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HANSENÍASE
- Doença crônica, infectocontagiosa
- Mycobacterium leprae, um BAAR, fracamente gram positivo
- Bactéria intracelular com tropismo para macrófagos cutâneos e células de
Schwann do sistema nervoso periférico
- Acomete mais face, pescoço, terço médio do braço e abaixo do cotovelo e dos
joelhos
- Afeta ambos os sexos e todas as idades, mas a forma Virchowiana predomina
nos Homens (2:1)
- Pode tornar transmissível, se não tratar e leva a incapacidades físicas e
deformidades
Tratamento: antibiótico - poliquimioterapia
- interrompe a transmissão em poucos dias e cura a doença
Transmissão: inter-humana (convivência com o doente) através da eliminação do bacilo
- período de incubação longo 2-10 anos
Bacilo de Hansen alta infectividade e baixa patogenicidade e virulência
- consegue transmitir com facilidade
- demora para o paciente ter deformidades
Sinais e sintomas: alteração de sensibilidade, manchas brancas - hipocrômicas,
nodulações, dormência
Quadro clínico:
HI - caracterizada por manchas hipocrômicas no corpo com alteração de sensibilidade
local
TT - tuberculóide (resposta imune eficiente e menos bacilo) → tendência de formar
granulomas no corpo do paciente; poucas lesões no corpo do paciente
VV - virchowiano (resposta imune pouco eficiente e muito bacilo) → faz múltiplas lesões
no corpo do paciente, tendendo a mais simetria e o déficit não intenso
DD - dimórficos
DT - dimórficos tuberculóide
DV - dimórficos virchowianos
DD ou DV ou VV = multibacilares
TT ou DT = paucibacilares
paucibacilar = lesões neuromusculares
multibacilar = não evolui diretamente para causa neuromusculares
2 exames: baciloscopia e teste de mitsuda
TT e DT = baciloscopia negativa (-) e Mitsuda positiva (+)
DD, DV, VV = baciloscopia positiva (+) e Mitsuda negativa (-)
Hanseníase indeterminada (paucibacilar):
Lesão de pele: geralmente é única, mácula hipocrômica, plana, bordas mal delimitadas e
“não pega poeira” – devido a anidrose, há perda da sensibilidade térmica e/ou dolorosa,
mas a tátil geralmente é preservada. As máculas podem ser hipocrômicas,
eritemato-hipocrômicas, com eritema marginal ou difuso, alopecia total ou parcial
- Teste de Mitsuda pode ser + ou -
Perda da sensibilização da pele:
1. térmica
2. dolorosa
3. tátil
Hanseníase tuberculóide (paucibacilar):
Doença em que o sistema imune da pessoa consegue destruir os bacilos
espontaneamente
Lesão de pele: placa elevada ou com bordas elevadas, bem delimitada e centro claro,
totalmente anestésica, com menor frequência, um único nervo espessado
Hanseníase nodular da infância: criança pequena, nódulo totalmente anestésico na face
ou tronco
- Teste de Mitsuda +++ e baciloscopia negativa
Hanseníase dimorfa (multibacilar):
Lesão de pele: lesões de formas bizarras, com placas “esburacadas” ou “queijo suíço”.
Há perda parcial ou total da sensibilidade, com diminuição de funções autonômicas
(anidrose ou teste da histamina incompleto)
- Baciloscopia Positiva DD e DV
Hanseníase virchowiana (multibacilar):
Forma contagiosa da doença
Lesão de pele: polimorfismo muito grande das lesões. Manchas hipocrômicas, que se
tornam eritematosas, eritemato-pigmentadas, vinhosas, ferruginosas, papulo-nodulares
nodulares, placas isoladas, agrupadas e ou confluentes, simetricamente distribuídas
Comum surgimento de hansenomas: nódulos escuros, endurecidos e assintomáticos.
Em estágio mais avançado: perda parcial ou total das
sobrancelhas (madarose) e também dos cílios e outros
pelos. A face costuma ser lisa (sem rugas - face leonina)
devido a infiltração.
Reações hansênicas:
- Fenômenos inflamatórios agudos ou subagudos, durante ou após o final do
tratamento
- Reações constituem a maior causa de lesão no nervo periférico e aumento das
incapacidades
- 2 tipos → Tipo I e II
Essas reações acontecem com pessoas somente com hanseníase ou durante/após
tratamento
Tipo 1 MHT, DT
- paciente com bom estado geral, SEM comprometimento sistêmico
- lesões mais avermelhadas e mais edemaciadas
- piora da perda de sensibilidade ou da função muscular
Tratamento = ambulatorial
Prednisona 1 mg/kg/dia ou
Dexametasona 0,15 mg/kg/dia se HAS ou cardiopatas
Analgesia = antidepressivos
Amitriptilina 25 mg + Clorpromazina 5 mg 12/12h
ou
Carbamazepina 200-400 mg/ dia
Profilaxia = albendazol 400mg por 5 dias
- fazer retorno mensal
- quando melhorar/ estabilizar → iniciar redução lenta da prednisona (10 mg por
mês), até a menor dose possível
Tipo 2 ou Eritema Nodoso Hansênico MHDV, VV
- COM comprometimento sistêmico
- Nódulos quentes, dolorosos e avermelhados, às vezes ulcerados
- Artralgia e artrite
- Febre, dor nos nervos periféricos (mãos e pés), comprometimento dos olhos e
sistêmico: anemia severa aguda, leucocitose com desvio à esquerda,
comprometimento do fígado, baço, linfonodos, rins, testículos, suprarrenais
Tratamento:
Analgesia amitriptilina 25 mg até 75 mg/dia + clorpromazina 5 mg 12/12h ou
carbamazepina 200-400 mg/ dia
Talidomida 100 a 400 mg/dia via oral (para mulheres em idade fértil: pentoxifilina 400
mg três vezes ao dia, ou antiinflamatórios)
Neurite, lesão ulcerada ou comprometimento de outros órgãos: prednisona 1 mg/kg/dia
Associação de talidomida e corticoide: prescrever AAS 100 mg/ dia (profilaxia TVP)
Profilaxia: albendazol 400mg por 5 dias
- fazer retorno mensal
- quando melhorar/ estabilizar → iniciar redução
lenta da prednisona (10 mg por mês),
até a menor dose possível
Reações hansênicas:
Os surtos reacionais, em média de 1 mês para a reação tipo 2 (eritema nodoso
hansênico), e de 3 a 6 meses para a reação tipo 1.
- Reavaliar a presença de focos infecciosos, como problemas dentários
- Contato do paciente reacional com doentes não tratados e sem diagnóstico
- Insuficiência de tratamento
Abordagem do paciente:
1. anamnese + avaliação dermatoneurológica
2. teste de sensibilidade
Diagnóstico:
Principais exames subsidiários: baciloscopia e biópsia de pele
Teste para auxílio: prova da histamina, teste do suor, eletroneuromiografia, teste de
Mitsuda (valor prognóstico e não diagnóstico)
- baciloscopia faz raspado intradérmico em lobos auriculares e cotovelos
Prova da histamina
- se houver um nevo / reação (parece picadas) = positivo
- se não houver aparecimento de nevo = negativo
Teste alterado = prova da histamina incompleta → se não ocorrer o eritema
- Altamente sugestivo de hanseníase
Avaliação da sudorese: teste da anidrose
se tiver sudorese = fica preto
se não houver sudorese = fica branco e quer dizer que tem alteração neuronal
Tratamento - Poliquimioterapia (PQT):
PB:
- Supervisionada: 1x no mês, 600 mg de Rifampicina + 100 mg de Dapsona
- Em casa: diário, 100 mg de Dapsona
- Por 6 meses
MB:
- Supervisionada: 1x no mês → 600 mg de Rifampicina + 100 mg de Dapsona + 300
mg de Clofazimina
- Em casa → diário, 100 mg de Dapsona + 50 mg de Clofazimina
- Por 12 meses
As medicações diárias devem ser tomadas 2 horas após o almoço para evitar intolerância
gástrica e eventual abandono do tratamento por esse motivo.
dose de cima / supervisionada = tomar na frente do médico
Efeitos adversos:
DAPSONA → hemolíticos (tremores, febre, náuseas, cefaléia, às vezes choque, podendo
também ocorrer icterícia leve, metahemoglobinemia, cianose, dispnéia, taquicardia,
cefaléia, fadiga, desmaios, náuseas, anorexia e vômitos)
- deficiência de G6PD
RIFAMPICINA
- hepáticos (icterícia (leve ou transitória x grave, com danos hepáticos)
- síndrome pseudogripal (febre, calafrios, astenia, mialgias, cefaléia, dores ósseas)
CLOFAZIMINA→ coloração da pele (pele fica escurecida)
Investigação de contatos:
O que fazer: anamnese dirigida + avaliação dermatoneurológica + vacina BCG
Não se deve fazer a vacinação BCG em pacientes imunossuprimidos, pessoas com
tuberculose ativa, gestantes ou em indivíduos vacinados recentemente (<1ano)
HANSENÍASE É NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA !!
- SINAN

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