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1 L 2 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .............................................................................................. 3 2 CRENÇAS ..................................................................................................... 4 2.1 Formação e desenvolvimento..................................................................... 4 2.2 FAMÍLIA E SEUS PAPÉIS.......................................................................... 5 3 ABORDAGEM INTEGRATIVA DAS EMOÇÕES .......................................... 9 4 PRIMÓRDIOS DA TEORIA DE JOHN BOLWBY ....................................... 11 5 DEPENDÊNCIA EMOCIONAL ................................................................... 13 6 TRANSTORNO DA PERSONALIDADE DEPENDENTE ............................. 16 7 CODEPENDÊNCIA AFETIVA ..................................................................... 21 7.1 NECESSIDADES INFANTIS (SATISFEITAS E NÃO SATISFEITAS) E SUAS CONSEQUÊNCIAS ............................................................................... 24 8 TRATAMENTOS DO AMOR PATOLÓGICO ATRAVÉS DA TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL ............................................................... 27 9 REFERÊNCIAS .......................................................................................... 32 3 1 INTRODUÇÃO Prezado aluno! O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - um aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma pergunta, para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em tempo hábil. Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora que lhe convier para isso. A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser seguida e prazos definidos para as atividades. Bons estudos! 4 2 CRENÇAS 2.1 Formação e desenvolvimento A forma pela qual as pessoas compreendem e processam a realidade interfere na forma em que elas sentem e agem. Para a TCC existem pensamentos automáticos nas margens da consciência. Tais pensamentos se dão espontaneamente, súbitos e produzindo uma interpretação instantânea de quaisquer situações. Geralmente, as pessoas não estão imediatamente conscientes dos pensamentos automáticos, de modo que eles são aceitos como plausíveis e sua avaliação como verdadeira (KNAPP; BECK, 2008). São singulares a determinadas situações e suscita emoções, comportamentos e respostas fisiológicas. Esse entendimento da realidade se constitue em estruturas cognitivas nomeadas esquemas. O esquema cognitivo é uma estrutura de processamento de informação que organiza os estímulos e percepções de um indivíduo sobre determinada situação, com base na experiência e aprendizagem anteriores do indivíduo. São compostos por crenças centrais, crenças intermediárias e pensamntos automáticos. Os pensamentos automáticos ficam num ponto superficial e acessível, como destaca Judith Beck, os pensamentos automáticos são um fluxo de pensamento que coexiste com um fluxo de pensamento mais manifesto. Como o nome sugere, esses pensamentos aparecem em nossa mente, invadem os pensamentos como verdades indiscutíveis, causando dor e ruminação. As crenças intermediárias respondem pelos pensamentos automáticos, são mais arraigadas que estes e buscam a compreensão do ambiente. As crenças centrais são mais profundas, sólidas, elementares. Se caracteriza como verdade absoluta, irrevogável, disseminada. Elas se desenvolvem desde o início da vida, representando o acervo das experiências e aprendizado do indivíduo ao longo desse desenvolver. Além de afetar nossas ações e interferir diretamente em nossos resultados, nossas crenças podem se tornar obstáculos, quando são disfuncionais. Com base nessa estrutura, o funcionamento do individuo é dependente de como suas crenças 5 estão estabelecidas, interferindo na sua forma de agir na sociedade, nas relações interpessoais, na maneira em que vê os outros e a si mesmo. Toda crença é limitante porque é uma ideia geral sobre algo, portanto, limita nossa percepção do mundo. O ambiente, os padrões sociais e até mesmo a influência da educação recebida em casa e na escola podem moldar o que chamamos de crenças limitantes, que são verdades quase absolutas. Está diretamente relacionado a várias experiências em diferentes campos. Esses comportamentos interferem diretamente em nosso comportamento e modo de pensar e produzindo entendimentos que não são completamente reais sobre nós mesmos. Do ponto em que tal ideia interfere na adequação do indivíduo, se torna problemática. Essa crença pode ser facilitadora ou fortalecedora quando auxilia o indivíduo a se constituir na sociedade, a conquistar objetivos, impulsionando o crescimento pessoal e profissional. https://opoderdoser.com 2.2 FAMÍLIA E SEUS PAPÉIS A conceituação de família se altera de acordo com o tipo de sociedade, o tempo e a sua estrutura social, ao passo que sofre as interferências dos acontecimentos sociais. A Psicologia entende a família como um conjunto de 6 relações caracterizadas por influência recíproca, direta, intensa e duradoura entre seus membros (DE ANTONI, 2005). Esse conjunto de relações é interiorizado por seus membros, formando padrões de relacionamento que se integram à subjetividade do indivíduo (ROUDINESCO, 2003). https://amenteemaravilhosa.com.br/ As diversas composições familiares surgiram da maneira como se apresentam e interagem os membros do grupo, entre si como com a sociedade. A família exerce uma função importante na educação e em seu seio incorporados os valores éticos e altruístico. Uma das principais tarefas da família é propiciar a transferência de experiências adquiridas por meio de vivências individuais e coletivas para os filhos, oportunizar um ambiente de aprendizagem adequado e facilitar a troca de informações e a preparação para a vivência na sociedade. Assim, atendem dois objetivos, um interno, que é a proteção psicossocial dos seus membros e outro externo que é a acomodação a uma cultura e sua transmissão (Minuchin, 1982). A família fornece suporte emocional para resolver problemas e conflitos e pode formar um bloqueio que protege contra-ataques externos. Kozier et al. (1993), considera que a função mais importante é proporcionar apoio emocional e segurança aos seus membros, tendo em conta o amor, a aceitação, o interesse e a compreensão 7 Segundo Atkinson e Murray, citados por Vara (1996), a família é um sistema social uno, composto por um grupo de indivíduos, cada um com um papel atribuído, e embora diferenciados, consubstanciam o funcionamento do sistema como um todo. O conceito de família, ao ser abordado, evoca obrigatoriamente, os conceitos de papéis e funções. Em quaisquer famílias, seja qual for a sociedade, cada membro exerce um papel específico, ou tem regime singular, exemplo, marido, esposa, filho ou irmão, sendo orientados por papéis. Estes não são mais do que “as expetativas de comportamento, de obrigações e de direitos que estão associados a uma dada posição na família ou no grupo social” (Duvall e Miller citados por Stanhope, 1999, p. 502). Os papéis variam de acordo com as posições bem como com a estrutura familiar (crenças, valores, representatividade,entre outros). A começar pelos adultos, onde pode-se citar sobre seus papéis, a sociabilização da criança - relacionado a atividades que contribuem para o desenvolvimento das habilidades intelectuais e sociais das crianças; zelo à criança – sendo físicos e emocionais objetivando seu desenvolvimento saudável; apoio à família – inclui a reprodução e conquista de recurso e utilidades necessários à família; responsável pelas atividades caseiras – relacionados aos serviços domésticos, que proporcionam aconchego e bem-estar aos membros da família; conservação das relações familiares – refere à preservação da inter-relação parental, significa também ajudar em situações de crise; Curativo – significa a amparo e suporte emocional quando surgem problemas familiares; entretenimento – refere com prover diversão à família, objetivando a tranquilização e crescimento pessoal. https://amenteemaravilhosa.com.br/ 8 No que compete aos papéis dos irmãos, estes são propulsores e receptores, concomitante, da socialização na família, auxiliando na instituição e manutenção das regras, propiciar a evolução da cultura familiar. Contribuem para a formação da identidade uns dos outros servindo de defensores e protetores, interpretando o mundo exterior, ensinando os outros sobre equidade, formando alianças, discutindo, negociando e ajustando mutuamente os comportamentos uns dos outros” (Stanhope, 1999, p. 502). Com o passar do tempo, a família como reunião social, responderá às necessidades da sociedade, assumindo ou abandonando as funções de proteção e socialização de seus membros, pois assim como os papéis, as funções também estão latentes na família. Cabendo a esta reagir às mudanças internas ou externas, se adequando aos acontecimentos, mantendo uma constância e sempre propiciando referências a seus membros. Existe consequentemente uma dupla responsabilidade, isto é, a de dar resposta às necessidades quer dos seus membros, quer da sociedade (Stanhope, 1999). Importante destacar aqui a função de saúde da família, para alguns autores, considerada como função básica, se referem a proteção à saúde e provimento de cuidados quando se fizer necessário. Sua relevância se dá pela razão de ser no íntimo familiar que ocorre a conceituação de saúde, onde os membros desenvolvem hábitos de saúde e estilos de vida saudáveis. Então é neste processo que se desenvolve uma ordem de valores, crenças e atitudes em relação à saúde e à doença. O funcionamento familiar são, de acordo com Potter e Perry (2006, p. 536): Processos usados pela família na consecução dos seus objetivos. Estes processos incluem a comunicação entre os membros da família, o estabelecimento de objetivos, resolução de conflitos, a educação e o uso de recursos internos e externos. Os objetivos reprodutivo, sexual, económico e educacional, dantes considerados objetivos familiares fundamentais, já não se aplicam a todas as famílias. Embora muitas famílias persigam estes objetivos em várias alturas durante o seu desenvolvimento, a prestação de apoio psicológico permanece um objetivo importante ao longo da vida. 9 A família tem então um papel crucial no desenvolvimento e estabelecimento de crenças e valores nos indivíduos. Visto que na contemporaneidade, diante a tantas mudanças, muitas dessas funções e papéis, estão a encargo de agentes sociais, refletindo nesse sistema de crenças e valores. Todavia, Horton e Hunt, citados por Moreira (2006), ressaltam que as funções de socialização, afetivas e de proteção adquiriram maior importância, quer pelas mudanças nas outras instituições, como pelo conhecimento cada vez maior das necessidades pessoais e sociais dos indivíduos. Exigindo assim um olhar mais atencioso por parte dos profissionais da saúde. 3 ABORDAGEM INTEGRATIVA DAS EMOÇÕES Fonte:pt.quizur.com James (1884, citado por Vasco, 2013, p. 38 apud Arruda, Beatriz Bettencourt. 2015) defende, que as emoções consistem em “resposta de um sistema complexo, cujo objetivo é o de preparar o organismo para responder aos estímulos do meio que têm significado evolutivo”, sendo que estas possuem uma importante função no respeitante à otimização da sobrevivência, física e psicológica, assim como à qualidade desta sobrevivência, isto é, “em termos mais psicológicos, as emoções também desempenham um papel central na promoção do bem-estar psicológico”. 10 A característica adaptativa das emoções de cada indivíduo ocorre de acordo com o tipo de emoções básicas que este vivencia, e que são de modo predominante disfórica/detestável, possivelmente por sua conotação de sobrevivência. Para que a felicidade se torne possível é essencial ter a habilidade de compreender corretamente as emoções mais relevantes para a sobrevivência. As emoções básicas ou primárias são classificadas por vários estudiosos como alegria, tristeza, curiosidade, nojo, medo, surpresa, vergonha, zanga. Sua classificação foi embasada no entendimento de que, por terem um cunho transespacial e transtemporal, inato e se relacionarem diretamente com a sobrevivência são primárias. As emoções não se conotam como “positivas” ou “negativas”, elas são subjetivamente eufóricas agradáveis (eufóricas) ou desagradáveis (disfórica), adaptativas ou não-adaptativas. Podem ser discriminadas em diversos tipos, as emoções primárias adaptativas são uma resposta direta, útil e temporária essenciais à sobrevivência do organismo, preparando-o para a ação e ajudando- o a enfrentar rapidamente as várias situações. Uma vez que o estímulo ou situação não é mais importante, essa emoção cessa. As emoções primárias adaptativas, portanto, nos ajudam e devem ser seguidas pela sua capacidade em organizar as nossas ações (Greenberg, 2002, 2010a; Timulak, 2015); as emoções primárias desadaptativas são baseadas na história pessoal, experiências traumáticas e aprendizagens anteriores. Entre as emoções primárias desadaptativas mais comuns estão o medo incapacitante, a raiva destrutiva e a vergonha congelante (Greenberg, 2010b); as emoções secundárias podem ser consideradas como defesas ou disfarces, derivando da impossibilidade dos indivíduos aceitarem as emoções primárias em função de seu impacto emocional doloroso, reagindo contrariamente e, assim, substituindo- as por outras emoções, transformando a emoção original (Elliot et al., 2004; Greenberg, 2002); as emoções instrumentais são formas que o indivíduo encontra para obter o que deseja, como demonstrar raiva para intimidar os demais ou tristeza para atrair a atenção (Elliot et al., 2004). As emoções possuem também a funções vitais para o indivíduo, sendo de orientação, comunicação, prevenção e sinalização. 11 4 PRIMÓRDIOS DA TEORIA DE JOHN BOLWBY Fonte: mundopsicologos.com A partir de conceitos da etologia, da cibernética e da psicologia do desenvolvimento, John Bowlby (1907 – 1990) desenvolveu a conhecida "teoria do apego", a qual revolucionou o conhecimento sobre vínculo (ou apego, como esse autor denominou) entre mãe e filho (Bretherton, 1992). Os estudos teóricos e práticos de Bowlby revelaram que o apego entre mãe e filho seria um fenômeno inato e extremamente útil para a sobrevivência da nossa espécie. A disponibilidade emocional dos pais, em especial da mãe (ou da pessoa que cuida da criança), para suprir as necessidades emocionais de seu filho em situações estressantes, principalmente separações, é o alicerce pelo qual a criança aprende a perceber e a se relacionar com o mundo, além de estar ligada a fatores genéticos dela própria. Assim, principalmente no primeiro ano de vida, a criança desenvolveria um Modelo Funcional Interno, uma “lente” a partir da qual o indivíduo vai ver o mundo e a si próprio, ou seja, um "tipo de apego" específico e que se transformaria em característica de personalidade fixa (Bowlby,1990) Segundo Cortina e Marrone(2003), a teoria do apego considera o processo normal de desenvolvimento e psicopatologia humana, além de abordar o processo informativo para compreender os mecanismos psicológicos utilizados quando vivenciamos traumas ou perdas, e mesmo quando vivenciamos a 12 negligência ou rejeição de personagens de apego. Portanto, este método teórico fornece uma base para estudar as emoções e sentimentos humanos. Ao incorporar todos os aspectos da biologia moderna em sua base de pesquisa, ele forneceu um suporte de experiência coerente para a compreensão dos processos de desenvolvimento normais e patológicos. Ao longo do ciclo da vida, o comportamento de apego se apresenta de diversas formas e intensidade. Podendo se apresentar de maneira ativa (como a busca pelo cuidador), repulsiva (como o choro), ou através de comportamentos que sinalizam para o desejo de interação da criança com seu cuidador (como o sorriso). Esses comportamentos, são percebidos em qualquer indivíduo, seja criança, adolescente ou adultos, o tentar se aproximar de outras pessoas. O sistema de comportamento de apego é muito complexo e, à medida que a criança cresce, começa a enlaçar uma capacidade de representação mental, chamada de modelo interno funcional, que se refere à representação de experiências da infância relacionadas ao ambiente, self e figuras de apego. Segundo J. Bowlby (1989), as experiências precoces com o cuidador primário iniciam o que depois se generalizará nas expectativas sobre si mesmo, dos outros e do mundo em geral, com implicações importantes na personalidade em desenvolvimento. As primeiras representações que formam o modelo interno de funcionamento são formadas e esquematizadas pela organização da memória em termos do que a criança demanda e é correspondida em obter segurança e conforto, sendo que o reflexo disso será posto na experiência social real, futuramente (COLLINS & READ, 1994). Ainda segundo este autor o apego se divide em três tipos: apego seguro, apego inseguro e apego ambíguo. No apego seguro a infância vivida passou por relacionamentos saudáveis e vínculos afetivos moderados, no apego inseguro existe um constante amedrontamento, fazendo com que não seja fortalecida a segurança entre as partes, no apego ambíguo o indivíduo adulto não consegue estabelecer relações duradouras, em razão da falta de autoestima devido o prejuízo de uma continuada relação de apego. 13 5 DEPENDÊNCIA EMOCIONAL Ser humano é a única espécie que possuem atributos e capacidades eminentes, se distinguindo umas das outras. É um ser relacional, precisa da convivência com outros para que seja garantida sua sobrevivência. Segundo Pinto (2014) todos os indivíduos compartilham a capacidade de se relacionar de forma consciente e voluntária com outros indivíduos, bem como apresentam a oportunidade de formar vínculos, usando critérios pessoais que atendam a necessidade emocional de cada indivíduo. É na família que ocorre a primeira experiência de relacionamento interpessoal, é a relação na qual o ser humano é apresentado ao contato afetivo, formando a primeira rede de relações, onde os vínculos se estabelecem e os afetos se apresentam inicialmente. As referências familiares assimiladas na primeira infância interferem na vida madura e nos relacionamentos por este vividos. Quando um indivíduo se integra à sociedade, surge uma nova rede de relações interpessoais, a rede de amizades. De acordo com Souza e Hutz (2008) a amizade é um relacionamento entre pessoas que não são familiares, parentes ou parceiros sexuais, é caracterizada pelo compartilhamento de intimidade e pelas redes de apoio. Nas relações amorosas observa-se muitas características, tais como: confiança, respeito, cumplicidade, amor. Estas relações também são marcadas pela interação social do indivíduo, e tem apresentado novos formatos, fazendo com que seu significado altere de acordo com a particularidade de cada indivíduo que vivencia este sentimento, uma vez que este indivíduo é resultado de suas vivências desde seu nascimento. De acordo com o autor Adolpho (2017) em uma relação amorosa, a pessoa passa por grandes experiências, experimenta diversos sentimentos e emoções, exercita a convivência e a relação com o outro, o que pode ajudar em suas relações interpessoais. Esta relação é considerada saudável quando vivido de modo agradável, proporcionado bem-estar e contentamento. 14 Conforme Carvalho (2017), um relacionamento tido como “saudável” é aquele que promove o bem-estar do casal por meio de uma parceria sentimental respeitosa, sem individualismo exacerbado, nem a abnegação total de si em nome do outro. As relações interpessoais são uma parte fundamental da sobrevivência humana e estas relações saudáveis são consideradas como estimulantes da individualidade e da autonomia do sujeito. No entanto quando acontece um mau funcionamento das relações onde se identifica um elevado grau de apego, é chamado de dependência emocional. https://amenteemaravilhosa.com.br/ A dependência emocional é um relacionamento de apego emocional exagerado. Esse relacionamento pode ocorrer na vida de um casal ou em um relacionamento familiar ou de amizade. É como uma condição onde a pessoa simplesmente não pode ser feliz sozinha, sendo depende dos outros, daquilo que fazem e falam para se sentir feliz, desejada, amada ou completa. Conforme Bution e Wechsler (2016) é um transtorno aditivo, em que o indivíduo necessita do outro para manter seu equilíbrio emocional. Ainda segundo estes autores, seus estudos evidenciaram que no perfil dos dependentes emocionais foram 15 observados comportamentos de submissão, sinais de fissura e abstinência do outro, ausência de decisões, vazio emocional, medo da solidão, baixa tolerância à frustração, tédio, conflito de identidade, sensação de estar preso na relação e não conseguir abandonar o relacionamento. As múltiplas características da dependência emocional resultam em consequências graduais e crônicas ao dependente. Por vezes a dependência emocional é equiparada à dependência química devido ambas situações apresentarem traços comuns que levam ao vício. As pessoas que se encontram nesta relação ficam psicologicamente feridas, pois têm uma crença interior de que não existiriam sem o amor / atenção do outro, o que as torna vulneráveis, muitas vezes renunciando a si mesmas em detrimento do outro. Quando o amor caracteriza um quadro de “dependência afetiva”, trazendo angústia, intenso sofrimento, desprazer e infelicidade, o sujeito já não é capaz de ter autocontrole dos sentimentos, colocando em risco o próprio bem-estar físico e emocional (SOPHIA, 2008). O desfecho resulta num desejo incontrolável de repetir a sensação de estar perto um do outro, o que cria um alto nível de estresse levando a uma deterioração da saúde mental do indivíduo. De acordo com RISO (2014) o repertório de sintomas da dependência afetiva, de acordo com o grau de desespero e a capacidade inventiva do dependente afetivo, pode ser diversificado, inesperado e especialmente perigoso. O indivíduo que se encontra na dependência emocional tende a reunir sua atenção no intuito de atrair a pessoa “amada”, em detrimento da sociedade. Faur (2012) relaciona os principais sinais das relações dependentes como distúrbios fisiológicos, comportamentais e psíquicos. Faur (2012) os descreve: a obsessão – o pensamento sobre invade tudo. A relação e o outro passam a ser o centro da vida de uma forma constante e patológica; o controle – a relação está sob o microscópio, é estudada, analisada, leem-se livros, consultam-se astrólogos para predizer futuro da relação; a tolerância - são cada vez necessárias mais provas e demonstrações de amor, enquanto o outro fica a cada dia mais esquivo e distante. Começa a aparecer a sensação de que nada é suficiente;a abstinência – angústia intensa, 16 ataques de pânico, insônia e perda de apetite. Tudo isso leva a que se faça qualquer coisa, portanto que a relação não termine. De acordo com o autor Sirvent (2000), a dependência de relacionamentos pode ser separada como genuínas e mediadas. As genuínas ocorrem quando uma patologia referente à dependência emocional é destacada. Das dependências genuínas pode-se destacar dependência emocional, tendência dependente, apego ansioso, transtornos da personalidade. As mediadas ocorrem com indivíduos adictos, ou que convive com o dependente. Na mediada pode-se elucidar a codependência e a bidependência. Pessoas dependentes se rendem em busca de satisfação e segurança, criando assim uma falsa sensação de auto realização. São muitas as pessoas com dependência emocional que não tem conhecimento, parte pela falta de importância devida a este assunto. 6 TRANSTORNO DA PERSONALIDADE DEPENDENTE www.brasil247.com 17 De acordo com o DSM V, um Transtorno da Personalidade é um padrão persistente de vivência íntima ou comportamento que se desvia acentuadamente das expectativas da cultura do indivíduo, é invasivo e inflexível, tem seu início na adolescência ou começo da idade adulta, é estável ao longo do tempo e provoca sofrimento ou prejuízo. O Transtorno da Personalidade Dependente tem como característica uma necessidade extrema e ofensiva de ser cuidado, acarretando um comportamento resignado e de apego, temor da separação. Os comportamentos de dependência e submissão são projetados para atrair atenção e cuidado e se originam do reconhecimento de que uma pessoa não pode funcionar normalmente sem a ajuda de outras pessoas. São demarcados oito critérios para a classificação do transtorno da personalidade dependente. Sendo eles: Os indivíduos com transtorno da personalidade dependente encontrarão grandes dificuldades para tomar decisões diárias sem os conselhos e garantias excessivas de outras pessoas, por exemplo escolher qual roupa usar; Essas pessoas geralmente são passivas e permitem que outras pessoas (geralmente uma pessoa) tomem a iniciativa e se encarreguem da responsabilidade pelas áreas mais importantes da vida; Os adultos com este transtorno geralmente dependem dos pais ou do cônjuge para decidir onde devem morar, que tipo de trabalho devem fazer e de quais vizinhos devem ser amigos. Os adolescentes com o transtorno podem deixar que os pais decidam o que vestir, com quem sair, como passar o tempo livre e que faculdade devem frequentar. A necessidade de outros assumirem responsabilidades vai além dos requisitos de assistência para sua idade e condição; Essas pessoas sentem que não podem fazer a sua parte, tanto que preferem concordar com o que consideram errado a correr o risco de perder a ajuda de quem busca orientação. Quando é apropriado 18 para pessoas que precisam de seu apoio e atenção, eles se preocupam em não ficar com raiva porque têm medo de afastá-los. Se a preocupação do indivíduo sobre as consequências de expressar uma objeção for real (por exemplo, um medo real de abuso do cônjuge), não deve ser considerada evidência de transtorno de personalidade dependente. É difícil para as pessoas com esta doença iniciar projetos ou trabalhar de forma independente; Eles não têm autoconfiança e pensam que precisam de ajuda para iniciar e executar tarefas. Eles querem que os outros "comecem" porque acreditam que os outros geralmente sabem como fazer melhor. Essas pessoas acreditam firmemente que não podem operar independentemente, não podem mostrar sua incapacidade e precisam de ajuda constante. No entanto, quando estão confiantes de que podem ser supervisionados e aprovados por outros, eles tendem a trabalhar normalmente. Eles podem ter medo de aparecer ou de se tornarem mais competentes porque acreditam que isso os levará ao abandono. Por confiarem nos outros para resolver seus problemas, geralmente não aprendem as habilidades para uma vida independente, perpetuando a dependência. Pessoas com este transtorno podem fazer o seu melhor para obter amor e apoio, e podem até fornecer a habilidade de realizar tarefas desagradáveis, se esse comportamento puder fornecer-lhes os cuidados de que precisam. Mesmo que o pedido não seja razoável, eles estão dispostos a atender aos desejos dos outros. A precisão de sustentar vínculos emocionais importantes costuma levar a relacionamentos desequilibrados ou distorcidos. Eles podem se martirizar ou aceitar abuso verbal, físico ou sexual. Pessoas com este transtorno se sentem desconfortáveis ou desamparadas quando estão sozinhas, porque temem não conseguir cuidar de si mesmas. 19 Eles podem se “unir” com outras pessoas importantes em suas vidas, mesmo que não estejam interessados ou envolvidos no que está acontecendo, somente para não ficarem sozinhos. Quando um relacionamento importante se rompe (por exemplo, a morte de um dos pais, ou término de namoro), as pessoas com transtorno de personalidade dependente podem procurar urgentemente outro relacionamento para fornecer os cuidados e o apoio de que precisam. Acreditam na incapacidade de funcionar na ausência de um relacionamento íntimo, o que instiga estes indivíduos a se envolverem rapidamente e de forma indiscriminada com outra pessoa. Pessoas com este transtorno geralmente temem que serão abandonados à própria sorte. Sentem que dependem tanto do conselho e da ajuda de outras pessoas que ficam aflitos, com medo de serem abandonados, mesmo que não haja motivo para se preocupar com esses medos. Para ser visto como evidência desse padrão, o medo deve ser excessivo e irreal. amenteemaravilhosa.com.br 20 As pessoas que apresentam tal transtorno geralmente mostram pessimismo e insegurança, muitas vezes subestimam suas habilidades e realizações e costumam se autodenominar de estúpidos. Consideram repreensão e julgamentos como evidências de sua incapacidade, perdendo a autoconfiança. Eles podem buscar a proteção excessiva e o domínio de outras pessoas. Se a iniciativa independente for necessária, as funções profissionais podem ser prejudicadas. Podem evitar manter papéis de autoridade e ficar ansiosos quando precisam tomar uma decisão urgentemente. As relações sociais são frequentemente limitadas às poucas pessoas das quais o indivíduo depende. Estará mais propenso a desenvolverem transtornos de humor, transtorno de ansiedade e transtorno de ajustamento. O transtorno da personalidade dependente pode ocorrer simultaneamente a outros transtornos como os transtornos da personalidade borderline, esquiva e histriônica. Doenças físicas crônicas ou ansiedade de separação na infância ou adolescência podem tornar os indivíduos suscetíveis a esse transtorno. Existem grandes diferenças no grau em que os comportamentos dependentes são considerados apropriados entre diferentes idades e grupos socioculturais, é importante leva em conta a cultura e idade do indivíduo quando da avaliação diagnóstica, e o comportamento dependente será caracterizado como transtorno quando se apresentar excessivas e irreais as preocupações do indivíduo. No cenário clínico, as mulheres são mais frequentemente diagnosticadas com este transtorno. No entanto, em seus respectivos contextos clínicos, não há diferença significativa na incidência deste transtorno entre homens e mulheres e na proporção geral de mulheres. Dentre os transtornos da personalidade, este é o que regularmente são referidos nas clinicas de saúde. Para muitas pessoas, a dependência não é um transtorno grave, mas apenas pela observação de determinados comportamentos que constituem os critérios diagnósticos do manual, já é possível perceber seus prejuízos à independência do sujeito, pois mesmo nas situações descomplicadas, o indivíduo dependee precisa do apoio da outra parte. Isso se torna preocupante, 21 pois em muitos relacionamentos, as pessoas com esse tipo de controle podem ferir umas às outras emocional e psicologicamente. 7 CODEPENDÊNCIA AFETIVA Fonte: www.insightpsique.com.br Codependência é um desarranjo emocional elucidado nas décadas de 70 e 80, inicialmente referente aos familiares de dependentes químicos. Nos dias de hoje a codependência é ampliada a quaisquer situações de dependência ou desarranjos críticos de conduta e personalidade. A codependência ocorre quando um indivíduo não adicto estabelece um vínculo patológico e depende de outro sujeito, que por sua vez, é dependente de drogas ou álcool. Por sua vez, na bidependência, um indivíduo adicto estabelece uma relação dependente com outras pessoas, que podem ou não fazer uso de substâncias psicoativas (SIRVENT, 2000 apud BUTION; WECHSLER, 2016, p. 79). 22 Segundo Riso (2010) “metade das consultas dos especialistas se deve a problemas ocasionados ou relacionados com a dependência patológica interpessoal”. Assim, pode-se dizer que os problemas no relacionamento afetivos estão cada vez mais presentes nos consultórios de psicólogos e psiquiatras. O dependente do amor procura a imersão absoluta na relação romântica, seja ela real ou imaginária (Lino, 2009 apud ROCHA; RODRIGUES; OLIVEIRA, 2012, p. 2). O termo dependência se refere ao grau que um indivíduo se apoia e confia em outro para a sua existência e, portanto, possui uma referência disfuncional (RODRIGUES, CHALHUB; 2009). Para o codependente, sua vida só será feliz na presença do outro. Ele precisa se assegurar de ter o controle de tudo, como uma “garantia” para não perder o outro, se tornando obstinado em controlar tudo o que se referir ao outro. O codependente age de maneira única, pois suas reações são diretamente ligadas com a construção de sua personalidade, suas vivencias interpessoais. Coloca o desejo do outro em prioridade em detrimento dos seus. Observa-se sobre o perfil do codependente comportamentos de obediência aos outros, indicador de loucura e abstenção na falta do objeto de desejo, incapacidade de tomada de decisão nos relacionamentos, sentimentos de contrariedade, receio de ficar sozinho, intolerância à decepção, ausência afetiva, melancolia, sentimentos de autoextermínio, negatividade, atenção excessiva no outro em detrimento de si, incompreensão dos próprios problemas, sensação de enclausuramento sem chance de liberdade, choque de identidade, auto responsabilização por todas situações, busca de resolução de tudo, sentimento de obrigatoriedade em ajudar o parceiro, O codependente deixa de se escutar, de perceber o que quer em detrimento do outro que ama. O dependente afetivo só existe através da existência do outro que é razão da sua vida. Outro aspecto relevante é que o codependente têm hábitos e comportamentos autodestrutivos, que os mantêm presos a relacionamentos não gratificantes e o impedem de encontrar a felicidade na pessoa mais importante na sua vida: ele mesmo. (CARVALHO; NEGREIROS, 2011 apud ROCHA; RODRIGUES, OLIVEIRA, 2012, p. 4). 23 FAUR (2012) refere-se às relações acima como relações de dependência porque são semelhantes à dinâmica de outras drogas e são sempre chamadas de relações de dependência. Pois são relações extremamente danosas, como o uso da droga, causando dor e sofrimento e a necessidade de permanecer assim mesmo diante dos danos causados. A característica do vício é justamente quando há falta do objeto dependente, manifesta-se uma dor forte e incontrolável. Portanto, apesar do termo “dependência” ser tradicionalmente ligado ao uso de substâncias ou drogas psicoativas, as dependências de sentimentos (denominação utilizada por MORAL e SIRVENT, 2009) ou as Dependências de Relacionamentos (denominação proposta por SIRVENT, 2000) também merecem ser objeto de pesquisa e intervenção, visto que apresentam etiologia e sintomatologia semelhante à de outras dependências. Esses relacionamentos dependentes são como uma simbiose, onde um não vive sem o outro, como se este outro fosse capaz de suprir toda e qualquer necessidade do codependente, sendo responsabilizado pela alegria e satisfação da pessoa codependente. As vontades do eu não são “importantes”, predominando o outro, como se nada mais existisse. De acordo com DANTAS (2007) a dependência caracteriza-se patológica não só quando nos tira do nível da normalidade, mas também, e principalmente, quando traz sofrimento. O sentimento de pertença é acompanhado pelo pavor da perda, da separação, causando uma fantasia de preservação da relação, na busca por não ficar só. FAUR (2012) destaca que quando se está em um vínculo dependente, a percepção de ameaça de perde é permanente e todo movimento do outro é percebido como abandono, desprezo ou desamor. 24 Fonte: www.minutopsicologia.com.br “Quando a insegurança sobe a bordo, perde-se a confiança, a ponderação e a estabilidade da navegação. ‘A deriva, a frágil balsa do relacionamento oscila entre as duas rochas nas quais muitas parceiras se esbarram: a submissão e o poder absolutos, a aceitação humilde e a conquista arrogante, destruindo a própria autonomia e sufocando a do parceiro. ” (BAUMAN, 2004). 7.1 NECESSIDADES INFANTIS (SATISFEITAS E NÃO SATISFEITAS) E SUAS CONSEQUÊNCIAS Se desenvolver num espaço saudável, com amor e zelo, é imprescindível para que as crianças possam crescer com segurança e proteção. Porções apropriadas de carinho, apego, conforto emocional, segurança, capacidade de acalentar anseios e impulsos são passadas pelos pais e cuidadores, e caracterizam uma diferença expressiva na estabilidade emocional das crianças. Quando ocorre ausência dos cuidados essenciais, exposição a experiências de abuso e vivências de relacionamentos instáveis na infância, observa-se a ameaça ao desenvolvimento, que pode resultar em modelos desadaptativos de crenças, gerando vínculos de apego inseguro ao longo da vida (Caballo, 2007; Cecero & Young, 2001 apud PRESSI J; 2016). 25 https://soumamae.com.br/ Para construir uma personalidade saudável, é necessário atender a algumas das necessidades emocionais do desenvolvimento infantil, segundo Young (1999): vínculo seguro, autonomia, competência e sentimento de identidade; liberdade de expressão e validação de necessidades e emoções; espontaneidade e lazer, limites realistas e autocontrole. Sendo essas, necessidades universais e primordiais para o desenvolvimento emocional saudável. Quando essas necessidades não são atendidas, associadas à essência da criança a eventos traumáticos, podem acarretar no Esquema Inicial Desadaptativo (EID). Os EIDs, que se desenvolvem de uma maneira mal adaptativa ou disfuncional, irão ocasionar percepção distorcida e tendenciosa, funcionando como mecanismos inconscientes, que afetam o comportamento, a cognição, a fisiologia e as emoções das pessoas. Com o passar do tempo, se tornam a própria definição da pessoa e a maneira que ela irá enxergar as situações de sua vida (Callegaro, 2011 apud PRESSI J; 2016). 26 Young identificou 18 esquemas iniciais desadaptativos, reunidos em cinco domínios de necessidades emocionais não satisfeitas. Os cinco domínios são: 1) Desconexão/Rejeição; 2) Autonomia e Desempenho Prejudicados; 3) Limites Prejudicados; 4) Orientação para o outro e 5) Supervigilância e Inibição (Young, 2003 apud PRESSI J; 2016). O domínio Desconexão e Rejeição destaca-se por incapacidade na formação de vínculos seguros, com vivências primitivas de experiências sociais negativas. Normalmente, os indivíduos apresentam traço de instabilidade, abuso, frieza, rejeição ou isolamento do mundo exterior. Os esquemas que estão relacionados a este domínio são: abandono, desconfiança/abuso, privação emocional,defectividade/vergonha, isolamento/alienação. O domínio Autonomia e Desempenho Prejudicados compreende perspectivas de si próprio e do mundo que afetam sua aptidão de se diferenciar das figuras paterna ou materna e atuar de modo independente. Neste caso, há uma família superprotetora que não consegue estimular o indivíduo a ter uma atuação eficiente. Os esquemas vinculados a esse domínio são: fracasso, dependência/incompetência, vulnerabilidade ao dano ou à doença, emaranhamento. O domínio Limites Prejudicados se refere ao não desenvolvimento de limites internos. Comportamentos egoístas e mimados são manifestados, sem geral, essas pessoas pertencem a famílias desregradas. Os esquemas desse domínio são: grandiosidade/arrogo e autocontrole/autodisciplina insuficientes. O quarto domínio Orientação para o Outro, realça exageradamente, a assistência às demandas alheias em detrimento de suas próprias. Os esquemas associados a este domínio são de subjugação, autossacrifício, busca de aprovação/busca de reconhecimento, conforme PRESSI J; (2016). O domínio Supervigilância e Inibição enfatiza desmedida anulação de emoções, impulsos e preferências pessoais naturais, potencializando a execução de normas duras intrínsecas relacionadas a sua própria conduta, auto cobrança. Neste caso, tem-se uma família extremamente rígida, exigente, por vezes utiliza de duras correções. Os esquemas desse domínio são: negativismo/ 27 pessimismo, inibição emocional, padrões inflexíveis e postura punitiva, conforme PRESSI J; (2016). Após terem seu desenvolvimento cristalizado na formação da personalidade, os EIDs são ativados por situações ambientais, que normalmente acontecem pela revivência de emoções ou situações que foram familiares e estressantes na infância ou adolescência. Nessa fase entende-se que eles não tinham como lidar de outra forma com as demandas do ambiente ou de seus familiares. Na adultez, os EIDs acabam mediando a interpretação dos fatos da vida do indivíduo, a sua interação com o ambiente e as suas relações interpessoais de forma desadaptativa (Young, 2003 apud SQUEFI M; 2016). Portanto a análise de situações traumáticas da família de origem é de extrema importância, pois estas influenciam o acionamento dos esquemas de cada domínio. 8 TRATAMENTOS DO AMOR PATOLÓGICO ATRAVÉS DA TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL Fonte: psicoativo.com Se identifica o Amor Patológico quando ocorre a perda de controle e autonomia em escolher os comportamentos em relação ao parceiro. O indivíduo perde o interesse pelo que antes era considerado importante, e passa a priorizar 28 e manter esse comportamento, mesmo que perceba que isso causará sofrimento a si mesmo e aos outros. O amor patológico traz problemas sociais e psicológicos na vida do indivíduo, bem como afeta parceiro com se está envolvido, familiares e todos ao redor do relacionamento. Os indivíduos que vivenciam o amor patológico frequentemente experimentaram abandono, foram negligenciados ou tiveram algum tipo de falta de afeto em determinado momento da vida, essa situação é mais comum na infância, o que a faz encarar seu relacionamento interpessoal como forma de diminuir a dor causada por esses fatores na vida. o AP, gradualmente evolui, causando o distanciamento do parceiro lentamente, pois seus sintomas tornam a relação estressante e turbulenta, acarretando a elevação do grau de angústia de quem vivencia o AP. A Terapia Cognitivo-comportamental tem como objeto de trabalho a ressignificação de crenças disfuncionais e comportamentais desadaptativos, sendo bastante eficaz no tratamento do amor patológico. O tratamento do amor patológico por meio de terapia cognitivo-comportamental visa mudar os modelos de pensamento, se baseia na interligação entre cognição, emoções e comportamento, quer dizer, a atividade cognitiva tem um efeito sobre comportamento, atividade cognitiva pode ser verificada e modificada, e comportamento pode se influenciar frente esta mudança cognitiva, portanto a terapia cognitivo-comportamental, com seu foco na modificação de crenças e comportamentos desadaptativos, promove a melhora do comportamento patológico manifestado pelo indivíduo que vivencia o amor patológico. No tratamento de Amor Patológico a Terapia Cognitivo Comportamental utiliza normalmente três elementos principais: 1 – Habilidade de resolução de problemas para ajudar a gerar respostas variadas ao estresse; 2 - Técnicas de reestruturação cognitiva para corrigir os pensamentos irracionais associados ao comportamento impulsivo; 3 – Prevenção de recaída para ajudar a identificar situações de alto risco e gerar planos alternativos. 29 No tratamento é utilizada a forma terapêutica, e medicamentosa em algumas situações, e variam quanto a inclusão majoritária de técnicas cognitivas ou comportamentais; as técnicas cognitivas comuns incluem a educação sobre o modelo cognitivo, a identificação de erros cognitivos e a reestruturação cognitiva; as técnicas comportamentais comuns incluem a realização de análise funciona, a diminuição do reforço positivo associado aos comportamentos impulsivos e reforço positivo dos comportamentos não impulsivos. (HODGINS; PEDEN, 2008). https://www.nucleode-stress.com.br Ao quebrar o ciclo de pensamento negativo, os terapeutas podem ajudar os adictos a aprender novos comportamentos para substituir aqueles que levaram a e perpetuou seu vício (SOPHIA et al., 2009). De acordo com a autora este ciclo pode ser eliminado da seguinte maneira: Rede crucial de apoio: a TCC pode fornecer suporte para pessoas em tratamento e, ao fornecer esse suporte positivo, as pessoas com esse transtorno amor patológico pode ser impedidas de se repetir durante todo o processo de tratamento ou mesmo após o tratamento; 30 Desenvolvimento de pensamentos mais positivos: as pessoas adictas, por exemplo com o amor, muitas vezes carregam pensamentos negativos, que podem levar ao desamparado. O pensamento positivo, por sua vez, ajuda a mudar esse modelo, porque pessoas confiantes são mais propensas a lidar com certas situações e têm menos oportunidades para pensamentos e comportamentos destrutivos. Aumento da autoestima: abaixa autoestima é um dos principais fatores que levam ao vício, então a terapia cognitivo-comportamental pode ajudar a melhorar a autoimagem das pessoas. Ao aumentar a autoestima de uma pessoa, ela não terá mais pensamentos e comportamentos destrutivos porque começa a acreditar que realmente merece uma vida melhor. Passos graduais: é preciso muita energia para acabar com o vício, e essa etapa pode demorar mais. Todos têm tempo para se adaptar e se desenvolver. Portanto, por meio da terapia cognitivo-comportamental, os indivíduos são gradualmente introduzidos em um conceito que pode ajudá-lo a acabar com o vício. Continuidade das atividades normais: a TCC é aplicada no consultório psicológico, se necessidade de internação. Dessa maneira, eles não serão separados de suas famílias, e não terão que deixar o trabalho e as atividades diárias. Fim gradual da terapia: o processo dura um período de tempo sendo reduzido gradativamente, de acordo com a necessidade do paciente. Inicialmente pode haver sessões semanais, depois a cada duas semanas e assim o paciente pode ser visto uma vez por mês, para se ter certeza de que não há recorrência e, quando o paciente superar seus problemas, ele pode sair do tratamento. Os resultados são satisfatórios e, em determinada situação, ocorrerão em um prazo bastante razoável, avaliadas as condições expostas. Portanto, é necessário observar a interação do paciente e terapeuta, o nível de conhecimento e suporte social recebido. Pacientes recebendo tratamento relatam redução da ansiedade e redução do medo do medo infidelidade, aumento da autoestima e melhoria do relacionamento31 interpessoal, ou seja, o paciente pode manter um relacionamento de longo prazo sem patologia. 32 9 REFERÊNCIAS ABBAGNANO, N. Dicionário de Filosofia. 5. ed. São Paulo: M. Fontes, 2007 ADOLPHO, Monica dos Santos. 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