Prévia do material em texto
Professora: Maria Flor 2022 1
Professora: Maria Flor
Professora: Maria Flor 2022 2
SUMÁRIO
UNIDADE I :CONCEITOS BÁSICOS DE SAÚDE MENTAL........................................................................................
1.2 Fatores de influências...........................................................................................................................
UNIDADE II TEORIA DO DESENVOLVIMENTO E TEORIA DA PERSONALIDADE..................................................
Psicanálise ..............................................................................................................................................
2.1 1ª Estrutura do Aparelho Psíquico ....................................................................................................
2.2 2ª Estrutura do Aparelho Psíquico.....................................................................................................
2.3 Mecanismos de defesa do EGO. ...........................................................................................................
2.4 Teoria do desenvolvimento psicossexual segundo Freud......................................................................
2.5 Teoria de desenvolvimento psicossocial de Erikson...............................................................................
2.6 Teoria da personalidade interpessoal Sulivam ...................................................................................
2.7 Teoria do desenvolvimento moral de Lawrence Kohlberg....................................................................
UNIDADE III 3. FUNÇÕES DO EGO...............................................................................................................
Os principais transtornos psicológicos, sinais e sintomas...........................................................................
1. Transtornos do humor...............................................................................................................................
2. Síndrome depressiva...........................................................................................................................
3. Transtorno Bipolar.....................................................................................................................................
4. Distimia e Ciclotimia..................................................................................................................................
5. Transtornos de ansiedade. ........................................................................................................................
6. Transtorno de pânico.................................................................................................................................
7. Agorafobia..................................................................................................................................................
8. Transtorno de ansiedade social (fobia social)...........................................................................................
9. Transtorno de ansiedade generalizada.....................................................................................................
10. Transtorno de estresse pós traumático (TEP)............................................................................................
Doenças psicossomáticas....................................................................................................................
UNIDADE IV REFORMA PSIQUIATRICA – LEI 10.216.01....................................................................................
4.3 Centro de atenção psicossocial.................................................................................................................
4.4 Direitos das pessoas com transtornos mentais de acordo com a lei 10.216 de 2001.............................
4.5 Saúde mental na atenção básica.............................................................................................................
UNIDADE V URGÊNCIA E EMERGÊNCIA...........................................................................................................
5.1 Intervenções psicossociais em crise, emergência e catástrofe.................................................................
5.2 Importância do atendimento de emergência e a humanização................................................................
5.3. O processo de comunicação.....................................................................................................................
5.4 A comunicação no atendimento presencial em serviços de saúde.........................................................
5.5 A humanização como política pública.......................................................................................................
5.6 Ética profissional na assistência de pacientes com transtorno mental.....................................................
5.7 Sobre a morte e o morrer .......................................................................................................................
Professora: Maria Flor 2022 3
UNIDADE I
1. CONCEITOS BÁSICOS DE SAÚDE MENTAL
Saúde X Saúde Mental
Para você...
O que significa saúde?
O que é importante para se ter uma vida saudável?
SAÚDE o que é?
Considera-se que a saúde depende de três fatores representados por cada um dos lados do triângulo.
Os três lados do triângulo são iguais porque cada um dos fatores influencia, com a mesma importância, o estado
de saúde.
As setas são bidireccionais porque cada um dos fatores pode influenciar e ser influenciado pelos outros dois.
Fatores sociais: A ausência de saneamento básico, de recolha de resíduos, de água potável canalizada, de
condições de higiene e habitabilidade favorece o aparecimento de doenças (cólera, tifo). Em centros urbanos
desenvolvidos, as condições de vida podem originar perturbações de ordem psíquica - stress.
Fatores psíquicos: As pessoas que vivem sobre stress têm maior probabilidade de desenvolver doenças
exemplo: cardiovasculares e incluir transtornos
Fatores físicos A ausência de bem estar físico pode dificultar ou impedir o desenvolvimento de funções sociais,
como trabalhar, estudar, conviver, praticar desporto… provocando um mal estar psíquico.
SAÚDE
A Organização Mundial da Saúde (OMS) define a saúde como sendo o estado de completo bem-estar físico,
mental e social. Ou seja, o conceito de saúde transcende à ausência de doenças e afecções. Por outras palavras, a
saúde pode ser definida como o nível de eficácia funcional e metabólica de um organismo a nível micro (celular) e
macro (social).
Dentre os elementos mais importantes para a vida na terra, está a saúde. Ela causa impactos aos seres humanos
a todo o momento. E pode tanto mudar ao longo dos anos como de maneira quase instantânea.
O estilo de vida, isto é, o conjunto de comportamentos adaptados por uma pessoa, pode ser benéfico ou
prejudicial à saúde. Por exemplo, um indivíduo que mantém uma alimentação equilibrada e que realiza atividades
https://conceito.de/ser
Professora: Maria Flor 2022 4
físicas diariamente tem maiores hipóteses de desfrutar de uma boa saúde. Por outro lado, as pessoas que comem
e bebem em excesso, que não descansam o suficiente e que fumam correm sérios riscos de sofrer doenças que
poderiam ser evitadas.
Após a segunda Guerra Mundial, foi criada a Organização Mundial da Saúde (OMS), e ela fez a definição de
saúde incluindo elementos como a práticade exercícios físicos e uma boa alimentação, tendo incluído também o
acesso a sistemas de saúde para a população.
Em linhas gerais, a saúde pode dividir-se em saúde física e saúde mental embora, na realidade, sejam dois
aspectos interrelacionados. Para o cuidado da saúde física, é recomendada a realização frequente e regular de
exercícios, e uma dieta equilibrada e saudável, com variedade de nutrientes e proteínas.
A saúde mental, faz referência ao bem-estar emocional e psicológico no qual um ser humano pode utilizar as
suas capacidades cognitivas e emocionais, desenvolver-se socialmente e resolver as questões quotidianas da vida
diária.
Convém destacar que as ciências da saúde são aquelas que proporcionam os conhecimentos adequados para a
prevenção das doenças e a promoção da saúde e do bem-estar quer do indivíduo quer da comunidade. A
bioquímica, a bromatologia, a medicina e a psicologia, entre outras, são ciências da saúde.
O conceito atual de saúde desprende-se do campo biológico, já que não é pensado unicamente do ponto de
vista de uma enfermidade. Tal conceito leva em conta também os aspectos políticos e econômicos, de qualidade de
vida e também das necessidades básica do ser humano.
Por isso que é importante entender o conceito de saúde analisando o contexto no qual o indivíduo está inserido.
Através das relações sociais, culturais e históricas que ele cultiva com outros indivíduos e com o meio ambiente.
Logo, uma pessoa pode avaliar o seu estado de saúde (se são ou não saudáveis) dependendo da maneira como
concebem o que é a saúde. O exemplo disso pode-se citar os programas de saúde, os quais são desenvolvidos
segundo o entendimento de saúde de quem os idealiza e executa.
E aqui cabe um importante papel para a ciência, que é ajudar na identificação de diferentes tipos de doenças
que podem influenciar de forma negativa na saúde. Apresentando tanto as causas de determinada doença, como
também as formas de tratamento para eliminá-la.
Saúde significa o estado de normalidade de funcionamento do organismo humano. Ter saúde é viver com boa
disposição física e mental.
A saúde de um indivíduo pode ser determinada pela própria biologia humana, pelo ambiente físico, social e
econômico a que está exposto e pelo seu estilo de vida, isto é, pelos hábitos de alimentação e outros
comportamentos que podem ser benéficos ou prejudiciais.
Uma boa saúde está associada ao aumento da qualidade de vida. É sabido que uma alimentação balanceada, a
prática regular de exercícios físicos e o bem-estar emocional são fatores determinantes para um estado de saúde
equilibrado.
Por outro lado, as pessoas que estão expostas a condições precárias de sobrevivência, não possuem
saneamento básico (água, limpeza, esgotos, etc.), assistência médica adequada, alimentação e água de qualidade,
etc., têm a sua saúde seriamente afetada.
SAÚDE MENTAL
A saúde mental afeta os sistemas: imunológico, prejudicando a imunidade e as defesas do organismo;
endócrino, aumentando ou diminuindo a produção de certos hormônios; nervoso, interferindo na produção de
neurotoxinas (relacionadas a doenças como Mal de Parkinson e Alzheimer), entre outros problemas. Na saúde
mental, a promoção ao bem-estar e a prevenção são essenciais para evitar o adoecimento psíquico. Por isso,
cultivar determinados hábitos saudáveis cria condições favoráveis para o funcionamento cerebral e,
consequentemente, da mente.
A saúde mental é definida como sendo o estado de equilíbrio entre uma pessoa e o seu meio sociocultural. Este
estado garante ao indivíduo a sua participação laboral, intelectual e social para alcançar um bem-estar e alguma
qualidade de vida. Ainda que o conceito de saúde mental surja por analogia à saúde física, trata de fenómenos mais
complexos.
https://conceito.de/dieta
https://conceito.de/quem
https://conceito.de/papel
Professora: Maria Flor 2022 5
A Organização Mundial da Saúde (OMS) assegurou que não existe nenhuma definição oficial que diga respeito à
saúde mental, já que esta é sempre influenciada pelas diferenças culturais e pela subjetividade.
Em todo o caso, pode-se dizer que a saúde mental é um estado de bem-estar emocional e psicológico, mediante
o qual o indivíduo é capaz de fazer uso das suas habilidades emocionais e cognitivas, funções sociais e de responder
às solicitações ordinárias da vida quotidiana.
Convém destacar que a ausência de uma doença mental não implica que o indivíduo goze de boa saúde mental.
O acompanhamento do comportamento diário de uma pessoa é a melhor forma de conhecer o estado da sua
saúde mental.
Também há que ter em conta que a saúde mental não é uma dimensão que se possa dissociar da saúde física,
tal como nos relembra a famosa expressão latina “mens sana in corpore sano” (uma mente sã num corpo são).
Existem evidentes ligações entre as patologias mentais e as biológicas.
Os psicólogos defendem que a saúde mental deve ser promovida a nível individual (com a motivação dos
recursos próprios da pessoa através de estímulos na autoestima), a nível comunitário (com uma coesa inclusão
social) e a nível oficial (com planos estatais e o acesso à saúde pública).
A saúde mental é importante também para que se tenha uma boa saúde em geral. Um exemplo disso seria no
caso de pessoas que sofrem de ansiedade ou depressão, essas pessoas podem ter mais problemas
gastrointestinais, podem desenvolver ou piorar doenças do coração, tende a ficar doentes com mais facilidades,
etc.
Logo, para que se tenha mais qualidade de vida, as doenças mentais precisam ser identificadas e tratadas por
um especialista. Há pessoas, inclusive, que julgam terem um problema de saúde, não sabendo elas que o sintoma
que as levam a pensar isso pode ser algum sintoma de uma doença mental.
Quem possui uma saúde mental fragilizada corre o risco de ter alterações de comportamento que podem deixa-
la excluída socialmente e, ainda, a depender do problema que sofra, fazê-la correr mais perigo estando exposta a
violência devido a incapacidade de poder se defender.
É por isso que a família é muito importante nesse momento para ajudar a pessoa que sofrem com algum
problema mental (também chamado de transtorno mental) a buscar o melhor tratamento.
Existem muitos mitos disseminados que podem levar ao preconceito quanto a quem sofre de algum tipo de
doença mental. É por isso que é importante que haja uma maior conscientização quanto a tais problemas a fim de
que as pessoas entendam e compreendam quem sofre com algum desses problemas.
Cabe também dizer que os transtornos mentais surgem devido a distintas causas: há a influência da genética, de
fatores sociais ou psicológicos e até mesmo de fatores ambientais.
Fatores socioculturais - presença ou não de rede social, expectativas da sociedade e do meio cultural, influências
da família, de amigos, modelos de papéis sociais,
Fatores psicológicos processos cognitivos como o nível de resiliência a fatores estressores.
Fatores biológicos genéticos, metabolismo e/ou fatores externos que influenciam o organismo.n
Problemas de saúde mental mais frequentes
Ansiedade.
Mal-estar psicológico ou stress continuado.
Depressão.
Dependência de álcool e outras drogas.
Perturbações psicóticas, como a esquizofrenia.
Atrasomental.
Demências
https://conceito.de/caso
https://conceito.de/ser
https://conceito.de/logo
https://conceito.de/quem
https://conceito.de/risco
https://conceito.de/poder
Professora: Maria Flor 2022 6
SOFRIMENTO MENTAL
No decorrer da história das sociedades humanas, já se ouviu falar de sofrimento mental de várias formas
diferentes. O louco já foi considerado possuído pelo diabo e a loucura já foi considerada castigo de Deus, preguiça
de trabalhar, desculpa de malandro, coisa de gente ruim,doença contagiosa e sem cura e até já se acreditou que a
pessoa ficava louca por vontade própria.
Hoje se tem uma visão diferente da loucura. Ao olharmos um sujeito em sofrimento mental, não destacamos
nele somente suas fragilidades e limitações, procuramos destacar também seu lado saudável, suas potencialidades
e capacidades.
Ninguém está em sofrimento mental o tempo todo e ninguém é completamente doente. Há muitos aspectos
saudáveis preservados e é através deles que as pessoas podem ser resgatadas para uma vida o mais normal
possível.
Neste contexto, entende-se a importância de se respeitar os modos diferentes de ser e de viver que cada pessoa
tem seu jeito de ver o mundo e de se relacionar com ele e com as pessoas. Alguns são mais corações, outros
razões; alguns são mais calmos, outros mais agitados; alguns gostam de certas coisas, outros desgostam, e assim
vai. O que vale mesmo é o respeito, a cordialidade e a conduta de cada um voltada para o bem comum.
É por isso que podemos e devemos ajudar a quem precisa observar quem está numa condição de maior
vulnerabilidade e acolhê-lo nas suas necessidades. Isso inclui as pessoas em sofrimento mental. É comum
observarmos nestas pessoas algumas fragilidades e limitações que podem variar de uma pequena confusão mental.
1.2 FATORES DE INFLUÊNCIAS
Quando nos detemos a tentar conhecer mais as pessoas que estamos atendendo, saber do que gostam, de onde
vêm, como vivem, torna-se mais fácil fazer uma ideia dos fatores que podem estar exercendo maior influência no
momento atual de seu transtorno. De forma simplificada, podemos dizer que três grupos de fatores influenciam o
surgimento da doença mental: os físicos ou biológicos, os ambientais e os emocionais.
FATORES FÍSICOS BIOLÓGICOS
O nosso corpo funciona de forma inte- grada, isto é, os aparelhos e sistemas se comu nicam uns com os outros e
o equilíbrio de um depende do bom funcionamento dos outros.
Muitas vezes podemos achar difícil de entender como sintomas tão “emocionais” como sentir-se culpado ou ter
pensamentos re- petidos de morte ou ouvir vozes possam ter também uma base orgânica, mas ela existe. O
envelhecimento, o abuso de álcool ou outras substâncias são exemplos comuns. Em Muitos casos essa base já
pode ser identificada e descrita pelos especialistas, em outros casos ainda não.
O que se sabe é que sempre que temos alguma emoção, seja ela agradável ou desagradável, ocorrem uma série
de trocas elétricas e quí- micas em nosso cérebro, o que já constitui, por si só, um fator orgânico.
Podemos definir os fatores físicos ou biológicos como sendo as alterações ocorridas no corpo como um todo, em
determinado órgão ou no sistema nervosos central que possam levar a um transtorno mental.
Dentre os fatores físicos ou biológicos que podem ser a base ou deflagrar um transtorno mental, existem alguns
mais evidentes, que avaliaremos a seguir.
FATORES GENÉTICOS OU HEREDITÁRIOS:
O nome “genético” vem da palavra genes, que são grandes moléculas que existem dentro de nossas células
contendo informações sobre como nosso corpo deve se organizar. As informações contidas nos genes são muitas e
não são todas que utilizamos; algumas ficam guardadas.
Em Psiquiatria, os fatores genéticos ou hereditários têm sido muito falados ultimamente, muitas vezes em
programas de televisão, sempre caracterizados como grandes descobertas. Isso porque embora popularmente
Professora: Maria Flor 2022 7
sempre se diga que a pessoa com transtorno mental o herdou de alguém da família, há muito tempo os cientistas
tentam identificar se essa “herança” veio através do corpo ou do ambiente em que a pessoa foi criada. Atualmente,
os avanços da Medicina têm permitido identifi- car alguns genes que possam ter influência no desenvolvimento de
trans- tornos mentais.
No entanto, é importante deixar claro que quando se fala de fato- res genéticos em Psiquiatria, estamos falando
de tendências, predispo- sições que o indivíduo possui de desenvolver determinados desequilíbrios
químicos no organismo que possam levá-lo a apresentar determinados transtornos mentais.
Ainda assim, é uma grande armadilha acreditarmos que aí está “toda” a causa da doença mental, pois passamos
a acreditar que a solução do problema só estará neste ponto e deixamos de prestar atenção em todos os outros
aspectos da pessoa que atendemos em sofrimento mental.
Dessa forma, a constituição genética precisa ser vista como uma “facilidade orgânica” para desenvolver um
determinado transtorno mental, mas não há garantias de que, ao longo da vida do sujeito, tal fato ocorrerá, visto
que dependerá de outros fatores para que tal “tendência” de fato se manifeste.
Em alguns filmes de ficção do futuro, vemos pessoas tendo cartões magnéticos contendo informações sobre seu
genoma (o “mapa” deseus genes), utilizados como carteira de identidade. Os cientistas afirmam que isto não está
tão longe de acontecer. Imaginamos até que seja possível, mas esperamos que até lá a sociedade tenha evoluído o
suficiente para não usar de forma preconceituosa tais informações. Ou talvez venhamos a descobrir que todos nós
temos uma ou outra altera ção genética que possa nos predispor ao transtorno mental.
a) Fatores pré- natais
As condições de gestação, dentre eles os fatores emocionais, eco nômicos e sociais, o consumo de álcool, drogas,
cigarro e de alguns tipos de medicação podem prejudicar a formação do bebê, gerando pro blemas futuros que
poderão comprometer sua capacidade adaptativa no crescimento e desenvolvimento, podendo facilitar o
surgimento da doença mental.
b) Fatores peri- natais
Peri-natal é tudo aquilo que acontece “durante” o nascimento do bebê. Em algumas situações o bebê pode sofrer
danos neurológicos devido a traumatismos ou falta de oxigenação do tecido cerebral. Nesses casos, dependendo
da gravidade desses danos, a criança poderá desenvolver problemas neurológicos (como, por exemplo, a epilepsia
ou diversos tipos de atraso de desenvolvimento) que podem formar a base para futuros transtornos psiquiátricos.
c) Fatores neuro- endocrinológicos
O sistema endócrino, que é responsável pela regulação do equilí brio de nosso organismo, faz isso através da
produção de hormônios pelas glândulas endócrinas (pituitária, tireóide). Acontece que esse sistema tem estreita
ligação com o sistema nervoso central, havendo uma influência recíproca entre eles, isto é, o que acontece em
causa reações no outro e vice-versa.
Muitos estudos recentes têm mostrado a ligação entre mecanismos neuro-endocrinológicos e reações
cerebrais. As mudanças hormonais podem influenciar nosso estado de humor e deflagrar até mesmo estados
psicóticos como é o caso da psicose puerperal ou da tensão pré-menstrual (TPM).
d) Fatores ligados a doenças orgânicas
O transtorno mental pode também aparecer como conseqüência de determinada doença orgânica, tal como
infecções, traumatismos, vasculopatias, intoxicações, abuso de substâncias e qualquer agente nocivo que afete o
sistema nervoso central.
FATORES AMBIENTAIS
Você acorda pela manhã e percebe que o tempo mudou. O sol que havia ontem não apareceu hoje, faz frio e cai
forte chuva. Ao se preparar para sair, com certeza você buscará roupas mais quentes e procurará se proteger com
capa ou guarda chuva. Estamos, assim, procurando nos ajustar aos fatores ambientais (nesse caso, climáticos).
Professora: Maria Flor 2022 8
Na verdade, estamos o tempo todo procurando formas de nos adaptarmos, o melhor possível, ao que acontece
à nossa volta.
Tantos são os estímulos que sofremos que acabamos desenvolvendo maneiras características de reagir, muitas
vezes supervalorizando as informações que nos chegam, outras vezes tornando-nos apáticos a elas. Que sensa ção
você experimentaquando entra em contato com as constantes (e massacrantes!) notícias de violência via rádio e
televisão? As pessoas costumam ter diferentes reações: algumas tornam-se apáticas a elas, outras fazem uso do
humor para digeri-las, outras tornam-se excessivamente medrosas, e assim por diante. Como exemplo, uma
paciente passou a pensar na possibilidade de fazer algum mal à sua pequena filha a partir de noticiários de rádio
que relatavam maus tratos e até homicídios materno-infantis.
Os fatores ambientais exercem forte e constante influência sobre nossas atitudes e nossas escolhas diárias, tanto
externa quanto internamente, isto é, como nos sentimos e enxergamos a nós mesmos. As reações a cada estímulo
ambiental se darão de acordo com a estrutura psíquica de cada pessoa, e essa estrutura psíquica estará
intimamente ligada às experiências que a pessoa teve durante a vida. Assim se esta- belece uma relação circular
entre todos os fatores geradores de transtorno mental onde um ocasiona o outro.
Para melhor compreensão, podemos dizer que os fatores ambientais podem ser sociais, culturais e
econômicos.
Como sociais podemos compreender todas as interações que te- mos com o outro, nossas relações pessoais,
profissionais e com outros grupos. Estudos falam da importância das pessoas significativas em nossa infância e de
como ficam marcadas em nós as suas formas de pensar e agir, assim como as reações que passamos a ter
influenciam o nosso comportamento diante de outras pessoas. Se, com as pessoas importantes de nossa infância,
aprendemos que existem pessoas que não são confiáveis e que devemos estar sempre atentos para não ser- mos
enganados, possivelmente teremos dificuldades em confiar em alguém mesmo em nossa vida adulta.
Entre os fatores ambientais culturais podemos lembrar de todo o sistema de regras no qual estamos envolvidos.
Este sistema varia de país para país, de estado para estado, de grupo para grupo, e também de acordo com a época.
Ou seja, noção de certo e errado, de bom e mau varia muito dependendo do local e época em que estamos. Os
mitos, as crenças, os rituais que nos cercam, nos dão as noções de bem e mal que são aceitas pelos grupos aos quais
pertencemos, seja ele o nosso país, o nosso grupo religioso, a nossa escola ou mesmo a nossa família.
Outro grupo de fatores ambientais que podemos perceber como exercendo influência sobre nós são os
econômicos. Nesse tópico tan to podemos nos referir à nossa possibilidade mais direta de aquisição de bens, ou
seja, “nosso bolso”, quanto às atuais condições sociais, onde a miséria, aliada à baixa escolaridade, pode levar ao
aumento da criminalidade e esta ao aumento de tensão em nosso dia-a-dia.
FATORES EMOCIONAIS OU PSICOLÓGICOS
Continuamos tentando compreender o que, afi nal de contas, torna as pessoas diferentes umas das outras. O
que faz com que se comportem de uma maneira e não de outra. Já abordamos os aspectos físicos e os ambientais
e, não por acaso, deixamos para abordar os aspectos emocionais depois de bem compreendidos os anteriores. Isso
porque, como já foi visto antes, os fatores influenciam-se entre si, mas no caso dos aspectos emocionais estamos
falan- do de formação de identidade, que se inicia justamente com a conjugação dos aspectos físicos e ambientais.
Cada pessoa vem a este mundo como ser único, diferente de todos os outros. Cada um de nós apresenta,
mesmo ao nascer, uma forma de interagir com o mundo que influencia o comportamento de quem está à nossa
volta e é influ- enciado por ele. Não é incomum as mulheres que possuem mais de um filho afirmarem que foram
bebês totalmente diferentes: um dormia mais, outro chorava o tempo todo, ou estava sempre doente.
Também devemos lembrar que, quando nascemos, já trazemos conosco uma “história de vida”. Se fomos
desejados ou não, se somos o primeiro filho ou o décimo, se nossa estadia na barriga foi tranqüila ou cheia de altos
e baixos, se a mamãe fez uso de algum medicamento ou droga que tenha nos deixado mais agitados ou mais
apagados, se tivemos ou não dificuldades maiores no parto, se fomos bem atendidos e fomos logo para perto da
mamãe, ou se tivemos que ficar mais tempo longe (indo para uma UTI neonatal, por exemplo), se a mamãe ficou
bem após nosso nascimento (disponível para gente) ou se teve, por exemplo, uma depressão puerperal.
Professora: Maria Flor 2022 9
Bom, estes são só alguns exemplos que mostram que nós já “bota- mos o pé na vida” com algumas características
que nos são individiduais e que as interações que vamos estabelecer com o mundo, a partir de nosso
nascimento, serão formadoras de um modo de ser caracteristicamente nosso, mais ou menos ajustado, ao qual
chamamos personalidade.
Ao nascer, o bebê não tem ainda consciência de si mesmo e do mundo à sua volta. Não consegue diferenciar
suas sensações internas do mundo externo. Apenas consegue perceber sensações boas (prazerosas) e más
(desprazerosas). A fralda molhada dá desprazer e ele chora. O colo da mamãe dá prazer (possivelmente lembra o
conhecido aconchego do útero e dá segurança) e ele dorme.
Nessa seqüência, entre chorar e ser confortado, se dá um dos alicerces fundamentais para o restante da vida do bebê (e
dificilmente a mãe se dá conta do papel fundamental desses momentos), pois, aos poucos, a criança vai construindo a noção de
confiança, que é o ponto de partida para sentimentos como segurança, otimismo e fé na vida adulta. Além disso a formação
do vínculo afetivo com a mãe ou pessoa substituta faz com que o bebê ganhe condições para amadurecer e voltar-se para
conhecer e experimentar o mundo.
Imagine-se chegando sozinho a um país estranho, onde você não conhece a língua, os costumes, nada .Agora
imagine que nesse lugar esteja te esperando alguém que fala a sua língua (que alívio!) e que pode te ensinar tudo
quanto você precisa para se adaptar melhor. A mãe e o pai, ou pessoas substitutas, atuam mais ou menos como
“guias turísticos” do mundo para o bebê que chega. A grande diferença é que o bebê é um “turista” até mesmo em
seu próprio corpo, precisando de alguém para ajudá-lo a se conhecer.
Acontece que quando o bebê não tem suas necessidades atendi- das, ele não tem ainda a capacidade de
suportar a sensação ruim para aguardar a boa. O bebê não diz para si mesmo: “Ah! Agora estou com fome, mas
mamãe não pode me dar de mamar porque está tomando banho. Tudo bem! Quando ela sair do banheiro, eu
choro de novo.” Não! Para o bebê recém-nascido, a fome é um desprazer tão intenso que, se não atendida, adquire
tons de ameaça de destruição (mais ou menos como nos sentiríamos diante do fim do mundo). Nesses mo- mentos
o bebê experimenta profunda sensação de desamparo.
A repetição constante de tais exposições à frustração, por perío dos mais prolongados, pode levar o indivíduo,
no futuro, a desenvolver uma série de transtornos mentais. Alguns autores identificam aí as raízes emocionais das
psicoses e da famosa síndrome do pânico.
À medida que vai estabelecendo trocas positivas com as pessoas que cuidam dele, o bebê vai criando uma
diferenciação entre ele e o restante do mundo (que, nesse momento, ainda são as pessoas mais próximas) e vai
adquirindo uma certa tolerância à frustração e maior capacidade de espera, pois já consegue “antecipar” (fazendo
uso da memória) a satisfação de suas necessidades.
Com a continuidade de seu crescimento e desenvolvimento, a criança vai adquirindo noções de julgamento de si
e dos outros, isto é, vai internalizando as regras e proibições de seu ambiente e passando a captar a impressão que
ela própria provoca no ambiente.
O papel da comunidade na atenção à saúde mental
A comunidade tem um papel muito importante na atenção à saúde mental. Para que alcancemos a inclusão
social das pessoas em sofrimento mental, sobretudo daquelas que foram privadas doconvívio social por ter
permanecido muitos anos internadas em manicômios, é preciso que a comunidade esteja melhor informada sobre
o que é o sofrimento mental, como lidar com ele e, principalmente, é preciso vencer ideias e preconceitos quase
sempre associados às pessoas que receberam um diagnóstico psiquiátrico.
É ai que entra a comunidade. As famílias precisam ser acolhidas e fortalecidas para que possam ter um convívio
próximo e constante com seus familiares adoecidos e a comunidade precisa, do mesmo modo, ser mais tolerante
com as diferenças.
As escolas de ensinos formais e profissionalizantes, as instituições sociais, as empresas, os espaços de lazer
precisam estar preparados e abertos a receberem as pessoas em sofrimento mental, dar-lhes a oportunidade do
convívio saudável, da ampliação de sua rede social e do usufruto dos recursos comunitários, como educação,
trabalho e lazer.
Professora: Maria Flor 2022 10
UNIDADE II TEORIA DO DESENVOLVIMENTO E TEORIA DA PERSONALIDADE
2. PSICANÁLISE
A psicologia tradicional centrou seus estudos na consciência. Sigmund Freud significou uma nova forma de
entender à psicologia e influiu de maneira notável em toda a cultura do século XX. Sua contribuição fundamental é
a descoberta do inconsciente. Estabeleceu que ali se encontrasse as verdadeiras razões que determinam nossas
condutas que são desconhecidas para nós mesmos.
A partir das descobertas freudianas surgiu uma nova forma de entendimento da psicologia; assim foi como se
constituiu a Teoria Psicanalítica. Freud; enfatiza o papel do inconsciente e as experiências infantis.
Psicanálise, criada por Sigmund Freud, por volta de 1900. A grande inovação trazida por Freud foi introduzir na
psicologia a noção do inconsciente. Segundo a visão psicanalítica, a mente humana é composta por uma parte
consciente e uma parte inconsciente.
A parte consciente contém todos os conhecimentos e informações que utilizamos conscientemente. Nossos
pensamentos, emoções conhecidas, memórias, reflexões e devaneios estão todos lá. Mas essa é apenas uma parte
muito pequena da mente. A outra parte, o inconsciente, é muito maior que a parte consciente.
Os principais são os sonhos, o método de associação livre e os atos falhos ou lapsos. Freud afirmou que os
sonhos são uma realização de desejos inconscientes. No sonho, acontece aquilo que você deseja. Mas sempre é um
desejo que você mesmo não aceita que possui, normalmente por razões morais. Por exemplo, você teve uma séria
briga com seu pai e no mesmo dia sonhou que ele estava caindo num abismo. Isso pode indicar que naquele
momento você desejou a morte de seu pai. Por ser um desejo moralmente inaceitável, ele permanece inconsciente
e se realiza através do sonho. É claro que este é um exemplo bem didático e simplista. Normalmente, mesmo nos
sonhos o desejo inconsciente aparece de forma bem mais disfarçada.
Outro método de acesso ao inconsciente é a associação livre. Esse método foi criado por Freud e consiste em
pedir que o paciente vá falando livremente sobre qualquer assunto a partir de um dado tema. Analisando as
divagações do paciente por assuntos aparentemente sem qualquer relação entre si, pode-se encontrar as conexões
inconscientes. Por isso aquela imagem clássica do paciente deitado no divã e falando sem parar, enquanto o
terapeuta só escuta.
O homem é visto por Freud como um ser que busca o prazer e evita o desprazer, guiado fundamentalmente por
instintos primitivos. Freud era psiquiatra e seus estudos foram quase todos feitos sobre pessoas com distúrbios
psíquicos. É criticado, portanto, por focalizar excessivamente a doença e não a saúde.
A influência da psicanálise não só determinou mudanças importantes na ciência psicológica senão que se
estendeu a outros campos científicos, para a arte em todas suas manifestações e à vida social da população.
A psicanálise para Freud é:
Método de investigação dos processos mentais, através de CATARSES (Associação Livre).
Psicoterapia para o tratamento dos transtornos neuróticos
Teoria científica sobre a psicologia
2.1 1ª Estrutura do Aparelho Psíquico
INCONSCIENTE – PRÉ-CONSCIENTE – CONSCIENTE
INCONSCIENTE:
Conjunto de conteúdos não presentes no campo atual da consciência. Conteúdos reprimidos, não têm
acesso ao pré-consciente/consciente, pela ação de censura interna. Estão armazenadas as idéias, desejos e
sentimentos recalcados, assim como todos os fatos traumáticos que a pessoa não consegue recordar, porque os
esqueceu como defesa contra o sofrimento que a lembrança do fato traz como os: sentimentos bons ou ruins,
pensamentos positivos ou negativos, acidentes, raiva, ódio, castigo, vergonha.
Professora: Maria Flor 2022 11
O conteúdo inconsciente permanece agindo sobre o nosso comportamento atual. Ex: fatos acontecidos na
infância (traumas, castigos, acidentes, dores) são armazenados no inconsciente, que no campo atual criam medos,
ressentimentos, angústias, sentimentos ruins.
PRÉ-CONSCIENTE:
Conteúdos que não estão na consciência neste momento, mas no momento seguinte podem estar. São fatos
armazenados que exigem um maior esforço introspectivo para serem chamados à consciência e, muitas vezes, não
conservam a mesma nitidez dos fatos armazenados em nível consciente.
CONSCIENTE:
É o sistema que recebe informações do mundo exterior e interior. Acontece principalmente o fenômeno da
percepção (consciência que o indivíduo possui frente ao estímulo sensorial - 5 sentidos), principalmente do mundo
exterior. É o nível que armazena os fatos ocorridos, considerados como atuais pela facilidade que se tem de
lembrá-los como, por exemplo: que dia é, que mês é, em que dia da semana estamos e assim por diante. Quando
esquecemos esses dados recentes e/ou atuais pode estar ocorrendo uma patologia.
2.2 2ª Estrutura do Aparelho Psíquico
Id – Ego – Superego
ID – Instância estruturalmente inconsciente. É responsável pelos processos
primários: fome, sede, sexo, ou seja, o conjunto de impulsos inatos (sexuais e
agressivos) e de desejos recalcados. Esses conteúdos não são estáticos. São
dinâmicos e sempre buscam a satisfação de seus desejos, impulsos e instintos.
Sendo assim, é a parte mais primitiva e menos acessível da personalidade,
constituído de conteúdos inconscientes, inatos ou adquiridos, que buscam
contínuas gratificações. Não conhece juízo de valor (bem, moral, certo, errado),
busca a satisfação imediata. No Id não se aplicam as leis lógicas do pensamento,
o que permite a integração de conteúdos contrários com valência semelhante.
EGO (eu) – É a parte do psiquismo que faz contato com a realidade externa, pois estabelece a relação com o
meio em que vivemos através da percepção consciente, do pensamento e da ação. O Ego tem o controle de todas
as funções cognitivas. Contém elementos conscientes e inconscientes. Procura conciliar os desejos do ID com as
exigências do SUPEREGO e adequá–las a realidade.
SUPEREGO – É o representante interno das normas e valores sociais que foram transmitidos pelos pais
aqtraves do sistema de castigo e recompensa imposto à criança. Com a formação do superego, o controle dos pais
é substituído pelo autocontrole. Suas principais funções são: inibir os impulsos do id e lutar pela perfeição, o que se
faz necessário para a convivência em grupo e na sociedade. É o último sistema da personalidade a desenvolver-se.
Representante interno dos valores morais e ideais da sociedade, transmitidos e reforçados pelo sistema de
recompensas e castigos impostos à criança. É a arma moral (certo e errado) da personalidade. Sua preocupação
principal é decidir se alguma coisa é certa ou errada, de modo que a pessoa possa se comportar em harmonia com
os padrõesmorais autorizados pela sociedade gerando sentimentos de culpa por erros ou falhas. Sendo assim, atua
como censor do ego, representa as exigências da moralidade. Tem a função de formar ideais, a auto-observação,
etc. Recompensa o ego por comportamentos aceitáveis e cria sentimentos de culpa para castigá-lo por ações ou
pensamentos contrários a princípios morais.
2.3 Mecanismos de defesa do EGO.
É uma denominação dada por Freud para as manifestações do Ego diante das exigências das outras
instâncias psíquicas (Id e Superego), mas a psicanálise freudiana não é a única teoria a se utilizar desse conceito.
Outras vertentes da psicologia também se utilizam dessa denominação.
Professora: Maria Flor 2022 12
Os mecanismos de defesa são determinados pela forma como se dá a organização do ego: quando bem
organizado, tende a ter reações mais conscientes e racionais. Todavia, as diversas situações vivenciadas podem
desencadear sentimentos inconscientes, provocando reações menos racionais e objetivas e ativando então os
diferentes mecanismos de defesa, com a finalidade de proteger o Ego de um possível desprazer psíquico,
anunciado por esses sentimentos de ansiedade, medo, culpa, entre outros.
Resumindo, os mecanismos de defesa são ações psicológicas que buscam reduzir as manifestações
iminentemente perigosas ao Ego. São todos inconscientes e podem ocorrer ao mesmo tempo, por isso são
dinâmicos. Visam proteger a auto-estima do indivíduo e eliminar o excesso de tensão e ansiedade.
Sua principal função é manter a ansiedade e a tensão em níveis que não sejam tão dolorosos para nós. Evitam o
desgaste advindo das tensões intrapsíquicas causadas pela situação de frustração e conflito.
Todos os mecanismos de defesa exigem certo investimento de energia e pode ser satisfatório ou não em cessar
a ansiedade, o que permite que sejam divididos em dois grupos: Mecanismos de defesa bem-sucedidos e aqueles
ineficazes.
Os bem-sucedidos são aqueles que conseguem diminuir a ansiedade diante de algo que é perigoso. Os
ineficazes são aqueles que não conseguem diminuir a ansiedade e acabam por constituir um ciclo de repetições.
Nesse último grupo, encontram-se, por exemplo, as neuroses e outras defesas patogênicas.
2.3.1 Funcionamento dos mecanismos de defesa:
REPRESSÃO: fundamenta todos os outros mecanismos de defesa. Tira da consciência a percepção de
acontecimentos cuja dor o indivíduo não pode suportar.
CISÃO OU DIVISÃO: um objeto ou imagem com o qual nos relacionamos podem ter simultaneamente
características que despertam nosso amor e nosso ódio.
NEGAÇÃO: não perceber aspectos que magoam ou são perigosos. É a defesa que se baseia em negar a dor, ou
outras sensações de desprazer. É considerado um dos mecanismos de defesa menos eficazes. Podemos citar como
exemplo o comportamento de crianças de “mentir”, negando ações que realizaram e que gerariam castigos.
PROJEÇÃO: consiste em atribuir aos outros as ideias e tendências que o sujeito não pode admitir como suas.
Sem que percebemos, muitas vezes vemos nos outros defeitos que nos são próprios. Resumidamente, podemos
dizer que é o deslocamento de um impulso interno para o exterior, ou do indivíduo para outro. Os conteúdos
projetados são sempre desconhecidos da pessoa que projeta, justamente porque tiveram de ser expulsos, para
evitar o desprazer de tomar contato com esses conteúdos. Um exemplo é uma mulher que se sente atraída por
outra mulher, mas projeta esse sentimento no marido, gerando a desconfiança de que será traída, ou seja, de que a
atração é sentida pelo marido. Além desse, outros exemplos de projeção podem estar na causa de preconceitos e
violência.
RACIONALIZAÇÃO: abstraímos as vivências afetivas e em cima de premissas lógicas, tentamos justificar nossas
atitudes.
COMPENSAÇÃO: Esse mecanismo de defesa tem por característica a tentativa do indivíduo de equilibrar suas
qualidades e deficiências, por exemplo, uma pessoa que não tem boas notas e se consola por ser bonita.
EXPIAÇÃO: É o mecanismo psíquico de cobrança. O sujeito se vê cobrado a pagar pelos seus erros no exato
momento em que os comete, com esperança na crença de que o erro será imediatamente ou magicamente
anulado.
FANTASIA: Nesse mecanismo de defesa, o individuo cria uma situação em sua mente que é capaz de eliminar
o desprazer iminente, mas que, na realidade, é impossível de se concretizar. É uma espécie de teatro mental onde
o indivíduo protagoniza uma história diferente daquela que vive na realidade, onde seus desejos não podem ser
satisfeitos. Nessa realidade criada, o desejo é satisfeito e a ansiedade diminuída. Os exemplos de fantasia são: os
sonhos diurnos, ou fantasias conscientes, as fantasias inconscientes, que são decorrentes de algum recalque e as
chamadas fantasias originárias.
FORMAÇÃO REATIVA: É um mecanismo caracterizado pela aderência a um pensamento contrário àquele que
foi, de alguma forma, recalcado. Na formação reativa, o pensamento recalcado se mantém como conteúdo
inconsciente. As formações reativas têm a peculiaridade de se tornar uma alteração na estrutura da personalidade,
Professora: Maria Flor 2022 13
colocando o indivíduo em alerta, como se o perigo estivesse sempre presente e prestes a destruí-lo. Um exemplo,
uma pessoa com comportamentos homofóbicos, que na verdade, sente-se atraído por pessoas do mesmo sexo.
IDENTIFICAÇÃO: diante de sentimentos inadequados, o sujeito internaliza características de alguém
valorizado, passando a sentir-se como ele. É o mecanismo baseado na assimilação de características de outros, que
se transformam em modelos para o individuo. Esse mecanismo é a base da constituição da personalidade humana.
Como exemplo podemos citar o momento em que as crianças assimilam características parentais, para
posteriormente poderem se diferenciar. Esse momento é importante e tem valor cognitivo à medida que permite a
construção de uma base onde a diferenciação pode ou não ocorrer.
REGRESSÃO: volta aos níveis anteriores de desenvolvimento que em geral caracterizam por repostas menos
maduras de uma frustração. É o processo de retorno a uma fase anterior do desenvolvimento, onde as satisfações
eram mais imediatas, ou o desprazer era menor. Um exemplo é o comportamento de crianças que, na dificuldade
em seus relacionamentos com outras crianças, retornam, por exemplo, a fase oral e retomam o uso de chupetas,
ou ainda, comem excessivamente.
ISOLAMENTO: consiste em isolar um pensamento, atitude ou comportamento das conexões que teria com o
resto da elaboração mental. É o mecanismo em que um pensamento ou comportamento é isolado dos demais, de
forma que fica desconectado de outros pensamentos. É uma defesa bastante comum em casos de neurose
obsessiva. Os exemplos desse mecanismo são diversos, como rituais, fórmulas e outras ideias que buscam a cisão
temporal com os demais pensamentos, na tentativa de defesa contra a pulsão de se relacionar com outro.
DESLOCAMENTO: através dele descarregamos sentimentos acumulados, sentimentos regressivos em pessoas
ou objeto. O mecanismo de deslocamento está sempre ligado a uma troca, no sentido de que a representação
muda de lugar, e é representada por outra. Esse mecanismo também compreende situações em que o todo é
tomado pela parte. Por exemplo: alguém que teve um problema com um advogado e passa, então, a rejeitar todos
esses profissionais, ou ainda, num sonho, quando uma pessoa aparece, mas, na verdade está representando outra
pessoa.
SUBLIMAÇÃO: um deseja passa a ser canalizado em outro local., com ações aceitáveis socialmente.
ANULAÇÃO: Desfazer ou cancelar simbolicamente uma experiência que se considera intolerável, com fim de
anular ou reparar o significado do atoanterior.
REPARAÇÃO: Consiste na reestruturação do objeto que foi danificado. Por exemplo, um indivíduo que fala mal
de uma entidade religiosa, sente-se culpado e passa a rezar para restaurar o que fez e não mais sentir culpa.
SOMATIZAÇÃO: conflito manifesto através do sintoma. Há uma predisposição orgânica para o uso da função
corporal eleita para a descarga psíquica.
INTELECTUALIZAÇÃO: controle dos afetos e impulsos por pensar sobre eles ao invés de vivenciá-lo.
CONVERSÃO: há uma ideia penosa ligada a um conflito e se configura em um estado afetivo. Tem sintoma mas
não tem nada.
DISSOCIAÇÃO: modificação temporária, mas drástica, do caráter ou do senso de identidade, a fim de evitar a
angústia.
2.4 TEORIA DO DESENVOLVIMENTO PSICOSSEXUAL SEGUNDO FREUD
Fases Oral, Anal, Fálica, Período de Latência e Fase Genital
Na fase oral de 0 a 1 ano
A região do corpo com maior prazer na criança é a boca, onde entra em contato com o mundo. É por esta razão
que a criança pequena tende a levar tudo o que pega à boca. O principal objeto de desejo nesta fase é o seio da
mãe, que além de alimentar proporciona satisfação ao bebê.
Fase anal de 2 a 4 anos.
Período que a criança passa a adquirir controle dos esfíncteres - a zona de maior satisfação é a região do anus;
descobre que pode controlar as fezes que sai de seu interior, oferecendo-o à mãe ora como um presente, ora
como algo agressivo. É aí que a criança começa a ter noção de higiene; fases de birras.
Fase fálica de 4 a 6 anos
Professora: Maria Flor 2022 14
A atenção da criança volta-se para a região genital. Inicialmente a criança imagina que tanto os meninos quanto
as meninas possuem um pênis e defrontadas com as diferenças anatômicas entre sexos, as crianças criam as
chamadas teorias sexuais infantis, imaginando que as meninas não tem pênis porque este órgão lhe foi
arrancado (complexo de castração). É neste momento que a menina tem medo de perder o seu pênis. Surge aí o
complexo de Édipo, em que o menino apresenta atração pela mãe e se rivaliza com o pai, e na menina ocorre o
inverso.
Fase de latência de 6 a 11 anos.
Este período caracteriza-se pelo deslocamento da libido da sexualidade para atividades socialmente aceitas, ou
seja, a criança passa a gastar sua energia em atividades sociais e escolares.
Fase genital, a partir de 11 anos.
Início da adolescência, há uma retomada dos impulsos sexuais, o adolescente passa a buscar, em pessoas fora
de seu grupo familiar, um objeto de amor. Adolescência é um período de mudanças no qual o jovem tem que
elaborar a perda da identidade infantil e dos pais da infância para que pouco a pouco possa assumir uma
identidade adulta.
2.5 TEORIA DE DESENVOLMENTO PSICOSSOCIAL DE ERIKSON
A teoria de Erikson foi criada pelo psiquiatra alemão Erik Homburger Erikson no séc. XX. Nessa teoria é
valorizado o papel do meio social na formação da personalidade do indivíduo, a energia que orienta o
desenvolvimento é psicossocial.
Segundo Erikson, existem oito estágios psicossociais ou oito idades em que ocorre o desenvolvimento. Cada
estágio ou idade atravessa uma crise entre uma vertente positiva e uma negativa. Um estágio está conectado ao
outro, os primeiros influenciam os posteriores, sendo que os cinco primeiros estágios formam a identidade, e
em todos os estágios existem conflitos para serem resolvidas, resoluções que influenciarão a vida futura.
O primeiro estágio – confiança/desconfiança (0 - 18 meses)
A idade em que a criança adquire confiança em si mesmo e no mundo ao redor, através da relação com a mãe.
Se a mãe atende as necessidades do filho, a confiança está construída. Se não, medo, receio e desconfiança
podem ser desenvolvidos pela criança. Virtude social desenvolvida: esperança.
O segundo estágio – autonomia/dúvida e vergonha (18 meses – 3 anos)
A contradição entre o que a criança quer fazer (impulso) e o que as normas permitem. A criança deve ser
estimulada a fazer as coisas de forma autônoma, para não se sentirem envergonhadas. Os pais devem ajudar os
filhos para terem vontade de fazer as coisas corretamente. Virtude social desenvolvida: desejo
O terceiro estágio – iniciativa/culpa (3 anos- 6 anos)
Neste estágio a criança já tem a capacidade de distinguir as coisas que pode e as coisas que não pode fazer.
Começando a tomar iniciativas, mas sem sentir culpa. A criança começa a assumir outros papéis, tendo noção
de ‘outro’ e de individualidade, começando a se preocupar com a aceitação do seu comportamento. Virtude
social desenvolvida: propósito.
O quarto estágio – indústria (produtividade)/inferioridade (6 anos- 12 anos)
A criança começa a se sentir como uma pessoa trabalhadora, capaz de produzir. A resolução positiva dos
estágios anteriores é importantíssima, sem confiança, autonomia e iniciativa, não conseguirá se sentir capaz. O
sentimento de inferioridade pode levar se sentir incapaz. Este é o momento de relações interpessoais
importantes. Virtude social desenvolvida: competência.
O quinto estágio – identidade/confusão de identidade (adolescência)
Aqui se adquire a identidade psicossocial, o adolescente precisa entender seu papel no mundo e reconhecer sua
singularidade. Há uma redefinição nos elementos de identidade já adquiridos. Algumas dificuldades desse
período são: falta de apoio no crescimento, expectativas parentais e sociais diferentes, dificuldades em lidar
com as mudanças, etc. Virtude social desenvolvida: fidelidade.
Professora: Maria Flor 2022 15
O sexto estágio – intimidade/isolamento (25 anos – 40 anos)
É essencial estabelecer uma relação íntima durável com outras pessoas, caso não consiga estabelecer essa
relação se sentirá isolado. Virtude sócia desenvolvida: amor.
O sétimo estágio – generatividade/estagnação (35 anos – 60 anos)
A necessidade de orientar a geração seguinte, uma fase de afirmação pessoal no trabalho e na família. Podendo
ser produtivo em várias áreas. Existe a preocupação com as gerações futuras, educando e criando os filhos. O
lado negativo é que pode levar a pessoa a parar em seus compromissos sociais. Virtude social desenvolvida:
cuidar do outro.
O oitavo estágio – integridade/desespero (após os 60 anos)
É a hora da avaliação de tudo que se fez na vida, em caso de uma negação em relação ao passado, se sente
fracassado pela falta de poderes físicos e cognitivos. O desespero para pessoas que acham o balanço de sua vida
negativa e integridade para pessoas que sentem o balaço de sua vida positiva. Virtude social desenvolvida:
sabedoria.
2.6 TEORIA DA PERSONALIDADE INTERPESSOAL SULIVAM
Sullivan e a Teoria Interpessoal da Psiquiatria
Defendia uma visão social dos estágios definidos de desenvolvimento da personalidade.
Não quer dizer que a duração dos estágios é taxativo, pois o organizamo é plástico e maleável, a
personalidade pode mudar a qualquer tempo em função de interações sociais.
Apersonalidade é um padrão duradouro de situações interpessoais contínuas e recorrentes. Entidade
hipotética. Ilusão. Não pode ser separada do social sob risco de não ser possível estudá-la assim. A unidade
de estudo é a interação social. Dinâmica e centro de interação de campos interpessoais. Cabe a ela reduzir as
tensões, pois é um sistema de energia.
Comportamento interpessoal é tudo que se pode observar como personalidade.
Não há entendimento isolado, apenas contextualizado no social.
Desde o nascimento o homem é membro de um campo social.
Os produtos humanos são frutos de interações sociais.
O organismo é social, deixando de ser biológico a partir do momento em que o social modifica o biológico.
Ex: maneira socializada de respirar.
Todos os processos psicológicos tem caráter interpessoal.
Aestrutura da personalidade possui alguns processos como:
1. Dinamismo – menor unidade a ser estudada. Padrão duradouro, persistente e recorrente de transformação
de energia (comportamentos). Caracteriza o organismo vivo. Hábito. Caracterizam as relações interpessoais.
Os dinamismos básicos são os mesmos para todos, mas a forma de expressão depende do contexto social.
Satisfazer necessidades básicas.
2. Autossistema – dinamismo que nasce da ansiedade (dinamismo do self ou autossistema). Ansiedade é
produto das relações interpessoais. Tramita da mãe para o bebê. Sanciona alguns comportamentos,proíbe
outros e exclui os desagradáveis da consciência. Filtro da consciência. Isolado do resto, tende a se inflar
conforme a ansiedade aumenta na pessoa, impedindo-a que faça julgamentos objetivos. Produto dos
aspectos irracionais da sociedade.
3. Personificações – imagem que possui de si e de outro. Decorrem das experiências de satisfação e de
ansiedade. Representações que carregam informações que distorcem o real. Eu-bom e eu-mau.
4. Processos cognitivos – como a experiência é assimilada. Para Sullivan são três formas: protáxica (primeiros
meses de vida. condição para que surjam os outros meios. Descontínuo); paratáxica (relaciona casualmente
eventos que ocorrem ao mesmo tempo, mas que não estão relacionados, como supertições); sintáxica
(atividade simbólica real e verbal. Pensamento elaborado).
Professora: Maria Flor 2022 16
Estereótipos são personificações compartilhadas, com ampla aceitação social e transmitidas por gerações.
OBSTÁCULOS:
1. Autossistema inflado.
2. Autopersonificações tendem a atrapalhar a autoavaliação objetiva.
FONTES DE TENSÕES:
1. Das necessidades do organismo
2. Resultam das ansiedades
Ansiedade é a resultante de tensão gerada por ameaças reais ou imaginárias. Varia de intensidade, e quanto
maior mais afeta a eficiência da pessoa, perturbando suas relações interpessoais e gerando confusão de
pensamentos.
Na forma menos grave a ansiedade pode ser informativa.
O dinamismo é conectado à zonas corporais que são receptores de estímulos.
Estágios de desenvolvimento da personalidade definitivos:
1. Infância – nascimento até fala articulada. Zona oral é a zona primária. Amamentação como primeira
experiência primária. Transição do modo prototáxico para o paratáxico. Dinamismo de pataia e desligamento
sonolento. Movimentos coordenados. Autossistema rudimentar. Organização das personificações e da
aprendizagem.
2. Meninice – organização sintáxica. Aprendizagem da linguagem. Autossistema mais coerente. Início da
concepção de gênero. Dramatizações (brincar de ser adulto). Aparece a sublimação (substituição do que
causa dor por comportamentos sociais aceitos), se dedica a atividades que visam diminuir a ansiedade e
evitar a punição. Transformação malevolente (sentimento de que vive com inimigos causados por
experiências dolorosas)
3. Idade juvenil – anos iniciais do ensino fundamental. Socialização, competitividade e cooperação. Ostracismo,
desprezo e sentimento de pertencer a um grupo. Controles internos, presta atenção somente ao que
interessa. Estereótipos. Diferenciação da fantasia e do real. Surge a orientação na vida.
4. Pré-adolescência – breve. Necessidade de relacionamento íntimo com mesmo sexo. Amigo.
Relacionamentos humanos genuínos.
5. Adolescência inicial – padrão de atividade heterossexual. Puberdade experienciada como desejo sexual.
Zona genital. Necessidade erótica com o sexo oposto. Necessidade de intimidade com o mesmo sexo. Se
essas necessidades não se separarem, surge a homossexualidade (????????? Que viagem!!). Período persiste
até que um padrão de satisfação das pulsões genitais seja encontrado.
6. Adolescência final – do padrão de satisfação das pulsões genitais até o estabelecimento de relações
maduras interpessoais. Aperfeiçoamento das relações interpessoais. Desenvolvimento sintáxico. Ampliação
do horizonte simbólico. Estabilização do autossistema.
2.6 TEORIA DO DESENVOLVIMENTO MORAL DE LAWRENCE KOHLBERG
Uma das influentes teorias sobre o desenvolvimento moral foi apresentada por Lawrence Kohlberg, um
psicólogo estadunidense que viveu entre 1927 e 1987, e relacionou o desenvolvimento moral ao
desenvolvimento cognitivo da criança.
Ele apontou que por meio de um processo maturacional e interativo, todas as pessoas têm a capacidade de
chegar à plena competência moral. Em seu estudo principal, entrevistou 72 garotos de 10, 13 e 16 anos dos
arredores de Chicago. Apresentava-lhes uma série de dilemas morais e esses o explicavam como chegavam às
soluções, sendo que chegou a acompanhar alguns dos sujeitos por cerca de 20 anos.
Sua teoria apresenta 3 níveis de moralidade, cada um com 2 sub estágios.
Professora: Maria Flor 2022 17
Nível 1 (Pré-Convencional)
O NÍVEL 1 é o “Pré-Convencional” (de 2 a 6 anos, aproximadamente) e o 1º estágio é “Obediência e Punição”.
Aqui o comportamento é orientado para evitar a punição e são as consequências das ações que determinam o
que é certo e errado.
O 2º estágio é “Hedonismo Instrumental Relativista”, onde o raciocínio moral é egocêntrico e o indivíduo segue
as normas pensando em interesses próprios.
Nível 2 (Convencional)
O NÍVEL 2 é o “Convencional” (idade escolar) e o 3º estágio é o das “Relações Interpessoais”. Aqui o correto é
aquilo pautado nas convenções e regras sociais determinadas por pessoas de autoridade, sendo que o que
importa é “ser o bom menino/boa menina” para corresponder às expectativas morais dos outros
O 4º estágio é a “Orientação Para a Lei e Ordem / Autoridade Mantém a Moralidade”. Nesse momento, os
deveres, a manutenção da ordem social e da lei orientam a moralidade. Está além da necessidade de aprovação
individual exibida no estágio .
Nível 3 (Pós-Convencional)
O NÍVEL 3 é o “Pós-Convencional” (adolescência), e o 5º estágio é de “Contrato Social”, onde o indivíduo
determina o certo e o errado, com base em parâmetros sociais democraticamente pré-estabelecidos. As leis são
consideradas como contratos sociais em vez de um mandamento rígido. O 6º estágio é de “Princípios Éticos
Universais”. Aqui a pessoa transcende sociedades e leis para buscar princípios de igualdade e dignidade, com
uma ética válida para todos. Segundo Kohlberg, poucas pessoas atingem esse estágio.
UNIDADE III
3. FUNÇÕES DO EGO
1. Consciência
Conceito:
É o estado de lucidez ou de alerta em que a pessoa se encontra, variando da vigília até o coma. É o
reconhecimento da realidade externa ou de si mesmo em determinado momento, e a capacidade de
responder aos seus estímulos.
Não se deve confundir com o sentido "moral" da palavra (superego), que envolve o julgamento de valores; nem
com o conceito psicodinâmico (consciente e inconsciente); nem com o sentido de autocrítica.
AVALIAÇÃO:
Observar as reações do paciente frente aos estímulos, se sua reação é rápida ou lenta; se mostra sonolento ou
não. No caso de lucidez, percebe-se através da própria conversa com o paciente, porém, se houver alguma
alteração devem-se utilizar estímulos verbais e/ou táteis. Na clínica geral usa- se também a escala de
Glasgow, a qual avalia alterações no nível de consciência usando basicamente os parâmetros de: abertura
ocular, resposta verbal e resposta motora a estímulos.
ALTERAÇÕES:
Obnubilação/sonolência: está alterada a capacidade de pensar claramente, para perceber, responder e
recordar os estímulos comuns, com a rapidez habitual. O paciente tende a cair em sono quando não
estimulado. Às vezes é necessário falar alto ou tocá-lo para que compreenda uma pergunta.
Confusão: caracterizada por um embotamento do sensório, dificuldade de compreensão, atordoamento e
perplexidade, juntamente com desorientação,distúrbios das funções associativas e pobreza ideativa. O
paciente demora a responder aos estímulos e tem diminuição do interesse no ambiente. A face de um
doente confuso apresenta uma expressão ansiosa, enigmática e às vezes de surpresa. É um grau mais
acentuado que a obnubilação.
Estupor: estado caracterizado pela ausência ou profunda diminuição de movimentos espontâneos, mutismo.
O paciente somente responde a estímulos vigorosos, após os quais retorna ao estupor.
Professora: Maria Flor 2022 18
Coma: há abolição completa da consciência; o paciente não responde mesmo aos estímulos externos
(dolorosos), ou internos (fome, frio, necessidades fisiológicas, outros).
Hiperalerta: estado no qual o paciente encontra-se ansioso, com hiperatividade autonômica e respostas
aumentadas aos estímulos. Pode ocorrer em conseqüência ao uso de drogas (anfetaminas, cocaína),
abstinência (benzodiazepínicos), ou no stress pós-traumático.
TRANSTORNOS MAIS COMUNS:
A obnubilação ocorre frequentemente em pacientes que sofrem traumatismos cranianos ou processos
infecciosos agudos. Pode, ainda, ser efeito colateral de álcool ou drogas. A confusão ocorre na fase aguda de
algumas doenças mentais, nas doenças associadas a fatores tóxicos, infecciosos ou traumáticos, na epilepsia,
e em situações de grande estresse emocional. Observa-se o estupor na esquizofrenia (catatônico), em
intoxicações, doenças orgânicas, depressão profunda, reações epilépticas e histéricas.
1. ATENÇÃO
Conceito:
A atenção é uma dimensão da consciência que designa a capacidade para manter o foco em uma atividade.
Designa, ainda, o esforço voluntário para selecionar certos aspectos de um fato, experiência do mundo interno
(memórias), ou externo, fazendo com que a atividade mental se volte para eles em detrimento dos demais.
Avaliação:
Vigilância: designa a capacidade de voltar o foco da atenção para os estímulos externos. Pode estar:
aumentada - hipervigil podendo haver, neste caso, um prejuízo da atenção para outros estímulos; ou diminuída
hipovigil quando o paciente torna-se desatento em relação ao meio. A melhor forma de avaliar a atenção é
através da observação durante a entrevista.
Tenacidade: capacidade de manutenção da atenção ou de uma tarefa específica. Deve-se observar a
capacidade de prestar a atenção às perguntas durante a entrevista, sem estar constantemente distraindo-se.
Pode-se pedir ao paciente para bater na mesa toda vez que se diga a letra A, entre uma série de letras aleatórias
como K,D,A,M,X,T,A,F,O,K,L,E,N,A,... Grava-se o tempo e o número de erros.
Concentração: é a capacidade de manter a atenção voluntária em processos internos do pensamento ou em
alguma atividade mental. O teste formal para a avaliação da concentração é o da subtração consecutiva do
número 7 a partir do número 100. Para pacientes com défcit cognitivo ou QI abaixo de 80 utiliza-se uma série de
3 números a partir de 20. Se o paciente já realizou o teste muitas vezes, altera-se os números para 101 ou 21,
para evitar que tenham sido decorados.
Alterações
Desatenção: incapacidade de voltar o foco para um determinado estímulo.
Distração: incapacidade de manter o foco da atenção em determinado estímulo.
Transtornos mais comuns:
A desatenção ocorre em depressões, demências, delirium, efeito adverso de medicamentos, Transtornos de
Déficit de Atenção. A distração ocorre em depressões, mania, retardo mental, etc. São comuns os estados: hipo
ou hipervigil e hipo ou hipertenaz.
2. SENSOPERCEPÇÃO
Conceito:
Designa a capacidade de perceber e interpretar os estímulos que seapresentam aos órgãos dos sentidos. Os
estímulos podem ser: auditivos, visuais, olfativos, táteis e gustativos.
Avaliação:
A senso percepção é investigada através da entrevista com o paciente.
Professora: Maria Flor 2022 19
Alterações:
Ilusões: ocorrem quando os estímulos sensoriais reais são confundidos ou interpretados erroneamente;
geralmente ocorrem quando há redução de estímulos ou do nível de consciência (delirium); por exemplo, um cinto
é percebido como uma cobra, miragens no deserto (enxerga-se água nas dunas).
Dismegalopsias: são ilusões nas quais os objetos ou pessoas tomam tamanho e/ou distâncias irreais; nas
macropsias os objetos parecem mais próximos e maiores; nas micropsias, parecem menores e mais distantes.
Ocorrem em descolamento de retina, distúrbios de acomodação visual, lesão temporal posterior e intoxicações por
drogas.
Alucinações: ocorre a percepção sensorial na ausência de estímulo externo.
Tipos de alucinações:
Visuais: As alucinações visuais são mais características de transtornos mentais orgânicos, especialmente em
estados de delírium e podem ser amedrontadoras. Podem também ocorrer no luto normal (visão da pessoa
falecida), em depressões psicóticas (ver-se dentro de um caixão).
Hipnagógicas: ocorrem imediatamente antes de dormir e sua ocorrência,quando ocasional, é normal, porém,
experiências repetidas representam invasões do sono REM na consciência; Hipnopômpicas: precedem o acordar,
geralmente nos estados semicomatosos.
Auditivas: (as mais comuns) são classificadas tanto como elementares (ruídos) ou complexas (vozes ou
palavras). São comumente relatadas por pacientes psicóticos (transtorno afetivo bipolar (TAB), esquizofrenia), mas
também ocorrem nas Síndromes Cerebrais Orgânicas (SCO). Alguns pacientes, nos estágios iniciais de surtos
psicóticos ouvem seus próprios pensamentos falando em voz alta ("echo de la pensée"). Mais adiante as vozes
perdem o contato com a pessoa, parecendo vir de fora, fazendo comentários sobre o comportamento do paciente
ou discutindo sobre ele na terceira pessoa. As alucinações auditivas podem ser congruentes com o humor como
por exemplo: "mate-se", para um paciente depressivo, ou incongruentes com o humor (Schneiderianas).
Táteis: são geralmente referidas como picadas de insetos na pele (formigamentos) e ocorrem na intoxicação por
cocaína, por anfetaminas, em psicoses e delirium tremens devido à abstinência do álcool. Pacientes esquizofrênicos
podem apresentar sensações estranhas: orgasmos produzidos por objetos ou seres invisíveis. Devem ser
distinguidas do aumento da sensibilidade (hiperestesia) e da sua diminuição (hipoestesia).
Podem ocorrer em doenças de nervos periféricos e na histeria.
Vestibulares: alucinações relacionadas com o equilíbrio e localização do indivíduo no espaço. Ex: sensação de
estar voando, comumente vistas em situações orgânicas, como o delirium tremens e psicoses pelo uso de
alucinógenos.
Olfativas: exemplo: se uma mulher possui baixa auto-estima, pode preocupar-se com o odor vaginal e
interpretar que outras pessoas estão percebendo seu mau cheiro. Em crises parciais complexas, de origem no lobo
temporal, alucinações olfativas de tinta ou borracha podem representar auras.
De presença: sensação de presença de outra pessoa ou ser vivo que permanece invisível. Nas alucinações extra
campinas o indivíduo vê objetos fora do campo sensorial (atrás de sua cabeça), enquanto que na autoscopia, o
paciente visualiza ele próprio projetado no espaço.
Somáticas: experiências sensoriais irreais envolvendo o corpo do paciente ou seus órgãos internos (sentir o
fígado apodrecido).
Tipos específicos de alucinações: Cinestesias: escutar cores, cheirar músicas;
Pseudoalucinações: são reconhecidas, percebidas como irreais;
Despersonalização: esquisita impressão de que o corpo está mudando, perda da identidade corporal, com
sensação de estranheza em relação a ele; Desrealização: sensação de que o ambiente está mudando ou mudou,
parece irreal, como se fosse um filme, é comum em esquizofrênicos.
Transtornos mais comuns:
Transtornos psicóticos (principalmenteesquizofrenia) e Síndromes Cerebrais Orgânicas.
Professora: Maria Flor 2022 20
3. ORIENTAÇÃO
Conceito: Capacidade do indivíduo de situar-se no tempo, espaço ou situação e reconhecer sua própria pessoa.
Avaliação:
Tempo: pode-se perguntar ao paciente qual é a hora aproximada, dia da semana, do mês, mês, ano, estação e
há quanto tempo ele está no hospital.
Espaço: o paciente deve ser capaz de descrever o local onde se encontra (consultório, nome do hospital), o
endereço aproximado, a cidade, o estado, o país, sabendo também quem são as pessoas à sua volta.
A própria pessoa: Deve-se perguntar dados sobre o paciente, como nome, data de nascimento, profissão e o
que faz no hospital. Estas informações devem ser conferidas através de uma fonte confiável, como um familiar
hígido.
Demais pessoas: Deve ser capaz de identificar seus familiares, amigos próximos e pessoal que o atende
(médicos, enfermeiras, auxiliares, etc.).
Alterações:
Quando um paciente fica desorientado, após um quadro de delirium, por exemplo, a primeira noção de
orientação perdida é em relação ao tempo, depois espaço e por último (e raramente) em relação a si próprio. A
recuperação se dá de maneira inversa: inicialmente o paciente orienta-se em relação à própria pessoa,
posteriormente em relação ao espaço e por fim ao tempo.
Desorientação: pode ser influenciada por alterações na atenção e consciência.
Transtornos mais comuns:
Síndromes Cerebrais Orgânicas, psicoses afetivas, esquizofrenia.
Pacientes com transtornos psicóticos (por exemplo: TAB ou esquizofrenia) não são tipicamente desorientados,
embora, pela apatia, eles possam ter falhas no desempenho das rotinas diárias. Já o paciente que sofre de alguma
doença orgânica, caracteristicamente está desorientado.
Na Síndrome Cerebral Orgânica os pacientes frequentemente mostram flutuação na orientação conforme a
hora do dia (piora à noite), podendo ocorrer total desorientação com o aumento da gravidade.
Nos Transtornos Dissociativos (fuga) ocorre uma amnésia psicogênica, de maneira que o indivíduo não sabe o
seu nome, ou outros dados de identificação ou a identidade das pessoas de seu ambiente, nem o local de onde é
proveniente ou reside.
4. MEMÓRIA
Conceito:
É a capacidade de registrar, fixar ou reter, evocar e reconhecer objetos, pessoas e experiências passadas ou
estímulos sensoriais. São fixados na memória fatos ou situações que quando ocorreram provocaram emoções
associadas: prazer, medo, etc, ou que foram significativas para a pessoa. Ao ser evocada, a lembrança pode trazer a
emoção a ela associada. A memória fotográfica ou automática é a mais fiel, que reproduz exatamente o registro
dos fatos, mesmo que a pessoa não os tenha compreendido. A memória lógica recorda o significado essencial das
experiências, sem sua reprodução fiel.
As memórias auditivas e visuais ocorrem conforme a maior facilidade em reter o que se vê ou se ouve. A
memória é ainda dividida em memória declarativa ou verbal (de fatos, eventos, nomes de pessoas) ou procedural:
de habilidades ou procedimentos. A primeira é acessível à consciência ao contrário da segunda que não é expressa
em palavras e é inconsciente, ou implícita.
Funcionalmente as áreas encefálicas responsáveis pela memória podem ser divididas em: área de registro
(córtex cerebral), área de consolidação ou retenção (hipocampo), área de armazenamento (lobo temporal) e área
de recuperação(dorso medial do tálamo).
Professora: Maria Flor 2022 21
Para fins de avaliação divide-se a memória em: sensorial, que recebe a informação dos órgãos dos sentidos e a
retém por breve período de tempo (0,5 segundos); imediata, responsável pelo registro de informações ouvidas nos
últimos 15 a 20 segundos; recente, que se divide em de curto prazo (5-10min) e de longo prazo (mais de 30 min); e
remota, que é a responsável pela retenção permanente de informação selecionada. Esta seleção da memória
remota é feita em função do significado emocional e é mais facilmente evocada quando a pessoa está em situação
semelhante à ocasião inicial.
Avaliação:
Memória imediata: pode-se pedir ao paciente para repetir uma seqüência de números com 3, 4, 5, 6 e 7
algarismos, ou mencionar 3 objetos não relacionados, como "pente, rua e azul" do"MiniMentalState
Examination" (MMSE), e pedir para repetir imediatamente; pode-se fazer o "Span de Palavras".
Memória recente (passado recente):
a) de curto prazo: pode-se solicitar ao paciente que guarde três palavras ("pente, rua e azul" do MMSE) e que as
repita 5 minutos após;
b) de longo prazo: indaga-se ao paciente sobre o que comeu no café da manhã ou na janta na véspera, ou o
que fez no último fim-de-semana. Pode-se usar o teste Memória remota (passado remoto): solicita-se que o
paciente fale de eventos importantes com a respectiva data no passado (nascimento, aniversário, casamento,
nascimento dos filhos, onde cresceu, estudou, últimos 3 presidentes).
Alterações e Transtornos mais comuns:
Amnésia: incapacidade parcial ou total de evocar experiências passadas.
Amnésia imediata: geralmente existe um comprometimento cerebral agudo.
Amnésia anterógrada: o paciente esquece tudo o que ocorreu após um fato ou acidente importante. Ex:
traumatismo craniano, distúrbio dissociativo (histeria).
Amnésia retrógrada: esquecimento de situações ocorridas anteriormente a um trauma, doença ou fato
importante.
Amnésia lacunar: esquecimento dos fatos ocorridos entre duas datas. Por exemplo: não se lembra de o que fez
no ano de 1995, o ano da sua separação. Eventualmente, o paciente pode preencher estas lacunas com inverdades
ou situações não ocorridas, sem dar-se conta. A isto se dá o nome de confabulação, frequente em pacientes com
Demência.
Amnésia remota: esquecimento de fatos ocorridos no passado.
Pacientes idosos com algum grau de demência.
Classificação das Amnésias:
A- pela extensão:
Parciais: esquecimento de um nome, um local, uma língua; total: perda total das lembranças;
b-pelo mecanismo:
De fixação: por falta de reações lógicas, referenciais cronológicos e memorização;
De evocação ou psicógena: por inibição emocional da evocação;
Conservação: por extinção definitiva das lembranças antigas demais;
c-paramnésias: -déjà vu: sensação de familiaridade com uma percepção efetivamente nova.
-Dijavu: sensação de estranheza em relação a uma situação familiar.
d-hipermnésia: capacidade aumentada de registrar e evocar os fatos.
5. INTELIGÊNCIA
Conceito:
Capacidade de uma pessoa de assimilar conhecimentos factuais, compreender as relações entre eles e integrá-
los aos conhecimentos já adquiridos anteriormente; de raciocinar logicamente e de forma abstrata manipulando
Professora: Maria Flor 2022 22
conceitos, números ou palavras. Capacidade de resolver situações novas com rapidez e com êxito mediante a
realização de tarefas que envolvam a apreensão de relações abstratas entre fatos, eventos, antecedentes e
consequências, etc. Idade Mental é o nível intelectual médio de determinada idade. Binet elaborou uma equação
que permite expressar a capacidade intelectual de um sujeito em Coeficiente de Inteligência (QI), através da
avaliação com testes padronizados.
Segundo a teoria das inteligências múltiplas identificam-se sete tipos de inteligência: lingüística, lógico-
matemática, espacial, musical, cinestésico-corporal, interpessoal e intrapessoal. Ainda conforme Gardner, cada tipo
de inteligência é um sistema genético ativado por informação interna ou externa que possui uma certa
plasticidade, de modo que certas capacidades intelectuais podem ser ampliadas a partir de estímulos apropriados.Observam-se pessoas com níveis diferentes de inteligências, por exemplo "inteligência abstrata" (lógico-
matemática, espacial), em que a pessoa tem habilidade para lidar com símbolos; "concreta" (cinestésico-corporal),
com objetos ou situações; "social",habilidade com lingüística inter e intrapessoal.
Avaliação:
É importante coletar informações sobre o desenvolvimento e rendimento escolar do paciente: idade de
ingresso na escola, se repetiu algum ano, dificuldades em matérias específicas, dificuldade de leitura e escrita,
quando parou os estudos, por que motivo (se por dificuldade em acompanhar). Para avaliar ("grosseiramente") o
rendimento intelectual, pode-se questionar a capacidade do paciente de adaptar-se ao meio e a novas situações,
aprender com a experiência, desenvolver atividades coerentes com um objetivo, utilizar pensamento abstrato
(incluindo conceitos abstratos, como liberdade, amor) e resolver problemas do cotidiano.
É, é possível avaliar os conhecimentos gerais com perguntas sobre geografia ou fatos relevantes da história,
estando-se sempre atento ao nível cultural do paciente. Se a deficiência é grosseiramente aparente, informações
históricas podem ser utilizadas para verificar se ela esteve sempre presente (deficiência mental) ou desenvolveu-se
a partir de certa idade (demência).
Quando houver dúvida sobre o nível de inteligência do paciente, deve-se encaminhá-lo para a testagem
psicológica, onde a padronização das perguntas e respostas permite uma avaliação acurada do seu QI.
O vocabulário e o desempenho nos testes de abstração dependem não somente da capacidade intelectual, mas
também da idade, ambiente social e nível educacional. Por exemplo: a presença de bom vocabulário e capacidade
para abstração, apesar de primeiro grau incompleto, indica inteligência acima da média. Se o vocabulário e a
capacidade para abstração são pobres, deve-se considerar a privação social. Na ausência deste fator,
especialmente se o entrevistado tem educação universitária, cogita-se comprometimento intelectual por algum
distúrbio orgânico.
A capacidade de abstração deve ser avaliada através da solicitação de interpretação de provérbios e metáforas
("Quem não tem cão, caça com gato"; "Mais vale um pássaro na mão que dois voando"; Não se tira leite de
pedras); e da comparação de objetos semelhantes e diferentes (maçã e laranja, criança e anão, mentira e engano).
Alterações e Transtornos mais comuns:
Deficiência mental: atraso ou insuficiência de desenvolvimento intelectual (QI inferior a 70), com
interferência no desempenho social e ocupacional. É classificado como leve (classe espacial), moderado (escola
especial), grave e severo.
Demência: deterioração global e orgânica do funcionamento intelectual sem alteração no nível de
consciência. Frequentemente é acompanhada de: distraibilidade; déficit de memória; dificuldade em cálculos;
alteração no humor e afeto; prejuízo no julgamento e abstração; e dificuldades com a linguagem.
Abstração: interpretação concreta de provérbios, por exemplo:
"Quem tem telhado de vidro não deve atirar pedras no telhado do vizinho", resposta: "O vidro quebrará!".
Professora: Maria Flor 2022 23
6. AFETIVIDADE E HUMOR
CONCEITO:
É a experiência imediata e subjetiva das emoções sentidas pelo paciente em relação ao que o cerca, abrangendo
desde sentimentos em relação a pessoas e ambientes até lembranças de fatos, situações, ou pessoas do passado,
bem como expectativas sobre o futuro.
Humor é a tonalidade de sentimento predominante, e mais constante, que pode influenciar a percepção de si
mesmo, e do mundo ao seu redor. Afeto é a experiência da emoção subjetiva e imediata, ligada a idéias ou
representações mentais e que pode ser observada pelas suas manifestações objetivas: alegre, triste, embotado,
expansivo, lábil, inapropriado. Em outras palavras, humor se refere à emoção predominante, mais constante,
enquanto afeto é a sua expressão, o que se observa, sendo mais flutuante.
O normal, para qualquer tipo de afeto, é que ocorra uma variação na expressão facial, tom de voz e gestos,
denotando um espectro de intensidade na emoção expressada (de superficial a profunda). Da mesma forma, é
normal que ocorram variações no humor.
Deve ser descrito o tom predominante durante a entrevista, sendo eutímico o paciente que está com o
afeto/humor normal.
AVALIAÇÃO:
A avaliação da afetividade e do humor é feita ao longo da entrevista, observando-se a expressão facial do
paciente, sua postura, o conteúdo afetivo predominante no seu relato (tristeza, euforia, irritabilidade, etc), o tipo
de afeto que transmite e que desperta no entrevistador. Fala-se em afeto achatado, aplainado ou embotado
nos casos de severa redução na expressão afetiva, e grandiosidade ou expansão nos casos de exagero na
valorização das próprias capacidades, posses ou importância. Deve ser observado se o paciente comenta
voluntariamente ou se é necessário pedir para que informe como se sente. É muito importante considerar a
adequação das respostas emocionais do paciente, sempre levando em conta o contexto do conteúdo do
pensamento em que se inserem (por exemplo: a raiva é adequada em um delírio paranóide).
Em casos de disparidade entre o afeto e o conteúdo do pensamento diz-se que o afeto está inapropriado ou
incongruente.
O entrevistador deve considerar as diferenças culturais na expressão afetiva, como por exemplo: não
considerar um inglês com afeto aplainado nem um italiano ou grego eufórico ou colérico.
ALTERAÇÕES:
Ansiedade e sintomas autonômicos de ansiedade; medo e tensão; irritabilidade, raiva, ódio, desprezo,
hostilidade; labilidade afetiva (rápidas alternações de afetos opostos); incontinência emocional (deixar
transparecer todas emoções que sente, geralmente sendo estas intensas); indiferença afetiva ou "la belle
indiference" (ocorre uma restrição importante na saúde ou vida do paciente, como não conseguir movimentar um
membro, e a reação deste é praticamente indiferente); afeto inapropriado ou incongruente (em relação ao que
está sendo relatado); afeto hipomaníaco e maníaco, exaltado, expansivo: euforia e êxtase (sendo este sentimento
desproporcional às circunstâncias); afeto deprimido: tristeza, desesperança, baixa auto-estima e sentimentos de
culpa; apatia, afeto achatado ou embotado (resposta emocional diminuída ou indiferente às alterações dos
assuntos).
Transtornos mais comuns:
Transtorno Afetivo Bipolar (tristeza e euforia intercaladas);
Esquizofrenia (afeto embotado, inapropriado);
Transtornos de Ansiedade (medo e ansiedade);
Demência (labilidade).
Professora: Maria Flor 2022 24
8. PENSAMENTO
CONCEITO:
É o conjunto de funções integrativas capazes de associar conhecimentos novos e antigos, integrar estímulos
externos e internos, analisar, abstrair, julgar, concluir, sintetizar e criar.
O pensamento é avaliado em três aspectos: produção (ou forma), curso e conteúdo.
A produção refere-se a como o paciente concatena as idéias, em que sequência, se segue ou não as leis da
sintaxe e da lógica. O normal é que a produção do pensamento seja lógica (ou coerente), isto é, clara e fácil de
seguir e entender. Diz-se que é ilógica quando a sequência não segue as leis da lógica formal, ou seja, ocorrem
inferências falsas ou indevidas; e que é mágica quando não obedece as leis da realidade, tempo e espaço,
envolvendo sorte, misticismo, poder a distância, força do pensamento para provocar ações, etc.
O curso caracteriza-se pela quantidade de idéias que vêm ao pensamento, podendo ser de abundante a escassa;
e pela velocidade com que as idéias passam pelo pensamento, de modo que o curso pode ser rápido, lentificado ou
estar completamentebloqueado.
O conteúdo do pensamento são as idéias propriamente ditas, sua conexão ou não com a realidade, refletindo
ou não aspectos reais do mundo externo ou interno. A principal preocupação é a presença de idéias que sugiram
que o paciente possa apresentar um perigo para si ou para os demais (por risco de suicídio, agressão, homicídio), o
que reflete prejuízo no teste de realidade e no juízo crítico. Por isso, em qualquer entrevista inicial deve-se
perguntar ativamente, mas de forma sensível sobre ideação suicida, homicida e de agressão. O conteúdo do
pensamento expressa as preocupações do paciente, que podem ser ideias supervalorizadas, idéias delirantes,
delírios, preocupações com a própria doença, problemas alheios, obsessões, fobias, etc.
AVALIAÇÃO:
Em uma amostra do discurso do paciente, ou seja, durante a entrevista, observa-se a produção, o curso e o
conteúdo do seu pensamento. Na avaliação da produção (ou forma) do pensamento observa-se se o paciente tem
um discurso coerente, se segue as leis da sintaxe, se a inferência de conclusões é lógica, e se as associações entre
as idéias fazem sentido. Deve-se considerar a cultura do paciente ao avaliar-se o conteúdo de seu pensamento,
uma vez que crenças compartilhadas por uma comunidade são vistas como naturais entre seus membros e não
como um sintoma. Por exemplo, acreditar que a sexualidade de uma pessoa foi enfeitiçada, como por "voodoo", e
que um homem não readquirirá sua potência até que o feitiço seja desfeito não é necessariamente um delírio.
Desta forma é preciso conhecer detalhadamente a cultura e religião dos pacientes em avaliação para que não se
identifiquem falsos sinais e sintomas.
ALTERAÇÕES:
Produção:
Ilógica (irreal, difícil ou impossível de seguir a linha de raciocínio, desagregado);
Mágica (misticismo, poderes, influência a distância) DSM; o Curso: lento; acelerado; com fuga de idéias
(associação de palavras de maneira inapropriada, com base em seu significado, p.e. branco-preto- caixão);
Perda de associações (o paciente se perde no meio do discurso, sem saber sobre o quê vinha falando);
Tangencialidade (não ocorre aprofundamento nos assuntos, o paciente detém-se em detalhes e tem dificuldade
de falar sobre o ponto de interesse em si)
Circunstancialidade (conta coisas desnecessárias, detalhes, ao invés de chegar ao ponto em questão);
Professora: Maria Flor 2022 25
Bloqueio do pensamento (parada súbita e inesperada de seus pensamentos, quando vinham fluindo
normalmente, na ausência de ansiedade; é extremamente raro);
Perseveração (ocorre a permanência no mesmo assunto, mesmo que se tente mudar o tópico, o paciente, sem
se dar conta, retoma sempre o determinado assunto);
Pobreza do pensamento; associação por rimas (semelhante à fuga de idéias, porem apenas em relação aos
sons, p.e. maquinista-fascista),CID;
O Conteúdo: delírio ou idéia delirante (idéia falsa ou crença irreal com impossibilidade de conteúdo, certeza
extraordinária, não compartilhada por outros com a mesma cultura, religião e na mesma sociedade, e
impossibilidade de remover esta certeza pela lógica; podem ser, p.e., de inserção, irradiação ou roubo do
pensamento);
Idéias supervalorizadas (crença exagerada, como desconfiança, implicância gratuita);
Idéias de referência (sensação inevitável de que outras pessoas e meios de comunicação referem-se a si,
podendo ser interpretações de palavras ou ações, com crítica de que este sentimento origina-se no próprio
paciente);
Pobreza (pouca informação, repetições vazias, vago); obsessões (idéias, imagens ou impulsos repetitivos
desagradáveis que entram involuntariamente na mente do paciente que não consegue livrar-se delas).
Quanto à temática das idéias supervalorizadas ou delirantes (e delírios), elas podem ser persecutórias ou
paranoides (está sendo seguido, observado, procurado, vitimizado, traído), de grandeza, desvalia, ruína,
infidelidade, erotomania, controle, etc.
Tipos específicos de delírios:
Bizarro (crença absurda, totalmente implausível, estranha e falsa);
Niilista (o próprio paciente ou outros estão mortos, não existem ou acabaram);
Capgras (os familiares foram trocados por impostores);
Cotard (as pessoas são bonecos).
Transtornos mais comuns:
Esquizofrenia; mania; hipocondria (preocupação exagerada com a própria saúde, interpretação exagerada de
sinais e sintomas, crença irreal de que é portador de uma doença grave), TOC (exagerar o risco ou poder do
pensamento).
7. JUIZO CRÍTICO
CONCEITO:
É a capacidade para perceber e avaliar adequadamente a realidade externa e separá-la dos aspectos do mundo
interno ou subjetivo. Implica separar sentimentos, impulsos e fantasias próprios, de sentimentos e impulsos de
outras pessoas. Refere-se, ainda, à possibilidade de auto avaliar-se adequadamente e ter uma visão realista de si
mesmo, suas dificuldades e suas qualidades. A capacidade de julgamento é necessária para todas as decisões
diárias, para estabelecer prioridades e prever consequências.
Os distúrbios do julgamento podem ser circunscritos a uma ou mais áreas, como dinheiro ou sexualidade,
mantendo as demais áreas adequadas.
Insight é uma forma mais complexa de juízo. Envolve um grau de compreensão do paciente sobre si mesmo,
seu estado emocional, sua doença e as consequências desta sobre si, pessoas que o cercam e sua vida em geral. O
insight é reconhecido como um importante mecanismo de mudança psíquica nas psicoterapias em geral e em
especial nas psicoterapias de orientação analítica.
O insight emocional leva o paciente a uma mudança em sua personalidade ou padrão de comportamento, de
modo que este conhecimento altera suas ações e experiências no futuro. Diferentemente, no insight intelectual
não ocorrem alterações na personalidade ou comportamento, o paciente continua igual, não tira proveito do novo
conhecimento para uma melhora.
Professora: Maria Flor 2022 26
AVALIAÇÃO:
A partir da entrevista geralmente tem-se uma boa idéia a respeito da capacidade de julgamento e insight.
Porém, nas ocasiões em que permanecem dúvidas pode-se fazer perguntas objetivas, como o que o paciente faria
se encontrasse uma carta endereçada e selada na rua, sendo a resposta adequada a de colocar em uma caixa de
correio.
ALTERAÇÕES:
Falar coisas inapropriadas; ser inconveniente; gastar mais do que pode; não medir consequências; não se dar
conta da gravidade da doença; não reconhecer limitações.
TRANSTORNOS MAIS COMUNS:
Transtornos de Personalidade; Demência; estados psicóticos (TAB, Esquizofrenia).
8. CONDUTA
CONCEITO:
São os comportamentos observáveis do indivíduo: comportamento motor, atitudes, atos, gestos, tiques,
impulsos, verbalizações, etc.
AVALIAÇÃO:
A partir da observação do paciente durante a entrevista, de perguntas objetivas ou de entrevistas com os
familiares, pesquisa-se dados sobre os hábitos do paciente, como o que costuma fazer todos os dias e em situações
especiais (maneira como se diverte, trabalha, convive socialmente); procura-se observar a movimentação do
paciente (lento ou agitado), a forma como se expressa através da anamnese; e procura-se alterações, indagando
sobre o uso de drogas, roubos, tentativa de suicídio, hostilidade, compulsões, impulsos, comportamentos
agressivos, rituais, vida sexual, relacionamentos interpessoais, etc.
ALTERAÇÕES:
Inquietação, agitação (hiperatividade, aumento de energia) ou retardo (hipoatividade, diminuição do interesse
por atividades, lentificação dos movimentos e da fala) psicomotores; agressividade, sadismo, masoquismo;
comportamento catatônico (ficar parado, sem qualquer movimento durante horas, mesmo em posição
desagradável, podendo alternar-secom hiperatividade), bizarro (fazer coisas absurdas ou estranhas, como revirar
lixo) ou autista (concentrado em si mesmo e independente do mundo ao seu redor); negativismo (fazer o contrário
do que é solicitado); tiques e cacoetes; comportamento histriônico (sentimentos expressos de forma exagerada e
dramática); risos imotivados; uso/abuso de álcool , drogas e fissura (ou "craving", perda do controle em busca do
uso de SPA), roubo, vandalismo, exposição ao perigo; jogo, compras/gastos, comer compulsivos ou excessivos;
mesquinhez; anorexia; tentativa de suicídio, suicídio, homicídio; aumento ou diminuição da atividade sexual,
parafilias; tricotilomania; impulsividade; compulsões (urgência irresistível de realizar um ato motor aparentemente
sem motivo, repetitivo, estereotipado, reconhecido como sem significado; rituais, limpeza e ordem exagerados,
evitações); somatizações, estados dissociativos (sintomas físicos persistentes sem explicação plausível), estados de
transe; diluição das habilidades sociais (não se dar conta que está se comportando mal em público), piora dos
cuidados pessoais (higiene), isolamento social (evitar encontros com amigos, familiares); aparência excêntrica
(diferente do seu grupo sociocultural, com roupas, ornamentos, postura ou trejeitos muito discrepantes).
TRANSTORNOS MAIS COMUNS:
Transtorno de Personalidade Antissocial (conduta impulsiva, uso de SPA, RA, RH); Depressão (retardo
psicomotor, RS, TS, negativismo); Mania (aceleração, inquietude, RA, gastos excessivos, hiperatividade sexual);
Esquizofrenia (bizarra, catatônica, risos imotivados, RA, RS, RH, piora das habilidades sociais); "Novelty Seeker"; T
Alimentar; TP Borderline, TOC, Fobias.
Professora: Maria Flor 2022 27
9. LINGUAGEM
CONCEITO:
É a maneira como a pessoa se comunica, verbal ou não verbalmente, envolvendo gestos, olhar, expressão facial
ou por escrito.
AVALIAÇÃO:
Costuma-se dar mais ênfase à fala, avaliando-se a quantidade (loquaz, prolixo, taciturno, não espontâneo ou
normal), velocidade ou fluxo (verbalização rápida, lenta, hesitante, monótona) e qualidade (gagueira, ecolalia).
Também é interessante se observar o volume (alto ou baixo), a gramática e sintaxe, e o vocabulário ou escolha de
palavras, o que possibilita a realização de inferências sobre a organização do pensamento e cognição.
ALTERAÇÕES:
Podem ser encontradas na comunicação oral, escrita e mímica, espontânea ou em resposta. Exemplos: disartria
(dificuldade na articulação da palavra), gagueira, bradilalia (falar muito devagar), taquilalia (falar muito rápido),
ecolalia (repetir as últimas palavras do interlocutor), afasia (não conseguir falar), logorréia (não parar de falar),
mutismo (ficar completamente quieto), vulgaridade (usar vocabulário de baixo calão), coprolalia (uso de palavras
obcenas); disgrafia (escrever palavras incorretamente); alterações da mímica facial (ausência, exagero, tiques).
Neologismos (invenção de palavras com significados particulares para o paciente), salada de palavras e associação
por rimas refletem um processo de pensamento desgregado.
TRANSTORNOS MAIS COMUNS:
Gilles de la Tourette, Esquizofrenia, SCO e intoxicação por drogas (afasia, disartria), Mania (taquilalia e logorréia).
OS PRINICPAIS TRANSTORNOS PSICOLÓGICOS, SINAIS E SINTOMAS
1. TRANSTORNOS DO HUMOR.
O humor é o estado emocional basal do indivíduo e é expresso de forma difusa. A oscilação do
humor ocorre em todos e é considerada normal. Porém, quando acontece de forma exagerada, intensa e
duradoura, de forma a causar prejuízo, é considerada patológica.
. A eutimia é o estado de humor normal, sem alteração; hipertimia é um estado exagerado de
humor, uma felicidade patológica; e hipotimia é um rebaixamento exagerado de humor.
São considerados transtornos do humor as doenças que tem como principal alteração o estado de
humor. Os principais são transtorno bipolar e depressão, mas também existem outros transtornos do
humor como transtorno disfórico pré-menstrual, ciclotimia e transtorno disruptivo da desregulação do
humor.
TIPOS DE TRANSTORNOS DE HUMOR
Transtorno depressivo maior
O transtorno depressivo maior (TDM) é um transtorno de humor no qual o paciente apresenta
episódios onde são percebidas alterações no afeto, na cognição e em funções neurovegetativas. Embora
Professora: Maria Flor 2022 28
o diagnóstico seja dado com apenas um episódio depressivo, a doença geralmente apresenta recorrência
se não tratada.
Ela atinge cerca de 121 milhões de pessoas ao redor do mundo, com prevalência maior no sexo
feminino na proporção de 3:1. O Brasil ocupa a quinta posição mundial de transtornos depressivos com
prevalência de 9,3%.
Um episódio depressivo é definido como uma alteração do estado basal do paciente por um
período mínimo de 2 semanas, nas quais ele deve apresentar pelo menos 5 dos critérios abaixo, sendo
obrigatório a presença do critério 1 ou do critério 2.
Os sintomas devem causar sofrimento significativo e prejuízo funcional, além de estarem presentes
quase todos os dias, na maior parte do dia.
1. Humor deprimido.
2. Acentuada diminuição do interesse ou prazer nas atividades.
3. Perda ou ganho significativo de peso sem dieta ou aumento/redução do apetite.
4. Insônia ou hipersonia.
5. Agitação ou retardo psicomotor.
6. Fadiga ou perda de energia.
7. Sentimento de inutilidade ou culpa excessiva.
8. Capacidade diminuída de pensar ou se concentrar.
9. Pensamentos recorrentes de morte.
Fatores ambientais como situações estressoras na infância, abuso sexual e violência são fatores de
risco para desenvolvimento de TDM. Além disso, a história familiar de depressão e presença de doença
orgânica que cause dor crônica aumentam a possibilidade de TDM.
Tratamento
O tratamento do TDM é biopsicosocial e abrange psicoterapia com terapia cognitivo-
comportamental, prática regular de atividade física e escolha de hábitos de vida saudáveis.
Com relação ao tratamento farmacológico, as principais classes de medicação utilizadas são os
inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS) e os inibidores de recaptação de serotonina e
noradrenalina (IRSN). Os antidepressivos tricíclicos bastante usados antigamente são considerados de
segunda linha e menos prescritos hoje em dia devido aos efeitos colaterais, principalmente
anticolinérgicos, como boca seca, constipação intestinal e retenção urinária, e a grande interação
medicamentosa.
2. SÍNDROME DEPRESSIVA
O termo depressão, na linguagem corrente, tem sido empregado para designar tanto um estado afetivo normal
(a tristeza), quanto um sintoma, uma síndrome e uma (ou várias) doença(s).
Os sentimentos de tristeza e alegria colorem o fundo afetivo da vida psíquica normal. A tristeza constitui-se na
resposta humana universal às situações de perda, derrota, desapontamento e outras adversidades.
Cumpre lembrar que essa resposta tem valor adaptativo, do ponto de vista evolucionário, uma vez que, através
do retraimento, poupa energia e recursos para o futuro. Por outro lado, constitui-se em sinal de alerta, para os
demais, de que a pessoa está precisando de companhia e ajuda.
Professora: Maria Flor 2022 29
As reações de luto, que se estabelecem em resposta à perda de pessoas queridas, caracterizam-se pelo
sentimento de profunda tristeza, exacerbação da atividade simpática e inquietude. As reações de luto normal
podem estender-se até por um ou dois anos, devendo ser diferenciadas dos quadros depressivos propriamente
ditos. No luto normal a pessoa usualmente preserva certos interesses e reage positivamente ao ambiente, quando
devidamente estimulada.
Não se observa, no luto,a inibição psicomotora característica dos estados melancólicos. O sentimento de culpa,
no luto, limita-se a não ter feito todo o possível para auxiliar a pessoa que morreu; outras idéias de culpa estão
geralmente ausentes.
Enquanto sintoma, a depressão pode surgir nos mais variados quadros clínicos, entre os quais: transtorno de
estresse pós-traumático, demência, esquizofrenia, alcoolismo, doenças clínicas, etc. Pode ainda ocorrer como
resposta a situações estressantes, ou a circunstâncias sociais e econômicas adversas.
Enquanto síndrome, a depressão inclui não apenas alterações do humor (tristeza, irritabilidade, falta da
capacidade de sentir prazer, apatia), mas também uma gama de outros aspectos, incluindo alterações cognitivas,
psicomotoras e vegetativas (sono, apetite).
Finalmente, enquanto doença, a depressão tem sido classificada de várias formas, na dependência do período
histórico, da preferência dos autores e do ponto de vista adotado. Entre os quadros mencionados na literatura
atual encontram-se: transtorno depressivo maior, melancolia, distimia, depressão integrante do transtorno bipolar
tipos I e II, depressão como parte da ciclotimia, etc.
SINTOMAS PSÍQUICOS
Humor depressivo: sensação de tristeza, autodesvalorização e sentimentos de culpa.
Os pacientes costumam aludir ao sentimento de que tudo lhes parece fútil, ou sem real importância. Acreditam
que perderam, de forma irreversível, a capacidade de sentir alegria ou prazer na vida. Tudo lhes parece vazio e
sem graça, o mundo é visto "sem cores", sem matizes de alegria.
Redução da capacidade de experimentar prazer na maior parte das atividades, antes consideradas como
agradáveis. As pessoas deprimidas podem relatar que já não se interessam pelos seus passatempos prediletos.
As atividades sociais são frequentemente negligenciadas, e tudo lhes parece agora ter o peso de terríveis
"obrigações".
Fadiga ou sensação de perda de energia. A pessoa pode relatar fadiga persistente, mesmo sem esforço físico, e
as tarefas mais leves parecem exigir esforço substancial. Lentifica-se o tempo para a execução das tarefas.
Diminuição da capacidade de pensar, de se concentrar ou de tomar decisões. Decisões antes quase
automáticas parecem agora custar esforços intransponíveis. Um paciente pode se demorar infindavelmente
para terminar um simples relatório, pela incapacidade em escolher as palavras adequadas. O curso do
pensamento pode estar notavelmente lentificado. Professores experientes queixam-se de não conseguir
preparar as aulas mais rotineiras; programadores de computadores pedem para serem substituídos pela atual
"incompetência"; crianças e adolescentes têm queda em seus rendimentos escolares, geralmente em função da
fatigabilidade e déficit de atenção, além do desinteresse generalizado.
SINTOMAS FISIOLÓGICOS
Alterações do sono (mais frequentemente insônia, podendo ocorrer também hipersonolência). A insônia é, mais
tipicamente, intermediária (acordar no meio da noite, com dificuldades para voltar a conciliar o sono), ou terminal
(acordar mais precocemente pela manhã). Pode também ocorrer insônia inicial. Com menor frequência, mas não
raramente, os indivíduos podem se queixar de sonolência excessiva, mesmo durante as horas do dia.
Alterações do apetite (mais comumente perda do apetite, podendo ocorrer também aumento do apetite).
Muitas vezes a pessoa precisa esforçar-se para comer, ou ser ajudada por terceiros a se alimentar. As crianças
podem, pela inapetência, não ter o esperado ganho de peso no tempo correspondente. Algumas formas específicas
de depressão são acompanhados de aumento do apetite, que se mostram caracteristicamente aguçados por
carboidratos e doces.
Professora: Maria Flor 2022 30
redução do interesse sexual
EVIDÊNCIAS COMPORTAMENTAIS
Retraimento social
Crises de choro
Comportamentos suicidas
Retardo psicomotor e lentificação generalizada, ou agitação psicomotora.
Frequentemente os pacientes se referem à sensação de peso nos membros, ou ao "manto de chumbo" que
parecem estar carregando. Em recente revisão da literatura sobre os estados depressivos, o item "retardo
psicomotor" foi o denominador comum, em nove sistemas classificatórios, como traço definidor da melancolia.
3. TRANSTORNO BIPOLAR.
O transtorno bipolar (CID 10 - F31) é um transtorno psiquiátrico que provoca alterações no comportamento e
leva uma pessoa a oscilar entre momentos de euforia e depressão repentinamente. As chamadas "oscilações de
humor" significam alternâncias entre os chamados estados de mania, hipomania e depressão. A frequência é
variada, assim como a intensidade do quadro que pode ser leve, moderada ou grave.
Existem diferentes tipos de transtorno bipolar e todos eles afetam os níveis de humor, energia e eficiência do
indivíduo. Sendo assim é possível que a pessoa manifeste estados de humor extremamente enérgico ou muito
triste e sem energia.
Os episódios de alteração de humor podem acontecer em espaços de tempo variados - raramente ou várias
vezes ao ano.
Ainda que o transtorno bipolar seja uma condição que não tem cura, é possível controlar as alterações de
humor com medicamentos específicos e acompanhamento com tratamento psicoterápico.
Quando um paciente com transtorno bipolar está sem tratamento cada fase pode durar de três a seis meses,
depois existe uma fase de normalidade que é variável e posteriormente uma fase de euforia que também pode
durar de três a seis meses. Com tratamento adequado este período pode ser abreviado.
TIPOS
Além disso, pessoas com episódios maníacos podem manifestar comportamentos que destoam do habitual, como
gastar muito dinheiro, ter mais relações sexuais, ter planos e ideias irreais e perder o contato com a realidade.
TRANSTORNO BIPOLAR TIPO 1
Nesse tipo de transtorno bipolar, o paciente apresenta ciclos definidos, no qual é possível identificar pelo menos
um episódio maníaco, de curta duração (uma semana, no mínimo) e períodos de depressão profunda. Durante um
episódio maníaco uma pessoa com transtorno bipolar pode manifestar tanto euforia quanto irritabilidade.
Muitas pessoas com transtorno bipolar 1 passam longos períodos sem sintomas entre os episódios da doença.
Algumas pessoas podem manifestar sintomas rápidos de mania e depressão. Também é possível que manifestem
características mistas, com sintomas maníacos e depressivos ocorrendo simultaneamente ou podem alternar entre
um pólo e outro no mesmo dia.
Os episódios depressivos são similares à depressão convencional, com baixa energia, sentimentos de culpa e
tristeza.
https://www.minhavida.com.br/saude/temas/transtorno-bipolar
https://www.minhavida.com.br/saude/temas/depressao
Professora: Maria Flor 2022 31
TRANSTORNO BIPOLAR TIPO 2
Pessoas com transtorno bipolar tipo 2 não possuem ciclos de oscilação tão definidos quanto os pacientes tipo 1
– são oscilações de humor mais sutis. Isso porque nessa variação do transtorno, as mudanças de humor são mais
sutis. Além disso, é importante dizer que nesse ciclo o paciente não atinge a mania completa e manifesta com mais
frequência episódios de depressão.
Durante um episódio de oscilação a pessoa com transtorno bipolar tipo 2 pode achar que está melhorando da
depressão, por estar mais sociável e com disposição. No entanto, esse aumento de euforia, na verdade, são
desequilíbrios bioquímicos que contribuem para que aconteçam novas depressões no futuro.
Como nesse tipo de transtorno as alterações não são muito evidentes, pode acontecer de o psiquiatra pedir
para conversar com um parente ou uma pessoa próxima do paciente, a fim de obter um outro ponto de vista sobre
o caso em questão.
Os sintomas apresentados na fase de depressão são os mesmosde um episódio depressivo: humor deprimido,
falta de energia, falta de iniciativa e vontade, falta de prazer, alteração do sono, alteração do apetite, lentidão do
pensamento, lentidão motora.
Já nas fases de euforia, o paciente pode apresentar sintomas como: agitação, ocupação com diversas atividades,
obsessão com determinados assuntos, aumento de impulsividade, aumento de energia, desatenção e
hiperatividade. A pessoa com esse quadro geralmente acha que está bem e saudável.
O risco de tentativas de suicídio em pessoas com transtorno bipolar é grande. Os pacientes podem abusar do
álcool ou de outras substâncias, piorando os sintomas.
O risco de tentativas de suicídio em pessoas com transtorno bipolar é grande. Os pacientes podem abusar do
álcool ou de outras substâncias, piorando os sintomas.
As oscilações de humor podem ocorrer também de acordo com a estação do ano. Algumas pessoas, por
exemplo, possuem picos de mania ou hipomania durante a primavera e o verão (estações mais quentes), e
sintomas de depressão durante as estações mais frias, como o outono e o inverno. Para outras pessoas, acontece o
oposto.
As mudanças de humor podem acontecer com mais frequência em algumas pessoas, com oscilações
acontecendo de quatro a cinco vezes por ano e, em alguns casos, até mesmo várias vezes ao dia.
Episódios de mania e depressão podem resultar também em psicose, doença em que há perda de contato com a
realidade.
CAUSAS
A causa exata do transtorno bipolar ainda é desconhecida, mas a ciência acredita que diversos fatores possam
estar envolvidos nas oscilações de humor provocadas pela doença, como:
Fisiologia do cérebro
Desequilíbrio entre os neurotransmissores
Desequilíbrio hormonal
Fatores genéticos
Estresse
Violência sexual e outras experiências traumáticas.
TRANSTORNO BIPOLAR COMEÇA NA ADOLESCÊNCIA
O transtorno bipolar começa tipicamente na adolescência ou início da idade adulta e continua ao longo da vida.
Muitas vezes não é reconhecido como uma doença e os pacientes podem sofrer por anos ou décadas sem o
diagnóstico, já que o quadro é difícil de ser identificado se diagnosticar.
Uma razão é a hipomania. Por ser um sinal precoce da doença, a hipomania pode levar a pessoa a ter um alto
nível de energia, pensamentos grandiosos ou ideias e comportamentos impulsivos.
Estes sintomas podem até fazer a pessoa se sentir bem de alguma forma, levando a uma negação da existência
de um problema.
Professora: Maria Flor 2022 32
Outra razão para a falta de reconhecimento é que o transtorno bipolar pode aparecer com sintoma de outras
doenças ou pode ocorrer em paralelo com outros problemas, como abuso de substâncias, problemas de
comportamento irregular na escola ou em seu local de trabalho.
FATORES DE RISCO
Alguns fatores de risco presentes na vida do indivíduo podem contribuir para o desenvolvimento de transtorno
bipolar. São eles:
Histórico familiar da doença
Estresse intenso
Uso e abuso de drogas recreativas e/ou álcool
Mudanças de vida e experiências traumáticas
Ter entre 15 e 25 anos.
4. DISTIMIA E CICLOTIMIA.
A distimia é um transtorno de humor crônico, caracterizado por humor depressivo que dura a maior parte do
dia e que está presente de forma quase contínua.
As manifestações distímicas mais frequentes e típicas são sentimentos de inadequação, culpa, irritabilidade,
raiva e reclusão da sociedade, perda de interesse, falta de produtividade e inatividade.
No passado a distimia (“mal humorado”) era classificada como neurose depressiva ou depressão neurótica. A
distinção com a depressão maior ou transtorno depressivo (DSM IV - TR) é que os pacientes com distimia se
queixam de que sempre estiveram deprimidos. Portanto, na maioria dos casos a distimia tem inicio precoce e
insidioso; tem início na infância ou adolescência.
A distimia pode ocorrer como condição secundária de outros transtornos psiquiátricos, mas o conceito
fundamental do transtorno distímico se refere a transtorno depressivo sub-afetivo ou subclínico com: cronicidade
de baixo grau por pelo menos dois anos; início insidioso, com o primeiro episódio na adolescência; um curso
persistente ou intermitente.
A história familiar do paciente com distimia é tipicamente repleta de transtornos depressivos e bipolares, um
dos achados mais consistentes a apoiar seu elo com os transtornos primários de humor (SADOCK).
A distimia deve interessar ao médico ou a quem o represente, pois vimos que o transtorno tem início, de forma
insidiosa, a partir da adolescência, que na dependência do diagnóstico precoce e do tratamento poderá fazer do
paciente um indivíduo feliz ou infeliz. Muito importante o diagnóstico precoce e tratamento efetivo seja
psicofarmacológico, psicoterapêutico e os preconizado pela medicina das religiões afro-brasileiras, em que os
aspectos espirituais estão inclusos e têm uma importância fundamental.
O transtorno ciclotímico é sintomaticamente uma forma leve do transtorno bipolar II, caracterizados por
hipomania e depressão leve.
É definido como um “transtorno crônico e flutuante”, como dissemos, com muitos períodos de hipomania e
depressão.
Alguns pesquisadores postulam que o transtorno ciclotímico tem uma relação mais íntima com o transtorno da
personalidade boderline do que com os transtornos do humor.
A despeito destas controvérsias, que devem ser consideradas, não resolvem o transtorno, o sofrimento do
paciente, que com certeza é um atormentado pela “própria consciência”, instigada, segunda a visão da medicina
das religiões afro-brasileiras, por antagonistas espirituais vários, cada paciente caracterizado por seus dramas, que
demandam uma acurada observação e tratamento imediato.
.
https://www.minhavida.com.br/saude/temas/estresse
Professora: Maria Flor 2022 33
5. TRANSTORNOS DE ANSIEDADE.
Ansiedade nada mais é do que uma sensação ruim que sentimos quanto a algo. Nós criamos expectativas e
receios diante de uma situação, características totalmente normais do ser humano, quando apresentadas de forma
controlada e esporádica.
Ter o transtorno da ansiedade é quando esse sentimento se expressa de forma ampla e constante, nos
impedindo de realizar tarefas, e nos enclausurando de alguma forma. As reações físicas e mentais são inúmeras e
trazem consigo diversos problemas para nosso corpo e nossa mente, interferindo no convívio em sociedade.
Existem diversos tipos de transtornos e é comum apresentar mais de um. Problemas como a depressão serão
adquiridos se os sintomas não forem tratados. As consultas com psicólogos são muito efetivas na maioria dos
casos. As mais afetadas com os distúrbios de ansiedade são as mulheres, mas o problema pode atingir qualquer
pessoa, e geralmente se apresentam na adolescência ou na fase adulta.
SINTOMA DO TRANSTORNO
Vale lembrar que esses transtornos não são algo temporário, tampouco simples de se controlar, isto porque a
pessoa precisa do apoio das pessoas próximas. É um abismo muito fundo para enxergar sozinho a saída. Em nossa
sociedade ainda é muito comum às pessoas ignorarem aos sintomas e achar que o que sente é um simples
momento de fragilidade. Tome cuidado se você sente ou conhece alguém que apresenta indícios do problema, esse
transtorno age como um veneno no organismo e acabará com ele aos poucos.
Principais sintomas de crise de ansiedade:
Ansiedade – Sintomas Físicos
Tremores;
Falta de Ar;
Dor no peito;
Fome incontrolável;
Diarreia;
Tensões nos músculos;
Taquicardia;
Sudorese;
Dilatação das pupilas.
SINTOMAS PSICOLÓGICOS
Medo de falar em Público :
É normal sentir um desconforto no momento de falar diante de várias pessoas, o que chamamos de frio na barriga.Mas quando os sintomas se apresentam de forma muito forte que te impedem de realizar o ato ou se você passa
dias pensando no que terá que fazer com medo e insegurança descontrolada, você tem um dos sintomas de fobia
social.
Preocupação em Excesso
A preocupação é tão intensa que causa fadiga. As pessoas com esse sintoma desperdiçam o seu tempo pensando
até em coisas corriqueiras e sem importância e tudo passa a ter um significado tão grande na vida delas que parece
Professora: Maria Flor 2022 34
que os problemas irão esmagá-las. Também, os acontecimentos pequenos ou grandes trazem sofrimentos para
quem tem esse transtorno.
Insegurança
Nem sempre só falar em público é problema. Pessoas com distúrbio social têm taquicardia só de pensar em sair
com um conhecido para uma conversa, ou de ir almoçar sozinho no intervalo do trabalho por exemplo. Elas se
sentem totalmente inseguras e frágeis, a impressão é que todos os olhares estão voltados para elas. Conversar se
torna um ato muito difícil, as frases não se formam pois ela está mais preocupada com o todo acontecendo ao seu
redor do que com o assunto da conversa.
Problema de Sono
Pelo menos metade das pessoas com transtorno de ansiedade sofre com problemas de sono. O nervosismo e a
tensão pela expectativa de algo é tão grande que elas não conseguem adormecer, ou não se mantém no sono, e
isso não é algo corriqueiro, ao contrário, as noites mal dormidas passam a ser cada vez mais frequentes.
COMPORTAMENTOS OBSESSIVOS CONSTANTES
Pessoas que se julgam demais, ou estabelecem normas para tudo na vida, provavelmente sofrem de
comportamentos obsessivos. Esse problema pode iniciar com simples atos, como ter que olhar diversas vezes na
casa se deixou tudo no lugar antes de sair, ou se olhar excessivamente no espelho para ver se a roupa ou a
maquiagem está impecável. Outro sintoma menos comum mas não menos relevante são as repetições mentais ou
verbais, como por exemplo “mantenha o foco, vai dar tudo certo”.
PÂNICO
Esse sintoma é aterrorizante, as pessoas com crises de pânico sentem falta de ar, o peito e a garganta apertam,
as mãos esfriam e coração parece que saltará pela boca. Você quer pedir ajuda ou socorro, mas a voz não sai, é
como se estivesse em um filme de terror. Essa sensação pode durar por vários minutos.
MEDOS IRRACIONAIS
Muitas vezes esse tipo de fobia nem se torna consciente na vida da pessoa. Ele só se manifesta quando será
necessário fazer algo e ela só percebe no momento.
Um exemplo que podemos dar é medo de abelha, onde em determinada ocasião você terá que passar por uma
estrada e tem uma colmeia em um poste, e você simplesmente não consegue seguir adiante porque elas estão lá. A
probabilidade de alguma delas te picar é mínima, mas o medo é tão grande que você congela. Ou seja, esse tipo de
fobia se manifesta quando percebemos que somos incapazes de realizar algo por medo de alguma coisa.
TIPOS DE TRANSTORNO DE ANSIEDADE
Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)
É o mais comum. A pessoa passa praticamente o dia todo ansiosa e em alguns momentos tem uns picos de
ansiedade. Geralmente acontecem com um nervosismo por uma situação que não aconteceu ainda, ou
simplesmente por receios.
ESTRESSE PÓS TRAUMÁTICO
Acontece quando os sintomas de ansiedade começam a surgir após algum ocorrido na vida da pessoa que a
deixou traumatizada ou marcada. Pode ser por uma perda muito grande, algum tipo de violência sofrida, por
exemplo. Esses pensamentos dos momentos ruins retornam a qualquer instante, até mesmo em sonhos.
SÍNDROME DO PÂNICO
São períodos de crises intensas de ansiedade, que se desencadeiam por algum tipo de trauma e medo agudo. É
muito comum se evitar de ficar em locais com pouco fluxo de pessoas, com medo de não conseguir ajuda durante
os ataques.
TRANSTORNO OBSESSIVO-COMPULSIVO (TOC)
Professora: Maria Flor 2022 35
São pensamentos, ideias que estão constantes na cabeça da pessoa e ela não consegue viver se não realizar a
tarefa, como um ritual.
FOBIAS
São apresentações de ansiedades de maneira intensa, podendo ser elas relacionadas a um objeto ou situação,
por exemplo, medo de baratas (tão intenso de forma que a pessoa não pode nem sequer ver a imagem de uma
barata), ou também a fobias sociais, como medo descontrolado de falar em público ou de estar no meio dele.
O ser humano sempre pode apresentar algum comportamento diferenciado em alguma parte de sua vida, é
totalmente normal.
Os sintomas da ansiedade excessiva se apresentam quando você deixa de viver por causa de preocupações ou
por medos sem fundamento.
Esse tipo de problema psicológico não é algo que passa sozinho com o tempo, ele deve ser tratado.
Normalmente é necessário ajuda psicológica e terapêutica para aprender a superar suas limitações e entender os
seus traumas.
Se você conhece alguém com esse transtorno ou se você passa por esse tipo de problema, procure por um
especialista. A nossa mente pode ser o nosso maior aliado ou o nosso pior inimigo, então não deixe de cuidar de
sua saúde.
6. TRANSTORNO DE PÂNICO
Crises de pânico: são intensas crises de ansiedade, nas quais ocorre importante descarga do sistema nervoso
autônomo, produzindo sintomas como taquicardia, sudorese, tremores, dispneia, náuseas, fogachos,
formigamentos em membros ou lábios. Pode experimentar diversos graus de despersonalização, com a sensação
de a cabeça ficar leve, o corpo ficar estranho, sensação de perda de controle, auto estranhamento e também
desrealização.
Ocorre também medo de um infarto, de morrer e/ou enlouquecer. São desencadeadas por condições como:
aglomerações, túneis ou congestionamentos, situações de ameaça, etc.
A Síndrome do pânico, caso as crises sejam recorrentes com desenvolvimento do medo de ter novas crises.
Podem ou não ser acompanhadas de agora fobia.
A Síndrome do Pânico (Transtorno de Pânico) faz parte dos Transtornos de Ansiedade e é caracterizada por
repetidas crises de ansiedade onde surgem sensações de medo intenso.
SINTOMAS
A ansiedade e o medo disparam diversos outros sintomas como taquicardia, sudorese, formigamento das mãos,
pés, boca, calafrios, sensação de falta de ar, tremores, sensação de morte entre outros.
CAUSA
A crise é desencadeada por algum fator (gatilho) interno como um pensamento, um fator externo, como uma
situação difícil de enfrentar, ou simplesmente “do nada”.
DIAGNÓSTICO
Os indivíduos que sofrem com esse Transtorno, vivem apreensivos e normalmente acreditam ter alguma doença
que possa ser a desencadeadora dos sintomas (problemas cardíacos, respiratórios, mentais…) e por isso costumam
buscar avaliações médicas com frequência, realizando exames diversos para se certificarem de que não existe nada
de anormal, porém, mesmo com resultados negativos, não se convencem, e a preocupação permanece.
Para que o diagnóstico seja feito, é necessário que pelo menos dois Ataques de Pânico inesperados tenham
ocorrido. (outros critérios no DSM V)
Devido a toda esta situação, podem mudar drasticamente a vida, evitando sair de casa e até mesmo saindo do
emprego, o que se caracteriza por um comportamento de fuga do enfrentamento ou esquiva da situação. Neste
caso, o diagnóstico passa a se chamar Transtorno de Pânico com Agorafobia.
COMORBIDADES
Professora: Maria Flor 2022 36
A falta de tratamento adequado pode favorecer o surgimento de outras patologias como depressão e fobias.
Portanto, é fundamental ficar atento ao quadro sintomático.
TRATAMENTOS
O tratamento é uma combinação de medicação e psicoterapia. Durante o processo terapêutico se avalia junto
ao paciente a relação entre os fatos e as crises, como ele faz esta interpretaçãoe como pode racionalizá-la para
que possa ocorrer a ressignificação. Pode ocorre também a estimulação do paciente para exposição gradativa e
progressiva a situações que desencadeiam o pânico até que ocorra a dessensibilização e a reestruturação cognitiva.
A hipnose também pode ser utilizada como ferramenta terapêutica e durante o transe promover relaxamento
profundo, favorecendo a hipermnésia e o enfrentamento de situações com a ponte para o futuro e assim criando
novas formas de lidar com as situações.
Atividade física, yoga, meditação e acupuntura também podem ser associadas ao tratamento para favorecer o
controle da ansiedade.
A família tem um papel fundamental para o paciente, visto que é ela que vai dar suporte nos momentos de
crise, encorajá-lo e incentivá-lo na manutenção do tratamento, bem como no retorno à rotina, evitando assim a
piora do quadro.
7. AGORAFOBIA.
Agorafobia cujo medo e angustia se relaciona a espaços amplos ou com muitas pessoas, a possibilidade de estar
em locais onde possa ser difícil escapar ou onde o auxilio ou a presença de pessoas próximas não seja rapidamente
acessível.
Têm crises de medo e angustia quando estão fora de casa, medo de viajar decarro, ônibus ou avião. Tendência a
evitar tais situações o que leva a um estreitamento das possibilidades vivenciais.
Agorafobia é o medo de estar em situações onde escapar pode ser difícil, ou a ajuda não esteja disponível, se as
coisas derem errado. Muitas pessoas acham que a agorafobia é simplesmente um medo de espaços abertos, mas é
mais complexo do que isso. Uma pessoa com agorafobia pode ter medo de:
Viajar nos transportes públicos
Uma visita a um centro comercial
Sair de casa.
Se as pessoas com agorafobia se encontram em uma situação estressante eles normalmente experimentam
sintomas de um ataque de pânico, tais como:
Batimento cardíaco rápido
Respiração rápida (hiperventilação)
Sensação de calor e suado
Sensação de mal-estar.
Eles evitam situações que causam ansiedade e só pode sair de casa com um amigo ou parceiro, ou mantimentos
ordem on-line em vez de ir ao supermercado. Essa mudança de comportamento é conhecida como fuga.
SINTOMAS AGORAFOBIA
A gravidade da agorafobia pode variar significativamente entre diferentes pessoas com a doença. Por exemplo,
alguém com agorafobia grave pode ser incapaz de sair de casa, enquanto alguém que tem agorafobia leve pode ser
capaz de viajar curtas distâncias sem problemas.
Os sintomas de agorafobia podem ser classificados em três tipos:
Físico
Professora: Maria Flor 2022 37
Cognitiva (sintomas associados com o pensamento)
Comportamental.
Estas são explicadas em mais detalhe abaixo.
OS SINTOMAS FÍSICOS
Os sintomas físicos de agorafobia geralmente ocorrem somente quando você se encontra em uma situação ou
ambiente que provoca ansiedade. No entanto, muitas pessoas com agorafobia raramente apresentam sintomas
físicos, porque eles deliberadamente evitar situações que os tornam ansiosos.
Os sintomas físicos da agorafobia podem ser semelhantes aos de um ataque de pânico e podem incluir:
Batimento cardíaco rápido
Respiração rápida (hiperventilação)
Sensação de calor e suado
Sensação de mal estar
Dor de estômago
Dor no peito
Dificuldade em engolir ( disfagia )
Diarreia
Trêmulo
Tontura
Zumbido nos ouvidos ( zumbido )
Sensação de desmaio.
OS SINTOMAS COGNITIVOS
Os sintomas cognitivos de agorafobia são sentimentos ou pensamentos que podem ser, mas nem sempre,
relacionada com os sintomas físicos.
Os sintomas cognitivos podem incluir o medo que:
Um ataque de pânico vai fazer você parecer estúpido ou constrangido na frente de outras pessoas.
Um ataque de pânico vai ser fatal. Por exemplo, você pode estar preocupado que seu coração vai parar ou você
não será capaz de respirar.
Você não seria capaz de escapar de um lugar ou situação se estivesse a ter um ataque de pânico.
Você está perdendo sua sanidade.
Você pode perder o controlo em público.
Você pode tremer e blush na frente das pessoas.
Você pode ser observado.
Existem também os sintomas psicológicos não relacionados aos ataques de pânico, incluindo:
1. Sensação de que você seria incapaz de funcionar, ou sobreviver, sem a ajuda de outros
2. Um medo de ser deixado sozinho em sua casa (monophobia)
3. Um sentimento geral de ansiedade ou medo.
SINTOMAS COMPORTAMENTAIS
Os sintomas de agorafobia, relativamente ao comportamento incluem:
Evitar situações que poderiam levar a ataques de pânico, como lugares lotados, transportes públicos e filas
Não ser capaz de sair de casa por longos períodos de tempo (sair de casa)
A necessidade de estar com alguém que você confia, quando vai a lugar nenhum
Evitar estar longe de casa.
OS FATORES PSICOLÓGICOS
Os fatores psicológicos que aumentam o risco de desenvolver agorafobia incluem:
1. Uma experiência de infância traumática, como a morte de um pai ou de ser abusada sexualmente
Professora: Maria Flor 2022 38
2. Passando por um evento estressante, como luto ou perda de emprego
3. História prévia de doenças mentais, como depressão, anorexia nervosa ou bulimia
4. Ter álcool ou problemas de abuso de drogas
5. Estar em um relacionamento infeliz, ou em um relacionamento onde o parceiro é muito controle.
Às vezes pode ser difícil falar com alguém sobre seus sentimentos, emoções e vida pessoal. No entanto, você
deve tentar não se sentir ansioso ou constrangido. O seu médico precisa de uma boa compreensão de seus
sintomas para que eles possam fazer o diagnóstico correto e recomendar o tratamento mais adequado para sua
condição.
TRATAMENTO AGORAFOBIA
Um especialista em terapia cognitivo-comportamental explica como isso funciona o tratamento psicológico e
que poderiam se beneficiar com isso.
Existem técnicas que você pode usar durante um ataque de pânico para trazer suas emoções sob controlo
melhor. Ter mais confiança no controle de suas emoções pode, então, torná-lo mais confiante em lidar com
situações e ambientes previamente desconfortáveis.
TRANSTORNO DE ANSIEDADE SOCIAL (FOBIA SOCIAL).
Fobia social: caracteriza-se por um medo intenso e persistente de situações sociais que envolvam expor-se ao
contato interpessoal, a demonstrar um certo desempenho ou situações competitivas ou de cobrança. Angústia de
falar em público. O medo á exposição é mais forte com pessoas estranhas ou hierarquicamente tidas como
superiores. Tende a evitar tais situações e reconhece o caráter absurdo de seus temores.
Pode ser considerado normal o indivíduo sentir-se ansioso diante de situações novas e desconhecidas,
principalmente quando se é avaliado, como no caso de uma entrevista de emprego. Porém, aquele que possui
Fobia Social, potencializa este medo, e muitas vezes de forma antecipatória.
De acordo com o DSM V, no transtorno de ansiedade social (fobia social), o indivíduo é ansioso e teme ou
esquiva de situações sociais ou outras situações em que poderá ser avaliado ou observado (comer, falar,
escrever…), visto que interpreta o fato como um risco de avaliação negativa.
SINTOMAS –
Além de todo o quadro comportamental e psicológico manifestado durante a crise fóbica, como medo e
apreensão em eventos sociais, preocupações em fazer ou falar algo inconveniente, ser o foco das atenções, medo
de julgamento, dificuldade de interação com pessoas desconhecidas, preocupação em não demonstrar sua
ansiedade, entre outros, alguns sintomas físicos também podem estar presentes como taquicardia, taquipnéia
(respiração ofegante) rubor fácil, sudorese, tremores, voz embargada, entre outros.
CAUSA
Entre as causas que podem explicar o transtorno, pode-se citar situações adversas vividas na infância,situações
negativas e condições aprendidas relacionadas à ansiedade. Por outro lado, questões genéticas de ansiedade social
podem colaborar para o desenvolvimento da doença.
Estatísticas mostram um comparativo onde 30% dos casos de ansiedade social estão relacionados à genética,
permitindo uma conclusão de que os outros 70% podem ter ser por fatores ambientais, traumas e outras situações
vivenciadas na infância e adolescência.
DIAGNÓSTICO
Professora: Maria Flor 2022 39
Para que o diagnóstico seja fechado é necessário que o indivíduo preencha alguns critérios conforme DSM V:
Medo de agir de forma que exponha sua ansiedade e seja avaliado negativamente;
Medo e ansiedade diante de situações sociais, por isso geralmente são evitados;
O medo ou ansiedade é desproporcional à ameaça real;
Geralmente o quadro dura mais de seis meses;
Causa prejuízo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo;
Causa sofrimento clinicamente significativo.
** Outras especificações, consulte o DSM V.
TRATAMENTOS
O tratamento medicamentoso associado à psicoterapia é fundamental. O psiquiatra é o melhor especialista para
prescrever a medicação adequada.
A psicoterapia irá trabalhar com a terapia de exposição gradativa e treino de habilidades sociais de forma que a
ansiedade diminua gradativamente durante eventos de exposição.
As metas para tratamento terapêutico são:
Reduzir a ansiedade antecipatória;
Contrapor constrangimento excessivo;
Eliminar estratégias de segurança;
Fortalecer a tolerância à ansiedade;
Reduzir a inibição;
Eliminar ruminação após evento;
Eliminar crenças centrais.
8. TRANSTORNO DE ANSIEDADE GENERALIZADA.
Ansiedade generalizada caracteriza-se pela presença de sintomas ansiosos excessivos, na maior parte dos dias,
por pelo menos seis meses.
A pessoa vive angustiada, tensa irritada, preocupada. São frequentes sintomas como insônia, dificuldade em,
relaxar, angustia constante, irritabilidade aumentada e dificuldade em concentrar-se.
São comuns também sintomas físicos como taquicardia, tontura, cefaleia, dores musculares, epigastralgias,
formigamentos, sudorese fria. Para o diagnóstico é também necessário verificar se os sintomas causam sofrimento
clinicamente significativo e prejudicam a vida social e ocupacional.
TRATAMENTOS
A medicação e a psicoterapia devem estar associadas para um melhor resultado terapêutico.
Cabem ao terapeuta auxiliar o paciente a desenvolver habilidades para enfrentar os sintomas da doença em
especial sua ansiedade antecipatória e visão negativa e catastrófica das situações.
Da mesma forma que a Fobia Social, o treino em relaxamento no TAG é uma das técnicas que poderá ser
utilizada, porém, não tem tanta eficácia como em outros transtornos de ansiedade. A hipnose pode ser utilizada
para facilitar este processo, focando também no treino respiratório e induções.
SINDROMES DEPRESSIVAS E MANÍACAS
É um problema prioritário de saúde pública. Sintomas afetivos: tristeza, melancolia, choro fácil e/ou frequente,
apatia, sentimento de falta de sentimento, sentimento de tédio, de aborrecimento crônico, irritabilidade
aumentada, angustia e ansiedade, desespero, desesperança.
Professora: Maria Flor 2022 40
ALTERAÇÕES DA ESFERA INSTINTIVA E NEUROVEGETATIVAS
Fadiga, cansaço fácil e constante, desanimo, diminuição da vontade, insônia ou hipersonia, perda ou aumento
do apetite , constipação, palidez, pele fria com diminuição do turgor, diminuição da libido, diminuição da resposta
sexual, anedonia.
Alterações ideativas
Ideação negativa, pessimismo em relação a tudo, ideias de arrependimento e de culpa, ruminações com
mágoas antigas,Visão do mundo marcada pelo tédio, ideias de morte, desejo de desaparecer, dormir para sempre,
ideação planos ou atos suicidas.
9. TRANSTORNO DE ESTRESSE PÓS TRAUMÁTICO (TEP)
Conjunto de sinais e sintomas, caracterizando um quadro psiquiátrico crônico e grave que surge como uma
resposta do indivíduo a um evento traumático específico, e ter reagido a este evento com medo intenso,
impotência e horror (conforme DSM IV).
CAUSA
O desenvolvimento do TEPT é muito individual. As pessoas podem passar pelo mesmo evento catastrófico e
umas desenvolverem o transtorno e outras não. Ou seja, estão envolvidos fatores biopsicossociais, e a forma em
que a pessoa lida com situações de estresse.
Outro fator levantado por uma pesquisa desenvolvida pela UNIFESP (Universidade Federal do Estado de São
Paulo)é que a causa do transtorno poderia estar no “desequilíbrio dos níveis de cortisol ou na redução de 8% a 10%
do córtex pré-frontal e do hipocampo, áreas localizadas no cérebro”.
SINTOMAS
10% das pessoas apresentam sintomas graves, entre eles:
Recordação/vivencia intrusiva e incontrolável do trauma (imagens mentais);
Esquiva e evitação de certas atividades (sair, dirigir, viajar…);
Persistente hipervigilância para novos acontecimentos e perigos;
Sonhos recorrentes com o evento; pesadelos;
Agir ou sentir como se o evento estivesse acontecendo novamente;
Reações fisiológicas diante de situações que lembrem o fato ocorrido;
Dificuldades com o sono;
Dificuldade de concentração;
Pensamentos pessimistas, culpa;
Irritabilidade;
Outros.
DIAGNÓSTICO
O diagnóstico se dá quando o indivíduo apresenta sintomas após exposição a eventos traumáticos, mais
especificamente ao:
Professora: Maria Flor 2022 41
Vivenciar, testemunhar ou ter conhecimento sobre morte ou ameaça de morte, ou da integridade física, ou
ainda danos à terceiros, sejam estes amigos, familiares ou outras pessoas.
Responder a este evento com medo intenso ou terror;
A resposta pode ser devido à uma variedade de eventos como guerra, estupro, crime, tortura, acidentes,
entre outros.
Os sintomas devem persistir por mais de um mês.
A perturbação causa sofrimento significativo e prejuízo no funcionamento social, ocupacional ou em outras
áreas da vida.
** Outras especificações, consulte o DSM V.
COMORBIDADES
Entre as comorbidades mais comuns estão a Depressão, Síndrome do Pânico, Alcoolismo, TOC, entre outros.
TRATAMENTOS
O tratamento é medicamentoso e psicoterapêutico. Embora em alguns casos, sejam em longo prazo, se torna
satisfatório para a remissão dos sintomas na maioria dos casos.
O foco do tratamento está em diminuir os sintomas e prevenir complicações, bem como favorecer a retomada
da vida diária à escola e ao trabalho, e ainda a melhora nos relacionamentos sociais e familiares.
O uso da Hipnose tem seus benefícios, e poderá ser útil na mudança de foco de atenção no evento negativo
para uma experiência positiva.
Além da hipnose em si, existem diversas outras técnicas que poderão ser utilizadas em casos de traumas e assim
ajudar o paciente a ressignificar a situação vivenciada, uma delas é a coerência cardíaca que promove um equilíbrio
entre coração e a mente.
** Vale salientar que muitas pessoas passam por eventos traumáticos e catastróficos, sem necessariamente
desenvolver o TEPT, demonstrando uma resistência emocional.
** Crianças e idosos também podem desenvolver o transtorno após passarem por condições geradoras de
grande estresse.
PSICOSSOMÁTICA:
DOENÇAS PSICOSSOMÁTICAS
Também conhecida como somatização ou transtorno somatoforme, as doenças psicossomáticas são
desordens emocionais ou psiquiátricas que afetam também o funcionamento dos órgãos do corpo. Esses
desajustes provocam múltiplas queixas físicas, e que podem surgir em diferentes partes do corpo.
Os surgimentos dessas doenças admitem certa complexidade,pois elas podem desencadear dores
generalizadas, diarreia ou constipação, tremores das extremidades, manchas na pele e falta de ar.
Entretanto, esses sintomas não podem ser explicados por nenhuma alteração orgânica, já que nos exames de
confirmação diagnóstica, não aparece nenhuma doença que cause esses sinais.
Através de Freud que a psicossomática e a psicanálise se ligam, pois apesar de nunca ter criado uma teoria
psicossomática manteve a preocupação de procurar estabelecer ligação entre corpo e psique, especialmente
através da teoria das pulsões, da sua concepção econômica do aparelho psíquico e de sua tentativa de criar uma
psicologia científica tendo como base as leis da termodinâmica e das descobertas da neurologia da sua época
(Capitão, 2006).
Menninger acreditava que a psicossomática seria uma forma inconsciente de automutilação, resultante da
autopunição perante impulsos de ressentimentos e hostilidades exprimidas pelo comportamento. Torna-se assim
uma vivência masoquista do sofrimento (Alarcão, 1991).
Para os precursores da escola psicossomática de Paris, a investigação deve passar por integrar o sintoma no
paciente tendo em conta o funcionamento do seu imaginário; presença/ausência de atividade onírica ou dos seus
equivalentes (como o fantasma, afecto, jogo alucinação, transformação, delírio, crença, corpo imaginário, espaço
Professora: Maria Flor 2022 42
e temporalidade do imaginário); e finalmente as situações de vida conflituais e de impasse. Procura-se integrar o
corpo na sua inextrincável presença real e imaginária (Vicente, 2005).
Marty caracteriza o funcionamento mental dos pacientes psicossomáticos pela designação de pensamento
operatório. A doença somática caracteriza-se desta maneira pela pobreza da fantasia e pensamento operatório,
que teria na raiz uma perda precoce produzindo assim uma “depressão branca” (Matos, 2003).
Para Marty, os mecanismos fundamentais da doença psicossomática são a regressão psicossomática
(pressupondo uma fixação psicossomática mais intensa e impeditivo da evolução posterior) e a desorganização
progressiva (ligado ao instinto de morte pela privação da actividade libidinal) (Vicente, 2005).
A depressão essencial de que Marty falava estabelece-se ao mesmo tempo que a desorganização
progressiva, faltando-lhe as características associadas à depressão. Assim é retardado o aparecimento do afecto
depressivo. Inicialmente estes sujeitos referem poucos sonhos, e tiram pouco benefício das abordagens clássicas
da psicoterapia (Vicente, 2005).
Em suma, para a escola psicossomática de Paris, os pacientes psicossomáticos possuem uma grande
dificuldade em identificar e descrever os seus afectos, tendo em conta a sua pobreza fantasmática e que resulta
de um forma de vida bastante operatória e funcional, evitando o conflito.
Através dos processos de interacção sináptica as imagens produzidas pelo sistema nervoso (imaginação ou
representação mental) são recombinadas e integradas numa história de vida (a fantasia) que se traduz na
competência para “pensar os pensamentos” (função simbólica) com a intencionalidade de pensar e articular (Sá,
2009).
Quando se censura a sensibilidade, reprime-se a fantasia gerando-se uma confusão de linguagens, onde o
indivíduo passa a reconhecer como ameaça os recursos que lhe dão vida e o protegem, a competência para
pensar. Não obstante, é o controlo obsessivo das emoções e a contenção da agressividade que inibe a fantasia e a
função simbólica gerando-se assim uma confusão de linguagens que leva da iliteracia emocional à indiferença e
ao adoecer psicossomático (Sá, 2009).
Geralmente, os indivíduos com doenças psicossomáticas estão frequentemente em consultas médicas ou
prontos-socorros, sem, contudo, obter confirmação das causas de seus problemas.
Devido a essas características típicas, geralmente os médicos têm muita dificuldade em diagnosticar a causa
dessas desordens. Por isso, na maioria dos casos, a orientação é buscar apoio profissional por meio de terapias
para reabilitação mental a fim de evitar a evolução para quadros mais graves.
As doenças psicossomáticas estão relacionadas ao controle das emoções, sentimentos e ao modo de pensar.
As emoções incontroladas e os pensamentos negativos desencadeiam desequilíbrios mentais que,
consequentemente, sobrecarregam as funções orgânicas e atrapalham o funcionamento do corpo.
Isso ocorre por diversas questões, especialmente àquelas ligadas a experiências ruins e traumas não
superados. O estresse gerado por essas emoções negativas afetam a capacidade de coordenação cerebral, o que
impede a liberação das substâncias importantes para ao necessário ajuste da fisiologia do organismo.
A somatização desses fatores — de ordem emocional e física — resulta em um ciclo vicioso que se manifesta
por meio de dores e de múltiplas doenças físicas. Se não adequadamente tratados, essas complicações podem
evoluir gradativamente e comprometer a saúde do indivíduo de forma cada vez mais intensa.
Percebe-se, então, que ainda que não sejam bem esclarecidas, a origem das enfermidades psicossomáticas
tem como base as causas emocionais e os distúrbios psicológico a elas associado.
Para auxiliar você, leitor, na melhor compreensão do tema, listamos alguns fatores que exercem influência
considerável na origem das doenças psicossomáticas. Confira!
Herança familiar;
Tendência à negatividade e aos distúrbios de personalidade;
Questões genéticas e fisiológicas, como maior sensibilidade à dor;
Influência ambiental em relação à visão da vida de forma positiva ou negativa;
Modo de enfrentamento dos problemas, que pode interferir na percepção da doença e no limiar dos sintomas
físicos;
Menor controle das emoções ou dificuldade no processamento dos problemas psicológicos, o que faz a pessoa
supervalorizar a dor física;
https://hospitalsantamonica.com.br/como-saber-se-eu-tenho-transtorno-de-personalidade-veja-os-principais-sintomas/
Professora: Maria Flor 2022 43
Como evitar atividades excessivas, o que pode aumentar seu nível de incapacidade;
Coexistência de fatores — como depressão, ansiedade patológica e estresse excessivo — que facilitam o
desenvolvimento da somatização e originam as dores;
Isolamento social, angústia e tristeza por não ter coragem de compartilhar ou de conversar sobre os conflitos
internos que alimentam as emoções negativas;
Hábito ou desenvolvimento de “comportamentos de dor” em resposta a sintomas emocionais, principalmente
em relação à insegurança emocional para resolver problemas.
AS PRINCIPAIS CAUSAS DAS DOENÇAS PSICOSSOMÁTICAS
Doenças são entendidas como manifestações do inconsciente, e que necessitam sinalizar questões mal
resolvidas que sobrecarregam o interior. Quase sempre, o problema está associado à deficiência ou ao excesso de
emoções mal canalizadas para a solução dos conflitos.
A postura, as atitudes e a maneira de enfrentar as adversidades ditam as reações individuais. Tais fatores
podem frear ou extravasar as emoções e os sentimentos negativos mediante para determinadas situações.
Mediante isso, enumeramos algumas questões que podem gerar o desequilíbrio emocional. Muitos deles são
considerados como gatilhos para o desenvolvimento das doenças psicossomáticas. Veja quais são!
TRAUMAS DE INFÂNCIA
Muitas questões ou experiências negativas da infância ficam guardadas no subconsciente e vão se manifestar
somente na idade adulta. Por isso, os pais, professores e responsáveis pela educação das crianças precisam ter o
máximo cuidado com o modo como se expressam ou se comportam diante dos pequenos.
O fato de vivenciar experiências traumáticas na família ou de sofrer situações ultrajantes, como abuso
sexual, por exemplo, gera medo, revolta e insegurança por toda a vida.Esses sentimentos bloqueiam as substâncias cerebrais responsáveis pelas emoções positivas e
comprometem o desenvolvimento físico e cognitivo da criança.
Essa situação expõe a criança ao quadro de tristeza durante toda a sua infância, e que pode se manifestar
como doenças emocionais mais tardiamente. Logo, muitos distúrbios mentais que surgem na fase adulta tiveram
origem na infância.
DEPRESSÃO CRÔNICA
Problemas depressivos não tratados e que se prolongam por muito tempo influenciam bastante o
surgimento das doenças psicossomáticas. A maioria está associada ao isolamento familiar ou social, doenças
incuráveis ou a desordens mentais graves.
Tais questões são motivos que contribuem para o processamento das condições ideais para os desajustes
psiquiátricos que causam a somatização.
Mudança nos padrões de relacionamento
Na vida contemporânea, as crescentes mudanças nos padrões de relacionamento afetam bastante o estilo
de vida das pessoas. Entretanto, nem todas estão preparadas para essas transformações — sobretudo as que
resultam das inovações tecnológicas — já que o contato físico e visual, hoje, restringe-se aos ambientes
meramente virtuais.
Com isso, surgem várias questões mal resolvidas e que geram desconforto no processamento do novo modo
de relação afetiva. Entre os sintomas resultantes da dificuldade de lidar com essas tendências destacam-se a
solidão e o isolamento, gatilhos favoráveis ao surgimento dos desajustes psicológicos.
Questões profissionais
A não realização profissional, o desemprego ou a frustração por não alcançar um patamar na hierarquia de
uma corporação podem gerar graves conflitos internos. São situações muito delicadas e que exigem um suporte
familiar e de um profissional capacitado para ajudar.
https://hospitalsantamonica.com.br/conheca-a-ferramenta-do-instagram-que-combate-a-ansiedade-e-a-depressao/
Professora: Maria Flor 2022 44
Questões dessa natureza precisam de atenção especial e da submissão ao tratamento especializado para
que sejam revertidas. Do contrário, podem somatizar com outros problemas pessoais e evoluir para condições
mais agravantes, ou mesmo irreversíveis.
Perdas financeiras
Uma das causas das doenças psicossomáticas são as questões financeiras. Indivíduos que não conseguem
superar perdas e que resguardam mágoas, dores ou traumas por muito tempo compõem o grupo de risco para o
desenvolvimento desses transtornos.
A negatividade resultante desses problemas alimentam as emoções — de forma muito prejudicial — e geram
dores físicas sem causa aparente.
Influência genética
Um histórico familiar de doença psicossomática acentua consideravelmente as chances de desenvolvimento
desses males de ordem psicológica. O alto grau de complexidade que envolve esse transtorno também está
relacionado à ação de diversos genes que causam efeitos danosos nas células dos portadores dessa doença.
Luto
Ainda que a morte seja parte integrante — e inevitável — do ciclo da vida, os seres humanos não estão
preparados para perder seus entes queridos. Assim, muitas doenças psicossomáticas resultam da tristeza em
decorrência da perda de alguém amado.
Isso demonstra a importância do cuidado e da adoção de medidas de prevenção da saúde mental.
Igualmente relevante é buscar formas mais positivas de enfrentamento dos problemas a fim de minimizar os
efeitos dessas questões.
Como identificar os sintomas das doenças psicossomáticas?
Essas doenças adquirem um caráter dicotômico: as dores tanto surgem sem estar relacionados a outras
enfermidades como podem ter um motivo como doenças incuráveis ou perdas muito significativas.
A manifestação dos sintomas também é complexa, já que variam de suaves, moderados ou graves, ao passo
que podem ser únicos ou de representatividade múltipla.
No entanto, algumas características são mais evidentes e merecem atenção na hora de identificar os sinais
do transtorno somatoforme. Observe!
Alterações gástricas: enjoo, dores, queimação ou gastrite nervosa;
Insônia, geralmente com muita dificuldade para relaxar e dormir;
Manchas roxas ou avermelhadas espalhadas pelo corpo;
Dores de cabeça constantes e sem motivo aparente;
Sensação de sufocamento ou de falta de ar;
Desinteresse pelas atividades de rotina;
Batimentos cardíacos acelerados;
Queixas de dores generalizadas;
Fadiga sem causa aparente;
Falta de concentração;
Irritabilidade;
Sonolência;
Desânimo;
Fraqueza.
Uma das características mais marcantes desse quadro clínico é que o indivíduo não consegue conciliar seus
pensamentos e ações, que geralmente oscilam entre o positivo e o negativo. Por isso, a maioria dos pacientes
psicossomáticos deixa-se dominar pelas emoções negativas que sustentam a falta de motivação para a vida.
Essa negatividade excessiva que afeta a função dos órgãos — e é interpretada como dor — está associada
aos seguintes pensamentos ou comportamentos:
https://hospitalsantamonica.com.br/quais-os-riscos-e-os-cuidados-devemos-ter-para-uma-boa-saude-mental/
Professora: Maria Flor 2022 45
Transtorno de ansiedade e depressão crônica;
Preocupação incomum com possíveis doenças futuras;
Ausência de resposta aos medicamentos e acentuação dos efeitos colaterais;
Medo descontrolado sobre a gravidade de sintomas que nem representam tanto risco;
Sensação de que a avaliação clínica, diagnóstico ou o tratamento médico estão errados inadequados;
Receio de que os exercícios físicos ou a prática desportiva, mesmo leves, podem ser prejudiciais ao seu
estado de saúde;
Tendência a interpretar sensações físicas consideradas normais como um provável sinal de doença física
grave ou incurável;
Hábito de manter consultas repetitivas com o mesmo médico ou buscar profissionais de diferentes
especialidades que julga necessário — e urgente.
Quais são as doenças psicossomáticas que mais afetam a população?
Algumas manifestações físicas resultantes dos transtornos psicossomáticos são mais evidentes entre a
população. Veja quais são!
Gripes e resfriados constantes
Normalmente, as pessoas ficam resfriadas em algum momento da vida. Isso é perfeitamente normal, uma
vez que todos estão expostos às condições ambientais favoráveis à ação dos germes e de patógenos (elementos
causadores de doenças) presentes no ar.
No entanto, quando os episódios de viroses desse tipo ocorrem com muita frequência, é necessário mais
atenção a esses sinais porque algo pode está errado com o organismo. Ou seja, se a imunidade está
frequentemente baixa se a existência de doenças que justifiquem esse quadro, é preciso cuidar melhor das
emoções.
Herpes
O vírus causador da herpes é transmitido por meio do contato com um indivíduo infectado. Mas esse
patógeno pode permanecer inerte por muito tempo até que a defesa do organismo fique suficientemente
reduzida para que ele se manifeste.
Um dos motivos que mais favorecem a ação desses vírus é a queda da defesa imunológica em decorrência de
questões emocionais. Logo, episódios recorrentes de herpes — especialmente a labial — são indícios de
desordens no organismo. Geralmente, as feridas na boca surgem em situações de estresse excessivo.
Enxaquecas
Semelhantemente ao que ocorre com a herpes e os resfriados, muitos problemas de enxaqueca estão
associados a questões de desordem emocional. Alguns pacientes se queixam de dores incontroláveis, que não
cedem com nenhum medicamento e que perduram por dias e noites.
As enxaquecas causadas por esse tipo de transtorno emocional provocam dores intensas e localizadas em
algum ponto específico da cabeça. Geralmente, essas dores são acompanhadas de ânsia, vômito, irritabilidade e
falta de concentração.
Um dos aspectos que merece consideração especial é o potencial de incapacitaçãodas doenças
psicossomáticas. A maioria das pessoas acometidas por esse mal não consegue realizar as tarefas de rotina. As
dores ainda tornam-se mais intensa porque se sentem incapazes de cumprir suas responsabilidades pessoais e
profissionais.
Alergias diversas
Há um tipo de alergia causada especificamente por questões associadas ao estresse e ao nervosismo. Então,
além das alergias normais como a intolerância a certos alimentos, aos odores, medicamentos, materiais de
limpeza e outros, a pessoa desenvolve também a alergia nervosa.
Estudos comprovam a relação entre essas dermatites e os fatores psicossomáticos. Esse problema pode ser
desencadeado por herança familiar, sentimentos negativos, tristeza muito forte ou estresse descontrolado.
Geralmente, a alergia nervosa provoca coceira, vermelhidão e erupções na pele ou manchas roxas.
https://hospitalsantamonica.com.br/transtorno-de-ansiedade-de-doenca-saiba-como-descobrir-e-tratar/
https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47131/tde-24092015-111916/publico/paula_corrigida.pdf
Professora: Maria Flor 2022 46
Diarreia
Em muitos indivíduos que passam por fortes situações de angústia, medo ou estresse, é comum surgirem
episódios de diarreia. No entanto, quando a diarreia perdura por muitos dias sem que haja explicação física ou
relacionada a alguma doença, a hipótese mais provável é que esse quadro resulte de transtornos somatoformes.
Como as doenças psicossomáticas afetam o organismo humano?
Devido às diferenças fisiológicas individuais, cada pessoa pode reagir de um modo distinto mediante o
mesmo estímulo. Com as doenças psicossomáticas, isso não é muito diferente.
Desse modo, ainda que esses transtornos sigam um padrão semelhante, as manifestações individuais e a
expressão dos sintomas podem provocar reações diversas. Tais reações são geradas por tensões emocionais que
afetam as funções dos órgãos e fazem com que simulem características típicas de certas doenças.
Todas essas características decorrem do poder da mente em se apegar demasiadamente em pensamentos
negativos. Como o cérebro coordena as funções orgânicas, as emoções ruins tornam o corpo doente, mesmo que
sem motivo aparente.
Listamos alguns órgãos que costumam ser mais afetados por essas enfermidades emocionais.
Derme: manchas, coceira, irritação, bolhas ou formigamentos;
Região íntima: coceiras, inflamações, odor fétido, impotência e redução do desejo sexual, alterações do ciclo
menstrual;
Aparelho digestório: dor e queimação no esôfago e no estômago, ânsia de vômito acompanhada de visão
turva, gastrites, úlceras gástricas e constipação;
Garganta: queixas de nó na garganta, irritações, vermelhidão, edema e amigdalites frequentes;
Pulmões: apneia do sono, falta de ar, sensação de sufocamento, simulações de graves doenças pulmonares
ou cardiovasculares;
Articulações, músculos e ossos: tensão e dor muscular, contraturas e rigidez articulares, dores ósseas
generalizadas;
Coração: fortes dores no peito, acompanhada de angústia e que pode ser confundida com quadros de
infarto. Palpitações e descontrole da pressão arterial;
Rins e bexiga: dor, queimação ou dificuldade para urinar. Gotejamento que pode imitar características de
graves doenças urológicas;
Sistema nervoso central: constantes dores de cabeça, distúrbios visuais, alteração no equilíbrio, aumento ou
redução da sensibilidade e comprometimento da motricidade
TRATAMENTO
Esses distúrbios podem ser solucionados mediante intervenção terapêutica adequada. A meta do tratamento
é a reabilitação gradativa do estado mental do paciente, de modo que ele consiga melhorar os principais sintomas
e retome a autonomia sobre a vida.
Metodologias mais indicadas para a reestruturação da saúde mental e física dos pacientes com doenças
psicossomáticas.
APOIO PSICOLÓGICO
Como a maioria dos sintomas físicos podem estar vinculados ao desgaste psicológico e à ansiedade e
depressão de alto nível, a intervenção psicoterapêutica é a mais indicada no início do tratamento.
O apoio psicológico é o ponto de partida para minimizar os desajustes emocionais que alimentam a dor
física. O profissional de psicologia direcionará a conduta para a construção de um novo olhar sobre a expectativa
do paciente em relação aos sintomas físicos gerados por fatores emocionais.
Professora: Maria Flor 2022 47
Além de focar em medidas que auxiliem a redução do estresse, o tratamento visa melhorar a funcionalidade
diária em casa, nas relações pessoais, sociais e no trabalho. Igualmente relevante é ajudá-lo a lidar com as
mudanças de pensamento para superar os desajustes resultantes desses distúrbios.
Tratamento psiquiátrico
Os remédios para controlar os sintomas dos transtornos somatoformes têm, entre outras funções, ação
antidepressiva. Assim, eles podem ajudar a diminuir os efeitos relacionados à depressão e que expressam os
sinais mais relevantes da doença.
Por isso, o acompanhamento psiquiátrico é fundamental para direcionar o tratamento e avaliar a evolução do
paciente. Outro ponto relevante é combinar alguns medicamentos diferentes — e complementares — para
aumentar a eficiência do tratamento.
Mudança no estilo de vida
Além do tratamento psicoterapêutico e das consultas ao psiquiatra, a reabilitação mental necessária à
melhora das dores físicas exige mudanças no estilo de vida.
Mudar alguns hábitos, melhorar a qualidade do sono e a forma de pensar e de enfrentar as adversidades da
vida são medidas essenciais nesses casos. Tendo isso em vista, é importante que a família e os amigos auxiliem o
paciente, e atuem como um suporte emocional para motivá-lo à reestruturação de sua saúde.
Quando buscar ajuda especializada em Saúde Mental?
Como os sintomas físicos que alimentam as dores são originados por questões emocionais, a busca de ajuda
especializada em Saúde Mental pode fazer toda a diferença para reverter esse quadro. Nesse sentido, convém
procurar uma clínica que tenha infraestrutura voltada para a reabilitação da saúde integral por meio de um
trabalho completo e multidisciplinar.
Quando o indivíduo fica dominado pelos efeitos da somatização, ele se torna frágil emocionalmente e, com
isso, essa instabilidade psicológica pode gerar quadros cada vez mais agravantes. Por isso, o ideal é buscar ajuda
especializada o quanto antes.
Os sintomas das doenças psicossomáticas provocam uma verdadeira angústia e um misto de dor física e de
tristeza tão grande que a pessoa não consegue superar esse quadro sozinha. Logo, a intervenção terapêutica
multidisciplinar é a forma mais segura para minimizar os impactos desses problemas e restaurar o bem-estar, a
autonomia e a qualidade de vida do pacientes doenças psicossomáticas estão relacionadas ao controle das
emoções, sentimentos e ao modo de pensar. As emoções incontroladas e os pensamentos negativos
desencadeiam desequilíbrios mentais que, consequentemente, sobrecarregam as funções orgânicas e atrapalham
o funcionamento do corpo.
Isso ocorre por diversas questões, especialmente àquelas ligadas a experiências ruins e traumas não
superados. O estresse gerado por essas emoções negativas afetam a capacidade de coordenação cerebral, o que
impede a liberação das substâncias importantes para ao necessário ajuste da fisiologia do organismo.
A somatização desses fatores — de ordem emocional e física — resulta em um ciclo vicioso que se manifesta
por meio de dores e de múltiplas doenças físicas. Se não adequadamente tratados, essas complicações podem
evoluir gradativamente e comprometer a saúde do indivíduo de forma cada vez mais intensa.
Percebe-se, então, que ainda que não sejam bem esclarecidas, a origem das enfermidades psicossomáticas
tem como base as causas emocionais e os distúrbios psicológicoa elas associado.
Alguns fatores que exercem influência considerável na origem das doenças psicossomáticas são:
Herança familiar;
Tendência à negatividade e aos distúrbios de personalidade;
Questões genéticas e fisiológicas, como maior sensibilidade à dor;
Influência ambiental em relação à visão da vida de forma positiva ou negativa;
Modo de enfrentamento dos problemas, que pode interferir na percepção da doença e no limiar dos sintomas
físicos;
https://hospitalsantamonica.com.br/terapia-familiar-como-ela-auxilia-no-tratamento-psiquiatrico/
https://hospitalsantamonica.com.br/50-anos-do-hospital-santa-monica-meio-seculo-a-servico-do-bem-estar/
https://hospitalsantamonica.com.br/como-saber-se-eu-tenho-transtorno-de-personalidade-veja-os-principais-sintomas/
Professora: Maria Flor 2022 48
Menor controle das emoções ou dificuldade no processamento dos problemas psicológicos, o que faz a pessoa
supervalorizar a dor física;
Como evitar atividades excessivas, o que pode aumentar seu nível de incapacidade;
Coexistência de fatores — como depressão, ansiedade patológica e estresse excessivo — que facilitam o
desenvolvimento da somatização e originam as dores;
Isolamento social, angústia e tristeza por não ter coragem de compartilhar ou de conversar sobre os conflitos
internos que alimentam as emoções negativas;
Hábito ou desenvolvimento de “comportamentos de dor” em resposta a sintomas emocionais, principalmente
em relação à insegurança emocional para resolver problemas.
UNIDADE IV
REFORMA PSIQUIATRICA – LEI 10.216.01
4.1 REFORMA PSIQUIÁTRICA NO BRASIL
No Brasil colônia a assistência aos portadores de doenças mentais era muito precária, os cuidados eram
prestados na sua maior parte por curandeiros, sacerdotes católicos (principalmente jesuítas), os médicos eram
dificilmente encontrados, mesmo os barbeiros e cirurgiões licenciados pois, atendiam só pessoas importantes e
centros maiores. Na época não existia profissionais especializados em psiquiatria, entretendo eram abrigados
muitos doentes, nos hospitais da Irmandade da Santa Casa, e poucos recebiam tratamentos. Os doentes eram
acolhidos em 5 situações de condições sanitárias extremamente más, mesmo para o momento histórico-social
(MIRANDA-SA JR,2007).
Em meio os anos de 1500 a 1822, no Brasil não havia Política de Saúde Mental ou algo semelhante. Sem
assistências, os doentes mentais ou loucos como os referiam, vagavam pelas ruas e quando empreendiam algo,
enviavam-os para as cadeias. (FIGUEIREDO, 2011).
No ano de 1817 registra-se a primeira internação psiquiatria que aconteceu na Santa Casa De São João Del Rey,
em Minas Gerais. No ano de 1830, os doentes mentais foram designados “loucos de todo gênero”. Em 1841, o
Decreto Imperial de número 82 cria o Hospício Pedro ll, no Rio de Janeiro, com o objetivo de implementar um
hospital previamente destinado a tratar os alienados o qual ficaria anexo ao Hospital Santa Casa de Misericórdia.
Posteriormente, foram construídas várias instituições, destinadas e exclusivas para alienados, nas províncias do
Pará, São Paulo, Rio Grande do Sul, Bahia, Permambuco (FIGUEIREDO, 2011).
Segundo Valverdes (2010) na Declaração de Caracas, os organizadores reafirmam e reconhecem a legitimidade
dos princípios de cidadania dos portadores de transtornos mentais e que precisava aos hospitais psiquiátricos a
construção de redes de serviços alternativos. Assim, privilegiaram a criação serviços que substituiriam hospitais
psiquiátricos como os Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), as redes de atenção à saúde mental, leitos
psiquiátricos em hospitais gerais, residências terapêuticas e oficinas, respeitando as características de cada local
(VALVERDES, 2010).
Sendo assim, chegam no Brasil em virtude da repercussão internacional da luta antimanicomial do processo
psiquiátrico italiano as ideias de Basaglia, onde foram adotaram para a desinstitucionalização os princípios da
Reforma Psiquiátrica da Itália, buscando desarticular o centro da atenção da instituição para a comunidade
(VALVERDES, 2010).
O processo de reforma Psiquiátrica no Brasil iniciou nos anos 70, por meio dos empenhos dos movimentos
sociais pelos direitos dos pacientes, crise da assistência centrada no modelo hospital psiquiátrico, em favor da
mudança dos modelos de atenção e gestão nas práticas de saúde, oferta de serviços com equidade, amparo a
saúde coletiva e trabalhadores e usuários protagonista dos serviços de saúde e nos processos de gestão e produção
de tecnologia de cuidado (BRASIL, 2005).
Apesar de mais atual que a Reforma Sanitária a Reforma psiquiátrica brasileira tem uma história própria, num
contexto de mudanças pelas superações da violência asilar. Consiste em um processo político complexo, que
Professora: Maria Flor 2022 49
acontece em diversos territórios, nos governos federais, estaduais e municipais, nas associações de pessoas com
transtornos mentais e da sua família, nas universidades, nos serviços de saúde, nos conselhos profissionais, entre
outros (BRASIL, 2005).
Envolvida como conjunto de transformações de práticas, valores culturais e sociais, saberes. No cotidiano das
instituições, das relações interpessoal e nos serviços é que a reforma psiquiátrica progride, marcado por crises,
conflitos, tensões e desafios (BRASIL, 2005).
LEI 10.216 DE 2001: REFORMA PSIQUIÁTRICA E OS DIREITOS DAS PESSOAS COM TRANSTORNOS MENTAIS NO
BRASIL
O panorama dos aspectos gerais da lei 10.216 de 2001 (conhecida como a Lei de Reforma Psiquiátrica)
representa, no Brasil, um marco ao estabelecer a necessidade de respeito à dignidade humana das pessoas com
transtornos mentais.
As legislações anteriores relacionadas à Saúde Mental no Brasil se preocupavam mais em excluir as pessoas com
transtornos mentais – então denominados “alienados” e “psicopatas” – do convívio em sociedade para evitar a
“perturbação da ordem”, do que em oferecer tratamento adequado para a melhora do paciente. Os decretos
traziam dezenas de artigos, cuja maioria apenas regulamentava o ambiente terapêutico que se dava dentro do
hospital psiquiátrico (Brito, Ventura, 2012).
Com o movimento da Reforma Psiquiátrica, as legislações mudaram o enfoque para a pessoa do portador de
transtorno mental. A denominação também evoluiu com a reforma, as leis não mais regulamentam a “assistência a
alienados e psicopatas” e sim a proteção, o atendimento médico e o modelo assistencial às “pessoas com
transtornos mentais”.
Como resultado desta gradativa evolução, a Lei de Reforma Psiquiátrica reconhece pela primeira vez a pessoa
com transtorno mental como cidadão, buscando regulamentar suas relações com outros portadores de transtornos
mentais, profissionais de saúde, profissionais do direito, a sociedade e o Estado, uma vez que atribui a cada um o
seu papel no tratamento. Com o intuito de desinstitucionalizar a pessoa com transtorno mental, a reforma criou
projetos de serviços substitutivos ao hospital psiquiátrico, como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS),
residências terapêuticas e leitos psiquiátricos em hospitais gerais.
4.2 Políticas Públicas de Atenção em Saúde Mental
Nos primórdios da atenção à saúde mental, acreditou-se que a pessoa louca podia melhorar se ficasse isolada
da sociedade, encerrada em hospitais psiquiátricos, só tomando remédios, eletrochoques ou ficando amarrada ao
leito por horas a fio.
Até hoje existem instituições, chamadas hospícios ou manicômios, onde as pessoas são deixadas para
tratamento e lá são esquecidas; elas desaprendem como viver fora do hospital, perdem a referência de mundo e se
tornam dependentes dos cuidados de outras pessoas para sobreviver. O Governo Federal e os estaduais não
investem mais nesse tipode atendimento.
As políticas públicas de atenção à saúde mental hoje preconizam:
Redução de leitos hospitalares e a progressiva extinção dos manicômios;
Investimento em atenção básica com foco também na saúde mental, por exemplo, Programa de Saúde da
Família, Grupos de Terapia Comunitária e outros;
Atenção especializada a dependentes químicos e loucos infratores;
Formação de recursos humanos para trabalhar em saúde mental;
Participação da comunidade na elaboração das políticas e no controle social;
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/leis_2001/l10216.htm
http://www.revistas.usp.br/rdisan/article/view/56228/59440
http://saudedireito.org/wp-content/uploads/2014/05/sa%C3%BAde-mental.jpg
Professora: Maria Flor 2022 50
Criação de serviços substitutivos ao hospital psiquiátrico, como os Centros de Atenção Psicossocial e os
Serviços Residenciais Terapêuticos.
4.3 CENTRO DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL
O CAPS é serviço estratégico na concretização da atual política de Saúde Mental do Brasil, que pretende
oferecer uma rede de serviços substitutiva aos hospitais psiquiátricos, capaz de responder às necessidades das
pessoas com sofrimento psíquico respeitando sua cidadania e o cuidado em liberdade.
No contexto da Reforma Psiquiátrica, os serviços substitutivos devem ter a missão de superar o paradigma
manicomial, direcionados por novas bases e valores éticos que venham a produzir uma nova forma de convivência
solidária e inclusiva.
É um serviço de atenção diária fora de unidade hospitalar destinado ao atendimento de pessoas em sofrimento
mental. Ele deve estar situado próximo às áreas residenciais para facilitar o atendimento.
O projeto terapêutico desta unidade prevê o atendimento individualizado e personalizado para cada usuário,
feito por profissionais de diversas áreas como psiquiatras, psicólogos, nutricionistas, assistentes sociais,
profissionais da enfermagem e outros.
Seu principal objetivo é investir na reabilitação das pessoas, ou seja, os sujeitos devem ser capazes de se manter
no contexto da família e da comunidade, com oportunidades de moradia, convívio, trabalho e lazer. A manutenção
dos laços sociais para estas pessoas, é um grande passo para a não institucionalização da pessoa em sofrimento
mental.
No CAPS, o atendimento é feito durante o dia e o usuário do serviço volta para casa todos os dias, isso ajuda a
reduzir as internações hospitalares. Entre as suas estratégias de atendimento, o CAPS deve incluir o acolhimento de
familiares, atendimento individual e grupal, oficinas terapêuticas diversas como de artesanato, música, informática,
mosaico, reciclagem de materiais e outras.
CENTRO DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL – CAPS:
São instituições destinadas a acolher pessoas com sofrimento psíquico grave e persistente, estimulando sua
integração social e familiar, apoiando-os em suas iniciativas de busca da autonomia. Apresenta como característica
principal a busca da integração dos usuários a um ambiente social e cultural concreto, designado como seu
território, o espaço da cidade onde se desenvolve a vida cotidiana de usuários e familiares, promovendo sua
reabilitação psicossocial. Tem como preceito fundamental ajudar o usuário a recuperar os espaços não protegidos,
mas socialmente passíveis à produção de sentidos novos, substituindo as relações tutelares pelas relações
contratuais, especialmente em aspectos relativos à moradia, ao trabalho, à família e à criatividade.
A atual política prevê a implantação de diferentes tipos de CAPS:
• CAPS I – serviço de atenção psicossocial com capacidade operacional para atendimento em municípios com
população entre 20.000 e 70.000 habitantes.
• CAPS II – serviço de atenção psicossocial com capacidade operacional para atendimento em municípios com
população entre 70.000 e 200.000 habitantes. São CAPS para atendimento diário de adultos, com transtornos
mentais severos e persistentes (BRAISL, 2004).
• CAPS III – serviço de atenção psicossocial com capacidade operacional para atendimento em municípios com
população acima de 200.000 habitantes. Realiza atendimento 24 horas a pacientes com transtornos mentais
severos e persistentes (BRASIL, 2004).
• CAPS ad – serviço de atenção psicossocial para atendimento de pacientes com transtornos decorrentes do uso
e dependência de substâncias psicoativas, com capacidade operacional para atendimento em municípios com
população superior a 70.000. CAPS para usuários de álcool e drogas, para atendimento diário à população com
transtornos decorrentes do uso e dependência de substâncias psicoativas, como álcool e outras drogas (BRAISL,
2004).
• CAPS ad III – Serviço especializado para usuários de álcool e outras drogas em municípios com população
acima de 200 mil
Professora: Maria Flor 2022 51
• CAPS i - serviço de atenção psicossocial para atendimentos a crianças e adolescentes, constituindo-se na
referência para uma população de cerca de 200.000 habitantes. Realiza atendimento diário a crianças e
adolescentes com transtornos mentais (BRASIL, 2004).
Segundo dados atualizados do Ministério da Saúde, existem hoje no Brasil 822 CAPS I; 431 CAPS II; 63 CAPS III;
272 CAPS ad e 149 CAPSi e 5 CAPS ad III perfazendo um total de 1742 serviços. (Saúde Mental em dados 10 -
BRASIL, 2012)
No contexto de desinstitucionalização, a crise psíquica e as intervenções em saúde mental ganham as ruas,
como um novo espaço Para a Reforma Psiquiátrica brasileira procurou desconstruir a lógica de exclusão
manicomial em prol de novas estratégias de atendimento ao sujeito em sofrimento psíquico, ampliando a discussão
acerca da psiquiatria e seu modelo de assistência, bem como sobre os preconceitos e o estigma estabelecido em
torno do conceito de periculosidade do louco. Atualmente, esses conceitos estão evidenciados na política, na
legislação e nos serviços de atenção à saúde mental no Brasil1.
Além disso, a partir da Reforma Psiquiátrica houve a criação de critérios estritos para regulamentação das
internaçõesas manifestações da loucura, sem que o estigma da periculosidade e o medo do louco tenham sido
plenamente desconstruídos no âmbito da sociedade2. Nessas circunstâncias, a crise que deveria ser cuidada a partir
dos princípios de vinculação e acolhimento, adquire o rótulo de urgência psiquiátrica, sendo apreendida sob o viés
da necessidade de contenção e exclusão dos sujeitos em prol da manutenção da ordem social3. Essa prática
contraria os princípios e diretrizes da Reforma Psiquiátrica no Brasil.
Na realidade do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), esta situação fica ainda mais grave, pois,
historicamente, essa área da urgência e emergência nega ou não pratica aquilo de que a atenção à crise psíquica
necessita, ou seja, empatia, diálogo, corresponsabilização, humanização, subjetividade e criatividade2. Isso pode
trazer consequências danosas ao sujeito em sofrimento psíquico, uma vez que o desprendimento com a realidade
vivenciada naquele momento não implica a ausência de sensações, afetos e angústias próprias da sua condição
humana, por mais estranha que a situação possa demonstrar4.
A argumentação contesta apenas o uso indiscriminado de medidas extremas em situações de crises psíquicas
nas quais os sujeitos se mostram, até certo ponto, cooperativos e/ou abertos para o diálogo, interação e adoção de
medidas terapêuticas que visem à vivência positiva daquele momento traumático.
Essa zona de interseção entre os serviços de urgências e as Políticas Públicas em Saúde Mental circunscreve o
objeto de análise do presente estudo. Trata-se de uma temática contempladora de contradições por agregar
compreensões e conceitos de assistência que divergem em vários aspectos. De um lado a saúde mental, com todas
as prerrogativasde inclusão, respeito às singularidades, valorização do aspecto subjetivo, promoção de diálogo,
intensificação das relações humanas como elemento terapêutico e luta pela construção de cidadania e justiça social
para os usuários dos serviços. Do outro, o SAMU, setor de urgência onde se destaca a objetividade, otimização do
tempo, valorização de equipamentos sofisticados, visão mecanicista e biológica do ser, compreensão das ações
através do binômio causa-efeito e extrema formalização técnica.
4.4 DIREITOS DAS PESSOAS COM TRANSTORNOS MENTAIS DE ACORDO COM A LEI 10.216 DE 2001
O Art. 1º da Lei de Reforma Psiquiátrica afirma que os direitos e a proteção das pessoas com transtorno mental
são assegurados sem qualquer forma de discriminação quanto à raça, cor, sexo, orientação sexual, religião, opção
política, nacionalidade, idade, família, recursos econômicos e ao grau de gravidade ou tempo de evolução de seu
transtorno, ou qualquer outro.
O parágrafo único do Art. 2º da Lei ressalta os direitos das pessoas com transtornos mentais:
I – ter acesso ao melhor tratamento do sistema de saúde, consentâneo às suas necessidades;
II – ser tratada com humanidade e respeito e no interesse exclusivo de beneficiar sua saúde, visando alcançar sua
recuperação pela inserção na família, no trabalho e na comunidade;
III – ser protegida contra qualquer forma de abuso e exploração;
IV – ter garantia de sigilo nas informações prestadas;
V – ter direito à presença médica, em qualquer tempo, para esclarecer a necessidade ou não de sua hospitalização
involuntária;
Professora: Maria Flor 2022 52
VI – ter livre acesso aos meios de comunicação disponíveis;
VII – receber o maior número de informações a respeito de sua doença e de seu tratamento;
VIII – ser tratada em ambiente terapêutico pelos meios menos invasivos possíveis;
IX – ser tratada, preferencialmente, em serviços comunitários de saúde mental.
Durante os atendimentos em saúde mental, de qualquer natureza, a pessoa e seus familiares devem ser
formalmente cientificados desses direitos.
A lei ressalta a responsabilidade do Estado no desenvolvimento da política da saúde mental, a assistência e a
promoção de ações de saúde aos portadores de transtornos mentais, com a devida participação da sociedade e da
família (Art. 3º).
Reinserção Social como finalidade permanente do tratamento
A lei também orienta que o tratamento visará, como finalidade permanente, a reinserção social do paciente em
seu meio, oferecendo assistência integral à pessoa com transtornos mentais, por meio de uma equipe
multidisciplinar.
Portanto, a internação psiquiátrica só será permitida quando os recursos extra-hospital ares se mostrarem
insuficientes (art. 4º).
Não são permitidas internações em instituições com características asilares, que não assegurem aos pacientes
os direitos enumerados pela lei (art. 4º, §3º).
A lei prevê três modalidades de internação:
Voluntária – que se dá com o consentimento do usuário;
Involuntária – que se dá sem o consentimento do usuário, e
Compulsória – aquela determinada pela justiça.
Você poderá conhecer melhor os aspectos dessas modalidades nos próximos posts. Até breve!
Referências:
Lei 10.216, de 6 de abril de 2001. Dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de
transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 9
abr. 2001. Seção 1.
BRITO, Emanuele Seicenti de.; VENTURA, Carla Aparecida Arena.. Evolução dos direitos das pessoas
portadoras de transtornos mentais: uma análise da legislação brasileira. Revista de Direito Sanitário, São Paulo, v.
13, n. 2, p. 47-63, 2012.
4.5 SAÚDE MENTAL NA ATENÇÃO BÁSICA
De acordo com a Portaria nº 336 de 2002, que define e estabelece diretrizes para o funcionamento dos CAPS, é
função do serviço oferecer suporte em saúde mental à atenção básica, responsabilizar-se pela organização da
demanda e da rede de cuidados, supervisionar e capacitar às equipes de atenção básica (BRASIL, 2004).
Como estratégia prioritária para inclusão da saúde mental na atenção básica, as políticas de saúde mental
preconizam que o CAPS operacionalize capacitações coerentes com os princípios da Reforma Psiquiátrica e que se
entrelacem com o apoio matricial de modo a formar linhas de formação continuada e em serviço. O apoio matricial
visa proporcionar suporte técnico e de apoio às equipes responsáveis pelo desenvolvimento de ações básicas de
saúde. Assim, torna-se possível compartilhar casos de saúde mental com as equipes de saúde, favorecendo a
corresponsabilização entre atenção básica e serviços especializados em saúde mental. (SOUZA, RIVERA, 2010).
Embora as ações de Saúde Mental na atenção básica venham se tornando cada vez mais foco de discussão no
meio dos serviços de saúde, a implementação de tais ações ainda representa um desafio para profissionais de
saúde, como o despreparo em lidar e entender esse usuário com transtorno mental (ARCE, SOUSA, 2010). A
atenção básica tem sido pensada como um lugar estratégico, podendo contribuir decisivamente na inclusão de
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/leis_2001/l10216.htm
http://lattes.cnpq.br/4225752384015617
http://lattes.cnpq.br/3513361005993699
Professora: Maria Flor 2022 53
ações de saúde mental, como um dos caminhos possíveis para circulação da loucura, estendendo a outros espaços
a responsabilização pelo cuidado integral às pessoas em sofrimento psíquico, (SOUZA, 2006).
O acolhimento, como ação realizada na atenção básica, é um dispositivo para formação do vinculo e
compromisso com a prática do cuidado entre o profissional e o usuário. Esses encontros com os usuários oferecem
ao profissional a possibilidade de conhecer as demandas de saúde da população de seu território, bem como
detectar situações relativas ao sofrimento psíquico a partir de uma escuta ativa, assim podendo oferecer
tratamento na própria atenção básica (BRASIL, 2013).
O fato de sentir-se ouvido, compreendido e respeitado em suas necessidades psicossociais pode criar o
sentimento de autoconfiança, estimulando a autocompetência do usuário para a exploração de seus problemas e
para encontrar possíveis soluções para eles.
O acolhimento que se dá na relação entre profissional e usuário possibilita a formação de vínculo, e constitui-se
como um poderoso instrumento de intervenção de situações da saúde mental na atenção básica, promovendo
mudanças na vida do usuário. Esse vínculo fundamenta-se no respeito mútuo, na aceitação das diferenças, num
acolher o outro como ele é, sem rotulá-lo, considerando sua individualidade (PEREIRA, 2009).
A utilização do Projeto Terapêutico Singular (PTS) também pode ser uma estratégia de cuidado entre a atenção
básica e o CAPS, pois possibilita articulação conjunta de ações entre os dois serviços, resultante da discussão e da
construção coletiva de equipes multidisciplinares. Ele pressupõe a utilização das reuniões de equipe como um
espaço coletivo sistemático de encontro, reflexão, discussão de casos, compartilhamento e corresponsabilização
das ações de saúde mental (BRASIL, 2013).
Nesse sentido, considera-se a atenção básica como uma estratégia potente na promoção de outros modos de
relacionamento com a loucura, desconstruindo e construindo no interior das casas, na vizinhança, na comunidade,
no bairro outras relações com as diferenças, permitindo ao portador da doença mental um espaço de circulação
que não aquele “especializado”, segregador (SOUZA, 2006). Dessa maneira, pode-se pensar e traçar novos trajetos
e circuitos para a loucura, permitindo ao sujeito em sofrimento psíquico compartilhar o mesmo espaço que as
demais pessoas na unidade de saúde, na associação de bairro, no trabalho, lazer,etc. (SOUZA, 2006).
Serviços Residenciais Terapêuticos – SRT:
São casas localizadas no espaço urbano, constituídas para responder às necessidades de moradia de pessoas
com sofrimento psíquico graves, egressas de hospitais psiquiátricos ou hospitais de custódia e tratamento
psiquiátrico, que perderam os vínculos familiares e sociais; moradores de rua com transtornos mentais severos,
quando inseridos em projetos terapêuticos acompanhados nos CAPS. São 625 casas implantadas no Brasil, com
3.470 moradores em 2011. (BRASIL, 2012)
Programa de Volta para Casa – PVC:
Este programa foi instituído pela Lei Federal 10708 de 31 de julho de 2003, e tem por objetivo garantir a
assistência, o acompanhamento e a integração social, fora da unidade hospitalar, de pessoas com sofrimento
psíquico, com história de longa internação psiquiátrica e também nos hospitais de custódia e tratamento (02 anos
ou mais de internação ininterruptos). É parte integrante deste Programa o auxílio-reabilitação, pago ao próprio
beneficiário durante um ano, podendo ser renovado, caso necessário. São 3.961 beneficiários do PVC no país em
2011. (BRASIL, 2012)
Serviço Hospitalar de Referência para atenção a pessoas com sofrimento ou transtorno mental e com
necessidades de saúde decorrentes do uso de álcool, crack e outras 30 drogas: São leitos de retaguarda em hospital
geral com metas de implantação por todo o Brasil. (BRASIL, 2012).
Centros de convivência: Os Centros de Convivência são estratégicos para a inclusão social das pessoas com
transtornos mentais e pessoas que fazem uso de crack, álcool e outras drogas, por meio da construção de espaços
de convívio e sustentação das diferenças na comunidade e em variados espaços da cidade. (BRASIL, 2011). Estes
dispositivos ainda não recebem financiamento do Ministério da Saúde. Unidade Básica de Saúde:
A Unidade Básica de Saúde como ponto de atenção da Rede de Atenção Psicossocial tem a responsabilidade de
desenvolver ações de promoção de saúde mental, prevenção e cuidado dos transtornos mentais, ações de redução
de danos e cuidado para pessoas com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas,
compartilhadas, sempre que necessário, com os demais pontos da rede. As ações da Estratégia de Saúde da Família
Professora: Maria Flor 2022 54
(ESF) e Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF) estão referenciadas nas Unidades Básicas de Saúde. (BRASIL,
2011)
Consultório na Rua: Equipe constituída por profissionais que atuam de forma itinerante, ofertando ações e
cuidados de saúde para a população em situação de rua, considerando suas diferentes necessidades de saúde. No
âmbito da Rede de Atenção Psicossocial é responsabilidade da Equipe do Consultório na Rua ofertar cuidados em
saúde mental para (i) pessoas em situação de rua em geral; (ii) pessoas com transtornos mentais e (iii) usuários de
crack, álcool e outras drogas, incluindo ações de redução de danos, em parceria com equipes de outros pontos de
atenção da rede de saúde. (BRASIL, 2011)
Escola de Redutores de Danos (ERD): As Escolas de Redutores de Danos do SUS tem como objetivo a
qualificação da rede de serviços, por meio da capacitação teórica e prática de segmentos profissionais e
populacionais da comunidade, que atuarão na rede de atenção substitutiva em saúde mental, com a oferta de
ações de promoção, prevenção e cuidados primários, intra ou extramuros, que superem a abordagem única de
abstinência. (BRASIL, 2010). Em 2005, o Ministério da Saúde apresentou como referência para constituição de rede
de saúde mental.
Nesta perspectiva a implementação da rede substitutiva priorizou de forma estratégica a implantação e
ampliação dos CAPS, tornando acessível outro modo de cuidado, a redução de leitos em instituições psiquiátricas e
consequentemente a construção de uma nova cultura assistencial, dando visibilidade à questão da saúde mental. É
importante salientar que no processo de implantação da reforma psiquiátrica até o ano de 2010 haviam sido
fechados 32.735 leitos em Hospitais Psiquiátricos no Brasil. (BRASIL, 2011) É pelo papel estratégico dos CAPS na
rede substitutiva de cuidado em saúde mental que se justifica sua eleição para 32 pesquisa e produção de
referência pelo Crepop.
Em Dezembro de 2011, o governo brasileiro estabelece entre suas prioridades na saúde, a Rede de Atenção
Psicossocial (RAPS) pela Portaria GM/MS nº 3.088/2011 –, preconiza o atendimento a pessoas com sofrimento ou
transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas. Essa portaria impacta
diretamente a estrutura da Rede de atendimento da Saúde Mental. A RAPS passam a serem formadas por sete
componentes da Rede de Saúde, desde a Atenção Básica , passando pela Atenção Psicossocial Especializada, a
Urgência e Emergência e a Atenção Residencial de Caráter Transitório. As RAPS também são compostas pelos
componentes da Atenção Hospitalar, Estratégias de Desinstitucionalização e a Reabilitação Psicossocial.
UNIDADE V
5 URGENCIA E EMERGENCIA
Qual a diferença entre emergência e urgência?
A emergência se caracteriza por ser tudo aquilo que implica risco iminente de morte, que deve ser
diagnosticado e tratado nos primeiros momentos após a constatação. Neste caso, a pessoa precisa de assistência
médica imediata.
Já a urgência também pode ser entendida como uma situação clínica ou cirúrgica, só que sem risco de morte
iminente.
No entanto, se não for tratada, pode evoluir para complicações mais graves, sendo necessário, assim como a
emergência, o encaminhamento para o plantão hospitalar.
Professora: Maria Flor 2022 55
São exemplos de emergência: cortes profundos, acidente de ordem elétrica, picada ou mordida de animal
peçonhento, queimaduras, afogamentos, infarto do miocárdio, entre outros.
Já os casos de urgência são: fraturas, luxações, torções, febre maior que 38 graus há pelo menos 48h que
melhora com antitérmicos, mas não cede.
Cuidados e conhecimentos em urgência e emergência em enfermagem
Todo profissional que atua com urgência e emergência em enfermagem deve conhecer 5 pontos
imprescindíveis:
1. Acolhimento e classificação de risco
O acolhimento ao paciente e à família tem sido importante, principalmente na busca por um atendimento mais
humanizado. A classificação de risco visa não demorar em prestar atendimento àqueles que necessitam de uma
conduta imediata.
2. Suporte Básico e Avançado de Vida
O Suporte Básico de Vida (SBV) consiste em uma sequência de manobras não invasivas em pacientes com risco
de morte. Já o Suporte Avançado de Vida (SAV) requer procedimentos invasivos e de suporte circulatório e
ventilatório.
3. Atendimento à vítima de trauma
Os acidentes de trânsito estão entre as maiores causas de mortes entre indivíduos entre 15 e 49 anos, segundo
a revista The Lancet. Por isso, é importante que o enfermeiro esteja preparado para se deparar com vítimas de
trauma nas urgências e emergências. O profissional deverá estar habilitado a agir de acordo com os protocolos de
Atendimento Pré-Hospitalar e Hospitalar ao Trauma.
4. Assistência ao Infarto Agudo do Miocárdio e ao Acidente Vascular Encefálico
O profissional de enfermagem precisa estar apto à realização da avaliação clínica para identificação e
atendimento precoce do IAM e AVE ou AVC (Acidente Vascular Cerebral) e prevenção de complicações.
Dados brasileiros indicam que o AVC é uma das principais causas de óbito na população adulta e consiste no
diagnóstico de 10% das internações hospitalares públicas. Segundo o Ministério da Saúde, em 2016, houve 188.223
internações para o tratamento de AVC e 40.019 mortes.
5. Assistência às Emergências Obstétricas
O enfermeiro tem que saber como identificar precocemente a pré-eclâmpsiae a eclâmpsia, bem como as
hemorragias gestacionais e uterinas. Isso porque esta é uma demanda constante dos serviços de urgência e
emergência em enfermagem e, até mesmo, em instituições que não são referência em atendimento gestacional.
5.1INTERVENÇÕES PSICOSSOCIAIS EM CRISE, EMERGÊNCIA E CATÁSTROFE
Resumo:
As estratégias de intervenção psicossocial em situações de crise, emergência e catástrofe têm demonstrado
controlar o impacto dos incidentes críticos e prevenir os s relacionados com o trauma.
A intervenção psicossocial em situações de crise, emergência ou catástrofe é atualmente considerada como
fundamental na normalização de reações de stresse agudo que podem surgir em resposta a determinados
incidentes críticos relacionados com o trauma.
A existência de diferentes modelos de intervenção, as especificidades da formação nesta área e a inexistência
de uma rede que possibilite uma articulação eficaz com as entidades responsáveis com vista à implementação de
uma resposta rápida e eficiente em situações de crise e catástrofe são, ainda desafios a ultrapassar.
A exposição a incidentes críticos, ou seja, a situações pessoais, sociais e/ou ambientais (saúde, vitimização,
perdas, exposição à violência, desastres naturais, terrorismo, entre outros) inesperadas, imprevisíveis e sem
controlo, pode originar uma crise o que, por sua vez, origina um desequilíbrio emocional, na maior parte dos casos
são temporários devido à ineficácia dos recursos internos habitualmente utilizados (Carvalho, 2011).
https://www.uai.com.br/app/noticia/saude/2014/12/18/noticias-saude,190991/saiba-quais-sao-as-tres-principais-causas-de-morte-no-brasil.shtml
https://www.hospitalmoinhos.org.br/saude-e-voce/acidente-vascular-cerebral-e-a-principal-causa-de-mortes-no-brasil/
Professora: Maria Flor 2022 56
Conceptualizada desta forma, uma crise consiste numa reação emocional muito intensa a um incidente crítico
ameaçador perante o qual as estratégias habitualmente utilizadas não funcionam, originando um estado de
desequilíbrio e desorganização (Everly, & Mitchell, 1999; Jacobs, et al., 2016).
Estas reações, que podem apresentar manifestações físicas, cognitivas, comportamentais e emocionais, são
expectáveis no período após a ocorrência de um incidente crítico, dependendo da forma como a pessoa o
perceciona (em termos de ameaça, relevância e importância).
A maior parte das pessoas expostas a um incidente crítico apresenta condições para retornar ao nível prévio de
funcionamento no período após a sua ocorrência/resolução (quatro a seis semanas) e não vai necessitar de
qualquer tipo de intervenção psicológica posteriormente.
Modelos de intervenção psicossocial
Os modelos de intervenção na crise que fornecem informação, conforto, suporte e apoio nas necessidades
emocionais e instrumentais desempenham um papel fundamental na forma como as pessoas, no imediato, podem
lidar com os incidentes críticos.
Um aspeto chave envolvido em todos os modelos de intervenção psicossocial em crise respeita à comunicação e
às barreiras e/ou erros nela envolvidos. Enquanto elementos básicos do processo de comunicação em situações de
crise, emergência ou catástrofe, a escuta ativa com empatia, clareza, franqueza e cordialidade são fatores chave de
uma comunicação eficaz.
A capacidade para lidar com os silêncios (que, neste contexto, são necessariamente diferentes dos silêncios de
qualquer um dos tipos de intervenção psicoterapêutica), a par da capacidade de gestão do espaço pessoal e da
resposta eficaz às necessidades da pessoa em crise funciona como facilitadores da comunicação. Por outro lado,
apesar de não o assumirem como uma das fases em particular, todos os modelos pressupõem a avaliação, no
imediato, das condições de segurança (física, emocional, ambiental, etc.) do ponto de vista de todos os envolvidos.
Sem garantia destas condições de segurança, as vítimas apresentam risco aumentado, em particular, de
exposição ao mesmo ou a outros incidentes críticos e os profissionais designados para o efeito podem, ele próprio
expor-se a situações traumáticas de forma não intencional.
Independentemente do modelo, a intervenção psicossocial em situações de crise é rápida e limitada no tempo,
baseando-se numa abordagem ativa e diretiva. Sendo importante ter em consideração o tipo de incidente crítico
que está na sua base, bem como o significado do mesmo para a(s) pessoa(s) nele envolvida(s), na intervenção
psicossocial em crise a ênfase é colocada na reação ao incidente crítico (e não no incidente crítico), e são
considerados eventuais fatores de risco atuais e estratégias de coping em situações prévias, os quais podem
influenciar as reações individuais à situação.
Dois dos modelos habitualmente utilizados colocam a sua ênfase no debriefing enquanto forma de gestão do
stresse imediatamente após a ocorrência de incidentes críticos. Neste âmbito, é importante diferenciar os
debriefings operacionais das diversas formas de debriefing psicológico.
Enquanto que os debriefings operacionais devem constituir rotina e são fundamentais para a gestão da
ansiedade ligada à incerteza das situações traumáticas, uma vez que envolvem a transmissão e clarificação de
informação objetiva a propósito da situação, das suas circunstâncias e de como, quando e onde obter mais
informação, os debriefingspsicológicos (Dyregrov, 1997; 2003), envolvem a partilha das histórias pessoais a par da
ventilação das reações emocionais e são atualmente menos consensuais.
Enquanto forma de diminuição do impacto da exposição ao incidente crítico, este segundo tipo de debriefings
tem demonstrado não ter efeito ou, mesmo, ter um efeito negativo na redução do risco de TSPT, depressão ou
ansiedade .
É, no entanto, possível que estes efeitos negativos sejam devidos ao tipo de grupos (heterogéneos) e também à
limitação no tempo da verbalização do trauma (uma sessão, habitualmente em grupo), o que pode gerar um
aumento da ativação fisiológica ligada aos sintomas de trauma em vez da sua diminuição (não ocorre habituação),
a par de um eventual efeito de contágio negativo, pelo que a sua utilização não é aconselhável, em particular com
indivíduos com elevada ativação fisiológica.
Professora: Maria Flor 2022 57
5.2 Proposta de Protocolo de Intervenção Psicossocial após Situações de Crise
A intervenção psicossocial de continuidade com vista ao retorno às rotinas e ao nível prévio de funcionamento
assume a maior relevância no período após a ocorrência do incidente crítico que, dependendo das suas
características e das reações psicológicas ao mesmo pode demorar dois a cinco anos.
No caso específico de Portugal, por exemplo, e do ponto de vista do Plano Nacional de Emergência da Proteção
Civil (Autoridade Nacional de Proteção Civil, ANPC, 2015), está prevista a prestação de “apoio psicológico”,
coordenado pelo Instituto Nacional de Emergência Médica (em termos imediatos) e pelo Instituto da Segurança
Social (em termos de continuidade), em articulação com a ANPC, as Câmaras Municipais, as Corporações de
Bombeiros, a Cruz Vermelha Portuguesa, as Forças Armadas, a Guarda Nacional Republicana, a Polícia de
Segurança Pública e outras organizações não-governamentais.
Como prioridades deste plano destacam-se a prestação de apoio psicológico às vítimas e de apoio de
continuidade, com o objetivo de estabilizar emocionalmente as vítimas e identificar necessidades psicossociais.
Este tipo de apoio, “psicológico”, supostamente diferenciado da intervenção psicossocial em crise por apenas aos
psicólogos dizer respeito, nem sempre está disponível da forma mais apropriada e/ou atempada ou, a existir, pode
carecer de suporte teórico e evidências empíricas.
Por outro lado, é mais provável a existência destetipo de apoio perante um incidente crítico que envolve a
comunidade (como é o caso de um recente exemplo do incêndio ocorrido em Pedrogão Grande/ Portugal), por
comparação a outro tipo de incidentes críticos, que ocorrem com indivíduos e/ou com famílias. Dadas as
inconsistências deste apoio de continuidade e dada a sua relevância para a prevenção do TSA e do TSPT, torna-se
da maior relevância focar também a atenção no período após a ocorrência do incidente crítico, o qual envolve o
retorno às rotinas (e, por vezes, iniciar novas rotinas) e ao nível prévio de funcionamento. A Figura 1 apresenta
proposta de um Modelo de Intervenção Psicossocial de Continuidade, baseado em evidências.
5.3 IMPORTÂNCIA DO ATENDIMENTO DE EMERGÊNCIA E A HUMANIZAÇÃO
Como ponto de partida deste tópico, é preciso expor a grande quantidade de vidas que necessitam de um
atendimento de qualidade, o paciente/cliente pode adentrar as competências do hospital devido a algum mal
súbito, doenças graves e os traumas, que podem ocasionar a morte antes mesmo de chegar ao hospital,
necessitando uma atenção imediata, é neste ponto que podemos descrever o quão imprescindível se torna o
atendimento a este paciente.
É necessário que o enfermeiro responsável pelo atendimento nas unidades móveis, apresente procedimentos
emergenciais básicos e até mesmo teóricos que são aprendidos durante sua formação, pois, após um acidente é
crucial para a vida do paciente que este receba um atendimento nas duas primeiras horas, visando sua recuperação
e sobrevivência.
Com base nas pesquisas de Galvão (2013) considera-se, é necessário que as decisões tomadas pelo enfermeiro,
constituam-se de habilidade e que preservem a vida do paciente. Lembrando que o respeito com o paciente é
crucial, e assim se alcança o objetivo de recuperar a vida do paciente com qualidade e competência. Sobretudo, ao
fazer uma análise da dimensão dos serviços de emergência é possível constatar que o profissional de saúde que
atua nas emergências, precisa constantemente se manter atualizado na sua profissão, devido a constante evolução
dos equipamentos, e do modo assistencial utilizado ao tratar de pacientes, sem esquecer a assistência humanizada.
Segundo Baggio; Callegaro; Erdmann (2008) a ação na urgência e emergência constitui para o enfermeiro e
demais integrantes da equipe de saúde um dos mais complexos e diversificados momentos de circunstâncias
opostas de saúde e doença com situações de imprecisões de anseios e emoções. A atuação do profissional de
enfermagem nesse contexto deve ser de muita habilidade e eficaz, entretanto, sem esquecer-se de apreciar ainda a
impessoalidade do ser humano.
Neste contexto, Corbani; Brêtas; Matheus (2009) considera que o processo de humanização necessária para o
atendimento ao paciente, deve ser realizado de forma comedida, de modo que não prejudique o cuidar necessário
ao paciente.
No entanto, para que seja possível humanizar o acolhimento no serviço de enfermagem é necessário que o
quadro de profissionais tenha conscientização e preparo para realizar um cuidado distinto, passando a
Professora: Maria Flor 2022 58
compreender o paciente como figura humana; o enfermeiro é responsável por nortear, sanar dúvidas relacionadas
ao procedimento apresentando a máxima calma e segurança, não esquecendo de que ele ainda necessita de um
espaço apropriado para concretizar o seu trabalho (BEDIN; RIBEIRO; BARRETO, 2004).
É fato, que as competências necessárias ao enfermeiro mediante o atendimento ao paciente na emergência são
essenciais, pois deve favorecer um clima que favoreça a restauração fisiológica e emocional do paciente, exposto
por Baggio; Callegaro; Erdmann (2008) como sendo esta extensão do cuidado uma das competências da
enfermagem, que precisa garantir aconchego, calma e tranquilidade, bem como apropriadas condições de higiene
e limpeza do local.
É preciso estar prudente aos detalhes quanto à iluminação, barulho, coloração, cheiro, arejamento,
temperatura, umidade, ou seja, o profissional deve praticar a observação e pensamento decisivo para ser capaz de
atuar de modo positivo no amparo oferecido, escutando as lamentações do paciente, da família e demais
integrantes do quadro de saúde (BEDIN; RIBEIRO; BARRETO, 2004).
Em hipótese alguma, deve haver um tratamento que requer uma maior complexidade sendo de
responsabilidade dos profissionais fazer a prévia identificação dos recursos que estão à disponibilidade no que diz
respeito ao território de abrangência. Dessa forma, o atendimento humanizado nomeadamente em circunstância
de emergência tem exigido cada vez mais do enfermeiro um raciocino rápido no momento de tomada de decisões,
para perceber as finalidades do cuidado e a ação de enfermagem necessária para determinado fim.
Considerado por Moura et al., (2014) como uma ação que permite a promoção de uma orientação sistematizada
para o desenvolvimento da apreciação clínica, incorporando a Sistematização de Atendimento a Enfermagem como
um meio de torna lá mais científica, promovendo um cuidar humanizado de Enfermagem, contínuo.mais justo e
com qualidade para o paciente/cliente.
5.3. O PROCESSO DE COMUNICAÇÃO
A palavra “comunicação” deriva do latim “communicare”, que significa pôr em comum, associar, entrar em
relação, estabelecer laços, tornar comum, partilhar. Troca de ideias, opiniões e mensagens, sendo que contempla o
intercâmbio de informação entre sujeitos ou objetos.
É um fenômeno espontâneo e natural, que usamos sem darmos conta que esconde um processo muito
complexo, que envolve a troca de informações, e utiliza os sistemas simbólicos como suporte para este fim. Estão
envolvidos neste processo uma infinidade de maneiras de se comunicar.
Comunicação oral:
A sua principal característica é a presença do recetor. A voz é a grande ferramenta para a comunicação verbal, e
quando usada de forma inadequada, pode trazer prejuízos, na medida em que um emissor com má voz (rouco,
cansado ou com tom abafado), poderá causar desinteresse ou até irritabilidade no recetor. Principais vantagens da
comunicação oral:
Permite o feedback imediato,
Permite a passagem imediata do recetor a emissor e vice-versa,
Permite a utilização de comunicação não-verbal como os gestos, a mímica e a entoação.
Principais desvantagens da comunicação oral:
Não permite qualquer registro
Não se adéqua a mensagens longas e que exijam análise cuidada por parte do recetor.
Comunicação não verbal.
As pessoas não se comunicam apenas por palavras. Os movimentos faciais e corporais, os gestos, os olhares, a
entoação são também importantes: são os elementos não verbais da comunicação. Os significados de
determinados gestos e comportamentos variam muito de uma cultura para outra e de época para época.
Comunicação não verbal
Professora: Maria Flor 2022 59
As pessoas não se comunicam apenas por palavras. Os movimentos faciais e corporais, os gestos, os olhares, a
entoação são também importantes: são os elementos não-verbais da comunicação.
Os significados de determinados gestos e comportamentos variam muito de uma cultura para outra e de época
para época.
A comunicação verbal é plenamente voluntária; o comportamento não-verbal pode ser uma reação involuntária
ou um ato comunicativo propositado.
Alguns psicólogos afirmam que os sinais não verbais têm as funções específicas de regular e encadear as
interações sociais e de expressar emoções e atitudes interpessoais.
Expressão facial
Não é fácil avaliar as emoções de alguém apenas a partir da sua expressão fisionômica. Por vezes os rostos
transmitem espontaneamente os sentimentos, mas muitas pessoas tentam inibir a expressão emocional.
Movimento dos olhos
Desempenha um papel muitoimportante na comunicação. Um olhar fixo pode ser entendido como prova de
interesse, mas noutro contesto pode significar ameaça, provocação. Desviar os olhos quando o emissor fala é uma
atitude que tanto pode transmitir a ideia de submissão como a de desinteresse.
Movimentos da cabeça
Tendem a reforçar e sincronizar a emissão de mensagens.
Postura e movimentos do corpo
Os movimentos corporais podem fornecer pistas mais seguras do que a expressão facial para se detetar
determinados estados emocionais. Por ex.: inferiores hierárquicos adotam posturas atenciosas e mais rígidas do
que os seus superiores, que tendem a mostrar-se descontraídos.
Comportamentos não verbais da voz:
A entoação (qualidade, velocidade e ritmo da voz) revela-se importante no processo de comunicação. Uma voz
calma geralmente transmite mensagens mais claras do que uma voz agitada.
A aparência
A aparência de uma pessoa reflete normalmente o tipo de imagem que ela gostaria de passar. Através do
vestuário, penteado, maquilhagem, apetrechos pessoais, postura, gestos, modo de falar, etc.
As pessoas criam uma projeção de como são e de como gostariam de ser tratadas. As relações interpessoais
serão menos tensas se a pessoa fornecer aos outros a sua projeção particular e se os outros respeitarem essa
projeção.
Elementos básicos da comunicação
Para haver comunicação é necessária a intervenção de pelo menos dois indivíduos, um que emita outro que
receba; algo tem que ser transmitido pelo emissor ao recetor; para que o emissor e o recetor comuniquem é
necessário que esteja disponível um canal de comunicação; a informação a transmitir tem que estar "traduzida"
num código conhecido, quer pelo emissor, quer pelo recetor; finalmente todo o ato comunicativo se realiza num
determinado contexto e é determinado por esse contexto.
Uma das melhores maneiras de entender a natureza do processo de comunicação consiste em prestar atenção a
alguns princípios ou tendências - que podemos designar por leis da comunicação;
A comunicação é um processo de dois sentidos (biunívoca);
A mensagem recebida pelo recetor nunca é igual à que enviamos.
O significado que as pessoas atribuem às palavras depende das suas próprias experiências e perceções;
Existem situações em que corremos o risco de fornecer excessiva informação às pessoas, criando-lhes
dificuldades;
Comunicamos sem estarmos conscientes disso, porque comunicamos também (e sobretudo?) através de
linguagem gestual e corporal;
Professora: Maria Flor 2022 60
O emissor deve ser congruente com a mensagem a transmitir; Comunicação na prestação de cuidados de
saúde
A comunicação é tão mais difícil quanto maior for o número de recetores e a sua heterogeneidade (muitos e
diferentes recetores);
Quanto mais simples for uma mensagem, mais fácil será a sua compreensão e memorização;
O conteúdo de uma mensagem altera-se à medida que é transmitida de uma pessoa para outra.
Emissor
Aquele que emite ou transmite a mensagem; é o ponto de partida de qualquer mensagem.
Deve ser capaz de perceber quando e como entra em comunicação com o (s) outro (s).
Deve ser capaz de transmitir uma mensagem compreensível para o recetor.
Recetor
Aquele para o qual se dirige a mensagem.
Deve estar sintonizado com o emissor para entender a sua mensagem.
Canal
É todo o suporte que serve de veículo a uma mensagem, sendo o mais comum o ar.
Existe uma grande variedade de canais de transmissão, cada um deles com vantagens e inconvenientes,
destacam-se os seguintes:
O Ar (no caso do emissor e recetor estarem frente a frente
O Sonoro: telefone, rádio. o Escrita: jornais, diários e revistas.
O Audiovisual: televisão, cinema. o Multimédia: diversos meios simultaneamente.
O Hipermédia: NTICs, CD-ROM, TV digital e internet
Mensagem
É o conteúdo da comunicação. É o conjunto de sinais com significado.
Código
São sinais com certas regras, que todos entendem, como por exemplo a língua.
O emissor codifica a mensagem e o recetor interpreta a mensagem, descodificando
Contexto
Situação específica onde se processa a transmissão da mensagem.
O contexto varia consoante o tipo de canal de transmissão utilizado e consoante as características do emissor
e do(s) recetor(es), consoante o local onde se processa a situação, da escolha do canal de transmissão e do tipo de
codificação.
Feedback
Depois do recetor receber e interpretar a mensagem transmitida, emite uma informação de retorno à
mensagem recebida, sendo esta ação designada por feedback.
Empatia
A Empatia tem sido normalmente definida como a capacidade psicológica que permite, de uma forma
aprofundada e íntima, a compreensão de ideias, sentimentos e motivações de outras pessoas. Muitas vezes, é
caracterizada como a capacidade de “se colocar no lugar do outro”. Como a maior parte das características
pessoais, a empatia tem tanto de natural como de aprendizagem.
Na realidade, nem todos possuímos inatamente esta característica e, mesmo entre quem a tem, poucos a
sabem utilizarem a seu favor. No entanto, qualquer um a pode desenvolver.
E para uma empatia de qualidade, que conduz a resultados concretos e ao sucesso, requerse sempre treino.
Assim, com alguma prática e persistência, poderemos desenvolver esta capacidade de modo a que depois possa
funcionar de forma automática.
Professora: Maria Flor 2022 61
A empatia é uma ferramenta poderosa que permite com que duas ou mais pessoas interajam de forma
proveitosa. No fundo, é através da empatia que se criam as pontes de comunicação entre duas pessoas.
Nem sempre a forma que escolhemos para transmitir uma ideia é suficiente para que ela seja perfeitamente
entendida pelo nosso destinatário.
Assim, a empatia tem tudo a ver com as palavras que escolhemos e a forma como as organizamos para
comunicar as nossas ideias.
Se temos algo a dizer, é essencial sabermos escolher a forma de, não só transmitir a ideia, mas faze-la ser bem
compreendida por quem nos ouve.
A arte da empatia, mais do que a simpatia é o grande segredo de uma boa comunicação.
Escuta ativa/escuta dinâmica
A escuta ativa encoraja o interlocutor a explicitar as suas necessidades, ao mesmo tempo que dá ao emissor a
certeza de estar a compreender o que ele está a dizer. De facto, temos a tendência para ouvir o que queremos
ouvir e ver o que queremos ver. Devido a este facto, a mensagem recebida por nós é muitas vezes completamente
diferente daquela que o emissor desejava transmitir.
Quando usamos a escuta ativa, estamos a enviar um sinal ao interlocutor de que confiamos nele, de que damos
importância às suas palavras e de que o estamos a ouvir. Isto faz com que este se sinta mais confiante.
No que consiste então a escuta ativa?
Quais as atitudes e ações a tomar para escutar ativamente?
1. Gostar de escutar quando alguém está a falar.
2. Incentivar os outros para que falem.
3. Ouvir mesmo que não simpatize com a pessoa.
4. Escutar com a mesma atenção quer seja homem, mulher, criança ou velho.
5. Escutar com a mesma atenção quer seja amigo, conhecido ou desconhecido.
6. Deixar tudo o que se está a fazer enquanto alguém fala.
7. Olhar para a pessoa que fala.
8. Concentra-se no que ouve, ignorando todas as distrações em seu redor.
9. Sorrir ou mostrar que está a compreender o que ouve.
10. Refletir sobre o que a outra pessoa está a dizer.
11. Tratar de compreender o que dizem.
12. Tentar descortinar porque o dizem.
13. Não interromper quem fala.
14. Quando alguém que está a falar hesita em dizer algo, encorajá-lo para que prossiga.
15. Abster-se de julgar as ideias até que o interlocutor as termine de expor.
16. Fazer um resumo doque foi dito e perguntar se foi isso que o interlocutor pretendeu comunicar.
17. Escutar o interlocutor sem se deixar influenciar demasiado pela sua maneira de falar, voz, vocabulário, gestos e
aparência física.
18. Escutar mesmo que consiga antecipar o que vai ser dito
19. Fazer perguntas para ajudar o outro a exprimir-se melhor.
20. Pedir, se necessário, que o interlocutor explique em que contexto está a utilizar determinada (s) palavra (s).
5.4 A COMUNICAÇÃO NO ATENDIMENTO PRESENCIAL EM SERVIÇOS DE SAÚDE
A Humanização na área da Saúde1 surgiu do legítimo anseio das pessoas, trabalhadores e usuários dos
serviços, pela melhoria das práticas de Saúde. Inicialmente voltada às ações de ambiência, acolhimento,
cidadania, e reconhecimento do campo da subjetividade no atendimento, foi ganhando consistência prática e
conceitual, passando da situação de ações humanizadoras, para a de programa, chegando à condição de política
pública do SUS.
Professora: Maria Flor 2022 62
Nesse percurso, à medida que se aprofundava a compreensão dos fatores envolvidos na paradoxal realidade
na qual os serviços de Saúde, cuja missão é curar e aliviar, se transformaram (eles próprios) em lugares de
sofrimento, constatava-se claramente que eram principalmente os aspectos organizacionais que sustentavam
esse estado de coisas. Cultura institucional, organização dos processos de trabalho e gestão despontaram como os
principais entraves ao desenvolvimento da humanização das práticas de Saúde.
Portanto, sem considerar a importância dos trabalhadores da Saúde no aprendizado de um modo de fazer suas
tarefas em que seja ele mesmo o exercício da Humanização, e sem trabalhar a vida institucional em todos seus
matizes, particularmente no que se refere à gestão das pessoas e processos de trabalho, é praticamente
impossível tornar tais práticas mais éticas, justas e solidárias, como reza a cartilha da Humanização.
Como característico nos movimentos que começam do esforço coletivo para a mudança da realidade, a
Humanização trouxe dos seus primeiros ensaios metodológicos no PNHAH (Programa Nacional de Humanização
da Assistência Hospitalar) o formato organizacional do Comitê de Humanização, que propunha a aglutinação de
pessoas de diversas áreas da instituição, inclusive usuários e voluntários, buscando mais a representatividade que
a competência técnica para o tema.
Depois chamado pela SES-SP de Núcleo de Humanização e na PNH (Política Nacional de Humanização), Grupo
de Trabalho de Humanização (GTH), manteve-se esse formato. Ou seja, embora a PNH tenha mudado o patamar
da Humanização quando esta deixou de ser um programa hospitalar e passou a ser uma política pública do SUS,
do ponto de vista metodológico, a PNH, ainda que propusesse outras perspectivas e ferramentas de trabalho,
como por exemplo, a matriz de indicadores de monitoramento da Humanização, da 169
Em busca da Humanização das práticas de Saúde: a questão do método qual falaremos adiante, não propunha
mudanças significativas no modelo do Comitê de Humanização (apenas re-batizado de GTH). Decorrem desse fato
vários exemplos que revelaram a insuficiência metodológica do formato de Comitê para o desempenho das
funções necessárias às novas perspectivas para a Humanização e a busca de outros formatos mais adequados às
exigências técnicas que hoje são imprescindíveis para a Humanização.
Caraterísticas
Todas as pessoas têm direitos e esses direitos são indiscutíveis e inalienáveis. Encontramse descritos na
Declaração Universal dos Direitos Humanos e estão garantidos pela Constituição da República Portuguesa.
Quando alguém adoece não perde nem vê diminuído os seus direitos de cidadania. Mas a circunstância de estar
doente, por breve prazo ou de forma crônica, atribui maior importância a alguns desses direitos fundamentais.
O doente tem direito a ser tratado no respeito pela dignidade humana. Os profissionais de saúde, ou seja todos
os que prioritariamente prestam cuidados (médicos e enfermeiros), mas também todos os outros (técnicos,
auxiliares, administrativos, rececionistas, seguranças, etc.) que intervêm no complexo sistema de saúde, têm de
respeitar a dignidade do doente.
Esta atitude de respeito tem consequências práticas importantes: o doente será acolhido com civilidade, não
será tratado por tu, pelo primeiro nome ou por um número, não terá longos tempos de espera sem obter
informação e explicação, será respeitado o seu pudor e privacidade, será sempre olhado como uma pessoa e não
como um caso,mas como um interlocutor que sabe com quem dialoga e não como alguém que recebe ordens. Ou
seja, o doente é um parceiro no processo de saúde e não um subordinado cumpridor.
O doente tem direito a ser informado acerca dos serviços de saúde existentes, suas competências e níveis de
cuidados.
Uma das grandes dificuldades do doente é o desconhecimento em que muitas vezes se encontra acerca dos
serviços a que deve recorrer, as suas competências, regras, horários, modalidades de acesso, etc.
Tem, pois, direito a ser informado com exatidão e prontidão sobre todos estes aspetos. Assim, pedidos de
esclarecimento acerca de horários, formalidades, locais de acolhimento e encaminhamento têm de ser atendidos
de forma cortês e solícita.
O atendimento presencial é todo o ato de comunicação em que ambos os interlocutores estão em presença
física.
Professora: Maria Flor 2022 63
No primeiro contacto, os primeiros 20 segundos são mais importantes que o tempo que se segue, é a primeira
impressão e funciona como um cartão-de-visita. Esta será sempre retida por qualquer cliente, utente ou visitante
nas suas deslocações à unidade de saúde.
As relações interpessoais são uma realidade sempre presente na existência pessoal, grupal e profissional de
todos os seres humanos, pois não há vida sem relação.
E no contexto da saúde, a relação é fundamental, especificamente a “relação de ajuda” que se estabelece entre
profissionais (técnico/a de saúdes, médicos e outros) e utentes, famílias e/ou pessoas significativas.
Para que se possa intervir junto do utente, é importante reconhecer que a relação de ajuda envolve um
sentimento de cooperação e de solidariedade humana.
A qualidade da relação é determinante na qualidade do trabalho do técnico/a de saúde implicando um bom
conhecimento de si próprio, sensibilidade aos diferentes níveis de comunicação e perspicácia para que se aperceba
de tudo o que se passa durante a mesma relação. O cuidar em saúde é exercido em ambientes sob condições muito
variáveis e complexas.
A relação de ajuda deve estar presente seja qual for o contexto em que o cuidar acontece. Ao técnico/a de
saúde cabe o papel de facilitar o desenvolvimento da energia interior do utente, a aquisição das informações e de
todos os meios para que por si próprio e dentro das suas possibilidades, as possa satisfazer.
A ação do profissional deve ser dirigida à pessoa na sua globalidade, inserida num contexto sociocultural que lhe
é muito próprio.
Quando o técnico/a de saúde está em relação de ajuda com o cliente necessita ter profunda consciência do
contacto com aquele que ele incita a prosseguir no crescimento pessoal e na busca de soluções, devido ao seu alto
nível de empenhamento e respeitando permanentemente o carácter único da sua personalidade.
É importante que o técnico/a de saúde desenvolva e utilize as competências da relação de ajuda para assegurar
um ambiente encorajador e estimulante. Assim, as competências são as seguintes:
Clarificação: O técnico/a de saúde deve ajudar o utente a perceber com maior clareza o seu problema ou as
suas soluções;
Empatia: O técnico/a de saúde deve reconhecer os sentimentos e ter a capacidade de se colocar no lugar do
utente, de compreendê-lo e transmitirao utente essa compreensão; “a enfermeira empática usa
momentaneamente as emoções do cliente com a finalidade de o compreender inteiramente mas é essencial que se
mantenha consciente de sua própria individualidade”;
Respeito mútuo: O técnico/a de saúde deve respeitar o utente como pessoa humana, com as suas
características individuais, suas crenças e valores; “Respeitar o ser humano é acreditar profundamente que ele é
único e que devido a essa unidade só ela possui todo o potencial Especifico para aprender a viver de forma que lhe
é satisfatória”.
Congruência: Corresponde á concordância entre o que o técnico/a de saúde pensa e sente, e aquilo que
exprime durante a relação de ajuda; “ A congruência tem as suas raízes na espontaneidade e na segurança interior,
as quais proporcionam o prazer de se ser verdadeiramente aquilo que se é”.
Escuta ativa: O saber escutar traduz-se por um comportamento físico (postura); observação (olhar o outro) e o
escutar propriamente dito (audição). Estas atitudes demonstram o interesse e atenção dispensadas ao utente,
devendo o técnico/a de saúde estar atento à mensagem verbal e gestual.
Confrontação assertiva: O técnico/a de saúde confronta o utente com a finalidade de lhe proporcionar novas
perspetivas que o possam motivar a mudar comportamentos para uma vida mais saudável.
Aceitação incondicional do direito da pessoa doente: O técnico/a de saúde deve aceitar o outro tal como este é
sem avaliação com juízos de valor e sem preconceitos. Deve aceitar tanto o doente agressivo, como o doente
exigente ou com qualquer outro.
Autenticidade: Evidencia a relação consigo próprio e manifesta-se pela capacidade do técnico/a de saúde se
manter, ele próprio, nas suas interações com o doente, de ultrapassar as atitudes convencionais e de lhe juntar o
que há de mais verdadeiro e de mais real. Esta atitude supõe espontaneidade e sinceridade, assim como ausência
de comportamentos defensivos por parte do profissional.
A Relação de ajuda é uma relação particularmente significativa que se instaura entre ajudado, isto é, uma
pessoa que passa pela experiência dum problema, dum sofrimento e que sente dificuldade em enfrentar sozinha e
Professora: Maria Flor 2022 64
em encontrar os meios de os aceitar, de se adaptar ou sair destes, e um ajudante, na ocorrência um técnico/a de
saúde, que em dado momento o ajuda a encará-los e a encontrar em si próprio recursos necessários para lhe fazer
face.
É uma troca, tanto verbal como não-verbal que permite criar o clima de que a pessoa tem necessidade para
reencontrar a sua coragem, tornar-se autônoma e evoluir para um melhor bem-estar físico ou psicológico
5.5 A HUMANIZAÇÃO COMO POLÍTICA PÚBLICA
A humanização, enquanto política pública de saúde, na atualidade, vem afirmando-se como criação de
espaços que alteram as formas de produzir saúde, tomando como princípios o aumento do grau de comunicação
entre sujeitos e equipes. Este movimento se faz com sujeitos que possam exercer sua autonomia de modo
acolhedor, co-responsável, resolutivo e de gestão compartilhada dos processos de trabalho (DESLANDES, 2004).
A Política de Humanização parte de conceitos e dispositivos que visam à reorganização dos processos de
trabalho em saúde, propondo, centralmente, transformações nas relações sociais, que envolvem trabalhadores
e gestores em sua experiência cotidiana de organização e condução de serviços; e transformações nas formas de
produzir e prestar serviços à população. Pelo lado da gestão, busca- se implantar instâncias colegiadas e
horizontalização das “linhas de comando”, valorizando a participação dos atores, o trabalho em equipe, a
chamada “comunicação lateral”, e democratizando os processos decisórios, com co- responsabilização de
gestores, trabalhadores e usuários. E traz como fundamental a participação dos profissionais da saúde na
elaboração de planos e ações (HUMANIZASUS, 2004).
Orientada pelos princípios da transversalidade e da integralidade, entre atenção e gestão, a humanização se
expressa a partir de 2003, como Política Nacional de Humanização (PNH) (BRASIL, 2011). Como tal, compromete-
se com a construção de uma nova relação seja entre as demais políticas e programas de saúde, seja entre as
instâncias de realização do Sistema Único de Saúde (SUS), seja entre os diferentes atores que constituem o
processo de trabalho em saúde.
A política de humanização surge em um cenário de desafios, ainda presentes na construção do SUS que exige
mudanças no modelo de gestão e de atenção à saúde. Dentre eles, destacam-se: vínculo frágil nos grupos de
trabalhadores versus usuários e controle social rudimentar, relações de trabalho precárias e pouca, ou
nenhuma, participação dos trabalhadores na gestão dos serviços, baixo investimento em educação permanente,
desestímulo ao trabalho em equipe e despreparo dos profissionais para lidar com questões subjetivas que toda
prática de saúde envolve. (HENNINGTON, 2008).
Acesso, qualidade e oferta de serviços de saúde
Para o usuário, a oferta de um tratamento digno, solidário e acolhedor por parte de quem o atende não é
apenas direito, mas contribui com uma etapa fundamental na conquista da cidadania. O acolhimento, desde sua
chegada, responsabilizando-se integralmente por ele, ouvindo sua queixa, permitindo que ele expresse suas
preocupações, angústias, e ao mesmo tempo, colocando os limites necessários, garantindo atenção resolutiva e a
articulação com os outros serviços de saúde para a continuidade da assistência quando necessário. Este conjunto
de ações vai caracterizar o atendimento como sendo humanizado, gerando satisfação à clientela atendida.
Segundo Nobre (1999) o “atendimento ao cliente consiste numa atitude positiva de dar atenção ao cliente,
permitindo que ele manifeste suas necessidades, ouvindo-o com interesse, dando solução aos seus problemas, ou,
então, encaminhando-o à pessoa certa”.
Neste contexto a Estratégia de Saúde da Família encontra-se hoje na condição de estratégia prioritária para a
organização da atenção básica, “de acordo com os preceitos do Sistema Único de Saúde” (BRASIL, 2011). O
Ministério da Saúde entende que o fortalecimento da atenção básica se dá com a ampliação do acesso e a
qualificação e reorientação das práticas de saúde embasadas na promoção da Saúde.
A atenção básica como porta de entrada está referenciada na Carta dos Direitos dos Usuários do SUS (BRASIL,
2006), na qual o primeiro princípio assegurado a todos os cidadãos refere-se ao acesso dos sistemas de saúde
“deve ser ordenado e organizado”, sendo que o primeiro item deste princípio estabelece que este acesso deve-se
http://www.epsjv.fiocruz.br/dicionario/verbetes/gessau.html
Professora: Maria Flor 2022 65
dá “prioritariamente pelos Serviços de Saúde da Atenção Básica próximos ao local de moradia”.
Estudos desenvolvidos acerca da percepção dos usuários sobre a qualidade dos serviços de saúde (GALINDO,
2001; GATTÁS, 2003) apontam para falhas relacionadas, basicamente, ao acesso, ao tratamento dispensado pelos
profissionais, ao acolhimento e à baixa resolubilidade.
Conill (2002), discutindo a avaliação a partir da análise do Programa de Saúde da Família de Florianópolis,
adota o acesso e a integralidade como categorias operativas, e identifica que na percepção tanto dos gestores
como da população usuária, o acesso foi considerado um aspecto problemático na utilização dos serviços. Em
estudo semelhante sobre a qualidade em saúde desenvolvido na rede básica de Natal, RN, Dimenstein et al.
(2003) também identificou, entre outros fatores negativos associados à qualidade e a dificuldade no acesso.
A proposta do atendimento humanizado tem como meta uma nova cultura institucional, que possa instaurar,
entre outras coisas, o bem estarfísico, psíquico e social dos usuários dos serviços de saúde, resgatando, assim, a
dignidade e o compromisso com o paciente, gerando sem dúvida qualidade de vida a clientela atendida, sanando
alguns pontos fundamentais e problemáticos da porta de entrada do sistema.
GESTÃO HUMANIZADA
A gestão humanizada passa a ser uma necessidade no novo paradigma organizacional. Esta tem como intuito
propor uma mudança do perfil do gestor em substituição ao estilo autocrático para tornar-se um líder e poder
captar e desenvolver a capacidade criativa e os talentos que a organização dispõe. Este perfil de liderança,
portanto, é dinâmico e multifacetado que transforma o gestor em um agente de mudanças via a arte de liderar
pessoas, mobilizando energias para a qualidade dos serviços públicos (SILVA, 2006).
A melhoria da qualidade da assistência e consequente satisfação do usuário são resultantes do modo de gestão
do trabalho desenvolvido nos serviços, cujo protagonista nesse processo é o trabalhador da saúde.
1. Conceito e evolução histórica do humanismo e da humanização.
Humanização é o modo humano de ser, no sentido de sobrepujar a forma animal.
É, portanto, tudo que desperta o sentimento de solidariedade humana e concorre para facilitar a circulação do
homem no mundo humano: é coordenar os interesses complementares; é dissolver as fricções e atritos; é alargar a
zona de concordância entre os homens.
Humanismo é um antropocentrismo refletido que, partindo do conhecimento do homem, tem por objetivo a
valorização do homem e a solução dos problemas humanos. Compreende a assimilação dos valores humanos
sedimentados no curso da história. Nesta peregrinação através da história, ele guardou, em seu conteúdo
conceptual, o espírito e a cultura das épocas que atravessou e das quais conservou as diversas denominações:
humanismo "cristão" "clássico", "filosófico ou racionalista’.
Transcendente, por sua natureza, a todas as culturas particulares, ele se enriquece com os tesouros de saber
acumulados pelas gerações e, apoiado sobre a experiência de todos os tempos, tende à realização do tipo ideal
humano preconizado pela cultura.
O que humaniza é o que cria nos indivíduos a vontade de respeitar os outros e de ajudá-los, em lugar de
empregar, para si só, a inteligência e conhecimentos.
O espírito humanístico é largo e compreensivo.
2. Humanização do Serviço de Enfermagem do Hospital do Servidor Público Estadual
Pela humanização do Servidor de Enfermagem pretende-se alcançar entre os membros da equipe, maturidade
emocional e boa estruturação da personalidade.
O equilíbrio emocional e bom ajustamento da equipe, condiciona atendimento humano aos usuários do
hospital.
A equipe de enfermagem, pelo fato de permanecer continuamente em contato com os pacientes, sofre mais os
impactos dos problemas de relacionamento com os mesmos. Os pacientes, pelo maior grau de dependência com
Professora: Maria Flor 2022 66
relação à enfermagem, também sofrem profundamente com a falta de humanização dos membros da equipe. Essa
ação reflexa contribui para elevar o nível de tensão àe ambas as partes. Por isso, os responsáveis pela organização
do serviço devem ter sempre em mente a diferença que existe entre paciente e pessoal; o paciente é um hóspede
temporário, enquanto cada membro da equipe é um hóspede permanente.
Havendo humanização do serviço com relação aos membros da equipe, estes terão maiores condições de
apresentar comportamento humanitário, possibilitando a consecução dos objetivos:
1. - Proporcionar aos usuários do hospital o máximo de satisfação e ajustamento.
2. - Eliminar atritos entre ambas as partes.
3. - Atender os pacientes e familiares de modo solícito e cortês, respeitando seus direitos como pessoa
humana, sua personalidade e individualidade.
A proposição do tema "humanização da enfermagem". como assunto do Congresso, motivou a realização de um
estudo exploratório da humanização do serviço de enfermagem do Hospital do Servidor Estadual de São Paulo.
O levantamento focalizou:
1. Fatores de humanização do ambiente de trabalho oferecidos aos funcionários pelo hospital.
2. Satisfação e ajustamento do pessoal de enfermagem na função e no ambiente de trabalho.
3. Auto-avaliação do atendimento humano aos pacientes e familiares.
4. Avaliação da humanização da enfermagem feita pelos pacientes.
5. Avaliação do atendimento humano feito pelos familiares dos pacientes.
5.6 ÉTICA PROFISSIONAL NA ASSISTÊNCIA DE PACIENTES COM TRANSTORNO MENTAL
Geisiane Maciel Silva¹
Gracyele Lorena¹
Janailde Gomes¹
Mônica Ribeiro Costa¹
Sueide Pereira dos Santos¹
Thales Batista da Silva
Wanderson Pablo da Silva
INTRODUÇÃO
Há anos observa-se o aumento no número clientes relatando sintomatologia sugestiva de transtorno mental, e
que recorreram aos diversos serviços de saúde, e que não obtiveram devida atenção dos profissionais. A uma
deficiência quanto aos estudos científicos, ou mesmo experiências, que visa aprimorar as ações do enfermeiro
dirigidas ao portador de transtorno mental (CANDIDO; FUREGATO, 2005).
A OMS vem frisando a atenção para alguns fatores responsáveis pela deficiência na identificação e no manejo
dos portadores de transtornos mental, que são eles falta de conhecimento do profissional de enfermagem, falta de
destreza clínica, limitação no tempo da consulta para escutar o cliente, falta de apoio especializado para o manejo
e referência de pacientes com problemas complexos (CANDIDO; FUREGATO, 2005).
Ao direcionar transtorno mental exigem atenção primária, mas ainda permanecem sem serem diagnosticados e
sem receberem tratamento, o que repercute em carga excessiva de sofrimento, elevada morbidade e mortalidade,
além do contínuo risco de suicídio (CANDIDO; FUREGATO, 2005).
O Tratamento Moral, instituído no século XVII, perdeu sua força no final do século XIX. A psiquiatria passa a
assumir uma posição positivista, focada na medicina biológica (MOSTAZO; KIRSCHBAUM, 2003).
Com os avanços da medicina, a psiquiatria se constitui de um modelo biomédico no tratamento das doenças
mentais. Modelo este resultado da influência do mecanicismo, onde o corpo é identificado como uma máquina que
pode ser examinada em partes. No Brasil, até a segunda metade do século XIX, não houve assistência médica
exclusiva para os doentes mentais. Na segunda metade dos anos oitenta ocorreu a Reforma Psiquiátrica, a
preocupação então deixa de ficar centralizada apenas na instituição psiquiátrica e passa a incluir a analise da
condição humana, social, política e cultural do doente mental(MOSTAZO; KIRSCHBAUM, 2003).
Professora: Maria Flor 2022 67
Dessa forma um cuidado ético preocupa-se com tudo que envolve o ser humano, com tudo que o rodeia, ou
seja, com a sua singularidade, igualdade, desigualdades, harmonias e conflitos. Não pode ser baseado numa única
estratégia; deve ser livre, criativo e não pode ter medo de inovar (WAIDMAN; ELSEN, 2005).
As ações de saúde mental têm o objetivo de desenvolver o cuidado, atuando sempre visando às políticas
especificas, estabelecendo com o paciente um vinculo promovendo o acolhimento(VILLELA; SCATENA, 2004).
O planejamento e a implementação do cuidado de enfermagem devem ser baseados nas características clínicas
que cada paciente com transtorno mental possui, identificadas através da observação constante no relacionamento
enfermeiro-paciente. Os objetivos dos cuidados de enfermagem à pessoa com transtorno mental devem estar
relacionados ao aumento da autoestima dos pacientes e com as ações técnicas para atender as suas necessidades
(CANDIDO; FUREGATO, 2005).
É preciso salientar que o cuidar do outro com uma dimensão ética é uma exigência que precisa ser vivenciada
por quem cuida e implica o não exercíciode um saber ou poder sobre o outro, que possam transformá-lo,
domesticá-lo ou adaptá-lo, segundo os preceitos e expectativas institucionais(CARVALHO; MAGALHÃES; FREIRE,
2008).
Para que exista um cuidado ético é preciso profissionais comprometidos com a ética, preparados para identificar
os recursos disponíveis e saber interferir e interagir na hora adequada (WAIDMAN; ELSEN, 2005).
É necessário que haja um cuidado diferenciado com ações interdisciplinares, buscar junto com a equipe de
saúde soluções e um novo cuidado baseado na ética para os portadores de doença mental. Um cuidado ético que
reitera a necessidade de uma qualidade de vida, a reinserção na sociedade e a reconquista do direito à cidadania
(WAIDMAN; ELSEN, 2005).
Os portadores de transtorno mental necessitam de assistência em todos os aspectos da sua vida, necessitando
do acompanhamento da equipe de enfermagem, de familiares, encorajando-os, estimulando e apoiando no seu
tratamento. Para facilitar este acompanhamento e alcançar os resultados esperado, é recomendado à
sistematização da assistência na prestação de cuidados de enfermagem, tendo como aspectos principais a
avaliação, diagnóstico, identificação de problemas, planejamento, prescrição, intervenção e evolução. Um processo
contínuo, que tende a atender as necessidades do portador de doença mental e melhorar sua qualidade de vida
(CANDIDO; FUREGATO, 2005).
A enfermagem tem como princípio o compromisso com a saúde e a qualidade de vida entre o indivíduo, a
família e o coletivo, com o objetivo de manutenção, promoção e a reabilitação da saúde. O enfermeiro exerce suas
funções para a promoção do ser humano de acordo com os princípios éticos e bioéticos, visando às necessidades
dos usuários, indo além das atividades burocráticas (VILLELA; SCATENA, 2004).
As funções do enfermeiro vão além da promoção e prevenção da saúde mental, na ajuda ao doente a enfrentar
os problemas da patologia mental e na capacidade de assistir o paciente, a família e a comunidade. Ações como
observação e assistência fazem parte do processo de planejamento de enfermagem, conduzido conforme os
preceitos éticos e legais. A reabilitação é considerada como necessidade e exigência ética, um processo de
reconstrução, o direito a cidadania que é fundamental na reabilitação psicossocial, sendo necessário um vínculo
efetivo entre profissional e paciente (VILLELA; SCATENA, 2004).
Os profissionais de saúde vêm assumindo uma postura de reflexão sobre os conflitos éticos, morais e legais na
assistência ao paciente.
A enfermagem ocupa posição de destaque, pois é a equipe que possui o primeiro contato e uma maior
interação com o paciente no período da reabilitação, ela baseia-se na atenção psicossocial e busca o resgate da
cidadania mostrando a capacidade de cada um agir de maneira livre e participativa, enxergando uma nova ética do
cuidado(ARAUJO; BOTTI, 2006). Este profissional tem que ter consciência que o paciente portador de transtorno
mental também é um ser humano digno de soluções para os seus problemas(SILVA; FUREGATO; COSTA JUNIOR,
2003).
A Reforma Psiquiátrica é resultado do amadurecimento das políticas públicas de saúde mental, com maior
conscientização da sociedade civil. A desinstitucionalização não está restrita a substituição do hospital por cuidados
externos, mas à devolução à comunidade da responsabilidade dos seus doentes e seus conflitos, transformando
aquilo que era individual em coletivo. A desinstitucionalização é parte do cuidado que o doente mental tem direito,
um cuidado ético, contrário à exclusão e violência(GONÇALVES; SENA, 2001).
Professora: Maria Flor 2022 68
Para que ocorra a inclusão dos doentes mentais como cidadãos na sociedade, é necessário muito mais que
reorganizar a rede de serviços ou substituir técnicas terapêuticas(OLIVEIRA, 2004). É necessário que os
trabalhadores da saúde mental reconheçam a sua condição de cidadania, aceitando o outro e o seu potencial, essa
é uma atitude do verdadeiro cuidado do enfermeiro para com o outro e não para com um objeto qualquer que é
cuidado. É um cuidar que tem interesse com o outro, possibilitando-lhe assumir seu próprio caminho, crescer,
amadurecer, e encontrar-se verdadeiramente (PEREIRA, et al., 2007).
DISCUSSÃO
A ética profissional na assistência de pacientes com transtorno mental vem sofrendo várias mudanças
paulatinamente desde a reforma psiquiátrica. Estudos confirmam que apesar da evolução das práticas de
enfermagem, percebe-se que na atuação em saúde mental a enfermagem é pouca lembrada (CANDIDO;
FUREGATO, 2005).
De acordo com literatura o enfermeiro tem que está apto para realizar promoção e prevenção da saúde mental,
ajudando o doente a enfrentar os problemas da patologia mental que o acomete, e ter capacidade de assistir o
paciente, a família e a comunidade, porém em outros estudos demonstram que há uma deficiência no preparo dos
profissionais de saúde relacionada à escuta dos anseios, tensões e sofrimento dos pacientes, ou seja, não consegue
realizar um planejamento adequado para resolver os problemas nos de transtorno mental, levando a uma carência
de compreensão e de comunicação efetiva entre o paciente e os profissionais (ALMEIDA, 2010).
Hoje, espera-se que o enfermeiro tenha capacidade de identificar e encaminhar de forma adequada os casos de
manifestações mentais em qualquer especialidade e situação de atenção à saúde, e que os enfermeiros
psiquiátricos e de saúde mental estejam preparados para cuidar da pessoa afetada em todos os níveis da
assistência e atenção (SCHERER; SCHERER e LABAT, 2002).
Estudos referem que o Cuidar do outro com uma dimensão ética é uma exigência que precisa ser vivenciada por
quem cuida e implica o não exercício de um saber ou poder sobre o outro, que possam transformá-lo, domesticá-lo
ou adaptá-lo, segundo as expectativas institucionais (MOSTAZO; KIRSCHBAUM, 2003), porém pesquisas realizadas
em uma instituição psiquiátrica revelam que existem muitos profissionais que não estão satisfeito com seu trabalho
ou que não concorda de ter o portador de transtorno mental em sua unidade, e que esses profissionais não
mostram interesse ou preocupação pelos mesmos (CANDIDO; FUREGATO, 2005).
Esse estudo permite uma reflexão ampla e generalizada em relação a estes profissionais multidisciplinares,
incumbidos para esta árdua tarefa. Uma vez que o limite entre profissional e o doente mental está em cada um, e
ainda existem preconceitos e desprezo em relação a estes pacientes(VILLELA; SCATENA, 2004).
O enfermeiro independentemente de sua especialização, é o profissional da equipe de saúde que está à frente
dos trabalhos para com estes, sendo responsável por estes resultados éticos independentemente, uma vez que a
enfermagem está ligada diretamente ao processo saúde e adoecimento (WAIDMAN; ELSEN, 2005).
Visando que a sua assistência é um conjunto de ações centralizadas nas relações interpessoais iniciando outra
conduta onde a terapêutica desenvolvida humaniza a assistência ao doente mental(ARAUJO; BOTTI, 2006).
Para obter um cuidado ético, são necessários profissionais comprometidos com a ética, capacitados e
preparados para identificar os recursos disponíveis e saber interferir e interagir na hora adequada (WAIDMAN;
ELSEN, 2005). Estudos relataram que enfermeiros, que atua em atividade na rede básica de saúde (atenção
primária), não estão capacitados para prestar assistência adequada ao portador de transtorno mental, mesmo
apresentarem médio conhecimento teórico sobre a doença(CANDIDO; FUREGATO, 2005).
Fatores de ordem educacionais como o despreparo de acadêmicos e profissionais da área da saúde que
constitui a equipe multidisciplinar demonstram pouco interesse para esta área, além da insegurança no momento
da atuação (WAIDMAN; ELSEN, 2005).
As falhas e ausência de programas de reabilitaçãopara pacientes mentais no Brasil mostram que a reabilitação,
o retorno à cidadania não são preocupações principais de alguns profissionais(BRESSAN; SCATENA, 2002). Além
disso, existe uma contradição na assistência ao doente mental, é preconizado que o enfermeiro desenvolva um
vínculo efetivo com o paciente, todavia estudos ressaltam que a assistência está focada na identificação de sinais e
Professora: Maria Flor 2022 69
sintomas. Há uma indefinição dos profissionais no seu papel de assistência levando a realização apenas de
atividades burocráticas (OLIVEIRA; ALESSI, 2003).
Os resultados mostraram que as práticas comunitárias afirmam o direito à cidadania, porém é preciso rever a
maneira de pensar, mudar os conceitos e preconceitos para que estas pessoas possam ser vistas como um ser
humano digno de respeito e que merece viver livre na sociedade, dentro de suas limitações, sendo respeitada por
todos (SILVA; FONSECA, 2003).
CONCLUSÃO
Para que ocorram mudanças na assistência ao portador de doença mental se faz necessário à implementação de
novas políticas de saúde, uma atualização ética e conceitual para a equipe de saúde que vai atuar na psiquiatria,
assim como na formação desses profissionais preparados, comprometida com a ética, capacitados para atuar na
saúde mental. É necessário mudar os conceitos e preconceitos arraigados há anos.
Os profissionais de enfermagem, nos diferentes níveis de atenção, não estão preparados para identificar e
cuidar das pessoas que apresentam transtornos depressivos. Sabendo disso, aumenta a responsabilidade dos
educadores nessa área. É responsabilidade e compromisso ético de todo profissional de saúde assistir o indivíduo
deprimido com qualidade e eficiência.
A contribuição para a inclusão dos doentes mentais como cidadãos na sociedade vai além de novas políticas
públicas. É necessário que aqueles que atuam na saúde mental possuam perspectiva humanista, reflexiva,
valorizem as influências biopsicossociais frente à concepção do doente como ser humano cidadão, que busquem a
sua reintegração na sociedade mostrando a sua capacidade para tal. Dar a este paciente uma assistência baseada
nos preceitos éticos e morais constitui o maior instrumento sinalizador de qualidade.
ÈTICA E MORTE NO CONTEXTO HOSPITALAR
Quando a morte se aproxima
De acordo com Espíndula e Valle (2002), a família vive grande estresse emocional quando a criança está em
fase terminal e os cuidados psicológicos devem ser redobrados.
O paciente ou a família podem viver o luto antecipatório. Esse tipo de luto pode tornar mais dolorosa a
aceitação da morte ou pode facilitar o seu entendimento, à medida que prevê tempo para aceitar a situação,
sendo, em alguns casos, um aspecto positivo para o processo de luto.
Para Worden (1998, p. 27), a antecipação do anúncio de morte pode facilitar o ensaio de novos papéis
familiares. O psicólogo pode ajudar a família oferecendo auxílio para esses en aios e percebendo como a família
lida emocionalmente com a nova situação.
A família pode se despedir através de palavras, de gestos, de pedidos de perdão e de promessas a cumprir. Pode
também rezar, chamar padres e religiosos para a última benção, realizar últimos desejos e acompanhar o familiar
até o momento de sua morte.
A realização dos cuidados paliativos em domicílio é uma das práticas recentes que estão inseridas em hospitais
com propostas de humanização em saúde. Nesses contextos, o paciente permanece em seu ambiente, pode,
dentro do possível, preservar parte de sua autonomia e tem maior possibilidade de convívio com seus familiares e
amigos.
O psicólogo pode realizar visitas domiciliares ao paciente. Com relação a decisão de falar para a criança, a
família pode optar por não falar nada sobre a possibilidade de morte.
A equipe pode incentivá-la a falar, mas deve respeitar essa vontade da família, que pode pensar que o paciente
não está preparado, que vai sofrer muito mais se souber e que, se souber, vai perder as esperanças.
O profissional da equipe pode passar por situações difíceis se o paciente solicitar informações ou mostrar que já
sabe o que está acontecendo.
Professora: Maria Flor 2022 70
O psicólogo, nesses casos, pode realizar intervenções entre a família, facilitando o processo de aceitação dos
familiares e de comunicação entre família e paciente. O psicólogo deve atender às necessidades emocionais das
pessoas envolvidas.
À medida que permite ao paciente a livre expressão de sentimentos e questões, o psicólogo facilita o processo
de aceitação da morte. A família deve ser apoiada, bem como a equipe de saúde.
Quando uma criança morre
Perda real de uma criança é um dos eventos mais estressantes. A sua morte é vista como um absurdo
inimaginável. Os pais buscam significado e renovação do sentido da vida.
Eles nunca se restabelecem completamente da perda da criança; o que acontece é o ajustamento e a integração
da perda em suas vidas, mas o pesar os acompanha por toda a vida. Quando a criança morre, a família precisa
elaborar o luto.
Nesse momento, faz-se necessário um trabalho de apoio dos profissionais da equipe de Oncologia Pediátrica
com todos os envolvidos, para que estes enfrentem, da forma mais adequada, as situações conflitantes. Segundo
Bromberg (2000), no caso de pais com filhos que tenham diagnóstico de doença fatal, o enlutamento pode ter
início a partir da informação do diagnóstico.
Dessa forma, o luto não começa com a morte; ele é determinado a partir da qualidade das relações e dos
vínculos familiares que existiam até então, sendo afetado por condições existentes próximas à morte.
Mesmo que seja considerado normal, o luto é doloroso e exige grande esforço de adaptação individual e
familiar (Bromberg, 2000).
Inicialmente, é impossível, para a família, esquecer - ou tentar esquecer - o morto. Sob essa perspectiva,
Bromberg (2000) mostra que:
O esquecimento é rejeitado porque, no início do processo, há a intensa necessidade de manter
vivo o morto, por meio de lembranças, tentativas de contato, tendo o esquecimento o significado
de esvaziamento, antes da possibilidade de se estabelecerem novas relações. (p. 27).
Dependendo de como foi a morte do filho e das condições de enfrentamento da família, é possível falar em
aceitação e adaptação. Porém, não se pode falar em um tempo de aceitação, pois este vai variar de família para
família.
A morte pode também nunca ser aceita. Como mostra Bolze e Castoldi (2005): “a morte de uma criança
pequena tende a ser profundamente perturbadora para a família inteira. O sofrimento tende a persistir por anos a
fio, e pode até mesmo se intensificar com a passagem do tempo.”(p. 2).
Nesse caso, podemos estar diante de um luto complicado ou patológico, que ocorre quando a pessoa não se
permite passar pelo luto, causando prejuízos bem maiores do que o luto dito “normal”. O luto dos pais, conforme
Bromberg (2000),é frequentemente mesclado com raiva e culpa. Os pais sentem-se injustiçados e impotentes
diante da morte do filho, podendo ocorrer sérias consequências para a saúde emocional do casamento.
A participação da família em ritos funerários e em visitas ao túmulo podem ajudar a aceitar a morte como uma
realidade (Bromberg, 2002). Para que um acompanhamento posterior à morte seja possível, o psicólogo já deve ter
tido um contato com a família anteriormente e, de preferência, deve ter acompanhado o paciente e a família desde
o diagnóstico. É importante que uma assistência da equipe à família enlutada seja oferecida, principalmente para
os pais e para os irmãos.
Pode-se ter um ou mais encontros com as famílias no decorrer do primeiro ano após o óbito, com a finalidade
de acolhê-la e fornecer-lhe suporte emocional, enfatizando que o luto é umprocesso de adaptação e uma
necessidade psicológica, ajudando, assim, a família na elaboração do luto.
Essa é uma oportunidade criada para que o enlutado possa expressar seus sentimentos e falar sobre sua
experiência, ao mesmo tempo em que são avaliadas as defesas utilizadas para lidar com a dor da perda. São
realizadas intervenções psicológicas que visam incentivar a retomada das funções diárias, o resgate pelo prazer da
vida e o estabelecimento de novos relacionamentos.
Professora: Maria Flor 2022 71
Reconhecer os padrões de um luto normal e os sinais de um pesar intenso e complexo, bem como orientar os
que precisam de um acompanhamento apropriado quando se tratar de um luto patológico, estão incluídos nesse
atendimento psicológico.
5.7 SOBRE A MORTE E O MORRER
Cada época, a seu modo, influencia o sujeito na forma de pensar e de agir. Assim, o sentido de morte não é
universal, e não se opera no vazio. Além de ser um fenômeno biológico natural, a morte contém um aspecto
simbólico. Neste sentido, qualquer visão do significado da morte será multifacetada, composta por fatores
predeterminantes de ordem cultural, histórica, ética, religiosa e psicológica. A interação desses fatores contribui
para tornar ainda mais complexa e abrangente qualquer tentativa de compreensão da morte e do morrer. Além
disso, a forma como a morte é encarada tem influência direta sobre a forma de seu enfrentamento.
Segundo Morin (1970), a consciência da morte não é algo inato, é um conhecimento do indivíduo, aprendido.
Sendo o saber da morte exterior, produto de uma consciência que capta o real, o homem é surpreendido pela
morte. Na época medieval os homens eram avisados de sua morte por sinais naturais ou uma convicção íntima, e
assim podiam se preparar; havia tempo para lamentações, queixas da vida, perdão dos companheiros, orações,
absolvição.
Mortes repentinas eram desonrosas. O homem, ainda integrado à natureza, aceitava a morte como uma das
grandes leis da espécie, sobre a qual não podia intervir. Os ritos contemplavam uma cerimônia pública, organizada
pelo próprio moribundo, com a participação das crianças. A morte ocorria no leito, era simples, familiar, próxima,
por isso denominada morte domesticada. Contudo, o mundo dos vivos deveria permanecer separado do dos
mortos, com o intuito de facilitar o percurso dos mortos até o céu e evitar a contaminação física (pela
decomposição dos corpos) e psíquica (visita dos mortos); destarte, os cemitérios situavam-se fora das cidades
(Ariès, 1989).
No final da Idade Média e nos séculos XVI e XVII o corpo dos mortos era confiado à igreja. Os cemitérios ficavam
nas cidades, o que demonstra que as pessoas estavam familiarizadas com os mortos, bem como com a sua própria
morte (Ariès, 1989). A partir do século XII surge a preocupação com o Juízo Final. Este era individual e particular,
portanto trazia inquietação, ao contrário da segurança e tranquilidade promovidas pelo rito coletivo descrito
acima.
O homem tomou melhor consciência de sua individualidade; as particularidades de cada biografia eram
analisadas e avaliadas, e essa revisão adquiriu um caráter dramático, uma carga emocional que antes não possuía.
O apego às coisas e aos seres possuídos durante a vida era considerado a grande tentação. Encontra-se presente
uma aversão à decomposição, que adquiriu um sentido macabro, de ruína do homem. Nesse período, o corpo
passa a ser escondido nos caixões, pois é insuportável aos olhos. Ressurgem as inscrições funerárias, significando o
desejo de conservar a identidade do túmulo e a memória do desaparecido.
O uso da cor preta como simbolização do luto data do paganismo. Relacionava-se com o horror dos mortos,
como um disfarce para o fantasma do morto. O preto contém também o simbolismo da noite e a ausência de cor
para expressão do abandono e da tristeza. Esta cor facilita a lembrança de que ocorreu uma perda, e poderia
sugerir às outras pessoas que tivessem uma atitude especial em relação à pessoa enlutada e evitassem falar de
coisas que poderiam magoá-la. A cor não só demonstrava tristeza, mas também criava paz e serenidade interiores.
No século XIV a expectativa de vida era muito baixa. Havia muito sofrimento e vulnerabilidade, a guerra e a
peste matavam ao mesmo tempo, a Inquisição começou a usar a tortura e a morte como instrumentos oficiais de
Professora: Maria Flor 2022 72
política administrativa. A morte passou a ser considerada o castigo de Deus para os homens, “um terror físico e
teológico”.
A morte não podia ser controlada pelo sistema tecnológico nem pelo pensamento racional, era utilizada como
material para manipulação criativa a morte passa a ser exaltada, o homem preocupa-se menos com a sua própria
morte, e a morte romântica é a morte do outro, sua lamentação e saudade. A morte comove, é admirada pela sua
beleza, considerada um sublime repouso, eternidade e possibilidade de reencontro com os entes queridos já
falecidos.
No séc. XIX passa a ocorrer um exagero do luto, evidenciando que a morte do outro é mais temida que a de si
mesmo. Os cemitérios saem da igreja, devido à falta de espaço e preocupação com a higiene e saúde, e vão para
fora da cidade. As pessoas passam a visitar os cemitérios, evocam o morto e cultivam sua recordação, conferindo a
ele uma espécie de imortalidade. Este século também marca o surgimento do espiritismo, ligado a uma expectativa
de vida futura.
Diante desse sentimento de intolerância da morte do outro, passou-se a esconder do doente a gravidade de seu
estado, com o intuito de poupá-lo.
Procurou-se evitar o incômodo e a emoção forte não somente do doente, mas de toda sociedade, pois a vida
deve parecer ser sempre feliz. Entre 1930 e 1950 a morte deixa de acontecer em casa e é transferida para os
hospitais, que proporcionam os cuidados mais adequados.
Os hospitais, que outrora funcionavam como asilo, converteram-se em centros de cura, onde se luta contra a
morte. O indivíduo morre só, e a própria equipe define o momento de seu falecimento.
A morte foi dividida em cerebral, biológica e celular. São vários os aparelhos destinados a medir e prolongar a
vida. A morte não é mais considerada um fenômeno natural, e sim fracasso, impotência ou imperícia, por isso deve
ser ocultada. O triunfo da medicalização está, justamente, em manter a doença e a morte na ignorância e no
silêncio. Neste mundo em que impera a produção mercantilista, o adoecer torna-se vergonhoso, pois o indivíduo
deixa de produzir e, com isso, é excluído e ocultado.
A boa morte atual é a que era temida na Antiguidade, a morte repentina, não percebida. Os ritos procuram ser
imperceptíveis, o mais discreto possível, evitando o pretexto para as emoções. Procura-se não exteriorizar os
sentimentos para não assustar as crianças, evita-se chorar em público. Não há mais manifestações aparentes de
luto, este é solitário e envergonhado, é um luto privatizado. Já não há mais o hábito de visitar o túmulo, cresce o
número de cremações. A neutralização dos ritos funerários e ocultação da morte fazem parte dessa incapacidade
social de se lidar com ela.
O homem na contemporaneidade, caracterizada pela valorização do conhecimento científico imerso no
contexto capitalista e materialista, busca respostas invisíveis para a morte e simultaneamente anseia por
tecnologias fúteis para retardar o fenômeno natural do morrer (MONTANARI; OLIVEIRA, 2010).
A morte por ser integrante do ciclo de vida humano é uma certeza absoluta e a aceitação dela por parte do
paciente, da família e equipe de saúde facilita os cuidados paliativos, e esses, não aceleram e nem adiam a morte. E
é através da escuta, da comunicação, da atenção e tecnologias medicamentosas que se busca auxiliar no alcance
do conforto(OLIVEIRA et. al., 2010). A filosofia paliativista parte da ideia que se não é possível curar, é possível
cuidar. Consiste em uma tecnologia leve e de grande impacto interpessoal no resgate da humanização nas ações
em saúde (BORGES; MENDES, 2012).
A morte representa a interrupção definitiva da vida e o morrer o intervalo em que a patologia se torna
irreversível e a letalidade o resultado da mesma (AZEREDO et. al., 2011).
O fato de estar diante da morte tem implicações para os profissionais da saúde, como: confronto com a morte
do outro, o cuidado direto com o paciente terminal o contato com a própria finitude e as perdas e lutos vividos
individualmente e/ou coletivamente pelos membros da equipe de saúde. O que faz daquelas gerar reflexões e
sentidos para o profissional que está em um constante aprendizado, a respeito dos sofrimentos diante das perdas,
do autoconhecimento, da sensibilidade e da compaixão frente ao outro e do aprimoramento de estratégias para o
enfrentamento da transição da vida para a morte (RODRIGUES; ZAGO, 2012).
Estudo (RODRIGUES; ZAGO, 2012) mostra que é no óbito do outro que é possível refletir e buscar definições que
tentam significar o fenômeno do morrer. Um dos possíveis significados abrange a religiosidade, com suas
Professora: Maria Flor 2022 73
diversificadas crenças, sentidos, identidades e disposições éticas que podem constituir sistemas de referências
estruturantes nos seres humanos.
Não se podem desvalorizar os vários recursos disponíveis na tentativa de manutenção e recuperação da vida,
mas também se faz necessário discutir e abrir espaço para novas reflexões sobre o assunto da morte.
O óbito pode ser entendido pela vivência dos profissionais da saúde através da expressão de sentimentos diante
da terminalidade do outro, essas emoções despertadas incluem a sensação de fracasso, perda, impotência, tristeza
e medo. A equipe de saúde é composta por pessoas que expressam suas limitações e emoções na rotina de
trabalho. Pois, se trata de uma situação em que o ser humano luta constantemente com suas defesas na tentativa
de distanciar-se do inevitável contato com a morte.
Ao questionar a morte e o morrer, inevitavelmente fala-se de vida, pois são assuntos complementares e não
contrários. Trazendo à tona este tabu, espera-se uma mudança nos parâmetros de comportamento individuais e da
sociedade. Assim, pode ser que, ao lidar melhor com a morte, o homem resgate a alegria de viver, em uma
sociedade marcada pelos altos índices de depressão.
Sendo a morte um tema polêmico, configura-se como um campo de estudos fértil para a psicologia como
reflexão, ciência e prática.
Destarte, uma vez que o significado das coisas tem um papel organizador nos seres humanos, é crucial a
investigação sobre o tema da morte para o psicólogo hospitalar, já que está circunscrita em sua atuação
profissional cotidiana, influenciando a qualidade de vida do trabalhador, e a maneira como ele interage na sua
atividade laboral.
A morte não atinge a equipe de saúde do mesmo modo, porque a percepção da perda é
determinada por fatores como idade, circunstância da morte e, sobretudo, pelo grau de envolvimento
com o paciente. Contudo, embora a morte faça parte do contexto da vida e da rotina do ambiente
hospitalar, os integrantes da equipe multiprofissional de saúde – em geral – não estão preparados para
enfrentar a morte e lidar com a perda de pacientes.
Somente os indivíduos seguros em relação aos seus sentimentos, e com atitudes naturais diante da
vida e da morte, terão atingido o estágio que lhes outorga capacidade de compreensão para auxiliar
terceiros. Conforme sustentam Costa e Lima, para que se possa dar assistência adequada aos pacientes
terminais, é necessário compreender as reações e comportamentos que tanto os pacientes quanto os
familiares podem apresentar diante da proximidade da morte.
O paciente poderá reagir de várias maneiras em relação à sua doença e à terminalidade de sua vida.
Poderá aceitar ou negar; poderá ter o conhecimento de que está morrendo, mas emocionalmente se
sentir incapaz de aceitar; ou poderá aceitá-la, mas não conseguir verbalizar a situação.
Segundo KüblerRoss, o diagnóstico de uma doença potencialmente terminal é fator de
desestruturação psicológica, fazendo com que pacientes e familiares passem por algumas fases
emocionais características. Sem necessariamente constituir um processo linear, de sequência rigorosa, já
que nem todos os pacientes o vivenciam da mesma forma, os estágios sistematizados por Kübler-Ross
permitem acompanhar o processo de morrer dos pacientes terminais, minorando seu sofrimento.
Primeiro estágio: negação e isolamento
A negação é mecanismo de defesa temporário diante da morte. Ocorre com mais frequência no
início da doença, e em pacientes e familiares que são prematuramente informados acerca do seu
diagnóstico. A intensidade e duração desse estágio dependem da capacidade do enfermo, e das outras
pessoas que convivem com ele, de lidar com essa dor. Em geral, a negação não persiste por muito
tempo. No entanto, alguns pacientes podem jamais ultrapassar esse estágio, indo de médico em
médico, até encontrar alguém que o apoie em sua posição. O mais sensato seria falar sobre a morte
com pacientes e familiares antes que ela ocorra de fato e desde que o queiram, até porque é mais fácil
Professora: Maria Flor 2022 74
para a família discutir esses assuntos em tempos de relativa saúde e bem-estar do paciente. Ademais,
adiar esse tipo de conversa não beneficia o doente em nenhum aspecto.
Segundo estágio: raiva
Esse estágio pode estar relacionado à impotência e à falta de controle sobre a própria vida. É muito
difícil lidar com o paciente nessa fase: faz exigências, se revolta, solicita atenção contínua, faz críticas e
tem explosões comportamentais caso não seja atendido ou se sinta incompreendido e desrespeitado. É
importante que, nesse estágio, haja compreensão dos demais sobre a angústia transformada em raiva
no paciente que teve de interromper as atividades da sua vida por causa da doença.
Os pacientes nesse estágio são difíceis de tratar. Geralmente se revoltam contra Deus, o destino ou
alguém próximo. Uma pergunta comum é “Por que eu? Por que isso está acontecendo logo comigo?”.
Desse modo, o manejo de pacientes que se encontram nessa fase envolve a compreensão de que a raiva
expressada não pode ser encarada como algo pessoal.
Terceiro estágio: barganha
Fonte: lucasnicolau.com Nessa fase, geralmente o paciente tenta negociar com Deus de maneira
implícita ou até mesmo com os médicos, entrando em algum tipo de acordo que adie seu desfecho
inevitável. Os pacientes acreditam que, por serem obedientes, alegres e não questionadores, o médico
fará com que melhorem. Normalmente, a pessoa que se encontra nesse estágio realiza promessas em
sigilo, contando com a possibilidade de ser recompensada por seu bom comportamento. Em geral, o
paciente se mantém sereno, reflexivo e dócil.
Quarto estágio: depressão
Essa fase surge quando o paciente se encontra em fase terminal e tem consciência da sua debilidade
física; portanto, não pode mais negar sua doença. Nessa etapa, o indivíduo é muitas vezes forçado a
submeter-se a mais uma hospitalização ou a outra cirurgia. Aqui a depressão assume quadro clínico
característico: desânimo, desinteresse, apatia, tristeza, choro etc. As tentativas anteriores não deram
certo: negar não adiantou; revoltar-se e fazer barganhas, também não. Dessa forma, deve-se deixá-lo à
vontade para externar seu pesar e assim aceitar a situação mais facilmente. O paciente está prestes a
perder tudo e todos os que amam, por isso é importante que passe os momentos finais junto de seus
familiares e entes queridos.
Quinto estágio:aceitação
Kübler-Ross chega à conclusão de que, no último estágio, os pacientes que viveram a doença e
receberam apoio podem chegar a essa fase aceitando o processo. Na maioria das vezes, o paciente
manifesta grande tranquilidade e pode permanecer em silêncio. Já não experimenta o desespero nem
rejeita sua realidade. Esse é o momento em que os familiares mais precisarão de amparo, ajuda e
compreensão, devendo a equipe responsável ter ciência do estágio pelo qual o paciente está passando.
É importante conhecer os principais fatores implicados no processo do adoecer e morrer. Não se pode
desistir do tratamento do paciente, porque, ao sentir-se abandonado ou sem assistência, ele se entrega
e desiste também.
O paciente se sentirá confortado em saber que não foi esquecido, mesmo quando não houver mais
nada a se fazer por ele. Nesse momento, os cuidados paliativos vão ao encontro das necessidades do
paciente terminal, uma vez que podem, isso sim, minimizar a dor e o sofrimento, e ao mesmo tempo
Professora: Maria Flor 2022 75
atender às suas necessidades básicas de higiene, nutrição e conforto, ajudando-o a manter sua
dignidade como pessoa.
Morte no ciclo de vida da família
A família, ao longo de sua evolução através do ciclo vital, experiencia momentos distintos em sua formação e
desenvolvimento, que passam por transições, crises e adaptações, situações que junto das características
individuais de cada um de seus membros definirão os modos como essa família se organizará e significará a si
própria.
Alguns estudos nacionais e internacionais mostram que a família desempenha um papel chave na significação
da morte e, fundamentalmente, na elaboração do luto. Isso porque, muitas das concepções e modos de
enfrentamentos presentes na vida dos indivíduos são desenvolvidos ao longo da convivência familiar, na medida
em que compartilham experiências, sentimentos, afetos, significados, ou seja, na medida em que coexistem.
De acordo com Gudmundsdottir e Chesla (2006), embora uma perda afete todos os indivíduos da família de
modo distinto, em suas interações diárias eles compartilham a experiência do luto e, assim, afetam uns aos outros
não só em suas práticas, mas também em seus discursos e relações. Esses autores desenvolveram um estudo com
sete famílias, totalizando 15 genitores que perderam seus filhos. Como resultado, obtiveram que, diante do luto,
cada família desenvolveu sua própria prática de significação e elaboração da perda, uma vez que o apoio cultural e
da sociedade foram relatados como insuficientes para auxiliá-los diante desse sofrimento. Não obstante, apontam
que, a despeito da família ser apresentada como um meio importante para a superação da perda, poucos são os
pesquisadores que enfatizam o papel do funcionamento familiar nestas experiências.
Corroborando as considerações de Gudmundsdottir e Chesla (2006), verificou-se que, entre os estudos que
abordam as experiências de morte e luto no interior das famílias, há predominância daqueles que enfatizam o
impacto da morte de um dos membros da família nuclear, em detrimento dos que buscam compreender como a
família se organiza diante das perdas. A fim de exemplificar alguns dos estudos encontrados, a seguir serão
descritos alguns deles e suas implicações.
De acordo com Brown (2001), ao se levar em consideração os fortes vínculos existentes entre as pessoas de um
círculo familiar é possível verificar que a perda de um dos seus integrantes é uma das mais árduas adaptações
experienciada por uma família. Tanto, que dependendo de quem morre, é possível até mesmo a ocorrência de uma
ruptura no grupo familiar, podendo chegar ao extremo de um ou mais de seus membros não conseguirem
completar suas tarefas ao longo do ciclo vital (Brown, 2001).
Conforme apontam Bromberg (1994) e Brown (2001), a fim de se obter uma melhor compreensão acerca dos
efeitos do luto dentro do círculo familiar é preciso considerar uma série de aspectos que incluem:
a) A relação existente com a pessoa que morreu e o quanto ela era significativa dentro da família;
b) A idade e o gênero;
c) A natureza da morte (acidente, doença, repentina);
d) As vulnerabilidades pessoais;
e) O contexto social e étnico da morte; e
f) A história de perdas anteriores.
Nessa mesma direção, Parkes (1998) acrescenta que, a previsibilidade e a imprevisibilidade, bem como as
oportunidades de preparação para a perda também podem afetar a intensidade e magnitude da reação ao luto,
uma vez que a morte tranquila e silenciosa de um idoso acarreta em um sofrimento distinto daquele decorrente de
uma morte trágica e repentina de um jovem.
A morte de crianças e adolescentes são as que provocam maior ruptura e crises na família, uma vez que a
morte de um filho é considerada uma grande tragédia, por parecer se tratar de algo não natural e fora de lugar no
curso de vida, o que gera sentimentos de frustração, impotência, dor, tristeza, sofrimento e intensa angústia.
A maioria dos pais vê o filho como sua própria extensão e, muitas vezes, projeta nele os seus sonhos e
esperanças, de modo a perder parte de si mesmo quando ele morre (Brown, 2001). Sentem-se fracassados por
Professora: Maria Flor 2022 76
julgarem que seu amor não foi suficiente para evitar a morte do filho e é comum o sentimento de culpa por ainda
estarem vivos, contrariando a expectativa natural de morrerem antes (Oliveira e Lopes, 2008).
Além de ser impactante para os genitores, a morte de uma criança/adolescente também influencia a vida dos
irmãos que vivenciam tal perda. Em algumas ocasiões, os pais se fecham em sua própria dor, esquecendo-se que o
filho que ficou também necessita de suporte emocional neste momento.
Já o impacto da morte de um adulto irá depender da fase do desenvolvimento na qual a família se encontra.
Quando os filhos são independentes ou têm suas próprias famílias, o cônjuge sobrevivente é quem terá maiores
dificuldades em lidar com a situação.
Nesta etapa do desenvolvimento, a maioria dos casais está experienciando menos responsabilidades e
disponibilizam um tempo maior para aproveitarem um ao outro. Assim, quando um dos cônjuges morre, aquele
que fica precisa reorganizar sua vida, de modo a passar seus últimos anos sozinho ou iniciar um novo
relacionamento. Quando há forte dependência emocional, a morte de um dos cônjuges pode levar o que continua
vivo a um desespero tão intenso a ponto de cometer suicídio, ou desenvolver doenças graves devido ao sentimento
de perda emocional do próprio eu.
O peso de uma perda não aceita ou não resolvida pode se tornar um fardo para a geração seguinte, levando à
repetição de padrões familiares, com efeitos limitadores ou incapacitantes para a família. Para a autora, quando a
morte é conflituosa, quando há um acúmulo de perdas ou quando a morte é cercada de sigilo, a recuperação da
família e de seus membros é prejudicada, pois, “a morte sempre deixa um legado, quer ele seja de fortalecimento
ou de trauma, que fecha um sistema e distorce os relacionamentos dos sobreviventes”.
O equilíbrio da família e de cada um de seus membros ao vivenciarem uma perda e um processo de luto associa-
se à capacidade da família em manter relacionamentos significativos, em não transformar a dor e a culpa em tabu
ou segredo, e em manter a flexibilidade, necessária à adaptação e à ressignificação da vida após a etapa do luto.
Para os autores, o segredo e o tabu que ainda cercam a morte costumam resultar em alto custo emocional que,
ao invés de proteger os membros da família, apenas evidenciam o terror de não se conseguir lidar com as
consequências da perda.
O cuidado da dor e sofrimento como direito fundamental
Dor e sofrimento são companheiros da humanidade desde tempos imemoriais. Seu controlee alívio
constituem-se hoje em competências e responsabilidades éticas fundamentais dos profissionais da saúde. Essa
ação é um indicador essencial de qualidade do cuidado da dor e sofrimento, bem com da assistência integral ao
paciente, no âmbito da saúde.
A dor é um sintoma e uma das causas mais frequentes da procura pelos serviços de saúde. Em muitas
instituições de saúde que hoje estão na vanguarda do cuidado integral do ser humano vulnerabilizado por alguma
doença grave, vendo-se obrigado a enfrentar dores excruciantes, essa experiência de dor é reconhecida como o
quinto sinal vital integrado à prática clínica. Se a dor fosse tratada com o mesmo zelo que os outros sinais vitais
(temperatura, pressão arterial, respiração e frequência cardíaca), sem dúvida haveria muito menos sofrimento.
O objetivo da avaliação da dor é identificar a sua causa, bem como compreender a experiência sensorial, afetiva,
comportamental e cognitiva que ela representa para a pessoa, tendo em vista a promoção de seu alívio e cuidado.
Hoje se reconhece que a dor é uma doença. De acordo com a definição da OMS, a saúde é um estado de
completo bem-estar físico, mental e social, e não somente a ausência de doença ou de mal-estar. É evidente que as
condições dolorosas constituem um estado de mal-estar; portanto, o ser humano que sofre de dor não está sadio,
e pode-se afirmar legitimamente que se está violando seu direito inalienável à saúde.
O artigo 25 da Declaração Universal dos Direitos Humanos reconhece como um dos direitos dos seres humanos
um nível de vida adequado para a saúde e o bem-estar. Infelizmente, saúde e bem-estar nem sempre são uma
escolha possível, já que, em inúmeras situações, muitas pessoas, por causa da velhice ou das doenças, sentem dor
e sofrem muito no final da vida. A diferença entre dor e sofrimento tem grande significado, principalmente quando
se lida com pacientes terminais.
O enfrentamento da dor exige o uso de medicamentos analgésicos, enquanto o sofrimento pede acolhida para
fortalecer o espírito e as noções de significado e sentido da vida, pois a dor sem explicação geralmente se
transforma em sofrimento. E o sofrimento é uma experiência humana profundamente complexa, na qual intervêm
a identidade e subjetividade da pessoa, bem como seus valores socioculturais e religiosos.
Professora: Maria Flor 2022 77
Um dos principais perigos em negligenciar a distinção entre dor e sofrimento é a tendência dos tratamentos de
se concentrarem somente nos sintomas e dores físicas, como se esses fossem a única fonte de angústia e
padecimento para o paciente. Tende-se a reduzir o sofrimento a simples fenômeno físico, que pode ser mais
facilmente identificado, controlado e dominado por meios técnicos.
Dimensão física: no nível físico, a dor funciona como claro marcador, alertando que algo não está
funcionando normalmente no corpo.
Dimensão psíquica: emerge à consciência quando é preciso enfrentar a inevitabilidade da morte; quando os
sonhos e esperanças se esvaem e surge a necessidade urgente de redefinir o mundo que está para deixar.
Dimensão social: é a dor do isolamento, que surge quando a pessoa que está para morrer percebe que
deixará de viver, mas o mundo tal como conhece continuará existindo. É o sofrimento de sentir-se inexoravelmente
tocado por um destino que não gostaria de experimentar, e da solidão por saber que é impossível compartilhar
plenamente essa realidade que obriga a redefinir os relacionamentos e as necessidades de comunicação.
Dimensão espiritual: surge da perda do sentido, objetivo de vida e esperança. Todos necessitam de um
horizonte de sentido – uma razão para viver e uma razão para morrer. O conceito de espiritualidade é encontrado
em todas as culturas e sociedades.
Ela se expressa na busca individual por um sentido último, mediante a participação na religião ou na crença em
Deus, família, naturalismo, racionalismo, humanismo e artes. Todos esses fatores podem influenciar o modo como
os pacientes e profissionais da saúde percebem a saúde e a doença e como eles interagem uns com os outros.
Dor x Alívio em Decorrência da Morte
Quando se fala em morte, logo se pensa em dor, e também se consideram as variáveis envolvidas, como a
idade do falecido ou se foi algo repentino, por exemplo.
Geralmente, quando o sofrimento do doente é muito intenso e o período de hospitalização é longo, a “tão
temida” morte é uma libertação, um alívio. É recebida com dor porque é uma perda, mas redimensionada diante
do sofrimento prolongado (do doente e dos familiares), que acaba funcionando como um processo preparatório. E
aí surge o questionamento sobre a intensidade da dor, do que seria “melhor”: uma morte abrupta ou prolongada?
Quando a morte é abrupta, as pessoas entram em choque, não têm sentimento elaborado nenhum, não estavam
preparadas para isso. Sendo uma interrupção, parece ser mais cruel, pois o falecido não teve tempo de fazer nada,
se despedir, resolver conflitos, dizer eu te amo...
Kovács (2002) diz que se a morte “ocorre de maneira brusca e inesperada tem uma potencialidade de
desorganização, paralização e impotência.” (p.154). Em contraponto, apesar de se achar que não há um preparo
para a morte, quando a pessoa vivencia um longo processo de hospitalização, seus familiares e amigos vão de
antemão se despedindo, o que é chamado de “luto antecipatório”.
Parece que as pessoas vão sofrendo aos pouquinhos, ao invés de vivenciar aquela dor de uma só vez. Mas
quando a pessoa de fato falece é ainda muito dolorido, e sofrem novamente de forma muito intensa. E nesses
casos, é comum a presença de sentimentos ambivalentes naquele que cuida, surgindo o desejo de que o doente
morra para aliviar o sofrimento de ambos, despertando culpa por estes sentimentos. “Ver a dor e sentir-se
impotente para promover seu alívio e o bem-estar da pessoa amada é causa de muito sofrimento” (p.159).
Portanto, quando a morte ocorre concretamente pode haver, além da dor, alívio e culpa, pois a pessoa pode
achar que não tratou o outro da melhor forma possível e com isso não evitou a sua morte. Pode surgir também
uma sensação de vazio, em casos de muitos anos de dedicação com o paciente, pois nenhuma outra atividade tinha
espaço. O vazio, a ambivalência e a culpa podem dificultar o processo de elaboração de luto.
Lidar com a perda é muito doloroso. Como visto anteriormente na história sobre a morte, na Idade Média a boa
morte era aquela que permitia o preparo, mortes repentinas eram desonrosas. Hoje, ao contrário do que acontecia
na Antiguidade, a boa morte é esta repentina, não percebida, e os sentimentos são pouco elaborados em qualquer
das situações.
Conforme ressaltado por Pitta (2003), a dor, a doença e a morte foram interditas num pacto de costumes,
aprisionadas e privatizadas no espaço hospitalar sob novos códigos e formas de relação, no qual as pessoas não
sabem o que dizer ou fazer.
Professora: Maria Flor 2022 78
Todos sabemos que inevitavelmente morreremos, mas não pensamos nisso nem lidamos com isso até que
aconteça conosco ou com alguém muito próximo. Daí a importância dos ritos funerais, como o enterro, por
exemplo, que permitem que você veja a pessoa que faleceu e lhe ensinam que acabou que aquele é o fim. “Muitas
vezes as pessoas têm essa impressão da morte, de ser surreal, isso não está acontecendo; e se é rápido demais
acho que aumenta mais ainda isso” (sic). E os ritos atualmente são assim, rápidos demais, discretos, o que também
denuncia a incapacidade social de se lidar com a morte, de expressar sentimentos. Acompanhar uma morte nos
remete à nossa própria finitude, e são vários os medos que a acompanham, estejam eles mais conscientes ou
latentes.