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Resumo-Espirometria 1
⁉
Resumo-Espirometria
O que é a espirometria?
É o exame que mede o ar inalado e exalado pelos pulmões, a velocidade com 
que isto acontece e a sua variabilidade por fatores físicos e químicos.
O traçado de um espirômetro determina os volumes e mostra as capacidades 
pulmonares. Certas patologias afetam o volume de ar contido nos pulmões ou a 
taxa de fluxo de ar para dentro ou para fora dos pulmões.
Espirometria é a medida do ar que entra e sai dos pulmões. Pode ser realizada 
durante respiração lenta ou durante manobras expiratórias forçadas. As 
manobras de expiração forçadas são mais interessantes na rotina da prática 
clínica.
Na espirometria, como normalmente se mede a capacidade vital de forma 
forçada/sob a expiração forçada, ela é chamada de capacidade vital forçada 
(CVF). Mede a quantidade de ar que o indivíduo consegue colocar para fora 
durante uma manobra de expiração forçada.
A espirometria é um exame muito utilizado e muito útil na pneumologia, pois 
permite o diagnóstico de diversas doenças, a avaliação da gravidade e o 
acompanhamento do paciente.
Quais são os volumes pulmonares?
Resumo-Espirometria 2
Volume corrente (VC): É o volume de ar inspirado e expirado em cada 
ciclo ventilatório normal (~500mL)
Volume de reserva inspiratório (VRI): É o volume de ar que ainda pode 
ser inspirado ao final da inspiração do volume corrente normal (~3000mL). 
Volume de reserva expiratório (VRE): É o volume de ar que, por meio de 
uma expiração forçada, ainda pode ser exalado ao final da expiração do 
volume corrente normal (~1100mL)
Resumo-Espirometria 3
Volume residual (VR): É o único volume que não pode ser medido na 
espirtometria. É o volume de ar que permanece nos pulmões mesmo ao 
final da mais vigorosa das expirações. (~1200mL)
Qual a importância fisiológica do volume residual (VR)?
Evita o colabamento dos pulmões
Ao evitar o colabamento dos pulmões, diminui também a pressão para 
insuflá-los (diminui o trabalho respiratório)
Resumo-Espirometria 4
Permite trocas gasosas contínuas entre o sangue venoso e o ar alveolar, 
pois a ventilação é episódica (inspiração seguida de expiração), porém, a 
perfusão é contínua. Portanto, o ar residual sustenta as trocas gasosas 
entre a inspiração e a expiração, evitando oscilações bruscas da pressão 
parcial de O2 no sangue.
O que é a capacidade pulmonar e quais são elas?
Capacidade pulmonar é a soma de dois ou mais volumes pulmonares.
Capacidade inspiratória (CI)= Volume corrente (Vt)+ Volume de Reserva 
Inspiratório (VRI). Essa quantidade de ar é aquela que uma pessoa pode 
inspirar, partindo do nível expiratório basal e enchnedo ao máximo os 
pulmões (~3500mL)
Capacidade Residual Funcional (CRF): Volume de reserva expiratório 
(VRE)+ Volume Residual (VR). Essa quantidade de ar é a que permanece 
nos pulmões ao final da expiração normal (~2300mL)
Resumo-Espirometria 5
Capacidade Vital (CV): Volume corrente (Vt), Volume de reserva 
inspiratório (VRI)+ Volume de reserva expiratório (VRE). É a maior 
quantidade de ar que uma pessoa pode expelir dos pulmões após tê-los 
enchido ao máximo (4600mL)
Capacidade pulmonar total (CPT): É a soma de todos os volumes 
pulmonares. É o maior volume que os pulmões podem alcançar ao final do 
maior esforço inspiratório. (~5800mL)
Resumo-Espirometria 6
Quais as aplicações da espirometria?
Indicar a presença de doença pulmonar - Principalmente em pacientes 
assintomáticos.
Quantificar a disfunção ventilatória - Quanto pior é a espirometria, maior é a 
gravidade da doença.
Prever o prognóstico - Quanto pior é a espirometria, pior é o prognóstico do 
paciente.
Avaliar resposta ao tratamento.
Detectar precocemente a disfunção respiratória - Principalmente em 
pacientes assintomáticos.
A espirometria é muito utilizada em exames admissionais e em exames 
periódicos de saúde.
Espirômetro de fluxo
Os pnemotacógrafos foram introduzidos nos computadores e, hoje em dia, os 
computadores conseguem desenhar as curvas sem a necessidade da parte 
mecânica.
Funcionamento autônomo. Não há necessidade de fazer contas. Pede idade, 
sexo, raça, peso e altura. Calcula os valores esperados, paciente assopra e ele 
compara os valores obtidos e os esperados. 
Resumo-Espirometria 7
O que mede a espirometria?
Capacidade vital forçada (CVF) ou a capacidade vital lenta (CVL), mas dia a 
dia é mais usada a CVF (mais interessante para o clínico). 
VEF1 (volume expiratório forçado no 1º segundo), que é o volume que o 
indivíduo expira forçadamende no 1° segundo 
VEF1/CVF 
PFE (pico de fluxo expiratório) 
Fluxo expiratório forçado em 25 a 75% da curva(FEF 25-75%) -
Fluxo no meio da curva. 
Pede-se ao paciente para encher o peito de ar (inspirar o máximo possível) e 
em seguida soprar o ar até ele acabar (expirar o máximo possível) dentro do 
espirômetro.
Informações geradas pelo espirômetro
Algumas curvas (gráficos) serão geradas no espirômetro. 
Curva/gráfico de fluxo X volume:
Fluxo: velocidade do ar. 
Quando o paciente inspira (o volume inspiratório máximo), o volume é 
negativo. Quando o paciente expira (o volume expiratório máximo) a curva 
sobe de forma muito rápida inicialmente (sopra com muita força), o ar atinge 
um fluxo máximo (velocidade máxima), a velocidade do ar vai caindo até 
Resumo-Espirometria 8
que o paciente não consiga expirar mais e o fluxo se torne 0. A medida que 
o ar vai saindo, o fluxo vai caindo. 
PFE (pico de fluxo expiratório) - Ponto mais alto da curva. É a velocidade 
máxima que o ar atinge com o sopro. O PFE é medido pela espirometria e 
também pode ser medido por um aparelho portátil (barato). O PFE se 
relaciona com a função pulmonar. Quando menor o valor do PFE, pior a 
função pulmonar. O aparelho portátil é utilizado para monitorizar o PFE nas 
doenças obstrutivas graves. O PFE possui relação com o VEF1 e, por isso, 
quando o PFE cai, o VEF1 também cai. Monitorizar esse valor é importante, 
pois em momentos de crise da doença, há uma diminuição do PFE antes 
mesmo do aparecimento dos sintomas (o paciente deve procurar o médico 
com a queda do PFE, mesmo que não haja sintomas).
Curva/gráfico de volume X tempo: 
Há um aumento rápido de grande volume do pulmão até que o ar seja eliminado 
e tenha acabado todo o volume dentro do pulmão. 
CVF (capacidade vital forçada) - A medida da aréa sob a curva resulta no 
valor do CVF. 
VEF1 (volume expiratório forçado em 1 segundo) - É possível dividir a curva 
e obter os volumes em cada segundo: VEF1, VEF2, VEF3, etc. É possível 
Resumo-Espirometria 9
obter o volume expirado no 1º segundo (VEF1), esse valor é o mais 
importante clinicamente, pois tem correlação clínica com várias doenças, 
sendo um volume importante para identificar certas doenças.
VEF1/CVF - Quanto do volume total do pulmão foi expirado no 1º segundo. 
De forma geral, VEF1/CVF > 0,7. Em geral, quando as pessoas sopram 
com força, elas jogam 70% ou mais da CVF no primeiro segundo. 
FEF 25-75 (fluxo expiratório forçado em 25 a 75% da curva) - A partir desse 
gráfico também é possível saber a fluxo médio (velocidade do ar média) 
entre 25 e 75% da curva.
A espirometria fornecerá os gráficos e os valores numéricos. 
Existem várias equações de previstos/preditos. Os valores normais 
previstos/preditos variam com a raça, peso, altura e sexo. O médico deverá 
colocar esses dados no espirômetro. Esses valores esperados irão ser 
comparados com os valores obtidos na espirometria do paciente. Caso a 
espirometria do paciente gere valores abaixo dos previstos, pode indicar uma 
doença. 
Resumo-Espirometria 10
Quais diagnósticos a espirometria pode dar?
Pode ser um quadro:
Restritivo
Obstrutivo
Obstrutivo com capacidade vital reduzida
Misto ou combinado 
Inespecífico
Quais as características de um distúrbio obstrutivo e como ele se 
manifesta na espirometria?
Acomete principalmente pequenas vias aéreas.
A velocidade do ar será diminuída se houver uma diminuição do calibre das vias 
aéreas (brônquios).Em uma reação alérgica em que há a liberação de histamina, haverá uma 
redução do calibre dos brônquios. A diminuição do calibre as vias aéreas gera o 
aumento da resistência das vias aéreas, que gera a diminuição do fluxo do ar (a 
pressão é mantida a mesma). 
Resumo-Espirometria 11
Exemplo clássico de doença obstrutiva: Asma - O paciente tem 
broncoconstrição e edema, o que gera um estreitamento da luz do brônquio. 
Durante a inspiração, o paciente enche os pulmões de ar, consegue dilatar os 
brônquios e o ar consegue entrar. A maior dificuldade da asma está na 
expiração. Na expiração, o relaxamento da caixa torácica gera uma diminuição 
da elasticidade do pulmão, o brônquio irá se estreirar, o ar ficará aprisionado e 
com dificuldade de sair (sopro contra um brônquio fechado), o que gera o sibilo. 
Quando o paciente com distúrbio obstrutivo sopra no espirômetro, ele irá soprar 
contra um brônquio fechado (vai ter dificuldade). Com o tempo, ele irá conseguir 
expirar toda a CVF (todo o ar que estava dentro do pulmão). O volume expirado 
no primeiro segundo vai tender diminuir, pois a expiração forte no 1º segundo 
contra um brônquio fechado gera uma saída de menor volume. O tempo para 
eliminar a CVF irá aumentar. 
A maioria das pessoas conseguem eliminar mais de 70% de sua CVF no 1º 
segundo (o que pode variar com as características do indivíduo). Normalmente: 
VEF1/CVF > 70%. Uma pessoa com um brônquio obstruído irá eliminar menos 
de 70% de sua CVF no 1º segundo. Então, a VEF1/CVF no paciente com 
doença obstrutiva estará diminuída (VEF1 diminuído e CVF normal). 
Resumo-Espirometria 12
Padrão espirométrico do Distúrbio obstrutivo 
CVF normal 
VEF1 reduzido 
VEF1/CVF reduzido 
Prova broncodilatadora→ Aplicação de uma medicação broncodilatadora 
(nebulização com um agonista beta2, como Fenoterol e Sabutamol). Repetir a 
espirometria alguns minutos (15-20 minutos) depois da aplicação. Dependendo 
da doença do indivíduo a prova broncodilatadora será positiva ou negativa. 
Prova broncodilatadora positiva: Aumento do VEF1 de 200 ml E 12% em 
relação ao valor anterior/prévio OU aumento da CVF em > 350ml (se o 
paciente tiver muito ar preso no pulmão devido à obstrução, a 
broncodilatação liberará esse ar). Na DPOC, a prova broncodilatadora será 
negativa (na maioria das vezes) e, na asma, será positiva. 
Na imagem abaixo vemos os gráficos fluxo X volume (esquerda) e volume X 
tempo (direita) de um paciente com asma.
Resumo-Espirometria 13
Na imagem abaixo vemos o resultado da espirometria de um paciente asmático.
Pred: valor predito/previsto/esperado. 
Existe um limite inferior entre o valor predito e o valor obtido (quando o valor 
obtido é menor que o valor predito) em que o exame é considerado normal. 
Exemplo: valor predito é 2,210 L e o valor obtido é 2,200 L (normal). 
LIN: limite inferior da normalidade - Até que valor para baixo que eu 
considero uma variação normal. O valor obtido 1,570 L é considerado 
normal. 
Pre: exame pré-broncodilatador 
Post: exame pós-broncodilatador: prova broncodilatadora. 
FEF 25-75 é mais sensível que o FEV1. Se o FEV1 está dentro da 
normalidade, mas o FEV 25-75 está diminuído, considerar que está 
Resumo-Espirometria 14
diminuído. Serve para tirar dúvida. FEV 25-75 está reduzido nos distúrbios 
obstrutivos e indica obstrução de pequenas vias aéreas. 
Na imagem abaixo vemos o resultado da espirometria de um paciente com 
DPOC:
Quando o FEV1 está reduzido, os outros valores com certeza estarão reduzidos 
também.
Quais as características de um distúrbio restritivo e como ele se manifesta 
na espirometria?
Doença pulmonar restritiva é um termo usado para descrever uma condição 
caracterizada por redução do volume pulmonar. Isso pode ser devido a perda da 
elasticidade dos pulmões ou a um problema com a parede torácica. Os 
distúrbios pulmonares restritivos mais comuns incluem fibrose pulmonar e 
doença pulmonar intersticial.
O principal (mais conhecido) distúrbio restritivo é a fibrose pulmonar. É uma 
doença em que há um acúmulo de fibrina (fibras elásticas) nos pulmões, que 
causa uma restrição/ endurecimento e diminuição da expansibilidade dos 
pulmões. O paciente atinge o nível inspiratório máximo e o nível expiratório 
máximos rapidamente, pois há uma diminuição do volume inspiratório máximo e 
do volume expiratório máximo. A fibrose na tomografia aparece pela formação 
de bolhas: pulmão em favo de mel. O VEF1 está reduzido e a CVF está 
reduzida proporcionalmente (pois todos os volumes pulmorares estão 
diminuídos).
Resumo-Espirometria 15
Padrão espirométrico do Distúrbio restritivo 
CVF reduzida 
VEF1 reduzida 
VEF1/CVF normal ou aumentado 
Prova broncodilatadora negativa normalmente 
Causa clínica compatível 
Obstrução ausente
Se a redução da CVF e da VEF1 for proporcional, a relação VEF1/CVF estará 
normal. Se a redução da CVF e da VEF1 for desproporcional e a CVF diminuir 
mais que a VEF1, a relação VEF1/CVF estará aumentada. 
A prova broncodilatadora deste paciente será indiferente (negativa), porque a 
doença não está no brônquio. Normalmente será negativa. 
A anamnese e o exame físico são muito importantes. A espirometria é um 
exame complementar. Deve haver uma causa clínica compatível com doença 
restritiva, ou seja, não pode ser uma causa clínica de obstrução (obstrução TEM 
que estar ausente). 
Exame físico: estertores na ausculta, expansibilidade restrita. 
Resumo-Espirometria 16
A imagem abaixo mostra a espirometria de um paciente com fibrose pulmonar.
Esse paciente tem todos os volumes diminuídos, inclusive o volume residual 
(diferente do paciente com distúrbio obstrutivo com CVF reduzida, por exemplo, 
que tem volume residual aumentado).
Quais as características de um distúrbio obstrutivo com CVF reduzida e 
como ele se manifesta na espirometria?
Resumo-Espirometria 17
Paciente do exame de imagem abaixo→Paciente com DPOC em fase avançada 
(enfisema pulmonar), com tórax em tonel/barril (diâmetro anteroposterior), 
ausculta com MV diminuído. Exame de imagem clássico da DPOC: diâmetros 
torácicos alargados. Nessa fase há um aprisionamento de ar no pulmão. O 
paciente tem uma bronquiolite inflamatória que gera o estreitamento dos 
bronquíolos terminais, fechamento dos brônquios. O paciente enche o pulmão 
de ar normalmente e não consegue esvaziar completamente, o que deixa o ar 
preso no pulmão (o ar não sai devido a obstrução de pequenas vias aéreas). O 
represamento de ar nos pulmões gera um aumento do volume residual (VR) e a 
redução da CVF (já que o VR está aumentado, tem menos espaço para 
respirar). Isso causa inclusive o rompimento de alvéolos e hiperinsuflação do 
pulmão. 
Padrão espirométrico do Distúrbio obstrutivo com CVF reduzida 
CVF reduzida 
VEF1 reduzida 
VEF1/CVF normal ou reduzido 
Prova broncodilatadora negativa ou positiva 
CVF(%) 
VEF(%) > 13 
Os resultados da espirometria são muito parecidos com os do distúrbio 
restritivo. O paciente deve ter clínica compatível com um doença obstrutiva. 
Logo, normalmente, o médico irá saber diferenciar um distúrbio restritivo de um 
obstrutivo clinicamente. Outro fator que direciona para um quadro obstrutivo é 
uma relação VEF1/CVF reduzida, o que ocorre na maioria das vezes. 
Resumo-Espirometria 18
A VEF1/CVF está normal se a diminuição da CVF e da VEF1 for proporcional. A 
VEF1/CVF está reduzida se a diminuição da CVF e da VEF1 foi desprorpocional 
(VEF1 diminuir mais que a CVF). Normalmente, a relação estará reduzida, pois 
a doença obstrutiva é no brônquio, então a tendência é que a VEF1 reduza mais 
que a CVF.
Se permanecer a dúvida do diagnóstico, o ideal seria medir o volume residual 
através da técnica de diluição com hélio, que não é possível de ser realizada 
sempre. VR aumentado: distúrbio obstrutivo com CVF reduzida. VR diminuído: 
distúrbio restritivo. 
Fazer o cálculo do volume residual estimado: CVF(%) - VEF(%). 
CVF(%) - VEF(%) > 13: distúrbio obstrutivo com CVF reduzida (e não 
distúrbio restritivo)CVF(%) - VEF(%) < 12 
Com clínica de doença restritiva: distúrbio misto. 
Sem clínica de doença restritiva: distúrbio inespecífico. 
A imagem abaixo mostra a espirometria de um paciente com distúrbio obstrutivo 
com CVF reduzida (DPOC avançada/enfisema).
Quais as características de um distúrbio misto e como ele se manifesta na 
espirometria?
Resumo-Espirometria 19
Resumo dos distúrbios
Classificação dos distúrbios ventilatórios segundo a gravidade
Resumo-Espirometria 20
Disturbio Obstrutivo avalia pelo VEF1 pós broncodilatador em relação ao 
valor previsto para o paciente (PRED)
Distúrbio restritivo vai ser avaliado pelo CVF pós broncodilatador em relação 
ao valor previsto para o paciente (PRED)

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