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IRIS PIMENTEL 1 Desordem potencialmente maligna • Tecido benigno, morfologicamente alterado que possui uma chance estatisticamente aumentada de transformação maligna que outro tecido Condição potencialmente maligna • Doença e/ou hábito do indivíduo, que não necessariamente altera a a aparência clínica do tecido, mas está associada a um risco maior que o normal ao desenvolvimento de lesões malignas nestes tecidos Potencial de transformação maligna • O quanto uma lesão tem de potencial de se transformar em uma lesão maligna Risco relativo • Associação entre a exposição a um fator causal e o risco de contrair uma doença Desordens potencialmente malignas orais • Leucoplasia oral • Eritroplasia • Eritoleucoplasia • Queilite Actinica Displasia epitelial • Leva ao aumento de chance de transformação maligna • Fator mais importante na determinação da transformação maligna • Alteração na proliferação e diferenciação celular • Mudanças arquiteturais e citológicas • Arquiteturais o Mudança da polaridade da camada basal o Aumento de figuras mitóticas o Conformação irregular do epitélio o Projeções epiteliais em gota o Perda de continuidade da camada e lâmina basal • Citológicas o Diferença relação núcleo X citoplasma o Hipercromatismo nuclear o Perda da polaridade celular basal o Apoptose o Variação anormal de tamanho do núcleo e celular Leucoplasia Oral • Desordem potencialmente maligna mais comum • Mancha ou placa branca da mucosa bucal, não removível a raspagem, que não pode ser caracterizada clinica ou patologicamente como qualquer outra doença • Termo clinico o Não implica alteração histopatológica do tecido • Diagnóstico depende da exclusão de outras doenças • Ocorre devido ao espessamento na camada superficial de queratina que exibe uma coloração branca quando úmida, ou por acantose que mascara a vascularização normal do tecido conjuntivo • Mais comum em homens, acima de 40 anos • A causa é desconhecida, mas há várias hipóteses • Relacionada a hábitos como tabagismo, considerada idiopática em algumas situações • Fatores de risco: tabaco, álcool, radiação ultravioleta e microrganismos Desordens potencialmente malignas Patologia Geral Iris Pimentel 16/04/2022 IRIS PIMENTEL 2 Características clínicas • Localização o Vermelhão do lábio o Mucosa jugal o Gengiva o Língua o Assoalho de boca • Ausência de sintomatologia • Pode ter aparência clinica variada e que tendem a mudar ao longo do tempo • No inicio aparece como uma placa branca ou acinzentada, plana, ligeiramente elevada, podendo ser translúcida, fissurada ou enrugada • Geralmente macia com bordas bem delimitadas, mas pode se mesclar com a mucosa normal • Leucoplasia homogênea ou espessa: placas brancas espessas e bem delimitadas com fissuras profundas • Leucoplasia granular ou nodular: aumento da irregularidade de superfície • Leucoplasia verruciforme ou verrucosa Representação das várias fases ou aparência clínica da leucoplasia oral Características Histopatológicas • Fragmento de mucosa revestida por epitélio pavimentoso estratificado com ou sem acantose (aumento da camada espinhosa) e hiperqueratose (espessamento da camada de queratina) • Camada de queratina pode ser: o Paraqueratina (hiperparaqueratose): não há camada de células granulares e os núcleos das células epiteliais são mantidos o Ortoqueratina (hiperortoqueratose) há camada de células granulares no epitélio e não existem núcleos • Pode ou não ter displasia epitelial o Esta presente em 5 a 25% dos casos Tratamento e prognóstico • Biopsia é necessária para obter um diagnóstico e orientar o tratamento • Leucoplasia exibindo displasia epitelial modera ou intensa devem ser removidas completamente • Tratamento de leucoplasia com displasia leve ou moderada dependem do tamanho da lesão e da resposta aos tratamentos mais conservadores. • Leucoplasia associadas ao tabaco sem displasia ou com displasia leve podem desaparecer ou diminuir, após cessado o habito de fumar • Remoção completa pode ser realizada (excisão cirúrgica, eletrocauterização, criocirurgia, ablação a laser) IRIS PIMENTEL 3 • Leucoplasia sem displasia normalmente não são removidas Eritroplasia • Mancha ou placa vermelha que não pode ser clínica ou patologicamente diagnosticada como qualquer outra condição • Mais comuns em homens, 60 anos • Pode ocorrer juntamente com a leucoplasia • Possui maior potencial para apresentar alterações displásicas Caracterísitcas clinicas • Localização o Assoalho bucal o Língua o Palato mole • Mancha ou placa bem delimitada, eritematosa de consistência macia e textura aveludada • Normalmente é assintomática • A biopsia é necessária para distinguir de outras condições com uma aparência clinica semelhante Características Histopatológicas • Mucosa revestida por epitélio pavimentoso estratificado atrófico com ou sem acantose, sem queratina. o Epitélio deixa de produzir queratina • Com algum grau de displasia o 90% dos casos • Tecido conjuntivo adjacente pode apresentar infiltrado inflamatório Tratamento e prognóstico • Biopsia precisa ser realizada • Se uma fonte de irritação existir e puder ser removida a biopsia pode ser postergada • Displasia moderada ou intensa justifica a excisão completa ou ablação Eritroleucoplasia • Áreas esbranquiçadas e vermelhas • Características de leucoplasia e eritroplasia Queilite Actínica • Condição potencialmente maligna do vermelhão do lábio inferior • Resultante da exposição crônica a luz UV • Fatores de risco o Pele clara o Idade avançada o Imunossupressão o Exposição ao arsênico o Anomalias genéticas o Ocupação ao ar livre o Tabagismo • Mais comuns em homens (proporção homem-mulher 10:1), 45 anos Características clinicas • A lesão se desenvolve lentamente • Atrofia, ressecamento e fissuras do vermelhão do lábio • Margem indefinida entre o vermelhão e a pele • Áreas descamativas e ásperas aparecem nas porções ressecadas conforme a progressão da lesão • Essas áreas podem se espessar formando lesões leucoplásticas IRIS PIMENTEL 4 Características histopatológicas • Fragmento de mucosa revestida por epitélio pavimentoso estratificado normal ou atrófico/acantótico • Hiperqueratótico ou não • Displasia epitelial pode estar presente • Tecido conjuntivo subjacente apresenta elastose solar e inflamatório infiltrado subepitelial o Elastose solar: alteração do colágeno e das fibras elásticas. Tecido conjuntivo demonstra uma faixa celular amorfa, basofílica Tratamento e prognóstico • Muitas das alterações são irreversíveis • Reduzir a exposição solar, usar chapéu de abar largas e protetor labial • Biopsia deve ser feita para exclusão de um carcinoma • Vermelhectomia pode ser realizada em casos sem transformação maligna • Ablação a laser, eletrodissecação, crioterapia, terapia fotodinâmica. • Queilite actínica duplica o risco de carcinoma epidermoide do labio