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Análise do perfil de dissolução da glibenclamida 	
AULA 2 
ROTEIRO 1 	
OBJETIVO: 
Comparar, pela análise do perfil de dissolução, a intercambialidade de medicamentos genéricos de glibenclamida 5 mg em relação ao medicamento de referência Daonil® (glibenclamida 5 mg, Sanofi-Aventis). 
MATERIAIS 	QUANTIDADE (Por grupo/turma) 	
Balança milesimal - 	bancada 	
Glibenclamida apresentando aproximadamente 100% de pureza 	- Qsp/grupo 	
Tampão fosfato 0,1 mol/L, pH 7,3 	- Qsp/grupo 	
Metanol 100% 	- Qsp/grupo 	
Comprimidos de Daonil® (glibenclamida 5 mg, Sanofi-Aventis), e de glibenclamida 5 mg, genéricos, de diferentes marcas (duas marcas; pode-se, alternativamente, utilizar o medicamento similar). 	Qsp/grupo 	
Espectrofotômetro ultravioleta/ visível 	- bancada 	
Agitador magnético com aquecimento 	- bancada 	
pHmetro 	 - bancada 
PROCEDIMENTO: 
1) Preparo da curva padrão de glibenclamida: 
Pesar (250 mg ou 0,25 g) de glibenclamida padrão e diluir em metanol em volume final de 250 mL; 
Preparar soluções de 1, 0,5, 0,25, 0,125, 0,0625 mg/mL a partir da solução padrão, em volume final de 10 mL cada. 
Determinar a absorbância das amostras a partir da leitura, em espectrofotômetro, no comprimento de onda de 225 nm. Plotar em gráfico concentração versus absorbância. 
PROCEDIMENTO: 
2) Teste de perfil de dissolução: 
Acondicionar 6 comprimidos inteiros do medicamento Daonil®, (Sanofi-Aventis) em um tamiz plástico, o que corresponde a 30 mg de princípio ativo. Fazer o mesmo com os medicamentos genéricos/similares. 
Mergulhar os comprimidos em béquer contendo 250 mL de solução de tampão fosfato com pH 7,3 imerso em banho-maria (um béquer para cada medicamento – total 3 béqueres). Manter a temperatura a 41 oC. 
Coletar alíquotas de 2 mL de cada uma das amostras nos tempos 15, 30, 45 e 60 min. 
Filtrar. 
Acondicionar em cubeta de quartzo e realizar a medida da absorbância, por espectrofotometria, a 225 nm. 
Comparar os resultados obtidos com a curva padrão de glibenclamida. 
DISCUSSÃO:
Através do perfil de dissolução, é possível estimar a quantidade de glibenclamida disponível para absorção. 
Ainda que não seja uma avaliação essencial no que tange à eficácia de um medicamento de uso contínuo, esse parâmetro merece destaque, por fazer parte dos três itens que são objeto de testes em medicamentos, a saber: equivalência farmacêutica, perfil de dissolução e bioequivalência. 
Assim como todos os fármacos da classe sulfonilureias, a glibenclamida apresenta baixa solubilidade em água, o que resulta em baixa liberação deste fármaco a partir de formas farmacêuticas sólidas em testes de dissolução. 
Consequentemente, a glibenclamida apresenta baixa biodisponibilidade, com velocidades reduzidas de liberação nos testes in vitro de dissolução.
A glibenclamida é um ácido fraco (pKa = 5,3) e, em pH mais elevado, apresenta-se na forma ionizada. 
Devido à ionização, a glibenclamida torna-se mais polar e, portanto, mais solúvel em solventes polares. Desta forma, justifica-se a utilização do tampão fosfato pH 7,3. 
Na literatura, encontram-se descritas algumas explicações em relação à variação acentuada na velocidade de liberação de glibenclamida em testes in vitro. 
Primeiramente, existem no mercado comprimidos produzidos com diversos tamanhos de partículas deste princípio ativo, podendo apresentar-se na forma micronizada ou não. 
Essa diversidade no tamanho de partículas é justificada pela ausência de regulamentações para estabelecer faixas de especificação de granulometria. Formulações contendo diferentes tamanhos de partículas de glibenclamida não são uniformemente bioequivalentes.
Além disso, a composição da formulação também influencia decisivamente na liberação do fármaco. 
Mudanças no processo produtivo como, por exemplo, a alteração de uma mistura de excipientes, pode resultar em diferenças significativas de biodisponibilidade do princípio ativo e, consequentemente, interferir nos ensaios in vitro. 
O tipo e a natureza dos excipientes utilizados são fatores determinantes para a velocidade e a extensão em que o fármaco será absorvido, uma vez que podem limitar a dissolução (liberação) do princípio ativo. 
Outro fator fundamental é a forma como a glibenclamida foi obtida em escala industrial. 
Dependendo do solvente utilizado, pode-se dar origem a diferentes formas polimórficas e pseudo-polimórficas que influenciam diretamente em suas propriedades físico-químicas.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA: 
NERY, C. G. C.; PIANETTI, G. A.; PIRES, M. A. S.; Campos, L. M. M.; SOARES, C. D. V. Teste de dissolução para avaliação de liberação de glibenclamida em comprimidos. Rev. Bras. Cien. Farm. 2007; 43(3):413-419. 
Descarte do material utilizado conforme Normas Internacionais de Segurança: as soluções presentes nos tubos deverão ser desprezadas na pia, com água corrente.
Espectrofotometria – Princípios e aplicações
A espectrofotometria é um método que estuda a interação da luz com a matéria e a partir desse princípio permite a realização diversas análises. 
Cada composto químico absorve, transmite ou reflete luz ao longo de um determinado intervalo de comprimento de onda. 
A espectrofotometria pode ser utilizada identificar e quantificar substâncias químicas a partir da medição da absorção e transmissão de luz que passa através da amostra.
Espectrofotometria – Princípios e aplicações
Vamos supor que você olhe para duas soluções da mesma substância, uma com maior intensidade de cor que a outra. 
O senso comum diz que o mais escuro é o mais concentrado. 
Assim, tal como a cor da solução se intensifica, sua concentração também aumenta. 
Esta é uma analogia com o princípio da espectrofotometria: a intensidade da cor é a medida da quantidade de um material em solução.
Um segundo princípio é que cada substância absorve ou transmite certos comprimentos de onda, mas não outros. 
Por exemplo, a cor de uma folha está relacionada com comprimento de onda de luz. Cada cor tem um comprimento de onda diferente, então quando a luz atinge um objeto, alguns comprimentos de onda são absorvidos e outros refletidos de volta. A clorofila absorve luz vermelha e violeta, enquanto que transmite amarela, verde e azul. Os comprimentos de onda transmitidos e refletidos nos fazem perceber a cor verde.
Espectrofotometria – Princípios e aplicações
É esse mesmo princípio de cor e comprimento de onda em que um espectrofotômetro se baseia. 
Esse equipamento mede e compara a quantidade de luz que uma substância absorve. 
Dessa forma é possível realizar uma análise quantitativa e qualitativa, identificando e determinando a concentração das substâncias conforme a interação com a luz.
Uso e aplicação da espectrofotometria
Espectrofotometria é uma ferramenta importante e versátil amplamente utilizada para a análise em diversas áreas como química, física, biologia, bioquímica, engenharia química e aplicações clínicas e industriais.
Dentre as diversas aplicações o espectrofotômetro é usado para medir determinados ingredientes em uma droga, medir o crescimento bacteriano, ou diagnosticar um paciente com base na quantidade de ácido úrico presente em sua urina. Sendo que as análises podem ser quantitativas (identificação da concentração da substância) e qualitativas (identificação de uma substância desconhecida), já que cada substância irá refletir e absorver a luz de forma diferente.
COMO O ESPECTROFOTÔMETRO FUNCIONA?
Uma amostra é colocada dentro do espectrofotômetro.
Há uma fonte de luz e um dispositivo chamado monocromador divide a luz em cores, ou melhor, comprimentos de onda individuais.
Uma fenda ajustável permite apenas um comprimento de onda específico através da solução de amostra.
O comprimento de onda da luz atinge a amostra, que está em um pequeno recipiente chamado de cubeta.
A luz passa através da amostra e é lida pelo detector.
O espectrofotômetro é muito sensível e qualquer interferência pode mostrar um resultado errado. As cubetas têm papel fundamental e sua limpeza e correta utilização são essenciais para a obtenção de resultadoscorretos e confiáveis.
OS PRINCIPAIS COMPONENTES DE UM ESPECTROFOTÔMETRO
Fonte de Luz: é composta por uma lâmpada de deutério e uma lâmpada de tungstênio. A lâmpada de deutério emite radiação UV e a de tungstênio emite luz visível.
Monocromador: alguns equipamentos ainda possuem um prisma como monocromador, porém, os mais modernos possuem dispositivos eletrônicos que transformam a luz incidida em vários comprimentos de onda em um único comprimento de onda, ou seja, luz monocromática.
Detector: é um dispositivo que detecta a fração de luz que passou pela amostra e transfere para o visor e para o computador acoplado ao aparelho.
Amostras: só podem ser analisados por espectrofotometria de absorção compostos que absorvem luz. Em caso de soluções fortemente coloridas como permanganato, dicromatos, cromatos e outros compostos com cores altamente acentuadas deverão ser feitas, no mínimo, 5 diluições.
Cubeta / Recipiente: é um pequeno recipiente utilizado para conter o material a ser analisado. As cubetas podem ser quadradas, retangulares ou redondas e são constituídas de vidro, sílica (quartzo) ou plásticas.
CUBETAS PARA ESPECTROFOTOMETRIA
É preciso ter cuidado ao manusear as cubetas, mesmo uma ligeira impressão digital pode interferir nos resultados. É muito importante não tocar na superfície óptica da cubeta, pois óleos de sua pele, partículas de tecidos de limpeza, poeira e outros contaminantes podem afetar as leituras. A utilização e limpeza corretas são a base de qualquer análise espectrofotométrica, ajudando a evitar erros de medição.
As cubetas de vidro são usadas para comprimento de onda de luz visível e o quartzo tende a ser usado na luz UV com comprimento de ondas abaixo de 340nm. Já as cubetas descartáveis de plástico são, muitas vezes, utilizadas em ensaios rápidos onde a velocidade é mais importante do que a exatidão elevada, mas com a praticidade de ser usada apenas uma vez.
Curva-padrão
A curva-padrão corresponde à relação gráfica entre os valores de absorbância (A) e os de concentração. 
Com base na análise gráfica é possível verificar a linearidade da reação e calcular um fator de conversão de valores de absorbância em concentração.
Inicialmente, verificamos no espectrofotômetro a absorbância (A) das soluções cujas concentrações sejam conhecidas, por exemplo:
Com os dados obtidos foi construído o seguinte gráfico:
Curva padrão de KMnO4
Quando quisermos saber a concentração de uma solução, acha-se a densidade ótica e leva-se este dado a curva, encontrando-se imediatamente sua concentração.
Fator de Calibração :
Pode-se determinar também a concentração de uma solução pela seguinte relação:
====================
Cd = Ad X FC
====================
Onde: Cd - concentração do desconhecido
Ad - absorbância do desconhecido
FC (fator de calibração) – média dos valores de Cp/Ap
Ap - absorbância do padrão
Cp - concentração do padrão
Referência Bibliográfica utilizada:
Práticas de Laboratório de Bioquímica e Biofísica, Guanabara Koogan, Compri-Nardy M., Stella M.B., Oliveira C. (2009), 200 págs.

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