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1. (Ufms) Assinale a alternativa INCORRETA sobre a afirmação que segue: “O Modernismo brasileiro se caracterizou por três fases e podemos caracterizá-las das seguintes maneiras”. a) Na primeira fase, contavam-se entre seus objetivos uma nova visão crítica sobre a formação cultural, rompimento com os valores colonialistas, nacionalismo crítico e linguagem coloquial, com ênfase na ironia, e seu autor mais reconhecido foi Mário de Andrade. b) Na segunda fase, houve retorno aos valores do século XIX; as obras possuíam caráter universalista, linguagem erudita, e o seu grande autor foi Raimundo Correia. c) A terceira fase foi marcada por abordagens artísticas de caráter regional-universal, a poesia sofreu influência do Simbolismo e a valorização dos aspectos formais da métrica e rima. Seu grande nome foi João Cabral de Melo Neto. d) Manuel Bandeira e Alcântara Machado foram nomes relevantes da primeira fase. e) Carlos Drummond de Andrade, com poemas de versos livres, criatividade com a linguagem, amplitude temática de forma objetiva e lírica fez parte da segunda fase do Modernismo brasileiro. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Rios sem discurso Quando um rio corta, corta-se de vez o discurso-rio de água que ele fazia; cortado, a água se quebra em pedaços, em poços de água, em água paralitica. Em situação de poço, a água equivale a uma palavra em situação dicionária: isolada, estanque no poço dela mesma, e porque assim estanque, estancada; e mais: porque assim estancada, muda, e muda porque com nenhuma comunica, porque cortou-se a sintaxe desse rio, o fio de água por que ele discorria. João Cabral de Melo Neto. A educação pela pedra. 2. (Fuvest-Ete) No texto, predominam as seguintes funções da linguagem: a) fática e referencial. b) referencial e conativa. c) metalinguística e poética. d) poética e conativa. e) metalinguística e fática. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Leia o trecho do romance Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa. Sei que estou contando errado, pelos altos. Desemendo. Mas não é por disfarçar, não pense. De grave, na lei do comum, disse ao senhor quase tudo. Não crio receio. O senhor é homem de pensar o dos outros como sendo o seu, não é criatura de pôr denúncia. E meus feitos já revogaram, prescrição dita. Tenho meu respeito firmado. Agora, sou anta empoçada, ninguém me caça. Da vida pouco me resta – só o deo-gratias; e o troco. Bobeia. Na feira de São João Branco, um homem andava falando: – “A pátria não pode nada com a velhice...” Discordo. A pátria é dos velhos, mais. Era um homem maluco, os dedos cheios de anéis velhos sem valor, as pedras retiradas – ele dizia: aqueles todos anéis davam até choque elétrico... Não. Eu estou contando assim, porque é o meu jeito de contar. Guerras e batalhas? Isso é como jogo de baralho, verte, reverte. Os revoltosos depois passaram por aqui, soldados de Prestes, vinham de Goiás, reclamavam posse de todos os animais de sela. Sei que deram fogo, na barra do Urucuia, em São Romão, aonde aportou um vapor do Governo, cheio de tropas da Bahia. Muitos anos adiante, um roceiro vai lavrar um pau, encontra balas cravadas. O que vale, são outras coisas. A lembrança da vida da gente se guarda em trechos diversos, cada um com seu signo e sentimento, uns com os outros acho que nem não misturam. Contar seguido, alinhavado, só mesmo sendo as coisas de rasa importância. De cada vivimento que eu real tive, de alegria forte ou pesar, cada vez daquela hoje vejo que eu era como se fosse diferente pessoa. Sucedido desgovernado. Assim eu acho, assim é que eu conto. [...] Tem horas antigas que ficaram muito mais perto da gente do que outras, de recente data. O senhor mesmo sabe. (Grande sertão: veredas, 2015.) 3. (Unesp) No texto, o narrador a) sugere que a narração de eventos significativos não permite uma visão abrangente da vida. b) admite que sua narrativa sinuosa visa confundir e enganar o seu interlocutor. c) sugere que a narração de eventos significativos não cabe em uma narrativa linear. d) alega que sua narrativa linear busca conferir coerência e sentido a uma vida de desacertos. e) alega que uma narrativa sinuosa conduz a uma compreensão limitada da existência. 4. (Fuvest) Agora, o Manuel Fulô, este, sim! Um sujeito pingadinho, quase menino – “pepino que encorujou desde pequeno” – cara de bobo de fazenda, do segundo tipo –; porque toda fazenda tem o seu bobo, que é, ou um velhote baixote, de barba rara no queixo, ou um eterno rapazola, meio surdo, gago, glabro* e alvar**. Mas gostava de fechar a cara e roncar voz, todo enfarruscado, para mostrar brabeza, e só por descuido sorria, um sorriso manhoso de dono de hotel. E, em suas feições de caburé*** insalubre, amigavam‐se as marcas do sangue aimoré e do gálico herdado: cabelo preto, corrido, que boi lambeu; dentes de fio em meia‐lua; malares pontudos; lobo da orelha aderente; testa curta, fugidia; olhinhos de viés e nariz peba, mongol. Guimarães Rosa, “Corpo fechado”, de Sagarana. *sem pelos, sem barba **tolo ***mestiço O retrato de Manuel Fulô, tal como aparece no fragmento, permite afirmar que a) há clara antipatia do narrador para com a personagem, que por isso é caracterizada como “bobo de fazenda”. b) estão presentes traços de diferentes etnias, de modo a refletir a mescla de culturas própria ao estilo do livro. c) a expressão “caburé insalubre” denota o determinismo biológico que norteia o livro. d) é irônico o trecho “para mostrar brabeza”, pois ao fim da narrativa Manuel Fulô sofre derrota na luta física. e) se apontam em sua fisionomia os “olhinhos de viés” para caracterizar a personagem como ingênua. 5. (Uel) Leia o trecho a seguir. “Não se arrependeu um só instante de ter rompido com Macabéa pois seu destino era o de subir para um dia entrar no mundo dos outros. Ele tinha fome de ser outro.” LISPECTOR, Clarice. A hora da estrela. 10. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984. p. 75. Com base no trecho, assinale a alternativa correta. a) Olímpico rompera com Macabéa, pois havia recebido uma proposta de trabalho vantajosa e precisaria morar em outra cidade. b) O fim do namoro entre Olímpico e Macabéa evidencia a ambição do rapaz em contraste com a estagnação da protagonista. c) Olímpico abandonou Macabéa porque tentara fazer sexo com ela, mas, diante dos pudores da moça, perdeu o interesse no relacionamento. d) O término do namoro deixa Macabéa tão transtornada que, ao correr de volta para casa, é atropelada por um automóvel e acaba morrendo. e) Olímpico desistiu de Macabéa porque pouco antes conhecera Glória, que, em suas estratégias de sedução, prometera fazer dele um deputado. 6. Leia o fragmento: O preço do feijão não cabe no poema. O preço do arroz não cabe no poema. Não cabem no poema o gás a luz o telefone a sonegação do leite da carne do açúcar do pão A sua é uma poesia de protesto, principalmente em Poema sujo. Participou da fase concretista. Exímio jornalista, privilegia o social. Falamos de: a) Carlos Nejar b) João Cabral de Melo Neto c) Ferreira Gullar d) Moacyr Scliar e) Gonçalves Dias 7. Sertão. Sabe o senhor: sertão é onde o pensamento da gente se forma mais forte do que o poder do lugar. Viver é muito perigoso. Pelo fragmento acima de Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa, percebe-se que neste romance, como em outros regionalistas do autor, a) O conflito entre o eu e o mundo se realiza pela interação entre as personagens e o sertão que acaba por ser mítico e metafísico. b) O sertão é um lugar perigoso, onde os habitantes sofrem as agressões do meio hostil e adverso à sobrevivência humana. c) Não existe uma região a que geograficamente se possa chamar de sertão: ele é fruto da projeção do inconsciente das personagens. d) A periculosidade da vida das personagens está circunscrita ao meio físico e social em que vivem. e) Há um conceito muito restrito de sertão, reduzido a palco de lutas entre bandos de jagunços. TEXTO PARAA PRÓXIMA QUESTÃO: Leia o trecho inicial do ensaio “Saber para quê?”, do neurocientista Sidarta Ribeiro. Vem da Antiguidade a metáfora de que o conhecimento se acumula como o volume de uma esfera em expansão. Por meio da observação e da experimentação ampliamos nosso saber sobre o universo. A superfície da esfera representa os pontos de contato com o desconhecido. À medida em que ela se expande, surgem as novas perguntas que vamos formulando. Por essa razão, o incógnito – aquilo que sabemos que ignoramos – cresce junto com o conhecimento. Lá fora, além da superfície da esfera, jaz o insabido verdadeiro: todas as coisas que nem sabemos que não sabemos. Mas saber para quê? Parafraseando o dito popular, pouca ciência com sabedoria é muito, muita ciência sem sabedoria é nada. (Sidarta Ribeiro. Limiar: ciência e vida contemporânea, 2020.) 8. (Albert Einstein - Medicina) De acordo com o autor, o verdadeiro insabido seria a) o desprezo pela sabedoria resultante da ciência. b) a ignorância daquilo que não sabemos. c) o desprezo por aquilo que não sabemos. d) o conhecimento de nossa própria ignorância. e) a ignorância de nossa própria essência. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Leia o trecho do conto-prefácio “Hipotrélico”, que integra o livro Tutameia, de João Guimarães Rosa. Há o hipotrélico. O termo é novo, de impesquisada origem e ainda sem definição que lhe apanhe em todas as pétalas o significado. Sabe-se, só, que vem do bom português. Para a prática, tome-se hipotrélico querendo dizer: antipodático, sengraçante imprizido; ou, talvez, vice-dito: indivíduo pedante, importuno agudo, falto de respeito para com a opinião alheia. Sob mais que, tratando-se de palavra inventada, e, como adiante se verá, embirrando o hipotrélico em não tolerar neologismos, começa ele por se negar nominalmente a própria existência. Somos todos, neste ponto, um tento ou cento hipotrélicos? Salvo o excepto, um neologismo contunde, confunde, quase ofende. Perspica-nos a inércia que soneja em cada canto do espírito, e que se refestela com os bons hábitos estadados. Se é que um não se assuste: saia todo-o-mundo a empinar vocábulos seus, e aonde é que se vai dar com a língua tida e herdada? Assenta-nos bem à modéstia achar que o novo não valerá o velho; ajusta-se à melhor prudência relegar o progresso no passado. [...] Já outro, contudo, respeitável, é o caso – enfim – de “hipotrélico”, motivo e base desta fábula diversa, e que vem do bom português. O bom português, homem-de-bem e muitíssimo inteligente, mas que, quando ou quando, neologizava, segundo suas necessidades íntimas. Ora, pois, numa roda, dizia ele, de algum sicrano, terceiro, ausente: – E ele é muito hiputrélico... Ao que, o indesejável maçante, não se contendo, emitiu o veto: – Olhe, meu amigo, essa palavra não existe. Parou o bom português, a olhá-lo, seu tanto perplexo: – Como?!... Ora... Pois se eu a estou a dizer? – É. Mas não existe. Aí, o bom português, ainda meio enfigadado, mas no tom já feliz de descoberta, e apontando para o outro, peremptório: – O senhor também é hiputrélico... E ficou havendo. (Tutameia, 1979.) 9. (Unesp) O efeito cômico do texto deriva, sobretudo, da ambiguidade da expressão a) “homem-de-bem”. b) “bom português”. c) “indesejável maçante”. d) “necessidades íntimas”. e) “indivíduo pedante”. TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES: Leia o trecho do romance Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa. Sei que estou contando errado, pelos altos. Desemendo. Mas não é por disfarçar, não pense. De grave, na lei do comum, disse ao senhor quase tudo. Não crio receio. O senhor é homem de pensar o dos outros como sendo o seu, não é criatura de pôr denúncia. E meus feitos já revogaram, prescrição dita. Tenho meu respeito firmado. Agora, sou anta empoçada, ninguém me caça. Da vida pouco me resta – só o deo-gratias; e o troco. Bobeia. Na feira de São João Branco, um homem andava falando: – “A pátria não pode nada com a velhice...” Discordo. A pátria é dos velhos, mais. Era um homem maluco, os dedos cheios de anéis velhos sem valor, as pedras retiradas – ele dizia: aqueles todos anéis davam até choque elétrico... Não. Eu estou contando assim, porque é o meu jeito de contar. Guerras e batalhas? Isso é como jogo de baralho, verte, reverte. Os revoltosos depois passaram por aqui, soldados de Prestes, vinham de Goiás, reclamavam posse de todos os animais de sela. Sei que deram fogo, na barra do Urucuia, em São Romão, aonde aportou um vapor do Governo, cheio de tropas da Bahia. Muitos anos adiante, um roceiro vai lavrar um pau, encontra balas cravadas. O que vale, são outras coisas. A lembrança da vida da gente se guarda em trechos diversos, cada um com seu signo e sentimento, uns com os outros acho que nem não misturam. Contar seguido, alinhavado, só mesmo sendo as coisas de rasa importância. De cada vivimento que eu real tive, de alegria forte ou pesar, cada vez daquela hoje vejo que eu era como se fosse diferente pessoa. Sucedido desgovernado. Assim eu acho, assim é que eu conto. [...] Tem horas antigas que ficaram muito mais perto da gente do que outras, de recente data. O senhor mesmo sabe. (Grande sertão: veredas, 2015.) 10. (Unesp) No trecho “O senhor é homem de pensar o dos outros como sendo o seu, não é criatura de pôr denúncia”, o narrador caracteriza seu interlocutor como a) desrespeitoso. b) distraído. c) presunçoso. d) indulgente. e) perseverante. 11. (Unesp) Dupla negação: emprego conjugado de palavras negativas. (Celso Pedro Luft. Abc da língua culta, 2010. Adaptado.) Observa-se a ocorrência de dupla negação no trecho: a) “A lembrança da vida da gente se guarda em trechos diversos, cada um com seu signo e sentimento, uns com os outros acho que nem não misturam.” b) “Mas não é por disfarçar, não pense.” c) “O senhor é homem de pensar o dos outros como sendo o seu, não é criatura de pôr denúncia.” d) “Agora, sou anta empoçada, ninguém me caça.” e) “De cada vivimento que eu real tive, de alegria forte ou pesar, cada vez daquela hoje vejo que eu era como se fosse diferente pessoa.” TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Retrato Cecília Meireles Eu não tinha este rosto de hoje, Assim calmo, assim triste, assim magro, Nem estes olhos tão vazios, Nem o lábio amargo. Eu não tinha estas mãos sem força, Tão paradas e frias e mortas; Eu não tinha este coração Que nem se mostra. Eu não dei por esta mudança, Tão simples, tão certa, tão fácil: – Em que espelho ficou perdida a minha face? 12. (Uece) Cecília Meireles é um dos maiores nomes da literatura brasileira. Poeta, jornalista, escritora, professora e musicista. Pelas características de sua obra literária e pelo contexto histórico em que se encontra, a escritora pode ser associada ao momento literário denominado de a) Romantismo. b) Parnasianismo. c) Simbolista. d) Modernista. 13. (Fuvest) O que eu precisava era ler um romance fantástico, um romance besta, em que os homens e as mulheres fossem criações absurdas, não andassem magoando‐se, traindo‐se. Histórias fáceis, sem almas complicadas. Infelizmente essas leituras já não me comovem. Graciliano Ramos, Angústia. Se o discurso literário “aclara o real ao desligar‐se dele, transfigurando‐o”, pode‐se dizer que Luís da Silva, o narrador-protagonista de Angústia, já não se comove com a leitura de “histórias fáceis, sem almas complicadas” porque a) rejeita, como jornalista, a escrita de ficção. b) prefere alienar‐se com narrativas épicas. c) é indiferente às histórias de fundo sentimental. d) está engajado na militância política. e) se afunda na negatividade própria do fracassado. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: O elefante Fabrico um elefante de meus poucos recursos. Um tanto de madeira tirado a velhos móveis talvez lhe dê apoio. E o encho de algodão, de paina, de doçura. A cola vai fixar suas orelhas pensas. A tromba se enovela, é a parte mais feliz de sua arquitetura. Mas há também as presas, dessa matéria pura que não seifigurar. Tão alva essa riqueza a espojar-se nos circos sem perda ou corrupção. E há por fim os olhos, onde se deposita a parte do elefante mais fluida e permanente, alheia a toda fraude. Eis o meu pobre elefante pronto para sair à procura de amigos num mundo enfastiado que já não crê em bichos e duvida das coisas. Ei-lo, massa imponente e frágil, que se abana e move lentamente a pele costurada onde há flores de pano e nuvens, alusões a um mundo mais poético onde o amor reagrupa as formas naturais. Vai o meu elefante pela rua povoada, mas não o querem ver nem mesmo para rir da cauda que ameaça deixá-lo ir sozinho. É todo graça, embora as pernas não ajudem e seu ventre balofo se arrisque a desabar ao mais leve empurrão. Mostra com elegância sua mínima vida, e não há cidade alma que se disponha a recolher em si desse corpo sensível a fugitiva imagem, o passo desastrado mas faminto e tocante. Mas faminto de seres e situações patéticas, de encontros ao luar no mais profundo oceano, sob a raiz das árvores ou no seio das conchas, de luzes que não cegam e brilham através dos troncos mais espessos. Esse passo que vai sem esmagar as plantas no campo de batalha, à procura de sítios, segredos, episódios não contados em livro, de que apenas o vento, as folhas, a formiga reconhecem o talhe, mas que os homens ignoram, pois só ousam mostrar-se sob a paz das cortinas à pálpebra cerrada. E já tarde da noite volta meu elefante, mas volta fatigado, as patas vacilantes se desmancham no pó. Ele não encontrou o de que carecia, o de que carecemos, eu e meu elefante, em que amo disfarçar-me. Exausto de pesquisa, caiu-lhe o vasto engenho como simples papel. A cola se dissolve e todo o seu conteúdo de perdão, de carícia, de pluma, de algodão, jorra sobre o tapete, qual mito desmontado. Amanhã recomeço. ANDRADE, Carlos Drummond de. O ElefanteO. 9ª ed. - São Paulo: Editora Record, 1983. 14. (Ime) Considere os versos 95 a 98 do poema, transcritos abaixo: “e todo o seu conteúdo de perdão, de carícia, de pluma, de algodão, jorra sobre o tapete,” A figura de linguagem construída a partir de uma relação entre os campos semânticos evocados pelo título do poema e de seus versos acima destacados é a (o) a) ambiguidade. b) apóstrofe. c) antítese. d) eufemismo. e) metonímia. 15. (Enem) O trabalho não era penoso: colar rótulos, meter vidros em caixas, etiquetá-las, selá-las, envolvê-las em papel celofane, branco, verde, azul, conforme o produto, separá-las em dúzias... Era fastidioso. Para passar mais rapidamente as oito horas havia o remédio: conversar. Era proibido, mas quem ia atrás de proibições? O patrão vinha? Vinha o encarregado do serviço? Calavam o bico, aplicavam-se ao trabalho. Mal viravam as costas, voltavam a taramelar. As mãos não paravam, as línguas não paravam. Nessas conversas intermináveis, de linguagem solta e assuntos crus, Leniza se completou. Isabela, Afonsina, Idália, Jurete, Deolinda – foram mestras. O mundo acabou de se desvendar. Leniza perdeu o tom ingênuo que ainda podia ter. Ganhou um jogar de corpo que convida, um quebrar de olhos que promete tudo, à toa, gratuitamente. Modificou-se o timbre de sua voz. Ficou mais quente. A própria inteligência se transformou. Tornou-se mais aguda, mais trepidamente. REBELO, M. A estrela sobe. Rio de Janeiro: José Olympio, 2009. O romance, de 1939, trazer à cena tipos e situações que espelham o Rio de Janeiro daquela década. No fragmento, o narrador delineia esse contexto centrado no a) julgamento da mulher fora do espaço doméstico. b) relato sobre as condições de trabalho no Estado Novo. c) destaque a grupos populares na condição de protagonistas. d) processo de inclusão do palavrão nos hábitos de linguagem. e) vínculo entre as transformações urbanas e os papéis femininos. Gabarito Resposta da questão 1: [B] A segunda fase do Modernismo brasileiro, conhecido como “Geração de 30”, sofreu influência do contexto histórico da época, com conflitos políticos e sociais. Em meio a isso, as obras relacionavam-se aos fatos contemporâneos, voltadas a temáticas sociais e culturais, com liberdade nos usos da linguagem e das formas textuais produzidas. Resposta da questão 2: [C] No texto, predominam as funções metalinguística e poética da linguagem. A primeira, porque a mensagem utiliza o próprio código para falar dele mesmo e a segunda, pela forma com que a palavra é trabalhada pelo autor e comunicada de forma atraente e sugestiva para o leitor. Assim, é correta a opção [C]. Resposta da questão 3: [C] É correta a opção [C], pois a frase “Contar seguido, alinhavado, só mesmo sendo as coisas de rasa importância” é bastante elucidativa sobre a forma como o narrador sugere que a narração de eventos significativos não cabe em uma narrativa linear. Resposta da questão 4: [B] Nas últimas linhas do excerto, a descrição de Manuel Fulô revela as marcas étnicas do personagem, de “sangue aimoré e do gálico”, mescla de culturas que se observa também no estilo de “Sagarana”: prosa popular e culta, regional e universal, simples e inventiva, mítica e racional. Assim, é correta a opção [B]. Resposta da questão 5: [B] Olímpico era ambicioso, enquanto Macabéa era inexpressiva. Ele não recebe proposta de trabalho nem promessas de Glória. O namoro não é marcado por investidas sexuais significativas do rapaz. E o fim do namoro não causa grandes transtornos a Macabéa; o atropelamento e a morte ocorrem após a consulta com a cartomante. 6. Não há como duvidarmos de que o poema citado no enunciado da questão diz respeito à Ferreira Gullar, demarcando-se, assim, como correta a letra “C”. Ele, por sua vez, a partir do início dos anos 60, havendo rompido com as correntes vanguardistas, começou a entrar em contato com as correntes sociais que tanto assolavam a realidade brasileira da época vigente. Dessa forma, imbuído nesse propósito, passou a fazer poesia de cunho participante, cuja proposta era voltada para os aspectos da sociedade de uma forma geral. 7. A alternativa que melhor se aplica aos traços norteadores da obra de João Guimarães Rosa se refere à demarcada pela letra “C”, haja vista que, como expresso, o sertão não se limita ao espaço geográfico, ao contrário, em vez de se limitar, ele faz uma abrangência ainda maior, abarcando, sobretudo, questões de ordem metafísica a que se encontram submetidos os seres humanos de uma forma geral. Dessa forma, ele aponta o homem, considerado como ser universal, vivendo em meio às situações conflitantes de seu tempo, demarcadas pelas oposições existentes entre o bem o e mal, o amor e a violência, a existência ou não de Deus e do Diabo. Resposta da questão 8: [B] O termo “insabido” está, no contexto, associado à expressão “aquilo que sabemos que ignoramos”: a ignorância daquilo que não sabemos, como transcrito em [B]. Resposta da questão 9: [B] É correta a opção [B], pois o efeito cômico deriva, sobretudo, da ambiguidade da expressão “bom português” em que o substantivo tanto pode referir-se ao padrão culto do idioma como ao natural de Portugal. Resposta da questão 10: [D] Ao afirmar que o interlocutor é “homem de pensar o dos outros como sendo o seu, não é criatura de pôr denúncia”, o narrador caracteriza-o como pessoa que perdoa, desculpa ou releva facilmente, ou seja, clemente, tolerante ou indulgente, como mencionado em [D]. Resposta da questão 11: [A] Na frase da opção [A], “uns com os outros acho que nem não misturam”, os advérbios “nem” e “não” configuram uma dupla negação. Resposta da questão 12: [D] Cecília Meireles, nascida em 1901, escrevia na época do modernismo, e, ainda que sua obra possa apresentar características de outros movimentos literários, como do simbolismo, ela é considerada uma escritora da segunda geração modernista. Resposta da questão 13: [E] O romance “Angústia”, narrado pelo personagem principal, o funcionário público Luís da Silva, apresenta estrutura autobiográfica de um homem atormentado por acontecimentos do presente e lembrançasconfusas do passado, isolamento e complexo de inferioridade, que vai confessando, para si mesmo, a história de um amor mal resolvido e de um crime. De mestre-escola em propriedades rurais, mendigo na capital, revisor de jornal e até funcionário público, é marcado pelo fracasso a ponto de se sentir incapaz de vencer as adversidades que lhe vão surgindo. Assim, o relato traça o perfil psicológico de um indivíduo atormentado pela traição, pelo sentimento de perda e baixa autoestima, o que explica o fato de o personagem se ter tornado insensível ao sentimentalismo das “histórias fáceis, sem almas complicadas”, afundando-se na negatividade própria do fracassado, como mencionado em [E]. Resposta da questão 14: [C] O termo “elefante”, animal grande e desengonçado, contrasta com os termos “carícia”, “suave”, “pluma” e “algodão”, constituindo uma antítese. Assim, é correta a opção [C]. Resposta da questão 15: [E] A descrição permite perceber a transformação do mundo feminino no mundo laboral no início do século XX no Rio de Janeiro. Assim, é correta a opção [E].