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UNIVERSIDADE ZAMBEZE
Faculdade De Ciências Sociais E Humanidade Licenciatura em Ciências Da Comunicação 1º Ano
Trabalho de Técnica Discursivas em Língua Portuguesa II
Multiplicidade e Funcionalidade dos Tipos de Generos Discursivos
Discentes:
Beira
2022
	
Discentes:
Licenciatura em Ciências Da Comunicação 1º Ano Trabalho de Analise Discursiva
Docente:
Beira
2022
Índice 
1.	INTRODUÇÃO	4
1.1.	Objectivos	4
1.1.2. Objectivo Geral	4
1.1.3. Objectivos Específicos	4
1.2.	Metodologia	4
2.	Desenvolvimento	5
2.1.	GÊNEROS DISCURSIVOS	5
2.2.	Multiplicidade Linguagens e Gêneros Discursivos	5
2.3.	Definição de tipo e gênero textual	6
2.3.1.	Diferença entre tipos de gêneros pra Bakhtin	10
2.3.2.	Classificação dos gêneros discursivos	10
2.4.	Gênero textual	12
2.4.1.	Tipos e gêneros textuais	12
2.4.2.	Diferenças entre tipo e gênero textual	13
2.4.3.	Níveis Linguísticos	14
2.4.4.	Domínio lexical	14
2.4.5.	Nível Fonética-Fonologia	14
3.	Conclusão	18
1. INTRODUÇÃO 
Neste presente trabalho, abordaremos gêneros discursivos, os tipos de gêneros discursivos, sua funcionalidade, inerente a linguística. De acordo com Dias (2009) existem três níveis de proficiência do português em Moçambique: um nível de proficiência alta, com um número reduzido de falantes que possuem um grau de instrução elevado; um nível de proficiência que caracteriza falantes com grau de escolaridade média (esta variante exibe interferências linguísticas e pode dizer-se que é a variedade modelo disponível nas escolas); por fim, há um grupo de falantes que apenas possui um conhecimento geral da língua a nível da oralidade, correspondendo ao que se pode chamar proficiência baixa. 
As línguas bantu, línguas maternas para grande parte dos falantes bilingues, influenciam o português falado em Moçambique a vários níveis: fonético, fonológico, morfológico, lexical, sintáctico, semântico e discursivo. Os dados abaixo apresentados ilustram alguns desses fenómenos. 
1.1. Objectivos
1.1.2. Objectivo Geral
· Analisar a multiplicidade e funcionalidade dos tipos gêneros discursivos.
1.1.3. Objectivos Específicos
· Identificar os tipos de gêneros discursivos;
· Avaliar os gêneros discursivos;
· Descrever os genros discursivos.
1.2. Metodologia
De acordo com Lakatos (2002:71) «método bibliográfico é aquele que abrange toda bibliografia já tornada pública em relação ao tema em estudo, desde publicações, boletins, jornais, revistas, monografias, teses, etc». Com o referido método tornou fácil a recolha, compilação de dados e informações que abordam assuntos relacionados com o tema em estudo, a fim de fazer uma sustentabilidade teórica.
2. Desenvolvimento 
2.1. GÊNEROS DISCURSIVOS 
Gêneros textuais como práticas sócio-históricas 
Já se tornou trivial a idéia de que os gêneros textuais são fenômenos históricos, profundamente vinculados à vida cultural e social. Fruto de trabalho coletivo, os gêneros contribuem para ordenar e estabilizar as atividades comunicativas do dia-a-dia. São entidades sócio-discursivas e formas de ação social incontornáveis em qualquer situação comunicativa. No entanto, mesmo apresentando alto poder preditivo e interpretativo das ações humanas em qualquer contexto discursivo, os gêneros não são instrumentos estanques e enrijecedores da ação criativa. 
Caracterizam-se como eventos textuais altamente maleáveis. Dinâmicos e plásticos. Surgem emparelhados a necessidades e atividades sócioculturais, bem como na relação com inovações tecnológicas, o que é facilmente perceptível ao se considerar a quantidade de gêneros textuais hoje existentes em relação a sociedades anteriores à comunicação escrita. Quanto a esse último aspecto, uma simples observação histórica do surgimento dos gêneros revela que, numa primeira fase, povos de cultura essencialmente oral desenvolveram um conjunto limitado de gêneros. Após a invenção da escrita alfabética por volta do século VII A. c., multiplicam-se os gêneros, surgindo os típicos da escrita. 
Numa terceira fase, a partir do século XV, os gêneros expandem-se com o flores cimento da cultura impressa para, na fase intermediária de industrialização iniciada no século XVlII, dar início a uma grande ampliação. Hoje, em plena fase da denominada cultura eletrônica, com o telefone, o gravador, o rádio, a TV e, particularmente o computador pessoal e sua aplicação mais notável, a intemet, presenciamos uma explosão de novos gêneros e novas formas de comunicação, tanto na oralidade como na escrita. 
2.2. Multiplicidade Linguagens e Gêneros Discursivos
A interação entre os indivíduos e o meio social é mediada pela linguagem, considerando-se suas inúmeras formas e realizações. Em dias atuais, esta multiplicidade de linguagens pode ser percebida se atentarmos para as diversas maneiras de apresentação do conteúdo e propagação do saber. 
Os vários gêneros discursivos apontam para novos caminhos que podem ser trilhados nas práticas pedagógicas a fim de aproximar o conteúdo a ser desenvolvido, da bagagem cultural dos aprendizes. Concordamos com Barcellos (2007) quando afirma que cabe a nós levar o aluno a ler nas entrelinhas, a integrar o conteúdo e os fatos sociais, a perceber num texto que as linguagens assumem funções e a aproximar os conhecimentos sistematizados dos já internalizados pelos aprendizes. Segundo Romanowski, Martins e Junqueira (2004):
Se os alunos fazem pontes entre o que aprendem intelectualmente e as situações reais, experimentais, profissionais ligadas aos seus estudos, a aprendizagem será mais significativa, viva, enriquecedora (ROMANOWSKI; MARTINS; JUNQUEIRA, 2004, p. 24)
2.3. Definição de tipo e gênero textual
Definição de tipo e gênero textual Aspecto teórico e terminológico relevante é a distinção entre duas noções nem sempre analisadas de modo claro na bibliografia pertinente. Trata-se de distinguir entre o que se convencionou chamar de tipo textual, de um lado, e gênero textual, de outro lado. 
Partimos do pressuposto básico de que é impossível se comunicar verbalmente a não ser por algum gênero, assim como é impossível se comunicar verbalmente a não ser por algum texto. Em outros termos, partimos da idéia de que a comunicação verbal só é possível por algum gênero textual. Essa posição, defendida por Bakhtin [1997] e também por Bronckart (1999) é adotada pela maioria dos autores que tratam a língua em seus aspectos discursivos e enunciativos, e não em suas peculiaridades formais. Esta visão segue uma noção de língua como atividade social, histórica e cognitiva. 
Privilegia a natureza funcional e interativa e não o aspecto formal e estrutural da língua. Afirma o caráter de indeterminação e ao mesmo tempo de atividade constitutiva da língua, o que equivale a dizer que a língua não é vista como um espelho da realidade, nem como um instrumento de representação dos fatos. Nesse contexto teórico, a língua é tida como uma forma de ação social e histórica que, ao dizer, também constitui a realidade, sem, contudo cair num subjetivismo ou idealismo ingênuo. Fugimos também de um realismo externalista, mas não nos situamos numa visão subjetivista. Assim, toda a postura teórica aqui desenvolvida insere-se nos quadros da hipótese sácio-interativa da língua. É neste contexto que os gêneros textuais se constituem como ações sócio-discursivas para agir sobre o mundo e dizer o mundo, constituindo-o de algum modo. 
Para uma maior compreensão do problema da distinção entre gêneros e tipos textuais sem grande complicação técnica, trazemos a seguir uma definição que permite entender as diferenças com certa facilidade. Essa distinção é fundamental em todo o trabalho com a produção e a compreensão textual. Entre os autores que defendem uma posição similar à aqui exposta estão Douglas Biber (1988), John Swales (1990.), JeanMichel Adam (1990), JeanPaul Bronckart (1999). Vejamos aqui uma breve definição das duas noções: 
· Usamos a expressão tipo textual para designar uma espécie de construção teórica definida pela natureza linguística de sua composição aspectoslexicais, sintáticos, tempos verbais, relações lógicas. Em geral, os tipos textuais abrangem cerca de meia dúzia de categorias conhecidas como: narração, argumentação, exposição, descrição, injunção. 
· Usamos a expressão gênero textual como uma noção propositalmente vaga para referir os textos materializados que encontramos em nossa vida diária e que apresentam características sócio-comunicativas definidas por conteúdos, propriedades funcionais, estilo e composição característica. Se os tipos textuais são apenas meia dúzia, os gêneros são inúmeros. 
Alguns exemplos de gêneros textuais seriam: 
Telefonema, sermão, carta comercial, carta pessoal, romance, bilhete, reportagem jornalística, aula expositiva, reunião de condomínio, notícia jornalística, horóscopo, receita culinária, bula de remédio, lista de compras, cardápio de restaurante, instruções de uso, outdoor, inquérito policial, resenha, edital de concurso, piada, conversação espontânea, conferência, carta eletrônica, bate-papo por computador, aulas virtuais e assim por diante. Para uma maior visibilidade, elaboramos aqui o seguinte quadro sinóptico:
	TIPOS TEXTUAIS 
	GÊNEROS TEXTUAIS
	· Constructos teóricos definidos por propriedades linguísticas intrínsecas; 
	· Realizações linguísticas concretas definidas por propriedades sócio-comunicativas;
	· Constituem sequências linguísticas ou sequências de enunciados e não são textos empíricos;
	· Constituem textos empiricamente realizados cumprindo funções em situações comunicativas;
	· Sua nomeação abrange um conjunto limitado de categorias teóricas determinadas por aspectos lexicais, sintáticos, relações lógicas, tempo verbal; 
	· Sua nomeação abrange um conjunto aberto e praticamente ilimitado de designações concretas determinadas pelo canal, estilo, conteúdo, composição e função;
	· Designações teóricas dos tipos: narração, argumentação, descrição, injunção e exposição. 
	· Exemplos de gêneros: telefonema, sermão, carta comercial, carta pessoal, romance, bilhete, aula expositiva, reunião de condomínio, horóscopo, receita culinária, bula de remédio, lista de compras, cardápio, instruções de uso, outdoor, inquérito policial, resenha, edital de concurso, piada, conversação espontânea, conferência, carta. Eletrônica, bate-papo virtual, aulas virtuais etc.
Antes de analisarmos alguns gêneros textuais e algumas questões relativas aos tipos, seria interessante definir mais uma noção que vem sendo usada de maneira um tanto vaga. Trata-se da expressão domínio discursivo. 
· Usamos a expressão domínio discursivo para designar uma esfera ou instância de produção discursiva ou de atividade humana. Esses domínios não são textos nem discursos, mas propiciam o surgimento de discursos bastante específicos. 
Do ponto de vista dos domínios, falamos em discurso jurídico, discurso jornalístico, discurso religioso etc., já que as atividades jurídica, jornalística ou religiosa não abrangem um gênero em particular, mas dão origem a vários deles. Constituem práticas discursivas dentro das quais podemos identificar um conjunto de gêneros textuais que, às vezes lhe são próprios (em certos casos exclusivos) como práticas ou rotinas comunicativas institucionalizadas. 
Veja-se o caso das jaculatórias, novenas e ladainhas, que são gêneros exclusivos do domínio religioso e não aparecem em outros domínios. Tome-se este exemplo de uma jaculatória que parecia extinta, mas é altamente praticada por pessoas religiosas.
Exemplo: jaculatória (In: Rezemos o Terço. Aparecida Editora Santuário, 1977, p.54)
Senhora Aparecida, milagrosa padroeira, sede nossa guia nesta mortal carreira! á Virgem Aparecida, sacrário do redentor, dai à alma desfalecida vosso poder e valor. á Virgem Aparecida, fiel e seguro norte, alcançai-nos graças na vida, favorecei-nos na morte!
A jaculatória é um gênero textual que se caracteriza por um conteúdo de grande fervor religioso estilo laudatório e invocatório (duas sequências injuntivas ligadas na sua formulação imperativa) composição curta com poucos enunciados, voltada para a obtenção de graças ou perdão a depender da circunstância. Em relação às observações teóricas acima, deve-se ter o cuidado de não confundir texto e discurso como se fosse a mesma coisa. Embora haja muita discussão a esse respeito pode-se dizer que texto é uma entidade concreta realizada materialmente e corporificada em algum gênero textual. 
Discurso é aquilo que um texto produz ao se manifestar em alguma instância discursiva. Assim, o discurso se realiza nos textos. Em outros termos os textos realizam discursos em situações institucionais históricas, sociais e ideológicas. Os textos são acontecimentos discursivos para os quais convergem ações linguísticas sociais e cognitivas segundo Robert de Beaugrande (1997). Observe-se que a definição dada aos termos. Aqui utilizados é muito mais operacional do que formal. Assim para a noção de tipo textual predomina a identificação de sequências linguísticas típicas como norte adoras; já para a noção de gênero textual predominam os critérios de ação prática circulação sócio-histórica funcionalidade, conteúdo temático, estilo e composicionalidade, sendo que os domínios discursivos são as grandes esferas da atividade humana em que os textos circulam. 
Importante é perceber que os gêneros não são entidades formais, mas sim entidades comunicativas. Gêneros são formas verbais de ação social relativamente estáveis realizadas em textos situados em comunidades de práticas sociais e em domínios discursivos específicos.
Dessa maneira, os gêneros vão sofrendo modificações em consequência do momento histórico ao qual estão inseridos. Cada situação social origina um gênero, com suas características que lhe são peculiares. Ao pensarmos a infinidade de situações comunicativas e que cada uma delas só é possível graças à utilização da língua, podemos perceber que infinitos também serão os gêneros, existindo em número ilimitado. 
Bakhtin vincula a formação de novos gêneros ao aparecimento de novas esferas de atividade humana, com finalidades discursivas específicas. Esta imensa heterogeneidade levou o autor a realizar uma classificação, dividindo-os em primários e secundários.
· Os primários aludem a situações comunicativas cotidianas, espontâneas, não elaboradas, informais, que sugerem uma comunicação imediata. São exemplos de gêneros primários a carta, o bilhete, o diálogo cotidiano. 
· Os gêneros secundários, normalmente mediados pela escrita, aparecem em situações comunicativas mais complexas e elaboradas, como no teatro, romance, tese científica, palestra, etc.
Vale ressaltar que a essência dos gêneros é a mesma, ou seja, ambos são compostos por fenômenos de mesma natureza, os enunciados verbais. O que os diferencia, entretanto, é o nível de complexidade em que se apresentam.
2.3.1. Diferença entre tipos de gêneros pra Bakhtin
A diferença entre os tipos de gêneros primários e secundários é extremamente grande para Bakhtin. Segundo o autor, existe a necessidade de que se faça uma análise do enunciado para que se possa definir sua natureza. 
O estudo desta natureza e da diversidade dos gêneros é importante para as pesquisas em linguagem, pois através desta análise os pesquisadores poderão obter os dados de suas investigações levando em conta a historicidade da informação. Ao contrário, qualquer dado de pesquisa corre o risco de cair em um formalismo ou abstração exagerada.
Bakhtin considera que os gêneros secundários são formados a partir de reelaborações dos primários. Assim, um diálogo cotidiano relatado em um romance perde seu caráter imediato e passa a incorporar em sua forma as características do universo narrativo – complexo – que lhe deu origem, ou seja, nesta situação, o diálogo transforma-se em um acontecimento literário e deixa de ser cotidiano.
2.3.2. Classificação dos gêneros discursivos
Para fins de classificação de um gênero discursivo, faz-se necessário que sejam considerados alguns aspectos definidos por Bakhtin, a saber: conteúdo temático (assunto), plano composicional (estruturaformal) e estilo (leva em conta a forma individual de escrever; vocabulário, composição frasal e gramatical). Estas características estão totalmente relacionadas entre si e são determinadas em função das especificidades de cada esfera de comunicação, principalmente devido a sua construção composicional. 
O autor discrimina o estilo como algo absolutamente ligado aos gêneros do discurso, ressalta que por ele a individualidade do falante/escritor pode ser refletida, no entanto, coloca que nem sempre é possível ao sujeito representar sua individualidade estilística, pois alguns gêneros requerem uma forma padronizada de linguagem, como em documentos oficiais, por exemplo. 
Observa também, que o estilo é um epifenômeno do enunciado, ou seja, não se planeja escrever com determinado estilo, o estilo acaba sendo o produto consequência do escrito/fala. Apesar de o estilo estar indissoluvelmente atrelado ao enunciado, não significa, segundo o autor, que não possa ser estudado separadamente. 
A estilística da língua, então, é uma disciplina independente e autônoma. E, mais uma vez, Bakhtin refere que o estudo da estilística só seria relevante se fosse baseado na natureza dos gêneros do discurso. Aliás, o autor é perseverante ao afirmar que, em qualquer estudo que se faça a respeito da língua, faz-se imprescindível abarcar o aprofundamento das modalidades dos gêneros, pois eles representam a língua viva, a linguagem em uso. 
O autor coloca que, até os dias atuais, os estudos têm desconsiderado as modalidades de gêneros do discurso, por isso, tais estudos são pobres e não diferenciados, inexistindo uma classificação de estilos de linguagem reconhecida de modo pleno. 
Há que se considerar que, a habilidade no uso dos gêneros está diretamente relacionada ao domínio que temos em relação a eles, ou seja, quanto maior for esse domínio, mais facilidade teremos em empregá-los de forma usual e adequada nas situações comunicativas em que estivermos inseridos. 
Bakhtin afirma que, grande número de pessoas que apresentam um amplo conhecimento em relação a uma determinada língua sente-se pouco potentes em algumas situações por não dominarem os gêneros de dadas esferas. Para o autor, é a própria vivência em situações comunicativas e o contato com os diferentes gêneros do discurso que exercitam a competência linguística do produtor de enunciados. É esta competência dos interlocutores que auxilia no que é ou não aceitável em determinada prática social, sugerindo que quanto mais experiente for o sujeito, mais hábil será na diferenciação dos gêneros e no reconhecimento do sentido e da estrutura que o compõe. 
2.4. Gênero textual 
É um conceito que busca compreender e explicar a materialização dos inúmeros textos que utilizamos na vida diária, desde mensagens telefônicas e posts em redes sociais até entrevistas de emprego, artigos científicos e outros.
Os gêneros e tipos textuais relacionam-se, pois aqueles se utilizam destes na sua estrutura. Além disso, outros elementos caracterizam os gêneros, como interlocutor, contexto, função social e linguagem.
2.4.1. Tipos e gêneros textuais
Existem duas grandes categorias no estudo dos textos:
· Tipos textuais;
· Gêneros textuais
Ambas existem de modo paralelo, mas partem de posicionamentos distintos, por isso contemplam aspectos diversos e complementares para categorizar e organizar a variedade de textos que existe em nossas sociedades.
A tipologia textual 
É uma categoria que se refere aos aspectos sequenciais e composicionais dos textos, como suas características sintáticas, lexicais e estruturais. Desse modo, o que se pretende, com essa categoria, é analisar a forma como os textos organizam-se linguisticamente para cumprirem suas funções comunicativas.
Gênero textual 
O gênero textual, por sua vez, é outra categoria que prioriza os traços comunicativos, contextuais e sociais que influenciam, também, na organização dos textos. Essa categoria classifica os textos por suas funções sócio-comunicativas, considerando-se, além da estrutura linguística, os aspectos extralinguísticos.
Os gêneros textuais são fluidos e mutáveis, sempre se adequando às novas necessidades sociais, entretanto, todos eles obedecem às regras de natureza linguística e textual que se apresentam em todos os gêneros, ou seja, os tipos textuais são aplicados na construção e modificação dos gêneros textuais. Por meio dessa relação, é possível estabelecer-se combinações entre tipos e gêneros textuais. 
É importante ressaltar que um único gênero pode conter diversos tipos textuais, com predominância de um ou mais. Em alguns casos, é possível encontrar gêneros com uma tipologia específica. Segue uma lista com os principais tipos textuais e as possíveis relações entre os tipos e gêneros textuais: Relação entre tipos e gêneros textuais.
Um mesmo gênero pode abarcar mais de um tipo textual, isso demonstra que utilizamos diversas sequências linguísticas para construir nossos textos, sempre as mesclando para potencializar a nossa escrita. Além disso, é importante lembrar que, a depender da intenção do autor, os tipos textuais podem ser utilizados em hierarquias e arranjos diversos.
Por exemplo, uma notícia pode ter predominância do tipo narrativo, pois conta um fato. Entretanto, a depender do fato a ser contado, o autor pode utilizar o tipo expositivo para explicar contextos prévios ao acontecimento em questão, ou ainda utilizar o tipo descritivo para apresentar uma cena do ocorrido ou acrescentar detalhes a alguma informação.
2.4.2. Diferenças entre tipo e gênero textual
Como mencionado no quadro apresentado anteriormente, as categorias tipo e gênero, no tocante aos estudos do texto, referem-se a classificações distintas e, em certa medida, complementares. É importante, assim, saber distinguir os limites que cada classificação possui para analisar melhor os textos e, com isso, amadurecer os domínios de produção e interpretação textual.
· Tipo textual é uma categoria da organização estrutural dos textos, fornecendo classificações de sequências disponíveis para construir-se os variados gêneros textuais existentes. Em outras palavras, o autor, a depender do seu contexto comunicativo, vai escolher lançar mão do tipo narrativo, descritivo, expositivo, argumentativo ou outro, no intuito de alcançar seu objetivo.
· Os gêneros textuais, por sua vez, classificam os textos com base em suas condições de uso bem como na influência dessas condições na estrutura do texto. Sendo assim, ao falarmos de gênero textual, buscamos identificar aspectos contextuais, características dos interlocutores, função social do texto, tipo e adequação da linguagem, canal de transmissão, entre outros. Ao considerarmos esses elementos, é sempre importante estabelecermos a relação deles com a caracterização do gênero.
2.4.3. Níveis Linguísticos
Se comunicar é inerente do ser humano. Quando criamos começamos a desenvolver a fala e a ser incentivado a este desenvolvimento com desenhos, músicas e até mesmo a leitura pelos próprios pais.
A interação verbal entre os humanos é possível por meio das palavras e pode ser realizada por meio da fala e/ou da escrita. Dependendo da situação comunicativa, os usuários das línguas podem eleger qualquer um dos diferentes níveis de linguagem para interagir verbalmente com os outros. Isso significa que existem linguagens diferentes para ocasiões distintas, ou seja, em toda situação comunicativa, os falantes elegem o nível de linguagem mais adequado para que tanto o emissor quanto o receptor das mensagens possam compreender e ser compreendidos.
2.4.4. Domínio lexical
Formação de itens lexicais provenientes de LB e não existentes no PE, com recurso ao uso de afixos desta língua: 
· LB kutxova - empurrar;
· PM txovar - empurrar; 
· LB kufemba - adivinhar; 
· PM fembar - adivinhar. 
Na adaptação da palavra proveniente da LB, neste caso do ronga/changana para o PM, recorrese ao processo de formação de verbos usado na LP ou seja, inserese a vogal temática seguida do sufixo verbal(a)r; simultaneamente é suprimido o prefixo ku- indicativoda classe de verbos na LB.
2.4.5. Nível Fonética-Fonologia
· Sistema Fonológico
É o inventário de sons que ocorre na linguagem e as regras para combinar os sons em unidades significativas.
· Fonética
É o estudo da fisiologia ou produção motora dos sons da fala e sua produção acústica. O conhecimento fonológico de uma língua inclui conhecer as regras para combinar os fonemas desta língua. Além dessas regras segmentais, há regras fonológicas governando o uso de características suprassegmentais como tom, acentuação e duração de vogais e consoantes.
· Morfologia
Lida com estrutura interna e formação de palavras. O morfema é a menor unidade significativa de uma língua. Ele pode ser uma palavra real (morfema livre) ou uma das diversas partes de uma palavra (morfemas ligados). 
Exemplo: prefixos ou sufixos.
· Sintaxe
Refere-se à estrutura das frases. Regras pelas quais palavras podem ser combinadas em frases gramaticalmente aceitáveis. Palavras podem ser agrupadas em categorias lexicais principais, classe aberta (substantivos, verbos, adjetivos e advérbios); e categorias lexicais secundárias, classe fechada (pronomes, verbos, auxiliares, artigos, conjunções e preposições).
As classes gramaticais são organizadas para desempenharem funções sintáticas sintagmas nominais (SN); sintagma verbal (SV) e sintagma preposicional (SP). O conhecimento sintático reflete-se na capacidade do falante/ouvinte de reconhecer frases que são estruturalmente ambíguas e sentenças que possuem o mesmo significado.
· Domínio Sintático
Modificação da estrutura argumental de verbos.
· A Celeste nasceu duas meninas (PE: ...deu à luz duas meninas),
· Eu fui nascido no dia que caíram muitas chuvas em Gorongoza (PE: nasci em Gorongoza no dia em que choveu muito).
Em changana o verbo 'nascer', kubeleka, é um verbo transitivo, pelo que se supõe ter havido cópia no PM das propriedades sintáticas do verbo do changana.
· Domínio semântico
O nível semântico também se registam fenómenos de transposição das LB para o PM, como ilustra o exemplo que se segue: 
· Eu não estou a ouvir o cheiro do gás. (PE: eu não estou a sentir....) 
O verbo ouvir foi aqui usado no lugar do verbo sentir e embora sejam ambos verbos cujos significados estejam ligados aos órgãos sensoriais, no PE são usados em contextos distintos. Tal como refere Ngunga (2012) Em bantu parece não existir uma tradução de sentir (abstracto) que não passe por verbos que traduzem as percepções recebidas através de órgãos sensoriais de confiança, tais como ouvir e ver. 
Os dados acima descritos confirmam que, em determinados domínios gramaticais, há um processo de transferência de conhecimento linguístico das LB para o PM. Sendo as LB distintas, isto é, dado que em cada região geográfica e não só, se falam línguas diferentes, a interferência destas no PM é diferenciada, podendo-se mesmo afirmar que começam a emergir distintas variedades regionais não-nativas do PM. 
Estas variedades são construídas com recurso a diversas estratégias de aprendizagem da língua, caracterizadas por fenómenos como a simplificação, sobre generalização de regras e transferência de língua (DIAS, 2009). Dois dos mecanismos de enriquecimento lexical exibidos no PM, a saber: palavras construídas com base em itens lexicais do PE e palavras construídas com base em itens lexicais das LB. Além disso, mostrase que o domínio da morfologia, mais concretamente o da construção de palavras, é o que revela menos interferências de outras línguas, com ênfase para as LB. 
Na esteira de Booij (2010), salienta-se que, no processo de formação de derivados, os falantes do PM recorrem a esquemas construcionais mentais que lhes assegura uma maior uniformização e generalização dos processos construcionais, e que o uso destes mecanismos de construção de palavras só é possível porque os falantes possuem uma competência léxica morfológica forte que lhes permite gerar produtos morfologicamente bem construídos.
· Semântica
As regras semânticas servem para definir os significados de morfemas, palavras e frases, indivíduos e sentenças. Reconhecimento de palavras e sentenças ambíguas, anômalas (sem sentido), paráfrases (sinônimos), etc., características semânticas que as palavras compartilham. Decompondo as palavras em traços é possível agrupá-las em diferentes categorias semânticas. 
Exemplo: mãe (pai, filho), mulher (menina), mãe (tia, avó).
· Pragmática
É o desempenho ou uso da linguagem. Conhecimento pragmático ou percepção das regras que governam o uso da linguagem em contextos sociais (competência comunicativa). A competência linguística inclui: 
· Conhecimento de tipos de sentenças que são mais adequados para produzir resposta desejada; 
· Percepção da informação de fundo, necessária para transmitir a mensagem visada; 
· O entendimento dos princípios cooperativos que estão por trás das trocas na conversação.
	
3. Conclusão 
Em conclusão a estas observações sobre o tema em pauta, pode-se dizer que o trabalho com gêneros textuais é uma extraordinária oportunidade de se lidar com a língua em seus mais diversos usos autênticos no dia-a-dia. Pois nada do que fizermos linguisticamente estará fora de ser feito em algum gênero. Assim, tudo o que fizermos linguisticamente pode ser tratado em um ou outro gênero. 
E há muitos gêneros produzidos de maneira sistemática e com grande incidência na vida diária, merecedores de nossa atenção. Inclusive e talvez de maneira fundamental, os que aparecem nas diversas mídias hoje existentes, sem excluir a mídia virtual, tão bem conhecida dos internautas ou navegadores da Internet.
BIBLIOTECA 
https://blog.portaleducacao.com.br/niveis-linguisticos-quais-sao/
http://www.revistacientifica.uem.mz/revista/index.php/lcs/article/download/43/43/164
https://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/9113/9113_3.PDF
https://revistas.rcaap.pt/interaccoes/article/view/475/429
http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/610-2.pdf
Art_Marcuschi_Gêneros_textuais_definições_funcionalidade.pdf
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