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Metodologia do Treinamento Físico e Desportivo - Princípios do Treinamento Desportivo

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07/03/2023, 23:31 Princípios do treinamento desportivo
https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/03736/index.html#imprimir 1/53
Princípios do treinamento desportivo
Prof. Marcelo Luiz Silva Corso
Descrição
A conceituação e aplicação dos princípios do treinamento desportivo na atuação do profissional de
educação física.
Propósito
Conhecer os princípios do treinamento desportivo e como aplicá-los nas diversas ocasiões é fundamental
para o profissional de educação física.
Objetivos
Módulo 1
O princípio da individualidade biológica
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Identificar o princípio da individualidade biológica e como ele se manifesta em diversos contextos do
treinamento desportivo.
Módulo 2
Os princípios da adaptação, sobrecarga e continuidade
Reconhecer os princípios da adaptação, da sobrecarga e da continuidade e sua aplicabilidade prática na
atuação profissional.
Módulo 3
O princípio da interdependência volume x intensidade e densidade
Identificar o princípio da interdependência volume x intensidade e densidade e sua aplicação no
treinamento desportivo.
Módulo 4
O princípio da especi�cidade, reversibilidade e
variedade/variabilidade
Reconhecer os princípios da especificidade, reversibilidade e variedade/variabilidade e sua aplicação na
prática profissional.
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1 - O princípio da individualidade biológica
Ao �nal deste módulo, você deverá ser capaz de identi�car o princípio da individualidade
biológica e como ele se manifesta em diversos contextos do treinamento desportivo.
Diferença entre genótipo e fenótipo
O estudo do princípio da individualidade biológica necessita da compreensão de dois fatores biológicos
importantes para o desenvolvimento de um indivíduo: o genótipo e o fenótipo.
Genótipo
Corresponde a todo o patrimônio genético proveniente dos antepassados de um indivíduo.
Fenótipo
Corresponde ao resultado das interações desse indivíduo geneticamente constituído com o meio
ambiente e outros fatores extrínsecos.
Podemos citar como exemplo de fenótipo, o treinamento, alimentação, aspectos socioculturais e
econômicos, motivação, dentre outros. Tanto o genótipo quanto o fenótipo podem influenciar fortemente o
padrão de desenvolvimento das capacidades físicas e habilidades motoras de um indivíduo em resposta à
prática de exercícios físicos.
As cargas genéticas podem influenciar de várias formas o potencial de desempenho de um indivíduo nos
aspectos antropométricos, cardiorrespiratórios, musculares e metabólicos. Isso torna cada indivíduo mais
ou menos responsivo a determinados tipos de atividades.

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O sucesso em eventos esportivos de predominância aeróbia (eventos de longa duração) está relacionado a
um padrão fisiológico específico que otimiza a captação, o transporte e utilização do oxigênio pela
musculatura esquelética, contribuindo para um maior consumo máximo de oxigênio ( ).
Em atletas de eventos de longa duração é comum uma maior eficiência do sistema cardiorrespiratório, uma
maior concentração de hemoglobinas plasmáticas, de mioglobinas musculares, de enzimas atuantes no
metabolismo aeróbio e de mitocôndrias, e uma maior proporção e atuação de fibras musculares do tipo I
(fibras de contração lenta). Por sua vez, essas características não são observadas em atletas de velocidade,
halterofilistas ou atletas que dependem de potência muscular, os quais possuem uma maior capacidade de
ressíntese de ATP pelas vias anaeróbias, maior concentração das proteínas contráteis e atuação das fibras
musculares do tipo II.
Todos esses fatores, seja para desempenho aeróbio ou anaeróbio, apesar de modificáveis com o
treinamento (fenótipo), apresentam um pico de desenvolvimento determinado geneticamente (genótipo).
Apresentação conceitual
O princípio da individualidade biológica
Todo ser é único e responde de forma individualizada aos estímulos do treinamento. É nessa premissa que
o princípio da individualidade biológica está baseado. Individualidade biológica é:
VO2 máx 
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Nesse sentido, podemos entender que um programa de treinamento específico que apresentou resultados a
um indivíduo A pode não apresentar os mesmos resultados ao indivíduo B, ou não apresentar literalmente
nenhum resultado ao indivíduo C, e até mesmo regredir os indicadores de desempenho do indivíduo D.
Assim, faz-se necessária uma ampla compreensão dos tópicos relacionados à fisiologia humana e do
exercício, métodos e variáveis de treinamento, biomecânica e aspectos específicos das modalidades
esportivas para uma prescrição individualizada do exercício físico.
O princípio da individualidade biológica deve ser aplicado em todos os momentos
em que o exercício físico se manifeste, seja para melhora da aptidão física
relacionada à saúde ou para o desempenho esportivo, e até mesmo para prevenção
e tratamento não farmacológico das doenças crônicas não transmissíveis, tais
como hipertensão, diabetes tipo 2, síndrome metabólica, dentre outras.
Prescrever um programa, um ciclo e cada uma das sessões de treinamento de forma individualizada só é
possível através de um minucioso processo de avaliação. O processo avaliativo se dá de três formas:

Avaliação diagnóstica
É utilizada no início do processo, com a proposta de conhecer o estado inicial daquele que será submetido
ao processo de treinamento.

Avaliação formativa
É realizada durante o processo, pois só assim é possível verificar o processo como um todo, se cabem
ajustes ou modificações.

Avaliação somativa
É realizada no fim do processo, para verificar se os objetivos propostos foram atingidos.
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No início do processo de treinamento, durante a avaliação diagnóstica, é comum a aplicação de uma
anamnese, um questionário com a finalidade de conhecer o seu atleta de forma geral, quanto ao histórico de
lesões, história familiar, história esportiva etc. Avaliações antropométricas são de grande importância nesse
momento para identificação de estatura, massa corporal, percentual de gordura, perímetros etc.
Nessa fase, também são realizados diversos testes que têm a função de nortear a tomada de decisão
acerca da prescrição do treinamento, como os testes de força e resistência muscular, ergométricos, de
flexibilidade e os testes específicos de habilidades motoras, como velocidade de reação, agilidade,
coordenação etc. Esses testes devem ser selecionados de acordo com as exigências do esporte e com
aquilo que será treinado, portanto, deve haver critério.
A partir do diagnóstico estabelecido, deve-se realizar um plano de treinamento individualizado para que o
atleta tenha um pico de desempenho na competição mais importante do calendário da modalidade, para
melhora dos indicadores de saúde, enfim, para o cumprimento das metas estabelecidas.
Mas afinal, como desenvolver um plano de treinamento individualizado nos esportes individuais?
Resposta
Basta reunir os dados obtidos na avaliação diagnóstica e verificar as maiores potencialidades e debilidades
do atleta a fim de desenvolvê-las. Durante o processo, o indivíduo deve ser reavaliado nas mesmas
condições (avaliação formativa) para verificar o progresso do treinamento e delinear o ajuste do programa.
A seguir veremos alguns pontos importantes sobre a aplicação da individualidadebiológica em diversos
contextos.
Aplicação prática em esportes individuais e coletivos
A individualidade biológica nos esportes individuais
Nos esportes individuais, abordar a individualidade biológica parece fácil, afinal trata-se de apenas um atleta
sob supervisão. No entanto, conhecer as particularidades do esporte em questão é um desafio. Além disso,
muitos esportes individuais estão inseridos em uma coletividade. Esportes como natação, atletismo,
ginástica artística, dentre outros são esportes individuais que se manifestam coletivamente. Vejamos
alguns exemplos práticos:
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Tênis
Esportes como o tênis têm uma particularidade: o uso corriqueiro de um membro dominante, no caso,
aquele que segura a raquete. Sendo assim, é comum ocorrerem assimetrias, seja na força muscular, na
potência que os músculos podem gerar e na flexibilidade. Alguns atletas podem desenvolver assimetrias
em maiores proporções em relação a outros.
Por meio da anamnese, verificou-se um histórico de lesões no ombro do atleta. Sendo assim, todo o plano
de treinamento deve ser elaborado de forma que o ombro em questão seja protegido, seja pelo controle
do volume de treinamento, seja pela realização de exercícios compensatórios.
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Natação
A natação é um esporte individual, mas manifesta-se coletivamente nos treinamentos e nas competições.
Um nadador integra uma equipe de natação e o seu resultado individual conta pontos para a sua
agremiação nos diversos campeonatos. Além disso, os melhores nadadores também podem integrar as
equipes das provas de revezamento. Cabe ao treinador pensar em todas as variáveis de forma sistêmica.
A individualidade biológica se manifesta na medida em que cada atleta possui características genotípicas
e fenotípicas específicas para cada prova. Por exemplo: indivíduos com características
anatomofisiológicas para eventos de longa duração estariam mais bem adaptados às provas de 800m,
1500m ou maratonas aquáticas. Por outro lado, aqueles que apresentam a força e a velocidade como
principais características estariam adaptados às provas curtas de 50m e 100m.
Outro ponto a ser destacado é que, dentro do calendário esportivo, cada atleta evolui técnica e fisicamente
no seu tempo. Nesse caso, é comum a adaptação das sessões de treinamento às individualidades, como o
período destinado à recuperação de sessões mais intensas, o volume de treino destinado às valências que
precisam ser mais ou menos desenvolvidas, a atenção aos aspectos técnicos mais ou menos
desenvolvidos etc.
Individualidade biológica nos esportes coletivos
Os esportes coletivos apresentam características similares aos esportes individuais que se manifestam
coletivamente. Se uma equipe de atletismo é formada por corredores de diversas distâncias, saltadores e
arremessadores, a equipe de um esporte coletivo é integrada por diferentes atletas que cumprem funções
específicas de acordo com as regras do jogo e a tática delineada pelo técnico. Daí a necessidade de um
profundo conhecimento, não só do atleta em si, mas de todos os aspectos que envolvem a modalidade em
específico. Vejamos o exemplo do futebol, mas que pode ser extrapolado a outras modalidades esportivas
coletivas.
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No futebol, apesar das tentativas em desenvolver tecnicamente ambas as pernas para os diversos
fundamentos, sempre haverá um membro dominante. Assim como explicado no exemplo do tênis, devido às
maiores solicitações de movimento de chute e passe, os atletas desenvolvem assimetrias de força e
flexibilidade entre o membro inferior dominante e aquele destinado ao simples apoio no solo. Essas
assimetrias podem se manifestar em atletas de forma diferente, considerando não só sua estrutura física,
mas também a especificidade do seu treinamento. Somente um treinamento compensatório individualizado
é capaz de minimizar esses efeitos. Além disso, dependendo da função tática estabelecida e do histórico de
lesões, alguns atletas devem realizar o treinamento proprioceptivo com maior frequência que outros.
Dentro de uma equipe esportiva, a individualidade biológica também pode se manifestar em situações bem
específicas. Muitos atletas apresentam uma grande motivação interna, são competitivos e extremamente
focados no treinamento; outros buscam a sua motivação na ascensão econômica e social que muitos
esportes podem proporcionar; enquanto alguns atletas precisam de estímulos externos, como sessões de
treinamento desafiadoras, motivantes, e até mesmo uma ação interdisciplinar com a equipe de psicologia.
Esses fatores devem ser observados e considerados pelo treinador.
reinamento proprioceptivo
O treinamento proprioceptivo estimula os mecanismos reflexos de propriocepção, principalmente os fusos
musculares e os órgãos tendinosos de Golgi, fundamentais na prevenção de lesões.
Aplicação prática em atividades de academia
A individualidade biológica nas atividades de academia
Assim como no âmbito esportivo, a prescrição de exercícios em academias baseada nos princípios da
individualidade biológica depende de um processo avaliativo prévio, seja pela avaliação funcional, seja por
uma avaliação pessoal de um personal trainer. Em academias, os objetivos dos praticantes são diversos,
com clientes de perfis variados de atletas e ex-atletas, sedentários, gestantes, idosos, pacientes crônicos,
crianças e tantos outros. Com todas essas peculiaridades, como prescrever o exercício de forma adequada
e individualizada em academias? Vamos a alguns exemplos.
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Musculação
Para uma prescrição adequada na musculação, é muito importante que os objetivos estejam bem
delineados, e podem ser muitos. Sendo assim, a prescrição deve dialogar não só com os objetivos
pessoais, mas com os dados obtidos na avaliação morfofuncional. Por exemplo: é muito comum que as
pessoas apresentem assimetrias nos perímetros entre o membro (superior ou inferior) dominante e o não
dominante, e essa é uma resposta extremamente individual. Nesse sentido, é primordial um treinamento
individualizado de correção da assimetria em questão. Outro exemplo: atletas e ex-atletas apresentam
diversas lesões em decorrência do esporte praticado. Essas particularidades devem ser observadas e
muitas vezes implicam na necessidade de um aquecimento mais bem estruturado, ou adaptações em
alguns exercícios.
Atividades coletivas
Tratar da individualidade biológica em aulas coletivas de academias também é possível, mesmo com
todos os indivíduos realizando a mesma atividade, cabendo ao profissional de educação física conhecer
seus alunos e orientar a atividade de forma adequada. Por exemplo: iniciantes e avançados podem
realizar a mesma aula de ginástica localizada, desde que volume e intensidade do treino estejam
adaptados às condições individuais. Nesse contexto, os iniciantes podem fazer um número inferior de
séries e repetições, representando um menor volume de treino. A intensidade pode ser controlada por
uma Escala de Percepção Subjetiva de Esforço de forma leve a moderada. Em atividades aquáticas,
exercícios de maior exigência de destreza, habilidade e coordenação motora podem facilmente ser
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adaptados às condições iniciais de um praticante. Cabe ao profissional de educação física conhecer a
atividade em si e orientar o beneficiário da forma mais adequada.
O princípio da individualidade biológicaFique agora com um resumo dos principais tópicos deste módulo.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
O princípio da individualidade biológica pode ser influenciado por questões relacionadas ao genótipo e
ao fenótipo de um indivíduo. Analise as opções abaixo e assinale aquela relacionada ao fenótipo
individual.

A Proporção de fibras musculares do tipo II.
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Parabéns! A alternativa C está correta.
O genótipo consiste na herança genética de um indivíduo, enquanto o fenótipo consiste nas adaptações
provenientes das relações da genética de um ser biológico com o meio ambiente. Portanto, o padrão
alimentar não é uma característica genética, mas uma questão fenotípica.
Questão 2
O princípio da individualidade biológica deve estar inserido em todos os contextos relacionados à
prescrição dos exercícios físicos. Dentre as opções abaixo, assinale aquela que apresenta uma
situação prática relacionada a esse princípio.
B Concentração mitocondrial.
C Alimentação concentrada em carboidratos.
D Número de mioglobinas musculares.
E Estatura e envergadura.
A
Prescrever o exercício Supino Reto aos presentes na academia em determinado dia da
semana.
B Controlar a progressão de carga pela Escala de Percepção Subjetiva de Esforço.
C
Realizar um treinamento aeróbio específico para atletas de natação em provas de
1500m.
D
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Parabéns! A alternativa D está correta.
O princípio da individualidade biológica nos informa que todo treinamento deve estar adaptado às
individualidades daquele que o realiza. Portanto, indivíduos iniciantes devem ter seu treino adaptado
em relação a indivíduos em estágio intermediário e avançados, principalmente quanto ao seu volume e
à sua intensidade.
2 - Os princípios da adaptação, sobrecarga e
continuidade
Ao �nal deste módulo, você deverá ser capaz de reconhecer os princípios da adaptação, da
sobrecarga e da continuidade e sua aplicabilidade prática na atuação pro�ssional.
Adaptar o volume de uma aula de ginástica localizada para um grupo de iniciantes em
uma aula.
E
Realizar uma avaliação formativa por meio de testes ergométricos durante o processo
de treinamento.
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Conceituação e aplicação do princípio da adaptação
O princípio da adaptação
O objetivo do treinamento físico é promover modificações de ordem metabólica, fisiológica e psicológica
nos indivíduos de forma que haja uma melhora no desempenho.
Adaptação é o termo utilizado para as modificações ocorridas em consequência do
treinamento. Todo e qualquer tipo de treinamento, seja qual for o objetivo, somente
faz sentido ao passo em que promove adaptações em um organismo.
As adaptações ao treinamento podem ser divididas em dois tipos:
Adaptações agudas
São adaptações que ocorrem durante ou após horas de terminada a sessão de exercício.
Adaptações crônicas
São adaptações observadas ao longo de semanas, meses ou anos de treinamento.
Vale ressaltar que as adaptações crônicas dependem das adaptações agudas.
Exemplo
A hipertensão arterial é caracterizada pelos aumentos crônicos dos níveis da pressão arterial sistólica,
diastólica ou de ambas. No entanto, diversos estudos já demonstraram que o exercício físico reduz a

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pressão arterial por minutos ou horas após o término do exercício (CORSO et al., 2021), como também já foi
demonstrado que a duração e magnitude desse efeito agudo apresenta íntima relação com uma redução
crônica dos níveis pressóricos (MOREIRA et al., 2016), gerando um impacto positivo na saúde
cardiovascular de hipertensos.
As adaptações ao treinamento são dependentes de uma relação ótima entre o que conhecemos por
catabolismo e o anabolismo. Ambos são reações que fazem parte do metabolismo humano. Entenda as
diferenças:
Catabolismo
É o conjunto de reações de degradação ou quebra de moléculas complexas em moléculas mais
simples.
Anabolismo
É o processo que constrói moléculas complexas a partir de moléculas mais simples à base de
utilização de energia.
Sendo assim, podemos entender que a sessão de treinamento cataboliza e o intervalo entre as sessões
destinado ao processo de recuperação anaboliza. Por exemplo: durante uma sessão de treinamento de
força, a contração muscular ocorre por meio da quebra das moléculas de ATP que são constantemente
ressintetizadas a partir dos substratos energéticos. Após a mesma sessão de treinamento, pequenas
moléculas de aminoácidos são utilizadas no reparo das microlesões musculares induzidas pelo
treinamento. Por consequência, há o processo adaptativo: a hipertrofia muscular.
Sem um equilíbrio entre o processo anabólico e catabólico, as adaptações desejadas podem não ocorrer e,
em casos extremos, as adaptações já ocorridas podem apresentar deterioração. Lesões também são
comuns nessas condições. Todo estímulo dado precisa de um período específico de recuperação que,
dependendo da relação entre volume e intensidade da atividade, estado de treinamento do indivíduo e
diversos outros fatores, pode variar de poucos minutos até aproximadamente 72 horas.
Se o período de recuperação das atividades não for respeitado, o processo
catabólico tende a superar o anabólico, sem um ideal processo de reparo tecidual.

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Nesse ponto, a atuação interdisciplinar junto a um nutricionista, por exemplo, é fundamental, pois a
alimentação balanceada e adequada de macro e micronutrientes é necessária. Isso não quer dizer que um
indivíduo que tenha treinado de forma muito volumosa ou extremamente intensa em um dia só possa
treinar dois a três dias depois, mas que o programa de treinamento deve ser pensado e estruturado de
forma que as sessões que geram maior degradação sejam intercaladas com outras que induzam a menor
fadiga.
Da mesma forma que o período de recuperação é importante para as adaptações, os estímulos gerados
pelo treinamento devem ser suficientemente adequados e reajustados ao nível de treinamento dos
indivíduos. Se a sessão de treinamento não catabolizar o suficiente, as adaptações desejadas tendem a não
ocorrer, o que será visto com detalhes no princípio da sobrecarga. O mesmo pode ocorrer se houver um
intervalo demasiadamente extenso entre sessões, a ponto de gerar o anabolismo desejado sem um novo
estímulo posterior, como será visto no princípio da continuidade.
Por fim, as adaptações ao treinamento ocorrem exatamente de acordo com o que foi treinado. Não faz
sentido objetivar a melhora do metabolismo de gorduras por meio de exercícios aeróbios de alta
intensidade, uma vez que se sabe que o metabolismo de gorduras atua de forma predominante na
ressíntese do ATP nas atividades leves a moderadas. Isso será visto com detalhes no princípio da
especificidade. Daí a importância de prescrever o treinamento da forma mais individualizada possível.
Nesse ponto, vemos a importância de compreensão dos princípios do treinamento de forma integrada, pois
a adaptação ao treinamento depende disso.
Conceituação e aplicação do princípio da sobrecarga
O princípio da sobrecarga
Durante o processo de treinamento, as adaptações são promovidas gradativamente. Para que novas
adaptações ocorram, o treinamento deve ser constantemente reajustado no que diz respeito à sua carga. A
aplicação de uma sobrecarga ao treinamento aprimora a função fisiológica e induz o corpo às novas
adaptações.
Segundo McArdle,Katch e Katch (2016, p. 695), para conseguir a sobrecarga apropriada será necessário
manipular a frequência, a intensidade e a duração do treinamento, ou combinar esses três fatores. É válido
lembrar que frequência e duração do treinamento são variáveis relacionadas ao volume, ou seja, à
quantidade de treinamento. No quadro a seguir, veja como aplicar o princípio da sobrecarga.
Aplicação do princípio da sobrecarga no treinamento
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Tipos de treinamento Volume Intensidade
Treinamento contínuo
- Aumento do percurso;
- Aumento do tempo de
trabalho.
- Aumento da velocidade no
percurso ou em parte dele.
Treinamento
intervalado
- Aumento do número de séries;
- Aumento do percurso das
repetições.
- Aumento da velocidade dos
estímulos.
Treinamento em
circuito
- Aumento do número de ciclos
nas estações;
- Aumento do número de
repetições nas estações.
- Aumento da velocidade de
execução.
Treinamento de força
- Aumento do número de séries;
- Aumento do número de
repetições;
- Aumento do número de
exercícios.
- Aumento da carga.
Treinamento de
flexibilidade
- Aumento do número de
exercícios;
- Aumento no tempo exposto ao
estímulo.
- Aumento na amplitude do
movimento.
Treinamento de
habilidades
- Aumento do tempo de treino;
- Aumento do tempo exposto a
um gesto específico.
- Aumento da força, velocidade e
potência dos movimentos.
Tabela: Aplicação do princípio da sobrecarga.
Adaptada de Tubino, 1980.
Métodos de controle da sobrecarga de treinamento
Como exposto, a sobrecarga de treinamento é controlada pelo volume, pela intensidade ou por uma
combinação entre eles. Controlar o volume é relativamente simples, uma vez que basta um controle
numérico das variáveis expostas na tabela anterior. O controle da intensidade do treino é um pouco mais
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complexo, pois envolve a realização de testes específicos e monitoramento de variáveis fisiológicas e de
escalas subjetivas.
Para o exercício aeróbio, as variáveis fisiológicas que permitem o controle da intensidade são aquelas que
apresentam um aumento linear em relação à progressão da intensidade. Dentre essas variáveis, podemos
citar:

Frequência cardíaca

Pressão arterial sistólica

Ventilação

Consumo de oxigênio
No entanto, monitorar muitas dessas variáveis é complexo, pois há necessidade de equipamentos
específicos e caros.
Isso não se pode dizer a respeito da frequência cardíaca, dada a possibilidade de uma medida não invasiva
por diversos monitores validados e disponíveis no mercado, inclusive com a possibilidade de fazê-lo sem
qualquer tipo de equipamento. Além disso, uma faixa específica da frequência cardíaca tem íntima relação
com o consumo de oxigênio, e essa relação não se altera com o treinamento.
No treinamento de força, o controle da sobrecarga se dá pelo aumento da carga dos exercícios. Para isso, o
profissional de educação física atuante nessa área deve estar atento aos equipamentos utilizados. Os
halteres e as anilhas devem estar identificados quanto ao peso correspondente, seja pela cor, seja por uma
identificação numérica visível. Além disso, muitas barras apresentam peso diferente de acordo com o
fabricante. Muitas das máquinas, sem a manutenção periódica, podem ter suas cargas apagadas, pois
muitas vezes são pintadas ou adesivadas, dificultando o reconhecimento da carga de treino.
Veja a seguir como utilizar alguns métodos de controle de sobrecarga.
Frequência cardíaca
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A frequência cardíaca corresponde ao número de vezes que o coração bate durante um minuto. Durante o
exercício, relógios, smartphones ou monitores com cintas podem ser utilizados, veja!
Frequência cardíaca monitorada por relógios e smartphones.
Monitor de frequência cardíaca.
No caso de não haver disponibilidade de equipamentos, um método possível é a estimativa pela palpação
na artéria radial. Para aplicação deste método, basta palpar a artéria radial e sentir as pulsações, conforme
a figura a seguir. Em seguida, conte o número de pulsações durante 6 segundos. Depois, multiplique o valor
obtido por 10 (6 segundos x 10 = 60 segundos, ou 1 minuto). O valor obtido será uma estimativa confiável
da frequência cardíaca.
Para o treinamento baseado na frequência cardíaca, é fundamental o conhecimento de outras variáveis
específicas: a frequência cardíaca máxima (FCmáx), que só pode ser conhecida mediante um teste
ergométrico máximo, e a frequência cardíaca de repouso.
O teste ergométrico máximo deve ser realizado em ambiente controlado e na presença de um médico.
No entanto, a frequência cardíaca máxima pode ser estimada por testes submáximos ou por fórmulas, a
mais conhecida .F Cmáx = 220 − idade
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Em seguida, dois métodos podem ser aplicados:
Método da porcentagem
Esse método calcula os limites inferior e superior da frequência cardíaca-alvo com o cálculo percentual da
FCmáx prevista para cada idade.
Exemplo: para um indivíduo com 20 anos de idade, fica estabelecido o limite inferior e superior de
treinamento entre 70% e 90% da FCmáx:
Método Karvonen
Conhecido como método da frequência cardíaca de reserva (FCR), o método Karvonen utiliza percentuais
entre 50% e 85%. Para esse método é preciso conhecer a frequência cardíaca de repouso (FCrep).
Exemplo: considere o mesmo indivíduo do exemplo anterior com
O uso da frequência cardíaca possui particularidades quando o exercício é desenvolvido no meio aquático e,
por isso, ajustes devem ser realizados em razão das propriedades físicas da água e das modalidades
praticadas. Sabe-se que no meio aquático não há ação da gravidade, mas do empuxo, uma força vertical em
sentido oposto ao gravitacional. Além disso, há a pressão hidrostática que confere uma força de pressão
contra o corpo e que aumenta proporcionalmente à profundidade. Essas propriedades facilitam o retorno
venoso, impondo facilidades ao sistema cardiovascular, gerando um efeito denominado bradicardia de
imersão.
FCmáx = 220 − idade; FCmáx = 200bpm
Limite inferior : 200 × 0, 7 = 140bpm
Limite superior : 200 × 0, 9 = 180bpm
 FCmáx= 200 bpm e FCrep = 60 bpm. 
Limite inferior : [ ] + FCrep; [ ] + 60 = 130bpm( ) × 0, 50FCmáx − FCrep ( ) × 0, 50200 − 60
Limite superior : [ ] + FCrep; [ ] + 60 = 179bpm( ) × 0, 85FCmáx − FCrep ( ) × 0, 85200 − 60
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Ou seja, no meio aquático a frequência cardíaca de um indivíduo é menor em
comparação à sua frequência cardíaca no meio terrestre.
Quando a modalidade é a natação, uma redução fixa da frequência em torno de 13bpm pode ser observada,
uma vez que esse exercício é realizado em posição horizontal e a profundidade não se altera. Em exercícios
como hidroginástica e qualquer outro em posição vertical, o ajuste deve ser realizado de acordo com a
profundidade. A partir de um estudo de revisão, Graef e Kruel (2006) puderam estabelecer fatores de
correção para a frequência cardíaca aquática de acordo com diferentes referenciais anatômicos. Confira na
tabela:
Redução da frequência cardíaca de acordo com referenciais anatômicos
Ponto anatômico Estudo 1 Estudo 2 Estudo 3 E
Pescoço 17 16 14 1
Ombro com os
braços fora d’água
- 12 13 1
Ombro - 17 13 1
Apêndice xifoide - 16 14 1
Cicatriz umbilical - 13 11 1
Quadril - 9 8 8
Joelho - 2 1 0
Escala de Percepção de Esforço
Existem escalas de percepção subjetiva capazes de mensurar a intensidade do exercício.Para os exercícios
aeróbios, a mais utilizada é a Escala de Borg, proposta pelo pesquisador sueco Gunnar Borg. Essa escala é
numerada de 6 a 20 para estabelecer relação com a frequência cardíaca média da população, que em
repouso encontra-se em torno de 60bpm e a máxima em torno de 200bpm. Cada número da escala está
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associado a condições relacionadas à intensidade, variando desde “Sem nenhum esforço” a “Máximo
esforço”.
Escala de Borg original 6-20.
Para o treinamento de força, é utilizada a Escala OMNI-RES no dia a dia e em estudos. Essa escala utiliza o
mesmo princípio da Escala de Borg, com o uso de números e descrições do esforço possível de mensurar a
carga.
Escala OMNI-RES
Reunir o maior número possível de informações sobre o treinamento é a melhor estratégia para controlar a
intensidade do treinamento. Portanto, combinar a percepção do esforço com a frequência cardíaca e
adicionar outras informações, como tempo cronometrado, registros de treinos anteriores e dados cinéticos
e cinemáticos da modalidade é extremamente recomendado.
Conceituação e aplicação do princípio da continuidade
O princípio da continuidade
A condição física é aprimorada após um período de treinamento de forma consistente. Nessa premissa está
baseada o princípio da continuidade. Em outras palavras, para que as adaptações fisiológicas ocorram, há
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necessidade de constância nos estímulos. Um intervalo excessivo entre estímulos tende a dificultar
qualquer tipo de adaptação.
Apesar de ser um princípio a ser respeitado por todos que ingressam em um programa de exercícios físicos,
determinadas populações podem se beneficiar da continuidade do treinamento de forma diferenciada,
como veremos a seguir.
Indivíduos aparentemente saudáveis
De forma geral, grande parte dos posicionamentos oficiais para prescrição de exercícios visando a melhora
da aptidão física, como o Colégio Americano de Medicina do Esporte (GARBER et al., 2011), recomendam
um mínimo de 150 minutos de exercícios aeróbios para melhora da aptidão cardiorrespiratória. Para
melhora da força, resistência muscular localizada e flexibilidade, as recomendações são de que sejam
realizadas 2 a 3 sessões de treinamento semanais.
Atenção!
A informação mais relevante com relação ao princípio da continuidade é que as sessões de treinamento
devem estar distribuídas de modo uniforme na semana, de forma que as sessões não estejam
demasiadamente espaçadas uma das outras.
Atletas
Atletas são muito beneficiados com a continuidade do treinamento. Apesar das limitações impostas pelo
genótipo, o desempenho físico-esportivo é cumulativo, sendo assim, os muitos anos dedicados ao
treinamento tendem a melhorar cada vez mais os índices de desempenho.
Em determinados momentos, a continuidade do treinamento pode ser interrompida, causando muitos
prejuízos. Os casos mais comuns se dão pela ocorrência de lesões e pelo período de férias dos atletas.
Diversas estratégias têm sido adotadas para minimizar os efeitos do destreinamento, como a manutenção
de um mínimo de atividade em períodos de férias ou transição de ciclo de treinamento.
No caso de atletas, é comum o treinamento de valências diferentes. Apesar de as evidências apontarem
para uma melhora do desempenho em atividades tipicamente aeróbias pelo treinamento de força, muitos
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autores denominam essa relação como treinamento concorrente, devido à ocorrência de algum tipo de
interferência de um tipo de treinamento sobre o outro.
Nesse caso, o profissional de educação física responsável pelo treinamento deve estar atento ao
planejamento de treino e atualizado quanto às evidências científicas, de forma que essas interferências
sejam minimizadas e o princípio da continuidade mantido.
Indivíduos com doenças crônicas
Para uma prescrição de exercícios adequada é preciso estar atento às particularidades de cada indivíduo.
Pacientes crônicos podem se beneficiar de forma diferenciada do princípio da continuidade do treinamento.
Indivíduos com diabetes tipo 2 têm uma melhora substancial da sensibilidade à insulina à medida que os
dias de treinamento se acumulam. A regularidade das sessões para esses pacientes é fundamental, pois os
benefícios dos exercícios quanto à sensibilidade à insulina se acumulam por até 48 horas, dependendo das
características da sessão.
Hipertensos são outro grupo de pacientes crônicos amplamente bene�ciados pela
continuidade e regularidade do treinamento.
Um dos efeitos do treinamento, seja de força ou aeróbio, é a redução dos níveis pressóricos pós-exercício
em comparação ao nível pré-exercício ou a um dia controle, um fenômeno denominado hipotensão pós-
esforço. Sendo assim, treinar em todos os sete dias da semana permite que hipertensos sejam submetidos
aos efeitos da hipotensão de forma regular. Além disso, muitas evidências apontam que essa regularidade
possui um efeito cumulativo no controle da pressão arterial de forma crônica.
Os princípios da adaptação, sobrecarga e continuidade
Fique agora com um resumo dos principais tópicos deste módulo.

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Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Para que novas adaptações ao treinamento sejam visíveis, as cargas de treino devem ser reajustadas
constantemente. Assinale a opção que indica as variáveis de treino que devem ser modificadas para
que o princípio da sobrecarga seja obedecido:
A Volume e intensidade.
B Frequência cardíaca e Escala de Percepção de Esforço.
C Frequência semanal e tipo de treinamento.
D Consumo de oxigênio e pressão arterial sistólica.
E Adaptação e continuidade.
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Parabéns! A alternativa A está correta.
O princípio da sobrecarga indica que as cargas de treinamento devem ser reajustadas
progressivamente para que novas adaptações ao treinamento sejam possíveis. A sobrecarga de treino
pode ser manipulada pelo aumento do volume do treino, pela intensidade ou por uma combinação entre
eles.
Questão 2
O controle das cargas de treino é fundamental para que ocorram as adaptações fisiológicas, ao mesmo
tempo em que é um processo desafiador para o profissional de educação física. Assinale a opção que
apresenta a melhor estratégia para o controle de carga de um treinamento:
Parabéns! A alternativa E está correta.
Para medir a intensidade do exercício, basta o uso de escalas de percepção de esforço ou de uma
medida fisiológica que apresente linearidade com o aumento da intensidade do exercício. No entanto,
reunir o maior número possível de informações quanto às respostas fisiológicas, de percepção,
A O uso de monitores de frequência cardíaca, por serem não invasivos e práticos.
B Pelo consumo de oxigênio, por apresentar linearidade com a intensidade do exercício.
C
Pela percepção subjetiva de esforço, por ser uma percepção daquele que está se
submetendo ao esforço.
D
Pelo cálculo da zona alvo de esforço baseado na frequência cardíaca máxima ou
frequência cardíaca de reserva.
E
Pela combinação de informações fisiológicas, subjetivas e biomecânicas e registros de
treinos anteriores.
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biomecânicas e de treinos anteriores é uma estratégia que reduz em muito a possibilidade de distorção
das análises.
3 - O princípioda interdependência volume x
intensidade e densidade
Ao �nal deste módulo, você deverá ser capaz de identi�car o princípio da interdependência
volume x intensidade e densidade e sua aplicação no treinamento desportivo.
Conceituação das variáveis
Volume, intensidade e densidade de treino
Antes de detalharmos esse importante princípio do treinamento, será preciso esclarecer o que seria a
densidade de um treinamento. Durante a abordagem do princípio da sobrecarga, foi especificado o que era o
volume (a quantidade de treinamento) e a intensidade (a qualidade do treinamento). Mas o que seria a
densidade?
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A manipulação da densidade é possível quando são adotados métodos
intervalados de treinamento. Esses métodos são caracterizados por um estímulo
(comumente denominado de série), seguido de um intervalo de repouso que pode
ser ativo ou passivo.
Esses intervalos possuem diversas finalidades, como a restauração de parte do substrato energético
utilizado na ressíntese de ATP, redução das concentrações de lactato sanguíneo, redução da frequência
cardíaca, melhora da qualidade gestual técnica, dentre outros objetivos. A densidade de um treino é alterada
à medida que são realizadas reduções nos intervalos de repouso.
Imagine um nadador que deseja realizar 10 séries de 100 metros no nado crawl com um intervalo passivo
entre séries de 30 segundos, objetivando chegar à borda da piscina em aproximadamente 1 minuto e 10
segundos (cerca de 170bpm de frequência cardíaca).
Essa prescrição pode ser traduzida para:
Como as variáveis estão representadas? Da seguinte forma: volume = 1000 metros; intensidade = 170bpm e
representada, também, pela velocidade do nadador, pois há um tempo preestabelecido para chegar à borda.
Agora, veja esta nova prescrição:
Note que o volume foi mantido, assim como a intensidade. Apenas foi modificada a densidade do
treinamento, uma vez que os intervalos entre algumas séries foram reduzidos. Ou seja, houve uma
compressão no treinamento. De certa forma, essa modificação aumenta a dificuldade de realização da
série, uma vez que o nadador teve menos tempo para que as respostas fisiológicas que ocorrem no
intervalo de repouso fossem observadas. Sendo assim, novas adaptações tendem a ocorrer.
Volume
A sobrecarga do treinamento pode ser planejada de acordo com incrementos no volume. No entanto, altos
volumes de treinamento possuem uma relação mais estreita com modalidades aeróbias que demandam
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menores intensidades e maior duração. Um maior volume de treino tende a reduzir a demanda anaeróbia da
atividade, afinal, o metabolismo anaeróbio é ativado em atividades curtas e intensas.
No entanto, séries de repetições curtas e extremamente intensas podem ser aumentadas em seu número,
repercutindo em um maior volume. Contudo, essa estratégia deve ser adotada com cautela para evitar
overtraining, pois, neste caso, a sobrecarga seria aplicada mediante o volume e a intensidade, afinal,
velocistas buscam reduzir seu tempo de percurso em cada tentativa.
vertraining
Em tradução livre, sobretreinamento, também conhecido como Síndrome do Sobretreinamento. O overtraining é
caracterizado pela queda no desempenho decorrente de um treinamento excessivo e prolongado, seja por
volume ou intensidade muito elevados e/ou recuperação inadequada.
O aumento do volume é uma estratégia menos estressante para aplicar a sobrecarga. Porém, há aspectos
negativos que merecem consideração: além de muitas vezes tornar a atividade enfadonha, influenciando o
aspecto motivacional, praticar determinado exercício em maior volume aumenta consideravelmente a
necessidade de disponibilidade de tempo para uma sessão, o que muitas vezes não é possível.
O volume no treinamento de força é representado pelo número de séries, número de repetições e número de
exercícios. Mas saiba que o número de repetições realizadas influencia diretamente na carga levantada, ou
seja, quanto mais próximo da carga máxima de um exercício, menor é a capacidade de se realizar
repetições. Além disso, a combinação do número de repetições com a carga induz a diferentes respostas
neuromusculares e metabólicas que induzem diferentes tipos de adaptação.
Exemplo
Poucas repetições e altas cargas induzem ao aprimoramento da força, enquanto cargas mais leves a
moderadas que permitem mais repetições induzem principalmente a respostas hipertróficas.
A manipulação do volume do treinamento de força se dá, principalmente, pelo aumento do volume de séries
e exercícios, e não pelo número de repetições, caso contrário será alterado o foco do treinamento. No
treinamento de força, a melhor estratégia a ser adotada, seja qual for o objetivo, é a manipulação do volume
total, que corresponde ao produto entre o número de séries, o número de repetições e a carga de treino.
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Intensidade
Aumentar a intensidade de treino é uma maneira perceptível de tornar as adaptações ao treinamento
visíveis. Melhorar a velocidade de corrida, o tempo de percurso na natação ou a velocidade das pedaladas
em uma bicicleta são os principais objetivos de atletas profissionais e amadores, assim como daqueles que
fazem uso do exercício físico para a aptidão física relacionada à saúde.
O aumento da intensidade em eventos de longa duração é buscado no intuito de melhorar o consumo
máximo de oxigênio e o limiar de lactato. O lactato sanguíneo é um metabólito proveniente da
degradação da glicose para obtenção de ATP. À medida que é produzido, o lactato é removido por células
musculares, células cardíacas e fígado.
O acúmulo de lactato ocorre ao passo que a intensidade do exercício aumenta, e a remoção não ocorre
plenamente. Nesses casos, as células do músculo não conseguem atender às demandas energéticas
adicionais pelo metabolismo aeróbio, ponto em que o metabolismo anaeróbio se torna preponderante.
Esse fenômeno ocorre a um percentual do ( ), algo variável entre indivíduos de diferentes níveis
de condição física (em atletas de alto nível, algo em torno de 80% e 90% do .
Se mantido o exercício sem acúmulo de lactato, o indivíduo consegue manter o ritmo do exercício sem a
fadiga se instalar, condição denominada steady-state (em tradução, estado estável). Por razões óbvias,
quanto maior a intensidade do exercício para ocorrência do limiar de lactato, maior é o desempenho na
modalidade. Saiba que, para que não ocorram equívocos, a intensidade do treinamento aeróbio deve ser
monitorada por testes sanguíneos ou testes indiretos validados.
Quanto ao treinamento para o metabolismo anaeróbio, o aumento da intensidade reflete o verdadeiro desejo
do atleta: aumentar velocidades e reduzir tempos.
O aumento da intensidade é mais do que desejável para aqueles que atuam em
eventos de curta duração em qualquer modalidade ou em esportes que dependam
de força explosiva e velocidade.
VO2 máx 
VO2 máx 
VO2 máx 
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No treinamento de força, a intensidade está relacionada à carga levantada. Essa relação é facilmente
observada: quanto maior a carga levantada, maior a intensidade. Contudo, já foi explicado que o número de
repetições é inversamente proporcional à intensidade do treino.
Densidade
Modificar a densidade do treinamento pode ser uma estratégia muito útil de alterar as respostas fisiológicas
a ele, sem de fato modificar o volume do treino. De certa forma, é muito provável que um aumento na
densidade do treino faça com que a intensidade se modifique, pois as vias metabólicas serão mais
estimuladas, repercutindonos sistemas de controle, tal como o sistema cardiorrespiratório.
O treinamento intervalado é um método de treinamento muito utilizado em diversas modalidades
esportivas, tanto para provas anaeróbias quanto para as aeróbias. Porém, é preciso analisar de forma muito
criteriosa o que se pretende com o treinamento em questão e o metabolismo energético que se queira
estimular. Veja:
Provas muito curtas em que há predominância de ressíntese de ATP pela fosfocreatina (sistema ATP-CP
– sistema anaeróbio alático), há necessidade de que os estoques de fosfocreatina sejam plenamente
restaurados para que a repetição da série aconteça com a qualidade desejada. Por isso, reduzir o
intervalo entre estímulos não faz muito sentido.
Atletas de provas anaeróbias com predominância do sistema glicolítico com grande acúmulo de lactato
sanguíneo podem se beneficiar das modificações na densidade de treino. No entanto, reduzir o intervalo
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entre estímulos aumenta a contribuição aeróbia do estímulo. Por esse motivo, modificar a densidade de
treino visando a melhorias no desempenho anaeróbio deve ser realizado de forma criteriosa.
Atletas de provas aeróbias também podem se beneficiar de reduções do intervalo. Essa é, por exemplo,
uma estratégia muito interessante para treinar o ritmo de prova, uma vez que atletas de meio fundo e
fundo precisam que o ritmo seja dosado para que haja energia suficiente para o sprint final. Além disso,
modificações na densidade do treinamento são extremamente desafiadoras e estimulantes, o que pode
influenciar substancialmente os aspectos psicológicos relacionados ao treinamento.
No treinamento de força também existem estratégias de aumento de densidade do treino. A simples
redução do intervalo entre séries já implica em modificações na densidade. No entanto, existem diversos
métodos avançados que podem ser utilizados de acordo com a necessidade. Circuitos, superset e tri-set
são exemplos de métodos avançados de aumento de densidade. Esses métodos repercutem de forma
diferente nas respostas fisiológicas, metabólicas e neuromusculares e devem estar adequados aos
objetivos do treinamento.
uperset e tri-set
Superset: consiste na realização de dois exercícios diferentes sem intervalo entre eles. Por exemplo: executar
um exercício para um músculo agonista seguido de um exercício para o músculo antagonista.
Tri-set: consiste na realização de três exercícios seguidos sem um intervalo.
A combinação entre volume, intensidade e densidade
Para qualquer pergunta que se faça com relação às diversas estratégias utilizadas para o treinamento, uma
resposta estará sempre presente: depende. O treinamento é extremamente manipulável em torno de suas
variáveis. O mais importante é estar adequado às diversas realidades, como os objetivos e características
dos beneficiários, nível de condicionamento, prioridades, disponibilidade de tempo e equipamentos e tantas
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outras. Mas afinal, qual é a melhor estratégia para intensificar o treinamento? Pelo volume? Pela
intensidade? Pela manipulação da densidade? A resposta para essa pergunta já foi dada: depende.
Talvez uma combinação entre as diferentes estratégias seja uma decisão adequada. Maglisho (2010) nos
apresenta duas justificativas. São elas:
A velocidade da melhora das funções fisiológicas tem uma evolução substancial nas primeiras semanas
em que os estímulos são dados. Depois disso, a melhora do desempenho tende a sofrer desaceleração. A
partir desse ponto, a modificação da estratégia pode resultar em maiores progressos.
Alternar as estratégias pode tornar as sessões de treinamento muito mais estimulantes. A motivação
também influencia diretamente nos resultados. E nada melhor do que tornar essas melhoras visíveis ao
beneficiário, como a redução do tempo em cada volta, um aumento na distância percorrida sem fadiga,
uma melhora na colocação de competições etc.
Segundo o próprio autor, só há um limite para a combinação das estratégias relacionadas ao treinamento: a
imaginação.
O princípio da interdependência volume x intensidade e
densidade
Fique agora com um resumo dos principais tópicos deste módulo.
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Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Ao longo de uma semana de treinamento, um indivíduo correu 3km em 3 sessões semanais. Na
semana seguinte, optou por realizar a mesma atividade, mas em 4 sessões distribuídas ao longo dos
sete dias da semana. Assinale a alternativa que apresenta a variável modificada na segunda semana
em relação à primeira:
Parabéns! A alternativa C está correta.
Aumentar o número de sessões semanais, sendo mantidas as outras características, implica em um
aumento do volume de treinamento, ou seja, a sua quantidade. De acordo com o enunciado, na primeira
semana o indivíduo correu 9km no total. Na semana seguinte, foram percorridos 12km.
A Intensidade
B Continuidade
C Volume
D Densidade
E Capacidade
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Questão 2
Modificar a densidade do treinamento pode ser uma ótima estratégia em busca de novas adaptações.
No entanto, essa estratégia deve ser utilizada de forma crítica e criteriosa em relação às respostas
fisiológicas, metabólicas e neuromusculares. Assinale a opção que apresenta uma condição em que o
aumento da densidade do treinamento é pertinente:
Parabéns! A alternativa E está correta.
Aumentar a densidade do treinamento é uma estratégia muito utilizada por treinadores. Por ser
estimulante e desafiador, modificações na densidade podem influenciar positivamente nos aspectos
motivacionais, principalmente na preparação para eventos de longa duração.
A Durante o treinamento visando à hipertrofia muscular em iniciantes.
B Para aumento do desempenho em provas de curtíssima duração.
C Para aumento do desempenho do sistema ATP-CP de ressíntese de ATP.
D Para séries em que a percepção subjetiva de esforço esteja elevada.
E Para aumento do desempenho aeróbio em provas de longa duração.
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4 - O princípio da especi�cidade, reversibilidade e
variedade/variabilidade
Ao �nal deste módulo, você deverá ser capaz de reconhecer os princípios da especi�cidade,
reversibilidade e variedade/variabilidade e sua aplicação na prática pro�ssional.
A especi�cidade do treinamento
O princípio da especi�cidade
De acordo com o princípio da especificidade, todas as adaptações ocorridas com o treinamento são
específicas. Em outras palavras, diferentes tipos de treinamento promovem adaptações fisiológicas,
metabólicas e neuromusculares específicas de acordo com as características do treinamento realizado.
O ATP utilizado pela musculatura esquelética deve ser ressintetizado continuamente. Esse processo se dá
por vias anaeróbias ou aeróbias. De acordo com a duração e intensidade do exercício, o percentual de
contribuição de cada uma dessas vias se altera. E claro, todos os sistemas fisiológicos, o metabolismo
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celular e a atividade neuromuscular deverá funcionar de forma ótima e convergente para que a atividade
seja possível. Observe a imagem e veja como isso funciona:
Nos primeiros 60 segundos de atividade há uma predominância anaeróbia para a ressíntese de ATP, aos 2
minutos essa relação praticamente se iguala e, após isso,a predominância é aeróbia.
Treinamento anaeróbio
Adaptações ao treinamento anaeróbio
O treinamento anaeróbico se dá por meio do treinamento realizado em altíssima intensidade e curta
duração. O treinamento anaeróbio pode ser exemplificado por treinamento de força, exercícios pliométricos,
exercícios de velocidade e agilidade. O método de treinamento mais utilizado é o treinamento intervalado.
As adaptações específicas a esse tipo de treinamento são a força, hipertrofia, resistência e potência
muscular. Alguma adaptação aeróbia é possível pelo treinamento anaeróbio, uma vez que a contribuição
dos diferentes sistemas é concomitante, e o processo de recuperação do exercício anaeróbio se dá por vias
aeróbias.
Veja a seguir as principais adaptações específicas relacionadas ao treinamento anaeróbio:
Maiores níveis de substratos anaeróbicos
Pela análise muscular por biópsia foi possível verificar um aumento do conteúdo muscular de
ATP, fosfocreatina, creatina livre e glicogênio muscular.
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Atividade enzimática
O treinamento promove adaptações específicas na quantidade e qualidade das enzimas que
atuam no metabolismo anaeróbio, principalmente nas fibras musculares de contração rápida
do tipo II.
Maior capacidade de gerar e tolerar altos níveis de lactato sanguíneo durante o
esforço explosivo
Essa adaptação é resultado de diversos fatores, como o aumento do estoque de glicogênio
muscular e da atividade enzimática, pelo aumento da capacidade de tolerância à dor provida
pela acidez plasmática e pela motivação individual.
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Adaptações neuromusculares
As adaptações neuromusculares são promovidas principalmente pelo treinamento em que se deseja
realizar um movimento contra uma resistência externa. Treinamento com pesos, bandas elásticas e
qualquer outro tipo de resistência se enquadra nessas características. Dentre os tipos de treinamento
podemos citar:
Treinamento isométrico
Consiste na realização de ações musculares isométricas.
Atividade cardiovascular
Na atividade de curta duração e alta intensidade há um aumento considerável da pressão
arterial sistólica. Essa resposta concomitante ao natural aumento da frequência cardíaca
durante a atividade aumenta o duplo-produto, o que impõe ao coração uma maior
necessidade de atividade contrátil. Sendo assim, é comum uma adaptação hipertrófica no
miocárdio no ventrículo esquerdo.
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Treinamento dinâmico
Consiste na realização de ações musculares concêntricas e excêntricas.
Treinamento isocinético
Consiste na realização de ações musculares com movimento angular constante. Esse último tipo de
treinamento necessita de equipamento específico.
O treinamento neuromuscular depende principalmente do metabolismo anaeróbio, portanto as adaptações
gerais anaeróbias também serão observadas. No entanto, o treinamento neuromuscular incorre em
adaptações bem específicas:
Força: De acordo com a Física, a força é uma grandeza com capacidade de superar a inércia de um corpo
alterando seu estado de repouso. A força muscular se dá quando exercemos algum tipo de tensão muscular
a fim de gerar movimento sobre alguma resistência específica, tal como os pesos.
Note na figura a seguir como a força é desenvolvida por meio do treinamento. A força (representada pela
linha vermelha) aumenta consideravelmente até um platô e se estabiliza, com novos aumentos possíveis
mediante o uso de esteroides anabólicos. Observe que esse aumento da força aumenta de acordo com dois
tipos de adaptações: as adaptações neurais (linha laranja) e as adaptações musculares hipertróficas (linha
amarela). Observe que o aumento da força se dá, no primeiro momento, principalmente pelas adaptações
neurais e, somente após algum período de treinamento, as adaptações musculares são observadas e
atuantes de forma preponderante nos ganhos de força.
Progressão da força muscular pelo treinamento.
Confira agora as principais adaptações neurais relativas ao treinamento neuromuscular:
Maior atividade do córtex motor primário pelo exercício com cargas elevadas e na
aprendizagem de novos movimentos.
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Melhoria no impulso neural em direção ao músculo.
Melhora na coordenação e frequência dos disparos nas diferentes unidades
motoras.
Melhora na coordenação intramuscular.
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Os aumentos no ganho da força dependem do estágio de treinamento do indivíduo. Iniciantes tendem a
desenvolver a força com maior facilidade e de forma muito rápida devido às adaptações de ordem neural.
Indivíduos avançados necessitam de estímulos específicos que, de maneira geral, envolvem séries múltiplas
de poucas repetições e intensidade elevada.
Potência: A potência muscular é uma importante variável e está relacionada não só ao desempenho
esportivo, como em atividades simples do dia a dia, como subir escadas. A potência pode ser expressa de
acordo com a seguinte fórmula:
Portanto, programas de treinamento dedicados ao desenvolvimento da potência requerem tanto
treinamento de força de alta intensidade quanto a realização de movimentos rápidos. Mas devemos pensar
da seguinte forma: a curva de força-velocidade concêntrica indica que, à medida que a velocidade da ação
muscular aumenta, a força produzida diminui. Sendo assim, o desenvolvimento de potência atinge o pico
numa velocidade intermediária entre a velocidade zero e a velocidade máxima do movimento.
Comentário
Em velocidades rápidas, a baixa produção de força gera baixa potência, em velocidades lentas e alta taxa de
força, também há baixa produção de potência, e em velocidade zero (contração isométrica) a produção de
Melhora na coordenação na atividade dos músculos agonistas e antagonistas.
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potência é zero. Alta potência é resultado de uma combinação de produção de força e velocidade
intermediárias.
Considerando todos esses pressupostos, o treino de potência envolve séries múltiplas com intensidades
entre 30% e 60% de 1-RM por meio de execuções em alta velocidade.
Hipertrofia: A hipertrofia das fibras musculares contribui para modificações na área de secção transversa. A
hipertrofia ocorre em decorrência do aumento das proteínas contráteis, a actina e a miosina. A quantidade
de proteínas estruturais, como a titina e a nebulina, também se modifica à medida que ocorrem
modificações nos miofilamentos.
O treinamento visando à hipertrofia muscular em indivíduos iniciantes e nível intermediário de treinamento
envolvem séries entre 8 e 12 repetições com intensidade entre 70% e 85% de 1-RM. Indivíduos avançados
tendem a variar os estímulos, desde estímulos com altas cargas e reduzido número de repetições a
estímulos mais volumosos.
Treinamento aeróbio
Adaptações ao treinamento aeróbio
As adaptações decorrentes do treinamento aeróbio são bem específicas e convergem a uma melhora na
capacidade de absorção, transporte e utilização do oxigênio. Com relação às adaptações metabólicas, a
principal delas é o aumento do número e tamanho das mitocôndrias, local onde ocorre a respiração celular.
A ação das enzimas aeróbias também se modifica com o treinamento. Essas adaptações otimizam o
processo de ressíntese aeróbia de ATP, seja pelo metabolismo de carboidratos, seja pelo metabolismo de
gorduras.
As adaptações muscularesocorrem principalmente nas fibras do tipo I, ou fibras
vermelhas, que se encontram hipertrofiadas em indivíduos treinados. Essas fibras
possuem essa coloração devido ao alto teor de mioglobina, proteína com a mesma
função da hemoglobina: transportar oxigênio.
O sistema cardiovascular também se adapta de forma específica ao treinamento aeróbio. No coração, há
um aumento considerável da cavidade ventricular esquerda, que associado a um aumento do volume
plasmático, eleva o volume diastólico final. A frequência cardíaca também se modifica. Em repouso, as
modificações incorrem a uma predominância parassimpática em relação à simpática no controle pelo
sistema nervoso autônomo, resultando em bradicardia.
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Durante o esforço, a frequência cardíaca tende a ser cada vez menor para dada intensidade. Devido às
modificações estruturais no coração, indivíduos treinados apresentam maior volume sistólico no repouso e
no exercício e, consequentemente, há um aumento no débito cardíaco.
olume sistólico
Quantidade de sangue ejetado a cada sístole.
ébito cardíaco
Quantidade de sangue ejetado em 1 minuto. O débito cardíaco é o produto entre o volume sistólico e a
frequência cardíaca.
A capacidade de extração do oxigênio do sangue aos músculos ativos também se modifica, uma medida
denominada diferença arteriovenosa de oxigênio. Além disso, o exercício aeróbio estimula a arteriogênese e
a angiogênese, aumentando de forma considerável a rede capilar em torno da musculatura treinada.
Atenção!
O treinamento aeróbio promove uma menor taxa de formação de lactato durante dada intensidade e
promove uma maior taxa de remoção do lactato à medida que é produzido.
Testes incrementais com coleta de amostras sanguíneas podem ser realizados para avaliar o ponto em que
o lactato começa a se acumular. Após plotagem gráfica e aplicação de uma linha de tendência, é possível
perceber o que se conhece como curva de lactato. Após um período de treinamento aeróbio, espera-se um
desvio da curva para a direita, que explica uma menor concentração de lactato para maiores intensidades.
Compare as modificações na curva de lactato antes e depois do treinamento:
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Modificações na curva de lactato com o treinamento.
Processo de reversão
O princípio da reversibilidade
O princípio da reversibilidade nos explica que todas as adaptações promovidas pelo exercício físico são
reversíveis a partir do momento que os estímulos são interrompidos, processo denominado de
destreinamento. A reversibilidade é parcial se a intensidade e/ou volume de treinamento forem apenas
reduzidos. A literatura indica reduções significativas de desempenho em apenas uma ou duas semanas de
interrupção.
O processo de reversão das adaptações do treinamento é complexo e depende de
diversas variáveis, como o nível de treinamento do indivíduo, o período de tempo
em que o indivíduo esteve exposto ao treinamento, assim como a intensidade e o
volume em que o treinamento foi desenvolvido.
No sistema cardiovascular, o processo reverso pode ser observado em âmbito central e periférico em
poucas semanas. Na musculatura estriada esquelética podem ser observadas reduções significativas na
atividade enzimática e na atividade mitocondrial, comprometendo o desempenho em eventos de longa
duração. Com relação à força, as reduções podem ser observadas de forma mais rápida nos indivíduos
altamente treinados, logo nas primeiras duas semanas.
Nos indivíduos engajados em treinamento recreacional, são necessárias aproximadamente seis semanas
de destreinamento. As reduções na força ocorrem primeiramente em função dos aspectos neurais e o
processo de atrofia muscular ocorre após um período maior de destreinamento. No entanto, após a volta ao
treinamento, a taxa de desenvolvimento da força tende a ser maior se comparada ao desenvolvimento da
força a partir de níveis basais conferidos em sedentários.
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A importância da variedade do treinamento
O princípio da variedade/variabilidade
O princípio da variedade está baseado no desenvolvimento global de um indivíduo. Para isso, deve-se fazer
uso das mais variadas formas de treinamento, ou seja, quanto maior a diversificação dos estímulos, maior
será o desempenho. Atletas de provas longas podem se beneficiar do treinamento anaeróbio, uma vez que
em determinados momentos da atividade as exigências anaeróbias são postas à prova, como em
ultrapassagens e sprint final. Da mesma forma, atletas de provas de exigência anaeróbia são beneficiados
de algum condicionamento aeróbio, uma vez que as vias de recuperação de sprints de velocidade ocorrem
por vias aeróbias.
Outra forma de se aplicar o princípio da variabilidade é pelo uso de material específico. Nadadores fazem
uso de nadadeiras, palmares de diversas formas e tamanhos e snorkels em sua rotina de treinamento.
Corredores de velocidade e desportistas de várias modalidades podem utilizar paraquedas e bandas
elásticas que impõem resistência ao deslocamento.
O princípio da variedade também se aplica ao treinamento combinado. Associar o treinamento de força para
a melhora do desempenho em diversas modalidades tem sido uma estratégia adotada por todos os
treinadores. De fato, faz parte de um raciocínio lógico utilizar-se do treinamento de força para modalidades
anaeróbias dependentes de força e potência. Porém, as pesquisas têm apontado para o fato de que
combinar o treinamento de força às diversas modalidades aeróbias traz resultados positivos expressivos,
como ciclistas, corredores, nadadores, triatletas etc.
Nesses casos, inclui-se ainda o treinamento da flexibilidade, uma vez que boas
amplitudes de movimento estão relacionadas a um bom desempenho físico e
técnico.
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No entanto, é necessária alguma cautela, pois uma modalidade pode causar algum tipo de interferência
sobre a outra a ponto de alguns autores denominarem esse tipo de treinamento combinado de treinamento
concorrente.
A interferência entre o exercício aeróbio e o treinamento para força e hipertrofia muscular são mais
estudados. Os estudos com embasamento molecular que investigaram os efeitos de cada tipo de
treinamento demonstraram que, enquanto o treinamento aeróbio estimula marcadores para biogênese
mitocondrial e angiogênese, o treinamento de força estimula a mTOR (alvo mecanístico da rapamicina), um
sinalizador para a biogênese ribossomal para síntese de proteínas. Veja:
Efeitos do treinamento aeróbio, de força e concorrente.
Os estudos demonstraram que a interferência ocorre principalmente do exercício aeróbio para o
desenvolvimento de força e hipertrofia muscular, principalmente em indivíduos altamente treinados. Porém,
os efeitos podem ser minimizados aplicando-se um intervalo entre sessões se realizadas no mesmo dia,
realizar primeiro o treinamento que corresponda ao objetivo primário, utilizar maiores intervalos entre
sessões se a atividade cíclica desenvolvida for a corrida.
O princípio da especi�cidade, da reversibilidade e da
variedade/variabilidade
Fique agora com um resumo dos principais tópicos deste módulo.

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Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Os diferentes tipos de treinamento produzem adaptações específicas de acordo com o princípio da
especificidade. Assinale a alternativa que apresenta uma adaptação relativa ao treinamento anaeróbio:Parabéns! A alternativa D está correta.
A Aumento do volume sistólico
B Aumento do débito cardíaco
C Aumento da densidade mitocondrial
D Hipertrofia ventricular esquerda
E Aumento na diferença arteriovenosa de oxigênio
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O treinamento resulta em adaptações específicas ao treinamento. O treinamento anaeróbio
caracterizado pela alta intensidade e curta duração eleva o duplo-produto, oferecendo maior resistência
ao fluxo sanguíneo, conferindo ao ventrículo esquerdo um processo hipertrófico.
Questão 2
Analise a afirmação a seguir e assinale a alternativa que preenche as lacunas corretamente.
As adaptações ao treinamento ocorrem de forma geral em todos os sistemas fisiológicos. Com relação
ao treinamento aeróbio, podemos afirmar que promovem hipertrofia das fibras musculares do tipo
___________, fibras que possuem a cor ______________ devido à sua quantidade elevada de
_________________.
Parabéns! A alternativa C está correta.
O treinamento aeróbio resulta em adaptações específicas de estruturas que participam do treinamento
aeróbio. Dentre essas estruturas estão as fibras dos músculos esqueléticos do tipo I, conhecidas como
fibras de contração lenta. Podem ser distinguidas das fibras do tipo II, ou fibras rápidas brancas, pela
alta quantidade de mioglobina.
A II – vermelha – hemoglobina.
B I – branca – mioglobina.
C I – vermelha – mioglobina.
D II – vermelha – mioglobina.
E II – branca – hemoglobina.
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Considerações �nais
Neste conteúdo, você conheceu os princípios do treinamento desportivo. Apesar de apresentados de forma
dividida como um recurso didático, é fundamental que esses princípios sejam compreendidos de forma
integrada. Para a aplicação prática desses princípios, reúna a maior quantidade possível de informações
sobre o seu beneficiário, sobre avaliações e testes, sessões de treino e as respostas fisiológicas. Organize
as informações e torne os resultados cada vez mais visíveis.
Para atender aos objetivos da prática de exercícios, seja para a melhora do desempenho, seja para melhora
da aptidão física relacionada à saúde, é fundamental respeitar os princípios do treinamento. Além disso, o
conhecimento relacionado ao treinamento deve estar intimamente ligado aos conhecimentos anteriores da
área de anatomia, fisiologia, fisiologia do exercício, biomecânica e todos os outros condizentes com a
atuação de um profissional de educação física.
Podcast
Para encerrar, ouça um pouco mais a respeito do treinamento desportivo com o especialista Silvio
Rodrigues Marques Neto.
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Referências
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MAGLISHO, E. W. Nadando o mais rápido possível. 3. ed. São Paulo: Manole, 2010.
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8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016.
MOREIRA, S. R. et al. Acute blood pressure changes are related to chronic effects of resistance exercise in
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TUBINO, M. J. G. Metodologia científica do treinamento desportivo. 2. ed. São Paulo: IBRASA, 1980.
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Para relacionar o material estudado aos aspectos biomecânicos dos diferentes esportes, consulte o livro
Biomecânica Básica, de Susan Hall.
Como leitura complementar, consulte o livro Fisiologia do exercício: teoria e aplicação ao condicionamento
e ao desempenho, de Scott Powers e Edward Howley.
Para os aspectos relacionados ao treinamento de força, leia Fundamentos do treinamento de força
muscular, de Steven Fleck e Willian Kraemer.

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