Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

FUNDAMENTOS 
DA CONTABILIDADE
FUNDAMENTOS 
DA CONTABILIDADE
Arno Wiese
© Copyright 2017 da Dtcom. É permitida a reprodução total ou parcial, desde que sejam respeitados os 
direitos do Autor, conforme determinam a Lei n.º 9.610/98 (Lei do Direito Autoral) e a Constituição Federal, 
art. 5º, inc. XXVII e XXVIII, “a” e “b”. 
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Ficha catalográfica elaborada pela Dtcom. Bibliotecária – Andrea Aguiar Rita CRB)
W651f
Wiese, Arno. 
Fundamentos da contabilidade / Arno Wiese. – Curitiba: Dtcom, 2017. 
144 p. 
ISBN: 978-859-368-514-9
1. Contabilidade. 2. Administração financeira. 3. Fluxo de caixa. 
CDD 657
Reitor Prof. Celso Niskier
Pro-Reitor Acadêmico Maximiliano Pinto Damas
Pro-Reitor Administrativo e de Operações Antonio Alberto Bittencourt
Coordenação do Núcleo de Educação a Distância Viviana Gondim de Carvalho 
Redação Dtcom
Análise educacional Dtcom
Autoria da Disciplina Arno Wiese
Validação da Disciplina Douglas Bastos Rodrigues
Designer instrucional Milena Rettondini Noboa
Banco de Imagens Shutterstock.com
Produção do Material Didático-Pedagógico Dtcom
Sumário
01 Visão geral da contabilidade ..................................................................................................7
02 Campo de atuação e usuários da Contabilidade .............................................................14
03 Finalidade da informação contábil e abrangência da Contabilidade ...........................21
04 Técnicas contábeis ................................................................................................................28
05 Princípios de Contabilidade ..................................................................................................36
06 O Patrimônio ...........................................................................................................................44
07 Bens e sua classificação. Direitos e obrigações patrimoniais ......................................52
08 Ativo e passivo ........................................................................................................................59
09 Diferença de patrimônio e patrimônio líquido ...................................................................65
10 Equações patrimoniais ..........................................................................................................71
11 Contas .......................................................................................................................................77
12 Teorias das contas .................................................................................................................83
13 Livros de registro da contabilidade .....................................................................................90
14 Métodos de Escrituração e Lançamentos .........................................................................96
15 Atos e fatos administrativos.............................................................................................. 103
16 Escrituração contábil .......................................................................................................... 109
17 Elaboração dos Razões Contábeis .................................................................................. 115
18 Balancete ............................................................................................................................... 123
19 Balanço patrimonial ............................................................................................................ 130
20 Demonstrativo de resultado do exercício (DRE) ............................................................ 137
Visão geral da contabilidade
Arno Wiese
Introdução
Você saberia dizer para que serve a Contabilidade? Ou ainda, saberia como aplicá-la em uma 
empresa? Nesta aula vamos estudar a história da Contabilidade, além e conhecer seu conceito, 
objetivo e objeto. Pronto para começar? Bons estudos! 
Objetivos de aprendizagem
Ao final desta aula, você será capaz de:
 • compreender o que é a Contabilidade;
 • compreender o objetivo da Contabilidade. 
1 Introdução
Para estudarmos Contabilidade precisamos definir, primeiramente, os princípios, regras de 
conduta e possíveis aplicações, que devem ser seguidos com o objetivo de padronizar procedi-
mentos técnicos. (Ferreira, 2015). Mas quais são as atribuições destes profissionais da área con-
tábil? Perceba que os contadores são responsáveis, principalmente, por fazer e registrar contas de 
uma pessoa ou até mesmo de uma organização. 
SAIBA MAIS!
Você sabia que, em média, o contador tem 40 anos de idade e cerca de 65% dos 
profissionais são do sexo masculino? Ou ainda, que em torno de 70% estão na pro-
fissão há mais de 15 anos, sendo suas principais queixas: falta de valorização pela 
sociedade, constantes mudanças na legislação e burocracia dos órgãos públicos. 
Estas e outras informações estão disponíveis no portal do Conselho Federal de Con-
tabilidade em uma pesquisa realizada em 2013 sobre o perfil do profissional. Dis-
ponível no link: <http://portalcfc.org.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/12/
livro_perfil_2013_web2.pdf>.
De acordo com Ferreira (2015), a Contabilidade é uma ciência, pois se baseia em um con-
junto organizado e aprofundado de conhecimentos, sobre um determinado assunto, a partir de um 
método científico. Na Contabilidade, especificamente, estudamos o patrimônio do ponto de vista 
 – 7 – 
TEMA 1
econômico e financeiro, além de técnicas de controle e análise dos elementos patrimoniais, assim 
como suas modificações ao longo do tempo. 
No entanto, ao contrário da Matemática, classificada como ciência exata, a Contabilidade é 
considerada uma ciência social, pois, para compararmos informações contábeis de uma mesma 
empresa, em diversos períodos, ou de empresas diferentes, num mesmo período, é preciso que 
haja uniformidade na adoção de regras e princípios.
FIQUE ATENTO!
A palavra Contabilidade quer dizer contar algo, computar ou calcular.
Figura 1 – Contabilidade
Fonte: Syda Productions/ Shutterstock.com
Note que é responsabilidade dos contadores realizar os registros contábeis dos aconteci-
mentos que alteram o patrimônio de uma organização. São estas informações que devem espe-
lhar a realidade da empresa, permitindo, inclusive, comparações futuras de dados contábeis em 
períodos diferentes. Vale destacar ainda a possibilidade de comparar dados de empresas diferen-
tes, normalmente, do mesmo ramo de negócios.
No próximo tópico faremos uma abordagem breve sobre a história da Contabilidade. 
Acompanhe.
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 8 – 
2 Breve história da Contabilidade
Desde os primórdios da civilização há registros de que o ser humano desenvolveu a capaci-
dade de armazenar bens e, consequentemente, de controlá-los. De acordo com Padoveze (2016), 
há evidências históricas de registros contábeis nas antigas civilizações dos sumérios, babilônios, 
assírios, egípcios, hebreus, gregos etc.
Em 1494, por exemplo, foi publicado na Itália o “Tractatus de Computis et Scripturis”, de autoria 
do frei Luca Pacioli, comumente citado como o pai da Contabilidade. Em seu tratado, Pacioli des-
creve um método de escrituração contábil, chamado Método das Partidas Dobradas, sistematizando 
conceitos e o instrumental contábil para registro e controle de um patrimônio. Foi a partir do Método 
das Partidas Dobradas, por exemplo, que criou-se a figura do patrimônio líquido, que consiste na 
diferença entre a soma dos bens e direitos, e as obrigações de uma empresa. (Padoveze, 2016).
Desta forma, observe que no início da Contabilidade o registro era feito em partidas simples, 
ou seja, bens e direitos eram contabilizados por meio de um inventáriopatrimonial, prática que 
ainda está em uso atualmente. Este método consiste, simplesmente, em contar os bens. Foi assim 
que surgiu o nome Contabilidade, a ciência de contar. 
Com o advento da Revolução Industrial, no século XVIII, na era comercial da civilização, a 
ciência contábil ganhou ainda mais importância, recebendo o status imprescindível de regulamen-
tar as relações da sociedade. Foi nesta época que a Contabilidade passou a ser vista como a Ciên-
cia do Controle do Patrimônio, incorporando o conceito de contabilidade de custos, um ramo da 
Contabilidade que se ocupa em produzir informações gerenciais em prol da locação mais precisa 
dos custos aos produtos. Posteriormente, no final do século XIX e início do século XX, podemos 
observar a evolução da Contabilidade em direção aos conceitos gerenciais, abrangendo informa-
ções fornecidas aos gestores, ou seja, ao público interno da empresa, responsável por organizar, 
planejar, dirigir e controlar as operações. 
SAIBA MAIS!
As primeiras escritas contábeis remontam ao término da Era da Pedra Polida, quando 
o homem registrava desenhos e gravações. No entanto, quem fazia os controles, 
nesta época e durante vários séculos, eram os templos religiosos. Os sumérios, 
babilônicos e assírios faziam os registros em peças de argila, retangulares ou ovais, 
ficando famosas as pequenas tábuas de Uruk, que mediam, aproximadamente, de 
2,5 a 4,5 centímetros.
Vamos agora analisar o conceito da Contabilidade. Você sabe como podemos defini-la? Con-
fira a seguir.
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 9 – 
3 Conceito de Contabilidade
Como já vimos, a contabilidade é a ciência de contar algum bem ou patrimônio. Para Ribeiro 
(2010), a Contabilidade é a ciência que possibilita, por meio de técnicas, o controle permanente 
do patrimônio das empresas e pessoas. Neste caso, é preciso levar em conta também a defi-
nição deste autor para empresa: uma unidade de produção, resultante da combinação dos três 
fatores de produção (natureza, trabalho e capital) constituída para o desenvolvimento de uma ati-
vidade econômica. Já patrimônio podemos definir como o conjunto de riquezas de propriedade 
de alguém ou de uma empresa (Padoveze, 2016). Podemos citar como exemplos de patrimônio: 
os bens e direitos, tais como: veículos, saldos em contas bancárias, estoques de mercadorias etc.
Figura 2 – Estoques e patrimônio
Fonte: Monkey Business Images / Shutterstock.com 
FIQUE ATENTO!
A finalidade da Contabilidade é fornecer informações sobre o patrimônio e a forma 
como ele se transforma, auxiliando o gestor e/ou proprietários da empresa nas to-
madas de decisões.
Assim, é importante perceber como a Contabilidade está presente na nossa vida cotidiana, 
considerando que as pessoas vivem em torno de suas propriedades e preocupam-se em consumir 
e adquirir novos bens e serviços, em prol de um futuro mais tranquilo. 
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 10 – 
4 Objetivo da Contabilidade
O objetivo da Contabilidade é fazer registros em livros contábeis de forma que qualquer 
pessoa, que conheça esta ciência, consiga entender. Para que isso aconteça, é necessária a exis-
tência de um método padrão de registro. Dito de outra forma, o objetivo da contabilidade é o con-
trole do patrimônio. Mas, como é feito este controle?
É por meio da coleta, armazenamento e processamento das informações, originárias dos 
fatos, que podemos alterar o patrimônio num determinado período de tempo (Padoveze, 2016). 
Observe este exemplo: a conta créditos a receber muda, constantemente, em uma empresa, mas 
vamos supor que no final de um determinado ano ela apresentou o valor de R$ 50.600,00, e no 
final do ano seguinte o valor de R$ 42.000,00. Essa variação ocorrida nessa conta é uma alteração 
de patrimônio, que a Contabilidade acompanha fazendo os registros pertinentes, com posterior 
demonstração e análise do ocorrido. 
De acordo com Ferreira (2015), a Contabilidade tem a finalidade de fornecer aos seus usu-
ários, que podem ser internos ou externos, informações úteis para o planejamento, controle e 
tomada de decisões. Isso quer dizer que a Contabilidade não faz apenas registros, mas produz 
relatórios que serão utilizados nas empresas. 
FIQUE ATENTO!
Todo e qualquer registro contábil necessita, obrigatoriamente, de um documento 
confiável sobre a sua origem, podendo ser uma nota fiscal, emitida na compra ou 
na venda, um contrato, uma conta de energia elétrica etc.
Figura 3 – Vender e comprar
Fonte: ImageFlow / Shuterstock.com.
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 11 – 
Por isso, grave bem: o principal objetivo da Contabilidade é prover informações para o plane-
jamento e controle, fornecendo dados confiáveis referentes à situação patrimonial, econômica e 
financeira de uma organização. (SZUSTER et al, 2013). 
5 Objeto da Contabilidade
Há autores que falam em objetivo da Contabilidade e outros que se referem ao objeto da 
Contabilidade. Ferreira (2015), por exemplo, entende que o objeto é o assunto do qual a ciência se 
ocupa ou, dito de outra forma, aquilo que ela estuda. Para ele, o objeto ou assunto do qual a Con-
tabilidade se ocupa é o patrimônio de uma entidade ou organização. 
Padoveze (2016), por sua vez, define o mesmo conceito de controle do patrimônio, mas entende 
que esse é o principal objetivo da Contabilidade, ou seja, a Contabilidade controla o patrimônio. Na 
avaliação deste autor, o patrimônio é o objeto da Contabilidade e o seu controle é o objetivo. 
Apesar destas visões diferentes, devemos ter em mente que a preocupação da Contabilidade 
é com o patrimônio das organizações e das pessoas, e que o controle deste patrimônio deve ser 
realizado de forma consistente e confiável. 
EXEMPLO
Entre os inúmeros exemplos de patrimônios, podemos citar: uma fábrica, automó-
vel, casa, depósitos bancários, padaria, ativo etc. 
Figura 4 – Fábrica
Fonte: nrqemi / Shutterstock.com. 
Você deve ter notado que o objeto ou objetivo da Contabilidade são conceitos que se con-
fundem e, ao final, querem dizer, praticamente a mesma coisa: controlar o patrimônio de uma 
entidade seja ela de fins lucrativos ou não. 
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 12 – 
EXEMPLO
Vamos ver agora um exemplo de registro de capital de uma pequena empresa. Ima-
gine que você queira abrir uma padaria. Suponha que para isso seja necessário um 
capital inicial de R$ 100 mil. Com este dinheiro serão feitas aquisições para que 
a padaria comece a funcionar. Você terá que comprar o ponto comercial, balcão, 
máquinas e equipamentos para produção de pães, além de geladeiras, mesas e ca-
deira. Lembre-se também que é importante deixar um dinheiro no caixa para realizar 
compras de mercadorias. Confira a seguir um resumo da série de bens que serão ad-
quiridos com os R$ 100 mil: ponto comercial: R$ 20 mil; balcão: R$ 5 mil; máquinas e 
equipamentos para produção: R$ 40 mil; geladeiras: R$ 10 mil; mesas e cadeiras: R$ 
10 mil; dinheiro em caixa: R$ 15 mil. Desta forma, podemos dizer que o patrimônio 
inicial dessa padaria é a soma de todos os bens descritos, ou seja, R$ 100 mil.
Fechamento
Nesta aula, você teve a oportunidade de:
 • conhecer a história da Contabilidade, desde sua evolução até os dias atuais;
 • estudar o conceito de Contabilidade, assim como sua aplicação;
 • compreender o objetivo e o objeto da Contabilidade.
Referências
CONSELHO FEDERAL de Contabilidade. Pesquisa Perfil do Profissional da Contabilidade 2012/13. 
Brasília, 2013. Disponível em: <http://portalcfc.org.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/12/
livro_perfil_2013_web2.pdf>. Acesso em: 29 jun 2017.
______. Procedimentos Técnicos Contábeis 2012. Brasília, 2013. Disponível em: <http://portalcfc.
org.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/06/cpc_pronunciamentos_2012_web.pdf>. Aceso 
em: 29 jun 2017.
FERREIRA, Ricardo J. Contabilidade Básica.13 ed. Rio de Janeiro: Ferreira, 2015.
PADOVEZE, Clóvis Luis. Manual de Contabilidade Básica. 9 ed. São Paulo: Atlas, 2016. 
RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade Básica Fácil. 27 ed. São Paulo: Saraiva, 2010.
SZUSTER, Natan; et al. Contabilidade Geral. 4 ed. São Paulo: Atlas, 2013.
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 13 – 
Campo de atuação e usuários 
da Contabilidade
Arno Wiese
Introdução
Para todos os ramos do conhecimento humano, existem áreas nas quais esses conhecimen-
tos são aplicados, testados e colocados em funcionamento. Na prática, é onde se usa aquilo que 
a teoria estuda e propõe. Na Contabilidade não é diferente: ela também se estrutura para fornecer 
informações que serão utilizadas no mundo dos negócios. Você pode tentar imaginar vários tipos 
de organizações, como governos, empresas públicas, particulares, instituições sociais, clubes e 
associações – todas elas devem ser adequadamente organizadas e bem controladas para que 
possam atingir seus objetivos. Isso é feito pela Contabilidade, e é este o seu campo de aplicação. 
Nesta aula, conheceremos melhor o espaço de atuação da Contabilidade, além de entender quem 
são os seus usuários, a diferença entre as pessoas física e jurídica, sociedades anônimas, empre-
sas de responsabilidade limitada (Ltda) e outros conceitos importantes da área.
Objetivos de aprendizagem
Ao final desta aula, você será capaz de:
 • conhecer o campo de atuação da Contabilidade;
 • conhecer os principais usuários da Contabilidade.
1 Pessoas físicas e jurídicas
Pessoa física é o ser humano natural. São os contadores, os administradores, os mecânicos, 
os médicos, as empregadas domésticas, os estudantes, os trabalhadores autônomos e assim por 
diante. Essas pessoas físicas também necessitam controlar as suas despesas, receitas e patrimô-
nio – portanto, fazem uso da Contabilidade.
Podemos dizer que as pessoas físicas agem sempre de maneira que as pessoas jurídicas 
funcionem. Os atos de administrar, gerir bens, acessar direitos e cumprir obrigações, além de con-
duzir outras pessoas, fazem parte de seu cotidiano, e assim se atinge os objetivos propostos pela 
ciência contábil.
Por outro lado, as pessoas jurídicas são instituições econômico-administrativas, com finali-
dades sociais ou visando à obtenção de lucros. 
 – 14 – 
TEMA 2
Figura 1 – Pessoas físicas
Fonte: LANTERIA/Shutterstock.com 
EXEMPLO
Imagine um patrimônio que não esteja sendo administrado – ocioso, paralisado, sem 
modificações patrimoniais, como um terreno sem uso ou uma fábrica paralisada. O 
patrimônio não está sofrendo alterações significativas e, portanto, o contabilista não 
teria trabalho a fazer. No entanto, se o proprietário desse patrimônio começa a geri-lo 
com a finalidade de gerar lucros, então o trabalho do contabilista começará a ter rele-
vância (FERREIRA, 2015).
As instituições com objetivos sociais são aquelas que têm por objetivo o bem-estar social da 
coletividade, como associações esportivas e recreativas ou hospitais beneficentes. 
Ainda podem ser incluídos como instituições sem fins lucrativos, mas não necessariamente 
beneficentes, as pessoas jurídicas de direito público, como os governos municipais, estaduais e 
federal, com suas autarquias e repartições públicas (VICECONTI; NEVES, 2014). 
Já as empresas são consideradas entidades com fins lucrativos. Elas desenvolvem os mais 
variados ramos de atividade, desde a agricultura, comércio e indústria a uma infinidade de presta-
ções de serviços (RIBEIRO, 2010).
Assim, podemos afirmar que os usuários da Contabilidade são todas as entidades que utili-
zam as informações fornecidas por ela para controlar o seu patrimônio.
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 15 – 
2 Usuários externos e usuários secundários
A Contabilidade, pela sua importância e dinâmica, comumente tem uma série de usuários 
interessados, como já vimos anteriormente, que dela se utilizam para interesses dos mais diversos.
Existem, por exemplo, os usuários externos: são os acionistas não controladores da empresa, 
os credores de modo geral, os integrantes do mercado decapitais – como investidores em bolsas 
de valores –, as instituições financeiras, os fornecedores e assim por diante.
FIQUE ATENTO!
O campo de atuação da Contabilidade é vasto, envolvendo praticamente todas as 
atividades humanas. Os usuários da Contabilidade são todos aqueles que direta ou 
indiretamente se utilizam das informações fornecidas por ela, seja para acompa-
nhar o desenvolvimento da entidade, tomar decisões, ou ainda conhecer garantias 
de cumprimento dos compromissos junto aos clientes, fornecedores, credores e 
fisco (RIBEIRO, 2010).
Esses usuários têm particular interesse nas demonstrações contábeis que uma empresa 
elabora e publica, que são principalmente o balanço patrimonial e o demonstrativo de resultados 
do exercício. Esses demonstrativos são analisados profundamente pelos interessados em infor-
mações que baseiam seus investimentos futuros. 
Isso é especialmente importante para as sociedade anônimas que tem ações negociadas 
nas bolsas de valores. Estes demonstrativos contêm informações preciosas para os investidores 
tomarem suas decisões e são aguardados com ansiedade quando o período de divulgação se 
aproxima – em geral, ao final de cada trimestre. 
SAIBA MAIS!
O Portal do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) publica diversos informes, 
notícias e artigos falando sobre a legislação e o uso da Contabilidade. O material é 
voltado de profissionais a estudantes, entidades públicas ou privadas. Vale a pena 
navegar e obter mais informações no site da entidade: <www.cfc.org.br>.
Já os usuários internos (também chamados de secundários por alguns autores) são os admi-
nistradores das instituições, os acionistas controladores ou cotistas, no caso de uma empresa de 
responsabilidade limitada, os empregados, os gerentes e demais pessoas que se utilizam dos 
dados contábeis de uma organização.
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 16 – 
3 Usuários da informação contábil e seus interesses
O campo de aplicação da Contabilidade inclui todas as atividades econômico- administrati-
vas, como empresas, governos, associações e assim por diante, tenham elas o objetivo de lucro 
ou não (RIBEIRO, 2010). Assim, podemos afirmar que a aplicação da Contabilidade é muito ampla 
e está presente em todas as atividades exercidas pelo ser humano. 
Da mesma forma, os usuários da Contabilidade são os mais variados, incluindo adminis-
tradores, investidores, governos, empregados, financiadores, sócios e acionistas das empresas, 
enfim: toda a sociedade, cada qual com seus próprios interesses em relação às informações levan-
tadas, produzidas e fornecidas.
Figura 2 – Administradores e informações contábeis
Fonte: JL-Pfeifer/Shutterstock.com
FIQUE ATENTO!
A Contabilidade é exercida com a finalidade de fornecer a seus usuários informa-
ções úteis para o planejamento, controle, tomada de decisões e outras atividades 
importantes.
Nesse sentido, os administradores e gerentes são os grandes usuários internos e necessitam 
destas informações contábeis para melhor desempenhar as funções de gestão do patrimônio, o 
que implica em planejamento, controle e tomada de decisões. 
Os proprietários de empresas (cotistas e acionistas controladores) têm interesse em acom-
panhar o desempenho da organização porque visam à obtenção de lucros e dividendos, buscando 
formas de estimular o crescimento dos negócios. 
Ao mesmo tempo, os acionistas não controladores, como os investidores de bolsas de valo-
res, querem que a empresa se valorize para receberem lucros, seja com os dividendos ou com a 
compra e venda de ações.
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 17 – 
SAIBA MAIS!
No mundo complexo das relações trabalhistas, notadamente nas grandes compa-
nhias que possuem muitos colaboradores,os sindicatos têm particular interesse nas 
divulgações dos demonstrativos contábeis. Isso é feito para verificar a lucratividade 
da organização, com o objetivo de barganhar melhor participação nos lucros da em-
presa empregadora.
Figura 3 – Investidores: corretora de valores
Fonte: Monkey Business Images/Shutterstock.com
Por fim, como nos lembra Ferreira (2015), os credores e os fornecedores querem saber a 
situação econômico-financeira da empresa para verificar a sua capacidade de honrar os compro-
missos assumidos, e o governo busca estas informações para fiscalizar o recolhimento correto 
dos tributos. 
4 Principais tipos de pessoas jurídicas – Ltda e S/A 
Quando as empresas são constituídas, todo o processo deve ser feito sob uma determinada 
condição legal, chamada de forma de constituição jurídica. 
A constituição jurídica mais comum é a sociedade por quotas de responsabilidade limitada 
(Ltda), quando são constituídas através de contrato social, e o capital social é dividido em quotas. 
Uma empresa, quando é constituída, deve ter e deve declarar certo valor para iniciar o negó-
cio. Esse valor inicial chama-se capital social. 
Assim, o instrumento jurídico utilizado para uma empresa de responsabilidade limitada é o 
chamado contrato social, onde consta o nome dos sócios, o valor do capital que cada um inte-
gralizou, quem vai gerenciar o negócio e quais são seus poderes, e ainda quem vai representar a 
empresa perante terceiros. Esse documento é registrado na junta comercial do Estado de locali-
zação da empresa. 
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 18 – 
O valor total do capital social é dividido em quotas e cada sócio terá o número de quotas pro-
porcionais ao valor do capital integralizado. Neste caso, a responsabilidade dos sócios quotistas é 
limitada ao valor do capital investido. 
Figura 4 – Ações na bolsa de valores
Fonte: Monkey Business Images/Shutterstock.com
Nas sociedades anônimas, conhecidas pela sigla S/A ou S.A., ou ainda por companhia, o 
capital social é dividido em número de ações. Essas empresas são regidas por um estatuto social, 
que é o documento jurídico válido de constituição da sociedade. É um documento público.
EXEMPLO
Um determinado sócio investiu R$ 10 mil em uma empresa, e este é o valor das 
quotas que ele possui. Sua responsabilidade com os negócios está limitada a esse 
valor. Por isso, é comum credores exigirem a fiança ou o aval dos demais sócios e 
cônjuges antes de concederem novos créditos a empresas, justamente para ampa-
rar a negociação.
FIQUE ATENTO!
As sociedades anônimas são consideradas de capital fechado quando suas ações 
não são negociadas em bolsas de valores, e de capital aberto quando são.
No estatuto social – regido pela Lei 6404/1976 – constam todas as condições que vão reger 
a sociedade anônima, desde o nome dos sócios e as respectivas ações, o valor do capital social, 
a responsabilidade de cada sócio para gerir o negócio, a representação perante terceiros, a finali-
dade da empresa e outros itens.
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 19 – 
Fechamento
Nesta aula, você teve a oportunidade de:
 • conhecer os usuários internos e externos da Contabilidade;
 • compreender o papel das pessoas físicas e jurídicas envolvidas com o estudo e aplica-
ção da Contabilidade; 
 • identificar os usuários das informações contábeis e seus interesses;
 • entender os principais tipos de pessoas jurídicas, que são as sociedades de responsa-
bilidade limitada e as sociedades anônimas. 
Referências 
BRASIL. Lei 6404, de 15 de dezembro de 1976. Dispõe sobre as Sociedades por Ações, 1976. Dis-
ponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6404consol.htm>. Acesso em: 03 jul. 2017.
CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Brasília. Disponível em: <cfc.org.br>. Acesso em: 03 
jul. 2017.
FERREIRA, Ricardo José. Contabilidade Básica. 13 ed. Rio de Janeiro: Ed. Ferreira, 2015.
RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade Básica Fácil. 27 ed. São Paulo: Saraiva, 2010.
VICECONTI, Paulo; NEVES, Silvério das. Contabilidade Básica. 16 ed. São Paulo: Saraiva, 2014.
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 20 – 
Finalidade da informação contábil e 
abrangência da Contabilidade
Arno Wiese
Introdução
A Contabilidade é a linguagem dos negócios. Essa é uma frase atribuída ao grande investidor 
norte-americano Warren Buffett, que afirmou em certa ocasião que existem muitas maneiras de 
descrever o que acontece numa empresa – mas seja lá o que for dito, sempre se retorna à lingua-
gem da Contabilidade (SZUSTER et al., 2013). É através da Contabilidade que se traçam objetivos e 
se avaliam resultados e desempenhos. Você já pensou como seria feita a análise financeira de uma 
empresa sem a Contabilidade? Ou então, como um gestor poderia calcular a sua capacidade de 
pagar dívidas ou de projetar lucro? Essas são questões importantes que serão esclarecidas nesta 
aula sobre a finalidade da informação contábil. Conheceremos melhor a abrangência da Conta-
bilidade e a sua utilidade prática, além de levantar uma discussão muito relevante sobre como o 
usuário destas informações pode aplicar estas ferramentas na sua empresa ou organização.
Objetivos de aprendizagem
Ao final desta aula, você será capaz de:
 • compreender as principais finalidades das informações geradas pela Contabilidade; 
 • compreender a importância da Contabilidade para a tomada de decisões nas 
organizações.
1 Importância da Contabilidade para as organizações
A importância da Contabilidade – que é uma ciência social – para as organizações é bastante 
clara: todas necessitam ter um instrumento que controle as suas atividades e operações. Assim, 
por exemplo, se uma empresa vende uma mercadoria ao cliente, ela precisa registrar essa venda 
através da Contabilidade, de maneira simples e correta, com o objetivo de mensurar a transação e 
verificar, no futuro, se a mesma gerou resultados positivos e lucro (PADOVEZE, 2006). 
Se a empresa fez a aquisição de uma máquina industrial, também é preciso fazer o registro 
contábil dessa aquisição, posteriormente visualizando as despesas com manutenção e deprecia-
ção (que é o processo de perda de valor ao longo do tempo). Assim, todas as transações devem 
ser corretamente registradas, demonstradas e, mais tarde, analisadas.
 – 21 – 
TEMA 3
FIQUE ATENTO!
A importância da Contabilidade está na necessidade de se mensurar o lucro e ava-
liar o retorno dos investimentos.
Figura 1 – Resultados e lucro
Fonte: rangizzz/Shutterstock.com
Assim, de maneira geral, a Contabilidade tem enorme importância para as entidades com fins 
lucrativos – as empresas –, pois essas são consideradas investimentos e, por isso, necessitam de 
um controle econômico.
O investidor deseja obter retorno financeiro, uma vez que um investimento pressupõe tam-
bém um ganho. É a Contabilidade que irá demonstrar se o retorno foi satisfatório ou não, e é isso 
que atrai ou afasta os investidores, como nos explica Padoveze (2006). 
SAIBA MAIS!
A história da área contábil é repleta de curiosidades. Uma delas diz respeito ao co-
meço da Contabilidade, que se considera ter sido há cerca de 8 mil anos. Veja como 
os principais autores da área dividem a história da Contabilidade.
 • História Antiga, ou época da Contabilidade Empírica: vai de cerca de 8 mil anos 
atrás até 1202 de nossa era.
 • História Média, ou época da Sistematização da Contabilidade: de 1202 até 1494.
 • História Moderna, ou época da Literatura da Contabilidade: de 1494 a 1840.
 • História Contemporânea ou Científica da Contabilidade: de 1840 até os nossos dias.
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 22 – 
SAIBA MAIS!
Leia este artigo no portal do Conselho Regional de Contabilidade do Paraná 
(CRCPR) parasaber mais detalhes sobre a história das ciências contábeis e seus 
períodos: < http://www.crcpr.org.br/new/content/curiosidades/index.php#3>O autor ainda nos lembra que as entidades sem fins lucrativos não são consideradas inves-
timentos, pois não há um objetivo de lucro econômico, mas sim apenas a necessidade de obter 
receitas para cobrir os custos e continuar mantendo suas atividades. A Contabilidade também é útil 
e importante para essas entidades ao registrar adequadamente suas atividades e seu patrimônio.
Assim, podemos concluir que a Contabilidade se constitui não apenas como um sistema de 
informação relevante para empresas, mas também serve como um tipo de prestação de contas 
para todos aqueles que têm interesse nessas informações. 
2 Controle empresarial e processo de gestão
O controle gerencial é determinante nos processos de gestão, e é difícil imaginar como uma 
empresa poderia ser gerida sem tais ferramentas. Não é possível gerenciar uma entidade, por mais 
simples que ela seja, sem um eficiente sistema de controle gerencial. As que fazem isso correm 
muito mais risco de não sobreviverem ao tempo.
Figura 2 – Empresa industrial complexa
Fonte: dotshock/Shutterstock.com
Dessa forma, as empresas necessitam de um processo de controle permanente, denomi-
nado processo de gestão. A Contabilidade participa de forma ativa nesse processo, mensurando 
as transações das atividades empresariais (PADOVEZE, 2006).
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 23 – 
Figura 3 – Pequena empresa comercial
Fonte: MJTH/Shutterstock.com
Ricardo Ferreira (2015) complementa, dizendo que a finalidade de manter a Contabilidade em 
uma entidade é para que ela forneça informações úteis para o planejamento, para o controle e para 
a tomada de decisões – o que, claro, a faz uma parte essencial do processo de gestão. É a Contabi-
lidade que vai, por exemplo, levantar informações sobre receitas e despesas, disponibilizando dados 
de muitíssima importância aos gestores na hora de avaliar se o negócio está gerando resultados.
FIQUE ATENTO!
O processo de gestão pode definir atividades e operações dentro de uma entida-
de, pois a Contabilidade não é apenas uma forma de controle, mas também uma 
ferramenta no planejamento e na tomada de decisões. O processo compreende as 
funções administrativas de planejar, executar e controlar – ou seja, o administrador, 
que é um gestor por excelência e tem acesso a essas ferramentas, deve usá-las 
para cumprir estas funções (PADOVEZE, 2006).
O processo de gestão é, portanto, baseado nos dados e informações contábeis, que são um 
fundamento na tomada de decisões, como veremos a seguir. 
3 Contabilidade, informação e tomada de decisão
A Contabilidade produz informações através de seus relatórios, que servem de base para a 
tomada de decisões de vários públicos interessados. Os relatórios mais importantes são o balanço 
patrimonial (BP) e o demonstrativo de resultados do exercício (DRE). O BP espelha a realidade 
econômico-financeira da empresa, enquanto o DRE apresenta os resultados em um determinado 
período – ou seja, se a empresa deu lucro ou prejuízo.
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 24 – 
É importante observar que a informação contábil mensura deforma econômica as transa-
ções. Em outras palavras, tudo pode ser medido em valores monetários. É com a Contabilidade 
que iremos reunir e interpretar as transações de uma empresa, que em última análise, representam 
o seu valor econômico.
EXEMPLO
Além dos relatórios mais tradicionais da Contabilidade, que são o balanço patrimonial 
e o demonstrativo de resultados do exercício, existem vários outros, como o demons-
trativo do fluxo de caixa (DFC), que mostra de forma mais precisa a situação financeira 
de curto prazo da empresa. Este relatório é importante aos credores e sócios porque 
implica diretamente na capacidade de pagamento dos compromissos.
Assim, com base nessas informações fornecidas e detalhadas pela Contabilidade, os gesto-
res e usuários internos e externos tomam suas decisões, buscando alternativas para solucionar 
uma questão ou um problema. Como lembra Padoveze (2016), isso é válido desde as decisões 
rotineiras, como por exemplo, registrar uma nota fiscal ou emitir um cheque, até as mais estratégi-
cas sobre produção em escala ou grandes investimentos.
Figura 4 – Decisões de produção
Fonte: Rehan Qureshi/Shutterstock.com
FIQUE ATENTO!
Através da mensuração econômica e de seus sistemas de informações, a Contabili-
dade consegue mostrar a empresa como um todo, pois atribui valor a tudo – desde 
um pequeno parafuso até o prédio de uma indústria, por exemplo (PADOVEZE, 2006).
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 25 – 
No entanto, o autor também ressalta que, para que a informação contábil seja aceita por 
todos dentro da empresa e sirva realmente de base para tomada de decisões, ela precisa ter outras 
qualidades, tais como: 
 • trazer mais benefício do que custo para ser obtida;
 • ser compreensível;
 • ser útil para quem toma decisões;
 • possuir relevância e confiabilidade.
Considerando essas qualidades, a informação contábil só faz sentido se realmente trouxer 
mais benefícios aos possíveis usuários do que os custos envolvidos na sua elaboração e assim 
possa realmente ser útil para a tomada de decisões. 
A elaboração de um relatório de faturamento passado para fazer projeções de vendas futu-
ras, por exemplo, não será útil ao gestor na tomada de decisões se a busca por informações for 
algo demorado e caro, sem que traga uma perspectiva real de elevação correspondente nas ven-
das futuras.
SAIBA MAIS!
É interessante imaginar como a Contabilidade pode ser aplicada (e compreendida 
de forma diferente) em diferentes áreas. Veja como se formou um grupo especial 
para discutir, por exemplo, a adequação de normas contábeis para clubes de fute-
bol. Trata-se da informação contábil sendo usada e adaptada por diversos tipos de 
usuário: <http://cfc.org.br/destaque/grupo-discute-normas-contabeis-para-clubes-
-de-futebol/>.
As informações ainda devem ser relevantes e confiáveis, o que fará com que o usuário aceite 
essas informações da maneira como são apresentadas pela Contabilidade.
Por fim, é importante destacar que as pessoas que vão utilizar as informações da Conta-
bilidade também precisam estar aptas a entender o que os dados demonstram. Elas precisam 
compreender os conceitos e a aplicabilidade da Contabilidade para fazer um bom aproveitamento 
do material. 
EXEMPLO
Você deve conhecer a atividade de uma farmácia e já deve ter efetuado compras em 
várias. Entretanto, sem um conhecimento da Contabilidade, será que você conseguiria 
interpretar o balanço patrimonial e demonstrativo de resultados do exercício de uma 
drogaria? (SZUSTER et al., 2013)
Caso o usuário não tenha conhecimento o bastante sobre Contabilidade a ponto de compre-
ender as informações que são colocadas à sua disposição, elas não terão utilidade alguma.
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 26 – 
Fechamento
Nesta aula, você teve a oportunidade de: 
 • analisar a abrangência da Contabilidade nas atividades humanas em geral;
 • compreender a importância das informações contábeis, em especial para as empresas;
 • entender como é realizado e qual é a finalidade do controle empresarial;
 • compreender o que representa o processo de gestão nas empresas;
 • saber de que modo a informação contábil é útil na tomada de decisões dentro das 
organizações.
Referências 
CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE DO PARANÁ (CRCPR). Curiosidades - História da 
Contabilidade. Disponível em: <http://www.crcpr.org.br/new/content/curiosidades/index.php#3>. 
Acesso: 5 jul. 2017.
FERREIRA, Ricardo José. Contabilidade Básica. 13. ed. Rio de Janeiro: Ferreira, 2015.
PADOVEZE, Clóvis Luiz. Introdução à Contabilidade. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2006. 
SZUSTER, Natan; et al. Contabilidade Geral: introdução à contabilidade societária. 4. ed. São Paulo: 
Atlas, 2013.
VICECONTI, Paulo. NEVES, Silvériodas. Contabilidade Básica. 16. ed. São Paulo: Saraiva, 2014.
WIGHTMAN, Joana. Grupo discute normas contábeis para clubes de futebol. Disponível em: 
<http://cfc.org.br/destaque/grupo-discute-normas-contabeis-para-clubes-de-futebol/>. Acesso: 5 
jul. 2017.
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 27 – 
Técnicas contábeis
Arno Wiese
Introdução
As técnicas contábeis nada mais são do que vários procedimentos adotados para colocar em 
prática a teoria da Contabilidade e seus princípios. Em outras palavras, é o modo como o contabi-
lista faz seu trabalho, que é registrar, controlar, expor, verificar a correção (ver se tudo foi registrado 
corretamente e ajustar, se for o caso) e interpretar o patrimônio e suas variações. Nesta aula, você 
conhecerá um pouco da dinâmica do ambiente da Contabilidade e será apresentado a algumas 
das técnicas mais relevantes da área. Também irá conhecer o papel da auditoria para o contador 
e para as empresas no dinâmico mundo dos negócios.
Objetivos de aprendizagem
Ao final desta aula, você será capaz de:
 • compreender as técnicas contábeis existentes;
 • compreender as diversas finalidades das técnicas contábeis. 
1 Escrituração contábil
A escrituração contábil é a técnica utilizada para registrar, mediante os lançamentos contá-
beis, os atos e fatos que ocorrem em uma organização. Em outras palavras, é o registro nos livros 
contábeis daquilo que ocorre no dia a dia das empresas e que afetam ou possam vir a afetar o seu 
patrimônio. O registro de cada ação ou fato chama-se lançamento.
Segundo Viceconti (2013), são elementos essenciais do lançamento contábil: 
 • local e data do registro; 
 • contas debitadas e creditadas; 
 • histórico da operação;
 • valor da operação;
 • encerramento do lançamento. 
 – 28 – 
TEMA 4
EXEMPLO
Confira este exemplo de lançamento em livro contábil. Suponha que uma empresa 
adquiriu um veículo destinado à administração pelo valor de R$ 50 mil à vista, no dia 19 
de junho de 201X da revendedora Alfa, conforme nota fiscal número 1000.
 
Data : 19/06/201X
Conta debitada: Veículos R$ 50.000,00
Conta creditada: Caixa R$ 50.000,00
A empresa adquirente vai fazer o seguinte lançamento em sua contabilidade:
Local, 19 de junho de 201X
Veículos
a Caixa R$ 50.000,00
Compra de um veículo, conforme nota fiscal número 1000 da empresa Alfa.
Figura 1 – Lançamentos contábeis
Fonte: Maryna Pleshkun/Shutterstock.com
A escrituração é outro conceito importante. Na realidade, o lançamento contábil é exata-
mente o que antecede a escrituração: ambos os processos são muito parecidos, pois consistem 
no registro dos acontecimentos em livros da contabilidade. É a Contabilidade que separa esses 
dois processos.
O lançamento obedece a um passo a passo para que o registro seja feito na forma, na ordem, 
em livros e contas corretos.
Já a escrituração é o nome da técnica completa, incluindo a soma de todos os lançamentos 
que resultarão nos livros preenchidos da forma correta, assim como a legislação prevê. Também 
podemos dizer que a escrituração é o nome legal para o lançamento. 
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 29 – 
SAIBA MAIS!
Os ensinamentos contábeis estão presos a uma didática construída e estruturada 
em meados do século passado. Por esse motivo, a terminologia muitas vezes pare-
ce inadequada aos dias de hoje. Quando falamos em livros contábeis, por exemplo, 
devemos nos remeter ao século passado, em que estes registros eram feitos em 
livros de fato. No entanto, hoje as técnicas e instrumentos mais avançados per-
mitem que o contador realize este serviço em computadores e softwares. Ainda 
assim, a terminologia antiga permanece.
Atualmente os registros contábeis são feitos utilizando o método das partidas dobradas. Isto 
quer dizer que para cada débito, há um crédito correspondente, e vice-versa, sendo que a conta 
devedora representa a aplicação dos recursos (para onde os recursos estão sendo destinados) e 
a conta creditada representa a origem dos recursos (as fontes).
FIQUE ATENTO!
A escrituração contábil é a técnica utilizada para o registro dos fatos contábeis – ou 
seja, que alteram o patrimônio. É feita através dos lançamentos em livros específi-
cos destinados ao registro. 
Agora que você conhece estas importantes ferramentas, vamos abordar também as demons-
trações contábeis decorrentes – que são, justamente, resultantes dos lançamentos e da escrituração.
2 Demonstrações contábeis
A demonstração contábil é a técnica que consiste em mostrar a situação financeira e patri-
monial da entidade em determinada data, e as variações ocorridas durante um certo período.
Segundo Ferreira (2015), os exemplos mais clássicos de demonstrações financeiras são o 
balanço patrimonial e a demonstração de resultados do exercício, os quais detalharemos a seguir.
O balanço patrimonial (BP) é a demonstração contábil que tem o objetivo de expressar os 
elementos financeiros e patrimoniais de uma empresa, de forma ordenada. As aplicações de recur-
sos (ativo) e as origens desses recursos (passivo) são agrupadas de modo a facilitar o conheci-
mento e a análise dos dados da empresa. 
No balanço patrimonial, as contas do ativo são apresentadas na ordem decrescente de liqui-
dez, enquanto as contas do passivo devem obedecer à ordem decrescente das exigibilidades 
(VICECONTI, 2013).
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 30 – 
Figura 2 – Custos e lucros
Fonte: PixDeluxe/Shutterstock.com
Importante lembrar que a liquidez é a capacidade de um ativo ser convertido em moeda cor-
rente. Assim, quanto mais próximo um ativo estiver de se transformar em dinheiro, maior será sua 
liquidez. Um cheque, por exemplo, tem maior liquidez do que um veículo. 
FIQUE ATENTO!
No balanço patrimonial, os elementos do patrimônio devem ser agrupados para 
facilitar o entendimento e a análise da situação financeira da empresa, e por isso 
devem ser apresentados por ordem decrescente de liquidez das contas do ativo, e 
por ordem decrescente de exigibilidades nas contas do passivo. 
EXEMPLO
O exemplo de balanço patrimonial abaixo mostra como deve ser feita a inclusão de 
dados. Na coluna da esquerda, é possível identificar que a conta caixa da empresa 
possui mais liquidez que as duplicatas a receber e os imóveis, por exemplo. Já na 
coluna da direita, percebe-se os salários devem ser pagos antes dos financiamentos a 
longo prazo ou da retenção dos lucros dos sócios. 
Ativo Passivo
Caixa Salários a pagar
Bancos Duplicatas a pagar
Duplicatas a receber Financiamentos a longo prazo
Imóveis Lucros retidos
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 31 – 
Já o objetivo da demonstração de resultados do exercício (DRE) é fornecer o resultado 
líquido em um determinado período, decompondo-o em receitas e despesas. 
Ele é apresentado de forma vertical, começando pela receita bruta que a entidade teve com 
vendas e serviços no período em questão. Deste valor são diminuídas as eventuais devoluções de 
mercadorias e seus correspondentes custos, levando ao resultado bruto. Daí são deduzidas então 
as despesas operacionais, apurando-se o resultado do exercício do qual ainda será deduzida a 
Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), um tributo federal. 
SAIBA MAIS!
A Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, ou CSLL, foi instituída pela Lei nº 7.689, 
de 1988. Ela incide sobre o lucro líquido das empresas e é destinada à seguridade 
social. Você pode acessar a lei com mais detalhes sobre o tributo no link: <http://
www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L7689.htm> 
Feita a dedução dessa contribuição, obtém-se um novo resultado, do qual deve ser deduzido 
ainda o Imposto de Renda (IRPJ)e a participação nos lucros de acionistas e empregados. Chega-se 
assim ao resultado final, que é chamado de lucro ou prejuízo líquido do exercício (VICECONTI, 2013). 
O balanço patrimonial e o demonstrativo de resultados do exercício são os principais relató-
rios ou demonstrações fornecidas pela Contabilidade e muito utilizados não apenas pela própria 
empresa, mas também pelos usuários externos de forma geral. 
Importante lembrar ainda que existem diversos outros formatos de demonstrações, como 
o demonstrativo de lucros ou prejuízos acumulados (DLPA), o demonstrativo das mutações do 
patrimônio líquido (DPML) e a demonstração dos fluxos de caixa (DFC).
A seguir, vamos conhecer melhor uma importante prática de verificação das informações 
fornecidas pela Contabilidade: a auditoria. 
3 Auditoria
A auditoria é uma técnica contábil por meio da qual o auditor (interno ou externo) verifica se a 
escrituração e as demonstrações contábeis foram elaboradas de acordo com as normas definidas 
pelo Conselho de Pronunciamentos Contábeis (CPC), um órgão vinculado ao Conselho Federal de 
Contabilidade. A auditoria também apura se as informações refletem efetivamente as transações 
realizadas e a situação patrimonial da empresa (FERREIRA, 2015). 
É importante saber que as companhias de capital aberto obrigatoriamente devem ser audita-
das por auditores independentes externos, registrados na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), 
órgão que fiscaliza as empresas com ações nas bolsas de valores. Como nos explica Ferreira 
(2015), esta auditoria independente tem como objetivo a emissão de um relatório, onde o auditor 
irá afirmar se as demonstrações contábeis traduzem de forma correta todos os aspectos impor-
tantes e a situação do patrimônio da empresa. 
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 32 – 
Figura 3 – Auditor
Fonte: Bacho/Shutterstock.com
Por outro lado, as auditorias internas são realizadas por funcionários da empresa, que farão 
um relatório no qual informarão à administração o trabalho realizado, a conclusão obtida por eles 
e, se preciso, as recomendações e providências que devem ser tomadas para o aprimoramento do 
sistema contábil. 
Agora que sabemos como as demonstrações contábeis devem ser feitas e conhecemos o 
papel de uma auditoria que valide estas informações, entenderemos também como os dados produ-
zidos pela Contabilidade podem ser analisados por empresas ou pessoas externas à organização.
4 Demonstrações contábeis e financeiras
Elaborados os relatórios contábeis, o passo seguinte é fazer a sua análise. Afinal, para fins de 
administração, só faz sentido elaborar relatórios se eles forem realmente úteis para a empresa e 
usuários externos.
A técnica empregada para a interpretação das informações contidas nas demonstrações 
contábeis chama-se análise das demonstrações contábeis ou análise de balanços. É através 
dela que é feita a decomposição, a comparação e a interpretação das informações fornecidas 
pela Contabilidade.
A partir disso, pode-se efetuar a análise da lucratividade, da liquidez, os prazos de compras e 
de vendas e assim por diante. É possível também fazer a comparação da evolução de um ano para 
o outro, ou mesmo em relação às empresas concorrentes (FERREIRA, 2015). 
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 33 – 
FIQUE ATENTO!
A análise das demonstrações contábeis não é uma exigência legal. Como nos expli-
ca Ferreira (2015), ela é feita a partir da necessidade de se obter informações mais 
adequadas sobre a situação econômico-financeira da empresa, e leva em consi-
deração o processo de formação dos resultados (lucros ou prejuízos) e também a 
capacidade de pagamento das obrigações (fluxo de caixa).
Figura 4 – Análise de relatórios
Fonte: Kzenon/Shutterstock.com
Tão importante – ou até mais – do que elaborar as demonstrações contábeis é fazer sua 
análise e interpretação corretas. Uma leitura errada ou superficial dos dados pode ter resultados 
catastróficos, mesmo que as informações tenham sido produzidas corretamente. Lembre-se que 
apenas a interpretação apurada destas demonstrações tornará possível identificar fraquezas e 
reforçar os pontos fortes da empresa.
Fechamento
Nesta aula você teve a oportunidade de:
 • conhecer a função da escrituração contábil;
 • compreender o que são demonstrações contábeis;
 • entender o papel da auditoria nas empresas;
 • saber a importância das análises das demonstrações financeiras.
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 34 – 
Referências 
BRASIL. Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988. Institui contribuição social sobre o lucro das 
pessoas jurídicas e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/
leis/L7689.htm>. Acesso: 7 jul. 2017.
FERREIRA, Ricardo José. Contabilidade Básica. 13 ed. Rio de Janeiro: Ed. Ferreira, 2015.
RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade Básica Fácil. 27 ed. São Paulo: Saraiva, 2010.
VICECONTI, Paulo. Contabilidade Básica. 16 ed. São Paulo: Saraiva, 2013.
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 35 – 
Princípios de Contabilidade
Arno Wiese
Introdução
Ao longo da evolução das necessidades de controle nas organizações, a Contabilidade foi 
se aperfeiçoando e criando instrumentos para o registro dos fatos que afetam o patrimônio. Mais 
quais são, afinal, os princípios que regem a Contabilidade em si, e como eles foram desenvolvidos? 
Neste aula, vamos aprender sobre estes princípios e também sobre como estas regras básicas 
sustentam toda a teoria contábil. Estudaremos a conceituação dos princípios, sua amplitude e a 
sua observância, analisando também o que dizem entidades como o Conselho Federal de Conta-
bilidade (CFC) e o Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC).
Objetivos de aprendizagem
Ao final desta aula, você será capaz de:
 • compreender os princípios que regem a Contabilidade;
 • compreender o conceito e amplitude dos princípios de Contabilidade e o CPC. 
1 Os princípios e sua observância
A Contabilidade é uma ciência cujas atividades são essencialmente práticas. No decorrer dos 
anos, diversos critérios foram sendo desenvolvidos diante dos problemas que surgiam, e várias 
opções foram sendo aplicadas – tudo com o objetivo de controlar o patrimônio das entidades 
da melhor forma possível (PADOVEZE, 2016). Assim sendo, podemos afirmar que os princípios 
contábeis nada mais são do que estes critérios gerais, aceitos e utilizados pelos contadores em 
suas atividades.
FIQUE ATENTO!
Os princípios contábeis são a essência das doutrinas e teorias relativas à ciência so-
cial da Contabilidade, cujo objetivo é mensurar e controlar o patrimônio das entidades.
Estes princípios foram definidos em 1993 pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC) na 
Resolução n. 750, e depois alterados em 2010 pela resolução nº 1.282.
Eventualmente, estas resoluções foram revogadas, sendo substituídas em 2011 pela Resolução 
do CFC n. 1.374, que contempla os procedimentos públicos e privados em uma única norma legal.
 – 36 – 
TEMA 5
Figura 1 – O contador
Fonte: Gyorgy Barna/Shutterstock.com
É crucial as entidades levarem em conta que a observância destes pontos é obrigatória, sob 
pena de multa e suspensão do exercício da profissão (FERREIRA, 2015). 
Atualmente, os princípios contábeis em vigor são esses:
 • entidade;
 • continuidade;
 • oportunidade;
 • registro pelo valor original;
 • competência;
 • prudência.
É importante esclarecer de antemão que existe certo conflito entre o Conselho Federal de 
Contabilidade – órgão responsável pelas Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC) – e o Comitê 
de Pronunciamentos Contábeis (CPC). 
A prudência, por exemplo, é um princípio de Contabilidade para o CFC, mas não para o CPC. 
Isso porque, para o CPC, o princípio retira a condição de representação fidedigna dos registros con-
tábeis, pois se tornou inconsistente com a neutralidade.Na interpretação do comitê, a prudência 
adota a alternativa de que resulta no menor valor para o ativo, e no maior valor para o passivo, e por 
isso tende a expor um valor menor que o real do patrimônio (FERREIRA, 2015). Mais adiante ire-
mos analisar o princípio da prudência com profundidade, onde esclareceremos melhor este tópico. 
Para que você entenda estas diferenças, é importante esclarecer que o CPC é um comitê 
criado pelo próprio CFC em 2005, com a intenção de acompanhar a internacionalização das nor-
mas contábeis e buscar mais convergência entre os países. Isso foi pensado para se reduzir os 
riscos nos investimentos internacionais, facilitando a comunicação dos negócios no exterior e 
favorecendo redução dos custos de captação feitos no exterior, por exemplo. O objetivo é gradati-
vamente promover a uniformização universal das demonstrações contábeis.
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 37 – 
SAIBA MAIS!
No portal do CFC, você pode obter mais informações sobre o Comitê de Pronuncia-
mentos Contábeis, entender seus objetivos e conhecer melhor a história do órgão. 
Fundado pela Resolução nº 1.055/2005, o CPC foi idealizado a partir do trabalho 
conjunto de várias entidades, como você pode conferir no link: <http://cfc.org.br/
tecnica/grupos-de-trabalho/cpc/>.
Em seguida, vamos analisar cada um dos princípios contábeis relacionados pelo CFC, des-
crevendo também seus conceitos e amplitude.
2 Conceituação e Amplitude
Quando dizemos que os princípios contábeis são a essência das transações contábeis, esta-
mos afirmando que eles devem se sobrepor a outros aspectos. Independente da forma jurídica, 
a Contabilidade deve sempre traduzir em primeiro lugar o efeito econômico de uma transação 
(FERREIRA, 2015). 
EXEMPLO
Uma empresa adquire um veículo com financiamento bancário e alienação fiduciária 
(que é um modelo de garantia), ficando o carro em garantia do pagamento da dívida 
– mesmo que de posse direta da empresa. Apesar de tecnicamente o veículo ser do 
banco, ele é registrado no ativo da empresa compradora, que o utiliza normalmente. 
Desse modo, podemos dizer que prevalece a essência da transação sobre outros as-
pectos formais e legais.
Vamos conhecer agora os princípios contábeis em vigor. 
 • Princípio da entidade
Como já sabemos, o objeto ou assunto do qual a Contabilidade trata é o patrimônio 
(FERREIRA, 2015). No entanto, é preciso definir claramente qual patrimônio será objeto 
de orientação, controle e registros contábeis. Assim, quando se tratar de uma empresa, 
por exemplo, é indispensável reconhecer a diferença entre os patrimônios dos sócios e 
o da pessoa jurídica, pois cada uma tem direitos e obrigações legais próprios.
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 38 – 
Figura 2 – Pessoa física
Fonte: spaxiax/Shutterstock.com
Uma eventual ação judicial trabalhista deve ser proposta pelo empregado contra a empresa, e 
não contra os sócios da empresa, embora legalmente os sócios atuem em nome da pessoa jurídica. 
 • Princípio da continuidade
Este princípio pressupõe que uma entidade continuará em operação no futuro e a men-
suração do patrimônio deverá levar isso em conta, ou seja: a avaliação dos ativos e 
passivos considera que uma empresa ou entidade se manterá ao longo do tempo. 
Esse é um fato importante, porque a descontinuidade das operações normalmente 
tem efeito negativo sobre o patrimônio. Se uma empresa promove uma liquidação, por 
exemplo, é previsível que seus ativos se desvalorizem bastante, e imediatamente. 
FIQUE ATENTO!
A não ser que existam dispositivos legais e contratuais, o que eventualmente acon-
tece, ou caso existam evidências que apontem o contrário, deve-se presumir que 
a vida da entidade é contínua, e que ela desempenhará suas atividades por tempo 
indeterminado (FERREIRA, 2015).
 • Princípio da oportunidade
O princípio da oportunidade é o que exige o registro de todas as variações sofridas pelo 
patrimônio, mesmo que sejam valores estimados. Evidentemente, deve-se buscar a inte-
gridade (deixar os registros o mais confiáveis possível), mesmo que em algumas situa-
ções isso seja bastante difícil.
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 39 – 
EXEMPLO
O registro da depreciação é a perda de valor de um bem ao longo do tempo, como uma 
máquina, um veículo ou um equipamento. Nem sempre se consegue determinar o va-
lor exato desse prejuízo. Apesar disso, a depreciação deve ser registrada no momento 
– ou o mais próximo possível – em que ocorre a perda. 
Lembre-se que uma informação contábil divulgada fora do momento adequado ou que não 
seja confiável deixa de ser importante para os usuários interessados, o que pode inclusive prejudi-
car a reputação da entidade e de seus profissionais.
 • Princípio do registro pelo valor original
Este princípio determina que os itens que compõem o patrimônio devem ser registrados 
pelos seus valores originais e expressos em moeda nacional. Assim, por exemplo, se uma 
máquina é adquirida por um valor específico em reais (R$), é com este mesmo valor que 
ela deverá ser registrada.
Existem fatores que poderão modificar o valor desse ativo no futuro, mas o ajuste é rea-
lizado apenas quando estes fatos se concretizarem. Uma situação em que isso pode 
ocorrer é quando um bem é adquirido por uma empresa e, depois de certo tempo, é 
vendido por um valor diferente do registrado inicialmente. 
Figura 3 – Registro do valores
Fonte: sergign/Shutterstock.com
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 40 – 
 • Princípio da competência
Este princípio é aplicado na contabilização das receitas e despesas. Elas devem ser 
apropriadas nos seus respectivos meses de competência, ou seja: quando o fato eco-
nômico aconteceu ou vier a acontecer, e não no mês de pagamento ou recebimento 
dos valores (PADOVEZE, 2016). Esse princípio também é conhecido como regime de 
competência de exercícios.
Por exemplo: a empresa contrata uma apólice de seguros por um ano e, mesmo que ela 
pague o prêmio à vista, a despesa não poderá ser integralmente contabilizada já neste 
momento – mas apenas 1/12. Como a apólice do seguro cobre o período de 12 meses, 
cada mês terá a contabilização e apropriação somente de uma parte do valor do total.
FIQUE ATENTO!
O regime de competência de exercícios prevê que as receitas e despesas sejam 
contabilizadas quando efetivamente ocorrerem (momento econômico), e não 
quando pagas ou recebidas. A principal vantagem é que, assim, as alterações no 
patrimônio espelham adequadamente a realidade. 
 • Princípio da prudência
O princípio da prudência pressupõe usar certo grau de precaução em julgamentos que 
envolvam condições de incerteza. Isso atribui maior grau de confiabilidade no processo 
de avaliação e apresentação do patrimônio pela Contabilidade.
SAIBA MAIS!
No site do Conselho Federal de Contabilidade você pode obter mais informações 
sobre resoluções a respeito de cada um dos princípios contábeis. Acesse o link e 
confira: <http://cfc.org.br/noticias/revogacao-da-resolucao-no-7501993-contexto-e-
consideracoes/>.
Consideremos a seguinte situação: a empresa está sofrendo um processo judicial e ainda 
não se sabe o desfecho. Em uma análise em casos semelhantes, chegou-se à conclusão que a 
empresa irá ganhar a questão – nesse caso, não há despesas a prever. Mas se a conclusão for o 
contrário, o contabilista terá mais incerteza sobre o quanto deve ser provisionado. 
É nesse tipo de caso em que deve prevalecer o princípio da prudência, que diz que o contabi-
lista deve provisionar o valor mais provável de perda – porém, na dúvida, será melhor provisionar a 
possibilidade máxima de perda, evitando surpresas negativas no resultado da empresa.
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 41 – 
Figura 4 – Ações judiciais e incerteza
Fonte: Pixelbliss/Shutterstock.com
Uma ação pode demorar para chegar a seu desfecho, e se não houverprudência, a empresa 
pode comemorar um balanço financeiro ilusório antes da decisão da Justiça.
Fechamento
Nesta aula você teve a oportunidade de:
 • entender o que são princípios contábeis e como eles devem ser observados e aplicados 
nos procedimentos contábeis das organizações;
 • compreender o que significa cada princípio contábil e suas particularidades;
 • conhecer melhor e diferenciar órgãos de controle, como o Conselho Federal de Conta-
bilidade(CFC), e de orientação, como o Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC).
Referências 
CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC). Dispo-
nível em: <http://cfc.org.br/tecnica/grupos-de-trabalho/cpc/>. Acesso: 12 jul. 2017.
______. Resolução CFC nº 750, de 29 de dezembro de 1993. Dispõe sobre os Princípios Fundamen-
tais de Contabilidade (PFC). Disponível em: <http://cfc.org.br/sisweb/sre/docs/RES_750.doc>. 
Acesso: 6 jul. 2017.
______. Resolução CFC nº 1055, de 7 de outubro de 2005. Cria o Comitê de Pronunciamento Con-
tábeis (CPC) e dá outras providências. Disponível em: <http://www.portaldecontabilidade.com.br/
legislacao/cfc1055.htm>. Acesso: 6 jul. 2017.
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 42 – 
______. Resolução CFC nº 1282, de 28 de maio de 2010. Atualiza e consolida dispositivos da Reso-
lução CFC n.º 750/93, que dispõe sobre os Princípios Fundamentais de Contabilidade. Disponível 
em: <http://www.cfc.org.br/sisweb/sre/docs/RES_1282.doc>. Acesso: 6 jul. 2017.
______. Resolução CFC nº 1374, de 8 de dezembro de 2011. Dá nova redação à NBC TG ESTRU-
TURA CONCEITUAL - Estrutura Conceitual para Elaboração e Divulgação de Relatório Contábil-Fi-
nanceiro. Disponível em: <http://www.normaslegais.com.br/legislacao/resolucao-cfc-1374-2011.
htm>. Acesso: 6 jul. 2017.
FERREIRA, Ricardo José. Contabilidade Básica. 13. ed. Rio de Janeiro: Ferreira, 2015.
GIROTTO, Maristella. Revogação da Resolução n. 750/1993: contexto e considerações. Disponível 
em: <http://cfc.org.br/noticias/revogacao-da-resolucao-no-7501993-contexto-e-consideracoes/>. 
Acesso: 12 jul. 2017.
PADOVEZE, Clóvis Luiz. Introdução à Contabilidade. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2006. 
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 43 – 
O Patrimônio 
Arno Wiese
Introdução
O ser humano tem a capacidade de pensar e refletir sobre o que acontece tanto com ele 
quanto ao seu redor. Reflete, analisa e constrói ideias, conceitos e riquezas. Quando falamos em 
riquezas, nos vêm à mente a possibilidade de alguém ser rico, ou seja, ter muitos bens, ter um 
patrimônio expressivo.
Nesta aula, vamos estudar o patrimônio, seus conceitos fundamentais, sua classificação, o 
que contabilmente constitui um patrimônio, os aspectos qualitativos e quantitativos e sua repre-
sentação gráfica. 
Objetivos de aprendizagem
Ao finalizar esta aula, você será capaz de:
 • compreender o conceito de patrimônio; 
 • compreender os aspectos qualitativos e quantitativos do patrimônio e como isso pode 
ser representado graficamente. 
1 Conceitos Fundamentais
Muito se tem dito sobre o patrimônio, já que é objeto de estudo da contabilidade. Seu acú-
mulo é o objetivo de um negócio bem-sucedido, e as mutações sofridas por ele, ao longo do tempo, 
devem ser controladas e registradas, e assim por diante. 
Mas o que é o patrimônio? Como vamos conceituá-lo, afinal? Segundo Ribeiro (2010, p. 15), 
“o patrimônio é um conjunto de bens, direitos e obrigações de uma pessoa, avaliado em moeda”. 
Já Padoveze (2016, p. 1) define como o
conjunto de riquezas de propriedade de alguém ou de uma empresa (de uma entidade). São 
aqueles itens que a civilização convencionou chamar de riquezas, por serem raros, úteis, 
fungíveis (característica de troca), tangíveis (característica de movimentado e ser tocado 
fisicamente), desejáveis etc. 
Temos ainda um terceiro conceito, o de Ferreira (2015, p. 37), que define o patrimônio como 
um “conjunto de bens, direitos e obrigações de uma pessoa, física ou jurídica, que possam ser 
avaliados em dinheiro”. 
 – 44 – 
TEMA 6
Após ser definido, cabe ao contabilista as atividades de estudo, controle, exposição e demons-
tração do patrimônio, de modo a poder informar a situação patrimonial de uma empresa em deter-
minado momento, suas variações e as transações que o afetaram. (FERREIRA, 2015)
FIQUE ATENTO!
Quando avaliamos um patrimônio, temos de diminuir de seu valor o ônus que even-
tualmente possa incidir sobre ele, como uma dívida contraída e ainda não paga. 
Figura 1 – Valor
Fonte: Allstarsq/Shutterstock.com
O patrimônio é composto por elementos positivos e negativos. Os bens e direitos são consi-
derados positivos, pois formam o Ativo; já as obrigações são elementos negativos, pois diminuem 
o patrimônio, compondo o Passivo. Do ponto de vista contábil, mesmo quando as dívidas (obriga-
ções) superam os bens e direitos, existe patrimônio. 
2 Aspecto Qualitativo do Patrimônio
Imagine que você seja proprietário de uma empresa e queira passar informações mais deta-
lhadas sobre ela: o tamanho, o faturamento etc. Como vimos, você informará ao seu interlocutor 
que o Patrimônio da sua empresa é composto por:
 • bens;
 • direitos;
 • obrigações.
 
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 45 – 
Porém, será possível avaliar o tamanho do Patrimônio somente com essas informações? 
Parece óbvio que não. Dessa forma, é necessário ressaltar dois aspectos fundamentais que a 
Contabilidade leva em consideração para poder representar adequadamente os elementos que 
compõe o patrimônio: o qualitativo e o quantitativo. (RIBEIRO, 2010). 
O aspecto qualitativo do patrimônio consiste em especificar, segundo a natureza de cada um, 
os Bens, como um carro; os Direitos, como as notas promissórias; e as Obrigações, o imposto a 
pagar, por exemplo.
FIQUE ATENTO!
É importante entendermos bem os aspectos qualitativos do patrimônio, que consis-
tem de Bens (casa, dinheiro etc.); Direitos (notas promissórias a receber, faturas de 
cartão de crédito a receber etc.); e Obrigações (prestações de empréstimo a pagar, 
impostos a pagar etc.).
Assim, o Patrimônio é representado pelos bens e também pelos direitos, que são igualmente 
considerados na avaliação das “riquezas”, pois, em determinado momento, deixamos os bens com 
outrem, o que caracteriza os valores a receber de terceiros. Se alguém tem um direito com um ter-
ceiro, este tem uma obrigação para com ele, ou seja, quando nasce um direito para uma pessoa ou 
empresa, nasce também uma obrigação de terceiro para com essa pessoa ou empresa. (PADOVEZE, 
2016). Dos bens e direitos, temos de deduzir as obrigações para alcançar o valor do Patrimônio. 
Dessa forma, com os elementos qualitativos que compõe o Patrimônio já especificados, 
segundo a natureza de cada um, podemos dizer que você está em melhores condições para tentar 
decifrar o tamanho da empresa. 
No entanto, essas informações ainda não são suficientes, pois algumas perguntas necessitam 
de respostas: Quanto dinheiro há em caixa? Quanto valem os veículos? E as máquinas? Qual é o valor 
dos compromissos a pagar? Enfim, qual é o valor do Patrimônio da empresa? (RIBEIRO, 2010). 
Daí surge a necessidade do segundo aspecto, o aspecto quantitativo do Patrimônio. 
3 Aspecto quantitativo do Patrimônio
O aspecto quantitativo pressupõe avaliar os Bens, os Direitos e as Obrigações e dar valor a 
eles, expressos em moeda, para que, assim, possamos conhecer o Patrimônio da empresa. 
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 46 – 
EXEMPLO
A contabilidade da empresa X levantou o patrimônio da organização separando os 
itens do Ativo (Bens e Direitos) e do Passivo (Obrigações), especificando (aspecto qua-
litativo), avaliando e mensurando (aspecto quantitativo), conforme tabela a seguir.
Tabela 1 – Patrimônio da empresa X
BENS: 
Dinheiro:R$ 10.000
Veículos: R$ 80.000
Máquinas: R$ 40.000
DIREITOS:
Faturas do cartão a receber: R$ 8.000
Promissórias a receber: R$ 4.000
OBRIGAÇÕES:
Empréstimos a pagar: R$ 12.000
Impostos a pagar: R$ 800
Fonte: elaborada pelo autor, 2017.
Agora, com base nas informações dos aspectos qualitativos e quantitativos, fica fácil avaliar 
o tamanho do Patrimônio da empresa, pois já se conhece o que e quanto a empresa possui em 
Bens, Direitos e Obrigações, definidos em valores monetários.
SAIBA MAIS!
 Leia a reportagem sobre as maneiras de avaliar o patrimônio de uma empresa. 
Acesse: <http://exame.abril.com.br/pme/na-ponta-do-lapis/>.
Considere, então, que o Patrimônio da empresa seja representado conforme tabela a seguir. 
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 47 – 
Tabela 2 – Patrimônio 
Dinheiro R$ 10.000 Empréstimos a pagar R$ 12.000
Veículos R$ 80.000 Impostos a pagar R$ 800
Máquinas R$ 40.000
Faturas a receber R$ 8.000
Promissórias a rec. R$ 4.000
Total......................... R$ 142.000 Total............................... R$ 12.800
Fonte: elaborada pelo autor, 2017.
Padoveze (2016, p. 5) afirma que “Os bens e direitos, por serem desejáveis, são considerados 
elementos patrimoniais positivos, as obrigações, por serem de caráter restritivo, serão considera-
das elementos patrimoniais negativos”.
As informações sobre o Patrimônio calculado são comumente representadas graficamente 
pela Contabilidade, conforme trataremos a seguir. 
4 Representação Gráfica do Patrimônio
Até aqui, o Patrimônio foi representado como o conjunto de Bens, Direitos e Obrigações. 
No entanto, para fins didáticos e facilitar a compreensão, foram desenvolvidos mecanismos para 
demonstrar graficamente sob a forma de um “T” grande, conforme a figura a seguir.
Figura 2 – Gráfico de Patrimônio 
Fonte: elaborada pelo autor, 2017.
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 48 – 
Como podemos observar, a figura gráfica tem dois lados: o esquerdo e o direito. Do lado 
esquerdo, são colocados os Bens e os Direitos, ou seja, os elementos positivos, os quais irão, mais 
adiante, compor as contas do Ativo do Balanço Patrimonial. Do lado direito, estão as Obrigações, 
ou seja, os elementos negativos, os quais irão, mais adiante, formar as contas do Passivo do 
Balanço Patrimonial. 
Tal nomenclatura foi definida pela Contabilidade, a qual atribuiu nomes aos componentes do 
Patrimônio dentro de uma lógica contábil que expressa isso. 
EXEMPLO
Observe a disposição dos elementos no gráfico. À esquerda, acrescentamos os ele-
mentos positivos representados pelos Bens e Direitos; à direita, os negativos represen-
tados pelas Obrigações.
Tabela 3 – Elementos do Patrimônio
Elementos Positivos Elementos Negativos
Bens 
 • Caixa (dinheiro)
 • Estoques 
 • Móveis e utensílios 
Obrigações
 • Duplicatas a pagar
 • Empréstimos a pagar
 • Impostos a pagar
 • Salários a pagar
Direitos
 • Duplicatas a receber
 • Faturas cartão de crédito a receber
Fonte: elaborada pelo autor, 2017.
FIQUE ATENTO!
Assim como, “sob o ponto de vista contábil, pode-se entender como Bens todos os 
objetos que uma empresa possui, seja para uso, troca ou consumo” (RIBEIRO, 2010, 
p. 16), para Direitos podemos considerar todos os créditos que uma empresa tem 
a receber de alguém. 
Utilizamos essa representação por facilitar a visualização dos elementos positivos, mos-
trando o que efetivamente a empresa possui (Bens e Direitos), também chamados de Ativos; e os 
negativos, o que ela deve (Obrigações) e tem a responsabilidade de pagar, denominados Passivos. 
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 49 – 
SAIBA MAIS!
Você conhece o logotipo da Contabilidade? Trata-se de um bastão entrelaçado com 
duas serpentes, com duas asas (ou um elmo alado) na parte superior. Sua origem 
é associada ao mito de Mercúrio diante de duas serpentes que lutavam. Para os 
romanos, “o bastão expressava o poder; as duas serpentes, a sabedoria; as asas, a 
diligência; o elmo é emblemático de pensamentos elevados.” (CRC-SC, 2017) 
Figura 3 – Caduceu
Fonte: Rob Wilson/Shutterstock.com
Fechamento
Esta aula discorreu sobre o que é e como é calculado e demonstrado o Patrimônio para fins 
contábeis, dentro do aspecto qualitativo e quantitativo. 
Nesta aula, você teve a oportunidade de: 
 • conhecer os conceitos fundamentais em relação ao Patrimônio;
 • entender que o Patrimônio é composto por elementos positivos e negativos;
 • reconhecer os aspectos qualitativos e quantitativos do patrimônio;
 • entender como os elementos do Patrimônio podem ser representados graficamente. 
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 50 – 
Referências 
CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE DE SANTA CATARINA - CRC-SC. O caduceu. 2013. Dis-
ponível em: <http://www.crcsc.org.br/institucional/historia-da-contabilidade#caduceu>. Acesso 
em: 10 jul. 2016. 
GRISOTTO, Raquel. 3 maneiras de calcular o valor de uma empresa. Exame.com.10 ago. 2013. 
Disponível em: <http://exame.abril.com.br/pme/na-ponta-do-lapis/>. Acesso em: 11 jul. 2017.
FERREIRA, Ricardo J. Contabilidade Básica. 13. ed. Rio de Janeiro: Ferreira, 2015. 
PADOVEZE, Clóvis Luis. Manual de Contabilidade Básica. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2016.
RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade Básica Fácil. 27. ed. São Paulo: Saraiva, 2010.
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 51 – 
Bens e sua classificação. Direitos e 
obrigações patrimoniais
Arno Wiese
Introdução
Como você sabe, o patrimônio de uma entidade ou pessoa é composto pela diferença da 
soma entre Bens e Direitos com as Obrigações. No entanto, O que são Bens? E Bens Patrimoniais? 
E Direitos e Obrigações Patrimoniais? O que isso tudo significa na prática da Contabilidade? 
Nesta aula, você conhecerá um pouco mais sobre os Bens que alguém possui, os Direitos e 
as Obrigações e quais são as consequências e os reflexos na situação patrimonial. 
Objetivos de aprendizagem
Ao finalizar esta aula, você será capaz de:
 • compreender e diferenciar os Bens patrimoniais;
 • compreender e diferenciar os Direitos e Obrigações patrimoniais. 
1 Bens
Existe uma infinidade de bens, pois eles dependem do interesse e da necessidade das pes-
soas. Quando você entra num supermercado, encontra muitos objetos e mercadorias expostas 
para a venda, como carnes e enlatados. Se você entrar numa loja de departamentos, ocorre a 
mesma coisa, você encontrará, por exemplo, computadores e mesas. Se visitar uma grande indús-
tria, além dos produtos em fabricação, também poderá observar os produtos acabados que se 
destinarão à venda e o respectivo material de embalagem. 
Após essas observações, podemos conceituar Bem como tudo o que satisfaça a uma neces-
sidade humana (seja um objeto ou não) e que possa ser avaliado economicamente (precificado).
EXEMPLO
Há vários tipos de bens, como mercadorias, computadores, livros, cadeiras, mesas, 
terrenos, carros, imóveis etc. Eles podem ser utilizados no dia a dia, como é o caso 
de balcões, prateleiras, impressora fiscal etc.; podem ser trocados, como é o caso 
das mercadorias; ou podem ser consumidos, como é o caso de alimentos, papel de 
embalagem, café etc.
 – 52 – 
TEMA 7
Figura 1 – Bens: Atacado
Fonte: Dmitry Kalinovsky/Shutterstock.com
Assim, sob o ponto de vista contábil, pode-se entender como Bens todos os objetos que uma 
empresa possui, seja para uso, troca ou consumo, avaliados monetariamente. (RIBEIRO, 2010). Os 
Bens também podem ser classificados de diferentes maneiras, o que veremos no próximo tópico. 
FIQUE ATENTO!
Em termos contábeis, só interessam os bens de natureza patrimonial (que podem 
ser avaliados em moeda). (FERREIRA, 2015)
2 Classificação dos Bens
Assim como há diferentes tipos de bens, há diversas maneirasde classificá-los, o que irá 
depender do interesse de quem os classifica. Ferreira (2015) utiliza a de Bens corpóreos e Bens 
incorpóreos para designar se há corpo, se há matéria ou não, se podem ser tocados e se há exis-
tência física ou não. Já Ribeiro (2010) os divide em Bens materiais (tangíveis) e Bens imateriais 
(intangíveis), apresentando a mesma ideia de matéria (corpo) ou não.
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 53 – 
Figura 2 – Bens Materiais
 
Fonte: Chuyuss/Shutterstock.com
O autor ainda subdivide os Bens materiais em móveis e imóveis. Móveis são os que podem 
ser removidos do seu lugar sem destruição; enquanto os Imóveis não podem ser deslocados. Para 
nosso estudo, neste momento, seguiremos com as ideias de Ribeiro (2010). 
EXEMPLO
Os Bens materiais, como os veículos, máquinas, edificações, terrenos, são classifi-
cados em: Móveis - veículos, dinheiro, mercadorias, mesas, computadores etc. -; e 
Imóveis - terrenos, construções, edifícios etc. 
Quanto aos imateriais, embora sejam considerados Bens, são aqueles que não possuem 
corpo, ou seja, não têm matéria nem existência física. Na verdade, são caracterizados por alguns 
gastos que a empresa faz ou algum tipo de valorização do negócio que não tenha aspecto físico, 
mas que, pela sua natureza, devem ser considerados como parte integrante do Patrimônio, por-
tanto a contabilidade os registra como bens. (RIBEIRO, 2010)
São poucos os exemplos de Bens imateriais, como o valor de um “ponto comercial” (contabil-
mente chamado de fundo de comércio), que não é um Bem físico, no entanto têm valor. Também 
podemos citar as marcas das empresas, sobretudo das multinacionais, que têm enorme valor, 
mas não têm existência física, somente o nome ou o símbolo; e as patentes, que são registros 
feitos pelas empresas nos órgãos competentes para garantir o direito de uso ou invenção. 
3 Direitos
Para analisar o patrimônio de uma entidade, ou mais especificamente de uma empresa, além 
dos Bens, existem outros tipos de elementos também considerados como riqueza, que são aque-
les valores que, por algum tempo, ficam com terceiros, mas são da empresa. São os chamados 
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 54 – 
Direitos, como cheques a cobrar; duplicatas a receber; saldo bancário; notas promissórias a rece-
ber; faturas do cartão de crédito a receber etc., e são registrados no Ativo do Balanço patrimonial 
da empresa. (PADOVEZE, 2016) 
Quando uma empresa vende mercadorias a prazo, ela não recebe o dinheiro imediatamente, 
mas algum tempo depois. Dessa forma, por essa venda a prazo, a empresa passou a ter o Direito 
de receber do cliente um valor correspondente à venda efetuada, num prazo previamente estipu-
lado. Direitos também podem advir do aluguel de um imóvel, da venda de um veículo, de emprésti-
mos em dinheiro efetuado a terceiros etc. 
FIQUE ATENTO!
Direitos para uma empresa são todos os valores que ela tem a receber de terceiros, 
sejam clientes, inquilinos, devedores por aquisição de bens imóveis etc. 
Os Direitos aparecem registrados nos livros contábeis da empresa com o nome do tipo de 
Direito e o valor a receber, bem como o prazo. Veja este exemplo: duplicata a receber de fulano de 
tal no valor de R$ 1.000,00 com vencimento em xx.yy.zzzz. Sempre os Direitos vêm acompanha-
dos da expressão “a receber”. 
Em sentido contábil, os Direitos representam créditos, ou seja, são valores a receber ou a 
recuperar nas transações efetuadas com terceiros, representados por títulos e documentos. (FER-
REIRA, 2015) 
Assim, se uma empresa efetuar a venda de mercadorias à vista, será necessário emitir ape-
nas a nota fiscal para a entrega da mercadoria. O valor da venda será recebido no ato da compra 
sem a necessidade de um documento para posterior cobrança.
Figura 3 – Vendas à vista e a prazo
Fonte: Gitanna/Shutterstock.com
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 55 – 
No entanto, se a venda for a prazo, será necessário emitir um documento como prova da 
existência do valor a receber para posterior cobrança do direito. O documento que habilita o credor 
dos Direitos a cobrar a conta chama-se fatura, onde consta o número da nota fiscal. É assinada 
pelo devedor e vale também como comprovante da entrega da mercadoria, além de ser de emis-
são obrigatória para vendas com prazo acima de 30 dias, caracterizando legalmente a existência 
da dívida. (FERREIRA, 2015) 
Dessa forma, a nota fiscal dá origem à fatura, a qual gera a duplicata. A fatura deve ter o 
número da nota fiscal e a duplicata o da fatura. (FERREIRA, 2015) 
A duplicata é emitida nas vendas a prazo, mesmo que já tenha sido emitida a fatura, porque, 
ao contrário da fatura, a duplicata é um título de crédito, portanto é revestida dos aspectos legais 
para ser utilizada em juízo, se houver necessidade, além de poder ser negociada com terceiros. 
Atualmente, nas vendas a crédito (a prazo), principalmente no comércio, é utilizado o car-
tão de crédito, no qual o crédito pode ser parcelado sem a emissão de duplicatas por meio do 
parcelamento das faturas, seja por conta da empresa vendedora ou da administradora do cartão 
de crédito. O uso de duplicatas e cheques está cada vez mais fora de uso no comércio, até pela 
insegurança em termos de risco de crédito, ou seja, de recebimento, o que não acontece com o 
cartão de crédito, onde o valor é aprovado ou recusado no ato da compra, quando o risco passa a 
ser da administradora do cartão, que fará a cobrança da dívida posteriormente, emitindo a fatura 
e a enviando ao cliente. 
FIQUE ATENTO!
O risco de crédito é a possibilidade de não receber um crédito total ou parcialmente 
nas datas aprazadas.
Por outro lado, nas vendas a prazo feitas pela indústria, a utilização da duplicata ainda é 
bastante frequente. O que chamamos de duplicata é o que conhecemos de forma menos formal 
como “boleto bancário”. 
Existem diversos outros títulos, além das duplicatas e faturas do cartão de crédito, corres-
pondentes aos Direitos. Os mais comuns são as notas promissórias, os cheques e os contratos. 
No sistema financeiro, são utilizados também as cédulas de crédito bancário. 
Agora que já conhecemos os Direitos e alguns títulos representativos desses direitos, vamos 
analisar na sequência as Obrigações. 
SAIBA MAIS!
Para que uma empresa possa usar com exclusividade todos os direitos reservados 
pela legislação para uso de marcas e patentes, é preciso que elas estejam devida-
mente registradas no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Acesse: 
<http://www.inpi.gov.br/>.
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 56 – 
4 Obrigações
Assim como as empresas possuem Bens e Direitos, também têm Obrigações, as quais 
podem ter diversas origens. Uma delas é quando a empresa efetua compras de mercadorias a 
prazo onde o processo se inverte em relação aos Direitos. Ao fazer as compras, a empresa não 
paga imediatamente por elas, mas algum tempo depois. Dessa forma, ela cria uma Obrigação de 
pagar ao fornecedor o valor da respectiva compra no futuro e no prazo pré-determinado. 
Convém salientar que as Obrigações não se originam somente pela compra de mercadorias, 
mas podem ter início em contratos de aluguéis de bens móveis ou imóveis, empréstimos realizados 
e ainda não pagos, compras a prazo de outros bens e serviços, faturas de consumo de água e luz etc. 
Ribeiro (2010) sustenta que as Obrigações para a empresa são todos os valores que ela tem 
de pagar para terceiros, incluindo fornecedores, proprietários de imóveis, empregados e colabora-
dores, governo, bancos, entre outros. 
Elas normalmente aparecem registradas na contabilidade da empresa com o nome da Obri-
gação seguido da expressão “a pagar”, como, por exemplo, duplicatas a pagar, salários a pagar, 
impostos a pagar.
Figura 4 – Colaboradores
Fonte: Nmedia/Shutterstock.com 
As Obrigações patrimoniaissão representadas por contas a pagar decorrentes de transações 
efetuadas com terceiros. (FERREIRA, 2015) 
Assim, como os Bens e Direitos, as Obrigações também devem ser avaliadas monetaria-
mente para serem consideradas patrimoniais, pois para fazer os registros, contabilmente, é neces-
sário especificar o tipo, o nome, a conta a ser utilizada, a data da transação, o fornecedor, quando 
for o caso, e principalmente o valor. 
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 57 – 
SAIBA MAIS!
Veja no portal do SEBRAE um modelo de controle de contas a pagar para empresas: 
<http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/ufs/ap/artigos/controle-de-contas-
a-pagar,2d56164ce51b9410VgnVCM1000003b74010aRCRD>.
Obrigação Patrimonial é, portanto, uma dívida que deriva de um evento passado que terá de 
ser paga no presente ou no futuro, mensurada monetariamente. 
Fechamento
Concluímos esta aula relativo aos Bens, Direitos e Obrigações Patrimoniais. Agora você já 
conhece o que representam esses elementos para as entidades.
Nesta aula, você teve a oportunidade de: 
 • conhecer os Bens, os Direitos e as Obrigações de uma empresa;
 • compreender como esses elementos afetam o Patrimônio. 
Referências 
FERREIRA, Ricardo J. Contabilidade Básica. 13. ed. Rio de Janeiro: Ferreira, 2015.
INSTITUTO BRASILEIRO DE PROPRIEDADE INDUSTRIAL - INPI. Disponível em: <http://www.inpi.
gov.br/>. Acesso em: 01 jul. 2017. 
PADOVEZE, Clóvis Luis. Manual de Contabilidade Básica. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2016. 
RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade Básica Fácil. 27. ed. São Paulo: Saraiva, 2010.
SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS. SEBRAE. Disponível em: 
<http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/ufs/ap/artigos/controle-de-contas-a-pagar,2d-
56164ce51b9410VgnVCM1000003b74010aRCRD>. Acesso em: 01 jul. 2017. 
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 58 – 
Ativo e passivo
Arno Wiese
Introdução 
Na busca por significados, os seres humanos costumam identificar e conceituar ações e 
fatos. Por exemplo, quando alguém é uma pessoa dinâmica para fazer ou decidir as coisas, dize-
mos que ela é ativa, e quando é ao contrário, dizemos que é passiva. 
Por analogia, na contabilidade das empresas ocorre algo semelhante, como no caso do agru-
pamento de contas do Balanço Patrimonial, ou seja, as contas do Ativo e do Passivo. Você já teve 
a oportunidade de verificar o Balanço de uma empresa? E as contas do Ativo e Passivo? 
Nesta aula, você conhecerá um pouco da dinâmica que envolve a origem e a aplicação dos 
recursos nas atividades de uma empresa, respondendo aos questionamentos feitos. 
Objetivos de aprendizagem
Ao finalizar esta aula, você será capaz de:
 • compreender a origem dos recursos que são alocados numa Organização; 
 • compreender a aplicação dos recursos ativos e passivos. 
1 Origem dos recursos
Para todas as atividades, exigem-se recursos, os quais podem ser financeiros ou não. Se você 
precisar comer algo, necessita de recursos para pagar o restaurante ou o supermercado. Se quiser 
viajar, precisa de recursos, ou pelo menos de crédito, para poder pagar as despesas da viagem. Se 
for adquirir uma roupa ou calçado, é a mesma situação.
Nas Organizações, especialmente nas empresas, ocorre o mesmo processo. No entanto, de 
onde eles provêm? 
Como pessoa física, você pode ser um assalariado e receber os salários da empresa onde 
trabalha, ou um empresário e fazer retiradas da empresa para uso particular (pró-labore), ou ainda 
um investidor e receber a remuneração do capital (juros, lucros e dividendos) para utilizar em seus 
gastos. Seja qual for a situação, você necessita de recursos para as atividades diárias. 
As empresas também precisam deles para as atividades diárias de produção, venda, cobrança, 
pagamento etc., os quais podem ser provenientes do capital de terceiros ou próprios. Quando de ter-
ceiros, como o empréstimo bancário, é representado pelas contas do Passivo, é o chamado Passivo 
Exigível porque, em algum momento, ele será exigido. Já o de capital próprio, chamado Capital Social 
das empresas, que são os recursos aplicados pelos empresários no momento da constituição da 
empresa ou no decorrer se suas atividades, é chamado de Passivo não Exigível, pois se entende que 
os empresários darão continuidade ao negócio e manterão a empresa no futuro. 
 – 59 – 
TEMA 8
FIQUE ATENTO!
A origem dos recursos aplicados pelas empresas em seus Ativos (Bens e Direitos) 
é oriunda das contas de seu Passivo (Obrigações), pois eles representam recursos 
de terceiros (credores e sócios). 
EXEMPLO
O capital de terceiros pode ser os empréstimos bancários, as duplicatas a pagar, os 
impostos a pagar, os financiamentos de longo prazo a pagar etc.
Podemos afirmar, então, que a origem dos recursos aplicados numa empresa provém das 
contas de seu Passivo, cujos detentores desses Direitos (Obrigações para a empresa) são seus 
credores. Ribeiro (2010) cita simplesmente como as Obrigações e o Patrimônio Líquido, novo con-
ceito que representa a soma dos Bens e Direitos diminuídos das Obrigações.
Figura 1 – Sócios
Fonte: Michael D Brown/Shutterstock.com
Considerados de outra forma, os conceitos de Passivo e Ativo podem ser expandidos. No pri-
meiro, temos as obrigações/dívidas, por isso alguns autores o chamam simplesmente de Passivo, 
mas também é conhecido como capital de terceiros.
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 60 – 
Já o Patrimônio Líquido, do lado do Passivo no Balanço Patrimonial, representa a parte dos 
sócios, com isso o chamamos de capitais próprios (capital social ou lucros/prejuízos acumula-
dos). O passivo e o PL em conjunto são chamados de origem dos recursos.
Os capitais próprios e de terceiros entram na empresa através de integralização do capital pelos 
sócios ou de dívidas, respectivamente. Esse dinheiro é aplicado em estoques, caixa, máquinas e 
equipamentos, ou seja, em ativos. Portanto, podemos chamar o Ativo de aplicação dos recursos. 
Em resumo, o Passivo e o Patrimônio Líquido nos mostram de onde veio o dinheiro enquanto 
o Ativo nos indica para onde o dinheiro foi direcionado, ou seja, aplicado, cujos conceitos e carac-
terísticas vamos ver na sequência. 
2 Aplicação dos recursos
Os capitais próprios e de terceiros são elementos oriundos do Passivo e esses recursos são 
aplicados na empresa em Bens e Direitos, demonstrados no Balanço Patrimonial nas contas do 
Ativo, nelas encontramos máquinas, imóveis, dinheiro em caixa, veículos, duplicatas a receber etc., 
ou seja, as aplicações dos recursos obtidos. 
FIQUE ATENTO!
Os recursos que a empresa utilizou para poder ter no seu Ativo os Bens e Direitos 
foram obtidos do Passivo (credores e sócios). 
Figura 2 – Recursos
Fonte: Paisarn Praha/Shutterstock.com
Podemos afirmar, então, que o Ativo representa todas as aplicações de recursos na empresa, 
enquanto o Passivo todas as origens. (PADOVEZE, 2006). Dito de outra forma, o Ativo evidencia os 
investimentos que a empresa fez e possui até aquele momento, enquanto o Passivo representa as 
origens ou as fontes de recursos captados pela empresa. 
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 61 – 
SAIBA MAIS!
Alguns autores conceituam o Passivo como a soma das obrigações mais o 
Patrimônio Líquido; outros como a parte separada do Patrimônio Líquido, ou seja, 
o classificam como Passivo Exigível e Passivo não Exigível (a parte do Patrimônio 
Líquido) (PADOVEZE, 2016). 
 
Agora que já conhecemos os conceitos de origens e aplicações dos recursos do Passivo para 
o Ativo, podemos avançar no estudo do Balanço Patrimonial, que é o assunto a seguir.
3 Balanço patrimonial
Vimos que a origem dos recursos são as contas do Passivo e a aplicação dos recursos são as 
contas do Ativo. O Balanço Patrimonial é uma demonstração contábil que apura todos os ativos (bens 
e direitos),todos os passivos (obrigações) e a diferença decorrente é a riqueza líquida (Patrimônio 
Líquido). O nome “balanço” vem da ideia de equilíbrio, reflexo do método das partidas dobradas. 
No Balanço Patrimonial, dividido entre Ativo e Passivo, os totais somados são sempre iguais, 
ou seja, o total do Ativo obrigatoriamente deve ser igual a soma do Passivo Total (Obrigações mais 
Patrimônio Líquido). 
Figura 3 – Balanço
Fonte: Mariusz Szczygiel/Shutterstock.com
FIQUE ATENTO!
A demonstração do Balanço Patrimonial deve obedecer a certos critérios estabele-
cidos pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), priorizando a sequência 
de liquidez decrescente nas contas do Ativo e de ordem decrescente das exigibili-
dades nas contas do Passivo. 
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 62 – 
 Os grandes grupos de contas do Ativo e Passivo têm a nomenclatura e ordem de demons-
tração assim definida:
 • Ativo: circulante; não circulante; investimentos; imobilizado; intangível;
 • Passivo: circulante; não circulante e patrimônio líquido. 
EXEMPLO
A empresa Y realizou a demonstração do Balanço Patrimonial utilizando a estrutura 
básica para isso, a qual será seguida pelos Contadores na apresentação e demons-
tração contábil.
Tabela 1 – Balanço Patrimonial sem valores
ATIVO PASSIVO
CIRCULANTE
 • Caixa e bancos
 • Aplicações financeiras
 • Títulos a receber de clientes
 • (-) Créditos de liquidação duvidosa
 • Estoques
 • Adiantamentos
 • Outros créditos
 • Despesas do exercício seguinte
CIRCULANTE
 • Empréstimos e financiamentos
 • Títulos descontados
 • Fornecedores
 • Salários e encargos a pagar
 • Tributos sobre mercadorias
 • Tributos sobre lucro
 • Adiantamento de clientes
 • Dividendos e lucros a distribuir
NÃO CIRCULANTE
Realizável a longo prazo
 • Títulos a receber
 • Créditos com pessoas ligadas
Investimentos
 • Em empresas ligadas
 • Em outras empresas
Imobilizado
 • Imóveis, máquinas, veículos, móveis
 • (-) Depreciação acumulada intangível
 • Gastos com marcas, licenças, patentes
NÃO CIRCULANTE
 • Empréstimos e financiamentos
 • Tributos refinanciados
 • Provisões contingentes
 • Receitas (-) despesas diferidas
PATRIMÔNIO LÍQUIDO
 • Capital social
 • (-) Ações em tesouraria
 • Reservas de capital
 • Ajustes de avaliação patrimonial
 • Reservas de lucro
 • Lucros ou prejuízos acumulados
Fonte: adaptado de PADOVEZE, 2016.
Para fins de apuração dos valores Circulantes ou não Circulantes, entende-se àqueles de rea-
lização dentro dos próximos 365 dias a partir da data de elaboração do Balanço Patrimonial, tanto 
para as contas do Ativo, quanto as do Passivo.
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 63 – 
SAIBA MAIS!
A apresentação do Balanço Patrimonial e os critérios de cálculos obedecem às de-
terminações das leis 11.638/07 de 28.12.2007 e 11.941/09 de 27.05.2009. Confira 
acessando: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/lei/l11638.
htm> e <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/lei/l11941.htm>.
Finalizando, o Balanço Patrimonial engloba os componentes representativos dos valores lan-
çados nas contas dos Bens, Direitos e Obrigações, além do Patrimônio líquido. Isso deve espelhar 
a realidade econômica e financeira de uma empresa em determinado momento.
Fechamento
Concluímos esta aula relativa ao Ativo e Passivo, suas contas representativas e o que isso 
representa para as empresas.
Nesta aula, você teve a oportunidade de: 
 • entender de onde provêm os recursos utilizados por uma empresa;
 • compreender como esses recursos são aplicados;
 • conhecer como a origem e aplicação dos recursos afetam o Balanço Patrimonial de 
uma empresa e como isso deve ser demonstrado. 
Referências 
BRASIL. Lei n. 11.638, de 28 de dezembro de 2007. Altera e revoga dispositivos da Lei n. 6.404, de 
15 de dezembro de 1976, e da Lei n. 6.385, de 7 de dezembro de 1976, e estende às sociedades de 
grande porte disposições relativas à elaboração e divulgação de demonstrações financeiras. Dis-
ponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/lei/l11638.htm>. Acesso 
em: 03 jul. 2017.
______. Lei n. 11.941, de 27 de maio de 2009. Altera a legislação tributária federal relativa ao par-
celamento ordinário de débitos tributários. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_
ato2007-2010/2009/lei/l11941.htm>. Acesso em: 03 jul. 2017.
FERREIRA, Ricardo J. Contabilidade Básica. Rio de Janeiro: Ferreira, 2015. 
PADOVEZE, Clóvis Luis. Manual de contabilidade básica. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2016.
______. Introdução à contabilidade. São Paulo: Atlas, 2006.
RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade básica fácil. 27. ed. São Paulo: Saraiva, 2010. 
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 64 – 
Diferença de patrimônio 
e patrimônio líquido
Arno Wiese
Introdução 
Quando os povos da antiguidade começaram a ter noção dos Bens, sentiram a necessidade 
de controlá-los, surgindo a Contabilidade e a ideia de Patrimônio. Este, ao longo do tempo, teve 
seus conceitos aperfeiçoados até evoluir para a definição de Patrimônio líquido. (PADOVEZE, 2016) 
Nesta aula, vamos estudar a diferença que existe entre o Patrimônio e o Patrimônio Líquido. 
Objetivos de aprendizagem
Ao finalizar esta aula, você será capaz de:
 • compreender a diferença entre Patrimônio e Patrimônio Líquido;
 • compreender como ocorre a formação do Patrimônio nas organizações.
1 Situações Líquidas Patrimoniais
O Patrimônio é definido como o conjunto de Bens, Direitos e Obrigações de uma entidade 
ou de uma empresa. Os dois primeiros, por serem desejados, são considerados elementos patri-
moniais positivos e constam do lado esquerdo na demonstração do Balanço Patrimonial. Já as 
obrigações, ou compromissos, têm caráter restritivo e são consideradas elementos patrimoniais 
negativos, ficando do lado direito na demonstração. (PADOVEZE, 2016)
A Contabilidade apresenta o Patrimônio de uma empresa avaliando monetariamente todos os 
elementos e registrando a variação deles ao longo do tempo, o que é demonstrado no Balanço Patri-
monial dividido em três componentes: Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido (SZUSTER, 2013). Alguns 
autores chamam o Passivo de Exigível, pois ele terá de ser pago em algum momento futuro. Na ver-
dade, na demonstração contábil do Balanço Patrimonial o Patrimônio líquido consta no lado do Pas-
sivo. O termo Balanço indica o equilíbrio entre os componentes e pode ser demonstrado pela equação:
Ativo = Passivo + Patrimônio líquido
A situação patrimonial líquida é o Patrimônio líquido de uma empresa. A palavra “líquido” dá 
a ideia de riqueza pura e líquida, sem as obrigações. É, portanto, a soma dos Bens e Direitos dimi-
nuídos das Obrigações, assim obtemos o patrimônio dos sócios, o qual é a riqueza líquida, ou seja, 
os valores não exigíveis, ou o capital próprio da empresa. 
 – 65 – 
TEMA 9
EXEMPLO
Uma empresa Y precisa organizar os dados em suas contas para representar a 
situação patrimonial líquida naquele momento, ou seja, o Patrimônio líquido. Para 
que ficasse claro, os contadores construíram graficamente essa demonstração 
em uma tabela. A Situação Líquida Patrimonial foi registrada no lado do Passivo, 
somado às Obrigações, o valor fica exatamente igual aos valores totais do Ativo. 
Podemos afirmar que a Situação Líquida Patrimonial da empresa é de R$ 500, que 
é também o Patrimônio Líquido.
Tabela 1 – Situação Líquida Patrimonial
PATRIMÔNIO
ATIVO PASSIVO
Bens: Obrigações
Caixa R$ 100 Duplicatas a pagar R$ 150
Estoques R$ 100 Salários a pagar R$ 30
Móveis R$ 200 Impostos a pagar R$ 20
Direitos: SITUAÇÃO LÍQUIDA R$ 500
Duplicatas a receber R$ 200
Promissórias a receber R$ 100
Total R$ 700 Total R$ 700
Fonte: elaborada pelo autor, 2017.
SAIBA MAIS!
Existem situações em que o Patrimônio Líquidofica negativo, isto é, as Obrigações 
são superiores aos Bens e Direitos. Normalmente, isso ocorre quando as empresas 
se encontram em dificuldades financeiras, ou em condições de falência. 
2 Composição Básica do Patrimônio Líquido
As empresas, ao iniciarem suas atividades ou expandi-las, necessitam de capitais (recursos) 
para essa finalidade. Os sócios ou acionistas fazem então o que chamamos de aporte de capital. 
Esses recursos são contabilizados como Capital social, ou seja, o que os sócios colocaram na 
empresa, e integram o grupo de contas do Patrimônio líquido. 
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 66 – 
FIQUE ATENTO!
O Capital social é o valor que os sócios ou acionistas integralizaram para formar a 
empresa. O dinheiro vem de fora para dentro. Com isso, os sócios ou acionistas que 
mais aportaram capitais possuem fatias maiores das cotas ou de ações da empresa.
Depois que o dinheiro dos sócios ou acionistas começa a dar resultados e gerar frutos, que 
são os lucros do negócio, também farão parte do Patrimônio líquido, mas são contabilizados sepa-
radamente com o nome de Lucros Acumulados (PADOVEZE, 2006) e lá permanecem registra-
dos até que seja deliberada pelos sócios ou acionistas controladores a destinação desse lucro. 
Dependendo da situação de caixa da empresa, parte do lucro é distribuída aos sócios ou acionis-
tas e outra parte comporá a Reserva de Lucros, para utilização futura nos negócios ou eventuais 
contingências. 
O Patrimônio Líquido tem basicamente a seguinte composição de contas:
 • capital social;
 • reservas de capital;
 • reservas de lucros;
 • (-) prejuízos acumulados.
SAIBA MAIS!
Para entender mais sobre a composição do Patrimônio Líquido, acesse: <http://
www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6404consol.htm>.
O Capital Social, de acordo com Ferreira (2015), deve ser desdobrado de forma que se possa 
identificar a parcela subscrita e também a parcela ainda não realizada. Isso acontece quando, por 
exemplo, um acionista ou quotista se comprometeu a integralizar (colocar dinheiro) o correspon-
dente a certa quantia, e ainda não o efetivou em sua totalidade. 
FIQUE ATENTO!
O Capital Social é toda entrada de dinheiro que os sócios ou acionistas entregam 
para a pessoa jurídica com a finalidade de possibilitar o início ou aumento das ope-
rações de uma empresa. (PADOVEZE, 2016)
As Reservas de Capital dizem respeito apenas às Sociedades Anônimas e, para serem incor-
poradas ao Capital Social, necessitam de alteração dos estatutos e de serem autorizadas pela 
assembleia geral de acionistas. Também podem ser utilizadas para absorver prejuízos acumula-
dos ou pagamento de dividendos. (FERREIRA, 2015).
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 67 – 
As Reservas de Lucros são calculadas com base no lucro líquido de um exercício contábil e 
podem servir para amparar futuros prejuízos ou situações de contingência. Eventuais prejuízos 
contábeis já ocorridos são descontados da conta reserva de lucros. 
EXEMPLO
Uma das principais contas da reserva de Lucros é a subconta “Reserva Legal” (des-
tinação de parte dos lucros) e sua constituição tem o objetivo de assegurar a inte-
gridade do Capital Social e somente pode ser utilizada para compensar prejuízos ou 
aumentar o capital da empresa. (FERREIRA, 2015)
Esses são os principais itens que compõe o Patrimônio líquido. Existem outros. Agora pode-
mos avançar e analisar como ocorre a formação do patrimônio nas organizações. 
3 Formação do Patrimônio
Como ocorre exatamente a formação de um Patrimônio Empresarial? Não há dúvida de que, 
para constituir uma empresa, é necessário que se tenha algum Capital, ou seja, os recursos que o 
empresário dispõe para começar o negócio, iniciar as atividades. 
Vamos supor a seguinte situação:
José de Souza resolve constituir uma empresa do ramo de comércio de roupas. Seus recur-
sos iniciais são de R$ 100.000. Esse é seu Capital Inicial. A representação gráfica seria:
Tabela 2 – Ativo e Passivo da empresa X
Ativo Passivo
Caixa R$ 100.000 Capital R$ 100.000
Fonte: elaborada pelo autor, 2017.
Em seguida, o Capital é movimentado com os negócios que surgem na empresa e o empre-
sário adquire móveis à vista no valor de R$ 20.000 e o estoque inicial da loja no valor de R$ 30.000 
também à vista. Veja como ficou a representação gráfica do Balanço.
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 68 – 
Tabela 3 – Balanço da empresa X
Ativo Passivo
Caixa R$ 50.000 Capital R$ 100.000
Móveis R$ 20.000
Estoques R$ 30.000
Total R$ 100.000 Total R$ 100.000
Fonte: elaborada pelo autor, 2017.
Observe nesse caso que, embora tenham ocorridos movimentações no Patrimônio, o seu valor 
total não foi alterado no Ativo, apenas houve uma diminuição do saldo de caixa, passando esse valor 
em parte para móveis e para os estoques (é importante memorizar que os estoques são sempre 
avaliados e mensurados pelo valor de aquisição ou de produção, isto é, o valor de custo e não o valor 
de venda). Do lado do Passivo, não houve alteração, permanecendo o mesmo valor do Capital Inicial. 
FIQUE ATENTO!
Formação do patrimônio: O Capital Inicial pode ser composto por: somente dinhei-
ro; parte em dinheiro e parte em outros Bens (um imóvel, por exemplo); e parte em 
dinheiro, parte em outros Bens e parte em Direitos (um crédito junto a terceiros que 
algum sócio possua e queira transferir para a empresa como parte de sua subscri-
ção no Capital Social). (RIBEIRO, 2010). 
Vamos supor agora, através do exemplo abaixo, que o empresário tenha iniciado as vendas 
e vendeu parte das mercadorias a prazo no valor de R$ 5.000 (a preço de custo), mas a venda foi 
efetuada pelo valor de R$ 8.000. Veja como ficou o Balanço:
Tabela 4 – Balanço 2 da empresa X
Ativo Passivo
Caixa R$ 50.000 Capital R$ 100.000
Móveis R$ 20.000 Lucro Acumulados R$ 3.000
Estoques R$ 30.000
Duplicatas a receber R$ 8.000
Total R$ 103.000 Total R$ 103.000
Fonte: elaborada pelo autor, 2017.
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 69 – 
Notem que houve alteração na situação patrimonial com aumento de R$ 3.000 tanto no Ativo 
quanto no Passivo. Essa diferença em relação à situação anterior é decorrente dos negócios efe-
tuados, no caso a venda de mercadorias, onde houve um lucro bruto de R$ 3.000. Evidentemente 
essa demonstração tem o objetivo de mostrar como as variações patrimoniais acontecem e como 
os patrimônios são formados e acumulados ao longo do tempo. Para registrar no Balanço Patri-
monial essa diferença de R$ 3.000, previamente ocorre a contabilização das vendas e as respecti-
vas despesas que a empresa teve no período, que nesse exemplo não foram consideradas. Depois 
é feito o Demonstrativo de Resultados do Exercício e o lucro apurado (nesse caso) será transferido 
para a conta patrimonial do Passivo, sob o nome de Lucros Acumulados. 
Fechamento
 Nesta aula, você teve a oportunidade de:
 • compreender as situações líquidas do patrimônio, ou seja, a soma dos Bens e Direitos 
diminuídos das Obrigações; 
 • entender quais são as principais contas que compõe o Patrimônio Líquido;
 • entender como é formado o Patrimônio de uma Organização.
Referências 
BRASIL. Lei n. 6404, de 15 de dezembro de 1976. Dispõe sobre as Sociedades por Ações. Dispo-
nível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6404consol.htm>. Acesso em: 07 jul. 2017.
FERREIRA, Ricardo J. Contabilidade Básica. 13. ed. Rio de Janeiro: Ferreira, 2015.
PADOVEZE, Clóvis Luis. Manual de Contabilidade Básica. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2016.
______ . Introdução à Contabilidade. São Paulo: Pioneira, 2006. 
RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade Básica Fácil. 27. ed. São Paulo: Saraiva, 2010.
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 70 – 
Equações patrimoniais
Arno Wiese
Introdução
Você sabe que é um desejo das empresas controlar e ampliar o Patrimônio em benefíciode 
seus proprietários e, assim, atender também interesses coletivos, certo? Há, no entanto, diversas 
situações que podem afetar o Patrimônio: as chamadas Equações Patrimoniais. 
Nesta aula, estudaremos as Equações Patrimoniais nas empresas, suas características e as 
consequências que podem surgir em decorrência dessa realidade empresarial. Para isso, conhe-
ceremos a dinâmica que envolve esses aspectos, obtidos na própria contabilidade das empresas. 
Objetivos de aprendizagem 
Ao final desta aula, você será capaz de:
 • compreender o que configura o Equilíbrio Patrimonial, a Estabilidade Relativa do patri-
mônio e a Insolvência Relativa e Absoluta do patrimônio de uma organização. 
1 Equilíbrio Patrimonial 
O conceito do Patrimônio evolui para a situação líquida patrimonial, ou seja, o Patrimônio 
Líquido, que tem um caráter abstrato (significa sobra, que não é representado nem por Bens 
e Direitos, nem por Obrigações, mas sim pela sua diferença) e representa a riqueza líquida da 
empresa (VICECONTI, 2013). Assim, a equação fundamental da contabilidade indica que o Patri-
mônio Líquido é igual à soma dos Bens e Direitos diminuído das Obrigações, ou seja: 
Patrimônio Líquido = Bens + Direitos – Obrigações
EXEMPLO
Para entender a representação da situação líquida patrimonial (ou da riqueza lí-
quida da empresa), suponha que determinada empresa tenha os seguintes dados:
 • Bens: R$ 12.000. 
 • Direitos: R$ 8.000. 
 • Obrigações: R$ 10.000.
Aplicando a fórmula, temos: PL = 12.000 + 8.000 - 10.000. PL = 20.000 - 10.000. PL 
= 10.000. Então, o valor do patrimônio Líquido da empresa é de R$ 10.000.
 – 71 – 
TEMA 10
Dessa forma, para que o equilíbrio patrimonial fosse alcançado, a Contabilidade evoluiu no 
sentido de buscar a igualdade, ou seja, os valores positivos foram colocados do lado esquerdo da 
equação, para não misturar com os valores negativos. Assim, o Patrimônio Líquido foi adicionado 
ao lado direito, o que resultou na equação chamada Equilíbrio Patrimonial (PADOVEZE, 2016): 
Bens + Direitos = Obrigações + Patrimônio Líquido
O lado esquerdo da equação é denominado Ativo e o lado direito, Passivo. Assim, o Ativo con-
tém os elementos patrimoniais positivos (Bens e Direitos) e o Passivo, os negativos (Obrigações) 
e também a riqueza efetiva (Patrimônio Líquido). (PADOVEZE, 2016) 
Para entender o Equilíbrio Patrimonial, suponha os seguintes dados apresentados por 
uma empresa: 
 • dinheiro - R$ 5,000; 
 • créditos a receber: R$ 20.000; 
 • equipamentos; R$ 30.000; 
 • dívidas com terceiros: R$ 18.000;
 • Patrimônio Líquido: R$ 37.000. 
Podemos colocar isso sob a forma de Balanço, conforme tabela a seguir: 
Tabela 1 – Balanço Patrimonial
Ativo R$ Passivo R$
Dinheiro 5.000 Dívidas com terceiros 18.000
Créditos a receber 20.00 Patrimônio Líquido 37.000
Equipamentos 30.000
Total Ativo 55.000 Total Passivo 55.000
Fonte: adaptada de PADOVEZE, 2016.
Assim, podemos observar que do lado esquerdo ficam representados os Bens e Direitos e do 
lado direito as Obrigações e a diferença entre Bens e Direitos e as Obrigações, ou seja, o Patrimônio 
Líquido. O objetivo é manter a igualdade entre o Ativo Total e o Passivo Total.
SAIBA MAIS!
A nomenclatura do Passivo não é unanimidade entre os teóricos da Contabilidade. 
Alguns consideram o Passivo apenas as contas que representam as Obrigações. 
Falam em Passivo Exigível para as Obrigações e Não Exigível para o Patrimônio 
Líquido. Esses, quando tratam do Passivo como um todo, falam de Passivo 
Total. Outros argumentam de forma diferente e incluem como Passivo, além das 
Obrigações, o Patrimônio Líquido. (PADOVEZE, 2016).
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 72 – 
Agora que entendemos a equação do Equilíbrio Patrimonial, podemos conhecer a Estabili-
dade Relativa do Patrimônio. Acompanhe!
2 Estabilidade Absoluta, Relativa e Nula
No plano teórico, podem-se fazer diversas análises da situação em que se encontra um Patri-
mônio, considerando a estrutura do Passivo, uma vez que ele distingue as duas fontes de recursos 
que são aplicadas no Ativo de uma empresa. 
Padoveze (2016) apresenta situações patrimoniais a partir da análise do Passivo. A primeira, 
é denominada Estabilidade Absoluta, porque não existem Obrigações, e o total do Ativo está com-
pletamente coberto por recursos próprios da empresa, conforme tabela a seguir. 
Tabela 2 – Estabilidade Absoluta
Ativo R$ Passivo R$
Caixa R$ 5.000 Obrigações R$ 0-0
Patrimônio Líquido R$ 5.000
Total R$ 5.000 Total R$ 5.000
Fonte: adaptada de PADAVEZE, 2016.
Na segunda situação, denominada Estabilidade Relativa, existem as Obrigações e o Patri-
mônio Líquido, portanto, todas as dívidas da empresa estão cobertas por algum Ativo, conforme 
representado na tabela a seguir. 
Tabela 3 – Estabilidade Relativa
Ativo R$ Passivo R$
Caixa R$ 5.000 Obrigações R$ 2.000
Patrimônio Líquido R$ 3.000
Total R$ 5.000 Total R$ 5.000
Fonte: adaptada de PADAVEZE, 2016.
Na Estabilidade Relativa, todas as dívidas estão cobertas pelo Ativo, sobrando os valores 
correspondentes aos recursos próprios da empresa. Essa situação de Estabilidade Relativa é a 
situação mais comum, pois a maioria das empresas apresenta valores de seus Ativos maiores que 
as Obrigações, o que resulta em um Patrimônio Líquido positivo. 
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 73 – 
EXEMPLO
Suponha que a empresa X apresente os dados contábeis da tabela a seguir.
Tabela 4 – Situação patrimonial da empresa X
Títulos a receber R$ 2.000 Empréstimos bancários R$ 10.000
Estoques de mercadorias R$ 4.000 Fornecedores R$ 5.000
Máquinas e equipamentos: R$ 20.000 Patrimônio Líquido R$ 11.000
Total Ativo R$ 26.000 Total Passivo R$ 26.000
Fonte: elaborada pelo autor, 2017.
Veja que a empresa possui Ativos (Bens e Direitos) no valor total de R$ 26.000. Suas 
Obrigações (dívidas) somam R$ 15.000, portanto, todas as dívidas estão cobertas 
pelo Ativo e ainda sobram R$ 11.000 (Patrimônio Líquido). Esta é uma situação de 
Estabilidade Relativa. 
FIQUE ATENTO!
Na Estabilidade Relativa existem Obrigações e existe Patrimônio Líquido, portanto, 
todas as dívidas têm cobertura de Ativos. 
Há, ainda, a situação chamada Nula, na qual existem as Obrigações e não existe o Patrimônio 
Líquido, assim, os Ativos são exatamente iguais às dívidas. Isso quer dizer que todos os Ativos 
foram adquiridos com recursos de terceiros, e, numa eventual liquidação da empresa, não sobra-
ria nada para os sócios, pois os recursos seriam todos utilizados para pagar os compromissos. 
(PADOVEZE, 2016).
3 Insolvência Relativa
A Insolvência Relativa ocorre quando o valor das Obrigações é superior ao total do Ativo, 
ou seja, existem mais dívidas que Bens e Direitos, o que vai desencadear no conceito de Patri-
mônio Líquido Negativo, com o objetivo de dar igualdade à equação. A Insolvência Relativa tam-
bém é conhecida por Passivo a Descoberto, pois parte do Passivo não tem amparo nos Ativos da 
empresa. (PADOVEZE, 2016) 
A Insolvência Relativa pode ser exemplificada com a tabela a seguir.
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 74 – 
Tabela 4 – Insolvência Relativa
Ativo R$ Passivo R$
Caixa R$ 10.000 Obrigações R$15.000 
Patrimônio Líquido Negativo R$ 5.000
Total R$ 15.000 Total R$ 15.000
Fonte: elaborada pelo autor, 2017.
FIQUE ATENTO!
Na Insolvência Relativa, o Patrimônio Líquido, por ser negativo, é deslocado para 
o lado esquerdo do Balanço, porque passou a ter saldo contrário à sua natureza 
inicial (de Passivo).
Como podemos observar, existem dívidas no total de R$ 15.000. Os Ativos, que deveriam 
amparar essas dívidas, apresentam o valor de R$ 10.000, ou seja, em caso de liquidação da empresa, 
parte dos credores não irão receber seus créditos, o que fica caracterizado com o Patrimônio Líquido 
Negativo (ou Passivoà Descoberto). Neste caso, a empresa encontra-se numa situação financeira 
muito difícil ou em estado de falência.
FIQUE ATENTO!
A situação de falência ocorre quando uma empresa não tem mais condições de 
continuar operando no mercado, em razão de suas dificuldades financeiras. Neste 
caso, todos os Bens (se houver) serão levados à execução judicial e leiloados para 
a cobertura das dívidas. 
SAIBA MAIS!
Conheça a Lei n. 11.101, que regula o processo de falência e de recuperação judi-
cial (quando as empresas pedem proteção da justiça para tentarem se reerguer 
patrimonial e financeiramente). Acesse: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_
ato2004-2006/2005/lei/l11101.htm>.
A seguir, estudaremos uma situação ainda mais dramática para a empresa: a Insolvência Absoluta. 
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 75 – 
4 Insolvência Absoluta
A Insolvência Absoluta ocorre quando não existem Ativos, apenas Obrigações. Na prática, 
esta é uma situação bastante difícil de acontecer, visto que todos os credores ficariam sem rece-
ber seus créditos, em caso de liquidação da empresa. (PADOVEZE, 2016) 
Para entender a situação, analise a tabela a seguir.
Tabela 5 – Insolvência Absoluta
Ativo R$ Passivo R$
Caixa R$ 0-0 Obrigações R$ 10.000
Patrimônio Líquido Negativo R$ 10.000
Total R$ 10.000 Total R$ 10.000
Fonte: elaborada pelo autor, 2017.
Perceba que não existem bens (Ativo) para cobrir as dívidas, logo a situação da empresa é de 
Insolvência Absoluta. 
Fechamento
Nesta aula, você teve a oportunidade de: 
 • conhecer os conceitos, as características e a demonstração das Equações Patrimoniais;
 • compreender como as situações podem afetar as empresas e os seus credores. 
Referências
BRASIL. Lei n. 11.101, de 09 fevereiro 2005. Regula a recuperação judicial; a extrajudicial e a falên-
cia. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/lei/l11101.htm>. 
Acesso em 10.07.2016.
PADOVEZE, Clóvis Luis. Manual de Contabilidade Básica. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2016.
______. Introdução à Contabilidade. São Paulo: Pioneira, 2006.
VICECONTI, Paulo; NEVES Silvério das. Contabilidade Básica. 16. ed. São Paulo: Saraiva, 2013.
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 76 – 
Contas
Arno Wiese
Introdução
Em nossas atividades diárias, seguidamente ouvimos “conta ou contas”. Ao sermos questio-
nados por isso, provavelmente iremos pensar em uma operação aritmética de somar ou subtrair; 
talvez na conta de energia elétrica, ou de água ou de telefone; quem sabe na conta bancária, ou na 
conta que tem de ser paga na loja; há várias possibilidades. 
Na Contabilidade, no entanto, o termo “Conta” tem outro significado. E para que servem? 
Nesta aula, iremos estudar as contas contábeis, qual o conceito e a classificação, assim 
como veremos que existem as contas patrimoniais e de resultados. Também abordaremos as 
noções de débito e crédito e o plano de contas de uma empresa.
Objetivos de aprendizagem
Ao finalizar esta aula, você será capaz de:
 • conhecer a definição de Contas na Contabilidade e sua classificação;
 • conhecer as noções de débito e crédito. 
1 Conceito 
A Contabilidade deve fazer os registros para poder controlar todos os acontecimentos que 
envolvem o Patrimônio de uma empresa. Para poder atingir esse objetivo, se utiliza de Contas, 
nome dado ao registro dos elementos patrimoniais que comporão a Contabilidade da empresa. 
Na avaliação de Ribeiro (2010, p. 47), “conta é o nome técnico dado aos componentes patri-
moniais (Bens, Direitos, Obrigações e Patrimônio Líquido) e aos elementos de Resultado (Despe-
sas e Receitas)”. 
FIQUE ATENTO!
Os elementos que compõe o patrimônio e suas alterações são controlados por 
meio de contas, as quais têm a função de registrar e demonstrar todos os elemen-
tos patrimoniais e de resultados. (FERREIRA, 2015). 
As Contas dentro da contabilidade são como as equações para a matemática e como os ele-
mentos químicos para a química. Permitem ao contador realizar o seu papel, pois, por meio delas, é 
possível fazer o registro e o controle de todos os acontecimentos importantes à gestão do patrimônio.
 – 77 – 
TEMA 11
Dessa maneira, cada bem, ou grupo de bens, direitos, obrigações ou situação líquida, terá uma 
conta específica. O mesmo acontece com as contas de resultado que alteram o Patrimônio Líquido. 
Figura 1 – Contas - Registro
Fonte: Syda Productions/Shutterstock.com
Após a compreensão desses conceitos, podemos avançar e analisar a classificação das con-
tas na contabilidade. Esse é o assunto a seguir. Acompanhe.
2 Classificação das Contas: 
Contas Patrimoniais e de Resultados
Ao fazer a classificação das contas, o contador deve levar em consideração a natureza dos 
elementos patrimoniais, dividindo as contas em patrimoniais e em resultados. As primeiras irão 
integrar o Balanço Patrimonial por ocasião de sua demonstração, já as segundas o Demonstrativo 
de Resultados do Exercício. 
EXEMPLO
Como Contas Patrimoniais, podemos citar caixa, bancos conta movimento, esto-
ques de mercadorias, máquinas, veículos, duplicatas a pagar, empréstimos a pagar, 
capital, reservas e lucros acumulados. 
Por sua vez, as Contas de Resultados podem ser: as Contas de Receitas (como a 
venda de mercadorias e as receitas com serviços) e as Contas de Despesas (con-
tribuições previdenciárias, água e esgoto, energia elétrica e despesas bancárias).
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 78 – 
Vamos utilizar a seguinte metáfora: imagine uma conta da contabilidade como uma caixinha 
(ou uma ficha, ou um arquivo), na qual tudo o que entra ou sai dela deve ser registrado. Agora, 
pense, por exemplo, na conta caixa de uma empresa. Talvez seja a conta que mais receba regis-
tros, pois o dinheiro do caixa entra e sai inúmeras vezes. Pensar nessa conta como se fosse uma 
caixinha facilita o raciocínio: toda vez que ela é aberta (para entrada ou saída de dinheiro), o con-
tador deve efetuar o registro.
A conta caixa é apenas um exemplo. Vamos, agora, para a conta estoques: quando a pra-
teleira de produtos de uma empresa fica vazia, o repositor deve retirar mercadorias do estoque 
e levá-las até o local da venda. Da mesma forma, quando recebemos mais mercadorias para a 
venda, devemos deixá-las no estoque. Com isso, ambos os acontecimentos (retirada e entrada de 
mercadorias) devem ser devidamente registradas em livros próprios. (RIBEIRO, 2010). 
Figura 2 – Caixa
Fonte: Monkey Business Images/Shutterstock.com
FIQUE ATENTO!
As contas patrimoniais, como vimos, dividem-se em contas do Ativo e do Passivo e 
as contas de resultados em despesas e receitas e vão ser utilizadas para apurar o 
lucro ou prejuízo no final de um exercício.
As contas ainda podem ser classificadas de duas formas: contas analíticas, que recebem os 
lançamentos e o seu saldo é decorrente desses lançamentos, por exemplo, as contas caixa e esto-
ques integram o grupo de contas analíticas e compõe o saldo das contas sintéticas que podem 
ser criadas com o nome genérico de conta dos” Bens”; e as contas sintéticas, que não recebem 
os lançamentos e os seus saldos são obtidos pela somatória dos saldos das contas analíticas 
similares. (PADOVEZE, 2006)
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 79 – 
SAIBA MAIS!
Curiosidade: A conta caixa é uma das mais movimentadas na contabilidade, 
imaginem uma grande loja comercial, ou um Banco. A propósito: você acha que a 
conta “caixa” tem saldo devedor ou credor na contabilidade de uma empresa? Ela 
sempre tem saldo devedor e jamais poderá ter saldo credor, pois é impossível tirar 
mais dinheiro do que existe nela. 
Para movimentar as contas e registrar as transações através dos lançamentos, utiliza-se o 
método das partidas dobradas, objeto de estudo em outra aula. Ele pressupõe que para cada 
débito há um crédito. O débito eo crédito é o assunto que vamos analisar na sequência.
3 Noções de Débito e Crédito
Nas situações do dia a dia, estamos acostumados a entender débito como uma dívida, uma 
situação negativa, ou seja, devemos alguma coisa para alguém. O mesmo ocorre com o crédito, só 
que em sentido contrário, temos crédito com alguém, seja em uma loja, um banco, ou para poder 
comprar a prazo etc.
No entanto, em linguagem técnica contábil, essa terminologia pode ter vários significados 
que não correspondem ao entendimento da linguagem comum. Contabilmente, o termo débito 
significa que uma conta vai ser debitada e que todas as contas do Ativo possuem saldo devedor, 
já crédito corresponde a uma conta que vai ser creditada e que todas as contas do Passivo pos-
suem saldo credor. Por outro lado, as contas de despesas são de natureza devedora e as contas 
de receitas são de natureza credora. (RIBEIRO, 2010).
EXEMPLO
Como exemplos de receitas com saldo credor, podemos citar a receita com vendas 
e serviços, juros ativos, aluguéis recebidos etc. São exemplos de despesas com sal-
do devedor: juros pagos, salários pagos, seguros pagos, energia elétrica paga etc. 
FIQUE ATENTO!
Na contabilidade é comum a representação de contas em forma de T. Sempre que há 
alguma representação em T, o lado esquerdo se refere ao débito e o lado direito, ao 
crédito. Portanto, as contas do ativo são de natureza devedora e as contas do passivo 
são de natureza credora. Nas contas de resultados, as contas de despesas são de 
natureza devedora e as contas de receitas são de natureza credora. (RIBEIRO, 2010).
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 80 – 
Na demonstração gráfica utilizando o “T”, nas contas patrimoniais, o lado esquerdo é o lado 
do débito e o direito do crédito. Nas contas de resultados, o lado esquerdo é o das despesas e o 
direito das receitas. As demonstrações são apresentadas nas tabelas a seguir. Acompanhe!
Tabela 1 – Contas patrimoniais
ATIVO = Débito PASSIVO = Crédito
Bens (+) Obrigações (-)
Direitos (+) Patrimônio Líquido (+ ou -)
Fonte: RIBEIRO, 2010, p. 56.
Tabela 2 – Contas de resultado
DÉBITO CRÉDITO
Despesas (-) Receitas (+)
Fonte: RIBEIRO, 2010, p. 56.
Podemos observar que os Bens e Direitos são valores positivos e constam do lado esquerdo 
do “T”, portanto, terão saldo devedor em suas contas. As Obrigações estão do lado direito do “T” e 
são valores negativos, porém terão saldo credor. O Patrimônio Líquido, como representa o resul-
tado de todas as contas e lançamentos feitos, pode ter saldo positivo ou negativo ao longo do 
tempo. Por outro lado, as despesas constam do lado esquerdo do “T” e terão saldo devedor e as 
receitas constam do lado direito do “T’, e terão saldo credor. 
Até aqui, estudamos o conceito e classificação das contas patrimoniais e de resultados e o 
que representa para a Contabilidade o débito e o crédito. Agora podemos avançar um pouco mais 
e analisar o Plano de Contas, que é o próximo assunto. 
4 Plano de Contas
Como vimos, para fazer os registros contábeis numa empresa, é necessário ter “Contas”, as 
quais irão abrigar esses registros por meio da escrituração dos atos e fatos que ocorreram. Para 
isso, é necessário que o Contador tenha uma relação das contas. No entanto, o que é um Plano de 
Contas? (RIBEIRO, 2010)
Para o autor, ele é “um conjunto de contas, diretrizes e normas que disciplina as tarefas do Setor 
de Contabilidade, objetivando a uniformização dos registros contábeis”. (RIBEIRO, 2010, p. 57).
Cada empresa deve elaborar o seu próprio Plano de Contas, pois as particularidades e exigên-
cias mudam de empresa para empresa, já que cada caso é um caso, porém deve sempre obedecer 
às normas legais que disciplinam o assunto. 
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 81 – 
SAIBA MAIS!
A legislação referente ao Plano de Contas é a Lei n. 6.404, de 16 de dezembro de 
1976, que é a Lei das Sociedades por Ações, em seus artigos de 176 a 184. Acesse: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6404consol.htm>.
Cabe ao contador da empresa, então, planejar a estruturação do Plano de Contas, de maneira 
que lhe possibilite o melhor resultado possível ao tratar as informações contábeis, pois ele é sua 
principal ferramenta de trabalho. (PADOVEZE, 2016) 
Fechamento
Nesta aula, você teve a oportunidade de:
 • aprender que a importância das Contas para a Contabilidade de uma empresa são as 
contas patrimoniais ou de resultados;
 • compreender o que representa, na linguagem contábil, o débito e o crédito;
 • conhecer a importância de um Plano de Contas para o Contador e para a empresa, da 
qual a escrituração adequada ele é o principal responsável. 
Referências 
BRASIL. Lei n. 6404, de 16 de dezembro de 1976. Dispõe sobre as Sociedades por Ações. Dispo-
nível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6404consol.htm>. Acesso em: 13 jul. 2017.
FERREIRA, Ricardo J. Contabilidade Básica. 13. ed. Rio de Janeiro: Ferreira, 2015.
PADOVEZE, Clóvis Luis. Manual de Contabilidade Básica. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2016.
______ . Introdução à Contabilidade. São Paulo: Pioneira, 2006.
RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade Básica Fácil. 27. ed. São Paulo: Saraiva, 2010.
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 82 – 
Teorias das contas
Arno Wiese
Introdução 
Ao longo do tempo, várias teorias surgiram para explicar as mudanças que ocorreram na 
sociedade, com a Contabilidade não foi diferente. Existiram várias escolas que se especializaram 
nos estudos contábeis, especialmente na Teoria das Contas, assunto que estudaremos nesta aula, 
durante a qual serão introduzidos os conceitos que envolvem tais teorias e as contribuições para 
a Ciência Contábil.
Objetivos de aprendizagem
Ao finalizar esta aula, você será capaz de:
 • conhecer as diversas teorias das contas;
 • compreender as diferenças entre as teorias das contas. 
1 Teoria Personalística
A teoria das contas representa uma forma dos estudiosos explicarem a natureza das contas 
que são utilizadas na escrituração contábil e o que elas representam. (FERREIRA, 2015) 
Na teoria Personalística, a principal característica é que cada conta assume a configuração 
de uma pessoa no seu relacionamento com a empresa, por exemplo, as contas Caixa, Estoques, 
Duplicatas a receber, Fornecedores e Capital representam pessoas com as quais a empresa man-
tém relacionamento de débito ou de crédito. (VICECONTI, 2013)
Dessa forma, as Obrigações e o Patrimônio Líquido são de pessoas credoras que têm algo 
a receber da empresa, e os Bens e Direitos são de pessoas devedoras que devem alguma coisa 
para a empresa. 
SAIBA MAIS!
No livro “Manual de Contabilidade: teoria e mais de 650 questões”, dos autores 
Francisco Velter e Luiz Roberto Missagia, você poderá se aprofundar um pouco 
mais sobre o estudo da teoria das Contas. 
De acordo com Ferreira (2015), a teoria Personalística classifica as contas em três grupos:
 – 83 – 
TEMA 12
 • contas do proprietário: são as de situação líquida e suas variações de receitas e des-
pesas. Nessa avaliação, o titular do patrimônio, ou seja, o proprietário, é a pessoa com 
quem os agentes consignatários e os correspondentes se relacionam;
 • contas dos agentes consignatários: são as que representam os bens no ativo, isto 
é, as pessoas a quem o proprietário confia a guarda dos bens. Essas contas são de 
natureza devedora uma vez que representam o débito que essas pessoas possuem 
com o proprietário;
 • contas dos correspondentes: representam os direitos, no ativo, e as obrigações, no 
passivo exigível. São consideradas as pessoas de fora da empresa com as quais o pro-
prietário mantém relacionamentos de débitos (dívidas) e créditos (direitos). 
Figura 1 – Pessoas
Fonte: EM Karuna/Shutterstock.com 
EXEMPLO
Nas Contas Correspondentes, uma duplicata a pagar representa uma dívida que o 
proprietáriotem com alguém; por outro lado, uma duplicata a receber representa 
um direito que o proprietário possui em relação a outra pessoa. Assim, a cada débi-
to do proprietário corresponde um crédito dos agentes correspondentes e vice-ver-
sa. (FERREIRA, 2015) 
A Teoria Personalística foi desenvolvida numa época em que o objeto da Contabilidade era 
o proprietário e não o patrimônio, com isso o foco principal era ele e o seu relacionamento com 
as pessoas em sua volta (consignatários e correspondentes). De acordo com Ribeiro (2010), os 
defensores dessas ideias eram Francesco Marchi e Giuseppe Cerboni, no século XV, na Itália. 
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 84 – 
2 Teoria Materialística
O fundamento dessa teoria está baseado no aspecto de que as contas não representam 
direitos ou obrigações das pessoas, mas apenas a movimentação de valores ativos e passivos. 
Representam as relações materiais. Dito de outra maneira, são apenas valores positivos (ativo) ou 
negativos (passivo) do patrimônio. (FERREIRA, 2015). 
São divididas em dois grupos: 
 • contas integrais (ativo e passivo exigível), as quais, segundo Ferreira (2015, p. 103), 
“representam o patrimônio da empresa e podem ser positivos (bens e direitos) ou nega-
tivos (obrigações)”;
Figura 2 – Contas Integrais: Bens
Fonte: Photowind/Shutterstock.com 
 • contas diferenciais (situação líquida, receitas e despesas), de acordo com Viceconti 
(2014), identificam as modificações ocorridas na situação líquida patrimonial e somente 
elas podem aumentar ou diminuir a situação líquida da empresa, como é o caso das 
contas de receitas (aumentam a situação líquida) e as despesas (diminuem a situação 
patrimonial líquida). 
FIQUE ATENTO!
O Patrimônio é constituído pelas contas integrais, também chamadas de materiais 
por Viceconti, que representam os Bens, os Direitos e as Obrigações. As contas do 
patrimônio líquido representam a diferença entre os Bens e Direitos e as Obrigações 
e, por isso, são contas diferenciais. (VICECONTI, 2013).
Essa teoria também foi desenvolvida na Itália, por volta do século XV, e o seu expoente foi 
Fabio Besta. (RIBEIRO, 2010) 
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 85 – 
3 Teoria Patrimonialista
Essa teoria tem como princípio o patrimônio como objeto a ser administrado e, dessa forma, 
separa as contas que representam a situação estática da empresa (Ativo = Passivo Exigível + 
Patrimônio Líquido) das contas que configuram uma situação dinâmica, isto é, as receitas e des-
pesas. (VICECONTI, 2013) 
Sua origem também é na Itália, no século XV, e foi idealizada por Vincenzo Masi (RIBEIRO, 
2010). Ela, inclusive, serve de base para a Contabilidade atual, sendo adotada pela Lei das Socie-
dades por Ações (Lei nº 6.404, de 15 dez. 1976). 
Essa teoria divide as contas em dois grupos:
 • contas patrimoniais (ativo, passivo e situação líquida);
 • contas de resultado (receitas e despesas).
Se a situação líquida é positiva, é denominada de Patrimônio Líquido. O Passivo é apenas o 
conjunto de obrigações com terceiros. Essa posição contraria o entendimento dos contabilistas 
que dividem o Passivo Total em passivo exigível (que são as obrigações com terceiros) e passivo 
não exigível (que é a situação líquida). (FERREIRA, 2015) 
Figura 3 – Teoria Patrimonialista: Patrimônio
Fonte: Peresanz/Shutterstock.com 
FIQUE ATENTO!
Conforme a Teoria Materialista, as contas traduzem a movimentação de valores ati-
vos e passivos. São valores positivos ou negativos do Patrimônio. (FERREIRA, 2015).
Apesar da predominância da Teoria Materialista na Contabilidade moderna, existe uma mis-
tura de diversas teorias das contas, tanto é que a própria Lei nº 6.404/76 (Lei das Sociedades 
Anônimas baseada nessa teoria) adota a expressão passivo exigível. (FERREIRA, 2015) 
Agora que já conhecemos as Teorias das Contas Personalística, Materialística e Patrimonia-
lística, iremos estudar na sequência a última teoria que é a Neopatrimonialista. 
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 86 – 
4 Teoria Neopatrimonialista
Criada no Brasil, na década de 1990, por Antônio Lopes de Sá (1927-2010), a Teoria Neopatri-
monialista tem forte repercussão nacional e internacional. Segundo o autor, o objetivo da teoria é o 
de atingir e dar uma função social ao conhecimento científico contábil. Ele sustenta que é preciso, 
além de observar o que aconteceu na contabilidade de uma empresa, verificar o que poderá acon-
tecer com ela, buscando avaliar as causas e efeitos dos resultados apresentados. (SÁ, 2014)). 
FIQUE ATENTO!
O Neopatrimonialismo entende que todo patrimônio é transformado, e que os sis-
temas econômicos e sociais acabam interagindo uns com os outros, além de obje-
tivar a busca constante da eficácia. Esta corrente científica estuda as riquezas das 
células sociais e suas prosperidades. (SÁ, 2014) 
A Teoria do Neopatrimonialismo está baseada em vários axiomas e teoremas que fundamen-
tam a metodologia própria e a diferenciam das demais. Dessa forma, de acordo com Sá (2014), 
a teoria entende que o capital que é empregado pelas empresas e instituições deve ser feito no 
sentido e com o objetivo de satisfazer as necessidades materiais das próprias empresas e ins-
tituições, as chamadas células sociais, para que sejam sempre eficazes e possam crescer e se 
perpetuar ao longo do tempo. Esta situação é definida pelo autor como prosperidade. A partir dela, 
construiu-se os axiomas: da movimentação e o da transformação. 
Figura 4 – Neopatrimonialismo: prosperidade
Fonte: Wk1003mike/Shutterstock.com 
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 87 – 
O axioma da movimentação admite que o capital não se move sozinho, pois depende da 
ação de forças externas. Depois de criada a necessidade, surgirão ideias para supri-la, o que gera 
mobilização e movimentação de capitais, movendo forças para que alguma decisão seja tomada, 
transformando a ideia em realidade (axioma da transformação). 
Dessa forma, o axioma da transformação não se preocupa apenas com o que aconteceu, 
mas sim porque o fato patrimonial aconteceu, pois qualquer movimento da riqueza implica em 
uma transformação, que é constante. (SÁ, 2014)
EXEMPLO
Suponha que a necessidade seja criar um meio de transporte para facilitar as pe-
quenas entregas de mercadorias aos clientes mais próximos. Assim, o adminis-
trador da empresa toma a decisão e adquire um veículo com as características 
apropriadas, na intenção de fazer as entregas de forma rápida e eficiente. Neste 
caso, com a movimentação de capitais, houve uma transformação que resolveu o 
problema e supriu a necessidade identificada. 
A teoria, ao analisar o lucro de uma empresa, não se prende ao lucro em si, mas estuda o que 
influenciou esse lucro, não só internamente, mas também as forças externas do comportamento do 
mercado, da inflação, da taxa de câmbio, dos juros bancários, conflitos sociais etc. Então, podemos 
definir a teoria Neopatrimonialista como uma corrente científica que tem por objeto o estudo do 
patrimônio dos empreendimentos humanos sob o ponto de vista da prosperidade destes. (SÁ, 2014)
SAIBA MAIS!
A Teoria Neopatrimonialista não tem o objetivo de elencar procedimentos de 
escrituração de acontecimentos contábeis que devem ser seguidos, mas sim fazer 
observações sobre os registros contábeis para analisá-los e compreender os motivos 
da geração da riqueza ou do patrimônio. Para aprofundar seu conhecimento, leia o 
artigo publicado na Revista Brasileira de Contabilidade. Acesse: <http://rbc.cfc.org.
br/index.php/rbc/article/view/961/680>.
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 88 – 
Fechamento
Concluímos esta aula relativa às Teorias das Contas. Agora, você já conhece as características de 
cada teoria, os autores que as desenvolveram e como elas influenciaram a Ciência da Contabilidade. 
Nesta aula, você teve a oportunidadede: 
 • entender o conceito da teoria Personalística, Materialística, Patrialista e Neopatrialista ;
 • conhecer as diferentes contas presentes nas teorias, como a conta do proprietário, dos 
agentes consignados entre outras;
 • compreender as diferenças existentes entre as teorias das contas. 
Referências 
BRASIL. Lei n. 6404, de 15 dezembro 1976. Dispõe sobre as Sociedades por Ações. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6404consol.htm>. Acesso em: 16 jul. 2017. 
FERREIRA, Ricardo J. Contabilidade Básica. 13. ed. Rio de Janeiro: Ferreira, 2015.
FREITAS, Aline Melo de. O neopatrimonialismo contábil como caminho competente para a cons-
trução da prosperidade social. Rev. Bras. de Contabilidade. n. 191. Disponível em: <http://rbc.cfc.
org.br/index.php/rbc/article/view/961/680>. Acesso em: 24 jul. 2017.
RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade Básica Fácil. São Paulo: Saraiva, 2010.
SÁ, Antônio Lopes de. Prática e Teoria da Contabilidade Geral. 2. ed. Curitiba: Juruá, 2014.
 _________________. Teoria Geral do Conhecimento Contábil-Lógica do Objeto Científico da Conta-
bilidade. Belo Horizonte: IPAT-UNA, 1992. 
VELTER, Francisco; MISSAGIA, Luiz Roberto. Manual de Contabilidade: teoria e mais de 650 ques-
tões. 7. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009. 
VICECONTI, Paulo & NEVES, Silvério das. Contabilidade Básica. 16. ed. São Paulo: Saraiva, 2013 
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 89 – 
Livros de registro da contabilidade
Arno Wiese
Introdução
Tendo a Contabilidade se preocupado ao longo do tempo com o controle do Patrimônio, em 
algum momento, começou a fazer os registros por escrito e, aos poucos, foi sistematizando a 
escrituração até chegar ao que hoje conhecemos como os Livros de Registro da Contabilidade. 
Assim, nesta aula, dos vários livros que podem ser adotados pelas empresas, estudaremos 
somente os mais importantes e que são obrigatórios do ponto de vista legal: Diário, Razão e Caixa. 
Assim, você conhecerá a dinâmica que envolve estes registros, as motivações legais e de interesse 
empresarial. Acompanhe! 
Objetivos de aprendizagem
Ao final desta aula, você será capaz de:
 • conhecer os diversos livros de registro da contabilidade;
 • entender a finalidade de cada livro de registro da contabilidade.
1 Livro Diário
O Livro Diário é de uso obrigatório e deve compor todos os acontecimentos que ocorrem 
numa empresa e que provocam modificações no Patrimônio Líquido, bem como aqueles que pos-
sam vir a modificar futuramente o Patrimônio. Nele, então, são lançados os registros dos fatos 
contábeis do dia a dia, com clareza e indicação do documento comprobatório que deu origem ao 
lançamento. (RIBEIRO, 2010) 
Assim, como o próprio nome sugere, o Livro Diário deve listar todos os lançamentos con-
tábeis em ordem cronológica rigorosa de acontecimento, não podendo haver inserções de 
registros posteriores e nem rasuras após o fechamento dos livros mensais. No Livro Diário não há 
necessidade de apurar os saldos das contas, seu objetivo é permitir comprovações futuras para 
necessidades fiscais e legais. (PADOVEZE, 2006). 
Cada lançamento no Livro Diário deve conter os seguintes elementos: data; conta(s) que 
recebe(m) o(s) débito(s); conta(s) que recebe(m) o(s) crédito(s); histórico (descrição mínima para 
poder identificar do que se trata efetivamente); e valor(es). (PADOVEZE, 2006).
 – 90 – 
TEMA 13
EXEMPLO
A empresa X fez a seguinte transação comercial: 
 • Venda de mercadorias à vista no valor de R$ 2.000. 
Assim, o lançamento no Livro Diário será: 
Tabela 1 – Livro Diário empresa X
Florianópolis(SC), 25 jul/X1 Débito Crédito
Caixa 2.000
a Estoques 2.000
Venda de mercadorias à vista ao cliente Y, cfe. nota fiscal n. 01
Fonte: elaborada pelo autor, 2017.
Como podemos verificar, o lançamento tem a data, a conta debitada, a conta credi-
tada, o histórico da venda realizada e o valor da transação. 
A figura a seguir exemplifica o modelo do Livro Diário, exemplificando o lançamento de algu-
mas transações. 
Tabela 2 – Modelo simplificado de Livro Diário
Número do 
evento Data Contas contábeis e histórico
Valor R$ 
Débito
Valor R$
Crédito
1 02.01.X1
Caixa a capital social
Entrada inicial de capital social em di-
nheiro, sendo R$ 100.000 do sócio A e 
R$ 100.000 do sócio B.
200.000 200.000
2 02.01.X1
Banco Y
Caixa 
Abertura conta corrente com depósito 
em dinheiro.
190.000 190.000
Fonte: adaptada de PADOVEZE, 2006.
A figura exemplifica alguns registros iniciais do Livro Diário. Veja que a escrituração é efetu-
ada começando sempre pelos lançamentos da coluna esquerda, registrando primeiro os débitos 
e depois os créditos. 
Na hipótese de escrituração por processo eletrônico são utilizadas fichas ao invés de Livros, 
e os lançamentos seriam conforme figura a seguir. 
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 91 – 
Tabela 3 – Modelo de Livro Diário – Processo Eletrônico
Código da conta Data N. documento Histórico Débito Crédito
1.3.1.1 19/07/X1 NF 01427 Pagamento Salário 2.000,00
1.1.1.2 19/07/X1 CH 456.789 Cheque Banco YY
2.000,00
Fonte: adaptado de FERREIRA, 2015.
Nestes casos, o que muda é a configuração do modelo, mas o conceito de registro é o 
mesmo, ou seja, com informações da data, das contas a serem debitadas e creditadas, o número 
do documento que originou o lançamento, o histórico e o valor. 
SAIBA MAIS!
Os ensinamentos contábeis estão presos a uma didática construída e estruturada 
em meados do século passado. Por esse motivo, a terminologia, muitas vezes, 
parece inadequada aos dias de hoje. O termo escrituração, por exemplo, remete ao 
tempo em que os registros eram feitos em um livro. No entanto, hoje, as técnicas 
e instrumentos tecnológicos mais avançados, permitem que o contador realize o 
controle e registro em computadores e softwares; ainda assim, muitas vezes, a 
terminologia permanece a mesma. (PADOVEZE, 2016).
2 Livro Razão
O termo “razão” tem origem no latim “rationis”, cujo significado é cálculo, conta, registro. Na Con-
tabilidade, segundo Padoveze (2006), razão é informação a respeito de algo, e que pretende designar 
o controle em cada conta contábil. Assim, o Livro Razão é “de grande utilidade para a Contabilidade 
porque nele é registrado o movimento individualizado de todas as contas” (RIBEIRO, 2010, p. 83). 
É no Livro Razão que escrituramos cada partida de cada transação nas respectivas contas 
representativas dos elementos patrimoniais que foram alterados pelo evento econômico em 
questão. Ou seja, nesse livro, temos o detalhamento por conta, e não por data. Chama-se partida, 
pois é originário do método das partidas dobradas, ou seja, a cada débito corresponde um crédito. 
FIQUE ATENTO!
O Livro Razão é diferente do Diário, uma vez que, enquanto o segundo nos dá a ordem 
cronológica dos fatos, o primeiro demonstra o lançamento de todas as partidas.
Assim, é por meio do Livro Razão que apuramos o saldo de cada conta. Veja no exemplo da 
figura a seguir, que segue a tendência atual, ou seja, a sistemática utilizada nos computadores 
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 92 – 
(fichas), substituindo as folhas do livro, sendo que cada conta possui uma ficha para registrar a 
movimentação e o saldo. (PADOVEZE, 2016).
Tabela 4 – Conta: Caixa
Data Contrapartida Histórico Débito Crédito Saldo D/C
01/02/X1 Capital Integralização Capital 1.000,00 1.000,00 D
05/02/X1 Mercadorias Compra à vista 300,00 700,00 D
Fonte: adaptado de FERREIRA, 2015.
Podemos verificar que a conta caixa foi debitada em R$ 1.000 pela integralização de capital 
social e, posteriormente, creditada em R$ 300 pela compra à vista de mercadorias, permanecendo 
um saldo devedor de R$ 700. As contas de contrapartida são as de capital social e mercadorias, o 
que fica demonstrado nas figuras aseguir.
Tabela 5 – Conta: Capital Social
Data Contrapartida Histórico Débito Crédito Saldo D/C
01/02/X1 Caixa Integralização do Capital 1.000,00 1.000,00 C
Fonte: adaptado de FERREIRA, 2015.
Tabela 6 – Conta: Mercadorias
Data Contrapartida Histórico Débito Crédito Saldo D/C
05/02/X1 Caixa Compra à vista de mercadorias 300,00 300,00 D
Fonte: adaptado de FERREIRA, 2015.
As figuras exemplificam o procedimento de escrituração dos lançamentos do capital inicial 
(social) e da compra de mercadorias à vista, e a maneira como afetaram as respectivas contas 
(caixa; capital social e mercadorias - estoques), sua situação original e o saldo de cada conta após 
os lançamentos efetuados. Dessa maneira, todos os fatos contábeis são registrados diariamente 
no Livro Razão, que é de uso obrigatório para fins do Imposto de Renda. 
FIQUE ATENTO!
Podemos pensar que o Livro Diário é a memória da empresa, ou seja, o registro dos 
acontecimentos em ordem cronológica. Já o livro razão é a memória de cada conta, 
como se cada conta possuísse um livro diário dentro dela. Assim, todos os lança-
mentos contábeis devem ser realizados em ambos os livros de maneira simultânea.
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 93 – 
SAIBA MAIS!
Para aprofundar seus conhecimentos, leia:
 • o artigo 14 da Lei n. 8218/1991, que trata da obrigatoriedade do uso do Livro Razão 
pelas empresas - <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8218.htm>;
 • o artigo 1.180 do Código Civil Brasileiro (Lei 10.406/2002) e o Decreto-lei 486/1969, artigo 
5º, que trata do uso do Livro Diário - <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/
L10406.htm>; <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del0486.htm>.
3 Livro Caixa 
Embora seja bastante importante, o Livro Caixa não é obrigatório para todos os tipos de 
empresas, por isso é considerado um livro auxiliar, no qual são registrados todos os valores de 
movimentação diária em espécie, isto é, que envolvam entradas e saídas de dinheiro. 
EXEMPLO
Conheça um modelo de movimentação por Livro Caixa:
Figura 1 – movimento de Caixa
_________ de __________ de 20___ n. 
Doc. No. Histórico Entradas Saídas 
 
 
 
 
A transportar Totais do dia R$ ------------------------------------------------------
 
 Saldo anterior R$ ---------------------------
 
 Saldo atual R$ ---------------------------- 
Caixa: 
Visto: -------------------------- 
Fonte: adaptada de RIBEIRO, 2010.
Têm a obrigatoriedade de usar o Livro Caixa: as microempresas e empresas de pequeno 
porte, optantes pelo Simples (parágrafo 2º. do artigo 26 da Lei Complementar n. 123/2006), e, 
ainda, para as empresas que optaram pela tributação do Imposto de Renda com base no lucro 
presumido, desde que optem também pela não manutenção de escrita contábil para fins de reco-
lhimento do Imposto de Renda. (RIBEIRO, 2010). 
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 94 – 
FIQUE ATENTO!
Para aprofundar seus conhecimentos acerca do Simples Nacional e da tributação 
sobre o lucro presumido, acesse: <http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/
artigos/simulador-simples-ou-lucro-presumido-qual-o-melhor-para-sua-empresa,-
d4a81e0933e5a410VgnVCM2000003c74010aRCRD>.
Assim, o Livro Caixa é utilizado para controlar as entras e saídas de dinheiro cujos registros 
ocorrem diariamente na medida em que a empresa recebe ou paga alguma conta em espécie. 
Fechamento
Nesta aula, você teve a oportunidade de: 
 • entender que a Contabilidade faz uso de diferentes livros para registros;
 • reconhecer as especificidades do Livro Diário; Livro Razão e Livro Caixa;
 • aprender como se faz os registros em cada um dos livros. 
Referências
BRASIL. Decreto Lei n. 486, 03 março 1969. Dispõe sobre escrituração de livros mercantis e dá 
outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del0486.
htm>. Acesso em 19 jul. 2017
_______. Lei n. 8218, 29 agosto 1991. Dispõe sobre Impostos e Contribuições Federais, Disciplina a 
Utilização de Cruzados Novos, e dá outras Providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.
br/ccivil_03/leis/L8218.htm>. Acesso em: 19 jul. 2017.
_______. Lei n. 10406, de 10 janeiro 2002. Institui o Código Civil. Disponível em: <http://www.pla-
nalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.htm>. Acesso em: 19 jul 2017.
_______. Lei Complementar n.123, 14 dezembro 2006. Institui o Estatuto Nacional da Microempresa 
e da Empresa de Pequeno Porte. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/LCP/
Lcp123.htm>. Acesso em 19 jul 2017.
FERREIRA, Ricardo J. Contabilidade Básica. 13. ed. Rio de Janeiro: Ferreira, 2015.
PADOVEZE, Clóvis Luis. Manual de Contabilidade Básica. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2016.
____________________. Introdução à Contabilidade. São Paulo: Thompson, 2006. 
RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade Básica Fácil. 27. ed. São Paulo: Saraiva, 2010. 
SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS – SEBRAE. Simulador 
Simples ou Lucro Presumido: qual o melhor para sua empresa? s.d. Disponível em: <http://www.
sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/simulador-simples-ou-lucro-presumido-qual-o-melhor-
-para-sua-empresa,d4a81e0933e5a410VgnVCM2000003c74010aRCRD>. Acesso em: 25 jul. 2017
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 95 – 
Métodos de Escrituração e Lançamentos
Arno Wiese
Introdução
Você sabia que para fazer os registros de suas transações, as empresas utilizam métodos 
contábeis que foram criados e aperfeiçoados ao longo do tempo? Nesta aula, entenderemos o que 
significam estes lançamentos, conhecendo suas especificidades. Acompanhe! 
Objetivos de aprendizagem
Ao final desta aula, você será capaz de:
 • entender o que significa o Lançamento Contábil;
 • conhecer os métodos de Escrituração Contábil, especialmente o método das partidas 
dobradas.
1 Lançamentos contábeis 
Na Contabilidade há o Lançamento Contábil e a Escrituração. Os dois procedimentos são pare-
cidos, porém, o Lançamento Contábil obedece um passo a passo para que seja registrado na forma, 
ordem, livros e contas corretos; e a Escrituração é a soma de todos os lançamentos, que resultarão 
nos livros preenchidos da forma correta, como a legislação prevê. Assim, de acordo com Ribeiro 
(2010, p. 87) podemos afirmar que “lançamento é o meio pelo qual se processa a Escrituração”. 
FIQUE ATENTO!
Todo lançamento deve estar baseado em um documento confiável que deu origem 
a ele. Como a nota fiscal de venda de um produto, por exemplo. 
Todo Lançamento Contábil deve ter um documento idôneo e hábil que o tenha originado, 
tanto para fins fiscais quanto para o interesse comercial ou patrimonial da própria empresa. Além 
disso, devem constar os elementos intrínsecos (ou elementos essenciais), definidos pela Ciência 
Contábil e pela legislação pertinente, que são, pela ordem: data; conta que recebe o débito; conta 
que recebe o crédito; histórico; e valor. É dessa forma que o lançamento deve ser apresentado no 
Livro Diário. (PADOVEZE, 2016). 
 – 96 – 
TEMA 14
Conforme orientação de Ribeiro (2010), para fazer um lançamento é preciso seguir os seguin-
tes passos:
 • verificar o local e a data da ocorrência do fato;
 • averiguar se o documento é hábil para o registro;
 • identificar os elementos envolvidos com o fato;
 • analisar quais contas serão utilizadas para fazer o registro (no mínimo duas, uma a 
débito e outra a crédito), se do Ativo ou Passivo ou Receita ou Despesa (analisar no 
Plano de Contas);
 • preparar o histórico do lançamento de acordo com o fato; 
 • identificar concretamente quais as contas a serem utilizadas;
 • efetuar o lançamento. 
FIQUE ATENTO!
Um mesmo lançamento poderá conter mais de uma conta debitadae uma conta 
creditada. (RIBEIRO, 2010) 
Para entender os passos listados, considere a seguinte situação: uma empresa compra à 
vista uma mesa de madeira da marca Y para o escritório, conforme nota fiscal n. X1, adquirida na 
loja Beta, no valor de R$ 2.000. O registro que deve ser efetuado no Livro Diário (manual) é apre-
sentado na tabela a seguir. 
Tabela 1 – Registro no Livro Diário
Local e Data Florianópolis (SC), Z.Z.2 Débito Crédito
Conta debitada Móveis e utensílios R$ 2.000
Conta creditada a Caixa R$ 2.000
Histórico
Compra de uma 
mesa de madeira, 
marca Y, conforme 
nota fiscal n. X1, da 
Loja Beta
Fonte: elaborada pelo autor, 2017.
Atualmente, as empresas estão automatizadas e utilizam softwares específicos para os 
registros, no entanto, os critérios continuam os mesmos, recomendados e exigidos por lei.
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 97 – 
Ao realizar os lançamentos na Escrituração das transações contábeis, é necessário atentar 
para as variações das contas do Ativo e Passivo, que são contas patrimoniais, e de Resultados, que 
são as contas de receitas e despesas. No que diz respeito aos elementos de Resultado, as contas 
de despesas somente serão creditadas para fazer um estorno ou no momento do encerramento 
do exercício. Assim como as contas de Receitas, que somente serão debitadas para estorno ou 
encerramento de exercício. Lembre-se de que o lançamento de estorno é realizado para corrigir um 
lançamento inicial feito de forma errada, seja por equívoco ou falha de interpretação. (RIBEIRO, 2010) 
Para facilitar seu estudo, observe o quadro a seguir.
Figura 1 – Quadro Auxiliar de Escrituração
I. Para elementos Patrimoniais
a) Toda vez que aumentar o Ativo, DEBITAR a respectiva conta.
b) Toda vez que diminuir o Ativo, CREDITAR a respectiva conta.
c) Toda vez que aumentar o Passivo, CREDITAR a respectiva conta.
d) Toda vez que diminuir o Passivo, DEBITAR a respectiva conta
II. Para os elementos de Resultado
e) Toda vez que ocorrer uma Despesa, DEBITAR a respectiva conta.
f) Toda vez que ocorrer uma Receita, CREDITAR a respectiva conta.
Fonte: adaptado de RIBEIRO, 2010.
Na escrituração há métodos (técnicas) utilizados para os registros dos fatos contábeis de 
uma organização (FERREIRA, 2015). Em outras palavras, existe um meio (método) para se chegar 
ao fim (o controle do patrimônio por meio dos registros contábeis). Existem dois métodos: o das 
partidas simples e o das partidas dobradas, conforme veremos a seguir.
SAIBA MAIS!
Antes, os lançamentos no Livro Diário eram feitos apenas pela ordem das contas 
no lançamento, sendo que a primeira conta era a debitada e a segunda a creditada. 
Não havia colunas para o débito e crédito, e o valor, o histórico e a data serviam para 
ambas as contas. No decorrer do tempo, a complexidade das empresas foi aumen-
tando, apresentando muitos lançamentos que afetavam mais de uma conta, o que 
fez com que os contadores convencionassem colocar a letra “a” antes das contas 
creditadas, com o objetivo de facilitar consultas no futuro. (PADOVEZE, 2016). 
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 98 – 
2 Método das Partidas Simples
O método das Partidas Simples foi elaborado no tempo em que ainda não existia o conceito 
do Patrimônio Líquido. Nessa época, as receitas e despesas não se relacionavam com contas 
patrimoniais, uma vez que o patrimônio ainda não era o objeto de estudo. Assim, neste método, o 
lançamento ocorre em uma única conta, apenas. (PADOVEZE, 2016)
EXEMPLO
A empresa X paga o fornecedor Y pela compra de mercadorias de valor Z. O lançamen-
to dessa compra é dado unicamente na conta caixa, a qual registra a saída de dinheiro. 
Observe que nesse método não se faz a contrapartida em uma conta “mercadorias 
em estoque”.
Veja que este método é incompleto, pois não permite que se faça o controle do Patrimônio, 
que é o objetivo da Contabilidade atual. Eventualmente, as entidades que ainda utilizam desse 
método são àquelas que não visam lucro. (RIBEIRO, 2010).
Figura 2 – Inventário: contagem de bens
Fonte: Marcin Balcerzak/Shutterstock.com
No método das Partidas Simples não existem contas para o controle dos bens. Assim, na 
hipótese de haver interesse em controlar o Patrimônio, só será possível ao final de um exercício, 
por meio de um inventário, ou seja, haverá a necessidade de contar e avaliar os bens e compará-los 
com o período anterior, para averiguar se houve evolução favorável ou não. (FERREIRA, 2015). 
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 99 – 
3 Método das Partidas Dobradas
A criação do método das Partidas Dobradas até hoje é desconhecida. Há notícias de que 
em 1340, em Gênova, na Itália o método já era utilizado. No entanto, a primeira obra que tratou do 
tema foi a Tractatus Particularis de Computis et Scripturis, de 1494, escrita pelo frade italiano Luca 
Pacioli. (FERREIRA, 2015). 
Neste método, que atualmente é de uso universal, a escrituração é feita em duas contas, no 
mínimo, de débitos ou créditos. Segundo Padoveze (2016, p. 89), “a finalidade de se lançar em dois 
lugares é manter a equação de trabalho ou de equilíbrio patrimonial em situação de igualdade”. 
Em consequência do uso do método de Partidas Dobradas, segundo Ferreira (2015, p. 111), 
podemos afirmar que: “A) O valor total dos débitos é sempre igual ao valor total dos créditos; B) 
O valor total dos saldos devedores é sempre igual ao valor total dos saldos credores; C) O ativo 
total (devedor) é sempre igual ao passivo total (passivo exigível + patrimônio líquido) e que é de 
natureza credora.” 
Deste modo, neste método, segundo Padoveze (2016, p.90) “A todo débito corresponde cré-
dito de igual valor; ou, a todo crédito corresponde débito de igual valor”. E, ainda, “a todo débito de 
uma pessoa corresponde crédito de outra por igual valor” (FERREIRA, 2015, p. 111).
EXEMPLO
Em uma empresa recentemente constituída, os sócios querem pôr o total de 
R$ 100 mil de capital em dinheiro. Lembre-se de que esse é um lançamento em 
contas patrimoniais. Assim, temos que trabalhar com a conta caixa e com a conta 
capital social. Lembre-se também de que no lado dos Ativos temos as aplicações 
de dinheiro e, no lado do Passivo, temos a origem do dinheiro. Sendo assim, fica fá-
cil visualizar que a conta capital social é uma conta do Passivo e que a conta caixa 
é uma conta do Ativo. Com isso, pela escrituração, por meio do método de Parti-
das Dobradas, devemos fazer o débito de R$ 100 mil na conta caixa e o crédito de 
R$ 100 mil na conta capital social. 
FIQUE ATENTO!
No método das Partidas Dobradas, para cada débito existe um ou mais créditos de 
igual valor. Podemos dizer, então, que não existe credor sem que haja um devedor e 
o inverso também é verdadeiro. (RIBEIRO, 2010). 
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 100 – 
Figura 3 – Igualdade (Partidas Dobradas)
Fonte: Dim Dimich/Shutterstock.com
O método das Partidas Dobradas é o instrumento ideal para o controle do Patrimônio e suas 
variações, que é o objetivo atual da Contabilidade. Por isso, é utilizado, atualmente, em pratica-
mente todas as entidades, permitindo o controle efetivo de todas as contas, patrimoniais ou de 
resultado, podendo demonstrar isso a qualquer momento desejado.
SAIBA MAIS!
Veja no site do Conselho Regional de Contabilidade do Paraná, o artigo “A importân-
cia e obrigatoriedade da escrituração contábil perante a legislação comercial, fiscal 
e profissional. Acesse: <http://www.crcpr.org.br/new/content/publicacao/revista/
revista134/escrituracao.htm>. 
Fechamento
Concluímos a aula relativa aos métodos de escrituração e lançamentos. Agora, você já 
conhece quais são os métodos e suas particularidades e como devem ser feitos os lançamentos 
das transações contábeis. 
Nesta aula, você teve a oportunidade de:
 • entender o que são os Lançamentos Contábeis;• conhecer os métodos de Escrituração;
 • compreender as especificidades do método das Partidas Simples e o das Partidas 
Dobradas. 
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 101 – 
Referências 
FERREIRA, Ricardo J. Contabilidade Básica. 13. ed. Rio de Janeiro: Ferreira, 2015. 
LEMBI, Claudenir Tarifa; Reis, Luciano Gomes dos. A importância da escrituração contábil perante 
a legislação comercial. Disponível em: <http://www.crcpr.org.br/new/content/publicacao/revista/
revista134/escrituracao.htm>. Acesso em: 31 jul 2017. 
PADOVEZE, Clóvis Luis. Manual de Contabilidade Básica. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2016.
RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade Básica Fácil. 27. ed. São Paulo: Saraiva, 2010. Portal. 
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 102 – 
Atos e fatos administrativos
Arno Wiese
Introdução
Você entende que os seres humanos têm a capacidade de agir, tomar atitudes e, em decor-
rência disso, construir fatos, certo? O mesmo acontece nas empresas, uma vez que os seus admi-
nistradores e funcionários praticam atos e acontecem fatos. 
Esta prática, na Contabilidade, é chamada de Atos e Fatos Administrativos. Assim, nesta aula, 
você conhecerá a dinâmica que envolve esses conceitos para fins contábeis.
Objetivos de aprendizagem 
Ao final desta aula, você será capaz de:
 • compreender o que são Atos e Fatos Administrativos;
 • entender como os Atos e Fatos Administrativos afetam a Contabilidade de uma 
Organização. 
1 Atos Administrativos e Fatos Administrativos
No dia a dia das empresas ocorrem episódios importantes e banais. Decisões são tomadas, 
há produção, venda, contratação e dispensa de colaboradores, ou seja, uma série de Atos e Fatos 
Administrativos. Mas qual a diferença destes dois conceitos? 
Atos administrativos são os acontecimentos que não provocam alterações no Patrimônio 
ou no Resultado. Por este motivo eles não são de interesse da Contabilidade, uma vez que não 
influenciam nas análises contábeis da empresa. (RIBEIRO, 2010; VICECONTI, 2013) 
EXEMPLO
A ação (em si) de contratar um funcionário, redigir um documento, atender um te-
lefonema é, em princípio, um ato administrativo, pois não afeta de imediato o patri-
mônio da empresa. 
Já o Fato Administrativo é um conceito que interessa muito à Contabilidade, pois afeta ou 
pode afetar o Patrimônio ou o Resultado da empresa. De acordo com Ribeiro (2010, p. 67), “Os 
Fatos Administrativos são os acontecimentos que provocam variações nos valores patrimoniais, 
podendo ou não alterar o Patrimônio Líquido”.
 – 103 – 
TEMA 15
Figura 1 – Patrimônio
Fonte: alexmillos/Shutterstock.com
Os administradores de uma empresa atuam em nome da sociedade e executam uma série de 
negócios envolvendo a pessoa jurídica. Quando esses negócios afetam o Patrimônio da empresa 
recebem o nome de Fatos Administrativos, que podem ser classificados em três grupos: Permu-
tativos, Modificativos e Mistos. (RIBEIRO, 2010)
EXEMPLO
São exemplos de Fatos Administrativos: as compras de mercadorias à vista ou a 
prazo, vendas de produtos, aquisições do imobilizado; pagamentos e recebimentos 
de toda ordem etc. 
1.1 Fatos Administrativos Permutativos
Os Fatos Administrativos Permutativos, também conhecidos como fatos qualitativos ou, 
ainda, compensativos, são aqueles que não modificam o valor do Patrimônio Líquido, mas provo-
cam modificações entre as contas do Ativo ou do Passivo, ou em ambas, ao mesmo tempo, (sem 
alterar a riqueza da empresa). (RIBEIRO, 2010; VICECONTI, 2013)
Por exemplo, o pagamento de uma compra de mercadorias, que estava registrada no Passivo 
como duplicatas a pagar. No momento do pagamento, deslocam-se recursos do caixa ou bancos 
conta movimento (Ativo) para pagar a obrigação (Passivo). Este fato, modifica os valores das con-
tas envolvidas, mas não afeta o valor do Patrimônio Líquido.
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 104 – 
FIQUE ATENTO!
Fato Administrativo é a mesma coisa que fato contábil? Ferreira (2015) diz que todo 
fato administrativo é um fato contábil, porém nem todo fato contábil é um fato 
administrativo, citando como exemplo um incêndio que provoca a perda repentina 
de mercadorias, o que reduz o patrimônio. Esse fato não é decorrente da gestão, 
mas produz variação patrimonial negativa, logo é um Fato Contábil, porém não é 
um Fato Administrativo. 
1.2 Fatos Administrativos Modificativos
Os Fatos Administrativos Modificativos, também conhecidos por fatos quantitativos, são aque-
les que provocam alterações no Patrimônio Líquido (RIBEIRO, 2010). Dessa forma, eles envolvem as 
contas de resultado (receitas e despesas) e alteram o Patrimônio Líquido, para mais (chamados de 
Aumentativos) ou para menos (Diminutivos), provocando aumento ou redução de valor idêntico no 
Passivo Exigível ou no Ativo (VICECONTI, 2013). 
São exemplos de Fatos Modificativos: aluguéis ativos; receitas de vendas; receitas de juros 
recebidos, despesas de salários, despesas financeiras etc. 
FIQUE ATENTO!
Os Fatos Administrativos Modificativos afetam apenas as contas de resultados e, 
consequentemente, alteram o valor do Patrimônio Líquido. 
A figura a seguir, apresenta os dados contábeis iniciais da empresa X. Acompanhe!
Tabela 1 – Balanço Patrimonial Empresa X
ATIVO PASSIVO
Bens R$ Obrigações R$
Caixa 10.000 Contas a pagar 3.000
Bancos 10.000 Empréstimos 7.000
Móveis 15.000 Patrimônio Líquido
Capital 20.000
Lucros acumulados 5.000
Total 35.000 Total 35.000
Fonte: elaborada pelo autor, 2017.
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 105 – 
Suponha que a empresa X teve as seguintes despesas: salários: R$ 3.000 (pagos com cheque 
da empresa); juros de empréstimos: R$ 2.000 (debitados em conta); recebeu aluguéis: R$ 1.000 
(em dinheiro). Assim, a tabela do novo Balanço patrimonial é apresentada na figura a seguir.
Tabela 2 – Novo Balanço Patrimonial Empresa X
ATIVO PASSIVO
Bens R$ Obrigações R$
Caixa 11.000 Contas a pagar 3.000
Bancos 5.000 Empréstimos 7.000
Móveis 15.000 Patrimônio Líquido
Capital 20.000
Lucros acumulados 1.000
Total 31.000 Total 31.000
Fonte: elaborada pelo autor, 2017.
Note que houve uma redução no total do Ativo em R$ 4.000 (a conta caixa aumentou em R$ 
1.000 e bancos diminuiu em R$ 5.000) e também no Passivo, no mesmo valor. Na verdade, como 
ocorreram transações com receitas e despesas, o valor do Patrimônio Líquido foi afetado na conta 
lucros acumulados, que diminuiu em R$ 4.000 (R$ 5.000 despesas - R$ 1.000 receitas), gerando, 
portanto, um Fato Administrativo Modificativo (que diminuiu o valor do Patrimônio Líquido). 
SAIBA MAIS!
Os itens mais importantes, que com frequência devem ser acompanhados pelas 
empresas, são as compras, as vendas, as receitas e as despesas. Esses itens têm 
a capacidade de afetar significativamente os resultados e, consequentemente, o 
aumento ou diminuição do Patrimônio Líquido. Neste sentido, o portal do SEBRAE 
mostra informações de interesse dos empresários. Acesse: <http://www.sebrae.
com.br/sites/PortalSebrae/artigos/oito-dicas-para-a-organizacao-contabil-da-sua-
empresa,5cac438af1c92410VgnVCM100000b272010aRCRD>.
1.3 Fatos Administrativos Mistos
Os Fatos Administrativos Mistos são os que afetam de maneira simultânea as contas patri-
moniais e de resultados, ou seja, misturam Fatos Permutativos e Fatos Modificativos, podendo, 
portanto, “acarretar alterações no Ativo e no Patrimônio Líquido, ou no Passivo e no Patrimônio 
Líquido, ou no Ativo, no Passivo e no Patrimônio Líquido simultaneamente” (RIBEIRO, 2010, p. 73).
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 106 – 
Assim, os Fatos Administrativos Mistos Aumentativos combinam a movimentação de con-
tas patrimoniais com contas de resultado, que aumentam o valor do Patrimônio Líquido, oriundo 
de receitas. Os Fatos Administrativos Mistos Diminutivos combinam a movimentaçãode contas 
patrimoniais com contas de resultado, que diminuem o valor do Patrimônio Líquido, oriundo das 
despesas. (VICECONTI, 2013). 
FIQUE ATENTO!
Os Fatos Administrativos Mistos envolvem mais de uma conta Patrimonial e uma 
ou mais contas de Resultados ou do próprio Patrimônio Líquido.
Voltando ao exemplo da empresa X, considere que ela tenha tomado as seguintes decisões, 
que correspondem a Fatos Administrativos Mistos: 
 • vendeu parte de seus móveis, no valor de R$ 3.000 (à vista em dinheiro), porque já esta-
vam obsoletos. Porém, estes móveis estavam registrados na contabilidade com o valor 
residual de R$ 3.500;
 • pagou com cheque uma duplicata de R$ 500. Porém, como estava vencida, pagou mais 
R$ 10 de juros por atraso, portanto, pagou R$ 510. 
Vajamos na figura a seguir como ficou a situação contábil da empresa.
Tabela 3 – Balanço Patrimonial Empresa X
ATIVO PASSIVO
Bens R$ Obrigações R$
Caixa 14.000 Contas a pagar 2.500
Bancos 4.490 Empréstimos 7.000
Móveis 11.500 Patrimônio Líquido
Capital 20.000
Lucros acumulados 490
Total 29.990 Total 29.990
Fonte: elaborada pelo autor, 2017.
Observe que ocorreu uma modificação em alguns saldos das contas do Ativo e do Passivo. 
A conta caixa aumentou em R$ 3.000, por conta da venda à vista dos móveis. A conta bancos 
diminuiu em R$ 510, por conta do pagamento da duplicata com juros de atraso. A conta móveis 
diminuiu em R$ 3.500, por conta da venda por R$ 3.000 (que estava contabilizado por R$ 3.500). 
No Passivo, a contas a pagar diminuiu em R$ 500, pelo pagamento de um título no valor de R$ 
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 107 – 
510,00 (que estava registrado na contabilidade por R$ 500). A conta lucros acumulados diminuiu 
em R$ 510,00, porque a empresa teve prejuízo de R$ 500 na venda do móvel e pagou R$ 10 de 
juros pelo pagamento em atraso da duplicata. Estes valores afetaram o Patrimônio Líquido de 
forma negativa em R$ 510. Neste caso, houve um Fato Administrativo Misto que afetou (diminuiu) 
o valor do Patrimônio Líquido e o total do Ativo e do Passivo Exigível. 
SAIBA MAIS!
Na obra Manual de Contabilidade Básica, de Clóvis Luis Padoveze, há interessante 
referência aos Fatos Permutativos e Modificativos, com vários exemplos de 
quantificação de ganhos e perdas e os respectivos demonstrativos. 
Fechamento
Nesta aula, você teve a oportunidade de: 
 • conhecer e diferenciar os Atos e Fatos Administrativos;;
 • entender as especificidades dos Fatos Administrativos Permutativos, Fatos Administra-
tivos Modificativos e Fatos Administrativos Mistos. 
Referências
FERREIRA, Ricardo J. Contabilidade Básica. 13. ed. Rio de Janeiro: Ferreira, 2015.
PADOVEZE, Clóvis Luis. Manual de Contabilidade Básica. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2106.
RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade Básica Fácil. 27. ed. São Paulo: Saraiva, 2010.
VICECONTI, Paulo & NEVES, Silvério das. Contabilidade Básica. 16. ed. São Paulo: Saraiva, 2013.
SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS - SEBRAE. Oito dicas para a 
organização contábil da sua empresa. 2015. Disponível em: <http://www.sebrae.com.br/sites/Por-
talSebrae/artigos/oito-dicas-para-a-organizacao-contabil-da-sua-empresa,5cac438af1c92410Vg-
nVCM100000b272010aRCRD>. Acesso em: 24 jul 2017.
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 108 – 
Escrituração contábil
Arno Wiese
Introdução
Provavelmente você já ouviu falar, ou até mesmo já sabe, que toda empresa precisa controlar 
suas atividades, ou seja, fazer registros em sua Contabilidade daquilo que acontece no dia a dia de 
seus negócios. Esse controle é realizado através da Escrituração Contábil. A partir de agora você 
conhecerá um pouco da dinâmica que envolve esse processo e suas consequências. 
Objetivos de aprendizagem
Ao finalizar esta aula, você será capaz de:
 • compreender o conceito de escrituração contábil;
 • compreender o que são os lançamentos contábeis no livro diário, suas funções e ele-
mentos essenciais. 
1 Conceito
A escrituração contábil é a soma de todos os lançamentos que são registrados adequada-
mente nos livros contábeis (Diário, Razão, Caixa etc.). Para Ribeiro (2010, p. 78), ela “consiste em 
registrar (...) todos os acontecimentos que ocorrem na empresa e que modifiquem ou possam vir 
a modificar a situação patrimonial”. 
Por meio destes acontecimentos, ou seja, dos Fatos Administrativos, ocorre a gestão do 
Patrimônio das empresas, registrados pelos lançamentos, resultando no processo de escritura-
ção, com base no método de Partidas Dobradas. (RIBEIRO, 2010; FERREIRA, 2015)
EXEMPLO
Uma empresa vende mercadorias aos seus clientes, tal ação caracteriza um Fato 
Contábil, que deve ser obrigatoriamente registrado nos livros contábeis, mediante 
lançamentos. 
Todas as empresas são obrigadas a realizar a escrituração contábil, exceto o microempre-
sário individual (MEI) - pessoa física que trabalha por conta própria, no entanto se legaliza como 
empresário. 
 – 109 – 
TEMA 16
SAIBA MAIS!
A escrituração contábil é uma obrigação estabelecida no artigo 1.179 do Código 
Civil Brasileiro (Lei n. 10.406/2002, de 10 de janeiro de 2002). Acesse: <http://www.
planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10406.htm>.
O contador deve obedecer às formalidades da escrituração contábil, as quais se encontram 
designadas no Decreto-lei n. 486/1969. Além disso, o Conselho Federal de Contabilidade fornece 
ao contador e a qualquer pessoa interessada as Normas Brasileiras de Contabilidade, as quais 
também devem ser seguidas. Elas são chamadas de NBC T (técnica).
As microempresas e as empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional, segundo 
Ribeiro (2010), opcionalmente poderão adotar uma contabilidade mais simplificada. A NBC T 2 nos 
informa quais são os requisitos mínimos de escrituração a serem observados para cada tipo de 
empresa e também todas as formalidades relativas à escrituração contábil. 
SAIBA MAIS!
Para obter mais informações importantes sobre a escrituração contábil e seus 
aspectos legais, consulte o portal do Conselho Federal de Contabilidade. Acesse: 
<http://portalcfc.org.br/coordenadorias/camara_tecnica/faq/faq.php?id=1879>.
2 Lançamentos Contábeis no Livro Diário
No Livro Diário, que é obrigatório por lei, são lançadas com individualização, clareza e indica-
ção do documento comprobatório, dia a dia, todos os acontecimentos que ocorrem numa empresa 
e que provocam modificações em seu patrimônio (RIBEIRO, 2010). O contador faz os registros dos 
Fatos Contábeis em ordem cronológica rigorosa, para facilitar consultas futuras.
Figura 1 – Livro Diário
Fonte: Pogonici/Shutterstock.com 
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 110 – 
FIQUE ATENTO!
Os lançamentos contábeis devem estar baseados em documentos hábeis que de-
ram origem a ele, como uma Nota Fiscal. 
Os lançamentos contábeis efetuados no Livro Diário são feitos por meio do Método das Parti-
das Dobradas, que consiste em um ou mais lançamentos a débito e em um ou mais lançamentos 
a crédito de igual valor. 
Agora, para verificarmos os lançamentos contábeis no sentido prático, iremos analisar, na 
sequência, as funções do lançamento e os elementos essenciais que devem compor um lança-
mento. Acompanhe! 
3 Funções do Lançamento
Como já vimos, os Fatos Administrativos são registrados na contabilidade pelos lançamen-
tos, no Livro Diário, com base em documentos que comprovem a sua legitimidade. Porém, você já 
sabe qual são as funções de um lançamento contábil?
Ferreira (2015), relaciona as funções de um lançamento contábil da seguinte forma: 
 • função temporal-geográfica: indica o local e a data do acontecimento lançamento. 
Assim, ele deve ser feito em rigorosa ordem cronológica (dia, mês e ano) e indicar o 
local de registro do fato; 
 • função monetária ou quantitativa: atribuí valor ao Fato Contábil.Por isso, a necessi-
dade do lançamento registrar os valores relacionados ao fato; 
 • função qualitativa: informa quais elementos do Patrimônio foram afetados pelo Fato 
Contábil, por isso as contas utilizadas no lançamento devem indicar quais foram os 
elementos patrimoniais e de resultado alterados pelo fato contábil;
 • função descritiva ou histórica: descreve o que aconteceu e quais foram as contas 
envolvidas no Fato Contábil. Assim, o lançamento deve descrever, por meio do histórico 
e das contas, o Fato Contábil registrado.
A função dos lançamentos, em outras palavras, é deixar os registros fidedignos, expressando 
o que de fato ocorreu, quando ocorreu, o que estava envolvido e, principalmente, o valor pelo qual 
o Patrimônio foi afetado.
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 111 – 
EXEMPLO
Suponha que a empresa X adquiriu um imóvel (terreno) de João S., no valor de R$ 
100.000, pago à vista com o cheque n. 001, de sua emissão contra o Banco Y. O lan-
çamento no Livro Diário seria feito conforme figura a seguir e cumpriria as funções 
que lhe são próprias. 
Figura 2 – Lançamento Livro Diário
Florianópolis (SC), 01 de xxx de 20xx.
TERRENOS
a
BANCOS CONTA MOVIMENTO 
Pago valor do terreno adquirido de João S. à vista, com cheque n. 001 do Ban-
co Y, conforme Escritura Pública n. Z1, do Cartório de Registro de Imóveis 
R$ 100.000
Fonte: adaptado de PADOVEZE, 2016.
Observe que todas as funções do lançamento estão contempladas nesse registro: 
local e data (função temporal-geográfica); os valores relacionados ao fato (função 
monetária ou quantitativa); as contas utilizadas na transação (função qualitativa) e 
descrição do fato contábil com a indicação do documento que deu origem (função 
descritiva ou histórica).
FIQUE ATENTO!
O Lançamento Contábil é o registro de cada Fato Administrativo nos respectivos 
Livros Contábeis. A soma de todos os lançamentos representa a escrituração e 
as funções do lançamento contemplam a data e o local, os valores envolvidos, as 
contas utilizadas e a descrição clara e fiel do fato ocorrido. 
4 Elementos Essenciais do Lançamento 
Além das funções dos lançamentos que vimos, os mesmos também precisam ter alguns elemen-
tos chamados de essenciais. Os elementos essências, como o próprio nome já sugere, são a essência 
de um lançamento contábil, são seus elementos intrínsecos, ou seja, inerentes aos lançamentos. 
Tanto Padoveze (2016) quanto Ferreira (2015) relacionam esses elementos como sendo:
 • local e data da ocorrência do Fato;
 • conta a ser debitada;
 • conta a ser creditada;
 • histórico;
 • valor. 
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 112 – 
FIQUE ATENTO!
Independente de qual seja o processo de escrituração (manual ou eletrônico) os 
elementos essenciais de um lançamento não se alteram e devem ser sempre ob-
servados pelos contadores. 
As figuras a seguir contemplam lançamentos contábeis feitos no Livro Diário. Para compre-
ender os dados, suponha que a empresa J. Duarte foi recém-constituída com Capital Social de 
R$ 200.000, em dinheiro, sendo R$ 100.000 do sócio A e R$ 100.000 do sócio B, e que a escritura-
ção foi feita manualmente.
Figura 3 – Livro Diário
 Florianópolis (SC), 01 de xxx de Y1.
CAIXA
a
CAPITAL SOCIAL R$ 200.000
Valor da entrada de capital para constituição da empresa,
Conforme registro do contrato social na Junta Comercial
e Cartório etc., sendo R$ 100.000 do sócio A e R$ 100.000
do sócio B. 
Fonte: adaptado de PADOVEZE, 2016.
Observe que todos os elementos essenciais estão presentes: local e data; conta debitada 
(caixa); conta creditada (capital social); histórico do lançamento e valor. 
Agora, vamos exemplificar um lançamento feito por processamento eletrônico. Suponha que 
a empresa tenha adquirido mercadorias à vista, em dinheiro, no valor de R$ 1.000. 
Figura 4 – Livro Diário-Eletrônico
Código 
da conta Data
No. do 
documento Histórico Débito Crédito
1.3.1.1 28/07/X1 NF no. 001 Compra à vista de mercadorias 1.000
1.1.1.2 28/07/X1 Em espécie Compra à vista de mercadorias 
em dinheiro
1.000
Fonte: adaptado de FERREIRA, 2015.
Observe que não aparece o local onde a transação foi feita nem o nome das contas envol-
vidas, pois o software já identifica estes dados através do código da conta, que está programado 
para assumir o local com o endereço da empresa. 
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 113 – 
Fechamento
Concluímos esta aula relativa à escrituração contábil. Agora, você já conhece os lançamen-
tos, suas funções e os elementos essenciais, que representam a escrituração da contabilidade de 
uma empresa. 
Nesta aula, você teve a oportunidade de: 
 • entender as especificardes da escrituração contábil;
 • entender como são realizados os lançamentos contábeis no Livro Diário;
 • compreender as funções do lançamento;
 • conhecer os elementos essenciais do lançamento.
Referências 
BRASIL. Decreto Lei n. 486, de 3 março de 1969. Dispõe sobre a escrituração em livros mercantis e 
dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del0486.
htm>. Acesso em: 28 jul. 2017.
______. Código Civil. Lei n. 10406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.htm>. Acesso em: 28 jul. 2017.
______. Lei Complementar n. 139, de 10 de novembro de 2011. Altera dispositivos da Lei Comple-
mentar no 123, de 14 de dezembro de 2006, e dá outras providências. Disponível em: <http://www.
planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp139.htm>. Acesso em: 28 jul. 2017.
FERREIRA, Ricardo J. Contabilidade Básica. 13. ed. Rio de Janeiro: Ferreira, 2015. 
RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade básica fácil. 27. ed. São Paulo: Saraiva, 2010.
PADOVEZE, Clóvis Luis. Manual de contabilidade básica. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2016.
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 114 – 
Elaboração dos Razões Contábeis
Arno Wiese
Introdução
Em todas as atividades humanas, há sempre uma maneira de realizar determinados proce-
dimentos, o que leva muitos estudiosos, das mais diversas áreas do conhecimento, a procurarem 
avanços em busca do melhor custo-benefício. 
Na Contabilidade, não é diferente. Há uma maneira específica e adequada para fazer e con-
duzir as atividades para se alcançar o desejável. Para isso, foram desenvolvidas técnicas para 
representar as contas e, principalmente, os saldos das Contas dos Razões Contábeis, assunto que 
vamos abordar nesta aula. 
Objetivos de aprendizagem
Ao final desta aula, você será capaz de:
 • compreender os lançamentos contábeis no Livro Razão;
 • compreender os lançamentos contábeis no Razonete. 
1 Lançamentos no Livro Razão
Como o Livro Diário, o Livro Razão também é um livro obrigatório por lei, no entanto, como 
explica Ribeiro (2010), cada empresa tem uma realidade diferente para ser registrada no Livro 
Razão, por isso, faz adequações nos modelos de lançamento a serem utilizados. Atualmente, as 
grandes empresas necessitam realizar milhares de lançamentos contábeis diariamente. Para agi-
lizar o processo, o mais comum é a utilização de softwares sofisticados para fazer esses regis-
tros, o que possibilita o acesso quase que imediato às informações necessárias aos usuários da 
Contabilidade. Isso também acontece com as empresas menores, no entanto, elas normalmente 
terceirizam esses serviços para escritórios contábeis, que se encarregam de fazer os registros de 
forma computadorizada.
No entanto, Ribeiro (2010) pondera que para entender as noções básicas da Contabilidadeé mais indicado, antes de ingressar em um processo informatizado, conhecer o procedimento 
manual, para, assim, compreender na prática como funciona. 
SAIBA MAIS!
Leia a Lei no. 8218, de 29 de agosto de 1991, em seu artigo 14, a qual fundamenta o 
aspecto legal da utilização do Livro Razão na Contabilidade das empresas. Acesse:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8218.htm>.
 – 115 – 
TEMA 17
Como mencionado no início, os registros no Livro Razão são obrigatórios por lei e, no caso 
de utilização de software, este deve registrar de acordo com a legislação. Mesmo partindo para o 
mundo digital, a nomenclatura permanece a mesma, ou seja, o nome Livro Razão continua, assim 
como os conceitos e fundamentos, pois a Ciência Contábil permanece a mesma. (PADOVEZE, 2016)
Os lançamentos feitos no Livro Razão são efetuados com a classificação de cada partida 
contábil de cada transação nas respectivas contas dos elementos patrimoniais e de resultados 
que foram alterados com o evento em questão (PADOVEZE, 2016). Assim, é possível apurar o 
saldo de cada conta de maneira individualizada, o que nos lançamentos no Livro Diário não é viável. 
Os elementos que compõe os lançamentos no Livro Razão são: 
 • conta e código, levando em consideração que cada conta possui um código; 
 • data da ocorrência;
 • contrapartida (CP), ou seja, nos remetemos às Partidas Dobradas (cada conta debitada 
tem pelo menos uma conta creditada de igual valor); 
 • histórico do evento; 
 • lançamentos a débito e a crédito;
 • saldo da conta, se devedor ou credor (DC).
EXEMPLO
A ficha de Livro Razão, de forma bem simplificada, é exemplificada na figura a seguir. 
Figura 1 – Modelo de Ficha de Razão
Conta: Código:
Data CP Histórico Débito Crédito Saldo DC
Fonte: PADOVEZE, 2016, p. 96.
FIQUE ATENTO!
Os lançamentos feitos no Livro Razão são efetuados com a classificação de cada 
partida contábil de cada transação de modo a afetar os elementos patrimoniais e 
de resultados envolvidos com o Fato Administrativo.
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 116 – 
Agora, vamos continuar nosso raciocínio sobre os lançamentos no Livro Razão, utilizando 
uma situação hipotética. Três amigos decidem iniciar uma empresa que comercializa alimentos. 
Para isso, eles iniciam o empreendimento com o total de R$ 1 milhão. Adquirem um imóvel no 
valor de R$ 500 mil à vista e em dinheiro. Além disso, compram, em dinheiro, R$ 300 mil em móveis 
e utensílios e R$ 100 mil em estoques de mercadorias. Vamos listar os fatos:
 • abertura da empresa, com integralização de R$ 1 milhão de capital;
 • compra de um imóvel no valor de R$ 500 mil em dinheiro;
 • compra de R$ 300 mil em móveis e utensílios em dinheiro;
 • compra de R$ 100 mil em estoques de mercadorias em dinheiro;
 • os passos para o lançamento são os mesmos utilizados para os lançamentos no livro 
diário.
Teremos algumas contas se movimentando através dos fatos listados: conta caixa, conta 
capital social, imóveis, móveis e utensílios e mercadorias em estoque. Nas tabelas a seguir, há a 
demonstração de como devem ser efetuados os lançamentos no livro razão, em função dos fatos 
detalhados.
Figura 2 – Fato 1: integralização de capital
Conta: Caixa Código: 111
Data CP Histórico Débito Crédito Saldo DC
02/01/X17 231
Entrada de recursos 
para integralização de 
capital
1.000.000 1.000.000 D
Conta: Capital social Código: 231
Data CP Histórico Débito Crédito Saldo DC
02/01/X17 111
Entrada em dinheiro no 
caixa
1.000.000 1.000.000 C
Fonte: adaptado de PADOVEZE, 2016.
Observe que os lançamentos no Razão envolvem as contas caixa e capital social e apresen-
tam os respectivos saldos e se é devedor ou credor pela ordem. 
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 117 – 
Figura 3 – Fato 2: compra de um imóvel
Conta: Caixa Código: 111
Data CP Histórico Débito Crédito Saldo DC
02/01/X17 231 Entrada de capital 1.000.000 1.000.000 D
03/01/X17 151 Compra de imóvel 500.000 500.000 D
Conta: Imóveis Código: 151
Data CP Histórico Débito Crédito Saldo DC
03/01/X17 111
Compra de imóvel do 
tipo sala comercial
500.000 500.000 D
Fonte: adaptado de PADOVEZE, 2016.
Figura 4 – Fato 3: compra de móveis e utensílios
Conta: Caixa Código: 111
Data CP Histórico Débito Crédito Saldo DC
02/01/X17 231 Entrada de capital 1.000.000 1.000.000 D
03/01/X17 151 Compra de imóvel 500.000 500.000 D
04/01/X17 141
Compra de móveis e 
utensílios
300.000 200.000 D
Conta: Móveis e utensílios Código: 141
Data CP Histórico Débito Crédito Saldo DC
04/01/X17 111
Compra de móveis e 
utensílios
300.000 300.000 D
Fonte: adaptado de PADOVEZE, 2016.
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 118 – 
Figura 5 – Fato 4: compra de mercadorias
Conta: Caixa Código: 111
Data CP Histórico Débito Crédito Saldo DC
02/01/X17 231 Entrada de capital 1.000.000 1.000.000 D
03/01/X17 151 Compra de imóvel 500.000 500.000 D
04/01/X17 141
Compra de móveis e 
utensílios
300.000 200.000 D
05/01/X17 121
Compra de 
mercadorias
100.000 100.000 D
Conta: Mercadorias em Estoque Código: 121
Data CP Histórico Débito Crédito Saldo DC
05/01/X17 111
Compra de 
mercadorias
100.000 100.000 D
Fonte: adaptado de PADOVEZE, 2016.
Todos os quatro Fatos Administrativos foram devidamente lançados no Livro Razão (con-
forme mostram as figuras), movimentando as Contas que correspondem aos elementos patri-
moniais afetados: Caixa; Capital Social; Imóveis; Móveis e Utensílios e Estoques de Mercadorias, 
cada qual apresentando seu saldo ao final das transações. Se você fosse demonstrar o Balanço 
Patrimonial após os fatos contabilizados, ficaria assim: 
Figura 6 – Balanço Patrimonial
ATIVO PASSIVO
Caixa 100.000
Estoques 100.000
Móveis e Utensílios 300.000
Imóveis 500.000 Capital Social 1.000.000
Total 1.000.000 Total 1.000.000 
Fonte: elaborada pelo autor, 2017.
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 119 – 
FIQUE ATENTO!
O Livro Razão é um livro de grande utilidade para a Contabilidade, pois nele é re-
gistrado o movimento individualizado de todas as contas, com a apresentação do 
saldo de cada uma. (RIBEIRO, 2010). 
Na sequência vamos analisar uma forma mais simplificada, o Razonete. 
2 Razonete
Com as todas as transações diárias das empresas e a necessidade constante de estudos e 
esboços que devem ser apresentados de forma rápida e didática, a maneira tradicional de usar o 
Livro Razão torna todo o processo muito lento. Especialmente nas grandes empresas, em que a 
escrituração contábil e seus lançamentos geram a abertura e movimentação de inúmeras contas 
contábeis no Livro Razão.
Por isso, criou-se uma maneira simplificada de movimentação de contas por meio de uma 
ferramenta chamada Razonete. Com ela, suprimem-se as informações de data, contrapartida, his-
tórico, saldo e a coluna débito/crédito. (PADOVEZE, 2016)
Figura 7 – Nome da conta
a) lançamentos a débito
b) saldo devedor
a) lançamentos a crédito
b) saldo credor
Fonte: adaptado de PADOVEZE, 2016.
Observe que foram suprimidos todos os demais elementos, permanecendo apenas o nome 
da Conta, o lançamento a débito ou a crédito e o saldo devedor ou credor. A partir desse exemplo, 
podemos traçar o Razonete em forma de um T (maiúsculo). 
Figura 8 – Razonete em forma de T
Nome da Conta:
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 120 – 
Em cima da transversal é colocado o nome da conta. Já os lançamentos serão colocados à 
esquerda, se for de débito, e à direita, se for de crédito. Consequentemente, no momento do encerra-
mento do exercício ou para fins de um Balancetede verificação, é apurado o saldo de cada conta. É a 
natureza da conta que vai determinar se o valor será lançado a débito ou a crédito. (PADOVEZE, 2016). 
EXEMPLO
Uma empresa adquiriu mercadorias à vista, em espécie, no valor de R$ 5.000. No 
Razonete o fato será apresentado conforme as figuras. 
Figura 9 – Razonete estoques
Estoques
5.000
Fonte: elaborada pelo autor, 2017. 
Figura 10 – Razonete caixa
Caixa
5.000
Fonte: elaborada pelo autor, 2017.
Observe que a conta estoques foi debitada, pois é uma aplicação de 
recursos, portanto irá aumentar o valor dos estoques de mercadorias. Por 
outro lado, a conta caixa foi creditada, pois saíram recursos da empresa 
para pagar as mercadorias. Neste caso, o saldo da conta Caixa irá diminuir.
FIQUE ATENTO!
O Razonete é uma forma simplificada dos lançamentos no Livro Razão. Na realida-
de, os dois são a mesma coisa, porém o Razonete é apenas um instrumento mais 
prático e didático de representação na forma de um “T”. 
Lembre-se de que as Contas patrimoniais do Ativo têm saldo devedor e do Passivo têm saldo 
credor, bem como as Contas de Despesas têm saldo devedor e as de Receitas têm saldo credor.
Para apurar o saldo de uma Conta no Razonete, somamos os valores lançados a débito e, 
depois, os a crédito, para, então, diminuir uma soma da outra. Se a soma dos débitos for maior do 
que dos créditos, o saldo será devedor e o inverso também é verdadeiro. 
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 121 – 
SAIBA MAIS!
Sugerimos a leitura do livro Manual de Contabilidade Básica, de Clóvis Luis Padoveze, 
o qual traz uma série de exemplos práticos com valores nos Razonetes. Amplie seus 
conhecimentos e consulte. 
Fechamento
Concluímos esta aula relativa à Elaboração dos Razões Contábeis. Agora, você já conhece a 
forma como são feitos os registros no Livro Razão e no Razonete. 
Nesta aula, você teve a oportunidade de: 
 • entender como são feitos os lançamentos no Livro Razão;
 • compreender o que são e como fazer os registros dos Razonetes.
Referências 
BRASIL. Lei no. 8.218, de 29 ago de 1991. Dispõe sobre a Obrigatoriedade do Livro Razão. Disponí-
vel em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8218.htm>. Acesso em: 01 ago. 2017. 
PADOVEZE, Clóvis Luis. Manual de Contabilidade Básica. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2016.
RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade Básica Fácil. 27. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 122 – 
Balancete
Arno Wiese
Introdução
As organizações, com seus controles contábeis sobre o patrimônio, necessitam realizar 
demonstrações da situação de um determinado período, seja pelo interesse da própria empresa 
ou eventualmente de terceiros. Este fato é chamado de Balancete de Verificação dos saldos das 
contas. Assim, nesta aula, você conhecerá a dinâmica que envolve sua elaboração e sua finalidade. 
Objetivos de aprendizagem
Ao finalizar esta aula, você será capaz de:
 • compreender o conceito de Balancete de Verificação;
 • entender como é feito o encerramento das Contas de Resultado. 
1 Balancete de verificação
 O Livro Razão é o principal registro do contador, uma vez que apura o saldo das contas e as 
suas movimentações. Em uma empresa de grande porte, por exemplo, milhares de contas são 
abertas e movimentadas todos os dias, o que levou à criação de um modelo simplificado de rela-
tório para mostrar, de maneira resumida, o saldo de todas as contas, facilitando o acesso a todas 
elas. Esse relatório é chamado de balancete de verificação. (PADOVEZE, 2016). 
FIQUE ATENTO!
Por meio do balancete de verificação, podemos observar se os débitos são iguais 
aos créditos e se o método das Partidas Dobradas está sendo devidamente 
aplicado. 
Ribeiro (2010) diz que o “balancete é uma relação de contas extraídas do livro Razão (ou de 
Razonetes), com seus saldos devedores ou credores”, em outras palavras, é a listagem de contas, 
com seus nomes e saldos, sendo estes colocados em duas colunas: devedores e credores. Já 
Viceconti (2013, p. 37) define o balancete como a “verificação do razão como a relação de contas, 
com seus respectivos saldos, extraída dos registros contábeis em determinada data”. 
 – 123 – 
TEMA 18
Mas afinal, para que serve um balancete? Qual a sua finalidade prática para as empresas? 
Já vimos que os registros contábeis são feitos no Livro Razão ou no Razonete, porém, como são 
muitas contas, o seu acompanhamento fica bastante complexo. Assim, o balancete é um instru-
mento de simplificação para as empresas, uma vez que é um relatório que facilita o procedimento 
de verificação dos saldos das contas contábeis, real interesse da Contabilidade. 
FIQUE ATENTO!
Não confunda balancete de verificação com o Balanço Patrimonial. O primeiro apu-
ra as contas do Livro Razão de maneira resumida. Nele, encontramos tanto as con-
tas patrimoniais quanto as de resultado. Já no segundo, estão organizadas apenas 
as contas patrimoniais.
EXEMPLO
Vejamos, na figura a seguir, um exemplo de balancete de verificação, com o saldo 
de algumas contas, se devedor ou credor conforme a natureza. 
Figura 1 – Balancete
Conta n. Nome Saldo devedor Saldo credor
R$ R$
ATIVO
111 Caixa 100.000
112 Bancos conta movimento
113 Aplic. financeiras
121 Mercadorias em estoque 100.000
122 Clientes
141 Móveis e utensílios 300.000
151 Imóveis 500.000
Soma 1.000.000 0
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 124 – 
EXEMPLO
Conta n. Nome Saldo devedor Saldo credor
R$ R$
PASSIVO
222 Fornecedores
231 Capital social 1.000.000
Soma 0 1.000.000
DESPESAS
301 Custo merc. vendidas
321 Cartório
331 Comissões
Soma 0 0
RECEITAS
401 Vendas
421 Juros
Soma 0 0
Total 1.000.000 1.000.000
Fonte: adaptado de PADOVEZE, 2016.
Podemos observar que o total do saldo devedor é igual ao total do saldo credor, 
obedecendo à lógica do método das Partidas Dobradas. Reparem, também, que 
nesse exemplo foram movimentadas apenas contas patrimoniais, no entanto o de-
monstrativo apresenta campos próprios para as contas de receitas e despesas. 
FIQUE ATENTO!
O balancete é uma ferramenta essencial ao trabalho do contador, servindo como 
base para a elaboração de todos os relatórios contábeis, como, por exemplo, o 
Balanço Patrimonial e o Demonstrativo de Resultados do Exercício. (PADOVEZE, 
2016). 
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 125 – 
O grau de detalhamento do balancete deve ser compatível com sua finalidade, no entanto, de 
acordo com Viceconti (2013), são elementos mínimos que devem constar de um balancete: 
 • identificação da empresa (nome da empresa); 
 • data a que se refere; 
 • abrangência (os balancetes podem ser mensais, porém, atualmente, com a ajuda da 
informática, muitas empresas o emitem diariamente);
 • identificação das contas e respectivos grupos (por exemplo, Conta Estoques de Merca-
dorias integra o grupo do Ativo Circulante);
 • saldos das contas, indicando se devedores ou credores;
 • soma dos saldos devedores e credores (os devedores do lado esquerdo e os credores 
do lado direito, ou primeiro os devedores e depois os credores, e a soma de uma e de 
outra deve ser sempre igual). 
SAIBA MAIS!
No portal do Conselho federal de Contabilidade (CFC), você poderá obter mais 
informações sobre o Balancete, ou a NBC T 2.7. Acesse: <http://www1.cfc.org.br/
sisweb/SRE/docs/RES_685.pdf>. 
Na eventualidade do balancete de verificação se destinar a uso externo, deve conter o nome e 
a assinatura do contabilista responsável, sua categoria profissional e o número do registro no CRC 
(Conselho regional de Contabilidade). (VICECONTI, 2013)
Agora, para fins de apuração do resultado do exercício, estudaremos o encerramento das 
contas de resultado. Acompanhe! 
2 Encerramento das Contas de Resultado
As contas de resultado são todas ascontas de receitas e despesas que, ao final de um exer-
cício, têm seu saldo encerrado, ou seja, zerado e transferido mediante lançamento para uma conta 
denominada Apuração do Resultado do Exercício (ARE), com o intuito de fazer o que o próprio 
nome já indica: apurar o resultado do exercício, ou seja, verificar se a empresa deu lucro ou prejuízo 
num determinado exercício. (VICECONTI, 2013). Alguns autores, como Padoveze (2016), chamam 
essa conta de Lucros e Perdas. 
Procedendo dessa maneira, as contas de receitas com saldo credor serão debitadas pelo 
mesmo valor e encerradas, sendo seu saldo transferido para a conta ARE como crédito. Da mesma 
forma, as contas de despesas com saldo devedor serão creditadas pelo seu saldo e encerradas, 
tendo o valor transferido para a conta ARE como débito. Observe o exemplo a seguir. 
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 126 – 
Figura 2 – Razonete
Receitas com aluguel
(1) 5.000 5.000 (s)
 Fonte: adaptado de VICECONTI, 2013.
Figura 3 – Razonete
ARE
5.000 (1)
Fonte: adaptado de VICECONTI, 2013.
Figura 4 – Razonete
Despesas de juros
(s) 3.000 3.000 (2)
Fonte: adaptado de VICECONTI, 2013.
Figura 5 – Razonete
ARE
(2) 3.000 (1) 5.000
2.000 (S)
Fonte: adaptado de VICECONTI, 2013.
Observe nas figuras como foi o procedimento de encerramento das contas de receitas e 
despesas e as transferências para a conta ARE. Nesse caso, a receita foi superior à despesa, ou 
seja, a empresa obteve um lucro de R$ 2.000. Se a despesa fosse superior à receita, ela teria tido 
prejuízo no exercício.
Dessa forma é realizado o procedimento em relação a todas as contas de receitas e despe-
sas, que são encerradas ao final do exercício, o que se chama encerramento das contas de resul-
tado. As contas serão novamente abertas no início do exercício seguinte. 
A conta ARE é uma conta transitória utilizada com a única finalidade de apuração do resul-
tado. Após isso, ela também é encerrada e terá seu saldo transferido para a conta patrimonial do 
Patrimônio Líquido chamada de Lucros ou Prejuízos Acumulados e integrará o demonstrativo do 
Balanço Patrimonial. 
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 127 – 
EXEMPLO
Veja as figuras a seguir. 
Figura 6 – Razonete
ARE
(1) 2.000 2.000 (LLE)
 Fonte: adaptado de VICECONTI, 2013.
Figura 7 – Razonete
Lucros ou Prejuízos Acumulados
2.000 (1) 
Fonte: adaptado de VICECONTI, 2013.
A conta ARE, que estava com saldo credor de R$ 2.000 e correspondia ao Lucro Lí-
quido do Exercício (LLE), foi zerada mediante lançamento a débito de mesmo valor. 
Seu saldo foi transferido para a conta Lucros ou Prejuízos Acumulados, que é uma 
conta patrimonial e integrará o demonstrativo do Balanço Patrimonial.
SAIBA MAIS!
No portal do Conselho Regional de Contabilidade da Bahia, há um boletim eletrônico 
sobre o tratamento contábil dos Lucros ou Prejuízos Acumulados. Acesse: <http://
www.crcba.org.br/boletim/edicoes/lucr.htm>.
Fechamento
Concluímos esta aula relativa ao balancete. Agora, você já conhece seu significado, a forma 
e o motivo de sua elaboração.
Nesta aula, você teve a oportunidade de: 
 • estudar o conceito de Balancete;
 • analisar as características de um Balancete de Verificação;
 • analisar o Encerramento das Contas de Resultado. 
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 128 – 
Referências 
CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Dispõe sobre a NBC T 2.7 - Do Balancete. Disponível 
em: <http://www1.cfc.org.br/sisweb/SRE/docs/RES_685.pdf>. Acesso em: 03 ago. 2017.
CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE DA BAHIA. Lucros ou prejuízos acumulados - Trata-
mento contábil. Boletim Eletrônico CRCBA. Disponível em: <http://www.crcba.org.br/boletim/edi-
coes/lucr.htm>. Acesso em: 03 ago. 2017.
PADOVEZE, Clóvis Luis. Manual de Contabilidade Básica. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2016.
RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade Básica Fácil. São Paulo: Saraiva, 2010. 
VICECONTI, Paulo; NEVES, Silvério das. Contabilidade Básica. 16. ed. São Paulo: Saraiva, 2013.
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 129 – 
Balanço patrimonial
Arno Wiese
Introdução
A base para estruturar as informações necessárias e conduzir a gestão dos negócios de uma 
empresa está nas suas demonstrações financeiras, sendo que as duas principais são o Balanço 
Patrimonial e o Demonstrativo de Resultados. 
Nesta aula, vamos aprofundar nosso conhecimento sobre o Balanço Patrimonial, enten-
dendo o que significa, quais são seus componentes e finalidade, além de conhecer a dinâmica que 
envolve sua elaboração. 
Objetivos de aprendizagem 
Ao finalizar esta aula, você será capaz de:
 • conhecer os conceitos fundamentais do Balanço Patrimonial; 
 • compreender a estrutura do Balanço Patrimonial de uma empresa e seu Capital Circu-
lante Líquido. 
1 Conceitos fundamentais do Balanço Patrimonial
O Balanço Patrimonial é considerado uma peça contábil por excelência. Em outras palavras, 
trata-se do principal documento elaborado pela contabilidade, sendo sua elaboração obrigatória 
por lei. Sua função básica é mostrar o conjunto do patrimônio de uma empresa, classificando-o em 
Bens e Direitos (representados pelo Ativo) e obrigações e valor patrimonial dos proprietários (pelo 
Passivo), cujos valores são sempre iguais. (PADOVEZE, 2006).
SAIBA MAIS!
A Lei n. 6404/1976, em seu artigo 176, determina que a empresa, ao final do 
exercício, deve elaborar as demonstrações contábeis, entre as quais está o Balanço 
Patrimonial. Acesse: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6404consol.htm>.
De acordo com Szuster (2013), o objetivo do Balanço Patrimonial é evidenciar a organização 
de todos os elementos patrimoniais da empresa, mostrando sua posição econômico-financeira 
em determinado momento e informando a capacidade de geração de fluxos de caixa futuros. 
 – 130 – 
TEMA 19
2 Estrutura do Balanço Patrimonial
Para apresentar um Balanço Patrimonial, é necessário observar certos requisitos, ou seja, 
obedecer a alguns critérios que tornem sua demonstração mais adequada e facilitem sua leitura. 
Por isso, ele tem uma estrutura formada por dois grandes grupos:
 • o Ativo (o qual é demonstrado primeiro ou à esquerda): identifica onde está o dinheiro 
aplicado na empresa;
 • o Passivo (o qual é demonstrado em segundo lugar ou à direita): mostra quais são as 
fontes (origens) do dinheiro aplicado na empresa, ou seja, os recursos de terceiros e os 
próprios, sendo estes representados pelo Patrimônio Líquido (PL). 
EXEMPLO
As contas clientes, estoques, máquinas e equipamentos são todas contas do Ativo, 
ou seja, mostram que os recursos foram aplicados nessas contas do Ativo. Por 
outro lado, as contas do Passivo (empréstimos; duplicatas a pagar; Patrimônio Lí-
quido) mostram qual foi a origem dos recursos aplicados no Ativo. 
FIQUE ATENTO!
O Ativo é representado pelas contas nas quais os recursos são investidos; já o Pas-
sivo representa as contas das origens dos recursos. Então: 
Passivo = fontes de financiamentos = origens dos recursos.
Ativo = investimentos = aplicações dos recursos. (PADOVEZE, 2006).
Podemos observar que o objetivo da elaboração de um Balanço Patrimonial é demonstrar a 
situação das contas patrimoniais em um determinado momento de forma estática, pois, no ins-
tante seguinte, a realidade já pode ter mudado. 
FIQUE ATENTO!
Em uma demonstração do Balanço Patrimonial, o Ativo evidencia os elementos pa-
trimoniais positivos, já o Passivo mostra primeiro as dívidas da empresa, as quais 
são consideradas elementos patrimoniais negativos, e, em segundo lugar, o valor 
da riqueza dos proprietários. 
Ribeiro (2010, p. 340), ao citar a Lei n. 6404/1976, explica que “as contas serão classificadas 
segundo os elementos do patrimônio que registrem, e agrupadas de modo a facilitar o conheci-
mento e a análise da situaçãofinanceira da companhia”, conforme figura a seguir.
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 131 – 
Figura 1 – Classificação
No ativo, as contas serão dispostas em ordem decrescente de grau de liquidez dos elementos nelas 
registrados, nos seguintes grupos:
I – Ativo Circulante; e, 
II – Ativo Não Circulante, composto por ativo realizável a longo prazo, investimentos, imobilizado e 
intangível.
No Passivo, as contas serão classificadas nos seguintes grupos:
I – Passivo Circulante;
II – Passivo Não Circulante; e, 
III – Patrimônio Líquido, dividido em capital social, reservas de capital, ajustes de avaliação patrimonial, 
reservas de lucros, ações em tesouraria e prejuízos acumulados.
Fonte: adaptado de RIBEIRO, 2010.
Para entender melhor, observe a figura a seguir com os diversos grupamentos de contas do 
Ativo e do Passivo.
Figura 2 – Balanço Patrimonial em 31.12. X0
ATIVO R$ PASSIVO R$
CIRCULANTE CIRCULANTE
 Caixa e bancos 210 Fornecedores 2.470
 Aplicações financeiras 1.500 Salários a pagar 450
Clientes 4.350 Encargos sociais a pagar 620
(-) Ajuste p/ créditos de liq. duvidosa (54) Tributos sobre mercadorias 400
Estoques de mercadorias 3.470 Tributos sobre o lucro 340
Despesas exerc. seguinte – seguros 14 Empréstimos 2.100
Soma 9.490 Soma 6.380
NÃO CIRCULANTE NÃO CIRCULANTE
Realizável a longo prazo Financiamentos 3.800
Depósitos judiciais 120 Soma 3.800
Investimentos PATRIMÕNIO LÍQUIDO
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 132 – 
ATIVO R$ PASSIVO R$
Ações de controlada 2.160 Capital Social 7.000
Imobilizado Reserva de capital 200
Imóveis 2.000 Reservas de lucros
Equipamentos 5.500 Reserva legal 320
(-) Depreciação acumulada 1.100 Reservas para investimentos 400
Intangível 550 Lucros ou prejuízos acumulados 400
(-) Amortização acumulada (220) Soma 8.320
Soma 9.010
Total do Ativo 18.500 Total do Passivo 18.500
Fonte: PADOVEZE, 2016, p. 372.
Agora, acompanhe algumas considerações sobre o Balanço Patrimonial exposto:
 • as contas que integram o Ativo e o Passivo Circulante têm prazos de até 365 dias a partir da 
data do Balanço, já as do Ativo e Passivo Não Circulante são de prazo superior a 365 dias; 
 • os depósitos judiciais figuram no Ativo Não Circulante, pois são valores que a empresa 
provavelmente terá a receber no futuro, no entanto, como está vinculada a alguma 
demanda judicial, são considerados de longo prazo;
 • no grupamento investimentos, aparece a conta “ações de controlada”, ou seja, essa 
empresa adquiriu ações de uma outra empresa, que é sua controlada;
 • as contas redutoras, que, no caso, são do Ativo, como o ajuste para créditos de liqui-
dação duvidosa, pois são de possíveis devedores que não irão pagar suas contas, são 
deduzidas da conta Clientes. 
 • a depreciação de equipamentos, que é contabilizada, deve ser deduzida do valor dos 
equipamentos contabilizados originalmente. O mesmo raciocínio (dedução do Ativo) é 
valido para a Amortização acumulada do Intangível, este representado por Ativos que 
não têm substância física, por exemplo, marcas, patentes, softwares, franquias etc. A 
amortização pode ser relativa a uma patente que tem prazo de validade definido e que, 
a cada ano, seu valor sofre amortização até que sua licença acabe; 
 • o Ativo Imobilizado é representado por bens imóveis e móveis utilizados no desenvolvi-
mento das atividades operacionais; 
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 133 – 
Figura 3 – Ativo Imobilizado
Fonte: Nataliya Hora/Shuttlestock.com 
 • no lado do Passivo, podemos verificar que há a conta Empréstimos e Financiamentos, 
que são empréstimos obtidos junto a Bancos e figuram no Circulante ou Não Circulante 
em função do prazo; 
 • na composição do Patrimônio Líquido, as reservas de lucros são calculadas com base 
no lucro líquido do exercício e se destinam à reserva legal (com o objetivo de preservar 
a integridade do capital social, podendo ser utilizada somente para compensar prejuí-
zos ou aumentar o capital); e a reserva para investimentos, como o nome já diz, é uma 
parte dos lucros reservada para a realização de investimentos futuros. A Reserva de 
Capital não tem origem no resultado da empresa; está regulamentada no art. 182 da 
Lei n. 6404/1976 (Lei das Sociedades Anônimas). (FERREIRA, 2015; VICECONTI, 2013) 
SAIBA MAIS!
Para obter mais informações sobre as contas retificadoras, as do Intangível, do 
Imobilizado, dos Investimentos e Patrimônio Líquido, leia os capítulos 14, 15 e 16 
da obra Contabilidade Básica, de Ricardo J. Ferreira. 
Agora que já conhecemos a estrutura do Balanço Patrimonial, com seus grupamentos de 
contas, vamos avançar um pouco mais e detalhar um conceito muito importante para as empre-
sas: o Capital Circulante Líquido. 
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 134 – 
3 Capital Circulante Líquido
O Capital Circulante é aquele que circula na empresa para o financiamento de suas ativida-
des, envolvendo, portanto, as contas do Ativo e do Passivo Circulante (o que também configura 
o que chamamos de capital de giro, que é utilizado para financiar as atividades do dia a dia da 
empresa). Assim, o Capital Circulante Líquido é a diferença entre a soma das contas do Ativo 
Circulante e do Passivo Circulante.
EXEMPLO
Considere que a empresa X tem como total das contas do Ativo Circulante o valor 
de R$ 50.000 e como total das contas do Passivo Circulante R$ 35.000. Assim, a 
diferença, ou seja, o Capital Circulante Líquido, é de R$ 15.000. 
O objetivo de demonstrá-lo é evidenciar, por meio da variação dos elementos patrimoniais do 
ativo e do passivo, a movimentação dos recursos entre dois períodos, ou seja, comparar a variação 
ocorrida nas contas do Ativo e do Passivo Circulantes de um período para outro, averiguando se o 
Capital Circulante Líquido aumentou ou diminuiu, pois os recursos de giro são importantíssimos 
para a empresa manter em dia suas atividades e as obrigações de curto prazo.
Figura 4 – Atividades de Curto Prazo
Fonte: Aleksandra Nadeina/Shuttlestock.com 
FIQUE ATENTO!
O Capital Circulante Líquido é a diferença entre o Ativo e o Passivo Circulantes, sen-
do o ideal que o resultado seja sempre positivo. 
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 135 – 
Fechamento
Concluímos esta aula relativa ao Balanço Patrimonial. Agora, você já conhece a forma como 
deve ser representado e a estrutura.
Nesta aula, você teve a oportunidade de: 
 • compreender o conceito e a estrutura do Balanço Patrimonial;
 • analisar o Capital Circulante Líquido. 
Referências 
BRASIL. Lei n. 6404, de 15 de dezembro de 1976. Dispõe sobre as Sociedades Anônimas. Obri-
gatoriedade das demonstrações contábeis. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/
leis/L6404consol.htm lei 6404 de 15.12.1976> Acesso em: 07 ago. 2017.
FERREIRA, Ricardo J. Contabilidade Básica. 13. ed. Rio de Janeiro: Ferreira, 2015. 
PADOVEZE, Clóvis Luis. Manual de Contabilidade Básica. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2016.
______. Introdução à Contabilidade. São Paulo: Pioneira, 2006.
RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade Básica Fácil. 27. ed. São Paulo: Saraiva, 2010.
SZUSTER, Natan et al. Contabilidade Geral. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2013.
VICECONTI, Paulo; NEVES, Silvério das. Contabilidade Básica. 16. ed. São Paulo: Saraiva, 2013.
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 136 – 
Demonstrativo de resultado 
do exercício (DRE)
Arno Wiese
Introdução
As organizações medem e avaliam sua performance para apresentar a terceiros como forma 
de prestação de contas da sua utilidade como empresa. Assim, nesta aula, iremos estudar o 
Demonstrativo de Resultados do Exercício, compreendendo a dinâmica que envolve sua elabora-
ção e qual a sua a utilidade. 
Objetivos de aprendizagem 
Ao finalizar esta aula, você será capaz de:
 • entender o que é a Demonstraçãode Resultado do Exercício;
 • compreender como deve ser estruturada uma Demonstração de Resultado do Exercí-
cio de acordo com a legislação. 
1 Entendendo a DRE
O Demonstrativo de Resultado do Exercício (DRE) é um relatório para demonstrar, ou evi-
denciar, o resultado alcançado por uma empresa, englobando tanto o lucro quanto o prejuízo no 
desenvolvimento de suas atividades durante um determinado período, o qual geralmente é de um 
ano. (RIBEIRO, 2010).
Sabemos que as empresas produzem, vendem, administram e mobilizam recursos financei-
ros para conduzir suas atividades operacionais. Durante esse processo, incorrem em receitas e 
despesas que irão afetar seus resultados, os quais são demonstrados pela DRE. 
FIQUE ATENTO!
O Demonstrativo de Resultado do Exercício tem o objetivo de mostrar o resultado al-
cançado por uma empresa em suas atividades em um determinado período de tempo. 
 – 137 – 
TEMA 20
Figura 1 – Avaliando resultados
Fonte: Pressmaster/Shutterstock.com
Szuster (2013) argumenta que a Demonstração de Resultado do Exercício é uma forma estru-
turada de se evidenciar a composição do resultado da empresa. Dito de outra forma, é um critério 
utilizado para organizar as receitas e as despesas que a empresa obteve. 
2 Estrutura da DRE conforme a Lei das S/A
A forma de apresentação da DRE é estabelecida em legislação, de acordo com o artigo 187 
da Lei n. 6.404/1976, Lei das Sociedades Anônimas. 
SAIBA MAIS!
Você pode consultar a Lei n. 6404/1976 sobre a DRE, a qual traz as providências e 
várias informações importantes sobre as Sociedades por Ações. Acesse: <http://
www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6404consol.htm>. 
Para entender melhor como é feita a apresentação de uma DRE de acordo com a Lei n. 
6404/1976, suponha que no balancete de 31.12.X17, da empresa R. Souza, constem os saldos 
das contas de receitas e despesas, acumulados ao longo do ano, conforme a figura a seguir. 
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 138 – 
Figura 2 – Balancete 31.12.X17 – R. Souza
Vendas brutas R$ 67.000
Impostos sobre vendas R$ 2.010
Custo das Mercadorias vendidas R$ 60.000
Comissões de Venda R$ 1.340
Despesas administrativas R$ 1.150
Juros Recebidos R$ 250
Juros Pagos R$ 750
Impostos sobre o Lucro R$ 475
Fonte: adaptada de PADOVEZE, 2006.
Depois de obtermos as informações do balancete, temos de demonstrar essas contas e seus 
respectivos saldos na DRE de acordo com a legislação. Veja, na figura a seguir, como isso é feito. 
Figura 3 – Demonstrativo de Resultado do Exercício de 01.01.X17 a 31.12.X17
Vendas Brutas (Valor com impostos) 67.000
(-) Impostos sobre Vendas (2.010)
 = Vendas Líquidas (Valor sem impostos) 64.990
(-) Custo das Mercadorias Vendidas (60.000)
= Lucro Bruto na Venda de Mercadorias 4.990
(-) Despesas Operacionais
 Comissões de Venda (1.340)
 Despesas Administrativas (1.150)
 Soma (2.490)
= Lucro Operacional 2.500
(+) Receitas Financeiras 250
(-) Despesas Financeiras (770)
= Lucro Antes dos Impostos sobre o Lucro 1.980
(-) Impostos sobre o Lucro (475)
= Lucro Líquido depois dos Impostos 1.505
Fonte: adaptada de PADOVEZE, 2006.
No entanto, temos algumas considerações a fazer sobre a DRE:
 • as vendas sempre são demonstradas com os impostos sobre as vendas, incluídos no 
valor das vendas brutas; 
 • o Custo das Mercadorias Vendidas (CMV) é o custo de aquisição das mercadorias;
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 139 – 
Figura 4 – Custos - Receitas
Fonte: Dusit/Shutterstock.com 
 • deduzidos os custos e os impostos temos o lucro bruto;
 • note que as despesas administrativas e com vendas são agrupadas no momento da 
elaboração da DRE, podendo englobar várias contas de receitas e despesas;
 • deduzidas essas despesas, temos o Lucro ou Prejuízo Operacional. No nosso caso é Lucro;
 • consideradas as receitas e despesas financeiras teremos o resultado da empresa antes 
dos impostos sobre o lucro (imposto de renda PJ); 
 • finalmente, descontado o imposto de renda sobre o Lucro, temos o Lucro Líquido do 
Exercício (ou eventualmente prejuízo). 
FIQUE ATENTO!
O Demonstrativo de Resultado do Exercício permite identificar as principais ativida-
des geradoras de lucro de uma empresa. (PADOVEZE, 2006).
Agora que já conhecemos a estrutura da DRE conforme a legislação sobre o assunto, vamos 
analisar essa estrutura de acordo com o CPC 26. 
3 Estrutura da DRE conforme o CPC 26
O Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), vinculado ao Conselho Federal de Contabi-
lidade, órgão que regulamenta toda a Contabilidade no Brasil, em seu pronunciamento técnico de 
n. 26, trata das demonstrações contábeis e estabelece uma estrutura um pouco diferente da Lei n. 
6404/1976 para a DRE.
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 140 – 
SAIBA MAIS!
Para obter mais informações sobre o CPC 26, visite o site do Conselho Federal de 
Contabilidade. Acesse: <http://www.cpc.org.br/CPC/CPC/Conheca-CPC>.
De acordo com esse pronunciamento, além das determinações legais, a demonstração de 
resultados, conforme Viceconti (2013) deve incluir, no mínimo, as seguintes rubricas: 
 • receitas; (+)
 • custo dos produtos, das mercadorias ou dos serviços vendidos;
 • lucro bruto;
 • despesas com vendas, despesas gerais, despesas administrativas e outras despesas 
e receitas operacionais;
 • parcela dos resultados de empresas investidas reconhecida por meio do método de 
equivalência patrimonial; (++)
 • resultado antes das receitas e despesas financeiras;
 • despesas e receitas financeiras;
 • resultado antes dos tributos sobre o lucro;
 • despesa com tributos sobre o lucro;
 • resultado líquido das operações continuadas; (+++)
 • valor líquido dos seguintes itens: (++++) 
a) resultado líquido após tributo das operações descontinuadas;
b) resultado após os tributos decorrentes da mensuração ao valor justo menos des-
pesas de venda ou na baixa dos ativos ou do grupo de ativos à disposição para 
venda que constituem a unidade operacional descontinuada. 
 • Resultado líquido do período. 
(+) Os tributos sobre as vendas são excluídos das receitas e contabilizados diretamente 
como obrigações, não transitando pela conta de receitas. 
(++) É o reconhecimento contábil do resultado em empresas controladas/coligadas, auto-
rizado pelo CPC 26. As empresas controladoras, que possuem participação no patrimônio das 
empresas que são suas coligadas ou controladas, podem reconhecer em sua contabilidade os 
resultados destas, proporcionalmente à sua participação (é o método de equivalência patrimonial). 
(+++) É o resultado das operações com as quais a empresa pretende continuar, com o objetivo 
de destacar o valor das operações que a empresa deseja descontinuar, quando há casos da espécie.
EXEMPLO
A empresa X decidiu acabar com a fabricação de um determinado produto durante 
o curso do exercício, pois ele era deficitário. Assim,ela precisará separar o valor das 
vendas, dos custos e das despesas relacionados ao produto e destacar a situação 
na demonstração de resultados. 
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 141 – 
(++++) a) É o valor apurado (líquido) do resultado da operação descontinuada, já descontados 
eventuais tributos que incidem sobre esse resultado.
(++++) b) É o caso, por exemplo, de uma empresa que encerra as atividades de uma de suas fábri-
cas, a qual tem um valor justo ou um valor contábil registrado na contabilidade. Uma eventual diferença 
no momento da venda da fábrica deve ser registrada, contabilizada e demonstrada separadamente. 
FIQUE ATENTO!
O objetivo do CPC com o pronunciamento 26 é tornar as demonstrações financei-
ras, no caso a DRE, mais completa até que a legislação das S/A, para que demons-
tre efetivamente o que ocorreu na empresa. 
EXEMPLO
A Cia. YYY possui 30% das ações da Cia. ZZZ, que é sua coligada. O investimento fei-
to pela primeira está registrado como R$ 100.000, o que equivale a 30% do Patrimô-
nio Líquido da Cia. ZZZ, cujo valor registrado em seu último balanço é de R$ 300.000. 
No atual exercício, a Cia. ZZZ obteve um lucro de R$ 50.000, aumentando seu PL 
para R$ 350.000. A Cia. investidora YYY reconhecerá 30% desse lucro de R$ 50.000 
como investimento em empresa controlada/coligada e, na contrapartida, creditará 
o resultado do exercício, aumentado seu lucro em R$ 15.000 (30% de R$ 50.000). 
Fechamento
Concluímos esta aula relativa ao demonstrativo de Resultado do Exercício. Agora, você já 
conhece o que representa e como é sua estrutura. 
Nesta aula, você teve a oportunidade de:
 • compreender o conceito teórico da DRE;
 • entender a estrutura da DRE conforme a Lei das Sociedades Anônimas e sua posterior 
alteração com o CPC 26. 
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 142 – 
Referências 
BRASIL. Lei no.6.404 de 15 dez 1976. Dispõe sobre as Sociedades por Ações. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6404consol.htm>. Acesso em: 09 ago. 2017.
COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. Conheça o CPC. s.d. Disponível em: <http://www.
cpc.org.br/CPC/CPC/Conheca-CPC>. Acesso em: 09 ago. 2017.
FERREIRA, Ricardo J. Contabilidade Básica. 13. ed. Rio de Janeiro: Ferreira, 2015. 
PADOVEZE, Clóvis Luis. Introdução à Contabilidade. São Paulo: Pioneira, 2006.
RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade Básica Fácil. 27. ed. São Paulo: Saraiva, 2010.
SZUSTER, Natan et al. Contabilidade Geral. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2013.
VICECONTI, Paulo; NEVES, Silvério das. Contabilidade Básica. 16. ed. São Paulo: Saraiva, 2013.
FUNDAMENTOS DA CONTABILIDADE
 – 143 – 
	Visão geral da contabilidade
	Campo de atuação e usuários 
da Contabilidade
	Finalidade da informação contábil e abrangência da Contabilidade
	Técnicas contábeis
	Princípios de Contabilidade
	O Patrimônio 
	Bens e sua classificação. Direitos e obrigações patrimoniais
	Ativo e passivo
	Diferença de patrimônio 
e patrimônio líquido
	Equações patrimoniais
	Contas
	Teorias das contas
	Livros de registro da contabilidade
	Métodos de Escrituração e Lançamentos
	Atos e fatos administrativos
	Escrituração contábil
	Elaboração dos Razões Contábeis
	Balancete
	Balanço patrimonial
	Demonstrativo de resultado 
do exercício (DRE)
	_GoBack
	_GoBack
	_GoBack
	_GoBack
	_GoBack
	_GoBack
	_GoBack
	_GoBack

Mais conteúdos dessa disciplina