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TECNOLOGIA EM
TOMOGRAFIA
COMPUTADORIZADA
Conteúdo
1. História da tomografia computadorizada ............................................................................................ 1
2. Gerações dos equipamentos de TC ..................................................................................................... 2
Introdução ........................................................................................................................................... 2
Tomógrafo de Primeira Geração ........................................................................................................ 2
Tomógrafo de Segunda Geração ........................................................................................................ 3
Tomógrafo de Terceira Geração ......................................................................................................... 4
Tomógrafo de Quarta Geração ........................................................................................................... 4
3. Tomógrafos: helicoidal e multidetector .............................................................................................. 5
Tomografia Helicoidal Multidetectores (Multislice) .......................................................................... 6
4. Aparelho de TC: console, computador e gantry ................................................................................. 7
Introdução ........................................................................................................................................... 7
Console de operação ........................................................................................................................... 8
Computador ........................................................................................................................................ 9
Gantry ................................................................................................................................................. 9
5. Noções básicas da formação da imagem .......................................................................................... 10
Princípio para a formação da imagem .............................................................................................. 10
6. Coloração da imagem: escala de Hounsfield .................................................................................... 12
Escala de Hounsfield ........................................................................................................................ 12
7. Princípios da formação da imagem................................................................................................... 13
Princípios básicos ............................................................................................................................. 13
Características do método ................................................................................................................. 14
Resolução da imagem ....................................................................................................................... 14
O campo de visão – FOV (Field OfView) ........................................................................................ 14
Pitch .................................................................................................................................................. 15
8. Parâmetros técnicos para aquisição da imagem ................................................................................ 16
Parâmetros técnicos da tomografia ................................................................................................... 16
Kilovoltagem (kV) ............................................................................................................................ 16
Miliamperagem (mA) ....................................................................................................................... 16
Miliamperagem/ segundo (mAs) ...................................................................................................... 16
Rot time ............................................................................................................................................. 16
Campo de visão (FOV – Field OfView) ........................................................................................... 16
Espessura do corte ............................................................................................................................ 16
Incremento da mesa (intervalo de corte ou feed) .............................................................................. 17
Pitch .................................................................................................................................................. 17
Interpolação ...................................................................................................................................... 17
Revolução ......................................................................................................................................... 17
Janelas ............................................................................................................................................... 17
Zoom ................................................................................................................................................. 17
Magnificação .................................................................................................................................... 17
ROI Oval ........................................................................................................................................... 17
Varredura .......................................................................................................................................... 17
Eixos de corte ................................................................................................................................... 18
FeetFirst/ Head First ........................................................................................................................ 18
Filtros ................................................................................................................................................ 18
9. Métodos de reconstrução .................................................................................................................. 18
Algoritmos de reconstrução e filtros ................................................................................................. 18
Métodos de reconstrução das imagens ............................................................................................. 19
Retroprojeção .................................................................................................................................... 19
Método Interativo ............................................................................................................................. 19
Método analítico ............................................................................................................................... 19
10. Reformatação multiplanar e tridimensional ................................................................................... 20
Reformatação multiplanar (MPR – multiplanarreconstruction) ..................................................... 20
Reconstruções tridimensionais ......................................................................................................... 21
Renderizações volumétricas (VR – volume rendering) ................................................................... 22
Análises funcionais ........................................................................................................................... 22
11. Artefatos em TC ............................................................................................................................22
Qualidade da imagem ....................................................................................................................... 22
Alguns tipos de artefatos .................................................................................................................. 23
Artefatos de anel ............................................................................................................................... 23
Materiais de alta densidade (strike) .................................................................................................. 23
Materiais de alto número atômico .................................................................................................... 23
Ruído da imagem .............................................................................................................................. 24
12. Meios de contraste e reações adversas I ........................................................................................ 24
Meios de contraste ............................................................................................................................ 24
13. Meios de contraste e reações adversas II ....................................................................................... 26
Introdução ......................................................................................................................................... 26
Administração do contraste .............................................................................................................. 26
Contrastes a base de bário ................................................................................................................. 27
14. Acessórios em TC .......................................................................................................................... 27
Anestesia e sedação .......................................................................................................................... 27
Bomba injetora .................................................................................................................................. 28
Carro de emergência ......................................................................................................................... 28
15. Dosimetria em TC .......................................................................................................................... 29
Generalidades ................................................................................................................................... 29
Riscos da radiação ............................................................................................................................ 29
Aspectos de segurança ...................................................................................................................... 30
Radioproteção ................................................................................................................................... 30
16. Controle de qualidade em TC ........................................................................................................ 31
Instalações ......................................................................................................................................... 31
Controle de qualidade em tomografia computadorizada .................................................................. 32
17. Protocolos do crânio ...................................................................................................................... 34
Outras sugestões de protocolo .......................................................................................................... 36
Crânio 1 ............................................................................................................................................ 36
18. Protocolos da cabeça I ................................................................................................................... 37
Órbitas ............................................................................................................................................... 38
Protocolo ........................................................................................................................................... 38
Osso temporal ................................................................................................................................... 39
Protocolos ......................................................................................................................................... 40
19. Protocolos da cabeça II .................................................................................................................. 41
Seios paranasais ................................................................................................................................ 41
Posicionamento do paciente ............................................................................................................. 42
Protocolo de exames dos seios da face ............................................................................................. 42
Comentários ...................................................................................................................................... 43
Técnicas suplementares .................................................................................................................... 43
20. Protocolos de hipófise e ATM ....................................................................................................... 44
Hipófise ............................................................................................................................................. 44
Anatomia e fisiologia ........................................................................................................................ 44
Patologia ........................................................................................................................................... 44
Exemplo de protocolo ....................................................................................................................... 45
Articulação temporomandibular (ATM) ........................................................................................... 46
Anatomia e disfunções ...................................................................................................................... 46
Exemplo de protocolo ....................................................................................................................... 46
Referências ....................................................................................................................................... 48
1
1. História da tomografia computadorizada
Em 1895, o físico Wilhelm Conrad Roentgen descobriu os raios X e o desenvolvimento dos
equipamentos de raios X desde a sua descoberta possibilitou o avanço dos aparelhos de
tomografia computadorizada.
Godfrey Hounsfield demonstrou a técnica em 1970 pela primeira vez. Hounsfield era físico
engenheiro da EMI Ltda., empresa inglesa famosa por ter gravado os discos dos Beatles, e tanto
ele quanto sua companhia receberam, merecidamente, grande aclamação. Isso fez com que em
meados da década de 1970 começasse a produção industrial, com a consequente comercialização
dos aparelhos de tomografia computadorizada.
Por falta de apoio matemático, nos anos de 1960, a tomografia computadorizada começou a se
desenvolver de forma lenta e, em 1961, o neurologista William Oldendorf construiu manualmente
um sistema de reconstrução de uma seção transversal de um objeto constituído de argolas e ferro
de alumínio.
No Brasil, mais precisamente em São Paulo, foi instalado o primeiro tomógrafo em 1977 e logo
depois, no mesmo ano, o primeiro aparelhodo Rio de Janeiro iniciou seu funcionamento.
Em 1979, Alan Comarck, um físico médico da TuftsUniversity, dividiu o Prêmio Nobel de Física
com Hounsfield por desenvolver a matemática utilizada na reconstrução de imagens de TC. Essa
foi a contribuição matemática fundamental para o problema da reconstrução.
Em 1980 as pesquisas apresentaram os avanços clínicos obtidos pelo uso da tomografia
computadorizada na detecção do câncer de pulmão. Também na primeira metade dos anos 1980, o
desenvolvimento permitiu uma diminuição no tempo de aquisição de dados, passando de cinco
minutos para cerca de vinte
segundos.
O aparecimento da imagem diagnóstica por ressonância magnética preocupou o uso da tomografia
computadorizada na segunda metade da década de 1980, mas algumas aplicações importantes,
como estudos dos ossos e fraturas, fizeram com que a tomografia computadorizada permanecesse
no mercado.
Os aparelhos de tomografia helicoidal apareceram em 1989 e logo em seguida, na década de 1990
surgiram as primeiras aplicações em imagens tridimensionais e a tecnologia da tomografia
computadorizada helicoidal evoluiu.
TECNOLOGIA EM TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA
2
Os equipamentos de tomografia computadorizada de corte duplo, capazes de gerar a imagem de
dois cortes anatômicos por volta completa do tubo de raios X, começaram a ser comercializados
em 1992. A partir desses aparelhos surgiram os aparelhos de tomografia computadorizada com
varredura multicorte que utilizavam os arcos multidetectores. Nesse mesmo ano começaram as
aplicações diagnósticas angiográficas.
Em 1994 surgiram os aparelhos do tipo subsegundo, nos quais a volta completa do tubo de raios
X, necessário para a aquisição de imagem em um corte anatômico, ocorria em menos de um
segundo. Em 1998 foi lançada a versão de aparelhos de tomografia computadorizada helicoidais
multicorte.
A velocidade de varredura de volumes foi aumentada nos equipamentos de tomografia multicorte
no ano de 2000. A aquisição de dados de um estudo completo poderia ser feita em menos de 10
segundos. Em 2001 tivemos um crescimento nas aplicações diagnósticas dos equipamentos de
tomografia computadorizada e o uso de sistemas de otimização de aquisição das imagens de corte
com a minimização da dose em paciente.
Em 2002 foram lançados os aparelhos de tomografia computadorizada helicoidal multicorte
capazes de gerar oito e dezesseis cortes simultâneos por rotação completa do tubo de raios X e em
2004 surgiram os aparelhos helicoidais multicorte de 32 e 64 cortes simultâneos por volta
completa do tubo de raios X.
2. Gerações dos equipamentos de TC
Apresentar aos alunos as principais características das diferentes gerações de equipamentos de
tomografia computadorizada.
Introdução
Os componentes necessários para construir um tomógrafo computadorizado (TC) já eram
conhecidos pelos profissionais de física médica 20 anos antes de Godfrey Hounsfield demonstrar a
técnica em 1970 pela primeira vez. A cada inovação de tomógrafos deu-se o nome de Gerações.
Tomógrafo de Primeira Geração
Para a realização de uma varredura completa os tomógrafos de Primeira Geração necessitavam de
180 movimentos de translações, cada uma delas separadas por uma rotação de 1º. Assim, suas
principais características eram movimentações de translação (180º) e de rotação (1º). Continha
3
apenas um conjunto de detectores, ou seja, um ou dois detectores, nos quais seu feixe de radiação
X era linear e bem colimado em forma de lápis. Esses equipamentos foram considerados apenas
para demonstração, comprovando assim sua utilização para a produção da imagem (BUSHONG,
1997).
Esquema de funcionamento de um tomógrafo de primeira geração. Fonte: Nóbrega (p. 4, 2005).
Tomógrafo de Segunda Geração
Para a realização de uma varredura completa os tomógrafos de Segunda Geração necessitavam de
180 movimentos de translações, mas agora cada uma delas era separada por uma rotação de 15º.
Assim, suas principais características eram movimentações de translação (180º) e de rotação (15º).
Seu feixe já não é mais em forma de lápis, e sim em forma de leque em virtude da inclusão de um
conjunto de múltiplos detectores.
4
Esquema de funcionamento de um tomógrafo de segunda geração. Fonte: Nóbrega (p. 5, 2005).
Tomógrafo de Terceira Geração
Esses tomógrafos utilizam um sistema curvilíneo que contém muitos detectores e um feixe em
forma de leque. O número de detectores é maior nessa geração, além do mais, o arranjo dos
detectores gira em torno do paciente, completando 360º. O feixe em forma de leque e o arranjo de
detectores permitem "enxergar" o paciente inteiro a todo instante.
Esquema de funcionamento de um tomógrafo de terceira geração. Fonte: Nóbrega (p. 5, 2005).
Tomógrafo de Quarta Geração
O projeto de tomógrafos de quarta geração incorporou uma configuração rotatória/ estacionária. A
fonte de raios X gira, mas o conjunto de detecção, não. Realiza-se a detecção da radiação por meio
de um arranjo circular fixo de detectores, que contém cerca de 4.000 elementos individuais. O
5
feixe de raios X tem forma de leque com características semelhantes às do feixe da terceira
geração (BUSHONG, 1997).
Essa geração foi marcada com a tecnologia slip-ring (anéis deslizantes), que permitiram a volta
dos detectores no gantry completando os 360º sem interrupção, por causa da retirada dos cabos de
alimentação de energia externamente.
Esquema de funcionamento de um tomógrafo de terceira geração. Fonte: Nóbrega (p. 6, 2005).
3. Tomógrafos: helicoidal e multidetector
Evidenciar as características dos tomógrafos helicoidais e multidetectores.
O tomógrafo helicoidal sucedeu o equipamento de 4 geração, associando a tecnologia slip -ring,
que permitiu a rotação contínua do tubo ao deslocamento simultâneo da mesa. Os cortes
tomográficos são obtidos com a mesa em movimento, de forma que as "fatias" não são
necessariamente planas, mas na forma de hélices (Figura 1), enquanto o método de aquisição
assemelha-se a um modelo espiral (NÓBREGA, 2005).
6
Técnica Helicoidal. Fonte: Nóbrega (p. 6, 2005).
Novos conceitos foram introduzidos, como:
Revolução: compreende o giro de 360 graus do conjunto tubo-detectores. O
tempo de aquisição dos cortes influencia a velocidade de rotação do conjunto.
Nos TCs helicoidais o tempo de revolução média é de 1 segundo (NÓBREGA,
2005).
Pitch: representa a razão entre a velocidade da mesa pela colimação do corte.
Interpolação: processo utilizado em tratamento de imagens, que permite
aumentar artificialmente a resolução das imagens, adicionando pontos de cores
intermediárias entre os já existentes.
Tomografia Helicoidal Multidetectores (Multislice)
Na expectativa de aumentar ainda mais a capacidade de obtenção de cortes por unidade de tempo,
surgiram os equipamentos helicoidais de tecnologia multidetectores, ou mais popularmente
conhecidos por multislice. Esses equipamentos passaram a apresentar múltiplos conjunto de anéis
detectores de forma estrategicamente emparelhada (Figura 2), tornando-se possível a aquisição
simultânea de vários cortes por imagem observados na Figura 3 (NÓBREGA, 2005).
7
Múltiplos detectores. Fonte: Nóbrega (p. 7, 2005).
Múltiplos cortes. Fonte: Nóbrega (p. 7, 2005).
4. Aparelho de TC: console, computador e gantry
Apresentar resumidamente ao aluno os três principais componentes de um tomógrafo: o console de
operação, o computador e o gantry.
Introdução
É conveniente identificar os três principais componentes de um TC: o console de operação, o
computador e o gantry, mostrados na Figura 1.
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Console de operação
Os departamentos de TC podem ser equipados com dois ou três consoles. Um console é utilizado
pelo técnico em radiologia na operação do equipamento. Outro console pode ficar disponível para
o profissional realizar o processamento das imagensapós a realização dos exames. Um terceiro
console pode ficar disponível para o médico visualizar e manipular contraste, tamanho e aspecto
geral das imagens (BUSHONG, 2010).
9
O console de operação costuma ter dois monitores. Um serve para o operador anotar os dados do
paciente na imagem e para identificar cada imagem. O segundo monitor permite ao operador
visualizar a imagem produzida antes de transferi-la para o arquivo digital ou para o console de
visualização do médico. Esse console contém controles para seleção dos fatores técnicos
adequados, dos movimentos do gantry, da mesa do paciente e para a utilização dos comandos
computacionais que permitem a reconstrução e a transferência da imagem. Pode-se nesse mesmo
console ajustar a espessura do corte e realizar a programação do protocolo a ser utilizado
(BUSHONG, 2010).
Computador
O computador é um subsistema único do sistema de imagem de TC. Dependendo do formato da
imagem, cerca de 250.000 equações devem ser resolvidas simultaneamente; portanto, é necessária
uma enorme capacidade computacional. Dentro desse computador estão localizados o
microprocessador e a memória primária. Eles determinam o tempo entre o fim do exame e o
aparecimento da imagem - o tempo de reconstrução. A eficiência do exame é diretamente
influenciada pelo tempo de reconstrução, especialmente quando se realiza um grande número de
cortes. Alguns utilizam um arranjo de processadores e vez de um microprocessador para a
reconstrução da imagem. O arranjo de processadores faz mais cálculos simultaneamente e, por
esse motivo, é muito mais rápido que o microprocessador (BUSHONG, 2010).
Gantry
O gantry inclui o tubo de raios X, o arranjo de detectores, o gerador de alta voltagem, a mesa de
suporte do paciente e o suporte mecânico de cada um desses. Esses subsistemas recebem
comandos eletrônicos do console de operação e transmitem os dados para o computador para a
produção da imagem e atividades pós-processamento. Os tubos de raios X utilizados nos
tomógrafos multicortes têm requisitos especiais. Esses tomógrafos possuem consideráveis
demandas térmicas do tubo de raios X. O tubo de raios X pode ser energizado por até 60 segundos
continuamente. Apesar de alguns tubos de raios X operarem a baixas correntes, para vários deles a
capacidade energética instantânea deve ser alta (BUSHONG, 2010).
O arranjo de detectores utilizados nos sistemas multislice possui múltiplos detectores em um
arranjo que chega a dezenas de milhares deles. Antigamente, eram utilizados detectores à base de
gás, mas, agora, todos são detectores de estado sólido, cintiladores. Os primeiros arranjos de
detectores cintilantes continham conjunto de cristais cinti ladores e tubos fotomultiplicadores.
Esses detectores não podem ser montados muito próximos e necessitam de fonte de alimentação
10
para cada fotomultiplicador. Por isso, eles têm sido substituídos por conjuntos de cristais
cintiladores e fotodiodos (BUSHONG, 2010).
5. Noções básicas da formação da imagem
Proporcionar ao aluno noções básicas dos princípios para a formação de imagem em tomografia
computadorizada.
Princípio para a formação da imagem
Para a formação da imagem anatômica são realizadas múltiplas projeções a partir dos dados
obtidos em diferentes ângulos. O computador de posse dos dados obtidos constrói uma imagem
digital representada por uma matriz, como mostra a Figura 1. Matriz: arranjo de linhas e colunas,
constituída de vários pixels, formando uma imagem matricial (MOURÃO, 2007).
Pixel nada mais é do que a intersecção de linhas e colunas.
Representação de imagem matricial Fonte: Nóbrega (p. 4, 2005).
O formato da imagem do TC consiste em várias células, cada uma associada a um número e
mostrada com uma densidade óptica ou nível de brilho no monitor.
Exemplos:
matriz EMI ----- 80 x 80 (6.400 células)
Atuais ----- 512 x 512 (262.144 células)
Um feixe de raios X, ao atravessar o objeto, sofre alteração na sua composição por causa da
interação de alguns fótons com a matéria. A parcela de fótons que interage está associada às
características da estrutura e à energia do fóton, definida pelo coeficiente de atenuação linear (µ).
No caso do feixe de raios X utilizado em TC, esse coeficiente leva em conta as interações por
11
efeito fotoelétrico e Compton. Outro fator que influencia as interações é o comprimento do trajeto
que o feixe percorre na matéria objeto (x). Assim, para um dado número de fótons N 0 de entrada, o
número de fótons Nt transmitido é obtido por meio da equação 1:
Nt = N0 x e
-µx.........................................................................(1)
Onde:
Nt = Intensidade de Radiação Residual
N0 = Intensidade de Radiação Incidente
e = Base do logaritmo natural
µ = Coeficiente de atenuação linear
x = Espessura do objeto
O feixe de raios X, ao atravessar um objeto, sofre alteração de intensidade em virtude da absorção
de uma parcela de seus fótons. A parcela de fótons absorvida está associada às características da
estrutura, definida pelo coeficiente de atenuação linear (µ), e ao comprimento do trajeto que o
feixe percorreu no objeto. O parâmetro utilizado para observar as alterações de um feixe que
interage com um objeto é a intensidade do feixe.
A intensidade do feixe é um parâmetro que relaciona a taxa de fótons do feixe e a energia de
fótons. Esse parâmetro é utilizado para observar as alterações de um feixe quando interage com
um objeto. A intensidade do feixe é definida pela equação de Lambert -Beer, 2:
I = I0.e
–µ.x .........................................................................................(2)
Onde:
I = intensidade final da radiação (é conhecido, o detector mede).
I0 = intensidade inicial da radiação (é conhecido pelo kV e mAs).
x = espessura do material (é conhecido por uma estimativa do próprio
equipamento).
e = exponencial (constante = 2,71).
µ = coeficiente de atenuação (depende da energia dos fótons e
densidade).
Em TC, a medição do feixe de raios X é a fonte que permite a geração dos dados que darão a
origem à imagem. O feixe gerado é devidamente colimado e direcionado para a região do plano de
corte desejado. As estruturas atravessadas por esse feixe absorvem uma determinada quantidade
de fótons primários proporcional ao seu coeficiente de atenuação linear médio µ.
12
O comprimento total do caminho percorrido pelo feixe de raios X e o coeficiente de atenuação
linear variam de acordo com o tipo de tecido, e é função da distância x de tecido percorrida pelo
feixe que se encontra no paciente. O feixe transmitido, também conhecido como radiação
atenuada, é dado pela intensidade inicial do feixe menos a parcela do feixe que foi absorvida pelo
objeto. A atenuação depende das características do tecido, sua espessura, composição, etc. A
intensidade inicial do feixe é determinada pela calibração do sistema. Os valores das atenuações
promovidas pelo objeto são obtidos pelas medições da intensidade do feixe transmitido. Para a
reconstrução da imagem são necessárias muitas medições do feixe transmitido, passando por
muitos caminhos diferentes.
6. Coloração da imagem: escala de Hounsfield
Esclarecer qual a relação da escala de Hounsfield com os tons de cinza na formação da imagem em TC.
Escala de Hounsfield
A tomografia computadorizada é um método que mede a radiação residual, é também um método
que avalia a densidade entre os diferentes tecidos. Dessa maneira, adota-se uma escala de
densidades conhecida como escala de Hounsfield.
Os equipamentos modernos têm uma capacidade de 4.096 tons de cinza, o que representa níveis
diferentes de densidades em unidades de Hounsfield (UH). Para cada coeficiente de atenuação
linear (µ) é associado um número e cada número representa um tom de cinza. A densidade da água
foi arbitrariamente definida em zero UH e a do ar em -1.000UH, conforme Tabela 1. O monitor
pode exibir 256 tons de cinza no máximo. Entretanto, o olho humano só consegue discriminar
cerca de 20 tons. Uma vez que as densidades dos tecidos humanos se estendem por uma faixa
muito estreita (uma janela) do espectro total, é possível selecionar um ajuste de janela para
representar a densidade do tecido de interesse.
Tabela 1: Escala de Hounsfield
Unidades Hounsfield (HU)/Tecido
+ 1.000 Osso denso
+ 60 Fígado
+ 50 Pâncreas
+ 36 Parênquima Cerebral
13
+ 20 Músculo
0 Água
- 20 a - 80 Gordura
- 500 a - 800 Pulmão
- 1.000 Ar
O nível médio de densidade da janela deverá ser definido o mais próximo possível do nível de
densidade do tecido a ser examinado. O pulmão, com seu alto conteúdo de ar, é mais bem
examinado em um ajuste de janela com baixa UH, enquanto os ossos exigem um ajuste para níveis
altos dessas unidades. A largura da janela influencia o contraste das imagens: quanto mais estreita
a janela, maior o contraste, já que os 20 tons de cinza cobrem somente uma pequena escala de
densidades.
Vale notar que os níveis de densidade de quase todos os órgãos sólidos ficam em uma faixa
estreita de 10 a 90 UH. A única exceção é o pulmão exigindo um ajuste especial de janela. Quanto
às hemorragias, deve-se levar em conta que o nível de densidade de coágulos recentes é cerca de
30 UH superior ao do sangue fresco. Essa densidade diminui novamente em hemorragias mais
antigas ou em tromboses liquefeitas.
Agora que você já estudou esta aula, resolva os exercícios e verifique seu conhecimento. Caso
fique alguma dúvida, leve a questão ao Fórum e divida com seus colegas e professor.
7. Princípios da formação da imagem
Apresentar alguns princípios básicos físicos e digitais para a formação da imagem em tomografia
computadorizada.
Princípios básicos
Nos atuais tomógrafos computadorizados, um tubo de raios X emite um feixe de radiação laminar
em forma de leque e de espessura muito fina que atravessa o paciente sensibilizando o conjunto de
detectores. Este, por sua vez, encarrega-se de transmitir os sinais obtidos em forma de correntes
elétricas de pequenas intensidades a um dispositivo eletrônico que transforma os sinais obtidos em
dígitos de computador. Para que a imagem possa ser interpretada como uma imagem anatômica,
múltiplas projeções são realizadas a partir de diferentes ângulos. O computador de posse dos
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dados obtidos nas diferentes projeções constrói uma imagem digital. Cada elemento de imagem
(pixel) apresenta-se com um tom de cinza correspondente à sua densidade radiológica. Estruturas
com alta densidade radiológica, como os ossos, por exemplo, apresentam-se claras
"hiperatenuantes"; na imagem tomográfica, o ar, pela sua baixa densidade, apresenta -se escuro
"hipoatenuante" (NâBREGA, 2005).
A escala Hounsfield, como vimos na aula 05, representa em unidades HU as densidades
radiológicas das diferentes estruturas anatômicas, atribuindo-lhes uma graduação específica na
escala de cinzas do equipamento de tomografia (NâBREGA, 2005).
Características do método
o A tomografia apresenta um feixe de aspecto laminar e em forma de leque.
o A aquisição das imagens ocorre no plano do gantry, o que, primariamente, gera cortes
transversais ao plano do corpo.
o A imagem final é digital e pode ser facilmente manipulada por programas de computador.
o Quanto maior a matriz, melhor será a resolução da imagem.
Resolução da imagem
A resolução, ou o grau de definição das imagens, está relacionada à matriz utilizada. Quanto
maior a matriz, melhor será a resolução da imagem, pois os pixels se apresentarão com dimensões
reduzidas (NâBREGA, 2005).
O campo de visão – FOV (Field OfView)
O campo de visão refere-se à área examinada pela tomografia, Tabela 1. Normalmente o FOV é
definido em centímetros. Assim é normal estabelecer um FOV de 22 cm para o estudo
tomográfico do crânio (NâBREGA, 2005).
Para estruturas grandes utilizamos FOV grande; em estruturas pequenas, utilizamos FOV pequeno.
Tabela 1: Exemplos de campo de visão
Estruturas FOV
Crânio 22 cm
Tórax 35 cm
Abdome 40 cm
Joelho 18 cm
15
Face 14 cm
Coluna 14 cm
Pitch
Um dos principais conceitos que surgiram nos sistemas helicoidais foi a introdução do pitch, em
virtude do deslocamento simultâneo da mesa com a rotação contínua do tubo de raios X. Com
isso, dependendo do protocolo a ser utilizado, essa inovação permitiu selecionar o valor
do pitch no momento do exame.
Pitch é a razão entre o deslocamento da mesa pela espessura de corte. Nas aquisições das imagens
helicoidais com pitch de 1:1, observamos que a mesa se desloca na mesma proporção da espessura
do corte em cada revolução, Figura 1. Assim, se os cortes forem de 10 mm, para cada imagem a
mesa se deslocará 10 mm.
Se alterarmos a relação do pitch para 2:1, a mesa se deslocará em uma distância equivalente ao
dobro da espessura do corte por revolução, Figura 1. Um fator importante a considerar nos casos
de trabalho com pitchs de relação maiores que 1:1 é a redução da quantidade de radiação por fatia
de corte, o conhecido fator mAs. A redução desse fator afeta diretamente a qualidade da imagem
gerada, que poderá, dependendo das condições em que foi obtida, apresentar-se com excessivo
nível ruído, inviabilizando o seu aproveitamento para fins diagnósticos (NâBREGA, 2005).
Técnica helicoidal (A = pitch 1:1 / B = pitch 2:1) Fonte: Nóbrega (p. 7, 2005).
16
8. Parâmetros técnicos para aquisição da imagem
Fazer a descrição de alguns parâmetros técnicos relacionados com a aquisição da imagem em
tomografia computadorizada para que o aluno consiga correlacionar com os parâmetros descritos nos
protocolos clínicos.
Parâmetros técnicos da tomografia
Os equipamentos de tomografia computadorizada permitem uma série de controles de diversos
fatores. Para a realização dos exames de tomografia computadorizada, os serviços baseiam -se em
protocolos distintos, contendo os parâmetros necessários aos estudos. Alguns desses parâmetros
serão descritos nesta aula para conhecimento do aluno, assim será possível sua correspondência
com os protocolos clínicos.
Kilovoltagem (kV)
A alta tensão (kV) de alimentação do tubo de raios X aplicada entre o catodo e o ânodo é
responsável pela aceleração dos elétrons que colidem com o ânodo. Portanto, esse fator é o
coeficiente de penetrabilidade de raios X. Serve para reduzir o contraste dos ossos em relação aos
tecidos moles e produzir um fluxo alto de radiação no detector. Quanto maior, melhor a
penetração dos raios X.
Miliamperagem (mA)
Está relacionada com a corrente do tubo e é diretamente proporcional à quantidade de radiação.
Serve para detalhar as estruturas.
Miliamperagem/ segundo (mAs)
O fator mAs está associado à corrente de alimentação do filamento do catodo do tubo de raios X e
ao tempo. Mede o número de elétrons por segundo que passam pelo tubo de raios X (uma corrente
anódica x tempo de exposição).
Rot time
É o tempo de rotação do gantry.
Campo de visão (FOV – Field OfView)
É responsável pela determinação do tamanho da área do objeto que será visualizado para estudo.
Espessura do corte
A espessura do corte é conhecida como a colimação do feixe e está relacionada com o tamanho do
corte. Assim, uma colimação de 5 mm implica a geração de um corte no qual 5 mm de espessura
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de tecido serão irradiados pelo feixe primário. Quanto menor a espessura do corte, maior o
detalhamento, mas isso implica um maior número de cortes e aumento no tempo de exame.
Incremento da mesa (intervalo de corte ou feed)
Consiste no espaço, em milímetros, estabelecido mediante o deslocamento da mesa em relação a
uma determinada região anatômica.
Pitch
É a relação entre a velocidade de deslocamento da mesa (mm/s) e a espessura do corte (mm) .
Pitch 0 = mesa parada (não utiliza aquisição volumétrica); Pitch 1 = velocidadeé igual à espessura
(maior dose de radiação; maior resolução; maior tempo de apneia); Pitch 2 = velocidade da mesa é
duas vezes maior que a espessura de corte (menor dose de radiação; menor resolução; menor
tempo de apneia).
Interpolação
Método da leitura dos sinais.
Revolução
Compreende o giro de 360 graus do conjunto tubo-detector.
Janelas
É o ajuste na imagem para discriminar estruturas na escala de cinzas. O nível da janel a (WW –
windowwidth) está diretamente relacionado com os valores da atenuação tecidual – posição na
escala de cinza onde a imagem é centralizada. A largura da janela (WL – windowlevel) se refere a
quantas unidades Hounsfield estão incluídas no quadro – faixa numérica de TC selecionada para
amplificar a escala de cinza ("realce").
Zoom
É o aumento da imagem a partir de dados brutos adquiridos a partir de rawdata (dados de
aquisição de imagem).
Magnificação
É o aumento da imagem já formada.
ROI Oval
Serve para medir a densidade bem como calcular área, número de pixels e desvio padrão.
Varredura
18
É similar a uma radiografia digital. Nesta imagem é que faremos as programações necessárias para
o exame.
Eixos de corte
São as marcações para referência da passagem do raio central do feixe. As distâncias entre os
cortes são definidas por esses eixos, que devem ser determinados na programação da varredura.
FeetFirst/ Head First
É a direção em que o paciente entra no gantry (feetfirst [FF] = pés; headfirst[HF] = cabeça).
Filtros
Os filtros se apresentam de duas formas para formação de imagens. Os filtros de contraste, que
utilizamos para se obter imagens com as cinco densidades conhecidas (ar, água, gordura, osso e
metal). Tem sua utilização para partes moles do exame, por isso leva o nome de filtro de partes
moles. O outro é para resolução espacial, em que necessitamos de maior definição ou nitidez da
imagem a ser adquirida. É conhecido como filtro duro ou ósseo.
2 exercico
9. Métodos de reconstrução
Apresentar os métodos de reconstrução das imagens.
Algoritmos de reconstrução e filtros
Após a aquisição de uma enorme quantidade de dados pelos detectores durante o deslocamento de
360º do tubo de raios X em torno do paciente, esses dados são trabalhados por algoritmos
matemáticos capazes de reconstruir as imagens. Existe uma grande quantidade de algoritmos que
são utilizados para diversos fins, desde os mais básicos utilizados na construção da imagem de
corte axial, até os mais sofisticados utilizados na reconstrução volumétrica multiplanar, aquisição
volumétrica etc. Algoritmos especiais para a adequação da construção ao feixe divergente de raios
X são muito importantes para a reconstrução das imagens.
Os filtros de imagem são algoritmos especiais utilizados para ressaltar algumas estruturas e
facilitar o diagnóstico a partir de imagens destinadas à melhoria da região de maior interesse.
Esses algoritmos são otimizados para diferentes partes do corpo e diferentes tipos de tecidos. A
qualidade da imagem dos tecidos moles pode ser melhorada se um algoritmo adequado valoriza os
dados para esses tecidos, menos radiopacos, ao passo que para tecidos mais radiopacos há a
necessidade de algoritmos dedicados para valorizar essa informação.
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O aumento do número de filtros, no entanto, promove um aumento no tempo total da reconstrução
da imagem (MOURÃO, 2007).
Métodos de reconstrução das imagens
O método matemático utilizado na reconstrução das imagens é denominado algoritmo.
Basicamente três formas de cálculos são utilizadas para este fim: retroprojeção, método interativo
e método analítico (NâBREGA, 2005).
Retroprojeção
É um método teórico, não utilizado nos equipamentos atuais. Consiste basicamente na obtenção de
imagens em diferentes projeções, com a correspondente somatória dos resultados obtidos em cada
projeção. O resultado final apresenta a imagem real do objeto, contaminada pelo efeito de
inúmeras projeções (NâBREGA, 2005).
Método Interativo
Este método considera um valor médio de atenuação para cada coluna ou linha da imagem. A
partir desse pressuposto, compara os resultados obtidos com a média previamente estabelecida e
faz os ajustes necessários adicionando-se e subtraindo-se valores em densidades para cada
elemento da imagem, até a sua reconstrução final.
Método analítico
É o método utilizado em quase todos os equipamentos comerciais. Está subdividido em: análise
bidimensional de Fourier e retroprojeção filtrada.
Análise Bidimensional de Fourier: Consiste em analisar funções de tempo e
de espaço pela soma das frequências e amplitudes correspondentes. Trata-se de
um método complexo para os nossos conhecimentos e que foge ao escopo
desse texto.
A vantagem do uso do método analítico pela análise bidimensional de Fourier reside no fato de o
computador poder trabalhar com maior velocidade, dado este relevante em qualquer sistema de
tomografia.
Retroprojeção Filtrada: o método analítico de retroprojeção filtrada é similar
ao de retroprojeção, exceto pelo fato de que as frequências correspondentes ao
borramento verificado na retroprojeção são eliminadas, tornando a imagem
mais nítida. É um método utilizado em alguns equipamentos comerciais
(NâBREGA, 2005).
20
10. Reformatação multiplanar e tridimensional
Apresentar alguns modelos de reconstrução utilizados nos exames de Tomografia Computadorizada,
como reformatação multiplanar e reformatação tridimensional.
A Tomografia Computadorizada (TC) é um método diagnóstico que permite a geração de imagem
de corte anatômico cujo contraste é obtido pela absorção diferenciada do feixe de raios X pelos
tecidos.
A forma de realização dos exames em tomografia computadorizada foi sendo modificada à medida
que os equipamentos foram se tornando mais rápidos. O protocolo adotado em equipamentos
multidetectores (multislice) para uma grande parte dos exames é muito diferente do realizado em
equipamentos helicoidais e, mais ainda, quando comparado com equipamentos de terceira
geração.
A velocidade com que os tomógrafos atuais adquirem as imagens e suas características de
obtenção de cortes de espessura menor que 1 mm possibilita o estudo multifásico,
particularmente, de exames realizados com meio de contraste. Permite ainda o tratamento das
imagens adquiridas com técnicas de reformatação multiplanar. Essas técnicas consistem na
obtenção de diferentes planos anatômicos de imagem em estação de trabalho multitarefas
(Workstation) através do tratamento computadorizado do bloco de imagens originalmente
adquirido.
A seguir serão apresentadas algumas técnicas de uso clínico disponíveis para as reconstruções das
imagens dos exames de tomografia computadorizada, que, em muitos casos, possibilitam ao
médico uma melhor visualização das estruturas anatômicas e suas patologias.
Mas não se esqueça: os recursos devem ser utilizados de maneira correta para não haver distorção
da imagem, perda da resolução e levar o médico a conclusões errôneas!
Reformatação multiplanar
(MPR – multiplanarreconstruction)
Dessa maneira, após a obtenção do bloco de imagens em Tomografia Computadorizada,
especialmente nos equipamentos multidetectores (multislice), torna-se possível reformatar
imagens em planos anatômicos diferentes do originalmente adquirido. Esse processo é conhecido
por reformatação (ou reconstrução) multiplanar (MPR – multiplanarreconstruction).
Para que as imagens de reconstrução sejam de boa qualidade e alta resolução, torna-se
imprescindível que os cortes originais sejam de pequena espessura, menor do que 1 mm. Quanto
21
menor a espessura dos cortes, melhor o modelo de reformatação. Os equipamentos multidetectores
atuais, com 64 e 128 canais, permitem a obtenção de cortes que chegam à décima parte do
milímetro. Nesses sistemas, os modelos de reformatação são tão precisos que se aproximam da
imagem de aquisição direta.A MPR é o método mais simples de reconstrução e tem muita utilidade, por exemplo, para exames
da coluna, o que torna fácil a visualização da posição de um corpo vertebral em relação aos
outros.
Reconstruções tridimensionais
As reconstruções tridimensionais são técnicas semelhantes às reformatações multiplanares que
geram, diferentemente destas, modelos tridimensionais, e não planos.
A partir das imagens axiais obtidas podem ser realizadas reconstruções tridimensionais com as
técnicas do tipo exposição de superfície sombreada (SSD – ShadedSurface Display) ou projeção
de máxima intensidade (MIP – MaximumIntensityProjections).
As reconstruções do tipo MIP preservam as informações dos coeficientes de atenuação dos cortes
originais, o que não ocorre na reconstrução do tipo SSD. Desta forma, as reconstruções em MIP
demonstram aspectos semelhantes aos da angiografia (luminografia), enquanto as reconstruções
de superfície (SSD) são imagens externas e não detalhadas, como a imagem de um cirurgião ao
visualizar uma estrutura vascular. Com isso, na SSD, a intensidade da luz do vaso não é
determinada com distinção, como estruturas com alta atenuação dentro da parede dos vasos, ou
placas de calcificação ou implante metálico.
Já o MIP é uma poderosa ferramenta para análise de angiotomografias, angioressonâncias e
colangiorressonâncias, mas também facilita a identificação de nódulos pulmonares na tomografia
do tórax.
As mesmas regras de características das imagens se aplicam a essas técnicas, ou seja, cortes de
pequena espessura geram modelos de melhor qualidade. As reconstruções 3D utilizam uma escala
(range) de tonalidades de cinzas que tomam parte na construção do modelo. Esse parâmetro é
definido como limiar (Threshold). A função de definição dos limiares permite a construção de
modelos tridimensionais, com evidências para alguns tecidos em particular. Como exemplos,
temos:
Imagens obtidas com threshold com valores em +100 a +300 geram modelos
ósseos "3D-Bone".
Imagens obtidas com threshold entre -100 a +100 geram modelos de partes
moles "3D-Soft".
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Imagens obtidas com threshold entre -800 a -500 geram modelos para pulmão
"3D-Lung".
Renderizações volumétricas
(VR – volume rendering)
Nas renderizações volumétricas, colorações e transparências são usadas para permitir uma melhor
representação do volume mostrado em uma única imagem, por exemplo, os ossos da pelve podem
ser mostrados como semitransparentes, de modo que, mesmo em um ângulo oblíquo, uma parte da
imagem não esconde a outra.
Análises funcionais
Algumas técnicas em tomografia são obtidas com aquisição de imagens relacionadas a um
determinado intervalo de tempo. Caso, por exemplo, da técnica de perfusão craniana. Nessa
técnica, o contraste é injetado por bomba infusora em alta velocidade (3 a 5 ml por segundo) e
obtêm-se imagens de um mesmo plano do encéfalo durante um certo intervalo de tempo. É
possível, a partir dessa técnica, avaliar o aporte sanguíneo em ambos os hemisférios cerebrais pela
contrastação obtida nessas regiões.
Para visualizar melhor essa situação, podemos realizar análises funcionais por meio de gráficos
que reproduzem o comportamento da chegada do contraste em ambos os hemisférios durante o
tempo de aquisição das imagens.
11. Artefatos em TC
Reconhecer na imagem qual o tipo de artefato, quando esse aparece, e quais as possíveis causas desse
aparecimento.
Qualidade da imagem
Para que possamos considerar uma imagem de tomografia computadorizada de boa qualidade,
precisamos caracterizá-la em termos de resolução espacial, contraste e ruído, sendo necessário um
balanço entre esses três fatores.
A seguir temos a descrição de cada fator:
A resolução espacial é a capacidade de discriminação entre objetos adjacentes
e é função do tamanho do pixel. Fatores que também podem melhorar a
resolução espacial em TC pela redução do embaçamento da imagem incluem a
diminuição da mancha focal, detetores menores e mais projeções.
O contraste da TC é a diferença entre valores de HU em tecidos adjacentes.
Esse contraste, em geral, aumenta à medida que o kVp diminui, mas não é
afetado pela mA e pelos tempos de varredura. Ele também pode ser
artificialmente modificado com o uso de meios de contraste.
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O ruído em TC é primariamente definido pelo número de fótons utilizado
para fazer uma imagem (ruído quântico). O ruído em TC pode, geralmente,
ser reduzido aumentando-se o kVp, a mA e o tempo de varredura, quando
todos os outros parâmetros permanecerem constantes. Também pode ser
reduzido aumentando-se o tamanho do voxel.
Os artefatos gerados durante o procedimento de TC podem degradar a qualidade da imagem.
Artefatos representam estruturas ou padrões que aparecem na imagem, mas não são encontradas
no objeto original. A presença de artefatos pode ser influenciada por alguns fatores, tais como:
Tempo de scan
Espessura de corte
Modo de operação
Paciente, entre outros
Já os fatores que influenciam a qualidade da imagem tomográfica podem ser:
Sistema
Usuário
Paciente
Alguns tipos de artefatos
Artefatos de anel
São artefatos que aparecem na imagem final em forma de anéis; eles estão relacionados com
problemas nos detectores. Uma maneira fácil de acabar com esse tipo de problema é realizar
imediatamente a calibração dos detectores. A maioria dos tomógrafos atuais elimina esse
problema por apenas uma calibração diária.
Materiais de alta densidade (strike)
Provenientes de materiais metálicos, estes materiais produzem artefatos lineares de alta densidade
em consequência dos altos coeficientes de atenuação linear apresentados por eles. A presença
desses artefatos pode ser atenuada a partir do uso de um feixe de alta energia (120/140kV),
embora não possam ser evitados (NâBREGA, 2005).
Materiais de alto número atômico
Os materiais de número atômico alto tendem a se comportar como os materiais metálicos e a
produzir artefatos do tipo strike. Os meios de contraste positivos, como o iodo e o bário, em altas
concentrações, devem ser evitados ou usados com critério (NâBREGA, 2005).
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Ruído da imagem
O ruído, aspecto que confere granulosidade às imagens, ocorre principalmente
em consequência da utilização de feixes de baixa energia ou quando o objeto apresenta grandes
dimensões, como no caso de pacientes obesos. Nessas condições, há que se aumentar os fatores de
exposição pelo aumento da quilovoltagem, da miliamperagem
ou pelo tempo de exposição (NâBREGA, 2005).
12. Meios de contraste e reações adversas I
Apresentar os tipos de meios de contraste utilizados para a realização de alguns exames em tomografia
computadorizada, bem como as características dos compostos e as possíveis reações adversas causadas
por essas substâncias.
Nesta aula você deverá entender o que são os meios de contraste, para que são utilizados, suas
características e os efeitos adversos que essas substâncias podem causar nos pacientes. Assim,
poderá realizar exames com maior segurança aos pacientes.
Meios de contraste
Os meios de contraste radiológicos são substâncias que apresentam características de grande
absorção do feixe, ou seja, apresentam um alto coeficiente de atenuação linear (?). A função
dessas substâncias é acentuar a diferença da densidade entre as regiões
de determinado órgão ou tecido, estejam normais ou acometidos por alguma patologia.
Essas substâncias podem ser hidrossolúveis ou lipossolúveis, devem possuir baixa toxicidade, ser
facilmente eliminados pelo organismo e proporcionar satisfatório efeito
de atenuação dos raios x (radiopacidade).
As soluções mais comuns são o iodo e o bário, em formulações diversas direcionadas
para usos específicos.
Os contrastes iodados podem ser iônicos ou não iônicos. Esses são os mais caros, mas
proporcionam maior segurança à administração, pois sua composição químicaé menos propensa a produzir reações.
Uma solução pode ter natureza iônica ou não iônica conforme sua estrutura química, mas todas
apresentam algumas propriedades que estão relacionadas com sua eficácia e segurança, como
segue:
Densidade g/mL: É o número de átomos por mL de solução.
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Viscosidade: Na prática significa a força necessária para se injetar a
substância. Quanto maior a densidade e viscosidade maior será a dificuldade do
contraste se misturar com o plasma.
Osmolalidade: É uma função definida pelo número de partículas de uma
solução por unidade de volume. Quanto maior a osmolalidade maior a
vasodilatação pelo agente.
O sulfato de bário só pode ser administrado por via oral ou retal, pois possui alto efeito irritante.
Pode provocar artefatos na imagem de TC, quando presentes em altas concentrações.
Há atualmente soluções à base de bário (baritadas) que podem ser administradas
por via oral para a realização de exames tomográficos. Porém, sua administração
é contraindicada em casos de suspeita de perfuração de vísceras ocas ou quando há risco
de aspiração do contraste pelo paciente, atingindo a árvore traqueobrônquica.
Cada serviço de Radiologia possui seus protocolos para administração do contraste. No entanto,
os seguintes princípios são aceitos:
A injeção rápida é melhor opção, usando bomba de infusão;
Pacientes com história prévia de reação ao contraste devem receber
preferencialmente contraste iodado não iônico;
Pacientes com patologias pélvica neoplásica ou inflamatória devem receber
solução de contraste por via retal;
O grau de impregnação do contraste está relacionado ao volume administrado.
O uso dos meios de contraste pode causar reações adversas que vão desde pequenas alergias até
choque anafilático. Para os tecnólogos que têm contato direto com
os equipamentos de tomografia computadorizada, é importante salientar que, se ocorrer
um acidente, ou intercorrência que faça o meio de contraste extravasar do local desejado,
e este contraste não for devidamente removido, as imagens geradas poderão conter ar tefatos, uma
vez que o meio de contraste apresenta grande absorção da radiação.
As reações causadas pelo uso de meios de contraste podem ser classificadas
como leves, moderadas ou graves e cada uma dessas categorias apresentam sintomas
diferenciados. As ações a serem tomadas dependem da gravidade do quadro apresentado pelo
paciente.
Reações adversas aos meios de contraste de acordo com cada categoria:
Leves: náuseas, tosse, calor, cefaleia, tonturas, ansiedade, rubor, tremores,
calafrios, urticária restrita, sudorese, espirros, inchaço nos olhos, dor local.
Moderadas: vômitos, alteração na frequência cardíaca, hipertensão,
hipotensão, urticária extensa, edema facial, rigidez muscular, broncoespasmo,
laringoespasmo, dores no tórax, dores no abdome, cefaleia intensa.
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Graves: apresentam risco de vida com associação de reações leves e
moderadas, edema de glote, inconsciência, convulsões, edema agudo de
pulmão, colapso vascular severo, arritmias, parada cardiorrespiratória.
13. Meios de contraste e reações adversas II
Proporcionar noção básica quanto à administração de contraste, volumes e principais reações adversas.
Introdução
Os serviços de radiologia realizam o cálculo do contraste endovenoso com base no peso do
paciente.
O volume médio de contraste no paciente adulto é de 1 a 1,5 mL por quilograma. Em crianças, a
dose média é de 2 mL por quilograma. Nos exames de angiotomografia o volume é de 1,5 a 2 mL
por quilograma.
O contraste iodado para a administração por via oral em geral é diluído em grande volume de águ a
para ingestão lenta e espaçada. A diluição desse meio depende do protocolo do serviço. Em
média, utilizam-se 40 mL de contraste para um litro de água para os exames do sistema digestório
e administração por via oral (NâBREGA, 2005).
Uma forma de preparo do contraste via oral pode ser usando de 2 ou 3% (para cada 1 litro de
água, 20 ou 30 mL do agente de contraste iodado). Prepara-se 1600 a 2000 mL da solução,
orientando o paciente a ingerir aproximadamente 200 mL a cada 5 ou 10 minutos, dependendo do
grau de aceitação.
No caso de história de reação alérgica ao contraste, é possível minimizar a reação com o uso de
medicação antialérgica prescrita pelo médico antes do exame.
Administração do contraste
Os contrastes utilizados em TC podem ser administrados mais comumente pelas vias endovenosa,
oral, intratecal, intra-articular e entérica. Outras vias menos comuns podem ser usadas,
dependendo da finalidade do exame (administração por cateter ou por fístula). Essa escolha, bem
como a escolha do tipo de substância que será utilizada é feita de acordo com o órgão que se
deseja ressaltar e do estudo que se deseja fazer.
O contraste endovenoso é administrado para o realce das estruturas vasculares e para aumentar o
contraste entre as estruturas parenquimatosas (vascularizadas). A administração via oral ou via
retal (contraste hidrossolúvel a base de iodo) serve para aumentar a atenuação entre duas
estruturas (análise de vísceras ocas).
27
A administração do contraste iodado é feito de preferência por via intravenosa. Na grande parte
dos exames, o contraste pode ser injetado manualmente. Há tempo para o profissional que
administra o contraste deixe a sala de exames antes do início da aquisição dos cortes. Neste caso,
o profissional que administra o meio de contraste deverá estar seguro de que o paciente não está
apresentando nenhuma reação adversa que exija um pronto atendimento ou, então, monitorá -lo,
para intervir, se necessário (NâBREGA, 2005).
Nos exames de angiotomografia, perfusão e exames de rotina do abdome e tórax com aquisição de
fases arteriais, venosas ou outras, a injeção deve ser feita mecanicamente por meio de bomba
injetora. A velocidade de injeção do meio depende do protocolo do serviço, mas em geral é de 3
mL por segundo (NâBREGA, 2005).
Contrastes a base de bário
O sulfato de bário é utilizado exclusivamente nos exames do sistema digestório. Pacientes que
apresentam história de perfuração em qualquer porção do trato gastrointestinal demonstram
contraindicação para este meio e devem realizar o procedimento com contraste iodado. O uso do
bário nos exames do sistema digestório é feito principalmente em pacientes que indiquem
antecedentes alérgicos aos meios de contraste iodados (NâBREGA, 2005).
14. Acessórios em TC
Apresentar os acessórios que compõem uma sala de exame de tomografia computadorizada, assim como
a finalidade de cada um.
Nesta aula você deverá saber quais acessórios compõem uma sala de exame de tomografia
computadorizada, bem como a utilidade de cada um, podendo, posteriormente, usá-los com
sabedoria e segurança.
Para a realização de um exame de tomografia computadorizada, pode ser necessário que o
paciente faça uso de substâncias de meios de contraste e de anestesia. Nestes casos é importante
que a sala contenha equipamentos úteis para aplicação (por exemplo, dos meios de contraste) ou
intervenção em caso de emergência.
O profissional atuante, como, por exemplo, o Tecnólogo em Radiologia, deve estar preparado para
manipular esses acessórios e ter conhecimento de suas finalidades.
Anestesia e sedação
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Para realizar um exame de boa qualidade são necessários o posicionamento correto e a
imobilidade do paciente. Há casos em que o paciente está impossibilitado de colaborar e se manter
imóvel durante o exame, portanto, nesses casos é necessária a atuação de um anestesiologista.
As situações que podem pedir essa atuação são: promover a imobilidade em pacientes agitados,
confusos ou pediátricos, permitindo o correto posicionamento em casos de dor intensa;
acompanhar pacientes de terapia intensiva que estejam com respiração mecânica e/ou ligados a
outros dispositivos (monitores e bombasde infusão); e acompanhar pacientes alérgicos, nos quais
haja necessidade do uso do meio de contraste, para tratamento nos casos de reação.
A técnica anestésica vai variar desde uma leve sedação até analgesia ou mesmo anestesia geral,
dependendo da área examinada, do estado do paciente e da preferência do anestesiologista.
Independentemente do tipo de anestesia, devem estar sempre preparados para o uso, verificados e
testados, os seguintes equipamentos, em local de fácil acesso:
Aparelhos de aspiração, de ventilação e de entubação;
Carrinho de emergência completo, com drogas vasoativas;
Fonte de oxigênio (cilindro ou tubulação)
Uma boa monitoração é sempre necessária (monitoração cardíaca, de pressão
arterial, oximetria de pulso).
Bomba injetora
A bomba injetora é conectada ao aparelho de tomografia computadorizada e monitorada por ele
por meio de um painel de controle. Sua finalidade é permitir que o contraste por via endovenosa
seja administrado no paciente com tempo e velocidade pré-determinados para o exame, utilizando
seringas apropriadas.
Carro de emergência
Além das medicações de emergência, no carro de parada deverá conter equipamentos de
reanimação cardiopulmonar, oxigênio portátil, aparelhos de sucção (vácuo) e de pressão e,
possivelmente, um desfibrilador e um monitor.
No serviço deve existir um profissional responsável por garantir que o carro de parada esteja
completo e disponível na sala de exames. Máscaras de segunda e cânulas, cateteres de sucção,
agulhas e seringas devem ser prontamente disponíveis. Esse equipamento deve ser verificado
periodicamente antes de um exame contrastado.
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Uma medicação básica, a epinefrina (adrenalina) deve estar disponível em uma seringa com
agulha para pronto uso.
15. Dosimetria em TC
Apresentar os aspectos de dosimetria relacionados aos exames de tomografia computadorizada, dose em
relação ao paciente, importância dos controles de qualidade realizados nos equipamentos para evitar
problemas aos exames e aos pacientes.
Generalidades
A demanda dos exames de tomografia computadorizada vem aumentando com o passar do tempo
e essa tecnologia tem se tornado cada vez mais sofisticada, fazendo com que o tempo de exame
dos pacientes seja menor e a qualidade das imagens melhor.
Contudo, em exames que utilizam radiação ionizante, deve-se sempre pensar na dose que o
paciente recebe, levando em consideração os princípios de proteção radiológica.
O perfil de dose em um tomógrafo não é uniforme ao longo do eixo do paciente e pode variar para
cada seção irradiada. Abaixo seguem algumas considerações importantes:
Valores típicos de dose para uma única fatia são 40 mGy (4 rads) para um
exame de cabeça ou 20 mGy (2 rads) para exame de corpo.
As doses na superfície podem ser maiores que as internas.
Em procedimentos de cabeça, a razão superfície-centro é de aproximadamente
1:1.
Em procedimentos de corpo, a razão superfície-centro é de aproximadamente
2:1.
Devido ao espalhamento de raios-x, o perfil de dose na seção tomográfica não é
perfeitamente retangular, mas tem caudas que estendem-se além dos limites da
fatia.
Tecidos além da seção são, portanto, expostos à radiação.
Quando fatias adjacentes são feitas, a dose acumulada numa delas pode ser até duas vezes maiores
do que a dose associada a uma única fatia.
Os fabricantes especificam doses utilizando o índice de dose para tomografia computadorizada
(CTDI, do inglês computedtomography dose index), que é a integral do perfil de dose axial para
uma única fatia dividido pela espessura nominal da fatia. Apesar de ser possível medir diretamente
o CTDI, ele não está relacionado diretamente aos riscos para o paciente.
Riscos da radiação
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O risco para o paciente está relacionado à energia total absorvida e é calculado somando as doses
em todos os órgãos irradiados ponderando pelas respectivas radiosensibilidades. Tal integral de
dose no paciente é a dose efetiva equivalente.
Se todos os outros fatores são mantidos constantes, os riscos para o paciente aumentam com o
acréscimo no número de fatias, a espessura das fatias, o tempo de varredura, o kVp, e a mA, pois
mais energia é depositada no paciente.
A dose efetiva (E) é conceitualmente similar à dose efetiva equivalente, mas faz uso de fatores
mais recentes de ponderação para a radiosensibilidade dos órgãos. Valores quantitativos de dose
efetiva equivalente e dose efetiva são similares para a maioria dos exames de TC.
Aspectos de segurança
Para garantir a segurança do paciente quando da realização de um exame de tomografia
computadorizada, alguns cuidados e precauções devem ser levados em conta:
O tubo deve ser aquecido após duas horas de inatividade.
Após o aquecimento, deve-se fazer a calibragem dos detectores.
Não direcionar o feixe de lâmpadas laser nos olhos do paciente.
O limite de peso estipulado pelo fabricante deve ser respeitado.
Alguns equipamentos são dotados de mecanismos de segurança que interrompem a alimentação
elétrica do conjunto gantry/mesa. São importantes quando se observa a presença de fumaça, fogo
ou faíscas nessas partes.
Quando apresentar problemas de software, desligá-lo totalmente (shutdown). Após algum tempo,
levanta-se novamente o sistema (startup). Não sendo solucionado o problema, contata-se o
fabricante.
Cuidado ao angular o gantry para não pressionar o paciente.
Observar a postura correta na operação do equipamento para evitar lesões por esforço repetitivo.
A posição do monitor deve estar na altura dos olhos do operador, em uma distância entre 40 e 80
cm. Os pés devem ficar totalmente apoiados no chão ou em um suporte. As mãos devem deslizar
livres sobre o teclado de forma que os antebraços perfaçam um ângulo de 90 graus com os braços.
Realizar testes de controle de qualidade periódicos.
Radioproteção
Além de o tecnólogo trabalhar com segurança realizando tarefas de acordo com as recomendações
de proteção radiológica, visando também diminuir dose em relação ao paciente, o serviço de
31
tomografia computadorizada deve ser regulamentado pela portaria 453, atendendo alguns
requisitos:
Sala de comando separada da sala de exames.
Sala baritada.
Porta revestida.
Vidro plumbífero.
Monitoração individual por dosímetros.
Luz de aviso.
Aventais de chumbo e protetores de gônadas.
Essas proteções têm como finalidade:
Inibir exposição acidental.
Inibir exposição ocupacional.
nibir doses desnecessárias nos pacientes.
16. Controle de qualidade em TC
Apresentar algumas características das instalações de um serviço de tomografia computadorizada e o
controle de qualidade necessário para um bom funcionamento do equipamento.
Instalações
As instalações de um serviço de tomografia computadorizada dependem da sua complexidade, se é
uma clínica ou um hospital, se atende a uma alta demanda de pacientes etc. Independente da
localização, o serviço deve apresentar instalações básicas, como: sala de espera; banheiros; além
de ambientes específicos, como a sala de exames e a sala de comando.
A estrutura física da sala deve respeitar as normas de proteção radiológica, com relação ao espaço
físico, blindagem das paredes, portas, sistema de alimentação elétrica, sistema de segurança, entre
outros fatores.
A sala de exames deve ser uma sala ampla, pois é nela que ficam instalados o gantry e a mesa
onde se posiciona o paciente a ser examinado, bem como os acessórios úteis para a real ização do
exame.
32
A sala de comando é composta pelo terminal de controle remoto do gantry e da mesa do aparelho
de tomografia computadorizada. Nessa sala, o operador utiliza teclado e monitor de vídeo para
executar os controles, programar os exames e visualizar as imagens geradas. Essa sala deve ser
separada da sala de exame por uma porta blindada e com janela de comunicaçãopara que o
operador possa se comunicar com o paciente durante o exame.
A sala de máquinas é uma sala de pequenas dimensões na qual encontramos os controles de
alimentação do aparelho, sistemas elétricos de proteção, contadores de disparo etc. Esses
dispositivos podem ser colocados no mesmo ambiente do gantry, desde que devidamente
protegidos e sinalizados.
A sala de preparação e cabines é uma sala destinada à permanência do paciente enquanto espera o
exame. Deve conter também cabines onde o paciente possa trocar suas roupas para a realização do
exame.
Controle de qualidade em tomografia
computadorizada
Em qualquer procedimento que envolva a exposição de um indivíduo à radiação para fins
diagnósticos, a técnica aplicada deve promover o máximo de informações visuais (que garantam a
qualidade da imagem) com mínima dose para o paciente.
A tomografia computadorizada é um método cada vez mais uti lizado e o equipamento deve estar
em boas condições de funcionamento, pois está sujeito a alterações e desgaste, prejudicando a
qualidade do diagnóstico.
Por isso, há a necessidade de realizar avaliações periódicas nesse equipamento para verificar se o
desempenho do sistema se mantém constante ao longo do tempo. Este procedimento garante que a
imagem gerada tenha qualidade razoável e que a exposição ao paciente seja tão baixa quanto
possível, respeitando assim o princípio da justificativa de proteção radiológica.
Para avaliar se o desempenho do tomógrafo se mantém constante com o tempo e a dose recebida
pelo paciente esteja dentro dos limites desejados, devem ser realizados testes periódicos de
controle de qualidade. No Brasil, a garantia de exames com qualidade em TC, além de ser uma
necessidade operacional, é prevista e exigida pela Portaria nº 453/98 do Ministério da Saúde. O
objetivo de um programa de controle de qualidade é assegurar a qualidade em todos os
equipamentos envolvidos na produção da imagem, gerando um diagnóstico confiável, com
redução da dose para o paciente e dos custos.
33
Os parâmetros responsáveis pelas doses em pacientes que se submetem a exames de TC estão
associados à faixa de frequência e intensidade do feixe de raios X utilizado, às condições
geométricas do equipamento, à seleção de protocolos de exames e às dimensões anatômicas do
paciente.
Segundo a Portaria, um Programa de Garantia de Qualidade compreende:
Testes de constância, verificando a manutenção das características técnicas e
requisitos de desempenho dos equipamentos.
Identificar falhas de equipamento e erros humanos, reduzindo exposições
médicas indevidas.
Promover medidas preventivas contra falhas tecnológicas e erros humanos.
Evitar desconformidade operacional dos equipamentos.
Assegurar ações reparadoras através de um programa de manutenção corretiva
e preventiva.
Estabelecer, implementar e monitorar padrões de imagem.
Determinar e avaliar a dose e a possibilidade de sua redução.
Avaliar a calibração e condições operacionais dos instrumentos.
Avaliar a eficácia do programa de treinamento.
A realização de testes de controle de qualidade nos equipamentos deve ser de acordo com os
intervalos estabelecidos por lei. Estes testes garantem que os equipamentos utilizados no serviço
estão estáveis, reproduzindo um bom padrão de imagem.
Em tomografia computadorizada, os testes de controle de qualidade são divididos em três partes:
dosimetria, inclinação do gantry e qualidade da imagem. Entre os testes realizados, definidos e
especificados pela regulamentação, podemos citar:
Sistema de colimação.
Alinhamento da mesa em relação ao gantry.
Deslocamento longitudinal da mesa.
Inclinação do gantry.
Ruído, exatidão e uniformidade do número de TC.
Resolução espacial de alto e baixo contraste.
Espessura de corte.
34
Dose média em cortes múltiplos (MSAD - multiple-scanaverage dose).
17. Protocolos do crânio
Apresentar as considerações sobre a tomografia computadorizada de crânio, indicações clínicas para a
realização do exame e sugestão de protocolos.
O propósito primário da tomografia computadorizada de crânio é fornecer um diagnóstico
definitivo que geralmente não exige exames com¬plementares para verificação. A TC de crânio,
em muitas circunstâncias, fornece esse alto grau de confiabilidade.
As indicações patológicas são:
Praticamente qualquer suspeita de processo patológico envolvendo o
encéfalo (ex.: tumores do encéfalo).
Processos infecciosos.
Doenças vasculares.
Doenças degenerativas.
Trauma crânio-encefálico.
Malformações.
A entrevista prévia do paciente será útil para a escolha adequada do protocolo a ser utilizado e
para a viabilidade do uso de meio de contraste. O contraste é utilizado sempre que há uma ruptura
da barreira hematoencefálica, como nos casos de tumores vascularizados e nos processos
infecciosos ou, ainda, quando o objetivo for a contrastação de vasos arteriais e/ou venosos.
Algumas das indicações de patologias que utilizam o contraste são: meningite, abcesso, glioma,
astrocitoma, trombose venosa, malformação etc. Normalmente, o volume total não excede a taxa
de 2 ml/kg. No exame de crânio de rotina em um sistema helicoidal, a taxa de 1 mL/kg é a mais
utilizada.
O posicionamento pode variar entre diferentes serviços, no entanto, a convenção mais aceita
estabelece como parâmetro cortes paralelos à linha órbito-meatal. Os cortes da fossa posterior são
em geral mais finos, variando entre 2, 3 e podendo chegar até 5 mm. Os cortes supratentoriais são
realizados em geral com 8 ou 10 mm.
Posicionamento do paciente:
Laser Coronal: ao nível dos condutos auditivos externos.
35
Laser Sagital: na linha mediana da face do paciente.
Laser Axial: aproximadamente 3 cm abaixo da linha órbito-meatal.
O planejamento abrange um número de cortes entre 15 e 20, indo do forame magno até o vértex
cerebral. Quando o exame for realizado em duas fases (sem contraste e com contraste), será
importante manter o mesmo posicionamento do paciente.
Linhas de referência do scout: OM (linha orbitomeatal); Linha básica intraorbital; SOM (linha
supraorbitomeatal).
O quadro abaixo exemplifica um protocolo de crânio de rotina
Posição do paciente
Decúbito dorsal, cabeça no encosto de cabeça, gantry paralelo a linha
LBR. Cabeça no centro do campo de exame. Se necessário pode utilizar o
escanograma lateral.
Posição incial LBR
Protocolo
Espessura de corte 10 mm
Incremento de mesa 10 mm
Quilovoltagem 120kv
mA por corte 300mA
Algoritmo Padrão
Campo de visão de
varredura
25cm
Campo de visão
exibido
25cm
Largura da janela
(WW)
150/100/80
Nível da janela
(WL)
40
36
Cortes coronais
Eventualmente cortes coronais podem ser necessários para uma melhor elucidação diagnóstica. O
posicionamento do paciente é semelhante à posição de HIRTZ utilizada na radiologia
convencional. Alguns equipamentos permitem o posicionamento em decúbito dorsal. Nesse caso,
o paciente fica com a cabeça numa posição mais baixa em relação ao corpo.
Alguns pacientes sentem um desconforto importante no posicionamento coronal em decúbito
dorsal. A posição em decúbito ventral com o mento apoiado sobre um suporte radiotransparente
(isopor) pode ser uma alternativa. Em ambos os posicionamentos, no entanto, se faz necessário
angular o gantry para que os cortes se aproximem da perpendicularidade da linha órbito -meatal.
Cortes de 5 mm e incremento de 5 mm.
Outras sugestões de protocolo
Crânio 1
Helicoidal: 64 / 0,5mm / 0,5 seg (pré e pós)
Single 2 x 4 mm Fossa posterior e 5 x 7 Supratentorial
FOV: 250 cm
FOSSA POSTERIOR
3 a 5 mm de espessura
3 a 5 mm de espaçamento
SUPRA-TENTORIAL
7 a 10 mm de espessura
7 a 10 mm de espaçamento
FOV: 250 cm
Documentação:
Axial pré e pós-contraste
Sagital/Coronal
Osso e Partes Moles
Crânio2
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Posicionamento: mesa com suporte axial para crânio; paciente em DD; deixar o paciente em
posição bem confortável; imobilizar a cabeça; mãos sobre o abdome ou lateral ao corpo.
Preparo: não é necessário
Agente de contraste: não é necessário
Parâmetros:
Topograma: imagem digital do crânio em perfil
Inclinação: linha orbitomeatal
Fossa posterior: 5 mm / 5 mm
Supratentorial: 10 mm / 10 mm
Angulação do gantry:
Se necessário, administrar meio de contraste: 80 ml do agente de contraste via endovenosa (EV).
Injetar em bolo e repetir o programa
Fossa superior: 5 mm / 5 mm
Supratentorial: 10 mm / 10 mm
Documentação:
Fotografar todo o exame em uma ou duas cópias.
Documentar em um filme formatado em 4/4 ou 5/3 (linhas/colunas),
sempre com um topograma com ou sem linhas de referência. Caso
haja necessidade, pode-se formatar (dividir) as duas últimas fotos.
Fotografar um filme com a fase não contrastada e outro com as
imagens adquiridas após a administração do contraste: zoom 1.1 ou
sem; janelas (fossa posterior: 40 wl / 250 ww; supratentorial: 36 wl /
80 ww).
Sempre documentar o exame também em janela óssea, se houver
lesão focal (tumor) junto à calota craniana, ou nos casos de
traumatismo craniano (pesquisa de fratura): janela óssea 2000 ww /
150 ou 200 wl.
18. Protocolos da cabeça I
Apresentar alguns protocolos relacionados com a região da cabeça, identificando questões anatômicas,
patologias e características do exame de tomografia.
38
Nesta aula falaremos sobre alguns protocolos relacionados à região da cabeça, como o exame de
órbitas e osso temporal, a fim de discutirmos um pouco as aplicações da tomografia
computadorizada para esta região.
Órbitas
O exame de órbitas é necessário em várias situações, inclusive oftalmopatia tireoidiana, tumores
orbitários e retrorbitários, tumores de glândulas lacrimais, infecções periorbitárias, corpos
estranhos intraoculares e dermóides angulares.
Existem diversas variações de técnicas envolvidas para se adequarem à forma de apresentação
clínica. A posição do paciente nos planos axial e coronal é idêntica à utilizada para seios da face.
As angulações do gantry são as seguintes:
Plano axial: paralelo à linha infraorbitomeatal, com início nessa linha
e terminando na margem supraorbitária.
Plano coronal: se possível, a 90º com os exames axiais. A varredura é
iniciada na face anterior do globo ocular e procede até os processos
clinóides anteriores.
Todos os exames de órbita devem ser realizados com os olhos fechados, para reduzir a
movimentação ocular.
Protocolo
Topograma: lateral
Orientação de corte:
Transversal: plano neuro-ocular
Coronal: perpendicular ao plano acima
Início de final dos cortes:
Transversal: de 0,5 cm abaixo a 0,5 cm acima da cavidade orbitária
Coronal: clinóides posteriores ao limite anterior dos globos oculares
Espessura de corte: 2 a 3 mm
Incremento de corte: 2 a 3 mm
FOV: adequar à região de interesse
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Técnica:
kV: standard
mAs: o mais baixo possível
Osso temporal
O osso temporal aloja as estruturas da orelha interna, média e externa. Os distúrbios de equilíbrio
são frequentes e podem estar relacionados com as porções média e interna da orelha. As
indicações para exames desta região incluem:
Colesteatoma
Neurinoma do acústico
Avaliação pré-seleção das cócleas em programas de implante coclear
Tumores glômicos
Otites medida crônica e aguda
Labirintite
O estudo do osso temporal é feito em dois planos: axial e coronal. Nas pesquisas de tumores, a
utilização de contraste iodado ajuda a definir as dimensões reais da massa. Nas otites e na
labirintite, não há necessidade de uso de contraste, todavia, o médico pode decidir se julgar
necessário.
Os cortes devem cobrir toda a região da orelha média, com espessuras de 1 mm, a cada 1 mm de
deslocamento (incremento = 1). A porção mais posterior evidencia os canais semicirculares do
labirinto, particularmente o semicircular posterior. A porção mediana destaca a imagem do
vestíbulo e da cadeia ossicular. Na porção anterior evidencia-se a imagem da cóclea.
Especial cuidado deve-se ter com filtro utilizado no processamento das imagens pelo computador.
Um filtro para tecido denso deve ser utilizado, considerando-se a alta densidade da porção petrosa
do osso temporal.
O posicionamento deve ser o mais simétrico possível, de forma que se consiga obter num mesmo
plano os dois meatos acústicos, pois o estudo do temporal é frequentemente comparativo.
Para a aquisição no posicionamento coronal, o paciente pode estar em decúbito ventral ou dorsal.
Na opção pela escolha do posicionamento deve-se levar em consideração o grau de conforto e a
estabilidade do paciente.
40
Não é fácil estabelecer uma assimetria das orelhas médias no plano coronal, por esta razão, é
comum uma varredura além das estruturas conhecidas, posteriormente, reconstruindo-se um lado
de cada vez com um campo de visão pequeno. A espessura de corte, deve também ser de 1 mm
obtidos a cada 1 mm de deslocamento da mesa.
Protocolos
Exame axial de ossos petrosos temporais (realizar um escanograma lateral)
Posição do paciente Decúbito dorsal em apoio de cabeça
Posição incial Base do crânio
Posição final Margem superior do osso petroso temporal
Ângulo de gantry 30º cranial à linha infra-órbito meatal
Protocolo
Espessura de corte 1 mm
Incremento de mesa 1 mm
Quilovoltagem 140 kv
mAs por corte 300 mAs (150 mA; 2 s de tempo de varredura)
Algoritmo Osso
Campo de visão de varredura 25 cm
Campo de visão exibido 18 cm
Largura da janela 4000
Nível da janela 750
Exame coronal de ossos petrosos temporais
Posição do paciente Decúbito dorsal com apoio de cabeça em extensão
Posição incial Margem anterior do osso petroso temporal
Posição final Margem posterior do osso petroso temporal
Ângulo de gantry
90º em relação à base do crânio a partir do meio da fossa
craniana
Protocolo
Espessura de corte 1 mm
Incremento de mesa 1 mm
Quilovoltagem 140 kv
mAs por corte 300 mAs (150 mA; 2 s de tempo de varredura)
Algoritmo Osso
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Campo de visão de
varredura
25 cm
Campo de visão exibido 18 cm
Largura da janela 4000
Nível da janela 750
19. Protocolos da cabeça II
Apresentar alguns protocolos relacionados com a região da cabeça, identificando questões anatômicas,
patologia e características do exame de tomografia.
Nesta aula falaremos sobre alguns protocolos relacionados com a região da cabeça, como o exame
de seios da face, a fim de discutirmos um pouco as aplicações da tomografia computadorizada
para esta região.
Seios paranasais
Os seios paranasais são cavidades encontradas no interior dos ossos maxilares, frontal, esfenóide e
etmóide. Recebem o nome de acordo com a região que se encontram: seio maxilar, seio etmoidal,
seio frontal e seio esfenoidal. Os seios fazem parte da porção respiratória e estão cheios de ar, são
inervados por ramos dos nervos oftálmicos e maxilares. Os seios paranasais desenvolvem-se a
partir da cavidade nasal de onde todos eles são drenados, direta ou indiretamente, para o interior
da cavidade. A drenagem é feita através de uma ação ciliar e talvez por sucção no ato de assoar o
nariz.
As características de cada um estão descritas abaixo:
Seio Maxilar: o maior dos seios paranasais está localizado no corpo
da maxila. O teto é o assoalho da órbita ocular. O assoalho é o
processo alveolar da maxila. A parede posterior separa o seio maxilar
da fossa infratemporal e pterigopalatina. A parede anterior está
relacionada à face. O seio maxilar está inervado pelos nervos
alveolares superior, anterior, posterior e o infraorbital. Uma sinusite
maxilar é frequentemente acompanhada de dor de dente. O seio
maxilar drena por uma ou mais aberturas no meato médio da cavidade
nasal através do hiatosemilunar.
Seio Etmoidal: compreende numerosas cavidades pequenas (4 a 17 de
cada lado) no labirinto etmoidal, entre a órbita e a cavidade nasal. As
partes do seio são denominadas células etmoidais. Essas são
interconectadas e de acordo com as aberturas podem ser classificadas
42
em grupo anterior (drena para o meato médio) e posterior (drena para
o meato superior e supremo).
Seio Frontal: o seio frontal pode ser considerado como célula
etmoidal anterior que invadiu o osso frontal. É de diferente tamanho
nos dois lados do corpo. O seio frontal se abre no meato médio,
diretamente ou através de uma passagem. É inervado pelo nervo
supraorbital, ramo do oftálmico.
Seio Esfenoidal: o seio esfenoidal está situado no corpo do osso
esfenóide. Está dividido em direito e esquerdo por um septo ósseo.
Relaciona-se posteriormente à ponte e à artéria basilar; superiormente
ao quiasma óptico e à hipófise; anteriormente à cavidade nasal;
inferiormente à cavidade nasal e à nasofaringe, lateralmente ao nervo
óptico, ao seio cavernoso, à artéria carótida interna a aos nervos
oftálmico e maxilar. O seio está inervado principalmente por ramos
do nervo maxilar. O seio frontal abre-se por um orifício na parte
superior de sua parede anterior no recesso esfenoidal da cavidade
nasal.
Os seios da face podem ser acometidos por patologias como sinusite, granulomatose de Wegener,
mucocele. Há um consenso hoje de que a melhor forma de avaliar os seios da face é a TC no plano
coronal. O exame sem contraste é mais apropriado para sinusite, pólipos, trauma, mucocele; e com
contraste para pólipos, celulite, abscessos, tumores benignos e tumores malignos.
Posicionamento do paciente
Paciente em decúbito dorsal com a cabeça no suporte de crânio, levando em consideração o laser
coronal (acima dos condutos auditivos externos), o laser sagital (na linha mediana da face do
paciente) e o laser axial (na linha da mandíbula).
O posicionamento no suporte coronal será coronal verdadeiro (single) com orientação paralela ao
palato.
Realizar um escanograma lateral, com posição inicial na margem anterior do seio frontal, posição
final na parede posterior do seio esfenoidal e ângulo do gantry paralelo à parede posterior do seio
maxilar e a 90º com o palato duro.
Protocolo de exames dos seios da face
Espessura de corte: 3 ou 5 mm
Incremento de mesa: 3 ou 5 mm
Quilovoltagem: 120 kV
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mAs por corte: 150 ou 200 mAs
Algoritmo: osso ou detalhe
Campo de visão de varredura: 25 cm
Campo de visão exibido: 20 cm
Largura de janela: 4.000
Nível de janela: 800/700
Os incrementos de 3 mm são a partir do seio frontal até a parede posterior do seio maxilar e
varreduras e incrementos de 5 mm para o restante.
Obs.: fazer janela óssea, o exame dever ser realizado em axial e coronal.
1. Para o exame em Axial, usar como referência o palato duro (cortes
paralelos ao mesmo).
2. Para exame em Coronal, iniciar os cortes posteriormente aos seios
esfenoidais e seguir anteriormente em direção à face até os seios
frontais.
ATENÇÃO: Para o exame em que se pesquisa atresia de coanas, fazer o exame em axial com
filtro de osso. Quando as unidades osteomeatais não ficarem bem documentadas (movimento do
paciente, por exemplo), retornar e fazer cortes intermediários na região.
Comentários
O exame deve ser realizado com uma reversão direita-esquerda, para fornecer uma imagem em
posição anatômica. Os ajustes de janela recomendados evidenciam tanto as margens ósseas quanto
os conteúdos de tecidos moles nos seios, minimizando os artefatos por obturações dentárias ou
pontes. Podem ser usados valores de mA baixos, pois a imagem desejada inclui, basicamente,
margens ósseas e espaços aéreos. Uma imagem coronal em pronação é preferível a uma imagem
coronal em supinação com a cabeça pendente, pois permite uma imobilização muito melhor do
paciente.
Técnicas suplementares
Imagens axiais – às vezes pode ser necessário usar fatores de varredura e algoritmos semelhantes
aos do protocolo coronal para representar totalmente os tumores, sendo essas imagens
fundamentais na avaliação de granulomatose de Wegener. Quando já tiverem sido obtidas imagens
44
coronais, uma largura de corte e um incremento de 5 mm são suficientes para as imagens axiais.
Entretanto, se não tiver sido possível posicionar o paciente para obter imagens coronais, devem
ser feitas imagens axiais com corte e incrementos de 3 mm a partir do processo alveolar da maxila
até o limite superior do seio frontal, com ângulo de gantry paralelo à LBR.
20. Protocolos de hipófise e ATM
Apresentar as considerações sobre a tomografia computadorizada de hipófise e de ATM, indicações
clínicas para a realização do exame e sugestão de protocolos.
Hipófise
Anatomia e fisiologia
A hipófise, também denominada glândula pituitária, é uma pequena glândula com cerca de 1 cm
de diâmetro e peso de 0,5 a 1 g e está ligada ao hipotálamo pelo pedúnculo hipofi sário.
Fisiologicamente, a hipófise pode ser dividida em duas partes distintas: o lobo anterior da
hipófise, também conhecido como adeno-hipófise, e o lobo posterior da hipófise, também
denominado neuro-hipófise. Entre essas duas partes existe uma pequena zona relativamente
avascular, denominada parte intermédia, quase ausente no homem, mas que é muito maior e mais
funcional em alguns animais inferiores.
Adeno-hipófise: é responsável pela síntese e secreção de basicamente
seis hormônios – hormônio tireotrófico (TSH), hormônio luteinizante
(LH), hormônio folículo-estimulante (FSH), prolactina (Prl),
hormônio de crescimento (GH) e hormônio adenocorticotrófico
(ACTH).
Neuro-hipófise: é formado basicamente por células de tipo glial,
denominadas pituícitos. Os pituícitos não secretam hormônio, atuam
como estrutura de sustentação para grande número de fibras nervosas
terminais e terminações nervosas de feixes nervosos que se originam
nos núcleos supraópticos e paraventriculares do hipotálamo.
Patologia
Adenoma
45
São tumores benignos da glândula hipofisária que provocam sintomas neurológicos e hormonais.
Os sintomas neurológicos são decorrentes de compressão ou invasão de estruturas adjacentes, tais
como o quiasma óptico e nervos localizados ao lado da hipófise (seio cavernoso).
O quiasma óptico é uma estrutura em formato de X formada pelo encontro de dois nervos ópticos.
Os adenomas podem ser classificados quanto ao tamanho, podendo ser microadenoma (menor que
1,0 cm) e macroadenoma (maior que 1,0 cm).
Em pacientes que possuem um adenoma, o diagnóstico pode ser estabelecido a partir dos sintomas
neurológicos (dor de cabeça, alterações visuais) e hormonais. Os exames mais utilizados são a
Tomografia Computadorizada ou Ressonância Magnética (microadenomas são melhores
caracterizados pela ressonância magnética).
Exemplo de protocolo
A realização do exame deve ser feita no plano coronal com janela para partes moles. Nos casos de
lesões ósseas e avaliação de calcificações, é conveniente o uso de janela óssea. No exame também
é importante o uso do contraste endovenoso.
A posição do paciente no exame é em decúbito dorsal, cabeça no apoio de cabeça, com o queixo
em extensão e elevado em pequenos acolchoamentos para garantir a posição. A posição inicial é
nos processos clinóides anteriores/plano esfenoidal e a posição final nos processos clinóides
posteriores/dorso da sela.
Os parâmetros de imagem podem ser:
46
Articulação temporomandibular (ATM)
Anatomia e disfunções
A ATM é parte de uma unidade funcional altamente especializada. Compõe o aparelho da
mastigação, incluindo neste conjunto os dentes e suas estruturas, a mandíbula e sua musculatura,
e, com muito menor influência, a deglutição e a fonação, que atuam na movimentação da ATM.
Quando existe a disfunção, o paciente apresenta sintomas, como dor de cabeça,dor de ouvido e/ou
zumbidos, dor ou cansaço dos músculos da mastigação, ruídos articulares (estalos ou crepitação) e
dificuldade para abrir a boca.
A disfunção da ATM está relacionada a hábitos comuns, como o apertamento dentá rio e o
bruxismo, morder objetos estranhos, roer unhas, mastigar chicletes, postura da cabeça (para
frente), o de prender o telefone com o queixo ou ainda apresentar fatores relacionados com o
estresse, depressão e ansiedade ou eventos traumáticos.
Seu diagnóstico depende da avaliação dos sintomas, que são revelados pelo paciente durante a
anamnese, e dos sinais, que são pesquisados pelo profissional durante o exame clínico. O sintoma
inicial mais comum é a dor localizada nos músculos mastigatórios ou na região da ATM,
geralmente agravada durante a mastigação ou movimentos mandibulares.
Exemplo de protocolo
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No exame em plano axial o paciente é posicionado em decúbito dorsal, com a cabeça no encosto
de cabeça e o gantry do equipamento paralelo à linha de base radiológica (LBR). A posição inicial
de corte é com a cabeça no centro do campo de exame levando em conta a LBR.
Os parâmetros de imagem podem ser:
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21. Referências
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