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Arquitetura Moderna: 
Primeiros Passos & 
Movimentos de Vanguarda
 O mundo, no final do século XIX, encontra-se em plena 
efervescência científica e cultural;
 A Segunda Revolução Industrial (c.1870 em diante): o 
emprego da energia elétrica, o uso do motor a explosão, 
a invenção do telégrafo etc., introduzem profundas 
mudanças nos processos produtivos, na mentalidade e 
no modo de vida da população nos países ocidentais;
 As comunicações e os novos meios de transporte 
agilizam os contatos (“reduzem distâncias”), ampliam a 
mobilidade das pessoas e interferem diretamente na 
conformação das cidades.
 A sedução do “novo” e uma fé crescente nos poderes da 
ciência versus o receio do progresso; 
 Nesse período, consequentemente, também verificamos 
o crescimento dos ideais socialistas e de fortes 
movimentos sindicais;
 Enfim, é um período de grandes 
transformações no estilo de vida dos 
povos ocidentais, em suas relações de 
trabalho, nas discussões sobre as 
questões sociais etc., que naturalmente 
conduziram a mudanças na arquitetura e 
na forma de pensar as cidades.
http://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=history+of+socialism&source=images&cd=&cad=rja&docid=1TJSICikufIXRM&tbnid=6ESLp28A357SfM:&ved=0CAUQjRw&url=http://lebanonism.com/lebwp/?p=522&ei=tXSPUY7wCdWj4APUzIGwDg&bvm=bv.46340616,d.dmg&psig=AFQjCNHzILptpMFqDiMvIXWTg8cb18TQNA&ust=1368442406188567
http://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=history+of+socialism&source=images&cd=&cad=rja&docid=1TJSICikufIXRM&tbnid=6ESLp28A357SfM:&ved=0CAUQjRw&url=http://lebanonism.com/lebwp/?p=522&ei=tXSPUY7wCdWj4APUzIGwDg&bvm=bv.46340616,d.dmg&psig=AFQjCNHzILptpMFqDiMvIXWTg8cb18TQNA&ust=1368442406188567
 Não podemos deixar de citar também dois acontecimentos 
marcantes das primeiras décadas do século XX: a Primeira 
Guerra Mundial (1914-1918) e a Revolução Russa de 1917. 
A seu modo, cada uma introduziu novas questões, com 
reflexos maiores ou menores na produção arquitetônica e 
urbanística do período. 
 Os arquitetos, em diferentes países, logo 
perceberam que a Art Nouveau não era a 
opção racional para a evolução da arquitetura 
dos “novos tempos” e assim, a partir de 1900, 
logo “começaram a buscar um caminho para 
sair da selva de curvas e formas orgânicas” 
daquele estilo;
 Nesse momento, destaque para os trabalhos 
desenvolvidos em três países: Alemanha, 
França e EUA (como diz Pevsner, “neste 
momento, a Inglaterra desertou”). 
 N. Pevsner: “O que eles fizeram [entre 1900 e 1914] 
tinha de ser feito. O estilo que haviam criado estava 
claramente de acordo com a nova situação social e 
industrial da arquitetura. O século XX (...) é o século das 
massas e o século da ciência. O novo estilo, com sua
recusa a aceitar o artesanato e as extravagâncias do 
design, é perfeitamente adequado à vasta clientela 
anônima e, com suas superfícies limpas e um mínimo 
de molduras, é perfeitamente adequado à produção 
industrial de seus elementos. O aço, o vidro e o 
concreto armado não determinaram o novo estilo, mas 
pertencem a ele”.
 As primeiras residências nas quais 
pode ser reconhecido “o novo e 
original estilo do século XX” são as de 
Frank Lloyd Wright (1869-1959), 
construídas a partir da década de 1890
nas redondezas de Chicago (o 
denominado “Estilo Pradaria”). 
Winslow House (1894)
//upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/30/Frank_Lloyd_Wright_portrait.jpg
//upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/30/Frank_Lloyd_Wright_portrait.jpg
 Essas casas, numa demonstração de sua genialidade e 
perfeita compatibilidade com os novos tempos, possuem 
uma série de características que podem ser encontradas 
em casas construídas até hoje: “plantas baixas que se 
expandem livremente, exteriores e interiores que se 
integram por meio de terraços e telhados em balanço, 
cômodos que se abrem uns para os outros, 
predominância de horizontais, janelas compondo longas 
faixas” etc.
Frank W. Thomas House 
(1901)
Darwin D. Martin House (1903-1905)
Willits House (1901)
//upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/bf/Darwin_D._Martin_House.jpg
//upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/bf/Darwin_D._Martin_House.jpg
Frederick Robie House (1908-1910) – “pedra fundamental do 
modernismo” (L. Benevolo)
//upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/54/Robie_House_HABS1.jpg
//upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/54/Robie_House_HABS1.jpg
Frederick Robie House (1908-1910)
Frederick Robie House (1908-1910)
Frederick Robie House (1908-1910)
Frederick Robie House (1908-1910)
 Também em Chicago, nos 
anos 1880 e 1890, foram 
construídos os primeiros 
arranha-céus com estrutura 
metálica (William Le Baron 
Jenney: Home Insurance
Co., 1884-1885) e fachadas 
que não escondiam essas 
estruturas (Holabird & 
Roche: Marquete Building, 
1894). 
Home Insurance Building 
(ampliado em 1891, 
ganhou mais 2 andares)
http://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=William+Le+Baron+Jenney+++Home+Insurance+Co&source=images&cd=&cad=rja&docid=3BeBwQ95u9HofM&tbnid=qEu1tV-hFYNW3M:&ved=0CAUQjRw&url=http://www.chicagoarchitecture.info/Building/3168/The-Home-Insurance-Building.php&ei=PweQUc6JAebE4APT0IGACg&bvm=bv.46340616,d.dmg&psig=AFQjCNGi9QpCeTC7iS2VFPQFiEmmm2CJeA&ust=1368479770317307
http://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=William+Le+Baron+Jenney+++Home+Insurance+Co&source=images&cd=&cad=rja&docid=3BeBwQ95u9HofM&tbnid=qEu1tV-hFYNW3M:&ved=0CAUQjRw&url=http://www.chicagoarchitecture.info/Building/3168/The-Home-Insurance-Building.php&ei=PweQUc6JAebE4APT0IGACg&bvm=bv.46340616,d.dmg&psig=AFQjCNGi9QpCeTC7iS2VFPQFiEmmm2CJeA&ust=1368479770317307
Marquete Building (1894): Projeto 
de Holabird & Roche
 Nesse período, quando os arquitetos buscavam algum 
estilo de época para usar nos detalhes externos, 
geralmente recaíam no “severo e despojado” estilo 
românico.
Walker Warehouse 
(1888-89), em Chicago 
(Louis Sullivan)
 Louis Sullivan (1856-1924) - arquiteto de Chicago com 
quem Frank Lloyd Wright trabalhara no início de sua 
carreira - alcançou uma total independência do 
passado com seus famosos arranha-céus: o Wainright
Building (1890), em St. Louis, o Guaranty Building 
(1895), em Buffalo, e o Carson, Pirie & Scott Store
(1899-1904) em Chicago etc. 
O Wainwright Building de acordo
com F. L. Wright: “a primeira
expressão humana de um edifício
de escritórios de grande altura
feito em aço como Arquitetura”. 
Carson Pirie Scott 
Department Store 
(1899 / 1903-04), 
em Chicago 
(Louis Sullivan)
 Louis Sullivan (O ornamento na arquitetura, 1892): 
“Poderia dizer que seria ótimo para nosso bem 
estético se pudéssemos evitar completamente o uso 
do ornamento por alguns anos, de modo que nosso 
pensamento pudesse se concentrar intensamente na 
produção de edifícios bem formados e agradáveis em 
sua nudez. Nós (...) aprenderíamos (...) como é 
eficiente pensar de maneira natural, bem disposta e 
saudável... Aprenderíamos (...) que o ornamento é 
mentalmente um luxo, não uma necessidade (...)”.
 Do ponto de vista estético, a 
malha de pilares e peitoris que 
marcam a maior parte de seus 
edifícios, aliada à composição 
tripartite das fachadas (base –
torre – cornija) exprimem as 
teorias de Sullivan para os 
arranha-céus (modelo este, 
por sinal, que foi muito 
copiado ao longo do século 
XX).
Guaranty Building 
(1895), em Buffalo
Union Trust 
Building (1892-93), 
em St. Louis 
(L. Sullivan)
Schiller Building 
(1891-92), em
Chicago 
(L. Sullivan)
 Contrapondo-se à primazia americana nesse campo, a 
França foi o primeiro país a projetar casas com as 
características verdadeiras do concreto armado. 
Pertencem aos primeiros anos do século XX e foram 
projetadas por Tony Garnier e Auguste Perret.
Tony Garnier
(1861-1948)
Auguste Perret 
(1874-1955)
 Tony Garnier foi a Roma como bolsista da Académie em 
1901 e lá desenvolveu (em 1904) o projeto de uma 
cidade industrial “ideal”: a genial Cité Industrielle;
 Foi um trabalho pioneiro do ponto de vista de 
planejamento urbano e também do ponto de vista daaparência das edificações.
Tony Garnier: 
Cité Industrielle
visão geral
 Todos os edifícios deveriam ser essencialmente em 
concreto, as casas particulares rigidamente cúbicas e os 
edifícios públicos com amplos vãos a partir de vigas em 
balanço, “pelo menos tão ousados quanto as casas de 
(...) Wright”. (Pevsner) 
Cité Industrielle: 
setor residencial
Tony Garnier: Cité Industrielle – setor residencial
Tony Garnier: Cité Industrielle – setor residencial
 Garnier, lembremos, fora aluno de Julien Guadet
(professor da nova Académie e um dos grandes 
defensores do racionalismo) e este, por sua vez, era 
admirador das lições de Jean-Nicolas Durand (expostas 
deste 1805), que defendiam “a combinação racional de 
formas arquitetônicas” simples e regulares;
 Curiosidade: em 1908, Le Corbusier conheceu Garnier
em Lyon (França).
Matadouro de La 
Mouche, de Tony 
Garnier (1909-1928)
Tony Garnier: Cité Industrielle – estação ferroviária
Tony Garnier: Cité Industrielle (setor industrial)
 Foi Auguste Perret, contudo, o primeiro a demonstrar 
– na prática - as qualidades do concreto como um 
material mais do que “simplesmente utilitário”;
 Seu famoso bloco de 
apartamentos na Rue Franklin 
(Paris), por exemplo, data de 
1902-1903.
Auguste Perret: edifício na Rue Franklin (Paris)
Auguste Perret: revestimento cerâmico do edifício na Rue Franklin
Auguste Perret: edifício na Rue Franklin (Paris)
 Perret: garagem na Rue Ponthieu (1905), onde o concreto 
foi exposto sem nenhum revestimento.
 Entre 1911 e 1912, Perret constrói o primeiro edifício 
público em concreto armado: o Théatre des Champs
Elysées.
Auguste Perret: Theatre des Champs Elysées
 Na Alemanha, a data mais significativa é a da fundação 
da Deutscher Werkbund (Federação Alemã do Trabalho) 
em 1907, com o objetivo de ser uma associação mista 
de empresários, arquitetos e artistas (designers)
progressistas.
Caricatura referente a Exposição da 
Werkbund de 1914: Van de Velde
propõe a cadeira “individual”, 
Muthesius a “cadeira tipo” e o 
carpinteiro a cadeira para sentar-se...
 De fato, já em 1908 o arquiteto Peter Behrens (1868-
1938) fora contratado pela Allegemeine Elektrizitats
Gesellschaft (a AEG), de Berlim, para encarregar-se do 
projeto de suas novas unidades, de seus produtos, suas 
embalagens e até mesmo seus impressos. 
Fábrica da AEG de 
Peter Behrens
Projetos de Peter 
Behrens para a AEG
 A fábrica de turbinas que Behrens projetou, em Berlim, 
para a AEG (em 1909) “proclama uma nova dignidade 
para a arquitetura industrial”; representa para Kenneth 
Frampton uma afirmação “deliberada da indústria 
como o ritmo vital imperioso da vida moderna.”
 Longe de ser um projeto linear em ferro e vidro, a fábrica 
de turbinas de Behrens era “uma obra de arte 
consciente, um templo dedicado ao poder da indústria”. 
(K. Frampton)
Detalhes da fábrica de turbinas 
de Peter Behrens (Berlim)
 A “leve” estrutura de aço da fachada da fábrica de 
turbinas é rematada, em suas extremidades, por “sólidos 
elementos angulares” e esta solução, de fato, caracteriza 
praticamente todas as estruturas industriais que Behrens
projetou para a AEG. 
P. Behrens – Fábrica de Turbinas 
da AEG, de 1909 (Berlim)
P. Behrens – Fábrica de da AEG 
em Berlim-Gesunbrunnen (1912)
 O primeiro trabalho do mais importante discípulo de 
Behrens (seu funcionário até 1910, membro do mesmo 
Werkbund e futuro criador da Bauhaus), Walter 
Gropius (1883-1969), também foi uma fábrica, a Fagus
(de sapatos), em Alfeld-an-der-Leine, perto de 
Hannover, construída entre 1911 e 1914.
W. Gropius e Adolf Meyer: 
Faguswerk (1911-1914)
 Na Faguswerk, Gropius e Meyer “adaptaram a sintaxe 
da Fábrica de Turbinas de Behrens” a uma estética 
arquitetônica mais aberta;
 As extremidades, por 
exemplo, ainda servem para 
“conter” a composição 
(como nas fábricas de 
Behrens para a AEG), mas, 
enquanto as extremidades 
de Behrens eram em 
alvenaria maciça, na Fagus
elas agora passaram a ser de 
vidro. 
W. Gropius e Adolf Meyer: 
Faguswerk (1911-1914)
 Os painéis verticais de vidro, projetados a partir da 
fachada de tijolo aparente, “dão a ilusão de estar 
milagrosamente suspensos a partir do nível do 
telhado”. 
W. Gropius e A. Meyer: 
Faguswerk (1911-1914)
 Esse efeito, junto com a extremidade translúcida, 
inverte a composição da Fábrica de Turbinas, “com a 
natureza fundamentalmente plana da fachada vertical 
em vidro acentuada pela tradição “clássica” da 
estrutura revestida de tijolos”. 
 O ritmo da fachada do bloco principal da fábrica Fagus, 
as vidraças contínuas que formam os cantos do edifício 
sem nenhuma coluna no ângulo, o teto plano, a 
ausência de cornija, as faixas horizontais do pórtico, 
“tudo isso poderia levar a uma confusão de datas, 
podendo ser atribuído à década de 1930”. (Frampton)
 Curiosidade: em paralelo, numa parceria com o mesmo
Adolf Meyer, Walter Gropius atuava também como 
designer industrial, projetando o layout de uma 
locomotiva a diesel, o interior de um vagão-dormitório e, 
por último, ele e Meyer projetaram até uma “fábrica 
modelo” para a Exposição Werkbund de 1914.
 “Assim, por volta de 1914, os líderes da nova geração 
de arquitetos romperam corajosamente com o passado 
e aceitaram a era da máquina com todas as suas 
implicações: novos materiais, novos processos, novas 
formas, novos problemas”. (Pevsner) 
Frank Lloyd Wright: 
Hollis R. Root House 
(1915), em Glencoe
(Illinois)
 Antes de analisarmos a evolução do “estilo 
internacional” propriamente dito, diversas experiências 
arquitetônicas, em diferentes épocas e países, 
contribuíram com interessantes ideias e discussões;
 Embora nem todas possam ser definidas como “estilos”, 
algumas dessas manifestações arquitetônicas tiveram 
grande influência na obra de importantes arquitetos do 
século XX. 
Erich Mendelsohn: 
Mossehaus (1921-1923)
http://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=Mossehaus+++erich+mendelsohn&source=images&cd=&cad=rja&docid=cbPIWHcQgxBM6M&tbnid=Oz6zrh8RlsgASM:&ved=0CAUQjRw&url=http://decoarchitecture.tumblr.com/post/4940651155&ei=ArSTUcOnMey20QGh6YHgDA&bvm=bv.46471029,d.dmQ&psig=AFQjCNE3iP9YGuks9dy_ra1-7C-VlpIUIg&ust=1368720756368586
http://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=Mossehaus+++erich+mendelsohn&source=images&cd=&cad=rja&docid=cbPIWHcQgxBM6M&tbnid=Oz6zrh8RlsgASM:&ved=0CAUQjRw&url=http://decoarchitecture.tumblr.com/post/4940651155&ei=ArSTUcOnMey20QGh6YHgDA&bvm=bv.46471029,d.dmQ&psig=AFQjCNE3iP9YGuks9dy_ra1-7C-VlpIUIg&ust=1368720756368586
 Vários desses movimentos (ou tendências), como 
veremos, eram acompanhado de “manifestos”, que 
expunham as principais ideias e programas daqueles 
artistas e/ou arquitetos que compartilhavam dos 
mesmos princípios;
 Destaque para os seguintes movimentos: o 
“cubismo”, o “expressionismo” e o “futurismo”.
E. Mendelsohn: fábrica 
de chapéus (1921)
 O cubismo, “uma das primeiras correntes artísticas das 
chamadas vanguardas históricas do século XX”, 
manifestou-se na França entre os anos 1908 e 1910; 
 Para os artistas (pintores e escultores) cubistas, seria 
possível reduzir qualquer coisa na natureza “a formas 
geométricas perfeitas”, com as quais elas então 
poderiam ser representadas;
“Violino e Candelabro” 
(G. Braque) - 1910
 Ou seja, através da “busca dos 
elementos mais fundamentais e 
primários das artes plásticas” e das 
“próprias raízes” de cada objeto, eles 
então produziriam uma “síntese da 
realidade”.
 De fato, uma das características principais do cubismo
foi a revalorização das formas geométricas básicas: 
triângulos, retângulos, cubos etc.;
 Quanto ao termo “cubismo”, ele foi cunhado não pelos 
artistas, mas por críticos de arte da época, “totalmente 
desconcertados diante desse novo caminho de 
expressão artística”: ao visitarem as primeiras 
exposições, convencidos de que se tratava apenas de
“Fábrica, Horta de Ebbo” 
(Pablo Picasso) - 1909
uma arte experimental, começarama referir-se às obras com o nome de 
“cubos” ou “raridades cúbicas”.
 Nas artes plásticas, essa nova corrente foi representada 
por dois grandes pintores e escultores: Pablo Picasso e 
Georges Braque;
 Para muitos historiadores, 
a obra Senhoritas de 
Avignon (1907), de 
Picasso, deu início ao 
cubismo propriamente 
dito.
“Cabeça de Mulher” (P. 
Picasso) - 1909
“O Violoncelista” (O. 
Gutfreund) - 1912
 E de fato, dentre os vários movimentos artísticos que 
contribuíram para a formação do design moderno, o 
cubismo, além de ter sido um dos pioneiros, é, sem 
dúvida alguma, um dos mais importantes, tendo 
contribuído imensamente para a evolução da 
arquitetura mundial;
 Dessa forma, ao “romper com várias características da 
arquitetura renascentista, com a continuidade espacial, 
com a aproximação do interior e exterior”, a arquitetura 
cubista “inovou e radicalizou” na sua forma de 
expressão arquitetônica. 
 Os edifícios baseados nos princípios cubistas, portanto, 
são normalmente projetados com formas geométricas
entrelaçadas/justapostas, lembrando cristais;
 Destaque, por exemplo, para a arquitetura cubista da 
Tchecoslováquia (Praga).
Josef Chochol: Villa Bedric
Kovarovic (1912-1913)
http://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=joseph+chochol&source=images&cd=&cad=rja&docid=tNiWRbhD3RBGzM&tbnid=Eh76P2S31EdZ0M:&ved=0CAUQjRw&url=http://www.thehousethatlarsbuilt.com/2010/01/cubist-architecture.html&ei=BLmTUefwN--50QHz7IDIBQ&psig=AFQjCNF8T25zREww8rrSOAHsoV_RyLSNbQ&ust=1368722035376150
http://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=joseph+chochol&source=images&cd=&cad=rja&docid=tNiWRbhD3RBGzM&tbnid=Eh76P2S31EdZ0M:&ved=0CAUQjRw&url=http://www.thehousethatlarsbuilt.com/2010/01/cubist-architecture.html&ei=BLmTUefwN--50QHz7IDIBQ&psig=AFQjCNF8T25zREww8rrSOAHsoV_RyLSNbQ&ust=1368722035376150
Edifício número 30 da rua Neklanova
(Praga), de Josef Chochol (1913)
http://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=chochol+++neklanova+30&source=images&cd=&cad=rja&docid=wsKRt7ru1ec9fM&tbnid=uprR5OpGQwHDOM:&ved=0CAUQjRw&url=http://www.junglekey.fr/search.php?query=Josef+Chochol&type=image&lang=fr&region=fr&img=1&adv=1&ei=ZLeTUZrdMY200QHX3IDACQ&psig=AFQjCNGQLyErXZtdTDITuFX7PCqyPpNQqQ&ust=1368721623104297
http://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=chochol+++neklanova+30&source=images&cd=&cad=rja&docid=wsKRt7ru1ec9fM&tbnid=uprR5OpGQwHDOM:&ved=0CAUQjRw&url=http://www.junglekey.fr/search.php?query=Josef+Chochol&type=image&lang=fr&region=fr&img=1&adv=1&ei=ZLeTUZrdMY200QHX3IDACQ&psig=AFQjCNGQLyErXZtdTDITuFX7PCqyPpNQqQ&ust=1368721623104297
Villa em Praga (1912-1913), de Josef Chochol
 Os edifícios cubistas possuem linhas “nítidas” e 
“limpas”, facilitando a visão dos diferentes ângulos de 
perspectiva; 
 Materiais novos (“modernos”) são os mais utilizados
nessas construções, com predomínio do concreto, ferro
e vidro;
 As esquadrias são geralmente poligonais e não estão
necessariamente alinhadas umas às outras; 
 Por fim, em termos de cores, há uma preocupação em
fazer um uso discreto dos tons, com o predomínio de 
uma ou no máximo duas cores (para poder realçar os
volumes).
Emil Kralicek (1912): Villa Litol
 Movimento surgido na Itália (1909-1914), teve em Filippo
Tomaso Marinetti, autor do “Manifesto Futurista” (1909) 
o seu grande teórico;
 “Com uma retórica bombástica, o Futurismo italiano 
anunciou seus princípios iconoclastas à complacente 
burguesia italiana” do início do século XX. 
(K. Frampton)
Antonio 
Sant’Elia (La 
Cittá Nuova)
 Manifesto Futurista: composto de 11 pontos 
principais, exaltava, dentre outras coisas, as “virtudes 
da temeridade, energia e audácia”, “o supremo 
esplendor da velocidade mecânica” (um carro de 
corridas era mais belo do que a Vitória de 
Samotrácia...), o “patriotismo e a glorificação da 
guerra”, “a destruição das instituições acadêmicas de 
todos os tipos” etc. 
Antonio Sant’Elia
(desenho)
 O “contexto ideal” de uma arquitetura futurista, de 
acordo com o Manifesto: “Cantaremos o deslocamento 
das grandes multidões – os trabalhadores, as pessoas que 
querem divertir-se (...) e o confuso mar de cor e som em 
uma metrópole moderna varrida pela revolução. 
Cantaremos o fervor da meia-noite de arsenais e 
estaleiros que cintilam sob a luz de luas elétricas; 
insaciáveis estações engolindo as serpentes fumegantes 
de seus trens; fábricas (...) dos filamentos espiralados de 
sua fumaça; pontes (...) como (...) ginastas gigantescos 
que saltam sobre os rios; (...) o voo fácil dos aviões, suas 
hélices enfrentando o vento como bandeiras cujo som se 
assemelha ao aplauso de uma grandiosa multidão” 
 Contestando os valores italianos clássicos e 
“ultrapassados”, os futuristas proclamavam “a primazia 
de um ambiente mecanizado”; ou seja, fazia-se uma 
homenagem direta ao “triunfo da industrialização” e 
aos “fenômenos técnicos e sociais do século XX”; 
 Essas ideias, em pouco tempo, dariam forma “com a 
mesma intensidade” tanto ao Futurismo italiano quanto 
ao Construtivismo russo.
Antonio Sant’Elia
(desenho)
 O fato é que em 1909, o Futurismo ainda era muito 
mais um “impulso” do que propriamente um estilo, de 
maneira que ainda não estava claro a forma que teria 
uma arquitetura futurista;
 Outro entrave: uma vez que o Futurismo, de forma 
polêmica e “negativa”, proclamava-se contrário à 
cultura, como faria para desenvolver a sua própria 
arquitetura? 
A. Sant’Elia
(desenhos)
 Essa “visão primitiva do esplendor 
mecânico” encontrou um perfeito 
equivalente nos desenhos altamente 
criativos e “visionários” do jovem arquiteto 
Antonio Sant’Elia (1888-1916), que por 
volta de 1912 havia começado a trabalhar 
em Milão (onde deve ter mantido contato 
com os teóricos futuristas);
 Em 1912, Sant’Elia, ao lado de um grupo de amigos, 
fundou a Nuove Tendenza e foi justamente na primeira 
exposição desse grupo, em 1914, que ele apresentou o 
seu conjunto de desenhos para a Cittá Nuova futurista.
 No mesmo ano (1914), Sant’Elia lança o seu próprio 
manifesto, intitulado “Messagio” (“Mensagem”), com a 
sua visão da arquitetura – e das cidades – dos novos 
tempos, tornando-se assim o principal expoente 
futurista na arquitetura;
 Trecho do Messagio: “O problema da arquitetura moderna não 
consiste em reajustar suas linhas; não é uma questão de encontrar 
novas molduras, novas arquitraves para portas e janelas (...), mas sim 
de erguer a nova estrutura edificada em um plano ideal, valendo-se 
de todos os benefícios da ciência e da tecnologia (...), estabelecer 
novas formas, novas linhas, novas razões para a existência 
exclusivamente a partir das condições especiais da vida moderna e 
de sua projeção como valor estético em nossas sensibilidades”.
 Outro trecho do Messagio (1914): “Os materiais 
estruturais modernos e nossos conceitos científicos não 
se prestam, em absoluto, às disciplinas dos estilos 
históricos. (...) Não mais sentimos que somos os homens 
das catedrais e das antigas assembleias do povo, mas sim 
homens de grandes hotéis, ferrovias, estradas gigantescas, 
portos colossais, mercados cobertos, arcadas reluzentes, 
áreas de reconstrução e saneamento de bairros 
miseráveis. Precisamos inventar e reconstruir (...) nossa 
cidade moderna como um imenso e agitado estaleiro, 
ativo, móvel e dinâmico por toda parte, e o edifício 
moderno como uma máquina gigantesca”.
 Plenamente envolvido com o Futurismo, Sant’Elia
aproxima-se aos poucos de movimentos políticos 
italianos com tendências fascistas e, com a entrada da 
Itália na Primeira Guerra Mundial, alista-se em 1915 no 
Batalhão de Ciclistas Voluntários da Lombardia, vindo a 
morrer em campo de batalha logo no ano seguinte 
(1916). 
http://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=antonio+sant'elia&source=images&cd=&cad=rja&docid=TXbj52cc9vE-fM&tbnid=89yYyRwQQyA1JM:&ved=0CAUQjRw&url=http://www.fanpix.net/picture-gallery/antonio-sant-elia-picture-14035557.htm&ei=br2TUbzfKsrl0QGFtICoCQ&psig=AFQjCNG90ImWp4SDs5IHEQi_RszDFXncLA&ust=1368723143947466
http://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=antonio+sant'elia&source=images&cd=&cad=rja&docid=TXbj52cc9vE-fM&tbnid=89yYyRwQQyA1JM:&ved=0CAUQjRw&url=http://www.fanpix.net/picture-gallery/antonio-sant-elia-picture-14035557.htm&ei=br2TUbzfKsrl0QGFtICoCQ&psig=AFQjCNG90ImWp4SDs5IHEQi_RszDFXncLA&ust=1368723143947466 Dessa forma, com a perda de Sant’Elia, “o período 
gerador do Futurismo chegou a um fim abrupto, 
ironicamente privado de seu maior talento em parte 
devido à primeira guerra industrializada”(Frampton); 
 Depois de 1919, portanto, foram os 
construtivistas revolucionários russos 
que “assumiram as concepções iniciais 
do Modernismo militante de Marinetti, e 
Sant’Elia” (Frampton). 
A. Sant’Elia (La Cittá
Nuova)
Antonio Sant’Elia
(La Cittá Nuova)
Antonio Sant’Elia
(La Cittá Nuova)
Antonio Sant’Elia
(La Cittá Nuova)
 Período: 1914-1918
 16 países/impérios envolvidos no conflito
 Tropas mobilizadas: 65 milhões
 Mortos: 8 milhões
 Feridos: 21 milhões
 Primeiro uso de armas químicas
Bombardeio da Catedral de Reims
(França) pelos alemães
http://www.spiegel.de/fotostrecke/photo-gallery-images-from-the-world-war-i-battlefields-fotostrecke-37026-4.html
http://www.spiegel.de/fotostrecke/photo-gallery-images-from-the-world-war-i-battlefields-fotostrecke-37026-4.html
Soldados ingleses na Batalha do Somme
Cidade de Ypres (Bélgica)
Gheluvelt (Bélgica)
http://www.spiegel.de/fotostrecke/photo-gallery-images-from-the-world-war-i-battlefields-fotostrecke-37026-3.html
http://www.spiegel.de/fotostrecke/photo-gallery-images-from-the-world-war-i-battlefields-fotostrecke-37026-3.html
Cidade de Péronne (França) – 11% da população francesa 
morta ou ferida após a Primeira Guerra Mundial!
Cidade de Verdun (França)
Cidade de Combles (França)
Ruínas do castelo e cemitério em 
Contalmaison (França)
 Pevnser: “...as condições tumultuadas de 1919 – a
irreparável perda de confiança na paz e na prosperidade, 
de homens que viveram anos em condições violentas e 
primitivas – desviaram a nova arquitetura e design para o 
Expressionismo, em certo sentido muito mais próximo da 
Art Nouveau que do estilo de 1914”;
 Dentre os mais famosos exemplos estão 
o edifício de escritórios em Hamburgo
denominado Chilehaus (1923), obra de 
Fritz Hoeger, e o interior da Grosse
Schauspielhaus (1919), em Berlim, de 
Hans Poelzig, “com suas fantásticas 
estalactites”. 
http://coisasdaarquitetura.files.wordpress.com/2010/05/316px-chilehaus_point1.jpg
http://coisasdaarquitetura.files.wordpress.com/2010/05/316px-chilehaus_point1.jpg
Chilehaus (Hamburgo)
Hans Poelzig – Grosse Schaulspielhaus (Berlim)
 O Expressionismo na arquitetura desenvolveu-se em 
paralelo à evolução do movimento nas artes plásticas;
 Principais artistas expressionistas: Ernst Kirchner, Franz 
Mark, Wassily Kandinsky, Paul Klee e Lyonel Feininger;
 Detalhe: Kandinsky, Klee e Feininger, durante certo 
tempo (1919-1925), trabalharam inclusive na Bauhaus.
Kandinsky: “Composição VIII” 
(1923)
 O Expressionismo, na verdade, não se constituiu em um 
movimento arquitetônico propriamente dito, “na 
medida em que não se formaram grupos culturais ou se 
propiciaram atividades comuns”;
 Ou seja, podemos dizer que os arquitetos ligados a esta 
linha de pensamento tiveram duas influências básicas: 
os movimentos artísticos contemporâneos e a 
“inexistência de tipos arquitetônicos preestabelecidos 
para os novos programas, o que indicava o caminho da 
experimentação”; (Pevnser)
 Países que mais se destacaram: Alemanha, Áustria e 
Holanda.
 S. Colin: “De maneira restrita, 
referimo-nos à tendência de alguns 
movimentos artísticos (artes 
plásticas, cinema, (...) arquitetura), 
acontecida principalmente na 
Alemanha e Holanda (...), 
caracterizada por uma visão 
emocional e subjetiva do mundo, 
geralmente angustiada, revoltada 
ou trágica. Manifesta-se pela 
distorção dos elementos, pelas 
cores fortes, pelo uso de formas 
zoomórficas”.
Igreja de Gruntvig (Dinamarca), 
projeto de Peter Jensen-Klint
(1921-1940)
 Ou seja, usando os materiais “novos” - principalmente o 
concreto armado e o aço – ou então materiais 
tradicionais (tijolo, vidro etc.) de uma maneira inovadora, 
os arquitetos expressionistas experimentavam com 
formas “escultóricas”, bastante incomuns e muitas vezes 
inspiradas em motivos “biomórficos”, para alcançar seus 
objetivos estéticos (e/ou simbólicos).
Piet Kramer: Loja da Bijenkorf
(Haia, Holanda) – 1924-1926
 Um dos mais conhecidos exemplos da arquitetura 
expressionista é a Torre de Einstein, construída em 1920, 
em Potsdam, pelo arquiteto Erich Mendelsohn (1887-
1953);
 Pevnser: “...lado a lado com seus 
inúmeros projetos do período 
entre 1914 e 1924 (que parecem 
influenciados por Sant’Elia), [a 
Torre] estabeleceu o motivo da 
linha aerodinâmica que se impôs 
tão decisivamente no design
industrial americano”.
E. Mendelsohn: Torre de Einstein (Potsdam, Alemanha)
E. Mendelsohn: Torre de Einstein (Potsdam, Alemanha)
 Na Holanda, destaque para os conjuntos habitacionais 
expressionistas construídos, em alvenaria de tijolos, em 
Amsterdam: o conjunto Eigen Haard (Michel de Klerk), o 
De Dageraad (Piet Kramer) etc. 
De Klerk: Het Schip (Eigen 
Haard, Amsterdam)
De Klerk: Het Schip (Eigen Haard, Amsterdam)
De Klerk: Eigen Haard (Amsterdam)
//upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/98/Spaarndammerplantsoen.JPG
//upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/98/Spaarndammerplantsoen.JPG
//upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/42/Amsterdam_Spaarndammerplantsoen_0033_001.JPG
//upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/42/Amsterdam_Spaarndammerplantsoen_0033_001.JPG
Van der Mey: 
Scheepvarthuis
(Amsterdam)
 De acordo com Pevsner, a “contribuição 
internacionalmente mais conhecida ao expressionismo na 
arquitetura é holandesa, sendo seu mais “louco” 
monumento dos primeiros tempos o Scheepvaarthuis
(Amsterdam, 1911-1916), de Joan Melchior van der Mey”, 
edifício de escritórios usado por cinco empresas marítimas 
holandesas;
 Seus interiores tiveram a colaboração de outros arquitetos 
expressionistas holandeses importantes: Michel de Klerk, 
Piet Kramer etc. 
Van der Mey: Scheepvarthuis (Amsterdam)
Van der Mey: Scheepvarthuis (Amsterdam)
Van der Mey: Scheepvarthuis
(Amsterdam)
http://coisasdaarquitetura.files.wordpress.com/2010/05/scheepwaarthuis-11.jpg
http://coisasdaarquitetura.files.wordpress.com/2010/05/scheepwaarthuis-11.jpg
Van der Mey: Scheepvarthuis (Amsterdam)
Van der Mey: Scheepvarthuis (Amsterdam): interiores
Van der Mey: Scheepvarthuis (Amsterdam): interiores
 Já no final do período expressionista holandês, destaque 
para a prefeitura de Hilversum (1928), projeto de Willem 
M. Dudok, com influência explícita de Frank Lloyd Wright 
e cuja concepção “rigidamente cúbica” teve grande 
influência fora da Holanda. 
 Na Alemanha, por sua vez, muitos arquitetos
expressionistas haviam lutado na Primeira
Guerra Mundial e suas experiências
(traumáticas), aliadas aos conflitos políticos e 
sociais do pós-guerra, resultaram em uma
visão utópica da arquitetura e também na
adoção de uma “agenda socialista 
romântica”, caracterizada por uma forte 
crítica da sociedade contemporânea;
 Neste contexto, portanto, a arquitetura era 
considerada “uma ferramenta para a 
melhoria da vida social”.
 Um importante conjunto de 
manifestações expressionistas na 
arquitetura ficou conhecido como a 
Cadeia de Cristal;
 A Cadeia começou como uma série 
de cartas “utópicas” trocadas entre 
os principais simpatizantes do 
Expressionismo - os irmãos Bruno e 
Max Taut, Walter Gropius, Hans 
Luckhardt etc. - que “serviram para 
consolidar esta posição”.
Pavilhão de Cristal, de 
Bruno Taut
 Como referência teórica principal desse grupo, as obras 
do poeta Paul Scheebart em defesa do uso mais 
“expressivo” do vidro “pregando a elevação cultural pela 
sua utilização”: “Para levar nossa cultura a um nível mais 
alto somos forçados, gostemos ou não, a mudar nossa 
arquitetura. E isso só será possível se livrarmos as 
dependências em que vivemos de seu caráter fechado. 
Isso, por sua vez, só será possível pela introdução de uma 
arquitetura de vidro que deixe entrar a luz do sol, da lua 
e das estrelas, não só por algumas janelas, mas pelo 
maiornúmero possível de paredes, que devem ser 
inteiramente de vidro – de vidro colorido”. 
 As visões de Scheebart foram ampliadas, em 1918, pelo 
arquiteto Adolf Behne: “A afirmação de que a 
arquitetura de vidro fará surgir uma nova cultura não é o 
capricho louco de um poeta. É um fato. As novas 
organizações de bem-estar social, os hospitais, as 
invenções ou inovações e aperfeiçoamentos técnicos não 
darão origem a uma nova cultura – mas a arquitetura de 
vidro cumprirá esse papel. (...) Portanto, o europeu está 
certo quando teme que a arquitetura de vidro possa 
tornar-se incômoda. Ela o será, sem dúvida. E esta não 
constitui sua menor vantagem, pois, em primeiro lugar, é 
preciso arrancar os europeus de seu comodismo”. 
 São exemplos da influência da Cadeia de Cristal o 
Pavilhão de Cristal de Bruno Taut (para uma Exposição 
em Colônia em 1914) e o projeto do edifício de 
escritórios de Mies van der Rohe em Berlim (1922).
Frases de Scheerbart:
“O vidro introduz uma nova 
era”;
“Lamentamos a cultura da 
alvenaria”;
“Construir com tijolos só nos 
prejudica”;
“O vidro colorido acaba com 
o ódio”.
http://coisasdaarquitetura.files.wordpress.com/2010/05/taut-glass-pavilion-exterior_1914.jpg
http://coisasdaarquitetura.files.wordpress.com/2010/05/taut-glass-pavilion-exterior_1914.jpg
Projeto de Mies van der Rohe
na Friedrichstrasse (1922) 
publicado na revista Frulicht, 
de Taut (e nunca executado).
 Contudo, em função das severas limitações financeiras
da Europa após a Primeira Guerra Mundial, várias
obras expressionistas “importantes” jamais saíram do 
papel: a Arquitetura Alpina de Bruno Taut, os
Formspiels de Hermann Finsterlin etc. 
H. Finsterlin: 
“Casa de vidro” (1924)
 De influência expressionista alemã (mas construído em
Dornach, na Suíça), destaque para o Gotheanum, de 
Rudolf Steiner, construído entre 1924-1928 como
sede do movimento antroposófico (criado por Steiner). 
Goetheanum (R. Steiner)
Goetheanum (R. Steiner)
Goetheanum (R. Steiner)
 Porém, na década de 1930, a subida ao poder do partido 
nazista levaria ao radicalismo em vários aspectos da 
cultura nacional; a arte expressionista alemã (incluindo a 
arquitetura), neste contexto, foi considerada uma “arte 
degenerada”, sendo então combatida até finalmente 
capitular. 
Hitler e Goebbels
visitando uma 
exposição de “arte 
degenerada” (1938)
 O termo Art Déco (abreviação da expressão francesa arts
décoratifs), é usado para caracterizar um estilo 
decorativo que se afirmou nas artes plásticas, nas artes 
aplicadas (design, mobiliário, decoração etc.) e na 
arquitetura do período entreguerras na Europa; 
 A Exposição Internacional de Artes 
Decorativas e Industriais Modernas, 
realizada em Paris no ano de 1925, 
representa um marco, o momento 
em que o estilo Art Déco “passa a ser 
pensado e nomeado”.
 Com influências do movimento Arts and Crafts (Inglaterra) 
e do estilo Art Nouveau, a Art Decó, no entanto, segue um 
padrão decorativo inteiramente diferente: “predominam 
as linhas retas ou circulares estilizadas, as formas 
geométricas e o design abstrato”. 
 Para alguns historiadores, contudo, 
o estilo Art Déco poderia ser 
considerado mais um movimento 
eclético, ou seja, “uma mistura de 
vários estilos e movimentos do 
início do século XX, incluindo (...) o 
cubismo, a Bauhaus, a art nouveau
e o futurismo”, associando a sua 
imagem “a tudo que se define 
como moderno, industrial, 
cosmopolita e exótico”. (V. Alencar)
 O Art Déco apresentou-se, de 
início, como um estilo “luxuoso, 
voltado à rica burguesia do pós-
guerra”, empregando materiais 
caros como jade, laca e marfim;
 E mesmo quando trabalhavam 
com materiais mais “simples”, tais 
como o concreto armado e o 
compensado de madeira, os 
artistas Art Decó faziam questão 
de usar detalhes ornamentais 
elaborados com materiais nobres, 
tais como o bronze, o mármore, a 
prata, o marfim etc.
 Contudo, a partir de 1934, ano em que ocorre a exposição 
Art Déco no Metropolitan Museum de NY, o estilo passou 
a “dialogar mais diretamente” com a produção industrial e 
com os materiais - e formas - passíveis de serem 
reproduzidos em grande escala (ou seja, o uso de 
materiais mais baratos e a produção em série para a venda 
em grandes lojas).
 O barateamento da produção, por sua vez, levou à 
popularização do estilo, que, a partir de então, “invade a 
vida cotidiana”: cartazes publicitários, objetos de uso 
doméstico, joias e bijuterias, móveis, cenografia, 
decoração de interiores etc. 
 Entre os motivos decorativos mais comuns estão as formas 
femininas e as zoomórficas (animais);
 Contudo, essas figuras não aparecem representadas de 
uma forma orgânica (como no caso das linhas “sinuosas” e 
traços “rebuscados” da Art Nouveau), mas sim “de forma 
simplificada, com padrões geométricos, trazendo a 
influência cubista para o cotidiano”. (V. Alencar)
 “Nesse sentido, é possível 
afirmar que o estilo "clean e 
puro" Art Déco dirige-se ao 
moderno e às vanguardas do 
começo do século XX, 
beneficiando-se de suas 
contribuições”. 
 A arquitetura Art Déco, fazendo uso expressivo do 
concreto armado, possui fachadas em tons claros, com um 
grande rigor geométrico (ou seja, com uma geometrização 
das formas) aliado a formas sinuosas e com elementos 
decorativos marcantes.
Edifício Chrysler (Chicago), projeto de 
William van Alen (1928-1930)
http://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=chrysler+building+chicago&source=images&cd=&cad=rja&docid=-aU2DTGbC8_0_M&tbnid=GlNny20CAWcQ_M:&ved=0CAUQjRw&url=http://christopher-king.blogspot.com/2011/09/kingcast-presents-annisha-at-astor.html&ei=BwWUUbSULriz4AOBk4HoCg&bvm=bv.46471029,d.dmg&psig=AFQjCNHD6BZfix6h4KjOeLQFawfwVFAvEA&ust=1368741422485988
http://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=chrysler+building+chicago&source=images&cd=&cad=rja&docid=-aU2DTGbC8_0_M&tbnid=GlNny20CAWcQ_M:&ved=0CAUQjRw&url=http://christopher-king.blogspot.com/2011/09/kingcast-presents-annisha-at-astor.html&ei=BwWUUbSULriz4AOBk4HoCg&bvm=bv.46471029,d.dmg&psig=AFQjCNHD6BZfix6h4KjOeLQFawfwVFAvEA&ust=1368741422485988
Art Déco nos EUA (exemplos)
 O Art Déco foi o estilo preferido, por exemplo, dos music
halls americanos construídos nas décadas de 1930-40.
Estádio Paulo M. de Carvalho (Pacaembu), em São 
Paulo (1940), do Escritório Ramos de Azevedo
http://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=estadio+do+pacaembu&source=images&cd=&cad=rja&docid=PfjkYwrhvzttQM&tbnid=jKtCdWfgHyy3EM:&ved=0CAUQjRw&url=http://www.minube.com.br/sitio-preferido/estadio-pacaembu-a31641&ei=Fl4OUc27NpHo8QS_6YGQCA&bvm=bv.41867550,d.eWU&psig=AFQjCNG6cEIlXUIAEs3WTLCLBwkzs2BaIQ&ust=1359982448501955
http://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=estadio+do+pacaembu&source=images&cd=&cad=rja&docid=PfjkYwrhvzttQM&tbnid=jKtCdWfgHyy3EM:&ved=0CAUQjRw&url=http://www.minube.com.br/sitio-preferido/estadio-pacaembu-a31641&ei=Fl4OUc27NpHo8QS_6YGQCA&bvm=bv.41867550,d.eWU&psig=AFQjCNG6cEIlXUIAEs3WTLCLBwkzs2BaIQ&ust=1359982448501955
Teatro Goiânia (GO) - 1940
Estação Central do Brasil 
(1937-1940), projeto de 
Roberto Magno e Geza
Helle
http://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=central+do+brasil+rj&source=images&cd=&cad=rja&docid=obmx5RGGRuZGPM&tbnid=wGDxUWnYQzYa3M:&ved=0CAUQjRw&url=http://itacolomieng.blogspot.com/&ei=514OUZ-uN4zi8gSY4YG4DA&bvm=bv.41867550,d.eWU&psig=AFQjCNH6_-_b3nuu8LIt6oEMQXUhgaHIag&ust=1359982678132618
http://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=central+do+brasil+rj&source=images&cd=&cad=rja&docid=obmx5RGGRuZGPM&tbnid=wGDxUWnYQzYa3M:&ved=0CAUQjRw&url=http://itacolomieng.blogspot.com/&ei=514OUZ-uN4zi8gSY4YG4DA&bvm=bv.41867550,d.eWU&psig=AFQjCNH6_-_b3nuu8LIt6oEMQXUhgaHIag&ust=1359982678132618
Cine teatro Roma (Salvador) - 1948
 Apesar de entrar em declínio a partir da segunda metade 
da década de 1930, seus motivos decorativos ainda podem 
ser encontrados em diversos projetos mais recentes.
San Francisco Marriot
Hotel (EUA) - 2003
ALENCAR, Valéria Peixoto de. Art Déco: Estilo marcou a vida cotidiana.Disponível 
em: < http://educacao.uol.com.br/disciplinas/artes/art-deco-estilo-marcou-a-vida-
cotidiana.htm>. Acesso em: 10 fev. 2013.
BENEVOLO, Leonardo. Historia da arquitetura moderna. São Paulo: Perspectiva, 
1994.
FRAMPTON, Kenneth. História crítica da arquitetura moderna. São Paulo: 
Martins Fontes, 1997.
GIEDION, Siegfried. Espaço, tempo e arquitetura: o desenvolvimento de uma nova 
tradição. São Paulo: Martins Fontes, 2004.
PEVSNER, Nikolaus. Origens da arquitetura moderna e do design. São Paulo: 
Martins Fontes, 1996.
______. Panorama da Arquitetura Ocidental. São Paulo: Martins Fontes, 2002.