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1 FACULDADE ÚNICA DE IPATINGA 2 Tatiane Pacheco de Mattos Doutoranda e Mestre em Educação (PPGEduc/UFRRJ 2018; 2022), especialista em Política de Promoção a Igualdade Racial na Escola (UFRRJ, 2016), especialista em História da África e do Negro no Brasil (UCAM, 2015), especialista em Gestão Integrada (ISEAC, 2013), graduada em Pedagogia (UNINTER, 2018), graduada em Educação Física (UNIABEU, 2006). Tem atuado em todos os níveis da Educação Básica e na Educação Superior com questões pedagógicas relacionadas aos campos da Educação Física e da Pedagogia, inclusive, nas dimensões da modalidade EaD, das relações étnico-raciais e das demandas infantis que envolvem o desenvolvimento psicomotor, bem como das demandas juvenis, dentre as suas perspectivas e desafios JOGOS E BRINCADEIRAS 1ª edição Ipatinga – MG ANO 3 FACULDADE ÚNICA EDITORIAL Diretor Geral: Valdir Henrique Valério Diretor Executivo: William José Ferreira Ger. do Núcleo de Educação a Distância: Cristiane Lelis dos Santos Coord. Pedag. da Equipe Multidisciplinar: Gilvânia Barcelos Dias Teixeira Revisão Gramatical e Ortográfica: Izabel Cristina da Costa Revisão/Diagramação/Estruturação: Bárbara Carla Amorim O. Silva Bruna Luiza Mendes Leite Carla Jordânia G. de Souza Guilherme Prado Salles Rubens Henrique L. de Oliveira Design: Brayan Lazarino Santos Élen Cristina Teixeira Oliveira Maria Eliza Perboyre Campos Taisser Gustavo de Soares Duarte © 2021, Faculdade Única. Este livro ou parte dele não podem ser reproduzidos por qualquer meio sem Autorização escrita do Editor. Ficha catalográfica elaborada pela bibliotecária Melina Lacerda Vaz CRB – 6/2920. NEaD – Núcleo de Educação a Distância FACULDADE ÚNICA Rua Salermo, 299 Anexo 03 – Bairro Bethânia – CEP: 35164-779 – Ipatinga/MG Tel (31) 2109 -2300 – 0800 724 2300 www.faculdadeunica.com.br 4 Menu de Ícones Com o intuito de facilitar o seu estudo e uma melhor compreensão do conteúdo aplicado ao longo do livro didático, você irá encontrar ícones ao lado dos textos. Eles são para chamar a sua atenção para determinado trecho do conteúdo, cada um com uma função específica, mostradas a seguir: São sugestões de links para vídeos, documentos científicos (artigos, monografias, dissertações e teses), sites ou links das Bibliotecas Virtuais (Minha Biblioteca e Biblioteca Pearson) relacionados com o conteúdo abordado. Trata-se dos conceitos, definições ou afirmações importantes nas quais você deve ter um maior grau de atenção! São exercícios de fixação do conteúdo abordado em cada unidade do livro. São para o esclarecimento do significado de determinados termos/palavras mostradas ao longo do livro. Este espaço é destinado para a reflexão sobre questões citadas em cada unidade, associando-o a suas ações, seja no ambiente profissional ou em seu cotidiano. 5 SUMÁRIO PRINCÍPIOS FILOSÓFICOS ....................................................................... 7 1.1 O PENSAMENTO FILOSÓFICO SOBRE O CORPO ............................................... 7 1.2 EPISTEMOLOGIA DA PALAVRA PSICOMOTRICIDADE ..................................... 13 1.3 PSICOMOTRICIDADE E SUAS ÁREAS ................................................................ 16 FIXANDO O CONTEÚDO ................................................................................... 21 PSICOMOTRICIDADE E AS CONCEPÇÕES DE IMAGEM DO CORPO ......................................................................................................... 25 2.1 PSICOMOTRICIDADE: ABORDAGEM NEUROFISIOLÓGICA ............................ 25 2.2 PSICOMOTRICIDADE: ABORDAGEM FENOMENOLÓGICA ............................. 29 2.3 PSICOMOTRICIDADE: ABORDAGEM RELACIONAL ......................................... 31 FIXANDO O CONTEÚDO ................................................................................... 34 PRINCÍPIOS E CONCEITOS BÁSICOS DA ÁREA DE DESENVOLVIMENTO MOTOR ......................................................... 38 3.1 PRIMEIRA UNIDADE FUNCIONAL DE LURIA ...................................................... 38 3.2 SEGUNDA UNIDADE FUNCIONAL DE LURIA ..................................................... 41 3.3 TERCEIRA UNIDADE FUNCIONAL DE LURIA ...................................................... 44 FIXANDO O CONTEÚDO ................................................................................... 48 DESENVOLVIMENTO MOTOR E DESENVOLVIMENTO HUMANO ... 52 4.1 CARACTERÍSTICAS DO DESENVOLVIMENTO MOTOR ...................................... 53 4.2 ABORDAGEM DO MOVIMENTO REFLEXO, DO MOVIMENTO RUDIMENTAR E AS PERSPECTIVAS DE DESENVOLVIMENTO HUMANO .......................................... 55 4.3 ABORDAGEM DO MOVIMENTO FUNDAMENTAL, DO MOVIMENTO ESPECIALIZADO E AS PERSPECTIVAS DE DESENVOLVIMENTO HUMANO ...... 58 FIXANDO O CONTEÚDO ................................................................................... 63 APRENDIZAGEM MOTORA NA EDUCAÇÃO FÍSICA ..................... 67 5.1 PRESSUPOSTOS DE PIAGET, WALLON E VIGOTSKY .......................................... 67 5.2 A EDUCAÇÃO INFANTIL E O ENSINO FUNDAMENTAL I .................................. 71 5.3 ENSINO FUNDAMENTAL II E ENSINO MÉDIO .................................................... 77 FIXANDO O CONTEÚDO ................................................................................... 83 EDUCAÇÃO, MOVIMENTO, DIVERSIDADE E INCLUSÃO............... 87 6.1 AS RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS ....................................................................... 87 6.2 AS RELAÇÕES DE GÊNERO ................................................................................ 93 6.3 AS RELAÇÕES PARA A INCLUSÃO .................................................................... 95 FIXANDO O CONTEÚDO ................................................................................. 100 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: LAZER E RECREAÇÃO ................. 105 7.1 INTRODUÇÃO ................................................................................................... 105 7.2 UMA ABORDAGEM HISTÓRICA (LAZER, RECREAÇÃO E LUDICIDADE) ........ 105 7.3 PERSPECTIVAS SOCIAIS ................................................................................... 110 7.4 MARCADORES LEGAIS DO LAZER: DIÁLOGO ENTRE A CF/88 E OS ESTATUTOS .......................................................................................................................... 112 UNIDADE 01 UNIDADE 02 UNIDADE 03 UNIDADE 04 UNIDADE 05 UNIDADE 06 UNIDADE 07 6 FIXANDO O CONTEÚDO ................................................................................. 117 LAZER E RECREAÇÃO NO CONTEXTO DO DESENVOLVIMENTO 123 8.1 INTRODUÇÃO ................................................................................................... 123 8.2 O LÚDICO NO DESENVOLVIMENTO HUMANO .............................................. 123 8.3 A RELAÇÃO ENTRE A ESCOLA E O LAZER ...................................................... 125 8.4 RECREAÇÃO COM BRINQUEDOS E BRINCADEIRAS ..................................... 127 8.5 O LAZER E A RECREAÇÃO NO PROCESSO DE SOCIALIZAÇÃO ................... 132 FIXANDO O CONTEÚDO ................................................................................. 136 AS DIVERSAS TEORIAS DO JOGO ................................................ 140 9.1 INTRODUÇÃO ................................................................................................... 140 9.2 O PAPEL DO JOGO E DO LAZER NA INCLUSÃO SOCIAL .............................. 140 9.3 OJOGO SOB AS PERSPECTIVAS DE FROEBEL ................................................ 143 9.4 O JOGO SOB AS PERSPECTIVAS DE BRUNER ................................................. 145 FIXANDO O CONTEÚDO ................................................................................. 148 OS TIPOS DE JOGOS E PROCESSO DE SOCIALIZAÇÃO ............ 153 10.1 INTRODUÇÃO ................................................................................................... 153 10.2 JOGOS ARTÍSTICOS: ARTES PLÁSTICAS, TEATRO E MÚSICA.......................... 153 10.3 JOGOS DESPORTIVOS ..................................................................................... 156 10.4 JOGOS EXPRESSIVOS: DANÇA ....................................................................... 158 10.5 O JOGO NO PROCESSO DE SOCIALIZAÇÃO ................................................ 160 FIXANDO O CONTEÚDO ................................................................................. 163 LAZER E RECREAÇÃO NO CONTEXTO DA EDUCAÇÃO FÍSICA . 167 11.1 INTRODUÇÃO ................................................................................................... 167 11.2 O LAZER E A RECREAÇÃO NA TRAJETÓRIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA ........... 167 11.3 LAZER E RECREAÇÃO: ESPAÇOS PÚBLICOS E PRIVADOS E EQUIPAMENTOS .......................................................................................................................... 169 11.4 LAZER E MEIO AMBIENTE ................................................................................. 172 11.5 QUEM É O PROFISSIONAL HABILITADO? ........................................................ 176 FIXANDO O CONTEÚDO ................................................................................. 179 PLANEJAR E AVALIAR: AÇÕES NECESSÁRIAS PARA UM EVENTO ....................................................................................................... 184 12.1 INTRODUÇÃO ................................................................................................... 184 12.2 POR QUE PLANEJAR?....................................................................................... 184 12.3 PARA QUÊ AVALIAR? ...................................................................................... 187 12.4 ATIVIDADES RECREATIVAS .............................................................................. 190 FIXANDO O CONTEÚDO ................................................................................. 196 RESPOSTAS DO FIXANDO O CONTEÚDO .................................... 200 REFERÊNCIAS................................................................................. 202 UNIDADE 08 UNIDADE 09 UNIDADE 10 UNIDADE 11 UNIDADE 12 7 PRINCÍPIOS FILOSÓFICOS Nesta Unidade vamos fazer as primeiras aproximações, entre você e o título da disciplina, indo ao encontro do pensamento filosófico a.C, onde já se existia uma discussão entre o corpo e a alma/mente; não obstante, vamos avançar até a idade moderna, buscando compreender como o movimento do cientificismo contribui para a construção do conhecimento contemporâneo sobre a psicomotricidade e suas áreas de atuação. Nesta direção, você já deve ter percebido que o conteúdo em questão, em grande medida, está comprometido com a visão ocidental. Não temos o objetivo que trazer uma verdade única, mas sim, compartilhar um lado da história para ampliar o seu arcabouço teórico. Esperamos que o seu espírito pesquisador promova novas formações acadêmicas. 1.1 O PENSAMENTO FILOSÓFICO SOBRE O CORPO Você deve está se perguntando: Será mesmo possível compreender a psicomotricidade a partir do pensamento filosófico? Sim... é um bom início de partida, pois como sabemos, o pensamento grego antes de Cristo (a.C) é dividido em fases, sendo as primeiras caracterizadas pela ideia do culto ao corpo, entre o cuidado, a estética e a sua força física. Daniach (2019) acrescenta que a prática de exercícios, também era tida “como meio de formação intelectual, moral e espiritual” (p. 13). Afinal, quem não se lembra dos incríveis textos literários que imprimem os feitos heroicos e de guerras, a exemplo, o exército de Esparta durante a guerra de Tróia, anunciada com grande bravura nos poemas de Homero, relatados em nossas aulas de história ou nos filmes da sessão da tarde? Mas será que esses personagens da mitologia de fato existiram? Bem, segundo Aranha e Martins (1997) há controvérsias se de fato existiram, já Soares e Pichler (2008) arriscam dizer que apesar da incerteza, há afirmações de que Homero UNIDADE 8 teria vivido durante a segunda metade do século VIII a.C, Jônia, uma colônia da Grécia localizada a época na Ásia Menor. É importante fazer este marco de espaço e tempo, para pensarmos o quanto esta cultura impacta na sociedade contemporânea e na educação física. Queremos levantar dois pontos para elucidar esta afirmação: 1. Observe a imagem que representa a Educação Física, também, adotada como símbolo do respectivo Conselho Regional: Fonte: CREF1 (2021, online) O símbolo adotado pelo Conselho representa o corpo em ação, baseado na escultura esculpida por Miron no século V a.C. (ROCHA, 2020). A imagem permanece no imaginário coletivo e instituído onde recebemos de forma direta e indiretamente a informação de cuidado com o corpo, o que implica no segundo ponto: 2. Este imaginário instituído vem modelando por tempos a sociedade, deixando marcas até os dias de hoje, inclusive, representado nos métodos de ensino da educação física, expressos nas tendências pedagógicas da educação física no Brasil. Mas destacamos que a relação corpo e mente, eram compreendidas como intrínseca, ou seja, nas palavras de Daniachi (2019) “um corpo somente alcançaria sua plenitude se estivesse harmonizado com a mente” (p. 14), por isso quero chamar a sua atenção para o pensamento filosófico Socrático (V e IV a.C) que não deixou conceber a ideia da promoção do corpo saudável, articulando-o com a alma. A tríade Sócrates, Platão e Aristóteles, é fundamental para a compreensão da relação corpo e mente, contudo, destaco estes dois últimos, apesar de termos Figura 1: Discóbolo de Mirón 9 grande estima com Sócrates, o mesmo suscitava questões mais voltadas para o campo da moral, justiça etc, contribuindo para o pensamento de Platão e Aristóteles. Platão (428-347 a.C), discípulo de Sócrates (469-399 a.C), vê o corpo como um elemento separado da alma, ou seja, defendia a dicotomia entre estes elementos, e como forma de afirmar tal tese, anunciava que a alma vive em um outro plano, sendo imortal, ou seja, “ela sempre existiu e sempre vai existir”, já o corpo, “ é mortal” (VASCONCELOS, 2012, p. 29) mas estes são ligados pelo o que chamamos de medula (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 2002). A imortalidade da alma a faz transitar em muitos corpos, e por Platão acumular estudos sobre a anatomia do corpo, emite preocupação com a boa condição física dos corpos, pois na fala de Vasconcelos (2012) “o corpo serve de prisão para a alma” (p. 29), e como forma de cuidar destes dois elementos, orientava a prática da atividade física e da música (DANIACHI, 2019). Para o filósofo, o conhecimento pode ser compreendido por: a) sensível, obtido pelos sentidos de cunho subjetivo; b) intelectual, considerado legítimo e verdadeiro, podendo ser representados pelos conceitos de doxa (opinião) e episteme (ciência), onde devemos fazer a passagem da primeira para a segunda. Em direção oposta, Aristóteles (384-322 a.C) discípulo de Platão, apresenta um importante pensamento sobre esta dicotomia. Rompeu com a ideia de seu mestre e apresenta a alma e o corpo como elementos indissociáveis, refutando a concepção de uma realidade com mundo separado. É importantedestacar que: A teoria aristotélica valoriza em certa medida o corpo. Para Aristóteles, corpo e alma estão unidos em um vínculo de dependência recíproca, isto é, para existirem, um depende dos outros. Os apetites do corpo, portanto, devem ser satisfeitos, pois a saúde e o vigor do corpo contribuem também para a saúde e o vigor da alma (VASCONCELOS, 2012, p. 31). Percebam que ainda há um intenso zelo pelo corpo saudável. Embora tenhamos lido perspectivas diferentes, temos aí como aspecto comum, desde o início do capítulo, a valorização do corpo. Mas Aristóteles vai além, retomando o discurso de Platão, reforça a necessidade da “ciência como conhecimento verdadeiro, conhecimento pelas causas, capaz de superar os enganos da opinião” (ARANHA; MARTINS, 1997, p. 97). Aristóteles, aqui, me parece um homem afrente do seu tempo, 10 suas discussões e defesas não permaneceram estanques. O pensamento filosófico da Antiguidade sofreu críticas no período da Idade Média, mas não vamos adentrar neste período devido a poucas contribuições dadas aos estudos sobre o corpo, tendo em vista que o mesmo era considerado sagrado e , elemento da religiosidade. Adentraremos, assim, no cientificismo, elemento propulsor na Educação Física, principalmente nos estudos das propriedades do corpo, partindo de uma imagem emblemática do Renascimento científico. A imagem, Figura 2, rompe com a concepção de corpo sagrado e demonstra interesses na anatomia e fisiologia humana. Guilhermett (1990) atribui essa nova especulação aos interesses da nova sociedade em composição, neste sentido, a Educação Física se torna veículo importante na Educação. Fonte: Fazer história (2017, online) A educação passa a pregar ao longo da modernidade os preceitos científicos e racionais, onde temos em destaque as contribuições de René Descartes pela corrente filosófica do racionalismo, que baseava-se pela lógica da razão, mas avança com as concepções de Immanuel Kant (1724-1804), onde pontua que o conhecimento envolve sempre o relacionamento entre sujeito e objeto (VASCONCELOS, 2012). Observe que há sob o olhar de Kant a ação do homem, o que nos leva a concluir a necessidade do movimento, manipulação e experiência para a aprendizagem. No entanto, queremos chamar a atenção para um nome importante Figura 2: O Renascimento Científico 11 relacionado a este período, que oportuniza um grande salto para a fisiologia do corpo, é Francis Bacon. Segundo a SHIRAYAMA (2016), o filósofo que agregava as contribuições de Platão e Aristóteles, foi um dos pioneiros que promoveram as mudanças nos métodos e práticas científicas, grande defensor do método indutivo, pois como os demais, buscava uma verdade absoluta, por meio da observação, experiência e hipóteses. Foi neste período que a Educação Física foi instituída como disciplina na escola, recebendo contribuições de Vittorino da Feltre onde foi equiparada às disciplinas intelectuais, não se excluindo, claro, a prática de exercícios físicos. (SANTOS, 2006; DANIACHI, 2019). Sendo assim, uma importante ferramenta de dominação do corpo na dimensão de uma sociedade capitalista, frente aos modelos de produção que necessitava de um corpo mecânico e fabril, que por sua vez, reforça a dualidade entre o trabalho intelectual e o trabalho manual, conforme avalia Silva e Haetinger (2013): Frente a essa perspectiva de intervenção direta sobre o corpo, com o objetivo de normatizá-lo e classificá-lo de acordo com as necessidades dos modos de produção de determinada sociedade, que a Psicomotricidade, no contexto capitalista, é uma das áreas que muito tem colaborado para a sistematização de saberes e técnicas corporais, amplamente utilizados e expandidos pelas instituições educacionais, fato que explicita sua organicidade com o modo de produção de nossa sociedade (p. 8). O pensamento moderno contribuiu muito para o atual campo escolar, mas hoje, é visto como uma concepção impopular na Educação Física, as tendências mais progressistas têm sido acolhidas para um processo educacional democrático, incumbindo a disciplina de tornar o aluno um sujeito participante na sociedade. Veja como a disciplina é compreendida a luz da Base Nacional Comum Curricular: O movimento humano está sempre inserido no âmbito da cultura e não se limita a um deslocamento espaço-temporal de um segmento corporal ou de um corpo todo. Nas aulas, as práticas corporais devem ser abordadas como fenômeno cultural dinâmico, diversificado, pluridimensional, singular e contraditório. Desse modo, é possível assegurar aos alunos a (re) construção de um conjunto de conhecimentos que permitam ampliar sua consciência a respeito de seus movimentos e dos recursos para o cuidado de si e dos outros e desenvolver autonomia para apropriação e utilização da cultura corporal de movimento em diversas finalidades humanas, favorecendo sua participação de forma confiante e autoral na sociedade. É fundamental frisar que a Educação Física oferece uma 12 série de possibilidades para enriquecer a experiência das crianças, jovens e adultos na Educação Básica, permitindo o acesso a um vasto universo cultural. Esse universo compreende saberes corporais, experiências estéticas, emotivas, lúdicas e agonistas, que se inscrevem, mas não se restringem, à racionalidade típica dos saberes científicos que, comumente, orienta as práticas pedagógicas na escola (BRASIL, 2017, p. 215). Foi possível compreender a nova concepção de educação física instituída para os dias atuais. Uma disciplina aberta ao diálogo, que considera o aluno como sujeito histórico-cultural, participativo e criativo, superando o caráter arraigado, perfeitamente compreendido visto o contexto histórico e político. Decerto muitas conquistas vieram, devido à uma agenda de reivindicações, todavia, ainda, não é possível considerar que atravessamos a linha de chegada, pois a todo tempo, mais e mais pessoas se tornam filósofas, nasce um há um novo estudo, uma nova pesquisa e sempre está na hora do recomeço. 13 1.2 EPISTEMOLOGIA DA PALAVRA PSICOMOTRICIDADE Na unidade anterior foi possível compreendermos como a relação corpo e alma (mente) vem sendo concebida ao longo da história, o que é condição fundamental para caminharmos em direção ao conceito de psicomotricidade. Para tanto, é necessário recorrermos à compreensão do seu significado, do seu contexto da sua implementação, bem como os seus principais teóricos. Na busca etimológica da palavra psicomotricidade percebemos que esta é uma palavra híbrida, ou seja, é constituída por elementos de origens diferentes. Conforme anuncia Fonseca (2012), psichê, é uma palavra grega, significa alma, e moto, palavra em latim, significa movimentar-se. Neste sentido, a palavra mente é colocada no mesmo campo semântico de alma. Sendo assim, conseguimos definir psicomotricidade como uma palavra que representa a integração entre o movimento e a mente, ou melhor, a integração do movimento com o seu intelecto onde coadunam em prol de um objetivo, que neste caso, nos referimos à aprendizagem. Para esta literatura, avançaremos por vias da modernidade, a qual deu à psicomotricidade o status de ciência, no entanto, não deixaremos de inferir sobre a dualidade corpo e mente, deixada como dogma pelo pensamento de Rene Descartes. Partiremos de um novo paradigma, o mesmo que contribuiu em grande medida para os nossos referenciais teóricos. Este conceito destaca-se no campo da neurofisiologia durante o século XIX e na neuropsiquiatria no século XX, ganhando espaço com Ernest Dupré, quando inicia estudos na França, em 1911 no campo da debilidade motora, instabilidade psicomotora, distúrbios tônicos,tiques, ou seja, uma série de situações que envolvem a organização do cognitivo, a organização motora, não obstante, a dimensão afetiva. (ARAÚJO, 1992). O trabalho de Dupré, sendo um dos pioneiros, abriu portas para novos estudos acerca da psicomotricidade. Teremos como direção para o nosso percurso, os pressupostos europeus como 14 o de Wallon, Piaget e Ajuriaguerra, bem como de Vygostky como contraponto russo, que é melhor examinado na Unidade 5. Enquanto isso, vamos tomar como ponto de partida para a definição conceitual o entendimento do Instituto Superior de Psicomotricidade e Educação (ISPE), o qual considera dois grandes teóricos neste campo de pesquisa, Julian Ajuriaguerra e Vitor da Fonseca. Ajuriaguerra (apud ISPE, 2019).é um teórico do século XX que considera a psicomotricidade “como ciência da saúde e da educação, [...], ela visa a representação e a expressão motora, através da utilização psíquica e mental do indivíduo”. Conclui-se, então, que a ação é resultado da relação intrínseca entre corpo e mente em um movimento intencionado, veja: A criança descobre o mundo dos objetos por meio do movimento e da visão; mas sua descoberta de objetos só será frutífera quando ele for capaz de pegar e largar, quando tiver adquirido o conceito de distância entre ele e o objeto manipulado, e quando isso não mais fizer parte da sua atividade corporal simples e indiferenciada (AJURIAGUERRA, 1996, p. 212, tradução nossa) Nesta perspectiva, podemos considerar que a criança constrói seu aprendizado por sua manipulação aos objetos, sendo a sua experiência condicionada a tal virtude. A visão citada pelo autor pode ser compreendida como a percepção, a qual vai gerar a intencionalidade de experienciar determinado objeto. Mas percebam que o aprendizado é constante. A criança abandona determinado objeto por já ter adquirido habilidades e se tornado “independente”, no entanto, o aprendizado ocorre ao longo da vida, tendo em vista que estamos constantemente atravessando desafios, que nos requer, sempre novos conhecimentos. É importante lembrarmos que este aprendizado não ocorre de forma isolada, em etapas separadas, e sim, de maneira harmoniosa e sincrônica, não podendo definir qualquer nível hierárquico entre corpo e mente. Retomando a outra perspectiva apontada pelo ISPE (2019), uma segunda definição dada à psicomotricidade é apontada por Fonseca: A Psicomotricidade visa privilegiar a qualidade da relação afetiva, a mediatização, a disponibilidade tônica, a segurança gravitacional e o controle postural, à noção do corpo, sua lateralização e direcionamento e a planificação práxica, enquanto componentes 15 essenciais e globais da aprendizagem e do seu ato mental concomitante (apud ISPE, 2019). Temos, aqui, situações imbricadas, que reforçam a ideia de sintonia corpo e mente, sendo este último considerado por Fonseca (2008; 2018), o psiquismo, lócus, onde se reúnem os desejos, medos, fantasias, sensações que se relacionam à afetividade. Refere-se, ainda, a motricidade como resultado desta reunião entre corpo e mente que implica a questão tônica, desencadeando a ação intencionalizada, ou seja, esse complexo de conceitos é força motriz para o movimento do corpo, que vai requerer que tenhamos a consciência sobre este. Neste sentido, a psicomotricidade entra em cena, pois vai ser base para a educação do corpo no espaço, tornando este corpo consciente. No entanto, a psicomotricidade marca sua presença no Brasil somente na metade no século XX, em defesa da relação intrínseca entre o cognitivo, a motricidade e o psiquismo, atualizando as concepções do corpo onde paulatinamente, passou-se da era do corpo neurológico, isolado e do movimento condicionado para a era do movimento consciente, no qual o próprio indivíduo, pelo ato voluntário, é levado a colaborar para a sujeição de seu corpo. Nessa perspectiva, a Psicomotricidade do segundo período, descrita por Le Camus, constituiu-se como a ciência do esquema corporal ou, como prefere este autor, do corpo consciente (SILVA, HAETINGER (2013, p.21). As concepções apontam que aprendemos por meio da vivência, experiência e envolvimento entre o sujeito e o objeto, em defesa da proposta do corpo consciente. Essas ideias, por sua vez, são recebidas nas diferentes áreas do campo da Psicomotricidade: estimulação, educação, reeducação e terapia, as quais serão objetos de aprendizagem em seguida. 16 1.3 PSICOMOTRICIDADE E SUAS ÁREAS Na seção anterior, observamos que os conceitos dados à psicomotricidade perpassam diferentes compreensões, mesmo havendo aspectos muito comuns, os aspectos individuais vão ao encontro da pesquisa de cada autor e a sua atuação, demonstrando não haver um consenso ou uma definição estática sobre a psicomotricidade. Sendo assim, constata-se que há diferentes linhas que defendem este campo, entretanto, vamos afunilar nossos olhares para, apenas, quatro áreas: estimulação, educação, reeducação e terapia psicomotora, pois compreendemos estas como as principais, dando conta da questão preventiva e de intervenção terapêutica. A seguir, abordaremos cada uma destas áreas, ao longo da seção e vamos perceber o quanto as áreas estão imbricadas, como um processo espiral, considerado, também, como sequencial por Gallahue, Ozmun e Goodway (2013) que defendem que o desenvolvimento motor segue uma aprendizagem progressiva conforme os aspectos biológicos e interação do sujeito com o ambiente. 17 Começando pela infância, podemos afirmar que este é um período vital para o desenvolvimento da criança. É nesta etapa que tomamos consciência do corpo e formamos a sua personalidade, sendo a fase de muitas descobertas no mundo externo, o que justifica a mesma ser estimulada, principalmente quando a criança está no início da vida, onde suas experiências exigem o movimento do corpo. Para Bueno (2014) é necessário um programa lúdico que possa assistir a criança de forma que desperte e desabroche os seus movimentos, destacando como estimulação essencial, o qual reitero sua importância devido ao um processo complexo entre o sistema nervoso central e sistema nervoso periférico, compreendido pela lei céfalo-caudal e lei próximo-distal que se desenvolve cada vez mais a partir da exploração das potencialidades da criança. Sobre a colocação do autor, inferimos, ainda, que a criança nesta fase da vida encontra-se na creche, espaço formal que leva em conta estas considerações, havendo profissionais com funções específicas. Mas não se pode entender a estimulação como exclusiva da escola, este programa “informal” também, pode ser promovida pela instituição mais próxima, a família, onde se há o primeiro contato com o mundo externo. Como Bueno (2014), percebemos a estimulação muito associada à educação psicomotora, onde vai além da educação infantil, chegando ao ensino fundamental. Neste segundo contexto, para o autor a educação psicomotora abrange todas as aprendizagens da criança e do sujeito, processando-se por etapas progressivas e específicas conforme o desenvolvimento geral de cada indivíduo. Realiza-se em todos os momentos da vida através de percepções vivenciadas, como uma intervenção direta em nível cognitivo, motor e emocional, estruturando o indivíduo como um todo. A educação passa pela facilitação das condições naturais e prevenção de distúrbios corporais (p. 352). Ao mencionar um desenvolvimento progressivo e específico, e a atenção a prevenção de distúrbios corporais, levamos em consideração os limites que confere à cada grau de maturação natural, ou seja, ficando explícito ao nosso entendimento que este contexto é implicado às crianças que se encontram sem acometimentos que impossibilitama sua frequência regular a escola, todavia, não é possível fechar a educação psicomotora em si mesma, pois vamos ver até o final desta seção que ela contribui para as outras áreas. Gallahue, Ozmun e Goodway (2013) destacam que nesta fase escolar, 18 competências básicas são desenvolvidas pelo menos até os 7 anos de idade e as competências de maior complexidade, pelo menos até os 12 anos, o que coaduna com as perspectivas de Le Boulch: “a educação psicomotora deve ser considerada como uma base na escola elementar, ponto de partida de todas as aprendizagens pré-escolares e escolares” (1981, apud BUENO, 2014, p, 353). Diante da defesa dos autores, relacionamos a educação psicomotora como uma ação preventiva de distúrbios motores. Mas no caso em que a criança apresenta perturbações e distúrbio psicomotores, ausência de domínio sobre o corpo, recorremos à área de reeducação. Silva e Haetinger (2013, p. 11) apontam que é “retomar as vivências anteriores com falhas ou as fases de educação ultrapassadas inadequadamente. Em termos gerais, reeducar significa educar o que o indivíduo não assimilou adequadamente em etapas anteriores”. Sendo assim, é um trabalho que propõe organizar os aspectos psicomotores da criança, - tonicidade, equilíbrio, lateralidade, esquema corporal, estruturação espaço-temporal, praxia fina e global -, considerando as expectativas gerais para a harmonia do corpo. Segundo Fonseca (2008, p. 59), “os processos motores exigem o concurso de representações mentais”, logo, tais acometimentos impactam no déficit de aprendizagem, o que provavelmente justifica-se em grande medida problemas na escrita, a exemplo, uma escrita espelhada. Para auxiliar na observância de tais perturbações e distúrbios nos aspectos psicomotores, além das atividades lúdicas propostas, Fonseca (2012) propõe a implementação da Bateria Psicomotora (BPM), sendo “um dispositivo diferente das escalas de desenvolvimento motor. Um conjunto de tarefas que permite detectar déficits funcionais” (p. 127). Este modelo requer a observação na execução dos movimentos da criança, onde se permite sugerir atividades de reeducação, que atentam para ações diretivas e não diretivas, não se confundindo com a terapia psicomotora, entretanto, este instrumento será explorado no capítulo 3. Na área terapêutica há grande preocupação com duas dificuldades, as relacionais, que implicam em aspectos psicológicos, como a agressividade, timidez excessiva, etc. e as funções estruturais que desarmonizam os movimentos do corpo. Para o trabalho terapêutico se requer a construção de uma relação dialógica pela interlocução afetiva entre a criança/adulto e o terapeuta, distinguindo-se da reeducação psicomotora, e vivências corporais (BUENO, 2014). 19 A atuação nesta área vai exigir uma formação sólida em muitos componentes curriculares, além da paciência devido não ser possível predizer o tempo de terapia, pois, leva-se em consideração o tempo da criança/adulto de manifestar-se, atentando a todo tempo para não ocasionar um bloqueio da parte assistida. A terapia pode ocorrer de maneira individual e também, em grupo. Bueno (2014) considera que a evolução pode caminhar para um trabalho de reeducação e posteriormente, de educação. As áreas que apresentamos são bem interessantes e apresentam-se promissoras. Em 2003 a Câmara dos Deputados recebe o Projeto de Lei nº 795 que dispõe sobre a regulamentação da atividade profissional de Psicomotricista e autoriza a criação dos Conselhos Federal e Regionais de Psicomotricidade, que após amplamente analisada pelas Comissões de Seguridade Social e Família, Trabalho, Administração e Serviço Público, Constituição e Justiça e de Cidadania, diante de muitos vetos, é publicada na Lei nº 13.794/2019, podendo exercer a função além dos graduados em Psicomotricidade, os pós-graduados nas áreas de saúde ou de educação, desde que possuam, em quaisquer dos casos, especialização em Psicomotricidade (BRASIL, 2019). 20 21 FIXANDO O CONTEÚDO 1. O pensamento filosófico é fundamental para a compreensão da relação corpo e mente nos tempos de hoje. Desde a Antiguidade estes elementos são pautas de muitas reflexões. Dentre estas reflexões, temos: I - Para Aristóteles, o corpo é compreendido como um elemento separado da alma, habitando em outro plano, devendo o corpo ser bem cuidado, apesar de sua mortalidade. II- Para Aristóteles o corpo é visto de forma indissociável da alma, que ao nutrir o corpo, estará nutrindo a alma. III- Platão, apesar, de conceber o corpo um elemento separado da alma, considerava a medula como um elo de ligação entre estes dois elementos. Os itens que são considerados verdadeiros, são: a) I, II e III b) II e III c) Apenas III d) Apenas I e) Apenas II 2. Como na Antiguidade, o Renascimento científico buscava pela verdade, entretanto, fundamentado em uma série de estudos sobre as propriedades do corpo baseado no método indutivo, distante da concepção metafísica. Neste sentido, teve como precursor _______, que desenvolveu um importante método pautado na observação, coleta de informações, levantamento de hipóteses e comprovação por experiências. O filósofo que preenche a lacuna corretamente é: a) Immanuel Kant b) Rene Descartes c) Platão joser Realce 22 d) Francis Bacon e) Aristóteles 3. (Professor de Educação Física – UFSC/UFSC, adaptada) considerando os pressupostos da BNCC e sobre o papel da Educação Física no contexto de uma escola democrática, deve-se: A alternativa que corresponde ao enunciado é: a) Reduzir o corpo a um artefato mecânico sobre o qual deve imprimir gestos motores visando à superação individual. b) Preparar o aluno para o exercício da cidadania, conformando-o com seu papel no estrato social na busca pelo sucesso. c) Preparar o aluno para o exercício da cidadania, mostrar as possibilidades e oferecer condições de participação nas instâncias sociais. d) Tematizar práticas corporais sob o viés do liberalismo, reproduzir as desigualdades sociais e educar o corpo para suportá-las. e) Reduzir o corpo a um artefato mecânico e privilegiar os gestos motores de determinadas manifestações da cultura corporal dominante, como os esportes e as lutas. 4. As quatro áreas da psicomotricidade: estímulo, educação, reeducação e terapia psicomotoras possuem zonas que se encontram, todavia, é preciso perceber os espaços fronteiriços que existem entre as suas respectivas especificidades. Observamos, então, que a __ busca retomar “as vivências anteriores com falhas ou as fases de educação ultrapassadas inadequadamente” (BUENO, 2014, p. 356), com um trabalho focado nos aspectos psicomotores da criança. Considerando o exposto, a alternativa que preenche a lacuna corretamente é: a) Educação psicomotora b) Psicomotricidade c) Estimulação psicomotora d) Terapia psicomotora joser Realce joser Realce 23 e) Reeducação psicomotora 5. (Professor de Educação Física, PMS-PA/IMA, adaptada) Diante de diferentes concepções ao longo da história sobre o corpo, na atualidade, entende-se que: Marque a alternativa que corresponde a concepção de Corpo em Educação Física. a) Máquina Biológica que agrupa órgãos e partes capazes de produzir funcionamento e movimento. b) Estrutura de movimento mecânico que conservar e agrupa um conjunto de órgãos e reações químicas, capazes de proporcionar; movimento, pensamento, sentimento. c) O Corpo é o próprio ser; que pensa, sente, se movimenta e funciona a partir da própria atividade corporal, relaciona ao funcionamento do organismo, como um todo. d)É o conjunto formado por Estrutura Mecânica e Funcional que permite o funcionamento e movimento do organismo. e) Todas as alternativas estão corretas. 6. (Professor de Educação Física - PM JI-PARANÁ - RO/FUNCAB, adaptado) O corpo hábil com o propósito de servir ao contexto político, é concebido na escola. Neste sentido, o esporte caracteriza-se como um fenômeno cultural de fortes vínculos com a lógica do sistema capitalista. Marque a alternativa que relaciona as suas práticas com as considerações acima: A) Lazer, recreação e ludicidade. B) Divertimento, inclusão e participação. C) Rendimento, performance e produtividade. D) Educação, aprendizagem e reflexão. E) Cooperação, semicooperação e solidariedade. joser Realce joser Realce joser Realce 24 7. Fonseca (2012) propõe a implementação da bateria psicomotora (BPM), sendo esta, composta por testes que requerem a observação na execução de alguns movimentos da criança. A BPM possui um caráter objetivo e pode ser considerada um instrumento de avaliação ______. Marque a alternativa que corresponde à lacuna: a) De reeducação psicomotora b) De terapia psicomotora c) De estimulação psicomotora. d) De educação psicomotora e) De aprendizagem psicomotora. 8. A psicomotricidade no Brasil tem sua presença mais intensa no campo escolar a partir de 1950, pois os estudos já relacionavam a relação entre o cognitivo, a motricidade e o psiquismo. Esta concepção do corpo é considerada: a) Corpo hábil b) Corpo neurológico c) Corpo dinâmico d) Corpo consciente e) Corpo estático joser Realce joser Realce 25 PSICOMOTRICIDADE E AS CONCEPÇÕES DE IMAGEM DO CORPO Nesta Unidade abordamos a concepção sobre o corpo, por três vertentes: a neurofisiologia, que segue uma análise mecânica do movimento desde o córtex até a contração da musculatura; a fenomenologia, que aponta o aprendizado e conhecimento como resultado das associações do que é percebido e vivido pelo sujeito histórico; e por último, a relacional que também volta-se para o corpo vivido, porém acentua o corpo como veículo e comunicação com o mundo, demonstrando pela sua espontaneidade o que o cerca no mundo interno. 2.1 PSICOMOTRICIDADE: ABORDAGEM NEUROFISIOLÓGICA Com temos acompanhado, há uma relação muito íntima entre corpo e mente, e para exemplificar, lembre-se das vezes em que foi fazer uma self. Queremos ilustrar de forma simples, que a ação só foi possível de ser iniciada devido à sua intenção, a de fazer a self. O braço que foi suspenso voluntariamente é resultado da integração entre o Sistema Nervoso Central (SNC) e o Sistema Nervoso Periférico (SNP), em um sistema complexo que será simplificado didaticamente pela Figura 3, para demonstrar o percurso do movimento coordenado. Erro! Fonte de referênci a não encontra joser Realce joser Realce joser Realce 26 Fonte: Esquema elaborado pela autora com imagens de Brain made simple , Santos e OCW (2019; 2021; 2009, online). A sequência no esquema elaborado demonstra que na intenção de realizar o movimento coordenado, ativamos a área do córtex. O córtex se programa a partir do límbico com as informações sensoriais relevantes e o desejo motor. Fairbrother (2012) nos lembra que que temos 6 fontes de informações sensoriais: a visão, a audição, o equilíbrio, o tato, a propriocepção e por último, a cinestesia, que apesar da hierarquia, trabalham de forma integrada. Tais informações servirão para o planejamento do gesto motor e a sua avaliação do controle, considerando início, meio e fim, dando sequência à ativação do córtex motor. O estímulo lançado pelo córtex motor ativa o potencial de ação, ou seja, são lançados os impulsos nervosos para a musculatura, e em paralelo, encaminha também para o cerebelo a projeção do movimento. Assim, o cerebelo recebe duas informações, a real, que está em execução e a informação intencionada, para o estado do movimento, fazendo a correção e o refinamento, sempre que necessário pelo feedback (FONSECA, 2012; FONSECA, 2008; MAGILL, 2000). Agora, imagine que a prática de fazer selfs tenha feito com que você aprendesse o movimento coordenado (por repetição), a partir disso, ao realizar tal movimento, você recorrerá aos engramas, pulando a etapa do planejamento, tendo apenas a seção de programação e execução. Magill (2000) aponta que engramas são as memórias automáticas que adquirimos com o treinamento, você já executa Figura 3: O Movimento Voluntário Coordenado 27 uma ação, o movimento coordenado, sem consciência. Como menciona Magill (2000), em primeiro momento, as unidades motoras são os elementos a serem controlados, e que em nível mais elevado, a musculatura passa a ser o elemento a ser que precisa ser controlado na execução do movimento. Neste sentido, podemos explicar este controle por duas dimensões: sistema de controle de circuito aberto e sistema de controle de circuito fechado, como mostra a Figura 4. Fonte: MAGILL (2000, p. 40). Cada sistema de controle (aberto/fechado) possui o seu centro de controle do movimento com importante função, “gerar e enviar comando de movimento aos executores, que no ser humano são os músculos e as articulações envolvidas na execução do movimento desejado” (MAGGIL, 2000, p. 40). No sistema aberto há todas as informações que são relevantes para que a realização do movimento planejado, sem interferência do feedback. Neste caso o feedback não é necessário, embora, esteja disponibilizado, ou não tenha sido requisitado ao curto tempo de duração do movimento. O comando é enviado e o movimento é realizado independendo de novas informações sensoriais (MAGIL, 2000). Em colaboração, Fairbrother (2012) diz que Figura 4: Controle Do Movimento Coordenado 28 a informação criada pelo movimento não alcança o executor a tempo de ser utilizada durante o movimento; portanto o “circuito” permanece aberto. Ao planejar com antecedência um movimento discreto rápido, criamos o que se denomina programa motor, um conjunto de comandos pré-estruturados que específica o padrão de movimento a ser executado. Ainda utilizamos a informação sensorial controle sem feedback, porém a usamos antes e não durante o movimento. Por exemplo, usamos a visão para avaliar a distância de que necessitamos para bater na bola de golfe e a direção que precisamos batê-la. (p. 60). Veja que esta avaliação não interfere na correção do movimento de maneira direta. Já no sistema fechado o feedback é requisitado, sendo as mensagens enviadas pelos receptores sensoriais para o centro de controle, com o objetivo iniciar e dar continuidade, bem como de fazer a correção do movimento, como ocorre no termostato de ar condicionado, que capta as informações para ajustar a programação registrada (MAGILL, 2000). Logo, a execução do movimento coordenado é dependendo de novas informações sensoriais. 29 2.2 PSICOMOTRICIDADE: ABORDAGEM FENOMENOLÓGICA Para abordarmos a imagem do corpo pela concepção fenomenológica, é imprescindível ressaltar Edmund Husserl, intitulado pai da fenomenologia, o qual tem relevantes estudos no campo abstrato entre ideias e pensamentos. Para Husserl “a consciência é intencional, assim a intencionalidade pode ser entendida como o que a mente conhece e registrou como característica da experiência de vida”, fazendo associações que se reverberam em suas convicções e pensamentos (DUARTE; CALDIN, 2019, p. 320). Perceba que sua perspectiva é transcendental, porém, é mantida no campo do idealismo. Não obstante, é necessário destacar Merleau-Ponty(1999), teórico que amplia a concepção, trazendo uma realidade mais concreta, se distanciando do plano das reflexões. Colocando o corpo como interlocutor das ideias e da percepção deste. Sendo a percepção e a experiência o pilar para a construção do conhecimento, preconizando-se para a essência. O fato de suspender pensamento e convicções permite o movimento ser colocando em de dialogo com o mundo, onde se obtém as experiências reais, servindo de base para o seu desenvolvimento motor e cognitivo. Neste sentido, é possível trazer como elementos da fenomenologia, “as essências, o caráter intencional da consciência, os objetos como coisas tanto reais quanto ideais, a percepção que cada um tem de suas experiências” (DUARTE; CALDIN, 2019, p. 317). Tais experiências concretas possuem valor singular, ou seja, é relacionada à percepção de cada um, daí encontramos a essência citada, todavia, não podemos considerá-la um mundo privado, ao contrário, é na relação com o outro que é construída. A interação é fundamental para que o sujeito possa se perceber e compreender o que se revela, atribuindo significados. Como menciona Merleau- Ponty (1999, 569) “é comunicando-nos com o mundo que indubitavelmente nos comunicamos com nós mesmos. Nós temos o tempo por inteiro e estamos presentes a nós mesmo por que estamos presentes no mundo”. Assim, Merleau-Ponty (1999) reverencia o corpo pela perspectiva de corpo 30 próprio, corpo vivido e corpo consciente. Ou seja, apresenta um corpo que não é algo engessado e que nem se esgota na observação de plano cartesiano. Ao contrário, é sensível, com intencionalidades e encarnado, que se relaciona com o mundo e se estende a ele, onde é capaz de aprender não somente sobre si. Uma ideia de corpo que transcende a objetividade e a concepção a-histórica. Em contribuição, Le Boulch (1987) aponta que “a criança delimita seu “corpo próprio” do mundo dos objetos através da ação e da aquisição das praxias. Daí a importância de permiti-lhe a confrontação global com o mundo dos objetos”. Nesta direção, “o esquema corporal é, portanto, a base fundamental da função de ajustamento e o ponto de partida necessário de qualquer movimento” (p. 176-177). Em uma concepção em que Merleau-Ponty (1999) considera o corpo respondende ao em torno pelo movimento intencional, colocando os dois elementos em condição indissociável, corpo e a realidade do mundo externo, concluímos, portanto, que a fenomenologia é ligada à subjetividade, tendo em vista que a percepção das coisas são sensíveis à variáveis como, espaço, ocasião, etc. Sendo assim, chamamos a atenção para a necessidade de refletir sobre o que nos cerca. A privação das experiências também diz muito sobre este conhecimento em construção e desenvolvimento, estendemos as nossas provocações à construção do conhecimento em meio a desigualdade social. 31 2.3 PSICOMOTRICIDADE: ABORDAGEM RELACIONAL A abordagem relacional tem um sentido muito peculiar para compreender a psicomotricidade. Datada como destaque na década de 1970 com André Lapierre, teórico francês, passou por outros conhecimentos para chegar aos achados que vamos apresentar. Segundo Gusi (2020), sua teoria é mergulhada nas concepções de Henri Wallon, pioneiro nos estudos do século XX, que parti em defesa de um olhar de afetividade ao corpo. Esta perspectiva tem busca pelas limitações de aprendizagem cognitiva, relacional e motora que as crianças apresentam. Gusi (2020) apresenta a teoria com intima relação a questão simbólica, permitindo observar aspectos importantes em suas limitações. Pensando no campo do simbolismo, destacamos a espontaneidade da criança como elemento base no desenvolvimento da teoria psicomotora relacional, pois demonstra o que é sentido, e o que não é pronunciado por muitos motivos, sendo em nossas percepções, mais comuns, a timidez e a agressividade, que trazem consequências ao desenvolvimento. A psicomotricidade relacional consiste em possibilitar espaços de liberdade para a criança, propícios aos jogos e às brincadeiras, fazendo com que, por meio deles, a criança manifeste seus conflitos e consiga compreendê-los. No campo educacional, esta ferramenta serviria de prevenção contra o surgimento de distúrbios emocionais, motores e de comunicação, que geralmente são entraves para a aprendizagem (LEITE, 2019, p. 89). Neste contexto, devemos criar oportunidades da criança se manifestar, oferecer espaço e materiais. A observação se faz importante. Perceber o que se revela ou o que se esconde, traz a tona ricas informações. Essa perspectiva é totalmente contrária aos mecanismos de repressão, como o apelo ao silêncio e ao imobilismo, que se escondem no discurso da disciplina. O que não quer dizer que não 32 há regras, porque elas existem. Conviver com o outro e dividir os espaços, exigem regras. Em concordância com Mastrascusa (2012), vemos a linguagem como “basicamente corporal, em que o participante “fala” por meio da sua expressão corporal espontânea, por suas atitudes, imobilidades, agitação, mímicas, olhar, tônus, respiração, suas aproximações e distanciamentos, seus atos” (p. 56). A comunicação verbal não é privilegiada nesta abordagem, pois arriscamos em concluir que a comunicação verbal poderia induzir a reprodução de gestos ou ações, enquanto o que se busca com o método, também é a promoção da autonomia. Esta concepção de psicomotricidade permite estimular as capacidades e potencialidades apresentadas como meio de propor novas aprendizagens, por exemplo, o conceito de direita e esquerda; de em cima e embaixo, atentando para um olhar que supere as limitações da criança. Neste sentido, nada mais coerente que o psicomotricista relacional fique atento e sensível para perceber as demandas dos alunos e direcionar atividades livres e dirigidas que vão ao encontro das respectivas necessidades. Leite (2019) vai além, apresenta nuances de uma psicomotricidade relacional que tem uma prática além de educativa, mas preventiva e terapêutica. Essa perspectiva se diferencia do que Bueno (2014) apresenta ao situar as áreas do psicomotricista, - estimulação, educação, reeducação e terapia -. Para Lapierre, segundo Mastrascusa (2012) a área de atuação é atravessada por concepções do Real, do Simbólico e do Imaginário de Lacan, reunindo assim, releituras da discussão de Bueno (2014) Há uma profunda preocupação com o aparelho psíquico da criança, entre consensos e dissensos nas teorias dos psicanalistas Freud e Lacan, a psicomotricidade relacional busca trazer para fora o que se colocado como fantasma para a criança. A criança adquire confiança, o que, impacta diretamente no seu desenvolvimento motor e cognitivo. 33 34 FIXANDO O CONTEÚDO 1. Um estudante, ao correr para pegar o ônibus avistou uma bolsa de lama, e para dar continuidade à ação, fez uma rápida mudança no movimento. A mudança no movimento foi possível devido ao feedback recebido das informações sensórias, demonstrando alto controle motor, porque: Marque a opção que explica a situação hipotética. a) O cerebelo atua na correção do movimento, até a aprendizagem da execução. b) Enquanto o movimento é realizado, vamos recebendo feedbacks durante toda a realização do movimento. c) O córtex límbico participa da programação fazendo o planejamento do novo movimento, mediante as informações sensoriais. d) O córtex límbico é responsável por lançar impulsos nervosos para a musculatura. e) O córtex associativo ativa o potencial de ação lançando os impulsos nervosos para a musculatura, o que colaborou para a mudança do movimento. 2. O centro de controle do movimento é o responsável pelasdecisões motoras, sendo que o __ não depende de feedbacks para a respostas motora, todavia, o __ é dependente de novos estímulos. O __ faz com que as respostas se ajustem ao ambiente. Marque a opção que completa s lacunas corretamente. a) Circuito fechado/circuito aberto/circuito aberto. b) Circuito fechado/circuito fechado/circuito aberto c) Circuito aberto/circuito aberto/circuito fechado. d) Circuito aberto/circuito fechado/circuito fechado. e) Circuito aberto/circuito aberto/circuito aberto. 3. Acerca da fenomenologia de Edmund Husserl, analise as afirmativas abaixo e marque “V" para verdadeiro e “F" para falso. joser Realce joser Realce 35 ( ) Rompe com a concepção de um corpo-objeto, reforçando a ideia de uma percepção pautada na experiência de um sujeito encarnado. ( ) A experiência perceptiva se relaciona com a experiência corporal. ( ) As concepções da fenomenologia são fundadas na perspectiva transcendental e idealista. A sequência correta de cima para baixo encontra-se em qual alternativa? a) V- V- V. b) F- V- F. c) F- V- V. d) V- F- F. e) F- F- V. 4. A percepção não é uma representação limitada ao campo das ideias, e sim um conjunto de sensações experienciadas pelo corpo. Seguindo o contexto da afirmativa apresentada, julgue a alternativa correta. a) Merleau-Ponty que defende o corpo como criador de sentidos b) Merleau-Ponty tem o entendimento de um corpo observável. c) Husserl busca o conhecimento pelas experiências corpóreas do sujeito. d) Husserl defende que o corpo não deve ser visto apenas no campo das ideias. e) Merleau-Ponty defende as experiências como forma de aprendizagem, porém, sem a necessidade do movimento. 5. (Psicomotricista – PFP/Quadrix) A psicomotricidade relacional, na perspectiva da educação, entende que a atuação se estabelece de forma mais preventiva, buscando potencializar o desenvolvimento integral das crianças, indicando e reforçando todo e qualquer aspecto positivo de sua conduta, de seu modo de ser, e trabalhando com o que há de positivo nas relações interpessoais, reforçando-as e renovando-as. Considerando essa informação, assinale a alternativa correta. joser Realce joser Realce 36 a) A relação entre a escola e a psicomotricidade dependerá das condições socioeconômicas. b) Sendo o corpo o primeiro meio disponível e utilizado para se entrar em contato com o conhecimento, a aprendizagem passa a ter uma inter-relação intrínseca com a motricidade. c) Todas as condições usadas na psicomotricidade escolar servem para os diferentes lócus de aplicação da psicomotricidade. d) As instituições escolares têm programas que identificam alunos com problema psicomotor para indicar a psicoterapia. e) As instituições de saúde pública têm programas que identificam crianças com problema psicomotor para indicar a psicoterapia. 6. (1º Tenente, PM-RJ/ CRSP, adaptada) O trabalho da psicomotricidade na vertente relacional serve de métodos não diretivos, que é a usada dentro das instituições escolares, pois usa o jogo como atividade-meio, como elemento pedagógico, propicia à criança o ato de criar, representar e usar a imaginação, porém a partir de uma ação pedagógica previamente elaborada pelo professor. São consideradas funções psicomotoras a serem desenvolvidas: I. Lateralidade; II. Esquema corporal; III. Atenção. Marque a alternativa que com os itens corretos. a) I, II. b) I, III. c) II, III. d) I. e) IIII. 7. Podemos considerar a psicomotricidade relacional como um método para que a criança se expresse. Marque a alternativa que corresponde ao método citado. a) Atividades de pintura. joser Realce joser Realce 37 b) Atividades de escrita. c) Jogo de vôlei adaptado. d) Jogo espontâneo. e) Contação de história. 8. Podemos considerar como objetivos da psicomotricidade relacional: incentivar a imaginação, a autonomia, a convivência com o próximo, ___ e ___. Marque a alternativa que corresponde às lacunas. a) Autoestima / prevenir dificuldades. b) Obediência / autoestima. c) Submissão/ prevenir dificuldades. d) Alienação/ autoestima. e) Prevenir dificuldades/ obediência. joser Realce joser Realce 38 PRINCÍPIOS E CONCEITOS BÁSICOS DA ÁREA DE DESENVOLVIMENTO MOTOR Nesta seção a proposta é apresentar a organização dos aspectos psicomotores da criança, - tonicidade, equilíbrio, lateralidade, noção corporal, estruturação espaço-temporal, coordenação motora global e coordenação motora fina -, considerando as expectativas integradas para a harmonia do corpo. Portanto, é preciso apresentá-los em paralelo à Teoria do Sistema Funcional de Luria, sendo possível ampliar os estudos no campo da neuropsicologia durante o século XX. Luria apresenta o mapeamento do cérebro, dividindo-o em três unidades funcionais, onde são relacionadas diretamente aos aspectos psicomotores, onde a primeira relaciona-se à condição de vigilância, de alerta e dos estados mentais; a segunda compromete-se com a recepção, análise e armazenamento da informação; a terceira relaciona-se com a organização da atividade consciente e a sua programação, regulação e verificação da atividade psicomotora, (FONSECA, 2012). Toda essa organização dos aspectos motores é considerada importante para o desenvolvimento da criança, sendo encontrada na BPM elaborado pele por Vitor da Fonseca, com a finalidade de observar falhas nesta organização. A seguir, vamos conhecer as três unidades em seções subsequentes, mas é importante ter a compreensão que estas estruturas complexas, trabalham de forma integrada, embora existam níveis hierárquicos entre as unidades. 3.1 PRIMEIRA UNIDADE FUNCIONAL DE LURIA Tonicidade O desenvolvimento da criança inicia muito antes de seu nascimento, mas após sua vinda ao mundo externo, que o seu desenvolvimento tende a avançar progressivamente, inclusive a aprendizagem motora, saindo de um estágio mais simples para o complexo, ou seja, do movimento reflexo ao voluntário, em consonância com o grau de maturação. No desenvolvimento deste processo os tônus musculares é um elemento Erro! Fonte de referênci a não encontra 39 indissociável. Podemos definir este conceito como: o estado de tensão permanente dos músculos, de origem essencialmente reflexa, variável em sua intensidade, que segue as diferentes ações sinérgicas que a reforçam ou inibem e tem por função o ajustes das posturas, sendo possível distinguir, de forma semiológica, diferentes propriedades (THOMPSON, 2020, p. 94). A definição apresentada pela autora reforça a ideia de uma dinâmica que vai além de um estado de tensão permanente, sendo compreendida por estado de resistência já que somos expostas, naturalmente, pela gravidade e pelas forças que nos opomos no dia a dia, sustentando ações motoras estáticas e não estáticas. Todavia, como Ajuariguerra (1996) menciona, este processo segue uma evolução, conforme a maturação da criança. Como uma sequência, o controle postural é percebido no seu início quando o bebê mantém suas mãos fechadas, desenvolvendo-se para outros estágios, passando do engatinhar para a postura ortostática. Essa dinâmica é conhecida por Thompson (2020) como Flutuação de Tônus. Há uma compatibilidade importante entre o tônus e a dimensão emocional, requerendo um diálogo corporal, pois segundo Ajuariguerra (1996) a privação de afeto oportuniza “um atraso motor”, reverberando em outras áreas de desenvolvimento (p.217). O trabalho do tônus muscular caminha muito próximo ao outro aspecto motor, o equilíbrio, como veremos na seção seguinte. Essa aproximaçãoconsidera ambos a estarem na 1ª unidade funcional do cérebro, sendo elencados na BPM, teste elaborado por Fonseca (2012). Equilíbrio É muito provável que todos em algum momento da vida tenham brincado de estátua, e se houve algum momento em que foi preciso ficar com os pés um afrente do outro ou apenas tendo as pontas dos dedos como apoio, você possivelmente buscou muita concentração, inclusive, muscular, além de requerem bastante o equilíbrio para não perder a brincadeira. Estamos trazendo esta memória para que possamos relacionar os dois elementos. O equilíbrio em grande medida se envolve com a dimensão dos tônus musculares, pois estão colaborando para noção de eixo corporal e adoção de 40 posturas corporais, o que vai ao encontro das perspectivas de Gallahue, Ozmun e Goodway (2013). Assim, podemos considerar o equilíbrio como uma das habilidades a ser desenvolvida para que seja capaz de sustentar o seu próprio corpo, mesmo quando é submetido a diferentes posicionamentos durante o dia a dia, ou mesmo naquela brincadeira de estátua. Ressaltamos que a criança com falha no desenvolvimento deste aspecto motor, pode gerar uma desatenção nas suas atividades, já que constantemente vai buscar uma nova posição (THOMPSON, 2020), colaborando, Neto (2002) vai considerar esse dispêndio de energia como fato gerador de estresse e ansiedade, além da fadiga. Note o quanto que em nosso cotidiano vivemos diferentes circunstâncias que exigem a habilidade do equilíbrio estático e dinâmico, que se distinguem pela imobilidade e movimentação do Centro de Gravidade (CG), respectivamente. Em contribuição, Negrine (1986) percebe que o CG se revela de forma diferente, variando entre adultos e crianças, sendo para as crianças este ponto imaginário é mais acima quando comparado a um adulto, o que vai exigir do profissional, um trabalho em prol do desenvolvimento desta estabilidade. Neste sentido, Thompson (2020) conclui, portanto, que podemos considerar que a criança já possui a habilidade de equilibrar-se quando a mesma controla o seu corpo em relação a posturas e posições. Para Fonseca (2012) a equilibração na BPM “é uma condição básica da organização psicomotora, visto que envolve uma multiplicidade de ajustamentos posturais anti-gravitícios que dão suporte a qualquer resposta motora” (p. 184-185). Thompson (2020) e Fonseca (2012) contribui para a nossa compreensão que o equilíbrio é ligado à tonicidade por, pois ambos são importantes no controle postural. 41 3.2 SEGUNDA UNIDADE FUNCIONAL DE LURIA Lateralidade Para iniciar nossas reflexões precisamos recordar das vezes que ouvimos que somos o país do futebol. É uma frase muito reproduzida, ainda mais, quando próximos de campeonatos. Entretanto, não vamos demarcar o futebol em nossas discussões, a elucidação é para demonstrar que uma cultura futebolística tão difundida, faz com que a gente chute a latinha que está no chão, ao invés de pegá- la para arremesso. Mas responda rápido: Quais dos seus pés é utilizado para chutar e por quê? A segunda pergunta é mais complicada de responder, por isso vamos explicar a lateralidade. Para tal devemos levar em conta os dois hemisférios: direito e esquerdo, os quais possuem responsabilidades diferentes, contudo, produzem uma integração harmoniosa, mesmo havendo em nós uma habilidade manual e hemisférica, como o caso da latinha. Fonseca (2012) considera que essa habilidade manual e preferência hemisférica vai tomando forma na idade escolar, onde as crianças são submetidas às estruturas prontas, majoritariamente, para destros e o perfil de quem ensina, o que 42 desestimula o desenvolvimento da ambidestria e da preferência oposta. Mas é preciso ser sensível e compreender que a predominância não se esgota nos estímulos ambientais, a condição biológica não pode ser omitida, chamado por Negrini (1986) de bagagem inata. Mesmo diante dos estímulos sociais, Negrine (1986) orienta que a criança seja exposta de maneira que consiga expressar sua preferência corporal espontaneamente. Sugerimos que observe e peça a criança pra olhar pela fechadura e contar que vê atrás da porta. O que não quer dizer que não devemos estimular os dois lados. A integração bilateral, é condição essencial ao controle postural e ao controle perceptivo-visual. “Sem esses dois lados, a lateralização como sistema funcional complexo não se diferencia”, afirma Fonseca (2012, p. 221) o que gera consequência na sua aprendizagem. Esquema corporal O esquema corporal está ligado à percepção e a consciência que a criança tem deste corpo, com as possibilidades de interagir com o meio. Para Silva e Haetinger (2013) o esquema corporal refere-se como corpo consciente, o qual acrescentamos, ainda, que este aspecto é o pilar de sustentação para as demais habilidades, bem como é o centro da formação da personalidade da criança. Em consonância com Neto (2002, p.20), “o esquema corporal é a organização das sensações relativas ao seu próprio corpo em associação com os dados do mundo exterior” Esse movimento de troca entre o mundo interno e externo vai constituindo a sua personalidade, de forma progressiva, pois o esquema corporal é desenvolvido em etapas. Seguindo Fonseca (2008), Gallahue, Ozmun e Goodway (2013) e Oliveira (2020), há primeiramente, o reconhecimento das partes do corpo, em seguida, a criança tem compreensão da função, por último é quando ela sabe articular todas as partes do corpo para que possa se movimentar sem prejuízos, chegando assim, ao conceito de somatognosia: É a tomada de consciência do corpo na sua totalidade e respectivas partes, intimamente ligadas e inter-relacionadas com a evolução dos movimentos intencionais, isto é, a tomada de consciência do corpo como realidade vivida e convivida (FONSECA, 2008, p. 109) Essa tomada de consciência tem ampla relação com os aspectos 43 neurofisiológicos. Iniciada pelo córtex, a intencionalidade de execução do movimento, resulta na experiência. O acúmulo de tais experiências segue um processo didático e gradativo, para a aquisição do conhecimento sobre o corpo. Estrutura espaço temporal Imaginem se a cada vez que fossemos atravessar uma rua sem semáforo, tivéssemos que reunir uma série de fórmulas matemáticas e leis da física para verificar se estaremos atravessando com segurança. Claro, que já vivenciamos esta situação e não foi necessário elencar tantas teorias. Você saberia explicar por quê? Se formos analisar os conceitos, isoladamente, como Fonseca (2012), vamos verificar que a noção de espaço depende da visão, e a do tempo, com a audição. Dentro no nosso exemplo, a percepção visual é onde o corpo interpreta o tempo, a distância, a posição, etc., esta interpretação tem uma estreita relação entre o espaço e corpo e corpo e objeto, localizando o objeto a partir de si, o centro. Enquanto que noção temporal, não se separa da dimensão do tempo, mas volta-se para os acontecimentos. O cérebro “joga com as experiências anteriores, adapta- se às condições presentes, prediz e antecipa o futuro” (FONSECA, 2012, p. 271), apresentando a localização dos eventos no tempo, que se relaciona ao ritmo, por isso a noção temporal é mais auditiva. Estes dois conceitos, juntos, compõem a estrutura espaço temporal. Como cita Fonseca (2012, p.262), “a estruturação espaça temporal emerge da motricidade, da relação com os objetos localizados no espaço, da relação relativa que ocupa o corpo”. Nesta afirmação, conseguimos perceber como este aspecto está intimamente imbricado à lateralidade e ao esquema corporal, sendo necessário trabalhar com muita seriedade o corpo consciente para que aprendam a fazer a leitura dele no espaço e no tempo.44 3.3 TERCEIRA UNIDADE FUNCIONAL DE LURIA Coordenação motora fina e global A dimensão motora tem como elementos a coordenação motora fina e a coordenação motora global, também chamada de grossa, que podem ser sistematizadas como a coordenação dos movimentos em busca de resultados, que embora estejam na mesma dimensão, possuem aspectos particulares. Enquanto a coordenação motora fina realiza movimentos utilizando pequenos músculos, como os das mãos, dedos e pés; a outra exige a participação de grandes músculos (OLIVEIRA, 2020). Em concordância, Fonseca (2012, p. 289) aponta a coordenação motora global, intitulada também como práxia global, é relacionada à “realização e automação dos movimentos globais mais complexos” como correr, pular escalar, rolar, tornando o movimento integrado e com a harmonização do corpo, a partir do recrutamento dos músculos agonistas e antagonistas. Para o desenvolvimento da coordenação motora fina é preciso estimular o contato com os objetos, de maneira que possam manipulá-los, como picar papéis com as mãos ou pintar as unhas, recrutando pequenos músculos para a atividade especializada, manual e/ou óculo-manual. Para a ação desses dois últimos aspectos motores, é necessário que as outras 45 unidade funcionais de Luria, interajam. Veja, na Figura 5, onde é a região de cada unidade funcional: Figura 5: Unidades Funcionais de Luria Fonte: Coelho (adaptado) (2018) Ao final desta seção, esperamos que você faça a correlação entre os aspectos psicomotores, as unidades funcionais e a Figura apresentada, bem como possa compreender como é possível explorar o desenvolvimento psicomotor avaliando o Quadro síntese, abaixo, de jogos e brincadeiras, construindo variações para o exercício da profissão. 46 Quadro 1: Jogos/Brincadeiras Que Contribuem Para O Desenvolvimento Dos Aspectos Motores. Aspectos Motores Período Atividade Descrição Tonicidade 4 a 6 meses A hora da barriga Deitar o bebê em decúbito ventral sobre o colchonete e deixar os brinquedos em seu entorno, fazendo estimulação para que o bebê apoie seus cotovelos ou role para as laterais. Equilíbrio 4 a 7 anos Imitando os animais Solicitar que as crianças possam fazer a posição de determinado animal, a ser ditado, após alguns segundos, solicitar que uma das pernas seja suspensa vagarosamente, tentando manter a posição inicial. Lateralidade 4 a 12 anos O mestre mandou Os alunos deverão ouvir o comando de irem para a direita ou para esquerda. A sequência ditada deve oscilar entre as palavras e o ritmo. Esquema corporal 4 a 9 anos Balançando o esqueleto Fazer a coreografia, conforme a letra da música e a criatividade: Sacudir o esqueleto – as diferentes partes do corpo, do Quintal da Cultura. Espaço Temporal 4 a 12 anos Vôlei em dupla Em um quadrado, espaçoso, desenhado no chão, duas duplas são chamadas para jogar vôlei com balões. Cada dupla com um balão (cores diferentes). O jogador que permitir que o balão ultrapasse a linha demarcada, elimina própria dupla. Coordenação Motora Fina 3 a 5 anos Cardápio oriental Espalhar pequenos objetos no prato, em cima da mesa e pedir que os alunos retirem utilizado o conjunto de hashi com elásticos, inicialmente, para ajudar na realização do movimento de abrir e fechar Coordenação Motora Global 3 a 8 anos Percurso ao gol Os alunos deverão realizar um percurso com obstáculos de diferentes níveis, ao final, deverão chutar a bola ao gol. Fonte: Autora (2021) 47 48 FIXANDO O CONTEÚDO 1. Os aspectos psicomotores foram categorizados em unidade funcionais, sendo regiões do cérebro responsáveis por determinadas funções. De acordo com a afirmativa, marque a opção que se relaciona à 1ª, 2ª e 3ª unidades funcionais respectivamente: a) Coordenação motora global, lateralidade, tonicidade. b) Tonicidade, coordenação motora fina, equilíbrio. c) Estrutura espaço temporal, esquema corporal, tonicidade. d) Equilíbrio, esquema corporal, coordenação motora global. e) Equilíbrio, esquema corporal, lateralidade. 2. (Especialista em Psicomotricidade - CFP/ QUADRIX, adaptado) A BPM de Fonseca é um instrumento que favorece a avaliação psicomotora e pode fazer parte dos processos realizados pelos psicólogos. ( ) A BPM deve ser usada para diagnosticar déficits neurológicos para diagnosticar disfunções ou lesões cerebrais. ( ) A BPM tem uma utilidade educacional por diversos profissionais, tais como educadores físicos. ( ) A BPM requer afinamentos, mas dá um suporte clínico como modelo original de observação dinâmica do potencial de aprendizagem da criança. Assinale a alternativa correta: a) V - V – V. b) F – V – V. c) F – F – V. d) F - V – F. e) V – V – F. 3. (Especialista em Psicomotricidade - CFP/ QUADRIX, adaptado) Com base nos estudos focados na educação pelo movimento, julgue os itens subsequentes. joser Realce joser Realce 49 I. O esquema corporal pode ser considerado como uma intuição de conjunto ou de um conhecimento imediato que se tem do próprio corpo, em posição estática ou em movimento, na relação de suas diferentes partes entre si, sobretudo nas relações com o espaço e os objetos que o circundam. II. O esquema corporal acontece de após a criança atingir 3 anos de idade. III. O esquema corporal mal estruturado produz um deficit na relação sujeito-mundo exterior, traduzindo-se no plano da motricidade e da relação com outrem. Assinale a alternativa correta. a) Apenas o item I está certo. b) Apenas o item III está certo. c) Apenas os itens I e II estão certos. d) Apenas os itens I e III estão certos. e) Apenas os itens II e III estão certos 4. (Professor de educação física – SEAD/SEECT-PA/AOCP). As mais variadas formas de ____ que a criança puder realizar com os conteúdos da Educação Física favorecem em sua construção ___, por ela tratar seu corpo como um organismo inteiro. Para isso, o conhecimento, que é formado na criança, deve ser um conhecimento de corpo e de ações ao corpo, em que os próprios movimentos possam ser vivenciados mais __. Preencha as lacunas e assinale a alternativa correta. a) Movimento / educativa / livremente b) Processo / normativa / elaboradamente c) Segmentos / corretiva / ordenadamente d) Elementos / normativa / repetidamente e) Movimentos / corretiva / livremente 5. Fonseca descreve as três unidades funcionais do cérebro, baseado em Luria, reunindo os aspectos motores que devem ser desenvolvidos nas áreas da psicomotricidade, a exemplos: joser Realce joser Realce 50 I. A sua ausência causa implicações no controle do corpo estático e dinâmico. II. Ocorre através de aquisições neuromusculares, muito presente do nascimento ao 1ª ano de idade. III. A função precisa ser bem estruturada para que o aluno consiga escrever sobre as linhas do caderno, na educação infantil. Considerando os conceitos de cada um, marque a alternativa que corresponda corretamente: a) Equilíbrio – tonicidade - lateralidade b) Lateralidade – equilíbrio – tonicidade c) Equilíbrio – tonicidade – estruturação espaço temporal d) Estruturação espaço temporal – tonicidade – equilíbrio e) Equilíbrio - estruturação espaço temporal – tonicidade 6. As crianças devem ficar em um determinado ponto e um adulto fica a frente deles, mantendo certa distância. Quando o adulto virar de costas, as crianças devem correr em direção à ele, porém quando ele virar de frente as crianças devem parar imediatamente.Sabemos que as funções e habilidades dos elementos motores trabalham de forma integrada, para a harmonização do movimento corporal, entretanto, a brincadeira descrita apresenta como objetivo central quais aspectos motores? a) Coordenação motora global – equilíbrio b) Estruturação espaço temporal – equilíbrio c) Lateralidade - estruturação espaço temporal d) Tonicidade - coordenação motora global e) Coordenação motora global – lateralidade 7. O professor ao solicitar que um grupo de crianças de idade entre 3 e 6 anos montem um jogo de quebra-cabeça com a imagem do corpo humano, busca desenvolver a noção de corpo inteiro e suas partes. Neste sentido, qual aspecto motor é privilegiado? joser Realce joser Realce 51 Marque a alterativa correta: a) Lateralidade b) Estruturação espaço temporal c) Equilíbrio d) Coordenação motora fina e) Esquema corporal 8. O professor ao dar sequência a um programa de exercícios, solicita que seus alunos entre 4 e 8 anos, realizem a posição de vela, explicando que devem se deitar sobre o colchonete em decúbito dorsal e elevar suas membro inferiores para cima, também, o glúteo e parte do tronco, sustentando a posição com a ajudadas mãos apoiadas nas costas. Solicita que mantenham a posição por 10 segundos. Este exercício busca privilegiar quais aspectos motores? Marque a alterativa correta: a) Equilíbrio e tonicidade b) Esquema corporal e lateralidade c) Coordenação motora global e coordenação motora fina d) Estrutura espaço temporal e equilíbrio e) Esquema corporal e coordenação motora global joser Realce joser Realce 52 DESENVOLVIMENTO MOTOR E DESENVOLVIMENTO HUMANO Nesta Unidade vamos observar que o período com maior desenvolvimento motor se concentra na infância, o que nos faz considerar um período fértil para criar padrões de desempenho estimado por faixa etária da criança. Esta afirmativa considera as fases dos estágios do desenvolvimento motor de Gallahue, Ozmun e Goodway (2013), como pode ser observada na Figura 6. Figura 6: Ampulheta Do Desenvolvimento Motor Fonte: Gallahue, Ozmun e Goodway (2013. p. 69) Também, apresentamos as três categorias de movimentos observáveis: movimento manipulativo, movimento estabilizador e movimento locomotor, alinhando com a Figura 6, e em paralelo aos estágios do desenvolvimento humano das teorias psicogenéticas piagetiana e walloriana, tendo em vista que o desenvolvimento motor é implicado ao desenvolvimento cognitivo. Ainda vamos perceber a idade é uma importante variável nas teorias, entretanto, não é uma variável absoluta. Erro! Fonte de referênci a não encontra 53 4.1 CARACTERÍSTICAS DO DESENVOLVIMENTO MOTOR Pelas leituras já realizadas, compreendemos que o desenvolvimento motor é um processo que envolve corpo e mente, que é gradual e contínuo, partindo dos movimentos não intencionais, para os voluntários que o seguem por todo o seu percurso de vida, podendo ser avaliado o desempenho, apenas, pela execução, ou seja, o comportamento para possíveis inferências (MAGILL, 2000). Gallahue, Ozmun e Goodway (2013, p. 49) definem que os ajustes feitos no comportamento motor é resultado da interação entre três elementos: o indivíduo, o ambiente e as tarefas – o deve ser executado -, sendo o desenvolvimento motor decorrente desta interação. “O desenvolvimento do controle motor e da coordenação do movimento é determinado por RESTRIC ̧ÕES especificas, encontradas nas exigências da tarefa de movimento, na biologia do individuo e nas condições do ambiente de aprendizado”. Para além, entendemos, também, que o movimento humano é fundamental para o nosso desenvolvimento, ou melhor, é requisito para a nossa condição de vida, pois sabemos que uma vida sedentária nos encaminha para uma série de problemas de saúde. Sendo assim, o movimento é um importante conceito a ser estudado pela ciência, colocando-o em condição de observação, predição e teorização. A teoria que vamos utilizar para apresentar o movimento fundamenta-se em Gallahue e Donnelly (2008) e Gallahue, Ozmun e Goodway (2013) devido ao exponente trabalho no campo. A teoria que vamos conhecer apresenta três categorias de movimentos fundamentais observáveis, são: manipulativos, estabilizadores e locomotores. Movimentos manipulativos Os movimentos manipulativos referem-se a manipular algo, um objeto. Não é um movimento inato, pois precisa de interação e prática entre o objeto e mãos/pés Gallahue e Donnelly (2008). Esses movimentos promovem a capacidade de manusear e ao mesmo tempo percebemos que cooperam para a coordenação motora fina e grossa. Os movimentos manipulativos que envolvem força, tanto de emitir ou de receber, a exemplo, chutar a bola ou receber esta bola, estão implicados a 54 manipulação grossa, isso porque, segundo Magill (2000, p. 8) é preciso recorrer aos grandes músculos, denominando “habilidades motoras fundamentais – caminhar, pular, arremessar, saltar, etc. – como habilidades motoras grossas”. Entretanto, os movimentos implicados a manipulação fina envolvem a precisão, a exemplo, recortar, requerendo “maior controle de músculos pequenos, mais especificamente aqueles envolvidos na coordenação mãos-olhos” (Magill, 2000, p. 8). Em análise nos distintos movimentos manipulativos, verifica-se que a atuação protagonista no movimento recai sobre as menores musculaturas. Movimentos estabilizadores Os movimentos que buscam estabilizar o corpo exigem o equilíbrio dinâmico e estático e o controle do corpo, a exemplos, o bebê que suspende a cabeça quando colocado em decúbito ventral, ou quando sustenta o corpo, ao ser colocado sentado, tendo em vista a atuação da força contrária, a gravidade. Os movimentos axiais são um bom aliado para do desenvolvimento da função estabilizadora, pois são proposições de movimentos mantendo a posição estacionária, com apoio reduzido, ou não, elencando-se também as posturas invertidas e o movimento de rolamento com o corpo. É importante lembrar que tais movimentos tendem a depender das informações visuais do em torno para localizar- se. Movimentos locomotores Os movimentos locomotores deslocam o corpo de um ponto ao outro, seja em posição ereta ou em horizontal, como ocorre com os bebês que se deslocam se arrastando, antes de engatinhar. Estes movimentos vão ganhando refinamento ao longo dos estágios do desenvolvimento motor, alinhando com variáveis, como ritmo, velocidade até chegar ao estado de proficiência. Os movimentos fundamentais se revelam nas fases e estágios do desenvolvimento motor de maneira progressiva e desafiadora. Na influente teoria piagetiana e walloriana, a medida que os desafios acontecem, é necessária uma nova reorganização, havendo incorporações e ressignificações (GRATIOT- ALFANDÉRY, 2010), o que implica na, também, no desenvolvimento cognitivo: a inteligência é uma adaptação — é assimilação, pois incorpora dados da experiência do indivíduo e, ao mesmo tempo, acomodação, uma vez que o sujeito modifica suas estruturas mentais 55 para incorporar os novos elementos da experiência (BOCK, et al., 2002, p. 127) . É importante destacar que este processo é simultâneo, ou seja, não há uma hierarquia na execução do processo, sendo contínuo e cíclico, pois estamos constantemente sendo desafiados e estimulado. 4.2 ABORDAGEM DO MOVIMENTO REFLEXO, DO MOVIMENTO RUDIMENTAR E AS PERSPECTIVAS DE DESENVOLVIMENTO HUMANO O desenvolvimento humano é marcado por fases. Neste sentido, esta seção pretende é analisar as considerações de desenvolvimento motor de Gallahue, Ozmun e Goodway (2013) no Quadro2, atravessando a perspectiva de desenvolvimento humano psicogenéticas de Piaget e Wallon. 56 Quadro 2: Faixa Etária E Estágios Reflexo E Rudimentar Do Desenvolvimento Motor Previstos Faixa etária prevista Estágios do desenvolvimento motor Fase do movimento reflexo Desde o útero até 4 meses Estágio de codificação de informações, as informações são coletadas e agrupadas. 4 meses a 1 ano Estágio de decodificação de informações, onde inicia: a) o processamento das informações; b) a ausência de determinados reflexos. Fase do movimento rudimentar Do nascimento a 1 ano Estágio de inibição do reflexo, os movimentos ainda são descoordenados. 1 a 2 anos Estágio pré-controle, onde se percebe os movimentos mais controlados. Fonte: Quadro elaborado pela autora (GALLAHUE; OZMUN; GOODWAY, 2013) Como anuncia, o Quadro 2 anunciado, a fase do movimento reflexos é prevista em um dos primeiros momentos de evolução do ser humano, fazendo parte de um ciclo que inicia pelos movimentos involuntários, muito antes do seu nascimento, onde coleta e agrupa informações, decodificando-as a partir dos 4 meses de idade, chegando aos movimentos mais controlado, na fase do movimento rudimentar aos seus 2 anos de idade. Na teoria epistemologia genética de Piaget, considera-se a fase dos movimentos reflexos como primeiro elemento na construção da teoria científica sobre o desenvolvimento humano. O teórico divide o desenvolvimento humano em períodos, conforme reincidência de comportamentos observados, em determinada faixa etária. Na idade de 0 a 2 anos, o período é chamado de sensório-motor, pois neste período se desenvolve a percepção e o movimento (BOCK, et al., 2002). É importante lembrar que no estágio sensório-motor, não há socialização por parte da criança, pois ela acredita que a mãe é a extensão de si. A teoria de Piaget pode ser mais afunilada pelos olhares de Gallahue, Ozmun e Goodway (2013), onde o estágio sensório-motor de Piaget, pode ser compreendido a partir das duas fases e quatro estágios de desenvolvimento. A fase do movimento reflexo subdivide-se em duas categorias: os reflexos primitivos e os reflexos posturais. No primeiro caso, observamos estes reflexos como formas de sobrevivência e respostas à estímulos, a exemplos, a sucção e a flexão dos dedos das mãos ao ter palma tocada. Com o tempo, estes movimentos vão dando espaço para o aparecimento dos reflexos posturais, também, involuntários, que indevidamente é confundido com o movimento voluntário (GALLAHUE; OZMUN; GOODWAY, 2013). 57 Nesta segunda instância, os reflexos são vistos quando posicionamos a criança no chão em postura ereta, a resposta dada é a marcha; ou quando a criança realiza uma extensão de braço ao aproximar-se do chão. Diante da primeira situação, nas perspectivas de Margill (2000) não podemos considerar esta marcha como uma habilidade motora, tendo em vista que a habilidade se relaciona com os movimentos voluntários para atingir uma finalidade. O que não ocorre, por isso, a marcha e a extensão do braço é considerado movimentos reflexos. A fase do movimento reflexo do Quadro 2, com certa delimitação, pode ser relacionado ao estágio 1 do desenvolvimento humano de Wallon. Este estágio é classificado em: a) impulsivo (0 aos 3 meses); b) emocional (3 meses a 1 ano) Neste período, valorizamos a afetividade. De cunho materialista dialética, estabelece que a criança tem as “suas primeiras relações sociais e com o ambiente. Os movimentos do bebê, de início, são caóticos mas as relações que estabelece, gradualmente permitem que a criança passe da desordem gestual às emoções diferenciadas” (GRATIOT-ALFANDÉRY, 2010, p.35). O estágio 2 de Wallon se amplia até os 3 anos de idade da criança. Chamado de Sensório-motor dos 12 aos 18 meses e projetivo dos 18 aos 3 anos. Neste estágio o pensamento se volta para ao movimento motor. “Nesse período, destacam-se os aspectos discursivos que, por meio da imitação favorece a aquisição da linguagem” (GRATIOT-ALFANDÉRY, 2010, p.35). Percebemos que a teoria walloriana não reúne uma sequência linear como Piaget e Gallahue Ozmun e Goodway (2013) projetam. Retomando análise do Quadro 2, para Gallahue, Ozmun e Goodway (2013) a inibição destes reflexos, que, também, atravessa a fase do movimento rudimentar, se dá ao fato do desenvolvimento da maturação do sistema nervoso, o que permite que os movimentos deixem sua condição involuntária, dando a vez ao movimento voluntário, no entanto no estado rudimentar, o que significa que precisa, ainda, ser aprimorado. Neste estágio a criança tem como principais características o crescente domínio dos movimentos coordenados, abarcando situações que vão desde o manuseio de objetos ao seu deslocamento, ou seja, para Piaget, “a criança é capaz de usar um instrumento como meio para atingir um objeto” (BOCK, et al., 2002, p. 101)., percebemos assim, a utilização percepção e os movimentos para as novas aquisições. Observação 58 4.3 ABORDAGEM DO MOVIMENTO FUNDAMENTAL, DO MOVIMENTO ESPECIALIZADO E AS PERSPECTIVAS DE DESENVOLVIMENTO HUMANO Em continuidade apresentamos o desenvolvimento motor, em outras duas fases subsequentes e demarcadas por Gallahue, Ozmun e Goodway (2013) que serão atravessadas, também, pelo pensamento de desenvolvimento humano Piaget ano e walloriano. Partimos, assim, da observação do Quadro 3, abaixo: Quadro 3: Faixa Etária E Estágios Fundamental E Especializado Do Desenvolvimento Motor Previstos Faixa etária prevista Estágios do desenvolvimento motor Fase do movimento fundamental 2 a 3 anos Estágio inicial, onde a criança demonstra as primeiras iniciativas orientadas para a execução de um movimento fundamental. 3 a 5 anos Estágio elementar, mostrando uma melhor harmonia corporal nos movimentos, todavia, com padrões de movimentos em evolução. 5 a 7 anos Estágio de proficiência, onde os movimentos apresentam eficiência. Fase do movimento especializado 7 a 10 anos Estágio de transição, os movimentos possuem maior precisão e controle. 11 a 13 anos Estágio de aplicação implica a deliberação e a prática pela prática. 59 14 anos ou mais Estágio de utilização ao longo da vida, das habilidades já adquiridas. Fonte: Quadro elaborado pela autora (GALLAHUE; OZMUN; GOODWAY, 2013). Analisando o Quadro 3, observamos que a fase do movimento fundamental inicia-se aos 2 anos de idade e estende-se até aos 7 anos, tendo grande duração, e tem razões importantes para se chamar assim, pois são pilares para um desenvolvimento para além do período da infância. Nesta fase a criança explora e experiência mais o seu corpo, desempenhando movimentos do cotidiano, como andar, saltar, chutar, etc., lembrando que o desenvolvimento requer além da maturação biológica, sendo necessário levar considerar o estímulo do ambiente (GALLAHUE; OZMUN; GOODWAY, 2013). Na dimensão do desenvolvimento humano, Piaget em sua teoria do desenvolvimento humano, classifica que a esta fase é chamada de período pré- operatório aponta que é neste percurso que “a maturação neurofisiológica completa-se, permitindo o desenvolvimento de novas habilidades (BOCK, et al., 2002, p. 103), devendo estas habilidades serem estimuladas ne fase motora. Relacionando a fase do movimento fundamental (2 – 7 anos) do Quadro 3 com a perspectiva do desenvolvimento humano de Wallon, observaremos nuances do estágio 2, já abordado. Mas reúne o estágio 3 que se apresenta em Personalismo (3 a 6 anos); Crise de oposição (3 a 4 anos); Idade da graça (4 a 5 anos); Imitação (5 a 6 anos) Refletindo a característica pendular do desenvolvimento, nesse estágio há predomínio da afetividade. Estendendo-se até aos seis anos de idade, nesseperíodo, forma-se a personalidade e autoconsciência do indivíduo, muitas vezes refletindo-se em oposições da criança em relação ao adulto e, ao mesmo tempo, com imitações motoras e de posturas sociais (GRATIOT-ALFANDÉRY, 2010, p.35) O desenvolvimento no estágio 3 apresenta muitas fases, todavia, estão voltadas para a afetividade, repetições das ações e posturas que estão diante de si. Para Wallon não é possível fazer marcações didáticas e lineares em seus estágios, tendo em vista que “o desenvolvimento humano é marcado por avanços, recuos e contradições e, para melhor compreendê-lo, é preciso abandonar concepções lineares de análise e interpretação” (GRATIOT-ALFANDÉRY, 2010, p.33) Ainda no Quadro 3, temos com Wallon o estágio de 4, chamado de categorial (6 a 11 anos), onde continua a relação inteligência e mundo exterior. Segundo 60 Gratiot-Alfandery (2010), neste período “a criança passa a pensar conceitualmente, avançando para o pensamento abstrato e raciocínio simbólico” (p. 35). Retomando ao movimento fundamental, no Quadro 3, para Gallahue, Ozmun e Goodway (2013), o estágio inicial representa as primeiras iniciativas da criança sob orientação para a realização de determinado movimento fundamental, a exemplo, caminhar. Nesta fase podemos perceber que há muitos erros de execução no movimento, apresentando como variáveis demasiadas ou nulas, o ritmo, a força, a intensidade, etc. No estágio elementar, a criança apresenta um aumento de controle motor, com a execução de caráter fundamental mais harmônica entre ritmo, coordenação, sincronização, todavia, os padrões de movimentos ainda estão em evolução. Por último, não menos importante, o estágio de proficiência é identificado pela execução mecânica dos movimentos controlados em harmonia corporal, contudo, pode ser estimulada sempre (GALLAHUE; OZMUN; GOODWAY, 2013). Os novos padrões de movimentos adquiridos são como as estruturas necessárias para as habilidades desportivas. Se antes buscávamos desenvolver padrões de movimentos como correr e saltar, no contexto do movimento especializado, a corrida de obstáculos é um bom exemplo de movimento combinado. Mas como Gallahue, Ozmun e Goodway (2013) afirmam, esta fase não se limita a questão desportiva, ela é mergulhada em nosso cotidiano, momentos recreativos e caso não seja desenvolvida, apresentaremos comprometimentos na execução de nossos movimentos, ainda adultos. Esta fase é dividida em três estágios: de transição, de aplicação e de utilização ao longo da vida. O primeiro é definido pela transição que ocorre do estágio de proficiência do movimento fundamental, já com maior forma, precisão e controle, para o movimento especializado. Por volta dos 7 anos de idade a criança arrisca os seus primeiros movimentos na tentativa de refinar e combinar as habilidades da fase anterior, com o objetivo de executar os movimentos complexos (GALLAHUE; OZMUN; GOODWAY, 2013). Em sequência, de 11 a 13 anos de idade, evidencia-se na criança o estágio de aplicação, que é o momento de aplicar o que vem sendo desenvolvido ao longo desse tempo. A prática revela-se constante, em busca da eficiência do movimento, o que requer maior estimulação do refinamento (GALLAHUE; OZMUN; GOODWAY, 2013). Neste sentido, encontramos em Magill (2000, p. 244) a defesa do conceito de 61 variabilidade da prática, que tem como objetivo “à variedade de movimento e das características do contexto que o aprendiz vivência durante a prática de uma habilidade”. No estágio de aplicação, Gallahue, Ozmun e Goodway (2013) afirmam que a criança é capaz de deliberar sobre os esportes que mais se identifica, isso ocorre por conta das suas experiências exitosas, ou não em determinadas situações. Assim, concluísse que é pertinente oportunizar a criança diferentes movimentos. O estágio de utilização ao longo da vida tem início aos 14 anos de idade e nos acompanham no percurso da vida, já que estamos em constante condição de aprendizado. Nos estudos de Gallahue, Ozmun e Goodway (2013, p. 335) a principal característica é a representação e uso de todo o desenvolvimento motor já estabelecido, de um padrão de movimento já aprendido para ser utilizado. Neste estágio, fazemos escolhas de atividades, quando possível, devido ao número de reponsabilidades que vamos reunindo, “com base em interesses, capacidades, ambições, disponibilidade e experiências prévias do indivíduo”. Na teoria piagetinana a fase do movimento especializado compreende os seus dois últimos períodos observados: 3º, das operações concretas de 7 a 11/12 anos e o 4º, referente as operações formais de 11/12 anos em diante (BOCK, et al,. 2002). Em Wallon, verifica-se o estágio 4, categorial e o estágio 5, sendo este a Adolescência (a partir dos 11 anos). Para Gratiot-Alfandery (2010), neste 5º estágio “as transformações físicas e psicológicas da adolescência acentuam o caráter afetivo desse estágio. Conflitos internos e externos fazem o indivíduo voltar-se a si mesmo, para autoafirmar-se (...)” (p. 35). Entretanto, é importante destacar que como Piaget, a teoria de Walon não data o encerramento do desenvolvimento humano. Considera-o ao longo da vida. Fazendo o entrelaçamento entre a teoria de Gallahue, Ozmun e Goodway (2013) e as teorias psicogenéticas, aqui, já se percebe uma autonomia da criança, possui o pensamento lógico diante do concreto, inclusive realizando inferências, havendo posteriormente, um exercício da reflexão é mais apurado, o que possibilita deliberar sobre suas escolhas esportivas diante de suas experiências, já conseguindo elaborar hipóteses. 62 63 FIXANDO O CONTEÚDO 1. Os ajustes feitos no comportamento motor é resultado da interação entre três elementos: a biologia do indivíduo, nas condições ambientais e nas exigências da tarefa de movimento. Marque a alternativa que se relaciona respectivamente aos três elementos citados. a) Objetivo da tarefa, fatores perceptivos-motores, motivação. b) Formação do padrão do movimento, crescimento, contexto do ambiente. c) Dicas do instrutor, fatores mecânicos, fatores anatômicos. d) Fatores perceptivos-motores, dicas do instrutor, formação do padrão do movimento. e) Formação do padrão do movimento, objetivo da tarefa, motivação. 2. Seguindo a teoria de Piaget: A inteligência é uma adaptação, é _, pois incorpora dados da experiência do indivíduo e, ao mesmo tempo, _, uma vez que o sujeito modifica suas estruturas mentais, para os novos elementos. Sendo a _ um ajuste das respostas atuais para atender a demandas especificas de um objeto ou ação. A alternativa que corresponde as lacunas respectivamente é: a) Assimilação / acomodação / acomodação. b) Assimilação / acomodação / assimilação. c) Acomodação / assimilação / assimilação. d) Assimilação / acomodação / acomodação. e) Acomodação / acomodação / acomodação. 3. (ENADE-INEP, adaptado) O ser humano desenvolve suas habilidades a partir do seu aparato biológico em consonância com o ambiente cultural em que vive. Foi a partir disso que Gallahue e Ozmun (2005) pensaram uma forma de classificar as habilidades motoras adquiridas pelas pessoas. Considerando as informações estudadas, avalie as afirmações a seguir. joser Realce joser Realce 64 I. O bebê reconhece o ambiente a partir da atividade reflexa, provocada por toque. II. É na fase motora rudimentar que as crianças começam as ações de locomoção por meio do desenvolvimento da capacidade de arrastar-se, gatinhar e caminhar. III. A partir da fase motora especializada, o envolvimento do sujeito nas atividades da cultura de movimento dependerá, além das competências motoras desenvolvidas ao longo da infânciae começo da adolescência, das oportunidades, condições físicas e motivação pessoal para tal. É correto o que se afirma em a) I, apenas. b) I e II, apenas. c) II e III, apenas. d) I e III, apenas. e) I, II e III. 4. (ENADE-INEP, adaptado) considerando os estágios do desenvolvimento motor da criança e do adolescente e o âmbito de atuação de um professor de educação física nos níveis de ensino fundamental e médio, é correto afirmar que a intervenção docente por meio de um programa de educação física escolar deve ser promovida durante as fases motoras. Marque a alternativa correta: a) Rudimentar, fundamental e especializada, visando à prática de atividade física esportiva. b) Rudimentar e fundamental, visando à prática de atividade física na vida diária e recreativa. c) Reflexiva e rudimentar, visando à prática de atividade física na vida diária, recreativa e esportiva. d) Fundamental e especializada, visando à prática de atividade física na vida diária, recreativa e esportiva. e) Rudimentar, fundamental e especializada, visando à prática de atividade física na joser Realce joser Realce 65 vida diária, recreativa e esportiva. 5. Considerando as perspectivas do movimento motor especializado em uma aula de basquetebol, são movimentos fundamentais de manipulação, locomoção e estabilidade, respectivamente: Marque a alternativa correta. a) Recepção, salto e esquivar-se. b) Arremesso, passe e corrida. c) Corrida lateral, vôlei e esquivar-se. d) Passo alongado, quicar e equilíbrio dinâmico. e) Voleio, movimentos axiais e salto. 6. Considerando as perspectivas do movimento motor especializado em uma aula de futebol, são habilidades de manipulação, locomoção e estabilidade, respectivamente: Marque a alternativa correta. a) Corrida com marcação, amortecer a bolo com a sola do pé e chute ao gol. b) Desviar-se do oponente, amortecer a bolo com a sola do pé e chute ao gol. c) Chute com a parte interna do pé, corrida com marcação e finta sem bola. d) Embaixadas, amortecer a bola com o joelho e drible. e) Drible, embaixadas e amortecer a bola com o joelho. 7. Considerando as perspectivas do movimento motor especializado para aprendizagem da dança contemporânea, são movimentos de estabilidade: Marque a alternativa correta. a) Saltitar, galopar e rolar. b) Caminhar, saltar e arremessar. c) Rolar, enrolar e pular. joser Realce joser Realce 66 d) Inclinar, girar e levantar. e) Empurrar, galopar e rolar. 8. As habilidades do movimento ___ são padrões de movimento fundamentais, refinados e combinados para formar as habilidades esportivas e outras habilidades de movimento complexas e especificas. Elas são especificas da tarefa, e os movimentos ___, não. A alternativa que completa a lacuna corretamente é: a) Rudimentar / fundamentais. b) Especializado / rudimentar. c) Reflexo / rudimentar. d) Especializado / especializado. e) Especializado / fundamentais. joser Realce joser Realce 67 APRENDIZAGEM MOTORA NA EDUCAÇÃO FÍSICA Nesta Unidade apresentamos as concepções sobre o lúdico e as etapas dos jogos no desenvolvimento infantil, segundo os pressupostos de Piaget, Wallon e Vigostky. Neste interim, percebemos a idade como um fator importante, entretanto, não determinante, considerando assim, as teorias mais progressistas. No entanto, a condição etária retoma seu papel de destaque quando realizamos a correlação entre os objetivos de aprendizagens das Unidades Temáticas na BNCC e a Ampulheta do desenvolvimento motor de Gallahue, Ozmun e Goodway (2013). Propomos neste texto provocar reflexões sobre os objetivos de aprendizagens não apenas preconizando uma educação física voltada para a dimensão cognitiva sobre leitura e escrita na educação infantil, e sim, do que a escola deixa como possibilidades para o egresso do ensino médio. 5.1 PRESSUPOSTOS DE PIAGET, WALLON E VIGOTSKY Quando abordamos temas que abarcam o desenvolvimento da criança, é imprescindível apresentar os pressupostos de Wallon (GALLAHUE; OZMUN; GOODWAY, 2013; GRATIOT-ALFANDERY, 2010), Piaget e Vigotsky (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 2002). São teóricos com grandes destaques na literatura, com percepções que ora se aproximam e ora se distanciam, mas possuem reconhecimento internacional em suas doutrinas. Nestas, o jogo e o lúdico podem ser considerados os pilares no campo da educação e do desenvolvimento humano. Em suas teorias a aprendizagem não deve se manter longe do lúdico. As etapas do desenvolvimento para Piaget e Wallon, demonstram como as crianças aprendem. As brincadeiras e jogos para estes teóricos, são portas para a assimilação e acomodação. “Embora Wallon não empregue este termo (como completo de assimilação), para falar da atividade cognitiva, como faz Piaget, Wallon vê na acomodação postural a base do que se tornará imagem” (KISHIMOTO, 2016, p. 43). Vamos observar pelo Quadro 4, como os jogos são classificados nas Erro! Fonte de referênci a não encontra 68 concepções de Piaget e Wallon, no desenvolvimento infantil. Quadro 4: A Classificação Das Etapas Dos Jogo Na Perspectiva Europeia (Piaget E Wallon) Teórico Estágio Teórico Estágio Piaget Jogo de exercício Wallon Jogos funcionais Jogo simbólico Jogos de ficção Jogos de regras Jogos de aquisição ***** Jogos de construção Fonte: Elaborada pela autora (KISHIMOTO, 2016). Para os autores, os jogos compõem o desenvolvimento infantil, sendo possível encontrar pontos comuns entre as teorias de Wallon e Piaget, pois como aponta Gratiot-Alfandéry (2010, p. 32), “não era norma, à época dos seus escritos identificar as fontes de referência e, por esta razão, nem sempre é tranquilo reconhecer quem são os seus interlocutores”. Enquanto Piaget segue três sequências, Wallon baseia-se em quatro. Trais sequências devem ser levadas em conta na produção de propostas de aprendizagens. Em consonância ao Quadro 4, Kishimoto (2016) apresenta as perspectivas de Piaget, onde os jogos de exercícios são latentes nos primeiros 18 meses de idade. Como o próprio nome anuncia, são exercícios, repetições funcionais e/ou que possam proporcionar a sensação agradável. Contudo, acera do primeiro ano de vida tais exercícios manifestam de outras formas: 1) a criança passa a fazer repetições fortuitas e combinações de ações e de manipulações; depois define metas para si mesma e os jogos de exercícios são transformados em construção; 2) os jogos de exercícios adquirem regras explícitas e, então transformam-se em jogos de regras (Kishimoto, 2016, p . 42). O autor continua e apresenta que tal estágio vai desaparecendo conforme a evolução da criança. Ao chegar próximo dos 2 anos de idade, predomina-se o jogo simbólico, onde a realidade externa começa a fazer parte de si. A realidade é ressignificada e manifesta-se pela ficção, imitação e o faz de conta. Já os jogos com regras, marcam a fase entre 7 e 11 anos de idade, onde manifestam as interações sociais em detrimento as posições individuais. Vamos perceber que nuances das etapas apresentadas por Piaget, vão aparecer nos estágios propostos por Wallon, entretanto, diferente da perspectiva piagetiana, os estágios não seguem linearmente a base cronológica, pois parti da 69 compreensão “que o desenvolvimento acontece em mais de um plano, simultaneamente, de sistemas, por superposição de planos”, uma concepção marcada pela base do materialismo dialético (GRATIOT-ALFANDÉRY, 2010, p. 33). O Quadro 4 pode ser explicado por Henri Wallon da seguinte forma: As atividades lúdicas funcionais representam os movimentossimples como encolher os braços e pernas, agitar dedos, balanças objetos etc. As atividades lúdicas de ficção são as brincadeiras de faz de conta com bonecas. Nas atividades de aquisição, a criança aprende vendo e ouvindo. Faz esforços para compreender coisas, seres, cenas, imagens e, nos jogos de construção, reúne, combina objetos entre si, modifica e cria objetos (KISHIMOTO, 2016, p . 43). Senso assim, concluímos que Wallon considera os movimentos reflexivos, involuntários e voluntários no desenvolvimento. Podemos concluir, também, que os estágios propostos por Wallon dialogam em grande medida com a teoria psicogenética de Piaget. Contudo, devido à aproximação de Wallon com o materialismo dialético, sua teoria vai ao encontro da teoria sociointeracionista de Vigotsky, também de base marxista. A teoria vigotskiana leva em conta a manifestação cultural do espaço que a criança está inserida, claro, sem excluir a compreensão biológica. Caminha no sentido de reunir as estruturas adquiridas e as estruturas herdadas (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 2002) Nesta teoria, os jogos são como “condutas que imitam ações reais e não apenas ações sobre objetos ou uso de objetos substitutos. Não há atividade propriamente simbólica se os objetos não ficam no plano imaginá- rio e são evocados mais por palavras que por gestos” (KISHIMOTO, 2016, p . 43). Neste sentido, Ribeiro, Castro e Lustosa (2018, p.7) consideram que pela teoria de Vygotsky, até os 3 anos de idade a criança não é capaz de inserir-se em uma dimensão imaginária, pautando que o ambiente com suas restrições é um aspecto limitador do comportamento. Os autores vão além, sobre o jogo de faz de conta e as regras: Não existem brincadeiras sem regras. A situação imaginária inerente a toda e qualquer brincadeira contém regras ocultas de comportamento. No jogo de faz-de-conta, as ações infantis se submetem às regras da vida social, então, mesmo que essas regras não tenham sido formuladas previamente, elas estão presentes nas brincadeiras. 70 Podemos inferir que o jogo é como o reflexo da realidade, onde transporta para as brincadeiras as ações dos adultos, o que impacta diretamente na sua formação. Sendo assim, o jogo um mediador de aprendizagens. Uma concepção que está para além que coloca a brincadeira e o jogo, uma potente estratégia de desenvolvimento e interiorização de valores. O jogo enquanto mediador pode ser relacionado à zona de desenvolvimento proximal: “definida como a diferença (expressa em unidades de tempo) entre os desempenhos da criança por si própria e os desempenhos da mesma criança trabalhando em colaboração e com a assistência de um adulto” (IVIC, 2010, p. 32). Partindo das considerações de Ivic (2010) e as nossas inferências, na concepção de Vigosky, não é possível precisar a idade para o desenvolvimento da criança, tendo em vista que o seu desenvolvimento é implicado à dependência do contexto cultural, o que evidência uma perspectiva dialética para a aprendizagem. 71 5.2 A EDUCAÇÃO INFANTIL E O ENSINO FUNDAMENTAL I Educação Infantil A Educação Infantil é a primeira etapa da Educação Básica. Ela se divide em duas categorias: creche de 0 até 3 anos; pré-escola de 4 até 5 anos, entretanto, a educação básica obrigatória é somente a partir dos 4 anos de idade. (BRASIL, 1996). Como objetivo desta etapa, a BNCC (BRASIL, 2017, p. 36) defende a ampliação do “universo de experiências, conhecimentos e habilidades dessas crianças, diversificando e consolidando novas aprendizagens”. Pautado em tal objetivo, apresenta um grande comprometimento com o brincar. “A interação durante o brincar caracteriza o cotidiano da infância, trazendo consigo muitas aprendizagens e potenciais para o desenvolvimento integral das crianças” (BRASIL, 2017, p. 37). Neste sentido, tendo o lúdico como inerente ao desenvolvimento infantil, e as relações que vimos até o momento, o jogo como uma importante ferramenta para o desenvolvimento humano, bem como para a aprendizagem motora e cognitiva por serem implicados, concordamos com Munari (2010, p. 99) pelo fato do jogo ser um meio tão poderoso para a aprendizagem das crianças, que em todo lugar onde se consegue transformar em jogo a iniciação à leitura, ao cálculo, ou à ortografia, observa-se que as crianças se apaixonam por essas ocupações comumente tidas como maçantes A compreensão de Munari (2010) citada, acima, vai ao encontro das impressões de Le Boulch (1987), este por sua vez, aponta que os problemas psicomotores são uma das causas funcionais das dificuldades que a criança tem de ler, escrever e realizar cálculos matemáticos. Agora, vamos apresentar algumas propostas anunciadas por Le Boulch (1987), que correlatamos à etapa obrigatória da educação infantil – 4 a 5 anos - , onde a criança encontra-se na fase motora fundamental, atravessando o estágio elementar (3 a 5 anos) e o início do estágio de proficiência (5 a 7 anos). É importante destacar que nas perspectivas do autor, tais atividades estão voltadas para um período anterior a entrada da criança no “curso preparatório”, mas não vamos perder de vista que o contexto da época se diferencia de hoje. A obrigatoriedade escolar aos 4 anos de idade instituiu-se no Brasil em 2013, antes, a 72 idade da pré-escola era de 4 a 6 anos e não obrigatória (BRASIL, 1996). Sendo assim, realocamos as atividades antes do ingresso escolar na abordagem de Le Boulch para a educação infantil, – 4 a 5 anos -. Le Boulch (1987) trabalha com a concepção de que “a escrita é um aprendizado motor” (p. 32), devendo o trabalho psicomotor ser realizado do ingresso no “curso preparatório”. Veja que o ato de escrever, hoje, nos parece simples, mas isso justifica-se pelas atividades de habilidade manual realizadas em um tempo pretérito, tais como, modelagem, recorte e colagem de papel. Fonte: DIDAGIOCHI (2017, online). Aos 5 anos de idade, quando a criança ingressa na pré-escola, a atividade como a de modelagem, permiti que além de executar pequenos movimentos, como o de pinçar, contribuindo para a competência de segurar o lápis, a criança desenvolva a criatividade, bem como manifeste seus sentimentos, estando eles estão, ou não, reprimidos. Outra atividade que requer atenção é o tracejado. Segundo Le Boulch (1987), “o ritmo do tracejado e sua orientação da esquerda para direita serão melhorados pelos exercícios gráficos baseados nas formas da pré-escrita, como diferentes hélices (...) e guirlandas” (p. 32) Figura 7: Atividade De Coordenação Motora Fina 73 Fonte: Atividades para educação infantil ( 2021, online). Na atividade da Figura 8, há objetivos expressos, como mencionado. Entretanto, trabalhar tais aspectos não se esgotam na folha impressa. É possível desenvolver a destreza em prol da habilidade manual e praxia de mãos e dedos. O malabarismo com o material da Figura 9, contribui para a construção de habilidade de preensão, pouso de objetos, etc. (LE BOULCH). Fonte: JOOM ( 2021, online). A atividade com malabarismo pode se diversificar, utilizando objetos menores e com diferentes texturas. As propostas até aqui, representadas nas três últimas figuras vão ao encontro da BNCC (2017, p. 40), a qual apresenta uma organização curricular com cinco campos de experiência: o eu, o outro e o nós; corpo, gestos e movimentos; traços, sons, cores e formas; escuta, fala, pensamento e imaginação, os quais, valorizam uma aprendizagem e desenvolvimento com base nas “interações e a brincadeira, assegurando-lhes os direitos de conviver, brincar, participar, explorar, expressar-se e conhecer-se” .Figura 8: Tracejado Onda Figura 9: Bola Para Malabarismo 74 Dentre os campos de experiências, vamos atentar para dois objetivos de aprendizagem em “corpo, gestos e movimentos”: “Demonstrar controle e adequação do uso de seu corpo em brincadeiras e jogos, escuta e reconto de histórias, atividades artísticas, entre outras possibilidades”; “Coordenar suas habilidades manuais no atendimento adequado a seus interesses e necessidades em situações diversas” (BRASIL, 2017, p. 47). Tais objetivos trazem de forma explícita a noção do corpo consciente, onde os aspectos motores são requisitados e conjugados com o lúdico, conforme o destaque das teorias psicogenéticas abordadas. Mas, retornarmos ao Quadro 1, vamos verificar que as atividades sugeridas corroboram para os objetivos que as Figuras 7 e 8 propuseram, bem como os citados na BNCC. Ensino Fundamental I O Ensino Fundamental I é a etapa subsequente da Educação Infantil que compreende os anos iniciais (1º ao 5º ano de escolaridade), atendente crianças de 6 a 10 anos de idade, claro, considerando uma trajetória escolar ininterrupta, nas respectivas fases: motora fundamental: estágio maduro (6 a 7 anos); motora especializada: estágio transitório (7 a 10 anos). Nesta etapa, a BNCC (2017, p. 57) mantém o vínculo entre lúdico e a aprendizagem, apontando “para a necessária articulação com as experiências vivenciadas na Educação Infantil”, pautando 3 elementos encontrado nas práticas corporais: “movimento corporal como elemento essencial; organização interna (de maior ou menor grau), pautada por uma lógica específica; e produto cultural vinculado com o lazer/entretenimento e/ ou o cuidado com o corpo e a saúde” (BRASIL, 2017, p. 213). A Educação Física é um componente curricular obrigatório na Educação Básica e nesta e consideramos como disciplina que tematiza as práticas corporais. Entende-se que Cada prática corporal propicia ao sujeito o acesso a uma dimensão de conhecimentos e de experiências aos quais ele não teria de outro modo. A vivência da prática é uma forma de gerar um tipo de conhecimento muito particular e insubstituível e, para que ela seja significativa, é preciso problematizar, desnaturalizar e evidenciar a multiplicidade de sentidos e significados que os grupos sociais conferem às diferentes manifestações da cultura corporal de movimento. Logo, as práticas corporais são textos culturais passíveis de leitura e produção (BRASIL, 2017, p. 214). 75 Tal percurso fornecido pelas práticas corporais para a construção do conhecimento, que abrange Unidades Temáticas, sendo que para esta etapa dos anos iniciais, apenas 5 são requisitadas, conforme o Quadro 5, abaixo: Quadro 5: Unidade Temáticas E Os Objetivos Dos Anos Iniciais Unidades Temáticas Objetivos de conhecimento 1º e 2º anos 3º ao 5º anos Brincadeiras e jogos Brincadeiras e jogos da cultura popular presentes no contexto comunitário e regional. Brincadeira e jogos populares do Brasil e do mundo. Brincadeiras e jogos de matriz indígena e africana. Esportes Esportes de marca; Esportes de precisão. Esportes de campo e taco; Esportes de rede/parede; Esportes de invasão. Ginástica Ginástica geral Ginástica geral Danças Danças do contexto comunitário e regional. Danças do Brasil e do mundo; Danças de matriz indígena e africana. Lutas **** Lutas do contexto comunitário e regional; Lutas de matriz indígena e africana. Práticas corporais de aventura **** **** Fonte: BNCC (2017, p. 225) As brincadeiras e jogos, a ginástica, os esportes e as danças estão presentes em todo percurso curricular, tendo os dois últimos uma progressão pedagógica gradativa. Entretanto, as lutas vão se apresentadas somente no período de 3º ao 5º ano desta etapa. As práticas corporais de aventuras não são mencionadas nos anos iniciais, apenas nos anos finais do Ensino Fundamental. A BNCC (2017, p. 219) aponta que: Em princípio, todas as práticas corporais podem ser objeto do trabalho pedagógico em qualquer etapa e modalidade de ensino. Ainda assim, alguns critérios de progressão do conhecimento devem ser atendidos, tais como os elementos específicos das diferentes práticas corporais, as características dos sujeitos e os contextos de atuação, sinalizando tendências de organização dos conhecimentos. Na BNCC, as unidades temáticas de Brincadeiras e jogos, Danças e Lutas estão organizadas em objetos de conhecimento conforme a ocorrência social dessas práticas corporais, das esferas sociais mais 76 familiares (localidade e região) às menos familiares (esferas nacional e mundial). Em Ginásticas, a organização dos objetos de conhecimento se dá com base na diversidade dessas práticas e nas suas características. Em Esportes, a abordagem recai sobre a sua tipologia (modelo de classificação), enquanto Práticas corporais de aventura se estrutura nas vertentes urbana e na natureza. Fica claro, aqui, que as práticas não devem se dissociar do ambiente externo. Além disso, podemos inferir que as Unidades Temáticas em grande proporção fornecem uma formação humana e com valores sem hierarquias como solidariedade, coletividade, respeito à diversidade, etc. Retomando aos aspectos motores, as crianças do 1º e 2º anos de escolaridade (entre 6 e 7 anos), atravessam o estágio proficiência, ou seja, as execuções dos seus movimentos possuem maior eficiência. Nos 3º, 4º e 5º anos de escolaridade (entre 8 e 10 anos), predomina-se o estágio de transição, onde há o refinamento incipiente e ocorre o desenvolvimento dos movimentos complexos, sendo a conjugação de habilidades fundamentais, já adquiridas (GALLAHUE; OZMUN; GOODWAY, 2013). Como exemplo também de atividades combinadas, podemos fazer uma releitura da atividade que Le Boulch (1987) registra de “adaptação do deslocamento à distância”, quando trata dois mecanismos distintos reportando à atividade vísuo- motor. Nesta releitura, os bambolês são dispersos seguindo uma sequência, onde a criança corre em direção aos bambolês e ao aproximar-se, realiza salto esticado, de forma que caia no centro do bambolê, como a Figura 10 apresenta: Fonte: Reprodução adaptada (LE BOULCH, 1987, p 124). Neste percurso da corrida com saltos estão sendo exigidas duas habilidades combinadas, correr e saltar. Tal proposta pode ser implementada como exercícios Figura 10: Corrida Com Saltos 77 de ginástica acrobática e, dependendo das variáveis pode-se utilizar em outras abordagens, pois não é nossa perspectiva trazer receitas ‘e métodos para aplicação, mas sim, propor que a autonomia docente dialogue com os conhecimentos científicos apresentados. 5.3 ENSINO FUNDAMENTAL II E ENSINO MÉDIO Ensino Fundamental II O ensino fundamental II também é chamado de anos finas, sendo o percurso que a criança vai fazer do 6º ano ao 9º ano, fechando assim, a maior etapa obrigatória da Educação Básica, e se formos representar de forma etária, podemos dizer que compreende entre 11 e 14 anos, considerando uma trajetória sem evasão e repetência. Seguindo a direção de Gallahue, Ozmun e Goodway (2013), neste percurso escolar de 4 anos, a criança já se encontra em outros estágios do movimento especializado. Considerando a faixa de 11 (6º ano), 12 (7º) e 13 (8º ano) anos de idade, o estágio de aplicação é predominante. Como o próprio nome anuncia, é o momento de aplicar o que já foi aprendido. Já no 9º ano, o adolescente de 14 anos, 78 utiliza-se do padrão de movimento construído, para novos conhecimentos. Ao fazermos uma correlação com a BNCC, todas as 6 Unidades Temáticas, organizadas em dois blocos, são comtempladas, como mostra o Quadro 6. Quadro 6: Unidade Temáticas EOs Objetivos Dos Anos Finais Unidades Temáticas Objetivos de conhecimento 6º e 7º anos 8º ao 9º anos Brincadeiras e jogos Jogos eletrônicos **** Esportes Esportes de marca; Esportes de precisão; Esportes de invasão; Esporte técnico-combinatório. Esportes de rede/parede; Esportes de campo e taco; Esporte de invasão; Esporte de combate. Ginástica Ginástica de condicionamento físico. Ginástica de condicionamento físico; Ginástica de conscientização corporal. Danças Danças urbanas. Danças de salão. Lutas Lutas do Brasil. Lutas do mundo. Práticas corporais de aventura Práticas corporais de aventura urbanas. Práticas corporais de aventura na natureza. Fonte: BNCC (2017, p. 231) O Quadro 6 traz os objetivos de conhecimento, que são as práticas que os alunos desta faixa etária devem vivenciar. Todas as propostas, ali representadas, ampliam não só o conhecimento globalizado e cultural, mas desafiam a realização de movimentos não tão familiares, tendo em vista que a BNCC é um recente marco legislativo. Dentre as Unidades, nesta faixa etária, vamos exemplificar pelo esporte de marca, que vai exigir aspectos motores bem elaborados, ou seja, há demasiada cobrança para a execução de movimentos mensurando-os, por alguma unidade de medida (massa, distância e tempo), como mostra a Figura 11. Figura 11: Esportes de marca 79 Fonte: CBAT (2019, online) As provas dos esportes de marca reúnem em grande proporção a modalidade atletismo (não é exclusivo do atletismo). Percebam que nos 400 metros com barreira (1), na marcha atlética (2), no arremesso de peso (3) e no salto com vara (4), o que está em xeque os resultados que comparam a velocidade (segundos) e o comprimento (metros), os quais exigem a “ativação” das três Unidades Funcionais de Luria: tonicidade e equilíbrio – 1º; lateralidade, esquema corporal e estrutura espaço temporal – 2º; coordenação motora fina e coordenação motora global – 3º. Apesar da Figura acima compilar as provas com atletas profissionais em idade adulta, ela nos estimula a pensar quais os exercícios podem ser implementados com os alunos dos 1º e 2º anos inicias, bem como os de 6º e 7º anos finais, conforme Quadros 5 e 6. Além disso, as imagens propiciam a reflexão sobre o estágio ao longo da vida, onde é possível fazer escolhas, considerando nossas motivações e estímulos. Como já mencionado, esta literatura não reúne um conjunto de atividades para cada estágio, mas procura promover a pesquisa e a reflexão sobre quais exercícios, e da pertinência da “sua realização em contextos de lazer e saúde, dentro e fora da escola”, primando pelas considerações da BNCC (2017, p. 231). 80 Ensino Médio Em regra geral, esta etapa recebe os egressos do Ensino Fundamental, que já possuem 15 anos de idade e atravessam esta etapa por um período de 3 anos (BRASIL, 1996). O estágio de desenvolvimento motor que compreende estes adolescentes, ainda, é o de utilização ao longo da vida, como abordado na subseção anterior, que reforça os pressupostos da BNCC (2018, p. 473): “no Ensino Médio, os jovens intensificam o conhecimento sobre seus sentimentos, interesses, capacidades intelectuais e expressivas”. Para estes jovens, a Educação Física por meio da corporeidade e a motricidade, também, é compreendida como uma linguagem. A BNCC (2018, 475) apresenta que Ao experimentarem práticas da Educação Física (como ginástica de condicionamento físico ou de consciência corporal, modalidades de esporte e de luta), os jovens se movimentam com diferentes intencionalidades, construídas em suas experiências pessoais e sociais com a cultura corporal de movimento. Percebam que as práticas corporais do Ensino Fundamental são reforçadas e aprofundadas, diferenciando-se, apenas, pela intensificação de um contexto dialético com o mundo. Entre as 6 Unidades Temáticas, queremos chamar a atenção para o Hip Hop, o qual tem a improvisação como processo criativo. A sequência de movimentos improvisados reúne as qualidades dos aspectos motores de maneira integrada, em especial, ressaltamos o esquema corporal e estruturação espaço temporal. A consciência segmentária e do corpo inteiro revela limites e potencialidade para a improvisação, bem como o acompanhamento do ritmo, interação com o espaço e objetos, tornam os movimentos harmônicos. Neste sentido, Santinho e Oliveira colaboram (2013, p. 47): A improvisação auxilia no processo criativo a partir daí, quando promove a exploração das potencialidades do corpo, mostrando ao dançarino ‘o quê’ e ‘como’ é possível realizar a partir de determinadas partes do corpo e, por fim, alia-se à combinação dessas partes em movimento, despertando a consciência também do movimento corporal . 81 Compreendemos, assim, que este processo leva o corpo a romper com o aprisionamento e executar movimentos espontâneos e aleatórios nas composições coreográficas. Abaixo, a Figura 12 retrata uma apresentação de Hip Hop que explícita na imagem congelada, o domínio do corpo com equilíbrio e tonicidade satisfatórios para a execução do passo breakdancer doing hand standdo. Fonte: Tribuna do Planalto (2018, online). A Figura mostra a execução do movimento com um bom grau de proficiência, o que depende do nível de treinamento, identificação com o gênero da categoria dança, entre outras variáveis já discutidas. Neste estágio, de desenvolvimento ao longo da vida, Gallahue, Ozmun e Goodway (2013) defendem a possibilidade de novas aprendizagens. Para a BNCC (2017) a dança deve propor a experimentação e a recriação, e para melhor compreensão desta perspectiva, apresentamos o exercício chamado “Trem em movimento”: um exercício tipo “siga o mestre”, em que os participantes se colocam em fila e o condutor da fila (o primeiro da fila) inicia movimentos aleatórios, sempre se movimentando no espaço, e o restante da fila deve copiá-lo. Ao terminar sua improvisação, o condutor da fila assume o último lugar, dando oportunidade para que o próximo da fila experimente o posto de condutor do trem. Esse exercício é também muito lúdico e, além de promover a consciência corporal, na medida em que obriga o participante a observar o movimento do corpo do outro e tentar repeti-lo em seu corpo – estimulando movimentos novos – também estimula o entrosamento do grupo e a Figura 12: Representação De Dança De Rua – Passos De Hip Hop 82 aceitação de movimentos diferentes daqueles que os alunos estão habituados a realizar individualmente (SANTINHO, OLIVEIRA; 2013, p. 62). A atividade proposta traz uma perspectiva de repetição e criação que estão para além dos movimentos mecânicos que a estrutura do corpo pode proporcionar, o que o faz dialogar com as questões dialéticas propostas na sociedade contemporânea. O corpo e o movimento assumem um importante papel de interlocutores na sociedade, neste sentido, acreditamos que a Educação física deve se manter obrigatória nos currículos escolares da Educação Básica. 83 FIXANDO O CONTEÚDO 1. (Professor de educação física – PMNI/CONSULPLAN, adaptada) O desenvolvimento motor um processo contínuo de ajustamentos durante a vida. Analise as afirmativas. I. O desenvolvimento motor é proporcionado pela interação das estruturas adquiridas e as estruturas herdadas. II. O desenvolvimento se relacionado exclusivamente à idade III. Consideramos Piaget um teórico sociointecionista. Estão corretas: a) I, II, III. b) I, III. c) II, III. d) I. e) I, II. 2. (Psicomotricista – CFP/QUADRIX) Para Wallon o desenvolvimento da motricidade é também função da reunião de experiênciase vivências do indivíduo ao longo da vida. Segundo o autor, as referidas vivências são: I . Sensoriais II. Cognitivas III. Socioafetivas Está correto o que se afirma em: a) I. b) II. c) I, III. d) III. e) I, II, III. joser Realce joser Realce 84 3. Os esportes de marcas buscam superar os resultados com medidas de tempo, distância e peso, sendo em grande proporção vistos na modalidade de atletismo. Considerando: I. Remo II. Corrida De Revezamento III. Levantamento De Peso IV.Ciclismo A opção que representa os esportes de marca é: a) I, II, III, IV. b) I, IV. c) I, II. d) II, IV. e) I, III, IV. 4. Para a prática de danças é necessário que tenhamos consciência sobre o corpo, conhecendo os limites e potencialidades das articulações, respiração etc., como por exemplo, ____, bem como a formação da estrutura espaço temporal, a exemplo ___. Neste sentido, marque a opção que completa a lacuna corretamente: a) Mímica / relaxamento b) Alongamento / dança da cadeira c) Amarelinha / mímica d) Alongamento / relaxamento e) Dança da cadeira / alongamento 5. (Professor de educação física, Pref. São Miguel de Taipu/PB/ CPCON/UEPB, adaptado) hoje a educação é fundamentada na BNCC, sendo este o documento que define os conhecimentos essenciais que todo aluno da Educação Básica tem o direito de aprender. Analise as proposições, e assinale (V) para as verdadeiras e (F) para as falsas. ( ) A unidade temática “brincadeiras e jogos” é direcionada no 8° ano. ( ) Recriar os valores são previsto nas competências sobre a dança. joser Realce joser Realce 85 ( ) São oito as unidades temáticas a serem trabalhadas. A sequência CORRETA de avaliação é: a) F- V- V. b) F- F- F. c) V- V- F. d) F- V- F. e) V- F- V. 6. (Professor de educação física - Pref. de Itaberaba/OBJETIVA CONCURSOS) De acordo com a Base Nacional Comum Curricular - Etapa do Ensino Fundamental: Educação Física, assinalar a alternativa que preenche as lacunas abaixo CORRETAMENTE: Há três elementos fundamentais comuns às práticas corporais: ____ como elemento essencial; ___ (de maior ou menor grau), pautado(a) por uma lógica específica; e ___ vinculado(a) com o lazer/entretenimento e/ou o cuidado com o corpo e a saúde. a) Movimento corporal / organização interna / produto cultural b) Movimento corporal / produto cultural / organização interna c) Organização interna / movimento corporal / produto cultural d) Organização interna / produto cultural / movimento corporal e) Produto cultural / organização interna / movimento corporal 7.(Professor de educação física - Pref. de Itaberaba/OBJETIVA CONCURSOS) O ensino dos fundamentos da ginástica na escola contribui para a formação de um vasto repertório de movimentos, tanto para a própria ginástica quanto para as demais modalidades esportivas e práticas corporais. Sobre os fundamentos da ginástica, assinalar a alternativa que preenche as lacunas abaixo CORRETAMENTE: O ato de _____ consiste em permanecer ou deslocar-se em uma superfície limitada, vencendo a ação da gravidade. Já o fundamento de ___, que também é uma joser Realce joser Realce 86 habilidade motora fundamental, é o ato de desprender-se da ação da gravidade, manter-se no ar e cair sem se machucar. a) Equilibrar-se / saltar b) Trepar / saltar c) Equilibrar-se / balançar-se d) Trepar / balançar-se e) Rolar / trepar 8. (Professor de educação física - Pref. Caxias/MA/ Machado de Assis, adaptada) De acordo com Piaget (1876), “o infante através do movimento corporal, vai enriquecendo a experiência subjetiva de seu corpo e vai ampliando a experiência motora e cognitiva. Portanto, é extremamente importante que a criança passe pela fase de vivência corporal. Por essa vivência corporal, ela corre, brinca, trabalha e conhece seu corpo. A criança precisa ter suas próprias experiências e não ser sempre guiada pelos adultos, pois é pela sua prática pessoal, pela sua exploração que se ajusta, domina, descobre e compreende o meio em que vive”. Essa afirmação diz sobre a: a) Ludicidade. b) Diversidade. c) Corporeidade. d) Inclusão. e) Equilibração. joser Realce joser Realce 87 EDUCAÇÃO, MOVIMENTO, DIVERSIDADE E INCLUSÃO Nesta Unidade vamos apresentar outras possibilidades para o desenvolvimento/refinamento dos aspectos psicomotores. É importante trazer esta visão para desconstruir ideias culturais homogêneas na sociedade. Neste texto, buscamos dialogar com a temática indígena e africana, de gênero e de inclusão, pois reconhecemos que vivemos em uma sociedade plural, por isso, há a necessidade de romper com padrões que ocultam outros saberes. 6.1 AS RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS Vimos até aqui, o quanto é importante o desenvolvimento dos aspectos motores e, o seu impacto em nossa vida cotidiana. Alinhamos, também, estes aspectos às dimensões cognitivas e afetivas, como um só elemento. Neste sentido, não é possível invisibilizar questões tão latentes, que fazem parte de uma agenda de reivindicações dos grupos étnico-raciais, que inclui por consequência a imagem do corpo, concentrando cargas emocionais de como esse corpo é visto, mantendo uma estreita relação com a dimensão afetiva. Le Boulch (1987) nos diz que “apreender a imagem do corpo como conteúdo é colocar-se do ponto de vista do corpo como fonte de pulsões e vetor de trocas relacionais” (p. 17). Compreendemos assim, que a imagem do corpo, interfere em pontos importantes que se relacionam com a autoconfiança e autoestima. Com base nisso, fazemos as seguintes provocações: O que é dito para este corpo acerca do seu cabelo e pele? Os adjetivos utilizados em referência a este cabelo e tom de pele têm a intenção de valorizar ou de inferiorizar? Além das características fenotípicas há outras questões relevantes. As histórias e culturas passam pelo processo de invisibilidade, onde inferimos que o desconhecimento sobre determinados componentes culturais, reverberam ações que tendem a inferiorizar o outro (SOUZA; SILVA; MATTOS, 2018). Nossa proposta é apresentar um percurso de atividades que buscam Erro! Fonte de referênci a não encontra 88 trabalhar os aspectos psicomotores, apresentados na Unidade 3, ampliando o conhecimento cultural sobre as diferentes sociedades, neste caso, indígenas e africanas, descortinando possibilidades de um trabalho em prol das relações étnico- raciais. Como forma de não tornar a leitura repetitiva, apontaremos, apenas, para os elementos mais específicos na execução dos movimentos. Jogos Indígenas As atividades, apresentadas aqui, são recortes das 12 edições nacionais (de 1996 a 2013) dos Jogos dos Povos Indígenas organizados pelo Comitê Intertribal Indígena, com o reconhecimento da Secretaria Especial do Esporte (BRASIL, 2013), os quais fundamentam-se pela celebração e não, pela competição, diferente da perspectiva ocidental. Veja, abaixo, o Quadro 7 onde apresenta as modalidades que compõem esta celebração. Quadro 7: Modalidades Dos Povos Dos Povos Indígenas Modalidades Arco e flecha Corrida de fundo Arremesso de lança Corrida de tora Cabo de força Futebol masculino Canoagem. Futebol feminino Corrida de 100 metros Natação/Travessia Modalidades Tradicionais Akö Tihimore Corrida de tora Xikunahaty Jãmparti Zarabatana Jawari Katukaywa Kagot Ronkrã Kaipy Lutas corporais Fonte: Quadro adaptado pela autora (BRASIL, 2013). O Quadro apresenta 21 modalidades, onde é importante destacar que mesmo com tantas modalidades e participantes, as modalidades tradicionais são feitas “apenascomo forma de demonstração”, não havendo premiação e julgamentos de juízes (BRASIL, 2013). Dentre as modalidades do Quadro queremos abordar duas: Arremesso de lança e Cabo de força que foram também incluídos nos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas em 2015. O Arremesso de lança consiste em uma modalidade que permite três arremessos, sendo os pontos contados pela maior distância alcançada pela lança (BRASIL, 2013). Procura-se reunir importantes habilidades para uma boa execução 89 dos movimentos. Apesar de a ação necessitar de muitos elementos, vamos priorizar os mais específicos. Perceba junto a Figura 13, que o arremesso precisa da coordenação motora global. Segundo Fonseca (2012) este aspecto exige a “atividade de vários grupos musculares” (p. 289) além de precisar da integração da primeira e segunda Unidades Funcionais de Luria. Fonseca (2012) ainda observa que neste contexto, podemos perceber o envolvimento com “a postura, a locomoção, o contato, a recepção e a propulsão de objetos, isto é, a integração sistêmica dos movimentos do corpo com os movimentos do próprio envolvimento” (p. 289-290). Fonte: JMPI (2015, online). A Figura 13 exemplifica a distância do arremesso da lança, que requer do participante o uso da força. Esta variável está intrinsecamente relacionada com o elemento tonicidade, além disso, queremos chamar a atenção para a modalidade no sentido de ser a prática cultural de sobrevivência, quando nos referimos a caça. A modalidade Cabo de força tem se mostrado mais popular entre as brincadeiras escolares, intitulada como Cabo de guerra. Ela consiste em dividir equipes onde os participantes ficam em lados opostos puxando uma corda, orientados pela demarcação do espaço. Vence a equipe que conseguir trazer para seu campo, os adversários. Veja na Figura 14 como corre a demarcação de espaços. Figura 13: Modalidade Arremesso de lança. 90 Fonte: JMPI (2015, online). No Cabo de força também se torna evidente a variável força concentrada nos MMSS e MMII, sendo a tonicidade e o equilíbrio os aspectos que colaboram para o controle do corpo e o uso adequado da força em posição estática ou dinâmica. Brincadeiras Africanas As brincadeiras africanas apresentadas aqui, fazem parte da literatura infantil que Barbosa (2019) vem reunindo ao longo de sua trajetória de pesquisa sobre o continente africanos. A obra apresenta um conjunto de 25 brincadeiras, onde exploraremos duas destas: 1. Corrida três, referente à Senegal; b. Chakyti Cha, referente à Gana. Barbosa (2019) explica como é feita a “Corrida de três”: Dois meninos, ombro a ombro entrelaçam as mãos atrás das costas, como se elas fossem estribos, mantendo-as à altura da cintura. Logo em seguida, em terceiro garoto aproxima-se e sobe nas costas dos dois companheiros, apoiando os pés nos estribos dos parceiros. E as mãos nos ombros da mesma dupla. Nessa posição, ele, de pé, passa a ser o comandante de seu time. Os outros competidores agem da mesma forma, construindo seus respectivos trios. As equipes, perfiladas, passam, posteriormente, a disputar animadas corridas. (p. 17). Cada equipe precisará de três participantes, sendo explorados principalmente dois aspectos motores, tonicidade e o equilíbrio (estático e dinâmico). Veja na Figura 15 a representação das posições de cada membro de equipe. Figura 14: Demarcação Do Território Para O Cabo De Força Dos Jogos Dos Povos Indígenas. 91 Fonte: BARBOSA (2019, p. 17). Como estamos verificando, as brincadeiras africanas são de baixa complexidade, em grande medida não exigem fartos recursos, no entanto, buscam trazer a luz, as suas filosofias, a exemplo, a brincadeira “Chakyti Cha” pode ser vista como uma variação do pega-pega, incluindo personagens na brincadeira, neste caso, o cachorro e a hiena. A meninada divide-se em dois grupos iguais, entre 10 e 20 integrantes. As crianças perfilam-se em pé, uma atrás da outra, cada uma segurando, com as mãos, a cintura do campanheiro da frente. A partir daí elas passam a andar para frente e para trás cantando repetidamente: - Chakyti Cha. Chakyti Cha. Ao memso tempo, os dois cabeças do grupo, sem se desgrudarem de sua turma, procuram captuurar a última criança da fila do bando rival. Os que são pegos engrossam a tropa adversária. - Chakyti Cha. Chakyti Cha – continua a garotana, cantando e ondulando num jogo de pega-pega como se fossem um cachorro e uma hiena tentando moder a cauda um do outro. Ganha a turma que captura mais crianças (BARBOSA, 2019, p. 51). Nesta variação de pega-pega observa-se que o deslocamento dos alunos em fileiras inclui correr e desviar, implicando no desenvolvimento/aperfeiçoamento da estrutura espaço temporal e equlíbrio dinâmico, mantendo uma grande atenção para não pisar no colega a frente e nem cair com a velocidade de deslocamento. A figura 16, representa como é feita a brincadeira Chakyti Cha. Figura 15: Representação da brincadeira “Corrida de três”. 92 Fonte: BARBOSA (2019, p. 51). Conhecendo um pouco mais sobre essas culturas, podemos inferir que nossas brincadeiras populares não se distanciam delas. As suas variações são em consonância com suas histórias e culturas, sendo justamente isso, o que queremos evidenciar para a implementação da Lei 11.645/2008 na área da educação física. Figura 16: Representação Da Brincadeira “Chakyti Cha”. 93 6.2 AS RELAÇÕES DE GÊNERO Nesta discussão, queremos convidar a todos para trazer a memória de como eram as nossas aulas de educação física na escola. Muito provável que não haja uma uniformidade nas lembranças, tendo em vista o tempo geracional, contexto social e etc., mas arriscamos que dentre este conjunto de lembranças, há de comum uma prática de separação entre meninos e meninas, o que é muito óbvio, já que as modalidades esportivas são assim. Entretanto, não é este sentido que as nossas provocações se direcionam, e sim, para a desconstrução de uma hierarquia de gênero. As aulas educação física se tornam um importante elemento para tais discussões, a exemplo, a reflexão sobre a predominância dos meninos em quadra como aponta Corsino e Auad (2017). Os autores sinalizam que nós, professores, reforçamos esta ideia de segregação, a começar pela forma em que organizamos as aulas, muitas vezes recorrendo à separação entre meninos e meninas. Inferimos sobre isso que esta prática muitas vezes é envolvida com o nosso inconsciente, já que foi assim que aprendemos, e nisso, a história da Educação Física ajuda a explicar. A ideia Corsino e Auad (2017) é reforçada indiretamente por Chan-Vianna, Moura e Mourão (2010), pois em suas pesquisas afirmam “que existe sexismo na educação física escolar e que o esporte é o principal instrumento de reforço dessa discriminação (p. 163), contudo, Uchoga e Altmann (2015) nos apresentam importantes nuances para além da dimensão social. Suas contribuições divulgam os impactos desta segregação no desenvolvimento de meninos e meninas durante as aulas de educação física: Esses diferentes envolvimentos com as atividades de aula --- independentemente do conteúdo --- faziam com que meninos e meninas desenvolvessem habilidades corporais distintas, como na situação dos jogos de queimada, nos quais eles dominavam os arremessos ou na composição de figuras acrobáticas, em que eles arriscavam-se mais nos movimentos mais complexos, aprimorando habilidades corporais ligadas à força, ao equilíbrio, e elas desenvolviam habilidades de liderança e organização. A partir da análise da participação de meninose meninas em diversas práticas corporais no ambiente escolar, notamos que a desigualdade de participação nas diferentes práticas ainda não está superada. (p. 169). Conforme lemos a citação, vamos refletindo sobre as dimensões distintas que 94 cada grupo desenvolve, considerando a delimitação que é dada. Tal perspectiva vai na contramão do que defendemos sobre novas experiências corporais. Os meninos estão expostos a mais habilidades motoras – força e equilíbrio -, em comparação, as meninas têm seus corpos contidos e engessados. Ao logo das unidades, já refletimos sobre os comprometimentos acerca da falta de experiência corporal, neste sentido, apresentamos a seguir, uma atividade indutora que proporciona determinada discussão nas aulas de educação física: Estátuas para pensar, adaptada do Caderno do Desafio da Igualdade (PLAN INTERNACIONAL BRASIL, S/A). Passo 1: Fazer uma estátua. A partir da formação de duas fileiras, uma afrente da outra, sem distinção de gênero, tocar uma música por determinado tempo para os participantes dançarem, mas no momento em que a música parar e o professor falar uma frase, os participantes devem fazer uma estátua que se aproxime com a frase dita. Atenção! Enquanto uma fileira reproduz a estátua que representa uma mulher, a outra, deve reproduzir a imagem que representa o homem. Passo 2: Observar as outras estátuas, em seguida, mantendo-se imóveis, os participantes começam a comparar a sua estátua com a imagem do companheiro, posicionado à frente. A brincadeira recomeça, tendo como base as palavras: Poder, Amor, Raiva, Trabalho, Gentileza. Passo 3: Debate. A partir de um roteiro de perguntas e as vivências dos alunos, é oportuno que a gente provoque um debate, onde possam perceber as diferenças, as semelhanças e como isso se relaciona na vida cotidiana, etc. Vimos, aqui, que as discussões sobre os padrões de gênero podem ser implicadas à educação física, onde recorremos a dança para o desenvolvimento da estruturação espaço temporal, pois é preciso ter atenção ao deslocamento do seu corpo ao espaço dado; a própria formação da estátua que busca desenvolver a concentração tônica e o equilíbrio. Poderíamos continuar analisando a brincadeira sob as outras Unidades Funcionais, porém, queremos chamar a atenção, apenas, para as mais latentes, para deixar o gênero como núcleo de discussão. A brincadeira da estátua é apenas um exemplo do que podemos fazer enquanto professores comprometidos com a desconstrução da cultura do sexismo. Espera-se que cada docente, a partir de seus conhecimentos teóricos e autonomia, 95 seja capaz de lidar com questões tão urgentes na sociedade. 6.3 AS RELAÇÕES PARA A INCLUSÃO Os dados do Censo de 2010 mostram que no país 24% da população possui algum grau de deficiência declarada, no entanto, utilizando uma base para cortes, esta população cai para aproximadamente 12,5 milhões de pessoas, o que representa 6,7% da população. Veja como o Instituto Brasileiro de Pesquisa e Geografia (IBGE) faz o tratamento dos dados: Considerando somente os que possuem grande ou total dificuldade para enxergar, ouvir, caminhar ou subir degraus (ou seja, pessoas com deficiência nessas habilidades), além dos que declararam ter deficiência mental ou intelectual, temos mais de 12,5 milhões de brasileiros com deficiência, o que corresponde a 6,7% da população (IBGE, 2021). As informações coletadas se referem ao ano de 2010, pois o Censo 2020 ainda vem sendo desenhado com outros instrumentos avaliativos. Nossa intenção, aqui, é trazer a tona esse conjunto populacional com as taxas por tipo e grau de 96 deficiência, que compõem a sociedade, que se reflete nas unidades escolares e em outros espaços. A Figura 17 anuncia a taxa percentual distribuída em deficiência visual, motora, auditiva mental/intelectual. Observe: Fonte: Censo Demográfico 2010 (IBGE, 2021). As pessoas que necessitam de algum atendimento especial, ao longo da história vêm conquistando importantes direitos, a exemplo, o de ocupar espaços sociais. O profissional de educação física deve ter clara compreensão que suas práticas devem dialogar com a Lei Brasileira de Inclusão, erradicando a produção de clivagens sociais. Neste sentido, vamos apresentar dois jogos, Golbol e Handebol sentado, da Coletânea de Práticas promovida pelo Instituto Rodrigo Mendes (2016), os quais possibilitam e colaboram para o desenvolvimento motor na perspectiva inclusiva, evidenciando a aculturação, onde crianças sem necessidades especiais experienciam a vivência de crianças que possuem algum tipo de limitação. O primeiro jogo chama-se Golbol. A partida ocorre com todos os participantes de olhos vendados, e apenas uma bola. Esta bola deve conter guizos, para a emissão de sons, onde mensagens serão enviadas para os receptores da audição, orientando assim, o deslocamento dos alunos. Enquanto um grupo se localiza na região da trave, o outro grupo se mantém em direção oposta, com determinado distanciamento. Veja o posicionamento na Figura 18: Figura 17: Porcentagem da população, por tipo e grau de dificuldade e deficiência. 97 Figura 18: Jogo Golbol. Disponível em: https://bit.ly/36xanUE . Acesso em: 15 maio 2021. O objetivo é arremessar a bola dentro do gol, todavia, sem se deslocar. Enquanto isso, o grupo localizado na área de gol, deve defender este. Ainda, acrescentamos como sugestão, que haja um rodízio nos posicionamentos. O jogo propicia a aprendizagem de aspectos motores como o esquema corporal o equilíbrio. No jogo sentado, com adaptação para o handebol, os jogadores ficam distribuídos em quadra devendo atentar para a função de ataque e de defesa. Com a posse de bola, os companheiros devem tentar arremessá-la ao gol, quando esta se aproximar da baliza. O deslocamento deve ser feito, apenas, com o bumbum no chão, já que se encontram sentados. Como o goleiro é um membro de equipe que também está sentado, é importante incorporar como regra, que a bola deve quicar durante o arremesso. Veja na Figura 19 a demonstração do jogo. 98 Fonte: Modalidades paralímpicas (IRM, 2016, p. 63). Além do caráter inclusivo que os jogos proporcionam, estas atividades com bola favorecem o desenvolvimento da força e do equilíbrio no ato do arremesso. Não devemos esquecer que o arremessar é um movimento manipulativo, enquanto que o equilíbrio faz parte do movimento estabilizador, tais movimentos são de grande importância não somente para as atividades em quadra, mas nas atividades do nosso cotidiano, que incluem as crianças que necessitam de um atendimento mais direcionado, mesmo não sendo consideradas deficientes. Integrar a todos é a perspectiva que defendemos. Entretanto, concluímos que a partir das duas atividades é possível explorara aulas de caráter inclusivo. Figura 19: Handebol Sentado. 99 100 FIXANDO O CONTEÚDO 1. (Professor de educação física – Colégio Pedro II/CPII, adaptado). As brincadeiras africanas para educação cultural apresentam algumas características e particularidades. Assinale a alternativa que apresenta uma dessas características. a) As brincadeiras individuais são predominantes. b) São brincadeiras muito simples quanto às exigências motoras. c) Exigem grandes recursos para a realização. d) São brincadeiras que demonstram buscar a integração com o outro. e) Não possuem organização. 2. (Professor de educação física – Colégio Pedro II/CPII, adaptado). Para Knijnik e Zuzzi, em Meninas e meninos naEducação Física: gênero e corporeidade no século XX (2010), a corporeidade culturalizada em matrizes de gênero normativas deve ser alvo de debate na escola. Assinale a alternativa em que as matrizes de gênero normativas estão presentes. a) Competição em que todas as modalidades são mistas quanto ao sexo. b) Livre escolha de atividades a serem realizadas em aula pelos(as) estudantes. c) Projeto de ensino de dança para as meninas e de lutas para os meninos. d) Aulas coeducativas durante o ano letivo. e) Gincanas com a participação dos alunos sem critério por gênero. 3. (Professor de educação física – SEE PB/AOCP, adaptado). A __ de alunos com deficiência nas aulas de Educação Física é uma __ cada vez mais marcante. Estamos vivendo um momento no qual a sensibilidade individual e coletiva em relação à __ humana tem proporcionado um maior comprometimento dos professores de Educação Física com suas aulas e, consequentemente, colaborado para a efetivação e __ dos alunos com deficiências nas atividades curriculares. joser Realce joser Realce 101 Preencha as lacunas e assinale a alternativa correta. a) Inclusão / realidade /diversidade /participação b) Quantidade / consequência / deficiência / contribuição c) Participação / busca / realidade / motivação d) Realidade / dificuldade / eficiência / atenção e) Dificuldade / eficiência / atenção / realidade 4. (Professor de educação física – Colégio Pedro II/CPII, adaptado). Cunha, em Brincadeiras africanas para educação cultural (2016), afirma que existem elementos racistas em alguns jogos que por vezes são citados como de origem afro-brasileira, e que a utilização dessas brincadeiras em aula, sem uma reflexão sobre seu significado e sua construção histórica, termina por contradizer as orientações legais acerca de uma pedagogia antirracista. Um exemplo de jogo ligado ao contexto da escravidão cuja construção histórica o(a) docente deve problematizar é: a) Chicotinho queimado. b) Pegue a cauda. c) Saltando feijão. d) Prisioneiro. e) Pique bandeira. 5.(Professor de educação física - PMR/BIORIO, adaptado). A Educação Física escolar deve contribuir para que possamos, no Brasil, garantir a construção de uma sociedade inclusiva, isto é, uma sociedade em que haja garantia de acesso de todas as pessoas ao espaço comum da vida social, à pertença social, orientada por relações. A alternativa que representa o contexto acima é: a) De respeito à segregação racial e de aceitação. b) Equilibradas entre a elite dominante e a massa trabalhadora explorada. joser Realce joser Realce 102 c) Harmoniosas e passivas entre as castas sociais onde haja o necessário respeito humano. d) De acolhimento à diversidade humana e de aceitação das diferenças individuais. e) De conformismo com a condição encaminhada pelo colonialismo. 6. (Professor de educação física - PMR/BIORIO, adaptado). Em sua prática docente, o professor de Educação Física escolar deverá desenvolver um ensino inclusivo em oposição à prática equivocada que valoriza o indivíduo apto em detrimento do inapto. Para tanto, o professor precisa: Marque a alternativa que representa o contexto acima. a) Do respaldo da direção da escola apoiando-o. b) Apoiar, estimular, incentivar, valorizar e acolher o aluno. c) Das condições necessárias para desenvolver o seu trabalho com qualidade. d) Das condições e remuneração necessárias. e) Da consulta ao colegiado escolar, sendo este um instrumento democrático. 7. (Professore de educação física – PMI-PA/UNAMA). Considerando a diversidade como uma característica de todos, inclusive dos alunos portadores de necessidades especiais, é correto afirmar que, nas aulas de educação física, o professor deve: Marque a alternativa que corresponde ao contexto acima. a) Dedicar um tempo específico para atender às necessidades específicas de quem tem deficiência, quando necessário. b) Selecionar conteúdos distintos dos demais, considerando as dificuldades de acompanhamento da sala de aula pelo alunos com necessidades especiais. c) Evitar a participação do aluno nas aulas, de modo preventivo contra possíveis acidentes. d) Conduzir o aluno para atividades específicas de responsabilidade de profissional de outra área de conhecimento. e) Isentar o aluno das aulas d educação física. 8. A brincadeira Terra e Mar é uma releitura das brincadeiras de Moçambique. Ela divide os participantes em equipes, tendo uma corda ao meio, para marcar o território da Terra e o território do Mar. O professor ao falar Terra, todos devem ir para o respectivo território, de igual forma ao falar Mar. joser Realce joser Realce joser Realce 103 Esta brincadeira buscar desenvolver: a) Coordenação óculo-manual b) Lateralidade c) Coordenação motora global d) Coordenação motora fina e) Movimentos manipulativos joser Realce 104 105 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: LAZER E RECREAÇÃO 7.1 INTRODUÇÃO Para que possamos apresentar definições sobre o lazer, recreação e ludicidade, é extremamente, necessário termos a compreensão de que são termos subjetivos, e que apesar dos termos propiciarem o entendimento de que são sinônimos, vamos verificar a partir do contexto histórico que possuem aspectos singulares, inclusive, de como ambos se relacionam com a dimensão social, a partir das políticas públicas, com maior destaque para o lazer, citado muitas vezes no rol legislativo. 7.2 UMA ABORDAGEM HISTÓRICA (LAZER, RECREAÇÃO E LUDICIDADE) O entendimento sobre lazer, recreação e ludicidade requer que façamos um movimento de voltar um pouco na história, no caso do lazer, vamos partir da Revolução Industrial (DANIACHI, 2020). Isso porque é a partir deste período que surgem novas demandas econômicas. Entretanto, devemos destacar que este recorte temporal não deve ser considerado como verdade absoluta, pois, está inserido entre as diferentes perspectivas sobre o tema. Diante disso, os autores Silva, Pimentel e Schwartz (2021) consideram a dificuldade de fazer esta demarcação temporal, justamente, pela ideia ampliada de que o lazer sempre existiu, embora, não houvesse uma sistematização. Podemos concluir, assim que o termo lazer é anacrônico, tendo em vista que não identificamos o tempo de sua origem. O que vamos adotar nesta seção é o lazer baseado na sistematização e organização da sociedade, que está implicada ao trabalho, como bem mencionam Silva, Pimentel e Schwartz (2021, p. 32): ele passa a existir e a ser sistematizado a partir da organização social do tempo de trabalho. Com a regulação de tempos específicos de trabalho e de não trabalho, houve ganhos que impulsionaram direitos ao trabalhador, como férias anuais remuneradas e aposentadoria, UNIDADE 106 dando mais visibilidade ao lazer, no âmbito da perspectiva do tempo disponível. Esta nova perspectiva social trouxe grande impacto na sociedade, o que favoreceu uma nova ordem de para o modus vivendi da população. Como herança deste percurso, desfrutamos, ainda, hoje, dos clubes e associações (inclusive, as cristãs) que oferecem atividades culturais e esportivas. Segundo Silva, Pimentel e Schwartz (2021, p. 32) “ampliaram-se as perspectivas de entretenimento, em que a fruição artística e o teatro ganharam notoriedade”. Outra herança é a ideia de o lazer vincular-se ao simples prazer sentido na realização de algo, ou simplesmente, o ócio, desde que seja indissociável do prazer. Neste mesmo sentido, Daniachi (2020, p. 10) colabora com a ideia de que a concepção de lazer vem sendo aprimorada em consonância as mudanças na sociedade, “sobretudo, no entendimento da relação trabalho x descanso”.No contexto do aprimoramento, Ribeiro (2014) acrescenta que é necessário que a atividade possua determinadas características para serem consideradas lazer. São elas: caráter liberatório (não tem cunho obrigatório implicado à atividade); caráter desinteressado o único fim é a satisfação); caráter hedonístico (estado de prazer); caráter pessoal (escolhas conforme a personalidade). A partir desta exposição acerca do lazer, qual definição você apresentaria para este termo? Para te ajudar na elaboração (autoral) deste conceito, veja a percepção de Silva, Pimentel e Schwartz (2021, p. 33): “É o fenômeno sociocultural moderno, o qual foi sistematizado na atualidade, conforme a reorganização do tempo destinado ao trabalho”. Lembre-se que esta reorganização do tempo, culturalmente, busca priorizar o trabalho, como se tivéssemos uma hierarquia a cumprir. Sendo assim, pense de como você usa o seu tempo? Você também tem o hábito de hierarquizar o trabalho e o lazer? Após pensar sobre a sua relação de trabalho e lazer, vamos dar continuidade, priorizando o conceito de recreação, e para que você não confunda recreação com lazer, fique atento a esta leitura. Silva, Pimentel e Schwartz (2021, p. 36) quando trabalham com o termo recreação, tendem a trazer uma informação datada. Ou seja, eles consideram que: Desde a Pré-história, a recreação já estava presente, ligada a festejos comemorativos no início da temporada de caça ou associada à adoração de alguns deuses ou mesmo em cerimônia fúnebres 107 (Guerra, 1988). Para além da diversão em si, a recreação também possuía um caráter religioso, o qual era ritualizado com a presença de elementos lúdicos, transmitidos por gerações, ainda que fossem alteradas suas formas e objetivos aplicados. Analisando a citação, vimos que além da marcação de período, há manifestações recreativas. Daqui, concluímos que recreação precisa ter uma sequência de atividades de cunho divertido e lúdico, e não obstante, ter objetivo. Assim, já conseguimos ensaiar as primeiras diferenças com o lazer. Ainda sobre a origem da recreação, Ribeiro (2014, p. 31) traz considerações que se somam ao nosso entendimento sobre a recreação. A autora pontua que “a recreação tem sua origem nos Estados Unidos, no século XIX, por meio de duas influências”: a. recreacionismo; b. playgrounds (um modelo baseado em Berlim). No Quadro 1 vamos elencar as suas principais características. Veja: Quadro 8: Influências da recreação nos Estados Unidos (séc. XIX). Recreacionismo Local Casas comunitárias Atividades dirigidas crianças jovens adultos Atividades jogos esportes dança programas culturais Objetivo preencher o tempo livre, principalmente das classes mais baixas. Playgrounds Local parques infantis Características espaço com muitas atividades, inclusive, recreativas. Profissionais especializados Objetivos de: educação física Moral social Fonte: Elaborado pelo autor - adaptado de Ribeiro (2014, p. 32) Vimos com o Quadro 1 as contribuições do recreacionismo e dos Playgrounds para chegarmos à concepção de recreação, e percebemos que entre os dois movimentos influentes, temos de comum a existência de objetivo. Como um termo flutuante, modulado conforme o contexto, no Brasil a recreação surgiu com o objetivo de evitar o ócio e a preguiça, promovendo uma formação moral e cívica (RIBEIRO, 2014, p. 33): 108 Inicialmente na escola, no ensino público primário como um conjunto de atividades prazerosas como brincadeiras, jogos, exercícios ginásticos, atividades manuais, oferecidos aos alunos nos horários intercalados aos das atividades obrigatórias. Temos aqui, a recreação como estratégia de controle na escola, mas segundo Ribeiro (2014, p. 33) no século XX a proposta, inclusive dos objetivos, não ficou somente no espaço escolar, pois, com os centros de recreio, parques infantis e clubes, se propunha preencher o ócio juvenil em prol de melhores condições de saúde, além de “evitar a vagabundagem e os vícios”. Outro importante grupo populacional alcançado por esta proposta eram os trabalhadores, todavia, agregava-se a ideia de que deveriam recuperar-se visando maior produção nas atividades laborais. Revela-se, novamente, o interesse servil e fabril, o que Ribeiro (2014) chama de utilitaristas e funcionalistas. Avançando na construção do seu conceito mais atual, a recreação se afasta do sentido “de reproduzir, restabelecer, recuperar. Nesse âmbito, destaca-se a ideia de que o objetivo da recreação era a renovação/recuperação para o trabalho”, caminhando agora na direção do “recriar, criar de novo, dar novo vigor”. Ou seja, um conceito em oposição à alienação e a submissão, “mas que de qualquer maneira não deixa de considerar a questão do divertimento”, sobretudo, atendendo ao pilar da educação, tendo em vista a relação com o exercício de recriar e criar (SILVA, et al, 2011, p, 12). Silva, et al (2011, p. 13) ainda apontam que a “recreação pode ser compreendida como maneira de reflexão e de interação consciente com a nossa realidade, o que nos pode auxiliar no encaminhamento de mudanças”. Ribeiro (2014, p. 33) concorda, contudo, apresenta outros objetivos, bem mais ampliados. A autora, atualmente, concebe a recreação “como um conjunto de atividades oferecidas em uma programação, no tempo livre, com o objetivo principal de proporcionar o prazer e a diversão aos participantes”. Para Ribeiro (2014) a recreação pode ser promovida em espaços e objetivos diversos, como por exemplo, utilizar como recurso de aprendizagem, fomentar o ganho de capital financeiro, bem como difundir valores de cunho civilizatórios. Veja a Figura 1 e buque interpretar e correlacioná-la com a concepção da autora. 109 Figura 20: Atividade recreativa e cultural na escola Fonte: Atividades Pedagógicas (2022, documento online) Após o seu exercício de análise, chamo a atenção para os elementos da Figura 1, os quais anunciam que se trata de uma atividade recreativa de cunho educacional. Entre os seus objetivos está a aprendizagem. Caso ainda seja dúbio este entendimento, basta consultar as quatro características que já mencionamos por Ribeiro (2014): liberatório, desinteressado, hedonístico e pessoal. Concluindo sob o entendimento de Haetinger e Haetinger (2012), a recreação está contida no lazer e ambos proporcionam prazer, mas a recreação tem de específico, as práticas recreativas, além disso, a ludicidade é um conceito é implicado à recreação. Para Oliveira e Silva (2017, p. 98), “as atividades lúdicas que o ser humano pratica durante sua vida viabilizam distração, educação, entretenimento, recreação e relaxamento”. Temos atrelado a isso, as brincadeiras e os jogos, que não são bem considerados a luz do tradicionalismo, porém, hoje, são desstaque importantes para o desenvolvimento motor, social, afetivo e intelectual. As teorias modernas, do início do século XX, suscitam o lúdico como inato, ou seja, o lúdico atravessa a nossa vida, desde criança à idade senil. Ele é um pilar que integra o nosso contante desenvolvimento, seja na aprendizagem escolar ou até mesmo na cosntrução de valores da sociedade. Acerca do desenvolvimento humando implicado ao lúdico, veremos suas particularidades, em breve, na Unidade 2. Para finalizar o percurso desta seção, visite os textos sugeridos no ícone Busque por Mais, pois também servirão de suporte para a compreensão do lazer e recreação sob a perspectiva social, já propositalmente, aguçada no percurso histórico. 110 7.3 PERSPECTIVAS SOCIAIS Nesta seção vamos dar continuidade à discussão anterior, no entanto, refletindoe inclinando-se mais para o lazer e a recreação nas questões sociais. Mas como você pode perceber, na leitura anterior, tivemos nuances das perspectivas sociais. O que já colabora com o entendimento desta. Analisemos as casas comunitárias e os playgrounds. Enquanto a primeira, reuni crianças, jovens e adultos que pertencem às classes economicamente mais baixas, oferendo atividades recreativas, o segundo, é a ocupação de espaços de acesso público, e ambos se vinculam à diversão, entendemos, assim, que mesmo com o foco na recreação, os papeis destas iniciativas serviram, também, para a democratização do divertimento. Você consegue imaginar por que estas iniciativas são importantes? De forma 111 subliminar, há a implicação como o sistema econômico capitalista (DANIACHI, 2020), estabelecendo o distanciamento entre operários e patrões, os quais mantinham poder de consumo diferente. Para elucidar esta assertiva, vamos pensar em quem é o sujeito de direitos. Se você tem dinheiro, tem acesso à diversão (lazer), saúde, moradia etc. Se você não tem dinheiro, não tem acesso. Como garantir o acesso sem dinheiro? Os itens citados são necessidades básicas do sujeito e para que todos tenham acesso, sem distinção, criam-se políticas sociais para garantia dos direitos. Em contribuição, Camargo (2011, p. 10) entende que “política social sugere uma carência social, uma necessidade social”. Para isso é preciso espaços livres e espaços construídos para a prática esportiva, artística e demais áreas. As iniciativas de promoção de tais práticas são das empresas públicas, provadas e em maior concentração, as Organizações Não-Governamentais (ONG, 2022) e privadas sem fins lucrativos, como conferido por Camargo (2011). Mas na próxima seção, vamos verificar como isso ocorre de forma legal, ou seja, quais são os dispositivos para a democratização do acesso ao lazer, que é previsto como direito social. 112 7.4 MARCADORES LEGAIS DO LAZER: DIÁLOGO ENTRE A CF/88 E OS ESTATUTOS Vimos com Carmargo (2011) a necessidade de espaços próprios para as atividades de lazer, mas o que vai levar o poder executivo a planejar estas obras nas cidades ou até mesmo viabilizar as iniciativas para o lazer? Primeiro, vamos compreender o lazer no campo do direito social que antes mesmo de ser previsto em nossa Constituição Federal (CF) de 1988, foi citado como direito social na Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU, em 1948 (STIGGER, 2019). O Artigo 24º da Declaração supracitada, diz que: “Toda pessoa tem direito ao repouso e aos lazeres, especialmente a uma limitação razoável da duração do trabalho e as férias periódicas pagas” (UNICEF, 2022, documento online Percebemos, aqui, que existe um hiato entre 1948 e 1988, o que demonstra como o Brasil precisa avançar no entendimento concreto e prático de que o lazer é uma necessidade básica, evitando assim, a descontinuidade nas ações. A CF de 1988 tem em seus Artigos 6º, 7º, 217º e 227º as seguintes redações (BRASIL, 1988, documento online): Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição. Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: IV - salário-mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender às suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim; Art. 217º É dever do Estado fomentar práticas desportivas formais e não formais, com direito de cada um, observados: § 3º O Poder Público incentivará o lazer, como forma de promoção social. Art. 227º É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o 113 direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. Fazendo a leitura atenciosa dos artigos, supracitados, temos o lazer como direito social, e que o salário-mínimo deve atender a nove necessidades, incluindo o lazer, onde estas necessidades devem ser garantidas em prol da promoção social pela família, sociedade e Estado. Agora, vamos pensar sobre estas informações... O trabalhador deve ter acesso ao lazer mediante o salário recebido, que atualmente, o mínimo é de R$ 1.212,00 (GOV.BR, 2022, documento online), mas deve ter a garantia deste, também, a partir de iniciativas outras. Com o salário mencionado, o lazer acaba não ocupando espaço na vida das pessoas, neste sentido, contamos com ações públicas. Veja na Figura 2, temos o Projeto “Bike Itaú”, que faz parte das iniciativas de responsabilidade social e sustentabilidade. São bicicletas que ficam disponíveis em estações das 7 às 22 horas, para aluguel com valores populares (a partir de R$ 3,00) (ITAÚ, 2020, documento online). Figura 21: Projeto “Bike Itaú” na cidade do Rio de Janeiro Fonte: O Globo (2017, documento online) A Figura 2 representa o Projeto “Bike Itaú”, que oportuniza o acesso, pensando na perspectiva de pedalar nas ciclovias da cidade. Mas a Figura, também, cumpri um importante papel. Ainda, na problematização do acesso, para esta discussão, Ribeiro (2014) nos 114 provoca a pensar sobre as dimensões territoriais. Os espaços de lazer, geralmente, fazem parte do projeto arquitetônico da cidade, dando destaque aos seus Centros. As pessoas que residem em bairros periféricos precisam ter um dispêndio maior para transitar nestas regiões, o que implica no orçamento financeiro, logo, a .isso se relaciona com a falta de acesso. A autora ratifica as nossas impressões iniciais, de que é precisa avançar no entendimento concreto e prático de que o lazer é uma necessidade básica de todos, e viabilizar forma de acesso e permanência por meio de planejamento, além das praças públicas. Retomando os marcadores legais, além do texto constitucional, temos o Estatuto da Criança e Adolescente, o Estatuto do Idoso e o Estatuto da Juventude. Veja o que diz o Estatuto da Criança e Adolescente (BRASIL, 1990, documento online): Art. 4º É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária. Art. 59. Os municípios, com apoio dos estados e da União, estimularão e facilitarão a destinação de recursos e espaços para programações culturais, esportivas e de lazer voltadas para a infância e a juventude. Art. 71. A criança e o adolescente têm direito à informação, cultura, lazer, esportes, diversões, espetáculos e produtos e serviços que respeitem sua condição peculiar de pessoa em desenvolvimento. Art. 94. As entidades que desenvolvem programas de internação têm as seguintes obrigações, entre outras: XI - propiciar atividades culturais, esportivas e de lazer; Art. 124. São direitos do adolescente privado de liberdade, entre outros, os seguintes: XII - realizar atividades culturais, esportivas e de lazer: Além de reforçar o Artigo 227º da CF (1988), o Estatuto da Criança e do Adolescente envolve as esferasdo governo na questão e estabelece o fomento nas atividades, inclusive, de lazer, pois, consideram os sujeitos de direito, envolvidos em um processo de desenvolvimento. No que tange esta temática, as crianças e adolescentes em situação de liberdade privada, também são os sujeitos de direito. Trouxemos, ainda, os artigos do Estatuto do Idoso (BRASIL, 2003, documento online): Art. 3o É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária. 115 Art. 20. O idoso tem direito a educação, cultura, esporte, lazer, diversões, espetáculos, produtos e serviços que respeitem sua peculiar condição de idade. Art. 23. A participação dos idosos em atividades culturais e de lazer será proporcionada mediante descontos de pelo menos 50% (cinquenta por cento) nos ingressos para eventos artísticos, culturais, esportivos e de lazer, bem como o acesso preferencial aos respectivos locais. Art. 50. Constituem obrigações das entidades de atendimento: IX – promover atividades educacionais, esportivas, culturais e de lazer; Veja que os Artigos são uma releitura dos que já discutimos, anteriormente, além disso, traz consigo, uma ação de inclusão os beneficiando com descontos em eventos e prioridades de acesso, quando promovidos pelas entidades. Não menos importante, veja, ainda, o que diz o Estatuto da Juventude (BRASIL, 2013, documento online): Art. 23. É assegurado aos jovens de até 29 (vinte e nove) anos pertencentes a famílias de baixa renda e aos estudantes, na forma do regulamento, o acesso a salas de cinema, cineclubes, teatros, espetáculos musicais e circenses, eventos educativos, esportivos, de lazer e entretenimento, em todo o território nacional, promovidos por quaisquer entidades e realizados em estabelecimentos públicos ou particulares, mediante pagamento da metade do preço do ingresso cobrado do público em geral. Art. 29. A política pública de desporto e lazer destinada ao jovem deverá considerar: I - a realização de diagnóstico e estudos estatísticos oficiais acerca da educação física e dos desportos e dos equipamentos de lazer no Brasil; IV - a oferta de equipamentos comunitários que permitam a prática desportiva, cultural e de lazer. Ao jovem é ofertado o acesso, também, pela política da meia entrada e é alvo de pesquisas que levam ao redirecionamento das políticas em prol do lazer. É possível perceber que o que temos em comum é o incentivo à convivência na sociedade por aparelhos e espaços arquitetônicos, como: “quadras, bibliotecas, lagos e lagoas, academias de ginástica, parques naturais, parques de diversões e temáticos, cinemas, teatros, pistas de skate, piscinas, praças, danceterias [...]”, etc. (RIBEIRO, 2014, p. 59). Assim vimos nesta seção que os dispositivos legais existem para garantir o lazer como direito social, entretanto, é preciso estarmos sempre atentos para que este seja assegurado, e para isso, é necessária nossa participação ativa nos espaços de deliberações, como por exemplo, sessões abertas nas casas legislativa, assembleias, entre outros. 116 117 FIXANDO O CONTEÚDO 1. (INSTITUTO CONSULPLAN 2019 - ADAPTADO) Sobre esporte e lazer, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas. ( ) O Estado brasileiro instituiu o lazer como direito social em 1935, através da promulgação da Constituição Federal. ( ) A partir da Constituição Federal, o esporte e o lazer como direitos passaram a se inserir no âmbito das responsabilidades do Estado. ( ) O lazer ligado ao aspecto tempo considera as atividades desenvolvidas no tempo liberado do trabalho, ou no tempo livre ou disponível, não só das obrigações profissionais, mas também das familiares, sociais e religiosas. A sequência está correta em: a) V - V - V. b) V - F - F. c) F - V - F. d) F - F - F. e) F - V - V. 2. (FUNDEP 2021 - ADAPTADO) O lazer é entendido por muitas pessoas como “válvula de escape” para as tensões do cotidiano, melhora da autoestima, busca do autocuidado e do equilíbrio emocional. Considerando esse contexto, avalie as seguintes afirmativas e a relação proposta entre elas. I. O lazer foi construído pela cultura corporal, criada e sistematizada pelo homem, sendo atualizada e ressignificada. É um de seus papéis considerar e respeitar os princípios culturais de cada sociedade, para não tornar a atividade descontextualizada. PORTANTO II. o lazer deve ser referenciado como um direito social, historicamente construído, e intimamente vinculado aos aspectos de tempo e vivenciados como influência da cultura e ações fundadas no lúdico. joser Realce 118 A respeito dessas afirmativas e da relação proposta entre elas, assinale a alternativa correta. a) As afirmativas I e II são verdadeiras, e a II é uma justificativa da I. b) As afirmativas I e II são verdadeiras, mas a II não é uma justificativa da I. c) A afirmativa I é verdadeira, e a II é falsa. d) A afirmativa I é falsa, e a II é verdadeira. e) As afirmativas I e II são falsas e não se justificam. 3. (FAUEL 2020 - ADAPTADO) Tanto o termo recreação como o lazer convive em nossa realidade sem maiores reflexões sobre os seus significados. Enquanto o termo recreação é influência norte-americana, o lazer surge a partir da influência europeia. Essa dupla denominação está presente atualmente e em geral utiliza-se a recreação para designar o conjunto de atividades, e o lazer para abordar o fenômeno cultural. Considerando o texto, qual é o atual, conceito de RECREAÇÃO? a) A recreação tem como sentido a reprodução. Restabelecer a condição física e psíquica do trabalhador. b) É o conceito que tem como definição o de descanso e desenvolvimento do lazer, e orientada para a criação permanente do indivíduo por si mesmo. c) Pode ser entendida como o recrear. d) Sentido de recreação é estimular para recriar, criar de novo, dar novo vigor. e) A recreação é uma estratégia para conter a ociosidade das crianças e adolescentes. 4. (FAUEL 2021 - ADAPTADA) A recreação se constituiu e continua sendo uma das disciplinas que integram os saberes de formação do profissional de Educação Física. Porém, a associação entre a recreação e o lazer é muito comum. Basta verificar os estudos de diversos autores dessa área para constatar como boa parte de análises sobre o lazer, no contexto da Educação Física, parecem evocar a recreação. Assim, ao relacionar as características básicas da recreação, podemos especificar como: joser Realce joser Realce 119 I. Ser encarada pelo participante como um fim em si mesma, sem que se esperem benefícios ou resultados específicos de rendimento. II. Levar o praticante a estágios psicológicos negativos, pelo caráter individualista, por estar sempre ligada ao individualismo. III. Propiciar aos praticantes estímulos para o exercício e desenvolvimento da criatividade até sua plenitude. Os itens corretos são: a) I, apenas. b) III, apenas. c) I e II, apenas. d) I, III, apenas. e) I, II e III. 5. Para Ribeiro (2014, p. 31) “a recreação tem sua origem nos Estados Unidos, no século XIX, por meio de duas influências”: Associe as lacunas e marque a alternativa correta. (A) recreacionismo (B) playgrounds ( ) Atividades dirigidas para adultos. ( ) Uso de casas comunitárias. ( ) A perspectiva era preencher o tempo livre dos mais pobres. ( ) O objetivo era promover o conceito de moral. a) A - A - A - B. b) A - A - B - B. c)B - A - B - B. d) B - A - A - B. e) B - B - A - B. joser Realce joser Realce 120 6. A Lei nº 8.069 de 1990 institui o lazer como direito dos sujeitos considerados Crianças e dos Adolescentes. Neste sentido, avalie as afirmativas abaixo, com V para verdadeiro e F para falso, em seguida, e marque a alternativa correta. ( ) É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária. ( ) A participação em atividades culturais e de lazer será proporcionada mediante descontos de pelo menos 50% (cinquenta por cento) nos ingressos para eventos artísticos, culturais, esportivos e de lazer, bem como o acesso preferencial aos respectivos locais. ( ) É assegurado o acesso a salas de cinema, cineclubes, teatros, espetáculos musicais e circenses, eventos educativos, esportivos, de lazer e entretenimento, em todo o território nacional, promovidos por quaisquer entidades e realizados em estabelecimentos públicos ou particulares, mediante pagamento da metade do preço do ingresso cobrado do público em geral. a) V - V - V. b) V - F - F. c) F - V - F. d) V - F - V. e) F - F - F. 7. A Constituição Federal de 1988 trouxe significativos avanços no que tange o direito e o acesso ao lazer. Os Artigos 6º, 7º, 217º e 227º colaboram em explicitar mais sobre este direito social. Marque a alternativa que relaciona, corretamente, os artigos mencionados. 1) Artigo 6º 2) Artigo 7º 3) Artigo 217º 4) Artigo 227º joser Realce 121 (4) É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá- los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. (3) É dever do Estado fomentar práticas desportivas formais e não formais, com direito de cada um, observados: § 3º O Poder Público incentivará o lazer, como forma de promoção social. (1) São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: IV - salário-mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender às suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim; (2) São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição. a) F - V - V - V. b) V - V - F - F. c) V - F - V - V. d) F - F - F - F. e) V - V - V - V. 8. O lazer pode se manifestar na execução de alguma atividade, ou simplesmente, ser o ócio que satisfaz a pessoa. Nesta direção, para ser considerado lazer, é preciso considerar alguns aspectos importantes. Marque a alternativa que conceitua, corretamente, alguns aspetos do lazer. I. o caráter liberatório revela que não há obrigatoriedade implicado à tal atividade. II. o caráter desinteressado é o ato de o profissional respeitar as pessoas que não querem participar das atividades. joser Realce 122 III. o caráter pessoal se refere às escolhas que a pessoa faz. a) I, II e III. b) III apenas. c) I e III apenas. d) I e II apenas. e) II apenas. joser Realce 123 LAZER E RECREAÇÃO NO CONTEXTO DO DESENVOLVIMENTO 8.1 INTRODUÇÃO Na Unidade 2 vamos conhecer sobre como o lúdico está implicado ao desenvolvimento humano, desmistificando algumas ideias arraigadas no passado de que a ludicidade é dispensável e que a escola não é lugar para lazer. Em continuidade vamos ver que o lúdico implica em brinquedos e brincadeiras em uma relação recíproca, além disso como o lazer e a recreação são importantes para o processo de socialização. 8.2 O LÚDICO NO DESENVOLVIMENTO HUMANO O lúdico é um conceito que por vezes tem disso contestado, justamente, pelo fato de não ser considerado importante para algumas pessoas, como discutimos na Unidade acima, acerca de uma “pseudohierarquia” entre trabalho e lazer. Além disso, não era bem visto nas escolas que preconizavam o controle e a disciplina. Pensando nisso, é preciso apresentar algumas definições sobre o termo, para refletirmos sobre seu impacto no desenvolvimento humano. Segundo Silva, Pimentel e Schwartz (2021, 139), “o lúdico é um elemento ligado ao divertimento, sendo manifestado de diferentes formas, como no jogo, na arte ou na brincadeira”. Avançando mais, Haetinger e Haetinger (2012, p. 5) compreendem que “atividades lúdicas são aquelas que promovem a imaginação, e principalmente, as transformações do sujeito em relação ao seu processo de aprendizagem”. Neste sentido, é possível perceber uma possível disruptura entre o lúdico e corpo, uma vez que interpretamos que não é possível desvincular o lúdico do corpo, por quê: A mente é conectada com os movimentos que o corpo faz seja nos jogos ou brincadeiras, assim, temos uma relação de reciprocidade entre eles. O corpo, matéria, está conectado às nossas emoções, a mente. Temos então um único plano, uma única dimensão. Erro! Fonte de referênci a não encontra 124 Logo, o lúdico está imbricado ao desenvolvimento físico, social, cognitivo e afetivo, sendo estes aspectos dos elementos para o desenvolvimento humano. Tal perspectiva chamou a atenção de importantes pesquisadores, como Jean Piaget e Lev Vygostky, os quais construíram suas teorias baseadas nos métodos científicos, como observação e análise. Silva (2020, p. 9) relatam que os estudos de Jean Piaget e Lev Vygostky “contribuíram de maneira expressiva para a compreensão do processo ensino- aprendizagem no contexto da ludicidade”. Contudo, os autores defendem aspectos diferentes no processo de desenvolvimento. Veja o que Silva (2020, p. 9) ressalta : Uma das diferenças entre as discussões de Piaget e Vygotsky é o ponto de partida muito particular de cada um. Piaget tem como princípio aspectos estruturais ligados a questões atreladas a uma visão biologista de desenvolvimento. Vygostky, por sua vez, constrói sua proposta partindo da cultura, da interação social e da dimensão histórica do desenvolvimento mental. Temos aqui, o lúdico sendo considerado nas duas teorias, no entanto, há maior destaque na teoria vygostiana. É como se o lúdico fosse meio de adquirir habilidades e competências, além disso, é pelo lúdico, brincadeiras e jogos, que a criança retrata o mundo adulto. Todavia, Piaget considera que é por meio destas atividades que as crianças constroem o mundo que querem. Mas atenção, mesmo com focos distintos, não é possível negar o desenvolvimento social, metal e físico nas duas teorias dos desenvolvimento humano. 125 8.3 A RELAÇÃO ENTRE A ESCOLA E O LAZER Vimos que o lazer possui quatro relevantes características elencadas por Ribeiro (2014): é importante que não haja nenhuma tipo de obrigação vinculada à atividade de lazer, onde a satisfação é fim exclusivo, gerando o estado de prazer, logo, é deve ser uma atividade de cunho pessoal e subjetiva. Diante disso, como relacioná-lo com o espaço escolar,tendo em vista que a escola é um ambiente com regras, obrigações e horários a cumprir? Recorremos a Haetinger e Haetinger (2012, p. 17) para compreender esta dimensão: Podemos dizer que o lazer na escola deve ser formativo e qualitativo, no sentido de preparar a pessoas para o famoso tempo livre. Dessa forma, o lazer e a recreação voltam a estar associado à prática educativa (se é que algum dia estiveram separados dela), sendo um diretamente dependente da outra. Numa educação para o lazer, é fundamental o conhecimento das atividades a serem propostas. Decerto os estudantes têm raros momentos de tempo livre, pois sabemos que a escola é uma instituição que zela por um programa dentro de uma estrutura pouco flexível. Mas está entre as suas boas práticas, trabalhar com orientações para que os estudantes façam escolhas de qualidade no momento do tempo livre, de forma que possa impactar, positivamente, no bem-estar e convívio social (HAETINGER; HAETINGER, 2012). Pensando, agora, sobre o lazer dentro das instituições educacionais, poderíamos citar os intervalos. Mas, somente, os intervalos? Que outro momento de 126 lazer uma instituição educacional pode e deve ofertar? Para problematizar estas questões é necessário que seja divulgada a Meta 6 do Plano Nacional de Educação (PNE), do decênio 2014 -2024 (BRASIL, 2014, documento online): O atual PNE tende a “oferecer educação em tempo integral em, no mínimo, 50% (cinquenta por cento) das escolas públicas, de forma a atender, pelo menos 25% (vinte e cinco por cento) dos(as) alunos(as) da educação básica” (BRASIL, 2014, p. 10). O interesse desta carga horária aumentadas visa o (BRASIL, 2014, p 28, documento online) desenvolvimento de atividades de acompanhamento pedagógico, experimentação e investigação científica, cultura e artes, esporte e lazer, cultura digital, educação econômica, comunicação e uso de mídias, meio ambiente, direitos humanos, práticas de prevenção aos agravos à saúde, promoção da saúde e da alimentação saudável, entre outras atividades. Vimos então, que a escola é mais que um aparelho de disciplina e controle; além de se assemelhar às estruturas de um trabalho. Nela, ou em seus respectivos espaços parceiros, devem ser dinamizadas as atividades que buscam promover o lazer com/para os alunos. Uma possibilidade é o trabalho com Projetos, onde toda a comunidade escolar possa participar da construção, principalmente, os estudantes, sujeitos protagonistas da educação escolar. É possível que ainda haja dúvidas sobre a relevância do lazer no referido PNE, sendo assim, recorremos a Tenório, et al (2019, p. 3): A prática do lazer nas escolas age como uma ferramenta capaz de aumentar a motivação e o interesse dos alunos dentro do ambiente escolar por meio do divertimento, tornando o processo de aprendizagem mais cativante, o que contribui diretamente em seus desempenhos como estudantes. Neste sentido, entendemos que é de fundamental importância não só a discussão sobre o lazer nas escolas, mas sim, a materialização desta temática em prol de uma educação compromissada com a qualidade de vida e bem estar social. Sendo assim, Ribeiro (2014) nos apresenta como categoriza o lazer: Atividades físico-esportivas, atividades artísticas, atividades manuais, atividades intelectuais, atividades sociais. Estas categorias contribuem para uma proposta tanto a nível de secretaria de educação como a nível de secretaria de esporte. 127 8.4 RECREAÇÃO COM BRINQUEDOS E BRINCADEIRAS Antes de discutirmos um pouco sobre o contexto atual, é necessário trazer a memória outros episódios da Revolução Industrial, já apresentada na Unidade anterior. Achamos importante acrescentar que neste período as crianças trabalhavam nas fábricas, inclusive, em situações que apresentavam perigo. E por conta das limitações que são pertinentes a este conjunto populacional, os salários eram bem menores, quando comparados a de um adulto ao realizar a mesma tarefa (FIGUEIREDO; CAVALCANTE, 2019). 128 Este dado nos ajuda a compreender que o brincar não é um pensamento que surgiu naturalmente, apesar de ser inerente ao ser humano. Este entendimento veio com estudos e pesquisas modernas que trouxeram contribuições acerca da importância do brincar, considerando como uma coisa séria. Vaja com Kishimoto (2010, p. 1) o impacto do brincar: É importante porque dá a ela o poder de tomar decisões, expressar sentimentos e valores, conhecer a si, aos outros e o mundo, de repetir ações prazerosas, de partilhar, expressar sua individualidade e identidade por meio de diferentes linguagens, de usar o corpo, os sentidos, os movimentos, de solucionar problemas e criar. Ao brincar, a criança experimenta o poder de explorar o mundo dos objetos, das pessoas, da natureza e da cultura, para compreendê-lo e expressá-lo por meio de variadas linguagens. Mas é no plano da imaginação que o brincar se destaca pela mobilização dos significados. Enfim, sua importância se relaciona com a cultura da infância, que coloca a brincadeira como ferramenta para a criança se expressar, aprender e se desenvolver. Aqui, temos uma compreensão da importância do brincar para o desenvolvimento humano e o que e está envolvido neste processo. A imaginação em grande medida está envolvida com o caráter lúdico. Vimos no decorrer da leitura que a recreação tem o caráter lúdico e que envolve brincadeiras e/ou brinquedos, sendo estes, elementos que se completam, que apesar de serem negados o seu reconhecimento por um período da história, a brincadeira e o brinquedo são inerente a nós. Se por um lado o “corpo é o primeiro brinquedo que a criança utiliza” (LORO, 2018, p. 32), o brincar é a “forma mais livre e individual, que designa as formas mais primitivas de exercício funcional, como a lalação” (KISHIMOTO, 2012, p. 111). Brinquedos e brincadeiras, aparentemente, são questões muito simples de serem compreendidas, mas há nuances que precisamos ficar atentos, como por exemplo, levar em consideração o público que estará envolvido, ou seja, a idade de quem interagirá. Quando nos remetemos à recreação, não nos referimos apenas às crianças, temos que incluir os jovens e os idosos realizando as devidas adaptações para a execução das atividades, conforme as potencialidades e limitações de cada grupo, precavendo a infantilização e adultização. Veja a partir das Figuras 3 e 4, os exemplos de atividades que consideram as especificidades de cada grupo. 129 figura 22: Atividade lúdica conhecida como pescaria com idosos Fonte: Pinterest (2022a, online) A Figura 3 apresenta um grupo de idosos participando da popular brincadeira conhecida como pescaria. Aqui, imaginamos estar diante do rio e pacientemente, tentando pescar. Percebam que os participantes estão em sentados, sendo uma adaptação por conta dos incômodos que sentimos ao ficarmos em pé e com o tronco semiflexionado. Estes incômodos são mais perceptíveis, justamente, pela perda do equilíbrio, da resistência muscular, entre outras habilidades e passam a ser acometidas em decorrência da nossa idade. Agora, veja com a Figura 4 uma brincadeira que pelo exposto acima, é inviável a participação dos idosos. Contudo, com público infantil faz muito sucesso além de colaborar para refinamento de atividades rudimentares, como saltar. Esta brincadeira é popularmente conhecida como corrida do saco ou do sapo, já que é preciso cruzar a linha de chagada pulando como sapo e dentro de um saco. figura 23: Corrida do saco/sapo com crianças Fonte: Gartuja de ideias (2016, online) Tanto na Figura 3 e Figura 4 temos atividades recreativas que requerem dos participantes a imaginação, assim, entendemos que lúdico é implicadoàs 130 brincadeiras. “O imaginário e a fantasia são elementos mais importantes quando pensamos em brincadeiras. E, por estarem tão presentes, podem determinar o andamento das atividades propostas” (DANIACH, 2020, p. 48). Mas temos ainda, a dimensão dos brinquedos. Acerca disso, além da questão etária, Loro (2018, p. 31) levanta aspectos importantes para a avaliação dos brinquedos, “como a durabilidade, a atratividade, a adequação, a segurança, a multiplicabilidade de usos, o atendimento à diversidade racial, o respeito às diferenças de gênero, de classe social e de etnia e o não estímulo à violência”. Ao lidarmos com a compra de brinquedos, todos estes itens citados devem ser considerados, mas sabemos que o brinquedo não necessariamente precisa ser comprado. O brinquedo pode ser construído ou, simplesmente, ser adaptado conforme a nossa imaginação. Um cabo de vassoura pode ser o cavalinho de pau. Daniachi (2020, p. 49) considera o brinquedo como objeto da brincadeira. “Sem ele a ação lúdica pode até acontecer, mas com o uso de qualquer tipo de brinquedo, a brincadeira fica mais prazerosa”. Neste mesmo sentido, Barreto et al (2017, p. 143 apud KISHIMOTO, 2003) ressalta que “o brinquedo é o suporte para que ocorra a brincadeira”. É possível que a maior parte da população brasileira conheça um brinquedo chamado de pião, tendo em vista que faz parte do rol das brincadeiras populares, que nomeamos “roda pião”. Descrevemos como um objeto de madeira com a ponta metálica, onde o envolvemos por uma linha de barbante e lançamos ao chão. O brinquedo, que gira rápido, vai perdendo velocidade até parar. Na Figura 5 temos um modelo do brinquedo, veja: figura 24: Pião como brinquedo das brincadeiras populares Fonte: Bambalalão brinquedos (S/A, documento online) Na Figura 5 mencionamos as brincadeiras populares que ocorriam, comumente, nas ruas da cidade, as quais, atualmente, precisam passar por um 131 trabalho de resgate, isso porque, com a intensificação dos brinquedos tecnológicos , nossos hábitos e comportamento se modificaram. Os aparelhos eletrônicos são os brinquedos em alta, ainda mais após um longo período de isolamento social, devido à pandemia do Novo Coronavírus (COVID – 2019).Muitos se adaptaram ao novo modelo de interação. Os celulares e tablets foram instrumentos lúdicos que de forma online mantiveram a sociabilidade das pessoas, inclusive, com jogos, dos diferentes grupos populacionais, logo, os equipamentos eletrônicos são uma realidade na recreação. Deste modo, concluímos, em consonância com Daniachi (2020, p. 47- 48) que “a brincadeira e o brinquedo são as ferramentas do recreador em suas ações. Elas podem ser complementares ao uso de jogos e apresentar características semelhantes”. Percebemos que em todo tempo estão em foco o aprendizado e a socialização, independentemente da idade dos participantes, mas ao que tange a socialização, veremos na próxima seção mais detalhadamente. 132 8.5 O LAZER E A RECREAÇÃO NO PROCESSO DE SOCIALIZAÇÃO Nesta seção vamos discutir mais sobre o lazer e a recreação sob a perspectiva da socialização, e para tanto, é necessário ter sólida compreensão sobre o respectivo conceito. Então, recorremos o entendimento de Johnson (1997, p. 212) que demarca a socialização como “processo através do qual indivíduos são preparados para participar de sistemas sociais”, e isso é implicado a dois pontos: “com o que participamos e como participamos”. Na mesma direção, para Brenner (2011) “em sentido mais amplo, a socialização ocorre por processos e mecanismos que permitem a uma pessoa a desenvolver relações sociais, se adaptar e se interagir à vida social” (p. 38). Tanto Johnson (1997) como Brenner (2011) tendem a destacar a participação dos sujeitos, envolvendo interação. Johnson (1997) vai um pouco além, problematizando com o que interagimos e como interagimos. Estes pontos levantados pelo autor são muito relevantes, para evitar situações em que atividade dinamizada coloque os sujeitos em um estado de passividade. Interpretamos, assim, e acrescentamos que a socialização é um processo de interação, e que pode ocorrer espontaneamente, como podemos perceber no caso dos menos tímidos, bem como pode ocorrer por indução, sendo este o caso em que observamos a timidez por parte dos sujeitos. Em contribuição, Loro (2018) reconhece esta indução como intervenção colaborativa do adulto. É bem comum ficarmos um pouco tímidos ao chegarmos em um ambiente novo, onde somos recebidos por desconhecidos. Isso tanto pode ocorrer no primeiro dia de aula, como em um encontro de trilha agenciado por terceiros. Nestas situações é típica a realização de dinâmicas que possam “quebrar o gelo”, ou seja, atividades que possam propiciar a interação entre os envolvidos. Pelos exemplos mencionados, entendemos que o processo de socialização acontece em diferentes ambientes, onde podemos citar também a própria casa, (sendo ela a nossa primeira instituição social), a igreja, o shopping, um evento e até 133 mesmo as praças públicas da cidade. Decerto há pessoas que optam por atividades individuais em lugar das coletivas, como é o caso de alguns possíveis conhecidos seus, pessoas que gostam mais de fazer caminhadas e corridas sozinhas, sendo este o campo do lazer físico- esportivas, mas, há outro grupo que opta pelo contrário e prefere vivenciar experiências de forma coletiva. No decorrer do texto vamos trazer um recorte mais voltado para este segundo grupo, tendo em vista o tema da socialização, ocorrendo o mesmo para a recreação. Podemos considerar que as opções de lazer são infinitas, justamente, pelo entendimento que o lazer é extremamente subjetivo, mas vamos trazer algumas opções aqui, com o objetivo de colaborar para o seu cardápio de atividades que podem ser utilizadas ou até mesmo induzir outras para o seu exercício profissional. No Quadro 2 reunimos opções de lazer no Estado do Rio de Janeiro, promovidas pelo Instituto Educação em Movimento (IEM, 2022, documento online). Quadro 9: Opções de atividades de lazer Trilhas em Parques Municipais Atividades de reflorestamento Caminhadas em Parques Municipais Rapel em Parques Municipais Passeio de ciclismo Brincadeiras de rua Aniversário na rua Aventura na escola Fonte: Quadro elaborado pela autora (IEM, 2022) As atividades do Quadro 2 ocorrem em espaços públicos, no entanto, podemos considerar os espaços privados, que vão demandar um outro nível de organização e que exigirá um dispêndio maior de dinheiro. Por isso, é importante saber mais sobre o público que participará. Ainda sobre as atividades realizadas pelo IEM, elas ocorrem de forma regular, e apesar de sempre ter pessoas novas chegando, em maior parte elas permanecem, e essa regularidade propiciou a criação de vínculos, formando assim para elas, a ampliação dos seus espaços de socialização. Acerca da recreação, temos características bem próximas das quais trouxemos acima, com tudo, de maneira peculiar queremos chamar a atenção para dois pontos. O primeiro é sobre o público infantil. Para Barreto et al (2017, p. 134 141) a recreação: auxilia na promoção do desenvolvimento pessoal e coletivo de cada criança não apenas no ambiente escolar, mas em seu cotidiano, no convívio em família e na formação de seu caráter, isto é, suas aprendizagens ressonam na melhoria das práticas sociais do educando, nos diferentes espaços de vivência. Sabemos por meio de Jean Piaget e Lev Vygostky que construímos a nossa personalidade no período da infância, pela vivência e experiência que nos são ofertadas, bem como os valores e normais que nos são apresentadas (BOCK; FURTADO;TEIXEIRA, 2002), e por este caminho, a recreação cumpre um importante papel em nossa vida, pois teremos inscrições desta fase para toda a nossa vida. Logo, não é possível entender a recreação como dispensável. O segundo ponto é implicado ao anterior, pois não significa que na vida adulta (aqui também nos referimos ao grupo de idosos) a recreação seja dispensável, isso porque, já sabemos que o desenvolvimento humano é contínuo, seja cognitivo, motor ou afetivo, como por exemplos respectivos temos o nosso estágio responsável que exige de nós que nossa mente resolva situações percebidas com praticidade e responsabilidade; na dimensão das qualidades física, ao longo do tempo perdemos força, velocidade, flexibilidade, equilíbrio, etc.; na dimensão afetiva estamos buscando a nossa inteligência emocional (SILVA, 2010). Diante do exposto, a recreação é tão necessária para criança quanto para p adulto. Para ilustrar, trouxemos a Figura 6 que representa uma brincadeira popular chamada de “pique bandeira” ou também conhecida como “bandeirinha arreou”. Figura 25: Pique bandeira ou Bandeira arreou Fonte: SPE educação (S/A online, documento online) Para explicar a Figura acima, buscamos o entendimento de Ferreira, et al (2018), orientando para a divisão do grupo em duas equipes, tendo cada uma delas o seu campo. A fixação da bandeira deve ser ao fundo do campo adversário, para 135 que a brincadeira se desenvolva no resgate da respectiva bandeira. O participante que é pego em campo oponente, deve permanecer parado até que um colega da equipe possa resgatá-lo. Observe que na brincadeira é necessário tomar decisões, montar equipes e a colaboração entre eles. Os participantes que são da mesma equipe criam mais rapidamente laços, por isso, uma variação interessante é a troca na formação dos integrantes, queremos dizer, “como embaralhar” e dividi-los sem critérios, após algumas partidas. Isto evita que estejamos sempre com as mesmas pessoas e por consequência, deixe de socializar com outras. Podemos pegar este mesmo princípio de criar variações de atividades que possam ser direcionadas ao grupo de idosos, considerando sempre, claro, as respectivas limitações e especificidades. Uma sugestão que deixamos é você procurar sobre o “vôlei sentado”, que é um jogo pré-desportivo adaptado do vôlei. É interessante que você faça essa pesquisa, até mesmo porque o jogo estará em nossas próximas discussões. 136 FIXANDO O CONTEÚDO 1. (SELECON 2019 - ADAPTADO) O lazer deve ser tratado na escola pedagogicamente, no sentido de se educar para o lazer. Darido e Rangel (2005) ao debaterem o lazer no espaço escolar propõem que haja pela escola e pela Educação Física a perspectiva de se educar: a) Pelo lazer. b) Contra o lazer. c) Rejeitando o lazer. d) Para o lazer. e) Sem o lazer. 2. (FEPESE 2020 - ADAPTADO) Consideramos que para as crianças, os brinquedos são ferramentas importantes para o seu desenvolvimento físico, social, afetivo, e cognitivo, atuando como instrumento de aquisição). Analise as afirmativas abaixo sobre os jogos e as brincadeiras na escola. 1. Servem apenas para liberar e extravasar sentimentos, sair da rotina de sala. 2. O brincar proporciona a aquisição de novos conhecimentos, desenvolve habilidades de forma natural e agradável. 3. Os jogos e as brincadeiras, por serem desprovidos de regras, não contribuem para a construção de valores morais e éticos. 4. Ensinar os conteúdos escolares por meio de jogos e brincadeiras não contribui para que a criança se aproprie do conhecimento de modo crítico. 5. Fazer uso de jogos e brincadeiras durante as aulas regulares pode ser um recurso inovador para os alunos. Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas. a) São corretas apenas as afirmativas 2 e 5. b) São corretas apenas as afirmativas 1, 2 e 3. c) São corretas apenas as afirmativas 2, 3 e 4. joser Realce joser Realce 137 d) São corretas apenas as afirmativas 3, 4 e 5. e) São corretas apenas as afirmativas 1, 2, 3 e 5. 3. (INSTITUTO UNIFIL 2021 - ADAPTADO) A recreação não é exclusiva da infância. O adulto, o idoso também são grupos participantes. A sua prática leva a desenvolver resistência, força, flexibilidade, agilidade e velocidade que são qualidades próprias de cada indivíduo e podem ser aprimoradas. Assinale a alternativa que corresponde às qualidades citadas acima. a) Fisiologia do exercício. b) Capacidades físicas. c) Ginásticas. d) Lutas. e) Dança. 4. (FACAPE 2021) Através de atividades lúdicas, a criança no pré-escolar desenvolve o processo de aprendizagem e amplia seu repertório de movimentos e relações sociais. Através do brincar, a criança vai assumindo sua realidade, seu meio social, sua linguagem, seus usos e costumes. Brincando, a criança logra e interioriza o mundo adulto. O brinquedo, por meio da multiplicidade de formas e materiais, contribui fundamentalmente para: Marque a alternativa que completa incorretamente a ideia apresentada acima: a) Desenvolver a capacidade de criação. b) Estabelecer consciência de nível grupal. c) Capacidade de iniciativa própria. d) Amplia a capacidade de expressão. e) O risco de acidentes. 5. É uma brincadeira popular que consiste em pular sobre um traçado riscado no chão que, por sua vez, pode apresentar inúmeras variações. Conhecida mais como amarelinha, tem as seguintes etapas: joser Realce joser Realce 138 ( ) Em seguida, ignorando-a, ela terá que pular com um pé só nas casas isoladas e com os dois nas duplas, até chegar ao céu, onde pisará com os dois pés, antes de retornar da forma semelhante até as casas 2-3. ( ) A criança deve jogar uma pedrinha dentro dos limites da casa de número 1. ( ) Ao retornar para o jogo, ela recomeça a atividade a partir da casa seguinte. ( ) Ela terá que apanhar a pedrinha sem perder o equilíbrio. Enumere a sequência das etapas e marque a alternativa correta: a) 2, 1, 4, 3. b) 2, 3, 4, 1. c) 1, 2, 3, 4. d) 4, 2, 1, 3. e) 3, 1, 4, 2. 6. As crianças são orientadas a ficar em um determinado ponto e um adulto fica à frente deles, a certa distância. Quando o adulto virar de costas, as crianças devem correr em direção a ele, porém quando ele virar de frente de novo as crianças devem parar imediatamente. Aquela criança que se mover, volta ao ponto de início do jogo. A brincadeira é popularmente conhecida como: Marque a alternativa correta, abaixo. a) Pique cola b) Estátua c) Cobra-cega d) Espelho e) Mamão na rua 7. Segundo Ribeiro (2014), o lazer possui categorias: Atividades físico-esportivas, atividades artísticas, atividades manuais, atividades intelectuais, atividades sociais. Suas faces são exploradas conforme o ambiente, o objetivo e a realidade encontrada. A partir disso, marque a alternativa que melhor se relaciona com as categorias do lazer. joser Realce joser Realce 139 a) Na escola o lazer ainda encontra resistência, por isso ainda não devemos trabalhar, evitando conflitos com a comunidade escolar. b) Apenas as atividades físico-esportivas e atividades intelectuais devem ser trabalhadas na escola, durante as aulas de educação física. c) As atividades físico-esportivas, atividades artísticas, atividades manuais, atividades intelectuais podem ser trabalhadas apenas nas escolas em horários vagos. d) As atividades físico-esportivas, atividades artísticas, atividades manuais são exclusivas do desenvolvimento da secretaria de esporte. e) As atividades físico-esportivas, atividades artísticas, atividades manuais, atividades intelectuais, contribuem para uma proposta tanto a nível de secretaria deeducação como a nível de secretaria de esporte. 8. Há pessoas que optam por atividades individuais, pois sentem-se mais à vontade, o que não está errado, entendo que o lazer tem cunho subjetivo. Há ainda as pessoas que optam pelas atividades coletivas. Marque a alternativa que representa exemplos respectivos do lazer individual e coletivo. a) Passeio de bicicleta e meditação b) Caminhada e passeio de bicicleta c) Meditação e aniversário na rua d) Trilhas e passeio de bicicleta e) Aniversário de rua e brincadeira na rua joser Realce joser Realce 140 AS DIVERSAS TEORIAS DO JOGO 9.1 INTRODUÇÃO Na Unidade 3 vamos conhecer mais sobre o papel do jogo e do lazer na inclusão social, bem como o seus respectivos desafios. Para isso não vamos nos limitar ao ambiente escolar, mas sim, chamamos a sua atenção para além desta, trazendo a dimensão do lazer. Em seguida retomamos o ambiente escolar apresentando as teorias de Friedrich Froebel e Jerome Bruner, os quais defendem a aprendizagem significativa e as relacionam com o jogo e a brincadeira, revelando estes como recurso de aprendizagem e desenvolvimento. 9.2 O PAPEL DO JOGO E DO LAZER NA INCLUSÃO SOCIAL Vimos na unidade 2 um pouco sobre os brinquedos e as brincadeiras e, vamos ver agora, que há uma linha muito tênue quando dividimos o jogo destes dois conceitos visto, anteriormente. Kishimoto (2016, p. 1) diz que: a variedade de jogos conhecidos como faz de conta, simbólicos, motores, sensório-motores, intelectuais ou cognitivos, de exterior, de interior, individuais ou coletivos, metafóricos, verbais, de palavras, políticos, de adultos, de animais, de salão e inúmeros outros mostra a multiplicidade de fenômenos incluídos na categoria jogo. Mas a autora faz uma demarcação no ao definir o conceito de jogo, pois nela “há regras externas que orientam as ações de cada jogador. Tais ações dependem, também, da estratégia do adversário. Entretanto, nunca se tem a certeza do lance que será dado em cada passo do jogo” (KISHIMOTO, 2016, p. 1). Todavia, o caráter subjetivo e cultural vai encaminhar entendimentos distintos sobre o jogo, ainda mais que temos um grande abismo entre a cultura oriental e ocidental. Neste sentido há muita complexidade em definir o jogo com absoluta precisão. Acerca dos jogos na escola, este também recebera duras críticas num tempo Erro! Fonte de referênci a não encontra 141 pretérito, justamente, pela concepção que a escola deveria disciplinar. O pensamento do jogo como ferramenta de aprendizagem é instituído recentemente, com os avanços das pesquisas na educação, onde tivemos a contribuição de precursores como Froebel e Bruner, que serão vistos mais adiante. No ambiente escolar o jogo educativo se populariza e pode se revelar em dois sentidos apontados por Kishimoto (2016, p. 23). 1. sentido amplo: como material ou situação que permite a livre exploração em recintos organizados pelo professor, visando ao desenvolvimento geral da criança; e 2. sentido restrito: como material ou situação que exige ações orientadas com vistas à aquisição ou ao treino de conteúdo específicos ou de habilidades intelectuais. Percebemos que nos dois sentidos, é necessário organização e planejamento, pois desta forma reunimos os recursos e avançamos nos objetivos. Claro, tomando como princípio o jogo como meio de aprendizagem. Este entendimento também se revela em Cória-Sabini e Lucena (2015), os quais citam a previsão e o planejamento no jogo com função pedagógica, auxiliando no alcance dos objetivos. O jogo na escola tem a função significativa e isso não se dá sem orientação. Ressaltamos o trabalho de intervenção do orientador entre os participantes do jogo. A atenção deve estar voltada para desencadear desafios, suscitar reflexões, fazer correções etc., pois “sem a constante presença do adulto, o jogar fica restrito ao seu uso comum (já muito aproveitado pelas crianças espontaneamente!) e o contexto escolar fica reduzido à sua má fama” (LINO, 2011, p. 25). Caminhando nesta direção, devemos nos preocupar em manter a função lúdica e a função educativa para a socialização. Acerca disso, temos o jogo como peça importante no processo de inclusão. Queremos destacar que tal processo não deve ser lembrado apenas em datas pontuais do calendário escolar, e sim, ser base para a produção do conhecimento, que em nosso caso, afunilamos para o campo curricular da educação física. Antes de prosseguirmos com a discussão referente ao processo de inclusão, devemos ter explícitos os conceitos de educação física inclusiva e educação física adaptada, que muitas vezes se confundem em nossa prática, isso por conta que ambas têm como objetivo o desenvolvimento afetivo, cognitivo e psicomotor dos estudantes, mas diferem na maneira de ministrar. A inclusão nas aulas de educação física requer que as aulas sejam planejadas e moduladas no sentido de adequar-se e atender a especificidade do aluno. Neste 142 formato, fica mais evidente o convívio sob a igualdade. Já a educação física adaptada segue outra prática. Para a participação do aluno que apresente alguma característica, o professor deve elaborar adaptações para atender às respectivas especificidades, resultando em modelos diferentes de atividades: 1. onde participa o grupo típico de alunos; 2. que atenda aos alunos com alguma deficiência (COSTA, 2017; GARCIA, 2014; SALLES; ARAUJO; FERNANDES, 2015). Entendido estes dois importantes conceitos, retomamos ao campo da inclusão. A escola é percebida como uma das instituições na sociedade e é o espaço que deve promover e ampliar as ações inclusivas. Cabe ao ambiente escolar “acolher todos os alunos, independentemente do tipo ou grau de dificuldade que eles possam ter”, tendo em vista que esta dificuldade, socialmente, não é considerada um problema e sim, diversidade (TARDIN, 2018, p. 6). Sabemos que o tema da inclusão ainda é muito complexo para o entendimento unanime das escolas, e que possivelmente, por conta disso, a discussão vem ganhando visibilidade em Seminários e Congressos. Mas ainda temos outro desafio, o de relacionar a inclusão com o lazer, já que é comum avaliarmos, equivocadamente, que a diferença seja um ponto limitador da pessoa. O lazer deve ser compreendido como direito social e, também, meio de desenvolvimento para a sua participação com dignidade na sociedade. Neste sentido, concordamos que o acesso aos espaços da sociedade deve ser para todos, inclusive, os espaços de lazer, da mesma forma em que instituições como clínicas e hospitais são estruturados. As estruturas dos ambientes citados são elaboradas seguindo normas, como por exemplo, a norma brasileira ABNT NBR 9050. Savioli (2011, p. 167-168) chama a atenção para os demais ambientes, como clubes e parques que em grandes proporções, gera desânimos aos portadores de necessidades especiais, afinal: Quem não gostaria de, em vez, de subir uma escada íngreme, subir uma rampa com leve inclinação ou até subir de elevado. Isto, quando relacionado a espaços de lazer, tem grande importância, pois o momento de descanso e de entretenimento de gerar momentos agradáveis e de satisfação, e não de cansaço e constrangimento por dificuldade arquitetônica. Nesta mesma direção, Meneghetti, et al (2013, p. 9) apontam que “as pessoas com deficiências têm necessidade de experimentar atividades descontraídas, alegres e revitalizantes [...]”. Cientes que precisamos avançar no quesito estruturas, 143 cabe a nós, planejarmos as ações de lazer com os recursos ao nosso alcance, levando ao portador de necessidades especiais o respectivo contexto social e cultural por meio das relações desenvolvidas. Em colaboração,reproduzimos as sugestões de Saviolli (2011) para as atividades de lazer, veja: passeios, encontros com familiares aos finais de semana, colônia de férias, acampamento, etc. Concluímos que estas atividades podem ter como participantes pessoas com e sem necessidades especiais, fazendo jus ao conceito de inclusão. Ressaltamos que proposta gerida deve oportunizar a acessibilidade de todos, e isso inclui as diferentes modalidades de lazer, como as físico-esportivas, as manuais, as artísticas e as intelectuais. 9.3 O JOGO SOB AS PERSPECTIVAS DE FROEBEL Friedrich Froebel é considerado o psicólogo da infância, isso porque dedicou grande parte da vida em estudos voltados para a educação infantil, os quais 144 interpreta que os estágios de desenvolvimento na infância e pós-infância não são segregados (KISHIMOTO, 2011), tendo em vista os aspectos comuns que atravessam todo o desenvolvimento do ser humano. Esta ideia de continuidade na tese froebeliana partiu das experiências vida que Froebel adquiriu em berços evangélicos onde considera que somos seres em permanente evolução conectados à Deus, da mesma forma, as coisas da natureza (KISHIMOTO, 2011). Sua pesquisa deu origem ao espaço que reúnem crianças de 0 a 6 anos de idade, o qual chamou de jardim de infância, pelo entendimento que crianças crescem como um jardim se regados e cuidados. Seu foco estava voltado para uma aprendizagem significativa baseada no pilar de aprender fazendo, além disso, se debruçou sobre a temática do jogo e brincadeiras para o desenvolvimento e educação pelo processo de auto educar-se (PIETROBOM; KENDZIERSKI, 2012, p. 10). Para a educação do autoconhecimento com liberdade, Froebel elege o jogo o seu grande instrumento que, juntamente com os brinquedos faria a mediação para o autoconhecimento através do exercício da exteriorização da essência divina de cada criança. Percebemos que na teoria froebeliana o jogo e o brinquedo são mediadores entre a criança e o conhecimento, pois contribuem no sentido de estimular a percepção dos respectivos dons recebidos de Deus. Kishimoto (2011, p. 61) menciona que esta teoria não foi a primeira “a analisar o valor educativo do jogo, Froebel foi o primeiro a colocá-lo como parte essencial do trabalho pedagógico, ao criar o jardim de infância com usos dos jogos e brinquedos.” A partir das pesquisas anteriores, Froebel desenha a metodologia que intitula de dons e ocupações, envolvendo tanto os jogos quanto os brinquedos (KISHIMOTO, 2011, p. 64): 1. dons, materiais como bola, cubo, varetas, anéis etc., que permitem a realização de atividades denominadas ocupações, sob a orientação da jardineira, e 2 brinquedos e jogos, atividades simbólicas, livres, acompanhadas de músicas e movimentos corporais, destinadas a liberar a criança para a expressão das relações que estabelece sobre objetos e situações do seu cotidiano. Diante do exposto percebemos que é necessária a devida orientação no processo de estimulação e desenvolvimento da criança, que neste caso, é realizada pela jardineira. Avaliamos, assim, que o jogo e brinquedo se relacionam de forma indissociável proporcionam as experiências e vivências. 145 Temos o entendimento que a linguagem é uma forma de se expressar socialmente e o que Pietrobom e Kendzierski (2012, p. 6) pontuam é que “o brinquedo é uma forma de autoexpressão”. A ação do brincar se revela um ato necessário e importante para o desenvolvimento da criança. 9.4 O JOGO SOB AS PERSPECTIVAS DE BRUNER Jerome Bruner tem grande destaque no campo do currículo, onde apresenta importantes contribuições acerca da estrutura da matéria para a construção do conhecimento na educação escolar, onde os conceitos gerais devem anteceder os mais especializados, de forma natural e gradativa, priorizando o modelo de aprendizagem significativa (KISHIMOTO, 2011). O pesquisador defende que o ensino deve estar vinculado a atitude de compreender “as relações entre os fatos e entre as ideias, única forma de se garantir a transferência do conteúdo aprendido para novas situações”, por conceber que a aprendizagem é “captar as relações entre os fatos”, adquirindo novas informações, transformando-as e transferindo-as para novas situações (BOCK; TEIXEIRA; FURTADO, 2002, p. 219-220). Vistos tais aspectos, os relacionamos ao jogo e o correlatamos ao 146 desenvolvimento cognitivo. As vivências do jogo permite que a gente acesse e interiorize não somente as regras postas, mas avance no que tange o desenvolvimento cognitivo, que tem suas etapas imbricadas a resolução de problemas. Veja o Quadro 3: Quadro 10: Etapas do desenvolvimento cognitivos, segundo Bruner 0 – 3 anos respostas motoras 3 – 9 anos representações icónicas 10 anos ... Símbolos Fonte: Elaborado pelo autor - adaptado de Crespo ( 2016) A etapa caracterizada como respostas motoras, “a criança vai descobrindo o seu corpo e as suas potencialidades” e envolve em grande medida as ações manipulativas; na etapa das representações icónicas, ela faz a “relação entre o real e o que está a representar”, recorrendo muitas vezes à memória visual; na etapa dos símbolos, a criança a partir dos 10 anos “liberta-se do real e torna-se capaz de representar através de símbolos, utilizando muito a sua imaginação” (CRESPO, 2016, p. 40). Crespo (2016, p. 40) diz que neste processo “a criança reorganiza as Informações recebidas do meio ambiente, age consoante o modo como estruturou essas mesmas Informações”. A medida em que a criança faz essa relação, ela tem uma aprendizagem significativa. Outro ponto que Bruner nos chama a atenção é para o conceito de erro. É comum que durante a aprendizagem a gente perceba e sinalize erros, mas este processo deve seguir as perspectivas do erro instrutivo. Este conceito como menciona Bock, Teixeira e Furtado (2002) se opõe a punição pelo erro, a qual não contribui para o processo de desenvolvimento da criança. Consideramos o erro uma estratégia para a descoberta, tendo em vista que Bruner defende a aprendizagem por descoberta estimulando à criança a ação de investigar. 147 148 FIXANDO O CONTEÚDO 1. (IF SUL RIO-GRANDENSE 2021 - ADAPTADO) Os autores Salles, Araújo e Fernandes (2015) discutiram os resultados sobre como os professores de Educação Física escolar perceberam a inclusão de alunos com deficiência e quais estratégias utilizaram para promover essa inserção em suas aulas. Com base nessa discussão entre os autores, é correto afirmar que: a) A inclusão significa que não é o aluno que se molda ou se adapta à escola, mas que é a escola que deve se adequar às condições e à disposição do aluno. b) A existência de leis e/ou declarações é capaz de reverter as representações e as práticas arraigadas de segregação entre pessoas com e sem deficiência. c) Os cursos de formação para docentes são o único meio possível para promover o reconhecimento do processo de inclusão dentro da educação física escolar. d) A inclusão deve implicar exclusivamente um ensino individualizado para alunos com algum tipo de deficiência, tanto dentro quanto fora das salas de aula. e) A inclusão é um processo natural no cotidiano. 2. (IF Sul Rio-Grandense 2021 - ADAPTADO) Os processos de inclusão são uma realidade em muitos espaços educacionais. Vanja Ferreira, na obra: Educação física, interdisciplinaridade, aprendizagem e inclusão (2006), quando se refere à escola, à inclusão e à exclusão, indica que cabe ao professor de Educação Física facilitar a conscientização de elementos que permitem autorregulação para os problemas de inter-relação, levando, assim, à socialização e à inclusão.Quais são esses elementos? a) Formativos e éticos. b) Econômicos e culturais. c) Socioculturais. d) Socioafetivos. e) Éticos 3. (FACAPE 2021) A Educação Física Inclusiva possui uma característica fundamental que a define. Seus objetivos demarcam diferenças com a Educação Física joser Realce joser Realce 149 Adaptada. Ambas têm como objetivo o desenvolvimento afetivo, cognitivo e psicomotor dos estudantes, mas diferem na maneira de fazê-lo. Marque a alternativa que mais se alinha com a Educação Física Inclusiva: I. Muda minimamente as regras de maneira a atender cada tipo de deficiência. II. Inclui modalidades próprias dos esportes paralímpicos. III. Rompe com o foco no esporte competitivo. IV. Privilegia o convívio e o bem-estar de todos. Está correto o que se afirma em: a) I e III, apenas. b) II e III, apenas. c) I e IV, apenas. d) III e IV, apenas. e) I, II e IV, apenas. 4. Os estudos realizados por ____________________ trouxeram contribuições para o entendimento que _____________________ é ferramenta utilizada durante a educação infantil, em prol de uma aprendizagem significativa. Para o pesquisador, as brincadeiras e jogos são base para o processo de auto educar-se. Marque a alternativa que completa as lacunas. a) Bruner / a brincadeira b) Froebel / o brinquedo c) Froebel / o jogo d) Bruner / o brinquedo e) Froebel / a recreação 5. (ALTERNATIVA 2018 - ADAPTADA) A teoria froebeliana tem grande influência do campo da psicologia, e dedica-se ao estudo da infância e o jogo. Defende que os estágios de desenvolvimento na infância e pós-infância não são segregados. Tais estágios possuem aspectos comuns que atravessam todo o desenvolvimento joser Realce joser Realce 150 do ser humano. Em relação a Friedrich Froebel e suas teorias, assinale V para Verdadeiro e F para Falso: (__) Defendia um ensino de obrigações porque o aprendizado depende dos interesses de cada um e se faz por meio da prática. (__) O educador considera o início da infância como uma fase de importância decisiva na formação das pessoas. (__) Foi o fundador dos jardins-de-infância. (__) Dizia que a criança é como uma planta em sua fase de formação, exigindo cuidados periódicos para que cresça de maneira saudável. (__) Para ele, as brincadeiras não são um recurso necessário da aprendizagem. São apenas momentos de diversão para as crianças. Respectivamente temos: a) V - F - V - V - F. b) V - V - F - F - V. c) F - V - V - V - F. d) V - V - F - V - F. e) F - V - V - F - F. 6. Bruner defende em sua teoria que a criança capta as relações entre os fatos, em seguida, adquiri outras novas informações, transformando-as e transferindo-as para novas situações. Esta compreensão do desenvolvimento cognitivo pode ser vista em circunstância em que as ocasiões exigem o raciocínio e a resolução de problemas. Considerando os itens, abaixo, marque a alternativa que caracteriza a etapa de desenvolvimento cognitivo infantil de 3 a 9 anos de idade. I. Ilustração de uma história narrada e cartazes II. Construção de castelo com blocos III. Releitura de uma pintura em folha de ofício a) II, apenas b) III, apenas joser Realce 151 c) I e II, apenas d) I e III, apenas e) I, II e III 7. (ENADE 2021) A educação destina-se a múltiplos sujeitos e tem como objetivo a troca de saberes, a socialização e o confronto do conhecimento, segundo diferentes abordagens, exercidas por pessoas de diferentes condições físicas, sensoriais, intelectuais e emocionais, classes sociais, crenças, etnias, gêneros, origens, contextos socioculturais. É preciso fazer da escola a instituição acolhedora, inclusiva, pois essa é uma opção “transgressora”, porque rompe com a ilusão da homogeneidade e provoca, quase sempre, uma espécie de crise de identidade institucional. Fonte: BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais da Educação Básica. Brasília: MEC, SEB, DICEI, 2013 (adaptado). Considerando o texto apresentado, avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas. I. O processo de inclusão é possível quando, além de outros fatores, o profissional da educação observa as pessoas como sujeitos que possuem a mesma identidade na sociedade. PORQUE II. O entendimento de que a normalidade social reside nas diferenças entre as pessoas permite que os professores promovam o acesso às aprendizagens para todos os alunos, independentemente das características de cada um. A respeito dessas asserções, assinale a opção correta. a) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I. b) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I. c) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa. d) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira. e) As asserções I e II são proposições falsas. joser Realce joser Realce 152 8. (ENADE, educação física, 2017). No ano de 2009, os legisladores da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação, por meio de políticas nacionais de inclusão escolar, instituíram as Diretrizes Operacionais para o Atendimento Educacional Especializado na educação básica, com base no documento final da Declaração de Salamanca (1994), em que governantes e delegados, representando 88 governos e 25 organizações internacionais, em assembleia, reafirmam a estrutura de ação em educação especial a seguir. “O princípio que orienta esta estrutura é o que escolas, deveriam acomodar todas as crianças independentemente de suas condições físicas, intelectuais, sociais, emocionais, linguísticas ou outras. Deveriam incluir crianças deficientes e superdotadas, crianças em situação de rua e que trabalham, crianças de origem remota ou de população nômade, crianças pertencentes minoria linguística, étnicas ou culturais e crianças de outros grupos em desvantagem ou marginalizados. Tais condições geram uma variedade de diferentes desafios aos sistemas escolares. No contexto dessa estrutura, o termo “necessidades especiais” refere-se a todas aquelas crianças ou jovens cujas necessidades educacionais especiais se originam em função de deficiência ou dificuldades de aprendizagem”. Com base nas Diretrizes Operacionais para o Atendimento Educacional Especializado na educação básica e na Declaração de Salamanca (1994), conclui-se que, nas aulas inclusivas, o professor deve: a) Respeitar a dificuldade do aluno pertencente ao público-alvo de educação especial, planejando e elaborando atividades diferentes em consonância com as limitações impostas por sua condição, o que facilita o seu processo de inclusão escolar. b) Estar preparado para lidar com as diferentes necessidades de aprendizagem de cada aluno, inclusive com as dos estudantes com deficiência. c) Respeitar a dificuldade do aluno pertencente ao público-alvo da educação especial, planejando e elaborando avaliações simplificadas e individualizadas. d) Delegar ao aluno pertencente ao público-alvo de educação especial a responsabilidade por definir os parâmetros de sua própria avaliação. e) Evitar atividades que demandem a adaptação pedagógica ou a utilização de tecnologias assistivas para atendimento educacional especializado. joser Realce joser Realce 153 OS TIPOS DE JOGOS E PROCESSO DE SOCIALIZAÇÃO 10.1 INTRODUÇÃO Nesta Unidade vamos conhecer sobre alguns tipos de jogos, entre eles, os jogos artísticos, que envolvem artes plásticas, teatro e música; os jogos desportivos; os jogos expressivosque envolvem a dança. Em seguida vamos analisar por perspectivas piagetiana, como o jogo está implicado ao nosso processo de socialização. 10.2 JOGOS ARTÍSTICOS: ARTES PLÁSTICAS, TEATRO E MÚSICA Segundo Haetinger e Haetinger (2012) o jogo artístico envolve três dimensões das artes, são elas: atividades de artes plásticas, atividades de artes teatrais e atividade de artes musicais; e para ilustrar a concepção de jogos artísticos apresentadas pelos autores, apresentamos as Figuras 7, 8 e 9, as quais colaboram para o entendimento dos respectivos conceitos: Figura 26: Atividades com escultura Fonte: Pinterest (2022b, documento online) A Figura 7 exemplifica a realização de uma atividade voltada para as artes plásticas, que usa a argila com o objetivo de construir esculturas. Observamos por Erro! Fonte de referênci a não encontra 154 meio da referida Figura que este tipo de atividade trabalha os movimentos manipulativos, desenvolvendo a coordenação motora fina, além de proporcionar o uso da imaginação que está implicada ao lúdico. Takatsu (2015, p. 56) aponta que Quando se trabalha com as artes plásticas, tendo as atividades lúdicas como intervenc ̧ões pedagógicas, esse aprendizado se torna significativo. Tanto o brincar como a produção artística estão centrados na busca do criar e imaginar tanto o novo como o simbólico. Temos como outros exemplos as atividade de “desenhos, gravuras, recortes, colagens, maquetes, móbiles, trabalhos com tinta, esculturas, massa de modelar, dobraduras, quadros, mosaicos, máscaras, vitrais etc.” (HAETINGER; HAETINGER, 2012, p. 26). Em seguida, temos a Figura 8 representada pelo teatro de fantoches. Ela exemplifica as atividades das artes teatrais, pois como consideram Haetinger e Haetinger (2012, p 26), as atividades teatrais são “jogos dramáticos, peças, dramatizações, improvisações teatrais, fantoches, mímicas, teatro de sombra etc.”. figura 27: Fantoche com E.V.A Fonte: Pinterest (2022c, documento online) Apesar da Figura 8 apresentar características de um público infantil passivo, os jogos teatrais são também amplamente utilizados pelos jovens que transitam em diferentes espaços, como a escola, a igreja, a Organização Não Governamental (ONG) e até mesmo a praça da cidade, onde se revela uma função comunicativa. Para Correia e Gomes-da-Silva (2018, p. 919 citado por KOUDELA, 1998, 2010), os jogos teatrais “são capazes de promover momentos de gênese do improviso”. Tais improvisos atravessam o âmbito emocional do sujeito participante que em nossa 155 avaliação, proporciona a liberdade de expressão que se associa a sensação de bem- estar. Takatsu (2015, p. 19) reitera que: Nesses jogos, pode-se trabalhar o desenvolvimento do ser humano de forma integral, levando em consideração os relacionamentos interpessoais, a individualidade, o coletivo, a afetividade e a inteligência. O trabalho com jogos dramáticos se dá utilizando a criatividade, a dramatização e o lúdico no “aqui e agora”. Como última dimensão, apresentamos os jogos musicais, que se fazem presentes no desenvolvimento humano tantos nas estruturas motivacionais, como nas cognitivas, sensório-motoras e corporal-sinestésicas (MIRANDA, 2013), onde temos o lúdico como matéria prima destas estruturas. Acerca disso, queremos destacar as obras musicais realizadas pela dupla musical que compõem a “Palavra Cantada” desenvolvendo a valorização da cultura, dos ritmos e dos instrumentos brasileiros, mas há ainda os jogos musicais tradicionais, ou seja, os mais populares como as cantigas de roda do folclore brasileiro. Para Broock (2016, p. 99) “a representação musical pode ser experienciada a partir do próprio corpo da criança”, ou seja, “o material sonoro pode ser representado por meio de sinais corporais”, tendo em vista que existem gestos universais. Avançando um pouco mais, apresentamos em seguida a Figura 9 para ilustrar a atividade da dimensão musical, onde Haetinger e Haetinger (2012, p 26) citam como exemplos: “montagem de instrumentos, ritmos, canto, composição, paródias, coral, dicção”. figura 28: Instrumentos musicais recicláveis Fonte: Pinterest (2022d, documento online) 156 A partir do exposto, compreendemos que os jogos musicais permeiam o imaginário da criança, tanto no momento da coreografia, quanto na construção de instrumentos musicais, mesmo que estes sejam de materiais recicláveis. Assim, de lúdica o nosso imaginário ultrapassa o que é real e concreto ao seu redor. 10.3 JOGOS DESPORTIVOS É preciso explicarmos que impulsionados pela falta de consenso entre autores, bem como a aproximação no significado dos termos, construímos esta seção considerando o jogo desportivo e esportivo no mesmo sentido semântico. Sendo assim, adotaremos para a padronização, o termo anunciado no título. Acerca dos jogos desportivos inferimos que estes tencionam uma reflexão sobre a forma que são conduzidos, e apontamos isso pelo fato de propiciarem a competição e a exclusão, caso não estejam vinculados à proposta de função social. Nesta mesma direção, concordamos com Haetinger e Haetinger (2012, p. 27) ao conceberem que “os jogos desportivos entre crianças devem valorizar as 157 atividades físicas, motoras e emocionais, e não a competição, sob a pena de serem excludentes e não inclusores”. Partindo desta ideia podemos sistematizá-los como um tipo de jogo que gera competição entre os participantes, os quais estão sob um conjunto de regras a serem respeitadas, onde se busca alcançar o melhor resultado no placar. Em contribuição, Koch (2005) ressalta o controle e o direcionamento, como elementos importantes no jogo. Tais características devem receber demasiada atenção, justamente, para que o caráter excludente por habilidade, gênero ou outros, não sejam privilegiados, e sim, haja a valorização e o reconhecimento da socialização. Como exemplos de jogos desportivos, podemos citar inúmeros, contudo, apontamos os mais populares de nível nacional e internacional, sendo o futebol, o handebol e o vôlei (os coletivos), e a corrida e o ciclismo (os individuais). Tantos os coletivos quantos os individuais estão subordinados a um regulamento, para que os participantes tenham condições igualitárias em jogo. Gostaríamos de citar, ainda, o jogo pré-desportivo na educação física. Segundo Goulart (2018), este tipo de jogo antecede o desportivo para promover o aprendizado do mesmo e a sua condução se difere bastante, a exemplos, o tempo de duração e demais regras são adaptadas e o perfil é mais recreativo. 158 10.4 JOGOS EXPRESSIVOS: DANÇA Para abordarmos os jogos expressivos, que tratam sobre a dança, trazemos a cena uma discussão sucinta sobre o corpo, que ainda segue sendo motivo de muita polemica na sociedade. Com uma ideia cristã de corpo sagrado herdada da Idade Média, somos repreendidos, principalmente o corpo feminino, pelo fato de usarmos o corpo como linguagem para expressarmos as nossas sensações e emoções, como por exemplo, em situações como saltar de alegria, o corpo se movimenta quase que involuntariamente, isso por conta das nossas emoções expressadas. E com a dança não ocorre de maneira tão distinta, tendo em vista que ela faz parte da nossa primeira infância, e que no decorrer dos anos, criamos limitações para o corpo e por consequência, para a comunicação por conta das repressões e preconceitos sociais, sendo que tais limitações seguem se reverberando ao longo do nosso desenvolvimento, e não apenas na forma física. Takatsu (2015, p. 60) ressalta que “quando alguém tem mais conhecimento sobre seus movimentos e seu corpo, tem uma autoestimamais elevada”. Além disso, reiteramos que concordamos com Marques (2012) ao considerar a dança um signo, ou seja, uma forma de linguagem. Esta forma de comunicação quando trabalhada de forma lúdica, favorece a descoberta de nossas potencialidades, como por exemplo, a amplitude articular. Não obstante, em uma dimensão mais psicológica, nos revela que podemos conduzir a nossa própria história.. Sendo assim, veja que a dança tem um campo de atuação muita maior que o entendimento de um corpo como máquina. Queremos destacar que a dança não se esgota em decorar passos de forma irrefletida e mecânica. Trazemos à tona as perspectivas da arte e da linguagem como importante propulsores da expressividade, a qual podamos ao longa da nossa vida (MARQUES, 2014). Em contribuição Haetinger e Haetinger (2012, p. 26) 159 considerarem que todos os jogos podem ser considerados expressivos, contudo, afunilam os olhares para os jogos onde têm a expressão a principal habilidade, tais como as atividades que envolvem a expressão corporal, ritmos e movimentos. Para melhor compreensão, vaja a Figura 10 e a respectiva análise. figura 29: Dança de rua Fonte: Screw (2022, documento online) A Figura acima demonstra passos da dança de rua conhecida como break, que, comumente, é usada nas disputas de passinhos. Os movimentos da dança exploram a amplitude do corpo descobrindo e explorando as potencialidades deste corpo, dando a liberdade de criar, além de apresentar a sua subjetividade, a história e a cultura da população de periferia, que em muitas situações trazem na música e no movimento, denúncias de descasos nas periferias urbanas. 160 10.5 O JOGO NO PROCESSO DE SOCIALIZAÇÃO Podemos perceber que o que vimos sobre os jogos nesta Unidade, nos leva ao entendimento de que estes são importantes ferramentas para o processo de socialização, pelo fato de oferecerem espaços para trocas e compartilhamentos. Sendo assim, a socialização ocorre por um processo de construção. Para melhor explicar este caminho percorrido, vamos dialogar com a teoria do interacionista Jean Piaget com base no Quadro 4. Veja: Quadro 11: Estágios do jogo, segundo o desenvolvimento humano (Jean Piaget) Fonte: Quadro elaborado pela autora adaptado de Kishimoto ( 2016) O Quadro anunciado apresenta que ao longo do nosso desenvolvimento, atravessamos os três estágios do jogo. Analisamos que nos primeiros meses de vida da criança tem o próprio corpo como mediador do jogo, onde pequenos gestos como levar a mão ao rosto, repetidas vezes se torna um jogo. No segundo estágio a criança permanece egocêntrica, centrada em si, porém, agora com a predominância do jogo simbólico de acordo com a realidade externa. Já no terceiro estágio, Piaget traz o jogo com regras como um importante marco em nossas vidas, pois é nele que passamos a nos relacionar, ocorrendo (KISHIMOTO, 2016, p. 42) Primeiro 18 meses Aos 12 meses Jogo de exercício Repetições funcionais e agradáveis Repetições fortuitas e combinações de ações e de manipulações Aos 2 anos Jogo simbólico Predominância do jogo simbólico (ficção, imitação e faz de conta) 7 a 11 anos Jogos de regras Maior interação social, menos posições individuais 161 a transição da atividade individual para a socializada. Esse jogo não ocorre antes de 4 a 7 anos e predomina no período de 7 a 11 anos. Para Piaget, a regra pressupõe a interac ̧ão de dois indivíduos e sua func ̧ão é regular e integrar o grupo social. É neste estágio que passamos a preconizar os ideais coletivos, tendo a assimilação das regras como ponte para a interação nos grupos de convivência, tendo em vista que no decorrer das interações nos jogos, ocorre a interiorização das regras, que são transportadas para a vida real. Estas transferências para a vida real colaboram para a organização social. Mas destacamos que o jogo como ferramenta de socialização está para além da obediência de regras. Cordeiro (2009, p. 20) diz que: Quando a criança se relaciona espontaneamente com outras crianças, desenvolve uma autoimagem positiva de si mesma, e sente- se confiante segura a investir nas relações e nas trocas afetivas. Aos adultos cabe a tarefa de promover os encontros sociais, buscando descobrir o prazer da convivência. Sendo assim, o jogo no processo de socialização alimenta a autoestima e laços afetivos em suas redes sociais. Fazendo ainda uma correspondência com a perspectiva de Jean Piaget, a partir dos 7 anos de idade a criança segue para a fase que está propensa as interações, inscrevendo novas aprendizagens sobre as posições individuais, contudo, Cordeiro (2009) traz a questão do estímulo que o adulto deve promover. Apesar do estágio ser uma sequência biológica para Jean Piaget, é preciso que haja a oferta deste ambiente. Estes elementos conjugados nos revela a ideia de que a socialização é um processo. 162 163 FIXANDO O CONTEÚDO 1. (QUADRIX 2017 - ADAPTADO) Inusitado diálogo... — Os jogos escolares servem para a fraternidade! Para a socialização dos participantes! Para a prática salutar das atividades gimnodesportivas! Para a Educação, enfim... — Seu Diretor, a sua escola participa dos Jogos Escolares? — Claro! Somos uma instituição educacional. — E quais foram os resultados educacionais da participação do seu colégio? — Duas medalhas de ouro, cinco de prata, três terceiros lugares, e o nosso time de basquete tava massacrando o inimigo quando foi desclassificado por um juiz ladrão. — Ah!!! Bracht. Esporte na escola e esporte de rendimento. In. Movimento. Porto Alegre/RS, v. 6, n.º 12, 2000, p. 14-24. Considerando o diálogo e as tensões é correto afirmar que: a) A postura do diretor não corresponde ao jogo em um ambiente escolar, onde visa a socialização dos participantes. b) A conquista das medalhas é o resultado que se espera dos jogos que objetivam a socialização entre os participantes. c) O esporte de alto rendimento tem como característica acumular medalhas por pontos ou performances, então, o diretor mantém-se alinhado com as perspectivas da educação física escolar. d) A participação em jogos estudantis não deve se limitar a prática inclusiva e de socialização, e sim, perceber ali a oportunidade de se destacar. e) Tanto o esporte de alto rendimento quanto o esporte para socialização, devem estar presentes nas aulas de educação física escolar. 2. (OS CONCURSOS 2021 - ADAPTADO) Considerando a leitura da Unidade 4, podemos classificar os jogos em grandes grupos, são eles: _____. Marque a alternativa que corresponde à lacuna. a) Jogos artísticos, jogos expressivos, jogos recreativos e brincadeiras, jogos desportivos. b) Jogos artísticos, jogos expressivos, jogos de mímica, jogos desportivos. c) Jogos artísticos, jogos expressivos, jogos de tabuleiro. d) Jogos teatrais, jogos musicais, jogos desportivos. joser Realce 164 e) Jogos artísticos, jogos desportivos, jogos expressivos. 3. (AMEOSC 2021 - ADAPTADO) Analise as assertivas a luz dos jogos. I. Através dos jogos a criança pode estimular o desenvolvimento do seu raciocínio lógico, da cooperação, criatividade, coordenação, imaginação e socialização. II. Os jogos podem oportunizar aos alunos aprenderem a respeitar regras, discutir, inventar, criar e transformar o mundo onde estão inseridos. III. O jogo não pode se constituir em uma atividade organizada por um sistema de regras. Está (ão) CORRETA (S): a) Apenas o item I está correto. b) Apenas o item III está correto. c) Apenas os itens I e II estão corretos. d) Apenasos itens II e III estão corretos. e) Os itens I, II e III estão corretos. 4. (AMEOSC 2021 - ADAPTADO) No tocante aos princípios, finalidades e objetivos da educação física, podemos afirmar que é por meio de vivências corporais e interações sociais éticas que o sujeito__. Marque a alternativa que corresponde a lacuna. a) Aprende a viver plenamente sua corporeidade, de forma lúdica, tendo em vista a qualidade de vida, a estética corporal padrão, a promoção e manutenção da saúde. b) Aprende a viver parcialmente sua corporeidade, de forma competitiva e disciplinada, postergando os cuidados com a promoção e manutenção da saúde. c) Apropria-se de conhecimentos sobre o corpo e suas práticas, desenvolve sua identidade, amplia sua capacidade de escutar e dialogar, de trabalhar em equipe, de conviver com o incerto, o imprevisível e o diferente. d) Aprende a conhecer e a perceber, de forma permanente e contínua, seu corpo, joser Realce joser Realce joser Realce 165 suas limitações, na perspectiva de superá-las, e suas potencialidades, no sentido de desenvolvê-las, de maneira dependente e responsável. e) Passa a ser disciplinar. 5. Considerando os tipos de jogos, associe a primeira coluna com a segunda: Primeira coluna: Segunda coluna: 1- jogos artísticos (2) uma forma de linguagem que, quando trabalhada de forma lúdica, permite às crianças a descoberta de suas potencialidades de movimento, permitindo que se torne, também, protagonista de sua história. 2- jogos expressivos (1) são jogos dramáticos, peças, dramatizações, improvisações teatrais, fantoches, mímicas, teatro de sombra etc. 3- jogos desportivos (3) os jogos desportivos entre crianças devem valorizar as atividades físicas, motoras e emocionais, e não a competição, sob a pena de serem excludentes e não inclusores. Marque a alternativa que corresponde a sequência da segunda coluna. a) 1 - 2 - 3. b) 2 - 1 - 3. c) 1 - 3 - 2. d) 3 - 2 - 1. e) 3 - 1 - 2. 6. Sendo os jogos as atividades que promovem interação, as suas variações vão depender dos objetivos e da forma em que são conduzidos. Marque a alternativa que corresponde aos jogos artísticos envolvendo artes plásticas. a) Esculturas e dobraduras b) Paródias e recortes c) Futsal adaptado e maquetes d) Pintura de quadro e teatro de sombras e) Dramatizações e fantoches 7. (AMEOSC 2021 - ADAPTADO) De acordo com a arte-educadora e artista visual Laura Aidar, a dança é um tipo de manifestação artística que utiliza o corpo como joser Realce joser Realce 166 instrumento criativo. Geralmente, essa forma de expressão vem acompanhada por música. Entretanto, também é possível dançar sem o apoio musical. Na dança, as pessoas realizam movimentos ritmados, seguindo uma cadência própria ou coreografada, originando harmonias corporais. Nesse contexto verifica-se que a dança: a) Independente das influências culturais, bem como da época, pois a dança permanece inalterada e conserva toda a tradição de um povo. b) Representa características, expressões, sentimentos, comunicações e representações de um povo. c) É uma manifestação rítmica, com base na expressividade e de cunho artístico e não contém qualquer elemento da chamada linguagem corporal. d) Representa uma forma de expressão corporal baseada em gestos padronizados, que necessariamente requer habilidade para execução. e) É uma sequência de passos ensaiados. 8. O pesquisador interacionista Jean Piaget desenvolveu uma teoria que abarca o conceito do jogo durante o desenvolvimento da criança. Ele dividiu em três estágios a nossa passagem evolutiva, sendo: jogo de exercício, jogo simbólico e jogo de regras. Neste sentido, avalie os itens abaixo: I. Jogo de exercício é representado por repetições funcionais e agradáveis, havendo combinações de ações e de manipulação. II. Jogo simbólico predomina o simbolismo como a ficção, a imitação e o faz de conta. III. Jogo de regras proporciona mais interação social e menos posições individuais. Marque a alternativa que apresenta o/s item/ns correto/s. a) I. b) II. c) III. d) I e II. e) I, II e III. joser Realce joser Realce 167 LAZER E RECREAÇÃO NO CONTEXTO DA EDUCAÇÃO FÍSICA 11.1 INTRODUÇÃO Nesta Unidade vamos abordar como o lazer e a recreação vão ao encontro do componente curricular da educação física, apresentando quais são os espaços públicos e privados e equipamentos que servem para as práticas citadas. Além disso, problematizamos o meio ambiente como espaço de interação do ser humano, a partir de uma conduta ética. Neste interim apontamos os campos de trabalho para os profissionais formados em licenciatura e bacharelado, finalizando a unidade apresentando o perfil do profissional que desejam trabalhar com o lazer e a recreação. 11.2 O LAZER E A RECREAÇÃO NA TRAJETÓRIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA Na Unidade 1 vimos a história e as demarcações legais do lazer e da recreação, como também vimos que sob o entendimento de Haetinger e Haetinger (2012), a recreação está contida no lazer e ambos proporcionam prazer, mas a recreação tem de específico, as práticas recreativas e o conceito de ludicidade. A leitura da referida Unidade é fundamental para o entendimento desta seção da Unidade 5, pois, aqui, apresentamos aspectos históricos mais específicos que trazem o lazer e a recreação para o contexto da educação física no Brasil, que surge por uma perspectiva de controle e submissão. Daniach (2020) menciona que o auge dos estudos sobre recreação e lazer em Brasil foi na década de 1970, este sendo um período intensamente marcado pela ditadura militar. Os aparelhos sociais, como a escola, estavam a serviço da propagação dos valores proclamados na época. Os ideais difundidos neste período tinham como plataforma a “política de embranquecimento da população” (DANIACHI, 2020, p. 13) e, tanto o currículo escolar quanto a proposta da escola tornou-se reflexo da política implantada. Na educação física houve um significativo investimento no esporte de alto rendimento, Erro! Fonte de referênci a não encontra 168 tornando as aulas maçantes pelo método de repetição e execução perfeita do movimento. Cayres-Santos (2020, p. 194 citado por FIORANTE I, 2015) contribuem para entendimento do impacto deste período histórico na educação física no Brasil: O desenvolvimento da Educação Física Brasileira até a década de 80 do século passado foi marcado pela presença de pressupostos de caráter higienista, militarista e esportivista, os quais estavam intimamente relacionados com a prática pedagógica dos professores desta área. Esta realidade revelou que a Educação Física é filha de cada época, estando, portanto, sujeita a transformações e necessidades referentes a cada momento histórico. A concepção higienista trazia a ideia de corpo saudável e a fomentação dos hábitos de higiene; a concepção militarista, chamada também de tecnicista, e a concepção esportivista preparavam os jovens para o combate além de discipliná- los a executarem os movimentos de forma eficiente, sem o exercício da reflexão e questionamento, valorizando a capacidade física e um corpo mecânico (CAYRES- SANTOS, 2020). Em específico sobre o modelo esportivista, Daniach (2020) menciona que até hoje é uma metodologia de ensino presente nas escolas e universidades. Vimos mais na Unidade 1 que a recreação não se distanciou desta perspectiva de controle e disciplina. Somente a partir da redemocratização da sociedade com a promulgação da CF em 1988, novos ideais sobrepuseram tais concepções tradicionais e originaram-se tendências mais sociais e progressistas, as quais compreendem o serhumano em sua totalidade, ampliando a ideia do corpo para além de um aparelho biomecânico e alienado. Acerca da metodologia recreacionista, esta surge com duras críticas a metodologia esportivista, indo de encontro aos seus ideais, contudo (DANIACHI, 2020, p. 27) essa concepção voltou-se a outro extremo, pois para, contrapor uma metodologia tão castradora, limitada, seletiva e até mesmo preconceituoso, surgira, ideias bastantes libertário, em que os próprios alunos decidiam o que iam fazer nas aulas, de que forma fariam as atividade e quais materiais utilizariam. Isso contribuía para a presença da competição nas aulas da educação física marcando a recreação nas escolas, tendo em vista que era mais latente a presença dos jogos e as práticas inclusivas (DANIACHI, 2020). As aulas se distanciam do estado maçante e reprodutivista para dar espaço à recreação que favorece o lazer aos 169 envolvidos, deixando as aulas mais prazerosas. A seguir, na próxima seção vamos verificar que as práticas de recreação e lazer podem ser realizadas em diferentes ambientes, não sendo uma exclusividade da escola. 11.3 LAZER E RECREAÇÃO: ESPAÇOS PÚBLICOS E PRIVADOS E EQUIPAMENTOS O lazer e a recreação não são exclusividades dos ambientes escolares, vamos ver nesta seção uma série de alternativas de ambientes que podem ser utilizados para estas práticas, sendo eles de caráter público e de caráter privado. Para o entendimento de espaço público recorremos as considerações apresentadas por Bovo Martins (2016 apontado por CASTRO, 2002), que anuncia o espaço público como um produto de uso social, e propõe que o acesso é correlacionado a livre circulação de forma gratuita. Diferente do espaço privado, onde a livre circulação é restrita, pelo fato do espaço em questão ter uma visão voltada para os rendimentos e lucros. 170 A utilização de espaços públicos para lazer é uma alternativa, contudo, devemos estar preparados para lidar com questões como de manutenção e conservação. Como menciona Santana e Alves (2014), a administração destes espaços pertence às esferas de governo, no entanto, inferimos que cabe aos usuários zelar por sua preservação. Temos como exemplos de opções de lazer em espaços públicos como praças, quadras e parques, ondem podemos realizar piqueniques, andar de bicicleta, até mesmo patinar. Dependendo da estrutura física do espaço, há incontáveis possibilidades. Veja na Figura 11 um destes exemplos. Figura 30: Piquenique no Parque do Ibirapuera em São Paulo Fonte: Parque Ibirapuera (2015, documento online) A Figura 11 representa uma atividade de lazer no Parque, espaço público no Estado de São Paulo. Sobre os espaços privados Santana e Alves (2014) explicam que é de caráter particular, sendo a manutenção responsabilidade do proprietário, onde passa a ser subsidiada em grande medida pelas cobranças de ingresso para acesso. Destacamos que mesmo havendo interesse mercadológico no espaço, a ideia de preservação deve ser levada em consideração por seus usuários, que podemos considerar como um comportamento de respeito convencionado. Apontamos para as praças, quadras e parques como espaços de lazer, sendo que tais exigem, minimamente, equipamentos disponíveis, os quais também têm a sua manutenção de responsabilidade de outrem. Na dimensão dos equipamentos, apontamos para os específicos considerando a dimensão física de espaço e finalidades, que são classificados em três categorias (SANTANA; ALVES, 2014, p. 194- 195, citado por BRUHNS, 1997) 171 Equipamentos especializados ou microequipamento: são os equipamentos destinados a atender uma atividade específica ou um conteúdo cultural específico. Têm-se como exemplo as academias de ginásticas, teatros, centros esportivos, cinemas, bibliotecas etc. Equipamentos polivalentes: podem ser classificados como equipamentos médios ou macroequipamentos. Os equipamentos médios polivalentes são destinados a receber uma programação diversificada, atendendo a vários interesses socioculturais, que comportam um número de 2.500 pessoas por dia e até 5000 em eventos nos fins de semana. Tem como exemplos: centros culturais, esportivos, comunitários e etc. E os Macroequipamentos são destinados ao atendimento de massa contemplando programação diversificada. Exemplos são os parques temáticos, reservas ecológicas, parques aquáticos, dentre outros. Equipamentos turísticos: todos aqueles destinados a atividade turística. Compreende uma diversificação de ofertas que possam atender as necessidades dos turistas. É composto por hotéis, acampamentos, pousadas, colônias de férias etc. Perceba que os equipamentos especializados oferecem estruturas voltadas para tal finalidade em si, diferente dos equipamentos polivalentes, pois estes trazem a ideia de múltiplas funções. Por último, os hotéis, pousadas e atividades em acampamentos promovem atrativos para a exploração turística. Sendo estes as três categorias de equipamentos específicos. Não obstante, apresentamos os equipamentos não específicos do lazer, ou seja, sua finalidade não é o lazer, contudo, é possível vivenciá-lo, exemplificamos como “a casa, a rua, a escola e até mesmo, o ambiente de trabalho” (SANTANA; ALVES, 2014, p. 196). Mencionamos acima equipamentos que também encontramos nas organizações privadas. Ribeiro (2014, p. 78) apresenta exemplos de organizações privadas, sinalizando alguns ambiente e espaços: hotéis de lazer (resorts, spas, fazendas etc.), acampamentos, campings, condomínios, shoppings, buffets, parques de diversões temáticos e aquáticos, navios de cruzeiros, empresas de recreação e eventos, brinquedotecas, casas de repouso ou asilos, hospitais, restaurantes, livrarias, clubes, academias, empresas específicas de lazer e recreação etc. Dentre os exemplos apresentados acima pela autora, inferimos que alguns destes citados, são vistos também em espaços com acesso público, como é o exemplo da brinquedoteca e livrarias. Isso ocorre pela iniciativa das ONGs por meio de projetos que buscam atuar nas demandas em que o Estado não está presente. Concluímos assim que tantos os espaços públicos, os espaços privados, quantos os espaços administrados pelas ONGs, são ambientes que oferecem lazer e 172 recreação promovendo a socialização. 11.4 LAZER E MEIO AMBIENTE Consideramos esta seção uma das mais importantes neste livro didático, isso porque, há uma memória justa, coletiva e legal de que o meio ambiente precisa ser preservado. Sobre esta assertiva não temos dúvidas, no entanto, reiteramos que é possível que haja a interação entre o ser humano e o meio ambiente em uma proposta de lazer, de modo que se possa contemplá-lo seguindo condutas éticas. Quando nos referimos às condutas éticas, queremos apontar as considerações de Marinho (2004, p. 12): O empenho pela ética, pelo respeito às diferentes formas de vida, o incentivo pela autonomia, pela solidariedade e pela democracia são algumas das metas cultivadas e almejadas tanto pelo lazer quanto pela educação ambiental. Infelizmente, a educação formal deixa suas funções a desejar uma vez que parece se ater apenas a um ensino teórico massivo ou a práticas esvaziadas de conteúdos e, nesse processo, com o sentido de superação, a educação para o lazer e a 173 educação ambiental têm ambas como finalidade a formação de sujeitos conscientes, sensíveis e críticos no que se refere ao tempo livre e à natureza. Nesta concepção temos o meio ambiente e o lazer a favor da formação para a prática do cidadão. A interação entre ser humano e natureza contribui de maneirasignificativa para “o despertar de uma sensibilidade e de uma responsabilidade ambiental coletiva, contribuindo, até mesmo, para impulsionar o estabelecimento de políticas em níveis local e global” (MARINHO, 2004, p. 12). Destacamos que a vida agitada decorrente das demandas que queremos abraçar nos levou cada vez mais para os centros das cidades, onde somos cercados de arranhas céus, comércio e indústrias, contudo, atualmente, buscamos mais por áreas verdes quando não estamos envolvidos nestas demandas estando, assim, mais perto do meio ambiente. Tal comportamento pode ter sido impulsionado pelas macro ações que envolvem o turismo. A Medida Provisória nº 1.795, de 31 de dezembro de 1998 dispõe sobre a organização dos Ministérios da República e podemos ver duas pastas listadas no Artigo 13º, inciso VIII, que intitula Ministério do Esporte e Turismo. De igual forma está a Medida Provisória nº 2.216-37, de 31 de agosto de 2001 (BRASIL, 1998, documento online; BRASIL, 2001, documento online). As Medidas tomaram força de Lei, onde o Ministério do Esporte que foi fundando em 1995, em 1998 passa ter em sua administrar o campo do turismo. Somente no ano de 2003 o Esporte e o Turismo se desvincularam, tendo cada um as suas pastas independentes (BRASIL, 2003, documento online). Mesmo que por um período relativamente curto de trabalho híbrido, heranças foram deixadas, e quando abordamos o lazer e o meio ambiente, temos uma linha tênue que nos separa do campo do turismo. Acerca disso, temos atividades realizadas em eventos que são construídos com parcerias de secretarias e departamentos. Ribeiro (2014, 76) considera que quando a cidade consegue sediar eventos ou etapas de eventos a partir da organização das suas secretarias, a economia da cidade é movimentada, pois “atraem turistas que ocupam os meios de hospedagem, gastam nos restaurantes, nos bares, compram passeios etc.”. Como exemplo a autora cita eventos como o “Circuito Adventure Camp, corrida de aventura nacional e no Campeonato Brasileiro de Rafting”. Seguindo esta direção, apresentamos a Figura 12 que representa uma 174 experiência exitosa envolvendo o departamento de agricultura e meio ambiente e turismo. figura 31: Canoagem com plantio de mudas em Miracatu/SP. Fonte: Clicribeira (2015, documento online) A Prefeitura de Miracatu em comemoração aos 83 anos da cidade sediou um evento de canoagem seguido de plantio de mudas, promovido pelo Departamento de Agricultura e Meio Ambiente. Em parceria, o Departamento de Turismo, situado no Ginásio de Esportes da cidade encarregou-se pelas inscrições dos candidatos (CLICRIBEIRA, 2021, documento online). Tal prática pode ser contextualizada com a educação ambiental a partir do problema do desmatamento, e a necessidade do reflorestamento. Veja como Marinho (2004, p. 10 apontado por SORRENTINO, 2002) apresenta esta prática: Dentre os desafios na realização da educação ambiental, relativos à sensibilização e à mobilização do grupo para enfrentar e solucionar problemas; estão aqueles referentes à construção de situações/jogos/simulações que permita o exercício da capacidade de trabalho interdisciplinar e intersaberes, com o objetivo de construir conhecimentos e procedimentos capazes de preparar os sujeitos para tomadas de decisão sobre grandes impasses com os quais nos deparamos, a cada momento. Consideramos o evento da Prefeitura de Miracatu, SP, um indutor de outras variações que podem ser feitas pelo profissional de educação física com a prática da caminhada, trilha, corrida de orientação etc., e ainda, “podendo, da mesma forma, serem utilizadas como atividades de lazer, com fim nelas mesmas”, como menciona Marinho (2004, p. 6). As atividades relacionas ao meio ambiente também fazem parte do currículo escolar pela compreensão apresentada por Marinho (2004 apontado por 175 SORRENTINO, 2002), sendo um importante elemento da formação dos alunos. Diante da BNCC, a educação física tem entre as suas unidades temáticas, a “Práticas Corporais de Aventura” que se revelam no meio ambiente em duas categorias (BRASIL, 2014, p. 218-219, documento online): As práticas de aventura na natureza se caracterizam por explorar as incertezas que o ambiente físico cria para o praticante na geração da vertigem e do risco controlado, como em corrida orientada, corrida de aventura, corridas de mountain bike, rapel, tirolesa, arborismo etc. Já as práticas de aventura urbanas exploram a “paisagem de cimento” para produzir essas condições (vertigem e risco controlado) durante a prática de parkour, skate, patins, bike etc. Aqui, o meio ambiente está sendo palco para a interação dos alunos que são oportunizados a novas descobertas e envolve um elemento fundamental, o “produto cultural vinculado com o lazer/entretenimento e/ ou o cuidado com o corpo e a saúde” (BRASIL, 2014, p. 213, documento online). Ainda em tempo, é preciso considerar uma série de indicadores para a realização de atividades na interação com o meio ambiente, com segurança (BRASIL, 2014, documento online). Segundo Daniach (2020, p. 84) é necessária verificar previamente “o clima, vegetação, habitantes do local” entre outros indicadores que veremos na unidade que se refere ao planejamento. Assim, concluímos que é possível a interação do ser humano e meio ambiente para a prática do lazer e que também é possível recorrer a parcerias de outras secretarias para a promoção deste campo. 176 11.5 QUEM É O PROFISSIONAL HABILITADO? Os profissionais que buscam desenvolver trabalhos no campo da recreação e do lazer, majoritariamente, são os estudantes que cursaram educação física. Sinalizamos, ainda, que a recreação e o lazer possuem aspectos comuns entre a licenciatura e o bacharelado, por conta disso, este componente curricular está tanto no currículo voltado para a atuação no campo escolar, bem como no campo não escolar, todavia, destacamos que apenas o licenciado pode atuar na dimensão escola. A nível de formação, há cursos de pós-graduação a nível latu senso e strito senso que se dedicam as pesquisas deste campo de trabalho, justamente, pelo entendimento de ser um tema de grande impacto na formação do profissional, que popularmente, é reconhecido como recreacionista, como pontua Cavallari e Zacharias (2018, p. 19), podendo desempenhar papéis, como: “animadores, supervisores ou técnicos em recreação”. Tais papéis desempenhados irão depender das demandas de trabalho, até mesmo porque, “uma mesma pessoa pode ocupar cargos diferentes em momentos diversos, ou mesmo acumular funções concomitantemente” (CAVALLARI; ZACHARIAS, 2018, p. 19), claro, desde que este conjunto de tarefas estejam cadenciados e sincronizados. Contudo, Ribeiro (2014, p. 101) traz uma percepção ampliada e de multiplicidade do profissional. A autora cita ainda que a atuação no campo do lazer passa pela questão de nomenclaturas, como: “monitor, recreador, recreacionista, animador, animador cultural, animador sociocultural, agente cultural, agente de lazer, gentil organizador, promoter, coordenador de lazer etc.”. O termo multiplicidade se torna muito pertinente, pois as percepções variam entre os autores. Para Melo (2012) reunimos ainda para o profissional de lazer, nomenclaturas como dinamizador e gentil organizador. Mas queremos chamar a sua 177 atenção para o fato de que, apesar do profissional de educação física estar habilitado para o exercício neste campo de trabalho, é necessário que este tenha um perfil específico, ou seja, reúna habilidades e características identitárias. Ribeiro (2014, p. 101-102) elenca pontos importantes que devemos levar em consideração na construção do perfil deste profissional, veja: » habilidadepara atuar em equipes de diversas áreas e para isto deve gostar de lidar com pessoas; » capacidade para desenvolver e adaptar atividades de lazer e recreação para diferentes públicos e em diversos espaços; » disposição e sensibilidade para contatar e lidar com os participantes, ao mesmo tempo, considerar suas preferências, personalidades e dificuldades diversas; » respeito quanto à vontade dos participantes; se não quiserem participar de determinada atividade de lazer e recreação que ele propôs, uma vez que o participante está em seu tempo livre e suas escolhas e formas de participação devem ser consideradas; » não confundir o tempo e as atividades de lazer proporcionadas ao público com o “seu lazer”, ou seja, quem deve usufruir da programação são os participantes e não o animador; » ter organização para desenvolver o planejamento, a execução e avaliação de programações e projetos também a longo prazo » entendimento de como montar propostas e projetos para diversas instituições; » procurar, na medida do possível, ser critico quanto às injustic ̧as sociais e tentar minimizá-las, principalmente em relação ao lazer, uma vez que todos nós temos direito ao lazer. Dentre as qualidades elencadas, temos implicitamente a criatividade, a organização, a flexibilidade, a empatia e o sendo crítico. Logo, “carisma e capacidade de lidar com público não são dimensões suficientes, mas não podemos negar que sejam características importantes”, indiferente do público-alvo que se está atuando, que pode ser desde o infantil ao grupo de idosos. Neste sentido Melo e Júnior (2012, p. 75) rompem com o entendimento equivocado que “qualquer um pode assumir tal função, bastando ter algumas características de personalidade (ser divertido, ter carisma) e saber muitas brincadeiras”. É necessário um conjunto sólido de saberes científicos e filosóficos para a atuação no campo profissional da recreação. 178 179 FIXANDO O CONTEÚDO 1. O profissional formado em educação física é habilitado para o exercício de funções como recreador, animador, agende de lazer entre outras nomenclaturas, tendo em vista a diversidade de campo para atuação, como por exemplo, hotéis acampamentos, escolas etc. Considere os itens, abaixo: I. Para o exercício profissional no campo da recreação e do lazer, é necessário ter a formação de bacharelado em educação física. II. Para o exercício profissional no campo da recreação e do lazer, é necessário ter a formação de licenciatura em educação física. III. Para o exercício profissional de recreador nas escolas, é necessário ter a formação em educação física. Diante disso, marque a alternativa com os itens verdadeiros. a) I, apenas. b) II, apenas. c) I e II, apenas. d) III, apenas. e) I, II e III. 2. Apesar do egresso do curso de educação física estar habilitado para desenvolver trabalhos no campo da recreação e do lazer, é necessário que reúna qualidades bem específicas para lidar com a dinâmica de atuação. Entre as qualidades indispensáveis estão: I. Ter organização para desenvolver o planejamento, a execução e avaliação de programações. II. Procurar, na medida do possível, ser critico quanto às injustiças sociais e tentar minimizá-las, principalmente em relação ao lazer, uma vez que todos nós temos direito ao lazer. III. Deve gostar de lidar com pessoas; joser Realce 180 Marque a alternativa que corresponde aos itens acima, como verdadeiro ou falso: a) V - V - V. b) F - F - V. c) V - F - V d) V - V - F e) F - F - F. 3. A prática do lazer ocorre nos espaços públicos e privados e tais espaços podem apresentar equipados conforme o espaço e finalidades, inclusive, aqueles que são específicos de lazer. A partir disso, considere as coluna. (1) Equipamentos especializados (2) Equipamentos polivalentes (3) Equipamentos turísticos ( ) É composto por hotéis, acampamentos, pousadas, colônias de férias etc. ( ) Tem como exemplos: centros culturais, esportivos, comunitários e etc. ( ) Têm-se como exemplo as academias de ginásticas, teatros, centros esportivos, cinemas, bibliotecas etc. Marque a alternativa que corresponde corretamente as colunas apresentadas. a) 1, 3, 2. b) 3, 2, 1. c) 1, 2, 3. d) 3,1, 2. e) 2, 1, 3. 4. (VUNESP 2019) Uma das abordagens da Educação Física escolar é a denominada de esportivista (Maldonado e Silva, 2016). Quando esses autores se referem aos escritos de Darido, mencionam que adeptos dessa abordagem entendem que a Educação Física possui como finalidades a busca do rendimento, a seleção e a iniciação esportiva, e seus conteúdos procedimentais têm como foco o esporte e joser Realce joser Realce 181 os valores, atitudes e normas ensinados que visam ao desenvolvimento: a) Do prazer e divertimento. b) Do autocuidado e da empatia. c) Da participação, cooperação e do respeito mútuo. d) Da eficiência, produtividade e perseverança. e) Da consciência ambiental e da inclusão dos mais fracos na sociedade. 5. (FAUEL 2019 - ADAPTADA) No Brasil a inserção da Educação Física na escola se deu através da instituição militar, sendo as aulas ministradas por instrutores do exército. A disciplina escolar era entendida como atividade exclusivamente prática. Tinha como objetivo desenvolver e fortalecer física e moralmente os indivíduos. O referencial que sustenta seu conteúdo de ensino era oriundo das ciências biológicas que reforçava o caráter científico e eugenista da disciplina. No período pós-guerra surge no Brasil a divulgação e influência do esporte na Educação Física escolar. Isto identificou a subordinação da disciplina escolar aos códigos/sentidos da instituição esportiva. Dessa forma, a EDUCAÇÃO FÍSICA MILITARISTA apoiou-se em qual contexto? Marque a alternativa correta. a) A Educação Física Militarista não estava preocupada com a saúde pública, pois entendia que tal questão não podia ser discutida independentemente do levantamento da problemática forjada pela atual organização econômico-social e política do país. b) A Educação Física Militarista era a caracterização da competição e da superação individual como valores fundamentais e desejados para uma sociedade moderna, voltada, então, para o culto do atleta-herói. c) Na Educação Física Militarista a concepção que vai questionar da sociedade a necessidade de encarar a Educação Física como uma prática capaz de promover saúde ou de disciplinar a juventude, mas de encarar a Educação Física como uma prática eminentemente educativa, respeitando suas peculiaridades culturais, físico-morfológica e psicológicas. d) A Educação Física Militarista não se resume numa prática militar de preparo físico. joser Realce joser Realce 182 É, acima disso, uma concepção que visava impor a toda a sociedade padrões de comportamento estereotipados, frutos da conduta disciplinar própria ao regime da época. e) A educação militarista tinha como princípio a sua prática sob a perspectiva da cultura corporal. . 6. (FCC 2016 - ADAPTADA) O trabalho pedagógico envolvendo as práticas corporais na natureza tem sido apontado como gerador de efeitos positivos no que tange à educação ambiental. Resguardados os procedimentos alinhados a uma educação sensibilizadora, destaca-se como aspecto positivo dessa opção metodológica: Marque a alternativa correspondente. a) O domínio das técnicas específicas requisitadas pelas práticas corporais na natureza. b) O desenvolvimento de novas percepções sobre a natureza por meio de descobertas. c) O desenvolvimento de um comportamento combativo com relação à poluição ambiental. d) A capacidade de encontrarsoluções sustentáveis para a degradação do meio ambiente. e) A mudança nas opções de lazer, com preferência para as práticas corporais na natureza. 7. (IBFC 2017) Ao desenvolver atividades de aventura nas aulas de Educação Física, devem apresentar uma didática e pedagogicamente com a parte teórica e prática, sendo que o espaço adequado e equipamento específico não necessariamente a escola precisa oferecer e ter, pois a ação da educação não se restringe a uma prática pela prática, mas a vivência oferece inúmeros conhecimentos, tanto esportivo, cultural, social. (CASSÁRIO/2011). Neste contexto, de acordo com o autor, as aulas de Educação Física devem: Assinale a alternativa correta. joser Realce joser Realce 183 a) Promover o amadurecimento e a autonomia do aluno b) Promover somente a atividade física e a saúde c) Promover propostas que visam fortalecer os conhecimentos de lazer, esporte e meio ambiente d) Promover somente o lazer e descanso dos alunos, depois de disciplinas mais importantes como a matemática e) Promover propostas que visam o desenvolvimento de habilidades esportivas 8. A Base Nacional Comum Curricular traz importantes inovações para o campo da educação física. Entre estes, oportuniza aos alunos o acesso ao meio ambiente pela interação nas atividades da unidade temática chamada práticas corporais de aventura. Marque a alternativa que corresponde, corretamente, as atividades classificadas. a) São práticas de aventura na natureza: corrida de aventura e parkour. b) São práticas de aventura na natureza: corridas de mountain bike e tirolesa. c) São práticas de aventura urbana: corridas de mountain bike e tirolesa. d) São práticas de aventura urbana: rapel e patins. e) São práticas de aventura urbana: arborismo e skate. joser Realce joser Realce 184 PLANEJAR E AVALIAR: AÇÕES NECESSÁRIAS PARA UM EVENTO 12.1 INTRODUÇÃO Nesta Unidade vamos anunciar as etapas e fases do planejamento, bem como o seu processo avaliativo sob a perspectiva de sucesso na programação e satisfação dos participantes. Em seguida, apresentamos possibilidades de programações com atividades recreativas que podem servir de fio condutor no respectivo trabalho profissional. 12.2 POR QUE PLANEJAR? Vimos na Unidade anterior alguns exemplos de atividades que podem ser realizadas no campo da recreação e lazer, pelo profissional de educação física, entretanto, devemos atentar para a importante medida de planejar. Mas afinal, você sabe o que e porque devemos planejar? Vamos partir de um passeio hipotético em família, aonde todos irão de carro para o Litoral de outro Estado, e para diminuir as chances de imprevistos, e garantir que o passeio seja proveitoso, você resolve fazer um check list. Entre os itens elencados temos: a revisão do carro; o mapeamento dos postos de combustíveis; as reservas de hospedagem; a compra de itens para consumo; a separação dos itens de higiene e de materiais de praia, a consulta sobre o clima da região neste período, entre outro. Perceba que para a programação em família acontecer, é necessário que ocorra uma sequência de ações: Fazer a revisão do carro demonstra preocupação com a segurança; mapear os postos de combustíveis no percurso da viagem, demonstra preocupação com a pane seca; como também, consultar o clima da região previamente, demonstra interesse em aproveitar dias de praia. Todos os itens são importantes e fizeram-se presentes no planejamento, de maneira que a viagem para o Litoral possa acontecer. Assim, o planejamento se materializa em nosso cotidiano, entre conversas e Erro! Fonte de referênci a não encontra 185 ações realizamos uma viagem em família. Agora, direcionando nossos olhares para o campo mais técnico, veja como o planejamento contribui no sentido para além do controle de processos, o qual também é importante, tendo em vista principalmente a questão da segurança sobre o evento ou projeto que se pretende desenvolver. O ato de planejarmos revela que temos perspectivas futuras, sejam metas ou objetivos. Qualquer atividade deve ter explícita as razões de sua execução, ou seja, qual o objetivo da proposta? Nas palavras de Ribeiro (2014, p. 83) Planejar é antecipar o futuro, diz respeito a pensar nos meios para alcançar os objetivos e metas em um futuro próximo ou distante. Planejar é, também, dar importa ̂ncia na interação do “antes” (planejar), “durante” (executar) e o “depois” (avaliação). O ato de planejar possibilita antecipar e prever a execução dele, recrutando recursos materiais e imateriais para a execução da proposta profissional, que leva em conta muitas variáveis, tais como, o número de participantes, a faixa etária destes participantes, o espaço utilizado, o clima, e muitos outros que veremos ao longo da seção. Na concepção de Cavallari e Zacharias (2018, p. 23) o processo de planejamento se divide em três etapas: diagnóstico, prognóstico e execução, sendo respectivamente: ● “o levantamento da situação atual/real; como tudo se encontra no momento”; ● “estabelecer critérios para se atingir a situação ideal; como tudo deverá ficar”; ● “desenvolvimento efetivo que foi estabelecido no prognóstico; fazer acontecer e consequentemente avaliar”. Observando a definição de cada etapa, percebemos que são interdependentes, ou seja, não é possível pular uma ou duas etapas que Cavallari e Zachariias (2018) apresentam. As etapas reúnem importantes informações que impactam na execução e qualidade da programação. O Quadro 5 anuncia as fases que estão implicadas as etapas do planejamento. Veja: 186 Quadro 12: Fases do planejamento Fonte: elaborado pelo autor - adaptado de Cavallari e Zacharias ( 2018, p. 23 - 27) No Quadro 5 trouxemos uma dimensão mais técnica para ser observada e executada, a qual contribui para o nosso check list profissional. Temos ainda apontado por Cavallari e Zacharias (2018) outras duas fases importantes. São elas: a operacionalização e a avalição. A operacionalização compreende a necessidade de refletirmos sobre pontos que dirão mais sobre o nosso comportamento que apesar da execução de todas as fases do planejamento e nossas precauções, concordamos com Cavallari e Zazharias (2018) que estamos sujeitos aos imprevistos. Nestes casos devemos promover alternativas com o objetivo de resolver tal situação, o que revela a necessidade de uma postura profisisonal, onde não podemos perder de cista o que estudamos sobre o perfil na Unidade 5. A etapa de execução (CAVALARI; ZACHARIAS, 2018) agrega um importante momento, a avaliação, que deve ser feita a partir de provocações como: para quê, quando, como, quem e o quê. Para melhor compreensão, vamos discutir a avaliação na seção seguinte. Fase da Preparação Objetivos/filosofia Público-alvo Estrutura Período Alimentação Meio de transportes Recursos humanos Uniforme Materiais disponíveis Levantamento de custos Critérios para participação Divulgação Fase da Inscrição Cadastramento/identificação Cuidados com saúde/limitações/comportamento Termo de responsabilidade Regulamento Fase da Programação Número de participantes Plano de ação Atividades Cronograma Material esportivo Material de primeiros socorros Material de uso de limpeza, manutenção etc. Balanço financeiro 187 12.3 PARA QUÊ AVALIAR? Na seção anterior mencionamos as provocações que consideramos no momento da avaliação, podendo ser este o último momento do evento proposto, conforme Cavallari e Zacharias (2018) consideram. Além disso, também concordamos que é um dosmais importantes, pois a partir da avaliação é possível tomarmos ciências de pontos que auxiliarão no próximo evento. Para Ribeiro (2014) a avaliação feita pelo profissional precisa considerar duas variáveis que impactam diretamente no sucesso do evento, são elas, a eficácia e a eficiência. A primeira corresponde ao alcance dos objetivos propostos na fase da preparação, já a eficiência corresponde à percepção se o empenho nos recursos deram conta do que foi proposto. É importante incluir os participantes do evento no processo avaliativo por conta das respectivas impressões. Ribeiro (2014) sugere que seja feita por meio de 188 entrevistas, pedindo inclusive, sugestões. Outra técnica para coleta de dados é uso de formulários e questionário para o preenchimento dos participante e, isso pode ser feito durante a programação, como menciona a autora, não é um regra realizar a avaliação somente ao final de toda programação. Veja no Quadro 6 um layout de questionário que pode ser entregue aos participantes com o intuído de preenchimento, para que contribua com o processo avaliativo da programação. Quadro 13: Questionáio de avaliação para preenchimento dos participante Fonte: Adaptado pela autora (RIBEIRO, 2014, p. 95) Seção A 1 Faixa etária ( ) menos de 10 anos ( )10 a 20 anos ( )21 a 30 anos ( )31 a 40 anos ( ) 41 a 50 anos ( ) 51 a 60 anos ( ) acima de 60 anos 2 Gênero ( ) feminino ( ) masculino 3 Sexo ( ) feminino ( ) masculino 4 Costuma frequentar esse espaço de lazer? ( ) sim ( ) não 5. Com que frequência? ( ) sempre ( ) às vezes ( ) durante a semana ( ) finais de semana ( ) férias Seção B 6. Como ficou sabendo da programação (evento)? ( ) faixa ( ) cartaz ( )panfleto ( ) rádio ( ) TV ( ) jornal ( ) internet ( ) amigos ou parentes ( ) outro: ______________________ Seção C 7. Opinião geral sobre o evento: 8. Atividades que mais gostou no evento 9. Atividade de que menos gostou do evento 10. Sugestões de outras atividades de lazer (ou evento) para este espaço 11. Sugestões para o funcionamento deste espaço 189 Os itens da Seção A constróem o perfil do participante, a Seção B contribu para a nossa ciência de qual meio de comunicação teve maior exito, o que impacta em decisões para os próximos investimentos. Os itens da Seção C contribuem para a percepção do sucesso do evento entre os participantes, nos sinalizando formas de manter ou melhorar a qualidade do serviço e espaço para a satisfação de participante. O questionário acima utilizou três modelos de perguntas: abertas, fechadas e mistas. Veja a definição de cada uma no Quadro 7. Quadro 14: Modelos de perguntas para uso no questionário Fonte: Elaborado pelo autor, adaptado de Gerhardt e Silveiras (2009, p. 70) Concluímos que o questionário do Quadro 6 é chamado de misto e em análise dos Quadros 6 e 7 percebemos que as perguntas fechadas revelam uma padronização nas respostas, possibilitando uma melhor visualização, inclusive, se for apresentada por meio de gráficos. Uma das formas de analisar os dados graficamente é o uso do formulario eletrônico oferecido pela ferramenta do Google Form. Os dados obtidos a partir das informações dos participantes revelam possibilidades de ampliar as chances de novos eventos com o mesmo e outros participantes. Assim, mediante o exposto buscamos evidenciar de forma contextualizada as provocações citadas ao início da seção, que são, para quê avaliar, quando avaliar, como avaliar, quem valia e o quê avalia. Em, decorrência, vamos em seguida apresentar propostas de programações que podem fazer parte do seu acervo de conhecimentos, servindo de indutor às novas ideias. Abertas Nas questões abertas, o informante responde livremente, da forma que desejar. Fechadas Nas questões fechadas, o informante deve escolher uma resposta entre as constantes de uma lista predeterminada, indicando aquela que melhor corresponda à que deseja fornecer. Mistas 2 Gênero As questões mistas (fechadas e abertas) são aquelas em que, dentro de uma lista predeterminada, há um item aberto, por exemplo, “outros”. 190 12.4 ATIVIDADES RECREATIVAS Na seção de atividades recreativas queremos trazer exemplos de programações, no sentido de colaborar para a construção de possíveis eventos que você, enquanto profissional, pode promover. Reiteramos que as propostas anunciados não devem ser compreendidas como engessadas e imóveis, tendo em vista a o contexto observado, conforme mencionado na etapa de diagnóstico do planejamento. A seguir, apresentamos dois modelos de ordem prática para programação de lazer, de acordo com os conceitos já estudados. 191 Quadro 15: Programação para o Dia das Crianças Diagnóstico do público Dia das Crianças é uma programação voltada para crianças de 6 a 12 anos, filhos dos funcionários da empresa. Poderão participar todos os filhos dos funcionários da empresa X e do clube, nessa faixa etária. Serão crianças de classes sociais diversas, uma vez que participarão filhos de funcionários de qualquer função, da produção à diretoria. Estão previstas 200 crianças. Objetivos da programação Comemorar o Dia das Crianças; Proporcionar diversão aos filhos de funcionários; Promover a sociabilização entre os funcionários e seus familiares. Levantamento e análise dos recursos (físicos, humanos materiais) Físicos: os coordenadores do evento já conhecem bem os espaços do clube e resolveram que serão utilizados os seguintes espaços para o desenvolvimento do Dia das Crianças: pátio coberto, lago, teatro e a varanda do restaurante. Humanos: está prevista a contratação de 15 animadores de uma empresa de recreação e os coordenadores do evento serão “Joao Paulo” e “Mariana”, professores de educação física que atuam na secretaria de esportes do clube. Materiais: para os animadores: apito, boné , prancheta e camiseta. Para as atividades: microfone e aparelho de som, CDs, dinheiro de papel, cadeiras (uma por participante), bexigas (um pacote), pulseiras de identificação, lembranças para as crianças, lanches (dois kits de lanches por pessoa, com sanduíche, um suco e um doce). Financeiros: o coordenador deverá consultar a Secretaria de Esportes para conhecer o quanto de recursos haverá para desenvolver o evento. Período Trata-se de uma programação eventual com duração de 8 horas, em 12/10. Proposta da programação 9:00 - 9:30: chegada ao clube 9:30 - 10:30: boas-vindas, café da manhã no pátio e divisão das equipes 10:30 - 11:30: gincana das Solicitações (todo o clube) 11:30 - 12:30: passeio de pedalinho e caiaques (lago) 12:30 - 13:30: almoço (restaurante) 13:30 - 14:00: descanso com rodas cantadas (varanda do restaurante) 14:00 - 15:00: “caça ao corrupto” (todo o clube) 15:00 - 16:00: jogos cooperativos (pátio) 16:00 - 16:30: lanche (área externa do pátio) 16:30 - 17:30: apresentações artísticas (mágico, malabares no teatro) 17:30: encerramento, entrega de lembranças aos participantes e avaliação (teatro) Divulgação O evento será divulgado por meio de faixas na entrada do clube, e-mail aos associados e pelo site do clube e, ainda, oralmente por meio de convites dos professores aos funcionários. Implantação da programação 8:00: o coordenador se encontra no clube para checar todas os materiais, chegada dos animadores, confirmação dos lanches e do restaurante. 8:30: checagem de todas as atividades e onde cada animador ficará: dois animadores acompanharão cada equipe. Os coordenadores ficarão no microfone para instruir as crianças quanto às atividades, pontuação etc. E aproveitam este tempo anterior ao192 Fonte: Elaborado pelo autor - adaptado (RIBEIRO, 2014, p, 96-97) início da festa para confirmar a programação com os animadores. 9:30: boas-vindas, colocação de uma pulseira de identificação para as equipes. Café da manhã . 10:30: início da gincana após divisão das equipes e explicação dos coordenadores. A gincana das solicitações solicita aos participantes que tragam objetos: o maior calçado, a menor folha, um objeto de time de futebol, o RG de um funcionário do clube etc. Estas tarefas estarão listadas na programac ̧ão do coordenador, que pedirá estes objetos às equipes pelo microfone. Os animadores ajudarão na organizac ̧ão da equipe e conferência dos pontos. Em seguida à contagem dos pontos, o coordenador avisa no microfone qual a equipe ganhadora. Depois avisam as crianças que a próxima atividade é no lago do clube. Todos se dirigem para o lago, acompanhados dos animadores e coordenadores. Funcionários do clube os esperam com os coletes. Após experimentarem o passeio, todos se dirigem ao restaurante. Animadores os acompanham e os auxiliam na organização das crianças nas mesas. Os coordenadores avisam que após o almoc ̧o vão se encontrar na varanda do restaurante. Após as rodas cantadas todos se dirigem ao pátio onde será explicada a atividade da caça ao corrupto, uma caça em que as equipes procurarão os animadores escondidos pelo clube, que farão o papel de “bandido”. As equipes deverão entregá-los para os coordenadores que são os “policiais federais” e receber uma “recompensa em dinheiro (de papel)”. Ganha a equipe que ficar mais rica e não aceitar o suborno dos bandidos. Ao final da atividade, o coordenador diz ao microfone qual a equipe ganhadora. Como esta atividade é competitiva e cansativa, agora o coordenador os convida para participar de alguns jogos cooperativos, ali mesmo no pátio, à sombra e com menos movimentação do que a atividade anterior. Após os jogos, o lanche é oferecido também no pátio. Depois o coordenador os convida para se dirigir ao teatro onde terão as últimas atividades, como apresentação de mágica e malabares. Após 50 minutos de apresentação, o coordenador avisa às crianc ̧as que o Dia das Crianças terminou e todos ganharão, das mãos dos animadores, uma pequena lembrança. O coordenador aproveita para fazer uma avaliação com os participantes e cita as atividades para que eles aplaudam, para checar as que eles mais gostaram. Também disponibiliza o microfone para alguma criança que queira falar sobre a comemoração. Após receberem a lembranc ̧a, as crianças são dispensadas e vão esperar por seus responsáveis que já aguardam fora do pátio. O coordenador pede então que os animadores fiquem mais 15 minutos para realizar uma avaliação. Avaliação da programação Uma reunião com os animadores após o evento permitiu que os coordenadores tivessem uma melhor visão a respeito do evento. As atividades aconteceram como previstas e alguns incidentes como alguns tombos de crianças na gincana e na caça ao corrupto foram identificados. Concluíram que a programac ̧ão foi eficaz e eficiente. A reunião foi curta, pois todos estavam cansados. No seguinte dia útil, os coordenadores, juntos, digitaram um relatório em que apresentaram os resultados do evento: número de participantes, a participação dos animadores, a questão dos objetivos alcanc ̧ados, os materiais, lanches e lembranças que foram suficientes. Este relatório foi entregue ao Diretor de Esportes do clube, bem como as fotos do evento. Também foi entregue ao jornalista responsável pela confecc ̧ão do jornal do clube. Vamos relembrar que a avaliação faz parte do planejamento, é o “depois” e não deve ser esquecida. Nessa fase, os coordenadores checam se houve o pagamento dos lanches oferecidos, assim como dos profissionais contratados, como o mágico e a pessoa que apresentou os malabares. Muitas vezes, essas pessoas recebem o pagamento logo após a atividade; nesse caso, se dirigiriam à secretaria do clube e, após, assinariam um recibo. O coordenador precisa checar todos esses detalhes e, se for o caso, incluir no relatório do evento. Por isso, é importante que um checklist (lista) com os detalhes dessas tarefas esteja pronto antes da programação, para que não seja esquecido nenhum detalhe. 193 A programação do Quadro 8 refere-se à atividade de curta duração, ou seja, é pontual, pois ocorre em uma data específica. Perceba que ela apresenta um roteiro, como se fosse um passo a passo, para que todos os profissionais da equipe trabalhem em harmonia. Chamamos a atenção para a avaliação. Apesar de sempre focarmos na satisfação dos participantes, na avaliação cabe à vista em todos os setores envolvidos, inclusive, acompanhando o fluxo de pagamento. Apresentamos a seguir, uma proposta de duração maior para o acampamento de férias, baseada nas considerações de Stoppa (2013). Veja o Quadro 9. Quadro 16: Proposta de animação para acampamento de férias Diagnóstico do público Estudantes do gênero masculino e feminino de 12 a 17 anos de idade, matriculados na escola contratante, com previsão de 50 inscrições. Objetivos da programação Oportunizar a interação com o meio ambiente; Promover a sociabilização entre os participantes. Oferecer aprendizagem cultural, artística e crítica. Levantamento e análise dos recursos (físicos, humanos materiais) Físicos: campos abertos, ginásio coberto, quadra de tênis, enfermaria, lavanderias, refeitório, salão de jogos, salão de beleza, sala multidisciplinar, 26 unidades de chalés, lago, piscina infantil e sem olímpica, haras, casa central, vestiário feminino e masculino, auditório, autódromo. Humanos: 30 animadores, entre psicólogos, enfermeiros, médicos, turismólogo, músico, pedagogos, seguranças, psicopedagogo, e os coordenadores do acampamento, sendo professores de educação física. Materiais: em anexo. Financeiros: os coordenadores receberão suporte financeiro da instituição de ensino, após planilha de custos entregue. Período 10 a 20 de janeiro (período compreendido nas férias escolares) Proposta da programação 1º dia: Manhã: Recepção dos estudantes e apresentação do espaço. Pausa: 12h 14h Tarde: Caminhada e atividades aquáticas Pausa: 16h30 17h30 Noite: Sessão de vídeo Janta seguido de recolhimento: 21h 2º dia: Manhã: Café da manhã e trilha na natureza Pausa: 12h 14h 194 Fonte: Elaborado pelo autor - adaptado de Stoppa (2013, p. 15-16) As atividades de acampamento de férias podem ter uma duração “por um período de até 25 dias” como Stoppa (2013, p. 15) pontua. O Quadro que apresentamos tem finalidade didática, por isso, fizemos um recorte de apenas 7 dias. Tarde: Atividades no salão de jogos Pausa: 1630h 17h30 Noite: Oficina de artesanato Janta seguido de recolhimento: 21h 3º dia: Manhã: Café da manhã e atividades de quadra Pausa: 12h 14h Tarde: Atividade no lago (pedalinho e pesca) Pausa: 1630h 17h30 Noite: Rodízio de pizza e caraoquê Janta seguido de recolhimento: 21h 4º dia: Manhã: Café da manhã e atividades de campo Pausa: 12h 14h Tarde: Atividade no haras e atividades aquáticas Pausa: 1630h 17h30 Noite: Encontro em volta da fogueira Janta seguido de recolhimento: 21h 5º dia: Manhã: Café da manhã e atividades livres Pausa: 12h 14h Tarde: Atividade no auditória[o (peça teatral) Pausa: 1630h 17h30 Noite: Sessão de vídeo Janta seguido de recolhimento: 21h 6º dia: Manhã: Café da manhã e atividades no autódromo Pausa: 12h 14h Tarde: Atividade livre na piscina Pausa: 1630h 17h30 Noite: Bingo Janta seguido de recolhimento: 21h 7º dia: Manhã: Café da manhã e atividades livres Pausa: 12h 13h Saída: 14h Divulgação O evento será divulgado pela instituição escolar Avaliação A avaliação érealizada após a finalização de cada dia, mediante o uso do aplicativo que permite usar o número de estrelas (entre 1 e 5), habilitando para o registro de considerações por escrito. 195 Reiteramos que em um período longo, é necessário ampliar a programação diversificando-a, para a programação não se torne repetitiva e possa trazer satisfação aos envolvidos. Vamos atentar para o momento da avaliação. Utiliza-se no modelo acima, o recurso online, que possibilita a visualização das impressões em tempo real, não sendo necessário aguardar reunir todos os dados para a análise do índice de satisfação. Isso colabora no sentido de intervir com medidas de replanejar, caso os resultados não estejam sendo conforme o esperado. Isso se deve a característica de flexibilidade que o planejamento possui, ou seja, Vasconcellos (2002) considera o planejamento flexível. Concluímos assim, que avaliação e planejamento são conceitos implicados e esperamos que esta seção em diálogo com toda a parte conceitual, contribua de forma prática para o repertoria do campo profissional de recreação e lazer. 196 FIXANDO O CONTEÚDO 1. Os participantes podem contribuir em grande medida no processo avaliativo da programação em execução (ou executada), para isso devemos refletir, previamente, sobre as perguntas que se fazem de fato relevantes. Considerando os conceitos de perguntas abertas, fechadas e mistas, marque a alternativa correta. a) Nas questões fechadas o informante responde livremente, da forma que desejar. b) Nas questões abertas o informante deve escolher uma resposta entre as constantes de uma lista predeterminada, indicando aquela que melhor corresponda à que deseja fornecer. c) Nas questões abertas e fechadas o informante deve escolher uma resposta entre as constantes de uma lista predeterminada, indicando aquela que melhor corresponda à que deseja fornecer. d) As questões mistas são aquelas em que, dentro de uma lista predeterminada, há um item aberto, por exemplo, “outros”. e) As questões abertas são aquelas em que, dentro de uma lista predeterminada, há um item aberto, por exemplo, “outros”. 2. A avaliação é um importante momento de refletir e redirecionar as ações, caso necessário, principalmente, se não atingimos o objetivo do que foi proposto. Marque a alternativa que está em consonância ao processo avaliativo. a) A avaliação é um importante recurso para mensurar a programação do evento, por isso, ela é obrigatória ser feita ao final deste. b) A avalição feita pelo profissional precisa considerar a eficácia e a eficiência. c) Os participantes também contribuem para o processo avaliativo, onde são oportunizados verificar se a programação atendeu aos objetivos propostos e se o empenho nos recursos deram conta do que foi proposto. d) Aconselha-se que os participantes do evento não se envolvam no processo avaliativo. e) O questionário avaliativo onde os participantes podem expressar suas impressões deve ser preenchido pelo profissional do evento. joser Realce joser Realce 197 3. O planejamento é um instrumento que além de fornecer previsão, direciona a execução das tarefas até o momento final do evento. Cavallari e Zacharias (2018) concluem que o planejamento se divide em etapas. Considere os itens, abaixo: I. Diagnóstico: o levantamento da situação atual/real. II. Execução: desenvolvimento efetivo que foi estabelecido no prognóstico. III. Prognóstico: estabelecer critérios para se atingir a situação ideal. IV. Avaliação: desenvolvimento efetivo que foi estabelecido no prognóstico. Marque a alternativa que corresponde aos itens corretos. a) I, II, III, IV b) I, II, III c) I, IV d) II, III, IV e) I, III, IV 4. O planejamento se materializa entre conversas e ações e nos permite diminuir as chances de imprevistos durante a programação, por isso é preciso considerar as fases do planejamento: I. O levantamento de custos, a divulgação e o cadastramento dos participantes fazem parte da fase de preparação. II. Verificar tanto a disposição dos recursos humanos e do regulamento, são tarefas que pertence a fase da inscrição do participante. III. O termo de responsabilidade e a alimentação pertencem a fase da programação. Considerando as fases do planejamento, marque a alternativa que apresenta, corretamente, as afirmações verdadeiras e falsas. a) I- v, II- v, III-v b) I- v, II- f, III- f c) I- f, II- f, III-f joser Realce joser Realce 198 d) I- v, II-v, III- f e) I- f, II- v, III- f 5. O planejamento é um importante instrumento a ser utilizado pelos profissionais de recreação. Planejar permite ___ o futuro. Diz respeito a pensar nos meios para alcançar os ____ em breve ou distante. Marque a alternativa que completa as lacunas. a) Antecipar / participantes b) Antecipar / objetivos c) Determinar / pontos positivos d) Postergar / participantes e) Adiantar / profissionais 6. O momento da avalição de um evento ou programação precisa ser considerado, pois é um meio de aprimorar nossas habilidades em campo profissional. Considerando as leituras sobre avaliação, marque a alternativa que dê ao encontro da afirmação feita. a) A avaliação consiste em reunir as impressões adquiridas do profissional e dos participantes. b) A crítica entendida de forma construtiva pode aumentar a qualidade do serviço. c) A avaliação é utilizada como recurso para mensurar a satisfação dos envolvidos. d) A avaliação é facultativa aos participantes, evitando a exposição do profissional. e) O aprimoramento profissional é realizado pelos feedbacks que recebemos dos participantes. 7. O planejamento e avaliação são processos indispensáveis para o trabalho na recreação e lazer, apesar de cada elemento possui características singulares. Marque a alternativa que corresponde as colunas corretamente. (1) Planejamento (2) Avaliação joser Realce joser Realce 199 ( ) Auxilia no cumprimento das ações. ( ) Instrumento que deve ser exequível. ( ) Os participantes participam deste processo. ( ) É capaz de gerar resultado mensurando o índice de satisfação dos participantes. ( ) É feito a desenvolvido a partir do diagnóstico. a) 1 – 2 – 1 – 2 – 1. b) 2 – 2 – 1 – 2 – 1. c) 1 – 2 – 2 – 2 – 2. d) 2 – 2 – 1 – 1 – 1. e) 1 – 1 – 2 – 2 – 1. 8. O planejamento não é um instrumento exclusivo da educação física escolar. As atividades de recreação e lazer em hotéis, acampamentos, clubes também dependem de um planejamento a ser executado, que apesar da sua herança tecnicista, ou seja, seu viés tradicional visto que aparentemente é um manual, ele tem uma fundamental característica que permite os ajustes, quando necessário. Marque a alternativa que representa tal característica. a) Flexibilidade b) Adaptabilidade c) Alternativo d) Inconstante e) Dispensável joser Realce joser Realce 200 RESPOSTAS DO FIXANDO O CONTEÚDO UNIDADE 01 UNIDADE 02 QUESTÃO 1 B QUESTÃO 1 B QUESTÃO 2 D QUESTÃO 2 D QUESTÃO 3 C QUESTÃO 3 E QUESTÃO 4 E QUESTÃO 4 A QUESTÃO 5 C QUESTÃO 5 B QUESTÃO 6 C QUESTÃO 6 A QUESTÃO 7 A QUESTÃO 7 D QUESTÃO 8 D QUESTÃO 8 A UNIDADE 03 UNIDADE 04 QUESTÃO 1 D QUESTÃO 1 D QUESTÃO 2 B QUESTÃO 2 A QUESTÃO 3 D QUESTÃO 3 E QUESTÃO 4 A QUESTÃO 4 D QUESTÃO 5 C QUESTÃO 5 A QUESTÃO 6 B QUESTÃO 6 C QUESTÃO 7 E QUESTÃO 7 D QUESTÃO 8 A QUESTÃO 8 E UNIDADE 05 UNIDADE 06 QUESTÃO 1 D QUESTÃO 1 D QUESTÃO 2 E QUESTÃO 2 C QUESTÃO 3 A QUESTÃO 3 A QUESTÃO 4 B QUESTÃO 4 A QUESTÃO 5 D QUESTÃO 5 D QUESTÃO 6 A QUESTÃO 6 B QUESTÃO 7 A QUESTÃO 7A QUESTÃO 8 C QUESTÃO 8 B UNIDADE 07 UNIDADE 08 QUESTÃO 1 E QUESTÃO 1 D QUESTÃO 2 A QUESTÃO 2 A QUESTÃO 3 D QUESTÃO 3 B QUESTÃO 4 D QUESTÃO 4 E QUESTÃO 5 A QUESTÃO 5 A 201 QUESTÃO 6 B QUESTÃO 6 B QUESTÃO 7 B QUESTÃO 7 E QUESTÃO 8 C QUESTÃO 8 C UNIDADE 09 UNIDADE 10 QUESTÃO 1 A QUESTÃO 1 A QUESTÃO 2 D QUESTÃO 2 E QUESTÃO 3 D QUESTÃO 3 C QUESTÃO 4 C QUESTÃO 4 C QUESTÃO 5 C QUESTÃO 5 B QUESTÃO 6 D QUESTÃO 6 A QUESTÃO 7 E QUESTÃO 7 B QUESTÃO 8 B QUESTÃO 8 E UNIDADE 11 UNIDADE 12 QUESTÃO 1 E QUESTÃO 1 D QUESTÃO 2 A QUESTÃO 2 B QUESTÃO 3 B QUESTÃO 3 B QUESTÃO 4 D QUESTÃO 4 C QUESTÃO 5 D QUESTÃO 5 D QUESTÃO 6 B QUESTÃO 6 D QUESTÃO 7 C QUESTÃO 7 E QUESTÃO 8 B QUESTÃO 8 A 202 REFERÊNCIAS AJURIAGUERRA, J. 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