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CENTRO UNIVERSITÁRIO UNIFAVIP WYDEN 
CURSO DE PSICOLOGIA 
DISCIPLINA: NEUROCIÊNCIAS E NEUROLOGIA 
DOCENTE: CAMILA BONFIM 
 
 
 
 
 
 
 
 
ESTUDO CLÍNICO DO CASO R.C. 
 
 
 
 
 
 
 
GRUPO: 
JAMIRES VICTORIA SILVA DE SOUSA - 202051052041 
MARIA EDUARDA CARLINDO DA SILVA - 202051049006 
MARIA EDUARDA MACIEL ANDRADE – 202202985112 
TATIANA BRITO VIDAL BATISTA - 202051643978 
TAWANE SANTANA DA SILVA - 202051715006 
VITÓRIA SAMARA DE MELO DIAS - 202051221534 
 
 
 
 
 
MAPA MENTAL DO PROCESSAMENTO DAS FUNÇOES EXECUTIVAS E 
DO PROCESSO ATENCIONAL ENVOLVIDOS NO CASO DE R.C. 
 
 
ALTERAÇÕES PERCEPTÍVEIS NAS FUNÇOES EXECUTIVAS E NO 
PROCESSO ATENCIONAL DO CASO DE R.C. 
É verídico dizer que o lobo frontal é extremamente necessário e importante no 
planejamento, seleção, organização e execução dos comportamentos e pensamentos do 
sujeito. Desse modo, áreas do córtex pré-frontal mostram-se como as principais 
responsáveis pelas funções executivas, as quais referem-se à capacidade do indivíduo em 
possuir controle comportamental, avaliação consequencial, raciocínio crítico e respostas 
adaptativas às demandas impostas (LENT, 2008). Com isso, Dias e Seabra (2013), em 
seus estudos bibliográficos, concluíram existir três habilidades concomitantes às funções 
executivas, sendo elas: 
A) Flexibilidade cognitiva: compreende a capacidade do indivíduo em se adaptar ao 
ambiente e propor as melhores respostas diante as exigências que lhes são 
apresentadas. 
B) Memória de trabalho: relaciona-se ao ser capaz de manter na mente informações 
necessárias para a integração, planejamento e execução de pensamentos e 
comportamentos. 
C) Controle inibitório: se traduz como a permissão em manter o autocontrole, o foco 
atencional, o pensamento consequencial das ações a curto, médio e longo prazo e, 
também, o auxílio na seleção e execução do comportamento mais adequado para 
o indivíduo. 
Não obstante, é comprovada a existência de duas possíveis subdivisões 
classificatórias para as funções executivas, sendo elas as funções frias – responsáveis pelo 
planejamento, raciocínio lógico e abstrato das ações –, ressaltando a ativação de áreas 
pré-frontais dorsolaterais e, por conseguinte, das funções quentes – compreendem 
aspectos motivacionais, emocionais, de relacionamento social e de inibição em 
comportamentos inapropriados –, prevalentes na atividade neuronal constante das áreas 
orbitofrontais do córtex pré-frontal (BARROS; HAZIN, 2013). 
Por tudo isso, quando se trata das funções executivas, o processo atencional mostra-
se como principal aliado no evitamento de distrações e estímulos irrelevantes, no 
planejamento e escolha do comportamento mais adequado, além da ação executória 
comportamental. Dessa maneira, pode-se dizer que os processos atencionais envolvem o 
bottom-up – relacionado a execução de comportamentos mais automáticos, de modo a 
exigir menos do córtex pré-frontal – e o top-down – responsável por comportamentos 
controlados que exigem mais do córtex pré-frontal-, os quais funcionam de forma 
integrada e podem ser ativados a qualquer momento pelo sujeito (DALGALARRONDO, 
2019). 
Outrossim, pode-se dizer que o funcionamento das funções executivas ocorre, antes 
de tudo, pela ativação do estado de vigilância na região do tronco encefálico, para que o 
indivíduo se encontre atento, seja por meio do bottom-up ou do top-down, para realizar a 
tarefa proposta da forma mais adequada. Ademais, outras funções cerebrais mostram-se 
atuantes nesse processo, tais como a regulação homeostática hipotalâmica da busca por 
equilíbrio funcional conforme as exigências internas e/ou externas, a comunicação do 
giro cingulado com as respostas emocionais, motivacionais e volitivas entre a amígdala e 
o córtex pré-frontal, a passagem de informações proporcionadas pela região talâmica até 
que chegue ao córtex- frontal e a associação de informações entre os divergentes lobos 
que auxiliam na orientação, planejamento e execução comportamental. É válido 
mencionar que, no que tange o planejamento comportamental das funções executivas, as 
informações caminham de forma reversa no córtex pré-frontal, de maneira a iniciar nas 
áreas terciárias, onde são encontradas áreas dorsolaterais e orbitofontrais, até que 
cheguem nas áreas primárias (DALGALARRONDO, 2019; LENT, 2008). 
Dessa maneira, a partir de todo o conteúdo exposto, torna-se possível, finalmente, 
realizar uma análise fundamentada do caso do paciente R.C. Sendo assim, é condizente 
concluir que o Traumatismo Crânio Encefálico (TCE) que R.C sofreu provocou lesões no 
Córtex pré-frontal, em especial nas áreas orbitofontrais, de modo a afetar sua função 
quente, especialmente a habilidade de controle inibitório. Essa conclusão baseia-se no 
fato de que, após o TCE, o acometido R.C passou apresentar comportamentos impróprios 
no seu convívio social, dependência na cannabis e na cocaína, desatenção constante, 
comportamentos obsessivos-compulsivos, hiperatividade e compulsão alimentar. Em 
outras palavras, o acidente provocou mudança acentuada na personalidade de R.C, visto 
que, segundo relatos de familiares, o acometido passou a apresentar dificuldade em 
manter seu autocontrole comportamental e executar seu processo atencional. 
Dito isso, apesar da complexidade que envolve o processo atencional, é verídico dizer 
que, quando afetada a região do córtex pré-frontal, possivelmente o indivíduo desenvolve 
dificuldade atencional em apresentar o controle inibitório, principalmente no que se refere 
ao autocontrole em permanecer com atenção sustentada e seletiva em determinada 
atividade por muito tempo (REBOLLO; MONTIEL, 2006). Idem, esse fato torna-se 
claramente observável e comprovado no caso, a partir do relato de que, após o TCE, R.C. 
passou a não conseguir terminar atividades, de modo a sempre as abandonar antes do 
término. Além disso, também é importante esclarecer que sua dependência em drogas 
ilícitas mencionadas, mostra-se como fator de risco para a saúde, ou seja, afeta de forma 
significativa suas funções executivas e atencionais. 
REFRÊNCIAS 
BARROS, Priscila Magalhães; HAZIN, Izabel. Avaliação das funções executivas na 
infância: revisão dos conceitos e instrumentos. Revista Psicologia em Pesquisa, v. 7, n. 
1, 2013. 
DALGALARRONDO, P. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. 3. 
Ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 440 p. 
DIAS, Natália M.; SEABRA, A. G. Funções executivas: desenvolvimento e 
intervenção. Temas sobre desenvolvimento, v. 19, n. 107, p. 206-212, 2013. 
LENT, Roberto. Neurociência da mente e do comportamento. [S. l.]: Guanabara 
Koogan, 2008. 372 p. 
REBOLLO, María Antonieta; MONTIEL, Stella. Atención y funciones ejecutivas. 
Revista de neurología, v. 42, n. 2, p. 3-7, 2006.

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