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UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ CENTRO DE TECNOLOGIA DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA ESTRUTURAL E CONSTRUÇÃO CIVIL CURSO DE ENGENHARIA CIVIL MATEUS TEIXEIRA HERCULANO PRODUTIVIDADE EM ALVENARIA DE VEDAÇÃO DE BLOCOS CERÂMICOS: ANÁLISE COMPARATIVA Fortaleza - Ceará 2010 i MATEUS TEIXEIRA HERCULANO PRODUTIVIDADE EM ALVENARIA DE VEDAÇÃO DE BLOCOS CERÂMICOS: ANÁLISE COMPARATIVA Monografia apresentada à disciplina de Projeto de Graduação do curso de Engenharia Civil da Universidade Federal do Ceará como parte dos requisitos para obtenção do grau de Engenheiro Civil. Orientador: Prof. Alexandre Araújo Bertini FORTALEZA 2010 H464p Herculano, Mateus Teixeira Produtividade em alvenaria de vedação de blocos cerâmicos: análise comparativa / Mateus Teixeira Herculano. – Fortaleza, 2010. 52 f. il.; color. enc. Orientador: Prof. Dr. Alexandre Araújo Bertini Monografia (graduação) - Universidade Federal do Ceará, Centro de Tecnologia, Depto. de Engenharia Estrutural e Construção Civil, Fortaleza, 2010. 1. Alvenaria 2. Vedação (Tecnologia) I. Bertini, Alexandre Araújo (orient.) II. Universidade Federal do Ceará – Graduação em Engenharia Civil. III. Título CDD 620 ii iii Ao meu pai, José Herculano, um exemplo a se seguir. iv AGRADECIMENTOS A Deus, por ter me guiado sempre no caminho certo. Ao meu pai, por ter sido uma referência de homem tanto como pai, como engenheiro civil e por ter me dado forças para sempre seguir com meus objetivos. A minha mãe, por todos os dias que me mandava estudar e me levou até onde estou agora, além do carinho e amor que me deu. Aos meus irmãos, pelos momentos de diversão e companheirismo que trazem a minha vida. A minha namorada, Lídia da Paz, pelos momentos de compreensão durante a execução deste trabalho. Aos meus amigos, Ronaldo de Freitas, Wedla Godinho e Isabel Soares, por me trazerem descontração. Aos meus colegas e amigos da faculdade, Luter Caio, Fernando Vecchio, Renato Gadêlha e Stephanie Mikaela, por partilharem comigo sua amizade. Ao vôlei, pelo prazer proporcionado durante toda a minha vida escolar. Finalmente agradeço ao meu orientador Prof. Alexandre Araújo Bertini, aos engenheiros Reymard Sávio e José Márcio pela contribuição na elaboração deste trabalho. OBRIGADO! v RESUMO O serviço de elevação de alvenaria de vedação em blocos cerâmicos é o foco deste estudo de análise comparativa entre obras. O tema foi escolhido devido à preocupação com a alta variedade da produtividade da mão-de-obra encontrada em obras de construção civil na cidade de Fortaleza-CE, e que influencia diretamente no sucesso das empresas no mercado. Este trabalho tem como objetivo analisar o serviço de elevação de alvenaria de vedação de três empreendimentos residenciais na cidade de Fortaleza-CE. Nesta perspectiva, um estudo de caso com visitas em obras na cidade de Fortaleza-CE foi realizado para a obtenção de dados em relação à índices de produtividade no serviço e elevação de alvenaria de vedação e então uma análise comparativa afim de encontrar o melhor procedimento construtivo entre obras estudadas, mostrando enfim que a fiscalização sistemática do serviço é um fator essencial para aumentar a eficiência da mão-de-obra. Palavras-chave: alvenaria de vedação, blocos cerâmicos, produtividade. vi LISTA DE FIGURAS Figura 2.1 – Processo de transformação na construção civil ...................................................... 7 Figura 2.2 – Processo de transformação dos esforços para alvenaria de vedação...................... 7 Figura 2.3 – Detalhe de equipamentos e etapa da elevação de alvenaria ................................. 12 Figura 2.4 – Planta simples....................................................................................................... 16 Figura 2.5 – Planta complexa ................................................................................................... 16 Figura 2.6 – Colher de pedreiro meia cana ............................................................................... 17 Figura 2.7 – Colher de pedreiro ................................................................................................ 17 Figura 4.1 – Armazenamento de materiais antecipadamente na obra 1 ................................... 23 Figura 4.2 – Alvenarias de vedação e estrutural da obra 2 ....................................................... 26 Figura 4.3 – Tipos de tijolos utilizados (cerâmico e maciço) nos pavimentos tipo da obra 3 . 29 Gráfico 4.1 – Gráfico das R.U.P.’s diárias, cumulativas e média da obra 1 ............................ 24 Gráfico 4.2 – Gráfico das R.U.P.’s diárias, cumulativas e média da obra 2 ............................ 27 Gráfico 4.3 – Gráfico das R.U.P.’s diárias, cumulativas e média da obra 3 ............................ 30 vii LISTA DE TABELAS Tabela P.1 – Tabela padrão ...................................................................................................... 21 Tabela A.2 – Dados coletado da obra 1 .................................................................................... 39 Tabela A.3 – Dados coletado da obra 2 .................................................................................... 40 Tabela A.4 – Dados coletado da obra 3 .................................................................................... 41 viii LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS PIB Produto Interno Bruto SINAPI Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil SEINFRA Secretaria da Infraestrutura CNI Confederação Nacional da Indústria R.U.P. Razão Unitária De Produção R.U.P.d Razão Unitária De Produção Diária R.U.P.cum Razão Unitária De Produção Cumulativa EPI Equipamento de Proteção Individual ix SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 1 1.1 Problemática ................................................................................................................ 1 1.2 Justificativa .................................................................................................................. 3 1.3 Objetivos ...................................................................................................................... 4 1.3.1 Objetivo geral ..................................................................................................... 4 1.3.2 Objetivos específicos .......................................................................................... 4 1.4 Estrutura do trabalho .................................................................................................... 5 2 REFERENCIAL TEÓRICO ............................................................................................... 6 2.1 Produtividade ...............................................................................................................6 2.1.1 Conceito .............................................................................................................. 6 2.1.2 Gestão do serviço de alvenaria ........................................................................... 7 2.1.3 Estudo da produtividade ..................................................................................... 8 2.2 Mão-de-obra ................................................................................................................. 9 2.3 Capacitação de mão-de-obra ...................................................................................... 10 2.4 Alvenaria de vedação de blocos cerâmicos ............................................................... 11 2.5 Acompanhamento e fiscalização................................................................................ 12 2.6 Uniformização dos dados ........................................................................................... 13 2.7 Fatores influenciadores da produtividade .................................................................. 15 3 METODOLOGIA ............................................................................................................. 19 3.1 Seleção das obras ....................................................................................................... 19 3.2 Técnica da coleta ....................................................................................................... 19 3.3 Tratamento e análise dos dados. ................................................................................ 20 4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS ................................................. 22 4.1 Estudo de Caso 1 ........................................................................................................ 22 4.1.1 Descrição da obra ............................................................................................. 22 4.1.2 Descrição do serviço de alvenaria .................................................................... 23 4.1.3 Resultados ......................................................................................................... 24 4.2 Estudo de Caso 2 ........................................................................................................ 25 4.2.1 Descrição da Obra ............................................................................................ 26 x 4.2.2 Descrição do serviço de alvenaria .................................................................... 27 4.2.3 Resultados ......................................................................................................... 27 4.3 Estudo de Caso 3 ........................................................................................................ 28 4.3.1 Descrição da obra ............................................................................................. 28 4.3.2 Descrição do serviço de alvenaria .................................................................... 29 4.3.3 Resultados ......................................................................................................... 30 4.4 Análise geral dos resultados ...................................................................................... 31 5 CONCLUSÃO .................................................................................................................. 33 5.1 Sugestões para futuros trabalhos ................................................................................ 33 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................................... 35 APÉNDICE A – Tabela de R.U.P.d e R.U.P.cum da obra 1 .................................................... 39 APÉNDICE B – Tabela de R.U.P.d e R.U.P.cum da obra 2 .................................................... 40 APÉNDICE C – Tabela de R.U.P.d e R.U.P.cum da obra 3 .................................................... 41 1 1 INTRODUÇÃO Do ponto de vista econômico, a indústria da construção civil sempre assumiu papel preponderante no desenvolvimento nacional. Essa importância econômica é representada por sua participação no Produto Interno Bruto (PIB). Conforme Coêlho (2003), a construção civil concorre com um percentual aproximadamente igual 16% no total das indústrias. Este setor está em constante crescimento, com a criação de novas empresas, originando assim um acentuado aumento da competitividade no mercado. De acordo com Coêlho (2003) este fato tem levado as empresas construtoras a uma agilização mais eficaz, quanto ao modo de gerenciamento em seus canteiros de obras, como forma de alcançar uma redução de perdas e um diferencial competitivo na função produção. O bom desempenho de uma empresa está associado à eficiência produtiva. A busca por maior eficiência é considerada por Bornia (1995) como uma das principais preocupações da empresa moderna, uma vez que o mercado não se encontra disposto a absorver as suas ineficiências. Conforme Coêlho (2003), a melhoria da qualidade dos serviços e produtos tem sido uma das alternativas utilizadas pelas empresas, procurando uma resposta a esta competitividade. 1.1 Problemática A sobrevivência de uma empresa no mercado depende de uma somatória de fatores, tais como: produtividade e qualidade da mão-de-obra, da qualidade do seu produto e o cumprimento de prazos. Dentre estes fatores destacam-se os problemas geralmente recorrentes do prazo de entrega dos serviços, causados por projetos mal detalhados, incompatibilização entre projetos complementares, programação físico-financeira incorreta, solicitações de mudanças após o início dos serviços, despreparo da mão-de-obra e falhas na execução. Assim como para Bornia (1995), Sabbatini (1991) cita que a eficiência nos processos produtivos deve ser uma meta a ser atingida pelas empresas, a fim de assegurar a lucratividade, garantindo sua permanência no mercado. Segundo Mori et al (2001), quando o foco é recursos humanos, a sua forma de controle mais difundida na construção civil é a medida de produtividade do trabalho. Além de 2 fornecer informações para a elaboração do planejamento financeiro do empreendimento e da programação físico-financeira, a quantificação da produtividade do trabalho apresenta-se como uma ferramenta imprescindível para melhoria do processo, auxiliando as decisões gerenciais e facilitando a detecção de gargalos. Há alguns anos vem-se estudando métodos para aumentar a produtividade, no intuito de diminuir os atrasos na execução de serviços, levando a um pequeno progresso em relação a outros tipos de indústria que cresceram em até 200% enquanto a construção civil alcançou apenas cerca de 40% (SOUZA, 2006). Para Carraro et al (1998), a gestão eficaz dos recursos físicos envolvidos na construção civil, especialmente a mão-de-obra, está entre os principais desafios que esta indústria enfrentará no terceiro milênio. Entre estes parâmetros, o da má produtividade merece destaque, uma vez que os gestores das obras não costumam ter conhecimento sobre a quantidade de mão-de-obra necessária que se despende para produzir determinado serviço, resultando assim nos poucos ou ausentes parâmetros para se basearem em atitudes corretivas de eventuais problemas. Segundo Oliveira et al (1993) apud Coêlho (2003), “é essencial para a gestão de qualidade que haja uma mensuração da produtividade de uma empresa da construção civil, visto que são dados importantes para os gerenciadores tomarem decisões, bem como ações de melhoria da qualidade e produtividade da construtora”. A mão-de-obra, por ser um dos recursos mais utilizados nas obras de construção, passa a ter uma grande importância quando se fala em produtividade e qualidade final. Conforme Marder (2001), dos serviços de mão-de-obra mais solicitados,o serviço de vedações verticais em alvenaria representa entre 6% e 10% do custo total da construção de edifícios habitacionais e comerciais e pode chegar até a 17% em prédios populares. Dos custos totais deste serviço, cerca de 50% é representada pela mão-de-obra, por isso deve existir uma preocupação com o desempenho do trabalho. A capacitação e treinamento da mão de obra, o layout do canteiro, a antecipação de problemas construtivos, a compra programada de materiais a serem aplicados, a busca pela eficiência na gestão dos trabalhos e fornecimentos são providências cruciais para elevar a produtividade da mão-de-obra. 3 1.2 Justificativa Segundo Picchi (1993), a indústria da construção civil sempre apresentou um atraso, quando comparada a outros ramos de indústria como, por exemplo, a indústria metal mecânica e a indústria têxtil, em se falando de gerenciamento, em particular, à racionalização e incremento de produtividade dos processos produtivos. Porém estudos mais avançados foram feitos de algumas décadas para os tempos atuais. Os estudos realizados em relação à melhoria dos resultados na indústria da construção civil, mais especificamente no sub-setor edificação, chegaram a um grande avanço, contudo, eles geralmente são pontuais e geralmente direcionados à inserção de novos materiais no mercado como o uso do gesso, painéis de vedação pré-fabricados de concreto, distanciadores plásticos, e outros. Estes estudos não mostram com clareza parâmetros ou índices que possam ser utilizados de uma maneira geral como tabelas de insumos. A insuficiência de dados além dos parâmetros publicados em tabelas oficiais como os sistemas da Secretaria da Infraestrutura (SEINFRA), do Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (SINAPI) e tabela PINI nos remetem à necessidade de estudos mais determinantes. De acordo com Coêlho (2003), o empenho pela qualidade obriga os sistemas organizacionais de produção a se capacitarem com modelos de execução otimizadores, identificando desde o princípio os desperdícios de esforços, através da correta prática de um determinado serviço. Dias (1992) ressalta que a mão-de-obra na construção civil possui um peso considerável no orçamento de uma obra, representando entre 25 a 40% do custo do produto final. Fazendo assim que o insumo seja o mais utilizado na construção, sendo justificável a necessidade de que haja mais investimentos na área. Embora a elevação de alvenaria seja um serviço realizado há milhares de anos, Araújo et al (2000) diz ser identificável que ainda existam grandes variações na produtividade da mão-de-obra responsável por este serviço. Diferentes desempenhos são encontrados ao se comparar obras distintas, carecendo-se de um melhor entendimento quanto ao estabelecimento da produtividade em cada diferente situação possível. O autor Souza (2000), acredita que a mensuração da produtividade da mão-de-obra seja uma tarefa de extrema relevância, servindo de base para todas as discussões sobre a melhoria da construção. Acredita, ainda, que tais indicadores possam suprir um problema 4 bastante significativo nos atuais sistemas de certificação de empresas, qual seja a falta de avaliação do desempenho das mesmas. Neste sentido, a problemática do serviço de mão-de-obra deve ser estudada no canteiro de obras, observando-se todos os fatores que possam influenciar direta ou indiretamente na produtividade. Assim, se faz indispensável que estudos em campo para efeito de comparação de obras em Fortaleza sejam realizados para se encontrar uma solução em se falando de produtividade da mão-de-obra no serviço de elevação da alvenaria de vedação de blocos cerâmicos. Este estudo tem como direcionamento a determinação dos fatores que influenciam positiva e negativamente o serviço pesquisado. O trabalho de elevação de alvenaria de vedação com blocos cerâmicos em obras de concreto armado será o objeto de estudo do trabalho sendo focada a produtividade da mão- de-obra. 1.3 Objetivos São apresentados a seguir os objetivos abordando tanto a temática geral do trabalho como as específicas do universo do tema. 1.3.1 Objetivo geral Analisar o serviço de elevação de alvenaria de vedação de três empreendimentos residenciais na cidade de Fortaleza-CE. 1.3.2 Objetivos específicos Para que o objetivo principal do trabalho seja atingido faz-se necessário que as etapas abaixo sejam efetuadas: a) iniciar um banco de dados de três obras visitadas em relação a valores de produtividade da mão-de-obra no serviço de alvenaria para uso acadêmico; b) identificar os fatores que podem influenciar nos índices de produtividade encontrados; c) analisar comparativamente as obras em relação a seus índices de produtividade e fatores influenciadores. 5 1.4 Estrutura do trabalho O trabalho está dividido em seis capítulos e anexos que são apresentados seguindo o seguinte roteiro: O primeiro capítulo é a introdução, que trata da contextualização do problema, a justificativa para a escolha do tema, a caracterização do objeto de estudo e os objetivos geral e específicos. Na segunda parte do trabalho são mostrados em um referencial teórico, explicações e conceitos de alguns autores sobre serviço de alvenaria de vedação, o conceito de produtividade e a importância de seu estudo, a gestão do serviço de alvenaria, uma breve explanação sobre a mão-de-obra, o acompanhamento e fiscalização de serviços, a capacitação da mão-de-obra, o indicador utilizado para o estudo em questão, além de serem destacados alguns fatores que pode influenciar na produtividade do serviço. O terceiro capítulo enfoca a metodologia utilizada na apropriação dos dados, além de demonstrar como foi realizado o tratamento dos dados. Na quarta parte do trabalho são descritas características gerais das obras escolhidas para o presente estudo e citados os resultados obtidos pela coleta e tratamento dos dados. No capítulo quinto são apresentadas análises a partir dos gráficos e tabelas gerados dos dados que foram coletados em campo. O último capítulo aborda as considerações finais do estudo e aponta a obra de melhores resultados, os fatores mais determinantes e recomendações para novos trabalhos acerca do tema. Por fim, apêndices exibem as tabelas criadas e usadas para a coleta dos dados. 6 2 REFERENCIAL TEÓRICO No capítulo a seguir apresentaremos explanações e considerações sobre tópicos importantes que cercam o tema do trabalho para que o seu entendimento seja completo. A produtividade que se deve estudar, assim como seu conceito e gestão do serviço de elevação de alvenaria, a mão-de-obra empregada, o acompanhamento dos serviços, o treinamento que é dado à mão-de-obra e também a alvenaria, parte do objeto de estudo, uma uniformização dos dados que serão coletados e analisados, além dos fatores que supostamente influenciam no referido serviço. 2.1 Produtividade Em se falando de produtividade deve ser citada uma definição para que se possa ter um breve conhecimento do conteúdo. Após este conceito uma explanação da gestão em relação ao serviço de elevação de alvenaria é feita para que se direcione ainda mais o tema do trabalho. Logo após esta explanação foi feita um estudo acerca da importância do estudo da produtividade. 2.1.1 Conceito A produtividade é a relação entre o resultado útil de um processo produtivo e a utilização dos fatores de produção, ou seja, a quantidade de produto por unidade de fator produtivo, geralmente o fator trabalho (GOMES, 2009). Kellogg (1981) apud Souza (2006) considera a produtividade relacionada à construção civil como uma relação entre o produto gerado por cada homem em um tempo de uma hora. Esta definição pode ser transformada para um modo mais geral, sendo uma nova definição, a relação entre as saídase as entradas de um processo produtivo. Como demonstra a Figura 2.1, logo abaixo, estas entradas, na construção civil, são os materiais, os equipamentos e a mão-de-obra, onde com um processo produtivo são transformadas em saídas que por sua vez seria o produto final da construção, a obra (SOUZA, 2006). 7 Figura 2.1 – Processo de transformação na construção civil (FONTE: CARRARO, 1998) Com a ajuda da figura acima, pode-se encontrar uma modificação, mais próxima a realidade do trabalho como mostrada na Figura 2.2 em relação à produtividade da mão-de- obra no serviço de elevação de alvenaria de vedação. Figura 2.2 – Processo de transformação dos esforços para alvenaria de vedação (FONTE: CARRARO, 1998) 2.1.2 Gestão do serviço de alvenaria Souza (2006) diz ser arriscado tomar decisões com base em mitos, em que gestores têm obsessão por dizer que a baixa produtividade no serviço de elevação de alvenaria é devido à indolência da mão-de-obra. Na verdade se deve ter um estudo para saber se o problema seria na própria hierarquia superior da obra, nos projetos e nos fornecedores de materiais, sendo mais fácil colocar a culpa nos operários da base da hierarquia. Um fato citado por Souza (2006) em que em uma obra visitada por ele, localizada na periferia de São Paulo, foi mal gerenciada, levou a uma péssima produtividade do serviço de elevação de alvenaria de vedação gerando um gasto na ordem de quase 200% na mão-de- obra, em relação a outras obras da construção formal. Araújo (2000) constata ainda que elevar valores pagos aos operários não se traduzirá em um incremento proporcional de produtividade, apenas aumentará os custos desse recurso, podendo inviabilizar empreendimentos. Uma das saídas adotadas diz respeito ao 8 investimento na melhoria da gestão da mão-de-obra, visando melhorias na produtividade para, assim, reverter possíveis ganhos aos trabalhadores. Heineck e Ferreira (1994) alegam que uma medida de organização da gestão de uma empresa para se chegar à qualidade da produtividade é a avaliação do consumo de mão- de-obra nas atividades do canteiro. Esta avaliação do consumo de mão-de-obra pode trazer benefícios como mencionados por Carraro (1998) apud Araújo (2000): a) previsão do consumo da mão-de-obra; b) previsão da duração dos serviços; c) avaliação e comparação dos resultados; d) desenvolvimento/aperfeiçoamento de métodos construtivos. As diferentes maneiras de medição da produtividade vêm trazendo resultados comparativos errados, até em grande escala. Por exemplo, se um operário está levantando uma alvenaria de vedação em um empreendimento usando juntas verticais precisará de mais tempo para que termine o serviço em relação a outro operário que está levantando alvenaria sem as mesmas juntas. Outro exemplo mais comum é o uso de equipamentos mais sofisticados, como mesa para apoio dos tijolos e da argamassa, na altura ideal para que haja mais velocidade no serviço. Estas e outras diferenças não devem ser omitidas na hora de se medir a produtividade em diferentes obras. 2.1.3 Estudo da produtividade Para Lordsleem et al (1999), o sub-setor é caracterizado, ainda hoje, por um elevado índice de desperdícios seja de recursos materiais, humanos, energéticos, financeiros ou temporais. Na construção civil, mais especificamente no caso de mão-de-obra, este desperdício pode chegar a 30% do custo total da edificação. Como afirma Sabbatini (1983) apud Lordslemm et al (1999), o desperdício de recursos é conceituado como uma produtividade destacadamente inferior, quando comparada à de outros segmentos industriais. De acordo com Carraro et al (1998), entre problemas crônicos existentes na construção civil, a má produtividade merece destaque, uma vez que os gestores das obras não costumam ter conhecimento sobre a quantidade de mão-de-obra que se demanda para 9 produzir determinado serviço, e conseqüentemente, não possuem parâmetros para buscarem atitudes corretivas caso seja verificado algum problema. Neste sentido, Póvoas et al (1999) cita que o estudo da produtividade oferece condições para melhorar a execução dos serviços, seja induzindo a racionalização da mão-de- obra, dos materiais e dos equipamentos, como na organização do canteiro e na estrutura organizacional adotada. Dentro de um período de tempo, medidas de produtividade podem ser usadas para se comparar as performances dos serviços da empresa. Como a produtividade é uma medida relativa, para que seja significativamente útil, deve ser comparada a algo. Isso permite a medir a melhoria da produtividade, ou mesmo impactos de introdução de novos processos, equipamentos ou similares motivadores dos trabalhadores (SABBATINI, 1991). 2.2 Mão-de-obra A mão-de-obra da construção civil apresenta peculiaridades distintas dos outros setores econômicos e industriais segundo um levantamento realizado pelo Serviço Social da Indústria – SESI, no ano de 1991 (MARDER, 2001), tais como: a) Na construção civil a população trabalhadora é de predominância masculina (98,56%). Isto é explicado pelas próprias características do processo produtivo que se utiliza da força física para a realização de tarefas; b) Já com relação à idade, há uma concentração maior de trabalhadores nas faixas etárias de 19 a 25 anos (26,86%) e 26 a 35 anos (30,78%); c) Em relação à distribuição dos entrevistados conforme o estado civil, 62% dos operários é casado. Com o fato de a maioria ser casado, conclui-se que muitos possuem dependentes e responsabilidades decorrentes de uma família. Ainda segundo Marder (2001), uma grande rotatividade é gerada no setor da construção, e pode ser atribuída às relações de trabalho empreendidas. Vários são os fatores que contribuem para elevar este índice: a) o processo de seleção – favorecendo a necessidade do momento pode nem haver seleção; b) o nível de integração do trabalhador nas unidades produtivas; c) treinamento – realizado em poucas empresas; d) salários – geralmente muito baixos; e) condições de trabalho nos canteiros – a existência ou não de EPI’s; 10 f) o relacionamento entre supervisores e operários – muito pouca ou não existe. Esta alta rotatividade pode trazer prejuízos para a empresa e uma instabilidade social para os trabalhadores. Outra característica negativa da mão-de-obra do setor, segundo Oliveira (1197) é o alto índice de absenteísmo, sendo que os dados da pesquisa revelam que 50% das faltas ocorrem por motivo de saúde, sendo que 8,5% dessas recaem sobre doenças profissionais e 6,75% por queixas de fraqueza e cansaço. Alguns fatores que contribuem com absenteísmo são: o quadro de carência agudo apresentado pela mão-de-obra, cujas condições de vida predispõem a diversas doenças; as precárias condições de trabalho existentes na maioria dos canteiros de obra, aumentando a probabilidade de riscos ocupacionais e o baixo nível tecnológico, que leva a adoção de técnicas de produção rudimentares, aumentando os riscos de acidentes e a fadiga decorrente do esforço físico necessário para a execução das tarefas 2.3 Capacitação de mão-de-obra A falta de qualificação profissional foi apontada como o principal problema para as empresas da área de construção civil, segundo pesquisa divulgada em julho de 2010 pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). De acordo com o levantamento, a pouca qualificação é preocupação para 62% das empresas (DIÁRIO POPULAR, 2010). Mutti (1995) apud Campos Filho (2004) fala que o motivo da produtividade no setor da construção habitacional estar abaixo da média e seu custo ainda muito alto é, entre outros fatores, o da falta de mão-de-obra capacitada. Além disso, o mercado exige cada vez mais organização e agilidade em qualquer tipo de serviço, onde quem é mais treinado pode ter uma oportunidade melhor de crescimento. Segundo Holandaet al (2003) apud Campos Filho (2004) o treinamento da mão- de-obra é pouco incentivado pelas empresas, por causa do alto investimento inicial e devido a elas não pensarem no futuro que isso lhes traria, assim como a carência de programas adequados ao mesmo. Em decorrência disto, boa parte da mão-de-obra na construção civil ainda é desqualificada e formada por pessoas sem conhecimento suficiente para compreender as etapas de execução dos novos processos construtivos, os quais requerem conhecimento da representação gráfica e o domínio de um saber-fazer, relativo ao processo de trabalho, que envolve habilidade no exercício das atividades e sua interferência decisiva na definição de como executar as tarefas. 11 Uma pesquisa realizada por Souza et al (2004) na qual houve a capacitação da mão-de-obra em três subempreiteiras, obteve resultados positivos em relação à mesma, incluindo os citados a seguir: a) conscientização dos operários frente à segurança do trabalho; b) limpeza do local após os serviços; c) delegação das responsabilidades; d) maior produtividade em diversos serviços. Para Aragão (2009), os trabalhadores precisam compreender que buscando uma melhor qualificação poderão ampliar as oportunidades de trabalho, alargando, também, as possibilidades de uma melhor remuneração, o que leva a melhorias na qualidade de vida. 2.4 Alvenaria de vedação de blocos cerâmicos Segundo Rodrigues (2010) a alvenaria é o conjunto de elementos da construção civil, resultantes da união de blocos justapostos unidos com argamassa, ou não, destinados a suportar principalmente esforços de compressão ou simplesmente a vedação de uma área. A alvenaria de vedação é definida por muitos autores como a alvenaria que não é dimensionada para resistir às ações além do peso próprio. Esta vedação vertical protege o edifício de agentes externos como chuvas e ventos, além de dividir ambientes internos promovendo segurança e conforto dentro de um sistema estruturado. Este processo de fechamento de vãos de paredes é utilizado na maioria das edificações (THOMAZ, 2001). Conforme Lima (2006) as alvenarias podem ter tamanhos variados, a partir da quantidade de furos ou mesmo suas espessuras, 4, 6, 8 e 10 furos, ou espessuras de 8 cm, 10 cm, 15 cm e até 20 cm, entre outras. Elas podem ser revestidas com algum tipo de proteção ou mesmo ficarem aparentes. A partir de uma pesquisa realizada por Lima (2006) ficou evidente que o tijolo cerâmico vazado é o mais utilizado atualmente nos canteiros de obra na cidade de Fortaleza- CE sendo ele de domínio público há muitos anos. Este tipo de tijolo possui uma densidade média de 1300 kg/m³ sendo assentado com mão-de-obra convencional. Suas faces passam por vitrificação fazendo com que a argamassa tenha melhor aderência. Possuem variação volumétrica baixa ao absorver e expelir água e fácil manuseio, mas tem como inconveniente a necessidade de quebra do material. Um metro quadrado deste elemento deve ser feito com 25 unidades de um tijolo. 12 De acordo com Souza (2006), o operário que trabalha no serviço de elevação de alvenaria de vedação precisa completar as seguintes etapas para gerar o seu produto de maneira mais correta e conforme o projeto de arquitetura: a) iniciar o serviço pelos cantos destacando a primeira fiada depois de colocado em posição o escantilhão; b) subir então a alvenaria pelos cantos sempre com o uso do prumo de pedreiro para o alinhamento vertical; c) nivelar com o uso de uma linha de nylon esticada entre os dois cantos já levantados, para que se tenha um bom alinhamento horizontal como mostrado na Figura 2.3; d) com a argamassa, o tijolo é assentado com sua face rente à linha, sempre batendo com a colher de pedreiro para que se faça o alinhamento final; e) após mais ou menos 1,50m de alvenaria, pode-se incluir andaimes para que se continue a elevação em um segundo plano (nível mais alto). Figura 2.3 – Detalhe de equipamentos e etapa da elevação de alvenaria (FONTE: JCMUG, 2010) 2.5 Acompanhamento e fiscalização A fiscalização é a forma de atuação pela qual são alocados recursos humanos e materiais com o objetivo de avaliar a gestão dos recursos públicos. Esse processo consiste basicamente em capturar dados e informações, analisar, produzir um diagnostico e formar um juízo de valor (TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO, 2010). A fiscalização aqui explicitada não é aquela na qual o agente de órgão público verifica se o andamento da obra está de acordo com os projetos, especificações e orçamento contratado, e sim o acompanhamento e avaliação do serviço de mão-de-obra, de forma a sanar irregularidades e obstáculos. Não apenas o engenheiro da obra deve fazer o papel de fiscal dos serviços. O mestre de obras ou estagiários devidamente capacitados, são capazes de antever problemas na execução dos serviços e indicar soluções ou procedimentos mais eficazes. 13 Para Soares et al (2001) a busca da qualidade, durante a etapa da fiscalização de obras, implica na necessidade de identificar e eliminar as possíveis falhas no processo construtivo. Muitas falhas de execução não são detectadas pela equipe de fiscalização, assim, restam as opções de reparo do fato gerador de improdutividade e desperdícios ou conviver com o erro, que afeta diretamente a qualidade do produto. Ainda para Soares et al (2001) estes responsáveis pela fiscalização do andamento correto do serviço devem dispor previamente de conhecimento das definições originárias das fases de projeto, especificações, orçamentos e cronogramas físico-financeiros de execução dos objetos licitados e contratados. Deve-se impor a hipótese de que etapas anteriores ao processo de fiscalização foram desenvolvidas baseadas em critérios de qualidade. Segundo Franco (2001), o responsável comanda a produção, determina a melhor forma de organizar o trabalho, fiscaliza e impede demoras. Aos operários resta a execução da obra. É função do responsável pela fiscalização, observar de forma sistemática e contínua: a) Instalação do canteiro, distribuição de materiais e equipamentos; b) Locação da obra; c) Composição das equipes de trabalho; d) A correta elevação das alvenarias e locação das esquadrias; e) O comprometimento dos componentes das equipes; f) O estoque regular de materiais e equipamentos necessários ao serviço. A fiscalização e acompanhamento dos trabalhos permitem a detecção antecipada e resolução de problemas da obra, trazendo benefícios em relação ao prazo e custo do empreendimento. Conforme Monteiro (2010) “Se a fiscalização, seja em obras públicas ou privadas, não for eficiente, haverá problemas não só com os custos dos empreendimentos, mas também com os resultados obtidos”. 2.6 Uniformização dos dados Uma análise detalhada comparando resultados entre índices de produtividade encontrados deve ser feita com bastante atenção. Estes dados devem ser tratados em algum método já conhecido para este tipo de pesquisa. A uniformização dos resultados deve ser feita para que seja entendida por diversos setores da construção civil, principalmente os ligados diretamente na gestão no canteiro de obra. 14 Esta uniformização seria a transformação em uma unidade chamada R.U.P. (Razão Unitária de Produção) utilizada por Souza (2006), sendo uma dos mais comuns e fáceis de utilizar. Contudo faz-se necessário um bom conhecimento da sua fórmula e exatamente o que ela pede, para que não se compare R.U.P’s de diferentes produtividades em relação a equipamentos diferenciais nem condições diferentes para o cálculo. Conforme apresentado anteriormente na Figura 2.2, a R.U.P. representa a razão entre o esforço humano em homens x hora e a quantidade mensurável de serviço gerado por este esforço, segundo a Equação 2.1: QShHPUR /.... = (2.1) Este valor encontrado é medido em Hh/m2 ou homens-hora por metroquadrado. Souza (2006) ressalta a importância da existência de regras para as mensurações como: uma definição de que- cargos os operários estão sendo avaliados; a quantificação das horas de trabalho; e a quantidade de serviço realizado. Outro fator também seria a definição do período de tempo para as mensurações. Souza (2006) explica que em relação à escolha dos homens trabalhadores (mão- de-obra), existem as categorias que serão feitas com restrições para que não haja um distanciamento muito grande durante os estudos entre obras a serem comparadas: a) nível hierárquico – Oficial e ajudante; b) especialização – Qual sua função na equipe; c) serviço realizado – Será a alvenaria de vedação; d) processos – De transporte, de movimentação, e processamento final; e) organização – Como será feita a organização da equipe. Em se tratando das horas de trabalho, serão contadas apenas aquelas nas quais os operários estão disponíveis, excluindo assim as horas em que eles não estão em canteiro de obra, e não descontando períodos onde o motivo do não andamento do serviço seja causado por outros fatores que não a mão-de-obra, como exemplo a falta de materiais. Deve-se anotar a entrada e a saída do operário e o tempo de paralisação do mesmo, assim como fatores inconvenientes como a falta de equipamentos e materiais ou até dificuldades da realização do serviço, para que seja explicada uma suposta variação de produtividade. A quantificação do serviço para o trabalho em questão será feita com a medição da área levantada em metros quadrados da alvenaria, não computando a área de vãos. O período para se medir o andamento do serviço é bastante importante, pois se deve ter noção de que, se medindo semanalmente, pode ter ocorrido uma paralisação do 15 serviço por um dia completo, enquanto em outra obra o mesmo não ocorreu. Então esta etapa deve ser bem escolhida e observada para que se minimizem possíveis erros. Marder (2001) cita a existência de dois tipos de R.U.P calculadas em períodos diferentes. A R.U.P.d que é calculada a cada dia de trabalho, e a R.U.P.cum calculada a partir dos valores de homem-hora e quantidades de serviços relativos ao período que vai do primeiro dia em que se estudou a produtividade até o dia em questão. A R.U.P. diária é a maneira mais comum e precisa de se comparar resultados em obra, pois nela serão anotados os efeitos influenciadores dos serviços diariamente. Já a R.U.P. cumulativa demonstra tendências em longo prazo de desempenho de serviço, amenizando efeitos causados pelos dias anormais em relação à execução do serviço. Marder (2001) também discorre que, diferentemente dos valores diários, que apresentam situações pontuais, os valores cumulativos apresentam uma tendência da obra e demonstram a ocorrência de problemas administrativos e gerenciais, evidenciados pela baixa produtividade apresentada. 2.7 Fatores influenciadores da produtividade A produtividade do serviço de alvenaria de vedação pode ser facilmente encontrada com diferentes valores, em obras semelhantes. Esta variedade pode ser grande, mas é sempre influenciada por alguns fatores que contribuem na formação, movimentação e comercialização do produto final. Estes fatores podem ser facilmente divididos em categorias como: a) características do produto: Segundo Oliveira (1991) o efeito de repetição e aprendizagem, conhecido também como treinamento em uma tarefa, conduzem a um melhor desempenho, ou seja, aumento da produtividade. Entre as razões que explicam este efeito, podem ser citadas: familiarização do trabalho; melhoria na coordenação das equipes e equipamentos; desenvolvimento de melhores métodos de execução, entre outros. Para Araújo et al. (2000), a caracterização geométrica das alvenarias, a partir da planta baixa pode ser também um fator decisivo na produtividade do serviço. Paredes lineares, como na Figura 2.4, em geral, são executadas com maior velocidade e ganhos de produtividade em relação a paredes não lineares ou com mais ligações como na Figura 2.5. 16 Figura 2.4 – Planta simples (FONTE: PLANTASEPROJETOSDECASAS, 2010) Figura 2.5 – Planta complexa (FONTE: PLANTASEPROJETOSDECASAS, 2010) b) materiais e componentes: De acordo com Marchioro et al (2004) uma densidade variável na mesma obra dos bloco cerâmico pode vir a trazer uma menor produtividade, por causa da lentidão decorrente do transporte e seu assentamento na parede a ser executada. 17 c) equipamentos e ferramentas: Para Araújo et al (2000), equipamentos mais sofisticados como mesa para alvenaria no nível do levantamento ou mesmo colher de pedreiro meia cana (Figura 2.6) em substituição a colher convencional (Figura 2.7) facilitam no aumento da velocidade de execução do serviço. Figura 2.6 – Colher de pedreiro meia cana (FONTE: SCANMETAL, 2010) Figura 2.7 – Colher de pedreiro (FONTE: USINAFORTALEZA, 2010) 18 d) mão-de-obra: A composição da equipe é importante para que haja uma melhor utilização do tempo e esforços de todos os trabalhadores envolvidos no serviço. Por exemplo, utilizar o dobro de operários para execução de uma parede não quer dizer que a velocidade ira dobrar (SANTOS et al., 2006). Outro fator é a da quantidade de serventes em relação à de operários, onde a quantidade daqueles devem ser menor que destes. e) organização da produção: Marchiori et al (2004) também comenta que a existência ou não de um projeto de alvenaria e de procedimentos pode chegar a resultados diferentes em relação à produtividade de alvenaria de vedação. Segundo Brandli (2001) apud Marder (2001) o layout do canteiro de obra influencia também na produtividade do serviço a ser executado. Uma correta distribuição dos vários equipamentos e setores de armazenamento e produção no canteiro além de seus dimensionamentos em tamanhos e quantidades, otimiza a produção com ganho de tempo, limpeza, velocidade na execução de serviços e sua qualidade, sem que haja um aumento de custo considerável. 19 3 METODOLOGIA Aqui são explicitadas considerações para a efetivação do trabalho e os passos da metodologia. O tipo de pesquisa utilizado foi a de levantamento de dados a partir de obras de empreendimentos residenciais. A técnica de coleta de dados foi a partir de observação do serviço de elevação da alvenaria dos serviços de e preenchimento de tabelas de R.U.P.d e R.U.P.cum. A pesquisa que deu origem a este trabalho é de natureza quantitativa, embora dados qualitativos também tenham sido utilizados para que os resultados fossem complementados. A estratégia de pesquisa utilizada foi o estudo de caso. 3.1 Seleção das obras A seleção das obras foi segundo a conveniência do pesquisador e teve os seguintes critérios: a) empreendimento residencial; b) localização em Fortaleza-CE; c) com estrutura reticulada em concreto armado em execução; d) serviço de elevação da alvenaria de vedação sendo realizado nos pavimentos. 3.2 Técnica da coleta A cada obra visitada foi previamente solicitado a autorização do engenheiro responsável para que o pesquisador tivesse livre acesso ao canteiro de obras, bem como disponibilidade para a coleta dos dados necessários para o trabalho. Foi obtida, com o engenheiro responsável, a planta baixa virtual do pavimento tipo. Na mesma ocasião foi observado e anotado em um caderno o pavimento onde teria inicio a coleta. O pavimento escolhido necessariamente deveria ter o serviço de elevação da alvenaria não iniciado para facilitar as mensurações futuras. A planta baixa virtual foi tratada, de forma a deixar visível apenas a alvenaria e as esquadrias. Foram impressas várias cópias do material para futuras coletas com data em aberto para anotação dos dias da apropriação. Inicialmente foi previsto um número de trinta (30) visitas para cada obra, porémpara cada obra foi obtido um número diferente de visitas dependendo da disponibilidade de 20 tempo do pesquisador. Para a obra 1 foram realizadas 30 visitas, já para a obra 2 foram realizadas 25 visitas e para a obra 3 um total de 22 visitas. E cada visita com uma média de duas horas de duração. Foi estipulado um horário em que diariamente foram cumpridas visitas e quantificações obtidas com a utilização de trenas e contagem de fiadas elevadas, incluindo a fiada da marcação, e então anotados os resultados nas plantas impressas e datadas. Foram multiplicadas as quantidades de fiadas com os comprimentos das paredes para se encontradar as áreas executadas no período. Para apropriação dos termos “H” e “h” da Equação 2.1 foi obtida a folha de ponto com o mestre de obras. Através dela foi anotada a quantidade de operários e as horas trabalhadas para a realização do serviço no dia sendo calculada com a multiplicação do termo “H” com o termo “h”. Foi considerado para o termo “H“, ou quantidade de operários, somente a equipe de produção oficial, neste caso, os pedreiros. Já para o termo “h” da Equação 2.1 foram consideradas as horas trabalhadas pelos operários e as horas não trabalhadas nas quais eles estavam disponíveis para o serviço. O registro de ocorrências foi realizado com observações e questionamentos dos operários e do mestre de obras acerca de supostos obstáculos para a realização do serviço em questão. Para fins desse trabalho foi considerado que as informações obtidas com o mestre de obras são suficientemente precisas e confiáveis para a coleta das informações sobre homens-hora utilizados no serviço de cada obra. 3.3 Tratamento e análise dos dados. Para o iniciar o tratamento das informações apropriadas foi desenvolvido com o auxilio do programa Excel uma planilha virtual padrão (Tabela P.1) que seria usada para se anotar as entradas de dados, assim como automaticamente (por meio de fórmulas nas células) obter as saída de dados, que seriam a R.U.P.d e também a R.U.P.cum. A tabela padrão é exposta a seguir: 21 Tabela P.1 – Tabela padrão Produtividade (m²) Hh Qs R.U.P.d R.U.P.cum OBS: 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Hh = Hora homem Qs = Quantidade de serviço (m²) De posse dos dados coletados de cada obra o preenchimento da planilha foi iniciado, obtendo assim automaticamente na coluna de saída R.U.P. da tabela o índice procurado a partir da fórmula Hh/Qs na célula em destaque. Assim, com as tabelas devidamente preenchidas a criação de gráficos que exibiam a curva R.U.P. além da reta R.U.P. média para cada obra, evidenciando os picos formados pelos fatores influenciadores observados. A partir das curvas encontradas nos gráfico gerados pelo programa Excel foram realizadas interpretações juntamente com os fatores influenciadores encontrados, ligando-os para que se então se tenha resultados em relação aos índices de produtividade de cada obra. Então estes índices foram comparados, tanto em relação a R.U.P. média como para o desvio padrão alem de serem feitas comparações a cerca de fatores influenciadores no intuito de encontrar a melhor obra a partir dos dados apropriados. 22 4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS Uma breve descrição das obras foi realizada para melhor visualização e analise das mesmas. Descrição esta acerca de pontos importantes como tipo de edificação e áreas construídas totais e de alvenaria; tipos de blocos empregados; equipamentos utilizados; transportes verticais e horizontais; armazenamento de materiais; composição da equipe, entre outros. Citar características de cada obra se faz importante, pois podem também ajudar em uma analise feita posteriormente. Uma demonstração dos resultados encontrados após o tratamento de tabelas e gráficos gerados pelas planilhas eletrônicas, a partir dos dados coletados, é realizada neste capítulo a fim de que seja feita uma consideração final acerca do tema estudado. 4.1 Estudo de Caso 1 A Obra 1 será explicitada em termos de descrição do empreendimento, características a cerca do serviço de alvenaria e analise dos resultados. 4.1.1 Descrição da obra Uma edificação residencial com 18 pavimentos mais dois subsolos. Estava ainda em fase de execução da estrutura que por sua vez era reticulada em concreto armado e a alvenaria de vedação em elevação. A obra possui um total de área construída de 15.833 m² com área de alvenaria por pavimento de 510 m². Uma grande variação de tamanhos de blocos cerâmicos na obra foi encontrada. Havia blocos de (08x20x20)cm (usados nas duas primeiras fiadas), (10x10x20)cm, (10x20x20)cm e também de (14x20x20)cm (usados para fechamento da escada e elevador). A cada pavimento se encontrava uma betoneira pequena (120 L) onde um servente encarregado do andar a operava. A argamassa industrializada utilizada na betoneira do pavimento foi utilizada para fiadas a partir do terceiro bloco, enquanto uma argamassa feita no térreo e transportada pelo elevador foi utilizada nas duas primeiras fiadas e no encunhamento. 23 O transporte vertical dos materiais como tijolo, argamassa e vergas era realizado com o auxilio de um elevador único para todo o edifício, já o transporte horizontal, com carrinhos de mão. Os blocos cerâmicos, assim como os sacos de argamassa industrializada, eram entregues a obra em paletes pequenos armazenados primeiramente no pavimento térreo. Os materiais gerais (areia, cimento, aço, brita) foram armazenados no piso térreo, após sua construção, pois era um local coberto e com bastante ventilação, além de oferecer bastante espaço para o movimento dos operários. Os materiais foram transportados até o local de uso antecipadamente, como mostra a Figura 4.1. Se a equipe de alvenaria estava no pavimento nº 7 os pavimentos nº 8 e nº 9 já estariam sendo carregados com os blocos e os sacos para argamassa industrial. Os equipamentos utilizados para a execução do serviço de elevação da alvenaria pelos pedreiros foram: prumo, nível, trena de 5 metros, escantilhão, mangueira de nível, colher de pedreiro, linha nylon, andaimes, planta baixa plastificada do pavimento tipo e equipamentos de proteção individuais (EPI’s). As equipes de elevação de alvenaria eram constituídas por seis pedreiros e três serventes por pavimento. Figura 4.1 – Armazenamento de materiais antecipadamente na obra 1 (FONTE: AUTOR) 4.1.2 Descrição do serviço de alvenaria A empresa contratada para construir a obra 1 possui um sistema de otimização para a execução da elevação da alvenaria que é chamado de pacotes de atividades. Esses 24 pacotes de atividade foram gerados a partir de dados anteriormente coletados em obras concluídas em relação à produtividade da mão-de-obra e seus equipamentos. O pacote de atividades da execução da alvenaria na obra de um pavimento foi projetado para ser concluído em 13 dias contando com outras atividades além da marcação e elevação da alvenaria, sendo a etapa da fixação realizada posteriormente. Este pacote era supervisionado eventualmente por um encarregado do serviço. Com o pacote completo o pagamento era realizado. Esta equipe do serviço de alvenaria de vedação se dividia ainda para realizar os serviços de fôrma e concretagem de pilaretes e vigotas das varandas do pavimento, instalação de eletrodutos e caixas elétricas, limpeza do local e eventualmente ajudavam na concretagem das lajes. O serviço de limpeza era realizado à medida que a elevação estivesse sendo concluída, sendo o entulho das alvenarias e materiais carregados até a abertura de um elevador por onde seriam jogados. Um container de lixo estava estacionado no pavimento do subsolo que seria transportado para dar fim ao entulho.4.1.3 Resultados Observando o Gráfico 4.1 gerado a partir Tabela A.2 encontrou-se R.U.P. média de 1,56 Hh/m2 com um desvio padrão de 0,89 Hh/m2. Encontraram-se também picos de 4,75 Hh/m2 e 4,00 Hh/m2 na curva. A curva da R.U.P.cum se encontra bem abaixo da reta formada pela R.U.P. média. Gráfico 4.1 – Gráfico das R.U.P.’s diárias, cumulativas e média da obra 1 25 A R.U.P.cum bem abaixo da R.U.P. média mostra como seria o caminho da produtividade sem interrupções, demonstrando uma grande diferença entre os índice evidenciando problemas em demasia para o serviço de elevação de alvenaria de vedação. Uma análise a partir dos os resultados da obra 1 pode explicar os picos, tanto como por fatores naturais, o falecimento de um operário (onde a obra parou em luto por um dia e em ritmo menos produtivo nos dias seguintes, quando se notou que os operários trabalharam com menor motivação) e devido à quebra do elevador de carga. Algumas observações acerca do serviço de execução realizado nesta obra podem ser feitas mostrando-se assim fatores que, de alguma forma, influenciaram na variação da produtividade: a) as vergas na obra eram transportadas para o pavimento apenas no dia em que seriam usados, porém em alguns dias o transporte vertical foi parado para manutenção, atrasando o envio destes materiais e da argamassa preparada no pavimento térreo resultando em pequenos atrasos na obra e congestionamentos do elevador; b) a comunicação entre os pavimentos e os encarregados da obra era feita por radiotransmissores com a intenção de agilizar os transportes e fornecimento de materiais e resolver problemas mais facilmente, mas muitas vezes verificou-se a não utilização do aparelho por parte dos operários, perdendo-se assim totalmente a sua funcionalidade; c) erro na leitura da planta baixa do pavimento tipo, fato que ocorreu duas vezes, alterando a localização de esquadrias, com perda de tempo para a demolição das prumadas executadas, retirada de vergas e nova execução conforme projeto; d) o número de andaimes foi insuficiente para atender concomitantemente a todas as equipes e, como conseqüência, alguns trabalhadores temporariamente executaram outras tarefas como limpeza do local e retirada de entulhos; e) a execução de passagens e instalação de caixas elétricas e eletrodutos pela equipe de elevação da alvenaria pode ter demandado um tempo considerável talvez pelo fato de não ter existido nenhum treinamento para este serviço. 4.2 Estudo de Caso 2 Para a obra 2 serão feitas também uma breve descrição do empreendimento, do serviço de alvenaria ali encontrado e resultados a cerca dos índices coletados e tratados. 26 4.2.1 Descrição da Obra A obra é uma edificação residencial, com estrutura em concreto armado e possui 18 pavimentos mais coberta. Cada pavimento se constituía de quatro apartamentos. A área total construída da edificação era de 6.600 m² sendo cada pavimento com 301 m² de alvenaria. O bloco cerâmico utilizado foi de (09x19x19)cm, e também blocos de concreto de (19x9x39)cm para o fechamento de escadas e elevador, funcionando ainda como contraventamento da estrutura, como mostra a Figura 4.2. Toda a argamassa de assentamento utilizada na obra para o serviço de elevação da alvenaria foi misturada no térreo e então transportada quando necessário. O transporte vertical dos tijolos e vergas (feitas in loco no térreo) era realizado com elevador (guincho de carga) além da argamassa com o auxilio de jericas que por sua vez também eram utilizados como transporte horizontal. Os blocos cerâmicos e outros materiais eram entregues a obra e estocados manualmente. A armazenagem dos materiais encontrados na obra, como o tijolo cerâmico, era feito no piso térreo para então ser transportado para o pavimento onde deveria ser executada a alvenaria pelo elevador de carga. Para a realização do serviço de alvenaria de vedação foram utilizados os seguintes equipamentos: Prumo de nível, trena de 5 metros, escantilhão, mangueira de nível, colher de pedreiro, linha de nylon, andaimes, planta baixa do pavimento tipo e EPI’s. A equipe direta era formada por dois pedreiros e um servente, sendo o serviço realizado por apartamento. Figura 4.2 – Alvenarias de vedação e estrutural da obra 2 (FONTE: AUTOR) 27 4.2.2 Descrição do serviço de alvenaria Para a obra 2 não existiam pacotes de atividades com período de término por andar por equipe nem mesmo um banco de dados de índices de produtividade da mão-de-obra na alvenaria de vedação, possuindo apenas o cálculo da produção do pedreiro por apartamento sendo assim feito o pagamento quinzenal. Da mesma maneira que a obra 1 a etapa do encunhamento foi realizado posteriormente. A equipe trabalhava quase que estritamente para a elevação de alvenaria de vedação do pavimento, com exceção de alguns dias em que foram deslocados para realizar outras atividades na obra. O resíduo dos materiais era disposto em vários setores por pavimento para então serem carregados e transportados com o auxilio das jericas até o nível térreo e posteriormente, novamente lançados no caminhão basculante para transporte final. A equipe era supervisionada pelo mestre de obras que era sempre solicitado quando era observado algum problema como falta de materiais ou mesmo erros na elevação da alvenaria. 4.2.3 Resultados No que se refere à análise da segunda obra, com o auxilio da Tabela A.3, o Gráfico 4.2, logo abaixo, mostrou um resultado da média da R.U.P. de 1,41 Hh/m2 com desvio padrão de 0,71 Hh/m2, existindo picos de 3,48 Hh/m2, 2,82 Hh/m2 e 2,46 Hh/m2. Para a R.U.P.cum, ainda há uma variação considerada em relação a R.U.P. média. Gráfico 4.2 – Gráfico das R.U.P.’s diárias, cumulativas e média da obra 2 28 No Gráfico 4.2 a curva da R.U.P.cum abaixo da R.U.P. média resultando na existência de problemas considerados na situação em que o serviço se encontrava. Na obra 2 os picos foram observados quando o mestre de obras deslocou a equipe para o pavimento térreo, para execução de outros serviços. Verificou-se a inexistência de qualquer fiscalização presente no local, quer por estagiário ou técnico em edificações. Para esta obra algumas observações podem ser discorridas: a) deslocamentos de equipes de produção de alvenaria para execução de outros serviços, como remanejamento de materiais, auxilio na concretagem de lajes e verificações de compatibilização do projeto de arquitetura com o executado; b) a insuficiência no fornecimento de água na obra, causou interrupção na produção de argamassas e provocou novo atraso na execução do serviço; c) paralisação do elevador de materiais para conserto do motor, ocasionou desabastecimento de tijolos e argamassas nos pavimentos, gerando acúmulo de materiais a serem elevado aos pavimentos com sobrecarga do equipamento. 4.3 Estudo de Caso 3 Da mesma forma, par a obra 3, será feita uma descrição do empreendimento e do serviço de alvenaria, além de citados os resultados. 4.3.1 Descrição da obra A obra é de um edifício residencial de 21 pavimentos mais um subsolo e pilotis. Estava em fase de construção da estrutura do pavimento 18º, porém já elevando a alvenaria nos pavimentos 13º, 14 ºe 15º. A edificação possuía uma área total construída de 7.520 m² sendo 264 m² de área de alvenaria de vedação por apartamento. Os blocos cerâmicos eram utilizados exclusivamente para a vedação dos pavimentos e eram de (09x19x19)cm. Já na escada e caixa do elevador, foram utilizados blocos de concreto de (19x19x39)cm para uso como contraventamento, assim como tijolos maciços para a vedação de shafts (Figura 4.3). 29 O transporte horizontal dos tijolos e argamassa no local era feito com jericas e carros-de-mão. O transporte vertical, por sua vez, era realizado por um elevador de carga e de pessoas. Os blocos cerâmicoseram entregues na obra em paletes grandes e então estocados. A armazenagem dos materiais situava-se no térreo, tanto de blocos cerâmicos quanto dos materiais para a argamassa. Quando era solicitado o serviço para o pavimento, estes materiais iam aos poucos sendo transportados à medida que fossem necessários, devido às dimensões reduzidas e o pouco espaço para a armazenagem local. Uma betoneira no pavimento térreo misturava as argamassas que eram então colocadas em jericas, e transportadas pelo elevador até o pavimento em que seriam utilizadas. O serviço de alvenaria nesta obra foi feito com o auxilio de alguns equipamentos como: Prumo de nível, trena de 5 metros, escantilhão, mangueira de nível, colher de pedreiro, linha de nylon, andaimes, planta baixa do pavimento tipo e EPI’s. A equipe do serviço de alvenaria de vedação era composta por dois pedreiros e um servente por apartamento. Figura 4.3 – Tipos de tijolos utilizados (cerâmico e maciço) nos pavimentos tipo da obra 3 (FONTE: AUTOR) 4.3.2 Descrição do serviço de alvenaria A empresa construtora da obra 3 possuía um banco de dados em relação ao serviço de mão-de-obra da alvenaria de vedação, porém um pequeno número de edificações foi analisado. Novamente foi visto que o serviço de fixação para finalização da alvenaria de 30 vedação era realizado posteriormente, sendo considerados apenas os serviços de marcação e de elevação das paredes da obra estudada. Toda a equipe de alvenaria de vedação era encarregada de fazer a limpeza do local. Estes operários eram responsáveis ainda do corte das aberturas e instalação dos eletrodutos e caixas elétricas nas alvenarias. Como na obra 2 a limpeza dos pavimentos era feita com o ajuntamento dos materiais inservíveis, para então serem carregados até o elevador por jericas e carros-de-mão onde seriam transportados até o pavimento térreo e então lançados no caminhão o desembarque final. Os funcionários, principalmente os pedreiros, recebiam instruções do engenheiro de como se comportar em seu trabalho em relação à organização, limpeza do local, o transporte de materiais, entre outros fins, para que o tempo de ocupação fosse bem aproveitado. A equipe executora da alvenaria de vedação era constantemente supervisionada pelo mestre de obras e estagiário, sendo eles os responsáveis pelo suprimento de materiais ou mesmo informações acerca de outras necessidades do serviço. 4.3.3 Resultados A obra 3 demonstra uma R.U.P. média de 1,15 Hh/m2 e desvio padrão de 0,28 Hh/m2, bastante baixo, demonstrando maior constância de produtividade. Apresentou apenas um pico no Gráfico 4.3 de 2,15 Hh/m2 calculada com a ajuda da Tabela A.4. Em relação a R.U.P. cum pode-se observar que está bem próxima a R.U.P. média. Gráfico 4.3 – Gráfico das R.U.P.’s diárias, cumulativas e média da obra 3 31 No que se refere ao Gráfico 4.3, que mostra a R.U.P.cum bastante próxima a curva da R.U.P média pode-se concluir que os problemas que existiram no serviço de elevação de alvenaria de vedação não foram suficientemente relevantes, ou foram resolvidos de maneira rápida e efetiva. Os picos do Gráfico 4.3 referente à obra 3 foram gerados após um curto circuito na rede elétrica e quebra da betoneira. A partir de informações obtidas com o mestre de obras e estagiário foi constatado que nesta última obra os operários eram mais bem selecionados na contratação. Estes eram expostos antes do inicio do serviço às possíveis dificuldades que poderiam enfrentar, além de uma apresentação do projeto. Um encarregado (estagiário), além do mestre de obras, se deslocava regularmente entre os pavimentos, verificando se o serviço estava sendo feito corretamente e a necessidade de fornecimento de material. Pelos dados mostrados no Gráfico 4.3, é fácil notar que os funcionários da obra obtiveram uma boa produtividade, não havendo grande variação entre os dias coletados. Interferências que merecem ser citadas e que influenciaram na produtividade foram: a) rotatividade na equipe, ocasionadas por faltas provocadas por doença, ou solicitações de ausência temporárias, bem como problemas familiares de operários da equipe quando no caso um filho de um empregado foi acidentado; b) problemas na rede elétrica da obra por curto circuito, com falta parcial de energia no canteiro; c) quebra da betoneira de produção das argamassas, obrigando a mistura manual dos componentes. 4.4 Análise geral dos resultados Alguns fatores são exclusivos de cada obra pesquisada, como por exemplo: o falecimento de um operário na obra 1, que fez com que o serviço atrasasse bastante; já na obra 2 a falta de água para a mistura de argamassa obrigou a interrupção do serviço por demasiado tempo; fatores como saúde física e problemas familiares foram detectados apenas na obra 3. Estes inconvenientes provocam um aumento de R.U.P. em cada obra, tanto gerados pelos operários como também pela organização, planejamento e gestão do canteiro de obra. Tecnologias construtivas ou mesmo desenvolvimento de modos alternativos, foram encontrados em todas as obras como, por exemplo, o radiotransmissor utilizado na obra 32 1, os reservatórios de água nos pavimentos da obra 2 e mesmo a capacitação de operários substitutos feita na obra 3, não foram suficientes para que a obra se desenvolvesse da melhor maneira em todos os dias. Uma analise em relação as R.U.P.’s médias dos gráficos demonstra que a obra 3 obteve melhores resultados. Além do fato de a R.U.P. cumulativa ser mais próxima da R.U.P. média na obra 3. Este resultado pode ser causado por uma diferença encontrada nas obras em se tratando de fiscalização e acompanhamento dos serviços. A obra 3, de mais baixa (ou melhor) R.U.P. pode ter obtido o melhor desempenho durante a pesquisa devido a uma fiscalização sistemática do serviço de elevação de alvenaria, levando a uma melhor e mais constante execução da alvenaria. Uma explanação prévia feita pelo engenheiro para os encarregados (mestre de obras e estagiário local) deste serviço em questão foi realizada, para evitar descontinuidades causadas por desconhecimento do projeto, dúvidas ou demolições desnecessárias, bem como falhas na produção por desperdício ou desabastecimento de material. 33 5 CONCLUSÃO A realização deste trabalho permitiu analisar a produtividade da mão-de-obra no serviço de alvenaria de vedação de três obras, levando-se em conta os fatores que podem ter influenciado nos índices encontrados. A partir dos dados apropriados e posterior analise realizada, observou-se que a obra 3 apresentou melhor R.U.P. média. Diante do exposto, conclui-se que não há grandes diferenças entre os índices de R.U.P. das obras visitadas, entretanto a variação ocorre, o que pode levar à mudanças nos resultados finais dos empreendimentos quando se avaliam os tópicos prazo da obra e custo final. Estes resultados são decisivos para um bom desempenho e afirmação em um mercado tão competitivo quanto a construção civil no Ceará e mesmo no Brasil. Verificou-se que uma fiscalização atenta e em sintonia com os encarregados da obra, é um fator estratégico para a obtenção de melhores resultados. Constatou-se que fosse abastecimento realizado sempre que necessário de materiais nas frentes de serviço é fundamental para garantir um bom desempenho das equipes, juntamente ao planejamento das novas frentes de trabalho. A pesquisa demonstra a necessidade de uma política de treinamento da mão-de- obra, inclusive da fiscalização, incentivos para a qualificação dos operários e finalmente a necessidade de uma fiscalização sistemática dos trabalhos realizados para identificação e correção de problemas de forma a evitar o retrabalho ou recorrências. 5.1 Sugestões para futuros trabalhos Concluindo, fica o desejo de que esta monografia tenha contribuído para a comunidade acadêmica,motivando outros estudos que possam completar informações aqui mencionadas, assim como valorizar a área da construção civil. Com o que foi visto e analisado acima, sugere-se para novos trabalhos: a) aplicar a metodologia mostrada em outros canteiros de modo a se obter um universo maior de comparação para avaliação da produtividade; b) ampliar o banco de dados acerca dos índices de produtividade das obras em Fortaleza; c) analisar mais criteriosamente os fatores influenciadores mais determinantes; 34 d) aplicação desta metodologia em obras da mesma empresa, descobrindo assim mais divergências entre métodos, processos e equipamentos influenciadores de variações dos índices de produtividade. 35 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARAGÃO, R. L. A importância de uma equipe multidisciplinar em obras da construção civil. Monografia (graduação em Engenharia de Produção Civil) – Faculdade Brasileira, Espírito Santo, 2009. ARAÚJO, L. O. C. Método para a previsão e controle da produtividade da mão-de-obra na execução de fôrmas, armação, concretagem e alvenaria. 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Acesso em: 24 de outubro. 2010. 39 APÉNDICE A – Tabela de R.U.P.d e R.U.P.cum da obra 1 Tabela A.2 – Dados coletado da obra 1 produtividade (m2) Hh Qs R.U.P.d R.U.P.cum OBS: 1 48 35,40 1,36 1,36 2 32 35,00 0,91 1,14 3 40 41,70 0,96 1,07 4 40 26,48 1,51 1,15 Assentamento de vergas nas aberturas das janelas 5 32 36,38 0,88 1,10 6 40 62,80 0,64 0,98 7 32 29,40 1,09 0,99 8 32 22,00 1,45 1,02 9 40 25,05 1,60 1,07 Equipe instalando eletrodutos e caixas 10 40 29,76 1,34 1,09 11 32 26,14 1,22 1,10 12 40 8,42 4,75 1,18 Elevador em manutenção 13 48 26,00 1,85 1,23 Forma e concretagem de vigotas (por parte da equipe) 14 48 38,00 1,26 1,23 15 48 59,98 0,80 1,18 16 48 33,05 1,45 1,20 17 48 52,93 0,91 1,17 18 48 42,11 1,14 1,17 19 48 26,99 1,78 1,19 Assentamento de vergas nas aberturas das janelas 20 48 28,42 1,69 1,21 Equipe instalando eletrodutos e caixas 21 48 29,68 1,62 1,23 22 48 25,33 1,89 1,25 23 24 6,00 4,00 1,27 Falecimento de um operário 24 40 14,00 2,86 1,30 Equipe instalando eletrodutos e caixas 25 48 40,91 1,17 1,30 26 48 60,91 0,79 1,26 27 16 10,38 1,54 1,26 Forma e concretagem de vigotas (por parte da equipe) 28 40 35,65 1,12 1,26 29 32 16,95 1,89 1,27 Limpeza do local por pedreiro e servente 30 32 23,62 1,35 1,27 Hh = Hora homem Qs = quantidade de serviço (m²) 40 APÉNDICE B – Tabela de R.U.P.d e R.U.P.cum da obra 2 Tabela A.3 – Dados coletado da obra 2 produtividade (m2) Hh Qs R.U.P.d R.U.P.cum OBS: 1 16 19,18 0,83 0,83 2 16 10,20 1,57 1,09 3 16 18,65 0,86 1,00 4 16 15,70 1,02 1,00 5 16 25,63 0,62 0,90 6 16 10,20 1,57 0,96 7 16 8,50 1,88 1,04 8 16 6,50 2,46 1,12 A equipe auxiliou em outras atividades da obra 9 16 4,60 3,48 1,21 Falta de água para mistura de argamassa 10 16 15,60 1,03 1,19 11 16 17,50 0,91 1,16 12 16 16,80 0,95 1,14 13 16 10,70 1,50 1,16 14 16 12,50 1,28 1,17 15 16 18,65 0,86 1,14 16 16 20,40 0,78 1,11 17 16 13,00 1,23 1,11 18 16 5,68 2,82 1,15 A equipe auxiliou em outras atividades da obra 19 16 10,00 1,60 1,17 20 16 16,40 0,98 1,16 21 16 18,00 0,89 1,14 22 16 14,32 1,12 1,14 23 16 13,10 1,22 1,14 24 16 12,00 1,33 1,15 25 16 6,50 2,46 1,18 Transporte dos materiais feito pelos oficiais Hh = Hora homem Qs = quantidade de serviço (m²) 41 APÉNDICE C – Tabela de R.U.P.d e R.U.P.cum da obra 3 Tabela A.4 – Dados coletado da obra 3 produtividade (m2) Hh Qs R.U.P.d R.U.P.cum OBS: 1 16 16,54 0,97 0,97 2 16 13,50 1,19 1,07 3 16 11,50 1,39 1,16 Problemas familiares de um membro da equipe 4 16 13,67 1,17 1,16 5 16 15,00 1,07 1,14 6 16 14,59 1,10 1,13 7 16 11,23 1,42 1,17 Falta de um oficial da equipe 8 16 14,56 1,10 1,16 9 16 15,65 1,02 1,14 10 16 12,65 1,26 1,15 11 16 16,48 0,97 1,13 12 16 15,36 1,04 1,12 13 16 12,98 1,23 1,13 14 16 15,98 1,00 1,12 15 16 14,68 1,09 1,12 16 16 15,77 1,01 1,11 17 16 10,56 1,52 1,13 Falta de energia no canteiro 18 16 18,56 0,86 1,11 19 16 7,44 2,15 1,14 Quebra da betoneira 20 16 16,48 0,97 1,13 21 16 17,86 0,90 1,12 22 16 18,60 0,86 1,10 Hh = Hora homem Qs = quantidade de serviço (m²)