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PROJETO DE 
EDIFICAÇÕES 
SUSTENTÁVEIS
PROJETO DE EDIFICAÇÕES
SUSTENTÁVEIS
Fundamentos de
Fundamentos de
Marian Keeler
Bill Burke
Marian Keeler
Bill Burke
ARQUITETURA E CONSTRUÇÃO
Addis, B.
Edifi cação: 3000 Anos de Projeto, Engenharia e 
Construção
*Allen & Iano
Fundamentos da Construção Civil, 5.ed. 
Brown & DeKay
Sol, Vento e Luz: Estratégias para o Projeto de 
Arquitetura, 2.ed.
Burden, E.
Dicionário Ilustrado de Arquitetura, 2.ed. 
Charleson, A.
A Estrutura Aparente
Ching & Binggeli
Arquitetura de Interiores Ilustrada, 2.ed.
Ching, F. 
Representação Gráfi ca em Arquitetura, 3.ed. 
Ching, Onouye e Zuberbuhler 
Sistemas Estruturais Ilustrados 
Ching, F. 
Técnicas de Construção Ilustradas, 4.ed.
Chivelet & Solla
Técnicas de Vedação Fotovoltaica na 
Arquitetura
Curtis, W.
Arquitetura Moderna desde 1900, 3.ed. 
Doyle, M. 
Desenho a Cores, 2.ed.
*Eastman & Cols.
BIM
*Farrelly, L.
Fundamentos de Arquitetura
French, H.
Os + Importantes Conjuntos Habitacionais do 
Século XX
*Gray, Constanzo e Plesha
Dinâmica 
Gregory, R.
As + Importantes Edifi cações Contemporâneas
Henry Dreyfuss Associates
As Medidas do Homem e da Mulher
Todo o escopo da edifi cação ecológica em um único livro!
Independentemente da área de atuação, seja na arquitetura, na engenharia 
civil, no planejamento do uso do solo, na gestão de recursos e resíduos, ou 
mesmo no governo, as escolhas feitas durante a atividade profi ssional têm um 
impacto inevitável no meio ambiente. Assim, compreender os fundamentos do 
projeto integrado de edifi cações sustentáveis é essencial para o desenvolvimento 
de um meio ambiente melhor. É exatamente disso que trata este livro.
Fundamentos de Projeto de Edifi cações Sustentáveis apresenta a história, a teoria 
e a tecnologia da edifi cação sustentável, descrevendo abordagens práticas nos 
setores de planejamento, projeto e construção de edifi cações que atenuem, e 
até mesmo revertam, os impactos das construções no meio ambiente.
Marian Keeler e Bill Burke explicam de forma didática os conceitos da arquitetura 
sustentável e os aplicam a problemas de projeto, exercícios de pesquisa, questões 
para estudo, projetos em equipe e tópicos para discussão. Os capítulos escritos 
por especialistas no movimento sustentável cobrem tópicos como:
O processo do projeto integrado de edifi cações
O surgimento da edifi cação sustentável e de sua legislação
As substâncias químicas presentes nos ambientes internos que afetam os 
humanos e as edifi cações
O consumo de energia e as normas relacionadas
O projeto efi ciente em consumo de energia para edifi cações habitacionais 
e comerciais
A qualidade e a conservação da água
Os bairros e as comunidades sustentáveis
A gestão dos resíduos de construção e demolição
Karlen, M.
Planejamento de Espaços Internos, 3.ed.
Keeler & Burke
Fundamentos de Projeto de Edifi cações 
Sustentáveis
Leggitt, J.
Desenho de Arquitetura: Técnicas e Atalhos que 
Usam Tecnologia
*Littlefi eld, D.
Manual do Arquiteto: Planejamento e Projeto, 
3.ed.
Pereira, J.R.A.
Introdução à História da Arquitetura
*Plesha, Gray e Costanzo
Estática
McLeod, V.
Detalhes Construtivos da Arquitetura Residencial 
Contemporânea
Mills, C.B.
Projetando com Maquetes, 2.ed. 
Roaf, Crichton e Nicol
A Adaptação de Edifi cações e Cidades às 
Mudanças Climáticas
Roaf, S.
Ecohouse: A Casa Ambientalmente Sustentável, 
2.ed. 
*Waterman, T.
Fundamentos de Paisagismo
*Livros em produção no momento de impressão desta obra, mas 
que muito em breve estarão à disposição dos leitores em língua 
portuguesa.
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Bill Burke
ARQUITETURA/SUSTENTABILIDADE
80912_Capa_Fundamentos_de_Projeto_de_Editoracoes.indd 180912_Capa_Fundamentos_de_Projeto_de_Editoracoes.indd 1 5/5/2010 15:37:375/5/2010 15:37:37
Catalogação na publicação: Ana Paula M. Magnus – CRB-10/Prov-009/10
K26f Keeler, Marian.
Fundamentos de projeto de edifi cações sustentáveis [recurso
eletrônico] / Marian Keeler, Bill Burke ; tradução técnica:
Alexandre Salvaterra. – Dados eletrônicos. – Porto Alegre :
Bookman, 2010.
Editado também como livro impresso em 2010.
ISBN 978-85-7780-733-8
1. Arquitetura. 2. Arquitetura sustentável – Aspectos
ambientais. I. Burke, Bill. II. Título.
CDU 728
Sobre os autores
MARIAN KEELER, associada ao American Institute of Architects, profissional com certificação LEED, é especia-
lista em consultoria em edificações sustentáveis. Trabalha na Simon & Associates, de São Francisco, Califórnia, 
Estados Unidos, e também escreve sobre o tema.
BILL BURKE, membro do American Institute of Architects, é Coordenador do Programa de Arquitetura do Pacific 
Energy Center em São Francisco, Califórnia, Estados Unidos, e integra o Conselho Diretor do American Institute 
of Architects de São Francisco.
Iniciais_Eletronico.indd iiIniciais_Eletronico.indd ii 6/25/10 10:32:45 AM6/25/10 10:32:45 AM
Tradução técnica
Alexandre Salvaterra
Arquiteto e Urbanista pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul
CREA no 97.874
2010
Marian Keeler
Bill Burke
Versão impressa
desta obra: 2010
Iniciais_Eletronico.indd iiiIniciais_Eletronico.indd iii 6/2/10 11:36:32 AM6/2/10 11:36:32 AM
 Keeler_Iniciais.indd iv Keeler_Iniciais.indd iv 30.04.10 17:30:1430.04.10 17:30:14
Reservados todos os direitos de publicação, em língua portuguesa, à
ARTMED® EDITORA S.A.
(BOOKMAN® COMPANHIA EDITORA é uma divisão da ARTMED® EDITORA S.A.)
Av. Jerônimo de Ornelas, 670 - Santana
90040-340 Porto Alegre RS
Fone (51) 3027-7000 Fax (51) 3027-7070
É proibida a duplicação ou reprodução deste volume, no todo ou em parte,
sob quaisquer formas ou por quaisquer meios (eletrônico, mecânico, gravação,
fotocópia, distribuição na Web e outros), sem permissão expressa da Editora.
SÃO PAULO
Av. Embaixador Macedo Soares, 10.735 - Pavilhão 5 - Cond. Espace Center
Vila Anastácio 05095-035 São Paulo SP
Fone (11) 3665-1100 Fax (11) 3667-1333
SAC 0800 703-3444
IMPRESSO NO BRASIL
PRINTED IN BRAZIL
Obra originalmente publicada sob o título
Fundamentals of Integrated Design for Sustainable Building
ISBN 9780470152935
Copyright © 2009 by John Wiley & Sons, Inc. All rights reserved. This translation published under license.
Capa: Rogério Grilho (arte sobre capa original)
Preparação de original: Andrea Czarnobay Perrot
Editora Sênior: Denise Weber Nowaczyk
Projeto e editoração: Techbooks
 
À memória de meu pai,
Harry Keeler,
meu guru ambiental,
e ao meu filho,
Joseph Samper Finberg,
que divide o futuro com tantos outros
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Colaboradores
Leon Alevantis é Mestre em Engenharia e Profis-
sional com Certificação LEED, além de engenheiro 
mecânico sênior do Departamento de Saúde Públi-
ca do Estado da Califórnia. Foi diretor da Seção de 
Qualidade do Ar dos Interiores do Departamento 
de Serviços de Saúde do Estado da Califórnia, onde 
coordenou os inúmeros esforços pioneiros do esta-
do visando a elaborar, especificar, projetar e imple-
mentar medidas de qualidade do ar interno, junto 
a outras medidas de sustentabilidade, nos edifícios 
públicos locais. A participação de Leon foi funda-
mental para o desenvolvimento e a implantação da 
Seção 01350 do Estado da Califórnia, uma especi-
ficação focada na saúde reconhecida internacional-
mente; que busca testar e selecionar os materiais 
de construção. Dentre seus projetos de pesquisa, 
destaca-se o estudo das emissões dos materiais de 
construção com conteúdo reciclado. Ele faz parte 
do comitê da Sociedade de Engenheiros de Climati-
zação dos Estados Unidos (ASHRAE) que desenvol-
veu o Padrão 62.1 (A Ventilação para a Qualidade 
Aceitável do Ar dos Interiores [Ventilation for Ac-
ceptable Indoor Air Quality]), tendo sido, também, 
autor-colaborador do IAQ Design Guide da mesma 
sociedade.
Kevin Conger é arquiteto paisagista, professor (na 
University of California, em Berkeley; na Rhode 
Island Schoolof Design; e no Architectural Center de 
Boston) e sócio-fundador da Conger Moss Guillard 
Landscape Architecture, empresa de arquitetura situ-
ada em São Francisco, nos Estados Unidos, que se 
dedica a espaços cívicos de uso público e ao pro-
jeto ambiental sustentável. Seus projetos incluem o 
Crissy Field, um parque portuário localizado no Pre-
sidio National Park, o Treasure Island Master Plan e 
o Jardim de Esculturas do San Francisco Museum of 
Modern Art.
Eva Craig obteve grau de Mestre em Arquitetura e Ur-
banismo, com enfoque em projetos sustentáveis, na 
Harvard University. Seu escritório de arquitetura pas-
sou a prestar serviços de consultoria para o projeto 
de espaços verdes saudáveis, oferecendo um conheci-
mento focado no impacto de produtos químicos sobre 
a saúde em ambientes habitacionais e se especiali-
zando nos problemas enfrentados por famílias com 
crianças. Ela trabalha na cidade de São Francisco, nos 
Estados Unidos.
Jamie Phillips é arquiteta paisagista da Conger Moss 
Guillard Landscape Architecture, especializada em 
sistemas pluviais e em projetos de tratamento de 
águas pluviais em grande escala, que conectam es-
paços de uso público, habitats para vida selvagem e 
sistemas naturais. Seus projetos incluem a Butterfly 
House e o Supershed, no Auburn Rural Studio, o Tre-
asure Island Master Plan e a Estação de Tratamento de 
Águas Pluviais.
Sarah Pulleyblank Patrick é projetista sênior da Rai-
mi + Associates, empresa localizada em Berkeley, no 
Estado da Califórnia, especializada no planejamento 
voltado para a saúde pública, em estratégias de re-
estruturação de distritos e corredores urbanos e na 
elaboração de códigos de edificações baseados nos 
volumes edificados. Seus projetos incluem o plane-
jamento completo das cidades de South Gate, Santa 
Monica e Tracy (no Estado da Califórnia), do Serviço 
de Saúde Pública da Cidade de South Gate (no Esta-
do da Califórnia), a Revitalização da Área Central e a 
Atualização do Código de Edificações de Bothell (em 
Washington) e o Estudo de Critérios de Saúde Pública 
com Certificação LEED do Conselho de Edificações 
Sustentáveis dos Estados Unidos.
Matt Raimi, membro do American Institute of Certified 
Planners, é o principal sócio-fundador da empresa Rai-
mi + Associates. Ele liderou e participou de inúmeros 
trabalhos de planejamento, incluindo projetos urbanos 
completos das cidades de Santa Monica, South Gate e 
Tracy (no Estado da Califórnia) e da área conhecida 
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viii Colaboradores
como Éden, no Condado de Alameda (também na Ca-
lifórnia), além da Oakland Army Base, na Califórnia, 
do Hunters Point Shipyard, em São Francisco, e da área 
central de El Paso, no Texas. Ele dá muitas palestras so-
bre a aplicação do novo urbanismo ao planejamento 
e já escreveu vários livros, incluindo Understanding 
the Relationship between Public Health and the Built 
Environment (Washington, DC: U.S. Green Building 
Council, 2006) e Once There Were Greenfields (New 
York: Natural Resources Defense Council, 1999).
Aaron Welch é projetista da Raimi + Associates, em-
presa de planejamento urbano especializada em 
planejamento total, comunidades sustentáveis e na 
promoção da boa saúde pública por meio do plane-
jamento. Especialista em comunidades sustentáveis, 
seus trabalhos incluem a revisão do projeto-piloto 
Liderança em Projeto Energético e Ambiental (LEED) 
para o Desenvolvimento de Comunidades (do U.S. 
Green Building Council), a iniciativa de comunidade 
sustentável Near Westside, em Syracuse (no Estado de 
Nova York), a avaliação de sustentabilidade da Cida-
de de Redwood (no Estado da Califórnia) e o planeja-
mento completo das cidades de Santa Monica e South 
Gate (no Estado da Califórnia).
Bill Worthen é arquiteto, membro do American 
Institute of Architects, profissional com certificação 
pelo LEED e consultor para edificações sustentáveis 
da Simon & Associates Inc., empresa de consultoria 
em edificações sustentáveis conhecida em todos os 
Estados Unidos. Bill é especialista na aplicação práti-
ca do projeto sustentável e das estratégias de constru-
ção. Participou de convenções nacionais do American 
Institute of Architects (AIA) sobre edificações sustentá-
veis e do processo de certificação do LEED, e, atual-
mente, faz parte do subcomitê de lobby do Comitê 
do Meio Ambiente do AIA – AIA Committee on the 
Environment (COTE). Também participa do subcomitê 
de lobby do Capítulo do Norte da Califórnia do U.S. 
Green Building Council e da Força-Tarefa de Edifica-
ções Sustentáveis da Prefeitura de São Francisco.
Graham Grilli é de Rhode Island e tornou-se am-
bientalista ainda muito jovem. Após se tornar bacha-
rel em ciências ambientais e passar anos adquirindo 
experiência em canteiros de obras, ele está cursando 
mestrado em arquitetura no Illinois Institute of Tech-
nology. Graham acredita que o projeto inteligente e 
o pensamento inovador estão prestes a revolucionar 
o nosso estilo de vida neste planeta.
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Agradecimentos
Com frequência, o processo da escrita é comparado 
ao nascimento – sendo o nascimento do livro um rito 
de passagem ou uma longa jornada criativa, por vezes 
alegre e por vezes dolorosa, mas, sem dúvida, depen-
dente da orientação de muita gente. Este projeto se 
inspirou e foi concebido pelo trabalho de arquitetos 
praticantes, teóricos, filósofos e visionários envolvidos 
no projeto de edificações sustentáveis, e não teria se 
concretizado sem a participação de um grupo igual-
mente numeroso e dedicado de pessoas que encontrei 
no caminho rumo à sustentabilidade e com as quais 
tive a felicidade de trabalhar.
Gostaria de agradecer a Paul Drougas, nosso editor 
na John Wiley & Sons, por ter apoiado o projeto e pelo 
seu comprometimento com as questões de eficiência 
energética e edificações sustentáveis. Sua orientação 
foi importantíssima em todas as etapas de redação e 
produção da obra.
Tivemos a sorte de contar com uma excelente 
equipe para o desenvolvimento do livro: o escritor e 
dramaturgo Peter Vincent, autor de The 60’s Diary, foi 
responsável pela edição do texto e do estilo e muito 
contribuiu com sua ampla experiência no mercado 
editorial; Graham Grilli, que buscou muitas imagens 
para o livro; e os talentosos artistas, técnicos, pesqui-
sadores, especialistas em direitos autorais e mágicos 
de imagens do Killer Banshee Studios, que entraram 
madrugada a dentro e disponibilizaram recursos, ima-
gens e autorizações com uma rapidez e precisão sur-
preendentes. O livro não teria ficado completo não 
fossem os seus esforços consideráveis.
AGRADECIMENTOS DE MARIAN KEELER
As jornadas ficam ainda melhores em razão da com-
panhia de outros viajantes; no caso, meu colega Bill 
Burke, que me ajudou a traçar o mapa e ofereceu 
ferramentas de navegação, além de muita habilidade 
técnica. A generosidade e a humildade de Bill vieram 
acompanhadas pelo profundo conhecimento de ques-
tões extremamente técnicas relativas à energia. Ele é 
um ótimo mentor, dedicado a instruir os projetistas e 
construtores de edificações sustentáveis. Seus conhe-
cimentos, sua perspicácia e sua amizade são inesti-
máveis.
Tenho a felicidade de conhecer muitos colegas na 
prática da construção sustentável, aqueles que estão 
“na batalha”, tentando fazer a diferença: são eles os 
colaboradores Eva Craig, da Imogen Home (amiga en-
gajada nas questões de saúde humana e ambiental); 
Kevin Conger e Jamie Philips, da CMG; Leon Alavan-
tis, do Departamento de Saúde Pública da Califórnia 
(um dos meus primeiros mentores no campo da Qua-
lidade do Ar dos Interiores); Bill Worthen, da Simon & 
Associates, Inc. (um colega muito respeitado); e Matt 
Raimi, Sarah Pulleyblank Patrick e Aaron Welch, da 
Raimi + Associates.
A família é tanto solo como fruto do processo cria-
tivo e, por isso, quero agradecer à minha: Chris Ke-eler, Cathy Keeler Presher, Tony Keeler e meus pais, 
Nathalie Keeler e Harry Keeler. Harry foi a primeira 
pessoa a ler e a fazer comentários muito úteis sobre 
cada capítulo do manuscrito, é a memória dele que 
desejo homenagear. E agradeço ao meu filho, Joe Fin-
berg, que vinha frequentemente ver como andavam as 
coisas: “Como vai o livro, mamãe?”.
Meus agradecimentos à Lynn Simon, por sua ami-
zade, paciência e apoio à medida que o livro era ela-
borado, bem como aos colegas da Simon & Associa-
tes: Dani Levine, Jennifer Nicholson, Raphael Sperry 
e Billy Worthen.
Também quero agradecer às seguintes pessoas por 
suas contribuições, ativismo e encorajamento: Cas-
sandra Adams, Steve Berg, Brian Campbell, Diane 
Campbell, Julie Cox, Peter Coyle, Sean Culman, Anne 
Esmonde, Eric Corey Freed, Chris Hammer, Kathryn 
Hyde, Louise Louie, Karen Lovdahl, Heather New-
bold, Carrie Strahan, meu querido colega Michael 
Bernard, da Virtual Practice, e a todos do Salão de 
Baile Allegro, em Emeryville, na Califórnia, pela salsa 
deliciosa.
Obrigada também aos estimados clientes e cole-
gas: Shelley Ratay, Jeff Oberdorfer e Marty Keller, da 
 Keeler_Iniciais.indd ix Keeler_Iniciais.indd ix 30.04.10 17:30:1530.04.10 17:30:15
x Agradecimentos
First Community Housing; Paula Lewis, da Saint An-
thony Foundation; Dennis Okamura, da HKIT; Tom 
Lent, Bill Walsh e Julie Silas, da Healthy Building Ne-
twork; Marc Richmond, da Practica Consulting; Kirs-
ten Ritchie, da Gensler; Penny Bonda; Dr. Andrew 
Persily, engenheiro do Laboratório de Pesquisa em 
Construção e Incêndio, do NIST; Wagdy Anis, arqui-
teto da Wiss, Janney, Elstner Associates; Jim Chapell, 
presidente da SPUR; Richard Parker e David Bush-
nell, da 450 Architects; a escritora Jennifer Roberts; 
Erik Kolderup, da Kolderup Consulting; Jane Bare, da 
Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos 
(EPA); Darrel DeBoer, da DeBoer Architects; o artis-
ta e fotógrafo Diego Samper; Marlene Samper; Jeorg 
Stamm; Alice Philips; e Anthony Bernheim, por sua 
amizade e orientação.
BILL BURKE GOSTARIA DE AGRADECER A:
Marian Keeler, Karen Buse, Killer Banhsee Studios, Pe-
ter Vincent, James Bae, Nick Rajkovich, Anna LaRue, 
Alison Kwok, Valeriy Boreyko, Bob Theis, Dan Varvais, 
Joel Loveland e Chris Meek.
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Apresentação
A construção e o uso de edificações são as principais 
responsáveis pela demanda de energia e de materiais 
que produzem gases de efeito estufa derivados. Para 
reduzir e então reverter com sucesso o aquecimento 
global e o exaurimento dos recursos naturais mun-
diais, é fundamental que os livros de ecologia sejam 
adotados nas escolas e empresas de arquitetura. Com 
o Imperativo 2010, a organização Arquitetura 2030 
requer que todos os exercícios de ateliê de projeto 
das faculdades de arquitetura exijam que o trabalho 
dos alunos aborde o meio ambiente de modo a re-
duzir ou eliminar drasticamente a necessidade de 
combustíveis fósseis. Fundamentos de Projeto para 
Edificações Sustentáveis apresenta aos alunos os 
conceitos de edificações sustentáveis, com aborda-
gens de projeto capazes de reduzir e, em última aná-
lise, eliminar a necessidade do uso de combustíveis 
em edificações, ao mesmo tempo em que conservam 
os materiais, maximizam sua eficiência, protegem o 
ar interno contra o ingresso de produtos químicos e 
minimizam a entrada de materiais tóxicos no meio 
ambiente. Trata-se do primeiro livro-texto a atender 
ao chamado do Imperativo 2010, visando a integrar 
o projeto de edificações sustentáveis ao currículo das 
faculdades de arquitetura. Ele é o “mapa rodoviário” 
do mundo pós-carbono, cujo uso é essencial para os 
futuros arquitetos, engenheiros civis, construtores e 
projetistas.
Os problemas e princípios abordados neste livro 
devem fazer parte da educação desta geração de pro-
fessores e estudantes de arquitetura. Desenvolvendo 
habitações, edificações de uso público e infraestru-
turas menos tóxicas e muito mais eficientes no con-
sumo de energia, podemos impedir mudanças cli-
máticas catastróficas, criar ambientes mais saudáveis 
para os seres humanos e outras espécies e construir 
uma sociedade mais equitativa, que considere as ne-
cessidades de todos os seus membros.
— Ed Mazria
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Prefácio
A mudança é como uma suave brisa que ondula as 
cortinas ao amanhecer, e que chega como o perfume 
furtivo das flores selvagens escondidas na relva.
— John Steinbeck, Sweet Thursday 
(1954)
Assim, as escolas são capazes de instituir mudanças 
tão profundas na profissão que podemos começar a 
falar de um redirecionamento da arquitetura. Ele con-
fere à arquitetura uma função central na resolução de 
um dilema global crucial, e, ao fazê-lo, contribui para 
os mais nobres fins criativos.1
— Ed Mazria, It’s the Architecture, 
Stupid!
Quando eu for presidente, os governadores que estive-
rem dispostos a promover as energias limpas encontra-
rão apoio na Casa Branca. As empresas que estiverem 
dispostas a investir nas energias limpas terão um aliado 
em Washington. Os países que estiverem dispostos a 
unir-se à causa e combater as mudanças climáticas con-
tarão com o apoio dos Estados Unidos da América.
— Barack Obama, já eleito presidente 
dos Estados Unidos, discursando durante 
uma conferência sobre mudanças 
climáticas realizada em Los Angeles, em 
18 de novembro de 2008.
Em abril de 2008, cientistas canadenses publicaram 
um estudo que relatou a infestação de suas florestas de 
pinheiro real americano por besouros de pinheiros de 
montanha.2,3 Estes insetos, bem conhecidos pelos cien-
1 E. Mazria, “It’s the Architecture, Stupid!” Solar Today, May–June 
(2003): 48–51; http://www.mazria.com/publications.
2 W. A. Kurz, C. C. Dymond, G. Stinson, G. J. Rampley, E. T. Neilson, 
A. L. Carroll, T. Ebata & L. Safranyik, “Mountain Pine Beetle and 
Forest Carbon Feedback to Climate Change”, Nature 452 (24 April 
2008): 987–990.
3 John Nielsen, “Beetle Infestation Compounds Effects on Warming”, 
Morning Edition, 24 April 2008.
tistas, estavam proliferando a uma velocidade alarman-
te, com a capacidade de destruir tais florestas de ma-
neira nunca vista. No período que serviu de base para 
o estudo (2000–2020), estima-se que os impactos da 
infestação de besouros destruirão 374 mil quilômetros 
quadrados de floresta – um número muito superior ao 
das infestações anteriores. Ainda que a morte de árvo-
res em razão de atividades humanas, como o desmata-
mento ou os ciclos naturais de queimada e fertilidade, 
seja sempre uma tragédia, os danos causados pelos be-
souros são preocupantes; além disso, seu surgimento 
e os impactos futuros são perturbadores. Parece que o 
aquecimento recorde na região do Canadá em que foi 
realizado o estudo encorajou o sucesso evolutivo deste 
inseto e do fungo que ele transmite. Em geral, áreas 
de florestas são devastadas em questão de meses, dei-
xando para trás plantas que, ao se decompor, emitem 
todo o dióxido de carbono atmosférico (CO2) que acu-
mularam ao longo de seus ciclos de vida. As louváveis 
metas canadenses relativas à redução das emissões de 
dióxido de carbono perderão força. Além de se opor 
aos esforços do país, as grandes reservas florestais ca-
nadenses, com as quais muitas nações contam para 
equilibrar e combater a produção de dióxido de car-
bono, passarão a contribuir para as emissões, em vez 
de se tornar um dreno de carbono. Segundo o estudo, 
tal contribuição será de 270 megatoneladas, o que, por 
coincidência, corresponde à quantidade de carbono 
que o Canadá havia se comprometido a compensar. E 
quem é o culpado pela aceleração dos ciclos de vida? 
São as mudanças climáticas.
Qual é a relação? O que os besouros dos pinheiros 
de montanha têm a ver com as edificações sustentá-
veis? As respostas para essas perguntas compõem o 
ponto central deste livro: todas as atividades quereali-
zamos afetam, seja de maneira imediata ou latente, o 
delicado equilíbrio da natureza. Quando optamos por 
reciclar um recipiente de plástico em vez de atirá-lo 
em um lixão, há consequências; quando substituímos 
as lâmpadas incandescentes por fluorescentes, há 
consequências; quando buscamos alternativas limpas 
 Keeler_Iniciais.indd xiii Keeler_Iniciais.indd xiii 30.04.10 17:30:1530.04.10 17:30:15
xiv Prefácio
para as usinas termoelétricas a carvão, há consequên-
cias. A construção de edificações ecológicas também 
tem consequências.
Quando iniciamos esta jornada visando a ofere-
cer um guia de estudo para a construção de edifica-
ções mais sustentáveis, acreditávamos que a simples 
divulgação do conhecimento beneficiaria o meio 
ambiente e a biodiversidade das espécies mediante 
a redução de resíduos, a gestão de recursos de berço 
a berço, a conservação de energia e a melhor qua-
lidade do ar do interior. Desde então, vemos uma 
enorme atenção sendo dada aos impactos generali-
zados e cíclicos tanto do aquecimento global como 
das mudanças climáticas. Também testemunhamos, 
felizmente, a propagação de tudo aquilo que é sus-
tentável: estilos de vida com impacto menor, esfor-
ços para reduzir a presença de materiais tóxicos no 
meio ambiente, o movimento slow-food, produtos de 
comércio justo, veículos com combustíveis alterna-
tivos, seguros de sustentabilidade, tecnologias lim-
pas, tours ecológicos e, mais recentemente (e talvez 
o mais importante), metas de energia zero, carbono 
zero e resíduos zero.
Não há dúvidas de que somos capazes de criar so-
luções para as mudanças climáticas e de reduzir o ní-
vel de materiais tóxicos no ambiente construído. Com 
as inovações tecnológicas e o retorno aos bons prin-
cípios de projeto, podemos lidar com tais questões. 
Esses esforços estimulariam a economia, gerariam 
empregos e uniriam as diferentes crenças políticas. 
Contudo, eles exigem um empenho coletivo – seme-
lhante à mobilização militar durante a Segunda Guer-
ra Mundial ou às missões lunares das Apolos. Primei-
ramente, precisamos decidir aonde queremos chegar 
e como faremos para ir até lá.
Precisamos de visão e de uma estrutura de gran-
de escala para abordar as questões das mudanças 
climáticas e dos tóxicos. Independentemente de sua 
profissão, seja nas áreas da arquitetura, engenharia, 
de planejamento do uso do solo, gestão de recursos 
e resíduos ou no governo, compreender os princípios 
do projeto integrado de edificações é essencial para 
criarmos tal estrutura.
É necessário que as instituições e os indivíduos co-
mecem a agir, mesmo na ausência de ações ou legis-
lação governamental. As informações contidas neste 
livro são valiosíssimas, ensinando abordagens para 
planejar, projetar e construir estruturas que possam 
diminuir, ou até reverter, os impactos das edificações 
no meio ambiente.
À medida que avançar em seus estudos, apro-
funde o seu conhecimento de edificações sustentá-
veis mantendo-se em dia com as inovações. Com-
preenda as fontes de informações e avalie-as com 
um olhar crítico. Não desanime em razão da grande 
quantidade de material. Sempre há mais a aprender 
e mais pesquisas a fazer. Essas pesquisas adicionais, 
porém, não são essenciais para que você entenda 
as questões fundamentais que precisam ser aborda-
das. Concentre-se nas preocupações que lhe pare-
cem mais urgentes, sejam reduções substanciais no 
consumo de energia ou a eliminação das toxinas 
bioacumulativas persistentes no meio ambiente. 
Examine os dados, filtre-os e busque aplicações sig-
nificativas, fazendo com que as edificações consu-
mam energia e recursos de maneira mais eficiente 
e sejam menos tóxicas para todos os tipos de vida 
presentes no planeta.
Em 20 de janeiro de 2009, o presidente norte-
-americano Barack Obama assumiu o cargo na es-
teira de um movimento popular. O programa Orga-
nizing for America, de sua autoria, dá continuidade 
ao movimento que busca enfrentar e propor soluções 
para problemas urgentes do país. Enquetes feitas na 
Internet revelaram que a agenda verde do presidente 
conta com o apoio maciço da população, visto que 
inclui questões como tecnologias de energias reno-
váveis, a criação de 5 milhões de empregos no setor 
de energias limpas, maior independência energética 
e a análise das causas das mudanças climáticas, entre 
outras. A sustentabilidade das edificações contribuirá 
com o plano de redução de emissões de carbono do 
presidente – no caso, almeja-se uma redução de 80% 
até 2050. Considerando-se o investimento em tec-
nologias energéticas previsto para o período, de 150 
bilhões de dólares, fica evidente que as edificações 
sustentáveis andarão lado a lado com a redução do 
consumo de energia.
Em dezembro de 2009, as Nações Unidas promo-
verão a 15ª Conferência das Partes (COP15) durante 
a Convenção sobre Mudanças Climáticas das Nações 
Unidas, a ser realizada em Copenhague, na Dinamar-
ca. Espera-se que, no decorrer da conferência, delega-
ções de todo o mundo assumam um comprometimen-
to renovado e significativo com as metas de redução 
das emissões de carbono.
Desejamos que este livro ajude a iniciar e orientar 
as carreiras dos profissionais responsáveis por trans-
formar as maneiras de planejar, projetar e construir 
edificações.
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Sumário
 Capítulo 1 O Processo de Projeto Integrado de Edificações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .17
 Capítulo 2 A História dos Movimentos Ambientalistas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .28
 Capítulo 3 As Conferências e os Tratados Internacionais Modernos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .40
 Capítulo 4 O Surgimento da Edificação e da Legislação Sustentáveis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .49
 Capítulo 5 As Fontes de Substâncias Químicas no Meio Ambiente . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .66
 Capítulo 6 As Substâncias Químicas Presentes nos Ambientes Internos que Afetam 
os Seres Humanos e as Edificações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .76
 Capítulo 7 As Tecnologias de Controle da Qualidade do Ar Interno – O Projeto Ecologicamente 
Sustentável para a Saúde de Longo Prazo dos Usuários . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .87
 Capítulo 8 As Questões de Qualidade do Ambiente Interno . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .94
 Capítulo 9 Introdução às Questões Energéticas: O Uso e os Padrões . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .107
 Capítulo 10 Os Princípios Básicos de Energia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .115
 Capítulo 11 O Projeto de Edificações Eficientes em Consumo de Energia: Edificações 
Habitacionais e Comerciais Pequenas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .123
 Capítulo 12 O Projeto de Edificações Eficientes em Energia: As Edificações Não Habitacionais . . . . . . .145
 Capítulo 13 A Eficiência dos Recursos Naturais e o Uso de Recursos Naturais em Edificações . . . . . . . .168
 Capítulo 14 A Especificação de Materiais e a Certificação de Produtos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .183
 Capítulo 15 A Qualidade e a Conservação da Água . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .201
 Capítulo 16 Os Bairros e as Comunidades Sustentáveis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .212
 Capítulo 17 Estudos de Caso . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .236
 Capítulo 18 Os Sistemas de Certificação e as Ferramentas Práticas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .256
 Capítulo 19 A Avaliação do Ciclo de Vida (LCA) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . .270
 Capítulo 20 Os Impactos do Lixo e a Indústria da Construção Civil . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .282
 Capítulo 21 A Gestão de Resíduos de Construção e Demolição . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .292
 APÊNDICES
 A. Uma Seleção de Estudos de Caso de Edificações Sustentáveis 301
 B. As Técnicas de Construção Alternativas 330
 C. A Nossa Saúde dentro das Edificações 336
 GLOSSÁRIO 341
 BIBLIOGRAFIA 345
 CRÉDITOS DAS ILUSTRAÇÕES 351
 ÍNDICE 357
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O Processo de Projeto 
Integrado de Edificações 1
A boa notícia é que sabemos o que precisa ser 
feito. A boa notícia é que temos tudo o que é 
necessário para enfrentar o desafio do aqueci-
mento global. Temos todas as tecnologias que 
precisamos; outras mais estão sendo desenvol-
vidas. E, à medida que se tornam disponíveis 
e ficam mais baratas quando produzidas em 
escala, essas tecnologias facilitarão o nosso tra-
balho. Mas não devemos esperar, não podemos 
esperar, não vamos esperar.
— Al Gore, ex-vice-presidente dos 
Estados Unidos da América, discursando na 
National Sierra Club Convention, em 
09 de setembro de 2005
O QUE É O PROCESSO DE PROJETO 
INTEGRADO DE EDIFICAÇÕES?
O projeto integrado de edificações é a prática de pro-
jetar de maneira sustentável. Os termos projeto sus-
tentável e projeto integrado de edificações devem ser 
vistos como equivalentes.
Até pouco tempo, o termo “projeto sustentável” 
sempre aparecia entre aspas, o que fazia com que seu 
significado parecesse ser mutável e questionável em 
termos de viabilidade. Hoje em dia, o projeto susten-
tável é um modelo de projeto e edificação consoli-
dado, que já tem sua própria história – e o projeto 
integrado resulta de sua evolução. Uma edificação 
integrada é uma edificação sustentável.
O projeto integrado é um tema abrangente, que 
orienta a tomada de decisões referentes ao consumo 
de energia, aos recursos naturais e à qualidade am-
biental. Tais decisões e estratégias serão introduzidas 
neste capítulo e aprofundadas nos capítulos a seguir.
No caso do projeto integrado, é necessário enca-
rar as variáveis do projeto como um todo unificado, 
utilizando-as como ferramentas para a solução de 
problemas. Os estudantes de arquitetura e engenharia 
aprendem a ser solucionadores de problemas, o que 
os leva a supor e a prever as possíveis implicações de 
todas as decisões de projeto, inclusive as que parecem 
mais benéficas. O estudo do projeto integrado conso-
lida essas habilidades e promove outra competência 
que é fundamental para todos os estudantes de arqui-
tetura – a capacidade de fazer parte de uma equipe de 
maneira produtiva e eficiente.
Diferentemente do projeto convencional, o pro-
cesso de projeto integrado exige um equilíbrio in-
tenso (bem como uma lista de prioridades) a fim de 
obter uma edificação sustentável de sucesso. O pro-
cesso funciona sempre que há comunicação entre os 
membros da equipe e quando cada projetista tem um 
profundo entendimento dos desafios e das responsa-
bilidades enfrentados pelos seus colegas.
Uma vez que cada decisão de projeto tem inúme-
ras consequências, e não um efeito isolado, o projeto 
integrado de qualidade demanda o entendimento das 
inter-relações de cada um dos materiais, sistemas e 
elementos espaciais (Figura 1-1). Ele exige que todos 
os atores encarem o projeto de maneira holística, em 
vez de concentrar-se exclusivamente em uma parte 
individual.
O processo
O processo de trabalhar coletivamente em ateliê 
como membro de uma equipe de qualquer tipo de 
projeto de arquitetura simula a realidade da prática 
profissional. Ele se aplica a problemas de projeto grá-
fico, como exercícios de criação de uma marca, ao 
desenvolvimento de um plano diretor e até à elabo-
ração de uma política fundiária ou de um loteamento 
urbano.
Por isso, é importante que o estudante aprenda o 
processo de projeto integrado desde o início de sua 
formação como arquiteto. Não há receita para chegar 
ao processo de projeto integrado ideal, ainda que vá-
rios níveis de tomada de decisões ocorram logo na de-
finição do projeto, enquanto o projeto é aprimorado, 
durante o desenvolvimento do projeto e de sua cons-
trução. Assim que o projeto estiver concluído, durante 
a crítica feita pelos professores, é muito importante 
avaliar a eficácia do processo de projeto integrado de 
cada equipe.
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18 Fundamentos de Projeto de Edificações Sustentáveis
Neste capítulo, veremos como o projeto integrado 
se dá na prática.
Entenda o escopo do projeto
É muito útil estabelecer um cronograma de reuniões 
da equipe em função da finalização das etapas do 
projeto ou das datas de entrega determinadas pelos 
professores; a primeira reunião deve promover uma 
discussão que envolva as seguintes questões:
De que tipo é o projeto? •
Quais são o tamanho e a escala do projeto? Tra- •
ta-se de uma grande torre de escritórios, de um 
loteamento urbano sustentável ou de uma esco-
la particular pequena em um terreno de cinco 
acres?
O projeto será inserido em uma área urbana •
consolidada ou será desenvolvido em um espa-
ço aberto?
Algum plano-diretor orienta a nova edificação no •
terreno e descreve o escopo do projeto e as fases 
da construção?
Existem diretrizes legais para o projeto das veda- •
ções externas?
Alguma legislação municipal, regional, estadual •
ou nacional regulamenta o projeto sustentável?
Quais são os condicionantes geográficos e do ter- •
reno?
Quais são as densidades populacionais e os índi- •
ces urbanísticos do terreno?
De onde vem o dinheiro que financia o projeto? •
Ele vem de alguma agência governamental, da 
prefeitura, ou de investidores ou proprietários pri-
vados?
Como a participação de cada membro da equipe •
e de cada ator1 afetará o processo de projeto inte-
grado?
As respostas para essas perguntas ajudarão as equi-
pes de projeto integrado a mapear o processo.
Quais impactos ambientais do projeto 
a equipe deverá considerar?
Para projetar com responsabilidade, é preciso com-
preender os possíveis pontos fracos do terreno e da 
comunidade. A Figura 1-2 traz um mapa de recursos, 
ou seja, uma representação gráfica que ajuda a identi-
ficar os impactos ambientais sobre o terreno. É possí-
vel mapear muitos problemas, desde a demografia até 
os níveis de ruídos. No caso do processo de projeto 
integrado de edificações sustentáveis, a equipe dedi-
cará um tempo considerável para avaliar os detalhes 
do terreno. As questões que precisam ser considera-
das incluem:
A vegetação e/ou animais ameaçados serão afe- •
tados?
Há algum pântano nas proximidades? •
O projeto deve restaurar os pântanos ou áreas vir- •
gens caso exerça algum impacto sobre eles?
Há algum rio tributário no terreno? •
A qualidade da água potável será afetada? •
Qual é o padrão atual de escoamento de águas •
pluviais?
3rd Avenue
VLT abaixo
Prefeitura
4th Avenue
Coleta de águas
pluviais
Bicicletário
Cobertura
Verde
Jam
es
 St
ree
t
Reservatório de
águas pluviais
Pavilhão de
uso público
Figura 1-1 Croqui que mostra as 
condições do terreno e as tecnolo-
gias sustentáveis do projeto da Civic 
Square, em Seattle, Washington, Es-
tados Unidos. O projeto é de Foster 
& Partners. A praça oferece uma série 
de espaços urbanos permeáveis co-
nectados.
1 Os atores são as pessoas, entidades ou agências que investiram – 
seja como proprietário, financiador, usuário ou projetista – no pro-
jeto, na construção e no resultado final do projeto da edificação.
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Capítulo 1 O Processo de Projeto Integrado de Edificações 19
A água da chuva é absorvida e drenada até o len- •
çol freático ou algum corpo de água nas proximi-
dades?
Já existem superfícies impermeáveis no terreno? •
Como as superfícies impermeáveis afetarão a per-•
da de água pelo sistema de esgoto ou pelo proces-
so de evaporação?
A construção provocará a erosão ou a perda do •
solo devido ao vento?
Entenda as responsabilidades da 
equipe e defina as atribuições
Quais membros da equipe serão responsáveis por pes-
quisar, apresentar e resolver as questões identificadas 
pelas perguntas anteriores?
O ideal é que cada membro da equipe de projeto 
integrado tenha um papel e uma área de especializa-
ção claramente definidos, pelos quais ele ou ela será 
responsável e sobre o qual trará as informações neces-
sárias para o projeto. A definição de tais atribuições 
pode levar à defesa de determinadas soluções de pro-
jeto. Mais uma vez, este exercício simula a prática do 
projeto integrado.
Na prática de projeto integrado, os diversos atores 
incluem o proprietário, os diferentes projetistas e enge-
nheiros (de estruturas, civil, de condicionamento do ar, 
hidrossanitário, elétrico e de energia), o construtor e o 
empreiteiro, os consultores especializados (iluminação 
natural, energia, projeto sustentável e outros), os usuá-
rios e os administradores da edificação (Figura 1-3).
Outros membros da equipe serão responsáveis por 
questões mais específicas, como as coberturas verdes, 
a conversão in loco de energia eólica em elétrica ou 
o tratamento das águas servidas. É possível que fabri-
cantes de sistemas extremamente eficientes, como da 
tecnologia de tratamento de águas fecais e de siste-
mas fotovoltaicos, participem de pelo menos algumas 
etapas do projeto.
Em exercícios de projeto de ateliê, cada membro 
da equipe deve se encarregar de funções convencio-
nais básicas; além disso, todos serão responsáveis por 
documentar suas próprias estratégias e decisões.
Considere como o projeto de sua equipe abordará 
as questões do sítio e da comunidade
Encare as soluções para os desafios do sítio, dos mate-
riais, da energia e da qualidade do ar como possíveis 
elementos do projeto, e defina objetivos mensuráveis 
específicos.
Por exemplo, a cobertura plana de uma edifica-
ção longitudinal, cuja fachada mais ampla está volta-
da para o sul (no hemisfério norte) e cujo piso é uma 
grossa laje de concreto, apresenta a possibilidade 
de ganhos térmicos e de termoacumulação; por ou-
tro lado, os grandes beirais das edificações de climas 
quentes protegem os usuários contra o ofuscamento e 
os ganhos térmicos indesejáveis.
Os projetos de estacionamento com piso asfáltico 
escoam a água da chuva para o coletor pluvial, impe-
dindo que ela seja aproveitada para outros usos; já os 
projetos com superfícies porosas deixam que a água 
passe para o lençol freático, o que contribui para a efi-
ciência do ciclo da água. A Figura 1-4 mostra uma área 
Área administrativa
dos rios tributários
Área
administrativa
florestal
Área com significação
regional
Probabilidade
de sítio
arqueológico
Área Ambientalmente
Sensível (ESA)
Pântano
Área sujeita
a enchentes
Rio
tributário
Área protegida
pela marinha
Área de nidificação
Área de possível
ocupação
Área sujeita
a enchentes
Figura 1-2 Um exemplo de mapa de recursos.
seleção da equipe
de projeto
PROJETO E 
EXECUÇÃO DE UMA
EDIFICAÇÃO
EXECUÇÃO DE UM
PROJETO
INTEGRADO
vo
lu
m
e 
d
e 
tr
ab
al
h
o
vo
lu
m
e 
d
e 
tr
ab
al
h
o
tempo
tempo
 fase de projeto
seleção do
construtor
seleção do
construtor
 fase de projeto
seleção da equipe
de projeto
fase de
pré-construção
execução
execução
Figura 1-3 A execução de um projeto integrado exige o envolvimen-
to do construtor desde o início, além de várias atividades e estudos 
preliminares.
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20 Fundamentos de Projeto de Edificações Sustentáveis
com superfície porosa que oferece um pavimento durá-
vel, mas também permite a drenagem da água ao solo.
Uma vez que a sustentabilidade nas edificações 
envolve a justiça social, o projeto comunitário é 
considerado parte do processo de projeto integrado 
e, consequentemente, assume um significado muito 
mais profundo. Em termos de impacto social, todos os 
projetos podem melhorar ou mesmo deslocar comu-
nidades preexistentes. A equipe de projeto integrado 
deve examinar a história do sítio e sua etnografia, de-
terminando as condições ideais para melhorar a qua-
lidade de vida das comunidades preexistentes.
Ao mesmo tempo, o projeto tem condições de criar 
uma comunidade – um conceito que faz parte do en-
sino de arquitetura tradicional completo. Por meio do 
projeto integrado, a criação de comunidades assume 
uma nova dimensão.
A equipe deve, por exemplo, encarar os futuros 
usuários de um projeto habitacional multifamiliar 
como mais do que simples elementos no programa de 
necessidades. Ela também deve garantir a preservação 
da estrutura social, além de fornecer oportunidades 
para que os habitantes se envolvam com o seu am-
biente ou se afastem dele, participando do planeja-
mento de seus lares e das futuras gerações. O mais 
recente plano de sustentabilidade do Reino Unido, 
Securing the Future – UK Government Sustainable 
Development Strategy (Protegendo o Futuro – A Es-
tratégia de Desenvolvimento Sustentável do Governo 
do Reino Unido)2, ressalta a justiça e a inclusão social 
como uma dentre as diversas áreas fundamentais do 
desenvolvimento sustentável (Figura 1-5).
O projeto integrado educará os cidadãos sobre as 
edificações sustentáveis e também sobre a relação 
entre a edificação, a comunidade e o entorno. Ainda 
que pareça algo banal, educar os futuros habitantes 
do local sobre as práticas específicas de manutenção 
e limpeza exigidas pelas edificações sustentáveis faz 
parte do processo de projeto integrado.
Pondere os impactos inter-relacionados 
das soluções propostas
Neste ponto do processo, os diferentes membros da 
equipe costumam contribuir em suas especialidades, 
colocando as vantagens e desvantagens das soluções 
identificadas em discussão. Os membros da equipe 
devem se comunicar e interagir entre si.
O membro da equipe responsável pela análise 
energética pode ressaltar, por exemplo, que as edifi-
cações que aproveitam a luz diurna e os recursos de 
conversão de energia no local (como as estantes de 
luz) também estão sujeitas a ofuscamentos ou ganhos 
térmicos indesejáveis.
O arquiteto de interiores recomendará os acaba-
mentos internos, e seu trabalho terá um grande impac-
to sobre a qualidade do ar interno. O projetista pode 
propor o uso de um material de piso específico com 
100% de borracha reciclada; no entanto, embora uti-
lize os recursos de modo inteligente, o material exala 
um odor muito forte por meses após a instalação – o 
que não ocorre com pisos de borracha virgem.
O cliente do projeto talvez argumente que algu-
mas estratégias sustentáveis trazem consigo um im-
pacto mais alto em termos de custo. A abordagem 
de projeto tradicional, que costuma tratar o projeto 
sustentável como algo que lhe é agregado posterior-
mente, é mais dispendiosa. A abordagem de projeto 
integrado, por sua vez, geralmente implica gastos 
mais elevados com honorários, mas pode levar a cus-
tos iniciais mais baixos e a uma redução nas despesas 
operacionais. Em geral, na prática profissional, é pos-
sível executar uma análise do custo de ciclo de vida 
ou a orçamentação, a fim de ponderar tais estratégias 
e avaliar sua viabilidade econômica em curto e longo 
prazo. A Figura 1-6 compara os custos de vida útil das 
edificações nas alternativas de construção, mostrando 
que uma edificação sustentável que gera sua própria 
energia proporciona a melhor relação custo e vida.
O cliente talvez afirme que a tecnologia não com-
provada não é um risco que deseja percorrer devido à 
responsabilidade e à natureza potencialmente impre-
visível dos sistemas inovadores. O cliente talvez afir-
me não estar disposto a correr riscos com tecnologias 
cuja eficiência ainda não foi comprovada, devido aos 
possíveis passivos e responsabilizações e à natureza 
talvez imprevisível dos sistemas inovadores em geral. 
Quais são seusefeitos sobre a estética do projeto? O 
projetista de edificações sustentáveis argumentará que 
os sistemas de alta tecnologia são capazes de produ-
zir bons projetos, mas as opiniões dos usuários e da 
comunidade sobre o que é um bom projeto precisam 
ser incluídas no processo de projeto integrado.
Figura 1-4 Pavimentos porosos permitem a absorção da água da 
chuva em vez de seu escoamento.
2 Disponível no Departamento do Reino Unido para Questões Am-
bientais, Alimentícias e Rurais [United Kingdom Department for 
Environment, Food and Rural Affairs], em http://www.defra.gov.uk/
environment/sustainable.
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Capítulo 1 O Processo de Projeto Integrado de Edificações 21
Estabeleça as prioridades
Um dos fatores que mais incomoda no processo de 
projeto integrado é que não há soluções perfeitas e 
que nenhum projeto alcança a sustentabilidade abso-
luta – pelo menos, não como a definimos neste livro. 
Mas é possível chegar perto ponderando as vantagens 
e os efeitos complementares identificados anterior-
mente e testando suas soluções e impactos.
Muitas vezes há, para cada projeto, várias soluções 
ideais que se relacionam com os condicionantes de 
maneira única. A liderança da equipe se torna crucial 
durante o processo de discussão e tomada de deci-
sões, uma vez que, para ser eficiente, a equipe precisa 
adotar uma abordagem e uma direção determinadas, 
conforme aquelas que identificamos anteriormente.
Neste ponto, as atribuições da equipe e o processo 
de projeto integrado também são extremamente im-
portantes. É evidente que, no final, será preciso tomar 
uma decisão definitiva. Esta área do projeto só tem a 
lucrar com o processo de projeto integrado, tirando 
proveito do compartilhamento dos conhecimentos es-
pecíficos dos diferentes membros da equipe.
Dê um passo além
Na prática profissional, o processo de projeto integra-
do não termina com a construção. Os administrado-
res, usuários, inquilinos, locadores, zeladores e geren-
tes de instalações precisam de treinamento a fim de 
compreender o comportamento de cada decisão sus-
tentável inter-relacionada. Os manuais dos inquilinos 
e dos administradores auxiliam nessa compreensão e 
aumentam a probabilidade de sucesso das edificações 
sustentáveis integradas. A contratação de diversos es-
pecialistas – processo definido e descrito a seguir – 
garante que a edificação seja saudável e funcional, 
que, por sua vez, é o mecanismo que confirma que o 
objetivo de projeto foi alcançado.
O projeto integrado de edificações: 
a energia, os recursos naturais e o ar
A metodologia e as ferramentas para o controle do 
consumo de energia no processo de projeto integrado
Conforme discutimos no início deste capítulo, o projeto 
integrado é um processo que considera as relações en-
tre as diferentes decisões tomadas durante o projeto de 
uma edificação. Algumas decisões iniciais de projeto, 
como as que tratam do terreno e da orientação da edi-
ficação, das plantas baixas e do volume da edificação, 
e do tamanho e da localização das janelas, influenciam 
enormemente a estética do prédio (Figura 1-7).
Em muitos casos, as inter-relações das decisões de 
projeto também determinam quanta energia a edifica-
ção consumirá no seu dia a dia. No processo de proje-
to integrado, o projetista deve estar ciente de um con-
junto mais amplo de impactos, incluindo a estética, a 
energia, o meio ambiente e a experiência do usuário.
Usar a ciência de maneira 
responsável.
Garantir que as políticas sejam desenvolvidas e 
implantadas com base em evidências científicas 
comprovadas, mas também considerando as 
incertezas científicas (por meio do Princípio da 
Precaução), bem como as posturas e valores públicos.
Viver dentro de limites
ambientais.
Respeitar os limites do ambiente, dos recursos e 
da biodiversidade do planeta, de forma a 
melhorar o ambiente em que vivemos e a 
garantir que os recursos naturais necessários para 
a vida sejam preservados e permaneçam para as 
futuras gerações.
Garantir uma sociedade forte, 
saudável e justa.
Atender às diferentes necessidades de todas 
as pessoas nas comunidades tanto 
pré-existentes como futuras, promovendo o 
bem-estar social, a coesão social e 
oportunidades iguais para todos.
Alcançar uma economia
sustentável.
Construir uma economia forte, estável e sustentável 
que ofereça prosperidade e oportunidades para 
todos, na qual os custos ambientais e sociais sejam 
de responsabilidade daqueles que os provocam (“O 
Poluidor é Quem Paga”) e na qual se incentive o uso 
eficiente dos recursos.
Promover uma boa
governança.
Promover ativamente sistemas de governança 
eficazes e participativos em todos os níveis da 
sociedade, envolvendo a criatividade, a energia e a 
diversidade das pessoas. Figura 1-5 Dentre os cincos pontos 
principais do planejamento britânico 
de sustentabilidade, três tratam de 
questões sociais.
Edificação convencional
Edificação eficiente no consumo de energia
Edificação sustentável
Edificação sustentável com receitas
resultantes da geração de
energia sobressalente
C
u
st
o
s 
ac
u
m
u
la
d
o
s 
(e
m
 v
al
o
re
s 
at
u
ai
s)
Vida útil da edificação (anos)
0 25 50 75 100
Figura 1-6 Uma comparação do custo de ciclo de vida de quatro tipos 
de edificação: uma edificação convencional, uma edificação eficiente 
no consumo de energia, uma edificação sustentável e uma edificação 
sustentável com receitas resultantes da geração de energia sobressa-
lente. Os custos acumulados da edificação com estratégias de consumo 
eficiente de energia e com receitas geradas com a venda de energia são 
significativamente mais baixos, enquanto os gastos da edificação con-
vencional aumentam vertiginosamente com o passar do tempo.
Keeler_01.indd 21Keeler_01.indd 21 30.04.10 17:19:2630.04.10 17:19:26
22 Fundamentos de Projeto de Edificações Sustentáveis
No mundo real da arquitetura e do projeto, a prática 
integrada geralmente requer um tempo de projeto adi-
cional durante a fase de estudos preliminares. Esse tem-
po é necessário para que o arquiteto, os engenheiros 
mecânicos e elétricos, e os demais membros da equipe 
possam fazer perguntas, discutir as opções e seus im-
pactos, e estimar as implicações de energia e custo das 
escolhas que estão considerando. (Veja a Figura 1-3.)
Os objetivos básicos da sustentabilidade devem 
ser estabelecidos já no início do projeto, o que re-
sulta em metas significativas que permitem avaliar as 
opções e o progresso alcançado. Em vez de prescre-
ver soluções específicas, esses objetivos devem esti-
pular metas mensuráveis e de fácil compreensão para 
o desempenho da edificação.
Ao considerar o desempenho energético, o estu-
dante pode ter como objetivo reduzir o consumo de 
energia da edificação em 50% em relação ao consu-
mo médio de energia de edificações semelhantes em 
sua região. Para demonstrar o cumprimento da meta, é 
possível utilizar desde uma lista simples de estratégias 
de projeto de baixo consumo de energia até um mode-
lo energético simples do projeto feito em um software 
fácil de usar, como o Energy-10 ou o eQUEST (Figuras 
1-8A, B e C). Aprender a usar as ferramentas de infor-
mática que avaliam o desempenho energético da edi-
ficação antes de se formar deve estar entre os objetivos 
de todos os estudantes de arquitetura e engenharia.
No nível profissional, o estabelecimento de metas 
de desempenho e a avaliação do projeto devem fazer 
parte de um processo mais rigoroso. No âmbito do pro-
jeto de edificações, muitas associações profissionais 
estipularam padrões para as práticas recomendadas.
A ASHRAE (American Society of Heating, Refri-
gerating, and Air-Conditioning Engineers) criou um 
padrão de uso energético conhecido como ASHRAE 
90.1, que é atualizado periodicamente; a atualização 
mais recente data de 2007.
Os Padrões Energéticos de Edificações do Título 
24 [Title 24 Building Energy Standards]3, do Estado da 
Califórnia, estabelecemexigências para novas edifica-
ções e projetos de reforma dentro do estado. As exi-
gências tanto do ASHRAE 90.1 como do Título 24 va-
riam de acordo com a região. Os objetivos gerais em 
termos de consumo de energia devem se relacionar 
com os padrões preexistentes, exigindo, por exem-
plo, um desempenho energético 50% superior ao do 
ASHRAE 90.1-2005 ou do Título 24-2008.
No nível profissional, é importante fazer a modela-
gem das opções para a tomada de decisões bem emba-
sadas. Isso permite uma melhor compreensão das in-
terações entre os sistemas da edificação e entre outros 
elementos de um projeto sustentável, como o uso de 
recursos pelos materiais e a qualidade do ar interno.
No caso tanto de estudantes como de profissio-
nais, o objetivo deve ser maximizar a eficiência dos 
sistemas da edificação, buscando interações comple-
mentares que reduzam o lixo e os efluentes – usando, 
por exemplo, a capacidade térmica residual de um 
sistema para pré-aquecer outros. No nível profissio-
nal, isso envolve usar equipamentos extremamente 
SOL
ALTO
NO VERÃO, VENTOS
QUENTES E ÚMIDOS DA
DIREÇÃO SUDOESTE
NO INVERNO,
VENTOS FRIOS DA
DIREÇÃO NORDESTE
RUÍDOS E
POLUIÇÃO VINDOS
DA ESTRADA
Figura 1-7 Croqui do Centro de 
Ciências de Istambul que ajuda os 
projetistas a compreender os pa-
drões eólicos do terreno e o percurso 
aparente do sol, já que os dois fatores 
afetarão as decisões de projeto.
3 California Energy Commission, 2008 Building Energy Effi-
ciency Standards for Residential and Nonresidential Buildings, 
CEC-400-2008-001-CMF (Sacramento, CA: California Energy Com-
mission, December 2008).
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Capítulo 1 O Processo de Projeto Integrado de Edificações 23
eficientes, dimensionar os sistemas de modo adequa-
do e incorporar energias renováveis assim que os de-
mais sistemas forem aprimorados.
Recursos: a água e as matérias-primas 
da construção de edificações
Como ocorre com todas as decisões sustentáveis, con-
siderar o uso de recursos desde o início é essencial 
para um projeto sério. Nos Estados Unidos, a indústria 
da construção civil responde por 40% de todo o con-
sumo de matérias-primas (3 bilhões de toneladas por 
ano)4. Assim, é essencial o aproveitamento consciente 
da água e do solo, bem como dos recursos de minera-
ção e extrativismo.
Figura 1-8 a-c Telas ilustrativas do 
software de avaliação do consumo 
de energia eQUEST, disponível online 
em http://www.doe2.com/equest/.
(a)
(b)
4 N. Lenssen and D. M. Roodman, “Paper 124: A Building Revolu-
tion: How Ecology and Health Concerns are Transforming Cons-
truction,” Worldwatch (1995),Worldwatch Institute.
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24 Fundamentos de Projeto de Edificações Sustentáveis
Para utilizar os recursos com inteligência, é preci-
so maximizar seu potencial a fim de aumentar a efi-
cácia e a eficiência e reduzir ou “eliminar o concei-
to de desperdício” por completo, conforme William 
McDonough e Michael Braungart propuseram em The 
Hannover Principles.5 Algumas culturas usam os ani-
mais por inteiro – do focinho ao rabo e do bico à gar-
ra – para fins de alimentação e vestimenta; devemos 
fazer o mesmo com as árvores, o granito e os recursos 
ameaçados e superexplorados, utilizando todo o seu 
potencial de maneira criteriosa.
A outra faceta do uso de recursos exige que se 
entenda o equilíbrio natural e se evite interferir nele 
durante a extração dos mesmos. Neste momento, a 
realidade incômoda do projeto integrado permite que 
determinemos prioridades, meios-termos e opções. As 
Figuras 1-9 e 1-10 mostram os resultados das práticas 
de manejo florestal sustentáveis em relação às não 
sustentáveis.
É necessário examinar os recursos, materiais, pro-
dutos e sistemas, incluindo suas vidas úteis, para im-
plantar o projeto integrado completamente. Estamos 
enfrentando uma crise devido às mudanças climáticas 
e aos impactos associados, como a redução de radia-
ção solar na Terra e a escassez de água. Temos de lidar 
com uma tarefa planetária monumental: tentar equili-
brar a energia, as emissões e os fluxos de água.
Como arquitetos e projetistas, podemos abordar 
tais questões na escala local e de maneira menos gran-
diosa, projetando edificações sustentáveis; além de vi-
ável, essa tarefa tem efeitos cumulativos significativos.
A água
As edificações usam 12,2% de toda a água potável, ou 
seja, 57 trilhões de litros por ano, nos Estados Unidos.6
Nos capítulos a seguir, discutiremos estratégias es-
pecíficas para reduzir o consumo de água durante a 
construção e a ocupação, e também para aproveitar a 
água não potável e a água da chuva coletada em usos 
Figura 1-8 a-c Continuação.
(c)
Re
flo
re
sta
me
nto
Ar
tifi
cia
l e
/o
u n
atu
ral
Me
lho
res
 pr
át
ica
s d
e 
m
an
ej
o
Estética do
habitat
Recreação,
toras e polpa
de madeira
Toras e
madeira serrada
Queimadas
prescritas para
preservação da
biodiversidade
Tratamento intermediário
Desmatamento controlado e recuperação
Ex
tra
tiv
ism
o
Conservação do solo e da água
Preparação do terreno
Figura 1-9 Técnicas para o extrativismo responsável de recursos.
5 William McDonough & Michael Braungart, The Hannover Principles, 
Design for Sustainability, Edição do 10º Aniversário, encomendada 
para ser o manual de projeto oficial da EXPO 2000, William McDo-
nough + Partners, McDonough Braungart Design Chemistry, 2003.
6 Dados fornecidos pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos 
[United States Geological Service] (1995).
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Capítulo 1 O Processo de Projeto Integrado de Edificações 25
que não sejam o consumo humano. As águas pluviais 
coletadas devem ser aproveitadas, conforme descre-
vemos na Figura 1-11.
Como arquitetos e projetistas, devemos pensar 
em soluções construídas, como sistemas de armaze-
nagem de água, sejam elas naturais ou humanas, e 
em soluções de tratamento de água no terreno e na 
própria edificação. Para fins de projeto integrado, as 
estratégias de conservação de água giram em torno do 
lançamento de esgoto, da preservação da paisagem e 
do manejo dos recursos hídricos.
O lançamento de esgoto. As edificações sustentáveis 
influenciam o projeto integrado de maneira significa-
tiva no que se refere à água, pois têm condições de 
reduzir a quantidade de água potável necessária para 
descartar os dejetos humanos. A reciclagem das águas 
fecais e servidas é uma estratégia de conservação da 
água potável (Figura 1-12).
Outra maneira de reduzir o consumo de água po-
tável é fazer o projeto hidrossanitário de acordo com 
a demanda dos usuários. Essa abordagem envolve 
Figura 1-10 Técnicas de extrativismo destrutivo de recursos.
A ÁGUA PLUVIAL É COLE TADA TR ATADA ARMAZENADA DISTRIBUÍDA
A ÁGUA INGRESSA NO SISTEMA PLUVIAL
A ÁGUA É TRATADA
IRRIGAÇÃO
PARA O
ESGOTO
LAVAGEM DE AUTOMÓVEIS
BACIAS SANITÁRIAS
PARA O
SISTEMA
DE ÁGUAS
PLUVIAIS
A ÁGUA FICA EM RESER VATÓRIOS
ATÉ QUE SE JA PRECISO USÁ-LA
A ÁGUA É ARMAZENADA
EM BACIAS
A ÁGUA PLUVIAL É
COLE TADA DAS COBER TURAS,
RUAS E PASSEIOS
Figura 1-11 Sistema de coleta de águas pluviais no nível comunitário, na Nova Zelândia.
Sistema aprovado pelo Departamento de Saúde
de Nova Gales do Sul (Austrália)
Este sistema é usado para tratar águas servidas, água 
do banho, água dos lavatórios e água da máquina de 
lavar roupa, até se atingir os padrões estabelecidos 
pelo Departamento de Saúde para a reciclagem e o 
reuso na descarga de bacias sanitárias, na lavagem de 
automóveis, na irrigação de jardins e até em 
máquinas de lavar roupa.
a água reciclada vai para a residência
irrigação do jardim e lavagem
dos automóveis
linhas de conexão da caixa de controle
ladrão para o esgoto
do banheiro e da cozinha para o esgoto
águas servidas do banheiro e da lavanderia
Figura 1-12 As águas servidas provenientes de banheiras, chuveiros, pias e da lavagem de roupa podem sertratadas e reutilizadas na descarga 
de bacias sanitárias e na irrigação dos jardins.
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26 Fundamentos de Projeto de Edificações Sustentáveis
o cálculo de diversos fatores utilizando um cenário 
de projeto básico ou padrão e propondo um caso de 
projeto com o qual se possa compará-lo. Trata-se de 
um exercício de modelagem que, consequentemente, 
pode ser usado como uma ferramenta de projeto. Para 
fazer modelos que visem à redução do uso de água 
potável no lançamento de esgoto, é preciso conside-
rar os seguintes fatores:
A ocupação, ou seja, quantas pessoas utilizam a •
edificação e em quais horários elas estão presentes.
A frequência do uso. •
Os tipos de aparelhos hidrossanitários. •
A preservação da paisagem. As equipes de projeto 
têm condições de projetar visando à redução signifi-
cativa do uso de água nos jardins e, ao mesmo tempo, 
à diminuição do consumo de água potável no interior 
da edificação. Novamente, recomendamos a compa-
ração entre cenários simples, a partir da modelagem 
de pressupostos consistentes sobre o clima e a paisa-
gem, para obter a eficiência da irrigação. Para a mo-
delagem das questões referentes à paisagem, é preciso 
considerar os seguintes fatores:
Os tipos de vegetação (adaptação ao clima, espécies •
nativas, xerojardinagem, evitar-se a monocultura)
Os sistemas de irrigação •
O controle da erosão •
O manejo das águas pluviais •
Os recursos hídricos. Evidentemente, o controle do 
consumo de água é apenas um dentre os vários aspec-
tos envolvidos na maximização da eficácia no uso da 
água; os outros são a boa gestão dos recursos hídricos 
e até a possibilidade de produzir água própria para 
uso, seja por meio de tecnologias de tratamento ou da 
dessalinização. Os métodos para controlar o consu-
mo de água incluem:
A coleta e a armazenagem das águas pluviais •
O tratamento das águas fecais ( • in loco e integrado 
às edificações)
A utilização das águas servidas municipais •
As tecnologias futuras, como a dessalinização e a •
reciclagem da água para torná-la potável
A fim de proteger e gerir os recursos hídricos exis-
tentes, também é possível desenvolver programas 
educativos de conservação da água voltados para os 
usuários das edificações. Será necessário repensar os 
métodos históricos de manejo do abastecimento de 
água, do seu uso comunitário e da sua distribuição.
As matérias-primas da construção
Nos capítulos a seguir, discutiremos alguns exemplos 
de recursos. Existem vários tipos de recursos, incluin-
do os vivos e os não vivos, como metais, minerais, 
óleos e madeira; os recursos energéticos renováveis, 
como a energia das marés, dos ventos e do sol; além 
de outros recursos renováveis e não renováveis.
No caso de edificações, as matérias-primas são 
tratadas diretamente nas categorias de recursos vivos 
e não vivos, embora os recursos energéticos renová-
veis também façam parte de seus ciclos de vida.
Especificar os materiais de construção é essencial 
para projetar edificações sustentáveis. Fazer perguntas 
sobre a vida útil dos produtos é uma boa maneira de 
aprender sobre a variabilidade, a utilidade e a con-
tribuição dos materiais para a degradação do meio 
ambiente. (A seleção dos materiais será discutida em 
outro capítulo.)
Durante o processo de projeto integrado, os ar-
quitetos e demais projetistas devem reunir dados so-
bre os materiais e produtos que desejam especificar 
para então criar uma edificação eficiente em termos 
de recursos, utilizando os materiais de mineração e 
extrativismo com inteligência. O projetista deve se in-
formar a respeito dos seguintes fatores relacionados 
aos produtos:
a embalagem •
a energia incorporada •
o conteúdo reciclado •
a possibilidade de reciclagem, de reuso e de recu- •
peração
a produção de lixo •
o processo de fabricação em circuito fechado; •
a durabilidade e a vida útil •
a proporção de recursos renováveis e não renová- •
veis em cada produto
Os bancos de dados e sistemas de avaliação de 
materiais, como o Pharos (Figura 1-13), que serão 
discutidos no capítulo dedicado aos materiais susten-
táveis, facilitam enormemente a pesquisa que funda-
menta as melhores escolhas ambientais.
A qualidade do ar e do ambiente internos
A qualidade do ambiente interno inclui várias ques-
tões relacionadas ao conforto dos usuários e à quali-
dade do espaço de trabalho ou habitação: a tempera-
tura, a umidade, o ofuscamento, a acústica, o acesso 
à luz natural, a eficiência da circulação do ar através 
dos espaços utilizados e a qualidade do ar interno 
propriamente dito. Os próprios usuários podem lidar 
com muitas dessas preocupações, contanto que os sis-
temas das edificações sejam criativos o bastante para 
permitir que as pessoas controlem os ambientes.
A qualidade do ar interno (QAI) deve ser a prin-
cipal preocupação dos projetistas de edificações in-
tegradas, uma vez que o ar interno está diretamente 
relacionado à saúde dos usuários a longo prazo. A 
QAI ruim gera inúmeros problemas, conforme des-
creve a Figura 1-14. Para obter um bom ar interno, é 
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Capítulo 1 O Processo de Projeto Integrado de Edificações 27
preciso reduzir a exposição dos usuários a produtos 
químicos preocupantes (por exemplo, cancerígenos, 
tóxicos do sistema reprodutivo e outras substâncias 
químicas possivelmente prejudiciais à saúde), con-
siderando os quatro elementos da boa QAI durante 
todo o projeto:
O • controle da fonte, que inclui a seleção criterio-
sa dos materiais, acabamentos, móveis e acessó-
rios da edificação; selecione-os de acordo com as 
emissões de compostos orgânicos voláteis (VOCs), 
e não pelo conteúdo.
O • controle da ventilação, que inclui o projeto de 
sistemas que filtrem adequadamente o ar externo 
e o façam circular, ultrapassando as taxas de troca 
de ar mínimas.
A • avaliação da edificação e da qualidade do ar in-
terno, que permite aos engenheiros e construtores 
determinar se os sistemas da edificação estão fun-
cionando de maneira adequada.
A • manutenção da edificação, que envolve a in-
trodução de novos produtos químicos capazes 
de produzir efeitos sinergísticos e de gerar novas 
substâncias químicas preocupantes. Para garantir 
a melhoria contínua da qualidade do ar, é impor-
tante utilizar produtos de limpeza e manutenção 
benignos – e também estabelecer um programa de 
monitoramento de sustentabilidade.
Depois de ler este capítulo, talvez você comece a 
achar que o projeto integrado de edificações é extre-
mamente complicado. Porém, sempre que esse pro-
cesso único é visto como uma maneira inovadora, 
mas consistente, de solucionar desafios de projeto e 
de introduzir o raciocínio sustentável, tanto a prática 
como o resultado dos esforços são benéficos. Este li-
vro apresenta aos estudantes “uma nova arquitetura 
sustentável”, isto é, uma arquitetura capaz de pro-
jetar e produzir ambientes construídos eficientes e 
saudáveis.
EXERCÍCIOS
Memorize três estatísticas fundamentais identi-1. 
ficadas no capítulo e que são capazes de ilustrar 
os efeitos do exaurimento de recursos naturais na 
construção convencional.
Crie um mapa de recursos ambientais para um 2. 
projeto hipotético e determine qual local teria um 
impacto ambiental menor sobre os recursos do en-
torno.
Crie um modelo energético simples com o 3. 
Energy-10, utilizando uma lista de princípios de 
consumo de energia.
Planeje uma equipe de projeto integrado. Como 4. 
as atribuições seriam divididas entre os membros 
da equipe? De quais níveis e fases do projeto cada 
membro participaria?
Em termos de processo de projeto integrado, quais 5. 
seriam as diferenças entre um edifício alto (uma 
“torre”) e uma escola particular de ensino funda-
mental? Quais consultores participariam de cada 
projeto?
Desenvolva um cronograma de reuniões regula-6. 
res em torno de etapas de projeto para seu projeto 
atual de ateliê da faculdade de arquitetura.
MEI
O 
AM
BI
EN
TE
 • 
RE
CU
RS
OS
 NA
TU
RA
IS
SOCIEDADE • COM
UNIDADE
SAÚDE • POLUIÇÃO
1
2
3
Figura 1-13 A “roda” ou “lente” Pharos ilustra três esferas de sustenta-
bilidade: o meio ambiente e os recursos naturais; a sociedade e a comu-
nidade; a saúde e a poluição, classificando os materiais de acordo com 
uma escala visual.
SINTOMAS RELACIONADOS AOS POLUENTES DO AR INTERNO
Dores de cabeça
Tontura
Cansaço
Náuseas
Vômito
Urticária
Irritação nos olhos
Irritação no nariz
Irritação na garganta
Irritações respiratórias
Tosse
Falta de ar
Infecções respiratórias
Asma (piora do quadro)
Reações alérgicas
Câncer de pulmão
Partículas Bioaerossóis Gases
Po
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Figura 1-14 A má qualidade do ar interno pode ter diversos efeitos 
negativos.
Keeler_01.indd 27Keeler_01.indd 27 30.04.10 17:19:2830.04.10 17:19:28
A História dos Movimentos 
Ambientalistas2
Meanwhile, at social Industry’s command,
How quick, how vast an increase! From the germ
Of some poor hamlet, rapidly produced
Here a huge town, continuous and compact,
Hiding the face of earth for leagues – and there,
Where not a habitation stood before,
Abodes of men irregularly massed
Like trees in forests, – spread through spacious 
tracts,
O’er which the smoke of unremitting fires
Hangs permanent, and plentiful as wreaths
Of vapour glittering in the morning sun.
— William Wordsworth, 
The Excursion*
Eu acredito na floresta, na campina, e na noite 
durante a qual o milho cresce.
— Henry David Thoreau, 
Walking
É praticamente impossível fazer justiça à história 
e ao desenvolvimento do movimento ambientalista e 
à emergência das edificações sustentáveis. Estamos 
falando de uma cronologia linear sobreposta a uma 
progressão periódica de vertentes e tendências. Com 
frequência, o desafio de desvendá-las se assemelha 
muito a desenrolar um emaranhado de fios. Alguns 
fios são fáceis de encontrar, mas outros não; e é quase 
impossível localizar o início.
A fim de explicar a interdependência do movi-
mento ambientalista e das edificações sustentáveis, 
devemos considerar vários fatores concomitantes:
A tenacidade e a dedicação dos principais líderes •
internacionais para aprovar leis globais, negociar 
tratados e criar planos de ação com o intuito de 
proteger o meio ambiente.
A história do movimento ambientalista como algo •
global, e não regional.
A necessidade de criar nomes e marcas para iden- •
tificar as principais tendências.
A identificação de caminhos abrangentes e con- •
cisos até o presente, focando naqueles que mais 
influenciaram o desenvolvimento das edificações 
sustentáveis.
A compreensão do assunto de modo temático e •
não cronológico.
Para tanto, este capítulo discute os seguintes temas:
As origens: os temas convergentes •
As origens no povo: os líderes precursores •
Os dois grandes catalisadores: a Revolução Indus- •
trial e a revolução química moderna
O prelúdio dos movimentos de conservação e pre- •
servação
As trajetórias que acompanham o movimento am- •
bientalista: a conservação versus a preservação e 
Emerson e Thoureau
O movimento ecológico •
O ambientalismo internacional moderno •
A emergência das edificações sustentáveis •
A história do ambientalismo é um campo de es-
tudo abrangente, visto que ele consiste em um mo-
vimento complexo cujas fontes são sociais, políticas 
e científicas. Como procura dar uma visão geral do 
assunto, este capítulo fornece somente um esboço 
dos temas ambientalistas que mais se sobrepõem e se 
interconectam. Aconselhamos os alunos a prosseguir 
com as leituras suplementares sugeridas no final do 
capítulo.
* N. de T.: Tradução livre – A Excursão: Enquanto isso, sob o coman-
do da Indústria social, / Que rápido, que enorme crescimento! Do 
germe / De um vilarejo miserável qualquer, rapidamente produzido 
/ Aqui está uma cidade enorme, contínua e compacta, / Escondendo 
a face da terra por ligas e ligas – e lá, / Onde não havia sequer uma 
habitação, / Moradias de homens reunidas de modo irregular / Como 
árvores nas florestas, – espalhadas em campos espaçosos, / Sobre as 
quais a fumaça de chaminés incansáveis / Paira permanente, abun-
dante como grinaldas / De vapor cintilante no sol da manhã.
Keeler_02.indd 28Keeler_02.indd 28 30.04.10 17:20:1630.04.10 17:20:16
Capítulo 2 A História dos Movimentos Ambientalistas 29
AS ORIGENS
As origens do movimento das edificações sustentáveis 
não advêm de um único evento, pelo contrário, se de-
vem aos efeitos cumulativos de marcos convergentes, 
cujas raízes remontam aos primórdios da humanida-
de. Para acompanhar seu desenvolvimento, precisa-
mos, primeiramente, analisar o advento da consciên-
cia ambiental.
Nossos ancestrais eram muito apegados ao meio am-
biente, já que sua sobrevivência dependia dele. Eles uti-
lizavam os recursos naturais disponíveis para criar abri-
gos, caçar e, posteriormente, cultivar a terra e viajar.
Ainda que os meios fossem grosseiros e o dia a dia 
fosse simples, os recursos naturais eram abundantes 
em relação ao tamanho e à densidade da população. É 
fácil simplificar e romantizar esse período, pressupon-
do um equilíbrio confortável entre os primeiros huma-
nos e o planeta, mas a destruição do meio ambiente, 
assim como a tradição de habitar uma área reduzida, 
também faz parte dos primórdios da sustentabilidade. 
Os primeiros humanos não fugiram à regra.
Aprendemos, desde o início da humanidade, a 
exaurir os recursos naturais abundantes dos quais dis-
pomos, e esse comportamento permeia toda a histó-
ria da humanidade – frequentemente com o desapa-
recimento de comunidades. No livro Collapse: How 
Societies Choose to Fail or Succeed (Colapso: Como 
as Sociedades Escolhem entre o Fracasso e o Sucesso) 
(2005), Jared M. Diamond cita o caminho quíntuplo 
que resultou na desintegração de determinadas socie-
dades, sendo que uma de suas facetas é a degradação 
do meio ambiente. O esgotamento dos recursos na-
turais está entre os fatores que levaram ao colapso de 
diversas sociedades primitivas. Como o autor defende 
em seu livro, o desaparecimento das culturas primiti-
vas advém de cinco causas inter-relacionadas: danos 
ambientais, mudanças climáticas, vizinhos hostis, par-
ceiros comerciais amigáveis e as respostas humanas a 
tais eventos. Os moradores da Ilha de Páscoa, os ana-
sazis e os maias são algumas das tragédias culturais 
primitivas estudadas por Diamond.1
Os estudiosos acreditam que, ao longo da his-
tória, desastres naturais e outros tipos de destruição 
ambiental em diferentes escalas, junto com eventos 
climáticos extremos e suas consequências, têm dado 
forma às sociedades e ao meio ambiente.
O cientista Nick Brooks afirma que as mudanças 
climáticas graduais são parcialmente responsáveis 
pelo surgimento das civilizações e culturas de adapta-
ção; ele acrescenta, porém, que desastres ambientais 
repentinos não permitiram que determinadas culturas 
se adaptassem ao ambiente mutável – o que conhece-
mos como “capacidade de adaptação”.2
A incapacidade de se preparar e se adaptar aos 
efeitos das mudanças climáticas nos biossistemas, na 
disponibilidade de alimentos e nos padrões climáticos 
decorre da resposta humana ineficaz que Diamond 
descreve em seu livro. A destruição do meio ambiente 
é consequência de tal incapacidade.
Além de ter sido uma das principais causas do de-
saparecimento das culturas primitivas, a destruição do 
meio ambiente continua sendo uma ameaça para a 
vida contemporânea. O período em que vivemos forne-
ce inúmeros exemplos de tal destruição: a extinção de 
espécies, a destruição das florestas tropicais, a carência 
de plantações, a exaustão do solo, a pesca e as práticas 
florestais irresponsáveis,e os danos aos pântanos e rios 
devido à poluição industrial (Figura 2-2). A mudança 
climática está entre as expressões mais abrangentes das 
ameaças à saúde do meio ambiente e dos seres huma-
nos, uma vez que, além de resultar da intervenção hu-
mana, ela contribui para a destruição ambiental descri-
ta anteriormente. Ela também é um dos desafios mais 
difíceis de enfrentar, o que se deve à enorme contro-
vérsia em torno de suas causas e à reação aos métodos 
propostos para lidar com a destruição.
Embora os cientistas estudem as alterações climá-
ticas há décadas, hoje em dia, com a emergência da 
conscientização pública, o assunto adquiriu vigor e 
interesse renovados. O movimento ambientalista fer-
Figura 2-1 O Palácio do Povo Anasazi, construído sob a proteção na-
tural dos penhascos.
1 Diamond, Collapse, 11.
2 W. Neil Adger & Nick Brooks, “Does Global Environmental 
Change Cause Vulnerability to Disaster?”, In Natural Disaster and 
Development in a Globalizing World, ed. Mark Pelling (London & 
New York: Routledge, 2003).
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30 Fundamentos de Projeto de Edificações Sustentáveis
vilhante está começando a enfrentar essa catástrofe 
global; resta saber se, enquanto sociedade global, 
temos a capacidade de adaptação necessária para 
sobreviver. (A questão das mudanças climáticas será 
discutida em outro capítulo.)
OS MOVIMENTOS COM ORIGEM NO POVO
“Se a espinha dos morros quebrar, a planície abaixo será inun-
dada”.
— Slogan do Movimento Chipko
Paul Hawken é um escritor visionário muito citado 
pelo movimento ambientalista. O livro Natural Capi-
talism: Creating the Next Industrial Revolution (Capi-
talismo Natural: Criando a Próxima Revolução Indus-
trial) (1970),3 que ele escreveu com Amory Lovins e L. 
Hunter Lovins, é um tratado sobre o modelo inovador 
de uma nova economia, na qual a capacidade de car-
regamento ambiental está chegando ao fim. Trata-se 
de uma obra revolucionária, que faz parte das leituras 
obrigatórias de escolas do ensino médio e de muitas 
disciplinas das faculdades.
Em Blessed Unrest: How the Largest Movement in 
the World Came into Being and Why No One Saw It 
Coming (2007),4 Paul Hawken descreve a formação do 
movimento ambientalista. Ele fala de um movimento 
que teve início junto com as ideias de justiça social e 
ambiental – duas correntes distintas que, atualmente, 
percorrem o mesmo caminho. Sabiamente, o autor 
conclui que a sustentabilidade ambiental e a justiça 
social não podem ser separadas.
A filosofia da edificação sustentável é um compo-
nente importante deste movimento convergente. Para 
compreender o movimento atual e a evolução da edi-
ficação sustentável, primeiro precisamos analisar as 
origens do pensamento ambientalista.
Apesar da crença geral, o movimento ambientalis-
ta não nasceu exclusivamente na era vitoriana; na ver-
dade, o ativismo – por exemplo, a destruição de tece-
lagens que os luditas levaram a cabo na Inglaterra, no 
ano de 1811, em resposta ao desemprego resultante 
do surgimento do tear moderno – não era conhecido 
até então (Figura 2-3). As primeiras leis antipoluição 
foram aprovadas em Roma e na China, enquanto o 
Peru e a Índia já estavam cientes da necessidade de 
preservar o solo.5 O Reino Unido criou uma agência 
para controlar a poluição por meio da Lei dos Álcalis 
(Alkali Act) de 1863, que buscava implementar con-
troles sobre as emissões do gás cloreto de hidrogênio 
pela indústria de álcalis.
Uma das expressões mais comoventes dos primei-
ros esforços de conservação aconteceu na Índia na 
década de 1730, quando um grupo liderado por Amri-
Figura 2-2 Uma paisagem transfor-
mada pelas atividades industriais em 
larga escala.
3 Hawken, Lovins & Lovins, Natural Capitalism.
4 Hawken, Blessed Unrest.
5 “Environmentalism? – A History of the Environmental Movement”, 
Lorraine Elliott, Encyclopaedia Britannica, 2007, In Encyclopedia 
Britannica Online, http://www.britannica.com/eb/article-224631 
(acessado em 11 de julho de 2007).
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Capítulo 2 A História dos Movimentos Ambientalistas 31
ta Devi, uma matriarca da Bishnoi – uma seita hindu 
proveniente do Rajastão, no noroeste da Índia, conhe-
cida por se dedicar à proteção do meio ambiente e por 
acreditar na natureza sagrada das árvores – frustrou os 
esforços do Marajá de Jodhpur, que pretendia derru-
bar as árvores da região para dar lugar a edificações. 
Embora os relatos variem bastante, sabe-se que, um a 
um, os habitantes do vilarejo encontraram a morte à 
medida que foram cercando as árvores na frente dos 
empregados do marajá. Diz-se que, antes de morrer 
ao ser cortada com uma árvore, Amrita Devi disse: 
“Vale a pena salvar uma árvore, mesmo ao custo de 
uma vida” (Figura 2-4). Até que os esforços de cons-
trução fossem abandonados, 362 pessoas de todas as 
idades perderam suas vidas. Em resposta à tragédia, as 
árvores passaram a ser protegidas por decreto real.6
Essa antiga forma de protesto hindu deu origem 
ao Movimento Chipko, também na Índia, na déca-
da de 1970, no qual surgiu o termo abraçador de 
árvore (tree hugger). Como ocorreu com a Bishnoi, 
o Movimento Chipko foi liderado por mulheres que 
se opunham ao desflorestamento para fins corporati-
vos, e que, mais uma vez, cercaram as árvores com 
seus próprios corpos para protegê-las. Aproveitando a 
resistência às práticas governamentais de desfloresta-
mento, os membros do movimento também protesta-
ram contra as limitações sobre a derrubada de árvores 
que, anteriormente, haviam sido impostas sobre seus 
próprios padrões de vida e subsistência.
A ação ambientalista prosseguiu por muitos anos, 
gerando a vertente ecofeminista do ambientalismo.7
É possível traçar um paralelo entre o Movimen-
to Chipko e os métodos de protesto pacíficos de 
Mahatma Gandhi. Neste caso, as questões irmãs (o fe-
minismo e o ambientalismo) têm uma correspondên-
cia espiritual, visto que ambas expressam os caminhos 
irmãos descritos por Hawken, ou seja, a coincidência 
das temáticas sociais e ecológicas.
As estrelas do ecofeminismo incluem mulheres 
notáveis como Wangari Maathai (Figura 2-5), que re-
cebeu o Prêmio Nobel da Paz em 2004 por ter im-
plantado o Green Belt Movement (Movimento do 
Cinturão Verde) tanto no Quênia como em âmbito 
internacional, convocando todos a plantar árvores de 
forma a impedir a erosão do solo e recuperar as flo-
restas. Novamente, esse movimento foi alavancado e 
implantado por mulheres, cujos padrões de vida e tra-
balho estão intimamente associados à saúde do meio 
Figura 2-3 Com frequência, o termo "ludita" é mal empregado para 
se referir àqueles que são contra a indústria e a tecnologia modernas 
mecanizadas. Na verdade, o movimento ludita estava preocupado com 
a sustentabilidade econômica das comunidades ameaçadas com o ad-
vento da Revolução Industrial.
Figura 2-4 Membros do Movimento Chipko abraçam uma árvore, 
fato que deu origem ao termo “abraçador de árvore”.
6 “India’s Original Green Brigade”, Times of India, April 11, 2006.
7 Ramachandra Guha, The Unquiet Woods: Ecological Change 
and Peasant Resistance in the Himalaya (Berkeley & Los Angeles: 
University of California Press, 2000).
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32 Fundamentos de Projeto de Edificações Sustentáveis
ambiente como um todo e giram em torno de símbo-
los de vida e proteção, incluindo as árvores.8
Os povos indígenas já iniciaram muitas ações am-
bientalistas em todo o mundo. Contudo, é preciso 
observar que esses primeiros ativistas pertenciam a 
pequenas comunidades cujo trabalho era definido pe-
los desafios impostos pela geografia da região e pelas 
políticas autoritárias. Hoje em dia, porém, a descrição 
parcial da história ambiental deixa de lado, discreta-
mente, as histórias dos povos indígenas.
Nos Estados Unidos da América, como em outros 
países ao redor do mundo, muitos povosindígenas 
eram conhecidos pelo respeito à natureza e pela re-
lação com os elementos naturais que formavam seu 
entorno. Eles sabiam que era preciso equilibrar as 
inter-relações entre a necessidade de sustento da co-
munidade e a responsabilidade de honrar as práticas 
espirituais que se refletiam na natureza. Essas pessoas 
acreditavam fazer parte do ciclo integrado da nature-
za e da vida, reconhecendo a conexão de seus ances-
trais com o mundo natural.
Como essas culturas tinham formas de sustento 
e hábitos de vida diferentes, até as abordagens am-
bientalistas mais primitivas variavam entre si. Algu-
mas sociedades já superexploravam o meio ambien-
te, embora nada se compare ao que foi feito pela 
população europeia assim que se firmou no Novo 
Mundo.9
Em 2007, o Prêmio Ambiental Goldman (Goldman 
Environmental Prize) foi entregue a Sophia Rabliauskas, 
membro da Poplar River First Nation, no Canadá, que 
se tornou uma ativista ao defender a preservação por 
meio do florestamento sustentável da floresta boreal 
de sua região – um exemplo bem-sucedido de ativis-
mo ambiental em escala de justiça social.10
A Revolução Industrial
Pode-se dizer que a infraestrutura criada pela Revolução Industrial 
do século XIX é muito parecida com aquele navio a vapor [O Titanic]. 
Ela é impulsionada por combustíveis fósseis, reatores nucleares e 
produtos químicos. Ela libera resíduos nas águas e fumaça nos céus. 
Ela tenta trabalhar seguindo as regras que ela mesma estabeleceu, 
opondo-se às leis do mundo natural. E, embora nos pareça ser in-
vencível, as falhas básicas de projeto prenunciam o desastre.
— The Next Industrial Revolution, William McDonough & Michael Braun-
gart, Atlantic, outubro de 1998
Para falar sobre a conscientização ambiental, sem-
pre partimos da Revolução Industrial, que ninguém 
sabe exatamente quando começou, incluindo todas as 
suas fases e manifestações regionais.11 Em essência, a 
Revolução Industrial provocou a transição internacional 
da sociedade agrícola e agrária, que se baseava na co-
munidade rural em pequena escala e na economia de 
subsistência, para a sociedade industrializada, que vivia 
em um ritmo muito mais rápido. Surgiu uma comunida-
de urbana empobrecida e praticamente desconhecida, 
na qual mulheres e crianças eram fundamentais para a 
força de trabalho. Durante este período de transição, 
as condições de vida e trabalho eram escabrosas – e 
o mesmo se pode dizer das consequências ambientais 
dessa grande mudança. Por meio da retrospectiva, con-
seguimos entender tanto os malefícios como os bene-
fícios históricos da contribuição da revolução para o 
crescimento das cidades modernas; das tecnologias de 
comércio, importação/exportação e fabricação; e, em 
última análise, da melhoria da saúde pública.
Em muitos continentes e por muito tempo, a Revo-
lução Industrial provocou o surgimento de conflitos so-
ciais que estavam intimamente relacionados aos impac-
tos ambientais paralelos. A Era Romântica dos poetas e 
romancistas foi notável por observar, em primeira mão, 
a revolução e suas implicações sociais e ambientais.
Figura 2-5 Dra. Wangari Maathai, fundadora do Movimento do Cintu-
rão Verde e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz em 2004.
8 Para saber mais sobre o Movimento do Cinturão Verde, acesse 
http://greenbeltmovement.org (acessado em 22 de julho de 2007).
9 Kline, First Along the River, 14.
10 Para saber mais sobre Sophia Rabliauskas e o Prêmio Goldman, 
acesse http://www.goldmanprize.org (acessado em 22 de julho de 
2007).
¹¹ Peter N. Stearns, The Industrial Revolution in World History 
(Boulder, CO: Westview Press, 1998).
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Capítulo 2 A História dos Movimentos Ambientalistas 33
Manifestando-se em relação à Revolução Indus-
trial, Mary Wollstonecraft Shelley (1797-1851) escre-
veu sobre os perigos das ciências e das máquinas em 
(Frankenstein: Or The Modern Prometheus) Frankens-
tein ou o Prometeu Moderno (1818), cuja linha de 
apoio se refere à figura mítica que trouxe o fogo para 
a humanidade e que simboliza a criatividade e a au-
dácia humanas (Figura 2-6). No final, tanto Prometeu 
como o Dr. Frankenstein são punidos por soltar as 
amarras de um monstro moderno indefinido. O mons-
tro de Frankenstein era um produto da ciência moder-
na, mas também sua vítima.
A reação do poeta William Blake (1757-1827) foi 
igualmente vigorosa. Ele contrapôs “os campos ver-
des e agradáveis da Inglaterra” com as “tecelagens 
escuras e satânicas” da Revolução Industrial.12 Ge-
orge Orwell, cujo período mais fértil como escritor 
costuma ser associado ao final da segunda revolução 
industrial inglesa, descreveu, em grande parte de sua 
obra, as adversidades sociais e políticas do progres-
so da Revolução Industrial, lastimando o advento das 
máquinas e o preço que as pessoas tinham de pagar 
para compreender sua própria humanidade. Em O Ca-
minho para Wigan Pier (1937), Orwell relata, em pri-
meira mão, as experiências de indivíduos empobreci-
dos e desempregados em uma cidade mineradora de 
carvão no norte da Inglaterra. “A seu ver, Wigan era o 
término histórico da revolução industrial, o declínio 
miserável do ‘progresso’. [Orwell] usou Wigan para 
especular sobre o destino do ser humano em uma era 
das máquinas consolidada, madura e sombria”.13
Durante este período, a natureza propriamente dita 
foi transformada em objeto e passou a ser vista como 
um produto agrícola e econômico. O economista 
agrônomo Richard T. Ely, um dos primeiros a estudar 
a Revolução Industrial, observou que o conceito eco-
nômico primário de “terra” era desassociado da na-
tureza; ele era encarado, basicamente, em termos de 
propriedade ou posse, mas separado da natureza.14
Apenas no início do século XX, algumas subdivi-
sões da teoria econômica começaram a enxergar a 
terra em termos de economia do meio ambiente e dos 
recursos naturais – disciplinas que buscam preservar a 
produção agrícola limitada com base na conservação 
da terra e da natureza.
Conforme observa Bill McDonough, ainda vive-
mos com a infraestrutura criada pela Revolução In-
dustrial. Posteriormente, no final do século XIX e no 
início do século XX, quando a segunda revolução in-
dustrial chegava ao fim, o advento da química moder-
na e da indústria bélica gerou outra transformação: o 
desenvolvimento de produtos químicos sintéticos.
A revolução química moderna
O slogan da DuPont – “coisas melhores para uma vida 
melhor por meio da química” –, lançado na década 
de 1930, se tornou uma vítima do ceticismo cultural 
durante os anos de protesto da década de 1960, nos 
Estados Unidos; a partir daí, a sociedade passou a des-
confiar cada vez mais de tais slogans corporativos.
Em grande parte, esse ceticismo resultou dos esfor-
ços da jovem bióloga Rachel Carson (Figura 2-7) e de 
seu livro precursor A Primavera Silenciosa (Silent Spring) 
(1962), que chamou a atenção para a proliferação em 
grande escala de inseticidas, pesticidas e herbicidas, 
bem como seu impacto sobre a biosfera, a cadeia ali-
mentar, o ciclo da água e, em última análise, os seres 
humanos. É provável que Carson tenha dado início à 
discussão referente ao impacto da indústria moderna 
sobre a saúde do meio ambiente e dos seres humanos. 
Figura 2-6 No livro Frankenstein, de Mary Shelley, o monstro era uma 
metáfora da era moderna.
12 William Blake, Jerusalem, The Emanation of the Giant Albion 
(1804-1820?). Jerusalém aparece em muitas coleções. Blake impri-
miu quatro cópias por conta própria, uma delas a cores, que foram 
reproduzidas em uma publicação recente: Jerusalem, The Emana-
tion of the Giant Albion, The Illuminated Books of William Blake, 
vol. 1, ed. Morton D. Paley (Princeton, NJ: William Blake Trust & 
Princeton University Press, 1997; orig. 1991).
13 Hamza Walker, “Darren Almond, May 06-June 20, 1999”, The 
Renaissance Society at the University of Chicago, n.d., http://www.
renaissancesociety.org/site/Exhibitions/Essay.40.0.0.0.0.html (aces-sado em 23 de dezembro de 2008).
14 Herman E. Daly & John B. Cobb Jr., For the Common Good: Re-
directing the Economy toward Community, the Environment, and a 
Sustainable Future (Boston: Beacon Press, 1994).
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34 Fundamentos de Projeto de Edificações Sustentáveis
Ela observou que as substâncias químicas inseticidas 
solúveis em lipídios encontraram sua residência ideal 
nos tecidos adiposos e nos órgãos de seres humanos 
e outros mamíferos.15 O conceito de armazenagem 
química de longo prazo e carga corporal passou a ser 
compreendido pelo público em geral quando seu li-
vro foi publicado em capítulos na revista New Yorker. 
Embora a indústria química tenha feito o possível para 
desacreditar e caluniar Carson, o livro incitou discus-
sões e controvérsias que levaram à criação de agências 
fiscalizadoras do meio ambiente, como a Agência de 
Proteção Ambiental (EPA) dos Estados Unidos.
Em 1972, o pesticida químico DDT (dicloro-di-
fenil-tricloroetano) foi banido, e muitos outros inse-
ticidas (ou “biocidas”, conforme o termo cunhado 
por Carson) foram retirados do mercado dos Estados 
Unidos. Contudo, ainda são comuns a produção e a 
exportação de pesticidas proibidos e restringidos em 
muitos países para outras partes do mundo, ainda que 
exista um mecanismo de notificação internacional 
obrigatória em vigor.16
Desde meados do século XX, despejos de produ-
tos químicos e acidentes industriais – como a libera-
ção do gás isocianato de metila pela Union Carbide 
em Bophal, na Índia, em 1984; a descoberta de dé-
cadas de despejos de produtos químicos da Hooker 
Chemical & Plastics Corporation17 na comunidade 
do Love Canal, nas Cataratas do Niágara, em Nova 
York; e outros despejos de produtos tóxicos no meio 
ambiente, como o derramamento de óleo da Exxon 
Valdez em Prince William Sound, no Alasca (1989) 
(Figura 2-8) – grifaram a importância de controlar as 
indústrias químicas e de manufatura.
Os acidentes industriais nucleares – como o in-
cêndio em uma usina nuclear de Windscale, Inglater-
ra, em 1957 (Figura 2-9); o acidente nuclear na Ilha 
Three Mile, perto de Harrisburg, Pensilvânia, Estados 
Unidos, em 1979; e a explosão do reator nuclear da 
cidade de Chernobil em 1986, no norte da Ucrânia – 
fizeram com que as pessoas começassem a suspeitar 
dos governos. A desconfiança típica desse período le-
vou aos protestos antinucleares do final da década de 
1970. Surgiu, então, uma nova vertente do ativismo 
ambientalista, que era essencialmente passional e que 
foi vista com ceticismo pelo público em geral devido 
às suas práticas ativistas. Ainda assim, a junção dos 
desastres ambientais e do ativismo social desenca-
deou aquilo que conhecemos como Novo Ambienta-
lismo. Apesar do tom passional, as comunidades cla-
mavam o desenvolvimento de políticas públicas para 
questões ambientais, tanto nos Estados Unidos como 
em escala global.
O prelúdio dos movimentos de 
conservação e preservação
Os primeiros ambientalistas ocidentais eram todos 
homens, isto é, naturalistas que exaltavam a vida sel-
vagem e os habitat por meio da ciência, da filosofia, 
da arte e da literatura. Outros eram líderes que pro-
moviam a saúde pública e estratégias para a preven-
ção de doenças, como a sanitização e a infraestrutura 
de esgotos moderna.
Porém, antes de tratar dos conservacionistas e dos 
preservacionistas, faremos uma breve apresentação 
das questões mais relevantes de saúde ambiental: o 
controle da poluição e a saúde pública. Na Pensil-
vânia do século XVIII, Benjamin Franklin e muitos 
outros nomes do bem-estar social lideraram protestos 
que exigiam o controle da poluição da água por aba-
tedouros, curtumes e peleiros. Franklin também de-
senvolveu outras inovações cívicas, como os “clubes” 
de bombeiros voluntários e o Hospital da Pensilvânia, 
que se dedicava ao tratamento de indivíduos de baixa 
renda e com problemas mentais.18 Outro líder foi o 
engenheiro civil Sir Joseph Bazalgette, que ficou en-
Figura 2-7 Rachel Carson, cujo livro A Primavera Silenciosa (1962) foi a 
pedra de toque dos movimentos ambientalistas e da saúde.
15 Carson, Silent Spring. Rachel Carson cita duas classes de inseti-
cidas: os hidrocarbonos clorados e os fosfatos orgânicos, que agem 
sobre o sistema nervoso e os órgãos vitais.
16 Para saber mais sobre o mecanismo de notificação internacional 
obrigatória para a produção e a exportação de pesticidas banidos e 
proibidos para outras partes do mundo, acesse o site da EPA: http://
www.epa.gov/oppfead1/international/trade-issues.htm (acessado 
em 28 de julho de 2007).
17 A Hooker Chemical & Plastics Corporation é uma filial da Occi-
dental Petroleum.
18 “Benjamin Franklin: An Extraordinary Life, An Electric Mind” (do-
cumentário do Public Broadcasting Service), que foi ao ar em 19 e 
20 de novembro de 2002, http://www.pbs.org/benfranklin/ (acessa-
do em 28 de julho de 2007).
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Capítulo 2 A História dos Movimentos Ambientalistas 35
carregado de modernizar os sistemas cloacais depois 
do Great Stink (Grande Fedor) de 1858, resultante da 
poluição massiva e constante proveniente dos esgotos 
abertos de Londres, que, por sua vez, eram lançados 
no Rio Tâmisa – uma situação descrita por Charles Di-
ckens como “obscena”.
O interesse pela saúde pública aumentou no mes-
mo período, o que fez com que novas medidas fossem 
tomadas para projetar novos sistemas e criar políticas 
referentes à proteção legal da saúde e da qualidade de 
vida. Mais uma vez, verifica-se a convergência entre 
as vertentes do ambientalismo e da responsabilidade 
social.
Os papéis fundamentais de Emerson e Thoreau
O Oeste a que me refiro é apenas outro nome para a Selva; e o 
que estou tentando dizer é que a preservação do Mundo se en-
contra na Selva. Todas as árvores lançam suas fibras em busca da 
Selva. As cidades as importam a qualquer preço. Os homens aram 
a terra e viajam pelos mares em sua busca. Das florestas e dos 
sertões vêm os tônicos e as cascas de árvores que sustentam a hu-
manidade. Nossos ancestrais eram selvagens. A lenda de Rômu-
lo e Remo sendo amamentados por uma loba não é uma fábula 
inexpressiva. Os fundadores de todos os Estados que se tornaram 
eminentes tiraram sua alimentação e seu vigor de uma fonte na-
tural semelhante.19
— Henry David Thoreau, “Walking”
Quando gozamos de boa saúde, o ar fresco nos proporciona um 
prazer inacreditável. Ao cruzar o paço municipal coberto de neve, 
ao crepúsculo, sob um céu encoberto, sem pensar em algo bom em 
especial, experimentei um sentimento de perfeição. Sinto-me tão 
satisfeito que chego a ter medo.
— Ralph Waldo Emerson, “Nature”
Para entender as origens da filosofia conservacio-
nista-preservacionista, precisamos examinar uma cor-
rente específica do modernismo: trata-se do ambien-
talismo ocidental, ou transcendentalismo romântico, 
cujas origens remontam desde o poeta inglês William 
Wordsworth (1770-1850) até Ralph Waldo Emerson 
(1803-1882), o sacerdote da Igreja Unitária que se 
tornou filósofo, escritor e poeta.
Wordsworth e Emerson se conheceram em 1833 
durante um período fundamental das viagens de 
Emerson pela Europa, quando o pensamento científi-
co contemporâneo e as novas descobertas no mundo 
natural o levaram a concluir que “a natureza é a ma-
terialização da mente divina. Por meio do conheci-
mento da natureza, a mente humana se corporifica, 
até que, finalmente, o corpo e o espírito deixam de ser 
metades partidas da Criação e se tornam um todo”.20 
O contato de Emerson com Wordsworth e outros ro-
mânticos ingleses aprofundou seu interesse pela espi-
ritualidade do mundo natural.
Esse interesse se refletiu em Nature, ensaio escrito 
por ele e publicado em 1836. A obra revelou a filoso-
Figura 2-8 Tentativa de limpeza 
após o derramamento de óleo da 
Exxon Valdez, em Prince William 
Sound, Alasca, 1989.
19 Henry David Thoreau, “Walking”, AtlanticMonthly 9, no. 56 (1862): 
657-674.
20 Laura Dassow Wells, Emerson’s Life in Science: The Culture of 
Truth (Ithaca, NY: Cornell University Press, 2003), 4.
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36 Fundamentos de Projeto de Edificações Sustentáveis
fia de Emerson, que acreditava que a natureza é o “es-
pírito universal” que existe para servir a humanidade. 
Com seu ensaio e a criação do movimento transcen-
dentalista (que sustentava que a verdadeira espiritua-
lidade não depende da religião organizada), Emerson 
forneceu a base para o ensaísta, naturalista e filósofo 
Henry David Thoureau (1817-1862).
Foi nos bosques de Emerson que Thoreau observou 
o ritmo da natureza, registrou sua coexistência com 
o mundo natural e articulou a crença de que, sem a 
vida selvagem, a humanidade não existiria. Seu livro 
Walden, or, Life in the Woods (Walden, ou A Vida nos 
Bosques) e seus ensaios sobre a natureza e a desobe-
diência civil pacífica deram forma aos princípios bási-
cos do pensamento e do ativismo ambiental.
Emerson era um preservacionista que, com fre-
quência, observava o poder da natureza e as tentati-
vas humanas de submetê-la e conquistá-la. Para ele, 
a sociedade civilizada, a indústria e o crescimento 
das cidades interferiam na paisagem, enquanto os fa-
zendeiros, cuja subsistência dependia da coexistên-
cia cuidadosa com a natureza, pareciam protegê-la e 
utilizá-la com sabedoria. Thoreau é conhecido como 
o pai do ambientalismo, em parte, devido à enorme 
influência que exerceu sobre os futuros líderes do 
movimento, incluindo John Muir, o preservacionis-
ta ambientalista que fundou o Sierra Club em 1892, 
e David Brower, o fundador do Earth Island Institute 
and Friends of the Earth, entre outros. Devido aos seus 
atos de desobediência civil pacífica e por ser um dos 
poucos ambientalistas de seu tempo a estudar os po-
vos indígenas marginalizados da Nova Inglaterra, as 
mensagens de justiça social de Thoreau chegaram até 
líderes do século XX, como Mahatma Gandhi e Mar-
tin Luther King Jr.
Nos Estados Unidos, artistas e escritores de en-
tão eram influenciados diretamente pela herança 
de Wordsworth, Emerson e Thoreau.21 Thomas Cole 
(1801-1848), o fundador da Escola do Rio Hudson de 
pintores de paisagens, promoveu a visão romântica da 
natureza ao destacar a majestade e a imensidão das 
montanhas (Figura 2-10) de maneira muito semelhan-
te à utilizada pelos pintores chineses de paisagens, 
que retratavam a própria insignificância humana fren-
te à enormidade da natureza. Cole, porém, fez isso 
de outro modo. Ainda que a romantização da natu-
reza fosse seu tema central, ele também destacou em 
sua obra, por meio de alegorias, o ritmo incessante da 
intervenção humana sobre a paisagem natural, como 
resposta àquilo que observara em primeira mão na re-
volução industrial europeia.
As trajetórias que acompanham o movimento 
ambientalista: a separação entre os movimentos 
conservacionista e preservacionista22
George Perkins Marsh foi outro escritor influente a 
seguir a linha de Thoreau. Seu livro, O Homem e a 
Natureza; ou a Geografia Física Modificada pela Ação 
Humana (Man and Nature; or, Physical Geography as 
Figura 2-9 Funcionários de uma 
indústria de laticínios descartando 
leite após o incêndio na usina nu-
clear de Windscale, no Reino Unido, 
em 1957.
21 Barbara Novak, American Painting of the Nineteenth Century: 
Realism, Idealism, and the American Experience (Boulder, CO: Icon 
Editions, 1979), 61.
22 John McCormick, Reclaiming Paradise: The Global Environment 
Movement (Bloomington: Indiana University Press, 1989).
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Capítulo 2 A História dos Movimentos Ambientalistas 37
Modified by Human Action) (1864), foi chamado por 
Lewis Mumford de “as origens do movimento conser-
vacionista”.23
Embora fosse um amante da natureza, diferente-
mente de Thoureau, Marsh acreditava que ela devia 
ser domada, mas também protegida, por uma boa vi-
gilância. Ao contrário de seus contemporâneos, po-
rém, Marsh pensava que os fenômenos naturais não 
determinavam a geografia física, e, portanto, não con-
figuravam os seres humanos. Ele afirmava que a in-
tensidade e a extensão da intervenção humana, como 
nas práticas florestais irresponsáveis, prejudicariam o 
meio ambiente.24
Considerando os dois partidos políticos que do-
minam os Estados Unidos atualmente, podemos dizer 
que a palavra “conservador” derivou do primeiro pre-
sidente dos Estados Unidos verdadeiramente conser-
vacionista em termos de meio ambiente – Theodore 
Roosevelt (1858-1919). Uma de suas plataformas pre-
sidenciais foi a proteção dos recursos naturais, e sua 
administração (1901 – 1909) deu várias contribuições 
legislativas, como a proteção das florestas, a gestão 
das terras públicas e a preservação da vida selvagem.
Roosevelt fundou o U.S. Forest Service (Serviço 
de Florestas dos Estados Unidos), que criou parques 
nacionais com milhões de acres (o primeiro deles foi 
o Parque Nacional Yellowstone) e colocou os refú-
gios de vida selvagem sob a proteção do governo. 
Ele também foi o primeiro presidente dos Estados 
Unidos a convocar uma conferência internacional 
– North American Conservation Congress realizada 
em 18 de fevereiro de 1909; representantes do Ca-
nadá, do México e da província de Newfoundland 
(Terra Nova) estiveram presentes. O efeito mais sig-
nificativo decorrente dessa conferência foi o desejo 
de convocar futuramente uma conferência interna-
cional, a fim de abordar o tema da conservação. 
Roosevelt acreditava na necessidade de uma solução 
global: “É evidente que os recursos naturais não são 
limitados pelas fronteiras que separam as nações, e 
que a necessidade de conservá-los neste continente 
é tão grande como a área sobre a qual eles se encon-
tram”.25
Por ter sido um caçador durante toda a vida, 
Roosevelt costuma ser citado pelos adeptos da caça 
que acreditam que os recursos naturais devem ser 
conservados para tal atividade recreativa. Este pe-
ríodo deu origem àquilo que chamamos de ética da 
conservação de recursos, o que corresponde à pauta 
de reformas da Era Progressista. Os defensores das 
Figura 2-10 O pintor Thomas Cole, fundador da Escola do Rio Hudson, encantou-se com a majestade das paisagens norte-americanas.
23 Lewis Mumford, Brown Decades: A Study of the Arts in Ameri-
ca, 1865-1885 (Mineola, NY: Dover Press, 1972), 78. Veja também 
Mumford, Condition of Man, Houghton Miflin, 1973, e Peter Smith, 
Technics and Civilization, 1984.
24 Daniel W. Gade, “Review of ‘George Perkins Marsh: Prophet of 
Conservation by David Lowenthal’”, The Geographical Review 92, 
no. 3 (2002): 460-462; David Lowenthal, George Perkins Marsh: Ver-
satile Vermonter (New York: Columbia University Press, 1958), 248.
25 “Roosevelt Invites Canada and Mexico; Calls a North American 
Conference on Conservation of Resources for Feb. 18. Pinchot to 
Take Letters Will Journey First to Canada and then to Mexico to Dis-
cuss the Proposed Meeting”, New York Times, December 28, 1908.
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38 Fundamentos de Projeto de Edificações Sustentáveis
duas pautas desconfiavam das razões das empre-
sas privadas e da agricultura corporativa, e também 
acreditavam que ambos precisavam ser supervisio-
nados pelo governo para que se pudesse administrar 
e controlar com sabedoria o uso pródigo dos recur-
sos naturais.
Os conservacionistas progressistas acreditavam que 
somente o governo conseguiria gerir os recursos natu-
rais de maneira eficaz, o que garantiria a abundância 
natural e também o vigor econômico.26 Roosevelt e 
Gifford Pinchot, o presidente da National Conserva-
tion Commission (Comissão Nacional de Conserva-
ção) e primeiro presidente do Serviço de Florestas dos 
Estados Unidos (U.S. Forest Service), acreditavam que 
as reservas naturais deviam ser “conservadas” para 
permitir o desenvolvimentoeconômico dos humanos. 
Esse ponto de vista não negava aos empreendimentos 
privados o direito de utilizar os recursos naturais; na 
verdade, o objetivo da gestão de recursos era criar di-
retrizes e promover o manejo do gado, das plantações 
e do descarte dos resíduos industriais.
Acredita-se que Pinchot, por ter sido educado nos 
princípios alemães de gestão florestal, que encoraja-
vam a produção máxima, foi responsável por dividir 
os conservacionistas e os preservacionistas. Enquan-
to Roosevelt e outros conservacionistas tradicionais 
afirmavam que a natureza precisava ser manejada 
com sabedoria para ser utilizada pelos humanos, os 
preservacionistas, como John Muir, buscavam prote-
ger a vida selvagem como um local de estudo, refle-
xão e lazer.
Roosevelt teve um primeiro contato com a pers-
pectiva preservacionista em 1903, quando foi con-
vidado a passear pelo Vale Yosemite com John Muir 
(Figura 2-11).27 Durante o acampamento que durou 
três dias, o ativista Muir tentou convencer Roosevelt 
a proteger as áreas de vida selvagem, e conseguiu 
inspirá-lo a instituir sistemas de proteção para o Vale 
Yosemite por meio do Congresso dos Estados Unidos. 
Em 1892, John Muir fundou o Sierra Club, uma orga-
nização cuja vitalidade continua lutando pela legisla-
ção ambiental até hoje. Atualmente, existem inúme-
ras organizações privadas que lutam pela preservação 
das áreas de vida selvagem.28
O MOVIMENTO ECOLÓGICO
O movimento ecológico foi outra prática que surgiu 
no século XX, e é especialmente relevante para as edi-
ficações sustentáveis integradas. A ecologia, um novo 
ramo da ciência, já fazia parte da consciência humana 
desde o início do século passado, postulando que o 
meio ambiente é um conjunto de organismos inter-re-
lacionados. Ela se tornou atual devido a outro ícone, 
Aldo Leopold (1887-1948). Assim como Thoreau, ele 
teve um período de retorno à floresta, durante o qual 
viveu em um barraco na fazenda de Sand County, em 
Wisconsin. A obra resultante, A Sand County Alma-
nac (O Almanaque de Sand County), é considerada o 
Walden de Leopold.
Leopold começou como administrador de reser-
vas florestais (na verdade, ele foi um guarda-florestal, 
como Gifford Pinchot), mas, diferentemente de Pin-
chot, acreditava que seu trabalho se encaixava em um 
contexto mais amplo. Ele queria influenciar o modo 
como os cientistas explicavam o ambientalismo em 
termos da nova ecologia. Leopold se desiludira com 
os cientistas, visto que estes não consideravam o ecos-
sistema como um todo. Ele optou por encarar a eco-
logia de maneira integrada, examinando o equilíbrio 
dos ecossistemas e suas inter-relações.
Figura 2-11 Theodore Roosevelt e John Muir em Glacier Point, no 
Vale Yosemite, Califórnia, 1906.
26 Kline, First Along the River, 54.
27 Theodore Roosevelt, “John Muir: An Appreciation,” Outlook 109 
(January 15, 1915): 27-28, http://www.sierraclub.org/John_Muir_
Exhibit/life/appreciation_by_roosevelt.html (acessado em 29 de 
julho de 2007).
28 Hawken’s Blessed Unrest e seu Web site, Wiser Earth, lista as 
referidas organizações: WiserEarth: Community Tools for Creating a 
Just and Sustainable World: http://www.wiserearth.org/.
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Capítulo 2 A História dos Movimentos Ambientalistas 39
Leopold acreditava que existiam dois tipos de con-
servacionistas:
Aqueles que veem a terra como um solo capaz de •
gerar valores econômicos ao oferecer árvores para 
serem usadas como madeira ou ao criar pastagem 
para o gado (os conservacionistas que usam a terra 
para fins econômicos).
Aqueles que veem a terra como uma biota, ou •
seja, uma coleção de espécies inter-relacionadas 
que, quando danificada em um de seus aspectos, 
repercute em um conjunto de questões associadas 
(os ecologistas – éticos da terra).
É provável que o conceito de ética da terra tenha 
sido a principal contribuição de Leopold para a filoso-
fia ambiental; suas leituras históricas e o meio em que 
vivia o levaram a acreditar que o tratamento ético da 
“terra” inexistia. A ética da terra de Leopold, resumida 
no capítulo final de A Sand County Almanac, convoca 
os seres humanos a refletir sobre suas obrigações e 
relações para com a terra, enfatizando que tais obriga-
ções devem incluir a conservação ambiental, mesmo 
quando essa “conservação” não resulta em ganhos 
econômicos.
Por se tratar de uma extensão da filosofia clássica, 
a ética da terra incorpora a “comunidade biótica”. A 
respeito da ética da terra, Leopold afirmou que “em 
breve, a ética da terra mudará o papel do homo sa-
piens, que passará de conquistador da comunidade 
terrestre a simples membro e cidadão dela. Ela im-
plica o respeito pelos demais membros e também o 
respeito pela comunidade propriamente dita”.29
Ainda no século XX, James Lovelock elaborou a 
“teoria de Gaia”, derivada da filosofia da ecologia 
e sustentada pelo conceito de edificações sustentá-
veis integradas. Lovelock foi um cientista da NASA 
(National Aeronautics and Space Administration) e, 
portanto, uma fonte confiável para o público leigo, 
embora sua teoria tenha sido ridicularizada por seus 
colegas.
A filosofia original de Lovelock (publicada inicial-
mente como a teoria de Gaia, em 1979) afirmava que 
a terra é um “superorganismo”, ou seja, uma soma 
de partes inter-relacionadas que mantêm o meio am-
biente em equilíbrio – em essência, regulando-se a si 
próprio.30 Posteriormente, Lovelock reestruturou sua 
teoria e passou a falar de autorregulamentação, o que 
é interessante discutir atualmente, já que estamos li-
dando com os resultados das ações humanas sobre 
um planeta abundante.
EXERCÍCIOS
Nos poemas 1. Jerusalem, de William Blake e The Ex-
cursion, de William Wordsworth, a natureza é an-
tropomorfizada e exaltada nos termos que os poe-
tas utilizam para defini-la. Como você descreveria 
as resoluções ou diretrizes que cada poeta fornece 
para seus leitores?
Aos olhos do público, qual figura contemporânea 2. 
pode ser associada a John Muir em termos de ca-
pacidade de encorajar mudanças, motivar a parti-
cipar do movimento ambientalista e conscientizar 
para tais questões? O que esses indivíduos têm em 
comum?
FONTES BIBLIOGRÁFICAS
Diamond, Jared M. 2005. Collapse: How Societies Choose to Fail or 
Succeed. New York: Viking Press, 2005.
Hawken, Paul, Amory Lovins, and L. Hunter Lovins. 2008. Natural 
Capitalism: Creating the Next Industrial Revolution. Snowmass, 
CO: Rocky Mountain Institute.
Hawken, Paul. 2007. Blessed Unrest: How the Largest Movement 
in the World Came into Being and Why No One Saw It Coming. 
New York: Viking Press.
Kline, Benjamin. 2000. First Along the River: A Brief History of the 
U.S. Environmental Movement. San Francisco: Acada Books.
Carson, Rachel. 1962. Silent Spring. Boston and Cambridge, MA: 
Houghton Mifflin and Riverside Press.
McCormick, John. 1989. Reclaiming Paradise: The Global Environment 
Movement. Bloomington: Indiana University Press.
Thoreau, Henry David. 1899 (orig. 1854). Walden, or, Life in the 
Woods. New York: T. Y. Crowell & Company.
Emerson, Ralph Waldo. 2003. Nature and Selected Essays. New 
York: Penguin Classics.
Leopold, Aldo. 1949. Sand County Almanac and Sketches from 
Here and There. New York: Oxford University Press.
Lovelock, James. 1982 (orig. 1979). Gaia: A New Look at Life on 
Earth. Oxford and New York: Oxford University Press.
29 Leopold, Sand County Almanac, 204. 30 Lovelock, Gaia, 144.
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As Conferências e os Tratados 
Internacionais Modernos3
A história do ativismo ambiental, que discutimos no 
Capítulo 2, explica como o Novo Ambientalismo re-
sultou de diferentes movimentos sociais, culturais e 
ambientalistas, e levou o ativismo internacional para 
a esfera das políticas públicas. Neste período de tran-
sição, os atores do novo ambientalismo deixaram de 
ser artistas e escritores e passaram a ser legisladores e 
políticos.
Conformeafirmou um espirituoso autor desconhe-
cido, “Toda a burocracia suficientemente avançada 
se parece com melado”. Como o próprio movimen-
to, os tratados internacionais foram criados por ins-
tituições que competem entre si e que, embora bem 
intencionadas, atrasaram o processo de implantação. 
Felizmente, porém, devido à participação fundamen-
tal de organizações não governamentais (ONGs), as 
políticas ambientais chegaram ao consenso em várias 
questões.
Para compreender perfeitamente a história das novas 
diretrizes, conferências e tratados ambientalistas, rela-
tos completos das convenções emergentes que geraram 
o movimento das edificações sustentáveis, incluindo 
algumas medidas mais abrangentes de proteção am-
biental, estão disponíveis em O Paraíso Reivindica (Re-
claiming Paradise, 1989), de John McCormick, e Am-
bientalismo: Uma História Global (Environmentalism: A 
Global History, 2000), de Ramachandra Guha.
Em escala internacional, o pensamento ambienta-
lista (auxiliado por acordos intergovernamentais oca-
sionais) surgiu em uma arena política muito diferente 
da atual. As primeiras conferências enfatizaram a pro-
teção de espécies de vida selvagem em troca de pes-
quisas científicas. Congressos de pesquisas científicas 
também eram realizados regularmente, ainda que no 
início não buscassem a regulamentação.
A primeira organização ambientalista internacio-
nal, a Comissão Consultora de 1913 para a Proteção 
Internacional da Natureza (1913 Consultative Com-
mission for the International Protection of Nature), foi 
criada para proteger as aves migratórias. Da mesma 
forma, em 1900, a Convention for the Preservation of 
Animals, Birds and Fish in Africa (Convenção para a 
Preservação de Animais, Aves e Peixes na África) foi 
convocada para controlar o comércio de partes de 
animais de caça, como o marfim; contudo, muitas es-
pécies menos afortunadas não foram protegidas, ca-
racterizando um dos primeiros casos de limitação das 
medidas de proteção internacionais.
Na década de 1930, a política do New Deal, do 
Presidente Franklin Roosevelt (Figura 3-1), buscou, 
entre outras coisas, proteger e administrar os recursos 
ambientais. Roosevelt também fundou o National Re-
sources Board (Conselho de Recursos Nacionais) por 
decreto-lei em 1934; o objetivo do órgão era informar 
“os aspectos físicos, sociais, governamentais e econô-
micos das políticas públicas para o desenvolvimento 
e o uso da terra, da água e de outros recursos nacio-
Figura 3-1 Franklin Delano Roosevelt.
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Capítulo 3 As Conferências e os Tratados Internacionais Modernos 41
nais, além de outros temas relacionados que, ocasio-
nalmente, possam ser solicitados pelo Presidente".1
Em meados do século XX, após a Segunda Guerra 
Mundial, Gifford Pinchot e outros continuaram rei-
vindicando congressos, conferências e organizações 
para a conservação e a proteção da vida selvagem em 
nível internacional.
Trazendo outros avanços, o Presidente Harry Tru-
man (Figura 3-2) estabeleceu a Comissão de Políticas 
Materiais do Presidente (President’s Materials Policy 
Commission – também conhecida como Paley Com-
mission), um importante estudo de políticas de ener-
gia e recursos naturais que visava reforçar a segurança 
nacional frente à “ameaça comunista”, criando os me-
canismos para lidar com as possíveis faltas de energia 
e aumentos de custos. O Relatório da Comissão Paley 
(1952) defendeu a conservação e a utilização de es-
tratégias energéticas alternativas a fim de promover o 
crescimento econômico. Ele se voltou para o empre-
endimento privado com supervisão governamental, 
buscando criar novas tecnologias como o aquecimen-
to de água pelo sol e a tecnologia de energia solar.2
Depois da Segunda Guerra Mundial e dos progres-
sos ambientalistas promovidos pelas Nações Unidas 
(ONU), o movimento ambientalista floresceu em todo 
o mundo. Ocorreram avanços rápidos e de grande 
alcance nas regulamentações ambientais dos Estados 
Unidos; além disso, medidas de proteção em esca-
la federal foram aprovadas pelo governo. Consulte o 
quadro a seguir para saber mais sobre essas questões 
e os impactos causados por elas.
MARCOS AMBIENTALISTAS APÓS A 
SEGUNDA GUERRA MUNDIAL
1948: A Organização das Nações Unidas para a Educação, a 
Ciência e a Cultura (UNESCO) fundou a União Internacional para a 
Preservação da Natureza (IUPN) na Suíça e na Bélgica.
1949: A IUPN organizou a Conferência Científica das Nações Uni-
das sobre a Conservação e a Utilização de Recursos, em Nova York.
1956: A IUPN se tornou a União Internacional para a Conserva-
ção da Natureza (ICUN) e dos Recursos Naturais, devido ao engaja-
mento de cientistas e ecologistas.
1960: O WWF (World Wildlife Fund) se tornou o segmento fi-
nanceiro da ICUN.
No cenário político internacional das décadas de 
1970 e 1980, a conscientização ambientalista trazia o 
tom ativista do novo ambientalismo, que foi transpor-
tado para a arena política. O nascimento dos “verdes” 
e seu ingresso na política convencional por meio do 
Partido Verde foi mais um golpe dos ambientalistas 
(Figura 3-3). O Partido Verde surgiu na Alemanha em 
1979 e, embora sua plataforma, em grande parte, fos-
se ambientalista, seus membros também protestavam 
contra a energia nuclear e apoiavam o movimento da 
paz e os ideais feministas.
Entre 1978 e 1984, outros partidos verdes surgi-
ram na Suíça, na Bélgica, na Alemanha Ocidental, 
em Luxemburgo, na Áustria, na Finlândia, na Itália, 
na Suécia, na Irlanda e na Holanda. Desde então, par-
tidos verdes foram criados no Canadá, no México, no 
Peru, na Austrália, na Nova Zelândia, na Coreia do 
Norte e em vários países do oeste e do leste europeu 
Figura 3-2 Harry S. Truman
Figura 3-3 Novos partidos verdes, que adotam os valores do Partido 
Verde Alemão original, vêm surgindo no mundo inteiro.
1 Franklin Delano Roosevelt, Decreto-Lei No. 6777 (fundando o 
National Resources Board), de 30 de junho de 1934, http://www.
presidency.ucbs.edu/ws/print.php?pid=14715 (acessado em 16 de 
agosto de 2007).
2 Frank N. Laird, Solar Energy, Technology Policy and Institutional 
Values (Cambridge and New York: Cambridge University Press, 
2001).
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42 Fundamentos de Projeto de Edificações Sustentáveis
e da Ásia. Partidos ambientalistas alternativos, como 
o Partido Ecológico Britânico e o Movimento de Polí-
tica Ecológica, na França, foram fundados em 1973 e 
1980, respectivamente.
AS CONFERÊNCIAS
No final da década de 1970, os líderes políticos come-
çaram a perceber que crises ambientais assolavam to-
A LEGISLAÇÃO AMBIENTALISTA DOS ESTADOS UNIDOS 
1970-2000
Década de 1970
1969: Lei de Políticas Ambientalistas Nacionais (National •
Environmental Policy Act).
A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos – EPA (U.S. •
Environmental Protection Agency) e o Conselho para a Qualidade 
do Ar (Council on Environmental Quality) são fundados.
1970: Lei do Ar Limpo (Clean Air Act) •
1972: Lei da Água Limpa (Clean Water Act) •
Proteção de mamíferos marinhos e espécies ameaçadas. •
Regulamentações para o lançamento de lixo no oceano, contro- •
les de pesticidas e da qualidade da água, programas de radiação, 
substâncias tóxicas.
1975: Definidas as normas de eficiência em uso de combus- •
tíveis.
1976: Lei de Recuperação e Conservação de Recursos Naturais •
(Resource Conservation and Recovery Act) (controle do descarte 
de resíduos nocivos).
1977: Criação do Departamento de Energia (Department of •
Energy) (DOE).
1979: Instalação de painéis térmicos na Casa Branca (Administra- •
ção do Presidente Carter).
Década de 1980
1980: Lei Completa da Resposta, Indenização e Responsabiliza- •
ção Ambiental (Superfund Act).
Ênfase na conservação e na eficiência do uso de energia. •
1980: Remoção dos painéis térmicos da Casa Branca (administra- •
ção do Presidente Reagan).
1981: O • Relatório Global 2000 para o Presidente(The Global 2000 
Report to the President) (solicitado pelo Presidente Carter) foi 
lançado pelo Conselho para a Qualidade Ambiental (Council on 
Environmental Quality).³
1986: Lei da Água Potável Segura (Safe Drinking Water Act). •
Anulação de muitas regulamentações ambientais. •
O Congresso reforçou as leis ambientais já existentes. •
Década de 1990
Lei para a Prevenção da Poluição (Pollution Prevention Act). •
Emendas tornaram mais rigorosa a Lei do Ar Limpo (Clean Air Act). •
Lei de Políticas Energéticas de 1992 (Energy Policy Act of 1992): •
Os códigos de energia foram revisados, apoiando as fontes de 
energia alternativa.
Temas: Tecnologias limpas, inclusão das minorias no ambienta- •
lismo, aquecimento global, destruição da camada de ozônio.
Lei de Proteção do Deserto da Califórnia (California Desert •
Protection Act).
Assinatura dos tratados do Rio. •
Regulamentações: controle das emissões de poluentes. •
O Congresso promove cortes nos programas ambientalistas fede- •
rais preexistentes.
Década de 2000
Cortes orçamentários no programa EPA Energy Star. •
A EPA afrouxa os planos de testagem de pesticidas e as normas •
de notificação para a indústria química.
As medidas de proteção das áreas de vida selvagem e das flores- •
tas são relaxadas.
Triplicam as autorizações para a perfuração de óleo e gás. •
Lei de Políticas Energéticas de 2005 (Energy Policy Act of 2005): •
Aumento na produção de energia carbonífera e etanol; oferta de 
incentivos fiscais e garantias a empréstimos feitos por empresas 
de energia visando a tecnologias energéticas. A perfuração de 
óleo do Refúgio de Vida Selvagem Nacional do Ártico (Artic Na-
tional Wildlife Refuge) foi removida da redação final da lei.
Não se apoiou a ratificação do Protocolo de Quioto. •
O dióxido de carbono (CO • 2) não é considerado poluente pela Lei 
do Ar Limpo (Clean Air Act).
A administração e a indústria automobilística entram na justiça •
para derrubar a norma de emissões veiculares zero na Califórnia.
O Serviço Florestal dos Estados Unidos (U.S. Forest Service) apro- •
va a construção de estradas e o corte de madeira em algumas flo-
restas nacionais; segundo a Lei do Ar Limpo (Clean Air Act), não 
é necessária a autorização para construção de algumas estradas 
perto de pântanos.
Lei de Independência Energética e Segurança Patrimonial de •
2007 (Energy Independence and Security Act of 2007): incentivos 
para etanol, carvão mineral, aterros de lixo e incineração de bio-
massa e resíduos; altera-se a definição de "energia renovável"; 
plano de eliminação gradual das lâmpadas incandescentes; no-
vas normas para a economia de combustível; leis mais permissi-
vas que citam os poluentes de “corpos de água”.
3 Gerald O. Barney, The Global 2000 Report to the President, A 
Report Prepared by the Council of Environmental Quality and the 
Department of State (Charlottesville, VA: Blue Angel, 1981), 1. Pes-
quisadores utilizaram a modelagem por computador para prever fu-
turas tendências ambientais e demográficas. Uma das conclusões do 
relatório afirmava que: “Se as tendências atuais permanecerem, o 
mundo, no ano 2000, será mais populoso e estará mais vulnerável à 
destruição do que o mundo no qual vivemos atualmente. São previs-
tos, com clareza, problemas graves envolvendo pessoas, recursos e o 
meio ambiente. Apesar da grande produção de materiais, a popula-
ção mundial será mais pobre do que a atual em diversas maneiras”.
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Capítulo 3 As Conferências e os Tratados Internacionais Modernos 43
das as regiões do planeta, afetando tanto os países me-
nos desenvolvidos como as nações industrializadas, 
independentemente do tamanho de suas populações.
Países como o Quênia e a Índia testemunharam o 
surgimento de organizações populares não governa-
mentais (ONGs) muito ativas, dedicadas ao ambien-
talismo e à preservação da vida selvagem.4 Questões 
como a poluição dos pântanos e a chuva ácida cruza-
ram fronteiras políticas e geográficas. Evidentemente, 
os países em desenvolvimento enfrentam enormes de-
safios para oferecer educação e serviços de saúde para 
as suas populações, bem como apoiar a igualdade 
entre os sexos. Fica difícil privilegiar questões como 
a energia renovável quando isso ocorre às custas da 
criação de empregos e da autossuficiência econômica 
na África, ou da melhoria das condições de vida nas 
favelas do Rio de Janeiro, no Brasil, por exemplo.
Além disso, muitos países em desenvolvimento não 
possuem políticas ambientais que possam ser usadas 
como ferramentas para implementar novos acordos 
internacionais. Seus déficits sociais monumentais po-
dem impedir a resolução das questões ambientalistas 
tradicionais; isso atrasa, consequentemente, a criação 
de políticas ambientais ou “verdes”. Com frequência, 
é preciso diferenciar a sustentabilidade para os paí-
ses em desenvolvimento e os países desenvolvidos, 
ou seja, a sustentabilidade “marrom” em oposição à 
“verde”. Essa diferenciação é discutida na Agenda 21 
for Sustainable Construction in Developing Countries 
(Agenda 21 para a Edificação Sustentável em Países 
em Desenvolvimento):
Em geral, a Agenda Verde (Green Agenda), que 
lida com os problemas da riqueza e do super-
consumismo, é mais urgente nos países ricos. A 
Agenda Marrom (Brown Agenda), que lida com 
os problemas da pobreza e do subdesenvol-
vimento, enfatiza a necessidade de reduzir as 
ameaças ambientais para a saúde que resultam 
das más condições sanitárias, da superpopula-
ção, do abastecimento inadequado de água, da 
poluição nociva à saúde do ar e das águas, e do 
acúmulo local de lixo sólido.5
O movimento ambientalista ao menos tentou pro-
mover uma unidade global, criando a primeira Confe-
rência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano 
(UN Conference on the Human Environment) em 1972, 
em Estocolmo, na Suécia. Outras conferências interna-
cionais se seguiram, e seus resultados incluem ratifica-
ções internacionais, planos de ação e metas futuras. A 
maioria resultou na criação de agências de proteção 
ambiental em vários países. Elas também levaram a 
vários tratados internacionais sobre o meio ambiente. 
Para nossos fins, trataremos das conferências que mais 
tiveram impacto sobre as edificações sustentáveis.
1972: a Conferência de Estocolmo
O novo ambientalismo assumiu um tom político em 
1972, durante a Conferência de Estocolmo, alcunha 
dada à Conferência das Nações Unidas sobre o Am-
biente Humano (UN Conference on the Human Envi-
ronment). Esse evento, cujo objetivo era estudar estra-
tégias para corrigir problemas ambientais em todo o 
planeta, é considerado um divisor de águas, devido à 
grande quantidade de conferências das Nações Uni-
das que foram realizadas a seguir.
Um dos resultados foi o Programa Ambiental das 
Nações Unidas (UNEP), encarregado de pôr em prá-
tica os 26 princípios da Declaração de Estocolmo.6 
Além disso, elaborou-se um plano de ação que trata 
de questões de recursos naturais, direitos humanos, 
desenvolvimento sustentável e normas ambientais 
para cada país. A conscientização pública que resul-
tou da conferência incitou os ambientalistas ociden-
tais a entender a preocupação com o meio ambiente 
em escala global.7
Figura 3-4 Emblema das Nações Unidas.
Figura 3-5 Emblema do Programa Ambiental das Nações Unidas.
4 John McCormick, Reclaiming Paradise: The Global Environment 
Movement (Bloomington: Indiana University Press, 1989).
5 Agenda 21 for Sustainable Construction in Developing Countries, 
A discussion document, The International Council for Research and 
Innovation in Building and Construction and the United Nations 
Environment Programme, International Environmental Technology 
Centre (UNEP-IETC), Chrisna du Plessis, CSIR Building and Cons-
truction Technology, Pretoria South Africa, 2002, parágrafo 2.2.1, 
página 9.
6 Stockholm Declaration (junho de 1972), http://www.unep.org/Docu-
ments.Multilingual/Default.asp?DocumentID=97&ArticleID=1503.
7 McCormick,Reclaiming Paradise, 99.
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44 Fundamentos de Projeto de Edificações Sustentáveis
1984: a Comissão de Brundtland
Outra conferência histórica das Nações Unidas foi 
realizada em Genebra, em 1984. Um dos pontos 
mais importantes do evento foi a atribuição da World 
Commission on the Environment and Development 
(WCED) (Comissão Mundial para o Meio Ambiente e 
o Desenvolvimento) ao seu presidente, Gro Harlem 
Brundtland, de produzir o relatório que foi publicado 
em 1987 e é conhecido como Our Common Future.
O relatório da Comissão Brundtland destacou 
questões de população, alimentação, segurança, saú-
de das espécies e dos ecossistemas, energia, indústria 
e uma ampla variedade de desafios urbanos. Ele con-
cluiu que os problemas sociais e a saúde ambiental 
são preocupações paralelas e questões interligadas. 
Em outras palavras, o grau de degradação ambiental 
corresponde ao nível de pobreza dos países em de-
senvolvimento. Chrisna du Plessis observa que “em-
bora os países em desenvolvimento consumam muito 
menos recursos e emitam muito menos gases de efeito 
estufa do que os países desenvolvidos, a degradação 
ambiental tem um impacto mais direto e visual, e 
ameaça a sobrevivência dos pobres de maneira mais 
imediata”.8 O desenvolvimento sustentável estava en-
tre as questões destacadas pela WCED. Foi durante a 
conferência de Genebra que surgiu a definição de de-
senvolvimento sustentável que foi adotada pelo movi-
mento da edificação sustentável. Definiu-se o desen-
volvimento sustentável como “o desenvolvimento que 
atende às necessidades do presente sem comprometer 
a capacidade das futuras gerações de atender às suas 
próprias necessidades”.9
1987: o Protocolo de Montreal
Vale a pena mencionar a ratificação do tratado co-
nhecido como Protocolo de Montreal para Substân-
cias que Destroem a Camada de Ozônio (Montreal 
Protocol on Substances that Deplete the Ozone Layer) 
em 1987, uma vez que ela resultou em melhorias nas 
práticas de construção e gestão de edificações e, mais 
especificamente, naquelas que estão relacionadas ao 
uso de refrigerantes em sistemas mecânicos, retardan-
tes de fogo e materiais de limpeza.
O protocolo exigiu a eliminação gradual dos cloro-
fluorcarbonos (CFCs), isto é, hidrocarbonos halogena-
dos capazes de destruir a camada de ozônio, até 1999. 
Infelizmente, os produtos alternativos – por exemplo, 
hidrofluorcarbonos (HFCs) e hidroclorofluorcarbonos 
(HCFCs) – têm um potencial de aquecimento global 
significativo. O Sistema de Certificação da Liderança 
em Projetos de Energia e Ambientais (LEED) concede 
pontos para a eliminação dos CFCs e HCFCs.
Atualmente, estima-se que os HCFCs serão elimi-
nados progressivamente até 2030.10 Os resultados pas-
síveis de verificação indicam que a camada de ozônio 
está respondendo às ações sugeridas pelo tratado. Este 
tratado, que fora assinado por 191 países até agosto 
de 2007, é um exemplo de acordo internacional bem-
-sucedido.
1992: a Cúpula da Terra do Rio de Janeiro (Eco-92)
Em 1992, 179 governos participaram da Conferên-
cia das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o 
Desenvolvimento (UN Conference on Environment 
and Development) na cidade do Rio de Janeiro, no 
Brasil.11
A rodada inicial da Conferência de Estocolmo de 
1972 aconteceu no Quênia em 1982, mas não re-
sultou em progressos significativos. Além de várias 
questões fundamentais – entre elas, as energias alter-
nativas, a produção de toxinas, o transporte público, 
a falta de água e os direitos dos povos autóctones – o 
desenvolvimento econômico e sustentável voltou a 
ser discutido, enfatizando-se as necessidades dos po-
bres em áreas tanto urbanas como rurais.12
A reunião de cúpula realizada no Rio de Janeiro 
foi outro evento histórico, pois “influenciou todas 
as conferências posteriores das Nações Unidas, que 
examinaram as relações entre os direitos humanos, a 
população, o desenvolvimento social, as mulheres e 
os assentamentos humanos, além da necessidade de 
um desenvolvimento ambientalmente sustentável”.13 
O evento gerou cinco relatórios:
A Declaração do Rio • (The Rio Declaration), conten-
do 26 princípios que variam do transporte de toxinas 
através de fronteiras até a implantação de princípios 
de precaução para o desenvolvimento sustentável: 
http://habitat.igc.org/agenda21/rio-dec.htm.
A Agenda 21, que estabeleceu objetivos, planos de •
ação e estratégias de implantação detalhados para 
a sustentabilidade ambiental e desenvolvimentista: 
http://habitat.igc.org/agenda21/.
8 Agenda 21 for Sustainable Construction in Developing Countries, 
op. cit. parágrafo 3.1, página 22.
9 Brundtland Commission Report, http://www.un-documents.net/
wcedocf.htm.
10 Ozone Secretariat and the United Nations Environment 
Programme, Handbook for the Montreal Protocol on Substances 
that Deplete the Ozone Layer, 7th ed. (Nairobi, Kenya: Secretariat 
of the Vienna Convention for the Protection of the Ozone Layer and 
the Montreal Protocol on Substances that Deplete the Ozone Layer, 
United Nations Environment Programme, 2006, http://ozone.unep.
org/Publications/MP_Handbook/index.shtml (acessado em 04 de 
janeiro de 2009).
11 Informações sobre a Cúpula da Terra do Rio de Janeiro: http://www.
un.org/geninfo/bp/enviro.html.
12 Rio Declaration (1992), http://www.un.org/documents/ga/conf151/
aconf15126-1annex1.htm.
13 UN Conference on Environment and Development, http://www.
un.org/geninfo/bp/enviro.html.
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Capítulo 3 As Conferências e os Tratados Internacionais Modernos 45
A Declaração de Princípios das Florestas • (Statement 
of Forest Principles), um acordo não obrigatório 
que foi o primeiro a tratar de práticas florestais sus-
tentáveis em escala internacional: http://www.iisd.
org/rio+5/agenda/principles.htm.
A Convenção sobre Diversidade Biológica •
(Convention on Biological Diversity), uma dentre 
duas convenções com força de lei que lida com 
a preservação de espécies: http://www.cbd.int/de-
fault.shtml.
A Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre •
Mudanças Climáticas (Framework Convention on 
Climate Change), o segundo acordo com força de 
lei que resultou da conferência e serviu como base 
para o Protocolo de Quioto: http://unfccc.int/not_
assigned/b/items/1417.php.
1997: o Protocolo de Quioto
O Protocolo de Quioto, um tratado ratificado pela 
Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mu-
danças Climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês) em 
1997, advém de um dos itens de ação estabelecidos 
na Cúpula da Terra do Rio de Janeiro de 1992. O Pro-
tocolo de Quioto exige que os países se comprome-
tam com a redução dos gases de efeito estufa, incluin-
do o dióxido de carbono (CO2), ou comercializem 
suas emissões quando necessário (Figura 3-6).14
A meta dos Estados Unidos era uma redução de 
7% dos níveis de 1990 até 2012.15 O Protocolo de 
Quioto tem uma relevância particular para o estudo 
das edificações sustentáveis, uma vez que as edifica-
ções são responsáveis por 43% das emissões de dióxi-
do de carbono dos Estados Unidos como um subpro-
duto da construção, de agentes refrigerantes e do uso 
dos sistemas de energia. Essa estatística foi calculada 
pelo Pew Center on Climate Change; segundo ele, as 
edificações industriais contribuem com 5%, as edifi-
cações comerciais com 17% e as edificações habita-
cionais com 21%.16
Até fevereiro de 2005, a data efetiva da implan-
tação do Protocolo, 141 países o haviam ratificado, 
comprometendo-se a reduzir suas emissões de ga-
ses de efeito estufa. Até julho de 2008, 182 países 
haviam ratificado e aceito o protocolo.17 O tratado 
expira em 2012.
Ainda que os Estados Unidos não tenham aceita-
do ou ratificado o Protocolo de Quioto, mais de 600 
cidades do país decidiram participar do Acordo de 
Mudanças Climáticas das Cidades dos Estados Unidos 
(U.S. Mayors Climate Change Agreement). Trata-se de 
um simulacro do Protocolo de Quioto,que solicita 
que os líderes municipais desenvolvam políticas a 
partir de 12 estratégias de ação, como limitar o cresci-
mento urbano; custear tecnologias limpas e fontes de 
energia alternativa; investir no transporte alternativo; 
revisar as disposições sobre o consumo eficiente de 
energia nos códigos de edificações; aumentar os pa-
drões de eficiência de combustível para os veículos 
municipais; implementar o LEED ou outro sistema de 
certificação de edificações sustentáveis semelhantes; 
ampliar os esforços na área da reciclagem; e dar apoio 
e orientação para escolas, indústrias e estabelecimen-
tos comerciais.18
2002: a Cúpula da Terra de Joanesburgo (Rio + 10)
A quarta conferência derivada da Conferência de Esto-
colmo de 1972 foi realizada em Joanesburgo, na Áfri-
ca do Sul (Figura 3-7). A UN World Summit on Sustai-
nable Development (Reunião de Cúpula Mundial das 
Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável) 
resultou no Plano de Implantação de Joanesburgo. O 
plano se concentrou em questões sociais, como a er-
radicação da pobreza, a melhoria das condições de 
saúde e a promoção do vigor econômico nos países 
em desenvolvimento.
A cúpula reconheceu o tripé da sustentabilidade 
estabelecido no Rio de Janeiro, em 1992: o desen-
volvimento econômico, o desenvolvimento social e 
a proteção ambiental. Em outras palavras, os partici-
pantes concordaram em “focar a atenção do mundo 
e direcionar as ações para resolver grandes desafios, 
incluindo a melhoria da vida das pessoas, e conservar 
os recursos naturais em um mundo cuja população 
não para de crescer e cuja demanda por alimentos, 
água, abrigo, higiene, energia, serviços de saúde e es-
tabilidade econômica é cada vez maior”.19
Os Estados Unidos não enviaram uma delegação 
para esta importante conferência, mas os princípios e 
compromissos da Agenda 21 do Rio de Janeiro foram 
aceitos por representantes de muitos outros países, 
por líderes dos setores industrial e comercial, e por 
organizações não governamentais (ONGs).
14 Quioto Protocol Reference Manual on Accounting of Emissions 
and Assigned Amounts, United Nations Framework Convention on 
Climate Change (UNFCCC) Secretariat, February 2007, http://un-
fccc.int/quioto_protocol/items/2830.php. Para streaming em tempo 
real e informações atualizadas sobre as emissões de dióxido de car-
bono (CO2), acesse: http://breathingearth.net/.
15 Quioto Protocol Reference Manual, http://unfccc.int/quioto_pro-
tocol/items/2830.php.
16 The Pew Center on Global Climate Change, http://www.pewcli-
mate.org.
17 Para ter acesso a uma listagem atualizada dos países que ratifica-
ram o Protocolo de Quioto, visite: http://unfccc.int/quioto_proto-
col/background/status_of_ratification/items.2613.php.
18 The U.S. Conference of Mayors, Mayors Climate Protection Center, 
http://usmayors.org/climateprotection/ClimateChange.asp e http://
usmayors.org/climateprotection/documents/mcpAgreement.pdf.
19 Johannesburg World Summit on Sustainable Development, 2002; 
http://www.un.org/jsummit/html/basic_info/basicinfo.html.
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46 Fundamentos de Projeto de Edificações Sustentáveis
Entre os resultados mais significativos da confe-
rência, destaca-se a importância do desenvolvimento 
sustentável e da construção sustentável para os países 
menos desenvolvidos.
A UNEP incumbiu a arquiteta, pesquisadora e 
ativista sul-africana Chrisna du Plessis de produzir a 
Agenda 21 for Sustainable Construction in Developing 
Countries (Agenda 21 para a Construção Sustentável 
em Países em Desenvolvimento), de forma a contri-
buir para a Cúpula da Terra de Johanesburgo, que se 
concentrou nas necessidades de sustentabilidade es-
pecíficas dos países em desenvolvimento.20
Em suma, a Agenda 21 abordou a necessidade de 
aprimorar o processo de construção nos países em de-
senvolvimento, formulando novas tecnologias da cons-
trução para a preservação dos recursos, operações com 
consumo de energia eficiente, conservação de água e 
práticas responsáveis de gestão de recursos hídricos. 
Além disso, foram abordados os problemas da habi-
tação sustentável e da justiça social tanto rural como 
urbana. Tudo isso contribuiu para melhores práticas in-
ternacionais em termos de construção sustentável.
Depois de Quioto
Como o Protocolo de Quioto expira em 2012, já está 
se preparando um sucessor para o tratado. As discus-
sões tiveram início em fevereiro de 2007 durante o 
Figura 3-6 A UN 
Convention on Cli-
mate Change, em 
Quioto, no Japão.
assinou e ratificou
assinou, com ratificação pendente
assinou, com ratificação negada
não se manifestou
Participação no Protocolo de Quioto (2005)
20 Agenda 21 for Sustainable Construction in Developing Countries, 
op cit.
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Capítulo 3 As Conferências e os Tratados Internacionais Modernos 47
Diálogo de Mudanças Climáticas do G8 + 5 (oito paí-
ses industrializados mais Brasil, China, Índia, México 
e África do Sul); acredita-se que as negociações conti-
nuarão por muitos anos.
O apoio às metas do Protocolo de Quioto foi ma-
nifestado de maneira significativa em junho de 2007, 
quando esses oito países industrializados concorda-
ram com o Processo de Heiligendamm, que busca 
envolver e auxiliar os países emergentes nos esforços 
visando ao consumo eficiente de energia, e também 
promete reduzir as emissões de dióxido de carbono 
em todo o mundo pela metade até 2050.21 Novamen-
te, essa decisão é importante para tornar a tecnologia 
da construção mais sustentável.
2007: a Convenção-Quadro das Nações 
Unidas sobre Mudanças Climáticas, Bali
Participantes do evento realizado em Quioto em 1997, 
representantes de aproximadamente 180 países e ob-
servadores de organizações intergovernamentais e não 
governamentais se reuniram em Bali para discutir uma 
proposta internacional que visa reduzir as emissões de 
carbono de acordo com o mandato de Quioto. Este 
encontro ficou conhecido como "Mapa de Bali", pois 
não delineou reduções reais, mas abriu caminho para 
futuras discussões antes da data limite de 2009.22
TENDÊNCIAS IMPORTANTES
Este capítulo enfatiza os marcos ambientalistas inter-
nacionais mais importantes, ainda que de modo gené-
rico. Os capítulos a seguir mostram o surgimento da 
construção sustentável neste contexto histórico.
EXERCÍCIOS
As reuniões de cúpula ambientalistas internacio-1. 
nais têm tratado temas que incluem a proteção 
da camada de ozônio, a redução dos poluentes e 
as emissões de dióxido de carbono (CO2). Quais 
críticas foram feitas aos resultados de tais con-
ferências? Até que ponto é possível chegar a um 
INDÚSTRIA
EDIFICAÇÕES
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0
1960 1980 2000
Figura 3-7 As emissões de dióxido de carbono por setor econômico, 
segundo o Pew Center.
Figura 3-8 Partici-
pantes da Cúpula Mun-
dial das Nações Unidas 
para o Desenvolvimen-
to Sustentável em Joa-
nesburgo, África do Sul, 
2002.
21 G8 Summit 2007 Heiligendamm, “Breakthrough on Climate 
Protection,” http://www.g-8.de/nn_92160/Content/EN/Artikel/__
g8-summit/2007-06-07-g8-klimaschutz__en.html.
22 United Nations Framework Convention on Climate Change (2007), 
http://unfccc.int/meetings/cop_13/items/4049.php.
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48 Fundamentos de Projeto de Edificações Sustentáveis
consenso global sobre questões ambientais? O que 
pode ser feito para garantir o sucesso futuro dessas 
conferências?
O Protocolo de Quioto é famoso por ter recomen-2. 
dado a redução das emissões de CO2, o que foi 
ratificado por 41 países até 2005. Quais foram as 
justificativas apresentadas pelos países que assina-
ram e não ratificaram?
FONTES BIBLIOGRÁFICAS
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habitat.igc.org/agenda21/rio-dec.htm
Agenda 21 for Sustainable Construction in Developing Countries,A 
Discussion Document, http://habitat.igc.org/agenda21/
United Nations Conference on the Human Environment (Stockholm, 
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1987, http://www.un-documents.net/wced-ocf.htm.
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O Surgimento da Edificação e da 
Legislação Sustentáveis 4
A DEFINIÇÃO DE EDIFICAÇÃO SUSTENTÁVEL
O conceito de edificação sustentável advém natu-
ralmente da história fértil do ambientalismo. Até 10 
anos atrás, porém, essa expressão nos fazia pensar 
em uma filosofia corajosa, embora primitiva, cujos 
adeptos desejavam viver de maneira independente, 
afastando-se da sociedade. Durante as décadas de 
1960 e 1970, nos Estados Unidos, palavras como 
geoarquitetura, autossuficiência e ecologia eram 
associadas às edificações sustentáveis (Figura 4-1). 
Hoje em dia, porém, palavras como integrada, efi-
ciente, de alto desempenho, elegante e resiliente 
são aplicadas a elas com frequência (Figura 4-2).
A abordagem da edificação integrada, que consi-
dera o ciclo de vida em todos os níveis, é essencial 
para a definição contemporânea de edificação ou 
construção sustentável.
Atualmente, existem muitas definições formais 
para o termo “edificação sustentável”, mas todas têm 
em comum pelo menos um dentre vários componen-
tes essenciais; além disso, a maioria dos arquitetos 
concorda que, para ser sustentável, uma edificação 
precisa solucionar mais do que um problema ambien-
tal (por exemplo, o esgotamento dos recursos natu-
rais, a lotação dos depósitos de lixo, as emissões de 
carbono, etc.). Ainda que não possa solucionar todos 
os problemas, a edificação sustentável deve:
Tratar das questões de demolição no terreno e de •
resíduos da construção, bem como dos resíduos 
gerados pelos seus usuários.
Buscar a eficiência na utilização dos recursos. •
Minimizar o impacto da mineração e do extra- •
tivismo na produção de materiais e contribuir 
para a recuperação dos recursos naturais.
Reduzir o consumo de solo, água e energia du- •
rante a manufatura dos materiais, a construção 
da edificação e a utilização por seus usuários.
Planejar uma baixa energia incorporada duran- •
te o transporte dos materiais ao terreno.
Trabalhar de modo lógico à medida que a ca- •
deia de produção de materiais é traçada.
Buscar a conservação de energia e projetar vi- •
sando ao consumo eficiente de energia na ali-
Figura 4-1 O famoso Earthship, feito a partir de pneus usados e al-
gumas latas de cerveja, utiliza estratégias passivas de calefação e re-
frigeração, evitando, de maneira criativa, que os produtos descartados 
acabem em depósitos de lixo.
Figura 4-2 A Casa Lótus, notável por sua elegância e sustentabilidade, 
foi projetada por Michelle Kaufmann Designs e construída em frente à 
Prefeitura de São Francisco (EUA) durante a Conferência de Sustentabi-
lidade da Costa Oeste [West Coast Green Conference] em 2007.
Keeler_04.indd 49Keeler_04.indd 49 30.04.10 17:21:0030.04.10 17:21:00
50 Fundamentos de Projeto de Edificações Sustentáveis
mentação dos sistemas de calefação, refrigera-
ção, iluminação e força. Já que a construção de 
edificações está entre os principais emissores de 
dióxido de carbono (CO2), planejar a redução 
de tais emissões é um grande desafio e logo se 
tornará uma obrigação social e política inego-
ciável.
Oferecer um ambiente interno “saudável”: •
Evitar o uso de materiais de construção e lim- •
peza que emitam compostos orgânicos voláteis 
(VOCs) e suas interações sinergísticas.
Evitar o uso de equipamentos que não contro- •
lem ou não filtrem de maneira adequada a en-
trada ou a produção de particulados.
Controlar a entrada de poluentes externos por •
meio de filtragem do ar, ventilação e capachos 
adequados; o mesmo se aplica aos contami-
nantes usados pelos usuários, como em produ-
tos de higiene pessoal.
Projetar uma conexão com o exterior que for- •
neça ventilação natural, iluminação diurna e 
vistas para o exterior.
Até que o sistema de certificação de edificações 
LEED (Liderança em Projetos de Energia e Ambien-
tais – Leadership on Energy and Environmental 
Design), criado pelo U.S. Green Building Council 
(Conselho de Edificações Sustentáveis dos Estados 
Unidos), ou outras diretrizes de sustentabilidade se 
tornem normas nacionais obrigatórias e passem a ser 
aceitas por entidades como a Sociedade Americana 
para a Testagem de Materiais (ASTM) ou a Sociedade 
de Engenheiros de Climatização dos Estados Unidos 
(ASHRAE), não haverá uma definição de edificação 
sustentável de alcance nacional e com valor legal. 
Infelizmente, embora alguns municípios e agên-
cias governamentais tenham adotado o LEED e ou-
tros programas de construção sustentável por conta 
própria, diretrizes sólidas surgirão apenas quando o 
ato de construir sustentavelmente deixar de ser uma 
opção e se tornar uma necessidade. Todavia, como 
podemos verificar nas descrições anteriores, há um 
ponto em comum – a edificação sustentável equivale 
a um projeto de qualidade.
As edificações sustentáveis deixam um grande 
legado de projeto. É possível citar inúmeras edifi-
cações (Figura 4-3) que foram consideradas bem 
projetadas porque seu projeto se adaptou ao clima 
regional; utilizou os materiais de construção dispo-
níveis e as técnicas já testadas de modo eficiente; 
garantiu um bom nível de conforto com a termoacu-
mulação (por meio da massa térmica); ou aprovei-
tou os benefícios do meio ambiente ao armazenar 
a água.
Os centros de forças contraculturais se inspiraram 
na inteligência e na eficiência de tais estratégias de 
construção.
As origens da construção sustentável1
Nos Estados Unidos, as origens do movimento moder-
no de construção sustentável se encontram em mar-
cos econômicos e ambientais. A tradição de construir 
com inteligência passou por uma redefinição signifi-
cativa depois que a economia do país, que depende 
dos combustíveis fósseis, ignorou a essência do bom 
projeto, optando por projetar edificações mais veda-
das para mitigar os impactos políticos da disponibili-
dade de petróleo, em vez de se adaptar aos seus efei-
tos. Salvo algumas exceções, as respostas ao embargo 
imposto pela OPEP (Organização dos Países Exporta-
dores de Petróleo) na década de 1970 resultaram no 
projeto de edificações extremamente herméticas, que 
visavam reduzir os gastos com calefação e refrigera-
ção. Essa prática foi a resposta predominante às restri-
ções sobre a importação do petróleo. Ironicamente, a 
construção de edificações mais herméticas se tornou 
um marco do movimento da construção sustentável, 
em termos tanto de conservação de energia como de 
qualidade do ar interno; discutiremos essa questão em 
outro capítulo.2 (A Figura 4-4 mostra o impacto cau-
sado pelo racionamento de gás nas vidas dos norte-
-americanos, devido ao embargo do petróleo.)
No entanto, a crise do petróleo trouxe benefícios 
inesperados, pois transformou a necessidade de eco-
nomizar energia nas habitações em algo pessoal, o 
que inclui o desenvolvimento de alternativas para a 
obtenção de energia e o racionamento de gasolina 
para conservar combustíveis. O interesse peloconsu-
Figura 4-3 Arquitetura de barro de Mali. Em todo o mundo, três bi-
lhões de pessoas vivem ou trabalham em edificações feitas com pare-
des de tijolo de barro, adobe ou taipa; 20% das edificações que fazem 
parte do Patrimônio Mundial estão nesta categoria.
1 Trechos deste capítulo apareceram pela primeira vez em uma soli-
citação do LEED feita pelo Sistema de Aposentadoria dos Funcioná-
rios Públicos da Califórnia [California Public Enployees’ Retirement 
System] (CalPERS).
2 A construção de edificações mais vedadas também teve conse-
quências negativas: por exemplo, má qualidade do ar interno, sín-
drome da edificação doente e doenças relacionadas às edificações.
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Capítulo 4 O Surgimento da Edificação e da Legislação Sustentáveis 51
mo eficiente de energia levou à fundação de agências 
federais cujas missões foram impulsionadas pelo mo-
vimento ambientalista.
O início da década de 1970 testemunhou a fun-
dação da Agência de Proteção Ambiental dos Estados 
Unidos (EPA) e do Departamento de Energia (DOE). A 
indústria da construção acompanhou, desenvolvendo 
o Comitê para Energia do Instituto de Arquitetos dos 
Estados Unidos (AIA), que evoluiu e, atualmente, é co-
nhecido como Comitê do AIA para o Meio Ambiente 
COTE (AIA Committee on the Environment). A cons-
trução sustentável foi promovida por esses grupos e 
passou a ser vista como uma disciplina multifacetada, 
que incluía preocupações referentes ao ciclo de vida 
e à geração de resíduos pelos materiais de construção, 
à conservação do solo e da água e à qualidade do ar e 
do ambiente internos, além de seu mote original, que 
era a redução do consumo de energia.
Na década de 1990, a administração Clinton apro-
vou vários decretos-lei relacionados ao meio ambien-
te, estabelecendo um estudo de caso por meio do 
projeto Sustentabilidade da Casa Branca (Greening 
of the White House). Posteriormente, o Presidente 
Bill Clinton criou o Conselho do Presidente para o 
Desenvolvimento Sustentável (President’s Council on 
Sustainable Development). O governo federal apro-
veitou os benefícios do movimento da construção 
sustentável a fim de estabelecer padrões de sustenta-
bilidade para vários setores governamentais, incluin-
do o exército, os parques nacionais e as edificações 
de inúmeras agências.
O ônus ambiental
Quando os governos e as prefeituras começaram a 
aprovar medidas de construção sustentável, foi veri-
ficada a existência de uma base econômica que re-
cebe de bom grado as mudanças no modo de cons-
truir as edificações. Os custos operacionais enxutos, 
a maior eficiência dos trabalhadores e a construção 
de edificações mais duráveis significam economias 
no longo prazo.
Contudo, também vale a pena se preocupar com 
os danos ambientais extensos que podem ser evitados 
pela construção de edificações sustentáveis. Segundo 
o U.S. Green Building Council (Conselho da Edifica-
ção Sustentável dos Estados Unidos), “a indústria da 
construção é uma das que mais consome energia e 
água no planeta”.3
Nos Estados Unidos, as edificações respondem por 
48% do consumo total de energia4 e 73,1% do consu-
mo de eletricidade (Figura 4-5).5 Elas são responsáveis 
por 30% das emissões de gases de efeito estufa e con-
somem 30% das matérias-primas. Aproximadamente 
136 milhões de toneladas de lixo são produzidas todo 
ano pelas edificações e por sua construção.6 Além dis-
so, a indústria da construção absorve 12% da água 
potável do país.
É evidente que as edificações são responsáveis por 
um enorme passivo ambiental. O movimento da cons-
trução sustentável vem respondendo a essa degrada-
ção ambiental desde o embargo do petróleo imposto 
pela OPEP na década de 1970.
O aumento dos preços do petróleo na década de 
1970 incitou pesquisas significativas que visavam 
melhorar a eficiência energética e encontrar fontes 
de energia renovável. Isso, junto com o movimen-
to ambientalista das décadas de 1960 e 1970, levou 
aos primeiros experimentos na construção sustentá-
vel contemporânea. Em 2008, o aumento dos preços 
de combustíveis acelerou novamente a pesquisa e o 
desenvolvimento, ainda que, dessa vez, ambos es-
tejam focados nas tecnologias de energias limpas e 
renováveis.
A construção sustentável hoje
A construção sustentável surgiu a partir de uma gêne-
se rústica e era associada a uma cultura com estilos de 
vida alternativos e uma filosofia de “aperto de cintos”. 
Todavia, ela deixou de representar um movimento 
sociopolítico contracultural; em vez disso, as edifica-
Figura 4-4 O embargo do petróleo levou ao racionamento de gasoli-
na na década de 1970.
3 USGBC, http://www.usgbc.org.
4 Dados da Administração de Informações sobre Energia dos Estados 
Unidos apresentados pela Architecture 2030, http://www.architectu-
re2030.org/current_situation/building_sector.html. As porcentagens 
variam de acordo com a entidade responsável pelo relatório. O US-
GBC e o DOE, por exemplo, costumam indicar que as edificações 
consomem 39% da energia. As estatísticas do USGBC estão disponí-
veis em http://www.usgbc.org/DisplayPage.aspx?cmspageID=1718.
5 U.S. Department of Energy, Buildings Energy Data Book 
(Washington, DC: U.S. Department of Energy, 2008; disponível para 
download em http://buildingsdatabook.eren.doe.gov/Default.aspx).
6 U.S. Environmental Protection Agency (EPA), Municipal and 
Industrial Solid Waste Division, “Characterization of Construc-
tion and Demolition Debris in the United States”, preparado por 
Franklin Associates, Prairie Village, Kansas, junho de 1998.
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52 Fundamentos de Projeto de Edificações Sustentáveis
ções sustentáveis do século XXI fazem tanto sentido 
quanto as máquinas, os eletrodomésticos e o desenho 
industrial, ou seja, são invenções de alto desempenho 
(Figura 4-6).
Assim como há componentes audiovisuais, eletro-
domésticos e automóveis de alto desempenho, existem 
edificações com alto desempenho em termos de consu-
mo de energia, qualidade do ar interno e despesas com 
recursos (ou consumo de capital natural). Os benefícios 
de tais edificações são quantificáveis e concretos para 
os proprietários, usuários, projetistas e construtores.7
TRANSPORTE
27%
EDIFICAÇÕES
48%
INDÚSTRIA
25%
CONSUMO DE ENERGIA NOS ESTADOS UNIDOS
32%
Calefação de
ambientes
23%
Iluminação
4%
 Co
cçã
o
3%
 Re
fri
ge
ra
çã
o d
e a
m
bi
en
te
s
3%
 V
en
til
aç
ão
6%
 E
qu
ip
am
en
to
s d
e 
es
cr
itó
rio
7%
 O
utros
7%
 Refrigeração
15%
Aquecimento
de água
Figura 4-5 a, b Duas ilustrações mostram os índices de consumo de 
energia; elas foram extraídas da Arquitetura 2030 (Architecture 2030), da 
Administração de Informações sobre Energia dos Estados Unidos (U.S. 
Energy Information Administration) e do Levantamento do Consumo 
de Energia por Edificações Comerciais em 2003 (2003 Commercial Buil-
dings Energy Consumption Survey).
As porcentagens talvez não totalizem 100%, devido aos arredondamentos.
Varejo e serviços
LOJA
Escritórios
Instituições de ensino
Serviços de saúde
Acomodação
Armazenagem
Serviços de alimentação
Montagem
Venda de alimentos
Demais edificações
20%
17%
13%
9%
8%
7%
7%
6%
4%
10%
Figura 4-5, c O consumo de energia conforme o tipo de edificação.
Figura 4-6 A estética moderna desta luminária de jardim com LEDs 
(diodos emissores de luz) da marca Corona é um exemplo de elegância 
na tecnologia sustentável. As células fotovoltaicas transformam a luz do 
sol em energia durante o dia, e seus LEDs começam a brilhar automati-
camente assim que o sol se põe. Ela não utiliza cola ou fixações, o que 
facilita a desmontagem para fins de reciclagem ou reuso.7 Veja Matthiessen and Morris, “The Cost of Green Revisited”.
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Capítulo 4 O Surgimento da Edificação e da Legislação Sustentáveis 53
Ainda que em nível básico, é possível associaro 
projeto integrado de edificações ao conceito de Gaia 
proposto por James Lovelock – ou seja, as edificações 
podem ser vistas como organismos compostos por sis-
temas interatuantes e inter-relacionados (Figura 4-7). 
Contudo, no universo das mensurações e resultados, 
os benefícios do projeto integrado sustentável se re-
lacionam diretamente com seu resultado tríplice (Fi-
gura 4-8), que é complementado por seus objetivos 
de manter as pessoas saudáveis, diminuir a produção 
de resíduos, economizar energia e reduzir os custos 
operacionais.
Para o proprietário e o construtor, a construção 
sustentável oferece um rápido retorno sobre investi-
mento e um processo de venda ou aluguel que reduz 
os custos de inatividade de capital.
Para o gerente de instalações ou síndico, o uso 
de materiais, produtos e sistemas duradouros e de 
pouca manutenção significa menos gastos com 
substituições e um cronograma de manutenção me-
nos frequente.
Para o funcionário, a possibilidade de trabalhar no 
ambiente interno confortável e controlável de uma 
edificação sustentável (e não em um ambiente de es-
critório convencional) pode ser um fator decisivo na 
escolha entre dois empregos.
Para o proprietário, a residência sustentável ofere-
ce um ambiente interno saudável, materiais e sistemas 
duráveis e menos gastos com energia.
Embora sejam muito abrangentes, os benefícios 
econômicos, saudáveis, sociais e ambientais podem 
ser compreendidos e avaliados de modo integrado. 
Em um capítulo posterior, examinaremos os métodos 
geralmente usados a fim de analisar e definir metas 
para o projeto de uma edificação sustentável por meio 
de inúmeros sistemas nacionais e internacionais de 
certificação.8
AS POLÍTICAS DE SUSTENTABILIDADE, 
A CONCESSÃO DE LICENÇAS E A 
POLÍTICA NOS ESTADOS UNIDOS
William J. Worthen, Membro do AIA, Profissional com 
Certificação LEED
Se a Mãe Natureza fosse uma empresa de cartões de 
crédito, a mudança climática seria a maneira escolhi-
da por ela para nos avisar de que estamos ficando com 
uma dívida cada vez maior devido a todos os recur-
sos naturais e combustíveis fósseis que consumimos 
desde que começamos a utilizar a manufatura com 
base em máquinas, a máquina a vapor, os motores de 
combustão interna e a geração de energia elétrica. Ela 
Figura 4-7 O Arcosanti de Paolo 
Soleri é uma representação física do 
conceito de “arquiecologia” (arcolo-
gy), ou seja, a interação dos sistemas 
vivos com a arquitetura.
Desempenho
ambiental
Desenvolvimento
sustentávelDesenvolvimento
 econômico
Inclusão
social
Figura 4-8 O resultado tríplice relaciona as sustentabilidades econô-
mica, ambiental e social.
8 “Making the Case for Green Building", Environmental Building 
News 14, No. 4 (abril de 2005).
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54 Fundamentos de Projeto de Edificações Sustentáveis
está nos dizendo que chegou a hora de providenciar o 
pagamento; do contrário, ela será obrigada a cancelar 
nossa conta e contratar uma agência de cobrança.
Se medirmos na unidade monetária das mudanças 
climáticas (ou seja, toneladas de dióxido de carbono 
na atmosfera), os recursos naturais que queimamos e 
consumimos desde a Revolução Industrial nos permi-
tiram construir a nossa sociedade e produzir em mas-
sa, sem gastar muito, a maioria das coisas que usamos 
e consumimos; agora, porém, sabemos que tudo isso 
não tem saído barato. Apesar de todas as conquistas 
da humanidade, estamos vivendo às custas da Mãe 
Natureza e, em breve, ela nos cobrará. Não existem 
almoços de graça.
As políticas de construção sustentável, os pedidos 
de licença e os códigos de edificação são maneiras 
de tirar o projeto sustentável da esfera das iniciativas 
voluntárias e levá-lo para as políticas públicas obriga-
tórias. Com esses métodos, o projeto e a construção 
das novas edificações passarão a integrar a solução e 
nos ajudarão a pagar nossas dívidas para com a Mãe 
Natureza (antes que ela nos cobre o pagamento total 
à vista). A implantação de políticas sustentáveis efe-
tivas nos códigos de edificações atuais, junto com as 
transições e mudanças necessárias em nossa estrutura 
socioeconômica e no "jeito de fazer as coisas" nas so-
ciedades capitalistas modernas, continuarão desem-
penhando um papel cada vez mais importante na po-
lítica deste século.
A função dos códigos de edificações modernos
Os códigos de edificações modelo modernos são con-
juntos integrados de normas de construção adotadas 
por um governo municipal, fazendo ou não alterações 
à legislação relativa a todos os aspectos da construção 
de uma edificação. Em geral, os códigos usam padrões 
de segurança, materiais e testagem aceitos nacional-
mente; eles são criados a fim de proteger os usuários e 
definir padrões mínimos aceitáveis para todos os tipos 
de edificação, além de técnicas de construção e insta-
lações prediais admissíveis.
Grande parte dos ambientes construídos atuais ad-
vém de projetos nos quais as normas eram mínimas; 
isto é, a maioria dos projetos de edificações segue os 
padrões mínimos permitidos pelo código de obras 
ou edificações aplicável para obter as autorizações 
necessárias e receber uma licença de ocupação por 
parte dos oficiais locais. As decisões de projeto ge-
ralmente são ditadas por simples cálculos de custos 
iniciais e cronogramas de projeto.
Os códigos de edificações sustentáveis represen-
tam uma mudança de paradigma fundamental, afas-
tando-se dos padrões de projeto mínimos aceitáveis e 
das normas de construção com o menor denominador 
comum. As políticas de construção sustentável são 
deferenciados. Em vez de projetar de acordo com os 
padrões mínimos dos códigos, elas fomentam – e, em 
muitos casos, obrigam – o uso de materiais e da ener-
gia de alto desempenho. A fim de avaliar a viabilidade 
e as implicações financeiras de tais políticas, deve-
mos nos voltar para o melhor precedente em termos 
de legislações para a construção sustentável – que se 
encontra em São Francisco, no Estado da Califórnia.
A legislação de São Francisco
Em 04 de agosto de 2008, Gavin Newson, o prefei-
to de São Francisco, assinou aquela que talvez te-
nha sido a legislação de construção sustentável (Lei 
No. 180-08) mais abrangente já adotada por qual-
quer governo nos Estados Unidos.9 Trata-se de uma 
legislação abrangente e agressiva, que define metas 
quantificáveis para a construção de edificações sus-
tentáveis, com níveis de exigência que crescem com 
o passar do tempo; ela se aplica a todas as novas edi-
ficações comerciais e habitacionais licenciadas, bem 
como a reformas grandes em edificações comerciais. 
A legislação da edificação sustentável representa os 
esforços conjuntos do gabinete do prefeito e das se-
cretarias municipais de planejamento urbano e fisca-
lização de obras, junto com arquitetos e engenhei-
ros de renome e líderes dos setores imobiliários e da 
construção civil.
São Francisco pode ter sido a primeira cidade 
dos Estados Unidos a ir tão longe, mas certamente 
não será a última. As prefeituras de todo o país es-
A LEGISLAÇÃO DA EDIFICAÇÃO SUSTENTÁVEL DE SÃO FRANCISCO
A política de construção sustentável da cidade de São Francisco exige 
que todos os edifícios de escritórios comerciais recém construídos com 
mais de 465 m² (5 mil pés quadrados) de área bruta, bem como todas 
as reformas ou adaptações grandes em edificações com 2.323 m² (25 
mil pés quadrados) de área bruta, obtenham uma Certificação LEED 
básica junto ao USGBC; gradualmente, o nível de certificação exigida 
será mais elevado (Gold) até 2012. Essa política também se aplicará 
a todos os tipos e tamanhos de edificações habitacionais, embora 
projetos de pequeno porte não precisem seguir o sistema LEED. Em 
vez disso, será solicitado um sistema alternativo para habitações, 
conhecido como GreenPoint Rated.10 Esse sistema foi criado para o 
projeto, a construção e a reforma de habitações uni e multifamiliares 
pequenas, e se baseia principalmente em medições em campo e nadocumentação mais adequada para tal tipo de edificação.
9 San Francisco Green Building Ordinance (Ord. No. 180-08, apro-
vada em 04 de setembro de 2008). Disponível para download em 
http://www.sfenvironment.org/downloads/library/sf_green_buil-
ding_ordinance_2008.pdf.
10 “Introducing GreenPoint Rated: Your Assurance of a Better Place 
to Live”, http://www.builditgreen.org/greenpoint-rated.
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Capítulo 4 O Surgimento da Edificação e da Legislação Sustentáveis 55
tão adotando políticas e legislações de edificação 
sustentável, elaborando planos para a obtenção de 
licenças, comprometendo-se a reduzir as emissões 
de carbono e se esforçando para diminuir a produ-
ção de resíduos (Figura 4-9). A fim de entender o 
movimento da construção sustentável, é necessário 
examiná-lo considerando o desenvolvimento de 
políticas energéticas federais ao longo dos últimos 
50 anos, e revisando, também, os eventos que cul-
minaram na criação do Departamento de Energia 
dos Estados Unidos, com suas pesquisas e agências 
eficientes. No processo, descobriremos como o ter-
mo edificações sustentáveis passou a se referir às 
edificações superiores às convencionais em termos 
tanto de projeto como de construção. Também vale 
a pena observar que as legislações de construção 
ou edificação sustentável terão mais sucesso quan-
do os princípios de planejamento dos municípios 
começarem a encorajar o projeto de comunidades 
voltadas para os pedestres, onde se pode caminhar 
e com maior densidade, em vez de conurbações de 
baixa densidade.
A situação atual
A Energy Policy Act of 2005 (Lei de Políticas Energé-
ticas de 2005) é a primeira lei dos Estados Unidos a 
apresentar as edificações de alto desempenho como 
uma maneira de reduzir o consumo de energia do 
país. Ela também reconhece as mudanças climáticas 
globais como um fato, isto é, algo que precisa ser abor-
dado pelas políticas energéticas dos Estados Unidos. 
A Energy Independence and Security Act of 2007 (Lei 
de Independência e Segurança Energética de 2007) 
associa a redução do consumo de energia das edifica-
ções à necessidade de diminuir a dependência do país 
em relação aos combustíveis fósseis importados. Essas 
duas leis federais, o Decreto-Lei 13423, Strengthening 
Federal Environmental, Energy and Transportation Ma-
nagement (Fortalecendo a Gestão Federal do Meio 
Ambiente, da Energia e do Transporte), sancionado 
pelo Presidente George W. Bush, e o 2007 Federal 
Leadership in High Performance and Sustainable Buil-
dings Memorandum of Understanding (Memorando de 
Compreensão da Liderança Federal para Edificações 
Sustentáveis e de Alto Desempenho de 2007), são fun-
COMPARAÇÃO DAS LEGISLAÇÕES NACIONAIS DE EDIFICAÇÃO SUSTENTÁVEL
EXIGÊNCIAS COMERCIAIS E HABITACIONAIS (lista parcial)
Todas as cidades desta lista exigem a certificação LEED dentro do município.
As informações refletem os padrões e as exigências para edificações comerciais e habitacionais privadas.
*Exigência do LEED gradual: Certificação de 2008 a 2012 (Gold)
**Green Points Rating Score gradual: de 25 em 2009 a 75 em 2012
CIDADE
São Francisco
Austin
Boston
Chicago
Nova York
Pasadena
Pleasanton
Portland
Seattle
Washington DC
EDIFICAÇÕES COMERCIAIS
SIM, 2.323 m²*
NÃO
Incentivos para as instalações
SIM, 4.646 m²
Certificação LEED 2007
NÃO
NÃO
Incentivos fiscais
SIM, 2.323 m²
Sem certificação LEED
SIM, 1.858 m²
Sem certificação LEED
NÃO
Créditos fiscais estaduais
NÃO
Bônus de zoneamento
SIM, 4.646 m²
Certificação LEED 2012
EDIFICAÇÕES HABITACIONAIS
SIM, TODAS**
NÃO
NÃO
NÃO
NÃO
SIM, 4 pavimentos ou mais
sem certificação LEED
SIM, 185 m² ou mais
Condado de Alameda 
NÃO
NÃO
NÃO
ALTERAÇÃO
SIM
NÃO
NÃO
NÃO
NÃO
NÃO
NÃO
NÃO
NÃO
NÃO
Figura 4-9 Resumo das exigências 
comerciais e habitacionais de várias 
cidades dos Estados Unidos, feito 
em junho de 2007 (lista parcial). Nos 
Estados Unidos e no Canadá, muitas 
prefeituras aprovaram algum tipo de 
legislação ou incentivo relacionado à 
edificação sustentável.
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56 Fundamentos de Projeto de Edificações Sustentáveis
damentais para definir as prioridades de sustentabili-
dade na política e na economia federais.
Essencialmente, a crise climática mundial gira em 
torno das características das tecnologias energéticas 
e da conservação de energia, e, assim como a crise 
energética da década de 1970, desencadeia um mo-
vimento que preza a sustentabilidade. Hoje em dia, o 
mesmo desejo de conservar e maximizar nosso abas-
tecimento de energia, bem como de buscar tecnolo-
gias energéticas novas e mais limpas, está encorajan-
do os construtores a redescobrir soluções naturais, 
passivas, elegantes e historicamente comprovadas 
para projetar edificações com consumo eficiente de 
energia. No entanto, esse ímpeto difere um pouco do 
movimento da construção sustentável que marcou a 
década de 1970. Conforme discutimos no início deste 
capítulo, os primeiros experimentos em termos de ha-
bitações sustentáveis foram considerados um ideal da 
contracultura. Em contrapartida, as edificações sus-
tentáveis modernas construídas nos Estados Unidos 
advêm principalmente de um único motivador – os 
incentivos financeiros.
No ano 2000, o Estado de Nova York aprovou 
o Green Building Tax Credit Program (Programa de 
Crédito Fiscal para as Edificações Sustentáveis), ofe-
recendo incentivos de até dois milhões de dólares 
por edificação, que podem ser aplicados a seguros 
empresariais, seguros pessoais ou impostos bancá-
rios empresariais. A lei exigia que os proprietários 
e os inquilinos das edificações trabalhassem lado a 
lado com a equipe de projeto durante o projeto e a 
construção, de forma a garantir a eficácia do consu-
mo de energia eficiente e da qualidade do ar interno, 
além de reduzir os diferentes impactos ambientais 
exercidos pelas edificações comerciais e habitacio-
nais do estado. Esse programa oferece seis possíveis 
componentes para os proprietários e/ou inquilinos, 
desde ampliações no prédio ou em partes dele até a 
inserção de células de combustível e sistemas foto-
voltaicos, com um fundo original de 25 milhões de 
dólares. Em seu formato original, a legislação auto-
rizava os candidatos a solicitar uma certificação de 
direito ao crédito em 2001-2004, para então utilizá-
-los ao longo de cinco anos.11
Pela primeira vez nos Estados Unidos, o projeto 
de edificações sustentáveis pôde oferecer benefícios 
financeiros tangíveis para a construção comercial 
em grande escala. Imediatamente, os investidores 
sensatos que buscavam benefícios fiscais tiraram 
proveito dos incentivos. Em pouco tempo, eles des-
cobriram que os custos acrescidos e os honorários 
profissionais dos projetistas das edificações susten-
táveis eram mais do que compensados pelos incen-
tivos oferecidos; além disso, com o passar do tem-
po, as edificações sustentáveis propriamente ditas 
valorizavam o projeto. Os investidores e as equipes 
de projeto do edifício de escritórios Hearst Tower 
e do prédio habitacional The Solaire, ambos em 
Nova York, usaram os benefícios fiscais para pagar 
os sistemas sustentáveis das duas edificações (veja o 
resumo dos projetos dessas edificações no Apêndi-
ce A). O projeto de alto desempenho transformou a 
sustentabilidade em um bom negócio – talvez não 
tão nobre quanto o movimento sustentável altruísta 
da década de 1970, mas, ainda assim, uma jogada 
muito inteligente que demonstra que a maioria dos 
investidores comerciais não apenas aceita, mas quer 
os sistemas de certificação de edificações sustentá-
veis que podem comprovar seu comprometimento 
em termos quantitativos.
A história das políticas energéticas 
dos Estados Unidos
Não é surpresa constatar que a energia, em todas as 
suas formas e ramificações políticas, povoa o imagi-
nário de nossos líderes e de parte do governo desde 
a corrida pelo desenvolvimento de armas nucleares 
durantea Segunda Guerra Mundial. Foi esta a origem 
do Departamento de Energia dos Estados Unidos (Fi-
guras 4-10 e 4-11). Além disso, desde 11 de setembro 
de 2001, a questão da segurança energética do país 
tem sido privilegiada pelas políticas federais. Em ter-
mos de segurança nacional, não se pode subestimar 
a geração, o consumo e a proteção da energia, bem 
como seu uso como uma arma e os métodos de con-
trole. Além disso, isso ajuda a explicar o sucesso do 
A LEI NORTE-AMERICANA DE RECUPERAÇÃO E 
REINVESTIMENTO DE 2009
O pacote de estímulo econômico que o então presidente eleito 
Barack Obama solicitou junto ao 111º Congresso em 06 de dezem-
bro de 2008, na proposta de lei apresentada ao Congresso dos Es-
tados Unidos, lista (na data de sua publicação) aproximadamente 
850 bilhões de dólares para as três categorias básicas de estímulo: 
benefícios fiscais para as despesas com ensino superior da classe 
média; reembolso de despesas médicas; e auxílio direto para os 
estados em termos de infraestrutura, eficiência energética e trei-
namento de empregos no setor da sustentabilidade. Fazendo re-
ferência a muitas propostas de lei e políticas federais, incluindo a 
Energy Independence and Security Act of 2007 e Energy Policy Act 
of 2005, foram propostos programas de financiamento específicos, 
que incluem: 18,5 bilhões de dólares para “Eficiência Energética e 
Energias Renováveis”, 6,2 bilhões para “Assistência à Proteção Cli-
mática” e 3,4 bilhões para “Programas Estaduais de Energia”.
11 Visão Geral da Lei de Créditos Fiscais para Edificações Sustentáveis 
do Estado de Nova York [New York State Green Building Tax Credit 
Legislation Overview], http://www.dec.ny.gov/energy/1540.html
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Capítulo 4 O Surgimento da Edificação e da Legislação Sustentáveis 57
movimento de construção sustentável atual. Depois 
da Segunda Guerra Mundial, discutiu-se muito quem 
deveria ter o controle das tecnologias de energia atô-
mica, se uma agência civil ou militar. Até então, tais 
tecnologias se concentravam na infraestrutura enorme 
e extremamente misteriosa do Projeto Manhattan, que 
tinha inúmeros laboratórios de pesquisa e uma folha 
de pagamento cheia de líderes mundiais renomados – 
todos envolvidos na pesquisa atômica.
O sistema do Laboratório Nacional dos Estados Uni-
dos é fruto da infraestrutura do Projeto Manhattan, en-
quanto a Comissão de Energia Atômica (Atomic Energy 
Commission) foi submetida à administração civil, e não 
militar. Em 1974, a Comissão de Energia Atômica pas-
sou por um processo de reorganização: as normas refe-
rentes à energia atômica ficaram a cargo da Comissão 
de Regulamentação Nuclear; enquanto o recém criado 
Departamento de Energia ficou responsável pela pes-
quisa e pelo desenvolvimento em energia.
O Programa Energy Star: a energia e as edificações
O Energy Star é um programa conjunto da Agência de Proteção Am-
biental dos Estados Unidos (EPA) e do Departamento de Energia dos 
Estados Unidos... [que visa] proteger o meio ambiente por meio de 
produtos e práticas para o consumo eficiente de energia... Em 2007, 
com a ajuda do Energy Star, os consumidores norte-americanos eco-
nomizaram energia suficiente para evitar as emissões de gases de 
efeito estufa que equivalem às de 27 milhões de automóveis – tudo 
isso, economizando 16 bilhões de dólares em... contas de luz.
— Site do programa Energy Star, http://www.energystar.gov/index.
cfm?c=about.ab_index
O Programa Energy Star é, provavelmente, a fer-
ramenta de desempenho energético mais conheci-
da nos Estados Unidos. Ele oferece ao consumidor 
guias de como comprar eletrodomésticos e outros 
equipamentos elétricos. Os proprietários e investi-
dores de edificações, assim como outros profissio-
nais da indústria, valorizam o nome e as ferramentas 
de controle de desempenho energético, o estabele-
cimento de metas, o monitoramento e os relatórios 
de economia e avaliação fornecidos pela EPA. Os 
materiais da EPA fazem parte de um sistema inova-
dor de certificação de desempenho energético, que 
já foi usado em mais de 62 mil edificações comer-
ciais nos Estados Unidos. A agência também conce-
de a certificação do Energy Star para as edificações 
de alto desempenho. Para credenciar ainda mais 
Figura 4-10 O apoio federal às 
inovações relacionadas à energia fica 
evidente em eventos educacionais, 
como o Decatlo Solar. A equipe da 
Universidade Técnica Darmstadt foi 
uma das sete a alcançar a perfeição 
de 100 pontos no concurso de Equi-
líbrio Energético durante o Decatlo 
Solar de 2007, patrocinado pelo De-
partamento de Energia dos Estados 
Unidos. O termo “equilíbrio energéti-
co” se refere ao equilíbrio entre as en-
tradas e as saídas de energia, ou seja, 
a energia consumida líquida zero.
Áreas de pesquisa financiadas pelo governo federal dos EUA
Fonte: Departamento de Energia dos Estados Unidos
Eficiência energética
Edificações
ENERGY STAR
Financiamento
Habitações
Indústria
Usinas de energia elétrica
Atividades estaduais
Transporte
Proteção climática
Fonte de Energia
Biomassa
Carvão mineral
Energia Elétrica
Combustíveis fósseis
Fusão
Geotermia
Hidrogênio
Energia hidráulica
Gás Natural
Energia nuclear
Petróleo
Energias renováveis
Energia solar
Energia eólica
Ciências biológicas
Sequestro de carbono
Ciências químicas
Mudanças climáticas
Informática
Ciências energéticas
Ciências ambientais
Fusão nuclear
Pesquisas sobre o genoma
Geociência
Subsídios e contratos
Física de alta energia
Recursos de informação
Ciências da vida
Ciências dos materiais
Nanotecnologia
Laboratórios nacionais
Medicina nuclear
Física nuclear
National Science Bowl®
Ensino e educação
Desenvolvimento da força de trabalho
Figura 4-11 Lista parcial das áreas de pesquisa em energia financia-
das pelo governo federal dos Estados Unidos.
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58 Fundamentos de Projeto de Edificações Sustentáveis
os dois programas, o LEED usa o Energy Star como 
padrão de desempenho energético em seu “siste-
ma de gestão unificada”; dessa forma, ele avalia e 
classifica o desempenho energético de edificações 
preexistentes em uma certificação de desempenho 
comparado em percentis.
A lei de conservação de energia em 
edificações preexistentes de 1976
Em resposta à crise energética, o Congresso dos Esta-
dos Unidos encorajou os estados a desenvolver pla-
nos de conservação de energia para as edificações 
preexistentes.
A Energy Policy Act of 1992 (Lei de Políticas Ener-
géticas de 1992) estabeleceu padrões nacionais de 
sustentabilidade, como aqueles que definiram os limi-
tes aceitáveis para aparelhos hidrossanitários de baixa 
vazão e baixa descarga, incluindo bacias sanitárias, 
bacias sanitárias com descarga dupla, lavatórios (tor-
neiras), pias de cozinha e duchas. Com isso, a indús-
tria de aparelhos hidrossanitários passou a atender 
a exigências de desempenho uniformes, objetivas e 
mensuráveis em termos de consumo de água permis-
sível. Da mesma forma, o setor privado influenciou 
o National Institute of Building Sciences (Instituto 
Nacional de Ciências da Edificação), uma agência 
de padronização de alto desempenho, a promover 
o consenso e a encorajar a liberdade em relação à 
burocracia. Como resultado, os primeiros sistemas de 
certificação de edificações sustentáveis se desenvol-
veram muito após se livrarem dos principais interes-
sados na indústria da construção – isto é, aqueles que 
queriam apenas manter o status quo.
Decreto-lei 13123: como tornar o governo sustentável 
por meio da gestão eficiente de energia
O decreto-lei 13123 inaugurou uma nova era no de-
senvolvimento de políticas energéticas. Sancionada 
pelo Presidente Bill Clinton em junho de 1999, essa 
lei exigiu que o governo federal se tornasse susten-
tável em muitas áreas, como a promoção do consu-
mo eficiente de energia por meio da liderança, as 
metas de redução das emissões de gases de efeito 
estufa, as metas para o aprimoramentodo consumo 
eficiente de energia e as energias renováveis, entre 
outras.
A Política Energética Nacional de 2001
A 2001 National Energy Policy (Política Energética 
Nacional de 2001)12 faz uma breve menção ao pro-
grama Energy Star, mostra uma habitação com con-
sumo líquido de energia zero e inclui a imagem de 
uma instalação fotovoltaica integrada no Edifício 
Condé Nast, que fica na Four Times Square, na cida-
de de Nova York. Ela também trata das características 
da energia renovável que podem ser aproveitadas nas 
edificações e afirma que o projeto integrado é uma 
maneira de obter a conservação de energia e a efi-
ciência energética.
Além de apresentar as medidas climáticas ado-
tadas pelo governo dos Estados Unidos, a Lei de Po-
líticas Energéticas de 200513 foi a primeira lei dos 
Estados Unidos a apresentar as edificações de alto 
desempenho como uma maneira de reduzir o con-
sumo de energia do país. Ela também reconhece as 
mudanças climáticas globais como um fato, isto é, 
algo que precisa ser abordado pelas políticas ener-
géticas dos Estados Unidos. A Energy Independence 
and Security Act of 2007 (Lei de Independência e Se-
gurança Energética de 2007) associa a redução do 
consumo de energia pelas edificações à necessidade 
de diminuir a dependência do país em relação aos 
combustíveis fósseis estrangeiros. A Lei de Políticas 
Energéticas de 2005 definiu o termo “edificações de 
alto desempenho” e, junto ao Instituto Nacional de 
Ciências da Edificação, uma agência responsável 
pela revisão de políticas e normas, criou um progra-
ma voltado para elas.
O Instituto Nacional de Ciências da Edificação 
foi criado pelo Congresso dos Estados Unidos por 
meio da Housing and Community Development Act 
of 1974 (Lei para o Desenvolvimento de Habitações 
e Comunidades de 1974). Sua missão original era 
“aprimorar o ambiente construído regulamentado; fa-
cilitar a introdução de produtos e tecnologias novos 
e preexistentes no processo de construção; e dissemi-
nar as informações técnicas e normativas de alcance 
nacional”.14
O Departamento de Energia dos 
Estados Unidos atualmente
Diferentemente da deusa Atena, o Departamento de 
Energia dos Estados Unidos (DOE) não saiu já pronto 
da cabeça de Zeus. Pelo contrário: ele é o produto 
de uma série de agências (todas com nomes diferen-
tes; veja o quadro a seguir) que eram responsáveis por 
supervisionar vários interesses energéticos e controlar 
inúmeras funções relacionadas à energia. Atualmente, 
o DOE está “comprometido a reduzir a dependência 
dos Estados Unidos em relação ao petróleo importado 
e a desenvolver tecnologias de eficiência energética 
12 Para saber mais sobre a Política de Energia Nacional de 2001 
[2001 National Energy Policy], consulte o seguinte resumo em: 
http://www.whitehouse.gov/energy/Overview.pdf.
13 Para saber mais sobre a Lei de Políticas Energéticas de 2005 [Ener-
gy Policy Act of 2005] (EPACT 2005), consulte o resumo feito pelo 
Departamento de Energia dos Estados Unidos: http://www.energy.
gov/about/EPAct.htm.
14 Missão do Instituto Nacional de Ciências da Edificação [Na-
tional Institute of Building Sciences]: http://www.nibs.org/abou-
tnibs.html.
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Capítulo 4 O Surgimento da Edificação e da Legislação Sustentáveis 59
para edificações, habitações, meios de transporte, sis-
temas de energia e indústrias”.15
Uma das agências subordinadas ao DOE é a EERE – 
Office of Energy Efficiency and Renewable Energy 
(Agência de Eficiência Energética e Energia Renová-
vel), cuja missão consiste em “fortalecer a segurança 
energética, a qualidade ambiental e a viabilidade eco-
nômica dos Estados Unidos por meio de parcerias pú-
blico-privadas que: aumentem a eficiência energética 
e a produtividade; coloquem tecnologias energéticas 
limpas, confiáveis e viáveis no mercado; e façam a di-
ferença no dia a dia dos norte-americanos, amplian-
do suas escolhas em termos de energia e melhoran-
do sua qualidade de vida”.16 A EERE traz benefícios 
diretos para as edificações sustentáveis e apoia o seu 
desenvolvimento por meio das ramificações de seus 
programas de pesquisa em sustentabilidade, isto é, 
as agências de Biomassa, Tecnologias da Construção, 
Programa Federal de Gestão de Energia, Tecnologias 
Geotérmicas, Hidrogênio, Células Combustíveis e 
Tecnologias de Infraestrutura, Tecnologias de Energia 
Solar, Energia Eólica Intergovernamental e Tecnologias 
de Energia Hidráulica, entre outras. Com esse nível de 
comprometimento governamental e a adoção prevista 
de políticas energéticas mais agressivas e mais fortes, 
logo teremos movimentos que defenderão o projeto e 
a construção integrados de edificações.
O caminho até o projeto sustentável
Até pouco tempo, era preciso defender o projeto sus-
tentável e explicar o que significa a sigla LEED e qual 
é a sua importância. Atualmente, os desafios da edi-
ficação sustentável estão em áreas mais complicadas 
da política – o licenciamento e a elaboração de políti-
cas – e na concorrência entre aqueles que desejam ser 
“o mais sustentável”.
As exigências da edificação sustentável estão se 
popularizando rapidamente em todos os municípios 
dos Estados Unidos e do mundo. Elas assumem di-
ferentes formas, incluindo incentivos de planejamen-
to, que permitem uma maior densidade, e incentivos 
financeiros para encorajar as práticas da edificação 
sustentável. Nos Estados Unidos, alguns governos mu-
nicipais estão criando anexos para os códigos locais, 
com a finalidade de adotar leis abrangentes sobre a 
edificação sustentável ou de exigir o LEED para todas 
as edificações comerciais e habitacionais. O compro-
metimento em nível estadual ficou evidente na Cali-
fórnia, onde a California Energy Commission e a Cali-
fornia Public Utilities Commission adotaram as metas 
do 2030 Challenge (Desafio 2030).17
Na primeira rodada, várias leis estaduais foram 
propostas: a AB 2030 e a AB 2119 propõem que, até 
2030, todas as novas edificações comerciais e habi-
tacionais feitas no Estado da Califórnia sejam pro-
jetadas como edificações com consumo líquido de 
energia zero. Para orientar os clientes e as equipes de 
projeto em relação às novas complexidades e con-
flitos que emergirão à medida que testemunhamos 
tantas mudanças favoráveis à edificação sustentável, 
os futuros arquitetos, projetistas e construtores preci-
sarão encarar essas leis e seus frutos como parte do 
projeto.
O USGBC afirma que, atualmente, mais de 1.200 
edificações em todo o mundo têm a certificação 
LEED (e que outras 8.500 estão tentando obtê-la) (Fi-
gura 4-12).
Em seu formato atual, o sistema de certificação 
LEED é composto por uma série de sistemas de cer-
tificação de edificações sustentáveis. Ele divide as 
tecnologias de edificação sustentável em cinco cate-
gorias de crédito básicas e quantificáveis; para cada 
crédito recebido, a equipe de projeto ganha um ponto 
e sua edificação chega mais perto da sustentabilida-
de. (Para saber mais sobre os sistemas de certificação, 
consulte o Capítulo 18.) Do ponto de vista ambiental, 
o aprimoramento da sustentabilidade faz com que as 
edificações sejam “menos ruins” do que edificações 
comparáveis sem a certificação LEED, ou aquilo que, 
de resto, seria um projeto em conformidade com o 
código – geralmente, conhecido como projeto de cus-
to inicial mínimo.
AS PRINCIPAIS DATAS NO DESENVOLVIMENTO DAS 
POLÍTICAS ENERGÉTICAS
1973: Agência de Políticas Energéticas (Energy Policy Office) e 
Agência Federal de Energia (Federal Energy Office) (Administração 
Nixon).
1974: Administração Federal de Energia (Federal Energy Adminis-
tration).
1974: A Comissão de Energia Atômica (Atomic Energy Commission) 
(AEC) encerra suas atividades; são fundados a Administração de 
Pesquisa e Desenvolvimento de Energia (Energy Research and 
Development Administration), a Comissão para Regulamentação 
da Energia Nuclear (Nuclear Regulatory Commission) e o Conselho 
de Recursos Energéticos (Energy ResourcesCouncil).
1975: É fundada a Administração de Pesquisa e Desenvolvimento 
de Energia (Energy Research and Development Administration), 
que passa a controlar a AEC.
1977: A Administração Federal de Energia (Federal Energy 
Administration) e a Administração de Pesquisa e Desenvolvimento 
de Energia (Energy Research and Development Administration) en-
cerram suas atividades; é fundado o Departamento de Energia.
15 Departamento de Energia dos Estados Unidos, http://www.ener-
gy.gov/energyefficiency/index.htm.
16 Agência de Eficiência Energética e Energia Renovável do Depar-
tamento de Energia dos Estados Unidos [Office of Energy Efficiency 
and Renewable Energy], http://www.eere.energy.gov/. 17 Architecture 2030, http://www.architecture2030.com.
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60 Fundamentos de Projeto de Edificações Sustentáveis
A transformação do mercado da edificação sus-
tentável começou a ganhar ímpeto no final de 2006, 
quando grandes investidores, como Tishman Speyer, 
Beacon Capitol, AMB e Shorenstein, deram início a 
novas edificações nas costas leste e oeste dos Estados 
Unidos. Esses investidores foram motivados por incen-
tivos fiscais, como aqueles oferecidos pelo Estado de 
Nova York18 e pelo San Francisco’s Priority Gold Per-
mitting Process19. Os benefícios tangíveis associados à 
qualidade do ar interno e aos custos operacionais são 
fundamentais para manter uma vantagem no merca-
do, já que, desde 2008, os grandes usuários vêm per-
guntando se as edificações que os interessam têm cer-
tificação LEED. As edificações com certificação LEED 
são muito mais eficazes em termos de conservação 
dos recursos naturais e maximização da eficiência; 
consequentemente, elas são capazes de reduzir sua 
pegada ecológica total – embora não deixem de tê-la. 
Muitos Arquitetos, como Bill McDonough, acreditam 
que, mesmo após obter certificações LEED de alto ní-
vel (Gold ou Platinum), as edificações permanecem na 
esfera das “menos ruins”. Ainda assim, as edificações 
“menos ruins” são muito melhores do que as edifica-
ções convencionais que seguem os padrões mínimos 
estabelecidos; por essa razão, todos os indivíduos que 
possuem, administram, alugam ou trabalham em edi-
ficações com certificação LEED têm todo o direito de 
se gabar. Contudo, as tecnologias consideradas mo-
dernas e de última geração, que hoje são merecedoras 
de elogios, tendem a se tornar convencionais muito 
rapidamente, bem como mais baratas.
É possível fazer o mesmo com o sistema de certifica-
ção LEED, direcionando-o para a aceitação e o uso ge-
neralizados. Atualmente, nos Estados Unidos, consulto-
res de edificações sustentáveis estão pedindo a ajuda de 
investidores, advogados de direito imobiliário, proprie-
tários de edificações e corretores de imóveis para fazer 
com que seus projetos e as edificações de seu portfólio 
recebam a certificação LEED (Figura 4-13).
Às vezes, porém, a adoção de novas tecnologias 
pela indústria é dificultada pelo sucesso das próprias 
tecnologias. Por exemplo, o Código de Edificações e 
o Código de Energia do Estado da Califórnia (Título 
24) são atualizados a cada três anos. Isso significa que, 
com o passar de cada ciclo, o estado aprimora os có-
digos mínimos para edificações aceitáveis em termos 
de construção e desempenho energético, alterando, 
consequentemente, a definição daquilo que consti-
tui uma edificação “menos ruim”. Assim, o Estado da 
Califórnia continua a elevar o nível de exigência para 
as eficiências aceitáveis das edificações, enquanto os 
empreendimentos associados à construção sustentá-
vel, impulsionados pelo desejo comercial do mercado 
imobiliário de sempre “superar” a concorrência, an-
dam muito mais rápido do que o empenho legal tan-
to dos códigos das edificações sustentáveis como das 
práticas de construção obrigatórias. Significativamente 
influenciada pela aprovação da Proposta de Lei 32 (Lei 
da Califórnia para Soluções de Aquecimento Global 
de 2006), a Comissão de Energia do Estado da Califór-
nia criou, no início de 2008, o 2007 Integrated Energy 
PRODUTOS COM REGISTRO LEED
88
Varejo
436
Escolas
305
Condomínios
habitacionais
1.848
Núcleo e
vedações
externas
1.928
Edificações
pré-existentes
1.497
Interiores
comerciais
8.288
Construções
novas
Figura 4-12 Ilustração das edifica-
ções com registro LEED nos Estados 
Unidos, em junho de 2008. Fonte: 
U.S. Green Building Council.
18 Departamento de Conservação Ambiental do Estado de Nova 
York, Visão Geral da Legislação de Crédito Fiscal para as Edifica-
ções Sustentáveis no Estado de Nova York, http://www.dec.ny.gov/
energy/1540.html.
19 San Francisco Planning Department, Revisions to Director’s 
Bulletin 2006-02, referente aos motivos que levaram o Departa-
mento de Planejamento a priorizar as solicitações de John Rahaim, 
Diretor de Planejamento da Comissão de Planejamento de São 
Francisco, em 30 de outubro de 2008.
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Capítulo 4 O Surgimento da Edificação e da Legislação Sustentáveis 61
Policy Report – IEPR (Relatório de Políticas Energéti-
cas Integradas de 2007), que prioriza as políticas que 
possibilitam que o estado atenda às suas necessidades 
energéticas em um mundo dependente do carbono20, 
adotando muitas das metas do Architecture 2030. No 
outono de 2007 (hemisfério norte), o estado incorpo-
rou o primeiro conjunto de emendas visando à cons-
trução sustentável ao seu código de edificações.21 Em 
julho de 2008, a Califórnia se tornou o primeiro estado 
dos Estados Unidos a integrar padrões de construção 
sustentável ao seu código de edificações.22 Em dezem-
bro do mesmo ano, a assembleia do estado aprovou 
o Climate Change Proposed Scope Plan (Plano de 
Escopo Proposto para as Mudanças Climáticas), defi-
nindo quais estratégias serão usadas para reduzir as 
emissões dos gases de efeito estufa responsáveis pelas 
mudanças climáticas. À medida que os códigos esta-
duais e as políticas energéticas se aproximam da meta 
da construção sustentável, as definições de edificação 
sustentável e edificação licenciada se fundirão, fazen-
do com que seja impossível construir uma edificação 
não sustentável em conformidade com as normas. 
A caracterização das edificações sustentáveis como 
“menos ruins” passará a ser um conceito secundário, 
substituído pela definição de “edificação e projeto 
sustentáveis”. Em outras palavras, já que a construção 
sustentável consiste em construir edificações “menos 
ruins”, o objetivo por trás do projeto sustentável será 
fazer “boas” edificações. A tendência resultante é que 
o projeto sustentável acarrete na substituição da meta 
simplista de custo-benefício dos componentes da edi-
ficação por uma definição mais ampla de ambiente 
construído, que integrará os princípios das sustentabi-
lidades econômica, social e ecológica.
O projeto e a construção sustentáveis (que geram 
edificações saudáveis e vivas) promovem e utilizam 
sistemas com pegadas ecológicas entre mínimas e 
nulas. Esses sistemas são capazes de limpar a água 
consumida e de produzir energia, além de promover 
vários outros conceitos de projeto integrado. Além 
disso, o projeto e a construção sustentáveis represen-
tam uma mudança fundamental em termos de pensa-
mento, contrapondo-se à corrente que acredita que 
as tecnologias tradicionais costumam funcionar natu-
ralmente; ele altera fundamentalmente as premissas 
referentes à construção de edificações por meio dos 
processos convencionais nos quais se buscam os me-
nores custos iniciais, favorecendo o projeto e a execu-
ção de projeto integrados.23 Com o projeto sustentá-
vel, as edificações vão além do sistema de avaliação 
para certificação e transformam o projeto integrado 
em uma exigência essencial. A junção dos sistemas 
mais eficazes e com menos impacto e de sistemas re-
generativos, como componentes solares e turbinas eó-
licas integrados à edificação, começa a fazer sentido 
à luz das diferenças climáticasregionais.
Na verdade, a construção sustentável atual está 
elevando os padrões em termos tanto de cuidado 
como de desempenho; porém, com poucas exceções, 
ela ainda tem de evoluir para chegar à sustentabilida-
de verdadeira. O objetivo é converter a construção e 
a operação das edificações em uma arquitetura neutra 
em carbono; desenvolver a capacidade de produzir 
no mínimo a energia que será consumida; limpar e 
fornecer a água potável que será consumida; oferecer 
ambientes saudáveis, seguros e não tóxicos para seus 
PRODUTOS COM CERTIFICAÇÃO PELO LEED
309
Interiores
comerciais
1.240
Construções
novas
10
Varejo
96
Núcleo e vedações
externas98
Edificações
pré-existentes
Figura 4-13 Ilustração das edi-
ficações com certificação LEED 
nos Estados Unidos, em junho 
de 2008. Fonte: U.S. Green Buil-
ding Council.
23 American Institute of Architects and Associated General Contractors 
of America, Primer on Project Delivery, October 15, 2004.
20 California Energy Commission, 2007 Integrated Energy Policy 
Report? (adotada em 05 de dezembro de 2007), http://www.energy.
ca.gov/2007_energypolicy/index.html.
21 California Building Standards Commission, Green Building 
Standards, adotada pela California Building Standards Commis-
sion em 17 de julho de 2008, com as emendas puclibadas no 2007 
California Green Building Standards Code, CCR, Title 24, Part 11, 
http://www.bsc.ca.gov/prpsd_stds/default.htm.
22 O código definitivo foi adotado em 17 de julho de 2008.
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62 Fundamentos de Projeto de Edificações Sustentáveis
usuários; e, ao mesmo tempo, fazer com que o proje-
to e as operações tenham um consumo líquido zero 
de energia.
O que é neutro em carbono?
O termo “neutro em carbono” é como o nirvana 
da sustentabilidade. Trata-se da análise completa 
de toda a energia incorporada à produção de um 
objeto (ou edificação, no caso), incluindo o uso e 
a reciclagem de tal produto para que ele possa ser 
reaproveitado em vez de virar lixo. No momento, 
a natureza dessa metodologia está sendo discutida 
pelas comunidades científicas e da construção sus-
tentável.
Edificações com consumo zero de energia
O primeiro passo na direção da neutralidade em car-
bono é conhecido como edificação com consumo 
zero de energia. Se a legislação proposta for aceita 
na Califórnia, o estado exigirá que todas as novas 
edificações habitacionais atinjam o consumo zero de 
energia até 2020, e todas as edificações comerciais, 
até 2030. Esta é a primeira lei que tenta alinhar as 
metas das políticas energéticas conjuntas da Comis-
são de Serviços Públicos da Califórnia e da Comissão 
de Energia da Califórnia com a legislação.24
Em resumo, as edificações habitacionais ou co-
merciais com consumo líquido zero de energia são 
aquelas que apresentam necessidades energéticas 
significativamente reduzidas por meio dos ganhos 
em eficiência, permitindo que o equilíbrio das ne-
cessidades energéticas seja suprido pelas tecnolo-
gias renováveis.25 O National Renewable Energy 
Laboratory (Laboratório Nacional de Energias Reno-
váveis) já publicou quatro definições do que seriam 
prédios com consumo zero de energia; no entanto, 
a legislação proposta pelo Estado da Califórnia – em 
seu formato atual – utiliza a definição da Comissão 
de Energia local: “edificações que implementam 
conjuntos de características do projeto com consu-
mo eficiente de energia e geração de energia limpa 
e distribuída in loco, resultando em consumo zero 
das redes públicas de eletricidade ou gás”. Efeti-
vamente, cada edificação teria de produzir in loco 
toda a energia de que precisa para seu funciona-
mento.
A Comissão de Energia da Califórnia oferece a defi-
nição mais rigorosa e objetiva de edificação com con-
sumo zero de energia. Já que a meta das legislações 
de neutralidade em carbono é reduzir as emissões de 
carbono de fontes não renováveis e encorajar o mais 
alto nível de conservação de energia tanto no projeto 
como na construção de todas as novas edificações, a 
definição mais adequada não deveria restringir a gera-
ção de energia renovável ao local, pois a maioria dos 
projetos urbanos não teria condições de concentrar – 
independentemente dos custos – a geração in loco de 
energia eólica ou solar suficiente.
Todas as partes envolvidas na geração de energia, 
na conservação de energia e na produção de mate-
riais com consumo eficiente de energia seriam enco-
rajadas a trabalhar juntas para atingir as metas de pro-
jeto neutro em carbono somente se várias condições 
forem atendidas:
(1) a energia gerada pelas fontes renováveis e dis-
tribuída pelas redes públicas for incluída nos 
cálculos;
(2) as edificações podem dispor de tecnologias de 
conversão de energia renovável que não estão 
no local, sempre que sistemas de energia reno-
vável mais eficazes podem ser alocados; e
(3) as empresas geradoras de energia e seus pro-
prietários forem autorizados a contar com a 
geração de energia a partir de combustíveis 
fósseis apenas quando utilizarem tecnologias 
de sequestro de emissões de carbono ou bior-
remediação.
Em caso de adoção da legislação de edificações 
neutras em carbono, é fundamental definir o termo 
“consumo zero de energia” de maneira mais ampla; 
do contrário, haverá reações contrárias.
Conforme observamos anteriormente, o Labora-
tório Nacional de Energias Renováveis26 já publicou 
quatro definições do termo “consumo zero de ener-
gia”27 (Figura 4-15). As diferenças entre elas tratam 
da localização física e da metodologia de cálculo 
usada para determinar o consumo zero de energia, 
incluindo o sítio, a fonte, os custos e as emissões. 
Essas definições buscam garantir que, após a im-
plantação de estratégias e sistemas de energia extre-
mamente eficientes, todas as edificações consigam 
atender às suas exigências energéticas a partir de 
fontes renováveis não poluentes disponíveis no lo-
cal. Pouquíssimas edificações com consumo zero de 
energia existem atualmente, e, em sua maioria, não 
têm uma escala digna de nota. (A Figura 4-14 mostra 
uma edificação que buscou o consumo zero de ener-
gia de diferentes maneiras.)
24 State of California Public Utilities Commission and California 
Energy Commission, 2008 Update Energy Action Plan, February 
2008, disponível para download em http://www.cpuc.ca.gov/NR/
rdonlyres/58ADCD6A-7FE6-4B32-8C70-7C85CB31EBE7/0/2008_
EAP_UPDATE.PDF.
25 “Zero Energy Buildings: A Critical Look at the Definition,”P. Tor-
celli, S. PLess and M. Deru, National Renewable Energy Laboratory, 
D. Crawley, U.S. Department of Energy, artigo para conferência 
NREL/CP-550-39833, apresentado em 14-18 de agosto de 2006, Pa-
cific Grove, California.http://www.nrel.gov/docs/fy06osti/39833.pdf.
26 National Renewable Energy Laboratory, http://www.nrel.gov.
27 “Zero Energy Buildings,” op. cit.
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Capítulo 4 O Surgimento da Edificação e da Legislação Sustentáveis 63
CONCLUSÃO
Em 2007, a Comissão de Serviços Públicos da Califór-
nia aprovou por unanimidade um acordo envolven-
do 22 partes e agências governamentais que reduzia 
efetivamente as taxas de eletricidade em 9% para os 
grandes edifícios de escritórios. Com isso, os proprie-
tários poderão medir e cobrar o consumo de energia 
individual e real de seus inquilinos. Prevê que, ao pa-
gar individualmente cada quilowatt da energia que 
consomem, os usuários finais serão encorajados a 
refletir sobre o impacto direto que a conservação de 
energia e os controles avançados de energia e ilumi-
nação teriam sobre seus gastos.
No final de 2008, o prefeito de São Francisco pre-
tendia pedir aos vereadores para aprovar um impos-
to de carbono a ser cobrado das empresas. Em caso 
de aprovação, a cidade aumentaria os impostos de 
serviços públicos comerciais em 5% para encorajar 
as empresas, hotéis e demais edificações não habita-
cionais a implementar medidas visando economizar 
energia. Para compensar,esses estabelecimentos te-
riam uma redução de 1,5% no imposto sobre a folha 
de pagamento.28
É possível que o maior obstáculo para a edificação 
sustentável não se baseie em custos, riscos, conhe-
cimentos técnicos ou disponibilidade de materiais, 
mas no fato de os sistemas ou materiais selecionados 
afetarem adversamente a geração de renda de um ou 
mais envolvidos.
Dentre os exemplos, destaca-se um complexo co-
munitário no deserto composto por um condomínio 
de luxo de altura média com 800 unidades. Logo no 
início, a equipe de projeto decidiu incorporar uma 
estação de tratamento de esgoto in loco dimensiona-
da para atender a 100% da irrigação de jardins do 
projeto e das necessidades da torre de resfriamen-
to, além de fornecer toda a água necessária para o 
funcionamento de uma lavagem de carros, também 
para os usuários in loco. O proprietário aprovou a 
decisão, já que a capacidade de reusar a água das 
pias, dos chuveiros e das bacias sanitárias transfor-
maria este empreendimento de luxo no melhor da 
região, e demonstraria seu comprometimento com 
o projeto sustentável. Assim que o projeto iniciou, 
o proprietário foi notificado de um empecilho à 
concessão da licença de conexão à rede hidráulica 
pública. O departamento de abastecimento de água 
exigiu o licenciamento ambiental da estação de tra-
tamento para somente então autorizar as obras de 
conexão à rede.
Conforme se descobriu, não há processo de licen-
ciamento que permita a instalação desse tipo de equi-
pamento por um investidor privado. Ficou claro que 
a estrutura de cobrança do departamento em questão 
se baseia no volume de água descarregada no sistema 
por cliente. Uma estação de tratamento de esgoto de 
tal porte reduziria a descarga de esgoto do projeto em 
milhões de litros por ano. Os atrasos causados por esse 
obstáculo acarretaram o cancelamento da instalação 
da estação de tratamento de esgoto in loco – um crime 
em climas desérticos, onde o abastecimento de água 
é mínimo. Para estabelecer processos de licenciamen-
to que permitam esses tipos de sistemas com infraes-
trutura sustentável descentralizada, é necessária uma 
mudança de paradigma fundamental na maneira como 
gerimos os nossos recursos.
Os novos arquitetos, projetistas e construtores pre-
cisam comparar as tecnologias apresentadas neste livro 
com os métodos de construção tradicionalmente usa-
dos pela indústria. Devemos nos preocupar com o tipo, 
a origem e o transporte dos materiais selecionados e 
com o potencial de sustentabilidade do sítio. Devemos 
reaproveitar o conhecimento de todos os membros da 
equipe de projeto; os valores utilizados para avaliar o 
Figura 4-14 O CADE Winery Solar 
Array; 168 painéis solares da Sunpo-
wer Corporation geram aproximada-
mente 53.759 quilowatts-hora por 
ano. O sistema foi criado para atender 
100% do consumo anual de energia 
estimado do local (gasto anual zero 
com contas de luz), transformando-o 
em um exemplo de edificação com 
consumo zero de energia.
28 Building Owners and Managers Association of California, 
“CPUC Approves Historic Reduction in Energy Rates for Commer-
cial Buildings and Embraces Use of Energy Saving Commercial 
Submetering,” http://www.bomacal.org/documents/PG&E%20
GRC%202007%20Summary.pdf.
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Definição Pontos positivos Pontos negativos Outras questões
Edificação com
consumo de
energia zero
quanto ao sítio
Edificação com
consumo zero
de energia
quanto às
fontes
Edificação com
consumo zero
de energia
quanto aos
custos
Edificações com
consumo zero
de energia
quanto às
emissões
• Fácil de implementar
• Pode ser verificada por meio de medições in loco
• Segue uma abordagem conservadora
• Os aspectos externos não afetam o desempenho; 
o sucesso é comprovado com o passar do tempo
• Compreensão e comunicação fáceis por parte da 
comunidade local
• Encoraja o projeto de edificações eficientes em 
consumo de energia
• Exige um maior envio de energia fotovolcaica à rede 
pública
• Não considera todos os custos com energia fornecida pela 
rede (pode ter um baixo fator de carga)
• Incapaz de equiparar os tipos de combustível
• Não considera as diferenças não energéticas entre os tipos 
de combustível (abastecimento, disponibilidade, poluição)
• Capaz de equalizar o valor energético dos tipos 
de combustível utilizados no sítio
• Modelo mais adequado para a avaliação do 
impacto sobre o sistema energético nacional
• Definição mais simples 
• Não considera as diferenças não energéticas entre os tipos 
de combustível (abastecimento, disponibilidade, poluição)
• Cálculos nas fontes muito amplos (não consideram as 
variações regionais ou diárias nas taxas de emissões 
térmicas de geração de eletricidade)
• Esse tipo de edificação sustentável com conversão a outros 
combustíveis pode ter um impacto maior do que as 
tecnologias visando à eficiência
• Não considera todos os custos com energia (pode ter um 
baixo fator de carga) 
• É necessário desenvolver os 
fatores de conversão da 
edificação à fonte de energia, o 
que exige a definição de 
quantidades significativas de 
informação
• Fácil de implementar e medir
• As forças de mercado resultam em um bom 
equilíbrio entre os tipos de combustível
• Permite o controle relativo à demanda
• Pode ser comprovada nas contas de água, gás e 
energia elétrica
• Modelo mais adequado para a energia 
sustentável
• Considera as diferenças não energéticas entre 
os tipos de combustível (poluição, gases de 
efeito estufa)
• Definição mais simples
• Talvez não influencie a rede pública em termos de 
demanda, já que a geração de energia fotovolcaica extra 
pode ser mais útil para a redução da demanda com 
armazenagem in loco do que a exportação para a rede
• Exige contratos de medição de energia consumida por 
economia, para que a eletricidade exportada possa 
compensar as cobranças vinculadas ou não ao consumo 
de energia
• O preço muito variável da energia pode dificultar as 
comparações com o passar do tempo
• A compensação dos gastos mensais 
com serviços e infraestrutura às vezes 
exige que se vá além do consumo zero 
de energia
• A medição da energia consumida por 
economia não é bem estabelecida; com 
frequência, os limites de capacidade e 
os valores pagos pelas distribuidoras 
são mais baixos do que aqueles com os 
quais eles vendem eletricidade
• Requer fatores de emissão 
adequados
Figura 4-15 A definição do que vem a ser uma edificação com consumo zero de energia afeta a maneira de projetar as edificações para atingir 
a meta (o consumo zero). Ela pode enfatizar o consumo eficiente de energia, as estratégias de abastecimento, as fontes de energia adquiridas, os 
sistemas de distribuição pública, ou o fato de a troca de combustíveis e de conversão de energia contribuir para atingir a meta. A tabela destaca as 
principais características de cada definição. O consumo zero de energia focado nas fontes pode enfatizar o consumo de gás em vez do equivalente 
elétrico, para tirar proveito da conversão de combustíveis e da medição na fonte a fim de atingir a meta em termos de fonte (consumo zero de 
energia). Por outro lado, o consumo zero de energia focado no sítio pode enfatizar o uso de bombas de calor para calefação em vez do equivalente 
em gás. No consumo zero de energia focado em custos, a gestão da demanda e a armazenagem de energia in loco são considerações importantes 
para o projeto, assim como a seleção de um sistema de distribuição pública com medição de consumo líquido. O consumo zero de energia focado 
nas emissões prioriza a fonte de geração da energia elétrica. O consumo zero de energia fora do local pode ser obtido por meio da aquisição de 
energia trazida de fontes renováveis distantes – sem necessidade de economia em termos de demanda ou consumo. Definições consistentes são 
fundamentais para todos que pesquisam, financiam, projetam e avaliam edificações com consumo zero de energia. (Fonte: NREL.)
REVESTIMENTO
EXTERNO FOTOVOLTAICOTURBINA EÓLICA
HORIZONTAL
COBERTURA
FOTOVOLTAICA
TURBINAS
EÓLICAS
VERTICAIS
PAINÉIS
FOTOVOLTAICOS
TURBINAS EÓLICAS
HORIZONTAIS
35% NA DIREÇÃO
DO VENTO
PAINÉIS
FOTOVOLTAICOS
TURBINAS EÓLICAS
VERTICAIS
Figura 4-16 A sede proposta para a San Francisco Public Utilities Commission, o melhor exemplo atual de edifícios de escritórios comerciais 
urbano de altura média a adotar verdadeiramente o projeto integrado com turbinas solares e eólicas, estrutura inovadora e ventilação passiva. É, 
provavelmente, o edifício mais sustentável ecologicamente dos Estados Unidos.
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Capítulo 4 O Surgimento da Edificação e da Legislação Sustentáveis 65
trabalho; e a maneira como a equipe colaboradora en-
cara os custos das edificações e de suas operações.
EXERCÍCIOS
Sim Van der Ryn, arquiteto e coautor de 1. Ecologi-
cal Design (2007), afirma que: “Podemos aprender 
muito indo além das declarações políticas abstratas 
e abordando as especificidades do projeto. É aqui, 
no nível das fazendas, edificações e processos de 
manufatura concretos, que as questões da cultura 
e da natureza ficam mais evidentes. É aqui que os 
contornos de um mundo sustentável ficam defini-
dos”.29 Compare a assertiva de Van der Ryn sobre 
os fatores que formam a sustentabilidade com a 
teoria de Gaia de James Lovelock ou o conceito de 
arquiecologia de Paolo Soleri.
Quais passos podem ser dados em nível local para 2. 
conseguir aprovar leis ou diretrizes de edificação 
sustentável em seu município ou campus univer-
sitário?
Em sua opinião, em que ponto estará a legislação 3. 
da edificação sustentável em nível federal no ano 
2015? No que você baseia sua previsão?
FONTES BIBLIOGRÁFICAS
Van der Ryn, Sim. 2005. Design for Life: The Architecture of Sim 
Van der Ryn. Salt Lake City, UT: Gibbs Smith.
Matthiessen, Lisa Fay, and Peter Morris. 2007. “The Cost of Gre-
en Revisited: Re-examining the Feasibility and Cost Impact of 
Sustainable Design in the Light of Increased Market Adoption,” 
http://www.davislangdon.com/USA/Research/ResearchFinder/20
07-The-Cost-of-Green-Revisited/ (acessado em 29 de dezembro 
de 2008).
McDonough, William, and Michael Braungart. 2002. Cradle to 
Cradle, Remaking the Way We Make Things. New York: North 
Point Press.
California Building Standards Commission. 2008. 2007 Califor-
nia Green Building Standards Code, CCR, Title 24, Part 11. 
Sacramento, CA: State of California.
Mazria, Ed. 1979. The Passive Solar Energy Book: A Complete 
Guide to Passive Solar Home, Greenhouse, and Building Design. 
Emmaus, PA: Rodale Press.
Brand, Stewart. 2005. 1999. Clock of the Long Now: Time and 
Responsibility: The Ideas Behind the World’s Slowest Computer. 
New York: Basic Books.
Lima, Antonietta Iolanda. 2003. Soleri: Architecture as Human 
Ecology. New York: Monacelli.
Soleri, Paolo. 1987. Arcosanti: An Urban Laboratory? 2nd ed. Santa 
Monica, CA: VTI Press.
National Green Building Standard ICC/NAHB/ANSI. O segundo 
rascunho foi enviado para a ANSI para fins de revisão em 24 
de novembro de 2008. As notificações estão disponíveis em 
http//:www.nahbrc.org/GBStandard.
GBI Proposed American National Standard 01-200XP: Green 
Building Assessment Protocol for Commercial Buildings. O 
segundo período de reuniões públicas terminou em 08 de de-
zembro de 2008. A publicação da norma estava prevista para 
o primeiro trimestre de 2009. Para notificações, acesse http://
www.thegbi.org/.
29 Sim Van der Ryn & Stuart Cowan, Ecological Design (Washington, 
DC: Island Press, 2007).
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As Fontes de Substâncias 
Químicas no Meio Ambiente5
INTRODUÇÃO
Você está se perguntando: por que há capítulos so-
bre química e substâncias químicas e seus efeitos 
sobre a saúde em um livro que trata do projeto de 
edificações sustentáveis? As exigências que devem 
ser atendidas pelos arquitetos evoluem com o tem-
po, passando a incluir, por exemplo, o projeto as-
sistido por computador (CAD) e o projeto na era da 
alta segurança; ou seja, os arquitetos precisam se 
manter atualizados com as demandas de sua profis-
são. Atualmente, a prática da arquitetura está muito 
mais complexa porque nos exige um conhecimento 
maior, que inclui códigos de edificações que estão 
sempre mudando, normas de acessibilidade univer-
sal, e regras referentes a áreas de projeto especializa-
das, como escolas e hospitais. Até mesmo o conceito 
e a prática da sustentabilidade que, em breve, serão 
exigidos de todos os arquitetos, são multifacetados. 
Uma de suas facetas exige que os arquitetos adotem 
uma postura crítica na hora de avaliar os produtos, 
materiais e sistemas com base em sua capacidade 
de afetar o meio ambiente e a saúde humana. Estes 
capítulos apresentam conceitos que levantarão ques-
tões sobre os componentes dos diferentes sistemas 
de edificações. Aprendemos a ler a tabela de infor-
mações nutricionais nas embalagens de alimentos; 
agora, será preciso aplicar a mesma técnica e a mes-
ma mentalidade crítica à maneira como seleciona-
mos os materiais de construção.
Para entender melhor os efeitos das substâncias 
químicas liberadas no meio ambiente sobre a saú-
de humana, consulte o Apêndice C “A Nossa Saúde 
Dentro das Edificações". O texto traz uma explicação 
completa sobre a importância de compreender como 
elas afetam os sistemas vivos. Rapidamente, a cons-
ciência pública começa a absorver os métodos que 
podem ser utilizados para reduzir a nossa exposição 
a essas substâncias. No caso das edificações ecologi-
camente sustentáveis, esse conhecimento nos prepara 
para promover o projeto integrado visando também 
criar um ambiente mais saudável.
Em primeiro lugar, tentaremos entender um pouco 
melhor como os poluentes e as substâncias químicas 
feitas pelo homem vão parar em nossos organismos.
A EMISSÃO, A TRANSMISSÃO, A 
DEPOSIÇÃO E A IMISSÃO
A jornada dos poluentes e das substâncias químicas 
em direção aos nossos corpos tem início com a libe-
ração (emissão) (Figura 5-1). Eles viajam pelo tempo e 
pelo espaço (transmissão), indo parar no ar, na água, 
no solo e nos alimentos que consumimos (deposição). 
A partir daí, os poluentes e as substâncias químicas 
sobem na cadeia alimentar e se tornam uma fonte de 
exposição (imissão, um termo médico). A distância 
coberta pela transmissão e a velocidade da dispersão 
dependem de fatores climáticos, como a velocidade 
do vento, a turbulência, o calor, a nebulosidade e os 
índices pluviométricos, além de características geográ-
ficas, como a topografia dos desertos e das montanhas. 
A indústria e a agricultura são responsáveis pela mi-
gração de poluentes através das fronteiras – um termo 
Figura 5-1 É preciso reavaliar o controle sobre as usinas manufaturei-
ras ou de geração de energia, de forma a limitar a emissão, a transmis-
são e a deposição.
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Capítulo 5 As Fontes de Substâncias Químicas no Meio Ambiente 67
usado para descrever a propensão dos poluentes a se 
deslocar indiscriminadamente, sem respeitar as fron-
teiras criadas pelo homem. Quando as substâncias 
químicas conseguem chegar a áreas remotas, fala-se 
em alcance de longa distância. Um estudo revelou 
que as populações de esquimós que habitam áreas 
remotas do Ártico têm duas vezes mais dioxina em 
seus corpos do que os canadenses que moram mais 
perto das fontes químicas (Figura 5-2).1 Outros fatores 
contribuem para a migração de substâncias químicas 
e poluentes; entre eles, destacam-se as mudanças cli-
máticas, as condições climáticas severas, as atividades 
vulcânicas, os desastres naturais, o bioterrorismo e o 
uso indiscriminado de antibactericidas e antibióticos.
Um panorama das fontes de 
substâncias químicas e poluentes
É preciso reconhecer o fato de que a química moderna 
possibilitou avanços técnicos e medicinais significa-
tivos nos últimos dois séculos; todavia, estamos maiscientes de que, por meio da industrialização, os pro-
dutos químicos artificiais continuam fazendo parte do 
processamento de itens que utilizamos diariamente, 
como cosméticos, eletrônicos, alimentos embalados 
e materiais de construção. Além disso, esses produtos 
também são usados na agricultura (Figura 5-3). O pro-
cesso de conscientização teve início com a publicação 
de A Primavera Silenciosa (Silent Spring, 1962), de auto-
ria de Rachel Carson, e com uma série de vazamentos 
de substâncias químicas no meio ambiente, ocorridos 
em meados do século XX, que foram amplamente di-
vulgados. Até então, grande parte dos produtos quími-
cos artificiais – incluindo os bifenis policlorados – não 
era conhecida pelo público em geral.2
Mais de 80 mil produtos químicos têm registro na 
EPA U.S. Environmental Protection Agency (Agência 
de Proteção Ambiental dos Estados Unidos), mas pou-
co mais de 15 mil estão no mercado; dentre esses, 
apenas uma pequena porcentagem foi testada para 
fins de toxicidade humana, enquanto um percentu-
al ainda menor foi submetido a testes focados nos 
efeitos exercidos por eles sobre as crianças.3,4 Essas 
estatísticas são importantes para estudar o desenvol-
vimento de várias substâncias químicas significativas. 
As indústrias do petróleo e dos plásticos, o desenvol-
Evaporação dos
poluentes depositados
Poluentes tóxicos
Deposição
seca
Deposição
molhada
Figura 5-2 O transporte de toxinas 
ocorre por meio de ciclos contínuos 
de precipitação, deposição e evapo-
ração.
1 Barry Commoner, Paul Woods Bartlett, Holger Eisl & Kimber-
ly Couchot, Center for the Biology of Natural Systems (CBNS), 
Long-Range Air Transport of Dioxin from North American Sources 
to Ecologically Vulnerable Receptors in Nunavut, Artic Canada 
(New York: Queens College, City University of New York). O relató-
rio conclui: “Em suma, os resultados deste projeto confirmam que 
os processos atmosféricos e ecológicos que transportam a dioxina 
pelo ar a partir de suas inúmeras fontes até os seres humanos, por 
cadeias alimentares tanto terrestres como marítimas, são problemas 
com dimensões continentais, se não globais”. Disponível em for-
mato eletrônico no site do NANEC <http://www.cec.org>.
2 Roberta C. Barbalace, “The Chemistry of Polychlorinated 
Biphenyls, PCB, the Manmade Chemicals That Won’t Go Away”, 
http://environmentalchemistry.com/yogi/chemistry/pcb.html.
3 Moyers & Jones, Trade Secrets: A Bill Moyers Report, Dr. Philip 
Landrigan (chairman, Preventive Medicine, Mt. Sinai School of 
Medicine, New York) comenta que: “Há 80 mil produtos químicos 
artificiais que foram registrados na EPA para possível uso no comér-
cio. Desses 80 mil, cerca de 15 mil são realmente produzidos a 
cada ano em quantidades significativas, e, desses 15 mil, apenas 
43%, aproximadamente, foram testados de maneira adequada para 
determinar se poderiam ou não causar lesões aos seres humanos”.
4 Environmental Working Group, “Body Burden – The Pollution in 
Newborns”.
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68 Fundamentos de Projeto de Edificações Sustentáveis
vimento de armamentos, a produção de pesticidas, a 
fabricação em geral e o lixo hospitalar, entre outros, 
nos forneceram alguns dos produtos que, atualmente, 
são usados para fins aparentemente benignos e asso-
ciados a benefícios avançados. Vamos então examinar 
em detalhes essas fontes.
Os produtos derivados da indústria do petróleo
Os produtos derivados do petróleo sintético, como o 
carvão mineral e o coque, foram desenvolvidos ori-
ginalmente durante a Primeira e a Segunda Guerras 
Mundiais, para servirem como combustíveis de equi-
pamentos e máquinas; sua descoberta foi muito im-
portante para as nações mais poderosas, cujos inte-
resses dependiam da manutenção da tecnologia de 
defesa. Hoje em dia, o petróleo é muito utilizado em 
solventes, combustíveis, lubrificantes, adesivos, as-
falto, fibras sintéticas, plásticos, tintas, detergentes, 
produtos farmacêuticos e fertilizantes disponíveis no 
mercado (Figura 5-4). Há um exemplo particularmente 
extremo de produto com fins militares que passou a 
ser muito usado como produto comercial: basta acom-
panharmos o desenvolvimento do petróleo sintético e 
verificar como ele levou à criação do metano. O meta-
no tem ocorrência natural e costuma ser associado ao 
biogás e ao gás natural. Ainda assim, ele é um gás de 
efeito estufa e, em certas misturas, se torna explosivo. 
Os derivados do metano, por sua vez, levaram à pro-
dução do tetrilo, que foi usado em explosivos durante 
as duas guerras mundiais. Embora não seja mais fabri-
cado, o tetrilo pode ser encontrado em muitos depósi-
tos de lixo contaminados nos Estados Unidos.
O petróleo é problemático porque os produtos que 
resultam dele levam muito tempo para se decompor, 
contribuem para as emissões de gases de efeito estufa 
e não permitem a captura ou a contenção eficiente; 
consequentemente, os produtos derivados do petróleo 
são lançados no meio ambiente (Figura 5-5).
Paralelamente à introdução de substâncias químicas 
nos produtos que utilizamos diariamente, herbicidas e 
PARA CONTROLAR
AS PRAGAS DOMÉSTICAS
Figura 5-3 Os benefícios do DDT (dicloro-difenil-tricloroetano) eram 
considerados universalmente saudáveis.
Figura 5-4 O processamento do petróleo e os produtos que resultam 
dele são grandes fontes de substâncias químicas no meio ambiente.
Figura 5-5 Crianças brincando em um parque infantil perto de uma 
área industrial na Cidade do Texas, Estado do Texas, Estados Unidos.
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Capítulo 5 As Fontes de Substâncias Químicas no Meio Ambiente 69
pesticidas estão sendo introduzidos de maneira direta 
em nossas fontes de alimento por meio de organismos 
geneticamente modificados. Na década de 1990, o ad-
vento das sementes geneticamente modificadas criou 
um sistema de distribuição para tais substâncias quími-
cas.5 Até os fabricantes de componentes para materiais 
de construção passaram a utilizar substâncias quími-
cas inventadas para os alimentos. Aqui, não trataremos 
apenas das indústrias e dos produtos criados por elas, 
mas também da criação de substâncias químicas sinté-
ticas em uma ampla variedade de aplicações.
Plástico – o “produto milagroso”
Sr. McGuire: Tenho uma palavra para lhe dizer. Apenas uma palavra.
Benjamin: Sim senhor.
Sr. McGuire: Você está prestando atenção?
Benjamin: Estou sim.
Sr. McGuire: Plástico.
Benjamin: O que o senhor quer dizer com isso?
Sr. McGuire: O futuro está no plástico. Pense a respeito. Você pensará 
a respeito?
— A Primeira Noite de um Homem6
Como mostra o famoso diálogo do filme A Primeira 
Noite de um Homem, o plástico era visto como um 
material milagroso no período do pós-guerra, ainda 
que seu desenvolvimento tenha começado já no sé-
culo XVIII. Os marcos da história do plástico incluem 
o desenvolvimento da borracha (1839), do poliestire-
no (também em 1839), da resina de fenol-formaldeído 
(1907), do poliuretano (1937), do náilon (1939), do 
polietileno de alta densidade (HDPE) e do polipropi-
leno (ambos em 1951). Durante a década de 1950, as 
pesquisas focadas nos polímeros levaram ao desenvol-
vimento de diferentes plásticos, incluindo o cloreto de 
polivinil (PVC).7
O termo plástico inclui materiais orgânicos que 
apresentam os elementos químicos carbono (C), hi-
drogênio (H), nitrogênio (N), cloro (Cl) e enxofre (S); 
esses, por sua vez, têm algumas propriedades seme-
lhantes àquelas encontradas naturalmente em ma-
teriais inorgânicos, como madeira, chifres e resina 
(Figura 5-6). “Os materiais orgânicos se baseiam em 
polímeros e são produzidos pela conversão de produ-
tos naturais ou pela síntese das substâncias químicas 
primárias que advêm do óleo, do gás natural e do car-
vão mineral”.8
Os plásticos são categorizados em termocurados 
e termoplásticos, e cada grupo dá origem a inúmeros 
produtos. Por ser um material extremamente versátil, 
o plástico podeser moldado, extrudado e – conforme 
os tipos de aditivo e plastificante empregados – usa-
do em uma grande variedade de aplicações, como 
para-choques de automóveis, adesivos, hélices de he-
licóptero, colchões, revestimentos de piso e parede, e 
fibras de carpete.
Os plásticos também produzem venenos proble-
máticos durante a fabricação e o uso. Grande parte de 
seus precursores e de seus aditivos é considerada no-
civa, representando uma ameaça para a saúde huma-
na. Os ftalatos são exemplos de aditivos plásticos que 
afetam a nossa saúde. Eles podem ser acrescentados, 
por exemplo, ao processo de produção de PVC, uma 
vez que o tornam mais macio e maleável. Contudo, 
estudos conduzidos em 2005 determinaram que os 5 Em um estudo alemão realizado em 2005, os ratos alimentados 
com Mon 863, uma variedade de milho criada pela Monsanto, de-
senvolveram diversos problemas de saúde, incluindo anemia, cân-
cer e lesões nos rins e no fígado. Veja Stephen Lendman, “Potential 
Health Hazards of Genetically Engineered Foods,” Global Resear-
ch, 22 de fevereiro de 2008. http://www.globalresearch.ca/index.
php?context=va&aid=8148.
6 The Graduate, filme do diretor Mike Nichols (1967).
PVC
Plásticos
com aditivos
extremamente
nocivos à saúde
ABS
EVA
Policarbonato
Poliestireno
Poliuretano
Silicone
PEX
PET
Polietileno
Polipropileno
TPO
Plásticos
biobaseados –
crescimento
sustentável
ABS = Acrilonitrina butadieno estireno
EVA = Etil Vinil Acetato
PET = Polietileno Tereftalato
PEX = Polietileno Reticulado
PVC = Cloreto de Polivinil
TPO = Poliolefina Termoplástica
Rossi, Mark & Tom Lent, “Creating Safe and Healthy Spaces Selecting Materials that Support Healing”,
In: Designing the 21st Century Hospital, Center for Health Design & Health Care Without Harm, 2006, página 66
(http://www.healthybuilding.net/healthcare/HCWH-CHD-Designing_the_21st_Century_Hospital.pdf ).
EVITAR DAR PREFERÊNCIA
Figura 5-6 O Espectro de Preferên-
cia Ambiental dos plásticos conforme 
o Health Care Without Harm.
7 Para saber mais sobre as pesquisas com polímeros realizadas na 
década de 1950, acesse http://www.plasticsresource.com e http://
PlasticsResource.com (acessados em 27 de outubro de 2007).
8 “Plastic waste recycling in progress: watch out for the bags, Help 
save the environment.” Rosanne Koelmeyer Anderson, Sunday 
Observer, July 15, 2007.
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70 Fundamentos de Projeto de Edificações Sustentáveis
ftalatos presentes no pó doméstico levam a desenvol-
vimentos anormais nos tecidos genitais e reprodutivos 
de ratos.9 Essa substância está presente em produtos 
de higiene pessoal, como perfumes e esmaltes para 
unhas, e também em materiais de construção, incluin-
do revestimentos de parede de vinil e pisos flexíveis.
Quando aquecido, o plástico libera o bisfenol A 
(BPA), outra substância química encontrada no poli-
carbonato. Ainda que seus efeitos sejam controversos, 
estudos mostram que ele se comporta como o hormô-
nio estrogênio, e, em cobaias não humanas, prejudica 
o desenvolvimento de fetos e representa possíveis ris-
cos transgeracionais ao sistema reprodutivo.10
A exposição dos seres humanos aos plásticos e aos 
produtos derivados deles ocorre por meio de inúmeros 
itens de consumo, como as mamadeiras e as tintas en-
contradas no lado de dentro das latas para alimentos, 
e também dos materiais de construção. Além disso, a 
exposição ambiental se dá pelo descarte dos plásticos. 
Segundo a divisão de plásticos do American Chemis-
try Council, o descarte correto dos plásticos é feito em 
aterros sanitários, já que é possível evitar a degradação 
construindo-se aterros com folhas de plástico de uso 
obrigatório conforme prescrito pela EPA (Agência de 
Proteção Ambiental dos Estados Unidos). Isso, porém, 
constitui outro problema, uma vez que o plástico não 
se decompõe e o comportamento humano referente 
ao descarte adequado precisa ser repensado. Sempre 
que descartamos plásticos por meio de incineração, 
permitimos a liberação de organoclorados como a 
dioxina e os furanos.11 Por rotas de transmissão que in-
cluem esgotos pluviais, resíduos sólidos e acúmulo de 
lixo, os plásticos contribuem para a poluição ambien-
tal, sendo que o impacto maior ocorre na superfície 
marítima e no fundo dos mares. Grande parte do lixo 
marinho pode ser atribuída, por exemplo, ao descarte 
inadequado de sacolas de supermercado. Os biomas 
oceânicos são afetados pelos plásticos, que são ingeri-
dos pela fauna ou se emaranham na fauna e na flora.
Há um exemplo extremo da onipresença dos plás-
ticos no meio ambiente, que resulta do descarte ina-
dequado desse material. Trata-se da sinistra “Grande 
Porção de Lixo do Pacífico”, um vasto aglomerado de 
lixo flutuante entre a Califórnia e o Havaí, cuja com-
posição é 80% plástico. O uso de sacolas plásticas 
e de styrofoam (plástico esponjoso) foi banido por 
comunidades desde Coles Bay, na Tasmânia, até São 
Francisco, nos Estados Unidos, em uma tentativa de 
solucionar esse tipo de problema ambiental.
As comunidades cujas metas de gestão de resí-
duos incluem resíduos zero estão explorando ati-
vamente novas maneiras de coletar e reciclar uma 
ampla variedade de plásticos, visando levar as indús-
trias a reduzir a produção. As estatísticas de taxa de 
reciclagem são encorajadoras. A taxa de reciclagem 
do HDPE (polietileno de alta densidade) chegou a 
27,1% em 2005. Ainda assim, há margem para uma 
reciclagem mais consistente. Em 2004, os consumi-
dores dos Estados Unidos jogaram fora três vezes 
mais plásticos do que os bilhões de quilogramas que 
foram reciclados. Isso significa que tais plásticos fo-
ram parar em aterros ou simplesmente jogados na 
rua.12 Conforme veremos posteriormente, as fontes 
de lixo também ajudam as substâncias químicas a 
chegar ao meio ambiente.
Felizmente, muitos produtos finais são feitos de 
plástico reciclado, criando um novo mercado e am-
pliando a indústria de reciclagem do material. Hoje 
em dia, o plástico reciclado é usado para fazer pro-
dutos de construção, como madeira plástica, que-
bra-molas, pisos flexíveis, revestimentos de parede e 
janela e materiais de superfície. Como construtores 
e arquitetos, gostamos muito das propriedades fle-
xíveis e moldáveis do plástico, bem como da ampla 
variedade de possibilidades de projeto. Pensando 
de maneira holística, porém, devemos tentar limitar 
a exposição dos usuários das edificações aos ma-
teriais de construção que contêm plástico; é preci-
so se informar sobre a durabilidade, o descarte e as 
opções de reciclagem para esses materiais com o 
término de sua vida útil.
Figura 5-7 Um parque infantil feito com materiais de plástico reciclado.
9 Shanna H. Swan, et al., “Decrease in Anogenital Distance among 
Male Infants with Prenatal Phthalate Exposure”, Environmental He-
alth Perspective 113, no. 8 (August 2005): 1056-1061. Leia também: 
Julia R. Barrett, “Phthalates and Baby Boys: Potential Disruption of 
Human Genital Development”, Environmental Health Perspective 
113, No. 8 (August 2005): A542.
10 Plastic Chemical Safety Weighed,’ “Miranda Hitti, Web MD,” Au-
gust 8, 2007, http://www.ewg.org/node/22367 (acessado em 17 de 
dezembro de 2007).
11 “Some chemicals like dioxins and furans are created uninten-
tionally by industrial processes using chlorine and from the manu-
facture and incineration of certain plastics”, Coming Clean, Body 
Burden, http://www.chemicalbodyburden.org/whatisbb.htm.
12 Uma observação interessante: grande parte dos resíduos plásticos 
descartados pelos Estados Unidos é enviada para outros países para 
fins de reciclagem.
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Capítulo 5 As Fontes de Substâncias Químicas no Meio Ambiente 71
Os produtos derivados do 
desenvolvimento de armamentos
Você ficaria surpreso ao saber que determinados pro-
dutos plásticos atuais foram criados a partir das subs-
tâncias químicas usadas para fins militares?Em mea-
dos do século XX, testemunhamos o desenvolvimento 
de inúmeras substâncias químicas que foram utiliza-
das em esforços de guerra de grande escala, tanto no 
deslocamento de equipamentos e pessoas como em 
armamentos. Os agentes de guerra química (CWA, na 
sigla em inglês) eram classificados em grupos de acor-
do com o sistema que atacavam: agentes nervosos ou 
organofosforados neurotóxicos (também chamados de 
gases dos nervos), agentes vesicantes (que causam bo-
lhas na pele, como o gás mostarda) e agentes sufocan-
tes. Uma dessas substâncias químicas é o fosgênio, 
um gás venenoso em temperatura ambiente, que foi 
transformado em armamento químico e utilizado pela 
primeira vez em 1915, como agente sufocante. Entre 
todas as substâncias químicas usadas na guerra, o fos-
gênio foi responsável pela grande maioria das mortes 
(80%).18 Atualmente, ele é encontrado em plásticos 
como o poliuretano (usado em isolamento e bases de 
carpete) e o policarbonato (usado na fabricação de 
CDs), e também em pesticidas.
O cloro talvez seja o melhor exemplo de transi-
ção do uso militar para o convencional. Ele serviu 
como base para os armamentos com gás mostarda, 
cujos efeitos mortais foram sentidos em 1917, na ci-
dade de Yprès, em Flandres Ocidental, durante a Pri-
meira Guerra Mundial. Hoje em dia, o cloro e seus 
componentes são encontrados em plásticos, tintas e 
adesivos; todos são muito úteis para a fabricação de 
materiais de construção.
13 Este trecho foi publicado inicialmente com o seguinte títu-
lo: “PVC: The Controversy Summarized for Architects,” arcCA, 
Architecture California, the Journal of the American Institute of Ar-
chitects California Council 05 no. 4 (Outono de 2005).
14 Healthy Building Network, “Sorting Out the Vinyls – When is 
Vinyl not PVC?” http://www.healthybuilding.net.
15 Mary Bellis, “History of Vinyl, Waldo Semon Invented Useful 
Polyvinyl Chloride aka PVC or Vinyl,” http://inventors.about.com/
library/inventors/blpvc.
PVC: A CONTROVÉRSIA RESUMIDA PARA ARQUITETOS¹³
Primeiramente, é preciso fazer uma distinção entre os termos “vi-
nil”, que é muitíssimo utilizado, e PVC. Nem todos os "vinis" são 
PVC. O PVC puro é quase 60% cloro, e são as moléculas de cloro as 
causadoras do problema. A Rede de Edificações Saudáveis (Heal-
thy Building Network) cita outros vinis semelhantes ao PVC, mas 
que não contêm tal substância. Todos eles são petroquímicos, mas 
ainda não foram estudados com a mesma profundidade que o PVC, 
embora, possivelmente, eles sejam mais benignos em termos am-
bientais: há, por exemplo, o etil vinil acetato (EVA); o polietileno 
vinil acetato (PEVA), que é um copolímero do polietileno e do EVA; 
o acetato de polivinila (PVA); e o polivinil butiral (PVB), usado em 
películas de vidros de segurança. Muitos deles estão sendo substi-
tuídos pelo PVC em vários materiais.14
A estrutura do PVC
A estrutura molecular do PVC é composta por cadeias de monô-
meros de cloreto de vinila (VCM), que, por sua vez, são formadas 
por três átomos de hidrogênio, um átomo de cloro e dois átomos 
de carbono. O óleo e o sal são os materiais que dão origem a este 
monômero. Por meio da eletrólise do cloreto de sódio, é produzida 
uma molécula de cloro. Já a combinação do cloro com o etileno, 
produzido pelo óleo, resulta no dicloreto de etileno. Esse elemento 
é aquecido a altas temperaturas para criar o VCM; com a adição dos 
estabilizadores de calor e de enchimentos como o chumbo e os plas-
tificantes (ou ftalatos), ele chega ao formato trabalhável – seja rígi-
do ou flexível – para ser usado em pisos flexíveis, bases de carpete, 
revestimentos internos de parede, rodapés, esquadrias de janela, 
tabecas, mobiliários, revestimentos de cabos e fios, tubos, cortinas 
de boxe de banheiro, capas de chuva, interiores de automóveis, ins-
trumentos médicos, sistemas de administração de medicamentos, 
embalagens de alimentos e brinquedos infantis. É possível encon-
trar vinil em lojas de móveis chiques e modernas – em bolsas, jogos 
americanos e capachos. Por ser barato, leve e trabalhável, o PVC 
tem sido aclamado como um plástico milagroso desde a sua inven-
ção, em 1872, visando aproveitar os resíduos de cloro da indústria 
de lâmpadas de acetileno.15 Quando usado adequadamente e com o 
grau de saturação indicado pelos arquitetos, o PVC é, literalmente, 
o “tecido de nossas vidas”.
A saúde humana
Na verdade, porém, o tecido de nossas vidas é a teia composta pela 
cadeia alimentar, o ciclo da água e o nosso ambiente físico. Quando 
acrescentamos a essa teia muitos produtos derivados tóxicos e bio-
acumulativos, como as dioxinas, o chumbo, vários ftalatos ou plas-
tificantes, e estabilizadores de metal pesado, passamos a brincar 
com o equilíbrio ambiental e a ameaçar a saúde humana. Ao longo 
de suas vidas úteis, os produtos derivados do versátil PVC, junto 
com seus aditivos e precursores, podem afetar a saúde humana 
gravemente; entre seus efeitos, encontram-se o câncer, a disrupção 
endócrina, a endometriose, danos neurológicos, defeitos de nas-
cença, o desenvolvimento de crianças com deficiências e danos aos 
sistemas reprodutor e imunológico.16 Os aditivos que tornam o PVC 
um produto viável liberam particulados e gases ou, com o tempo, 
são removidos em contato com líquidos, podendo causar câncer, 
asma e envenenamento por chumbo.17
16 Healthy Building Network, “PVC Facts,” http://www.healthybuil-
ding.net/pvc/facts.html
17 Ibid.
18 ”Facts about Phosgene,” CDC Fact Sheet (Centers for Disease 
Control), Department of Health and Human Services, 2/7/05, http://
www.bt.cdc.gov/agent/phosgene/basics/pdf/phosgene-facts.pdf.
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72 Fundamentos de Projeto de Edificações Sustentáveis
O amoníaco está entre as primeiras substâncias 
químicas desenvolvidas durante as guerras mundiais; 
seus derivados (o ácido nítrico e os nitratos) foram 
usados em explosivos. Hoje em dia, o amoníaco é 
um dos componentes encontrados em fertilizantes e 
agentes frigorígenos (refrigerantes).
A Segunda Guerra Mundial testemunhou o desen-
volvimento de outros agentes nervosos. Já na Guerra 
Fria e na Guerra do Vietnã, foram utilizados insetici-
das, herbicidas e fungicidas. Dentre eles, um dos mais 
notórios é o Agente Laranja, que, quando degradado, 
libera dioxina (Figura 5-8). Estima-se que o Agente La-
ranja tenha provocado defeitos de nascença em mais 
de 500 mil crianças vietnamitas.19 Toda essa pesqui-
sa é responsável pelo desenvolvimento dos primeiros 
pesticidas e pela fabricação dos pesticidas, fungicidas, 
herbicidas e fertilizantes ainda utilizados diariamente.
A introdução de pesticidas na agricultura foi um 
dos principais legados do desenvolvimento de armas 
químicas. A análise e o desenvolvimento de inseti-
cidas orgânicos sintéticos tiveram início na década 
de 1930. Em 1948, o químico suíço Paul Hermann 
Müller recebeu o Prêmio Nobel de Fisiologia ou 
Medicina pelo desenvolvimento do DDT, que prati-
camente erradicou a malária em algumas regiões do 
mundo. Como os pesticidas sintéticos eram extrema-
mente populares, a pesquisa e o desenvolvimento de 
inseticidas com base botânica (e, consequentemente, 
menos tóxicos) foram deixados de lado. O DDT foi 
finalmente banido após a publicação de A Primavera 
Silenciosa (Silent Spring), escrito por Rachel Carson 
(para saber mais sobre a história dos movimentos am-
bientalistas, leia o Capítulo 2). Contudo, isso ocor-
reu apenas em 1972. Como veremos posteriormente 
ao discutir o conceito de carga corporal, é devido 
à persistência do DDT que ainda trazemos seu le-
gado em nossos corpos. Graças à Lei de Qualidade 
dos Alimentos de 1996 (Food Quality Act of 1996), a 
Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos 
foi incumbida de analisar a tolerância aos pesticidas, 
para então alterar as regras referentes a eles. Dentre 
os triunfos da nova legislação, destaca-se a remoção 
do diazinon do mercado.20
Não é surpresa constatar que, antes do surgimen-to dos pesticidas na década de 1930, as pragas eram 
controladas por uma combinação de métodos mecâ-
nicos; petróleo; materiais inorgânicos de uso tradicio-
nal e cultural, como o arsênico e o enxofre; e métodos 
de base botânica. Essas técnicas levaram ao conceito 
de manejo integrado de pragas (MIP), que surgiu na 
década de 1970. As pesquisas atuais para o controle 
de pestes estão focadas em tipos de iscas, controles 
direcionados menos tóxicos, biopesticidas, feromô-
nios e reguladores de crescimento de insetos (IGR, na 
sigla em inglês). Hoje em dia, na tentativa de tornar as 
edificações sustentáveis de maneira holística, o MIP 
costuma ser usado como crédito de inovação no siste-
ma de certificação LEED (Figura 5-9).
As substâncias químicas provenientes 
das fontes de lixo
As substâncias químicas encontradas no meio am-
biente também são geradas por fontes de lixo, como 
a construção e a demolição, a mineração, a explora-
ção de pedreiras, a fabricação e os resíduos sólidos 
das cidades. Antes da aprovação de leis nos Estados 
Unidos (para saber mais sobre a história da legisla-
ção ambiental, leia o Capítulo 4), o meio ambiente 
funcionava como lixão para os resíduos derivados da 
manufatura e da indústria, o que ocorria, especifica-
mente, por meio da incineração. Nos Estados Unidos 
esse método de descarte foi restringido pela (Lei de 
Descarte de Resíduos Sólidos de 1965) Solid Waste 
Disposal Act of 1965, uma emenda da (Lei do Ar Lim-
po) Clean Air Act. Métodos para controlar os resíduos 
e as substâncias químicas das fontes de lixo foram de-
senvolvidos em decorrência dessa legislação.
Mesmo com a regulamentação dos resíduos indus-
triais e nocivos, o uso de aterros sanitários representa 
uma fonte contínua de transmissão de substâncias quí-
micas para o meio ambiente; tampouco as práticas de 
contenção e o aprimoramento da construção dos ater-
ros conseguem mudar esse fato. Os aterros sanitários 
ainda são os principais destinos para o lixo sólido mu-
Figura 5-8 O Agente Laranja, que é um misto de herbicida e esfolian-
te, sendo pulverizado durante a Guerra do Vietnã.
19 Geoffrey York and Mick Hayley, “Last Ghost’ of the Vietnam War,” 
Globe and Mail, July 12, 2008.
20 EcoSMART Technologies, “History of Pesticides: A Brief 
Overview,” http://www.ecosmart.com/commercial/about/history.
asp.
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Capítulo 5 As Fontes de Substâncias Químicas no Meio Ambiente 73
nicipal (Figura 5-10). Alguns tipos de aterros sanitários 
são cobertos com lajes de concreto moldadas in loco 
a fim de, posteriormente, reaproveitar as áreas para a 
construção de condomínios. Embora não se saiba exa-
tamente o percentual e o número total de edificações 
construídas em aterros sanitários, a estratégia de rea-
proveitamento ainda constitui um problema, já que o 
espaço ocupado pelos aterros sanitários é limitado por 
definição e, ironicamente, pode ser encarado como 
um recurso finito. A relação entre o impacto do des-
carte em aterros sanitários e os resíduos de construção 
e demolição será discutida em detalhes nos próximos 
capítulos, que tratam da gestão de resíduos.
Os resíduos também se dividem em industriais e 
nocivos. Os resíduos industriais são definidos como 
o lixo não nocivo gerado pela produção de bens. De 
acordo com as estimativas da EPA, os Estados Unidos 
produzem 7,6 bilhões de toneladas de resíduos sóli-
dos industriais por ano.21 Os resíduos nocivos, por sua 
vez, são definidos pelo Congresso dos Estados Uni-
dos e controlados pela EPA. Muitos tipos de resíduos 
nocivos são considerados combustíveis, corrosivos, 
reativos e tóxicos. Tais materiais não podem ser recu-
perados nem reciclados, e, para descartá-los, é preci-
so empregar métodos restritos e controlados. Algumas 
fontes de lixo nocivo são produzidas pelas indústrias 
cujos resíduos incluem solventes gerados pela refina-
ção do petróleo ou pela fabricação de pesticidas. O 
tratamento do lodo e do esgoto sanitário produzido 
por indústrias é outra fonte de resíduos nocivos. Na 
verdade, as substâncias químicas descartadas usadas 
para fabricar outras substâncias químicas constituem, 
por si só, mais uma fonte de resíduos nocivos.
Um avanço significativo nas leis sobre o direito 
de saber tem aumentado a conscientização pública 
em relação ao descarte de substâncias químicas e às 
atividades de gestão de resíduos por parte tanto de 
indústrias como de agências governamentais. A Lei de 
Emergency Planning and Community Right-to-Know 
(Planejamento de Emergência e Direito de Saber Co-
munitário) foi aprovada em 1986, tendo sido seguida 
pela Pollution Prevention Act em 1990. Em 1988, a 
EPA desenvolveu o Toxics Release Inventory (Inven-
tário de Liberação de Tóxicos) um banco de dados de 
acesso público que inclui até 650 substâncias quími-
cas e têm a finalidade de coletar informações sobre as 
suas emissões. Segundo a EPA, “o objetivo do Inventá-
rio é dar poderes aos cidadãos, por meio da informa-
ção, para responsabilizar as empresas e os governos 
locais em termos de manejo das substâncias químicas 
tóxicas”.22
Em resposta à maior transparência, os arquitetos 
e construtores devem buscar saber quais materiais de 
construção e processos de manufatura associados têm 
alguma relação com as substâncias químicas contro-
ladas pela EPA. As ferramentas para selecionar os ma-
teriais com cuidado serão detalhadas em um capítulo 
posterior; no entanto, alguns exemplos de materiais 
controlados incluem:
O arsênico, que ocorre naturalmente no minério 
de cobre e pela fundição de minérios. Ele é transfor-
mado de sólido em gás e emitido para o ar pelas cha-
minés; a seguir, o arsênico se deposita no solo. O co-
bre costuma ser usado em acabamentos decorativos, 
painéis e fios elétricos.
O bário é um metal de ocorrência natural utilizado 
na recuperação das reservas de petróleo, na fabrica-
ção de lâmpadas fluorescentes, na soldagem, na pro-
dução de borracha e de películas de vidros refletivos, 
em tomadas e em tubos de aspiradores de pó. Ele se 
dissolve na água e é encontrado em solos, lagos, rios 
Figura 5-9 A voracidade contra pragas apresentada pela joaninha 
serve como base para estratégias não químicas de controle de pragas. Figura 5-10 Um grande aterro de lixo.
21 Environmental Protection Agency (EPA), Office of Solid Waste, 
National Environmental Performance Track, Waste Management, 
Conversion and Contextual Factors for Waste Management, http://
www.epa.gov/perftrac/tools/wasteman.htm
22 EPA, “What is the Toxics Release Inventory (TRI) Program,” http://
www.epa.gov/tri/whatis.htm (acessado em 19 de fevereiro de 2008). 
Para ferramentas de acesso aos dados do TRI, visite http://www.epa.
gov/triexplorer/, http://www.epa.gov/enviro/, http://www.scorecard.
org, e http://www.rtk.net.
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74 Fundamentos de Projeto de Edificações Sustentáveis
e córregos. Além disso, formas de vida aquática o 
transportam por longas distâncias.
O selênio-79 é um produto derivado dos resíduos 
nucleares, que pode ser encontrado no solo. Sua pre-
sença no meio ambiente resulta de vazamentos radio-
ativos. Embora o selênio de ocorrência natural seja 
um mineral não metálico, é possível criá-lo por um 
processo eletrolítico de refinação de cobre. A utiliza-
ção do selênio na fabricação de sistemas fotovoltaicos 
é extremamente importante para a indústria da cons-
trução civil.
O benzeno é um composto químico orgânico, ob-
tido na forma de líquido derivado do petróleo. Antiga-
mente um aditivo da gasolina, ele hoje é utilizado na 
manufatura de remédios, plástico, borracha sintética 
e pigmentos. O benzeno é depositado no solo e nos 
lençóis freáticos. A borracha e o plástico são usados 
com frequência como materiais de construção.
O cloreto de vinila é o monômero usado na fa-
bricação do PVC e também em muitos materiais de 
construção (veja ”PVC: A Controvérsia Resumida para 
Arquitetos”na página 71).
O lixo hospitalar
As fontes de lixo hospitalar representam problemas 
consideráveis, o que se deve tanto à diversidade dos 
resíduos como ao desenvolvimento atual das regu-
lamentações procedimentais. Os resíduos sólidos 
hospitalares costumam ser descartados em aterros 
sanitários ou, com mais frequência, pela incine-
ração – processo no qual podem liberar dioxina e 
mercúrio por meio do ar e das cinzas (Figura 5-11). 
Já sabemos que esses métodos de descarte não 
poupam a atmosfera. A Organização Mundial da 
Saúde destaca que 10 a 25% dos resíduos sólidos 
hospitalares são infectados e perigosos, considera-
dos como lixo que representa uma ameaça à saúde 
humana.23
O lixo que representa uma ameaça à saúde huma-
na inclui produtos farmacêuticos, agentes infecciosos 
e genotoxinas, mas, assim como a indústria da cons-
trução, também pode incluir metais pesados e deter-
minados agentes químicos.24
Na indústria da saúde, as políticas de compra com 
sustentabilidade ecológica visam a impedir os danos 
ambientais causados pelos resíduos sólidos hospita-
lares. Ao buscar compreender o ciclo de vida e a tec-
nologia dos materiais hospitalares e adotar princípios 
de precaução, os profissionais da saúde estão empre-
gando procedimentos de tratamento e descarte de re-
síduos sólidos hospitalares mais responsáveis.
Utilizando pelo menos esses conceitos básicos, os 
arquitetos do futuro estarão mais bem informados e 
terão melhores condições de lidar diretamente com a 
questão dos resíduos químicos, por meio do projeto 
responsável de edificações hospitalares. É o exemplo 
perfeito do pensamento holístico no projeto de edifi-
cações sustentáveis. Para se aprofundar nas questões 
da gestão de resíduos hospitalares, leia o Capítulo 21, 
que trata precisamente desse assunto.
Em resumo, seja durante o uso ativo em processos 
industriais ou como resíduos, ao final de suas vidas 
úteis, as substâncias químicas controladas pela EPA 
estão presentes em compostos frequentemente utili-
zados em produtos como plástico, pesticidas, herbici-
das, fertilizantes, derivados do petróleo e solventes. A 
partir daí, elas se inserem no ar, na água e no solo, e, 
com o tempo e a distância, tornam-se parte da cadeia 
de vidas interdependentes da nossa biosfera.25
EXERCÍCIOS
Até que ponto os arquitetos e projetistas têm con-1. 
dições de criar um ambiente interno que contribua 
ativamente para a boa saúde? Quais fatores são 
fundamentais para isso?
Quais foram os benefícios do DDT? Depois da pu-2. 
blicação de A Primavera Silenciosa (Silent Spring) 
(1962), de Rachel Carson, que deu origem à con-
trovérsia sobre os pesticidas, quais eventos leva-
ram à proibição do uso do DDT?
25 Atualmente, a Clean Production Action está desenvolvendo a 
“The Green Screen for Safer Chemicals,” http://www.cleanproduc-
tion.org, que classificará as substâncias químicas de acordo com o 
seu potencial de persistência, bioacumulação, toxicidade e nível de 
testagem de segurança.
23 World Health Organization (WHO), “Healthcare Waste 
Management, Some Basic Information on Healthcare Waste,” http://
www.healthcarewaste.org/en/123_hcw_general.html (acessado em 
19 de fevereiro de 2008).
24 Ibid.
Figura 5-11 Um incinerador de lixo hospitalar.
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Capítulo 5 As Fontes de Substâncias Químicas no Meio Ambiente 75
FONTES BIBLIOGRÁFICAS
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2002, http://www.healthybuilding.net.
Blue Vinyl, Judith Helfand & Dan Gold, documentário sobre a vida 
útil do PVC, produzido em 2002, que venceu o Festival de Cine-
ma de Sundance, http://www.bluevinyl.org.
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Trade Secrets: A Bill Moyers Report. 2001. Escrito por Bill Moyers 
& Sherry Jones. Produzido por Sherry Jones. Nova York: Uma 
produção de Public Affairs Television, Inc., em associação com 
Washington Media Associates, Inc., A Presentation of Thirteen / 
WNET New York. http://www.pbs.org/tradesecrets/.
AS SUBSTÂNCIAS QUÍMICAS PREOCUPANTES
26
Poluentes orgânicos persistentes (POPS) e outras substâncias tó- •
xicas persistentes e bioacumulativas (PBTs)
Carcinogênios •
Neurotoxinas •
Agentes toxicantes do sistema reprodutivo •
Agentes toxicantes do desenvolvimento •
Disruptores endócrinos •
Mutágenos •
Todas as substâncias químicas halogenadas, incluindo os bromi- •
nados e outros retardantes de chamas halogenados
Outros agentes toxicantes agudos ou crônicos •
Fonte: Sustainable Biomaterials Collaborative & Healthy Buildings Network, 
“Sustainable Bioplastics Guidelines”, Versão 7 (25/06/2007), http://www.
healthybuilding.net/bioplastic/SustBioplasticGuide.pdf (acessado em 31 
de dezembro de 2008).
26 Para saber mais sobre os aditivos nocivos que devem ser evitados, 
consulte Rossi & Lent, “Creating Safe and Healthy Spaces: Selec-
ting Materials that Support Healing” in Designing the 21st Century 
Hospital Environmental Leadership for Healthier Patients and Faci-
lities, http://www.healthybuilding.net/healthcare/HCWH-CHD-De-
signing_the_21st_Century_Hospital.
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As Substâncias Químicas 
Presentes nos Ambientes 
Internos que Afetam os Seres 
Humanos e as Edificações
6
OS CAMINHOS DA TRANSMISSÃO
Já analisamos os materiais e seus componentes quí-
micos – os verdadeiros “venenos sem passaporte”1 
– que são depositados no meio ambiente pelas ativi-
dades humanas; agora, examinaremos os caminhos 
de transmissão, ou rotas de exposição, para o corpo 
humano e outros organismos vivos cuja existência, 
devido à cadeia alimentar, está intimamente relacio-
nada à nossa (Figura 1-6). Para compreender os ca-
minhos de transmissão, é preciso considerar fatores 
como: o período de exposição a determinadas subs-
tâncias físicas, a duração da exposição (aguda, de 
curto prazo, crônica ou contínua e frequente) e a sen-
sibilidade dos sujeitos a elas. Muitas populações são 
mais vulneráveis à exposição química por causa de 
doenças ou problemas imunológicos, gravidez, des-
nutrição ou consumo abusivo de bebidas alcoólicas 
ou outras substâncias ilícitas.2
Segundo pesquisadores australianos, a produção 
mundial de substâncias químicas orgânicas (à base de 
carbono) passou de aproximadamente um milhão de 
toneladas métricas por ano na década de 1930 para 
250 milhões de toneladas métricas por ano em 1985. 
Eles estimam que a produção anual de substâncias 
químicas orgânicas dobrará a cada sete ou oito anos. 
Uma vez que alvos humanos participaram do desen-
volvimento das armas químicas, os caminhos da trans-
missão química puderam ser entendidos. A absorção 
pela inalação está entre as rotas de transmissão mais 
comuns. A inalação das emissões químicas de deter-
minados acabamentos internos, como seladores ou 
tintas para madeira, pode agir sobre os pulmões e ter 
efeitos de longo prazo em outros sistemas corporais. 
Outro método de transmissão é o contato direto ou 
indireto pelas membranas mucosas e pela pele; isso 
ocorre tanto entre seres humanos como entre animais 
e seres humanos. Nas edificações, o contato se dá por 
produtos de limpeza domésticos e industriais comuns. 
A ingestão por alimentos ou por água também é um 
caminho de transmissão. Os efluentes das indústrias 
ou usinas podem contaminar a água potável. Existemoutros caminhos de transmissão que não serão discu-
tidos neste livro, mas podem ser atribuídos às ativi-
dades humanas; dentre eles, destaca-se a exposição 
à radiação.
Os danos causados pelas substâncias químicas 
podem ser divididos em quatro categorias princi-
pais: carcinogênicos (também chamados de cance-
rígenos, ou seja, que causam câncer), teratogênicos 
(que causam defeitos de nascença), agentes toxi-
cantes da reprodução e do desenvolvimento (que 
provocam o desenvolvimento anormal dos fetos e 
podem danificar o sistema reprodutor) e disruptores 
endócrinos (que interferem no funcionamento nor-
mal dos hormônios).
Os impactos nos seres humanos
Em 2001, Bill Moyers (Figura 6-2), um jornalista com 
participação fundamental nos governos dos presiden-
tes Kennedy e Johnson, apresentou o conceito de “car-
ga corporal química” para o público leigo em uma re-
portagem investigativa televisionada, intitulada Trade 
Ano
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200
150
100
50
0
1930 1950 19851970
Figura 6-1 A produção mundial de produtos químicos orgânicos en-
tre 1930 e 1985.
1 National Toxics Network, http://www.oztoxics.org/ntn/lobby.html.
2 New York State Department of Health, http://www.health.state.
ny.us.
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Capítulo 6 As Substâncias Químicas Presentes nos Ambientes Internos que Afetam os Seres Humanos e as Edificações 77
Secrets (Segredos Comerciais).3 O conceito de carga 
corporal química é definido como “a quantia total de 
uma substância no corpo”.4 Algumas substâncias são 
armazenadas na gordura ou nos ossos e se acumulam 
no corpo, abandonando-o bem devagar. A quantidade 
de uma substância química determinada armazena-
da no corpo em um momento específico é resultado 
de sua exposição, principalmente quando se trata de 
substâncias químicas possivelmente tóxicas. As cargas 
corporais podem resultar de armazenagens de curto 
ou longo prazo, por exemplo, “a quantidade de metal 
nos ossos, a quantidade de uma substância lipofíli-
ca, ou seja, que tem afinidade pelas gorduras como o 
PCB no tecido adiposo, ou a quantidade de monóxido 
de carbono no sangue”.5
Com a teletransmissão da reportagem de Bill 
Moyers, o público em geral passou a ter conhecimen-
to do conceito de carga corporal química, embora ele 
já fosse familiar aos toxicologistas antes disso. Há cer-
ca de 30 anos, o National Center for Environmental 
Health, que faz parte dos Centers for Disease Con-
trol and Prevention, vem monitorando seres humanos 
para compreender a exposição humana às substân-
cias tóxicas encontradas no meio ambiente. Esse tipo 
de monitoramento inclui a medição das substâncias 
presentes no sangue, na urina, no leite, cabelo, órgãos 
e tecidos. As substâncias químicas que compõem a 
carga corporal são: PCBs (bifenis policlorados, com-
postos clorados usados como refrigerantes em equi-
pamentos elétricos), DDT (dicloro-difenil-tricloroe-
tano, um pesticida cujo uso foi proibido na década 
OITO COISAS QUE OS ESTUDANTES DE ARQUITETURA E DESIGN 
DEVEM SABER SOBRE OS VENENOS SEM PASSAPORTE
Bill Walsh, fundador e coordenador nacional da Healthy Building 
Network, e Julie Silas, advogada, pesquisadora e diretora do Health 
Care Projects da Rede das Edificações Saudáveis (Healthy Building 
Network).
Bill
Pense no material inteiro e nos impactos dos usos imprevistos dos 
materiais, componentes, dejetos derivados e processos de fa-
bricação. Pense no ciclo de vida útil.
Não considere apenas a exposição dos usuários, mas também dos 
fabricantes, instaladores e encarregados da limpeza.
Estude as melhores empresas engajadas, ou seja, aquelas que 
estabelecem metas para eliminar as substâncias químicas e 
os materiais preocupantes de seus produtos ou processos de 
manufatura. Os estudantes devem distinguir as empresas que 
apenas fazem de conta que estão comprometidas com a sus-
tentabilidade daquelas que são realmente engajadas.
Use o princípio da precaução para escolher entre dois materiais.
Julie
Os arquitetos que estão se formando devem entender a importân-
cia das bibliotecas de materiais para as firmas de arquitetura. É 
nesses locais que os fabricantes de produtos exibem seus bens. 
Os especialistas em materiais são fundamentais como a última 
linha de defesa. Eles têm condições de vetar materiais antes 
da aprovação dos mesmos, orientando as especificações do ar-
quiteto. Trata-se de uma boa lição para aqueles que desejam 
pensar no ciclo de vida útil.
Faça perguntas aos fabricantes de produtos! Isso promoverá a 
conscientização em diferentes níveis. Descubra quais subs-
tâncias não estão listadas nas fichas de segurança do material 
(MSDS). Com frequência, alguns produtos químicos não são 
divulgados, sob a alegação de se tratarem de fórmulas paten-
teadas.
Os arquitetos devem ter conhecimento de química sustentável eco-
logicamente, assim como os novos químicos devem se especia-
lizar em sustentabilidade.
Saiba mais sobre os efeitos da nanotecnologia e dos nanomateriais 
sobre a saúde, bem como sobre sua presença em itens de con-
sumo, e a falta de testes de segurança e divulgação de informa-
ções para o público.6
Figura 6-2 O jornalista Bill Moyers.
6 “Nanotechnology’s Invisible Threat,” Sass.
3 Trade Secrets, Moyers & Jones, http://www.pbs.org/tradesecrets/ 
(acessado em 01 de janeiro de 2009).
4 Green Facts: Facts on Health and the Environment (organização 
belga sem fins lucrativos fundada em 2001), Glossário, http://www.
greenfacts.org/glossary/abc/body-burden.htm.
5 Green Facts: Facts on Health and the Environment (organização 
belga sem fins lucrativos fundada em 2001), http://www.greenfacts.
org; glossário de saúde da EPA, http://www.epa.gov/ttn/atw/hlthef/
hapsec1.html; para uma lista de substâncias químicas e seus efei-
tos, acesse: Human Toxome Project, Environmental Working Group, 
http://www.bodyburden.org.
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78 Fundamentos de Projeto de Edificações Sustentáveis
de 1970), PBDE (éteres de difenilo polibromado, um 
tratamento retardante de fogo aplicado a materiais de 
construção), dioxinas (usadas na fabricação do clore-
to de polivinil [PVC] e de outros plásticos, mas libe-
radas durante a sua incineração), ftalatos (um agente 
plastificante do PVC, que também é usado em cos-
méticos), triclosan (um agente antibactericida de uso 
bastante comum), furanos, metais, organoclorados e 
inseticidas com organofosfatos. Grande parte dessas 
substâncias químicas pode contribuir para síndromes 
como a desordem do espectro autista, doenças au-
toimunes e deficiências de aprendizado, males que 
atualmente estão sendo analisados sob a ótica dos fa-
tores ambientais contribuintes. Os efeitos mais “visí-
veis” e quantificáveis sobre a saúde estão associados 
às taxas cada vez mais altas de alergias, asma e cân-
cer, bem como aos resultados da disrupção endócrina 
por substâncias químicas conhecidas como toxicantes 
do sistema reprodutor.
Recomendações
Várias organizações ambientais, organizações de saú-
de pública e grupos de pesquisa sem fins lucrativos 
contribuíram para que a questão da presença de subs-
tâncias químicas no meio ambiente ficasse mais visí-
vel e chegasse ao conhecimento do público em geral. 
Junto a pesquisadores médicos, muitas organizações 
e grupos fizeram recomendações para a revisão de le-
gislações preexistentes.
O Environmental Working Group (EWG) é um 
grupo composto por engenheiros, cientistas e espe-
cialistas em políticas de ação sem fins lucrativos, cuja 
missão consiste em cobrar o direito do público de 
saber da ocorrência de vazamentos químicos e im-
pactos ambientais. Um dos estudos encomendados e 
financiados por ele mostrou que, dentre 413 substân-
cias químicas selecionadas, 287 estavam presentes no 
sangue do cordão umbilical de recém-nascidos. Den-
tre as substâncias encontradas, 180 causam câncer 
em seres humanos ou animais, 217 são tóxicas para 
o cérebroe o sistema nervoso, e 208 causam proble-
mas no desenvolvimento.7 O EWG recomenda que a 
Lei para o Controle de Substâncias Tóxicas de 1976 
(Toxic Substances Control Act of 1976) seja transfor-
mada em “uma verdadeira lei ambiental e de saúde 
pública”, que exija uma testagem mais rigorosa das 
substâncias químicas; obrigue os fabricantes a com-
provar a segurança das substâncias produzidas por 
eles; tire do mercado todas as substâncias químicas 
que não tiverem sido submetidas a testes de seguran-
ça; confira à Agência de Proteção Ambiental dos Es-
tados Unidos (EPA) plena autoridade para exigir que 
os estudos de segurança sejam um pré-requisito para 
a venda de substâncias químicas; e forneça incentivos 
para o desenvolvimento de alternativas sustentáveis 
para as principais substâncias químicas industriais e 
de consumo.8
O Community Monitoring Working Group (CMWG), 
da Rede Nacional de Substâncias Tóxicas da Austrália, 
faz várias recomendações relacionadas especialmente 
à exposição de crianças às substâncias químicas. Essas 
recomendações foram resumidas no Body Burden Com-
munity Monitoring Handbook (Manual de Monitora-
mento Comunitário da Carga Corporal) , uma iniciativa 
da International POPs Elimination Network. O CMWG 
contribuiu para a realização da Convenção de Estocol-
mo sobre Poluentes Orgânicos Persistentes (POPs) em 
2001, “facilitando e auxiliando o monitoramento comu-
nitário dos poluentes orgânicos persistentes e de outras 
substâncias tóxicas persistentes”.9 Entre suas recomen-
dações, destacam-se a avaliação das cargas corporais 
químicas, a realização de pesquisas sobre tais cargas 
corporais, o fortalecimento das leis preexistentes que 
exigem análises de riscos químicos antes de as substân-
cias químicas chegarem ao mercado, e a promoção de 
uma química e de alternativas mais sustentáveis.10
Essas recomendações estão intimamente associa-
das ao princípio da precaução adotado pela União 
Europeia em 1992. A declaração do princípio da pre-
caução foi divulgada no ponto alto de uma confe-
rência histórica que reuniu cientistas, filósofos, ad-
vogados e ativistas ambientais, com a finalidade de 
desenvolver uma “abordagem antecipatória” referen-
te à tomada de decisões no âmbito do meio ambiente 
e da saúde pública. A Wingspread Consensus State-
ment on the Preventive Principle (Declaração Con-
sensual de Wingspread sobre o Princípio da Precau-
ção, janeiro de 1998), assim chamada de acordo com 
o local onde foi realizada a conferência, produziu a 
seguinte diretriz:
Sempre que uma atividade ameaça o meio am-
biente ou a saúde humana, é necessário adotar 
medidas preventivas mesmo que algumas rela-
ções de causa e efeito ainda careçam de funda-
mentação científica definitiva. Neste contexto, 
o proponente de uma atividade, e não o pú-
blico, deverá ter o ônus da prova. O processo 
de aplicação do princípio da precaução deve 
ser aberto, oferecer informações suficientes, in-
cluindo, na medida do possível, todas as partes 
7 “Detailed findings”, Body Burden: The Pollution in Newborns, 
Environmental Working Group (EWG) Study (Washington, DC: 
EWG, 2005), http://archive.ewg.org/reports/bodyburden2/part8.php 
(acessado em 01 de janeiro de 2009).
8 Ibid., http://archive.ewg.org/reports/bodyburden2/part4.php.
9 Community Monitoring Working Group, Introduction to the Body 
Burden Community Monitoring Handbook, 2005: http://www.ozto-
xics.org/cmwg/bb_introduction.html.
10 Marianne Lloyd-Smith, Coordinator, National Toxics Network, 
Community Monitoring Working Group, http://www.oztoxics.org.
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Capítulo 6 As Substâncias Químicas Presentes nos Ambientes Internos que Afetam os Seres Humanos e as Edificações 79
afetadas. Ele também deve incluir o exame de 
todas as alternativas, incluindo a inação.11
A Convenção de Estocolmo sobre Poluentes Orgâ-
nicos Persistentes é um ótimo exemplo do princípio 
da precaução em escala global. Realizada em 2001, 
ela produziu um tratado que deu origem a um esforço 
internacional para “eliminar gradualmente as substân-
cias químicas nocivas que sobrevivem no meio am-
biente e podem ser transmitidas para todo o mundo. 
A lista inicial de 12 substâncias químicas previstas 
pelo tratado inclui nove pesticidas organoclorados, 
sendo que todos eles já foram banidos nos Estados 
Unidos”.12
Em junho de 2003, São Francisco se tornou a pri-
meira cidade dos Estados Unidos a usar o princípio da 
precaução como base para suas políticas ambientais. 
Desde então, muitas outras prefeituras e agências go-
vernamentais dos Estados Unidos passaram a adotar 
o princípio por completo ou parcialmente, apesar de 
várias associações industriais e comerciais continua-
rem se opondo a ele (Figura 6-3).
As substâncias químicas e os poluentes 
da indústria da construção civil
Já conhecemos as fontes, as rotas de transmissão e os 
impactos das substâncias químicas na saúde humana, 
na carga corporal e no meio ambiente. Muitas des-
sas fontes são materiais de construção cujas emissões 
químicas internas têm diversos efeitos na saúde. Uma 
vez que passamos a maior parte do nosso tempo em 
ambientes internos (aproximadamente 90%),13 a pre-
sença de determinadas substâncias químicas neles 
é particularmente preocupante. As edificações mo-
dernas costumam ser extremamente herméticas por 
razões acústicas e de conservação de energia. Junto 
ESTATÍSTICAS DE ASMA, ALERGIA E CÂNCER NOS ESTADOS UNIDOS
A asma é responsável por aproximadamente 24,5 milhões de au- •
sências de adultos no trabalho por ano. Cerca de 20 milhões de 
pessoas sofrem de asma nos Estados Unidos.i
Os índices de asma em crianças com menos de cinco anos aumen- •
taram em mais de 160% entre 1980 e 1994.ii
A asma e as alergias afetam um em cada quatro cidadãos. • iii
O Instituto Nacional do Câncer estima que a incidência de câncer •
poderia ser reduzida em até 80 a 90% se causas ambientais como 
a dieta, o tabaco e o álcool, bem como a radiação, os agentes 
infecciosos e as substâncias presentes no ar, na água e no solo, 
fossem resolvidas.iv
i American Lung Association, Epidemiology and Statistics Unit, Research and Program 
Services, Trends in Asthma Morbidity and Mortality (Washington, DC: American Lung 
Association, May 2005).
ii David M. Mannino, David M. Homa, Carol A. Pertowski, Annette Ashizawa, Leah L. 
Nixon, et al., “Surveillance for Asthma – United States, 1960-1995”, Morbidity and 
Mortality Weekly Report 47 (SS-1) (1998): 1-28.
iii Centers for Disease Control, CDC Fast Facts A-Z. Vital Health Statistics (Atlanta, GA: 
CDC, 2003).
iv National Cancer Institute (NCI): http://www.cancer.gov.
¹¹ Science and Environmental Health Network, “Wingspread 
Statement on the Precautionary Principle,” janeiro de 1998, http://
www.sehn.org. A Conferência de Wingspread sobre o Princípio da 
Precaução foi promovida pela Science & Environmental Health 
Network, uma organização que une a ciência aos interesses públi-
cos, e pela Johnson Foundation, a W. Alton Jones Foundation, o C. 
S. Fund, e o Lowell Center for Sustainable Production da Universi-
dade de Massachusetts-Lowell. A declaração na íntegra:
A Declaração Consensual de Wingspread sobre o Princípio 
da Precaução: A liberação e o uso de substâncias tóxicas, 
a exploração dos recursos naturais e as alterações físicas 
no meio ambiente, tiveram consequências imprevistas que 
afetam a saúde pública e o meio ambiente. Entre essas 
preocupações estão as altas taxas de deficiências do apren-
dizado, de asma, câncer, defeitos de nascença e a extinção 
de espécies; somam-se a isso as mudanças climáticas glo-
bais, a destruição da camada de ozônio atmosférico e a 
contaminação de todo o planeta por substâncias tóxicas e 
materiais nucleares.
Acreditamos que as leis ambientais e outras decisões 
preexistentes, principalmente aquelas que se baseiam na 
avaliação de riscos, não têm conseguido proteger adequa-
damente a saúde humana e o meio ambiente – isto é, o 
sistema maiordo qual os seres humanos são somente uma 
pequena parte.
Acreditamos haver evidências irrefutáveis de que os 
danos aos seres humanos e ao meio ambiente em geral 
são de tal magnitude e gravidade que se faz necessário 
adotar novos princípios para a realização das atividades 
humanas.
Embora saibamos que as atividades humanas podem 
envolver riscos, é preciso que procedamos com mais cuida-
do do que tem sido empregado na história recente. As cor-
porações, entidades governamentais, organizações, comuni-
dades, os cientistas e demais indivíduos devem adotar uma 
abordagem preventiva em todas as atividades humanas.
Portanto, é preciso usar o Princípio da Precaução: 
Sempre que uma atividade ameaça o meio ambiente ou 
a saúde humana, é necessário adotar medidas preventivas 
mesmo algumas relações de causa e efeito ainda careçam 
de fundamentação científica definitiva.
Neste contexto, o proponente de uma atividade, e não 
o público, deve arcar com ônus da prova. O processo de 
aplicação do princípio da precaução deve ser aberto, ofe-
recer informações suficientes e democrático, incluindo, na 
medida do possível, todas as partes afetadas. Ele também 
deve incluir o exame de todas as alternativas, incluindo a 
inação.
12 Para saber mais sobre o conceito de carga corporal química, aces-
se http://www.chemicalbodyburden.org/cs_organochl.htm. Para ter 
acesso à lista completa de substâncias químicas e países que assi-
naram e ratificaram a convenção, acesse: http://www.pops.int/.
13 U.S. Environmental Protection Agency Green Building Work-
group, “Buildings and the Environment: A Statistical Summary (20 
de dezembro de 2004)” (Washington, DC: U.S. EPA, 2004), http://
www.epa.gov/greenbuilding/pubs/gbstats.pdf (acessado em 4 de 
janeiro de 2009).
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80 Fundamentos de Projeto de Edificações Sustentáveis
às emissões dos materiais de construção, a estanquei-
dade pode contribuir para a carga química total das 
edificações através da introdução de inúmeras subs-
tâncias químicas – muitas das quais se unem à nos-
sa carga corporal química e são classificadas como 
compostos orgânicos voláteis14 ou poluentes aéreos 
perigosos (Figura 6-4).
Os compostos orgânicos voláteis evaporam rapi-
damente e sua presença no ar diminui com o tempo. 
O benzeno e o tolueno são exemplos dessas subs-
tâncias. Diferentemente dos compostos orgânicos 
voláteis, cujas emissões são rápidas, os compostos 
orgânicos semivoláteis são emitidos mais lentamen-
te e por períodos mais longos. Os exemplos de com-
postos orgânicos semivoláteis incluem os ftalatos, os 
amaciantes usados na fabricação do PVC e os retar-
dantes de chamas halogenados. Esses últimos são par-
ticularmente preocupantes, uma vez que interagem 
com particulados e poeira para criar um sistema de 
aerossol eficiente. Os compostos orgânicos voláteis 
costumam anteceder outras substâncias químicas que 
não estão presentes no processo de fabricação de ma-
teriais de construção.
Além dos compostos orgânicos voláteis e semi-
voláteis, e entre as 80 substâncias químicas com as 
quais devemos nos preocupar (identificadas até maio 
de 2008), os profissionais da indústria da construção 
devem estar cientes das seguintes classificações:
As toxinas persistentes e bioacumulativas: algu- •
mas delas são substâncias químicas que estão na 
categoria de toxinas conhecidas pelo acrônimo 
CMRTNEs (também em inglês), significando car-
cinogênicos, mutagênicos, agentes toxicantes da 
reprodução, agentes toxicantes do desenvolvimen-
to ou teratogênicos, neurotoxicantes e disruptores 
endócrinos. As organotinas e os metais pesados, 
incluindo o chumbo e o mercúrio, são exemplos 
de toxinas persistentes e bioacumulativas.
Os poluentes orgânicos persistentes são um subcon- •
junto das toxinas persistentes e bioacumulativas; 
eles incluem os furanos, as dioxinas e os PCBs.
Como futuros profissionais da edificação susten-
tável, precisamos estar cientes de que determinadas 
toxinas persistentes e bioacumulativas e poluentes or-
gânicos persistentes podem ser encontrados nos ma-
teriais de construção, incluindo:
Os produtos derivados e os precursores de mate- •
riais como o PVC e outros plásticos – por exemplo, 
ftalatos em pisos, borrachas e outros materiais fle-
xíveis
Os retardantes de chamas brominados e os PBDEs •
no mobiliário
O metal, o chumbo e os compostos do cromo em •
tintas de arquitetura, vernizes, tintas de impressão 
e plásticos
O bisfenol A em tintas e películas (e também nos •
revestimentos internos das latas para alimentos)15
Os retardantes de chamas halogenados, principal- •
mente o cloro e determinados halogênios broma-
dos, usados em fios e tecidos de estofamento
Os perfluorcarbonos, que são usados como refri- •
gerantes (agentes frigorígenos)
O arsênico, atualmente banido da madeira auto- •
clavada
Os impactos da má qualidade do ar interno sobre 
a saúde humana decorrentes das substâncias quí-
micas presentes nos materiais de construção talvez 
levem um longo período para se manifestar; outros, 
por sua vez, aparecem de maneira relativamente rá-
pida. As três condições mais frequentes associadas às 
edificações são: a síndrome da edificação doente, as 
doenças relacionadas às edificações e a sensibilidade 
química múltipla (Figura 6-5).
A síndrome da edificação doente se manifesta nos 
sintomas de coriza – irritação da membrana mucosa 
– que ocorrem em um ambiente interno, mas que di-
minuem quando o indivíduo afetado sai do recinto. 
As doenças relacionadas às edificações consistem em 
impactos permanentes sobre a saúde, que podem estar 
diretamente relacionados à exposição a substâncias 
químicas no ambiente interno. A definição e a exis-
tência da sensibilidade química múltipla ainda geram 
controvérsias. Em geral, essa sensibilidade resulta das 
Figura 6-3 O princípio da precaução posto em prática.
14 O termo “poluentes aéreos perigosos” é cada vez mais utilizado 
em vez do termo “compostos orgânicos voláteis”, que inclui várias 
substâncias químicas que não são necessariamente tóxicas.
15 Até quantidades extremamente pequenas de bisfenol A são no-
civas. Descobriu-se que produtos feitos de policarbonatos emitem 
quantidades cada vez maiores de bisfenol A a cada lavagem em 
uma máquina de lavar louças do que o faziam quando novos.
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Capítulo 6 As Substâncias Químicas Presentes nos Ambientes Internos que Afetam os Seres Humanos e as Edificações 81
substâncias químicas presentes em nosso ambiente 
que advêm de materiais de construção, pesticidas e 
produtos derivados do petróleo, como gás, cosméti-
cos, solventes e equipamentos de escritório. A sensibi-
lidade química múltipla afeta mais do que um sistema 
do organismo e pode ocorrer com baixos níveis de 
exposição química. (As questões da qualidade do ar 
interno serão discutidas mais adiante, em detalhes.)
AS INSTALAÇÕES PREDIAIS: 
VAMOS CONSERTÁLAS
Como criar locais saudáveis para se viver, trabalhar 
e brincar, sem interferir nos processos e nas maté-
rias-primas durante a fabricação? A resposta para 
essa pergunta está em outro exemplo de como a 
sustentabilidade vestiu o manto do ativismo social. 
Como arquitetos, somos incumbidos de projetar de 
acordo com padrões prescritos de segurança e com 
um cuidado razoável. A nossa responsabilidade não 
se resume ao projeto de estruturas resistentes a terre-
motos ou ao planejamento de um número adequa-
do de saídas de emergência. Conforme os padrões 
de segurança, a nossa responsabilidade aumenta e 
passa a incluir a qualidade do ambiente interno e, 
consequentemente, a saúde dos usuários de nossas 
edificações. Esta é a oportunidade ideal para incor-
porar o princípio da precaução à nossa prática de 
arquitetura. A lista de ações inclui as áreas nas quais 
é possível aprimorar as saúdes ambiental e pública 
por meio de um projeto responsável e pela especi-
ficação e instalação de produtos.(Os materiais de 
acabamento interno serão apresentados com mais 
detalhes em capítulos posteriores.)
As instalações prediais: culpadas ou protetoras?
As instalações buscam promover o conforto térmico 
por meio do controle da umidade, do calor e do frio, 
entre outros fins. Nas últimas décadas, a eficiência 
energética tem sido tratada de maneira mais signi-
ficativa do que os impactos dos sistemas de climati-
zação sobre a saúde. Uma vez que este capítulo está 
focado na presença de substâncias químicas no meio 
ambiente, examinaremos, além das instalações, essa 
preocupação adicional. Ainda que, em geral, sejam 
culpadas pela entrada e pela circulação de poluentes 
internos nas edificações, as instalações também po-
dem agir como “protetoras” dos ambientes internos. 
Da mesma maneira, a entrada de poluentes ou par-
ticulados na edificação, independentemente da rota, 
deve ser controlada ou mesmo barrada. Lembre-se das 
consequências da má circulação do ar durante viagens 
aéreas como um exemplo de ar preso e exalado repeti-
Figura 6-4 Um panfleto educativo publicado pelo Departamento de Proteção Ambiental de Hong Kong, que ressalta as relações entre os com-
postos orgânicos voláteis e o smog.
Figura 6-5 O crescimento de mofo em edificações causa algumas 
doenças e exige a intervenção de especialistas.
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82 Fundamentos de Projeto de Edificações Sustentáveis
tivamente, juntamente com a exposição aos perfumes 
e produtos de higiene pessoal dos passageiros, os ma-
teriais de limpeza da aeronave e os produtos derivados 
dos combustíveis usados.
Os sistemas mecânicos ou as instalações prediais 
podem afetar a qualidade do ar interno de diferentes 
maneiras.
A ventilação • : a ventilação por meio de sistemas 
naturais, passivos ou mecânicos é um tópico vi-
tal que apresenta inúmeras variáveis. Considere 
os seguintes fatores: a qualidade do ar externo; a 
localização das fontes de poluição – o tráfego de 
veículos, a indústria local, a manufatura e o pro-
cessamento; a instalação das tomadas e saídas de 
ar (Figura 6-6); as condições climáticas; e as tro-
cas de ar necessárias para fins de conforto e saúde. 
Segundo os códigos de edificações, a taxa de tro-
ca de ar pode ser baixa; contudo, para ambientes 
onde a higiene é fundamental, como hospitais e 
laboratórios, ela deve ser mais alta. Algumas estra-
tégias de ventilação incluem o uso de filtros de alta 
eficiência para barrar os particulados do ar externo 
de maneira efetiva. É preciso isolar as áreas de ar-
mazenagem de substâncias químicas e as garagens 
das áreas ocupadas da edificação utilizando-se sis-
temas de ventilação distintos.
Os sistemas de calefação • : esses sistemas são 
mais eficazes quando a vedação externa da edi-
ficação tem uma boa hermeticidade e um bom 
isolamento térmico; no entanto, eles passaram a 
comprometer a qualidade do ar interno após a 
crise energética da década de 1970. Se calibra-
das de modo incorreto, a temperatura e a umida-
de produzidas por um sistema de calefação po-
dem levar ao crescimento de mofo, por exemplo. 
É importante contratar engenheiros mecânicos 
para equilibrar, testar e projetar os sistemas de 
calefação das edificações.
A refrigeração ambiente e as máquinas de refri- •
geração: há anos os refrigerantes utilizados pelos 
sistemas mecânicos têm sido submetidos a diver-
sas leis. Os clorofluorcarbonetos (CFCs), cujo uso 
era bastante comum, foram banidos por afetarem a 
camada de ozônio. Da mesma maneira, os hidro-
clorofluorcarbonetos (HCFCs) estão começando a 
ser eliminados gradualmente. Refrigerantes alter-
nativos já chegaram ao mercado, e os fabricantes 
de sistemas de climatização terão de se adaptar a 
eles. Assim como ocorre com os sistemas de cale-
fação e umidade, o crescimento de mofo devido à 
refrigeração também é preocupante.
As instalações hidrossanitárias: o abastecimento, 
o tratamento e a filtragem de água
As edificações têm diferentes demandas de água que 
variam de acordo com sua localização e seu tama-
nho, incluindo a água para consumo humano, banho, 
limpeza (pessoal, do lar ou das áreas de uso comum 
das edificações), jardins, irrigação, e a água tratada 
dos aparelhos hidrossanitários. Todas essas deman-
das são capazes de afetar a saúde humana, exigindo 
exame detalhado em dois níveis distintos: o controle 
das substâncias químicas no abastecimento de água e 
a entrada de água mais limpa em nossas edificações 
(Figura 6-7).
É necessário considerar tais necessidades de ma-
neira holística. A seguir, listamos algumas das consi-
derações holísticas relativas ao consumo de água nas 
edificações:
O abastecimento • : a principal preocupação está 
na obtenção de água de fontes municipais ou ru-
AS ÁREAS DE ATENÇÃO PARA OS PROJETISTAS
Materiais que não fazem parte do acabamento da vedação ex-A. 
terna da edificação:
Painéis de vedação, vidraças, barreiras de vapor, isolantes •
térmicos, esquadrias
Acabamentos internos:B. 
Carpete •
Tintas e películas •
Adesivos e vedantes •
Fontes de formaldeído: telhas e madeiras compostas •
Tecidos para estofados, cortinas e móveis •
Materiais que contêm PVC, como pisos flexíveis e revestimen- •
tos de parede
Produtos de manutenção e limpezaC. 
Figura 6-6 As tomadas de ar não devem ficar próximas a fontes de 
poluição aérea.
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Capítulo 6 As Substâncias Químicas Presentes nos Ambientes Internos que Afetam os Seres Humanos e as Edificações 83
rais in loco e na sua circulação por sistemas de 
tubulação adequados. A Safe Drinking Water Law 
(Lei da Água Potável Segura) obriga que a Agência 
de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) 
estabeleça normas para proteger a saúde humana 
contra os contaminantes presentes na água potá-
vel. A partir dessa lei, a EPA desenvolveu padrões 
nacionais para a água potável e criou um sistema 
federal e estadual conjunto que visa a garantir o 
cumprimento dos referidos padrões. Também de 
acordo com a lei, a EPA controla a injeção subter-
rânea de resíduos líquidos para proteger as fontes 
subterrâneas de água potável.16
A qualidade • : a qualidade da água potável é afetada 
pela necessidade de se remover particulados, bac-
térias e poluentes do abastecimento de água. Subs-
tâncias químicas, como o cloro, foram introduzidas 
para combater as bactérias, criando outra série de 
problemas. As fontes de água e os métodos usados 
para tratá-las variam conforme o município. As co-
munidades mais afastadas costumam depender da 
água de poços artesianos, que, como vimos ante-
riormente, podem ser o ponto final da migração de 
inúmeras substâncias químicas ambientais.
O tratamento • : o tratamento de água para reuso 
por meio de tecnologias in loco ou de sistemas 
naturais é uma questão de abastecimento e retor-
no que tem efeitos significativos sobre a saúde. 
O conceito de tratamento de água in loco não é 
recente. No final do século XIX, os franceses já 
utilizavam tanques sépticos. Além dos tanques 
sépticos, o tratamento pode ser feito de modo na-
tural (com biodigestores) ou mecânico (pela cons-
trução de sistemas de tratamento integrados à edi-
ficação ou em grande escala para tratar as águas 
fecais – termo que se refere ao esgoto sanitário 
doméstico proveniente das bacias sanitárias), o 
que é determinado pelo fato de o resultado servir 
como água a ser processada, para fins de irriga-
ção ou a ser devolvida para o sistema de esgoto 
e, a partir dali, para uma estação municipal de 
tratamento de água. Campos de despejo ou siste-
mas de filtragem com pedras também são usados 
no tratamento da água. Existem dois tipos de tra-
tamento, um para as águas fecais e outro para as 
águas servidas – o último termo se refere às águas 
residuais domésticas provenientes da lavagem 
de roupa, da lavagem de louças e do banho. Até 
agora, nenhum tipo de tratamento de água in loco 
produz água potável.
Quais são os possíveis impactos dotratamento de 
água in loco sobre a saúde humana? Os tanques de 
tratamento, os campos de absorção ou despejo, as la-
goas de estabilização, as latrinas de fossas e as bacias 
sanitárias de compostagem não devem ficar perto das 
fontes de água potável, de forma a impedir a exposição 
a roedores ou outras pragas que possam transmitir ele-
mentos causadores de doenças. As doenças entéricas 
são transmitidas pela água.
ESTAÇÃO DE TRATAMENTO
DE ÁGUAS RESIDUAIS
PONTUAIS
FONTES
ÁREAÁREA
SUBURBANASUBURBANA
FERTILIZANTESFERTILIZANTES
ESTACIONA-ESTACIONA-
MENTOSMENTOS
ESCOADOURO
DE ÁGUAS
PLUVIAIS
CONSTRUÇÃOCONSTRUÇÃO
ATERRO SANITÁRIOATERRO SANITÁRIO
FONTES NÃOFONTES NÃO
PONTUAISPONTUAIS
TANQUE SÉPTICOTANQUE SÉPTICO
CAMPOS DE DESPEJOCAMPOS DE DESPEJO
PESTICIDASPESTICIDAS
AGRICULTURAAGRICULTURA
AQUÍFEROAQUÍFERO
QUALIDADE DA ÁGUA – POSSÍVEIS FONTES DE POLUIÇÃOQUALIDADE DA ÁGUA – POSSÍVEIS FONTES DE POLUIÇÃO
Figura 6-7 As possíveis fontes de poluentes que afetam a qualidade da água.
16 U.S. EPA, Office of Ground Water and Drinking Water (OGWDW), 
“Ground Water and Drinking Water”, http://www.epa.gov/ogwdw.
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84 Fundamentos de Projeto de Edificações Sustentáveis
Não há dúvida de que, futuramente, as águas resi-
duais serão fontes de água potável. Em relação ao nível 
de infraestrutura do tratamento de águas residuais atual, 
é preciso fazer uma consideração importante: nenhu-
ma técnica de tratamento de águas residuais é capaz 
de remover algumas dentre as mais de 126 substâncias 
químicas decorrentes do nosso uso de aproximada-
mente 10 produtos de higiene pessoal por dia.17 Uma 
análise de substâncias químicas realizada em 2007 
encontrou bisfenol A, ftalatos, triclosan (encontrado 
em sabonetes antibactericidas) e três disruptores endó-
crinos nas águas residuais despejadas na Baía de São 
Francisco, nos Estados Unidos. Entre elas, destaca-se 
a galaxolida, uma fragrância mascaradora (ou “almís-
car”) que se acumula em tecidos e no leite materno e 
que, em animais submetidos a testes, levou à disrupção 
endócrina.18 Ao considerar a presença de substâncias 
químicas no meio ambiente, o projetista de edificações 
sustentáveis deve estar ciente dessa preocupação rela-
tiva à qualidade e ao tratamento da água.
A filtragem • : a água é filtrada nos pontos de uso. 
Seja qual for a fonte, a água fornecida às edifica-
ções deve ser transportada de modo responsável 
e abastecida tendo-se em mente as questões de 
saúde. As considerações incluem a tubulação, o 
tratamento (se necessário) e os filtros nas torneiras. 
Os materiais de tubulação geram muitas contro-
vérsias. Deve-se incentivar o uso de tubos de co-
bre feitos por meio de um processo que consome 
muita água e energia? A tubulação que transporta 
a água potável deve ser feita de PVC? A filtragem 
feita na torneira utiliza diferentes tecnologias ou 
qualquer tipo de filtro disponível no mercado, mas 
esses também provocam controvérsias.
Mais uma vez, este livro traz apenas uma visão 
geral das instalações prediais, e não, um estudo apro-
fundado das mesmas. É muito importante se familia-
rizar com os conceitos e compreender que todas as 
instalações precisam ser consideradas de maneira ho-
lística. No caso do abastecimento, da circulação, do 
tratamento e da gestão de água, a compreensão exige, 
no mínimo, que o projetista distribua os espaços ten-
do em mente as instalações. Para todas as instalações, 
é fundamental projetar buscando controlar a presença 
de substâncias químicas nos pontos de abastecimen-
to, circulação e uso. Conforme ocorre com a maio-
ria das tecnologias de instalações, o ideal é envolver 
engenheiros mecânicos, elétricos e de instalações hi-
drossanitárias, bem como arquitetos paisagistas, que 
tenham experiência na integração de sistemas.
A QUÍMICA SUSTENTÁVEL E OS 
MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO
Grupos de pesquisa como o Environmental Working 
Group e a Healthy Building Network, entre outros, 
colocaram a necessidade de se desenvolver alterna-
tivas mais sustentáveis para as substâncias químicas 
industriais no topo de suas listas de recomendações. 
Devido a tais recomendações, o campo da “química 
sustentável” está crescendo rapidamente. Isso tem im-
plicações para inúmeros envolvidos no setor da cons-
trução sustentável e também na indústria da constru-
ção convencional. Contando com materiais internos 
mais saudáveis feitos a partir de processos químicos 
sustentáveis, por exemplo, os arquitetos e construto-
res terão uma ferramenta com a qual projetar espaços 
internos igualmente mais saudáveis.
Embora tenha sido há pouco integrado aos currícu-
los universitários, o conceito de química sustentável 
surgiu no final de década de 1990, devido à publica-
ção do revolucionário livro de Paul T. Anastas e John 
C. Warner, Green Chemistry: Theory and Practice.19 A 
química sustentável é oficialmente definida como “o 
projeto de produtos e processos químicos capazes de 
reduzir ou eliminar o uso e a geração de substâncias 
nocivas”.20 A missão da química sustentável é “dire-
cionar as empresas para a ética e a ciência da preven-
ção”.21 Novamente, o ideal do princípio da precaução 
é fundamental. Assim como ocorre com a tarefa de se 
lidar com as mudanças climáticas, os incentivos para 
se apressar a inovação e a tecnologia neste campo re-
lativamente novo podem fomentar uma mobilização 
em grande escala, além de criar novos empregos.
A substituição dos materiais de construção que 
contêm substâncias tóxicas por alternativas mais sus-
tentáveis e menos comprometedoras para a saúde 
é orientada pelos princípios da química sustentável 
(resumidos no quadro a seguir). As referências feitas 
ao “projeto” de substâncias e processos químicos são 
relevantes para os estudantes, mas é preciso também 
observar que o princípio final inclui a prevenção de 
acidentes e de possíveis emissões de substâncias quí-
micas no meio ambiente.
17 “Down the Drain: Sources of Hormone-Disrupting Chemicals in 
San Francisco Bay”, Rebecca Sutton, PhD (EWG), and Jennifer Jack-
son (EBMUD), Environmental Working Group, July 11, 2007, http://
www.ewg.org.
18 Naidenko, Olga, “Not a Drop to Drink – Part 1: Down the Drain”, 
EWG Toxics Newsletter (25 Feb 2008), http://www.enviroblog.
org/2008/02/not-a-drop-to-drink-down-the-drain.html.
19 Paul T. Anastas and John C. Warner, Green Chemistry: Theory and 
Practice (Oxford and New York: Oxford University Press, 1998).
20 Warner Babcock Institute for Green Chemistry, “The Twelve Prin-
ciples of Green Chemistry” (Woburn, MA: Beyond Benign, a War-
ner Babcock Foundation, n.d.), http://www.beyondbenign.org/pdf/
gengc12p.pdf (03 de janeiro de 2009).
²¹ San Francisco Department of the Environment, White Paper, The 
Precautionary Principle and the City and County of San Francisco, 
March 2003.
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Capítulo 6 As Substâncias Químicas Presentes nos Ambientes Internos que Afetam os Seres Humanos e as Edificações 85
Muitos projetistas acreditam que o futuro do pro-
jeto de edificações saudáveis está sendo definido com 
o projeto de equipamentos de saúde. Os projetos de 
equipamentos de saúde estão estabelecendo os pa-
drões para o projeto de edificações inovadoras, in-
tegradas e sustentáveis. É possível que as equipes de 
projeto de equipamentos de saúde tenham uma maior 
consciência dos efeitos das ferramentas que utilizam – 
ou seja, os materiais de construção. Muitos projetistas 
de equipamentos de saúde têm dito que as pessoas 
que entram em hospitais para tratar de ferimentos ou 
doenças não devem ser expostas a materiais de cons-
trução capazes de prejudicá-las.
Recentemente, a Healthy Building Network e a 
Health Care Without Harm produziram um artigo in-
titulado The Future of Fabric – Health Care (O Futuro 
dos Tecidos – Serviços de Saúde), um guia científico 
riquíssimo que exemplifica os diferentes efeitos das 
substâncias químicas presentes nostecidos utilizados 
pela arquitetura de interiores.23 Infelizmente ou não, 
dependendo do ponto de vista, o relatório trata das 
substâncias químicas preocupantes encontradas em 
muitos materiais de construção. Lendo apenas o rela-
tório e nenhum outro documento citado nestes capí-
tulos, os alunos já terão acesso a uma análise comple-
ta das substâncias químicas presentes nos materiais 
de construção e seus efeitos.
Você provavelmente já concluiu que os arquitetos 
da era da sustentabilidade têm em mãos uma tare-
fa gigantesca. Além de saber lidar com a integrida-
de estrutural das edificações, as instalações, as taxas 
adequadas de ventilação, os contratos por escrito, os 
cronogramas de construção e os honorários, é preci-
so estar ciente da presença de substâncias químicas 
no meio ambiente e de como especificar materiais de 
maneira inteligente para que os espaços criados não 
contribuam significativamente para a carga corporal 
química. Sem dúvida, os petroquímicos e as substân-
cias químicas sintéticas estão onipresentes em nosso 
dia a dia.
Na verdade, o termo substância química não pre-
cisa ter uma conotação necessariamente negativa. É 
sabido que os avanços tecnológicos resultantes de 
inovações na indústria química são fundamentais 
para se manter uma vantagem competitiva em um 
mercado tão concorrido; além disso, eles são impor-
tantes para se aprimorar a segurança, os padrões de 
vida e a proteção contra doenças, principalmente nos 
países em desenvolvimento. Todavia, testes químicos 
mais eficazes, controles mais rigorosos e uma transpa-
rência cada vez maior são necessários para se educar 
uma população em grande parte inocente em relação 
às substâncias presentes em materiais de construção, 
produtos e acabamentos – sem falar nos alimentos, 
na água e no ar. Até então, e trabalhando em con-
junto, os projetistas que estão deixando a faculdade 
interessados na sustentabilidade precisam olhar com 
atenção para os materiais que usam em suas edifica-
ções. Este é um dever da prática de arquitetura e dos 
cuidados com a saúde humana.
COMPRIMENTO DE
ONDA
FAIXA DE
FREQUÊNCIA
FREQUÊNCIA
TIPO DE ENERGIA
DISPOSITIVO DE
DETECÇÃO
Campo magnético
terrestre
DC
0 Hz 10 Hz 100 Hz 1 KHz 10 KHz 100 KHz 1 MHz 10 MHz 100 MHz 1 GHz 10 GHz 100 GHz 1 THz 10 THz 100 THz 1 PHz 10 PHz 100 PHz 1 EHz 10 EHz 100 EHz
ELF VLF LF MF HF VHF UHF SHF EHF
Ondas cerebrais Som Rádio AM Rádio FM TV Telefones
celulares
Radar Radiação
cósmica de fundo
em microondas
Raios infravermelhos
térmicos
Raios infravermelhos
curtos
Raios-x Raios gama Raios cósmicos
Micro-ondas Milímetro Sub
milímetro
Raios
infra-
vermelhos
Luz visível Raios
ultravioletas
Magnetômetro DC
10 - 100
Mm
1 - 10
Mm
100 - 1000
km
10 - 100
km
100 - 1000
m
1 - 10
km
10 - 100
m
1 - 10 m 1 - 10
cm
1 - 10
mm
0.1 - 1
mm
100 - 1000
micro m
1 - 100
micro m
380 - 780
nano m
400 - 10
nm
10 nm - 100
pico m
0.124 - 124 keV 124 keV +
<100 pm10 - 100
cm
Medidor de força
eletromagnética
Fenômenos da
voz eletrônica
e áudio (EVP) Receptores ultrassônicos Câmera térmica Nightshot LI Fotografia UV Contador geiger
O Espectro Eletromagnético, por ScanTech - Serviços de Scanner de EMF, RF e Radiação - www.scantech7.com - Copyright 2005
Figura 6-8 O espectro de campos eletromagnéticos (EMF, na sigla em inglês).
OS PRINCÍPIOS DA QUÍMICA SUSTENTÁVEL
 1. Evite a produção de resíduos, em vez de tratá-los ou limpá-los.
 2. Maximize a economia de átomos para evitar desperdiçá-los.
 3. Desenvolva substâncias químicas sintéticas menos perigosas.
 4. Desenvolva substâncias e produtos químicos mais seguros, 
mas com bom desempenho.
 5. Use solventes e condições de reação mais seguros.
 6. Aumente a eficiência energética utilizando a temperatura e a 
pressão ambientes.
 7. Utilize estoques de abastecimento renováveis e não esgotáveis 
(use resíduos agrícolas em vez de estoques de abastecimento 
de combustíveis fósseis).
 8. Evite derivados químicos, pois eles usam reagentes adicionais 
e geram resíduos.
 9. Use catalisadores, em vez de reagentes estoiquiométricos, 
para minimizar a produção de resíduos.
 10. Desenvolva substâncias e produtos químicos que degradem 
após o uso.
 11. Faça análises em tempo real para impedir a poluição e a pro-
dução de derivados.
 12. Minimize a possibilidade de acidentes: desenvolva substâncias 
químicas e suas formas (sólida, líquida ou gasosa) visando a 
minimizar a possibilidade de acidentes químicos, como explo-
sões, incêndios e emissões para o meio ambiente.22
22 Anastas & Warner, Green Chemistry, 29-54.
²³ Julie Silas, Jean Hansen, and Tom Lent, “The Future of Fabric – 
Health Care,” Healthy Building Network in conjunction with He-
alth Care Without Harm’s Research Collaborative, October 2007, 
http://www.noharm.org/us.
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86 Fundamentos de Projeto de Edificações Sustentáveis
Em um capítulo posterior, analisaremos maneiras 
de desmascarar a falsa sustentabilidade de fabricantes 
fazendo perguntas relevantes que contribuirão para 
esse processo.
EXERCÍCIOS
O 1. princípio da precaução começa com uma decla-
ração de princípios éticos que inclui: “Acreditamos 
haver evidências irrefutáveis de que os danos aos 
seres humanos e ao meio ambiente em geral são de 
tal magnitude e gravidade que se faz necessário ado-
tar novos princípios para a realização das atividades 
humanas” (extraído da Wingspread Statement on the 
Precautionary Principle). É provável que, juntamente 
com a necessidade de se controlar as emissões de 
carbono, a presença de substâncias químicas em 
materiais de construção constitua o futuro da tecno-
logia da construção sustentável. Analise fabricantes 
de três produtos de construção distintos (isolantes, 
tintas e armários de madeira, por exemplo) e deter-
mine quais, se houver, integraram o princípio da pre-
caução às suas políticas corporativas.
Recentemente, os campos eletromagnéticos (EMF, 2. 
na sigla em inglês) receberam muita atenção e 
provocaram muita controvérsia e contradição (Fi-
gura 6-8). Um dos primeiros estudos concluiu que 
há uma relação entre a leucemia em crianças e a 
proximidade com linhas de distribuição de ener-
gia elétrica em alta voltagem.24 É possível projetar 
edificações sustentáveis de forma a evitar os cam-
pos eletromagnéticos ou se proteger contra eles? 
Até que ponto tais esforços podem ser considera-
dos como uma verdadeira tecnologia de projeto?
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(1979): 273-284.
Keeler_06.indd 86Keeler_06.indd 86 30.04.10 17:21:4430.04.10 17:21:44
As Tecnologias de Controle da 
Qualidade do Ar Interno – O Projeto 
Ecologicamente Sustentável para a 
Saúde de Longo Prazo dos Usuários
Leon Alevantis, MSc, Engenheiro, Profissional com Certificação LEED
7
POR QUE A BOA QUALIDADE DO 
AR INTERNO É IMPORTANTE?
A qualidade do ar interno afeta a produtividade, 
a saúde e o conforto dos trabalhadores. No caso 
de escolas, já se sabe que, além de uma boa ilu-
minação, a boa qualidade do ar interno melhora o 
aprendizado.1,2 A síndrome da edificação doente 
inclui uma variedade de sintomas, como irritação 
nos ouvidos e no nariz, agravamento das alergias 
e sintomas de asma, além de resfriados e doenças 
infecciosas mais frequentes (Figura 7-1). No passa-
do, a qualidade do ar interno não era levada a sério 
por empregadores e proprietários de edificações, o 
que se deve, principalmente, ao fato de que seus 
impactos econômicos ainda não haviam sido de-
finidos com clareza. No entanto, estudos recentes 
documentaram tais impactos.
Os impactos diretos da qualidade do ar interno 
incluem maiores custos com serviços de saúde, dimi-
nuição da produtividade, pedidos de indenização por 
parte do trabalhador, desvalorização dos imóveis e, 
em casos mais extremos, despesas com acordos ju-
diciais. Nos Estados Unidos, estima-se que as possí-
veis reduções nos gastos com serviços de saúde e a 
possível melhoria do desempenho dos trabalhadores 
devido à oferta de uma melhor qualidade do ar inter-
no possam chegar a um valor anual que varia entre 
dezenas de bilhões de dólares a mais de 100 bilhões 
de dólares.3
A análise detalhada da bibliografia existente indi-
ca que o aumento das taxas de ventilação e o melhor 
controle da temperatura podem melhorar o desempe-
nho tanto no trabalho como na escola (Figura 7-2).4 
As edificações que adotam medidas eficientes para 
melhorar a qualidade do ar interno e a sustentabili-
dade são mais agradáveis de se trabalhar, têm taxas 
de retenção de funcionários mais altas e, na maioria 
dos casos, resultam em aluguéis superiores. Algumas 
companhias de seguros oferecem descontos para 
quem investe na qualidade do ar interno e na susten-
tabilidade.5 Os arquitetos e os empregadores devem 
estar cientes de que os funcionários têm o direito a 
um ar interno mais saudável, como defendido pela 
Organização Mundial da Saúde (OMS).6
Figura 7-1 Os alérgenos podem afetar a qualidade do ar.
1 Mendell, M; & Heath, G. 2005. “Do Indoor Pollutants and Thermal 
Conditions in Schools Influence Student Performance? A Critical Re-
view of the Literature”. Indoor Air Journal, vol. 15, pp. 27-32. Dispo-
nível também em http://eetd.lbl.gov/ied/sfrb/pdfs/performance-2.pdf.
2 California Energy Commission. 2003. Windows and Classrooms: A 
Study of Student Performance and the Indoor Environment. Report 
P500-03-082-A-7. Disponível em: http://www.h-m-g.com/.
3 Fisk, W.J. 2000. “Health and productivity gains from better indoor 
environments and their relationship with building energy efficiency”. 
Annual Review of Energy and the Environment 25(1): 537-566.
4 Fisk W.J. & Seppanen O. 2007. “Providing Better Indoor Environ-
mental Quality Brings Economic Benefits”. Proceedings of Clima 
2007 Well Being Indoors, June 10-14, 2007. Helsinki. Paper A01. 
Publicado por FINVAC, Helsinki. Disponível em: http://eetd.lbl.
gov/ied/sfrb/sfrb.html.
5 Fireman’s Fund Insurance Company. http://www.fi remansfund.
com/.
6 Organização Mundial da Saúde. 2000. The Right to Health Indoor 
Air. Disponível em: http://www.euro.who.int/document/e69828.pdf
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88 Fundamentos de Projeto de Edificações Sustentáveis
OS FATORES QUE INFLUENCIAM A 
QUALIDADE DO AR INTERNO
Os compostos orgânicos voláteis (VOCs, na sigla em 
inglês). A qualidade do ar interno depende dos inú-
meros contaminantes gerados pelas fontes pela in-
ternas e também dos contaminantes provenientes do 
exterior, que são transportados pela ventilação e pela 
infiltração. A maioria dos materiais de construção e 
dos móveis usados em escritórios emite compostos 
orgânicos voláteis após a fabricação (produtos se-
cos) ou após a instalação (produtos molhados). Salvo 
poucas exceções, como os produtos que contêm for-
maldeídos, as emissões dos materiais de construção 
caem consideravelmente nos primeiros meses que se 
seguem à sua manufatura ou à instalação. Posterior-
mente, os compostos orgânicos voláteis associados 
aos produtos de limpeza e aos usuários e suas ativi-
dades, como produtos de higiene pessoal, fotocopia-
doras e impressoras, costumam afetar mais o ambien-
te interno7 (Figura 7-5).
A ventilação. O objetivo da ventilação nas edifica-
ções é diluir e remover os contaminantes. Às vezes, 
o sistema de ventilação propriamente dito se torna 
uma fonte de contaminação – por exemplo, quando 
o mofo cresce dentro e ao redor das serpentinas de 
resfriamento e das bandejas de drenagem que não se-
cam de maneira apropriada ou quando os dutos ficam 
cheios de pó devido à falta de manutenção adequada 
do filtro.
Projetar e manter uma pele de edificação bem-ve-
dada contra a água e eliminar os vazamentos nas ins-
talações hidrossanitárias são fatores fundamentais para 
se evitar a entrada de água e a formação de mofo.
A localização e a implantação da edificação são 
variáveis que afetam a qualidade do ar interno, de-
vendo ser estudadas ainda no início do projeto (Fi-
guras 7-3 e 7-4). É possível evitar a liberação de ra-
dônio, um gás que ocorre naturalmente no solo, ou 
de outros gases emitidos por solos contaminados, 
promovendo-se a despressurização ativa do solo e 
a vedação das rotas de ingresso de vapor. Para evi-
tar a síndrome da edificação doente, é necessário 
implantar as edificações longe de campos eletro-
magnéticos fortes8 e posicionar as tomadas de ar da 
edificação longe e a barlavento (ou seja, no lado 
oposto) das fontes de poluição, como as autoestra-
das (Figura 7-7).
Figura 7-2 À medida que as taxas de ventilação aumentam, também 
sobem a produtividade e o desempenho.
Figura 7-3 A localização e a implantação da edificação são variáveis 
que afetam a qualidade do ar interno.
Figura 7-4 Ao planejar comunidades, é fundamental considerar a 
proximidade com atividades industriais.
7 Alevantis, L. 2006. Long-Term Building Air Measurements For Vo-
latile Organic Compounds (VOCs) Including Aldehydes At A Cali-
fornia Five-Building Sustainable Office Complex. California Depart-
ment of Health Services (rebatizado como California Department 
of Public Health). Disponível em: http://www.cal-iaq.org/VOC/
East_End_Study_2006-09.htm.
8 Site do California Electric and Magnetic Fields Program, http://
www.ehib.org/emf/.
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Capítulo 7 As Tecnologias de Controle da Qualidade do Ar Interno 89
OS TIPOS DE POLUENTES INTERNOS
Existem, literalmente, centenas de substâncias quími-
cas presentes no meio ambiente. A maioria dos produ-
tos de construção emite compostos orgânicos voláteis, 
o que resulta em concentrações internas que podem 
ser um pouco ou muito mais altas do que as encontra-
das em ambientes externos. Ainda que os compostos 
orgânicos voláteis tenham sido bastante enfatizados, 
à medida que são desenvolvidas novas técnicas de 
análise e que a nossa compreensão da química do ar 
interno aumenta, outros compostos – como os com-
postos orgânicos semivoláteis, que incluem ftalatos, 
pesticidas e retardantes de chamas, além de substân-
cias químicas derivadas de reações com outras subs-
tâncias químicas internas– estão se tornando fatores 
cada vez mais importantes para se avaliar o ambiente 
interno (Figura 7-6).
A nossa compreensão dos efeitos da maioria des-
ses compostos sobre a saúde e o odor, tanto individual 
como coletivamente, e nas concentrações geralmente 
medidas em ambientes internos é muito limitada. Para 
analisar o impacto de substâncias químicas internas 
específicas nos usuários de edificações, é importan-
te considerar que a maioria das diretrizes de saúde 
preexistentes para substâncias químicas se aplica aos 
ambientes industriais que são ocupados por trabalha-
dores adultos saudáveis; logo, não é sensato aplicar 
as mesmas diretrizes aos ambientes não industriais, 
que incluem uma ampla variedade de usuários, como 
crianças e idosos.
Além de controlar a presença de substâncias quí-
micas no ar interno, também é importante controlar o 
crescimento de micróbios dentro das edificações. Os 
sinistros de seguro contra mofo se multiplicaram de 
maneira incontrolável há alguns anos, o que levou vá-
rias companhias de seguro a excluírem explicitamen-
te esse tipo de seguro de suas apólices. Os vazamen-
tos nos sistemas de vedação externa da edificação, a 
condensação dentro das edificações e os vazamentos 
A QUALIDADE DO AR INTERNO EM AUTOMÓVEIS
Nos países industrializados, passamos boa parte do nosso tempo 
dentro de automóveis e edificações. A qualidade do ar interno em 
veículos está sendo cada vez mais estudada, já que eles são um bom 
exemplo dos efeitos extremos devido à qualidade do ar comprome-
tida. O interior de um carro é um espaço reduzido, no qual os mo-
toristas e passageiros são expostos repetitivamente a substâncias 
químicas cujos efeitos sobre a saúde podem ser conhecidos ou não. 
Um estudo realizado em 2006 pelo Ecology Center de Ann Arbor, nos 
Estados Unidos, intitulado “Toxic at Any Speed: Chemicals in Cars and 
the Need for Safe Alternatives” (Tóxicos em Alta Velocidade: As Subs-
tâncias Químicas Presentes em Veículos e a Necessidade de Alterna-
tivas Mais Seguras), concluiu que o ar interno dos veículos apresenta 
de cinco a 10 vezes mais substâncias químicas nocivas, como os ftala-
tos e os PBDEs, do que habitações ou escritórios típicos.
Fonte: “Toxic at Any Speed: Chemicals in Cars and the Need for Safe Al-
ternatives”, um relatório do Ecology Center, Jeff Gearhart & Hans Posselt, 
janeiro de 2006; disponível online em: http://www.ecocenter.org/press/
releases/20060111.php.
Figura 7-5 A qualidade do ar interno em nosso planeta: a fumaça am-
biental do tabaco, as emissões de combustível e o “ar”.
Banheiros:
chuveiros, vazamentos no
sistema hidrossanitário,
produtos de limpeza,
lixeiras, copos, carpetes
e pisos úmidos,
bactérias e vírus.
Dormitórios:
ventilação inadequada, poeira e
ácaros, bactérias e vírus,
alérgenos de animais domésticos,
produtos limpeza a seco.
Sótão:
roupas e roupas de cama
antigas, isolantes velhos
com amianto, poeira.
Garagem:
tintas e solventes,
exaustão de veículos,
pesticidas e herbicidas,
vapores da gasolina,
jornais antigos.
Cozinha:
fumaça do fogão,
equipamentos a gás,
produtos de limpeza,
latas de lixo,
vazamentos no
sistema hidrossanitário.
Jardim:
pólen, poeira,
pesticidas e
herbicidas.
Salas de estar:
fumaça de cigarro, móveis e
carpetes, animais de estimação,
fogões à lenha e lareiras,
materiais usados em atividades
de passatempo (como vernizes
e colas).
Figura 7-6 Os poluentes aéreos perigosos à saúde humana podem 
ser tanto emitidos como armazenados nas edificações. As fontes de 
emissão incluem os retardantes de chamas encontrados nos tecidos 
de estofamento e o cloreto de polivinil (PVC) presente em cortinas de 
chuveiro, além do formaldeído dos produtos de madeira autoclavada.
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90 Fundamentos de Projeto de Edificações Sustentáveis
nos sistemas hidrossanitários estão entre as causas do 
mofo. Uma maneira de minimizar riscos consiste em 
controlar o crescimento da Legionella pneumophila 
nas torres de resfriamento e nos sistemas de abasteci-
mento de água.
Os poluentes internos significativos também in-
cluem matéria particulada, monóxido de carbono e 
ozônio. Seus efeitos sobre a saúde já nos são familia-
res, fazendo com que a Agência de Proteção Ambien-
tal dos Estados Unidos estabelecesse concentrações 
externas máximas permitidas para tais poluentes.9
O projeto integrado de edificações 
para a boa qualidade do ar interno
O projeto integrado de edificações é o processo no 
qual múltiplas áreas são integradas em uma única 
equipe com o objetivo de se obter uma edificação de 
alto desempenho a um custo total competitivo. Em 
termos de qualidade do ar interno, o projeto integra-
do de edificações exige, no mínimo, a participação 
de arquitetos e também de engenheiros mecânicos, 
hidrossanitários, civis, de estruturas e elétricos, de ar-
quitetos de interiores e de paisagistas desde as fases 
iniciais do projeto.
É necessário definir as metas de qualidade do ar in-
terno já nos estudos preliminares ou no partido geral, 
além de identificar o membro de cada equipe de pro-
jeto que se responsabilizará por sua implementação. 
Deve-se selecionar um único coordenador de quali-
dade do ar interno e agendar reuniões regulares com 
as equipes de projeto, visando a garantir que as metas 
de qualidade do ar interno sempre sejam buscadas 
durante a construção. Esse coordenador também será 
responsável por fazer com que as metas de qualidade 
do ar interno sejam perseguidas diariamente ao longo 
da construção.
Alguns dos objetivos iniciais podem ser:
A implantação da edificação, sua orientação e a •
localização das aberturas, como entradas de pes-
soas e tomadas de ar.
O estabelecimento de critérios de iluminação in- •
terna e ruídos.
A seleção de um sistema de climatização (incluin- •
do filtragem e limpeza do ar) adequado para o cli-
ma, a localização e o tipo de uso da edificação.
A seleção das taxas de ventilação e a escolha de um •
método capaz de garantir que a ventilação adequa-
da seja oferecida para todos os usuários em todas 
as condições operacionais. Se as taxas de ventila-
ção escolhidas forem mais altas do que as exigi-
das pelo código de energia local, será necessário 
reduzir o orçamento de energia total da edificação 
implantando-se medidas adicionais de conservação 
de energia para compensar o total consumido pelo 
aumento da ventilação. Na maior parte dos casos, 
o ideal é reduzir as emissões provenientes de fontes 
internas, em vez de aumentar as taxas de ventilação, 
para se obter uma boa qualidade de ar interno.
A determinação das exigências térmicas da edifi- •
cação.
O projeto de todos os sistemas e componentes de •
climatização com a finalidade de facilitar o serviço.
O estabelecimento de um programa de contrata- •
ção de empresas terceirizadas especialistas que 
inclua todos os sistemas mecânicos, hidrossanitá-
rios, de gestão de energia e de proteção à vida.
A seleção de critérios que favoreçam edificações •
e materiais de construção com baixos níveis de 
emissão. A escolha deve levar em conta a durabi-
lidade dos materiais e as exigências de limpeza e 
manutenção.
A sequência de instalação dos materiais de aca- •
bamento (os materiais porosos, como os carpetes, 
devem ser instalados por último).
O projeto da vedação externa da edificação visan- •
do a minimizar a entrada, a condensação e a infil-
tração de água.
O estabelecimento de um cronograma de faxinas •
rigorosas.
A revisão contínua do cronograma de construção •
para impedir que as metas de qualidade do ar in-
terno sejam comprometidas.
A revisão de todas as alterações com o intuito de •
garantir as metas de qualidade do ar interno.
Os testes de emissões dos materiais
O controle das fontes – ou seja, a escolha e a instala-
ção de materiais de construção de baixa emissividade 
– é o método mais eficaz para reduzir a influência dos 
Figura 7-7 Um caso de emergência relacionado ao smog.
9 United States Environmental Protection Agency. 2008. “NationalAmbient Air Quality Standards (NAAQS)”. Disponível em: http://
www.epa.gov/air/criteria.html.
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Capítulo 7 As Tecnologias de Controle da Qualidade do Ar Interno 91
materiais de construção na qualidade do ar interno 
da edificação, em vez de aumentar a ventilação ou, 
possivelmente, substituir os materiais após a ocupa-
ção devido às altas emissões.
Na década de 1980, pesquisadores investigaram a 
efetividade do bake-out, um método alternativo que 
permitia o controle das fontes de emissões nocivas. 
Trata-se de um processo no qual a temperatura da edi-
ficação é elevada ao máximo por alguns dias antes da 
ocupação com a finalidade de reduzir as substâncias 
químicas associadas aos materiais de construção. Os 
resultados da pesquisa indicaram que a efetividade da 
prática era muito limitada em termos de redução dos 
compostos orgânicos voláteis; portanto, os profissio-
nais especializados na qualidade do ar interno para-
ram de recomendá-la.
Existem vários protocolos para a testagem de emis-
sões e programas de certificação de produto. Ainda 
que todos tenham o objetivo comum de reduzir a 
variedade e a concentração de substâncias químicas 
emitidas pelos materiais de construção, os protocolos 
e programas de certificação têm abordagens conside-
ravelmente diferentes entre si; logo, é preciso tomar 
cuidado ao interpretar ou comparar seus resultados.
A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Uni-
dos patrocinou um estudo que buscava analisar todos 
os programas de testagem de produtos disponíveis; 
atualmente, o relatório publicado por ela é o melhor 
guia à disposição dos arquitetos.10
É preciso ressaltar que alguns programas de testa-
gem, como os aplicados aos produtos de limpeza, se 
baseiam em um percentual por peso dos compostos 
orgânicos voláteis em comparação ao peso total do 
produto. Esses programas requerem modelagens com 
diferentes pressupostos para calcular as concentra-
ções de ar interno. Outros programas partem do teste 
de emissões em câmaras pequenas, enquanto outros, 
ainda, fazem testes de emissões em câmaras de médias 
a grandes. No caso dos programas que utilizam câma-
ras, os “fatores de emissão” – baseados no tamanho 
da amostra, na taxa de ventilação, na temperatura e 
na umidade relativa do ar –, a “proporção de carrega-
mento” (área da amostra e volume da câmara de tes-
te) e a duração da amostragem são obtidos para cada 
substância química específica e, a seguir, convertidos 
em concentrações internas com base em vários pres-
supostos.
As condições dos testes realizados em laborató-
rio e a lista de compostos e suas concentrações va-
riam consideravelmente de acordo com o programa. 
Os critérios para aprovação de alguns programas se 
baseiam na exposição de trabalhadores saudáveis 
em ambientes industriais; outros se concentram em 
ambientes mais específicos ou não industriais, consi-
derando as “populações sensíveis”, como asmáticos, 
crianças e idosos; já outros programas (principalmen-
te os europeus) também levam em consideração o 
conforto dos usuários (incluindo a irritação).
Em quase todos os programas de certificação, ape-
nas se fornece um relatório de aprovação e não são 
divulgados os dados e as concentrações calculadas 
nos testes de emissões. Uma vez que os protocolos 
experimentais e, consequentemente, as condições de 
testagem variam de programa para programa, é prati-
camente impossível comparar os resultados.
Nos Estados Unidos, os esforços para se harmo-
nizar todos os protocolos e programas ainda não ti-
veram sucesso devido aos fortes interesses comer-
ciais. Além disso, também nos Estados Unidos, não 
existem organizações de certificação independentes 
para os laboratórios que avaliam a qualidade do ar 
interno de locais de trabalho não industriais, embora 
haja entidades para outros tipos de laboratório (como 
aqueles que tratam da exposição em locais de traba-
lho industriais). É importante que o arquiteto pergunte 
aos representantes do programa de certificação sobre 
o protocolo de teste (as condições experimentais, a 
duração do teste) e a lista de compostos incluídos e 
suas concentrações, além dos parâmetros usados para 
converter as taxas de emissão laboratoriais em con-
centrações internas.
Os produtos devem ser avaliados com base em 
compostos orgânicos voláteis individuais, e não, em 
compostos orgânicos voláteis totais, pois os últimos 
são maus indicadores dos possíveis efeitos sobre a 
saúde e os odores. Além disso, já que os dados so-
bre os compostos orgânicos semivoláteis são muito 
limitados, fica mais difícil comparar os produtos com 
base nesse fator.
É importante observar que alguns produtos têm 
emissões inicialmente muito altas seguidas por uma 
rápida redução (as tintas, por exemplo), enquanto 
outros têm emissões inicialmente moderadas, mas 
que são reduzidas lentamente (como os produtos de 
madeira autoclavada que contêm formaldeído). Para 
selecionar materiais de construção com baixa emis-
sividade, é necessário considerar os seguintes fatores 
para cada produto:
Durabilidade •
Necessidade de limpeza •
Emissões dos produtos de limpeza necessários •
A Figura 7-8 mostra alguns materiais de construção 
que afetam a qualidade do ar interno, considerações 
que devem ser feitas antes da seleção e programas de 
testagem e de certificação relevantes sediados nos Es-
tados Unidos.
10 Tichenor, B. 2006. “Criteria for Evaluating Programs that Assess 
Materials/Products to Determine Impacts on Indoor Air Quality”. 
Relatório final entregue à Agência de Proteção Ambiental dos Esta-
dos Unidos (EPA) conforme o Decreto da EPA No. EP 05WO00995. 
Disponível em: http://www.epa.gov/iaq/pdfs/tichenor_report.pdf.
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92 Fundamentos de Projeto de Edificações Sustentáveis
Categoria de
material de
construção
Exemplos de
materiais de
construção na
categoria de
materiais
Tintas para
arquitetura
Painéis de forro
Calafetos,
vedações e
adesivos
Produtos de
madeira
compostos
Materiais
de piso
Materiais de
isolamento
Móveis de
escritório
modulados
Considerações relativas às emissões
Programas de teste nos Estados Unidos
Seladores, fundos,
tintas, laqueados,
vernizes, stains
Madeira
aglomerada, OSB
(aglomerado de
partículas de
madeira longas
e conectadas),
chapa de fibra
Pisos flexíveis,
laminados,
madeiras de lei,
linóleos, carpete
Postos de trabalho
X X
X X
X X
X X
X X
X X
CHPSa Green
Guardb
Green
Seal
SCAQMD Outros
Com base em testes de
emissões – não trata
de emissões de curto
prazo – e em uma lista
limitada de compostos.
O CHPS inclui critérios
adicionais baseados
na saúde.
Com base no conteúdo total de
compostos orgânicos voláteis
e em compostos orgânicos
voláteis “reativos”.
GS-11d Regra 113e
Regra 1168gAdesivos de
aerossol:
GS-36f
• Composite Panel 
Association: Especificação 
de Produtos 
Ambientalmente Preferíveis 
CPA 2-06h (padrão 
industrial: exigências pouco 
rigorosas para o uso de 
formaldeídos)
• CRI Green Label Plusi
• Resilente Floor Covering 
Instiute, Programa 
FloorScorej
• California Gold Sustainable 
Carpet Standardk
• BIFMAl
• California Modular Office 
Furniture Specificationm
• Utilize produtos à base de água sempre que possível
• As tintas com poucos compostos orgânicos voláteis (ou 
nenhum) podem conter vários compostos orgânicos 
voláteis “reativos” não incluídos na definição feita pela 
EPA (todos os compostos de carbono que participam 
das reações fotoquímicas da atmosfera para formar o 
ozônioc) na Lei do Ar Limpo (Estados Unidos)
• As emissões dependem do substrato
• Considere a durabilidade. Uma tinta com emissões 
moderadas que exige uma nova demão depois de 
anos talvez seja mais indicada do que uma tinta de 
baixa emissividade que exija demãos frequentes
• Considere a sequência da construção (termine a 
pintura antes de instalar os “materiais macios” como 
carpete e forros)
• Utilize produtos à basede água ou com baixa 
emissividade de compostos orgânicos voláteis
• As emissões indicadas variam bastante devido aos 
tipos de substratos
• Especifique o uso de produtos sem formaldeídos 
ou de superfícies encapsuladas
• Emissões de formaldeídos e compostos orgânicos 
semivoláteis
• A instalação de painéis (com ambos os lados 
expostos) em uma superfície grande pode resultar 
em: (a) concentrações internas consideráveis de um 
produto, apesar de ele ser de baixa emissividade; e 
(b) efeitos da absorção
• Considere as emissões dos adesivos. Teste durante a 
montagem. Os substratos são igualmente 
importantes – a maioria dos programas de 
testagem se baseia em substratos padronizados 
(como o aço inoxidável)
• Considere os produtos de limpeza
• Considere o uso de aglutinantes com base sem 
formaldeídos nas fibras de vidro e nas fibras minerais
• Especifique o uso de produtos com baixa emissividade
• Ventilar em vez de usar produtos com baixa 
emissividade não é prático e pode ser praticamente 
irrelevante dependendo da substância química (como 
o formaldeído de ureia)
• Instale os móveis de escritório modulados por último, 
antes da limpeza total da edificação
• Considere o uso de materiais de limpeza com baixa 
emissividade
a http://www.chps.net/manual/lem_table.htm
b http://www.greenguard.org/uploads/TechDocs/GGTM.P066.R6_04-29-08_FINAL.pdf
c http://www.epa.gov/EPA-AIR/2204/November/Day-29/a26070.htm
d http://www.greenseal.org/certification/standards/paints_and_coatings.pdf
e http://www.aqmd.gov/rules/reg/reg11/1113.pdf
f http://www.greenseal;org/certification/standards/commercial_adhesives_GS_36.cfm
g http://www.aqmd.gov/rules/reg/reg11/r1168.pdf
h http://www.pbmdf.com/
i http://www.carpet-rug.org/
j http://www.rfci.com/int_FloorScore.htm
k http://www.documents.dgs.ca.gov/green/epp/standards.pdf
l http://www.bifma.com/standards/FES/FES.html
m http://www.ciwmb.ca.gov/GreenBuilding/Specs/Furniture/default.htm
Figura 7-8 Exemplos de materiais de construção que afetam a quali-
dade do ar interno e considerações sobre as emissões relacionadas.
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Capítulo 7 As Tecnologias de Controle da Qualidade do Ar Interno 93
COMO INCENTIVAR O PROJETO DE 
QUALIDADE DO AR INTERNO
Os profissionais envolvidos com o projeto de edifi-
cações devem avaliar as questões de qualidade do ar 
interno durante o projeto propriamente dito. Atual-
mente, existem muitas informações práticas sobre o 
assunto. Organizações profissionais como o Ameri-
can Institute of Architects – AIA (Instituto de Arqui-
tetos dos Estados Unidos)11 e a American Society of 
Heating, Refrigerating and Air-Conditioning Engineers 
– ASHRAE12 (Sociedade de Engenheiros de Climati-
zação dos Estados Unidos) publicam materiais sobre 
esse e outros tópicos para os profissionais da área.
Além disso, agências governamentais como a 
Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos13 
e o Estado da Califórnia14 disponibilizam muitas pu-
blicações sobre a qualidade do ar interno em suas 
páginas na Internet. Algumas organizações indepen-
dentes15,16,17 também oferecem materiais muito úteis. 
É importante que os arquitetos se mantenham infor-
mados sobre os avanços na área da qualidade do ar 
interno e que tenham cuidado com as informações 
dadas pelas indústrias, a menos que as mesmas se-
jam apoiadas por organizações terceirizadas inde-
pendentes.
Como o setor de testes de emissões na qualidade 
do ar interno está em constante evolução, acreditamos 
que, à medida que a questão progride, aumentarão as 
informações disponíveis. É fundamental que o arquite-
to compreenda que avaliar os materiais com base em 
suas emissões requer a consideração cuidadosa das 
informações disponíveis, e que, ademais, as decisões 
tomadas se baseiam em inúmeros fatores específicos 
para cada projeto (como as exigências do cliente, o 
tipo de usuários, a localização da edificação e a dis-
ponibilidade de materiais no mercado local).
Uma das críticas feitas ao programa de construção 
sustentável é que ele tende a simplificar demasiada-
mente questões ambientais importantes, como a qua-
lidade do ar interno. Ainda que o argumento tenha 
seus méritos, é importante observar que programas de 
certificação em sustentabilidade ecológica, como o 
LEED, contribuem para conscientizar os profissionais 
da construção e os usuários de edificações em relação 
às questões ambientais. É importante que os profis-
sionais da construção percebam que os programas de 
construção sustentável existentes devem ser conside-
rados apenas como exigências mínimas, assim como 
os códigos de edificações. Os projetistas devem con-
tinuar se empenhando para criar edificações com me-
lhores desempenhos.
¹¹ American Institute of Architects: informações sobre sustentabili-
dade disponíveis em http://www.aia.org/susn_rc_default.
¹² American Society of Heating Refrigerating and Air-Conditioning 
Engineers. 2009. Indoor Air Quality Guide: Best Practices for De-
sign, Construction, and Commissioning. Disponível em http://www.
ashrae.org.
¹³ United States Environmental Protection Agency: informações so-
bre a qualidade do ar interno em http://www.epa.gov/iaq/.
14 California Indoor Air Quality Program, IAQ Information: infor-
mações sobre compostos orgânicos voláteis disponíveis em http://
www.cal-iaq.org/VOC/.
15 Collaborative for High Performance Schools, tabela com mate-
riais de baixa emissividade. Disponível em http://www.chps.net/
manual/lem_table.htm.
16 Scientific Certifications Systems, Indoor Air Quality, informações 
disponíveis em http://www.scscertified.com/ecoproducts/indoorair-
quality/index.html.
17 Site do Greenguard Environmental Institute: http://www.green-
guard.org/.
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As Questões de Qualidade do 
Ambiente Interno8
O QUE É QUALIDADE DO AMBIENTE INTERNO?
A arquitetura é o estudo dos abrigos, o projeto de seus 
ambientes internos e externos e a relação dos seres 
humanos com os espaços. Ela considera as escalas, 
proporções, ordens, massas, texturas, funções, os con-
textos e as condições sociais; a arquitetura é um refle-
xo da cultura, do clima, da região e da economia; ela 
é tanto uma máquina como uma escultura, bem como 
uma mescla entre tecnologia e arte.
Dentre toda a miríade, os temas conectados e as fun-
ções que as edificações possuem, é provável que nada 
seja percebido com a mesma rapidez que a qualidade 
do espaço interno – e nem provoque as mesmas rea-
ções. A estética, o conforto e a função são os principais 
termos usados para se descrever a qualidade de um am-
biente interno. De certa forma, é isto que os estudantes 
aprendem durante a faculdade de arquitetura: como 
projetar um ambiente bonito, confortável e funcional. 
Também conhecida como ecologia da edificação, a 
qualidade do ambiente interno se refere ao grau de 
eficiência e de conforto experimentado pelas pessoas 
em espaços internos, o qual, por sua vez, é interpreta-
do como a soma das reações psicológicas e fisiológicas 
frente aos fatores do projeto de arquitetura.
A qualidade do ambiente interno requer a integra-
ção de muitas funções e sistemas dentro de uma única 
edificação – exatamente aquilo que estamos estudan-
do neste livro. A boa qualidade do ambiente interno 
depende do projeto integrado. O projetista pode con-
tribuir, até certo ponto, para o conforto interno por 
meio do uso de princípios de projeto sustentável, mas 
o usuário da edificação também precisa de ferramentas 
flexíveis e eficazes para aprimorar ainda mais seu am-
biente – ou seja, calibrá-lo – e controlar, no mínimo, a 
temperatura, a umidade, a ventilação e a iluminação.
Na verdade, a capacidade de controlar o ambiente 
(também conhecida como controle pessoal ou indi-
vidual) é fundamental para o sucesso do projeto de 
qualidade do ambiente interno. Cada vez mais o di-
reito do trabalhador a um local de trabalho confor-
tável está recebendo a devida atenção. A soluçãode 
projeto sustentável ideal para um ambiente de escri-
tório depende da inserção de controles individuais de 
iluminação, temperatura e ar, no mínimo, nos postos 
de trabalho (Figura 8-1).
Os componentes da qualidade 
do ambiente interno
O nosso sistema nervoso e os nossos sentidos (o ol-
fativo, o auditivo, o visual e o emocional) definem os 
componentes do ambiente interno. São eles: a acústi-
Figura 8-1a,b Unidades de controle 
individual de um ambiente de escritório.
(a)
Keeler_08.indd 94Keeler_08.indd 94 30.04.10 17:22:1430.04.10 17:22:14
Capítulo 8 As Questões de Qualidade do Ambiente Interno 95
ca, a iluminação natural, o conforto visual, a conexão 
com o exterior e o conforto térmico.
A qualidade do ar interno e as questões olfativas
Existem muitos ambientes internos: veículos, edifica-
ções, submarinos, navios, trens e aviões – cada um 
com diferentes densidades ocupacionais, taxas de 
ventilação e percepções sensoriais. A qualidade do ar 
interno, que ganha destaque neste livro, faz parte de 
um subconjunto essencial e variável da qualidade do 
ambiente interno. Quando se trata da qualidade do ar 
interno, é preciso considerar uma grande variedade 
de contaminantes, tanto orgânicos como inorgânicos 
(pesticidas e compostos orgânicos semivoláteis), e 
produtos derivados da combustão (fumaça de tabaco 
no ambiente e produtos derivados de velas, incenso, 
eletrodomésticos de cozinha, sistemas de calefação e 
lareiras, todos com diferentes fontes de combustível). 
As doenças humanas, as bactérias, os animais de esti-
mação e os ácaros são apenas alguns entre os muitos 
fatores que afetam a qualidade do ar interno. Espe-
cialmente em situações com alta densidade e superlo-
tação (como em cabines de aeronaves, onde a ventila-
ção está longe do ideal), as substâncias de uso diário, 
como produtos de higiene pessoal, a limpeza a seco e 
os computadores são fontes de emissões químicas.
Como vimos nos Capítulos 5, 6 e 7, que tratavam 
das substâncias químicas e da qualidade do ar inter-
no, os projetos que visam à qualidade do ar ideal de-
vem considerar quatro fatores principais:
O controle das fontes • : as áreas com potencial de 
contaminação – por exemplo, cozinhas, depósitos 
de produtos de limpeza, laboratórios onde ocorre 
o processamento de substâncias químicas, salas 
de fotocópia (cujos equipamentos podem ser fon-
tes de ozônio atmosférico) e fumódromos – devem 
ser separadas dos demais espaços. O ideal é pro-
jetá-las com um diferencial de pressão adequado, 
impedindo que os contaminantes presentes nelas 
vazem para as zonas ocupadas. Os contaminantes 
externos, como pesticidas e particulados, devem 
ser barrados por sistemas de controle nas entra-
das, capazes de capturar a poeira presente nos so-
lados de sapatos à medida que as pessoas entram 
nas edificações. Conforme discutimos no Capítulo 
7, os compostos orgânicos voláteis emitidos por 
materiais de construção como tintas e madeiras 
compostas também são fontes de contaminan-
tes; o projetista de edificações sustentáveis deve 
considerá-los com cuidado, já que o controle da 
fonte é a maneira mais efetiva de se obter uma 
boa qualidade do ar interno. As outras fontes de 
emissões incluem a presença de indústrias ou es-
tradas no entorno, além dos próprios usuários das 
edificações.
A ventilação • : a má ventilação é percebida imedia-
tamente quando o nosso sistema olfativo detecta 
odores ou quando sentimos que um comparti-
mento está “abafado” (ou seja, dificultando a res-
piração). Alguns materiais plásticos emitem odores 
fortes quando são expostos ao calor, avisando aos 
usuários da edificação que algo não vai bem. O 
projeto de edificações sustentáveis costuma usar 
sensores de dióxido de carbono (CO2), uma vez 
que o acionamento do alarme indica que as taxas 
de ventilação são insuficientes. A ventilação insu-
ficiente pode causar uma variedade de impactos 
sensoriais e na saúde, enquanto a boa ventilação, 
por sua vez, consegue aumentar a produtividade 
e o sentimento de bem-estar. Para um arquiteto, a 
maneira mais simples de garantir uma boa ventila-
ção é projetar janelas de abrir. Além de permitirem 
a ventilação natural, elas podem ser controladas 
com facilidade pelos usuários da edificação. A ven-
tilação natural tem prós e contras, especialmente 
em terrenos próximos a vias movimentadas, indús-
trias pesadas ou fontes de ruído. Com frequência, 
as diretrizes de sustentabilidade que visam à saúde 
e ao conforto humano sugerem, para todos os tipos 
de edificação, taxas de ventilação superiores àque-
las requeridas pelos códigos. Novamente, como 
ocorre na maioria dos projetos integrados de edifi-
cações, o projeto de uma boa ventilação depende 
de um equilíbrio entre as prioridades e as preocu-
pações do terreno. Em edificações com ventilação 
mecânica, existem inúmeras tecnologias capazes 
de garantir uma ventilação adequada.
Entre as soluções mais indicadas, destacam-se a •
instalação de um sistema de distribuição de ar sob 
o piso (no caso, um sistema misto de ventilação) 
ou um sistema de climatização com fluxo de ar 
por deslocamento; ambos utilizam um princípio 
(b)
Figura 8-1b
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96 Fundamentos de Projeto de Edificações Sustentáveis
físico conhecido como efeito chaminé, no qual as 
diferenças de temperatura e umidade (densidade) 
entre o ar interno e o externo fazem com que o ar 
quente suba e o ar frio entre na edificação. No sis-
tema conhecido como sistema de distribuição do 
ar sob o piso, o ar aquecido é insuflado no nível 
do piso através de difusores instalados em painéis 
de piso elevados (Figura 8-2), que podem ser di-
recionados ou fechados para se controlar o fluxo 
de ar. À medida que sobe, o ar se aquece devido à 
presença de pessoas e equipamentos; a seguir, ele 
é exaurido no nível do teto. Além de permitir que 
projetemos espaços mais flexíveis, a tecnologia de 
piso elevado insufla ar de melhor qualidade e ofe-
rece um conforto térmico aprimorado em relação 
ao sistema de ventilação misto com insuflamento 
pelo forro. Outro benefício está em permitir que o 
usuário controle o ambiente térmico.
A contratação de especialistas terceirizados • : ter-
ceirizar é uma maneira de garantir que os siste-
mas da edificação operem do modo desejado. Um 
especialista terceirizado revisa as exigências de 
projeto do proprietário, ao passo que o engenhei-
ro mecânico cria a base de projeto de instalações 
prediais. Paralelamente, o tal especialista traça um 
plano de trabalho, verifica as funções dos equipa-
mentos em diferentes etapas do projeto e da insta-
lação, certifica-se do funcionamento adequado de 
determinados sistemas e fornece um relatório fi-
nal. São terceirizados, principalmente, os sistemas 
mecânicos que insuflam, filtram, condicionam e 
fornecem ar para os espaços ocupados, bem como 
os sistemas domésticos de aquecimento de água, 
os controles de iluminação artificial e natural, os 
sistemas de energia renovável e os equipamentos 
de refrigeração. Ainda que o processo esteja fo-
cado nos sistemas que consomem energia, a con-
tratação de especialistas terceirizados também é 
um fator-chave para garantir a boa qualidade do 
ar interno. Alguns componentes, como os ventila-
dores, são testados ainda na fábrica, embora um 
processo completo de testagem e regulagem seja 
feito in loco no momento da instalação dos siste-
mas e, às vezes, após a ocupação da edificação. 
Dessa forma, consegue-se minimizar as falhas de 
equipamentos e também treinar os funcionários 
do prédio. É possível vincular as rotinas de ope-
ração e manutenção das edificações à garantia de 
qualidade que é entregue ao proprietário após o 
término da obra.
A manutenção e o flush-out da edificação • : ante-
riormente conhecido como bake-out ou purge, o 
processo de flush-out ocorre depois da construção 
e dos últimos detalhes, mas, em geral, antes da 
entrada dos móveis e dos usuários, quando é in-
suflado um grande volumede ar na edificação de 
maneira contínua e por um período determinado. 
Esse processo ajuda a remover os compostos orgâ-
nicos voláteis, os particulados e os demais conta-
minantes antes da ocupação do prédio.
Independentemente da qualidade do sistema e da 
eficiência do filtro, todos os equipamentos mecânicos 
ou que consomem energia requerem manutenção, lim-
peza e troca de filtro regular. É necessário estudar com 
cuidado a rotina de limpeza da edificação como um 
todo. Vários especialistas acreditam que os materiais de 
limpeza geralmente usados em pisos são responsáveis 
por um número muito maior de emissões do que os 
materiais de piso propriamente ditos. Além disso, lim-
pezas repetitivas provocam exposições de longo prazo 
contínuas a substâncias nocivas. A limpeza sustentável, 
isto é, a prática de se utilizar produtos ambientalmente 
benignos, está conquistando cada vez mais adeptos.
“Segundo vários estudos (divulgados pelo fabricante de carpetes 
Milliken & Company), de 70 a 80% da poeira presente em prédios 
comerciais chega pelos calçados dos usuários das edificações. Em 
dias secos, as mil pessoas que frequentam um edifício de escritórios 
grande trazem ¼ de libra (113 g) de poeira por dia; em dias úmidos, 
essa quantidade sobe para três libras (1.360 g)”.
Fonte: “Keeping Pollutants Out: Entryway Design for Green Buildings”, Envi-
ronmental Building News 10, No. 10, (October 2001).¹
Muitos higienistas industriais e outros cientistas que 
estudam o assunto estão começando a recomendar a 
realização de testes de qualidade do ar dentro de es-
paços ocupados. Devido às possíveis ameaças à saúde 
pública, os testes de qualidade do ar interno devem 
ser feitos regularmente – assim como o abastecimen-
to de água municipal e a qualidade do ar externo são 
testados e analisados de maneira periódica. Isso se tor-
nou ainda mais importante quando o Science Advisory 
Board (Conselho de Ciência), da Agência de Proteção 
Ambiental dos Estados Unidos, colocou a qualidade 
do ar interno entre os cinco principais impactos am-
bientais sobre a saúde humana.2 Em 1998, a Adminis-
tração de Segurança Física e Saúde Ocupacional dos 
Estados Unidos apresentou outra estatística surpreen-
dente, estimando que 30% dos trabalhadores do país 
que trabalham em edificações não industriais estão ex-
postos à poluição do ar interno.
Para verificar o progresso do projeto de qua-
lidade do ar interno, é útil realizar uma avaliação 
¹ Wilson, Alex, “Keeping Pollutants Out: Entryway Design 
for Green Buildings”, Environmental Building News 10, No. 
10 (October 2001), http://www.buildinggreen.com/auth/ar-
ticle.cfm/2001/10/1/Keeping-Pollutants-Out-Entryway-De-
sign-for-Green-Buildings/.
2 U.S. Environmental Protection Agency (EPA), “Indoor Air Quality,” 
http://www.epa.gov/iaq.
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Capítulo 8 As Questões de Qualidade do Ambiente Interno 97
pós-ocupação (APO). Segundo os criadores da Post 
Ocupancy Evaluation (http://postoccupancyevalu-
ation.com), uma firma de arquitetura especializa-
da na área, “a Avaliação Pós-Ocupação envolve a 
avaliação sistemática de opiniões sobre edificações 
ocupadas a partir do ponto de vista de seus usuários. 
Ela avalia até que ponto as edificações atendem às 
necessidades dos usuários e identifica maneiras de 
aprimorar o projeto, o desempenho e a aptidão de 
cada prédio”.3 Avaliações do gênero abordam ques-
tões como a funcionalidade, a produtividade, a sus-
tentabilidade e a segurança.4
No Council House 2 (CH2), um edifício de escri-
tórios localizado em Melbourne, Austrália, as avalia-
ções pós-ocupação revelaram um aumento de 10,9% 
na produtividade dos trabalhadores, além de muitas 
classificações positivas em outros fatores de qualida-
de do ambiente interno.5 As Figuras 8-3 e 8-4 mos-
tram projetos de ventilação e esquemas de refrigera-
ção, ambos usando tecnologias de ponta. (O edifício 
Council House 2 fará parte dos estudos de caso do 
Capítulo 17.)
A acústica
Há décadas, as técnicas de projeto de acústica e pri-
vacidade têm sido consideradas importantíssimas na 
arquitetura. É interessante observar que a palavra in-
glesa noise (ruído) vem da palavra latina nausea, que 
significa enjoo causado pelo mar. Os ruídos estão 
sempre presentes em áreas tanto públicas como pri-
vadas da sociedade contemporânea e, cada vez mais, 
são vistos como uma grande preocupação em termos 
de saúde pública (para saber mais sobre como os ruí-
dos afetam a saúde, veja a caixa a seguir). Assim como 
nos preocupamos com o fumo passivo, é preciso ter 
cuidado com os ruídos passivos, que constituem uma 
questão de saúde pública e de privacidade.
As fontes de ruído incluem a proximidade com ae-
roportos e equipamentos externos (desde jet-skis até 
sopradores de folhas), além do barulho proveniente 
de restaurantes lotados, espetáculos, alarmes de ve-
ículos, indústrias e máquinas. Tentando controlar as 
emissões de ruídos, algumas comunidades localizadas 
próximas a aeroportos estão exigindo a alteração das 
rotas aéreas e dos padrões de pouso. Os monitores de 
ruídos aeroportuários e de aviação são onipresentes 
hoje em dia, sendo que alguns aeroportos chegam a 
ter 30 monitores e sistemas de coleta de dados sofis-
ticados para fins de monitoramento e avaliação. Esses 
esforços de amortecimento do som comprovam que 
os ruídos são invasivos e não respeitam fronteiras.
Os níveis de ruído podem causar perdas de au-
dição significativas, um problema que, segundo es-
timativas da Harvard School of Public Health, afeta 
Figura 8-2 Sistema de distribuição 
de ar sob o piso e piso elevado.
3 “Defining Post Occupancy Evaluation”, http://postoccupancyeva-
luation.com (site acessado em 04 de janeiro de 2009).
4 “Facility Performance Evaluation (FPE)”, Craig Zimring, Mah-
bub Rashid & Kevin Kampschroer, atualizado pela última vez em: 
22/05/2008, Whole Building Design Guide, www.wbdg.org/resour-
ces/fpe.php.
5 Philip Paevere & Stephen Brown, “Indoor Environment Quality 
and Occupant Productivity in the CH2 Building, Post-Occupancy 
Summary”, March 2008, http://www.melbourne.vic.gov.au/rsrc/
PDFs/CH2/CH2PostOccupancySummary.pdf.
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98 Fundamentos de Projeto de Edificações Sustentáveis
10 milhões de pessoas, visto que aproximadamente 
30 milhões de trabalhadores são expostos a ruídos 
diariamente nos Estados Unidos.6 A EPA estima que 
15 milhões de trabalhadores do país são expostos a 
níveis de ruídos de 75 decibéis ou mais, que podem 
prejudicar a audição.
Os ruídos aumentam os níveis de estresse e redu-
zem a produtividade. Estudos feitos com estudantes 
cujas salas de aula ficavam perto de trilhos de trem 
revelaram um atraso de um ano na habilidade de lei-
tura em relação a alunos da mesma idade cujas salas 
de aula eram situadas em outra parte da escola. De-
pois que estratégias de projeto de isolamento acústico 
foram incorporadas às salas de aula e aos trilhos do 
trem, a habilidade de leitura dos mesmos alunos me-
lhorou, colocando-os no nível que se espera de sua 
faixa etária.7
Os ruídos causam poluição quando ocorrem em 
parques que são definidos como bens e recursos pú-
blicos, como os parques nacionais; no entanto, esta-
mos nos referindo ao ar por meio do qual os ruídos se 
deslocam.8 Assim como protegemos parques nacio-
nais ou reservas florestais, devemos ser bons guardi-
ões deste bem público.
As técnicas que visam à redução dos ruídos in-
cluem o uso de um sistema de mascaramento ou de 
um controle ativo de ruídos. O último utiliza sons com 
Forro com perfil
ondulado
exaustão
ar sob sucção
difusores de piso
ar saudável
gradiente de
temperatura
25°C
22°C
0,2 m/s
20°C
A instalação de exaustores
no alto garante a exaustão
completa do ar quente
acumulado junto ao forro.
O pleno de exaustão tem
uma pressão levemente
negativa, induzida pelas
chaminés ao norte.
Uma camada limite
é criada pelo
insuflamento de
ar sobsucção.
Ondas de calor
produzidas pelos
usuários e pelos
equipamentos.
100% de ar externo
é fornecido através
do entrepiso vedado.
Junto às grelhas helicoidais,
os difusores instalados no piso
e controlados pelos usuários
promovem a mistura do ar,
melhorando a circulação.
VENTILAÇÃO – ESCRITÓRIOS
Figura 8-3 Edifício Council House 
2, em Melbourne, Austrália: controles 
individuais do fluxo de ar.
massa
termoacumuladora
Parte da refrigeração
por convecção
ocorre com o uso de
forros resfriados.
REFRIGERAÇÃO – ESCRITÓRIOS
forros resfriados
refrigeração
por convecção
equipamento com
baixo consumo
de energia
o ar
frio desce
o ar quente
sobe
19°C
ar insuflado oriundo
do equipamento de
mudança de fase
16°C
Refrigeração passiva:
a massa térmica das lajes
de concreto absorve o
calor excessivo do espaço
durante o dia.
Refrigeração ativa:
os painéis de forro
resfriados absorvem o
calor irradiado pelos
equipamentos e
pelos usuários.
O ar resfriado por
radiação chega ao
espaço de trabalho a
aproximadamente 18°C.
ar insuflado para o equipamento
de mudança de fase reaproveitado
para refrigeração 
O uso de equipamentos e
iluminação com baixo 
consumo de energia leva a
uma economia significativa.
Figura 8-4 Edifício Council House 
2, em Melbourne, Austrália: controles 
individuais de refrigeração.
6 Harvard School of Public Health, http://www.hsph.harvard.edu/
ccpe/programs/ACNE.html.
7 Arline L. Bronzaft, “A Quieter School: An Enriched Learning Envi-
ronment”, http://www.quietclassrooms.org/library/bronzaft2.htm.
8 Noise Pollution Clearinghouse, http://www.nonoise.org.
Keeler_08.indd 98Keeler_08.indd 98 30.04.10 17:22:1530.04.10 17:22:15
Capítulo 8 As Questões de Qualidade do Ambiente Interno 99
a mesma amplitude e a polaridade oposta para neu-
tralizar os ruídos existentes após analisá-los em com-
putador. O mascaramento do som é uma técnica que 
coloca altofalantes no pleno de forros, o que inclui 
ajustes cuidadosos. Os sistemas externos de mascara-
mento de som podem assumir a forma de elementos 
de paisagismo para encobrir os ruídos de autoestra-
das; é comum, por exemplo, o uso de cachoeiras.
O projetista sustentável que deseja abordar o pro-
jeto de uma edificação de maneira integrada deve 
considerar os efeitos dos ruídos nos ambientes inter-
nos. Ao se preparar para o projeto, é possível fazer 
um levantamento de ruídos do terreno, observando 
as fontes e propondo possíveis medidas de controle. 
Como ocorre com outros aspectos do projeto integra-
do de edificações deve-se, primeiramente, examinar 
a implantação, a orientação e o leiaute da edificação. 
Distribua as aberturas levando em conta as fontes de 
ruídos e utilize materiais de construção como isolan-
tes de alto desempenho, buscando o controle acús-
tico entre paredes, dutos, plenos e outras fontes de 
infiltração de ruídos.
OS MALES QUE PODEM SER ATRIBUÍDOS À POLUIÇÃO SONORA
9
Distúrbios neuropsicológicos •
Dores de cabeça •
Fadiga •
Estresse •
Insônia e distúrbios do sono •
Efeitos no humor: irritabilidade e neuroses •
Doenças cardíacas e distúrbios no sistema cardiovascular •
Hipertensão e hipotensão •
Desordens digestivas, úlceras, colites •
Desordens endócrinas e bioquímicas •
Taxas cardíacas e de respiração mais altas •
Perda da audição •
Alteração da visão •
Problemas cognitivos (incluindo dificuldades de aprendizado nas •
crianças) e distúrbios de comportamento
A iluminação natural
Muito já se sabe sobre a exposição de seres huma-
nos a áreas verdes e à iluminação natural, assim como 
sobre seu relacionamento com a saúde. Em 1984, 
foi realizado um estudo com pacientes submetidos 
a cirurgias abdominais, descobrindo-se que os indi-
víduos colocados em quartos com vistas externas se 
recuperaram com maior rapidez e precisaram de me-
nos medicamentos para a dor em relação aos indiví-
duos cujas janelas davam para uma parede de tijolo.10 
Além disso, a luz natural também é usada para tratar 
pessoas que sofrem de desordem afetiva sazonal. A 
iluminação artificial se aproxima da natural, influen-
ciando o ritmo circadiano (os ciclos de vida diários) 
que regula a bioquímica, a fisiologia e o comporta-
mento de todos os seres vivos.
Nos espaços ocupados por seres humanos, nem 
todas as tarefas se beneficiam com a iluminação natu-
ral. As tarefas relativas ao aprendizado ou com orien-
tação visual, como a leitura, o bordado e o desenho, 
são favorecidas pela luz natural. Outras atividades, 
como as apresentações teatrais, podem ser prejudica-
das por ela.
Um estudo do Heschong Mahone Group focado 
em salas de aula e nas notas obtidas pelos alunos le-
vou a algumas conclusões interessantes, ainda que 
controversas. Em um ambiente de sala de aula, os 
pesquisadores descobriram que a presença de clara-
boias sem controle, que causam ofuscamento e des-
conforto térmico, resultou em uma queda de 21% nas 
notas de leitura dos estudantes. O estudo também se 
deparou com uma melhoria de “7% nas salas de aula 
com maior iluminação natural, além de uma melhoria 
de 14 a 18% entre os alunos que ocupavam as salas 
de aula com janelas maiores”.¹¹
A iluminação natural, que é um componente es-
pecífico da qualidade do ambiente interno, nos dá 
a oportunidade de vincular e equilibrar benefícios 
duplos, uma vez que as técnicas empregadas para a 
sua obtenção também reduzem o consumo de ener-
gia. É possível, por exemplo, economizar energia pela 
redução das cargas de iluminação elétrica artificial 
usando-se claraboias com sensores de luz, os quais 
acionam a iluminação artificial quando os níveis de 
luz natural diminuem até certo ponto. Outra estra-
tégia de projeto consiste em se instalar sensores nas 
luminárias bem próximos às fontes de iluminação na-
tural, desligando-as quando os níveis de luz alcançam 
uma intensidade determinada (Figura 8-5). Além de 
expandir o consumo de energia da edificação, esse 
equilíbrio maximiza a eficácia dos sistemas terceiriza-
dos e bem-projetados. Trata-se de mais um exemplo 
de projeto integrado.
As técnicas necessárias para um projeto de ilu-
minação natural de qualidade são usadas durante 
as etapas de definição da implantação, da vedação 
externa, da vedação interior e dos elementos de ma-
teriais. Quando os consultores trabalham em equipe 
para solucionar essas questões, é evitada, em grande 
parte, a necessidade de se fazer uma análise pericial 
pós-construção da iluminação natural – algo que tem 
9 Green Building Briefing Paper, Leonardo-Energy, janeiro de 2007, 
“Green Buildings: What Is the Impact of Construction with High 
Environmental Quality?”
10 R. S. Ulrich, “View through a Window May Influence Recovery 
from Surgery”, Science 224, no. 4647 (27 April 1984): 420-421.
¹¹ Lisa Heschong, Roger L. Wright & Stacia Okura, “Daylighting Im-
pacts on Human Performance in School”, Journal of the Illuminating 
Engineering Society (Summer 2002): 101-114.
Keeler_08.indd 99Keeler_08.indd 99 30.04.10 17:22:1630.04.10 17:22:16
100 Fundamentos de Projeto de Edificações Sustentáveis
ocorrido em muitas edificações sustentáveis. Os ajus-
tes decorrentes são dispendiosos e, com frequência, 
produzem valores estéticos contraditórios, revelando, 
em última análise, a falta de integração no projeto.
As boas estratégias de iluminação natural envol-
vem decisões de projeto tanto na arquitetura pro-
priamente dita como na implantação da edificação. 
O projetista sustentável deve, no mínimo, projetar 
uma edificação cujo eixo principal seja leste-oeste, 
com fontes de luz natural em mais de uma lateral e 
plantas baixas estreitas (em vez de profundas), o que 
maximiza a iluminação e minimiza os ganhos térmi-
cos. É preciso dimensionar as janelas de acordo com 
a profundidade do compartimento no qual elas serão 
inseridas. Compartimentos profundos e estreitos não 
apenas têm iluminação irregular como raramente são 
suficientemente claros com apenas uma janela pe-
quena.
Para que haja um equilíbrio entre as janelas e a 
implantação da edificação, as primeiras devem serplanejadas com cuidado. A Capela de Notre Dame 
du Haut, em Ronchamp, na França, projetada por Le 
Corbusier, nos oferece um estudo completo sobre o 
projeto de iluminação (Figura 8-6). Várias aberturas 
podem ser usadas para aprimorar, difundir e contro-
lar os efeitos da luz (Figura 8-7). Entre os métodos de 
projeto de edificação que permitem a entrada de luz 
sem os efeitos indesejáveis dos ganhos térmicos so-
lares, destacam-se o uso de sheds, que difundem a 
iluminação zenital e a entrada de luz pelo clerestório. 
A utilização de estantes de luz internas pode ajudar a 
interiorizar a luz em um espaço (Figura 8-8). Os am-
bientes iluminados por um clerestório comum que re-
cebem iluminação diurna são capazes de direcionar 
a luz para espaços contíguos. Geralmente, em termos 
tanto de uniformidade como de efetividade, o ideal é 
deixar que a luz entre em um compartimento a partir 
de seu ponto mais alto.
Onde quer que as aberturas forem projetadas, é 
importante considerar como a iluminação natural en-
trará no cômodo e como a luz solar direta será barra-
da. É possível projetar sistemas de proteção solar in-
tegrados à pele da edificação, tanto no interior como 
no exterior, ou incorporá-los apenas aos interiores. Já 
há, no mercado, brises e persianas com controles que 
permitem a entrada de diferentes níveis de luz. Alguns 
sistemas de proteção mais sofisticados apresentam 
controles que reduzem automaticamente os níveis de 
iluminação elétrica. As estratégias passivas de contro-
le da luz, por sua vez, incluem tirar proveito de carac-
terísticas do terreno, como as árvores.
As brises oferecem um controle mais dinâmico, 
pois conseguem, inclusive, acompanhar o movimen-
to aparente do sol com base no horário e na estação. 
Um bom projetista sustentável faz leituras precisas das 
cartas solares seja durante os meses de inverno, com 
Fotossensor
Iluminação
natural
O ângulo do
fotossensor detecta
apenas a luz natural
Luz elétrica
Fotossensor
Luz elétrica
Iluminação
natural
O ângulo do
fotossensor detecta
a luz ambiente
Figura 8-5 Os sensores de luz diurna e os controles de iluminação 
integram e equilibram as fontes de luz, ajudando a diminuir as cargas 
de energia da iluminação.
Figura 8-6 Projetada por Le Corbusier, a Capela de Notre Dame du 
Haut, em Ronchamp, França, tira o máximo partido dos efeitos da luz.
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Capítulo 8 As Questões de Qualidade do Ambiente Interno 101
sol baixo, seja durante os meses de verão, nos quais 
os ângulos são maiores.
Visando a projetar um sistema eficiente capaz de 
maximizar o uso da luz diurna, os projetistas também 
devem considerar a quantidade e as localizações de 
controles da iluminação natural. Tais decisões se ba-
seiam na densidade da ocupação, no tipo de constru-
ção e nas diferentes funções e tarefas visuais que são 
feitas nos espaços.
Combinar os controles de iluminação natural e ar-
tificial também é fundamental. Uma das alternativas 
é usar sistemas de dimerização (amortecimento de 
luz), incluindo a regulagem manual simples, dimmers 
progressivos automáticos, que variam de 100 a 50%, 
ou dimmers contínuos que cobrem todo o percentual 
utilizando sensores ou seguindo horários pré-determi-
nados. As demais técnicas incluem sistemas de desli-
gamento automático e outros mais sofisticados, com 
sensores fotocelulares.
Mesmo as decisões referentes ao projeto das su-
perfícies internas, como estofados, carpetes e outros 
acabamentos e acessórios, precisam ser consideradas 
em termos de sua capacidade de refletir ou absorver a 
luz e o calor. Em geral, as superfícies claras são mais 
refletivas do que as escuras. As considerações de pla-
nejamento espacial interno – como orientar os mo-
nitores de computador perpendicularmente às fontes 
de luz natural em vez de voltados para elas – também 
influenciam os resultados. As tarefas visuais são bene-
ficiadas por uma maior proximidade com as janelas.
Para testar suas decisões ainda no ateliê de projeto, 
basta construir uma maquete, colocá-la ao ar livre e 
orientá-la de acordo com a geografia do terreno. Ob-
serve o ângulo de acesso da luz nos diferentes espaços. 
Quando buscam avaliações mais precisas, os projetis-
tas costumam contratar consultores em luminotécnica 
para executar técnicas de modelagem de iluminação 
natural, o que permite aprimorar o projeto. Os soft-
ware de modelagem de luz natural também ajudam 
a garantir um bom projeto de iluminação. Além dis-
so, há um dispositivo conhecido como heliodon, ou 
simulador solar, capaz de programar com precisão a 
declinação do sol (sua altura), a latitude do terreno e 
a rotação da terra, permitindo o uso de maquetes para 
determinar a implantação ideal em termos de projeto 
de sombreamento, energia solar e iluminação natural. 
Junto às estratégias de projeto passivo, existem vários 
vidros de alto desempenho que permitem a entrada 
de luz (por transmitância luminosa visível) e protegem 
do sol, selecionando ou refletindo a luz e o calor de 
maneira espectral.
O conforto visual
Nas últimas décadas, o campo da ergonomia física 
– isto é, a relação correta e confortável entre o cor-
po e as tarefas, o posicionamento do corpo, o uso de 
ferramentas e o posicionamento correto para determi-
nadas tarefas – ganhou destaque e passou a ser um 
campo de estudo científico. Um de seus componentes 
é a ergonomia visual, a qual defende que o projeto do 
ambiente interno é capaz de criar a iluminação corre-
ta para cada tarefa. Entre os fatores que podem preju-
dicar o conforto e a eficiência visual encontram-se o 
ofuscamento, a iluminação artificial incorreta e a cor, 
a textura, o contraste e a luminosidade do ambiente.
Ainda que, até o momento, tenhamos nos focado 
nos benefícios da iluminação natural, também é pre-
ciso considerar seus pontos fracos, sendo o ofusca-
mento um dos principais. A regra prática mais simples 
Clerestório
Lanternim
Sheds
Figura 8-7 O corte da edificação 
mostra as várias aberturas que foram 
projetadas tendo-se em mente a luz 
diurna.
Figura 8-8 Estantes de luz.
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102 Fundamentos de Projeto de Edificações Sustentáveis
para evitar o ofuscamento consiste em difundir a luz 
em vez de deixá-la entrar em um espaço diretamen-
te. Embora os recursos de sombreamento consigam 
controlar o problema, é mais fácil avaliar os riscos 
ainda no início do projeto da edificação, projetando 
janelas e aberturas de maneira que possam acomodar 
as diferentes alturas sazonais do sol e considerando 
os materiais do entorno. É necessário reiterar que, em 
edificações sustentáveis, a orientação é uma questão 
importantíssima – principalmente quando os prédios 
buscam tirar proveito da iluminação diurna passiva e 
do conforto visual.
Ao fazer o projeto de iluminação e escolher as 
luminárias, lembre-se de que a oscilação da luz flu-
orescente (uma das principais culpadas pela má er-
gonomia visual em locais de trabalho) ocorre apenas 
em lâmpadas fluorescentes magnéticas. Os ruídos 
produzidos pelos reatores convencionais também 
contribuem para o desconforto.12 Em vez deles, utilize 
reatores eletrônicos de alta frequência. As lâmpadas 
fluorescentes com consumo eficiente de energia fun-
cionam em uma frequência mais alta do que as con-
vencionais, o que tem sido associado ao seu melhor 
desempenho visual.
Por ser uma característica da luz, a cor também 
é energia. As cores são capazes de afetar o humor e 
de alterar os níveis de conforto. Há quem afirme que 
elas têm o poder de curar várias enfermidades, desde 
enxaquecas e alergias até distúrbios de pele e proble-
mas de memória. A terapia das cores, ou cromotera-
pia, tem sido usada na medicina alternativa e já estava 
presente nas antigas civilizações egípcia e chinesa; 
nelas, cada órgão corresponde a uma cor específica. 
Já na medicina aiurvédica, cores diferentes correspon-
dem a chacras distintos.
Quandose trata de projetar um ambiente inter-
no ergonômico em termos visuais, o ideal é criar um 
espaço visualmente dinâmico em vez de um espaço 
uniforme e monótono que não seja trabalhado por 
padrão e textura. O projeto de interiores com cores 
extremamente luminosas e combinações de cores 
complementares (como vermelho e verde, laranja e 
azul ou amarelo e violeta), por outro lado, leva ao 
desconforto visual. Do ponto de vista do projeto e da 
ergonomia visual, busca-se certo nível de luminosida-
de e contraste; projetos assim, na verdade, conseguem 
aumentar a acuidade visual.
A adaptação é a capacidade dos olhos de pas-
sar de um nível de luminosidade para outro, como 
ocorre quando saímos de um túnel subterrâneo e 
chegamos a um local extremamente iluminado. Se a 
transição das sombras para a luz for muito extrema, 
ou se as sombras se apresentarem de forma brusca, 
a adaptação fica mais difícil e se torna uma fonte de 
desconforto visual por obrigar os olhos a passar rapi-
damente de uma superfície escura para outra, mais 
clara. É, consequentemente, um grande desafio pro-
jetar ambientes visualmente confortáveis com níveis 
adequados de sombreamento e superfícies contíguas 
que passem do claro para o escuro sem variações sú-
bitas. O projeto precisa considerar tanto a iluminação 
natural como a artificial.
A conexão com o ambiente externo
Ao transitar entre a arquitetura e a biotecnologia, 
dois campos tão diferentes entre si, costumamos tirar 
as nossas inspirações de projeto mais inovadoras do 
mundo natural – um conceito conhecido como bio-
mimetismo. Os seres humanos têm necessidade de 
se conectar com o ambiente externo. Além de agra-
dáveis, a proximidade com o verde, o contato visual 
com o céu e a sensação do ar externo sobre a pele são 
naturalmente reconfortantes.
Infelizmente, o fato de vivermos e trabalharmos 
em ambientes artificiais impede que nos conectemos 
regularmente com a natureza. Muitos ícones da arqui-
tetura têm resgatado essa relação entre seus principais 
valores de projeto. Além do poder concedido por tais 
precedentes, as edificações integradas seguem dire-
trizes de projeto sustentável significativas para traba-
lhar a falta de conexão com a natureza. Os efeitos 
desejáveis e saudáveis do projeto biofílico – como é 
denominado o conceito – também devem se tornar 
componentes da boa qualidade do ambiente interno, 
ao mesmo tempo em que se constituem em uma espé-
cie de nova postura da aquitetura.
Tanto na arquitetura de edificações como na de 
interiores, há várias abordagens de projeto capazes 
de facilitar ou refletir esse vínculo com o ambien-
te externo. É possível prever, ainda no lançamento 
do projeto, a distribuição preliminar das janelas e 
aberturas em relação às funções que serão desempe-
nhadas nos espaços e ao número e tipo de pessoas 
que os ocuparão. Os usuários serão funcionários de 
escritório que ficam sentados em seus cubículos o 
dia inteiro? Em caso afirmativo, ofereça a eles acesso 
visual aos níveis mais altos, com uma vista do céu e 
um pouco de área verde, como os topos das árvores, 
por exemplo.
Outra opção é trazer a vegetação para os interio-
res, o que acarreta muitos benefícios. Além dos bene-
fícios psicológicos oferecidos pela vegetação, diz-se 
que as plantas ajudam a purificar o ar dos ambientes 
internos – ainda que, quando mal cuidado, seu solo 
possa ser uma fonte de mofo e alérgenos.¹³ (A Figura 
8-9 mostra a Miniestufa Móvel Bel-Air, um aparelho 
vivo com projeto inovador que ajuda a purificar o ar 
absorvendo os compostos orgânicos voláteis, baseado 
em descobertas da NASA e que foi projetado por Ma-
¹² J. A. Veitch & S. L. McColl, “Modulation of Fluorescent Light: Fli-
cker Rate and Light Source Effects on Visual Performance and Visual 
Comfort”. Lighting Research and Technology 27 (1995): 243-256.
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Capítulo 8 As Questões de Qualidade do Ambiente Interno 103
thieu Lehanneur em parceria com cientistas da Uni-
versidade de Harvard.)
Recentemente, foi feito um estudo para avaliar a 
capacidade das plantas de extrair contaminantes do ar 
interno. Ao colocar sete espécies vegetais no local do 
estudo, os pesquisadores concluíram que o benzeno 
(um composto orgânico volátil poderoso) era removi-
do do ar interno em quantidades variáveis. Eles tam-
bém descobriram que tanto a terra dos vasos como 
as plantas e suas interações foram responsáveis por 
remover entre 12 e 27 ppm d-1 de benzeno em 24 
horas (a designação “d” se refere ao termo diamagné-
tico, ou seja, a incapacidade de produzir um campo 
magnético).14
Ademais, sabemos que as plantas aumentam o bem-
-estar psicológico. Estudos feitos com pessoas submeti-
das a tratamentos de demência concluíram que, além 
de aumentar a qualidade do ar interno, a presença de 
plantas diminui o tempo de recuperação dos pacientes 
e contribui para o bem-estar geral.15 Outro estudo, por 
sua vez, concluiu que a presença de plantas em am-
bientes internos contribui para os níveis de atenção, au-
menta a produtividade e baixa a pressão sanguínea.16
Há uma estratégia de projeto sustentável muito 
bonita, que incorpora o conceito de maximização do 
bem-estar ao projeto de paisagismo interno – trata-se 
das paredes vivas, isto é, elementos de vegetação em 
grande escala que podem ser independentes ou fazer 
parte do plano vertical da edificação (Figura 8-10). 
Além disso, elas beneficiam a qualidade do ar inter-
no de maneira ativa. Algumas tecnologias de paredes 
vivas incorporam um sistema de tratamento do ar à pa-
rede, transformando-a em um sistema de filtragem in-
tegrado. O ar que passa pelas paredes vivas consegue 
decompor elementos presentes no ambiente interno, 
como o formaldeído e o benzeno. Enquanto conferem 
uma sensação de bem-estar, as paredes vivas também 
aumentam a qualidade do ar e a eficiência energética.
O conforto térmico
Trataremos o conceito de conforto térmico como um 
componente da qualidade do ambiente interno, visto 
que ele está entre as características internas mais pal-
páveis e fáceis de identificar – principalmente quando 
projetado de maneira incorreta. Muitos livros e con-
gressos já foram escritos e realizados sobre o assunto. 
Os nossos códigos de edificações e projetos de instala-
ções tocam exatamente neste fator variável da qualida-
de do ambiente interno. Na verdade, a obra de um dos 
primeiros cientistas a compreender os conceitos de 
conforto térmico se tornou base de um padrão ISO.
O cientista e professor universitário dinamarquês P. 
Ole Fanger desenvolveu uma equação complexa para 
chegar a uma definição matemática do conforto térmi-
co.17 A equação inclui seis variáveis que são essenciais 
para o conforto térmico humano. As quatro variáveis 
ambientais do modelo são: a temperatura ambiente, a 
temperatura radiante, a umidade relativa e a velocida-
de do ar; o isolamento das roupas e o nível de ativida-
de, por sua vez, são as duas variáveis metabólicas.
Com frequência, discute-se a relevância de outras 
variáveis menos quantificáveis para o conforto térmi-
co. A percepção do conforto térmico é influenciada 
por fatores como o humor dos usuários dos espaços, 
Figura 8-9 Mathieu Lehanneur, o projetista que criou a Miniestufa 
Móvel Bel-Air, afirma: “Depois do retorno dos primeiros voos espaciais 
e de muitas análises, a NASA detectou um alto nível de compostos or-
gânicos voláteis tóxicos nos tecidos corporais dos astronautas. As espa-
çonaves dos Estados Unidos, feitas principalmente com plástico, fibra 
de vidro, materiais isolantes e retardantes de chamas, estavam gradual-
mente envenenando os astronautas. A mesma coisa ocorre nos espa-
ços que ocupamos. Todos os produtos manufaturados liberam, ou, mais 
precisamente, emitem gases, mesmo anos depois de sua fabricação”.
¹³ B. C. Wolverton, How to Grow Fresh Air: 50 House Plants that 
Purify Your Home or Offi ce (New York: Penguin, 1997).
14 Ralph L. Orwell, Ronald L. Wood, Jane Tarran, Fraser Torpy& 
Margaret D. Burchett, “Removal of Benzene by the Indoor Plant/
Substrate Microcosm and Implications for Air Quality”, Water, Air, & 
Soil Pollution 157, nos. 1-4 (September 2004): 193-207.
15 E. Rappe & L. Lindén, “Plants In Health Care Environments: Expe-
riences of the Nursing Personnel in Homes for People With Demen-
tia”, ISHS Acta Horticulturae 639: XXVI International Horticultural 
Congress: Expanding Roles for Horticulture in Improving Human 
Well-Being and Life Quality, realizado em junho de 2004, em Toron-
to, no Canadá, e atas publicadas em 30 de junho de 2004, D. Relf, 
editor, ISHS Acta Horticulturae 639.
16 Virginia I. Lohr, Caroline H. Pearson-Mims, and Georgia K. Goo-
dwin, “Interior Plants May Improve Worker Productivity and Redu-
ce Stress in a Windowless Environment,” Journal of Environmental 
Horticulture, 14, no. 2: 97-100.
17 A obra de P. Ole Fanger mostra que a má qualidade do ar em 
habitações pode causar asma em crianças, ao passo que, em locais 
de trabalho, ela diminui a produtividade.
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104 Fundamentos de Projeto de Edificações Sustentáveis
os níveis de motivação dos trabalhadores e os padrões 
mais simples da vida diária, entre outros comporta-
mentos. É a interação de todos esses parâmetros que 
diferencia, em termos de consciência humana, um 
ambiente interno desagradável e sua antítese – no 
caso, um ambiente térmico confortável.18
Como podemos projetar visando ao conforto 
térmico? É evidente que, com seus inúmeros valo-
res matemáticos, a equação de Fanger implica uma 
complexidade correspondente em termos de projeto. 
Para lidar com isso, recorremos aos engenheiros de 
ambientes internos, cujas áreas de atuação variam da 
engenharia mecânica à psicologia organizacional. 
Como profissionais de projeto sustentável, é importan-
te que compreendamos essas variáveis e que sejamos 
capazes de colaborar com todas as áreas. No final, 
tudo se resume à sinergia entre o projeto de arquitetu-
ra e o projeto de instalações, cujo trabalho conjunto 
requer o equilíbrio entre ventilação e a temperatura 
adequado para a densidade de usuários, as atividades 
realizadas no espaço, os padrões de uso e, por fim, o 
controle individual (ou, no mínimo, a percepção de 
tal controle) de tais fatores.
Outras questões de qualidade 
do ambiente interno
Grande parte do projeto do ambiente interno de boa 
qualidade se baseia no conceito de biofilia, uma abor-
dagem de projeto inovadora que “enfatiza a necessi-
dade de manter, melhorar e restaurar a experiência 
benéfica da natureza no ambiente construído”.19 Os 
componentes da qualidade do ambiente interno in-
cluem as relações fundamentais entre os seres huma-
nos e a natureza, e, quando bem-projetados, também 
resultam em um espaço que trata de tais relações. O 
projetista de edificações sustentáveis precavido leva 
em consideração outras questões no projeto de um 
ambiente interno de qualidade, os quais incluem os 
vários fatores descritos abaixo, entre muitos outros.
As variações climáticas afetam os níveis internos •
de ruído, a temperatura, a qualidade do ar e o nível 
de atividade humana. O vento pode, por exemplo, 
alterar o conforto percebido causando, também, 
alterações sutis no humor e na interação social.
Os produtos preexistentes no terreno (como o •
amianto, o radônio, o chumbo e outros contami-
nantes inorgânicos) podem causar efeitos nocivos 
à saúde.
Entre os produtos preexistentes no terreno que, •
atualmente, estão chamando a atenção da mídia, 
destacam-se o mofo e as frequências eletromag-
néticas, que têm sido associadas a enfermidades 
que vão desde a leucemia até problemas de me-
mória.20
O tipo e a função da edificação podem dar ori- •
gem a preocupações específicas. Os hospitais, 
por exemplo, podem abrigar bactérias e enfer-
midades que afetam tanto os pacientes como os 
funcionários da saúde, o que requer que seu am-
biente interno seja monitorado com cuidado. As 
áreas de cirurgia costumam ser mantidas a tem-
peraturas extremamente baixas para controlar a 
proliferação de organismos nocivos. Os equipa-
mentos de produção industrial, por sua vez, às 
vezes envolvem a criação ou o uso de substâncias 
químicas sintéticas ou de materiais nocivos. Nes-
sas situações, a experiência dos usuários de tais 
espaços internos se reduz aos equipamentos de 
proteção individual.
Figura 8-10 Uma parede viva (ou mur végétal, no termo francês) cria-
da pelo artista-botânico Patrick Blanc.
18 Kenneth C. Parsons, Human Thermal Environments: The Effects of 
Hot, Moderate, and Cold (London: CRC Press, 2003); P. O. Fanger, 
Thermal Comfort: Analysis and Applications in Environmental En-
gineering (Copenhagen: Danish Technical Press, 1970; New York: 
McGraw-Hill: 1970).
19 Stephen R. Kellert, Judith H. Heerwagen & Martin L. Malor, eds., 
Biophilic Design (Hoboken, NJ: John Wiley & Sons, 2008).
20 WBDG Sustainable Committee, “Enhance Indoor Environmen-
tal Quality (IEQ)”, The Whole Building Design Guide (Washing-
ton, DC: National Institute of Building Sciences, October 14, 
2008), http://www.wbdg.org/design/ieq.php (site acessado em 5 
de janeiro de 2009).
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Capítulo 8 As Questões de Qualidade do Ambiente Interno 105
A qualidade da água potável também é considera- •
da um índice de qualidade do ambiente interno. É 
preciso testar a água potável regularmente, junto à 
qualidade do ar.
Enfim, para ser considerado confortável, o am- •
biente interno deve ser submetido à manutenção e 
à limpeza de modo adequado. Cronogramas regu-
lares de limpeza são essenciais, assim como o uso 
de produtos de limpeza apropriados, ambiental-
mente benignos e sustentáveis. Além de enviar os 
resíduos para locais que não os aterros sanitários, a 
coleta regular de materiais recicláveis e orgânicos, 
entre outros, é importante para o conforto olfativo 
e a qualidade do ar interno.
As vantagens da boa qualidade 
do ambiente interno
É provável que você tenha percebido que os fatores 
de qualidade do ambiente interno revisados neste 
capítulo oferecem várias vantagens convergentes, 
todas intimamente associadas à questão do confor-
to. Estudos defendem que o bem-estar humano, a 
produtividade laboral e o resultado de testes de de-
sempenho podem ser atribuídos a um vínculo físico 
ou percebido com a natureza, sendo essa uma das 
metas biofílicas da qualidade efetiva do ambiente 
interno.
Em 2002, M. J. Mendell fez um resumo de pes-
quisas focadas na produtividade então atuais e con-
cluiu que muitos fatores podem afetar o desempenho 
escolar de crianças de maneira negativa; entre eles, 
encontram-se os controles de ventilação inadequados 
e a presença de poluentes microbiológicos e químicos 
internos. Além disso, as edificações mais recentes e a 
presença de carpetes tiveram efeitos negativos sobre 
determinadas tarefas e sobre o desempenho mental, 
enquanto a iluminação natural e os controles indivi-
duais, por sua vez, tiveram efeitos positivos em pes-
quisas feitas nas universidades.²¹
As relações entre as edificações sustentáveis e a 
produtividade foram estudadas em inúmeras pesqui-
sas feitas pela psicóloga Judith H. Heerwagen, entre 
outras, concluindo-se que a qualidade do ambiente 
construído interno pode ajudar na concentração e 
na efetividade, além de reduzir os índices de ab-
sentismo.
Há quem afirme que os resultados são inconclu-
sivos e que os estudos focados tanto na saúde como 
na produtividade ainda são controversos. Contudo, 
como mostram as Figuras 8-11 e 8-12, que represen-
tam os resultados das pesquisas feitas com a biblio-
grafia disponível realizadas pelo Center for Building 
Performance and Diagnosis, da Carnegie Mellon 
University, os benefícios na saúde e na produtivida-
de estão intimamente associados ao acesso ao am-
biente natural.
Ao rever os fatores de qualidade do ambiente in-
terno, vimos que o espaço interno é uma parte que, 
na verdade,

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