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1 Louyse Jerônimo de Morais Espondiloartrites Referência: aula da prof. Alessandra Braz Introdução • Espondilo: vértebra. • Artrite: processo inflamatório articular. Diferentemente da artrite reumatoide, ela tem como eixo a coluna. Assim, em maior ou menor grau, todas as espondiloartrites vão afetar essa região. O protótipo do grupo é a espondilite anquilosante, mas existem outras doenças: • Espondilite anquilosante • Artrite psoriásica • Uveíte aguda anterior: manifestação extra articular mais prevalente em pacientes com espondilite anquilosante. • Artrite reativa • Espondiloartrite indiferenciada: quando não fecha critério para nenhuma espondiloartrite. • Artrite associada com doenças inflamatórias intestinais [RCU/DC] • Espondiloartrite juvenil Fatores que podem contribuir para essa manifestação multiorgânica incluem genes como HLA-B27 e IL23R, fatores ambientais como bactérias, antígenos compartilhados, como agrecano, e fatores comuns de migração de leucócitos, como moléculas de adesão ou estímulos quimiotáticos. Fatores que ainda não foram identificados, sem dúvida, contribuem para esse amálgama de inflamação. Qualquer pessoa pode ter doença imunomediada, mas ela tem que ter uma predisposição genética. Por algum motivo desconhecido, em algum momento tem um gatilho, seja infeccioso, estresse, acidente, trauma etc., e esse sistema imunológico perde a alta tolerância e começa a produzir substâncias que vão até as articulações e outros locais do corpo, gerando manifestações clínicas. O gene que permeia as espondiloartrites é o HLA- B27, predominante na raça branca, mas ele não é obrigatório. A população brasileira [com espondiloartrite?], por exemplo, tem apenas 66% de HLA- B27 positivo. Nos países cuja população é caucasiana, essa prevalência chega a 90 a 98%. Então, embora esse gene predomine, ele não é obrigatório, pois também existem fatores ambientais envolvidos. Fala-se muito de bactérias na microbiota intestinal, que por algum motivo podem translocar a partir da membrana intestinal e provocar um gatilho imunológico. Além disso, existem epítopos, que são os antígenos que vão reagir com células, bem como também tem a questão dos fatores de adesão intestinal e celular 2 Louyse Jerônimo de Morais que vão, em maior ou menor grau, direcionar para o aparecimento das manifestações. • Manifestações mais importantes: sacroileítes, artrites [geralmente são oligoartrites, isto é, acometem até quatro articulações], entesites [parte do tendão que se insere no osso]. • Manifestações extra articulares mais prevalentes: psoríase é a mais frequente, mas tem também uveíte e DII. Pontos em comum 1. Sacroileítes Na RNM, faz corte coronal, sagital ou axial. No entanto, para melhor avaliar a sacrilíaca, normalmente faz a incidência coronal oblíqua. Com isso, faz três sequencias, uma sem retirar gordura e outra retirando, porque se não tirar gordura, ficam manchas brancas, sendo que não são inflamadas. Ao retirar a gordura da sequência, se ficar branco em cima do osso perto da articulação é inflamação. A RNM indica o que está acontecendo, a radiografia mostra o ocorrido, isto é, as sequelas. Sacrilíaca normal vs. sacroileíte [hipersinal em RNM ponderada com saturação de gordura] 2. Uveíte Olho vermelho que dói e borra a visão, porque a câmara anterior fica suja, cheia de células inflamatórias e proteínas. 3. Pitting: depressões puntiformes nas unhas. Pitting vs. distrofia ungueal 4. Distrofia ungueal: comum na psoríase. 5. Dedo em salsicha/dactilite: incha o dedo todo, porque é uma inflamação da membrana tenossinovial dos dedos. É mais comum no pé, embora possa acometer dedos das mãos também. Espondilite anquilosante e as demais espondiloartrites são doenças de gente jovem. 6. Entesite: inflamação das inserções dos ligamentos, tendões e cápsulas articulares nos ossos. Devido à grande quantidade de células inflamatórias, ocorre erosão de tecido e até ruptura de tendão. O mais comum é a entesite do tendão de Aquiles, mas também pode acometer a coluna – inflama, provoca erosão e reparo. Por contato disso, o ligamento longitudinal anterior vai se fundindo um com o outro, as interapofisárias também. Por fim, a pessoa perde o movimento de flexão, extensão, rotação e lateralização da coluna. Patogênese proposta das espondiloartrites Existe um microbioma intestinal, com produção de citocinas, como a IL-23, produzida em grande escala por células das vilosidades intestinais. O desequilíbrio da microbiota [infecção intestinal, disbiose] faz com que se produza interleucinas em uma quantidade acima do ideal, o que ativa outras células inflamatórias e culmina em entesite, calcificação da entese e anquilose das articulações. Isso é um mecanismo, mas existe outro, que é o estresse biomecânico, muito descrito nos últimos anos. 3 Louyse Jerônimo de Morais Mecanismo do estresse biomecânico A pessoa com espondilite deve fazer exercício com fisioterapeuta, mas se fizer exercício demais, tipo crossfit, e sobrecarregar muito, esse estresse biomecânico na entese pode ser um gatilho. Por exemplo, um osso do calcâneo contendo células inflamatórias, ao ser submetido a um estresse biomecânico, pode ativar tais células, as quais vão produzir as interleucinas. É importante ver que cada citocina tem uma função biológica. • IL-17: produz inflamação por si só, mas também ativa TNF. Juntos, estimulam o ligante do RANK, que ativa osteoclastos e leva à reabsorção óssea. Então, essas doenças também cursam com osteoporose. o Artrite reumatoide [AR] está muito relacionada com essas citocinas o Um dos mecanismos de se evitar osteoporose em quem tem espondilite e AR é controlando a doença. • IL-22: vai estimular a neoformação óssea e calcificação dos ligamentos. Qual a importância de se conhecer essas citocinas? Para entender a função dos imunobiológicos, que são substâncias produzidas geneticamente para bloquear citocinas – anti-IL-23 serve para artrite psoriásica e espondilite; anti-TNF trata até doença intestinal inflamatória; anti-IL-17 trata espondilite e artrite psoriásica. A espondiloartrite não é uma doença autoimune, porque não tem participação de anticorpo, ela ocorre por citocinas, portanto, é imunomediada. Critérios classificatórios Em 1991, o Grupo Europeu de Estudo das Espondiloartrites [ESSG] lançou os critérios classificatórios de espondiloartrites: • Dor axial inflamatória ou oligoartrite periférica assimétrica [prévia ou atual] em < 45 anos, ≥ 3 meses + pelo menos um dos seguintes critérios: o História familiar positiva: espondilite anquilosante, artrite psoriásica, uveíte anterior, doença inflamatória intestinal. o Psoríase cutânea prévia ou atual o DII confirmada o Uretrite ou diarreia aguda até 4 semanas precedendo a artrite o Dor em nádegas alternante prévia ou atual: pode ficar só na virilha ou irradiar para a região lombar baixa. o Entesopatia [tendão de Aquiles ou fáscia plantar] o Sacroileíte [bilateral grau ≥ 2 ou unilateral graus 3 a 4] Critérios - ASAS O grupo de Rudwaleit e colaboradores, em 2009, acrescentou a RNM e o HLA-B27 nos critérios. 4 Louyse Jerônimo de Morais Assim, separou em dois grandes grupos, um que tem imagem positiva, ou seja, valor preditivo muito alto, só precisa de uma das características para CLASSIFICAR uma pessoa como portadora de espondiloartrite [diagnóstico é individualizado, classificação é para estudo]. Se não tiver imagem, precisa ter HLA-B27 positivo junto com duas outras características de espondiloartrite. Isso é critério para espondiloartrites. Esses critérios são para o grupo, mas temos os específicos de cada doença – tem o ASAS para doença periférica também. Espondilite anquilosante É a doença mais prevalente e secaracteriza por ser uma doença inflamatória crônica que acomete preferencialmente a coluna vertebral, de ritmo inflamatório, podendo evoluir com rigidez matinal prolongada e limitação funcional progressiva do esqueleto axial – a pessoa vai perdendo movimentação, então ela não encosta mais o occipito na parede. Epidemiologia • Prevalência: 0,1 a 2% • Adulto jovem [2ª a 4ª décadas de vida] • Sexo masculino [2-4:1] • Cor branca e HLA-B27 positivos [80 a 90%] • 80-98% dos caucasoides com EA: HLA-B27 positivo Etiologia • Desconhecida • Componente hereditário multigênico [HLA-B27 – 10 a 50% de susceptibilidade genética] • Função patogênica + apresentação de peptídeos microbianos. B2705 / B2702 / B27 04 / B2707 O HLA-B2705 é o mais associado, ou seja, é o HLA mais reumatogênico. Cigarro, infecções e estresse mecânico são capazes de ativar o sistema imunológico. Assim, as células T produzem citocinas, como a IL-17, que estimula osteoclastogênese e reabsorção óssea. Ao mesmo tempo, pode ativar o TNF-α e a IL-22 [vai fazer formação óssea]. O INF-κβ é produzido pelo mesmo clone celular do RANK-L. 5 Louyse Jerônimo de Morais Essa dualidade na espondilite é muito complexa, então ao mesmo tempo que se perde osso, com risco de fratura, também há neoformação óssea. Esse é o grande calcanhar de Aquiles da espondilite, porque é preciso bloquear a neoformação óssea, mas também a perda óssea. Ainda não temos uma medicação que consiga fazer tudo isso ao mesmo tempo – o que temos atualmente são remédios para reduzir a progressão da erosão e perda óssea. Os dois principais alvos do tratamento na EA são: inflamação e dano estrutural – neoformação óssea -> anquilose espinhal. Características clínicas – envolvimento axial • Inicialmente, dor lombar baixa [região de sacroilíaca] de ritmo inflamatório > 3 meses • Rigidez matinal prolongada [> 30 minutos] / sono. • Dor referida na região baixa da lombar e coxas/profunda, alternada e localizada no glúteo [pode provocar dor inguinal], é uma dor profunda. Não precisa ser simultâneo/simétrico. • Evolução é ascendente – postura do esquiador o Articulação sacroilíaca → lombar → torácica → cervical A inflamação inicia na região sacrilíaca, depois vem para a região lombar, que passa a doer ao mexer. Com a ossificação dos ligamentos, ocorre retificação da lombar. Depois disso, ocorre hipercifose torácica. Paralelamente, vai havendo retificação da cervical e projeção anterior da cabeça. Com isso, ocorre deformidade em flexão no quadril, compensatória. Essa é a famosa postura do esquiador. É uma doença de inflamação progressiva, então inflama, ossifica, colaba e anquilosa. Avaliação da coluna vertebral e sacroilíaca O teste de Schober é o teste de escolha para avaliar a flexão lombar nas espondiloartrites com acometimento axial. Ele consegue avaliar a flexibilidade, como já foi explicado diversas vezes nas aulas passadas. Marca-se um ponto na altura do osso ilíaco e outro 10 cm acima. Pede para a pessoa agachar, pois a pele vai esticar e essa distância vai ficar de, no mínimo, 15 cm em pessoas normais. Se não chegar nisso, é porque a pessoa está com limitação. O que acontece é o seguinte: o Schober só serve para avaliar a flexão lombar, quem limita a flexibilidade é algia. Na hérnia de disco, é por conta da dor da irritação do nervo, então se melhorar a dor do paciente, ele melhora a flexibilidade. Não usa Schober para avaliar hérnia de disco, e sim flexibilidade lombar. • Coluna vertebral o Teste de Schober: redução nos movimentos de flexão, extensão, lateralização e rotação da coluna. o Sinal da flecha: anquilose da coluna cervical com retificação, projeção da cabeça e contratura em flexão do pescoço. o A coluna lombar não tem mais lordose. • Sacroileítes: testes de Volkmann e Lewin. Envolvimento periférico Além da coluna, a espondilite também pega articulação periférica. Manifesta-se com artrite periférica tipicamente mono ou oligoarticular e assimétrica. Desenvolve-se aproximadamente em 1/3 dos pacientes e predomina em articulações de MMII. Dactilites podem ocorrer em um ou mais dedos. Entesites O processo inflamatório a nível de tendão não é visto na radiografia. O tendão é hipovascularizado. Então, quando faz USG com doppler, aparecem várias manchas vermelhas, que indicam a presença de fluxo sanguíneo nesse local. Isso já é um indício de que está tendo uma entesite na região do calcâneo. Quando vai cicatrizando, aparece linha grossa de esclerose subcondral, algo que não deveria estar presente, porque não é articulação. • Característica central da EA: inicialmente levam à aparência no RX de osteopenia ou lesões líticas, evoluindo com neoformação óssea sobre as enteses. Geralmente, associa-se com fasciíte plantar e esporão de calcâneo, mas pode dar em coluna [discovertebral, costovertebral, costotransversa / ligamentos interespinhosos e paravertebrais]. 6 Louyse Jerônimo de Morais Na vigência de uma inflamação na coluna esternocostal, a pessoa vai sentir dor na região do tórax, com diminuição da expansibilidade torácica. O pneumologista, muitas vezes, não dá diagnóstico, porque vai pedir radiografia de tórax ou tomografia, que é boa para osso, mas não para partes moles. A costocondrite dói à palpação e piora a expansibilidade torácica. Para dizer que um paciente tem espondilite anquilosante, é preciso ter um critério clínico e um radiográfico. Manifestações extra articulares 1. Uveíte anterior aguda • 40% dos pacientes com espondilite anquilosante vai ter. • Geralmente é unilateral e recorrente • Geralmente associada ao HLA-B27 • Acometimento alternante: dor, fotofobia, vermelhidão, borramento da visão e lacrimejamento. • Aumento da injeção conjuntival na borda da íris • Histórico de uveíte anterior [2 a 10 anos] ajuda na suspeita diagnóstica Todo paciente com uveíte anterior aguda que não seja de etiologia infecciosa deve ser investigado para espondilite. Se for bilateral, investigar outra doença. A uveíte da espondilite ocorre na câmara anterior do olho, inflama e cicatriza, formando sinequia, que cola para frente, na córnea [sinequia anterior], ou no cristalino [sinequia posterior]. Com isso, fica tudo irregular. Então, 11% dos casos pode ficar com lesão definita. Em 90% dos casos, é limitada e pode ser tratada com corticoide, de forma conservadora. Exames complementares • Laboratório: anemia normocrômica normocítica o Metade dos pacientes com doença ativa terão aumento de VHS e PCR • HLA-B27: está presente, mas não é obrigatório. A importância é que eles têm mais acometimento axial e uveíte anterior. Achados de imagem • Osteíte: alargamento das sacrilíacas → erosões na parte inferior → ossificação + anquilose → sacroileíte. • Achados mais comuns de sacroileíte na TC: redução do espaço articular, esclerose subcondral, erosões ósseas e anquilose. Não é capaz de mostrar o que está ocorrendo no momento. • Achados da RNM o Fase aguda: líquido intra-articular, edema medular ósseo subcondral, realce pós- gadolínio articular e periarticular, edema de tecidos moles. o Fase crônica: reconversão medular óssea periarticular, substituição da cartilagem articular por pannus, erosão óssea, esclerose subcondral, alargamento ou redução do espaço articular, anquilose. Espondilite anquilosante [critérios modificados New York 1984] Dor lombar inflamatória ≥ 3 meses ou sacroileíte radiográfica grau 2 bilateral ou grau 3/4 unilateral Limitação da coluna lombar nos planos frontal e sagital: a pessoa fica com bloqueio de flexo- extensão e lateralização. Limitação da expansibilidade torácica – coloca uma fita métrica no quarto espaço intercostal e pede para o paciente respirar. Ele tem que expandir pelo menos 2,5 cm. Issoé critério de doença. 7 Louyse Jerônimo de Morais Na imagem da TC, vai ter osteíte e inflamação, com erosões, bem como processo de esclerose subcondral bem importante. A RNM consegue mostrar as alterações inflamatórias se desenvolvendo. Após retirar a gordura, o que persistir branco no osso é água [hipersinal] • Osteopenia justa-articular e osteíte → alargamento das sacrilíacas → erosões na parte inferior → ossificação + anquilose + sacroileíte Diagnóstico radiográfico – critérios de New Work • Grau I: suspeito • Grau II: inicial • Grau III: moderado • Grau IV: avançado Na coluna, ocorre um processo inflamatório, com erosão e posterior reparo. A vértebra é “redondinha”, mas quando sofre reparo, ela fica pontuda, isto é, reta. Então, fica com um aspecto de “moldura”. Depois, ela vai ossificando o ligamento longitudinal anterior de um corpo vertebral a outro, pegando a parte externa do ângulo fibroso. É diferente de osteófito, pois este último parte do platô cartilaginoso do osso subcondral e geralmente é horizontal. O sindesmófito é filiforme, segue o ligamento longitudinal anterior e sai de um corpo vertebral a outro pegando a parte externa do ângulo fibroso – também ocorre nas interapofisárias. Com o tempo, a coluna fica toda reta, sem ter mais flexo-extensão. Coluna em bambu. • Alterações de coluna no exame de imagem: quadrantura vertebral, esclerose / erosões / sindesmófitos / espondilodiscites Tratamento Terapia física em várias modalidades, exercícios em solo ou em água, sozinhos ou em grupos e supervisionados tem efeitos positivos na dor, BASDAI, BASFI e mobilidade funcional. A primeira linha de tratamento é AINE. Se tomar e não responder ou se tiver algum outro motivo que contraindica [alteração de função renal, alergia, hepatopatia etc.] progride para outro tratamento. • Se fizer tratamento bem feito, com dois ou mais AINEs por 1 a 3 meses, junto com fisioterapia, até 35% dos pacientes fica bem. • Doença periférica: pode fazer infiltração na articulação. Artrite psoriásica Doença inflamatória crônica das articulações sinoviais, associada à psoríase, usualmente negativa para o fator reumatoide. • Ocorre em 2 a 3% da população, 1,3% - prevalência aproximada do Brasil o Desses 2 a 3%, em torno de 20% das pessoas com psoríase só na pele vão evoluir com artrite • Brancos, ambos os sexos em igual proporção • Idade média de início: 30 a 55 anos o A regra do < 45 anos é mais para espondilite anquilosante e o restante das espondiloartrites axiais, para psoríase, pode ser qualquer idade. • Média de 10%, ao longo de 2 anos, vai ter artrite. Na maioria dos casos, acomete primeiro pele antes da artrite; em 10% dos casos, são concomitantes; em 15% das pessoas, a artrite vem antes da psoríase. • HLA-B27 positivo: 20 a 60%. Só indica que vai ter mais acometimento axial, porque nem uveíte anterior aguda o paciente tem [na psoríase]. Etiologia da doença psoriásica A etiologia envolve fatores genéticos, ambientais e imunológicos • Fatores genéticos: traço poligênico e agregação familiar, dois pais com psoríase [41% de chance], pai ou mãe [14%] o Irmãos gêmeos: 70% monozigóticos, 30% dizigóticos 8 Louyse Jerônimo de Morais • HLA-Cw*0602: risco relativo aumenta em 13x em caucasianos – psoríase e artrite psoriásica. • MICA 002 e HLA B27 = artrite psoriásica Fatores ambientais de risco • Exposição à radiação UV☀️: alguns dizem que pode precipitar, outros dizem que, na verdade, melhora a lesão. • Medicações💊: interferem no sistema imune, via de sinalização e expressão de citocinas; inibidor de IECA, lítio, cloroquina, alguns AINEs. Eles vão aumentar o risco. • Cigarro🚬 • Obesidade e dieta🍕: a psoríase, hoje em dia, é estudada dentro do conceito das doenças metabólicas. • Ingesta de álcool🍷: aumenta sensibilidade ao glúten. • Infecções🦠 • Estresse😡: distúrbio de regulação imune, ativação anormal de células T. É uma doença que inflama a pele, as articulações e o tecido adiposo como um todo. Patogênese Por algum motivo, o queratinócito sofre quebra da integridade e da função [diferenciação e proliferação anormais]. A partir disso, linfócitos e demais células inflamatórias [linfócitos T, células dendríticas, neutrófilos e monócitos] produzem citocinas. Estas últimas promovem neoangiogênese – por isso que a placa da psoríase é neovascularizada, vermelha e infiltrada –, ativa RANK-L, o que causa reabsorção óssea, e, como tem muitas células inflamatórias, muitas vezes, vai precisar usar imunobiológicos para bloquear esse processo imune e inflamatório. • Medicações: metotrexato, ciclosporina, anti- TNFα, anti-IL17, anti-IL22 • Critério para artrite psoriásica: tem que ter, no mínimo, uma manifestação articular inflamatória – artrite, inflamação da coluna ou entesite. Classificação: critérios para artrite psoriásica CASPAR 2006 Não existe um tipo de psoríase mais grave. A forma mais comum de psoríase da artrite psoriásica é a da maioria dos pacientes, isto é, em placas. No entanto, tem lugares no corpo que remetem ao acometimento articular. • Locais associados ao acometimento articular na psoríase: couro cabeludo, retroauricular, periumbilical, sulco interglúteo, psoríase invertida, regiões perianais, comprometimento ungueal. Formas clínicas A artrite reumatoide não dá distrofia ungueal e não pega interfalangiana distal normalmente. A radiografia da AR também é diferente, porque tem reabsorção óssea e erosão, mas não tem osso novo se formando [neoformação óssea]. A mesma pessoa pode ter acometimento axial e periférico. • Oligoartrite assimétrica: grandes e/ou pequenas articulações e/ou tenossinovites; “dedos em salsicha”. • Poliartrite simétrica: muito semelhante à artrite reumatoide; pode acometer as articulações interfalangianas distais [IFDs]. • Distal: acomete exclusivamente as articulações IFDs; associação com lesões ungueais [“unha em dedal”] • Artrite mutilante: 20 a 30 anos; pequenas articulações de mãos e pés / deformidades, encurtamento dos dedos. o São formas mutilantes que comem o osso da pessoa. 9 Louyse Jerônimo de Morais • Espondilite psoriásica Existe uma diferença da espondilite da artrite psoriásica para a anquilosante. Nesta última, é filiforme, de baixo para cima e a sacrilíaca é fechada dos dois lados. A artrite psoriásica, quando tem envolvimento axial, não segue caminho de baixo para cima e tem sindesmófitos grosseiros. Alguns autores apontam como parasindesmófitos. Às vezes, ele repuxa a vértebra – ela não fica quadrada, mas sim parecendo um bico de águia. Tratamento É voltado ao bloqueio de citocinas, que são moléculas que vão iniciar o processo inflamatório imunomediado. Então, sempre começa com metotrexato, que é mais barato e tem boa tolerabilidade. Depois de uns três meses, reavalia. Começa normalmente com metotrexato, depois que reavalia e não melhorar [existem métodos para pontuar]. DII e artrite reativa não cai na nossa prova, mas cai em prova de residência, então estude.