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Síntese e Degradação de Proteínas SUMÁRIO 1. Visão geral .........................................................................................................3 2. Ribossomos .......................................................................................................3 3. Síntese de polipeptídeos ....................................................................................4 4. Polirribossomos .................................................................................................6 5. Ação antibiótica bacteriana ................................................................................7 6. Ação antibiótica eucariótica ...............................................................................8 7. Proteínas secretadas ..........................................................................................8 8. Degradação de proteínas ....................................................................................9 Referências ..........................................................................................................................9 Síntese e Degradação de Proteínas 3 1. VISÃO GERAL A síntese das proteínas é o processo por meio do qual as células biológicas ge- ram novas proteínas; é um fenômeno que ocorre em quase todos os organismos, e que acontece no interior das células, em suas organelas. As proteínas são sinteti- zadas como polipeptídios no ribossomo, que são montados a partir de duas subu- nidades durante o estágio de iniciação. A síntese de polipeptídios procarióticos e eucarióticos tem um estágio de iniciação que alinha o mRNA e os locais no ribos- somo para que o próximo aminoacil tRNA possa se ligar. A tradução prossegue até que um códon de parada seja alcançado e os fatores de terminação liberem o poli- peptídio seguido pela dissociação do ribossomo e do mRNA. Vários antibióticos têm efeito em vários pontos do ciclo de síntese de polipeptídios. As proteínas secretadas são empurradas através de um translocon na membrana do retículo endoplasmático e são armazenadas no lúmen, após qualquer modificação pós-tradução. Os proteas- somas digerem proteínas marcadas com ubiquitina para controlar a quantidade des- sa proteína a qualquer momento. BOX SAIBA MAIS: Na síntese proteica, participam o DNA da célula; RNA transpor- tador, mensageiro e ribossômico; além dos ribossomos, enzimas e aminoácidos. 2. RIBOSSOMOS Os ribossomos são complexos de ribonucleoproteínas semelhantes às partículas compostas por subunidades pequenas e grandes, cuja composição e função na sín- tese de proteínas são diferentes. A subunidade pequena 40S é equivalente à subu- nidade 30S em procariotos, sendo sua função ligar mRNA e aminoacil-tRNAs. Essas subunidades também localizam o códon de início de AUG no mRNA. A subunidade grande 60S, equivalente à subunidade 50S em procariotos, liga-se à pequena subuni- dade após a localização do códon de início e possui atividade de peptidil transferase essas são enzimas que formam ligações peptídicas entre aminoácidos adjacentes usando tRNAs, durante o processo de tradução da biossíntese de proteínas. Saiba mais! O códon é um conjunto de três nucleotídeos, que cor- responde a um aminoácido. Existem 64 códons possíveis, a partir da combina- ção dos nucleotídeos. Alguns aminoácidos podem ser codificados por mais de um códon. Síntese e Degradação de Proteínas 4 Figura 1: Ribossomo durante a síntese de proteínas. Fonte: Designua /shutterstock.com. 3. SÍNTESE DE POLIPEPTÍDEOS Quanto à síntese de polipeptídios temos que a tradução da mensagem do mRNA em uma proteína envolve três estágios: iniciação, alongamento da cadeia e término. Tendo, como base, um modelo procariótico podemos dizer que na iniciação a su- bunidade pequena 30S reconhece o códon de iniciação (AUG), ou mais especifica- mente a formilmetionina (F-met) em bactérias, no RNAm que está sendo lido. Os IFs (fatores de iniciação) associada a ligação do metionil-tRNA são necessários para o início da síntese de proteínas. No ciclo de alongamento, a síntese proteica segue da extremidade amino terminal para a carboxi terminal, dentro desse contexto devemos destacar que, durante a tradução, o ribossomo muda o direcionamento da leitura do RNAm do códon para direção 5’-3’, sendo esse processo chamado de translocação. A formação da ligação peptídica é catalisada pela atividade da enzima peptidil trans- ferase, de um componente rRNA com função enzimática (uma ribozima) na grande subunidade ribossômica. Os fatores de alongamento (FEs), estão presentes e são Síntese e Degradação de Proteínas 5 necessários para o alinhamento do aminoacil-tRNA de entrada e, também, serve para translocar entre o RNAm e pepitidil- tRNA e, assim, continuar o alongamento da ca- deia polipeptídica. Para que seja finalizado esse processo de alongamento, na fase de término da síntese proteica e liberação de polipeptídio completo, a subunidade 30S deve reconhecer os códons de parada (UGA, UAG ou UAA) que sinalizam a termi- nação do alongamento da cadeia, pois não existem tRNAs com anticódons comple- mentares aos códons de parada. Além disso, os fatores de liberação (RFs) se ligam a um códon de parada e estimulam a liberação da cadeia polipeptídica recentemente sintetizada, o tRNA final, e o ribossomo dissociado. BOX SE LIGA: Fatores específicos de iniciação de proteínas (FIs), fatores de alongamento (FEs) e fatores de liberação (FRs) são necessários em procariotos e eucariotos. Figura 2: Síntese de proteínas no ribossomo: transcrição e tradução. Fonte: Designua/shutterstock.com. Síntese e Degradação de Proteínas 6 Figura 3: Tradução é o processo de expressão gênica em que os ribossomos no citoplasma sintetizam proteínas. Fonte: Soleil Nordic/shutterstock.com. 4. POLIRRIBOSSOMOS Polirribossomos (ou seja, polissomos) são arranjos estendidos de ribossomos in- dividuais, todos associados a uma única fita de mRNA. Ao realizar a síntese de múl- tiplas cópias da mesma proteína simultaneamente, os polirribossomos aumentam a taxa de síntese proteica. Procariontes e eucariotos formam polirribossomos em suas estruturas celulares. Síntese e Degradação de Proteínas 7 5. AÇÃO ANTIBIÓTICA BACTERIANA Vários antibióticos atuam inibindo seletivamente a síntese de proteínas bacte- rianas. A estreptomicina se liga às pequenas subunidades ribossômicas (30S) da bactéria e interfere na formação do complexo de iniciação. As tetraciclinas se ligam às pequenas subunidades ribossomais de bactérias e bloqueiam a ligação dos ami- noacil-tRNAs recebidos. Os aminoglicosídeos e a espectinomicina são inibidores de pequenas subunidades ribossômicas. O cloranfenicol inibe a atividade da peptidil transferase das grandes subunidades ribossomais (50S) da bactéria. A eritromicina e a clindamicina também se ligam às grandes subunidades ribossômicas, evitando a translocação do ribossomo ao longo do mRNA bacteriano. Figura 4: Mecanismos de ação dos antimicrobianos. Fonte: Designua/shutterstock.com. Síntese e Degradação de Proteínas 8 6. AÇÃO ANTIBIÓTICA EUCARIÓTICA Algumas toxinas e antibióticos interrompem a síntese de proteínas eucarióticas. A toxina Shiga (Shigella dysenteriae) e a toxina semelhante à Shiga (Escherichia coli enterohemorrágica) clivam o rRNA na subunidade 28S e nas subunidades ribossômi- cas grandes (60S) de eucariotos, evitando a ligação dos aminoacil-tRNAs recebidos. Nesse contexto, podemos destacar a Ricina, uma proteína encontrada na mamona, inativa grandes subunidades ribossômicas da mesma maneira que a toxina Shiga. A toxina da difteria (Corynebacterium diphtheriae) inativa um fator de alongamento, EF-2, evitando assim, a translocação no ribossomo eucariótico. A cicloheximida, que é usada como fungicida e repelente de ratos, inibe a peptidil transferase eucariótica. 7. PROTEÍNAS SECRETADAS A síntese das proteínas secretadas, lisossomais e de membrana começa no cito- sol, mas é concluída no retículo endoplasmáticorugoso (RER). Uma sequência de sinal no terminal amino do polipeptídio nascente guia o polipeptídio nascente para a membrana do RER e, finalmente, para o lúmen do RER. Nas Etapas 1 e 2, após a sín- tese da sequência de sinal em um ribossomo livre no citosol, o ribossomo se liga à membrana do RER com o auxílio de uma partícula de reconhecimento de sinal (SRP) e do receptor SRP. Na Etapa 3, o SRP se dissocia; a proteína nascente do ribossomo se associa a um translocon na membrana do RER e a cadeia polipeptídica entra no canal aberto no translocon. Na última etapa, número 4, à medida que a tradução continua, o polipeptídio de alongamento é translocado para o lúmen do RER, a extre- midade amino primária, e a sequência de sinal é clivada e digerida. Após a conclusão da tradução, a nova proteína pode ser glicosilada no lúmen do RER. As vesículas de transporte que brotam do RER carregam proteínas recém-formadas para o aparelho de Golgi, onde passam por várias modificações pós-traducionais. Modificações pós- -tradução de muitas proteínas são necessárias para sua atividade biológica. Alguns exemplos de modificações podem ser citados. Entre eles, a clivagem proteolítica que acontece nas enzimas digestivas (por exemplo, tripsinogênio que se converte em tripsina); nos fatores de coagulação (por exemplo, protrombina convertidos em trombina); hormônios, por exemplo, pró-insulina para insulina e peptídeo C. Outra mo- dificação é a formação de ligações dissulfeto, fixação do grupo prostético com a for- mação de ligação covalente de biotina a carboxilases nas proteínas. A glicosilação também é uma modificação extremamente importante, nela os açúcares são ligados aos aminoácidos: resíduos de serina, treonina e asparagina. As proteínas de mem- brana e secretadas (por exemplo, proteínas de membrana glicosiladas, determinan- tes de grupo sanguíneo ABO, imunoglobulinas, sofrem a glicosilação. A fosforilação, Síntese e Degradação de Proteínas 9 outro processo de modificação, com resíduos de serina, treonina e tirosina é usada em enzimas reguladas hormonalmente (por exemplo, glicogênio sintase, acetilCoA carboxilase, piruvato quinase), assim como a hidroxilação com resíduos de lisina e prolina. As enzimas hidrolíticas destinadas aos lisossomas são marcadas com resíduos de 6-fosfato de manose por enzimas no lúmen do aparelho de Golgi. Os resíduos de 6-fosfato de manose nas enzimas ligam-se fortemente a receptores específicos na membrana de Golgi, e as vesículas contendo as enzimas ligadas brotam e, eventu- almente, se fundem com os lisossomas. A doença das células I é uma doença de armazenamento lisossomal que resulta de uma deficiência hereditária da fosfotrans- ferase necessária para formar a marcação com 6-fosfato de manose nas enzimas lisossomais. As enzimas lisossomais são produzidas normalmente, mas como não têm a marcação com 6-fosfato de manose, são secretadas para o sangue em vez de serem direcionadas para os lisossomas. Outras doenças de armazenamento lisosso- mal, como mucopolissacaridoses, doença de Pompe e esfingolipidoses, são causa- das por defeitos hereditários nas próprias enzimas lisossomais. 8. DEGRADAÇÃO DE PROTEÍNAS Todas as proteínas são degradadas a uma taxa que permite o controle sobre a quantidade de proteína a qualquer momento. A via para a degradação de proteínas é o sistema ubiquitina-proteassoma. As proteínas a serem digeridas são marcadas pela ligação covalente da proteína ubiquitina. As proteínas ubiquinadas são digeri- das por um complexo formado por multissubunidades em forma de barril chamado proteassoma. Pequenos peptídeos do proteassoma são, então, digeridos em ami- noácidos. As proteínas citosólicas destinadas à renovação (por exemplo, fatores de transcrição ou proteínas reguladoras), proteínas senescentes, que se tornaram desnaturadas por agentes mecânicos ou químicos extrínsecos, podem ser marcadas por múltiplas moléculas de ubiquitina (através da atividade das ubiquitina-ligases E1, E2 e E3). Elas marcam as proteínas para degradação por proteossomos, complexos citosólicos de multissubunidades que degradam proteínas em pequenos fragmentos peptídicos. Concentrações elevadas de proteínas mal dobradas dentro do retículo endoplasmático (RE) ativam uma resposta protetora à proteína não dobrada promo- vendo ampla redução da síntese de proteínas e aumentando, especificamente, as proteínas chaperonas que podem facilitar o dobramento das proteínas. Se isso não for suficiente para lidar com a quantidade de proteínas mal dobradas, a apoptose se- rá ativada. Síntese e Degradação de Proteínas 10 Figura 5: Estrutura da proteína do aminoácido ao peptídeo e proteína. Fonte: Designua/shutterstock.com. Síntese e Degradação de Proteínas 11 MAPA: RESUMO SÍNTESE E DEGRADAÇÃO DE PROTEÍNAS SÍNTESE E DEGRADAÇÃO DE PROTEÍNAS Síntese de polipeptídeos RNAm Degradação RibossomosProteínas secretadas Iniciação Estagio de iniciação PolipeptídeosAlongamento Término Lisossomiais Membrana Retículo endoplasmático rugoso Hidroxilação Clivagem proteolítica 40S pequena Duas subunidades Ribonucleoproteínas 60S Liga RNAm e RNAt 30S procariótica AUG 50S procariótica Peptidilt ransferaseMarcadas Formação de Ubiquitina-proteassoma MultissubunidadesaminoácidosLigação covalenteUbiquitina Modificações Ligação covalente biotina Fosforilação Ligações dissulfetos Síntese e Degradação de Proteínas 12 REFERÊNCIAS AREAS, A. P. (org.). Bioquímica humana. São Paulo: Pearson, 2014. BAYNES, J.; DOMINICZAK, M. H. Bioquímica médica. São Paulo: Manole, 2000. CONN, E. E.; STUMPF, P. K. Introdução à bioquímica. São Paulo: Editora Edgard Blücher, 2017. HARVEY, R. A.; FERRIER, D. R. 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