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RELATÓRIO POLICIAL – NAIÁ MOURA GOMES / LUCIANA CORREA MACHADO INQUÉRITO POLICIAL: 184602/2020 PROCESSO (se tiver): INÍCIO: 21/10/202 INDICIADO :W.M.D.P CAPITULAÇÃO PENAL: Homicídio Doloso e Culposo O presente inquérito policial foi instaurado, a partir do B. O nº 2020/1078843, para apurar a prática dos delitos de HOMICÍDIO DOLOSO E CULPOSO , na forma CONSUMADA, fato ocorrido em 21/10/2020, por volta de 03h23, na Rua Raul Caron, 400 ,sobrado 05 – Capão da Imbuia, nesta Capital, onde figuram como vítimas E.I.L.S e I.M.D.P com vistas à apurar a prática do crime de Homicídio do art. 121 do Código Penal, supostamente praticado por W.M.D.P já qualificado nos autos do referido inquérito policial. Segundo RELATÓRIO DE LOCAL DE CRIME, equipe de investigação preliminar deste Departamento compareceu ao local em razão de ter sido noticiado o homicídio de dois indivíduos no interior do local já supracitado. Foi acionado o Cepol e foram até o local do crime os investigadores, Bruno e Marcos onde foram informados que um ladrão havia invadido a residência, entrou em luta corporal com a vítima I.M.D.P, e o indiciado W.M.D.P efetuou disparos que atingiram o elemento e seu irmão causando-lhes a morte. DILIGÊNCIAS INVESTIGATÓRIAS: 1 - IMAGENS CAPTADAS POR POPULARES: RELATÓRIO DE IMAGENS de fls. 08, observa-se que E.I.L.S estava visivelmente alterado e entra na residência da família dos envolvidos, pulando o muro e escalando até a janela do andar superior LAUDOS PERICIAIS: Laudo Pericial de Local de Crime nº 21918/2021 de folhas 32 constatou a presença de dois cadáveres e sugerem a ocorrência da morte no local do exame. Segundo exames superficiais as mortes foram ocasionadas por ferimentos por objetos perfuro contusos ocasionados pelos disparos de uma arma de fogo tipo pistola, marca de fabricação TAURUS, calibre 9 mm, que estava próximo a cabeça de um dos cadáveres. Laudo Pericial de exame de necropsia n°84158/2020 de folhas 44 constatou que após discorrer sobre os achados visualizados em E.I.L.S, concluiu como causa da morte lesão craniana produzida por instrumento perfuro contundente hemorragia e bronco-aspiração de sangue. Detectou -se no exame de dosagem alcoólica a presença de álcool etílico na proporção de quatro decigramas e quatro décimos de decigramas por litro de sangue. Laudo pericial de exame de necropsia n° 84159/2020 de folhas 51 constatou após feito os exames, que I.M.D.P teve a causa de morte por lesões cranioencefálicas causada por instrumento perfuro contundente. No intuito de esclarecer os fatos foram colhidos os DEPOIMENTOS conformem seguem: C.C.B, policial militar, declarou ter sido chamado para atender uma ocorrência de local de morte na Rua Raul Caron, 400. No local foi informado que um indivíduo havia invadido a residência e que W.M.D.P havia efetuados disparos com arma de fogo com o intuito de defender sua família. Declarou também que teve uma luta corporal entre o individuo e I.M.D.P e W.M.D.P. efetuou mais dois disparos. Declarou que as duas vítimas morreram no local ( fls 13). F.S.D.P, na condição de testemunha, declarou que na data do ocorrido, aproximadamente as 00h00, escutou uma confusão em frente a sua residência e que logo após um dos envolvidos começou a chutar o portão de sua casa e sendo assim seu esposo avisou que iria chamar a polícia. Declarou que mesmo assim o indivíduo adentrou a sua casa, que tentou fechar sua janela, mas que mesmo assim o indivíduo continuou a invadir o local e com isso, I.M.D.P., entrou em luta corporal com o indivíduo para ajudá-la. Declarou também que nesse momento seu esposo W.M.D.P entrou no quarto e para defender seu irmão efetuou disparos que atingiram o indivíduo e também seu irmão I.M.D.P e por consequência disto os dois vieram a falecer (fls 14). T.L.B, Delegado de policial civil, declarou que é lotado na Delegacia de Homicídio, que a equipe da Divisão foi ao local dos fatos e encontrou duas pessoas em óbito. Declarou que segundo as câmeras de segurança e pessoas que estavam no local, um individuo havia adentrado o local para cometer o crime de furto e entrou em luta corporal com I.M.D.P em seu quarto. Declarou também que W.M.D.P, que estava no quarto superior da residência, desceu para defender seu irmão, e com uma pistola que estava devidamente registrada, efetuou disparos e acabou atingindo seu irmão sem querer. Declarou que o individuo parecia estar supostamente drogado, pela maneira como invadiu a residência (fls 15). W.M.D.P., na condição de noticiado, declarou que que um indivíduo o qual não soube dizer quem era, chutou o portão e invadiu sua residência, mesmo sendo advertido por ele. Sendo assim, declarou que pegou sua arma de fogo e efetuou dois disparos contra o indivíduo. Declarou que o individuo começou a chutar a porta do quarto de sua mãe e seu irmão I.M.D.P entrou em luta corporal com o mesmo, e por este motivo o declarante entrou no quarto e efetuou os disparos que atingiram o invasor e seu I.M.D.P. declarou que o local estava escuro e que agiu para defender seu irmão (fls 16) S.R.D. P, na condição de testemunha, declarou que estava tendo uma confusão na rua de sua residência e que um individuo não conhecido começou a chutar o portão de sua casa e mesmo sendo advertido, pulou o muro e invadiu sua casa. Declarou que desceu as escadas, mas acabou caindo. Declarou que o individuo tentou agredir sua esposa e entrou em luta corporal com seu filho I.M.D.P e diante do ocorrido, W.M.D.P. foi defender sua família e efetuou disparos com arma de fogo, resultando na morte do indivíduo e de I.M.D.P. (fls 17). W.M.D.P, compareceu novamente, como indiciado, tendo ciência das de I.M.D.P. acusações que lhe foram por ora imputadas e de seus direitos constitucionais, art. 5º- inciso II, III, XLIX, LXI, LXII, LXIII, LXIV, LXVI, e passando a ser interrogado nos termos do Art.187, paragrafo 2 do CPP. Sobre as acusações que lhe foram imputadas prestou o presente interrogatório: que por volta das 00h30 um indivíduo estava chutando o portão e ele o advertiu e então pegou sua arma de fogo. Logo após o agressor escalou o portão e por este motivo o declarante efetuou dois disparos de arma de fogo contra o indivíduo. Após esse fato o declarante desceu as escadas de sua casa e se deparou com o agressor que estava visivelmente alterado, em luta corporal com seu irmão I.M.D.P. Sendo assim o declarante fez mira e efetuou mais alguns disparos de arma de fogo e acabou por vitimar o agressor e I.M.D.P. declarou ainda não saber se o agressor estava armado com faca ou com algum objeto (fls 19). DO CRIME Conforme as provas colhidas e diligências impetradas até o presente momento, o referido crime de HOMICIDIO tem sua materialidade e autoria bastante elucidadas. Cabe ressaltar que apurado o presente fato, não resta dúvida que os disparos foram efetuados em legitima defesa DIANTE DO EXPOSTO, indicio W.M.D.P pela prática do crime previsto no artigo 121, § 3º, do Código Penal. Não havendo diligências outras a serem feitas pela Polícia Civil com vistas ao aclaramento dos fatos, remeto os autos relatados, conforme artigo 13, II do CPP, ao juízo competente. _________________ Delegado de Polícia Civil Matrícula Local, data.