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Pneumonias 1 Pneumonias 1- Introdução Doença inflamatória aguda de causa infecciosa que acomete as vias aéreas terminais e o parênquima pulmonar; Causada por vírus, bactérias e mais raramente fungos e parasitas. A pneumonia pode ser definida do ponto de vista histológico como preenchimento do espaço alveolar por infiltrado necroinflamatório, assim como, do ponto de vista clínico como infecção aguda do pulmão decorrente da infecção por algum microorganismo. São classificadas em: -Pneumonia Adquirida em Comunidade -Pneumonia Nosocomial 2- Epidemiologia A PAC constitui uma das principais causas de morte no mundo, com significativo impacto nas taxas de morbidade; No Brasil, houve uma redução significativa das taxas de mortalidade por infecções do trato respiratório, apesar dessa redução ter sido menor nas últimas décadas. Dentre as pneumonias, a PAC persiste como a de maior impacto e é a terceira causa de mortalidade no meio médico. A incidência de pneumonia é alta entre lactentes e crianças, diminui consideravelmente durante a infância , permanece relativamente incomum em adultos jovens, mas depois começa a aumentar após os 50 anos de idade e, em especial, após os 65 anos… <5 anos e >65 anos, sexo masculino… mais frequente no outono e inverno. Pneumonias 2 Doenças respiratórias são a quinta causa de óbitos, pneumonia é a segunda mais frequente. Mortalidade- 1% (não internados) 50% (internados em UTI) 3- Etiologia Típicas: Haemophilus influenzae- idosos >65 anos, asma, DPOC Atípicas: Mycoplasma pneumoniae, Chlamydia pneumoniae, Legionella spp. Streptococcus pneumoniae e vírus respiratórios- são os patógenos mais frequentemente detectados em pacientes com PAC (Pneumonia Adquirida em Comunidade). No entanto, em uma grande proporção de casos (até 62%), nenhum patógeno é detectado, por conta da dificuldade de se obter amostras fidedignas e respostas em tempo hábil, o que corta a coleta de exames específicos uma prática não habitual. Agentes atípicos Pneumonias 3 Gram negativos Outros 4- Fisiopatologia Pneumonias 4 Atingem os alvéolos pulmonares de duas formas- microaspiração do material proveniente das vias aéreas superiores e inalação de aerossol contaminado do ambiente ou por via hematogênica. No primeiro caso, é desenvolvido devido à aspiração de pequenas quantidades de secreções nasofaríngeas ou de conteúdos da boca, em especial durante o sono. Aspirações são mais frequentes em pessoas mais idosas, particularmente mais frágeis ou acamadas. A pneumonia pode ser causada também por inalação direta de material em aerossóis para os pulmões. É característico das pneumonias bacterianas, Mycobacterium tuberculosis e Bacillus anthracis. Esse mecanismo também explica a infecção por alguns vírus, como o da influenza ou sincicial respiratório. As bactérias também podem atingir os pulmões através da corrente sanguínea, ser filtradas pelos mecanismos normais do clearance do hospedeiro, mas depois escapar e causar pneumonia. A pneumonia por S. aureus é comumente causada por disseminação hematogênica, em especial se uma infecção endovascular como a endocardite estiver presente. A Escherichia coli e outros bacilos Gram-negativos podem, ainda, causar pneumonias através de disseminação hematogênica. Resumo: 1º passo- chegada do patógeno no espaço alveolar; 2º passo- multiplicação descontrolada do patógeno; 3º passo- produção local de citocinas principalmente por macrófagos alveolares; 4º passo- recrutamento de neutrófilos para o espaço alveolar e introdução de citocinas na circulação sistêmica; 5º passo- geração do exsudato alveolar. 5- Diagnóstico clínico Tosse (82%)- produtiva ou não. Pode ter hemoptóicos (sangue). Náusea, vômito, diarreia Exame físico- estertores crepitantes, descompensar doença de base (cardíaca) Dispneia, febre, calafrios, expectoração, dor torácica (envolvimento da pleura) Pneumonias 5 Fadiga, mialgia, altragia, cefaleia OBS: em idosos os sinais podem ser muito inespecíficos, sem febre, por exemplo. 6- Diagnóstico radiológico Rx de tórax- a radiografia de tórax, em associação com a anamnese e o exame físico, faz parte da tríade propedêutica clássica para PAC, sendo recomendada sua realização de rotina, quando disponível, nas incidências posteroanterior (PA) e perfil. Além da contribuição ao diagnóstico, a radiografia de tórax permite ainda avaliar a extensão das lesões, detectar complicações e auxiliar no diagnóstico diferencial. Baixo custo, baixa radiação, primeiro exame. OBS: o infiltrado alveolar do tipo broncopneumônico é o achado radiológico mais frequente na pneumonia bacteriana, independente do agente etiológico. USG de tórax- delimitar derrames de difícil punção e loculações. TC de tórax- indicada quando há dúvidas, suspeita de complicações (abscesso, cavitações) e diagnóstico diferencial de massas. OBS: a imagem radiológica pode persistir por até seis a oito semanas. Pneumonias 6 7- Exames laboratoriais Exames laboratoriais não microbiológicos Hemograma: tem valor muito limitado para o diagnóstico de PAC em função de sua baixa sensibilidade e especificidade. Pode ser útil como critério de gravidade e monitorização terapêutica – leucopenia (< 4.000 leucócitos/mm3) denota prognóstico ruim. Nos casos de PAH, o hemograma faz parte do escore clínico de infecção pulmonar (CPIS) (Tab. 98.1) – utilizado no diagnóstico. Exames bioquímicos gerais: Tanto em PAC como em PAH, a dosagem de ureia elevada constitui um forte indicador de gravidade. Eletrólitos e provas hepáticas podem revelar morbidades associadas e/ou auxiliar na avaliação de disfunções orgânicas para definição prognóstica. A gasometria arterial (GA) revela hipoxemia e geralmente hipocapnia (pela hiperventilação), exceto na presença de pneumopatia grave, quando pode haver hipercapnia. A avaliação do estado metabólico é Pneumonias 7 importante (acidose na gasometria, lactato sérico), sobretudo nos pacientes com sepse, visando à identificação de hipoperfusão tecidual e consequente necessidade de terapia precoce e agressiva.O escore prognóstico PSI (do inglês pneumonia severity index) agrega diversos parâmetros laboratoriais em sua composição, pontuando como marcadores de pior prognóstico sódio abaixo de 130 mEq/L, glicose acima de 250 mg/dL, hematócrito (Ht) abaixo de 30%, pressão parcial arterial de oxigênio (PaO2) abaixo de 60 mmHg ou saturação periférica da hemoglobina pelo oxigênio (SpO2) abaixo de 90%, ureia acima de 50 mg/dL e pH abaixo de 7,35. MARCADORES INFLAMATÓRIOS Proteína C reativa – Em pacientes com sintomas de infecção aguda na via aérea inferior atendidos em nível de atenção primária, sem o diagnóstico de pneumonia na avaliação clínica inicial, a dosagem dessa proteína pode ser útil para a decisão quanto à prescrição de antibióticos. O uso de um kit point-of-care nesse contexto revelou que, quando os níveis são menores do que 20 mg/L, há segurança para a não prescrição de antibióticos. Níveis superiores a 100 mg/L indicariam uso imediato de antibiótico, ficando para a faixa intermediária (20-100 mg/L) a recomendação de observação e prescrição se houver piora dos sintomas. A dosagem dessa proteína não tem sensibilidade nem especificidade para predizer etiologia bacteriana em paciente com infiltrado pulmonar. O nível de proteína C reativa inicial não tem boa associação com a gravidade da doença, mas 95% dos pacientes hospitalizados têm níveis superiores a 50 mg/L. Embora a proteína C reativa não tenha papel específico no diagnóstico de pneumonia, pode ser utilizada no acompanhamento do tratamento de casos graves, com finalidade prognóstica. A manutenção de níveis elevados ou redução inferior a 50% do valor inicial após 3 a 4 dias de tratamento sugere evolução desfavorável ou surgimento de complicações. O papel da proteína C reativa está mais bem definido e testado no contexto na PAVM. Procalcitonina (PCT) – É um precursor da calcitonina sem efeito hormonal, liberado por célulasparenquimatosas em resposta a toxinas bacterianas. A PCT Tem sido investigada como auxiliar no diagnóstico de PAC (ajudando no diagnóstico diferencial com infecções virais ou de via aérea alta), como marcador prognóstico e como indicador da evolução do tratamento na PAVM. Níveis inferiores a 0,1 µg/L não recomendam o uso de antibacterianos; níveis acima de 0,25 mg/L fortemente sugerem a sua prescrição. Entretanto, o alto custo e a necessidade de comprovação de Pneumonias 8 benefício em populações maiores ainda impedem a recomendação de seu uso rotineiro. EXAMES MICROBIOLÓGICOS O diagnóstico definitivo da etiologia das PACs é obtido por meio do isolamento da bactéria em tecido estéril, como sangue e líquido pleural, podendo ser inferido com o isolamento do microrganismo em escarro, aspirado pulmonar, fragmento de pulmão e ainda por meio de métodos imunológicos ou de biologia molecular. No nosso meio, o germe mais comumente isolado é o pneumococo (Strepococcus pneumoniae). Um estudo local demonstrou incidência de legionela tipo 1 a 6 em 5% dos casos de PAC que são atendidos no serviço de emergência (SE). Em pacientes com PAVM (principalmente tardia, isto é, após o 5º dia de internação) predominam os bacilos gram-negativos (Pseudomonas sp., Enterobacteriaceae, Acinetobacter sp.) e o Staphylococcus aureus. BACTERIOSCOPIA E CULTURA DE SECREÇÃO RESPIRATÓRIA Cerca de 40% dos pacientes com PAC são incapazes de coletar amostras satisfatórias de escarro por expectoração (com menos de 10 células epiteliais e mais de 25 polimorfonucleares [PMNs] por campo de pequeno aumento) no momento do diagnóstico. O rendimento diagnóstico é muito variável (positividades entre 10 e 86%, sendo maior nos pacientes com pneumonia pneumocócica bacterêmica). A necessidade de tratamento precoce com cobertura antimicrobiana empírica, aliada às limitações suprarreferidas, mostra que o exame de escarro é dispensável na grande maioria dos pacientes ambulatoriais não graves. Naqueles com necessidade de internação, especialmente com PAC grave, recomenda-se o exame de escarro sempre que possível, independentemente do esquema de tratamento empírico adotado. Entretanto, ressalta-se que a coleta de escarro não deve atrasar o início dos antimicrobianos, visto que o seu retardo (> 8 h) está associado a aumento da mortalidade. São fatores que aumentam a qualidade e o rendimento da amostra obtida coleta antes do início da antibioticoterapia, jejum de 2 horas, enxágue da boca antes da coleta e inoculação em meio de cultura até 2 horas após a obtenção do material. A coleta de escarro para Gram e cultura também está indicada nos pacientes com suspeita de PAH, devendo ser feita o mais precocemente possível. A interpretação dos resultados deve levar em conta todo o contexto clínico, atentando para a possibilidade de colonização ou traqueobronquite. A identificação de Candida sp. em geral é Pneumonias 9 considerada contaminação da orofaringe e, como critério isolado, não deve ser indicação de tratamento. Na PAC grave e, especialmente, na PAH, a identificação do agente etiológico pela cultura de escarro pode trazer, além do benefício potencial direto para o paciente, importante informação epidemiológica sobre o perfil de sensibilidade dos patógenos locais. Em pacientes com PAC, a pesquisa de bacilo álcool-ácido resistente (BAAR) no escarro (duas amostras) é importante, tendo em vista a alta incidência de tuberculose (TB) no nosso meio e a dificuldade, em alguns casos, do diagnóstico diferencial com pneumonia tuberculosa e TB pulmonar pós-primária. A coleta é essencial em pacientes com sintomas respiratórios há 2 semanas ou mais, nos contactantes de pacientes com TBs pulmonares e naqueles com suspeita radiológica (infiltrado, com ou sem cavitação, em lobos superiores ou segmentos superiores dos lobos inferiores). A cultura para micobactérias deve ser solicitada em casos específicos. Em pacientes em ventilação mecânica (VM), a coleta de secreção respiratória pode ser feita de forma invasiva (técnicas de coleta ligadas à broncoscopia) ou não invasiva. Os métodos não invasivos mais utilizados são o aspirado traqueal (AT), o escovado protegido não broncoscópico (EPNB) e o minilavado broncoalveolar (miniLBA). Os métodos invasivos correspondem ao lavado broncoalveolar (LBA), ao LBA protegido e ao escovado protegido (EP). HEMOCULTURA Tem baixo rendimento (positividade entre 5-14%) em pacientes não selecionados com PAC. A probabilidade de impacto no manejo é maior nos pacientes com PAC grave, seja pela maior chance de positividade da hemocultura nesses pacientes, seja pela identificação de patógenos não cobertos pelo esquema empírico inicial, especialmente S. aureus e bacilos gram-negativos. A identificação de estafilococo coagulase-negativo em geral representa contaminação durante a coleta, sobretudo no contexto da PAC. Recomenda-se a coleta de hemocultura apenas para os casos de PAC grave ou em pacientes com fatores de risco específicos (ver Quadro 98.1). As amostras devem ser coletadas antes do início ou da modificação do tratamento. A presença de hemocultura positiva está associada a pior prognóstico. Nos casos de PAH, 10 a 20% dos pacientes com PAVM apresentam bacteremia. O exame apresenta um valor preditivo positivo (VPP) de 73%, e, em outros 27% dos casos, pode-se encontrar um foco extrapulmonar. A positividade da hemocultura também está associada a um maior risco de complicações e morte. Pneumonias 10 ANTÍGENOS URINÁRIOS Recomendados nos casos de PAC grave ou em pacientes com PAC não respondedores ao tratamento instituído. São exames simples, rápidos e não influenciáveis pelo uso prévio de antibióticos. Entretanto, são pouco disponíveis ou têm resultados liberados dias após a coleta, o que reduz sobremaneira o seu benefício em relação à decisão terapêutica. Além disso, têm menor rendimento nos quadros não bacterêmicos, casos em que não é possível realizar antibiograma. Legionella pneumophila sorotipo 1 – torna-se positivo no 1º dia da infecção e assim permanece por semanas. Apresenta sensibilidade de 70 a 90% com especificidade próxima a 100%; outros sorotipos, mais frequentes nas infecções nosocomiais, não são identificados. S. pneumoniae – A sensibilidade varia de 50 a 80% (maior do que a do escarro e da hemocultura), e a especificidade é de 90%. SOROLOGIAS Sologia para vírus da imunodeficiência humana (HIV) – Além de pacientes com suspeita por dados da história clínica, também deve ser considerada em outros pacientes com PAC, sobretudo se a gravidade do quadro requer hospitalização. Sorologias para micoplasma, legionela e clamidofila (clamídia) – Os testes sorológicos não demonstram utilidade para a avaliação inicial de pacientes com PAC e não devem ser rotineiramente solicitados. Por haver necessidade de comprovar soroconversão, há retardo no diagnóstico, de modo que, embora possam servir para o reconhecimento da etiologia, não ajudam no plano terapêutico inicial. Amostras pareadas com intervalo de 4 a 6 semanas, demonstrando um aumento dos títulos em 4 vezes, confirmam o diagnóstico etiológico da pneumonia. OUTROS EXAMES LÍQUIDO PLEURAL Pacientes com derrame pleural (DP) acessíveis à punção devem realizar toracocentese diagnóstica com coleta de exames bioquímicos e microbiológicos. PESQUISA DE VÍRUS POR IMUNOFLUORESCÊNCIA O material pode ser coletado do nariz ou da orofaringe. É um teste rápido, de coleta pouco invasiva e que permite a identificação de adenovírus, rinovírus, vírus sincicial respiratório (VSR) e influenza A e B. Esses resultados podem influenciar a decisão Pneumonias 11 terapêutica, reduzindo a prescrição de antibacterianos e otimizando o uso dos antivirais. PESQUISA DE AGENTES MICROBIOLÓGICOS POR BIOLOGIA MOLECULAR Normalmente é realizada em secreção nasal, de orofaringe ou no material coletado por broncoscopia. Permite identificar inúmeros agentes (bactérias piogênicas, legionela, clamídia, vírus,etc.). Pode ser útil nas infecções virais (adenovírus, VSR, influenza, parainfluenza), que são de difícil identificação por outros métodos. Infelizmente, a maioria dos kits não foi validada, e muitos deles são desenvolvidos localmente (in house), tendo acurácia variável. A reação em cadeia da polimerase (PCR, do inglês polymerase chain reaction) por transcriptase reversa em tempo real é o teste de escolha para o diagnóstico do vírus da influenza H1N1. Pneumonias 12 8- Tratamento Na maioria das vezes é empírico, com base nas características da população; Iniciar antes de oito horas da chegada ao serviço de saúde; A escolha do antibiótico deve levar em consideração: 1) patógeno mais provável no local de aquisição da doença; 2) fatores de risco individuais; 3) presença de doenças associadas; 4) fatores epidemiológicos, como viagens recentes, alergias e relação custo-eficácia. Sem comorbidades, sem resistência, sem alergia: Amoxicilina ou amoxicilina + ácido clavulânico ou macrolídeos (azitromicina ou claritromicina); Com fatores de risco, doença mais grave, uso recente de antibióticos: ẞ- lactâmico + Macrolídeo Em caso de alergia a ẞ-lactâmicos/macrolídeos: Moxifloxacino OU Levofloxacino OU Gemifloxacino. Tratamento de pacientes internados em enfermaria Pneumonias 13 Cefalosporinas de 3º geração (ceftriaxona ou cefotaxima) ou Ampicilina/sulbactam + Macrolídeo. Cefalosporinas de 3a geração ou Amoxicilina + Ácido clavulânico. Em caso de alergia a ẞ-lactâmicos/macrolídeos: Moxifloxacino OU Levofloxacino OU Gemifloxacino. Internados em UTI Cefalosporinas de 3a geração (ceftriaxona ou cefotaxima) ou Ampicilina/sulbactan + um macrolídeo (azitromicina ou claritromicina). Cefalosporinas de 3a geração (ceftriaxona ou cefotaxima) + quinolona respiratória. Carbapenêmicos- bactérias produtoras de B-lactamase e falha prévia aos B- lactâmicos. Glicopeptídeos (Vancominina, Teicoplanina, MRSA)- intubação prolongada. 9- Profilaxia Vacinação: pneumocócica 23 valente- comorbidades, pneumonia de repetição, HIV, esplenectomizados, transplantados. Pneumocócica 10 valente- oferecida para criança. Pneumocócica 13 valente- rede privada. Vacinação contra Influenza. Saúde bucal, cessação do tabagismo, redução álcool, adequação dietética, evitar contato com crianças doentes. 10- Pneumonia nosocomial Surge 48 horas de internação hospitalar e pode ser precoce, quando ocorre até o 4º dia de internação, ou tardia, quando ocorre após 5 ou mais dias de internação; De início é frequentemente ocasionada por microrganismos que são associados também à PAC, tais como S. pneumoniae, H. influenzae e anaeróbios. A pneumonia nosocomial de início tardio é causada principalmente por Staphylococcus aureus resistentes à meticilina (MRSA); bacilos Gram-negativos entéricos; P. aeruginosa; não fermentadores, tais como Acinetobacter baumannii e S. maltophilia; e infecções polimicrobianas. Pneumonias 14 Na pneumonia associada à ventilação mecânica, a infecção ocorre 48h após intubação orotraqueal. Precoce: até 4 dias- microorganismos da comunidade. Tardia: após 5 dias- microorganismos multirresistentes. Fatores de risco para pneumonia nosocomial Associados ao paciente: idosos, redução da consciência, AVE, TCE, broncoaspiração, tabagismo, DPOC, SDRA, doenças pulmonares e neuromusculares, aspiração pulmonar, grande queimado, politraumatismo, desnutrição, hipoalbuminemia, doenças imunossupressoras, pacientes institucionalizados; Associados à terapêutica: antibiótico nos últimos 90 dias, resistência prévia ao antibiótico, hospitalização prolongada, decúbito inferior 30-45 graus, uso de bloqueador H2, hiperdistensão gástrica, uso de sondas, má higiene mãos e equipamentos, higiene oral inadequada, necessidade de ventilação mecânica invasiva. Fluxograma Suspeita clínico-radiológica: novo infiltrado pulmonar + febre; piora do estado geral; escarro purulento; leucocitose- quando os glóbulos brancos estão acima da faixa normal; hipoxemia em paciente >48 horas de internação ou ventilação mecânica. Avaliar fatores de risco para patógenos multirresistentes; Coletar culturas (hemoculturas periféricas e cultura de secreção respiratória); Presença de fatores de risco para patógenos MDR (multirresistentes), unidade hospitalar com prevalência desconhecida ou >20% de MRSA (Staphylococcus Aureus Resistente à Meticilina) e/ou >10% BGN (Bactérias Gram Negativas).