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Febre TERU COR Podemos aferir a temperatura corporal de quatro maneiras, com resultados diferentes: Temperatura axilar – normal até 37,2oC. Temperatura oral (boca) – normal até 37,5oC. Temperatura timpânica (ouvido) – normal até 37,5oC. Temperatura retal (ânus) – normal até 38oC. Consideramos febre uma temperatura maior que 37,5oC na axila ou 38oC no ânus. Febrícula, ou estado subfebril, os aumentos de temperatura entre 37,2oC e 37,8oC, que muitas vezes não apresentam significado clínico ou indicam doenças não infecciosas. COTO Elevação da temperatura corporal acima da faixa de normalidade (37,5°C-axilar/ 37,8°C- oral/ 38°C-retal) associada a um aumento no ponto de ajuste hipotalâmico (o que a diferencia de uma hipertermia, que não provoca alteração no centro hipotalâmico). A febre não é uma doença, é um mecanismo de resposta do organismo a alguma anomalia. FIATI A febre ocorre pela ação de fatores pirogênicos sobre o centro termorregulador do hipotálamo, elevando o limiar térmico e desencadeado respostas metabólicas de produção e conservação de calor (tremores, vasoconstrição periférica, aumento do metabolismo basal). Essa ação pode se dar por basicamente duas vias: a via humoral 1 e a via humoral 2 A via humoral 1 Consistem na ativação dos receptores TLR-4 na barreira hematoencefálica pelos fatores exógenos (principalmente microorganismos). Estes pirogênios exógenos estimulam os leucócitos a liberar pirogênios endógenos como a IL-1 e o TNF que aumentam as enzimas (ciclo-oxigenases) responsáveis pela conversão de ácido araquidônico em prostaglandina. No hipotálamo, a prostaglandina (principalmente a prostaglandina E2) promove a ativação de receptores do núcleo pré- optico, levando ao aumento do ponto de ajuste hipotalâmico. A via humoral 2 Pode ser direta ou indireta. No caso da via indireta, as citocinas irão ativar os receptores TLR-4 na barreira hematoencefálica, desencadeado toda a sequência descrita na via humoral 1. Já na via direta, as citocinas atuam diretamente no núcleo pré-óptico, aumentando o ponto de ajuste hipotalâmico. Mecanismo de regulação Quando a temperatura ultrapassa o novo limiar, são desencadeados mecanismos de dissipação de calor (vasodilatação periférica, sudorese e perspiração) que tendem a reduzi- la novamente. Desta forma, na resposta febril a termorregulação é preservada, ainda que em nível mais elevado, mantendose inclusive o ciclo circadiano fisiológico (temperatura máxima entre 16 e 20hrs, mínima entre 4 e 6hrs). Keyti Cordeiro - Medicina UNC 1 CA DA FE Infecções Lesões teciduais Processos inflamatórios Neoplasias Doenças imunológicas Doenças do SNC. SIFA BIÓCO DA FE Ela é ou não benéfica para o paciente? Não há evidências que a hiperperexia aumente a fagocitose e a formação de anticorpos. É um sinal de alerta: circulação de substâncias indicativas de um processo mórbido Incapacidade de um paciente apresentar febre diante de uma infecção grave -> mau prognóstico. INTENSIDADE Febre leve ou febrícula: até 37,5°C. Febre moderada: 37,6°C até 38,5°C. Febre alta ou elevada: superior a 38,6°C . FEBRE INTERMITENTE Caracteriza-se pela oscilação da temperatura e está presente apenas em alguns horários do dia. Ela surge e vai embora após algumas horas e tem um período pré determinado de duração. Regride pelo menos 1x a cada 24h. Sinaliza presença de doenças graves: tuberculose, malária, leptospirose e linfomas. Acontece em determinado período do dia e não costuma manifestar-se em outros horários. (Períodos de apirexia). SIM Suor; Tremores; Dores de cabeça; Dores musculares; Perda do apetite; Fraqueza em geral; Desidratação; Convulsões. DIÓSO Ocorre também em doenças infecciosas. História clínica. Testes biológicos: hemocultura e hemograma. Investigações radiológicas: Raio-X de toráx e ultrassonografia de abdômen. FEBRE RECORRENTE Causada por uma infecção bacteriana: Ricketsias ou Borella. Transmitida pelo carrapato ou piolho Duram cerca de 3 a 6 dias. Desaparecem e depois voltam por mais 3 ou 6 dias. SIM Típicos de qualquer infeção bacteriana ou viral: Febre alta, náuseas e vômitos, cansaço, dores pelo corpo e calafrios. DIÓSO Detecção de espiroquetas no ágar sangue. TAMO Tetraciclinas. HITI A hipertermia, que é a elevação da temperatura do corpo, ocorre quando o organismo produz ou absorve mais calor do Keyti Cordeiro - Medicina UNC 2 que consegue dissipar. Constitui uma emergência médica que requer tratamento imediato para evitar complicações, inclusive a morte. A hipertermia difere da febre no fato de que nela o mecanismo de ajuste da temperatura do corpo permanece inalterado, ao contrário do que ocorre na febre. Em casos em que a temperatura corporal eleva-se a patamares superiores a 40 °C, podem-se detectar convulsões e, se a temperatura exceder 43 °C, o quadro pode levar à morte. CA As causas mais comuns de hipertermia incluem exposição ao calor excessivo e reações adversas a determinados medicamentos. A combinação de calor e umidade sobrecarrega os mecanismos de regulação de calor. Toda doença ou trauma que afete o hipotálamo pode comprometer os mecanismos de produção e regulação térmicas. Condição hereditária: hipertermia maligna - desencadeada nas pessoas susceptíveis ao receberem SUCCINILCOLINA. SINAIS E SINTOMAS Num estágio inicial a hipertermia causa transpiração intensa, respiração rápida e pulso fraco e rápido. Secura da pele e dilatação dos vasos sanguíneos (tentativa de aumentar a perda de calor). Desidratação intensa, náuseas, vômitos, dores de cabeça e pressão arterial baixa, desmaios ou tonturas. Pode ocorrer falência dos órgãos, inconsciência e morte. DIÓSO A hipertermia é diagnosticada pela combinação de temperatura corporal elevada com uma história clínica que aponta neste sentido. (exposição a um ambiente excessivamente quente e úmido ou uso de medicamento que tenha a hipertermia como um efeito colateral). Diagnóstico diferencial da febre que apresenta demais sintomas relacionados à infecção. As medicações que abaixam a febre não têm o mesmo efeito nas hipertermias. Se os medicamentos usados para redução de febre baixarem a temperatura do corpo, então a hipertermia estará excluída. TAMO Métodos de resfriamento mecânicos: como imergir o paciente em água morna ou fria, assentá-lo diante de um ventilador, leva-lo para um ambiente refrigerado, remover suas roupas. Em um hospital, serão adotadas medidas agressivas de refrigeração, hidratação Keyti Cordeiro - Medicina UNC 3 intravenosa, lavagem gástrica com soro fisiológico gelado e até mesmo hemodiálise para arrefecer o sangue. Deve-se remover a causa subjacente. HIRI Diminuição da temperatura: abaixo de 35,5°C axilar ou 36°C retal. Pode ser induzida artificialmente como quando o paciente vai ser submetido a determinado tipo de cirurgia. Ou também consequente a congelamento acidental, choque, síncope, hemorragias graves e súbitas, coma diabético e estágio terminal. ☛▸⬝❖↬➺⤷❧☘ Keyti Cordeiro - Medicina UNC 4