Prévia do material em texto
9788579000720
www.segmentofarma.com.br
Falta cód
igo
C o o r d e n a d o r e s M i l t o n C a l d e i r a F i l h o G l a u c o A d r i e n o W e s t p h a l
Medicina Intensiva
Manual Prático de
12a edição
Revisada
Apoio:
Referências Bibliográficas: 1. Lu LS, et al. A real world report on intravenous high-dose and non-high-dose proton-pump inhibitors therapy in patients with endoscopically
treated high-risk peptic ulcer bleeding. Gastroenterol Res Pract. 2012;2012:858612. 2. van Rensburg CJ, et al. Pantoprazole for treatment of peptic ulcer bleeding and prevention
for rebleeding. Clinical Medicine Insights: Gastroenterology 2012:5 51-60. 3. Wedemeyer RS, et al. Pharmacokinetic drug interaction profiles of proton pump inhibitors: an update.
Drug Saf. 2014 Apr;37(4):201-11. 4. Steinijans VW, et al. Lack of pantoprazole drug interactions in man. Inter J Clin Pharmacol Ther. 1994;32(8): 385-99. 5. Meyer UA. Metabolic
interactions of the protonpump inhibitors lansoprazole, omeprazole and pantoprazole with other drugs. Eur J Gastroenterol Hepatol. 1996;8(suppl1):S21-S25. 6. Maton PN, et al.
Clinician’s manual on drug interactions in gastroenterology. London: Life Science, 2000. 78 p. 7. Pantozol® EV [Bula]. São Paulo: Takeda Pharma Ltda.
AÇÃO RÁPIDA E PROLONGADA.2
• Pantozol® EV proporciona efeito rápido e sustentado 1 hora após
uma dose em bolus.2
• O pantoprazol tem um baixo potencial de interação com
outros medicamentos.3-6
• Pantozol® EV é indicado para profilaxia de sangramento agudo
por úlcera de estresse e tratamento da hemorragia digestiva alta.7
* A eficácia do Pantoprazol EV no tratamento de sangramento de úlceras pépticas e na prevenção do ressangramento
tem sido demonstrada em vários estudos comparativos.1
Mais informações sobre o produto disponíveis no verso desta página. Agosto/2016.
Contraindicações: Pantozol® EV não deve ser usado em casos de hipersensibilidade conhecida
aos componentes da fórmula ou a benzimidazóis substituídos. Interações medicamentosas: em
caso de administração concomitante, pantoprazol pode alterar a absorção de medicamentos cuja
biodisponibilidade seja dependente do pH intragástrico como, por exemplo, o cetoconazol.
AF_TAK-0106_16-Pantozol EV-Anuncio_16x12cm.indd 1 12/09/16 16:54
Pantozol® EV - pantoprazol sódico sesqui-hidratado - USO ADULTO. Apresentação e composição: embalagens com 1 frasco-ampola contendo 40 mg de pantoprazol (na forma de pantoprazol sódico
sesquiidratado), acompanhado de 1 ampola com 10 ml de diluente. Indicações: Tratamento da úlcera péptica gástrica ou duodenal (úlcera causada pelo ácido do estômago em contato com o revestimento
do estômago ou do início do intestino), das esofagites por refluxo moderadas ou graves (doença causada pela volta do conteúdo do estômago para o esôfago) e para o tratamento da Síndrome de Zollinger-
Ellison e outras de outras doenças causadoras de produção exagerada de ácido pelo estômago quando a via oral não for recomendada, a critério médico. Tratamento hemorragia digestiva alta (em
complemento à terapia endoscópica) e na prevenção do ressangramento. Profilaxia de sangramento agudo por úlcera de estresse. Contraindicações: Pantozol® não deve ser usado por indivíduos que
apresentem alergia (hipersensibilidade) conhecida ao pantoprazol ou aos demais componentes da fórmula ou a benzimidazois substituídos. Precauções e advertências: Pantozol® EV deve ser
administrado exclusivamente por via endovenosa. Indica-se a administração de Pantozol® EV a critério médico quando a via oral não for recomendada. Pantozol® EV 40 mg não está indicado em distúrbios
gastrintestinais leves, como por exemplo na dispepsia não-ulcerosa. A resposta sintomática ao pantoprazol não exclui a presença de malignidade gástrica. Na presença de qualquer sintoma de alarme,
como perda de peso significativa não intencional, vômitos recorrentes, dificuldade para engolir, vômitos com sangue, anemia ou fezes sanguinolentas e quando houver suspeita ou presença de úlcera
gástrica, deve-se excluir a possibilidade de malignidade (câncer). Informe seu médico, já que o tratamento com pantoprazol pode aliviar os sintomas e retardar o diagnóstico. Em pacientes com disfunção
hepática grave (insuficiência hepática), a dose diária deve ser reduzida para 20 mg e as enzimas hepáticas devem ser regularmente monitoradas durante o tratamento com Pantozol® EV, particularmente
no uso a longo prazo. Se houver aumento dos valores enzimáticos, o tratamento deve ser descontinuado. Em pacientes com síndrome de Zollinger-Ellison e outras condições patológicas hipersecretórias,
para as quais o tempo de tratamento é longo, pantoprazol, assim como todos os medicamentos bloqueadores de ácidos, pode reduzir a absorção de vitamina B12 (cianocobalamina) devido à hipo ou
acloridria. Este fato deve ser considerado em terapia por tempo prolongado em pacientes com reserva baixa de vitamina B12 ou com fatores de risco de absorção reduzida de vitamina B12 ou caso se
observem sintomas clínicos de deficiência de vitamina B12. Como todos os inibidores de bomba de próton, o pantoprazol pode aumentar a contagem de bactérias normalmente presentes no trato
gastrointestinal superior. O tratamento com Pantozol® pode levar a um leve aumento do risco de infecções gastrointestinais causadas por bactérias como Salmonella, Campylobacter e C. difficile. A
hipomagnesemia tem sido raramente relatada em pacientes tratados com IBP por pelo menos três meses (na maioria dos casos, após um ano de terapia). Consequências graves da hipomagnesemia
incluem tétano, arritmia (falta de regularidade nos batimentos do coração) e convulsão. O tratamento com os inibidores de bomba de próton pode estar associado a um risco aumentado de fraturas
relacionadas à osteoporose do quadril, punho ou coluna vertebral. O risco de fratura foi maior nos pacientes que receberam altas doses, definidas como doses múltiplas diárias, e terapia a longo prazo
com IBP (um ano ou mais). Gravidez e lactação: categoria de risco na gravidez – B. Pantozol® não deve ser administrado a gestantes e lactantes, a menos que absolutamente necessário, uma vez que
a experiência clínica sobre seu uso em mulheres nessas condições é limitada. Estudos em animais demonstraram toxicidade reprodutiva. O risco potencial em humanos é desconhecido. Estudos em
animais mostraram a excreção do pantoprazol no leite materno. A excreção de pantoprazol no leite materno tem sido reportada. Portanto, a decisão sobre continuar / descontinuar a amamentação ou
continuar / interromper o tratamento com pantoprazol deve ser tomada tendo em consideração o benefício da amamentação para a criança e o benefício do tratamento com pantoprazol às mulheres.
Portanto, Pantozol® só deve ser utilizado quando o benefício para a mãe for considerado maior que o risco potencial ao feto ou à criança. Pacientes pediátricos: A experiência clínica em crianças é
limitada e, portanto, o uso do produto não é recomendado para menores de 18 anos de idade. Pacientes idosos: a dose diária de 40 mg de pantoprazol não deve ser excedida em pacientes idosos ou
naqueles com insuficiência renal. Pacientes com insuficiência renal: A dose diária de 40 mg de pantoprazol não deve ser excedida. Pacientes com insuficiência hepática: Em pacientes com
insuficiência hepática grave, os níveis de enzimas hepáticas devem ser monitorados regularmente durante a terapia com pantoprazol, particularmente no uso a longo prazo. Caso ocorra uma elevação
desses níveis, o tratamento com pantoprazol deve ser descontinuado. Efeitos na habilidade de dirigir e operar máquinas: Não se espera que Pantozol® afete adversamente a habilidade de dirigir e
operar máquinas. Reações adversas como tontura e distúrbios visuais podem ocorrer. Se afetado, o paciente não deve dirigir nem operar máquinas. Interações medicamentosas: Pantozol® pode alterar
a absorção de medicamentos que necessitam da acidez no estômago para a sua absorção adequada, como o cetoconazol. Issose aplica também a medicamentos ingeridos pouco tempo antes de
Pantozol®. Não há interação medicamentosa clinicamente importante de Pantozol® com as seguintes substâncias testadas: carbamazepina, cafeína, diazepam, diclofenaco, digoxina, etanol, glibenclamida,
metoprolol, naproxeno, nifedipina, fenitoína, teofilina, piroxicam e contraceptivos orais contendo levonorgestrel e etinilestradiol. Uma interação de pantoprazol com outros medicamentos ou compostos, os
quais são metabolizados pelo mesmo sistema de enzima, não pode ser excluída. A administração de Pantozol® junto com os antibióticos claritromicina, metronidazol e amoxicilina não revelou nenhuma
interação clinicamente significativa. Não há restrições específicas quanto à ingestão de antiácidos junto com Pantozol®. A administração concomitante do pantoprazol e clopidogrel não teve efeito
clinicamente importante na exposição ao metabólito ativo do clopidogrel ou inibição plaquetária induzida pelo clopidogrel. Em pacientes que estão sendo tratados com anticoagulantes cumarínicos, é
recomendada a monitorização do tempo de protrombina / INR após o início, término ou durante o uso irregular de pantoprazol. O uso de Pantozol® juntamente com metotrexato (principalmente em doses
altas), pode elevar o efeito do metotrexato e / ou seus metabólitos, levando possivelmente à toxicidade do metotrexato. A coadministração de pantoprazol não é recomendada com inibidores da protease
do HIV para os quais a absorção depende da acidez estomacal, tais como o atazanavir, nelfinavir; devido a uma redução significativa na sua biodisponibilidade. A administração conjunta de pantoprazol e
tacrolimo pode aumentar os níveis totais de tacrolimo no sangue, especialmente em pacientes transplantados que são metabolizadores intermediários ou pobres da CYP2C19. Os inibidores da CYP2C19,
tais como a fluvoxamina, provavelmente aumentam a exposição sistêmica (concentração na circulação sanguínea) do pantoprazol. Interferência em testes de laboratório: Em alguns poucos casos
isolados, detectaram-se alterações no tempo de coagulação com o uso do produto. Portanto, em pacientes tratados com anticoagulantes cumarínicos (varfarina, femprocumona), recomenda-se
monitoração do tempo de coagulação após início e o final ou durante o tratamento com pantoprazol Reações adversas: Reações comuns (ocorrem entre 1% e 10% dos pacientes que utilizam este
medicamento): tromboflebite no local da injeção. Reações incomuns (ocorrem entre 0,1% e 1% dos pacientes que utilizam este medicamento): Distúrbios do sono, dor de cabeça, boca seca, diarreia,
náusea/vômito, inchaço e distensão abdominal, dor e desconforto abdominal, prisão de ventre, aumento nos níveis de enzimas do fígado, tontura, reações alérgicas como coceira e reações de pele
(exantema, rash e erupções), fraqueza, cansaço e mal estar. Reações raras (ocorrem entre 0,01% e 0,1% dos pacientes que utilizam este medicamento): alterações das células do sangue (agranulocitose),
hipersensibilidade (incluindo reações e choque anafilático), aumento no nível de gordura no sangue, alterações de peso, depressão, distúrbios de paladar, distúrbios visuais (visão turva), aumento nos níveis
de bilirrubina, urticária, inchaço na pele ou mucosas, dor nas articulações, dor muscular, crescimento de mamas em homens, elevação da temperatura corporal, inchaço periférico. Reações muito raras
(ocorrem em menos de 0,01% dos pacientes que utilizam este medicamento): alterações nas células do sangue (leucopenia, trombocitopenia, pancitopenia), desorientação. Reações de frequência
desconhecida: diminuição nos níveis de sódio/magnésio; alucinação, confusão, dano às células do fígado, coloração amarelada na pele e/ou olhos (icterícia), insuficiência do fígado, inflamação renal (nefrite
intersticial), síndrome de Stevens-Johnson, eritema multiforme, síndrome de Lyell, sensibilidade à luz, fraturas no quadril, punho ou coluna. Posologia e modo de usar: No tratamento da úlcera péptica
gástrica ou duodenal e das esofagites por refluxo moderada ou grave, salvo critério médico diferente, recomenda-se a administração de um frasco-ampola (40 mg) de Pantozol® EV ao dia. No tratamento
da síndrome de Zollinger-Ellison e outras condições patológicas hipersecretórias, ohipersecretórias, os pacientes devem iniciar o tratamento com dose diária de 80 mg. Em seguida, a dose pode ser alterada
para uma dose maior ou menor conforme necessário, adotando-se medidas de secreção de ácido gástrico como parâmetro. Doses diárias acima de 80 mg devem ser divididas e administradas duas vezes
ao dia. Aumentos temporários da dose diária para valores acima de 160 mg de pantoprazol são possíveis, mas não devem ser adminitrados por períodos que se prolonguem além do necessário para
controlar devidamente a secreção ácida. A duração do tratamento da síndrome de Zollinger-Ellison e outras condições patológicas hipersecretórias não é limitada e deve ser adaptada à necessidade clínica.
No tratamento da hemorragia digestiva alta (em complemento à terapia endoscópica) e na prevenção do ressangramento recomenda-se a administração de 80 mg de Pantozol® EV em bolus, seguidos da
infusão de 8 mg/h de Pantozol® EV durante 72 horas. Na profilaxia de sangramento agudo por úlcera de estresse, recomendam-se esquemas posológicos de 40 mg a 80 mg de Pantozol® EV uma a duas
vezes ao dia. Modo de preparar: Injetando-se o conteúdo da ampola de diluente (10 ml) no frasco-ampola que contém o pó liofilizado, obtém-se rapidamente a solução injetável pronta para a aplicação
endovenosa. Pode-se administrar a solução sob a forma de bolus (no mínimo por 2 minutos) ou sob a forma de infusão, após a diluição da solução reconstituída em 100 ml de solução fisiológica ou 100
ml de solução de glicose a 5% ou a 10%. Neste caso, recomenda-se um tempo de administração de 15 minutos. Pantozol® EV não deve ser diluído com outros tipos de diluente ou misturado a nenhum
outro medicamento injetável. Tão logo se torne recomendável o tratamento por via oral, Pantozol® EV deve ser descontinuado e substituído pelo tratamento com Pantozol® comprimidos, levando-se em
consideração a equivalência terapêutica entre a forma injetável de 40 mg e os comprimidos gastrorresistentes de 40 mg. A PERSISTIREM OS SINTOMAS, O MÉDICO DEVERÁ SER CONSULTADO.
MEDICAMENTO SOB PRESCRIÇÃO. Registro MS - 1.0639.0182. PTEV_0814_0415.
SE PERSISTIREM OS SINTOMAS, O MÉDICO DEVERÁ SER CONSULTADO.
Takeda Pharma Ltda. Rua do Estilo Barroco, 721 – 04709-011 – São Paulo – SP.
Mais informações poderão ser obtidas diretamente com o nosso
Departamento de assuntos cientí�cos ou por meio de nossos representantes.
Material produzido em agosto/2016.
Material destinado exclusivamente à classe médica.
AF_TAK-0106_16-Pantozol EV-Anuncio_16x12cm.indd 2 12/09/16 16:54
12a edição – 2016
Revisada
C o o r d e n a d o r e s M i l t o n C a l d e i r a F i l h o G l a u c o A d r i e n o W e s t p h a l
Medicina Intensiva
Manual Prático de
Apoio:
VIVI
Manual Prático de Medicina Intensiva
Copyright© 2016 – Milton Caldeira Filho e Glauco Adrieno Westphal
Proibida a reprodução total ou parcial desta obra.
Todos os direitos desta edição reservados à Segmento Farma Editores Ltda.
Rua Anseriz, 27, Campo Belo, CEP 04618-050 – São Paulo, SP. Fone: 11 3093-3300
DADOS INTERNACIONAIS DE CATALOGAÇÃO NA PubLICAÇÃO (CIP)
C146m CALDEIRA FILHO, Milton
Manual prático de medicina intensiva : UTI /
coordenadores Milton Caldeira Filho, Glauco Adrieno
Westphal. – 12.ed. – São Paulo : Segmento Farma, 2016.
528 p. ; il. col.
ISBN 978-85-7900-096-6
Inclui referências bibliográficas.
1. Tratamento intensivo. 2. Unidade de tratamento
intensivo. I. Westphal, Glauco Adrieno. II. Título.
CDD 616.028
Índices para catálogo sistemático
1. Tratamento intensivo 616.028
2. Unidade de tratamento intensivo 362.11
VIIVII
Mensagem dos coordenadores
Doze anos se passaram desde a primeira edição do Manual Prático de Medicina Intensiva.Trata-se de
uma realização coletiva que renasce, a cada ano, da inestimável colaboração de diversos autores que
se desafiam a incrementar, atualizar e transformar as principais informações da Medicina Intensiva em
tabelas e fluxogramas. A constante receptividade ao resultado desse esforço em todo o Brasil é, sem
dúvida, uma enorme satisfação e motivação para todos nós. Agradecemos aos autores pela dedicação
e à Segmento Farma Editores pelo profissionalismo na execução deste projeto.
Milton Caldeira Filho e Glauco Adrieno Westphal
miltoncaldeira@globo.com glauco.w@brturbo.com.br
Nota dos autores e editores
A Medicina Intensiva está sempre em transformação. Conforme novas pesquisas e experiências clinicas
ampliam o conhecimento, podem se tornar necessárias alterações no tratamento ou na terapia medica-
mentosa.
Os leitores são aconselhados a conferir as informações fornecidas pelos fabricantes sobre os produtos
constantes deste manual, verificando a dose recomendada, o modo de administração e as contraindica-
ções. Com base em evidências científicas, na experiência pessoal e no conhecimento do paciente, é atri-
buição do médico determinar o melhor tratamento para cada paciente. A responsabilidade por eventuais
prejuízos e/ou lesões a pessoas ou propriedades, a partir de qualquer atitude médica, e do profissional
que a tomou.
VIIIVIII
É com grande satisfação e singular distinção que estou prefaciando esta obra.
Já na décima segunda edição, revisada e atualizada, chega às mãos do Intensivista como a rota
do sucesso clínico.
Confeccionado com tabelas e fluxogramas, mostra o caminho, mas não descreve a paisagem,
sua história e seu passado. Sim, porque na essência, traz o mapa, o compasso e a bússola da meta
a ser alcançada.
O jovem em busca de informação, habituado a navegar na internet e nas redes sociais, ruma
para outro sítio quando o texto é longo e enfadonho. Talvez, leia uma ou outra sentença, pulando
outras em busca da informação desejada.
Nos tempos atuais, com novos paradigmas pedagógicos, os volumosos tratados de Medicina
estão em processo de extinção. O tempo moderno exige um acesso rápido à informação. Mais do
que isso, a informação tem que ser completa, precisa, concentrada e facilmente acessível.
A tradicional busca e leitura de artigos originais da literatura internacional, somente interessa
ao acadêmico ao elaborar uma tese ou um trabalho científico em área específica do conhecimento.
Para o Intensivista que desempenha, diariamente, sua atividade profissional à beira do leito, fica
impossível se atualizar lendo os milhares de artigos publicados em todas as áreas da Medicina In-
tensiva. Mesmo porque artigos de baixa qualidade ou controversos podem gerar mais dúvidas do
que certezas. Por isso, entidades nacionais e internacionais, filtram a literatura e geram consensos,
guias e diretrizes. Estes, foram integrados neste livro de forma simples, clara e objetiva.
O Manual se inicia com os critérios de Internação na UTI e as informações mínimas para apre-
sentação de casos, o que vem disciplinar as visitas de rotina. Segue um capítulo sobre as avaliações
obrigatórias diárias em que é apresentado o checklist para auxiliar na condução da visita multidisci-
plinar diária. Gostaria de enfatizar que, lamentavelmente, tanto o checklist quanto a visita multidis-
ciplinar diária, ainda não são realidade em todas as UTI do país.
Seguem-se capítulos abordando a avaliação e a estratificação de risco antes da transferência
do paciente, assim como os índices prognósticos. Os demais capítulos abordam todos os siste-
mas comprometidos, procurando conduzir o intensivista, passo a passo, ao sucesso terapêutico.
Os fluxogramas são acompanhados por vasto material acessório, como fórmulas, equações e
tabelas. Estas elencam variáveis, escalas e doses, em suma, valores de interesse que, como sina-
lizadores de trânsito, orientam na condução segura do roteiro. Três preciosos anexos encerram o
livro. O primeiro reúne extensa relação de fórmulas utilizadas em Medicina Intensiva para dimen-
sionar os desvios fisiológicos e metabólicos do paciente grave. O segundo elenca cada medica-
mento empregado na UTI descrevendo nome comercial, apresentação, indicação, doses e efeitos
colaterais. Finalmente, o terceiro anexo apresenta várias drogas de infusão endovenosa contínua,
que correlaciona a diluição e a velocidade de infusão com o peso do paciente.
Quero parabenizar Milton e Glauco, assim como todos os autores e coautores, por este com-
pacto, prático e completo Manual que, quando não no bolso de cada intensivista, deveria estar,
obrigatoriamente, disponível para consulta em cada Unidade de Tratamento Intensivo.
Renato G. G. Terzi
Professor Titular da Faculdade de Ciências Médicas do Departamento de Cirurgia da Universida-
de Estadual de Campinas (Unicamp)
Prefácio
IXIX
“Uma mão na roda”!
Escrever livros não é tarefa para muitos. É trabalhoso. É demorado. É ardiloso – escrever, ler, escrever
novamente e ler novamente! Há que se justificar como obra! Ter valor próprio! Escrever livros de
Medicina – armadilha pura! Em nossas vidas de hoje, quase um motivo de separação. Ou não?!
Contar com colegas nesse desafio: um corpo a corpo difícil. Prazos! Temas! Atualização! Referências!
E a língua portuguesa não é fácil, mesmo em textos técnicos! O que dizer então quando dois
colegas – Milton Caldeira e Glauco Westphal – lideram um novo livro de Medicina Intensiva que é, ao
mesmo tempo, compacto e abrangente?! Prático, atualizado e otimamente ancorado em referências
de primeira?
Será que precisaríamos de algo assim?! Algo que me responda de forma rápida, atual e segura
o que pensar diante de determinada situação clínica?! Que me ofereça alternativas diagnósticas,
alternativas terapêuticas?! O que e como fazer para superar dificuldades à beira do leito?! Drogas,
doses, dicas, riscos, normativas!
E os temas interessam?! Coma e morte encefálica? Tem! Choque? Tem! Ventilação e desmame?
Tem! Sedação e analgesia? Tem! Infecção e antibioticoterapia? Tem! Escores, paradigmas hemodi-
nâmicos e fisiológicos em geral? Tem! Fórmulas das quais não me lembro, nem sei onde estariam?
Tem! Equilíbrios acidobásico e metabólico? Tem! Inflamação? Cascata da coagulação? Tem! Síndro-
mes coronarianas agudas? Também tem! E tem muito mais!
É claro que poderá ser aperfeiçoado em futuras edições, mas estou certo de que já é um sucesso
editorial com lugar certo na pasta, no bolso ou na mesa de prescrição de nossas unidades. Lá, onde
enfrentamos o dia a dia do saber, do questionar-se, do ver, acolher e envolver-se com o paciente
gravemente enfermo, seus familiares, as equipes de cuidados intensivos e as dúvidas.
E lá, na madrugada, quando é preciso agir e avançar! Aí, bem aí nesse momento, vamos lembrar
que este texto é mesmo uma “mão na roda”!
Aos autores e coautores, parabéns! Essa é e tem sido a riqueza da Medicina Intensiva brasilei-
ra: novos e melhores intensivistas estão chegando – e chegando para ficar! E têm, cada vez mais,
o que dizer!
Sejam bem-vindos!
Boa leitura.
Com um abraço,
Jairo Othero
Prefácio da 1a edição
XX
Autores e colaboradores
Alessandro Farias
• Médico infectologista do Hospital Português, Salvador/BA.
Alexandre Luiz Longo
• Especialista em neurologia pela Sociedade Brasileira de Neurologia. Professor
da Faculdade de Medicina da Universidade de Joinville/SC (Univille).
Aline Braz Pereira
• Médica residente do Programa de Residência Médica de Medicina Intensiva
do Hospital Municipal São José (HMSJ), Joinville/SC.
Amilton Carniel Guimarães
• Médico do Hospital de Caridade Irmandade Senhor Jesus dos Passos, Floria-
nópolis/SC. Especialista em medicina interna e gastroenterologia.
Ana Carolina Peçanha Antônio
• Mestre em ciências de reabilitação pela Universidade Federal de Ciências da
Saúde de Porto Alegre/RS. Médica intensivista do Hospital Moinhos de Vento
de Porto Alegre.
Anderson Ricardo Roman Gonçalves
• Doutor em nefrologiapela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
(FMUSP). Médico intensivista pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira
(Amib). Professor das disciplinas de fisiologia e nefrologia da Faculdade de
Medicina da Universidade de Joinville/SC (Univille).
Claudio Rogerio Werka Junior
• Especialista em nefrologia pelo Programa de Residência Médica (PRM) do
Hospital Universitário Evangélico de Curitiba e pela Sociedade Brasileira de
Nefrologia. Preceptor do PRM em Clínica Médica do Hospital Municipal São
José (HMSJ), Joinville/SC.
Conrado Roberto Hoffmann Filho
• Especialista em cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).
Especialista em medicina intensiva pela Associação de Medicina Intensiva
Brasileira (Amib). Preceptor de cardiologia do Programa de Residência Médica
de medicina interna do Hospital Regional Hans Dieter Schmidt (HRHDS),
Joinville/SC.
Denise Bichels Leitão
• Coordenadora de nutrição clínica do Centro Hospitalar Unimed de Joinville /SC.
Especialista em nutrição clínica pela Universidade Federal do Paraná (UFPr).
Dimitri Sauter Possamai
• Especialista em medicina intensiva pelo Programa de Residência Médica de
Medicina Intensiva do Hospital Municipal São José (HMSJ), Joinville/SC e
pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib).
Durval Gonçalves Rosa Neto
• Responsável pelo Serviço de Endoscopia do Hospital Português, Salvador/BA.
Andréa Ribeiro Cavalcanti
• Mestre em medicina interna pela Faculdade de Medicina da Universidade
Federal da Bahia (UFBA), Salvador/BA.
Augusto Savi
• Fisioterapeuta respiratório da Universidade Federal do Rio Grande do Sul
(UFRGS), Porto Alegre/RS
Camila Piaia
• Médica residente do Programa de Residência Médica de Clínica Médica do
Hospital Municipal São José (HMSJ), Joinville/SC
Carlito Moreira Filho
• Médico obstetra responsável pelo Serviço de Alto Risco da Maternidade
Darcy Vargas, Joinville/SC. Professor da Faculdade de Medicina de Joinville/
SC (Univille).
Cassiano Teixeira
• Doutor em medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Professor adjunto de clínica médica da Universidade Federal de Ciências da
Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Médico intensivista do Hospital Moinhos
de Vento de Porto Alegre. Médico intensivista pela Associação de Medicina
Intensiva Brasileira (Amib).
Cláudio Celestino Zolinger
• Especialista em medicina intensiva, cirurgia geral e nutrologia. Coordenador
técnico das unidades de terapia intensiva da Secretaria de Saúde do Estado
da Bahia. Vice-coordenador da Unidade de Gastroenterologia e Hepatologia
do Hospital Português, Salvador/BA.
Eliza Teixeira da Rocha
• Médica neurologista. Fellow em neurologia vascular do Programa de Resi-
dência Médica de Neurologia do Hospital Municipal São José (HMSJ)/SC.
Fabiano Schwingel
• Especialista em pneumologia pela Sociedade Brasileira de Pneumologia.
Professor da disciplina de pneumologia da Faculdade de Medicina de Joinville/
SC (Univille). Preceptor do Programa de Residência Médica em clínica médica
do Hospital Municipal São José (HMSJ), Joinville/SC, e do Hospital Regional
Hans Dieter Schmidt (HRHDS).
Fabio Erbes
• Médico residente do Programa de Residência Médica de Medicina Intensiva
do Hospital Municipal São José (HMJS), Joinville/SC.
Felipe Pfuetzenreiter
• Especialista em medicina intensiva pelo Programa de Residência Médica
de Medicina Intensiva do Hospital das Clínicas da Universidade Federal do
Paraná (UFPR) e pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib).
Fellowship em cuidados paliativos pela Universidade de Alberta, Canadá.
Coordenador do Grupo de Cuidados Paliativos do Centro Hospitalar Unimed,
Joinville/SC.
Fernando Wagner
• Especialista em cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).
Especialista em ecocardiografia pelo Departamento de Ecocardiografia da SBC.
Especialista em medicina intensiva pela Associação de Medicina Intensiva
Brasileira (Amib).
XIXI
Autores e colaboradores
Francine Bagnati
• Médica da unidade de terapia intensiva do Hospital Dona Helena de Joinville/SC.
Preceptora do Programa de Residência em clínica médica do Hospital Regional
de São José de Florianópolis/SC.
Gerson Luis Costa
• Especialista em neurologia pela Sociedade Brasileira de Neurologia e em
medicina intensiva (Amib). Pós-graduado em neurointensivismo pelo Hospital
Sírio-Libanês (SP).
Glauce Lippi de Oliveira
• Especialista em medicina intensiva pelo Programa de Residência Médica em
medicina intensiva do Hospital Municipal São José (HMSJ) e pela Associação
de Medicina Intensiva Brasileira (Amib). Pós-graduada em Neurointensivismo
pelo Hospital Sírio Libanês.
Glauco Adrieno Westphal
• Doutor em Ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
(FMUSP). Especialista em medicina intensiva pelo Programa de Residência
Médica (PRM) do Hospital Municipal São José (HMSJ) e pela Associação de
Medicina Intensiva Brasileira (Amib). Preceptor do PRM em medicina intensiva
do HMSJ. Coordenador do Serviço de Residência, Ensino e Treinamento do
HMSJ. Coordenador da unidade de terapia intensiva do Centro Hospitalar Uni-
med, Joinville/SC. Professor da disciplina de medicina intensiva da Faculdade
de Medicina de Joinville/SC (Univille).
Lilian Marcela Schimanoski Brikalski
• Médica residente do Programa de Residência Médica de Medicina Intensiva
do Hospital Municipal São José (HMJS), Joinville/SC.
Louise Trindade de Oliveira
• Especialista em medicina intensiva pelo Programa de Residência Médica em
medicina intensiva do Hospital Municipal São José (HMSJ), Joinville/SC e
pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib).
Luiz Henrique Melo
• Especialista em medicina intensiva pela Associação de Medicina Intensiva
Brasileira (Amib). Médico infectologista. Preceptor do Programa de Residência
Médica em clínica médica do Hospital Municipal São José (HMSJ). Professor
da disciplina de infectologia da Faculdade de Medicina de Joinville/SC (Univille).
Marcelo Guimarães da Fonseca
• Especialista em suporte nutricional pela Sociedade Brasileira de Nutrição
Parenteral e Enteral (SBNPE), em medicina intensiva pela Associação de
Medicina Intensiva Brasileira (Amib) e em clínica médica pela Sociedade
Brasileira de Clínica Médica (SBCM).
Marcus Vinicius Magno Gonçalves
Médico neurologista do Centro Hospitalar Unimed de Joinville/SC.
Graciana Bandeira Salgado de Vasconcelos
• Mestre em gastroenterologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de
São Paulo (FMUSP). Médica da Unidade de Gastroenterologia e Hepatologia
do Hospital Português, Salvador/BA.
Janaína Feijó
• Especialista em medicina intensiva pelo Programa de Residência Médica
em Medicina Intensiva do Hospital Municipal São José (HMSJ) e pela
Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib).
Joel de Andrade
• Coordenador estadual de transplantes de Santa Catarina e médico da
unidade de terapia intensiva do Hospital Universitário da Universidade
Federal de Santa Catarina.
Jorge Dias de Matos
• Especialista em medicina intensiva pela Associação de Medicina Intensiva
Brasileira (Amib). Professor do Departamento de Clínica Médica da Universi-
dade Federal de Santa Catarina. Médico da Central de Notificação Captação
e Doação de Órgãos (CNCDO-SC).
Kalinca Daberkow Vieira
• Especialista em medicina intensiva pelo Programa de Residência Médica
do Hospital Municipal São José (HMSJ), Joinville/SC e pela Associação de
Medicina Intensiva Brasileira (Amib).
Margaret Grando
• Mestre em ciência dos alimentos pela Universidade Federal de Santa Catarina
(UFSC), Florianópolis/SC. Professora da disciplina de toxicologia da Faculdade
de Medicina de Joinville/SC (Univille). Farmacêutica bioquímica.
Maria Alice Pires Soares
• Médica gastroenterologista da Unidade de Gastroenterologia e Hepatologia
do Hospital Português, Salvador/BA.
Marina Borges Wageck Horner
• Especialista em MedicinaIntensiva pelo Programa de Residência Médica
do Hospital Municipal São José (HMSJ), Joinville/SC e pela Associação de
Medicina Intensiva Brasileira (Amib).
Marlene Zannin
• Doutora em ciências médicas pela Universidade Federal de São Paulo
(Unifesp). Professora adjunta da disciplina de toxicologia da Universidade
Federal de Santa Catarina (UFSC). Coordenadora do Centro de Informações
Toxicológicas de Santa Catarina. Farmacêutica bioquímica.
Milton Caldeira Filho
• Especialista em medicina intensiva pela Associação de Medicina Intensiva
Brasileira (Amib). Coordenador da unidade de terapia intensiva (UTI) do Hos-
pital Dona Helena de Joinville/SC. Coordenador do Programa de Residência
Médica em Medicina Intensiva do HMSJ.
XIIXII
Míriam Cristine Vahl Machado
• Especialista em medicina intensiva pelo Programa de Residência Médica
(PRM) em Medicina Intensiva do Hospital de Clínicas de Porto Alegre da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e pela Associação
de Medicina Intensiva Brasileira (Amib). Preceptora do PRM em medicina
intensiva do Centro Hospitalar Unimed de Joinville/SC.
Norberto Luiz Cabral
• Mestre em medicina interna pela Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Especialista em neurologia pela Sociedade Brasileira de Neurologia. Pro-
fessor da Faculdade de Medicina de Joinville/SC (Univille).
Paula Marina Francisco da Cruz
• Especialista em endocrinologia pela Universidade de São Paulo (USP).
Paulo Lisboa Bittencourt
• Doutor em gastroenterologia pela Universidade de São Paulo (FMUSP).
Coordenador da Unidade de Gastroenterologia e Hepatologia do Hospital
Português, Salvador/BA.
Pedro Silva Correa de Magalhães
• Preceptor do Programa de Residência Médica de Neurologia do Hospital
Municipal São José (HMSJ), Joinville/SC. Neurologista e neurorradiolo-
gia intervencionista.
Autores e colaboradores
Pierry Otaviano Barbosa
• Especialista em medicina intensiva pelo Programa de Residência Médica do
Hospital Municipal São José (HMSJ), Joinville/SC e pela Associação de Me-
dicina Intensiva Brasileira (Amib). Médico responsável pela rotina da unidade
de terapia intensiva neurocirúrgica do HMSJ.
Rachel Duarte Moritz
• Doutora em engenharia de produção pela Universidade Federal de Santa
Catarina (UFSC). Mestre em ciências médicas pela UFSC. Professora do
Departamento de Clínica Médica da UFSC.
Rafael de March Ronsoni
• Especialista em cardiologia e eletrofisiologia clínica invasiva pelo Programa de
Residência Médica (PRM) do Instituto de Cardiologia do RS e pela Sociedade
Brasileira de Cardiologia (SBC)/Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas
(Sobrac). Preceptor do PRM de clínica médica do Hospital Municipal São José
(HMSJ). Professor da Faculdade de Medicina de Joinville/SC (Univille).
Raquel Wanzuita
• Doutora em ciências pela Universidade de São Paulo (FMUSP). Especialista em
medicina intensiva pelo Programa de Residência Médica (PRM) do Hospital
Municipal São José (HMSJ) e pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira
(Amib). Coordenadora do PRM em medicina intensiva do Hospital Regional Hans
Dieter Schmidt (HRHDS), Joinville/SC. Professora das disciplinas de medicina
de urgência e fisiopatologia da Faculdade de Medicina de Joinville/SC (Univille).
Renata Waltrick
• Especialista em medicina intensiva pelo Programa de Residência Médica em
Medicina Intensiva do Hospital Municipal São José (HMSJ), Joinville/SC e
pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib).
Ricardo Oliveira Cruz D'Oliveira
• Médico da Unidade de Gastroenterologia e Hepatologia do Hospital Português,
Salvador, BA.
Rodrigo de Brito Cordeiro
• Especialista em medicina intensiva pelo Programa de Residência Médica
em Medicina Intensiva do Hospital Municipal São José (HMSJ), Joinville/
SC e pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib).
Rodrigo Soares da Silva
• Especialista em medicina intensiva pelo Programa de Residência Médica
em Medicina Intensiva do Hospital Municipal São José (HMSJ), Joinville/
SC e pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib).
Rogério Carregoza Dantas
• Mestre em cardiologia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro
(Uerj). Especialista em cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia
(SBC) e em medicina intensiva pela Associação de Medicina Intensiva
Brasi leira (Amib).
Silvia Maria Fachin
• Médica residente do Programa de Residência Médica de Medicina Intensiva
do Hospital Municipal São José (HMSJ), Joinville/SC.
Tatiana Moreria Clementino
• Especialista em medicina intensiva pelo Programa de Residência Médica do
Hospital Universitário Clementino Fraga Filho da Universidade Federal do Rio
de Janeiro. Especialista em geriatria pela Pontifícia Universidade Católica do
Rio de Janeiro (PUC-RJ).
Vilto Michels Júnior
• Especialista em medicina intensi va pelo Programa de Residência Médica em
Medicina Intensiva do Hospital Municipal São José (HMSJ) e pela Associação
de Medicina Intensiva Brasileira (Amib). Professor da Faculdade de Medicina
da Unisul e médico coordenador do centro de terapia intensiva do Hospital
Nossa Senhora da Conceição (HNSC), Tubarão/SC. Coordenador do Programa
de Residência Médica em Medicina Intensiva do HNSC.
Viviane Renata Zaclikevis
• Especialista em medicina intensiva pelo Programa de Residência Médica em
Medicina Intensiva do Hospital Municipal São José (HMSJ) e pela Associação
de Medicina Intensiva Brasileira (Amib).
XIIIXIII
Sumário
Informações gerais
1 Critérios de internação em unidades de terapia intensiva
Francine Bagnati e Milton Caldeira Filho
2 Informações mínimas para
apresentação de casos em UTI
Glauco Adrieno Westphal
3 Avaliações obrigatórias diárias
(checklist para visita multidisciplinar)
Marina B. W. Horner, Rodrigo B. Cordeiro, Glauco Adrieno Westphal,
Aline Braz Pereira e Silvia Maria Fachin
5 Avaliação e estratificação de risco
antes da transferência do paciente
Aline Braz Pereira, Glauco Adrieno Westphal e Milton Caldeira Filho
10 Índices prognósticos (contém CID-10 dos
principais diagnósticos de admissão na UTI)
Glauco Adrieno Westphal e Silvia Maria Fachin
Neurológico
16 Coma
Gerson Luis Costa e Pedro Silva Correa de Magalhães
19 Trauma cranioencefálico grave e monitorização da PIC
Raquel Wanzuita, Gerson Luis Costa e Milton Caldeira Filho
21 Acidente vascular cerebral isquêmico (AVCi)
Alexandre Luiz Longo, Gerson Luis Costa, Pedro Silva Correa de Magalhães
e Eliza Teixeira da Rocha
25 Acidente vascular cerebral hemorrágico (AVCh)
Gerson Luis Costa, Pedro Silva Correa de Magalhães e Eliza Teixeira da Rocha
27 Hemorragia subaracnóidea (HSA)
Ana Carolina Dalmônico e Milton Caldeira Filho
30 Delirium em unidade de terapia intensiva
Glauco Adrieno Westphal, Norberto Luiz Cabral e Aline Braz Pereira
35 Estado de mal epiléptico (EME)
Glauco Adrieno Westphal e Aline Braz Pereira
37 Diagnóstico e manutenção de órgãos
no potencial doador falecido
Glauco Adrieno Westphal, Milton Caldeira Filho, Kalinca Daberkow Vieira,
Viviane Renata Zaclikevis, Joel de Andrade e Jorge Dias de Matos
Cardiovascular
43 Ressuscitação cardiopulmonar (RCP)
Viviane Renata Zaclikevis, Kalinca Daberkow Vieira e Aline Braz Pereira
47 Controle direcionado da temperatura (CDT)
Glauce Lippi de Oliveira
48 Prognóstico neurológico após
ressuscitação cardiopulmonar
Rodrigo de Brito Cordeiro, Milton Caldeira Filho e Aline Braz Pereira
49 Síndrome coronariana aguda sem
supradesnivelamento do segmento ST
(SCAsSST na UTI)
Silvia Maria Fachin e Conrado Roberto Hoffmann Filho
53 Infarto agudo do miocárdio com
supradesnivelamento do segmento ST (IAMcSST)
Rafael de March Ronsoni, Fernando Wagner e Silvia Maria Fachin
59 Emergência hipertensiva
Anderson Ricardo Roman Gonçalves
61 Abordagem inicial do choque
Glauco Adrieno Westphal e Silvia Maria Fachin
66 Choque hipovolêmico
Glauco Adrieno Westphal e Milton Caldeira Filho
67 Choque anafilático
Glauco Adrieno Westphal
69 Drogas vasoativasVilto Michels Júnior, Glauco Adrieno Westphal e Milton Caldeira Filho
73 Arritmias cardíacas
Rogério Carregoza Dantas, Glauco Adrieno Westphal e Milton Caldeira Filho
79 Insuficiência ventricular esquerda aguda (IVEA)
Viviane Renata Zaclikevis, Kalinca Daberkow Vieira,
Rodrigo de Brito Cordeiro, Felipe Pfuetzenreiter,
Glauco Adrieno Westphal e Milton Caldeira Filho
84 Insuficiência ventricular direita aguda (IVD) aguda
Francine Bagnati e Milton Caldeira Filho
Respiratório
86 Derrame pleural (DP)
Felipe Pfuetzenreiter, Janaína Feijó e Milton Caldeira Filho
89 Ventilação mecânica não invasiva (VNI)
Milton Caldeira Filho e Glauco Adrieno Westphal
91 Broncospasmo em paciente crítico
Fabiano Schwingel, Glauco Adrieno Westphal e Milton Caldeira Filho
94 Ventilação mecânica no pulmão normal
Milton Caldeira Filho
95 Assincronia ventilatória: análise dos gráficos
Cassiano Teixeira e Augusto Savi
98 Síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA)
Milton Caldeira Filho, Silvia Maria Fachin e Glauco Adrieno Westphal
103 Uso de óxido nítrico inalado (NOi)
Rodrigo Soares da Silva e Milton Caldeira Filho
105 Desmame ventilatório
Raquel Wanzuita, Milton Caldeira Filho e Glauco Westphal
107 Tromboembolismo pulmonar (TEP)
Glauco Adrieno Westphal, Felipe Pfuetzenreiter e Silvia Maria Fachin
Gastroenterológico
111 Síndrome compartimental intra-abdominal (SCA)
Pierry Otaviano Barbosa e Milton Caldeira Filho
112 Hemorragia digestiva alta não varicosa
Paulo Lisboa Bittencourt, Maria Alice Pires Soares e Durval Gonçalves Rosa Neto
114 Hemorragia digestiva alta varicosa
Durval Gonçalves Rosa Neto e Paulo Lisboa Bittencourt
115 Pancreatite aguda
Cláudio Celestino Zolinger, Paulo Lisboa Bittencourt e
Ricardo Oliveira Cruz D'Oliveira
118 Hemorragia digestiva baixa
Maria Alice Pires Soares e Paulo Lisboa Bittencourt
119 Insuficiência hepática aguda grave (IHAG)
Andréa Ribeiro Cavalcanti e Paulo Lisboa Bittencourt
XIVXIV
Sumário
122 Encefalopatia hepática
Dimitri Possamai, Renata Waltrick e Glauco Adrieno Westphal
124 Diarreia aguda na UTI
Graciana Bandeira Salgado de Vasconcelos, Alessandro Farias,
Paulo Lisboa Bittencourt e Silvia Maria Fachin
126 Constipação intestinal
Milton Caldeira Filho
Infecção
128 Avaliação do paciente febril na UTI
Glauco Adrieno Westphal, Janaína Feijó e Milton Caldeira Filho
129 Infecção relacionada a cateteres intravasculares
Amilton Carniel Guimarães e Luiz Henrique Melo
130 Prevenção de infecção relacionada
a cateteres intravasculares
Renata Waltrick, Dimitri Possamai e e Glauco Adrieno Westphal
132 Pneumonia comunitária
Luiz Henrique Melo e Glauco Adrieno Westphal
136 Pneumonia associada à ventilação mecânica (PAV)
Milton Caldeira Filho e Glauco Adrieno Westphal
140 Prevenção da PAV
Amanda Cramer e Michelli Dadam
141 Meningite bacteriana
Pedro Silva Correa de Magalhães, Luiz Henrique Melo e
Marcus Vinicius Magno Gonçalves
143 Candidíase invasiva na UTI
Luiz Henrique Melo e Milton Caldeira Filho
146 Neutropenia febril
Miriam C. V. Machado
150 Sepse
Glauco Adrieno Westphal, Milton Caldeira Filho, e Aline Braz Pereira
Metabólico e suporte nutricional
156 Requerimento básico de hidratação e eletrólitos
Anderson Ricardo Roman Gonçalves
158 Distúrbios do sódio
Anderson Ricardo Roman Gonçalves, Fabio Erbes e Lilian Marcela
Schimanoski Brikalski
160 Distúrbios do potássio
Anderson Ricardo Roman Gonçalves
161 Distúrbios do cálcio, fósforo e magnésio
Louise Trindade de Oliveira e Anderson Ricardo Roman Gonçalves
165 Distúrbios acidobásicos
Anderson Ricardo Roman Gonçalves
169 Controle glicêmico
Glauco A. Westphal, Marina B. W. Horner, Renata Waltrick,
Dimitri Possamai, Milton Caldeira Filho e Paula Marina Francisco da Cruz
172 Cetoacidose diabética (CAD)
Amilton Carniel Guimarães
173 Insuficiência renal aguda (IRA)
Anderson Roman Gonçalves e Cláudio Werka
176 IRA – situações especiais
Cláudio Werka e Camila Piaia
180 Suporte nutricional
Milton Caldeira Filho, Marcelo Guimarães da Fonseca, Denise Bichels Leitão
e Glauco Adrieno Westphal
Miscelânea
188 Sedação e analgesia dos pacientes
internados em UTI
Rachel Duarte Moritz
192 Prevenção e manuseio da abstinência do
uso de opioide no desmame ventilatório
Raquel Wanzuita
193 Intoxicações agudas
Marlene Zannin e Margaret Grando
195 Toxicidade, infecções e efeitos colaterais
associados a quimioterápicos e
imunomoduladores
Viviane Renata Zaclikevis
199 Doença hipertensiva específica
da gravidez (DHGE)
Milton Caldeira Filho e Carlito Moreira Filho
201 Segurança em ressonância magnética
Ana Carolina Peçanha e Cassiano Teixeira
203 Atendimento ao paciente grande queimado
Pierry Otaviano Barbosa e Glauco Adrieno Westphal
206 Profilaxia da trombose venosa profunda (TVP)
Glauco Adrieno Westphal e Louise Trindade de Oliveira
208 Prevenção de úlcera de estresse
Glauco Adrieno Westphal e Louise Trindade de Oliveira
210 Doses de fármacos para pacientes obesos
Ana Carolina Peçanha e Cassiano Teixeira
212 Doente crítico crônico
Felipe Pfuetzenreiter
215 Cuidados paliativos
Rachel Duarte Moritz
221 Comunicação de más notícias na UTI
Felipe Pfuetzenreiter
Hematologia
224 Coagulopatias
Milton Caldeira Filho
228 Anemia
Milton Caldeira Filho e Glauco Adrieno Westphal
230 Uso de hemoderivados em adultos
Rafael de March Ronsoni, Milton Caldeira Filho e Janaína Feijó
Anexos
236 Anexo I: Fórmulas
Milton Caldeira Filho
240 Anexo II: Medicamentos
Milton Caldeira Filho, Glauco Adrieno Westphal e Raquel Wanzuita
249 Anexo III: Infusão contínua de medicamentos
Glauco Adrieno Westphal
1
Informações gerais
UTI
1
Informações mínimas
para apresentação de
casos em UTI
Critérios de internação em
unidades de terapia intensiva
Respiratório
1. Intubação traqueal e necessidade de ven-
tilação mecânica.
2. Insuficiência respiratória aguda.
Cardiovascular
3. Arritmias cardíacas (p. 73)
4. Instabilidade hemodinâmica (p. 66 a 69)
5. Insuficiência coronariana aguda (p. 49 e 53)
6. Necessidade de reposição de mais de 6
unidades de concentrado de hemácias em
24 horas.
7. Pós-ressuscitação cardiopulmonar (p. 48).
8. Tamponamento cardíaco.
9. Dissecção de aorta.
Neurológico
10. Escala de Coma de Glasgow ≤ 8.
11. Diagnóstico da morte encefálica e ma-
nutenção do potencial doador de órgãos
(p. 37).
12. Hemorragia intracraniana com escore de
AVC hemorrágico (AVCh) > 1 (p. 25).
13. Hemorragia subaracnóidea (p. 27).
14. Acidente vascular cerebral (AVCi) isquê mico
na fase aguda com NIHSS > 10 (p. 21).
15. Estado de mal convulsivo (p. 35).
16. Trauma cranioencefálico (TCE) grave (p. 19).
Digestivo/renal
17. Insuficiência renal aguda necessitando de
diálise de urgência (p. 173).
18. Hepatite fulminante (p. 119).
19. Pancreatite aguda grave (p. 115).
20. Hemorragia digestiva alta (p. 112 e 114).
Risco cirúrgico alto/trauma
21. Pós-operatório necessitando de monitori-
zação hemodinâmica/suporte ventilatório.
22. Trauma múltiplo grave (baço, fígado, con-
tusão pulmonar).
Outros
23. Intoxicação exógena com risco de morte
(p. 194).
24. Grande queimado (p. 203).
25. Distúrbio metabólico grave com convul-
sões, arritmias e fraqueza muscular.
Referências bibliográficas
Dawson JA. Admission, discharge, and triage in critical care. Crit Care Clin. 1993;9:555-74.
Task Force of the American College of Critical Care Medicine, Society of Critical Care Medicine. Guidelines for intensive care unit admission, discharge, and triage. Crit Care Med.
1999;27:633-8.
2
Informações gerais
UTI
2
Informações mínimas
para apresentação de
casos em UTI
Informações mínimas
para apresentação de casos em UTI
A Avaliações subjetiva e objetiva
1. Identificação
Data de internação hospitalar.
Data de inter nação em UTI.
2. Lista de problemas pregressos
História mórbida pregressa (dados relevan tes),
hábitos e costumes, diagnóstico de entrada, pro-
blemas ocorridos desde o início da internação.
3. Lista de problemas observados na
história da doença atual e desde o
início da internação(preferencialmente
em ordem cronológica)
4. Avaliação sistemática e diária
do paciente grave
4.1. Neurológico
Nível de consciência; pupilas; escala de coma
de Glasgow; déficit motor; PIC, PPC, SjO2;
sedação (escalas de Ramsay/Coock); doses de
sedativos; resultados de exames.
4.6. Endócrino
Hiperglicemias? Administração de insulina;
necessita de dosagem de hormônios tireoidia-
nos ou insuficiência adrenal? Diabetes insípido?
Síndrome da secreção inapropriada do hormô-
nio antidiurético (SIADH)?
4.7. Infecção
Curva térmica, leucograma; culturas; uso de anti-
bióticos (quantos, quais, quanto tempo), proteína
C reativa (PCR), procalcitonina, sinais de sepse.
4.8. Hematológico
Hematócrito, coagulograma; medicamentos que
alteram a crase sanguínea.
4.9. Nutricional
Enteral ou parenteral; necessidade calórica;
ingesta calórica; ingesta/necessidade calórica
(%); ingestas proteica, lipídica e de carboidra-
tos; balanço nitrogenado; calorimetria.
4.10. Psicossocial
Depressão, delirium? Os familiares estão
inteirados da situação? Há como viabilizar
4.2. Cardiovascular
Ritmo; frequência e bulhas cardíacas; tempe-
ratura periférica; enchimento capilar; PAM;
drogas vasoativas e suas doses; PVC; ∆Pp;
DC; oxigenação tecidual (pH, BE, lactato, CO2
gap, Ca-vO2/CO2 gap, SvO2, DO2, VO2).
4.3. Respiratório
Sinais e sintomas; parâmetros ventilatórios;
última gasometria arterial; radiografia de tórax
(pneumotórax, atelectasia, infiltrado novo);
pressão do cuff e localização da cânula traqueal;
teste diário de ventilação espontânea.
4.4. Gastrintestinal
Exame do abdome; ingesta oral ou por cateter
enteral; débito do cateter nasogástrico; diarreia
ou obstipação; resultados de exames, PIA.
4.5. Metabólico e renal
Diurese (kg/hora e total em 24 horas); balanço
hídrico; diálise; creatinina, eletrólitos, estado
ácido-base, função hepática).
Referência bibliográfica
Varon J, Fromm Jr RE. Aproach to the intensive care unit. Handbook of practical critical care medicine. New York: Springer-Verlag; 2002. p. 185-8.
acompanhamento psicológico e/ou de terapia
ocupacional? Há possibilidade de flexibilizar
visita dos familiares?
4.11. Tubos, drenos, cateteres
e medicamentos
Posicionamento de tubos, drenos e cateteres;
posição, fixação, data e presença de sinais de
infecção na inserção de cateteres venosos e ar-
teriais; checar ritmo de gotejamento das drogas
e funcionamento das bombas de infusão.
B Lista de problemas relevantes
C Análise sistemática buscando estabelecer
conexões entre os problemas encontrados
a partir de justificativas fisiopatológicas
D Propor condutas diagnósticas e/ou
terapêuticas com base na análise
3
Informações gerais
UTI
3
Informações mínimas
para apresentação de
casos em UTI
Avaliações obrigatórias diárias
(checklist para visita multidisciplinar)
Tendo em vista a diversidade de profissionais envolvidos no cuidado e a necessidade de garantir o con-
trole de inúmeros detalhes que envolvem a assistência ao paciente grave, elaborou-se um checklist para
auxiliar na condução da visita multidisciplinar diária.
A visita multidisciplinar diária guiada pelo checklist a seguir deve pressupor dois aspectos fundamentais:
1. Cada item deve ser avaliado com o propósito de buscar oportunidades de mudanças no plano tera-
pêutico em favor da segurança do paciente.
2. A checagem coletiva dos itens de cuidado oportuniza as possibilidades de constatar e corrigir distorções
no manejo do paciente.
Visita multidisciplinar
Checklist Segunda Terça Quarta Quinta Sexta Sábado Domingo
Médico
balanço hídrico (mL)
Profilaxia de TVP adequada? HNF, HbPM, físico? Dose
Profilaxia de úlcera gástrica adequada? H1 ou H2? Dose
Pode-se retirar o antibiótico? Número de dias
Enfermagem
Analgesia adequada? Escala de dor
Profilaxia de lesão de córnea adequada?
Realizado mudança de decúbito de 2/2 horas?
Apresenta úlcera por pressão?
Higiene oral adequada?
Inserção da sonda enteral por via oral?
Sonda vesical pode ser removida? Dias de uso
Os cateteres podem ser removidos? Dias de uso
Dormiu mais que 4 horas consecutivas?
Fisioterapia
Realizou interrupção diária da sedação?
Realizou teste de ventilação espontânea nas últimas 24h?
Meta da sedação alcançada?
Cabeceira elevada 30-45º?
Sentou fora do leito?
Dias de TOT
Profilaxia para pé equino?
Volume corrente < 8 mL/kg de peso predito?
Pressão do cuff 15-25 mmHg?
4
Informações gerais
UTI
4
Informações mínimas
para apresentação de
casos em UTI
Avaliações obrigatórias diárias
(checklist para visita multidisciplinar)
Referências bibliográficas
bauman KA, Hyzy RC. ICu 2020: Five interventions to revolutionize quality of care in the ICu. J Intensive Care Med. 2014;29(1):13-21.
Chang SY, Sevransky J, Martin GS. Protocols in the management of critical illness. Crit Care. 2012;16(2):306.
Ko HC, Turner TJ, Finnigan MA. Systematic review of safety checklists for use by medical care teams in acute hospital settings - limited evidence of effectiveness. bMC Health Serv
Res. 2011;11:211.
Lane D, Ferri M, Lemaire J, McLaughlin K, Stelfox HT. A systematic review of evidence-informed practices for patient care rounds in the ICu. Crit Care Med. 2013;41(8):2015-29.
Weiss CH, Moazed F, McEvoy CA, Singer bD, Szleifer I, Amaral LA, et al. Prompting physicians to address a daily checklist and process of care and clinical outcomes a single-site
study. Am J Respir Crit Care Med. 2011;184(6):680-6.
Winters bD, Gurses AP, Lehmann H, Sexton Jb, Rampersad CJ, Pronovost PJ. Clinical review: checklists – translating evidence into practice. Crit Care. 2009;13(6):210.
Checklist Segunda Terça Quarta Quinta Sexta Sábado Domingo
Nutrição
Glicemias < 180 mg/dL?
Alcançou mais que 85% do GET?
Ritmo intestinal (D – diarreia/C – constipação/NL – normal)
Psicologia
Família ciente do quadro nas últimas 24h?
Risco de delirium (R) ou delirium (D)?
Há possibilidade de mudança de foco terapêutico?
Há possibilidade de visita estendida?
Farmácia
Interação medicamentosa?
Medicação ajustada para função renal?
Metas diárias de tratamento?
Plano: o que falta para o paciente sair da UTI?
S= sim
N = não
N/A = não se aplica
5
Informações gerais
UTI
5
Informações mínimas
para apresentação de
casos em UTI
Avaliação e estratificação
de risco antes da transferência do paciente
• Os potenciais benefícios de qualquer transferência devem ser pesados contra os riscos clínicos
• Antes de qualquer transferência, deve ser realizada uma avaliação da gravidade (Modified Early Warning
Score – MEWS – Tabela 1, ou Canadian Association of Critical Care Nurses modificado – Tabela 2) para
identificar antecipadamente os riscos e definir as competências necessárias da equipe que acompanhará
o paciente
• A avaliação de risco deve incluir: história clínica (doença subjacente ou comorbidades), condição clínica
atual (estabilidade hemodinâmica), duração prevista e meio de transporte
Tabela 1. Avaliação do risco de deterioração clínica no transporte
MEWS
Variável/escore 3 2 1 0 1 2 3
FC ≤ 40 41-50 51-100 101-110 111-129 ≥ 130
PA sistólica ≤ 70 71-80 81-100 101-199 ≥ 200
FR ≤ 8 9-14 15-20 21-29 ≥ 30
Temperatura ≤ 35 35,1-36 38,1-38 38,1-38,5 ≥ 38,6
Neurológico Nova confusão/
agitação
Alerta Resposta à voz Resposta à dor Irresponsivo
Baixo Médio Alto
MEWS < 3 e
SO2 > 92% e
Glasgow > 13 e
BE < 5 mmol/L
MEWS 3-5 ou
SO2 88-92% ou
Glasgow 13-12 ou
BE 5-10 mmol/L
MEWS > 5 ou
SO2 < 88% ou
Glasgow < 12 ou
BE > 10 mmol/L
Baixo risco de deterioração
clínica durante a transferência
Médio risco de deterioração durante a
transferência. Exige uma avaliação
pré-transferência mais detalhada realizada
pela equipe médica
Alto risco de deterioração clínica durante
a transferência. Este grupo exige o
envolvimento de médicos/enfermeiros
com cuidado crítico e habilidades
avançadas em vias aéreas
Sugestão de recursos humanos para o transporte
Sugere-se acompanhamento
do enfermeiro ou técnico de
enfermagem. Avaliar necessidade
de acompanhamentomédico
Sugere-se acompanhamento do
enfermeiro. Avaliar necessidade de
acompanhamento médico
Sugere-se acompanhamento
do enfermeiro e médico
6
Informações gerais
UTI
6
Informações mínimas
para apresentação de
casos em UTI
Avaliação e estratificação
de risco antes da transferência do paciente
Variável Pontuação –
escore original
Pontuação – escore
adaptado
7. Via aérea
Não
Sim (Guedel)
Sim (intubação ou traqueostomia)
0
1
2
0
1
6
8. Suporte ventilatório
Não
Sim (máscara de oxigênio)
Sim (ventilação mecânica)
0
1
2
0
1
6
9. Neurológico
Glasgow = 15
Glasgow 8-14
Glasgow < 8
0
1
2
0
6
6
10. Suporte farmacológico
Não
Grupo 1 (dreno torácico, aspiração, trombolítico, manitol e antiarrítmicos)
Grupo 2 (vasopressores, vasodilatadores ou anestésico geral)
0
1
2
0
1
6
Pontos Grupo Staff
0 a 2 pontos 0 Técnico de enfermagem
3 a 6 pontos I Enfermeiro
> 6 pontos II Médico e enfermeiro
Fonte: Canadian Association of Critical Care Nurses
*Escore adaptado, utilizado no Centro Hospitalar unimed, Joinville, SC
Tabela 2. Orientação para acompanhamento de pacientes durante o transporte intra-hospitalar
Variável Pontuação –
escore original
Pontuação – escore
adaptado
1. Hemodinâmica
Estável
Instabilidade moderada (requer < 15 mL/min de cristaloide)
Instável (requer > 15 mL/min de cristaloide)
0
1
2
0
1
6
2. Arritmia (existente ou provável)
Não
Sim (baixa gravidade ou IAM há < 48 horas)
Sim (alta gravidade ou IAM há > 48 horas)
0
1
2
0
1
6
3. Monitorização cardíaca contínua
Não
Desejável
Essencial
0
1
2
0
1
2
4. Linha venosa
Não
Sim
Cateter de artéria pulmonar
0
1
2
0
1
6
5. Marca-passo provisório?
Não
Sim (não invasivo). Sempre no IAM < 48 horas
Sim (transvenoso)
0
1
2
0
1
6
6. Respiração
FR de 10 a 14 mpm
FR de 15 a 35 mpm
FR < 10 ou > 36 mpm
0
1
2
0
1
6
7
Informações gerais
UTI
7
Informações mínimas
para apresentação de
casos em UTI
Equipamentos recomendados para o transporte
Via aérea/oxigenação
• Dispositivo bolsa-válvula-máscara com reservatório
• Adaptadores flexíveis para conexão do dispositivo bolsa-válvula-máscara ao tubo endotraqueal
• Conector entre fonte de O2 e o dispositivo bolsa-válvula-máscara
• Máscaras de alta concentração de O2
• Lâminas de laringoscópio curvas (no 3, 4 e 5)
• Cabo de laringoscópio
• Pilhas e lâmpadas extras de laringoscópio
• Fio-guia para intubação orotraqueal
• Pinça de maguil
• Tubo endotraqueal (no 7, 7,5, 8 e 8,5)
• Cânula orofaríngea (no 3, 4 e 5)
• Kit de cricotireoideostomia por punção
Esparadrapo
Glicosímetro e tiras reagentes de HGT
Monitor/desfibrilador, pás, gel
Marca-passo transcutâneo
Eletrodos
Equipos de administração de fluidos EV
Cateteres (14 a 24 GA)
Torniquetes para a punção venosa/acesso EV
Agulhas, tamanhos variados
Seringas, tamanhos variados
Oxímetro de pulso
Estetoscópio
Ventilador de transporte
Medicações recomendadas para o transporte
Adenosina 6 mg/2 mL
Amiodarona 150 mg/3 mL
Atropina 1 mg/10 mL
Glicose 50% 50 mL
Epinefrina 1 mg/1 mL (1:1000)
Nitroglicerina 50 mg/10 mL
Nitroprussiato de sódio 50 mg/2 mL
Noradrenalina 4 mg/4 mL
Terbutalina 1 mg/1 mL
Diazepam 10 mg/2 mL
Salina 0,9% para injeção 30 mL
Água para injeção 30 mL
Analgésicos narcóticos (ex.: morfina, fentanil)
Sedativos/hipnóticos (ex.: midazolam, propofol, etomidato, cetamina)
Agentes bloqueadores neuromusculares (ex.: succinilcolina, pancurônio, atracúrio, rocurônio)
Avaliação e estratificação
de risco antes da transferência do paciente
8
Informações gerais
UTI
8
Informações mínimas
para apresentação de
casos em UTI
Avaliação e estratificação
de risco antes da transferência do paciente
Checklist pré-transporte
Etiqueta do paciente
Paciente Sim Não N/A
Via aérea assegurada?
Confirmar posicionamento do tubo endotraqueal (radiografia de tórax) e adequadas oxigenação e ventilação
FC, PAM e perfusão adequadas
Verificar fixação de tubos endotraqueais, acessos venosos e cateteres enterais e vesicais
Esvaziar coletores – urina e secreção gástrica
Acesso venoso assegurado?
Sedoanalgesia e bloqueio neuromuscular, conforme necessidade
Equipamentos/materiais Sim Não N/A
Mochila de transporte
Monitor/desfibrilador (pás de desfibrilador, gel, pás de marca-passo)
Nível de oxigênio suficiente (> 50 bar)
Medicação Sim Não N/A
Medicação vasoativa EV suficiente na bomba infusora?
Sedativos e analgésicos narcóticos EV adicionais
Parar nutrição enteral
Parar insulina EV
Em caso de tomografia computadorizada com contraste Sim Não N/A
Acesso venoso adequado
Contraste oral administrado
Proteção renal de acordo com protocolo da instituição
Monitorização Sim Não N/A
Monitorização eletrocardiográfica e oximetria de pulso contínuas
Monitorização periódica da PA, FC e FR
Verificar e definir o alarme sonoro e visual
Ventilador de transporte Sim Não N/A
Verificar e ligar fonte de oxigênio
Colocar o filtro HME entre o ventilador e o tubo endotraqueal
Verificar e definir o alarme sonoro e visual
Administrativo Sim Não N/A
Contato com setor/equipe que receberá o paciente
Confirmação com equipes para início do transporte
Verificar trajeto e elevadores
Documentação de transferência/prontuário do paciente
FC: frequência cardíaca; PA: pressão arterial; PAM: pressão arterial média; FiO2: fração inspirada de O2; FR: frequência respiratória; SO2: saturação
de oxigênio capilar periférica; EV: endovenoso; HME: heat and moisture exchanger; N/A: não se aplica.
Sinais vitais pré-transporte – hora: ___:___
PA FC FR SO2 FiO2 Glasgow
Sinais vitais pós-transporte – hora: ___:___
PA FC FR SO2 FiO2 Glasgow
9
Informações gerais
UTI
9
Informações mínimas
para apresentação de
casos em UTI
Referências bibliográficas
brunsveld-Reinders AH, Arbous MS, Kuiper SG, de Jonge E. A comprehensive method to develop a checklist to increase safety of intra-hospital transport of critically ill patients. Crit
Care. 2015;19:214.
Fanara b, Manzon C, barbot O, Desmettre T, Capellier G. Recommendations for the intra-hospital transport of critically ill patients. Crit Care. 2010;14(3):R87.
Japiassú AM. Transporte intra-hospitalar de pacientes graves. Rev bras Ter Intensiva. 2005;17(3).
Warren J, Fromm RE Jr, Orr RA, Rotello LC, Horst HM; American College of Critical Care Medicine. Guidelines for the inter- and intrahospital transport of critically ill patients. Crit
Care Med. 2004;32(1):256-62.
Whiteley S, Macartney I, Mark J, barratt H, binks R.; Intensive Care Society. Guidelines for the transport of the critically ill adult. 3rd ed. 2011. Disponível em: http://www.ics.ac.uk/
EasysiteWeb/getresource.axd?AssetID=482& [Acesso em 18 maio 2016].
Avaliação e estratificação
de risco antes da transferência do paciente
10
Informações gerais
UTI
10
Informações mínimas
para apresentação de
casos em UTI
1. APACHE II (Acute Physiologic and Chronic Health Evaluation)
Deve ser calculado nas primeiras 24 horas de internação. Estima a probabilidade de óbito, mas não é um
índice para orientar tomada de decisão individual ou avaliação sequencial dos pacientes. É utilizado como
indicador de qualidade a partir da relação entre a mortalidade prevista e a observada, além da comparação
dos dados com o passado e outras unidades. Também é usado para comparar pacientes em estudos clínicos.
A. Pontuação para variáveis fisiológicas
Variável +4 +3 +2 +1 0 +1 +2 +3 +4
Temp (oC) ≥ 41 39-40,9 38,5-38,9 36-38,4 34-35,9 32-33,9 30-31,9 ≤ 29,9
PAM (mmHg) ≥ 160 130-159 110-129 70-109 50-69 ≤ 49
FC (bpm) ≥ 180 140-179 110-139 70-109 55-69 40-54 ≤ 39
FR (rpm) ≥ 50 35-49 25-34 12-24 10-11 6-9 ≤ 5
Oxigenação
a. FiO2 ≥ 0,5 - P(A-aO2)
b. FiO2 < 0,5 - PaO2
≥ 500 350-499 200-349 < 200
> 70 61-70 55-60 ≤ 55
pH arterial ≥ 7,7 7,6-7,69 7,5-7,59 7,33-7,49 7,25-7,32 7,15-7,24 ≤ 7,15
Na+ sérico (mEq/L) ≥ 180 160-179 155-159 150-154 130-149 120-129 111-119 ≤ 110
K+ sérico (mEq/L) ≥ 7 6-6,9 5,5-5,9 3,5-5,4 3-3,4 2,5-2,9 ≤ 2,5
Creatinina (pontos x 2 se IRA) ≥ 3,5 2-3,4 1,5-1,9 0,6-1,4 < 0,6
Hematócrito(%) ≥ 60 50-59,9 46-49,9 30-45,9 20-29,9 ≤ 20
Leucometria (mm3) ≥ 40 20-39,9 15-19,9 3-14,9 1-2,9 ≤ 1
Escala de Glasgow 15 – valor do Glasgow observado
B. Pontuação para a idade
Pontos 0 2 3 5 6
Idade (anos) ≤ 44 45-54 55-64 65-74 ≥ 75
C. Pontuação para doença crônica
Pontos Em qualquer dos casos:
- 5 pontos para cirurgia de urgência ou internação clínica
- 2 pontos para cirurgia eletiva
a. Doença hepática crônica Cirrose comprovada por bx e hipertensão portal (HP) comprovada ou sangramento digestivo
alto por HP ou história prévia de insuficiência, encefalopatia ou coma
b. Doença cardiovascular Insuficiência cardíaca classe funcional IV da NYHA
c. Doença respiratória Restritiva, obstrutiva ou vascular com restrição grave ao exercício (impossibilidade de
realização de atividades domésticas); ou hipóxia crônica, hipercapnia, policitemia, hipertensão
pulmonar (< 40 mmHg) ou dependência de suporte ventilatório
d. Doença renal Programa de diálise crônica
e. Imunocomprometimento Quimioterapia, radioterapia, uso de corticosteroide por longo tempo ou altas doses recentes,
leucemia, linfoma, aids
• APACHE II: pontuação da tabela A + pontuação da tabela B + pontuação da tabela C.
D. Chance percentual aproximada de óbito de acordo com o APACHE II calculado
APACHE II 0-4 5-9 10-14 15-19 20-24 25-29 30-34 > 34
Clínico 4% 8% 15% 24% 40% 55% 73% 85%
Cirúrgico 1% 3% 7% 12% 30% 35% 73% 88%
• Para calcular a chance percentual de óbito de forma mais precisa, utilizar a fórmula:
Risco de óbito (%) = In (R/1-R), onde R = -3,517 + (APACHE II x 0,146) + PD + 0,603 se PO de urgência.
PD: peso de categoria diagnóstica: tabela E.
Índices prognósticos
(contém CID-10 dos principais diagnósticos de admissão na UTI)
11
Informações gerais
UTI
11
Informações mínimas
para apresentação de
casos em UTI
E. Categorias diagnósticas com PD e CID-10 correspondente
Patologias não cirúrgicas
Cardiovasculares PD CID Respiratórias PD CID Gastrintestinais PD CID
- Choque cardiogênico -0,259 I57.0 - Infecção (pneumonia) 0,000 J18 - lnsuficiência hepática * k72
- Choque hemorrágico 0,493 I57.1 - Aspiração/intoxicação -0,142 J69/J68 - Perfuração/obstrução Gl * K65/K56
- Choque séptico 0,113 I57.8 - Neoplasia respiratória - Doença inflamatória intestinal * k51
- Sepse (qualquer origem) 0,113 A41.9 (incluir Iaringe e traqueia) 0,891 C39 - Pancreatite aguda * K85
- Parada cardíaca 0,393 I46.9 - Parada respiratória -0,168 J96.0 - HD por varizes 0,334 I85.0
- Aneurisma de aorta (torác./abd.) 0,731 I71 - Edema pulmonar
não cardiogênico
-0,251 J81 - HD por úlcera ou laceração 0,334 K28
- Insuficiência cardíaca
congestiva (ICC)
-0,424 I50.0 - Síndrome do desconforto
respiratório agudo (SDRA)
* J80 - HD por diverticulose 0,334 k57
- Insuficiência arterial periférica * I73 - Doença pulmonar obstrutiva
aguda (DPOC): bronquite/enfisema
-0,367 J42/J43 - Peritonite * K65
- Arritmia cardíaca -1,368 I49.9 - Embolia pulmonar -0,128 I26 - * Outras doenças GI 0,501 K92
- Infarto agudo do miocárdio (IAM) -0,191 I21 - Asma -2,108 J45 Trauma
- Angina instável -0,191 I20.0 - * Outras doenças respiratórias -0,890 J98 - Trauma cranioencefálico (TCE)
- Hipertensão -1,798 I10 (com ou sem politrauma) -0,517 S06
- * Outras doenças cardiovasculares 0,470 I99 - Politraumatismo (sem TCE) -1,228 T07
Neurológicas PD CID Metabólicas PD CID Doenças renais PD CID
- Hemorragia intracerebral 0,723 I61 - Coma metabólico - Insuficiência renal aguda * N17
- Hemorragia subaracnóidea (HSA) 0,723 I60 hipoglicêmico * E15 - Insuficiência renal crônica * N18
- AVC 0,723 I63 mixedematoso * E03.5 -* Outras doenças renais -0,885 N28
- Meningite/abscesso do sistema
nervoso central (SNC)
* G00/G07 hiperosmolar * E10.0 Hematológicas 0,493 D68
- Tu neurológico * C71 - Cetoacidose diabética -1,507 E10.1
- Doença neuromuscular * G62.9 - Overdose por drogas -3,353 T50
- Convulsão -0,584 G41 - * Outras doenças metabólicas -0,885 E88
- * Outras doenças neurológicas -0,759 G99
Patologias cirúrgicas
Cardiovasculares PD CID Respiratórias PD CID Neurológicas PD CID
- Ruptura ou dissecção aórtica 0,731 I71 - Insuficiência respiratória -0,140 J96.0 - Hemorragia intracerebral -0,788 I61
- Doença vascular periférica -1,315 I73 - Cirurgia torácica por neoplasia -0,802 C39 - Hematoma epi/subdural -0,788 S06.4/
S06.5
- Doença cardiovascular crônica -1,376 I25.0 - Outras doenças respiratórias -0,610 J98 - HSA -0,788 I60
- Cirurgia valvular (mitral/aórtica) -1,261 I34/I35 Gastrintestinal - Cirurgia medular -0,699 G54
- Choque hemorrágico 0,682 - Ruptura ou perfuração Gl 0,060 K65 - Craniotomia por neoplasia -1,245 C71
- Cirurgia de aneurisma de
aorta abdominal
* I71.4 - Obstrução intestinal 0,060 K56.4 - Outras doenças neurológicas -1,150 G99
- Endarterectomia de carótida * I65.2 - Doença inflamatória intestinal * K51 Trauma
- * Outras doenças
cardiovasculares
-0,797 I99 - Sangramento Gl -0,617 k92.2 - TCE (com ou sem politrauma) -0,955 S06
- Transplante hepático * K77 - Politraumatismo (sem TCE) -1,684 T07
- Neoplasia Gl -0,248 C26.0 Renal
- Colecistite/colangite * - Neoplasia renal -1,204 C64
- * Outras doenças Gl -0,613 K92.9 - Transplante renal -1,042 N18
- Outras doenças renais -0,196 N28.9
* Substituir pelo PD genérico da categoria diagnóstica – “* Outras doenças...”.
Índices prognósticos
(contém CID-10 dos principais diagnósticos de admissão na UTI)
12
Informações gerais
UTI
12
Informações mínimas
para apresentação de
casos em UTI
2. SOFA (Sequential Organ Failure Assessment)
Como processo dinâmico, a disfunção orgânica deve ser avaliada sequencialmente. O SOFA avalia o
grau de disfunção de cada órgão de maneira isolada e deve ser coletado todos os dias. Permite avaliar a
evolução favorável ou desfavorável do paciente individualmente.
Pontos 0 1 2 3 4
PaO2/FiO2 > 400 ≤ 400 ≤ 300
≤ 200 com suporte
ventilatório
≤ 100 com suporte
ventilatório
Plaquetas
(x 103/mm3)
> 150 ≤ 150 ≤ 100 ≤ 50 ≤ 20
Bilirrubina <1,2 1,2 a 1,9 2,0 a 5,9 6,0 a 11,9 > 12
Cardiovascular PAM normal PAM < 70
Dopa ≤ 5 ou dobuta
qualquer dose
Dopa > 5 ou
epi ≤ 0,1 ou nor ≤ 0,1
Dopa > 15 ou epi
> 0,1 ou nor > 0,1
Escala de Glasgow 15 13 a 14 10 a 12 6 a 9 < 6
Creatinina
ou diurese
< 1,2 1,2 a 1,9 2,0 a 3,4 3,5 a 4,9 ou < 500 mL/dia > 5,0 ou < 200 mL/dia
3. TISS-28 (Therapeutic Intervention Scoring System)
Ferramenta útil para dimensionar a utilização de recursos materiais e redistribuir recursos humanos.
Quanto maior o grau de intervenções, maiores a gravidade do paciente e a necessidade de recursos humanos.
Cada ponto TISS-28 equivale a 10,6 minutos de trabalho despendido por 1 técnico de enfermagem em
turnos de 8 horas (por exemplo, em 8 horas, 1 técnico de enfermagem deveria assumir, no máximo,
45 pontos TISS-28).
É necessário pontuar diariamente cada paciente.
Índices prognósticos
(contém CID-10 dos principais diagnósticos de admissão na UTI)
13
Informações gerais
UTI
13
Informações mínimas
para apresentação de
casos em UTI
Procedimentos Pontos Procedimentos Pontos
Atividades básicas Suporte ventilatório
1. Monitorização-padrão. SV h/h, registro e
cálculo regulares de balanço hídrico
5 16. VM invasiva ou não invasiva 5
2. Laboratório. Exames bioquímicos
e microbiológicos
1 17. Suplementação de oxigênio. Respiração
espontânea por tubo traqueal
2
3. Medicação única. IV, IM, SC, VO
ou por sonda gástrica
2 18. Cuidados com tubo traqueal ou
traqueostomia (como aspiração traqueal)
1
4. Medicação IV múltipla. Mais de
uma, em bolo ou contínuas
3 19. Fisioterapia respiratória, nebulização,
aspiração traqueal (sem TOT)
1
5. Prevenção de úlceras por pressão
ou curativos diários
1 Suporte renal
6. Troca frequente de curativos (uma vez
por turno ou ferimento extenso)
1 20. Diálise (qualquer tipo) 3
7. Cuidados com drenos. Exceto sonda gástrica 3 21. Medida do débito urinário 2
Suporte cardiovascular 22. Diurese forçada (como furosemida
> 0,5 mg/kg/diapor hipervolemia)
3
8. Droga vasoativa (única) 3 Suporte metabólico
9. Drogas vasoativas múltiplas (duas ou mais) 4 23. Tratamento de acidose/alcalose
metabólica complicada
4
10. Infusão de grandes volumes IV (> 3 l/m2/dia) 4 24. Suporte nutricional parenteral 3
11. Cateter arterial periférico 5 25. Dieta enteral (cateter gástrico/
enteral ou jejunostomia)
2
12. Cateter de Swan-Ganz ou de PAE,
com ou sem débito cardíaco
8 Intervenções específicas
13. Acesso venoso central 2 26. Intubação, marca-passo, cardioversão,
endoscopia, cirurgia de emergência em
24 horas. Não incluir medidas rotineiras
(radiografia, curativo, CVC/CA)
3
14. Ressuscitação cardiopulmonar
nas últimas 24 horas
3
Suporte neurológico 27. Mais de uma daquelas do item 26 5
15. Monitorização da pressão intracraniana 4 28. Intervenções fora da UTI.
Diagnósticas ou terapêuticas
5
TISS-28 (Therapeutic Intervention Scoring System)
Índices prognósticos
(contém CID-10 dos principais diagnósticos de admissão na UTI)
14
Informações gerais
UTI
14
Informações mínimas
para apresentação de
casos em UTI
Índices prognósticos
(contém CID-10 dos principais diagnósticos de admissão na UTI)
4. Simplified Acute Physiology Score 3 (SAPS 3)
Índice desenvolvido por estudo multicêntrico em todos os continentes. Deve ser calculado idealmente na
primeira hora da admissão do paciente na UTI. Assim como o APACHE, estima a probabilidade de morte
durante toda a internação. Varia de 0 a 217.
Características prévias do paciente Características diagnósticas Variáveis fisiológicas na admissão
Variáveis Pontos Variáveis Pontos Variáveis Pontos
Idade Admissão programada 0 Glasgow
< 40 0 Admissão não programada 3 3-4 15
40-59 5 Urgência 5 10
60-69 9 Não cirúrgico 5 6 7
70-74 13 Eletivo 0 7-12 2
75-79 15 Cirurgia de emergência 6 ≥13 0
≥ 80 18 Tipo de cirurgia Frequência cardíaca
Comorbidades Transplante -11 < 120 0
Quimioterapia 3 Trauma -8 120-159 5
IC NYHA IV 6 Revascularização miocárdica sem válvula -6 ≥160 7
Neoplasia hematológica 6 Cirurgia no AVC 5 Pressão arterial sistólica
Cirrose 8 Outras 0 < 40 11
SIDA 8 Motivo da admissão (somar 16) 40-69 8
Metástase 11 Convulsões -4 70-119 3
Outras 0 Coma/agitação 4 ≥120 0
Dias de internação prévios Défice focal 7 Oxigenação
< 14 0 Efeito de massa intracraniana 11 VM + PaO2/FiO2 < 100 11
14-27 6 Arritmias -5 VM + PaO2/FiO2 ≥ 100 7
≥ 28 7 Choque hipovolêmico (hemorrágico ou não) 3 Sem VM + PaO2/FiO2 < 60 5
Procedência Choque distributivo 5 Sem VM + PaO2/FiO2 ≥ 60 0
Centro cirúrgico 0 Abdome agudo 3 Temperatura
Emergência 5 Pancreatite grave 9 < 34,5 7
Outra uTI 7 Insuficiência hepática 6 ≥ 34,5 0
Outros 8 Outro 0 Leucócitos
Drogas vasoativas Infecção < 15.000 0
Sim 3 Nosocomial 4 ≥ 15.000 2
Não 0 Respiratória 5 Plaquetas
Outra 0 < 20.000 13
20.000-49.000 8
50.000-99.000 5
≥100.000 0
pH
≤ 7,25 3
> 7,25 0
Creatinina
< 1,2 0
1,2-1,9 2
2-3,4 7
≥ 3,5 8
Bilirrubina
< 2 0
2-5,9 4
TOTAL ≥ 6 5
15
Informações gerais
UTI
15
Informações mínimas
para apresentação de
casos em UTI
Referências bibliográficas
Knaus WA, Draper FA, Wagner DP, Zimmerman JE. APACHE II: a severity of disease classification system. Crit Care Med. 1985;13:818-29.
Livianu J, Anção MS, Andrei AM, et al. Índices de gravidade em uTI: adulto e pediátrica. In: Knobel E. Condutas no paciente grave. 2 ed. São Paulo: Atheneu; 1999. pp.1333-62.
Miranda DR, Rijk AD, Schaufeli W. Simplified therapeutic intervention scoring system: the TISS-28 itens-results from a multicenter study. Crit Care Med. 1996;24:64-73.
Moreno RP, Metnitz PG, Almeida E, Jordan b, bauer P, Campos RA, et al.; SAPS 3 Investigators. From evaluation of the patient to evaluation of the intensive care unit. Part 2:
Development of a prognostic model for hospital moretnitz tality at ICu admission. Intensive Care Med. 2005;31:1345-55.
Vincent JL, Moreno R, Takala J, Willatts S, De Mendonça A, bruining H, et al. The SOFA (Sepsis-related Organ Failure Assessment score described for organ dysfunction/failure).
Intensive Care Med. 1996;22:707-10.
Índices prognósticos
(contém CID-10 dos principais diagnósticos de admissão na UTI)
1616
Neurológico
1616
Neurológico
Vigília
Inatenção
Confusão mental Delirium
Estupor
Estado mínimo
de consciência
Estado vegetativo
Estado vegetativo
persistente/permanente
Coma
Morte cerebral
Coma
Definição
Ausência de respostas aos estímulos externos e inexistência do ciclo sono-vigília. O conteúdo da consciência
(capacidade de atenção) está comprometido. Pode ser ocasionado por lesões anatômicas ou alterações
funcionais nas estruturas relacionadas ao despertar e com a manutenção da vigília (tronco cerebral ou
ambos os hemisférios cerebrais).
Tabela 2. Avaliação clínica do coma (Baterman, 2001)
Quadro neurológico Consciência
Reflexos
troncocerebrais
Ciclo
sono/vigília
Função motora
Drive
ventilatório
Morte cerebral − − − Nenhuma/reflexo medular –
Coma − ± − Não voluntária ±
Estado vegetativo – + + Não voluntária +
Estado mínimo de
consciência
± + + Varia de não voluntária a voluntária +
Síndrome locked-in + + + Quadriplegia e paralisia pseudobulbar;
movimentos oculares preservados
+
Mutismo acinético + + + Não voluntária +
Legenda: - ausente; ± pode estar ausente ou presente; + presente.
Tabela 1. Escala de Coma de Glasgow (Teasdale e Jennet, 1974)
Resposta motora (M) Resposta verbal (V) Abertura ocular (O)
Obedece a comandos 6 Orientado 5 Espontânea 4
Localiza dor 5 Confuso 4 Estímulos verbais 3
Retirada inespecífica 4 Inapropriada 3 À dor 2
Padrão flexor 3 Incompreensível 2 Ausente 1
Padrão extensor 2 Ausente 1
Ausente 1
Pontuar a melhor resposta verbal e motora.
Anotar como: (M) 6; (V) 5; (0) 4 = 15 (melhor escore).
Traqueotomia/intubação endotraqueal/trauma facial invalidam (V).
Pacientes considerados em coma se (M) 4; (V) 2; (O) 2 ou menos.
Espectro das variações no nível de consciência
Au
m
en
to
d
o
ní
ve
l d
e
co
ns
ci
ên
ci
a
1717
Neurológico
1717
NeurológicoComa
COMA
TCE grave ou Glasgow ≤ 8 • ABC
• História clínica
• Glasgow
• Avaliação clínica do coma
• Tiamina 100 mg, IV +
• Glicose hipertônica a 50% 50 mL, IV
Exame neurológio ANORMAL
(meningismo ou sinal focal)
+
TAC de crânio NORMAL
• Coma metabólico?
• Na+, K+, Ca++, Mg++
• Glicemia
• Gasometria arterial
• Funções hepática e renal
• Hormônios tireoidianos
Suspeita de intoxicação?
• Exame toxicológico
História de epilepsia?
• Tratamento da causa do coma
• Cabeceira elevada a 30º
• Cabeça em posição neutra
• Sedação
• Considerar profilaxia de crises convulsivas
• Medidas suportivas gerais
Eletroencefalograma
(Levy et al., 1985)
Se EEG não disponível:
Profilaxia de crise
convulsiva com fenitoína
100 mg, IV, de 8/8 h
PuNÇÃO LOMbAR
Hemorrágico ou infecção
Investigação inconclusiva
e/ou história de epilepsia
Alteração
Diagnóstico e tratamento (Ropper, 1993)
p. 19
TAC de crânio
ANORMAL
* A hiperventilação profilática é
contraindicada
Exame neurológio NORMAL +
TAC de crânio NORMAL
Se TAC de crânio NORMAL:
RNM do encéfalo assim que
possível
Se RNM não disponível
TAC de controle se déficit
focal ou diminuição de 2
pontos no Glasgow ou crise
convulsiva.
• Controle da glicemia e eletrólitos
• PaO2 ~ 100 mmHg
• Normoventilar
• Hiperventilar se sinais de
herniação: PaCO2 27-30 mmHg*
• Se ↑ da pressão intracraniana –
monitorização da PIC e tratamento
1818
Neurológico
1818
Neurológico
Referências bibliográficas
bateman DE. Neurological assessment of coma. J Neurol Neurosurg Psychiatry. 2001;71(suppl. I) i:13-7.
bates D. The prognosis of medical coma. J Neurol Neurosurg Psychiatry. 2001;71(suppl. I) i:20-3.
Levy DE, Caronna JJ, Singer bH, Lapinski RH, Frydman H, Plum F. Predicting outcome from hypoxic ischemic coma. JAMA. 1985;253:1420-6.
Ropper AH. Neurological and neurosurgical intensive care. 3. ed. New York: Raven Press, 1993.
Teasdale G, Jennet b. Assessment of coma and impaired conciusness:a pratical scale. Lancet. 1974;13:81-4.
Fator prognóstico Favorável Desfavorável
• Etiologia • Metabólico • Estrutural
• Glasgow • > 8 • < 8
• Duração (dias) • < 3 • > 3
• Reflexo troncocerebral • Presente • Ausente
• Resposta motora • Retirada/localiza dor • Ausente/flexora/extensora
• Potencial evocado (72h) • Presente • Ausente
Prognóstico (Bates, 2001; Levy et al., 1985)
Coma
1919
Neurológico
1919
Neurológico
TCE GRAVE
Escala de Coma de Glasgow ≤ 8
Avaliação pelo ATLS
Procedimentos diagnósticos ou
terapêuticos necessários
Intubação traqueal
Pré-oxigenação +
Fentanil 5 mL, IV +
Midazolam (se PA ok) 5 a 15 mg, IV ±
OU etomidato 0,2 mg/kg, IV (se PA ) +
Succinilcolina 1 mg/kg, IV
Estabilização cardiovascular
Objetivos: PAS > 100 mmHg
*PAM > 80 mmHg
(expansão volêmica com SF a 0,9% e,
se necessário, vasopressores)
Ventilação
Objetivos: PaCO2 = 35-40 mmHg
PaO2 > 60 mmHg
SpO2 > 90%
Sedação e analgesia “profundas” = Ramsay 6
bloqueador neuromuscular (bNM) se necessário
Monitorar PIC
PIC > 20 com PPC < 60
durando > 10 min?
Indicações para monitorização da PIC:
• Glasgow ≤ 8 + CT crânio anormal:
hematoma, contusão, swelling, herniação,
compressão das cisternas basais Ou
• Glasgow ≤ 8 + CT crânio normal + 2 de:
- Idade > 40 anos
- PAS < 90 mmHg
- Resposta motora anormal
Atenção:
Se uso de manitol, repor perda
ocasionada pela diurese osmótica
Tomografia de crânio
• Manitol (se PA normal em
normo/hipervolêmicos)
ou
• Salina hipertônica (se PA
em normo/hipovolêmicos)
Centro
cirúrgico
Lesão cirúrgica?
Hidrocefalia?
Lesão ocupando espaço?
Manejo da HIC
p. 20
Evitar ou tratar causas de
lesão neurológica secundária
Hipóxia
Hipotensão
Hipocapnia
Hipercapnia
Hipoglicemia
Hiperglicemia
Hiponatremia
Hipomagnesemia
Febre
Anemia
Convulsões
Medidas gerais
Manter sedação e analgesia
Se necessário: bNM
Cabeceira elevada (30º a 45º)
Cabeça na posição neutra
SpO2 > 90%
PaCO2 35-40 mmHg (normoventilar)
PAM > 80 mmHg
PPC pouco maior que 60 mmHg
Normotermia
Tratar AGRESSIVAMENTE hipertermia
(paracetamol + dipirona + antipirese física)
Normoglicemia
Controle de eletrólitos
Manter sódio ~ 145 mEq/L
Hipotensão e hipoxemia são preditores
independentes de mortalidade!
Dois episódios de hipotensão na fase
aguda, durando poucos minutos,
aumentam o risco relativo (RR) de morte,
no TCE, em oito vezes!
Realizar profilaxia de convulsão pós-traumática
precoce em pacientes de alto risco:
- Glasgow < 10 ou
- Contusão cortical ou
- Fratura de crânio, com depressão óssea ou
- Hematoma intracraniano ou
- Ferida penetrante craniana ou
- Convulsão nas primeiras 24h do trauma ou
- Em uso de bNM
Como fazer?
Fenitoína
Ataque: 20 mg/kg, IV; velocidade < 50 mg/min
Manutenção: 100 mg, IV, 8/8h, durante 7 dias
SIM
*Cateter arterial
NÃO
Trauma cranioencefálico grave e
monitorização da PIC
2020
Neurológico
2020
Neurológico
Manejo da hipertensão intracraniana
Manter PPC > 60 mmHg (PPC = PAM - PIC)
Manter PIC < 20 mmHg
É fundamental PAM ~ 80 mmHg!
Não hesitar no uso de vasopressor!
A hiperventilação, mesmo realizada agudamente,
durante as primeiras 24 horas do TCE, pode
ser deletéria, pois neste período é frequente a
diminuição do fluxo sanguíneo cerebral
Identificar a causa (fisiopatologia):
• Hidrocefalia? = tto cirúrgico ou
drenagem liquórica
• Lesão ocupando espaço? : tto cirúrgico?
• Cuidado com lesões temporais!
• Hiperemia? = hiperventilação otimizada
• Edema? = manitol/SSH
Podem estar associados com
SjO2 (corrigir/tratar):
• Anemia (manter Ht ~ 30%)
• Hipoxemia
• Hipertermia
• Status não convulsivo
PIC > 20 mmHg por mais que 10 min?
Drenagem ventricular (se possível)
PIC > 20 mmHg?
SjO2 < 55% (edema):
Manitol 20% 0,25 a 1g/kg IV ou
SSH: NaCl a 3% 1 mL/kg/h
Considerar monitorização multimodal:
TAC + PIC + pTiO² + Doppler + SjO2 + EEG
SjO2 > 75% (hiperemia):
Hiperventilação otimizada
PIC > 20 mmHg?
Centro cirúrgico Lesão cirúrgica?
Repetir TC crânio
PAM: pressão arterial média; PAS: pressão arterial sistólica;
PIC: pressão intracraniana; PPC: pressão de perfusão cerebral;
SpO2: saturação arterial de oxigênio; SjO2: saturação de oxigênio no bulbo jugular.
pTiO2: oximetria tissular;SSH: solução salina hipertônica
Referências bibliográficas
brain Trauma Foundation, American Association of Neurological Surgeons, Joint Section of Neurotrauma and Critical Care. Guidelines for the management of severe traumatic brain
injury. 3rd ed. J Neurotrauma. 2007;24:S1-S106.
Chesnut RM, Temkin N, Carney N, Dikmen S, Rondina C, Videtta W, et al.; Global Neurotrauma Research Group. A trial of intracranial-pressure monitoring in traumatic brain injury.
N Engl J Med. 2012;367:2471-81.
Chesnut RM. Management of brain and spine injuries. Crit Care Clin. 2004;20:25-55.
Cooper J, Rosenfeld JV, Murray L, Arabi YM, Davies AR, D'urso P, et al.; DECRA Trial Investigators; Australian and New Zealand Intensive Care Society Clinical Trials Group. Decom-
pressive craniectomy in diffuse traumatic brain injury. N Engl J Med. 2011;364:1493-502.
Cruz J. Hemometabolismo cerebral: modulações terapêuticas otimizadas. Neurointensivismo. São Paulo: Atheneu; 2002. pp. 25-35.
Hutchinson PJ, Corteen E, Czosnyka M, Mendelow AD, Menon DK, Mitchell P, et al. Decompressive craniectomy in traumatic brain injury: the randomized multicenter RESCuEicp study.
Acta Neurochir. 2006;96(Suppl.):17-20. Disponível em: www.RESCuEicp.com.
Ling GSF, Marshall SA. Management of traumatic brain injury in the intensive care unit. Neurol Clin. 2008;26:409-26.
NeuroTrauma brasil. Disponível: http://www.neurotraumabrasil.org/website/images/stories/fluxograma-g.gif Acesso em: 11 dez 2009.
Polderman KH, Tjong Tjin Joe R, Peerdeman SM, Vandertop WP, Girbes AR. Effects of therapeutic hypothermia on intracranial pressure and outcome in patients with severe head
injury. Int Care Med. 2002;28:1563-73.
Rangel-Castillo L, Gopinath S, Robertson CS. Management of intracranial hypertension.Neurol Clin. 2008;26:521-41.
Torre-Healy A, Marko N, Weil R. Hyperosmolar therapy for intracranial hypertension. Neurocrit Care. 2012;17:117-30.
SIM NÃO
Trauma cranioencefálico grave e
monitorização da PIC
Considerar:
1. Craniectomia descompressiva
2. Hipotermia moderada (32°C-34°C)
3. Solução salina hipertônica (manter
Na sérico < 160 mEq/L):
• NaCl a 20% 30 mL infundidos durante
15 min em veia central, repetir 6/6 h
se necessário Ou
• NaCl a 3% 1 mL/kg/h
4. Sedação “profunda”com propofol ou
tiopental (avaliar possibilidade de moni-
torização com bIS ou EEG)
2121
Neurológico
2121
Neurológico
Se NIHSS ≥ 6 e oclusão de grande artéria
(carótida, basilar, cerebral média M1 ou M2)
Tratamento intra-arterial (IA) com stent retriever
ou aspiração de trombo (quando iniciado até 6h
do ictus) (Classe 1, nível de evidência A)
Cuidados de neurointensivismo
Acidente vascular cerebral isquêmico (AVCi)
• Hemograma
• Glicemia
• Eletrólitos
• Função renal
• Coagulograma
• ECG
• Utilizar escala clínica de
AVC do NIH (Tabela 4)
Suspeita
de AVC
TC de
crânio
Mais de 6h do início dos sintomas
ou não candidato à trombólise
AAS 160-325 mg/dia
Medidas de tratamento geral (Tabela 1)
Entre 4h30 e 6h do ictus e
candidato à trombólise (Tabela 3)
Menos de 4h30 do início do ictus e
candidato à trombólise (Tabela 3)
Tratamento endovenoso (IV) – rtPA (Actilyse®)
0,9 mg/kg (dose máxima de 90 mg), sendo
10% em bolo e o restante em infusão durante
1 hora (Classe 1, nível de evidência A)
Tabela 1. Recomendações
gerais (nível IV)
1. Só reduzir PA se:
PAS > 200 – 220 ou PAD > 120
2. Hipertenso prévio:
manter PAS ~ 180 – 100
3. Sem HAS prévia:
manter PAS ~ 160 – 180
4. Controle glicêmico
5. Evitar soluções glicosadas e/ou
soluções hipotônicas
6. Manter equilíbrio hidreletrolítico.
Hemodiluição não é
recomendada (nível I)
7. Não se recomendam drogas
neuroprotetoras (nível I)
Hemorragia, hematoma subdural,
neoplasia: tratamento específico
TC de crânio NORMAL ou semgrande
área delimitada de infarto (Tabela 3)
2222
Neurológico
2222
Neurológico
Obs.: Em pacientes sem história recente de uso de anticoagulantes orais ou heparina, o tratamento com o r-TPA deve ser iniciado antes dos
resultados das provas laboratoriais de coagulação. Parar infusão se o TP estiver maior que 15 segundos ou o TTPa estiver elevado
Tabela 2. Cuidados após trombolítico IV (nível IV)
1. Não utilizar antitrombóticos, antiagregantes e heparina nas primeiras 24 horas pós-trombolítico
2. Não realizar cateterismo vesical, inserir cateter venoso central ou punção arterial nas primeiras 24h pós-trombolítico
Suspeita de sangramento no SNC
1. Descontinuar r-TPA
2. TC de crânio + coagulograma + neurocirurgia
Tratamento das complicações hemorrágicas
• Se fibrinogênio estiver baixo: crioprecipitado 6-8 unidades EV (1 unidade aumenta o fibrinogênio em 5 a 10 mg/dL – alvo:
fibrinogênio sérico > 100 mg/dL)
• Plasma fresco congelado: 2 a 6 U (se não houver crioprecipitado disponível)
• Se plaquetas < 100.000: administrar 6 a 8 unidades de plaquetas
• Concentrado de hemácias: manter hemoglobina > 10 mg/dL
Tabela 3. Critérios de inclusão e exclusão tratamento endovenoso (IV) e intra-arterial (IA) do AVC
Critérios de inclusão
1. AVCi de território vertebrobasilar ou circulação anterior
2. Início dos sintomas inferior a 4h30 (para tratamento IV)
Início dos sintomas inferior a 6h (para tratamento IA)
3. TC de crânio sem grande área delimitada de infarto (franca hipodensidade, edema ou efeito de massa no território
da artéria acometida)
4. Acima de 18 anos de idade
5. Paciente com estado funcional (mRS) 0 a 1 (para tratamento IA)
Critérios de exclusão
1. AVCi com pouca sintomatologia (< 4 pontos na escala NIH)
2. AVCi com rápida melhora neurológica
3. Uso de anticoagulante oral ou RNI acima de 1,7 (para tratamento IV)
4. Uso de heparina nas últimas 48 horas (para tratamento IV)
5. Plaquetas abaixo de 100.000/mm3 (para tratamento IV)
6. AVC ou TCE grave nos últimos 3 meses
7. Cirurgia de grande porte nos últimos 14 dias (para tratamento IV)
8. PAS > 185 e PAD > 110 mmHg não controlável
9. Glicemia < 50 mg% ou > 400 mg%
10. Crise convulsiva no início dos sintomas
11. Sangramento gastrintestinal ou urinário nos últimos 21 dias (para tratamento IV)
12. Infarto agudo do miocárdio recente (para tratamento IV)
Acidente vascular cerebral isquêmico (AVCi)
2323
Neurológico
2323
Neurológico
Tabela 4. NIH Stroke Scale
0= Normal
1= Paralisia parcial
2= Desvio do olhar conjugado ou paralisia total não modificada com manobra oculocefálica
0= Normal
1= Hemianopsia parcial
2= Hemianopsia completa
3= Hemianopsia bilateral (cegueira cortical ou cegueira por
outra causa)
0= Normal
1= Leve (assimetria no sorrir, apagamento do sulco nasolabial)
2= Parcial (paralisia total ou quase total da porção inferior
da face)
3= Completa (de um ou dois dos lados)
0= Sem queda a 45º (90º) por 10 segundos
1= Queda (não total) antes de completar 10 segundos
2= Queda (até a cama) antes de 10 segundos, com dificulda-
de de vencer a gravidade
3= Discreto movimento, mas sem vencer a gravidade
4= Sem movimento
9= Amputação/fusão articular
Explicação:.................................................................................
5a. MSE
5b. MSD
0= Sem queda a 30º por 5 segundos
1= Queda (não total) antes de completar 5 segundos
2= Queda (até a cama) antes de completar 5 segundos com
dificuldade de vencer a gravidade
3= Discreto movimento, mas sem vencer a gravidade
4= Sem movimento
9= Amputação/fusão articular
Explicação:.................................................................................
6a. MIE
6b. MSD
0= Ausente
1= Presente em um membro
2= Presente em dois membros
0= Normal
1= Leve a moderado déficit da sensibilidade do lado afetado,
mas o paciente tem consciência de estar sendo tocado
2= Grave ou total déficit da sensibilidade (face/MS/MI)
1b. NC questões
1c. NC comandos
1a. Nível de consciência (NC)
0= Realiza dois comandos
1= Realiza um comando
2= Não realiza nenhum comando
2. Olhar conjugado
3. Campo visual 4. Paralisia facial
5. Resposta motora (MMSS) 6. Resposta motora (MMII)
7. Ataxia apendicular 8. Sensibilidade
0= Responde a duas questões corretamente
1= Responde a uma questão corretamente
2= Não responde a nenhuma questão corretamente
0= Alerta
1= Não alerta, mas acorda aos pequenos estímulos, com resposta adequada
2= Não alerta, responde somente com estímulos repetidos ou estímulos vigorosos (dor),
para realizar movimentos (não estereotipados)
3= Responde somente com reflexo motor ou autonômico, ou totalmente irresponsivo, flácido ou arreflexo
Acidente vascular cerebral isquêmico (AVCi)
2424
Neurológico
2424
Neurológico
0= Normal
1= Afasia leve à moderada, perda da fluência ou facilidade da compreensão, sem significativa limitação nas ideias expres-
sas. Redução na fala ou compreensão
2= Afasia grave, toda a comunicação é por meio de expressões fragmentadas. Grande necessidade de inferir, adivinhar e
questionar por parte do examinador
3= Mutismo, afasia global
9. Linguagem
0= Ausente
1= Leve à moderada (paciente pode ser compreendido com
certa dificuldade)
2= Grave/mutismo/anartria
9= Entubado ou outra barreira à comunicação
Especificar a barreira:...............................................................
Infartos hemisféricos malignos de artéria cerebral média (ACM)
São considerados aqueles infartos com efeito de massa importante e hipertensão intracraniana
Critérios de elegibilidade para cirurgia descompressiva (hemicraniectomia)
• 18-60 anos
• NIHSS >15
• Diminuição do nível de consciência
• Área de infarto > 50% do território de ACM ou > 145 cm3 na sequência de difusão por RM
• Menos de 45 horas do ictus (cirurgia em < 48h)
10. Disartria
0= Normal
1= Visual, tátil, auditiva, espacial ou extinção aos
estímulos simultâneos sensoriais em uma das
modalidades sensoriais
2= Hemi-inatenção grave ou em mais
de uma modalidade
11. Extinção/inatenção
Tabela 5. Escala Modificada de Rankin (mRS)
• Grau 0: Sem sintomas
• Grau 1: Nenhuma incapacidade significativa, com capacidade para desempenhar todas as AVD
• Grau 2: Incapacidade leve, incapaz de realizar algumas atividades prévias de AVD, mas com capacidade de cuidar das
próprias atividades sem assistência
• Grau 3: Incapacidade moderada, mas com capacidade de deambular sem assistência
• Grau 4: Incapacidade moderadamente grave, incapacidade de deambular
• Grau 5: Incapacidade grave, confinado ao leito, incontinente e requerendo cuidados de enfermagem constantes
• Grau 6: Morte
* Oclusão de grande artéria em exame de angiotomografia, angiorressonância ou Doppler transcraniano
Referências bibliográficas
Adams HP, Zoppo G, Alberts MJ. Guidelines for the early management of adults with ischemic stroke. Stroke. 2007;38:1655-711.
Goldstein Lb. Acute ischemic stroke treatment in 2007. Circulation. 2007;116:1504-14.
Grotta JC, Jacobs TP, Koroshtz WJ. Stroke program review group an interim report. Stroke. 2008;39:1364-70.
Hacke W, Kaste M, bluhmki E. Thrombolysis with alteplase 3 to 4.5 hours after acute ischemic stroke- ECASSIII. N Engl J Med. 2008;359:1317-29.
Mattle HP. Intravenous or intra-arterial thrombolysis? It’s time to find the right approach for the right patient. Stroke. 2007;38 (7):2038-40.
Powers WJ, Derdeyn CP, biller J, Coffey CS, Hoh bL, Jauch EC, et al.; American Heart Association Stroke Council. 2015 American Heart Association/American Stroke Association
Focused update of the 2013 Guidelines for the Early Management of Patients With Acute Ischemic Stroke Regarding Endovascular Treatment: A Guideline for Healthcare Profes-
sionals From the American Heart Association/American Stroke Association. Stroke. 2015;46(10):3020-35.
Saver JL, Goyal M, bonafe A, Diener HC, Levy EI, Pereira VM, et al.; SWIFT PRIME Investigators. Stent-retrieverthrombectomy after intravenous t-PA vs. t-PA alone in stroke. N Engl
J Med. 2015;372(24):2285-95.
Schellinger PD, Thomalla G, Fiehler J. MRI-based and CT-based thrombolytic therapy in acute stroke within and beyond established time windows. Stroke. 2007;38:2640-5.
Wahlgren N, Moreira T, Michel P, Steiner T, Jansen O, Cognard C, et al.; ESO-KSu, ESO, ESMINT, ESNR and EAN. Mechanical thrombectomy in acute ischemic stroke: Consensus
statement by ESO-Karolinska Stroke update 2014/2015, supported by ESO, ESMINT, ESNR and EAN. Int J Stroke. 2016;11:134-47.
Acidente vascular cerebral isquêmico (AVCi)
2525
Neurológico
2525
NeurológicoAcidente vascular cerebral hemorrágico (AVCh)
TAC com sangramento intraparenquimatoso
Intubação se Glasgow < 8
Alvo para PA sistólica: ~140 mmHg – usar anti-hipertensivos IV
Determinação do escore de AVCh (principal fator prognóstico)
Monitorização clínica pelo Glasgow e NIHSS
Acompanhamento com a neurocirurgia
• Repouso absoluto
• Analgesia fixa
• Laxativos
• Antitussígenos
• Tratamento agressivo da hipertermia
• Hipoglicemia e hiperglicemia devem ser evitadas
• Compressão pneumática precoce para
prevenção de TVP
• Com estabilização do sangramento,
documentado por imagem de controle, poderá
ser considerado iniciar HbM ou HNF em baixa
dose como profilaxia de TVP, 1 a 4 dias após
início dos sintomas
Definição
Ocorrência de sangramento intraparenquimatoso encefálico
por ruptura vascular não traumática, podendo ocasionar
lesão com efeito de massa e/ou expansão para o espaço
subaracnoide/sistema ventricular.
Indicações cirúrgicas
(considerar cirurgia precoce: antes de
herniação e nos casos de hidrocefalia)
• Deterioração progressiva
secundária a efeito de massa ou
• Desvio de linha média e
apagamento de cisternas
perimesencefálica ou
• Hidrocefalia aguda ou
• Pacientes com hematoma
cerebelar ≥ 4 cm e Glasgow < 13
Suspeita de crise
convulsiva, status
epilepticus não convulsivo
ou diminuição do
nível de consciência
desproporcional ao grau
de lesão do AVCh
Dose de ataque e
manutenção de fenitoína
Considerar monitorização
com EEG
Considerar monitorar
PIC em pacientes
sedados/em coma
Causas mais comuns
• Primárias (85%): HAS e angiopatia amiloide cerebral.
• Secundárias (15%): MAV, aneurismas, coagulopatias/uso
de anticoagulantes, tumores, uso de substâncias simpa-
ticomiméticas (cocaína, anfetaminas etc.), transforma ção
hemorrágica do AVCi, trombose venosa cerebral.
2626
Neurológico
2626
Neurológico
Referências bibliográficas
broderick JP, Adams HP Jr., barsan W, Feinberg W, Feldmann E, Grotta J, et al. Guidelines for the management of spontaneous intracerebral hemorrhage. Stroke. 1999;30:905-15.
Goldstein JN, Greenberg SM, Rosand S. Emergency management of intracerebral hemorrhage. Continuum. 2006;12:13-29.
Hemphill JC 3rd, bonovich DC, besmertis L, Manley GT, Johnston SC. The ICH score: a simple, reliable grading scale for intracerebral hemorrhage. Stroke. 2001;32:891-7.
Hemphill 3rd JC, Greenberg SM, Anderson CS, becker K, bendok bR, Cushman M, et al. Guidelines for the management of spontaneous intracerebral hemorrhage: a guideline for
healthcare professionals from the American Heart Association/American Stroke Association. Stroke. 2015;46(7):2032-60.
Lisk DR, Pasteur W, Rhoades H, Putnam RD, Grotta JC. Early presentation of hemispheric intracerebral hemorrhage: prediction of outcome and guidelines for treatment allocation.
Neurology. 1994;44:133-9.
Pontes-Neto OM, Oliveira-Filho J, Valiente R, Pontes-Neto OM, Oliveira-Filho J, Valiente R, et al.; Comitê Executivo da Sociedade brasileira de Doenças Cerebrovasculares; Departamento
Científico de Doenças Cerebrovasculares, Academia brasileira de Neurologia. Diretrizes para o manejo de pacientes com hemorragia intraparenquimatosa cerebral espontânea.
Arq Neuropsiquiatr. 2009;67(3-b):940-50.
Acidente vascular cerebral hemorrágico (AVCh)
*Cálculo do volume do hematoma
Fórmula (AxbxC) ÷ 2 = volume do hematoma em mL, em que:
• A (cm) = maior diâmetro do hematoma
• B (cm) = diâmetro perpendicular a A
• C = somar os pontos obtidos com cortes de 10 mm em que o
principal eixo do hematoma tenha:
• 75%-100% de A – pontuar cada corte com valor de 1,0
• 25%-75% de A – pontuar cada corte com o valor de 0,5
• < 25% de A – pontuar cada corte com 0,0
Obs.: utilizar a escala de cm ao lado das imagens
AVCh em pacientes tratados com cumarínicos: suspender a droga + alvo INR < 1,4
• Vitamina K IV (5 a 10 mg)
• Preferencialmente concentrado de complexo de protrombina (CCP) 20 a 40 mL IV (velocidade máxima de infusão 2 mL/minuto), pois corrige
o INR mais rapidamente do que o plasma fresco congelado (15 a 20 mg/kg)
• FVIIar não está indicado na reversão da anticoagulação em pacientes em uso de cumarínicos, apesar de reduzir o INR
AVCh em pacientes tratados com novos anticoagulantes: suspender a droga
• Uso de CCP ou FVIIar humano recombinante deve ser avaliado individualmente
• Carvão ativado pode ser utilizado caso a última dose de dabigatran, apixaban ou rivaroxaban tenha sido há menos de 2 horas
• Considerar hemodiálise em paciente em uso de dabigatran
AVCh em pacientes tratados com heparina: suspender a droga
• Sulfato de protamina – dose de 1 mL deve ser infundido em 1 a 3 minutos. Dose de 5 mL infundido em 10 minutos
• 1 mL de protamina neutraliza aproximadamente 1.000 UI de heparina não fracionada (HNF); deverá ser considerada a dose total de HNF
infundida nos últimos 60 minutos
• 1 mL de protamina neutraliza 1 UI de heparina de baixo peso molecular (HBPM); utilizar doses menores se última dose de HBPM tenha
sido há mais de 8 horas
AVCh em pacientes tratados com antiagregantes plaquetários: suspender a droga
• Transfusão de plaquetas é questionável (Classe IIb, nível de evidência C)
Escore de AVCh (Hemphill)
Componente Pontos
Glasgow 3-4
5-12
13-15
2
1
0
Volume do hematoma (cm3)* ≥ 30
< 30
1
0
Inundação ventricular Sim
Não
1
0
Origem infratentorial Sim
Não
1
0
Idade ≥ 80
< 80
1
0
Escore total 0-6
• Escore de AVCh (Hemphill) > 4 pontos, prognóstico
é sombrio independentemente da terapêutica
Indicador prognóstico baseado no
escore de AVCh (Hemphill)
Escore Mortalidade em 30 dias
0 0%
1 13%
2 26%
3 72%
4 97%
5 100%
Manejo dos pacientes com AVCh e anticoagulação
2727
Neurológico
2727
NeurológicoHemorragia subaracnóidea (HSA)
Hemorragia subaracnóidea (HSA)
Deve-se considerar que qualquer cefaleia de início súbito, associada ou não a perda de consciência, náuseas
ou vômitos, rigidez de nuca ou qualquer sinal neurológico focal, pode ser manifestação de hemorragia
subaracnóidea (HSA).
Se houver suspeita clínica, realizar a tomografia de crânio (TAC) nas primeiras 24 horas. A TAC de crânio é
anormal em 90% dos casos de HSA. Se a TAC for negativa e a suspeita clínica for grande, deve-se realizar
uma punção lombar, tomando-se o cuidado de diferenciar uma punção traumática da verdadeira HSA
(prova dos três tubos; xantocromia).
Causas de HSA
Ruptura de aneurisma (80%)
Trauma
Trombose de seio dural
MAV cerebral e espinhal
Vasculite do SNC
Dissecção arterial
Coagulopatia
Drogas (cocaína)
Apoplexia pituitária
Apresentação clínica Pacientes (%)
Cefaleia súbita intensa com náuseas
e vômitos
60
Rigidez de nuca 75
Alteração do nível de consciência 50
Déficit neurológico focal 60
Crise convulsiva 25
Algoritmo para o diagnóstico de HSA
Apresentação clínica sugestiva
HSA
TAC de crânio sem contraste
HSA não identificada
Angiografia digital ou
angio-TC ou angio-RM
Punção lombar
Aneurisma
encontrado
Normal
Clipagem ou
embolização
Repetir angiografia
em 1-3 sem
LCR alterado:
xantocromia, sem
alteração na conta-
gem de hemácias
do frasco 1 – 4
Angiografia
cerebral ou
angio-RM
Normal
Interromper
investigação
Aneurisma
encontrado
Normal
LCR hemorrágico
2828
Neurológico
2828
NeurológicoHemorragia subaracnóidea (HSA)
Pressão arterial Monitorização invasiva (cateter intra-arterial)
Objetivo pressórico: PAS< 160 mmHg, PAD < 110 mmHg, PPC~60 mmHg, até clipagem/embolização do aneurisma
Medicamentos: esmolol 50-100 mcg/kg/min IV ou metoprolol 1-5 mg/hora IV ou hidralazina 1,5 a 7,5 mg/hora IV ou
clonidina 0,03-0,12 mg/hora IV ou clevidipina 0,03-0,12 mg/hora IV. Se possível evitar nitroprussiato de sódio
Prevenção do
ressangramento
(incidência de 4% nas
primeiras 24 horas)
O mais importante é o tratamento precoce do aneurisma (< 48 horas do ictus) com clipagem ou embolização.
Opção: ácido epsilon aminocaproico bolo 4 g IV, seguido de 1 g/hora por no máximo 72 horas, até 4 horas antes da antes
da arteriografia
Controle da
temperatura
Objetivo: Temperatura central < 37ºC
Controle glicêmico Objetivo: Glicemia entre 140 e 180 mg%. Ver p. 170
Profilaxia da TVP Heparina 5.000 UI SC 8/8 horas ou enoxaparina 40 mg/dia. Iniciar 24 horas após tratamento cirúrgico/endovascular do aneurisma
Hiponatremia Dois mecanismos (para diferenciação, caracterizar volemia):
1. Síndrome da secreção inapropriada de hormônio antidiurético (SIADH): volemia normal ou aumentada
2. Síndrome perdedora de sal (SPS): volemia diminuída
Tratamento
- Expansão volêmica com NaCl a 1,5%. Trata a SPS e está acima da capacidade renal de excreção de Na+
- Fludrocortisona 0,2 mg, 2x/dia (opcional, para evitar grandes infusões de volume)
Convulsão
(incidência: 10%)
Não realizar profilaxia anticonvulsivante rotineiramente
Instituir monitorização eletroencefalográfica em pacientes com escala de Hunt e Hess 4 ou 5
Vasoespasmo Sintomático: 30%
Apenas ao Doppler transcraniano (DTC): 60% a 70%
Maior incidência: entre o 4o e o 12o dia da HSA
Vasoespasmo.
Profilaxia e
diagnóstico
Nimodipina 60 mg, VO, 4/4 horas durante 21 dias
Sinvastatina 40-80 mg, VO, por 14 dias
NÃO PERMITIR hipomagnesemia
É controversa a infusão contínua de sulfato de magnésio (16-48 g/dia) para manter o nível de magnésio entre 4 e 4,5 mg/dL
Realização diária de DTC
Vasoespasmo clínico
(déficit neurológico).
Tratamento
Posicionamento do paciente com cabeceira a 0º
Infusão de 1.000 mL de SF em 15 minutos
Manter o “tanque cheio”
Iniciar infusão de vasopressores (noradrenalina ou dopamina), com o objetivo de elevação da PA sistólica para 160-220 mmHg
(ou 20 mmHg acima do nível atual), até resolução do déficit. Suspensão do seu uso se não houver resposta clinica em 2 a 3 horas.
Alternativa: angioplastia ou vasodilatador intrarterial
Cuidados gerais em pacientes com HSA
Escala clínica de Hunt e Hess
Sintomas Grau
Aneurisma assintomático 0
Cefaleia moderada ou assintomática 1
Cefaleia moderada à intensa, rigidez de nuca, com ou sem paralisia de nervo craniano 2
Confusão mental, letargia ou com sinais focais moderados 3
Estupor e/ou hemiplegia 4
Coma 5
Obs.: Adicionar 1 ponto em caso de patologia sistêmica associada, como hipertensão arterial ou diabetes melito.
Escala tomográfica de Fisher
Grau TAC
1 Sem sangramento visível na TAC
2 Sangramento difuso no espaço subaracnóideo < 1 mm de espessura; sem coágulos
3 Sangramento difuso no espaço subaracnóideo > 1 mm de espessura ou coágulos no espaço subaracnóideo
4 Sangramento intraventricular ou intraparenquimatoso
2929
Neurológico
2929
Neurológico
Tratamento cirúrgico
Embolização versus clipagem: a escolha dependerá da idade do paciente, da localização e da morfologia
do aneurisma.
Sempre que possível, realizar tratamento precoce: até o 3o dia.
Evitar cirurgia do 4o ao 12o dia pelo risco aumentado de vasospasmo.
A tendência atual é a embolização durante a angiografia diagnóstica.
Hemorragia subaracnóidea (HSA)
Tratamento clínico da HSA
Cuidados de rotina
Se PA ↓Nimodipina 60 mg, VO, 4/4h
usar SF, IV + reposição de eletrólitos
Manter bH positivo
Checar eletrólitos diariamente
Controle neurológico 2/2h
Doppler TC diário
Modificar para nimodipina
30 mg, VO, 2/2h
Ainda PA ↓
Interromper uso de
nimodipina
Hiponatremia?
Fludrocortisona 0,2 mg, VO, 12/12h
ou
Modificar para NaCl a 1,5%
Sem déficit neurológico
e Doppler TC com VF < 120 cm/s
Déficit neurológico novo global ou focal
ou Doppler TC com VF > 200 cm/s
TAC de crânio
Sem isquemia
Providenciar acesso venoso central.
Iniciar vasopressor para manter PAM
adequada até resolução do déficit
Déficit mantido
Instalar cateter de Swan-Ganz. Iniciar
dobutamina para manter DC máximo ou
até melhora do déficit
Déficit melhorado
Déficit mantido
Manter
vasopressores
Angioplastia.
+/- papaverina ou
nimodipina intra-arterial
Déficit ausente
e Doppler TC com VF > 120
ou < 200 cm/s
Se AVC
DTC de 12/12 h
Referências bibliográficas
bederson Jb, Connolly ES Jr., batjer HH, Dacey RG, Dion JE, Diringer MN, et al.; American Heart Association. Guidelines for the management of aneurysmal subarachnoid hemorrhage:
a statement for healthcare professionals from a special writing Group of the Stroke Council. American Heart Association. Stroke. 2009;40:994-1025.
Diringer MN, bleck TP, Claude Hemphill J 3rd, Menon D, Shutter L, Vespa P, et al.; Neurocritical Care Society. Critical care management of patients following aneurysmal subarachnoid
hemorrhage: recommendations from the Neurocritical Care Society’s Multidisciplinary Consensus Conference. Neurocritic Care. 2011;15:211-40.
Manno EM. Subarachnoid hemorrhage. Neurol Clin N Am. 2004;(22):347-66.
Suarez JI, Tarr RW, Selman WR. Aneurysmal subarachnoid hemorrhage. N Engl J Med. 2006;354:(4):387-96.
Wartenberg KE, Mayer SA. Medical complications after subarachnoid hemorrhage: new strategies for prevention and management. Curr Opin Crit Care. 2006;12:78-84.
Wartenberg KE. Critical care of poor-grade subarachnoid hemorrhage. Curr Opin Crit Care. 2011;17:85-93.
Corrigir hipomagnesemia
3030
Neurológico
3030
Neurológico
Relacionados à uTI
Delirium em unidade de terapia intensiva
Conceito
Estado confusional agudo causado por uma disfun-
ção mental global, com comprometimento da cons-
ciência, da percepção do ambiente e desa tenção.
Diagnóstico
• Delirium é uma manifestação comum de disfun-
ção cerebral aguda e constitui uma das compli-
cações mais frequentes de pacien tes críticos
• A prevalência varia de 20% a 50% e pode alcançar
70% a 80% em pacientes sob ventila ção mecânica
• O delirium está associado a déficit cognitivo de
longo prazo, maior taxa de reintubação, maior
tempo de intubação e maior morbimortalidade
• Cerca de 75% dos casos de delirium deixam
de ser diagnosticados
• Pacientes críticos devem ser avaliados diariamen-
te quanto a fatores de risco (modificáveis e não
modificáveis) (Figura 1) e quanto ao diagnóstico
de delirium na UTI
• Há duas escalas validadas para diagnóstico de
delirium em UTI:
– Intensive Care Delirium Screening Checklist
(ICDSC) (Tabela 1)
– Confusion Assessment Method (CAM-ICU)
(Tabela 2)
Modificáveis
Sua redução está
associada à redução
na duração do delirium
e melhora no
desfecho clínico
Coma induzido por medicamentos
uso de sedativos
benzodiazepínicos
Outros: opioides, anticolinérgicos
Imobilidade
Desorientação
Privação de sono
Isolamento
Não modificáveis
Relacionados ao paciente
Predisposição
Déficit cognitivo
Lesão neurológica prévia
História de hipertensão
Idade avançada (> 65 anos)
Comorbidades clínicas (ICC, DPOC etc.)
História de quedas
Dependência de álcool
Dependência de narcóticos
Dependência de benzodiazepínicos
Tabagismo
Relacionado à doença
Gravidade da doença na admissão
Ventilação mecânica
Coma (medicamentoso, condição neurológica
primária ou relacionado a outra doença)
Necessidade de vasopressores
Hipotensão
Hipóxia
Sepse
Depleção de volume
Alteração de temperatura
Distúrbios metabólicos
Distúrbios hidreletrolíticos
Dor não reconhecida
Figura 1. Fatores de risco para delirium na unidade de terapia intensiva
3131
Neurológico
3131
NeurológicoDelirium em unidade de terapia intensiva
Tabela 1. Intensive Care Delirium Screening Checklist (ICDSC)
Uma pontuação ≥ 4 é positiva para delirium (com pontuação de 1 a 3 denominada delirium subclínico)
O paciente deve responder, pelomenos, a pequenos ou moderados estímulos
Marcar 1 ponto para cada uma das seguintes características, avaliadas de forma adequada pelo clínico:
1) Alteração do nível de consciência:
A) Sem resposta ou
B) Necessidade de estimulação vigorosa a fim de obter qualquer resposta significativa por
alteração grave no nível de consciência, impedindo a avaliação. Se houver coma (A) ou estupor
(B) a maior parte do tempo, um traço é introduzido (-) e não haverá outra avaliação durante este
período
C) Sonolência ou necessidade de estimulação leve a moderada = 1 ponto
D) Vigília ou estado de dormir que pode ser facilmente despertado é considerado normal = 0 ponto
E) Hipervigilância é considerado um nível anormal de consciência = 1 ponto
2) Inatenção:
A) Dificuldade em seguir uma conversa ou instrução = 1 ponto
B) Facilmente distraído por estímulos externos = 1 ponto
C) Dificuldade de concentração = 1 ponto
3) Desorientação:
A) Qualquer erro no tempo, espaço ou pessoa = 1 ponto
4) Alucinação, delírio ou psicose:
A) Manifestação clínica inequívoca de alucinação ou de comportamento provavelmente devido à
alucinação (p. ex., tentando pegar um objeto inexistente) ou ilusão = 1 ponto
B) Total prejuízo no teste de realidade = 1 ponto
5) Agitação ou retardo psicomotor:
A) Hiperatividade requerendo o uso de sedativos adicionais ou contenção, para controlar perigo
potencial para si ou para outros = 1 ponto
B) Hipoatividade ou retardo psicomotor clinicamente perceptível = 1 ponto
6) Discurso ou humor inadequados:
A) Discurso impróprio, desorganizado e incoerente = 1 ponto
B) Demonstração inadequada de emoção relacionada a eventos ou situação = 1 ponto
7) Distúrbio do sono ou ciclo de vigília:
A) Dormir menos de 4 horas ou acordar com frequência durante a noite (não considerar a vigília
iniciada pelo pessoal médico ou ambiente barulhento) = 1 ponto
B) Dormir durante a maior parte do dia = 1 ponto
8) Flutuação dos sintomas:
A) Flutuação da manifestação de qualquer item ou sintoma ao longo de 24h = 1 ponto
3232
Neurológico
3232
NeurológicoDelirium em unidade de terapia intensiva
Tabela 2. Método de avaliação de confusão (CAM-ICU)
Achado 1 Início agudo e curso flutuante do estado mental
1. Há evidência de mudança aguda no estado mental em comparação ao estado basal do paciente?
2. Este comportamento (anormal) flutua nas 24h?
3. A escala de sedação ou a Escala de Coma de Glasgow variou muito nas últimas 24h?
Achado 2 Inatenção
1. O paciente tem dificuldade de focar a atenção?
2. A capacidade de manter a atenção está reduzida?
3. Como está o escore no Exame de Atenção?
a) O paciente tem habilidade em prestar atenção em dez gravuras?
Achado 3 Pensamento desorganizado
1. Paciente extubado: conversação lógica?
2. No ventilador, pode responder às seguintes quatro questões:
a) Uma pedra vai flutuar na água?
b) Existem peixes no mar?
c) 1 kg pesa mais que 2 kg?
d) Você pode usar um martelo para bater em um prego?
3. O paciente pode obedecer às seguintes questões e comandos:
a) Você tem algum pensamento confuso?
b) Apresentar dois dedos do examinador na frente do paciente e solicitar que ele repita a ação
Achado 4 Alteração do nível de consciência
De modo geral, em qual estado está o nível de consciência? Alerta (normal),
hiperalerta (vigilante, ligado), letárgico ou em coma?
Para o diagnóstico, é necessária a presença de: achado 1 + achado 2 + achado 3 ou 4.
Tabela 3. Medicamentos associados a delirium
• Benzodiazepínicos
• Opioides
• Anticolinérgicos
• Biperideno
• Anti-histamínicos
• Inibidor de bomba de prótons
• Digitálicos, betabloqueadores, diuréticos,
bloqueadores dos canais de Ca++
• Antiarrítmicos
• Antieméticos
• Antiespasmódicos (beladona, difenoxilato)
• Corticosteroides
• Anti-inflamatórios
• Antidepressivos
• Anticonvulsivantes
• Antiparkinsonianos
• Quimioterápicos
• Clorpropamida, glibenclamida
• Antibióticos (penicilina, ciprofloxacino
gentamicina, cefalosporinas, sulfonamida)
3333
Neurológico
3333
NeurológicoDelirium em unidade de terapia intensiva
Abordagem inicial
1. História clínica:
a. Procurar abstinência alcoólica, geralmente
precedida por convulsão. Delirium de
padrão hiperativo com descarga simpática.
b. Descartar quadro infeccioso.
2. Verificar o estado cognitivo basal com o cuidador.
3. Exame físico:
Normalmente não há déficits focais.
Utilizar o CAM com o cuidador do paciente ou
da enfermagem (Tabela 2).
4. Suspender todos os medicamentos psicoativos.
5. Causas menos comuns: hipo- ou
hipertireoidismo, encefalite,
estado de mal-epiléptico.
Investigação básica
1. Exames primários:
a. Hemograma, gasometria, creatinina, ureia,
glicemia, Na+, K+, Ca++, Mg++, PO-4 urinálise.
b. Hemocultura, urocultura.
c. ECG, radiografia de tórax.
2. Exames secundários:
a. TSH, T4 livre, enzimas cardíacas, vitamina B12
e ácido fólico, TAP, AST, ALT, VDRL, anti-HIV.
b. Liquor.
c. Drogas (lítio, antidepressivo, BZD,
anticonvulsivos, corticosteroide).
d. EEG, TAC ou RM de crânio.
Prevenção de delirium na UTI – estratégias interconectadas
Manejo da dor
Tratar a doença de base
Realizar avaliação rotineira da dor
Em pacientes incapazes de referir dor, usar escalas comportamentais de dor
Tratar procedimentos dolorosos preventivamente
Realizar bolo em vez de infusão contínua EV, se tolerado
Limitar exposição a sedativos: evitar prescrição desnecessária, associar
fisioterapia e/ou terapia ocupacional durante a interrupção diária da sedação
uso profilático de antipsicóticos não é recomendado
Manejo da agitação e da sedação
Protocolos de manejo da sedação
Identificar a causa subjacente da agitação
Promover interrupção diária da sedação,
mantendo meta de sedação leve ou não uso
de sedação
Evitar coma induzido por sedação, a menos
que clinicamente indicado
Evitar benzodiazepínicos; se necessário,
realizar bolo em vez de infusão contínua
Teste de ventilação espontânea, mobilização precoce, reorientação, sono
Associar interrupção diária da sedação com: 1) teste de ventilação espontânea,
2) exercícios, 3) reorientação
Promover mobilização precoce sempre que possível
Promover reorientação programada (p.ex. relógio, calendário, jornal)
Otimizar a comunicação: orientar quanto a equipamentos, procedimentos, local,
data e hora, motivo da internação, horáro de visitas
Encorajar visitas
Tornar o ambiente familiar (fotos, objetos pessoais, música, TV, leitura, companhia
de familiares, óculos, aparelhos auditivos)
Exposição à luz natural durante o dia
À noite, desligar luzes, reduzir o barulho no ambiente, evitar atividades de
cuidado de rotina
Diminuir ruídos ambientais. Considerar tampões auditivos à noite
Prevenção da disfunção cerebral – ABCDE
Awakening (despertar diário) e
Breathing coordination (teste de ventilação
espontânea)
Delirium monitoring (screening de delirium) +
Exercise/early mobility (exercícios e
mobilização precoce)
3434
Neurológico
3434
NeurológicoDelirium em unidade de terapia intensiva
Referências bibliográficas
Alagiakrishnan K, blanchette P. Delirium. Disponível em http://www.emedicine.com/med/topic3006.htm. Acesso em: 16 out 2008.
barr J, Frase GL, Puntillo K, Ely EW, Gélinas C, Dasta JF, et al.; American College of Critical Care Medicine. Clinical practice guidelines for the management of pain, agitation, and delirium
in adult patients in the intensive care unit. Crit Care Med. 2013;41:263-306.
bergeron N, Dubois MJ, Dumont M, Dial S, Skrobik Y. Intensive care delirium screening checklist: evaluation of a new screening tool. Intensive Care Med. 2001;27:859-64.
blum K, Eubanks JD, Wallace JE, Hamilton H. Enhancement of alcohol withdrawal convulsions in mice by haloperidol. Clin Toxicol. 1976;9(3):427-34.
Cavallazzi R, Saad M, Marik PE. Delirium in the ICu: an overview. Annals of Intensive Care. 2012;2:49.
Higa EMS, Atallah NA. Delirium no idoso. Guias de medicina ambulatorial e hospitalar unifesp/EPM – Medicina de urgência. São Paulo: Manole; 2005. pp.129-34.Hsieh SJ, Ely EW, Gong MN. Can intensive care unit delirium be prevented and reduced? Lessons Learned and Future Directions. Annals ATS. 2013;10(6):648-56.
Inouye SK, bogardus ST Jr., Charpentier PA, Leo-Summers L, Acampora D, Holford TR, Cooney LM Jr. A multicomponent intervention to prevent delirium in hospitalized elderly patients.
N Engl J Med. 1999;340(9):669-76.
Mayo-Smith MF, beecher LH, Fischer TL, Gorelick DA, Guillaume JL, Hill A, et al.; Working Group on the Management of Alcohol Withdrawal Delirium, Practice Guidelines Committee,
American Society of Addiction Medicine. Management of alcohol withdrawal delirium: an evidence-based practice guideline. Arch Intern Med. 2004;164(13):1405-12.
McNicoll L. Delirium in intensive care unit: occurrence and clinical course in older patients. J Med Geriatr Soc. 2003;51(5):591-8.
Pandhanpande P, Jackson J, Ely EW. Delirium: acute cognitive dysfunction in the critically ill. Curr Opin Crit Care. 2005;11:360-8.
Reade MC, Finfer S. Sedation and delirium in the intensive care unit. N Engl J Med. 2014;370:444-54.
Taylor D, Lewis S. Delirium. J Neurol Neurosurg Psychiatry. 1993;56:742-51.
Thomason JW, Ely EW. Delirium in the intensive care unit is bad: what is the confusion? Crit Care Med. 2004;32:2352-4.
Tratamento medicamentoso
Utilizar fármacos antipsicóticos de modo apropriado:
1. Doses iniciais mais elevadas podem ser
necessárias especialmente se houver
agitação psicomotora.
2. Utilizar doses menores em pacientes idosos.
3. Reduzir as doses assim que os sintomas
estiverem controlados.
4. Não há evidência de que o haloperidol diminua
a duração do delirium.
5. Neurolépticos podem resultar em sintomas
extrapiramidais, síndrome neuroléptica
maligna e discinesia.
6. Considerar neurolépticos não convencionais
em pacientes com sintomas extrapiramidais.
7. Haloperidol 3 a 5 mg, IV, de ½ em ½ hora até
sedação leve (acordado, porém controlável).
Em casos mais graves e/ou uso prévio de
neurolépticos, utilizar 10 mg, IV, em bolo,
manter 5 mg/h, IV, contínuos até 60 mg/dia.
Manutenção de 4/4 h a 8/8 h. Lembrar que o
pico plasmático ocorre após 4h; em pacientes
muito idosos, usar metade da dose.
8. Em pacientes com delirium não relacionado à
abstinência de álcool ou benzodiazepínicos, a
infusão contínua de dexmedetomidina, em vez
da infusão de benzodiazepínicos para sedação,
pode reduzir em até 24,9% a prevalência diária
do delirium. Clonidina pode ser uma opção
terapêutica nestes casos.
9. Os neurolépticos não são recomendados
como únicos agentes farmacológicos no
tratamento da abstinência alcoólica, porque
estão associados à redução do limiar
convulsivo, mortalidade mais elevada, maior
duração de delírio, e mais complicações em
comparação com agentes sedativo-hipnóticos.
10. Antipsicóticos atípicos podem reduzir a
duração do delirium:
• Quetiapina 75 a 300 mg/dia, VO em 2 ou 3 tomadas
• Risperidona 1 a 4 mg/dia, VO em 1 a 2 tomadas
• Olanzapina 2,5 a 10 mg/dia em 1 a 2 tomadas
3535
Neurológico
3535
NeurológicoEstado de mal epiléptico (EME)
Definição
Cinco minutos ou mais de: (1) atividade epiléptica contínua, clínica ou eletroencefalográfica; OU (2) atividade
epiléptica recorrente sem retorno ao estado neurológico basal entre as crises.
Convulsão > 5 minutos (EME)
benzodiazepínico é a terapia inicial de escolha
(escolher uma das três opções de primeira linha):
• Midazolan 10 mg IM
ou
• Lorazepam 0,1 mg/kg/dose EV (máx. 4 mg/dose)
ou
• Diazepam 0,15-0,2 mg/kg/dose EV (máx.
10 mg/dose)
Considerar uma das opções de segunda linha e
administrar em dose única:
• Fosfenitoína 20 mg/kg EV (máx. 1.500 mg/dose)
ou
• Ácido valpróico 40 mg/kg (máx. 3.000 mg/dose)
ou
• Fenitoína 20 mg/kg EV (15 mg/kg em idosos)
Diluir em SF 0,9% 250 mL (infusão ≤ 50 mg/min
ou 1.500 mg/30 min)
Se as opções anteriores não estiverem disponíveis:
• Fenobarbital 15 mg/kg EV (se ainda não tiver
sido realizado)
Crise não cessou em 10’
Crise não cessou ou a origem
não é rapidamente controlável
Repetir lorazepam ou diazepam
0-
5
m
in
Fa
se
d
e
es
ta
bi
liz
aç
ão
5-
20
m
in
Fa
se
d
e
te
ra
pi
a
in
ic
ia
l
20
-4
0
m
in
Fa
se
d
e
te
ra
pi
a
se
cu
nd
ár
ia
1. Estabilização do paciente – AbCDE (via aérea, ventilação, circulação, exame neurológico)
2. Tempo de início da crise convulsiva. Monitorização dos sinais vitais
3. Oxigenação (cânula nasal, máscara, considerar intubação)
4. Monitorização cardíaca
5. Hemoglicoteste: Se HGT < 60 mg/dL, realizar 100 mg de tiamina e 50 mL de glicose 50% EV
6. Acesso venoso e coleta de eletrólitos, hematologia, screening toxicológico, nível sérico de anticonvulsivantes (se uso prévio)
- TOT pode não
ser necessário!
- Prevenir aspiração
Hemoglicoteste – se
não estiver disponível:
• Tiamina 100 mg, IM
• Glicose a 50% 50 mL, IV
Considerar intubação
História clínica e exame físico
Interrupção da medicação é o dado mais frequente na
história clínica
O tipo de crise mais comum é a generalizada tônico-clônica
Atentar para a possibilidade de pseudocrise
Exames laboratoriais
a. Hemoglicoteste, glicemia, Na+, K+, Ca++, Mg++, ureia,
creatinina, gasometria arterial, hemograma, CPK
b. Atentar para rabdomiólise: ou CPK↑: hidratação vigorosa
c. Exame toxicológico e nível sérico da medicação
anticonvulsivante em uso
d. Punção lombar se suspeitar de meningite
Exames específicos
a. TAC de crânio em especial nos casos sem etiologia ou
de difícil controle
b. Ressonância magnética fornece mais detalhes
c. O EEG está indicado nos casos refratários. Importante
no diagnóstico de pseudoeventos e para avaliar o
término das crises
3636
Neurológico
3636
Neurológico
Referências bibliográficas
Glauser T, Shinnar S, Gloss D, Alldredge b, Arya R, bainbridge J, et al. Evidence-based Guideline: Treatment of Convulsive Status Epilepticus in Children and Adults: Report of the Guideline Committee of
the American Epilepsy Society. Epilepsy Curr. 2016;16(1):48-61.
Kinirons P, Doherty CP. Status epilepticus: a modern approach to management. Euro J Emerg Med. 2008;15:187-95.
Lowenstein bH, Alldredge bK. Status epilepticus. N Eng J Med. 1998;338:970-6.
Marik PE, Varon J. The management of status epilepticus. Chest. 2004;126:582-91.
Meierkord H, boon P, Engelsen b, Göcke K, Shorvon S, Tinuper P, Holtkamp M. EFNS guideline on the management of status epilepticus. Eur J Neurology. 2006;13:445-50.
Vespa P. Neurocritical Care Society Status Epilepticus Guideline writing Committee Guidelines for the Evaluation and Management of Status Epilepticus. Neurocrit Care. 2012;17:3-23.
Crise cessou?
Intubar!
(não utilizar
succinilcolina)
NÃO (EME refratário)
Infusão contínua
• Propofol 3-5 mg/kg + infusão de
30-100 µg/kg/min
ou
• Midazolam 0,2 mg/kg + infusão de
0,1 a 2 mg/kg/h
ou
• Fenobarbital 5 mg/kg (repetir SN)
Infusão de 0,5 a 5 mg/kg/h
(apenas 5% respondem ao fenobarbital)
Sim
Sim Não
Coma?
– 48% tem nova crise
– 14% de EME não convulsivo
EEG contínuo Observar
Nova crise
EME altamente refratário
Após cessar a crise:
Manter a infusão por 24 horas
↓ 50% da dose em 12h
↓ restante nas 12h seguintes
Nova crise Nova crise
Após reciclar
EME não convulsivo
EEG: em pacientes comatosos
e em pacientes pós-EME
• 20% a 25% dos casos de EME são não convulsivos
• Presente em 8% dos casos de coma
• Persiste em 14% após crise generalizada
• Associado a altas morbidade (39%) e
mortalidade (18%)
Outras opções:
Lidocaína:
• Ataque: 1 a 2 mg/kg em bolo
• Infusão contínua: 1,5 a 3 mg/kg/h
Cetamina:
• Ataque: 2 mg/kg em bolo
Tiopental sódico:
• Ataque: 3 a 4 mg/kg
• Infusão contínua: 0,2 mg/kg/min (em salina)
• ↑ infusão em 0,1 mg/kg/min de 5/5’
até controle
Reciclar
Objetivar a supressão da crise ao EEG
40
-6
0
m
in
Fa
se
d
e
te
ra
pi
a
te
rc
iá
ria
Estado de mal epiléptico (EME)
3737
Neurológico
3737
Neurológico
DATA HORA ROTEIRO DE AVALIAÇÃO DA MORTE ENCEFÁLICA (ME)
1. Busca ativa de POSSÍVEIS doadores de órgãos:
• Local:todas as unidades hospitalares em que possa haver pacientes em ventilação mecânica (unidades de
pacientes críticos)
• Frequência: 2 a 3 vezes ao dia
• Presença dos itens a seguir:
( ) Escala de Coma de Glasgow = 3
( ) Coma de etiologia definida
( ) Ausência de condições reversíveis (p. ex. hipotermia < 35ºC, distúrbios hidreletrolíticos ou acidobásicos, intoxicação
exógena, drogas depressoras do SNC (Tabela 1), hipotensão com PAM < 60 mmHg)
( ) Necessidade de ventilação mecânica
( ) Ausência de pelo menos um reflexo de tronco
2. Se resposta SIM para a questão 1: SUSPEITAR DE MORTE ENCEFÁLICA
( ) Contatar enfermeiro e/ou médico da CIHDOTT que gerenciará o processo
SUSPENDER sedativos e discutir o tempo de suspensão com a CNCDO do seu Estado (Tabela 1)
“Para dúvidas ou situações especiais, discutir o caso com a CNCDO/do seu Estado”
Diagnóstico e manutenção de órgãos
no potencial doador falecido
Roteiro 1
O Intensivista tem importância fundamental na manutenção adequada do potencial doador falecido. Es-
tratégias agressivas de avaliação e manutenção têm importante papel na efetivação da doação de órgãos.
Os dois roteiros a seguir, de avaliação e manutenção, devem ser conduzidos paralelamente, de forma a
organizar a condução de aspectos burocráticos, logísticos e técnicos do processo.
Tabela 1. Principais medicamentos depressores do sistema nervoso central e intervalo
de suspensão de uso até o início da determinação da morte encefálica
Medicamento Meia-vida (h) Intervalo (h) (se dose
única ou intermitente)
Intervalo (h)
(se infusão contínua)
Intervalo (h) (insuficiência
hepatica/renal)
Midazolam 2 6 10 Individualizar
Fentanil 2 6 10 Individualizar
Tionembutal 12 36 60 Individualizar
Halotano 0:15 0:45 1:15 Individualizar
Isoflurano 0:10 0:30 0:50 Individualizar
Sevoflurano 0:12 0:36 1 Individualizar
Succinilcolina 0:10 0:30 0:50 Individualizar
Pancurônio 2 6 10 Individualizar
Atracúrio 0:20 1 1:40 Individualizar
Cisatracúrio 0:22 1:06 1:50 Individualizar
Vecurônio 1:05 3:15 5:25 Individualizar
Rocurônio 1 3 5 Individualizar
Etomidato 3 9 15 Individualizar
Cetamina 2,5 7,5 12,5 Individualizar
Propofol 2 6 10 Individualizar
Meia-vida – tempo de meia-vida; dose intermitente: menos de quatro doses em 24h; infusão contínua: infusão contínua ou dose
intermitente superior a três doses em 24h
• Se administração intermitente: intervalo de 3 x meia-vida. Utilizar, preferencialmente, prova gráfica de fluxo
• Se administração em infusão contínua: intervalo de 5 x meia-vida. Utilizar, preferencialmente, prova gráfica de fluxo
3838
Neurológico
3838
NeurológicoDiagnóstico e manutenção de órgãos
no potencial doador falecido
3. 1o exame neurológico – INTENSIVISTA
Coma aperceptivo (Glasgow = 3) ( ) SIM ( ) NÃO
Pupilas fixas e arreativas ( ) SIM ( ) NÃO
Ausência de reflexo corneopalpebral ( ) SIM ( ) NÃO
Ausência de reflexo oculoencefálico ( ) SIM ( ) NÃO
Ausência de reflexo de tosse ( ) SIM ( ) NÃO
Ausência de resposta à prova calórica ( ) SIM ( ) NÃO
Apneia ( ) SIM ( ) NÃO
*Teste de apneia: “Havendo qualquer movimento ventilatório, o teste deve ser interrompido”.
( ) Ventilação mecânica controlada com FiO2 = 100% por 10 minutos
( ) Realizar gasometria arterial após esse período (basal)
( ) Desconectar o ventilador, administrar O2 a 6 L/min por cateter inserido no TOT em 10 minutos e coletar nova gasometria
( ) uma alternativa à desconexão: colocar o ventilador mecânico em modo espontâneo, mantendo CPAP entre 5 e 8 cm H2O e a
FiO2 = 100% durante 10 minutos. ATENÇÃO: há ventiladores que dispõem de dispositivo de “ventilação de reserva” ativado
automaticamente durante a apneia, o que impossibilita o uso dessa estratégia
( ) O teste é considerado positivo se PaCO2 ≥ 55 mmHg na segunda gasometria
( ) Evoluir em prontuário a abertura do protocolo e o resultado do 1o exame neurológico
Nesta evolução deve constar: diabetes: ( ) no paciente ( ) nos pais ( ) DPOC ( ) HAS
História de neoplasia: ( ) no paciente, qual:____________ ( ) parente de 1o grau, qual:___________
( ) Etilismo, volume/dia____; ( ) Tabagismo, quantidade/dia____ ( ) Drogas, qual(is):____________
( ) Em pacientes com disfunção pulmonar ou SDRA, o teste de apneia pode ser realizado por meio da instalação de uma fonte de
oxigênio a 8 L/min e uma válvula de PEEP/CPAP ajustável (manter CPAP entre 5 e 8 cmH2O).
• Na insuficiência hepática e/ou renal: determinar o intervalo individualmente, levando em consideração a gravidade
das disfunções, discutindo o caso com o médico intervencionista do sobreaviso da OPO/CNCDO. Nesses casos,
obrigatoriamente, utilizar prova gráfica de fluxo
• No caso de barbitúrico endovenoso, sempre utilizar prova gráfica de fluxo
• A causa do coma aperceptivo e arreflexo não deve ser imputada a MDSNC (medicações depressoras do SNC) que não
apresenta potencial para causar coma arreflexo, quando forem utilizados em doses terapêuticas usuais, ex. fenobarbital
enteral, fenitoína, clonidina, dexmedetomidina e morfina
3939
Neurológico
3939
Neurológico
4. Preencher a documentação obrigatória – ENFERMEIRO DA UNIDADE
( ) “Notificação de abertura de protocolo de paciente em possível morte encefálica”
( ) Cabeçalho do “Termo de declaração de morte encefálica”
( ) Solicitar e agendar exames de 6/6 horas: hemoglobina, plaquetas, TAP, gasometria arterial, glicemia, Na+, K+,
Ca++, Mg++, PO4
-
( ) Solicitar e agendar exames de 24/24 horas: ureia, creatinina, CKMb + troponina, AST + ALT + FA +
bilirrubinas, radiografia de tórax
( ) Solicitar uma vez: hemocultura 2 amostras, urinálise, urocultura, tipagem sanguínea, amilase, sorologias
(consultar CNCDO/Estado sobre sorologias)
( ) Agendar e realizar, o mais brevemente possível, o exame gráfico confirmatório de morte encefálica
( ) Doppler transcraniano ou ( ) arteriografia cerebral ou
( ) cintilografia cerebral* ou ( ) EEG*
*Exames preferenciais se craniectomia descompressiva ou dúvida sobre suspensão do sedativo
HORA DATA 5. Preencher a documentação obrigatória e iniciar protocolo de manutenção do doador falecido – INTENSIVISTA
( ) Iniciar medidas de manutenção do potencial doador (roteiro de manutenção)
( ) Iniciar preenchimento do TERMO DE DECLARAÇÃO DE MORTE ENCEFÁLICA
6. 1a Conferência familiar – INTENSIVISTA
“Idealmente a conferência deve ser acompanhada por um membro da CIHDOTT”
( ) Acomodar os familiares do paciente (sentados) em sala privativa
( ) Conversar com familiares sobre a POSSIBILIDADE de morte encefálica (não comentar sobre doação)
Esclarecer dúvidas, flexibilizar visitas e, oportunizar à família a possibilidade de indicar um profissional de sua
confiança para acompanhar o diagnóstico
( ) Explicar que novos testes serão feitos para confirmar a POSSÍVEL morte encefálica
7. Comunicar e enviar documentos p/ CNCDO/Estado – ENFERMEIRO DA UNIDADE
( ) Telefonar para CNCDO do seu Estado – 0800-XXX XXXX, e comunicar abertura do protocolo
Enviar via FAX para CNCDO/Estado: Fax – (xx) xxxx-xxxx
( ) Notificação de abertura de protocolo de paciente em possível morte encefálica
( ) Declaração de morte encefálica com 1o teste preenchido, assinado e carimbado pelo médico
( ) Evolução clínica da admissão hospitalar do paciente
( ) Evolução clínica da abertura do protocolo de morte encefálica
( ) Tipagem sanguínea
( ) Laudo das gasometrias do primeiro teste – assinado pelo bioquímico
( ) Laudo da radiografia de tórax e da tomografia de crânio – assinados pelo radiologista
( ) Laudo do eletrocardiograma – assinado pelo cardiologista
( ) Laudo de bioquímica do 1o dia de internação e após a abertura do protocolo – assinados pelo bioquímico
8. Embalagem e transporte de amostra sanguínea – ENFERMEIRO DA UNIDADE
( ) Coletar: 10-12 mL de sangue em tubo seco/com gel (2 tubos com 6 mL cada)
5 mL de sangue em frasco de EDTA
( ) Identificar os tubos com “Etiqueta de Identificaçãode Tubos de Amostra de Sangue”: nome completo, nome
da mãe, data de nascimento, data da coleta
( ) Acondicionar as amostras em caixa térmica, fixar os tubos com fita adesiva em uma das faces internas da
caixa. Separar os tubos do gelo ou gelopack® com papelão para evitar o contato direto
( ) Lacrar a caixa com fita adesiva
( ) Identificar a caixa térmica com impresso de “Identificação de Caixa de Transporte de Material biológico”
9. Transporte
( ) Descrever orientações conforme a realidade local. O motorista responsável deve ser orientado quanto à
conduta em caso de “acidente com material biológico”
Diagnóstico e manutenção de órgãos
no potencial doador falecido
4040
Neurológico
4040
Neurológico
10. RESPEITAR intervalo para realizar o 2o exame conforme idade do paciente
IDADE DO PACIENTE INTERROMPER SEDAÇÃO POR:
( ) 7 dias a 2 meses incompletos pelo menos 48 horas (+ 2 EEG)
( ) 2 meses a 1 ano incompleto pelo menos 24 horas (+ 2 EEG)
( ) 1 ano a 2 anos incompletos pelo menos 12 horas (+ 2 EEG)
( ) Acima de 2 anos pelo menos 6 horas
11. 2o Exame neurológico
12. Diagnóstico da morte encefálica (os 2 itens a seguir devem ser cumpridos)
( ) Dois exames clínicos assinados (1 deles assinado por neurologista)
( ) Laudo do exame gráfico
DATA HORA 13. 2a Conferência familiar – INTENSIVISTA
( ) Acomodar os familiares do paciente (sentados) em sala privativa
( ) Conversar com familiares sobre a CONFIRMAÇÃO DO DIAGNÓSTICO de morte encefálica (não comentar
sobre doação)
( ) Contatar membro da CIHDOTT para a 3a conferência familiar
14. 3a Conferência familiar – MEMBRO DA CIHDOTT
( ) Entrevistar familiares e solicitar autorização de doação de órgãos e/ou tecidos
15. Autorização para doação de órgãos
( ) Houve autorização:
( ) Obter termo de autorização assinado por cônjuge ou familiar de até 2o grau
Obs.: Se morte violenta, contatar IML para autorização de remoção de órgãos
( ) Não houve autorização:
( ) É legal, ético e facultado ao médico retirar todo o suporte terapêutico, inclusive a ventilação mecânica
Resolução CFM no 1826 de 06/12/2007
16. Enviar documentos p/ CNCDO/Estado – ENFERMEIRO DA UNIDADE
Enviar via fax para CNCDO/estado:
( ) Declaração de morte encefálica com 2o teste preenchido, assinado e carimbado pelo médico.
( ) Laudo exame confirmando morte encefálica – assinado pelo médico realizador
( ) Laudo das gasometrias do segundo teste clínico – assinadas pelo bioquímico
( ) Laudos dos exames bioquímicos – assinados pelo bioquímico
( ) Termo de autorização de doação de órgãos e/ou tecidos assinado
( ) Se possível doador de pulmão, laudo de gasometria com: PEEP = 5 cm H2O, FiO2 = 100%, VC = 10-15 mL/kg)
– assinada pelo bioquímico
( ) Última evolução clínica
17. Declaração de óbito – INTENSIVISTA
( ) Morte não violenta – Preencher a declaração de óbito com o horário do óbito do último teste realizado
(2o teste clínico ou exame gráfico)
( ) Morte violenta – Preencher o encaminhamento ao IML com o horário do óbito do último teste realizado
(2o teste clínico ou exame gráfico)
18. Acondicionamento de órgãos – MEMBRO DA CIHDOTT
Seguir integralmente as instruções para armazenamento de órgãos e disponibilizá-las para pessoal envolvido
no transporte e autoridades sanitárias (RDC-66-ANVISA artigos 16 e 17) e providenciar documentos conforme
anexos II e III da RDC
Enfermeiro/COREN:
Intensivista/CRM:
Diagnóstico e manutenção de órgãos
no potencial doador falecido
4141
Neurológico
4141
NeurológicoDiagnóstico e manutenção de órgãos
no potencial doador falecido
Oitenta por cento dos pacientes em morte encefálica têm instabilidade hemodinâmica e muitos apresentam
PCR nas primeiras 24 horas. Manter a normalidade das variáveis fisiológicas no potencial doador falecido
significa reduzir perdas de órgãos para transplante.
Estratégia “VIPPS”
V
“Ventilation”
• VM protetora: Vt 6-8 mL/kg peso predito, PEEP 8-10 cmH20 para pulmões normais
• Se SDRA: Vt 5-8 mL/kg peso predito, Pplatô < 30 cmH20 e titular PEEP e FiO2 para SpO2 > 90%
• Considerar manobras de recrutamento alveolar se hipóxia antes ou após o teste de apneia
I
“Infusion”
• Corrigir hipovolemia (principal causa da instabilidade) com cristalóide 20-30 mL/kg para
manter PAM ≥ 65 mmHg e diurese 1-3 mL/kg/h.
• Corrigir distúrbios eletrolíticos (Na < 155) e valores normais de K, Mg, P, Ca.
• Manter hemoglobina 7-10, plaquetas > 50.000 e INR < 1,5.
P
“Pump”
• Utilizar parâmetros de fluido-responsividade para guiar reposição volêmica – PVC, POAP, ΔVS,
ΔPP. Considerar avaliação complementar com ecocardiografia, cateter de artéria pulmonar ou
métodos minimamente invasivos de mensuração do débito cardíaco.
• Infundir mais fluidos se PVC < 5 mmHg ou ΔPP ≥ 13%
• Manter temperatura entre 34 e 35ºC (≥ 35°C se instabilidade hemodinâmica)
• Arritmias – avaliar e corrigir eletrólitos, acidose e volemia; se taquicardia: manejar conforme
AHA; se bradicardia: considerar aminas ou marca-passo (não há resposta com atropina!)
• Manter FC entre 60 e 120 bpm.
P
“Pharmacological”
• Se PAM < 65 mmHg apesar da ressuscitação volêmica: dopamina, noradrenalina ou
adrenalina E vasopressina bolo 1 u seguida de 0,5 a 2,4 u/h
• Acrescentar dobutamina apenas se evidência de disfunção ventricular
S
“Specific”
Manter potencial doador
falecido idealmente até
12-24h do diagnóstico
• Considerar diabetes insípido se:
– Débito urinário > 4 mL/kg/h.
– Osmolaridade urinária < 200 mOsm/kg H2O.
– Hipernatremia.
– Hiperosmolaridade.
• Se diabetes insípido, tratar com: vasopressina (bolo 1 U + 0,5 a 2,4 U/h) se necessidade de
amina vasopressora OU desmopressina (1-2 µg EV cada 4h até diurese < 4 mL/kg/h) se não
houver indicação de vasopressores.
• Controle glicêmico e infusão contínua de insulina se HGT ≥ 180 mg/dL
• Hidrocortisona 50 mg EV de 6/6h
• Considerar reposição de hormônios da tireoide se instabilidade hemodinâmica refratária ou
fração de ejeção VE < 45%:
– Tri-iodotironina (T3): bolo de 4 µg, seguido de infusão de 3 µg/h.
– Levotiroxina (T4): bolo de 20 µg, seguido de infusão de 10 µg/h.
– Na ausência de hormônio tireoideano injetável, pode-se administrar levotiroxina 300 µg
via enteral a cada 24h.
• Atentar para sinais de sepse e choque séptico – coletar culturas e iniciar antibióticos de
amplo espectro o mais precoce possível
(Obs: infecção controlada não contraindica o transplante dos órgãos!)
4242
Neurológico
4242
NeurológicoDiagnóstico e manutenção de órgãos
no potencial doador falecido
Referências bibliográficas
Dubose J, Salim A. Aggressive organ donor management protocol. J Intensive Care Med. 2008;23(6):367-75.
Powner D. Aggressive donor care – To what end? J Intensive Care Med. 2008;23(6);409-11.
Salim A, Velmahos GC, brown C, belzberg H, Demetriades D. Aggressive organ donor management significantly increases the number of organs available for transplantation.
J Trauma. 2005;58(5):991-4.
Straznicka M, Follette DM, Eisner MD, Roberts PF, Menza RL, babcock WD. Aggressive management of lung donors classified as unacceptable: Excellent recipient survival one
year after transplantation. J Thorac Cardiovasc Surg. 2002;124(2):250-8.
Westphal GA, Caldeira Filho M, Fiorelli A, Vieira KD, Zaclikevis V, bartz M, et al.; Task Force of the brazilian Association of Intensive Medicine, brazilian Association of Organs
Transplantation,Transplantation Center of Santa Catarina. Guidelines for maintenance of adult patients with brain death and potential for multiple organ donations: the Task
Force of the brazilian Association of Intensive Medicine the brazilian Association of Organs Transplantation, and the Transplantation Center of Santa Catarina. Transplant
Proc. 2012;44(8):2260-7.
Westphal GA. A simple bedside approach to therapeutic goals achievement during the management of deceased organ donors – An adapted version of the “VIP” approach. Clin
Transplant. 2016;30(2):138-44.
43
Cardiovascular
43
CardiovascularRessuscitação cardiopulmonar(RCP)
Definição
Conjunto de manobras cujo objetivo é reverter a
cessação súbita e inesperada das funções cardíacas.
• Verificar se a vítima responde
• Ausência de respiração ou
respiração agônica
• Ausência de pulso
Sem via aérea avançada Com via aérea avançada
Inclinar a cabeça e
anteriorizar a mandíbula
Relação compressão-ventilação:
30:2
Relação compressão-ventilação:
compressões contínuas de 100 a 120/min
+ 1 incursão ventilatória a cada 6 segundos
(10 incursões ventilatórias/min)
Iniciar compressões torácicas
C - A - b
Fornecer oxigênio
Conectar monitor/desfibrilador
Compressões torácicas com alta qualidade
- Frequência: pelo menos 100/min (~ 2/s)
- Profundidade: > 5 cm (permitir o retorno total do tórax)
- Local: meio do esterno, entre os mamilos
- Posição: uma mão sobre a outra, regiões tenar e hipotenar
- MINIMIZAR INTERRuPÇÕES! Limitá-las a menos de 10 segundos!
Verificar o ritmo
Acesso endovenoso/intraósseo
Adrenalina 1 mg IV a cada 3-5 min
(realizar flush de SF 0,9% 20 mL e elevar membro)
Considerar via aérea avançada
Capnografia
Fibrilação ventricular/
taquicardia ventricular
p. 45 p. 44
Assistolia/atividade
elétrica sem pulso
A
B
C
O MAIS IMPORTANTE na RCP é realizar
compressões torácicas de alta qualidade!
A cada 2 min ou 5 ciclos:
Verificar ritmo e pulso
Realizar troca entre reanimadores
Não exceder 10 segundos
• Considerar monitorização invasiva da PA e SVO2:
PA diastólica < 20 mmHg melhorar a qualidade da RCP
PA e ondas espontâneas na monitorização arterial avaliar se houve retorno de circulação espontânea
• US cardíaco pode ser considerado como ferramenta diagnóstica adicional para identificar causas
reversíveis de PCR, desde que não interfira no protocolo de suporte avançado
• Recomenda-se capnografia para confirmar e monitorar a posição do TOT durante a RCP
ETCO2 < 10 mmHg melhorar a qualidade da RCP
Aumento sustentado da ETCO2 ≥ 40 mmHg avaliar retorno de circulação espontânea
Considerar o baixo teor de CO2 ao final da expiração (ETCO2) em pacientes intubados, após 20 min de RCP,
em conjunto com outros fatores, no auxílio para determinar quando parar a ressuscitação
Ambu
® com
máscar
a, até q
ue
se proc
eda a IO
T
44
Cardiovascular
44
CardiovascularRessuscitação cardiopulmonar (RCP)
CAb
Assistolia/atividade elétrica sem pulso (AESP)
Verificar ritmo
Reiniciar RCP imediatamente
por 2 min ou 5 ciclos
AESP
Acesso endovenoso/intraósseo
Adrenalina 1 mg IV a cada 3-5 min
(realizar flush de SF 0,9% 20 mL e elevar membro)
Considerar via aérea avançada
Capnografia
Verificar ritmo
AESP
Fibrilação ventricular/
taquicardia ventricular
p. 45
Retorno da circulação espontânea
Iniciar cuidados pós-ressuscitação
Considerar e tratar (5Hs e 5Ts)
Hipovolemia Tensão no tórax por pneumotórax
Hipóxia Tamponamento cardíaco
Hidrogênio (acidose) Toxinas
Hipo/hipercalemia Trombose pulmonar (TEP)
Hipotermia Trombose coronária (IAM)
45
Cardiovascular
45
Cardiovascular
Reiniciar RCP imediatamente por 2 min ou 5 ciclos
Acesso às vias aéreas sem interromper as compressões torácicas
Quando o paciente estiver intubado, não parar as compressões
torácicas para realizar insuflação pulmonar
Retorno da circulação
espontânea
Iniciar cuidados
pós-ressuscitação
CAb
Realizar desfibrilação
Monofásico: 360 J
bifásico: 120-200 J
Desfibrilar
Desfibrilar
Acesso endovenoso/intraósseo
Adrenalina 1 mg IV a cada 3-5 min (realizar flush de SF 0,9% 20 mL e elevar membro)
Considerar via aérea avançada
Capnografia
RCP 2 min
Amiodaroma (primeira dose = 300 mg em
bolo, segunda dose = 150 mg em bolo)
Magnésio 1-2 g EV em 15 min –
se Torsade de Pointes
Tratar causas reversíveis
FV/TVSP
FV/TVSP
Verificar ritmo
Verificar ritmo
Verificar ritmo
Fibrilação ventricular (FV)
Taquicardia ventricular sem pulso (TVSP)
Ressuscitação cardiopulmonar (RCP)
Assistolia ou AESP
p. 44
FV/TVSP
PCR presenciada – se ritmo chocável,
aplicar o choque antes da RCP se houver
um desfibrilador prontamente disponível
46
Cardiovascular
46
Cardiovascular
Retorno da circulação espontânea
Otimizar ventilação e oxigenação (evitar hipóxia ou hiperóxia)
Tratar e prevenir hipotensão (PAS < 90 mmHg ou PAM < 65 mmHg)
Manter a PaCO2 em níveis normais
Angiografia coronariana de urgência:
Todos os pacientes que apresentam supra de ST
ou
Pacientes hemodinâmica ou eletricamente instáveis sem
supra de ST com suspeita de lesão cardiovascular
Paciente acordou
Cuidados intensivos
Evolução para morte
cerebral ou circulatória
Considerar como possível doador de órgãos
Paciente comatoso
• Controle direcionado de temperatura (CDT): alvo
entre 32 °C e 36 °C, mantida constantemente
durante pelo menos 24h
• Prevenir e tratar febre em adultos que permanecem
comatosos após controle inicial da temperatura
• Tratar crises convulsivas. Não há recomendação
para profilaxia
• O período mínimo para avaliar o prognóstico de
um desfecho neurológico ruim em pacientes não
tratados com CDT é de 72 horas após a PCR
• Em pacientes tratados com CDT, em que a sedação
ou a paralisia possa confundir o exame clínico é
aconselhável aguardar até 72 horas após o
retorno à normotermia para só então prever
o desfecho
Cuidados imediatos pós-PCR
Ressuscitação cardiopulmonar (RCP)
Referência bibliográfica
2015 American Heart Association Guidelines update for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care. Disponível em: https://eccguidelines.heart.org/wp-content/
uploads/2015/10/2015-AHA-Guidelines-Highlights-English.pdf
Achados clínicos associados a mau prognóstico neurológico*
• Ausência de reflexo pupilar à luz, 72 horas ou mais após a PCR
• Presença de estado mioclônico (diferente de mioclonias isoladas) durante
as 72 horas após a PCR
• Ausência de onda cortical do potencial somatossensorial evocado, 24 a
72 horas após a PCR ou após o reaquecimento
• Presença de acentuada redução da relação cinza-branco em tomografia
computadorizada do cérebro obtida até 2 horas após a PCR
• Ampla restrição da difusão na ressonância magnética cerebral no prazo
de 2 a 6 dias após a PCR
• Ausência persistente de reatividade no eletroencefalograma a estímulos
externos, 72 horas após a PCR
• Supressão de surtos persistentes ou estado intratável de mal epiléptico
no eletroencefalograma após o reaquecimento
Ausência de movimentos, postura em extensão ou o estado mioclônico não devem ser usados
isoladamente para prever o resultado
* Choque, temperatura, desordens metabólicas, sedativos anteriores ou bloqueadores neuromuscu-
lares e outros fatores clínicos devem ser considerados com cuidado, pois podem afetar os resultados
ou a interpretação de alguns exames
47
Cardiovascular
47
CardiovascularControle direcionado da temperatura (CDT)
CDT é a única intervenção que mostrou ter melhorado a recuperação neurológica após uma ressusci-
tação cardiopulmonar (RCP).
As Diretrizes da AHA 2015 para RCP recomendam:
1. TODOS os pacientes adultos comatosos (ou seja, sem resposta a comandos verbais) com RCP
após PCR DEVEM ser submetidos ao CDT, tendo como temperatura-alvo entre 32 °C e 36°C,
mantida constantemente durante pelo menos 24 horas.
Tabela 1. Indicação de CDT
• RCP dentro de 60 minutos
• Ausência de choque refratário (PAM ≤ 60 mmHg por mais de 30 minutos) ou hipóxia persistente pós-RCP
• Pacientes comatosos (sem sedação/drogas depressoras do SNC) pós-RCP
• Ausência de hipotermia (temperatura da membrana timpânica, vesical ou esofagiana < 30 °C) na admissão
• Não é recomendado o resfriamento pré-hospitalar rotineiro de pacientes com a infusão rápida de fluidos EV frios
após a recuperação da circulação espontânea
Tabela 2. Indução de CDT
• Realizar mensuração central da temperatura (termômetro esofagiano, vesical ou termistor do cateter de
artéria pulmonar)
• Proceder com o CDT, tendo como temperatura-alvo entre 32° e 36 °C, mantida constantemente durante pelo
menos 24 horas.
• Sedação + analgesia + avaliar bloqueio neuromuscular(para abolir os calafrios)
• Induzir o mais rapidamente possível; se necessário, realizar a infusão IV de 20 mL/kg de SF ou RL a 3 ºC
• Resfriamento com colchão térmico, gelo em todo o corpo ou bolsas de gelo envoltas por compressas em axilas e
virilha aplicadas na pele, com revezamento das bolsas para evitar queimadura pelo frio
• Após 24 horas, iniciar o reaquecimento passivamente dentro de, no mínimo, 8 horas (1 ºC a cada 4 horas)
• Evitar ativamente a febre em paciente comatosos após o CDT
Referências bibliográficas
American Heart Association [AHA]. Guidelines 2015 CPR & ECC. Disponível em: https://eccguidelines.heart.org/wp-content/uploads/2015/10/2015-AHA-Guidelines-Highlights-English.pdf
Hein OV, Friese ST, Spies C. Controlled therapeutic hypothermia: when is it indicated? Yearbook Intens Care Emerg Med. 2004;823-7.
Polderman KH. use of hypothermia for neuroprotection. Yearbook Intens Care Emerg Med. 2004;830-41.
Sanders Ab. Therapeutic hypothermia after cardiac arrest. Curr Opin Crit Care. 2006;12:213-7.
48
Cardiovascular
48
CardiovascularPrognóstico neurológico após
ressuscitação cardiopulmonar
Sinais focais
Etiologia não definida da PCR
Ausência de reflexos de tronco cerebral
Dar um ponto para cada um dos itens:
• Enolase neurônio específica > 97
• Pupilas arreativas
• Glasgow motor 1-2
• Potencial evocado N2O bilateral ausente
• Status mioclônico
Repetir:
• Potencial evocado N20
• EEG
• TC crânio
• RM crânio
Exame neurológico – sem sedação
Houve melhora?
Exame neurológico – sem sedação
Controle direcionado de temperatura (32-36 °C)
Sinais focais
Etiologia não definida da PCR
Ausência de reflexos do tronco cerebral
TC de crânio
TC de crânio
Prognóstico incerto Mau prognóstico muito provável
Sinais de encefalopatiaManter terapêutica Avaliar limitação terapêutica
Mau prognóstico certo
Sim
Coma pós-ressuscitação cardiopulmonar
Sim
Sim
0 ponto
Sim
Sim
1 ponto
Não
Não
≥ 2 pontos
Pacientes após ressuscitação cardiopulmonar devem despertar nos primeiros três dias. Caso persistam em
coma, é provável haver importante sequela neurológica.
Referências bibliográficas
Sandroni C, Geocadin RG. Neurological prognostication after cardiac arrest. Review, Curr Opin Crit Care. 2015;21:209-14.
Sandroni C, Cariou A, Cavallaro F, Cronberg T, Friberg H, Hoedemaekers C, et al. Prognostication in comatose survivors of cardiac arrest: An advisory statement from the European
Resuscitation Council and the European Society of Intensive Care Medicine. Intensive Care Med. 2014;40:1816-31.
D1
D3
D3
D7
49
Cardiovascular
49
Cardiovascular
Introdução
SCAsSST versus IAMcSST
- Tem espectro heterogêneo de pacientes com diferentes níveis de risco de morbimortalidade cardiovascular.
- A prevalência da SCAsSST é quatro vezes superior à do IAMcSST.
- Na SCAsSST, os eventos cardiovasculares ocorrem mais tardiamente (dias/semanas).
- Mortalidade semelhante em 6 meses (12%).
Crusade bleeding score
Síndrome coronariana aguda sem
supradesnivelamento do segmento ST (SCAsSST)
Critérios do escore de risco TIMI
≥ 65 anos ≥ 3 FR para DAC
Estenose coronariana
≥ 50% conhecida
Depressão ST
2 eventos de angina
de repouso em 24h
uso de AAS nos
últimos 7 dias
biomarcadores (+)
1-20 Risco muito baixo (3,1%)
21-30 Risco baixo (5,5%)
31-40 Risco moderado (8,6%)
41-50 Risco alto (11,9%)
51-91 Risco muito alto (19,5%)
Escore de risco TIMI Eventos CVs maiores em 14 dias
Alto risco (5-7 critérios) 26% a 41%
Risco intermediário (3-4 critérios) 13% a 20%
Risco pequeno (0-2 critérios) 5% a 8%
FC (bpm) Escore
71-80 1
81-90 3
91-100 6
101-110 8
111-120 10
≥ 121 11
PAS (mmHg) Escore
≤ 90 10
91-100 8
101-120 5
121-180 1
181-200 3
≥ 201 5
Critérios clínicos Escore
Feminino 8
Sinais ICC 7
Doença vascular prévia 6
DM 6
Hematócritos (%) Escore
< 31 9
31-33,9 7
34-36,9 3
37-39,9 2
ClCr (mL/min) Escore
≤ 15 39
>15-30 35
> 30-60 28
> 60-90 17
> 90-120 7
Escore de risco GRACE Mortalidade hospitalar
Alto risco (> 140) > 3%
Risco intermediário (109-140) 1%-3%
Pequeno risco (< 109) < 1%
Escore de risco GRACE
História Pontos Admissão Pontos Internação Pontos
Idade
- 40-49
- 50-59
- 60-69
- 70-79
- 80-89
- ≥ 90
18
36
55
73
91
100
FC
- 50-69
- 70-89
- 90-109
- 110-149
- 150-199
- ≥ 200
03
09
14
23
35
43
Cr
- 0-0,39
- 0,4-0,79
- 0,8-1,19
- 1,2-1,59
- 1,6-1,99
- 2-3,99
- ≥ 4
01
03
05
07
09
15
20
ICC 24 PAS
- < 80
- 80-99
- 100-119
- 120-139
- 140-159
- 160-199
- ≥ 200
24
22
18
14
10
04
00
biomarcadores
elevados
15
IAM 12 Depressão ST 11 Sem ACTP intra-hospitalar 14
Dois pontos fundamentais no manejo
1. Estratificar o risco do risco utilizando os escores TIMI ou GRACE (IIaB)
2. Individualizar a escolha das terapias antiagregante e anticoagulante balanceando o risco isquêmico e
de eventos hemorrágicos
Tabela 1. Risco de sangramento pelo
Crusade score
50
Cardiovascular
50
Cardiovascular
Coronariografia urgente (< 120́ )
• Angina recorrente/persistente (Ib) ou
depressão ST ≥ 2 mm ou
• Inversão T resistente ao tratamento
inicial ou
• Instabilidade hemodinâmica/elétrica
(FV/TV) (Ib) ou sintomas de ICC
Coronariografia precoce
(< 72h)
• Na presença de risco
médio ou alto(Ia)
ANGIOGRAFIA
Risco moderado
ou alto (IA)
< 0,4
(IIab)
≥ 0,4
(IIab)
Baixo risco (IA)
Ver Alta hospitalar
Teste de estresse
em 12-24h (Ib)**
• Ergometria (IB)
• ECO estresse (IB)
• Cintilografia de
perfusão (IC)
Avaliar FEVE (Ib)
Síndrome coronariana aguda sem
supradesnivelamento do segmento ST (SCAsSST)
SCAsSST provável ou definitivo
Terapia antiagregante plaquetária (IA)
(AAS + inibidores de P2Y12)
MAIS
Terapia anticoagulante (IA)
(enoxaparina ou HNF)
Pré-coronariografia:
• Avaliar o início de IGPIIb/IIIa
(IIIbb)*, principalmente na presença
de troponina (+) ou alterações
dinâmicas de ST/T ou diabetes
* Indicador para a não utilização
de GPIIb/IIIa: uso de clopidogrel
≥ 300 mg pelo menos 6h antes
da angiografia (Ib)
** Pode ser substituído pela
AngioTC (IIab)
Estratificação de baixo risco (IB)
• Sem recorrência de sintomas
• Sem novas mudanças ECG
• Sem elevação de biomarcadores
ESTRATÉGIA INVASIVA ESTRATÉGIA CONSERVADORA
Avaliação clínica Terapia adjuvante Terapia antianginosa Terapia antianginosa
Estratificação de risco +
avaliação ECG e
monitorização cardíaca
contínua (IIaB)
- Avaliado por médico
capacitado em 10’
pós-admissão (IB)
- Repetir em 6h/24h,
recorrência, pré-alta (IC)
Biomarcadores
- (TnT*, CK/CKMB)
(0h/6h/12h) (IA)
- Oxigênio: apenas se
evidência de hipoxemia
- Morfina: cada 5 min
(máx 25 mg) até cessar
a dor/ansiedade
- Estatinas (IB): iniciar
nas primeiras 24h
- IECA (IA): iniciar
nas primeiras 24h
se FEVE < 0,4 ou
congestão pulmonar
ou DM (IA) ou HAS
Betabloqueadores (BB)
- IV em hipertensos na
admissão (IIaB) ou VO
(IB) nas primeiras 24h
na ausência de qualquer
um dos fatores abaixo:
- *Sinais de insuficiência
cardíaca, baixo débito,
risco aumentado de
choque cardiogênico
(> 70 a/ PAS > 120/
FC > 110 ou FC < 60)
ou CI formais aos BB
Nitratos
- SL (IC): máximo 3 doses com
intervalos de 5’, na ausência
de contraindicação
- NTG IV (IB): máximo 48h
na presença de isquemia
persistente ou HAS ou ICC
- NTG: dose 10 mcg/min com
incrementos a cada 5 min até cessar
dor ou melhorar hipertensão
- Contraindicação: uso
concomitante de inibidores da
fosfodiesterase (IIIC), nas últimas
24h e hipotensão arterial
51
Cardiovascular
51
Cardiovascular
DIAGNÓSTICO ANGIOGRÁFICO
ALTA HOSPITALAR
Cirurgia de revascularização
do miocárdio (CRM)
Grupo sem stent
AAS* 75-100 mg/d indefinidamente (IA) e inibidores
P2Y12 por 1 mês (IA) e idealmente por 1 ano (Ib)
- Continuar com AAS (IA)
- Descontinuar clopidogrel
5 dias antes da CRM eletiva
(Ib) Outros inibidores da
P2Y12, ver tabela
- Descontinuar GP IIb/IIIa
4h antes (Ib)
- Continuar com HNF (Ib)
- Descontinuar com
enoxaparina 12-24h
antes (Ib)
- Fondaparinux: deverá ser
suspenso 24h antes de CRMe realizar ponte com HNF
- Continuar com AAS (IA)
- Administrar dose de ataque
- Inibidores de P2Y12 se não
administrada (IA)
- Iniciar GP IIb/IIIa se
não iniciada (IA)
- Descontinuar terapia
anticoagulante em ACTP
não complicada (Ib)
Prevalência em 15%
- Prinzmetal
- Recanalização espontânea
- Embolização coronariana
- Síndrome X
- Continuar com AAS (IA)
- Dose de ataque de
inibidores de P2Y12 se
não administrada (IA)
- Descontinuar GPIIb/IIIa
após 12h da angiografia (Ib)
- Continuar HNF por 48h
(IA) ou enoxaparina/
fondaparinux durante a
internação
- Continuidade
da terapia
a critério
médico (IC)
Sem doença
coronariana
obstrutiva
Com doença
coronariana obstrutiva
Angioplastia coronariana
transluminal primária (ACTP)
TRATAMENTO CLÍNICO CORONÁRIAS NORMAIS
Grupo stent
AAS 75-100 mg/d indefinidamente (IA)
e inibidores P2Y12, se possível, por 1 ano (Ib)
Inibidores P2Y12 Clopidogrel Prasugrel Ticagrelor
Reversibilidade Irreversível Irreversível Irreversível
Início do efeito 2-4h 30 min 30 min
Duração 3-10 dias 5-10 dias 3-4 dias
Retirada antes de
grande cirurgia
5 dias 7 dias 5 dias
Dose 300 mg ou 600 mg (se ACTP)
ataque e 75 mg/d de manutenção
60 mg de ataque e 10 g/d
de manutenção
180 mg de ataque e 90 mg/d
de manutenção
Recomendações – Inibidores P2Y12
Ticagrelor para pacientes de moderado-alto risco, mesmo se pré-tratados com
clopidogrel, independentemente da estratégia de tratamento (IB)
Prasugrel especialmente a diabéticos com anatomia coronariana conhecida que serão
submetidos à ACTP, exceto se houver alto risco de sangramento (IB)
Clopidogrel é recomendado a pacientes que não receberam ticagrelor ou prasugrel (IA)
A diretriz europeia sugere como primeira escolha ticagrelor ou prasugrel
Síndrome coronariana aguda sem
supradesnivelamento do segmento ST (SCAsSST)
52
Cardiovascular
52
Cardiovascular
Anticoagulantes Dose inicial Durante intervenção percutânea
Enoxaparina 30 mg em bolo, EV, e
15’ após iniciar:
- 1 mg/kg, 12/12h
- ClCr < 30, 1 mg/kg a cada 24h ou
evitar o uso (não realizar em bolo, EV)
- > 75 anos, 0,75 mg/kg, 12/12h
(não realizar em bolo, EV)
< 8h da última dose SC: sem necessidade
> 8h da última dose SC: 0,3 mg/kg, em
bolo, EV
Sem administração prévia: 0,5-0,75 mg/kg
em bolo, EV
HNF 60-70 U/kg em bolo, EV (máx. 5.000 UI)
12-15 U/kg/h, EV (máx. 1.000 UI); manutenção
- TTPa manter 1,5-2,5 x controle (50-75 s)
Planejamento de uso associado
com IGP IIb/IIIa:
- Uso da dose de ataque: manter TCA em 200
- Sem uso de dose de ataque: 60-70 U/kg
- Sem planejamento de uso de IGP IIb/IIIa
- Uso da dose de ataque: manter
TCA entre 250-300 s (Hemotec)
ou 300-350 s (Hemoctron)
- Sem uso de dose de ataque: 100-140 U/kg
Fondaparinux *diretriz
europeia a considera
anticoagulante de escolha
2,5 mg, SC
ClCr 30-50: cautela
CLCr < 30: contraindicado
Necessário bolo de HNF devido
ao risco de trombose de stent
Inibidores GPIIb/IIIa Dose inicial Durante intervenção percutânea
Abciximabe Não indicada Ataque: 0,25 mg/kg, EV, em bolo
Manutenção: 0,125 mcg/kg/min (máx.
10 mcg/min); manter por 12 h pós-intervenção
Tirofibana Ataque: 0,4 mcg/kg/min por 30’
Manutenção: 0,1 mcg/kg/min
- ClCr < 30: reduzir em 50% a infusão
Já iniciada a infusão: manter o esquema
Se não iniciada: iniciar como o esquema
ao lado e manter por 18 a 24h
Referências bibliográficas
ACC/AHA 2007 Guidelines for the management of patients with unstable angina/non-ST-elevation myocardial infarction. J Am Coll Cardiol. 2007;50:652-726.
Antman EM, Cohen M, bernink PJ, McCabe CH, Horacek T, Papuchis G, et al. The TIMI risk score for unstable angina/non-ST elevation MI: a method for prognostication and therapeutic
decision making. JAMA. 2000;284:835-42.
Atualização das Diretrizes de 2015 da American Heart Association para Ressuscitação Cardiopulmonar e Atendimento Cardiovascular de Emergência. American Heart Association. 2015.
bassand JP, Hamm CW, Ardissino D, boersma E, budaj A, Fernandez-Aviles F, et al.; Grupo de Trabalho para o Diagnóstico e Tratamento de Síndromes Coronárias Agudas sem Elevação
do Segmento ST da European Society of Cardiology. Guidelines for the diagnosis and treatment of non-ST-segment elevation acute coronary syndromes. The task force for the
diagnosis and treatment of non-ST-segment elevation acute coronary syndromes of the European Society of Cardiology. Eur Heart J. 2007;28:1598-660.
Chen ZM, Pan MC, Chen YP; Commit Collaborative Group. Early intravenous then oral metoprolol in 45,852 patients with acute myocardial infarction: randomised placebo-controlled
trial. Lancet. 2005;366:1622-32.
Eagle KA, Lim MJ, Dabbous OH, Pieper KS, Goldberg RJ, Van de Werf F, et al.; GRACE Investigators. A validated prediction model for all forms of acute coronary syndrome: estimating
the risk of 6-month post-discharge death in an international registry. JAMA. 2004;291:2727-33.
ESC Guidelines for the management of acute coronary syndromes in patients presenting without persistent ST-segment elevation. Euro Heart J. 2011;32:2999-3054.
Nicolau JC, Timerman A, Marin-Neto JA, Piegas LS, barbosa CJ, Franci A, et al.; Sociedade brasileira de Cardiologia. Diretrizes da Sociedade brasileira de Cardiologia sobre angina
instável e infarto agudo do miocárdio sem supradesnível do segmento ST (2. ed. 2007) – atualização 2013/2014. Arq bras Cardiol. 2014 Mar;102(3 Suppl 1):1-61.
Nicolau JC, Timerman A, Piegas LS, et al. Guidelines for unstable angina and non-ST-segment elevation myocardial infarction of the brazilian Society of Cardiology (II Edition, 2007).
Arq bras Cardiol. 2007;89(4):e89-e131.
Síndrome coronariana aguda sem
supradesnivelamento do segmento ST (SCAsSST)
53
Cardiovascular
53
Cardiovascular
Os critérios A ou b são marcadores específicos de infarto, mesmo quando nenhum outro achado eletrocardiográfico for encontrado. Critério C
exclusivo indica moderada probabilidade de infarto, sendo necessários novos procedimentos diagnósticos.
≥ 3 pontos: Sens: 36%; Esp: 96%; VPP: 88%; VPN: 61%
Infarto agudo do miocárdio com
supradesnivelamento do segmento ST (IAMcSST)
Diagnóstico
• Tempo de reperfusão depende de diagnóstico precoce.
• Diagnóstico precoce depende de protocolo institucional de atendimento à dor torácica.
DOR TORÁCICA + ECG com SST ou BRE novo ou presumivelmente novo IAM subepicárdico
• Achados eletrocardiográficos
- Supradesnivelamento ≥ 1 mm do segmento ST em pelo menos duas derivações contíguas.
OU
- Bloqueio de ramo esquerdo novo.
- Caso BRE e indisponibilidade de ECG prévio, utilizar critérios de Sgarbossa para auxílio diagnóstico:
– Supra de ST ≥ 1 mm em concordância com (na mesma direção que) QRS
– Infra de ST ≥ 1 mm em V1, V2 e V3
– Supra de ST ≥ 5 mm em discordância com (na direção oposta ao) QRS
Estratificação de risco
Avaliação clínica conforme escore de risco TIMI
Escore de risco TIMI – Critérios Pontos
Idade 65-74 a ou ≥ 75 a 2/3
PAS < 100 mmHg 3
FC > 100 bpm 2
Killip II-IV 2
DM/HAS ou angina prévia 1
IAM anterior/BRE 1
∆t > 4h 1
Peso < 67 kg 1
Escore TIMI Mortalidade
30 dias
0-2 pontos 0,9-2,4%
3-4 pontos 4,9-9,2%
5-7 pontos 10,7-18%
> 8 pontos 32,2%
Tratamento (fluxograma 1)
A) Medidas gerais e terapia adjuvante logo após o diagnóstico
B) Estratégia de reperfusão
O objetivo primário da reperfusão não é somente a restauração do fluxo sanguíneo nas coronárias
epicárdicas, mas também a completa e sustentada reperfusão na totalidade do miocárdio (microcir-
culação coronariana).
- B1. Angioplastia coronariana transluminal percutânea (ACTP)
- B2. Fibrinolíticos
Critério A (OR 25,2 ): 5 pontos
Critério B (OR 6 ): 3 pontos
Critério C (OR 4,3 ): 2 pontos
54
Cardiovascular
54
Cardiovascular
IMPORTANTE
• Tempo total de isquemia deve ser < 120', idealmente < 60' até a reperfusão.
- Oclusão > 30' início de mionecrose
- Reperfusão < 90' recuperação de metade do miocárdio em risco
- Reperfusão após 6h recuperação mínima do miocárdio, excetose houver rede de colaterais importante
• A ênfase na ACTP 1a não deve obscurecer a importância da terapêutica fibrinolítica, especialmente se Δt < 3h
• Um novo padrão de avaliação de sucesso de reperfusão terapêutica: “90% do fluxo TIMI 3 em 60' com evidência de
reperfusão miocárdica adequada (Blush 3)”
Fluxograma 1
DOR TORÁCICA + ECG com SST ou BRE novo ou
presumivelmente novo IAM subepicárdico
Medidas gerais
• Repouso no leito
• Jejum por pelo menos 4 horas
para realização de exames e
evitar broncoaspiração
• Monitorização cardíaca contínua
• Acesso venoso periférico
Coleta de sangue
- Hemograma, plaquetas, perfil
lipídico (IC)
- INR, TTPa, eletrólitos, Mg, u, Cr (IC)
- biomarcadores Troponina (IC) e
CKMb (massa). Mioglobina se início
da dor < 4 horas.
Exames de imagem
• Radiografia de tórax (IC)
• ECO TT-TE, angioTC, RM
Diagnóstico diferencial de dissecção
aórtica (Ib)
Não poderão atrasar a terapia de
reperfusão quando indicada
• Morfina: 2 a 4 mg a cada 5 a 15
minutos, até alívio da dor ou sinais
de toxicidade (hipotensão, depressão
respiratória ou vômitos) (IC)
• Oxigenoterapia: 2 L/min por 6 horas
ou se SaO2 < 90% (IC)
• Nitrato:
5 mg de SL máx de 3 doses com
intervalos de 5' (IC)
Nitroglicerina IV se: dor persistente,
HAS ou insuficiência cardíaca (IC)
Não usar se suspeita IAM de VD,
uso prévio de inibidor de
fosfodiesterase (IIIb)
• AAS 200 mg macerados ou
mastigados (IA)
Clopidogrel
• 300-600 mg assim que indicados
ACTP (IA)
• 300 mg de ataque podem ser usados se
não realizar ACTP em < 75 anos (IIaC)
• Manutenção: 75 mg/dia
Δt do início da dor > 12-24 horasΔt do início da dor < 12 horas
• Betabloqueadores
IV em hipertensos na admissão (IIab)
ou VO (Ib) nas primeiras 24h na
ausência de qualquer um dos
fatores abaixo:
Sinais de insuficiência cardíaca ou baixo
débito ou risco aumentado de
choque cardiogênico
(> 70 anos ou PAS < 120 ou
FC > 110 ou FC < 60) ou
contraindicação formal aos bb
• IECA
- IAM anterior, FE < 0,4, IC (IA)
- Enalapril 5 a 40 mg/dia
- Outros IECAs podem ser utilizados
• Estatinas: iniciar nas 1as 24h (IIab)
- Sinvastatina 40 a 80 mg/dia
- Atorvastatina 20 a 80 mg/dia
• Controle da glicemia (Ib) e, se
necessário, infusão de insulina
(IIab) – Ver p. 170
ECG
- Deve ser avaliado em 10' da admissão (IC)
- Screening para IAM VD e dorsal (Ib)
Infarto agudo do miocárdio com
supradesnivelamento do segmento ST (IAMcSST)
C) Manejo após 24 horas (fluxograma 2)
55
Cardiovascular
55
Cardiovascular
Δt < 3 horas Δt > 3 horas
TERAPIA DE REPERFUSÃO
• Programar mesmo sem resultado de biomarcadores (IC)
Hospital sem hemodinâmica
Trombolítico: ∆t porta-agulha
< 30' se transferência p/ ACTP
resultar ∆t porta-balão > 90' (IB)*
Hospital com hemodinâmica
ACTP: ∆t porta-balão
< 90' (IA)
ACTP
• Se contraindicação para trombolíticos
• Se Δt porta-balão < 90' for possível (IA)
• Alto risco Killip ≥ III (IB)
• Diagnóstico obscuro
Em hospital sem hemodinâmica: administrar o trombolítico e em
seguida, transferir para serviço com hemodinâmica para angioplastia
de rotina nas primeiras 3-6 horas e até 24h (novo ACLS)
Isquemia persistente
Supra ST > 0,1 mv em
≥ 2 derivações
Presença de 1 ou +:
• IC grave
• Instabilidade elétrica
e hemodinâmica
• Isquemia persistente
ACTP é preferida (IB)
Trombolíticos (IIaB) ACTP (IIaC)
Se não for possível...
Trombolítico
Se não houver contraindicação,
ou
Transferência p/ ACTP resultar em Δt porta-balão > 90' (IB)
ou
Δt porta-balão menos Δt porta-agulha resultar > 60'
Δt porta-agulha deve ser < 30'
ACTP de resgate se:
• Choque cardiogênico < 75 a (IB) ou ≥ 75 a (IIaB), independentemente do Δt
• Killip ≥ 3 em 12h (IB)
• Instabilidade elétrica (FV TV) (IC)
• Isquemia persistente (IIaC)
• Falha terapêutica (queda < 50% da maior elevação do segmento ST
pós 90' do início da trombólise) com área importante em risco (IAM anterior,
inferior+VD, infra ST anterior) (IIab)
ACTP pós-trombólise se:
• FE < 0,4 (IIaC)
• Episódio de insuficiência cardíaca documentada (IIaC)
• Rotina pós-trombólise (IIbB), a SBC recomenda em < 96h (IIaA)
Considerar BIA se:
• Instabilidade hemodinâmica
• FE deprimida
• Grande área miocárdica em risco
• O uso de IGPIIb/IIIa antes da ACTP 1a é incerto e a sua utilização é
razoável durante/após o procedimento
• Considerar tromboaspiração em pacientes submetidos à ACTP 1a
Infarto agudo do miocárdio com
supradesnivelamento do segmento ST (IAMcSST)
56
Cardiovascular
56
Cardiovascular
Trombolíticos (se possível optar pelos fibrino-específicos):
1. Tenecteplase (TNK) 30 a 50 mg IV, em bolo, em 5 s (< 60 kg-30 mg; 60 a 70 kg-35 mg; 70 a 80 kg-40 mg; 80 a 90 kg-45 mg;
> 90 kg-50 mg) ou
2. Alteplase (tpA) 15 mg, IV, em bolo + 0,75 mg/kg em 30 min + 0,5 mg/kg em 60 min ou
3. Estreptoquinase (SK): 1.500.000 uI diluídas em SF a 0,9% 100 mL infundir IV em 30 a 60 min. 1a escolha quando > 75
anos, especialmente no sexo feminino (IIaB)
Anticoagulantes
1. Associar anticoagulação plena com heparina não fracionada (HNF) por 48h ou enoxaparina por 4 a 7 dias
2. Preferir HNF em >75 anos e ClCr < 30
3. Sem terapia de reperfusão aplicada (complicações embólicas? [IIab])
Antiagregação plaquetária
• Clopidogrel 300 mg, VO (inicial), seguido de 75 mg/dia. Não usar dose de ataque se idade > 75 anos
Contraindicações para uso de trombolíticos
Critérios clínicos e eletrocardiográficos de reperfusão miocárdica (IIaB)
• Alívio dos sintomas
• Manutenção ou retorno à estabilidade hemo/elétrica
• Redução em > 50% do segmento ST depois de 90' do início da terapia
Critérios angiográficos de reperfusão miocárdica
A) Fluxo TIMI avaliação do fluxo epicárdico na artéria relacionada ao IAM
Absolutas Relativas
• AVCh qualquer tempo
• Lesão venosa cerebral estrutural (ex MAV)
• Neoplasia maligna cerebral
• AVCi ocorrido há menos de 3 meses
(exceto AVCi com ∆t < 3h)
• Suspeita de dissecção aórtica
• Hemorragia ativa (exceto menstruação)
• TCE ou facial grave < 3 meses
• HAS grave (PAS >180 mmHg ou PAD > 110 mmHg)
• Doenças intracranianas que não são
contraindicações absolutas
• PCR >10'
• Grande cirurgia < 3 semanas
• Hemorragia interna há 2-4 semanas
• Punção venosa não compressível
• SK: exposição prévia (há mais de 5 dias)
ou reação alérgica a este agente
• Gravidez
• Úlcera péptica
• Uso de anticoagulantes com INR terapêutico
Fluxo TIMI Mortalidade
30 dias
0 (oclusão completa) + 1 (mínima penetração contraste sem perfusão distal) 9,3%
2 (perfusão total, mas com fluxo lento) 6,1%
3 (perfusão total com fluxo normal) 3,7%
Infarto agudo do miocárdio com
supradesnivelamento do segmento ST (IAMcSST)
57
Cardiovascular
57
Cardiovascular
B) Blush miocárdico é um indicador preciso da integridade microvascular
* Preditor de longo prazo de mortalidade, independentemente do Killip, TIMI, FEVE e outras variáveis clínicas.
C) Fenômeno no-reflow fracasso da reperfusão da microvasculatura deve-se à combinação de
microtrombos plaquetários seguidos pelos edemas endotelial e miocárdico. Podendo ocorrer mesmo na
vigência de TIMI 3, é um importante preditor de complicações clínicas intra-hospitalares.
Blush miocárdico Mortalidade
30 dias
0 (ausência de blush mínimo) 6,2%
1 (coloração presente, mas blush-névoa persiste na próxima injeção de contraste) 5,1%
2 (coloração é fortemente persistente ao final da eliminação-
washout; desaparece na próxima injeção)
4,4%
3 (aparência normal do blush em vidro moído; coloração
é levemente persistente ao final do washout)
2%
Fluxograma 2
Após manejo inicial (pós-24h)
Pós-trombolítico ou sem terapia de reperfusão
Avaliação da FEVE
> 0,4
Ausência de
isquemia significativa
Isquemia
significativa (Ib)
Avaliação funcional
Terapia clínica otimizada
Cineangiocoronariografia
< 0,4 (IIaC)
Cirurgia de revascularização do miocárdio (CRM) – urgência/emergência:
• Base para a indicação de emergência é a presença de FEVE reduzida associada com doença trivascular + lesão grave deTCE
• Classe I para CRM de urgência e emergência
- Falha na ACTP na presença de instabilidade hemodinâmica e anatomia favorável (Ib) ou choque cardiogênico (IA)
- Isquemia refratária com anatomia favorável com uma área significativa do miocárdio em risco, em contraindicação
trombólise e ACTP (Ib)
- Ruptura de septo interventricular ou disfunção musculopapilar (Ib)
- Arritmia ventricular (FV/TV) com lesão > 50% de TCE ou doença trivascular (Ib)
• Classe II para CRM de urgência e emergência
- Reperfusão primária com anatomia favorável e contraindicação para ACTP/trombólise e com Δt <12h, com envolvimento
grave de TCE e doença trivascular (Ib)
- Choque cardiogênico em pacientes com mais de 75 anos, com anatomia favorável e acometimento grave de TCE e
doença trivascular (Ib)
Infarto agudo do miocárdio com
supradesnivelamento do segmento ST (IAMcSST)
58
Cardiovascular
58
Cardiovascular
Antiplaquetários na alta hospitalar
1. AAS
- 162-325 mg/dia por 6 meses e após manter
com 75-162 mg/dia indefinidamente
2. Clopidogrel 75 mg/dia
- Stent bare metal continuar se
possível por 12 meses
- Stent drug eluting continuar
por pelo menos 15 meses
Evitar o uso rotineiro de inibidor de bomba
de prótons com clopidogrel
Usar anticoagulante oral (varfarina) se:
• FA/flutter atrial permanente ou paroxístico (IA)
• Extensa área acinética/hipocinética ou trombo
intracavitário (Ib). Objetivo: INR 2-3. Se
associado com antiplaquetários: INR 2-2,5
Referências bibliográficas
Antman EM, Anbe DT, Armstrong PW, bates ER, Green LA, Hand M, et al. ACC/AHA guidelines for the management of patients with ST-elevation myocardial infarction: a report of the
American College of Cardiology/American Heart Association Task Force on Practice Guidelines. 2004. J Am Coll Cardiol. 2004;44(3):E1-E211.
Antman EM, Hand M, Armstrong PW. 2007 Focused update of the ACC/AHA 2004 – Guidelines for the management of patients with ST-elevation myocardial infarction. JACC.
2008;51;210-47.
Arntz HR. Reperfusion strategies in ST-elevation myocardial infarction. Current status and perpectives for early e pre-hospital treatment. Resuscitation. 2008;77:296-305.
Atualização das Diretrizes de 2015 da American Heart Association para Ressuscitação Cardiopulmonar e Atendimento Cardiovascular de Emergência. American Heart Association. 2015.
Chen ZM, Pan HC, Chen YP, Peto R, Collins R, Jiang LX, et al.; COMMIT (ClOpidogrel and Metoprolol in Myocardial Infarction Trial) collaborative group. Early intravenous then oral
metoprolol in 45,852 patients with acute myocardial infarction: randomised placebo-controlled trial. Lancet. 2005;366:1622-32.
Kushner FG, Hand M, Smith SC Jr, King Sb 3rd, Anderson JL, Antman EM, et al.; 2009 focused updates: ACC/AHA Guidelines for the management of patients with st-elevation
myocardial infarction (updating the 2004 guideline and 2007 focused update) and ACC/AHA/SCAI guidelines on percutaneous coronary intervention (updating the 2005 guideline
and 2007 focused update). Citation: J Am Coll Cardiol. 2009;54(23):2205-41.
Morrow DA, Antman EM, Charlesworth A, Cairns R, Murphy SA, de Lemos JA, et al. TIMI risk score for ST-elevation myocardial infarction: a convenient, bedside, clinical score for
risk assessment at presentation: an intravenous nPA for treatment of infarcting myocardium early II trial substudy. Circulation. 2000;102:2031-7.
Peres EDb, Cardoso LF, Torggler F. Abordagem diagnóstica e terapêutica dos pacientes atendidos no hospital com dor torácica aguda de provável etiologia isquêmica – Diretrizes
assistenciais do Hospital Sírio-Libanês. Disponível em: http://www.hospitalsiriolibanes.org.br/medicos_profissionais_saude/diretrizes_assistenciais/pdf/dor_toracica.pdf. Acesso
em: 2 dez 2009.
Piegas LS, et al. SbC, Diretriz da SbC sobre tratamento de infarto agudo do miocárdio com supra-ST. Arq bras Card. 2009.
Rathore SS, Curtis JP, Chen J, Wang Y, Nallamothu bK, Epstein AJ, Krumholz HM; National Cardiovascular Data Registry. Association of door-to-ballon time and mortality in patients
admitted to hospital with STEMI: national cohort study. bMJ. 2009;338:b1807.
Sgarbossa Eb, Pinski SL, barbagelata A, underwood DA, Gates Kb, Topol EJ, et al. Electrocardiographic diagnosis of evolving acute myocardial infarction in the presence of left bundle
branch block. NEJM. 1996;334:481-7.
Shen J, Zhang Q, Zhang RY, Zhang JS, Hu J, Yang ZK, et al. Clinical benefits of adjunctive tirofiban therapy in patients with acute ST-segment elevation myocardial infarction undergoing
primary percutaneous coronary intervention. Coronary Artery Dis. 2008;19:271-7.
Thiele H, Schindler K, Friedenberger J, Thiele H, Schindler K, Friedenberger J, et al. Intracoronary compared with intravenous bolus abciximab application in patients with st-elevation
myocardial infarction undergoing primary percutaneous coronary intervention – the randomized Leipzig immediate percutaneous coronary intervention abciximab IV versus IC in
ST-elevation myocardial infarction trial. Circulation. 2008;118:49-57.
Van de Werff F, bax J, betriu A, blomstrom-Lundqvist C, Crea F, Falk V, et al.; ESC Committee for Practice Guidelines (CPG). Management of acute myocardiol infarction in patients
presenting with ST-segment elevation. The task force on the management of acute myocardial infarction of the European Society of Cardiology. Euro Heart J. 2008;29:2909-45.
Vlaar PJ, Svilaas T, van der Horst IC, Diercks GF, Fokkema ML, de Smet bJ, et al. Cardiac death and reinfarction after 1 year in the Thrombus Aspiration during Percutaneous coronary
intervention in Acute myocardial infarction Study (TAPAS): a 1-year follow-up study. Lancet. 2008;371:1915-20.
Infarto agudo do miocárdio com
supradesnivelamento do segmento ST (IAMcSST)
59
Cardiovascular
59
CardiovascularEmergência hipertensiva
Definição
Elevação aguda da pressão arterial com lesão agu-
da de órgão-alvo; pressão diastólica geralmente
> 120 mmHg. É necessário o controle da PA em
horas em UTI.
Diagnóstico
História e exame físico fundamentais. Não esque-
cer de pesquisar desencadeante, da retirada de
clonidina ou betabloqueadores, do uso de cocaína
e dos sintomas de insuficiência arterial aguda.
Exame físico: fundo de olho, exame neurológico
detalhado, aferir PA em ambos os MMSS e um MI,
sopro aórtico recente, sinais de congestão venosa.
Exames complementares: direcionar para achados
de lesão de órgão-alvo.
Emergência hipertensiva
Com lesão de órgão-alvo
• Encefalopatia
• AVC
• Dissecção de aorta
• Isquemia coronariana
• Edema agudo de pulmão
• Insuficiência renal aguda
• Eclâmpsia
Elevação aguda da PA, em geral, PAD > 120 mmHg
Emergência hipertensiva Alvo terapêutico Drogas de preferência
Encefalopatia hipertensiva Primário: não piorar a lesão cerebral com hipoperfusão
Reduzir PAM em 25% em 2-3h
Nitroprussiato de sódio (NPS)
Infarto cerebral e
hemorragia intracraniana
Redução de 0%-25% da PAM em 6-12h NPS
Hemorragia subaracnóide Reduzir PAM em até 25% em hipertenso prévio
PAS de 130-160 mmHg em normotenso prévio
NPS, nimodipina (VO)
Isquemia miocárdica e infarto Redução da PA
Reduzir consumo de O2 do miocárdio
Nitroglicerina, esmolol,
nicardipina
Disfunção ventricular
esquerda aguda ou edema
agudo de pulmão
Reduzir a PA com vasodilatação (geralmente,
reduzir PAM em 10%-15%)
Promover diurese
Morfina, diurético,
nitroglicerina ou
NPS, enalaprilato
Dissecção de aorta Reduzir estresse aórtico com redução da PA e da FC Betabloqueador associado
a NPS ou fenoldopam
Insuficiência renal aguda Reduzir a PA
Manter oferta de O2
NPS, diurético, hidralazina
Eclâmpsia Reduzir a PAD < 90 mmHg MgSO4, hidralazina
HAS maligna
Alteração do estado geral
Retinopatia hipertensiva grave
“Urgência hipertensiva”
Sem lesão de órgão-alvo
Sem sintomatologia de HAS maligna
HAS grave permanente
Sem fator desencadeante
Elevação transitória da PA
Fator desencadeante:
Dor, abstinência de drogas,
hipercapnia, acidose, hipoglicemia,
hipóxia, retençãourinária
Melhora da PA com alívio
do fator desencadeante
60
Cardiovascular
60
CardiovascularEmergência hipertensiva
Droga Dose endovenosa Início de ação Duração de ação Cuidado com:
Nitroprussiato
de sódio
0,25-10 μg/kg/min Segundos 1-2 min • Coarctação de aorta
• Metemoglobinemia se dose
> 10 μg/kg/min
Esmolol 80 mg em bolo, seguido
por 150 μg/kg/min
5-10 min 2-6h • Broncospasmo
• ICC descompensada
• Bradicardia sinusal
• BAV 2o grau
Hidralazina Bolo de 5-20 mg 10 min 2-6h • Isquemia miocárdica
Furosemida Bolo de 10-40 mg 5-60 min 6-8h • Hipovolemia
Nicardipina 2-10 mg/h 5-10 min 2-4h • Estenose aórtica grave
Enalaprilato 1-5 mg em bolo 5-10 min 2-6h • Gestação
• Hipovolemia
Nitroglicerina 5-25 μg/min (adsorve em
equipos de PVC, diminui
eficácia)
Segundos < 5 min • Hipovolemia não corrigida
• Hipertensão intracraniana
• Tamponamento pericárdico
Fenoldopam 0,1-0,6 μg/kg/min 10-15 min 10-15 min • Sem intercorrência conhecida
Referências bibliográficas
Aggarwal M. Hypertensive crisis: hypertensive emergencies and urgencies. Cardiol Clin. 2006;24(1):135-46.
Flanigan JS. Hypertensive emergency and severe hypertension: what to treat, who to treat, and how to treat. Med Clin North Am. 2006;90(3):439-51.
Slama M. Hypertension in the intensive care unit. Curr Opin in Cardiol. 2006;21(4):279-87.
61
Cardiovascular
61
CardiovascularAbordagem inicial do choque
Se TOT + VM: sedar – p. 189
Se arritmias – reverter – p. 73
Se pneumotórax – drenar
Se tamponamento cardíaco – drenar
Sinais sugestivos de
hipóxia tissular?
• SvcO2 < 70%
• BE < -3 mmol/L
• Lactato > 2 mmol/L
• CO2 gap > 6 mmHg
• DU < 0,5 mL/kg/h e/ou
• PAM < 65 mmHg
Avaliar necessidade de IOT e VM (VM diminui VO2)
Obter acesso venoso calibroso
Monitorizar ECG, FC, temperatura, PA, SpO2
RL 1.000 mL (SF 0,9% se risco de hiper K+) – infusão em 15' a 30'
CHOQUE
Avaliar necessidade de o fluxo (débito cardíaco)
“Há sinais de hipóxia tissular?”
Cateteres: vesical, venoso central, arterial
Coletar: Hb, gasoarterial, gasovenosa central, lactato arterial
Definição
Forma de insuficiência circulatória em que a oferta de oxigênio é insuficiente para suprimir às demandas
metabólicas do organismo, resultando em disfunção celular.
Perda hídrica ou hemorragia
IAM, HMP de cardiopatia,
alteração do ECG
Fator de risco para TEP
Tamponamento cardíaco
Pneumotórax hipertensivo
Suspeita de infecção
Hipersensibilidade,
exposição a toxinas
ou drogas
Hipovolêmico – p. 66
Cardiogênico – p. 79
Obstrutivo – p. 107
Séptico – p. 107
Anafilático – p. 67
Manifestações gerais
FC, PA, FR. Temp: (sepse), (pior prognóstico); pele fria,
confusão mental, oligúria, acidose, íleo
Há alguma informação sobre os dados clínicos a seguir?
SIM
SIM
SIM
SIM
NÃO
SIM
SIM
Hipote
nsão
pode e
star
ausent
e (1b)
62
Cardiovascular
62
Cardiovascular
Avaliar responsividade a volume
“Pode-se infundir mais líquido?”
Avaliar componente cardiogênico (p. 79)
ou componente obstrutivo (p. 107)
Hipovolêmico (p. 66) ou
Obstrutivo (p. 67 e 137)
Abordagem inicial do choque
NÃO RESPONSIVORESPONSIVO
Avaliar assistência ventilatória:
Ventilação mecânica – Quadro 1
Ventilação espontânea – Quadro 2
utilizar ecocardiograma ou
cateter de artéria pulmonar
Afastar falso +:
Vt > 10 mL/kg
PEEP > 8 cmH20
Respiração espontânea
Quadro 1. Caracterizam responsividade a
volume na ventilação mecânica.
Variáveis estáticas
• PVC < 5 mmHg
• PVC < 2 mmHg após 250-500 mL de cristaloide em
15’ (1C)
Variáveis dinâmicas
• ∆PP ≥ 13% (se ≥ 15%, grande probabilidade de ser R)
• CVCi (índice de colapso da veia cava) > 5%
• Descendente Y do traçado da PVC ≥ 4 mmHg
• ∆PPlet > 11%
• ∆VCI ≥ 18% ou ∆VCS ≥ 36%
• ∆VS ≥ 10%
• ∆Pico fluxo aórtico ≥ 12%
• ∆Pico fluxo artéria braquial ≥ 10%
• Teste de responsividade com elevação de PEEP:
queda PAM > 8% com aumento de PEEP de 10 para
20 cm H20
• DC > 10% com elevação passiva dos
membros inferiores
Quadro 2. Caracterizam responsividade a
volume na ventilação espontânea.
• ∆PVC ≥ 1 mmHg
• ∆PP ≥ 52% durante manobra de Valsalva
• ∆PP ≥ 13% durante inspiração forçada e regular
• DC > 10% com elevação passiva dos
membros inferiores
63
Cardiovascular
63
CardiovascularAbordagem inicial do choque
Figura 1. ∆PP* = variação respiratória da
pressão de pulso
Figura 3. Redução da pressão de pulso durante
manobra de Valsalva (García et al., 2009).
Inspiração
Expiração
PP mín
PP máx
PP = pressão de pulso = Psist - Pdiast
∆PP(%) = {(PP máx - PP mín) / [(PP máx + PP mín) / 2]} x 100
Paciente em ventilação mecânica
Paciente em ventilação mecânica
Figura 2. ∆PVC*** = variação inspiratória
da PVC
Paciente em ventilação espontânea
PV
C
( m
m
Hg
)
7
4
1
Expiração
Inspiração
∆PVC
∆ PVC = PVCexp - PVCinsp
200
180
160
140
120
100
80
60
m
m
Hg
Pressão arterial
Fase 1
Fase 2
precoce
Fase 2
tardia
Fase 4
Fase 3
64
Cardiovascular
64
CardiovascularAbordagem inicial do choque
Sugestão de estratégia para obtenção das METAS perfusionais
SvcO2
≥ 70%
CO2 gap
≤ 6 mmHg
↑ ΔPP ±
Disfunção de VD
↑ ΔPP ±
Contratilidade N
Tratar causaVolume
↑ ΔPP ±
↓ contratilidade
↓ ΔPP ±
Contratilidade N
Inotrópico Se PAM ↓: vasopressor
PVC
Volume
Manter metas
Avaliação dinâmica da
responsividade ± Eco ou CAP
< 70%
SaO2 ≥ 90%
Hb 7-10
> 6 mmHg
≥ 8 mmHg < 8 mmHg
Tratamento com objetivo de alcançar todas as METAS
Meta pressórica durante ressuscitação inicial
em diferentes situações clínicas
• Hemorragia por trauma
- PAM de 40 mmHg até controle cirúrgico (1b)
• TCE sem hemorragia sistêmica
- PAM de 90 mmHg (1C)
• Outras causas
- PAM > 65 mmHg (1b)
- PAM
- SvcO2 ≥ 70%
- Clearance de lactato ≥ 10%
em 6h
- Lactato < 2 mmol/L
- CO2 gap < 6 mmHg
- Du > 0,5 mL/kg/h
M
ET
AS
Manter metas
Metas alcançadas?
1. Ecocardiograma 2. Cateter de artéria pulmonar 3. Análise de contorno de pulso
Monitorar débito cardíaco
Sim
Não
65
Cardiovascular
65
Cardiovascular
A determinação rotineira do débito cardíaco não é recomendada (1b)
Se a dúvida etiológica permanecer após as medidas iniciais, considerar ecocardiografia ou outras formas de aferir o débito cardíaco (2b)
Hiperdinâmico
DC ↓, N ou ↑
R no início
RVS ↓
SvcO2 ↓ no início e após IH
Hipovolêmico
DC ↓
R
RVS ↑
SvcO2 ↓
Cardiogênico
DC ↓
NR
RVS ↑
SvcO2 ↓
TEP
DC ↓
NR*
RVS ↑
SvcO2 ↓
Tamponamento cardíaco
DC ↓
NR*
RVS ↑
SvcO2 ↓
Obstrutivo
*Alguns indicadores dinâmicos da responsividade como o ΔPP e ΔPplet podem evidenciar um falso estado de responsividade no choque obstrutivo. Nessas condições, a avaliação
ecocardiográfica global pode auxiliar no diagnóstico diferencial.
DC: débito cardíaco; N: normal; IH: infusão hídrica; R: responsivo; NR: não responsivo; SvcO2: saturação venosa central da Hb.
Abordagem inicial do choque
Referências bibliográficas
Antonelli M, Levy M, Andrews PJD, Chastre J, Hudson LD, Manthous C, et al. Hemodynamic monitoring in shock and implications for management. International Consensus Conference.
Int Care Med. 2007;33:575-90.
Cannesson M. Pulse Pressure variation and goal directed therapy. J Cardiothorac Vasc Anesth. 2010;24:487-97.
Cecconi M, De backer D, Antonelli M, beale R, bakker J, Hofer C, et al. Consensus on circulatory shock and hemodynamic monitoring. Task force of the European Society of Intensive Care
Medicine. Intensive Care Med. 2014;40:1795-815.
García MIM, Cano AG, Monrové JCD. Arterial pressure changes during the Valsava maneuver to predict fluid responsiveness in spontaneously breathing patients. Intensive Care Med.
2009;35:77-84.
Hong DM, Lee JM, Seo JH, Min JJ, Jeon Y, bahk JH. Pulse pressure variation to predict fluid responsiveness in spontaneously breathing patients: tidal vs forced inspiratory breathing.
Anaesthesia. 2014;69:717-22.
Jansen TC, van bommel J, Schoonderbeek FJ, Sleeswijk Visser SJ, van der Klooster JM, Lima AP, et al.; LACTATE study group. Early lactate-guided therapy in intensive care unit patients:a multicenter, open-label, randomized controlled trial. Am J Respir Crit Care Med. 2010;182(6):752-61.
Jones AE, Shapiro NI, Trzeciak S, Arnold RC, Claremont HA, Kline JA; Emergency Medicine Shock Research Network (EMShockNet) Investigators. Lactate clearance vs central venous
oxygen saturation as goals of early sepsis therapy: a randomized clinical trial. JAMA. 2010;303(8):739-46.
Magder S. Fluid status and fluid responsiveness. Curr Opin Crit Care. 2010;16:289-96.
Magder S. Respiratory variations in right atrial pressure predict the response to fluid challenge. J Crit Care. 1992;7:76-85.
Marik PE, Cavallazzi R, Vasu T, Hirani A. Dynamic changes in arterial waveform derived variables and fluid responsiveness in mechanically ventilated patients. A systematic review of the
literature. Crit Care Med. 2009;37:2642-7.
Poli de Figueiredo LF, Silva E, Rocha e Silva M, et al. Pulse oxymetry wave respiratory variations for the assessment of volume status in patients under mechanical ventilation. Crit Care
Med. 2004;32:A96.
Vallet b, Futier E, Robin E. Tissue Oxygenation Parameters to Guide Fluid Therapy. Transfusion Alter Transfusion Med. 2010;11(3):113-7.
Westphal GA, Silva E, Caldeira Filho M, Roman Gonçalves AR, Poli-de-Figueiredo LF. Variation in amplitude of central venous pressure curve induced by respiration is a useful tool to reveal
fluid responsiveness in postcardiac surgery patients. Shock. 2006;26(2):140-5.
66
Cardiovascular
66
CardiovascularChoque hipovolêmico
Definição
Queda da oferta de O2 abaixo do ponto crítico de-
corrente da diminuição da volemia.
Causas
Sangramento digestivo, lesões viscerais, aneuris ma
roto, gravidez ectópica, diarreia, vômitos, ferimen-
tos exsanguinantes.
Referências bibliográficas
Abramson D, Scalea TM, Hitchcock R, Trooskin SZ, Henry SM, Greenspan J. Lactate clearance and survival following injury. J Trauma. 1993;35(4):584-8.
Antonelli M, Levy M, Andrews PJ, Chastre J, Hudson LD, Manthous C, et al. Hemodynamic monitoring in shock and implications for management. International Consensus Conference.
Int Care Med. 2007;33:575-90.
Davis JW, Kaups KL. base deficit in the elderly: a marker of severe injury and death. J Trauma. 1998;45:873-7.
Marino PL. Distúrbios do fluxo circulatório. Compêndio de uTI. 2nd ed. Porto Alegre: Artes Médicas Sul; 1999. pp. 177-202.
Matos EP. Protocolos da unidade de emergência/Hospital São Rafael. 10. ed. brasília: Ministério da Saúde; 2002. p. 21.
Vincent JL, Weil MH. Fluid challeng revisited. Crit Care Med. 2006;34:1333-7.
Reversão?
Quadro clínico
↑ FC, ↑ FR, PAM < 65 mmHg
Du < 0,5 mL/kg/h
↓ Perfusão tissular
↓ Nível de consciência
Meta pressórica durante ressuscitação
inicial em diferentes situações clínicas:
• Hemorragia por trauma
- PAM de 40 mmHg até
controle cirúrgico (1b)
• TCE sem hemorragia sistêmica
- PAM de 90 mmHg (1C)
• Outras causas
- PAM > 65 mmHg (1b)
Suporte básico
• Manter vias aéreas pérvias
• Garantir ventilação
• Dois acessos PERIFÉRICOS
• Exames laboratoriais
RL ou SF a 0,9% 1.000 mL, IV, rápido
Repetir três vezes caso não estabilize
Hemorragia? Avaliar hemoderivados
Parar infusão
Sim
Sim
Não
Não
Acesso venoso central
Variação da PVC > 2 mmHg
após prova de volume
Infundir alíquotas de cristaloide
Parar infusão
Reavaliar em 10 min
Correção da causa
Suporte ventilatório
Correção bioquímica e
distúrbios de coagulação
85% dos pacientes com
politraumatismo continuam
a demonstrar evidências de
hipóxia tissular, a despeito da
normalização dos sinais vitais
Há indícios de que no choque
hemorrágico devido a trauma
a ressuscitação seja retardada
até o controle cirúrgico do
foco de sangramento
Reciclar até
estabilizar
o quadro
ou observar
variação da PVC
> 2 mmHg
SvO2, CO2 gap, lactato, bE, Du, PAM
(p. 61)
Metas atingidas?
Observar Considerar choque de outras causas
Sim Não
ATENÇÃO!
• O objetivo da ressuscitação volêmica no choque hipovolêmico é a normalização da perfusão tissular
• Utilizar os parâmetros que estiverem disponíveis:
Normalização do excesso de base, enchimento capilar, diminuição no lactato sérico, SvO2 > 70%, CO2 gap,
CO2 gap/Ca-vO2, PVC, ∆PVC, ∆PP, CVC/CA
- SvcO2 ≥ 70%
- Lactato < 2 mmol/L
- Clearance de lactato ≥ 10% em 6h
- bE < -3 mmol/L
- CO2 gap < 6 mmHg
- Du > 0,5 mL/kg/h
- PAM ≥ 65 mmHg
- Hb > 7 g/dL (se ICo: Hb > 10 g/dL)
M
ET
AS
67
Cardiovascular
67
Cardiovascular
Definição: é uma reação alérgica grave, secundária a qualquer estímulo, de início súbito, que geralmente
cessa em menos de 24 horas.
Incidência: 15:10.000 trombólises; 1:5.000 picadas de Hymenoptera; 1:4.000 anestesias com mortalidade
de 3,4%.
Características clínicas da anafilaxia
Neurológicas
Tontura, fraqueza, síncope, convulsão
Oculares
Prurido, congestão conjuntival, lacrimejamento
Vias aéreas superiores
Congestão nasal, rouquidão, estridor, edemas faríngeo
e laríngeo, tosse, obstrução
Vias aéreas inferiores
Dispneia, broncospasmo, taquipneia, uso de músculos
acessórios, cianose, parada respiratória
Cardiovascular
Taquicardia, hipotensão, arritmias, isquemia cardíaca,
parada cardíaca. Uso prévio de betabloqueadores e/ou
IECA compromete a resposta à adrenalina
Pele
Eritrodermia, prurido, urticária, angioedema,
rash maculopapular
Gastrintestinal
Náuseas, vômitos, dor abdominal, diarreia
Figura 1. Reações de segunda fase ocorrem em 20% dos casos e
geralmente nas primeiras 8 horas. Novas evidências sugerem que
podem ocorrer em até 38 horas. Um terço das reações de segunda
fase é mais grave que as iniciais.
Tratamento Tratamento
G
ra
vi
d
ad
e
d
o
s
si
nt
o
m
as
Sintomas
iniciais
Sintomas
2ª fase
1-38
Exposição
ao
antígeno
Tempo/h
Choque anafilático
Reação anafilática? SINAIS DE ALERTA
Via aérea: edema, rouquidão, estridor
Ventilação: FR, sibilos, fadiga,
cianose, SaO2 < 92%, confusão mental
Circulação: palidez, pele úmida e fria,
hipotensão, fraqueza, sonolência/coma
AbCDE
Diagnóstico
Checar:
• Início súbito
• Sinais de insuficiência respiratória (ou risco de)
• Sinais de choque
• Alterações cutâneas
• Solicitar auxílio
• Deitar o paciente
• Elevar MMII
ADRENALINA 1:1.000
(0,3 a 0,5 mL, IM)
Repetir a cada 5 minutos se não houver melhora
Medidas iniciais
Garantir via aérea prévia
• Oxigênio (10-15 L/min)
• Infusão hídrica agressiva
• Antagonistas H1 e H2
• Hidrocortisona
Monitorização
Oximetria
Monitorização cardíaca
Pressão arterial
Comportamento bifásico da anafilaxia
68
Cardiovascular
68
Cardiovascular
Tratamento
A. Ações imediatas
- Avaliar e assegurar vias aéreas pérvias
- Rápida avaliação do nível de consciência
- Sinais vitais
- Epinefrina 1:1.000 0,3 a 0,5 mL, IM. Repetir a cada 5 a 15 min SN
Principal medida terapêutica
- Epinefrina IV somente se houver hipotensão grave e refratária à
administração IM
- Suplementação de oxigênio
B. Conforme avaliação clínica
- Infusão hídrica vigorosa (mínimo 2.000 mL de cristaloide).
“Em 10 minutos pode haver perda de 50% da volemia”
- Antagonistas H1
- Difenidramina (Benadryl) 1-2 mg/kg, IV (até 50 mg), 4 a 6x/dia por 4 dias ou
- Dexclorofeniramina (Polaramine) 1-2 mg/kg (até 50 mg) 4x/dia por 4
dias ou
- Prometazina (Fenergan) 0,25-1 mg/kg, IV (até 25 mg), 2 a 4x/dia por 4 dias
- Dimenidrinato (Dramin) 1,25 mg/kg, IV, 4x/dia por 4 dias – Há relatos
anedotários do uso em reações anafiláticas menos intensas
- Depois da fase aguda, pode-se converter a via de administração para oral
- Antagonistas H2 (antagonistas H1 + H2 implicam melhor prognóstico
se comparados ao uso isolado de antagonistas H1)
- Ranitidina 1 mg/kg, IV, 3x/dia por 4 dias ou
- Cimetidina 4 mg/kg, IV, 4x/dia por 4 dias
- Depois da fase aguda, pode-se converter a via de administração para oral
- Corticosteroides (são utilizados para evitar a recorrência e não para
tratar a reação vigente)
- Hidrocortisona 20 mg/kg/dose, 4x/dia, IV, ou
- Prednisona 1 mg/kg, VO/dia
- Glucagon 5-15 μg/min, IV. Indicado quando não há resposta
hemodinâmica após administraçãoda epinefrina (libera catecolaminas
endógenas; independe de receptores β. É particularmente útil em usuários
prévios de betabloqueadores e possivelmente nos usuários de IECA)
- Observação pós-tratamento
- Sempre há risco de recorrência. É recomendável a observação por pelo
menos 24 horas. A alta deve ser supervisionada. O paciente deve ser
orientado em relação à possível recorrência
Referências bibliográficas
Clark S, Camargo CA. Emergency treatment and prevention of insct-sting anaphylaxis. Curr Opin Allergy Clin Immunol. 2006;6:279-83.
Ellis AK, Day JH. Diagnosis and management of anaphylaxis. Review. CMAJ. 2003;19:307-11.
Kinirons P, Doherty CP. Status epilepticus: a modern approach to management. Euro J Emerg Med. 2008;15:187-95.
Oliveira DC, Coelho OR, Paraschin K, Ferraroni NR, Zolner Rde L. Angioedema related to the use of streptokinase. Arq bras Cardiol. 2005;85:131-4.
Resuscitation Council (uK). Emergency treatment of anaphylactic reactions. Guidelines for healthcare providers 2008. Disponível em: http://www.resus.org.uk/pages/reaction.pdf [Acesso
em 25 out 2008].
Sampson HA, Munoz-Furlog A, Campbell RL, Adkinson NF Jr, bock SA, branum A, et al. Second symposium on the definition and management of anaphylaxis: summary report. J Allergy
Clin Immunol. 2006;117:391-7.
Webb LM, Lieberman P. Anaphylaxis: a review of 601 cases. Ann Allergy Asthma Immunol. 2006;97:39-43.
Winbery SL, Lieberman PL. Histamine and antihistamines in anaphylaxis. Clin Allergy Immunol. 2002;17:287-317.
Choque anafilático
69
Cardiovascular
69
CardiovascularDrogas vasoativas
Drogas vasoativas
As drogas vasoativas são utilizadas com a finalidade de otimizar o débito cardíaco e, consequentemente,
incrementar a perfusão e a oferta de oxigênio nos tecidos.
As doses dos medicamentos citados neste capítulo e os algoritmos de administração dos fármacos em
bombas de infusão constam dos Anexos II e III, respectivamente.
Agentes vasopressores
• É necessário uma PAM mínima (~ 65 mmHg) para haver fluxo tissular
• ↓ complacência venosa e ↑ retorno venoso → ↑ DC
• Iniciar quando a expansão hídrica adequada não aumentou a PAM (grau E)
• Devem ser utilizados preferencialmente após iniciar a expansão volêmica
• Com vasopressores monitorar invasivamente a PAM se disponível (grau E)
• Utilizar a menor dose possível para evitar efeitos colaterais indesejados
• Utilizar como meta a menor pressão arterial que mantenha adequada perfusão tecidual
• Evitar pressão supranormal
• Avaliar o uso de vasopressores e inotrópicos não simpaticomiméticos
• Devem ser administrados via acesso venoso central, preferencialmente. A ausência de acesso central não deve
atrasar o início da infusão do vasopressor
Noradrenalina (início de ação: 1 a 2 min; meia-vida: 2 min)
• Pode ser utilizada como vasopressor inicial no choque séptico (grau D)
• Aumenta mais consistentemente a PAM, com menor efeito sobre o DC, se comparada à dopamina
• Não apresenta riscos sobre a perfusão renal em pacientes vasodilatados em doses terapêuticas
• Não tem efeito no eixo hipotálamo-hipófise
Dopamina (início de ação: 5 min; meia-vida: 10 min)
• Pode ser utilizada como vasopressor inicial no choque séptico (grau D)
• Aumenta menos a PAM e mais o DC, se comparada à noradrenalina (também pode ser utilizada no choque cardiogênico)
• Dopamina em baixas doses não deve ser utilizada para proteção renal (grau B)
• Pode induzir taquicardia ou taquiarritmia
• Suprime a concentração de todos os hormônios dependentes da hipófise anterior, com exceção do cortisol
Adrenalina (início de ação: 3 a 10 min; meia-vida: 2 min)
• Adrenalina e fenilefrina não devem ser utilizadas como vasopressores de primeira linha no choque séptico (grau D)
• Seu uso deve ser limitado aos pacientes que não respondem às terapias convencionais
• Diminui intensamente o fluxo esplâncnico e tende a aumentar os níveis de lactato
• Doses intermediárias frequentemente levam a arritmias
• Aumenta o débito cardíaco
• Adrenalina, assim como a dobutamina, pode ser associado à noradrenalina quando não há resposta adequada no
choque séptico hipodinâmico
• Adrenalina pode ser associada à noradrenalina no choque séptico com má resposta e na hipotensão grave após
cirurgia de revascularização do miocárdio
70
Cardiovascular
70
CardiovascularDrogas vasoativas
Vasopressina (hormônio antidiurético/arginina vasopressina)
• Por agir em receptores V1, exerce potente ação vasopressora
• Apesar da evidência de segurança e efetividade, tem como fator limitante a possibilidade de induzir
isquemia tecidual
• Exerce ação vasopressora no choque vasoplégico por diferentes mecanismos de ação
• A vasopressina pode ser utilizada em pacientes com choque refratário (ressuscitação volêmica adequada e
vasopressores em dose alta) (grau E)
• A administração é contínua na dose de 0,01 a 0,04 UI/min em conjunto com outros agentes
• Vida média de eliminação de 6 minutos e meia-vida efetiva de 6 a 20 minutos
• Vasopressina pode fazer hipotensão de rebote no desmame. Diminuir a dose 0,01 UI/min a cada 30 min
• Vasopressina e terlipressina podem ser utilizadas em associação à noradrenalina no choque séptico refratário
• Vasopressina e terlipressina podem ser utilizadas como alternativa às catecolaminas vasopressoras
• A dose de até 0,05 UI/min permite reduzir a dose de outros vasopressores, aumenta a resistência vascular
periférica e a pressão arterial média sem alterar o débito cardíaco
• Pacientes com choque séptico são muito sensíveis à infusão de baixas doses de vasopressina
• A vasopressina aumenta a sensibilidade vascular a outros agentes vasopressores e incrementa a liberação do cortisol
• Não há benefício da vasopressina como agente de primeira linha em comparação à noradrenalina no choque séptico
Terlipressina
• É análoga à vasopressina
• Restrições: é administrada em bolo, tem meia-vida de 6h e tempo de ação de 30-60 min
• Pode ser administrada em bolo IV a cada 6h (0,5 mg para pacientes com peso 50-70 kg, 1 mg para 70-90 kg e
1,5-2 mg para 90 kg)
• Vida média de eliminação de 50 minutos e meia-vida efetiva de 4 a 6 horas
• Não recomendada para o uso no choque
Agentes inotrópicos
• Indicados na presença de disfunção ventricular esquerda
• Não devem ser utilizados para aumentar o débito cardíaco acima de níveis fisiológicos (grau A)
Dobutamina (início de ação: 2-3 min; meia-vida: 2 min)
• Aumenta o DC e causa vasodilatação. Melhora a perfusão periférica
• Para evitar taquicardia e hipotensão arterial, deve ser utilizada somente após expansão volêmica adequada
• É droga de escolha para aumentar o DC no choque séptico (grau E)
• Aumenta o consumo de oxigênio pelo miocárdio, o que limita seu uso em pacientes com insuficiência coronariana
• Apesar de melhorar agudamente o DC, não aumenta a sobrevida em pacientes com choque cardiogênico
Milrinona e amrinona (ou inamrinona) (inibidores da fosfodiesterase)
• Aumentam o DC e diminuem a resistência vascular periférica
• Deve-se ter cuidado especial com a PAM (podem causar hipotensão)
• Meia-vida longa
• Utilizados no tratamento da insuficiência cardíaca grave
• Pouco utilizados no choque séptico
Levosimendan
• Aumenta a contratilidade miocárdica e causa vasodilatação em vasos periféricos e coronarianos
• Postulam-se como mecanismos de ação a melhor sensibilização da troponina ao cálcio e a abertura
dos canais de ATP, dependentes de K+
• Demonstrou-se que há efeitos benéficos em pacientes com insuficiência cardíaca congestiva
71
Cardiovascular
71
Cardiovascular
Isoproterenol
• É agonista específico para os receptores β1 e β2
• Produz efeitos inotrópicos e cronotrópicos positivos, broncodilatação e vasodilatação
• Aumenta o consumo de oxigênio miocárdico, um importante fator que limita o seu uso
• A utilidade é limitada aos casos em que a bradicardia for a responsável pela hipotensão
• Pode ser utilizado em bradicardias graves no paciente com transplante cardíaco
Agentes vasodilatadores
• Promovem dilatação arterial e/ou venosa, ↑ do DCe ↓ das pressões de enchimento ventriculares
• Rápido início de ação quando administrados por via endovenosa e meia-vida de poucos minutos após interrupção
Nitroglicerina
• Vasodilatador predominantemente venoso. Em doses elevadas, há dilatação arterial
• A ↓ do tônus venoso leva à ↓ da pré-carga e do diâmetro ventricular, que, por sua vez,
↓ a tensão da parede ventricular e a pós-carga
• Indicada classicamente na insuficiência cardíaca aguda sem hipotensão arterial e na insuficiência coronariana
• Efeitos colaterais: hipotensão, cefaleia e aumento dos efeitos citotóxicos mediados pelo óxido nítrico
Nitroprussiato de sódio
• Vasodilatador de padrão balanceado, arterial e venoso
• A ↓ do tônus venoso leva à ↓ da pré-carga e ↓ do trabalho ventricular
• Indicado classicamente nas emergências e urgências hipertensivas. Pode ser utilizado na insuficiência cardíaca grave
• Pode haver tolerância e aumento de efeitos citotóxicos mediados pelo óxido nítrico
• Efeitos colaterais: hipotensão e intoxicação por cianeto (rara), tratada com administração de hidroxicobalamina e diálise
Drogas vasoativas
Tabela 1. Receptores de catecolaminas e suas ações
DA: receptor dopaminérgico.
Receptor Ação do receptor
α1 Vasoconstrição arterial
Aumento da contratilidade miocárdica
α2 Constrição dos vasos venosos de
capacitância
Inibição do feedback da noradrenalina
liberada nas fibras simpáticas
β1 Aumento da contratilidade miocárdica
Receptor Ação do receptor
β2 Relaxamento da musculatura lisa brônquica
Relaxamento da musculatura lisa vascular
(músculos esqueléticos)
DA1 Relaxamento da musculatura lisa
vascular (esplâncnica e renal)
Inibe recaptação de sódio no túbulo
proximal renal
DA2 Inibição da captação da noradrenalina
nas fibras simpáticas
72
Cardiovascular
72
Cardiovascular
Figura 1.
Drogas vasoativas
Tabela 2. Receptores ativados pelas catecolaminas
α1 β1 β2 DA1 DA2
Noradrenalina + + + + – – –
Adrenalina + + + + + + + + + + + + + +
Dopamina + + + + + + + + + + + +
Dobutamina + + + + + – –
Dopexamina – + + + + + + + +
DA: receptor dopaminérgico; +: atividade baixa; + +: atividade moderada; + + +: atividade alta.
Referências bibliográficas
Andreis DT, Singer M, Catecholamines for inflammatory shock: a Jekyll-and-Hyde conundrum. Intensive Care Med. 2016;42(9):1387-97.
Dellinger RP, Levy MM, Rhodes A, Annane D, Gerlach H, Opal SM, et al.; Surviving Sepsis Campaign Guidelines Committee. Surviving sepsis campaign: international guidelines for
management of severe sepsis and septic shock: 2012. Crit Care Med. 2013;41(2):580-637.
Hollenberg SM. Inotrope and vasopressor therapy of septic shock. Crit Care Clin. 2009;25(4):781-802.
Holmes CL. Vasoactive drugs in the intensive care unit. Curr Opin Crit Care. 2005;11:413-7.
Leone M, Martin C. How to use adrenergic support in sepsis. Adv Sepsis. 2006;5(3):78-87.
Mullner M, urbanek b, Havel C, Losert H, Waechter F, Gamper G. Vasopressors for shock. Cochrane Database Syst Rev. 2004;(3):CD003709.
Spronk PE, Ince C, Gardien MJ, Mathura KR, Oudemans-van Straaten HM, Zandstra DF. Opening the microcirculation: can vasodilators be useful in sepsis? Lancet. 2002;360:1395-6.
Efeito sobre a pressão arterial
PE NE Dopa Epi Dobut Dopex Iso
α β
Efeit
o sob
re o
débit
o car
díaco
Holfenverg. Crit Care Clin, 2009.
73
Cardiovascular
73
CardiovascularArritmias cardíacas
Na UTI, raramente são eventos isolados. Usualmente, são manifestações clínicas de outras patologias (IAM,
doença cardíaca congênita ou valvular, cardiomiopatias, doenças pulmonares, intoxicação por drogas ou
alterações eletrolíticas).
Como regras básicas:
1. Se a frequência cardíaca estiver acima do normal e o paciente estiver hemodinamicamente instável –
cardioversão elétrica imediata até o retorno a ritmo sinusal.
2. Se a frequência cardíaca estiver abaixo do normal e o paciente estiver sintomático –
instalar um marca-passo cardíaco transcutâneo ou transvenoso.
Atenção!
- As doses dos fármacos a serem utilizados estão na p. 75.
- A orientação para a realização de cardioversão elétrica consta na p. 75.
Algoritmo das bradiarritmias
• Lenta – FC < 60 bpm
• Relativamente lenta – FC menor que a
esperada para a condição subjacente
Caso a bradicardia seja de início súbito,
suspeitar de hipoxemia ou acidose agudas
Causas comuns de bradicardia
• Degeneração do tecido de condução cardíaco
associado com a idade
• Doenças cardíacas estruturais (infarto, valvopatias)
• Hipertensão arterial
• Miocardite infecciosa (ex.: viral) ou inflamatória (ex.: lúpus)
• Complicação de cirurgia cardíaca
• Hipotiroidismo
• Alterações eletrolíticas (principalmente do potássio e
do magnésio)
• Hemocromatose
• Medicamentos (betabloqueadores, bloqueador de
canais de cálcio, clonidina, antiarrítmicos, propofol)
ABCD primário
• Avalie AbC
• Garantir vias aéreas (não invasivo)
• Monitor/desfibrilador disponível
SimNão
ABCD secundário
• AbC (TOT é necessário?)
• O2-acesso IV-monitor-líquidos
• SV, oxímetro, PANI
• ECG de 12 derivações
• RX de tórax
• Anamnese e exame físico
Angina pectoris ou má perfusão tissular associada à bradicardia?
bAV 2o grau do tipo II ou
bAV de 3o grau
Atropina 0,5-1,0 mg contraindicada se:
bAV com QRS alargado (> 120 ms)
Observar Sintomas de baixo débito?
Marca-passo transvenoso Marca-passo transcutâneo
SimNão
SimNão Sim
74
Cardiovascular
74
CardiovascularArritmias cardíacas
Taquicardia
(FC > 120 bpm)
Se FC > 150 – preparar
cardioversão imediata
Se FC ≤ 150 – geralmente cardioversão
imediata não é necessária
Estabilidade hemodinâmica Instabilidade hemodinâmica
(raro descompensar se FC < 150 bpm)
• ECG de 12 derivações. Derivação esofágica SN
• História clínica
Cardioversão elétrica imediata
100, 200, 300, 360 J (p. 75)
QRS estreito (< 120 ms) QRS largo (> 120 ms)
3. Etiologia não definida
(p. 77)
4. TV estável monomórfica
ou polimórfica (p. 77)
Avaliar
1. Condição clínica e função ventricular
2. A presença de pré-excitação ventricular
3. Duração da arritmia: superior ou inferior a 48h
• A decisão de realizar cardioversão ou controle da frequência deverá ser clínica
e individualizada. Como norma, sempre tentar cardioversão no flutter atrial
RR irregular RR regular
1. Fibrilação atrial
(p. 75)
2. TSV de QRS estreito
(p. 76)
75
Cardiovascular
75
Cardiovascular
FE < 40% FE > 40%
1. Fibrilação atrial (FA)Não cardioverter
eletivamente sem
anticoagular > 48 horas < 48 horas
Controle da frequência 1. Controle da frequência
2. Preferencialmente converter para ritmo
sinusal (avaliar contraindicações)
Digitálico ou
amiodarona
Casos refratários:
diltiazem
Diltiazem ou
verapamil ou
betabloqueador ou
propafenona ou
amiodarona ou
digitálico
FE < 40% FE > 40%
Situação que desaconselha cardioversão?
1. Cardioversão elétrica
sincronizada ou
2. Amiodarona
1. Cardioversão elétrica
sincronizada ou
2. Amiodarona ou
procainamida ou
propafenona
Sim Não
Avaliar
anticoagulação
definitiva
1. Anticoagular por 3 semanas
seguido de
2. Cardioversão seguida de
3. Anticoagulação por 4 semanas
Situações que desaconselham
a conversão para ritmo sinusal
• Duração > 6 meses
• Idade avançada
• Hipertireoidismo não controlado
• DPOC
• Síndrome braditaquicárdica
• Átrio esquerdo > 50 mm
• Área cardíaca muito grande
• Valvopatia cirúrgica
• Intoxicação digitálica
ou
Cardioversão rápida
1. Heparina plena/24h
2. Ecotransesofágico (excluir
trombo atrial)
3. Cardioversão elétrica
4. Anticoagular por 4 semanas
Se a FA estiver associada com pré-excitação ventricular,
não usar adenosina, betabloqueadores, bloqueadores de
canais de cálcio, digitálicos
Arritmias cardíacas
76
Cardiovascular
76
Cardiovascular
2. TSV de complexo QRS estreito (< 120 ms)
Arritmias cardíacas
• Manobras vagais e/ou
• Adenosina
Não reverteu
Taquicardia juncional
Função cardíaca preservada • NÃO fazer cardioversão elétrica!
• Betabloqueadores oubloqueadores de
canais de cálcio ou amiodarona
FE < 40%, sinais de congestão
• NÃO fazer cardioversão elétrica!
• Amiodarona
Taquicardia atrial ectópica
Função cardíaca preservada • NÃO fazer cardioversão elétrica!
• Betabloqueadores ou bloqueadores de
canais de cálcio ou amiodarona
FE < 40%, sinais de congestão
• NÃO fazer cardioversão elétrica!
• Amiodarona
Taquicardia sustentada de
etiologia não definida
Função cardíaca preservada
Ordem de prioridade:
1. betabloqueadores ou
2. bloqueadores de canais de cálcio ou
3. Digitálico ou
4. Cardioversão elétrica sincronizada ou
5. Outros antiarrítmicos: amiodarona,
procainamida, sotalol
Ordem de prioridade:
1. Cardioversão elétrica sincronizada ou
2. Digitálico ou
3. AmiodaronaFE < 40%, sinais de congestão
77
Cardiovascular
77
CardiovascularArritmias cardíacas
Há disfunção do VE?
(FE < 40%, sinais de congestão pulmonar)
3. Taquicardia com QRS alargado
(> 120 ms) de etiologia não definida
Sim Não
Cardioversão elétrica
(sincronizada) ou
amiodarona
Cardioversão elétrica
(sincronizada) ou
amiodarona ou
procainamida
4. Taquicardia ventricular estável
Monomórfica
Atenção!
Pode-se realizar cardioversão
elétrica diretamente
Polimórfica
Há disfunção do VE? Intervalo QT basal
Procainamida ou
sotalol ou
amiodarona ou
lidocaína
Amiodarona 150 mg, IV, em 10 min ou
lidocaína 0,5 a 0,75 mg/kg (bolo)
Fazer então
Cardioversão elétrica sincronizada
Normal
Alargado (sugere Torsades
de pointes)
• Corrigir anormalidades
eletrolíticas
• Considerar:
1. Magnésio
2. Overdrive por marca-passo
3. Isoproterenol
4. Fenitoína
5. Lidocaína
• Tratar isquemia miocárdica
• Corrigir eletrólitos
• Betabloqueador ou
lidocaína ou amiodarona ou
procainamida ou sotalol
DISFuNÇÃO DE VE
Não Sim
78
Cardiovascular
78
CardiovascularArritmias cardíacas
Ter disponível à beira do leito
• Monitor cardíaco
• Oxímetro de pulso
• Equipamento de aspiração
• Via venosa
• Equipamento para intubação
Orientação para cardioversão sincronizada
Pré-medicação sempre que possível
• Fentanil ou morfina
+
• Propofol ou
• Midazolam ou
• Diazepam
Cardioversão sincronizada
• TV – iniciar com 100 J
• FA – iniciar com 100 J
• TPSV – iniciar com 50 J
• Flutter atrial – iniciar com 50 J
Sem sucesso:
Aumentar sucessivamente
dose de energia:
100, 200, 300 e 360 J
Principais fármacos e suas doses
Adenosina – em bolo IV rápido – dose inicial de 6 mg, seguido de bolo
de 20 mL de solução salina e elevação da extremidade. Repetir com a
dose de 12 mg cerca de 1-2 min se não houver resposta. uma terceira
dose de 12 mg pode ser administrada cerca de 1-2 min depois.
Amiodarona – infusão rápida de 150 mg em 10 min. Pode-se repetir a
dose inicial após 10 min, se necessário. Iniciar infusão de 360 mg em
6h (1 mg/min), seguindo-se com 540 mg em 18h (0,5 mg/min). Dose
máxima diária de 2,2 g, IV.
Atropina – 0,5 a 1,0 mg, IV, a cada 3-5 min. Não exceder a dose
de 0,04 mg/kg. Administração traqueal – 2-3 mg diluídos em 10 mL
de soro fisiológico.
Diltiazem – 15-20 mg (0,25 mg/kg), IV, infusão em 2 min. Pode-se
repetir em 15 min a dose de 20-25 mg (0,35 mg/kg), infusão em 2 min.
Manutenção: 5-15 mg/h, ajustado de acordo com a FC.
Esmolol – bolo de 0,5 mg/kg/min em 1 min seguido com infusão de
0,05 mg/kg/min durante 4 min. Se necessário, ir aumentando a infusão
em 0,05 mg/kg/min até atingir uma dose máxima de 0,3 mg/kg/min.
Reduzir a dose de manutenção para 0,2 mg/kg/min, ou menos, assim
que possível.
Referências bibliográficas
Higa EMS, Atallah NA. Algoritmos do suporte avançado de vida em cardiologia. Guias de medicina ambulatorial e hospitalar unifesp/EPM – Medicina de urgência. São Paulo: Manole;
2005. pp. 13-28.
Hood RE, Stephen RS. Management of arrhythmias in the emergency department. Cardiol Clin. 2006;24:125-33.
Mangrum JM, DiMarco JP. The evaluation and management of bradycardia. N Engl J Med. 2000;342(10):703-9.
Varon J, Fromm RE. Handbook of Practical Critical Care Medicine. New York: Springer-Verlag; 2002; pp. 23-7.
Lidocaína – bolo: 1,0 a 1,5 mg/kg (metade da dose em pacientes com
disfunção de VE). Repetir o bolo a cada 5-10 min. bolo máximo de
3 mg/kg. Manutenção: infusão 1-4 mg/min.
Magnésio, sulfato de – PCR: 1-2 g diluídos em 10 mL de SG a 5%, IV,
em 2 min. TV polimórfica: 1-2 g em 50-100 mL de SG a 5% em 5 a 60
min. Manutenção: de 0,5 a 1,0 g/h, IV, até obter o controle da arritmia.
Metoprolol – 5 mg, IV, lento a cada 5 min até atingir dose máxima
de 15 mg.
Procainamida – infusão de 20 mg/min até se obter controle da arritmia
ou se atingir dose máxima de 17 mg/kg ou QRS alargar mais que 50% do
tempo basal. Em casos de emergência, pode-se utilizar taxa de infusão
de 50 mg/min. Manter infusão contínua de 1 a 4 mg/min.
Propafenona – bolo: 1 a 2 mg/kg em 3 a 5 min. Este bolo poderá ser
repetido de 90 a 120 min depois. Manutenção IV: infusão de 0,5 a 1
mg/min diluída em SG a 5% em 1 a 3h. Iniciar VO assim que possível.
Dose VO: de 450 a 900 mg/dia.
Verapamil – bolo IV de 2,5 a 5,0 mg em 2 min. Se necessário, repetir
5-10 mg, IV, após 15-30 min. Dose cumulativa máxima: 20 mg. Alterna-
tiva: bolo de 5 mg, IV, a cada 15 min até se atingir dose total de 30 mg.
79
Cardiovascular
79
CardiovascularInsuficiência ventricular esquerda aguda (IVEA)
Definição: Início agudo de sinais e sintomas de IVE
ou mudança clínica dos sinais e sintomas de IVE preexistente
A IVEA ocorre em até 1/3 dos pacientes internados em UTIs
1a Etapa: realizar o diagnóstico
Verificar a presença de manifestações clínico-radiológicas típicas
(Anamnese + exame físico + radiografia de tórax)
Critérios maiores:
( ) Dispneia paroxística
( ) Turgência jugular
( ) Crepitações pulmonares
( ) Cardiomegalia (à radiografia de tórax)
( ) Edema agudo de pulmão
( ) Terceira bulha (galope)
( ) Aumento da pressão venosa central (> 16 cm H2O no átrio direito)
( ) Refluxo hepatojugular
Critérios menores:
( ) Edema maleolar bilateral
( ) Tosse noturna
( ) Dispneia aos mínimos esforços
( ) Hepatomegalia
( ) Derrame pleural
( ) Redução da capacidade funcional em um terço da máxima registrada previamente
( ) Taquicardia (FC > 120 bpm)
Diagnóstico de IVE
( ) presença de 2 critérios maiores
ou
( ) 1 critério maior + 2 critérios menores
80
Cardiovascular
80
CardiovascularInsuficiência ventricular esquerda aguda (IVEA)
Diagnóstico clínico de IVE?
- Peptídeo natriurético (bNP) —
alto valor preditivo negativo
- Avaliar ecocardiograma ou
cateter de Swan-Ganz
Investigar fator causal
ou descompensador
Dieta (ingesta excessiva de sal, líquido ou álcool)
Medicação inadequada ou efeitos colaterais de medicações
Crise hipertensiva
Síndrome coronariana aguda (SCA)
Miocardite aguda
Valvopatia aguda
Tromboembolismo pulmonar
Arritmia
Sepse
Anemia, disfunção tireoidiana ou do diabetes
Insuficiência renal
Gravidez
Cardiomiopatia de estresse (síndrome de Takotsubo)
Pós-parada cardiopulmonar
Trauma cardíaco
Drogas (ex.: cocaína)
Cirurgia prolongada (hipotensão e perda de sangue)
Exames complementares:
hemograma, sódio, potássio, ureia,
creatinina e glicose, gasometria
arterial, lactato, enzimas cardíacas,
eletrocardiograma, ecocardiograma
Não
Sim
81
Cardiovascular
81
Cardiovascular
2a etapa: classificar de acordo com perfil clínico-hemodinâmico
3a etapa: estabelecer tratamento
Congestão em repouso?
Congestão pulmonar: estertores pulmonares, radiografia com inversão da
trama vascular e infiltrado difuso, pressões de enchimento de VE elevadas
Congestão periférica: distensão venosa jugular, hepatomegalia, ascite e
edema de MMII
Ba
ix
a
pe
rf
us
ão
e
m
re
po
us
o?
Hi
po
te
ns
ão
a
rte
ria
l,
pu
ls
o
fil
ifo
rm
e,
o
lig
úr
ia
,
al
te
ra
çõ
es
d
o
ní
ve
l d
e
co
ns
ci
ên
ci
a
e
ex
tre
m
id
ad
es
fr
ia
s,
la
ct
at
o
↑,
S
vc
O 2
↓
, C
O 2
g
ap
↑
Seco e quente
Tratamento:
fluxograma 2
Congesto e quente
Tratamento:fluxograma 1
Seco e frio
Tratamento:
fluxograma 2
Congesto e frio
Tratamento:
fluxograma 1
PAS >140 mmHg
VNI
Morfina
Nitrato
Furosemida
IECA/BRA
Betabloqueador
(manter, adicionar*)
PAS 85-140 mmHg
VNI
Nitroglicerina
Furosemida
IECA/BRA
Betabloqueador
(manter, adicionar*)
PAS 85-140 mmHg
VNI
Avaliar volemia
Nitroglicerina
Levosimendana
Furosemida
IECA/BRA
(suspender)
Betabloqueador
(suspender)
PAS < 85 mmHg
TOT+VM
Avaliar volemia
Dobutamina
Noradrenalina (se
PAS < 75 mmHg)
Balão intra-aórtico
IECA/BRA
(suspender)
Betabloqueador
(suspender)
PAS < 85 mmHg
VNI
Noradrenalina
Furosemida
IECA/BRA (suspender)
Betabloqueador (reduzir
50% se em uso prévio)
Não
Não
2,2
18 POAP (mmHg)
IC
(L/min/m2)
Sim
Sim
Fluxograma 1
CONGESTO
FRIOQUENTE
Insuficiência ventricular esquerda aguda (IVEA)
82
Cardiovascular
82
Cardiovascular
PAS >140 mmHg
Avaliar volemia
Nitrato
IECA/BRA
Betabloqueador
(manter, adicionar*)
PAS 85-140 mmHg
Avaliar volemia
IECA/BRA
Betabloqueador
(manter, adicionar*)
PAS 85-140 mmHg
Repor volume
IECA/BRA
(suspender)
Betabloqueador
(suspender)
PAS < 85 mmHg
Repor volume
Noradrenalina
IECA/BRA
(suspender)
Betabloqueador
(suspender)
PAS < 85 mmHg
Repor volume
Noradrenalina
IECA/BRA (suspender)
Betabloqueador
(reduzir 50%)
Fluxograma 2
SECO
Sinais e sintomas sugestivos de IVE?
FRIO
Tratamento da SCA (p. 49 e 53)
QUENTE
ECG evidencia SCA?
Identificação da causa?
Tratamento suportivo Tratar taquicardia,
hipertensão, anemia,
hipoxemia, sepse etc.
Ecocardiograma com
disfunção de VE
Considerar outras
etiologias
Tratamento suportivo:
fluidos e betabloqueadores
Considerar SCA ou variações
de cardiomiopatia de estresse
Sim
NãoNão
Não
Anormalidade
segmentar
balão
apical
Hipocinesia
difusa
Sim
Sim
Insuficiência ventricular esquerda aguda (IVEA)
Quando iniciar betabloqueador?
• Na insuficiência cardíaca congestiva deve ser o mais precocemente possível após a estabilização hemodinâmica e euvolemia, preferencialmente
antes da alta hospitalar
83
Cardiovascular
83
Cardiovascular
Tabela 1. Características clínicas
Síndrome coronariana
aguda (SCA)
Cardiomiopatia de
estresse (Takotsubo)
Disfunção global
de VE
Disfunção de
oferta/demanda
Fatores de risco
e cenário clínico
HAS, DM, dislipidemia,
tabagismo e história
pessoal e/ou familiar
de SCA
Estresse físico ou
psicológico. Takotsubo
acontece em até 28%
dos pacientes em UTI
Choque séptico,
hipóxia prolongada,
PCR recorrente
e desfibrilação
Sepse, sangramento,
trauma ou hipotensão
que necessite
de inotrópicos
Sintomas Angina típica, dispneia,
diaforese
Geralmente
assintomático ou angina
atípica, dispneia e
palpitações
Sinais de ICC Maioria assintomática
Sinais B4 (B3 com
cardiomiopatia grave),
regurgitação mitral ou
atrito pericárdico (raro)
B3, cerca de 20%
desenvolvem sopro
sistólico de ejeção
aórtico pela obstrução
da saída do VE
Edema pulmonar,
pode haver cianose
de extremidades
Taquicardia,
extremidades quentes
ou frias
ECG Alterações compatíveis
com isquemia
Elevação sutil de ST
em parede anterior,
infradesnivelamento
de ST
Alterações não
específicas do
segmento ST
Taquicardia, depressão
difusa do segmento ST
Enzimas
miocárdicas
Curva enzimática Pode haver
aumento discreto
Flutuante,
sem níveis elevados
Pode haver
aumento discreto
Ecocardiograma Anormalidades
de contração
segmentares (parede
da artéria acometida)
85% com
hipo/acinesia apical
e hipercontratilidade
basal (“balão” apical)
Hipocinesia global e
dilatação biventricular
VE hiperdinâmico,
FE usualmente > 70%
Cateterismo Reconhecimento
de lesão na
coronária acometida
Coronárias normais ou
doença coronariana
insignificante
Coronárias normais ou
doença coronariana
insignificante
Coronárias normais
ou doença coronariana
insignificante
Manejo p. 49 e p. 53 Suportivo. Se não
houver obstrução
grave do trato de saída
do VE, o quadro
será benigno
Repetir ECO em alguns
dias e verificar função
de VE
Betabloqueador
NUNCA dobutamina
(pode aumentar a
obstrução do trato de
saída do VE)
Fluidos se necessários
Tratar causa-base Estabilizar fatores
desencadeantes
Volume e
hemoderivados
quando necessários
Referências bibliográficas
Chockalingam A, Mehra A, Dorairajan S, Dellsperger KC. Acute left ventricular dysfunction in the critically Ill. Chest. 2010;138;198-207.
Dar O, Cowie MR. Acute heart failure in the intensive care unit: epidemiology. Crit Care Med. 2008 Jan;36(1 suppl.):S3-8.
McMurray JJ, Adamopoulos S, Anker SD, Auricchio A, böhm M, Dickstein K, et al.; ESC Committee for Practice Guidelines. ESC Guidelines for the diagnosis and treatment of acute
and chronic heart failure 2012. Euro Heart J. 2012;33:1787–847.
Montera MW, Almeida DR, Tinoco EM, Rocha RM, Moura LA, Réa-Neto A, et al. II Diretriz brasileira de Insuficiência Cardíaca Aguda. Arq bras Cardiol. 2009;93(3 suppl.3):1-65.
Vignon P, Allot V, Lesage J, Martaillé JF, Aldigier JC, François b, Gastinne H. Diagnosis of left ventricular diastolic dysfunction in the setting of acute changes in loading conditions.
Critical Care. 2007;11:R43.
Zafrir b, Amir O. beta blocker therapy, decompensated heart failure, and inotropic interactions: current Perspectives. IMAJ. 2012;184-9.
Insuficiência ventricular esquerda aguda (IVEA)
84
Cardiovascular
84
CardiovascularInsuficiência ventricular direita (IVD) aguda
• É situação frequente e pouco reconhecida na prática clínica.
• Conforme esquema fisiopatológico abaixo, se não houver interrupção do processo, rapidamente ocor-
rerão insuficiência cardiocirculatória grave e óbito.
É fundamental adotar medidas para prevenir a IVD aguda:
• Ventilar com a menor PEEP possível.
• SEMPRE manter pressão de platô em vias aéreas < 30 cmH2O.
Nos casos de IVD, a variação respiratória da pressão de pulso poderá ser falsamente alta, portanto incapaz
de predizer responsividade cardiovascular à infusão de volume.
↑ Pós-carga do VD
IAM de ventrículo direito
Causas comuns
• Embolia pulmonar
• SDRA
• Ventilação mecânica com PEEP elevada;
cardiomiopatia induzida pela sepse
• Pós-operatório de cirurgia cardíaca
IVD aguda
↑ Volume do VD
Insuficiência
do tricúspide
↑ MVO2 de VD
Isquemia do VD
↑ Pressão do VD
↓ Perfusão
coronária
↓ PAM
↓ DC
↓ Débito de VD↓ Complacência do VE
(desvio do septo)
↓ Pré-carga do VE
Diagnóstico
Parâmetros inespecíficos de disfunção cardiocirculatória
• Congestões hepática e renal, diminuição da PAM, com redução do débito urinário, distúrbio de coagulação, au-
mento do lactato sérico
• Turgência de jugulares e aumento da pressão venosa central (PVC)
• Elevação do peptídeo natriurético cerebral (BNP)
Cateterização de artéria pulmonar
• Aferição das pressões de artéria pulmonar (PAP), de oclusão de artéria pulmonar (POAP), de átrio direito e do
débito cardíaco
• Importante na avaliação de impacto do tratamento, como com a reposição volêmica e os vasodilatadores pulmonares
• É usual encontrar POAP normal e PAP elevada, o que ajuda no diagnóstico diferencial com IVE
EcoDopplercardiograma
• Exame não invasivo que sempre deve ser realizado diariamente até controle do quadro
• Pode fornecer importantes informações sobre a etiologia
• Vários achados são usuais no cor pulmonale agudo:
- Retificação/desvio do septo interventricular para dentro do VE; aumento da cavidade do VD; regurgitação tricus-
pídea; hipertensão pulmonar estimada pelo Doppler
Valor normal da PVC (< 12 mmHg) EXCLuI o diagnóstico de IVD aguda
85
Cardiovascular
85
Cardiovascular
Tratamento
Manuseio volêmico
• Raramente é necessária infusão de volume, podendo esta, em alguns casos, piorar o quadro
• Em algumas situações está indicado o uso de diuréticos ou hemofiltração
Ventilação mecânica
• Instituí-la sempre que houver instabilidade hemodinâmica grave
• Importante na redução do consumo de O2
• CUIDADO: potencial risco de agravar a IVD! Adotar ventilação protetora
• Posição prona: há relatode melhora significativa na função do VD naqueles pacientes com SDRA grave
(PaO2/FiO2 < 100) ventilados nesta posição
Vasopressores
• Usar sempre que houver hipotensão (PAM < 65 mmHg) com o objetivo de melhorar a perfusão de coronárias
Inotrópicos positivos
• Considerar o uso de inotrópicos positivos caso se mantenham sinais de hipoperfusão tissular
• Dobutamina; levosimendana
Vasodilatadores (redução da pós-carga do VD)
• Sistêmicos: em pacientes com IVD isolada, pode haver benefício com o uso de vasodilatadores sistêmicos (nitro-
glicerina, nitroprussiato, prostaglandina E1). Cuidar da hipotensão
• Inalatórios: óxido nítrico (há melhora dos sintomas, mas não há comprovada redução da mortalidade. Sua inter-
rupção abrupta pode causar hipertensão pulmonar rebote); prostaciclinas (PGI2)
Referências bibliográficas
Greyson CR. Pathophysiology of right ventricular failure. Crit Care Med. 2008;36:S57-64.
Greyson CR. Right heart failure in the intensive care unit. Curr Opin Crit Care. 2012;18:424-31.
Jardin F. Cyclic changes in arterial pressure during mechanical ventilation. Intensive Care Med. 2004;30:1047-50.
Jardin F. Right ventricular function and positive pressure ventilation in clinical practice: from hemodynamic subsets to respirator settings. Intens Care Med. 2003;29:1426-34.
Magder SA. Clinical usefulness of respiratory variations in arterial pressure. Am J Respir Crit Care Med. 2004;169:151-5.
Mebaza A, Karpati P, Renaud E, Algotsson L. Acute right ventricular failure – From pathophysiology to new treatments. Intens Care Med. 2004;30:185-96.
Monaco CG. O ventrículo esquecido. Como avaliar a função ventricular direita ao ecocardiograma. Rev bras Ecocardiografia. 2001;3:29-39.
Vieillard-baron A, Charron C, Caille V, belliard G, Page b, Jardin F. Prone positioning unloads the right ventricle in severe ARDS. Chest. 2007;1440-6.
Vieillard-baron A, Prin S, Chergui K, Dubourg O, Jardin F. Echo–Doppler demonstration of acute cor pulmonale at the bedside in the medical intensive care unit. Am J Resp Care Med.
2002;166:1310-9.
Insuficiência ventricular direita (IVD) aguda
86
Respiratório
86
RespiratórioDerrame pleural (DP)
Definição
• É o acúmulo de líquido na cavidade pleural.
• Quatro mecanismos são capazes de elevar o fluxo de líquido pleural: aumento da pressão hidrostática,
na microcirculação sistêmica; diminuição da pressão oncótica, plasmática; aumento da permeabilidade
capilar, pleural; diminuição da pressão no espaço pleural.
• Os fatores que dificultam a saída de líquido do espaço pleural estão basicamente relacionados à redução
da função linfática pleural.
• Outra possibilidade de formação de DP é a passagem de fluidos da cavidade abdominal para o espaço
pleural através de pertuitos, na superfície do diafragma, ou através da vasta circulação linfática existente
entre o abdome e o tórax.
Diagnóstico
Os principais sintomas são:
• Dor (tipo ventilatório-dependente por acometimento da pleura parietal).
• Dispneia (mecanismos: dor e limitação imposta aos movimentos ventilatórios, por derrame pleural volumoso).
• Tosse (relacionada ao estímulo de receptores pleurais).
Exame físico
• Redução ou abolição do frêmito toracovocal.
• Murmúrio vesicular diminuído.
• Macicez à percussão.
Exames de imagem
Radiografia anteroposterior de tórax
• Presença de velamento homogêneo, obliterando os seios costofrênico e cardiofrênico. Geralmente no
paciente deitado ocorre opacificação no hemitórax envolvido.
Ultrassonografia (US)
• Possui alta sensibilidade para diagnosticar DP, sendo realizada à beira do leito com aparelhos portáteis.
As principais utilidades da US para a região torácica são avaliar e diferenciar espessamentos pleurais de
derrames loculados, guiar punções pleurais diagnósticas ou terapêuticas e orientar punção-biópsia da
pleura ou do pulmão.
Tomografia axial computadorizada (TAC) de tórax
• A TAC possui melhores sensibilidade e especificidade, podendo diagnosticar DP de pequenos volumes.
Permite diferenciar os derrames livres, loculados e as estruturas sólidas, além de considerar a natureza do
derrame, seja pelo coeficiente de atenuação do líquido, seja pela sua relação com as estruturas adjacentes.
Angiotomografia de tórax
• A angiotomografia de tórax tem papel importante na suspeita de DP ocasionado por embolia pulmonar,
devendo de preferência ser realizada após esvaziamento da cavidade pleural.
87
Respiratório
87
Respiratório
Análise do líquido pleural
Aparência Sanguinolenta: câncer, TEP, trauma, pneumonia
Líquido turvo: presença de células e debris (parapneumônico/empiema) ou alta concentração
de lípides (quilotórax)
Odor Fétido: etiologia bacteriana
Cheiro de urina: urinotórax
Citologia diferencial > 50% de neutrófilos: processo inflamatório pleural
Predomínio linfocitário: tuberculose pulmonar e câncer
Bioquímica pH ≤ 7,2 sugere empiema e requer drenagem
Desidrogenase lática (DHL) elevada correlaciona-se diretamente com processo inflamatório
pleural e é proporcional à intensidade da inflamação
Proteínas totais > 3,5 g% exsudato
Proteínas totais entre 2,0 e 3,5 g% – utilizar os critérios de Light
Critérios de Light (a presença de UM dos três critérios abaixo define exsudato):
• Relação proteína total no líquido pleural/sérica > 0,5
• Relação DHL no líquido pleural/sérica > 0,6
• DHL pleural > 2/3 do valor de referência sérico
Causas comuns de DP
Transudato Exsudato
ICC Pneumonias
TEP TEP
Síndrome nefrótica Pancreatite
Cirrose hepática Neoplasia
Desnutrição Tuberculose
Colagenoses
Tratamento
• Tratar a causa que levou ao derrame.
• Avaliar toracocentese de alívio ou drenagem pleural.
Complicações
• Derrame septado.
• Insuficiência respiratória.
• Dificuldade do desmame ventilatório.
Indicações para drenagem pleural
• Derrame pleural de grande volume com dificuldade ventilatória ou de desmame.
• Empiema (pH < 7,2 ou glicose < 40 mg% ou LDH > 200 mg% ou bacterioscopia positiva).
Derrame pleural (DP)
88
Respiratório
88
Respiratório
Considerar
biópsia pleural
Observar
Não Sim
Considerar
broncoscopia
Melhora dos sintomasTratar
Evidências de
embolismo pulmonar
Realizar angio e TAC de tórax Tratar causa
Sem diagnóstico
Sem diagnóstico
Diagnóstico realizado
Tratar a causa
Transudato Exsudato
Tratar a causa
Empiema Drenar
Empiema
Hemotórax
Quilotórax
(diagnósticos
presumíveis)
Obter no líquido pleural:
citometria total/diferenciada,
bacterioscopia por Gram,
citologia, pH, cultura, amilase
e critérios de Light
Persistência do DP
Observação
Sim Não
Derrame pleural (DP)
Referências bibliográficas
Colice GL, Curtis A, Deslauriers J, et al. Medical and surgical treatment of parapneumonic effusion: an evidence-based guideline. Chest. 2000;118;1158-71.
Davies CWH, Gleeson FV, Davies RJO, et al. bTS guidelines for the management of pleural effusion. Thorax. 2003;58(Suppl. II):ii18-ii28.
Light RW. Pleural effusion. N Engl J Med. 2002;346(25):1971-7.
Maskel MA, butland RJA. bTS guidelines for the investigation of unilateral pleural effusion in adults. Thorax. 2003;58;8-17.
Mattison LE, Coppage L, Alderman DF, Herlong JO, Sahn SA. Pleural effusion in the medical ICu: prevalence, causes, and clinical implications. Chest. 1997;111;1018-23.
Porcel JM, Light RW. Diagnostic approach to pleural effusion in adults. American Family Physician. 2006;73(7):1211-20.
Porcel Pérez JM. Manejo práctico del derrame pleural. An Med Interna (Madrid). 2002;19:202-8.
Rahman NM, Chapman SJ, Davies RJ. Pleural effusion: a structured approach to care. british Medical bulletin. 2004;72:31-47.
Derrame pleural
Possível DP hidrostático (ICC, nefrose, hipoproteinemia)?
Não
Toracocentese
Sim
Derrame assimétrico ou
febre ou dor torácica
89
Respiratório
89
RespiratórioVentilação mecânica não invasiva (VNI)
Definição
Implica a colocação de dispositivos como máscaras nasais ou faciais, suportes orais, prongs nasais ou selos
bucais para o fornecimento de assistência ventilatória mecânica, de modo intermitente oucontínuo. Deve ser
realizada combinando-se a terapia medicamentosa adequada à condição clínica (*Grau de recomendação).
INDICAÇÕES CONTRAINDICAÇÕES
1. Insuficiência
respiratória aguda:
• DPOC “agudizada” (*A)
• Edema pulmonar
cardiogênico (*A)
• Lesão pulmonar aguda (*B)
2. Pós-operatório eletivo:##
• Cirurgia torácica
• Cirurgia de abdômen superior
(ver contraindicações)
3. Pós-extubação
4. Pacientes terminais (*B)
5. Auxílio fisioterápico
6. Alterações da caixa torácica
7. Distrofias musculares
8. Apneia do sono
• Agitação, Glasgow < 12
• Obstrução da VAS, trauma de face
• Cirurgia de esôfago/face/VAS
• Tosse ineficaz e ↓ da deglutição
• Distensão abdominal
• Vômito, HDA
• Gravidez
• Instabilidade hemodinâmica
• Arritmia complexa
• PAS < 90 mmHg
• Síndrome coronariana aguda
• Pneumotórax não drenado
• Limitações estruturais p/ VNI
# benefício na hipoxemia, especialmente em imunossuprimidos (*b). Maior benefício na IRpA hipoxêmica se ↑ PaCO2 associado (*b). Na VNI p/ IRpA
hipoxêmica, deve-se manter vigilância e monitorização (*D). ## Cautela no POi de tórax e abdome. Respeitar contraindicações (*b)
SIM
NÃO
INSUFICIÊNCIA RESPIRATÓRIA
• FR > 25 rpm
• ↑ Trabalho respiratório
• ↓ SpO2 < 90% e FiO2 > 30%
• ↑ agudo da PaCO2
Auxílio fisioterápico
Com falência respiratória,
VNI pode ↑ mortalidade
se houver demora na
reintubação (*A)
utilizada como estratégia de
desmame, mas evidências
ainda são insuficientes (*b)
• Tórax instável (flail chest)
• POi tórax ou abdome##
• Reversão de atelectasia
• Higiene brônquica
Contraindicação?
Considerar
intubação + VM
DPOC (*A) ou asma
(*B) descompesados
• PS + PEEP
-PS p/ Vt = 6 a 8 mL/kg
-PEEP 5 cmH2O
• Nasal/facial
EAP (*A)
• CPAP 10 cmH2O ou
• PS + PEEP
-PS p/ Vt = 6 a 8 mL/kg
-PEEP 5 a 10 cmH2O
• Nasal/facial
#Hipoxêmico (*B)
• PS + PEEP
-PS p/ Vt = 6 a 8 mL/kg
-PEEP ≥ 7 cmH2O
• Facial/facial total
##Pós-operatório (*B)
• PS + PEEP
-PS ≤ 15 cm H2O
-PEEP < 7 cmH2O
• Nasal/facial
Ajuste da pressão inspiratória (IPAP = PSV): (1) Iniciar VNI com IPAP a 2 cmH2O > PEEP; (2) ↑ IPAP de 2/2 cmH2O,
até Vt adequado; (3) Evitar IPAP > 25 cmH2O; (4) Não deixar de manter orientação ao paciente
Piora
Reavaliar em 2h
Pós-extubação
90
Respiratório
90
RespiratórioVentilação mecânica não invasiva (VNI)
Referências bibliográficas
Gray A, Goodacre S, Newby DE, Masson M, Sampson F, Nicholl J; 3CPO Trialists. Noninvasive ventilation in acute cardiogenic pulmonary edema. NEJM. 2008;359:142-51.
Honrubia T, García López FJ, Franco N, Mas M, Guevara M, Daguerre M, et al. Noninvasive vs conventional mechanical ventilation in acute respiratory failure. A multicenter, randomized
controlled trial. Chest. 2005;128:3916-24.
Popnick JM, Renston JP, bennett RP, Emerman CL. use of a support ventilatory system (biPAP) for acute respiratory failure in the emergency department. Chest. 1999;116:166-71.
Schettino G, Altobelli N, Kacmarek R. Noninvasive positive-pressure ventilation in acute respiratory failure outside clinical trials: experience at the Massachusetts General Hospital.
Crit Care Med. 2008;36:441-7.
Schettino GPP, Reis MA, Galas F, Park M, Franca S, Okamoto V. III Consenso brasileiro De Ventilação Mecânica: Ventilação Mecânica Não Invasiva com Pressão Positiva. Disponível
em: http://www.jornaldepneumologia.com.br/PDF/Suple_151_47_3cap3.pdf [Acesso em 18 maio 2016].
Sinuff T, Cook DJ, Randall J, Allen CJ. Evaluation of a practice guideline for noninvasive positive pressure ventilation for acute respiratory failure. Chest. 2003;123:2062-73.
Organized jointly by the American Thoracic Society, the European Respiratory Society, the European Society of Intensive Care Medicine, and the Société deRéanimation de Langue
Française, and approved by ATS board of Directors, December 2000. International consensus conferences in intensive care medicine: noninvasive positive pressure ventilation in
acute respiratory failure. Am J Respir Crit Care. Med. 2001;163:283-91.
Truwit ID, bernard GR. Noninvasive ventilation – Don’t push too hard. NEJM. 2004;350:2512-5.
RECOMENDAÇÕES PRÁTICAS
• Ventilador apropriado
• Ajustar a pressão expiratória (PEEP)
• Ajustar a pressão inspiratória (IPAP = PSV)
• Máscara adequada (a interface é a ideal?)
• Orientar o paciente detalhadamente
• Ajuste manual da máscara. “Demonstrar que a
máscara pode ser retirada a qualquer momento”
• Ajustar as tiras de fixação da máscara
somente após adaptação do paciente
• Reavaliação frequente
• Utilizar o maior período possível
• Uso de ansiolítico (se necessário/se indicado)
PREDITORES DE SUCESSO DURANTE VNI
• Pacientes mais jovens e menos graves
• Melhor escore neurológico, habilidade para cooperar
• Boa coordenação ventilador/paciente
• Pouco escape de ar, dentição completa
Macete: se houver muito escape, inserir
a prótese dentária do paciente
• A insuficiência respiratória hipercápnica
(PaCO2 > 45 mmHg e < 90 mmHg) tem
mais chance de resposta à VNI do que a
insuficiência respiratória hipóxica
• Melhora na troca gasosa, diminuição na FR e
FC nas primeiras 2 horas de tratamento
FALÊNCIA DA VNI
• FiO2 > 60%
• ↓ do pH e/ ou ↑ PaCO2
• FR > 35 rpm
• ↓ consciência ou agitação
• Instabilidade hemodinâmica
• Arritmias
• Isquemia miocárdica
• Aerofagia
• Intolerância à máscara
COMPLICAÇÕES
• Necrose facial
• Distensão abdominal
• Broncoaspiração
• Hipoxemia transitória
• Ressecamento nasal, oral
e/ou de conjuntiva
• Barotrauma
91
Respiratório
91
RespiratórioBroncospasmo em paciente crítico
Tratamento farmacológico
Droga Apresentação Dose mínima Dose máxima Intervalo (minutos)
Adrenalina Ampolas de 1 mL com 1 mg 0,3 mg, SC 0,5 mg, SC 20
Terbutalina 0,5 mg/mL 0,25 mg, SC 0,75 mg, SC 20
Terbutalina 0,5 mg/mL 250 μg em 10 min, IV + infusão contínua 3 a
12 μg/min
Fenoterol spray 100 ou 200 μg/jato 200 μg 400 μg 20
Fenoterol gotas para
nebulização
5 mg/mL 2,5 a 5,0 mg 10 a 15 mg/h, contínuo 20
Salbutamol spray 100 μg/jato 200 μg 400 μg 20
Salbutamol gotas
para nebulização
5 mg/mL 2,5 a 5,0 mg 10 a 15 mg/h, contínuo 20
Ipratrópio gotas para
nebulização
0,25 mg/mL 0,5 mg 1,5 mg 240
Ipratrópio spray 0,02 mg/jato 2 jatos 12 jatos 240
De modo geral, a utilização de medicamentos inalados em pacientes intubados é menos eficaz pela deposição no tubo traqueal.
Existem espaçadores próprios para ventilação mecânica.
Acompanhar a curva dose/resposta dos medicamentos por meio do surgimento de taquiarritmias, hipocalemia e diminuição da pressão resistiva (Ppico – Pplatô).
I. Beta-agonistas e anticolinérgicos (recomendação grau A)
É essencial a utilização de beta-agonistas em pacientes com broncospasmo. A via de utilização preferen-
cialmente é a inalatória, independentemente de o paciente estar em ventilação espontânea ou mecânica.
A aplicação concomitante de brometo de ipratrópio deve ser sempre adicionada em pacientes com asma
ou DPOC que apresentem VEF1 abaixo de 30%.
Principais causas na UTI: DPOC e asma descompensados, fibrose cística, bronquiectasias, obstrução de
vias aéreas.
Diagnóstico: sibilos, pinçamento de curva de fluxo expiratória, aumento de volume residual, da PEEP
intrínseca e da capacidade residual funcional (alçaponamento).
Droga Dose Via Intervalo
Prednisona 40 a 60 mg VO A cada 12 ou 24 horas
Metilprednisolona 60 a 125 mg IV A cada 6 ou 8 horas
Hidrocortisona 3 a 5 mg/kg/dose IV A cada 4 ou 8 horas
II. Corticosteroide (recomendação grau A)
Todo paciente com broncospasmo grave deve utilizar corticosteroide endovenoso ou por via oral, com
equivalência de eficácia. O tempo total de tratamento deve ser de 10 a 14 dias.
92
Respiratório
92
RespiratórioBroncospasmo em paciente crítico
VENTILAÇÃO INVASIVA
Alteração neurológica ou instabilidade hemodinâmica
Descartar obstrução
mecânica de fluxo aéreo!
Avaliar estados neurológico e hemodinâmico
VNI – p. 89 Sem resposta
Normal
ASMA
1. Peak flow < 30% do previsto
2. VEF1 < 15% previsto
3. Internações e entubações prévias4. Distúrbios psiquiátricos
5. PaCO2 > 45 + hipoxemia
DPOC
1. Com desnutrição grave
2. DPOC classe II ou III
3. Cor pulmonale
4. Internações prévias em uTI
5. Acidose respiratória
6. Hipoxemia grave
Retarda a instituição da VM
Aumenta o trabalho respiratório,
Provoca fadiga muscular, dificul-
tando a retirada futura da VM
Instituir terapia farmacológica
sem melhora
III. Xantinas e sulfato de magnésio (recomendação grau D)
Xantinas: reserva-se o uso somente para casos não responsivos às demais medidas farmacológicas.
Sulfato de magnésio: indicado em casos de asma grave. Administrar somente uma vez durante a internação.
Efeitos colaterais: hipotensão, bloqueio cardíaco, retenção urinária e depressão respiratória.
IV. Oxigenoterapia (recomendação grau A)
Todos os pacientes com saturação de oxigênio abaixo de 92% devem receber suplementação de oxigê-
nio, administrada por cateter nasal, máscara facial ou de Venturi, dependendo da necessidade. Observar
aumento da hipercapnia aos retentores crônicos. Em caso de dessaturação, optar por ventilação não
invasiva. Umidificar O2 para não piorar o broncospasmo.
Dose ataque Dose de manutenção DPOC Hepatopatas
Aminofilina 2,5–5 mg/kg, IV, 30 min 0,5 mg/kg/h 0,4 mg/kg/h 0,2–0,3 mg/kg/h
Sulfato de magnésio 2 g, IV, em 30 min — — —
93
Respiratório
93
RespiratórioBroncospasmo em paciente crítico
Referências bibliográficas
barbas CSV, Pinheiro bV. III Consenso brasileiro de Ventilação Mecânica: Suporte Ventilatório na Crise Asmática. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/jbpneu/v33s2/a05v33s2.pdf
[Acesso em: 15 out 2006].
Dhand R. Inhalation therapy in invasive and noninvasive mechanical ventilation. Curr Opin Crit Care. 2007;13:27-38.
Fernandes A, Munoz J, de la Calle b, Alia I, Ezpeleta A, de la Cal MA, Reyes A. Comparison of one versus two bronchodilatators in ventilated COPD patients. Int Care Med. 1994;20:199-202.
Jezler S, Holanda MA. III Consenso brasileiro de Ventilação Mecânica: Ventilação Mecânica na Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC). Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/
jbpneu/v33s2/a06v33s2.pdf [Acesso em: 15 out 2006].
O’Sullivan PK. The role of magnesium in the emergency department. Emer Med J. 2002;19:288-91.
Spagnolo SV. Status asthmaticus and hospital management of asthma. Immunol Allergy Clin N Am. 2001;21:503-33.
Westphal GA. Hipoventilação controlada e lavado broncoalveolar no estado de mal asmático. Relato de um caso. RbTI. 1997;9:149-53.
VI. Estratégias não convencionais
VII. Ajuste da VM na fase de transição para o desmame (recomendação grau D)
• Mistura hélio-oxigênio (Heliox) – DPOC ou asma refratária (*D)
sua baixa densidade ↓ a resistência das vias aéreas, ↓ a auto-PEEP e o trabalho respiratório
• Broncoscopia com lavado broncoalveolar: asma refratária
remover os plugs de secreção com ↓ da resistência das vias aéreas
• Cetamina endovenosa: tem atividade broncodilatadora e pode ser acrescentada ao esquema de sedação e analgesia – ver p. 189
• Anestésicos inalatórios (isoflurano ou halotano) – asma refratária (*C):
grande atividade broncodilatadora. Isoflurano tem menos efeitos cardiovasculares
• Circulação extracorpórea (*C)
• Otimizar a interação paciente versus ventilador:
– evitar a atrofia e o descondicionamento muscular respiratório
– prevenir o desenvolvimento de fadiga muscular
• Utilizar PEEPe próximo a 85% do PEEPi e reduzir o trabalho inspiratório
• Ventilação com pressão de suporte (PSV) parece ser o melhor modo ventilatório para esta fase de suporte parcial. Utilizar PSV necessário
para FR de 20 a 30 rpm
• Ventilação assistida proporcional (PAV) não é superior à PSV
V. Ventilação mecânica invasiva no broncospasmo grave
META: PEEP intrínseca e otimizar tempo expiratório.
Parâmetro Ventilação invasiva DPOC (*D) Ventilação invasiva da asma grave Ventilação não invasiva
Modo ventilatório Volume ou pressão controlados Pressão ou volume controlados (*D) Espontâneo –
sensibilidade máxima
Volume corrente 6-8 mL/kg 5-7 mL/kg (*B) Variável
Frequência respiratória 10-12/min 7-11/min (*B) 12-15
Volume-minuto Suficiente para manter pH entre 7,2
e 7,4, mesmo com ↑ da PaCO2
Relação I:E 1:5 a 1:8 ↑ 1:3 ou mais
Fluxo inspiratório 5-6 x volume/min ou 40 a 80 L/min > 60 L/min (*B)
Pressão de pico < 45 cmH2O < 50 cmH2O (*B)
Pressão de platô < 30 cmH2O < 35 cmH2O (*B) Não mensurável
PEEPi < 15 cmH2O (*B)
PEEP 85% do valor da auto-PEEP 85% do valor da auto-PEEP (*C) EPAP 4-6 cmH2O
Pressão de suporte (PS) IPAP 12-15 cmH2O
PaCO2 > 40 e < 90 mmHg < 90 mmHg (*B)
pH Entre 7,2 e 7,4 > 7,0 (*B) > 7,2
PaO2 Utilizar FiO2 necessária para PaO2 de 60 a 80 mmHg garantindo SpO2 > 90%
Se o VT cair com PEEP aplicada, haverá provável aumento da hiperinsuflação; então, PEEP está contraindicada.
94
Respiratório
94
RespiratórioVentilação mecânica no pulmão normal
Axiomas da insuficiência respiratória
1. Ventilação alveolar refere-se à remoção de CO2. Insuflação alveolar diz respeito à oxigenação
2. Tentar normalizar o transporte de O2 (DO2) e não apenas a PaO2
3. Todo tratamento que vise à oxigenação (FiO2, PEEP, posição do paciente, uso
de medicamentos inotrópicos etc.) deve sempre levar em conta a SvO2
4. Durante apneia prolongada, a hipoxemia que ocorre é fatal em minutos. A hipercapnia,
isoladamente, nunca é fatal
5. Ao aumentar a FiO2, há diminuição do nitrogênio alveolar, podendo ocasionar
atelectasias de reabsorção. Manter a menor FiO2 possível
6. Após a estabilização hemodinâmica inicial, tentar manter o paciente o mais “seco” possível
7. Não confundir pressões de enchimento (PVC, POAP) com volemia
Referências bibliográficas
bartlett RH. Critical care physiology. boston: Little, brown and Company; 1996.
Ferguson ND. Low tidal volume for all? JAMA. 2012;308:1689-90.
Lellouche F, Lipes J. Prophylactic protective ventilation: lower tidal volumes for all critically ill patients? Intensive Care Med. 2013;39:6-15.
1. Sedar o paciente (p. 189).
2. Escolher modo assistocontrolado. Ciclagem à pressão ou
volume conforme a familiaridade da equipe.
3. Iniciar com volume corrente (VT) de 6-8 mL/kg do peso ideal (p. 237).
4. Frequência respiratória (FR) inicial de 12-16/min com o objetivo de atingir um
volume/min de 6 a 10 l (em adultos de 70 kg). Ajustes posteriores conforme
PaCO2. Evitar altas frequências que possam levar ao auto-PEEP.
5. Volume-minuto (VM)= VT x FR. Aumento do volume-minuto cursa com
diminuição da PaCO2. Para ajustar a PaCO2, aplicar a seguinte fórmula:
VM desejado = VM atual x PaCO2 atual
PaCO2 desejado
6. Usar PEEP de 8 cmH2O.
7. Tempo inspiratório de 1-1,2 s. Diretamente ajustado no modo pressão-controlada e
indiretamente no modo volume-controlado por meio do fluxo e do volume corrente
(fluxo inspiratório = 3 a 5 vezes VM).
8. Relação I:E de 1:2-1:3. É dependente do tempo inspiratório e da frequência
respiratória. Pode ser ajustada diretamente em alguns ventiladores.
9. Iniciar com fração inspirada de O2 (FiO2) de 100%. Após a estabilização, reduzir
a FiO2 até um valor mínimo necessário para manter SpO2 ≥ 90%. Não há
necessidade de manter a SpO2 muito maior que 90%. Evite FiO2 > 60%.
10. A sensibilidade do disparo deve ser a menor possível, sem que haja autodisparo do ventilador.
Sugere-se iniciar com valores de -2 cmH2O nos disparos à pressão ou 2 L/min nos disparos a fluxo.
11. Sempre manter a pressão de platô de vias aéreas < 30 cmH2O.
95
Respiratório
95
Respiratório
Figura 1. Algoritmo para diagnóstico e tratamento da assincronia paciente-ventilador
Figura 2.
Assincronia ventilatória: análise dos gráficos
Disfunção respiratória
Desconectar paciente da VM e
ventilar manualmente com ambu
Problema com ventilador mecânico
Avaliar causas de dissencronia
Figuras 2, 3 e 4
Problema com paciente
• Obstrução de vias aéreas
• Deslocamento do TOT/traqueostomia
• Pneumotórax
• Broncospasmo
• Atelectasia
• Congestão pulmonar
Melhorou Não melhorou
Fl
ux
o
A B
Fl
ux
o
Pr
es
sã
o
Pr
es
sã
oDissincronia de disparo
A - Disparo inefetivo
B - Autodisparo
96
Respiratório
96
Respiratório
Figura 3.
Figura 4.
Assincronia ventilatória: análise dos gráficos
Tempo
Pr
es
sã
o
de
v
ia
a
ér
ea
Disssincronia de fluxo
A – Fluxo inspiratório excessivo (rápido)
B – Fluxo inspiratório (lento)
Fl
ux
o
Pr
es
sã
o
Fl
ux
o
Pr
es
sã
o
A B
Dissincronia de término
A - Término precoce
B - Término tardio
97
Respiratório
97
RespiratórioAssincronia ventilatória: análise dos gráficos
Quadro 1.
Tipo de
dissincronia
Causas Terapêutica
Disparo inefetivo
(Figura 2-A)
• Hiperinsuflação dinâmica (PEEP intrínseca)
• Redução do drive respiratório
(ex: excessiva sedação)
• Fraqueza da musculatura respiratória
• Ajuste inadequado do respirador (trigger
insensível)
• Oferta de altas pressões de via aérea (ex: altos
volumes-minutos)
• Tratamento da hiperinsuflação dinâmica
(uso de broncodilatadores e manobras
que levem ao prolongamento do tempo
expiratório)
• Revisão do botão de ajuste do trigger
ventilatório
• Redução do volume-minuto ofertado
Autodisparo
(Figura 2-B)
• Limiar de disparo (fluxo ou pressão)
muito sensível
• Presença de vazamentos, líquido no circuito
ventilatório ou oscilações cardíacas vigorosas
(ex: pós-operatório de cirurgia cardíaca, jovens
com elevados volumes sistólicos de ejeção)
• Ajuste da frequência respiratória muito baixa
• Redução da sensibilidade do disparo
Fluxo inspiratório
rápido
(Figura 3-A)
• Rise-time muito acelerado (ventilação a
pressão)
• Taxa de fluxo muito elevada (ventilação a volume)
• Aumento do rise-time (pressurização mais
lenta)
• Redução da taxa de fluxo inspiratório
Fluxo inspiratório
lento
(Figura 3-B)
• Rise-time muito lento (ventilação a pressão)
• Baixas taxas de fluxo (ventilação a volume)
• Redução do rise-time (pressurização
mais rápida)
• Aumento da taxa fluxo inspiratório
Término
inspiratório
precoce
(Figura 4-A)
• Ventilações controladas (tempo inspiratório
curto, reduzida oferta de pressão
ou volume)
• PSV (ciclagem com altas percentagens do pico
de fluxo)
• Aumento do tempo inspiratório
• Aumento do volume corrente ou da
pressão inspiratória
• Ciclagem mais tardia na PSV (menor
percentagem do pico de fluxo)
Término
inspiratório tardio
(Figura 4-B)
• Ventilações controladas (tempo inspiratório
longo ou excesso de oferta de pressão
ou volume)
• PSV (ciclagem com baixas percentagens do
pico de fluxo)
• Redução do tempo inspiratório
• Redução do volume corrente ou da
pressão inspiratória
• Ciclagem mais precoce na PSV (maior
percentagem do pico de fluxo)
Referência bibliográfica
Epstein S. How often does patient-ventilator asynchrony occur and what are the consequences? Respir Care. 2011;56(1):25-38.
Kondili E, Prinianakis G, Georgopoulos D. Patient-ventilator interaction. br J Anaesth. 2003;91(1):106-19.
Racca F, Squadrone V, Ranieri V. Patient-ventilator interaction during the triggering phase. Respir Care Clin N Am. 2005;11(2):225-45.
Thille A, Rodriguez P, Cabello b, Lellouche F, brochard L. Patient-ventilator asynchrony during assisted mechanical ventilation. Intensive Care Med. 2006;32(10):1515-22.
Tobin M, Alex C, Fahey P. Fighting the ventilator. In: Tobin M, ed. Principles & Practice of Mechanical Ventilation. 2nd ed. New York: McGraw-Hill; 2006.
98
Respiratório
98
Respiratório
1. Conceito
É a inflamação generalizada aguda do parênquima pulmonar, causada por diferentes patologias pul-
monares ou extrapulmonares. É caracterizada por infiltrados pulmonares difusos, ↓ da complacência
pulmonar e hipoxemia.
2. Diagnóstico e classificação
A SDRA é classificada em leve, moderada e grave, conforme a oxigenação arterial. O diagnóstico se
dá pela associação dos critérios 1 + 2 + 3 + 4 da tabela a seguir.
Síndrome do desconforto
respiratório agudo (SDRA)
3. Como ventilar?
Objetivos principais:
- Causar mínimo estresse pulmonar com a ventilação mecânica.
- Nunca Pplatô > 30 cmH20; nunca Vt > 6 mL/kg de peso predito.
- Sempre PEEP suficiente para manter os pulmões abertos, evitando efeitos deletérios do “abre e
fecha” alveolar.
1 Sedação e analgesia adequadas. A sedação adequada promove conforto e ↓ do trabalho respiratório
Evitar paralisia farmacológica contínua, no entanto é possível que o uso de bloqueadores neuromusculares
nos primeiros momentos da SDRA ↓ a mortalidade
2 Recomenda-se Vt baixo (≤ 6 mL/kg de peso ideal)
É nítida a diminuição da mortalidade quanto menor a Pplatô utilizada
→ Nunca ultrapassar os 30 cmH2O
Iniciar com Vt de 6 mL/kg. Se Pplatô > 30 cmH2O, reduzir Vt até 4 mL/kg
3 Frequência respiratória entre 15-20 ciclos/min. Se utilizar Vt muito baixo, considerar elevar a FR até
30-35 ciclos/min, para manter volume/minuto
4 Caso necessário, tolerar níveis de PaCO2 até 80-90 mmHg, tentando manter pH > 7,2
Se níveis muito elevados ou contraindicação à hipercapnia (hipertensão intracraniana), considerar
insuflação traqueal de gás (ver Insuflação traqueal de gás) ou remoção extracorpórea de CO2
5 PEEP: deve ser sempre utilizada em pacientes com SARA para minimizar o potencial de lesão pulmonar
É controverso o valor da PEEP a ser utilizada (PEEP ↓ ou PEEP ↑)
Há racional em utilizar níveis altos de PEEP (> 15 cmH2O) naqueles pacientes que responderam à
manobra de recrutamento alveolar
A utilização de níveis elevados de PEEP (> 15 cmH2O) provavelmente é benéfica naqueles pacientes com
SDRA grave (PaO2/FiO2 < 100)
O método de determinação da melhor PEEP também é controverso. Ver tabelas A e B
1. Hipóxia
SARA leve PaO2/FiO2 entre 201 e 300 mmHg com PEEP ≥ 5 cmH2O
SARA moderada PaO2/FiO2 entre 101 e 200 mmHg com PEEP ≥ 5 cmH2O
SARA grave PaO2/FiO2 ≤ 100 mmHg com PEEP ≥ 5 cmH2O
2. Evolução dos sintomas Início ou piora dos sintomas respiratórios, dentro de 1 semana, após um evento agudo
3. Exames de imagem torácica
(radiografia ou TAC)
Opacidades bilaterais que não sejam explicadas por derrame pleural, atelectasia ou
nódulos pulmonares
4. Origem do edema pulmonar A insuficiência respiratória não pode ser completamente explicada por insuficiência cardíaca
ou sobrecarga hídrica. Se não houver fator de risco claro para SARA, considerar realização
de exames objetivos, como ecocardiograma, para excluir edema pulmonar hidrostático
99
Respiratório
99
Respiratório
6 Usar FiO2 necessária para PaO2 ≥ 60 mmHg e/ou SpO2 ~ 92%
Ter como objetivos FiO2 < 70% e SpO2 ~ 92%
→ Não são necessárias SpO2 muito maiores que 92%
Níveis continuamente elevados de FiO2 podem causar atelectasias de reabsorção
7 Usar o modo ventilatório com o qual a equipe tenha maior familiaridade (PCV ou VCV)
8 Procurar manter a driving pressure (pressão de platô – PEEP) menor do que 15 cmH2O
Síndrome do desconforto
respiratório agudo (SDRA)
4. Insuflação traqueal de gás (ITG)
A insuflação de gás (oxigênio ou ar) na traqueia reduz a PaCO2 basicamente pela diminuição do espaço
morto fisiológico, “lavando” o CO2 do ar expirado
Como fazer:
a. Posicionar um cateter 14 G (cateter venoso central BD®) através do tubo traqueal 2 a 3 cm acima
da carina
b. O cateter pode ser introduzido por meio de um adaptador (swivel). Atentar para a vedação a fim de
evitar vazamento de ar. Como alternativa, “puncionar” o tubo traqueal com a agulha do cateter e
fixar a agulha no tubo com esparadrapo
c. Conectar, utilizando um tubo látex, um umidificador com fluxo de 4 a 8 L/min de oxigênio ou ar
comprimido ao cateter de subclávia. É muito precária a umidificação desse modo. Suspender a ITG
o mais precocemente possível para evitar ressecamento de secreções
QUANDO USAR CORTICOSTEROIDES?
1. Apresentação inicial muito grave (PaO2/FiO2 < 200 com PEEP > 10 cm H2O)
Prescrever metilpredinisolona 1 mg/kg/dia
2. Outra possibilidade, porém com dose maior de metilprednisolona (2 mg/kg/dia), é para aqueles pacientes que não
melhoram (sem diminuição de pelo menos 1 ponto do escore LIS) após 1 semana de tratamento
Manter esta dose por 2 a 3 semanas e ir reduzindo gradativamentepelas 2 semanas seguintes (tempo total de uso:
4 a 5 semanas)
CUIDADOS IMPORTANTES
1. Vigilância intensiva de quadro infeccioso, iniciando antibiótico quando houver suspeição clínica
2. Evitar uso concomitante de curare
3. Não suspender subitamente o corticosteroide, pois há a possibilidade de exacerbação da inflamação pulmonar com
piora clínica
100
Respiratório
100
Respiratório
5. Maneiras para determinar a melhor PEEP
B. PEEP x FiO2: ajustar a PEEP conforme a FiO2 necessária para SpO2 > 90%
FiO2 0,3 0,4 0,4 0,5 0,5 0,6 0,7 0,7 0,7 0,8 0,9 0,9 0,9 1,0
PEEP 5 5 8 8 10 10 10 12 14 14 14 16 18 20–24
A. PEEP que proporciona a maior complacência
Complacência estática: Cst = Vt/(Pplatô – PEEP)
1 Volume controlado com Vt 4 mL/kg e fluxo de 60 L/min
2 FR 10 com pausa inspiratória de 2 segundos para o cálculo da
complacência estática
3 FiO2 = 100% e ZEEP
4 Manobra de recrutamento alveolar por 1 a 2 min
5 Voltar ao modo volume controlado com 4 mL/kg, ajustar PEEP em
25 cmH2O e reduzi-la progressivamente de 2 em 2 cmH2O; ajustar
pausa inspiratória entre 1 e 2 s
6 Aguardar 4 minutos em cada patamar de PEEP
7 Verificar e anotar Pplatô no último ciclo de cada patamar durante a
pausa inspiratória
8 Calcular complacência estática para cada nível de PEEP
9 Diminuir progressivamente a PEEP até um valor em que a
complacência comece a diminuir de forma evidente
10 Identificar a PEEP em que a complacência alcançou o seu valor máximo
11 PEEP que corresponde à maior complacência, somada a 2 cmH2O, é a
“melhor PEEP”
12 Realizar novo recrutamento e retornar à “melhor PEEP”
Manobra de recrutamento
Modo pressão controlada
FiO2 = 100%, FR = 10 rpm
PEEP = 25 cmH2O
Ppico = 20 cmH2O acima da PEEP
I:E = 1:1
Por 1 ou 2 minutos, monitorar
continuamente PA, ritmo e SPO2
Abortar caso instável
IMPORTANTE
• Garantir expansão volêmica
adequada mantendo a variação
respiratória da pressão de
pulso arterial (∆PP) < 13%
antes da aplicação da PEEP
• Para calcular ∆PP, usar Vt entre 8 e
10 mL/kg e PEEP < 8 cmH2O (p. 61)
• Elevação da ∆PP após elevação da
PEEP – provável ↓ do débito cardíaco
Síndrome do desconforto
respiratório agudo (SDRA)
101
Respiratório
101
Respiratório
Paciente com SDRA
Manobra de recrutamento alveolar (MRA) 1-2 min
1. FiO2 = 100%
2. Pressão controlada de 20 cmH2O acima da PEEP
3. PEEP = 25 cmH2O
4. FR = 10 rpm
5. I:E = 1:1
Não há evidências de que a melhora
nas trocas gasosas após MRA implique
benefícios no desfecho clínico (*b)
IMPORTANTE: manter cuidados
nutricionais durante posição prona:
Posicionar SNE pós-pilórica se possível,
cabeceira elevada, manter procinéticos
fixos, iniciar dieta após a primeira hora
(30 mL/h até a 6a hora, 40 mL/h até
a 12a hora e 50 mL/h até uma hora
antes de retornar à posição supina)
Ventilar (Tabela 3) com a melhor PEEP
encontrada (Tabela 5A ou 5b)
Contraindicada em caso de:
Instabilidade hemodinâmica (com aumento de
dose de vasopressor)
Avaliar riscos e benefícios em casos de:
- Arritmias graves
- Fraturas pélvicas
- Hipertensão intracraniana
- Instabilidade da medula espinhal
- Peritoniostomia
- Cirurgia cardíaca ou esternotomia recente
- Traqueostomia há menos de 24h
- Gestação
- Hipertensão abdominal
- Trauma de face
- Hemoptise ou hemorragia alveolar
- Fístula broncopleural
- Cirurgia oftalmológica ou aumento de
pressão ocular
Atentar para complicações:
- Queda de SpO2 > 10%
ou SpO2 < 90% por mais
de 10 minutos em prona
- Piora hemodinâmica
- Arritmia aguda
- PCR
- Deslocamento de
prótese ventilatória
Resposta à posição prona:
- PaO2/FiO2 > 20 do basal
- PaO2 > 10 mmHg do basal
Manter posição prona por no mínimo 16h
Retornar para
posição supina
Considerar repetir
MRA, ECMO ou
ECCO2
Não se justifica, em pacientes adultos com SDRA, o uso rotineiro de:
• oxigenação extracorpórea ou remoção extracorpórea de CO2 (*b);
• óxido nítrico inalado (*A);
• surfactante (*B)
Após o período de
ressuscitação volêmica
inicial, manter o paciente o
mais “seco” possível
*Grau de recomendação
Sim
Não
Se presentes
PaO2/FiO2 < 300
Repetir MRA com PEEP = 35 a
40 cmH2O. ↑ PEEP em 2 cmH2O
em relação à PEEP anterior
Objetivo atingido
PaO2/FiO2 > 300
Considerar posição prona se:
PaO2/FiO2 ≤ 150 com PEEP > 10 e FiO2 > 60% nas
primeiras 48h dos sintomas e/ou na impossibilidade
de manter VM protetora e/ou disfunção de VD
É provável que haja diminuição da mortalidade em pacientes com
SDRA grave ventilados precocemente em posição PRONA, por
períodos prolongados de tempo e por vários dias consecutivos
PaO2/FiO2 < 300
PaO2/FiO2 > 300
Síndrome do desconforto
respiratório agudo (SDRA)
102
Respiratório
102
Respiratório
Referências bibliográficas
Amato MbP, Meade MO, Slutski AS, brochard L, Costa ELV, Schoenfeld DA, et al. Driving pressure and survival. NEJM. 2015;372:747-55.
ARDS Definition Task Force, Ranieri VM, Rubenfeld GD, Thompson bT, Ferguson ND, Caldwell E, Fan E, et al. Acute respiratory distress syndrome: the berlin Definition. JAMA.
2012;307(23):2526-33.
Gattinoni L, Carlesso E, brazzi L, Caironi P. Positive end-expiratory pressure. Curr Opin Crit Care. 2010;16:39-44.
Guérin C, Reignier J, Richard JC, beuret P, Gacouin A, boulain T, et al.; PROSEVA Study Group. Prone Positioning in Severe Acute Respiratory Distress Syndrome. N Engl J Med.
2013;368(23):2159-68.
Hotchkiss JR, broccard AF. Modulating cofactors of acute lung injury 2005-2006: any closer to “prime time”? Curr Opin Crit Care. 2007;13:39-44.
Marini JJ, Gattinoni L. Ventilatory management of acute respiratory distress syndrome: a consensus of two. Crit Care Med. 2004;32(1):250-5.
Meduri uG, Marik PE, Annanne D. Prolonged glucocorticoid treatment in acute respiratory distress syndrome: evidence supporting effectiveness and safety. Crit Care Med. 2009;37:1800-2.
Michard F, Chemla D, Richard C, Wysocki M, Pinsky MR, Lecarpentier Y, Teboul J. Clinical use of respiratory changes in arterial pulse pressure to monitor the hemodynamic effects
of PEEP. Am J Respir Crit Care Med. 1999;159:935-9.
Oliveira VM, Weschenfelder ME, Deponti G, Condessa R, Loss SH, bairros PM, et al. Good practices for prone positioning at bedside: Construction of a care protocol. Rev Assoc Med
bras. 2016;62(3):287-93.
Papazian L, Forel JM, Gacouin A, Penot-Ragon C, Perrin G, Loundou A, et al.; ACuRASYS Study Investigators. Neuromuscular blockers in early acute respiratory distress syndrome.
N Engl J Med. 2010;363:1107-16.
The National Heart, Lung, and blood Institute. Acute Respiratory Distress Syndrome (ARDS) Clinical Trials Network. Comparison of two fluid-management strategies in acute lung
injury. N Engl J Med. 2006;354:2564-75.
Síndrome do desconforto
respiratório agudo (SDRA)
103
Respiratório
103
RespiratórioUso de óxido nítrico inalado (NOi)
O NOi dilata seletivamente os vasos pulmonares que perfundem zonas bem ventiladas, resultando em
melhor relação V/Q, melhor oxigenação e redução da hipertensão pulmonar.
Entretanto, não há recuperação da oxigenação em todos os pacientes, e os fatores que determinam a
capacidade de resposta são incertos. Não há redução da mortalidade com o uso.
Indicação
• Terapia de resgate na SDRA com hipertensão pulmonar MAIS hipoxemia refratária (PaO2 < 90 mmHg
com FiO2 de 1,0) às medidas convencionais (uso de PEEP, manobras de posicionamento, modificações
na relação I:E).
Outra possibilidade de uso
• Cor pulmonale agudo grave de diversas etiologias.
Dosagem
O NOi é administrado de 2 a 40 partes por milhão (ppm). No adulto, usualmente, a dose que ocasiona a
melhor oxigenação está em torno de 10 ppm.
Titulação
Etapa 1: Realizar teste com inalação de NO 40 ppm durante 1 hora.
Coletar gasometria arterial.
Etapa 2: Reduzir a dose a cada 30 minutos para 20 ppm – 10 ppm – 5 ppm.
Coletar gasometrias arteriais após cada redução de dosagem.
Etapa 3: A dose mínima de NO que induza a resposta máxima na PaO2 é considerada a dose ideal.
A concentração inalada de NO2 deve ser mantida emníveis inferiores a 3 ppm.
Observações
Conceitua-se resposta positiva o aumento de pelo menos 20% na PaO2 durante a titulação. Caso não haja
esse aumento mínimo, provavelmente a aplicação de NOi não será benéfica, apesar de o efeito máximo
do NOi poder demorar até 4 horas para manifestar-se.
O NO pode ser usado continuamente por dias a semanas. Interrupções súbitas ou tentativas de interromper
a terapia podem resultar em piora da oxigenação e aumento da pressão da artéria pulmonar, portanto o
desmame deve ser lento e progressivo. Pacientes tratados com NOi contínuo podem tornar-se sensibili-
zados, respondendo pouco a grandes doses. Deve-se rever a titulação diariamente.
Reações adversas
A toxicidade potencial do NO relaciona-se com a formação de meta-hemoglobina e dióxido de nitro-
gênio (NO2).
O NO liga-se à hemoglobina formando a meta-hemoglobina, uma forma de hemoglobina que não carreia
oxigênio. Quando a concentração é elevada nas hemácias, pode ocorrer “anemia funcional” e hipoxia
tissular. Normalmente, os níveis de meta-hemoglobina são < 1%. O uso clínico de até 40 ppm em adultos
não causa meta-hemoglobinemia, se não houver deficiência na redutase desta.
O NO2 é tóxico para o organismo, podendo desencadear quadro de edema pulmonar e grave disfun-
ção renal.
104
Respiratório
104
RespiratórioUso de óxido nítrico inalado (NOi)
Referências bibliográficas
Cuthbertson bH. uK Guidelines for use of inhaled nitric oxide therapy in adults ICus. Intens Care Med. 1997;23:1212-8.
Dellinger RP, Zimmerman JL, Taylor RW, Straube RC, Hauser DL, Criner GJ, et al. Effects of inhaled nitric oxide in patients with acute respiratory distress syndrome: results of a
randomized phase II trial. Inhaled Nitric Oxide in ARDS Study Group. Crit Care Med. 1998;26:15-23.
Griffiths MJD, Evans TW. Inhaled nitric oxide therapy in adults. N Engl J Med. 2005;353(25):2683-95.
Zwissler b, Kemming G, Habler O, Kleen M, Merkel M, Haller M, et al. Inhaled prostacyclin (PGI2) versus inhaled nitric oxide in adult respiratory distress syndrome. Am J Respir Crit
Care Med. 1996;154:1671-7.
Instalação
A administração pode ser contínua ou sincronizada na fase de inspiração. É importante minimizar o tempo
de mistura e contato do NO e do O2, evitando a formação de NO2. Assim, o ponto de administração deve
estar o mais próximo possível do paciente, conforme mostra a figura.
Fluxômetro
Paciente Ventilador
Monitor de NO e NO2
INSP
EXP
N2/NO
Contraindicações
1. Absoluta: na presença de déficit de redutase da meta-hemoglobina. Condição rara que pode ser sur-
preendida com a dosagem da meta-hemoglobina previamente ao início da terapia.
2. Relativas: na presença de diátese hemorrágica, hemorragia intracraniana e falência cardíaca esquerda
grave (classe III ou IV da NYHA).
105
Respiratório
105
Respiratório
Paciente acordado Paciente agitado/desconfortável
Causa determinada e corrigida?
Estridor após extubação
EXTubAR
• Analgesia e sedação em bolo
• Reiniciar as soluções com a
metade da taxa de infusão prévia
• Avaliar possibilidade de
abstinência ao opioide (p. 193)
Há sinais de intolerância?
• FR >35 ou SO2 < 90% ou f/Vt > 106 ou
• FC >140 ou alteração abrupta da PA ou
• Agitação, sudorese ou nível de consciência ou
• Respiração paradoxal
• Retorno para VM
• Correção dos distúrbios clínicos e hidreletrolíticos
• Determinar causas da falha
• Avaliar Extubação
• Pode ser precedida por teste de escape de vias aéreas
• Quadro I
Há risco de edema laríngeo?
• História de estrindor laríngeo ou
• Escape aéreo < 10-18% ou < 110 mL
Metilprednisolona 20 mg, IV, 4/4h
• Deve ser iniciada no mínimo
12h antes da extubação
Sem resposta adequada em 1 hora:
• Reintubar
• Manter corticoide
Considerar:
• Metilprednisolona 0,5 mg/kg/dia
• Nebulizar com adrenalina (1 mg/5 mL
NaCl 0,9%)
• Inalação com hélio 40% + oxigênio 60%
Inserir cateter para troca
de tubo orotraqueal
Sem sintomas após 1h:
Remover cateter de troca
EXTubAR
Retorno para VM por 24h
Correção dos distúrbios clínicos e
hidreletrolíticos
Avaliar causas de falência de desmame
Quadro II
Novo teste de ventilação espontânea em 6 a 8h
Novo teste de ventilação espontânea em 24h
Em pacientes com entubação prolongada o teste
pode ser estendido até 2h
Desmame ventilatório
“O DESMAME INICIA-SE LOGO APÓS A INTubAÇÃO”
Teste de ventilação espontânea por 30 min
Tubo T ou PSV = 7 cmH2O + PEEP ≤ 5 cmH2O
Avaliar possibilidade de interrupção diária da sedação
Paciente preenche critérios de desmame?
• Reversão do processo que provocou a
insuficiência respiratória aguda
• Adequada oxigenação:
- PaO2 > 60 mmHg com FiO2 ≤ 0,4 e
PEEP < 5 a 8 cmH2O
• Capacidade de iniciar esforço respiratório
• Tosse eficaz
• Estabilidade hemodinâmica:
- ausência de isquemia miocárdica
aguda e
- ausência de hipotensão clinicamente
significativa (sem vasopressores ou
doses mínimas)
• Estabilidade neurológica Glasgow > 8
ou traqueostomia
• Índice de Tobin: f/Vt < 106
• Ausência de distúrbios hidreletrolíticos
graves
• Sem programação de cirurgia/exame
com sedação nas próximas 24h
• Balanço hídrico zerado a negativo
Suspender as soluções de sedoanalgesia
Cabeceira elevada
Evitar SIMV (A)
VNI
• Iniciada imediatamente após extubação pode
reduzir a taxa de reintubação em pacientes com
DPOC, principalmente retentores de CO2.
• Se falência respiratória pode aumentar a
mortalidade se houver demora na reintubação
Mobilização precoce
A estratégia para reabilitação com interrupção
da sedação, fisioterapia e terapia ocupacional
precoce resulta em menor duração de delírio e
mais dias livres de ventilação
Sim
Sim Não
Sim
Não
Não
Tolerou Não tolerou
Sim
106
Respiratório
106
Respiratório
TESTE DE ESCAPE DE VIAS AÉREAS
• Com o paciente em VM, verificar o volume expiratório após aspirar bem a boca e a
traqueia e desinflar o balonete
• Escape aéreo < 110 mL prediz edema e estridor laríngeo em 80% dos pacientes
• Tratamento com metilprednisolona pode reduzir a ocorrência de estridor
pós-extubação quando o escape aéreo < 110 mL
EXTUBAÇÃO
• Cabeceira entre 30° e 45° antes de extubar
OUTROS ASPECTOS
• Avaliar contribuição dos trocadores de calor (filtros higroscópicos) na falência
do desmame
• Transfusão sanguínea não está indicada para facilitar desmame
Causas de falência de desmame da VM:
• Depressão do drive ventilatório: sedativos, opioides, neurológico
• Desequilíbrio entre a carga e a capacidade da musculatura respiratória: aumento
da resistência de vias aéreas, auto-PEEP, fraqueza muscular, secreção abundante e
espessa, redução da complacência pulmonar (edema, consolidação, fibrose) ou da
parede torácica (obesidade, distensão abdominal, efusão pleural)
• Distúrbios metabólicos e hidreletrolíticos
• Desnutrição
• Dor, ansiedade, abstinência, delírio
• Disfunção cardíaca: ICC e insuficiência coronariana
• Inadequada reversão da causa da insuficiência respiratória
MÉTODOS DIAGNÓSTICOS NÃO INVASIVOS
PARA DISFUNÇÃO CARDÍACA INDUzINDO
FALHA NO DESMAME VENTILATÓRIO
1. Ecocardiograma transtorácico
2. Dosagem de proteínas totais séricas e
hemoglobina imediatamente antes e após
tentativa de desmame: um aumento na
concentração de proteínas plasmáticas maior
que 6% e de hemoglobina maior que 6,5%
durante o desmame ventilatório significa edema
pulmonar hidrostático induzido pelo desmame
(sensibilidade de 87% e 93% e especificidade de
95% e 77%, respectivamente)
3. Medida de SvcO2 antes e depois do desmame:
queda maior que 4,5% pode indicar maior falha
na extubação.
PROVAS TERAPÊUTICAS
• Diurético (furosemida) quando mecanismo for
excesso de pré-carga
• Vasodilatador (nitrato) quando mecanismo for
aumento de pós-carga
Desmame ventilatório
Quadro I
Quadro II
Referências bibliográficas
Epstein SK. Weaning from ventilatory support. Curr Opin Crit Care. 2009;15:36-43.
Girard TD, Kress JP, Fuchs bD, Thomason JW, Schweickert WD, Pun bT, et al. Efficacy and safety of a paired sedation and ventilator weaning protocolfor mechanically ventilated
patients in intensive care (Awakening and breathing Controlled trial): a randomised controlled trial. Lancet. 2008;371:126-34.
Goldwasser R, Farias A, Freitas EE, Saddy F, Amado V, Okamoto V. III Consenso brasileiro de Ventilação Mecânica: desmame e interrupção da ventilação mecânica. Disponível em:
http://www.scielo.br/pdf/jbpneu/v33s2/a08v33s2.pdf [Acesso em: 15 out 2006].
Kress JP, Pohlman AS, O’Connor MF, Hall Jb. Daily interruption of sedative infusions in critically ill patients undergoing mechanical ventilation. N Engl J Med. 2000;342:1471-7.
MacIntyre NR, Cook DJ, Ely EW Jr, Epstein SK, Fink Jb, Heffner JE, et al.; American College of Chest Physicians; American Association for Respiratory Care; American College of
Critical Care Medicine. Evidence-based guidelines for weaning and discontinuing ventilatory support: a collective task force facilitated by the American College of Chest Physicians,
the American Association for Respiratory Care, and the American College of Critical Care Medicine. Chest. 2001;120(Suppl):375S-395S.
Oliveira LRC, José A, Dias EC, et al. Protocolo de desmame da ventilação mecânica: efeitos da sua utilização em uma unidade de terapia intensiva. um estudo controlado, prospectivo
e randomizado. RbTI. 2002;14:22-32.
Ornico SRP, Lobo SMA, Sanches HS, Deberaldini M, Tófoli LT, Vidal AM, et al. Noninvasive ventilation immediately after extubation improves weaning outcome after acute respiratory
failure: a randomized controlled trial. Crit Care. 2013;17:R39.
Schweickert WD, Pohlman MC, Pohlman AS, Nigos C, Pawlik AJ, Esbrook CL, et al. Early physical and occupational therapy in mechanically ventilated, critically ill patients: a rando-
mised controlled trial. Lancet. 2009;373:1874-82.
Teboul JL, Monet X, Richard C. Weaning failure of cardiac origin: recent advances. Critical Care. 2010;14:211.
Teboul JL. Weaning-induced cardiac dysfunction: where are we today? Intensive Care Med. 2014;40:1069-79.
Teixeira C, Silva Nb, Savi A, Vieira SRR, Nasi LA, Friedman G, et al. Central venous saturation is a predictor of reintubation in difficult-to-wean patients. Crit Care Med. 2010;38(2):491-6.
Wanzuita R, Poli-de-Figueiredo LF, Pfuetzenreiter F, Cavalcanti Ab, Westphal GA. Replacement of fentanyl infusion by enteral methadone decreases the weaning time from mechanical
ventilation: a randomized controlled trial. Crit Care. 2012;16:R49.
Wittekamp bH, van Mook WN, Tjan DH, Zwaveling JH, bergmans DC. Clinical review: post-extubation laryngeal edema and extubation failure in critically ill adult pacients. Crit Care.
2009;13:233.
107
Respiratório
107
RespiratórioTromboembolismo pulmonar (TEP)
Quadro clínico
Dor pleurítica, taquipneia, hemoptise, dispneia, taquiarritmias, hipoxemia, síncope ou pré-síncope e eventual
instabilidade hemodinâmica.
Suspeita clínica de TEP
Critérios de Wells No de pontos
Sinais clínicos e sintomas de TVP 3
Diagnóstico alternativo menos provável que TEP 3
Frequência cardíaca > 100 bpm 1,5
Imobilização ou cirurgia nas 4 semanas 1,5
TVP ou TEP prévios 1,5
Hemoptise 1
Câncer 1
Pulmonary Embolism Rule-Out Criteria
(PERC)
Característica Presente Ausente
Idade < 50 anos 0 1
FC inicial < 100 bpm 0 1
SpO2 inicial < 94% em
ar ambiente 0 1
Sem edema unilateral
de membros inferiores 0 1
Sem hemoptise 0 1
Sem cirurgia ou trauma
nas últimas 4 semanas 0 1
Sem história de TEV 0 1
Sem uso de estrogênio 0 1
0-3 pontos:
probabilidade baixa
4-10 pontos:
probabilidade intermediária
≥ 11 pontos:
probabilidade alta
PERC
≥ 1
0
Tratar
Não Sim
NãoNão
Investigar
outra causa
Investigar
outra
causa
SimSim
TratarPossibilidade
de realizar
exame de
imagem
Não
Ecocardiografia
Sobrecarga de VD
Sim
Exame de
imagem do
algoritmo 2
com alterações
Estável hemodinamicamente?
Estável = sem hipotensão (PAS < 90 mmHg
ou queda na PAS ≥ 40 mmHg não explicada
por arritmia, sepse ou hipovolemia), sem
choque cardiogênico e sem PCR
D-dímero (Elisa)
Não
Investigar
outra causa
Sim
Tratar
D-dímero ≤ 500 ng/mL
(VPN = 96%)
Investigar
outra causa
D-dímero > 500 ng/mL
Exame de imagem do
algoritmo 2 com alterações
ATENÇÃO
“D-dímero elevado
NÃO é diagnóstico
de TEP”
Continuar a
investigação!!
108
Respiratório
108
RespiratórioTromboembolismo pulmonar (TEP)
- Doppler venoso de MMII
(+ em 50% dos pacientes com TEP ou 15% dos pacientes com suspeita de TEP)
• Negativo ou
• Não disponível
- Cintilografia V/Q
• Alta probabilidade (VPP = 85% a 90%)
• Moderada probabilidade (TEP em 30%)
• Baixa probabilidade (TEP em 15%)
• Dúvida ou
• Não disponível
• Negativo ou
• Não disponível
- Angiografia de artéria pulmonar
• Padrão-ouro
• Indicada quando outros métodos não identificaram TEP
• Alto custo e riscos maiores
• Angiografia negativa (TEP em 1,6%)
- Angiotomografia de tórax
• Sensibilidade: 83%
• Especificidade: 90%
Investigação negativa
Não é TEP
Se perfusão normal – excluir TEP
Cintilografia pulmonar
• Em caso de doença preexistente (DPOC, PNM ou atelectasia), a especificidade é muito baixa. Se houve embolia prévia, podem-se detectar lesões
residuais, dificultando diagnóstico de novo evento
• Se o PPC é de alta probabilidade, mas a cintilografia é de baixa probabilidade, realizar angiografia
• Cintilografia perfusional normal exclui TEP (valor preditivo negativo ~100%)
• Cintilografia ventilatória pode ser eliminada na maioria dos pacientes sem redução da acurácia diagnóstica. Diminui a exposição à radiação
Ecocardiografia transtorácica
• Trombo em AD, VD ou AP = forte evidência de TEP
• Hipocinesia e dilatação de VD, aumento do índice VD/VE, aumento da velocidade de fluxo regurgitante pela valva tricúspide = sugestivos de TEP
Angiotomografia computadorizada
• TC helicoidal normal não afasta TEP (TEP subsegmentar soma 6% a 30% dos casos)
• TC negativa + Doppler de MMII negativo descarta TEP com segurança. Pode detectar lesões residuais e dificultar diagnóstico de novo evento.
Realizar Doppler MMII; se normal, afasta TEP em 99%
Angiografia pulmonar
• A angiografia diferencia TEP agudo do “crônico”
Ecocardiografia transesofágica
• Localiza trombos em AP direita e eventualmente em AP esquerda. Identifica bem êmbolos maciços
109
Respiratório
109
RespiratórioTromboembolismo pulmonar (TEP)
Instável
TEP alto-risco
Estável
PESI I-II
TEP baixo risco
um ou nenhum
presente
Anticoagulação
plena
Anticoagulação
plena
Anticoagulação
plena e trombólise
Embolectomia
cirúrgica
Se contraindicação:
Intervenções
percutâneas
Contraindicações absolutas para
trombólise: doença estrutural
intracraniana, hemorragia cerebral
prévia, AVC isquêmico há menos de
3 meses, sangramento ativo, cirurgia
cerebral ou espinhal recente, TCE
recente, diástese hemorrágica
Se piora clínica:
Se piora clínica ou
contraindicações
à trombólise
TEP risco
intermediário-baixo
Considerar trombólise
Se contraindicação:
filtro de veia cava inferior
Ambos
presentes
TEP risco
intermediário-alto
Anticoagulação plena
Considerar
alta precoce
• Troponina, BNP ou
pró-bNP elevados
• Disfunção de VD
PESI III-V
Determinar prognóstico
(PESI)
PESI (Pulmonary Embolism Severity Index)
Itens Pontos
Idade Idade em anos
Sexo masculino 10
Câncer 30
Insuficiência cardíaca 10
Doença pulmonar crônica 10
FC > 110 bpm 20
PAS < 100 30
FR > 30 20
Temp < 36 20
Alteração estado mental 60
SpO2 < 90% 20
Risco
I - muito baixo ≤ 65
II - baixo 66-85
III - intermediário 86-105
IV - alto 106-125
V - muito alto ≥ 126
Prognóstico
Lembrar:
Expansão volêmica com cautela
Noradrenalina se hipotensão persistente
Se IOT: manter estratégia protetora:
baixos volumes correntes, e valores
baixo de pressão de platô e de PEEP.
110
Respiratório
110
Respiratório
Tratamento TEP
Anticoagulação parenteral:
• Heparina não fracionada: bolo 80 U/kg EV e infusão
EV a 18 U/kg/h (ajustar conforme tabela ao lado)
• Heparina de baixo peso molecular: enoxaparina
1 mg/kg SC 2x/dia (ajustar para 1 x/dia se clearancede creati nina < 30%)
• Fondaparinux: 5 mg (peso < 50 kg), 7,5 mg (peso
50-100 kg) ou 10 mg (peso > 100 kg) SC 1 x/dia
• Iniciar anticoagulante oral concomitantemente
nas primeiras 48h
Trombólise sistêmica:
• Alteplase (r-TPA) 100 mg EV em 2h
• Estreptoquinase 250.000 U EV em 30 min, após
100.000 U/h por 24h
• Uroquinase 4.400 U/kg EV em 10 min, após
4.400 U/kg em 12h
Terapia dirigida por cateter:
• Utiliza ou não baixas doses de trombolítico; indi-
cada se contraindicação ou falha com trombólise
sistêmica; parece melhorar a função do VD
Referências bibliográficas
Anderson DR, Kovacs MJ, Dennie C, Kovacs G, Stiell I, Dreyer J, et al. use of spiral computed tomography contrast angiography and ultrasonography to exclude the diagnosis of
pulmonary embolism in the emergency department. J Emerg Med. 2005;29:399-404.
Chunilal SD, Eikelboom JW, Attia J, Miniati M, Panju AA, Simel DL, Ginsberg JS. Does this patient have pulmonary embolism? JAMA. 2003;290:2849-58.
Clemens S, Leeper KV Jr. Newer modalities for detection of pulmonary emboli. Am J Med. 2007;120(10b):S2-S12.
Kearon C, Kahn SR, Agnelli G, Goldhaber S, Raskob GE, Comerota AJ. Antithrombotic therapy for venous thromboembolic disease: American College of Chest Physicians Evidence-
-based Clinical Practice Guidelines (8th ed). Chest. 2008;133(Suppl 6):454S-545S.
Kosntantinides SV, Torbicki A, Agnelli G, Danchin N, Fitzmaurice D, Galiè N, et al.; Task Force for the Diagnosis and Management of Acute Pulmonary Embolism of the European Society
of Cardiology (ESC). 2014 ESC Guidelines on the diagnosis and management of acute pulmonary embolism. The Task Force for the diagnosis and management of Acute Pulmonary
Embolism of the European Society of Cardiology. Eur Heart J. 2014;35(43):3033-69.
Marshall PS, Tapson V, Jiménez D. Controversies in the management of life-threatening pulmonary embolism. Semin Respir Crit Care. 2015;36:835-41.
Merli G. Diagnostic assessment of deep vein thrombosis and pulmonary embolism. Am J Med. 2005;118:3S-12S.
Meyer G, Vieillard-baron A, Planquette b. Recent advances in the management of pulmonary embolism. Ann Intensive Care. 2016;6(1):19.
Raja AS, Greenberg JO, Qaseem A, Denberg TD, Fitterman N, Schuur JD; Clinical Guidelines Committee of the American College of Physicians. Evaluatoin of patients with suspected
acute pulmonary embolism: best practice advice from the clinical guidelines committee of the American College of Physicians. Ann Intern Med. 2015;163(9):701-11.
Stein PD, Sostman HD, bounameaux H, buller HR, Chenevert TL, Dalen JE, et al. Challenges in the diagnosis acute pulmonary embolism. Am J Med. 2008;121:(7):565-71.
Tapson V. Acute pulmonary embolism. NEJM. 2008;358:1037-52.
Wang C, Zhai Z, Yang Y, Wu Q, Cheng Z, Liang L, et al. China Venous Thromboembolism (VTE) Study Group. Efficacy and safety of low dose recombinant tissue-type plasminogen
activator for the treatment of acute pulmonary thromboembolism: a randomized, multicenter, controlled trial. Chest. 2010;137(2):254-62.
Wells PS, Anderson DR, Ginsberg J. Assessment of deep vein thrombosis or pulmonary embolism by the combined use of clinical model and noninvasive diagnosis tests. Sem Thromb
Hemostasis. 2000;26:643-56.
Wells PS. Advances in the diagnosis of venous thromboembolism. J Thromb Thrombolysis. 2006;21:31-40.
Tromboembolismo pulmonar (TEP)
Doses de heparina com base no peso corporal –
Verificar KPTT a cada 6h. Faixa desejada = 46 a 70s
KPTT
(segundos)
Bolus Infusão contínua
< 35 80 U/kg Aumentar em 4 U/kg/h
36-45 40 U/kg Aumentar em 2 U/kg/h
46-70 – –
71-90 – Diminuir em 2 U/kg/h
> 90 – Interromper por 1 hora
e diminuir 3 U/kg/h
Adaptado de: Raschke RA, Reilly bM, Guidry JR, Fontana JR, Srinivas S. The weight-based
heparin dosing nomogram compared with a standard care nomogram. A randomized
controlled trial. Ann Intern Med. 1993;19:874. In: Nutrição enteral. Porto Alegre: Artmed;
Marino PL. Compêndio de uTI. 1999;p. 7:109.
111
Gastroenterológico
111
Gastroenterológico
Medida da PIA
• A PIA deve ser medida no final da expiração com o paciente em posição
supina completa
• Não deve haver contração de músculos abdominais
• Instilar 25 mL de solução salina estéril intravesical, com a calibração do zero
na linha axilar média
• Aguardar 3 minutos (para relaxamento do músculo detrusor da bexiga)
Síndrome compartimental
intra-abdominal (SCA)
Definição
Pressão intra-abdominal (PIA) com valores consistentemente aumentados acima de 20 mmHg associada a
disfunção(ões) orgânica(s). A PIA normal em pacientes críticos é de 5 a 7 mmHg (1 mmHg = 1,36 cmH20).
Fatores de risco para
hipertensão intra-abdominal/SCA
Diminuição da complacência da parede abdominal
Obesidade extrema
Cirurgia abdominal com fechamento sob pressão
Politraumatismo/grande queimado
Ventilação mecânica em posição prona
Aumento do conteúdo intraluminal
Gastroparesia
Íleo
Aumento do conteúdo intra-abdominal
Hemoperitônio/pneumoperitônio
Ascite
Cirurgia de controle de danos
“Vazamento” capilar
Acidose (pH < 7,2)
Hipotensão
Hipotermia (temperatura central < 33ºC)
Politransfusão (> 10 unidades de sangue ou derivados/24 horas)
Coagulopatia
Infusão maciça de fluidos (> 5 L/ 24 horas)
Pancreatite
Sepse
Gradação
Grau PIA (mmHg) PIA (cmH2O)
1 12 a 15 16 a 20
2 16 a 20 21 a 27
3 21 a 25 28 a 34
4 > 25 > 34
Indicações para monitorização sistemática da PIA (CONSIDERAR
A PIA UM SINAL VITAL):
• Dois ou mais fatores de risco para hipertensão intra-abdominal/SCA.
• Pacientes em ventilação mecânica e com disfunção orgânica.
• Distensão abdominal associada a sinais de SCA (oligúria, hipóxia,
hipotensão, aumento da PIC, acidose, isquemia mesentérica).
• Reposição volêmica agressiva (choque).
Tratamento
EVITAR INFUSÃO HÍDRICA DESNECESSÁRIA
1. Cirúrgico
• Graus 3 e 4: tratar definitivamente com
laparotomia descompressiva.
• Grau 2: se associada à disfunção orgânica, avaliar
risco-benefício da laparotomia descompressiva.
2. Clínico
a. Melhorar a complacência da parede abdominal
• Sedação e analgesia.
• Uso de bloqueadores neuromusculares.
• Evitar cabeceira do leito muito elevada (> 40º).
b. Evacuar conteúdo intraluminal
• Aspiração nasogástrica.
• Descompressão retal.
• Medicamentos gastro/colo procinéticos.
c. Evacuar coleções abdominais
• Paracentese.
• Drenagem percutânea.
d. Corrigir o balanço hídrico positivo
• Diuréticos.
• Hemodiálise/ultrafiltração.
Referências bibliográficas
Malbrain MNL, Deeren D, De Potter TJR. Intra-abdominal hypertension in the critically ill: it is time to pay attention. Curr Opin Crit Care. 2005;11:156-71.
World Society of the Abdominal Compartment Syndrome. Disponível em http://www.wsacs.org.
Bexiga
Cavidade
peritoneal
Sonda
uretral
20
15
10
5
0
cm
H
20
Sínfise
pública
Diafragma
Linha axilar
média
112
Gastroenterológico
112
GastroenterológicoHemorragia digestiva alta não varicosa
Risco baixo
Escore de Rockall < 2 (Tabela 1)
• Jejum
• Um acesso venoso periférico
• Iniciar 500 mL de SF a 0,9%
• Reserva de 2 UI de C de hemácias
• EDA em até 24 horas
Risco moderado ou alto
Escore de Rockall ≥ 3 (Tabela 1):
• Considerar internação em UTI ou
unidade intermediária
• Jejum
• O2 sob cateter 2 L/min
• Dois acessos venosos periféricos
• Iniciar 1.000 mL de SF a 0,9%
• Reserva de 4 UI de C de hemácias
• EDA em até 24 horas
• Manter Hb > 7 g/dL. Maiores níveis desejáveis na
presença de comorbidades (insuficiência coronariana)
Suspeita de hemorragia varicosa
Estratificação de risco
Instabilidade hemodinâmica
Definição
Sangramento digestivo proveniente de sítio lo-
calizado entre a boca e a papila duodenal, poden-
do manifestar-se como hematêmese, vômitos ou
aspirado de aspecto borráceo na sonda nasogás-
trica, melena ou enterorragia. Enterorragia pode
ocorrer em hemorragias maciças com perdas
superiores a 1.000 mL ou na presença de trânsito
intes tinal acelerado.
Diagnóstico
No momento da admissão, são importantes a ava-
liação dos sinais e sintomas de hipovolemia, que
deverãonortear a estratégia de ressuscitação, a
caracterização da hemorragia em varicosa e não
varicosa, pela presença de sinais e sintomas de
doença parenquimatosa crônica de fígado, a identi-
ficação do sítio de sangramento, por métodos en-
doscópicos, e o reconhecimento de variáveis clínicas
e endoscópicas associadas a maior mortalidade e
maior risco de recidiva hemorrágica.
• L. Mallory Weiss
• Esofagite erosiva
• L. Dieulafoy
• Angiodisplasia
• Ectasia vascular antral
• Neoplasias
Sangramento em jato ou “babação”
Considerar hemostasia endoscópica
Úlcera péptica
Forrest IIC ou III
Dieta oral +
IbP +
tratar SN H. pylori
1a recidiva hemorrágica
2a recidiva hemorrágica ou falência
do tratamento endoscópico
Forrest I-IIA ou IIb (vaso visível)
• Hemostasia endoscópica com
termocoagulação ou clipes metálicos
isoladamente ou em combinação com injeção
de adrenalina
• Jejum por 24 horas
• IBP (pantoprazol/esomeprazol) 80 mg em bolo
+ infusão 8 mg/hora, contínua, por 72 horas
Considerar cirurgia ou arteriografia
Considerar TC de urgência, se cirurgia de aorta abdominal prévia, para afastar a presença de fístula aortoentérica
Ver p. 114
Não
Não
Sim
Sim
EDA (considerar na ausência de contraindicações infusão de
eritromicina por 30-60 minutos antes da endoscopia digestiva
Considerar IbP em infusão contínua, caso não
seja possível realizar EDA em até 12 horas
113
Gastroenterológico
113
Gastroenterológico
Tabela 1. Escore de Rockall
Variáveis
Pontuação
0 1 2 3
Idade (anos) < 60 60–79 > 80
Comorbidades Nenhuma grave – ICC, insuficiência
coronariana, outras
morbidades graves
Insuficiência renal
ou hepática, câncer
metastático
Hemodinâmica
na apresentação
Sem choque FC > 100 bpm e PAS
> 100 mmHg
PAS < 100 mmHg –
Diagnóstico
endoscópico
Mallory-Weiss ou sem
lesão
Úlcera péptica, doença
erosiva, esofagite
Câncer do trato
gastrointestinal alto
–
Estigma
endoscópico
Base limpa ou lesão
pigmentada plana
– Sangue visível, ou
sangramento ativo,
ou vaso visível ou
coágulo aderido
–
Pontuação Incidência Ressangramento Mortalidade
< 2 (risco baixo) 30% 4,3% 0,1%
3-5 (risco moderado) 48% 14% 4,6%
6-8 (risco alto) 22% 37% 22%
Tabela 2. Risco de recidiva hemorrágica de acordo com a classificação de Forrest modificada
Classificação de Forrest Prevalência Recidiva hemorrágica
IA Sangramento em jato
18%
55% (17%-100%)
IB Sangramento em “babação”
IIA Vaso visível 17% 43% (0%-81%)
IIB Coágulo aderido 17% 22% (14%-36%)
IIC Lesão pigmentada plana 20% 10% (0%-13%)
III Base limpa 42% 5% (0%-10%)
Hemorragia digestiva alta não varicosa
Referências bibliográficas
Gralnek IM, Dumonceau JM, Kuipers EJ, Lanas A, Sanders DS, Kurien M, ee al. Nonvariceal upper gastrointestinal hemorrhage: European Society of Gastrointestinal Endoscopy
(ESGE) Guideline. Endoscopy. 2015;47(10):a1-46.
Laine L. CLINICAL PRACTICE. upper Gastrointestinal bleeding Due to a Peptic ulcer. N Engl J Med 2016;374:2367-76.
114
Gastroenterológico
114
GastroenterológicoHemorragia digestiva alta varicosa
• Empregar vasoconstritores esplâncnicos: terlipressina, somatostatina ou octreotida por 2 a
5 dias (Em razão do impacto na mortalidade do sangramento varicoso, a terlipressina deve
ser o agente de primeira escolha, mas seu uso deve ser desaconselhado em portadores de
doença coronariana, doença vascular aterosclerótica cerebral e periférica, hipertensão arterial
sistêmica não controlada e hiponatremia grave. Deve-se monitorizar níveis de sódio no uso da
terlipressina em virtude do risco de hiponatremia. Recomenda-se evitar uso concomitante de
terlipressina e propofol.)
• Terlipressina: 2 mg em bolo seguido de 1 a 2 mg (a depender do peso corpóreo) a cada
4 horas (2 mg se peso acima de 70 kg; 1,5 mg e peso entre 50 e 70 kg; e 1 mg se peso
inferior a 50 kg). Somatostatina: 250 mcg em bolo seguido de infusão contínua de 250 mcg/h.
Octreotida: 50 a 100 mcg em bolo seguido de infusão contínua de 25 a 50 mcg/h.
• Coleta de hemograma, Na, K, ureia, creatinina, PT e F, BT e F, AST, ALT e INR
• Considerar eritromicina 250 mg EV 30 a 120 min antes da endoscopia na ausência de
contraindicações
• EDA em até 12h da admissão
• Hemostasia endoscópica:
– Preferencialmente com ligadura elástica
– Injeção de cianoacrilato se houver varizes gástricas
• Jejum por 24h
• Considerar propranolol no 4o dia para início de profilaxia secundária
Considerar TIPS precoce (< 72h) em pacientes Child b com sangramento ativo ou
Child C 10-13 pelo ganho de sobrevida
Rastreamento e profilaxia de infecções
Hemocultura, sumário de urina, urocultura,
punção de líquido ascítico, SN com
citologia, cultura e albumina para obter
gradiente soro-ascite de albumina
Profilaxia de infecções: norfloxacino
400 mg, VO ou SNG, a cada 12h por 7 dias
Considerar ciprofloxacino 400 mg, IV, a cada
12 h, na presença de íleo ou hematêmese
Considerar ceftriaxona 1 g, IV/dia, por
7 dias em pacientes com cirrose avançada
Child-Pugh C (ver Anexo I) ou com
sangramento clinicamente relevante
Considerar colocação
de balão de Sengstaken
blakemore por, no
máximo, 24h (intubação
orotraqueal, sedação e
ventilação mecânica)
• Hematêmese ativa > 2 horas após início de terapia
farmacológica ou endoscopia terapêutica. Em
pacientes com SNG, considerar aspiração de
> de 100 mL de volume de sangue vivo
• Desenvolvimento de choque hipovolêmico
• Queda de 3 g na Hb (queda de 9% no Ht) na ausência
de transfusão sanguínea
Falência de controle endoscópico
(imediata ou < 6h pós-hemostasia)
Recidiva
hemorrágica
1o episódio
Considerar TIPS
2o episódio
Considerar TIPS ou
shunt cirúrgico na
impossibilidade do TIPS
Tentativa de
controle
endoscópico
Considerar balão de Sengstaken blakemore
Considerar alternativamente uso de stents
metálicos autoexpansíveis caso disponíveis
Referências bibliográficas
bittencourt PL, Farias AQ, Strauss E; Members of the Pannel of the 1st brazilian Consensus of Variceal bleeding, brazilian Society of Hepatology. Variceal bleeding: consensus meeting
report from the brazilian Society of Hepatology. Arq Gastroenterol. 2010,47:202-16.
de Franchis R; baveno VI Faculty. Expanding consensus in portal hypertension: Report of the baveno VI Consensus Workshop: Stratifying risk and individualizing care for portal
hypertension. J Hepatol. 2015 Sep;63(3):743-52.
de Franchis R, baveno V Faculty. Revising consensus in portal hypertension: report of the baveno V consensus workshop on methodology of diagnosis and therapy in portal hypertension.
J Hepatol. 2010;53:762-8.
• Jejum
• O2 sob cateter nasal
• Considerar dois acessos venosos
periféricos (hematêmese/sangramento
clinicamente relevante)
• Expansão com cristaloides e papa
de hemácias para manter Hb em
torno de 7-9 g/dL, dependendo da idade
e da comorbidade
115
Gastroenterológico
115
GastroenterológicoPancreatite aguda
Definição
Processo inflamatório agudo da glândula pancreática secundário à ativação de enzimas digestivas no
interior das células acinares, que induzem à lesão e à necrose do parênquima pancreático, responsáveis
por complicações locais (coleção fluída peripancreática, coleção necrótica aguda, pseudocisto, coleção
necrótica organizada, disfunção gástrica, trombose portal/esplênica e necrose colônica) e sistêmicas
(disfunção orgânica única ou múltipla, descompensação de doenças prévias – cardiopatias, pneumopa-
tias p.ex.). Apresenta mortalidade variável entre 3% (casos leves) e 17% (casos graves). O diagnóstico
baseia-se na presença de dois dos seguintes critérios: (1) dor abdominal (início agudo de dor epigástrica
apresentando-se persistente e grave, normalmente com irradiação para o dorso); (2) aumento de lipa-
se (ou amilase) de ao menos 3 vezes o valor normal; (3) sinais de pancreatite aguda na tomografia de
abdômen, ou menos comumente ressonância magnética ou ultrassonografia. As principais causas de
PA são, em ordem de frequência: biliar (37%), alcoólica (20%),idiopática (17%), medicamentosa (6%),
pós-CPRE (5%), hipertrigliceridemia (5%), obstrução por áscaris ou tumor (4%) e hipercalcemia (1%).
A PA é dividida em dois tipos: PA edematosa intersticial e PA necrotizante e classificada quanto à gravidade
em (1) leve na ausência de disfunção orgânica e complicações locais ou sistêmicas; (2) moderadamente
grave na presença de disfunção orgânica transitória (resolução < 48h), ou presença de complicações
locais/sistêmicas com ausência de disfunção orgânica; e (3) grave na ocorrência de disfunção orgânica
persistente (> 48h).
Avaliar A+b+C
Acesso venoso calibroso
• Hidratação
• Analgesia: antiespasmódicos, opioides (tramadol, fentanil, morfina)
** Não iniciar antibiótico profilático
• Rotina laboratorial: hemograma completo, Na+, K+, creatinina, hemograma, glicose, DHL, Ca++ e gasometria, lipase, amilase, proteína C
reativa (48h), TGO, TGP, FA, GGT, triglicérides,
• ECG
• Radiografia de tórax
uSG abdômen total – avaliar colelitíase, dilatação de dilatação de vias biliares
• Questionamento do uso de drogas, pródromos virais, status do HIV, uso de álcool, CPRE ou cirurgia recente
**TC abdômen – não é indicado dentro das primeiras 72h de evolução do quadro, apenas se houver dúvida diagnóstica.
Conduta inicial
Pancreatite aguda moderadamente grave
• Presença de disfunção orgânica (> 2 pontos
pelos critérios de Marshall [Tabela 1]), de
forma transitória (< 48h), ou
• Presença de complicações locais
ou sistêmicas com ausência de
disfunção orgânica
Pancreatite grave
• Presença de disfunção orgânica
(> 2 pontos pelos critérios de Marshall
[Tabela 1]), de forma persistente (> 48h)
Pancreatite aguda leve
• Ausência de disfunção orgânica
• Ausência de complicações locais
• Ausência de complicações sistêmicas
Estratificação de gravidade
116
Gastroenterológico
116
GastroenterológicoPancreatite aguda
Tabela 1. Sistema de pontuação de Marshall modificado para disfunção orgânica na
pancreatite aguda grave
Sistema orgânico 0 1 2 3 4
Respiratório
PaO2/FiO2 > 400 301-400 201-300 101-200 < 101
Renal
Cr (mg/dL) < 1,4 1,4-1,8 1,9-3,6 3,6-4,9 > 4,9
Cardiovascular
PAS (mmHg) > 90 < 90
responsiva a fluidos
< 90
não responsiva a fluidos
< 90
pH < 7,3
< 90
pH < 7,2
Para pacientes não ventilados, estimar FIO2 por:
Uso de O2 (L/min) FiO2
Ausente 21
2 25
4 30
6-8 40
9-10 50
Pontuação > 2 define presença de disfunção orgânica
Pancreatite aguda leve
• Monitorização não invasiva
• Analgesia
• Jejum
• SNG aberta se náusea ou vômitos
• Hidratação preferencialmente com solução de ringer lactato e correção de distúrbios hidreletrolíticos
Melhora em 24-72 horas?
Manter conduta
Iniciar alimentação
oral/enteral
• Reavaliação diagnóstica
• Nova estratificação de gravidade
• TC de abdome
ultrassonografia de
abdômen
Sem coledocolitíase Com coledocolitíase
Programar colecistectomia precoce Se colangite ou obstrução biliar considerar
CPRE nas primeiras 48-72 horas
Sim
Não
117
Gastroenterológico
117
GastroenterológicoPancreatite aguda
Referências bibliográficas
Tenner S, baillie J, DeWitt J, Vege SS; American College of Gastroenterology. American College of Gastroenterology Guideline: Management of acute pancreatitis. Am J Gastroenterol.
2013;108:1400-15.
Working Group IAP/APA Acute Pancreatitis Guidelines. IAP/APA evidence-based guidelines for the management of acute pancreatitis. Pancreatology. 2013;13:e1-e15.
TC helicoidal dinâmica ou ressonância magnética
se creatinina > 2 mg/dL
• Investigação inicial de necrose pancreática
3 a 5 dias após admissão
• Avaliação subsequente de acordo com a
evolução clínica
Pseudocistos
Abscesso
Necrose
Tratamento conservador
Cirurgia ou tratamento endoscópico após 6 semanas na presença
de sintomas
Considerar drenagem cirúrgica, radiológica ou endoscópica
e antibioticoterapia
Considerar punção aspirativa com agulha fina guiada por TC na
suspeita de necrose infectada: 1) piora progressiva do leucograma;
2) deterioração clínica; 3) Disfunção de múltiplos órgãos
Gram ou cultura – Gram ou cultura +
Necrose estéril Necrose infectadaManutenção de tratamento agressivo de suporte
• Ajustar antibioticoterapia a depender do perfil microbiano local
Imipenem ou
cefalosporina de 3a ou 4a + metronidazol ou
piperacilina + tazobactam
• Drenagem minimamente invasiva cirúrgica, radiológica ou
endoscópica deve ser considerada apenas na ausência de melhora
clínica, devendo ser preferencialmente adiada por mais de 4 semanas
• Optar por métodos minimamente invasivos à necrosectomia aberta
Colelitíase
Colecistectomia após
resolução do quadro no
mesmo internamento
CPRE de urgência dentro
das primeiras 48 a 72 horas
Coledocolitíase com
sinais de obstrução
biliar e/ou colangite
Pancreatite aguda moderadamente grave e pancreatite aguda grave
• Admissão em unidade de terapia semi-intensiva ou intensiva
• Analgesia e SNG aberta na presença de íleo
• Considerar expansão volêmica agressiva precoce com ringer lactato
nas primeiras 12-24 horas (na PA grave atentando para possibilidade
de sobrecarga de volume particularmente em idosos e cardiopatas)
• Considerar monitorização hemodinâmica invasiva na presença de
instabilidade hemodinâmica e disfunção orgânica não reversível
com ressuscitação volêmica adequada
• Suportes respiratório e cardiovascular
• Monitorar síndrome de compartimento abdominal
• Avaliar possibilidade de dieta precoce se ausência de sinais
de má perfusão e choque, preferencialmente dieta enteral
com sonda posicionada após 2a porção duodenal guiado
por endoscopia
118
Gastroenterológico
118
GastroenterológicoHemorragia digestiva baixa
Definição
Sangramento digestivo proveniente de sítio localizado entre o ângulo de Treitz e o ânus, podendo se
manifestar como enterorragia e melena. Enterorragia pode ocorrer em hemorragia digestiva alta maciça
com perdas superiores a 1.000 mL ou na presença de trânsito intestinal acelerado, e melena pode ser
manifestação de sangramento digestivo baixo de menor monta, de sítio localizado em cólon direito ou
intestino delgado.
Diagnóstico
No momento da admissão do paciente são importantes a avaliação dos sinais e sintomas de hipovole-
mia, os quais deverão nortear a estratégia de ressuscitação e a identificação do sítio de sangramento
pelo exame proctológico e por métodos endoscópicos. Na suspeita de sangramento hemorroidário, é
importante a avaliação proctológica com anoscopia rígida antes do preparo do paciente para exame
colonoscópico. Todo paciente com enterorragia e instabilidade hemodinâmica deve ser submetido, por
outro lado, à sondagem gástrica e/ou à endoscopia digestiva alta para afastar causa de sangramento
em trato gastrintestinal superior.
Referências bibliográficas
bounds bC, Friedman LS. Lower gastrointestinal bleeding. Gastroenterol Clin North Am. 2003;32(4):1107-25.
Farrell JJ, Friedman LS. Review article: the management of lower gastrointestinal bleeding. Aliment Pharmacol Ther. 2005;21:1281-98.
Kerr SF, Puppala S. Acute gastrointestinal haemorrhage: the role of the radiologist. Postgrad Med J. 2011;87:362-8.
Strate LL, Naumann CR. The role of colonoscopy and radiological procedures in the management of acute lower intestinal bleeding. Clin Gastroenterol Hepatol. 2010;8:333-43.
Estabilidade hemodinâmica?
• Jejum
• Um acesso venoso periférico
• Iniciar 500 mL de SF a 0,9%
• Reserva de 2 UI de papa
• Jejum
Ver protocolo de
choque hipovolêmico
na p. 67
Lavagem gástrica Sangue presente Ver p. 112 e 114
Sangue ausente/
bile presente
Sítio não identificado
Parada do sangramento?
Considerar
enteroscopia
ou cápsula
endoscópica ou na
indisponibilidade do
trânsito intestinal
Considerar
angio-TC ou
cintilografia
Exame inconclusivo
por enterorragia maciça
Estabilidade
hemodinâmica?
Colonoscopia
second-look
Considerar arteriografia
Considerar cirurgia
Sítio identificado Hemostasia endoscópica
Sim Não*
Sim
Não
Sim Não
* Considerar TC de urgência, se cirurgiade aorta-abdominal prévia, para afastar a presença de fístula aortoentérica
** Considerar exame proctológico previamente à colonoscopia na suspeita de patologia orificial
Colonoscopia em
6 horas**
119
Gastroenterológico
119
GastroenterológicoInsuficiência hepática aguda grave (IHAG)
Definição
Insuficiência hepática aguda grave (IHAG) é caracterizada pelo aparecimento de encefalopatia hepática
(EH) no intervalo de 8 semanas do início de quadro ictérico, na ausência de comprometimento prévio
conhecido da função hepática. A mortalidade da IHAG (decorrente principalmente de hipertensão intracra-
niana secundária a edema cerebral) varia de 60% a 90% nos indivíduos com graus III e IV de encefalopatia
hepática, havendo indicação a esses pacientes de transplante de fígado.
Hepatite aguda grave
(hipoalbuminemia/ascite/TP < 50%, INR > 2)
Insuficiência hepática aguda grave
EH
Investigação de causa e tratamento etiológico específico. Considerar uso de
N-acetilcisteína independentemente de antecedente de uso de paracetamol
nos pacientes com EH graus I e II pelo ganho de sobrevida (Tabela 1)
Transferência para centro com disponibilidade de
transplante de fígado (www.abto.com.br)
Monitorização do estado neurológico
Admissão em unidade de terapia intensiva
Avaliação de critérios de indicação de transplante de fígado (Tabela 2)
para priorização no sistema nacional de alocação e distribuição de órgãos
Considerar
Considerar intubação orotraqueal para proteger via aérea
Considerar monitorização de pressão intracraniana (PIC)*
Medidas de suporte
Suporte hemodinâmico
• Monitorização hemodinâmica invasiva (PAM e PVC) em pacientes com EH
graus III e IV
• Avaliar risco/benefício do uso de cateter de artéria pulmonar em pacientes
com instabilidade hemodinâmica e/ou disfunção orgânica (padrão de
circulação hiperdinâmica com RVS baixa e IC elevado)
• Manter PAM > 65 e 70 mmHg ou em níveis superiores, dependendo da PPC
Prevenção e tratamento da insuficiência renal
• Evitar agentes nefrotóxicos
• Expansão volêmica
• Na necessidade de terapia de reposição renal, usar preferencialmente
hemofiltração/hemodiafiltração
Manejo de infecções
• Uso empírico de antibióticos de largo espectro
(teicoplanina + cefalosporina de 3a geração)
em pacientes com suspeita de sepse
ou instabilidade hemodinâmica
Manejo da coagulopatia
• Evitar uso de plasma fresco (PF) antes da indicação de transplante hepático
pelo valor prognóstico do INR
• Na vigência de sangramento ou antes de procedimentos invasivos, empregar
PF e crioprecipitado caso INR > 1,5-2,0 e fibrinogênio < 100 mg/dL. Considerar
uso de fator VIIa recombinante (80 µg/kg)
• Uso de plaquetas se níveis inferiores a 20.000/mm3 ou 50.000/mm3 antes
de procedimentos invasivos
Monitorização rigorosa de eletrólitos e níveis glicêmicos. Manter sódio sérico
145-155 mEq/L
• Profilaxia de lesão aguda de mucosa gástrica
uso IV de IbP
Suporte nutricional
Considerar uso de MARS (diálise extracorpórea com albumina) na
indisponibilidade momentânea de órgãos para transplante hepático*
*uso controverso e sem comprovação de impacto na mortalidade.
EH
grau II
(ver p. 122)
EH
graus III/IV
(ver p. 122)
120
Gastroenterológico
120
Gastroenterológico
Tabela 1. Avaliação etiológica e tratamento específico da IHAG
Causa Avaliação de etiologia Tratamento específico
Viral
Hepatite A IgM anti-VHA
Hepatite B agHbs, IgM anti-Hbc
Hepatite delta (rara) anti-VHD
Hepatite E (rara) anti-VHE
Hepatite C (excepcional) anti-VHC
Herpes simplex (rara) IgM e IgG anti-HSV Aciclovir IV
EBV (rara) IgM e IgG anti-EBV Aciclovir IV
CMV (rara) IgM anti-CMV
Drogas História clínica (sugestiva ou compatível) Tratamento específico
Acetaminofeno
Uso intencional ou
inadvertido (> 4 g)
Níveis séricos:
> 200 mg/dL 4 h após o uso
> 50 mg/dL 15 h após o uso
N-acetilcisteína, VO
140 mg/kg + 70 mg/kg, 4/4 h, por 48-72 h ou
N-acetilcisteína, IV
150 mg/kg, 200 mL de SG a 5% em 15 min +
50 mg/kg, 4/4 h, até dose cumulativa total
de 300 mg/kg
Halotano, isoniazida,
outros medicamentos
Ervas e fitoterápicos
Cogumelos contendo
espécies de Amanita
Penicilina IV
Prevenção e manejo da hipertensão intracraniana
• Cabeceira elevada entre 30º e 40º
• Minimizar o uso de manobras invasivas: aspiração traqueal, mobilização no leito
• Tratar hipoxemia e hipercarbia
• No uso de monitorização da PIC*, empregar cateter subdural
• Considerar monitorização concomitante da saturação venosa de bulbo jugular (SjO2)
• Manter a pressão de perfusão cerebral (PPC) [PPC = PAM-PIC] idealmente acima de 60 mmHg com uso de
drogas vasoativas ou medidas para hipertensão intracraniana (ver capítulo de TCE)
• Tratar elevação progressiva (> 25 mmHg) ou sustentada (30-50 mmHg) da PIC por mais de 5 minutos
• Uso de manitol 0,25-1 g/kg de acordo com PIC e PPC ou evidências clínicas e neurológicas de hipertensão
intracraniana em pacientes sem monitorização de PIC
• Em casos refratários (ver capítulo TCE), considerar coma barbitúrico, hipotermia moderada 32º a 33º e
salina hipertônica
* uso controverso e sem comprovação de impacto na mortalidade.
Insuficiência hepática aguda grave (IHAG)
121
Gastroenterológico
121
Gastroenterológico
Vascular Quadro clínico Tratamento específico
Síndrome de Budd-Chiari US Doppler/arteriografia TIPS, descompressão portal e trombólise
Hepatite isquêmica
Congestão hepática (ICC) US Doppler
Esteatose aguda Quadro clínico Indução do parto
Síndrome HELLP Indução do parto
Eclâmpsia
Hepatite autoimune Autoanticorpos:
AAML, AAN, AAMFR1
Considerar imunossupressão (prednisona
20 a 30 mg/dia)
Doença de Wilson Cobre, ceruloplasmina
Pesquisa de anel de Kayser-Fleischer
Referências bibliográficas
bittencourt PL, Strauss E, Terra C, Alvares-da-Silva MR; Membros do Painel de Experts da Sociedade brasileira de Hepatologia; et al. Encefalopatia hepática: relatório da 1a Reunião
Monotemática da Sociedade brasileira de Hepatologia. GED. 2011,30:10-34
bittencourt Pl, Zollinger CC. Insuficiência hepática aguda. In: botoni FA, Dias FS, editors). Proami, Amib, 8o ciclo, módulo 4, 2011. p. 59-101.
Tabela 2. Critérios para indicação de transplante hepático
Paciente portador de insuficiência hepática aguda com descompensação definida pelos seguintes critérios:
Kings College Clichy
IHAG induzida por acetaminofeno:
• pH < 7,3 ou
• INR > 6,5 e creatinina > 3,4 mg/dL
Encefalopatia hepática associada a:
• Nível de fator V < 20% (pacientes < 30 anos)
• Nível de fator V < 30% (pacientes ≥ 30 anos)
IHAG induzida por outras causas:
– INR > 6,5 ou
– ≥ 3 dos seguintes parâmetros:
• Idade < 10 anos ou > 40 anos
• Etiologia adversa (hepatite NANB, hepatite por halota-
no ou outras drogas)
• INR > 3,5
• BT > 17,6 mg/dL
• Intervalo entre icterícia e encefalopatia > 7 dias Ministério da Saúde, Portaria no 541, 14 de março de 2002.
Insuficiência hepática aguda grave (IHAG)
122
Gastroenterológico
122
GastroenterológicoEncefalopatia hepática
Definição
É uma síndrome neuropsiquiátrica complexa precipitada por alteração da função hepática. Pode fazer parte
do quadro de falência hepática aguda ou crônica.
Fisiopatologia
Resultado do acúmulo de diversas toxinas (basicamente do intestino).
• Hipótese da amônia: a principal das toxinas envolvidas na encefalopatia hepática é a amônia, que
provoca excitação de neurotransmissores, despolarização de fibras nervosas e diminuição do fluxo
sanguíneo cerebral.
• Hipótese “GABAérgica”: GABA é uma substância neuroinibitória produzida no trato gastrointestinal. De
24% a 45% das terminações nervosas cerebrais parecem ser “GABAérgicas”. Demonstrou-se recente-
mente que não há mudança nos níveis cerebrais de GABA ou na sensibilidade dos receptores GABA
durante a encefalopatia hepática.
Importante! Na insuficiência hepática, a massa muscular esquelética “substitui”, em parte, o fígado na
depuração da amônia, e os rins têm papel fundamental na sua eliminação. O cérebro também funciona
como “depurador”de amônia: glutamato + amônia = glutamina (nos astrócitos) → edema cerebral.
Diagnóstico
Alteração da função mental + evidências clínico-laboratoriais de hepatopatia (tremor de extremidades,
hálito hepático, história prévia de doença hepática). O diagnóstico é de exclusão e eminentemente clínico.
Devem-se descartar outras causas de alteração da função mental.
Fatores desencadeantes
• Dieta proteica excessiva
(infrequente).
• Anorexia.
• Constipação.
• Hemorragia digestiva.
• Anemia.
• Transfusão sanguínea.
• Distúrbios eletrolíticos
(Na+ < 125 mEq/L ↑ mortalidade 3,2x).
• Hipovolemia.
• Uso de diuréticos (↓K+ e alcalose,
↑ conversão de NH4
+ em NH3).
• Azotemia.
• Hipóxia.
• Drogas psicoativas; álcool.
• Infecções (peritonite
espontânea, pneumonia).
• Shunts cirúrgicos.
• Coinfecção de HCV + HIV.
Exames complementares
• Aumento de amônia arterial (> 80 µg% na encefalopatia) é anormalidade laboratorial clássica.
• Eletroencefalografia – sempre anormal em encefalopatia hepática clínica.
• Tomografia axial computadorizada – edema (inespecífico).
• Ressonância magnética – hiperintensidade do globo pálido (inespecífico).
GRAU I • Euforia, depressão, confusão, raciocínio lento, défict de atenção, hipersonia ou insônia, inquietação, inversão
do padrão do sono
• Leves tremores de extremidade (flapping)
GRAU II • Confusão, sonolência, fala empastada, comportamento inapropriado, desorientação no tempo e espaço,
disartria, ataxia, diminuição de reflexos profundos
• Evidente tremor de extremidades (flapping)
GRAU III • Diminuição do nível de consciência, desorientação, agressividade, preservação vocal, sintomas piramidais,
aumento do tônus muscular, hiper-reflexia
• Tremor de extremidades frequentemente ausente
GRAU IV • Coma
123
Gastroenterológico
123
GastroenterológicoEncefalopatia hepática
Tratamento
Medidas gerais
• Intubação traqueal + ventilação mecânica (graus III e IV).
• Controle de fatores desencadeantes.
• Suspender sedativos (sempre que possível).
• Corrigir distúrbios hidreletrolíticos.
• Tratar infecção subjacente.
• Controlar sangramento gastrintestinal.
Medidas para reduzir a produção intestinal de amônia
Suporte nutricional
• Dieta normoproteica (manutenção da massa muscular).
• Dieta hipoproteica ↑ o catabolismo proteico e está contraindicada.
• Administração de aminoácidos (AA) de cadeia ramificada (não há evidências do benefício).
Catárticos
• Lactulose – 15-45 mL, VO, até que haja duas a três evacuações pastosas/dia. Observar efeitos adversos:
hiponatremia e desidratação.
Antibióticos
• Neomicina 3 a 6 g/dia ou metronidazol 250 mg, VO, 4x/dia (↓ a população bacteriana e a produção de amônia).
• Rifaximina 550 mg, 2 x/dia (prevenção da recidiva de encefalopatia hepática – não comercializada no Brasil).
Referências bibliográficas
Als-Nielsen bE, Gluud LL, Gluud C. benzodiazepine receptor antagonists for hepatic encephalopathy. Cochrane Database of Systematic Reviews. 2004;(2):CD002798.
Als-Nielsen bE, Gluud LL, Gluud C. Nonabsorbable disaccharides for hepatic encephalopathy. ugeskr Laeger. 2005 Jan 10;167(2):179-82.
Als-Nielsen bE, Koretz RL, Kjaergard LL, Gluud C. branched-chain amino acids for hepatic encephalopathy. Cochrane Database of Systematic Reviews. 2003;(2):CD001939.
Arnaout WS, Demetriou AA. Hepatic failure and cirrhosis continue to be major causes of morbidity and mortality among critically ill patients. ACS Surgery Online, WebMD Inc., New
York, 2002. Disponível em: http://www.acssurgery.com [Acesso em 7 nov. 2006].
Cordoba J, Lopez-Hellin J, Planas M, Sabín P, Sanpedro F, Castro F, et al. Normal protein diet for episodic hepatic encephalopathy. J Hepatol. 2004;41:38-43.
Cortez-Pinto H. Complications of cirrhosis: clinical perspectives and implications. From Medscape gastroenterology, may 2005. Disponível em: http://www.medscape. com/view-
article/504654.
Jalan R, Kapoor D. Reversal of diuretic-induced hepatic encephalopathy with infusion of albumin but not colloid. Clin Sci. 2004;106:467-74.
Kircheis G, Wettstein M, Dahl S, Häussinger D. Clinical efficacy of L-ornitine-L-aspartate in the management of hepatic encephalopathy [Review]. Met brain Dis. 2002;17:453-62.
Prakash R, Mullen KD. Mechanisms, diagnosis and management of hepatic encephalopathy. Nat Rev Gastroenterol Hepatol. 2010;7:515-25.
Wolf DC. Hepatic encephalopathy. eMedicine.com, 2007(updated: aug 2008) from web MD. Disponível em: http://www.emedicine.com/med/topic3185.htm
Medidas para aumentar a eliminação da amônia
• Expansão volêmica (↑ eliminação renal de amônia).
• L-ornitina L-aspartato (LOLA) – (Hepa-Merz®) 20 g/dia, VO ou IV (estimula a eliminação de amônia nos
hepatócitos residuais).
• Zinco (600 mg, VO/dia) – mesmo quando não há deficiência de Zn, sua administração aumenta a ornitina
transcarbamilase, que resulta em gênese de ureia e diminuição da amônia.
• Benzoato de sódio (5 g, VO, 2 x/dia) – interage com a glicina, que leva à formação de hipurato e à eliminação de
íons amônia.
Antagonista de benzodiazepínicos
• Flumazenil 0,5 mg, IV + 0,2 a 0,4 mg/h por 24 horas (uso rotineiro não recomendado. Tem efeito fugaz e não
modifica morbimortalidade).
124
Gastroenterológico
124
GastroenterológicoDiarreia aguda na UTI
A incidência de diarreia na UTI é alta, em torno de 30%, e acontece em geral devido ao uso de anti-
bióticos ou dieta enteral.
A infecção por Clostridium difficile (CDI) apresenta recorrência entre 10% e 40% após o tratamento inicial
com mortalidade em 30 dias de 3% a 9% (atingindo até 90% em idosos). De fato, em alguns lugares CDI
é mais prevalente que infecção por MRSA. Dentre os principais fatores de riscos destacam-se o número
de antibióticos e a duração desta terapia, pacientes acima de 65 anos, internação prolongada, admissão
em UTI e microbiota alterada. Os principais antibióticos comumente associados são clindamicina, fluoro-
quinolonas, ampicilina, amoxacilina e cefalosporinas.
Diarreia aguda que ocorre após admissão na UTI
Reavaliar o modo de administração
• Risco maior nas administrações
gravitacionais intermitentes
Reavaliar composição da fórmula
• Risco maior na presença de osmolaridade
elevada; pobre conteúdo de fibras
e contaminação bacteriana
Descartar os seguintes fatores (principais
ou coadjuvantes)
• Hipoalbuminemia (albumina inferior a
2,6 mg/dL), levando à má absorção
• Pseudodiarreia secundária a fecaloma
• Uso de laxativos, procinéticos, antibióticos,
medicações de uso oral contendo magnésio
e carboidratos não absorvíveis
• Hipoperfusão tecidual
• Insuficiência pancreática exócrina como parte
da DMOS
Relacionada à nutrição enteral Diarreia por Clostridium difficile: associada ao uso de antimicrobianos
(mais frequentemente ampicilina, amoxicilina, cefalosporinas,
clindamicina e quinolonas) e inibidores da secreção ácida gástrica
Diagnóstico da diarreia associada a C. difficile (DACD)
• Diarreia aquosa importante (10-15 episódios/dia), cólicas e febre
• Pesquisa de toxina por cultura em tecido (padrão-ouro/alto custo)
• Elisa para toxinas A e B (sensibilidade/especificidade de 60%-80%)
• Presença de colite pseudomembranosa ao exame endoscópico
(baixa sensibilidade)
• Suspeita clínica com ou sem leucócitos fecais positivos
Medidas preventivas
• Minimizar frequência e duração do uso de antibióticos
• Estimular descalonamento de antibióticos
Medidas gerais: interromper antibiótico sempre que
possível, parar antiperistálticos
Considerar uso de probióticos
125
Gastroenterológico
125
Gastroenterológico
Referências bibliográficas
blaser AR, Deane AM, Fruhwald S. Diarrhoea in the critically ill. Curr Opin Crit Care. 2015;21:142-53.
borges SL. Nosocomial diarrhea in the Intensive care unit: incidence and risk factors. Arq Gastroenterol. 2008;45(2): 117-23.
Cammarota G, Masucci L, Inairo G. Faecal microbiota transplantation by colonoscopy vs. vancomycin for the treatment of recurrent Clostridium difficile infection. Aliment Pharmacol
Ther. 2015;41(9):835-59.
Cohen SH, GerdingDN, Johnson S, Kelly CP, Loo VG, McDonald LC, et al.; Society for Healthcare Epidemiology of America; Infectious Diseases Society of America. Clinical Practice
Guidelines for Clostridium difficile Infection in Adults: 2010 update by the Society for Healthcare Epidemiology of America (SHEA) and the Infectious Diseases Society of America
(IDSA). Infect Control Hosp Epidemiol. 2010;31(5):431-55.
Evans C, Safdar N. Current Trends in the Epidemiology and Outcomes of Clostridium difficile Infection. Clin infect Dis. 2015;60(Suppl 2):S66-S71.
Leffler DA, Lamont JT. Clostridium difficile infection. N Engl J Med. 2015;372:1539-48.
Lewis R. Donor fecal transplant more effective than from self. Ann Intern Med. Published online august 22, 2016. Disponível em: http://www.medscape.com/viewarticle/867727
Luciano JA, Zuckerbraun bS. Clostridium difficile infection: Prevention, treatment and surgical management. Surg Clin N Am. 2014;94:1335-49.
Starr J. Clostridium difficile associated diarrhoea: diagnosis and treatment. bMJ. 2005;331(7515):498-501.
Wang S, Ma L, Zhuang Y, Jiang b, Zhang X. Screening and risk factors of exocrine pancreatic insufficiency in critically ill adult patients receiving enteral nutrition. Crit Care. 2013;17(4):R171.
Wiesen P, Van Gossun A, Preiser JC. Diarrhoea in critically ill. Cur Opin Cri Care. 2006;12:149-54.
• Há relato na literatura de insuficiência exócrina pancreática grave ocorrendo em até 10% de pacientes que estiverem
sépticos, com choque de outras etiologias e pós-ressuscitação cardiopulmonar.
• O racional é que o pâncreas exócrino pode ser um dos componentes da disfunção de múltiplos órgãos.
• A dosagem da elastase fecal < 200 mcg/g sugere o diagnóstico. A administração entérica de enzimas pancreáticas
controla a diarreia.
Diarreia aguda na UTI
• Transplante de microbiota fecal: mostrou-se superior à vancomicina para Clostridium difficile recorrente (90% x 26% de melhora).
• Realizado com fezes de doador (de preferência familiar), previamente testado para doenças transmissíveis. As fezes são
diluídas, misturadas e coadas em um recipiente estéril. Após 6h, a solução é infundida via sonda duodenal ou colonoscopia
no cólon proximal. Pode ser realizado a cada 3 dias até melhora dos sintomas.
• O transplante de microbiota fecal de doador heterólogo parece ser seguro e mais efetivo que o transplante autólogo para
tratar infecção por CD recorrente, embora mais estudos sejam necessários.
Medidas preventivas e tratamento
• Reposição de perdas hidreletrolíticas
• Correção de acidose metabólica
• Oferta de dieta enteral com baixa
osmolaridade
• Avaliar fórmulas oligoméricas e associação
de 10 a 20 g/dia de fibras solúveis,
administradas preferencialmente de modo
contínuo em bomba de infusão
Grau Quadro clínico Tratamento
Leve Apenas diarreia - Metronidazol 500 mg VO 8/8h 10 dias; OU
- Vancomicina 125 mg VO 6/6h 10 dias
(se sem melhora com metronidazol
5 dias, trocar pela vancomicina)
Moderado
Diarreia com outros sinais,
não compatível com
doença grave
Grave
Diarreia mais 2 dos
seguintes: leucocitose
(> 15.000), albumina < 3,
sensibilidade abdominal
- Vancomicina 125 mg VO 6/6h; OU
- Nitazoxanida 500 mg VO 12/12h 10 dias; OU
- Fidaxomicina 200 mg VO 12/12h 10 dias.
Complicado
Diarreia mais qualquer
item: febre > 38,5 °C,
íleo, distensão abdominal,
leucócitos > 35.000
ou < 5.000, lactato
> 2,2, hipotensão
com necessidade de
vasopressores ou qualquer
disfunção orgânica
- Vancomicina 500 mg VO 6/6h
ASSOCIADO A
- Metronidazol 500 mg EV 8/8h
ASSOCIADO A
- Vancomicina 500 mg + SF 0,9% 500 mL via
retal (enema) 6/6h
- Considerar colectomia + ileostomia para
lavagem intraoperatória e enema de
vancomicina pela ostomia.
Recorrente
Diarreia após
12 semanas (devido à
alteração da mucosa)
1) Vancomicina 125 mg VO 6/6h 14 dias
2) Vancomicina “titulada”: 125 mg VO 6/6h
14 dias, 12/12h 7 dias, 1 x/dia 7 dias, dias
alternados 7 dias, 3/3 dias 14 dias OU
Nitazoxanida 500 mg VO 12/12h 14 dias;
3) Considerar transplante de microbiota fecal
126
Gastroenterológico
126
GastroenterológicoConstipação intestinal
Não conseguir uma evacuação intestinal eficiente é problema grave, e geralmente negligenciado, tendo
alta prevalência na unidade de terapia intensiva (UTI). A constipação, definida nesta população de pacien-
tes como ausência de eliminação de fezes durante três dias, causa uma série de malefícios: (1) diminui
o esvaziamento gástrico e o trânsito do intestino delgado, dificultando a progressão da dieta enteral;
(2) permite crescimento anômalo da flora bacteriana colônica com aumento da carga de endotoxinas, sendo
que a potencial translocação de bactérias e endotoxinas para a corrente sanguínea pode estar relacionada
com sepse ou inflamação sistêmica “sem” causa aparente e (3) a distensão abdominal ocasiona aumento
da pressão intra-abdominal, com todas suas consequências funestas.
A distensão colônica importante denominada pseudo-obstrução colônica aguda (POCA) ou síndrome de
Ogilvie pode ocorrer em até 6% dos pacientes internados nas UTIs. Trata-se de síndrome aguda composta
de distensão colônica funcional, sem componente mecânico obstrutivo. Apesar de controverso, parece
que o principal mecanismo fisiopatológico está relacionado com o desequilíbrio da influência autonômica
no intestino grosso, havendo aumento do tônus simpático, ou diminuição da atividade parassimpática.
Várias causas são desencadeantes no paciente grave: inflamação com estímulo de citocinas no plexo
mioentérico, utilização de aminas vasoativas ou opioides.
Entre as diversas opções de tratamento farmacológico, utilizam-se o polietilenoglicol (PEG) ou a lactulose.
O PEG é um polímero de alto peso molecular. Não sendo absorvido pelo trato gastrointestinal (TGI)
e tampouco fermentado pelas bactérias colônicas, facilita a defecação devido à retenção de água no
conteúdo intraluminal.
A lactulose, um dissacarídeo sintético, também não é absorvida pelo TGI, mas, ao atingir o cólon, é
fermentada pelas bactérias colônicas, produzindo ácidos graxos de cadeia curta e gazes. A acidificação da
região colônica reduz a absorção intestinal de amônia. A amônia intraluminal retém água, aumentando o
volume das fezes. Um efeito colateral do uso da lactulose é a distensão intestinal pela formação de gazes.
127
Gastroenterológico
127
GastroenterológicoConstipação intestinal
PEG (Muvinlax®)
Diluir 1 envelope em 50 mL de água e infundir
por sonda ou oferecer via oral de 8/8 h, ou
lactulona 20 mL, 8/8 h
PEG (Muvinlax®)
5 envelopes em 500 mL de água, infundir 50 mL/h
até evacuar ou, no máximo, durante 12 horas
Neostigmina 0,4 a 0,8 mg/h por, no máximo, 24 horas
(contraindicação: bradicardia)
Parar a infusão:
• Quando houver evacuação fecal
• Se o seu uso causar bradicardia
Constipação?
(> 3 dias sem evacuar)
Continua sem evacuar por mais de 3 dias?
Enema retal (geralmente de pouca eficácia)
Não evacuou?
Contraindicação absoluta:
obstrução intestinal mecânica
Nesse caso,
avaliação cirurgia geral
Não evacuou nas próximas 24 horas?
Nutrição enteral precoce
é a principal profilaxia
Havendo distensão abdominal ao
exame físico, em qualquer momento,
realizar radiografia de abdômen para
afastar pseudo-obstrução colônica
aguda (síndrome de Olgivie)
Sim
Observações
• Nunca administrar óleo mineral por cateteres gástricos ou enterais. Ele é um derivado do petróleo,
existindo possibilidade de pneumonite grave caso haja broncoaspiração.
• Uma alternativa ao uso de PEG, no primeiro passo deste fluxograma, é a lactulona 20 mL, de 8/8h.
• Importante verificar na história se o paciente é cronicamente constipado. Nesta situação, realizar toque
retal para detecção/resolução de possível impactação retal.
• Observar a quantidade de potássio administrada com o Muvinlax® (sachês com polietilenoglicol 3350
[Macrogol] 13,125 g + bicarbonato de sódio 0,1775 g + cloreto de potássio 0,3507 g + cloreto de
sódio 0,0466 g.) Cada três envelopes equivalemaproximadamente a 1 g de potássio.
• Em caso de suspeição de obstrução mecânica, este protocolo NÃO deve ser seguido.
Referências bibliográficas
Azevedo RP, Freitas FGR, Ferreira EM, Machado FR. Constipação intestinal em terapia intensiva. Rev bras Ter Intensiva. 2009;21(3):324-31.
Mostafa SM, bhandari S, Ritchie G, Gratton N, Wenstone R. Constipation and its implication in the critically ill patient. br J Anaesth. 2003;91(6):815-9.
Van der Spoel JL, Oudemans-van Straaten HM, Kuiper MA, Van Roon EN, Zandstra DF, Van der Voort PH. Laxation of critically ill patients with lactulose or polyethylene glycol: a two-
center randomized, double-blind, placebo-controlled trial. Crit Care Med. 2007;35:2726-31.
128
Infecção
128
Infecção
Temperatura > 38,3ºC de início agudo (em imunocompetentes),
por pelo menos duas medidas consecutivas
Avaliação do paciente febril na UTI
Febre de início recente > 38,3oC é um motivo razoável para avaliação clínica cuidadosa do paciente. É um sinal
de inflamação, não necessariamente infecção. Dos episódios febris na UTI, 50% não estão ligados a infecções.
Como verificar a temperatura
Os métodos utilizados para medir temperatura em UTI são (em ordem decrescente de acurácia):
• termistores de cateter de artéria pulmonar ou vesical. Termômetros: esofagiano, retal, oral, de membrana-
timpânica, de artéria temporal e de medida axilar.
• Qualquer que seja o método escolhido, o termômetro deve estar apropriadamente calibrado.
• Evitar medida axilar.
• Cuidar do compartilhamento de termômetros, pois há possibilidade de transmissão de bactérias.
Referências bibliográficas
Johnson DH, Cunha bA. Drug fever. Infect Dis Clin North Am. 1996;10:85-92.
Marino PL. O paciente febril. Compêndio de uTI. 2. ed. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1999. p. 393-406.
O’Grady NP, barie PS, bartlett JG, bleck T, Carroll K, Kalil AC et al. Guidelines for evaluation of new fever in critically ill adult patients: 2008 update from the American College of Critical
Care Medicine and the Infectious Diseases Society of America. Crit Care Med. 2008;36:1330-49.
Suspeita de pneumonia nosocomial
• Infiltrado radiológico novo + dois dos seguintes: febre, leucocitose, secreção
traqueal purulenta
Ver p. 137
Suspeita de infecção abdominal
• Febre com distensão abdominal, não progressão da dieta,
vômitos/diarreia
• Sempre suspeitar quando houver manipulação cirúrgica/trauma
abdominal recente
• Realizar exame de imagem/avaliação com cirurgiãoSuspeita de infecção relacionada a cateter
• Sempre que houver cateter venoso central por mais de 5 dias e outros focos
forem improváveis
Ver p. 131
Suspeita de sinusite nosocomial
• Presença de cateteres transnasais, secreção nasal purulenta, odor fétido nasal
• Realizar TAC de seios da face
• Sinusopatia radiológica + clínica de infecção = antibioticoterapia
• Punção e drenagem de seios da face se não houver melhora com ATB
• EVITAR tubos e cateteres nasais
Suspeita de infecção urinária
• Na presença de instrumentação prévia do trato urinário
• Raramente é causa de sepse em paciente crítico; a exceção
ocorre se houver obstrução ao fluxo urinário
Drug fever
• Suspeição clínica quando houver bradicardia relativa a
hipertermia, eosinófilos e/ou linfócitos atípicos no sangue
periférico e transaminases elevadas
• Alguns medicamentos associados: diuréticos tiazídicos,
antiarrítmicos, AINH, anticonvulsivantes, opioides,
betalactâmicos, sulfas, metildopa, ranitidina
Suspeita de infecção no SNC
• Em pós-operatório de neurocirurgia e TCE aberto
• Febre + sinal focal e/ou ↓ consciência, e/ou meningismo = punção lombar (PL)
• Lesão neurológica acima do forame magnum realizar TAC de crânio antes
da PL
• Febre + cateter intracraniano = coleta e análise laboratorial do liquor
Ver p. 142
Febre em pós-operatório (PO)
• Febre de causa não infecciosa devida à SIRS é comum nas
primeiras 48 horas de PO
• Afastar: atelectasia, hematoma, trombose venosa profunda,
embolia pulmonar, tromboflebite superficial
Infecção possível?
Recomendações para coleta de hemocultura:
• Fazer desinfecção da pele com gluconato de
clorexidina alcoólica a 0,5%
• Cada amostra deve ter 20 a 30 mL de sangue
• Coletar uma amostra de cada cateter, ou
cada luz nos de múltiplas vias, e pelo menos
uma periférica1. Investigar foco conforme apresentação clínica
MÍNIMO: hemograma e radiografia de tórax
2. Observar presença de secreções purulentas
3. Avaliar disfunções orgânicas
4. Hemoculturas – no mínimo duas amostras com TSA
5. Cultura de fluido/secreção do(s) sítio(s) suspeito(s)
6. Antibioticoterapia (ATb) empírica conforme suspeita
diagnóstica, flora local e gravidade do quadro
7. Reavaliar e, sempre que possível, desescalonar ATb após
resultados das culturas
8. O uso sistemático de antipiréticos em adultos é inadmissível
Causas não infecciosas
Geralmente episódios febris esporádicos, com temperatura < 39ºC
Pensar em:
1. Inflamações, várias
2. Drug fever
3. Infarto intestinal, TEP, pancreatite, insuficiência adrenal
4. Síndrome neuroléptica maligna (haloperidol). “Febrão!”
5. Hipertermia maligna (anestesia geral). “Febrão!” Fatal, se não tratada!
6. Flebites, atelectasias, pós-operatório
SIM NÃO
129
Infecção
129
InfecçãoInfecção relacionada a cateteres intravasculares
Avaliar a indicação
de antibiótico
Iniciar antibiótico
empiricamente
Não complicada Complicada
CVC: cateter venoso central; CA: cateter arterial; UFC: unidade formadora de colônia; ATB: antibiótico; IV: via endovenosa ; TEE: ecocardiograma transesofágico
Hemoculturas
negativas
Sem cultura do CVC/CA
Hemoculturas
negativas &
CVC/CA com < 15 uFC
Hemoculturas
positivas &
CVC/CA com ≤ 15 uFC
Hemoculturas
positivas &
CVC/CA com ≥ 15 uFC
Remover o CVC/CA
e iniciar ATb IV por
4-6 semanas;
6-8 semanas para
osteomielite
Remover CVC/CA +
ATb IV por 5-7 dias.
Se pretender manter
cateter, usar ATb
IV ± terapia de
retenção ATb
por 10-14 dias
Remover CVC/CA +
ATb IV por 14 dias.
Se TEE = positivo,
usar ATb IV por
4-6 semanas
Remover CVC/CA +
ATb IV por
10-14 dias
Remover CVC/CA +
ATb IV por
10-14 dias
Remover CVC/CA +
antifúngicos por 14
dias após a última
cultura negativa
Descartar
complicações
metastáticas da
candidemia
Trombose séptica,
endocardite,
osteomielite etc.
Se a febre persistir,
sem causa
aparente, remover o
CVC/CA e solicitar
cultura da ponta
Procurar outra fonte
para a
infecção
Nos pacientes
com valvopatia
ou neutropenia e
colonização do CVC/
CA por S. aureus ou
Candida, monitorar
sinais de infecção e
repetir culturas
se necessário
Infecção
relacionada
ao CVC/CA
Staphylococcus
coagulase negativo
S. aureus
bacilos
Gram-negativos
Candida spp.Enterococcus
Hemoculturas
(duas amostras: uma central e outra periférica)
Se a causa da febre não for identificada,
remover o CVC/CA, solicitar cultura da
ponta do cateter, inserir em outro local ou
trocar o cateter usando um fio-guia
Hemoculturas
(duas amostras: uma central e outra periférica)
Se a causa da febre não for identificada,
remover o CVC/CA, solicitar cultura
semiquantitativa da ponta do cateter,
inserir em outro local ou trocar o
cateter usando um fio-guia
Doença branda ou moderada (sem
hipotensão ou falência de órgãos)
Gravemente enfermo (hipotensão,
hipoperfusão ou falência de órgãos)
Paciente com cateter venoso central (CVC)
ou cateter arterial (CA) e com febre
130
Infecção
130
InfecçãoPrevenção de infecção relacionada
a cateteres intravasculares
A redução da incidência de infecção relacionada a cateteres vasculares depende da aplicação conjunta de uma
série de intervenções simples.
A RECOMENDAÇÕES ESSENCIAIS
Treinar a equipe assistencial.
Criar um kit padrão de materiais para inserção de cateteres que permita a disponibilização de todo o
material necessário.
Implementar o uso de checklist e avaliar a adesão às medidas de prevenção e disponibilizá-lo no kit
padrão de materiais (p. 131)
• Lavar as mãos antesdo procedimento, conforme normas da CCIH
• Usar precaução de barreira completa para CVC ou cateter arterial femoral ou axilar (gorro, máscara,
avental cirúrgico, luvas, campos cirúrgicos amplos). Cateteres arteriais em sítio radial, braquial ou
pedioso requerem apenas gorro, máscara, luvas estéreis e campo fenestrado estéril
• Realizar antissepsia do local da inserção do cateter com clorexidina alcoólica (concentração > 0,5%)
durante 30 segundos e permitir a secagem espontânea. Se houver contraindicação para uso de
clorexidina, recomenda-se o uso de álcool a 70% ou solução iodada
• Sítio preferencial para inserção do CVC: 1o subclávia; 2o jugular interna. Trocar o sítio de inserção de
cateteres femorais por subclávia ou jugular logo que possível. Exceção: cateter de hemodiálise em
pacientes com doença renal avançada – risco de estenose de veia subclávia
– Sítio preferencial para inserção de cateter arterial: radial, braquial ou pediosa em vez de femoral
e braquial
Prever interrupção/correção, sinalizada pela enfermagem, do processo de inserção do cateter em caso
de violação de algum item do checklist.
Remoção precoce. Avaliar diariamente a possibilidade de remoção do cateter.
B RECOMENDAÇÕES COMPLEMENTARES
Troca de curativo em CVC: em dias alternados, se gaze; a cada 7 dias, se cobertura transparente
A troca rotineira de CVC não é recomendada quando eles “funcionam” adequadamente e não existem
sinais de complicações locais nem sistêmicas
Minimizar a manipulação do cateter e/ou conexões
O uso de cateteres impregnados com antissépticos ou antibióticos é controverso
B1 Curativo
Usar gaze estéril ou curativo transparente estéril no local de inserção do catéter
Usar gaze, se sangramento local, até melhora do quadro
Trocar curativo se visivelmente sujo
Não submergir o local do cateter em água
Trocar curativo de gaze a cada 2 dias e curativo transparente a cada 7 dias
B2 Equipos
Trocar equipos de infusão e conexões não mais que a cada 96 horas e não menos que a cada 7 dias
Trocar equipos em 24 horas se usados para infundir hemoderivados ou emulsões lipídicas
Cateteres periféricos
Instalar CVC sempre que a duração do tratamento IV for superior a 6 dias
Trocar de cateter venoso periférico a cada 72-96 horas
131
Infecção
131
Infecção
Referências bibliográficas
berenholtz SM, Pronovost PJ, Lipsett PA, Hobson D, Earsing K, Farley JE, et al. Eliminating catheter-related bloostream infections in the intensive care unit. Crit Care Med.
2004;32(10):2014-20.
Marra AR, Cal RG, Durão MS, Correa L, Guastelli LR, Moura DF Jr., et al. Impact of a program to prevent central line associated bloostream infection in the zero tolerance era. Am J
Infec Control. 2010;
O’Grady NP, barie PS, bartlett JG, bleck T, Carroll K, Kalil AC, et al. Guidelines for the prevention of intravascular catheter-related infections 2011. Disponível em: https://www.cdc.
gov/hicpac/pdf/guidelines/bsi-guidelines-2011.pdf [Acesso em 18 mar 2016].
Pronovost PJ, Goeschel CA, Colantuoni E, Watson S, Lubomski LH, berenholtz SM, et al. Sustaining reductions in catheter-related bloodstream infections in Michigan intensive care
units: observational study. bMJ. 2010;340:c309.
Prevenção de infecção relacionada
a cateteres intravasculares
Checklist para prevenção de infecção relacionada a cateter intravascular
Propósito: Trabalhar em equipe para diminuir taxas de infecção relacionada a cateter intravascular
Quando: Todo acesso venoso ou arterial de inserção central
Quem: Enfermeiro (preenche o checklist, sugere correções durante o procedimento e notifica não conformidades)
Data: ______/______/______
Procedimento ( ) Novo acesso ( ) Emergência ( ) Eletivo
Antes do procedimento, o médico: Sim Não Ignorado
Lavou as mãos (clorexidina) imediatamente? ( ) ( ) ( )
Realizou antissepsia local? ( ) ( ) ( )
Cobriu todo o paciente com campos estéreis? ( ) ( ) ( )
Durante o procedimento, o médico: ( ) ( ) ( )
usou luvas estéreis?
usou máscara, gorro e avental estéril? ( ) ( ) ( )
Manteve o campo estéril? ( ) ( ) ( )
A equipe que auxiliou o procedimento manteve as medidas de precaução (gorro, máscara cirúrgica etc.)? ( ) ( ) ( )
Após o procedimento
Foi realizado curativo estéril no local de punção? ( ) ( ) ( )
132
Infecção
132
InfecçãoPneumonia comunitária
História sugestiva de
pneumonia comunitária
Diagnóstico de pneumonia
comunitária (PAC)
Solicitar radiografia de tórax se
dois ou mais dos seguintes sinais
estiverem presentes:
• Temperatura > 37,8ºC
• Frequência cardíaca > 100 bpm
• Murmúrio vesicular diminuído
• Estertores crepitantes
• Frequência respiratória > 20 mrm
Avaliar gravidade da pneumonia
e melhor sítio de tratamento
baixo risco
CuRb-65 = 0-1
PSI = I, II, III (≤ 90)
Ambulatorial
Internação
• Critérios sociais – comorbidade
SpO2 < 92% descompensada
Antibiótico – Monoterapia
Amoxacilina
Evitar macrolídeos/quinolona
Avaliar fatores modificadores para
patógenos resistentes
Risco
moderado
CuRb-65 = 2
PSI = IV, V (> 90)
Internação
Enfermaria
Exames
microbiológicos
Antibiótico
betalactâmico + macrolídeos
Quinolonas
Alto risco
CuRb-65 = 3-4
PSI = IV, V (> 90)
Smart-COP > 5
Internação uTI
Exames
microbiológicos
Antibiótico – Associação
betalactâmico + macrolídeos
betalactâmico + quinolonas
Metilprednisolona 0,5 mg/kg
12/12h, 5 dias
Diagnóstico, avaliação da gravidade e escolha do sítio de tratamento
• O início da administração do antibiótico entre 4 a 8h da chegada na emergência relaciona-se à mortalidade
• O atraso na administração de oxigênio superior a 3h em pacientes hipoxêmicos no setor de emergência
está associado à maior mortalidade
• Atraso na transferência para a UTI aumenta o risco de mortalidade em 28 dias
133
Infecção
133
InfecçãoPneumonia comunitária
Critérios de gravidade – PSI
Idade
• Homem (anos) +__
• Mulher (anos -10) +__
• Residente em asilo +10
Comorbidades
• Neoplasia +30
• Hepatopatia +20
• ICC +10
• DCV +10
• Nefropatia +10
Exame físico
• Confusão mental +20
• FR ≥ 30 mrm +20
• PAS < 90 mmHg +20
• Tax < 35ºC ou ≥ 40ºC +15
• FC > 125 bpm +10
Achados de radiografia e laboratoriais
• pH arterial < 7,35 +30
• Ureia ≥ 64 mg/dL +20
• Na < 130 mEq/L +20
• Glicose > 250 mg/dL +10
• Ht < 30% +10
• paO2 < 60 mmHg ou SpO2 < 90% +10
• Derrame pleural +10
≥ 91 (Classe ≥ IV) considerar internação na UTI
Critérios de gravidade – Curb 65
Preditor Pontos
Confusão mental 1
Ureia > 7 mmol/L 1
Frequência respiratória > 30/min 1
Blood pressure (pressão arterial) S < 90 mmHg ou
D < 60 mmHg
1
65 anos 1
≥ 3 considerar internação na UTI
Critérios de gravidade – SMART-COP
Preditor Pontos
Pressão sistólica < 90 mmHg 2
Radiografia com envolvimento multilobar 1
Albumina < 35 g/L 1
Frequência respiratória
- < 50 anos = > 25/mrm
- >50 anos = > 30/mrm
1
Taquicardia > 125/min 1
Confusão 1
Oxigenação
- < 50 anos = < 70 mmHg ou O2 sat < 93%
- > 50 anos = < 60 mmHg ou O2 sat < 90%
2
pH < 7.35 (arterial) 2
> 5 pontos considerar internação na uTI
Os escores clássicos de gravidade (PSI e Curb-65) foram
desenvolvidos para selecionar os doentes com PAC com baixo
risco de mortalidade no curto prazo e, como tal, que poderiam ser
tratados em ambulatório em segurança
O escore de gravidade SMART-COP foi desenvolvido para selecionar
os doentes com pneumonia grave com risco de eventos adversos,
tais como mortalidade, necessidade de internamento em uTI,
suporte ventilatório e/ou vasopressor e que precisam de um
acompanhamento mais próximo e tratamento mais agressivo
Fatores modificadores [II]*
Pneumococo resistente à penicilina
• Idade > 65 anos
• Uso de betalactâmico nos últimos 3 meses
• Alcoolismo
• Imunodepressão (Mandell et. al., 2007)
• Múltiplas comorbidades
• Contato com crianças em creches
Enterococos ou Gram-negativos
• Contato com serviço de saúde recente, sem procedimentos invasivos
• Doença cardiopulmonar subjacente
• Múltiplas comorbidades
• Antibioticoterapiarecente
Pseudomonas aeruginosa
• Doença estrutural pulmonar (bronquiectasia)
• Terapia com corticosteroides
• Antibiótico de largo espectro (> 7 dias há 1 mês)
• Desnutrição
134
Infecção
134
InfecçãoPneumonia comunitária
Tabela 1. Exames microbiológicos
Paciente da
emergência
Paciente internado,
pouco grave
Paciente internado fora da
UTI, gravidade moderada
Paciente internado
em UTI, muito grave
Cultura de escarro
Não necessário
rotineiramente
Sim Sim Sim
Hemocultura
Não necessário
rotineiramente
Não necessário
rotineiramente
Sim Sim
Antígeno urinário para Legionella
Não necessário
rotineiramente
Não necessário
rotineiramente
Sim Sim
Antígeno urinário para Pneumococo
Não necessário
rotineiramente
Não necessário
rotineiramente
Sim Sim
Cultura invasiva de amostra respiratória
Não necessário
rotineiramente
Não necessário
rotineiramente
Não necessário
rotineiramente
Sim
Outros
Não necessário
rotineiramente
Não necessário
rotineiramente
Não necessário
rotineiramente
Sim
Tratamento antibiótico
Internação em enfermaria
betalactâmico (ampicilina/sulbactam/ceftriaxona/ceftarolina/ertapenem) + macrolídeo (azitromicina/claritromicina) ou
Fluoroquinolona respiratória (moxifloxacino/gemifloxacino/levofloxacino [750 mg])
Internação em UTI
betalactâmico (ampicilina/sulbactam/ceftriaxona) + azitromicina ou
betalactâmico (ampicilina/sulbactam/ceftriaxona) + fluoroquinolona respiratória (moxifloxacino/gemifloxacino/levofloxacino [750 mg])
Fator de risco para P. aeruginosa
betalactâmico antipseudomonas (piperacilina/tazobactam/cefepima/meropenem) + azitromicina ou
betalactâmico antipseudomonas (piperacilina/tazobactam/cefepima/meropenem) + fluoroquinolona (ciprofloxacino ou levofloxacino
[750 mg]) ou
betalactâmico citado MAIS um aminoglicosídeo MAIS azitromicina
Em vários relatos, a influenza é agente causal de até 10% das PAC graves! Manter suspeição forte,
principalmente no inverno, associando oseltamivir ao esquema antimicrobiano.
135
Infecção
135
InfecçãoPneumonia comunitária
Mínimo 5 dias
3 dias em alguns estudos recentes
P. aeruginosa e S. aureus – 8 dias
Afebril durante 48-72h
Chlamydia pneumoniae – 7-14 dias
Legionella – 10-21 dias
bactérias causadoras de pneumonia necrotizante –
> 2 semanas Até melhorar
Tempo de tratamento Critérios para a alta hospitalar
Critérios para a alta hospitalar [Ib]*
Não ter apresentado duas ou mais das situações abaixo nas últimas 24 horas:
• Tax > 37,8ºC
• Frequência cardíaca > 100 bpm
• Frequência respiratória > 24 mrm
• Pressão arterial sistólica < 90 mmHg
• Saturação arterial de O2 < 90%
• Incapacidade de ingestão oral
Referências bibliográficas
beigel JH. Influenza. Crit Care Med. 2008;36:2660-6.
blot SI, Rodriguez A, Solé-Violán J, blanquer J, Almirall J, Rello J. Effects of delayed oxygenation assessment on time to antibiotic delivery and mortality in patients with severe
community-acquired pneumonia. Crit Care Med. 2007;35(11):2509-14.
Durrington HJ, Summers C. Recent changes in the management of community acquired pneumonia in adults. bMJ. 2008;336(7658):1429-33.
Giamarellos-bourboulis EJ. Claritrhromycin: a promising immunomodulator in sepsis. In: Vincent JL (ed.). Yearbook of intensive care and emergency medicine. berlim: Springer-Verlag;
2009. pp.111-8.
Lee JS, Giesler DL, Gellad WF, Fine MJ. Antibiotic Therapy for Adults Hospitalized With Community-Acquired Pneumonia: A Systematic Review. JAMA. 2016;315(6):593-602.
Lim WS, baudouin SV, George RC, Hill AT, Jamieson C, Le Jeune I, et al. british Thoracic Society guidelines for the management of community acquired pneumonia in adults: update
2009. Thorax. 2009;64(Suppl. III):iii1-iii55.
Majumdar SR, Eurich DT, Gamble JM, Senthilselvan A, Marrie TJ. Oxygen saturations less than 92% are associated with major adverse events in outpatients with pneumonia: a
population-based cohort study. Clin Infect Dis 2011; 52: 325-31.
Mandell LA, Wunderink RG, Anzueto A, bartlett JG, Campbell GD, Dean NC, et al. Infectious Diseases Society of America/American Thoracic Society Consensus Guidelines on the
management of community-acquired pneumonia in adults. Clin Infect Dis. 2007;44(Suppl. 2):S27-72.
Niederman MS. In the clinic: community-acquired pneumonia. Ann Intern Med. 2015 Oct 6;163(7):ITC1-17.
Prina E, Ranzani OT, Torres A. Community-acquired pneumonia. Lancet. 2015;386(9998):1097-108.
Renaud b, Santin A, Coma E, Camus N, Van Pelt D, Hayon J, et al. Association between timing of intensive care unit admission and outcomes for emergency department patients
with community-acquired pneumonia. Crit Care Med. 2009;37(11):2867-74.
136
Infecção
136
InfecçãoPneumonia associada
à ventilação mecânica (PAV)
AVALIAÇÃO DIÁRIA de tempo de VM, FiO2, PEEP,
temperatura, leucometria e secreção respiratória
Piora da oxigenação:
↑ FiO2 ≥ 0,2 ou ↑ PEEP ≥ 3 cmH2O
após 2 dias sem mudanças
na FiO2 e na PEEP
CPIS ≤ 6
baixa suspeição de PAV Alta suspeição de PAV
CPIS > 6
Avaliar presença de secreção e solicitar análise e cultura de
secreção respiratória (traqueal ou brônquica) + hemocultura (1 par)
Temperatura > 38ºC ou < 36ºC ou
Leucócitos totais > 12.000 /mm3 ou
< 4.000 /mm3 ou desvio à esquerda ou
Calcular CPIS
diariamente
Procalcitonina (PCT) e proteína C reativa (PCR)
não indicam o diagnóstico, mas podem auxiliar
na avaliação da resposta à terapêutica
+
Calcular o CPIS (Clinical Pulmonary Infection Score) modificado
Parâmetro Valor Pontos
Temperatura (ºC) > 36,1 e ≤ 38,4 0
≥ 38,5 e ≤ 38,9 1
≥ 39 ou ≤ 36 2
Leucócitos no sangue (mm3)
≥ 4.000 e ≤ 11.000 0
< 4.000 ou > 11.000 1
< 4.000 ou > 11.000
+ ≥ 500 bastões
2
Secreção traqueal
Ausente ou pouca 0
Muita 1
Purulenta 2
PaO2/FiO2
> 240 0
≤ 240 (excluir SDRA) 2
Radiografia de tórax
Sem infiltrados novos 0
Infiltrados difusos 1
Infiltrado localizado 2
Definição
• Pneumonia: presença de infiltrado pulmonar novo associado à evidência clínica de que o infiltrado é
de origem infecciosa, como início de febre, escarro purulento, leucocitose e queda na oxigenação.
• Pneumonia hospitalar (PH): pneumonia que não está em incubação no momento da internação, com
ocorrência após 48 horas da admissão hospitalar.
• Pneumonia associada à ventilação mecânica (PAV): pneumonia que ocorre após 48 horas da
intubação endotraqueal.
137
Infecção
137
Infecção
Iniciar ATb empírico e
considerar tempo, microbiologia local e
risco para multirresistência (MR)
DIAGNÓSTICO: PAV provável
DIAGNÓSTICO: PAV possível
Pneumonia desenvolvida ≥ 48h da admissão
• Paciente com qualquer
dos critérios:
– Suporte ventilatório
– Choque séptico
– Antibiótico IV nos
últimos 90 dias
Hospitalização
[Pneumonia Hospitalar]
• Paciente com qualquer dos critérios:
– SDRA precedendo PAV
– Choque séptico concomitante à PAV
– IRA com terapia de substituição
renal prévia à PAV
– ≥ 5 dias de hospitalização antes do
diagnóstico de PAV
Intubação [Pneumonia associada à
Ventilação Mecânica – PAV]
Verificar culturas e
resposta clínica
Há mais do que 10-20% de MRSA
entre os S. aureus isolados ou
prevalência desconhecida de
MRSA na sua instituição?
Paciente apresenta doença pulmonar estrutural?
Há resistência > 10% à antibioticoterapia para Pseudomonas?
Há abundância de bactérias Gram-negativas na coloração de Gram?
Cobertura para MRSA
e dois antimicrobianos
antipseudomonas de
classes diferentes
b – Resposta clínica e
biomarcadores (PTN/PCR)
A – Culturas
uMA DAS CONDIÇÕES SEGuINTES
- Secreção purulenta (> 25 neutrófilos E
< 10 células epiteliais/campo (x100) ou
- Cultura positiva de secreção
independentemente da técnica de coleta
uMA DAS CONDIÇÕES SEGuINTES
- Secreção purulenta (> 25 neutrófilos E
< 10 células epiteliais/campo (x100) E
- Cultura positiva
- Aspirado traqueal ≥ 105 uFC/mL
- Minilavado brônquico ≥ 104 uFC/mL
- Lavado broncoalveolar ≥ 104 uFC/mL
- Escovado protegido ≥ 103 uFC/mL
uMA DAS CONDIÇÕES SEGuINTES (não
requer presença de secreção)
- Cultura de líquidopleural ou histopatologia
positiva de tecido pulmonar
- Teste diagnóstico para vírus ou bactérias
“O acompanhamento de PCT ou
PCR pode auxiliar na avaliação
da resposta à terapêutica.”
um antimicrobiano
antipseudomonas com
atividade contra MSSA (se
MRSA não estiver coberto)
Dois antimicrobianos
antipseudomonas, um deles
com atividade contra MSSA (se
MRSA não estiver coberto)
• Considerar
polimixina b se
alta prevalência de
Pseudomonas MR
ou Acinetobacter
Fatores de risco para patógenos
multirresistentes
Fatores de risco para PAV multirresistente
• Uso de antibiótico endovenoso nos últimos 90 dias
• Choque séptico concomitante com a PAV
• SDRA precedendo PAV
• Cinco ou seis dias de hospitalização prévia à
ocorrência de PAV
• Terapia de substituição renal aguda prévia ao
início da PAV
Fatores de risco para PH multirresistente
• Uso de antibiótico endovenoso nos últimos 90 dias
Fatores de risco para PAV/PH por MRSA
• Uso de antibiótico endovenoso nos últimos 90 dias
• Prevalência >10-20% de MRSA entre os
S. aureus isolados ou prevalência desconhecida
de MRSA na sua instituição
• Elevado risco de mortalidade (necessidade de
suporte ventilatório na PH e choque séptico)
Fatores de risco para PAV/PAH por Pseudomonas
multirresistente
• Uso de antibiótico endovenoso nos últimos 90 dias
• Resistência > 10% à antibioticoterapia para
Pseudomonas ou suscetibilidade antimicrobiana
de Gram-negativos desconhecida na instituição
• Paciente apresenta doença pulmonar estrutural
(p. ex. bronquiectasias, fibrose cística)
• Elevado risco de mortalidade (necessidade de
suporte ventilatório na PH e choque séptico)
Pneumonia associada
à ventilação mecânica (PAV)
Sim
Sim
Não
Não
138
Infecção
138
Infecção
Não Sim
Houve melhora clínica?
Culturas negativas Culturas positivas
Procurar por:
Outros diagnósticos
Outros locais de infecção
Ajustar antibiótico conforme culturas
Procurar por:
Outros patógenos
Outros diagnósticos
Outros locais de infecção
Considerar diariamente a suspensão de ATb com base na
resposta clínica e/ou biomarcadores (PCT, PCR)
Se possível, descalonar
antibiótico
Culturas negativas Culturas positivas
Pneumonia associada
à ventilação mecânica (PAV)
Antibióticos com atividade contra
Gram-positivos e MRSA
Antibióticos com atividade contra
Gram-negativos e antipseudomonas:
betalactâmicos
Antibióticos com atividade contra
Gram-negativos e antipseudomonas:
não betalactâmicos
Vancomicina 15 mg/kg IV q8-12h Piperacilina-tazobactam 4,5 g IV q6h Ciprofloxacino 400 mg IV q8h
Linezolida 600 mg IV q12h Cefepima 2 g IV q8h
Ceftazidima 2 g IV q8h
Amicacina 15-20 mg/kg IV q24h
Gentamicina 5-7 mg/kg IV q24h
Teicoplanina 6 mg/kg q12h nas 3 primeiras
doses. Após, 6 mg/kg q24h.
Imipenem 500 mg IV q6h
Meropenem 1 g IV q8h
Polimixina B (50 mg = 500.000 UI).
2,5-3,0 mg/kg/dia IV dividido em 2 doses
Aztreonam 2 g IV q8h
Tabela 1. Opções sugeridas para tratamento empírico para suspeita clínica de pneumonia associada à
ventilação mecânica em instituições em que a cobertura para MRSA e dupla terapia antipseudomonas
é apropriada
139
Infecção
139
Infecção
Referências bibliográficas
American Thoracic Society Documents. Guidelines for the management of adults with hospital-acquired, ventilator-associated, and health care-associated pneumonia. Am J Respir
Crit Care Med. 2005;171:388-416.
Carratalà J, Garcia-Vidal C. What is healthcare-associated pneumonia and how is it maneged? Curr Opin Infect Dis. 2008;21:168-73.
Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Improving surveillance for ventilator-associated events in adults. CDC/NHSN Protocol Corrections, April 2013. Disponível em: http://
www.cdc.gov/nhsn/pdfs/pscmanual/9pscssicurrent.pdf
IDSA guideline. Management of Adults With Hospital-acquired and Ventilator-associated Pneumonia: 2016 Clinical Practice Guidelines by the Infectious Diseases Society of America
and the American Thoracic Society. Clinical Infectious Diseases. 2016. Downloaded from http://cid.oxfordjournals.org/ by guest on August 11, 2016.
Klompas M. Complications of mechanical ventilation — The CDC’s new surveillance paradigm. N Engl J Med. 2013;16:1472-5.
Luna CM, blanzaco D, Niederman MS, Matarucco W, baredes NC, Desmery P, et al. Resolution of ventilator-associated pneumonia: prospective evaluation of the Clinical Pulmonary
Infection Score as an early clinical predictor of outcome. Crit Care Med. 2003;31:676-82.
Michalopoulos A, Falagas ME. Colistin and polymyxin b in critical care. Crit Care Clin. 2008;24:377-91.
Schuetz P, Müller b, Christ-Crain M, Stolz D, Tamm M, bouadma L, et al. Procalcitonin to initiate or discontinue antibiotics in acute respiratory tract infections (Review). Cochrane
Database of Syst Rev. 2012 Sep 12;(9):CD007498.
Su LX, Meng K, Zhang X, Wang HJ, Yan P, Jia YH, et al. Diagnosing ventilator associated pneumonia in critically ill patients with sepsis. Am J Crit Care. 2012;21:e110-e119.
Pneumonia associada
à ventilação mecânica (PAV)
Estratégia de Tarragona
1. Iniciar antibiótico imediatamente.
2. A escolha do antibiótico pode ser, em alguns casos, direcionada à bacterioscopia da secreção traqueal.
3. Modificar/descalonar o antibiótico após resultados das culturas.
4. Prolongar o tempo de uso de antibiótico não impede a incidência de recorrências.
5. Nos pacientes com DPOC ou mais que 1 semana de intubação traqueal, suspeitar de Pseudomonas sp.
6. Virtualmente não existe PAV por Staphylococcus aureus resistente à oxacilina em pacientes que nunca
receberam antimicrobianos. Por outro lado, Staphylococcus aureus sensível à oxacilina tem alta pre-
valência em pacientes comatosos.
7. Não é necessário o uso de antifúngicos na PAV, mesmo na presença de colonização traqueal por Candida sp.
8. Sempre escolher o início de antimicrobianos baseado nos antibióticos que o paciente utilizou.
9. A terapia antimicrobiana empírica deve ser continuamente atualizada, revisada e adaptada ao padrão
da microflora local.
140
Infecção
140
InfecçãoPrevenção da PAV
Prevenção da pneumonia associada à ventilação mecânica
A aplicação das medidas de prevenção à PAV baseia-se em:
• Definir profissional(is) responsável(is) pela função (fisioterapeuta ou enfermeiro)
• Reconhecer os pacientes em risco: ventilação mecânica invasiva
• Avaliar os fatores de risco: aplicação diária de checklist de medidas profiláticas
• Verificar adesão às medidas profiláticas
• Corrigir em tempo real (durante o preenchimento do checklist) eventuais não conformidades na aplicação das medidas
• Avaliar trimestralmente a adesão às medidas profiláticas e as taxas de PAV
• Retreinar pessoal, adequar e intensificar as medidas conforme necessidade
Referências bibliográficas
Chlebicki MP, Safdar N. Topical chlorhexidine for prevention of ventilator-associated pneumonia: a meta-analysis.Crit Care Med. 2007;35:595-602.
Dries DJ, McGonigal MD, Malian MS, bor bJ, Sullivan C. Protocol-driven ventilator weaning reduces use of mechanical ventilation, rate of early reimbursement, and ventilatorassoci-
ated pneumonia. J Trauma. 2004;56:943-51.
Five Million Lives Campaign. Getting started kit: prevent ventilator-associated pneumonia how-to guide. Cambridge: MA: Institute for Healthcare Improvement; 2010. Disponível em:
www.ihi.org.
Garcia R, Jendresky L, Colbert L, bailey A, Zaman M, Majumder M. Reducing ventilator-associated pneumonia through advanced oral-dental care: a 48-month study. AJCC. 2009;18(6):523-32.
Isakow W, Kolleff MH. Preventing ventilator-associated pneumonia: an evidence-based approach of modifiable risk factors. Semin Resp and Crit Care Med. 2006;27:5-17.
Rello J, Lode H, Cornaglia G, Masterton R; VAP Care bundle Contributors. A European care bundle for prevention of ventilator-associated pneumonia. Intensive Care Med. 2010;36:773-80.
Singh N, Rogers P, Atwood CW, Wagener MM, Yu VL. Short-course empiric antibiotic therapy for patients with pulmonary infiltrates in the intensive care unit. A proposed solution forindiscriminate antibiotic prescription. Am J Resp Crit Care Med. 2000;169:505-11.
Zack JE, Garrison T, Trovillion E, Clinkscale D, Coopersmith CM, Fraser VJ, et al. Effect of an education program aimed at reducing the occurrence of ventilator-associated pneumonia.
Crit Care Med. 2002;3:2407-12.
Sugestão de checklist diário de medidas obrigatórias para
prevenir PAV
LEITO
1. Cabeceira elevada de 30 a 45 graus? 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
2. Inserção oral do cateter enteral?
3. Higiene oral a cada turno (com clorexidina em PO de cardíaca)?
4. Troca do circuito do ventilador apenas quando houver sujidades?
5. Pressão do balonete da cânula traqueal entre 20 e 30 mmHg?
8. Interrupção diária da sedação?
6. Ausência do uso de relaxante muscular?
7. Aspiração traqueal somente quando necessária?
9. Transfusão somente se Ht < 21% (< 30% em TCE ou ICA)?
10. Profilaxia de HDA foi avaliada?
11. Profilaxia de TVP foi avaliada?
12. Glicemia < 180 mg/dL?
13. Verificada a possibilidade de desmame ventilatório?
141
Infecção
141
Infecção
Acurácia do exame clínico no diagnóstico
da meningite bacteriana
Sinais clínicos Rigidez de nuca, 70% de sensibilidade
Kernig, 57% de sensibilidade
Brudzinski, 97% de sensibilidade
Febre + cefaleia + rigidez de nuca 15% de sensibilidade
100% de especificidade
+ Kernig 9% de sensibilidade
100% de especificidade
+ teste de Jolt* 97% de sensibilidade
60% de especificidade
+ rigidez de nuca e alteração mental,
99% de sensibilidade
* Piora da cefaleia à mobilização cefálica lateral alternada (“sacudir a cabeça”).
Prognóstico da meningite bacteriana de acordo com fatores
de risco:
• Hipotensão
• Alteração do estado mental
• Convulsões
Estágio No de fatores Evolução adversa
I 0 5%
II 1 27%
III 2 ou 3 63%
Análise do LCR de acordo com a etiologia da meningite
Parâmetro Normal Meningite
bacteriana
Leucócitos 0-5 > 1.000
Polimorfonucleados (%) 0-15 > 80
Linfócitos (%) > 50 < 50
Glicorraquia 45-65 < 40
Glicorraquia/glicemia 0,6 < 0,4
Proteína 20-45 > 150
Pressão 6-20 > 25-30
Especificidade dos achados liquóricos
• Celularidade > 2.000 células ou > 1.100 neutrófilos, 99%
• Glicorraquia < 20 mg/dL ou relação glicorraquia–glicemia
< 0,23, 99%
• Proteínas > 220 mg/dL, 99%
• Gram revelando microrganismos (60% a 90% dos
casos), 100%
• Lactato no LCR > 4 mmol/L, sensibilidade de 88% e
especificidade de 98%
Critérios para realização da TAC antes da punção lombar
Relacionados
ao paciente
Imunodeprimido
Hx de lesão expansiva de SNC
Hx de convulsões na última semana
Relacionados ao
estado mental
Glasgow < 15
Relacionados ao
exame neurológico
Paralisia de pares cranianos
Afasia
Alteração de força MMSS/MMII
Papiledema
Suspeita de meningite
SIM
Algum critério para contraindicação ou demora (> 30 min) na realização da PL
NÃO SIM
Dexametasona +
antibiótico empírico
Dexametasona +
antibiótico empírico
LCR compatível com
meningite bacteriana
Tomografia de crânio
sem sinais de HIC
Antibiótico nas últimas 48h
Sintomas há menos de 48h
Proteínas > 150
Glicose < 40
Leucócitos > 1.200
Lactato > 4 mEq/L
NÃO
SIM
ALGuM
POSITIVO
Repetir PL em 12h
Determinação do
Gram no LCR
NÃO
SIM
Dexametasona +
antibiótico empírico
Dexametasona +
antibiótico específico
Hemoculturas e PL Hemoculturas
Realizar PL
Meningite bacteriana
As hemoculturas são positivas em 50% a 90% dos
pacientes com meningite bacteriana
Atraso no início do tratamento antibiótico > 3h está
relacionado a maior mortalidade de pacientes internados
com meningite bacteriana
142
Infecção
142
InfecçãoMeningite bacteriana
Antibioticoterapia empírica para meningite bacteriana no adulto com base na idade/etiologia
Idade do paciente Principais patógenos Terapia recomendada/dose
diária total e intervalo
< 50 anos S. pneumoniae, N. meningitidis Ceftriaxona 2 g, 2x/dia
> 50 anos S. pneumoniae, L. monocytogenes,
bacilos G-aeróbicos, N. meningitidis
Ceftriaxona 2 g, 2x/dia +
ampicilina 2 g, 6x/dia
TCE aberto, neurocirurgia,
derivação liquórica
S. aureus, S. epidermidis,
difteroides, bacilos G-aeróbicos
Vancomicina 1 g, 2 a 3x/dia
+ ceftazidima 2 g, 3x/dia
TCE fechado com fratura de base
de crânio, fístula liquórica
S. pneumoniae, N. meningitidis,
H. influenzae
Ceftriaxona 2 g, 2x/dia
Imunocomprometido S. pneumoniae, L. monocytogenes,
bacilos G-aeróbicos
Ceftriaxona 2 g, 2x/dia +
ampicilina 2 g, 6x/dia
Terapia específica de acordo com os achados da bacterioscopia
Bacterioscopia/
possível microrganismo
Terapia recomendada/dose diária
total e intervalo
Terapia alternativa/dose diária
total e intervalo
Duração da terapia
em dias
Diplococco Gram-positivo/
S. pneumoniae
Ceftriaxona 2 g, 2x/dia Meropenem 2 g, 3x/dia 10-14 dias
Diplococco Gram-negativo/
N. meningitidis*
Ceftriaxona 2 g, 2x/dia Penicilina G 4 a 6 MU, 6x/dia
ou ampicilina 2 g, 6x/dia
7 dias
Bacilo ou cocobacilo
Gram-positivo/L. monocytogenes
Ampicilina 2 g, 6x/dia +
gentamicina 1,5 mg/kg, 3x/dia
TMP-SMX 5 mg/kg, 4x/dia
ou meropenem 2 g, 3x/dia
21 dias
Bacilo Gram-negativo/
H. influenzae, coliformes,
P. aeruginosa
Ceftazidima 2 g, 3x/dia +
gentamicina 1,5 mg/kg, 3x/dia
Cefepima 2 g, 3x/dia
Meropenem 2 g, 3x/dia
H. influenzae
– 7 dias
Demais – 21 dias
Observações
• Dexametasona: 15 min antes ou concomitante à primeira dose de antibiótico 0,15 mg/kg, de 6/6h, por 2-4 dias
Comprovadamente eficaz na prevenção de sequelas neurológicas e na redução da mortalidade
• Vancomicina IV deverá ser associada ao esquema terapêutico empírico sempre que os índices locais de S. pneumoniae altamente resistentes
forem ≥ 2%
• A administração de gentamicina intraventricular (5 a 10 mg/dia) é reservada a meningites por Gram-negativos se:
(1) microrganismo sensível foi identificado, (2) derivação ventricular externa for necessária, (3) LCR mostrar sinais de ventriculite,
(4) quadro clínico grave e (5) não houver sinais de melhora com a terapia intravenosa
• A administração de vancomicina intraventricular (20 mg/dia) é reservada à ventriculite associada a cateter causada por Staphylococcus ou
para casos de meningite por pneumococo ou estafilococo que não responderam à vancomicina parenteral
• A linezolida parece ser uma alternativa segura à vancomicina
• Caso hidrocefalia aguda derivação ventricular externa + monitorização da PIC
• Realizar monitorização eletroencefalográfica nos pacientes com história de crise convulsiva ou flutuações no escore de coma de Glasgow
• A administração de polimixina intratecal na dose de 5 a 10 mg é uma opção de tratamento para meningite por Acinetobacter spp.
• Quando a cultura do liquor revela S. pneumoniae resistente à ceftriaxona (MIC ≥ 1 mcg/mL), ela não deve ser suspensa, pois tem efeito
sinérgico com a vancomicina neste cenário.
Referências bibliográficas
Cunha bA. Meningitis and its mimics in the critical care unit. Infectious Diseases in Critical Care Medicine. Informa Healthcare. 2006;pp.81-103.
Deisenhammer F. Guidelines on routine cerebrospinal fluid analysis. Euro J Neurol. 2006;13:913-22.
Lindvall P. Reducing intracranial pressure may increase survival among patients with bacterial meningitis. Clin Infect Dis. 2004;38:384-90.
McGill F, Heyderman RS, Michael bD, Defres S, beeching NJ, borrow R, et al. The uK joint specialist societies guideline on the diagnosis and management of acute meningitis and
meningococcal sepsis in immunocompetent adults. J Infect. 2016;72(4):405-38.
Ng J. Cure of multiresistant Acinetobacter baumannii central nervous system infections with intraventricular or intrathecal colistin: case series and literature review. J Antimicrob
Chemother. 2006;58:1078-81.
Robert PNJ. bacterial meningitis and inflammation. Current Opinion in Neurology. 2006;19:369-73.
Roos KL. Acute meningitis. Continuum Lifelong Learning in Neurology. 2006;12:13-26.
Tunkel AR. Practice guidelines for bacterial meningitis. Clin Infect Dis. 2004;39:1267-84.
van de beek D. Community-acquired bacterial meningitis in adults.N Engl J Med. 2006;354:44-53.
van de beek D. European dexamethasone in adulthood bacterial meningitis study investigators. Dexamethasone in adults with bacterial meningitis. N Engl J Med. 2002;347:1549-56.
*Atentar para meningite nosocomial por Acinetobacter spp.
143
Infecção
143
Infecção
A candidíase invasiva é um problema de relevância clínica cada vez maior em pacientes hospitalizados.
A candidemia é a quarta infecção de corrente sanguínea nosocomial mais comum nos Estados Unidos e
a sétima no Brasil. A taxa de mortalidade é de cerca de 50%.
Tabela 1. Fatores de risco associados à candidíase1
Tempo de internação na UTI Cirurgia gastrintestinal
Uso de antibióticos de largo espectro Pancreatite
Hemodiálise Uso de corticosteroides ou imunossupressores
Cateter venoso central Ventilação mecânica
Gravidade da doença de base Múltiplas transfusões sanguíneas
Nutrição parenteral total Colonização por Candida spp.
Perfuração gastrintestinal Diabetes melito
Tabela 2. Interpretação de resultados microbiológicos
Levedura presente em Interpretação
Hemocultura Infecção
Ponta do cateter Não se recomenda tratamento (Mermel et al.,2001)
Urina Quase sempre colonização
Peritônio Infecção quando há peritonite
Secreção respiratória Colonização
Candidíase invasiva na UTI
Profilaxia
O uso profilático de antifúngicos não deve ser realizado rotineiramente na UTI. Considerar profilaxia
antifúngica com fluconazol ou equinocandina em pacientes de alto risco em UTIs e que tenham taxas
de candidíase invasiva > 5%. Quanto maior o número de fatores de risco, maior a possibilidade de
infecção fúngica (Tabela 3).
Tabela 3. Fatores de risco para candidíase invasiva
Cateter venoso central
Nutrição parenteral total
Hemodiálise
Uso de antibiótico de largo espectro
Trauma
Cirurgia abdominal recente
Como fazer: fluconazol 400 mg/dia (VO ou IV) enquanto persistirem os fatores de risco.
144
Infecção
144
InfecçãoCandidíase invasiva na UTI
Paciente instável hemodinamicamente?
Terapia empírica5
Não usar fluconazol
Preferir: equinocandinas, anfolipídica
Alternativa: voriconazol
Flora local com alta
incidência de C. krusei
ou C. glabrata
Evitar uso de fluconazol
Preferir: poliênico, equinocandinas
Alternativa: voriconazol
Fluconazol
Imunocomprometido
(transplante,
neutropenia, aids)
• SEMPRE retirar/trocar os
cateteres intravasculares
• Realizar exame oftalmológico
Imunocompetente
Anfotericina B
formulação
lipídica e esperar
a identificação
Hemodinâmica estável,
sem uso prévio de azóis
e baixa probabilidade de
C. glabrata ou C. krusei
Hemodinâmica instável
ou alta probabilidade de
C. glabrata ou krusei
Paraccoccidiomicose
ou histoplasmose
Candida spp.
Continuar formulação
lipídica; descalonar
para fluconazol
quando possível
Tratar mais 14 dias
após a primeira
hemocultura negativa
Fluconazol
esperar identificação
e monitorar resposta
Equinocandina
ou anfotericina B
formulação lipídica,
esperar identificação
Sem resposta
NãoSim
NãoSim
Fungemia
145
Infecção
145
InfecçãoCandidíase invasiva na UTI
Referências bibliográficas
Azoulay E, Dupont H, Tabah A, Lortholary O, Stahl JP, Francais A. Systemic antifungal therapy in critically ill without invasive fungal infection. Crit Care Med. 2012;40:813-22.
bochud PY, bonten M, Marchetti O, Calandra T. Antimicrobial therapy for patients with severe sepsis and septic shock: an evidence-based review. Crit Care Med. 2004;32(Suppl):S495-512.
Cortegiani A, Russotto V, Maggiore A, Attanasio M, Naro AR, Raineri SM, Giarratano A. Antifungal agents for preventing fungal infections in non-neutropenic critically ill patients –
Review. Cochrane Database Syst Rev. 2016 Jan 16;1:CD004920.
Mermel LA, Farr bM, Sherertz RJ, Raad II, O'Grady N, Harris JS, et al. Guidelines for the management of intravascular catheter-related infections - Review. Clin Infect Dis. 2001;32:1249-72.
Ostrosky-Zeichner L, Pappas PG. Invasive candidiasis in the intensive care unit – Review. Crit Care Med. 2006;34:857-63.
Ostrosky-Zeichner L. New approaches to the risk of Candida in the intensive care unit - Review. Curr Opin Infect Dis. 2003;16:533-7.
Paphitou NI, Ostrosky-Zeichner L, Rex JH. Rules for identifying patients at increased risk for candidal infections in the surgical intensive care unit: approach to developing practical
criteria for systematic use in antifungal prophylaxis trials. Med Mycol. 2005;43:235-43.
Pappas PG, Kauffman CA, Andes DR, Clancy CJ, Marr KA, Ostrosky-Zeichner L, et al. Clinical practice guidelines for the management of candidiasis: 2009 update by the Infectious
Diseases Society of America. Clin Infect Dis. 2009;48(5):503-35.
Pappas PG, Kauffman CA, Andes DR, Clancy CJ, Marr KA, Ostrosky-Zeichner L, et al. Clinical Practice Guideline for the Management of Candidiasis: 2016 update by the Infectious
Diseases Society of America. Clin Infect Dis 2016; 62:e1.
Spellberg bJ, Filler SG, Edwards Jr JE. Current treatment strategies for disseminated candidiasis – Review. Clin Infect Dis. 2006;42:244-51.
Tabela 4. Drogas antifúngicas para tratamento de candidíase invasiva
Dose Interações medicamentosas
Anfotericina B deoxicolato 0,6-1 mg/kg, IV, 1 x/dia Reações infusionais, nefrotoxicidade
Anfotericina B em
formulações lipídicas
3-5 mg/kg, IV, 1 x/dia Menos reações infusionais e
nefrotoxicidade na dependência da
formulação
Fluconazol Dose de ataque: 800 mg (12 mg/kg), VO
ou IV, 1 x/dia
Dose de manutenção: 400 mg (6 mg/kg),
VO ou IV 1 x/dia
Interações medicamentosas: pode inibir
as enzimas do citocromo P450, elevação
de transaminases
Voriconazol Dose: 6 mg/kg, IV 12/12h no primeiro dia,
seguidos de 3 mg/kg, IV, 12/12h ou
400 mg, VO, 12/12h seguidos de 200 mg,
VO, 12/12h
Formulação IV com limitação de uso em
insuficiência renal
Várias interações medicamentosas, pode
inibir as enzimas do citrocromo P450,
alterações visual e hepatotoxicidade
Caspofungina Dose: 70 mg, 1x no primeiro dia,
seguidos de 50 mg, IV, 1x/dia
Interação com rifampicina e ciclosporinas,
elevação de transaminases, evitar uso em
hepatopatas Child B e C
Anidulafungina Dose de ataque: 200 mg, IV, 1x no
primeiro dia, manutenção de 100 mg,
IV, 1 x/dia
Micafungina Dose: 100 mg∕dia
146
Infecção
146
InfecçãoNeutropenia febril
• Neutropenia: contagem de neutrófilos < 500/mm3 ou
• Neutropenia grave: contagem de neutrófilos < 100/mm3 ou
• Quimioterapia nas últimas 4-6 semanas + SIRS = NEUTROPÊNICO
Se houver alto risco (Quadro 1) = URGÊNCIA MÉDICA
Vigilância constante dos sinais vitais
Remover cateter central se: infecção documentada, trombose
do cateter, choque séptico ou infecção da corrente sanguínea
persistente apesar de antibióticos apropriados por > 72h (A-II).
T > 38,3ºC (1x) ou
T > 38ºC (por 1h)
SOLICITAR CULTURAS
Sangue, urina, secreções
INICIAR ANTIMICROBIANOS DE AMPLO ESPECTRO
Gram-negativos (sempre): antipseudomonas conforme perfil local
Gram-positivos se: infecção associada a cateter, pele ou partes moles, pneumonia e
se houver instabilidade hemodinâmica.
Anaeróbios se: mucosite, doença periodontal, infecção intra-abdominal e/ou pélvica.
TEMPO DE TRATAMENTO
• Foco infeccioso definido: tempo habitual para o tipo específico de infecção/
patógeno, até atingir contagem de neutrófilos ≥ 500/mm3.
• Foco infeccioso/agente não identificado: até haver melhora clínica + 2 dias
afebril + neutrófilos ≥ 500 /mm3.
Avaliar necessidade de
estimulador de colônias
de granulócitos –
fluxograma 2
Reavaliar em 4 dias
(Fluxograma 3)
Diagnóstico de
neutropenia febril
Em 60 minutos
147
Infecção
147
Infecção
Considerar antifúngico empírico se:
Escolha do antifúngico
Não houve profilaxia antifúngica
E
Não há sítio óbvio de infecção
Profilaxia antifúngica prévia OU
Infiltrado nodular pulmonar OU
Doença invasiva
Infecção por Candida spp.
é mais provável
Candida resistente a
fluconazol e Aspergillus são
mais prováveis
Equinocandina Anfotericina ou voriconazol
Caspofungina – dose de ataquede 70 mg, IV, e
após, manter 50 mg/dia
Micafungina e anidulafungina não estão
aprovadas pela FDA para tratamento de
neutropenia febril, apesar de o espectro dos três
antifúngicos ser similar
Anfotericina b – 5 mg/kg, IV, 1x ao dia
Voriconazol – não aprovado pela FDA para
tratamento empírico em neutropenia febril,
mas recomendado pelo IDSA. Dose de
ataque 6 mg/kg, IV, a cada 12h no 1o dia,
seguida de 4 mg/kg, IV, 12/12h
ALTO RISCO PARA INFECÇÃO FÚNGICA:
• Se febre persistente ou recorrente após 4-7 dias de tratamento
com antibióticos de amplo espectro OU
• Se expectativa de manter neutropenia > 7 dias (A-I)
Neutropenia febril
148
Infecção
148
Infecção
Fluxograma 2: Indicação de fator estimulador de colônias de granulócitos
Neutropenia febril
Sepse grave ou choque séptico
Expectativa de < 100 neutrófilos por + de 10 dias
Idade > 65 anos
Doença primária não controlada
Infecção fúngica
Hospitalização no início do quadro
Indicação de fator estimulador de
colônias de granulócitos é controversa
Indicar fator estimulador de
colônias de granulócitos
Filgrastima = 5 mcg/kg/dia, SC ou IV
Continuar por 14 dias ou até atingir
contagem de leucócitos > 10.000
Neutropenia febril
Sim
Sim
Não
Não
Quadro 1. Neutropenia febril de alto risco
Qualquer característica abaixo define alto risco:
• Neutropenia < 500 neutrófilos por > 7 dias
• Instabilidade hemodinâmica
• Mucosite oral ou gastrointestinal
• Sintomas gastrointestinais como dor abdominal, náusea, vômito, diarreia
• Alteração do status mental de início recente
• Infecção relacionada a cateter
• Infiltrado pulmonar novo ou hipoxemia
• Doença pulmonar subjacente
• Neoplasia não controlada
• Evidência de insuficiência hepática ou renal
• Uso de alentuzumabe nos 2 meses prévios
149
Infecção
149
Infecção
Referências bibliográficas
Freifeld AG, bow EJ, Sepkowitz KA, boeckh MJ, Ito JI, Mullen CA. Clinical guideline for the use of antimicrobial agentes in neutropenic patientes with cancer.: 2010 uptodate by the
Infectious Disease Society of America. CID. 2011;52(4):e56-93.
Irwin RS, Rippe JM. Irwin and Rippe's intensive care medicine. 7. ed. Philadelphia: Lippincott Williams & Wilkins, 2011.
upToDate 2013.
Neutropenia febril
Fluxograma 3: Reavaliação de pacientes com neutropenia febril de alto risco após 4 dias de tratamento
Febre inexplicada
• Clinicamente estável
• Recuperação mieloide não iminente
• Considerar TC de seios paranasais e pulmonar
Recebeu profilaxia
antilevedura (fluconazol)?
Terapia antifúngica empírica com
cobertura antifungo filamentoso
• Equinocandina
• Anfotericina B
• Voriconazol
Recebeu profilaxia
antifungo filamentoso?
Terapia antifúngica –
considerar troca de classe
para cobertura de
antifungo filamentoso
Febre inexplicada
• Clinicamente estável
• Elevação do no leucócitos
Observar
• Não modificar antibiótico
se não houver evidência
clínica, microbiológica
ou radiográfica de nova
infecção
Infecção documentada
• Clinicamente instável
• Piora sinais de infecção
• Novas imagens para possíveis
sítios de infecção
• Culturas/biópsias/drenagens
dos sítios de infecção – avaliar
bactérias/fungos/vírus
• Revisar adequação do antibiótico
quanto à dose e ao espectro
• Considerar adição de antifúngico
empírico
• Ampliar cobertura antimicrobiana
Neutropenia febril de alto risco com
febre após 4 dias de tratamento
Culturas para qualquer sítio
suspeito de infecção
150
Infecção
150
InfecçãoSepse
Critérios de diagnóstico para infecção – critérios subjetivos ou objetivos de um foco infeccioso e alguma
das variáveis a seguir:
Variáveis gerais:
Temperatura > 38,3ºC ou < 36ºC
FC > 90 bpm
Taquipneia
Alteração do estado mental
Edema significativo ou balanço hídrico (> 20 mL/kg acima de 24h)
Hiperglicemia (> 140 mg/dL na ausência de diabetes)
Variáveis inflamatórias:
Leucocitose > 12.000 ou leucopenia < 4.000, desvio de glóbulos brancos > 10% de formas imaturas
Elevação da PCR e procalcitonina
Variáveis hemodinâmicas:
Hipotensão (PAS < 90 mmHg, PAM < 65 mmHg)
Variáveis de disfunção orgânica:
Hipoxemia arterial (PaO2/FiO2 < 300)
Oligúria (diurese < 0,5 mL/kg/h) ou aumento de creatinina > 0,5 mg/dL
Anormalidades na coagulação – RNI > 1,5 ou TTPa > 60s
Íleo
Trombocitopenia < 100.000/mm3
Hiperbilirrubinemia (bilirrubinas totais > 4 mg/dL)
A busca de variáveis clínicas e laboratoriais que sugiram o diagnóstico de infecção deve ser contínua
para permitir o diagóstico precoce (primeira etapa) e tratamento em tempo adequado (segunda etapa)
Tabela 1. Primeira etapa: triagem para diagnóstico de INFECÇÃO
Conceitos e screening
• Infecção: presença de sinais e sintomas sugestivos de infecção (Tabela 1).
“A busca sistemática por sinais e sintomas de infecção deve ser realizada para facilitar a
identificação precoce de pacientes com infecção suspeita ou confirmada.”
• Sepse: quadro infeccioso associado à qualquer disfunção orgânica identificada clínica ou
laboratorialmente (Tabela 2).
O qSOFA é um auxiliar para identificação de disfunção orgânica.
Um qSOFA ≥ 2 identifica pacientes com maior risco de deterioração clínica (óbito ou internação na
UTI ≥ 3 dias) e deve servir de alerta para a imediata investigação de um foco infeccioso.
• Choque séptico: persistência de hipotensão (PAM < 65 mmHg) e/ou lactato sérico ≥ 2 ou
≥ 4 mmol/L após adequada ressuscitação volêmica (Singer et al., 2016; Surviving Sepsis Campaign
Responds to Sepsis-3, 2016).
151
Infecção
151
Infecção
Avaliar a presença de um possível foco infeccioso
Pneumonia, infecção urinária, infecção por cateter, foco cirúrgico, endocardite, meningite...
*Os componentes do qSOFA facilitam a identificação de disfunções orgânicas clinicamente detectáveis
IMPORTANTE: qSOFA ≥ 2 não define sepse, mas é preditor de mortalidade.
Sepse
Variáveis de perfusão tissular:
Lactato acima do limite da normalidade
Diminuição do enchimento capilar ou moteamento
Critérios para diagnóstico de sepse (antiga sepse grave) – critérios subjetivos ou objetivos de infecção
(Tabela 1) mais a presença de qualquer das disfunções orgânicas a seguir:
Respiratório: taquipneia, necessidade de O2 suplementar, PaO2/FiO2 < 250
Neurológico: alteração mental
Cardiovascular: hipotensão
Lactato > 2 mmol/L
Renal: débito urinário < 0,5 mL/kg/h ou creatinina > 2 mmol/L
Hepático: bilirrubinas > 2 mmol/L
Coagulação: plaquetas < 100.000 μL, INR > 1,5
Tabela 2. Segunda etapa: identificação de evidências de SEPSE
*q
S O
F A
152
Infecção
152
InfecçãoSepse
SEPSE
Qualquer disfunção orgânica
(Tabela 2)
Ventilação
Objetivo: Garantir conforto respiratório e normalizar a troca gasosa
• Cabeceira elevada
• Garantir via aérea
• Oxigenoterapia para manter SaO2 > 90%
• Considerar ventilação mecânica (não invasiva ou invasiva) em
casos de dispneia/hipoxemia refratários à oxigenioterapia
Objetivo: PAM ≥ 65 mmHg e restaurar perfusão tissular
• Dosar lactato sérico
• Infundir 30 mL/kg de cristaloide
• Rever história clínica e diagnóstico
• Realizar exame clínico à beira-leito
• Avaliar estado mental, sinais vitais, perfusão periférica,
débito urinário
Diagnóstico microbiológico
• Obter hemoculturas antes do início dos antimicrobianos (se não
foram coletadas previamente e se clínica e cronologicamente
aceitável)
• Administrar antimicrobianos IV na primeira hora após
confirmação ou suspeita de infecção ou sepse
Terapia antimicrobiana
• Administrar doses adequadas de antimicrobianos de largo
espectro (se antibióticos de menor espectro administrados
previamente)
Definição do foco infeccioso
• Obter história clínica e exame físico completos
• Exames laboratoriais (urina, liquor, secreção traqueal etc.) e de
imagem direcionados à suspeita clínica
Terapia antimicrobiana
e definição do
foco infeccioso
IM
PO
RT
A
N
TE
–
R
ea
liz
ar
e
m
a
té
3
h!
!!
“In
te
rv
en
çõ
es
im
ed
ia
ta
s
qu
e
de
ve
m
s
er
in
st
itu
íd
as
s
im
ul
ta
ne
am
en
te
”
Circulação
Rápida reavaliação clínicaapós 15-30 min do início
do atendimento
INFECÇÃO
Sinais de infecção
(Tabela 1)
153
Infecção
153
InfecçãoSepse
Objetivo: PAM ≥ 65 mmHg e restaurar perfusão tissular
• Iniciar norepinefrina se PAM < 65 mmHg após ressuscitação
hídrica inicial
• Repetir lactato (se lactato inicial elevado)
Objetivo: adequar volemia e restaurar perfusão tissular
• Perfusão tissular (sinais vitais, enchimento capilar e alterações
cutâneas ou SvcO2) (Surviving Sepsis Campaign Responds to
Sepsis-3, 2016)
• Volemia (ΔPp, ΔVS, PVC, US cardiovascular, elevação passiva
de membros inferiores ou prova de volume
Outras medidas:
• Infusão de inotrópicos: a infusão de dobutamina (até 20 µg/kg/min) pode ser iniciada ou acrescentada ao vasopressor,
se houver:
a) Disfunção miocárdica sugerida por altas pressões de enchimento ventricular ou baixo débito cardíaco, ou
b) Sinais de hipoperfusão a despeito de reposição volêmica e PAM adequadas (1C)
• Corticosteroide: hidrocortisona 200 mg/dia, IV, no choque séptico, caso não haja resposta à expansão volêmica e à
terapia vasopressora (2C)
• Transfusão de hemácias: transfundir se hemoglobina < 7 g/dL
• Controle glicêmico: iniciar insulina quando houver duas medidas consecutivas de glicemia > 180 mg/dL, tendo como
meta ≤ 180 mg/dL e > 70 mg/dL. A glicemia deve ser monitorada a cada 1-2 horas. Após estabilização da infusão de
insulina, a cada 4 horas (1C)
• Trombose venosa profunda: usar profilaxia com heparina não fracionada ou de baixo peso molecular ou bota
pneumática ou meia elástica.
• Nutrição enteral: liberar dieta somente se completamente ressuscitado
• Sedação e analgesia: uso de opioides para controle da dor; sedação apenas se agitação psicomotora; encorajar
mobilização assim que estabilidade hemodinâmica
• Ventilação mecânica: manter volume corrente < 8 mL/kg e pressão de platô < 30 cmH2O em todos os pacientes sob
ventilação mecânica (1b) e volume corrente de 6 mL/kg caso haja SDRA (1A)
• Desmame do suporte invasivo: iniciar assim que o paciente apresentar melhora
Objetivo: controle das repercussões sistêmicas da infecção
• Quando possível, realizar drenagem ou debridamento do sítio
de infecção
• Remover qualquer corpo estranho ou dispositivo
potencialmente infectados
• Rever diagnóstico
• Realizar exame clínico à
beira-leito
• Avaliar estado mental,
perfusão periférica,
débito urinário e/ou PVC
Após melhora:
• Descalonar terapia para
choque séptico e considerar
retirada de volume,
quando possível
Hipotensão persistente
ou lactato inicial ≥ 2 mmol/L
IM
PO
RT
A
N
TE
–
R
ea
liz
ar
e
m
a
té
6
h
Reavaliar perfusão tecidual
e status volêmico
Controle do foco de infecção
Rápida reavaliação clínica
em 15-30 min
154
Infecção
154
InfecçãoSepse
TERAPIA ANTIMICROBIANA EMPÍRICA (adaptado de Micek et al., 2006)
PRINCÍPIOS GERAIS
- ATb deve ser iniciado em 1 hora (1b)
- A sensibilidade antibacteriana da flora local deve ser levada em consideração (1b)
- A infusão prolongada de ATb não se aplica à primeira dose
- Revisar os ATb em uso diariamente, avaliando a possibilidade de suspensão ou descalonamento (1b)
- baixos valores de procalcitonina ou biomarcadores semelhantes (PCR) podem auxiliar na suspensão do ATb em pacientes com SIRS, mas sem foco infeccioso aparente (2C)
- Considerar terapia antimicrobiana combinada (por 3 a 5 dias) em pacientes com sepse grave que sejam neutropênicos (2C) ou de difícil tratamento ou acometidos por
bactérias multirresistentes (2b) ou com insuficiência respiratória ou choque séptico (2b)
- Não utilizar ATb em pacientes com SIRS determinada por causas não infecciosas
- Duração da terapia antibiótica: 7 a 10 dias. Períodos maiores podem ser necessários se: resposta clínica fraca, foco infeccioso não drenável, bacteremia por
S. aureus, algumas infecções fúngicas e virais ou imunodeficiências (2C)
PNEUMONIA ADQUIRIDA NA COMUNIDADE (PAC) – PORT III, IV e V (p. 134)
Sem fatores de risco para Pseudomonas ( ) Azitrominicina 500 mg, 1x + amoxi/clavulanato 0,5 a 1g, IV, 3x ou ( ) azit + ampi/sulbactam 1,5 a 3 g, IV, 4x
Risco para Pseudomonas ou (ATb > 7 dias há menos de 1 mês, CT, ou desnutrição, doença pulmonar estrutural)
1a ( ) Azitromicina 500 mg, IV, 1x/5-7d ou levo, IV, MAIS
2a ( ) Pip/tazo 4,5 g, 4x, ou ( ) cefepima 2 g, IV, 2x ou 2a ( ) meropenem 2 g, IV, 3xBronquiestasia ou UTI
Aspirativa ( ) Penicilina cristalina 2 milhões uI, 6x, ou ( ) ampi/sulbactam 1,5 a 3 g, IV, 4x
HIV com suspeita de pneumocictose ( ) bactrim (100 mg de sulfametoxazol/kg/dose) 4x. Avaliar associações
IMPORTANTE:
- A dose de antibióticos betalactâmicos, que tem características farmacológicas hidrofílicas, deve ser a maior possível nos estágios iniciais
da sepse, já que o espaço extravascular está aumentado nesse momento.
- A infusão dos antibióticos betalactâmicos deve ser estendida por 4 horas.
- Apesar de a associação de betalactâmico e aminoglicosídeo ser controversa, é possível que em pacientes em estado muito grave, com
choque séptico “nosocomial”, seja benéfica, ocasionando diminuição da mortalidade.
PNEUMONIA NOSOCOMIAL (p. 137)
≤ 48h de internação ( ) Amoxicilina-clavulanato 1g, IV, 3x
> 48h de internação
(conforme flora local)
( ) Pipe/tazobactam 4,5 g, IV, 4x ou
( ) Cefepima 1 a 2 g, IV, 2x ou
( ) Ceftazidima 1 a 2 g, IV, 3x (só se cultura + para Pseudomonas) ou
( ) Imipenem 500 mg, IV, 4x, ou meropenem 1 a 2 g, IV, 3x
Risco para MRSA
Associar ao esquema
( ) Vancomicina 1 a 2 g (15 mg/kg), IV, 2x ou
( ) Teicoplanina 400 mg (2x nas primeiras 24 horas). Após 24 horas – 1x/dia ou
( ) Linezolida 600 mg, IV, 2x
SEPSE DE ORIGEM INDETERMINADA
Sepse comunitária
( ) Ampi/sulbactam 3g, IV, 4x ou
( ) Cefepima 1 a 2 g, 2x
Sepse nosocomial
(conforme flora local)
( ) Pipe/tazobactam 4,5 g, IV, 4x ou
( ) Cefepima 1 a 2 g, IV, 2x ou
( ) Ceftazidima 1 a 2 g, IV, 3x (só se cultura + para Pseudomonas) ou
( ) Imipenem 500 mg, IV, 4x, ou meropenem 1 g, IV, 3x
Infecção com choque séptico ou
insuficiência respiratória
( ) A associação de betalactâmicos de amplo espectro com aminoglicosídeo ou quinolona antipseudomonas pode
ser benéfica
SEPSE DE ORIGEM ABDOMINAL
Peritonite espontânea ( ) Ampi/sulbactam 3 g, IV, 4x
Peritonite secundária com manifestação
leve – moderada
( ) Ampi/sulbactam 3 g, IV, 4x ou
( ) Cefepima 1 a 2 g, 2x + metronidazol 500 mg, 3x ou
( ) Pip/tazobactam 4,5 g, IV, 4x
Peritonite secundária com manifestação grave
( ) Imipenem 500 mg, IV, 4x, ou meropenem, IV, 3x
( ) Vancomicina ( ) Teicoplanina (se risco de MRSA ou de enterococo resistente à ampicilina)
155
Infecção
155
InfecçãoSepse
INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO
Comunitária
( ) Ceftriaxona 1 g, IV, 2x ou
( ) Ampicilina 1 g, IV, 4x + amicacina 15 mg/kg 1x ou
( ) Ampi/sulbactam 3 g, IV, 4x ou
( ) Ciprofloxacino 500 mg, IV, 1x
Nosocomial
( ) Pipe/tazobactam 4,5 g, IV, 4x ou
( ) Cefepima 1 a 2 g, IV, 2x ou
( ) Imipenem 500 mg, IV, 4x, ou meropenem 1 a 2 g, IV, 3x
INFECÇÃO DA CORRENTE SANGUÍNEA RELACIONADA A CATETER (p. 130)
Imunocompetente
( ) Oxacilina 2 g, IV, 6x (maior potência contra MSSA) ou
( ) Vancomicina 1 a 2 g (15 mg/kg), IV, 2x ou ( ) Teicoplanina
Imunodeprimido e/ou cateter tunelizado
Considerar ATB terapia combinada
( ) Vancomicina 1 a 2 g (15 mg/kg), IV, 2x MAIS
( ) Pipe/tazobactam 4,5 g, IV, 4x ou
( ) Ceftazidima 1 a 2 g, IV, 3x ou
( ) Imipenem 500 mg, IV, 4x, ou meropenem 1 a 2 g, IV, 3x (conforme flora)
* Todas as doses ajustadas para ClCr de creatinina > 75 mL/min. Ajustes de doses podem ser necessários