Prévia do material em texto
2º ano Farmacologia BASES FARMACOLOGICAS 1º BIMESTRE PROF MARIANA AULA 1 3 Introdução a farmacologia 3 CONCEITOS BÁSICOS: 3 FORMAS FARMACÊUTICAS: 4 AULA 2 8 Vias de administração de medicamentos 8 INTRODUÇÃO: 8 CRITÉRIOS PARA ESCOLHA DA VIA DE ADMINISTRAÇÃO: 8 VIAS DE ADMINISTRAÇÃO: 9 AULA 3 E 4 14 Farmacocinética I e II 14 INTRODUÇÃO: 14 ABSORÇÃO: 14 CASO CLINICO 1: 19 EXEMPLOS: 20 DISTRIBUIÇÃO DO FÁRMACO: 20 ELIMINAÇÃO DO FÁRMACO: 24 INTERAÇÃO FARMACOLÓGICA: 27 AULA 5 E 6 31 Farmacodinâmica I e II 31 INTRODUÇÃO: 31 INTERAÇÃO FÁRMACO RECEPTOR: 32 ESPECIFICIDADE DO FÁRMACO: 35 ASPECTOS QUANTITATIVOS DAS INTERPRETAÇÕES DOS FARMACOS COM SEUS RECEPTORES: 36 CASO CLINICO 2: 38 INDICE TERAPÊUTICO: 39 INTERAÇÃO ENTRE FÁRMACOS - SINERGISMO E ANTAGONISMO: 39 ANTAGONISMO: 40 ANTAGONISMO POR BLOQUEIO DE RECEPTORES: 40 RECEPTORES: 43 AULA 7 48 Farmacologia do SNA parassimpático 48 INTRODUÇÃO: 48 TRANSMISSÃO NEUROQUIMICA DA ACETILCOLINA: 48 SINALIZAÇÃO DOS RECEPTORES MUSCARÍNICOS: 50 Michelle MEDTXIV de 1 61 1ºBIMESTRE 2º ano Farmacologia APLICAÇÃO CLINICA: 50 RECEPTORES COLINÉRGICOS MUSCARINICOS M2: 51 RECEPTORES COLINÉRGICOS NICOTÍNICOS: 51 EFEITO FINAL DA ACH EM RECP. COLINÉRGICOS: 52 CASO CLINICO 3: 52 AULA 8 54 Fármacos do SNA parassimpático 54 INTRODUÇÃO: 54 AGONISTAS COLINÉRGICOS MUSCARÍNICOS DE AÇÃO DIRETA: 54 ANTAGONISTAS COLINÉRGICOS MUSCARÍNICOS DIRETOS: 56 AGONISTAS COLINÉRGICOS NICOTÍNICOS (AÇÃO INDIRETA): 58 AGONISTAS COLINÉRGICOS (AÇÃO INDIRETA): 58 ANTAGONISTAS COLINÉRGICOS NICOTÍNICOS 59 Michelle MEDTXIV de 2 61 1ºBIMESTRE 2º ano Farmacologia AULA 1 In!odução a f"macologia CONCEITOS BÁSICOS: • FARMACOLOGIA: é a ciência que estuda as propriedades das substâncias químicas e as ações que exercem no organismo. ➢Estuda os efeitos fisiológicos que as substâncias químicas exercem no organismo, modifica suas funções. ➢ É o estudo dos fármacos seja qual for suas ações (tóxicas ou não tóxicas). • DROGA FARMACEUTICA: substância química de estrutura bem definida capaz de promover um efeito farmacológico (benéfico ou maléfico) ao interagir com algum receptor do organismo vivo. ➢Pode ser natural ou sintético, simples ou composta. ➢Também pode indicar substâncias de abuso. ➢EX: morfina, meperidina, heroína • FÁRMACO: substância química isolada com estrutura bem definida capaz de promover um efeito benéfico ao interagir com o organismo: é usado na produção de medicamentos. • PRÓ-FÁRMACO: substância originalmente inativa, mas que adquire atividade farmacológica ao ser administrada ao organismo. ➢Administrados na forma inativa - após biotransformação são ativados ➢EX: palmitato de cloranfenicol (pró- fármaco) x cloranfenicol (fármaco) • MEDICAMENTO: Toda preparação farmacêutica, tecnicamente elaborada, contendo um ou mais fármacos, destinada ao diagnóstico, prevenção ou tratamento das doenças e de seus sinais e sintomas. • REMÉDIO: Todos os meios utilizados com a finalidade de prevenir ou curar as doenças. ➢ São agentes de natureza física ou psíquica empregados na terapêutica. ➢Exemplos: ação psicológica, massagens, chás, aromaterapia, etc. • POLIFARMÁCIA: é a utilização de vários fármacos simultaneamente, ou um receituário com vários medicamentos. • MEDICAMENTO DE REFERENCIA: É o produto inovador registrado no órgão federal brasileiro, responsável pela vigilância sanitária e comercializado no país, cuja eficácia, segurança e qualidade foram comprovados, cientificamente, no órgão federal competente, por ocasião do registro. ➢ Lei das Patentes (Lei No 9.279, de 14/05/1996) que inclui todos os produtos comerciais originais, não podendo ser reproduzida sem a sua licença durante certo período de tempo (10 a 20 anos) ➢ Após o vencimento do prazo legal (estabelecido pela Lei das Patentes), a fórmula torna-se um patrimônio público podendo ser reproduzida por outros laboratórios • MEDICAMENTO GENÉRICO: é aquele que contém o mesmo princípio ativo, na mesma dose e FF, é administrado pela mesma via e com a mesma posologia e indicação terapêutica do medicamento de referência, apresentando eficácia, segurança e qualidade equivalentes à do medicamento de referência podendo com este ser INTERCAMBIÁVEL. ➢ Produzido após a expiração da proteção patentária ➢ LEI nº 9787, 1999 • BIOEQUIVALENCIA: para comprovar a eficácia do remédio genérico, deve ser feita análise de bioequivalência. ➢ Basicamente um estudo com grupo controle utilizando o genérico e o de referência, para quantificar a quantidade e a velocidade de absorção na corrente sanguínea • MEDICAMENTO SIMILAR: contém o mesmo ou os mesmos princípios ativos ➢ Apresenta a mesma concentração, forma farmacêutica, via de administração, posologia e indicação terapêutica Michelle MEDTXIV de 3 61 1ºBIMESTRE 2º ano Farmacologia ➢Pode diferir somente em características relativas ao tamanho e forma do produto, prazo de validade, embalagem, rotulagem, excipientes e veículo; ➢ Devendo sempre ser identificado por nome comercial ou marca • MEDICAMENTO MAGISTRAL: medicamento prescrito pelo médico para um paciente individual, com indicação da composição, da forma farmacêutica, da via de administração e da posologia. • FITOTERÁPICOS: produto obtido de matéria- prima ativa vegetal, exceto substâncias isoladas, com finalidade profilática, curativa ou paliativa ➢ Podendo ser simples, quando o ativo é proveniente de uma única espécie vegetal medicinal, ou composto, quando o ativo é proveniente de mais de uma espécie vegetal. ! FORMAS FARMACÊUTICAS: • Um princípio ativo ou mais precisam ser misturados com vários outras substâncias (excipientes ou veículos) para se transformar em medicamento. • No final de sua preparação, o medicamento toma uma forma chamada “forma farmacêutica”. • Podem existir várias formas farmacêuticas de um determinado princípio ativo. • OBJETIVOS: ➢ Facilitar a ingestão do princípio ativo ➢Garantir a precisão da dose ➢Proteger o p.a. dos fatores externos e durante o caminho pelo organismo ➢Garantir a presença no local de ação ! • Podem ser: ➢ Solidas: pós, granulos, comprimidos, capsulas, supositorios ➢ Semissólidas: emulsões, géis e pomadas ➢Líquidas: soluções e suspensões ! 1. SOLIDAS a) Pós: contêm um ou mais princípios ativos secos e com tamanho de partícula reduzido, com ou sem excipientes - Excipientes: são substâncias adicionadas às formulações farmacéuticas, com função de garantir a estabilidade e as propriedades biofarmacéuticas dos medicamentos e melhorarem as características organolépticas facilitando aceitaçao dos medicamentos pelos pacientes - Simples: apenas um fármaco - Composto: dois ou mais fármacos - Uso interno: oral, inalação ou injeção - Uso externo: talcos - VANTAGENS: Maior estabilidade química Deglutição facilitada (misturados com líquidos) Velocidade de dissolução mais rápida Absorção mais rápida (contato imediato com os fluidos GI e partículas muito pequenas) Michelle MEDTXIV de 4 61 1ºBIMESTRE 2º ano Farmacologia Conveniência para dispensação de altas doses de fármacos - DESVANTAGENS: Dificuldade de mascarar características organolépticas; Administração de pequenas doses de fármacos potentes a granel (variação na medida) b) Grânulos: agregados sólidos e secos de volumes uniformes de partículas de pó resistentes ao manuseio, com um ou mais princípios ativos - Partículas que sofreram agregações ! c) Comprimidos: obtidos pela compressão de volumes uniformes de partículas sólidas (um ou mais princípios ativos + excipientes) - Pode ser de uma ampla variedade de: tamanhos, formatos, cores, apresentar marcações na superfície ou não, ser revestido ou não, liberação imediata, retardada, repetida e sustentada - CLASSIFICAÇÃO: I. Múltiplas compressões (multicamadas- liberação modificada II. Revestidos com açúcar (DRÁGEAS) III. Revestidos com filme (polímeros) IV. Revestimento entérico (liberação retardada) V. Sublinguais (nitroglicerina) VI. Efervescentes (forma bolhas, melhora solubilização) - VANTAGENS: Praticidade Economia Dose precisa por unidade administrada; Mascara sabor desagradável; Meio seco e condensado favorável a uma boa conservação; Forma conveniente para os princípios ativos pouco solúveis; - DESVANTAGENS: Impossibilidade de ajuste da posologia Risco de não desintegração (produção adequada) Automedicação facilitada Dificuldade de administrar em pacientes especiais Fármacos líquidos d) Capsulas: o princípio ativo e os ingredientes inativos estão contidos em um invólucro solúvel duro ou mole - Formatos e tamanhos variados, usualmente, contendo uma dose única do princípio ativo - Normalmente é formada de gelatina, mas pode, também, ser de amido ou de outras substâncias - Material encapsulado: pós e líquidos - Representam cerca de 50% da produção das farmácias de manipulação - VANTAGENS: Proteção parcial do fármaco frente a ação da luz e do ar Boa conservação Precisão de dosagem Rápida liberação do(s) fármaco(s) Economia Versatilidade Mascara odor e sabor desagradáveis - DESVANTAGENS: Falta de proteção ao fármaco frente a umidade Não é passível de fracionamento Limitada para a administração de fármacos muito irritantes, instáveis ou higroscópicos e) Supositórios: forma farmacêutica sólida adaptada para introdução no orifício retal, vaginal ou uretral do corpo humano - Contêm um ou mais princípios ativos dissolvidos numa base adequada Michelle MEDTXIV de 5 61 1ºBIMESTRE 2º ano Farmacologia - Eles, usualmente, se fundem, derretem ou dissolvem na temperatura do corpo: manteiga de cacau, gelatina glicerinada, etc - Vários tamanhos e formatos - Ação local: a base amolece ou dissolve assim que administrada, liberando localmente o fármaco. Eventualmente pode haver alguma absorção sistêmica EX: Aliviar dor e inflamação decorrente de hemorroidas; Laxantes (supositório de glicerina); Óvulos com anti-infecciosos; Supositórios uretrais contendo antibacterianos e anestésicos. - Ação sistêmica: Principalmente via retal; desvio parcial da circulação porta – apenas 50% do fluxo venoso retal tem acesso a circulação porta EX: Alívio de náuseas e vômitos; Analgésicos; Alívio da enxaqueca; Anti-inflamatórios. - VANTAGENS: Alternativa para pacientes pediátricos, geriátricos, inconscientes ou com vômito Diminui metabolização pela primeira passagem hepática Evita ação irritante de alguns fármacos para o estômago Fármacos nauseantes ou de características organolépticas indesejáveis - DESVANTAGENS: Início tardio da atividade terapêutica, em comparação com outras vias Menor taxa de absorção do fármaco Absorção irregular Barreira cultural 2. SEMISSÓLIDAS a) Emulsões: forma farmacêutica contendo um ou mais princípios ativos - Consiste de um sistema de duas fases que envolvem pelo menos dois líquidos imiscíveis - Um líquido é disperso na forma de pequenas gotas (fase interna, ou descontínua ou dispersa) através de outro líquido (fase externa, ou contínua ou dispersante) - Normalmente é estabilizada por meio de um ou mais agentes emulsificantes - Podem ser: Cremes: alta viscosidade Loções: média viscosidade Leites: baixa viscosidade A/O: água em oleo O/A: óleo em água ! - VANTAGENS: Permite a incorporação tanto de fármacos hidro como lipossolúveis Pequeno tamanho das partículas – melhora a absorção Melhora as características organolépticas dos fármacos Hidrata a pele (aplicação tópica) Medicamentos x cosméticos - DESVANTAGENS: Estabilidade físico-química Praticidade b) Géis: contém agente gelificante para fornecer firmeza - Agentes gelificantes: polímeros (gelatina, celulose, ácido hialurônico) - Hidrogéis: partículas dispersas na água - Organogéis: partículas dispersas em fase oleosa (vaselina) - VANTAGENS: Características organolépticas interessantes Biocompatibilidade Baixo custo Liberação direcionada - DESVANTAGENS: Absorção reduzida Baixa viscosidade Contaminação bacteriana Michelle MEDTXIV de 6 61 1ºBIMESTRE 2º ano Farmacologia c) Pomadas: forma farmacêutica destinada à aplicação na pele ou mucosas - Consiste na dispersão de um ou mais princípios ativos em baixas proporções em uma base adequada usualmente não aquosa - Bases utilizadas: Vaselina; Cera de abelha; Lanolina - VANTAGENS: Maior penetração do fármaco Baixo custo Ideais para fármacos lipofílicos ou pós - DESVANTAGENS: Sensorial desagradável Difícil de lavar Oxidação Fármacos hidrossolúveis 3. LIQUIDAS a) Soluções: forma farmacêutica líquida, límpida e homogênea, que contém um ou mais princípios ativos dissolvidos em um solvente adequado ou numa mistura de solventes miscíveis - Fatores que afetam a solubilidade: temperatura; pH; Tamanho das partículas do soluto; concentração do soluto - Soluções de uso oral, conjuntival e injetáveis - XAROPES: Preparações líquidas, aquosas e viscosas → grande quantidade de açucar. Uso prolongado → ↑ índice de cáries e afeta o controle metabólico de pacientes com diabetes. - ELIXIRES: Solução hidroalcóolica contendo um ou mais fármacos Contém açúcares para melhorar o sabor Administração por via oral - TINTURAS: solução alcóolica ou hidroalcóolica resultante da extração de drogas vegetais Simples ou composta Também podem ser preparadas empregando-se fármacos sintéticos – ex: tintura de iodo - VANTAGENS: Fácil deglutição Permite ajuste de dose Maior velocidade de absorção Homogeneidade de dose - DESVANTAGENS: Menor estabilidade físico -química e microbiológica Solubilização realça o sabor dos fármacos Sistema de medida de volume - precisão b) Suspensões: Partículas sólidas do fármaco dispersas em um líquido aquoso → insolúve - Em repouso → partículas se depositam no fundo do frasco - Formas farmacêuticas de sistema heterogêneo: fase externa ou dispersante: líquida fase interna ou dispersa: substâncias sólidas insolúveis no meio utilizado. - VANTAGENS: Maior estabilidade físico-química do fármaco Mascara sabor e odor desagradáveis Fácil deglutição Ajuste de dose - DESVANTAGENS: É um sistema instável, partículas sofrem sedimentação (força da gravidade), exigindo agitação para a uniformização das partículas antes do uso Formulação deve ser bem preparada Michelle MEDTXIV de 7 61 1ºBIMESTRE 2º ano Farmacologia AULA 2 Vias de administração de medicamentos INTRODUÇÃO: • A administração do medicamento tem que ser realizada com eficiência, segurança e responsabilidade para que seja alcançado o objetivo terapêutico, por isso existe várias vias ➢ Não adianta administrar um medicamento e ele ser degradado antes de ser absorvido • O medicamento administrado precisa sair da circulação e ir para o tecido, se ligar aos receptores para causar o efeito. • Via de administração é o caminho pelo qual o medicamento, droga é colocado em contato com o organismo, independente da via. CRITÉRIOS PARA ESCOLHA DA VIA DE ADMINISTRAÇÃO: • Quanto ao paciente: precisa-se do seu consentimento, da sua concordância com o tratamento, não adianta passar injeções intramusculares se o paciente tem medo de agulhas, não terá adesão ➢ Idade ➢Patologias existentes ➢Consentimento e concordância ➢Nível de consciencia • Quanto ao medicamento: as propriedades físico-químicas do fármaco, como características acidas ou básicas, hidrossolúveis ou lipossolúveis ➢Propriedade físico-químico ➢Farmacocinética ➢Propriedades organolépticas ➢Forma farmacêutica ➢ EX: se o medicamento for inativado no estômago, em pH ácidos, não pode ser via oral, seja na forma de comprimido, de cápsula ou liquido, poderá apenas se tiver revestimento apropriado ouentão muda- se a para via sublingual, parental, por exemplo) • Quanto ao efeito desejado: se o efeito for local pode-se usar a via tópica (pomadas/ cremes) que também absorve o medicamento e cai na circulação sistêmica só que em menor quantidade do que pela via oral. Se o efeito for sistêmico usa-se medicamentos de via enteral ou parenteral. ➢Sistêmico ou local ➢Duração da ação • EXEMPLO CLINICO: asma- processo inflamatório crônico das vias aéreas; ➢ É tratada com beta-2 adrenérgico um agonista que é um brônquio dilatador potente e corticoide. ➢O corticoide causa inúmeros efeitos colaterais e seu uso sistêmico, diariamente na forma de comprimido é prejudicial, isso era usado antigamente. ➢Atualmente, o tratamento é em forma de aerossol que deposita o fármaco diretamente no pulmão para um efeito mais local e menos sistêmico, agredindo menos o paciente, já que será utilizado frequentemente, pelo resto da vida. • Deve saber como adaptar uma via, a fim de gerar menos efeitos colaterais e mais efeito terapêutico, que seja melhor para o paciente, uma vez que, os efeitos colaterais hoje em dia são o grande problema dos medicamentos, já que todos causam efeitos colaterais, uns mais, outros menos. • Além disso, deve-se pensar no efeito e no tempo de duração do fármaco também. ➢ Por exemplo, chega um paciente com choque anafilático no hospital, não consegue respirar, se não aplicar um fármaco de ação imediata, ele morre, então se dá noradrenalina endovenosa. ➢ Não posso dar um comprimido que terá de ser dissolvido, pois até acontecer isso o paciente não sobrevive. ➢Tem que pensar na duração da ação, no efeito, no tempo de ação que você necessita Michelle MEDTXIV de 8 61 1ºBIMESTRE 2º ano Farmacologia VIAS DE ADMINISTRAÇÃO: • Pode ser: tópica, enteral e parenteral ➢ Topica: epidermica (pele), oftálmica (mucosa) e respiratória (mucosa) - Aplico a substancia ativa diretamente na pele ou na mucosa, ou em superfícies de feridas, buscando o efeito local. - Os princípios ativos penetram na epiderme. - Uso externo, não é ingerido. - Às vezes só o efeito local não basta, e deve-se entrar com medicamento de forma sistêmica (comprimidos, por exemplo). - EX: micose; quando vamos ao dermatologista ele nos prescreve uma pomada de efeito local, sem efeito na circulação sistêmica, porem ela pode não funcionar, devido ao tamanho da infecção, e partir disso o médico pode mudar o tratamento e prescrever medicamentos de via oral, que possuirá efeito sistêmico ➢ Enteral: bucal, oral, sublingual e retal - Dentro do trato gastrointestinal, sistema digestório, esse possui efeito sistêmico e não local. - Desta forma, recebe-se a substância pela boca ou pelo reto. - OBS: Bucal- por definição temos hoje que ENTERAL é tudo que passa pelo trato digestório, desde a boca até o anus, por isso que vai de oral a retal. Agora a bucal, coloca-se na boca porem a absorção é tópica, o efeito buscado é um efeito tópico - EX: enxaguante bucal, onde eu busco é um efeito antisséptico da mucosa da boca, não estou engolindo nada, mas o efeito começa desde a boca, por isso que alguns livros trazem a bucal dentro das enterais e outros livros não. ➢Parenteral: intravenosa, intramuscular, subcutânea e intradermica - PARA significa “ao lado”, ou seja, ao lado do trato digestório. - Tudo que não passa pelo trato digestório é parenteral - Faz parte de outra via que não a digestória, buscando efeito sistêmico - Seriam a intramuscular, subcutânea, endovenosa, intra-articular, intratecal (exemplo: Raqui), ou seja, tudo o que não passa pelo trato digestório • A via de absorção parenteral é mais rápida, pois sua biodisponibilidade é maior, fornece o fármaco rapidamente para a circulação sanguínea, quando comparado à via enteral ➢ Se administrarmos fármaco via endovenosa, 100mg, serão 100 mg dentro da circulação fazendo efeito sistêmico. ➢ No entanto, pela via enteral, ao se administrar um comprimido de 100mg, desses 100 mg, 50% (50mg) será metabolizada pelo fígado ➢ Essa via é mais usada em situações de emergência, devido a sua rápida atuação, por ir direto a circulação sistêmica (parenteral) 1. ENTERAL a) Oral: administração pela boca, seja esse medicamento um comprimido, seja uma cápsula, seja líquido - Via mais utilizada de administração de medicamentos - Absorção pela mucosa gastrointestinal - É a mais variável devido a sua biodisponibilidade e o metabolismo de primeira passagem - medicamento ao passar pelo fígado perde porcentagem do fármaco-, pois cada indivíduo vai responder de uma forma diferente. - A indústria já testa a biodisponibilidade do fármaco, podemos notar ao se abrir a bula onde está a farmacocinética, exemplo “fármaco com biodisponibilidade de 80%” - FATORES QUE PODEM ALTERAR A ABSORÇÃO: Fatores gastrintestinais (motilidade, área, fluxo sanguíneo) Fatores físico-químicos: lipossolubilidade do fármaco Michelle MEDTXIV de 9 61 1ºBIMESTRE 2º ano Farmacologia - VANTAGENS: Facilidade de administração: não depende de ninguém para administrar, a própria pessoa controla a medicação, além de não precisar de técnica para aplicação. Comodidade: a hora que quer Conveniente, segura, indolor, economica ( industria e paciente) Esquemas terapêuticos fáceis de serem cumpridos: é fácil de seguir as recomendações, como por exemplo “tomar de 6 em 6 horas” Menor probabilidade de efeitos adversos: ao passar pelo metabolismo hepático perde-se parte do fármaco. OBS: em casos de intoxicação, manobras de desintoxicação podem ser realizadas (lavagem gástrica) – o fármaco colocado diretamente na circulação não permite essa “retirada”. Inúmeras formas farmacêuticas disponíveis, como comprimido, cápsula, solução e xarope. Pacientes que não conseguem engolir comprimidos, podem utilizar o xarope por exemplo. - DESVANTAGENS: Absorção variável: o medicamento é metabolizado diferentemente pelo fígado em cada organismo. As enzimas do fígado (citocromo P450) que fazem a metabolização são muito variáveis de um indivíduo para o outro. Ação do suco digestório: o pH ácido muitas vezes não permite que o fármaco sofra absorção. Em alguns casos o fármaco é degradado antes mesmo de ser absorvido (nessas situações as industrias realizam testes de dissolução: se o fármaco não resiste ao suco gástrico ele é revestido para não sofrer ação do pH) A presença de alimentos pode favorecer ou retardar a absorção do fármaco. Muitas vezes o alimento modifica o pH do meio onde ele se encontra e pode dificultar a absorção do fármaco. Não pode ser utilizado em pacientes inconscientes ou que estejam vomitando (perde o medicamento) Próprio medicamento pode agredir a mucosa e causar ulcera devido sua acidez (alguns fármacos são ácidos e outros são básicos). Muitas vezes os anti-inflamatórios não são revestidos, quando utilizados de forma crônica causam ulcera. Nesses casos é indicado o uso de omeprazol, visando revestir a mucosa do estômago. Odor e sabor desagradável. Muitas vezes o medicamento é revestido para ter maior aceitabilidade pelo paciente devido seu odor ou sabor desagradável. ! Michelle MEDTXIV de 10 61 1ºBIMESTRE IMAGEM: visualiza-se as veias hemorroidais médias inferiores e as veias hemorroidais superiores. A porcentagem do fármaco que é absorvida pelas veias inferiores, cai diretamente na circulação sistêmica, já a porcentagem que é absorvida pelas veias superiores passa pela veia porta e chega ao fígado. 50% do fármaco será absorvido pelas veias hemorroidais medias e inferiores. 50% restante sofrerá metabolização no fígado e terá redução de 2º ano Farmacologia b) Sublingual: a indústria utiliza a via subligual para solucionar o problema de fármacos instáveis em pH ácido por exemplo, em que o revestimento do comprimido não é suficiente para proteger do pH ácidodo estômago. - VANTAGENS: Fácil acesso e aplicação: o comprimido será colocado em baixo da língua onde sofrerá dissolução e absorção, caindo direto na circulação sistêmica. Foge da metabolização de primeira passagem, por isso tem alta biodisponibilidade Efeito mais rápido, sendo ideal para casos de emergência. - DESVANTAGENS: Pequena superfície disponível para absorção Irritação da mucosa por uso prolongado Dificuldade no uso pediátrico, tendo em vista que para a criança o mais natural é engolir. c) Retal: não é muito utilizada devido ao desconforto do paciente - VANTAGENS: A resposta ao fármaco é imprevisível devido a absorção (50%), porém ainda é melhor que pela via oral, devido ao fato de ser mais segura. Pode ser utilizada em pacientes inconscientes, com vômito ou com irritação gástrica. Essa via é muito utilizada na pediatria e geriatria Não sofre inativação do trato gastrointestinal - DESVANTAGENS: Pode gerar irritação na mucosa Causa um incomodo ou não aceitação do paciente Pode haver expulsão Absorção é irregular ou incompleta 2. PARENTERAL: cada via de administração parenteral terá uma agulha adequada para sua aplicação a) Intravenosa: muito utilizada a nível hospitalar; coloca-se o fármaco diretamente na veia, sendo assim a biodisponibilidade de um fármaco de administração endovenosa é de 100%. - Via mais rápida de administração Pode ser injetado pequenos volumes, mas é indicado para injetar grandes volumes OBS: Grandes volumes não podem ser injetados via intramuscular, a subcutânea e a intradérmica - Somente soluções (fármacos solúveis) podem ser administrados no sangue; - Injeta-se somente soluções compatíveis com o sangue como eletrólitos, sais, fármacos - Veículos não oleosos - VANTAGENS: Disponibilidade total: 100% do fármaco atinge a circulação sistêmica Possui ação imediata: se for necessário um efeito imediato, de emergência, utiliza-se o medicamento diretamente na veia. Essa via não deve ser utilizada sem necessidade. Administração passível de controle, em relação a dosagem, precisão e velocidade de liberação. Permite a introdução de substancias irritantes: uma substância pode ser irritante para o músculo, para a pele ou para outro tecido, podendo gerar necrose, lesões, dentre outros. Então, se compatível, pode ser administrado via endovenosa. - DESVANTAGENS: Reações indesejáveis devido à alta concentração no plasma e nos tecidos: é disponibilizado muito fármaco na circulação sistêmica, podendo apresentar efeitos adversos. Por isso busca-se a administração na via endovenosa quando é desejado efeito no coração, por exemplo, porém a maioria dos fármacos não possuem seletividade, logo, não reagem apenas no coração, mas por onde passam. Necessidade de monitoramento: não é qualquer pessoa que pode fazer a administração endovenosa, pois são necessárias técnicas e treinamentos corretos. Uma vez injetado, não há como retirar: a partir do momento que o medicamento cai Michelle MEDTXIV de 11 61 1ºBIMESTRE 2º ano Farmacologia na circulação sistêmica, ele já passa a ser distribuído para os tecidos. Dor, incômodo: inclui-se aqui o medo de agulha/injeção. Necessidade de material esterilizado: se não houver um ambiente esterilizado, há uma maior susceptibilidade a infecções nas vias parenterais, principalmente a endovenosa. Irritação no local da aplicação: a introdução de um corpo estranho pode gerar um processo inflamatório. Facilidade de intoxicação: pode ocorrer por dosagem errada. Há também algo a ser estudado adiante, denominado janela terapêutica, que em resumo é a quantidade de medicamento que pode ser aplicado. Muitos medicamentos tem uma janela terapêutica muito pequena, próxima da dose tóxica, logo demonstram uma maior facilidade de intoxicação. b) Intramuscular: aplicação no músculo; - FF aquosas: absorção rápida - FF oleosas: absorção torna-se mais lenta - Apropriado para soluções, suspensões, veículos aquosos ou oleosos - Volume: 2 - 5 mL - VANTAGENS: Via muito utilizada devido a absorção rápida, como o musculo é altamente irrigado ocorre uma rápida absorção. É mais rápida que as outras vias parenterais e enterais O efeito desejado ocorre dentro de 7-10 minutos (rápido) Fácil aplicação: pode ser aplicado no glúteo, no deltoide, no músculo da coxa. No entanto não deve-se aplicar sempre no mesmo local, para não ocorrer lesão tecidual. Níveis terapêuticos rápidos - DESVANTAGENS: Dor Não podem ser administradas substâncias irritantes Não podem ser administrados grandes volumes, no máximo 5ml. OBS: Algumas literaturas trazem a informação de que até 3ml podem ser aplicados no deltoide, 5ml no glúteo e 4ml no musculo da coxa, mas hoje dizem que 5ml são aplicados na via intramuscular. Requer treinamento para a aplicação Necessita de assepsia local c) Subcutânea: administração de fármacos sob a pele - Utiliza-se fármacos que não causam irritação ao tecido - A absorção é constante e lenta: devido à vascularização, quanto mais irrigado o tecido, mais rápida a absorção - Só podem ser administrados pequenos volumes (no máximo 1mL) - VANTAGENS: Autoadministração para pacientes que conseguem se medicar, como por exemplo a insulina, heparina ou hormônios. Absorção lenta, porém completa. Uma vez que foge do metabolismo hepático, já que a absorção é sistêmica. OBS: Sofrem influência do veículo: em alguns casos os fármacos são pó e precisam ser diluídos, geralmente, o meio de dissolução é proposital para ocorrer uma liberação mais lenta ou mais rápida. Os veículos influenciam apenas a velocidade de absorção, o fármaco será absorvido de qualquer modo. Se o veículo permitir uma vasoconstrição, retardará a absorção. Apropriado para soluções, suspensões e solventes oleosos Efeito prolongado - DESVANTAGENS: Dor na aplicação Improprio para substancias irritantes porque podem causar lesão tecidual Inadequada para grandes volumes d) Intradermica: aplicação na derma - Absorção é muito mais lenta que a via subcutânea devido à vascularização. - Não sofrem efeito de primeira passagem, portanto são fármacos seguros, em termos de absorção; - É utilizado em testes alérgicos e vacinas - A aplicação é de baixos volumes, 0,1 a 0,5ml Michelle MEDTXIV de 12 61 1ºBIMESTRE 2º ano Farmacologia 3. TÓPICA: epidermica, oftálmica, respiratória - Fármacos de absorção tópica por mucosa: * São muito utilizados pela via epidérmica, nasal e oftálmica. * Têm efeitos mais locais do que sistêmicos. Apesar do efeito desejado normalmente ser só local, podem ser causados efeitos colaterais sistêmicos * Absorção rápida * São formulados como suspensões, colírios, pomadas, entre outras. * Uso externo: todo medicamento que não é engolido * Ação local: região onde o medicamento fará efeito, sem cair na corrente sanguínea * Ação sistêmica → os princípios ativos penetram na epiderme e atingem os vasos sanguíneos - Farmacos de atuação na arvore bronquica: * Atuação mais localizada; * Rápida ação; * Efeito pode ser local ou sistêmico. * Aplicação em forma de spray, bombinhas, nebulizadores, entre outros - Farmacos de aplicação transdermica: * Uma via muito utilizada atualmente. * Possui uma absorção gradual; * Para ser melhor absorvido: deve ser meio oleoso, a fim de ser mais compatível com a membrana celular; * Baixa incidência de efeitos adversos, embora tenha efeito sistêmico; * Boa adesão do paciente, pela praticidade; * Evita dificuldades de aplicação de outras técnicas, a exemplo da EV; * Evita efeito de primeira passagem; * Único cuidado a ser tomado é que deve ser colocado em um local sem atrito para que não corra o risco de descolar (porque perde-se a efetividade). * EX: Adesivos transdermicos tópicos: hormônios, anticoncepcional e nicotina a) via ocular/ oftalmica - Fármacos oftálmicos deaplicação tópica - São usados por seus efeitos locai - Uso de soluções, suspensões e pomadas - Colírios oftálmicos - Pequena absorção sistêmica - Fármacos oftálmicos de aplicação tópica - São usados por seus efeitos locais - Uso de soluções, suspensões e pomadas - Colírios oftálmicos - Pequena absorção sistêmica b) Via respiratória: - Soluções , suspensões em aerosol - Ação local: Mucosa nasal (soluções) - tópica ou respiratória Pulmões - inalados (aerossois, suspensões, partículas grandes: 1 – 5 µm) – não tópica - Ação sistêmica: absorvidos pelo epitélio pulmonar (aerossois, suspensões, partículas pequenas: 0,5 – 1 µm) – não tópica - A administração de fármacos por inalação representa uma modalidade conveniente de introduzir medicamentos diretamente na árvore respiratória. - VANTAGENS: Efeito local ou sistêmica Início rápido de ação Desvio efeito primeira passagem - DESVANTAGENS: Custo Saber utilizar Michelle MEDTXIV de 13 61 1ºBIMESTRE 2º ano Farmacologia AULA 3 E 4 F"macocinética I e II INTRODUÇÃO: • Fármaco cinética: o que o organismo faz com o medicamento, como é metabolizado, distribuído e eliminado. Fármaco dinâmica: o que o fármaco faz no organismo, fármaco exercendo sua função. • Os medicamentos passam por 3 fases ate o efeito terapêutico: ➢1º fase: fase farmacêutica, na qual o medicamento vai se desintegrar e depois, sofrer um processo de dissolução - A primeira coisa que esse comprimido faz é se desintegrar da forma farmacêutica - ele se desintegra pelo sulco gástrico, depois sofre o processo de dissolução e passa para a fase farmacocinética ➢2º fase: fase farmacocinética, que é quando o medicamento começa a ser reabsorvido - Ele deixa o lúmen do trato gastrointestinal e passa para a circulação. - Depois, tem a distribuição para os tecidos e ao mesmo tempo esse fármaco será metabolizado para ser eliminado. - Na maioria das vezes, ele é eliminado na forma de metabolito, quando ele não tem mais atividade farmacológica. - O fígado deixa o fármaco inativo e ele é eliminado na urina ➢ 3º fase: fase farmacodinâmica, que é a interação final entre o fármaco e o receptor do tecido alvo - Os fármacos é que eles não possuem muita seletividade. - Como existe receptor distribuído no corpo inteiro, tem muitos efeitos colaterais. - EX: os fármacos que mais causam efeitos colaterais são os adrenérgicos e colinérgicos, pois temos receptores M1,M2,M3 distribuídos em todas as partes do corpo • Temos vários fatores que interferem, como a interação farmaco-receptor, interação entre medicamentos, medicamentos que possuem o mesmo receptores e competem entre si, um pode perder o efeito e o outro ter um efeito maior • O fármaco precisa ser absorvido, distribuído, metabolizado pelo fígado e excretado pelo rim. Nos podemos eliminar o fármaco na forma ativa ou inativa. • No processo de distribuição,ele precisa estar na forma livre, sem estar ligado a uma proteína. • Por isso um dos processos que mais interferem nesse processo é a ligação do fármaco a proteínas plasmáticas • APLICAÇÃO DA FARMACOCINÉTICA: ➢ Desenvolvimento de medicamentos ➢Esquema posológico apropriado: eficácia X toxicidade ➢ Biodisponibilidade: medicamentos genéricos e similares ➢ Interações medicamentosas ➢Individualizar esquema posológico ABSORÇÃO: • Só existe absorção pela via parenteral e via oral. Não existe absorção pela via endovenosa, porque o fármaco foi totalmente integre na corrente sanguínea. Não tem que passar nenhum barreira para ser absorvido • A absorção é a passagem dos nosso fármacos pelas membranas biológicas, desde o local de absorção ate a corrente sanguínea. • O fármaco sofre um processo de desintegração e dissolução, provavelmente no intestino. • Fatores que influenciam na absorção: ➢ Fármacos (tamanho, solubilidade, ionização) ➢Paciente (pH, massa corporal, doenças) • A primeira barreira que o fármaco encontra é a membrana e depois o capilar. Michelle MEDTXIV de 14 61 1ºBIMESTRE 2º ano Farmacologia • O transporte pela membrana é o primeiro fator que interfere na absorção, como o transporte ativo primário, secundário, passivo. • CARACTERISTICAS DA MEMBRANA: tem caráter anfipático e é composta por uma dupla camada de fosfolipídios. ➢ A cabeça desses fosfolipídios são polares e hidrossolúveis e a cauda desses fosfolipídios são apolares e possuem um caráter lipofílica. ➢Tem também outras proteínas como as glicoproteinas, colesterol, as periféricas, proteínas integrais. ! • O fármaco também tem que ter um caráter anfipático porque ele precisa permear essa membrana celular para chegar na corrente sanguínea. • As proteínas de canais servem como receptor, se o fármaco tem afinidade com esse canal o fármaco ira agir. • Dentro disso tudo, temos os mecanismo de transportes ➢ Transporte passivo (sem gasto de energia): difusão simples, difusão facilitada e osmose - É a favor do gradiente de concentração. - Esse meio é o principal utilizados pelos fármacos. a) Difusão simples: Transporte ocorre do meio MAIS concentrado para o meio MENOS concentrado; * Condições para o transporte ocorrer: 1º: membrana deve ser permeável à substância 2º: deve haver diferença de concentração dentro e fora da célula b) Difusão facilitada: caso o fármaco não tenha característica lipossolúvel, eles utilizam de uma proteína, um carreador * Moléculas grandes e hidrofílicas: transportados pelas permeases * Permeases: proteínas da membrana que auxiliam no transporte de uma substância específica * EX: permeases que transportam glicose nos músculos: GLUT4 * Transporte ocorre do meio MAIS concentrado para o meio MENOS concentrado ➢ Transporte ativo (com gasto de energia): bombas de sodio e potassio; - É mediada por carreadores, contra o gradiente de concentração. - Bombas de sodio e potassio: * Células precisam manter concentrações diferentes de alguns íons e moléculas: EX 1: concentração de K é 20 a 40 vezes maior no meio intracelular (transmissão de impulso nervoso) EX 2: concentração de Na é 8 a 12 vezes menor no meio intracelular para compensar a alta concentração de K * Proteínas da membrana funcionam como uma “bomba” * Diferença de cerca de 70 mV: ocorrência de processos biológicos, impulsos nervosos, etc ! Michelle MEDTXIV de 15 61 1ºBIMESTRE 2º ano Farmacologia ! • Absorver é o fármaco atingir o plasma sanguíneo. Para esse simples processo acontecer, existem vários fatores que interferem: fatores ligados ao fármaco e os ligados a via de administração 1. FATORES RELACIONADOS COM O FÁRMACO: ➢ Solubilidade, ionização, constante de dissociação acida, pH no sitio de absorção (depende do PH do estomago e do intestino). a) Solubilidade: - A maioria dos fármacos são absorvidos por difusão simples - Para que isso aconteça o fármaco tem que estar na forma lipossolúvel, pois é o fármaco que tem facilidade em permear a membrana. - Então esse fármaco apolar, lipossolúvel tem mais facilidade em ser absorvido. - É sempre do meio mais concentrado para o meio menos concentrado. A favor do gradiente de concentração. - O fármaco polar, ou mais polar, é hidrossolúvel, não consegue permear a membrana por difusão simples. Esse fármaco precisa de um transporte. b) Influencia do pH: - Os fármacos ou serão ácidos fracos, ou bases fracas, em uma solução. - Por isso, eles se dissociam lentamente, então são encontrados tanto na forma ionizada, como na forma não ionizada ate entrar em equilíbrio. - De acordo com a equação de Bronsted- Lowry , as suas concentrações ionizadas se equilibrarão com as concentrações não ionizadas. - Nossos fármacos acido ou bases dependem do meio onde ele esta, se o pH for muito acido ou básico,interfere na ionização � - Ácidos fracos, quando dissociados, tema características de doar íons H+ para o meio. ! - Bases fracas, tem como característica receber esses íons H+ na tentativa de neutralizar. ! - Tudo isso depende do pKa, constante de dissociação acida; - Todo fármaco tem um pKa estabelecido. - BH+ e A- representam, respectivamente, uma base e um ácido na sua forma iônica. - Nessa forma, essas substâncias apresentam uma lipossolubilidade muito baixa, sendo praticamente incapazes de atravessar a membrana. - Ao contrário disso, toda substancia iônica tem grande afinidade com a água, sendo, portanto, hidrossolúvel - Já B e AH representam, respectivamente, uma base e um ácido nas suas formas não-ionizadas, sendo assim lipossolúveis o suficiente para permitir passagem rápida pela membrana. Michelle MEDTXIV de 16 61 1ºBIMESTRE 2º ano Farmacologia ! ! - Para se identificar a quantidade de moléculas que foram ou não absorvidas, comparando duas substâncias de mesmo caráter, utiliza a seguinte regra: * Quando o valor do pKa,b de uma substância se iguala ao valor numérico do pH do meio, a reação estará em equilíbrio, ou seja, a concentração referente as formas do fármaco estará: 50% da forma ionizada e 50% da forma não-ionizada. EX: Uma droga de caráter ácido com pKa=2. Observe seu comportamento em três compartimentos: I. Se o fármaco estiver submetido a um pH=2, como seu pKa=2, teríamos 50% na forma iônica e 50% na forma não-iônica II. Se o pH do compartimento for maior que 2, o fármaco tenderá a entrar em sua forma iônica (A-) ou protonada, sendo ela não-lipossolúvel e permanecendo, cada vez mais, ionicamente aprisionado. III. Se o pH do meio for menor que 2, o fármaco se apresentará mais na sua forma não protonada (AH), sendo assim lipossolúvel, não ficando aprisionado nesse compartimento. - Mas a intenção do fármaco apesar de toda influencia do pKa e pH é que ele seja absorvido no intestino. - Por isso todo o trabalho de revestir comprimido para passar intacto no suco gástrico. - Então, independente se o meio esta favorecendo ou não, ele vai ser absorvido no intestino. - Por isso seria muito mais vantajoso se o fármaco fosse básico, mais isso não acontece, então ha o revestimento - No fármaco acido a tendência é ser absorvido no estomago e não no intestino, porque no intestino o ph é maior e ele fica na forma ionizada. 2. FATORES NÃO LIGADOS AO FÁRMACO: ➢Por exemplo, a área de superfície de contato do organismo e fluxo sanguíneo ( exemplo: o intestino possui maior circulação e maior área de contato do que o estomago). ➢A absorção vai depender também da forma formaceutica e do paciente a) Forma farmaceutica: - Solução > Suspensão > Cápsula > Comprimido > Comp. revestidos - A forma farmacêutica também interfere na absorção, por exemplo, o fármaco na forma liquida é muito mais fácil de ser absorvido do que na forma de comprimido. - O fármaco quando ingerido está com o excipiente. Michelle MEDTXIV de 17 61 1ºBIMESTRE OBSERVAÇÕES - ACIDO - Os ácidos são compostos instáveis, se ionizando quando doam prótons. - Quanto menor for o valor numérico do pK, em uma escala de 1 a 14, mais forte ele é e mais fácil se ioniza (A-). - Quanto menor for o pH (+acido) a reação de dissociação dos ácidos será deslocada para a esquerda, ou seja, o ácido permanecerá na sua forma molecular (e portanto, lipossolúvel). - Já quando o pH do meio aumenta (+ basico) estará se deslocando a reação para a direita, fazendo com que o ácido passe para a sua forma iônica e polar (portanto, não-lipossolúvel). OBSERVAÇÕES - BASICO - As bases geralmente são moléculas estáveis e se ionizam quando elas recebem prótons. - Quanto maior o valor numérico do pKb, em uma escala de 1 a 14, para as bases, mais forte ela é e mais facilmente se ioniza (BH+) - Quanto menor for o pH do meio( + acido), a reação de conjugação da base será deslocada para a esquerda, fazendo com que este se mantenha na sua forma polar (e portanto, não-lipossolúvel). - Já quando o pH do meio aumenta (+ basico), a concentração de H+ diminui, deslocando a reação para a direita, fazendo com que a base passe, gradativamente, para a sua forma molecular (portanto, lipossolúvel). 2º ano Farmacologia - EX: um comprimido possui o fármaco em forma de grânulos e compactado ao seu excipiente e quando ingerido precisa ser desintegrado, sofrer uma dissolução para se dispersar no meio e depois será absorvido. - No caso de uma forma farmacêutica em solução, o fármaco já está dissolvido e no trato gastrointestinal ele só será absorvido. - No caso da cápsula é mais favorável do que o comprimido, pois não está compactado. - No trato gastrointestinal, a cápsula por ser de gelatina ela se dissolve facilmente e as partículas não precisam sofrer o processo de desintegração e sim de dissolução. - Portanto, o processo de absorção se inicia mais rápido do que no caso do comprimido. - No caso das drágeas, elas são feitas propositalmente para retardar a velocidade de absorção. São revestidas para passar intacta pelo estômago e ser absorvida no intestino. -A suspensão é um líquido que não dissolve a partícula, são imiscíveis. As partículas se depositam no fundo por causa do meio que cria uma instabilidade e é necessário agitar para que as partículas se dispensem e assim ser ingerido. - No trato gastrointestinal sofre dissolução e depois absorção, portanto, é mais rápida do que a cápsula e a drágea. - No caso das vias parenterais, são ainda mais rápidas. - A endovenosa não precisa de absorção. Portanto, seria em questão de velocidade de absorção, endovenosa > Intramuscular > Subcutânea > Intradérmica. - Os comprimidos sublinguais possuem absorção imediata por causa da drenagem da mucosa e que vai diretamente para a veia cava superior. Portanto, não é ingerido. b) Paciente: - Via de administração - pH - Área de difusão: estômago x intestino - Circulação local - Motilidade gastrointestinal: * Se houver um aumento da motilidade gastrointestinal, será mais rápido o tempo de contato do fármaco com a mucosa, assim, absorve menos. * Se houver uma diminuição da motilidade gastrointestinal, será menor o tempo de contato do fármaco com a mucosa, assim, absorve mais. - Medicamentos - Doenças (ex.: enxaqueca, hipotensão, insuficiência cardíaca, diarreia) - Alimentos * Aumentar, diminuir ou inalterar a absorção * Administração antes, durante ou após as refeições * Quando é ingerido o alimento, se inicia o processo de digestão e ocorre o retardo do esvaziamento gástrico. * Tudo que retarda o esvaziamento gástrico não favorece no tempo de absorção. * Não pode ingerir o medicamento de estomago vazio e nem cheio. * O ideal é ingerir o medicamento com cerca de 30 ou 40 minutos antes ou depois da alimentação. * Em alguns casos, o medicamento é indicado para ser ingerido com alimentos por causa do pH. Sempre confirmar vendo a bula. c) Via de administração: - Areas de superfície: * A área de superfície de contato do estômago é mais espessa e possui uma pequena área quando comparada ao intestino, além da presença de muco. * Portanto, o estômago não favorece a absorção do fármaco. * O intestino já favorece a absorção pela presença de vilosidades e a grande área de contato que o fármaco fica em maior contato e tempo do que no estômago. * O intestino é o local para a absorção do fármaco, independente da ionização. Michelle MEDTXIV de 18 61 1ºBIMESTRE 2º ano Farmacologia - Circulação local: * O tecido que é mais vascularizado favorece a absorção no local e também a distribuição do fármaco. * Tanto a vasodilatação quanto a vasoconstrição podem interferir na absorção. * Os vasoconstritores retardam a absorção e os vasodilatadores aceleram a absorção. * As industrias podem colocar vasoconstritores ou vasodilatadores com o fármaco,desde que não interfira no princípio ativo. - Os fármacos administrados que passam pelo trato gastrointestinal (via oral, retal e inalado) são absorvidos e passam pela circulação entero-hepática chegando até o fígado, onde se perde uma parte do fármaco por conta da biodisponibilidade e o metabolismo - Após o fígado, o fármaco restante atinge a circulação sistêmica e é redistribuído pelos tecidos para efetivar o efeito terapêutico - Os fármacos inalados possuem uma rápida absorção, efeito localizado e menos efeitos colaterais. Atinge primeiro os pulmões e depois a circulação. • BIODISPONIBILIDADE: é a porcentagem na qual uma dose do fármaco ativo chega ao seu local de ação após absorção e metabolização ➢ A metabolização tem o objetivo de eliminar o fármaco do organismo. ➢ O metabolismo transforma o fármaco que era apolar/lipossolúvel, e transforma em polar para que fique inativo, não ser reabsorvido e depois eliminado na urina. ➢Por causa do metabolismo que a dose do comprimido é maior do que a dose parenteral, pois uma parte do fármaco no comprimido é perdida. ➢Não se aplica a via intravenosa (100% de biodisponibilidade) ! ! • EFEITO DE PRIMEIRA PASSAGEM: é quando a concentração da droga é significantemente reduzida pelo fígado antes de atingir a circulação sistêmica. ➢ O fármaco entra no sistema porta hepático, é levado pela veia porta até o fígado, é metabolizado pelo efeito de primeira passagem, é lançado na corrente sanguínea e então o fármaco estará disponível para realizar o efeito terapêutico. CASO CLINICO 1: Paciente de 18 anos, sexo masculino, é levado pela ambulância ao hospital, e encontra-se desacordado. Sua mãe relata que ele ingeriu grande quantidade de cocaína por via oral alguns minutos atrás. Sabendo que a cocaína é uma substância básica fraca, e considerando os conceitos de absorção estudados em aula, como a referida intoxicação por cocaína poderia ser atenuada? (a) Poderia ser administrada uma substância básica, que diminuiria a absorção da cocaína no trato gastrointestinal e, consequentemente, preveniria os efeitos indesejáveis da droga. (b) Poderia ser administrada uma substância ácida, que diminuiria a absorção da cocaína no trato gastrointestinal e, consequentemente, preveniria os efeitos indesejáveis da droga. Michelle MEDTXIV de 19 61 1ºBIMESTRE QUANTIDADE DO FARMACO ATIVO QUE ALCANÇA A CIRCULAÇÃO SISTÊMICA QUANTIDADE DO FARMACO QUE FOI ADMINISTRADA 2º ano Farmacologia (c) Poderia ser administrada uma substância ácida, que aumentaria a absorção da cocaína no trato gastrointestinal e, consequentemente, preveniria os efeitos indesejáveis da droga. (d) Poderia ser administrada uma substância básica, que aumentaria a absorção da cocaína no trato gastrointestinal e, consequentemente, preveniria os efeitos indesejáveis da droga. EXEMPLOS: • EXEMPLO 1: FARMACO ACIDO: aspirina ➢ PKA de 3,5. Isso significa que em um pH de 3,5 cinquenta por cento do fármaco se encontra na forma ionizada. ➢ O estomago esta em um pH 1,7. ➢Esse meio é rico em H+ e esse fármaco acido tem a característica de doar íons H+ para o meio. ➢ Se é um meio acido, o fármaco não precisa doar H+, então ele tende a ficar na sua forma sem carga, que consequentemente atravessa a membrana por difusão simples. ➢ Quando chega no plasma que tem pH 7, esse fármaco começa a dissociar porque no meio onde não tem H+ ele se dissocia, ficando na sua forma ionizada, isso faz com que ele não volte para o estomago. � • EXEMPLO 2: FARMACO ÁCIDO: aspirina ➢ No intestino, o pH é 8, o meio pobre em íons H+. ➢O fármaco começa a se dissociar e doar H+, a equação vai para a direita porque o pH é maior que o pKa de dissociação. ➢Dessa forma, ele será menos absorvido pela membrana, exceto se houver carregadores. • EXEMPLO 3: FARMACO BÁSICO: diazepam ➢ No estomago: a forma não dissociada da base esta ionizada. ➢Ela tem a tendência de receber todos os íons H+ do meio na tentativa de neutralizar e deslocar a equação para esquerda. Por isso, base não é absorvido no estomago • EXEMPLO 4: FARMACO BÁSICO: diazepam ➢ No intestino: o pH esta básico, pKa esta menor que o pH, agora a tendência é dissociar. ➢A base dissociada fica sem carga e consegue permear a membrana e quando ele atravessa a membrana, o meio do plasma é acido para o fármaco e a tendência é ele se tornar ionizado. DISTRIBUIÇÃO DO FÁRMACO: ! • Depois da absorção ou administração sistêmica na corrente sanguínea o fármaco distribui-se para os líquidos intersticiais e intracelulares. • A circulação sanguínea não tem efeito do fármaco, a circulação é somente o reservatório do fármaco. Michelle MEDTXIV de 20 61 1ºBIMESTRE 2º ano Farmacologia • O fármaco para ter efeito tem que chegar até o tecido alvo, se ligar ao receptor e causar a sinalização. • O fármaco primeiro tem que passar pelo líquido intersticial e depois pelo líquido intracelular. • A lipossolubilidade é importante do início ao fim do processo, desde absorver, distribuir até eliminar quando estiver hidrossolúvel. • Débito cardíaco, fluxo sanguíneo regional, permeabilidade capilar e volume tecidual determinam a taxa de liberação e a quantidade potencial do fármaco distribuído aos tecidos. • Drogas hidrossolúveis para atravessarem o endotélio e a membrana celular vão precisar de um transportador ou de uma fenestra ou poro. • O fígado e os rins possuem fenestras maiores do que em outros locais, por causa de serem responsáveis pela filtração. ! ! • A distribuição do fármaco não é igual. ➢ EX: a circulação no tecido adiposo não favorece a distribuição do fármaco nele. ➢ Porém, como também é lipossolúvel, o tecido adiposo acaba sendo um reservatório e o fármaco se acumula nele se desviando do tecido alvo. ➢Tecido ósseo também é um tecido de acúmulo de medicamentos por conta da afinidade. Isso pode ser benéfico ou não, depende da patologia. • FATORES QUE INTERFEREM NA DISTRIBUIÇÃO: 1. LIGAÇÃO DOS FÁRMACOS ÀS PROTEINAS: - Na corrente sanguínea, há as proteínas plasmáticas: albumina e glicoproteína ácida Alfa- 1 que se ligam aos fármacos. - A albumina se liga a cerca de 70% dos fármacos na corrente sanguínea. Fármacos ácidos fracos preferem a albumina. - Outros fármacos se ligam a glicoproteína ácida Alfa-1. - Fármacos básicos fracos preferem a glicoproteína. - Para o fármaco deixar a circulação sanguínea e penetrar no endotélio capilar, é preciso que o fármaco esteja na sua forma livre. - Se estiver ligado a proteína, continuará na corrente sanguínea. - Conforme o fármaco que está na forma livre vai deixando a circulação, a concentração plasmática dele diminui e a albumina libera ele para ser distribuído - Conforme o fármaco vai sendo distribuído, com o tempo a concentração diminui no plasma e deve ser administrado uma nova dosagem para restabelecer o pico de concentração. - Na bula, quanto maior a afinidade do fármaco com a proteína, mais lenta vai ser a distribuição e será maior o tempo para a administração de um novo medicamento. ! - A interação medicamentosa deve ser realizada com cuidado, pois a interação ocorre desde a absorção * O fármaco que possuir a maior afinidade pela proteína plasmática vai prevalecer na ligação. NA IMAGEM: em azul é o fármaco que se concentra na corrente sanguínea, com o tempo de distribuição vai para o líquido intersticial e depois para o meio intracelula Michelle MEDTXIV de 21 61 1ºBIMESTRE 2º ano Farmacologia * EX: o fármaco A possui 95% de afinidade e o fármaco B possui 50% de afinidade. * O fármaco A vai possuir uma ligação irreversível e o fármaco B que vai ficar livre no plasma, atravessa as fenestras e vai para os tecidos de maneira muito rápida e causando um efeito tóxico. * Os fármacos que possuírem uma afinidade maior podem roubar a proteínaplasmática de um fármaco que possui uma afinidade menor e o que ficar livre pode causar efeito tóxico no tecido pela rapidez. - Alterações nos níveis de proteína plasmática: doenças hepáticas, doenças renais, deficiência congênita, desnutrição, câncer, infarto agudo do miocárdio, artrite 2. PERMEABILIDADE CAPILAR: lipossolubilidade dos fármacos é extremamente importante - A ligação do fármaco a proteína plasmática limita o fármaco a fica na corrente sanguínea. - A permeabilidade se altera dependendo do órgão que está irrigando, assim altera a distribuição do fármaco - EX 1: figado e rim - possuem fenestras/ fendas que permitem a entrada do fármaco no interstício e depois intracelular ! - EX 2: capilar cerebral - junções são estreitas, o que impede a facilidade na entrada de fármacos Michelle MEDTXIV de 22 61 1ºBIMESTRE 2º ano Farmacologia ! - DRAMIN: medicamento extremamente lipossolúvel e é indicado para reações alérgicas (anti- histamínico) e náuseas e vômitos. * Ele atinge o sistema vestibular e também é usado para reações alérgicas para diminuir a quantidade de histamina liberada. * Por ser um medicamento lipossolúvel, ele atinge o sistema nervoso e causa a sedação na pessoa. - Se o medicamento não é muito lipossolúvel ou não há fenestras para a entrada do fármaco, o fármaco precisará de um mecanismo de transporte para entrar, como uma proteína - Inflamação, vasodilatadores, qualquer coisa que aumenta a permeabilidade, vai favorecer a distribuição do fármaco no tecido. - As meninges só tem a ação de medicamentos se houver uma inflamação, lesão, aumento da permeabilidade nelas. a) Barreira hematoencefálica: camadas contínuas de células endoteliais unidas por junções estreitas. * Ela não apresenta poros, dificultando a passagem de substâncias. * Somente drogas apolares, lipossolúveis e baixo peso molecular permeiam a barreira hematoencefálica. * Restringe a passagem de muitos fármacos e evita possíveis efeitos tóxicos. * Por causa da barreira é que existem medicamento de tarja vermelha e preta, pois podem causar dependências e até morte. b) Barreira placentária: * Propriedades dos fármacos que favorecem a passagem: difusão simples; difusão facilitada; transporte ativo; endocitose * Fatores que dificultam a passagem dos fármacos: proteínas de EFLUXO; placenta metaboliza fármacos (fígado fetal imaturo) 3. FLUXO SANGUINEO: - A velocidade do FS nos tecidos capilares varia bastante em vários tecidos; - O FS para o cérebro, coração, fígado e rins é maior do que músculos esqueléticos, tecido adiposo e pele. - Em órgãos menos irrigados, a distribuição do fármaco só é mais lenta. - Dependendo da afinidade pelo tecido, o fármaco pode ser “roubado” do tecido alvo (EX: do tecido adiposo já dito) • VOLUME DE DISTRIBUIÇÃO: é um volume hipotético de fluido corporal (extra ou intracelular) no qual o fármaco está dissolvido e é distribuído, uma vez que o volume real no qual as moléculas de fármaco são distribuídas não pode ser determinado. ➢ É obtido através da razão entre a concentração de fármaco administrada intravenosamente (dose administrada - D) e a concentração de fármaco no sangue ou plasma (CP): Vd = D / CP. ➢ Volume de distribuição elevado: o fármaco se distribui amplamente nos tecidos (tecido adiposo e osso) ! Michelle MEDTXIV de 23 61 1ºBIMESTRE DOSE (mg) [fármaco] sangue (mg/L) 2º ano Farmacologia ELIMINAÇÃO DO FÁRMACO: • Para que o fármaco seja eliminado, é necessário que ele seja metabolizado pelo fígado. • Na forma lipossolúvel, o fármaco é reabsorvido pelo corpo até que seja metabolizado e transformado em hidrossolúvel ou polar. • O fármaco pode ser passar pelo fígado mais de uma vez até ser transformado. • Quanto mais polar for o fármaco, mais facilmente ele será eliminado. • Às vezes o fármaco nem precisa ser metabolizado pelo fígado por ser polar e assim pode acabar sendo eliminado na forma ativa. • 90% da eliminação do fármaco será pela urina • Essa eliminação do fármaco pode ser de forma inalterada se for polar ou na forma de metabólito quando é inútil para o organismo 1. METABOLISMO: ➢ Alteração na estrutura química que os fármacos sofrem no organismo, geralmente por processos enzimáticos. ➢ As enzimas agem no fármaco apolar causando a quebra da molécula para transformar em polar/hidrossolúvel. ➢ Biotransformação de fármacos: servem para formar produtos mais polares (menos lipossoluveis); facilitar a eliminação; formar metabolitos; inativar fármacos; ativar substâncias inativas (pró-fármacos) - Locais: figado, rins, pulmões, intestino; - A metabolização no fígado deve-se a presença de enzimas: * Microssomais: família citocromo P450 (CYP) Responsáveis por 70% da metabolização dos fármacos Possui subclassificações, sendo que as responsáveis pela maior metabolização dos fármacos são: ▪ CYP3A4: metabolização de 50% dos fármacos ▪ CYP2D6: metabolização de 30% dos fármacos ▪ CYP2C9: metabolização de 10% dos fármacos * Não microssomais: MAO, acetilcolinesterase Responsáveis por 30% da metabolização dos fármacos São as mesmas enzimas que são participantes da degradação das monoaminas: acetilcolina, noradrenalina, dopamina - Existe enzima que somente ela metaboliza um fármaco, se ela não estiver disponível, saturada ou sendo usada por outro, já dá erro na metabolização do fármaco. - Por isso é importante não misturar fármacos, pois eles podem competir pela mesma enzima. - Para evitar isso é importante saber qual enzima metabolizará o fármaco. - Há também fármacos que podem ser metabolizados por várias enzimas, portanto as chances de dar erro são menores. - Se o fármaco for menos metabolizado, terá uma maior biodisponibilidade. - Se for mais metabolizado, terá uma biodisponibilidade menor. - Ou seja, tudo depende da afinidade entre o fármaco e a enzima. - Todo FÁRMACO que sofreu ação dessas enzimas passa a ser inativo e chama-se METABÓLITO. - Os hepatócitos presentes no fígado possuem dois tipos de enzimas responsáveis pela metabolização dos fármacos: Origem do citosol & Origem do reticulo endoplasmático liso: citocromo P450 - É importante lembrar que o fármaco pode passar mais de uma vez pelo fígado, se ele passou uma vez e continua lipossolúvel ele cai na circulação, e retorna ao fígado assim sucessivamente até se tornar hidrossolúvel e ser eliminado. ➢ Reações de biotransformações: - O grau de solubilidade do fármaco determina se ele passará pelas duas etapas ou não: Michelle MEDTXIV de 24 61 1ºBIMESTRE 2º ano Farmacologia * Um composto pouco hidrossolúvel/polar, naturalmente já possui hidroxilas disponíveis para conjugação, por isso não realiza a 1a fase e vai diretamente para a 2a fase. * Um composto muito lipossolúvel/apolar precisa necessariamente passar pelas duas fases. ! FASE 1: são hidrolisados/oxidados/redução ▪ Fármaco sofre hidrólise ou oxidação pelo citocromo P450 ▪ As enzimas tentam deixar compostos disponíveis para que depois ocorra a conjugação e eliminação do fármaco: para isso deixam moléculas com alguns grupos funcionais expostos na tentativa de deixar o fármaco mais hidrossolúvel ▪ Nas extremidades ficam compostos como: tiol, hidroxila, metila ! ▪ Muitas vezes ao passar por essa fase o fármaco se torna mais reativo: o metabólito pode ser até 10x mais potente que o próprio fármaco. ▪ A indústria farmacêutica ao descobrir que o metabolito é mais ativo que o próprio fármaco passa a sintetizar e comercializar diretamente o metabolito. ▪ ENZIMAS DO CITOCROMO P-450: Possuem grupamento heme Usam O2, prótons e elétrons (NADPH-P450 redutase e citocromo b5) para oxidar produtos FASE 2: são anabolizadas por conjugação ▪ Fármaco sofre conjugação (anabolismo) pelas transferases ▪ Glucuronil-transferase:acrescenta um ácido glicurônico (maioria das conjugações) ▪ Metil-transferase: acrescenta uma metila ▪ Acetil-transferase: acrescenta um acetil ▪ Sulfo-transferase: acrescenta um composto de sulfatação ▪ Conjuga-se um composto no fármaco para torna-lo hidrossolúvel ▪ A fase 1 é essencial para a fase 2, já que as moléculas serão conjugadas nos grupos funcionais exposto durante a 1a fase ▪ Fármaco fica altamente hidrossolúvel, e torna-se inativo, isso facilita sua eliminação ! • Então, na 1a fase ocorrem quebras na molécula para deixar grupos funcionais expostos, suscetíveis a receber outras moléculas. Michelle MEDTXIV de 25 61 1ºBIMESTRE 2º ano Farmacologia • Na 2a fase ocorre a conjugação de uma molécula nesses grupos expostos. • Lembrando que, tudo isso ocorre com o intuito de tornar a molécula mais hidrossolúvel para permitir sua eliminação 2. EXCREÇÃO: ➢ Nesse momento o fármaco já está hidrossolúvel, pois passou pelas fases de metabolização e agora deve ser eliminado. ➢O fármaco foi lançado na corrente sanguínea e precisa ser filtrado pelo rim. ➢Pode ser eliminado pelo processo de excreção sem qualquer alteração, ou ser convertido em metabólito inativo. ➢Vias de excreção: renal, biliar, pulmonar (gases e substâncias voláteis), fecal, salivar, mamária (leite – desprezível), sudorípara (suor- desprezízel) e lacrimal ➢Dentre as vias de excreção a principal é a renal, seguido pela biliar, fecal e pulmonar (alguns compostos). ➢ Eliminação pré-sistêmica: - Os fármacos administrados por via oral (VO) são absorvidos pelo trato GI e, a seguir, liberados no fígado através da veia porta. - Essa via permite ao fígado metabolizar os fármacos antes de alcançarem a circulação sistêmica, um processo responsável pelo efeito de primeira passagem. (GOLAN, 2009). - Em alguns casos nessa primeira passagem o fígado já deixa o fármaco bem solúvel, quando ele atinge a circulação já está inativo e por isso é completamente excretado sem ter promovido nenhuma ação. - Para evitar essa eliminação aumenta- se a dose do fármaco deixando-o na via oral ou altera-se a via ➢ Excreção renal: - Fármaco está na circulação e chega no rim pela arteríola aferente como metabólito, então ocorre: a) Filtração glomerular: * 20% do fármaco é filtrado * Algumas substâncias são filtradas, porém o que não é filtrado permanece na circulação Michelle MEDTXIV de 26 61 1ºBIMESTRE 2º ano Farmacologia * Substâncias filtradas: fármacos de baixo peso molecular * Substâncias não filtradas: fármacos com alto peso molecular e fármacos ativos * Na corrente sanguínea os fármacos ativos estão ligados a albumina, que possui alto peso molecular então a albumina não permite o processo de filtração. b) Secreção tubular ativa: * 80% do fármaco é filtrado * Mecanismo mais efetivo para eliminação renal de fármacos * A concentração plasmática de fármaco é quase zero. * Substâncias que permaneceram na corrente sanguínea são lançadas (via transportadores) para dentro do lúmen do túbulo (proximal ou distal) do néfron * Transportadores reconhecem o fármaco (ânion/cátion) como eletrólitos, lançando todo o fármaco para o lúmen * Conforme há redução na concentração de fármaco no capilar, os fármacos ativos ligados a albumina (age como reservatório) são “soltos” da albumina, permitindo a entrada do fármaco no túbulo * Nesse momento são lançadas substâncias tanto hidrossolúveis, quanto lipossolúveis. c) Reabsorção tubular passiva: * Substâncias lipossolúveis são devolvidas para a corrente sanguínea para serem metabolizadas novamente * Substâncias hidrossolúveis são eliminadas pela urina * Ocorre próximo ao ducto coletor ➢ Fatores que podem interferir na excreção, levando a ajustes de dose: - Função renal difere de um individuo para outro - Idade: função renal diminui conforme a idade - Presença de doença renal - pH da urina: * fármaco ácido fraco: na urina alcalina, predomina- se forma ionizada, MAIOR eliminação do fármaco * fármaco básico fraco: na urina ácida, predomina forma ionizada, MAIOR eliminação do fármaco ! INTERAÇÃO FARMACOLÓGICA: • Os fármacos podem aumentar ou diminuir a concentração plasmática de outro fármaco por interferir naturalmente (característica de afinidade) na enzima presente no fígado (CYP450). • Se um fármaco estiver sozinho não importa se ele é inibidor ou indutor, pois não há competição. • Porém, ao utilizar mais de um medicamento é extremamente importante saber se ele é um inibidor ou indutor enzimático, por isso essa informação normalmente consta na bula do medicamento. • INDUÇÃO ENZIMÁTICA: aumenta a quantidade de enzimas degradadoras, aumentando a velocidade de metabolização e diminuindo o efeito farmacológico. ➢ Fármaco pode induzir a enzima que faz a sua metabolização ➢Há o aumento da quantidade de enzimas, por isso a própria metabolização ocorre mais rápido ➢Efeito farmacológico fica reduzido ➢ A estimulação estimulação da atividade atividade das enzimas enzimas microssomais por medicamentos e outras substâncias representa importante problema clínico. ➢Drogas tais como analgésicos, anticonvulsivantes, hipoglicemiantes orais, sedativos e tranquilizantes estimulam a sua própria biotransformação e a de outras drogas. ➢ Fármaco pode induzir uma enzima que não faz a sua metabolização ➢Essa indução é relevante se um outro fármaco chegar ao fígado nesse Michelle MEDTXIV de 27 61 1ºBIMESTRE (FILTRAÇÃO GLOMERULAR + SECREÇÃO TUBULAR) - REABSORCÃO TUBULAR = EXCREÇÃO 2º ano Farmacologia momento e for metabolizado pela enzima induzida, pois a metabolização desse segundo fármaco será mais rápida e o efeito farmacológico será reduzido ➢ Além disso, se o segundo fármaco precisa passar pelas duas fases de metabolização, a rápida metabolização não permite esse processo e ele é diretamente eliminado, ou seja, perde-se o fármaco. ➢ EX: fenobarbital diminui a atividade analgésica do paracetamol. EXPLICAÇÃO ESQUEMÁTICA - Fármaco A é metabolizado pela CYP3A4 e é indutor da CYP2D6 - Ao chegar no fígado as CYP 3A4 vão começar a oxidar as moléculas do fármaco A - O fármaco A induz a transcrição gênica da CYP2D6, por isso há aumento na quantidade de enzimas - Fármaco B é metabolizado pela CYP2D6 - Devido ao aumento enzimático da CYP2D6 esse fármaco será metabolizado rapidamente - OBS: se o segundo fármaco não for metabolizado pela enzima induzida, também não há interferência na metabolização. ! • INIBIÇÃO ENZIMÁTICA: diminui a quantidade de enzimas degradadoras, diminuindo a velocidade de metabolização e aumenta o efeito farmacológico. ➢ O fármaco que é metabolizado exclusivamente por uma única enzima tem maior chance de sofrer uma interação farmacológica. ➢Enquanto que um fármaco que possui várias enzimas metabolizadoras, mesmo com uma sendo inibida tem as outras que continuam metabolizando normalmente. ➢ Fármaco inibe uma enzima, se for administrado um outro fármaco que é metabolizado exclusivamente por essa enzima, ele será menos metabolizado. ➢ Como o segundo fármaco terá sua metabolização reduzida ele irá permanecer lipossolúvel, por isso retorna à circulação para passar novamente no fígado, ➢Esse segundo fármaco não será metabolizado novamente, ou seja, fica “aprisionado” na relação circulação ↔ Michelle MEDTXIV de 28 61 1ºBIMESTRE 2º ano Farmacologia tecido podendo levar a toxicidade (aumento dos efeitos biológicos) ➢ Toxicidade: um fármaco com sua enzima degradadora funcionando demoraria 4h para ser eliminado, em 4h uma nova dose do medicamento seria tomada. - Se a enzima estiver inibida o fármaco de 4h atrás ainda não terá sido metabolizado, com as novas doses ocorrerá um excesso de fármaco na circulação/tecidos. ➢ As enzimas podemsofrer saturação: se ainda houver fármaco e não tiver mais enzima, o fármaco deixa de ser metabolizado e volta a ser reabsorvido. Por isso não se deve tomar uma dose maior, pois o “excesso” não será metabolizado, o que pode gerar um efeito tóxico. Michelle MEDTXIV de 29 61 1ºBIMESTRE 2º ano Farmacologia Michelle MEDTXIV de 30 61 1ºBIMESTRE 2º ano Farmacologia • JANELA TERAPÊUTICA: pode ser conceituada como uma faixa de concentração de medicamento no organismo capaz de produzir efeitos terapêuticos adequados sem causar efeitos tóxicos ➢ A janela terapêutica tem por objetivo fornecer parâmetros de concentração segura de determinado medicamento, orientando a dosagens a ser indicadas para o paciente para um benefício terapêutico com efeitos adversos mínimos. ➢ Cada fármaco terá uma janela terapêutica específica de acordo com a sua taxa de absorção, metabolização e excreção. ➢ Abaixo da faixa de efeito terapêutico, temos efeitos subterapêuticos , em contrapartida, acima da faixa de reação adversa, temos efeitos tóxicos potencialmente nocivos. AULA 5 E 6 F"macodinâmica I e II INTRODUÇÃO: • O fármaco que foi direcionado para o tecido, a parte responsável pelos efeitos farmacológicos. • Estuda os efeitos bioquímicos e fisiológicos dos fármacos que caracterizam a resposta ao fármaco. • As células possuem receptores, o fármaco ao se ligar no receptor sinaliza para a célula por meio de uma sinalização intracelular e essa sinalização é responsável pelo efeito terapêutico. • Normalmente para ocorrer um efeito PRECISA de um receptor. ➢ EX: na junção neuromuscular há um receptor nicotínico (acetilcolina) que é responsável pela contração, existem fármacos que estimulam a contração e outros que atuam como relaxante muscular. ! • Uma célula só funciona, porque há neurotransmissores sendo produzidos e liberados constantemente (acetilcolina, noradrenalina, dopamina, serotonina, GABA, glicina), os quais estão sendo produzidos como ligantes endógenos e reconhecidos pelo sítio de ligação de uma célula do corpo. • O fármaco é idêntico a essas moléculas, por isso o receptor reconhece a molécula como endógena, promovendo a transdução do sinal • O alvo do fármaco é um receptor, ou seja, uma molécula sinalizadora, já que o fármaco requer afinidade com seu receptor Michelle MEDTXIV de 31 61 1ºBIMESTRE 2º ano Farmacologia e, consequentemente, com seu alvo. Esses alvos podem ser: ➢ Proteínas ➢Proteína G ➢Receptores transmembrana – estarão na membrana ➢Receptores intracelulares – estarão dentro da célula ➢Canais iônicos ➢Enzimas ➢DNA • Se o fármaco tiver AFINIDADE, ele consegue se ligar ao receptor e ativá-lo, para gerar uma resposta intracelular, ou inibi-lo. Esse processo é chamado de mecanismo de ação dos fármacos. ➢ O fármaco reconhece o receptor. ➢O fármaco se liga ao receptor e o ativa. ➢Uma sinalização é gerada dentro da célula. ➢Essa sinalização é a responsável por provocar um efeito terapêutico ➢ essa sinalização pode ser a entrada ou saída de íons, como Sódio (Na+), Cálcio (Ca 2+), Potássio (K+) ou ativação/inibição de AMP cíclico, por exemplo, sendo que tudo vai depender da classe farmacológica. • CONCEITOS: ➢ Mecanismo de ação: modo pelo qual os fármacos produzem, nos seus sítios de ação, alterações que resultam nos seus efeitos terapêuticos e/ou tóxicos ➢Receptores fisiológicos : moléculas alvo com as quais a droga se combina para produzir seu efeito específico - Muitos fármacos atuam nesses receptores fisiológicos e são, particularmente, seletivos porque esses receptores evoluíram de forma a reconhecer e responder com grande seletividade às moléculas sinalizadoras específicas. ➢ Órgão efetor: segmento do organismo no qual se veri icam os efeitos farmacológicos • Na dupla camada lipídica da membrana celular existem proteínas integrais, proteínas superficiais, então, são elas que servem para reconhecer o fármaco e acabam sendo ativadas pelo próprio fármaco • A indústria produz fármacos quase idênticos a moléculas endógenas. ➢ EX: fármacos colinérgicos (colinérgico = acetilcolina) terão praticamente a mesma ação que a acetilcolina realiza no organismo. INTERAÇÃO FÁRMACO RECEPTOR: • Há um ligante ou uma molécula sinalizadora e, quando se fala nisso, é importante pensar na própria substância endógena do nosso próprio organismo, como os neurotransmissores: ➢ Acetilcolina ➢Noradrenalina ➢Dopamina ➢Serotonina • Eles são constantemente produzidos, porque fisiologicamente, o organismo necessita desses ligantes endógenos. • Entretanto, para receber esses ligantes, são necessários receptores fisiológicos, os quais já estão disponíveis no organismo, pois ficam distribuídos pelo corpo • O fármaco, sendo uma molécula exógena, deve ser muito parecido com o que organismo já possui, para que possa haver o seu reconhecimento por parte do receptor. • Caso contrário, sem reconhecimento, não há ligação. • Por isso, os fármacos são oriundos a partir do que já existe no organismo, para haver o reconhecimento • A MOLÉCULA SINALIZADORA tem a capacidade/afinidade de chegar perto do receptor e o reconhecer como uma molécula e se ligar nesse receptor. Quando essa ligação ocorre, o fármaco ATIVA ou NÃO ATIVA esse receptor. • Quando o fármaco ATIVA o receptor, ele desencadeia uma sinalização intracelular (para dentro da célula), porque esse receptor é transmembrana (está na membrana). Michelle MEDTXIV de 32 61 1ºBIMESTRE 2º ano Farmacologia ➢ Será um fármaco agonista; ➢ EX: acetilcolina - um AGONISTA ENDÓGENO, porque é produzida pelo neurônio colinérgico ⟹ é liberada após o estímulo ⟹ quando é liberada e se liga a uma víscera, causa um efeito fisiológico: ↓ frequência cardíaca; ↓ força de contração muscular; faz constrição de pupila • Essa transdução de sinal ocorrerá a partir de segundos mensageiros (AMP cíclico, pka, pkc, fosfolipases, adelinilciclase, por exemplo). • Quando ativados, eles fosforilam ou desfosforilam canais iônicos, o que gera uma resposta dentro da célula. ! • A partir da transdução do sinal, uma resposta intracelular é gerada, culminando no efeito terapêutico esperado. • Entretanto, a célula não terá apenas a resposta celular com seu efeito terapêutico, também terá EFEITOS COLATERAIS. ➢ Os efeitos colaterais acontecem porque, muitas vezes, o fármaco não possui ESPECIFICIDADE, agindo em TODOS os receptores e, como não tem nenhuma SELETIVIDADE, qualquer molécula que ele reconhecer como “ligante”, ele simplesmente se aproximará e se ligará na mesma. ➢EX: Um fármaco utilizado para gerar um efeito terapêutico no coração, pode gerar efeitos no pulmão e nos rins também, pois ele irá reconhecer todos os receptores β existentes no corpo. Isso ocorre porque o fármaco não possui especificidade nem seletividade. • Quando o fármaco INATIVA o receptor, NÃO GERA RESPOSTA na célula, é chamado de ANTAGONISTA. ➢ São fármacos que possuem a inidade pelo receptor, logo, esse receptor consegue reconhecer essa molécula, entretanto, ele NÃO ATIVA o receptor. ! • Caso o ANTAGONISTA esteja ligado ao receptor na membrana, o AGONISTA “vai bater e voltar”, pois não conseguirá se ligar ao receptor. Então, muitas vezes o ANTAGONISTA fará papel de oposição ao AGONISTA em termos de efeito terapêutico. ➢ EX: em um vaso sanguíneo do organismo, a NORADRENALINA (AGONISTA endógeno) se liga a um receptor ⍶1 presente no vaso e promove a vasoconstrição ⟹ resposta de um agonista. Porém, o indivíduo ingere um ANTAGONISTA adrenérgico, o qual bloqueia o receptor ⍶1 no vaso, então a NORADRENALINA chega e não consegue se ligar ⟹ a resposta gerada é a vasodilatação ! • Os receptores no organismo podem estar em duas conformações: FORMA ATIVA ou FORMA INATIVA. ➢ EXEMPLO: um receptor ligado à ProteínaG (receptor metabotrópico). Michelle MEDTXIV de 33 61 1ºBIMESTRE OBSERVAÇÃO - Os segundos mensageiros irão atuar na geração de uma resposta intracelular, a partir dos canais iônios, entretanto, eles podem atuar no núcleo da célula, interferindo na sua transcrição gênica. - Atuam aumentando/diminuindo a síntese proteica. Lembrando: tudo isso depende OBSERVAÇÃO - A maioria dos fármacos para a pressão arterial hoje são ANTAGONISTAS ADRENÉRGICOS (fazem vasoconstrição no vaso, efeito contrário ao da NA) 2º ano Farmacologia - Quando a Proteína G não possui nenhum ligante, está na FORMA INATIVA. - Quando a Proteína G possuir um ligante, se encontrará na FORMA ATIVA. - Então, existem os receptores constitutivamente ativos e aqueles que precisam de um ligante para serem ativados, pois encontram-se na forma inativa. • Os fármacos, incrivelmente, podem ter a inidade tanto por receptores na FORMA ATIVA, quanto por receptores na FORMA INTIVA. ➢ AGONISTAS PLENOS OU TOTAIS: fármacos possuem a inidade por receptores que se encontram na FORMA ATIVA, os quais já estão prontos para receber o ligante e sinalizar para a célula ➢ AGONISTA PARCIAL/ ANTAGONISTAS- AGONISTAS: o fármaco possui uma a inidade por receptores que se encontram na FORMA ATIVA maior do que por receptores que se encontram na FORMA INATIVA, mas ele reconhece a conformação inativa também mesmo se ligando-se mais à forma ativa - o AGONISTA PARCIAL só tem afinidade pelo receptor na forma inativa, mas não gera uma resposta intrínseca sobre ele. - Isso modula a resposta dos receptores ativos, pois o fato de o fármaco se ligar aos receptores inativos, faz com que sobre menos dele para se ligar aos receptores ativos e assim, gerar uma resposta efetiva. ➢ AGONISTA INVERSO: fármaco possui uma a inidade muito maior por receptores que se encontram na FORMA INATIVA; - O fato de ter a inidade pela conformação inativa do receptor faz com que ele provoque um efeito Michelle MEDTXIV de 34 61 1ºBIMESTRE 2º ano Farmacologia contrário ao efeito provocado pela resposta de um AGONISTA PLENO; - Farmacologicamente, em termo de resposta isiológica, o agonista inverso no corpo atua como antagonista - o AGONISTA INVERSO ativa os receptores que estão na conformação inativa - EX: Um agonista se liga ao receptor na conformidade ativa e potencializa a abertura de canais de cloreto (Cl-) na membrana e aumenta o influxo de íons cloreto, o que provoca a hiperpolarização da célula. Um agonista inverso se liga muito mais na conformação inativa do receptor, deixando o receptor inativo, então os íons cloreto não entram na célula. Ao invés de hiperpolarizar a célula, essa resposta a despolariza. Sódio (Na+) e Cálcio (Ca2+) despolarizam a célula Potássio (K+) e Cloreto (Cl-) hiperpolarizam a célula ➢ ANTAGONISTA: Quando o fármaco não gera nada na célula, apenas bloqueia ligações e sinalizações; A a inidade que possui tanto pela conformação ATIVA, quanto pela conformação INATIVA, é idêntica, ou seja, reconhece igualmente os dois tipos de receptores. - Como ele realiza ligação com as duas conformidades, ele acaba gerando um efeito nulo na célula (não potencializa, nem inibe). - Então, ele não gera nenhuma resposta na célula, apenas ica “grudado” na membrana, mas por ele possuir efeito inibitório, ele não permite que um efeito fisiológico ocorra na célula. ESPECIFICIDADE DO FÁRMACO: • Essa ligação fármaco-receptor através do modelo chave-fechadura, é um complexo às vezes ativo e às vezes não gera resposta na célula. • Para ter efeito, o fármaco deve ter ATIVIDADE INTRÍNSECA dentro da célula, gerar uma sinalização dentro da célula. Michelle MEDTXIV de 35 61 1ºBIMESTRE 2º ano Farmacologia • Quem possui atividade intrínseca dentro da célula são os AGONISTAS, tanto totais, quanto parciais. • A afinidade depende da estrutura química do fármaco e das ligações entre ele. • Então, afinidade o agonista e o antagonista têm. • Entretanto, quando se fala em atividade intrínseca, apenas o agonista possui, pois ativa o receptor, ativa AMP cíclico, ativa proteína quinase, ativa a fosforilação de um canal iônico, que são exemplos de sinalização intracelular. • Levando em conta a especificidade das interações fármaco-receptor, os fármacos são classificados de duas maneiras: ➢ FARMACOS DE AÇÃO INESPECÍFICA: atuam através de reações químicas (ligação, relação ou associação química) e não precisam atuar por receptores. - Sua interação não é devido a uma interação com uma macromolécula especíFica (receptor), mas sim uma interação inespecíFica entre a molécula do fármaco e os tecidos vivos - NÃO possui sítio de ligação (receptor) - Agem em↑[ ] - Reações químicas com moléculas ou íons do organismo - O organismo necessita de doses muito maiores quando comparadas as doses su icientes de um fármaco de ação especíFica. ➢ FARMACOS DE AÇÃO ESPECÍFICA: fármacos que, para atuarem, precisam de receptores especí icos. Seu efeito é devido a sua ligação com um receptor especí ico. Por isso, o organismo necessita de doses muito mais baixas; atuam em receptores específicos: - Enzimas - Proteínas - Ácidos Nucleicos - ReceptoresFarmacológicos ➢ EX: no caso de azia, queimação no estômago, o indivíduo toma um ENO dissolvido na água, o qual tem a função de neutralizar essa acidez presente no estômago (ingere uma base ⟹ para neutralizar um ácido). - O fármaco de ação inespecí ica é o fármaco que atua através de uma reação química e não através de receptores (ÁCIDO + BASE = SAL + ÁGUA). - Entretanto, por outro lado, mas também seguindo o exemplo de neutralizar a acidez do estômago, existem os fármacos que atuam por receptores, ou seja, precisam de receptores na mucosa parietal do estômago, e são exemplificados por um fármaco muito comum e largamente utilizado hoje em dia que é o OMEPRAZOL. ASPECTOS QUANTITATIVOS DAS INTERPRETAÇÕES DOS FARMACOS COM SEUS RECEPTORES: • À medida que a concentração do fármaco aumenta, a intensidade do efeito farmacológico também aumenta, ou seja, conforme o fármaco aumenta sua concentração no corpo, sua resposta aumenta • A partir de uma curva é possível avaliar a resposta efetiva do fármaco. • É avaliado o EC50 = concentração e icaz para produzir uma resposta de 50% ou a concentração e icaz para produzir 50% da reposta que ele tem no tecido ! ➢ Esse fármaco do grá ico possui uma resposta de 100% em uma certa dose e é um agonista total porque ele possui uma resposta de 100% no tecido. Michelle MEDTXIV de 36 61 1ºBIMESTRE 2º ano Farmacologia • O EC50 é um termo usado para estabelecer dois conceitos dentro dos fármacos, que seria a potencia e eficácia • Aqueles fármacos que são agonistas totais possuem uma eficácia ou uma resposta nessa célula de 100% mesmo não ocupando todos os receptores. • Agonistas parciais são aqueles que possuem uma atividade menor por causa da a inidade com o receptor. • A potência é avaliada a dose. A e icácia avalia o efeito terapêutico ou a atividade intrínseca do fármaco • POTENCIA: esta relacionada à quantidade de fármaco necessária para produzir um efeito de uma dada intensidade. Deve nos remeter à dose do medicamento (quantidade necessária para fazer efeito no organismo). ➢ A potencia é determinada através da comparação do EC50 de cada fármaco. ➢Quanto menor o EC50 maior a potencia do fármaco. • EFICÁCIA: É a capacidade do fármaco de produzir um efeito quando ligado ao receptor; quanto maior é a resposta no tecido maior é a eficácia ➢ Os agonistas possuem e icácia positiva, então eles se ligam muito mais na conformação ativa. ➢Os antagonistas tem e iciência nula – antagonista se liga nas duas proporções anulando a sua resposta. ➢Não há ativação nenhuma dos receptores, mas causa efeito terapêutico.! - Fármaco A é agonista total - Fármacos B e C são agonistas parciais, independente se a resposta de B e 50 e de C é 25. - No entanto, os dois são efetivos, os dois tem potencia. EXEMPLO DO GRAFICO: - Os dois fármacos são agonistas totais pois alcançam 100% da resposta - Fármaco X precisa de 1mg, hipoteticamente, para causar 50% de sua resposta que é 100% - Fármaco Y tem concentração de 2mg para causar 50% da resposta que também é 100% - O fármaco X é mais potente que o fármaco Y, pois 1mg do fármaco X causa o mesmo efeito que 2mg do fármaco Y - Quanto menor a dose, mais potente é o fármaco Michelle MEDTXIV de 37 61 1ºBIMESTRE 2º ano Farmacologia - Então, esses fármacos não conseguem produzir uma resposta máxima, mesmo ocupando todos os receptores. - Fármaco A precisa de 1mg para produzir 50% da resposta maxima, fármaco B precisa de 2mg, fármaco C precisa de 3mg. - Fármaco A e B tem a mesma eficácia, porem o fármaco A é mais potente que B e C - Fármaco C é menos eficaz e menos potente quando comparado com A e B. - Fármacos A e B são agonistas totais e fármaco C é agonista parcial. CASO CLINICO 2: A figura abaixo ilustra as curvas de dose x resposta de 3 fármacos hipotéticos (A, B e C) que aumentam a frequência cardíaca. Considere que a resposta máxima neste caso é de 80 batimentos por minuto. Após analisar as curvas, ASSINALE a alternativa CORRETA (a)Apenas o fármaco A é um agonista pleno, pois ele leva a uma resposta máxima quando todos os receptores estão ocupados, além de necessitar de uma dose menor para alcançar o efeito máximo quando comparado com os fármacos B e C. (b) Os fármacos A e B são agonistas plenos, no entanto, o fármaco A é mais potente que o fármaco B. Já o fármaco C seria um agonista parcial, que apresenta menor potência que a dos fármacos A e B. (c)Os fármacos A, B e C são agonistas plenos, no entanto, o fármaco A é mais potente que os fármacos B e C, pois necessita de uma dose menor para alcançar o efeito máximo (80 batimentos por minuto). Michelle MEDTXIV de 38 61 1ºBIMESTRE 2º ano Farmacologia (d)Os fármacos A e B são agonistas plenos, no entanto, o fármaco A é mais potente que o fármaco B. Já o fármaco C seria um agonista parcial, que apresenta a mesma potência que o fármaco B. INDICE TERAPÊUTICO: • Todo fármaco produz respostas terapêuticas e reacões adversas. Uma forma aproximada de estabelecer sua segurança relativa é comparar a DL50 com a DE50. ➢ DL50: dose letal 50 ➢DE50: dose efetiva 50 ➢ o índice terapêutico é calculado a partir da razão entre a dose letal da droga para 50% da população (DL50), pela dose mínima efetiva em 50% da população (DE50) ➢ Quanto maior for a diferença entre a dose terapêutica média e a que pode intoxicar, maiores serão os índices e a segurança do medicamento. INTERAÇÃO ENTRE FÁRMACOS - SINERGISMO E ANTAGONISMO: • SINERGISMO: Quando 2 ou mais fármacos, que geram um mesmo efeito farmacológico, são utilizados simultaneamente, obtendo-se o efeito esperado com menores concentrações de cada fármaco. ! ➢ Quando é usado dois fármacos para o mesmo mecanismo de ação, mas ao invés de usar ambos em doses elevadas, nós usamos menores doses de um para potencializar o outro, é chamado de sinergismo ➢ Aumenta a variedade de fármaco para não aumentar a dose e não causar dependência ou dessensibilizar receptor. ➢ Sinergismo busca sempre aumentar o efeito na célula. Então, os dois fármacos tem que possuir o mesmo efeito. Possui vários tipos de sinergismo: a) Sinergismo por adição: - Adiciono outro fármaco com o mesmo mecanismo de ação buscando uma mesma resposta, mas com doses subefetivas. - Com isso, busco não causar toxicidade e diminuir efeitos colaterais. b) Somação: - Adiciono outro fármaco com o mecanismo de ação diferente buscando uma mesma resposta, mas com doses subefetivas c) Potenciação: - Efeito final é maior que a soma dos efeitos, geralmente por mecanismos diferentes. - É uma resposta não esperada. Pode gerar efeitos tóxicos - EX: inibidor da Mao. O paciente deprimido não libera noradrenalina. Michelle MEDTXIV de 39 61 1ºBIMESTRE 2º ano Farmacologia A enzima MAO (monoamina oxidase) degrada noradrenalina, então o fármaco inibidor da MAO faz com que tenha maior liberação de noradrenalina. No entanto, o paciente pode ter uma interação alimentar, por exemplo, alimentos que contem alta quantidade de tiramina quando entra no neurônio passa a ser substrato para noradrenalina. Assim, ha um excesso de noradrenalina. Portanto, há vasoconstrição e aumento da frequência cardíaca, potencializando o efeito sem ter a intenção. ANTAGONISMO: • CARACTERISTICAS GERAIS: ➢Apresentam afinidade pelo receptor ➢ Não tem atividade intrínsica ➢Não ativam o receptor → não geram resposta ➢ Impedem o agonista de se ligar ao receptor • ANTAGONISMO FISIOLÓGICO: oriundo de nossas catecolaminas endógenas (adrenalina e acetilcolina). ➢ Acetilcolina diminui frequência cardíaca e adrenalina aumenta freqüência cardíaca. - Um fármaco agonista colinérgico, diminui a contração do músculo através de M1, anulando o efeito da adrenalina. ➢ A histamina é um inibidor enzimático da inflamação, quando ha muita histamina, tem broncoconstrição e vasodilatação. - Noradrenalina faz o oposto, ela se opõem ao efeito. - Por isso, a pessoa quando esta em choque anafilático por picada de abelha é tratada com adrenalina. • ANTAGONISMO FARMACOLÓGICO: competitivo e não-competitivo. Bloqueio ocorre no receptor do tecido (ex: anti- histamínico bloqueando o efeito da histamina) • ANTAGONISMO QUÍMICO: fármacos de ação inespecí icos que atuam com reações químicas; ➢ Duas substancias que se opõe na atividade e uma anula a outra por reação química, não por receptor. ➢EX: antiácido -> acido + base = sal + água, neutraliza a acidez do estomago. ➢Agentes quelantes: produz uma menor toxicidade na célula, pois a reação química ocorre antes de serem absorvidos • ANTAGONISTA FARMACOCINÉTICO: antagonista reduz a concentração da substancia ativa em seu local de ação ➢ EX: um antiinflamatório levemente acido é melhor absorvido no meio acido; quando tomamos um antiácido, o estomago ica mais básico e retarda a absorção do fármaco ➢EX 2: o fármaco caminha no nosso corpo pela albumina. O fármaco que se liga muito na albumina compete pelo receptor. ➢EX 3: competição de dois fármacos na metabolização, quando aumenta a atividade da enzima durante a metabolização ANTAGONISMO POR BLOQUEIO DE RECEPTORES: • ANTAGONISTA COMPETITIVO: ➢ Fármaco chega em um receptor que já tem um agonista. ➢Em alta concentração, esse antagonista pode deslocar o agonista do seu receptor, causando assim uma queda na e icácia. ➢Para “combater” o antagonista, aumenta-se a dose do agonista, assim o antagonista não consegue retirá-lo. ➢ No caso de antagonismo competitivo, eu aumento a dose do agonista que eu terei uma resposta 100% mesmo na presença do antagonista. ! Michelle MEDTXIV de 40 61 1ºBIMESTRE 2º ano Farmacologia ➢ ↓ POTÊNCIA ➢Não altera EFICÁCIA ➢Superável • ANTAGONISTA NÃO COMPETITIVO ( IRREVERSIVEL): ➢ O antagonista não interfere com a fixação do agonista em seus receptores, mas modifica a relação entre o estímulo e o efeito observado ➢Nesse tipo de antagonismo não é necessário que exista semelhança de estrutura química entre o agonista e o antagonista uma vez que ambos não têm afinidade pelos mesmos receptores, eles atuam em receptores diferentes ➢ Não compete pelo mesmo receptor ➢ Podem ligar-se ao sítio ativo ou a um sítio alostérico de um receptor ➢ O antagonista não-competitivo que se liga ao sítio ativo de um receptor pode fazê-lo de modo covalente ou com afinidade muito alta; em ambos os casos, a ligação é efetivamenteirreversível. ➢ Como um antagonista irreversivelmente ligado ao sítio ativo não pode ser superado, mesmo com altas concentrações do agonista, esse antagonista exibe antagonismo não- competitivo • ANTAGONISTA NÃO COMPETITIVO ALOSTÉRICO: ➢ Atua ao impedir a ativação do receptor, mesmo quando o agonista está ligado ao sítio ativo. ➢O antagonista alostérico exibe antagonismo não-competitivo, independentemente da reversibilidade de sua ligação, visto que esse tipo de antagonista não atua ao competir com o agonista pela sua ligação ao sítio ativo, mas ao impedir a ativação do receptor ➢ Não compete com o agonista, mas o agonista ica em um sitio ativo e o outro fármaco se liga ao sitio alosterico, mas no mesmo receptor, então tem a mudança desse receptor ➢ Esse fármaco produz seu efeito ligando- se a um local do receptor que é diferente daquele usado pelo agonista, esse fármaco altera a a inidade do receptor pelo agonista ➢Afinidade do receptor pelo agonista é reduzida pelo antagonista (grá ico C) ➢Alguns efeitos alostéricos podem potencializar os efeitos dos agonistas (grá ico D) ! ➢ EX: um canal iônico com 5 unidades, 2 alfa, 2 beta e 1 gama. - O GABA se liga a esse canal, nas subunidade beta e alfa, abrindo o canal e ocorrendo o in luxo de íons cloreto. - Isso hiperpolariza o neurônio e inibe a excitabilidade neuronal. - Os benzodiazepínicos, como o rivotril, são antagonistas não competitivos alostericos, pois eles se ligam a outra subunidade que não a do GABA e potencializa o efeito do GABA. - Esse canal que ficava 2 milissegundo aberto, agora passa a ficar 3 milissegundos. Michelle MEDTXIV de 41 61 1ºBIMESTRE 2º ano Farmacologia - Assim tem muito mais íons cloreto dentro da célula e hiperpolariza muito mais a célula e por isso a pessoa dorme. Potencializar o efeito. ! • REGULAÇÃO DE RECEPTORES: receptores apresentam mecanismos homeostáticos de autorregulação ➢ Exposição continua ao agonista causa redução gradual do numero de receptores, ou seja, a estimulação crônica por agonista tende a diminuir o número de receptores, pois haverá muitos receptores ativados. ➢A inibição crônica por antagonistas tende a aumentar o numero de receptores, pois o antagonista tende a inibir o receptor ➢ Acontece na maioria das vezes em fármacos do sistema nervoso central- ocorre a dessensibilização dos receptores. ➢ Se tem muito agonista, o corpo dessensibiliza o receptor – começa a tirar o receptor da membrana para não ter efeito isiológico. ➢Ele entende que tem muito para pouca função. Tolerância é causada por esse efeito, aumenta a dose, mas mesmo assim não produz efeito ➢ ➢ Fármaco antagonista bloqueia receptor e o corpo entende que todos os receptores estão sem função, mas não porque não tem agonista e sim porque o fármaco antagonista esta inibindo o receptor. O agonista não consegue chegar na célula. ➢ Antagonista sensibiliza a membrana dos tecidos. ➢As vezes acontece que quando o antagonista é retirado bruscamente, a membrana ica com muito mais receptor para o agonista e começa aparecer efeitos colaterais. ➢Por isso, não deve-se tirar o fármaco de uma hora pra outra, tem que tirar gradualmente Michelle MEDTXIV de 42 61 1ºBIMESTRE 2º ano Farmacologia ! ➢ A estimulação crônica por agonistas tende a diminuir o número de receptores ➢A inibição crônica por antagonistas tende a aumentar o número de receptores RECEPTORES: • Grande parte dos fármacos vão ter ação nos alvos de ligação num canal ionico, molecular transportadoras ou enzimas transmembrans ou, na maioria das vezes, ação em receptores. • Também existem classe farmacêuticas que vão agir diretamente nos microrganismos, como exemplo um vírus ou uma bactéria. • Os receptores se caracterizam por "estruturas moleculares que tem no organismo afinidade de interagir com substâncias endógenas com função fisiológica, e que podem reagir com substâncias exógenas (fármacos), com características químicas e estruturais comparáveis às substâncias que ocorrem naturalmente no organismo. • TIPOS DE RECEPTORES: ➢ Canais iônicos regulados por ligantes (ionotrópicos) (A) ➢ Receptores acoplados a proteína G (metabotrópicos) (B) ➢Receptores ligados a quinase (C) ➢Receptores intracelulares (D) ➢ Enzimas extracelular ➢Receptores de adesão • CANAIS IONICOS REGULADOS POR LIGANTES: ➢ Várias subunidades (alfa, beta e gama) que formam um canal iônico permitindo o fluxo de íons entre o LEC e o LIC ➢ Essa passagem só vai acontecer mediante a ativação do ligante, porque senão o canal via estar fechado. ➢ São seletivos para os íons que passam por eles ➢Podem ser regulados de 3 maneiras ➢diferentes: 1. Regulado por ligante 2. Regulado por voltagem – canais de Na+ voltagem dependente 3. Regulado por segundos mensageiros ➢ Conformações: aberto, fechado e inativo ! FECHADO/ ABERTO / INATIVO ➢ Quando acontece a ligação do F (fármaco) ao R (receptor), o canal vai ser acionado e ocorre a passagem de íons, alterando o potencial elétrico da membrana. Michelle MEDTXIV de 43 61 1ºBIMESTRE 2º ano Farmacologia ➢ Canais geralmente vão responder a: Acetilcolina, GABA, 5-HT (Serotonina). ➢Esses canais vão ser permeáveis a Ca+, Na+, K+, e Cl-. ➢ A figura abaixo mostra: o canal sendo aberto e Cálcio entrando e desencadeando uma resposta intracelular e gerando uma atividade dentro da célula. - Os benzodiazepínicos vão ter ação alostérica (potencialização) ao GABA (Inibidor). - No neurônio, esse fármaco vai se ligar a um canal Gabaérgico, sendo assim, ele vai se ligar a um sítio de ligação que é alostérico ao GABA (que vai potencializar a ação do GABA) e não competir com o GABA. - Quando ele potencializa a ação do GABA, o canal começa a ficar mais tempo aberto, resultando em um influxo maior de Cloreto causando uma hiperpolarização. - Essa hiperpolarização reduz a excitabilidade neuronal e deprime o sistema nervoso, por isso são hipnóticos sedativos • RECEPTOR ACOPLADO A PROTEINA G: ➢ IMAGEM: (a) Receptor transmembrana que cruza a membrana 7 vezes. Sempre vai possuir um domínio extracelular, para ligação de alguma molécula, e um domínio intracelular, que vai estar junto da proteína G inativada. Proteína G é um complexo que tem 3 sub unidades, alfa, beta e gama ligada ao GDP (b) Quando um Agonista se liga ao domínio extracelular ele ativa essa Proteína através da troca do GDP por um GTP. Depois disso, a subunidade Alfa, junto ao GTP, vai se dissociar do complexo e vai em busca de ativar um efetor para gerar sinalização intracelular (contração, relaxamento, abertura de canal,etc) (c) O agonista se dissocia do receptor e com a hidrólise do GTP, transformando- o em GDP, o complexo se reconstitui. Michelle MEDTXIV de 44 61 1ºBIMESTRE 2º ano Farmacologia ! ! ! ! ➢ Receptores adrenérgicos e colinérgicos muscarínicos • RECEPTORES LIGADOS A TIROSINA QUINASE ( receptores transmembrana com domínios citosólicos enzimáticos): ➢ No domínio extracelular vai existir um espaço para um ligante e no domínio intracelular vai haver uma enzima, Tirosina Quinase,no lugar do complexo Proteína G ➢ Quanto o receptor for ativo, vai haver a fosforilação da Tirosina que vão gerar uma cascata de sinalização intracelular. ➢Esse tipo de receptor está bastante relacionado com a insulina, pois ela modula sua expressão. IMAGEM A: - Vai representar uma proteína Gs porque a subunidade Alfa é denominada Alfa s na imagem. - A proteína Gs vai ativar um único efetor, o Adenilatociclase, e sempre vai haver a mesma via de resposta intracelular: - ATP é transformado em AMPc que em alta concentração vai ativar PKA, esse PKA vai fosforilar algo (canal, proteína) que vai geral uma resposta IMAGEM B: - Vai representar uma proteína Gq pois subunidadeAlfa é do tipo q. - O efetor agora vai ser a Fosfolipase C (PLC). - Essa PLC vai quebrar o Fosfolipídeo que está dentro da membrana em IP3 e em DAG. - Essas moléculas vão levar a um aumento de Cálcio intracelular, IP3 recruta cálcio do retículo endoplasmático e o DAG através da ativação da PKC. - Esse aumento leva a fosforilação de proteínas. Michelle MEDTXIV de 45 61 1ºBIMESTRE OBSERVAÇÃO ➢Gs - Ativa adenilcilcase, que produz AMPc ➢ Gi – Inibe adenilciclase, ↓ AMPc ➢Gq - Ativa enzima fofoslipase C, que cliva o fosfatidilinositol-4,5- difosfato (PIP2, produzindo DAG e PI-1,4,5- trifosfato (PIP3) que ↑Ca++ intracelular e favorece contração 2º ano Farmacologia ! • RECEPTOR INTRACELULAR: ➢ Esse tipo de receptor vai estar relacionado com a transcrição de genes. ➢ Exemplo são os receptores para esteróides e glicocorticóides. ➢Primeiro esses hormônios precisam permear a membrana (isso acontece porque são lipossolúveis) e se ligarem ao receptor intracelular. ➢Esse receptor entra no núcleo da célula e modula essa transcrição gênica. ➢ Por mexer com a transcrição, o tipo de fármaco que utiliza esse receptor pode causar sérios problemas colaterais ➢ Membrana torna-se uma barreira ➢ Substância pequenas e lipofílicas: difusão ➢ Substâncias grandes e hidrofílicas: difusão facilitada ! • RECEPTORES EXTRACELULARES: ➢ São proteínas ancoradas à membrana que ligam-se a ligantes na superfície externa da célula. ➢ Neste tipo de sinalização, o ligante não precisa atravessar a membrana plasmática. ➢Portanto, muitos tipos diferentes de moléculas (incluindo aquelas grandes, hidrofílicas ou "que são atraídas por água") podem agir como ligantes ➢ Medeiam diversos processos ➢EX: ECA (conversora da Angio I em Angio II, que ↑ PA) ➢ Antagonistas da ECA (captopril) são anti-hipertensivos • RECEPTORES DE ADESÃO DA SUPERFICIE CELULAR: ➢ Interação célula-célula fundamental para certas funções ➢Receptores de adesão são necessários para tal interação ➢Ex: migração de células imunes para local da inflamação ➢Alvo de fármacos: antagonizar receptores de adesão ➢ Em geral, os receptores de adesão celular dividem-se em cinco grupos: (1) a família das integrinas, que medeia a adesão célula-célula e célula-ECM; (2) a família das caderinas, responsável pela adesão entre células do mesmo tipo; (3) as selectinas, que medeiam a adesão heterotípica célula-célula; (4) a superfamília das imunoglobulinas, que medeia também a adesão célula-célula; Michelle MEDTXIV de 46 61 1ºBIMESTRE 2º ano Farmacologia (5) outros proteoglicanos transmembranares, como as moléculas de adesão CD44 e o sindecano, que medeiam a adesão célula-ECM OBS: ECM - pelo q pesquisei significa matriz extracelular Michelle MEDTXIV de 47 61 1ºBIMESTRE 2º ano Farmacologia AULA 7 F"macologia do SNA p"a$impático INTRODUÇÃO: ! • SISTEMA NERVOSO: no sistema nervoso periférico nós vamos ter o sistema nervoso somático, controle voluntário, e o sistema nervoso autônomo, controle involuntário das vísceras. • SISTEMA NERVOSO AUTONOMO: responsável por modular a homeostase do corpo. ➢ Vai ser dividido em Simpático e Parassimpático e um grande nome característico dessas duas partes do sistema nervoso autônomo é a Acetilcolina. ➢Além dessa grande importância, a Acetilcolina possui fármacos que fazem o mesmo papel, os Agonistas Colinérgicos • SISTEMA NERVOSO AUTONOMO PARASSIMPÁTICO: ➢ Vai agir no repouso e na digestão, e o principal neurotransmissor que vai agir é a Acetilcolina ➢ Inervação do parassimpático: - Além das glândulas Salivares, eles também inervam sudoríparas e lacrimais. - Eles também inervam o Intestino ➢ A Acetilcolina vai agir em todas essas partes do corpo, no entanto, quando você vai criar um fármaco sintético semelhante a acetilcolina (Agonista Colinérgico) você percebe que um único fármaco não vai agir em todos essas vias, cada fármaco vai ter ação específica a um tipo de receptor, entrar naqueles M1, M2 e M3 • VIA NERVOSA PARASSIMPÁTICA: ➢ São neurônios eferentes que partem do sistema nervoso e chegam na periferia carregando um comando ➢ Sempre vai ser modulado por uma fibra pré e pós glanglionar. ➢ Essa fibras vão partir do tronco(inerva vísceras superiores) e da região sacral (inerva vísceras inferiores), diferente do simpático que as fibras partem da medula ➢ As fibras pré glanglionares são colinérgicas, ou seja, liberam acetilcolina que vai agir nos receptores nicotínicos. ➢As fibras pós também são colinérgicas, no entanto, a diferença é que vão agir em receptores muscarínicos (vísceras), nicotínicos são vão estar presentes na junção neuromuscular. ! TRANSMISSÃO NEUROQUIMICA DA ACETILCOLINA: • SINTESE: são sintetizados pelos neurônicos e ficam armazenados em vesículas. ➢ Michelle MEDTXIV de 48 61 1ºBIMESTRE 2º ano Farmacologia ➢ Para produção é preciso de um substrato, esse substrato geralmente vem da alimentação, que é a colina ➢ A sua produção acontece através da transformação da colina mais a Acetil- CoA em acetilcolina pela Colina Acetiltransferase (CAT) • Mediante a um potencial de ação essa vesícula é exocitada, liberando o ACH na fenda sináptica. ➢ Esse neurotransmissor pode ser reutilizado pela célula pré através da recaptação ➢Ela também pode ser degrada por um enzima (Acetilcolinesterase), onde a colina é reutilizada ➢ Esse ACH tem o objetivo de ativar o neurônio pós sináptico (Muscarínico na víscera e Nicotínico na junção) • NEURONIOS COLINÉRGICOS: ➢ O fármaco vai ser Agonista Nicotínico, atuando na junção neuromuscular, ou ele vai ser Agonista Muscarínico, atuando nas vísceras. ➢ Ele também pode ser antagonista, vai bloquear esses receptores e não deixa a ACH agir. ➢O fármaco também pode agir na enzima Acetilcolinesterase, se ele está inibindo a degradação de ACH, significa que ele vai aumentar a quantidade de ACH na fenda. ! • RECEPTORES MUSCARÍNICOS: atualmente são reconhecidos de M1 até M5, mas só estudando até M3 porque nossos fármacos hoje não apresentam efeito terapêutico com esses receptores ➢ M1: SNC e células parietais gástricas (modulam a secreção de HCL no intestino, pode ser usado para tratar úlceras) ➢ M2: Cardíaco ➢M3: Glândulas e Musculatura Lisa ➢ Todos vão ser receptores metabotrópicos Michelle MEDTXIV de 49 61 1ºBIMESTRE 2º ano Farmacologia SINALIZAÇÃO DOS RECEPTORES MUSCARÍNICOS: ! • M2: Lado esquerdo da imagem, representa uma Proteína Gi (inibitória), onde a subunidade alfa é do tipo i. ➢ A ação no efetor vai ter efeito contrário da proteína Gs, onde ele vai inibir a Adenilatociclase. ➢Diminui AMPc e diminui PKA, levando a desfosforilação. ➢Essa desfosforilação da contração entre a actina e a miosina que resulta no relaxamento. (Bradicardia). • M1/M3: Lado direito da imagem, representa uma proteína Gq. ➢ Ela vai ter ação na Fosfolipase C, permitindo a quebra de um fosfolipídeo (PIP2) em DAG e IP3. ➢O IP3 atua diretamento no retículo sarcoplasmático liberando o Cálcio armazenado. ➢O DAG ativa o PKC que pode tanto agir no retículo sarcoplasmático, quanto fosforilar uma proteína, ambos mecanismos visão o aumento de Cálcio intracelular. ➢ O aumento de cálcio intracelular pode desencadear contração muscular, aumento de secreção, ativação de bomba ou canal, provocando efeitos fisiológicos. • Fármacos que são AGONISTAS DE ACETILCOLINA desencadeiam o mesmo mecanismo supracitado, por agirem da mesma forma que a ACh (aumentando cálcio intracelular). • Por sua vez, fármacos ANTAGONISTAS DA ACETILCOLINA impedem o mecanismo acima descrito por agirem de forma contrário da ACh (ocorrerá diminuição do cálcio intracelular). APLICAÇÃO CLINICA: • RECEPTORES M1: ➢ Quando Ach é liberada pelo neurônio pós sinápticoe alcança a víscera, como exemplo o estômago, esse neurotransmissor irá se ligar à receptores M1 presentes nas células parietais, desencadeando sinalização por Gq. ➢Ocorrerá ativação de Fosfolipase C e quebra de PIP2 em IP3 e DAG, aumentando cálcio intracelular por estimulo de reticulo endoplasmático e ativação de PKC. ➢ Perante o aumento de cálcio ocorre a ativação da bomba de H+, com liberação de H+ no lúmen e consequente abertura de canais de cloro, desencadeando o aumento da secreção de HCL pelas células gástricas, ou seja, ocorre estimulação da secreção de HCL. ➢ É por esse motivo que o sistema parassimpático atua em situação visando a homeostasia, visto que a liberação de acetilcolina, juntamente com a gastrina e histamina, ativará secreção de HCL, propiciando o processo digestório • Fármacos agonistas colinérgicos muscarínicos, se não apresentar seletividade, ou seja, agirem em M1, M2 e M3, pode desencadear secreção de HCL como efeito colateral. • Fármacos antagonistas colinérgicos muscarínicos, por sua vez, se forem específicos para M1, causarão diminuição da secreção de HCL, beneficiando quadros de úlcera gástrica, ou seja, sendo um fármaco antiulceroso, como a piperacina. • RECEPTORES M3: sua principal concentração está nas vísceras, principalmente nas glândulas e na musculatura lisa desses órgãos Michelle MEDTXIV de 50 61 1ºBIMESTRE 2º ano Farmacologia ➢ Quando a ACh se liga nos receptores M3 das vísceras, ocorre o mesmo processo de ativação de Gq e consequente ativação de Fosfolipase C, com quebra de PIP2 em IP3 e DAG, aumentando cálcio intracelular. ➢ Esse cálcio irá desencadear estimulação de glândulas com aumento da secreção e contração da musculatura lisa • OBS: SNA Parassimpático não atua no controle de pressão arterial por não haver muitos receptores muscarínicos em vasos sanguíneos, consequentemente, a ACh não exerce efeito fisiológico sobre o sistema de vasos e pressão arterial RECEPTORES COLINÉRGICOS MUSCARINICOS M2: • O órgão que apresenta maior quantidade de receptores M2 é o coração. • Apesar de apresentar-se em proporções menores em outras vísceras, sua maior proporção, e tecido no qual este receptor exerce um efeito fisiológico, continua sendo o músculo cardíaco. • O controle de frequência cardíaca e força de contração, portando, dá-se por M2. • M2 está ligado a uma proteína Gi – inibitória. • Dessa forma, mediante a ligação da ACh à esse receptor, ocorre a ativação da proteína G, com dissociação da subunidade alfa e consequente inibição da adenililciclase presente da membrana, por ser uma proteína G inibitória. • Com a inibição da adenililciclase, o ATP não é transformado em AMP cíclico, e este diminui também, levando a menor ativação da PKA (proteína quinase dependente de AMPc), e ocorre desfosforilação/bloqueio de canais de cálcio e fosforilação de canais de potássio. Dessa forma, o potássio sai da célula e a célula fica hiperpolarizada. • Automaticamente, ocorre diminuição da frequência cardíaca no nó sinoatrial e diminuição da força de contração do músculo cardíaco, com redução dos batimentos cardíacos. RECEPTORES COLINÉRGICOS NICOTÍNICOS: • Receptores nicotínicos são receptores de canais, ativados por ligante – nesse caso a acetilcolina. • Receptor nicotínicos são encontrados na musculatura esquelética – especificamente na junção neuromuscular-, no sistema nervoso e nos gânglios. • A acetilcolina liberada por fibras pré ganglionares se ligam nos gânglios por receptores nicotínicos. • Os fármacos envolvidos com receptores nicotínicos têm sua importância clínica principalmente na junção neuromuscular, mas também apresentam ações no sistema nervoso central, principalmente sendo usados para estimular atividade de ACh no SN em casos de Alzheimer. • A acetilcolina se liga nos canais iônicos correspondentes aos receptores nicotínicos na junção neuromuscular ou no sistema nervoso, levando ao influxo de sódio e despolarização da célula. No SNC ocorre excitação neural e no musculo esquelético ocorre contração da musculatura. • POTENCIAL DE AÇÃO: ! • REPOUSO: Michelle MEDTXIV de 51 61 1ºBIMESTRE 2º ano Farmacologia ! • DESPOLARIZAÇÃO: ! • REPOLARIZAÇÃO: ! EFEITO FINAL DA ACH EM RECP. COLINÉRGICOS: • Olhos!contração do músculo ciliar - MIOSE, mediante M3. • Glândulas lacrimais e salivares!aumento da secreção, mediante M3. • Coração!diminuição de frequência cardíaca e força de contração, mediante M2. • TGI - musculatura lisa!contração e aumento de motilidade, mediante M3. • Bexiga – musculatura lisa!contração do músculo detrusor e relaxamento de esfíncter - MICÇÃO mediante M3. • Genitália!ereção, mediante M3 (Óxido nítrico proporciona vasodilatação com consequente ereção). CASO CLINICO 3: Se for administrado em um paciente um fármaco antagonista colinérgico que irá atuar sobre os receptores colinérgicos muscarínicos M1 e M3, os efeitos que serão observados no organismo do paciente serão: (a)Aumento da secreção de HCl e aumento da motilidade do TGI. (b)Aumento da secreção de HCl e diminuição da motilidade do TGI. (c)Diminuição da secreção de HCl e aumento de cólicas abdominais. (d)Diminuição da secreção de HCl e aumento da contração do músculo da bexiga. (e)Diminuição da secreção de HCl e diminuição de cólicas abdominais. Michelle MEDTXIV de 52 61 1ºBIMESTRE 2º ano Farmacologia Michelle MEDTXIV de 53 61 1ºBIMESTRE 2º ano Farmacologia AULA 8 Fármacos do SNA p"a$impático INTRODUÇÃO: ! • Fármacos colinérgicos podem ser de ação direta ou de ação indireta: ➢ Direta: são os que atuam sobre o receptor, se ligando a este. Serão agonistas ou antagonistas colinérgicos, mimetizando ou bloqueado a ação da acetilcolina no receptor ➢Indireta: afetam a liberação ou agem na destruição da acetilcolina endógena. ! • FARMACOS ANTICOLINESTERÁSICOS: fármacos que inibem a atividade dessa enzima, aumentando a disponibilidade de acetilcolina na fenda, sendo, portanto, agonistas colinérgicos de modo indireto. • DROGAS COLINÉRGICAS E ANTICOLINÉRGICAS: ➢ Agonistas colinérgicos = agonistas muscarínicos!parassimpáticomimético, ou seja, mimetiza ação da ACh (imitam a ACh) ➢Antagonistas colinérgicos = antagonistas muscarínicos!parassimpáticolítico, ou seja, bloqueia ação da ACh ➢ Agonistas indiretos = anticolinesterásicos, ou seja, inibem ação da anticolinesterase. AGONISTAS COLINÉRGICOS MUSCARÍNICOS DE AÇÃO DIRETA: • Mimetizam os efeitos da acetilcolina ligando-se diretamente nos receptores muscarínicos ➢ Os principais são: PILOCARPINA BETANECOL CARBACOL CEVIMELINA METACOLINA. ➢ São divididos em dois grupos: - Fármacos ésteres de colina e sintéticos: ACETILCOLINA METACOLINA CARBACOL BETANECOL CEVIMELINA - Fármacos alcaloides colinomiméticos naturais e sintéticos: MUSCARINA PILOCARPINA Michelle MEDTXIV de 54 61 1ºBIMESTRE RELEMBRANDO: - A acetilcolina é produzida a partir da colina, da AcetilCoA e da CAT (enzima) dentro dos neurônios. Após um estímulo/potencial, essa substância é liberada na fenda sináptica para se ligar a um receptor na célula pós- sináptica com o intuito de gerar um efeito fisiológico. Caso a ACh não se ligar a um receptor, ela pode ser recaptada ou degradada, sendo essa degradação de responsabilidade da acetilcolinesterase, enzima presente na membrana da fenda. A degradação da acetilcolina pela acetilcolinesterase forma colina (recaptada) e acetato (eliminado). 2º ano Farmacologia ➢ Acetilcolina sintética não apresenta efeito por ser degrada muito rapidamente!não é viável como fármaco ➢ Uso terapêutico: a) Tratamento de distúrbios da bexiga em casos de retenção urinária, visto que acetilcolina, por contrair músculo detrusor e relaxar esfíncter, facilita esvaziamento da bexiga. b)Tratamento de xerostomia, que decorre com casos de boca seca, visto que a acetilcolina aumenta secreção salivar. c) Diagnóstico de hiper-reatividade brônquica, por acetilcolina realizar broncoconstrição e ser indicativo de hiper- reatividade brônquica para asma, por exemplo. d) Tratamento de glaucoma, que decorre com aumento de pressão intraocular devido dilatação da pupila (midríase), visto que a acetilcolina provoca miose, contração pupilar. e) Melhora do quadro de Alzheimer, por agonistas que aumentem a disponibilidade de acetilcolina no SNC. ➢ Efeitos: a) Diminuição da frequência cardíaca e força de contração b) Aumento da motilidade peristáltica c) Estimulação de secreção de HCL d) Contração de musculo detrusor da bexiga e dilatação do esfíncter e) Contração do músculo ciliar e da pupila – miose, diminuindo pressão intraocular f) Broncoconstrição OBS: Fármacos não seletivos agem em todos esses órgãos gerando efeitos colaterais. ➢ Uso clinico: a) Glaucoma: - Fármacos utilizados para tratamento!PILOCARPINA E CARBACOL, por solução - São agonistas colinérgicos, portanto fazem contração do músculo ciliar, miose, e diminuem a pressão intraocular que está aumentada em pacientes com glaucoma devido à midríase (dilatação pupilar). b) Xerostomia: - Fármacos utilizados para tratamento!PILOCARPINA E CEVIMELINA - São agonistas colinérgicos, portanto aumentam a secreção salivar, aliviando os sintomas de xerostomia que incluem a boca seca. c) Retenção urinária: - Fármacos utilizados para tratamento!BETANECOL - São agonistas colinérgicos, portando colaboram para o esvaziamento da bexiga por contraírem músculo detrusor e relaxarem esfíncter. Utilizados muito em pós cirúrgico e pós-parto. d) Disturbios gastrointestinais - Fármacos utilizados para tratamento!BETANECOL - São fármacos colinérgicos, portanto aumentam a motilidade gástrica e intestinal e aumentam o peristaltismo. - Usados principalmente em pós- operatórios, casos de distensão abdominal, atonia gástrica (redução da motilidade gástrica) ou gastroparesia (retardo do esvaziamento gástrico). - A atonia gástrica leva à gastroparesia, podendo causar sintomas nauseantes. e) Diagnostico de hiper-reatividade bronquica - Fármacos utilizados para diagnóstico!METACOLINA - Pacientes que não tem asma aparente mas tem propensão a desenvolve-la mediante alérgico. - O fármaco é usado para verificar se ocorrerá broncoconstrição normal ou excessiva (indicativo de propensão à asma). ➢ Efeitos adversos: a) Estimulação de glândulas!sudorese b) Contrações da bexiga c) Salivação d) Lacrimejamento Michelle MEDTXIV de 55 61 1ºBIMESTRE 2º ano Farmacologia e) Cólicas abdominais e diarreia por aumentar motilidade de TGI OBS: Tratamento de cólica!antagonistas colinérgicos, como o Buscopan, por ter ação antiespasmódica. ➢ Contra-indicação a) Pacientes com asma ou DPOC, por já apresentarem broncoconstrição e hiper-reatividade brônquica. b) Pacientes com insuficiência cardíaca, por já apresentarem diminuição de débito cardíaco c) Pacientes com úlcera péptica, gastrite ou esofagite, visto que ACh estimula secreção de HCL, que piora o quadro ulceroso ➢ Intoxicação: - Os fármacos colinérgicos foram descobertos devido aos efeitos observados mediante a ingestão de cogumelos Amanita muscarina, que apresentam muscarina em sua composição. - Intoxicação por esses cogumelos leva à atividade colinérgica excessiva no organismo, portanto causa: a) Salivação b) Lacrimejamento c) Náuseas d) Vômito e) Distúrbios visuais f) Cólica abdominal g) Diarreia h) Broncoespasmo - A reversão do quadro de intoxicação por qualquer colinérgico se dá por antagonistas colinérgicos, que ocupam o lugar da acetilcolina no receptor, revertendo seus efeitos. - A principal substancia utilizada mediante reações tóxicas graves é o sulfato de atropina, um antagonista colinérgico administrado por via subcutânea ou endovenosa. ANTAGONISTAS COLINÉRGICOS MUSCARÍNICOS DIRETOS: • Bloqueiam o efeito da acetilcolina, realizando efeito contrário da acetilcolina nos receptores muscarínicos. ➢ Principais fármacos são: ATROPINA ESCOPOLAMINA (Hioscina) IPATRÓPIO TIOTRÓPIO PIRENZEPINA TELENZEPINA TROPICAMIDA CICLOPENTOLATO OXIBUTININA. ➢ Efeitos: a) Aumento de frequência cardíaca e de força de contração!pode levar à taquicardia b) Diminuição da motilidade peristáltica!retarda motilidade do TGI c) Relaxamento da musculatura lisa do útero e bexiga com contração do esfíncter!retarda esvaziamento da bexiga d) Relaxamento do músculo ciliar!midríase (dilatação da pupila) e) Broncodilatação f) Inibição de secreções gástricas, lacrimais e salivares. ➢Uso terapêutico: a) Tratamento de asma e DPOC, por antagonistas colinérgicos causarem broncodilatação, ao contrário do efeito colinérgico. - Apesar desse efeito, fármacos agonistas adrenérgicos são mais utilizados nesse tratamento por agirem em receptores beta 2 nos pulmões e causarem broncodilatação direta. - Pode haver associação entre fármacos agonistas adrenérgicos (BEROTEC) e antagonistas colinérgicos (ATROVENT) para o tratamento. Michelle MEDTXIV de 56 61 1ºBIMESTRE 2º ano Farmacologia b) Tratamento de enurese noturna, visto que antagonistas colinérgicos causarão relaxamento de musculatura lisa da bexiga e contração de esfíncter. c) Tratamento de úlcera ou doenças pépticas, pelo fato de os fármacos antagonistas colinérgicos diminuírem a secreção gástrica. d) Podem ser usados como adjuvantes de cirurgias e) Esses fármacos apresentam efeitos antiespasmódicos, diminuindo a motilidade da musculatura lisa uterina e do TGI, podendo ser usados para tratamento de cólica. f) Prevenção de sintomas extrapiramidais da doença de Parkinson principalmente g) Tratamento de intoxicação por organofosforados ou pesticidas. h) Prevenção cinetose ➢ Uso clinico: a) Sobre o coração: ATROPINA - Ação limitada b) Intoxicação por organofosforatos: ATROPINA - Os organofosforatos são substâncias anticolinesterásicos. - Agem de modo indireto sobre a ação da acetilcolina, atuando na enzima acetilcolinesterase, inibindo sua ação e inibindo assim a degradação da acetilcolina, aumentando a acetilcolina no corpo. - Com altas concentrações de acetilcolina no corpo, teremos uma síndrome colinérgica, gerando efeitos exacerbados da acetilcolina, necessitando assim de um ANTAGONISTA COLINÉRGICO c) Incontinencia urinaria: OXIBUTINA - Sendo nesse caso um antagonista muscarínico, irá relaxar a musculatura da bexiga e contrair o esfíncter. d) Uso oftalmico: TROPICAMINA, CICLOPNTOLATO & ATROPINA - Fazem a dilatação da pupila, na forma de colírio, para fazer exames. - Bloqueia o efeito da acetilcolina, causando a midríase. (dilatação da pupila) e) Tratamento de asma e DPOC: TIOTROPIO, IPRATROPIO, ATROVENT; em conjunto com BEROTEC - Na asma, há uma broncoconstrição pela inflamação das vias aéreas. Levando a uma dificuldade na passagem do ar. - Nesse caso, é necessário reverter os sintomas (a broncoconstrição) imediatamente e também administrar anti- inflamatórios. - Pode ser administrado um antagonista colinérgico ou um agonista adrenérgico direto, ambos terão ação broncodilatadora sobre as vias. - 1x por dia inalação- Tiotrópio (+) seletivo M3 - 4x/dia inalação- Ipratrópio f) Ação antiespasmótica: ESCOPOLAMINA (buscopan composto com paracetamol) - Utilizado para diminuir a motilidade, contração, uterina. - Tratamento na redução de cólicas menstruais, assim como antinauseante, atuando no centro do vômito, onde são encontrados receptores colinérgicos, modulando alí, essa ação. g) Prevenção de sintomas extrapiramidais: BENZOTROPINA h) Antiespasmotico e prevenção da cinetose: ESCOPOLAMINA i) Tratamentode doenças pepticas: PIRENZEPINA E TELENZEPINA Michelle MEDTXIV de 57 61 1ºBIMESTRE 2º ano Farmacologia - São supressores da secreção ácida, chamados de citoprotetores. - Acetilcolina estimula as células parietais da mucosa, pelo estímulo à secreção de histamina. - Diminuindo a ação da acetilcolina sobre essas células parietais, diminui- se a ação das bombas de HCl diminuindo a secreção de HCl. ➢ Efeitos adversos: a) Inibição das secreções: Xerostomia (diminuição da secreção salivar) - b) Taquicardia c) Midríase/Visão turva d) Constipação OBS: Tudo isso decorrente de uma diminuição da Acetilcolina no organismo. ➢ Contraindicações: a) Gravidez: Na gravidez tudo depende, por esses fármacos possuírem característica antiespasmótica, podem atrasar um parto, podendo até ser utilizado propositalmente em casos de prematuridade. b) Glaucoma: Por causar midríase e agravar o caso. c) Retenção urinária: Por contrair esfíncter há uma piora na retenção urinária. AGONISTAS COLINÉRGICOS NICOTÍNICOS (AÇÃO INDIRETA): • SUCCINLCOLINA ➢ Alta afinidade pelos receptores nicotínicos ➢Resistente às colinesterases (ação prolongada nafenda sináptica) ➢Bloqueio despolarizante ➢Induz despolarização contínua (entrada Na+, efluxo K+) - paralisia ➢ Canais de Na+ no estado inativo ➢dessensibilização dos receptores a novos agonistas ➢paralisia durante cirurgias AGONISTAS COLINÉRGICOS (AÇÃO INDIRETA): • Inibidores da acetilcolinesterase • Anticolinesterásicos; fármacos que atuam sobre a enzima, inibindo-a, ocasionando assim, um aumento de acetilcolina, por inibir a ação da enzima que degrada a acetilcolina. • Estão aumentando a quantidade de acetilcolina, por isso chamados de agonistas, porém de forma indireta • Potencializam a transmissão colinérgica inibindo a acetilcolinesterase (enzima que degrada a Ach) ORGANOFOSFORADOS FISOSTGMINA NEOTISGMINA EDROFONIO DONEPEZILA ➢ Uso terapêutico: a) Glaucoma; fisiostigmina, mediante receptor muscarínico. b) Atonia de bexiga; neostigmina, mediante receptor muscarínico. (Contrai o músculo detrusor e contrai esfíncter); ↑ motilidade do bexiga c) Miastenia gravis: neostigmina e piridostigmina. • ORGANOFOSFORADOS: ➢ Potencializa a atividade colinérgica em todo o organismo ➢Intoxicação aguda → miose, cefaleia, agitação, tremores, broncocontrição, aumento das secreções respiratórias, enfraquecimento das vias respiratórias, bradicardia, hipotensão, micção e defecação involuntários, diminuição dos reflexos e convulsão. A morte sobrevém em 5 – 24h. ➢Intoxicação crônica → cefaleia, fraqueza, irritabilidade, perda do apetite, bradicardia, hipotensão, arritmias e polineuropatia tardia (após cerca de 21 dias, é rara, e pode levar a paralisias, problema respiratório e morte). ➢Tratamento → anticolinérgicos (atropina), e regeneradores da AchE (pralidoxima). Michelle MEDTXIV de 58 61 1ºBIMESTRE 2º ano Farmacologia • EFEITO FARMACOLÓGICO DA NEOSTIGMINA E PIRODOSTIGMINA: ➢Em receptor muscarínico: - Tratamento de retenção urinaria, em pacientes com atonia de bexiga, onde ela é hipofuncional. Aumenta a motilidade do musculo detrusor e favorece o seu esvaziamento. - Tratamento de glaucoma, pois nesse há midríase e a acetilcolina favorece a miose, realizando a contrição da pupila pelo musculo ciliar. - Tratamento da miastenia gravis, com sintomas de fraqueza muscular, é uma doença autoimune que causa paralisia muscular, nada mais que uma deficiência dos impulsos na placa motora. - Produzido por esse defeito autoimune perante seus próprios receptores nicotínicos, não os reconhecendo e os destruindo. - Destrói os receptores nicotínicos na junção neuromuscular. - Ao destruí-los, a acetilcolina não consegue se ligar e fazer a contração muscular. - Tratamento na doença de Alzheimer: DONEZEPILA: Aumenta a quantidade de acetilcolina sobre o sistema nervoso central. Há teorias que o papel fundamental da acetilcolina na transmissão, do mesmo modo que temos a dopamina na doença de Parkinson. Ela seria então, responsável pelo aprendizado, cognição e memoria. Na doença, as vias colinérgicas são perdidas e enquanto ele responder ao tratamento, ele ainda possui transmissão colinérgica. ANTAGONISTAS COLINÉRGICOS NICOTÍNICOS • Bloqueiam os efeitos da acetilcolina agindo sobre receptores nicotínicos ➢ Os principais são: TUBOCURARINA PANCURÔNIO VECURÔNIO MIVACÚRIO ! Michelle MEDTXIV de 59 61 1ºBIMESTRE 2º ano Farmacologia Michelle MEDTXIV de 60 61 1ºBIMESTRE 2º ano Farmacologia Michelle MEDTXIV de 61 61 1ºBIMESTRE