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APLV AUTOR: PEDRO V.F. MEDRADO - Trata-se de uma reação adversa, imunologicamente mediada, à proteína alimentar do leite de vaca. · Diferente da intolerância alimentar, ambos são reações alimentares adversas, a alergia é um evento imunologicamente mediado, enquanto, que a intolerância não. - A APLV é a alergia alimentar mais comum da infância, com incidência de 2-3% no 1º ano de vida. · É muito raro na criança maior, a história natural da doença é ser mais frequente no 1º ano de vida. · Alguns estudos variam de 2-7,5% de prevalência, embora exista a prevalência real e a prevalência percebida pelo TPO. - Taxa de remissão · 45-50% dos casos no 1º ano · 60-75% após o 2º ano · 85-90% após o 3º ano. - O prognóstico, portanto, é favorável na infância. FISIOPATOLOGIA - Os pacientes portadores de APLV são imunologicamente e clinicamente heterogêneos. · IgE mediado representa 60% dos casos · IgE não mediado 35% · Misto 5% - A caseína é a proteína mais frequente (80%) e com poder mais alergênico, as proteínas do soro representam 20% e são menos alergênicas. - Os epítopos são regiões imunológicas que se ligam ao receptor da célula T e/ou ao anticorpo. · Epítopo linear – aminoácidos que o compõem estão dispostos sequencialmente, de maneira linear em um antígeno proteíco · Epítopo conformacional – sequencia de aminoácidos do epítopo depende de estruturas secundárias, terciárias ou quaternárias. · Ambos podem resultar em reações alérgicas, embora de modos distintos · Processamento dos alimentos que altera a estrutura tridimensional das proteínas alimentares, altera o potencial imunogênico dos epítopos conformacionais e não dos lineares. · Calor intenso ou hidrólise parcial podem modificar/destruir os epítopos conformacionais, logo a ligação da IgE ao antígeno (epítopo) não aconteceria para os conformacionais, mas sim aos lineares. - Os alérgenos com epítopos lineares tendem a ter um potencial alergênico mais persistente e resistente do que os conformacionais. · Pacientes que não toleram preparações lácteas submetidas ao calor em geral possuem anticorpos IgE específicos para epítopos lineares. · Pacientes que toleram pequenas quantidades de alimentos processados (calor intenso ou hidrolise parcial) com manifestações clínicas mais leves ou quadros transitórios possuem anticorpos IgE dirigidos para epítopos conformacionais. - As formas de apresentação dependem da mediação pelo IgE, por exemplo: · IgE mediada – os sintomas são mais precoces e específicos, tais como urticária (aguda), angioedema, anafilaxia (90% urticária), estridor e sibilância. · Minutos a horas · IgE não mediada (tipo celular) – os sintomas são mais crônicos e inespecíficos, tais como manifestações gastrointestinais (RGE, vômitos e diarreia), esofagite, proctite e proctocolite. · 2-48 horas até 1 semana de apresentação. · Mista – esofagite eosinofílica, asma, gastrite eosinofílica e gastroenterite eosinofílica. CLINICA - As manifestações são diversas e dependem dos mecanismos envolvidos (IgE e não-IgE mediados) e do órgão acometido. - Síndrome da enterocolite induzida por proteína alimentar (FPIES) · É uma hipersensibilidade gastrointestinal a alimentos, sendo a mais grave das hipersensibilidades alimentares gastrointestinais não mediadas por IgE. · É uma reação anafilática, e portanto, exige urgência em crianças com APLV. · Antes era considerada rara, os sintomas em geral desenvolvem-se no 1º ano de vida, com leve predomínio pelo gênero masculino. · Caracteriza-se por: náuseas, vômitos intratáveis, hipotonia, palidez, apatia e diarreia com muco e sangue · Gravidade – desidratação, acidose metabólica e choque hipovolêmico. · Pode lembrar uma sepse · Os sintomas iniciam 1-3 horas após ingestão da proteína · Nas crises agudas a evolução é boa com – hidratação venosa, esteroides e FeH · No episodio agudo pode haver – leucocitose · Radiologia – pneumatose intestinal (diagnostico de enterocolite necrosante) · Testes alérgicos – negativos · O diagnóstico é baseado na clínica do paciente · Biópsia jejunal – atrofia varável, edema, linfocitose, eosinofilia e mastocitose. - Proctite e proctocolite · Acometem especialmente RN e lactentes nos primeiros 3 meses de vida, e não se trata da alergia ao LM (já que o fazem exclusivo), mas às alergias alimentares as proteínas ingeridas pela mãe nutriz presente no LM. · Não se deve desmamá-la, mas sim orientar a mãe quanto a restrição dietética do leite de vaca · As crianças que fazem uso de formulas à base de leite de vaca ou soja, recomenda a mudança para as FeH · Lactente – cólica, irritabilidade e choro excessivo. · Retossigmoidoscopia – enantema, erosões e ulcerações · Histologia – infiltrado inflamatório, predominante eosinofílico, com erosões no epitélio, microabscessos e fibrose. · Pacientes com proctite ou proctocolite alérgicas apresentam enterorragia, com estado geral satisfatório e ganho de peso adequado. - Enteropatia induzida por proteínas alimentares · As manifestações clínicas evidentes em dias, semanas ou até mais de 1 mês após a introdução do alimento – reação tardia mediada por células. · Quadro clínico – má absorção de início insidioso, diarreia crônica (fezes aquosas e ácidas), eritema perianal, distensão abdominal, vômitos, anemia, perda de peso e insuficiência do crescimento. · Esteatorreia, enteropatia perdedora de proteínas, edema e variáveis graus de desnutrição – diagnóstico diferencial de doença celíaca. · Se colite – fezes com muco e sangue (enterorragia) · Diagnóstico clínico, mas pode solicitar uma EDA. · Na EDA + biópsia – infiltrado inflamatório da lâmina própria (linfócitos, plasmócitos, mastócitos e eosinófilos), achatamento das vilosidades intestinais e hiperplasia das criptas. · Como há lesão na vilosidade, diminui a superfície absortiva, reduz a concentração de dissacarídeos, e aumenta a permeabilidade da barreira intestinal o que facilita a entrada de macromoléculas/PTN que sensibilizam ainda mais a mucosa. · As lesões das microvilosidades e das vilosidades são reversíveis e se recuperam com a dieta de eliminação de alérgenos. · Tratamento – restrição de dieta da PLV, podendo ser necessária a suspensão de lactose e/ou sacarose (dissacarídeos). · Maioria dos lactentes respondem bem à FeH DIAGNÓSTICO - Muitos sintomas são inespecíficos, o que torna o diagnóstico difícil, e os testes têm muitas limitações. Por isso, o diagnóstico é de suspeição. - Suspeição diagnóstica · Após identificação do alimento suspeito, recomenda-se eliminação por 2-4 semanas, e para confirmação é preciso alguns exames complementares e/ou desafio oral. - Os problemas de diagnóstico podem acarretar dificuldades para a família por isso, cuidado com o super e subdiagnóstico. · Subdiagnóstico – reações adversas potencialmente graves · Superdiagnóstico – restrição desnecessário (a mãe e criança), prejuízo nutricional, psicológico, econômicos e sociais - Testes diagnósticos · Teste de puntura ou prick test – avalia presença de IgE específico in vivo, valor preditivo positivo de 50% e negativo de 95% · É melhor para descartar a alergia IgE mediada, do que confirmar a presença · Testes RAST, CAP-FEIA e UniCAP – detecção de IgE específica para proteínas alimentares in vitro. · Semelhante ao prick test, a presença da imunoglobulina não indica obrigatoriamente que a ingestão do alimento resulte em reações clínicas. · São usados tanto como os in vivo para indicar o melhor momento para o teste de provocação oral (TPO) ou para predição do prognóstico. · Teste de contato (atopy patch test) – são usados para alergias não IgE mediadas ou mistos - Qual é o padrão ouro? · Teste de provocação com alimento duplo-cego e controlado por placebo. - A professora diz que não há necessidade de colocar a criança a esse estresse (TPO), a história seria suficiente para diagnóstico - Dietas de eliminação e testes de provocação oral (TPO) · Eliminação do antígeno da dieta fornece informações diagnósticas, ao mesmo tempo, alívio dos sintomas · Serve tanto para as mediadas por IgE, quanto para as não mediadas por IgE, mas deve-seter cuidado pois pode desencadear anafilaxia. · TPO consiste em oferecer alimentos em doses crescentes e intervalos regulares sob supervisão médica. · Contraindicado – reações graves, histórico de anafilaxia e presença do anticorpo IgE específico · Mesmo assim, pode ser feito em ambiente hospitalar se houver os recursos possíveis de emergência. · Classificação do TPO · Aberto – paciente e médico cientes, sem placebo. · Simples-cego – apenas médico sabe se é placebo ou alimento. · Duplo-cego e controlado por placebo – nenhuma das partes sabe, uma terceira pessoa sabe (nutricionista, p.ex) · O padrão-ouro é o duplo-cego controlado por placebo, mas por questão de simplicidade e economia, o simples-cego e o aberto são suficientes. - Teste de desencadeamento oral – os portadores de APLV devem ser submetidos em intervalos de 6 a 12 meses para determinar se desenvolveram tolerância. · Por isso, o TPO não é útil apenas para diagnóstico, mas também para acompanhamento dos alérgicos. · Se o paciente for altamente atópico, com reações graves de APLV, como anafilaxia, o desafio oral pode ser adiado até menor positividade de IgE. TRATAMENTO - O tratamento consiste em excluir a proteína do leite de vaca da dieta, evitar inalação e contato com a pele. - Se o lactente está em LME, recomenda-se a restrição para a mãe. - Os que fazem uso de FI, devemos considerar as opções: de fórmulas poliméricas, fórmulas parcialmente hidrolisadas (FpH), fórmulas extensamente hidrolisadas (FeH) e fórmulas de aminoácidos (FAA) sem lactose. · As crianças com APLV não indica as fórmulas poliméricas e as FpH · Recomendações atuais – as fórmulas poliméricas à base de proteína de soja podem ser indicadas para pacientes com APLV, especialmente IgE mediada, com reações de menor gravidade, se os pais recusam a FeH e FAA. - Fórmulas extensamente hidrolisadas (FeH) – são eficazes em 80-90%, primeira linha em pacientes sem anafilaxia grave. - Fórmulas de aminoácidos (FAA) – são a primeira opção em casos de anafilaxia grave, e segunda opção naqueles que não tiveram boa resposta com FeH. - Tempo de restrição alimentar · Se reações imediatas e graves – dieta de eliminação por 12-18 meses, e antes do desafio oral (DO) deve ser dosado o IgE específico, e se elevado eu adio o DO. · Se enteropatia ou proctocolite – dieta de eliminação por pelo menos 6 meses até 9-12 meses de vida, e antes de liberar deve fazer o DO. RESUMO