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1 
 
L 
 
2 
 
SUMÁRIO 
1 INTRODUÇÃO .............................................................................................. 3 
2 CRENÇAS ..................................................................................................... 4 
2.1 Formação e desenvolvimento..................................................................... 4 
2.2 FAMÍLIA E SEUS PAPÉIS.......................................................................... 5 
3 ABORDAGEM INTEGRATIVA DAS EMOÇÕES .......................................... 9 
4 PRIMÓRDIOS DA TEORIA DE JOHN BOLWBY ....................................... 11 
5 DEPENDÊNCIA EMOCIONAL ................................................................... 13 
6 TRANSTORNO DA PERSONALIDADE DEPENDENTE ............................. 16 
7 CODEPENDÊNCIA AFETIVA ..................................................................... 21 
7.1 NECESSIDADES INFANTIS (SATISFEITAS E NÃO SATISFEITAS) E 
SUAS CONSEQUÊNCIAS ............................................................................... 24 
8 TRATAMENTOS DO AMOR PATOLÓGICO ATRAVÉS DA TERAPIA 
COGNITIVO-COMPORTAMENTAL ............................................................... 27 
9 REFERÊNCIAS .......................................................................................... 32 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
 
1 INTRODUÇÃO 
Prezado aluno! 
O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é 
semelhante ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase 
improvável - um aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao 
professor e fazer uma pergunta, para que seja esclarecida uma dúvida sobre 
o tema tratado. O comum é que esse aluno faça a pergunta em voz alta para 
todos ouvirem e todos ouvirão a resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. 
Não hesite em perguntar, as perguntas poderão ser direcionadas ao protocolo 
de atendimento que serão respondidas em tempo hábil. 
Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da 
nossa disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à 
execução das avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da 
semana e a hora que lhe convier para isso. 
A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser 
seguida e prazos definidos para as atividades. 
 
Bons estudos! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 
 
2 CRENÇAS 
2.1 Formação e desenvolvimento 
A forma pela qual as pessoas compreendem e processam a realidade 
interfere na forma em que elas sentem e agem. Para a TCC existem 
pensamentos automáticos nas margens da consciência. Tais pensamentos se 
dão espontaneamente, súbitos e produzindo uma interpretação instantânea de 
quaisquer situações. Geralmente, as pessoas não estão imediatamente 
conscientes dos pensamentos automáticos, de modo que eles são aceitos como 
plausíveis e sua avaliação como verdadeira (KNAPP; BECK, 2008). São 
singulares a determinadas situações e suscita emoções, comportamentos e 
respostas fisiológicas. 
 Esse entendimento da realidade se constitue em estruturas 
cognitivas nomeadas esquemas. O esquema cognitivo é uma estrutura de 
processamento de informação que organiza os estímulos e percepções de um 
indivíduo sobre determinada situação, com base na experiência e aprendizagem 
anteriores do indivíduo. São compostos por crenças centrais, crenças 
intermediárias e pensamntos automáticos. Os pensamentos automáticos ficam 
num ponto superficial e acessível, como destaca Judith Beck, os pensamentos 
automáticos são um fluxo de pensamento que coexiste com um fluxo de 
pensamento mais manifesto. Como o nome sugere, esses pensamentos 
aparecem em nossa mente, invadem os pensamentos como verdades 
indiscutíveis, causando dor e ruminação. As crenças intermediárias respondem 
pelos pensamentos automáticos, são mais arraigadas que estes e buscam a 
compreensão do ambiente. As crenças centrais são mais profundas, sólidas, 
elementares. Se caracteriza como verdade absoluta, irrevogável, disseminada. 
Elas se desenvolvem desde o início da vida, representando o acervo das 
experiências e aprendizado do indivíduo ao longo desse desenvolver. Além de 
afetar nossas ações e interferir diretamente em nossos resultados, nossas 
crenças podem se tornar obstáculos, quando são disfuncionais. Com base nessa 
estrutura, o funcionamento do individuo é dependente de como suas crenças 
 
5 
 
estão estabelecidas, interferindo na sua forma de agir na sociedade, nas 
relações interpessoais, na maneira em que vê os outros e a si mesmo. 
Toda crença é limitante porque é uma ideia geral sobre algo, portanto, 
limita nossa percepção do mundo. O ambiente, os padrões sociais e até mesmo 
a influência da educação recebida em casa e na escola podem moldar o que 
chamamos de crenças limitantes, que são verdades quase absolutas. Está 
diretamente relacionado a várias experiências em diferentes campos. Esses 
comportamentos interferem diretamente em nosso comportamento e modo de 
pensar e produzindo entendimentos que não são completamente reais sobre nós 
mesmos. Do ponto em que tal ideia interfere na adequação do indivíduo, se torna 
problemática. Essa crença pode ser facilitadora ou fortalecedora quando auxilia 
o indivíduo a se constituir na sociedade, a conquistar objetivos, impulsionando o 
crescimento pessoal e profissional. 
 
 
https://opoderdoser.com 
2.2 FAMÍLIA E SEUS PAPÉIS 
A conceituação de família se altera de acordo com o tipo de sociedade, o 
tempo e a sua estrutura social, ao passo que sofre as interferências dos 
acontecimentos sociais. A Psicologia entende a família como um conjunto de 
 
6 
 
relações caracterizadas por influência recíproca, direta, intensa e duradoura 
entre seus membros (DE ANTONI, 2005). Esse conjunto de relações é 
interiorizado por seus membros, formando padrões de relacionamento que se 
integram à subjetividade do indivíduo (ROUDINESCO, 2003). 
 
 
https://amenteemaravilhosa.com.br/ 
As diversas composições familiares surgiram da maneira como se 
apresentam e interagem os membros do grupo, entre si como com a sociedade. 
A família exerce uma função importante na educação e em seu seio 
incorporados os valores éticos e altruístico. Uma das principais tarefas da família 
é propiciar a transferência de experiências adquiridas por meio de vivências 
individuais e coletivas para os filhos, oportunizar um ambiente de aprendizagem 
adequado e facilitar a troca de informações e a preparação para a vivência na 
sociedade. Assim, atendem dois objetivos, um interno, que é a proteção 
psicossocial dos seus membros e outro externo que é a acomodação a uma 
cultura e sua transmissão (Minuchin, 1982). A família fornece suporte emocional 
para resolver problemas e conflitos e pode formar um bloqueio que protege 
contra-ataques externos. Kozier et al. (1993), considera que a função mais 
importante é proporcionar apoio emocional e segurança aos seus membros, 
tendo em conta o amor, a aceitação, o interesse e a compreensão 
 
7 
 
Segundo Atkinson e Murray, citados por Vara (1996), a família é um 
sistema social uno, composto por um grupo de indivíduos, cada um com um 
papel atribuído, e embora diferenciados, consubstanciam o funcionamento do 
sistema como um todo. O conceito de família, ao ser abordado, evoca 
obrigatoriamente, os conceitos de papéis e funções. Em quaisquer famílias, seja 
qual for a sociedade, cada membro exerce um papel específico, ou tem regime 
singular, exemplo, marido, esposa, filho ou irmão, sendo orientados por papéis. 
Estes não são mais do que “as expetativas de comportamento, de obrigações e 
de direitos que estão associados a uma dada posição na família ou no grupo 
social” (Duvall e Miller citados por Stanhope, 1999, p. 502). 
Os papéis variam de acordo com as posições bem como com a estrutura 
familiar (crenças, valores, representatividade,entre outros). A começar pelos 
adultos, onde pode-se citar sobre seus papéis, a sociabilização da criança - 
relacionado a atividades que contribuem para o desenvolvimento das 
habilidades intelectuais e sociais das crianças; zelo à criança – sendo físicos e 
emocionais objetivando seu desenvolvimento saudável; apoio à família – inclui a 
reprodução e conquista de recurso e utilidades necessários à família; 
responsável pelas atividades caseiras – relacionados aos serviços domésticos, 
que proporcionam aconchego e bem-estar aos membros da família; conservação 
das relações familiares – refere à preservação da inter-relação parental, significa 
também ajudar em situações de crise; Curativo – significa a amparo e suporte 
emocional quando surgem problemas familiares; entretenimento – refere com 
prover diversão à família, objetivando a tranquilização e crescimento pessoal. 
 
https://amenteemaravilhosa.com.br/ 
 
8 
 
No que compete aos papéis dos irmãos, estes são propulsores e 
receptores, concomitante, da socialização na família, auxiliando na instituição e 
manutenção das regras, propiciar a evolução da cultura familiar. Contribuem 
para a formação da identidade uns dos outros servindo de defensores e 
protetores, interpretando o mundo exterior, ensinando os outros sobre equidade, 
formando alianças, discutindo, negociando e ajustando mutuamente os 
comportamentos uns dos outros” (Stanhope, 1999, p. 502). Com o passar do 
tempo, a família como reunião social, responderá às necessidades da 
sociedade, assumindo ou abandonando as funções de proteção e socialização 
de seus membros, pois assim como os papéis, as funções também estão 
latentes na família. Cabendo a esta reagir às mudanças internas ou externas, se 
adequando aos acontecimentos, mantendo uma constância e sempre 
propiciando referências a seus membros. Existe consequentemente uma dupla 
responsabilidade, isto é, a de dar resposta às necessidades quer dos seus 
membros, quer da sociedade (Stanhope, 1999). 
 Importante destacar aqui a função de saúde da família, para alguns 
autores, considerada como função básica, se referem a proteção à saúde e 
provimento de cuidados quando se fizer necessário. Sua relevância se dá pela 
razão de ser no íntimo familiar que ocorre a conceituação de saúde, onde os 
membros desenvolvem hábitos de saúde e estilos de vida saudáveis. Então é 
neste processo que se desenvolve uma ordem de valores, crenças e atitudes em 
relação à saúde e à doença. 
O funcionamento familiar são, de acordo com Potter e Perry (2006, p. 
536): Processos usados pela família na consecução dos seus objetivos. Estes 
processos incluem a comunicação entre os membros da família, o 
estabelecimento de objetivos, resolução de conflitos, a educação e o uso de 
recursos internos e externos. Os objetivos reprodutivo, sexual, económico e 
educacional, dantes considerados objetivos familiares fundamentais, já não se 
aplicam a todas as famílias. Embora muitas famílias persigam estes objetivos em 
várias alturas durante o seu desenvolvimento, a prestação de apoio psicológico 
permanece um objetivo importante ao longo da vida. 
 
9 
 
 A família tem então um papel crucial no desenvolvimento e 
estabelecimento de crenças e valores nos indivíduos. Visto que na 
contemporaneidade, diante a tantas mudanças, muitas dessas funções e papéis, 
estão a encargo de agentes sociais, refletindo nesse sistema de crenças e 
valores. Todavia, Horton e Hunt, citados por Moreira (2006), ressaltam que as 
funções de socialização, afetivas e de proteção adquiriram maior importância, 
quer pelas mudanças nas outras instituições, como pelo conhecimento cada vez 
maior das necessidades pessoais e sociais dos indivíduos. Exigindo assim um 
olhar mais atencioso por parte dos profissionais da saúde. 
3 ABORDAGEM INTEGRATIVA DAS EMOÇÕES 
 
Fonte:pt.quizur.com 
James (1884, citado por Vasco, 2013, p. 38 apud Arruda, Beatriz 
Bettencourt. 2015) defende, que as emoções consistem em “resposta de um 
sistema complexo, cujo objetivo é o de preparar o organismo para responder aos 
estímulos do meio que têm significado evolutivo”, sendo que estas possuem uma 
importante função no respeitante à otimização da sobrevivência, física e 
psicológica, assim como à qualidade desta sobrevivência, isto é, “em termos 
mais psicológicos, as emoções também desempenham um papel central na 
promoção do bem-estar psicológico”. 
 
10 
 
A característica adaptativa das emoções de cada indivíduo ocorre de 
acordo com o tipo de emoções básicas que este vivencia, e que são de modo 
predominante disfórica/detestável, possivelmente por sua conotação de 
sobrevivência. Para que a felicidade se torne possível é essencial ter a 
habilidade de compreender corretamente as emoções mais relevantes para a 
sobrevivência. As emoções básicas ou primárias são classificadas por vários 
estudiosos como alegria, tristeza, curiosidade, nojo, medo, surpresa, vergonha, 
zanga. Sua classificação foi embasada no entendimento de que, por terem um 
cunho transespacial e transtemporal, inato e se relacionarem diretamente com a 
sobrevivência são primárias. 
As emoções não se conotam como “positivas” ou “negativas”, elas são 
subjetivamente eufóricas agradáveis (eufóricas) ou desagradáveis (disfórica), 
adaptativas ou não-adaptativas. Podem ser discriminadas em diversos tipos, as 
emoções primárias adaptativas são uma resposta direta, útil e temporária 
essenciais à sobrevivência do organismo, preparando-o para a ação e ajudando-
o a enfrentar rapidamente as várias situações. Uma vez que o estímulo ou 
situação não é mais importante, essa emoção cessa. As emoções primárias 
adaptativas, portanto, nos ajudam e devem ser seguidas pela sua capacidade 
em organizar as nossas ações (Greenberg, 2002, 2010a; Timulak, 2015); as 
emoções primárias desadaptativas são baseadas na história pessoal, 
experiências traumáticas e aprendizagens anteriores. Entre as emoções 
primárias desadaptativas mais comuns estão o medo incapacitante, a raiva 
destrutiva e a vergonha congelante (Greenberg, 2010b); as emoções 
secundárias podem ser consideradas como defesas ou disfarces, derivando da 
impossibilidade dos indivíduos aceitarem as emoções primárias em função de 
seu impacto emocional doloroso, reagindo contrariamente e, assim, substituindo-
as por outras emoções, transformando a emoção original (Elliot et al., 2004; 
Greenberg, 2002); as emoções instrumentais são formas que o indivíduo 
encontra para obter o que deseja, como demonstrar raiva para intimidar os 
demais ou tristeza para atrair a atenção (Elliot et al., 2004). 
As emoções possuem também a funções vitais para o indivíduo, sendo de 
orientação, comunicação, prevenção e sinalização. 
 
11 
 
4 PRIMÓRDIOS DA TEORIA DE JOHN BOLWBY 
 
Fonte: mundopsicologos.com 
A partir de conceitos da etologia, da cibernética e da psicologia do 
desenvolvimento, John Bowlby (1907 – 1990) desenvolveu a conhecida "teoria 
do apego", a qual revolucionou o conhecimento sobre vínculo (ou apego, como 
esse autor denominou) entre mãe e filho (Bretherton, 1992). Os estudos teóricos 
e práticos de Bowlby revelaram que o apego entre mãe e filho seria um fenômeno 
inato e extremamente útil para a sobrevivência da nossa espécie. 
A disponibilidade emocional dos pais, em especial da mãe (ou da 
pessoa que cuida da criança), para suprir as necessidades emocionais de seu 
filho em situações estressantes, principalmente separações, é o alicerce pelo 
qual a criança aprende a perceber e a se relacionar com o mundo, além de estar 
ligada a fatores genéticos dela própria. Assim, principalmente no primeiro ano de 
vida, a criança desenvolveria um Modelo Funcional Interno, uma “lente” a partir 
da qual o indivíduo vai ver o mundo e a si próprio, ou seja, um "tipo de apego" 
específico e que se transformaria em característica de personalidade fixa 
(Bowlby,1990) 
Segundo Cortina e Marrone(2003), a teoria do apego considera o 
processo normal de desenvolvimento e psicopatologia humana, além de abordar 
o processo informativo para compreender os mecanismos psicológicos utilizados 
quando vivenciamos traumas ou perdas, e mesmo quando vivenciamos a 
 
12 
 
negligência ou rejeição de personagens de apego. Portanto, este método teórico 
fornece uma base para estudar as emoções e sentimentos humanos. Ao 
incorporar todos os aspectos da biologia moderna em sua base de pesquisa, ele 
forneceu um suporte de experiência coerente para a compreensão dos 
processos de desenvolvimento normais e patológicos. 
Ao longo do ciclo da vida, o comportamento de apego se apresenta de 
diversas formas e intensidade. Podendo se apresentar de maneira ativa (como 
a busca pelo cuidador), repulsiva (como o choro), ou através de comportamentos 
que sinalizam para o desejo de interação da criança com seu cuidador (como o 
sorriso). Esses comportamentos, são percebidos em qualquer indivíduo, seja 
criança, adolescente ou adultos, o tentar se aproximar de outras pessoas. 
O sistema de comportamento de apego é muito complexo e, à medida que 
a criança cresce, começa a enlaçar uma capacidade de representação mental, 
chamada de modelo interno funcional, que se refere à representação de 
experiências da infância relacionadas ao ambiente, self e figuras de apego. 
Segundo J. Bowlby (1989), as experiências precoces com o cuidador primário 
iniciam o que depois se generalizará nas expectativas sobre si mesmo, dos 
outros e do mundo em geral, com implicações importantes na personalidade em 
desenvolvimento. As primeiras representações que formam o modelo interno de 
funcionamento são formadas e esquematizadas pela organização da memória 
em termos do que a criança demanda e é correspondida em obter segurança e 
conforto, sendo que o reflexo disso será posto na experiência social real, 
futuramente (COLLINS & READ, 1994). 
Ainda segundo este autor o apego se divide em três tipos: apego seguro, 
apego inseguro e apego ambíguo. No apego seguro a infância vivida passou por 
relacionamentos saudáveis e vínculos afetivos moderados, no apego inseguro 
existe um constante amedrontamento, fazendo com que não seja fortalecida a 
segurança entre as partes, no apego ambíguo o indivíduo adulto não consegue 
estabelecer relações duradouras, em razão da falta de autoestima devido o 
prejuízo de uma continuada relação de apego. 
 
 
13 
 
5 DEPENDÊNCIA EMOCIONAL 
Ser humano é a única espécie que possuem atributos e capacidades 
eminentes, se distinguindo umas das outras. É um ser relacional, precisa da 
convivência com outros para que seja garantida sua sobrevivência. Segundo 
Pinto (2014) todos os indivíduos compartilham a capacidade de se relacionar de 
forma consciente e voluntária com outros indivíduos, bem como apresentam a 
oportunidade de formar vínculos, usando critérios pessoais que atendam a 
necessidade emocional de cada indivíduo. É na família que ocorre a primeira 
experiência de relacionamento interpessoal, é a relação na qual o ser humano é 
apresentado ao contato afetivo, formando a primeira rede de relações, onde os 
vínculos se estabelecem e os afetos se apresentam inicialmente. As referências 
familiares assimiladas na primeira infância interferem na vida madura e nos 
relacionamentos por este vividos. Quando um indivíduo se integra à sociedade, 
surge uma nova rede de relações interpessoais, a rede de amizades. De acordo 
com Souza e Hutz (2008) a amizade é um relacionamento entre pessoas que 
não são familiares, parentes ou parceiros sexuais, é caracterizada pelo 
compartilhamento de intimidade e pelas redes de apoio. 
 Nas relações amorosas observa-se muitas características, tais como: 
confiança, respeito, cumplicidade, amor. Estas relações também são marcadas 
pela interação social do indivíduo, e tem apresentado novos formatos, fazendo 
com que seu significado altere de acordo com a particularidade de cada indivíduo 
que vivencia este sentimento, uma vez que este indivíduo é resultado de suas 
vivências desde seu nascimento. De acordo com o autor Adolpho (2017) em uma 
relação amorosa, a pessoa passa por grandes experiências, experimenta 
diversos sentimentos e emoções, exercita a convivência e a relação com o outro, 
o que pode ajudar em suas relações interpessoais. Esta relação é considerada 
saudável quando vivido de modo agradável, proporcionado bem-estar e 
contentamento. 
 
 
 
14 
 
Conforme Carvalho (2017), um relacionamento tido como “saudável” é 
aquele que promove o bem-estar do casal por meio de uma parceria sentimental 
respeitosa, sem individualismo exacerbado, nem a abnegação total de si em 
nome do outro. 
As relações interpessoais são uma parte fundamental da sobrevivência 
humana e estas relações saudáveis são consideradas como estimulantes da 
individualidade e da autonomia do sujeito. No entanto quando acontece um mau 
funcionamento das relações onde se identifica um elevado grau de apego, é 
chamado de dependência emocional. 
 
 
https://amenteemaravilhosa.com.br/ 
A dependência emocional é um relacionamento de apego emocional 
exagerado. Esse relacionamento pode ocorrer na vida de um casal ou em um 
relacionamento familiar ou de amizade. É como uma condição onde a pessoa 
simplesmente não pode ser feliz sozinha, sendo depende dos outros, daquilo 
que fazem e falam para se sentir feliz, desejada, amada ou completa. Conforme 
Bution e Wechsler (2016) é um transtorno aditivo, em que o indivíduo necessita 
do outro para manter seu equilíbrio emocional. Ainda segundo estes autores, 
seus estudos evidenciaram que no perfil dos dependentes emocionais foram 
 
15 
 
observados comportamentos de submissão, sinais de fissura e abstinência do 
outro, ausência de decisões, vazio emocional, medo da solidão, baixa tolerância 
à frustração, tédio, conflito de identidade, sensação de estar preso na relação e 
não conseguir abandonar o relacionamento. As múltiplas características da 
dependência emocional resultam em consequências graduais e crônicas ao 
dependente. Por vezes a dependência emocional é equiparada à dependência 
química devido ambas situações apresentarem traços comuns que levam ao 
vício. 
As pessoas que se encontram nesta relação ficam psicologicamente 
feridas, pois têm uma crença interior de que não existiriam sem o amor / atenção 
do outro, o que as torna vulneráveis, muitas vezes renunciando a si mesmas em 
detrimento do outro. Quando o amor caracteriza um quadro de “dependência 
afetiva”, trazendo angústia, intenso sofrimento, desprazer e infelicidade, o sujeito 
já não é capaz de ter autocontrole dos sentimentos, colocando em risco o próprio 
bem-estar físico e emocional (SOPHIA, 2008). O desfecho resulta num desejo 
incontrolável de repetir a sensação de estar perto um do outro, o que cria um alto 
nível de estresse levando a uma deterioração da saúde mental do indivíduo. 
De acordo com RISO (2014) o repertório de sintomas da dependência 
afetiva, de acordo com o grau de desespero e a capacidade inventiva do 
dependente afetivo, pode ser diversificado, inesperado e especialmente 
perigoso. O indivíduo que se encontra na dependência emocional tende a reunir 
sua atenção no intuito de atrair a pessoa “amada”, em detrimento da sociedade. 
Faur (2012) relaciona os principais sinais das relações dependentes como 
distúrbios fisiológicos, comportamentais e psíquicos. Faur (2012) os descreve: a 
obsessão – o pensamento sobre invade tudo. 
 A relação e o outro passam a ser o centro da vida de uma forma constante 
e patológica; o controle – a relação está sob o microscópio, é estudada, 
analisada, leem-se livros, consultam-se astrólogos para predizer futuro da 
relação; a tolerância - são cada vez necessárias mais provas e demonstrações 
de amor, enquanto o outro fica a cada dia mais esquivo e distante. Começa a 
aparecer a sensação de que nada é suficiente;a abstinência – angústia intensa, 
 
16 
 
ataques de pânico, insônia e perda de apetite. Tudo isso leva a que se faça 
qualquer coisa, portanto que a relação não termine. 
De acordo com o autor Sirvent (2000), a dependência de relacionamentos 
pode ser separada como genuínas e mediadas. As genuínas ocorrem quando 
uma patologia referente à dependência emocional é destacada. Das 
dependências genuínas pode-se destacar dependência emocional, tendência 
dependente, apego ansioso, transtornos da personalidade. As mediadas 
ocorrem com indivíduos adictos, ou que convive com o dependente. Na mediada 
pode-se elucidar a codependência e a bidependência. 
Pessoas dependentes se rendem em busca de satisfação e segurança, 
criando assim uma falsa sensação de auto realização. São muitas as pessoas 
com dependência emocional que não tem conhecimento, parte pela falta de 
importância devida a este assunto. 
 
6 TRANSTORNO DA PERSONALIDADE DEPENDENTE 
 
www.brasil247.com 
 
17 
 
De acordo com o DSM V, um Transtorno da Personalidade é um padrão 
persistente de vivência íntima ou comportamento que se desvia acentuadamente 
das expectativas da cultura do indivíduo, é invasivo e inflexível, tem seu início na 
adolescência ou começo da idade adulta, é estável ao longo do tempo e provoca 
sofrimento ou prejuízo. 
O Transtorno da Personalidade Dependente tem como característica uma 
necessidade extrema e ofensiva de ser cuidado, acarretando um comportamento 
resignado e de apego, temor da separação. Os comportamentos de dependência 
e submissão são projetados para atrair atenção e cuidado e se originam do 
reconhecimento de que uma pessoa não pode funcionar normalmente sem a 
ajuda de outras pessoas. 
São demarcados oito critérios para a classificação do transtorno da 
personalidade dependente. Sendo eles: 
 Os indivíduos com transtorno da personalidade dependente 
encontrarão grandes dificuldades para tomar decisões diárias sem 
os conselhos e garantias excessivas de outras pessoas, por 
exemplo escolher qual roupa usar; 
 Essas pessoas geralmente são passivas e permitem que outras 
pessoas (geralmente uma pessoa) tomem a iniciativa e se 
encarreguem da responsabilidade pelas áreas mais importantes da 
vida; 
 Os adultos com este transtorno geralmente dependem dos pais ou 
do cônjuge para decidir onde devem morar, que tipo de trabalho 
devem fazer e de quais vizinhos devem ser amigos. Os 
adolescentes com o transtorno podem deixar que os pais decidam 
o que vestir, com quem sair, como passar o tempo livre e que 
faculdade devem frequentar. A necessidade de outros assumirem 
responsabilidades vai além dos requisitos de assistência para sua 
idade e condição; 
 Essas pessoas sentem que não podem fazer a sua parte, tanto que 
preferem concordar com o que consideram errado a correr o risco 
de perder a ajuda de quem busca orientação. Quando é apropriado 
 
18 
 
para pessoas que precisam de seu apoio e atenção, eles se 
preocupam em não ficar com raiva porque têm medo de afastá-los. 
Se a preocupação do indivíduo sobre as consequências de 
expressar uma objeção for real (por exemplo, um medo real de 
abuso do cônjuge), não deve ser considerada evidência de 
transtorno de personalidade dependente. É difícil para as pessoas 
com esta doença iniciar projetos ou trabalhar de forma 
independente; 
 Eles não têm autoconfiança e pensam que precisam de ajuda para 
iniciar e executar tarefas. Eles querem que os outros "comecem" 
porque acreditam que os outros geralmente sabem como fazer 
melhor. Essas pessoas acreditam firmemente que não podem 
operar independentemente, não podem mostrar sua incapacidade 
e precisam de ajuda constante. No entanto, quando estão 
confiantes de que podem ser supervisionados e aprovados por 
outros, eles tendem a trabalhar normalmente. Eles podem ter medo 
de aparecer ou de se tornarem mais competentes porque 
acreditam que isso os levará ao abandono. Por confiarem nos 
outros para resolver seus problemas, geralmente não aprendem as 
habilidades para uma vida independente, perpetuando a 
dependência. Pessoas com este transtorno podem fazer o seu 
melhor para obter amor e apoio, e podem até fornecer a habilidade 
de realizar tarefas desagradáveis, se esse comportamento puder 
fornecer-lhes os cuidados de que precisam. 
 Mesmo que o pedido não seja razoável, eles estão dispostos a 
atender aos desejos dos outros. A precisão de sustentar vínculos 
emocionais importantes costuma levar a relacionamentos 
desequilibrados ou distorcidos. Eles podem se martirizar ou aceitar 
abuso verbal, físico ou sexual. Pessoas com este transtorno se 
sentem desconfortáveis ou desamparadas quando estão sozinhas, 
porque temem não conseguir cuidar de si mesmas. 
 
19 
 
 Eles podem se “unir” com outras pessoas importantes em suas 
vidas, mesmo que não estejam interessados ou envolvidos no que 
está acontecendo, somente para não ficarem sozinhos. Quando 
um relacionamento importante se rompe (por exemplo, a morte de 
um dos pais, ou término de namoro), as pessoas com transtorno 
de personalidade dependente podem procurar urgentemente outro 
relacionamento para fornecer os cuidados e o apoio de que 
precisam. Acreditam na incapacidade de funcionar na ausência de 
um relacionamento íntimo, o que instiga estes indivíduos a se 
envolverem rapidamente e de forma indiscriminada com outra 
pessoa. Pessoas com este transtorno geralmente temem que 
serão abandonados à própria sorte. 
 Sentem que dependem tanto do conselho e da ajuda de outras 
pessoas que ficam aflitos, com medo de serem abandonados, 
mesmo que não haja motivo para se preocupar com esses medos. 
Para ser visto como evidência desse padrão, o medo deve ser 
excessivo e irreal. 
 
 
amenteemaravilhosa.com.br 
 
20 
 
As pessoas que apresentam tal transtorno geralmente mostram 
pessimismo e insegurança, muitas vezes subestimam suas habilidades e 
realizações e costumam se autodenominar de estúpidos. Consideram 
repreensão e julgamentos como evidências de sua incapacidade, perdendo a 
autoconfiança. Eles podem buscar a proteção excessiva e o domínio de outras 
pessoas. Se a iniciativa independente for necessária, as funções profissionais 
podem ser prejudicadas. Podem evitar manter papéis de autoridade e ficar 
ansiosos quando precisam tomar uma decisão urgentemente. As relações 
sociais são frequentemente limitadas às poucas pessoas das quais o indivíduo 
depende. Estará mais propenso a desenvolverem transtornos de humor, 
transtorno de ansiedade e transtorno de ajustamento. 
O transtorno da personalidade dependente pode ocorrer simultaneamente 
a outros transtornos como os transtornos da personalidade borderline, esquiva 
e histriônica. Doenças físicas crônicas ou ansiedade de separação na infância 
ou adolescência podem tornar os indivíduos suscetíveis a esse transtorno. 
Existem grandes diferenças no grau em que os comportamentos 
dependentes são considerados apropriados entre diferentes idades e grupos 
socioculturais, é importante leva em conta a cultura e idade do indivíduo quando 
da avaliação diagnóstica, e o comportamento dependente será caracterizado 
como transtorno quando se apresentar excessivas e irreais as preocupações do 
indivíduo. 
No cenário clínico, as mulheres são mais frequentemente diagnosticadas 
com este transtorno. No entanto, em seus respectivos contextos clínicos, não há 
diferença significativa na incidência deste transtorno entre homens e mulheres e 
na proporção geral de mulheres. Dentre os transtornos da personalidade, este é 
o que regularmente são referidos nas clinicas de saúde. 
Para muitas pessoas, a dependência não é um transtorno grave, mas 
apenas pela observação de determinados comportamentos que constituem os 
critérios diagnósticos do manual, já é possível perceber seus prejuízos à 
independência do sujeito, pois mesmo nas situações descomplicadas, o 
indivíduo dependee precisa do apoio da outra parte. Isso se torna preocupante, 
 
21 
 
pois em muitos relacionamentos, as pessoas com esse tipo de controle podem 
ferir umas às outras emocional e psicologicamente. 
7 CODEPENDÊNCIA AFETIVA 
 
Fonte: www.insightpsique.com.br 
Codependência é um desarranjo emocional elucidado nas décadas de 70 
e 80, inicialmente referente aos familiares de dependentes químicos. Nos dias 
de hoje a codependência é ampliada a quaisquer situações de dependência ou 
desarranjos críticos de conduta e personalidade. 
A codependência ocorre quando um indivíduo não adicto estabelece um 
vínculo patológico e depende de outro sujeito, que por sua vez, é dependente de 
drogas ou álcool. Por sua vez, na bidependência, um indivíduo adicto estabelece 
uma relação dependente com outras pessoas, que podem ou não fazer uso de 
substâncias psicoativas (SIRVENT, 2000 apud BUTION; WECHSLER, 2016, p. 
79). 
 
 
 
 
22 
 
Segundo Riso (2010) “metade das consultas dos especialistas se deve a 
problemas ocasionados ou relacionados com a dependência patológica 
interpessoal”. Assim, pode-se dizer que os problemas no relacionamento 
afetivos estão cada vez mais presentes nos consultórios de psicólogos e 
psiquiatras. O dependente do amor procura a imersão absoluta na relação 
romântica, seja ela real ou imaginária (Lino, 2009 apud ROCHA; RODRIGUES; 
OLIVEIRA, 2012, p. 2). 
O termo dependência se refere ao grau que um indivíduo se apoia e confia 
em outro para a sua existência e, portanto, possui uma referência disfuncional 
(RODRIGUES, CHALHUB; 2009). Para o codependente, sua vida só será feliz 
na presença do outro. Ele precisa se assegurar de ter o controle de tudo, como 
uma “garantia” para não perder o outro, se tornando obstinado em controlar tudo 
o que se referir ao outro. O codependente age de maneira única, pois suas 
reações são diretamente ligadas com a construção de sua personalidade, suas 
vivencias interpessoais. Coloca o desejo do outro em prioridade em detrimento 
dos seus. 
Observa-se sobre o perfil do codependente comportamentos de 
obediência aos outros, indicador de loucura e abstenção na falta do objeto de 
desejo, incapacidade de tomada de decisão nos relacionamentos, sentimentos 
de contrariedade, receio de ficar sozinho, intolerância à decepção, ausência 
afetiva, melancolia, sentimentos de autoextermínio, negatividade, atenção 
excessiva no outro em detrimento de si, incompreensão dos próprios problemas, 
sensação de enclausuramento sem chance de liberdade, choque de identidade, 
auto responsabilização por todas situações, busca de resolução de tudo, 
sentimento de obrigatoriedade em ajudar o parceiro, 
O codependente deixa de se escutar, de perceber o que quer em 
detrimento do outro que ama. O dependente afetivo só existe através da 
existência do outro que é razão da sua vida. Outro aspecto relevante é que o 
codependente têm hábitos e comportamentos autodestrutivos, que os mantêm 
presos a relacionamentos não gratificantes e o impedem de encontrar a 
felicidade na pessoa mais importante na sua vida: ele mesmo. (CARVALHO; 
NEGREIROS, 2011 apud ROCHA; RODRIGUES, OLIVEIRA, 2012, p. 4). 
 
23 
 
FAUR (2012) refere-se às relações acima como relações de dependência 
porque são semelhantes à dinâmica de outras drogas e são sempre chamadas 
de relações de dependência. Pois são relações extremamente danosas, como o 
uso da droga, causando dor e sofrimento e a necessidade de permanecer assim 
mesmo diante dos danos causados. A característica do vício é justamente 
quando há falta do objeto dependente, manifesta-se uma dor forte e 
incontrolável. 
Portanto, apesar do termo “dependência” ser tradicionalmente ligado ao 
uso de substâncias ou drogas psicoativas, as dependências de sentimentos 
(denominação utilizada por MORAL e SIRVENT, 2009) ou as Dependências de 
Relacionamentos (denominação proposta por SIRVENT, 2000) também 
merecem ser objeto de pesquisa e intervenção, visto que apresentam etiologia 
e sintomatologia semelhante à de outras dependências. 
Esses relacionamentos dependentes são como uma simbiose, onde um 
não vive sem o outro, como se este outro fosse capaz de suprir toda e qualquer 
necessidade do codependente, sendo responsabilizado pela alegria e satisfação 
da pessoa codependente. As vontades do eu não são “importantes”, 
predominando o outro, como se nada mais existisse. De acordo com DANTAS 
(2007) a dependência caracteriza-se patológica não só quando nos tira do nível 
da normalidade, mas também, e principalmente, quando traz sofrimento. O 
sentimento de pertença é acompanhado pelo pavor da perda, da separação, 
causando uma fantasia de preservação da relação, na busca por não ficar só. 
FAUR (2012) destaca que quando se está em um vínculo dependente, a 
percepção de ameaça de perde é permanente e todo movimento do outro é 
percebido como abandono, desprezo ou desamor. 
 
 
24 
 
 
Fonte: www.minutopsicologia.com.br 
“Quando a insegurança sobe a bordo, perde-se a confiança, a ponderação 
e a estabilidade da navegação. ‘A deriva, a frágil balsa do relacionamento oscila 
entre as duas rochas nas quais muitas parceiras se esbarram: a submissão e o 
poder absolutos, a aceitação humilde e a conquista arrogante, destruindo a 
própria autonomia e sufocando a do parceiro. ” (BAUMAN, 2004). 
7.1 NECESSIDADES INFANTIS (SATISFEITAS E NÃO SATISFEITAS) E 
SUAS CONSEQUÊNCIAS 
Se desenvolver num espaço saudável, com amor e zelo, é imprescindível 
para que as crianças possam crescer com segurança e proteção. 
Porções apropriadas de carinho, apego, conforto emocional, segurança, 
capacidade de acalentar anseios e impulsos são passadas pelos pais e 
cuidadores, e caracterizam uma diferença expressiva na estabilidade emocional 
das crianças. 
Quando ocorre ausência dos cuidados essenciais, exposição a 
experiências de abuso e vivências de relacionamentos instáveis na 
infância, observa-se a ameaça ao desenvolvimento, que pode resultar 
em modelos desadaptativos de crenças, gerando vínculos de apego 
inseguro ao longo da vida (Caballo, 2007; Cecero & Young, 2001 apud 
PRESSI J; 2016). 
 
25 
 
 
 
https://soumamae.com.br/ 
Para construir uma personalidade saudável, é necessário atender a 
algumas das necessidades emocionais do desenvolvimento infantil, segundo 
Young (1999): vínculo seguro, autonomia, competência e sentimento de 
identidade; liberdade de expressão e validação de necessidades e emoções; 
espontaneidade e lazer, limites realistas e autocontrole. 
Sendo essas, necessidades universais e primordiais para o 
desenvolvimento emocional saudável. Quando essas necessidades não são 
atendidas, associadas à essência da criança a eventos traumáticos, podem 
acarretar no Esquema Inicial Desadaptativo (EID). 
Os EIDs, que se desenvolvem de uma maneira mal adaptativa ou 
disfuncional, irão ocasionar percepção distorcida e tendenciosa, 
funcionando como mecanismos inconscientes, que afetam o 
comportamento, a cognição, a fisiologia e as emoções das pessoas. 
Com o passar do tempo, se tornam a própria definição da pessoa e a 
maneira que ela irá enxergar as situações de sua vida (Callegaro, 2011 
apud PRESSI J; 2016). 
 
 
 
 
26 
 
Young identificou 18 esquemas iniciais desadaptativos, reunidos em cinco 
domínios de necessidades emocionais não satisfeitas. Os cinco domínios são: 
1) Desconexão/Rejeição; 2) Autonomia e Desempenho Prejudicados; 3) Limites 
Prejudicados; 4) Orientação para o outro e 5) Supervigilância e Inibição (Young, 
2003 apud PRESSI J; 2016). 
O domínio Desconexão e Rejeição destaca-se por incapacidade na 
formação de vínculos seguros, com vivências primitivas de experiências sociais 
negativas. Normalmente, os indivíduos apresentam traço de instabilidade, 
abuso, frieza, rejeição ou isolamento do mundo exterior. Os esquemas que estão 
relacionados a este domínio são: abandono, desconfiança/abuso, privação 
emocional,defectividade/vergonha, isolamento/alienação. O domínio Autonomia 
e Desempenho Prejudicados compreende perspectivas de si próprio e do mundo 
que afetam sua aptidão de se diferenciar das figuras paterna ou materna e atuar 
de modo independente. Neste caso, há uma família superprotetora que não 
consegue estimular o indivíduo a ter uma atuação eficiente. 
Os esquemas vinculados a esse domínio são: fracasso, 
dependência/incompetência, vulnerabilidade ao dano ou à doença, 
emaranhamento. O domínio Limites Prejudicados se refere ao não 
desenvolvimento de limites internos. Comportamentos egoístas e mimados são 
manifestados, sem geral, essas pessoas pertencem a famílias desregradas. Os 
esquemas desse domínio são: grandiosidade/arrogo e 
autocontrole/autodisciplina insuficientes. O quarto domínio Orientação para o 
Outro, realça exageradamente, a assistência às demandas alheias em 
detrimento de suas próprias. Os esquemas associados a este domínio são de 
subjugação, autossacrifício, busca de aprovação/busca de reconhecimento, 
conforme PRESSI J; (2016). 
O domínio Supervigilância e Inibição enfatiza desmedida anulação de 
emoções, impulsos e preferências pessoais naturais, potencializando a 
execução de normas duras intrínsecas relacionadas a sua própria conduta, auto 
cobrança. Neste caso, tem-se uma família extremamente rígida, exigente, por 
vezes utiliza de duras correções. Os esquemas desse domínio são: negativismo/ 
 
27 
 
pessimismo, inibição emocional, padrões inflexíveis e postura punitiva, conforme 
PRESSI J; (2016). 
Após terem seu desenvolvimento cristalizado na formação da 
personalidade, os EIDs são ativados por situações ambientais, que normalmente 
acontecem pela revivência de emoções ou situações que foram familiares e 
estressantes na infância ou adolescência. Nessa fase entende-se que eles não 
tinham como lidar de outra forma com as demandas do ambiente ou de seus 
familiares. Na adultez, os EIDs acabam mediando a interpretação dos fatos da 
vida do indivíduo, a sua interação com o ambiente e as suas relações 
interpessoais de forma desadaptativa (Young, 2003 apud SQUEFI M; 2016). 
Portanto a análise de situações traumáticas da família de origem é de 
extrema importância, pois estas influenciam o acionamento dos esquemas de 
cada domínio. 
8 TRATAMENTOS DO AMOR PATOLÓGICO ATRAVÉS DA TERAPIA 
COGNITIVO-COMPORTAMENTAL 
 
Fonte: psicoativo.com 
Se identifica o Amor Patológico quando ocorre a perda de controle e 
autonomia em escolher os comportamentos em relação ao parceiro. O indivíduo 
perde o interesse pelo que antes era considerado importante, e passa a priorizar 
 
28 
 
e manter esse comportamento, mesmo que perceba que isso causará sofrimento 
a si mesmo e aos outros. O amor patológico traz problemas sociais e 
psicológicos na vida do indivíduo, bem como afeta parceiro com se está 
envolvido, familiares e todos ao redor do relacionamento. 
Os indivíduos que vivenciam o amor patológico frequentemente 
experimentaram abandono, foram negligenciados ou tiveram algum tipo de falta 
de afeto em determinado momento da vida, essa situação é mais comum na 
infância, o que a faz encarar seu relacionamento interpessoal como forma de 
diminuir a dor causada por esses fatores na vida. o AP, gradualmente evolui, 
causando o distanciamento do parceiro lentamente, pois seus sintomas tornam 
a relação estressante e turbulenta, acarretando a elevação do grau de angústia 
de quem vivencia o AP. 
A Terapia Cognitivo-comportamental tem como objeto de trabalho a 
ressignificação de crenças disfuncionais e comportamentais desadaptativos, 
sendo bastante eficaz no tratamento do amor patológico. O tratamento do amor 
patológico por meio de terapia cognitivo-comportamental visa mudar os modelos 
de pensamento, se baseia na interligação entre cognição, emoções e 
comportamento, quer dizer, a atividade cognitiva tem um efeito sobre 
comportamento, atividade cognitiva pode ser verificada e modificada, e 
comportamento pode se influenciar frente esta mudança cognitiva, portanto a 
terapia cognitivo-comportamental, com seu foco na modificação de crenças e 
comportamentos desadaptativos, promove a melhora do comportamento 
patológico manifestado pelo indivíduo que vivencia o amor patológico. 
No tratamento de Amor Patológico a Terapia Cognitivo 
Comportamental utiliza normalmente três elementos principais: 
1 – Habilidade de resolução de problemas para ajudar a gerar respostas 
variadas ao estresse; 
2 - Técnicas de reestruturação cognitiva para corrigir os pensamentos 
irracionais associados ao comportamento impulsivo; 
3 – Prevenção de recaída para ajudar a identificar situações de alto risco 
e gerar planos alternativos. 
 
29 
 
 No tratamento é utilizada a forma terapêutica, e medicamentosa em 
algumas situações, e variam quanto a inclusão majoritária de técnicas cognitivas 
ou comportamentais; as técnicas cognitivas comuns incluem a educação sobre 
o modelo cognitivo, a identificação de erros cognitivos e a reestruturação 
cognitiva; as técnicas comportamentais comuns incluem a realização de análise 
funciona, a diminuição do reforço positivo associado aos comportamentos 
impulsivos e reforço positivo dos comportamentos não impulsivos. (HODGINS; 
PEDEN, 2008). 
 
 
https://www.nucleode-stress.com.br 
Ao quebrar o ciclo de pensamento negativo, os terapeutas podem ajudar 
os adictos a aprender novos comportamentos para substituir aqueles que 
levaram a e perpetuou seu vício (SOPHIA et al., 2009). De acordo com a autora 
este ciclo pode ser eliminado da seguinte maneira: 
Rede crucial de apoio: a TCC pode fornecer suporte para pessoas em 
tratamento e, ao fornecer esse suporte positivo, as pessoas com esse transtorno 
amor patológico pode ser impedidas de se repetir durante todo o processo de 
tratamento ou mesmo após o tratamento; 
 
 
 
30 
 
Desenvolvimento de pensamentos mais positivos: as pessoas adictas, por 
exemplo com o amor, muitas vezes carregam pensamentos negativos, que 
podem levar ao desamparado. O pensamento positivo, por sua vez, ajuda a 
mudar esse modelo, porque pessoas confiantes são mais propensas a lidar com 
certas situações e têm menos oportunidades para pensamentos e 
comportamentos destrutivos. 
Aumento da autoestima: abaixa autoestima é um dos principais fatores 
que levam ao vício, então a terapia cognitivo-comportamental pode ajudar a 
melhorar a autoimagem das pessoas. Ao aumentar a autoestima de uma pessoa, 
ela não terá mais pensamentos e comportamentos destrutivos porque começa a 
acreditar que realmente merece uma vida melhor. 
Passos graduais: é preciso muita energia para acabar com o vício, e essa 
etapa pode demorar mais. Todos têm tempo para se adaptar e se desenvolver. 
Portanto, por meio da terapia cognitivo-comportamental, os indivíduos são 
gradualmente introduzidos em um conceito que pode ajudá-lo a acabar com o 
vício. 
Continuidade das atividades normais: a TCC é aplicada no consultório 
psicológico, se necessidade de internação. Dessa maneira, eles não serão 
separados de suas famílias, e não terão que deixar o trabalho e as atividades 
diárias. 
Fim gradual da terapia: o processo dura um período de tempo sendo 
reduzido gradativamente, de acordo com a necessidade do paciente. 
Inicialmente pode haver sessões semanais, depois a cada duas semanas e 
assim o paciente pode ser visto uma vez por mês, para se ter certeza de que 
não há recorrência e, quando o paciente superar seus problemas, ele pode sair 
do tratamento. 
 Os resultados são satisfatórios e, em determinada situação, ocorrerão em um 
prazo bastante razoável, avaliadas as condições expostas. Portanto, é necessário 
observar a interação do paciente e terapeuta, o nível de conhecimento e suporte social 
recebido. Pacientes recebendo tratamento relatam redução da ansiedade e redução do 
medo do medo infidelidade, aumento da autoestima e melhoria do relacionamento31 
 
interpessoal, ou seja, o paciente pode manter um relacionamento de longo prazo sem 
patologia. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
32 
 
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