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PROJETO INTEGRADOR Temática: “LIXO” Material didático-instrucional para o ensino de Ciências Daiara Manfio Leandro Turmena Vitor Augusto Pizzolatto (Orgs.) Volume 1 PROJETO INTEGRADOR Temática: “LIXO” Material didático-instrucional para o ensino de Ciências Daiara Manfio Leandro Turmena Vitor Augusto Pizzolatto Volume 1 A m b ie n te L e g a l, 2 0 1 8 . Dados Internacionais de Catalogação na Publicação Biblioteca da UTFPR - Dois Vizinhos Bibliotecária/Documentalista: Caroline Felema dos Santos Rocha - CRB: 9/1880 M276p Manfio, Daiara. Projeto integrador - temática “lixo”: material didático- instrucional para o ensino de ciências. / Daiara Manfio, Leandro Turmena, Vitor Augusto Pizzolatto – Dois Vizinhos, 2021. 99 p.: il.: PDF: 4,66 MB. – (Coleção Projeto Integrador:, v. 1). ISBN: 978-65-00-26406-7 1. Ciência – Estudo e ensino. 2. Reaproveitamento (Sobras, refugos, etc.). 3. Educação ambiental. 4. Vermicompostagem. 5. Poluentes. I. Manfio, Daiara. II. Turmena, Leandro. III. Pizzolatto, Vitor Augusto. IV. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. V. Título. CDD (22. ed.): 372.3 5 SUMÁRIO APRESENTAÇÃO........................................................................................................5 CAPÍTULO 1. Utilização sustentável do lixo orgânico domiciliar: Desenvolvimento de composteiras como ferramenta metodológica no ensino de Ciências ........................ 6 CAPÍTULO 2. Elaboração de uma cartilha didática para o ensino fundamental sobre os efeitos de resíduos eletrônicos nos ecossistemas aquáticos ............................... 24 CAPÍTULO 3. Produção de um documentário sobre poluição aquática causada por resíduo plástico doméstico para o ensino de Ciências ............................................. 39 CAPÍTULO 4. Mostra de conhecimento como metodologia ativa sobre resíduos eletrônicos: Contribuições para o processo de ensino e aprendizagem na disciplina de Ciências. ................................................................................................................... 69 CAPÍTULO 5. Microplásticos: Abordagem por metodologia ativa para ensino fundamental anos finais ............................................................................................ 85 OS AUTORES............................................................................................................98 6 APRESENTAÇÃO Este material didático é resultado dos projetos desenvolvidos pelos acadêmicos do 5° período do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Campus Dois Vizinhos, no primeiro semestre de 2019. Faz parte da disciplina de Projeto Integrador I (disciplina obrigatória da grande Curricular do Curso) e do Projeto de Ensino “Projeto Integrador” (cadastrado na Plataforma de Projetos de Ensino e Inovação da UTFPR), sob coordenação dos professores Daiara Manfio Zimmermann e Leandro Turmena. O objetivo da Disciplina, bem como do Projeto de Ensino é contribuir com a formação dos acadêmicos do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas no que diz respeito à formação pedagógica e ao processo de ensino e aprendizagem. Nesta perspectiva, objetiva-se aproximar os acadêmicos de sua realidade profissional, por meio de elaboração e desenvolvimento de projetos interdisciplinares voltados às escolas, associações comunitárias, organizações sem fins lucrativos ou outras entidades públicas ou privadas ligadas à Educação Básica. Salienta-se que, a interdisciplinaridade será a base teórico-metodológica para o desenvolvimento das propostas e o uso das tecnologias da informação e comunicação será estimulada e exigida pelos professores coordenadores e tutores. O tema norteador, para a elaboração dos Projetos, foi "Lixo". Embora o termo não seja utilizado no âmbito técnico, são considerados “Lixo” os "resíduos provenientes de atividades comerciais, domésticas e industriais, que são descartados sem valor ou utilidade, bem como, "restos das atividades humanas, no estado sólido e líquido, não passíveis de tratamento. Neste sentido, desejamos uma ótima leitura! Que os Projetos contidos neste Material Didático possam contribuir para práticas educativas interdisciplinares, visando um processo de ensino e aprendizagem eficaz. 7 Luiza Rafaela Brunetto Sandrieli Gonçalves Tainá dos Santos Marina de Prá Nédia de Castilhos Ghisi 1. Utilização sustentável do lixo orgânico domiciliar: desenvolvimento de composteiras como ferramenta metodológica no ensino de ciências 8 RESUMO Este projeto foi desenvolvido com o objetivo de sensibilizar e instruir estudantes do ensino fundamental, sobre a reutilização do lixo orgânico produzido em suas residências, visando o ensino interdisciplinar de ciências e a conscientização sobre o descarte incorreto de resíduos orgânicos. Os resíduos orgânicos se descartados no lixo domiciliar, são destinados a aterros sanitários e lixões, e se tornam extremamente prejudiciais ao meio ambiente e à saúde humana, através da produção do gás metano e do chorume. O gás metano é um dos vilões do aquecimento global e o chorume, por sua vez, é um líquido tóxico que pode alcançar os lençóis freáticos e contaminar a água. A metodologia abordada consiste no desenvolvimento de Composteiras, especificamente, a confecção de uma vermicomposteira. Esta técnica conta com o auxílio de uma espécie de minhoca que torna o desenvolvimento mais atrativo para os estudantes do Ensino Fundamental e, apresenta vantagens durante o processo de compostagem. Ao utilizar essa metodologia, o professor de ciências poderá trabalhar a interdisciplinaridade nos conteúdos dentro da disciplina de Ciências, bem como, a interdisciplinaridade com outras disciplinas, tornando o processo de ensino aprendizagem mais produtivo e interessante. Palavras-chave: Reutilização, Resíduos orgânicos, Vermicompostagem. ÁREA TEMÁTICA O projeto apresenta como trabalhar a interdisciplinaridade entre os seguintes conteúdos de ciências: biodiversidade de seres vivos, microbiologia, zoologia, botânica, bioquímica, ecologia, o lixo, cuidados com o solo e educação ambiental. Pode-se integrar outras disciplinas, tais como: artes, química, física, língua portuguesa e geografia. 9 1 INTRODUÇÃO No Brasil a cada ano aumenta a geração de resíduos sólidos urbanos (RSU), segundo o Panorama da ABRELPE (2019), no ano de 2018 o valor de RSU gerado foi de 79 milhões de toneladas. Ao comparar esse valor com o do ano anterior é notável o acréscimo de 1%, o que indica que neste ano foram produzidos diariamente 216.629 toneladas de resíduos. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, dentre os resíduos sólidos urbanos produzidos em nosso país, metade refere-se aos resíduos orgânicos (BRASIL, 2019). Os resíduos orgânicos, ao serem descartados juntamente com os demais, são destinados a aterros sanitários e ocasionam a redução da durabilidade desses ambientes, impactando a queda desua vida útil. Em 2010 foi criada a Política Nacional de Resíduos Sólidos, com o intuito de aprimorar a situação referente ao destino dos RSU. Este documento estabeleceu que deveria ser realizada a eliminação de lixões até a data de 2014, considerando que esses locais são inapropriados para a disposição final de resíduos (PNRS, 2010). Este prazo não foi cumprido e os lixões continuam sendo destino de resíduos, causando prejuízos ao meio ambiente. Devido a isso, no ano de 2019 o Ministério do Meio Ambiente criou o Programa Nacional Lixão Zero, o qual é um plano de ação que tem a finalidade de acabar com os lixões e buscar melhores alternativas para o destino dos resíduos. Desta forma, vale destacar a importância de cada pessoa separar adequadamente o lixo de sua residência, pois ao realizar esta simples ação, gera uma contribuição de grande valia para prolongar a vida útil de aterros sanitários. Em vista disso, se faz necessário o desenvolvimento de projetos e atividades simples para conscientizar as pessoas, como esta proposta didático-pedagógica a qual tem como objetivo, sensibilizar estudantes do ensino básico sobre a reciclagem de resíduos orgânicos, afim de reduzir sua destinação aos aterros sanitários. Dessa forma, é possível instruir alunos a reciclar os resíduos orgânicos de forma sustentável, obtendo ao final desse processo de reaproveitamento um bioproduto que pode até ser comercializado, por ser extremamente nutritivo para as plantas, o qual pode ser usado em hortas e jardins, tanto de escolas quanto de residências, para a produção de plantas alimentícias, ornamentais e hortaliças. Ao garantir melhor destinação aos resíduos orgânicos se contribui para o acréscimo na vida útil dos aterros sanitários, minimizando o impacto ambiental causado por esses locais, devido a diminuição da produção de gás metano e do chorume, substâncias que podem causar malefícios a saúde humana e o meio ambiente. Desse modo, a proposta metodológica foi elaborada para ser aplicada em sala de aula, principalmente com o ensino fundamental, visto que devemos começar a conscientização pelos mais jovens, os quais representam o futuro. Salientamos também que, este projeto não é apenas de cunho escolar, podendo ser aplicado para toda a comunidade, a fim de atingir um maior número de pessoas e sensibilizá-las sobre o assunto. 10 Sendo assim, a utilização sustentável de resíduos orgânicos realizada por estudantes do ensino fundamental, por meio do desenvolvimento de composteiras, pretende diminuir a disposição de resíduos orgânicos em aterros sanitários e lixões. Por consequência, o bioproduto formado na composteira pode ser utilizado como adubo no cultivo de plantas alimentícias, ornamentais e hortaliças. Por fim, a metodologia abordada serve como uma ferramenta de ensino que possibilita ao professor de Ciências ir além da rotina ao trabalhar vários conteúdos de forma interdisciplinar, proporcionando aos estudantes correlacionar a teoria com a prática, considerando que irão participar diretamente do desenvolvimento das composteiras. 2 OBJETIVOS 2.1 Objetivo Geral Sensibilizar e instruir estudantes do ensino fundamental sobre a reutilização de resíduos orgânicos de maneira sustentável e rentável. 2.2 Objetivos Específicos Conscientizar os estudantes sobre a importância da separação correta de Resíduos Sólidos Urbanos (RSU); Fazê-los perceber como o sistema de vermicompostagem é eficiente, de baixo custo e rápido para tê-lo em casa; Construir com os alunos uma composteira caseira e uma vermicomposteira para reaproveitar os resíduos orgânicos produzidos em suas casas. 3 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 3.1 Resíduos sólidos urbanos e resíduos orgânicos Os resíduos sólidos provenientes de diversas atividades humanas muitas vezes são denominados popularmente como lixo, porém existem diferenças nas definições desses dois termos. A palavra lixo recebe vários significados: no dicionário Aurélio, por exemplo, é sinônimo de sujeira, tratando-se de coisas inúteis ou sem valor (HOLANDA, 2002). Porém, sabe-se que estas definições não estão completamente corretas. Pode-se sim definir lixo como algo que é resultado das atividades humanas e que, muitas vezes, torna-se inútil e sem valor por receberem a destinação incorreta. No que se refere aos resíduos sólidos, a Política Nacional de Resíduos Sólidos Lei 12.305/10, dispõe que se trata de tudo aquilo que não é aproveitado nas atividades humanas e deve estar no estado sólido ou semissólido para ser levado ao seu destino 11 final: “bem como gases contidos em recipientes e líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou em corpos d’água, ou exijam para isso soluções técnica ou economicamente inviáveis em face da melhor tecnologia disponível” (PNRS, 2010). De certa forma, esses resíduos podem ser reutilizados ou tratados, ao contrário do lixo. Segundo ABRELPE (2019), em 2018 foram geradas 79 milhões toneladas de Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) somente no Brasil, os quais englobam os resíduos domésticos, os efluentes gerados em pequenas empresas domiciliares e, ainda, os resíduos comerciais. O que é alarmante, sem dúvidas, é que apenas 59,5% desta enorme quantidade gerada é destinada corretamente. Ou seja, mais de 40% dos RSU gerados no Brasil vão para lixões, o que significa que estão sendo incorretamente destinados. Além do mais, o custo para a reciclagem é um dos principais empecilhos para a destinação correta e reutilização dos RSU. Por isso, percebe-se que é mais importante obter controle da produção dos RSU do que suprir a demanda de destinação e reutilização dos mesmos, porém no Art. 9° da PNRS – Lei 12.305/10, é dado ordem de prioridade para a não geração de resíduos, a reutilização, a reciclagem, o tratamento dos resíduos sólidos e a destinação final adequada dos rejeitos. Machado (2017), cita uma medida criada em 1997 conhecida internacionalmente como Agenda 21, a qual trata da prevenção do descarte de resíduos. A medida impõe como solução a utilização do método dos 3R’s, os quais visam: 1° - Reduzir: buscar reduzir o consumo, repensando o uso dos materiais e, consequentemente, a redução da geração de lixo; 2° - Reutilizar: tornar a vida útil de determinado material mais longa, podendo ser naquela mesma forma ou adaptando- o; 3° - Reciclar: tornar aquele resíduo útil, modificando sua estrutura física/química, produzindo novos materiais. Não sendo suficiente, incluiu-se dois novos termos posteriormente: Repensar e Recusar. O primeiro termo, trata de fazer o consumidor repensar sobre o produto, desde sua matéria prima, o trabalho para sua produção, o transporte e o descarte. Já o último termo, refere-se ao ato de recusar o consumismo de produtos dispensáveis, fazendo os consumidores adquirirem apenas produtos essenciais (SILVA et al., 2017). Nos centros urbanos, temos a grande produção de Resíduos Orgânicos Domiciliares (ROD) dentre os RSU, sendo que em sua maioria, são descartados incorretamente: em terrenos baldios ou áreas públicas gerando, não somente problemas ambientais, mas também, o desperdício de muitos nutrientes que poderiam ser reutilizados (USP, 2012). Como solução, surge a compostagem, a qual visa reciclar matéria orgânica, ou seja, transformar os ROD em adubo, o qual poderá ser utilizado como fertilizante para plantas e até mesmo, comercializado como fertilizante natural. Percebe-se neste ponto que, nem sempre o lixo é inútil e sem valor, como sugerido pelo dicionário anteriormente (BENTO, 2013). 12 Ainda segundo a autora Bento (2013), a compostagem é uma forma simples e muito eficiente para reciclar matéria orgânica, não somente vegetal, mas também animal. O processo é realizado por macro e microrganismos que se desenvolvem em meio ao ROD e que atuam na decomposiçãodaquela matéria orgânica em um composto chamado húmus. O húmus, por sua vez, é considerado um fertilizante natural e muito rico, pois pode ser usado em hortas caseiras, no cultivo de legumes e frutas, nas plantas do jardim e, como já citado, comercializado como fertilizante potencialmente natural. No que diz respeito aos resíduos orgânicos, segundo a Lei 12.305/2010 que dispõe sobre a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) e o inciso V do artigo 36, a compostagem pode ser considerada como essencial sendo uma tarefa indispensável, assim como a destinação adequada de resíduos. Desta forma, fica a cargo dos municípios prestarem esse serviço à população. Conforme os incisos XIV e XV do artigo 3° presente na PNRS, a compostagem é uma maneira de promover a reciclagem, onde resíduos orgânicos devem ser reaproveitados e não descartados como rejeitos. Compostagem O termo compostagem está diretamente associado ao tratamento de resíduos sólidos orgânicos, pode-se dizer que se trata de uma reciclagem biológica que vai degradar restos orgânicos de produção urbana, industrial e agrária também, transformando estes restos de resíduos em adubo orgânico que pode vir a ser utilizado na manutenção das hortas nas escolas e até mesmo nas famílias dos estudantes. Assim a compostagem se trata de um processo de decomposição, que acontece através do desenvolvimento de condições ideais (umidade, disponibilidade de oxigênio e nível de nutrientes) para a cultura e atuação de macro e microrganismos (BRASIL, 2019). A compostagem é um processo de oxidação biológica, que acontece pela ação de microrganismos que decompõe os materiais derivados destes resíduos sólidos orgânicos que vão liberar CO2 e H2O. No entanto existem pesquisadores que concluem que a compostagem acontece através de processos de decomposição anaeróbia e aeróbia, com a predominância dos processos aeróbios (CERRI et. al., 2008). Os autores Nascimento et al, (2005) listam os benefícios promovidos pela compostagem, principalmente no cultivo do solo e sua saúde, a seguir apresentamos algumas dessas vantagens: O composto orgânico juntamente com partículas de areia, argila e limo auxiliam na retenção e drenagem do solo melhorando sua aeração; A redução da erosão através do aumento da infiltração da água no solo; O material orgânico atrai insetos, minhocas e microrganismos que são benéficos para as plantas e redutores de patógenos; Auxilia na estabilidade da temperatura e acidez do solo; Redução do odor indesejável da matéria orgânica; Método ambientalmente seguro e confiável. 13 3.3 Vermicompostagem A vermicompostagem, se refere ao procedimento realizado pelas minhocas em seu trato intestinal, onde ao se alimentar da matéria orgânica a transformam e originam um bioproduto e o chorume (AMORIN et al., 2016). Este bioproduto e o chorume são ricos em nutrientes e ideais para serem empregados como fertilizantes naturais em cultura de plantas. A técnica da Vermicompostagem foi descoberta em uma pesquisa inglesa desenvolvida entre os anos 1940 e 1950. Em 1970 os pesquisadores descobriram que com o manejo de minhocas os resíduos orgânicos, como esterco e resíduos domésticos, se transformavam em matéria orgânica de maneira mais estabilizada, ou seja, liberando mais nutrientes no solo (AQUINO; ALMEIDA; SILVA, 1992). De acordo com os autores Aquino, Almeida e Silva (1992) a espécie de minhoca comumente utilizada é a Eisenia fetida (Savigny, 1826) também conhecida como minhoca de esterco ou vermelha da Califórnia. Sua preferência se dá devido a sua grande capacidade de reprodução, crescimento e pela sua eficiência na conversão de resíduos. Outra espécie de minhoca muito utilizada é a Pheretima sp., destinada para a compostagem de resíduos que apresentam estágio de decomposição mais avançado, ela é popularmente conhecida como minhoca puladora e pode ser facilmente encontrada no solo. Estudos realizados por Almeida (1991), compararam a eficiência do vermicomposto com o esterco de galinha e esterco bovino no cultivo de verduras como cenoura e alface. Foi possível verificar que no cultivo de alface o vermicomposto não apresenta nutrientes suficientes para o desenvolvimento destas, em oposição aos estercos, que possibilitaram o pleno desenvolvimento dos vegetais. Em contrapartida, no cultivo de cenouras, a eficiência nutricional de ambos os fertilizantes é equivalente. De acordo com Marcondes (1996), as minhocas consomem primeiramente os compostos presentes na base e se deslocam para cima conforme a matéria vai se decompondo, podendo suportar a temperatura entre 13°C a 22°C. O autor ainda afirma que, as minhocas possuem preferência por materiais menos ácidos e com cheiro mais leve, como borra de café, folhas de erva-mate e outros chás. As minhocas podem decompor diversos resíduos, como restos de frutas e verduras, esterco, papéis e folhas secas, se esses apresentarem condições aceitáveis a elas, como pH, temperatura e umidade. A reposição de nutrientes deve ser realizada de uma a duas vezes na semana. Este processo se torna mais favorável e benéfico, pois de acordo com Albanell et al. (1988), as minhocas aceleram a transformação da matéria orgânica em húmus, devido a produção do composto conter menor relação de carbono e nitrogênio. Durante o processo, também ocorre pela ação das minhocas, o aumento de retenção de cátions e o acréscimo de substâncias húmicas (ALBANELL et al., 1988). A respeito do húmus de minhoca ou conhecido como vermicomposto, este apresenta concentrações altas de matéria orgânica, sendo este número maior que o 14 obtido no composto realizado com o método tradicional da compostagem. Desta forma, com a vermicompostagem os nutrientes se encontram de forma mais assimilável para as plantas, estando disponível para o uso por até 45 dias (RICCI, 1996). Ainda, conforme relata Epstein (1997), essa prática elimina ou reduz os níveis de patógenos em cultivos, devido à alta temperatura alcançada durante o processo. 4 METODOLOGIA Esta metodologia apresenta a importância das vermicomposteiras de forma com que os alunos do ensino fundamental possam aprender a montar uma mini vermicomposteira. É possível realizar associação com os conteúdos de Ciências e de outras disciplinas como artes, para entender a função da mini composteira e sua importância tanto para a o aumento da vida útil dos aterros sanitários. Desta forma também é possível aprender como os resíduos orgânicos podem ser reciclados de modo que esta técnica de transformar o lixo em adubo possa ser empregada, e compreender que, quando esta técnica é vinculada às minhocas e a outros microrganismos este lixo pode ser transformado em adubo orgânico rico em nutrientes. A metodologia contempla três atividades, contando também um vídeo explicativo e um folheto educativo (cf. apêndices 1 e 2). Link do Vídeo: (https://youtu.be/FpuK8uVMYVM). Atividade 1 Esta atividade pode ser feita tanto na sala de aula quanto no pátio da escola. Primeiramente o professor questionará os alunos sobre o que são os resíduos orgânicos e se esses resíduos podem ou não serem reciclados. A atividade tem como objetivo instigar a criança sobre o que é o resíduo orgânico e explicar que este pode ser utilizado de outras formas, e não simplesmente somente descartado, e tem grande importância para o meio ambiente. O professor deve explicar que ao receber o tratamento devido, este resíduo entrará em contato com os macro e microrganismos decompositores e se tornará um adubo rico em nutrientes. Desta forma, este adubo será aderido ao solo ou adicionado dentro de vasos, possibilitando que as plantas tenham um melhor desenvolvimento devido aos nutrientes que foram retirados dos restos de resíduos orgânicos, os quais possivelmente seriam jogados fora de maneira incorreta e acabariam, porsua vez, diminuindo o tempo de vida útil dos aterros sanitários. Pode-se enfatizar que as minhocas são seres muito importantes neste processo e que o auxiliam de maneira direta: estas vão se alimentar dos resíduos, que ao passarem pelo trato digestório das minhocas se tornarão suas fezes, que tem um grande teor nutritivo para as plantas, o famoso húmus de minhoca. Por fim é interessante que o professor leve os alunos para o pátio para que os mesmos possam 15 analisar (com luvas e o devido cuidado) se o lixo da escola está sendo separado devidamente, já ensinando como estes alunos devem separar o lixo tanto na escola, quanto em suas próprias casas e até mesmo em outros ambientes. Atividade 2 Nesta atividade o professor deve explicar o que é uma vermicomposteira, pois na atividade 1 os alunos já conseguiram compreender o que são os resíduos orgânicos e agora, estão prontos para aprender uma técnica que possibilite-os ver a transformação do resíduo orgânico juntamente com auxílio das minhocas californianas, explicando a função das mesmas para a realização desta técnica e a importância dos produtos finais (húmus de minhoca e chorume); • Importância do húmus de minhoca: É de grande procura no mercado, pois este é considerado um dos melhores adubos para a fertilização do solo. Desta forma, é possível transformar um solo pobre para o plantio em um solo rico. Estes nutrientes que são dispostos através destes produtos finais da Vermicomposteira ajudam no crescimento das plantas e melhorar a qualidade das mesmas. • Importância do chorume: O chorume é o resultado final da decomposição que vai ocorrer dentro da Vermicomposteira, este é um líquido muito rico em nutrientes que poderá ser misturado com a água e utilizado tanto como um adubo foliar e como adubo para o solo que poderá ser disperso através de irrigação. Atividade 3 Após os alunos compreenderem o que é uma Vermicomposteira, estes irão montar uma mini vermicomposteira, para isso eles vão precisar dos seguintes materiais: 3 potes de sorvete todos com tampa; 2 Pregos; 1 Martelo; 1 Tesoura; 1 Torneira; 1 Tubo de cola quente, ou fita adesiva para vedar bem os potes; 15 Minhocas californianas; Matéria seca, por exemplo: folhas, serragem, grama; Restos de alimentos e material verde, como cascas de frutas e verduras, borra de café, erva de chimarrão, restos de cereais, casca de ovo (triturada) e o restante dos alimentos em pedaços bem pequenos. Em seguida é importante que o professor auxilie na montagem passo a passo e explicando qual a importância e função de cada um dos potes: Pote 1: O pote, representado nas Figuras 1 e 2, corresponde a primeira caixa digestória, na qual será necessário fazer pequenos furos na tampa para circular o ar e manter a temperatura. Neste compartimento será adicionado a matéria seca e os restos de alimentos, é importante ressaltar que não pode ser colocado restos de carne 16 de qualquer espécie, nem óleos, vinagres e azeite, pois são prejudiciais as minhocas e ao processo. Figura 1 - caixa digestora 1 aberta, na qual é possível observar a tampa com furos para que haja a passagem do ar e o pote 1 ligado à tampa do pote 2. Fonte: Autoria própria Figura 2 - caixa digestora 1 fechada com tampa. Fonte: Autoria própria Pote 2: Nesta etapa será realizada a montagem da segunda caixa digestória, é necessário retirar a parte inferior da tampa para permitir a transição das minhocas entre as caixas, e no fundo desta caixa existem furos para a passagem do chorume. Nessa caixa serão adicionadas as minhocas juntamente com o substrato. Pode-se observar na Figura 3. Figura 3 - caixa digestora 2 aberta, ligada à tampa do pote 3, na qual é possível observar os furos para a passagem do chorume. Fonte: Autoria própria Pote 3: Para a montagem da terceira e última caixa, a caixa coletora, será necessário fazer pequenos furos na tampa que vão ligar os dois potes, é interessante adicionar uma torneira para que o chorume líquido possa ser retirado como na Figura 4. 17 Figura 4 - Caixa 3 com a torneira inserida, aberta vista por cima. Fonte: Autoria própria Vermicomposteira completa: Posteriormente, serão unidas as três caixas para obter a vermicomposteira, o resultado deve ser parecido com o da imagem abaixo. É importante ressaltar que a torneira é opcional, pois, também pode ser usado um cano com tampão para o líquido não vazar ou até mesmo a remoção das caixas. Observe a Figura 5. Figura 5 - composteira completa. Fonte: Autoria própria Ao finalizar a montagem, os estudantes podem nomear as suas vermicomposteiras, e levá-las para suas casas, mas é necessário salientar que alguns cuidados devem ser tomados para não prejudicar o processo de vermicompostagem: Manter a temperatura entre 20 e 35ºC, pois se a temperatura for elevada vai afetar as minhocas; Manter o interior sempre úmido, pois as minhocas realizam respiração cutânea (através da pele); Manter sempre determinada quantia de matéria seca, pois esta vai evitar que possa ocorrer episódios de mau cheiro; Óleos, vinagres e azeite não podem entrar na composteira; Manter em local protegido do sol e da chuva. 4.1 Trabalhando a Interdisciplinaridade Durante a realização das atividades acima, o professor de Ciências pode trabalhar a interdisciplinaridade abrangendo diversos conteúdos de maneira científica. 18 A seguir nós sugerimos a abordagem de alguns conteúdos de Ciências de acordo com a Base Nacional Comum Curricular (2017) e as Diretrizes Curriculares da Educação Básica Ciências (2008), abordagem que tende a tornar o desenvolvimento da disciplina e o ensino de Ciências mais rico e interessante. É importante abordar no decorrer das atividades a questão do lixo e seus possíveis destinos, entre eles a reciclagem e sustentabilidade, os problemas dos aterros sanitários e os lixões, além de incluir a questão de saúde pública, pois o lixo atrai vetores de doenças como os ratos, baratas, mosquitos etc. A compostagem permite trabalhar a microbiologia e a biodiversidade de seres vivos, se tratando do processo de degradação aeróbia, onde tais condições possibilitam uma variedade de macro e microrganismo como as bactérias e os fungos. Inclui-se também a botânica, onde posteriormente o produto final obtido com o uso da composteira será utilizado em vasos de flores, hortas, na produção de plantas ornamentais e alimentícias, através da nutrição do solo e consequentemente das plantas. Ainda neste aspecto, pode-se trazer uma discussão sobre a alimentação saudável. Outro conteúdo que pode ser tratado é a pedologia, ou estudo do solo, no qual é importante ensinar para os estudantes sobre a sua nutrição e a influência de fatores como a umidade, pH, aeração, temperatura, erosão e lixiviação. Ao trabalhar os nutrientes presentes no solo como carbono, nitrogênio e oxigênio, é possível fazer uma ligação com o conteúdo de química/bioquímica, e ressaltar a ação direta desses nutrientes no desenvolvimento das plantas. A ecologia pode ser trabalhada de forma que o educando compreenda as relações entre os ecossistemas e as cadeias tróficas, pois organismos produtores, consumidores e decompositores estão presentes na compostagem. Ao incluir a minhoca no processo, o mesmo passa a ser chamado de vermicompostagem, possibilitando trabalhar a zoologia e a sua ecologia focando em seu nicho ecológico. Ao desenvolver composteiras, os estudantes têm contato direto com os materiais necessários e o meio ambiente, trabalhando com os sentidos como tato e olfato, que são conteúdos de fisiologia humana. No que se trata de interdisciplinaridade com outras disciplinas da educação básica, o desenvolvimento de composteiras permite trabalhar em conjunto com artes, por exemplo: encapar os compartimentos da composteira com um papel que permitaa realização de desenhos criativos que podem ser coloridos com as cores primárias. Como já citado acima, a química também pode ser incluída, além da física considerando os processos de transformações. Com a disciplina de português, é possível trabalhar a interdisciplinaridade através de redações e produções de textos. Em geografia, sugere-se abordar questões do solo, agricultura orgânica e o uso de químicos na produção de alimentos. 19 6 RESULTADOS ESPERADOS Considerando a problemática abordada e apresentada neste texto, a proposta metodológica busca auxiliar professores a trabalhar o assunto de forma abrangente, tornando o processo de ensino aprendizagem mais significativo. Sendo assim, ressalta-se a grande importância de instruir estudantes do ensino básico sobre a disposição correta de compostos orgânicos domiciliares. Desta forma, contribui-se com o aumento da vida útil dos aterros sanitários e na diminuição do impacto ambiental causado pelos materiais orgânicos quando descartados incorretamente. REFERÊNCIAS ABRELPE. Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2018/2019. Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais, 2019. Disponível em: http: https://abrelpe.org.br/download-panorama-2018-2019/ Acesso em: 24 jun. 2021. ALBANELL, E.; PLAIXATS, J.; CABRERO, T. 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Este projeto tem como objetivo planejar uma cartilha didática para apresentar de forma interdisciplinaro efeito do lixo eletrônico sobre os ecossistemas aquáticos e sensibilizar quanto ao destino incorreto do lixo eletrônico nestes ambientes. Proporcionando elementos teóricos e práticos e promovendo discussões sobre a temática envolvida no projeto, enfatiza-se a sensibilização da comunidade escolar acerca dos impactos prejudiciais dos resíduos tóxicos, em especial na ecologia de águas. O projeto tem em vista uma cartilha utilizando trabalhos já realizados para embasar o conhecimento, baseando-se em uma narrativa, contando uma história de forma lúdica sobre o efeito do lixo eletrônico no ecossistema aquático, proporcionando um material proveitoso e muito bem delimitado, pois cada vez mais depara-se com dificuldades e impaciência para leitura de materiais extensos postos de forma pouco atraente. Espera-se que uma cartilha contendo informações relevantes e de fácil entendimento, seja realmente útil para que as crianças aprendam a destinar o lixo eletrônico de forma correta e os efeitos que eles possam causar no meio ambiente, em especial, no meio aquático. Tendo também como finalidade proporcionar um material interdisciplinar espera-se que seja possível promover o debate dos assuntos abordados na cartilha, dessa forma, então, avaliando sua eficácia em transmitir os conhecimentos. Palavras-chave: Ensino de Ciências. Cartilha didática. Lixo eletrônico. Ecossistemas aquáticos. 26 1 INTRODUÇÃO Um dos principais problemas que as sociedades enfrentam é a gestão dos resíduos produzidos. Desde muito tempo, produzir lixo se tornou regra e causou problemas aos povos. Em princípio, os povos nômades e coletores que habitavam a Casa Comum, há cerca de 5 mil anos, permaneciam em uma determinada área até seus recursos se tornarem escassos. Então, deixavam o local, em busca de uma nova parada. Para trás, ficava seu lixo, em geral orgânico, que era logo decomposto. À medida que o ser humano começou a desenvolver certas ferramentas para seu próprio conforto e a construir moradias fixas, o processo de sedentarização se instala. Com ele, a domesticação dos animais e um aumento na produção de resíduos, porém, ainda, nada muito alarmante (HISTÓRIA, 1999). Como se sabe, com o passar do tempo, o ser humano utilizou cada vez mais das matérias-primas disponíveis para produzir novas ferramentas ou produtos. Porém, quanto maior a sofisticação dos produtos, maior o impacto gerado. Percebe-se isso de forma clara, especialmente, com a Revolução Industrial, em meados do século XVIII. Com as Grandes Guerras e o uso de armas químicas, além das milhões de mortes de soldados no front, os solos, as águas e os alimentos eram contaminados. Em relação a energia nuclear e o acidente de Chernobyl, em 1986, na ex-URSS, pode- se entender melhor que, muitas vezes, para o Homem não há maneira de controlar suas próprias criações. As guerras, em geral, trazem desenvolvimento, porém a um custo muito elevado. Neste caso, desenvolvem-se armas e outras máquinas para derrotar o outro. E depois, o que fazer com isso tudo? A resposta é clara: reaproveitar, remanejar e redistribuir. O computador nasce por causa de operações militares na Europa e EUA. Sabe-se que isso também é válido para a rede mundial de computadores. E de uma ferramenta de segurança ou de pesquisa do Estado, passa-se ao cotidiano de todas as pessoas. Em 2017, um levantamento feito pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil demonstrou que 85 % das crianças e adolescentes entre 9 e 17 anos eram usuários da Internet (CRESCE, 2018). Nos dias de hoje, o celular passou a ser um aparelho de entretenimento. Assim como a televisão foi no passado. E é aí que o tema lixo eletrônico vem à tona. O lixo eletrônico é um problema sério que vem aumentando nos últimos anos. A cada ano, vê-se novos modelos e novos aparelhos, resultando em novas compras. A troca de aparelhos eletroeletrônicos, para além dos celulares, é crescente. Sabe-se que muitas das vezes, é mais barato comprar uma nova geladeira, do que consertar uma de suas peças mais caras. Porém, o grande problema disso tudo é: para onde vai essa geladeira estragada? Muito provavelmente, não será destinada a um local correto. Ao estar num ambiente inadequado, como lixões a céu aberto, os aparelhos celulares, por exemplo, estão expostos ao intemperismo e às mais diversas condições 27 temporais. Isso pode favorecer a deposição de resíduos no solo, podendo contaminar lençóis freáticos, principalmente, com os metais pesados constituintes. Diante do exposto, ações educativas são urgentemente necessárias buscando sensibilizar as pessoas acerca deste problema. Neste contexto, as cartilhas didáticas podem ser importantes ferramentas que, trazendo conhecimento de forma lúdica e atraente, permitem ao público leitor repensar atitudes, muitas das quais cotidianas, fazendo valer os princípios de desenvolvimento da capacidade de análise crítica pelos alunos (BRASIL, 1997), bem como, sensibilizar a comunidade escolar para os efeitos danosos do descarte inadequado de lixo eletrônico. Tenha-se em mente, a necessidade de popularizar os conhecimentos científicos que promovem o bem-estar ou alertam atitudes indevidas. 2 OBJETIVOS 2.1 Geral Planejar uma cartilha didática sobre o destino incorreto do lixo eletrônico e seus efeitos nos ecossistemas aquáticos para o sétimo ano do Ensino Fundamental. 2.2 Específicos Proporcionar elementos teóricos e práticos que permitam aos alunos internalizar, de forma interdisciplinar, os conceitos envolvidos com a temática do projeto; Promover a discussão interdisciplinar da temática no ambiente escolar, bem como, avaliar a efetividade da cartilha produzida; Sensibilizar a comunidade escolar acerca dos impactos negativos e prejudiciais dos resíduos tóxicos na ecologia das águas. 3 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 3.1 Lixo eletrônico: um problema global crescente De acordo com Gouveia (2012), conforme os anos passam, mais a população global cresce, principalmente nos meios urbanos. Nos últimos anos, o problema que mais vem preocupando a comunidade científica e a população no geral, é o crescimento alarmante na quantidade de resíduos dispersos no meio ambiente. Por ano, são descartados em torno de 20 a 50 milhões de toneladas de lixo eletrônico em todo mundo (SONG; LI, 2014). Estima-se que, até 2025, o número de resíduos sólidos (eletrônicos ou não) descartados pela população seja de aproximadamente 2 bilhões de toneladas por ano (HOORNWEG; BHADA-TATA, 2012). Estes números são 28 consequência do aumento populacional e das grandes revoluções tecnológicas que se tem experienciado nas últimas décadas. O ser humano tem se tornado cada vez mais dependente de dispositivos eletrônicos em seu cotidiano. Quase todas as atividades diárias realizadas pelos indivíduos estão, de alguma forma, relacionadas a algum eletroeletrônico. Além disso, o consumismo vem crescendo gradualmente junto com este avanço tecnológico, pois parece que as pessoas têm a necessidade de acompanhar este avanço e adquirir aparelhos mais avançados. Por consequência disso, o aumento na produção de resíduos aumenta em níveis alarmantes. Além disso, devido aos avanços tecnológicos, todo esse lixo produzido passou a ter em sua composição, materiais sintéticos e alguns elementos muito perigosos, tanto aos ecossistemas quanto à saúde humana. Nesse contexto, é importante ressaltar que o manejo adequado de resíduos é de extrema necessidade à preservação do meio ambiente. E mais que isso, a diminuição de sua produção. Quando dispostos irresponsavelmente, os resíduos podem comprometer a qualidade do solo, da água e do ar, por serem fontes de compostos orgânicos voláteis, solventes e metais pesados, por exemplo (GOUVEIA, 2012). No Brasil, grande parte dos resíduos eletrônicos não chega ao seu destino correto. Também, devido ao grandenúmero de lixões a céu aberto, percebe-se as devastadoras consequências sobre o meio ambiente, já que o lixo eletrônico descartado é responsável pela liberação de uma grande quantidade de metais pesados, tóxicos ao ambiente. Dentre os metais liberados, ferro (Fe), cobre (Cu), alumínio (Al), zinco (Zn) e chumbo (Pb) são encontrados em maior quantidade, a cada tonelada de lixo misto (NATUME; SANT’ANNA, 2011). Mas também é possível encontrar outros metais, em menor quantidade, que podem ser ainda mais nocivos, como cádmio (Cd), bromo (Br), bário (Ba) e mercúrio (Mg). 3.2 Efeitos do lixo eletrônico sobre os ecossistemas aquáticos Entende-se por ecossistema aquático todo aquele que apresenta um corpo d'água como biótipo, podendo ser dividido em ecossistema de água salgada e ecossistema de água doce (RAMOS; AZEVEDO, 2010). De forma geral, os ecossistemas aquáticos apresentam todas as formas de vida, tanto marinhas como de água doce, respectivamente. Atualmente, ecossistemas aquáticos marinhos e de água doce tem sido alvos de descargas de resíduos líquidos e sólidos de forma global em escala e cujo impacto tem sido subestimado, ameaçando diretamente habitats e espécies, saúde e segurança humana e valores sociais. O lixo eletrônico especificamente, quando descartado incorretamente, pode acarretar grandes danos à saúde e a todo o ambiente (TANAUE et al., 2015), inclusive o aquático. Segundo Song e Li (2014), os metais pesados provenientes de lixo eletrônico possuem potencial altamente tóxico e estão associados a um maior risco 29 de mortalidade. Em geral, estes metais são bioacumulados pelos seres, provocando sérios efeitos nas cadeias tróficas (CORRÊA, 2006). Anderson e Zeeman (1995) afirmaram que a presença de metais, como cádmio, mercúrio, arsênio e selênio no ambiente aquático, pode afetar adversamente a saúde dos peixes. Em particular, os mecanismos que protegem os peixes contra doenças são os mais afetados. Danos na formação da espinha dorsal, doenças musculares, lesões da pele e até quadros clínicos graves dos sistemas gastrointestinal, circulatório e nervoso também foram encontrados (MUNIZ; OLIVEIRA-FILHO, 2008). Está também evidenciado que outros seres vivos, como por exemplo as algas diatomáceas (LAVOIE et al., 2018) e as cianobactérias (ANAS et al., 2015), são afetados pela presença de metais pesados na água. Entre os principais efeitos, destacam-se alterações na densidade total dos indivíduos no meio, deformidades em suas paredes celulares, além de outras disfunções ainda não bem determinadas. Da mesma forma, do ponto de vista de estruturação de comunidades biológicas aquáticas, metais pesados ocasionam alterações de atributos como riqueza e diversidade de espécies na comunidade de macroinvertebrados bentônicos (CLEMENTS et al., 2000). Para o ser humano, o problema reside no consumo de água contaminada e principalmente de animais provenientes destes ambientes. De acordo com Foran (1990), ingerir pescado contaminado é entre 20 e 40 vezes mais perigoso à saúde do que ingerir água contaminada. Esse fato é justificado pela maior capacidade que os organismos aquáticos têm de concentrar os elementos, geralmente as concentrações chegam a ser até 105 vezes maiores do que as observadas no meio ambiente (GUIMARÃES et al., 1985). No organismo humano, esses metais podem impedir o funcionamento normal de proteínas e enzimas, podendo se ligar às paredes celulares, dificultando o transporte de nutrientes (FRANCO; MUÑOZ; GARCIA, 2016). Importante considerar que a alteração de processos bioquímicos e fisiológicos pode acarretar patologias. A exposição a metais pesados pode levar ao desenvolvimento de câncer, transtornos de saúde mental, desordens hormonais e reprodutivas, efeitos na expressão gênica, danos no DNA e aos sistemas nervoso e sanguíneo (SONG; LI, 2015; TANAUE et al., 2015). 3.3 Alfabetização científica (ou Letramento científico) Entende-se por alfabetização científica os conhecimentos que a população em geral deve ter sobre Ciência (DURANT, 1994). Em um dos primeiros trabalhos a tratar de “scientific ou science literacy”, que se traduz por alfabetização científica, Hurd (1958) fala sobre as descobertas passadas e suas influências nos EUA dos anos 1950. Algumas dessas inovações citadas, ainda hoje são motivo de estudo e investigação. Na década de 1950, nos Estados Unidos, devido a corrida espacial, muitos cidadãos americanos se perguntavam se seus filhos estariam preparados para 30 a nova era de transformações científicas e tecnológicas daquele tempo, principalmente, após o lançamento do primeiro satélite artificial da Terra, o Sputnik 1, pela União Soviética, em 1957. Havia uma preocupação se os estudantes, quando formados, saberiam e poderiam conduzir as novas descobertas, no futuro (idem, ibidem). Por se tratar de uma palavra estrangeira, alguns autores têm se preocupado em debater sobre as traduções e discernir sobre o uso na Língua Portuguesa. Cunha (2017) aponta que a maioria dos trabalhos acadêmicos na área de ensino de ciências faz uso da expressão alfabetização científica, porém, este autor defende a utilização do termo letramento científico, o que denota o impacto causado pelo emprego efetivo da leitura e da escrita sobre as práticas sociais. Levanta-se essa discussão apenas para que se perceba que os termos podem diferir de fonte para fonte. Neste trabalho, volta-se ao termo clássico. Encontram-se na literatura três abordagens que tratam da alfabetização científica de formas muito diferentes entre si. A primeira delas se refere “a conhecer sobre muitos fatos científicos, o que, não necessariamente, é o mesmo que ter um alto nível de compreensão científica” (DURANT, 1994, p. 85). Nesta visão de entendimento público da ciência, o foco está voltado a saber termos científicos e o que eles significam, mas não obrigatoriamente o que se faz com eles, nem como se chegou àquele resultado. Pode-se citar várias palavras que remetem à ciência, como DNA; água; célula; e vírus, entretanto, todos esses são termos científicos para diferentes fenômenos ou elementos que não provêm ao cidadão comum meios para lidar com as situações impostas no cotidiano. A segunda forma de abordar a alfabetização científica é saber como a ciência funciona. Nesta definição, trabalha-se com a atitude científica e com os métodos e processos científicos. O objetivo é que o cidadão letrado cientificamente saiba diferenciar os métodos usados na Ciência e outros considerados pseudocientíficos (MILLER, 1983 apud DURANT, 1994, p. 85). Pelo ponto de vista de Durant (idem), é interessante que a população saiba, além de conceitos básicos em Ciência, de fato, os procedimentos que levaram aos fenômenos, agora conhecidos. Porém, nenhum cientista pode definir claramente o método científico, tanto é que, muitas vezes, se abre espaço para as conhecidas “pseudociências” dentro dos próprios centros de pesquisa. Portanto, não se deve entender a Ciência apenas como uma sequência de processos idealizados e muito bem pensados, já que sempre há um envolvimento das questões científicas com a vida real e sua aplicabilidade. Por fim, chega-se a terceira aproximação, definida como uma visão da Ciência e da alfabetização científica como uma prática social. Percebe-se que fazer ciência não é apenas seguir passos; mas, nem sempre, deve ser vista como produto pessoal de determinado indivíduo que pesquisa. O pesquisador – ou sua fama – não deve ser encarado com tamanha emoção que obscureça sua pesquisa. De fato, o que se põe aqui, é que não se deve projetar as características da Ciência sobre quem a produz (DURANT, 1994). O autor (idem, p. 88) chama a atenção para a supervalorização de 31 algumas descobertas e o efeito na sociedade, porque “[...] o público [pode ficar] imbuído da ideia de que o segredo do sucesso da ciênciareside nas qualidades extraordinárias de cientistas individuais”. Essas distorções emocionalmente guiadas pela mídia sobre as descobertas científicas podem atrapalhar o entendimento público sobre a Ciência e até sobre a função da seleta comunidade que pode se dedicar à pesquisa científica, mas que não é a única a pesquisar, investigar. 3.4 As cartilhas didáticas e o ensino de Ciências As primeiras cartas ou cartinhas voltadas à alfabetização chegaram ao Brasil no final do século XVI; produzidas em Portugal. Informações sobre os materiais didáticos no Brasil, pelo menos até o século XVIII, são muito escassas (MACIEL, 2002). Isso se deve em parte aos altos índices de analfabetismo no Brasil, que segundo o Censo Demográfico de 1872, revelava até 87% de analfabetismo (FERRARO; KREIDLOW, 2004). Vieira (2017), ao analisar cartilhas produzidas entre o século XVI e o final do século XX, percebeu que elas constituem uma memória histórica de métodos de ensino que ainda permanecem em uso, mesmo que redefinidos. Desde a segunda metade do século XIX, no Brasil, cartilhas produzidas por professores brasileiros e adequadas à realidade do país, são um dos instrumentos usados para atingir os anseios pela alfabetização do povo (MORTATTI, 2000). Atualmente, as cartilhas estão sendo usadas de acordo com os novos paradigmas da sociedade. Hoje em dia, a utilização das cartilhas permeia várias áreas, desde a divulgação em Ciência e Cultura (PEREZ et al., 2009) à promoção da Saúde (TORRES et al., 2009; MEINERT; MARCON; OLIVEIRA, 2011; REBERTE; HOGA; GOMES, 2012). Em se tratando da disseminação de conhecimentos em Saúde, essa realidade vai além do que ocorre no Brasil. Alguns trabalhos demonstram que as cartilhas são ferramentas eficazes aos profissionais da saúde, principalmente, em ajudar na educação do paciente e como forma de reforçar as orientações verbalizadas (OLIVEIRA; LOPES; FERNANDES, 2014; CLAUS et al., 2017). A título de exemplo, Amini, Alihossaini e Ghahremani (2019) compararam o efeito da educação verbal e de uma cartilha educativa sobre a ansiedade pré-operatória de 60 pacientes que seriam submetidos a cirurgia de hérnia e colecistectomia (retirada cirúrgica da vesícula biliar). Concluiu-se que as cartilhas educativas podem ser usadas para reduzir a ansiedade pré-operatória, já que os resultados demonstraram diferenças significantes entre os grupos. As cartilhas da mesma forma desempenham um papel importante na popularização da Ciência. A divulgação científica, como também pode ser chamada, se pauta em objetivos que variam ao longo do tempo, conforme o próprio avanço científico-tecnológico. Pode-se citar a divulgação da Ciência como a ampliação dos saberes do público leigo sobre os processos e a lógica científicas (ALBAGLI, 1996). São vários os meios de disseminação do conhecimento, tais como, mídias eletrônicas, exibições locais em museus, folders, jornalismo científico, artigos em revistas e jornais 32 – em linguagem acessível ao grande público –, livros e as cartilhas (RIVERA et al., 2006; MANSO, 2012). Encontra-se extensa literatura a respeito do ensino de Ciências, quando se trata da utilização das cartilhas na educação. Toma-se como exemplo o ensino de Ecologia através da cartilha “Seu Juca vai se mudar”, desenvolvida pelo Programa de Pesquisas Ecológicas de Longa Duração da Universidade Federal de Minas Gerais, em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A cartilha apresenta a estória de um indivíduo (Seu Juca) que escolhe morar em uma área natural, de grande beleza cênica, e passa a alterar esse meio como forma de adequá-lo às suas necessidades. Após várias transformações, como o corte de árvores, uso de agrotóxicos e introdução de áreas de monocultura e o grande acúmulo de lixo produzido, Seu Juca decide se mudar para uma nova bela área. Assim, o descaso do ser humano para com a Natureza se completa (BARBOSA; ALONSO; VIANA, 2004). 4 JUSTIFICATIVA A escolha deste tema se justifica por contemplar o objeto de conhecimento “Fenômenos naturais e impactos ambientais”, contido na Unidade Temática “Vida e Evolução”, da Base Nacional Comum Curricular do Ensino Fundamental (7º ano). Inserido nesse objeto do conhecimento, há a habilidade EF07CI08 que contempla a avaliação dos impactos provocados por catástrofes naturais, mudanças nos componentes dos ecossistemas e seus efeitos nas populações, podendo ameaçar ou provocar a extinção de espécies, alteração de hábitos, migração, entre outros (BRASIL, 2017). Além disso, atualmente, a preocupação com o destino correto do lixo eletrônico tem aumentado, haja visto seus efeitos negativos. Verifica-se que os impactos causados pelo lixo eletrônico afetam as comunidades, as populações e, inclusive, os seres humanos. Dessa maneira, por meio da interdisciplinaridade entre as áreas de Ecologia, Botânica, Química e Educação Ambiental, propõe-se a elaboração de uma cartilha didática que permita trabalhar o assunto de forma interdisciplinar e sensibilizar os alunos do ensino básico às questões relativas ao destino incorreto do lixo eletrônico e seus efeitos nos ecossistemas aquáticos. 5 METODOLOGIA A construção da cartilha será dividida em três fases, cada qual com algumas etapas. Tendo em mente que a cartilha será destinada a escolas, alguns cuidados devem ser tomados, como aponta Echer (2005, p. 755), “sendo, portanto, indispensável escrever numa linguagem que todos entendam.”. Como sugere Almeida (2017, p. 14), o tema deve estar muito bem delimitado já que “[...] temos cada vez 33 mais ‘dificuldade/impaciência’ para leitura de materiais extensos, especialmente se forem centrados apenas em textos.”. Os métodos que levarão à elaboração da cartilha proposta no presente projeto seguem as propostas metodológicas definidas por Reberte (2008). Tanto Reberte (idem), como Almeida (2017), são consonantes em propor, primeiramente, a delimitação do tema e a busca de materiais já publicados que possam embasar o trabalho, principalmente, livros e artigos de periódicos. Após isso, deve ocorrer a definição dos tópicos que irão integrar a cartilha e a elaboração de um roteiro. Este detalhamento inclui, por exemplo, o layout de cada página da cartilha, das ilustrações, a sistematização do conteúdo textual e a determinação da linguagem a ser empregada (ALMEIDA, 2017). 5.1 Fase 1: sistematização do conteúdo Posteriormente a revisão de literatura pertinente, será realizada a sistematização do conteúdo na forma de uma história. Será elaborada uma narrativa, envolvendo alguns personagens, trazendo o conteúdo selecionado de maneira simples e objetiva, visando sempre a aproximação do público-alvo ao tema apresentado. É importante ressaltar que a linguagem técnica será empregada ao mínimo e, quando necessária, “os devidos esclarecimentos devem ser feitos mediante a utilização de exemplos” (DOAK; DOAK; ROOT, 1996 apud REBERTE, 2008, p. 54). Ressalta-se que já foi realizada uma revisão de literatura acerca do tema, através da busca de artigos e livros em repositórios online, como Google Acadêmico, ScienceDirect, Scielo e Portal de Periódicos da CAPES, entre os dias 08 de abril a 27 de maio de 2019. Nesta fase também serão selecionadas as ilustrações, figuras, tabelas e quadros que deverão compor a cartilha. Como propõe Oliveira (2016), em sua cartilha Lixo Eletrônico: e-lixo, algumas atividades, como caça-palavras, palavras-cruzadas, jogo dos 7 erros, entre outros, serão adicionados ao longo da cartilha. Isso chama a atenção e desperta interesse do público. A criação de personagens pode ser considerada mais um atrativo para as crianças. Como pondera Alves (2001), os personagens exibem certas características que fascinam os jovens estudantes. Dentre essas, está “a possibilidade que oferecem para uma identificação catártica.Por exemplo, Mônica realiza o sonho de toda criança: ser reconhecida em seu poder [...]” (ALVES, 2001). 5.2 Fase 2: elaboração da cartilha A cartilha será dividida em sete capítulos: (i) Introdução; (ii) O que é Lixo Eletrônico?; (iii) O Ecossistema Aquático em nossas Vidas; (iv) Efeitos do Lixo Eletrônico no Ambiente Aquático; (v) Efeitos do Lixo Eletrônico na Saúde Humana; (vi) Como destinar o Lixo Eletrônico corretamente?; e (vii) Atividades. Com esses tópicos, 34 pretende-se abordar as definições de resíduos, resíduos eletrônicos e como os resíduos eletrônicos impactam o ecossistema aquático. Dentre as outras temáticas relacionadas que serão contempladas estão: os efeitos prejudiciais causados por metais pesados, quais os principais compostos dos aparelhos eletroeletrônicos de uso mais comum, o destino mais apropriado para esse tipo de resíduo e, ao final, serão propostas reflexões sobre nossas ações no cotidiano, por meio de atividades para colorir, de caça-palavras, entre outras. O layout e design da cartilha serão concebidos através do site de ferramentas de design gráfico Canva© (Graphic Design, Inc.). 6 RESULTADOS ESPERADOS No contexto deste trabalho, espera-se que a cartilha contendo informações relevantes e de fácil entendimento, realmente seja útil para que as crianças aprendam a destinar o lixo eletrônico de forma correta e os efeitos que eles podem causar no meio ambiente, em especial, no meio aquático. Entende-se como um bom resultado deste trabalho, a efetiva construção da cartilha e que esta possa se fazer de forma interdisciplinar, priorizando a compreensão de vários conhecimentos pelos alunos do sétimo ano do Ensino Fundamental. Espera- se também que a cartilha proposta possa se tornar uma ferramenta de auxílio do professor de Ciências, permitindo trabalhar essas informações de forma objetiva e didática. Portanto, tratando-se de um instrumento auxiliador às aulas de Ciências, espera-se que a partir dela seja possível proporcionar o debate dos assuntos abordados na cartilha, dessa forma, então, avaliando sua eficácia em transmitir conhecimento. Espera-se, ademais, que este documento não seja apenas aplicado ao ensino de Ciências, no Ensino Fundamental, mas permita socializar essa coletânea de informações a toda comunidade escolar, deste modo, não a tornando restrita apenas à sala de aula, bem como, permitindo a contextualização sobre os resíduos tóxicos na ecologia de águas. 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Para a produção do documentário serão utilizadas atividades- questionário, recursos como vídeos, imagens, livros, sites, entre outros disponíveis na escola e em casa, bem como a bibliografia apresentada neste trabalho. Serão realizados levantamento de dados, estudos e abordagens em sala de aula quanto à temática lixo e posteriormente o material cinematográfico será editado por alunos e professores. Espera-se que o documentário promova a sensibilização sobre a temática, que os alunos possam ter contato com a metodologia ativa, exercitem o poder de pesquisa, leitura, produção e utilizar as tecnologias de informação e conhecimentos adquiridos em outras disciplinas. Palavras-chave: Ensino de ciências, Lixo doméstico, Hidrografia, Região Sudoeste do Paraná. ÁREA TEMÁTICA Resíduos Plásticos, Rios do Município de Dois Vizinhos. Interdisciplinaridade, Ensino Fundamental, Ciências. 41 1 INTRODUÇÃO O lixo doméstico é caracterizado como os resíduos provenientes das residências e é diversificado, podendo conter resíduos orgânicos (restos de alimentos, de podas), resíduos recicláveis (vidros, plásticos, metais, papéis), rejeitos (copos descartáveis, fraldas, papeis higiênicos, etc.) e também resíduos perigosos (pilhas, lâmpadas fluorescentes, tintas, medicamentos, eletrônicos) (MMA, 2019). Segundo a Abrelpe, no ano de 2017 a quantidade de lixo doméstico no Brasil produzido diariamente foi de 214.868 toneladas/dia, e na região Sul no mesmo ano a quantidade foi de 22.429 toneladas/dia, no município de Dois Vizinhos a quantidade total de resíduos produzidos na área urbana é de 21.925 kg/dia (PMBS DOIS VIZINHOS, 2015). O município possui um plano de saneamento básico municipal. Dentre os 11.682 domicílios particulares permanentes no município, 11.643 domicílios possuem abastecimento de água, 9.997 domicílios possuem lixo coletado (IBGE, 2010 apud IPARDES, 2019). O esgotamento sanitário adequado atinge 45,8% dos domicílios urbanos (IBGE, 2010). Os resíduos plásticos estão classificados como não perigosos, mas quando descartados inadequadamente, em rios, encostas, lixões etc., os plásticos causam diversos danos ambientais (SPINACÉ e DE PAOLI, 2005). A maioria dos plásticos não é biodegradável, portanto, boa parte dos plásticos produzidos e descartados hoje irá persistir no ambiente por muitos anos (OLIVEIRA, 2012). Este trabalho tem como objetivo produzir um documentário sobre poluição aquática causada por resíduo plástico doméstico no município de Dois Vizinhos, visando instrumentalizar professores de ciências. Trabalhar com documentários em sala de aula permite ao professor relacionar assuntos ligados à sua disciplina em particular com problemas enfrentados pela sociedade de maneira geral, uma vez que muitos documentários exibidos pelas redes sociais consistem na reprodução das imagens destes problemas da forma mais real possível. Assim, o professor consegue, ao trabalhar documentários com seus alunos, o desenvolvimento de uma visão crítica, capaz de identificar a linguagem utilizada pela mídia para relatar ou denunciar problemas que estão no cotidiano do aluno e que a sociedade enfrenta. 2 OBJETIVOS 2.1 Geral Produzir um documentário sobre poluição aquática causada por resíduo plástico doméstico no município de Dois Vizinhos, visando instrumentalizar professores de ciências. 42 2.2 Específicos Elaborar um plano de aula para a montagem do documentário;Produzir materiais de suporte e orientação na montagem do documentário para professores e alunos; Construir material cinematográfico para a produção do documentário; Construir um documentário para sensibilização sobre a temática resíduo plástico e poluição aquática. 3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 3.1 Definições Lixo é o termo geral utilizado para designar coisas que não possuem mais valor ou utilidade e são produtos das atividades humanas (DICIONÁRIO MICHAELIS, 2019). O lixo pode ser classificado quanto à sua origem (domiciliar, industrial, comercial, hospitalar, agrícola, entre outras) ou em lixo seco e lixo úmido e como resíduos e rejeitos, como a legislação brasileira da Política Nacional de Resíduos Sólidos define: [...] XV – rejeitos: resíduos sólidos que, depois de esgotadas todas as possibilidades de tratamento e recuperação por processos tecnológicos disponíveis e economicamente viáveis, não apresentem outra possibilidade que não a disposição final ambientalmente adequada; XVI - resíduos sólidos: material, substância, objeto ou bem descartado resultante de atividades humanas em sociedade, a cuja destinação final se procede, se propõe proceder ou se está obrigado a proceder, nos estados sólido ou semissólido, bem como gases contidos em recipientes e líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou em corpos d’água, ou exijam para isso soluções técnica ou economicamente inviáveis em face da melhor tecnologia disponível; [...] (Lei 12.305, BRASIL, 2010). Conforme a NBR 10004, os resíduos sólidos são classificados: em resíduos classe I – Perigosos, que podem ser inflamáveis, corrosivos, reativos, tóxicos e patogênicos; resíduos classe II – Não perigosos; resíduos classe II A – Não inertes, que podem ser biodegradáveis, apresentar combustibilidade e solúveis em água; resíduos classe II B – Inertes, que são aqueles que em contato com água destilada ou deionizada à temperatura ambiente os resultados dos ensaios não superam os limites de potabilidade da água. Nesta norma a classificação do resíduo é realizada quanto à sua composição, origem de produção e impacto conhecidos ao meio ambiente e a saúde (NBR 10004, ABNT). O lixo doméstico é caracterizado como os resíduos provenientes das residências e é diversificado, podendo conter resíduos orgânicos (restos de 43 alimentos, de podas), resíduos recicláveis (vidros, plásticos, metais, papéis), rejeitos (copos descartáveis, fraldas, papeis higiênicos, etc.) e também resíduos perigosos (pilhas, lâmpadas fluorescentes, tintas, medicamentos, eletrônicos) (MMA, 2019). Segundo a Abrelpe, no ano de 2017 a quantidade de lixo doméstico no Brasil produzido diariamente foi de 214.868 toneladas/dia, e na região Sul no mesmo ano a quantidade foi de 22.429 toneladas/dia, no município de Dois Vizinhos a quantidade total de resíduos produzidos na área urbana é de 21.925 kg/dia (PMBS DOIS VIZINHOS, 2015). O destino dos resíduos em 50,8% dos municípios brasileiros são vazadouros a céu aberto (lixão), 22,5% dos municípios destinam para aterros controlados e 27,7% dos municípios para aterros sanitários. Sendo no sul do Brasil, 182 municípios que destinam seus resíduos para o lixão (IBGE, PNSB, 2008). 3.2 Legislação Ambiental O Brasil conta com o Ministério do Meio Ambiente, 23 artigos da Constituição Federal relacionados ao meio ambiente e legislações ligadas ao Meio Ambiente. O Ministério do Meio Ambiente (MMA) é o órgão da administração pública federal, criado em novembro de 1992, é responsável pelas políticas, estratégias e instrumentos relacionados ao meio ambiente. O MMA tem quatro diretrizes para a política ambiental do Brasil, o desenvolvimento sustável, o controle e participação social, o fortalecimento do SISNAMA e a transversalidade. A Constituição cita o meio ambiente em diversos artigos, porém, prevê em um artigo exclusivo para o meio ambiente, o artigo 225, “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida[...]” (MMA, 2019). O país conta com a integração de políticas públicas para garantir os direitos sociais, com ações e procedimentos visando as quatro linhas da política ambiental brasileira. Em 31 de agosto de 1981, foi instituída pela Lei nº 6.938, a Política Nacional do Meio Ambiente “[...] com o intuito de preservar, melhorar e recuperar a qualidade ambiental propícia à vida, assegurando condições ao desenvolvimento socioeconômico, à segurança nacional e à proteção da dignidade da vida humana. [...]”, ainda na Lei nº 6.938, o SISNAMA – Sistema Nacional do Meio Ambiente e o CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente foram constituídos. Em 5 de janeiro de 2007, pela Lei nº 11.445, a Política de Saneamento Básico foi instituída, descreve as diretrizes nacionais para o saneamento básico e a política federal de saneamento básico. Pela Lei nº 9.433 de 08 de janeiro de 1997, foi instituída a Política Nacional de Recursos Hídricos, criando o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, e visa o uso sustentável dos recursos hídricos do país. A Política Nacional Urbana é regulamentada pelas diretrizes do Estatuto das Cidades, na Lei nº 10.257 de 2001. A Política Nacional de Resíduos Sólidos, instituída em 2 de agosto de 2010, 44 pela Lei nº 12.305, com diretrizes que visam o gerenciamento de resíduos sólidos. Com a Lei nº 9.795 de 1999, institui-se a Política Nacional de Educação Ambiental, e define a educação ambiental como “um componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não-formal, sendo um direito de todos” (MMA, 2019). 3.3 Município de Dois Vizinhos O município de Dois Vizinhos está situado na região sudoeste do Estado do Paraná, território brasileiro e possui uma área de 418,648 km². Emancipado pela Lei nº 4254/60, de 25 de julho de 1960. Segundo o Censo IBGE 2010, a população era no total de 36.179 pessoas, sendo 28.095 pessoas residentes urbanos e 8.084 de pessoas residentes rurais, com projeção de um total de 40.234 pessoas para o ano de 2018. Em 2010 a densidade demográfica era de 86,42 hab./km² (IBGE, 2010); (IPARDES, 2017). O município possui um plano de saneamento básico municipal. Dentre os 11.682 domicílios particulares permanentes no município, 11.643 domicílios possuem abastecimento de água, 9.997 domicílios possuem lixo coletado (IBGE, 2010 apud IPARDES, 2019). O esgotamento sanitário adequado atinge 45,8% dos domicílios urbanos (IBGE, 2010). A coleta e destino dos resíduos sólidos do município de Dois Vizinhos é realizado pela empresa Limpeza e Conservação PEMA Ltda., através de licitações, que possui aterro sanitário (PMSB, 2015). No ano de 2012 foram coletados em média 534 toneladas/mês de resíduos totais, enquanto no ano de 2015 o valor passou para 609 toneladas/mês, as estimativas de resíduos da construção civil são de 510 m³/mês e de resíduos industriais 17 toneladas/mês. A coleta é dividida em coleta orgânica e coleta seletiva, realizada diariamente no centro da cidade e três vezes por semana nos bairros, seguindo um roteiro com os dias da semana e os bairros em que a coleta é realizada, o roteiro pode ficar sujeito a alterações conforme a demanda. Coleta de resíduos recicláveis também é realizada pela cooperativa de catadores de resíduos recicláveis. Antes de serem dispostos no aterro sanitário, os resíduos passam por uma triagem, recicláveis são dispostos em baias de armazenamento separadas e os rejeitos são compactados e aterrados. A coleta rural dos recicláveis é realizada duas vezes por ano (2º sábado dos meses de junho e novembro) e possui um roteiro com os distritos atendidos. Geradores de resíduos de serviços de saúde, são responsáveispelo próprio plano de gerenciamento de resíduos. Resíduos da construção civil não são coletados pelo município sendo responsabilidade dos geradores. Uma taxa de coleta de resíduos é cobrada da população urbana, junto a fatura de água (PMSB DOIS VIZINHOS, 2015). 45 3.4 Hidrografia da Microrregião Dentre os rios paranaenses, o Rio Iguaçu se destaca pela sua extensão (1320 km), atravessando o Estado desde a parte leste do município de Curitiba até desaguar no Rio Paraná, sendo formado pela união de dois rios, Iraí e Atuba. A Bacia Hidrográfica do Rio Iguaçu possui em média uma área de 70.800 km² somando as áreas brasileiras e argentinas, sendo 54.820,4 km² dentro do Estado do Paraná (em torno de 28 % da área total do estado). A Bacia é dividia em Alto Iguaçu, Médio Iguaçu e Baixo Iguaçu (ÁGUAS PARANÁ, 2019). O município de Dois Vizinhos está situado na bacia hidrográfica do Baixo Iguaçu e desta ocupa 419,0 km² (0,8% da bacia), esta área do município é dividida em seis em sub- bacias hídricas, Rio Bandeira, Rio Canoas, Rio Pinheirinho, Rio Jaracatiazinho e Vale do Chopim (PMSB DOIS VIZINHOS, 2015). O Rio Dois Vizinhos constitui a sub-bacia mais importante para o município, com uma área de 181,24791 km², pois, é um divisor natural e é utilizado no abastecimento industrial do município. No manancial do Rio Jirau Alto, afluente do Rio Dois Vizinhos é utilizado pela Companhia de Saneamento do Paraná – SANEPAR (PMSB DOIS VIZINHOS, 2015). 3.5 Poluição Aquática A água é um recurso essencial e o cuidado com ela é fundamental para sobrevivência dos organismos vivos (GOMES, 2011). Do total de água do planeta, apenas 3% é água doce que pode ser utilizada para o consumo humano. Dessa quantidade, 0,01% é de origem superficial (rios e lagos) e 0,29% águas subterrâneas (BRASIL, 2007). Todos os ecossistemas naturais têm a capacidade de decompor um limite da matéria orgânica gerada pelas atividades humanas. O problema começa a existir quando a entrada de efluentes orgânicos passa a ser maior que a capacidade que os ecossistemas aquáticos possuem para degradá-los, causando profundas e negativas transformações nesses ambientes (OLIVEIRA; MOLICA, 2017). Os recursos hídricos constituem-se um componente essencial e indispensável a todos os ecossistemas. O desenvolvimento urbano e industrial tem levado a uma diminuição da qualidade desses ambientes, uma vez que a utilização exacerbada de produtos químicos, associado à falta de um manejo ecologicamente correto, acarreta despejo dos resíduos humanos e industriais nesses ambientes (BARROS, 2008). As águas superficiais são em sua maioria poluídas por causa de esgotos não tratados e lixos que são jogados em seus leitos, ficando a água em alguns casos tão contaminada que não serve nem para ser tratada novamente (OLIVEIRA; MOLICA, 2017). O esgoto doméstico é composto por águas utilizadas para higiene pessoal, cocção e lavagem de alimentos e utensílios, além da água usada em vasos sanitários (PEREIRA, 2004). 46 De acordo com a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico do IBGE (2008), apenas 55% dos municípios brasileiros possuem sistema de coleta de esgotos, sendo o maior número de municípios localizados na região Sudeste (95%) e o menor, na região Norte (13%). Já em relação ao tratamento dos esgotos domésticos, a situação é ainda pior: apenas 27% dos municípios brasileiros tratam seus esgotos, a maior parte destes municípios está situada na região Sudeste do país (47%) e a menor, na região Norte (8%). A poluição dos corpos d’água aumenta devido o lançamento de esgotos e lixos na água elevando a quantidade de nutrientes provenientes de materiais orgânicos. Este processo é chamado de eutrofização. Na eutrofização a água fica turva e a quantidade de oxigênio dissolvido na água diminui bastante, o que leva à morte de espécies animais e vegetais (OLIVEIRA: MOLICA, 2017). 3.6 Impactos causados pelos Plásticos e Soluções A durabilidade é uma das razões que fazem os plásticos serem materiais de uso cada vez mais difundido, consequência de sua estabilidade estrutural, que lhes confere resistência aos diversos tipos de degradação. Alguns tipos de plásticos, por exemplo, necessitam de séculos para se decompor. A durabilidade dos plásticos representa um sério problema ecológico, pois são muito usados na fabricação de embalagens descartáveis e que vão se acumulando na natureza ao longo do tempo, provocando uma forte poluição visual. O plástico tornou-se um símbolo da sociedade de consumo descartável e é atualmente o segundo constituinte mais comum do lixo, após o papel. As diferentes comunidades em nosso planeta, principalmente os habitantes de cidades, enfrentam atualmente um grande desafio: solucionar o problema do lixo. Têm sido necessários aterros sanitários cada vez maiores para acolher o volume de lixo produzido diariamente (PIATTI; RODRIGUES, 2005). Apesar dos resíduos plásticos estarem classificados como não perigosos, quando descartados inadequadamente, em rios, encostas, lixões etc., os plásticos causam diversos danos ambientais (SPINACÉ e DE PAOLI, 2005). A maioria dos plásticos não é biodegradável, portanto, boa parte dos plásticos produzidos e descartados hoje irá persistir no ambiente por muitos anos (OLIVEIRA, 2012). Grandes quantidades de resíduos plásticos, muitas vezes microscópicos devido a sua degradação incompleta, têm se acumulado no meio ambiente, causando danos ambientais e problemas relacionados à gestão desses resíduos. Tais danos podem ser a liberação de tóxicos para o meio ambiente (plastificantes e outros aditivos), a ingestão de plásticos por organismos, causando muitas vezes a sua morte, ou a simples presença de resíduos, impactando visualmente o ambiente (HOPEWELL, DVORAK, KOSIOR, 2009). Diagnósticos realizados como a Avaliação Ecossistêmica do Milênio e o “The Economics of Ecosystem and Biodiversity Study” (Sukhdev 2008) apresentam 47 dados que indicam uma futura devastação dos ecossistemas terrestres, em que, põe em risco o bem-estar da humanidade e provocando perda da instabilidade da saúde dos indivíduos, podendo afetar as futuras genealogias. A distribuição dos resíduos sólidos urbanos aponta algumas questões em relação à implantação apropriada dos mesmos, a área física é tomada pelos rejeitos e pelo alastramento de doenças para uma porção da população que habita aos redores e se mantém através do comércio desses resíduos (SANTOS; AGNELLI; MANRICH, 2004). Ainda no cenário de transformação, hoje perdura na sociedade a ideia da obsolescência planejada, sendo os produtos projetados para terem uma durabilidade e tempo de vida menor e, consequentemente, havendo a necessidade de se comprar mais vezes o mesmo produto. Dessa forma, os produtos são trocados por ficar obsoletos e não por se estragar, repercutindo diretamente no aumento da produção de resíduos (ANDREOLI et al., 2014). A distribuição dos resíduos sólidos urbanos aponta algumas questões em relação à implantação apropriada deles, a área física é tomada pelos rejeitos e pelo alastramento de doenças para uma porção da população que habita aos redores e se mantém através do comércio desses resíduos. Geralmente, são empregados três recursos fundamentais para que seja possível diminuir a produção de resíduos sólidos aterrados em solo, na qual são eles, a redução na fonte, também há a reutilização e reciclagem de diversas maneiras, envolvendo a reciclagem energética. Através destas iniciativas, é possível que haja uma cooperação para que não se termine a continência dos aterros sanitários, do mesmo modo, favorece a conservação dos recursos naturais (energia elétrica, insumos primários, etc.), e por fim restringir o custo de energia, informar de maneira educativa e esclarecer o assunto abordado essencialmente a população ANDREOLI et al., 2014). Em particular osplásticos, por meio da reciclagem ainda é possível reduzir a figura negativa ocasionada através da contaminação visual causada pelos grandes centros e sua taxa de desenvolvimento em grandes quantidades inseridos em aterros sanitários (ANDREOLI et al., 2014). Através da reciclagem é possível modificar objetos que já foram utilizados em novas peças para a utilização. Esta questão fundamental foi ocasionada por meio dos seres humanos, no instante em que analisaram as vantagens que este método traria para o planeta e para os próprios indivíduos inseridos nele (FONSECA, 2013). 3.7 Cidadania, Educação em Ciências e Educação Ambiental A sequência de eventos proporcionada desde a revolução industrial no 48 século XVIII até os dias de hoje, impulsionou gradativamente o desenvolvimento de produtos pela ciência e para isto o aumento gigantesco no consumo de recursos naturais, em conjunto com o aumento populacional e mudanças no comportamento das sociedades, em direção de um mundo globalizado, uma sociedade com a cultura do consumo e das tecnologias. Quando comparado com o tempo da história da humanidade na Terra, pode –se dizer que as mudanças ocorridas desde o século XVIII até os dias de hoje foram muito rápidas, as invenções humanas trouxeram conforto, mobilidade, aumento da expectativa de vida, explicações para os fenômenos da natureza, tecnologias aplicadas às diversas áreas de ação humana e em decorrência disso, muitos problemas foram surgindo e permanecendo. A ciência teve papel fundamental na transformação da ação humana no mundo, as tecnologias inventadas e as explicações dos fenômenos naturais foram as bases da justificativa econômica e política de exploração natural que permanecem até a atualidade. A fragmentação do saber e do viver tornou-se mais acentuada, criando a ilusão de que humanos e natureza podiam ser separados (PCNs,1997). Em meio às tensões mundiais como as grandes guerras e desafios cotidianos, percebeu-se que os recursos naturais estavam no rumo da escassez, e que o sistema de produção e a qualidade de vida humanas estavam ligadas diretamente com os recursos naturais, neste contexto as questões sobre o meio ambiente ganharam cada vez mais ênfase, juntamente com questionamentos ligados as questões de ideologia, valores humanos e modo de produção da existência. A compreensão de que a ação humana em uma parte do mundo afeta todos os seres que o habitam, juntamente com a noção de que o delicado e necessário equilíbrio para a manutenção da vida é essencial, acabaram por levar o tema meio ambiente a ser relevante para a comunidade mundial. Como resultado da ênfase do meio ambiente em assuntos econômicos e políticos, ações surgem, como a sustentabilidade, as soluções tecnológicas desenvolvidas pela ciência, as mudanças no uso dos recursos naturais (reciclagem, reutilização, redução), as leis ambientais, movimentos sociais, e dentre estas uma importante ação surge como principal eixo de mudança para construção de um mundo equilibrado, a Educação Ambiental (PCNs,1997). O Brasil possui políticas públicas que contemplam o Meio Ambiente e a Educação. As políticas públicas são as ações desenvolvidas pelo governo, para que os direitos previstos nas leis e na Constituição Federal de 1988 sejam assegurados. Dentre essas ações, algumas podem ser citadas: o Programa Nacional de Educação Ambiental, os Parâmetros Curriculares Nacionais, as Diretrizes Curriculares Nacionais, A Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PCNs,1997); (MEC, 2019); (MMA, 2019). A Educação Ambiental na Constituição do Brasil de 1988 é obrigação das três esferas de poder, federal, estadual e municipal. Os Parâmetros Curriculares 49 Nacionais para as instituições educacionais, estabelecem o Meio Ambiente como um tema transversal, ou seja, é um tema ser trabalho de forma interdisciplinar e em todas as disciplinas do currículo. É através da permeabilidade deste tema transversal e sua prática, que os estudantes estarão aptos a perceber e compreender como as ações deles próprios afetam o ambiente e quais são as consequências, passando a agir com responsabilidade (PCNs,1997); (MEC, 2019); (MMA, 2019). Tendo em vista a importância da Educação Ambiental como formadora de pessoas responsáveis, é imprescindível condições para que a educação como um todo seja assegurada para toda a população, pois, não é possível mudar problemas, pensamentos, especialmente os ambientais, sem a mudança de consciência e sem condições para que as necessidades educacionais sejam atendidas, como por exemplo, escolas bem estruturadas, funcionários bem qualificados e remunerados, condições sociais de segurança e bem estar para os alunos, etc. Importante também é que a escola tenha condições de assegurar que seus alunos possam atuar e colocar seus conhecimentos em prática, que o trabalho de educação ambiental realizado na escola também possa atingir e ser articulado com os meios não formais de educação como os meios de comunicação, a família, espaços de convívio social, entre outros (PCNs,1997). Nessa perspectiva de mudanças, temas que compõem o currículo devem ser trabalhados de forma interdisciplinar, para isto metodologias, modalidades e recursos são essenciais. Um exemplo são os livros didáticos, recurso presente na sala de aula que abordam o tema “lixo” em livros de diversas disciplinas, como ciências, geografia, biologia e química, nos ensinos fundamental e médio, trazendo ilustrações, questionamentos, textos, sugestões de aulas práticas, sugestões de vídeos e páginas na internet. O tema pode ser tratado dentro de um conteúdo específico ou tratado de forma isolada, por exemplo, no livro de química, no fim do capítulo sobre soluções, o livro traz um texto informando sobre a poluição das águas, dados gerais sobre a água na Terra, agentes poluidores mais comuns da água, também traz uma ilustração do ciclo da água, duas fotos exemplo de poluição aquática, uma charge e uma ilustração do sistema de tratamento de água, este último enfatizando a reação do sulfato de alumínio que acontece na câmara de floculação (FELTRE, 1997). 4 JUSTIFICATIVA O tema meio ambiente pode ser trabalhado para desenvolver as competências básicas e especificas previstas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e nas Diretrizes Curriculares da Educação (DCEs), em especifico as DCEs do Estado do Paraná. O tema lixo doméstico e águas fluviais municipais é uma forma de contemplar o tema meio ambiente, a proximidade do tema com a realidade 50 do aluno, pode despertar neste uma visão crítica e reflexiva sobre as suas ações perante o meio ambiente. Assim faz-se necessário o desenvolvimento de materiais didáticos, metodologias, para abordar o assunto meio ambiente de forma interdisciplinar, crítica, que atenda a diversidade dos alunos, como propõe este projeto. Os elementos necessários para a mudança do comportamento do indivíduo são a sensibilidade, a emoção, os sentimentos e as energias. O uso do documentário como recurso educacional satisfaz esses elementos, pois interfere na comunicação sensorial, emocional e racional, despertando a curiosidade, entre outras reações. Trabalhar com documentários em sala de aula permite ao professor relacionar assuntos ligados à sua disciplina em particular com problemas enfrentados pela sociedade de maneira geral, uma vez que muitos documentários exibidos pela televisão consistem na reprodução das imagens destes problemas da forma mais real possível. Assim, o professor consegue, ao trabalhar documentários com seus alunos, alcançar um objetivo importante, o qual consiste no desenvolvimento de uma visão crítica, capaz de identificar a linguagem utilizada pela mídia para relatar ou denunciar problemas que a sociedade enfrenta. 5 METODOLOGIA O professor deverá investigar, fotografar e gravar algumassituações de poluição por plásticos nos rios que percorrem a cidade, como por exemplo, o lago dourado, algumas frações expostas do Rio Jirau Alto que percorrem a cidade, lixo próximo aos bueiros, bem como trazer possíveis reportagens e estudos locais, entre outros. Este material coletado será apresentado através de uma aula expositiva, com o objetivo de gerar a reflexão crítica a respeito de uma situação de poluição aquática na cidade. Em seguida o professor solicita aos alunos que anotem suas ideias após visualizarem os vídeos e as fotos. O professor propõe uma pergunta que servirá de propulsão para construção do documentário: Após tanto tempo de denúncias, ainda continua-se encontrando poluição por plásticos nos rios da cidade, o que pode ser feito? Como eixo central do documentário, as respostas para esta pergunta devem surgir dos alunos. Orientados pelo professor e utilizando os materiais disponibilizados em sala pelo professor, bem como outros disponíveis na escola e em casa, os alunos deverão: Levantar dados sobre o município, para isto serão disponibilizados mapas e documentos, para isto utilizar os roteiros de estudo (cf. Apêndice A). Pesquisar a destinação correta dos resíduos, como separar corretamente resíduos em casa, para isto utilizar os roteiros de estudo (cf. Apêndice B); Fazer uma pequena pesquisa doméstica com os pais sobre a coleta seletiva 51 e quantidade de lixo plástico gerado na residência (cf. Apêndice C), de modo a construir conjuntamente um gráfico; Levantar dados sobre quais os efeitos negativos dos resíduos plásticos serem descartados em rios e ruas, para isto utilizar os roteiros de estudo (cf. Apêndice D); Levantar dados sobre os benefícios da água para a vida, para isto utilizar os roteiros de estudo (cf. Apêndice E); Através do uso das tecnologias, os alunos poderão gravar as narrações do documentário, bem como editar as fotos e vídeos apresentados pelo professor e dos materiais (vídeos e imagens) disponível no projeto (cf. Anexo A, Anexo B, Anexo C, Anexo D, Anexo E, Apêndice F, Apêndice G). Com estes dados, as linhas de narração devem ser construídas, seguindo o roteiro do documentário: Roteiro do Documentário Introdução: Apresentação do problema e da pergunta eixo, através dos vídeos e imagens em conjunto com a narração da pergunta e ambientação do espectador quanto ao local e informações das imagens apresentadas. Bloco 1: Pergunta: “Porque é importante falarmos sobre a poluição das águas em nossa cidade?” Apresentação e narração dos problemas causados pela poluição. Bloco 2: Pergunta: “Por que a água é importante para a vida?” Apresentação e narração dos benefícios da água para as pessoas e para a vida. Bloco 3: Pergunta: “Então como podemos colaborar para diminuir a poluição?” Apresentação e narração das ações de destinação correta dos resíduos. Encerramento: Apresentação das reflexões sobre atitudes humanas em relação ao resíduo, feita pelos alunos no início dos trabalhos. Sugestões de programas para edição de imagens, vídeos e sons, facilmente encontrados em computadores com sistema Microsoft Windows®: Imagens: Windows photos; Google photos; Paint; Power Point. Vídeos: Google photos, Power Point, Windows Movie Maker. Sons: Gravadores de celular, Power Point, Windows Movie Maker e outros 52 aplicativos disponíveis em lojas de aplicativos on-line. 6 RESULTADOS ESPERADOS Espera-se que as pessoas que assistam o documentário se sensibilizem a respeito das condições do ambiente em que vivem, conheçam a situação dos corpos hídricos da cidade, compreendam como a ação diária impensada pode provocar situações desfavoráveis para todos, conheçam as ações básicas de destino correto dos resíduos e os benefícios da água para a vida. Um documentário de no mínimo dez minutos que retrate a realidade dos rios da cidade de Dois Vizinhos, com ênfase nos resíduos plásticos. Almeja-se que os alunos, ao executarem as atividades para a montagem do documentário, possam através de uma metodologia ativa, exercitar o poder de pesquisa, leitura e produção de textos narrativos, exercitar o trabalho em grupo, fazer uso das tecnologias de informação, utilizem os conhecimentos adquiridos ou a serem trabalhados nas disciplinas de matemática (coleta de dados para montagem do gráfico) e geografia (dados demográficos e hidrográficos do município). Sendo assim pretende-se que os alunos ao pesquisarem e participarem da produção de um documentário se sintam mais ativos e presentes no próprio processo de aprendizado, que através de atividades complexas como esta, compreendam que o que é aprendido na escola permeia toda a vida extraescolar, sendo o conhecimento adquirido importante e decisivo nas ações do cotidiano. REFERÊNCIAS ABRELPE. Panorama de resíduos sólidos no Brasil – 2017. 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Fonte: Autoria própria. 60 APÊNDICE D – Atividades sobre os efeitos negativos de descarte de plásticos nos rios. Fonte: Autoria própria. 61 APÊNDICE E– Atividade sobre os benefícios da água. Fonte: Autoria própria. 62 APÊNDICE F – Fotos do Parque Municipal Jirau Alto e fragmento Rio Jirau Alto ao lado da feira do produtor. Fonte: Autoria própria. 63 APÊNDICE G - Fotos do Parque Municipal Jirau Alto e fragmento Rio Jirau Alto ao lado da feira do produtor. Fonte: Autoria própria. 64 ANEXOS ANEXO A - Mapa das Mesorregiões Geográficas do Estado do Paraná. Fonte: IPARDES. 65 ANEXO B - Mapa das Microrregiões Geográficas do Estado do Paraná. Fonte: IPARDES 66 ANEXO C - Detalhe do mapa Microrregiões Geográficas do Estado do Paraná. Fonte: IPARDES. 67 ANEXO D – Mapa das Bacias Hidrográficas do Paraná . Fonte: Águas Paraná. ANEXO E – Mapa dos Rios da Região de Dois Vizinhos. Fonte: Adaptado do site Guia mais. 694. Mostra de conhecimento como metodologia ativa sobre resíduos eletrônicos: Contribuições para o processo de ensino e aprendizagem na disciplina de ciências Camila Miranda Moreira Marina Oldoni Vitor Augusto Pizzolatto Diesse Aparecida de Oliveira Sereia Fernando Carlos de Sousa Leandro Turmena Reinaldo Morita 70 RESUMO O objetivo deste trabalho é desenvolver a temática sobre resíduos eletrônicos e seus impactos para a saúde humana e meio ambiente relacionando estes com o desenvolvimento da indústria, da tecnologia e o consumismo moderno. A abordagem será na forma de palestra interdisciplinar, nas disciplinas de Ciências, História e Geografia com estudantes de nono ano dos Colégios Estaduais Leonardo da Vinci e Dois Vizinhos, do município de Dois Vizinhos, Paraná, Brasil, seguida de atividades que proporcionem maior envolvimento dos alunos no processo de ensino aprendizagem através de metodologias ativas de ensino. Com isso busca-se maior envolvimento da comunidade escolar no processo de ensino aprendizagem, com enfoque em uma temática de grande impacto social e ambiental que na contemporaneidade está sendo negligenciada dentro do ambiente da sala de aula e fora dos muros da escola. Desta forma este projeto visa o ensino, a pesquisa e extensão. Palavras-chave: Ciências, Meio ambiente, Metodologias ativas, Saúde ÁREA TEMÁTICA Tema: “Lixo” Subtema: Lixo Eletrônico Áreas/interdisciplinaridade • Ciências – Química, meio ambiente e saúde • História/ Geografia – Revolução Industrial e consumismo 71 1 INTRODUÇÃO Com o avanço do capitalismo e a crescente produção de bens de consumo, observa-se na mesma escala uma grande produção de lixo. Desta forma, a temática “Lixo” é um conteúdo transversal que deve ser abordado nas escolas, com intuito de sensibilizar sobre as dimensões da problemática e os seus principais impactos sociais e ambientais. Dentre os resíduos de maior preocupação estão aqueles provenientes do descarte de aparelhos eletrônicos, em vista do elevado número de componentes químicos tóxicos presentes nestes. Na perspectiva de Santos e Souza (2010, s/p) “Lixo eletrônico, “e-lixo”, rejeitos e/ou resíduos eletrônicos, entre outros; são termos comumente utilizados para equipamentos eletrônicos quando estes tornam-se obsoletos, e são consequentemente, descartados”. O descarte inadequado destes resíduos é um dos motivos de contaminação do solo, corpos d’água e até mesmo da atmosfera podendo acarretar o desequilíbrio ambiental, cujos efeitos afetam diretamente a saúde pública. Disto decorre a importância do desenvolvimento da temática dentro da escola, visando informar os estudantes sobre o assunto e sensibilizá-los quanto ao seu papel como cidadãos perante a problemática. O avanço das formas de comunicação e fluxo de informações permitiram uma ampliação dos conhecimentos. A escola muitas vezes não consegue acompanhar toda essa novidade e incorporá-la na forma de ensino. Adicionalmente, uma série de outros fatores, como o despreparo pedagógico, a falta de recursos didáticos e de infraestrutura escolar, indisciplina, desvalorização do professor quanto profissional, entre outros, influenciam na qualidade do ensino, desestimulando professores e alunos no processo de ensino aprendizagem. Em vista disso, De Sousa (2018, p. 61) afirma que “as metodologias ativas vieram para inovar a forma do ensino aprendizagem”. O autor expande enfatizando que “Esse modelo faz com que o aluno se torne formador do processo educativo, ou seja, o torna mais ativo e o permite desenvolver seu próprio raciocínio” (p. 62). Neste contexto, o objetivo deste trabalho é sensibilizar os estudantes sobre o consumismo na sociedade moderna e as complicações do destino inapropriado do lixo eletrônico, por meio de metodologias ativas e mostra de ensino interdisciplinar das disciplinas de História, Ciências e Geografia. 2 OBJETIVOS 2.1 Geral Problematizar sobre o consumismo na sociedade moderna relacionando-o com os impactos ambientais e sanitários causados pelo lixo eletrônico, através de uma mostra de conhecimentos interdisciplinar com alunos do ensino fundamental. 72 2.2 Específicos Revisar o contexto histórico da Terceira Revolução Industrial enfatizando sobre consumismo moderno; Trabalhar os impactos ambientais do lixo eletrônico no ecossistema; Apresentar as consequências dos componentes químicos do lixo eletrônico para a saúde; Organizar com os alunos de nono ano uma mostra de conhecimentos aberta a comunidade escolar. 3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 3.1 Terceira revolução industrial e o consumismo moderno A Terceira Revolução Industrial teve início em meados do século XX, nesse período, os avanços da tecnologia e da ciência tomaram novos rumos. Neste sentido, podemos citar a desenvolvimento da robótica, da engenharia genética e da biotecnologia; o uso da energia nuclear; e o desenvolvimento na produção de equipamentos eletrônicos. Esses avanços acarretaram mudanças não apenas na área industrial, mas também em setores como a agricultura, pecuária e comercial. Além disso, a Terceira Revolução Industrial alavancou o processo de globalização, consolidando o capitalismo financeiro e expandindo empresas multinacionais. Como consequência do aumento da produção e da expansão do comércio internacional, o consumismo alimentado pelo capitalismo também cresceu (BEZERRA, 2018). Segundo Arendt (1981, apud PINTO e BATINGA, 2016, p. 137) com o nível de produção alcançado na Revolução Industrial, os objetos de uso “tiveram que ser tratados como se fossem bens de consumo, uma cadeira ou uma mesa seriam consumidas tão rapidamente quanto um vestido, e um vestido quase tão rapidamente quanto o alimento”. As melhorias ocorridas neste setor aumentaram a disponibilidade de produtos ofertados, que se tornaram cada vez mais acessíveis a população (LIPOVETSKY, 2007). Ainda de acordo com Queiroz (2015): A população mundial cresceu muito desde sua existência. No século XVIII (durante a Primeira Revolução Industrial) éramos cerca de 750 milhões de habitantes. Hoje, somos 7,6 bilhões de seres humanos na Terra. E segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), a população mundial deve chegar a 8,6 bilhões de habitantes até 2030. Isso naturalmente proporciona um aumento no consumo dos recursos do planeta. No entanto, esse consumo é extremamente desigual. Enquanto uns consomem muito mais do que suas necessidades básicas, outros sofrem com a falta de recursos. 73 As consequências desse consumismo exacerbado implicam na exploração excessiva de recursos naturais, interferindo no equilíbrio estabelecido do planeta. A população mundial está consumindo 30% a mais de recursos do que a capacidade de regeneração do planeta. Outro problema além da exploração de recursos naturais, é o lixo gerado da produção e de itens consumidos diariamente pela população mundial. Materiais como papel, plástico, vidro, metais e eletrônicos são descartados em massa todos os dias. Essa enorme quantidade de lixo provoca grandes impactos ambientais, uma vez que, dificilmente são enviados para o descarte corretamente (QUEIROZ, 2015). Na ótica de Santos e Souza (2010, p 7) “Devido à crescente aceleração do setor, a indústria de eletrônicos apresenta uma elevada taxa de inovação, o que gera a necessidade de substituição dos equipamentos em um período cada vez mais curto”. 3.2 Os impactos ambientais gerados pelo lixo eletrônico A popularização dos equipamentos eletrônicos, como computadores e smartphones, nas últimas décadas levou ao aumento exponencial na geração de resíduos eletrônicos. Uma das principais preocupações está relacionada ao descarte incorreto e os impactos causados no meio ambiente em função da presença de produtos químicos tóxicos e de metais pesados no interiordestes produtos (SANTOS; et al., 2011). Ao serem jogadas no lixo comum, as substâncias químicas presentes nos componentes eletrônicos, como mercúrio, cádmio, arsênio, cobre, chumbo e alumínio, penetram no solo e nos lençóis freáticos contaminando plantas e animais por meio da água, podendo provocar a contaminação da população através da ingestão desses produtos (MATTOS; et al., 2008). Essas substâncias entram na cadeia alimentar pela base e seguem por todos os seus componentes, atingindo diversificadas espécies de animais. Desta maneira, os consumidores finais são os que acabam ingerindo a maior quantidade de substâncias nocivas e os que mais sofrem com as consequências (SILVA; et al., 2015). De acordo com Roa (2009, apud SANTA e MENDES, 2013), aproximadamente cada bateria ou pilha depositada de forma errada no meio ambiente contamina uma área de cerca de um metro quadrado. Portanto, o dano ambiental pode ser ainda maior dependendo da quantidade de pilhas e baterias jogadas nos lixões. Segundo Rosa (2007, apud SANTA e MENDES, 2013), a indústria da informática é uma das quais mais colaboram com a degradação do meio ambiente. A cada ano surgem novas tecnologias que diminuem a vida útil de certos equipamentos que por consequência acabam acumulando e aumentando o número de lixo eletrônico encontrado nos lixões. Na fabricação de um computador são utilizados, em média, 74 1800 kg de material que são, por exemplo, 240 quilos de combustíveis fósseis, 22 quilos de produtos químicos e 1.500 litros de água. 3.3 A interferência dos metais pesados na saúde humana Além dos impactos ambientais provocados pelos resíduos provenientes do lixo eletrônico o descarte inadequado destes resíduos oriundos de computadores, televisores, celulares, pilhas, baterias entre outros, são uma grande preocupação para a saúde humana (TANAUE; et. al., 2015). De acordo com Valente e Silva (2018), o lixo eletrônico é fonte de mais de mil substâncias diferentes dentre as quais muitas são caracterizadas como tóxicas e potenciais causadoras de patologias aos seres humanos que se expõe direta ou indiretamente a estes elementos, principalmente chumbo, mercúrio, arsênio, cádmio e zinco. Nesta perspectiva, Moreira e Moreira (2004 A), corroboram que “os metais pesados podem danificar toda e qualquer atividade biológica”. Visando um melhor aprofundamento, a seguir, serão apresentadas as principais implicações causadas por alguns destes metais pesados. 3.3.1 Chumbo Devido à expansão crescente da atividade industrial, o chumbo (Pb) é considerado atualmente como um dos principais metais pesados contaminantes. Por não representar nenhuma necessidade fisiológica conhecida ao organismo humano e por desencadear diversos sintomas toxicológicos o chumbo e seus efeitos sobre a saúde humana já são estudados a certo tempo (MOREIRA e MOREIRA, 2004 B). Para que ocorra a intoxicação por chumbo, o que é raro e perigoso o indivíduo precisa ter contato com o metal e absorver o mesmo através da inalação ou ingestão. O grau de intoxicação é determinado pelo tempo e a concentração ao qual este indivíduo foi exposto. Quando absorvido o chumbo espalha-se pela corrente sanguínea da qual normalmente é removido através da urina e fezes em um período de aproximadamente dois meses. Dependendo do grau de intoxicação este metal pode acumular-se no organismo principalmente nos ossos e dentes, ou em quadros mais graves de contaminação pode levar a óbito dentro de um ou dois dias (SCHIFER; JUNIOR e MONTANO, 2005). Em um quadro de intoxicação por chumbo o sistema nervoso e seus respectivos órgãos são considerados os mais sensíveis e vulneráveis a este metal alterando seu funcionamento. A encefalopatia por envenenamento com chumbo pode levar a danos irreversíveis incluindo a paralisia do sistema nervoso periférico. Em crianças, a intoxicação por chumbo é responsável por alterações comportamentais e psicológicas (MOREIRA e MOREIRA, 2004 A). Dados alarmantes divulgados pela Organização Mundial da Saúde mostram que intoxicações com chumbo são responsáveis por aproximadamente 600 mil casos de crianças com deficiências intelectuais (ONUBR, 2013). Capitani (2009) contribui afirmando que a exposição de 75 crianças ao elemento químico afeta seu desenvolvimento cognitivo, acentuando dificuldades de aprendizagem e o déficit de inteligência. Além de danos ao sistema nervoso, intoxicações com chumbo são capazes de inibir a produção de hemoglobina pois interfere nas enzimas formadoras da mesma, levando a quadros de anemia por deficiência de ferro, assim como diminui a concentração de anticorpos desestabilizando o sistema imunológico, bem como influencia na atividade hepática prejudicando a excreção de substâncias tóxicas pelo fígado devido à baixa síntese de citocromo, proteína responsável por exercer esta função no órgão. Fraqueza, irritabilidade, impotência sexual e por consequência redução na fertilidade e libido são outros sintomas adversos observados em envenenamento com chumbo (CORREIA, et. al., 2016). Outros estudos também mostram que a exposição de crianças ao metal pode interferir em seu crescimento, “estudos com crianças de sete anos nos Estados Unidos forneceu evidências de uma associação entre níveis crescentes de chumbo no sangue e redução no peso, altura e circunferência de tórax” (MOREIRA e MOREIRA, 2004 A). O chumbo também tem ação toxicológica sobre os rins, os efeitos muitas vezes irreversíveis ou que levam a falência renal, incluem lesões tubulares e nefropatia (CAPITANI, 2019). Segundo Schifer; Junior e Montano (2005), a nefropatia induz a disfunção renal progressiva comumente acompanhada ou seguida de hipertensão. O excesso de chumbo nos rins por um longo período pode gerar problemas irreversíveis. A intoxicação por chumbo faz com que o rim perca sua função, caracterizando a nefropatia e ainda pode causar hipertensão. Além de ser uma possível causa do câncer renal” (CORREIA, et. al., 2016, p. 312). 3.3.2 Mercúrio O mercúrio (Hg) é um metal encontrado na natureza associado a outros elementos formando compostos. Quando puro e em temperatura ambiente apresenta- se em fase líquida, com considerável volatilidade e seus gases são tóxicos aos seres humanos (OIKAWA, et. al., 2007). De acordo com Lima (2018), o mercúrio pode ser encontrado no solo e água, principalmente em regiões onde ocorreu e/ou ocorre intensa exploração de ouro. Computadores, monitores, televisões de tela plana e lâmpadas fluorescentes, quando indevidamente descartados são potenciais fontes de contaminação ambiental e humana por Hg (FERREIRA e FERREIRA, 2008). Devido sua volatilidade, em humanos a absorção do mercúrio dá-se, sobretudo, via inalação. Dos pulmões o metal é distribuído para as demais regiões do corpo através da circulação sanguínea, a eliminação ocorre principalmente por meio dos rins na composição da urina. A exposição constante ao mercúrio tem por consequência a acumulação progressiva deste em diversos órgãos como rins, fígado, medula óssea, coração, músculos, pele, intestinos, placenta, assim como no sistema nervoso e respiratório comprometendo sua funcionalidade (ZAVARIZ e GLINA, 1993). 76 De acordo com Vassalo, et. al. (1996) o mercúrio afeta os organismos pela sua capacidade de atuar sobre a atividade enzimática. Ao nível citológico, […] o mercúrio é um potente desnaturador de proteínas e inibidor de aminoácidos, interferindo nas funções metabólicas celulares. Ele causa também sérios danos à membrana celular ao interferir em suas funções e no transporte através da membrana, especialmente nos neurotransmissores cerebrais (FIGUEIREDO, et.al. 2016, p. 44). Mudanças comportamentais, tremores, dificuldades auditivas e visuais, redução da sensibilidade e atenção, irritabilidade, insônia e ansiedadesão alguns sintomas neuropsicológicos observados em diferentes casos de intoxicação por mercúrio. Em relação as células, o mercúrio é capaz de induzir a modificações nas células do tecido nervoso, além de inativar a proteína transportadora Na+ K+ - ATPase deste (VASSALO, et. al., 1996). O autor destaca ainda que no sistema urinário são observadas lesões na região glomerular desencadeada por uma reação autoimune estimulada pelo mercúrio. Além dos prejuízos aos túbulos renais devido a influência do mercúrio sobre as enzimas lisossomiais levando a insuficiência renal. Oikawa, et. al. (2007) atenta para o perigo de intoxicação com mercúrio de mulheres durante período gestacional, apontando para a possibilidade da permeabilidade do mercúrio via barreira placentária contaminando o feto, ampliando a probabilidade de má formação congênita quando ele não é abortado. 3.3.3 Arsênio Silva; Barrio e Moreira (2014) e Fão (2018) apontam que o arsênio (As) está entre os elementos considerados carcinogênicos segundo a Agência Internacional para Pesquisa do Câncer (IARC). Quimicamente o arsênio é um semimetal com coloração cinza, se desprende de rochas por meio de processos naturais como intemperismo e erosão, bem como, pode chegar ao ambiente através de rejeitos resultantes da atividade industrial (FÃO, 2018). Segundo Muniz e Oliveira-Filho (2006) a concentração, tempo e forma de absorção são fatores que determinam o grau de intoxicação com arsênio e os prejuízos à saúde. Os autores afirmam ainda que “os efeitos adversos sobre a saúde são variados, desde lesões na pele até quadros clínicos graves dos sistemas gastrointestinal, circulatório periférico e nervoso”. O arsênio apresenta características semelhantes às do fósforo, por isso é facilmente incorporado ao organismo. Quando compostos arsênicos são ingeridos pelo ser humano grande parte destes são convertidos a trióxido de arsênio, uma variação do arsênio com capacidade de acumulação nas mitocôndrias e interferência no processo de respiração celular, bloqueando-a através de reações que inibem a atividade enzimática. Além de comprometer a respiração celular o arsênio liga-se a átomos de enxofre tornando-se um potencial inativador de enzimas com grupo sulfidrilas em sua composição, atuando sobre cerca de 200 enzimas desencadeando 77 problemas metabólicos bem como na síntese e reparo do DNA (ANDRADE e ROCHA, 2016). Neste sentido Fão (2018) corrobora, destacando que: […] A exposição crônica pode resultar ainda em doenças como conjuntivite, hiperqueratose, hiperpigmentação e gangrena nos membros(p. 20)[…] A ingestão aguda, geralmente está associada a incidentes criminais levando, geralmente, à morte causando sintomas como náuseas, vômitos, calor na garganta, sede excessiva e dores abdominais, que se produzem após 30 minutos da ingestão do elemento (p. 25). 3.3.4 Cádmio O cádmio, Cd é um metal empregado na produção de diversos artigos de utilidade humana como baterias, componentes eletrônicos de computadores, entre outros, devido as suas propriedades físicas principalmente por sua dureza, resistência à tração e condutividade térmica e elétrica. A temperatura ambiente o cádmio apresenta coloração branco-prateado, na natureza pode normalmente associar-se a outros metais como zinco, cobre e chumbo (TEIXEIRA, 2018). Assim como o chumbo, mercúrio, arsênio e outros o cádmio é caracterizado como um metal pesado e considerado um potencial contaminante do meio ambiente bem como prejudicial para saúde humana. A toxidade deste também depende da dose e tempo de exposição ao metal. O principal meio de entrada do cádmio é via inalação (TEIXEIRA, 2018). Teixeira (2018) corrobora enfatizando que além da via respiratória o cádmio também pode adentrar no organismo humano através do trato gastrointestinal. Com absorção tanto nos alvéolos pulmonares quanto no epitélio do intestino o cádmio distribui-se pelo restante do corpo através do fluxo sanguíneo. Segundo Abreu e Suzuki (2002) “Cerca de 70% do cádmio absorvido é encontrado nos eritrócitos, ligado a hemoglobina”. Os autores afirmam ainda que os efeitos do cádmio sobre o organismo se dão principalmente sobre os pulmões, rins ossos, fígado e coração. De acordo com Teixeira (2018) o sistema urinário é o mais comprometido, principalmente os rins, em casos de intoxicação com cádmio, iniciando com a presença de proteínas na urina (proteinúria) seguida de glicosúria, presença de glicose no fluído urinário. 3.4 O uso de metodologias diferenciadas na transposição didática e a abordagem desta temática no ensino fundamental Segundo o livro didático “Ciências: Novo Pensar” (GOWDAK; MARTINS, 2015) a temática deste projeto enquadra-se nos conteúdos do nono ano do ensino fundamental, onde são trabalhados, além de outros assuntos, questões referentes a poluentes na atmosfera, água, e solo, bem como seus efeitos biológicos sobre o ambiente e o homem. 78 A ideia é corroborada por Passos e Sillos (2015), no livro didático “Tempo de Ciências”, no qual também são apresentados conteúdos relacionados a sustentabilidade, uso de recursos naturais, poluição e os impactos sobre a biodiversidade. Hoje a atividade docente na rede pública de ensino se depara com situações críticas, que desafiam diariamente o professor e refletem na qualidade do processo de aprendizagem. Entre as causas estão o despreparo pedagógico, a baixa remuneração, a infraestrutura precária, a carência de materiais didáticos, a perda da autonomia e autoridade do professor como profissional em sala, salas excessivamente “cheias”, entre outros aspectos que dificultam o desenvolvimento da prática pedagógica e a transposição científica da proposta curricular o que tem gerado a desvalorização profissional perante a sociedade (BARETTA et al., 2016, p.19). Desta forma, exige-se do profissional docente criatividade na elaboração de atividades diferenciadas que incrementem a ação pedagógica e permitam maior aprendizagem aos alunos, visto que na atualidade a simples transmissão dos conteúdos não é mais suficiente. A inovação no ensino aprendizagem desperta o interesse e amplia horizontes (OLIVEIRA, ARAUJO e VEIT, 2016). Eis o desafio, como proporcionar aos estudantes um ensino prazeroso, interativo, instigante e que ao mesmo tempo seja eficaz na aprendizagem dos mesmos e capaz de driblar todas as adversidades citadas anteriormente? Nesse sentido Baretta et al. (2016) reconhece que para uma aprendizagem significativa é fundamental que o professor utilize de metodologias estratégicas e alternativas que facilitem a transposição dos conteúdos e a compreensão dos mesmos pelos estudantes, de acordo com o autor: O desenvolvimento de um país reflete a qualidade da educação oferecida e a capacidade de elaborar e desenvolver pesquisas científicas. No entanto, para que esta capacidade seja plenamente desenvolvida é necessário que estejam disponíveis profissionais com elevada qualificação, em especial, os professores, que são os responsáveis pela formação dos profissionais que atuam nas diversas áreas do saber. Assim, a formação dos profissionais que exercerão variadas profissões esbarra na deficiência da formação e qualificação dos próprios professores Nesse sentido, o docente necessita aprimorar a todo tempo as suas metodologias de ensino para atender às necessidades que surgirem no decorrer no processo de ensino aprendizagem (BRIGHENTI, BIAVATTI e SOUZA; 2015, p.284). 4 JUSTIFICATIVA Este é um projeto interdisciplinar desenvolvido para o ensino de ciências, visando aprofundar uma temática transversal que se apresenta como uma problemática contemporânea necessária para o processo de ensino e aprendizagem. O projeto de ensino em questão destina-se a estudantes do nono ano daeducação básica, visto que é nesta etapa do ensino fundamental que são abordados 79 de maneira geral conteúdos relacionados a química dos materiais, o que propícia a relação transversal entre a disciplina e a temática deste projeto, principalmente no que refere-se a questão dos impactos ambientais e sanitários desencadeados pelos metais pesados presentes no lixo eletrônico. A organização escolar (currículo, disciplinas) esbarra na dificuldade de integração entre as disciplinas, bem como a disponibilidade dos professores, devido a quantidade de conteúdo a ser trabalhado num espaço curto de tempo (currículo/aulas). Desta forma, o tema é muitas vezes negligenciado pela comunidade escolar. Na temática abordada neste projeto, insere-se o lucrativo mercado de produção de artigos eletrônicos e a exorbitante “cascata” de publicidade enfatizando seu consumo. Neste sentido, o projeto proposto para a disciplina de Ciências permeia também questões pertinentes às disciplinas de História e Geografia no que diz respeito ao processo do desenvolvimento industrial. Desta forma, as três disciplinas podem trabalhar concomitantemente na transposição didática deste tema transversal. 5 METODOLOGIA Como já citado, este projeto visa a aplicação com alunos do nono ano do Ensino Fundamental. A aplicação constitui-se de cinco momentos e/ou etapas. Inicialmente os alunos participarão de uma abordagem sobre a Terceira Revolução Industrial e os impactos da produção e consumo em larga escala. Em um segundo momento, os alunos serão divididos em grupos (três membros cada grupo) para o desenvolvimento da segunda atividade onde cada um destes deverá discutir e selecionar dois resíduos diferentes dentre os considerados e-lixo, os quais serão posteriormente coletados pelos alunos, atividade a qual deve ser realizada por estes em casa. No terceiro momento os estudantes trarão o que recolheram e com base no caráter do material coletado (pilhas, baterias, lâmpadas, placas mãe, televisores, monitores, CPU’s, entre outros) desenvolverão pesquisa e construção de tabelas relacionadas a composição destes aparelhos com ênfase sobre os metais pesados e contaminantes utilizados na fabricação dos mesmos. Esta pesquisa pode ser realizada na escola se houver laboratório de informática, ou pelo próprio aparelho celular, ou então ainda em casos mais extremos os professores podem levar textos ou cartilhas para consulta dos alunos. Na próxima etapa os alunos serão orientados a escolherem um entre os diversos metais constituintes e contaminantes dos resíduos coletados por eles visando buscar informações sobre os impactos ambientais e sanitários desencadeados por estes. Com os resultados obtidos pretende-se organizar uma exposição dos trabalhos realizados pelos estudantes onde estes irão construir stands contendo os materiais 80 eletrônicos recolhidos. Esta exposição será aberta ao público em geral visando informar e sensibilizar a comunidade escolar sobre as consequências ambientais e sanitárias desencadeadas pelo descarte incorreto destes resíduos. Na oportunidade será aberto para o recolhimento de resíduos desta categoria provenientes da população em geral. Ao final do evento os materiais recolhidos serão destinados ao descarte adequado através de parceria com órgãos públicos ou entidades responsáveis. Em sala serão retomados alguns conceitos como por exemplo, consumismo, impactos ambientais e sanitários, bem como descarte adequado destes resíduos. Por meio de diálogo com os alunos, de modo que estes possam expor e compartilhar seus aprendizados dificuldades e como esta metodologia contribuiu para a construção do conhecimento. Desta maneira se dará o fechamento da ideia central do trabalho, com viés para cada uma das disciplinas. 6 RESULTADOS ESPERADOS Espera-se que os alunos sejam capazes de compreender a Revolução Industrial como estopim para o consumismo e o capitalismo moderno bem como as consequências ambientais e sanitárias do descarte inadequado dos resíduos produzidos pela sociedade contemporânea, de maneira interdisciplinar em uma proposta transversal sobre “lixo” associando conceitos de ciências com conteúdos de história e geografia. REFERÊNCIAS ABREU, Mauricio T. de; SUZUKI, Fábio A. Avaliação audiométrica de trabalhadores ocupacionalmente expostos ao ruído e cádmio. Revista Brasileira de Otorrinilaringologia. v. 68, n. 3, p. 488-494, 2002. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rboto/v68n4/a06v68n4. Acesso em: 15 mai 2019. ANDRADE, Daiene Flor; DA ROCHA, Marcia Santos. A toxidade do arsênio e sua natureza. Oswaldo Cruz, v. 3, n. 10, s/p, abr. 2016. 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Microplásticos: Abordagem por metodologia ativa para ensino fundamental anos finais Alice Stopassole Luis Felipe Bassanes Matheus da Silva Elton Celton de Oliveira Fernanda Ferrari Fernando Carlos de Souza Gustavo Sene Silva 86 RESUMO Os microplásticos são estruturas diminutas derivadas da degradação de plásticos ou encontradas em produtos cosméticos que ao entrarem em contato com o ambiente aquático provocam consequências prejudiciais à vida e a sobrevivência dos seres vivos no ecossistema. Este projeto busca relacionar os assuntos trabalhados na disciplina de Ciências nos anos finais do Ensino Fundamental e os conteúdos abordados no livro didático sobre as diversas formas de vida, com os efeitos dos microplásticos na água e fauna marinha ou dulcícola, devido às ações do ser humano de uso e descarte inadequado de rejeitos. No primeiro momento, o docente da disciplina de Ciências deverá introduzir o conteúdo por meio de uma aula expositiva dialogada, visto que este tópico não está presente na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para a disciplina, dessa forma, informando aspectos históricos dos plásticos, descarte inadequado e entrada destes materiais nos mares e oceanos, além de destacar a sua influência negativa sobre osorganismos. Para a realização e compreensão do assunto, os alunos terão papel fundamental na parte prática do projeto por intermédio de uma metodologia ativa de ensino, em forma de uma peça teatral, na qual os estudantes terão a oportunidade de interpretar os personagens do ambiente aquático e o que ocorre com a entrada dos microplásticos no local. Por meio de uma metodologia ativa, os alunos podem vivenciar o conteúdo na prática, além de ser uma ótima estratégia didática para tornar o ensino efetivo. Palavras-chave: Poluentes; Fauna; Ecossistemas aquáticos; Ciências. ÁREAS TEMÁTICAS Zoologia, Microbiologia, Ecologia e Fisiologia animal. 87 1 INTRODUÇÃO Os plásticos começaram a surgir na década de 1970, sendo bastante usados pelo ser humano no seu cotidiano. Estes materiais podem ser encontrados em inúmeros locais, muitas vezes utilizados unicamente para o descarte. Segundo Carvalho e Baptista (2016, p. 10-17) “atualmente a quantidade de plásticos vem aumentando de forma exacerbada no ambiente aquático devido às ações do homem”. A quebra dos plásticos quando jogados na água resulta em microplásticos, devido às forças físicas ou químicas do ambiente, como consequência alguns animais acabam se alimentando destes poluentes. Com a ingestão, estes materiais se acumulam nos seus corpos e provocam lesões, como obstruções das brânquias, impedindo que o animal respire, ou no trato gastrointestinal, dificultando a degradação do alimento e absorção dos nutrientes levando o animal à morte (FAGUNDES; MISSIO, 2018). Na ótica de Teuten et al., ( 2009), “outro processo decorrente da ingestão é a passagem dos microplásticos de um organismo para o outro, ao longo da cadeia trófica”, ou seja, no momento em que se aderem ao zooplâncton, o animal superior ingere estes materiais juntos com o organismo predado. Os microplásticos também estão presentes em produtos cosméticos e outros materiais descartados em redes de esgoto, e posteriormente atingem mares e oceanos, dessa forma, o problema torna-se alarmante para estas e as futuras gerações. Uma das maneiras de reduzir a quantidade de plásticos na água e de não prejudicar os animais da fauna marinha é a “sensibilização para a mudança de hábitos, minimizando o consumo de materiais com grande composição de plásticos” (CARVALHO, 2016). O projeto será realizado com o Ensino Fundamental Anos Finais (6º ao 9º ano), no qual o professor de Ciências, depois de explicar o tema teórico sobre microplásticos de maneira expositiva, trabalhará com uma metodologia ativa de ensino na forma de teatro, assim os alunos irão participar ativamente. É importante utilizar a metodologia ativa de ensino com o objetivo de instrumentalizar o professor e estimular “o processo ensino-aprendizagem, facilitando a compreensão sobre os efeitos dos microplásticos na água e na fauna marinha, permitindo com que os alunos reflitam de forma crítica o assunto” (MACEDO et al., 2018, p. 2). Esta forma de aprender é uma novidade no ensino, onde o professor pode usar para contribuir significativamente no aprendizado dos alunos, de maneira cativante e participativa, envolvendo os estudantes com o objeto de estudo e relacionando os fatos do que está ocorrendo com a entrada de microplásticos na água e os problemas que causam aos animais marinhos. 88 2 OBJETIVOS 2.1 Geral Viabilizar a compreensão dos efeitos dos microplásticos na cadeia trófica aos alunos de Ciências do Ensino Fundamental II, utilizando metodologia ativa de ensino. Esta metodologia será uma peça teatral. 2.2 Específicos • Entender o impacto das partículas de microplásticos sobre o zooplâncton; • Entender o impacto das partículas de microplásticos na fisiologia dos peixes; • Compreender os processos de bioacumulação e biomagnificação na cadeia trófica; • Relacionar a diminuição/extinção do zooplâncton com o aumento da densidade de fitoplâncton na água – desequilíbrio trófico; • Relacionar o possível aumento da turbidez da água com o aumento dos microplásticos poluentes. 3 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 3.1 História do Microplástico Segundo Carpenter e Smith (1972), “os microplásticos foram relatados pela primeira vez em 1970. Desde então, estas partículas têm sido cada vez mais recorrentes no meio ambiente e aquático”. Assim, os autores Carvalho e Baptista (2016, p. 10-17) “explicam que nas últimas décadas os materiais plásticos correspondem de 60 a 80% dos detritos localizados nos oceanos, obtidos das atividades antrópicas”. É grande a quantidade desses detritos na água e vem crescendo a cada dia. Fontes de riqueza supostamente inesgotáveis, os oceanos cobrem dois terços da superfície terrestre e há muito tempo servem de depósitos para todo tipo de resíduos produzidos pelo homem, desde efluentes líquidos sanitários ou industriais até as mais diversas classes de lixo, como plásticos, vidros e materiais tóxicos (FARIAS, 2014). O interessante é que os microplásticos são adquiridos de diferentes fontes que segundo Horton et al. (2017, p. 127-141), se dividem em duas: “a primária que são os plásticos virgens (pellets) produzidos em escala micrométrica e a secundária que são fragmentos advindos da degradação física e química de microplásticos”. Em contrapartida Schymanski et al., ( 2018, p.154-162) relatam que verificaram a presença de “microplásticos em amostras de água potável, armazenadas em garrafas plásticas, garrafas de vidro, caixas de bebidas, sendo 89 o tipo de plástico principal analisado o polietileno”. É de conhecimento geral que os plásticos e seus derivados trazem benefícios indiscutíveis, porém em controvérsias a utilização e descarte de resquícios humanos incorretos afetam diretamente os oceanos, devido à alta resistência à degradação, fazendo com que permaneçam por numerosos anos no ambiente. No mundo todo se tem relatos de danos, que esses descartes vêm causando a fauna marinha (CARVALHO, 2016). 3.2 Consequências dos plásticos e derivados na cadeia trófica Quando no ambiente aquático esses resíduos sintéticos se misturam ao plâncton, consequentemente, entram na cadeia alimentar de inúmeros animais. “O processo denominado bioacumulação ocorre quando os seres vivos ingerem os microplásticos, que vão se acumulando nos seus corpos e no ambiente aquático ao longo do tempo” (MACHADO; FILLMANN, 2004; CALABUONO et al., 2010, p. 334). O problema é que conforme estas micropartículas se acumulam no organismo após a ingestão, acarretam danos à saúde do animal. A biomagnificação é a passagem dos microplásticos de um organismo para o outro, ou seja, é a transferência destes microplásticos ao longo da cadeia trófica. 3.3 Efeitos da ingestão dos microplásticos pela fauna marinha Como já mencionado, os efeitos dos microplásticos no ecossistema aquático são diversos, contudo não são limitados apenas ao habitat e a forma como os organismos buscam os alimentos necessários à sua sobrevivência, mas também aos efeitos diretos destes materiais na fisiologia dos animais (ASCER, 2015). Alguns autores apontam que existem diversas formas de contato dos microplásticos com os animais de vida aquática, sendo elas por inalação e absorção dérmica. Entretanto muitas pesquisas apontam que a “principal forma de contaminação com microplásticos e os efeitos destes na saúde do animal é por meio da ingestão dos materiais à base de polietileno (TEUTEN et al., 2009). Para Laist (1997, apud ASCER 2015) a ingestão de microplástico ocorre de forma direta, ou seja, animais como tartarugas, mamíferos ou aves marinhas ingerem estas estruturas como parte da sua alimentação. Contudo, outros autores apontam que de forma indireta os animais marinhos também são contaminados, ou seja, quando predam animais que já tenham ingerido os microplásticos, estas estruturas também são acumuladas nos animais superiores da cadeia tróficade forma sucessiva (ERIKSSON, BURTON, 2003). Em ambos os casos, os efeitos fisiológicos principais são inanição, bloqueio do trato gastrointestinal e sufocamento (ASCER, 2015). Além disso, Ascer aponta que: 90 Outra coisa menos estudada de impactos dos microplásticos ingeridos por organismos aquáticos é o da transferência dos contaminantes para os tecidos. A liberação dos contaminantes parece ser mais propícia em ambientes gástricos (SAKAI et al., 2010 apud ASCER, 2015) e a correlação entre a quantidade de plástico ingerida e o grau de contaminação de organismos (RYAN et al., 1988, apud ASCER, 2015) nos levam a crer na transferência de contaminantes aos organismos aquáticos mediada por plásticos. “Entretanto, a grande maioria das pesquisas aponta o acúmulo destes materiais sintéticos no trato gastrointestinal, causando a obstrução e, consequentemente, morte destes animais” (FAGUNDES; MISSIO, 2018). O lixo atualmente deixou de ser um problema estritamente sanitário em zonas urbanas tornando-se um dos principais grupos de poluentes no ecossistema marinho, juntamente com outros poluentes, como petróleo, derivados e metais pesados (MOURA et al., 2011). Atualmente, muitas pesquisas estão sendo realizadas para a compreensão dos efeitos negativos dos microplásticos nos animais do ambiente aquático, porém resultados precisos ainda são pouco conhecidos e restritos às espécies específicas de peixes (ASCER, 2015, p. 11). 3.4 Como reduzir os impactos dos microplásticos? O ser humano deve ter consciência de suas atitudes e reduzir o máximo possível os impactos e a utilização de produtos unicamente para o descarte, muitas vezes, inadequado. “Uma das formas de diminuir os impactos dos plásticos na água e na cadeia trófica é a mudança de hábitos de consumo humano, buscando obter produtos com menor concentração de plásticos na sua composição” (CARVALHO, 2016). Outra solução é não jogar materiais plásticos no ambiente aquático. 3.5 Relações método-ensino. A importância da metodologia ativa No que diz respeito ao ensino, este tema pode ser trabalhado no conteúdo: Relações entre os seres vivos, com a turma do 7o ano na escola, “onde trata a poluição da água pela ação humana, devido ao microplástico (lixo), que vem aumentado muito nos dias atuais e tem matado muitos organismos aquáticos“, conforme mostra o livro didático (CARVENALE, 2014, p. 226). É importante que o professor trabalhe o tema usando a metodologia ativa do ensino. A metodologia ativa de ensino é interessante, “pelo fato de estimular o processo de ensino e aprendizagem, onde vai haver participação por parte dos alunos para adquirir o conhecimento e refletir” (MACEDO et al., 2018, p. 2). Assim a metodologia ativa permite ao aluno refletir sobre o conteúdo de maneira 91 mais crítica e contribuir significativamente na sua aprendizagem, já que os estudantes farão parte da peça teatral e terão que associar os fatos do que está acontecendo com a entrada dos microplásticos na água e nos organismos, deste modo terão consciência dos maus hábitos dos seres humanos, relacionando o consumo exacerbado de plásticos e acúmulo destes materiais na água. 4 JUSTIFICATIVA É cada vez mais difícil para o professor da Educação Básica inserir metodologias ativas que possibilitem aos estudantes observar o conteúdo teórico na prática, o que resulta em um ensino pouco atrativo e com índices de aprendizado cada vez menores. Neste sentido, o presente trabalho busca introduzir o assunto ainda pouco abordado – “microplásticos” – em sala de aula, visando à participação ativa dos estudantes no processo ensino-aprendizagem. A necessidade de desenvolver este projeto é para que os estudantes do ensino básico compreendam aspectos sobre a eliminação das micropartículas nas tubulações das casas e, posteriormente, de forma direta ou indireta, o material é lançado nos mares e demais ecossistemas aquáticos. Dessa forma, afetam toda a cadeia trófica e a fisiologia dos organismos. Como, por exemplo, interferem no desenvolvimento do fitoplâncton e zooplâncton; e, consequentemente, na alimentação de peixes e outros animais marinhos ou dulcícolas que se alimentam desses organismos. A temática vem ganhando espaço na mídia ao longo dos últimos anos, o que possibilita que o assunto, mesmo sério, seja abordado no Ensino Fundamental de forma dinâmica e coletiva. 5 METODOLOGIA 5.1 Apresentação da temática Será realizada uma aula expositiva pelo professor de Ciências sobre o conteúdo: Relação entre os seres vivos, trabalhando sobre ações humanas no ecossistema aquático. O tema central será dividido em subtemas, sendo que o primeiro compreenderá os efeitos das micropartículas de plástico encontradas em produtos cosméticos e outros materiais eliminados em redes de esgoto, e que futuramente atingem mares e oceanos, afetando o desenvolvimento do zooplâncton e a dieta de animais marinhos superiores que se alimentam destes microrganismos, bem como o desenvolvimento do fitoplâncton, base da cadeia trófica. Como complemento ao tema principal, o segundo subtema corresponde aos impactos das partículas na qualidade da água. A escolha dos subtemas aborda questões de impactos elevados na natureza a partir de estruturas tão diminutas – como microesferas de polietileno – no ambiente, e, consequentemente na economia global. 92 5.2 Aplicação e desenvolvimento do teatro A parte prática do projeto será realizada em forma de uma peça teatral com os alunos do Ensino Fundamental Anos Finais, na qual os estudantes farão parte do teatro, sendo encarregados da interpretação dos personagens do ambiente marinho, por exemplo, em uma turma com aproximadamente trinta alunos, estes serão divididos em grupos, nos quais cada grupo terá personagens correspondentes à teia alimentar, como o fitoplâncton, zooplâncton, peixes e os polímeros sintéticos, sendo representados pelas microesferas de plástico. O fluxo das partículas de polietileno na corrente marítima será observado pelos alunos que compreenderão os efeitos delas em cada um dos grupos representados pelas cadeias tróficas, e posteriormente na fisiologia dos peixes, como obstrução das brânquias, lesões nos órgãos internos, entre outros. Conforme Apêndice A. 5.3 Socializações dos conhecimentos No final o professor irá fazer uma roda de conversa com os alunos para discutir o assunto, deixando-os refletir e dialogar sobre a importância de entender os efeitos do microplásticos em relação às atitudes humanas no planeta Terra. O papel do professor nesta etapa é essencial para que os diálogos sejam conduzidos de forma adequada, o que garante a cooperação e progresso na exposição dos conhecimentos individuais de forma que todos sejam capazes de expor suas próprias ideias. 6 RESULTADOS ESPERADOS Com a aplicação do projeto, espera-se que os alunos compreendam os grandes efeitos dos microplásticos sobre toda fauna marinha e possam mudar suas atitudes, respeitando o meio ambiente aquático, valorizando a ética e respeito com a natureza. Como complemento ao trabalho, objetiva-se novas alternativas com relação ao uso de produtos à base de polietileno, matéria-prima para a produção de plásticos, por exemplo, substituir produtos cosméticos com este material em sua composição por formas mais sustentáveis e conscientes. Busca-se com a introdução deste conteúdo para o Ensino Fundamental a sensibilização das futuras gerações sobre a problemática, buscando estratégias que permitam uma aprendizagem significativa, por intermédio de uma metodologia ativa de ensino. REFERÊNCIAS ASCER, L. G. Efeitos de microplástico na fisiologia do mexilhão Perna perna 93 (Bivalvia: Mytilidae). Dissertação (Mestrado em Fisiologia Geral) – Instituto de Biociências, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2015. CALABUONO, F. I.; MONTONE, R. C; TANIGUCHI,S. Polychlorinated biphenyls and organochlorine pesticides in plastics ingested by seabirds. Marine Pollution Bulletin, v. 60, n. 4, p. 630-634, 2010. CARPENTER, E. J.; SMITH, K. Plastics on the Sargasso Sea surface. Science, v. 175 p.1240-1241, 1972. CARVALHO, D. G.; BAPTISTA NETO, J. A. Microplastic pollution of the beaches of Guanabara Bay, Southeast Brazil. Ocean & Coastal Management, v. 128, p. 10- 17, 2016. CARVENALE, M. R. (ed.) Projeto Araribá: Ciências. 4. ed. 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Ele é o lar de muitos animais enormes, mas também abriga seres muito pequenos, que fazem toda a diferença na alimentação e vida de outros animais e seres humanos. NEMO: Oi, gente! Eu sou o peixe Nemo, amo nadar e adoro me alimentar de organismos bem pequenos chamados de zooplânctons, mas infelizmente tenho encontrado muitos microplásticos nestes organismos e após digeri-los, sinto uma dor muito grande no meu estômago... ESTER: Nossa, que situação complicada! Isso acontece por causa dos microplásticos? NEMO: Sim, pois eles se acumulam no corpo do zooplâncton, e no momento que ocorre a digestão, acabam entrando no meu estômago e provocando lesões nele, o que faz com que eu sinta muitas dores na minha barriguinha. ESTER: Então quer dizer que além dos animais ingerirem os microplásticos, ele também pode passar de um organismo a outro? DAVI: Sim, a passagem destes microplásticos ao longo dos organismos se chama biomagnificação. DAVI: Ah! Desculpe intrometer-me na conversa de vocês, sou o zooplâncton Davi e não pude deixar de ouvir que estavam falando sobre mim. ESTER: Tudo bem, não tem problema. Então estes tais de microplásticos também podem se acumular no corpo dos animais, não é verdade? 96 NEMO: Sim, e esse processo também recebe um nome especial, é chamado de bioacumulação. ESTER: Impressionante como estes plásticos tão pequenos podem causar tanta destruição! Mas eu não entendi uma coisa… Como os microplásticos chegam na água? DAVI: Você não sabe?! Os humanos acabam jogando plásticos e derivados no ambiente aquático, contaminando este local, e com a força da água são quebrados em pedaços menores denominados de microplásticos, e o pior de tudo isso é que os animais marinhos acabam ingerindo porque confundem com os alimentos. ESTER: Nossa!!! Que injustiça, se os humanos não mudarem as suas atitudes vão acabar com a vida de toda fauna marinha, além também de tornar a água imprópria para qualquer tipo de vida. JOSÉ: Olá, eu sou o fitoplâncton José! E vim dizer para vocês que estou sendo beneficiado com a entrada de microplásticos na água! ESTER: Como assim beneficiado? JOSÉ: Ora, porque os microplásticos acabam interferindo no crescimento do zooplâncton, e a quantidade desse organismo diminui, podendo entrar em extinção e assim os fitoplânctons vão deixar de serem tão consumidos. NEMO: Então a população de fitoplânctons aumenta muito rápido? JOSÉ: Isso!!! Não é maravilhoso viver sem predador? ESTER: Veja bem, meu amigo, pode ser que sim, mas os microplásticos se acumulam na água, cobrindo-a de tal forma que impedem a passagem da luz solar e assim as algas não têm como realizar o processo fotossintético, sendo prejudicada também. NEMO: Ótimo, José! Essa foi para você aprender a pensar nos outros também e não em si só. NARRADOR: Então os organismos perceberam os efeitos dos microplásticos em toda cadeia trófica, e concluíram que tudo isto acontece pelas ações do homem. Assim é necessário que o ser humano pare um pouco e pense: “O que estou 97 fazendo? Eu preciso realmente de tantos objetos plásticos no meu dia a dia? Não existem alternativas melhores que não causam impactos tão ruins ao meio ambiente?” Esta é apenas uma parte muito pequena da vida marinha. Os mares e oceanos apresentam inúmeras formas de vida e belezas que estão muito além da nossa compreensão. Vale a pena cuidar deste mundo maravilhoso em que vivemos e de todas as manifestações de vida para estas e futuras gerações, e é o nosso papel zelar a fauna, a flora e tudo aquilo que nos mantém unidos e vivos no planeta Terra, ou também chamado como nosso lar. 98 DAIARA MANFIO Doutora em Entomologia pela Universidade Federal do Paraná. Docente do curso de Ciências Biológicas – Licenciatura, na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR/Dois Vizinhos). LEANDRO TURMENA Doutor em Educação pela Universidade Estadual de Maringá. Docente do curso de Ciências Biológicas – Licenciatura, na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR/Dois Vizinhos). VITOR AUGUSTO PIZZOLATTO Discente do curso de Ciências Biológicas – Licenciatura, na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR/Dois Vizinhos) OS A UT OR ES