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Revista Nacional Educa
v.2, n.5, 2022 - out. 2022
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Outubro/2022
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Educacional, voltada para a publicação de trabalhos na área de Educação, Biologia e Temas
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SUMÁRIO
A EXPRESSÃO DO CONSERVADORISMO MANIFESTAS NO
TRABALHO DO(A) ASSISTENTE SOCIAL EM UM MUNICÍPIO DE
PEQUENO PORTE NO ESTADO DE GOIÁS
Daniela Kedna Ferreira Lima; Josiene Camelo Ferreira Antunes; Sidelmar
Alves da Silva Kunz; Norma Lúcia Neris de Queiroz; Adriana Giaqueto
Jacinto
DOI: 10.5281/zenodo.7153021
06
O DIREITO À ASSISTÊNCIA SOCIAL NO PÓS-CONSTITUIÇÃO
FEDERAL DE 1988 E OS REBATIMENTOS CONJUNTURAIS DA
DÉCADA DE 1990
Mayra Hellen Vieira de Andrade; Leid Jane Modesto da Silva; Lívia Maria
Sales de Sousa
DOI: 10.5281/zenodo.7153033
18
O LÚDICO E O APRENDENTE SURDO
Rosana Costa de Souza Rolim
DOI: 10.5281/zenodo.7153035
31
TECNOLOGIAS DIGITAIS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO (TDIC):
UTILIZAÇÃO NO ESPAÇO ESCOLAR
Ivanuza Ferreira dos Santos; Dayana Carla Couto; Eliane Márcia da Silva;
Helen Karla Nogueira Pittas; Kátia Fernanda Alves da Silva; Lúcia
Aparecida da Silva; Riqueli Carina Meneguini Santos; Rosana Pereira
Gomes; Talyta Gilo dos Santos; Vanise Gomes Carneiro Locatelli
Bortolanza
DOI: 10.5281/zenodo.7153037
39
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A EXPRESSÃO DO CONSERVADORISMO MANIFESTAS NO
TRABALHO DO(A) ASSISTENTE SOCIAL EM UM MUNICÍPIO DE
PEQUENO PORTE NO ESTADO DE GOIÁS
DOI: 10.5281/zenodo.7153021
Daniela Kedna Ferreira Lima
Assistente Social, Prefeitura Municipal de Iporá-GO, especialista em Ensino
interdisciplinar em Infância e Direitos Humanos - UFG. Especialização em
Residência Multiprofissional em saúde – Hematologia e Hemoterapia –HC/UFG.
danylima_@hotmail.com
Josiene Camelo Ferreira Antunes
Assistente Social, Doutoranda em Serviço Social pela UNESP- Franca /São Paulo.
Mestre em Serviço Social – PUC-Goiânia/GO. josieneantunes@hotmail.com
Sidelmar Alves da Silva Kunz
Professor, Escola Nacional de Socioeducação (ENS)/UNB. Doutor em Educação
(UnB) e Pesquisador do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais
Anísio Teixeira (Inep). sidel.gea@gmail.com
Norma Lúcia Neris de Queiroz
Professora Substituta - Faculdade de Educação (presencial) /UNB,Doutora em
Psicologia (UnB), Mestre em Educação (Faculdade de Educação/ UnB)
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Adriana Giaqueto Jacinto
Docente do curso de Serviço Social da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais -
UNESP/ Campus de Franca, na graduação e pós-graduação.Assistente Social,Pós-
doutoral em Serviço Social (UERJ), Mestrado e Doutorado em Serviço Social pela
UNESP- Franca /São Paulo.
adriana.giaqueto@unesp.br
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Resumo: O presente artigo tem como objetivo apontar expressões conservadoras
ainda presistentes na atuação profissional de Assistentes Sociais frente as políticas
públicas. Nesse interim, delimitou-se como locus de estudo, o município de Iporá,
situado na região oeste do estado de Goiás-GO. A metodologia adotada para este
levantamento se deu através de pesquisas bibliográficas, documentais, observação
participante e vivência de campo. Os resultados apontam para a confusão e
contradição entre participantes e executores de políticas públicas, reeditando ações
conservadoras, o que demanda ampliação do campo socioeducativo do Assistente
Social no sentido da superação dessas contradições.
Palavras-chave: Assistencia Social. Conservadorismo. Trabalho.
Abstract: This article aims to point out conservative expressions still resistant in the
professional performance of Social Workers in the face of public policies. In this
interim, the municipality of Iporá, located in the western region of the state of Goiás-
GO, was delimited as a locus of study. The methodology adopted for this survey was
through bibliographic, documentary research, participant observation and field
experience. The results point to the confusion and contradiction between participants
and public policy executors, reediting conservative actions, which demands
expansion of the socio-educational field of the Social Worker in order to overcome
these contradictions.
Keywords: Social Assistance. Conservatism. Work.
INTRODUÇÃO
Este artigo é fruto das discussões trazidas na disciplina de Fundamentos do
serviço social e suas incidências na formação profissional do programa de pós
graduação em serviço social da Universidade Estadual de São Paulo - UNESP.
Assim, buscou trazer algumas considerações acerca das manifestações, ainda,
conservadoras presentes no cotidiano de trabalho do Assistente Social, em um
município de pequeno porte, situado na região oeste do estado de Goiás-GO, o qual
chamaremos de ensaios, por ser uma discussão ainda parca,mas com elementos
que incitam a reflexão e a construção de um saber crítico e ético. O município de
Iporá-GO, conta com cerca de 31.471 mil habitantes, segundo dados do (IBGE,
2021). Em se tratando do quantitativo de profissionais, no município existem hoje, na
rede pública de atendimento direto, lotado nas políticas públicas, doze (12)
Assistentes sociais no exercício da função, sendo quatro (04) na área da saúde,
quatro (04) na Assistência Social, uma (01) que compõe a equipe técnica do
Conselho Tutelar, duas (02) no Tribunal de JustiçaFórum comarca de Iporá e uma
(01) no Instituto Nacional de Seguro Social -INSS. O objetivo deste trabalho é
apresentar de que forma as expressões conservadoras se apresentam como
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entraves ao fazer profissional, com destaque na política de assistência social e
saúde mental. A metodologia utilizada neste artigo se ancora na observação
participante, na vivência, pesquisa bibliográfica e análises fundamentadas no
materialismo histórico dialético. Não se faz objeto deste trabalho discutir a questão
da saúde mental, bem como suas expressões conservadoras passadas e presentes,
porém, no decorrer do texto se fará inferência a questão da saúde mental por ser
uma particularidade do município que esbarra diretamente na sua relação com a
assistencia social. Buscou-se trazer um recorte da realidade do município no que
tange ao trabalho de Assistentes Sociais e evidenciar o enfoque na atuação
demandada pela política de Assistência Social e saúde mental deste município, no
qual, sendo campo de trabalho da autora, permitiu a observação participante,
inferindo ser um dos espaços que mais concentram expressões neoconservadoras,
contrárias as nossas defesas e lutas enquanto parte da classe trabalhadora e os
delineamentos do hegemônico projéto ético político.
2. DISCUSSÃO
2.1 Política de Assistência Social e sua breve historicidade
Retomando as primeiras formas de Assistência Social prestadas à população,
ainda sem o caráter de direito, as análises e critérios de merecimento foram
presentes em sua efetivação. Desde essas primeiras ações assistencialistas e
caritativas, convive-se com a seleção dos pobres. A “lei dos pobres” surgiu na
Inglaterra e foi o primeiro mecanismo de auxílio aos pobres de forma sistemática.
Surgiu na Idade Média, no ano de 1601, e teve sua reedição em 1834. Essas
legislações faziam distinções entre pobres “merecedores e não merecedores” para
receberem ajuda do Estado, da Igreja ou da burguesia.
Com a crescente pauperização e miséria do proletariado, o liberalismo,
principalmente de Adam Smith e David Ricardo, defendiam a “mão invisível” do
Estado, ou seja, era através do mercado que esses conflitos que se resolveriam.
Não era o Estado quem deveria interferir.
Em 1942, no Brasil, com a criação da Legião Brasileira de Assistência - LBA,
instaurase a primeira forma institucionalizada pelo Estado de “fazer” Assistência
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Social, demanda que respondia ao grande quantitativo de mulheres, crianças e
famílias órfãs dos homens que foram para segunda Guerra Mundial.
Neste interim, foi reforçado também o primeiro damismo, no qual, as esposas
dos políticos ficavam responsáveis por cuidar da parte assistencialista, das obras
caridosas, das ações de benemerência aos pobres e mais necessitados. Cristalizado
até nos tempos atuais, essa ainda é uma prática muito presente à frente da política
de Assistência Social de quase todos os estados e municípios brasileiros que a
primeira-dama assuma este espaço.
Pode-se atribuir neste caso uma questão de gênero, onde às mulheres é
delegado o cuidado com o outro, as responsáveis pela estruturação da família.
Somente em 1988, com a promulgação da Constituição Federal e o reconhecimento
da Assistência Social na tríade da seguridade social é que esta política passou a ter
seu reconhecimento como política pública, como direito dos cidadãos e não mais
como benemerência, passando a contar com financiamento disponível para
execução de suas ações. Apenas no ano de 1993 é que foi publicado a lei a qual
regulamenta a Assistência social no Brasil, Lei nº 8.742/93, Lei Orgânica de
Assistência Social (LOAS, atualizada pela Lei 12.345/11), sequentemente amparada
pela Política Nacional de Assistência Social (PNAS/2004), pela Norma Operacional
Básica de Recursos Humanos do SUAS (NOBRH/SUAS/2006), pela Norma
Operacional Básica do Sistema Único de Assistência Social (NOB/SUAS/2012), pela
Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais (2009).
2.2 APONTAMENTOS ACERCA DO CONSERVADORISMO X ASSISTÊNCIA
SOCIAL: Teoria e prática
A unanimidade dos autores que discutem sobre o conservadorismo
concordam com a localização do seu surgimento que se dá a partir da Revolução
Francesa, em 1789 (EUFRASIO, 2014). O conservadorismo se apresenta de formas
multifacetadas e diversas. De acordo com (MANNHEIM, 1959, p.101-102) existem
dois tipos de conservadorismo, “há o tipo que é mais ou menos universal e, por
outro, há o tipo definitivamente moderno, que é produto de circunstâncias históricas
e sociais particulares e que tem suas tradições, forma e estruturas próprias e
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peculiares”. O mesmo autor complementa que tradicionalismo e conservadorismo
não são unívocos e não querem dizer a mesma coisa.
O conservadorismo, em certo sentido, surgiu do tradicionalismo: de fato, ele
é primordialmente nada mais que o tradicionalismo tornado consciente.
Apesar disso, os dois são sinônimos, na medida em que o tradicionalismo
só assume seus traços especificamente conservadores quando ele se torna
expressão de um modo de vida e pensamento extremamente definido e
conscientemente mantido relativamente autônomo no processo social.
(MANNHEIM, 1959, p.111).
De acordo com (NETTO, 2011a) o conservadorismo está muito bem
delimitado no tempo e na história da cultura ocidental e sua funcionalidade está
circunscrita aos interesses da burguesia. Nesta mesma direção, (EUFRASIO, 2014,
p.33) salienta que O pensamento conservador vem se reconfigurando em diferentes
períodos históricos, mas o seu conteúdo essencial de preservação da ordem social
dominante e de luta contra qualquer forma de transformação social em favor da
classe trabalhadora permanece vivo em nossa sociedade.
Ao revisitar a história do Serviço Social no Brasil, tem-se que esta é uma
profissão que nasceu vinculada ao pensamento conservador (NETTO, 2011a).
Marilda Vilela Iamamoto foi uma das primeiras autoras no campo do Serviço Social
brasileiro, a escrever sobre os fundamentos do conservadorismo na profissão,
pautada em uma teoria social crítica, a marxista. A autora situa que as marcas de
origem da profissão estão situadas no “bojo do reformismo conservador” no Brasil,
estas renovam e preservam “seus compromissos sociopolíticos com o
conservadorismo, no decorrer da evolução do Serviço Social” (IAMAMOTO, 2008, p.
17).
Apesar da vertente e dos direcionamentos que a intenção de ruptura com o
conservadorismo, última fase do movimento de reconceituação do serviço social,
trouxe aos moldes da profissão e aos profissionais, ainda são muitos os desafios
vivenciados no cotidiano de trabalho. Aqui, neste artigo,optou-se por trazer
aspectos conservadores que rebatem na política de Assistência Social como espaço
de trabalho de Assistentes Sociais do município de IporáGO.
A política de assistência social representa hoje um dos espaços
sociocupacionais que mais tem empregado Assistentes Sociais, os quais são
“executores terminais de políticas públicas” (NETTO, 2009). Esta política tem
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representado historicamente, desde sua conquista como direito social em 1988, a
responsabilização direta e clara do Estado em ofertar de forma contínua à quem
dela necessitar: proteção social básica e quando necessário, proteção social
especial de média e alta complexidade. Nesse rol, inserem-se a garantia de serviços
voltados para o fortalecimento de vínculos familiares, prevenção e superação de
riscos sociais e violências diversas, bem como programas de transferência de renda,
vigilância territorial, dentre outros.
Acerca da representação desta política nos dias atuais, corrobora-se que “[...]
a assistência social contemporânea, reconhecida legalmente como política social,
guarda traços das primeiras medidas filantrópicas, o que ajuda a explicar a insistente
permanência de confusão entre assistencialismo, assistência social e benemerência”
(BOSCHETTI, 2016, p.83).
É instaurado nas entrelinhas desta confusão que trabalham os profissionais
de Serviço Social, transformados e nomeados pelas tipificações da Assistência
social e dos serviços (CRAS, CREAS, SCFV, PAIF, PAEF)5 como técnicos de
referência de nível superior. Esta caracterização técnica não é por acaso, é uma
imposição de que o trabalho seja desenvolvido num viés exclusivamente tecnificado,
esvaziado das análises políticas, éticas e dialéticas presentes nas dimensões
constitutivas do fazer profissional do Assistente Social. Técnico porque são
processos que eliminam as especificidades da profissão numa vertente de
atendimento sempre conjunto, denominado psicossocial, e limitando à “casos”.
3. FRAGMENTOS DA REALIDADE DO TRABALHO PROFISSIONAL
Trazendo para o campo de trabalho da política de Assistencial social no
município estudado, tem-se a primeira-dama como a secretária de Assistência
Social. Mesmo com as mudanças e os novos contornos dados a política de
assistência social, avalia-se que a legislação em si não dá conta de esvaziar de
antigos hábitos e práticas históricas atreladas ao primeiro damismo.
Sobre esta questão, podemos afirmar que o pensamento conservador se
concentra sobre o passado na medida em que o passado sobrevive através do
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presente; o pensamento burguês, essencialmente devotado ao presente, alimenta-
se do que é novo agora [...] ( MANNHEIM, 1959, p. 125) (grifo nosso).
Continuando nossa reflexão, as coordenações dos serviços socioassistenciais
(CRAS, CREAS, SCFV, CASA LAR, etc.) em sua grande maioria não são ocupados
por capacidade de formação ou conhecimento relacionado à área, das
coordenadoras do município, nenhuma delas tem formação que minimamente se
aproxima das políticas de seguridade social, apesar de não ser uma exigência para
tal, entende-se que muito se ganha quando o gestor da política sabe minimante com
o que está lidando. Todos são cargos de indicação, nenhuma é efetiva, o que torna
mais fragilizado os posicionamentos e confrontos quando necessário com o poder
executivo e os demais.
Uma outra forte tendência observada se manifesta no fundamentalismo
religioso. Nos espaços de trabalho da assistencial social, que deveriam ser
legalmente e constitucionalmente um espaço laico, espraia-se largamente a
tendenciosa, antiga e velha conhecida: fundamentação religiosa, usada para
designar alguns fenômenos das expressões da questão social e para as justificativas
de mazelas sociais como falta de Deus ou falta de esforço do indivíduo. Os apelos
morais e a imposição da religião sobre os outros se apresentam como uma violação
das expressões religiosas, em um espaço que não cabe tal prática. Ainda mais
quando tais práticas se estendem aos usuários do serviço ou durante atendimentos
em que apelos religiosos são lançados, na tentativa de convencimento para tal na
“melhora do indivíduo e família”, ou sobre os mais fragilizados, à exemplo das
pessoas em situação de rua para sua libertação e mudança de vida,
arrependimento.
Sobre este aspecto, sabemos que a religião desenvolve um papel muito
importante no que se refere a conservação da ordem social e perpetuação do
conservadorismo ao lado do Estado. O conservadorismo não “existe
independentemente dos indivíduos que o realizam na prática e que o incorporam em
suas ações” (MANNHEIM, 1959, p.103) o que significa dizer que precisamos tê-lo
incorporado para reproduzi-lo.
Ainda sobre a política de assistência social, as interferências no trabalho do
(a) Assistente Social também são rotineiras, tentativas de delegar o que o Assistente
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Social deve fazer em cada caso, ou de “substituir” o assistente social, passando por
cima de seus posicionamentos e defesas profissionais, dando “soluções prontas”
para os “casos”. Exemplo disso é a internação involuntária de usuários de saúde
mental e dependentes químicos e alcoólicos.
O referido município não conta com Centro de Atenção Psicossocial (CAPS),
que são as unidades de saúde as quais prestam atendimento e suporte na área de
saúde mental e dependência pelo uso abusivo de álcool e drogas. As demandas
destinadas à assistência social, as quais poderiam serem atendidas por um CAPS,
quando não identificadas e tratadas a tempo, tendem a se agravar e passam a
incorporar outras demandas que deixam o usuário de saúde mental em
vulnerabilidade social, em condições desumanas e degradantes, como quebra do
vínculo familiar, conflitos intrafamiliares, vítimas ou autores de violência, situação de
rua, dentre outras.
Com a falta do CAPS, estas demandas precisariam ser acompanhadas em
conjunto (assistência social e saúde), consideradas as vulnerabilidades e
fragilidades que a família enfrenta, entretanto, é necessário o encaminhamento dos
usuários de saúde mental para receberem atendimento na capital – Goiânia/GO, que
fica a 220 km, através do sistema de regulação do Sistema único de Saúde -SUS.
Muitos usuários e familiares não conseguem dar conta da dinâmica de saírem
na madrugada do seu município de origem, ficarem horas esperando serem
atendidos e depois horas no retorno para casa, sem terem recursos financeiros para
se alimentarem no percurso, com medo dos imprevistos e previstos. Corrobora-se
com (LIMA & GONÇALVES, 2019) que a oferta do serviço não garante o acesso.
Mesmo que o município tenha consórcio/convênio que oferta vaga em psiquiatria na
capital, esta não é a realidade que vai atender as necessidades da população.
Existem vários elementos que não dependem apenas dos recursos institucionais
existentes, ou da mera oferta do serviço (LIMA, GONÇALVES, 2019).
Enquanto isso, o serviço de Proteção Social de média complexidade –
CREAS, é inflado com demandas em saúde mental, pois tem-se o equívoco de que
a assistência social precisa dar conta de solucionar estes impasses. Muitos órgãos
locais já naturalizaram o fato de designarem e encaminharemesse tipo de
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requisições para que o CREAS providencie o acompanhamento e solução dos
“problemas” em saúde mental.
E daí, não é dizer que não é responsabilidade do CREAS em atender estes
usuários e suas famílias, principalmente no que se trata de álcool e drogas, porém,
dentro do que é preconizado na Política Nacional de Assistência Social, do Sistema
único de Assistência Social e outras normativas complementares, mas ocorre que
quase sempre é demandado que se excedam as competências enquanto política
pública, a qual está estruturada para prestar serviços socioassistenciais e não de
saúde. O que deveria ser um trabalho conjunto entre as políticas intersetoriais,
acabam assumindo um viés de se livrar do usuário e não atender seus direitos de
forma satisfatória e com qualidade, ficando por vezes à mercê.
Mesmo com a tentativa de articulação entre as políticas, as experiências são
frustradas porque a alegação é de que o município “não conta com médico
psiquiatra na rede pública de saúde, faltam recursos, falta leito psiquiátrico, faltam
profissionais, faltam...” Assim sendo, restam duas opções: a primeira é
responsabilizar que o usuário e/ou sua família assumam e paguem por uma consulta
médica ou clínica particular em psiquiatria, fomentando e fortalecendo o projeto
privatista em saúde ou que a gestão seja direcionada em casos extremos, a pagar
clínicas particulares responsáveis por internações, nas repetidas vezes,
involuntárias, contra a vontade do usuário.
O Serviço Social em si, é contrário à essas duas opções apresentadas. A
categoria profissional de Serviço Social e as suas entidades representativas
CFESS/CRESS se posicionam contra políticas restritivas e modalidades de
encarceramento. A categoria defende políticas antimanicomiais e a política de
redução de danos. Ainda assim, prevalecem as amarras conservadoras na política
de assistência social, indo contra o indicativo do Assistente Social, prezando por
manter a ordem social e a eliminação dos “problemas sociais” que tanto incomodam
aos olhos da sociedade.
A higienização dos corpos e ambientes também é requisitada como de
responsabilidade do Assistente Social. Como nos tempos de serviço social de caso,
grupo e comunidade, a noção de que cabe à nós este tipo de vigilância, parte tanto
da própria população e órgãos equivalentes, quanto das equipes de saúde,
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enfermeiros e agentes comunitários de saúde. Inferências errôneas e incompatíveis
com nossas competências e atribuições privativas conforme lei 8.662/93.
Uma das mais conhecidas e não abandonadas práticas também demandadas
ao Assistente Social é a seleção de usuários para a inserção em políticas
focalizadas. No ano de 2020, 2021 e ainda se estende no ano corrente, a pandemia
covid-19 intensificou- se a requisição por benefícios eventuais e gêneros
alimentícios para garantir a segurança alimentar. Nesse interim, o assistente social é
demandado pela lógica do:
Surgimento de uma tecnicização mínima, já que os “prestadores” da ação
assistencial assumem atribuições como avaliar as situações em que deve
intervir, selecionar os “merecedores” de auxílio, definir categorias, conhecer
a população, seja para assistila ou para excluí-la dos benefícios
assistenciais (boschetti, 2016, p.83).
As entregas de cestas básicas tiveram que passar por análise do assistente
social, condição desnecessária, uma vez que não é necessária nenhuma técnica
privativa deste profissional para tal. A alimentação é um direito de todos e na
situação de Estado de calamidade pública em que se passara, bem como a perda
dos campos de trabalho que impactam diretamente na renda das famílias, faz-se
necessário atentar para esses condicionantes.
Com o imediatismo das mídias e redes sociais, isso também se tornou um
percalço quando pensado na distribuição de benefícios eventuais como gêneros
alimentícios, cadeira de rodas, cadeira de banho, dentre outros, pois, na frequência
da naturalização das selfies e fotos, muitos usuários se sentem em uma condição
vexatória ao se exporem ou serem expostos, nas mídias sociais da gestão,
recebendo algum tipo desses benefícios, dos quais esses fazem questão de exibir.
O que é direito, passa a ser para alguns motivo de receio e vergonha.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com se pôde apreender no decorrer deste ensaio, muitas coisas são
desconstruídas, outras são reforçadas ou reeditadas. Assim também é com o
conservadorismo. Fundamentação que esteve presente desde a Revolução
Francesa, passou pelo surgimento e institucionalização do serviços social no Brasil
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como profissão e, continua obtendo fortes influências na sociedade e nas formas de
se organizar das classes sociais.
São velhas e novas expressões editadas e reeditadas, as quais se fazer
presentes no cotidiano e inferem diretamente na atuação do assistente social e nas
respostas que este profissional dá as expressões da questão social latentes e
agravadas pelo avanço do nefasto capitalismo, são novas requisições e formas de
reorganização que trazem decorrências contrárias ao projeto ético político
profissional da categoria e aos princípios fundamentais que norteiam a atuação do
Assistente Social.
Entretanto, este não é motivo de entrega, como salienta (BARROCO, 201, p.
215) “Se temos uma herança conservadora, temos também uma história de ruptura”,
e é confiante nesta afirmativa que seguiremos lutando para resistirmos em meio a
tantos desafios. Nosso projeto ético político não é só um projeto profissional, ele
caracteriza-se também como um projeto societário, que incorpora demandas
coletivas.
Nesse sentido, precisamos enquanto categoria profissional lutar pela
eliminação dessas expressões conservadoras tão frequentes, aqui trazidas na
política de assistência social que se espraia no leque de todas as políticas sociais,
mas ainda encontra fortes lastros na assistência social. O desconhecimento dos
gestores e demais atores da rede, acerca das atribuições e competências do(a)
Assistente Social, bem como dos espaços em que ele ocupa, exige destes a
intensificação da dimenção socioeducativa, visando desfazer entendimentos
enviesados da profissão e suas requisições.
REFERÊNCIAS
BARROCO. M.L.S. Barbárie e neoconservadorismo: os desafios do projeto
ético-político Serv. Soc. Soc., São Paulo, n. 106, p. 205-218, abr./jun. 2011.
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O DIREITO À ASSISTÊNCIA SOCIAL NO PÓS-CONSTITUIÇÃO
FEDERAL DE 1988 E OS REBATIMENTOS CONJUNTURAIS DA
DÉCADA DE 1990
DOI: 10.5281/zenodo.7153033
Mayra Hellen Vieira de Andrade
Mestra em Serviço Social; servidora pública municipal na Prefeitura de Cuitegi/PB,
na função de assistente social; mayra-hellen@hotmail.com.
Leid Jane Modesto da Silva
Mestra em Serviço Social; servidora pública na prefeitura municipal de Juazeiro do
Norte/CE; leid.modesto@gmail.com.
Lívia Maria Sales de Sousa
Assistente Social, empregada na Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares
(EBSERH); especialista em Serviço Social, políticas públicas e direitos sociais,
liviamsales@hotmail.com.
RESUMO: O presente artigo objetiva analisar a política de assistência social à luz do
direito social e os influxos da racionalidade burguesa na materialização dos serviços
socioassistenciais, após a promulgação da Constituição Federal de 1988. A
assistencia social compõe o tripé da Seguridade Social e é política pública não
contributiva voltada para combater as desigualdades sociais. Nesta direção, este
texto privilegia a análise da configuração da política de assistência social no
movimento contraditório do capital financeiro, bem como os ataques à política, sendo
esses decorrentes do avanço da ofensiva neoliberal. Metodologicamente, trata-se de
pesquisa bibliográfica e levantamento documental, orientado pelo materialismo
histórico-dialético, tendo o último centrado nos mecanimos normativos que
implementam a política em destaque. Os resultados obtidos certificaram que na
contemporaneidade o direito à assistência social assume critérios cada vez mais
seletivos e focalizados, condensando múltiplas desigualdades, que agravam a
situação daqueles que necessitam de assistência integral e modificam os padrões de
proteção social. Ademais, evidenciou-se que a concepção de cidadão sujeito de
direitos passa a ser tratada como cidadão consumidor de serviços, o que fere o
princípio de acesso para quem dela necessitar. Por fim, ressalta-se que o artigo
busca apresentar avanços e recuos sofridos pela política de assistência social, em
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sua trajetória histórica de garantir acesso a bens e serviços como direito social e de
cidadania da população usuária.
Palavras-chave: Direito social. Assistência Social. Capital financeiro.
ABSTRACT: This article aims to analyze the social assistance policy in the light of
social law and the influxes of bourgeois rationality in the materialization of social
assistance services, after the promulgation of the Federal Constitution of 1988.
contribution aimed at combating social inequalities. In this direction, this text
privileges the analysis of the configuration of the social assistance policy in the
contradictory movement of financial capital, as well as the attacks on politics, which
are the result of the advance of the neoliberal offensive. Methodologically, it is a
bibliographic research and documental survey, guided by historical-dialectical
materialism, with the latter centered on the normative mechanisms that implement
the highlighted policy. The results obtained certify that, in contemporary times, the
right to social assistance assumes increasingly selective and focused criteria,
condensing multiple inequalities, which worsen the situation of those who need
comprehensive assistance and modify the standards of social protection.
Furthermore, it became evident that the concept of a citizen subject to rights is now
treated as a citizen who consumes services, which violates the principle of access for
those who need it. Finally, it is noteworthy that the article seeks to present advances
and setbacks suffered by the social assistance policy, in its historical trajectory of
guaranteeing access to goods and services as a social and citizenship right of the
user population.
Keywords: Social law. Social assistance. Financial capital.
INTRODUÇÃO
O movimento ocorrido no âmbito da proteção social, a partir dos últimos anos
da década de 1990, modificou intensamente a gestão e a execução das políticas
sociais. O processo sócio-histórico e político que marca o debate da formulação da
Constituição Federal de 1988 expressa o espaço de luta contínua que a garantia dos
direitos sociais demanda no movimento contraditório da realidade.
Sendo assim, o objetivo deste trabalho é analisar a política de assistência
social à luz do direito social e os influxos da racionalidade burguesa na
materialização dos serviços socioassistenciais, visando realizar uma leitura
alternativa frente às perspectivas estimuladas no pós-promulgação da CF/88 em
confronto com os desdobramentos da década de 1990.
Busca-se apreender as principais modificações operadas no âmbito da
política de assistência social diante do avanço da ofensiva neoliberal, a fim de
revelar o cenário no qual os usuários estão inseridos, bem como apontar a estrutura
dos serviços ofertados.
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Embora a assistência social componha o tripé da Seguridade Social
juntamente com a saúde e a previdência social, na contemporaneidade ela tem
respondido às demandas dos segmentos sociais mais pauperizados com ações de
caráter residual, compensatório e focalizado, sendo essas propostas pelo projeto
político hegemônico que acirra o desmonte dos direitos sociais.
Desse modo, ações, serviços e benefícios não atingem a todos que deles
necessitam, o que faz com que as vulnerabilidades se agravem. A ausência de
respostas que promovam um caráter transformador reatualiza o viés moralista e
individualista que revela o movimento contraditório da política em questão.
ASSISTÊNCIA SOCIAL ENQUANTO POLÍTICA CONSTITUTIVA DA
SEGURIDADE SOCIAL
As determinações advindas do processo que culminou na promulgação da
Constituição Federal de 1988 demonstram uma nova perspectiva para a proteção
social brasileira, ao apontar para um cenário de ações bem definidas com fins a
resgatar a dignidade humana de todos que necessitam de uma intervenção
qualificada por parte do Poder Público.
A CF/88 representa um marco legal fundamental na trajetória da política de
assistência social, principalmente no que se refere ao processode seu
reconhecimento enquanto direito de todos e dever do Estado, uma vez que junto
com a saúde e a previdência social, passou a compor o tripé da seguridade social.
Analisando os fundamentos sócio-históricos da Seguridade Social brasileira,
percebe-se que há um caráter híbrido de modelo de gestão que une as perspectivas
da contributividade (bismarckiana alemã) e da universalidade (beveridgeana inglesa)
(BOSCHETTI, 2009).
A sistematização da seguridade social se dá num movimento dialético,
contraditório e representa um conjunto de conquistas da classe trabalhadora na sua
luta histórica por melhores condições de vida e de trabalho. O encaminhamento da
intervenção do Estado depende da luta dos trabalhadores e do grau de absorção
das demandas desses pelo capital.
Assim, as políticas de seguridade social não são concebidas como um
mecanismo exclusivo de controle das classes subalternas por parte da
classe dominante, nem tampouco como um resultado apenas das
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conquistas dos trabalhadores contra a exploração capitalista, ou mesmo um
arranjo estrutural inerente a uma determinada fase de desenvolvimento do
capitalismo [...] (MOTA, 2015, p. 137-138).
O reconhecimento da assistência social como política pública não contributiva
e garantida constitucionalmente resulta de um longo processo de luta da classe
trabalhadora, visto que o Brasil por muitos anos foi carente de serviços que se
voltassem para assistir aos segmentos mais pauperizados da sociedade capitalista.
Isso se dá pelo posicionamento deficitário de um Estado com traços clientelista,
autoritário, patrimonialista e conservador. Desse modo, a assistência era exercida
por práticas de benemerência e de caridade por meio de ações de caráter
filantrópico (MOTA, 2010).
Contudo, a aprovação da Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), em
1993, veio normatizar e regularizar a visibilidade da assistência social como política
pública e o fortalecimento dessa legitimidade foi se dando gradativamente.
Posteriormente, as entidades de forma organizada conseguiram aprovar a Política
Nacional de Assistência Social (PNAS/2004), que tratou de reorganizar os serviços
socioassistenciais, através do estabelecimento de diretrizes voltadas para legitimar a
assistência social enquanto direito de cidadania e responsabilidade do Estado.
Jaccoud, Bichir e Mesquita (2017, p. 42), afirmam que:
Avançando para além das categorias de vulnerabilidade e risco, o texto da
PNAS afirma, como eixos organizadores das ofertas, as seguintes
seguranças: sobrevivência ou renda, de convívio familiar e de acolhida.
Enquanto a segurança de renda deve ser provida pelos benefícios
assistenciais, de natureza não contributiva, as demais seguranças referem-
se a serviços, organizados em dois níveis de complexidade—básica e
especial—e sob encargo de equipamentos públicos diferenciados, os
Centros de Referência de Assistência Social (Cras) e os Centros de
Referência Especializados de Assistência Social (Creas), além da rede
pública e privada voltada a públicos e atendimentos específicos.
Sendo assim, a PNAS veio contribuir com a integração da rede
socioassitencial fortalecendo a responsabilidade da gestão pública no campo da
oferta e execução dos serviços. Ademais, as seguranças afiançadas ampliaram a
cobertura da análise territorial na defesa e garantia de direitos, bem como na
promoção da cidadania.
Em 2005, com a deliberação, construção e implementação de um sistema
cujo modelo de gestão é descentralizado e participativo, denominado de Sistema
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Único de Assistência Social (SUAS), a assistência social avança na captação de
recursos nas três esferas gestoras (União, Estados, Municípios) para sua
materialização.
Com os avanços trazidos pelas legislações vigentes, por meio de um amplo
quadro de direitos e serviços referenciados, o foco da política de assistência social
volta-se para os grupos familiares mais pauperizados, por meio da execução de
ações e serviços intersetoriais que primam pela proteção e inclusão social.
É pertinente destacar um aspecto peculiar que se mantém inalterado quando
se analisa a trajetória da política de assistência social: o seu tratamento como ação
complementar, que concede à política um papel meramente suplementar dos
serviços, apesar de sua natureza transversal frente às demais políticas sociais.
Embora a CF/88 tenha expressado a ampliação dos direitos sociais, através
do compromisso assumido com a universalização da proteção social, os anos de
1990 trouxeram um cenário bastante desafiador com o avanço da ofensiva
neoliberal e os princípios privatizantes.
Esse cenário é marcado pelo trinômio do neoliberalismo para as políticas
sociais: privatização, focalização e descentralização, em um contexto de
enxugamento da responsabilidade do Estado, sendo essa transferida para a
sociedade civil.
Conforme afirma Fechine, Rocha e Cunha (2014, p. 60):
Nesse contexto, ganham força as perspectivas de voluntariado e ajuda
mútua, redirecionando o atendimento da política pública aos chamados
terceiro setor, através de ajuda mútua e de caridade, com sérias
implicações aos direitos sociais na medida em que transfere a
responsabilidade do Estado na condução das políticas sociais.
Isto posto, compreende-se que as políticas sociais, sobretudo a de
assistência social, sofreram intensas modificações na década de 1990 e que se
arrastam até os dias atuais, sustentadas pelo discurso de que os gastos sociais
estariam prejudicando a economia. Com isso, os serviços se tornaram cada vez
mais focalizados e com poucos recursos para serem executados, diante da
supressão dos direitos sociais.
Assim, os usuários da assistência social representam uma grande parcela da
sociedade que se encontra submetida a condições de miséria e vunerabilidade
social, sendo essas fruto de processos de exclusão social, violência e desigualdades
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no acesso às condições dignas para se viver. Nota-se que a assistência social se
apresenta na contemporaneidade desmontada e contrária a sua proposta inicial,
como reflexo dos processos de contrarreforma, mas que mesmo assim conta com
organizações políticas de trabalhadores e usuários que lutam diariamente pela sua
implementação.
Dessa forma, a seguir, buscar-se-á apresentar como se configuram as
contradições postas à proteção social sob a influência do movimento de reprodução
do capital, que demarca um cenário de desconstrução da assistência social como
política pública não contributiva, direito do cidadão e dever do Estado.
Análise da proteção social a partir do movimento de reprodução das
contradições do sistema capitalista
O sistema capitalista apresenta em sua essência uma contradição
fundamental ao seu desenvolvimento político e econômico, leia-se: uma produção
cada vez mais coletiva seguida de uma apropriação privada do trabalho. É a forma
de acumulação centralizada que gera as mais variadas expressões da questão
social – objeto de trabalho de assistentes sociais –, dentre as quais se destaca:
pobreza, desemprego, manipulação e exploração da força de trabalho e
pauperização.
Além disso, as ideologias propagadas dentro dessesistema não apresentam
caráter neutro, uma vez que os interesses de classes e grupos sociais particulares
vão se legitimando dentro das contradições postas pelo capital.
É notório que quanto maior for à expansão do capitalismo, maior será a
exploração das forças produtivas, tendo em vista que os capitalistas buscam novas
estratégias para aumentar suas riquezas e que essas são sempre apropriadas pelo
tempo de trabalho excedente. Não é à toa que as crises são inerentes à dinâmica do
capital, de modo que em períodos de crise o acúmulo dessas riquezas encontra-se
ameaçado e os capitalistas necessitam fortalecer articulações para reanimar a
produção e a reprodução social.
Vale ressaltar, que os objetivos da produção capitalista não estão voltados
para atender às necessidades humanas, mas sim às necessidades econômicas e
políticas. Sendo assim, a reprodução ampliada do capital refere-se ao investimento
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de parte da mais-valia apropriada pelo capitalista para cobrir seus gastos pessoais e
a outra parte é reinvestida na produção.
Portanto, a transformação da composição orgânica do capital é de suma
importância nesse processo, visto que se aumenta o investimento nas máquinas,
resultando no crescimento da produção num espaço menor de tempo, e diminui o
investimento na força de trabalho, ocasionando desemprego e pauperização.
Tendo em vista que, o processo de acumulação capitalista vai buscando
mecanismos de centralizar-se cada vez mais, decorrerá a necessidade de que exista
um sistema de crédito que permita o consumo da classe trabalhadora, posto que o
objetivo do capital é o aumento da produtividade através da utilização do
maquinário, que em contrapartida, eleva os índices de desemprego. Isso decorre, na
atualidade, de duas formas de acumulação: a que é produzida no âmbito da
produção e a outra na financeirização.
Dessa maneira, as crises, com o avanço do capitalismo e das formas de
acumulação, tornam-se cada vez mais difíceis de serem superadas, já que o
processo de acumulação não resulta mais somente da produção.
Em nível de Brasil, os programas de transferência de renda têm sido
apontados na esfera pública contemporânea como um dos mecanismos de alívio
imediato da pobreza, uma vez que não implicam na minimização da desigualdade
socioeconômica, ao não apresentar em suas estruturas medidas que busquem
romper com as barreiras que impedem a transformação da realidade dos sujeitos.
Yazbek (2012) esclarece a existência de uma dicotomia envolta dos
programas de transferência de renda que transita entre o alívio da pobreza, de forma
muito pontual; e a não erradicação da desigualdade econômica e social, pondo-se a
serviço do capital no processo de reprodução da força de trabalho.
Além disso, é necessário destacar que a centralização de capitais não se
volta apenas para a esfera econômica, mas sim em um processo global que envolve
todo o universo das relações sociais definindo os tipos de gerenciamento estatais, e
até mesmo as formas de proteção social, considerando que não se pode separar a
análise da proteção social sem retornar aos aparatos históricos que a define.
Partindo da perspectiva crítica, pode-se afirmar que a proteção social tem um
caráter contraditório, uma vez que está inserida no âmbito da sociedade capitalista,
de um lado, visando atender as necessidades existentes e do outro, envolvendo os
interesses da classe dominante. Sendo, dessa maneira, simultaneamente unidade e
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luta dos contrários, pois esta correlação existe para fatos reais e históricos, para
assim elaborar transformações concretas.
Dessa forma, este estudo aborda a proteção social associada às respostas
dadas ao conjunto das desigualdades sociais geradas pela exploração do capital
sobre o trabalho humano e inserido na sociedade capitalista burguesa. Conforme
Pereira (2013), essa proteção social gestada pelo Estado burguês busca conciliar
interesses antagônicos entre classes distintas.
Assim, é com a estruturação do capitalismo globalizado que se consolida as
condições para o desenvolvimento da proteção social, posto que, os processos de
trabalho impactaram na produção e reprodução da vida social, culminando no
agravamento da exploração da força de trabalho assalariada ou não em várias
dimensões da vida, agudizando as desigualdades sociais que geram novas
necessidades, bem como, a organização da classe trabalhadora frente a esse
cenário. Com isso, nota-se que é a partir das refrações das desigualdades
expressas na sociedade que a proteção social se institucionaliza.
Para Viana e Levcovitz apud Cavalcante (2012), a institucionalização dos
sistemas de proteção social estão associados intrinsecamente aos processos
econômicos e políticos frutos do intenso e famigerado capitalismo contemporâneo.
Nessa mesma trilha de exposição, Behring e Bochetti (2011) abordam em
seus escritos que é a partir do enfrentamento das expressões da questão social que
emergem estratégias para o enfrentamento através das políticas sociais e as formas
de proteção social.
O alcance da proteção social está ligado à capacidade e às condições
presentes na correlação de forças no seio da sociedade civil. Por sua vez, as
consequências originadas do processo de industrialização contribuíram para a
continuidade da dependência econômica e do agravamento das expressões da
questão social.
A dinâmica das relações de poder estabelecidas entre o Estado e os
diferentes setores da sociedade capitalista é fator fulcral pela forma determinada de
institucionalização de estruturas insuficientes de proteção social.
Nesse contexto, tem-se que as transformações decorrentes do modo de
produção capitalista marcaram profundamente a proteção social na sociedade.
Assim, Sposati (2013, p. 656) afirma que:
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A lógica da sociedade do capital é antagônica à proteção social por
considerá-la expressão de dependência, e atribui às ações o contorno de
manifestação de tutela e assistencialismo, em contraponto a liberdade e
autonomia que, pelos valores da sociedade do capital, devem ser exercidas
pelo “indivíduo” estimulando sua competição e desafio empreendedor.
Nesse ambiente, a proteção social é estigmatizada no conjunto da ação
estatal e, por consequência, esse estigma se espraia àqueles que usam de
duas atenções e, até mesmo, a quem nela trabalha.
A proteção social, principalmente na América Latina e no Brasil, vem
desempenhando um papel fundamental de mantenedora das estratégias que se
consolidam no âmbito estatal para manutenção e reprodução da estrutura de poder.
A sua implementação ocorreu centrada na inserção dos benefícios sociais com viés
contributivo.
O capitalismo tardio, dependente e periférico, provoca uma relação paradoxal
com a proteção social fragmentada na América Latina, gerando uma onda de
desproteção social. Esse processo faz com que surjam as preferências individuais
em detrimento das necessidades básicas coletivas, transformando o direito em
mercadoria.
Nesse aspecto, a proteção social torna-se mecanismo crescente da
legitimação da ordem dominante. O Estado é cooptado pela burguesia e há um
esvaziamento da função política dos interessesdos cidadãos, fragilizando os atores
sociais da classe que vive do trabalho.
O sistema de proteção social brasileiro possui particularidades históricas
fixadas desde o surgimento e desenvolvimento do sistema de proteção social. Essas
são decorrentes das determinações estruturais e conjunturais do modo de produção
capitalista e o processo de formação políticas e econômica do país, sendo
indissociáveis para essa discussão.
Conforme aponta Raichelis (2013, p. 631-632, grifos da autora):
As políticas sociais e o sistema de proteção brasileiro, no contexto da crise
internacional, reproduzem em grande medida os traços regressivos das
tendências assinaladas, entre as quais: predomínio de políticas focalizadas
na extrema pobreza em detrimento de políticas sociais universais; ênfase
nas condicionalidades ou contrapartidas como mecanismo de controle
seletivo do acesso a benefícios a que os usuários teriam direito; substituição
de análises socioeconômicas dos determinantes da pobreza por
argumentos morais com base em comportamentos desvian- tes como
causadores da pobreza; culpabilização dos pobres pela sua situação de
privação; revalorização da família como principal canal de absorção dos
“novos riscos sociais”
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No entanto, é a partir da Constituição Federal de 1988 que se tem o marco
regulatório da proteção social no Brasil, sendo esse imbricado ao movimento
contraditório de produção e reprodução do sistema capitalista. Ao ponto que as
ideias progressistas expressas na Carta Magna foram na contramão dos avanços
conquistados no ano de 1988, pois havia o objetivo de adequar o país a economia
internacional e aos ditames dos organismos internacionais reguladores do grande
capital.
Nesse momento, estabeleceu-se uma relação tensa entre a lógica que
permeia a garantia e expansão da proteção social; e a exigência da atuação estatal
que busca a defesa do capital como garantidor na relação do mercado.
A assistência social, política pública de proteção social, através do Sistema
Único de Assistência Social (SUAS), definiu as seguranças sociais sob a sua
responsabilidade, passando a atuar com a operação de benefícios monetários de
víeis não contributivo, na perspectiva de redução da pobreza, enfrentamento de
vulnerabilidades e riscos ou violação de direitos individuais e sociais. Em um
primeiro momento, a institucionalização da assistência social como uma das áreas
governamentais responsável pela proteção social surge como um mix de iniciativas
que iam a favor e contra a sua institucionalização como política pública de proteção
social. Em relação à assistência social, Sposati (2013, p. 649-650), afirma que:
No caso da assistência social, está política precisou sofrer reciclagem na
sua tradicional concepção liberal: se antes era considerada um colchão
protetor de possíveis resvalos dos mais pobres para abaixo de uma linha de
pobreza oficialmente arbitrada, hoje ela funciona como um trampolim, na
concepção do Banco Mundial, cuja principal tarefa é ativar os pobres fora de
seu âmbito rumo a sua autossustentação. Este é o grande e “meritório”
trabalho exigido dos profissionais que atuam nessa área: ser ativadores ou
empoderadores não exatamente de pessoas (o que já seria estranho), mas
da expansão do mercado. Isso porque, a proteção social nunca esteve,
como agora, tão associada ao trabalho assalariado, à renda, ao mérito
associado ao poder de consumo, ao consumo conspícuo, à lógica e, por
isso, nunca esteve tão distanciada da proteção social como um direito
devido e desmercadorizado.
Nessa perspectiva, a noção de proteção social afasta-se da concepção de
direito do trabalhador de estar protegido e assistido contra as consequências
advindas da exploração do trabalho. Assim, o campo da assistência, assim como a
política de saúde, não realiza assepsia de cidadão como inseridos ou não no
mercado de trabalho formal. Opera para além do indivíduo, estende-se na
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introdução da família como núcleo de proteção. Assim, a introdução da política de
assistência social no âmbito da seguridade social foi menos resultante de uma
proposta articulada nessa direção, pois inexistiam movimentos pró-seguridade
social.
Ademais desse processo, pode-se aferir ainda que o tratamento que tem sido
direcionado à proteção social é aquele que coloca a política social no status de
política focalizada na pobreza, para minimização das desigualdades sociais e, não
para a sua eliminação, tendo como foco os pobres e extremamente pobres a partir
da Constituição Federal de 1988.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O pressuposto das reflexões ora levantadas é que a materialização do direito
ao acesso aos serviços de assistência social deparou-se com as transformações
estruturais decorrentes da mundialização financeira que marcou o movimento de
reconfiguração do capitalismo. É neste contexto mundial que as reformas neoliberais
afetam diretamente o campo das políticas sociais, fragilizando o sistema de proteção
social, através dos intensos cortes nos gastos sociais e da redução da intervenção
estatal.
Ratifica-se que as análises desenvolvidas ao longo do texto estão longe de
esgotar a complexidade desse movimento de tendências regressivas que marcam o
sistema de proteção social, sobretudo o direito à assistência social. Contudo, busca-
se reafirmar a defesa de uma proteção social ampliada, contrária aos ideais da
mercantilização dos serviços públicos.
A política de assistência social na contemporaneidade adquire centralidade
perante as demais políticas, embora a sua intervenção continue centralizada nos
segmentos mais pauperizados da classe trabalhadora. Observa-se que esta
centralidade se dá em razão da necessidade que o capital tem de manter fases de
coesão social, o que vem impactando diretamente a atuação de assistentes sociais,
principalmente ao lançar grandes desafios no campo das competências e atribuições
privativas.
Identifica-se a exigência por profissionais com perfis mais tecnicistas,
acríticos, que se disponha a executar ações que fortaleçam a base conservadora
que prima pelo controle da classe trabalhadora. Assim, os profissionais do Serviço
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Social se deparam com um novo cenário proposto pela hegemonia do capital
financeiro.
No entanto, embora esse campo da proteção social exiga um profissional que
difere do tecnicismo e de todas as demais exigências observam-se muitos outros
agravantes, como por exemplo: espaços de trabalho precarizados, que não estão
projetados conforme o ideal das demandas materiais e dos recursos humanos;
vínculos empregatícios instáveis e salários abaixos do necessário para a
sobrevivência, que refletem na orgazização política e na mobilização social tão
necessária para mudança desse quadro.
Portanto, o desmonte da frágil proteção social em curso fragiliza e atinge em
cheio a maior parcela da sociedade que está em situação de vulnerabilidade e que
tanto demanda por direitos sociais e serviços sociais do Estado, sendo esses
ofertados pela assistência social estatal já assegurada no tripé da Seguridade
Social, mas que perante a todos fatores anteriormente mencionados encontram
entraves para se materializar.Nesta direção, a dignidade humana que se expressa no bem estar social,
apesar de ser um direito inalienável de todos os cidadãos, depara-se com as
responsabilidades de sua execução transferida para a família, sobretudo na figura
da mulher.
Diante do exposto, nota-se que a ausência da intervenção estatal no campo
da proteção social sobrecarrega as famílias para assumir um papel que não lhes
cabe. Ao responder com exclusividade às demandas do capital, o Estado
negligencia necessidades básicas dos cidadãos, o que impõe à sociedade um
cenário cada vez mais desigual, de pobreza e exclusão social. Tem-se um quadro
difícil e desafiador, que requer luta coletiva nas esferas profissional e individual.
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efetivação. In: Serviço Social: direitos sociais e competências profissionais. CFESS,
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O LÚDICO E O APRENDENTE SURDO
DOI: 10.5281/zenodo.7153035
Rosana Costa de Souza Rolim
Licenciada em Pedagogia – UNIP
pedagoga.rosanacosta@gmail.com
RESUMO: O Presente artigo traz um a pesquisa bibliográfica, abordando o uso da
LIBRAS na escola. A escola inclusiva deve garantir e diversificar esse aprendizado
por todos no ensino regular, suas possibilidades de ação existentes para que se
efetive na vida do aprendente surdo, ouvinte e dos profissionais envolvidos no
processo de ensino e aprendizagem. Nas leituras realizadas, para a composição
desse trabalho, o Lúdico se destaca, pois, o mundo do surdo é visual, portanto as
possibilidades se ampliam, implicando a mobilização de conhecimentos e valores
que se concretizam na aplicação das ações Lúdicas dentro dessa Língua complexa.
Palavras-Chave: escola; aprendente; ensino e aprendizagem.
1 INTRODUÇÃO
Uma educação escolar de qualidade para todos que seja acima de tudo
inclusiva, é o grande desafio que perpassa por questôes educacionais.De acordo
com Base Nacional Comum Curricular (Brasil, 2018) o sentido da compêtencia é
multipla, pois implica a mobilização de conhecimantos e valores, que se concretizam
no que se denomina Habilidades, também de multiplo sentido, pois serão a um só
tempo cognitivas, práticas e socioemocionais, para enfrentar questões de toda
ordem, como sociais, produtivas, ambientais e éticas.
Sendo a escola um espaço onde diversos setores interagem entre si, deve-se
entender o movimento histórico que definiu a educação especial sendo peça
integrada existente em torno das contradições no contexto geral da escola publica.
Reconhecer e estabelecer relações entre o ensino e aprendizagem e as
práticas lúdicas no ensino da língua brasileira de sinais (Libras) permite que todos
vivenciem o aprendizado, pois tal língua desafia a todos os envolvidos no
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aprendizado tanto o aprendente quanto o professor - intérprete de Libras ou o
Regente de sala.
Os profissionais bilingues envolvidos no contexto escolar são minoria, e assim
nem todos os surdos são ensinados em sua língua materna (Libras). Assim seus
familiares, precisam saber e conhecer a LIBRAS, o que nem sempre ocorre.
Portanto percebe-se o quanto se faz necessário práticas no ensino da Libras, e
nesse estudo defende-se a inserção do lúdico como ferramenta para o ensino da
Língua de Sinais.
2- LUDICIDADE
Lúdico vem originalmente da palavra latina Ludus, que significa jogo. O
conceito de ludicidade, se liga em compreender os jogos e brincadeiras, e permite
um complemento flexível na aplicação da aprendizagem na educação escolar,
podendo ser adaptada de maneira que o aprendente interpreta o mundo. Assim o
conhecimento será absorvido por todos os aprendentes envolvidos, de maneira leve,
natural, prazeroso, devendo ser respeitado cada individualidade.
Segundo Luckesi (2000). Uma educação lúdica tem na sua base uma
compreensão de que o ser humano é um ser em movimento permanentemente
construtivo de si mesmo. Pode-se entender, que pensar o ser humano dessa forma
implica compreendê-lo como um ser em mudança, que possui o potencial de
assenhorear-se de si, e não como um ser impotente a ser modelado pela escola e a
quem será dito o que fazer.
Só nos envolvemos realmente quando nos colocamos por inteiro naquilo que
fazemos, portanto, decidir e concretizar exigem mais do que pensamento, exigem
sentimento e ação. E é esta possibilidade de ser e estar inteiro que a atividade
lúdica propicia, “a possibilidade de compartilhar, de se entregar e de se integrar, de
fertilizar a expressão de pensamentos, sentimentos e movimentos” (PEREIRA, 2005,
p. 94).
3- O papel da escola no ensino da Libras
É dever da escola oportunizar a interação da Libras com os conteúdos
aplicados, valorizando-a como língua mãe do surdo, além de dar espaço para que
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seja usada em instância de significado nas relações socio - culturais com o outro na
escola. Só há aprendizagem na medida em que houver uma mudança de
comportamento. Tal afirmação confirma que a experiência nas tentativas, ocorre o
resultado que é aprendizado, portanto o indivíduo tem uma mudança no
comportamento com o que se aprende.1
Então podemos afirmar que as mudanças significativas, principalmente
atitudinais, conceituais e filosóficas em relação a surdez, a pessoa surda e ao ensino
de surdos vêm ocorrendo por alguns ouvintes e a comunidade participativa como
reestruturação de uma proposta para o ensino da Libras para ouvintes.
Ribeiro2 diz que a educação de surdos ainda se depara com a falta de formação de
professores e demais adequação dos conteúdos, que são baseados em visão
ouvintista, aportado naquilo que Skliar (1998) “trata-se de um conjunto de
representações dos ouvintes, a partir do qual o surdo está obrigado a olhar-se e a
narrar-se como se fosse ouvinte” (SKLIAR, 1998, p. 15).
A variante entre ouvintes e surdos é o canal de comunicação, assim sendo,
aprendemos a nos comunicar com a língua de sinais e a pensar, falar, compreender,
conhecer, aprender, trocar, construir, reconstruir, sonhar, sentir, significar a vida em
Libras, com propriedade, para estarmos prontos ao debate sobre educação dos
surdos.
A língua de sinais é visual, a utilização de recursos visuais, especialmente
das imagens, é destacada em vários depoimentos3 como ferramenta pedagógica
positiva na educação do surdo. O momento histórico em que nossa discussão se
encontra contextualizada envolve o reconhecimento dos surdos como grupo
linguístico minoritário, considerando a necessidade de políticas que viabilizem o
aprendizado da língua brasileira de sinais – Libras como sua língua materna que se
assegurem a língua portuguesa como segunda língua no currículo escolar.
Segundo Fortuna, (2000). A ludicidade está presente na condição humana,
sendo um fenômeno universal da humanidade, em todas as sociedades e cultuas,
em diversas etapas da vida, principalmente da infância. O desenvolvimento do
aprendente e a construção de sua aprendizagem depende fundamentalmente do
educador, pois sua atuação quanto as possibilidades de fazer-se se apropriar deste
1 Nelson Piletti, Psicologia Educacional, 2006, pg. 32.
2 Amanda do Prado Ribeiro, Revista Planeta.
3 Rev. Bras. Ed. Esp., Marília, Set.- Dez. 2006, v.12, n.3, p.317-330
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aprendizado. Tanto os jogos quanto as brincadeiras são estratégias utilizados por
este educador para que o aprendente seja oportunizado ao conhecimento que está
sendo construído. Sua prática vai de encontro as condições para a ação prática em
libras e o lúdico a ser utilizado.
O brincar ajuda na promoção da condição humana e a preparação para a vida
adulta, sendo uma concepção por diversas áreas das ciências humanas. Já o lúdico
é uma estratégia a ser usada como estímulo na construção do conhecimento
humano e na progressão das diferentes habilidades do entender e brincar, além
disso, é uma importante ferramenta de progresso pessoal e de alcance de objetivos
institucionais. As possibilidades de trabalhar a ludicidade são bem maiores do que
do lazer, podendo assim relacionar também ao prazer, pois não está preso há um
tempo definido. Diante disso Valle ressalta que:
Ludicidade é envolver-se numa atividade, utilizando objetos, em geral
brinquedos, que trazem prazer à criança. Neste contexto, o papel do
professor seria ajudar o aluno a aprender novos conteúdos com o
uso de estratégias e atividades prazerosas. O brincar é uma ação
que está presente em todos os períodos do desenvolvimento. Os
objetos que despertam o interesse lúdico mudam dependendo da
fase em que o ser humano se encontra (VALLE, 2008, p.10)
Mediante a citação do autor, evidenciamos que o brincar pode estimular e
possibilitar o despertar nos docentes, através de ações a serem desenvolvidas por
meio da ludicidade. Considerando que a prática de sala de aula deve pensar se
ultrapassa o fazer mecânico, o fazer por fazer. Assim, é importante que o professor
não utilize as práticas apenas como um passatempo em sua aula, mas sim como um
momento de interação, de troca e de compartilhamento, momento de integração dos
pensamentos, dos sentimentos e dos movimentos em didática, constituindo-se,
assim, em atividades relevantes para a formação do aprendente, contribuindo para
seu desenvolvimento cognitivo, afetivo e motor.
A falta de motivação é uma das principais causas do desinteresse do
aprendente surdo. Com o lúdico o educador pode mudar este contexto, o jogo e a
brincadeira exercem uma fascinação nas pessoas que podem até lutar contra,
todavia no decorrer da prática fica claro, que os jogos e brincadeiras devem ser
vistos como apoio no processo educativo, social e psicológico.
Falar em necessidades educacionais especiais, é deixar de pensar nas
dificuldades específicas dos aprendentes e passar a significar o que a escola pode
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fazer para dar respostas às suas necessidades, de modo geral, bem como aos que
apresentam necessidades específicas, como o surdo.
Uma educação lúdica tem na sua base uma compreensão de que o ser
humano é um ser em movimento, permanentemente construtivo de si mesmo. Ela
foge ao entendimento de que o ser humano é pronto e que deve, no decorrer da
existência, salvar a sua alma, visão sobre a qual está assentada a pedagogia
tradicional.
Uma prática educativa lúdica só pode assentar-se, sobre um entendimento de
que o ser humano, através de sua atividade e consequente compreensão da
mesma, constrói-se a cada momento. Segundo as declarações da Salamanca:
O apoio às escolas regulares deveria ser providenciado tanto pelas
instituições de treinamento de professores quanto pelo trabalho de
campo dos profissionais das escolas especiais. Os últimos deveriam
ser utilizados cada vez mais como centros de recursos para as
escolas regulares, oferecendo apoio direto aquelas crianças com
necessidades educacionais especiais. Tanto as instituições de
treinamento como as escolas especiais podem prover o acesso a
materiais e equipamentos, bem como o treinamento em estratégias
de instrução que não sejam oferecidas nas escolas regulares.
(Declaração de Salamanca, 1994, pg.12)
A atenção à diversidade está focalizada no direto de acesso à escola e visa à
melhoria da qualidade de ensino e aprendizagem para todos, irrestritamente, bem
como as perspectivas de desenvolvimento e socialização. A escola, nessa
perspectiva, busca consolidar o respeito às diferenças, conquanto não elogie a
desigualdade. As diferenças vistas não como obstáculos para o cumprimento da
ação educativa, mas, podendo e devendo ser fatores de enriquecimento.
Os currículos escolares devem ter uma base nacional comum, conforme
determinam os Artigos 26 e 27 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional –
lei nº 9.394/1996 (LDBEN/LDB,1996), a ser suplementada por uma parte
diversificada, exigida, pelas características dos alunos.
O currículo especial, tanto na educação infantil como nas séries iniciais do
ensino fundamental, distingue-se por caráter funcional e pragmáticas as atividades
previstas. Alunos com grave deficiência mental ou múltiplas têm, na grademaioria
das vezes, um longo percurso educacional sem apresentar resultados de
escolarização previstos no inciso I do art. 32 da LDBEN: O desenvolvimento da
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capacidade de aprender, tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura, da
escrita e dos cálculos.
Nesse caso, esgotadas todas as possibilidades apontadas no art. 24 da
LDBEN, deve ser dado, a esses alunos, uma certificação de conclusão de
escolaridade, denominada. É uma certificação de conclusão de escolaridade, com
histórico escolar que apresenta, de forma descritiva, as habilidades atingidas pelos
alunos cujos necessidades especiais , oriundas de grave deficiências mental ou
múltiplas , não lhes permitem atingir o nível de conhecimento exigido para a
conclusão do ensino fundamental, respeitada a legislação no art. da Lei nº 9.394\96
e de acordo com o regimento e a proposta pedagógica da escola .encaminhamento
para cursos de educação de jovens e adultos e de preparação para o trabalho,
cursos profissionalizantes e encaminhamentos para o mercado de trabalho.
Quando essa diversidade de aprendente inclui surdos, a escola deve estar
preparada para realizar o processo de inclusão para seu pleno desenvolvimento e
integração na comunidade escolar, além de atuar conjuntamente com os
professores para que ocorra a formação desse educando em sua língua materna: a
Libras.
A gestão da educação segue condições e princípios educacionais, de acordo
Pinto (1997) educação é o processo de constituição da hominização, processo pelo
qual a sociedade forma seus membros segundo seus interesses sejam sociais e
históricos, nunca individuais, forma pessoas para fins coletivos é a compreensão da
dinâmica das transformações da sociedade. Para o autor o homem sempre foi e
será produto das relações sociais, fruto da história de vida, histórica e teórica
relação que não pode estar apoiada no mundo da pseudoconcentricidade (KOSIK,
1979), no idealismo, nas ideias maravilhosas que não nos fazem seres completos;
mas deve ser real e democrática em busca da autonomia.
Falar em necessidades educacionais especiais, deixa de se pensar nas
dificuldades específicas dos aprendentes e passa a significar o que a escola pode
fazer para dar respostas às suas necessidades, de modo geral, bem como aos que
apresentam necessidades específicas, caso do surdo.
Considerando em todos os aprendentes passiveis de necessitar, mesmo que
temporariamente, de atenção específica e poder requerer um tratamento
diversificado dentro do currículo, não se negando o risco de discriminação, do
preconceito e dos efeitos adversos que podem ocorrer durante esse processo.
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Nas escolas durante muitos anos se práticou as mais diversas formas de
descriminação, rejeição, isolamento, segregação, intolerância e até mesmo
eliminação de pessoas com deficiências.
3-CONCLUSÕES
Considerando as leituras realizadas percebeu-se o significativo interesse por
parte da sociedade em reconhecer o indivíduo com ser único e cheio de
possibilidades, contudo no Brasil existem leis indicando a necessidade de que
distinguem às pessoas com necessidades especiais em relação aos demais
cidadãos.
O que observa é que essas normas são implantadas de modo lento e parcial,
sendo ignoradas por alguns membros da sociedade, que em alguns momentos não
conhecem os direitos do aluno com necessidades especiais, e quando esses
indivíduos precisam reivindicar seus direitos, tem que recorrer à legislação. A
inclusão não é uma prática educativa a ser feita de qualquer forma, exigem
conhecimento de pais, professores e demais profissionais e sociedade.
Diante disso os autores estudados mostraram em que é possível incluir o
portador de necessidades no ambiente escolar utilizando a ludicidade com
instrumento importante para essa conquista. Mais também o poder público tem um
papel fundamental para alcançar esses anseios, investindo mais em estrutura física
das escolas e formação dos profissionais para atender a demanda. Sendo
necessário que todos tenham comprometimento, ainda é necessária a quebra de
paradigmas para mostrar a todos que cada indivíduo com ou não alguma deficiência
deve ter seus direitos respeitados.
Brincar é instrumento de ilustração prática, porém, muito enriquecedor,
desacomoda o sujeito desafiando a se movimentar e interagir com seu espaço,
respeitar as regras, a clareza de comunicação, o fortalecimento do vínculo afetivo
entre o grupo, a desinibição, a confiança de uns para com os outros, entre outras
questões de valores, como solidariedade, amizade, compreensão e outros
conhecimentos que se articulam entre si, ligados por uma teia ou uma grande rede.
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em educação especial e inclusiva na área da deficiência mental / Vera Lúcia
Messias Fialho Capellini (org.). – Bauru: MEC/FC/SEE, 2008.v. 12: il.
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TECNOLOGIAS DIGITAIS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO
(TDIC): UTILIZAÇÃO NO ESPAÇO ESCOLAR
DOI: 10.5281/zenodo.7153037
Ivanuza Ferreira dos Santos
Licenciada em Pedagogia – FINAV, ivanuzaferreira@hotmail.com
Dayana Carla Couto
Licenciada em Normal Superior, educação Infantil e Anos Iniciais – UEMS,
dayanac_couto@hotmail.com
Eliane Márcia da Silva
Licenciada em Pedagogia - Anhanguera UNIDERP, eliane123marcia@gmail.com
Helen Karla Nogueira Pittas
Licenciada em Pedagogia- UFMS/CNPV, helen_karla@hotmail.com
Kátia Fernanda Alves da Silva
Licenciadaem Pedagogia – FINAV, katiafernandaalved@gmail.com
Lúcia Aparecida da Silva
Licenciada em Pedagogia - Anhanguera UNIDERP , lucia.ap1982@outlook.com
Riqueli Carina Meneguini Santos
Licenciada em Pedagogia - Anhanguera UNIDERP, riqueli123@gmail.com
Rosana Pereira Gomes
Licenciada em Pedagogia – ANHANGUERA- UNIDERP,
rosanapgomes@hotmail.com
Talyta Gilo dos Santos
Licenciada em Pedagogia- UNIGRAN, talytagilo@hotmail.com
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mailto:ivanuzaferreira@hotmail.com
mailto:dayanac_couto@hotmail.com
mailto:eliane123marcia@gmail.com
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mailto:katiafernandaalved@gmail.com
mailto:lucia.ap1982@outlook.com
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Vanise Gomes Carneiro Locatelli Bortolanza
Licenciada em Pedagogia- UNIGRAN, vanisebortolanza@gmail.com
RESUMO
As tecnologias se fazem presente no cotidiano da sociedade em geral e pensando
na utilização das tecnologias digitais de informação e comunicação (TDIC) no ensino
e nas demandas exigidas pelos professores em sala de aula, pressupomos que a
tecnologia pode e deve ser uma ferramenta útil no processo de ensino e
aprendizagem, e partindo desse pressuposto nosso artigo tem como objetivo fazer
uma reflexão a cerca das tecnologias digitais de informação e comunicação (TDIC),
sua utilização no espaço escolar como ferramenta pedagógica, através de uma
revisão bibliográfica livros, publicações e de artigos pesquisado por buscador da
internet, depois lidos e selecionados os que mais se relacionavam ao tema da
pesquisa. A partir das observações dos artigos foi possível constatar que existe uma
gama enorme de possibilidades de se utilizar as tecnologias em sala de aula, porém
os professores necessitam de formação consciente e planejamento para utilizá-las.
Foi constatado também que as aulas podem ser mais dinâmicas e atraentes ao se
utilizar as tecnologias, garantindo assim melhorias no processo de ensino e
aprendizagem.
Palavras-Chave: Escola, Ensino e Aprendizado, Tecnologias,
ABSTRACT
Technologies are present in the daily life of society in general and considering the
use of digital information and communication technologies (TDIC) in teaching and the
difficulties faced by teachers in the classroom, we assume that technology can and
develops a useful tool in the process. of teaching, and part of this teaching, for our
entire article, aims at a review of information and communication technologies (TDIC)
for its use in the school space as a pedagogical tool, through a bibliographic review,
books and articles from the internet search engine, then read and selected those that
most related to the research topic. From the observations of the articles it was
possible to verify a huge range of possibilities of use as technologies in the
classroom, however, for the teachers who train the classroom usable awareness and
planning. It was found that learning can also be used as teaching and learning
techniques, as teaching and learning methods.
Keywords: School, Teaching and Learning, Technologies,
1 – INTRODUÇÃO
A presente pesquisa buscou apresentar algumas possibilidades de uso das
tecnologias digitais de informação e comunicação (TDIC) no ensino pensando nas
demandas exigidas nos dias de hoje em sala de aula, tendo em vista que a
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tecnologia pode e deve ser uma ferramenta útil no processo de ensino e
aprendizagem.
Segundo Barcellos (2015) com uso da tecnologia é possível descentralizar o
papel do educador, passando-se para uma prática colaborativa, em que o foco é a
construção do conhecimento e não do conteúdo, acontecendo assim a comunicação
e o convívio entre professor e aluno exercendo um papel importante aos jovens do
século XXI.
O uso de recursos tecnológicos pode aproximar alunos e professores, pois
estamos em uma era onde nossos alunos estão inseridos na tecnologia e não existe
o porquê de não a utilizarmos como uma aliada a nosso favor para o processo de
ensino e aprendizado, deste modo as aulas podem se tornar mais dinâmicas e
atraentes e alcançar os objetivos do planejamento.
O uso de conteúdo em áudio e vídeo com auxílio de projetores multimídias,
computadores e a internet são ferramentas riquíssimas onde o professor tem uma
gama enorme de possiblidades de preparar uma aula.
Pensando neste tema surge o questionamento desta pesquisa: Como os
professores podem e estão utilizando as tecnologias nas aulas? Eles estão
preparados para utilizá-las? E quais os desafios e avanços enfrentados com o uso
destas ferramentas?
Para responder este questionamento, uma pesquisa feita pelo buscador de
internet com as palavras: “tecnologias digitais de informação comunicação (TDIC)”,
onde o buscador apresentou vários artigos e publicações, refinada a busca foram
escolhidas publicações para serem analisadas, por conseguinte foram selecionados
através do conteúdo os que apresentavam uma melhor relação com o tema
pesquisado, também foram utilizados livros e publicações que também foram
utilizados para explanar sobre o tema.
Para elaborar a pesquisa de conteúdo utilizamos os princípios e
procedimentos, apresentados por Bardin, (2002), que trabalha técnicas da pesquisa
qualitativa, apropriadas para estudar documentos de forma sistemática a fim de
identificar características específicas dentro de um texto, e desta forma fazer
inferências e interpretações.
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2- O ENSINO MEDIADO PELAS TECNOLOGIAS DIGITAIS DE INFORMAÇÃO E
COMUNICAÇÃO: CONSIDERAÇÕES
Jordão (2009) afirma que os recursos tecnológicos são ótimas ferramentas
pedagógicas de apoio dos professores, podendo diversificar sua didática e motivar
seus alunos para que participem, de forma efetiva do processo de ensino e
aprendizagem.
Prado (2009) relata que as tecnologias, a pesquisa e a comunicação podem
perfeitamente ser utilizadas de forma articulada, o professor deve conhecer um dos
recursos a fim de orientar na criação de ambientes que possam enriquecer o
processo de aprendizado do aluno.
O uso das tecnologias digitais na escola pode ser exemplificado pela
multiplicidade de recursos que podem ser utilizados em situações de aprendizagem,
para Pimenta (2010) novos recursos tecnológicos podem ajudar nos processos de
leitura, na formação do leitor contemporâneo, apontar novos caminhos para a leitura
e criação de textos assim romper barreiras, criar leitores e escritores de forma
atrativa e dinâmica.
Destarte nossa pesquisa será dividida em três tópicos para melhor
explanação do tema a partir da revisão bibliográfica explanando sobre: “Tecnologias
Digitais da Informação e Comunicação no contexto escolar”; “Recursos tecnológicos
no ensino”; “O professor e o ensino mediado pelas tecnologias”.
2.1 Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação no contexto escolar
Nas últimas décadas, a tecnologia digital de informação e comunicação,
também conhecida como TDIC, mudou a maneira como trabalhar, se comunicar, se
relacionar e do mesmo modo a forma como aprender. Na educação, as TDIC foram
incorporadas à prática docente como forma de promover uma aprendizagem mais
significativa, com o objetivode apoiar os professores na implementação de métodos
ativos de ensino, integrando o processo de ensino e aprendizagem com a realidade
dos alunos e despertando atenção e interesse nos alunos em todas as etapas da
educação básica.
Nesse sentido, a Base Nacional Comum curricular leva em consideração o
desenvolvimento de competências e habilidades relacionadas ao uso crítico e
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responsável das tecnologias presentes em todas as áreas do conhecimento e são
enfatizadas diferentes com diferentes públicos em toda área educacional básica,
conforme destacado nas competências gerais, especificadamente da competência 5:
“Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e
comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas
práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e
disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e
exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva.” (BNCC, 2018
Pag. 07)
Nessa concepção, a incorporação das tecnologias digitais na educação não
se trata apenas de apenas usar as tecnologias digitais como ferramentas para
aprimorar o aprendizado ou engajar os alunos, mas também usá-las para
desenvolver o conhecimento dos alunos com autonomia.
Em auxílio na elaboração dos currículos escolares e os planejamentos que
levem em conta o uso das TDIC nas escolas, o Centro Brasileiro de Inovação em
Educação (Cieb) criou um currículo de referência em tecnologia, onde traz eixos,
conceitos e habilidades nos moldes da BNCC, focando exclusivamente no
desenvolvimento de competências para explorar e usar a tecnologia nas escolas.
O Currículo de Referência em Tecnologia e Computação (2018) propõe três
eixos que propostos nesse currículo passa por todas as etapas da educação básica:
“cultura digital, tecnologia digital e pensamento computacional, que se subdividem
nos conceitos de letramento digital; cidadania digital; e tecnologia e sociedade”,
esses eixos podem ser utilizados pelo corpo discente da instituição escolar e seu
gestor como um norteador para implementação do uso de tecnologias no contexto
escolar.
A inclusão das TDIC na prática docente e nos currículos como matéria de
estudo precisa de atenção especial e não pode mais ser ignorada pelas escolas. Os
projetos pedagógicos precisam ser e pensados para usar a tecnologia e os recursos
digitais como meio e fim para promover a democratização do acesso e engajar os
alunos no mundo digital. Para isso, é fundamentalmente necessário repensar a
oferta educativa das escolas e investir na formação contínua dos professores,
Segundo Colares (2015) inserir as Tecnologias no processo educacional, é de
responsabilidade da gestão educacional que na condução e a elaboração do projeto
pedagógico de modo que contemple as necessidades do pós-modernismo.
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2.2 - Recursos tecnológicos no ensino
Sabendo que a tecnologia faz parte da escola e do cotidiano de professores e
alunos, porém o domínio destes recursos ainda não se efetivou e ainda este uso
nem sempre corresponde às expectativas de alunos e professores, devido a pouca
disponibilidade de recursos para atender as necessidades dos docentes das escolas
e quando há estes recursos, muitas vezes não são utilizados porque muitos dos
professores não possuem formação para o uso.
Conforme pesquisa citada por Cysneiro (1999) a maioria dos professores já
participaram de cursos e formações ligadas ao uso das tecnologias em sala de aula,
porém o fato de capacitar professores e equipar a escola com novas tecnologias não
significa que serão utilizadas.
Ainda existe a dificuldade de manuseio de equipamentos, programas e
aplicativos, como o exemplo do projetor multimídia, que poderia ser utilizados para
maior dinamicidade em aula e é utilizado por um pouco mais da metade dos
professores entrevistados, porém quando é utilizado ele é o substituto do quadro e
do giz, o que se torna rotineiro e maçante aos alunos.
Pensar em propostas de utilização dos recursos tecnológicos nas aulas pode
dinamizar o ensino, desde que ela seja planejada, assim contempla e amplia a
capacidade de ensino do professor e a o aprendizado dos alunos, conforme
assevera Silva (2015), quando a utilização como exemplo do celular nas aulas de
língua portuguesa para a produção de textos dissertativos e figuras de linguagem
nos gêneros textuais midiáticos, outros recursos tecnológicos de áudio e vídeo pode
trazer um resultado satisfatório no aprendizado dos alunos, que “por meio do uso
das tecnologias pode-se ampliar o nível de informação e contribuir para o aumento
do conhecimento”.
A escola antes de qualquer coisa deve estar preparada para o uso dos
recursos tecnológicos e o professor tem a tarefa de dominar o uso destes, investir
em formação para que ocorram as mudanças, e ensinar o aluno a refletir sobre seu
uso, assim quebram-se os paradigmas tradicionalistas.
Não há como conviver sem a tecnologia nos dias de hoje, porém muitos
professores ainda não dominam seu uso, mas caminham nessa direção, nas escolas
os equipamentos nem sempre estão disponíveis para todos os professores, e muitos
os que utilizam, fazem o uso de forma errada, substituindo antigas tecnologias pelos
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novos recursos tecnológicos, outros conseguem utilizar como complemento de seu
conteúdo, dinamizando suas aulas, utilizando adequadamente assim utilizando uma
nova linguagem na educação e trazendo consigo diversos recursos pedagógicos e
diversas formas de se utilizar em sala de aula.
Silva (2015) enfatiza que as novas tecnologias não modificam sozinhas o
processo de ensino e aprendizagem, mas contribui ricamente para a efetivação
deste, criando novas posturas, criativas e abertas.
As tecnologias utilizadas como meio de aprendizagem, podem ser
relacionadas com o processo de ensino aprendizagem dos educandos, Antunes
(2012) destaca uma grande necessidade da inclusão de recursos tecnológicos em
sala de aula, seja para pesquisa ou explanação de conteúdos por parte do
professor, estes recursos tecnológicos e midiáticos pretendem melhorar e contribuir
com o ensino nas salas de aulas, e faz com que o aluno foque sua atenção para o
estudo utilizando se desses meios como ferramenta de trabalho.
É de responsabilidade do professor se atentar atento com as transformações
que ocorre no ensino, e também constatar várias delimitações devido o mau uso das
tecnologias em sala de aula, pois pode trazer também inadequações para a
aprendizagem.
Como o uso de qualquer outro recurso, sem planejamento para as aulas
dificulta o trabalho tanto do professor quanto para o aluno, segundo Antunes (2012)
o conteúdo de ensino naquela aula pontual fica sem ensinar ou aplicar as atividades,
adequadamente, seja no plano individual ou coletivo, pelo falta de planejamento, ou
seja, o usar por usar.
Ribeiro (2007) poderá que para ministrar aulas mais atraentes e produtivas
com o objetivo de chamar atenção do aluno para o ensino do conteúdo, também é
possível utilizar os recursos tecnológicos que os próprios alunos trazem de casa,
como os seus smartphones, tablets e notebooks, desde que utilizados de maneira
correta,pois quando usado de forma incorreta em sala de aula, como prática
frequente de troca de mensagens, pode tirar a atenção do aluno e prejudicá-lo em
seu desenvolvimento intelectual. Segundo Antunes (2012):
O uso incorreto dessas tecnologias durante as aulas pode ocasionar
um efeito contrário do esperado, do qual se pretende alcançar.
Essas tecnologias quando bem utilizadas pelos alunos são
consideradas ferramentas facilitadoras que proporcionam respostas
ágeis sobre o assunto procurado, tais como, dicionários e outros
conteúdos favorecendo lhes, praticidade, enriquecimento do
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vocabulário e aguçar o conhecimento em âmbito geral. (Antunes
2012, pág. 04)
A existência de vários tipos de recursos tecnológicos nas escolas pode servir
como apoio para o professor dentro da sala de aula, colabora assim inserindo novas
alternativas no cotidiano escolar, por meio de um projeto pedagógico educacional,
podem-se conciliar essas tecnologias como, fazer aulas mais atrativas e tirar os
alunos daquela rotina onde, somente se escreve no quadro negro com giz.
2.3 O professor e o ensino mediado pelas tecnologias
As escolas apesar de estarem equipadas, muitas das vezes não há
intimidade nem conhecimento necessário para utilizarem as tecnologias em suas
salas por parte dos seus professores, e partindo desta suposição Indezeichak
(2007), afirma que existe a necessidade do desenvolvimento de projetos que visam
e proporcionam formação e capacitação dos professores para utilizarem as
ferramentas tecnológicas como aliadas no processo de ensino aprendizado.
Muitos professores não sabem utilizar o computador, portanto, é preciso
dominar alguns recursos tais como, os editores de textos e slides, e estar apto para
usar a internet de forma equilibrada e inovadora, Valente (1993) explica que o
computador pode ser de grande ajuda, pois serve de instrumento de ajuda ao
professor propiciando as condições necessárias para que o aluno busque selecionar
informações, resolver problemas e aprender independentemente.
Cysneiro (1997) alerta para o processo de assimilação por parte da escola
ao uso das tecnologias aponta ainda a necessidade de políticas voltadas a seu uso,
deve-se existir um processo de capacitação voltado diretamente ao professor para
sua familiarização dos recursos tecnológicos.
Pode-se perceber um aumento significativo na compra de equipamentos,
porem deve-se verificar a relação ao seu uso e perceber como os professores vem
utilizando enquanto ferramenta pedagógica, a utilização do computador nas aulas
remeterá ao uso da internet e cabe ao professor adquirir os conhecimentos
necessários para a boa utilização deste meio de comunicação e pesquisa.
Reforçando Sobral (1999) mostra-se favorável ao uso da internet, onde
“facilita a tarefa do professor como guia da aprendizagem”, além de permitir que este
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aprenda com o aluno, o professor pode utilizar todas estas tecnologias nas aulas,
usando-as para que o aluno se envolva na construção do seu próprio conhecimento.
Marques (2014) coloca o blog como uma “ferramenta tecnológica em favor
do ensino, e pode auxiliar no desenvolvimento de uma metodologia que utiliza a
leitura, reflexão e produção de textos”, pelo fato de ser mais atrativo para os alunos,
além de não apresentar textos muito longos, o uso do quadro e giz, apostilas e
xérox, tornaram se instrumentos antiquados, diante de tempos em transformações
constantes como os de hoje.
O uso da tecnologia faz com que os alunos interajam entre si, aprofunde
conhecimentos sobre os gêneros textuais reflitam e compartilhem informações, além
de propiciar momentos de comunicação, a presença do ensino utilizando a internet
no caso especifico do blog, como cita Marques (2014) pode transformar a relação
professor e aluno e permitir maior envolvimento com os conteúdos disciplinares com
nítidas vantagens para o processo educativo, pode ser um paço para expressar o
pensamento através da escrita, imagens e sons compondo textos vinculados pela
internet, ela possibilita uma rápida atualização e interatividade entre o leitor.
Logo os blogs podem ser utilizados em sala pelos professores, nas
realizações de estudos, como também para a divulgação e atualização de
informações relevantes à comunidade escolar, hoje em dia o blog vem substituído
pelo facebook, muitas escolas utilizam esta ferramenta para divulgação dos
trabalhos dos professores e eventos.
Os recursos utilizados para que os conteúdos tornem se mais interessantes
e significativos, para que o educador assuma melhor o seu papel de inspirador da
aprendizagem, Moran, Masetto e Behrens (2013) considera ensinar com as novas
tecnologias será uma revolução se houver uma quebra de paradigma convencionais
da educação escolar, que mantêm distantes professores e alunos, ainda afirma que
a internet e as tecnologias trazem desafios fascinantes, amplia possibilidades na
forma de ensinar e aprender.
A interação do professor com as tecnologias pode proporcionar aos alunos
conversar sobre o uso coerente da Internet, principalmente, sobre a consciência de
usar os recursos tecnológicos sabendo dos riscos que eles podem causar quando
usados indevidamente. Esta socialização é também tanto como uma das
possibilidades metodológicas para o professor, que estimula a relação entre o
ensino e sua aprendizagem, propicia também a participação consciente dos alunos
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nos processos de cidadania, na interação socioeducativa, no crescimento individual
dentro e fora da sala de aula.
3- CONSIDERAÇÕES FINAIS
Pode se observar por meio dos autores citados nas análises que existe o
uso das tecnologias no ensino, os alunos gostam e se sentem a vontade em aulas
que se utilizam algum recurso tecnológico, porém muitos professores ainda não se
sentem familiarizados com a era digital.
A cada vez mais se faz o uso dos meios tecnológicos para se buscar
informações de diferentes tipos, e é de suma importância o professor conhecer as
especificidades de cada um dos recursos para orientar-se na criação de ambientes
que possam enriquecer o processo de aprendizagem para se tornar mais atrativo.
O professor precisa ser um pesquisador constante na busca de formas
diversificadas no processo de ensino e acompanhar o avanço da sociedade e os
recursos tecnológicos disponíveis para serem utilizados nas disciplinas a serem
ensinadas, tudo isso, a fim de desenvolver a imaginação e o gosto pela leitura e
escrita.
O uso das tecnologias precisam ser analisadas, pensadas e preparadas
para se saber como serão utilizadas em sala de aula, isto exige do professor
formação para que ele consiga incorporar o currículo na prática pedagógicas
utilizando tecnologias, pois não é somente o usar por usar as tecnologias, mas sim
utiliza-las de forma planejada e consciente. O uso das novas tecnologias em
substituição das velhas tecnologias, somente farão com que as aulas se tornem
rotineiras e pouco atrativas, sendo assim o professor deve saber como utiliza-las, ter
planejamento e incorporar o conteúdo a ferramenta tecnológica que for usar.
O aluno tem muita facilidade em utilizá-las e o professor deve se apropriardisso em favor do planejamento de suas aulas e conscientiza-los do seu uso,
fazendo assim o papel de mediador mostrando valores para sua vida social, também
gerando papel crítico.
As tecnologias são importantes ferramentas de como apoio à educação, logo
as aulas podem ser feita sem as tecnologias, porém no mundo atual e conectado é
até estranho o professor não trabalhar alguns conteúdos sem a mediação delas, e
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quando acompanhadas de uma mediação pedagógica adequada por parte do
professor, propicia aos alunos interação e condições de aprendizagem eficazes.
4– REFERÊNCIAS
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língua portuguesa no 2º ano do Ensino Médio em uma escola estadual de Unaí,
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