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DOMA DE EQUINOS A interação cavalo/humano produz diversos impactos psicológicos, físicos e fisiológicos ao animal. É comum em grande parte das situações, que as pessoas que lidam com cavalos o antropomorfizem, e esse ato pode ser benéfico e construtivo. Porém, não há como determinar o bem-estar do animal cientificamente, além do estudo específico da etologia de cada espécie (RANDLE et al., 2017). Historicamente, a doma se caracterizou como um processo de submissão e dominação do animal às vontades do homem, onde na maioria das vezes era cruel. Atualmente esse método ainda é utilizado, mas em menor escala, dando maior ênfase para a doma racional, onde se ganha a confiança do animal, ao invés de fazer uso do terror para dominá-lo (BORGES, 2015). Desde o início da doma, deve-se atentar para a prevenção de traumas ao cavalo, fazendo com que o mesmo esteja sempre disponível ao seu domador. Era recomendado que fosse colocado um cavalo experiente próximo ao cavalo a ser domado, pois isso auxiliaria em seu desempenho (TOMASSINI, 2014). … se for possível prosseguir sem punições, você não deve bater no cavalo, no início, no meio, ou no final do treinamento. É melhor que o treinamento seja realizado com doçura, se possível, do que com rigor. O cavalo que trabalha com prazer demonstra muito mais graciosidade do que aquele que é compelido pela força (Pluviniel, 1625). A doma tradicional, também conhecida como doma gaúcha, ainda é praticada atualmente, principalmente em zonas rurais. Este método se divide em duas etapas: a doma de baixo, e a doma de cima. A doma de baixo, se caracteriza em forçar o animal a aceitar o contato humano e o cabresto, permitindo que seja higienizado e escovado. A doma de cima, trata-se de forçar o cavalo a aceitar os arreios e o ser humano em seu dorso. Esse tipo de doma tem como característica principal, a aplicação de punições. O animal ao ser forçado a aceitar os equipamentos e o humano, reage agressivamente para tentar se livrar, fazendo com que seja punido. As punições incluem laçar o cavalo, amarrar suas pernas, puxar seu pescoço com cordas e derrubá-lo no chão, violando o bem-estar do animal (HERING, 2020). … um comportamento em que um organismo forçado a suportar estímulos aversivos, dolorosos ou desagradáveis se torna incapaz de evitar (ou não deseja evitar) encontros posteriores com tais estímulos, mesmo que seja possível evitá-los. Presumivelmente, o organismo aprendeu que não pode controlar a situação e, portanto, não toma ações para evitar o estímulo negativo. A teoria do desamparo aprendido é a visão de que a depressão clínica e doenças mentais podem resultar de uma falta de controle percebida sobre o resultado de uma situação. Os organismos que tenham sido ineficazes e menos sensíveis na determinação das consequências do seu comportamento são definidos como tendo adquirido o desamparo aprendido (HUNZIKER, 1997) . A doma que não faz uso da violência, também conhecida como doma racional, doma progressiva, e doma índia, faz uso dos conhecimentos e metodologias da sociologia, comportamento e comunicação natural dos cavalos, para sua aprendizagem, condição física e progresso. O método se baseia no que se pode ver e observar, e agrega elementos como a comunicação com o cavalo. Ao gerenciar sua evolução, é possível ter certeza do que o cavalo está aprendendo e sentindo (L. PRADO, 2009). … enquanto os treinadores não tiverem uma compreensão razoável tanto da etologia da espécie, como das teorias da aprendizagem, eles não serão capazes de ter certeza que os métodos que estão usando são tão benignos quanto podem ser. Eles podem afirmar, ou assumir que estão utilizando métodos amigáveis ao cavalo, mas sem um conhecimento formal do comportamento equino, baseado no etograma do animal, tais noções permanecem meras afirmações, não fatos (GLENDELL, 2014). Referências BORGES, Camila Assunção. Doma racional e manejo dos equinos da cavalaria da polícia militar do estado do Ceará. 2015. Glendell, G. (2014). Open letter to the British Horse Society Horse welfare and training for equestrians, 2014. Recuperado de: http://www.ebta.co.uk/Glendall-BHS-Jan2014.pdf. HERING, Cássia Bars. Da dominação à tentativa de comunicação: uma análise dos métodos de doma para equitação. Revista Latinoamericana de Estudios Críticos Animales, 2020. Hunziker, M. H. L. (1997). Um Olhar Crítico sobre o Estudo do Desamparo Aprendido. Estudos de Psicologia, 14 (3), 17-26. doi: http://dx.doi.org/10.1590/S0103-166X1997000300002. L. PRADO, José Miguel. Equinos, Sin Violencia En. DOMA RACIONAL SIN VIOLENCIA EN EQUINOS. 2009. Tese de Doutorado. Universidad de Magallanes. Pluviniel, A. (1625). L’instruction du Roy en l ’exercice de monter à cheval, desseignées & gravées par Crispian de Pas le jeune. Paris: M. Nivelle. Randle, H., Steenbergen, M., Roberts, K., e & Hemmings, A. (2017). Use of the technology in equitation science: A panacea or abductive science? Applied Animal Behaviour Science, 190, 57–73.doi:https://doi.org/10.1016/j.applanim.2017.02.017. Tomassini, G. B. (2014). Marco de Pavari and the dominion of pleasantness. The Works of Chivalry. Recuperado de: http://worksofchivalry.com/marco-de-pavari-and-the-dominion-of-pleasantness/. https://doi.org/10.1016/j.applanim.2017.02.017