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23/10/2022 23:43 Estácio
https://estudante.estacio.br/disciplinas/estacio_7215450/temas/4/conteudos/1 1/34
Teoria do conhecimento
Aula 3: Descartes e o problema do conhecimento
Apresentação:
Nesta aula, discutiremos sobre o período de transição entre o pensamento medieval e o pensamento moderno,
materializado no trabalho do filósofo inglês Roger Bacon (1214-1292) e em sua concepção acerca do método. 
Trabalharemos o conceito de renascimentos, buscando compreender como decorre a retomada de valores científicos
e filosóficos que norteiam a moderna teoria do conhecimento. 
Por fim, estudaremos as teorias do também filósofo inglês Francis Bacon (1561-1626), a elaboração do método
indutivo e como este abriu caminho para a produção do filósofo francês René Descartes (1596-1650) – conhecido
como pai da Filosofia moderna.
Objetivos:
Analisar a contribuição de Roger Bacon para a elaboração do método científico; 
Localizar temporalmente os renascimentos como fundamentais ao pensamento filosófico ocidental; 
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Identificar o método indutivo e seus desdobramentos rumo ao método cartesiano.
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Elaboração do método científico
Como vimos nas primeiras aulas, uma das mais importantes questões que embasam a teoria do conhecimento é o
conceito de ciência.
Durante os diversos períodos históricos, houve diferentes interpretações e noções distintas, até chegarmos à
chamada ciência moderna, que abordaremos nesta aula.
Mas como podemos definir ciência?
Existem muitas possibilidades. De modo mais simples, podemos afirmar que ciência é aquilo que muda.
Como? De que forma?
Como estudamos na aula anterior, o pensamento medieval tinha uma grande influência do pensamento religioso, e
as contradições entre fé e ciência eram significativas. Nomes como Santo Agostinho e São Tomás de Aquino
tentaram eliminá-las, alinhando ciência e fé.
Por que, então, isso era visto como uma contradição?
Ora, porque a fé é baseada no dogma . Todas as religiões possuem dogmas, nos quais sua prática é fundada.1
https://stecine.azureedge.net/webaula/estacio/gon962/aula3.html
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https://estudante.estacio.br/disciplinas/estacio_7215450/temas/4/conteudos/1 4/34
A ciência, por sua vez, é o oposto: as teorias científicas estão sujeitas à comprovação, e
aquilo que acreditamos ser uma verdade científica pode ser alterada ao longo do tempo.
Você já ouviu falar em Geocentrismo?
É uma teoria científica, onde acreditava-se que o sol girava em torno da terra.
Observamos o nascimento e o pôr do sol, e não sentimos a Terra girar. Logo, o que se move é o sol, e não a Terra.
Essa afirmação foi feita de forma empírica, ou seja, baseada em nossa experiência e observação.
Esse modelo – denominado heliocêntrico – causou inúmeras controvérsias na época em que foi formulado.
Essa teoria científica foi refutada e substituída por outra mais correta. Este é o sentido do pensamento científico: ele
se altera à medida que novas observações, pesquisas e novos experimentos são feitos.
A ciência evolui e transforma-se conforme novos métodos e novas teorias
são concebidos.
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https://estudante.estacio.br/disciplinas/estacio_7215450/temas/4/conteudos/1 5/34
O filósofo austríaco Karl Popper (1902-1994), que viveu no século XX, chamou esse princípio de
falseabilidade ou refutabilidade, sobre o qual trataremos mais adiante. 
Ainda que a ciência tenda a se afastar cada vez mais da fé, após as tentativas de aproximação feitas pela Igreja,
esse distanciamento não foi repentino ou definitivo. A discussão entre fé e ciência provocou diversos debates no final
da Idade Média e no início da Idade Moderna. 
Quando nos aprofundamos no estudo da Filosofia e da teoria do conhecimento, acabamos por desconstruir a ideia –
hoje já bastante superada – de que a Idade Média se constituiu como a Idade das Trevas.
Essa denominação pejorativa, cunhada durante o iluminismo, entendia o Período Medieval como estático, sem
mudanças significativas, em que apenas o pensamento teológico tinha predominado em detrimento da razão.
Como vimos, isso não corresponde à realidade. Ainda que tenha havido um intenso movimento intelectual
eclesiástico, a ciência não desapareceu durante o medievo.
Uma das mais importantes instituições de conhecimento – as universidades – nasceram no Ocidente durante a Idade
Média.
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
Saiba mais
Para saber mais sobre o assunto, conheça As 10 universidades mais antigas do mundo.
<//revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI343904-17770,00-
AS+UNIVERSIDADES+MAIS+ANTIGAS+DO+MUNDO.html>
Embora a primeira universidade ocidental tenha sido instituída em Bolonha, na Itália, foi a Universidade de
Paris que se destacou quanto aos estudos filosóficos.
No século XIII , vimos emergir o pensamento do filósofo inglês Roger Bacon (1214-1292) – também
grafado como Rogério: um dos mais significativos nomes que marcou a transição de pensamento entre fé e
ciência, entre medieval e moderno.
Roger Bacon era um religioso franciscano que vivia nesse período, cuja experiência o aproximava da teologia,
mas seus estudos matemáticos e filosóficos o acercavam da ciência e do discurso científico.
A exemplo de seus antecessores, ele estudou profundamente a obra de Aristóteles e, a partir de diversas
influências, dedicou-se a pensar no método científico – fundamental na concepção de uma metodologia da
ciência.
2
https://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI343904-17770,00-AS+UNIVERSIDADES+MAIS+ANTIGAS+DO+MUNDO.html
https://stecine.azureedge.net/webaula/estacio/gon962/aula3.html
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Algumas questões que podemos observar em sua obra são:
Como fazemos ciência?
Como chegamos a uma verdade científica?
Para que serve a ciência?
 Roger Bacon (Fonte: https://goo.gl/emVTnJ
<https://goo.gl/emVTnJ> )
https://goo.gl/emVTnJ
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https://estudante.estacio.br/disciplinas/estacio_7215450/temas/4/conteudos/1 8/34
Roger Bacon desenvolveu esse método baseando-se na observação: o ponto de partida para diversos
pensadores e inúmeras correntes de pensamento da Filosofia desde a Antiguidade.
Mas esse filósofo foi muito além e sistematizou um método, uma forma de pensar a ciência. De fato,
começamos, então, com a observação, mas, a partir dela, formulamos uma hipótese científica.
Vamos relembrar o sentido dessa expressão: trata-se de uma possibilidade, uma tentativa de explicação.

Exemplo
Imagine o mundo que nos cerca. Atualmente, somos bombardeados com muitas propagandas de
produtos diversos. Alguns são essenciais, e outros, nem tanto, mas continuamos consumindo, ainda que
não tenhamos necessidade específica da mercadoria.
Essa dinâmica – que chamamos de sociedade de consumo – pode ser percebida em nosso dia a dia por
meio da observação, a partir da qual formulamos uma hipótese para tentar explicar por que
consumimos bens de que não precisamos.
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Vamos a algumas hipóteses prováveis:
01
Na sociedade contemporânea ocidental, há valorização do ter em detrimento do ser. 
02
Em um mundo de novas tecnologias e redes sociais, há mais distanciamento entre os indivíduos, e o
consumo completaria essas lacunas na vida em sociedade. 
03
O consumo nos motiva a buscar novas formas de obter dinheiro, e é o símbolo de sucesso e bem-estar.
Tudo isso significa que, a partir da observação, formulamos explicações plausíveis para compreender um
fenômeno – nesse caso, o consumo.
 Chegamos, agora, ao que seria, para Roger Bacon, a última parte dométodo científico: o experimento, que
deve produzir dados para fundamentar as hipóteses.
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
Exemplo
Podemos fazer os seguintes experimentos:
Solicitar que cada indivíduo de um grupo mantenha um valor específico e predeterminado para
gastar; 
Privar um grupo de gastos injustificados; 
Realizar entrevistas entre pessoas que buscam ajuda para controlar seus gastos, inquirindo-os
quanto ao que sentem quando consomem mercadorias desnecessárias.
Assim como existem várias possibilidades para a hipótese, também há inúmeros experimentos que podem
ser conduzidos para demonstrá-las.
O que acabamos de fazer foi aplicar o método proposto por Roger Bacon, fundando-o na(o):
Observação;
Hipótese;
Experimento.
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O experimento vai ao encontro da ideia do filósofo de que a ciência deve ser prática, ter um uso e uma
aplicação. Além disso, é fundamental para o homem chegar a Deus e melhorar sua vida terrena. 
Lembre-se de que Roger Bacon era um religioso. Mesmo elaborando um método
científico, ele não deixou de lado suas crenças. A exemplo de outros religiosos, que
se dedicaram à Filosofia, a Bíblia era entendida por ele como um documento que
contém a verdade.
Nesse espírito de uma ciência prática, Roger Bacon propôs a criação de uma enciclopédia das ciências, que
reuniria os mais importantes saberes de sua época.
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 Denis Diderot (Fonte: https://goo.gl/VSS8Kn
<https://goo.gl/VSS8Kn> )
https://goo.gl/VSS8Kn
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Apesar de ter sido pensada no século XIII, a realização de uma enciclopédia do conhecimento foi retomada
no século XVIII, no iluminismo, pelos filósofos franceses Denis Diderot (1713-1784) e Jean le Rond
d’Alembert (1717-1783).
As ideias de Roger Bacon o levaram à prisão entre 1277 e 1279. Sua defesa do método experimental o fez
alvo de teólogos que o acusavam de defender a astronomia e a alquimia em detrimento da verdade bíblica e
de introduzir os princípios aristotélicos na educação.
O pensamento vanguardista de Roger Bacon o inseriu em um movimento que originou o Renascimento, cujo
princípio era o seguinte:
O homem é capaz de controlar a natureza e o meio que vive por meio da ciência e
do desenvolvimento tecnológico.
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 Jean le Rond d’Alembert (Fonte: https://goo.gl/idTcjJ
<https://goo.gl/idTcjJ> )
https://goo.gl/idTcjJ
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Renascimentos fundamentais ao pensamento
filosófico ocidental
O termo renascimento consagrou-se na história entre os séculos XIV e XVI.
Incialmente pensado como um único movimento, hoje, entendemos que não houve apenas um, mas diversos
renascimentos na história, a saber:
Renascimento comercial e urbano;
Renascimento cultural;
Renascimento científico.
De forma geral, caracterizamos o Renascimento como o momento em que o
conhecimento e a cultura produzidos na Antiguidade foram retomados e passaram
a constituir os valores morais e estéticos do homem moderno.
Mas, se durante a Idade Média, essa cultura da Antiguidade
desapareceu, como pôde ser retomada?
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Ora, porque, efetivamente, a Antiguidade jamais se extinguiu. Essa cultura, esses valores e essas formas de
organização política haviam sido deixadas de lado no Ocidente, mas seguiram sendo fundamentais no
Oriente. Justamente por meio do contato contínuo com o Oriente, a cultura da Antiguidade foi retomada.
De acordo com Rosa (2012, p. 318):
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
A preservação da cultura helênica se deu, fundamentalmente, através dos
árabes (que a receberam dos nestorianos cristãos) e do Império Bizantino,
cujos sábios, eruditos e escribas, ao copiar e ao comentar algumas obras
filosóficas e científicas gregas, tornariam possível, a partir do século XII, a
divulgação, ainda que criteriosa e restrita, desses trabalhos.
Inicialmente traduções latinas de textos árabes (Álgebra, de al-Khwarizmi,
Óptica, de al-Haythan, ou comentários árabes sobre Aristóteles), mais tarde,
os textos gregos estariam disponíveis no original ou em latim.
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Nestorianos
Seguidores de Nestório (386 d.C.-451 d.C.) – patriarca de Constantinopla que, no século V, havia
formulado uma teoria na qual defendia que Jesus possuía uma dupla natureza: humana e divina.
O contato da Europa com o Oriente intensificou-se a partir de meados da Idade Média. O objetivo primordial
era buscar mercadorias – as chamadas especiarias orientais (como seda, por exemplo) – para vender na
Europa, onde esses artigos atingiam um alto preço, fazendo desta uma empresa extremamente lucrativa.
Na bagagem, além das cobiçadas especiarias, vinham, também, livros, técnicas e culturas que logo
penetrariam na Europa e seriam determinantes para a mudança na forma de ver o mundo.
O comércio com o Oriente é fundamental para compreendermos diversos momentos da história da Europa,
além do Renascimento, como é o caso das Cruzadas e, mais tarde, da unificação dos Estados Ibéricos.
O Renascimento cultural mudou o foco de pensamento: antes, era Deus – todo saber e toda verdade emana
Dele – e, depois, passou a ser o homem – que pensa e deseja.
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Voltamos, então, à máxima do sofista grego Protágoras (486 a.C.-411 a.C.) que estudamos na
primeira aula:
“O homem é a medida de todas as coisas”.
Portanto, progressivamente, o mundo deixou de ser teocêntrico para ser antropocêntrico. Assim:
Na ciência, foram valorizados os estudos de Medicina e anatomia;
Na Física, foi valorizada a astronomia, que contestaria o modelo heliocêntrico;
Na arte, a pintura e a escultura dividiram seu interesse entre temas religiosos e retratos de ricos
burgueses – classe que se tornaria mecenas de diversos artistas.
Esse mundo vive em transformação, e a noção de conhecimento continua em movimento. Nesse contexto,
destacamos o filósofo inglês (1561-1626) Francis Bacon, que viveu entre os séculos XVI e XVII.
Métodos indutivo e cartesiano
4
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Francis Bacon teve uma intensa vida política e ocupou diversos cargos administrativos na Inglaterra,
retirando-se após ser acusado de corrupção. Ele retomou as discussões sobre o método.
No início de suas pesquisas, tornou-se um estudioso de São Tomás de Aquino e de Aristóteles, mas
reconheceu que o método aristotélico podia induzir ao erro.
O método que desenvolveu – método indutivo puro – aproxima-se mais daquele elaborado por Roger
Bacon do que daquele pensado por Aristóteles.
Além das etapas já apontadas por Roger Bacon – observação, hipóteses e experimento –, Francis Bacon
introduziu a organização e a coleta sistemática de dados.
Além disso, estabeleceu que, para tornar-se válido, um mesmo experimento precisava ser repetido inúmeras
vezes até que não houvesse margem para dúvidas. Ele defendia a ideia de que o método científico devia ser
rigoroso, pois se opunha ao que chamava de ídolos.
23/10/2022 23:43 Estácio
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 Francis Bacon (Fonte: https://goo.gl/fBHDUy
<https://goo.gl/fBHDUy> )
https://goo.gl/fBHDUy
23/10/2022 23:43 Estácio
https://estudante.estacio.br/disciplinas/estacio_7215450/temas/4/conteudos/1 22/34
Essa teoria de Francis Bacon é muito interessante. Ele entendia que o conhecimento científico é turvado pela
existência de ídolos, divididos em quatro categorias:
Ídolos da tribo
Ao pensar em tribo, o filósofo remetia-se à própria espécie humana e a sua maneira de perceber o
mundo por meio dos sentidos. Para ele, essa percepção não é absoluta, pois cada indivíduo sente e
enxerga a natureza das coisas de forma particular.
Ídolos da caverna
O homem analisa a natureza das coisas a partir de sua própria percepção de mundo, de sua caverna
particular, como vimos no mito de Platão. Isso gera imprecisões, já que cada pessoa tem uma visão de
mundo condicionada por quem é, pelas relações sociais que compartilha, pela região que habita etc.
23/10/2022 23:43 Estácio
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Ídolos do foro
Estes ídolos são estabelecidos a partir da linguagem. A comunicação descuidada causa diversos ruídos e
interpretações errôneas que induzem ao equívoco.
Ídolos do teatro
Estes ídolos são derivados do próprio pensamento filosófico. As análises e afirmações não podem ser
verificadas.

Saiba mais
Para entender melhor o assunto, acesse a tabela e veja a sistematização da Teoria dos ídolos de
Francis Bacon. <galeria/aula3/anexo/teoria_bacon.pdf>
https://stecine.azureedge.net/webaula/estacio/gon962/galeria/aula3/anexo/teoria_bacon.pdf
23/10/2022 23:43 Estácio
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Francis Bacon entendia que os ídolos são tudo aquilo que nos impede de atingir a verdade. Ao adotar o
método indutivo, esses erros e problemas de análise derivados dos ídolos não ocorrem mais.
Pela valorização acerca do método baseado na experiência, Francis Bacon é considerado o pai do empirismo
moderno e fundador da corrente de pensamento fundamentada na empiria.
Atividade
1 - Compare as teorias de Roger Bacon e de Francis Bacon no que diz respeito ao método.
Conhecimento moderno
As teorias acerca do método são fundamentais para compreendermos como o conhecimento moderno se
transforma.
Por isso, diversos pensadores dedicam-se a metodologias, e suas teorias – como vimos por meio da análise
das propostas metodológicas de Roger Bacon e Francis Bacon – levaram a uma discussão que culminou na
obra de do filósofo francês René Descartes (1596-1650), considerado um dos mais influentes pensadores da
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Filosofia moderna e da Matemática.
Sua obra Discurso do método para bem conduzir a razão na busca da verdade dentro da ciência – que ficou
conhecida apenas como Discurso do método, publicada no século XVII – ilustra, de forma precisa, o que
Descartes entendia em termos de metodologia filosófica:
Somente a partir da razão, podemos buscar a verdade, que emerge
do método científico, rigidamente observado.
23/10/2022 23:43 Estácio
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Atividade
2 - (ENEM - 2001) O franciscano Roger Bacon foi condenado, entre 1277 e 1279, por dirigir ataques aos
teólogos, devido a uma suposta crença na alquimia, na astrologia e no método experimental, e,
também, por introduzir no ensino as ideias de Aristóteles.
Em 1260, Roger Bacon escreveu:
“Pode ser que se fabriquem máquinas graças às quais os maiores navios, dirigidos por um único
homem, desloquem-se mais depressa do que se fossem cheios de remadores; que se construam carros
que avancem a uma velocidade incrível sem a ajuda de animais; que se fabriquem máquinas voadoras
nas quais um homem [...] bata o ar com asas como um pássaro. [...] Máquinas que permitam ir ao
fundo dos mares e dos rios”.
Fonte: Braudel, 1996.
Considerando a dinâmica do processo histórico, as ideias de Roger Bacon:
 a) Eram fundamentalmente voltadas para o passado, pois não apenas seguiam Aristóteles, como
também se baseavam na tradição e na teologia.
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 b) Inseriam-se plenamente no espírito da Idade Média ao privilegiar a crença em Deus como o
principal meio para antecipar as descobertas da humanidade.
 c) Opunham-se ao desencadeamento da primeira Revolução Industrial ao rejeitar a aplicação da
Matemática e do método experimental nas invenções industriais.
 d) Estavam em atraso com relação a seu tempo ao desconsiderar os instrumentos intelectuais
oferecidos pela Igreja para o avanço científico da humanidade.
 e) Inseriam-se em um movimento que convergiria mais tarde para o Renascimento ao contemplar a
possibilidade de o ser humano controlar a natureza por meio das invenções.
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3 - (UEL - 2003) O Renascimento – amplo movimento artístico, literário e científico – expandiu-se da
Península Itálica por quase toda a Europa, provocando transformações na sociedade.
Sobre o tema, é CORRETO afirmar que:
 a) O racionalismo renascentista reforçou o princípio da autoridade da ciência teológica e da tradição
medieval.
 b) Os estudiosos do período buscaram apoio na observação, no método experimental e na reflexão
racional, valorizando a natureza e o ser humano.
 c) Houve o resgate, pelos intelectuais renascentistas, dos ideais medievais ligados aos dogmas do
catolicismo, sobretudo da concepção teocêntrica de mundo.
 d) O humanismo pregou a determinação das ações humanas pelo divino e negou que o homem
tivesse a capacidade de agir sobre o mundo, transformando-o de acordo com sua vontade e seu
interesse.
 e) Nesse período, reafirmou-se a ideia de homem cidadão, que terminou por enfraquecer os
sentimentos de identidade nacional e cultural, os quais contribuíram para o fim das monarquias
absolutas.
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4 - (PUC-PR - 2009) Leia o fragmento de texto a seguir:
“São de quatro gêneros os ídolos que bloqueiam a mente humana. Para melhor apresentá-los,
assinalamos os nomes: ídolos da tribo, ídolos da caverna, ídolos do foro e ídolos do teatro”.
Fonte: Bacon, 1999, p. 33.
Para o autor, é CORRETO afirmar que:
 a) Os ídolos do foro são as ideias formadas em nós por meio de nossos sentidos.
 b) Os ídolos do teatro são todos os grandes atores que nos influenciam na vida cotidiana.
 c) Por meio dos ídolos, mesmo considerando que temos a mente bloqueada, podemos chegar à
verdade.
 d) Os ídolos são falsas noções e retratam os principais motivos pelos quais erramos quando buscamos
conhecer.
 e) Os ídolos da tribo e da caverna são os conhecimentos primitivos que herdamos de nossos
antepassados mais notáveis.
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Notas
Dogma
Crença fundamental e imutável, que não pode ser questionada, pois é matéria de fé. Trata-se, portanto,
daquilo que não muda.
século XIII
Momento de intensa efervescência cultural e intelectual na Europa, dinamizado exatamente pelas
instituições universitárias.
1
2
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Nestorianos
Seguidores de Nestório (386 d.C.-451 d.C.) – patriarca de Constantinopla que, no século V, havia formulado
uma teoria na qual defendia que Jesus possuía uma dupla natureza: humana e divina.
Mecenas
Indivíduo rico que protege artistas, homens de letras ou de ciências, proporcionando recursos financeiros,
ou que patrocina, de modo geral, um campo do saber ou das artes.
Fonte: Dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa.
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Próximos Passos
Método cartesiano;
Conhecimento científico em Copérnico e Galileu Galilei;
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Explore mais
Novum organum ou verdadeiras indicações acerca da interpretação da natureza;
<//www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?
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Origem e memória das universidades medievais: a preservação de uma instituição
educacional. <//www.scielo.br/pdf/vh/v23n37/v23n37a07>
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