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Resistência dos Materiais Unidade 1 Fundamentos sobre resistência de materais Diretor Executivo DAVID LIRA STEPHEN BARROS Gerente Editorial CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA Projeto Gráfico TIAGO DA ROCHA Autoria ANDREW SCHAEDLER DAYANNA COSTA AUTORIA Andrew Schaedler Sou formado em Engenharia Mecânica, com uma experiência técnico-profissional na área de Engenharia de Processos e Usinagem de Precisão de mais de 8 anos. Passei por empresas como a TDK multinacional japonesa, produtora de componentes eletrônicos; John Deere, multinacional americana produtora de equipamentos agrícolas e hoje sou sócio proprietário de uma metalúrgica especializada em usinagem de precisão, atendendo empresas de grande porte do ramo automotivo. Dayanna Costa Sou graduada em Administração pela Universidade Federal de Campina Grande (2010). Sou mestre em Administração pelo Programa de Pós-graduação em Administração da UFPB (2019), área de Concentração Administração e Sociedade e mestre em Recursos Naturais pelo Programa de Pós-graduação em Recursos Naturais da UFCG (2014), com ênfase na linha de pesquisa Sustentabilidade e Competitividade. Atuo como pesquisadora no Grupo de Estudos em Gestão da Inovação Tecnológica- GEGIT (UFCG, cadastrado no diretório de grupos de pesquisa do CNPq), na linha de pesquisa Inovação e Desenvolvimento Regional l, com foco nos seguintes temas: administração geral, gestão da inovação, desenvolvimento regional. Atuou como pesquisadora do Grupo de Estratégia Empresarial e Meio Ambiente - GEEMA (cadastrado no diretório de grupos de pesquisa do CNPq), na linha de pesquisa Estratégia Ambiental e Competitividade, com ênfase em Modelos e Ferramentas de Gestão Ambiental com foco nos seguintes temas: administração geral e gestão ambiental. Sou professora no curso de Administração da Unidade Acadêmica de Administração de Contabilidade (UAAC), na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) como professor substituto. Somos apaixonados pelo que fazemos e adoramos transmitir nossas experiências de vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. Por isso, fomos convidados pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estamos muito felizes em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte conosco! ICONOGRÁFICOS Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez que: OBJETIVO: para o início do desenvolvimento de uma nova compe- tência; DEFINIÇÃO: houver necessidade de se apresentar um novo conceito; NOTA: quando forem necessários obser- vações ou comple- mentações para o seu conhecimento; IMPORTANTE: as observações escritas tiveram que ser priorizadas para você; EXPLICANDO MELHOR: algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; VOCÊ SABIA? curiosidades e indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forem necessárias; SAIBA MAIS: textos, referências bibliográficas e links para aprofundamen- to do seu conheci- mento; REFLITA: se houver a neces- sidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou dis- cutido sobre; ACESSE: se for preciso aces- sar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; RESUMINDO: quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últi- mas abordagens; ATIVIDADES: quando alguma atividade de au- toaprendizagem for aplicada; TESTANDO: quando o desen- volvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas; SUMÁRIO Introdução à resistência dos materiais .............................................. 10 Introdução .............................................................................................................................................10 Mecânica ............................................................................................................................................... 13 Sistema Internacional de Medidas .................................................................. 15 Aplicabilidade da resistência dos materiais e suas características ..............................................................................................20 Aplicações e características ................................................................................................... 20 Vetores ....................................................................................................................................................22 Adição de vetores ........................................................................................................23 Subtração de vetores ................................................................................................24 Vetores perpendiculares ........................................................................................25 Vetores com ângulos diversos ...........................................................................26 Conceitos básicos sobre resistência dos materiais ......................28 Estática ....................................................................................................................................................28 Conceito de força ............................................................................................................................29 Massa .......................................................................................................................................................29 Aceleração gravitacional ...........................................................................................................29 Peso dos corpos ............................................................................................................................. 30 Quilograma-força (kgf) ................................................................................................................ 31 Princípios da ação e reação.....................................................................................................32 Tração e compressão.................................................................................36 Ensaios de tração ........................................................................................................................... 36 Corpo de prova ensaio de tração .....................................................................37 Máquinas de ensaio de tração .......................................................................... 38 Resultado de um ensaio de tração ................................................................ 38 Fratura ................................................................................................................................. 39 Lei de Hooke ...................................................................................................................................... 40 Ensaios de compressão ............................................................................................................ 40 Corpo de prova no ensaio de compressão............................................... 41 7 UNIDADE 01 Resistência dos Materiais 8 INTRODUÇÃO Você sabia que a área de conhecimento de resistência dos materiais é uma das mais demandadas na indústria? Isso mesmo. A área de resistência dos materiais atua intensamente em projetos de máquinas, construção civil, estudo de novas ligas metálicas e polímeros e ainda no desenvolvimento de próteses médicas e ortodônticas. Quando pensamos na resistência mecânica das estruturas, peças ou dispositivos mecânicos, sabemos que ela depende não apenas de sua forma, mas também dos materiais e componentes de que são fabricadas e das conexões entre eles. Todos os materiais podem ser descritos usando comparações como resistência, durabilidade, aparência e flexibilidade. Todas essas propriedades do material podem ser medidas e testadas, mas também estão disponíveis em tabelas que podem ser consultadas. Os projetistas, engenheirose trabalhadores técnicos devem conhecer as propriedades dos materiais que usam para garantir que eles vão cumprir o propósito pretendido, caso contrário, os resultados podem gerar problemas. Muito interessante, não é mesmo? Ao longo desta unidade letiva você vai mergulhar neste universo! Resistência dos Materiais 9 OBJETIVOS Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 1. Nosso objetivo é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o término desta etapa de estudos: 1. Definir resistência dos materiais entendendo seu conceito na prática. 2. Identificar as inúmeras maneiras de se aplicar a resistência dos materiais nas áreas de engenharia (civil e mecânica) e edificações em nível técnico. 3. Compreender fundamentos, princípios e conceitos científicos que respaldam a resistência dos materiais, envolvendo fórmulas e equações. 4. Aplicar equações e técnicas de mensuração da tração e a compressão em materiais. Ficou curioso? Está pronto para entrar no aprendizado dessa área de conhecimento? Gosto de pensar que cada área de conhecimento que dominamos muda a forma como vemos o mundo! Vamos em frente. Resistência dos Materiais 10 Introdução à resistência dos materiais OBJETIVO: Neste capítulo começaremos a conhecer sobre a área de resistência dos materiais, entender para que serve e onde é aplicada. Veremos os conhecimentos necessários para o estudo dessa área e também revisaremos alguns conceitos de mecânica muito importantes para a aplicação e o entendimento da resistência dos materiais. Iniciando com o pé direito não é mesmo? Vamos em frente! Introdução Resistência dos Materiais é o ramo da mecânica que estuda as relações entre um corpo deformável e a intensidade das forças internas e externas aplicadas a esse corpo, abrangendo os cálculos das deformações do corpo, da sua estabilidade, quando submetido a solicitações externas (HIBBELER, 2006). Segundo Hibbeler (2006), a origem da resistência dos materiais surgiu no início do século XVII, na época em que Galileu realizou experiências para estudar os efeitos de cargas em hastes e vigas feitas de vários materiais. No entanto, para a compreensão adequada dos fenômenos envolvidos, foi necessário estabelecer descrições experimentais precisas das propriedades mecânicas de materiais. Os métodos para tais descrições foram consideravelmente melhorados no início do século XVIII. Na época, estudos foram realizados, principalmente na França, baseados em aplicações da mecânica a corpos materiais, denominando-se o estudo de Resistência dos Materiais. Atualmente, refere-se a esses estudos como Mecânica dos Corpos Deformáveis ou simplesmente Mecânica dos Materiais (BUENO; VENTAVOLI, 2016). A mecânica dos materiais é uma das primeiras áreas de conhecimento ensinada na engenharia. Faz parte do ramo da física mecânica, que inclui outros campos de estudo, como estática e dinâmica de corpos rígidos. A mecânica é uma área da física que permite estudar o comportamento e o movimento de objetos no mundo ao seu redor. Resistência dos Materiais 11 A mecânica dos materiais usa princípios básicos de estática e dinâmica, mas permite que você olhe ainda mais de perto um objeto para ver como ele se deforma em uma situação a qual ele sofre o esforço de uma carga. É a área da mecânica e da física que pode ajudá-lo a decidir se você realmente deve considerar derrubar a parede entre a cozinha e a sala de estar ao reformar sua casa. Embora a estática possa informar sobre as cargas e forças que existem quando um objeto é carregado, não informa como o objeto se comporta em resposta a essas cargas. É aí que entra a mecânica dos materiais (ALLEN III, 2011). EXEMPLO: O titânio é um metal de transição. Ocorre em vários minerais, incluindo rutilo e ilmenita, que estão bem dispersos na crosta terrestre. Mesmo que o titânio seja tão forte quanto alguns aços, sua densidade é apenas metade do aço. Por esse motivo o titânio é amplamente utilizado em vários campos, incluindo o aeroespacial, geração de energia, automotivo, químico e indústrias petroquímica, de artigos esportivos, odontológica e área médica. A grande variedade de aplicações se deve às suas propriedades desejáveis, principalmente relativa à sua alta resistência combinada com baixa densidade e resistência à corrosão acentuada. Entre os materiais metálicos, o titânio e suas ligas são considerados os materiais mais adequados para a utilização na área médica porque satisfazem os requisitos de propriedades necessárias, melhor do que quaisquer outros materiais concorrentes, como aços inoxidáveis, ligas de Cr-Co, comercialmente puro (CP) Nb e CP Ta. Em termos de biomedicina, as aplicações às propriedades de interesse são a biocompatibilidade, baixo teor de corrosão, comportamento mecânico compatível com os esforços sofridos pelo corpo humano, processabilidade e disponibilidade. O titânio pode ser considerado, um material relativamente novo na engenharia. Foi descoberto muito mais tarde do que os outros metais comumente usados metais, sua aplicação comercial iniciou a partir do final dos anos 40, principalmente como material estrutural. Seu uso como material de implante começou na década de 1960. Apesar do fato de que o titânio exibe resistência à corrosão superior e aceitação do tecido quando comparado com aços inoxidáveis e ligas à Resistência dos Materiais 12 base de CrCo, suas propriedades mecânicas e comportamento tribológico restringe seu uso como biomaterial em alguns casos. Isso é particularmente verdade quando é necessária alta resistência mecânica, como na substituição de tecido duro ou sob uso intenso de desgaste. Para superar essas restrições, o titânio CP foi substituído por ligas de titânio, as ligas de titânio mais utilizadas mundialmente foram inicialmente desenvolvidas para aplicações aeroespaciais. Embora este tipo de liga seja considerado um bom material para peças implantadas cirurgicamente, estudos recentes descobriram que o vanádio pode reagir com o tecido do corpo humano. Além disso, o alumínio pode estar relacionado com distúrbios neurológicos e Doença de Alzheimer. Para superar a toxicidade potencial do vanádio, ele foi substituído por nióbio e ferro, embora ambas as ligas mostrem comportamento mecânico e metalúrgico similares, uma desvantagem é que todas contêm alumínio em suas composições (MARK; WAQAR, 2007). A resistência dos materiais é extremamente importante para engenheiros, especialmente para engenheiros mecânicos e civis. A maioria das estruturas deve ser verificada quanto à sua capacidade de suporte de carga no início do projeto. Pense na importância da resistência de guindastes, engrenagens, carrocerias, trens de pouso de aviões, pontes ou arranha-céus. Todos eles têm que suportar cargas extremamente altas e, portanto, devem ser cuidadosamente projetados para que não travem e representem perigo para muitas pessoas. Graças à mecânica dos materiais, podemos calcular aproximadamente as altas forças que nossa estrutura pode suportar ou quais são suas dimensões ideais sob carga específica. Mesmo cálculos simples à mão nos darão algumas dicas valiosas sobre isso, mas também existem métodos numéricos, especialmente o Método dos Elementos Finitos, que nos permite calcular praticamente qualquer estrutura possível para que saibamos como ela se comportará sob condições operacionais específicas. Esses métodos, junto com os experimentos, nos fornecem informações completas sobre a força do produto. É interessante pensarmos que todos os materiais utilizados nos objetos que usamos foram cuidadosamente selecionados para estarem ali, todos eles atendem uma série de requisitos, podendo ser quanto à Resistência dos Materiais 13 resistência a desgaste, material antichama ou um material que não conduz eletricidade. (BEER; JOHNSTON, 1996). A área de resistência dos materiaisé responsável por estudar as características específicas de cada material para garantir que sejam utilizados os materiais corretos para cada necessidade de aplicação. Para entendermos melhor os conceitos de resistências dos materiais, vamos conferir agora os conceitos de mecânica, área de conhecimento muito utilizada no estudo de resistência dos materiais. Mecânica A mecânica é uma ciência física aplicada que trata dos estudos das forças e dos movimentos. Ela descreve e prediz as condições de repouso ou movimento de corpos sob a ação de forças. A finalidade da mecânica é explicar e prever fenômenos físicos, fornecendo, assim, os fundamentos para as aplicações da Engenharia. A mecânica é subdividida em três grandes ramos: mecânica dos corpos rígidos, mecânica dos corpos deformáveis e mecânica dos fluidos. O estudo de resistência dos materiais encontra-se dentro da área de mecânica dos corpos deformáveis (MELCONIAN, 2002). Mecânica dos corpos rígidos: é subdividida em estática, cinemática e dinâmica. A estática se refere aos corpos em repouso e estuda as forças em equilíbrio, independentemente do movimento por elas produzido. Na estática, os corpos analisados são considerados rígidos, consequentemente, os resultados obtidos independem das propriedades do material. A cinemática estuda os movimentos em si e as leis que os regem: • Movimento uniforme – móvel percorrendo espaços iguais em tempos iguais para quaisquer trechos de trajetória. • Movimento uniformemente variado – a velocidade do móvel varia de valores iguais em tempos iguais. Se houver crescimento da velocidade, o movimento será uniformemente acelerado; se houver decréscimo, o movimento será uniformemente retardado. • Movimentos de rotação – a dinâmica estuda a relação entre o movimento e a causa que o produz (força) (MELCONIAN, 2002). Resistência dos Materiais 14 Mecânica dos corpos deformáveis: as estruturas e as máquinas nunca são absolutamente rígidas, deformando-se sob a ação das cargas a que estão submetidas. Essas deformações são geralmente pequenas e não alteram apreciavelmente as condições de equilíbrio ou de movimento da estrutura considerada. No entanto, essas deformações terão importância quando houver riscos de ruptura do material. A mecânica dos corpos deformáveis é estudada pela resistência dos materiais, mecânica dos materiais ou mecânica dos sólidos, como também são conhecidas. O estudo dos corpos deformáveis resume-se na determinação da resistência mecânica, da rigidez e da estabilidade de elementos estruturais. (MELCONIAN, 2002). Mecânica dos fluidos: a mecânica dos fluidos é subdividida no estudo dos fluidos incompressíveis (líquidos) e fluidos compressíveis (gases). Uma importante subdivisão do estudo de fluidos incompressíveis é a hidráulica. Conceitos Fundamentais Os conceitos fundamentais da mecânica baseiam-se na mecânica Newtoniana: • Espaço – o conceito de espaço é associado à noção de posição de um ponto material, o qual pode ser definido por três comprimentos, medidos a partir de um certo ponto de referência, ou de origem, segundo três direções dadas. Esses comprimentos são conhecidos como as coordenadas do ponto (MELCONIAN, 2002). • Tempo – para se definir um evento não é suficiente definir sua posição no espaço. O tempo ou instante em que o evento ocorre também deve ser dado (MELCONIAN, 2002). • Força – a força representa a ação de um corpo sobre outro, é a causa que tende a produzir movimento ou a modificá-lo. A força é caracterizada pelo seu ponto de aplicação, sua intensidade, direção e sentido, uma força é representada por um vetor (MELCONIAN, 2002). Resistência dos Materiais 15 Sistema Internacional de Medidas O Sistema Internacional de Unidades (SI) é subdividido em unidades básicas e unidades derivadas. As unidades básicas são: metro (m), quilograma (kg) e segundo (s). As unidades derivadas são, entre outras, força, trabalho, pressão, entre outras. De acordo com Melconian (2002): As unidades do SI formam um sistema absoluto de unidades. Isso significa que as três unidades básicas escolhidas são independentes dos locais onde são feitas as medições. A força é medida em Newton (N), que é definido como a força que imprime a aceleração de 1 m/s² à massa de 1 kg, a partir da equação: F = m . a (Segunda Lei de Newton), escreve-se: 1 N = 1 kg × 1 m/s². As medidas estáticas de forças são efetuadas por meio de instrumentos chamados dinamômetros. O peso de um corpo também é uma força e é expresso em Newton (N): P = m . g (Terceira Lei de Newton ou Lei da Gravitação) Segue-se que o peso de um corpo de massa 1 kg é = (1 kg) × (9,81 m/s²) = 9,81 N, onde g=9,81m/s² é a aceleração da gravidade. A pressão é medida no SI em Pascal (Pa), que é definido como a pressão exercida por uma força de 1 Newton uniformemente distribuída sobre uma superfície plana de 1 metro quadrado de área, perpendicular à direção da força Pa = N/m². Pascal é também unidade de tensões normais (compressão ou tração) ou tensões tangenciais (cisalhamento). Segundo o Sistema Internacional de Medidas (SI), na conversão de unidades, quando queremos transformar um número, por exemplo, que está na unidade de quilômetros e reescrevê-lo na unidade de hectômetro, o que precisamos fazer é uma multiplicação por 10. Mas, se quisermos transformar de quilômetro para decâmetro, são duas casas decimais para a direita, logo, teremos uma nova multiplicação por 10. Analise a figura a seguir para melhor entendimento. Resistência dos Materiais 16 Figura 1 - Conversão de unidades do metro Fonte: Adaptado de Andrini e Vasconcellos (2015, p. 245-250). O procedimento é sempre o mesmo, passando de uma unidade que se encontra à esquerda para uma que se encontra à direita, a cada casa decimal haverá uma multiplicação por 10. Vamos fazer um exemplo para facilitar o entendimento. Se tivermos um número na unidade de quilômetro e desejamos transformá-lo para metros. 68,903 km → m Para fazermos essa transformação, vamos utilizar a figura 1: do quilômetro para o metro são 3 casas decimais para a direita e a cada casa há uma multiplicação por 10. Então, do quilômetro para o metro temos uma multiplicação de 10 vezes 10 vezes 10, ou seja, 3 vezes 1000. 68,903 km x 1000 = 68903 m Agora vamos analisar a tabela fornecida pelo Vocabulário Internacional da Metrologia (VIM), que mostra os prefixos que já utilizamos acima na transformação de múltiplos e submúltiplos de uma unidade de medição. (ANDRINI; VASCONCELLOS, 2015). Resistência dos Materiais 17 Tabela 1 - Tabela de prefixos fornecidos pelo VIM Nome do prefixo Símbolo do prefixo Fator pelo qual a unidade é multiplicada M ú lt ip lo s yotta Y 1024 = 1 000 000 000 000 000 000 000 000 zetta Z 1021 = 1 000 000 000 000 000 000 000 exa E 1018 = 1 000 000 000 000 000 000 peta P 1015 = 1 000 000 000 000 000 tera T 1012 = 1 000 000 000 000 giga G 109 = 1 000 000 000 mega M 106 = 1 000 000 quilo k 103 = 1 000 hecto h 102 =100 deca da 10 Unidade S u b m ú lt ip lo s deci d 10-1 = 0.1 centi c 10-2 = 0.01 mili m 10-3 = 0.001 micro ρ 10-6 = 0. 000 001 nano n 10-9 = 0. 000 000 001 pico p 10-12 = 0. 000 000 000 001 femto f 10-15 = 0. 000 000 000 000 001 atto a 10-18 = 0. 000 000 000 000 000 001 zepto z 10-21 = 0. 000 000 000 000 000 000 001 yocto y 10-24 = 0. 000 000 000 000 000 000 000 001 Fonte: Adaptado de Sistema Internacional de Unidades (2012, p. 34). Agora, analise a tabela a seguir com algumas relações de conversão entre unidades. Resistência dos Materiais 18 Tabela 2 - Tabela de conversão de unidades A unidade É equivalente à 1 MPa (Megapascal) 1 N/mm² 1 MPa (Megapascal) 1 x 106 N/m² 1 GPa (Gigapascal) 1 x 109 N/m² 1 m (metro) 100 cm 1 cm (centímetro) 0,01 m 1 Kgf 9,81 N 1 Kgf 2,20 lb 1 polegada (ou 1”) 2,54 cm 1 m² 10.000 cm² Fonte: Adaptado de Sistema Internacionalde Unidades (2012, p. 35). Vamos ver agora três exemplos de conversão de unidades. Exemplo de conversão de medidas de pressão: Agora que já entendemos o que é a área de conhecimento de resistência dos materiais e vimos alguns dos conceitos fundamentais para entendermos sobre essa área de conhecimento, vamos seguir em frente. Resistência dos Materiais 19 RESUMINDO: E então? Aprendeu tudo o que lhe ensinamos até aqui? Neste capítulo iniciamos introduzindo a área e o conhecimento de resistência dos materiais, vimos como a mecânica e a física têm forte atuação sobre a resistência dos materiais. Estudamos como a resistência dos materiais nos possibilita calcular aproximadamente as forças que as estruturas podem suportar ou quais são suas dimensões ideais sob carga específica. Mesmo cálculos simples à mão nos darão algumas dicas valiosas sobre isso, mas também existem métodos numéricos, especialmente o método dos elementos finitos. Também revisamos alguns conceitos de mecânica como a mecânica dos corpos rígidos, mecânica dos corpos deformáveis e mecânica dos fluidos. Além disso, vimos um pouco sobre o sistema internacional de unidades e como funciona a conversão de unidades. Bastante informação não é mesmo? Agora vamos continuar aprendendo sobre essa área de conhecimento tão fascinante que é a resistência dos materiais. Resistência dos Materiais 20 Aplicabilidade da resistência dos materiais e suas características OBJETIVO: Neste capítulo iremos entender no que o conhecimento de resistência dos materiais pode ser utilizado e aplicado, isso nos dará uma ampla visão da importância dessa área de conhecimento. Também veremos o que são os vetores e como eles representam as forças que atuam nos corpos mecânicos que são estudados pela resistência dos materiais. A resistência dos materiais estuda como os corpos se comportam quando existe força atuando sobre eles, então saber ler, entender e representar essas forças é fundamental. Por isso, vamos ver agora como utilizamos os vetores. Aplicações e características A resistência dos materiais, também chamada de mecânica dos materiais, é uma disciplina que trata do comportamento de objetos sólidos sujeitos à tensão e deformação. O estudo da resistência dos materiais geralmente refere-se a vários métodos de cálculo de tensões e deformações em membros estruturais, como vigas, colunas e eixos. São métodos empregados para prever a resposta de uma estrutura sob carregamento e sua suscetibilidade a vários modos de falha. Na ciência dos materiais, a resistência de um material é sua capacidade de suportar uma carga aplicada sem falha ou deformação plástica. O campo de resistência dos materiais lida com forças e deformações que resultam de sua atuação sobre um material. Uma carga aplicada a um corpo mecânico induzirá forças internas dentro do corpo, chamadas tensões, essas forças são expressas em uma base unitária. As tensões atuando no material causam deformação do material de várias maneiras. Resistência dos Materiais 21 As deformações do material também são colocadas em uma base unitária. As cargas aplicadas podem ser axiais (tração ou compressão) ou rotacionais (resistência ao cisalhamento). A área de conhecimento de resistência dos materiais se concentra na descrição quantitativa do movimento e deformação de materiais sólidos sujeitos a forças, mudanças de temperatura, voltagem elétrica ou outros estímulos externos. A análise das forças internas nos corpos mecânicos é um procedimento que consiste em descobrir o efeito de: • Cargas axiais. • Torção. • Dobra. • Combinações de cargas axiais, de torção e de flexão. Resistência dos materiais é a combinação de leis e técnicas físicas, matemáticas e computacionais para prever o comportamento de materiais sólidos que estão sujeitos a cargas mecânicas ou térmicas. É o ramo da mecânica que trata do comportamento da matéria sólida sob ações externas. As ações externas podem ser: • Força externa. • Mudança de temperatura. • Deslocamento. Aplicações do conhecimento de resistência dos materiais é um campo que tem uma ampla gama de aplicações, normalmente ela é aplicada nas áreas de: • Engenharia Civil para projetar fundações e estruturas. • Geomecânica para modelar a forma de planetas, tectônica e prever terremotos. • Engenharia Mecânica para projetar componentes de suporte de carga para veículos, geração de energia e transmissão. Resistência dos Materiais 22 • Desenvolvimento de produtos para a análise dos materiais que atendam as especificações do produto em desenvolvimento. Vetores O vetor, de forma concisa, é um segmento de reta orientado que possui origem, extremidade e inclinação. Em síntese, o Vetor é composto de módulo, direção e sentido. Figura 2 - Exemplo de vetor 2 1 3 Fonte: Adaptado de Bueno e Ventavoli (2016, posição 247). Onde: 1. Vetor: reta com origem e extremidade. 2. Ângulo do vetor: inclinação do vetor em relação ao plano. 3. Plano: orientação do vetor. O módulo é o tamanho de vetor, ou seja, o seu valor numérico. Por exemplo, 5N (cinco Newtons), 3 Kg ou 8 cm. Figura 3 - Exemplo de representação vetorial 5N Fonte: Adaptado de Bueno e Ventavoli (2016, posição 255). A Direção é a reta traçada pelo vetor, ela pode ser: horizontal, vertical, transversal. Já o sentido é a ponta da flecha, ou seja, para onde ele está apontado: para a esquerda ou direita, para cima ou baixo, entre outros. Figura 4 - Exemplo de direção e sentido do vetor direção sentido Fonte: Adaptado de Bueno e Ventavoli (2016, posição 265). Resistência dos Materiais 23 Agora vamos ver como fica a representação do vetor “completo” no plano cartesiano com módulo, direção e sentido. Figura 5 - Exemplo representação vetorial no plano cartesiano 10N 30º Fonte: Adaptado de Bueno e Ventavoli (2016, posição 273). Podem existir diversos vetores num único plano. Sendo assim, surge a necessidade de agrupar todos esses vetores a fim de que se tornem apenas um vetor. Essa operação é denominada de vetor resultante. Serão demonstradas a seguir algumas situações para a produção do vetor resultante. Adição de vetores A adição de vetores é realizada em vetores que possuem as características de terem a mesma direção e o mesmo sentido (BUENO; VENTAVOLI, 2016). Vamos ver agora o método aritmético de soma dos vetores. Figura 6 - Exemplo de soma de vetores a b S = a + b Fonte: Adaptado Bueno e Ventavoli (2016, posição 290). Na fórmula será utilizado o módulo do vetor: somente seu valor em número. Vamos utilizar para os vetores e os valores de = 3 cm e = 4 cm. Assim, o cálculo da soma dos vetores ficaria: S = a + b S = 3 + 4 S = 7cm Resistência dos Materiais 24 Vamos somar os mesmos vetores, porém utilizando o método gráfico. Os vetores consecutivos consistem em traçar os vetores na sequência. Assim o vetor resultante consiste da origem do vetor a e a extremidade do vetor b. Veja a figura a seguir. (BUENO; VENTAVOLI, 2016). Figura 7 - Método gráfico de soma de vetores ba S Fonte: Adaptado de Bueno e Ventavoli (2016, posição 300). O resultado nesse gráfico fica: Módulo: 7 cm Direção: horizontal Sentido: para a direita Subtração de vetores Na subtração, os vetores têm a mesma direção, mas com o sentido contrário. Vamos analisar agora o método aritmético. Figura 8 - Método aritmético subtração de vetores a b S = a - b Fonte: Adaptado de Bueno e Ventavoli (2016, posição 311). Sempre se subtrai o menor valor do maior valor, para que o resultado da subtração seja positivo. O cálculo dessa equação fica assim: S = B – A S = 4 – 3 S = 1 cm Agora vamos ver o mesmo cálculo de equação utilizando o método gráfico. Os vetores opostos consistem em traçar o vetor da diferença entre eles. Resistência dos Materiais 25 Figura 9 - Método gráfico de subtração de vetores ba S Fonte: Adaptado de Bueno e Ventavoli (2016, posição 329). O resultadonesse gráfico fica: Módulo: 1 cm Direção: horizontal Sentido: para a esquerda Vetores perpendiculares São os vetores que possuem a característica de terem direções ortogonais, ou seja, perpendiculares entre si. Vamos ver como achar o vetor resultante entre vetores perpendiculares utilizando os métodos aritmético e gráfico. Para o método aritmético devemos utilizar o teorema de Pitágoras. Figura 10 - Método aritmético teorema de Pitágoras a b S2 = a2 + b2 Fonte: Adaptado de Bueno e Ventavoli (2016, posição 338). O cálculo para encontrar o vetor resultante fica assim: S2 = a2 + b2 S² = 3² + 4² S = 5 cm Para o método gráfico teremos. Resistência dos Materiais 26 Figura 11 - Método gráfico para o vetor resultante entre vetores ortogonais a b S Fonte: Adaptado de Bueno e Ventavoli (2016, posição 346). O resultado nesse gráfico fica: Módulo: 5 cm Direção: diagonal para a direita superior (ou transversal para direita superior) Sentido: para cima Vetores com ângulos diversos Quando os vetores não possuem a mesma direção e sentido, nem são perpendiculares, pois não têm ângulos ortogonais entre si, é utilizada a regra do paralelogramo. Vamos ver como calcular a resultante desses vetores através dos métodos aritmético e gráfico. Figura 12 - Exemplo de vetores com ângulos diversos 60º b a Fonte: Adaptado de Bueno e Ventavoli (2016, posição 355). Para esse caso, quando o ângulo α é menor que 90°, utiliza-se a equação a seguir: S² = a² + b² + 2 . a . b . cos(α α) Quando temos que o ângulo α é maior que 90°, então é utilizada a equação a seguir: S2 = a2 + b2 - 2 . a . b . cos(α) Para o método gráfico precisamos determinar a hipotenusa do triângulo acutângulo (todos os ângulos internos são agudos). Resistência dos Materiais 27 Figura 13 - Método gráfico do vetor resultando em vetores com ângulos diversos 60º b a S Fonte: Adaptado de Bueno e Ventavoli (2016, posição 371). O resultado nesse gráfico fica: Módulo: 6,08 cm Direção: diagonal inclinada para direita superior Sentido: para cima Os métodos utilizados têm como finalidade unir dois vetores para a obtenção de um vetor resultante. Quando existirem mais que dois vetores, será necessário trabalhar de dois em dois vetores. Exemplo: Se houver 3 vetores, é calculado o vetor resultante dos vetores 1 e 2, pois surgirá um novo vetor resultante do vetor resultante de 1 e 2 com o vetor 3. RESUMINDO: E aí, entendeu todo o conteúdo? Aumentou ainda mais sua curiosidade sobre resistência dos materiais? Então, atingimos nossos objetivos. Neste capítulo, vimos onde são aplicados os conhecimentos de resistência dos materiais, podendo ser em Engenharia Civil, para projetar fundações e estruturas, geomecânica para modelar a forma de planetas, tectônica e prever terremotos; Engenharia Mecânica, para projetar componentes de suporte de carga para veículos, geração de energia e transmissão; e em desenvolvimento de produtos, para a análise dos materiais que atendam as especificações do produto em desenvolvimento. Também aprendemos uma importante linguagem, muito utilizada no estudo de resistência dos materiais, os vetores. Eles representam as forças que atuam sobre os corpos mecânicos, os quais são o objeto de estudo da área de resistência de materiais. Bastante coisa, não é mesmo? Bom a área de resistência dos materiais é muito grande, vamos seguir em frente aprendendo sobre ela! Resistência dos Materiais 28 Conceitos básicos sobre resistência dos materiais OBJETIVO: Neste capítulo, vamos entender e aprender os conceitos básicos que serão utilizados no estudo sobre resistência dos materiais. Você precisa fixar bem todos os conceitos apresentados neste capítulo para então ter um entendimento sólido sobre o estudo das forças atuantes sobre os corpos, que estudaremos em resistência dos materiais. Vamos ver agora os conceitos de estática, força, massa, aceleração gravitacional, peso dos corpos, quilograma-força (kgf) e o princípio da ação e reação. Empolgado não é mesmo? Todos esses conceitos atuam constantemente ao nosso redor e entendê-los servirá não apenas para a compreensão de resistência dos materiais, mas também para o seu entendimento de como as coisas funcionam. Vamos em frente. Estática A estática é um ramo da física que estuda o equilíbrio dos corpos rígidos, em repouso ou em movimento uniforme sobre a ação de forças externas. Na física, diz-se que corpos estão em repouso quando sua posição em relação a um dado sistema de referência não muda com o tempo. Vamos ver um exemplo para entendermos melhor. Observe na figura a seguir as três caixas de um lado e uma caixa do outro lado, elas estão em equilíbrio sobre uma prancha, que tem no seu centro o único ponto de apoio (BUENO, 2016). Figura 14 - Exemplo de equilíbrio de corpos em um plano Fonte: Adaptado de Bueno e Ventavoli (2016, posição 821). Resistência dos Materiais 29 Conceito de força Força é um agente capaz de modificar o estado de movimento de um corpo ou deformá-lo. Ela é resultante da interação entre dois ou mais corpos, que pode ocorrer por contato, quando ocorre uma ação para mover algo, ou a distância, que é o caso das forças gravitacionais e eletromagnéticas. A força é uma grandeza vetorial, sendo, portanto, indicada por um módulo ou uma intensidade, uma direção e um sentido. A grandeza pode ser classificada em: • Grandeza escalar - pode indicar a quantidade de matéria de um corpo ou uma distância percorrida etc. Em síntese, é apenas o valor numérico do vetor em questão. Exemplo: temperatura, massa, calor, tempo, entre outras. • Grandeza vetorial - é composta por módulo, direção e sentido. Em suma, é um valor numérico que possui orientação, pois tem origem, fim e inclinação angular. Exemplo: velocidade, força, aceleração, entre outras. Massa Massa é uma grandeza escalar que indica a quantidade de matéria de um corpo. É obtida pela comparação do corpo com um corpo padrão. Por definição, a massa do corpo padrão é de 1 (um) quilograma (kg). É importante notar a diferença entre massa e peso, conceitos que costumam ser confundidos. Em primeiro lugar, a massa é uma grandeza escalar, ao passo que o peso é vetorial. Além disso, a massa é uma característica dos corpos, independentemente do lugar em que ele se encontra. Já o peso pode variar com a aceleração gravitacional do local onde esse corpo se encontra. Aceleração gravitacional Próximo à superfície dos planetas, os corpos adquirem uma aceleração constante chamada de aceleração gravitacional, designada por g. O valor de (módulo) depende da altitude e da latitude do local em Resistência dos Materiais 30 que é medido. No Planeta Terra, na latitude de aproximadamente 45° e ao nível do mar, esse valor é igual a 9,80665 m/s². Peso dos corpos O Peso é a força gravitacional, decorrente da atração exercida num corpo na superfície de um astro celeste. Portanto, o peso é o produto da massa de um corpo pela ação gravitacional adquirida. Sendo assim, o peso é uma grandeza vetorial, pois apresenta intensidade, direção e sentido, propriedades decorrentes da aceleração gravitacional. Através do Princípio Fundamental da Dinâmica (2ª Lei de Newton), que foi estabelecida por Isaac Newton, a qual consiste na afirmação de que um corpo em repouso necessita da aplicação de uma força para que possa se movimentar, e para que um corpo em movimento pare é necessária a aplicação de uma força, foi possível a apresentação da relação entre massa e aceleração gravitacional (BUENO, 2016). F = m . g Onde: F = Força (N – Newton) m = Massa (Kg) g = Aceleração Gravitacional (m/s²) Como peso é uma força (Força Gravitacional), também é possível transcrever a equação anterior como sendo: P = m . g Onde: P = Peso (N – Newton) m = Massa (Kg) g = Aceleração Gravitacional (m/s²) Para entendermos melhor, vamos ver um exemplo de aplicação: Resistência dos Materiais31 EXEMPLO: Qual o peso de um corpo com massa de 61,2 kg que sofre a influência gravitacional de 9,8m/s²? Cálculo: P = m . g P = 61,2 . 9,8 P = 599,76N P ≈ 600N Portanto, a massa de 61,2 kg corresponde a um peso aproximado de 600N. (N - Newton pertence ao Sistema Internacional de Unidades: SI). Quilograma-força (kgf) É importante salientarmos que a unidade Kgf (Quilograma-força) não faz parte do SI, mas do Sistema Técnico de unidades (MK*S). Essa unidade sempre foi utilizada como unidade de força. Quilograma-força é uma unidade definida como sendo a força exercida por uma massa de um quilograma sujeita à certa gravidade. É abreviada como kgf, por vezes apenas kg. Ao se converter 1 kgf para Newton (N), o valor é numericamente igual à gravidade local. Para converter de kgf para N e N para kgf, utiliza-se os seguintes fatores. Na órbita terrestre: 1 kgf ≈ 9,80665N 1 N ≈ 0,10197 Kgf Na órbita lunar: 1 kgf ≈ 1,62202 N 1 N ≈ 0,61651 Kgf Em suma, 1 kgf corresponde, em N, ao valor da gravidade no local que está sendo aplicada a força. Exemplo: 1 kg pesa 10 N, então 10 N é igual à 1 kgf; 2,5 kg pesa 25 N, então 25 N é igual à 2,5 kgf. (BUENO, 2016) Resistência dos Materiais 32 Princípios da ação e reação As forças de ação e reação entre corpos (Terceira Lei de Newton) têm a característica de possuírem a mesma intensidade, a mesma direção, porém com sentidos opostos, têm a mesma natureza e ambas são de campo ou ambas de contato. Porém, não se equilibram, pois estão aplicadas em corpos diferentes. Considere um corpo suspenso de massa (m), sustentado por um fio ideal (inextensível e de massa desprezível) cuja extremidade é fixa no teto (BUENO, 2016). Figura 15 - Exemplo de corpo suspenso a b c d A A A B BTeto BPeso BPeso B B BTeto B B Fio Fio Fonte: Adaptado de Bueno e Ventavoli (2016, posição 923). Na imagem podemos observar: a. Corpo suspenso em equilíbrio estático. b. Força que atua no teto. c. Forças que agem no fio. d. Forças que atuam na esfera. No corpo atuam a força P (peso), que é a ação do campo gravitacional e a força Fpeso, de contato, é exercida no fio sobre o corpo no ponto B. Como o corpo está em equilíbrio, a força resultante (F) entre P e Fpeso é nula. Assim, as forças Fpeso e P têm a mesma intensidade, porém sentidos opostos, o que é indicado no item d. O fio segura o corpo com a força Fpeso (ação do corpo). Este, por sua vez, reage com uma força de mesma intensidade (Fpeso) e sentido contrário (reação no fio). Observe que a ação está no corpo e a reação se faz no fio. Na outra extremidade, o fio puxa o teto para baixo e este Resistência dos Materiais 33 reage puxando o fio para cima com uma força de intensidade Fteto (figura c). Como o fio também está em equilíbrio, a resultante das forças no fio deve ser nula, ou seja: • A força de contato Fteto tem igual intensidade e sentido oposto ao de Fteto, conforme mostra no item c. • No teto (em b), também está em equilíbrio, a força Fteto, que é ação do fio e do corpo sobre ele, que é equilibrada pela ação do teto, que a sustenta. Para entendermos melhor como o princípio da ação e reação atua sobre os corpos, vamos ver um exercício resolvido. EXEMPLO: Dado o sistema indicado na figura a seguir, determine as Forças de Trações (BT) nos fios AB e AC, sabendo que o sistema está em equilíbrio. Dados: P = 100N sen(30°) = 0,5 sen(45°) = 0,707 sen(105°) = 0,966 Figura 16 - Exemplo de corpo suspenso para exercício resolvido 45º60º A C B Fonte: Adaptado de Bueno e Ventavoli (2016, posição 952). É conveniente iniciar a construção do polígono por um vetor conhecido. Dessa forma, comece pelo vetor P, em um ponto qualquer do plano. Na sequência, trace a linha de ação da força FAC com origem na extremidade de P e direção de 30° em relação à linha de ação vertical da força P. Resistência dos Materiais 34 Figura 17 - Exemplo de exercício resolvido - construção do polígono vetorial A B Origem estabelecidaEixo de FAC FAC 30º Fonte: Adaptado de Bueno e Ventavoli (2016, posição 969). O módulo da força FAC (indicado pelo comprimento do segmento) não é conhecido, o que dificulta saber onde o vetor termina. No entanto, a força FAB deve terminar na origem da força P, formando um ângulo de 45° com a direção vertical. Basta, então, traçar a linha de ação da força FAB e encontrar o ponto de intersecção das linhas de ação. Esse ponto define o módulo das forças FAB e FAC, conforme mostrado na figura a seguir. Figura 18 - Continuidade do exercício resolvido - representação do polígono vetorial Origem estabelecidaEixo de FAC Eixo de FAC FAC FAB α 45 30 Fonte: Adaptado de Bueno e Ventavoli (2016, posição 980). Aplicando a lei dos senos ao triângulo do polígono de forças e lembrando que a soma dos ângulos internos de um triângulo deve ser 180°, pode-se determinar α: α + 30° + 45° = 180° α = 105° Calculando: 100/sen105° = FAB/sen30° = FAC/sen45° 100/0,966 = FAB/0,5 = FAC/0,707 Para FAB: 100/0,966 = FAB/0,5 FAB = 100x0,5/0,966 FAB = 51,2N Resistência dos Materiais 35 Para FAC: 100/0,966 = FAC/0,707 FAC = 100x0,707/0,966 FAB = 73,2N Portanto, as Forças de Trações FT nos fios AB e AC, para que o sistema esteja em equilíbrio, são respectivamente 51,2 N e 73,2 N (BUENO, 2016). RESUMINDO: E então? Gostou do conteúdo aprendido até aqui? Bastante conteúdo não mesmo? Neste capítulo vimos alguns conceitos básicos que serão utilizados para o entendimento de resistência dos materiais. Aprendemos sobre a estática e como ela estuda o equilíbrio dos corpos rígidos, em repouso ou em movimento uniforme. Também vimos o conceito de força e como ela é um agente capaz de modificar o estado de movimento de um corpo ou deformá-lo. Entendemos que a massa é uma grandeza escalar que indica a quantidade de matéria de um corpo. Vimos também a aceleração gravitacional e como ela influencia os corpos, quando eles estão próximo à superfície dos planetas, eles adquirem uma aceleração constante denominada g. Não podemos esquecer do peso dos corpos que é a força gravitacional, decorrente da atração exercida num corpo na superfície de um astro celeste. O quilograma-força é uma unidade definida como sendo a força exercida por uma massa de um quilograma sujeita à certa gravidade. E por último aprendemos sobre o princípio da ação e reação, as Forças de Ação e Reação entre corpos (Terceira Lei de Newton) têm a característica de possuírem a mesma intensidade, a mesma direção, porém com sentidos opostos, terem a mesma natureza e ambas serem de campo ou ambas de contato. Curioso pelo que vem a seguir, aposto! Você já está com a base necessária para nos aprofundarmos na área e conhecimento de resistência dos materiais! Vamos em frente! Resistência dos Materiais 36 Tração e compressão OBJETIVO: Neste capítulo, veremos como funcionam os ensaios de tração e compressão, entenderemos como ler o resultado desses ensaios, que são expressos em curvas de tensão – deformação. Também veremos como são os corpos de prova desses ensaios e as máquinas utilizadas para a realização dos ensaios de tração ou compressão. Interessante, não é mesmo? Vamos em frente! Agora vamos aprender sobre as propriedades mecânicas dos materiais, mais precisamente a tração e a compressão. Os efeitos produzidos pelas forças que atuam sobre um corpo variam de acordo com a direção, o sentido e o ponto de aplicação dessas forças. Quando as forças agem para fora do corpo, tendendo a alongá-lo no sentido da sua linha de aplicação, chamamos de tração, se as forças agem para dentro, tendendo a encurtá-lo ou comprimi-lo no sentido da carga aplicada, chamamos de compressão. Figura 19 - Exemplo de corpo em tração e compressão Fonte: Adaptado de Judice (2005). Ensaios de tração Os ensaios laboratoriais de tração consistem na aplicação de uma carga de tração uniaxial crescente em um corpo de provaespecífico até que este atinja a sua ruptura. Esses ensaios são comumente utilizados com Resistência dos Materiais 37 o objetivo de descobrir, mapear e fornecer as características mecânicas dos materiais. Através deles é possível determinar as deformações que esse material pode sofrer ao ser submetido a certa carga e assim determinar a resistência do material quando submetido a uma tração. Em um teste de tração, o corpo de prova perde sua uniformidade no momento em que é atingida a carga máxima suportada por ele, a ruptura do material geralmente ocorre em sua região mais estreita. Corpo de prova ensaio de tração Atualmente, tipos de corpo de prova são utilizados em ensaios de tração, vamos citar dois deles: o circular e o retangular. No corpo de prova circular, o diâmetro padrão é de aproximadamente 12,8 mm, enquanto a seção reduzida deve ser pelo menos quatro vezes esse diâmetro. O corpo de prova circular é utilizado geralmente em ensaios com produtos acabados com seção circular, forma irregular ou espessura excessivamente grande (MELCONIAN, 2002). Figura 20 - Corpo de prova circular (1), corpo de prova retangular (2) Fonte: Adaptado de Dias (2011). O corpo de prova retangular é menos utilizado que o circular, sendo constantemente utilizado para chapas. Segundo a norma (ASTM - American Society for Testing and Materials) D-638-08, o corpo de prova retangular deve ter as seguintes dimensões: comprimento útil de 50 mm, espessura igual a 2 mm, largura igual a 13 mm (DIAS, 2011). Resistência dos Materiais 38 Máquinas de ensaio de tração O corpo de prova é preso pelas extremidades nas garras de fixação à máquina de ensaio de tração, a qual vai alongando o corpo de prova a uma taxa constante (a força exercida sobre o corpo de prova aumenta a uma taxa constante). As máquinas utilizadas no ensaio de tração criam um diagrama de carga x deslocamento, tornando possível que se calcule também o módulo de elasticidade, a tensão limite de ruptura e o alongamento total do material em análise. Figura 21 - Sequência de ensaio em corpo de prova retangular - (a) fixação, (b) deformação, (c) ruptura Fonte: Adaptado de Judice (2005). Quanto ao tipo de operação, as máquinas de ensaio podem ser eletromecânicas ou hidráulicas. Vale destacar que essa mesma máquina também é utilizada em ensaios de compressão (JUDICE, 2005). Resultado de um ensaio de tração Quando um corpo de prova é submetido a um ensaio de tração, a máquina de ensaio fornece um gráfico que mostra as relações entre a força aplicada e as deformações ocorridas durante o ciclo. Mas o que nos interessa para determinar as propriedades do material ensaiado é a relação entre a tensão e a deformação. A tensão corresponde à força dividida pela área da seção sobre a qual a força é aplicada (MELCONIAN, 2002). Resistência dos Materiais 39 Figura 22 - Gráfico tensão – deformação Fonte: Adaptado de Dias (2011). • Deformação elástica: a deformação elástica permanece constante durante o período em que a carga é mantida constante. Após a remoção da carga, a deformação é totalmente recuperada, ou seja, a deformação imediatamente retorna para o valor zero. Na fase elástica os metais obedecem a Lei de Hooke (MELCONIAN, 2002). • Deformação plástica: acima de certa tensão, os materiais começam a se deformar plasticamente ocorrendo deformações permanentes. 1. Limite de escoamento: é o ponto no qual as deformações permanentes começam a se tornar significativas. 2. Limite de resistência à tração: a tensão necessária para continuar a deformar um metal aumenta até um ponto máximo, correspondente à maior tensão que o material pode resistir. 3. Limite de ruptura: começa a se formar uma estricção, na qual toda a deformação posterior está confinada nesta região que ocorrerá a ruptura. Fratura A fratura é a separação ou fragmentação de um corpo sólido em duas ou mais partes sob ação de uma tensão, podendo ser classificada em duas categorias gerais: fratura dúctil e frágil. Resistência dos Materiais 40 Figura 23 - Exemplos de ruptura frágil e ruptura dúctil Fonte: Adaptado de Dias (2011). • Fratura dúctil: quando existe grande deformação plástica acompanhando a fratura. • Fratura frágil: quando a deformação plástica que acompanha a fratura é pequena ou imperceptível e a propagação das trincas é rápida (DIAS, 2011). Lei de Hooke O físico Robert Hooke descobriu a deformação elástica em 1660. Com algumas observações, pode-se concluir que quanto maior for o peso de um objeto suspenso a uma das pontas de uma mola, onde a outra ponta está fixa, maior será a deformação sofrida pela mola. A força produzida pela mola é proporcional ao seu deslocamento de equilíbrio. O equilíbrio da mola ocorre quando ela está em seu estado natural (MELCONIAN, 2002). Resistência dos Materiais 41 A lei de Hooke não será mais válida quando há deformação plástica, onde há deformação causada pela ruptura das ligações atômicas, processo que ocorre pela movimentação de discordância do material (DIAS, 2011). Ensaios de compressão Os ensaios laboratoriais de compressão são realizados de forma muito semelhante aos ensaios de tração, diferenciando-se apenas pelo fato de que a força é compressiva e o corpo de prova se contrai ao longo da direção da tensão. Nos ensaios de compressão, os corpos de prova são submetidos a uma força axial para dentro, distribuída de modo uniforme em toda seção transversal do corpo de prova. Figura 24 - Máquina e corpo de prova em um ensaio de compressão Fonte: Adaptado de Judice (2015). Os ensaios de compressão são realizados na mesma máquina universal utilizada nos ensaios de tração, apenas com adaptação de duas placas lisas, uma fixa e outra móvel, onde entre elas é apoiado o corpo de prova. Corpo de prova no ensaio de compressão Nos ensaios de compressão os corpos de prova utilizados têm formato cilíndrico, os de seção quadrada ou retangular são pouco utilizados. Os corpos de prova cilíndricos devem apresentar relação do Resistência dos Materiais 42 comprimento/diâmetro entre 2 e 8. O comprimento não deve ser muito grande para evitar que ocorra a flambagem, nem muito pequeno para evitar que efeitos de atrito nas superfícies de contato com a máquina influencie nos resultados (MELCONIAN, 2002). Nos materiais dúcteis ocorre uma deformação lateral visível. Essa deformação prossegue até o corpo de prova parecer um disco, sem que ocorra a ruptura. No ensaio de compressão com materiais frágeis pode-se observar como propriedade mecânica o limite de resistência à compressão que o material apresenta. Figura 25 - Máquina e corpo de prova em um ensaio de compressão Fonte: Adaptado de Judice (2015). Ela pode ser avaliada dividindo a carga máxima pela seção original do corpo de prova. O ensaio de compressão é pouco utilizado para os metais devido às dificuldades encontradas para medir as propriedades avaliadas nesse tipo de ensaio. Os valores obtidos apresentam difícil verificação, o que pode levar a erros. Dentre as dificuldades encontradas nesse ensaio, pode- se destacar o atrito gerado entre o corpo de prova e a máquina, pois a deformação lateral do corpo de prova é barrada pelo atrito. Para evitar que isso ocorra, deve-se revestir as faces superior e inferior do corpo de prova com um material de baixo atrito, como a parafina. Outra dificuldade encontrada é a ocorrência da flambagem, sendo ela o curvamento do corpo de prova decorrente da grande diferença entre seu comprimento e o diâmetro (MELCONIAN, 2002). Resistência dos Materiais 43 RESUMINDO: Aprendeu tudo o que foi mostrado? Bastante conteúdo não é mesmo? Dá para entender melhor como as coisas funcionam, certo? Neste capítulo, focamos em entender a tração e a compressão. Vimos que os efeitos produzidos pelas forças que atuam sobre um corpo variam de acordo com a direção, o sentido e o ponto deaplicação dessas forças. A tração possui as forças agindo para fora do corpo, tendendo a alongá-lo no sentido da sua linha de aplicação, já a compressão possui as forças agindo para dentro, tendendo encurtá-lo ou comprimi-lo no sentido da carga aplicada. Também vimos como são feitos os ensaios de tração ou compressão, os dois utilizam a mesma máquina, a qual atua em sentidos opostos dependendo do teste a ser executado. Entendemos como são os corpos de ensaio e suas diferenças. Visualizamos o resultado dos testes de tração ou compressão, que é a curva de tensão x deformação. É possível ver a importância e utilidade destes testes e conceitos, não é mesmo? Resistência dos Materiais 44 REFERÊNCIAS ALLEN III, J. H. Mechanics of Materials for Dummies. Indianopolis: Wiley Publishing, Inc., 2011. ALVES, C. C. Mecânica: projetos e ensaios mecânicos. 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B.; CRIVELARO, M. Fundamentos de resistência dos Materiais. Rio de Janeiro: LTC, 2017. Resistência dos Materiais Introdução à resistência dos materiais Introdução Mecânica Sistema Internacional de Medidas Aplicabilidade da resistência dos materiais e suas características Aplicações e características Vetores Adição de vetores Subtração de vetores Vetores perpendiculares Vetores com ângulos diversos Conceitos básicos sobre resistência dos materiais Estática Conceito de força Massa Aceleração gravitacional Peso dos corpos Quilograma-força (kgf) Princípios da ação e reação Tração e compressão Ensaios de tração Corpo de prova ensaio de tração Máquinas de ensaio de tração Resultado de um ensaio de tração Fratura Lei de Hooke Ensaios de compressão Corpo de prova no ensaio de compressão