Prévia do material em texto
Arquitetura Moderna: Primeiros Passos & Movimentos de Vanguarda O mundo, no final do século XIX, encontra-se em plena efervescência científica e cultural; A Segunda Revolução Industrial (c.1870 em diante): o emprego da energia elétrica, o uso do motor a explosão, a invenção do telégrafo etc., introduzem profundas mudanças nos processos produtivos, na mentalidade e no modo de vida da população nos países ocidentais; As comunicações e os novos meios de transporte agilizam os contatos (“reduzem distâncias”), ampliam a mobilidade das pessoas e interferem diretamente na conformação das cidades. A sedução do “novo” e uma fé crescente nos poderes da ciência versus o receio do progresso; Nesse período, consequentemente, também verificamos o crescimento dos ideais socialistas e de fortes movimentos sindicais; Enfim, é um período de grandes transformações no estilo de vida dos povos ocidentais, em suas relações de trabalho, nas discussões sobre as questões sociais etc., que naturalmente conduziram a mudanças na arquitetura e na forma de pensar as cidades. http://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=history+of+socialism&source=images&cd=&cad=rja&docid=1TJSICikufIXRM&tbnid=6ESLp28A357SfM:&ved=0CAUQjRw&url=http://lebanonism.com/lebwp/?p=522&ei=tXSPUY7wCdWj4APUzIGwDg&bvm=bv.46340616,d.dmg&psig=AFQjCNHzILptpMFqDiMvIXWTg8cb18TQNA&ust=1368442406188567 http://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=history+of+socialism&source=images&cd=&cad=rja&docid=1TJSICikufIXRM&tbnid=6ESLp28A357SfM:&ved=0CAUQjRw&url=http://lebanonism.com/lebwp/?p=522&ei=tXSPUY7wCdWj4APUzIGwDg&bvm=bv.46340616,d.dmg&psig=AFQjCNHzILptpMFqDiMvIXWTg8cb18TQNA&ust=1368442406188567 Não podemos deixar de citar também dois acontecimentos marcantes das primeiras décadas do século XX: a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e a Revolução Russa de 1917. A seu modo, cada uma introduziu novas questões, com reflexos maiores ou menores na produção arquitetônica e urbanística do período. Os arquitetos, em diferentes países, logo perceberam que a Art Nouveau não era a opção racional para a evolução da arquitetura dos “novos tempos” e assim, a partir de 1900, logo “começaram a buscar um caminho para sair da selva de curvas e formas orgânicas” daquele estilo; Nesse momento, destaque para os trabalhos desenvolvidos em três países: Alemanha, França e EUA (como diz Pevsner, “neste momento, a Inglaterra desertou”). N. Pevsner: “O que eles fizeram [entre 1900 e 1914] tinha de ser feito. O estilo que haviam criado estava claramente de acordo com a nova situação social e industrial da arquitetura. O século XX (...) é o século das massas e o século da ciência. O novo estilo, com sua recusa a aceitar o artesanato e as extravagâncias do design, é perfeitamente adequado à vasta clientela anônima e, com suas superfícies limpas e um mínimo de molduras, é perfeitamente adequado à produção industrial de seus elementos. O aço, o vidro e o concreto armado não determinaram o novo estilo, mas pertencem a ele”. As primeiras residências nas quais pode ser reconhecido “o novo e original estilo do século XX” são as de Frank Lloyd Wright (1869-1959), construídas a partir da década de 1890 nas redondezas de Chicago (o denominado “Estilo Pradaria”). Winslow House (1894) //upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/30/Frank_Lloyd_Wright_portrait.jpg //upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/30/Frank_Lloyd_Wright_portrait.jpg Essas casas, numa demonstração de sua genialidade e perfeita compatibilidade com os novos tempos, possuem uma série de características que podem ser encontradas em casas construídas até hoje: “plantas baixas que se expandem livremente, exteriores e interiores que se integram por meio de terraços e telhados em balanço, cômodos que se abrem uns para os outros, predominância de horizontais, janelas compondo longas faixas” etc. Frank W. Thomas House (1901) Darwin D. Martin House (1903-1905) Willits House (1901) //upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/bf/Darwin_D._Martin_House.jpg //upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/bf/Darwin_D._Martin_House.jpg Frederick Robie House (1908-1910) – “pedra fundamental do modernismo” (L. Benevolo) //upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/54/Robie_House_HABS1.jpg //upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/54/Robie_House_HABS1.jpg Frederick Robie House (1908-1910) Frederick Robie House (1908-1910) Frederick Robie House (1908-1910) Frederick Robie House (1908-1910) Também em Chicago, nos anos 1880 e 1890, foram construídos os primeiros arranha-céus com estrutura metálica (William Le Baron Jenney: Home Insurance Co., 1884-1885) e fachadas que não escondiam essas estruturas (Holabird & Roche: Marquete Building, 1894). Home Insurance Building (ampliado em 1891, ganhou mais 2 andares) http://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=William+Le+Baron+Jenney+++Home+Insurance+Co&source=images&cd=&cad=rja&docid=3BeBwQ95u9HofM&tbnid=qEu1tV-hFYNW3M:&ved=0CAUQjRw&url=http://www.chicagoarchitecture.info/Building/3168/The-Home-Insurance-Building.php&ei=PweQUc6JAebE4APT0IGACg&bvm=bv.46340616,d.dmg&psig=AFQjCNGi9QpCeTC7iS2VFPQFiEmmm2CJeA&ust=1368479770317307 http://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=William+Le+Baron+Jenney+++Home+Insurance+Co&source=images&cd=&cad=rja&docid=3BeBwQ95u9HofM&tbnid=qEu1tV-hFYNW3M:&ved=0CAUQjRw&url=http://www.chicagoarchitecture.info/Building/3168/The-Home-Insurance-Building.php&ei=PweQUc6JAebE4APT0IGACg&bvm=bv.46340616,d.dmg&psig=AFQjCNGi9QpCeTC7iS2VFPQFiEmmm2CJeA&ust=1368479770317307 Marquete Building (1894): Projeto de Holabird & Roche Nesse período, quando os arquitetos buscavam algum estilo de época para usar nos detalhes externos, geralmente recaíam no “severo e despojado” estilo românico. Walker Warehouse (1888-89), em Chicago (Louis Sullivan) Louis Sullivan (1856-1924) - arquiteto de Chicago com quem Frank Lloyd Wright trabalhara no início de sua carreira - alcançou uma total independência do passado com seus famosos arranha-céus: o Wainright Building (1890), em St. Louis, o Guaranty Building (1895), em Buffalo, e o Carson, Pirie & Scott Store (1899-1904) em Chicago etc. O Wainwright Building de acordo com F. L. Wright: “a primeira expressão humana de um edifício de escritórios de grande altura feito em aço como Arquitetura”. Carson Pirie Scott Department Store (1899 / 1903-04), em Chicago (Louis Sullivan) Louis Sullivan (O ornamento na arquitetura, 1892): “Poderia dizer que seria ótimo para nosso bem estético se pudéssemos evitar completamente o uso do ornamento por alguns anos, de modo que nosso pensamento pudesse se concentrar intensamente na produção de edifícios bem formados e agradáveis em sua nudez. Nós (...) aprenderíamos (...) como é eficiente pensar de maneira natural, bem disposta e saudável... Aprenderíamos (...) que o ornamento é mentalmente um luxo, não uma necessidade (...)”. Do ponto de vista estético, a malha de pilares e peitoris que marcam a maior parte de seus edifícios, aliada à composição tripartite das fachadas (base – torre – cornija) exprimem as teorias de Sullivan para os arranha-céus (modelo este, por sinal, que foi muito copiado ao longo do século XX). Guaranty Building (1895), em Buffalo Union Trust Building (1892-93), em St. Louis (L. Sullivan) Schiller Building (1891-92), em Chicago (L. Sullivan) Contrapondo-se à primazia americana nesse campo, a França foi o primeiro país a projetar casas com as características verdadeiras do concreto armado. Pertencem aos primeiros anos do século XX e foram projetadas por Tony Garnier e Auguste Perret. Tony Garnier (1861-1948) Auguste Perret (1874-1955) Tony Garnier foi a Roma como bolsista da Académie em 1901 e lá desenvolveu (em 1904) o projeto de uma cidade industrial “ideal”: a genial Cité Industrielle; Foi um trabalho pioneiro do ponto de vista de planejamento urbano e também do ponto de vista daaparência das edificações. Tony Garnier: Cité Industrielle visão geral Todos os edifícios deveriam ser essencialmente em concreto, as casas particulares rigidamente cúbicas e os edifícios públicos com amplos vãos a partir de vigas em balanço, “pelo menos tão ousados quanto as casas de (...) Wright”. (Pevsner) Cité Industrielle: setor residencial Tony Garnier: Cité Industrielle – setor residencial Tony Garnier: Cité Industrielle – setor residencial Garnier, lembremos, fora aluno de Julien Guadet (professor da nova Académie e um dos grandes defensores do racionalismo) e este, por sua vez, era admirador das lições de Jean-Nicolas Durand (expostas deste 1805), que defendiam “a combinação racional de formas arquitetônicas” simples e regulares; Curiosidade: em 1908, Le Corbusier conheceu Garnier em Lyon (França). Matadouro de La Mouche, de Tony Garnier (1909-1928) Tony Garnier: Cité Industrielle – estação ferroviária Tony Garnier: Cité Industrielle (setor industrial) Foi Auguste Perret, contudo, o primeiro a demonstrar – na prática - as qualidades do concreto como um material mais do que “simplesmente utilitário”; Seu famoso bloco de apartamentos na Rue Franklin (Paris), por exemplo, data de 1902-1903. Auguste Perret: edifício na Rue Franklin (Paris) Auguste Perret: revestimento cerâmico do edifício na Rue Franklin Auguste Perret: edifício na Rue Franklin (Paris) Perret: garagem na Rue Ponthieu (1905), onde o concreto foi exposto sem nenhum revestimento. Entre 1911 e 1912, Perret constrói o primeiro edifício público em concreto armado: o Théatre des Champs Elysées. Auguste Perret: Theatre des Champs Elysées Na Alemanha, a data mais significativa é a da fundação da Deutscher Werkbund (Federação Alemã do Trabalho) em 1907, com o objetivo de ser uma associação mista de empresários, arquitetos e artistas (designers) progressistas. Caricatura referente a Exposição da Werkbund de 1914: Van de Velde propõe a cadeira “individual”, Muthesius a “cadeira tipo” e o carpinteiro a cadeira para sentar-se... De fato, já em 1908 o arquiteto Peter Behrens (1868- 1938) fora contratado pela Allegemeine Elektrizitats Gesellschaft (a AEG), de Berlim, para encarregar-se do projeto de suas novas unidades, de seus produtos, suas embalagens e até mesmo seus impressos. Fábrica da AEG de Peter Behrens Projetos de Peter Behrens para a AEG A fábrica de turbinas que Behrens projetou, em Berlim, para a AEG (em 1909) “proclama uma nova dignidade para a arquitetura industrial”; representa para Kenneth Frampton uma afirmação “deliberada da indústria como o ritmo vital imperioso da vida moderna.” Longe de ser um projeto linear em ferro e vidro, a fábrica de turbinas de Behrens era “uma obra de arte consciente, um templo dedicado ao poder da indústria”. (K. Frampton) Detalhes da fábrica de turbinas de Peter Behrens (Berlim) A “leve” estrutura de aço da fachada da fábrica de turbinas é rematada, em suas extremidades, por “sólidos elementos angulares” e esta solução, de fato, caracteriza praticamente todas as estruturas industriais que Behrens projetou para a AEG. P. Behrens – Fábrica de Turbinas da AEG, de 1909 (Berlim) P. Behrens – Fábrica de da AEG em Berlim-Gesunbrunnen (1912) O primeiro trabalho do mais importante discípulo de Behrens (seu funcionário até 1910, membro do mesmo Werkbund e futuro criador da Bauhaus), Walter Gropius (1883-1969), também foi uma fábrica, a Fagus (de sapatos), em Alfeld-an-der-Leine, perto de Hannover, construída entre 1911 e 1914. W. Gropius e Adolf Meyer: Faguswerk (1911-1914) Na Faguswerk, Gropius e Meyer “adaptaram a sintaxe da Fábrica de Turbinas de Behrens” a uma estética arquitetônica mais aberta; As extremidades, por exemplo, ainda servem para “conter” a composição (como nas fábricas de Behrens para a AEG), mas, enquanto as extremidades de Behrens eram em alvenaria maciça, na Fagus elas agora passaram a ser de vidro. W. Gropius e Adolf Meyer: Faguswerk (1911-1914) Os painéis verticais de vidro, projetados a partir da fachada de tijolo aparente, “dão a ilusão de estar milagrosamente suspensos a partir do nível do telhado”. W. Gropius e A. Meyer: Faguswerk (1911-1914) Esse efeito, junto com a extremidade translúcida, inverte a composição da Fábrica de Turbinas, “com a natureza fundamentalmente plana da fachada vertical em vidro acentuada pela tradição “clássica” da estrutura revestida de tijolos”. O ritmo da fachada do bloco principal da fábrica Fagus, as vidraças contínuas que formam os cantos do edifício sem nenhuma coluna no ângulo, o teto plano, a ausência de cornija, as faixas horizontais do pórtico, “tudo isso poderia levar a uma confusão de datas, podendo ser atribuído à década de 1930”. (Frampton) Curiosidade: em paralelo, numa parceria com o mesmo Adolf Meyer, Walter Gropius atuava também como designer industrial, projetando o layout de uma locomotiva a diesel, o interior de um vagão-dormitório e, por último, ele e Meyer projetaram até uma “fábrica modelo” para a Exposição Werkbund de 1914. “Assim, por volta de 1914, os líderes da nova geração de arquitetos romperam corajosamente com o passado e aceitaram a era da máquina com todas as suas implicações: novos materiais, novos processos, novas formas, novos problemas”. (Pevsner) Frank Lloyd Wright: Hollis R. Root House (1915), em Glencoe (Illinois) Antes de analisarmos a evolução do “estilo internacional” propriamente dito, diversas experiências arquitetônicas, em diferentes épocas e países, contribuíram com interessantes ideias e discussões; Embora nem todas possam ser definidas como “estilos”, algumas dessas manifestações arquitetônicas tiveram grande influência na obra de importantes arquitetos do século XX. Erich Mendelsohn: Mossehaus (1921-1923) http://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=Mossehaus+++erich+mendelsohn&source=images&cd=&cad=rja&docid=cbPIWHcQgxBM6M&tbnid=Oz6zrh8RlsgASM:&ved=0CAUQjRw&url=http://decoarchitecture.tumblr.com/post/4940651155&ei=ArSTUcOnMey20QGh6YHgDA&bvm=bv.46471029,d.dmQ&psig=AFQjCNE3iP9YGuks9dy_ra1-7C-VlpIUIg&ust=1368720756368586 http://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=Mossehaus+++erich+mendelsohn&source=images&cd=&cad=rja&docid=cbPIWHcQgxBM6M&tbnid=Oz6zrh8RlsgASM:&ved=0CAUQjRw&url=http://decoarchitecture.tumblr.com/post/4940651155&ei=ArSTUcOnMey20QGh6YHgDA&bvm=bv.46471029,d.dmQ&psig=AFQjCNE3iP9YGuks9dy_ra1-7C-VlpIUIg&ust=1368720756368586 Vários desses movimentos (ou tendências), como veremos, eram acompanhado de “manifestos”, que expunham as principais ideias e programas daqueles artistas e/ou arquitetos que compartilhavam dos mesmos princípios; Destaque para os seguintes movimentos: o “cubismo”, o “expressionismo” e o “futurismo”. E. Mendelsohn: fábrica de chapéus (1921) O cubismo, “uma das primeiras correntes artísticas das chamadas vanguardas históricas do século XX”, manifestou-se na França entre os anos 1908 e 1910; Para os artistas (pintores e escultores) cubistas, seria possível reduzir qualquer coisa na natureza “a formas geométricas perfeitas”, com as quais elas então poderiam ser representadas; “Violino e Candelabro” (G. Braque) - 1910 Ou seja, através da “busca dos elementos mais fundamentais e primários das artes plásticas” e das “próprias raízes” de cada objeto, eles então produziriam uma “síntese da realidade”. De fato, uma das características principais do cubismo foi a revalorização das formas geométricas básicas: triângulos, retângulos, cubos etc.; Quanto ao termo “cubismo”, ele foi cunhado não pelos artistas, mas por críticos de arte da época, “totalmente desconcertados diante desse novo caminho de expressão artística”: ao visitarem as primeiras exposições, convencidos de que se tratava apenas de “Fábrica, Horta de Ebbo” (Pablo Picasso) - 1909 uma arte experimental, começarama referir-se às obras com o nome de “cubos” ou “raridades cúbicas”. Nas artes plásticas, essa nova corrente foi representada por dois grandes pintores e escultores: Pablo Picasso e Georges Braque; Para muitos historiadores, a obra Senhoritas de Avignon (1907), de Picasso, deu início ao cubismo propriamente dito. “Cabeça de Mulher” (P. Picasso) - 1909 “O Violoncelista” (O. Gutfreund) - 1912 E de fato, dentre os vários movimentos artísticos que contribuíram para a formação do design moderno, o cubismo, além de ter sido um dos pioneiros, é, sem dúvida alguma, um dos mais importantes, tendo contribuído imensamente para a evolução da arquitetura mundial; Dessa forma, ao “romper com várias características da arquitetura renascentista, com a continuidade espacial, com a aproximação do interior e exterior”, a arquitetura cubista “inovou e radicalizou” na sua forma de expressão arquitetônica. Os edifícios baseados nos princípios cubistas, portanto, são normalmente projetados com formas geométricas entrelaçadas/justapostas, lembrando cristais; Destaque, por exemplo, para a arquitetura cubista da Tchecoslováquia (Praga). Josef Chochol: Villa Bedric Kovarovic (1912-1913) http://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=joseph+chochol&source=images&cd=&cad=rja&docid=tNiWRbhD3RBGzM&tbnid=Eh76P2S31EdZ0M:&ved=0CAUQjRw&url=http://www.thehousethatlarsbuilt.com/2010/01/cubist-architecture.html&ei=BLmTUefwN--50QHz7IDIBQ&psig=AFQjCNF8T25zREww8rrSOAHsoV_RyLSNbQ&ust=1368722035376150 http://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=joseph+chochol&source=images&cd=&cad=rja&docid=tNiWRbhD3RBGzM&tbnid=Eh76P2S31EdZ0M:&ved=0CAUQjRw&url=http://www.thehousethatlarsbuilt.com/2010/01/cubist-architecture.html&ei=BLmTUefwN--50QHz7IDIBQ&psig=AFQjCNF8T25zREww8rrSOAHsoV_RyLSNbQ&ust=1368722035376150 Edifício número 30 da rua Neklanova (Praga), de Josef Chochol (1913) http://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=chochol+++neklanova+30&source=images&cd=&cad=rja&docid=wsKRt7ru1ec9fM&tbnid=uprR5OpGQwHDOM:&ved=0CAUQjRw&url=http://www.junglekey.fr/search.php?query=Josef+Chochol&type=image&lang=fr®ion=fr&img=1&adv=1&ei=ZLeTUZrdMY200QHX3IDACQ&psig=AFQjCNGQLyErXZtdTDITuFX7PCqyPpNQqQ&ust=1368721623104297 http://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=chochol+++neklanova+30&source=images&cd=&cad=rja&docid=wsKRt7ru1ec9fM&tbnid=uprR5OpGQwHDOM:&ved=0CAUQjRw&url=http://www.junglekey.fr/search.php?query=Josef+Chochol&type=image&lang=fr®ion=fr&img=1&adv=1&ei=ZLeTUZrdMY200QHX3IDACQ&psig=AFQjCNGQLyErXZtdTDITuFX7PCqyPpNQqQ&ust=1368721623104297 Villa em Praga (1912-1913), de Josef Chochol Os edifícios cubistas possuem linhas “nítidas” e “limpas”, facilitando a visão dos diferentes ângulos de perspectiva; Materiais novos (“modernos”) são os mais utilizados nessas construções, com predomínio do concreto, ferro e vidro; As esquadrias são geralmente poligonais e não estão necessariamente alinhadas umas às outras; Por fim, em termos de cores, há uma preocupação em fazer um uso discreto dos tons, com o predomínio de uma ou no máximo duas cores (para poder realçar os volumes). Emil Kralicek (1912): Villa Litol Movimento surgido na Itália (1909-1914), teve em Filippo Tomaso Marinetti, autor do “Manifesto Futurista” (1909) o seu grande teórico; “Com uma retórica bombástica, o Futurismo italiano anunciou seus princípios iconoclastas à complacente burguesia italiana” do início do século XX. (K. Frampton) Antonio Sant’Elia (La Cittá Nuova) Manifesto Futurista: composto de 11 pontos principais, exaltava, dentre outras coisas, as “virtudes da temeridade, energia e audácia”, “o supremo esplendor da velocidade mecânica” (um carro de corridas era mais belo do que a Vitória de Samotrácia...), o “patriotismo e a glorificação da guerra”, “a destruição das instituições acadêmicas de todos os tipos” etc. Antonio Sant’Elia (desenho) O “contexto ideal” de uma arquitetura futurista, de acordo com o Manifesto: “Cantaremos o deslocamento das grandes multidões – os trabalhadores, as pessoas que querem divertir-se (...) e o confuso mar de cor e som em uma metrópole moderna varrida pela revolução. Cantaremos o fervor da meia-noite de arsenais e estaleiros que cintilam sob a luz de luas elétricas; insaciáveis estações engolindo as serpentes fumegantes de seus trens; fábricas (...) dos filamentos espiralados de sua fumaça; pontes (...) como (...) ginastas gigantescos que saltam sobre os rios; (...) o voo fácil dos aviões, suas hélices enfrentando o vento como bandeiras cujo som se assemelha ao aplauso de uma grandiosa multidão” Contestando os valores italianos clássicos e “ultrapassados”, os futuristas proclamavam “a primazia de um ambiente mecanizado”; ou seja, fazia-se uma homenagem direta ao “triunfo da industrialização” e aos “fenômenos técnicos e sociais do século XX”; Essas ideias, em pouco tempo, dariam forma “com a mesma intensidade” tanto ao Futurismo italiano quanto ao Construtivismo russo. Antonio Sant’Elia (desenho) O fato é que em 1909, o Futurismo ainda era muito mais um “impulso” do que propriamente um estilo, de maneira que ainda não estava claro a forma que teria uma arquitetura futurista; Outro entrave: uma vez que o Futurismo, de forma polêmica e “negativa”, proclamava-se contrário à cultura, como faria para desenvolver a sua própria arquitetura? A. Sant’Elia (desenhos) Essa “visão primitiva do esplendor mecânico” encontrou um perfeito equivalente nos desenhos altamente criativos e “visionários” do jovem arquiteto Antonio Sant’Elia (1888-1916), que por volta de 1912 havia começado a trabalhar em Milão (onde deve ter mantido contato com os teóricos futuristas); Em 1912, Sant’Elia, ao lado de um grupo de amigos, fundou a Nuove Tendenza e foi justamente na primeira exposição desse grupo, em 1914, que ele apresentou o seu conjunto de desenhos para a Cittá Nuova futurista. No mesmo ano (1914), Sant’Elia lança o seu próprio manifesto, intitulado “Messagio” (“Mensagem”), com a sua visão da arquitetura – e das cidades – dos novos tempos, tornando-se assim o principal expoente futurista na arquitetura; Trecho do Messagio: “O problema da arquitetura moderna não consiste em reajustar suas linhas; não é uma questão de encontrar novas molduras, novas arquitraves para portas e janelas (...), mas sim de erguer a nova estrutura edificada em um plano ideal, valendo-se de todos os benefícios da ciência e da tecnologia (...), estabelecer novas formas, novas linhas, novas razões para a existência exclusivamente a partir das condições especiais da vida moderna e de sua projeção como valor estético em nossas sensibilidades”. Outro trecho do Messagio (1914): “Os materiais estruturais modernos e nossos conceitos científicos não se prestam, em absoluto, às disciplinas dos estilos históricos. (...) Não mais sentimos que somos os homens das catedrais e das antigas assembleias do povo, mas sim homens de grandes hotéis, ferrovias, estradas gigantescas, portos colossais, mercados cobertos, arcadas reluzentes, áreas de reconstrução e saneamento de bairros miseráveis. Precisamos inventar e reconstruir (...) nossa cidade moderna como um imenso e agitado estaleiro, ativo, móvel e dinâmico por toda parte, e o edifício moderno como uma máquina gigantesca”. Plenamente envolvido com o Futurismo, Sant’Elia aproxima-se aos poucos de movimentos políticos italianos com tendências fascistas e, com a entrada da Itália na Primeira Guerra Mundial, alista-se em 1915 no Batalhão de Ciclistas Voluntários da Lombardia, vindo a morrer em campo de batalha logo no ano seguinte (1916). http://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=antonio+sant'elia&source=images&cd=&cad=rja&docid=TXbj52cc9vE-fM&tbnid=89yYyRwQQyA1JM:&ved=0CAUQjRw&url=http://www.fanpix.net/picture-gallery/antonio-sant-elia-picture-14035557.htm&ei=br2TUbzfKsrl0QGFtICoCQ&psig=AFQjCNG90ImWp4SDs5IHEQi_RszDFXncLA&ust=1368723143947466 http://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=antonio+sant'elia&source=images&cd=&cad=rja&docid=TXbj52cc9vE-fM&tbnid=89yYyRwQQyA1JM:&ved=0CAUQjRw&url=http://www.fanpix.net/picture-gallery/antonio-sant-elia-picture-14035557.htm&ei=br2TUbzfKsrl0QGFtICoCQ&psig=AFQjCNG90ImWp4SDs5IHEQi_RszDFXncLA&ust=1368723143947466 Dessa forma, com a perda de Sant’Elia, “o período gerador do Futurismo chegou a um fim abrupto, ironicamente privado de seu maior talento em parte devido à primeira guerra industrializada”(Frampton); Depois de 1919, portanto, foram os construtivistas revolucionários russos que “assumiram as concepções iniciais do Modernismo militante de Marinetti, e Sant’Elia” (Frampton). A. Sant’Elia (La Cittá Nuova) Antonio Sant’Elia (La Cittá Nuova) Antonio Sant’Elia (La Cittá Nuova) Antonio Sant’Elia (La Cittá Nuova) Período: 1914-1918 16 países/impérios envolvidos no conflito Tropas mobilizadas: 65 milhões Mortos: 8 milhões Feridos: 21 milhões Primeiro uso de armas químicas Bombardeio da Catedral de Reims (França) pelos alemães http://www.spiegel.de/fotostrecke/photo-gallery-images-from-the-world-war-i-battlefields-fotostrecke-37026-4.html http://www.spiegel.de/fotostrecke/photo-gallery-images-from-the-world-war-i-battlefields-fotostrecke-37026-4.html Soldados ingleses na Batalha do Somme Cidade de Ypres (Bélgica) Gheluvelt (Bélgica) http://www.spiegel.de/fotostrecke/photo-gallery-images-from-the-world-war-i-battlefields-fotostrecke-37026-3.html http://www.spiegel.de/fotostrecke/photo-gallery-images-from-the-world-war-i-battlefields-fotostrecke-37026-3.html Cidade de Péronne (França) – 11% da população francesa morta ou ferida após a Primeira Guerra Mundial! Cidade de Verdun (França) Cidade de Combles (França) Ruínas do castelo e cemitério em Contalmaison (França) Pevnser: “...as condições tumultuadas de 1919 – a irreparável perda de confiança na paz e na prosperidade, de homens que viveram anos em condições violentas e primitivas – desviaram a nova arquitetura e design para o Expressionismo, em certo sentido muito mais próximo da Art Nouveau que do estilo de 1914”; Dentre os mais famosos exemplos estão o edifício de escritórios em Hamburgo denominado Chilehaus (1923), obra de Fritz Hoeger, e o interior da Grosse Schauspielhaus (1919), em Berlim, de Hans Poelzig, “com suas fantásticas estalactites”. http://coisasdaarquitetura.files.wordpress.com/2010/05/316px-chilehaus_point1.jpg http://coisasdaarquitetura.files.wordpress.com/2010/05/316px-chilehaus_point1.jpg Chilehaus (Hamburgo) Hans Poelzig – Grosse Schaulspielhaus (Berlim) O Expressionismo na arquitetura desenvolveu-se em paralelo à evolução do movimento nas artes plásticas; Principais artistas expressionistas: Ernst Kirchner, Franz Mark, Wassily Kandinsky, Paul Klee e Lyonel Feininger; Detalhe: Kandinsky, Klee e Feininger, durante certo tempo (1919-1925), trabalharam inclusive na Bauhaus. Kandinsky: “Composição VIII” (1923) O Expressionismo, na verdade, não se constituiu em um movimento arquitetônico propriamente dito, “na medida em que não se formaram grupos culturais ou se propiciaram atividades comuns”; Ou seja, podemos dizer que os arquitetos ligados a esta linha de pensamento tiveram duas influências básicas: os movimentos artísticos contemporâneos e a “inexistência de tipos arquitetônicos preestabelecidos para os novos programas, o que indicava o caminho da experimentação”; (Pevnser) Países que mais se destacaram: Alemanha, Áustria e Holanda. S. Colin: “De maneira restrita, referimo-nos à tendência de alguns movimentos artísticos (artes plásticas, cinema, (...) arquitetura), acontecida principalmente na Alemanha e Holanda (...), caracterizada por uma visão emocional e subjetiva do mundo, geralmente angustiada, revoltada ou trágica. Manifesta-se pela distorção dos elementos, pelas cores fortes, pelo uso de formas zoomórficas”. Igreja de Gruntvig (Dinamarca), projeto de Peter Jensen-Klint (1921-1940) Ou seja, usando os materiais “novos” - principalmente o concreto armado e o aço – ou então materiais tradicionais (tijolo, vidro etc.) de uma maneira inovadora, os arquitetos expressionistas experimentavam com formas “escultóricas”, bastante incomuns e muitas vezes inspiradas em motivos “biomórficos”, para alcançar seus objetivos estéticos (e/ou simbólicos). Piet Kramer: Loja da Bijenkorf (Haia, Holanda) – 1924-1926 Um dos mais conhecidos exemplos da arquitetura expressionista é a Torre de Einstein, construída em 1920, em Potsdam, pelo arquiteto Erich Mendelsohn (1887- 1953); Pevnser: “...lado a lado com seus inúmeros projetos do período entre 1914 e 1924 (que parecem influenciados por Sant’Elia), [a Torre] estabeleceu o motivo da linha aerodinâmica que se impôs tão decisivamente no design industrial americano”. E. Mendelsohn: Torre de Einstein (Potsdam, Alemanha) E. Mendelsohn: Torre de Einstein (Potsdam, Alemanha) Na Holanda, destaque para os conjuntos habitacionais expressionistas construídos, em alvenaria de tijolos, em Amsterdam: o conjunto Eigen Haard (Michel de Klerk), o De Dageraad (Piet Kramer) etc. De Klerk: Het Schip (Eigen Haard, Amsterdam) De Klerk: Het Schip (Eigen Haard, Amsterdam) De Klerk: Eigen Haard (Amsterdam) //upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/98/Spaarndammerplantsoen.JPG //upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/98/Spaarndammerplantsoen.JPG //upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/42/Amsterdam_Spaarndammerplantsoen_0033_001.JPG //upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/42/Amsterdam_Spaarndammerplantsoen_0033_001.JPG Van der Mey: Scheepvarthuis (Amsterdam) De acordo com Pevsner, a “contribuição internacionalmente mais conhecida ao expressionismo na arquitetura é holandesa, sendo seu mais “louco” monumento dos primeiros tempos o Scheepvaarthuis (Amsterdam, 1911-1916), de Joan Melchior van der Mey”, edifício de escritórios usado por cinco empresas marítimas holandesas; Seus interiores tiveram a colaboração de outros arquitetos expressionistas holandeses importantes: Michel de Klerk, Piet Kramer etc. Van der Mey: Scheepvarthuis (Amsterdam) Van der Mey: Scheepvarthuis (Amsterdam) Van der Mey: Scheepvarthuis (Amsterdam) http://coisasdaarquitetura.files.wordpress.com/2010/05/scheepwaarthuis-11.jpg http://coisasdaarquitetura.files.wordpress.com/2010/05/scheepwaarthuis-11.jpg Van der Mey: Scheepvarthuis (Amsterdam) Van der Mey: Scheepvarthuis (Amsterdam): interiores Van der Mey: Scheepvarthuis (Amsterdam): interiores Já no final do período expressionista holandês, destaque para a prefeitura de Hilversum (1928), projeto de Willem M. Dudok, com influência explícita de Frank Lloyd Wright e cuja concepção “rigidamente cúbica” teve grande influência fora da Holanda. Na Alemanha, por sua vez, muitos arquitetos expressionistas haviam lutado na Primeira Guerra Mundial e suas experiências (traumáticas), aliadas aos conflitos políticos e sociais do pós-guerra, resultaram em uma visão utópica da arquitetura e também na adoção de uma “agenda socialista romântica”, caracterizada por uma forte crítica da sociedade contemporânea; Neste contexto, portanto, a arquitetura era considerada “uma ferramenta para a melhoria da vida social”. Um importante conjunto de manifestações expressionistas na arquitetura ficou conhecido como a Cadeia de Cristal; A Cadeia começou como uma série de cartas “utópicas” trocadas entre os principais simpatizantes do Expressionismo - os irmãos Bruno e Max Taut, Walter Gropius, Hans Luckhardt etc. - que “serviram para consolidar esta posição”. Pavilhão de Cristal, de Bruno Taut Como referência teórica principal desse grupo, as obras do poeta Paul Scheebart em defesa do uso mais “expressivo” do vidro “pregando a elevação cultural pela sua utilização”: “Para levar nossa cultura a um nível mais alto somos forçados, gostemos ou não, a mudar nossa arquitetura. E isso só será possível se livrarmos as dependências em que vivemos de seu caráter fechado. Isso, por sua vez, só será possível pela introdução de uma arquitetura de vidro que deixe entrar a luz do sol, da lua e das estrelas, não só por algumas janelas, mas pelo maiornúmero possível de paredes, que devem ser inteiramente de vidro – de vidro colorido”. As visões de Scheebart foram ampliadas, em 1918, pelo arquiteto Adolf Behne: “A afirmação de que a arquitetura de vidro fará surgir uma nova cultura não é o capricho louco de um poeta. É um fato. As novas organizações de bem-estar social, os hospitais, as invenções ou inovações e aperfeiçoamentos técnicos não darão origem a uma nova cultura – mas a arquitetura de vidro cumprirá esse papel. (...) Portanto, o europeu está certo quando teme que a arquitetura de vidro possa tornar-se incômoda. Ela o será, sem dúvida. E esta não constitui sua menor vantagem, pois, em primeiro lugar, é preciso arrancar os europeus de seu comodismo”. São exemplos da influência da Cadeia de Cristal o Pavilhão de Cristal de Bruno Taut (para uma Exposição em Colônia em 1914) e o projeto do edifício de escritórios de Mies van der Rohe em Berlim (1922). Frases de Scheerbart: “O vidro introduz uma nova era”; “Lamentamos a cultura da alvenaria”; “Construir com tijolos só nos prejudica”; “O vidro colorido acaba com o ódio”. http://coisasdaarquitetura.files.wordpress.com/2010/05/taut-glass-pavilion-exterior_1914.jpg http://coisasdaarquitetura.files.wordpress.com/2010/05/taut-glass-pavilion-exterior_1914.jpg Projeto de Mies van der Rohe na Friedrichstrasse (1922) publicado na revista Frulicht, de Taut (e nunca executado). Contudo, em função das severas limitações financeiras da Europa após a Primeira Guerra Mundial, várias obras expressionistas “importantes” jamais saíram do papel: a Arquitetura Alpina de Bruno Taut, os Formspiels de Hermann Finsterlin etc. H. Finsterlin: “Casa de vidro” (1924) De influência expressionista alemã (mas construído em Dornach, na Suíça), destaque para o Gotheanum, de Rudolf Steiner, construído entre 1924-1928 como sede do movimento antroposófico (criado por Steiner). Goetheanum (R. Steiner) Goetheanum (R. Steiner) Goetheanum (R. Steiner) Porém, na década de 1930, a subida ao poder do partido nazista levaria ao radicalismo em vários aspectos da cultura nacional; a arte expressionista alemã (incluindo a arquitetura), neste contexto, foi considerada uma “arte degenerada”, sendo então combatida até finalmente capitular. Hitler e Goebbels visitando uma exposição de “arte degenerada” (1938) O termo Art Déco (abreviação da expressão francesa arts décoratifs), é usado para caracterizar um estilo decorativo que se afirmou nas artes plásticas, nas artes aplicadas (design, mobiliário, decoração etc.) e na arquitetura do período entreguerras na Europa; A Exposição Internacional de Artes Decorativas e Industriais Modernas, realizada em Paris no ano de 1925, representa um marco, o momento em que o estilo Art Déco “passa a ser pensado e nomeado”. Com influências do movimento Arts and Crafts (Inglaterra) e do estilo Art Nouveau, a Art Decó, no entanto, segue um padrão decorativo inteiramente diferente: “predominam as linhas retas ou circulares estilizadas, as formas geométricas e o design abstrato”. Para alguns historiadores, contudo, o estilo Art Déco poderia ser considerado mais um movimento eclético, ou seja, “uma mistura de vários estilos e movimentos do início do século XX, incluindo (...) o cubismo, a Bauhaus, a art nouveau e o futurismo”, associando a sua imagem “a tudo que se define como moderno, industrial, cosmopolita e exótico”. (V. Alencar) O Art Déco apresentou-se, de início, como um estilo “luxuoso, voltado à rica burguesia do pós- guerra”, empregando materiais caros como jade, laca e marfim; E mesmo quando trabalhavam com materiais mais “simples”, tais como o concreto armado e o compensado de madeira, os artistas Art Decó faziam questão de usar detalhes ornamentais elaborados com materiais nobres, tais como o bronze, o mármore, a prata, o marfim etc. Contudo, a partir de 1934, ano em que ocorre a exposição Art Déco no Metropolitan Museum de NY, o estilo passou a “dialogar mais diretamente” com a produção industrial e com os materiais - e formas - passíveis de serem reproduzidos em grande escala (ou seja, o uso de materiais mais baratos e a produção em série para a venda em grandes lojas). O barateamento da produção, por sua vez, levou à popularização do estilo, que, a partir de então, “invade a vida cotidiana”: cartazes publicitários, objetos de uso doméstico, joias e bijuterias, móveis, cenografia, decoração de interiores etc. Entre os motivos decorativos mais comuns estão as formas femininas e as zoomórficas (animais); Contudo, essas figuras não aparecem representadas de uma forma orgânica (como no caso das linhas “sinuosas” e traços “rebuscados” da Art Nouveau), mas sim “de forma simplificada, com padrões geométricos, trazendo a influência cubista para o cotidiano”. (V. Alencar) “Nesse sentido, é possível afirmar que o estilo "clean e puro" Art Déco dirige-se ao moderno e às vanguardas do começo do século XX, beneficiando-se de suas contribuições”. A arquitetura Art Déco, fazendo uso expressivo do concreto armado, possui fachadas em tons claros, com um grande rigor geométrico (ou seja, com uma geometrização das formas) aliado a formas sinuosas e com elementos decorativos marcantes. Edifício Chrysler (Chicago), projeto de William van Alen (1928-1930) http://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=chrysler+building+chicago&source=images&cd=&cad=rja&docid=-aU2DTGbC8_0_M&tbnid=GlNny20CAWcQ_M:&ved=0CAUQjRw&url=http://christopher-king.blogspot.com/2011/09/kingcast-presents-annisha-at-astor.html&ei=BwWUUbSULriz4AOBk4HoCg&bvm=bv.46471029,d.dmg&psig=AFQjCNHD6BZfix6h4KjOeLQFawfwVFAvEA&ust=1368741422485988 http://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=chrysler+building+chicago&source=images&cd=&cad=rja&docid=-aU2DTGbC8_0_M&tbnid=GlNny20CAWcQ_M:&ved=0CAUQjRw&url=http://christopher-king.blogspot.com/2011/09/kingcast-presents-annisha-at-astor.html&ei=BwWUUbSULriz4AOBk4HoCg&bvm=bv.46471029,d.dmg&psig=AFQjCNHD6BZfix6h4KjOeLQFawfwVFAvEA&ust=1368741422485988 Art Déco nos EUA (exemplos) O Art Déco foi o estilo preferido, por exemplo, dos music halls americanos construídos nas décadas de 1930-40. Estádio Paulo M. de Carvalho (Pacaembu), em São Paulo (1940), do Escritório Ramos de Azevedo http://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=estadio+do+pacaembu&source=images&cd=&cad=rja&docid=PfjkYwrhvzttQM&tbnid=jKtCdWfgHyy3EM:&ved=0CAUQjRw&url=http://www.minube.com.br/sitio-preferido/estadio-pacaembu-a31641&ei=Fl4OUc27NpHo8QS_6YGQCA&bvm=bv.41867550,d.eWU&psig=AFQjCNG6cEIlXUIAEs3WTLCLBwkzs2BaIQ&ust=1359982448501955 http://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=estadio+do+pacaembu&source=images&cd=&cad=rja&docid=PfjkYwrhvzttQM&tbnid=jKtCdWfgHyy3EM:&ved=0CAUQjRw&url=http://www.minube.com.br/sitio-preferido/estadio-pacaembu-a31641&ei=Fl4OUc27NpHo8QS_6YGQCA&bvm=bv.41867550,d.eWU&psig=AFQjCNG6cEIlXUIAEs3WTLCLBwkzs2BaIQ&ust=1359982448501955 Teatro Goiânia (GO) - 1940 Estação Central do Brasil (1937-1940), projeto de Roberto Magno e Geza Helle http://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=central+do+brasil+rj&source=images&cd=&cad=rja&docid=obmx5RGGRuZGPM&tbnid=wGDxUWnYQzYa3M:&ved=0CAUQjRw&url=http://itacolomieng.blogspot.com/&ei=514OUZ-uN4zi8gSY4YG4DA&bvm=bv.41867550,d.eWU&psig=AFQjCNH6_-_b3nuu8LIt6oEMQXUhgaHIag&ust=1359982678132618 http://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=central+do+brasil+rj&source=images&cd=&cad=rja&docid=obmx5RGGRuZGPM&tbnid=wGDxUWnYQzYa3M:&ved=0CAUQjRw&url=http://itacolomieng.blogspot.com/&ei=514OUZ-uN4zi8gSY4YG4DA&bvm=bv.41867550,d.eWU&psig=AFQjCNH6_-_b3nuu8LIt6oEMQXUhgaHIag&ust=1359982678132618 Cine teatro Roma (Salvador) - 1948 Apesar de entrar em declínio a partir da segunda metade da década de 1930, seus motivos decorativos ainda podem ser encontrados em diversos projetos mais recentes. San Francisco Marriot Hotel (EUA) - 2003 ALENCAR, Valéria Peixoto de. Art Déco: Estilo marcou a vida cotidiana.Disponível em: < http://educacao.uol.com.br/disciplinas/artes/art-deco-estilo-marcou-a-vida- cotidiana.htm>. Acesso em: 10 fev. 2013. BENEVOLO, Leonardo. Historia da arquitetura moderna. São Paulo: Perspectiva, 1994. FRAMPTON, Kenneth. História crítica da arquitetura moderna. São Paulo: Martins Fontes, 1997. GIEDION, Siegfried. Espaço, tempo e arquitetura: o desenvolvimento de uma nova tradição. São Paulo: Martins Fontes, 2004. PEVSNER, Nikolaus. Origens da arquitetura moderna e do design. São Paulo: Martins Fontes, 1996. ______. Panorama da Arquitetura Ocidental. São Paulo: Martins Fontes, 2002.