaliação mais apurada do hábito intestinal, se atentar ao uso de medicamentos constipantes, presença de doenças sistêmica, não se esquecer de investigar a epidemiologia da doença de Chagas. Buscar sinais e sintomas de alarme que possam indicar neoplasias (perda ponderal, história familiar de CA de cólon, febre, hematoquezia, anemia, inicio da constipação após 50 anos de idade). Esforço evacuatório intenso e prolongado, necessidade de pressão perineal ou vaginal ou manobras digitais para facilitar evacuação sugerem evacuação obstruída. Obter uma boa história alimentar, com conteúdo de fibras da dieta, além de investigar mudanças recentes no estilo de vida como diminuição da atividade física ou manifestações de depressão. NAS CRIANÇAS: Perguntar a idade do inícios dos sintomas, o sucesso ou fracasso no treinamento esfincteriano, frequência e consistência das fezes, dor e/ou sangramento durante a passagem das fezes, coexistência de dor abdominal ou incontinência fecal (se presente e se também for noturna), o comportamento retentor, história dietética, mudança de apetite, náuseas e/ou vômitos, perda de peso. EXAME FÍSICO ➔ Completo, incluindo toque retal. O exame do abdome pode revelar distensão, cólon palpável com fezes endurecidas (sinal de Gersuny +) ou massas que sugerem neoplasia. O toque retal pode revelar lesões da região anorretal e permite avaliar o tônus do esfíncter anal. Pode se identificar também fissura anal e presença de fezes impactadas no reto. EXAMES LABORATORIAIS E DE IMAGEM ➔ Não são necessários antes de iniciar o tratamento empírico, na ausência de outros sinais e sintomas deve ser solicitado apenas hemograma completo. A colonoscopia deve ser solicitada aos pacientes com sinais de alarme, para >50 anos não rastreados para CA de cólon e para pacientes com constipação refrataria ao tratamento clínico. O enema opaco pode ser solicitado para pacientes chagásicos com o objetivo de identificar megacólon ou em casos de constipação intestinal refrataria. Os testes funcionais para o estudo do trânsito colônico e da função anorretal devem ser solicitados nos casos de constipação refratária ao tratamento clínico convencional: 1) Trânsito colônico: ingestão de capsulas com marcadores radiopacos ➔ após 5 dias se faz um RX, se mais de 20% do marcador estiver retido o paciente apresenta trânsito colônico lentificado/ a retenção dos marcadores no reto e no sigmoide sugere evacuação obstruída. 2) Manometria anorretal: Indicado para diagnóstico de evacuação obstruída, pode avaliar alterações do assoalho pélvico associada ao teste de expulsão de balão ou a decografia, ela fornece a medida das pressões de repouso e contração voluntária do canal anal e também sobre a sensibilidade e complacência retal. TRATAMENTO NÃO MEDICAMENTOSO Desde que não haja sinais de alarme o tratamento inicial da constipação inicialmente é conservador com orientações sobre o problema e a necessidade de ingerir líquidos, exercitar-se, alterar a dieta com foco na necessidade ingestão de fibras e estabelecimento do hábito evacuatório em horário específico e se necessário, uso apropriado de laxativos. Orientar o uso correto da musculatura abdominal e pélvica e do relaxamento do esfíncter anal, reforçar a necessidade de não reprimir o desejo de defecar. Técnicas psicoterápicas também podem ser usadas e incluem terapia comportamental, hipnose e psicoterapia. TRATAMENTO MEDICAMENTOSO 1) LAXATIVOS São os fármacos mais prescritos, pertencem a 4 grupos principais: a) Formadores de massa São indicados para tratar constipação episódica, são polissacarídeos orgânicos que atuam aumentando a quantidade de líquido ao bolo fecal, alguns atuam como prébióticos (alimentos não digeríveis que estimulam seletivamente a proliferação ou atividade de populações de bactérias desejáveis no cólon) ➔ aumentam distensão e flatulência. Temos o plantago ovata e seu derivado psyllium(insolúvel não causa efeitos colaterais), farelo de trigo, metilcelulose, policarbolifa cálcica. É imprescindível que o paciente ingira grande quantidade de água já que são medicamentos adsorventes de água ➔ Se não for feito pior a constipação e mesmo a formação do fecalomas. b) Diminuidores da consistência fecal Indicados na constipação ocasional, muitas vezes associados aos formadores de massa, constituindo surfactantes com poder emulsificante. Temos o docussato de sódio disponível em associação com o bisacodil, tomar 1 ou 2 comprimidos ao se deitar. c) Laxantes estimulantes Podem ser produtos naturais como sene e cáscara sagrada ou análogos da fenolftaleína (Bisacodil ➔ Lactopurga). São hidrolisados no intestino, estimulam a peristalse, além de provavelmente interferir na absorção de água. Podem levar a cólicas abdominais sendo captados por células intestinais levando a formação de melanose coli. Podem ser usados na constipação ocasional e como preparo para exame colônicos. d) Laxantes osmóticos Engloba os sais inorgânicos (compostos de magnésio) e álcoois ou açúcares orgânicos como lactulose, polietileno- glicol (PEG) ➔ eficácia parece manter-se mesmo após longos períodos de uso, macrogol, lactiol. Estas substâncias exercem efeito osmótico atraindo água para a luz intestinal, podem ser titulados de acordo com as evacuações podendo ser usados tanto na constipação crônica como na ocasional. Podem causar alterações hidroeletrolíticas, flatulência e distensão abdominal. São bastante utilizados em pacientes com trânsito colônico lento, tendo especial indicação nos casos de megacólon. 2) PROBIÓTICOS Os resultados obtidos são restritos a cepas especificas. Os que apresentam efeitos favoráveis são Bifidobacterium lactis DN-173010, Lactobacillus casei, Shirota e Escherichia coli. 3) AGONISTAS DO 5-HT4 Esse receptor tem um papel essencial tanto na fisiologia como na fisiopatologia da função regulatória do TGI. A sua ativação produz atividade pró-cinética e desencadeia a liberação de neurotransmissores de nervos entéricos, culminando na contratilidade e estímulo peristáltico. Tem efeitos adversos cardíacos observados com a cisaprida e o tegaserode. A prucaloprida foi desenvolvida com ausência de tais efeitos colaterais, ela tem alta afinidade pelo receptor 5-HT4 e atua aumentando a velocidade de propulsão colônica ➔ aumenta o número de evacuações semanais e diminui o esforço evacuatório. Efeitos adversos mais frequentes foram cefaleia, náusea, dor abdominal e diarreia (primeiro dia de uso). Sua eficiência é boa independente do tipo de constipação, com início de ação rápido e mantido a longo tempo. 4) ANTAGONISTAS OPIOIDE Tem sido estudado principalmente nos casos de constipação pós-operatória onde foram utilizados opioides. Exemplos são metilnatrexona e o alvimopan. Obs: Só é indicado o uso de supositórios ou enemas nos casos de disfunção do assoalho pélvico refratário ao tratamento. TRATAMENTO CIRÚRGICO Reservado aos casos de constipação refrataria ao tratamento clínico, para pacientes com constipação de trânsito lento a cirurgia indicada é a colectomia subtotal com ileorretoanastomose. Existem vários procedimentos cirúrgicos discutidos para pacientes com obstrução da via de saída. A escolha do tratamento cirúrgico deve ser individualizada. TRATAMENTO NA CRIANÇA Consiste em duas fases: desimpactação e manutenção DESIMPACTAÇÃO Recomendadaquando há identificação de massa fecal na palpação abdominal, toque retal ou RX de abdome. A primeira linha de tratamento é o PEG com ou sem eletrólitos na dose de 1-1,5g/kg/dia por 3 a 6 dias. Caso não tenha PEG podem utilizar enema diários por 3 a 6 dias. Devem ser mantidos até a completa eliminação das fezes e a criança apresentar 1 a 2 evacuações amolecidas ao dia. MANUTENÇÃO A manutenção é importante para evitar que ocorra reimpactação, envolve a utilização de laxantes por pelo menos 2 meses, importante lembrar que todos os sintomas da constipação devem estar resolvidos por pelo menos 1 mês antes da descontinuação do tratamento e a retirado do laxante deve ser gradual. ❖ REFERÊNCIAS Guyton – 13º edição – 2017. Tratado de Gastroenterologia - Zaterka Put – Pourri – SBAD – 2016. Ênio Leão – 2013. ARTIGO: Constipação crônica funcional: como o pediatra deve manejar. Ramos ARL et.al. Gastroenterologistas pediatras de Porto Alegre, RS. 2019. Canal anal • Última parte do TGI • 3 a 4 cm de extensão e se inicia na junção anorretal e termina no ânus • Subdividido em zonas colunar, intermediária e cutânea • Zona colunas ▪ O lúmen possui dobras de membrana mucosa (colunas anais) produzidas por corpos cavernosos arteriais (almofadas anais) na submucosa ▪ Tais colunas estão conectadas umas às outras em suas porções distais por dobras transversais (válvulas anais) ▪ Atrás das válvulas anais encontra-se as criptas (criptas de Morgani), no interior das quais os ductos excretores das glândulas anais se abrem ▪ Todas as válvulas anais em conjunto formam a linha denteada (ou pectínea), uma linha serrilhada onde a mucosa intestinal se funde com o epitélio escamoso do canal anal • Zona intermediária ▪ Distalmente à linha pectínea há uma zona de 1 cm de extensão com mucosa anal • Zona cutânea ▪ Zona abaixo da borda anal (linha anocutânea) ▪ Depressão entre os esfíncteres anais interno e externo e possui pele perianal regular ▪ A tensão do músculo corrugador da pele anal produz sua aparência em forma de ventilador • O canal anal é rodeado por um esfíncter, músculo circular que mantém as fezes armazenadas no interior do reto e canal anal até que seja relaxado durante a evacuação DOENÇA HEMORROIDÁRIA • Afecção mais frequente • Maior incidência na quarta década de vida, ocorrendo raramente na infância e adolescência • Surge quando há congestão, dilatação e aumento dos corpos cavernosos do canal anal formando grandes emaranhados vasculares, submucosos e/ou subcutâneos, flexíveis, que se enchem de sangue, constituindo os mamilos hemorroidários Corpos cavernosos - São sustentados pelas fibras da musculatura lisa localizada na submucosa do canal anal - Esses corpos permanecem continuamente preenchidos com sangue e murcham apenas no ato evacuatório, para facilitar a passagem das fezes e, como consequência, também contribuem para a continência fecal, em especial para gases e fezes líquidas HEMORROIDA Vascularização da região anorretal • Constituída por uma rica rede de arteríolas e vênulas que se comunicam diretamente, formando os corpos cavernosos e chamados de plexos hemorroidários – interno e externo • Plexo hemorroidário interno ▪ Localiza-se no espaço submucoso do canal anal, acima da linha pectínea (sentido proximal) ▪ Vascularizado pelos três ramos terminais da artéria retal superior, dois à direita e um lateral esquerdo ▪ Drena para o sistema portal pela veia retal superior, tributária da veia mesentérica inferior • Plexo hemorroidário externo ▪ Situa-se no espaço subcutâneo do canal anal, abaixo da linha pectínea (sentido distal) ▪ Vascularizado pelos ramos terminais das artérias retais inferiores ▪ Drena para a circulação sistêmica (veia cava inferior) pelas veias retais inferiores, tributárias das veias pudendas e ilíacas internas • Ambos os complexos se comunicam, por apresentarem anastomoses arteriovenosas entre si ETIOPATOGENIA • Vários fatores são importantes: ▪ Veia varicosa – representada pela dificuldade do esvaziamento sanguíneo do canal anal no ato defecatório, com congestão e dilatação dos corpos cavernosos ▪ Degenerativa – presença de prolapso anormal do plexo hemorroidário interno, durante a evacuação, por deficiência de sua fixação pela musculatura longitudinal da submucosa ▪ Mecânica – caracterizada pelo excessivo esforço defecatório e/ou dieta pobre em resíduos (fibras) e pouca ingestão de líquidos, que pode acarretar o endurecimento das fezes e aumentar ainda mais o esforço evacuatório ▪ Hiperplasia vascular – presença de hiperplasia dos corpos cavernosos do canal anal que poderá ocasionar sua dilatação e aumento ▪ Hemodinâmica – presença das comunicações arteriovenosas, muito calibrosas, na submucosa do canal anal, facilitando o aumento e dilatação dos corpos cavernosos ▪ Disfunção do esfíncter anal interno – hiperatividade do esfíncter anal interno do ânus com hipertonia ocasionando distensão dos corpos cavernosos • Fatores desencadeantes e agravantes: ▪ Os agravantes estão relacionados com hábitos defecatórios errôneos, como: insistência em evacuar todos os dias, esforçar-se para defecar em um determinado horário por conveniência ou forçar o esvaziamento total do conteúdo retal de uma só vez ▪ Os fatores desencadeantes são: constipação intestinal, abuso de laxativos, diarreia crônica, gravidez (pelo aumento da pressão intra-abdominal), e a posição bípede do ser humano • Não há remissão espontânea para a doença hemorroidária, uma vez manifestada e sem tratamento, sua evolução é progressiva CLASSIFICAÇÃO • Relacionada com a localização do mamilo hemorroidário no canal anal e com a presença ou não de seu prolapso • Podem ser interno, externos ou mistos • Apresentam consistência amolecida e forma abaulada • Mamilo hemorroidário interno ▪ Situado acima da linha pectínea na parte interna ou proximal do canal anal ▪ É subclassificados com a presença ou ausência de seu prolapso para o exterior do canal em: ✓ 1º grau – não prolaba pelo canal anal quando há evacuação ou aos esforços ✓ 2º grau – prolaba através do canal anal durante o esforço evacuatório, exteriorizando-se pelo ânus, porém retraindo-se cessado o esforço ✓ 3º grau – prolaba à evacuação e/ou aos esforços e não retorna espontaneamente, necessitando ser recolocado digitalmente para o interior do canal anal ✓ 4º grau – permanentemente prolabado pelo canal anal, sem possibilidade de ser recolocado para o interior do canal anal • Mamilo hemorroidário externo ▪ Localizado abaixo da linha pectínea, no anoderma (porção externa ou distal do canal anal) ▪ Caracteriza-se por dilatações dos vasos subcutâneos do anoderma, formando um abaulamento de consistência mole, indolor e, as vezes, de coloração vinhosa • Mamilo hemorroidário misto ▪ Existência concomitante de mamilos internos e externos QUADRO CLÍNICO • Pode ser assintomática e só diagnosticada ao exame físico, porém a maioria apresente diferentes sinais e sintomas, com vários graus de intensidade • Sangramento ▪ Principal e mais frequente sinal ▪ Associado à passagem de fezes endurecidas pelo canal anal que podem traumatizar o mamilo hemorroidário • Prolapso ▪ Exteriorização do mamilo hemorroidário interno • Exsudação perianal ▪ Umidade da pele perianal causada pela presença de muco nessa região • Desconforto anal ▪ Durante ou após a evacuação, pode haver uma pressão anal DIAGNÓSTICO • Exame médico • Anuscopia • Às vezes, sigmoidoscopia ou colonoscopia O médico pode fazer um diagnóstico imediato de hemorroidas inflamadas e doloridas através da observação do ânus e do reto. Um exame com um anuscópio (um tubo curto e rígido utilizado para visualizar o reto) é realizado para avaliar hemorroidas indolores ou hemorrágicas. Pessoas com hemorragia do reto podem precisar de sigmoidoscopiaou colonoscopia (consulte Endoscopia) para descartar a possibilidade de um quadro clínico mais grave como, por exemplo, um tumor. TRATAMENTO • Amolecedores do bolo fecal e banhos de assento • No caso de hemorroidas externas trombosadas, remoção de coágulo sanguíneo • No caso de hemorroidas internas, escleroterapia por injeção, ligadura elástica ou fotocoagulação com raio infravermelho • Algumas vezes, remoção cirúrgica ❖ REFERÊNCIAS: Guyton – 13º edição – 2017. DO NASCIMENTO¹, Geovanna Borges et al. ANÁLISE DE MÉTODOS EFETIVOS PARA TRATAMENTO DE HEMORROIDA. In: ANAIS DO II CONGRESSO MÉDICO DE RIO VERDE. p. 48. ARAUJO, Alonso; DE OLIVEIRA JR, Olival. DIAGNÓSTICO DA HEMORRÓID HEMORRÓIDA. Rev Assoc Med Bras, v. 53, n. 1, p. 1-12, 2007. https://www.msdmanuals.com/pt-br/casa/dist%C3%BArbios-digestivos/diagn%C3%B3stico-de-dist%C3%BArbios-digestivos/endoscopia