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1 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
CPF: 008.374.135-67 ALUNO: Luciana Nascimento Pereira
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NFPSS
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SUMÁRIO
DIREITO PENAL ........................................................................................................................... 4
DIREITO PROCESSUAL PENAL .................................................................................................... 80
DIREITO CONSTITUCIONAL ..................................................................................................... 129
DIREITO ELEITORAL ................................................................................................................ 172
DIREITO EMPRESARIAL ........................................................................................................... 200
DIREITO TRIBUTÁRIO .............................................................................................................. 250
DIREITO AMBIENTAL ............................................................................................................... 278
DIREITO ADMINISTRATIVO ..................................................................................................... 308
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DIREITO PENAL1
1 Direito penal e poder punitivo: teoria do direito penal; política criminal e criminologia: noções básicas;
criminalização primária e secundária; seletividade do sistema penal.
2 Direito penal de autor e direito penal do ato: garantismo penal; direito penal do inimigo; dinâmica
histórica da legislação penal; história da programação criminalizante no Brasil; genealogia do
pensamento penal; direito penal e filosofia.
CRIMINOLOGIA: É uma ciência empírica e interdisciplinar, que se ocupa do crime, da criminalidade
e suas causas, da vítima, do controle social do ato criminoso, bem como da personalidade do criminoso
e da maneira de ressocializá-lo.
POLÍTICA CRIMINAL: A Política Criminal é a disciplina que oferece aos poderes públicos as opções
científicas concretas mais adequadas para o eficaz controle do crime.
#ATENÇÃO Assim, a Criminologia tem a função de reunir um núcleo de conhecimentos verificados
empiricamente sobre o problema criminal (momento explicativo) e a Política Criminal transforma essa
base empírica em opções, alternativas e programas científicos, a partir de uma ótica valorativa (momento
decisivo).
POLÍTICA PENITENCIÁRIA: disciplina que define as diretrizes e as metas existentes para a gestão
do sistema penitenciário de um determinado local.
CRIMINALIZAÇÃO
PRIMÁRIA SECUNDÁRIA
Transformação de um fato em crime. Em
essência não há nenhuma diferença entre um
fato criminoso e um fato normal, exceto pelo
fato criminoso ter o rótulo de crime.
Transformação de uma pessoa em criminoso
Poder Legislativo Poder Judiciário, Ministério Público, Polícia.
SELETIVIDADE DO SISTEMA PENAL: há uma forte tendência de ser o poder punitivo exercido
precipuamente sobre pessoas previamente escolhidas em face de suas fraquezas, a exemplo dos
moradores de rua, prostitutas e usuários de drogas.
DIREITO PENAL DO AUTOR DIREITO PENAL DO FATO
O que configura o delito é a capacidade de
delinquir do agente, constatada através do seu
modo de ser.
A culpabilidade resulta de um juízo do delito
como ato concretizado pelo autor
1 Por Tiago Pozza
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A pessoa é punida mais pelo que é e menos
pelo que fez.
A pessoa é punida pelo que fez, não pelo que é.
A gravidade do ato que mensura o rigor da
pena.
#OLHAOGANCHO DIREITO PENAL DO INIMIGO, teoria de Jakobs, prega um tratamento diferenciado
aos indivíduos que vão de encontro às normas estabelecidas pela sociedade de uma forma tão grave
que não mereceriam mais ser considerados cidadãos. O direito penal do inimigo é um direito de guerra
e, dessa forma, o Estado não é obrigado a obedecer a regras preestabelecidas, o importante é vencer o
inimigo. Para cumprir tal objetivo, segundo Jakobs, será permitida a flexibilização ou até mesmo a
eliminação de direitos e garantias, permitindo-se, por exemplo, a utilização da tortura como meio de
obtenção de provas.
GARANTISMO PENAL (FERRAJOLI): O garantismo, à luz da hermenêutica constitucional, tutela não
apenas os direitos individuais dos acusados, investigados ou processados na esfera criminal, devendo
valorar todos os direitos e deveres previstos na Constituição Federal. Isso porque os direitos fundamentais
não preveem apenas uma proibição de intervenção (proibição de excesso), mas também uma vedação
à omissão (proibição da proteção deficiente, proibição da proteção insuficiente). Dessa forma, o
garantismo penal integral ou proporcional é aquele que assegura os direitos do acusado, não permitindo
violações arbitrárias, desnecessárias ou desproporcionais, e, por outro lado, assegura a tutela de outros
bens jurídicos relevantes para a sociedade, em consonância com as duas vertentes do princípio da
proporcionalidade, incluindo a proibição do excesso e a proibição da proteção deficiente.
#OLHAOGANCHO GARANTISMO HIPERBÓLICO OU MONOCULAR (#SELIGANOSINÔNIMO) é aquele
aplicado de maneira ampliada e desproporcional, monocular. Tutela apenas os direitos fundamentais do
investigado/processado, desconsiderando-se o interesse coletivo. Contrapõe-se ao garantismo penal
integral, que resguarda os direitos fundamentais afetos à coletividade.
3 Funções da pena: teorias.
Teorias
Legitimadoras
Teorias Absolutas: a pena representa como um fim em si mesma, isto é, o autor do
crime deverá pagar pelo mal cometido. Ou seja, a pena tem caráter retributivo.
Teorias
Relativas
Teoria da Prevenção Geral: a pena é
aplicada em função de toda a
sociedade para que esta presencie o
sofrimento e dor daquele cidadão e
se intimide para que não cometa
crimes.
Positiva: a pena é um
instrumento de estabilização, ou
seja, a pena restabelece a
ordem social que fora abalado
pelo sujeito criminoso.
Negativa: busca causar um
temor na sociedade para que,
com medo das consequências
do crime, deixe de cometer
condutas ilícitas.
Teoria da Prevenção Especial: A pena
atua sobre um indivíduo (ou grupo)
Positiva: consiste na meta de
ressocialização do indivíduo.
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para evitar que este volte a delinquir.
Pessoaliza-se a ameaça à sociedade.
Por isso, ganha reforço a concepção
da ressocialização através da pena.
Negativa: tem como foco a
proteção da sociedade através
da neutralização do indivíduo,
ou seja, a exclusão do criminoso
da sociedade em razão do mal
que cometeu.
Teorias Unitárias ou Mistas: em que se tenta compatibilizar as teorias absolutas com
as relativas. Um caráterinicial é o de que a pena possui funções múltiplas, não
havendo incompatibilidade em se reconhecer que é possível uma função preventiva
e retribucionista.
Teorias Deslegitimadoras: abominam a intervenção do Estado sob o manto do direito de punir.
Desacredita-se a suposta eficiência do sistema penal como legitimante do controle social. Entre essas
teorias, destaque para o Abolicionismo Penal e o Minimalismo Radical
5 Princípios aplicáveis ao direito penal.
➢ Princípio da Reserva Legal ou Estrita Legalidade:
Somente a lei pode criar delitos e cominar penas. Como consequência lógica, não se admite a
utilização de medida provisória em matéria penal.
#CUIDADO! O STF já admitiu MP na seara penal, desde que para favorecer o réu. Ex.: MP 417 que
prorrogou a “atipicidade temporária” nos crimes de posse de armas.
O princípio da legalidade possui algumas funções fundamentais:
✓ Lei estrita: é proibida a analogia contra o réu.
✓ Lei escrita: é proibido o costume incriminador.
#OLHAOGANCHO: da mesma forma que o costume não tem o condão de incriminar, também não tem
de descriminalizar (os costumes contrários às leis são chamados de DESUETUDO: contrariam uma lei
penal, mas não a revogam. Ex.: crime de casa de prostituição/jogo do bicho).
✓ Lei certa: é proibida a criação de tipos penais vagos e indeterminados.
✓ Lei prévia: é proibida a aplicação da lei penal incriminadora a fatos - não considerados crimes -
praticados antes de sua vigência. Engloba aqui o da anterioridade, cláusula pétrea.
➢ Princípio da Intervenção Mínima:
Afirma ser legítima a intervenção penal apenas quando a criminalização de um fato se constitui
meio indispensável para a proteção de determinado bem ou interesse, não podendo ser tutelado por
outros ramos do ordenamento jurídico. A intervenção mínima é gênero do qual são espécies: a
fragmentariedade e a subsidiariedade. Vamos conferir?
✓ Princípio da Fragmentariedade: no universo da ilicitude, somente alguns poucos fragmentos
constituem-se em ilícitos penais. O Direito Penal é a última etapa de proteção. #ATENÇÃO! O
princípio da fragmentariedade atua no PLANO ABSTRATO (na criação de tipos penais).
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#SELIGA: FRAGMENTARIEDADE ÀS AVESSAS: É o contrário da fragmentariedade; o crime deixa de existir,
pois a incriminação se torna desnecessária. Por exemplo, o adultério.
✓ Princípio da Subsidiariedade: incide no PLANO CONCRETO, ou seja, no momento de aplicação da
lei penal. É analisado se, naquele caso concreto, seria possível solucionar através de outros ramos
do direito, ou se será preciso utilizar a ultima ratio, o executor de reserva, isto é, o direito penal.
➢ Princípio da Ofensividade:
Possui quatro funções principais:
1) Proibição da incriminação de uma atitude interna, como as ideias, convicções, e desejos dos
homens.
2) Proibição da incriminação de uma conduta que não exceda o âmbito do próprio autor (princípio
da alteridade).
3) Proibição da incriminação de simples estados ou condições existenciais (aplica-se o direito penal
do fato e não do autor).
4) Proibição da incriminação de condutas desviadas que não afetem qualquer bem jurídico.
➢ Princípio da Insignificância:
Pode ser visto como instrumento de interpretação restritiva do tipo penal. Possui natureza jurídica
de causa supralegal de exclusão da tipicidade material, devendo ser analisado em conexão com os
postulados da fragmentariedade e da intervenção mínima.
Vamos dar uma conferida nos requisitos desse princípio?!
Objetivos: mínima ofensividade da conduta do agente; nenhuma periculosidade social da ação;
reduzido grau de reprovabilidade do comportamento; Inexpressividade da lesão jurídica provocada.
Subjetivos: importância do bem para a vítima (STF) e condições do agente (#SELIGA: a
reincidência, a reiteração criminosa, a habitualidade delitiva NÃO são suficientes, por si sós, para afastar
a aplicação do princípio da insignificância – STF Info 793).
#ATENÇÃO: Os tribunais superiores, em algumas situações concretas, têm afastado o princípio da
insignificância nos casos de reincidência e de furto qualificado.
#OLHAOGANCHO. #BAGATELAIMPRÓPRIA. No caso do princípio da insignificância impróprio ou
bagatela imprópria ocorre o injusto penal. Entretanto, verifica-se que no caso concreto a pena é
desnecessária (incidência dos princípios da desnecessidade da pena com o princípio da irrelevância penal
do fato).
Vamos entender melhor?
O princípio da insignificância impróprio pressupõe a análise do que ocorreu após a prática do crime até
o momento do julgamento. Ex.: O réu casou, teve filhos, tem uma empresa com 50 funcionários?! Nesses
casos, o juiz reconhece a existência do crime, mas conclui que a pena não é necessária. Aqui não há
causa supralegal de exclusão da tipicidade, há causa supralegal de extinção da punibilidade. O Estado
reconhece o crime, mas conclui pela desnecessidade de punição. A punição não é mais vantajosa para a
sociedade.
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A análise da pertinência da bagatela imprópria há de ser realizada, obrigatoriamente, na situação fática,
jamais no plano abstrato. Atente-se também para a necessidade de se observar que a bagatela imprópria
tem como pressuposto inafastável a não incidência do princípio da insignificância (própria). Afinal, se o
fato não era merecedor da tutela penal em decorrência da sua atipicidade, descabe enveredar pela
discussão acerca da necessidade ou não de pena.
A bagatela imprópria se ASSEMELHA ao perdão judicial (art. 107, IX, do CP). O fundamento da bagatela
imprópria e do perdão judicial é o mesmo, só que o perdão judicial está duplamente previsto em lei,
enquanto instituto bem como em relação às hipóteses legais em que ele incide. Em contrapartida, no
Brasil, não há previsão legal do princípio da insignificância impróprio.
Pessoal, por fim, COLEM NA RETINA essa revisão sobre a aplicação do princípio da insignificância.
Trata-se de um compilado das principais informações extraídas da jurisprudência, tomando por base os
comentários do Dizer o Direito. #DEOLHONAJURIS. #AJUDAMARCINHO.
NÃO SE APLICA A INSIGNIFICÂNCIA
Delitos praticados em violência doméstica: não se aplica o princípio da insignificância.
Posse ou porte de arma ou munição.
Estelionato contra o INSS (estelionato previdenciário).
Tráfico de drogas.
Crime de moeda falsa.
Contrabando.
Roubo.
Lesão corporal.
Falsificação de documento público.
Estelionato envolvendo o seguro-desemprego.
Estelionato envolvendo FGTS.
Violação de direito autoral (§ 2º do art. 184 do CP).
Tráfico internacional de arma de fogo ou munição.
Furto qualificado.
Obs. Como regra, a aplicação do princípio da insignificância tem sido rechaçada nas hipóteses de
furto qualificado, tendo em vista que tal circunstância denota, em tese, maior ofensividade e
reprovabilidade da conduta. Deve-se, todavia, considerar as circunstâncias peculiares de cada caso
concreto, de maneira a verificar se, diante do quadro completo do delito, a conduta do agente
representa maior reprovabilidade a desautorizar a aplicação do princípio da insignificância. STJ. 5ª
Turma. AgRg no AREsp 785755/MT, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 22/11/2016.
STJ. 6ª Turma. AgRg no AREsp 746011/MT, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 05/11/2015.
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Crimes militares. Trata-se de tema extremamente polêmico, mas a posição majoritária é no sentido
de que não se aplica o princípio da insignificância aos crimes militares, sob pena de afronta à
autoridade, hierarquia e disciplina, bens jurídicos cuja preservação é importante para o regular
funcionamento das instituições militares.O caso mais comum e que é provável que seja cobrado em
sua prova é o crime de posse de substância entorpecente em lugar sujeito à administração militar
(art. 290 do CPM). O Plenário do STF já assentou a inaplicabilidade do princípio da insignificância à
posse de quantidade reduzida de substância entorpecente em lugar sujeito à administração militar
(art. 290 do CPM). STF. 2ª Turma. HC 118255, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 19/11/2013.
STF. 2ª Turma. ARE 856183 AgR, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 30/06/2015.
POSSÍVEL APLICAR A INSIGNIFICÂNCIA
Crimes ambientais.
#AJUDAMARCINHO: É possível a aplicação do princípio da insignificância aos crimes ambientais,
devendo ser analisadas as circunstâncias específicas do caso concreto para se verificar a atipicidade
da conduta em exame. STJ. 5° Turma. AgRg no AREsp 654.321/SC, Rel. Min. Reynaldo Soares da
Fonseca, julgado em 09/06/2015. É possível aplicar o princípio da insignificância para crimes
ambientais. STF. 2ª Turma. Inq 3788/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 1°/3/2016 (Info 816).
PORÉM, CUIDADO:
#AJUDAMARCINHO: O princípio da bagatela não se aplica ao crime previsto no art. 34, caput c/c
parágrafo único, II, da Lei 9.605/98: Art. 34. Pescar em período no qual a pesca seja proibida ou em
lugares interditados por órgão competente: Pena - detenção de um ano a três anos ou multa, ou
ambas as penas cumulativamente. Parágrafo único. Incorre nas mesmas penas quem: II - pesca
quantidades superiores às permitidas, ou mediante a utilização de aparelhos, petrechos, técnicas e
métodos não permitidos; Caso concreto: realização de pesca de 7kg de camarão em período de
defeso com o uso de método não permitido. STF. 1ª Turma. HC 122560/SC, Rel. Min. Marco Aurélio,
julgado em 8/5/2018 (Info 891). #JULGADORECENTE.
Descaminho.
Furto Simples. PORÉM, CUIDADO:
Se o valor do bem é acima de 10% do salário mínimo vigente na época, o STJ tem negado a
aplicação do princípio da insignificância. STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 1558547/MG, Rel. Min. Maria
Thereza de Assis Moura, julgado em 19/11/2015.
“Flanelinha” e exercício da profissão sem registro no órgão competente (não configura a
contravenção penal prevista no art. 47 do Decreto-Lei 3.688/1941: exercício ilegal de profissão ou
atividade).
#DIVERGÊNCIA entre o STJ e o STF.
MANTER RÁDIO CLANDESTINA
STJ: NÃO STF: SIM
STJ: NÃO. É inaplicável o princípio da
insignificância ao delito previsto no art. 183 da Lei
nº 9.472/97, nas hipóteses de exploração
STF: SIM, é possível, em situações excepcionais, o
reconhecimento do princípio da insignificância
desde que a rádio clandestina opere em baixa
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irregular ou clandestina de rádio comunitária,
mesmo que ela seja de baixa potência, uma vez
que se trata de delito formal de perigo abstrato,
que dispensa a comprovação de qualquer dano
(resultado) ou do perigo, presumindo-se este
absolutamente pela lei. Nesse sentido: STJ. 6ª
Turma. AgRg no AREsp 740.434/BA, Rel. Min.
Antonio Saldanha Palheiro, julgado em
14/02/2017.
frequência, em localidades afastadas dos grandes
centros e em situações nas quais ficou
demonstrada a inexistência de lesividade. STF. 2ª
Turma. HC 138134/BA, Rel. Min. Ricardo
Lewandowski, julgado em 7/2/2017 (Info 853).
APROPRIAÇÃO INDÉBITA PREVIDENCIÁRIA
STJ: SIM STF: NÃO
O STJ já firmou o entendimento de que é possível
a aplicação do princípio da insignificância ao
delito de apropriação indébita previdenciária,
desde que o total dos valores retidos não
ultrapasse o valor utilizado pela Fazenda Público
como limite mínimo para que sejam ajuizadas as
execuções fiscais. STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp
1241697/PR, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em
06/08/2013. STJ. 6ª Turma. RHC 59839/SP, Rel.
Min. Nefi Cordeiro, julgado em 07/04/2016.
O bem jurídico tutelado pelo delito de
apropriação indébita previdenciária é a
subsistência financeira da Previdência Social.
Logo, não há como afirmar-se que a
reprovabilidade da conduta atribuída ao paciente
é de grau reduzido, considerando que esta
conduta causa prejuízo à arrecadação já
deficitária da Previdência Social, configurando
nítida lesão a bem jurídico supraindividual. O
reconhecimento da atipicidade material nesses
casos implicaria ignorar esse preocupante
quadro. STF. 1ª Turma. HC 102550, Rel. Min. Luiz
Fux, julgado em 20/09/2011. STF. 2ª Turma. RHC
132706 AgR, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em
21/06/2016.
CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
STJ: NÃO STF: SIM
Súmula 599-STJ.
Há julgados da 2ª Turma admitindo a aplicação
do princípio mesmo em outras hipóteses além
do descaminho.
PORTE DE DROGAS PARA CONSUMO PESSOAL
STJ: NÃO STF: SIM
A jurisprudência de ambas as turmas do STJ
firmou entendimento de que o crime de posse
de drogas para consumo pessoal (art. 28 da Lei
STF: possui um precedente isolado, da 1ª Turma,
aplicando o princípio:
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nº 11.343/06) é de perigo presumido ou abstrato
e a pequena quantidade de droga faz parte da
própria essência do delito em questão, não lhe
sendo aplicável o princípio da insignificância
CRIMES PRATICADOS POR PREFEITOS
STJ: NÃO STF: SIM
Possui precedentes afirmando que não é
possível a aplicação do princípio da
insignificância a prefeito, em razão mesmo da
própria condição que ostenta, devendo pautar
sua conduta, à frente da municipalidade, pela
ética e pela moral, não havendo espaço para
quaisquer desvios de conduta.
Possui julgados entendendo ser possível.
#RESUMINDO #COLANARETINA #RELERPARAREFORÇAR
APLICABILIDADE INAPLICABILIDADE DIVERGÊNCIAS
Furto simples, crimes contra a
ordem tributária e descaminho
(STJ e STF: 20 mil reais);
“Flanelinha” e exercício da
profissão sem registro no órgão
competente.
lesão corporal; roubo; tráfico de
drogas; moeda falsa e outros
crimes contra a fé pública;
contrabando, estelionato contra
o INSS, envolvendo FGTS ou
envolvendo seguro-
desemprego; violação de direito
autoral; posse ou porte de arma
de fogo/munição (Cuidado com
a exceção: porte ilegal de uma
munição como pingente);
delitos praticados em violência
doméstica; provedor
clandestino de internet sem fio.
Crimes ambientais, Crimes
cometidos por prefeitos (STF já
admitiu, STJ não); Apropriação
indébita previdenciária (STF já
admitiu, STJ afasta); Porte de
droga para consumo pessoal
(STF tem um precedente
isolado); Crimes contra
Administração Pública (STJ
afasta, STF já admitiu); Rádio
comunitária clandestina (STF
admite em rádios com baixa
frequência e em locais afastados
dos grandes centros, quando
demonstrada a inexistência de
lesividade – Info 853.O STJ, por
sua vez, não admite); furto
qualificado (em alguns casos o
STJ já admitiu o princípio da
insignificância, como no furto
qualificado pelo concurso de
pessoas).
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#VAICAIR: Com relação à polêmica sobre os crimes contra a Administração Pública, o STJ, em novembro
de 2017, editou a Súmula nº 599:
SÚMULA 599 DO STJ:O princípio da insignificância é inaplicável aos crimes contra a administração pública.
#MAISUMA O STJ recentemente editou súmula em relação ao delito de rádio clandestina:
Súmula 606-STJ: Não se aplica o princípio da insignificância aos casos de transmissão clandestina de sinal
de internet via radiofrequência que caracterizam o fato típico previsto no artigo 183 da lei 9.472/97.
#CUIDADO: Nos crimes ambientais, há divergência no STF sobre a possibilidade de aplicação do princípio
da insignificância quanto à pesca ilegal.
#AJUDAMARCINHO: A Lei de Crimes Ambientais tipifica a pesca ilegal, nos seguintes termos:"Art. 34.
Pescar em período no qual a pesca seja proibida ou em lugares interditados por órgão competente:" Se
a pessoa é flagrada sem nenhum peixe, mas portando consigo equipamentos de pesca, em um local
onde esta atividade é proibida, ela poderá ser absolvida do delito do art. 34 da Lei de Crimes com base
no princípio da insignificância?
2ª TURMA DO STF 2ª TURMA DO STF
SIM. É possível aplicar o princípio da insignificância
para crimes ambientais.
NÃO. Não é possível aplicar o princípio da
insignificância para crimes ambientais.
Ex.: pessoa encontrada em uma unidade de
conservação onde a pesca é proibida, com vara de
pescar, linha e anzol, conduzindo uma pequena
embarcação na qual não havia peixes.
Na estação ecológica, os servidores do IBAMA
encontraram uma pequena embarcação com um
indivíduo. Apesar de não estar com peixes, ele
estava com vara de pescar, linha e anzol. O
pescador foi autuado administrativamente pelo
IBAMA por pesca ilegal, e o MP ofereceu denúncia
contra ele, pela prática do crime previsto no art.
34, caput, da Lei nº 9.605/98.
STF. 2ª Turma. Inq 3788/DF, Rel. Min. Cármen
Lúcia, julgado em 1°/3/2016 (INFO 816 DO STF)
STF. 2ª Turma. RHC 125566/PR e HC 127926/SC,
Rel. Min. Dias Toffoli, julgados em 26/10/2016
(INFO 845 DO STF)
➢ Princípio da Culpabilidade:
Possui três consequências materiais:
a) Não há responsabilidade penal objetiva;
b) A responsabilidade penal é pelo fato praticado e não pelo autor;
c) A culpabilidade é a medida da pena.
➢ Princípio da Exclusiva Proteção de Bens Jurídicos:
O Direito Penal possui como função a proteção de bens jurídicos mais relevantes para a sociedade.
Assim, o Estado não pode utilizar o Direito Penal para tutelar a moral, a religião, os valores ideológicos
etc., sob pena de prevalecer a intolerância.
➢ Princípio da Proporcionalidade:
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O princípio da proporcionalidade adveio do direito alemão. É chamado de razoabilidade (direito
italiano) ou de convivência das liberdades públicas (direito norte-americano). É desdobramento lógico do
Princípio da Individualização da Pena. Em síntese, o que a proporcionalidade impõe é que a pena seja
proporcional à gravidade da infração penal.
Não é possível analisar esse princípio sob uma única ótica. Há dois aspectos fundamentais. Vamos
conferir?
✓ Garantismo negativo: proibição contra os excessos do Estado. Não se pode punir mais do que o
necessário para a proteção de um bem jurídico.
✓ Garantismo positivo: proibição da proteção insuficiente do bem jurídico.
➢ Princípio da Pessoalidade ou da intranscendência da Pena:
A pena deve ser aplicada somente ao autor do fato e não a terceiros.
CF, art. 5, XLV - Nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o
dono e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra
eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido.
7 Aplicação da lei penal: a lei penal no tempo e no espaço; tempo e lugar do crime; lei penal excepcional,
especial e temporária; territorialidade e extraterritorialidade da lei penal; pena cumprida no estrangeiro;
eficácia da sentença estrangeira; contagem de prazo; frações não computáveis da pena; interpretação
da lei penal; analogia; irretroatividade da lei penal; conflito aparente de normas penais.
TEMPO DO
CRIME:
Teoria da atividade: considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão,
ainda que outro seja o momento do resultado.
#SELIGANASUMULA SÚMULA 711 DO STF: Nos casos de crime continuado, permanente
ou habitual, aplica-se a lei mais grave, se vigente antes de cessada a continuidade,
permanência ou habitualidade.
LUGAR DO
CRIME
Teoria da ubiquidade: considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação
ou omissão, no todo ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria produzir-se
o resultado).
#NÃOCONFUNDA: Com o artigo 70 do CPP, que adota a teoria do resultado no que diz
respeito à competência para julgar crimes.
#DECORE #OLHAOMACETE: LUTA: Lugar = Ubiquidade / Tempo = Atividade.
LEI PENAL NO ESPAÇO
REGRA
TERRITORIALIDADE: consiste na aplicação da lei brasileira aos crimes praticados no Brasil
(art. 5o, CP).
EXCEÇÃO
EXTRATERRITORIALIDADE: na qual aplica-se a lei
brasileira a crimes (não inclui contravenção penal)
praticados no exterior.
INCONDICIONADA (art. 7o, I, CP)
CONDICIONADA (art. 7o, II, CP)
HIPERCONDICIONADA (art. 7o, §3°,
CP)
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14 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
#ATENÇÃO diz-se que o Código Penal adotou a Teoria da Territorialidade mitigada ou
temperada.
LEI PENAL NO TEMPO
REGRA
PRINCÍPIO DA ATIVIDADE: A lei é aplicada aos fatos praticados durante a sua vigência.
IRRETROATIVIDADE DA LEI PENAL: Em regra, a lei penal não retroage para alcançar
fatos anteriores a sua vigência.
EXCEÇÕES
RETROATIVIDADE DA LEI PENAL BENÉFICA: A lei nova mais benéfica retroage, de forma
que será aplicada aos fatos criminosos praticados antes de sua entrada em vigor. Ex:
ABOLITIO CRIMINIS: lei nova que deixa de considerar um fato como criminoso, aplica-
se inclusive aos processos já transitados em julgado. Nesse caso, a competência será do
juiz das execuções penais.
ULTRATIVIDADE DA LEI PENAL BENÉFICA: A lei mais benéfica, quando revogada,
continua a reger os fatos praticados durante a sua vigência.
#ATENÇÃO LEX TERTIA: é a combinação de aspectos mais benéficos de mais de uma lei, criando
uma terceira lei. É vedada (súmula 501 do STJ).
#SELIGA Princípio da descontinuidade normativo-típica ou da transmudação geográfica: Pode
ocorrer a revogação formal da lei sem que ocorra a abolitio criminis, em razão de inexistir a
descontinuidade normativo-típica. Como exemplo, pode ser citado o crime de atentado violento ao
pudor (CP, art. 214), que passou a ser considerado como estupro (CP, art. 213).
#NÃOCONFUNDA Em relação às normas processuais penais não se aplica a retroatividade, vigora
o princípio do tempus regit actum.
LEI PENAL ESPECIAL:
Leis que tratam de matéria penal, mas que estão fora do Código Penal. Ex:
Lei de drogas.
LEI PENAL
TEMPORÁRIA:
É a que tem vigência predeterminada no tempo. Ex. Lei nº 12.663/12 (Lei
Geral da Copa do Mundo de Futebol de 2014).
LEI PENAL
EXCEPCIONAL:
São aquelas que são produzidas para vigorar durante determinada situação.
Ex: Uma lei definindo crimes durante o período de intervenção federal no
estado do Rio de Janeiro.
#ATENÇÃO A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou
cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplica-se ao fato praticado durante sua vigência (art. 3,
CP).
INTERPRETAÇÃO DA LEI PENAL X ANALOGIA
INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA INTERPRETAÇÃO ANALÓGICA ANALOGIA
Existe norma para o caso
concreto
Existe norma para o caso
concreto
Não existe norma para o caso
concreto
Amplia-se o alcance. Ex: na
palavra “arma” – art. 157, § 2° do
CP.
O legislador previu uma fórmula
genérica, permitindo ao juiz
encontrar outras.
No caso em que há lacuna (caso
omisso), o juiz aplica, por
analogia (por assemelhação),
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Pode ser prejudicial ao réu.
Ex. art. 121, §2º, I - mediante
paga ou promessa de
recompensa, ou por outro
motivo torpe (qualificadora do
homicídio);
uma lei que trata sobre o caso
semelhante.
Não pode ser prejudicial ao réu
(in malam partem).
OBS: também chamada de
analogia legal ou “legis”.
Ex. adolescente estuprada que
pretende interromper a
gestação do seu feto pode fazer
uso do aborto sentimental
previsto no art. 128, II, CP,
apesar deste não ter sido
editado quando da previsão
legal doestupro de vulnerável,
portanto, não abrangendo essa
hipótese.
#CUIDADO: A analogia não é
forma de interpretação da lei
penal, mas sim técnica de
integração ou colmatação do
ordenamento jurídico. A lei
pode ter lacunas, mas não o
ordenamento jurídico. Trata-se
de aplicação, ao caso não
previsto em lei, de norma
reguladora de caso semelhante.
Não se aplica às leis
excepcionais, justamente em
razão de seu caráter
extraordinário.
PRINCÍPIOS PARA SOLUCIONAR O CONFLITO APARENTE DE NORMAS PENAIS (#MNEMÔNICO
SECA)
SUBSIDIARIEDADE
Atua no plano concreto. O crime tipificado pela lei subsidiária, além de menos
grave do que o narrado pela lei primária, dele também difere quanto à forma de
execução, já que corresponde a uma parte deste. Em outras palavras, a figura
subsidiária está inserida na principal. No princípio da subsidiariedade a
comparação sempre deve ser efetuada no caso concreto, buscando-se a
aplicação da lei mais grave. A subsidiariedade pode ser tanto expressa (por
exemplo, disparo de arma de fogo), como tácita.
ESPECIALIDADE
Sua aferição se estabelece em abstrato, ou seja, para saber qual lei é geral e qual
é especial, prescinde-se da análise do fato praticado. Pouco importa também a
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quantidade de sanção penal reservada para as infrações penais. A comparação
entre as leis não se faz da mais grave para a menos grave, pois a lei específica
pode narrar um ilícito penal mais rigoroso ou mais brando.
CONSUNÇÃO
Também é analisado no plano concreto. Difere-se da subsidiariedade em dois
aspectos. Na regra da subsidiariedade, em função do fato concreto praticado,
comparam-se as leis para saber qual é a aplicável. Por seu turno, na consunção,
sem buscar auxílio nas leis, comparam-se os fatos, apurando-se que o mais
amplo, completo e grave consome os demais. O fato principal absorve o
acessório, sobrando apenas a lei que o disciplina. Lei consuntiva é aquela que
define o todo, o fato mais amplo. Lei consumida define a parte, o fato menos
amplo. A consunção é aplicada nos casos de crimes progressivos, na progressão
criminosa ou nos atos impuníveis.
#EXEMPLIFICACOACH: Na subsidiariedade, o constrangimento ilegal só pode ser
praticado se houver a ameaça. Um crime está obrigatoriamente dentro do outro,
a ameaça é elemento do constrangimento ilegal. Por outro lado, na consunção,
tomemos como exemplo a lesão corporal e o homicídio. A lesão corporal não é
um elemento do homicídio. O homicídio pode ser praticado por outro modo que
não a lesão corporal. Um crime não está obrigatoriamente dentro do outro,
comparam-se os fatos.
SÚMULA 17 DO STJ: Quando o falso se exaure no estelionato, sem mais
potencialidade lesiva, é por este absorvido.
#DEOLHONAJURIS: um crime não pode ser absorvido por uma contravenção
penal.
#NÃOCONFUNDA
CRIME PROGRESSIVO PROGRESSÃO CRIMINOSA
A intenção do agente é, desde o início,
cometer o crime mais grave. Ex.:
objetiva cometer um homicídio.
Contudo, para se chegar até o
homicídio, ocorre primeiro a lesão
corporal (crime de ação de passagem).
Pela consunção, a lesão corporal é
absorvida pelo homicídio.
Há uma mudança no ânimo do
agente. Ex.: ele deseja inicialmente
causar lesão corporal. Contudo,
durante a execução muda de
intenção e acaba cometendo o
homicídio. Pela consunção, a lesão
corporal é absorvida pelo homicídio.
ALTERNATIVIDADE
Se refere aos crimes plurinucleares, ou seja, aqueles crimes que apresentam vários
verbos, a exemplo do artigo 33, caput, da Lei n. 11.343/2006. A prática de mais
de uma dessas condutas configura crime único, podendo a pena ser majorada
em razão dos vários núcleos praticados na fase da dosimetria da pena. É também
chamado de “tipo penal misto alternativo”. #NÃOCONFUNDIR com o princípio
da alteridade, segundo o qual não se deve punir condutas que prejudicam
apenas o próprio agente. Ex: autolesão.
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8 Teoria do delito: classificação dos crimes; teoria da ação; teoria do tipo; o fato típico e seus elementos;
relação de causalidade: teorias, imputação objetiva; tipos dolosos de ação; tipos dos crimes de
imprudência; tipos dos crimes de omissão; consumação e tentativa.
TEORIAS DO DELITO
SISTEMA CLÁSSICO (POSITIVISMO JURÍDICO)
FATO TÍPICO ILICITUDE CULPABILIDADE
Conduta: movimento corporal
voluntário;
Resultado naturalístico;
Relação de causalidade;
Tipicidade
Relação de contrariedade entre
o fato e o direito
Imputabilidade
Dolo normativo ou culpa –
inclui a consciência atual da
ilicitude
Teoria psicológica
SISTEMA NEOCLÁSSICO / NEOKANTISMO
FATO TÍPICO ILICITUDE CULPABILIDADE
Conduta: ao invés de ação,
prefere-se comportamento,
abrangendo omissão (adota
teoria causalista para o conceito
de crime, agregando ao tipo
dados valorativos -
Resultado naturalístico;
Relação de causalidade;
Tipicidade
Relação de contrariedade entre
o fato e o direito
Imputabilidade
Dolo normativo ou culpa - inclui
a consciência atual da ilicitude
Exigibilidade de conduta diversa
Teoria psicológica-normativa da
culpabilidade
SISTEMA FINALISTA
FATO TÍPICO ILICITUDE CULPABILIDADE
Conduta - dolo e culpa (o dolo
é natural, pois não contém a
consciência da ilicitude);
Resultado naturalístico;
Relação de causalidade;
Tipicidade.
Relação de contrariedade entre
o fato e o direito
Potencial consciência da
ilicitude
Exigibilidade de conduta diversa
Teoria normativa pura.
Imputabilidade
Teoria normativa pura.
Imputabilidade
#ATENÇÃO O FUNCIONALISMO busca explicar as funções do direito penal e não apenas
conceituar o crime em si. Temos duas principais espécies:
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18 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
#SELIGA A tipicidade penal é formada pela tipicidade formal + tipicidade material. A tipicidade formal é
o juízo de subsunção/adequação entre o fato e a norma. O fato praticado na vida real se encaixa no
modelo de crime previsto pela norma penal. A tipicidade formal não é suficiente, sendo necessária a
tipicidade material, expressada na lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico penalmente protegido. O
princípio da insignificância exclui a tipicidade material.
TEORIAS DA TIPICIDADE
TEORIA DO TIPO
AVALORADO/TIPO
MERAMENTE DESCRITIVO:
Fato típico não constitui emissão de valor sobre ilicitude.
TEORIA INDICIÁRIA DO
TIPO (RATIO
COGNOSCENDI):
Trata-se da teoria majoritariamente aceita. Coloca a tipicidade como ratio
cognoscendi, sendo vista, portanto, como um indício da ilicitude. Todo
fato típico também é presumidamente ilícito, operando-se uma
presunção relativa de ilicitude. O efeito prático da teoria indiciária é a
inversão do ônus da prova no tocante as excludentes da ilicitude.
TEORIA DA RATIO
ESSENDI:
Fato típico e ilícito seria um elemento só.
TEORIA DA TIPICIDADE
CONGLOBANTE
(ZAFFARONI):
Tipicidade legal + antinormatividade. Para que uma conduta seja crime
é necessário que seja proibida pelo ordenamento jurídico globalmente
considerado. Antecipa a análise de excludentes de ilicitude: exercício
regular de direito e o estrito cumprimento do dever legal são analisados
como causas excludentes da tipicidade penal.
TEORIAS DA CONDUTA
Teoria Causalista
Conduta é um movimento corporal (ação) voluntário que produz uma
modificação no mundo exterior perceptível pelos sentidos.
FUNCIONALISMO MODERADO OU DUALISTA
DE ROXIN
FUNCIONALISMO SISTÊMICO OU RADICAL DE
JAKOBS
O Direito Penal tem limites impostos pelo próprio
direito penal e demais ramos do direito.
O Direito Penal só reconhece os limites impostos
pelo próprio Direito Penal.
A função do Direito Penal é tutelar os bens
jurídicos. O Direito Penalse ajusta à sociedade.
A função do Direito Penal é punir, aplicar a
norma. A sociedade é que deve ajustar-se ao
Direito Penal.
Tem como norte a política criminal. Direito Penal do inimigo.
ELEMENTOS DO FATO TÍPICO (TIPICIDADE)
Conduta
Resultado
Nexo Causal
Tipicidade Formal e Material
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19 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
Teoria Neokantista
Conduta é um comportamento (ação ou omissão) voluntário que produz
uma modificação no mundo exterior perceptível pelos sentidos.
Teoria Finalista
(Welzel)
#IMPORTANTE
Conduta é um comportamento humano voluntário psiquicamente dirigido a
um determinado fim. Por essa teoria, o dolo e a causa compõe o elemento
“conduta”. Foi a teoria adotada pelo nosso Código Penal.
Teoria cibernética da
ação (Welzel)
Foi criada para explicar o elemento vontade (controle da vontade) nos
crimes culposos. Afirmava Welzel que a vontade estava no resultado e não
na conduta.
Teoria significativa da
ação (Vivés Anton)
Valoriza o significado da ação em um contexto social em detrimento da
vontade do agente.
Teoria Social da Ação
(Wessels)
Conduta é um comportamento humano voluntário dirigido a um fim
socialmente reprovável.
Funcionalismo
Moderado (Roxin)
Conduta aparece como comportamento humano voluntário, causador de
relevante e intolerável lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado
pela norma penal.
Funcionalismo Radical
(Jakobs)
Conduta é comportamento humano voluntário causador de um resultado
evitável, violador do sistema, frustrando as expectativas normativas.
CAUSAS DE EXCLUSÃO DA CONDUTA:
Caso fortuito (homem) ou força maior (natureza).
Atos ou movimentos reflexos. #ATENÇÃO Não se confundem com as ações em curto circuito que
são explosões emocionais repentinas (há conduta e crime, em regra).
Coação Física irresistível (#OLHAOGANCHO Se for resistível, é atenuante).
Sonambulismo e Hipnose
#ATENÇÃO Não há crime sem conduta, pois o Direito Penal do fato não aceita os crimes de mera
suspeita, isto é, aqueles em que o agente não é punido por sua conduta, mas sim pela suspeita
despertada pelo seu modo de agir.
Relação de causalidade
Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a quem lhe deu causa.
Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido.
Superveniência de causa independente
§ 1º - A superveniência de causa relativamente independente exclui a imputação quando, por si só, produziu
o resultado; os fatos anteriores, entretanto, imputam-se a quem os praticou.
Relevância da omissão
§ 2º - A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir para evitar o resultado. O
dever de agir incumbe a quem:
a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância;
b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado;
c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado.
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20 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
A relação de causalidade ou nexo causal pode ser conceituado com o vínculo formado entre a
conduta praticada pelo agente ativo de um crime e o resultado por ele produzido. É através dela que se
conclui se o resultado foi ou não provocado pela conduta, autorizando, desde que presente a tipicidade
(adequação do fato à norma) a configuração da tipicidade.
Encontra previsão legal no artigo 13 e parágrafo primeiro, do Código Penal, onde está expresso
que o resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a quem lhe deu causa,
sendo esta a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido, bem como de que a
superveniência de causa relativamente independente exclui a imputação quando, por si só, produziu o
resultados, imputando-se os fatos anteriores a quem os praticou. A relação de causalidade, portanto,
está relacionada aos crimes materiais, compostos pelos delitos em que o tipo penal descreve uma
conduta e um resultado naturalístico, exigindo a produção deste para a consumação.
➢ Teorias:
1. Equivalência dos Antecedentes Causais:
No art. 13, caput, do CP, foi adotada a teoria da equivalência dos antecedentes causais, ou teoria
da conditio sine qua non, criada por Glaser, e posteriormente desenvolvida por Von Buri e Stuart Mill.
Para esta teoria, causa é todo fato humano sem o qual o resultado não teria ocorrido, quando
ocorreu e como ocorreu. Toma como base o processo hipotético de eliminação de Thyrén para se
constatar se algum acontecimento deve ser inserido ou não no conceito de causa.
2. Teoria da Causalidade Adequada:
No art. 13, §1°, do CP, foi adotada a teoria da causalidade adequada, que teve origem nos estudos
de Von Kries. Segundo esta teoria, causa é o antecedente não só necessário, mas adequado à produção
do resultado.
3. Teoria da Imputação Objetiva:
Em uma perspectiva clássica, o tipo penal apresentava apenas aspectos objetivos, representados
na relação de causalidade. Buscando resolver esse problema, o sistema finalista conferiu ao tipo penal
também uma feição subjetiva, com a inclusão na conduta do dolo e da culpa. Para os adeptos da teoria
da imputação objetiva, contudo, o sistema finalista, ao liminar o tipo objetivo à relação de causalidade,
de acordo com a teoria da equivalência dos antecedentes, não resolve todos os problemas inerentes à
imputação.
Buscando solucionar tal problema, a teoria da imputação objetiva inseriu no tipo objetivo, dois
novos elementos, quais sejam, a criação de um risco proibido e a realização do risco no resultado, além
da já presente causalidade. A criação do risco proibido considera perigosa a ação que, aos olhos de um
observador objetivo dotado dos conhecimentos especiais do autor, situado no momento da prática da
ação, gere real possibilidade de dano para um determinado bem. Ademais, para que o resultado possa
ser atribuído ao agente, o risco proibido por ele criado deve ser realizado no resultado.
A teoria da imputação objetiva está intimamente ligada ao funcionalismo penal, pois este
questiona a validade do conceito de conduta desenvolvido pelos sistemas clássicos e finalista, sendo que
ao conceber o Direito como regulador da sociedade, delimita o âmbito das expectativas normativas de
conduta, vinculando-se à teoria em comento.
Para o funcionalismo teleológico de Claus Roxin, parte-se da premissa de uma ideia a respeito do
Direito Penal, identificada como a proteção subsidiária de bens jurídicos mais relevantes e a respeito da
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21 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
pena, que vem a ter um caráter preventivo geral e especial, para chegar a composição de um novo
modelo de sistema de imputação.
Já o funcionalismo sistêmico de Gunther Jakobs trabalha com a ideia central de competência e
papel social, sendo que em relação à imputação objetiva, com fundamento no argumento segundo o
qual, o comportamento social do homem é vinculado a papeis, traça quatro instituições -penais sobre as
quais desenvolve a referida teoria, quais sejam; risco permitido, princípio da confiança, proibição do
regresso e competência ou capacidade da vítima.
APLICAÇÃO PRÁTICA: Rumoroso caso do afogamento em piscina de um jovem, em uma festa de
formatura, onde havia livre trânsito de substâncias psicotrópicas. O MP denunciou todos os integrantes
da comissão de formatura, o que foi rechaçado pelo STJ, nos seguintes termos: “4. Ainda que se admita
a existência de relação de causalidade entre a conduta dos acusados e a morte da vítima, à luz da teoria
da imputação objetiva, necessária é a demonstração da criação pelos agentes de uma situação de risco
não permitido, não-ocorrente, na hipótese, porquanto é inviável exigir de uma Comissão de Formatura
um rigor na fiscalização das substâncias ingeridaspor todos os participantes de uma festa”. (HC
46.525/MT, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, QUINTA TURMA, julgado em 21/03/2006, DJ
10/04/2006, p. 245).
➢ Concausas:
É a convergência de uma causa externa à vontade do autor da conduta, influindo na produção
do resultado naturalístico por ele desejado e posicionando-se paralelamente ao seu comportamento,
omissivo ou comissivo.
#SELIGANATABELA:
Causa Dependente Causa independente
Emana da conduta do agente, se insere no curso
normal do desenvolvimento causal.
Não exclui a relação de causalidade.
Há dependência entre os acontecimentos.
Foge da linha normal de desdobramento da conduta.
Aparecimento é inesperado e imprevisível.
Capacidade por si só de produzir o resultado.
Pode ser absoluta ou relativamente independente a
depender da sua origem.
Classificação da causa independente em razão da origem:
Causa absolutamente independente Causa relativamente independente
Não se originam da conduta do agente.
Se originam da conduta do agente.
Essas causas não existiriam sem a conduta do
agente.
Podem ser: preexistentes, concomitantes e
supervenientes
Podem ser: preexistentes, concomitantes e
supervenientes.
Efeito jurídico (em todas as modalidades):
agente não responde pelo resultado
Efeito jurídico:
1. preexistente e concomitante: o agente
responde pelo resultado naturalístico
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22 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
naturalístico, mas somente pelo seu dolo (atos
até então praticados).
2. superveniente:
2.1. que produzem por si só o resultado: agente
não responde pelo resultado naturalístico, mas
somente pelo seu dolo (atos até então
praticados). Rompimento do nexo causal. Art. 13,
§1º, CP (teoria da causalidade adequada).
Exemplo: acidente com a ambulância que
transportava o enfermo.
2.2. que não produzem por si só o resultado:
agente responde pelo resultado naturalístico.
Exemplo: omissão no tratamento médico após
um ato de atentado contra a vida da vítima.
9 Desistência voluntária e arrependimento eficaz. 10 Arrependimento posterior.
➢ Desistência Voluntária e Arrependimento Eficaz:
Art. 15 - O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou impede que o resultado se
produza, só responde pelos atos já praticados.
São formas de tentativa abandonada, ou seja, a consumação do crime não ocorre em razão da
vontade do agente. A natureza jurídica da desistência voluntária e do arrependimento eficaz
majoritariamente na jurisprudência é de causa de exclusão da tipicidade.
Na desistência voluntária, o agente voluntariamente interrompe o processo executório do crime,
abandonando a prática dos demais atos necessários e que estavam à sua disposição para a consumação.
Diferencia-se da tentativa através da Fórmula de Frank (#SELIGANONOME), pois na desistência
voluntária o agente pode prosseguir, mas não quer, enquanto na tentativa o agente quer prosseguir, mas
não pode.
No arrependimento eficaz, o agente já praticou todos os atos executórios suficientes à
consumação do crime, mas adota providências aptas a impedir a produção do resultado. Possível
somente nos crimes materiais (que necessitam de resultado).
#ATENÇÃO
A desistência voluntária e arrependimento eficaz são comunicáveis no concurso de pessoas?
1ª corrente: caráter subjetivo dos institutos, não se comunicam.
2ª corrente: caráter misto (objetivo e subjetivo), se comunicam. (#DOMINANTE)
#DEOLHONAJURIS #DIZERODIREITO #AJUDAMARCINHO
O instituto do arrependimento eficaz e da desistência voluntária somente são aplicáveis a delito que não
tenha sido consumado. STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 1549809/DF, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura,
julgado em 02/02/2016.
➢ Arrependimento Posterior:
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23 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
Art. 16 - Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, reparado o dano ou restituída a
coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato voluntário do agente, a pena será reduzida de
um a dois terços.
É a causa pessoal e obrigatória de diminuição da pena que ocorre quando o responsável pelo
crime praticado sem violência à pessoa ou grave ameaça, voluntariamente e até o recebimento da
denúncia ou queixa, restitui a coisa ou repara o dano provocado por sua conduta. Seus fundamentos são
a proteção da vítima e o fomento ao arrependimento por parte do agente.
#OLHAOGANCHO:
Em regra, o arrependimento deve ser integral, mas o STF já admitiu o arrependimento posterior na
reparação parcial do dano.
Há comunicabilidade aos demais coautores e partícipes em razão de sua natureza objetiva.
O índice de redução da pena em função da maior ou menor celeridade no ressarcimento do prejuízo à
vítima.
#VAIMARCINHO #DIZERODIREITO
Não se aplica o instituto do arrependimento posterior (art. 16 do CP) para o homicídio culposo na direção
de veículo automotor (art. 302 do CTB) mesmo que tenha sido realizada composição civil entre o autor
do crime a família da vítima. Para que seja possível aplicar a causa de diminuição de pena prevista no art.
16 do CP é indispensável que o crime praticado seja patrimonial ou possua efeitos patrimoniais. O
arrependimento posterior exige a reparação do dano e isso é impossível no caso do homicídio. STJ. 6ª
Turma. REsp 1561276-BA, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 28/6/2016 (Info 590).
Desse modo, os crimes contra a fé pública, semelhantes aos demais crimes não patrimoniais em geral,
são incompatíveis com o instituto do arrependimento posterior, dada a impossibilidade material de haver
reparação do dano causado ou a restituição da coisa subtraída. STJ. 6ª Turma. REsp 1242294-PR, Rel.
originário Min. Sebastião Reis Júnior, Rel. para acórdão Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 18/11/2014
(Info 554).
11 Crime impossível.
➢ Crime Impossível:
Art. 17 - Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do meio ou por absoluta impropriedade
do objeto, é impossível consumar-se o crime.
Quando por ineficácia absoluta do meio ou por absoluta impropriedade do objeto, jamais
ocorrerá a consumação. No crime impossível não há perigo ao bem jurídico penalmente tutelado.
Tem natureza jurídica de causa de exclusão da tipicidade.
Teorias sobre o crime impossível:
1. Teoria Sintomática: Preocupa-se com a periculosidade do autor. Justifica-se em qualquer caso a
aplicação de medida de segurança.
2. Teoria Subjetiva: Leva em conta a intenção do agente.
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24 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
3. Objetiva Pura: Quando nenhum bem jurídico foi lesado ou exposto. Mas não importa se a inidoneidade
do meio ou do objeto é absoluta ou relativa.
4. Objetiva Temperada: Haverá crime impossível quando a inidoneidade do meio ou a impropriedade do
objeto for absoluta. #ADOTADAPELOCP
#DEOLHONASSÚMULAS
Súmula 145-STF. Não há crime, quando a preparação do flagrante pela polícia torna impossível a sua
consumação.
Súmula 567-STJ: Sistema de vigilância realizado por monitoramento eletrônico ou por existência de
segurança no interior de estabelecimento comercial, por si só, não torna impossível a configuração
do crime de furto.
#MAISJURISPRUDÊNCIA
O STF em julgamento do dia 22/08/17, publicado em 06/02/2018, entendeu que a Súmula 567 do STJ
pode ser relativizada a depender do caso concreto. vejamos a ementa do julgado:
Recurso ordinário em habeas corpus. Penal. Furto simples tentado. Artigo 155, caput, em combinação com
o art. 14, inciso II, ambos do Código Penal. Conduta delituosa praticada em loja de departamento.
Estabelecimento vítima que exerceu a vigilância direta sobre a conduta do paciente. Acompanhamento
ininterrupto de todo o iter criminis. Ineficácia absoluta do meio empregadopara a consecução do delito,
dadas as circunstâncias do caso concreto. Crime impossível caracterizado. Artigo 17 do Código Penal.
Atipicidade da conduta. Recurso provido. Com fundamento diverso, votaram pelo provimento do recurso
os eminentes Ministros Celso de Mello e Edson Fachin. 1. A forma específica mediante a qual os funcionários
do estabelecimento vítima exerceram a vigilância direta sobre a conduta do paciente, acompanhando
ininterruptamente todo o iter criminis, tornou impossível a consumação do crime, dada a ineficácia absoluta
do meio empregado. Tanto isso é verdade que, no momento em que se dirigia para a área externada do
estabelecimento comercial sem efetuar o pagamento do produto escolhido, o paciente foi abordado na
posse do bem, sendo esse restituído à vítima. 2. De rigor, portanto, diante dessas circunstâncias, a incidência
do art. 17 do Código Penal, segundo o qual “não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do
meio ou por absoluta impropriedade do objeto, é impossível consumar-se o crime”. 3. Esse entendimento
não conduz, automaticamente, à atipicidade de toda e qualquer subtração em estabelecimento comercial
que tenha sido monitorada pelo corpo de seguranças ou pelo sistema de vigilância, sendo imprescindível,
para se chegar a essa conclusão, a análise individualizada das circunstâncias de cada caso concreto. 4.
Recurso provido para conceder a ordem de habeas corpus, reconhecendo-se a atipicidade da conduta
imputada ao paciente na Ação Penal 0000802-76.2016.8.24.0039, com fundamento no art. 17 do Código
Penal. 5. Com fundamento diverso, votaram pelo provimento do recurso os eminentes Ministros Celso de
Mello e Edson Fachin.
13 Erro: descriminantes putativas; erro determinado por terceiro; erro sobre a pessoa; erro sobre a ilicitude
do fato (erro de proibição).
ERRO DE TIPO
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25 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
Trata-se de uma falsa percepção da realidade, em que o agente não sabe o que faz. Possui previsão
expressa no art. 20 do Código Penal, podendo o erro recair sobre circunstâncias essenciais (erro
essencial) ou agregadas ao tipo penal (erro acidental).
ERRO DE
TIPO
ESSENCIAL
EVITÁVEL
Exclui o dolo, mas admite a responsabilidade a título de culpa,
se prevista em lei.
INEVITÁVEL Exclui o dolo e a culpa.
ERRO DE
TIPO
ACIDENTAL
ERRO SOBRE A
PESSOA
Art. 20, CP: O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é
praticado não isenta de pena. Não se consideram, neste caso,
as condições ou qualidades da vítima, senão as da pessoa
contra quem o agente queria praticar o crime. Ex. agente que
pretende ceifar a vida de A, mas termina por cometer o
homicídio contra seu irmão gêmeo, crendo ser A.
ERRO SOBRE O
OBJETO
Agente projeta sua conduta sobre um objeto, mas na realidade
incide sobre coisa diversa. Ex. Acredita que está furtando um
relógio de ouro, mas é uma bijuteria.
ERRO SOBRE O
NEXO CAUSAL ou
ABERRATIO CAUSAE
O engano é no tocante à causa do crime. O resultado buscado
pelo agente ocorreu em razão de um acontecimento diverso
daquele que ele inicialmente idealizou. Ex. A empurra B da
ponte para matá-lo afogado. B vem a falecer, mas não por
asfixia derivada do afogamento, mas sim em decorrência do
traumatismo craniano, pois se chocou com uma pedra antes
de ter contato com a água.
ERRO NA
EXECUÇÃO ou
ABERRATIO ICTUS
Art. 73 - Quando, por acidente ou erro no uso dos meios de
execução, o agente, ao invés de atingir a pessoa que pretendia
ofender, atinge pessoa diversa, responde como se tivesse
praticado o crime contra aquela, atendendo-se ao disposto no
§ 3º do art. 20 deste Código. No caso de ser também atingida
a pessoa que o agente pretendia ofender, aplica-se a regra do
art. 70 deste Código.
RESULTADO
DIVERSO DO
PRETENDIDO ou
ABERRATIO
CRIMINIS
Erro na execução com unidade complexa, com resultado
duplo: é a situação descrita pelo art. 73, in fine, do Código
Penal, na qual o sujeito, além de atingir a pessoa inicialmente
desejada, ofende também pessoa ou pessoas diversas.
ERRO SOBRE A
PESSOA
Art. 74 - Fora dos casos do artigo anterior, quando, por
acidente ou erro na execução do crime, sobrevém resultado
diverso do pretendido, o agente responde por culpa, se o fato
é previsto como crime culposo; se ocorre também o resultado
pretendido, aplica-se a regra do art. 70 deste Código.
ERRO SOBRE O
OBJETO
Exemplo: Ciclano joga uma pedra na vidraça de seu rival, mas
acaba atingindo pedestre que passava naquele momento. O
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26 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
agente, em razão do erro, acaba por atingir bem jurídico
diverso.
ERRO DE PROIBIÇÃO
No erro de proibição o agente sabe exatamente o que está fazendo, mas desconhece a ilicitude do
fato. Não é que o agente ignore os termos da lei, até porque o art. 21, “caput”, do CP, considera que
“o desconhecimento da lei é inescusável”, não admitindo, portanto, a ignorantia legis. No erro de
proibição, o agente apesar de saber dos termos da lei, desconhece ou interpreta mal o seu conteúdo,
ou seja, não compreende com clareza seu caráter ilícito.
EVITÁVEL Causa de diminuição de pena de 1/6 até 1/3.
INEVITÁVEL Isenção de pena.
ERRO DE TIPO ERRO DE PROIBIÇÃO
O agente não sabe o que faz.
O agente sabe o que faz, mas pensa que sua
conduta é lícita, quando, na verdade, é proibida.
É o erro incidente sobre os elementos objetivos
do tipo
É o erro quanto à ilicitude da conduta
Trata-se da má interpretação sobre os FATOS.
Recai sobre os requisitos ou elementos fático-
descritivos do tipo, como também sobre
requisitos jurídico-normativos do tipo.
Afasta a POTENCIAL CONSCIÊNCIA DA ILICITUDE,
que é requisito da culpabilidade. Não há erro sobre
a situação de fato, já que essa está incontestável,
mas não há a exata compreensão sobre os LIMITES
JURÍDICOS DA LICITUDE da conduta.
Exclui sempre o DOLO, se poderia ser evitado
(inescusável), responde pela culpa, caso haja
previsão da forma culposa do delito.
Exclui a CULPABILIDADE, se INEVITÁVEL ou
ESCUSÁVEL.
Diminui a pena, se EVITÁVEL ou INESCUSÁVEL.
Exclui CRIME Exclui PENA
Exemplo: pessoa que levou o carro de outrem
achando que fosse o seu.
Exemplo: holandês que acreditou que no Brasil
poderia usar drogas sem que praticasse crime.
14 Concurso de crimes.
SISTEMA DO
CÚMULO
MATERIAL:
Impõe ao juiz a
soma de todas
as penas dos
crimes
CONCURSO DA
PENA DE
MULTA
Art. 72. No concurso de crimes, as penas de multa são
aplicadas distinta e integralmente.
CONCURSO
MATERIAL
Art. 69. Quando o agente, mediante mais de uma ação ou
omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não,
aplicam-se cumulativamente as penas privativas de liberdade
em que haja incorrido. No caso de aplicação cumulativa de
penas de reclusão e de detenção, executa-se primeiro aquela.
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27 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
praticados pelo
réu.
CONCURSO
FORMAL
IMPRÓPRIO
Art. 70. 2ª parte (concurso formal imperfeito ou impróprio). As
penas aplicam-se, entretanto, cumulativamente, se a ação ou
omissão é dolosa e os crimes concorrentes resultam de
desígnios autônomos.
SISTEMA DA
EXASPERAÇÃO:
O juiz aplica
somente uma
das penas,
aumentada de
determinado
percentual.
CONCURSO
FORMAL
PRÓPRIO
Art. 70. 1ª parte (concurso formal próprio ou perfeito) Quando
o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou
mais crimes, idênticos ou não, aplica-se-lhe a mais grave das
penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas
aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade (...).
CRIME
CONTINUADO
Art. 71 - Quando o agente, mediante mais de uma ação ou
omissão, pratica dois ou mais crimes da mesma espécie e, pelas
condiçõesde tempo, lugar, maneira de execução e outras
semelhantes, devem os subsequentes ser havidos como
continuação do primeiro, aplica-se-lhe a pena de um só dos
crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, aumentada,
em qualquer caso, de um sexto a dois terços.
Parágrafo único - Nos crimes dolosos, contra vítimas
diferentes, cometidos com violência ou grave ameaça à
pessoa, poderá o juiz, considerando a culpabilidade, os
antecedentes, a conduta social e a personalidade do agente,
bem como os motivos e as circunstâncias, aumentar a pena de
um só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, até
o triplo, observadas as regras do parágrafo único do art. 70 e
do art. 75 deste Código.
#SELIGANAJURIS #AJUDAMARCINHO
Impossibilidade de aplicação concomitante da continuidade delitiva comum e específica.
Se reconhecida a continuidade delitiva específica entre estupros praticados contra vítimas diferentes, deve
ser aplicada exclusivamente a regra do art. 71, parágrafo único, do Código Penal, mesmo que, em relação
a cada uma das vítimas, especificamente, também tenha ocorrido a prática de crime continuado. STJ. 6ª
Turma. REsp 1471651-MG, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 13/10/2015 (Info 573).
Não há continuidade entre o art. 6º da Lei 7.492/86 e o art. 1º da Lei 9.613/98
Não há continuidade delitiva entre os crimes do art. 6º da Lei nº 7.492/86 (Lei dos Crimes contra o Sistema
Financeiro Nacional) e os crimes do art. 1º da Lei nº 9.613/98 (Lei dos Crimes de "Lavagem" de Dinheiro).
Não incide a regra do crime continuado na hipótese, pois os crimes descritos nos arts. 6º da Lei 7.492/86
e 1º da Lei 9.613/98 não são da mesma espécie. STJ. 6ª Turma. REsp 1405989/SP, Rel. Min. Sebastião Reis
Júnior, Rel. p/ Acórdão Min. Nefi Cordeiro, julgado em 18/08/2015 (Info 569).
Aumento de pena no máximo pela continuidade delitiva em crime sexual
No caso de crime continuado, o art. 71 do CP prevê que o juiz deverá aplicar a pena de um só dos crimes,
se idênticas, ou a mais grave, se diversas, aumentada, em qualquer caso, de 1/6 a 2/3. O STJ entende
que, em regra, a escolha da quantidade de aumento de pena deve levar em consideração o número de
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28 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
infrações praticadas pelo agente com base na seguinte tabela: O critério para o aumento no crime
continuado é o número de crimes praticados: 2 crimes — aumenta 1/6 3 crimes — aumenta 1/5 4 crimes
— aumenta 1/4 5 crimes — aumenta 1/3 6 crimes — aumenta 1/2 7 ou mais — aumenta 2/3 Porém, nem
sempre será fácil trazer para os autos o número exato de crimes que foram praticados, especialmente
quando se trata de delitos sexuais. É o caso, por exemplo, de um padrasto que mora há meses ou anos
com a sua enteada e contra ela pratica constantemente estupro de vulnerável. Nessas hipóteses, mesmo
não havendo a informação do número exato de crimes que foram cometidos, o juiz poderá aumentar a
pena acima de 1/6 e, dependendo do período de tempo, até chegar ao patamar máximo. Assim,
constatando-se a ocorrência de diversos crimes sexuais durante longo período de tempo, é possível o
aumento da pena pela continuidade delitiva no patamar máximo de 2/3 (art. 71 do CP), ainda que sem a
quantificação exata do número de eventos criminosos. STJ. 5ª Turma. HC 311146-SP, Rel. Min. Newton
Trisotto (Desembargador convocado do TJ-SC), julgado em 17/3/2015 (Info 559).
Roubo praticado em ônibus contra o patrimônio de vários passageiros
O sujeito entra no ônibus e, com arma de fogo em punho, exige que oito passageiros entreguem seus
pertences (dois desses passageiros eram marido e mulher). O agente irá responder por oito roubos
majorados (art. 157, § 2º-A, I, do CP) em concurso formal (art. 70). Atenção: não se trata, portanto, de
crime único. Ocorre concurso formal quando o agente, mediante uma só ação, pratica crimes de roubo
contra vítimas diferentes, ainda que da mesma família, eis que caracterizada a violação a patrimônios
distintos. STJ. 5ª Turma. HC 207.543/SP, Rel. Min. Gilson Dipp, julgado em 17/04/2012. Nesse caso, o
concurso formal é próprio ou impróprio? Concurso formal PRÓPRIO. Praticado o crime de roubo
mediante uma só ação contra vítimas distintas, no mesmo contexto fático, resta configurado o concurso
formal próprio, e não a hipótese de crime único, visto que violados patrimônios distintos. STJ. 6ª Turma.
HC 197684/RJ, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 18/06/2012. STJ. 5ª Turma. HC 455.975/SP, Rel.
Min. Ribeiro Dantas, julgado em 02/08/2018.
Existe precedente do STJ reconhecendo continuidade entre o art. 168-A e o art. 337-A do CP
Em função da melhor hermenêutica, os crimes descritos nos arts. 168-A e 337-A, apesar de constarem
em títulos diferentes no Código Penal e serem, por isso, topograficamente díspares, refletem delitos que
guardam estreita relação entre si, portanto cabível o instituto da continuidade delitiva (art. 71 do CP). STJ.
REsp 1212911/RS, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 20/03/2012.
15 Ilicitude.
CAUSAS EXCLUDENTES DA ILICITUDE
GERAIS (Art. 23 do CP) ESPECÍFICAS SUPRALEGAIS
- Estado de Necessidade
- Legítima Defesa
- Estrito Cumprimento do Dever
Legal
- Exercício Regular do Direito
- Art. 128 do CP
- Art. 37, Lei 9.605/98
- outras
-Consentimento do ofendido
- outras
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29 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
#CUIDADO: o consentimento do ofendido também pode atuar como excludente de tipicidade, quando
envolve bem jurídico indisponível e houver necessidade de dissenso da vítima para configurar o tipo
penal. Exemplo: estupro.
ESTADO DE NECESSIDADE LEGÍTIMA DEFESA
Conflito de vários bens jurídicos diante da
mesma situação de perigo
Ameaça ou ataque a um bem jurídico
Pressupõe: perigo atual + sem destinatário
certo.
Pressupõe: agressão humana injusta + atual ou
iminente + com destinatário certo.
Os interesses em conflito são legítimos. Os interesses do agressor são ilegítimos.
Conclusão: cabe estado de necessidade contra
estado de necessidade.
Conclusão: não cabe legítima defesa contra
legítima defesa.
#ATENÇÃO: Em relação ao estado de necessidade, o Código Penal adotou a teoria unitária, de modo
que sempre será uma causa de exclusão de ilicitude (estado de necessidade justificante). Na teoria
diferenciadora, é possível que o estado de necessidade configure exclusão de ilicitude (estado de
necessidade justificante: o bem protegido é de valor superior ao bem sacrificado) ou exclusão da
culpabilidade (estado de necessidade exculpante: o bem protegido é de igual ou menor valor que o bem
sacrificado). Atenção: o CPM adotou a teoria diferenciadora.
ESPÉCIES DE LEGÍTIMA DEFESA
LEGÍTIMA DEFESA AGRESSIVA OU ATIVA Pratica um fato previsto em lei
LEGÍTIMA DEFESA DEFENSIVA OU PASSIVA Apenas se defende, sem praticar fato típico.
LEGÍTIMA DEFESA RECÍPROCA
Pressupondo agressão injusta, não é possível
duas pessoas simultaneamente agirem uma
contra a outra em legítima defesa.
LEGÍTIMA DEFESA SUCESSIVA É a reação contra o excesso do agredido
LEGÍTIMA DEFESA CULPOSA
É descriminante putativa. Legítima defesa
putativa por erro de tipo evitável. Ex. Confunde
b com pessoa que pretendia matá-lo.
LEGÍTIMA DEFESA AUTÊNTICA OU REAL Afasta a ilicitude
LEGÍTIMA DEFESA PUTATIVA
Afasta a culpabilidade ou tipicidade, depende da
teoria da culpabilidade adotada.
LEGÍTIMA DEFESA SUBJETIVA OU EXCESSIVA
É o excesso por erro de tipo inevitável. Ex. Bate
em b (de alto porte) que desmaia. A não
percebe e continua agredindo. B morre.
LEGÍTIMA DEFESA PRESUMIDA
Não é possível. A tipicidade gera presunção
relativa de ilicitude, de forma que o ônus de
provar a excludente é do acusado.
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30 CICLOS RETA FINALTJ/BA @CICLOSR3
LEGÍTIMA DEFESA REAL CONTRA LEGÍTIMA
DEFESA CULPOSA (PUTATIVA)
A agressão é injusta.
LEGÍTIMA DEFESA PUTATIVA RECÍPROCA
É possível também legítima defesa putativa de
legítima defesa putativa. Os dois imaginam que
vão ser agredidos pelo outros e atacam.
#OBS: Não é possível legítima defesa contra estado de necessidade ou outra excludente real (não pode
ser encarado como agressão injusta). Assim, se dois náufragos se agridem pelo colete salva-vidas, ocorre
estado de necessidade x estado de necessidade, pois nenhuma das agressões é injusta.
#ATENÇÃO: A legítima defesa pode ser invocada diante de agressão perpetrada por inimputável? SIM.
A legítima defesa, enquanto excludente da ilicitude, segundo substrato do conceito analítico de crime,
deve ser aferida objetivamente, de forma que a injustiça da agressão independe da capacidade de
entendimento e autodeterminação do indivíduo, pois a inimputabilidade constitui elemento da
culpabilidade. No entanto, o agente deve ter maior cautela ao reprimir a agressão injusta no inimputável,
se tinha consciência desse fato. Deve fugir ao combate, se possível.
16 Culpabilidade.
CULPABILIDADE
CONCEITO
Consiste no juízo de reprovação do agente por ter praticado um fato
típico e antijurídico, quando podia entender o caráter ilícito do fato e agir
conforme o direito.
#ATENÇÃO Para os adeptos do conceito bipartido de crime, é
pressuposto de pena.
TEORIAS
TEORIA PSICOLÓGICA DA CULPABILIDADE: é o vínculo psicológico entre
autor do fato e um resultado típico e ilícito, ou seja, uma mera imputação
(cunho subjetivo: análise do dolo e culpa). É formada pela imputabilidade
e dolo normativo/culpa.
TEORIA PSICOLÓGICO-NORMATIVA DA CULPABILIDADE: A
culpabilidade é vista como um juízo de valor que necessita de uma
avaliação simultânea do vínculo psicológico do autor (dolo ou culpa) e da
reprovação social, o que a torna psicológico-normativa. O novo elemento
da culpabilidade é de natureza normativa (exigibilidade de conduta
diversa). É formada pela imputabilidade, dolo normativo/culpa e
inexigibilidade de conduta diversa.
TEORIA
NORMATIVA
PURA DA
CULPABILIDADE:
Teoria normativa extremada, estrita ou normativa
pura da culpabilidade: para essa vertente, todas as
discriminantes putativas configuram erro de
proibição indireto.
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31 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
A culpabilidade
deixa de analisar
elementos
subjetivos,
tornando-se
exclusivamente
normativa,
formada pela
inimputabilidade,
inexigibilidade de
conduta diversa e
potencial
consciência de
ilicitude. É o
exercício
inadequado do
livre-arbítrio. Foi
a teoria adotada
pelo CP.
Teoria normativa limitada: o erro sobre as hipóteses
(existência) e os limites das discriminantes putativas
(causas de exclusão da ilicitude) configuram erro de
proibição indireto, ao passo que o erro relacionado
aos pressupostos fáticos que autorizam a
discriminante putativa (causas de exclusão da
ilicitude), caracteriza-se como erro de tipo indireto ou
permissivo. Adotada pelo CP
ELEMENTOS
IMPUTABILIDADE
CAUSAS DE
INIMPUTABILIDADE
Doença mental ou
desenvolvimento mental
incompleto/retardado
Menoridade
Embriaguez completa e
acidental
POTENCIAL
CONSCIÊNCIA
DA ILICITUDE
CAUSA DE
EXCLUSÃO
Erro de proibição inevitável
EXIGIBILIDADE
DE CONDUTA
DIVERSA
CAUSA DE
EXCLUSÃO
Coação moral irresistível
#NÃOCONFUNDA: A coação
física irresistível leva à exclusão
da conduta e,
consequentemente, ao fato
atípico.
Obediência hierárquica
COCULPABILIDADE
Para Zaffaroni, existe uma parcela de culpa da sociedade, que contribui
para a prática do delito. Assim, a depender do grau de exclusão social,
parcela da doutrina defende a aplicação da coculpabilidade como
atenuante genérica inominada (art. 66 do CP).
#ATENÇÃO COCULPABILIDADE ÀS AVESSAS - É dividida em duas
perspectivas:
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32 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
1ª) É o abrandamento da aplicação da pena nos crimes praticados por
pessoas de alto poder socioeconômico, como é o caso da extinção da
punibilidade pelo pagamento da dívida nos crimes contra a ordem
tributária, previstos na Lei 8.137/1990, quando na verdade, essas mesmas
pessoas deveriam sofrer um maior rigor na aplicação da pena, porquanto
tiveram maiores oportunidades perante a sociedade.
2ª). É a criação pelo Estado de leis que incriminem as condutas passíveis
de estarem sujeitas somente as pessoas de menor capacidade
socioeconômica, como é caso da vadiagem e mendicância.
#SELIGANOTERMO – TEORIA DA ACTIO LIBERA IN CAUSA: Essa teoria surgiu na Itália e foi criada para
solucionar os crimes cometidos em estado de embriaguez preordenada. No momento do crime o sujeito
está inconsciente. A teoria antecipa o momento da análise da imputabilidade. A imputabilidade não será
analisada no momento em que o crime foi praticado. Nesse momento ele estava inconsciente. É
antecipada para o momento anterior àquele em que o agente livremente se colocou no estado de
embriaguez. Para a embriaguez preordenada essa teoria é perfeita, pois no momento anterior já existia
o dolo - o fundamento é a causalidade mediata. Antes de começar a beber já havia o dolo de cometer
crime. O art. 28, II CP acolheu essa teoria também para a embriaguez voluntária e culposa. No momento
anterior, antes de beber, já existia o dolo? Não. Por esse motivo, a doutrina critica a aplicação desta teoria
à esta hipótese, alegando que é um resquício da responsabilidade penal objetiva.
#OLHAOGANCHO O art. 45 da Lei de Drogas de fato traz uma causa especial de exclusão da
culpabilidade, que ocorre em razão da dependência. Essa excludente, não incide apenas no delito de
portar ou trazer consigo drogas, mas sim sobre qualquer infração penal praticada.
#ATENÇÃO: CAUSAS SUPRALEGAIS DE INEXIGIBILIDADE DE CONDUTA DIVERSA: cláusula de
consciência, desobediência civil, conflito de deveres, excesso intensivo exculpante (legítima defesa
excessiva), legítima defesa preordenada diante de uma ameaça factível, estado de necessidade
exculpante (não é adota no ordenamento pátrio).
17 Concurso de pessoas.
➢ Tratamento Legislativo:
As regras inerentes ao concurso de pessoas estão disciplinadas pelos artigos 29 a 31 do Código
Penal.
TÍTULO IV
DO CONCURSO DE PESSOAS
Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, na medida
de sua culpabilidade.
§ 1º - Se a participação for de menor importância, a pena pode ser diminuída de um sexto a um terço.
§ 2º - Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á aplicada a pena deste;
essa pena será aumentada até metade, na hipótese de ter sido previsível o resultado mais grave.
Circunstâncias incomunicáveis
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33 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
Art. 30 - Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, salvo quando elementares
do crime.
Casos de impunibilidade
Art. 31 - O ajuste, a determinação ou instigação e o auxílio, salvo disposição expressa em contrário, não
são puníveis, se o crime não chega, pelo menos, a ser tentado.
Concurso de pessoas pode ser conceituado como a colaboração empreendida por duas ou mais
pessoas para a realização de um crime ou de uma contravenção penal, dependendo da existência de
cinco requisitos para sua configuração: pluralidade de agentes culpáveis, relevância causal das condutas
para a produção do resultado, vínculo subjetivo, unidade de infração penal para todo os agentes e
existência de fato punível.
a) Pluralidade de Agentes Culpáveis: As condutas devem ser praticadas por pelo menos duas
pessoas, e, consequentemente, de ao menos duas condutas penalmente relevantes.Essas condutas
podem ser principais, no caso da coautoria, ou então uma principal e outra acessória, praticadas pelo
autor e pelo partícipe, respectivamente. Os coautores ou partícipes, entretanto, devem ser culpáveis, ou
seja, dotados de culpabilidade.
b) Relevância Causal das Condutas para a Produção do Resultado: Concorrer para a infração
penal importa dizer que cada uma das pessoas deve fazer algo para que a empreitada tenha vida no
âmbito da realidade. O caput do art. 29 fala em de qualquer modo, expressão que deve ser compreendida
como uma contribuição pessoal, física ou moral, direta ou indireta, comissiva ou omissiva, anterior ou
simultânea à execução, devendo a conduta individual influir diretamente na produção do resultado.
c) Vínculo Subjetivo: Também denominado de concurso de vontades, impõe que todos os
agentes estejam ligados entre si por um vínculo de ordem subjetiva, um nexo psicológico, pois caso
contrário não haverá um crime praticado com concurso, mas vários crimes simultâneos, caracterizand0o
a autoria colateral. Os agentes devem revelar vontade homogênea, visando a produção do mesmo
resultado, é o denominado princípio da convergência, o que impede a contribuição dolosa para um crime
culposo, nem a concorrência culposa para um delito doloso. Por fim, cumpre salientar que o vínculo
subjetivo não exige ajuste prévio, muito menos estabilidade da união, sendo suficiente a atuação
consciente do partícipe no sentido de contribuir para a conduta do autor, ainda que este desconheça a
colaboração.
d) Unidade de Infração Penal: Para a caracterização do concurso de pessoas, adotou-se,
como regra, a teoria unitária, monística ou monista, segunda a qual, quem concorre para um crime, por
ele responde, sujeitando-se todos os coautores e partícipes a um único tipo penal.
e) Existência de Fato Punível: O concurso d pessoas depende da punibilidade de um crime, a
qual requer, em seu limite mínimo, o início da execução, constituindo o princípio da exterioridade. Neste
sentido, conforme expresso no art. 31 do Código Penal, o ajuste, a determinação ou instigação e o auxílio,
salvo disposição expressa em contrário, não são puníveis, se o crime não chega, pelo menos, a ser tentado.
➢ Teorias sobre a Autoria:
Existem diversas teorias que buscam fornecer o conceito de autor, cumprindo trazer as mais
importantes e com maior chance de cobrança em nossa prova.
a) Teoria Subjetiva ou Unitária: Não diferencia o autor do partícipe. Autor é aquele que de
qualquer modo contribuir para a produção de um resultado penalmente relevante. Seu fundamento
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34 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
deriva da teoria da equivalência dos antecedentes ou conditio sine qua non, pois qualquer colaboração
para o resultado, independente do seu grau, a ele deu causa.
b) Teoria Extensiva: Também com fundamento da teoria da equivalência dos antecedentes,
não distingue o autor do partícipe, todavia, ao admitir causas de diminuição da pena para estabelecer
diversos graus de autoria, é mais suave em relação à teoria anterior. Aparece nesse âmbito a figura do
cúmplice, ou seja, o autor que concorre de modo menos importante para o resultado.
c) Teoria Objetiva ou Dualista: Opera nítida distinção entre autor e partícipe, tendo sido a
teoria adotada pela lei 7.209/84 – Reforma da parte Geral do Código Penal, sendo subdividida em outras
03 (três) teorias:
Teoria objetivo-formal: Autor é quem realiza o núcleo (verbo) do tipo penal, ou seja, a conduta
criminosa descrita pelo preceito primário da norma incriminadora. Por sua vez, partícipe é quem de
qualquer modo concorre para o crime, sem praticar o núcleo do tipo. A atuação do partícipe seria impune
se não existisse a norma de extensão pessoal prevista no caput do art. 29 do Código Penal, ou seja, a
adequação típica, na participação, é de subordinação mediata.
É a teoria adotada pelo Código Penal, devendo, entretanto, ser complementada pela teoria da
autoria mediata.
Teoria do Domínio do Fato: Foi criada na Alemanha, em 1939, por Hans Welzel, com a finalidade
de ampliar o conceito de autor. Por força dessa teoria, pode também ser considerado autor aquele que,
mesmo não realizando o núcleo do tipo, domina finalisticamente todo o seu desenrolar. Welzel dizia que
autor é o senhor do fato.
Em outras palavras, autor é quem executa uma tarefa essencial para a ocorrência do delito. Se
deixar de praticar sua conduta, o delito não acontece da forma planejada. É quem controla
finalisticamente o fato, ou seja, quem decide a sua forma de execução, seu início, cessação e demais
condições.
Já o partícipe é quem executa tarefa não essencial (secundária, acessória). Será aquele que,
embora colabore dolosamente para o alcance do resultado, não exerce domínio sobre a ação.
Podemos afirmar que tem o controle final do fato:
a) Aquele que por sua vontade executa o núcleo do tipo (autor propriamente dito).
b) Aquele que planeja o crime para ser executado por outras pessoas (autor intelectual).
c) Aquele que se vale de um não culpável ou de pessoa que age sem dolo ou culpa para executar
o tipo (autor mediato).
Embora a teoria objetivo-formal seja adotada pelo Código Penal, a doutrina moderna tem
trabalhado com a teoria do domínio do fato, como no caso de crimes tributários, onde é comum o
Ministério Público invocar a aplicação desta teoria para pedir a condenação do sócio, pois na maioria dos
casos, quem pratica a conduta de suprimir ou reduzir tributo é o empregado, gerente ou contador da
pessoa jurídica.
Contudo, os Tribunais Superiores têm advertido que a teoria do domínio do fato não permite que
a mera posição de um agente na escala hierárquica sirva para demonstrar ou reforçar o dolo da conduta,
fixando, então, certos limites a sua aplicação.
#DEOLHONAJURIS
CPF: 008.374.135-67 ALUNO: Luciana Nascimento Pereira
35 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
Não há óbice para que a denúncia invoque a teoria do domínio do fato para dar suporte à imputação
penal, sendo necessário, contudo, que, além disso, ela aponte indícios convergentes no sentido de que
o Presidente da empresa não só teve conhecimento do crime de evasão de divisas, como dirigiu
finalisticamente a atuação dos demais acusados.
Assim, não basta que o acusado se encontre em posição hierarquicamente superior. Isso porque o
próprio estatuto da empresa prevê que haja divisão de responsabilidades e, em grandes corporações,
empresas ou bancos há controles e auditorias exatamente porque nem mesmo os sócios têm como saber
tudo o que se passa.
STF. 2ª Turma. HC 127397/BA, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 6/12/2016 (Info 850).
O diretor-geral da empresa de telefonia Vivo foi denunciado pelo fato de que na filial que funciona no
Estado de Pernambuco teriam sido inseridos elementos inexatos em livros fiscais.
Diante disso, o Ministério Público denunciou o referido diretor pela prática de crime contra a ordem
tributária (art. 1º, II, da Lei nº 8.137/90).
A denúncia aponta que, na condição de diretor da empresa, o acusado teria domínio do fato, o poder
de determinar, de decidir, e de fazer com que seus empregados contratados executassem o ato, sendo
responsável pelo delito.
O STF determinou o trancamento da ação penal afirmando que não se pode invocar a teoria do domínio
do fato, pura e simplesmente, sem nenhuma outra prova, citando de forma genérica o diretor estatutário
da empresa para lhe imputar um crime fiscal que teria sido supostamente praticado na filial de um Estado-
membro onde ele nem trabalha de forma fixa.
Em matéria de crimes societários, a denúncia deve apresentar, suficiente e adequadamente, a conduta
atribuível a cada um dos agentes, de modo a possibilitar a identificação do papel desempenhado pelos
denunciados na estrutura jurídico-administrativa da empresa. Não se pode fazer uma acusação baseadaapenas no cargo ocupado pelo réu na empresa.
STF. 2ª Turma. HC 136250/PE, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 23/5/2017 (Info 866).
#ATENÇÃO: A teoria do domínio do fato tem aplicação apenas aos crimes dolosos e comissivos.
#ATENÇÃO: É preciso destacar que no julgamento da Ação Penal 470 – Caso Mensalão – alguns ministros
do STF adotaram a teoria do domínio do fato, que posteriormente ganhou força com a edição da Lei
12.850/13 – Lei do Crime Organizado, em especial no art. 2°, § 3°, que traz a previsão de que a pena é
agravada para quem exerce o comando, individual ou coletivo, da organização criminosa, ainda que não
pratique pessoalmente atos de execução.
➢ Circunstâncias Incomunicáveis:
Circunstâncias incomunicáveis são as que não se estendem, isto é, não se transmitem aos
coautores ou partícipes de uma infração penal, pois se referem exclusivamente a determinado agente,
incidindo apenas em relação a ele.
Circunstâncias incomunicáveis
Art. 30 - Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, salvo quando
elementares do crime.
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36 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
A compreensão deste dispositivo depende, inicialmente, da diferenciação entre elementares e
circunstâncias.
Elementares são os dados fundamentais de uma conduta criminosa. São os fatores que integram
a definição básica de uma infração penal. No homicídio simples, por exemplo, as elementares são matar
e alguém.
Circunstâncias, por sua vez, são os fatores que se agregam ao tipo fundamental, para o fim de
aumentar ou diminuir a pena. No caso acima usado como exemplo, o homicídio, são circunstâncias o
relevante valor moral, o motivo torpe, o motivo fútil, dentre outras.
Existe ainda a classificação em elementar ou circunstância de caráter pessoal ou subjetivo, que nos
moldes do art. 30 do Código Penal, não se comunicam, que são as que se relacionam à pessoa do agente,
e não ao fato por ele praticado. Em sentido oposto, existe a elementar ou circunstância de caráter real
ou objetiva, que dizem respeito ao fato, à infração penal cometida, e não ao agente. Por fim, deve-se
distinguir as condições de caráter pessoal, aquelas qualidades, os aspectos subjetivos inerentes a
determinado indivíduo, que o acompanham em qualquer situação, independente da prática de uma
infração penal, como a reincidência, por exemplo.
18 Penas: espécies de penas; cominação das penas; aplicação da pena; suspensão condicional da pena;
livramento condicional; efeitos da condenação; reabilitação; execução das penas em espécie e incidentes
de execução; limites das penas. 19 Medidas de segurança: execução das medidas de segurança.
INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA
Individualização da pena legislativa ou abstrata:
é a cominação da pena. Ocorre com a criação
do tipo penal.
Individualização da pena judicial ou concreta:
é aquela efetuada pelo magistrado mediante a
dosimetria da pena.
Individualização da pena administrativa ou
executória:
É a que ocorre no cumprimento da pena.
DOSIMETRIA DA PENA – SISTEMA TRIFÁSICO
1ª FASE
Circunstâncias judiciais do art.
59 do CP: fixação da pena-base
O juiz não pode elevar a pena
acima do máximo previsto no
tipo penal, nem diminuí-la
abaixo do mínimo legal.
2ª FASE Atenuantes e agravantes
3ª FASE
Causas de aumento e
diminuição de pena
O juiz pode elevar ou diminuir
a pena além dos limites revistos
no tipo penal.
Determinação do regime inicial de cumprimento da pena privativa de liberdade.
Análise sobre a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos ou multa.
Não sendo cabível a substituição, análise sobre a concessão ou não da suspensão condicional da
pena (sursis), se presentes os requisitos legais.
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37 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
#OLHAOGANCHO: em relação aos maus antecedentes, o STJ adota o sistema da perpetuidade,
enquanto que o STF adota o princípio da temporariedade (#OLHAOTERMO “direito ao esquecimento na
seara penal” – Gilmar Mendes). Assim, para o STJ, após o período depurador de cinco anos a reincidência
passa a ser considerada como maus antecedentes, ao passo que para o STF não poderá mais ser
considerada.
REGIMES
ABERTO
Não reincidente, com pena igual ou inferior a 4 anos. Casa de albergado ou outro
estabelecimento adequado.
SEMIABERTO
Não reincidente, com pena superior a 4 anos e não excedente a 8anos. Colônia
agrícola, industrial ou em estabelecimento similar.
FECHADO
Pena superior a 8 anos.
Estabelecimento de segurança máxima (presídios) ou média (centro de
ressocialização).
SUBSTITUIÇÃO POR PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS – REQUISITOS
Aplicada pena privativa de liberdade não superior a quatro anos e o crime não for cometido com
violência ou grave ameaça à pessoa;
Aplicada pena privativa de liberdade com qualquer pena, se o crime for culposo;
O réu não for reincidente em crime doloso (salvo se a medida for recomendável e não ocorra
reincidência específica);
Circunstâncias judiciais favoráveis.
#SELIGANASSUMULAS
Súmula 718 do STF: a opinião do julgador sobre a gravidade em abstrato do crime não constitui
motivação idônea para a imposição de regime mais severo do que o permitido segundo a pena aplicada.
Súmula 719 do STF: a imposição do regime de cumprimento mais severo do que a pena aplicada permitir
exige motivação idônea.
Súmula 440 do STJ: fixada a pena-base no mínimo legal, é vedado o estabelecimento de regime prisional
mais gravoso do que o cabível em razão da sanção imposta, com base apenas na gravidade abstrata do
delito.
O condenado não reincidente, cuja pena seja superior a 4 anos e não exceda a 8 anos, tem o direito de
cumprir a pena corporal em regime semiaberto (art. 33, § 2°, b, do CP), caso as circunstâncias judiciais
do art. 59 lhe forem favoráveis. A gravidade em abstrato do crime não constitui motivação idônea para
justificar a fixação do regime mais gravoso (Info 859 - STF).
-Súmula 241-STJ: A reincidência penal não pode ser considerada como circunstância agravante e,
simultaneamente, como circunstância judicial.
Súmula 444-STJ: É vedada a utilização de inquéritos policiais e ações penais em curso para agravar a
pena-base.
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38 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
Súmula 231-STJ: A incidência da circunstância atenuante não pode conduzir à redução da pena abaixo
do mínimo legal.
Súmula 545-STJ: Quando a confissão for utilizada para a formação do convencimento do julgador, o réu
fará jus à atenuante prevista no artigo 65, III, d, do Código Penal.
#OLHAOGANCHO: a confissão espontânea, parcial, qualificada ou retratada, todas elas, podem ser
utilizadas pelo juiz, em conjunto com as demais provas, para condenar o réu. Para o STJ, é irrelevante se
a confissão é total ou parcial, condicionada ou restrita, com ou sem retratação posterior. Basta que ela
tenha sido levada em consideração pelo magistrado para proferir a condenação. Essa é a conclusão da
Súmula 545/STJ.
Súmula 269 STJ: É admissível a adoção do regime prisional SEMIABERTO aos REINCIDENTES condenados
a PENA IGUAL ou inferior a quatro anos SE FAVORÁVEIS AS CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS.
#DEOLHONAJURIS
DOSIMETRIA DA PENA. Determinado réu foi condenado por furto qualificado por rompimento de
obstáculo (art. 155, § 4º, I, do CP). O STF considerou incorreta a sentença do juiz que, na 1ª fase da
dosimetria da pena, aumentou a pena-base com fundamento em três argumentos: a) Culpabilidade. O
magistrado afirmou que era patente a culpabilidade do réu considerando que ele tinha plena consciência
da ilicitude de seu ato. O juiz confundiu os conceitos. Para fins de dosimetria da pena, culpabilidade
consiste na reprovação social que o crime e o autor do fato merecem. Essaculpabilidade de que trata o
art. 59 do CP não tem nada a ver com a culpabilidade como requisito do crime (imputabilidade, potencial
consciência da ilicitude do fato e inexigibilidade de conduta diversa). b) Antecedentes. O juiz aumentou
a pena pelo fato de o agente já responder a quatro outros processos criminais. A jurisprudência entende
que, em face do princípio da presunção de não culpabilidade, os inquéritos policiais e ações penais em
curso não podem ser considerados maus antecedentes (Súmula 444-STJ e STF RE 591054/SC). c)
Circunstâncias do crime. O julgador considerou que as circunstâncias do crime eram negativas porque o
crime foi praticado com rompimento de obstáculo à subtração da coisa. Aqui, o erro do magistrado foi
utilizar como circunstância judicial (1ª fase da dosimetria) um elemento que ele já considerou como
qualificadora (inciso I do § 4º do art. 155). Houve, portanto, bis in idem (dupla punição pelo mesmo fato).
STF. 2ª Turma. HC 122940/PI, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 13/12/2016 (Info 851).
SUSPENSÃO CONDICIONAL DA PENA
REQUISITOS
OBJETIVOS
a) qualidade da pena (art. 77, caput): pena privativa de liberdade (reclusão,
detenção ou prisão simples);
b) quantidade da pena: pena privativa de liberdade não superior a 2 (dois) anos
(art. 77, caput).
Exceção: pena não superior a 4 (quatro) anos, no caso de ser o condenado maior
de setenta anos de idade (sursis etário), ou por razões de saúde (sursis humanitário)
que justifiquem a suspensão (art. 77, § 2°).
No caso de concurso de crimes considera-se a soma das penas.
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39 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
REQUISITO
SUBJETIVO:
não ser o réu reincidente em crime doloso, salvo se na condenação anterior foi
aplicada somente a pena de multa (art. 77, I, e § 1°)
ESPÉCIES:
a) sursis simples: no primeiro ano, o condenado presta serviços à comunidade ou
submete-se à limitação de fim de semana. Aplica-se aos casos em que o
condenado não reparou o dano injustificadamente ou quando as circunstâncias do
art. 59 do CP não são favoráveis.
b) sursis especial (art. 78, § 2°, do CP): o condenado não precisa prestar serviços à
comunidade e não se submete à limitação de fim de semana no primeiro ano do
período de prova. Aplica-se aos casos em que o condenado reparou o dano, salvo
justificativa, e desde que as circunstâncias do art. 59 do CP sejam favoráveis.
c) sursis etário (art. 77, § 2º): a execução da pena privativa de liberdade, não
superior a quatro anos, poderá ser suspensa, por quatro a seis anos, desde que o
condenado seja maior de setenta anos de idade (...).
d) sursis humanitário (art. 77, § 2°, segunda parte): a execução da pena privativa de
liberdade, não superior a quatro anos, poderá ser suspensa, por quatro a seis anos,
desde que (...) razões de saúde justifiquem a suspensão.
#ATENÇÃO importante observar que o sursis etário aplica-se ao maior de 70 anos
condenado a pena que seja superior a dois e não exceda a quatro anos de prisão.
Se a sua condenação não for superior a dois anos, o prazo do período de prova
será o comum (2 a 4 anos).
SURSIS
SIMULTÂNEOS:
pode ocorrer que o réu obtenha dois sursis ao mesmo tempo. Exemplo: durante o
período de prova o réu é condenado por crime culposo ou contravenção não
sendo revogado o sursis anterior (hipótese de revogação facultativa).
REVOGAÇÃO
OBRIGATÓRIA:
I - é condenado, em sentença irrecorrível, por crime doloso;
II - frustra, embora solvente, a execução de pena de multa ou não efetua, sem
motivo justificado, a reparação do dano;
III - descumpre a condição do § 1º do art. 78 deste Código (PSC ou Limitação de
FDS).
REVOGAÇÃO
FACULTATIVA:
A suspensão poderá ser revogada se o condenado descumpre qualquer outra
condição imposta ou é irrecorrivelmente condenado, por crime culposo ou por
contravenção, a pena privativa de liberdade ou restritiva de direitos.
LIVRAMENTO CONDICIONAL
CONCEITO:
Forma de liberdade antecipada para crimes em que a pena privativa de liberdade
seja igual ou superior a dois anos.
REQUISITOS
OBJETIVOS:
1/3: Crimes comuns – primário
1/2: Crimes comuns – reincidente
2/3: Crimes hediondos – primário
Não se admite para o reincidente em crime hediondo.
Tenha reparado o dano, salvo efetiva impossibilidade de fazê-lo.
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40 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
REQUISITOS
SUBJETIVOS
Comprovado comportamento satisfatório durante a execução da pena, bom
desempenho no trabalho que lhe foi atribuído e aptidão para prover à própria
subsistência mediante trabalho honesto.
#ATENÇÃO Para o condenado por crime doloso, cometido com violência ou grave
ameaça à pessoa, a concessão do livramento ficará também subordinada à
constatação de condições pessoais que façam presumir que o liberado não voltará
a delinquir.
#DEOLHONASÚMULA
SÚMULA 715 DO STF: A pena unificada para atender ao limite de trinta anos de cumprimento,
determinado pelo art. 75 do Código Penal, não é considerada para a concessão de outros benefícios,
como o livramento condicional ou regime mais favorável de execução.
EFEITOS DA CONDENAÇÃO
EFEITOS
PRINCIPAIS
Pena e medida de segurança
EFEITOS
SECUNDÁRIOS
Penais (reincidência e seus efeitos na concessão de benefícios);
Extrapenais automáticos: perda de bens/instrumentos e obrigação de indenizar;
Extrapenais não automáticos: perda do cargo (salvo no crime de tortura, em que o
efeito é automático - art. 1, § 5° da lei 9.455/97), do poder familiar, inabilitação para
dirigir.
#IMPORTANTE PERDA DO CARGO:
a) pena privativa de liberdade igual ou superior a 1 ano, desde que o crime tenha sido cometido com
abuso do poder ou violação de dever para com a Administração Pública;
b) pena privativa de liberdade superior a 4 anos: demais casos.
#DEOLHONAJURIS
REGRA: a pena de perdimento deve ser restrita ao cargo público ocupado ou função pública exercida
no momento da prática do delito. EXCEÇÃO: se o juiz, motivadamente, considerar que o novo cargo
guarda correlação com as atribuições do anterior, ou seja, daquele que o réu ocupava no momento do
crime, neste caso mostra-se devida a perda da nova função como uma forma de anular (evitar) a
possibilidade de que o agente pratique novamente delitos da mesma natureza (Info 599 - STJ)
Não pode ser interpretado extensivamente com o intuito de permitir a cassação da aposentadoria,
ainda que a aposentadoria ocorra no curso da ação Penal, ou seja, antes da condenação. O rol do art.
92 do CP é taxativo, consoante o STJ. (INFO 552, STJ).
#OLHAOSUPERGANCHO: Vamos analisar os efeitos da condenação em algumas legislações
extravagantes que poderão cair na prova:
SUSPENSÃO DOS DIREITOS POLÍTICOS: um dos efeitos da condenação, automático, é a suspensão dos
direitos políticos (at. 15, III, CF).
#DEOLHONASÚMULA:
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41 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
SÚMULA 9 DO TSE: A suspensão de direitos políticos decorrente de condenação criminal transitada em
julgado e cessa com o cumprimento ou a extinção da pena, independendo de reabilitação ou de prova
de reparação dos danos;
LEI DE FALÊNCIA: o art. 181, da Lei nº 11.101/05 estabelece como efeitos da condenação: a inabilitação
para o exercício de atividade empresarial (inciso I), o impedimento para o exercício de cargo ou função
em conselho de administração, diretoria ou gerência das sociedades sujeitas a esta Lei (inciso II) e a
impossibilidade de gerir empresa por mandato ou por gestão de negócio (inciso III). Tais efeitos não são
automáticos, devendo ser declarados na sentença (art. 181, §1º); (#OLHAOGANCHO Com o edital de
empresarial)
LEI DE TORTURA: a condenação pela prática de crime de tortura, se praticado por funcionário público,
acarretará a perda do cargo, funçãoou emprego público, bem como a interdição para seu exercício pelo
dobro do prazo da pena aplicada (art. 1º, §5º, Lei nº 9.455/97). Trata-se de efeito automático, segundo
o STJ (REsp 1.044.866/MG);
LEI DE DROGAS: no caso de crime de tráfico de drogas envolvendo funcionário púbico, o art. 56, §1º, da
Lei nº11.343/06 permite ao juiz promover o afastamento cautelar do servidor, comunicando ao órgão
respectivo. Em caso de condenação, a perda do cargo ou função pública seguirá a regra do art. 92, CP;
CRIMES RESULTANTES DE PRECONCEITOS DE RAÇA E DE COR: o art. 16, da Lei nº 7.716/89 estabelece
como efeito da condenação a perda do cargo ou função pública, para o servidor público envolvido na
empreitada criminosa. Trata-se de efeito não automático devendo ser expressamente declarado na
sentença (art. 18);
CRIME DE LAVAGEM DE CAPITAIS: o art. 7º, da Lei nº 9.613/98 traz os efeitos da condenação, além dos
previstos no CP: I - a perda, em favor da União - e dos Estados, nos casos de competência da Justiça
Estadual -, de todos os bens, direitos e valores relacionados, direta ou indiretamente, à prática dos crimes
previstos nesta Lei, inclusive aqueles utilizados para prestar a fiança, ressalvado o direito do lesado ou de
terceiro de boa-fé; II - a interdição do exercício de cargo ou função pública de qualquer natureza e de
diretor, de membro de conselho de administração ou de gerência das pessoas jurídicas referidas no art.
9º, pelo dobro do tempo da pena privativa de liberdade aplicada.
MEDIDAS DE SEGURANÇA
INIMPUTÁVEIS: Recebem uma sentença absolutória imprópria para cumprir medida de segurança.
ESPÉCIES:
a) internação (penas de reclusão);
b) tratamento ambulatorial (penas de detenção).
DURAÇÃO
MÍNIMA:
Prazo mínimo de 1 a 3 anos.
DURAÇÃO
MÁXIMA:
Há divergência:
STJ: SÚMULA 527 DO STJ: O tempo de duração da medida de segurança não deve
ultrapassar o limite máximo da pena abstratamente cominada ao delito praticado
STF: 30 anos
SEMI-
IMPUTÁVEIS:
adota-se o sistema vicariante ou unitário (ou aplica uma pena reduzida ou uma
medida de segurança), que se contrapõe ao sistema do duplo binário (em que era
possível a aplicação de ambos.
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42 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
#ATENÇÃO A Lei da Reforma psiquiátrica propõe uma superação desse paradigma de
internação/tratamento ambulatorial com base na espécie de pena! Há doutrina que defende que o
tratamento da Medida de Segurança pelo CP fora revogado pela referida lei, mas fique atento ao texto
legal para as questões.
21 Punibilidade e causas de extinção. 22 Prescrição.
CAUSAS DE EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE
Morte do agente
Anistia
Graça
Indulto
Abolitio criminis
Prescrição
Decadência
Perempção
Renúncia
Perdão do Ofendido
Retratação
Perdão Judicial
AÇÕES PENAIS PRIVADAS E CAUSAS DE EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE:
DECADÊNCIA
É A perda do direito de ação penal ou de representação em razão de seu não
exercício no prazo legal.
Prazo legal: Em regra, 6 meses a contar do conhecimento da autoria do fato.
RENÚNCIA AO
DIREITO DE
QUEIXA
É o ato unilateral (não depende de aceitação) e voluntário por meio do qual a
pessoa legitimada ao exercício da ação penal privada abdica do seu direito de
queixa, antes do início do processo.
PERDÃO DO
OFENDIDO
É o ato bilateral (demanda aceitação) por meio do qual, no curso do processo
penal, o querelante resolve não prosseguir com a demanda, perdoando o
acusado.
PEREMPÇÃO
É a perda do direito de prosseguir no exercício da ação penal privada em virtude
da negligência do querelante, com a consequente extinção da punibilidade.
Hipóteses (art. 60 do CPP):
I - quando, iniciada esta, o querelante deixar de promover o andamento do
processo durante 30 dias seguidos;
II - quando, falecendo o querelante, ou sobrevindo sua incapacidade, não
comparecer em juízo, para prosseguir no processo, dentro do prazo de 60
(sessenta) dias, qualquer das pessoas a quem couber fazê-lo, ressalvado o
disposto no art. 36;
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43 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
III - quando o querelante deixar de comparecer, sem motivo justificado, a
qualquer ato do processo a que deva estar presente, ou deixar de formular o
pedido de condenação nas alegações finais;
IV - quando, sendo o querelante pessoa jurídica, esta se extinguir sem deixar
sucessor.
#AJUDAMARCINHO #NÃOCONFUNDA
ANISTIA
GRAÇA
(Indulto individual)
INDULTO
(Indulto coletivo)
É um benefício concedido pelo Congresso
Nacional, com a sanção do Presidente da
República (art. 48, VIII, CF/88) por meio do qual
se “perdoa” a prática de um fato criminoso.
Normalmente incide sobre crimes políticos, mas
também pode abranger outras espécies de
delito.
Concedidos por Decreto do Presidente da
República. Apagam o efeito executório da
condenação.
A atribuição para conceder pode ser delegada
ao(s):
• Procurador Geral da República
• Advogado Geral da União
• Ministros de Estado
É concedida por meio de uma lei federal
ordinária.
Concedidos por meio de um Decreto.
Pode ser concedida:
• antes do trânsito em julgado (anistia própria)
• depois do trânsito em julgado (anistia
imprópria)
Tradicionalmente, a doutrina afirma que tais
benefícios só podem ser concedidos após o
trânsito em julgado da condenação. Esse
entendimento, no entanto, está cada dia mais
superado, considerando que o indulto natalino,
por exemplo, permite que seja concedido o
benefício desde que tenha havido o trânsito em
julgado para a acusação ou quando o MP
recorreu, mas não para agravar a pena imposta
(art. 5º, I e II, do Decreto 7.873/2012).
Extingue os efeitos penais (principais e
secundários) do crime.
Os efeitos de natureza civil permanecem
íntegros.
Só extinguem o efeito principal do crime (a pena).
Os efeitos penais secundários e os efeitos de
natureza civil permanecem íntegros.
O réu condenado que foi anistiado, se cometer
novo crime não será reincidente.
O réu condenado que foi beneficiado por graça
ou indulto se cometer novo crime será reincidente.
PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO EXECUTÓRIA
Perda do direito de punir.
Perda do direito de executar a punição já
imposta.
Ocorre antes do trânsito em julgado. Ocorre após o trânsito em julgado.
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44 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
Impede qualquer efeito de eventual condenação
(penais ou extrapenais).
Impede somente a execução da pena (os demais
efeitos penais e extrapenais permanecem).
Exemplo: impede a execução da pena, mas não
impede a reincidência.
Divide-se em quatro espécies:
a) Em abstrato (P.P.P.A) – art. 109, CP;
b) Retroativa (P.P.P.R) – art. 110, §1º, CP;
c) Superveniente (P.P.P.S) – art. 110, §1º, CP;
d) Virtual ou antecipada ou em perspectiva
(P.P.P.V) – não tem previsão legal, sendo
rechaçada pelos Tribunais Superiores.
Única forma.
ESPÉCIES DE PPP
ENQUANTO NÃO TRANSITAR
EM JULGADO A SENTENÇA
(ART. 109, CP)
Prescrição em abstrato
Pena em abstrato
APÓS O TRÂNSITO EM
JULGADO DA SENTENÇA
(ART. 110, CP)
Pena em concreto
Prescrição
retroativa
Conta-se da publicação da sentença
condenatória para trás e pressupõe trânsito em
julgado para a acusação.
Prescrição
superveniente
Conta-se da publicação da sentença
condenatória para frente e pressupõe trânsito
em julgado para a acusação.
CAUSAS INTERRUPTIVAS DA PRESCRIÇÃO: art. 117, CP.
a) Recebimento da Denúncia ou Queixa: se a denúncia for recebida por juiz de 1º grau,
interrompe-se com a publicação do despacho que a recebeu. Se for recebida por Tribunal, aí se conta
da sessão do julgamento do recurso (Súmula 709, STF). Se proferida por juiz incompetente, não tem o
condão de interromper.
#DEOLHONASÚMULASÚMULA 709, STF: Salvo quando nula a decisão de primeiro grau, o acórdão que provê o recurso contra
a rejeição da denúncia vale, desde logo, pelo recebimento dela.
#FOCANAJURISPRUDÊNCIA:
O recebimento da denúncia por magistrado absolutamente incompetente não interrompe a
prescrição penal, uma vez que o referido ato processual é NULO, não passível de convalidação (CP, art.
117, I) - INFO 626, STF.
Tratando-se de incompetência relativa, o exame da prescrição da pretensão punitiva deve
considerar o recebimento da denúncia realizado pelo Juízo incompetente, e não a convalidação posterior
do Juízo que detém competência territorial, uma vez que este último ato possui natureza declarativa,
prestando-se unicamente a confirmar a validade do primeiro. Em outros termos: pelo princípio da
convalidação, o recebimento da denúncia por parte de Juízo territorialmente incompetente tem o condão
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45 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
de interromper o prazo prescricional (STJ - RECURSO ORDINARIO EM HABEAS CORPUS RHC 40514 MG
2013/0294693-6 (STJ), 2014).
b) Pronúncia: conta-se da publicação da sentença de pronúncia. Se o juiz de 1º grau impronunciou
e a acusação recorreu, conta-se da sessão do julgamento que pronunciou o agente.
#DEOLHONASÚMULA:
SÚMULA 191 DO STJ: A pronúncia é causa interruptiva da prescrição, ainda que o Tribunal do Júri venha
a desclassificar o crime.
c) Decisão confirmatória da pronúncia: houve recurso e o Tribunal confirmou os termos da
pronúncia. Conta-se da sessão de julgamento.
d) Publicação da Sentença ou Acórdão Condenatório Recorrível: no caso da sentença, conta-se
da publicação da sentença condenatória e no caso de acórdão conta da sessão de julgamento (e não da
data da veiculação no DO ou outro meio de comunicação congênere).
#ATENÇÃO: O acórdão só é condenatório se a sentença for absolutória. Se o acórdão confirma a
condenação ou altera a pena, não interrompe a prescrição.
CAUSAS SUSPENSIVAS DA PRESCRIÇÃO:
• Questões prejudiciais: do art. 92 e ss., CPP;
• Suspensão do processo parlamentar: art. 53, § 3º a 5º, CF;
• Suspensão condicional da pena: art. 77, CP (STJ);
• Suspensão condicional do processo: art. 88, § 6º, Lei 9.099/95;
• Réu revel citado por edital: art. 366, CPP.
REDUÇÃO PELA METADE DA PPP: a) menos de 21 anos, ao tempo do crime; b) maior de 70
anos, ao tempo da sentença.
#DEOLHONAJURIS:
Para que incida a redução do prazo prescricional prevista no art. 115 do CP, é necessário que, no
momento da sentença, o condenado possua mais de 70 anos. Se ele só completou a idade após a
sentença, não terá direito ao benefício, mesmo que isso tenha ocorrido antes do julgamento de apelação
interposta contra a sentença. Existe, no entanto, uma situação em que o condenado será beneficiado
pela redução do art. 115 do CP mesmo tendo completado 70 anos após a "sentença" (sentença ou
acórdão condenatório): isso ocorre quando o condenado opõe embargos de declaração contra a
sentença/acórdão condenatórios e esses embargos são conhecidos. Nesse caso, o prazo prescricional
será reduzido pela metade se o réu completar 70 anos até a data do julgamento dos embargos. Nesse
sentido: STF. Plenário. AP 516 ED/DF, rel. orig. Min. Ayres Britto, red. p/ o acórdão Min. Luiz Fux, julgado
em 5/12/2013 (Info 731). STF. 2ª Turma. HC 129696/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 19/4/2016 (Info
822).
No caso de crimes conexos que sejam objeto do mesmo processo, havendo sentença condenatória para
um dos crimes e acórdão condenatório para o outro delito, tem-se que a prescrição da pretensão punitiva
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de ambos é interrompida a cada provimento jurisdicional (art. 117, § 1º, do CP). STJ. 5ª Turma. RHC 40177-
PR, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 25/8/2015 (Info 568).
#SÚMULAS
STJ:
Súmula 191 - A pronúncia é causa interruptiva da prescrição, ainda que o Tribunal do Júri venha a
desclassificar o crime.
Súmula 220 - A reincidência não influi no prazo da prescrição da pretensão punitiva.
Súmula 415 - O período de suspensão do prazo prescricional é regulado pelo máximo da pena cominada.
Súmula 338 - A prescrição penal é aplicável nas medidas socioeducativas.
Súmula 415 - O período de suspensão do prazo prescricional é regulado pelo máximo da pena cominada.
Súmula 438 - É inadmissível a extinção da punibilidade pela prescrição da pretensão punitiva com
fundamento em pena hipotética, independentemente da existência ou sorte do processo penal.
STF:
Súmula Nº 497: Quando se tratar de crime continuado, a prescrição regula-se pela pena imposta na
sentença, não se computando o acréscimo decorrente da continuação.
Súmula nº 592: Nos crimes falimentares, aplicam-se as causas interruptivas da prescrição, previstas no
código penal.
23 Crimes contra a pessoa.
HOMICÍDIO (ART. 121, CP):
HOMICÍDIO
SIMPLES
Em regra, não é crime hediondo, salvo quando praticado em atividade de grupo
de extermínio, ainda que por só um agente (art. 1º, I, 1ª parte, Lei nº 8.072/90).
HOMICÍDIO
PRIVILEGIADO
O homicídio é privilegiado quando o agente comete o crime impelido por motivo
de relevante valor social ou moral, ou sob o domínio de violenta emoção, logo em
seguida a injusta provocação da vítima. Nesse caso, o juiz pode reduzir a pena de
um sexto a um terço. As hipóteses legais do privilégio apresentam caráter
subjetivo.
#NÃOESQUECER: são de natureza objetiva, portanto admitem o homicídio
privilegiado-qualificado, as hipóteses do art. 121, §2º, III e IV, (referentes aos meios
e modos de execução), com exceção da traição.
As demais qualificadoras, nos demais incisos, são de natureza subjetiva.
#MEMORIZAR as objetivas, por exclusão (já que são em menor quantidade).
#ATENÇÃO: O homicídio privilegiado não é crime hediondo por ausência de
previsão legal. Lembrem que o rol dos crimes hediondos é um rol taxativo.
#CONCURSO DE AGENTES: em caso de concurso de agentes as causas
privilegiadas não se comunicam, uma vez que são circunstâncias subjetivas do
crime (e não elementares). Art. 30, CP.
HOMICÍDIO
QUALIFICADO
✓ MOTIVO TORPE = motivo vil, repugnante. Ex.: matar um parente para ficar
com sua herança.
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✓ MOTIVO FÚTIL = insignificante, desproporcional à natureza do crime
praticado. Ex.: Concurseiro mata dono da salinha de estudo porque fechou o
estabelecimento mais cedo do que o previsto. #NãoFaçaIssoJamais
#VaiReprovarNoPsicotécnico #EAindaVaiPraCadeia (Rsrsrs).
Obs.: a ausência de motivo não se equipara a motivo fútil.
✓ MEIO INSIDIOSO: agente usa de fraude para cometer crime sem que a vítima
perceba. Ex.: agente retira óleo do carro da vítima para lhe causar acidente fatal.
✓ MEIO CRUEL: é aquele que proporciona à vítima um intenso (e
desnecessário) sofrimento físico ou mental quando a morte poderia ser ocasionada
de forma menos dolorosa.
✓ TORTURA: o agente usa da tortura como meio para conseguir a morte da
vítima, ou seja, trata-se de morte dolosa. Vai responder por crime de homicídio
qualificado.
OBS: TORTURA COM RESULTADO MORTE (art. 1º, §3º, Lei nº 9.455/97): crime
essencialmente preterdoloso. O agente tem o dolo de torturar a vítima e, por
excesso, finda por causar-lhe a morte, culposamente.
✓ TRAIÇÃO: é o ataque desleal, repentino e inesperado. Ex.: atirar na vítima
pelas costas.
✓ EMBOSCADA: pressupõe o ocultamento do agente, que ataca a vítima com
surpresa. Ex.: o agente, escondido no jardim de entrada da casa da vítima, a ataca
quando esta chegava do serviço.
✓ DISSIMULAÇÃO: fingimento, disfarçando o agente a sua intenção criminosa.
Ex.: o agente convida a vítima para jantar, levando-a para lugar ermo onde ocorre
o ataquefatal.
✓ OUTRO RECURSO QUE DIFICULTE OU TORNE IMPOSSÍVEL A DEFESA DO
OFENDIDO: trata-se de caso clássico de interpretação analógica.
FEMINICÍDIO
✓ Trata-se de figura qualificada no homicídio doloso, de competência do
Tribunal do Júri e considerada crime hediondo (art. 121, §2º, VI, CP c/c art. 1º, I, Lei
nº 8.072/90).
#JURIS: Recentemente, o STJ decidiu que a qualificadora do feminicídio é de
natureza objetiva.
HOMICÍDIO
FUNCIONAL
✓ A Lei nº 13.142/2015 alterou o Código Penal com escopo de criar uma nova
qualificadora ao crime de homicídio.
✓ Considera-se homicídio funcional quando o agente passivo for autoridade
ou agente descrito nos artigos 142 e 144 da Constituição Federal, integrantes do
sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no exercício da função
ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente
consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa condição.
#SELIGA: houve também alteração na Lei nº 8.072/ 1990, tornando o homicídio
funcional espécie de crime hediondo.
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HOMICÍDIO
CULPOSO
✓ É possível a aplicação do perdão judicial nos casos de homicídio culposo.
Trata-se de causa de extinção da punibilidade (art. 107, IX, CP).
#DEOLHONASÚMULA:
Súmula 18, STJ: A sentença concessiva do perdão judicial é declaratória da extinção
da punibilidade, não subsistindo qualquer efeito condenatório.
✓ HOMICÍDIO CULPOSO NO TRÂNSITO: deveremos aplicar o art. 302, CTB.
PRINCIPAIS JULGADOS SOBRE OS CRIMES CONTRA A VIDA #AJUDAMARCINHO
STF INFO 849 - A interrupção da gravidez no primeiro trimestre da gestação provocada pela própria
gestante (art. 124) ou com o seu consentimento (art. 126) não e ́crime. E ́preciso conferir interpretação
conforme a Constituição aos arts. 124 a 126 do Código Penal – que tipificam o crime de aborto – para
excluir do seu âmbito de incidência a interrupção voluntária da gestação efetivada no primeiro trimestre.
A criminalização, nessa hipótese, viola diversos direitos fundamentais da mulher, bem como o princípio
da proporcionalidade. STF. 1a Turma. HC 124306/RJ, rel. orig. Min. Marco Aurélio. julgado em 29/11/2016
(Info 849)
HOMICÍDIO QUALIFICADO X DOLO EVENTUAL:A qualificadora do motivo fútil (art. 121, § 2º, II, do CP) é
compatível com o homicídio praticado com dolo eventual? SIM. O fato de o réu ter assumido o risco de
produzir o resultado morte (dolo eventual), não exclui a possibilidade de o crime ter sido praticado por
motivo fútil, uma vez que o dolo do agente, direto ou indireto, não se confunde com o motivo que
ensejou a conduta. STJ. 5ª Turma. REsp 912.904/SP, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 06/03/2012. STJ. 6ª
Turma. REsp 1601276/RJ, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 13/06/2017
Não incide a qualificadora de motivo fútil (art. 121, § 2º, II, do CP), na hipótese de homicídio supostamente
praticado por agente que disputava "racha", quando o veículo por ele conduzido - em razão de choque
com outro automóvel também participante do "racha" - tenha atingido o veículo da vítima, terceiro
estranho à disputa automobilística. Motivo fútil corresponde a uma reação desproporcional do agente a
uma ação ou omissão da vítima. No caso de "racha", tendo em conta que a vítima (acidente
automobilístico) era um terceiro, estranho à disputa, não é possível considerar a presença da qualificadora
de motivo fútil, tendo em vista que não houve uma reação do agente a uma ação ou omissão da vítima
(INFO 583 DO STJ).
No homicídio culposo, a pena é aumentada de 1/3 se o agente deixa de prestar imediato socorro à vítima,
não procura diminuir as consequências do seu ato, ou foge para evitar prisão em flagrante (§ 4º do art.
121 do CP). Se a vítima tiver morte instantânea, tal circunstância, por si só, é suficiente para afastar a causa
de aumento de pena prevista no § 4º do art. 121? NÃO. No homicídio culposo, a morte instantânea da
vítima não afasta a causa de aumento de pena prevista no art. 121, § 4º, do CP, a não ser que o óbito
seja evidente, isto é, perceptível por qualquer pessoa (INFO 554 DO STJ).
LESÃO CORPORAL GRAVE LESÃO CORPORAL GRAVÍSSIMA
I - Incapacidade para as ocupações habituais,
por mais de trinta dias;
I - Incapacidade permanente para o trabalho;
II - perigo de vida; II - enfermidade incurável;
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49 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
III - debilidade permanente de membro, sentido
ou função;
III - perda ou inutilização do membro, sentido
ou função;
IV - deformidade permanente;
IV - aceleração de parto: V - aborto:
Pena - reclusão, de um a cinco anos. Pena - reclusão, de dois a oito anos
#VAIMARCINHO: A qualificadora “deformidade permanente” do crime de lesão corporal (art. 129, § 2º,
IV, do CP) não é afastada por posterior cirurgia estética reparadora que elimine ou minimize a
deformidade na vítima (INFO 562 do STJ).
A qualificadora prevista no § 9º do art. 129 do CP aplica-se também às lesões corporais cometidas contra
HOMEM no âmbito das relações domésticas (INFO 501 do STJ).
24 Crimes contra o patrimônio.
FURTO (ART. 155, CP):
Repouso Noturno: a causa de aumento de pena do repouso noturno pode ser aplicada tanto para o
furto simples como para o furto qualificado.
#AJUDAMARCINHO:
É legítima a incidência da causa de aumento de pena por crime cometido durante o repouso noturno
(art. 155, §1º) no caso de furto praticado na forma qualificada (art. 155, §4º). Não existe nenhuma
incompatibilidade entre a majorante prevista no § 1º e as qualificadoras do §4º. São circunstâncias
diversas, que incidem em momentos diferentes da aplicação da pena. Assim, é possível que o agente seja
condenado por furto qualificado (§ 4º) e, na terceira fase da dosimetria, o juiz aumente a pena em 1/3 se
a subtração ocorreu durante o repouso noturno. A posição topográfica do §1º (vem antes do §4º) não é
fator que impede a sua aplicação para as situações de furto qualificado (§ 4º) - (Info 851-STF).
#DEOLHONASSÚMULAS:
Súmula 511-STJ (furto privilegiado-qualificado ou furto híbrido): É possível o reconhecimento do privilégio
previsto no § 2º do art. 155 do CP nos casos de crime de furto qualificado, se estiverem presentes a
primariedade do agente, o pequeno valor da coisa e a qualificadora for de ordem objetiva.
Súmula 567-STJ (idoneidade relativa do meio – não se aplica o crime impossível): Sistema de vigilância
realizado por monitoramento eletrônico ou por existência de segurança no interior de estabelecimento
comercial, por si só, não torna impossível a configuração do crime de furto.
#SELIGANATABELA:
REQUISITOS DO FURTO PRIVILEGIADO
Primariedade do agente Pequeno valor da coisa furtada
O agente (criminoso) deve ser primário.
Primário é o indivíduo que não é reincidente,
nos termos do art. 63 do CP.
Segundo a jurisprudência, para os fins do § 2º
do art. 155, coisa de pequeno valor é aquela
cujo preço, no momento do crime, não seja
superior a 1 salário-mínimo.
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Furto Privilegiado X Pequeno Valor: o STJ consolidou entendimento no tocante ao conceito de
pequeno valor, a saber, quando não suplantar 1 (um) salário mínimo. Vale lembrar quer o juiz não fica
radicalmente adstrito a esse patamar, caso consiga justificar no caso concreto outro valor. De acordo
com o STJ, não se trata de um teto máximo e intransponível.
Furto Privilegiado X Pequeno Valor X De Crime Continuado: Nos casos de continuidade delitiva,
o valor a ser considerado para fins de concessão do privilégio (artigo 155, § 2º do CP) ou do
reconhecimento da insignificância é a soma dos bens subtraídos.
#NÃOCONFUNDIR: Para efeito da aplicação do princípio da bagatela, é imprescindível a distinção entre
valorinsignificante e pequeno valor, uma vez que o primeiro exclui o crime e o segundo pode
caracterizar o furto privilegiado.
PEQUENO VALOR VALOR INSIGNIFICANTE
Quando não suplantar 1 (um) salário mínimo.
Analisar caso concreto.
- Mínima ofensividade da conduta;
- Ausência de periculosidade;
- Reduzido grau de reprovabilidade do
comportamento;
- Inexpressividade da lesão jurídica.
Requisito subjetivo: importância do bem para a
vítima.
FURTO PRIVILEGIADO
CAUSA DE EXCLUSÃO DA TIPICIDADE
MATERIAL
Consumação do Furto: Consuma-se o crime de furto com a inversão da posse do bem, ainda
que por breve tempo, seguida de perseguição imediata do agente ou recuperação da coisa roubada,
sendo prescindível a posse mansa e pacífica ou desvigiada (STF e STJ). TEORIA DA AMOTIO ou
APPREHENSIO.
Furto Qualificado: as qualificadoras do art. 155, §4º, CP dizem respeito ao modo de execução do
agente.
Com destruição ou
rompimento de obstáculo à
subtração da coisa
- Destruição: comportamento que faz desaparecer. Ex.: explosivos em
caixas eletrônicos.
- Rompimento: é o ato de deteriorar. Ex.: abrir um cofre com barra de
ferro.
Com abuso de confiança,
ou mediante fraude,
escalada ou destreza.
- Abuso de confiança: tem que ter relação de confiança (ex.:
empregado que já trabalha há anos com a vítima). Não basta a mera
alegação de que o agente trabalhava na empresa. É preciso se provar
que a vítima depositou confiança no agente.
- Mediante fraude: furto qualificado pela fraude (#NÃOCONFUNDIR
com o estelionato!).
- Mediante destreza: presença de uma habilidade excepcional, desde
que não seja descoberto no ato da conduta delitiva. Assim, o
CPF: 008.374.135-67 ALUNO: Luciana Nascimento Pereira
51 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
magistrado apenas poderá acatar o furto qualificado pela destreza
quando o agente tenha excepcional habilidade em retirar o bem da
vítima sem que ela se aperceba (punguista) – STJ (INFO 554).
Com emprego de chave
falsa.
- O conceito de chave falsa abrange todo o instrumento, com ou sem
forma de chave, utilizado como dispositivo para abrir fechadura,
incluindo mixas (STJ, HC n. 101.495/MG, Rel. Min. NAPOLEÃO NUNES
MAIA FILHO, DJe 25/8/2008).
Mediante concurso de duas
ou mais pessoas.
- Partícipes são computados, inclusive o inimputável.
#DEOLHONASÚMULA:
SÚMULA 442, STJ: É inadmissível aplicar, no furto qualificado, pelo concurso de agentes, a majorante do
roubo.
#NOVIDADESSLEGISLATIVAS:
Art. 155, CP.
§ 4º-A. A pena é de reclusão de 4 (quatro) a 10 (dez) anos e multa, se houver emprego de explosivo ou de
artefato análogo que cause perigo comum. (Incluído pela Lei nº 13.654, de 2018)
§ 7º. A pena é de reclusão de 4 (quatro) a 10 (dez) anos e multa, se a subtração for de substâncias
explosivas ou de acessórios que, conjunta ou isoladamente, possibilitem sua fabricação, montagem ou
emprego. (Incluído pela Lei nº 13.654, de 2018)
ROUBO (ART. 157, CP):
ROUBO PRÓPRIO
ART. 157, “caput”, CP.
ROUBO IMPRÓPRIO
ART. 157, §1º, CP.
A grave ameaça ou a violência é empregada
antes ou durante a subtração a fim de que o
agente possa alcançar a subtração do bem.
A grave ameaça ou a violência é empregada
após a subtração a fim de assegurar impunidade
do crime ou a detenção da coisa.
#DEOLHONASÚMULA:
Súmula 582-STJ: Consuma-se o crime de roubo com a inversão da posse do bem, mediante emprego
de violência ou grave ameaça, ainda que por breve tempo e em seguida a perseguição imediata ao
agente e recuperação da coisa roubada, sendo prescindível a posse mansa e pacífica ou desvigiada.
#NOVIDADESSLEGISLATIVAS #AJUDAMARCINHO:
A Lei nº 13.654/2018 acrescentou uma nova hipótese de roubo majorado no inciso VI.
Art. 157, CP.
§ 2º A pena aumenta-se de 1/3 (um terço) até metade: (Redação dada pela Lei nº 13.654, de 2018)
(...)
VI – se a subtração for de substâncias explosivas ou de acessórios que, conjunta ou isoladamente,
possibilitem sua fabricação, montagem ou emprego. (Incluído pela Lei nº 13.654, de 2018)
CPF: 008.374.135-67 ALUNO: Luciana Nascimento Pereira
52 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
A mesma lei acrescentou um novo parágrafo ao art. 157 prevendo duas novas hipóteses de roubo
circunstanciado, com pena maior.
Art. 157 (...)
§ 2º-A. A pena aumenta-se de 2/3 (dois terços): (Incluído pela Lei nº 13.654, de 2018)
I – se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma de fogo; (Incluído pela Lei nº 13.654, de
2018) II – se há destruição ou rompimento de obstáculo mediante o emprego de explosivo ou de artefato
análogo que cause perigo comum. (Incluído pela Lei nº 13.654, de 2018)
Além disso, foi alterada a redação do § 3º do art. 157 do Código Penal. Duas mudanças foram
verificadas:
1) melhorou a redação dividindo os dois tipos penais em incisos diferentes.
2) aumentou a pena do roubo com resultado lesão corporal grave. Antes era de 7 a 15 anos. Agora é de
7 a 18 anos. Neste ponto, a Lei nº 13.654/2018 é mais gravosa e, portanto, irretroativa.
Art. 157 (...) § 3º Se da violência resulta: (Redação dada pela Lei nº 13.654, de 2018)
I – lesão corporal grave, a pena é de reclusão de 7 (sete) a 18 (dezoito) anos, e multa; (Incluído pela Lei
nº 13.654, de 2018)
II – morte, a pena é de reclusão de 20 (vinte) a 30 (trinta) anos, e multa. (Incluído pela Lei nº 13.654, de
2018)
#ESQUEMATIZANDO:
ROUBO MEDIANTE EMPREGO DE ARMA
Antes da Lei 13.654/2018 Depois da Lei 13.654/2018 (atualmente)
Tanto a arma de fogo como a arma branca
eram causas de aumento de pena.
Apenas o emprego de arma de fogo é causa de
aumento de pena.
O emprego de arma branca não é causa de
aumento de pena.
O emprego de arma (seja de fogo, seja branca)
era punido com um aumento de 1/3 a 1/2 da
pena.
O emprego de arma de fogo é punido com um
aumento de 2/3 da pena.
ROUBO MEDIANTE EMPREGO DE ARMA
Antes da Lei 13.654/2018 Atualmente
Arma de
FOGO
Era causa de aumento de pena
A pena aumentava de 1/3 a 1/2.
Continua sendo causa de aumento de pena.
Mas agora a pena aumenta 2/3.
Arma
BRANCA
Era causa de aumento de pena.
A pena aumentava de 1/3 a 1/2.
Deixou de ser causa de aumento de pena.
A Lei 13.654/2018 é mais benéfica e irá
retroagir neste ponto.
#DEOLHONAJURIS:
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53 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
O emprego de arma branca deixou de ser majorante do crime de roubo, com a modificação operada
pela Lei nº 13.654/2018, que revogou o inciso I do § 2º do art. 157 do Código Penal. Diante disso, constata-
se que houve abolitio criminis devendo a Lei nº 13.654/2018 ser aplicada retroativamente para excluir a
referida causa de aumento da pena imposto aos réus condenados por roubo majorado pelo emprego
de arma branca. Trata-se da aplicação da novatio legis in mellius prevista no art. 5º, XL, da Constituição
Federal. STJ. 5ª Turma. REsp 1519860/RJ, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 17/05/2018.
Não há continuidade delitiva entre os crimes de roubo e extorsão, ainda que praticados em conjunto.
Isso porque, os referidos crimes, apesar de serem da mesma natureza, são de espécies diversas. STJ. 5ª
Turma. HC 435.792/SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 24/05/2018. STF. 1ª Turma. HC 114667/SP,
rel. org. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado em 24/4/2018 (Info 899).
#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA
FURTO. É legítima a incidência da causa de aumento de pena por crime cometido durante o repouso
noturno (art. 155, § 1º) no caso de furto praticado na forma qualificada (art. 155, § 4º). Não existe nenhuma
incompatibilidade entre a majorante prevista no § 1º e as qualificadoras do § 4º. São circunstâncias
diversas, que incidem em momentos diferentes da aplicação da pena. Assim, é possível que o agente seja
condenado por furto qualificado (§ 4º) e, na terceirafase da dosimetria, o juiz aumente a pena em 1/3 se
a subtração ocorreu durante o repouso noturno. A posição topográfica do § 1º (vem antes do § 4º) não
é fator que impede a sua aplicação para as situações de furto qualificado (§ 4º). STF. julgado em
13/12/2016 (Info 851). STJ, julgado em 4/12/2014 (Info 554).
LATROCÍNIO. Carlos e Luiza estão entrando no carro quando são rendidos por João, assaltante armado,
que deseja subtrair o veículo. Carlos acaba reagindo e João atira contra ele e Luiza, matando o casal.
João foge levando o carro. Haverá dois crimes de latrocínio em concurso formal ou um único crime de
latrocínio? STJ: concurso formal impróprio. STF e doutrina majoritária: um único crime de latrocínio. STJ,
julgado em 17/11/2015. STF, julgado em 21/2/2017 (Info 855). #IMPORTANTE!
LATROCÍNIO. Aquele que se associa a comparsa para a prática de roubo, sobrevindo a morte da vítima,
responde pelo crime de latrocínio, ainda que não tenha sido o autor do disparo fatal ou que sua
participação se revele de menor importância. Ex: João e Pedro combinaram de roubar um carro utilizando
arma de fogo. Eles abordaram, então, Ricardo e Maria quando o casal entrava no veículo que estava
estacionado. Os assaltantes levaram as vítimas para um barraco no morro. Pedro ficou responsável por
vigiar o casal no cativeiro enquanto João realizaria outros crimes utilizando o carro subtraído. Depois de
João ter saído, Ricardo e Maria tentaram fugir e Pedro atirou nas vítimas, que acabaram morrendo. João
pretendia responder apenas por roubo majorado (art. 157, § 2º, I e II) alegando que não participou nem
queria a morte das vítimas, devendo, portanto, ser aplicado o art. 29, § 2º do CP. O STF, contudo, não
acatou a tese. Isso porque João assumiu o risco de produzir resultado mais grave, ciente de que atuava
em crime de roubo, no qual as vítimas foram mantidas em cárcere sob a mira de arma de fogo. STF,
julgado em 21/2/2017 (Info 855). #IMPORTANTE
EXTORSÃO. O crime de extorsão consiste em "Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça,
e com o intuito de obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que se
faça ou deixar fazer alguma coisa" (art. 158 do CP). A ameaça de causar um "mal espiritual" contra a
vítima pode ser considerada como "grave ameaça" para fins de configuração do crime de extorsão? SIM.
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54 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
Configura o delito de extorsão (art. 158 do CP) a conduta do agente que submete vítima à grave ameaça
espiritual que se revelou idônea a atemorizá-la e compeli-la a realizar o pagamento de vantagem
econômica indevida. STJ, julgado em 14/2/2017 (Info 598)
#DEOLHONASÚMULA:
SÚMULA 567 DO STJ: Sistema de vigilância realizado por monitoramento eletrônico ou por existência de
segurança no interior de estabelecimento comercial, por si só, não torna impossível a configuração do
crime de furto.
SÚMULA 610 DO STF: Há crime de latrocínio, quando o homicídio se consuma, ainda que não realize o
agente a subtração de bens da vítima.
SÚMULA 96 DO STJ: O crime de extorsão consuma-se independentemente da obtenção da vantagem
indevida.
OBSERVAÇÕES IMPORTANTES:
#ATENÇÃO CONSUMAÇÃO E TENTATIVA PARA OS DELITOS DE FURTO E ROUBO: Os Tribunais
Superiores adotam a teoria da amotio, também adotada no delito de roubo, segundo a qual o crime está
consumado com a posse de fato da res furtiva, ainda que por breve espaço de tempo e seguida de
perseguição ao agente, sendo prescindível a posse mansa e pacífica ou desvigiada (STJ, 3ª Seção, Recurso
Repetitivo, REsp 1524450, 14/10/2015).
SÚMULA 582 DO STJ: Consuma-se o crime de roubo com a inversão da posse do bem, mediante
emprego de violência ou grave ameaça, ainda que por breve tempo e em seguida a perseguição imediata
ao agente e recuperação da coisa roubada, sendo prescindível a posse mansa e pacífica ou desvigiada.
FURTO MAJORADO: A causa de aumento de pena do repouso noturno pode ser aplicada tanto para o
furto simples como para o furto qualificado.
FURTO PRIVILEGIADO: § 2º - Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor a coisa furtada, o juiz pode
substituir a pena de reclusão pela de detenção, diminuí-la de um a dois terços, ou aplicar somente a
pena de multa.
#DECORE SÚMULA 511 DO STJ: É possível o reconhecimento do privilégio previsto no § 2º do art. 155 do
CP nos casos de crime de furto qualificado, se estiverem presentes a primariedade do agente, o pequeno
valor da coisa e a qualificadora for de ordem objetiva
#SELIGANADIFERENÇA
FURTO MEDIANTE FRAUDE ESTELIONATO
Fraude é utilizada pelo agente com o fim de
burlar a vigilância da vítima que, desatenta, tem
seu bem subtraído sem que perceba.
Fraude é usada como meio de obter o
consentimento da vítima que, iludida, entrega
voluntariamente o bem ao agente.
ROUBO PRÓPRIO ROUBO IMPRÓPRIO
A grave ameaça ou a violência é empregada antes
ou durante a subtração a fim de que o agente
possa alcançar a subtração do bem.
A grave ameaça ou a violência é empregada logo
após a subtração a fim de assegurar impunidade
do crime ou a detenção da coisa.
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55 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
ROUBO E CONCURSO DE CRIMES
UMA VÍTIMA E
PATRIMÔNIOS
DIVERSOS
Reconhecimento de crime único, diante da evidência de que embora
subtraídos patrimônios distintos, os mesmos estavam sob os cuidados de
uma única pessoa, que sofreu a violência ou grave ameaça (STJ, 2014).
MAIS DE UMA VÍTIMA E
PATRIMÔNIOS
DIVERSOS
Ainda que no mesmo contexto fático, mediante uma só ação praticada
contra vítimas diferentes, configura-se concurso formal de crimes, visto
que violados patrimônios distintos (STJ, 2016).
MAIS DE UMA VÍTIMA E
PATRIMÔNIO ÚNICO
Se a intenção do agente é direcionada à subtração de um único
patrimônio, estará configurado crime único, ainda que no modus operandi
seja utilizada violência ou grave ameaça contra mais de uma pessoa (STJ,
2015).
MAJORANTE DO EMPREGO DE ARMA DE FOGO
ARMA COM DEFEITO
Absolutamente ineficaz: não caracteriza a causa de aumento de pena
(roubo circunstanciado), mas pode configurar o roubo simples (art. 157,
“caput”, CP).
Relativamente ineficaz: incide a causa de aumento.
ARMA DESMUNICIADA
Apesar de constituir-se um meio relativamente ineficaz (o que permitiria
a causa de aumento de pena), o STJ entende que não incide a majorante,
caracterizando roubo simples.
ARMA DE BRINQUEDO
De acordo com o STF e o STJ, não incide a majorante, caracterizando-se
roubo simples.
CONCURSO MATERIAL
ENTRE ROUBO E
PORTE/POSSE DE
ARMA DE FOGO
Se após o contexto fático o agente é surpreendido portando ou na posse
de arma de fogo, após roubo cometido, vai responder por crime de roubo
circunstanciado c/c as penas do Estatuto do Desarmamento.
EXTORSÃO (ART. 158, CP):
EXTORSÃO ROUBO
O agente faz com que a vítima entregue a coisa.
Constranger #OLHEOVERBO.
O agente subtrai a coisa pretendida. Subtrair.
#OLHEOVERBO.
A colaboração da vítima é indispensável. A colaboração da vítima é dispensável.
A vantagem buscada pelo agente é
contemporânea ao constrangimento ou
posterior a ele.
A vantagem buscada é para agora.
Vantagem econômica indevida: bem móvel ou
imóvel.
Vantagem econômica indevida: somente bem
móvel.
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56 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
DANO (ART. 163, CP) e RECEPTAÇÃO (ART. 180, CP): A Lei nº 13.531/2017 promove alteração nas
qualificadoras dos crimes de dano (art. 163 do CP) e receptação (art. 180) envolvendo bens públicos.
Corrigiu essas duas falhas e incluiu o “Distrito Federal”, as “autarquias”, as “fundações” e as “empresas
públicas” no rol do inciso III do parágrafo único do art. 163 do CP. Compare:
Antes da Lei nº 13.531/2017 ATUALMENTEArt. 163 (...)
Parágrafo único. Se o crime é cometido:
III - contra o patrimônio da União, Estado,
Município, empresa concessionária de serviços
públicos ou sociedade de economia mista;
Art. 163 (...)
Parágrafo único. Se o crime é cometido:
III - contra o patrimônio da União, de Estado, do
Distrito Federal, de Município ou de autarquia,
fundação pública, empresa pública, sociedade
de economia mista ou empresa concessionária
de serviços públicos;
Antes da Lei nº 13.531/2017 ATUALMENTE
Art. 180 (...)
§ 6º Tratando-se de bens e instalações do
patrimônio da União, Estado, Município,
empresa concessionária de serviços públicos ou
sociedade de economia mista, a pena prevista
no caput deste artigo aplica-se em dobro.
Art. 180 (...)
§ 6º Tratando-se de bens do patrimônio da
União, de Estado, do Distrito Federal, de
Município ou de autarquia, fundação
pública, empresa pública, sociedade de
economia mista ou empresa concessionária de
serviços públicos, aplica-se em dobro a pena
prevista no caput deste artigo.
28 Crimes contra a dignidade sexual.
Súmula 593, STJ: “O crime de estupro de vulnerável se configura com a conjunção carnal ou prática de
ato libidinoso com menor de 14 anos, sendo irrelevante eventual consentimento da vítima para a prática
do ato, sua experiência sexual anterior ou existência de relacionamento amoroso com o agente.”
O STJ rechaçou totalmente a possibilidade de acolhimento da “Exceção de Romeu e Julieta.”
#SELIGANAJURIS
CRIMES CONTRA A DIGNIDADE SEXUAL. No caso de crimes contra a liberdade sexual (arts. 213 a 216-A)
e crimes sexuais contra vulnerável (arts. 217-A a 218-B), se o autor do delito for ascendente da vítima, a
pena deverá ser aumentada de metade (art. 226, II, do CP). O bisavô está incluído dentro dessa expressão
“ascendente”. O bisavô está no terceiro grau da linha reta e não há nenhuma regra de limitação quanto
ao número de gerações. Assim, se o bisavô pratica estupro de vulnerável contra sua bisneta, deverá
incidir a causa de aumento de pena prevista no art. 226, II, do CP. STF. 2ª Turma. RHC 138717/PR, Rel.
Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 23/5/2017 (Info 866).
ESTUPRO E ATENTADO VIOLENTO AO PUDOR: crime único ou concurso material? Para o STJ, caso as
condutas tenham sido praticadas contra a mesma vítima e no mesmo contexto fático, trata-se de crime
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57 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
único, pois é um tipo penal misto alternativo (e não cumulativo). Consequência: a lei nova é mais
favorável. Aplicação retroativa (INFO 543 DO STJ).
O agente abordou de forma violenta e sorrateira a vítima com a intenção de satisfazer sua lascívia, o que
ficou demonstrado por sua declarada intenção de "ficar" com a jovem – adolescente de 15 anos – e pela
ação de impingir-lhe, à força, um beijo, após ela ser derrubada ao solo e mantida subjugada pelo
agressor, que a imobilizou pressionando o joelho sobre seu abdômen. Tal conduta configura o delito do
art. 213, § 1º do CP. STJ. 6ª Turma. REsp 1611910-MT, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 11/10/2016
(Info 592).
O agente que passa as mãos nas coxas e seios da vítima menor de 14 anos, por dentro de sua roupa,
pratica, em tese, o crime de estupro de vulnerável (art. 217-A do CP). Não importa que não tenha havido
penetração vaginal (conjunção carnal). STF. 1ª Turma. RHC 133121/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red.
p/o acórdão Min. Edson Fachin julgado em 30/8/2016 (Info 837).
A conduta de contemplar lascivamente, sem contato físico, mediante pagamento, menor de 14 anos
desnuda em motel pode permitir a deflagração da ação penal para a apuração do delito de estupro de
vulnerável. Segundo a posição majoritária na doutrina, a simples contemplação lasciva já configura o “ato
libidinoso” descrito nos arts. 213 e 217-A do Código Penal, sendo irrelevante, para a consumação dos
delitos, que haja contato físico entre ofensor e ofendido. STJ. 5ª Turma. RHC 70976-MS, Rel. Min. Joel Ilan
Paciornik, julgado em 2/8/2016 (Info 587).
#APOSTACICLOS A Súmula 608 do STF permanece válida mesmo após o advento da Lei nº 12.015/2009.
Assim, em caso de estupro praticado mediante violência real, a ação penal é pública incondicionada. STF.
1ª Turma. HC 125360/RJ, rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em
27/2/2018 (Info 892).
Súmula 608-STF: No crime de estupro, praticado mediante violência real, a ação penal é pública
incondicionada.
#POLÊMICA AÇÃO PENAL E VULNERABILIDADE TRANSITÓRIA: Existe divergência entre as turmas do
STJ! O posicionamento da 5ª Turma é mais recente (agosto/2017) e se coaduna com a doutrina
majoritária.
#AJUDAMARCINHO
5ª TURMA: PÚBLICA INCONDICIONADA 6ª TURMA: CONDICIONADA A REPRESENTAÇÃO
Em casos de vulnerabilidade da ofendida, a ação
penal é pública incondicionada, nos moldes do
parágrafo único do art. 225 do CP.
Esse dispositivo não fez qualquer distinção entre a
vulnerabilidade temporária ou permanente, haja
vista que a condição de vulnerável é aferível no
momento do cometimento do crime, ocasião em
que há a prática dos atos executórios com vistas à
consumação do delito.
Em outras palavras, se a vulnerabilidade
permanente ou temporária, no caso de estupro de
A “pessoa vulnerável” de que trata o parágrafo
único do art. 225 do CP é somente aquela que
possui uma incapacidade permanente de oferecer
resistência à prática dos atos libidinosos.
Se a pessoa é incapaz de oferecer resistência
apenas na ocasião da ocorrência dos atos
libidinosos, ela não pode ser considerada
vulnerável para os fins do parágrafo único do art.
225, de forma que a ação penal permanece sendo
condicionada à representação da vítima. STJ. 6ª
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vulnerável a ação penal é sempre incondicionada.
STJ. 5ª Turma. HC 389.610/SP, Rel. Min. Felix
Fischer, julgado em 08/08/2017.
Turma. HC 276.510-RJ, Rel. Min. Sebastião Reis
Júnior, julgado em 11/11/2014 (Info 553).
#INOVAÇÃOLEGISLATIVA O crime de tráfico interno de pessoa para fim de exploração sexual foi
revogado pela Lei 13.344/2016, que criou o delito de tráfico de pessoas, que é bem mais amplo e abrange
diversas situações, tais como a remoção de órgão, submissão a trabalho condições análogas à de escravo
e adoção ilegal. Vale a pena ler o dispositivo que é rico em detalhes que podem ser explorados pelo
examinador!
#OLHAOGANCHO Apesar de não ser equiparado a hediondo, por expressa disposição legal, o crime de
tráfico de pessoas exige o cumprimento de 2/3 da pena para concessão de livramento condicional.
32 Crimes contra a fé pública.
FALSIDADE MATERIAL (Art. 297 e 298 do CP) FALSIDADE IDEOLÓGICA (Art. 299 do CP)
O documento possui vício em sua forma.
O documento não possui vício em sua forma
(refere-se ao conteúdo do documento).
O documento apresenta defeitos extrínsecos
(rasuras, novos dizeres, supressão de palavras).
Não há rasuras ou supressão de palavras no
documento. A pessoa que elabora o documento
possui legitimidade para isso.
É imprescindível a perícia. Em regra, não há necessidade de perícia.
FALSA IDENTIDADE (307 do CP) USO DE DOCUMENTO FALSO (304 do CP)
Consiste na simples atribuição de falsa
identidade, sem a utilização de documento falso.
Aqui há obrigatoriamente o uso do documento
falso
Ex. ao ser parado em uma blitz, o agente afirma
que seu nome é Pedro Silva, quando na verdade
é João Lima.
Ex. ao ser parado em uma blitz, o agente afirma
que seu nome é Pedro Silva e apresenta RG
falsificado com esse nome, quando na verdade é
João Lima.
#AJUDAMARCINHO #DEOLHONAJURIS
Inserir informação falsa em currículo Lattes não configura crime de falsidade ideológica. Não é típica a
conduta de inserir, em currículo Lattes, dado que não condizcom a realidade. Isso não configura falsidade
ideológica (art. 299 do CP) porque: 1) currículo Lattes não é considerado documento por ser eletrônico e
não ter assinatura digital; 2) currículo Lattes é passível de averiguação e, portanto, não é objeto material
de falsidade ideológica. Quando o documento é passível de averiguação, o STJ entende que não há
crime de falsidade ideológica mesmo que o agente tenha nele inserido informações falsas. STJ. 6ª Turma.
RHC 81451-RJ, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 22/8/2017 (Info 610).
Falsa declaração de hipossuficiência não configura falsidade ideológica (art. 299). É atípica a mera
declaração falsa de estado de pobreza realizada com o intuito de obter os benefícios da justiça gratuita.
A conduta de firmar ou usar declaração de pobreza falsa em juízo, com a finalidade de obter os benefícios
da gratuidade de justiça, não é crime, pois aludida manifestação não pode ser considerada documento
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para fins penais, já que é passível de comprovação posterior, seja por provocação da parte contrária seja
por aferição, de ofício, pelo magistrado da causa. STJ. 6ª Turma. HC 261074-MS, Rel. Min. Marilza
Maynard (Desembargadora convocada do TJ-SE), julgado em 5/8/2014 (Info 546).
Colocar fita na placa: crime do art. 311 do CP. A norma contida no art. 311 do Código Penal busca
resguardar a autenticidade dos sinais identificadores dos veículos automotores, sendo, pois, típica, a
simples conduta de alterar, com fita adesiva, a placa do automóvel, ainda que não caracterizada a
finalidade específica de fraudar a fé pública. Assim, a conduta de colocar uma fita adesiva ou isolante
para alterar o número ou as letras da placa do carro e, assim, evitar multas, pedágio, rodízio etc., configura
o delito do art. 311 do CP. STF. 2ª Turma. RHC 116371/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 13/8/2013
(Info 715). STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 1327888/SP, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 03/03/2015.
Desnecessidade de prova pericial para condenação por uso de documento falso (art. 304): É possível a
condenação pelo crime de uso de documento falso (art. 304 do CP) com fundamento em documentos e
testemunhos constantes do processo, acompanhados da confissão do acusado, sendo desnecessária a
prova pericial para a comprovação da materialidade do crime, especialmente se a defesa não requereu,
no momento oportuno, a realização do referido exame. O crime de uso de documento falso se consuma
com a simples utilização de documento comprovadamente falso, dada a sua natureza de delito formal.
STJ. 5ª Turma. HC 307586-SE, Rel. Min. Walter de Almeida Guilherme (Desembargador convocado do
TJ/SP), julgado em 25/11/2014 (Info 553).
O falso pode ser absorvido pelo descaminho, ainda que a pena da falsidade seja maior que do
descaminho (Info 587-STJ).
Súmula 522-STJ: A conduta de atribuir-se falsa identidade perante autoridade policial é típica, ainda que
em situação de alegada autodefesa. Aprovada em 25/03/2015, DJe 06/04/2015.
SÚMULA 546 DO STJ:A competência para processar e julgar o crime de uso de documento falso é firmada
em razão da entidade ou órgão ao qual foi apresentado o documento público, não importando a
qualificação do órgão expedidor.
SÚMULA 73 DO STJ:A utilização de papel moeda grosseiramente falsificado configura, em tese, o crime
de estelionato, da competência da Justiça Estadual.
33 Crimes contra a administração pública.
CRIME FUNCIONAL PRÓPRIO CRIME FUNCIONAL IMPRÓPRIO
Faltando a condição de servidor público, o fato
deixa de ser crime: ATIPICIDADE ABSOLUTA.
Faltando a condição de servidor público o fato
deixa de ser crime funcional, mas permanece
criminoso, ajustando-se a outro tipo incriminador:
ATIPICIDADE RELATIVA.
Empresa que comete ato equivalente ao delito de
prevaricação com seus funcionários não comete
crime.
Ex.: se não for peculato poderá ser furto.
OBSERVAÇÕES IMPORTANTES
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CONCEITO DE FUNCIONÁRIO PÚBLICO: Bastante amplo!! Basta o exercício temporário de uma função
pública, ainda que gratuita, para ser considerado funcionário público, a exemplo dos jurados no Tribunal
do Júri e dos mesários no dia das eleições.
#ATENÇÃO PROGRESSÃO DE REGIME X REPARAÇÃO DO DANO: O condenado por crime contra a
administração pública terá a progressão de regime do cumprimento da pena condicionada à reparação
do dano que causou, ou à devolução do produto do ilícito praticado, com os acréscimos legais (art. 33,
§4º, CP).
PECULATO
PECULATO
PRÓPRIO
PECULATO-APROPRIAÇÃO: o agente tem a posse do bem em virtude do cargo
e passa a agir como dono.
PECULATO-DESVIO: o agente tem a posse do bem em virtude do cargo e desvia
em proveito próprio ou de terceiro.
PECULATO
IMPRÓPRIO
PECULATO-FURTO: o agente não tem a posse do bem, mas se vale das facilidades
do cargo para subtrair ou concorrer para subtração.
PECULATO
CULPOSO
O agente não observa seu dever de cuidado e, por negligência, imprudência ou
imperícia, concorre para que outrem subtraia, desvie ou se aproprie do bem.
É infração de menor potencial ofensivo, admitindo transação penal e suspensão
condicional do processo.
#IMPORTANTE REPARAÇÃO DO DANO: No peculato culposo, se reparar até a
sentença irrecorrível, extingue a punibilidade; se após isso, reduz a pena pela
metade. No peculato doloso pode ser aplicado o instituto do arrependimento
posterior (artigo 16 do CP) ou a atenuante do art. 65, III, ‘b’ do CP.
PECULATO-
ESTELIONATO
O agente se apropria de dinheiro ou qualquer utilidade que, no exercício do
cargo, recebeu por erro de outrem.
PECULATO-
ELETRÔNICO
(313-A)
O funcionário insere ou facilita a inserção de dados falsos, altera ou exclui
indevidamente dados corretos nos sistemas informatizados ou banco de dados
da Administração Pública, com o fim de obter vantagem indevida para si ou para
outrem ou para causar dano.
CONCUSSÃO CORRUPÇÃO PASSIVA CORRUPÇÃO ATIVA
O funcionário público exige
vantagem indevida.
Funcionário público solicita,
recebe ou aceita vantagem
indevida.
Particular oferece ou promete
vantagem indevida a
funcionário público.
CONCUSSÃO E CORRUPÇÃO ATIVA: Segundo a jurisprudência, são incompatíveis esses crimes, isto é,
não é possível a existência concomitante de ambos. É que a vítima, ao entregar o dinheiro exigido no
crime de concussão, não pode ser considerada sujeito ativo do delito de corrupção ativa, pelo simples
fato de que a corrupção ativa pressupõe que o particular livremente ofereça ou prometa a vantagem, o
que não ocorre quando há primeiramente a prática do delito de concussão, pois o particular é
constrangido a entregar a vantagem.
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61 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
CORRUPÇÃO PASSIVA PRIVILEGIADA PREVARICAÇÃO
O agente viola o dever funcional cedendo a
pedido ou influência de outrem. Envolve a figura
do corruptor.
O agente viola o dever funcional para satisfazer
interesse ou sentimento pessoal, de modo que não
envolve um terceiro corruptor (não há pedido de
outrem).
RESISTÊNCIA DESOBEDIÊNCIA DESACATO
O agente se opõe ao ato legal
mediante violência ou ameaça
à pessoa
Basta que o agente descumpra
a ordem legal de forma pacífica,
sem violência ou ameaça.
Utilizar de palavras de
menosprezo para com o
funcionário público no exercício
da sua função ou em razão dela.
DENUNCIAÇÃO CALUNIOSA COMUNICAÇÃO FALSA DE
CRIME
AUTOACUSAÇÃO FALSA
Agente denuncia terceira
pessoa, sabendo da inocência.
Não há acusação contra pessoa
alguma
Agente denuncia a si mesmo
Crime ou contravenção penal,
nessa última reduz a pena pela
metade.
Crime ou contravenção penal. Apenas crime.
Súmula 599,STJ: “O princípio da insignificância é inaplicável aos crimes contra a administração pública.”
#DEOLHONAJURIS
Desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela continua a ser crime, conforme
previsto no art. 331 do Código Penal. STJ. 3a Seção. HC 379.269/MS, Rel. para acórdão Min. Antônio
Saldanha Palheiro, julgado em 24/05/2017.
O advogado que, por força de convênio celebrado com o Poder Público, atua de forma remunerada em
defesa dos hipossuficientes agraciados com o benefício da assistência judiciária gratuita, enquadra-se no
conceito de funcionário público para fins penais. Sendo equiparado a funcionário público, é possível que
responda por corrupção passiva (art. 317 do CP). STJ. 5ª Turma. HC 264459-SP, Rel. Min. Reynaldo Soares
da Fonseca, julgado em 10/3/2016 (Info 579).
O simples fato de o réu exercer mandato eletivo não é suficiente para a causa de aumento do art. 327, §
2º, do CP. (Info 816 - STF). É necessário que ele ocupe uma posição de superior hierárquico (o STF
chamou de "imposição hierárquica"). A causa de aumento do § 2º do art. 327 aplica-se aos agentes
políticos, inclusive o Chefe do Poder Executivo (ex.: Governador de Estado) – Info 757 do STF.
#SELIGA O STF (INFO 712) considerou atípica a conduta de “peculato de uso” de um veículo para a
realização de deslocamentos por interesse particular.
#NÃOCONFUNDIR: Caso o agente público seja prefeito, há crime de peculato de uso, por expressa
previsão legal. Veja a redação do art. 1°, II, do Decreto-Lei 201/67: Art. 1º São crimes de responsabilidade
dos Prefeitos Municipal, sujeitos ao julgamento do Poder Judiciário, independentemente do
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62 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
pronunciamento da Câmara dos Vereadores: II - utilizar-se, indevidamente, em proveito próprio ou
alheio, de bens, rendas ou serviços públicos.
o crime de concussão, a situação de flagrante delito configura-se no momento da exigência da vantagem
indevida (e não no instante da entrega). Isso porque a concussão é crime FORMAL, que se consuma com
a exigência da vantagem indevida. Assim, a entrega da vantagem indevida representa mero exaurimento
do crime. (Info 564-STJ).
A obtenção de lucro fácil e a cobiça constituem elementares dos tipos de concussão e corrupção passiva
(arts. 316 e 317 do CP), sendo indevido utilizá-las para aumentar a pena-base alegando que os “motivos
do crime” (circunstância judicial do art. 59 do CP) seriam desfavoráveis. STJ. 3ª Seção. EDv nos EREsp
1196136-RO, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 24/5/2017 (Info 608).
FALSO TESTEMUNHO: O crime de falso testemunho é de natureza formal. Consuma-se no momento em
que é feita a afirmação falsa a respeito de fato juridicamente relevante, aperfeiçoando-se quando
encerrado o depoimento, podendo, inclusive, a testemunha ser autuada em flagrante delito. Para que
esse delito ocorra, não interessa se as afirmações feitas possuem ou não potencialidade lesiva. STJ. 5ª
Turma. AgRg no AREsp 603.029/SP, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 23/05/2017. STJ. 6ª Turma. AgRg
no AREsp 723.184/SP, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 22/11/2016
34 Lei nº 8.072/1990 e suas alterações (delitos hediondos).
#NOVIDADELEGISLATIVA LEI 13.497/2017. Altera a Lei nº 8.072, de 25 de julho de 1990, para incluir o
crime de posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito no rol dos crimes hediondos
CRIMES HEDIONDOS
ROL TAXATIVO:
a) homicídio, quando praticado em atividade típica de grupo de
extermínio, ainda que cometido por um só agente, e homicídio
qualificado;
b) lesão corporal dolosa de natureza gravíssima e lesão corporal
seguida de morte, quando praticadas contra autoridade ou agente
descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição Federal, integrantes do
sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no
exercício da função ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge,
companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau, em razão
dessa condição;
c) latrocínio;
d) extorsão qualificada pela morte;
d) extorsão mediante sequestro e na forma qualificada;
e) estupro;
f) estupro de vulnerável;
g) epidemia com resultado morte;
h) falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto
destinado a fins terapêuticos ou medicinais;
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63 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
i) favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploração
sexual de criança ou adolescente ou de vulnerável;
j) genocídio;
k) posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, previsto no
art. 16 da Lei no 10.826/03 #NOVIDADE #VAICAIR.
EQUIPARADOS:
a) Tortura;
b) Tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins;
c) Terrorismo.
LIVRAMENTO
CONDICIONAL:
Cumprir 2/3 da pena, desde que não seja reincidente específico em
crimes hediondos.
PROGRESSÃO DE REGIME:
a) cumprir 1/6 da pena (crime s cometidos antes da Lei 11.464/07 -
Súmula 471 STJ);
b) cumprir 2/5 da pena, se réu primário, ou 3/5, se reincidente
específico (crimes cometidos após a Lei 11.464/07).
VEDAÇÕES:
a) anistia, graça e indulto; e
b) fiança.
INCONSTITUCIONALIDADE:
a vedação da concessão de liberdade provisória sem fiança e de
penas restritivas de direitos, além do cumprimento de pena em
regime integralmente fechado.
PRISÃO TEMPORÁRIA: 30 + 30 dias.
#ATENÇÃO #AJUDAMARCINHO
O chamado "tráfico privilegiado", previsto no § 4º do art. 33 da Lei nº1 1.343/2006 (Lei de Drogas), não
deve ser considerado crime equiparado a hediondo. STF. Plenário. HC 118533/MS, Rel. Min. Cármen Lúcia,
julgado em 23/6/2016 (Info 831).
O tráfico ilícito de drogas na sua forma privilegiada (art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006) não é crime
equiparado a hediondo e, por conseguinte, deve ser cancelado o Enunciado 512 da Súmula do Superior
Tribunal de Justiça. STJ. 3ª Seção. Pet 11796-DF, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em
23/11/2016 (recurso repetitivo) (Info 595).
O que dizia a Súmula 512-STJ: "A aplicação da causa de diminuição de pena prevista no art. 33, § 4º, da
Lei n. 11.343/2006 não afasta a hediondez do crime de tráfico de drogas."
36 Lei nº 9.455/1997 e suas alterações (crimes de tortura).
ESPÉCIES DE TORTURA
TORTURA
PROPRIAMENTE DITA
Causa sofrimento físico ou mental através do emprego de violência ou
grave ameaça (art. 1o, I, alíneas “a”, “b” e “c”, da Lei 9.455/97). Subdivide-
se em: tortura probatória (alíneas “a”), tortura crime (alíneas “b”) e tortura
discriminatória (alíneas “c”)
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64 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
TORTURA PROBATÓRIA
Com o fim de obter informação,
declaração ou confissão da vítima ou de
terceira pessoa.
TORTURA CRIME
Para provocar ação ou omissão de
natureza criminosa.
TORTURA DISCRIMINATÓRIA
Em razão de discriminação racial ou
religiosa.
TORTURA CASTIGO
Causa INTENSO sofrimento físico ou mental por meio de violência ou grave
ameaça (art. 1o, II, da Lei 9.455/97).
TORTURA SEM
MOTIVAÇÃO
Art. 1º, II, parágrafo 1º, Lei 9.455/97 (Submeter pessoa presa ou sujeita a
medida de segurança a sofrimento físico ou mental, por intermédio da
prática de ato não previsto em lei ou não resultante de medida legal)
TORTURA IMPRÓPRIA
art. 1º, II, parágrafo 2º, da Lei 9.455/97 (aquele que tinha o dever de evitar
ou apurar, se omite diante da conduta daquele que submete pessoa presa
ou que cumpre medida de segurança a sofrimento físico ou mental).
TORTURA CASTIGO MAUS TRATOS
Dolo de causar padecimento à vítima, causando-
lhe sofrimento físico ou mental, sem nenhum
cunho educativo.
Para fim de educação, ensino, tratamento ou
custódia.
Crime de dano Crime de perigo
HOMICÍDIO QUALIFICADO PELA TORTURA TORTURA QUALIFICADA PELA MORTE
Artigo 121, §2º, III do CP. Artigo 1º, §3ºda lei 9.455/97
O dolo é de matar. O dolo é de torturar.
Há dolo de matar e a tortura é o meio de
execução escolhido para matar.
Há dolo de torturar e a morte é resultado
culposo decorrente da tortura.
Pena de 12 a 30 anos. Pena de 8 a 16 anos.
Competência do júri. Competência do juiz singular
OMITIR-SE NO DEVER DE EVITAR OMITIR-SE NO DEVER DE APURAR
Trata-se da omissão imprópria. Temos aqui a
figura do garante ou garantidor. Logo, deve
responder pelo crime que tinha o dever de
evitar e não por essa figura mais branda. Ex.:
Delegado que percebe os seus agentes levando
um preso para tortura e não busca evitar.
Trata-se de omissão própria. Nesta hipótese a
tortura já ocorreu. Não há o que ser evitado, mas
sim apurado.
OBSERVAÇÕES IMPORTANTES:
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65 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
A Convenção contra a Tortura e outros tratamentos ou penas cruéis, desumanas ou degradantes (1984)
rotulou o delito de tortura como próprio, só podendo ser praticado por funcionário público ou pessoa
no exercício da função pública. No entanto, a lei 9.455/97, em regra, não exige qualidade ou condição
especial do agente. No Brasil, em regra, o crime é comum. Apesar de haver doutrina lecionando que o
legislador nacional não poderia ter destoado do legislador internacional, vêm entendendo o STJ e o STF
que o crime de tortura não exige do autor condição de agente público.
EXTRATERRITORIALIDADE DA LEI DE TORTURA: É aplicada ao crime de tortura ocorrido fora do Brasil,
se a vítima for brasileira e o torturador se encontrar em território nacional. #OLHAAJURIS: No Brasil, a
competência para julgar será da Justiça Estadual.
CAUSAS DE AUMENTO:
a) tortura praticada por agente público;
b) tortura contra criança ou adolescente, gestante, portador de deficiência, maior de 60 anos;
c) tortura mediante sequestro (tem que ser meio para a tortura).
#SELIGANADIFERENÇA EFEITO DA CONDENAÇÃO: perda do cargo e interdição pelo dobro do prazo
da pena para seu exercício. Diferente da regra geral do artigo 92 do Código Penal, tais efeitos são
automáticos.
#DIZERODIREITO #DEOLHONAJURIS
O Plenário do STF, ao julgar o HC 111.840/ES, declarou incidentalmente a inconstitucionalidade do § 1º,
do art. 2º, da Lei nº 8.072/90, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 11.464/2007, afastando, dessa
forma, a obrigatoriedade do regime inicial fechado para os condenados por crimes hediondos e
equiparados, incluído aqui o crime de tortura.
Dessa forma, não é obrigatório que o condenado por crime de tortura inicie o cumprimento da pena no
regime prisional fechado.
STJ. 5ª Turma. HC 383090/SP, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 21/03/2017.
STJ. 6ª Turma. RHC 76642/RN, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 11/10/2016.
Obs: existe um julgado da 1ª Turma do STF afirmando que o regime inicial no caso de tortura deveria ser
obrigatoriamente o fechado: HC 123316/SE, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 9/6/2015. Penso que se
trata de uma posição minoritária e isolada do Min. Marco Aurélio. Os demais Ministros acompanharam
o Relator mais por uma questão de praticidade do que de tese jurídica. Isso porque os demais Ministros
entendiam que, no caso concreto, nem caberia habeas corpus, considerando que já havia trânsito em
julgado. No entanto, eles não aderiram expressamente à tese do Relator. Não há fundamento que
justifique o § 1º do art. 2º da Lei nº 8.072/90 (que obriga o regime inicial fechado para crimes hediondos)
ter sido declarado inconstitucional e o § 7º do art. 1º da Lei nº 9.455/97 (que prevê regra semelhante para
um crime equiparado a hediondo) não o ser. Em provas de concurso, deve-se ter atenção para a redação
do enunciado.
No caso de crime de tortura perpetrado contra criança em que há prevalência de relações domésticas e
de coabitação, não configura bis in idem a aplicação conjunta da causa de aumento de pena prevista no
art. 1º, § 4º, II, da Lei nº 9.455/1997 (Lei de Tortura) e da agravante genérica estatuída no art. 61, II, "f", do
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66 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
Código Penal. STJ. 6ª Turma. HC 362634-RJ, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em
16/8/2016 (Info 589).
O STJ, no Informativo de nº 577, decidiu que a tortura de preso custodiado em delegacia praticada por
policial constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração
pública.
37 Lei nº 12.694/2012 e Lei nº 12.850/2013 e suas alterações (crime organizado).
ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS
CONCEITO (Lei
12.850/13):
Considera-se organização criminosa a associação de 4 (quatro) ou mais pessoas
estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas, ainda que
informalmente, com objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagem de
qualquer natureza, mediante a prática de infrações penais cujas penas máximas
sejam superiores a 4 (quatro) anos, ou que sejam de caráter transnacional. Trata-
se de crime de perigo abstrato.
#ATENÇÃO Antes da Lei 12.850/13, não existia a previsão de tipo penal incriminador
para Organizações Criminosas. A Convenção de Palermo era inaplicável para
tipificar crime ou cominar pena.
CONCURSO DE
CRIMES:
Se o agente participar de organização criminosa e ainda vier a praticar crimes,
responderá pelo crime do art. 2º, Lei 12.850/13 em concurso material com os crimes
que tiver cometido.
OBSTRUÇÃO
OU EMBARAÇO
DE
INVESTIGAÇÃO
DE INFRAÇÃO
PENAL
REFERENTE À
ORGANIZAÇÃO
CRIMINOSA:
O art. 2º, §1º, da lei nº 12.850/13 traz causa de equiparação de pena àquele que de
alguma forma impedir ou embaraçar a investigação penal que envolva organização
criminosa. Não é delito de concurso necessário (como o caput). O bem jurídico
tutelado, nesse caso, é a Administração da Justiça.
ORGANIZAÇÕES
TERRORISTAS:
A Lei 13.260/16 alterou a legislação e passou a prever que se aplica a Lei 12.850/13
às: “organizações terroristas, entendidas como aquelas voltadas para a prática dos
atos de terrorismo legalmente definidos”.
AFASTAMENTO
CAUTELAR:
Se houver indícios suficientes de que o funcionário público integra organização
criminosa, poderá o juiz determinar seu afastamento cautelar do cargo, emprego
ou função, sem prejuízo da remuneração, quando a medida se fizer necessária à
investigação ou instrução processual.
MEIOS DE
OBTENÇÃO DE
PROVA (Art. 3°):
colaboração premiada, captação ambiental, ação controlada, acesso a registros de
ligações telefônicas e telemáticas, a dados cadastrais de bancos públicos ou
privados, interceptação de comunicações telefônicas e telemáticas, afastamento
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67 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
dos sigilos financeiro, bancário e fiscal, infiltração de agentes e cooperação entre
instituições e órgãos federais, distritais, estaduais e municipais.
COLABORAÇÃO
PREMIADA:
A Lei exige efetividade da colaboração, consubstanciada na obtenção de pelo
menos um dos seguintes resultados:
1) Identificar os demais coautores e partícipes da organização criminosa e as
infrações penais por eles praticadas;
2) Revelar a estrutura hierárquica e a divisão de tarefas da organização criminosa;
3) Prevenir as infrações penais decorrentes das atividades da organização
criminosa;
4) Recuperar total ou parcialmente o produto ou o proveito das infrações penais
praticadas pela organização criminosa;
5) Localizar o paradeiro da vítima com a sua integridade física preservada.
BENEFÍCIOS:
O réu que colaborar poderá ter direito aos seguintes benefícios:
-Redução da pena em até dois terços;
-Substituição por PRD;
-Não oferecimento da denúncia; e
-Redução da pena até a metade ou progressão de regime, no caso de colaboração
posterior à sentença.
PERDÃO
MINISTERIAL:
Trata-sede uma exceção ao princípio da obrigatoriedade. Para que o MP deixe de
oferecer a denúncia contra o colaborador é necessário o preenchimento dos
seguintes requisitos:
a) A colaboração deve ser efetiva e voluntária;
b) O colaborador não pode ser o líder da organização criminosa;
c) O colaborador deve ter sido o primeiro a prestar efetiva colaboração.
DIREITO AO
SILÊNCIO:
O réu que colaborar também renuncia o direito ao silêncio, assumindo o
compromisso de dizer a verdade.
DEFENSOR:
Em todos os atos de negociação, confirmação e execução da colaboração, o
colaborador deverá estar assistido por defensor (§ 15 do art. 4º).
PARTICIPAÇÃO
DO JUIZ:
O acordo sobre a colaboração premiada jamais poderá ser feito na presença do
Juiz, sob pena de violação à imparcialidade. O juiz apenas analisa a regularidade
do acordo, para fins de homologação.
VALOR
PROBATÓRIO
DA
COLABORAÇÃO:
Não se pode condenar com base, exclusivamente, no depoimento/confissão do
colaborador. É necessária a colheita de outras provas com base em sua confissão.
É o que se chama de regra de corroboração. Ainda que existam duas ou mais
colaborações no mesmo sentindo, o STF entende que deve haver necessariamente
uma fonte diversa de uma colaboração.
#SELIGA O STF não admite a chamada “corroboração cruzada”, em que a
colaboração de um agente é confirmada por outra colaboração premiada.
INFILTRAÇÃO
DE AGENTES:
É medida excepcional e subsidiária. Somente poderá ser decretada após
autorização judicial, que definirá os seus limites. O agente precisa consentir com a
infiltração. Prazo de até 6 (seis) meses, sem prejuízo de eventuais renovações.
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68 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
LIGHT COVER DEEP COVER
É modalidade mais branda de
infiltração. Não ultrapassa 06 (seis)
meses.
Trata-se de modalidade de infiltração
mais complexa. Ultrapassa 06 (seis)
meses de duração.
#OLHAOGANCHO:
LEI DE DROGAS
LEI DE ORGANIZAÇÕES
CRIMINOSAS
ECA
Não há previsão de
prazo.
Prazo de até 6 (seis)
meses, sem prejuízo de
eventuais renovações.
Não poderá exceder o
prazo de 90 (noventa)
dias, sem prejuízo de
eventuais renovações,
desde que o total não
exceda a 720 (setecentos
e vinte) dias e seja
demonstrada sua efetiva
necessidade, a critério da
autoridade judicial.
TODOS EXIGEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL
FORMAÇÃO DE
COLEGIADO:
Lei 12.694 - Em processos ou procedimentos que tenham por objeto crimes
praticados por organizações criminosas, o juiz de primeiro grau poderá decidir pela
formação de colegiado para a prática de qualquer ato processual; decisão
fundamentada; o colegiado será formado pelo juiz do processo e por 2 (dois)
outros juízes escolhidos por sorteio eletrônico dentre aqueles de competência
criminal em exercício no primeiro grau de jurisdição; as decisões do colegiado,
devidamente fundamentadas e firmadas, sem exceção, por todos os seus
integrantes, serão publicadas sem qualquer referência a voto divergente de
qualquer membro. #VOCÊJUIZ
#NÃOCONFUNDA: Exercer o comando, individual ou coletivo, da organização criminosa tem natureza
jurídica de agravante! As demais, tais como emprego de arma de fogo, participação de criança ou
adolescente, participação de funcionário público, são causas de aumento de pena.
#MAISUMGANCHO
LEI DE DROGAS
LEI DE ORGANIZAÇÕES
CRIMINOSAS
LEI DE LAVAGEM DE
CAPITAIS
Art. 53. Em qualquer fase da
persecução criminal relativa aos
crimes previstos nesta Lei, são
permitidos, além dos previstos
em lei, mediante autorização
Art. 8º Consiste a ação controlada
em retardar a intervenção policial
ou administrativa relativa à ação
praticada por organização
criminosa ou a ela vinculada, desde
Art. 4º-B. A ordem de
prisão de pessoas ou as
medidas assecuratórias de
bens, direitos ou valores
poderão ser suspensas pelo
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69 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
judicial e ouvido o Ministério
Público, os seguintes
procedimentos investigatórios:
II – a não-atuação policial sobre
os portadores de drogas, seus
precursores químicos ou outros
produtos utilizados em sua
produção, que se encontrem no
território brasileiro, com a
finalidade de identificar e
responsabilizar maior número de
integrantes de operações de
tráfico e distribuição, sem
prejuízo da ação penal cabível.
Parágrafo único. Na hipótese do
inciso II deste artigo, a
autorização será concedida
desde que sejam conhecidos o
itinerário provável e a
identificação dos agentes do
delito ou de colaboradores.
que mantida sob observação e
acompanhamento para que a
medida legal se concretize no
momento mais eficaz à formação
de provas e obtenção de
informações.
§ 1º O retardamento da
intervenção policial ou
administrativa será previamente
comunicado ao juiz competente
que, se for o caso, estabelecerá os
seus limites e comunicará ao
Ministério Público.
juiz, ouvido o Ministério
Público, quando a sua
execução imediata puder
comprometer as
investigações.
EXIGE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL
EXIGE APENAS COMUNICAÇÃO
PRÉVIA
EXIGE AUTORIZAÇÃO
JUDICIAL
38 Lei nº 9.605/1998 e suas alterações (crimes contra o meio ambiente).
LEI DOS CRIMES AMBIENTAIS
PENAS RESTRITIVAS
DE DIREITO
a) prestação de serviços à comunidade;
b) interdição temporária de direitos;
c) suspensão parcial ou total de atividades;
d) prestação pecuniária;
e) recolhimento domiciliar.
PENAS APLICADAS ÀS
PESSOAS JURÍDICAS
1. multa;
2. restritivas de direitos:
2.1. suspensão parcial ou total de
atividades;
2.2. interdição temporária de estabelecimento, obra ou atividade;
2.3. proibição de contratar com o Poder Público, bem como dele obter
subsídios, subvenções ou doações;
3. prestação de serviços à comunidade:
3.1. custeio de programas e de projetos ambientais;
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70 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
3.2. execução de obras de recuperação de áreas
degradadas;
3.3. manutenção de espaços públicos;
3.4. contribuições a entidades ambientais ou culturais públicas.
SUBSTITUIÇÃO DA PPL
PELA PRD:
nos crimes dolosos a pena do crime deve ser inferior a 4 anos.
#NÃOCONFUNDA: no CP a pena deve ser de até 4 anos.
SUSPENSÃO
CONDICIONAL DA
PENA:
Condenação a pena privativa de liberdade não superior a três anos.
#NÃOCONFUNDA: no CP a pena deve ser não superior a 2 anos.
TRANSAÇÃO PENAL:
exige a prévia composição do dano ambiental atestada pelo laudo
competente.
SUSPENSÃO
CONDICIONAL DO
PROCESSO:
Admite-se em sede de crimes ambientais, desde que a pena mínima
cominada seja igual ou inferior a 1 ano.
Ademais, a lei ambiental exige o laudo de constatação da reparação do dano
para fins de extinção da punibilidade após o período de prova.
Condições para o Suspensão do Processo:
1. Reparação do dano ambiental;
2. Caso não tenha havido a reparação integral é possível prorrogação [4 anos
+ 1 ano];
3. Após os 5 anos, se não houver reparação, poderá ser prorrogado por mais
5 anos;
4. Esgotado o prazo máximo à declaração de extinção, faz‐se um novo laudo
de avaliação.
LIQUIDAÇÃO
FORÇADA:
A pessoa jurídica constituída ou utilizada, preponderantemente, com o fim
de
permitir, facilitar ou ocultar a prática de crime definido nesta Lei terá
decretada sua liquidação forçada, seu patrimônio será considerado
instrumento do crime e, como tal, perdido em favor do Fundo Penitenciário
Nacional.
FIXAÇÃO DA PENA
Ao aplicar a pena, além de obedecer aos critérios da parte geral, no crime
ambiental, deve atentar-se aos seguintes elementos: Gravidade do Crime;
Antecedentes Ambientais do réu; Situação econômica do réu.
EXCLUDENTES DE
ILICITUDE
Nos crimes contra a fauna:
Não é crime o abate de animal, quandorealizado:
- em estado de necessidade, para saciar a fome do agente ou de sua
família (trata-se da caça/pesca famélica).
- para proteger lavouras, pomares e rebanhos da ação predatória ou
destruidora de animais, desde que legal e expressamente autorizado pela
autoridade competente;
- por ser nocivo o animal, desde que assim caracterizado pelo órgão
competente.
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71 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
#DEOLHONAJURIS
É imprescindível a realização de perícia oficial para comprovar a prática do crime previsto no art. 54 da
Lei 9.605/98 (art. 54. Causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que resultem ou possam resultar
em danos à saúde humana, ou que provoquem a mortandade de animais ou a destruição significativa
da flora).
É possível a responsabilização penal da pessoa jurídica por delitos ambientais independentemente da
responsabilização concomitante da pessoa física que agia em seu nome. A jurisprudência não mais adota
a chamada teoria da "dupla imputação".
A pessoa jurídica, mesmo podendo ser sujeito passivo de crimes ambientais, não pode ser paciente de
habeas corpus. Pode até ser impetrante, mas nunca paciente, o que não a afasta a possibilidade de ser
beneficiada indiretamente por um HC trancativo.
É possível aplicação do princípio da insignificância nos crimes ambientais.
REGRA: COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL
EXCEÇÕES
Obs.: Crimes cometidos nas áreas do artigo 225, §4º da CF seguem a regra geral de competência. Ou
seja, somente serão (rio interestadual, por ex.) da competência da justiça federal se houver interesse
específico e direto da União. Atenção! Patrimônio nacional é sinônimo de patrimônio da nação brasileira
e não patrimônio da União.
Tráfico internacional de animais é de competência da justiça federal. Exportar peles e couros de anfíbios
e répteis também.
Se o animal estiver na lista do IBAMA dos animais ameaçados de extinção, a competência será da justiça
federal.
Crime de liberação de OGM (organismo geneticamente modificado – Ex.: Soja transgênica) no meio
ambiente será julgado pela justiça federal, já que os efeitos do crime extrapolam as fronteiras do estado
onde está o OGM.
Unidade de conservação por órgão federal
40 Lei nº 11.343/2006 (Lei Antidrogas).
OBSERVAÇÕES IMPORTANTES:
O art. 33, caput, é um crime de ação múltipla, de modo que, se praticar diferentes condutas previstas
nesse dispositivo, apenas resta configurado um único crime.
Não há causa de aumento pelo concurso de pessoas;
Prazo do IP: 30 + 30 (preso) e 90 + 90 (solto)
A condenação pelo art. 28 da Lei de Drogas gera reincidência, pois não houve a descriminalização das
condutas, mas a despenalização. As penas para o usuário prescrevem em 2 anos.
O Art. 28 não importará prisão em flagrante, devendo o autor ser imediatamente encaminhado ao juízo
competente, ou, na falta, assumir o compromisso de comparecer, lavrando-se termo circunstanciado.
Aqui
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72 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
a impossibilidade é absoluta. Jamais haverá prisão.
#DEOLHONAJURIS #DIZERODIREITO
Súmula 607-STJ: A majorante do tráfico transnacional de drogas (art. 40, I, da Lei 11.343/06) se configura
com a prova da destinação internacional das drogas, ainda que não consumada a transposição de
fronteiras.
TRÁFICO DE DROGAS. Agente que pratica delitos da Lei de Drogas envolvendo criança ou adolescente
responde também por corrupção de menores? Caso o delito praticado pelo agente e pelo menor de 18
anos não esteja previsto nos arts. 33 a 37 da Lei de Drogas, o réu responderá pelo crime da Lei de Drogas
e também pelo delito do art. 244-B do ECA (corrupção de menores). Caso o delito praticado pelo agente
e pelo menor de 18 anos seja o art. 33, 34, 35, 36 ou 37 da Lei nº 11.343/2006: ele responderá apenas
pelo crime da Lei de Drogas com a causa de aumento de pena do art. 40, VI. Não será punido pelo art.
244-B do ECA para evitar bis in idem. Na hipótese de o delito praticado pelo agente e pelo menor de 18
anos não estar previsto nos arts. 33 a 37 da Lei de Drogas, o réu poderá ser condenado pelo crime de
corrupção de menores, porém, se a conduta estiver tipificada em um desses artigos (33 a 37), não será
possível a condenação por aquele delito, mas apenas a majoração da sua pena com base no art. 40, VI,
da Lei nº 11.343/2006. STJ. 6ª Turma. REsp 1.622.781-MT, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em
22/11/2016 (Info 595).
LEI DE DROGAS. É possível a utilização de inquéritos policiais e/ou ações penais em curso para formação
da convicção de que o réu se dedica a atividades criminosas, de modo a afastar o benefício legal previsto
no art. 33, § 4º, da Lei n. º 11.343/2006. STJ. 3ª Seção. EREsp 1.431.091-SP, Rel. Min. Felix Fischer, julgado
em 14/12/2016 (Info 596). #IMPORTANTE
LEI DE DROGAS. Se o réu é primário e possui bons antecedentes, o juiz pode, mesmo assim, negar o
benefício do art. 33, § 4º da LD argumentando que a quantidade de drogas encontrada com ele foi muito
elevada? O tema é polêmico. 1ª Turma do STF: encontramos precedentes afirmando que a grande
quantidade de droga pode ser utilizada como circunstância para afastar o benefício. Nesse sentido: não
é crível que o réu, surpreendido com mais de 500 kg de maconha, não esteja integrado, de alguma
forma, a organização criminosa, circunstância que justifica o afastamento da causa de diminuição prevista
no art. 33, §4º, da Lei de Drogas (HC 130981/MS, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 18/10/2016. Info
844). 2ª Turma do STF: a quantidade de drogas encontrada não constitui, isoladamente, fundamento
idôneo para negar o benefício da redução da pena previsto no art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006 (RHC
138715/MS,Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 23/5/2017. Info 866). STF. 2ª Turma. RHC
138715/MS, Rel. Min.Ricardo Lewandowski, julgado em 23/5/2017 (Info 866). Obs: o tema acima não
deveria ser cobrado em uma prova objetiva, mas caso seja perguntado, penso que a 2ª corrente é
majoritária.
Se o agente financia ou custeia o tráfico, mas não pratica nenhum verbo do art. 33, responderá apenas
pelo art. 36 da Lei de Drogas.
Se o agente, além de financiar ou custear o tráfico, também pratica algum verbo do art. 33, responderá
apenas pelo art. 33 c/c o art. 40, VII da Lei de Drogas (não será condenado pelo art. 36) - (Info 534 - STJ)
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73 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
Segundo o STJ e o STF, para configuração do tipo de associação para o tráfico (art. 35), é necessário que
haja estabilidade e permanência na associação criminosa. É atípica a conduta se não houver ânimo
associativo permanente (duradouro), mas apenas esporádico (eventual).
Tráfico de drogas x envolvimento de menor de 18 anos:
a) se o delito praticado pelo agente e pelo menor de 18 anos não está previsto nos arts. 33 a 37 da Lei
de Drogas, o réu poderá ser condenado pelo crime de corrupção de menores, além do tráfico de drogas;
b) se a conduta estiver tipificada em um desses artigos (33 a 37), não será possível a condenação por
aquele delito, mas apenas a majoração da sua pena com base no art. 40, VI, da Lei nº 11.343/2006 (Info
595 -STJ).
Se o tráfico de drogas ocorrer nas imediações de um estabelecimento prisional (art. 40, III), incidirá a
causa de aumento, não importando quem seja o comprador do entorpecente. É irrelevante se o agente
infrator visa ou não aos frequentadores daquele local (Info 858).
É inadmissível a aplicação simultânea das causas de aumento da transnacionalidade (art. 40, I) e da
interestadualidade (art. 40, V) quando não ficar comprovada a intenção do importador da droga de
difundi-la em mais de um Estado-membro (Info 586 - STJ).
Para incidir a majorante do art. 40, III, é necessário que haja a efetiva comercializaçãoda droga pelo
agente dentro do meio de transporte público.
A natureza e a quantidade da droga NÃO podem ser utilizadas para aumentar a pena-base do réu e
também para afastar o tráfico privilegiado ou para, reconhecendo-se o direito ao benefício, conceder ao
réu uma menor redução de pena, sob pena de bis in idem.
#CUIDADO: A súmula 512, STJ foi cancelada, de maneira que o crime de tráfico privilegiado não deve
ser considerado hediondo.
O crime de associação para o tráfico não é equiparado a hediondo.
42 Lei nº 10.826/2003 e suas alterações (Estatuto do Desarmamento).
POSSE PORTE
Arma de fogo, acessório ou munição for
encontrada na residência ou no local de trabalho,
nesse último caso, desde que seja proprietário ou
responsável pelo estabelecimento ou empresa.
Arma de fogo encontrada em local diverso da
residência ou do local de trabalho (nesse último
caso apenas para os proprietários e responsáveis
da empresa).
OBSERVAÇÕES IMPORTANTES
NORMA PENAL EM BRANCO: Os tipos penais, ao fazerem menção a arma de fogo, acessório ou munição
de uso permitido ou restrito, devem ser complementados pelos Decretos 3.665/2000 e 5.123/2004.
PORTE DE MUNIÇÃO, SEM ARMA: É crime. Excepcionalmente, o STF (INFO 826) entende ser atípica a
conduta de portar munição desacompanhada de arma de fogo na forma de pingente. #ATENÇÃO
OMISSÃO DE CAUTELA: Único crime do Estatuto que admite a modalidade culposa. Para ocorrer a
consumação é necessário que o menor de 18 anos, ao menos, se apodere da arma de fogo. É um crime
omissivo, culposo e próprio. É um exemplo de crime culposo com tipo penal fechado (aquele tipo em
que a conduta ilegal do agente é completamente prevista pelo código)
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74 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
#ATENÇÃO Se o agente tem a posse ilegal de arma e a deixa ao alcance de um menor, responde pelos
delitos de posse ilegal de arma de fogo (art. 12) e omissão de cautela (art. 13) em concurso material de
crimes (art. 69 do Código Penal).
CRIANÇA E ADOLESCENTE: vender, entregar ou fornecer, ainda que gratuitamente, arma de fogo,
acessório, munição ou explosivo a criança ou adolescente constitui o crime do art. 16, V (tipo penal
autônomo).
#SELIGANAJURIS
ESTATUTO DO DESARMAMENTO. É típica e antijurídica a conduta de policial civil que, mesmo autorizado
a portar ou possuir arma de fogo, não observa as imposições legais previstas no Estatuto do
Desarmamento, que impõem registro das armas no órgão competente. STJ. 6ª Turma. RHC 70.141-RJ,
Rel. Min. Rogério Schietti Cruz, julgado em 7/2/2017 (Info 597).
ESTATUTO DO DESARMAMENTO. A conduta de portar granada de gás lacrimogênio ou granada de gás
de pimenta não se amolda ao delito previsto no art. 16, parágrafo único, III, da Lei nº 10.826/2003. Isso
porque elas não se enquadram no conceito de artefatos explosivos. STJ. 6ª Turma. REsp 1627028/SP, Rel.
Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 21/02/2017 (Info 599)
Não configura o crime de posse ilegal de arma de fogo (art. 12 da Lei nº 10.826/2003) a conduta do
agente que mantém sob guarda, no interior de sua residência, arma de fogo de uso permitido com
registro vencido. Se o agente já procedeu ao registro da arma, a expiração do prazo é mera irregularidade
administrativa que autoriza a apreensão do artefato e aplicação de multa. (Info 572 do STJ)
A posse (art. 12 da Lei nº 10.826/2003) ou o porte (art. 14) de arma de fogo configura crime mesmo que
ela esteja desmuniciada. Da mesma forma, a posse ou o porte apenas da munição (ou seja,
desacompanhada da arma) configura crime. Isso porque tal conduta consiste em crime de perigo
abstrato, para cuja caracterização não importa o resultado concreto da ação. STF. 1ª Turma. HC 131771/RJ,
Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 18/10/2016 (Info 844).
Para que haja condenação pelo crime de posse ou porte NÃO é necessário que a arma de fogo tenha
sido apreendida e periciada. Assim, é irrelevante a realização de exame pericial para a comprovação da
potencialidade lesiva do artefato. Isso porque os crimes previstos no arts. 12, 14 e 16 da Lei 10.826/2003
são de perigo abstrato, cujo objeto jurídico imediato é a segurança coletiva. No entanto, se a perícia for
realizada na arma e o laudo constatar que a arma não tem nenhuma condição de efetuar disparos não
haverá crime.
SÚMULA 513 DO STJ: A abolitio criminis temporária prevista na Lei nº 10.826/2003 aplica-se ao crime de
posse de arma de fogo de uso permitido com numeração, marca ou qualquer outro sinal de identificação
raspado, suprimido ou adulterado, praticado somente até 23/10/2005.
#NOVIDADELEGISLATIVA LEI 13.497/2017. Altera a Lei nº 8.072, de 25 de julho de 1990, para incluir o
crime de posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito (art. 16) no rol dos crimes hediondos
44 Lei nº 9.613/1998 e suas alterações (Lavagem de Dinheiro).
GERAÇÕES DAS LEIS DE LAVAGEM DE CAPITAIS:
1ª GERAÇÃO: O único crime antecedente era o tráfico de drogas.
2ª GERAÇÃO: Há uma ampliação do rol de crimes antecedentes, porém, este rol é taxativo.
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75 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
3ª GERAÇÃO:
Qualquer crime ou infração penal pode figurar como crime antecedente da
lavagem de capitais.
#NÃOESQUEÇA: no Brasil a Lei de Lavagem de Dinheiro surgiu como norma de segunda geração, e
atualmente pode ser classificada como norma da terceira geração de crimes de lavagem de capitais.
FASES DA LAVAGEM DE CAPITAIS
1ª FASE: COLAÇÃO, INTRODUÇÃO,
INSERÇÃO, SUBSTITUIÇÃO OU
PLACEMENT
Introdução dos valores no sistema financeiro. Busca-se ocultar
a origem ilícita dos valores com a separação física entre os
criminosos e os produtos de seus crimes. Exemplo: smurfing –
vários depósitos bancários de pequeno valor.
2ª FASE: DISSIMULAÇÃO,
TRANSFORMAÇÃO,
ESCURECIMENTO, ESTRATIFICAÇÃO,
DIVERSIFICAÇÃO OU LAYERING
Nessa fase, multiplicam-se as transações anteriores, através de
muitas empresas e contas, de modo que se perca a trilha do
dinheiro (papertrail), constituindo-se na lavagem propriamente
dita, que tem por objetivo fazer com que não se possa
identificar a origem ilícita dos valores ou bens.
3ª FASE: INTEGRAÇÃO, INVERSÃO,
INTEGRATION OU RECYCLING
O dinheiro é empregado em negócios lícitos, ilícitos ou compra
de bens, dificultando ainda mais a investigação, já que o
criminoso assume ares de respeitável investidor, atuando
conforme as regras do sistema.
#SELIGANOTERMO LAVAGEM EM CADEIA (LAVAGEM DA LAVAGEM): Corresponde à hipótese em que
o crime de lavagem de capitais figura como crime antecedente a outro delito da mesma natureza.
Considerando que com as alterações promovidas pela Lei 12.683 toda e qualquer infração penal pode
figurar como antecedente da lavagem de capitais, conclui-se que passa a ser possível a lavagem da
lavagem. Exemplo: lavagem de capitais do rendimento de aplicação financeira oriunda de anterior crime
de lavagem.
#SELIGA ACESSORIEDADE: Trata-se, a lavagem de dinheiro, de crime parasitário (acessório, derivado ou
de fusão #OLHAOTERMO), ou seja, que depende da existência de outro crime para sua configuração.
Entretanto, o crime de lavagem guarda certa autonomia com relação ao crime antecedente, podendo
ser punido independente deste.
INFRAÇÃO PENAL ANTECEDENTE: LAVAGEM DE CAPITAIS:
Basta que seja demonstrada a prática de uma
conduta típica e ilícita.
Passará a ser punido o crime de lavagem de
capitais.
Absolvição com base na atipicidade ou licitude Não será punível o crime de lavagem de capitais.
Absolvição com base em causa excludente da
culpabilidade
Será punível o crime de lavagem de capitais
Extinção da punibilidade
Não impede a condenação quanto ao crime de
lavagem de capitais, salvo em se tratando da
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76 CICLOS RETAFINAL TJ/BA @CICLOSR3
anistia e da abolitio criminis, hipóteses em que o
fato antecedente deixa de ser considerado
infração penal.
OBSERVAÇÕES IMPORTANTES:
TEORIA DA CEGUEIRA DELIBERADA (“Willfulblindness”, Teoria do avestruz, Doutrina da evitação da
consciência, Doutrina do ato de ignorância consciente, ou “OstrichInstructions”) #OLHAOTERMO:
Segundo esta teoria, se o agente tinha conhecimento da elevada possiblidade de que os bens, dinheiros
ou valores eram provenientes de infração penal e agiu de forma indiferente, deverá ser responsabilizado
pelo crime em questão a título de dolo eventual. Aplicável e fundamental para permitir a punição pelo
delito de lavagem de dinheiro do agente que alega não ter consciência da origem ilícita dos bens, quando
tenha, voluntariamente, procurado evitar a consciência quando à ilicitude da origem. Requisitos: a) agente
crie consciente e voluntariamente barreiras ao conhecimento, com a intenção de deixar de tomar contato
com a atividade ilícita, caso ela ocorra; b) o agente deve representar que a criação das barreiras de
conhecimento facilitará a prática de atos infracionais penais sem sua ciência; c) são imprescindíveis
elementos concretos que gerem na mente do autor a dúvida razoável sobre a ilicitude do objeto sobre
o qual realizará suas atividades.
RESERVA DE AUTOLAVAGEM OU “SELF-LAUNDERING”: O Brasil não adotou a reserva de autolavagem
prevista na Convenção de Palermo em seu direito interno, de modo que prevalece o entendimento de
que é plenamente possível a responsabilização do autor do crime precedente pelo delito de lavagem de
capitais.
COLABORAÇÃO PREMIADA: A pena poderá ser reduzida de um a dois terços e ser cumprida em regime
aberto ou semiaberto, facultando-se ao juiz deixar de aplicá-la ou substituí-la, a qualquer tempo, por
pena restritiva de direitos, se o autor, coautor ou partícipe colaborar espontaneamente com as
autoridades, prestando esclarecimentos que conduzam à apuração das infrações penais, à identificação
dos autores, coautores e partícipes, ou à localização dos bens, direitos ou valores objeto do crime.
"KNOW YOUR COSTUMER": o art. 10 da Lei 9.613/98 consagra a chamada política do "know your
costumer", uma das armas mais poderosas no combate à lavagem de capitais, segundo a qual é dever
da instituição financeira conhecer o perfil de seu correntista de forma que seja possível a definição de um
padrão de movimentação financeira compatível com seus rendimentos declarados. Existindo
incompatibilidade de movimentação, a notícia dessa operação suspeita deve ser encaminhada à
autoridade administrativa responsável que adotará as providências cabíveis quanto à verificação da
legalidade da operação.
COMPETÊNCIA: Em regra, a competência para processo e julgamento dos crimes previstos na Lei de
Lavagem de Capitais é da Justiça Comum Estadual. Excepcionalmente, a legislação atribui a competência
à Justiça Federal, nos seguintes casos:
a) quando praticados contra o sistema financeiro e a ordem econômico-financeira, ou em detrimento de
bens, serviços ou interesses da União, ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas;
b) quando a infração penal antecedente for de competência da Justiça Federal.
JUSTA CAUSA DUPLICADA: Não basta a presença de lastro probatório quanto à ocultação de capitais,
sendo indispensável a demonstração de que tais valores são provenientes, direta ou indiretamente, de
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77 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
infração penal. Em outros termos, a denúncia deverá ser instruída com indícios suficientes da existência
da infração penal antecedente.
ARTIGO 366 DO CPP: A Lei de Lavagem de Capitais estabelece regra especial, vedando a aplicação do
artigo 366 do Código de Processo Penal e determinando que no caso de citação por edital, se o acusado
não comparecer e nem constituir advogado, deve ser dado prosseguimento ao feito, com nomeação de
defensor dativo.
INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA: Para a acusação, bastarão indícios suficientes da infração penal para
que o juiz decrete as medidas assecuratórias de bens, dinheiros ou valores do investigado ou acusado,
por outro lado, caberá à defesa comprovar a licitude dos bens, dinheiros ou valores apreendidos para
conseguir sua liberação, exigindo-se prova plena, com juízo de certeza, para que se proceda à restituição
do patrimônio no curso da investigação ou da ação penal.
#CALMALÁ: Para procedência do pedido de restituição dos bens formulado antes da sentença
condenatória, o ônus probatório recai sobre a defesa, que deverá comprovar a licitude da origem do
patrimônio. Por outro lado, quando da sentença condenatória, o ônus da prova quanto à demonstração
da ilicitude recairá sobre o Ministério Público.
COLABORAÇÃO INTERNACIONAL E RECIPROCIDADE: Existindo tratado ou convenção internacional, a
autoridade jurisdicional brasileira pode colaborar com autoridade estrangeira competente, no sentido de
determinar medidas assecuratórias sobre bens, direitos ou valores oriundos de crimes descritos no art. 1°
da Lei n° 9.613/98 praticados no estrangeiro.
Art. 8º, §1º Aplica-se o disposto neste artigo, independentemente de tratado ou convenção internacional,
quando o governo do país da autoridade solicitante prometer reciprocidade ao Brasil.
#DEOLHONAJURIS
O delito de lavagem de bens, direitos ou valores (“lavagem de dinheiro”), previsto no art. 1º da Lei nº
9.613/98, quando praticado na modalidade de ocultação, tem natureza de crime permanente. A
característica básica dos delitos permanentes está na circunstância de que a execução desses crimes não
se dá em um momento definido e específico, mas em um alongar temporal. Quem oculta e mantém
oculto algo, prolonga a ação até que o fato se torne conhecido. Assim, o prazo prescricional somente
tem início quando as autoridades tomam conhecimento da conduta do agente. STF. 1ª Turma. AP 863/SP,
Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 23/5/2017 (Info 866).
46 Lei nº 11.340/2006 e suas alterações (Lei Maria da Penha).
REQUISITOS PARA APLICAÇÃO DA LEI:
a) Ação ou omissão;
b) que cause violência física, sexual, psicológica, patrimonial ou moral;
c) praticada contra a mulher;
d) por motivação de gênero;
e) numa situação de vulnerabilidade;
f) no âmbito da unidade doméstica, familiar ou em qualquer relação íntima de afeto (art. 5º):
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78 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
I - no âmbito da unidade doméstica, compreendida como o espaço de convívio permanente de
pessoas, com ou sem vínculo familiar, inclusive as esporadicamente agregadas;
II - no âmbito da família, compreendida como a comunidade formada por indivíduos que são ou se
consideram aparentados, unidos por laços naturais, por afinidade ou por vontade expressa;
III - em qualquer relação íntima de afeto, na qual o agressor conviva ou tenha convivido com a
ofendida, independentemente de coabitação.
FORMAS DE VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER (ROL EXEMPLIFICATIVO)
VIOLÊNCIA
FÍSICA
Qualquer conduta que ofenda sua integridade ou saúde corporal.
VIOLÊNCIA
PSICOLÓGICA
Qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da autoestima ou que
lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar
suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça,
constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante,
perseguição contumaz, insulto, chantagem, ridicularização, exploração e limitação do
direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica
e à autodeterminação.
VIOLÊNCIA
SEXUAL
Qualquer conduta que a constranja a presenciar, a manter ou a participar de relação
sexual não desejada, mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força; que a
induza a comercializar ou a utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade,que a
impeça de usar qualquer método contraceptivo ou que a force ao matrimônio, à
gravidez, ao aborto ou à prostituição, mediante coação, chantagem, suborno ou
manipulação; ou que limite ou anule o exercício de seus direitos sexuais e
reprodutivos.
VIOLÊNCIA
PATRIMONIAL
Qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de
seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos
ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades.
VIOLÊNCIA
MORAL
Qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria.
#SURRADESUMULAS #SAINDODOFORNO
Súmula 588, STJ: “A prática de crime ou contravenção penal contra a mulher com violência ou grave
ameaça no ambiente doméstico impossibilita a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva
de direitos.”
Súmula 589, STJ: “É inaplicável o princípio da insignificância nos crimes ou contravenções penais
praticados contra a mulher no âmbito das relações domésticas. ”
Súmula 600, STJ: “Para a configuração da violência doméstica e familiar prevista no artigo 5º da Lei n.
11.340/2006 (Lei Maria da Penha) não se exige a coabitação entre autor e vítima.”
LEI MARIA DA PENHA. A ação penal nos crimes de lesão corporal leve cometidos em detrimento da
mulher, no âmbito doméstico e familiar, é pública incondicionada. STJ. 3ª Seção. Pet 11.805-DF, Rel. Min.
Rogerio Schietti Cruz, julgado em 103/5/2017 (recurso repetitivo) (Info 604).
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79 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
Súmula 542-STJ: A ação penal relativa ao crime de lesão corporal resultante de violência doméstica contra
a mulher é pública incondicionada.
SÚMULA 536 DO STJ: A suspensão condicional do processo e a transação penal não se aplicam na
hipótese de delitos sujeitos ao rito da Lei Maria da Penha.
#INOVAÇÃOLEGISLATIVA #NOTÍCIAQUENTE
A Lei n° 13.641/2018 alterou a Lei Maria da Penha passando a prever expressamente um crime específico
para o descumprimento de medidas protetivas:
“Art. 24-A. Descumprir decisão judicial que defere medidas protetivas de urgência previstas nesta Lei:
(Incluído pela Lei nº 13.641, de 2018)
Pena – detenção, de 3 (três) meses a 2 (dois) anos.”
#ATENÇÃO Antes da inovação legislativa, o STJ entendi que o descumprimento das medidas protetivas
não ensejava o delito de desobediência (art. 330, CP)
Outro ponto que merece destaque é a previsão expressa da impossibilidade de concessão de fiança por
parte do Delegado de Polícia para o referido crime, que em tese comportaria tal medida cautelar pelo
quantum da pena:
“§ 2o Na hipótese de prisão em flagrante, apenas a autoridade judicial poderá conceder fiança. ”
#SELIGA Era costume falar que a Lei Maria da Penha não trazia crimes, mas apenas os mecanismos para
coibir a violência doméstica e familiar com a mulher, mas com o novo art. 24-A passamos a ter o primeiro
delito previsto expressamente na Lei n° 11.340/2006.
47 Lei nº 8.069/1990 e suas alterações (Estatuto da Criança e do Adolescente).
#FOCONAJURIS
Competência para julgar o delito do art. 241-A do ECA praticado por meio de Whatsapp ou chat do
Facebook: Justiça Estadual. O STF fixou a seguinte tese: Compete à Justiça Federal processar e julgar os
crimes consistentes em disponibilizar ou adquirir material pornográfico envolvendo criança ou
adolescente (arts. 241, 241-A e 241-B do ECA), quando praticados por meio da rede mundial de
computadores (internet). STF. Plenário. RE 628624/MG, Rel. orig. Min. Marco Aurélio, Red. p/ o acórdão
Min. Edson Fachin, julgado em 28 e 29/10/2015 (repercussão geral) (Info 805). O STJ, interpretando a
decisão do STF, afirmou que, quando se fala em “praticados por meio da rede mundial de computadores
(internet)”, o que o STF quer dizer é que a postagem de conteúdo pedófilo-pornográfico deve ter sido
feita em um ambiente virtual propício ao livre acesso. Por outro lado, se a troca de material pedófilo
ocorreu entre destinatários certos no Brasil, não há relação de internacionalidade e, portanto, a
competência é da Justiça Estadual. Assim, o STJ afirmou que a definição da competência para julgar o
delito do art. 241-A do ECA passa pela seguinte análise: • Se ficar constatada a internacionalidade da
conduta: Justiça FEDERAL. Ex: publicação do material feita em sites que possam ser acessados por
qualquer sujeito, em qualquer parte do planeta, desde que esteja conectado à internet. • Nos casos em
que o crime é praticado por meio de troca de informações privadas, como nas conversas via Whatsapp
ou por meio de chat na rede social Facebook: Justiça ESTADUAL. Isso porque tanto no aplicativo
WhatsApp quanto nos diálogos (chat) estabelecido na rede social Facebook, a comunicação se dá entre
destinatários escolhidos pelo emissor da mensagem. Trata-se de troca de informação privada que não
CPF: 008.374.135-67 ALUNO: Luciana Nascimento Pereira
80 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
está acessível a qualquer pessoa. Desse modo, como em tais situações o conteúdo pornográfico não foi
disponibilizado em um ambiente de livre acesso, não se faz presente a competência da Justiça Federal.
STJ. 3ª Seção. CC 150564-MG, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 26/4/2017 (Info 603).
Disponibilizar ou adquirir material pornográfico envolvendo criança ou adolescente. Compete à Justiça
Federal processar e julgar os crimes consistentes em disponibilizar ou adquirir material pornográfico
envolvendo criança ou adolescente (arts. 241, 241-A e 241-B do ECA), quando praticados por meio da
rede mundial de computadores (internet). STF. Plenário. RE 628624/MG, Rel. Orig. Min. Marco Aurélio,
Red. p/ o acórdão Min. Edson Fachin, julgado em 28 e 29/10/2015 (repercussão geral) (Info 805)
Competência no caso de pessoa que “baixa” conteúdo pedófilo da internet. Pessoa que “baixa” da
internet e armazena, em computador da escola, vídeos pornográficos envolvendo crianças e adolescentes
pratica o delito do art. 241-A, § 1º, I, do ECA, sendo esta conduta, neste caso concreto, crime de
competência da Justiça Estadual. STJ. 3ª Seção. CC 103011-PR, Rel. Min. Assusete Magalhães, julgado em
13/3/2013 (Info 520).
Possibilidade de configuração dos crimes dos arts. 240 e 241-B do ECA mesmo que as vítimas estivessem
vestidas. Fotografar cena e armazenar fotografia de criança ou adolescente em poses nitidamente
sensuais, com enfoque em seus órgãos genitais, ainda que cobertos por peças de roupas, e incontroversa
finalidade sexual e libidinosa, adéquam, respectivamente, aos tipos do art. 240 e 241-B do ECA. Portanto,
configuram os crimes dos arts. 240 e 241-B do ECA quando fica clara a finalidade sexual e libidinosa de
fotografias produzidas e armazenadas pelo agente, com enfoque nos órgãos genitais de adolescente —
ainda que cobertos por peças de roupas —, e de poses nitidamente sensuais, em que explorada sua
sexualidade com conotação obscena e pornográfica. STJ. 6ª Turma. REsp 1543267-SC, Rel. Min. Maria
Thereza de Assis Moura, julgado em 3/12/2015 (Info 577).
#APOSTACICLOS Se a infração penal envolveu dois adolescentes, o réu deverá ser condenado por dois
crimes de corrupção de menores (art. 244-B do ECA). A prática de crimes em concurso com dois
adolescentes dá ensejo à condenação por dois crimes de corrupção de menores. Ex: João (20 anos de
idade), em conjunto com Maikon (16 anos) e Dheyversson (15 anos), praticaram um roubo. João deverá
ser condenado por um crime de roubo qualificado e por dois crimes de corrupção de menores, em
concurso formal (art. 70, 1ª parte, do CP). STJ. 6ª Turma. REsp 1680114-GO, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior,
julgado em 10/10/2017 (Info 613).
Súmula 500-STJ: A configuração do crime previsto no artigo 244-B do Estatuto da Criança e do
Adolescente independe da prova da efetiva corrupção do menor, por se tratar de delito formal.DIREITO PROCESSUAL PENAL2
1 Processo penal brasileiro; processo penal constitucional. 2 Sistemas e princípios fundamentais.
SISTEMAS PROCESSUAIS:
a) SISTEMA INQUISITIVO (ou Inquisitório): As funções de Acusar, Defender e Julgar estão
concentradas em uma só pessoa, o Juiz Inquisidor. Este sistema, ao permitir que o Juiz produza prova
antes da instrução penal, acarreta um grande problema: a quebra da parcialidade. Além disso, o processo
2 Por Tiago Pozza
CPF: 008.374.135-67 ALUNO: Luciana Nascimento Pereira
81 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
é sigiloso (não é necessária publicidade) e não há contraditório, ficando o acusado como mero objeto
de Investigação e não como Sujeito de Direitos. O Juiz Inquisidor é dotado de ampla iniciativa probatória,
tendo a liberdade para determinar de ofício a colheita de provas, seja no curso das investigações, seja no
curso do processo penal, independentemente de sua proposição pela acusação ou pelo acusado. A
Gestão das Provas estava concentrada, assim, nas mãos do Juiz, que, a partir da prova do fato e tomando
como parâmetro a Lei, podia chegar à conclusão que desejasse. Um dos meios de prova mais comum
desse sistema era a tortura, visando à obtenção da confissão, que era então considerada a rainha das
provas.
b) SISTEMA ACUSATÓRIO (SISTEMA BRASILEIRO): As principais características deste sistema são:
(I) a separação entre os órgãos de Acusação, Defesa e Julgamento, criando-se um processo de partes;
(II) liberdade de defesa e igualdade de posição das partes (o acusado é Sujeito de Direitos); (III) a vigência
do contraditório; (IV) o processo caracteriza-se, assim, como legítimo Actum Trium Personarum; (Art. 129,
I, da CF – “São funções institucionais do Ministério Público: I – promover, privativamente, a ação penal
pública, na forma da lei”). A partir do momento que a CF entrega ao Ministério Público a função de
acusador, quer afastar completamente do Juiz qualquer atividade acusatória. No Brasil adotamos o
Sistema Acusatório.
#ATENÇÃO: O doutrinador Geraldo Prado prega que num Sistema Acusatório Puro, o Juiz não pode
produzir prova de ofício em nenhuma fase, ou seja, nem na fase de Investigação Preliminar e nem na
fase processual. Mas a Doutrina Majoritária (Eugênio Pacelli, Gustavo Badaró) entende que o Juiz pode
produzir prova de ofício, desde que seja apenas na fase processual. Na Fase Investigatória Preliminar, o
Juiz só deve agir quando provocado e desde que sua atuação seja necessária para salvaguardar direitos
e garantias fundamentais do investigado.
✓ Atualmente, ainda existe uma circunstância que revela atuação de um Juiz Inquisidor:
Art. 156, I, do CPP. A prova da alegação incumbe a quem a fizer, sendo, porém, facultado ao juiz, de ofício:
(...).
I – ordenar, mesmo antes de iniciada a ação penal, a produção antecipada de provas, consideradas
urgentes e relevantes, observando a necessidade, adequação e proporcionalidade da medida.
✓ Por outro lado, o Art. 212, do CPP, reflete com primazia o que esperamos do Magistrado quanto à
gestão da prova no processo penal.
Art. 212. As perguntas serão formuladas pelas partes diretamente à testemunha, não admitindo o juiz
aquelas que puderem induzir a resposta, não tiverem relação com a causa ou importarem na repetição de
outra já respondida.
Parágrafo único. Sobre os pontos não esclarecidos, o juiz poderá complementar a inquirição.
É o chamado Exame Direto e Cruzado. O Juiz atuando de maneira residual, complementar.
✓ Cumpre registrar, ainda, que no Sistema Acusatório o Princípio da Verdade Real é substituído pelo
Princípio da Busca da Verdade, devendo a prova ser produzida com fiel observância ao contraditório e à
ampla defesa.
c) SISTEMA MISTO (Sistema Francês): Há uma primeira fase Inquisitiva presidida por um Juiz e uma
segunda fase Acusatória, respeitando-se o devido processo legal.
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82 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO:
A) DIREITO À INFORMAÇÃO:
A parte adversa deve estar ciente da existência da
demanda ou dos argumentos da parte contrária;
B) DIREITO DE PARTICIPAÇÃO:
Possibilidade de a parte oferecer reação,
manifestação ou contrariedade à pretensão da
parte contrária.
C) DIREITO E OBRIGATORIEDADE DE
ASSISTÊNCIA TÉCNICA DE UM DEFENSOR (ART.
261, CPP):
“Nenhum acusado, ainda que ausente ou
foragido, será processado e julgado sem defensor”.
#DEOLHONASÚMULA:
Súmula 707 do STF: Constitui nulidade a falta de intimação do denunciado para oferecer contrarrazões ao
recurso interposto da rejeição da denúncia, não a suprindo a nomeação de defensor dativo.
PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA: inclui a defesa técnica (exercida por um profissional da advocacia,
dotado de capacidade postulatória, seja ele advogado constituído, nomeado ou defensor público) e
autodefesa (aquela exercida pelo próprio acusado, em momentos cruciais do processo).
#DEOLHONASÚMULA:
Súmula 522 - STJ: A conduta de atribuir-se falsa identidade perante autoridade policial é típica, ainda que
em situação de alegada autodefesa.
PRINCÍPIO DO NEMO TENETUR SE DETEGERE: o preso será informado de seus direitos, entre
os quais o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado. O
direito ao silêncio é uma decorrência do Nemo tenetur se detegere, segundo o qual ninguém é
obrigado a produzir prova contra si mesmo.
DA PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA (OU NÃO CULPABILIDADE): com o advento da CF/88, passou
a constar de forma expressa no texto constitucional (LVII do art. 5º). Antes, apenas era previsto de forma
implícita. Conforme Renato Brasileiro, consiste no direito de não ser declarado culpado senão mediante
sentença transitada em julgado, ao término do devido processo legal, em que o acusado tenha se
utilizado de todos os meios de prova pertinentes para sua defesa (ampla defesa) e para a destruição da
credibilidade das provas apresentadas pela acusação (contraditório).
PRINCÍPIO DA BUSCA DA VERDADE: superando o dogma da verdade real, tem prevalecido na
doutrina mais moderna que o princípio que vigora no direito penal não é o da verdade material ou real,
mas sim o da busca da verdade. Busca-se a maior exatidão possível na reconstituição do fato
controverso, entretanto sem a pretensão de se chegar a uma verdade real, mas sim a uma aproximação
da realidade.
#SELIGANOSINÔNIMO: o princípio da busca da verdade é também chamado de princípio da livre
investigação da prova no interior do pedido; princípio da imparcialidade do juiz na direção e apreciação
da prova; princípio da investigação; princípio inquisitivo; ou princípio da investigação judicial da prova.
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83 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
3 Aplicação da lei processual no tempo, no espaço e em relação às pessoas: disposições preliminares do
Código de Processo Penal.
➢ Lei Processual no Tempo:
a) Norma Genuinamente Processual: É aquela que cuida de procedimentos, atos processuais,
técnicas do processo. Ex.: Extinção do Protesto por Novo Júri pela Lei nº 11.689/2008. Para a norma
genuinamente processual, o critério a ser aplicado é o do Art. 2º do CPP (Tempus Regit Actum), ou seja,
aplicação imediata:
Art. 2º A lei processual penal aplicar-se-á desde logo, sem prejuízo da validade dos atos realizados sob a
vigência da lei anterior.
b) Norma Processual Material (Mista): É espécie de norma que contempla simultaneamente
normas de direito processual penal e norma de direito penal, por isso também é chamada de mista. De
acordo com a doutrina, é aquela que abriga naturezas diversas, de caráter penal e de caráter processual
penal. Normas penais são aquelas que cuidam do crime, da pena, da medida de segurança, dos efeitos
da condenação e dodireito de punir do Estado (Ex.: causas extintivas de punibilidade). De sua vez, normas
processuais penais são aquelas que versam sobre o processo desde o seu início até o final da execução
ou extinção da punibilidade. Assim, se um dispositivo legal, embora inserido em lei processual, versa
sobre regra penal, de direito material, a ele serão aplicáveis os princípios que regem a lei penal, de
ultratividade e retroatividade da lei mais benigna. Portanto, quando estivermos diante de uma norma
processual material (mista), o critério a ser aplicado é o do Direito Penal (Irretroatividade da Lei Gravosa
+ Ultratividade da Lei Benéfica).
NORMAS PROCESSUAIS HETEROTÓPICAS: De acordo com a doutrina de Norberto Avena “Há
determinadas regras que, não obstante previstas em diplomas processuais penais, possuem conteúdo
material, devendo, pois, retroagir para beneficiar o acusado. Outras, no entanto, inseridas em leis
materiais, são dotadas de conteúdo processual, a elas sendo aplicável o critério da aplicação imediata
(‘tempus regit actum’). E aí que surge o fenômeno denominado de Heterotopia, ou seja, situação em
que, apesar de o conteúdo da norma conferir-lhe uma determinada natureza, encontra-se ela prevista
em diploma de natureza distinta.” Ou seja, é uma norma que foi mal colocada. É uma norma de essência
processual inserida no Código Penal (ou na parte penal da legislação especial), ou uma norma de essência
material inserida no Código de Processo Penal (ou na parte processual da legislação especial).
ATENÇÃO: Tais normas não se confundem com as normas processuais materiais (mista). Enquanto a
Heterotópica possui uma determinada natureza (material ou processual), em que pese estar incorporada
a diploma de caráter distinto, a norma processual mista ou híbrida apresenta Dupla Natureza, vale dizer,
material em uma determinada parte e processual em outra. Como exemplo de disposições Heterotópicas,
pode ser citado o Direito ao Silêncio assegurado ao acusado em seu interrogatório, o qual, apesar de
previsto no CPP (Art. 186), possui caráter nitidamente assecuratório de direitos (material), assim como as
Normas Gerais que trataram da Competência da Justiça Federal, que, conquanto previstas no Art. 109 da
CF/88, que é um diploma material, são dotadas de natureza evidentemente processual.
➢ Lei Processual no Espaço:
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84 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
Enquanto à lei penal se aplica o princípio da territorialidade (CP, art. 5o) e da extraterritorialidade
(CP, art. 7o), o CPP adota o princípio da territorialidade ou da Lex fori – porque a atividade jurisdicional é
um dos aspectos da soberania nacional, logo, não pode ser exercida além das fronteiras do respectivo
Estado – Art. 1o, CPP.
Gozam de imunidade diplomática: Chefes de governo estrangeiro ou de Estado estrangeiro, suas
famílias e membros das comitivas, embaixadores e suas famílias, funcionários estrangeiros do corpo
diplomático e suas famílias, assim como funcionários de organizações internacionais em serviço (ONU,
OEA, etc.) – têm a prerrogativa de responder no seu país de origem pelo delito praticado no Brasil
(Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, aprovada pelo Decreto Legislativo 103/1964, e
promulgada pelo Decreto nº 56.435, de 08/06/1965).
Assim, em razão de tratados ou convenções que o Brasil haja firmado, ou mesmo em virtude de
regras de Direito Internacional, a lei processual deixa de ser aplicada aos crimes praticados por tais
agentes no território nacional.
4 Fase pré‐processual: inquérito policial.
✓ O Inquérito Policial continua sendo o principal instrumento de que se vale o Estado para
investigação de infrações penais, no entanto, atualmente, se reconhece a importância de outros
instrumentos investigatórios (Ex.: Procedimento de Investigação Criminal – PIC – presidido pelo MP;
Investigação Criminal Defensiva pelo Defensor; Investigações realizadas pelo COAF, etc.).
✓ Características: Escrito; instrumental; dispensável; sigiloso; inquisitorial; informativo; indisponível;
discricionário.
✓ Por ser um procedimento administrativo, NÃO HÁ LITISPENDÊNCIA EM SEDE DE IP.
✓ O IP é UNIDIRECIONAL (o único objeto do IP é apurar fatos e encaminhar os resultados à apreciação
do MP) e SISTEMÁTICO (as peças devem ser juntadas aos autos obedecendo a uma sequência
lógica de modo a facilitar a compreensão dos fatos lá organizados como um todo).
✓ O IP NÃO SE SUJEITA À DECLARAÇÃO DE NULIDADE. Isto porque, despindo-se a sua confecção
de formalidades sacramentais (a lei não estabelece um procedimento específico para sua feitura),
não pode, evidentemente, padecer de vícios que o nulifiquem. Isto não significa, obviamente, que
uma determinada prova produzida no IP não possa vir a ser considerada nula no curso do processo
criminal. Nessa hipótese, porém, a prova é que será nula e não o IP no bojo do qual ela foi realizada.
✓ Os vícios do inquérito não contaminam o processo, sendo incabível a anulação de processo penal
em razão de suposta irregularidade verificada em inquérito policial (Info 824 - STF).
✓ Indiciamento: é ato privativo da autoridade policial, segundo sua análise técnico-jurídica do fato,
não podendo o juiz determinar que o Delegado de Polícia faça o indiciamento de alguém. Para
Aury Lopes Jr., indiciar significa direcionar o inquérito, as investigações à determinada pessoa. Agora
não é mais “possível” que ela seja a responsável, mas sim “provável”. Segundo o autor, indiciar nada
mais é do que atribuir a alguém a prática de um fato delituoso, saindo-se de um juízo de
possibilidade para um juízo de probabilidade, mais robusto. É a probabilidade, o que o Jacinto
Coutinho chama de verossimilhança.
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85 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
✓ Não podem ser indiciados: a) Magistrados (art. 33, parágrafo único, da LC 35/79); b) Membros do
Ministério Público (art. 18, parágrafo único, da LC 75/73 e art. 40, parágrafo único, da Lei nº
8.625/93).
✓ Do despacho que indeferir o requerimento de abertura de inquérito caberá recurso para o chefe
de Polícia.
✓ Súmula Vinculante nº 14: É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos
elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com
competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa.
✓ A suspeição de autoridade policial NÃO é motivo de nulidade do processo, pois o inquérito é mera
peça informativa.
# CUIDADO (Lei 12.850/2013 – Organizações Criminosas): Em regra, a lógica é que o Advogado não
precise de autorização judicial para acessar os autos do Inquérito Policial. Mas, a Lei das Organizações
Criminosas, em seu Art. 23, parágrafo único, determinou que nesse tipo de investigação (versando sobre
Organização Criminosa), se faz NECESSÁRIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL para acessar os Autos do IP.
Art. 23. O sigilo da investigação poderá ser decretado pela Autoridade Judicial competente, para garantia
da celeridade e da eficácia das diligências investigatórias, assegurando-se ao defensor, no interesse do
representado, amplo acesso aos elementos de prova que digam respeito ao exercício do direito de
defesa, devidamente Precedido de AUTORIZAÇÃO JUDICIAL, ressalvados os referentes às diligências em
andamento.
Parágrafo Único. Determinado o depoimento do investigado, seu defensor terá assegurada a prévia vista
dos autos, ainda que classificados como sigilosos, no prazo mínimo de 3 DIAS que antecedem ao ato,
podendo ser ampliado, a critério da autoridade responsável pela investigação.
✓ Elementos de Informação são aqueles colhidos na fase investigatória, que é fase inquisitiva, sem a
participação das partes, ou seja, não há contraditório, nem ampla defesa (nem mesmo diante das
mudanças produzidas pela Lei nº 13.245/2016).Prestam-se à decretação de Medidas Cautelares e
à Formação da Opinio Delicti (por isso mesmo jamais podem, isoladamente, ser usados para
fundamentar uma condenação, de acordo com a inteligência do Art. 155 do CPP – “O juiz formará
sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório judicial, não podendo
fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investigação,
ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas.” e Art. 5º, LV, da CF – “aos litigantes,
em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e
a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes”).
✓ Provas: têm seu regime jurídico ligado ao contraditório judicial, eis que produzidas na fase judicial
perante o sistema acusatório, que é o sistema processual penal adotado no Brasil. São aquelas
produzidas com a participação do acusador e do acusado, e mediante a direta e constante
supervisão do julgador (com o advento da Lei nº 11.719/08, adota-se o princípio da identidade física
do Juiz – Art. 399, § 2º, do CPP – “O juiz que presidiu a instrução deverá proferir a sentença”).
Existem, porém, certos Elementos de Informação produzidos durante o inquérito policial e que se
caracterizam como Provas, podendo, assim, ser tranquilamente levados em conta pelo Juiz para
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86 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
condenar. São eles: as Provas Antecipadas, Cautelares e Não Repetíveis. Em relação a estas duas últimas,
o Contraditório é Diferido (adiado para a fase judicial).
✓ Elementos migratórios: são extraídos do inquérito e levados ao processo, podendo ser validamente
valorado em eventual sentença condenatória. Quais são os elementos migratórios?
PROVAS IRREPETÍVEIS: são aquelas provas de iminente perecimento que não tem como ser
refeitas na fase processual (a evidência do fato desaparece depois). Exemplo: constatação de embriaguez
ao volante; ADVERTÊNCIA! O Delegado, em regra, autorizará a confecção da prova irrepetível.
PROVAS CAUTELARES: a cautelaridade é justificada pela necessidade e urgência e, normalmente,
contam com a intervenção judicial. Exemplo: interceptação telefônica. Detalhe: quem conduz toda a
prova é a polícia e de forma inquisitiva.
As provas cautelares e irrepetíveis são colhidas de maneira inquisitiva e, quando levadas ao
processo, se submetem ao contraditório e a ampla defesa de forma diferida ou postergada.
PRAZOS DO INQUÉRITO
Para evitar dúvida, cabe fazer um esclarecimento em relação à tabela supracitada. Quando se fala
em Estadual e Federal é em relação a inquéritos que tramitam na JE ou na JF. Então, para saber o prazo
não levem em consideração se é PF ou PC, mas sim se o crime investigado no inquérito é de competência
da JF ou da JE.
#DICA: lembrem-se que a PF trabalha com inquéritos (IPLs) perante à JE e JF. Então, se liguem no crime
(se é de competência da JF ou da JE) para saber o prazo do IPL.
✓ Arquivamento: é afeto ao juiz, após requerimento fundamentado do MP, sendo vedada, ao
delegado, sua promoção (art. 17 CPP). Instaurado pela autoridade policial não pode ser por ela
arquivado, ainda que não fique apurado quem foi o autor do delito. O arquivamento é, portanto,
um ato complexo, que envolve prévio requerimento formulado pelo MP e posterior decisão do juízo
competente.
HIPÓTESE RÉU PRESO RÉU SOLTO
Estadual 10 dias 30 dias
Federal 15 + 15 dias 30 dias
Militar 20 dias 40 + 20 dias
Drogas 30 + 30 dias 90 + 90 dias
Economia Popular 10 dias 10 dias
Eleitoral 10 dias 30 dias
Prisão temporária decretada
em IPL relativo a crimes
hediondos e equiparados.
30 + 30 Não se aplica
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87 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
✓ Arquivamento implícito: ocorre quando MP deixar de incluir na denúncia algum fato investigado
ou algum suspeito, sem expressa justificação (prática rechaçada pela jurisprudência).
✓ Arquivamento indireto: ocorre quando o MP não oferece a denúncia por considerar o juízo
incompetente. A decisão judicial de arquivamento do inquérito policial com fundamento na
atipicidade do fato praticado produz coisa julgada material, impedindo-se a reabertura das
investigações preliminares mesmo diante do surgimento de novas provas.
✓ A decisão judicial que determina o arquivamento do inquérito policial é, em regra, irrecorrível,
embora caiba recurso de ofício no caso de crime contra a economia popular.
✓ Não cabe uso de MS pela vítima para tentar impedir o arquivamento do inquérito policial.
5 Processo, procedimento e relação jurídica processual: elementos identificadores da relação processual;
formas do procedimento; princípios gerais e informadores do processo; pretensão punitiva; tipos de
processo penal. 6 Ação penal. 7 Ação Civil Ex Delicto.
ESPÉCIE DE AÇÃO PENAL PRINCÍPIO APLICÁVEL
AÇÃO PENAL PRIVADA Princípio da oportunidade
AÇÃO PÚBLICA INCONDICIONADA Princípio da obrigatoriedade
AÇÃO PÚBLICA CONDICIONADA À
REPRESENTAÇÃO
Princípio da oportunidade, em relação ao
ofendido.
Princípio da obrigatoriedade, em relação ao
órgão acusador.
MOTIVO DO ARQUIVAMENTO É POSSÍVEL DESARQUIVAR?
1) Insuficiência de provas
SIM
(Súmula 524 - STF)
2) Ausência de pressuposto processual ou de
condição da ação penal
SIM
3) Falta de justa causa para a ação penal (não há
indícios de autoria ou prova da materialidade)
SIM
4) Atipicidade (fato narrado não é crime) NÃO
5) Existência manifesta de causa excludente de
ilicitude
STJ: NÃO (Resp 791471/RJ)
STF: SIM (HC 125101/SP)
6) Existência manifesta de causa excludente de
culpabilidade
NÃO
(Posição doutrinária)
7) Existência manifesta de causa extintiva da
punibilidade
NÃO
(STJ HC 307.562/RS)
(STF Pet 3943)
Exceção: Certidão de óbito falsa
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88 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
AÇÃO PENAL NO JUIZADO ESPECIAL
CRIMINAL
Princípio da discricionariedade regrada: a lei
prevê a possibilidade de transação penal, que
impede o oferecimento da ação penal, se
cumpridos os requisitos.
OUTRAS ESPÉCIES DE AÇÃO PENAL
AÇÃO DE PREVENÇÃO PENAL Busca a aplicação de uma medida de segurança;
AÇÃO PENAL EX OFFICIO
Processo judicial judicialiforme (apesar de ainda estar previsto no
art. 26 do CPP, não se aplica mais) e HC de ofício;
AÇÃO PENAL PÚBLICA
SUBSIDIÁRIA DA PÚBLICA
Casos em que, havendo inércia por parte do órgão ministerial
inicialmente incumbido de promover a ação penal, outro órgão
oficial seria então incumbido dessa missão. Exemplo: artigo 2º, §
2º, do DL 201/67 e artigo 27 da lei 7.492/86;
AÇÃO PENAL INDIRETA
Aquela em que o MP assume a ação privada subsidiária da
pública;
AÇÃO PENAL SECUNDÁRIA
Crimes primariamente processados mediante ação penal privada
e, secundariamente, por ação penal pública. Exemplo: crime
contra honra do funcionário público (súmula 714/STF);
AÇÃO PENAL ADESIVA
Existem duas vertentes:
1) propositura da ação penal privada pelo MP, nos casos em que
vislumbre interesse público;
2) nos casos de conexão ou continência entre um delito que
desafia ação penal pública e outro de ação penal privada. Trata-
se de um litisconsórcio facultativo entre MP e ofendido nos
crimes conexos.
AÇÃO PENAL POPULAR
Habeas corpus e ação de crime de responsabilidade. Em
verdade, não se trata de ações penais propriamente ditas.
CONDIÇÃO DE PROCEDIBILIDADE
(CONDIÇÃO DA AÇÃO)
CONDIÇÃO OBJETIVA DE
PUNIBILIDADE
Ligada ao direito processual Ligada ao direito material
São condições necessárias ao regular exercício do direito de
ação. Podem ser genéricas ou específicas
Condição exigida pelo legislador para
que o fato se torne punível, e que
está fora do injusto culpável. Chama-
se objetiva porque independe do
dolo ou da culpado agente.
Encontra-se entre o preceito primário
e secundário da norma penal
incriminadora, condicionando a
CONDIÇÕES GENÉRICAS:
(toda ação penal tem que
ter)
1. POSSIBILIDADE
JURÍDICA DO PEDIDO
CONDIÇÕES ESPECÍFICAS:
(nem toda ação
penal tem que ter)
1. REPRESENTAÇÃO DO
OFENDIDO.
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89 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
2. LEGITIMIDADE AD
CAUSAM
3. INTERESSE EM AGIR
(UNA = Utilidade,
Necessidade e Adequação
da via eleita.
4. JUSTA CAUSA (lastro
probatório mínimo
necessário ao ajuizamento
da ação)
2. REQUISIÇÃO DO
MINISTRO DA JUSTIÇA.
3. LAUDO PRELIMINAR
NO CASO DE ENVOLVER
ENTORPECENTES.
4. ENTRADA DO AGENTE
NO TERRITÓRIO NACIONAL
(no caso de
extraterritorialidade da lei
penal).
existência da pretensão punitiva do
Estado.
Se a ausência for verificada no início do processo - rejeição da
peça acusatória
Se a ausência for verificada durante o processo - aplica o CPC
de maneira subsidiária e gera a extinção do processo sem
julgamento do mérito.
Se não ocorre o implemento da
condição, não há fundamento de
direito para o ajuizamento de uma
ação penal
Só vai haver formação de coisa julgada formal.
Decisão fará coisa julgada formal e
material.
#SELIGA Justa Causa DUPLICADA: A expressão justa causa duplicada deve ser usada quando se fala no
Crime de Lavagem de Capitais (Lei nº 9.613/1998). Quando se oferece uma denúncia contra alguém
imputando Crime de Lavagem de Capitais, não basta demonstrar a ocultação ou dissimulação de valores,
sendo preciso também demonstrar que aqueles bens lavados (objeto da lavagem) seriam produtos
diretos ou indiretos de uma infração penal antecedente.
#CUIDADO Para o crime de furto a Ação Penal é sempre Pública Incondicionada? Não!
Art. 182 – somente se procede mediante representação, se o crime previsto neste título é cometido em
prejuízo:
I – docônjuge desquitado ou judicialmente separado;
II – deirmão, legítimo ou ilegítimo;
III – de tio ou sobrinho, com quem o agente coabita.
Art. 183 – Não se aplica o disposto nos dois artigos anteriores:
I – se o crime é de roubo ou de extorsão, ou, em geral, quando haja emprego de grave ameaça ou
violência à pessoa;
II – ao estranho que participa do crime.
III – se o crime é praticado contra pessoa com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos.”
AÇÕES PENAIS PRIVADAS E CAUSAS DE EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE:
DECADÊNCIA
É a perda do direito de ação penal ou de representação em razão de seu não
exercício no prazo legal.
Prazo legal: Em regra, 6 meses a contar do conhecimento da autoria do fato.
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90 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
RENÚNCIA AO
DIREITO DE
QUEIXA
É o ato unilateral (não depende de aceitação) e voluntário por meio do qual a
pessoa legitimada ao exercício da ação penal privada abdica do seu direito de
queixa, antes do início do processo.
PERDÃO DO
OFENDIDO
É o ato bilateral (demanda aceitação) por meio do qual, no curso do processo
penal, o querelante resolve não prosseguir com a demanda, perdoando o
acusado.
PEREMPÇÃO
É a perda do direito de prosseguir no exercício da ação penal privada em
virtude da negligência do querelante, com a consequente extinção da
punibilidade. Hipóteses (art. 60 do CPP):
I - quando, iniciada esta, o querelante deixar de promover o andamento do
processo durante 30 dias seguidos;
II - quando, falecendo o querelante, ou sobrevindo sua incapacidade, não
comparecer em juízo, para prosseguir no processo, dentro do prazo de 60
(sessenta) dias, qualquer das pessoas a quem couber fazê-lo, ressalvado o
disposto no art. 36;
III - quando o querelante deixar de comparecer, sem motivo justificado, a
qualquer ato do processo a que deva estar presente, ou deixar de formular o
pedido de condenação nas alegações finais;
IV - quando, sendo o querelante pessoa jurídica, esta se extinguir sem deixar
sucessor.
#NÃOOCONFUNDA
A regra geral do CPP permite a retratação da representação até o oferecimento da denúncia, porém,
na Lei Maria da Penha é possível se retratar até o recebimento da denúncia e apenas em juízo.
Art. 25. A representação será irretratável, depois de oferecida a denúncia.
Art. 16 da Lei 11.340/06: Nas ações penais públicas condicionadas à representação da ofendida de
que trata esta Lei, só será admitida a renúncia à representação perante o juiz, em audiência
especialmente designada com tal finalidade, antes do recebimento da denúncia e ouvido o Ministério
Público.
#SELIGANASSÚMULAS
SÚMULA 594 DO STF: Os direitos de queixa e de representação podem ser exercidos,
independentemente, pelo ofendido ou por seu representante legal.
SÚMULA 714 DO STF: É concorrente a legitimidade do ofendido, mediante queixa e do Ministério Público,
condicionada à representação do ofendido, para a ação penal por crime contra a honra de servidor
público em razão do exercício de suas funções; sem representação, não há procedibilidade da ação penal.
SÚMULA 542 DO STJ:A ação penal relativa ao crime de lesão corporal resultante de violência doméstica
contra a mulher é pública incondicionada.
SÚMULA 608-STF: No crime de estupro, praticado mediante violência real, a ação penal é pública
incondicionada.
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#DEOLHONAJURIS A Súmula 608 do STF permanece válida mesmo após o advento da Lei nº 12.015/2009.
Assim, em caso de estupro praticado mediante violência real, a ação penal é pública incondicionada. STF.
1ª Turma. HC 125360/RJ, rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em
27/2/2018 (Info 892).
AÇÃO CIVIL EX DELICTO
CONCEITO
Trata-se da ação que busca a reparação do dano que a suposta infração penal
pode ter causado à determinada pessoa.
AÇÃO CIVIL EX
DELITO
PROPRIAMENTE DITA
A vítima, seu representante legal ou sucessores, independentemente da
sentença penal, irão buscar na esfera cível a reparação do dano decorrente
do fato delituoso (art. 64, CPP). Nesse caso, poderá o juiz suspender o curso
da ação civil até que transite em julgado a sentença penal com o patamar
mínimo indenizatório.
AÇÃO DE EXECUÇÃO
EX DELICTO
A vítima, seu representante legal ou sucessores, vão executar a sentença penal
transitada em julgado (art. 63, CPP c/c art. 387, IV, CPP c/c art. 91, I, CP).
INDEPENDÊNCIA
DAS INSTÂNCIAS
As instâncias são independentes (art. 2º, CF). Contudo, a própria sentença
penal já pode servir de título executivo judicial para o cível, nos casos em que
o juiz já atribui um valor indenizatório mínimo (art. 63, parágrafo único, CPP).
EFEITOS CIVIS DA
ABSOLVIÇÃO PENAL
A absolvição do acusado na esfera penal não influencia a decisão do juiz na
esfera cível, salvo quando ficar comprovado que ele não foi o autor (ou
partícipe) da infração penal ou que o fato efetivamente não ocorreu (art. 66,
CPP c/c art. 386, CPP c/c art. 935, CC).
INDENIZAÇÃO
FIXADA NA
SENTENÇA
A Lei n° 11.719/2008 modificou o art. 387, IV do CPP, determinando que na
sentença penal condenatória o juiz deverá fixar o valor mínimo para reparação
dos danos. De acordo com a doutrina e a jurisprudência, podem ser fixados
tanto valores à título de DANOS MATERIAIS quanto DANOS MORAIS, mas
deve haver pedido expresso do Ministério Público ou do ofendido.
#DEOLHONAJURIS - INFO 588 STJ O juiz, ao proferir sentença penal
condenatória, no momento de fixar o valor mínimo para a reparação dos
danos causados pela infração (art. 387, IV, do CPP), pode, sentindo-se apto
diante de um caso concreto, quantificar, ao menos o mínimo, o valor do dano
moral sofrido pela vítima, desde que fundamente essa opção. Isso porque o
art. 387, IV, não limita a indenização apenas aos danos materiais e a legislação
penal deve semprepriorizar o ressarcimento da vítima em relação a todos os
prejuízos sofridos. STJ, julgado em 9/8/2016 (Info 588).
LEGITIMIDADE EM
CASO DE VÍTIMA
POBRE
De acordo com o art. 68 do CPP, a legitimidade para a ação civil ex delicto,
em caso de vítima pobre, seria do Ministério Público. Discutiu-se se tal previsão
legal continuaria válida em razão da atribuição constitucional da Defensoria
Pública para atuar em prol dos hipossuficientes. Para o STF, o art. 68 é dotado
de uma inconstitucionalidade progressiva ou inconstitucionalidade imperfeita
CPF: 008.374.135-67 ALUNO: Luciana Nascimento Pereira
92 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
(#DEOLHONOSSINÔNIMOS) – um dia será inconstitucional. “Norma ainda
constitucional” ou “norma em trânsito da constitucionalidade para a
inconstitucionalidade”. Nas comarcas em que não houver Defensoria Pública,
o MP pode pleitear em juízo, a reparação do dano em favor de vítima pobre.
STF RE 135328
#AJUDAMARCINHO- INFO 588 STJ O juiz, ao proferir sentença penal
condenatória, no momento de fixar o valor mínimo para a reparação dos
danos causados pela infração (art. 387, IV, do CPP), pode, sentindo-se apto
diante de um caso concreto, quantificar, ao menos o mínimo, o valor do dano
moral sofrido pela vítima, desde que fundamente essa opção. Isso porque o
art. 387, IV, não limita a indenização apenas aos danos materiais e a legislação
penal deve sempre priorizar o ressarcimento da vítima em relação a todos os
prejuízos sofridos. STJ, julgado em 9/8/2016 (Info 588).
8 Jurisdição e competência.
ESPÉCIES DE COMPETÊNCIA
RATIONE
MATERIAE
É aquela que leva em consideração a natureza da infração penal (art. 69, III, CPP).
Ex. Justiça Militar, Justiça Eleitoral, Tribunal do Júri.
RATIONE
FUNCIONAE
É aquela que leva em consideração os casos de foro por prerrogativa de função.
RATIONE LOCI
Será fixada seja pelo lugar da infração, seja pelo domicílio ou seja pela residência
do réu (art. 69, I e II, CPP).
COMPETÊNCIA
FUNCIONAL
É a distribuição feita pela lei entre diversos juízes da mesma instância ou de
instâncias diversas para, em um mesmo processo, praticar determinados atos.
Ex. No Tribunal do Júri compete ao juiz sumariante exercer a competência na 1ª
fase (iudiciumaccusationis) e ao Juiz Presidente do Tribunal do Júri exercer a
competência na 2ª fase (iudicium causae).
COMPETÊNCIA ABSOLUTA COMPETÊNCIA RELATIVA
Regra de competência criada com base no
interesse público.
Regra de competência criada com base no
interesse das partes.
Não pode ser modificada (competência
improrrogável ou imodificável)
Pode ser modificada (competência prorrogável
ou modificável)
É causa de nulidade absoluta:
a) pode ser arguida a qualquer tempo;
b) o prejuízo é presumido.
É causa de nulidade relativa:
a) deve ser arguida no momento oportuno, sob
pena de preclusão;
b) o prejuízo deve ser comprovado.
Pode ser reconhecida ex officio pelo magistrado,
enquanto não esgotada sua jurisdição pela
prolação da sentença.
Pode ser reconhecida ex officio pelo magistrado,
porém até o início da instrução processual.
CPF: 008.374.135-67 ALUNO: Luciana Nascimento Pereira
93 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
Pode ser arguida por meio de exceção de
incompetência.
Pode ser arguida por meio de exceção de
incompetência.
ratione materiae, ratione funcionae e
competência funcional.
Ratione loci, competência por distribuição,
competência por prevenção, conexão e
continência.
TEORIA DO RESULTADO: A competência será, de regra, determinada pelo lugar em que se
consumar a infração, ou, no caso de tentativa, pelo lugar em que for praticado o último ato de execução.
Não sendo conhecido o lugar da infração, a competência regular-se-á pelo domicílio ou residência do
réu.
#EXCEÇÕES: No JECRIM aplica-se a teoria da atividade (a competência será do lugar da ação ou
omissão). Por sua vez, na ação penal privada, a competência será do lugar da infração ou do domicílio
do réu (foros concorrentes). Também há a exceção nos casos de crime contra vida, em que a competência
será determinada pela teoria da ATIVIDADE. Assim, no caso de crimes contra a vida (dolosos ou culposos),
se os atos de execução ocorreram em um lugar e a consumação se deu em outro, a competência para
julgar o fato será do local onde foi praticada a conduta (local da execução).
CONEXÃO: Casos de concurso de pessoas (conexão intersubjetiva); infrações praticadas para
facilitar ou ocultar outras (conexão objetiva ou teleológica); prova de uma infração influir na prova de
outra (conexão instrumental ou probatória). Gera unidade de processo e julgamento.
CONTINÊNCIA: Casos de pessoas acusadas pela mesma infração (continência por cumulação
subjetiva) e casos de concurso formal de delitos, aberratio ictus e aberratio criminis com duplo resultado
(continência por cumulação objetiva). Gera unidade de processo e julgamento.
#SELIGA
✓ Competência em crime continuado e em crime permanente: prevenção.
✓ Competência em casos de conexão e continência: crime mais grave → maior número de infrações →
prevenção.
✓ Súmula 235 STJ: a conexão não determina a reunião dos processos, se um deles já foi julgado.
SEPARAÇÃO FACULTATIVA DOS PROCESSOS: Quando as infrações tiverem sido praticadas em
circunstâncias de tempo ou de lugar diferentes, ou, quando pelo excessivo número de acusados e para
não lhes prolongar a prisão provisória, ou por outro motivo relevante, o juiz reputar conveniente a
separação.
SEPARAÇÃO OBRIGATÓRIA DOS PROCESSOS: Se houver concurso entre a jurisdição comum e
a militar; se houver concurso entre a jurisdição comum e o juízo de menores (ECA); se sobrevier doença
mental em relação a um corréu; se houver corréu foragido; se não houver número mínimo de jurados
no tribunal do júri (estouro de urna).
INFRAÇÕES OCORRIDAS EM NAVIOS OU AERONAVES: Serão julgadas pela Justiça Federal. Para
que o crime seja de competência da Justiça Federal, é necessário que o navio seja uma “embarcação
de grande porte”. Logo, se o delito for cometido a bordo de um pequeno barco, lancha, veleiro etc., a
competência será da Justiça Estadual.
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94 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
✓ Viagens nacionais (competência do lugar em que o avião ou navio parar primeiro após a
consumação do crime);
✓ Viagens Internacionais (competência do local de saída ou do de chegada).
#COLANARETINA
• Navios e aeronaves de natureza pública: integram o Brasil independentemente de onde estejam.
• Navios e aeronaves de natura privada: a) bandeira brasileira (quando estiverem transitando território
nacional e alto mar); b) bandeira estrangeira (apenas quando estiverem transitando o território nacional).
COMPETÊNCIA MATERIAL EM RAZÃO DA PESSOA (RATIONE PERSONAE): foro por prerrogativa
de função.
#BORADETABELA?
TABELA FORO PRIVILEGIADO
CF EXECUTIVO LEGISLATIVO JUDICIÁRIO OUTRAS
STF
(Art. 102 da CF)
1. Presidente
2. Vice-Presidente
3. Ministros de
Estado.
4. Chefe da AGU
5. Chefe da Casa
Civil
6. Controlador
Geral da União
7. Presidente do
BACEN
1. Senadores
2. Deputados
Federais
Membros dos
Tribunais
Superiores:
1. STF
2. STJ
3. TST
4. TSE
5. STM
1. MPU (PGR);
2. TCU;
3. Comandante
das forças
armadas;
4. Chefes em
missão
diplomática
permanente.
STJ
(Art. 101 da CF)
Governadores Ninguém.
Membros dos:
Tribunais
Estaduais e
Federais
1. MPU (membros
que atuam no
Tribunal –
chamados de
procuradores
regionais);
2. Os conselheiros
do Tribunal de
contas do Estado;
TJ
Prefeitos (Art. 29,
X, CF)
Deputados
Estaduais
Juízes Estaduais
de 1º Grau
Todos os
membros do MP
Estadual
(Promotor/Procur
ador).
TRF
(Art. 108 da CF)
Prefeitos (Súmula
702–STF)
Deputados
Estaduais
Juízes Federais de
1º GrauMembros do
MPU (1º Grau)
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95 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
✓ Juiz estadual que praticar crime federal: julgado no TJ.
✓ Renúncia ao mandato na iminência do julgamento caracteriza abuso do direito de defesa, e será
desconsiderada para efeito do deslocamento da competência (STF).
✓ A competência do TJ e do TRF é excepcionada pela competência do TRE para julgamento dos
crimes eleitorais. O mesmo não ocorre com o STF e com o STJ, que aglutinam competência para
julgar infrações eleitorais.
✓ O julgamento de contravenções penais será sempre da justiça estadual. A única exceção diz respeito
aos réus que possuem foro por prerrogativa na JF. Assim, alguém que tenha foro por prerrogativa
de função no TRF, caso pratique alguma contravenção, será julgado no TRF e não ao TJ.
✓ Foro por prerrogativa X deslocamento: as autoridades com foro por prerrogativa no TJ ou no TRF,
ao praticarem crime fora do Estado ou da região, serão julgadas no seu tribunal de origem.
✓ Foro por prerrogativa X Júri: autoridades com foro por prerrogativa na CF não vão a júri, pois serão
julgadas no seu Tribunal de origem. O mesmo não ocorre quando o privilégio é estabelecido apenas
na Constituição Estadual (Súmula 721 - STF).
#OLHAOGANCHO: o Júri prevalece sobre os demais órgãos, julgando os crimes dolosos contra a vida e
todas as infrações comuns eventualmente conexas.
✓ Justiça Especial prevalece sobre a comum. Exceção: justiça militar. Não se aplicam as regras de
conexão e continência (caso de separação obrigatória de processos).
✓ Órgãos da mesma justiça e de mesma hierarquia concorrendo:
1ª) prevalece o juiz que atua no local da consumação do crime mais grave (o que vale é a pena em
abstrato);
2ª) se os crimes têm a mesma gravidade, prevalece o juiz que atua no local da consumação do
maior número de infrações;
3ª) por sua vez, se os delitos têm a mesma gravidade e a mesma quantidade por comarca, prevalece
o juiz prevento.
✓ Reunidos os processos (os de competência comum e os de pequeno potencial ofensivo), o juiz
competente para atuar no julgamento do crime comum deve zelar pela aplicação dos institutos da
transação penal e da composição dos danos civis ao crime de pequeno potencial ofensivo.
✓ Estelionato: competência no caso em que o prejuízo ocorreu em local diferente da obtenção da
vantagem. O crime se consuma no momento da obtenção da vantagem indevida, ou seja, no
instante em que o valor é depositado ("cai") na conta corrente do autor do delito, passando,
portanto, à sua disponibilidade.
#SURRADESÚMULAS #TATUANAMEMÓRIA.
COMPETÊNCIA ESTADUAL:
Súmula 38-STJ: Compete a Justiça Estadual Comum, na vigência da Constituição de 1988, o processo por
contravenção penal, ainda que praticada em detrimento de bens, serviços ou interesse da União ou de
suas entidades.
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96 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
Súmula 73-STJ: A utilização de papel moeda grosseiramente falsificado configura, em tese, o crime de
estelionato, da competência da Justiça Estadual.
Súmula 104-STJ: Compete à Justiça Estadual o processo e julgamento dos crimes de falsificação e uso de
documento falso relativo a estabelecimento particular de ensino.
Súmula 107-STJ: Compete à Justiça Comum Estadual processar e julgar crime de estelionato praticado
mediante falsificação das guias de recolhimento das contribuições previdenciárias, quando não ocorrente
lesão à autarquia federal.
Súmula 140-STJ: Compete à Justiça Comum Estadual processar e julgar crime em que o indígena figure
como autor ou vítima.
Súmula 546-STJ: A competência para processar e julgar o crime de uso de documento falso é firmada
em razão da entidade ou órgão ao qual foi apresentado o documento público, não importando a
qualificação do órgão expedidor.
Súmula 522-STF: Salvo ocorrência de tráfico para o exterior, quando, então, a competência será da Justiça
Federal, compete à justiça dos estados o processo e julgamento dos crimes relativos a entorpecentes.
Súmula 498-STF: Compete a justiça dos estados, em ambas as instâncias, o processo e o julgamento dos
crimes contra a economia popular.
COMPETÊNCIA FEDERAL:
Súmula 122-STJ: Compete à Justiça Federal o processo e julgamento unificado dos crimes conexos de
competência federal e estadual, não se aplicando a regra do art. 78, lI, “a”, do Código de Processo Penal.
Súmula 147-STJ: Compete à Justiça Federal processar e julgar os crimes praticados contra funcionário
público federal, quando relacionados com o exercício da função.
Súmula 200-STJ: O juízo federal competente para processar e julgar acusado de crime de uso de
passaporte falso é o do lugar onde o delito se consumou.
Súmula 208-STJ: Compete à justiça federal processar e julgar prefeito municipal por desvio de verba
sujeita a prestação de contas perante órgão federal.
Súmula 209-STJ: Compete à justiça estadual processar e julgar prefeito por desvio de verba transferida e
incorporada ao patrimônio municipal.
Súmula 528-STJ: Compete ao juiz federal do local da apreensão da droga remetida do exterior pela via
postal processar e julgar o crime de tráfico internacional.
Súmula vinculante 36: Compete à Justiça Federal comum processar e julgar civil denunciado pelos crimes
de falsificação e de uso de documento falso quando se tratar de falsificação da Caderneta de Inscrição e
Registro (CIR) ou de Carteira de Habilitação de Amador (CHA), ainda que expedidas pela Marinha do
Brasil.
9 Questões e processos incidentes.
QUESTÃO PREJUDICIAL HETEROGÊNEA
QUESTÃO PREJUDICIAL OBRIGATÓRIA QUESTÃO PREJUDICIAL FACULTATIVA
Decisão que envolva estado civil das pessoas.
Decisão que envolva questão diversa do estado
civil das pessoas.
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97 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
Suspensão obrigatória do processo: juiz
suspenderá a ação penal até que no juízo cível a
controvérsia seja dirimida por sentença com
trânsito em julgado, sem prejuízo de inquirição
de testemunhas e de outras provas de natureza
urgente (art. 92, CPP);
Suspensão facultativa do processo: juiz poderá
suspender o curso da ação penal.
#ATENÇÃO O juiz marcará o prazo da
suspensão, que poderá ser razoavelmente
prorrogado, se a demora não for imputável à
parte. Expirado o prazo, sem que o juiz cível
tenha proferido decisão, o juiz criminal fará
prosseguir o processo, retomando sua
competência para resolver, de fato e de direito,
toda a matéria da acusação ou da defesa.
Recurso da decisão que denegar a suspensão do processo: Irrecorrível (art. 93, §2º, CPP).
Recurso da decisão que conceder a suspensão: RESE (art. 582, XVI, CPP).
EXCEÇÕES
SUSPEIÇÃO
Se relaciona com a imparcialidade do juiz.
Só poderá ser arguida até a sentença.
Salvo quando superveniente, deverá ser a primeira exceção alegada.
#ATENÇÃO Aplica-se a exceção de suspeição ao membro do MP, aos
serventuários e aos auxiliares da Justiça e aos Jurados, mas NÃO à
autoridade policial.
INCOMPETÊNCIA DE
JUÍZO
Se aplica apenas para os casos de incompetência relativa.
Pode ser oposta verbalmente ou por escrito, no prazo da defesa.
Segue o mesmo procedimento da exceção de suspeição.
LITISPENDÊNCIA
Para o caso de duplicidade de demandas idênticas (identidade de partes,
fatos imputados e pedidos) tramitando simultaneamente.
ILEGITIMIDADE DE
PARTE
Defeitos em relação às partes da ação.
Legitimidade ad causam = É a situação prevista em lei que permite a um
determinado sujeito propor a demanda judicial e a outro ocupar o polo
passivo da demanda. #SELIGANOEXEMPLO: Haverá ilegitimidade ativa ad
causam se o MP propor ação penal em crime de natureza privada.
Legitimidade ad processum = Se relaciona com a capacidade de estar em
juízo, tida como pressuposto processual de validade. #SELIGANOEXEMPLO:Haverá ilegitimidade ad processum se o ofendido menor de 18 anos oferecer
queixa-crime sem representante legal.
COISA JULGADA
Duplicidade de demandas idênticas (identidade de partes, fatos imputados
e pedidos), tendo uma delas já transitado em julgado.
#ATENÇÃO As exceções podem ser Peremptórias ou Dilatórias.
Peremptórias: Se julgadas procedentes, extinguem o processo. Ex: litispendência e coisa julgada.
Dilatórias: Se julgadas procedentes, retardam o curso do processo. Ex: suspeição e incompetência.
CPF: 008.374.135-67 ALUNO: Luciana Nascimento Pereira
98 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
#SELIGA A ilegitimidade ad causam será sempre peremptória e a ilegitimidade ad processum será
dilatória ou peremptória, a depender do vício ser ou não sandado.
INCOMPATIBILIDADES
E IMPEDIMENTOS
O juiz, o órgão do Ministério Público, os serventuários ou funcionários de
justiça e os peritos ou intérpretes abster-se-ão de servir no processo,
quando houver incompatibilidade ou impedimento legal.
Se não se der a abstenção, a incompatibilidade ou impedimento poderá ser
arguido pelas partes, seguindo-se o processo estabelecido para a exceção
de suspeição.
CONFLITO DE
JURISDIÇÃO
-Conflito positivo: duas ou mais autoridades judiciárias se consideram
competentes para conhecer do mesmo fato criminoso.
-Conflito negativo: duas ou mais autoridades judiciárias se consideram
incompetentes para conhecer do mesmo fato criminoso.
-Também haverá conflito quando entre as autoridades judiciárias surgir
controvérsia sobre unidade de juízo, junção ou separação de processos.
-Poderá ser arguido junto ao Tribunal competente pela parte interessada,
MP ou qualquer dos juízes ou tribunais envolvidos na causa.
RESTITUIÇÃO DE
COISAS
APREENDIDAS
Deverá ser instaurado o incidente quando houver dúvida sobre o direito
daquele que pede a restituição de coisa apreendida.
MEDIDAS
ASSECURATÓRIAS
Tem natureza patrimonial e buscam assegurar os efeitos patrimoniais da
condenação, tais como, a reparação do dano, pena de multa, pagamento
das despesas processuais. Modalidades:
-SEQUESTRO: para tornar indisponíveis bens imóveis. Para bens adquiridos
com o proveito da ação penal, em nome do investigado/acusado ou de
terceiros.
-HIPOTECA LEGAL: direito real de garantia que também recai sobre bens
imóveis. Sobre o patrimônio do investigado/acusado adquirido de forma
lícita ou ilícita.
-ARRESTO PREVENTIVO: É medida pré-cautelar que busca tornar os bens
do indiciado indisponíveis enquanto tramita o pedido de hipoteca legal.
-ARRESTO: semelhante à hipoteca legal, mas se aplica para bens móveis.
Apenas para bens adquiridos de forma lícita.
-ALIENAÇÃO ANTECIPADA: Aplica-se a todas as modalidades de medidas
assecuratórias, visando a preservação do valor dos bens sempre que
estiverem sujeitos a deterioração ou depreciação ou houver dificuldade
para a sua manutenção.
INCIDENTE DE
FALSIDADE
DOCUMENTAL
Tem por objetivo verificar a autenticidade de documento inserido no
processo. #NÃOCAIANESSA Não é possível durante a investigação.
CPF: 008.374.135-67 ALUNO: Luciana Nascimento Pereira
99 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
INCIDENTE DE
INSANIDADE MENTAL
Quando houver dúvidas sobre a capacidade mental do
investigado/acusado.
#ATENÇÃO Se instaurado no curso do IP não haverá suspensão. Mas no
curso do processo, não acarreta suspensão.
#INFORMATIVOS #COLANARETINA
Indeferimento do pedido de incidente de falsidade formulado anos após a prova ter sido juntada e
depois da sentença condenatória. Não há nulidade na decisão que indefere pedido de incidente de
falsidade referente à prova juntada aos autos há mais de 10 anos e contra a qual a defesa se insurge
somente após a prolação da sentença penal condenatória, uma vez que a pretensão está preclusa.
STJ. 5ª Turma.RHC 79834-RJ, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 07/11/2017 (Info 615).
Se o acusado se recusa a participar do incidente, não pode ser obrigado a fazer o exame.
O incidente de insanidade mental é prova pericial constituída em favor da defesa. Logo, não é
possível determiná-lo compulsoriamente na hipótese em que a defesa se oponha à sua realização.
STF. 2ª Turma. HC 133.078/RJ, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 6/9/2016 (Info 838)
Ilegitimidade do corréu para ajuizar medida cautelar de sequestro de bens dos demais corréus. João,
Pedro e Tiago foram denunciados pela prática de sonegação fiscal (art. 1º, I, da Lei nº 8.137/90). O
Ministério Público requereu ao juiz e foi autorizado o sequestro dos bens somente do réu João, com
base no Decreto-Lei 3.240?41: Art. 1º Ficam sujeitos a sequestro os bens de pessoa indiciada por
crime de que resulta prejuízo para a fazenda pública, ou por crime definido no Livro II, Títulos V, VI e
VII da Consolidação das Leis Penais desde que dele resulte locupletamento ilícito para o indiciado.
João, inconformado pelo fato de que apenas os seus bens foram atingidos pela decisão, impetrou
mandado de segurança pedindo que os bens dos outros réus (Pedro e Tiago) também fossem
sequestrados. Alegou que a medida constritiva deveria ter recaído sobre os bens de todos os
acusados, sob pena de ofensa aos princípios da isonomia e da proporcionalidade. O mandado de
segurança terá êxito? NÃO. O corréu — partícipe ou coautor — que teve seus bens sequestrados no
âmbito de denúncia por crime de que resulta prejuízo para a Fazenda Pública (DL 3.240/41) não tem
legitimidade para postular a extensão da constrição aos demais corréus, mesmo que o Ministério
Público tenha pedido a medida cautelar de sequestro de bens somente em relação àquele. STJ. 6ª
Turma. RMS 48619-RS, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 15/9/2015 (Info 570).
Será necessária a procuração se o Defensor Público for praticar algum dos atos para os quais a lei
exige poderes especiais. O art. 98 do CPP prevê que, para ser proposta exceção de suspeição do juiz,
o defensor precisa de procuração com poderes especiais. O Defensor Público que faz a defesa do
réu precisará de procuração com poderes especiais para arguir a suspeição do juiz? SIM. É exigível
procuração com poderes especiais para que seja oposta exceção de suspeição por réu representado
pela Defensoria Pública, mesmo que o acusado esteja ausente do distrito da culpa. STJ. 6ª Turma.
REsp 1431043-MG, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 16/4/2015 (Info 560).
10 Prova.
✓ Interrogatório do réu: Meio de prova x meio de defesa (STF).
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100 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
✓ Momento do interrogatório: Julgamento do HC 127900/AM, em 3/3/2016 (Info 816), o STF decidiu
que a realização do interrogatório ao final da instrução criminal, conforme o art. 400 do CPP, é
aplicável no âmbito de processo penal militar.
A realização do interrogatório ao final da instrução criminal, prevista no art. 400 do CPP, na redação dada
pela Lei nº 11.719/2008, também se aplica às ações penais em trâmite na Justiça Militar, em detrimento
do art. 302 do Decreto-Lei nº 1.002/69. Em relação à Lei de Drogas, não se manifestou de forma expressa,
mas apenas em obter dictum, no sentido de que o interrogatório deveria ser feito apenas ao final da
instrução.
#CUIDADO: na prova vocês devem observar se o enunciado se reporta ao dispositivo legal ou ao
entendimento jurisprudencial.
✓ Exame do corpo de delito: pode ser suprido pela prova testemunhal, mas não pela confissão.
✓ Interrogatório por videoconferência:
a) Prevenir risco à segurança pública (suspeita que integre organização criminosa ou que possa fugir);
b) Viabilizar a participação do réu no ato quando houver dificuldade de comparecimento ao juízo
(enfermidade ou circunstância pessoal);
c) Impedir influência do réu no ânimo da testemunha ou vítima, desde que não seja possível colher o
depoimento destas por videoconferência;d) Responder à gravíssima questão de ordem pública.
#ATENÇÃO:
✓ PROVAS CAUTELARES: são aquelas provas que correm o risco de desaparecer em razão do tempo.
Nesses casos, coleta-se cautelarmente a prova, mas o contraditório será postergado para a
instrução probatória. Em regra, dependem de autorização judicial. Exemplo: interceptação
telefônica autorizada no curso da investigação.
✓ PROVAS NÃO REPETÍVEIS: É aquela prova que não pode ser novamente produzida, devido ao
desaparecimento, destruição ou perecimento. Exemplo: perícia realizada na vítima de uma lesão
corporal leve que tende a desaparecer em poucos dias. Aqui, o contraditório também será
diferido/postergado.
✓ PROVAS ANTECIPADAS: São produzidas com observância ao contraditório, perante o magistrado,
porém em momento distinto daquele que previsto pela lei, inclusive na fase investigatória.
Exemplo: depoimento ad perpetuam rei memoriam (art. 225, CPP) e a produção de provas prevista
no art. 366, do CPP.
✓ SISTEMAS DE VALORAÇÃO DA PROVA: sistema da prova tarifada (resquícios no CPP – certidão
de óbito para comprovar a morte); sistema da íntima convicção (tribunal do júri); sistema do livre
convencimento motivado (regra geral).
✓ PROVA ILÍCITA: aquela que viola garantia consagrada em norma constitucional ou legal. Pode ser
utilizada para absolver, mas não para condenar. Devem ser desentranhadas do processo.
#OLHAOGANCHO Teorias diferentes que tratam das provas ilícitas:
CPF: 008.374.135-67 ALUNO: Luciana Nascimento Pereira
101 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
✓ Teoria da exclusão da ilicitude da prova: Preceitua que devem ser aplicadas as excludentes de
ilicitude catalogadas no art. 23 do CP, para justificar a conduta de quem produz a prova ilícita.
✓ Doutrina da visão aberta: Também se configura como exceção da regra da exclusão da prova ilícita.
É legítima a apreensão de elementos probatórios quando, a despeito de não se tratar da finalidade
prevista no mandado de busca e apreensão, o objeto da apreensão é encontrado à plena vista do
agente policial. Deve ocorrer de maneira casual.
✓ Teoria dos vícios sanados, da tinta diluída, do nexo causal atenuado ou limitação da mancha
purgada (purgedtaint): não se aplica a teoria da prova ilícita por derivação se o nexo causal entre a
prova primária e a secundária for atenuado em virtude do decurso do tempo, de circunstâncias
supervenientes na cadeia probatória, da menor relevância da ilegalidade ou da vontade de um dos
envolvidos em colaborar com a persecução criminal. Nesse caso, apesar de já ter havido a
contaminação de um determinado meio de prova em face da ilicitude ou ilegalidade da situação
que o gerou, um acontecimento futuro expurga, afasta, elide esse vício, permitindo-se, assim, o
aproveitamento da prova inicialmente contaminada.
✓ Exceções da boa-fé (good faith exception): Preconiza que “a vedação às provas ilícitas visa inibir,
dissuadir, e desestimular violações aos direitos fundamentais, não seria possível dizer que a prova
seria ilícita quando, com base em um mandado de busca e apreensão ilegal expedido por um juiz
neutro e imparcial, mas posteriormente considerado como não fundado em indícios necessários
para sua expedição, o agente, desconhecendo tal ilicitude e havendo motivos razoáveis para
acreditar na sua validade, obtém provas decorrentes do cumprimento do mandado, tendo
convicção de que agia dentro da legalidade”.
✓ Teoria da proporcionalidade (balancing test): Por esta teoria, deverá o magistrado realizar um juízo
de ponderação entre os diversos valores assegurados pela Constituição, tendo em conta a
intensidade e a quantidade da violação ao direito fundamental e o dano que poderá advir caso a
prova não seja admitida. No entanto, referida teoria não tem sido utilizada pelos tribunais para
afastar a ilicitude por derivação. A doutrina e a jurisprudência somente admitem a aplicação do
princípio da proporcionalidade para permitir a utilização da prova ilícita em benefício do acusado.
#CUIDADO: quando o art. 157, §2º, CP fez menção à fonte independente, quis, na verdade, trazer o
conceito da limitação da descoberta inevitável.
#MAISGANCHOS
Súmula 455 - STJ: a decisão que determina a produção antecipada de provas com base no artigo 366
do CPP deve ser concretamente fundamentada, não a justificando unicamente o mero decurso do tempo.
O que é prova típica? É aquele que procedimento está previsto na legislação.
O que é prova anômala? É a prova típica utilizada para fim diverso que a legislação lhe traz, com
características de outra prova típica. Sendo assim, existe um meio e um procedimento para esta prova, o
que não é respeitado, sendo utilizado outro meio para a sua realização. Exemplo de Renato Brasileiro:
Juiz não utiliza da carta precatória e pede para um oficial de justiça entrar em contato com uma
testemunha por telefone.
O que é prova irritual? É a que não observa o procedimento legal (existe procedimento previsto em lei
para a prova, mas ele não é observado). Conforme Brasileiro a prova irritual é “a típica colhida sem a
CPF: 008.374.135-67 ALUNO: Luciana Nascimento Pereira
102 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
observância do modelo previsto em lei. Como essa prova irritual é produzida sem obediência ao modelo
legal previsto em lei, trata-se de prova ilegítima, passível de declaração de nulidade”.
Prova crítica é sinônimo para a prova pericial.
Prova fora da terra é aquela produzida perante juízo distinto daquele em que se processou o feito, como
acontece no caso de carta rogatória ou precatória.
✓ Busca e Apreensão: embora esteja inserida no CPP como meio de prova, sua natureza jurídica é de
meio de obtenção de prova.
Em regra, documento em poder do advogado do réu não pode ser apreendido, salvo:
• Quando o documento é o corpo de delito do crime praticado pelo cliente (art. 243, §2º, CPP). Ex.:
escritura falsa;
• Quando o advogado é participante do crime, deixando, portanto, de ser (só) advogado (o
advogado é o investigado ou um dos investigados).
11 Sujeitos do Processo.
IMPEDIMENTO SUSPEIÇÃO
I - Tiver funcionado seu cônjuge ou parente,
consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral
até o terceiro grau, inclusive, como defensor ou
advogado, órgão do Ministério Público,
autoridade policial, auxiliar da justiça ou perito;
II - Ele próprio houver desempenhado qualquer
dessas funções ou servido como testemunha;
III - tiver funcionado como juiz de outra instância,
pronunciando-se, de fato ou de direito, sobre a
questão;
IV - Ele próprio ou seu cônjuge ou parente,
consanguíneo ou afim em linha reta ou colateral
até o terceiro grau, inclusive, for parte ou
diretamente interessado no feito.
I - se for amigo íntimo ou inimigo capital de
qualquer deles;
II - seele, seu cônjuge, ascendente ou
descendente, estiver respondendo a processo por
fato análogo, sobre cujo caráter criminoso haja
controvérsia;
III - se ele, seu cônjuge, ou parente, consangüíneo,
ou afim, até o terceiro grau, inclusive, sustentar
demanda ou responder a processo que tenha de
ser julgado por qualquer das partes;
IV - se tiver aconselhado qualquer das partes;
V - se for credor ou devedor, tutor ou curador, de
qualquer das partes;
VI - se for sócio, acionista ou administrador de
sociedade interessada no processo.
Rol taxativo. Presunção absoluta de parcialidade. Presunção relativa de parcialidade.
#ATENÇÃO A suspeição ou o impedimento em decorrência de parentesco por afinidade, em regra, cessa
com a dissolução do casamento. EXCEÇÕES:
a) Se do casamento resultar filhos, o impedimento ou suspeição não se extingue em nenhuma hipótese.
b) o impedimento ou suspeição permanece em relação a sogros, genros, cunhados, padrasto e enteado.
ASSISTENTE DE ACUSAÇÃO:
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103 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3CONCEITO:
Trata-se da figura do ofendido, seu representante legal ou seus sucessores,
que poderão atuar na ação penal pública como assistentes do Ministério
Público. O requerente deve estar assistido por profissional habilitado ou
Defensor Público.
MOMENTO:
Apenas durante o processo, entre o recebimento da denúncia e o trânsito
em julgado.
MINISTÉRIO PÚBLICO: Deve ser ouvido previamente.
RECURSO DA
DECISÃO QUE DEFERE
OU INDEFERE:
Irrecorível.
#ATENÇÃO A doutrina defende o cabimento de Mandado de Segurança
quando há indeferimento.
CORRÉU: Não pode atuar como assistente de acusação em relação aos demais corréus.
PODERES:
-Propor meios de prova
-Requerer perguntas às testemunhas
-Aditar os articulados
-Participar do debate oral e arrazoar os recursos interpostos pelo Ministério
Público ou por ele próprio.
-Requerer a prisão preventiva do acusado
- Apelar da sentença de mérito (mesmo com a única finalidade de majorar a
pena)
- Recorrer da sentença de impronúncia, nos processos do Tribunal do Júri
- Recorrer da sentença que julga extinta a punibilidade
12 Prisão, medidas cautelares, e liberdade provisória e prisão temporária (Lei nº 7.960/1989).
CARACTERÍSTICAS DAS MEDIDAS CAUTELARES PESSOAIS:
JURISDICIONALIDADE
Em regra, as medidas cautelares são determinadas pelo Poder Judiciário.
Exceção: fiança arbitrada pela autoridade policial às infrações cuja pena
máxima não supere quatro anos.
PROVISORIEDADE
Devem vigorar apenas pelo período necessário para atender a situação que
justificou sua imposição.
REVOGABILIDADE
Relacionado à provisoriedade, o juiz pode revogar a medida cautelar se
verificar a falta de motivos para que subsista.
EXCEPCIONALIDADE
Por implicarem em restrições às garantias e liberdades individuais e em
respeito ao Princípio da Presunção de Inocência devem ser aplicadas em
situações emergenciais, que configurem perigo à sociedade, ao processo ou
à execução penal.
SUBSTITUTIVIDADE
Assim como pode revogar a medida, o juiz pode entender que alguma outra
se mostra mais adequada ao caso concreto e promover a substituição.
CUMULATIVIDADE Assegura a possibilidade de aplicação isolada ou cumulativa.
ESPÉCIES DE FLAGRANTE (Art. 302, CPP)
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104 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
FLAGRANTE PRÓPRIO
OU REAL:
Aquele em que o agente está cometendo a infração penal ou que acaba de
cometê-la;
FLAGRANTE
IMPRÓPRIO, IRREAL OU
QUASE FLAGRANTE:
Aquele em que o agente é perseguido, logo após, pela autoridade, pelo
ofendido ou por qualquer pessoa, em situação que faça presumir ser autor
da infração;
FLAGRANTE
PRESUMIDO, FICTO OU
ASSIMILADO:
Aquele em que o agente é encontrado, logo depois, com instrumentos,
armas, objetos ou papéis que façam presumir ser ele autor da infração;
CRIAÇÕES DOUTRINÁRIAS E JURISPRUDENCIAIS
A) FLAGRANTE
PREPARADO OU
PROVOCADO:
Um agente provocador induz terceiro à prática do delito, adotando
precauções para que o crime não se consuma. Também chamado de delito
putativo por obra do agente provocador ou crime de ensaio. Configura
crime impossível (Súmula 145/STF: não há crime, quando a preparação do
flagrante pela polícia torna impossível a sua consumação).
B) FLAGRANTE
RETARDADO OU
DIFERIDO:
É considerado legal e encontra previsão na lei das organizações criminosas
e lei de drogas.
Exemplo: ação controlada (retardamento da intervenção policial, que deve
se dar no momento mais oportuno sob o ponto de vista da colheita de
provas);
C)FLAGRANTE
ESPERADO:
A autoridade policial limita-se a aguardar o momento da prática do delito.
A diferença entre o flagrante esperado e o preparado é que no preparado
há o agente provocador. É considerado legal;
D) FLAGRANTE
FORJADO OU URDIDO:
Cria provas de um delito inexistente. É ilegal.
FORMALIDADES DO FLAGRANTE
✓ Comunicar à família, ao juiz e ao MP;
✓ Em 24h enviar os autos ao juiz, entregar a nota de culpa e encaminhar cópia do auto à Defensoria
(caso não tenha advogado).
De acordo com o princípio da homogeneidade, corolário da proporcionalidade, mostra-se
ilegítima a prisão provisória quando a medida for mais gravosa que a própria sanção a ser aplicada na
hipótese de eventual condenação.
PECULIARIDADES EM RELAÇÃO A DETERMINADOS SUJEITOS
MENORES DE 18 ANOS
O adolescente é passível de apreensão em flagrante de ato
infracional, caso em que será apresentado imediatamente à
autoridade policial.
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105 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
PRESIDENTE DA REPÚBLICA
Apenas pode ser preso pela prática de crime comum após
sentença condenatória, razão pelo qual não está sujeito à prisão
em flagrante (art. 86, parágrafo 6 da CF/88).
GOVERNADOR
Prevalece que não se estende a governadores a prerrogativa do
artigo 86, parágrafo 6 da CF/88 diante do silêncio eloquente da
CF que, deliberadamente, não quis permitir essa exclusiva
imunidade presidencial a outras autoridades. Não há que se falar
em princípio da simetria constitucional nesse caso.
MAGISTRADOS E MEMBROS DO
MINISTÉRIO PÚBLICO
#ATENÇÃO Tanto os magistrados (art. 33, II, da LOMAN) quanto
os membros do Ministério Público (art. 40, III, da LONMP e art. 18,
II, d, LC 75/93) somente podem ser presos em flagrante pela
prática de crime inafiançável. Além disso, mesmo nesses casos, o
auto de prisão em flagrante não é presidido pela autoridade
policial, mas sim, no caso dos juízes, pelo Presidente do Tribunal
a que vinculado e, no caso dos membros do MP, pelo
Procurador-Geral de Justiça.
MEMBROS DO CONGRESSO
NACIONAL
Admite-se a prisão em flagrante de crime inafiançável, impondo-
se nas vinte e quatro horas seguintes, o encaminhamento dos
autos à respectiva Casa Legislativa, para que, pelo voto da maioria
de seus membros, resolva sobre a prisão (art. 53, parágrafo 2 da
CF/88).
DIPLOMATAS ESTRANGEIROS
Possuem imunidade diplomática, razão pelo qual não estão
sujeitos à prisão em flagrante.
AGENTE QUE PRESTA SOCORRO
À VÍTIMA APÓS ACIDENTE DE
TRÂNSITO
Não está sujeito à prisão em flagrante por força do artigo 301 do
CTB.
INDIVÍDUO QUE SE APRESENTA
ESPONTANEAMENTE À
AUTORIDADE
Inexistindo flagrante por apresentação, não se impõe a prisão em
flagrante ao indivíduo que se apresenta de modo espontâneo.
ADVOGADOS
Segundo o Estatuto da Advocacia, o advogado somente poderá
ser preso em flagrante, por motivo de exercício da profissão, em
caso de crime inafiançável. A contrario sensu, flagrado o
advogado na prática de crime afiançável por motivos estranhos
ao exercício da advocacia, nada impede a prisão em flagrante,
ressalvando-se, apenas, a necessidade de comunicação expressa
á seccional da OAB.
AUTOR DE INFRAÇÃO DE MENOR
POTENCIAL OFENSIVO
Não está sujeito à prisão em flagrante e nem se exigirá fiança se,
após a lavratura do termo, for imediatamente encaminhado ao
juizado ou assumir o compromisso de a ele comparecer (art. 69,
parágrafo único, da Lei 9.099/95)
CPF: 008.374.135-67 ALUNO: Luciana Nascimento Pereira
106 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
INDIVÍDUO FLAGRADO NA
POSSE DE DROGAS PARA
CONSUMO PESSOAL (ART. 28 DA
LEI 11.343/06)
Não se imporá prisão em flagrante, devendo o autor do fato ser
imediatamente encaminhado ao juízo competente ou, na falta
deste, assumir o compromisso de a ele comparecer, lavrando-se
termo circunstanciado e providenciando-se as requisições dos
exames e perícias necessários.
ELEITOR, ANTES E DEPOIS DO
PLEITO
Eleitor tem imunidade nos cinco dias anteriores e até quarenta e
oito horas depois do encerramento da eleição, salvo hipótese de
flagrante delito (de crime afiançável ou inafiançável) ou sentença
criminal condenatória por crime inafiançável, ou ainda, por
desrespeito a salvo-conduto.
PRISÃO TEMPORÁRIA: só pode ser determinadano inquérito policial e pelo prazo de 5 dias,
podendo ser prorrogada por mais 5 dias. Nos crimes hediondos, o prazo é de 30 + 30.
#ATENÇÃO! Requisitos da prisão temporária:
a) Ser imprescindível para as investigações;
b) Réu não possuir residência fixa ou não fornecer elementos para sua identificação;
c) Haver fundadas razões de autoria ou participação nos seguintes crimes: homicídio doloso, sequestro
ou cárcere privado, roubo, extorsão, extorsão mediante sequestro, estupro, atentado violento ao pudor,
rapto violento, epidemia com resultado morte, envenenamento de água potável ou substância alimentícia
ou medicinal qualificado pela morte, quadrilha ou bando (associação criminosa), genocídio, tráfico de
drogas, crime contra o sistema financeiro, crimes previstos na Lei de Terrorismo.
PRISÃO PREVENTIVA (ART. 311 E SEGUINTES): Visa à garantia da ordem pública, garantia da
ordem econômica, instrução do processo penal ou aplicação da lei penal. Só pode ser decretada em
crimes dolosos com pena superior a 4 anos, reincidentes dolosos (qualquer pena), descumprimentos
de medida de protetiva de urgência (violência doméstica) ou quando não se identificar civilmente.
PRISÃO PREVENTIVA
FUNDAMENTOS
(Art. 312 CPP)
GARANTIA DA ORDEM PÚBLICA: Apesar de não existir consenso doutrinário, é
utilizada para evitar que o agente continue delinquindo no transcorrer da
persecução criminal.
#OBS: A repercussão social ou a gravidade do fato, por si só, não justificam a
privação cautelar.
CONVENIÊNCIA DA INSTRUÇÃO CRIMINAL: Impede que o agente influencie a
produção probatória, destruindo provas, ameaçando testemunhas, etc.
GARANTIA DE APLICAÇÃO DA LEI PENAL: Evita-se a fuga do agente, impedindo
o sumiço do autor quando houver demonstração fundada da possibilidade de
fuga.
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107 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
GARANTIA DA ORDEM ECONÔMICA: Evita-se que o agente continue a praticar
novas infrações afetando a ordem econômica. É mais específica que a garantia
da ordem pública.
DESCUMPRIMENTO DE QUALQUER DAS OBRIGAÇÕES IMPOSTAS POR FORÇA
DE OUTRAS MEDIDAS CAUTELARES: Se o agente descumpriu a medida, pode
indicar que a cautelar diversa da prisão não se revela adequada ou suficiente ao
caso, admitindo-se a sua substituição ou cumulação com outra, ou em último
caso, a decretação da preventiva, desde que o delito praticado comporte a
medida.
REQUISITOS (ART.
313 do CPP)
CRIMES DOLOSOS punidos com pena privativa de liberdade máxima SUPERIOR
A 4 (QUATRO) ANOS.
Se tiver sido condenado por outro crime doloso, em sentença transitada em
julgado (REINCIDENTE).
Se o crime envolver VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR contra a mulher,
criança, adolescente, idoso, enfermo ou pessoa com deficiência, para GARANTIR
A EXECUÇÃO DAS MEDIDAS PROTETIVAS DE URGÊNCIA.
Houver DÚVIDA SOBRE A IDENTIDADE CIVIL DA PESSOA ou quando esta não
fornecer elementos suficientes para esclarecê-la, devendo o preso ser colocado
imediatamente em liberdade após a identificação, salvo se outra hipótese
recomendar a manutenção da medida.
Relaxamento da prisão Revogação da prisão cautelar Liberdade provisória
Incide nas hipóteses de prisão
ilegal
Incide nas hipóteses de prisão
legal
Incide nas hipóteses de prisão
legal
Cabível em face de toda e
qualquer espécie de prisão,
desde que ilegal.
Cabível em face da prisão
temporária e da prisão
preventiva.
Por força da lei de 2011, passou
a ser cabível em face de
qualquer prisão.
Não se trata de medida
cautelar, mas sim de medida de
urgência baseada no poder de
polícia da autoridade judiciária.
Não se trata de medida
cautelar, mas sim de medida de
urgência baseada no poder de
polícia da autoridade judiciária.
É medida de contracautela e
também de medida cautelar
autônoma, que pode ser
aplicada com a imposição de
uma ou mais das medidas
cautelares diversas da prisão
(art. 321).
Acarreta a restituição de
liberdade plena. No entanto, na
hipótese do relaxamento,
presentes FUMUS +
PERICULUM, é possível a
imposição de medidas
Acarreta a restituição de
liberdade plena. Todavia,
presentes FUMUS +
PERICULUM, é possível a
imposição de medidas
cautelares diversas da prisão.
Acarreta a restituição da
liberdade com vinculação.
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108 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
cautelares, inclusive as prisões
preventiva e temporária.
Cabível em relação a todos os
crimes.
Cabível em relação a todos os
crimes.
Há dispositivos legais de
duvidosa constitucionalidade
que vedam a liberdade
provisória, com ou sem fiança,
em relação a alguns delitos, o
que, todavia, não impede a
aplicação das medidas
cautelares diversas da prisão.
Só pode ser decretada pela
autoridade judicial (há quem
defenda que o Delegado
também pode).
A competência recai sobre
quem decretou a medida. Logo,
se impetrado diretamente HC,
há supressão de instância.
Pode ser concedida tanto pela
autoridade policial (art. 322),
como pelo juiz.
#BORAFIXAR
✓ Juiz não pode conceder de ofício: prisão temporária e prisão preventiva e cautelares diferentes da
prisão durante o inquérito.
✓ Cautelares diversas da prisão: sempre concedidas pelo juiz, salvo a fiança, que pode ser arbitrada
pelo delegado quando a pena máxima do crime for de até 4 anos.
✓ Atos infracionaispretéritos podem ser utilizados como fundamento para decretação ou manutenção
da prisão preventiva, desde que haja gravidade específica do ato infracional, o tempo decorrido
entre o referido ato e o crime seja razoável (não excessivo) e haja comprovação da efetiva
ocorrência do ato infracional (STJ, Info 585).
✓ A fuga do distrito da culpa é fundamentação idônea a justificar o decreto da custódia preventiva
para a conveniência da instrução criminal e como garantia da aplicação da lei penal.
✓ As condições pessoais favoráveis não garantem a revogação da prisão preventiva quando há nos
autos elementos hábeis a recomendar a manutenção da custódia.
✓ A substituição da prisão preventiva pela domiciliar exige comprovação de doença grave, que
acarrete extrema debilidade, e a impossibilidade de se prestar a devida assistência médica no
estabelecimento penal.
✓ As medidas cautelares diversas da prisão, ainda que mais benéficas, implicam em restrições de
direitos individuais, sendo necessária fundamentação para sua imposição.
✓ A prisão preventiva não é legítima nos casos em que a sanção abstratamente prevista ou imposta
na sentença condenatória recorrível não resulte em constrição pessoal, por força do princípio da
homogeneidade.
✓ Os fatos que justificam a prisão preventiva devem ser contemporâneos à decisão que a decreta.
✓ A alusão genérica sobre a gravidade do delito, o clamor público ou a comoção social não
constituem fundamentação idônea a autorizar a prisão preventiva.
✓ Havendo déficit de vagas, deverá determinar-se: (i) a saída antecipada de sentenciado no regime
com falta de vagas; (ii) a liberdade eletronicamente monitorada ao sentenciado que sai
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109 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
antecipadamente ou é posto em prisão domiciliar por falta de vagas; (iii) o cumprimento de penas
restritivas de direito e/ou estudo ao sentenciado que progride ao regime aberto; d) até que sejam
estruturadas as medidas alternativas propostas, poderá ser deferida a prisão domiciliar ao
sentenciado (Info 825 - STF).
PRISÃO DOMICILIAR: é um tipo especial de prisão que substitui a preventiva quando estão
presentes os requisitos dos arts. 312 e 313, mas, por alguma particularidade do acusado, ele não pode
se submeter ao gravame do cárcere.
#NOVIDADELEGISLATIVA: Lei nº 13.257/2016 (Marco Legal da Primeira Infância)
Poderá o juiz substituir a prisão preventiva peladomiciliar quando o agente for:
I - maior de 80 (oitenta) anos;
II - extremamente debilitado por motivo de doença grave;
III - imprescindível aos cuidados especiais de pessoa menor de 06 (seis) anos de idade ou com deficiência;
IV - gestante;
V - mulher com filho de até 12 (doze) anos de idade incompletos;
VI - homem, caso seja o único responsável pelos cuidados do filho de até 12 (doze) anos de idade
incompletos.
13 Citações e Intimações.14 Atos processuais e atos judiciais.
#DEOLHONAJURIS #INFORMATIVOS
Súmula 455 do STJ: A decisão que determina a produção antecipada de provas com base no artigo
366 do CPP deve ser concretamente fundamentada, não a justificando unicamente o mero decurso do
tempo.
Súmula 415 do STJ: O período de suspensão do prazo prescricional é regulado pelo máximo da pena
cominada.
Citação por hora certa é constitucional. É constitucional a citação com hora certa no âmbito do
processo penal. STF. Plenário. RE 635145/RS, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Luiz
Fux, julgado em 1º/8/2016 (repercussão geral) (Info 833).
Produção antecipada de provas e oitiva de testemunhas policiais. Existe um argumento no sentido de
que se as testemunhas forem policiais, deverá haver autorizada a sua oitiva como prova antecipada,
considerando que os policiais lidam diariamente com inúmeras ocorrências e, se houvesse o decurso
do tempo, eles iriam esquecer dos fatos. Esse argumento é aceito pela jurisprudência? A oitiva das
testemunhas que são policiais é considerada como prova urgente para os fins do art. 366 do CPP? * 1ª
corrente: SIM. É justificável a antecipação da colheita da prova testemunhal com arrimo no art. 366 do
CPP nas hipóteses em que as testemunhas são policiais. O atuar constante no combate à criminalidade
expõe o agente da segurança pública a inúmeras situações conflituosas com o ordenamento jurídico,
sendo certo que as peculiaridades de cada uma acabam se perdendo em sua memória, seja pela
frequência com que ocorrem, ou pela própria similitude dos fatos, sem que isso configure violação à
garantia da ampla defesa do acusado. STJ. 3ª Seção. RHC 64.086-DF, Rel. Min. Nefi Cordeiro, Rel. para
acórdão Min. Rogério Schietti Cruz, julgado em 23/11/2016 (Info 595). * 2ª corrente: NÃO. Não serve
CPF: 008.374.135-67 ALUNO: Luciana Nascimento Pereira
110 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
como justificativa a alegação de que as testemunhas são policiais responsáveis pela prisão, cuja própria
atividade contribui por si só, para o esquecimento das circunstâncias que cercam a apuração da suposta
autoria de cada infração penal: STF. 2ª Turma. HC 130038/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em
3/11/2015 (Info 806).
Nulidade da intimação por edital de réu preso. Preso o réu durante o curso do prazo da intimação por
edital da sentença condenatória, essa intimação fica prejudicada e deve ser efetuada pessoalmente. Se
o réu está preso durante o prazo do edital, ele deverá ser intimado pessoalmente da sentença
condenatória, na forma do art. 392, I, CPP, restando prejudicada a intimação editalícia. STJ. 6ª Turma.
RHC 45584/PR, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 3/5/2016 (Info 583)
EMENDATIO LIBELLI (ART. 383, CPP) MUTATIO LIBELLI (ART. 384, CPP)
Não há alteração em relação ao fato delituoso,
limitando-se o juiz a modificar a classificação
formulada na peça acusatória, ainda que tenha
que aplicar pena mais grave, em razão de
eventuais equívocos existentes na inicial
acusatória
Durante o curso da instrução processual, surge
uma elementar ou circunstância não contida na
peça acusatória.
Juiz pode realizar de ofício.
Deve o MP aditar a peça acusatória, ouvindo-se a
defesa no prazo de 5 dias. Haverá novo
interrogatório e oitiva de no máximo 3
testemunhas.
É cabível na 2ª instância. Não é cabível na 2ª instância (Súmula 453 STF).
15 Procedimentos: processo comum; processos especiais; Lei nº 8.038/1990 – normas procedimentais
para os processos perante o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o Supremo Tribunal Federal (STF).
PROCEDIMENTO ORDINÁRIO
Oferecimento da
Denúncia/Queixa
Juizo de Admissibilidade da
acusação (Rejeição ou
Recebimento)
Citação
Apresentação de resposta à
acusação (Prazo = 10 dias)
Decisão sobre absolvição
sumária ou designação de
audiência
Audiência de instrução. Pode
haver diligências (art. 402
CPP). Alegações Finais Orais
(20 min, prorrogáveis por
mais 10min) ou memoriais
em 5 dias.
Sentença
CPF: 008.374.135-67 ALUNO: Luciana Nascimento Pereira
111 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
TRIBUNAL DO JÚRI
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DO TRIBUNAL DO JÚRI
Plenitude de Defesa.
Sigilo das Votações.
Soberania dos Vereditos.
Competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida.
1ª Fase – Iudicium Accusationis ou Sumário da Culpa
Procedimento do Júri Procedimento Ordinário
Prazo para
conclusão
90 dias -
Máximo de
testemunhas
8 8
Oitiva do MP
após a resposta
à acusação
Sim Não há previsão legal
Momento da
Absolvição
Sumária
#ATENÇÃO
Após as alegações finais Após a resposta à acusação
Oferecimento da
Denúncia/Queixa
Juizo de Admissibilidade da
acusação (Rejeição ou
Recebimento)
Citação
Apresentação de resposta à
acusação (Prazo = 10 dias)
Oitiva do MP em réplica
(Prazo = 5 dias)
Audiência de instrução c/
Alegações Finais Orais (20
min, prorrogáveis por mais
10min)
Decisão (em audiência ou 10
dias):
1) Impronúncia
2) Absolvição Sumária
3) Desclassificação
4) Pronúncia
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112 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
Diligências da
instrução
Não há previsão legal (mas é possível
com fundamento no art. 156, inc. II do
CPP).
Sim (Art. 402, CPP)
Alegações
Finais
Apenas orais (mas mesmo sem previsão
legal, é comum a substituição no dia a
dia).
Orais ou em memoriais
Defesa genérica
nas Alegações
Finais
Possibilidade de negativa geral dos
fatos, como estratégia da defesa para
não antecipar a tese a ser utilizada em
Plenário.
Não é possível, sob pena de nulidade
Decisão Hipóteses Recurso Cabível
Impronúncia (art.
414 CPP)
O juiz não se convencer da:
- Materialidade do fato;
- Existência de indícios suficientes de
autoria ou participação.
Apelação (art. 416 do CPP)
Absolvição
Sumária (art. 415
CPP)
I – provada a inexistência do fato;
II – provado não ser ele autor ou
partícipe do fato;
III – o fato não constituir infração
penal;
IV – demonstrada causa de isenção de
pena ou de exclusão do crime
(EXCETO INIMPUTABILIDADE por
doença mental ou desenvolvimento
mental incompleto ou retardado,
quando esta não for a única tese
defensiva).
Apelação (art. 416 do CPP)
Desclassificação
(art. 419 CPP)
Decisão através da qual o Juiz singular
desclassifica o delito para outro que
não seja doloso contra a vida.
RESE (Doutrina e Jurisprudência,
interpretação do art. 581, II do CPP )
Pronúncia
Convencido da materialidade do fato e
da existência de indícios suficientes de
autoria ou de participação.
#OLHAOGANCHO: Na pronúncia
vigora o princípio do in dubio pro
societate, assim, na dúvida quanto à
existência do crime ou em relação à
autoria ou participação, deve o juiz
pronunciar o acusado.
RESE (Art. 581, inc. IV, do CPP).
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113 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
DESAFORAMENTO
CONCEITO:
Deslocamento da competência territorial de uma comarca para outra, a fim de
que nesta seja realizado o Julgamento pelo Tribunal do Júri. O desaforamento
deverá ser para outra comarca da mesma região, onde não existam os motivos,
preferindo-se as mais próximas.
HIPÓTESES:
Interesse de ordem pública.
Dúvida sobre a imparcialidade do júri.
Falta de segurança pessoal do acusado.
Quando o julgamento não for realizado no prazode 6 (seis) meses, contado da
preclusão da decisão de pronúncia, desde que comprovado o excesso de serviço
e evidenciado que a demora não foi provocada pela Defesa.
LEGITIMADOS:
Ministério Público;
Assistente da acusação;
Querelante;
Acusado;
Representação do juízo competente.
MOMENTO:
Após o trânsito em julgado da decisão de pronúncia.
#IMPORTANTE É possível o desaforamento após o julgamento pelos jurados se
somadas duas condições: 1) houver nulidade da decisão; e 2) o fato tiver ocorrido
durante ou após a realização do julgamento (art. 427, §4° do CPP).
REAFORAMENTO:
Possibilidade de, após ter sido determinado o desaforamento, retornar o processo
ao juízo de origem. Em regra, não é admitido pelos Regimentos Internos dos
Tribunais. Mas não há óbice a novo desaforamento, caso surjam motivos na
comarca para a qual o julgamento foi transferido.
RECURSOS:
Não há previsão legal, mas a jurisprudência tem admitido a utilização de habeas
corpus em favor do acusado.
ACELERAÇÃO DO
JULGAMENTO:
Pedido formulado com base no art. 428, § 2°, do CPP: “Não havendo excesso de
serviço ou existência de processos aguardando julgamento em quantidade que
ultrapasse a possibilidade de apreciação pelo Tribunal do Júri, nas reuniões
periódicas previstas para o exercício, o acusado poderá requerer ao Tribunal que
determine a imediata realização do julgamento.”
#ATENÇÃO apesar de a redação legal mencionar apenas o acusado, a doutrina
entende que o Ministério Público, o querelante e o assistente também podem
requerer.
2ª Fase – Iudicium Causae
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114 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
#SELIGANASSÚMULAS
SÚMULA 713 DO STF: o efeito devolutivo da apelação contra decisões do júri é adstrito aos fundamentos
da sua interposição.
SÚMULA 712 DO STF: É nula a decisão que determina o desaforamento de processo da competência
do júri sem audiência da defesa.
SÚMULA VINCULANTE 45:A competência constitucional do Tribunal do Júri prevalece sobre o foro por
prerrogativa de função estabelecido exclusivamente pela Constituição Estadual.
SÚMULA 603 DO STF:A competência para o processo e julgamento de latrocínio é do juiz singular e
não do tribunal do júri.
SÚMULA 206 DO STF:É nulo o julgamento ulterior pelo júri com a participação de jurado que funcionou
em julgamento anterior do mesmo processo.
16 Lei nº 9.099/1995 e suas alterações e Lei nº 10.259/2001 e suas alterações (juizados especiais cíveis e
criminais).
Preclusão da decisão de
Pronúncia.
Intimação do MP e defesa
para apresentar rol de
testemunhas (máx. 5), juntar
documentos e requerer a
realzação de diligências (art.
422, CPP - Prazo: 5 dias)
Juiz:
- ordenará diligências;
-fará relatório sucinto;
- determinará a inclusão em
pauta da reunião do Tribunal
do Júri
Com o comparecimento de
no mínimo 15 jurados, o juiz
sorteará 7 para a composição
do Conselho de Sentença.
Possibilidade de recusa
imotivada de até 3 jurados
por parte (MP e Defesa)
Realização da exortação e
compromisso pelos jurados
Tomadas das declarações do
ofendido (se possível) e
inquirição das testemunhas
da acusação e da defesa.
Interrogatório do acusado.
Início dos debates pelo MP
(1h30min), podendo o
Assistente de Acusação falar
em seguida.
Debates da Defesa (1h30min)
Réplica do MP (1h) - não é
obrigatória.
Tréplica da Defesa (1h) - não
é obrigatória.
Votação pelos jurados (se
estiverem aptos).
Juiz-Presidente profere
sentença.
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JUIZADOS ESPECIAIS CRIMINAIS
PRINCÍPIOS:
oralidade, informalidade, economia processual, simplicidade, celeridade.
#INOVAÇÃOLEGISLATIVA: A Lei nº 13.603, de 2018 acrescentou a
simplicidade expressamente entre os princípios norteadores do processo
perante o Juizado Especial.
COMPETÊNCIA:
Infrações penais de menor potencial ofensivo (contravenção penal e crimes
com pena máxima não superior a 2 anos, cumulada ou não com multa).
CITAÇÃO POR EDITAL: Incabível, os autos deverão ser remetidos ao juízo comum.
FLAGRANTE:
se o capturado assumir o compromisso de comparecer ao juizado ou a ele
comparecer imediatamente, não será lavrado o APF, mas tão somente o
TCO, com sua imediata liberação.
MEDIDAS
DESPENALIZADORAS:
composição civil dos danos, transação penal, representação nos crimes de
lesões corporais leves e culposas, suspensão condicional do processo.
TRANSAÇÃO PENAL
SUSPENSÃO CONDICIONAL DO
PROCESSO
PENA Pena máxima </= 2 anos Pena mínima </= 1 ano
REQUISITOS
- Não reincidente em crime com PPL;
Não se beneficiou do instituto nos
últimos 5 anos; Art. 59, CP: favorável.
- Não processado ou condenado por
crime; Requisitos do sursis da pena;
Art. 59, CP: favorável.
CONSEQUÊNCIAS - Aplicação de uma PRD ou multa.
Reparação do dano; Proibição de
frequentar lugares e de se ausentar da
comarca, sem autorização;
Comparecer mensalmente em juízo;
Outras condições judiciais.
Período de prova: 2 a 4 anos.
REVOGAÇÃO
OBRIGATÓRIA
- Caso seja descumprida, a ação penal
poderá ser proposta
(SV 35);
- Homologação da transação não faz
coisa julgada material.
- Não reparar o dano ou for
processado por crime.
REVOGAÇÃO
FACULTATIVA
------
- For processado por contravenção
penal ou não cumprir as demais
condições.
CUIDADOS
ESPECIAIS
- Momento: antes do recebimento da
denúncia.
- Não se trata de processo penal, mas
apenas um procedimento.
- Não gera reincidência ou maus
antecedentes;
- Após intensa divergência entre os
Tribunais superiores, pacificou-se que
o juiz pode determinar outras
condições, como prestação de serviços
à comunidade ou prestação pecuniária
(INFO 668 DO STF; INFO 574 DO STJ);
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116 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
- Cabe apelação contra a decisão que
homologa.
- Pode ser revogada mesmo após o
período de prova, desde que motivado
por atos ocorridos antes do seu
término (INFO 658 DO STF E INFO 574
DO STJ);
- Suspende o prazo prescricional.
#SELIGANASSÚMULAS
Súmula Vinculante 35: A homologação da transação penal prevista no artigo 76 da Lei 9.099/95 não faz
coisa julgada material e, descumpridas suas cláusulas, retoma-se a situação anterior, possibilitando ao
Ministério Público a continuidade da persecução penal mediante oferecimento de denúncia ou
requisição de inquérito policial.
Súmula 696 DO STF: reunidos os pressupostos legais permissivos da suspensão condicional do processo,
mas se recusando o Promotor de Justiça a propô-la, o Juiz, dissentindo, remeterá a questão ao
Procurador-Geral, aplicando-se por analogia o art. 28 do Código de Processo Penal.
Súmula 723 do STJ: Não se admite a suspensão condicional do processo por crime continuado, se a
soma da pena mínima da infração mais grave com o aumento mínimo de um sexto for superior a um
ano.
Súmula 337 do STJ: É cabível a suspensão condicional do processo na desclassificação do crime e na
procedência parcial da pretensão punitiva.
17 Prazos: características, princípios e contagem.
Art. 798. Todos os prazos correrão em cartório e serão contínuos e peremptórios, não se interrompendo
por férias, domingo ou dia feriado.
§ 1o Não se computará no prazo o dia do começo, incluindo-se, porém, o do vencimento.
§ 2o A terminação dos prazos será certificada nos autos pelo escrivão; será, porém, considerado findo o
prazo, ainda que omitida aquela formalidade, se feita a prova do dia em que começou a correr.
§ 3o O prazo que terminar em domingo ou dia feriado considerar-se-á prorrogado até o dia útil
imediato.
§ 4o Não correrão os prazos, se houver impedimento do juiz, força maior, ou obstáculo judicial oposto
pela parte contrária.
§ 5o Salvo os casos expressos, os prazos correrão:
a) daintimação;
b) da audiência ou sessão em que for proferida a decisão, se a ela estiver presente a parte;
c) do dia em que a parte manifestar nos autos ciência inequívoca da sentença ou despacho.
#ATENÇÃO #DEOLHONAJURIS
O prazo dos embargos de declaração no processo penal ordinário é de 2 dias. Em matéria penal, o
prazo para a oposição dos embargos de declaração é de 2 dias, de acordo com o art. 619 do CPP. Não
se aplica CPC/2015 uma vez que o prazo no processo penal possui disciplina própria. STJ. Corte
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117 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
Especial. EDcl no AgRg no RE no AgRg no AREsp 759.484/PE, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em
01/08/2017.
Prazo do agravo regimental no STJ: 5 dias corridos. O prazo para interposição de agravo regimental,
em processo penal, é de 5 dias, de acordo com os arts. 39 da Lei nº 8.038/90 e 258 do RISTJ, os quais,
mesmo após a entrada em vigor do CPC/2015, continuam sendo contados em dias corridos, nos termos
do art. 798 do CPP STJ. 6ª Turma. AgInt no AREsp 943.297/ES, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado
em 27/06/2017.
18 Nulidades.
✓ Os atos decisórios praticados por um juiz relativamente incompetente serão declarados nulos,
todavia, os atos instrutórios, os atos de prova, podem ser aproveitados perante o juízo competente
(art. 567, CPP). Já se a nulidade é ocasionada pela incompetência absoluta, nenhum ato será
aproveitado perante o juízo competente.
✓ Não haverá nulidade quando a defesa não apresenta alegações finais no rito do júri na fase anterior
à pronúncia, pois constitui faculdade a apresentação dessas alegações, já que a defesa pode,
estrategicamente, reservar para plenário suas argumentações para não adiantar a tese defensiva
que pretende utilizar.
Súmula 523 - STF: no processo penal, a falta da defesa constitui nulidade absoluta, mas a sua deficiência
só o anulará se houver prova de prejuízo para o réu.
19 Recursos em geral.
PRINCÍPIOS
PRINCÍPIO DA
VOLUNTARIEDADE
O recurso está inserido na estratégia processual da parte. Se a parte
entende que a decisão representa a justa medida, não tem o dever
funcional de recorrer, podendo se conformar com ela, mesmo que lhe seja
desfavorável. O recurso é pautado pela estratégia da parte, que só
recorrerá se lhe for conveniente (art. 574, CPP).
PRINCÍPIO DA
UNIRECORRIBILIDADE
(UNICIDADE OU
SINGULARIDADE)
Para cada decisão judicial caberá, em regra, apenas um recurso.
PRINCÍPO DA
FUNGIBILIDADE
Por ele, um recurso inadequado pode ser conhecido como o recurso
correto em homenagem à instrumentalidade das formas (art. 579, CPP).
Requisitos (boa-fé, recurso errado no prazo do recurso certo e dúvida
objetiva):
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118 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
- Ausência de má-fé: para o STF, a má-fé será presumida quando o recurso
apresentado goza de mais prazo do que o recurso correto, e o recorrente
se beneficiou do excesso.
- Ausência de erro grosseiro: para o STJ, é necessário que exista dúvida
objetiva quanto ao recurso cabível naquela hipótese (REsp 611.877). Se não
houver nenhuma divergência doutrinária ou jurisprudencial é tido como
erro grosseiro
PRINCÍPIO DA
TAXATIVIDADE
Para a decisão ser impugnável, deve haver previsão legal disciplinando a
ferramenta disponível. Do contrário, a decisão não será recorrível. Por ele,
os recursos da esfera penal estão taxativamente previstos em lei, não
havendo recurso inominado ou de improviso. Esse princípio também é
conhecido como princípio da legalidade recursal.
#NÃOCONFUDA #SELIGANAJURIS Recursos. As hipóteses de cabimento
de recurso em sentido estrito trazidas pelo art. 581 do CPP são: - exaustivas
(taxativas); - admitem interpretação extensiva; - não admitem interpretação
analógica. A decisão do juiz que revoga a medida cautelar diversa da prisão
de comparecimento periódico em juízo (art. 319, I, do CPP) pode ser
impugnada por meio de RESE? SIM, com base na intepretação extensiva
do art. 581, V. O inciso V expressamente permite RESE contra a decisão do
juiz que revogar prisão preventiva. Esta decisão é similar ao ato de revogar
medida cautelar diversa da prisão. Logo, permite-se a interpretação
extensiva neste caso. Em suma: é cabível recurso em sentido estrito contra
decisão que revoga medida cautelar diversa da prisão. STJ. 6ª Turma. REsp
1628262/RS, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 13/12/2016 (Info
596)
PRINCÍPIO DA
CONVOLAÇÃO
Segundo Noberto Avena, a ferramenta impugnativa correta e adequada
ao caso pode ser conhecida como se fosse outra, ainda mais propícia,
cabendo ao Tribunal promover a convolação (exemplo: convolar a revisão
criminal apresentada para combater sentença nula transitada em julgado
no habeas corpus, já que este tramita em rito sumaríssimo e comporta a
concessão de liminar). EX.: intempestivo o RO, deve ser recebido como HC
substitutivo.
PRINCÍPIO DA
CONVERSÃO
Por ele, o Tribunal incompetente para o qual foi endereçado o recurso,
pode reapontar o recurso e encaminhá-lo ao órgão competente. Esse
fenômeno é chamado de itinerância recursal.
PRINCÍPIO DA NON
REFORMATIO IN PEJUS
(PRINCÍPIO DA
PROIBIÇÃO DA
REFORMA PIOR)
No Processo Penal, uma forma de intimidar o recurso da defesa seria o
temor de que o Tribunal piorasse a situação do réu. Por ele, quando o
Tribunal julga recurso defensivo, a situação do réu não poderá ser piorada.
Para a exasperação da situação do imputado é necessário que o Tribunal
dê provimento a recurso da acusação. Nem mesmo em se tratando de erro
material (STF: HC 83.545/SP; STJ: HC 163.851/RS).
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119 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
PRINCÍPIO DA
REFORMATIO IN
MELLIUS (PRINCÍPIO DA
REFORMA PARA
MELHOR)
Julgando recurso acusatório, o Tribunal está autorizado a julgar extra
petita, podendo melhorar a situação do réu, mesmo que esse não seja o
objeto do recurso. Para Luís Flávio Gomes, pode o Tribunal melhorar a
situação do réu, julgando recurso acusatório, mesmo que, para tanto,
decida extra petita.
PRINCÍPIO DA
DIALETICIDADE:
Por ele o recorrente apresentará as suas razões recursais, de forma que a
parte contrária terá condição de apresentar as suas contrarrazões
(dialética), respeitando-se o princípio do contraditório. Através dele
também haverá a fixação dos limites de atuação do Tribunal na apreciação
do recurso.
PRINCÍPIO DA
COMPLEMENTARIDADE
OU
COMPLEMENTARIEDADE
Por ele, o recorrente poderá complementar as razões recursais quando a
decisão impugnada foi alterada pelo próprio juiz, em virtude dos seguintes
fatores (a complementação só pode versar sobre o que foi alterado): -
Provimento de embargos declaratórios apresentados pela parte contrária.
- Correção exofficio de erros formais ou materiais na decisão.
PRINCÍPIO DO DUPLO
GRAU DE JURISDIÇÃO
tem como fundamentos a falibilidade humana e a esperança de que o erro
possa ser corrigido; o inconformismo natural do homem.
PRAZO RECURSO
48 HORAS
CARTA TESTEMUNHÁVEL (art. 640, CPP).
#ATENÇÃO Para contagem em horas, deve constar da certidão de intimação o horário
da providência; caso contrário, o prazo será de dois dias.
2 DIAS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO (art. 619, CPP), inclusive no STJ (art. 263, RISTJ).
5 DIAS
APELAÇÃO (art. 593, CPP)
RESE (art. 586, CPP)
AGRAVOS, inclusive de EXECUÇÃO (Súmulas 699 e 700 do STF),
CORREIÇÃO PARCIAL
RECURSO ORDINÁRIO CONSTITUCIONAL
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS JUIZADOS ESPECIAIS E NO STF
10 DIAS
APELAÇÃO nos Juizados Especiais (Art. 82, Lei 9.099/95)
EMBARGOS DE NULIDADE e EMBARGOS INFRINGENTES (art. 609, p. único, CPP).
15 DIAS
RECURSO ESPECIAL
RECURSO EXTRAORDINÁRIO
APELAÇÃO SUPLETIVA DA VÍTIMA não habilitada como assistente de acusação (art. 598,
p. u, CPP)20 DIAS
RESE contra lista de jurados (art. 586, p. único, c/c art. 585, XVI, CPP).
OBS: Art. 426, §1º, CPP – “reclamação”: para alguns, teria revogado tacitamente o RESE
contra lista de jurados
#ATENÇÃO #DEOLHONAJURIS
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120 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
Julgamento por amostragem. O § 5º do art. 1.035 do CPC/2015 preconiza: § 5º Reconhecida a
repercussão geral, o relator no Supremo Tribunal Federal determinará a suspensão do processamento
de todos os processos pendentes, individuais ou coletivos, que versem sobre a questão e tramitem no
território nacional. O STF fixou as seguintes conclusões a respeito desse dispositivo: a) a suspensão
prevista nesse § 5º não é uma consequência automática e necessária do reconhecimento da
repercussão geral. Em outras palavras, ela não acontece sempre. O Ministro Relator do recurso
extraordinário paradigma tem discricionariedade para determiná-la ou modulá-la; b) a possibilidade
de sobrestamento se aplica aos processos de natureza penal. Isso significa que, reconhecida a
repercussão geral em um recurso extraordinário que trata sobre matéria penal, o Ministro Relator
poderá determinar o sobrestamento de todos os processos criminais pendentes que versem sobre a
matéria; c) se for determinado o sobrestamento de processos de natureza penal, haverá,
automaticamente, a suspensão da prescrição da pretensão punitiva relativa aos crimes que forem
objeto das ações penais sobrestadas. Isso com base em uma interpretação conforme a Constituição
do art. 116, I, do Código Penal; d) em nenhuma hipótese, o sobrestamento de processos penais
determinado com fundamento no art. 1.035, § 5º, do CPC abrangerá inquéritos policiais ou
procedimentos investigatórios conduzidos pelo Ministério Público; e) em nenhuma hipótese, o
sobrestamento de processos penais determinado com fundamento no art. 1.035, § 5º, do CPC
abrangerá ações penais em que haja réu preso provisoriamente; f) em qualquer caso de sobrestamento
de ação penal determinado com fundamento no art. 1.035, § 5º, do CPC, poderá o juízo de piso, no
curso da suspensão, proceder, conforme a necessidade, à produção de provas de natureza urgente.
STF. Plenário. RE 966.177 RG/RS, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 7/6/2017 (Info 868). #IMPORTANTE
Recurso adesivo. Impossibilidade. Em matéria criminal, não deve ser conhecido recurso especial adesivo
interposto pelo Ministério Público veiculando pedido em desfavor do réu. STJ. 6ª Turma. REsp
1.595.636-RN, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 2/5/2017 (Info 605)
A revisão da dosimetria da pena em recurso especial é admissível apenas diante de ilegalidade
flagrante. Em regra, não cabe, no recurso especial, a revisão da dosimetria da pena estabelecida pelas
instâncias ordinárias. Exceção: o STJ admite a mudança da pena no recurso especial em casos
excepcionais quando ficar constatada ilegalidade flagrante, ou seja, quando houver manifesta violação
dos critérios dos arts. 59 e 68, do Código Penal. STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 711.268/CE, Rel. Min.
Jorge Mussi, julgado em 13/12/2016. STJ. 6ª Turma. AgRg no AREsp 301.889/MG, Rel. Min. Nefi Cordeiro,
julgado em 13/12/2016.
Não é possível a execução provisória da pena se ainda estão pendentes embargos de declaração. Não
é possível a execução provisória da pena se foram opostos embargos de declaração contra o acórdão
condenatório proferido pelo Tribunal de 2ª instância e este recurso ainda não foi julgado. A execução
da pena depois da prolação de acórdão em segundo grau de jurisdição e antes do trânsito em julgado
da condenação não é automática quando a decisão ainda é passível de integração pelo Tribunal de
Justiça. STJ. 6ª Turma. HC 366907-PR, Rel. Min. Rogério Schietti Cruz, julgado em 6/12/2016 (Info 595).
Sentença de absolvição sumária e vedação de análise do mérito da ação penal em apelação. No
julgamento de apelação interposta pelo Ministério Público contra sentença de absolvição sumária, o
Tribunal não poderá analisar o mérito da ação penal para condenar o réu. Isso viola os princípios do
juiz natural, do devido processo legal, da ampla defesa e do duplo grau de jurisdição. Neste caso,
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121 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
entendendo que não era hipótese de absolvição sumária, o Tribunal deverá dar provimento ao recurso
para determinar o retorno dos autos ao juízo de primeiro grau, a fim de que o processo prossiga
normalmente, com a realização da instrução e demais atos processuais, até a prolação de nova
sentença pelo magistrado. STJ. 6ª Turma. HC 260188-AC, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 8/3/2016
(Info 579).
É proibido que o Tribunal, em recurso exclusivo da defesa, corrija equívoco aritmético cometido pelo
juiz na sentença e aumente a pena. No âmbito de recurso exclusivo da defesa, o Tribunal não pode
agravar a reprimenda imposta ao condenado, ainda que reconheça equívoco aritmético ocorrido no
somatório das penas aplicadas. Configura inegável reformatio in pejus a correção de erro material no
julgamento da apelação — ainda que para sanar evidente equívoco ocorrido na sentença condenatória
— que importa em aumento das penas, sem que tenha havido recurso do Ministério Público nesse
sentido. Assim, se o juiz cometeu um erro na sentença ao somar as penas, mas o Ministério Público
não recorreu contra isso, não é possível que o Tribunal corrija de ofício em prejuízo do réu. STJ. 6ª
Turma. HC 250455-RJ, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 17/12/2015 (Info 576)
#SELIGANASSÚMULAS
Súmula 604 do STJ: Mandado de segurança não se presta para atribuir efeito suspensivo a recurso
criminal interposto pelo Ministério Público.
Súmula 431-STF: É nulo o julgamento de recurso criminal, na segunda instância, sem prévia intimação,
ou publicação da pauta, salvo em habeas corpus.
Súmula 705-STF: A renúncia do réu ao direito de apelação, manifestada sem a assistência do defensor,
não impede o conhecimento da apelação por este interposta.
Súmula 709-STF: Salvo quando nula a decisão de primeiro grau, o acórdão que provê o recurso contra
a rejeição da denúncia vale, desde logo, pelo recebimento dela.
Súmula 347-STJ: O conhecimento de recurso de apelação do réu independe de sua prisão.
REVISÃO CRIMINAL
CONCEITO:
Trata-se de uma ação autônoma de impugnação, de competência originária dos
Tribunais (ou da Turma Recursal no caso dos Juizados), por meio da qual a pessoa
condenada requer ao Tribunal que reveja a decisão que a condenou (e que já
transitou em julgado), sob o argumento de que ocorreu erro judiciário (art. 621,
CPP).
HIPÓTESES
LEGAIS:
I - quando a sentença condenatória for contrária ao texto expresso da lei penal ou
à evidência dos autos;
II - quando a sentença condenatória se fundar em depoimentos, exames ou
documentos comprovadamente falsos;
III - quando, após a sentença, se descobrirem novas provas de inocência do
condenado ou de circunstância que determine ou autorize diminuição especial da
pena.
LEGITIMADOS:
Réu ou seu procurador e, em caso de morte, seu
cônjuge/ascendente/descendente/irmão.
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122 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
#ATENÇÃO MP não é legitimado, somente a defesa.
PRAZO:
A revisão poderá ser requerida em qualquer tempo, antes da extinção da pena ou
após.
ABSOLVIÇÃO
IMPRÓPRIA:
A doutrina admite revisão criminal em face da sentença absolutória imprópria, já
que, a despeito de não se tratar de sentença condenatória (como exige o art. 621
do CPP), trata-se de sentença com efeitos, por vezes, mais graves que os de uma
sentença condenatória, pois se aplica medida de segurança ao “absolvido”. Assim,
aquele que foi absolvido mediante sentença absolutória imprópria tem interesse de
agir para o manejo da revisão criminal, pois eventual decisão favoráveltrará algum
benefício ao requerente.
RESULTADO:
A revisão criminal se presta às hipóteses taxativas do art. 626 do CPP: "Julgando
procedente a revisão, o tribunal poderá alterar a classificação da infração, absolver
o réu, modificar a pena ou anular o processo".
#FICAADICA: O STJ decidiu que o Tribunal pode, a qualquer momento e de ofício, desconstruir acórdão
de revisão criminal que, de maneira fraudulenta, tenha absolvido o réu, quando, na verdade, o
posicionamento que prevaleceu na sessão de julgamento foi pelo indeferimento do pleito revisional.
20 Habeas corpus e seu processo.
✓ Dosimetria da pena e negativa de autoria não são aferíveis por meio de HC, em razão das
restrições ao exame fático e probatório.
✓ Súmula 395 - STF: Não se conhece de recurso de habeas corpus cujo objeto seja resolver sobre o ônus
das custas, por não estar mais em causa a liberdade de locomoção.
✓ Súmula 606 - STF: Não cabe habeas corpus originário para o Tribunal Pleno de decisão de turma, ou
do plenário, proferida em habeas corpus ou no respectivo recurso.
✓ Súmula 693 - STF: Não cabe habeas corpus contra decisão condenatória a pena de multa, ou relativo
a processo em curso por infração penal a que a pena pecuniária seja a única cominada.
✓ Súmula 695 - STF: Não cabe habeas corpus quando já extinta a pena privativa de liberdade.
✓ Súmula 208 - STF: O assistente do Ministério Público não pode recorrer, extraordinariamente, de
decisão concessiva de "habeas corpus".
✓ O habeas corpus não é meio processual adequado para o apenado obter autorização de visita de
sua companheira no estabelecimento prisional (Info 827 - STF).
✓ Pena de suspensão do direito de dirigir veículo automotor: não cabe Habeas Corpus (INFO 550 -
STJ).
✓ Não cabe HC para se discutir se houve dolo eventual ou culpa consciente em homicídio praticado
na direção de veículo automotor (Info 826 - STF).
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123 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
✓ Pessoa sem ter capacidade postulatória que impetra um HC e este é negado, poderá ingressar
com recurso contra a decisão? Info 747 – STF:
▪ 1ª Turma do STF: SIM;
▪ 2ª Turma do STF e STJ: NÃO.
#CONSOLIDAÇÃODEENTENDIMENTO: NÃO é cabível habeas corpus em face de decisão monocrática
proferida por Ministro do STF. STF. Plenário. HC 105959/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o
acórdão Min. Edson Fachin, julgado em 17/2/2016 (Info 814).
21 Normas processuais da Lei nº 7.210/1984 e suas alterações (execução penal).
CLASSIFICAÇÃO DO PRESO (Lei 13.167/2015) #INOVAÇÃOLEGISLATIVA
PRESOS PROVISÓRIOS PRESOS CONDENADOS
Os presos provisórios ficarão separados de acordo
com os seguintes critérios:
I - acusados pela prática de crimes hediondos ou
equiparados;
II - acusados pela prática de crimes cometidos
com violência ou grave ameaça à pessoa;
III - acusados pela prática de outros crimes ou
contravenções diversos dos apontados nos incisos
I e II.
Os presos condenados definitivamente ficarão
separados de acordo com os seguintes critérios:
I - condenados pela prática de crimes hediondos
ou equiparados;
II - reincidentes condenados pela prática de crimes
cometidos com violência ou grave ameaça à
pessoa;
III - primários condenados pela prática de crimes
cometidos com violência ou grave ameaça à
pessoa;
IV - demais condenados pela prática de outros
crimes ou contravenções em situação diversa das
previstas nos incisos I, II e III.
#ATENÇÃO #NÃOCONFUNDA
EXAME DE CLASSIFICAÇÃO EXAME CRIMINOLÓGICO
Realizado quando ingressa no sistema. Realizado durante a execução.
Amplo e genérico. Específico.
Orienta o modo de cumprimento da pena, norte
da ressocialização.
Busca construir prognóstico de periculosidade,
partindo do binômio delito-deliquente.
Envolve aspectos relacionados com a
personalidade do condenado, seus antecedentes,
sua vida familiar e social, sua capacidade
laborativa.
Feito pela comissão técnica de classificação.
Envolve a parte psicológica e psiquiátrica
atestando a maturidade e disciplina do
reeducando, sua capacidade de suportar
frustrações.
- É um prognóstico criminológico.
#SELIGA: O exame criminológico e o exame de classificação também não se confundem com a
identificação do perfil genético previsto no artigo 9-A da LEP, que serve para guardar dados que podem,
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124 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
no futuro, subsidiar eventual investigação, seja pela Polícia Civil ou pela Polícia Federal. Requisitos: autor
de crime doloso, praticado com violência de natureza grave contra a pessoa ou delito hediondo.
#AJUDAMARCINHO #COLANARETINA
CONSEQUÊNCIAS DA FALTA GRAVE
ATRAPALHA NÃO INTERFERE
PROGRESSÃO: interrompe o prazo para a
progressão de regime.
LIVRAMENTO CONDICIONAL: não interrompe o
prazo para obtenção de livramento condicional
(Súmula 441-STJ).
INDULTO E COMUTAÇÃO DE PENA: não interfere no
tempo necessário à concessão de indulto e
comutação da pena, salvo se o requisito for
expressamente previsto no decreto presidencial
(Súmula 535 – STJ).
REGRESSÃO: acarreta a regressão de regime.
SAÍDAS: revogação das saídas temporárias.
REMIÇÃO: perda de até 1/3 do tempo remido.
SANÇÕES DISCIPLINARES: pode sujeitar o
condenado ao RDD; acarretar suspensão ou
restrição de direitos e isolamento.
#SELIGA A prática de falta grave interrompe o prazo para a concessão da saída temporária e para o
trabalho externo?
O tema é polêmico, estando o STJ dividido:
SIM. 5ª Turma do STJ. HC 374086/DF, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 20/06/2017.
NÃO. 6ª Turma do STJ. AgRg no REsp 1549712/DF, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 17/10/2017.
#DEOLHONAJURIS Inobservância do perímetro rastreado pelo monitoramento eletrônico não configura
falta grave. A não observância do perímetro estabelecido para monitoramento de tornozeleira eletrônica
configura mero descumprimento de condição obrigatória que autoriza a aplicação de sanção disciplinar,
mas não configura, mesmo em tese, a prática de falta grave. Não confundir: • Apenado que rompe a
tornozeleira eletrônica ou mantém a bateria sem carga suficiente: falta grave. • Apenado que descumpre
o perímetro estabelecido para tornozeleira eletrônica: não configura a prática de falta grave. STJ. 6ª
Turma. REsp 1519802-SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 10/11/2016 (Info 595).
PRESCRIÇÃO DE FALTA GRAVE: Apesar do silêncio da LEP, o STF entende que, por analogia, deve ser
aplicado o prazo prescricional penal mínimo de 3 anos (art. 109, VI do CP).
AUTORIZAÇÕES DE SAÍDA
SAÍDA TEMPORÁRIA PERMISSÃO DE SAÍDA
Cunho ressocializador Cunho humanitário
Concedida por ato motivado do Juiz da
execução, ouvidos o Ministério Público e a
administração penitenciaria e dependerá da
satisfação dos seguintes requisitos:
I - comportamento adequado;
Concedida pelo diretor do estabelecimento onde
se encontra o preso.
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125 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
II - cumprimento mínimo de 1/6 (um sexto) da
pena, se o condenado for primário, e 1/4 (um
quarto), se reincidente;
III - compatibilidade do benefício com os
objetivos da pena.
A autorização será́ concedida por prazo não
superior a 7 (sete) dias, podendo ser renovada
por mais 4 (quatro) vezes durante o ano.
Não há prazo determinado, pois está vinculada à
finalidade, mediante vigilância direta.
Regime semiaberto.
Regime fechado ou semiaberto e os presos
provisórios.
I - visita à família;
II - frequência a curso supletivo profissionalizante,
bem como de instrução do 2o grau ou superior,
na Comarca do Juízo da Execução;
III - participação em atividades que concorram
para o retorno ao convívio social.
I - falecimento ou doença grave do cônjuge,
companheira,ascendente, descendente ou
irmão;
II - necessidade de tratamento médico.
REMIÇÃO DE PENA
REMIÇÃO PELO TRABALHO REMIÇÃO PELO ESTUDO
Somente é aplicada se o condenado cumpre pena
em regime fechado ou semiaberto.
Pode ser aplicada ao condenado que cumpra
pena em regime fechado, semiaberto, aberto ou,
ainda, que esteja em livramento condicional.
Abatimento de 1 dia de pena a cada 3 dias de
trabalho.
Abatimento de 1 dia de pena a cada 12 horas de
estudo, dividas em pelo menos 3 dias.
O tempo a remir será acrescido de 1/3 no caso de
conclusão do ensino fundamental, médio ou
superior durante o cumprimento da pena (art. 126,
§3° da LEP).
#DEOLHONAJURIS #INFORMATIVOS
É possível a remição pela participação em coral musical. O reeducando tem direito à remição de sua
pena pela atividade musical realizada em coral. STJ. 6ª Turma.REsp 1666637-ES, Rel. Min. Sebastião Reis
Júnior, julgado em 26/09/2017 (Info 613)
Trabalho cumprido em jornada inferior ao mínimo legal pode ser aproveitado para fins de remição caso
tenha sido uma determinação da direção do presídio. Segundo o art. 30 da LEP, a jornada diária de
trabalho do apenado deve ser de, no mínimo, 6 horas e, no máximo, 8 horas. Apesar disso, se um
condenado, por determinação da direção do presídio, trabalha 4 horas diárias (menos do que prevê a
Lei), este período deverá ser computado para fins de remição de pena. Como esse trabalho do preso foi
feito por orientação ou estipulação da direção do presídio, isso gerou uma legítima expectativa de que
ele fosse aproveitado, não sendo possível que seja desprezado, sob pena de ofensa aos princípios da
segurança jurídica e da proteção da confiança. Vale ressaltar, mais uma vez, o trabalho era cumprido
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126 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
com essa jornada por conta da determinação do presídio e não por um ato de insubmissão ou de
indisciplina do preso. STF. 2ª Turma. RHC 136509/MG, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 4/4/2017 (Info
860).
PROGRESSÃO DE REGIME LIVRAMENTO CONDICIONAL
Visa a reinserção gradativa do sentenciado ao
convívio social, através do sistema progressivo,
passando de um regime mais rigoroso para um
menos rigoroso.
Forma de liberdade antecipada para crimes em
que a pena privativa de liberdade seja igual ou
superior a dois anos.
Requisito Objetivo:
1/6 :Crimes comuns e Crimes hediondos
cometidos antes da vigência da Lei n° 11.464/2007
(SV 26)
2/5: Crimes hediondos – primário
3/5: Crimes hediondos – reincidente
#ATENÇÃO: Nos crimes contra a administração
pública em que decorra prejuízo ou
enriquecimento ilícito, impõe-se, como condição
para a progressão de regime, a reparação integral
do dano causado ou a devolução do produto do
ilícito praticado, com os acréscimos legais, nos
termos do artigo 33, §4o, do Código Penal.
Requisitos Objetivos:
1/3: Crimes comuns - primário
1/2: Crimes comuns - reincidente
2/3: Crimes hediondos – primário
Não se admite para o reincidente em crime
hediondo.
-Tenha reparado o dano, salvo efetiva
impossibilidade de fazê-lo.
Requisito Subjetivo:
Bom comportamento carcerário.
Requisitos Subjetivos:
Comprovado comportamento satisfatório durante
a execução da pena, bom desempenho no
trabalho que lhe foi atribuído e aptidão para
prover à própria subsistência mediante trabalho
honesto.
#ATENÇÃO Para o condenado por crime doloso,
cometido com violência ou grave ameaça à
pessoa, a concessão do livramento ficará também
subordinada à constatação de condições pessoais
que façam presumir que o liberado não voltará a
delinquir.
A prática de falta grave interrompe o prazo para
progressão de regime.
A prática de falta grave NÃO interrompe o prazo
para o Livramento Condicional (Súmula 441 – STJ0
#DEOLHONAJURIS #INFORMATIVOS
O indulto da pena privativa de liberdade não alcança a pena de multa se o condenado parcelou este
valor para ter direito à progressão de regime. O indulto da pena privativa de liberdade não alcança a
pena de multa que tenha sido objeto de parcelamento espontaneamente assumido pelo sentenciado. O
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127 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
acordo de pagamento parcelado da sanção pecuniária deve ser rigorosamente cumprido sob pena de
descumprimento de decisão judicial, violação ao princípio da isonomia e da boa-fé objetiva. STF. Plenário.
EP 11 IndCom-AgR/DF, rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 8/11/2017 (Info 884).
Data da prisão preventiva como marco inicial do tempo para a progressão de regime. Se o condenado
estava preso preventivamente, a data da prisão preventiva deve ser considerada como termo inicial para
fins de obtenção de progressão de regime e demais benefícios da execução penal, desde que não ocorra
condenação posterior por outro crime apta a configurar falta grave. STF. 1ª Turma. RHC 142463/MG, Rel.
Min. Luiz Fux, julgado em 12/9/2017 (Info 877).
Condenado tem direito à progressão a partir da data em que preenche requisitos legais. A data-base
para subsequente progressão de regime é aquela em que o reeducando preencheu os requisitos do art.
112 da LEP e não aquela em que o Juízo das Execuções deferiu o benefício. A decisão do Juízo das
Execuções que defere a progressão de regime é declaratória (e não constitutiva). Algumas vezes, o
reeducando preenche os requisitos em uma data, mas a decisão acaba demorando meses para ser
proferida. Não se pode desconsiderar, em prejuízo do reeducando, o período em que permaneceu
cumprindo pena enquanto o Judiciário analisava seu requerimento de progressão. STF. 2ª Turma. HC
115254, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 15/12/2015. STJ. 6ª Turma. HC 369774/RS, Rel. Min. Rogerio
Schietti Cruz, julgado em 22/11/2016 (Info 595).
A decisão que indefere o pedido do condenado para ser dispensado do uso da tornozeleira eletrônica
deverá apontar a necessidade da medida no caso concreto.A manutenção de monitoramento por meio
de tornozeleira eletrônica sem fundamentação concreta evidencia constrangimento ilegal ao apenado.
No caso concreto, o condenado pediu para ser dispensado do uso da tornozeleira alegando que estava
sendo vítima de preconceito no trabalho e faculdade e que sempre apresentou ótimo comportamento
carcerário. O juiz indeferiu o pedido sem enfrentar o caso concreto, alegando simplesmente, de forma
genérica, que o monitoramente eletrônico é a melhor forma de fiscalização do trabalho externo. Essa
decisão não está adequadamente motivada porque não apontou a necessidade concreta da medida. STJ.
6ª Turma. HC 351273-CE, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 2/2/2017 (Info 597).
Se a defesa ainda não foi intimada do acórdão condenatório, não é possível se iniciar a execução
provisória da pena. Pedro foi condenado a uma pena de 8 anos de reclusão e o TJ manteve a
condenação. O Ministério Público foi intimado do acórdão e requereu que o Tribunal determinasse
imediatamente a prisão do condenado, dando início à execução provisória da pena. Vale ressaltar, no
entanto, que a Defensoria Pública ainda não foi intimada do acórdão. Diante deste caso, o TJ poderá
determinar a imediata prisão do condenado, mesmo antes da intimação da defesa acerca do acórdão?
NÃO. Se ainda não houve a intimação da Defensoria Pública acerca do acórdão condenatório, mostra-
se ilegal a imediata expedição de mandado de prisão em desfavor do condenado. Como a Defensoria
Pública ainda não foi intimada, não se encerrou a jurisdição em 2ª instância, considerando que é possível
que interponha embargos de declaração, por exemplo. STJ. 5ª Turma. HC 371870-SP, Rel. Min. Felix
Fischer, julgado em 13/12/2016 (Info 597).
#DIVRGÊNCIA É possível a execução provisória de penas restritivas de direito? • SIM. A execução
provisória de pena restritiva de direitos imposta em condenação de segunda instância,ainda que
pendente o efetivo trânsito em julgado do processo, não ofende o princípio constitucional da presunção
de inocência. STF. 1ª Turma. HC 141978 AgR, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 23/06/2017. • NÃO. Não é
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128 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
possível a execução da pena restritiva de direitos antes do trânsito em julgado da condenação. STJ. 3ª
Seção. EREsp 1.619.087-SC, Rel. para acórdão Min. Jorge Mussi, julgado em 14/6/2017 (Info 609).
#SELIGANASSÚMULAS
Súmula 192/STJ: Compete ao Juízo das Execuções Penais do Estado a execução das penas impostas a
sentenciados pela Justiça Federal, Militar ou Eleitoral, quando recolhidos a estabelecimentos sujeitos à
administração estadual.
Súmula 439/STJ: Admite-se o exame criminológico pelas peculiaridades do caso, desde que em decisão
motivada.
Súmula 491/STJ: É inadmissível a chamada progressão per saltum de regime prisional.
Súmula 493/STJ: inadmissível a fixação de pena substitutiva (art. 44 do CP) como condição especial ao
regime aberto.
Súmula 520/STJ: O benefício de saída temporária no âmbito da execução penal é ato jurisdicional
insuscetível de delegação à autoridade administrativa do estabelecimento prisional.
Súmula 526/STJ: O reconhecimento de falta grave decorrente do cometimento de fato definido como
crime doloso no cumprimento da pena prescinde do trânsito em julgado de sentença penal
condenatória no processo penal instaurado para apuração do fato.
Súmula 533/STJ: Para o reconhecimento da prática de falta disciplinar no âmbito da execução penal, é
imprescindível a instauração de procedimento administrativo pelo diretor do estabelecimento prisional,
assegurado o direito de defesa, a ser realizado por advogado constituído ou defensor público nomeado.
Súmula Vinculante 9: O disposto no artigo 127 da Lei nº 7.210/1984 (Lei de Execução Penal) foi recebido
pela ordem constitucional vigente, e não se lhe aplica o limite temporal previsto no caput do artigo 58.
#APOSTACICLOS Súmula Vinculante 56: A falta de estabelecimento penal adequado não autoriza a
manutenção do condenado em regime prisional mais gravoso, devendo-se observar, nessa hipótese,
os parâmetros fixados no RE 641.320/RS.
DÉFICIT DE VAGAS NO ESTABELECIMENTO ADEQUADO E PARÂMETROS ADOTADOS NO RE
641.320/RS (PARTE FINAL DA SV).
O que fazer em caso de déficit de vagas no estabelecimento adequado? Havendo “déficit” de vagas,
deve ser determinada:
1) a saída antecipada de sentenciado no regime com falta de vagas;
2) a liberdade eletronicamente monitorada ao sentenciado que sai antecipadamente ou é posto em
prisão domiciliar por falta de vagas;
3) o cumprimento de penas restritivas de direito e/ou estudo ao sentenciado que progrida ao regime
aberto.
Súmula 700/STF: É de cinco dias o prazo para interposição de agravo contra decisão do juiz da execução
penal.
Súmula 715/STF: A pena unificada para atender ao limite de trinta anos de cumprimento, determinado
pelo art. 75 do Código Penal, não é considerada para a concessão de outros benefícios, como o
livramento condicional ou regime mais favorável de execução.
Súmula 716/STF: Admite-se a progressão de regime de cumprimento da pena ou a aplicação imediata
de regime menos severo nela determinada, antes do trânsito em julgado da sentença condenatória.
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129 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
Súmula 717/STF: Não impede a progressão de regime de execução da pena, fixada em sentença não
transitada em julgado, o fato de o réu se encontrar em prisão especial.
DIREITO CONSTITUCIONAL3
1 Constituição: conceito e classificação; conteúdo da Constituição; normas constitucionais materiais e
formais; supremacia da Constituição.
O Direito Constitucional, para ser conceituado, precisa que sejam interligados três sentidos: o
científico, o objetivo e o subjetivo.
O sentido científico, segundo José Afonso da Silva, conceitua como sendo o ramo do direito
público que expõe, interpreta e sistematiza os princípios e normas fundamentais do Estado. No sentido
objetivo, segundo Uadi Bulos, é o conjunto de normas supremas, encarregadas de organizar a estrutura
do Estado e delimitar as relações de poder. Por fim, no sentido subjetivo, é a posição jurídica de vantagem
que deve reconhecer a alguém, em virtude da incidência concreta de normas integrantes do direito
constitucional objetivo. Essa é a acepção do termo quando se afirma que alguém tem o direito
constitucional de ir e vir.
O objeto de estudo do Direito Constitucional é tudo o que foi constitucionalizado por quem
elaborou a constituição, assim, são todas as normas material e formalmente constitucionais. Assim, em
sentido científico, estuda de forma sistematizada os ordenamentos constitucionais, em especial as que
tratam da forma e da organização do Estado, da divisão dos poderes, dos direitos e garantias
fundamentais e das finalidades básicas que devem direcionar a atuação estatal, enquanto em sentido
objetivo, o objeto de estudo do Direito Constitucional é a produção e a organização das normas que
estabelecem, integram ou modificam o ordenamento constitucional, independentemente de seu
conteúdo (constituição formal), bem como das normas que disciplinam qualquer matéria que interesse
ao Direito Constitucional, independentemente de sua fonte normativa (constituição material).
Por fim, a natureza do Direito Constitucional, pode ser conceituada em sentido científico e sentido
normativo. No sentido científico, é ramo do direito público, já que cuida de relações jurídicas que
envolvem a figura do Estado. Nos casos de adoção de constituições prolixas, como ocorre no Brasil,
ocorre a constitucionalização do direito privado, que se materializa através da disciplina constitucional de
institutos do direito privado, da interpretação conforme a constituição de disposições normativas
referentes ao direito privado e de teorias e decisões que defendem a eficácia horizontal (tema abordado
mais à frente) dos direitos fundamentais no âmbito das relações privadas. Já no sentido normativo, a
natureza dos preceitos constitucionais, apresentam características como a supremacia constitucional, que
pode ser material ou formal, maior abertura semântica, politicidade e transversalidade.
➢ TEORIA DA CONSTITUIÇÃO
A Constituição é o objeto de estudo do Direito Constitucional. Trata-se da lei fundamental e
suprema de um Estado, criada pela vontade soberana do povo. Determina a organização político-jurídica
do Estado, limita o poder estatal e estabelece direitos fundamentais.
3 Por Tiago Pozza.
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130 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
São componentes da Constituição:
a. Preâmbulo: quanto à natureza jurídica do preâmbulo, são três teses existentes:
• TESE DA IRRELEVÂNCIA JURÍDICA: o preâmbulo está no ÂMBITO DA POLÍTICA, portanto, não
possui relevância jurídica. Tese adotada pelo Brasil;
• TESE DA PLENA EFICÁCIA: o preâmbulo tem a mesma eficácia jurídica das normas constitucionais;
• TESE DA RELEVÂNCIA JURÍDICA INDIRETA: o preâmbulo faz parte das características jurídicas
da Constituição Federal, entretanto, não deve ser confundido com as demais normas jurídicas desta.
O STF, no julgamento da ADI 2.076, julgada em 2002, adotou a tese da irrelevância jurídica e
decidiu que o preâmbulo não tem força normativa, sendo, portanto, mero vetor interpretativo. Por tal
motivo, o preâmbulo não serve de parâmetro para controle de constitucionalidade.
b. Corpo: é composto pelos artigos 1º a 250.
c. ADCT: são os Atos das Disposições Constitucionais Transitórias, composto por normas de eficácia
exaurível. Destina-se a realizar a transição do regime constitucional anterior para o atual. Trata-se
de norma que seenquadra como elemento formal de aplicabilidade.
José Afonso da Silva, traz ainda a classificação dos elementos da Constituição:
a. Elementos Orgânicos: normas que regulam a estrutura do Estado e do Poder. Exemplo: Título III –
Da Organização do Estado.
b. Elementos Limitativos: normas que estabelecem direitos e garantias fundamentais, limitando a
atuação do Poder Estatal. Exemplo: Título II – Dos Direitos e Garantias Fundamentais.
c. Elementos Socioideológicos: normas relativas a direitos sociais; compromisso estatal com o bem-
estar social. Exemplo: Capítulo II do Título II – Dos Direitos Sociais.
d. Elementos de Estabilização Constitucional: normas que se destinam a prover solução de conflitos
constitucionais. Buscam a defesa da Constituição, do Estado e das instituições democráticas.
Exemplo: Intervenção (arts. 34 a 36).
e. Elementos Formais de Aplicabilidade: são normas que contêm regras de aplicação da Constituição,
como as constantes no ADCT e a norma que estabelece a aplicabilidade imediata dos direitos e
garantias fundamentais.
➢ FONTES FORMAIS
Fontes de direito, em sentido amplo, são quaisquer atos ou fatos que produzam normas jurídicas
(conceito material). Em sentido estrito, somente os atos ou fatos que estejam autorizados a produzir
normas jurídicas (conceito formal). Assim, no Direito Constitucional, fontes formais são os atos ou fatos
que são autorizados a produzir normas constitucionais, de acordo com o sistema constitucional vigente.
Há ainda, as fontes diretas, que são as previstas e reguladas no âmbito do próprio ordenamento,
e as fontes indiretas, aquelas disciplinadas por outras ordens jurídicas, mas recepcionadas, incorporadas
ou aplicadas pelo ordenamento constitucional, como as normas de direito internacional que podem ser
incorporadas com status de emenda constitucional e o caput do artigo 34 do ADCT, que recepcionou,
ainda que transitoriamente, parte do sistema tributário da ordem constitucional anterior.
Assim, são fontes diretas e formais a própria Constituição Federal, as emendas constitucionais e
as emendas constitucionais de revisão. Existem as fontes diretas e informais, que são as convenções
constitucionais, os costumes constitucionais e as mutações constitucionais. E, por fim, as fontes indiretas
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131 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
e formais, representadas pelos tratados internacionais sobre direitos humanos, desde que incorporados
de acordo com o procedimento do § 3°, do artigo 5°, da Constituição Federal.
➢ CALSSIFICAÇÃO DAS CONSTITUIÇÕES
Quanto ao Conteúdo
✓ Material: Conjunto de normas, escritas ou costumeiras, relacionadas
com temas considerados essenciais às funções que a Constituição deve
desempenhar. O importante é o conteúdo delas, e não a fonte normativa em
que veiculadas.
✓ Formal: Conjunto de normas que, independentemente do conteúdo,
consideram-se inseridas em ato escrito no qual se encontram os padrões
normativos dotados de hierarquia jurídica superior.
Quanto à Forma
✓ Escrita/dogmática: formalizada em um texto escrito.
✓ Não escrita/histórica: não há texto único centralizado.
Quanto à Estabilidade
✓ Flexível: é alterada da mesma forma que as leis inferiores.
✓ Semirrígida: uma parte é flexível e outra é rígida.
✓ Rígida: a alteração é mais difícil do que as leis inferiores.
✓ Super-rígidas: uma parte é rígida e outra é imutável (DE ACORDO
COM ALEXANDRE DE MORAES, A BRASILEIRA É SUPER RÍGIDA).
✓ Imutáveis: todo o texto é imutável.
Quanto à Origem
✓ Outorgada: imposta pelo detentor do poder.
✓ Promulgada: elaborada com ampla participação popular.
✓ Cesarista (Bonapartista): o soberano edital o texto e, posteriormente,
o submete a um referendo popular.
✓ Pactuada (dualista): elaborada através de um pacto feito realizado
entre os detentores do poder político.
Quanto à
Voluntariedade
✓ Heterônoma é aquela que é imposta por outro país.
✓ Autônoma: elaborada pelo próprio país.
Quanto à Extensão
✓ Sintética/concisa: apenas definem os princípios gerais da organização
do Estado.
✓ Analítica/prolixa: trata de muitos temas.
OUTRAS CLASSIFCAÇÕES: Dirigente: traça metas; Normativa: sai do papel; Nominal: não consegue sair
do papel; Semântica: legitima o status quo injusto; Ortodoxa: comprometida com uma ideologia
específica; Compromissária (pluralista): contempla várias ideologias; Dúctil: não impõe um modelo de
vida, mas apenas assegura as condições para o exercício do projeto de vida de cada pessoa; Balanço:
visa reger o ordenamento por um determinado tempo.
#OLHAOGANCHO – Há que se considerar, ainda, a classificação da Constituição como Constituição
Garantia e Constituição Dirigente. A primeira, também chamada de Constituição-quadro, estatutária ou
orgânica, funciona como um estatuto organizatório ou instrumento de governo, definindo competências
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132 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
e regulando processos. Elas estabelecem princípios democráticos, republicanos, pluralistas e de Estado,
buscando a garantia de liberdades e de direitos individuais e coletivos através da limitação do poder
do Estado. Já a segunda, define finalidades e programas com o intuito de ordenar as ações futuras da
política estatal.
3 Interpretação da Constituição: hermenêutica constitucional; critério da interpretação conforme.
MÉTODOS DE INTERPRETAÇÃO
Hermenêutico
Clássico
Tópico-
problemático
(Theodor
Viehweg)
Hermenêutico-
concretizador
(Konrad Hesse)
Científico-
espiritual (Rudolf
Smend)
Normativo-
estruturante
Critérios clássicos:
gramatical,
histórico,
sistemático,
teleológico
Parte-se de um
problema
concreto para a
norma
Parte-se da CF
para o problema
A análise da CF
deve levar em
conta também a
realidade social
Não há identidade
entre texto e
norma, que
compreende
também um
pedaço da
realidade social
PRINCÍPIOS DE INTERPRETAÇÃO CONSTITUCIONAL
UNIDADE DA
CONSTITUIÇÃO
O texto constitucional deve ser interpretado como um todo, de modo a
evitar contradições entre suas normas.
EFEITO
INTEGRADOR
Integração política e social e reforço da unidade política.
MÁXIMA
EFETIVIDADE
Deve-se atribuir à norma constitucional o sentido que confira a ela maior
eficácia, mais efetividade social.
JUSTEZA
Na interpretação constitucional, o órgão a um resultado que subverta ou
perturbe o esquema organizatório funcional estabelecido pelo constituinte.
HARMONIZAÇÃO
Decorre da unidade da constituição. Os bens jurídicos tutelados pelo texto
constitucional devem coexistir predomínio, em abstrato, de uns sobre outros.
FORÇA
NORMATIVA DA
CONSTITUIÇÃO
Deve-se dar prevalência aos pontos de vista que contribuem para a máxima
eficácia e aplicabilidade do texto constitucional.
INTERPRETAÇÃO
CONFORME A
CONSTITUIÇÃO
Se a norma admite mais de um significado, deve-se dar preferência à
interpretação compatível com o conteúdo da constituição.
#APROFUNDANDO #INTERPRETAÇÃOCONFORME
Esse princípio, criado pela jurisprudência alemã, se aplica à interpretação das normas infraconstitucionais
(e não da Constituição propriamente dita!). Trata-se de técnica interpretativa cujo objetivo é preservar a
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133 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
validade das normas, evitando que sejam declaradas inconstitucionais. Ao invés de se declarar a norma
inconstitucional, o Tribunal busca dar-lhe uma interpretação que a conduza à constitucionalidade.
Essa técnica somente deverá ser usada diante de normas polissêmicas, plurissignificativas (normas com
várias interpretações possíveis). Assim, no caso de normas com várias interpretações possíveis, deve-se
priorizar aquela que lhes compatibilize o sentido com o conteúdo constitucional. A partir deste princípio,tem-se que a regra é a manutenção da validade da lei, e não a declaração de sua inconstitucionalidade.
Isso, desde que, obviamente, a interpretação dada à norma não contrarie sua literalidade ou sentido, a
fim de harmonizá-la com a Constituição.
“A interpretação conforme é uma técnica de eliminação de uma interpretação desconforme. O saque
desse modo especial da interpretação não é feito para conformar um dispositivo subconstitucional aos
termos da Constituição Positiva. Absolutamente! Ele é feito para descartar aquela particularizada
interpretação que, incidindo sobre um dado texto normativo de menor hierarquia impositiva, torna esse
texto desconforme à Constituição. Logo, trata-se de uma técnica de controle de constitucionalidade que
só pode começar ali onde a interpretação do texto normativo inferior termina.” (STF, ADPF 54-
QO,27.04.2005).
Outro ponto importante é que a interpretação conforme não pode deturpar o sentido originário das leis
ou atos normativos. Não é possível ao intérprete “salvar” uma lei inconstitucional, dando-lhe uma
significação “contra legem”. A interpretação conforme a Constituição tem como limite a razoabilidade,
não podendo ser usada como ferramenta para tornar o juiz um legislador, ferindo o princípio da
separação dos Poderes. Veja o que o Supremo decidiu a respeito: “Por isso, se a única interpretação
possível contrariar o sentido inequívoco que o Poder Legislativo lhe pretendeu dar, não se pode aplicar
o princípio da interpretação conforme a Constituição, que implicaria, em verdade, criação de norma
jurídica, o que é privativo do legislador positivo” (STF, Repr. 1.417-7, em 09.12.1987).
A interpretação conforme pode ser de dois tipos: com ou sem redução do texto.
a) Interpretação conforme com redução do texto: Nesse caso, a parte viciada é considerada
inconstitucional, tendo sua eficácia suspensa. Como exemplo, tem-se que na ADI 1.127-8, o STF
suspendeu liminarmente a expressão “ou desacato”, presente no art. 7º, § 7º, do Estatuto da OAB.
b) Interpretação conforme sem redução do texto: Nesse caso, exclui-se ou se atribui à norma um sentido,
de modo a torná-la compatível com a Constituição. Pode ser concessiva (quando se concede à norma
uma interpretação que lhe preserve a constitucionalidade) ou excludente (quando se exclua uma
interpretação que poderia torná-la inconstitucional).
4 Aplicabilidade das normas constitucionais: classificação quanto à eficácia; normas programáticas.
EFICÁCIA
PLENA
✓ São de aplicação direta e imediata, independem de uma lei para produzirem
seus efeitos. Desde a sua promulgação estão aptas para produzir todos os seus
efeitos, independentemente de qualquer norma integrativa infraconstitucional.
EFICÁCIA
CONTIDA
✓ Assim como as plenas são de eficácia direta e imediata. No entanto, podem ter
sua abrangência reduzida por uma norma infraconstitucional, por uma norma
da própria CF, ou por preceitos ético-jurídicos, como a moral e o bom costume
(#SELIGANOTERMO: “normas de contenção”).
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EFICÁCIA
LIMITADA
✓ São de aplicação mediata ou indireta, pois há necessidade de uma lei para
mediar sua aplicação. Se não houver a lei, não produz efeitos. Mesmo com a
sua promulgação, não está apta para produzir todos os seus efeitos,
necessitando de regulamentação infraconstitucional para ter eficácia. Há duas
espécies de normas limitadas:
1. Limitada de princípio institutivo ou organizativo.
2. Limitada programática: Se reveste em forma de promessas ou programas que
visam atingir fins sociais. Característica principal da Constituição Dirigente.
#DICADOCOACH – Maria Helena Diniz, quanto as cláusulas pétreas, as denomina de absolutas ou
supereficazes.
✓ Pela eficácia direta se tem a possibilidade de se extrair uma regra do núcleo essencial do princípio,
permitindo a subsunção.
✓ Pela eficácia interpretativa entende-se que as normas jurídicas devem ter seu sentido e alcance
determinados de maneira que melhor realize a dignidade humana, que servirá como critério de
ponderação na hipótese de colisão de normas.
✓ A eficácia negativa, de caráter geral ou particular, paralisa ou neutraliza a incidência de regra
jurídica que seja incompatível com a dignidade humana.
✓ Não há um método de interpretação pré-determinado para cada caso concreto.
5 Controle de constitucionalidade: sistemas de controle; o sistema brasileiro; exercício do controle; efeitos
da declaração de inconstitucionalidade; efeitos da declaração de constitucionalidade; a
inconstitucionalidade por omissão.
A constatação da inequívoca hierarquia normativa entre as normas constitucionais e as demais,
justifica a realização do controle de constitucionalidade.
Inconstitucionalidade Formal ou Nomodinâmica – vício afeta o ato inconstitucional decorre da
inobservância de algum rito do processo legislativo constitucionalmente fixado ou da incompetência do
órgão que o editou.
Inconstitucionalidade Material ou Nomoestática – o conteúdo da norma é contrário ao conteúdo
constitucional. Deriva daquelas situações em que há incongruência entre o previsto na lei e aquilo que
dispõe o texto constitucional.
Parâmetro – o preâmbulo não é considerado parâmetro, porque não é norma jurídica. Quanto à
parte permanente, todas as normas que a integram, independentemente de seu conteúdo, serão
consideradas parâmetro, não importa se são originárias, derivadas ou mesmo decorrentes de tratados e
convenções internacionais de direitos humanos pelo rito especial do art. 5 º, § 3º, CF.
No que tange à parte transitória, expressa no ADCT, pode-se dizer que suas normas também são
consideradas parâmetro para o controle, enquanto ainda tiveram eficácia. Se a eficácia já se exauriu não
servem mais como normas de referência.
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No controle difuso de constitucionalidade permite-se também a fiscalização dos atos emanados
do poder Público perante norma constitucional que já tenha sido revogada, sendo unicamente necessário
verificar se essa norma constitucional estava em vigor no momento da criação do ato.
Momento do Controle – poderá ser preventivo, atinge a norma ainda em fase de elaboração, no
curso do trâmite legislativo, recaindo sobre projetos de lei e propostas de emenda constitucional) ou
repressivo (o processo legislativo já está finalizado. Alcança as espécies normativas já prontas e acabadas,
que estejam produzindo seus efeitos).
ESPÉCIES DE INCONSTITUCIONALIDADE
POR AÇÃO Ocorre quando um ato estatal viola preceitos constitucionais.
POR OMISSÃO
Ocorre quando um poder do Estado deixa de fazer algo que a constituição
determina. Não basta a inexistência de lei sobre determinada matéria para que se
verifique uma inconstitucionalidade por omissão. Devem estar presentes dois
requisitos:
I - Dever constitucional de legislar.
II - Mora legislativa (elemento temporal): decurso de um tempo para que a norma
seja produzida. Existem hipóteses em que o próprio texto
constitucional fixa o prazo para a edição da norma. Do contrário, caberá ao Poder
Judiciário definir qual o prazo razoável, conforme a complexidade de cada caso
concreto.
FORMAL (OU
NOMODINÂMICA)
Divide-se em:
- Procedimental (ou propriamente dita): não são observadas as normas
constitucionais sobre processo legislativo. Pode ser subjetiva (vício de iniciativa)
ou objetiva (demais regras do processo legislativo). Exemplo: ausência de retorno
à Casa iniciadora após alterações substanciais operadas pela Casa revisora.
- Orgânica: vício de competência. Exemplo: lei estadual que dispõe sobre matéria
de competência federal.
- Por violação aos pressupostos objetivos do ato: violação de pressupostos
definidos na constituição como elementos determinantes de competência paraórgãos legislativos no exercício da função legiferante. É o caso, por exemplo, das
medidas provisórias, que têm por pressupostos objetivos a relevância e a
urgência.
MATERIAL (OU
NOMOESTÁTICA)
Incompatibilidade substantiva, ou seja, de conteúdo, entre normas constitucionais
e infraconstitucionais.
ORIGINÁRIA Congênita à norma, que já nasce inconstitucional.
SUPERVENIENTE
A norma nasce constitucional, mas vai se tornando inconstitucional em momento
posterior.
#SELIGANADIFERENÇA
Mutação constitucional: Acontece quando o resultado da interpretação se altera
no decorrer do tempo. O texto normativo permanece inalterado, porém o
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136 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
resultado da interpretação (norma) passa a ser diferente do anteriormente
adotado.
Inconstitucionalidade progressiva: São situações intermediárias entre a
inconstitucionalidade absoluta e constitucionalidade plena, nas quais as
circunstâncias fáticas justificam a manutenção da norma durante um determinado
período de tempo.
Não recepção: no Brasil quando há a incompatibilidade entre uma lei anterior à
CF e algum dos seus dispositivos, fala-se em não recepção e não em
inconstitucionalidade.
TOTAL A inconstitucionalidade atinge todo o ato normativo.
PARCIAL
A inconstitucionalidade recai sobre parte do ato, podendo ser até mesmo fração
de artigo, parágrafo, inciso ou alínea.
#OLHAOGANCHO #NÃOCONFUNDA: o veto do Poder Executivo, ao final do
processo legislativo, deve recair sobre o texto integral de artigo, parágrafo, inciso
ou alínea (art. 66, §2o, CF).
DIRETA Desconformidade entre leis ou outros atos normativos primários e a Constituição.
INDIRETA (OU
REFLEXA)
O vício não decorre da violação direta da Constituição, mas sim de outro ato
normativo no qual encontra fundamento. Exemplo: decreto que extrapola os
limites da lei por ele regulamentada, ainda que isso tenha causado também, de
certa forma, a violação de determinada norma constitucional. A jurisprudência do
STF tem tratado essas hipóteses como mera ilegalidade, e não
inconstitucionalidade.
#NÃOCONFUNDA: não se trata aqui da inconstitucionalidade derivada (ou
consequente), em que a declaração de inconstitucionalidade da norma
regulamentada (primária) acaba por ensejar automaticamente o reconhecimento
da invalidade das normas regulamentadoras (secundárias) que em função dela
foram expedidas.
CIRCUNSTANCIAL
A aplicação de uma lei pode ser inconstitucional em determinado caso concreto,
embora seja ela formalmente constitucional. A lei, em tese, permanece
constitucional.
CHAPADA,
ENLOUQUECIDA
OU DESVAIRADA
Expressões utilizadas pelo Supremo Tribunal Federal para referir-se a hipóteses
de flagrante e evidente inconstitucionalidade.
Quanto ao número de órgãos competentes para a realização do controle – poderá ser difuso ou
concentrado.
#SELIGANATABELA:
CONTROLE DIFUSO DE CONSTITUCIONALIDADE
CONCEITO
Também conhecido como controle incidental ou concreto. É exercido diante
de ocorrências fáticas a serem solucionadas pelo Poder Judiciário no
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137 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
desempenho comum de sua típica função jurisdicional, na qual se controla a
constitucionalidade de modo incidental.
O juízo de verificação da compatibilidade da norma com o texto constitucional
não é a questão principal, mas tão somente uma questão prejudicial.
A finalidade é proteger o direito subjetivo afetado pela norma que se pretende
impugnar.
COMPETÊNCIA
Qualquer juiz ou tribunal do poder judiciário possui competência para verificar
a legitimidade constitucional dos atos estatais, não havendo nenhuma
restrição quanto ao tipo de processo.
LEGITIMIDADE
É ampla e abrange as partes, em qualquer demanda; eventuais terceiros
intervenientes, o Ministério Público; órgão jurisdicional, de ofício.
Nos Tribunais, o processo de controle de constitucionalidade difuso deverá
observar a “cláusula de reserva de jurisdição”, que determina que somente
pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do órgão
especial é que a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo poderá ser
declarada.
OBJETO E
PARÂMETRO
Objeto – é válido manejar essa via de controle para verificar a compatibilidade
com a Constituição de qualquer ato emanado dos Poderes Públicos, não
importando a esfera federativa que produziu, tampouco se sua natureza é de
ato normativo ou não, primário ou secundário. Igualmente não é relevante se
o ato anterior ou posterior à norma constitucional parâmetro, isto é, pré ou
pós-constitucional. Também não é obstáculo a realização do controle difuso
ter sido o ato revogado ou estar com seus efeitos exauridos.
Parâmetro – o controle difuso permite a fiscalização dos atos emanados do
Poder Público perante qualquer norma constitucional, ainda que ela já tenha
sido revogada, sendo unicamente necessário verificar se essa norma
constitucional estava em vigor no momento da criação do ato.
EFEITOS DA DECISÃO
A sentença que profere a inconstitucionalidade tem efeito declaratório e
retroage à data da edição da norma, ou seja, é ex tunc.
No entanto, é possível que haja a modulação dos efeitos temporais,
excepcionalmente, se o STF, concluir que deva prevalecer a segurança jurídica
ou algum interesse social marcante. No caso, poderá a Corte manipular os
efeitos temporais da decisão de modo que a declaração de
inconstitucionalidade não retroaja, mas sim valha do trânsito em julgado da
decisão em diante ou a partir de outro momento que a Corte venha a fixar.
A decisão prolatada no controle difuso opera efeitos inter partes, não
atingindo terceiros que não participaram daquela específica relação
processual.
ATUAÇÃO DO
SENADO
Até o presente ano, o papel do Senado era suspender a norma declarada
inconstitucional no controle difuso, produzindo, portanto, efeito erga omnes.
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138 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
ATENÇÃO: alteração jurisprudencial – houve uma mutação constitucional do
art. 52, X, CF. Agora, quando o STF declara uma norma inconstitucional no
controle difuso, a decisão já tem efeito vinculante e erga omnes.
O STF comunica o Senado com o objetivo que referida casa legislativa dê
publicidade daquilo que foi decidido.
É possível afirmar a adoção da teoria da Abstrativização do Controle Difuso.
#OLHAOGANCHO – Houve mudança de posicionamento do STF (Novembro
de 2017) sobre a adoção da teoria da transcendência dos motivos
determinantes e abstrativização do controle difuso (Foi nessa decisão que
houve mutação constitucional do art. 52, X, da CF/88). Assim, a leitura do
Informativo 866 STF é obrigatória.
#SELIGANATBAELA:
CONTROLE CONCENTRADO DE CONSTITUCIONALIDADE
CONCEITO
É realizada em abstrato, pela via principal, ou seja, a questão de constitucionalidade
configura o pedido principal da ação, sendo que a Corte analisa, em tese, se há ou
não contrariedade à Constituição.
Poderá ocorrer mediante uma das seguintes ações: ADI, ADC, ADO ou ADPF.
COMPETÊNCIA STF
LEGITIMIDADE
Será legitimado ativo: Mesa da Câmara, mesa do Senado, Mesa da Assembleia
Legislativa ou Câmara Legislativa do DF; Governador do Estado ou do DF;
Procurador Geral da República; Presidente da República; Conselho Federal da OAB;
partido político com representação no Congresso Nacional; confederação sindical;
entidade de classe de âmbito nacional.
OBJETO E
PARÂMETRO
OBJETO:
EM ADI – leis e atos normativos federais ou estaduais, editadas após a constituição.
As leis do DF editadas no exercício da competência legislativa estadual podem ser
objeto de ADI.
EM ADC – leis e demais atos normativos federais.
EM ADO – normas constitucionais de eficácia limitada não regulamentada.
EM ADPF – direito pré-constitucional,direito municipal, controvérsia sobre direito
pós-constitucional já revogado ou cujos efeitos já se exauriram e de decisões
judiciais construídas a partir de interpretações violadoras de preceitos
fundamentais.
PARÂMETRO:
EM ADI, ADC, ADO– normas constitucionais de referência para a realização da
análise de compatibilidade são todas aquelas que constam do documento
constitucional. Tratando-se de norma do ADCT, desde que não exaurida sua
eficácia.
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139 CICLOS RETA FINAL TJ/BA @CICLOSR3
EM ADPF - o parâmetro é mais restrito, pois tutela os preceitos fundamentais, ou
seja, para a defesa de somente alguns dispositivos constitucionais.
EFEITO DA
DECISÃO
DEFINITIVA:
EM ADI e ADC - Produzirá eficácia contra todos e efeito ex tunc (retroativo). O STF
poderá optar pela modulação temporal dos efeitos, em virtude de razão de
segurança jurídica ou excepcional interesse social.
EM ADO – notificar o legislador ou órgão administrativo que incorre em mora, para
que o responsável adote as medidas necessárias à concretização do texto
constitucional.
MEDIDA CAUTELAR:
EM ADI e ADPF - Produzirá eficácia contra todos e efeito ex nunc (não retroativo).
EM ADC - Produzirá eficácia contra todos e efeito ex nunc (não retroativo).
Também produzirá a suspensão do julgamento dos processos que envolvam a
aplicação da lei ou do ato normativo objeto da ação até seu julgamento definitivo,
que deverá ocorrer em 180 dias, sob pena de perda de sua eficácia.
EM ADO – poderá consistir na suspensão da aplicação da lei ou do ato normativo
questionado, no caso de omissão parcial, bem como na suspensão de processos
judicias ou de procedimento administrativos ou ainda em outra providência a ser
fixada pelo Tribunal.
#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA:
O que acontece se a lei impugnada por meio de ADI é alterada antes do julgamento da ação? Neste
caso, o autor da ADI deverá aditar a petição inicial demonstrando que a nova redação do dispositivo
impugnado apresenta o mesmo vício de inconstitucionalidade que existia na redação original. A
revogação, ou substancial alteração, do complexo normativo impõe ao autor o ônus de apresentar
eventual pedido de aditamento, caso considere subsistir a inconstitucionalidade na norma que promoveu
a alteração ou revogação. Se o autor não fizer isso, o STF não irá conhecer da ADI, julgando prejudicado
o pedido em razão da perda superveniente do objeto.
É possível que seja celebrado um acordo no bojo de uma arguição de descumprimento de preceito
fundamental (ADPF)? SIM. É possível a celebração de acordo num processo de índole objetiva, como a
ADPF, desde que fique demonstrado que há no feito um conflito intersubjetivo subjacente (implícito), que
comporta solução por meio de autocomposição. Vale ressaltar que, na homologação deste acordo, o
STF não irá chancelar ou legitimar nenhuma das teses jurídicas defendidas pelas partes no processo. O
STF irá apenas homologar as disposições patrimoniais que forem combinadas e que estiverem dentro do
âmbito da disponibilidade das partes. A homologação estará apenas resolvendo um incidente processual,
com vistas a conferir maior efetividade à prestação jurisdicional.
➢ CLÁUSULA DE RESERVA DE PLENÁRIO (FULL BENCH)
A Cláusula do Full-Bench ou Cláusula de Reserva de Plenário diz respeito ao controle de
constitucionalidade difuso realizado pelos Tribunais de Justiça/ Tribunal Regional Federal e pelo Superior
Tribunal de Justiça. Prevê a Constituição Federal de 1988: “Art. 97. Somente pelo voto da maioria absoluta
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de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a
inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público”.
#SELIGANASÚMULA:
A Súmula Vinculante 10 trata sobre o tema: Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão
de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou
ato normativo do Poder Público, afasta sua incidência, no todo ou em parte.
#ATENÇÃO! #NÃOVAIMAISERRAR Exceções:
✓ Declaração de constitucionalidade: A reserva do plenário é necessária somente para a declaração
de inconstitucionalidade das normas. Considerando a presunção de constitucionalidade, a decisão
do órgão fracionário que mantém a lei em questão constitucional dispensa o quórum qualificado.
✓ Declaração de não recepção (normas anteriores à constituição): Trata-se da não recepção, que não
se confunde com a inconstitucionalidade. Por isso, nesses casos, o órgão fracionário menor
declarará que a lei ou ato normativo foram revogados ou não recepcionados pela nova ordem
constitucional.
✓ Interpretação conforme a constituição: Nesses casos não se trata de forma de interpretação, mas
técnica de controle de constitucionalidade. Além disso, há o reconhecimento de que a lei é
constitucional, direcionando sua interpretação para que se torne compatível com a carta magna.
Portanto, dispensa-se a cláusula de reserva de plenário.
✓ Existência de pronunciamento do plenário ou da corte especial do tribunal, bem como do plenário
do Supremo Tribunal Federal sobre a questão (art. 949, parágrafo único do novo CPC). Ocorre
através do Incidente de Arguição de Inconstitucionalidade.
✓ Juizados Especiais: o entendimento no sentido da ausência de Repercussão Geral no Recurso
Extraordinário nº 868.457/SC, ocasião em que o STF decidiu pela não aplicação da reserva de
plenário aos Juizados Especiais por entender que não se trata de órgãos que funcionem no regime
de Plenário ou de Órgão Especial (STF, RE 868457, Rel. Min. Teori Zavascki – RIP- , DJ 27/04/2015,
pp. 7-8).
✓ Atos normativos de efeitos concretos: Não viola o art. 97 da CF/88 nem a SV 10 a decisão de órgão
fracionário do Tribunal que declara inconstitucional decreto legislativo que se refira a uma situação
individual e concreta. Isso porque o que se sujeita ao princípio da reserva de plenário é a lei ou o
ato normativo. Se o decreto legislativo tinha um destinatário específico e referia-se a uma dada
situação individual e concreta, exaurindo-se no momento de sua promulgação, ele não pode ser
considerado como ato normativo, mas sim como ato de efeitos concretos. STF. 2ª Turma. Rcl 18165
AgR/RR, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 18/10/2016 (Info 844).
✓ Não viola a Súmula Vinculante 10, nem a regra do art. 97 da CF/88, a decisão do órgão fracionário
do Tribunal que deixa de aplicar a norma infraconstitucional por entender não haver subsunção aos
fatos ou, ainda, que a incidência normativa seja resolvida mediante a sua mesma interpretação, sem
potencial ofensa direta à Constituição. Além disso, a reclamação constitucional fundada em afronta
à SV 10 não pode ser usada como sucedâneo (substituto) de recurso ou de ação própria que analise
a constitucionalidade de normas que foram objeto de interpretação idônea e legítima pelas
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autoridades jurídicas competentes. STF. 1ª Turma. Rcl 24284/SP, rel. Min. Edson Fachin, julgado em
22/11/2016 (Info 848).
✓ Nulidade de ato administrativo: não é ato normativo, ainda que, entre outros fundamentos, sustente
(mencione) a inconstitucionalidade de lei estadual. (Info 546, STJ).
6 Poder Constituinte: conceito; legitimidade e limites; poder originário e poder derivado; poder
constituinte estadual.
Poder Constituinte Originário é o poder responsável pela elaboração da Constituição, norma
jurídica superior que inicia a ordem jurídica e lhe confere fundamento de validade.
Para os jusnaturalistas este poder é de direito, pois eles admitem a existência de um direito natural
prévio ao direito positivo.
Para os juspositivistas, os quais preconizam nãohaver direito antes de se aferir a existência de um
Estado, o poder constituinte é anterior ao próprio direito, logo é um poder de fato, metajurídico, não
integrando o mundo jurídico nem possuindo natureza jurídica.
A titularidade do Poder Constituinte Originário pertence ao povo.
O poder constituinte originário pode ser dividido em: (i) fundacional – é aquele que produz a
primeira Constituição de um Estado; (ii) pós-fundacional – parte de uma ruptura institucional de ordem
vigente para elaborar a nova Constituição que sucederá a anterior, revogando integralmente a
precedente.
Características do Poder Constituinte Originário:
#SELIGANATABELA:
INICIAL
A Constituição é a base do ordenamento jurídico.
#DEOLHONOGANCHO: não é possível a alegação da existência de “direito
adquirido” perante a nova Constituição.
ILIMITADO
Não se submete ao regramento posto pelo direito precedente, sendo possuidor
de ampla liberdade de conformação da nova ordem jurídica.
#DEOLHONOGANCHO: a ausência de limites deve ser tratada com certas
reservas, pois é indiscutível a existência de alguns limites, tais como os
geográficos e territoriais. Também é possível considerar como limite as
circunstâncias sociais e políticas que lhe dão causa,, pois o poder constituinte é
a expressão da vontade política soberana do povo, não pode ser entendido sem
observância dos valores éticos, religiosos e culturais pelo povo partilhados e
motivadores de suas ações.
INCONDICIONADO
Não se submete a qualquer regra ou procedimento formal pré-fixado pelo
ordenamento jurídico que o precede.
AUTÔNOMO
É capaz de definir o conteúdo que será implantado na nova Constituição, bem
como sua estrutura e os termos de seu estabelecimento.
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PERMANENTE
Não se esgota quando da conclusão da constituição; ele permanece em situação
de latência, sendo ativado o “momento constituinte” de necessária ruptura com
a ondem estabelecida se apresentar novamente.
PODER CONSTITUINTE DERIVADO DECORRENTE: é a capacidade conferido pelo poder originário
aos Estados-membros para elaborarem suas próprias Constituições.
O poder constituinte derivado decorrente é perceptível no Distrito Federal, mas não nos
Municípios, pois a lei orgânica do DF, assim como ocorre com as Constituições estaduais, é um
documento que só está submetido à Constituição da República. Os municípios são formatados por
documentos condicionados simultaneamente à constituição estadual e à Constituição Federal, isto é, se
sujeitam à uma dupla subordinação, o que tornaria eventual poder decorrente do município em um
poder de terceiro grau.
PODER CONSTITUINTE DERIVADO REFORMADOR: tem a função de alterar formalmente a
Constituição Federal, exercendo a importante tarefa de ajustar o texto constitucional aos novos ambientes
formatados pela dinâmica social. Tanto o poder constituinte derivado decorrente como o reformador
possuem as seguintes características:
• Poder de direito (possui natureza jurídica);
• Limitado (suas ações são pautadas pelos limites inseridos na Constituição);
• condicionado (suas atribuições estão diretamente vinculadas ao que determina previamente a
Constituição);
• secundário.
7 Poder Legislativo: organização, funcionamento e competências; Congresso Nacional; processo
legislativo; Comissões Parlamentares de Inquérito e controle jurisdicional; imunidades parlamentares;
orçamento e fiscalização orçamentária; Tribunais de Contas.
CPI FEDERAL (ART. 58, §3°, CF) – A CPI pode investigar o Chefe do Executivo, pessoas físicas ou
jurídicas, órgão ou instituições ligadas à gestão da coisa pública ou que, de alguma forma, tenham que
prestar conta sobre dinheiro, bens ou valores públicos. É uma comissão TEMPORÁRIA do Congresso
Nacional. Logo, não pode investigar o que extravase as competências do Congresso.
REQUISITOS PARA CRIAÇÃO DE CPI
✓ 1/3 dos membros da Câmara dos Deputados ou Senado Federal;
✓ Investigar fato determinado;
✓ Prazo certo de duração.
#CUIDADO: pode ser que um fato guarde relação com interesse nacional e estadual. Não há problema
nesse caso de instauração de CPI federal e CPI estadual. O que não pode acontecer é CPI federal ser
criada para investigar fatos de exclusivo interesse do Estado.
“Fatos conexos inicialmente desconhecidos e revelados durante a investigação também podem ser
investigados, desde que haja um aditamento do requerimento de criação da CPI”.
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PODERES DA CPI
Poderes de investigação próprios de autoridade judicial, além dos previstos nos regimentos
internos.
1. Quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e de dados (STF, MS 25668).
2. Busca e apreensão de documentos e equipamentos, respeitados a inviolabilidade do domicílio.
3. Determinar a condução coercitiva de testemunhas ou indiciados.
4. Determinar a realização de exames periciais.
LIMITES AOS PODERES DA CPI
1. Cláusula da reserva de jurisdição. Ex.: interceptação telefônica.
2. Direito de Não-Incriminação (art. 5°, LXIII, da CF)
3. Sigilo Profissional (art. 5°, LIV, da CF)
4. Não pode formular acusações, punir delitos e nem adotar medidas acautelatórias, tais
como indisponibilidade de bens (MS 23480), proibição de ausentar-se do país, arresto, sequestro e
hipoteca judiciária.
Autonomia Federativa: A CPI federal PODE investigar autoridade estadual caso haja investigação de
interesse nacional e não exclusivamente estadual.
CPI ESTADUAL
✓ A CPI estadual tem poderes simétricos à CPI federal.
✓ O STJ decidiu no AgR na Pet 1611: “CPIs estaduais não tem competência para investigar autoridades
com prerrogativa de foro em órgãos do judiciário federal”.
CPI MUNICIPAL
Deve haver previsão expressa na Constituição Estadual, Lei Orgânica do Município, etc. Além disso:
fato determinado, prazo certo e quórum. Prevalece no âmbito doutrinário que “por não haver órgão
judicial no município, a CPI municipal não pode ter poderes de investigação próprios de autoridade judicial”.
GARANTIAS DO PODER LEGISLATIVO
Visam assegurar aos parlamentares a liberdade necessária para que desempenhem suas funções.
Atualmente o STF tem o entendimento de que o afastamento do parlamentar suspende as imunidades
material e formal, mas não afasta a prerrogativa de foro.
Art. 53, § 8º. As imunidades de Deputados ou Senadores subsistirão durante o estado de sítio, só podendo
ser suspensas mediante o voto de dois terços dos membros da Casa respectiva, nos casos de atos
praticados fora do recinto do Congresso Nacional, que sejam incompatíveis com a execução da medida.
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Suplentes: não possuem as garantias (imunidades e prerrogativa de foro) conferidas aos
parlamentares.
SENADORES E DEPUTADOS FEDERAIS
✓ Foro por Prerrogativa de Função (art. 53, §1° e art. 102, I, “b”, da CF).
Art. 53, § 1º Os Deputados e Senadores, desde a expedição do diploma, serão submetidos a julgamento
perante o Supremo Tribunal Federal.
Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe:
I - Processar e julgar, originariamente:
b) nas infrações penais comuns, o Presidente da República, o Vice-Presidente, os membros do Congresso
Nacional, seus próprios Ministros e o Procurador-Geral da República.
#ATENÇÃO: Em improbidade administrativa não há foro por prerrogativa de função.
#IMPORTANTE: o art. 102, I, “b”, da CF prevalece sobre a regra do tribunal do júri insculpida no art. 5°,
XXXVIII.
#ATENÇÃO – REDUÇÃO TELEOLÓGICA DO FORO POR PRERROGATIVA
As normas da Constituição de 1988 que estabelecem as hipóteses de foro por prerrogativa de função
devemser interpretadas restritivamente, aplicando-se apenas aos crimes que tenham sido praticados
durante o exercício do cargo e em razão dele. Assim, por exemplo, se o crime foi praticado antes de o
indivíduo ser diplomado como Deputado Federal, não se justifica a competência do STF, devendo ele ser
julgado pela 1ª instância mesmo ocupando o cargo de parlamentar federal. Além disso, mesmo que o
crime tenha sido cometido após a investidura no mandato, se o delito não apresentar relação direta com
as funções exercidas, também não haverá foro privilegiado. Foi fixada, portanto, a seguinte tese: O foro
por prerrogativa de função aplica-se apenas aos crimes cometidos durante o exercício do cargo e
relacionados às funções desempenhadas. STF. Plenário. AP 937 QO/RJ, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado
em 03/05/2018.
Após o final da instrução processual, com a publicação do despacho de intimação para apresentação de
alegações finais, a competência para processar e julgar ações penais não será mais afetada em razão de
o agente público vir a ocupar outro cargo ou deixar o cargo que ocupava, qualquer que seja o motivo.
STF. Plenário. AP 937 QO/RJ, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 03/05/2018.
✓ Imunidades materiais (freedom of speech)
Art. 53. Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões,
palavras e votos.
Quando proferidas fora do Congresso, o STF exige que a manifestação tenha conexão com o
exercício do mandato.
A imunidade material tem natureza jurídica de excludente de tipicidade (STF, INQ 2273 e PET
4934).
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✓ Imunidade Formal/Incoercibilidade pessoal relativa
Art. 53, § 2º, CF. Desde a expedição do diploma, os membros do Congresso Nacional não poderão ser
presos, salvo em flagrante de crime inafiançável. Nesse caso, os autos serão remetidos dentro de vinte e
quatro horas à Casa respectiva, para que, pelo voto da maioria de seus membros, resolva sobre a prisão.
A imunidade formal não abrange só a imunidade processual, mas também a questão prisional.
• OBS¹. Súmula 245 a aplicação apenas a imunidade formal
Súmula 245 STF. A imunidade parlamentar não se estende ao corréu sem essa prerrogativa.
A súmula 245, apesar de tratar “imunidade parlamentar”, essa súmula atinge apenas a imunidade formal.
Isso porque a palavra “réu” só tem sentido no âmbito da imunidade formal, já que a imunidade material
não leva parlamentar, em regra, a ser réu em processo judicial.
A imunidade formal obsta a prisão cautelar do parlamentar, salvo em flagrante de crime inafiançável. A
proibição de prisão não alcança a prisão no caso de condenação definitiva transitada em julgado.
• OBS². Não é mais necessária a autorização da Câmara ou Senado para que o parlamentar seja
processado e julgado. Atualmente, o PGR oferece denúncia perante o STF, que dará ciência à Casa
do respectivo parlamentar, que, por iniciativa de partido político nela representado e pelo voto da
maioria absoluta de seus membros poderá até a decisão final sustar o andamento da ação.
PROCESSO LEGISLATIVO
O art. 62 da CF/88 prevê que o Presidente da República somente poderá editar medidas
provisórias em caso de relevância e urgência. A definição do que seja relevante e urgente para fins de
edição de medidas provisórias consiste, em regra, em um juízo político (escolha política/discricionária) de
competência do Presidente da República, controlado pelo Congresso Nacional.
Desse modo, salvo em caso de notório abuso, o Poder Judiciário não deve se imiscuir na análise
dos requisitos da MP. No caso de MP que trate sobre situação tipicamente financeira e tributária, deve
prevalecer, em regra, o juízo do administrador público, não devendo o STF declarar a norma
inconstitucional por afronta ao art. 62 da CF/88. STF. Plenário. ADI 1055/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes,
julgado em 15/12/2016 (Info 851).
8 Poder Judiciário: a função jurisdicional; organização do Poder Judiciário; Supremo Tribunal Federal;
Súmula Vinculante; Conselho Nacional de Justiça; Justiça dos Estados.
É importante que percebamos algo muito importante para concursos: não cabe ao STF conhecer
o mandado de segurança, nem o habeas data, nem o habeas corpus, quando o coator for Ministro de
Estado (ou Comandantes de Força), embora conheça do habeas corpus paciente deles. Acontece que o
habeas corpus coator, bem como o mandado de segurança e habeas data contra atos de Ministros está
no âmbito da Competência do STJ (CF, art. 105, I, b e c). Desta forma, em se tratando de Ministros de
Estado (e Comandantes de Força):
• Falou em "paciente" = Competência do STF.
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• Falou em coator (contra atos) = Competência do STJ.
Caso a questão fale de “recurso ordinário” = sempre deverá envolver coisas ou pessoas (físicas ou
jurídicas) – tais como remédios constitucionais, crimes ou demais conflitos. Caso a questão fale de
“recurso extraordinário” (sempre ao STF) ou “recurso especial” (STJ), ela deverá falar em leis ou atos
normativos.
Quando falar em conflito de "competência" = conflito entre órgãos do Judiciário:
• Se envolver tribunais superiores- Competente é o STF.
• Se envolver tribunais de segundo grau - Competente é o STJ.
Quando falar em conflitos de "atribuições" = conflito entre autoridades administrativas X
autoridade judiciárias de entes diversos. Neste caso, o competente é o STJ.
Quando falarmos de recursos envolvendo conflitos com a lei federal, temos:
• Conflito "ato" local X Lei Federal = R. Esp. no STJ.
• Conflito "lei" local x Lei Federal = Conflito federativo = R.Ex no Supremo.
SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL
Vale ressaltar a leitura do artigo 102, da Constituição Federal:
Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe:
I - processar e julgar, originariamente:
a) a ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória
de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal;
b) nas infrações penais comuns, o Presidente da República, o Vice-Presidente, os membros do Congresso
Nacional, seus próprios Ministros e o Procurador-Geral da República;
c) nas infrações penais comuns e nos crimes de responsabilidade, os Ministros de Estado e os
Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, ressalvado o disposto no art. 52, I, os membros
dos Tribunais Superiores, os do Tribunal de Contas da União e os chefes de missão diplomática de caráter
permanente;
d) o habeas corpus, sendo paciente qualquer das pessoas referidas nas alíneas anteriores; o mandado de
segurança e o habeas data contra atos do Presidente da República, das Mesas da Câmara dos Deputados
e do Senado Federal, do Tribunal de Contas da União, do Procurador-Geral da República e do próprio
Supremo Tribunal Federal;
e) o litígio entre Estado estrangeiro ou organismo internacional e a União, o Estado, o Distrito Federal ou
o Território;
f) as causas e os conflitos entre a União e os Estados, a União e o Distrito Federal, ou entre uns e outros,
inclusive as respectivas entidades da administração indireta;
g) a extradição solicitada por Estado estrangeiro;
h) Revogado.
i) o habeas corpus, quando o coator for Tribunal Superior ou quando o coator ou o paciente for
autoridade ou funcionário cujos atos estejam sujeitos diretamente à jurisdição do Supremo Tribunal
Federal, ou se trate de crime sujeito à mesma jurisdição em uma única instância;
j) a revisão criminal e a ação rescisória de seus julgados;
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l) a reclamação para a preservação de sua competência e garantia da autoridade de suas decisões;
m) a execução