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Universidade Federal do Acre Centro de Ciências Jurídicas e Sociais Curso: Direito Disciplina: Língua Portuguesa Docente: Mário Luís Villarruel da Silva Discente: Riquiel Alves de Souza Atividade: Resumo do Livro – Descasos Rio Branco. 2022 RIQUIEL ALVES DE SOUZA SZAFIR, Alexandra. Descasos. 1ª Edição. São Paulo: Saraiva, 2010. Trabalho apresentado à disciplina Língua Portuguesa como requisito parcial para obtenção de créditos semestrais. Rio Branco. 2022 Resumo – Descasos. Alexandra Szafir Descasos é um livro que conta relatos de uma advogada que presenciava inúmeras situações comoventes, constrangedora e que podem causar revolta ao seu leitor. O livro começa apresentando uma visão sobre como é o sistema penitenciário, um lugar precário que modifica completamente as pessoas que infelizmente lá se encontram, desde que está indo para visitar ou trabalhar, que tem o seu psicológico afetado pela ambientação do lugar ou simplesmente as pessoas que lá se encontram, a grande maioria com visíveis problemas de saúde por estarem um tempo considerável naquele lugar insalubre. A partir desse momento surge uma critica a falta de saneamento básico e condições dignas de vida, pois o poder público muitas vezes acaba por negligenciar a condição das pessoas que ali se encontra, muitas vezes considerados como escória “que está lá por que merece”, era de se esperar que o sistema penitenciário brasileiro fosse um lugar que fornecesse uma possível ressocialização e não primordialmente como algo punitivo. E assim o livro segue mostrando quase que de uma forma imersiva ao detalhar o local, a condições estética, psicológica e moral dos indivíduos. Após fornecer uma ambientalização do local e personagens, que não ocorre apenas no início da obra, mas segue até o seu fim, o texto começa a seguir com críticas ao sistema judiciário, a forma como ele é falho deixando lacunas e causando transtornos que até muitas vezes são irreversíveis. Um exemplo é o capitulo “Justiça, bom senso e incompetência – p. 31” nesse exemplo um homem que havia participado de um furto estava correndo em regime aberto, já tinha passado anos e o mesmo mostrava ter mudado sua conduta, estava trabalhando e cumpria a pena que teria sido imposta na época, até que um dia sua vida vira do avesso e ele é retirado do regime para cumprir em regime fechado, pois tinha um mandado para eles, após a advogada investigar com a ajuda de um estagiário ela descobre que tudo aquilo teria acontecido por um erro do juiz, que for falta de atenção acabou afetando o cálculo para o processo de execução de pena, por conta disso Reginaldo acabou recebendo um mandado de prisão. Por sorte ele encontrou a advogada no mutirão e que conseguiu ajudar o mesmo, porém a história segue deixando o comentário sobre esse tipo de situação, onde erro do juiz, poderia ter destruído a vida de Reginaldo, já que ele poderia ter perdido seu trabalho e todo o processo de ressocialização, teria sido jogado fora e por fim deixa o questionamento sobre quantas pessoas não passaram, passam ou vão passar por situações como a de Reginaldo por não terem condições financeiras de um advogado. Além de erros administrativos como o citado acima, o livro também fala sobre a forma que alguns magistrados tratam as pessoas que possuem “autoridade” abaixo da deles. Como foi o caso do capítulo “Algemas – p. 39” onde já se inicia pelo erro de não ter sido emitido cara precatória, para que assim se evitasse o custo de viagem do réu, pois ele estava em uma cidade no interior e deveria ter sido ouvido lá, ainda assim esse não é o foco do capitulo mais sim a forma como o magistrado lidou com a situação ao ver o “preso” sem algema. O fato se justificava, pois, o agente que acompanhara ele na viagem não considerou necessário o uso do objeto, pois não se tratava de um indivíduo perigoso, e que devido a convivência com o mesmo, julgou não ser necessário a utilização de algemas, mas isso não foi justificativa para o magistrado, pois ele se recusou a julgar o caso em quanto o réu não estivesse algemado. Desse episódio percebe-se a indignação da advogada com a falta de bom senso do Juiz, pois ele complicou uma situação completamente desnecessária e sem cabimento, ainda finalizando o capítulo sobre decisão do Supremo Tribunal Federal sobre o uso de algemas em casos onde o indivíduo não apresenta periculosidade e risco de fuga. As histórias, que são apresentadas no texto, por serem sobre momentos específicos não necessariamente seguem uma linha cronológica de acontecimentos que as interligam, porém ainda assim ela mostra pontos que se repetem entre as histórias, até mesmo mais de um em uma única história. Como a forma que os presos se encontram, que citado bem no comecinho do texto, o lugar precário e insalubre acaba afetando muito a aparência dos presos com o tempo, nisso a autora cita que qualquer que ficasse tempo de mais um alugar assim iria começar a apresentar a aparência de alguém problemático. E um dos pontos é a forma como essa “mutação” estética acaba interferindo durante o júri, mesmo que decisão deva ser tomada de forma imparcial, todos os detalhes contam, desde a forma como o réu se comporta e principalmente a sua fisionomia. Além disto é justamente por conta disso e outros inúmeros fatores que o livro critica a forma como muitos detentos são mantidos, fazendo um leve apelo sobre esse cenário, apontando ainda durante os relatos um dos aspectos que poderiam reduzir a própria superlotação, que devido ao fato de várias pessoas estarem presentes em um espaço que foi feito para um número bem menor, acaba influenciando nesse processo de degradação da imagem e até a mesmo a morte por sufocamento. Seguindo a linha de presídios saturados, o texto evidencia um segundo problema, a falha no judiciário, várias vezes a “narradora” se vê em situações que poderiam ter sido evitadas com um pouco mais de atenção ou fazendo até mesmo básico, assim surge a crítica aos “operadores de direito” responsáveis por colocar pessoas em presídios lotados por injustos erros deles. Fica nítido a forma como os processos são lidados, essa falta de zelo acarretou para alguns personagens da obra em longos períodos de cancere sem o menor respaldo, problema esse que afeta majoritariamente a classes mais humildes da sociedade, pois como não possuem recurso para usufruir de uma boa defesa, não possuem outra escolha a não ser depender da defensoria pública, que infelizmente não consegue lidar com a demanda que recebe. Assim, a autora critica a falta de responsabilidade com algo tão grave, como o que ocorre com um morador de uma favela que não recebeu a intimação e acabou sendo preso, quando no fim das contas o erro foi do oficial de justiça não havia entregado no endereço certo, se quer se deu ao trabalho como foi relatado. Não obstante, os “representantes”, não generalizando, da lei são mostrados diversas vezes durante o livro, como pessoas que não possuem graus mínimos de empatia. Ainda na mesma história do morador de uma região mais afastada que teve como “desculpa” a explicação de que “ninguém tinha culpa se ele morava em uma favela”, assim a obra deixa claro tanto as lacunas e problemas presentes no ordenamento, como também a diferença de tratamento entre pessoas mais humildes, que são presas e ridicularizadas devido a sua condição financeira, em quanto fica perceptível o abismo social de classes no Brasil, ficando claro durante a história a disparidade de classes e a forma como isso afeta diferentemente os grupos sociais e superlota o sistema carcerário. Por fim, a autora finaliza o livro comentando sobre um “crime” que haveria cometido mediante uma situação causada por lacuna no ordenamento – uma grávida que iria perder seu filho ao nascer ou um pouco depois, basicamente ela não tinha outra opção a não ser realizar o aborto e se poupar do estresse, gastos e dificuldades que se enfrenta durante a gestação – em que na época só era permitido o aborto em caso de estupro ou gravidez que colocasse em risco asaúde da mãe, situação da qual pode ser observada durante capítulos anteriores que poderia ser resolvida com o mínimo de empatia. Ademais, Alexandra Szafir, a advogada que escreveu o livro, retoma novamente no último capítulo a sua insatisfação com as pessoas de classes mais baixas que não possuem condições de arcar com processos jurídicos e acabam passando por situações como as que foram citadas anteriormente e durante os relatos do livro. Ela encerra assim a sua obra agradecendo aqueles que estiveram com ela durante sua jornada como advogada e explicando sobre a sua doença – esclerose lateral amiotrófica, era a sigla do título “ELA” – e a forma como ela produziu o livro mediante essa situação. Referência Bibliográfica SZAFIR, Alexandra. Descasos. 1ª Edição. São Paulo: Saraiva, 2010.