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1 
 
 
 
 Anualmente, entre 2,5 e 3 milhões de pessoas 
se infectam com o vírus HIV. Muitas delas levam 
anos até descobrirem que estão contaminadas. 
 Na verdade, cerca de um terço dos indivíduos 
atualmente contaminados pelo HIV não sabem 
que são soropositivos, pois nunca realizaram o 
teste para o diagnóstico, chamado sorologia para 
o HIV. 
 Isso corresponde a mais de 10 milhões de 
pessoas em todo o mundo. 
 A sorologia para o HIV é um teste muito 
importante, pois o diagnóstico precoce aumenta 
as chances do paciente soropositivo viver de 
modo saudável por muitos anos; 
 Além disso, saber que é portador do HIV 
também ajuda a reduzir o risco de transmissão 
para outras pessoas; 
 Atualmente, indicamos a realização da sorologia 
para HIV para os pacientes com sintomas de 
infecção aguda ou crônica pelo vírus 
 Pacientes que tiveram comportamento de 
risco, com possível exposição ao HIV 
também realizam o exame. 
 O teste do HIV também costuma ser feito de 
rotina nas mulheres grávidas. 
 
SOROLOGIA PARA HIV 
 A sorologia tradicional existe desde 1985 e é 
conhecida como ELISA (Enzyme-Linked 
Immunoabsorbent Assay). 
 O ELISA pode ser usado para várias doenças 
além do HIV, sendo uma técnica que permite a 
detecção de anticorpos específicos no sangue; 
 Neste tipo de teste não se pesquisa diretamente 
a presença do vírus, mas sim a existência de 
anticorpos contra o mesmo; 
 Existem outras metodologias além do ELISA 
para se detectar anticorpos contra o vírus HIV, 
como o MEIA, EQL e ELFA e CMIA, mas o 
ELISA ainda é o método mais popular; 
 A lógica do exame é simples: só haverá 
anticorpos contra HIV no sangue se o paciente 
tiver sido contaminado pelo vírus; 
 Pessoas que nunca tiveram contato com o HIV 
não têm como desenvolver anticorpos contra o 
mesmo. 
 O nosso sistema imunológico só consegue 
produzir anticorpos contra uma determinada 
doença se ele tiver sido previamente exposto 
ao seu agente causador, seja ele um vírus ou 
bactéria. 
 Os anticorpos são proteínas produzidas com o 
objetivo de combater agentes infecciosos 
específicos; 
 Uma vez que o vírus HIV tenha entrado em 
nosso organismo, ele é imediatamente capturado 
pelas células de defesa e sua estrutura é 
analisada. 
 A partir desta análise, o sistema imune 
torna-se capaz de produzir anticorpos 
diretamente voltados para combater este 
invasor. 
 
exame hiv 
RESUMO DE SAÚDE 
 janela imunológica, teste rápido e elisa 
 
 2 
 
  Sempre que entramos em contato com algum 
germe pela primeira vez, o corpo demora algum 
tempo para analisar sua estrutura e produzir 
anticorpos específicos; 
 Uma vez reconhecido, o paciente terá anticorpos 
para o resto da vida. Um anticorpo contra o HIV 
só ataca o vírus do HIV, ele é inócuo para outras 
infecções, como, por exemplo, gripe ou 
catapora; 
 As atuais técnicas de sorologias para HIV 
conseguem detectar a presença de anticorpos 
contra o HIV-1 (subtipo mais comum e 
agressivo) e HIV-2 (subtipo menos contagioso e 
menos agressivo). 
JANELA IMUNOLÓGICA 
 O tempo que decorre entre o momento da 
contaminação por um vírus até a produção de 
quantidade suficiente de anticorpos para serem 
detectados na sorologia é chamado janela 
imunológica. 
 Portanto, quando falamos que um teste tem uma 
janela imunológica de 3 meses, isto significa que 
o exame só será capaz de dar positivo 3 meses 
após o paciente ter entrado em contato com o 
determinado vírus ou bactéria. 
 Qualquer resultado negativo antes desses 3 
meses não é confiável. 
 Nas últimas décadas, o diagnóstico sorológico 
do HIV evoluiu muito. A primeira geração das 
sorologias com ELISA, usada na década de 
1980, tinha uma janela imunológica de quase 6 
meses; 
 Hoje, já estamos na 4.ª geração do ELISA, que é 
superior às gerações antigas não só pelo fato de 
conseguir detectar anticorpos contra o HIV 
mais precocemente, mas também por conseguir 
pesquisar o antígeno P24, uma proteína 
existente no vírus HIV; 
 
 
 3 
 
  O ELISA 4.ª geração é, portanto, um teste duplo 
que procura por anticorpos e por proteínas do 
próprio vírus; 
 Deste modo, a janela imunológica é bem mais 
curta e o teste consegue detectar infecções com 
menos de 4 semanas (em alguns casos em até 2 
semanas); 
 A taxa de detecção do ELISA 4.ª geração é de 
95% com a janela imunológica de 4 semanas 
 Com janela de 6 semanas, a taxa de acerto é 
de praticamente 100%. 
 O NAT (Teste de Amplificação de Ácidos 
Nucleicos) pesquisa o RNA do vírus e consegue 
detectar o HIV com janela imunológica de 
apenas 10 dias; 
 Essa técnica, porém, não costuma ser utilizada 
nos exames comuns, sendo habitualmente 
reservada para os casos em que o resultado das 
sorologias é indeterminado ou para triagem de 
doadores de sangue; 
 O período imediatamente após a infecção pelo 
HIV é chamado período do eclipse. Durante o 
período do eclipse, nenhum teste consegue 
detectar o HIV (nem marcadores sorológicos, 
nem virológicos), pois a quantidade de ácido 
nucléico do vírus é minúscula e os anticorpos 
ainda não foram produzidos pelo sistema 
imunológico. 
 O período de eclipse normalmente dura 
aproximadamente 10 dias. 
 O fim do período de eclipse é marcado pela 
detecção de ácido nucleico através de testes de 
ácido nucleico (NAT), aproximadamente 10 a 14 
dias após a infecção; 
 Com cerca de 14 a 18 dias, os antígenos do HIV 
já podem ser detectados por testes mais 
modernos, como a pesquisa do antígeno P24. 
 Já os primeiros anticorpos costumam ser 
detectados com 18 a 21 dias após a 
contaminação. 
RESULTADO DO EXAME DE HIV 
SE A SOROLOGIA VIER NEGATIVA 
 Sempre que um paciente faz uma sorologia 
para HIV e o ELISA vem negativo, o resultado é 
 
 4 
 
 
liberado para o paciente sem necessidade de realizar 
outros testes confirmatórios. 
 O protocolo indicado é fornecer o resultado com 
a seguinte frase: “Amostra Não Reagente para 
HIV”. 
SE A SOROLOGIA VIER POSITIVA 
 Quando ELISA fornece um resultado 
positivo para HIV, ele precisa ser confirmado por 
outro exame. 
 Pode ser um dos três seguintes métodos: 
 Western blot: é bastante utilizado para 
diferenciar HIV-1 e HIV-2, além de ser um 
teste confirmatório para amostras reagentes 
em teste de triagem. 
 Imunoblot 
 Imunofluorescência indireta para o HIV-1 
 O resultado positivo é somente liberado se o 
exame confirmatório também for positivo. O 
Western blot, por exemplo, tem uma acurácia 
de 99,7%. Quando temos dois resultados 
positivos (ELISA + WB) a chance de falso 
positivo é desprezível; 
 O resultado positivo confirmado por duas 
técnicas é liberado como: “Amostra Reagente 
para o HIV”. 
SE A SOROLOGIA VIER 
INDETERMINADA 
 Algumas vezes, o ELISA apresenta um 
resultado duvidoso, sendo incapaz de afirmar se há 
ou não a presença de anticorpos no sangue. 
 Nesses casos com resultado indeterminado, o 
laboratório costuma entrar em contato com o 
paciente para solicitar uma nova amostra de 
sangue para que o teste possa ser refeito; 
 O laudo do laboratório costuma referir: 
“Amostra Indeterminada para HIV”. Este 
fato significa que houve um problema técnico 
com a amostra que a tornou incapaz de fornecer 
um resultado confiável; 
 Quando o ELISA é positivo, mas o teste 
confirmatório com Western blot é negativo, o 
resultado também é liberado como “Amostra 
Indeterminada para HIV”. 
 Nesses casos, o paciente deve retornar ao 
laboratório em 30 dias para colher nova 
amostra de sangue. 
 Alguns laboratórios enviam os resultados 
indeterminados para centros de referência para 
realização do teste NAT. Se um resultado 
inicialmente indeterminado vier negativo pelo 
NAT, o laboratório libera o resultado como 
“Amostra Não Reagente para HIV”. 
 
 5 
 
 QUANDO É NECESSÁRIO REPETIR 
UM EXAME NEGATIVO? 
 O exame não reagente para HIV é 
geralmente um resultado definitivo. Como járeferido, se respeitada a janela imunológica de um 
mês, o risco de falso negativo é muito baixo. 
 Se o paciente julga ter sido contaminado ou foi 
exposto a uma situação com elevado risco de 
contaminação, como sexo anal desprotegido ou 
acidentes com agulhas, sugere-se a repetição do 
teste após 30 dias; 
 Se esta situação de risco aconteceu com alguém 
sabidamente HIV, ou seja, se o paciente tem 
certeza que foi exposto ao vírus HIV, sugere-se 
que o teste não reagente seja repetido duas vezes, 
uma aos 3 meses e outra aos 6 meses, para se 
descartar os raros casos de conversão tardia; 
 É importante salientar que mesmo nos pacientes 
expostos ao HIV, um teste inicial negativo torna 
o risco de contaminação muito baixo. A 
repetição é indicada apenas porque há casos 
raros de seroconversão tardia e casos ainda 
mais raros de falso negativo (não existe exame 
laboratorial 100% perfeito); 
 Nos pacientes que fazem o teste para HIV apenas 
por rotina ou sem ter havido uma situação de 
risco relevante, um único resultado negativo é 
suficiente, não sendo necessária a repetição do 
exame. 
RESULTADOS ERRADOS 
CAUSAS DE RESULTADOS FALSO 
POSITIVOS 
 Alguns fatores aumentam o risco de a 
sorologia do HIV dar falso positivo. 
 Os mais comuns são: gravidez, neoplasias, 
doenças autoimunes e vacinação recente contra 
gripe; 
 O protocolo atual de liberação dos resultados, 
com um ou dois testes confirmatórios, 
praticamente elimina o risco de um resultado 
falso positivo ser entregue ao paciente. 
CAUSAS DE RESULTADOS FALSO 
NEGATIVOS 
 A principal causa de resultado falso negativo 
é a realização do exame antes da janela imunológica 
sugerida. Pelo menos um mês de intervalo deve ser 
respeitado para a realização do ELISA de 4.ª 
geração, e pelo menos 3 meses para o ELISA de 3.ª 
geração. 
TESTE RÁPIDO PARA HIV 
Os testes rápidos para HIV ganharam 
bastante popularidade a partir dos anos 2000. O teste 
rápido é aquele capaz de liberar o resultado em 
apenas 30 minutos. Este teste pode ser feito com 
uma pequena amostra de sangue colhida através de 
um furinho no dedo ou através da saliva, dependo do 
tipo de teste usado. 
 Os testes rápidos para HIV têm uma 
sensibilidade um pouco menor do que os testes 
sorológicos tradicionais, porém, ainda assim, a 
sua taxa de falso negativo é baixíssima; 
 Portanto, um resultado negativo no teste rápido 
tem o mesmo valor do resultado negativo na 
sorologia tradicional. 
 Um resultado positivo deve ser confirmado 
pela sorologia tradicional. 
 A janela de segurança do teste rápido é de 3 
meses. Seis semanas de intervalo costumam ser 
suficientes para a maioria das pessoas, mas como 
alguns pacientes demoram mais tempo para 
desenvolver anticorpos, o teste rápido pode dar 
falso negativo em cerca de 8% dos casos de 
infecção recente; 
 Se o teste rápido realizado for também de 4ª 
geração, com pesquisa de anticorpo e antígeno, 
a janela imunológica é de apenas 30 dias; 
 Em geral, indica-se o teste rápido naqueles casos 
em que se deseja um resultado rápido. Ele é 
importante, por exemplo, para profissionais que 
se acidentam com agulhas (neste caso o teste é 
feito no profissional e no paciente) ou em 
grávidas que chegam em trabalho de parto sem 
terem realizado exames pré-natais; 
 Os pacientes com exposição ao HIV ou com 
comportamento de risco recente devem dar 
preferência ao teste tradicional, pois este ainda é 
o melhor exame para o HIV, principalmente nas 
infecções adquiridas há menos de 3 meses. 
PACIENTES SOB PROFILAXIA 
PÓS-EXPOSIÇÃO (PEP) 
 A profilaxia pós-exposição (PEP) é uma 
forma de prevenção do HIV feita através da 
administração de medicamentos antirretrovirais 
após o paciente ter sido potencialmente exposto ao 
vírus, como nos casos de estupro, rompimento da 
camisinha durante relação com alguém sabidamente 
soropositivo, usuários de drogas que 
compartilharam agulhas ou profissionais de saúde 
que se acidentaram com agulhas ou material 
biológico potencialmente contaminado. 
 
 
 6 
 
  A PEP deve ser iniciada o mais rápido possível, 
de preferência nas duas primeiras horas após a 
exposição ao vírus e no máximo em até 72 horas; 
 A profilaxia pós-exposição dura 28 dias e o 
paciente deve ser acompanhado pela equipe de 
saúde por mais 90 dias; 
 O paciente deve fazer um teste rápido logo antes 
de iniciar os medicamentos para comprovar que 
já não estava previamente infectado com o HIV; 
 Trinta dias após a exposição, deve ser feito o 
primeiro ELISA de 4ª geração. Como há um 
pequeno risco do tratamento atrasar a detecção 
de anticorpos e do próprio vírus nas sorologias, 
o ELISA deve ser repetido com 90 dias após a 
exposição de risco. Se vier novamente negativo, 
encerra-se o caso.

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