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LIBRAS - LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS Libras - Língua Brasileira de Sinais GRUPO SER EDUCACIONAL LIBRAS - LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS gente criando futuro ORGANIZADORA: ETNA PALOMA NOBRE ORGANIZADORA: ETNA PALOMA NOBRE C M Y CM MY CY CMY K Capa de eBook_Libras_TELESAPIENS (v2).pdf 1 08/07/2022 09:37:55 LIBRAS Língua Brasileira de Sinais eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 1 20/11/2019 17:47:00 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Bibliotecário responsável: Nelson Oliveira da Silva – CRB 10/854) N754l Nobre, Etna Paloma. Libras: Língua brasileira de sinais [recurso eletrônico]/ Etna Paloma Nobre. – Recife: Telesapiens, 2019. 116 p. : pdf ISBN: 978-85-54921-15-6 1. Educação 2. Libras I. Título. CDU 81’221.24 © by Editora Telesapiens Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Editora Telesapiens. eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 2 20/11/2019 17:47:00 LIBRAS Língua Brasileira de Sinais Presidente do Conselho de Administração: Janguiê Diniz Diretor-presidente: Jânio Diniz Diretoria Executiva de Ensino: Adriano Azevedo Diretoria Executiva de Serviços Corporativos: Joaldo Diniz Diretoria de Ensino a Distância: Enzo Moreira Créditos Institucionais Todos os direitos reservados 2019 by Telesapiens eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 3 20/11/2019 17:47:00 A AUTORA ETNA PALOMA NOBRE Olá. Meu nome é Etna Paloma Nobre. Sou formada em Letras com Especialização Lato Sensu em Educação de Surdos, com uma experiência técnico-profissional na área de Libras e Educação a Distância há mais de cinco anos. As minhas experiências são todas em Instituições de Ensino. Sou apaixonada pelo que faço e gosto de transmitir minha experiência de vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. Por isso fui convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo! eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 4 20/11/2019 17:47:00 ICONOGRÁFICOS Esses ícones que irão aparecer em sua trilha de aprendizagem significam: RESUMINDO Breve descrição do objetivo de aprendizagem; Uma nota explicativa sobre o que acaba de ser dito; Uma síntese das últimas abordagens; Parte retirada de um texto; Sugestão de práticas ou exercícios para fixação do conteúdo; O conteúdo em destaque precisa ser priorizado; Um atalho para resolver algo que foi introduzido no conteúdo; Um jeito diferente e mais simples de explicar o que acaba de ser explicado; Explicação do conteúdo ou conceito partindo de um caso prático; Uma opinião pessoal e particular do autor da obra; Indicação de curiosidades e fatos para reflexão sobre o tema em estudo; O texto destacado deve ser alvo de reflexão. Informações adicionais sobre o conteúdo e temas afins; Resolução passo a passo de um problema ou exercício; Links úteis para fixação do conteúdo; Definição de um conceito; CITAÇÃO TESTANDO IMPORTANTE DICA EXPLICANDO MELHOR EXEMPLO PALAVRA DO AUTOR VOCÊ SABIA? REFLITA SAIBA MAIS SOLUÇÃO ACESSE DEFINIÇÃO + OBJETIVO NOTA +++ eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 5 20/11/2019 17:47:00 SUMÁRIO UNIDADE 01 O surdo no contexto histórico das sociedades: a aceitação da língua de sinais como língua natural da comunidade surda, culturas e identidades surdas ....................................12 A cultura dos surdos ................................................................15 Mundo solitário ........................................................................18 Acesso e conhecimento ............................................................19 Identidade surda .......................................................................23 Conceito sobre surdez e surdez na visão clínica e sócio- antropológica .........................................................................25 Aspectos filosófico e legal na educação do surdo .................29 O bilinguismo na educação de surdos ..................................32 Escolas bilíngues na Determinação Federal nº 5.626/2005 .....33 UNIDADE 02 Entendimentos gerais sobre a Língua de Sinais .................42 Os parâmetros da Libras ........................................................45 A fonologia das Línguas de Sinais ...........................................49 Língua de Sinais e classificadores ............................................57 Intensificadores no discurso da Libras .....................................58 Alfabeto manual e números (cardinais e quantidades); condições climáticas, ano sideral e calendário ....................61 Números ...................................................................................62 Valores .....................................................................................63 Calendário: dias da semana ......................................................64 eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 6 20/11/2019 17:47:00 Meses do ano ............................................................................65 Condições climáticas ................................................................66 Advérbios de tempo e flexões de frases: negativa, interrogativa e exclamativa ...................................................66 Estrutura sintática .....................................................................66 Sinais de verbos e suas negativas ..........................................68 UNIDADE 03 Espaço, direção e perspectiva................................................72 Parâmetros e componentes .......................................................73 Espaço na Libras .....................................................................75 Perspectiva na Educação dos Surdos .......................................78 Tempo e numerais ordinais ...................................................80 Tempo na Libras ......................................................................81 Pronomes e expressões interrogativas: quando-passado, quando- Futuro, D-I-A, que Hora, quanta-hora ........................................... 84 Pronomes pessoais ...................................................................85 Quando e D-I-A ........................................................................86 Que-horas e quantas-horas .......................................................87 Sinais do verbo PROCURAR e suas variações ..................88 UNIDADE 04 Sinais de diversas profissões ..................................................94 Influenciadores da profissão ...................................................94 Surdos x profissões ..................................................................95 Pro issão de intérprete de Libras .............................................97 Sinais de diversas profissões ...................................................98 Sinais de diferentes meios de comunicação.......................100 eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 7 20/11/2019 17:47:01 Sistema de transição ...............................................................102 Libras e a Escrita de Sinais ....................................................103 Oralismo e Língua de Sinais ..................................................105 A escrita de sinais ...................................................................106 Módulosda Libras conversação: encenações teatrais..... ......109 Teatro em Libras ...................................................................109 Aspectos cenográficos ..........................................................112 eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 8 20/11/2019 17:47:01 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais 9 UNIDADE 01 O SURDO NA SOCIEDADE eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 9 20/11/2019 17:47:01 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais10 INTRODUÇÃO A LIBRAS foi idealizada para que estudantes tenham contato com a cultura surda, que envolve os preconceitos linguísticos existentes no Brasil e, também, as abordagens de ensino para a Educação de Surdos. A Língua de Sinais é a língua materna dos surdos, reconhecida como um meio de comunicação legal, reconhecida pela Lei 10.436 de 2002. É a partir desta lei que os profissionais da área da pedagogia, fonoaudiologia e licenciaturas têm a garantia do contato com disciplina de Libras para a sua formação, o que é um avanço relevante tanto para esses profissionais quanto para a comunidade surda. O que você receberá, aqui, são informações que, com certeza, irão lhe auxiliar na tomada de decisões em seu percurso profissional, caso em sua rotina diária você encontre pessoas surdas ou outros profissionais que trabalhem com pessoas surdas. O contexto histórico de lutas e exigências quanto a Educação dos Surdos no Brasil é cheio de acontecimentos, proibições e conquistas. Desde já anuncio que será feito um retrospecto desses fatos. A partir da convivência com os surdos, conforme o andamento dos nossos estudos, perceberemos que é uma comunidade que lida em sua maioria com “guetos”. Geralmente, os surdos optam por parceiros com características em comum. Muitos se mostram inseguros com a aproximação e presença de ouvintes, por conta da incompreensão, este comportamento é resultado das ações que perduram por muitos anos, o que ainda acontece até hoje. No entanto, as dificuldades que foram vistas no passado serviram para se chegar a um momento mais pertinente e acessível. Entendeu ? Ao longo desta unidade letiva você vai mergulhar neste universo! eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 10 20/11/2019 17:47:01 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais 11 1 2 3 4 OBJETIVOS Olá! Se bem-vindo(a) à Unidade 1. Nosso objetivo é auxiliar você no desenvolvimento de algumas competências profissionais até o término desta etapa de estudos. Compreender as diferenças a respeito do surdo. Aplicar as técnicas de comunicação. Identifi car e solucionar problemas relacionados à convivência. Executar os procedimentos que envolvem o aprendizado e aspectos da cultura surda. Preparado para uma viagem sem volta rumo ao conhecimento? Ao trabalho! eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 11 20/11/2019 17:47:01 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais12 O surdo no contexto histórico das sociedades: a aceitação da língua de sinais como língua natural da comunidade surda, culturas e identidades isurdas Quais conhecimentos você tem sobre deficiência auditiva? Com certeza já ouviu falar a respeito dos surdos, deve ter visto pessoas dizendo: “todo surdo é mudo”, “são muito agitados, se irritam fácil”, “leem nossos lábios”. Mas, a maioria das informações que adquirimos através do senso comum sobre esse assunto não são reais. Então, o objetivo deste estudo é esclarecer tais informações equivocadas e mostrar a realidade sobre a comunidade surda. A deficiência auditiva é uma diferença de atuação na sociedade entre um indivíduo e a sua capacidade para a retenção dos sons. A deficiência auditiva exibe uma abrangência no Brasil e, segundo os Decretos nº 3.298/99 e nº 5.5296/04, art. 4º, inc. II (BRASIL, 1999), é considerada “a perda ambilateral, restrito ou na totalidade, de 41 decibéis (dB) ou mais, aferida por audiograma nas frequências de 500 Hertz (Hz), 1.000 Hz, 2.000 Hz e 3.000 Hz”. […] considera-se pessoa surda aquela que, por ter perda auditiva, compreende e interage com o mundo por meio de experiências visuais, manifestando sua cultura principalmente pelo uso da Língua Brasileira de Sinais – Libras. Parágrafo único. Considera-se deficiência auditiva a perda bilateral, parcial ou total, de quarenta e um decibéis (dB) ou mais, aferida por audiograma nas frequências de 500Hz, 1.000Hz, 2.000Hz e 3.000Hz (Decreto nº 5.626 de 22 de Dezembro de 2005.) eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 12 20/11/2019 17:47:01 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais 13 É preciso saber diferenciar a pessoa surda e entender que a surdez é a perda da audição, que ocasiona, em muitos casos, a perda congênita, que, por conseguinte, faz surgir a necessidade de comunicar-se pela língua de sinais. Crianças que nascem com a audição intacta podem ter a audição comprometida. A dificuldade pode acontecer por doença que causa a inutilidade da audição ou até traumatismos e/ou lesões. Na maioria das situações, a pessoa que aprendeu a expressar-se, após o ocorrido da lesão, que ocasionou a perda auditiva, adquirirá outra forma de comunicação. Já os surdos de nascença, eles não são considerados deficientes porque já se adaptaram a outros meios compensatórios de interação e comunicação. Em ambas, mesmo com as difi culdades é importante o convívio na sociedade, porque em vários ambientes as duas características de difi culdade auditiva estão presentes. SAIBA MAIS++ Segundo Quadros (2004), o hemisfério esquerdo do cérebro estabelece a linguagem, e o direito processa as informações no âmbito espacial. Você sabia? Isso porque a Libras é organizada de maneira que a informação seja captada por meio de uma mensagem visual. Você acredita que esta língua se encontra no hemisfério direito do cérebro? Negativo! Como a língua de sinais tem uma estrutura semelhante à língua expressa, neurologicamente está submissa ao hemisfério esquerdo do cérebro, o responsável pela linguagem. eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 13 20/11/2019 17:47:01 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais14 Deixar claro essa diferença já é um bom começo para o entendimento da cultura surda, porque ela é bem vivenciada no ambiente da comunidade. Pertencem à cultura surda aqueles que não tem audição e se apropriam da língua de sinais para se expressar. Os deficientes auditivos, que por alguma lesão ou trauma em algum momento da vida e que adquiriram a surdez, aprenderão e se beneficiarão da nova forma de comunicação. Segundo Strobel (2008), os surdos tiveram um início de história visto por duas expectativas, que é o olhar doutrinário e medicinal, das quais as pessoas surdas eram representadas por pessoas com anomalias nos ouvidos, na composição vocal e no cérebro. Esses pacientes tinham o empenho dos médicos, que estudavam acerca da fala e da aprendizagem dos surdos com expectativas de possibilidades. Já na visão doutrinária religiosa, inicialmente, a igreja tinha a crença de que, como os surdos não ouviam nem se comunicavam pela fala, eles não poderiam ter os perdoados deles pecados e, consequentemente, seriam condenados ao inferno. Para a salvação, a Igreja disponibilizava os membros do clero na prática da assistência a essas pessoas surdas. Assim, os padres e demais religiosos tornaram-se responsáveis, zelando e cuidando da educação dos surdos. E diante desse olhar, antes de entender que nem todo surdo é mudo, o termo surdo-mudo foi utilizado, em muitas situações, incorretamente, já que a mudez não tem relação com a surdez. Como ainda não havia motivação para que os surdos desenvolvessem a fala, surgiu essa expressão que “todo surdo é mudo”, que na verdade não deve ser usada. As terapias de fala auxiliaram nessa quebra de mito, porque desenvolvem a fala dos surdos e isso é um estímulo, se um surdo não se expressa por meio da fala, necessariamente não é mudo. Porém, provavelmente, não obteve orientaçõespara o seu desenvolvimento, como exercícios que estimulam a comunicação oral. eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 14 20/11/2019 17:47:01 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais 15 Figura 1 - Mudez x Surdez Fonte: Pixabay. A cultura dos surdos As crenças criadas por falta de entendimento possibilitaram que muitos mitos se disseminassem. No entanto, a partir do momento que foi aberto o acesso à comunicação para o surdo, ele passou a interagir socialmente em vários ambientes dando origem a formação de grupos sociais, nos dando a oportunidade de identificar a sua cultura e peculiaridades. eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 15 20/11/2019 17:47:01 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais16 Figura 2 - Cultura Surda Fonte: Ivanovgood/Pixabay. SAIBA MAIS++ Vamos refletir juntos sobre como se dá a cultura surda, fazendo, algumas perguntas como, por exemplo, o que é cultura? Ela está relacionada apenas aquilo que é retratado por meio da arte? Do conhecimento? Não, não podemos nos prender somente a isso, pois existem várias formas de expressão e entendimento do conceito de cultura. Muitos significados indicam o que é cultura, mas, aqui, vamos considerar cultura como uma linha de comportamento, que traz uma percepção de um grupo social, no caso, os surdos. Para dar uma defi nição de cultura surda, é coerente partir do sen- so que existe uma separação, que parte de ouvintes e próprios eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 16 20/11/2019 17:47:02 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais 17 surdos que não compartilham de uma mesma cultura. Observe o que dizem Santana e Bergamo. Um outro modo de discutir a questão da cultura surda é bem mais complexo. Desse lado, não vale a pena entrar em jogos teóricos como, por exemplo, se existe ou não cultura surda e seu oposto, a cultura ouvinte [...]. Em outras palavras, seria preciso entender por que persistem as opiniões em favor da cultura surda e entender quais as vantagens em adotar (e defender) essa ideia. Assim, não parece interessante partir de uma ideia rígida e preconcebida do que seja ou não cultura (SANTANA; BERGAMO, 2005, p. 574). A história da cultura surda supera séculos. Concordava- se que o surdo tinha habilidade de desenvolver a língua falada, por isso ele foi obrigado a utilizar a língua oral, mas a oralização não trazia sentido, o vocabulário não remetia a nenhum significado e, a partir da introdução da língua de sinais, foi possível a compreensão da linguagem e de tudo que lhe rodeava. eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 17 20/11/2019 17:47:02 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais18 Mundo solitário No livro O voo da gaivota, uma autobiografia de Emanuelle Laborit, a autora surda relata a sua rotina solitária, que por orientação médica havia sido recomendada a não se relacionar com nenhum surdo, porque deveria ter em mente o aprendizado da língua oral. Mesmo fazendo uso do aparelho auditivo, as palavras expressadas oralmente não faziam sentido: “Quero entender o que dizem. Estou enjoada de ser prisioneira desse silêncio que eles não procuram romper. Esforço-me o tempo todo, eles não muito. Os ouvintes não se esforçam. Queria que se esforçassem” (LABORIT, 1994, p. 39). Figura 3 - Surdo com aparelho auditivo Fonte:Kalhh/Pixabay. Quando ela tinha por volta de 7 anos de idade, o pai dela ouviu no rádio uma notícia que envolvia a surdez e a língua de sinais, se interessou e pensou que talvez surgisse ali uma esperança em relação as possibilidades comunicativas de sua filha. Após esse dia, a autora relata a importância da língua de sinais para a sua vida em seu cotidiano. eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 18 20/11/2019 17:47:02 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais 19 A esperança de um novo nascimento, o início da vida novamente. O primeiro muro caiu. Havia ainda outros em torno de mim, mas foi aberta a primeira brecha em minha prisão, iria compreender o mundo com os olhos e com as mãos. Sonhava. Estava tão impaciente! Diante de mim, havia aquele homem maravilhoso que me ensinava o mundo. O nome das pessoas e das coisas; há um sinal para Bill, um para Alfredo, um para Jacques, meu pai, minha mãe, minha irmã, para a casa, a mesa, o gato... Vivia! E tinha tantas perguntas a fazer! Tantas e tantas. Estava ávida, sedenta de respostas, já que podiam me responder! (LABORIT, 1994, p. 48). Após esse relato, atesta-se que a língua de sinais auxilia em um novo sentido como surda, abrindo os caminhos para a comunicação e compreensão daquilo que ainda era desconhecido, possibilitando, de fato, a comunicação. Acesso e conhecimento A língua de sinais abriu caminhos e ajudou nos desenvolvimentos dos surdos, possibilitando o acesso a novas culturas. Segundo Santana e Bergamo (2005, p. 572), “a língua e a cultura são dois artefatos que caminham juntos, e mais, é uma ferramenta na construção da cultura”. É bem normal relacionarmos a palavra cultura à língua de sinais, como se a cultura fosse formada apenas pela representação linguística. A língua de sinais foi uma estratégia de relacionamento com o mundo, ajudou a tirá-lo do isolamento que o cercava. A língua de sinais propiciou a formação de grupos sociais que interage e participa de uma comunidade surda. É notória a diferença entre a comunidade e a cultura surda, segundo Padden (1989, p. 5 apud FELIPE, 2007, p. 45), uma estudiosa linguista surda: eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 19 20/11/2019 17:47:02 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais20 Fonte: Sasint/Pixabay [...] uma cultura é um conjunto de comportamentos aprendidos de um grupo de pessoas que possuem sua própria língua, valores, regras de comportamento e tradições’. Ao passo que ‘uma comunidade é um sistema social geral, no qual pessoas vivem juntas, compartilham metas comuns e partilham certas responsabilidades umas com as outras’. Para falar sobre a comunidade surda, inicialmente, precisamos entender que ela é regional, ou seja, formada por pessoas que moram em determinadas regiões, que almejam os mesmos objetivos e que também pode ter ouvintes, já a cultura surda é compartilhada de forma mais ampla, universal, aceita somente surdos, pois os membros da cultura surda demonstram um comportamento singular, comportam- se como surdos, comunicam-se através da língua de sinais e repartem experiências e crenças. Figura 4 – Interação e Comunicação. eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 20 20/11/2019 17:47:03 Veja também o que diz a própria autora do livro Libras em Con- texto, Tânia Felipe: A comunidade surda é formada regionalmente por pessoas que moram em determinadas localizações, que buscam as mesmas metas, portanto, uma comunidade surda também pode ter ouvintes, enquanto que a cultura surda é compartilhada de forma universal somente pelos surdos, pois os membros da cultura surda comportam-se como pessoas surdas, utilizam a língua de sinais e compartilham de crenças de pessoas surdas (FELIPE, 2007, pág.45). LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais 21 É importante compreendê-los e os considerar como um grupo social, que pratica interação, se expressa e produz conhecimento como qualquer outro cidadão. Isto é, os sujeitos pertencentes à cultura não entendem como problema a deficiência, ao contrário, eles valorizam o uso da língua de sinais que sobrepõe a capacidade de expressão verbal. Esse debate de conceitos, de estudos não fi nda de forma fácil, segundo Laraia (2008, p. 63), “provavelmente nunca terminará, pois uma compreensão exata do conceito de cultura signifi ca a compreensão da própria natureza humana, tema perene da incansável refl exão humana”. Existe uma cultura para o surdo, é a comunidade onde ele está inserido, onde se comunica e desenvolve signos para expressar interação na língua que é de sua propriedade. Esse reconhecimento traz uma bagagem de perseverança,persistência, diversidade e aquisição pelo respeito à língua dos surdos. Há muitas realizações a se concretizar com o crescimento regular da comunidade surda. eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 21 20/11/2019 17:47:03 Dessa forma, quando se pensar em cultura, deve-se ter um conceito de um conjunto de práticas simbólicas de um determinado grupo: que usa a língua, as artes (literatura, música, dança, teatro), a religião, o sentimento, as ideias, as ações, o modo de vestir, de falar, entre tantas outras (SANTANA; BERGAMO, 2005, p.130). LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais22 OBSERVAÇÃO SAIBA MAIS Anular o passado e requerer o presente se mostrou como artefato cultural para os surdos. Um passado imerso na obrigação de serem ouvintes e, em função disto, aceitar que os outros fizessem a sua história, os dominassem, se tornou a marca mais deprimente. Diante disto, surgem novos feitos e novas interpretações no cotidiano. Neste sentido, se prosseguirmos com as velhas realidades, narradas como que no tempo colonial, perigamos escrever uma história de holocausto, de dominação, de lamentos. Mas não é por aí... Temos outros caminhos que, mesmo desconhecidos, merecem ser trazidos à tona, vivenciados e narrados por constituírem a genuína história natural e cultural dos surdos. De fato, temos nossas lutas de significação quais sejam: a busca por educação bilíngue, por políticas para a língua de sinais no Brasil, pela abertura das portas das universidades, por posições de igualdade, por ter intérpretes de língua de sinais e por serem válidos os nossos direitos. Além desses, há muitos espaços que possibilitam novos signos e significados que nos motivam, estando presentes em nosso cotidiano e que nos trazem algo mais desejado – encarnar essas possibilidades ‘como pessoas completamente diferentes’ (PERLIM; STROBEL, 2014, p.20). Indico o fi lme “O milagre de Anne Sullivan” (The Miracle Worker, 2000), dirigido por Nadia Tass, que traz a história da escritora Helen Adams Keller, surda e cega, como ela venceu as suas difi culdades. O auxilio e compartilhamento da Mestre Anne Sullivan, defi ciente visual que lhe instruiu a língua dos sinais ainda na sua fase infantil, Helen Keller veio a ser uma fi lósofa e jornalista excelente. + eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 22 20/11/2019 17:47:03 ++ LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais 23 Identidade surda A história de Emanuelle Laborit (1994) traz informações sobre a sociedade surda e a língua de sinais. [...] Lugar de vida, de recreação, de aprendizado para os surdos. Lugar de encontro com os pais enredados nas mesmas dificuldades, com os profissionais da surdez, que colocam em causa as informações e as práticas do corpo médico. Pois eles estavam decididos a ensinar uma língua, a língua de sinais. Não um código, um jargão; mas uma verdadeira língua. Lembrando-se da primeira vez em Vincennes, mamãe conta: - Senti um medo terrível. Confrontava- me com a realidade. Era como um segundo diagnóstico. As pessoas eram calorosas, mas ouvi histórias sobre o sofrimento de crianças, o isolamento terrível que tinham vivido antes. Suas dificuldades de adultos, seus combates permanentes. Vomitei tudo aquilo. Havia me enganado. Tinham me enganado dizendo: ‘com a reeducação, com o aparelho, ela vai falar...’. Meu pai conta: - Era como se até então não houvesse escutado, ou não houvesse desejado escutar ‘um dia, ela FALARÁ’. Vincennes é um outro mundo, o da realidade dos surdos, sem indulgência inútil, mas também o da esperança dos surdos. Certamente, o surdo chega a falar, bem ou mal, mas trata-se apenas de uma técnica incompleta para muitos deles, os surdos profundos. Com a língua de sinais, mais a oralização e a vontade voraz de comunicação que sentia em mim, iria fazer progressos espantosos. O primeiro, o imenso progresso em sete anos de existência acabara de acontecer: eu me chamo ‘EU’ (LABORIT, 1994, p. 52-53). eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 23 20/11/2019 17:47:03 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais24 Laborit, retrata o quanto conseguiu se encontrar, já que a proximidade com surdos e com a língua de sinais proporcionou uma releitura de sua identidade e a sentir-se pertencente a alguém. A identidade relatada foi buscada com a ajuda da cultura surda, que opera de maneira individual no âmbito da aprendizagem, diferente da vivência anterior. Reconhecer a si mesma pode ser chamada de uma identidade, há uma autenticidade para o surdo que é diferente do ouvinte, e até entre os próprios surdos. Como se pode ver mais abaixo, há 5 possibilidades de identidade para o surdo. Identidade surda: geralmente, a identidade relaciona- se aos filhos surdos de pais surdos, instruídos a conviver com a percepção visual. Uma autenticidade que se destaca na atuação pelos direitos do surdo, que necessita da língua de sinais para desenvolver uma linguagem. Identidade surda híbrida: é uma percepção evidente nos surdos que nasceram com a audição intacta e lidam com a língua portuguesa e a língua de sinais. É uma analogia peculiar em diferentes momentos, porque são conhecedores da estrutura do português verbalizado. Identidade de transição: os surdos mantidos em cárcere na igualdade de ouvintes, viveram parte da vida convivendo e contatando com pessoas que se expressavam verbalmente e não se relacionavam com surdos. Essa mudança acontece ao conhecer a comunidade surda e daí passarem pelo processo de “des- ouvintização” comumente. Grande número de surdos passa por esse estágio, posto que são filhos de ouvintes. Identidade surda incompleta: nessa identidade, o surdo encontra dificuldade para assumir-se, para ingressar na comunidade surda, justamente, por não fazer talvez uso total da língua de sinais, persiste em percorrer ambientes que fazem parte da rotina de ouvintes. Em outras palavras, ele não compreende e não fala na mesma simetria do ouvinte e, por isso, não está inserido plenamente em nenhum dos grupos. eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 24 20/11/2019 17:47:03 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais 25 Identidade flutuante: são surdos que se expõem a partir do domínio dos ouvintes. Retratado pelo surdo que tem ciência ou não, que é surdo, mas a sua postura é de um ouvinte e insistem nisso a qualquer custo, assimilam que são surdos, se esforçam e pensam que a vida seria melhor como ouvintes. Nessa identidade, o surdo despreza ou não tem compromisso com a cultura surda e vive em uma situação de conformidade (PERLIN, 1998). SAIBA MAIS++ É possível um ouvinte demonstrar uma autenticidade surda, em famílias. Quando os pais são surdos e os filhos ouvintes, é comum o uso da língua de sinais como língua materna, para apenas após um tempo adquirirem a língua portuguesa. Conceito sobre surdez e surdez na visão clínica e socioantropológica Além dos mitos que ouvimos sobre a cultura surda, existem outras crenças sobre a língua de sinais que é importante sabermos ao certo. Por exemplo, a mímica pode ser considerada sinais, a língua de sinais expressa pensamentos, percepções, opiniões, possibilita a discussão e resolução de assuntos e convicções complexos, porém importante como assuntos relacionados a nação. A ideia de que a língua de sinais é universal também é um mito. Tal afirmação é incoerente porque não é possível ter uma comunicação gestual igualitária, com entendimento geral para todos. Da mesma maneira que existe as diversidades na língua falada, também a língua sinais sofre diferenças, correspondendo, não menos, a fatores gramaticais, geográficos e culturais. eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 25 20/11/2019 17:47:03 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais26 Há tempos que o estudo da linguística se limitava apenas às línguas orais, mas o advento do reconhecimento da língua de sinais trouxe uma nova perspectiva de abrangência que com o tempo vemganhando espaço e se estabelecendo. As abordagens orientadas a LIBRAS vêm com alcance específico educacional na defesa da cultura surda. Essas variações não se resumem apenas à comparação dos processos que promovem um enriquecimento do vocabulário, mas estão relacionadas à percepção de mundo e à condição de complexidade em decorrência do processo de aquisição da língua, aspectos culturais e até impactos políticos e sociais na vida dos surdos. É importante apontar para aspectos relacionados à organização da gramática e seu funcionamento. Há uma delimitação entre gesto, língua de sinais e aprendizado de uma segunda língua, o que gera, muitas vezes, incompreensão por parte dos surdos, que, por não terem orientação, não se identificam com outros surdos quando se cria um determinado sinal. As escolas de surdos, que adotam uma proposta bilíngue, proporcionam a interação do surdo com outros, o que incentiva a aquisição da língua por parte de crianças, jovens e adultos. Para o surdo, o significado de cultura é compreender o mundo ao redor e torná-lo ao alcance e habitável, adequar com as suas impressões visuais, que colabora para o sentido das identidades surdas (STROBEL, 2008, p. 30), que contempla a língua e hábitos. Ainda sobre os mitos que envolve a relação dos surdos, mesmo após a conquista da inserção da língua de sinais, é importante lembrar que os surdos enfrentaram impedimentos que levaram a uma certa dificuldade de aceitação por parte da sociedade, presença de intolerância no ambiente familiar e escolar. Segundo Strobel (2008), nas eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 26 20/11/2019 17:47:03 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais 27 décadas de 1970 e 1980, a aquisição de aprendizagem era indiferente, de controle e de disciplinamento. As crianças surdas eram proibidas de fazer uso da articulação gestual, quando não, eram comparadas a macacos e obrigadas a se expressar oralmente, mesmo que de forma forçada, para serem respeitadas. Os surdos viam-se obrigados a todo custo a desenvol- ver a expressão oral e a leitura labial, o que gera o mito de que os surdos compreendem as demonstrações orais. Witkoski (2009) desmistifica esse mito ao expor que os surdos, na sua maioria, não fazem leitura labial. Vários fatores envolvem o sucesso desta técnica, como a articulação e a proximidade dos interlocutores, por exemplo. Fatores que podem colaborar ou atrapalhar a leitura labial, já que a obtenção da proficiência nesta modalidade comunicativa depende muito da postura do locutor, o que não é uma prática simples. O sujeito deve se posicionar com os lábios de frente para o receptor, deve haver similaridade nas articulações específicas das letras e o conhecimento anterior das palavras proferidas. Todos esses fatores influenciam no processo de leitura labial. [...] o ambiente de conversação usual não se constitui num ideal de apreensão visual ao surdo; ao contrário. Em geral este é caracterizado pela presença de um falante distante, em permanente movimento (quando não está inclusive ausente do seu foco visual), que realiza trocas verbais com outras pessoas as quais não poderão ser observadas concomitantemente. Estas são as características mais comuns do diálogo entre ouvintes, sendo inclusive também as da sala de aula no ensino regular (WITKOSKI, 2009, p. 569). eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 27 20/11/2019 17:47:03 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais28 A autora ainda ressalta que: A autora ainda ressalta que não é possível realizar leitura labial em toda situação, até porque a leitura não supre a falta de audição por conta do acesso às palavras expressas oralmente e identificadas pela leitura labial. Tal ação, por si só, não garante a compreensão de tudo o que é verbalizado. Essa ideia equivocada da leitura labial, que motiva o surdo a interagir de forma falada com um ouvinte, traz à tona outro mito: o de que os surdos ouvem algumas coisas que são do interesse próprio, e ainda que consigam e se esforcem para compreender uma informação, é muito difícil assimilar o diálogo na sua totalidade, pois até com o uso do aparelho auditivo existe a dificuldade em se adaptar com os ruídos que o aparelho capta, o que dificulta a recepção da mensagem, e se o receptor não entende a língua de sinais, é possível que não se estabeleça uma interação. Veja a seguir o relato de uma experiência apresentado por Witkoski. Em relação a essa caracterização do comportamento do surdo como patológica, resgato a situação de uma linda menina surda, de sete anos, que conheci. Estava numa escola de surdos de Curitiba conversando com a professora da turma, enquanto acompanhava a harmonia com que os alunos interagiam através da língua de sinais. Nessa hora chegou a mãe de uma das alunas, que estava visivelmente feliz junto a seus colegas conversando em Libras. Vendo o comportamento da fi lha, a mãe fez o seguinte comentário: ‘Engraçado como aqui ela se comporta bem. Em casa ela não faz nada. Se não mandar tomar banho, não vai; fi car só deitada no sofá assistindo à televisão. O pior é que às vezes ela começa a gritar, cada grito, que chega a doer os meus ouvidos!’. Perguntei se ela sabia a língua de sinais. Respondeu: ‘Não, não tive tempo ainda, tenho a casa para cuidar, muito trabalho’. (Witkoski; Surdez e preconceito. A norma da fala e o mito da leitura da palavra falada; 2009, p. 571) eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 28 20/11/2019 17:47:03 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais 29 Na situação apresentada a filha não atende ao pedido da mãe, que questiona o fato de a filha se relaciona apenas com amigos da escola, levando em consideração que em casa a menina demonstra que é “surda”. No entanto, essa postura pode estar mais relacionada com a apreciação que a filha tem pelo uso da língua de sinais, que a proporciona entendimento de fato. Figura 6 - Língua de sinais Fonte: Clker-Free-Vector-Images/Pixabay. Aspectos filosóficos e legal na educação do Surdo A identidade surda está ligada à língua de sinais. Essa relação depende de como a língua de sinais é inserida como uma possibilidade de comunicação. Segundo Santana e Bergamo (2005), essa relação de que a identidade do surdo é ligada à língua de sinais vem de pesquisas realizadas em relação ao contato do surdo com outro surdo, que faz uso da língua de sinais. Isso acontece devida a expansão de novas possibilidades de interação e compreensão, que não acontece por meio da língua oral. eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 29 20/11/2019 17:47:03 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais30 Figura 7 - Criança aprende a língua de sinais Fonte: OpenClipart-Vectors/Pixabay. Vygotsky (1991) ressalta que as ações cognitivas essenciais de um ser humano têm relação direta com a sua história social, que traz a memória da sociedade na qual a criança desenvolve-se socialmente, o que é bem relevante para a formação do pensamento e para processo de aquisição de conhecimento. A língua tem um papel fundamental na designação de como a criança desenvolverá o seu aprendizado. O contato da criança com a língua de sinais influencia na capacidade da formação de pensamento e o ambiente em que ela está inserida deverá proporcionar o servir dessa língua. Perlin (1998), chama a atenção para a aquisição de uma identidade que é repelida ao indivíduo no ambiente em que ele habita. Um surdo que tem contato contínuo e direto com um ouvinte irá ponderar a surdez como uma deficiência tratável e guiará a sua identidade sob essa perspectiva. Por outro lado, é positivo o surdo que tem a oportunidade de conviver e vivenciar uma comunidade de surdos com ouvintes, porque essa relação desenvolverá uma identidade que favorece e evidencia a diferença e não a deficiência. eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 30 20/11/2019 17:47:04 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais 31Para Felipe (2007, p. 82), é provável identificar caracte- rísticas do tipo: a maioria das pessoas Surdas sentem-se mais à vontade para ter relacionamento e dividir sentimentos com outra pessoa surda; as frases com gênero humorístico em tom de piadas afastam o desejo de conhecimento sobre a língua de sinais e sua cultura; a abordagem de assuntos sobre relacionamento, educação e olhar de mundo, pode ser representado em cenas teatrais. O surdo tem um olhar diferenciado de mundo, ele se identifica com as expressões faciais e corporais que são representadas com as mãos, que devem ser usadas de forma necessária com agilidade e fluência, dando sentido a mensagem transmitida. O surdo possui uma identidade própria, independente do seu acesso a língua ou não. A diferença é a sua própria aceitação como surdo junto com a língua de sinais. Observe que aquele que se aceita consegue desenvolver-se e interage com o mundo positivamente, sob o olhar da sua comunidade e cultura surda. eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 31 20/11/2019 17:47:04 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais32 O bilinguismo na educação de surdos Quando pesquisamos a Educação Bilíngue para surdos, nos reportamos a um trabalho pedagógico que faz uso de línguas no desenvolvimento do processo de aprendizagem, de forma inclusiva. Libras - Língua de Sinais. Língua Portuguesa escrita. Os surdos precisam e devem ter acesso a uma educação bilíngue, que dê ênfase a língua de sinais como sua língua natural, bem como o aprendizado da língua portuguesa, como segunda língua” (BRASIL, 2006, p. 71). O bilinguismo, porém, reconhecido como política pública brasileira, surgiu a pouco tempo, mas já existe registro de ações de sucesso. É o caso real presente na administração municipal de São Bernardo do Campo, na grande São Paulo. Em 2012 o município de ensino da cidade criou as Escolas Polo para priorizar a educação de alunos surdos. Essas instituições escolares regulares são de educação básica, que possuem toda a estrutura física e pedagógica para recepcionar e prestar atendimento adequado aos alunos. Alguns professores têm habilidade regular em Libras e são bilíngues, pois são os responsáveis pelas turmas e realizam os encaminhamentos das disciplinas ativas, são também os intérpretes de Libras. No horário oposto das aulas comuns, há atividades complementares à prática de Libras e quem ministra é sempre um professor surdo. Essa é uma das iniciativas escolares que priorizam a educação em duas línguas. Depoimento da professora Nadia Aparecida Issa Pina. eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 32 20/11/2019 17:47:04 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais 33 A Determinação Federal nº 5.626, de 2005, e a Política Nacional de Educação Especial no Panorama da Educação Inclusiva, de 2008, são dois documentos essenciais que discorrem sobre este assunto. Já ouviu falar? Vamos tratar deles agora! Escolas bilíngues na Determinação Federal nº 5.626/2005 Mais adiante veremos os documentos ofi ciais, as leis e decretos, vamos no momento conhecer a relevância do decreto que apoia e estabelece o bilinguismo e a escola bilíngue no atual contexto educativo brasileiro. O Decreto Federal nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005, que regulamentou a Lei nº10.436/2002 (BRASIL, 2002), tornando reconhecida a Língua Brasileira de Sinais como meio de comunicação da comunidade surda, de mesmo modo a regulamentação do artigo 18 da Lei nº 10.098/2000 (BRASIL, 2000), que trata da realização da formação de profissionais intérpretes de Libras, para viabilizar a interação com os surdos. Encontra-se em vigor após o reconhecimento da Libras, em 2002, e sob a importância dos demais documentos que tratavam da inclusão social e ambiente escolar para surdos. eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 33 20/11/2019 17:47:04 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais34 A lei possui dizeres variados que garante a educação e a conservação da Libras, no status de política pública, que garanta uma educação estirpe para aquisição de conhecimento a beneficiar o surdo. A língua de sinais como ensino mandatório nas licenciaturas, formação específica de profissionais da área da educação. Essas são ações das quais se estendem longos tempos para se solidificarem, pois existe a burocracia do poder público, além da ausência de profissionais por outro capacitados prejudica a prática das diretrizes da respectiva lei. O objetivo do decreto é a educação dos surdos, é ampará- los, as primeiras tratativas referentes ao reconhecimento e à aprovação da língua de sinais e seu cumprimento de uso nos espaços educacionais iniciaram no ano de 1996, quando da execução da Câmara Técnica O Surdo e a Língua de Sinais. O decreto foi desenvolvido em acordo com a academia e com a cultura surda. Conforme este documento, intitula-se Escolas de Educação Bilíngue aquelas em que a Libras e a escrita da Língua Portuguesa representam línguas de instrução inseridas no desenvolvimento do processo educativo. É um direito dos estudantes à escolarização em um período oposto ao atendimento educacional especializado para a complementação curricular, com aproveitamento de equipamentos de tecnologias de informação (BRASIL, 2005). Segundo o Decreto Federal (BRASIL, 2005), essa educação está dividida seguindo os critérios apresentados a seguir. Ensino infantil e Anos iniciais do fundamental: formação obrigatória de professores bilíngues para atuação em escolas e classes de educação. Anos finais do ensino fundamental, médio e no técnico profissional: não se faz obrigatório que os professores sejam bilíngues, porém, é importante conhecer as especificidades linguísticas e o processo de ensino-aprendizagem dos alunos surdos. Imprescindível a presença de tradutores e intérpretes da Libras-Língua Portuguesa, embora, que nessas fases não se eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 34 20/11/2019 17:47:04 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais 35 torna obrigatório que as escolas e/ou classes sejam bilíngues: esses níveis de ensino também podem ser realizados em escolas de ensino básico comum, desde que atenda as condições expostas. Segundo Lodi (2013, p. 54), “para que a língua inicial de instrução escolar seja a Libras, é necessário mudanças e reivindicações, uma vez que até mesmo a escrita das duas línguas é diferente”. A presença da escrita do português nos processos educacionais é inerente à estrutura pedagógica, que insere e garante status de língua de instrução, o desenvolvimento de linguagem/apropriação da Libras pelos alunos surdos nos primeiros anos escolares é garantido e, consequentemente adquire-se uma base educacional. Após aquisição da língua materna, a Língua de Sinais, os alunos podem praticar com professores nativos da Língua Portuguesa, com o auxílio de um tradutor intérprete. O ensino infantil, assim como os primeiros anos do fundamental, deve ser cursado, obrigatoriamente, em escolas bilíngues. Já os demais níveis podem ser frequentados em escolas comuns, sob a orientação de professores com o perfil conhecedor da língua e intérpretes contratados, objetivando facilitar o acesso aos conteúdos curriculares, em todas as atribuições didático-pedagógicas e no auxílio e facilidade às atividades institucionais. Embora a escolarização do aluno surdo possa acontecer por intermédio de docentes que entendam as particularidades do ensino de surdos, fica notório que essa organização não descaracteriza uma escola bilíngue. O instrumento ao informar que as instituições federais de ensino devem abastar específicas constituições também detalha os papéis dos agentes docentes inseridos nas escolas bilíngues: professor ou instrutor de Libras; tradutor e intérprete da Libras para a Língua Portuguesa e vice-versa; professor para o ensino, como segunda língua para os surdos, do português; e professor regente de classe geral, nas várias áreas de conhecimento,com ciência da originalidade linguística dos alunos surdos. eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 35 20/11/2019 17:47:04 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais36 Frequentemente existe nas escolas debates sobre os limites entre a ação do professor na sala de aula e o intérprete, e fi ca claro que o intérprete transmite a informação que é produzida pelo professor sem interferência sobre o raciocínio do professor. “É imprescindível ofertar, desde a educação infantil, o ensino da Libras e da Língua Portuguesa, como segunda língua para alunos surdos” (BRASIL, 2005). Assim, para que isso seja realidade deve-se pensar em formas singulares de avaliação, que contemplem o ensino de Libras e Língua Portuguesa. O decreto também defi ne que se deve: [...] adotar mecanismos de avaliação coerentes com aprendizado de segunda língua, na correção das provas escritas, valorizando o aspecto semântico e reconhecendo a singularidade linguística manifestada no aspecto formal da Língua Portuguesa; desenvolver e adotar mecanismos alternativos para a avaliação de conhecimentos expressos em Libras, desde que devidamente registrados em vídeo ou em outros meios eletrônicos e tecnológicos (BRASIL, 2005). A formação de professores para o ensino de Libras é um ponto importante dessa visão e deve ser: [...] posta em diálogo com a formação necessária para o ensino do português como segunda língua. No que diz respeito ao ensino de Libras, o documento, uma vez mais, relaciona essa formação à atuação nos diferentes níveis educacionais e recomenda que pessoas surdas tenham prioridade em todos os processos formativos, visando garantir, assim, que a apropriação dessa língua pelos alunos surdos ou sua aprendizagem por ouvintes, seja realizada por meio de seus usuários (LODI, 2013, p. 57). eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 36 20/11/2019 17:47:04 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais 37 É importante que você pesquise na internet e leia o Decreto Federal para que você tenha embasamento prático e teórico na escola. eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 37 20/11/2019 17:47:04 SAIBA MAIS LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais38 eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 38 20/11/2019 17:47:04 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais 39 UNIDADE 02 A CONSTRUÇÃO GRAMATICAL DA LIBRAS eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 39 20/11/2019 17:47:04 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais40 INTRODUÇÃO A disciplina de Libras foi idealizada para que estudantes tenham contato relacionado à Língua de Sinais, à Cultura Surda, aos preconceitos linguísticos existentes no Brasil e às abordagens de ensino para a Educação de Surdos. A Libras é uma língua natural, reconhecida como um meio de comunicação legal pela Lei 10.436 de 2002. É a partir dessa lei que os profissionais da área de pedagogia, fonoaudiologia e licenciaturas têm a garantia do contato com a disciplina de Libras para a sua formação, o que é um avanço relevante tanto para esses profissionais como para a comunidade surda. O que você receberá, aqui, são informações que certamente irão lhe auxiliar na tomada de decisões, caso no seu percurso profissional ou na sua rotina diária você encontre pessoas surdas ou outros profissionais que trabalhem com pessoas surdas. Acredito que você já tenha assimilado que a Língua de Sinais Brasileira é uma língua usada nas comunidades surdas, então agora estudaremos juntos a parte da linguística, que descreve a língua no âmbito da construção gramatical da Libras. Este material fornece informações relevantes sobre os fonemas na Língua de Sinais Brasileira, do ponto de vista de sua função na língua, que é onde começa a estrutura da gramática. Assim, entenderemos os parâmetros da Libras e as suas funções. eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 40 20/11/2019 17:47:04 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais 41 1 2 3 4 OBJETIVOS Olá! Seja bem-vindo(a) à Unidade 2. Nosso objetivo é auxiliar você no desenvolvimento de algumas competências profissionais até o término desta etapa de estudos. Obter entendimento sobre os parâmetros da Libras. Aprender e praticar os classifi cadores. Identifi car e solucionar problemas relacionados à gramática da Libras. Compreender o papel e a importância dos intensificadores dentro do discurso. Preparado para uma viagem sem volta rumo ao conhecimento? Ao trabalho! eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 41 20/11/2019 17:47:04 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais42 Entendimentos gerais sobre a Língua de Sinais Conhecer a Língua de Sinais é de fundamental importância, há inúmeras comunidades surdas espalhadas pelo país. A Libras foi instituída como língua pelo Decreto nº 5.626/2005. E qual é o peso desse reconhecimento? Porque pelo que já vimos foi com o reconhecimento que passou a ser obrigatório o uso em todos os órgãos públicos, como em escolas, hospitais, prefeituras e outros ambientes. É possível perceber uma melhoria em relação ao atendimento às pessoas surdas. Apesar da legalização ter acontecido a pouco tempo, a dificuldade na comunicação vem de muitos anos. Foi necessária uma verdadeira revolução para a aceitação da Língua de Sinais, pois, até então, ela era tida apenas como uma linguagem expressa por meio do movimento do corpo e encarada como mímicas. As pesquisas da Língua de Sinais sob o olhar da linguística começaram a ocorrer no ano de 1957 com o observador norte-americano William Stokoe. Em 1960, os resultados da análise foram notados sobre a Língua Americana de Sinais (STOKOE, 1960) e desse momento em diante as Línguas de Sinais passaram a ser objeto de estudos, levando em consideração que a linguística considerou a presença gramatical da Libras, assim como as Línguas Orais. […] considera-se pessoa surda aquela que, por ter perda auditiva, compreende e interage com o mundo por meio de experiências visuais, manifestando sua cultura principalmente pelo uso da Língua Brasileira de Sinais – Libras. Parágrafo único. Considera-se deficiência auditiva a perda bilateral, parcial ou total, de quarenta e um decibéis (dB) ou mais, aferida por audiograma nas frequências de 500Hz, 1.000Hz, 2.000Hz e 3.000Hz (BRASIL, 2005). eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 42 20/11/2019 17:47:04 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais 43 Há alguns anos, os estudos sobre linguística se limitavam às Línguas Orais, mas desde o início do reconhecimento da Língua de Sinais, um novo olhar vem sendo estabelecido. As pesquisas direcionadas a Libras vêm com abordagens específicas educacionais na defesa da Cultura Surda. Essas variações não se resumem apenas à comparação dos processos que promovem um enriquecimento do vocabulário, mas também estão relacionadas à percepção de mundo e à condição de complexidade em decorrência do processo de aquisição da língua, aspectos culturais e até impacto político e social na vida dos surdos. É importante apontar para aspectos relacionados à organização da gramática e seu funcionamento. Há uma delimitação entre gesto, Língua de Sinais e aprendizado de uma segunda língua, o que gera, muitas vezes, incompreensão por parte dos surdos, que, por não terem orientação, não se identificam com outros surdos quando se cria um determinado sinal. O entendimento dos parâmetros contempla o perceber da fonética e fonologia, elas se complementam por estarem inseridas na linguística. O estudo da Linguística analisa as línguas nativas humanas, ou seja, é uma ciência que estuda diferentes línguas, não se detém a uma análise restrita. SAIBA MAIS++ eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 43 20/11/2019 17:47:04 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais44 Segundo Strobel (2008), os surdos tiveram um início de história mediado por duas expectativas, que é o olhar doutrinário e o medicinal, onde as pessoas surdas eram representadas por pessoascom anomalias nos ouvidos, na composição vocal e no cérebro. Esses pacientes tinham o empenho dos médicos, que estudavam acerca da fala e da aprendizagem dos surdos com expectativas de possibilidades. Já, na visão doutrinária, religiosa, inicialmente, a igreja tinha a crença de que, como os surdos não ouviam e se comunicavam pela fala, não poderiam ser perdoados seus pecados e consequentemente condenados ao inferno, para a salvação, a Igreja disponibilizava os membros do clero na prática da assistência a essas pessoas surdas, assim, os padres e demais religiosos tornavam-se responsáveis, zelando e cuidando da educação dos surdos. E diante desse olhar, antes de entender que nem todo surdo é mudo, o termo surdo-mudo foi utilizada, em muitas situações, incorretamente, porque a mudez não tem relação com a surdez, como ainda não havia motivação para que os surdos desenvolvessem a fala, surgiu essa expressão que “todo surdo é mudo” que na verdade não deve ser usada. As terapias de fala auxiliaram nessa quebra de mito, porque desenvolvem a oralização nas pessoas surdas, e isso é o estímulo, se um surdo não se expressa através da fala, necessariamente não é mudo; mas provavelmente não obteve orientações para o seu desenvolvimento, como exercícios que estimulam a comunicação oral. eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 44 20/11/2019 17:47:04 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais 45 Figura 1 - Língua de Sinais Fonte: Wikimedia. Os parâmetros da Libras A linguística explora a língua enquanto processo e preza pela coerência na atividade de expressar-se. Nesse sentido, a linguística é vista como uma ciência com características de descrição própria, descrever-se a si mesma, já que a linguística desnuda a língua e a mostra de maneira autêntica. O estudo da linguística contempla a morfologia, a fonética, a fonologia, a semântica e a pragmática, além disso a linguística tem relação com outras ciências, como a sociologia, por exemplo. eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 45 20/11/2019 17:47:05 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais46 Figura 2 - Fonética e Fonologia Fonte: GraphicMama-team / Pixabay. A fonética explora os sons isolados, descreve os sons usados na linguagem humana, e a fonologia se detém a estudar sons que altera o significado do sentido, como pares mínimos que ressignifica alguma coisa, como um objeto, por exemplo, café, boné, cafuné, então, enquanto a fonética descreve, a fonologia explica. A morfologia examina os princípios internos da formação das palavras, com o objetivo de compreender os ajustes realizados entre eles (QUADROS, 2004). Essas palavras são produzidas por morfemas, que são as identidades significativas. Há morfemas que constituem vocábulo, outros são reclusos e não têm capacidade de habilitar palavras insubordinadas de outras (QUADROS, 2004). A sintaxe é a competência da linguística que cria e discorre a estrutura das sentenças de uma língua, as línguas possuem variadas estruturas sintáticas e, por isso, existe no seu desenvolvimento uma base estrutural. Quadros (2004) afirma com intensidade que a Libras carrega uma gramática de sistema básico que a Língua Portuguesa dominante no Brasil. eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 46 20/11/2019 17:47:05 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais 47 Fonte: GraphicMama-team / Pixabay. A ordem de sequência: S (sujeito) + V (verbo) + O (objeto). Apesar da apresentação dessa ordem ser essencial, não quer dizer que as pessoas que a utilizam não se apropriem de outro tipo de comunicação oral (QUADROS, 2004). De acordo com Quadros (2004, p. 21), “A semântica analisa o significado do vocábulo e da sentença”. Quer dizer que, explora o sentido particular das palavras e também em grupos, que muitas vezes apresentam uma interpretação diferenciada – a exemplo do linguajar, que são línguas regionais inerentes. A semântica examina os significados das sentenças, implícitos ou não, como as metáforas, ironias e outros. E sob o ponto de vista clássico, a pragmática, que explora a linguagem na prática. Figura 3 - Estrutura da Comunicação eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 47 20/11/2019 17:47:05 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais48 O estudo científico da língua é como uma manifestação natural, não delimita a análise de uma espécie de línguas, não é o estudo isolado do português, da Língua de Sinais Americana (ASL), da Língua Brasileira de Sinais, e também não se refere ao estudo de um conjunto de línguas com características em comum. Quanto mais estudarmos sobre as especificidades das mais diversas línguas naturais, melhor o entendimento da língua. A história da Cultura Surda supera séculos de opressão. Antes, concordava- se que o surdo tinha habilidade de desenvolver a língua falada, por isso ele foi obrigado a utilizar a língua oral. Porém a língua verbalizada já expressava sentido, já que o vocabulário não remetia a nenhum significado, mas, a partir da introdução da Língua de Sinais, foi possível a compreensão da linguagem e de tudo que lhe rodeava. eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 48 20/11/2019 17:47:05 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais 49 A fonologia das Línguas de Sinais O propósito inicial da fonologia na Língua de Sinais é descrever as identidades mínimas da língua que são adequadas à formação de sinais. É ter habilidade e conhecimento para as normas de ajustes. As primeiras análises linguísticas referentes à Língua de Sinais tiveram início no período de 1957, no momento em que o estudioso William Stokoe descreveu um estudo de compreensão da constituição dos sinais na Língua Americana de Sinais, a ASL (American Signs Language). Com o objetivo de trazer conhecimento dos sinais, ele os separou e indicou três parâmetros básicos: configuração de mão (CM), ponto de articulação (PA) e movimentos (M). Depois desse momento iniciaram-se pesquisas quanto a estrutura linguística da Libras. Autores como Ferreira Brito (1995), Quadros e Karnopp (2004) persistiram nas análises linguísticas da Libras para descrever a composição de seus sinais. Foram estabelecidos mais dois parâmetros: a orientação de mãos e expressões não manuais (ENM). eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 49 20/11/2019 17:47:05 Desse modo, veja a seguir os cinco parâmetros citados acima. Confi guração de mão: são 46 confi gurações de mão e são elementos fundamentais para possibilitar a formação dos sinais. Figura 4 – Confi gurações de Mão. LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais50 Figura 4 – Confi gurações de Mão. Fonte: Ferreira Brito e Langevin, 1995 eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 50 20/11/2019 17:47:05 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais 51 Um dos parâmetros da Libras é a configuração de mãos, elas foram representadas a partir de informações coletadas nas importantes capitais brasileiras, reunidas verticalmente segundo a similitude. O bloco de CMs da fi gura refere-se somente às exposições ao nível fonético, encontradas na Libras. A CM pode permanecer a mesma durante a articulação de um sinal, ou pode alterar-se de uma configuração para outra. Quando acontece a alteração na configuração de mão, ocorre deslocamento interno da mão, fundamental mudança que interfere na configuração dos dedos selecionados. Ponto de articulação (PA) ou Locação (L): lugar em que será realizado o sinal. O Ponto de Articulação pode se localizar no rosto, cabeça, braços, troncos e até pernas, como acontece no sinal de “shorts”. Pode também representar um espaço neutro, como exemplifica a imagem 3. O PA exerce ação de influência no significado do sinal, tanto que havendo mudança de lugar, há também mudança de significado. Na Libras, assim como em outras Línguas de Sinais que até o momento foram objetos de estudos, o espaço de enunciação é uma área que possui os pontos dentro da esfera de alcance das mãos.Figura 5 - Ponto de Articulação Fonte: Baltison (1978. p.49). eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 51 20/11/2019 17:47:05 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais52 Nesse espaço interno de enunciação, define-se um número limitado de pontos de articulação. Alguns são mais objetivos, como a ponta do nariz, e outros são mais vastos, como a frente do tórax. Movimento (M): este parâmetro contempla várias formas de movimentos importantes nas Línguas de Sinais, quando alterado, reflete no significado dos sinais, o que pode ocasionar mudança secular, necessário ter objeto e espaço. _____As mãos da pessoa que realiza o movimento representam o objeto, enquanto o espaço de enunciação é o espaço que abrange o corpo do indivíduo que enuncia (BRITO; LANGEVIN, 1995). O movimento é determinado como um parâmetro incompreensível por abranger um conjunto de direções, que vai de ações internas da mão, os movimentos do pulso e os movimentos direcionais no espaço (KLIMA; BELLUGI 1979). Quanto ao movimento, há estudos que orientam que o percurso pode estar nas mãos, pulsos e antebraço. Os deslocamentos direcionais podem ter um sentido único, duas direções ou mais. Figura 6 – Movimento. Fonte: Quadros; Karnopp, 2004. eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 52 20/11/2019 17:47:05 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais 53 Orientação da mão: é um critério determinante no significado do sinal. Na Libras, foram estipulados seis tipos de movimentos - para cima, para baixo, para o corpo, para frente, para a direita ou para a esquerda (QUADROS, 2004). Figura 7 - Orientação das Mãos Fonte: Quadros; Karnopp (2004). Expressões não manuais (ENM): são os movimentos de cabeça, dos olhos, da face ou do tronco, que expressam as proposições indicativas interrogativas, relativas, topicalização, concordância. eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 53 20/11/2019 17:47:05 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais54 O acesso a nova cultura é originário do acesso a Língua de Sinais que possibilitou caminhos e auxiliou no desenvolvimento dos surdos, a língua e a cultura são construções que se complementam e acrescenta na ampliação da cultura. Geralmente associamos o termo cultura à Língua de Sinais, mas não podemos esquecer que a cultura não se resume somente a um conceito linguístico. A Língua de Sinais propiciou a formação de grupos sociais que interagem por meio dessa língua, constituindo uma coletividade surda. Felipe (2002) cita que as línguas e, consequentemente as culturas proporcionam novas sensações, por meio de sistemas que carregam categorias que, em harmonia em seus contextos, considera acontecimentos, qualidades, e outras situações que proporciona significado. Há línguas que fazem subclassificações apartando os elementos em animados e inanimados, penetrando o gênero, tamanho, o formato, a consistência, o número, o caso, o modo, o tempo, o aspecto e o sistema de flexão para concordância (FELIPE, 2002). Os classificadores encaixam-se na Língua de Sinais e nas Línguas Orais. Intitula-se classificador um afixo usado especificamente nas Línguas Negro-africanas, para exemplifi- car a classe nominal pertence de um vocábulo. eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 54 20/11/2019 17:47:06 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais 55 Assim como em algumas Línguas Orais e várias Línguas de Sinais, estão lá os classificadores, inclusive a Libras. Esses são uma espécie de morfema gramatical e lexical, que tem a função de referir-se a classe a que pertence e descrever formas, ações verbais etc. (FERREIRA-BRITO, 1995). Pizzio et al. cita o linguista Allan (1997), que aponta quatro tipos de classificadores nas Línguas Orais, que constituem um conjunto universal. Confi ra a seguir! Obrigatório 1. Línguas de classificador numeral: são línguas em que um classifi cador é básico em muitas expressões quantitativas e em personifi cações anafóricas. 2. Línguas de classificador concordante: São línguas em que os classificadores caminham juntos aos nomes e seus modificadores, predicados e pró-formas. 3. Línguas de classifi cador predicativo: são dominantes os verbos classificadores, que diversificam o seu radical conforme as características das entidades, que comunicam argumentos do verbo. 4. Línguas de classifi cador intralocativo: nelas os classificadores nominais são introduzidos em expressões locativas, que forçadamente seguem nomes em muitos contextos. Referente aos tipos de classifi cadores, pode-se acrescentar e subdividir-se dentro de outras. eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 55 20/11/2019 17:47:06 A categoria que se refere às pessoas e aos animais caracteriza as relações naturais que se desenvolvem entre o gênero feminino e masculino e de adulto ou criança. As que não possuem vida representam objetos, coisas como árvores, montanhas e outros. O tipo de classificador que representa formato exemplifica objetos longos, com formato arredondado que possui variadas superfícies. LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais56 A terceira é a densidade e associa-se com material e forma. A quarta que reúne dois grupos, é a quarta: grandes e pequenos. A quinta é a localidade, que representa um lugar de concentração, um ponto. A sexta é o arranjo, que descreve um motivo específi co. E a sétima representa característica quantitativa, que demonstra volume, por exemplo. REFLITA eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 56 20/11/2019 17:47:06 Eliminar situações que já passaram e requisitar o presente para a Cultura Surda se tornou objeto. Um passado mergulhado na incumbência de se tornarem ouvintes e, por conta disto, aceitar o domínio da sua história os marcou de tristeza. Diante disto, surgem novos feitos e novas interpretações no cotidiano. Por isso, é inaceitável prosseguirmos com as antigas realidades, contadas como antigamente, no tempo da opressão. Há outros caminhos que, mesmo ainda não percorridos, precisam ser relembrados, vividos, por contemplarem a autêntica história natural e cultural dos surdos. Sim, temos nossas persistências de significação: a busca por uma Educação Bilíngue, de qualidade, por políticas para a Língua de Sinais no Brasil, pela conquista do conhecimento inserido nas universidades e muitos espaços que possibilitam novas histórias e significados, que nos alegra, vivenciados em nosso cotidiano e que nos reporta a outras oportunidades. LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais 57 SAIBA MAIS Não deixe de conferir o filme “O milagre de Anne Sullivan” (The Miracle Worker, 2000, com direção de Nadia Tass. A escritora Helen Adams Keller, surda e cega, graças à ajuda e motivação da professora Anne Sullivan, superou as suas difi- culdades. Língua de Sinais e Classificadores Pizzio et al. (2008) cita que existem várias referências de classificadores verbais e formas de representação. A opção por um classificador é fundamentada no combinado lexical relacionado à concordância gramatical, o que o subdivide em conjuntos. Conforme Pizzio et al. (2008), os classificadores que exercem a ação de descrever são visualmente entendidos conforme a sua representação de imagem. Por meio deles é possível entender os elementos essenciais, incorporar ações usando os classificadores de acordo com a necessidade. Essa especifi cidade de classifi cador abrange subgrupos: o dimensional, que expõe as dimensões; a bidimensional, que é o dobro das dimensões que se vê; e o tridimensional, que demonstra todas essas dimensões que permitem registrar a sensação de introdução da ênfase visual (PIZZIO et al., 2008). Os classificadores dentro da Língua de Sinais são configurações de mãos que sinalizam aquilo que se quer com os objetos, interação com as pessoas e até mesmo com os animais. Os classificadores expressam e auxiliam na interação em todos os ambientes. Segundo Felipe (2007), sinalizam em concordância com os marcadoressubstituindo e estabelecendo o sujeito, o objeto em questão à ação verbalizada. Os classifi cadores auxiliam eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 57 20/11/2019 17:47:06 ++ LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais58 na representação inclusive de expressões que exigem o uso do plural. Alguns sinais são icônicos e confundem-se com os classificadores, importante atentar-se para não substituir pelo termo “classificadores”, que são algumas configurações de mãos incorporadas junto a tipos de verbos específicos e que são exigidos, com os adjetivos que tem função de descrever na Língua de Sinais, por serem gesto-visuais, representam iconicamente qualidades de objetos (FELIPE, 2007). SAIBA MAIS O texto Sistema de flexão verbal na Libras: os classificadores considerados marcadores de flexão de gênero, Tanya A. Felipe trata de expor os classificadores de forma clara. Intensifi cadores no discurso da Libras Os intensificadores são representados tanto pelos adjetivos quanto pelos verbos e intensificadores, que conhecemos como “rápido e muito”. No caso dos verbos, incorporam advérbios transparecendo as alterações de movimentos. Os intensificadores estão presentes nas expressões não manuais, que são as faciais e corporais (FELIPE, 2007). Para intensificar uma ação repetimos o sinal que representa a expressão corporal que é geralmente um movimento lento, até por conta da própria interpretação. Para obter sucesso na realização do sinal que demonstra a intensificação rápida, a ação já deve ser incorporada por um movimento acelerado e repetido várias vezes seguidamente. Um bom exemplo é o sinal de feio: eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 58 20/11/2019 17:47:06 ++ LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais 59 Perceba que no sinal de feio há uma expressão facial que colabora com a interpretação, para dizer “muito feio” é só repetir o sinal algumas vezes seguidas para demonstrar intensidade. Exemplo de Feliz: Figura 8 - Sinal de feio Figura 8 - Sinal de feliz Fonte: Quadros; Karnopp (2004). Fonte: Quadros; Karnopp (2004). Perceba que no sinal de feliz há uma expressão facial que colabora com a interpretação, para dizer “muito feliz” é só repetir o sinal algumas vezes seguidas para demonstrar intensidade. É comum usar esses intensificadores em exposições na Língua de Sinais. As marcas não manuais, que são as expressões faciais e corporais bastante utilizadas pelos eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 59 20/11/2019 17:47:06 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais60 surdos para argumentar ou explicitar na comunicação com sentido intensificado. As marcas morfológicas auxiliam no cumprimento desse papel. Vamos entender! a) Morfema adjetivo: é o deslocar da cabeça e a direção do olhar, ao mesmo tempo do sinal manual, o qual expressa um substantivo qualitativo. b) Morfemas dêiticos: é a indicação do olhar e da cabeça, ao mesmo tempo de um sinal relativo ao pronome, ele sinaliza uma referência de espaço singular para os referentes. c) Intensificador: representa uma expressão facial direcionada, e alguns deslocamentos auxiliam na caracterização, como o levantar das sobrancelhas, as bochechas cheias, os olhos bem abertos como se estivessem arregalados, tudo concomitante com o adjetivo, substantivo ou classificador. d) Caso modal: é uma expressão facial específica, marcada pela boca, simultânea com a marcação de um verbo, que caracteriza um caso modal. e) Negação, reprovação: é a movimentação não manual que marca uma expressão particular, indicada pela movimentação contínua da cabeça para os lados e testa enrugada, juntamente com um determinado sinal; a cabeça sutilmente inclinada. f) Morfema para grau de adjetivo: é a proporção pode ser marcada no olhar com o movimento de dilatar ou diminuir as pálpebras em ação com o erguer das sobrancelhas e ao contrair as bochechas. Tudo isso marca os graus aumentativos ou grau diminutivo e o superlativo. eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 60 20/11/2019 17:47:06 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais 61 Alfabeto manual e números (cardinais e quantidades); condições climáticas, ano sideral e calendário Infelizmente, ainda encontramos pessoas que associam a Língua de Sinais ao alfabeto manual, e isto é um grande equívoco, que acontece por falta de informação. Utiliza-se o alfabeto manual em três situações: nomes de pessoas e/ou lugares palavras que desconhecemos os sinais específi cos. confi gurar um determinado sinal. Ex.:sinal DESCULPAR confi guração da mão em y. soletração rítmica, trata-se de um empréstimo da Língua Portuguesa, sendo expressa com um ritmo próprio e em situações específicas. Trata-se de um empréstimo da Língua Portuguesa, sendo expressa com um ritmo próprio e em situações específicas A-C-H-O, M-Ã-E, N-Ã-O, V-A-I. eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 61 20/11/2019 17:47:06 O alfabeto manual pode ser feito com qualquer uma das mãos, só o que não é possível acontecer é trocar as mãos durante a sinalização. 3- Os primeiros movimentos são doloridos por conta da falta de prática. 4- Na datilologia usa-se o espaço ao término da 1ª palavra (lembrando o espaço da antiga máquina de escrever manual). LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais62 A-N-A (espaço) M-A-R-I-A SAIBA MAIS++ O alfabeto manual não é universal, difere de país para país. Existem apenas alguns que são semelhantes. Números Os numerais ordinais do PRIMEIRO até o NONO têm a mesma forma dos cardinais, mas aqueles possuem movimentos enquanto estes não possuem. Os ordinais do PRIMEIRO até o QUARTO têm movimentos para cima e para baixo e os ordinais, do QUINTO até o NONO têm movimentos para os lados. A partir do numeral DEZ, não há mais diferença entre os cardinais e ordinais. eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 62 20/11/2019 17:47:06 Figura 8 - Números 0 a 9 Fonte: Quadros; Karnopp, 2004. LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais 63 Valores Representam regras para valores. Os sinais em valores de R$ 1,00 a 4,00 por exemplo, são realizados de forma a atender a uma rotação, avançando os números para quantidade. Observe o exemplo! Figura 9 - Valores de 1 a 4 Fonte: Quadros; Karnopp (2004). Não é necessário usar o sinal de real, pois o mesmo já está subentendido no contexto do movimento de rotação da mão. Os sinais para valores a partir de 6,00 deverão ser feitos com sinais de números cardinais. Veja na figura abaixo! Figura 10 - Valores de 5 a 9 Fonte: Quadros; Karnopp (2004). eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 63 20/11/2019 17:47:06 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais64 Calendário - Dias da Semana Figura 13 - Sinais de domingo a sábado Figura 12 - Sinais de dias específicos Figura 11 - Sinal de semana eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 64 20/11/2019 17:47:06 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais 65 Meses do ano Figura 14 - Sinal de cada mês do ano eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 65 20/11/2019 17:47:07 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais66 Condições Climáticas Figura 15 - Sinal de todas as estações do ano Estrutura Sintática A estrutura gramatical da Libras não é a mesma da Língua Portuguesa, porque ela tem gramática diferenciada, independente da Língua Oral. A ordem dos sinais na movimentação de um enunciado segue regras próprias, que obedecem a toda uma percepção visual- espacial da realidade. Perceba como as estruturas são independentes! eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 66 20/11/2019 17:47:07 Advérbios de tempo e flexões de frases: negativa, interrogativa e exclamativa LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais 67 Libras: EU IR PARQUE (Verbo direcional) Português: " Eu irei para o parque. " “para” - não se usa em Libras porque está incorporado ao verbo Libras: FLOR EU-DAR MULHER^BENÇÃO (Verbo direcional) Português: "Eu dei a flor para a vovó." Libras:PORQUE ISTO (expressão facial de interrogação) Português: "Para que serve isto?” Há alguns casos de omissão de verbos na Libras: Libras: “CINEMA O-M-E-U-H-E-R-O-I MUITO-BO@“ Português: "O fi lme Meu herói é maravilhoso!” Exclamação Libras: PORQUE PESSOA FELIZ-PULAR Português: “... porque as pessoas estão felizes demais!” Exclamação Exclamação Na estruturação da Libras observa-se que a mesma possui regras próprias; não são usados artigos, preposições, conjunções, porque esses conectivos estão incorporados ao sinal. EXEMPLO OBSERVAÇÃO + eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 67 20/11/2019 17:47:07 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais68 Sinais de verbos e suas negativas Tratando da sintaxe, as sinalizações não-manuais indicam tipos de construções específicas, como acontece nas sentenças interrogativas, afirmativas, condicionais, negativas. No caso, vamos focar na negativa. Sentença negativa traz um elemento de negação explícito, como o “não”, o “nada”, a expressão “nunca”. Segundo Arrotéia (2005), existem duas formas de expressar a negação não-manual em Libras. Realizar o deslocamento da cabeça de um lado para o outro indicando a negação, lembrando que ele não é obrigatório, apenas está relacionado a questões discursivas. 1º A utilização de expressões faciais de negação onde a característica facial em que há o abaixamento dos cantos da boca ou arredondamento dos lábios, sempre agregada ao abaixamento das sobrancelhas e ao discreto abaixamento da cabeça. É obrigatório o movimento de negação da cabeça por estar relacionada a questões sintáticas. Figura 16 - Sinal de expressão negativa Fonte: Freepik. eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 68 20/11/2019 17:47:08 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais 69 UNIDADE 03 COLOQUIAL eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 69 20/11/2019 17:47:08 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais70 A disciplina de Libras foi idealizada para que estudantes tenham contato relacionado à Língua de Sinais, à Cultura Surda, aos preconceitos linguísticos existentes no Brasil e às abordagens de ensino para a Educação de Surdos. A Libras é uma língua natural, reconhecida como um meio de comunicação legal pela Lei 10.436 de 2002. É a partir dessa lei que os profissionais da área de pedagogia, fonoaudiologia e licenciaturas têm a garantia do contato com a disciplina de Libras para a sua formação, o que é um avanço relevante tanto para esses profissionais como para a comunidade surda. O que você receberá aqui são informações que com certeza irão lhe auxiliar na tomada de decisões caso no seu percurso profissional, na sua rotina diária você encontre pessoas surdas ou outros profissionais que trabalhe com pessoas surdas. Você já sabe qual é a Língua usada nas comunidades surdas? Sim, então agora estudaremos juntos a parte da linguística que descreve a língua no âmbito da construção gramatical da Libras. Este material dará informações referentes à fonética e à fonologia, que é onde começa a estrutura da gramática, entenderemos os parâmetros da Libras e as suas funções. INTRODUÇÃO eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 70 20/11/2019 17:47:08 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais 71 1 2 3 4 OBJETIVOS Olá! Seja bem-vindo(a) à Unidade 3. Nosso objetivo é auxiliar você no desenvolvimento de algumas competências profissionais até o término desta etapa de estudos.: Entender os parâmetros espaço, direção e perspectiva. Aprender os sinais que representam o tempo e os números ordinais. Identificar pronomes e expressões que fazem parte do cotidiano. Compreender verbos específi cos e as suas variações. Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao conhecimento? Ao trabalho! eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 71 20/11/2019 17:47:08 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais72 Espaço, direção e perspectiva A Língua Brasileira de Sinais, como estudado anteriormente, possui uma estrutura gramatical própria, como qualquer outra língua. Não são apenas gestos ou mímicas, todas as marcações e sinalizações realizadas constituem um sentido de expressão. Existem os níveis linguísticos, morfológicos que é a parte da gramática que analisa os vocábulos de forma independente, a análise do sistema sonoro de cada idioma, nível sintático que estuda a construção da oração, e semântico que nos leva ao entendimento do significado das palavras. O que vai refletir a variação da Libras em comparação com as outras que também conhecemos é sua modalidade visual-espacial que é representada por sinais diferentes da Língua Oral auditiva que utiliza a palavra. Os gestos e expressões faciais e corporais estabelecem uma relação de compreensão entre os participantes do diálogo. A Língua de Sinais não é única em todos os lugares do mundo, ela sofre variações regionais. [..]considera-se pessoa surda aquela que, por ter perda auditiva, compreende e interage com o mundo por meio de experiências visuais, manifestando sua cultura principalmente pelo uso da Língua Brasileira de Sinais – Libras. Parágrafo único. Considera-se defi ciência auditiva a perda bilateral, parcial ou total, de quarenta e um decibéis (dB) ou mais, aferida por audiograma nas freqüências de 500Hz, 1.000Hz, 2.000Hz e 3.000Hz (Art. 2º do Decreto nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005) A Língua de Sinais é baseada e desenvolvida no âmbito de maior percepção do surdo, que é a dimensão espacial, com estrutura semântica, sintática e gramatical, mesmo sendo basicamente diferente das línguas escritas e expressadas verbalmente. Quando tratamos de uma língua que não possui sonoridade ficamos mais atentos a perceber de forma singular os processos de sentido. O uso da Libras no cotidiano do surdo minimiza as dificuldades de aprendizagem que ocorrem continuamente em ambientes onde a Língua Oral é imposta. eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 72 20/11/2019 17:47:08 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais 73 Estudiosos da ciência, que se debruçam sobre os estudos dos conflitos linguísticos e que são cientes da essencialidade da Língua de Sinais, apontam as divergências vivenciadas pelos surdos nas situações de inclusão escolar, dadas as razões concernentes à forma peculiar de comunicação e de compreensão do mundo. Parâmetros e componentes Quando mencionamos a respeito dos articuladores da Língua de Sinais, afirmativamente pensamos no movimento das mãos, juntamente com outras partes do corpo que compõem o movimento, como a cabeça, face e tronco. Vamos relembrar os parâmetros que formam os sinais em Libras. São cinco parâmetros. A configuração da mão A representação seguida pela mão, resulta na posição dos dedos, cada idioma tem seu próprio repertório de configurações, algumas são mais complexas, que exige treinamento como o alongamento dos dedos, e outras são mais simples por não exigir movimento e articulação. Ponto ou local de articulação O ponto ou local de articulação orienta onde é possível o toque no corpo ou no espaço. Ele é demarcado pela extensão dos braços e acontece acima da cabeça ou também para frente do corpo, geralmente o tamanho do sinal pode ser comparado à emoção, intensidade da voz, ritmo etc. Tudo isso para que visualmente fique mais perceptível a mensagem. SAIBA MAIS eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 73 20/11/2019 17:47:08 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais74 Orientação/direcionalidade Existem sinais que possuem a mesma configuração. Eles são comuns no ponto de articulação e movimento, e se diferencia apenas na orientação da mão, o que já altera por completo o sinal e o seu movimento. O movimento É comum que não haja sinais estáticos em um local, porém não livres de movimento. O parâmetro de movimento é a maneira como a mão se desloca, que pode ser de forma linear, arqueada, circular, simultânea ou alternada com ambas as mãos, que podem ir para frente, em direçãoa direita, esquerda etc. Expressão facial e/ou corporal: Também chamados de componentes não manuais: as fisionomias faciais e corporais, vocalizações parciais de palavras e movimentos dos olhos, cabeça e corpo etc. têm um papel importante na produção dos sinais, porque complementam o sentido do que está sendo expressado. É por meio desse parâmetro que inserimos todas as marcas necessárias para articular o sinal, pensar no que é correto em termos de parâmetro para expressar a palavra na qual nos referimos na língua de sons. Componente oral: são os movimentos realizados com a boca e bochechas que complementam a descrição fonológica do sinal. Posição de sobrancelha e testa: A expressão das sobrancelhas pode ser enrugada, levantada ou manter a posição neutra. Outros aspectos também importantes da expressão facial e/ ou corporal são: a direção do olhar, a posição do corpo, posição e/ ou movimento da cabeça, a expressão facial global. Todos esses parâmetros desempenham uma função diferente, cada um tem o seu lugar, possibilitando a origem de um sinal variado. eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 74 20/11/2019 17:47:08 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais 75 A observação de todos os movimentos e desenvolvimento dos sinais contribui muito para a aprendizagem e entender os parâmetros, que auxiliam na prática e assimilação da língua. Espaço na Libras Figura 1 - Parâmetros na Libras Fonte: Editorial Telesapiens. Fonte: Editorial Telesapiens. As relações gramaticais são verificadas quando observamos o manuseio dos sinais no espaço. As proposições acontecem no interior de um espaço delimitado na frente do corpo, o qual contempla uma área que vai da extremidade da cabeça até os quadris. A finalização da sentença na Libras é orientada por um intervalo. A ilustração abaixo, demonstra o espaço de efetivação dos sinais. Figura 2 – Espaço na Libras eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 75 20/11/2019 17:47:09 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais76 O local em que se identifica o ponto de articulação é o espaço no corpo em que o sinal é realizado. O espaço de enunciação é o campo que contém todos os pontos inseridos no quadrante de extensão das mãos. Como qualquer Língua de Sinais, a organização visual-espacial é uma característica fundamental e está evidente em todas as situações de análise. Referente ao nível fonológico, um mesmo sinal pode ser realizado em diferentes locais, inclusive no espaço neutro, que é a dimensão localizada na frente do comunicador. A variação do ponto requerido na área para a execução de um sinal pode gerar sinais com referentes diferentes. Veja alguns exemplos. Figura 3 - Espaço na Libras Fonte: Editorial Telesapiens. Na fi gura 3 é possível notar que o desenvolvimento de um sinal em um específi co ponto na área origina alterações de eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 76 20/11/2019 17:47:09 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais 77 Fonte: Editorial Telesapiens. sentido relacionadas a questões semânticas. Para especificar um referente, é praticável produzir um sinal em uma estabelecida localização; se o mesmo sinal for imitado em distintos pontos do espaço, estaremos no domínio morfológico, por conta dos movimentos que apontam uma marcação múltipla e flexão verbal. No estado sintático, a escolha do espaço é examinada para definir combinações gramaticais entre os referentes. Figura 4 - Direção na Libras Fonte: Editorial Telesapiens. Os sinais transmitem uma direção, quando invertidos pode acontecer de representar um signifi cado contrário. As mãos se deslocam em movimentos internos de mão, pulso e também direcionais no espaço. Figura 5 - Mãos na altura do peito e cabeça eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 77 20/11/2019 17:47:09 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais78 A história presente no filme O milagre de Anne Sullivan (The Miracle Worker, 2000), sob direção de Nadia Tass, expõe como a escritora Helen Adams Keller, surda e cega, ultrapassou as suas limitações. Os ensinamentos da professora Anne Sullivan, deficiente visual a auxiliou, ainda na infância, Helen Keller tornou-se filósofa e jornalista de sucesso. Perspectiva na Educação dos Surdos Tratando da perspectiva no âmbito educacional que inclui as pessoas com surdez, a educação bilíngue é aquela que motiva o aluno a se expressar e se sentir participante do ambiente escolar auxiliando-o no exercício cognitivo e treinando as suas habilidades, que proporcionarão interação no meio do grupo social no qual pertence. Infelizmente, a insistência no embate entre a relação no uso individual da Libras e/ou da Língua Portuguesa mantém os alunos surdos longe das escolas e, por conseguinte, afasta intenções que parte de iniciativas escolares de reconhecimento inclusivo. O Decreto de 5 de dezembro de 2005, sob nº 5.626, garante que as pessoas com surdez tenham direito a uma educação formadora, em que a Língua de Sinais e a Língua Portuguesa sejam contempladas no ensino de forma simultânea, porque isso auxilia no processo de desenvolvimento escolar dos alunos. Um ambiente que favoreça a aprendizagem a todos os alunos, que estimule a capacidade de idealização de novos pensamentos, conceitos e aprendizagem em sala de aula parte de uma busca de recursos variados, uma metodologia que pratique a vivência onde juntos, alunos e professores desenvolvam um raciocínio e cheguem às respostas de seus questionamentos. Essa postura faz com que o aluno desenvolva as suas habilidades. SAIBA MAIS eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 78 20/11/2019 17:47:09 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais 79 As aulas devem ser elaboradas por professores das áreas que compõem o quadro de disciplinas da instituição para que construam conhecimentos diferentes. A confiança no professor é um dos fatores que garantirá o êxito na aprendizagem, dependendo da forma que o profissional o acolhe, o aluno se sentirá respeitado e acatará as informações e aprendizado transmitido, gerando assim uma relação de troca. Figura 6 - Crianças aprendendo linguagem de sinais Fonte: http://bit.ly/335hwIe. A naturalidade das Línguas de Sinais e a sua complexidade por ser identificada como um canal visual- espacial, utilizando da articulação manual, fisionomias faciais e expressões corporais, compõem a sua estrutura. As línguas são independentes umas das outras e a Língua de Sinais possui uma estrutura gramatical própria, na qual é possível notar aspectos linguísticos presentes na fonologia, na morfologia, características sintáticas e semânticas. Assim, é perceptível, tal como em outras línguas, não apenas um diálogo fluente e discussões que comtemplam temas relacionados a contextos específicos e variados, como também a sua não universalidade, visto que possui diversas variações regionais. Aqui no Brasil, a Libras é reconhecida pelo Decreto de Lei nº 10.436/2002 como legítimo meio de comunicação e expressão. eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 79 20/11/2019 17:47:09 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais80 Ultimamente, diversas manifestações pedagógicas promoveram o uso da Libras nas escolas, propiciando o seu ensino, já que não é uma língua usual na maioria dos ambientes sociais. Por isso, a construção de ambientes educacionais é um desafio pertencente às políticas públicas de inclusão nas escolas no Brasil. Aniquilar o passado e querer viver o presente é um trunfo para a cultura surda. Uma vivência na obrigação de aceitar que outros fossem protagonistas de sua história, a opressão que viveram marcou-os de forma triste. Agora, surgem novas conquistas e significações no dia a dia. Se persistirmos com a realidade da época colonial, corremos o risco de registrar uma história de renúncia, de dominação, de lamentos. Há outros caminhos a serem percorridos que estamos a descobrir e que serão vivenciados e narradospor produzirem uma autentica história cultural. São lutas de significação que persistem na busca por uma educação bilíngue, por políticas que contemplem e amparem a Libras, por posições igualitárias para profissionais da área. E muitos outros espaços que propiciem novos sentidos. Tempo e numerais ordinais As expressões que envolvem os numerais ordinais são expostas do primeiro até o nono e configuram-se como os cardinais. O que os diferencia são apenas alguns movimentos. Os ordinais que representam do primeiro até o quarto realizam movimentos para cima e para baixo, e os ordinais do quinto até o nono deslocam-se para os lados. No numeral “dez”, não existe alteração intervalar nos ordinais e cardinais. SAIBA MAIS eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 80 20/11/2019 17:47:09 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais 81 Figura 7 - Números ordinais Fonte: Editorial Telesapiens. Tempo na Libras A Libras não contempla variações verbais como na Língua Portuguesa para representar o verbo no tempo passado, futuro ou presente. A ação é quem vai determinar, por exemplo, a inserção dos advérbios hoje, amanhã, ontem, semana passada. Até aparecer no diálogo um sinal que represente outro tempo além do passado, tudo é interpretado como acontecimento que já ocorreu, ou seja, tempo passado, assim, não acontece de a comunicação possuir um sentido ambíguo. eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 81 20/11/2019 17:47:09 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais82 Os sinais que representam uma especificação temporal, geralmente, acompanham uma marcação de passado, futuro ou presente: Figura 8 - Sinal de passado Fonte: Editorial Telesapiens. Poucos desses sinais introduzem essa marca de tempo não demandando uma sinalização separada como ocorre nos sinais de ontem e anteontem. Figura 9 - Ontem e Anteontem Fonte: Editorial Telesapiens. Outros sinais, como ano, exigem o acompanhamento de uma sinalização que represente o futuro ou presente, mas é importante observar que, quando mencionamos o passado, ele sofre uma mudança na direção do movimento “para frente” e “para trás”, o que já significa “ano passado”. eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 82 20/11/2019 17:47:10 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais 83 Figura 11 - Sinal de próximo ano Fonte: Editorial Telesapiens. Figura 10 - Sinal de ano passado Fonte: Editorial Telesapiens. Para a marcação de tempo, são usados locais no espaço para a articulação dos movimentos. Como pode se observar na figura 10, que representa o sinal de passado, a orientação de movimento é para trás. Já o futuro, o movimento é para frente. E quando se refere ao presente, a movimentação é direcionada para a frente do corpo do sinalizador. eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 83 20/11/2019 17:47:10 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais84 Uma base significativamente diferente do tempo foi examinada na Língua de Sinais Urubu-Kaapor, Língua de Sinais da cultura indígena Urubu morador da Floresta Amazônica. Para expressar o tempo verbal no futuro utilizam-se de configurações para cima e o presente no tronco. Pronomes e expressões interrogativas: quando- passado, quando-futuro, D-I-A, que hora, quanta- hora A Libras abrange um sistema pronominal que representa as pessoas que fazem parte do discurso. O interessante é que não existe sinalização de gênero. A facilidade é que, quando o pronome está marcado no singular, o sinal que se usa é o mesmo para todos. O que vai orientar a diferença de gênero é a orientação da mão: Singular, Dual (mão no formato do numeral 2). Trial (Mão no formato do numeral 3). SAIBA MAIS eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 84 20/11/2019 17:47:10 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais 85 Quadrial (mão no formato do numeral 4). Plural (fazer o sinal de grupo ou com a mão em configuração e “D”, fazendo um semicírculo à frente do sinalizador, apontado para as 2°s ou 3°s pessoas do discurso). Pronomes _ pessoais Representa a 1ª pessoa do singular a marcação que aponta para o peito do próprio emissor, que é a pessoa que se expressa: Para representar a 2ª pessoa do singular, a marcação aponta para o receptor da mensagem, que é a pessoa na qual se interage no momento: eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 85 20/11/2019 17:47:10 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais86 Para referir-se à 3ª pessoa do singular, há o apontamento para a pessoa que não faz parte do diálogo, mas se encontra em algum ambiente próximo. Expressões Interrogativas QUE e QUEM são pronomes usados quando se inicia uma frase. ONDE e QUEM representa um signifi cado de QUEM-É ou DE QUEM É e são inseridos no fi nal da frase. As expressões interrogativas são acompanhadas de uma expressão facial que, na verdade, é o que indica que está se fazendo uma pergunta: Quando e D-I-A Vamos aos exemplos para facilitar o entendimento: Quando passado Irmão mudar de casa quando-passado? Quando futuro Que Quem Onde eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 86 20/11/2019 17:47:11 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais 87 Ele passear Fortaleza quando-futuro? D-I-A Eu aprender Libras escola sua. Você poder D-I-A? Que-horas e quantas-horas Usa-se dois sinais para verifi car as horas. Podemos usar conforme as ilustrações abaixo: Hora nessa imagem representa um tempo cronológico e para completar o entendimento observa-se a expressão interrogativa no rosto. Que hora? O arqueado da sobrancelha induz a pergunta interrogativa, por isso a expressão é essencial, porque ela define muitas vezes o sentido a ser dado ao diálogo. Horas do dia – indicam-se os numerais que representam quantidade. Após as 12 horas, a contagem inicia-se novamente: HORA 1, HORA 2, inserindo o sinal eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 87 20/11/2019 17:47:11 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais88 TARDE. Geralmente, o sinalizador já entende que a marcação se refere ao período da manhã, tarde, noite ou madrugada. HORA – com sentido de tempo de duração, são feitos formato de círculos em volta da face. QUANTAS-HORAS – a expressão facial determina a característica interrogativa. Essa pergunta quer dizer quanto tempo se gastará para a execução de uma tarefa. Filme começar que-horas lá? Você dormir que horas? Assistir fi lme quantas-horas noite? Caminhar escola até parque quantas-horas? Sinais do verbo PROCURAR e suas variações Há variação entre o verbo com e sem fl exão: Figura 12 - Sinal do verbo procurar Fonte: Editorial Telesapiens. eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 88 20/11/2019 17:47:11 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais 89 eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 89 20/11/2019 17:47:12 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais90 eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 90 20/11/2019 17:47:13 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais 91 UNIDADE 04 APLICADAS eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 91 20/11/2019 17:47:13 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais92 INTRODUÇÃO A disciplina de Libras foi idealizada para que estudantes tenham contato relacionado à Língua de Sinais, à Cultura Surda, aos preconceitos linguísticos existentes no Brasil e às abordagens de ensino para a Educação de Surdos. A Libras é uma língua natural reconhecida como um meio de comunicação legal reconhecida pela Lei 10.436 de 2002. É a partir dessa lei que os profissionais da área de pedagogia, fonoaudiologia e licenciaturas têm a garantia do contato com a disciplina de Libras para a sua formação, o que é um avanço relevante tanto para esses profissionais como para a comunidade surda. O que você receberá aqui são informações que com certeza irão lhe auxiliar na tomada de decisões caso no seu percurso profissional, na sua rotina diária você encontre pessoas surdas ou outros profissionaisque trabalhe com pessoas surdas. Você já sabe qual é a Língua usada nas comunidades surdas? Sim, então agora estudaremos juntos a parte da linguística que descreve a língua no âmbito da construção gramatical da Libras. Este material dará informações referentes à fonética e à fonologia, que é onde começa a estrutura da gramática, entenderemos os parâmetros da Libras e as suas funções. eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 92 20/11/2019 17:47:13 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais 93 1 2 3 4 Olá! Seja bem-vindo(a) à Unidade 4. Nosso objetivo é auxiliar você no desenvolvimento de algumas competências profissionais até o término desta etapa de estudos. OBJETIVOS Conhecer os sinais de diversas profi ssões e associar o seu signifi cado. Aprender os principais sinais dos meios de comunicação mais usados. Conhecer os parâmetros dos sistemas de transcrição da Libras. Identifi car a arte como uma ponte de interação entre surdos e ouvintes. Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao conhecimento? Ao trabalho! eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 93 20/11/2019 17:47:13 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais94 Sinais de diversas profissões O momento da escolha da profissão é uma fase de dilema na vida de muitos jovens, pois inúmeros fatores influenciam nessa decisão que é tão importante e define o futuro de muitos. A escolha da profissão afeta mais aqueles que já estão prestes a concluir o ensino médio ou que têm a necessidade de interromper os estudos por conta de alguma circunstância que possa interferir na vida financeira familiar. A imaturidade por conta da idade e a falta de experiência de vida, faz com que a decisão se torne ainda mais difícil e, por isso, algumas pessoas sentem-se confusas com influência externa por parte da família, da escola, dos amigos. Influenciadores da profissão Família: os pais têm o poder de auxiliar os filhos na decisão da profissão, e como é uma fase delicada, deve haver bastante diálogo para que os filhos não se sintam incompreendidos e desencorajados. Vislumbre da profi ssão: algumas profissões são vistas como perfeitas por conta do reconhecimento do mercado. Amigos influenciadores: geralmente na fase da escolha da profissão a amizade entre um grupo está intensa o que causa influência de uma escolha ou outra, porque a intenção a princípio é estarem sempre juntos. Profissão tendência: anualmente, uma nova profissão surge, mas é preciso agir com cautela e jamais por empolgação do momento, porque o que é tendência hoje, amanhã não será mais, daí o arrependimento futuro. Remuneração: sempre pensar no que vale a pena, se a satisfação do dia a dia e trabalhar com algo que dá prazer ou os ganhos de remuneração. Conciliar a satisfação profissional e o sucesso financeiro é o ideal. eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 94 20/11/2019 17:47:13 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais 95 Conclusões imaturas: apreciar uma disciplina não indica vocação profi ssional. Preconceito: existe e atinge a maioria das mulheres que decidem se profissionalizar em áreas predominantemente masculinas. Em contrapartida, há homens que não optam por áreas relacionadas ao âmbito feminino por receio do preconceito. Surdos x profi ssões Os surdos são cidadãos que almejam por uma qualificação e, assim como os ouvintes, alcançar uma posição profissional bem-sucedida. É importante sabermos que dar os primeiros passos para inserção no mercado é uma situação que também acontece com eles. Existem alguns trabalhos mais acessíveis aos surdos que vêm ganhando espaço. São atribuições como serviços de digitação, tarefas administrativas, docência etc., e não apenas serviço braçal como geralmente associamos. Isso, porque há áreas que não exigem titulação e formação específicas, que com trabalho braçal é possível executar, pois se trata de uma modalidade de profissões também prevista por lei, como a Lei nº 7.853 de 1989, relacionada ao Decreto 3.298 de Dezembro de 1999, que sustém a inserção de pessoas com “deficiência” no mercado de trabalho. As instituições que possuem um quadro com mais de 100 funcionários, a Lei nº 8.213/91 preconiza que estas organizações se obrigam a ocupar de 2% a 5% dos seus cargos com pessoas com deficiência. Empresas com até 200 funcionários, a ocupação é de 2%; de 201 até 500 empregados, 3%; de 501 a 1.000, 4%, de 1001 em diante, 5%. eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 95 20/11/2019 17:47:13 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais96 A área relacionada à informática oferece formações que auxiliam na profissionalização do surdo. Por exemplo, o curso de informática ministrado pelo Ministério das Comunicações em Brasília, já formou 22 jovens ouvintes e 8 surdos. A docência é um segmento bem visto pelos surdos e pelo qual eles, também, adquirem visibilidade profissional. A quantidade significativa de docentes que ministram aulas no nível de ensino fundamental, médio e universitário contribui para a função de instrutor da Federação Nacional de Educação e Integração de Surdos (FENEIS) ou das Secretarias de Educação dos Estados e Municípios, seja como contratado ou por nomeação. Nestas organizações, executam a função de docentes dos cursos de Libras, atividades de desenvolvimento, que tem por objetivo a obtenção da língua pelas crianças surdas e atividades que iniciam na Pré-Escola e vai até o Ensino Superior, que proporciona o aprendizado por parte de todos os alunos que desejam aprender, surdos ou ouvintes. eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 96 20/11/2019 17:47:13 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais 97 Figura 1 - Aula de Libras na UnB Profi ssão de Intérprete de Libras Fonte: Flickr. Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil conta com 10 milhões de surdos. A elaboração de leis, que garantam a integração de fato e o acesso a direitos, tem proporcionado a inserção de surdos além de ambientes universitários, também a eventos sociais. Por essa razão, a necessidade do profissional de Libras, denominado profissionalmente como intérprete de Libras vem ganhando, cada vez mais, visibilidade acentuada e alta na procura por esses profissionais. O curso de formação em Letras com habilitação em Libras oferecido nas titulações de licenciatura e bacharelado já é ministrado em algumas universidades do Brasil e tem como objetivo capacitar profissionais no domínio da língua, com uma composição curricular que inclui disciplinas básicas. Assim, a principal formação por parte dos intérpretes acontece em escolas e universidades, porém a área é crescente e promissora. Leis têm garantido a integração dos deficientes. É em decorrência disso que muitas empresas de grande eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 97 20/11/2019 17:47:14 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais98 parte das vagas para pessoas com deficiência. Além disso, nas campanhas eleitorais é obrigatório nas transmissões, a tradução por meio do profissional tradutor intérprete de Libras. Sinais de Diversas Profi ssões O sinal de “jornalismo” – para aquele profissional que exerce função na área de comunicação, desenvolve entrevistas, traz fatos, elabora matérias, artigos para divulgar em jornais, revistas e outros veículos de comunicação – é conforme aparece na figura abaixo. Figura 2 - Sinal de jornalista Fonte: Editorial Telesapiens. Figura 3 - Sinal de juiz Fonte: Editorial Telesapiens. Veja também o sinal da profissão de professor que é aquele que instrui, ensina disciplinas, auxilia os estudantes na aquisição de conhecimentos. eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 98 20/11/2019 17:47:14 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais 99 Figura 4 - Sinal de professor Fonte: Editorial Telesapiens. Na sequência, veja o sinal de instrutor, que é designado para aquele que usa seus conhecimentos em prol da educação,exercendo a função de orientar, instruir estudantes, em ambientes escolares, diversos cursos e instituições. Figura 5 - Sinal de instrutor Fonte: Editorial Telesapiens. Sinal de diretor para o que comanda; pessoa que exerce uma das funções de mais responsabilidade na administração de instituições, organizações hospitalares e outras. Figura 6 - Sinal de diretor Fonte: Editorial Telesapiens. eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 99 20/11/2019 17:47:14 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais100 Figura 7 - Sinais de profissões em Libras Fonte: Editorial Telesapiens. Fonte: Editorial Telesapiens. Sinais de diferentes meios de comunicação Figura 8 - Sinais de meios de comunicação eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 100 20/11/2019 17:47:15 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais 101 Fonte: Editorial Telesapiens. Figura 9 - Sinais de meios de comunicação eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 101 20/11/2019 17:47:17 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais102 Figura 10 - Sinais de meios de comunicação Sistema _de transição A transcrição da Libras para a Língua Portuguesa conta com especificidades, que viabilizam o entendimento no contato com a língua. Diferente da escrita de sinais, nas palavras da Língua Portuguesa, os itens lexicais são representados em letras maiúsculas. Vamos aprender com exemplos! Se um sinal se relaciona a duas palavras compostas na Língua Portuguesa, deve-se fazer a divisão com hífen. Ex.: GUARDA-CHUVA. Fonte: Editorial Telesapiens. eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 102 20/11/2019 17:47:17 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais 103 Se dois ou mais sinais fazem referência a uma única palavra na Língua Portuguesa, deve-se usar o sinal de igualdade, para dar o entendimento de que a junção das duas palavras deve dar o sentido de apenas uma e o acento circunfl exo, que une ambas, cumpre essa função. Ex.: CAVALO^LISTRA= ZEBRA. Na cabeça do surdo ele vai associar que a zebra é um cavalo com listras. Nas condições em que existe transcrição de palavras no modelo do alfabeto manual, a representação deve ocorrer separadamente por hífen. Ex.: C-o-t-o-n-e-t-e Se ocorrer um suprimento da Língua Portuguesa para a Língua Brasileira de Sinais a palavra deve ser destacada em itálico. Ex.: NÃO A Libras não apresenta termos que representam gênero e número. Neste caso, usa-se o @ (arroba) no lugar do termo. Ex.: EL@ - ela ou ele ME@ - meu ou minha O recurso de transcrição da Libras é compreendido quando dispensamos atenção, porque assim é possível eliminar equívocos por conta dos sinônimos presentes na Língua Portuguesa. Libras e a escrita de sinais No Brasil, a Língua Brasileira de Sinais – Libras é reconhecida legalmente como meio de comunicação e expressão entre os cidadãos por meio da Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002. eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 103 20/11/2019 17:47:17 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais104 Reconhecemos a Língua Brasileira de Sinais como um meio de interação, comunicação e expressão tanto corporal quanto facial pelo qual o recurso linguístico de origem visual-motora, com uma organização gramatical peculiar, participa de um sistema linguístico, que transfere conceitos e fatos originários de culturas pertencentes a pessoas surdas. Foi regulamentado em 2005, o Decreto n° 5.626, que abarca a Lei n° 10.436/02, a qual descreve como “pessoa surda aquela que, por falta de capacidade auditiva, interage e se comunica com a sociedade por meio de experimentações visuais, expondo sua cultura e costumes essencialmente pelo uso da Libras”. A Libras é a língua materna do surdo, é a primeira língua usada por ele. Se para nós, ouvintes, a língua materna é a Língua Portuguesa, para o surdo essa língua é a Libras. Desse modo, a relevância da Libras se dá pelo fato de ser possível a comunicação com as pessoas em circunstâncias parecidas. Analisando a escrita da Língua de Sinais, uma criança surda não tem habilidade para desenvolver as características da escrita da Língua Portuguesa preponderante à qual está envolvendo formas da oralidade com a da escrita. A Língua Portuguesa é a segunda língua de uso para o surdo, e ela é importante para que o surdo se relacione e conheça a cultura dos ouvintes, essa é uma das circunstâncias que os leva ao bilinguismo. Dizeu e Caporali referenciam os novos aspectos ligados ao tema ao afirmar que “a discussão sobre surdez, educação e língua de sinais vem sendo ampliada nos últimos anos por profissionais envolvidos com a educação de surdos, como também pela própria comunidade surda” (DIZEU; CAPORALI, 2005, p. 2). Silva (2009), cita que a educação de surdos tem vivido constantes alterações pedagógicas e linguísticas no decorrer da história humana. eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 104 20/11/2019 17:47:17 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais 105 Oralismo e Língua de Sinais Alguns registros datam do século XVIII na Europa com o surgimento do oralismo e de sua progressão para a Língua de Sinais imposto às pessoas surdas. Nessa perspectiva, o surdo era estimulado a oralizar para assim incluir-se na sociedade; mas, a metodologia do oralismo estrito, tido como forma singular de o surdo interagir, não mostrava resultados eficientes, o que propiciou julgamentos por parte dos que os rodeava. A comunicação imposta aos surdos os deixava em uma condição frágil perante a sociedade, por isso da persistência por reconhecimento e inúmeras reivindicações por parte da comunidade surda, reaquisições quanto a sua linguagem, acesso a direitos, interação de forma adequada e sem distinção em sociedade. O início do século XIX data o reconhecimento dos sinais que representam a comunicação entre pessoas surdas e ouvintes, um período longo de 100 anos para obter progresso, sempre amparados por outros modelos de outros países, até chegar, em 1974, ao SignWriting (SW), com toda sua complexidade gramatical, que envolve o significado das palavras e outros aspectos, evoluindo para o desenvolvimento da escrita. Dificuldade e qualidades cercam qualquer cidadão, inclusive pessoas surdas. Há uma especificidade de linguagem entre os surdos, que, infelizmente, não é considerada ao se mencionar sobre a escrita dos símbolos representados durante a conversação, o que obriga a adaptação a uma linguagem que não é espontânea. Uma realidade a ser enfatizada é que surdez é diferente de outras deficiências, não pela incapacidade auditiva, mas pela complexidade de fixar interação, já que as dificuldades de comunicação no dia a dia dos surdos é uma circunstância que gera graves efeitos na sua desenvoltura emocional e cognitiva. eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 105 20/11/2019 17:47:18 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais106 A escrita de sinais A educação de surdos no Brasil, assim como nosso processo instrutivo, acompanha visões mundiais, que debatidas em eventos e congressos por todo o mundo sobre os princípios e metodologias de ensino da Língua de Sinais. A escrita de sinais pode ser elaborada de forma manual pelo surdo ou por meio do uso de sistema digital. Por exemplo, a Universidade Católica de Pelotas (UCPel) construiu um software para esse fim (SW- Edit). Apesar de o projeto SignNet ter sido suspendido e o software não está mais acessível para download, este é um exemplo de iniciativa mediada pelo aparato digital que pode colaborar com o desenvolvimento comunicacional dos surdos. Para a comunidade surda é lamentável e prejudicial a não indisponibilidade do programa. Figura 11 - Escrita de sinais Fonte: Stump, 2005. A educação dos surdos passa por momentos de progresso linguístico singular quanto ao formato de escrita da linguagem. Um número significativo de surdos é julgado de maneira indae- eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 106 20/11/2019 17:47:18LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais 107 quada, sendo rotulados de iletrados, por não fazerem uso da escrita e da oralidade da Língua Portuguesa e da Língua de Sinais. É necessário cogitar que essa falta de conhecimento não se deve a quesitos individuais, porque no Brasil, a maior parte dos surdos adultos não desbrava a Língua Portuguesa. Figura 12 – Escrita de Sinais Fonte: Stump, 2005. Eles compreendem que a Língua de Sinais é a língua atingível para o surdo por não representar empecilhos sensoriais e a sua aquisição ser por meio de imersão linguística em ambiente apropriado, ou seja, no convívio natural desse formato linguístico. A pesquisadora Gesueli traz alguns apontamentos a seguir. eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 107 20/11/2019 17:47:18 A questão da língua de sinais, portanto, está intimamente relacionada à cultura surda. Esta, por sua vez, remete à identidade do sujeito que convive, quase sempre, com as duas comunidades (surda e ouvinte). Nesse contexto, importa analisar o modo como os sujeitos inseridos em escolas bilíngues se narram como LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais108 sujeitos da comunidade surda. Assim, o papel do professor surdo e da língua de sinais no ambiente escolar é essencial para que haja construção da identidade surda e, consequentemente, para chegarmos a uma educação eficiente (GESUELI, 2006, p. 4). Segundo Peixoto: O recurso de escrita SignWriting é complexo, mas exequível a estrutura gramatical da Língua de Sinais. O que conhecemos como alfabeto na língua expressa é estabelecido com configurações de mão na Libras. Sua divulgação é recente no Brasil, especialmente, nas instituições de ensino superior, em análises de grupos de pesquisa, prospectos científicos e de extensão. Os recursos educacionais, além de introduzir a língua em seu processo de aprendizagem como recurso de inclusão, proporcionam interação entre surdos e ouvintes, e o ensino da escrita de sinais é inserido como elemento particular à sua comunidade e à sua cultura. eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 108 20/11/2019 17:47:18 Dentre esses processos relacionados à escola e à aprendizagem, a escrita e a leitura parecem ser os que mais demandam essas novas reflexões, principalmente porque (e às vezes exclusivamente) é por meio desses dois processos que a condição bilíngue do surdo se constrói e se revela (PEIXOTO, p. 3). LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais 109 Módulos da Libras conversação – encenações teatrais Há tempos que o teatro segue discussões humanas das questões mais específicas até de âmbito mais preponderante. Com isso, algumas problematizações têm gerado soluções para diferentes maneiras de se ver o que rodeia o mundo, pensar e agir. O teatro é um dos recursos de disseminação cultural relevante, porque traz conceitos e discussões de um grupo que faz parte de um específico contexto histórico, social e político. Desse modo, é possível afirmar que, de fato, o teatro está mais para enviar uma imagem global e uniforme do gosto pelo divertimento, mas ele se afirma como obra de arte, como obra estética, que provoca em vários sentidos a criatividade e a sensibilidade nos indivíduos em momentos de interação comunicacional. LACERDA, Cristina Broglia Feitosa de; GURGEL, Taís Margutti do Amaral . Perfil de tradutores-intérpretes de Libras (TILS) que atuam no ensino superior no Brasil. Revista Brasileira de Educação Especial, v. 17, p. 481-496, 2011 Um grupo majoritário da população surda não tem aproximação com esse artefato de produção, onde a própria comunidade surda está na direção, na escrita e desenvolvendo as suas próprias encenações. Essas atividades têm alcançado sucesso com atores surdos e excelentes estruturas de encenação. Há um número significativo de produções elaboradas e apresentadas pela comunidade ouvinte, com discussões variadas e diferentes maneiras de declarações e estéticas, as quais os surdos, até pouco tempo atrás, não acessavam nenhum tipo de mecanismo inclusivo que viabilizasse o acesso a peças teatrais. Em síntese, é possível dizer que as leis estão mudando com a intenção de resguardar a aproximação da comunidade, inclusive referente a formação dos intérpretes de Libras para realizar esse ofício, por conta da falta de formação específica. Teatro em Libras De acordo com o dicionário de Teatro, a palavra teatro origina-se no grego em theatron, e o sentido direciona para uma “propriedade deixada de lado”, porém essencial. É o ambiente eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 109 20/11/2019 17:47:18 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais110 uma influência apresentada de outro lugar. Pensando assim, é um ponto de vista no qual há um certo movimento entre os observadores da representação. O autor do dicionário, ainda, fortalece um ponto de vista a partir do que afirma Barthes: O denominador comum a tudo o que se costuma chamar “teatro” em nossa civilização é o seguinte: de um ponto de vista estático, um espaço de atuação (palco) e um espaço onde se pode olhar (sala), um ator (gestual, voz) no palco e espectadores na sala. De um ponto de vista dinâmico, a constituição de um mundo “real” no palco em oposição ao mundo “real” da sala e, ao mesmo tempo, o estabelecimento de uma corrente de “comunicação” entre o ator e o espectador (apud PAVIS, 2011). É este o conceito de teatro adotado, para refl etirmos uma tradução de Libras em um específi co espaço cênico. Importante pensar em outro conceito com objetivo de complementar o entendimento. Barthes, conforme citado por Pavis, propõe a discussão da qualidade de teatro quando se fala em teatralidade. Diz que sem o conceito de teatralidade, o entendimento deste universo sofre porque as “espessuras de signos e sensações” representadas na cena em virtude do argumento escrito assemelham-se a uma “espécie de percepção ecumênica dos artifícios sensuais, gestos, tons, distâncias, substâncias, luzes, que submerge o texto sob a plenitude de sua linguagem exterior” (BARTHES, 2003). Assim, “teatralidade no texto dramático é aquilo que, na representação ou no texto dramático, é especifi camente teatral eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 110 20/11/2019 17:47:18 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais 111 (ou cênico) no sentido que o entende...” (PAVIS, 2011). Desta forma, podemos admitir que a teatralidade está relacionada à expressividade, ao espaço, ao visual e à especificidade da enunciação teatral, a qual define como “a projeção, no mundo sensível dos estados e imagens que constituem suas molas ocultas [...] a manifestação do conteúdo oculto, latente, que acoita os germes do drama” (PAVIS, 20011). No entanto, ainda percebemos a ocorrência de uma confusão entre dois conceitos próximos e do mesmo campo epistemológico, mas de maneira alguma sinônimos. A fim de sanar essa confusão conceitual, Pavis segmenta e explicita as diferenças entre teatralizar e dramatizar. Para o autor: “teatralizar um acontecimento ou um texto é interpretar cenicamente usando cenas e atores para construir a situação. O elemento visual da cena e a colocação dos discursos são as marcas da teatralização” (PAVIS, 2011). Já a dramatização faz referência ao deslocamento contrário, o da manutenção do foco na estrutura textual: inclusão e inserção em diálogos, criação de uma tensão dramática e de conflitos entre as personagens, dinâmica da ação (dramática ou épica). Tendo em mente essas distinções, propomos discuti-las nas próximas partes por entendê-las como pertinentes às problematizações para tradução de peças teatrais. Assim, compreende-se a dramatização a partir de uma análise sobre as particularidades do texto dramático; a cena e o aspecto visual que se relaciona tanto ao teatro quanto a Libras. Nessa perspectiva, o conceito de teatralidade e dramatização são de muita relevância para o tradutor de Libras, que representará no teatro, pois,a partir desses, ele poderá perceber que direção deverá conduzir, em momentos específicos, o seu projeto de tradução. eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 111 20/11/2019 17:47:18 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais112 Aspectos cenográficos O espaço cenográfico é um fator importante de compreensão para atuação em um contexto cênico do tradutor de Libras, porque o cenário guia o ponto de vista mimético e pictórico da base decorativa. O ensaio de alteração do termo para cenografia, em parte, ocorre pelo fato da primeira palavra trazer a inocência de um telão de fundo ou de transportar um estigma de uma aspiração ilusionista. Atualmente, o cenário não possui incumbência mimética, mas toma lugar na sua própria totalidade, transparecendo flexibilidade, expansivo e coextensivo à interpretação do ator e à recepção do público. Com a intenção de exemplificar a questão e facilitar o entendimento segue incumbências cênicas de um número específico de cenários. A iluminação - ou design de luz: modifica o ambiente do palco, ao flexibilizar, proporcionar texturas, aumentar ou diminuir os espaços, sombrear o palco, pois a alegria das cores, dá expressividade ao momento. A luz tem uma capacidade de influência, como a música, complementa lacunas, altera espaços etc., e é o único recurso externo que não traz desatenção para os espectadores, agindo objetivamente em sua imaginação e assumindo uma extensão quase metafísica, modalizando e gerando sutilezas. Para o tradutor de Libras, a luz é um fator de suma importância que deve ser levado em consideração no projeto de tradução. A Libras por ser visual precisa da luz para ser percebida visualmente. Logo, uma iluminação estratégica, em posição de evidência pode substanciar um projeto de tradução. Figurino: atribui uma característica ao ator com a evolução da estética viva, esse é o papel inicial desse elemento, é aquele que anuncia o personagem, aproximando-se a outros figurinos pelos tons das cores, das formas, dos cortes, dos materiais, proporciona texturas e padronagens. Todo o figurino deve ser sempre visível ao público e que “a dificuldade está no fato de tornar dinâmico o figurino: fazer com que ele se trans- eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 112 20/11/2019 17:47:18 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais 113 forme, que não se esgote após um exame inicial de alguns minutos, mas que ‘emita signos’ por um bom tempo, em função da ação e da evolução das relações actanciais” (PAVIS, 2011.). O figurino não acontece apenas com a pretensão de beleza, e sim transmitir significado, contando com a semelhança estética da obra, fazendo com que os seus elementos carreguem conceitos da personagem e enuncie-os ao público. Assim, devemos problematizar o figurino do tradutor de Libras, o qual, costumeiramente, sugere-se que seja preto - para se dizer neutro, fato que por si só apresenta uma concepção de tradução bastante anacrônica, haja vista que as discussões contemporâneas da tradução apontam para o caráter intersubjetivo e discursivo do traduzir. Dessa forma, pensar o figurino do tradutor, seja para assumi-lo ou para apagá-lo, talvez deva passar por uma reflexão mais profunda, ligada aos outros aspectos teatrais. Percebendo a estética do cenário, do figurino e dos personagens, bem como o projeto de iluminação, é possível que o figurino do tradutor tenha por objetivo destaca-lo ou apagá-lo, não meramente omiti-lo por busca da neutralidade, e sim por uma concepção estética. eBook Completo para Impressao - Libras - Aberto.indd 113 20/11/2019 17:47:18 LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais114 REFERÊNCIAS UNIDADE 1 BRASIL. Decreto-lei nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005. Regulamenta a Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002, que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais - Libras, e o art. 18 da Lei nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000. Disponível em: https:// www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/decreto/ d5626.htm. Acesso 13 jun. 2022. FELIPE, T. A. Libras em Contexto. 8 ed. Rio de Janeiro: WalPrint Gráfica e Editora, 2007. LABOURIT, E. O vôo da gaivota. São Paulo: Best Seller, 1994. LARAIA, Roque de Barros. Cultura: um conceito antropológico. Rio de Janeiro: Zahar, 2008. LODI, A. C. B. Educação bilíngue para surdos e inclusão segundo a Política Nacional de Educação Especial e o Decreto n0 5.626/05. Educ. Pesqui, São Paulo, v. 39, n. 1, p. 49-63, jan./mar. 2013. Disponível em: https:// www.scielo.br/j/ep/a/sr67CQpjymCWzBVhLmvVNKz/? format=pdf&lang=pt. Acesso 13 jun. 2022. PERLIN, G. T. T. Identidades surdas. In: SKLIAR, C. (Org.). A surdez: um olhar sobre as diferenças. 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