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Introdução a Patologia Clínica Veterinária A patologia clínica veterinária é uma especialidade que tem como objetivo auxiliar os clínicos de diversas áreas no diagnóstico e no acompanhamento dos pacientes. Utiliza como métodos analíticos o sangue, urina e outros fluidos orgânicos como líquor, líquido sinovial, líquidos cavitários. Hematologia: O sangue periférico é o meio de transporte entre a medula óssea e os tecidos. Na hematologia é possível mensurar os elementos celulares do sangue, as proteínas plasmáticas, plaquetas e fatores de coagulação e fibrinogênio. O sangue é um tecido fluído que circula nos canais vasculares, carreando substâncias necessárias para a vida das células e recebendo os produtos do metabolismo para serem levados aos órgãos de excreção. Os processos hematológicos básicos incluem: ➔ Homogeneização sanguínea: quando se realiza qualquer procedimento hematológico é importante que o sangue esteja completamente homogêneo, em um tubo com ácido etilenodiaminotetracético (EDTA). ➔ Volume globular: hematócritos- é a porcentagem de sangue total composta pelos eritrócitos. É a mensuração a partir de uma coluna de sangue que, após a centrifugação, resulta na compactação máxima dos eritrócitos. Os materiais necessários para obter o volume globular incluem tubo 75x15,5 mm (tubos de micro-hematócrito), material selante para os tubos, centrífuga de micro- hematócrito e um dispositivo para a leitura dp tubo. Inicialmente, o tubo de micro- hematócrito é preenchido por capilaridade, segurando-o horizontal ou levemente inclinado para baixo e encostando-se a extremidade superior no sangue do tubo com EDTA. Depois, o tubo tem que ser preenchido de 70 a 90% de sua extensão. Selar uma das extremidades pressionando o tubo contra o material selante por uma ou duas vezes. O tubo é colocado na centrífuga de micro- hematórcrito. ➔ Proteínas plasmáticas: a coluna de plasma pode ser utilizada para estimar a concentração de proteínas plasmáticas por meio do uso de refratrômetro. Este aparelho pode ser utilizado para estimar a concentração de qualquer soluto em um líquido, seguindo o princípio de que o soluto refrata (ou desvia) a luz que passa através do líquido em um grau proporcional à sua concentração. A propriedade que está sendo aferida é o índice refratário em relação à água destilada. No diagnóstico clínico, a refratometria é utilizada para estimar a concentração de proteínas plasmáticas e a densidade específica da urina. A concentração de proteínas plasmáticas é mensurada utilizando-se a coluna de plasma do tubo de micro-hematócrito. O tubo é quebrado e a porção do tubo contendo o plasma é utilizada para preencher o refratrômetro. A lipemia pode aumentar artificialmente a estimativa proteíca em ate 2g/dl . Alterações de outros solutos, como ureia e glicose, influenciam a estimativa de proteínas em um grau muito menor e são geralmente negligenciados. ➔ Determinação da concentração total de leucócitos: a concentração celular era mensurada manualmente utilizando uma diluição sanguínea e colocada na câmara de Neubauer, sendo as células contadas durante a observação microscópica. Atualmente utiliza-se contador automático. A contagem total de leucócitos é a concentração de células nucleadas, visto que essa técnica detecta todos os núcleos presentes em soluções nas quais todos os eritrócitos tenham sido removidos por lise ou centrifugação. No entanto, os eritrócitos nucleados são geralmente incluídos na contagem. Na maioria dos casos, a concentração de eritrócitos nucleados é insignificante, mas em raras ocasiões pode tornar-se parte considerável da concentração total de células nucleadas. A contagem total de leucócitos não é útil para propósitos interpretativos, essa mensuração é utilizada para determinar a concentração dos vários tipos de leucócitos que compõem a contagem diferencial. ➔ Preparação de esfregaços sanguíneos: é essencial para a determinação das concentrações individuais dos tipos de leucócitos e para a avaliação de importantes anormalidades patológicas envolvendo leucócitos, eritrócitos e plaquetas. Um esfregaço mal preparado apresenta artefatos confusos e pode resultar em distribuição celular inadequada na lâmina, levando a erros graves na contagem diferencial. A técnica mais comum é a do deslizamento e precisa de duas lâminas de vidro para microscopia. Uma gota de sangue é colocada próximo à extremidade da primeira lâmina é posicionada sobre a primeira lâmina apoiada sobre um balcão. A segunda lâmina é posicionada sobre a primeira à frente da gota de sangue, de maneira que forme uma cunha consistindo em um ângulo de 30 a 45°. A segunda lâmina, chamada de lâmina deslizadora, é trazida para traz até encostar na gota de sangue e, em seguida, impelida até o final da primeira lâmina. Deve ser realizado em um movimento único e rápido. A pressão sobre a lâmina deslizadoras deve ser mínima. Em pacientes com anemia grave, pode ser útil aumentar o ângulo da cunha para evitar uma camada muito fina. ➔ Coloração: Depois da preparação, o esfregaço sanguíneo geralmente é corado dentro de minutos. Contudo, pode ser corado dentro de horas ou dias se for enviado ao laboratório para fins de diagnóstico. O sistema de coloração utilizado para a avaliação microscópica dos elementos celulares é a coloração de Wright ou de Wright modificada pela adição de Giemsa, no entanto são colorações que precisam de cuidado e manutenção, por isso às vezes se limita a instalações laboratoriais. Existe o kit de coloração – “Diff-Quick” que são técnicas de coloração rápida que podem resultar em núcleos excessivamente corados e em pouca definição dos detalhes de cromatina, mas podem fornecer qualidade suficiente para a contagem diferencial de leucócitos e uma varredura para anormalidades morfológicas. ➔ Habilidade para examinar esfregaço sanguíneo: a parte mais larga do esfregaço é a área mais espessa (corpo), na qual as células são sobrepostas e os leucócitos estão arredondados tornando, por isso, difícil a avaliação microscópica de todos os componentes. A parte final do esfregaço é chamada cauda ou franja. Artefatos nessa área incluem leucócitos rompidos e pode-se verificar a inabilidade em se avaliar a palidez central dos eritrócitos. A área de contagem é uma pequena área entre o corpo e a cauda e consiste em uma monocamada de células na qual a microscopia é ideal. Os leucócitos estão achados de modo que os detalhes internos estão mais evidentes. Um exame rápido e em baixa magnificação da cauda é útil na detecção e identificação de anormalidades, tais como as microfilárias, aglomerações de plaquetas e células grandes e incomuns que se depositam preferencialmente ali. Em áreas muito espessas, a avaliação das células fica gravemente comprometidas. Concentração da hemoglobina: é expressa em g/dl, é realizada com a contagem de leucócitos totais. A interpretação da concentração de hemoglobina é semelhante à do volume globular ou hematócrito. Trata-se de um índice da massa de eritrócitos por unidades de volume sanguíneo do sanguíneo. O valor da hemoglobina sempre é proporcional ao hematócrito, sendo uma medida separada e independente. Mas, quando utilizado para calcular CHCM, o valor da hemoglobina pode servir como adjunto no controle de qualidade. Hemoglobina corpuscular média: a hemoglobina corpuscular média é calculada a partir da concentração de hemoglobina e da contagem de eritrócitos. Não é útil. Contagem da hemoglobina corpuscular média: A CHCM é calculada a partir da concentração de hemoglobina e de hematócrito. Ela fornece um índice para a quantidade de hemoglobina (Hb) relativo ao volume de eritrócitos (g/dl).Hb (g/dl)/VG (%) x 100= CHCM (g/dl) A hemólise grave da amostra é uma causa comum da CHCM elevada. A aglutinação de eritrócitos, que pode ocorrer na anemia hemolítica imunomediada, pode resultar em um falso aumento da CHCM. Duas respostas eritrocitárias relacionadas com a anemia podem estar associadas a leve diminuição da CHCM. A 1ª é a anemia regenerativa marcante- os reticulócitos ainda sintetizam hemoglobina, portanto não alcançam a concentração de hemoglobina corpuscular de um eritrócito maduro e a 2ª é a deficiência grave de ferro, em que as células apresentam diminuição no conteúdo de hemoglobina por serem menores, mas também por terem pequena redução na concentração de hemoglobina corpuscular. Concentração de eritrócitos: é mensurada diretamente pela contagem das partículas eritrocíticas em diluição sanguínea em solução isotônica. Geralmente acompanha o volume globular e a concentração de hemoglobina, porém o volume globular é o de escolha para a interpretação de massa eritrocitária. Volume corpuscular médio: é útil para avaliar as anemias. A deficiência de ferro resulta na produção de eritrócitos microcíticos, à medida que a regeneração acelerada de eritrócitos resulta na produção de eritrócitos macrocíticos. Hematócrito Concentração de plaquetas: podem ser contabilizadas simultaneamente aos eritrócitos. Concentração total de leucócitos: para avaliar os leucócitos, inicialmente se adiciona um agente lítico a uma amostra de sangue que lisa ou dissolve as membranas citoplasmáticas, deixando as plaquetas e os eritrócitos invisíveis. Permanecem apenas partículas nucleadas. Enumeração de reticulócitos: a concentração de reticulócitos é muito útil na avaliação de anemias. A base de contagem de reticulócitos envolve os eventos de maturação das células eritrocitárias. A medida que os eritrócitos aproxima dos estágios finais de maturação, o núcleo sofre degeneração e é expelido da célula. Após a expulsão do metarrubrícito, o eritrócito restante sofre maturação final, que envolve a perda dos ribossomos e mitocôndrias. Interpretação da concetração de reticulócitos: é mais útil em cães e gatos, mas tendo aplicação também em bovinos. Em equinos não é utilizada, visto que a maturação dos reticulócitos é confinada ao espaço medular e essas células quase nunca são liberadas na circulação- não liberam reticulócitos. Quando estiver presente um quadro de anemia, espera-se um maior Itens determinados por cálculos: Itens determinados por contagens: Concentração de reticulócitos: grau de liberação pela medula, caso ela possa responder à anemia. Maturação do reticulócito: em cães a maturação do reticulócito ocorre em 24 a 48h e envolve perda contínua e progressiva de organelas visíveis. Os gatos são os únicos animais em que mais de um tipo de reticulócitos são de formas agregadas ou pontilhadas. Os reticulócitos agregados evoluem para forma pontilhada em aproximadamente 12h, a célula pontilhada pode continuar a maturar por outros 10 a 12 dias. Pelo fato de os reticulócitos agregados terem um curto período de maturação, essas células são as melhores indicadoras da liberação ativa pela medula. Hemograma: Pré-cirúrgico: ➔ Anemia: leva a hipóxia que pode gerar complicações anestésicas ➔ Desidratação: leva a hipotensão ➔ Leucocitose: pode gerar inflamação, estresse ou excitação ➔ Leucopenias: dificuldade em promover resposta anti-inflamatória no pós-cirúrgico ➔ Trombocitopenia: contagem de plaquetas é indicação de rotina no pré-operatório. Bioquímico: Na bioquímica clínica, analisa-se enzimas, hormônios, eletrólitos e metabólitos. A urinálise, visa a análise da urina para fins diagnósticos e prognósticos no que se refere as patologias do trato urinário. Na urinálise faz-se o exame físico, químico e exame de sedimento. Os líquidos cavitários estão presentes no espaço intertisticial, sistema vascular e linfático. Faz-se a análise física, química e citológica. Urinálise: Líquidos cavitários: