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Genética do esporte Genética do esporte Camila Laura Boose Laura Hoefel Genética Humana I Tópicos ● Como a genética influencia no desempenho atlético ● Identificando os genes relacionados ao esporte ● Poderíamos criar um super atleta? ● Gene doping e bioética Como a genética pode influenciar no desempenho atlético? ● O desempenho atlético humano é uma característica multifatorial determinada pela interação de fatores genéticos e ambientais. + 66% da variação no estado atlético pode ser explicada por fatores genéticos Pesquisa molecular no esporte: , pelo menos 155 variantes genéticas estão associadas ao desempenho atlético Fatores genéticos estão relacionados com potência, força, capacidade aeróbica, flexibilidade, coordenação e temperamento. Como a genética pode influenciar no desempenho atlético? Disciplina científica com foco na organização e funcionamento do genoma de atletas de elite Genômica Esportiva Variabilidade genética (polimorfismos) Desempenho Como a genética pode influenciar no desempenho atlético? Como a genética pode influenciar no desempenho atlético? AHMETOV, Ildus I. et al. Genes and Athletic Performance: an update. Genetics And Sports, [S.L.], p. 41-54, 2016. S. Karger AG. Tópicos ● Como a genética influencia no desempenho atlético - Nutrigenética - Genética e resistência - Genética e força Genômica esportiva e nutrigenômica Abordagens experimentais que usam informações genômicas e tecnologias de testes genéticos para examinar o papel das diferenças genéticas individuais na modificação da resposta de um atleta a nutrientes e outros componentes alimentares. Nutrigenômica e nutrigenética Genética e resistência ● A capacidade de realizar exercícios de resistência está associada ao metabolismo aeróbico → Usar oxigênio para produzir energia, fortemente apoiada pela função mitocondrial aprimorada ● Parte da variação (40 a 50%) na proporção de fibras de contração lenta nos músculos humanos parece determinada geneticamente ● Muitas dessas variantes genéticas no músculo foram associadas ao desempenho esportivo e ao status de atleta de elite, bem como a doenças metabólicas e cardiovasculares Genética e força ● A genética influencia fortemente a capacidade do músculo esquelético de produzir força em alta velocidade, crucial para o sucesso em esportes de potência e sprint → requerem alta velocidade e contração muscular vigorosa (rápida) → vias anaeróbicas, usando estoques intramusculares de creatina fosfato (CP) e adenosina trifosfato (ATP) como o principal substrato para a produção de energia ● A influência genética no desempenho de potência/sprint de elite recebeu menos atenção científica, ao contrário da genética do desempenho de resistência. As fibras musculares para cada exercício Identificando genes relacionados ao esporte ● Estudos caso-controle Atletas de elite População em geral x Atletas de elite Atletas com baixo desempenho x Determinar se uma região do DNA é mais comum em uma ou outra população Identificando genes relacionados ao esporte ● Estudos transversais associados Alelos relacionados à resistência? Alelos relacionados à força? ● GWAS - Genome Wide Association Studies Identificando genes relacionados ao esporte ● Não necessita de uma hipótese anterior, em contraste ao estudo de genes candidatos ● Escaneia marcadores ao longo do genoma que estejam relacionados a uma característica Polimorfismos e desempenho atlético Existem cerca de 200 genes relacionados com a performance física humana (Bray et al., 2009) RESISTÊNCIA Significativo FORÇA Não significativo Resistência Misto Associação do alelo C com fibras de contração lenta Power Força (explosivo) Exercícios que exigem menos força, mais longa duração Associação com alelo C com resistência e força, mas não com esportes explosivos Associação do alelo A com força (51.9%) Polimorfismos e desempenho atlético Polimorfismo no gene ACTN3 ● A α-actinina-3 é expressa especificamente em miofibras de contração rápida responsáveis por gerar força em alta velocidade. ● O polimorfismo R577X codifica um códon de parada prematuro no gene ● Indivíduos homozigotos para o alelo X são incapazes de expressar α-actinina-3 em fibras musculares do tipo II, ao contrário daqueles com o genótipo RX ou RR. ● Cerca de um quinto (20%) da população mundial tem o genótipo XX (MacArthur et al. 2007 ) ● A deficiência de α-actinina-3 no músculo não resulta em nenhuma doença https://link.springer.com/article/10.1007/s00421-018-4010-0#ref-CR50 Polimorfismos e desempenho atlético Polimorfismo no gene ACTN3 ● O genótipo RR pode favorecer a capacidade de gerar contrações musculares poderosas e vigorosas. → vantagem para melhor desempenho em alguns esportes de velocidade e potência. Além disso, o genótipo RR também pode favorecer a capacidade de resistir ao dano muscular induzido pelo exercício Genótipo RR > ACTN3 produzida na musculatura > contração rápida > esportes de força, corrida de curta distância Genótipo XX > ACTN3 não é produzida > contração lenta > esportes de resistência, maratonas Polimorfismos e desempenho atlético A perda de expressão de a-actinina-3 em um modelo de camundongo knockout ● resulta em uma mudança no metabolismo muscular em direção à via aeróbica mais eficiente e um aumento no desempenho de resistência intrínseca. ● demonstramos que a região genômica ao redor do alelo nulo 577X apresenta baixos níveis de variação genética e recombinação em indivíduos de descendência europeia e do leste asiático, consistente com seleção positiva recente e forte. Polimorfismos e desempenho atlético Polimorfismo no gene ACE ● Alelo I e a correlação com esportes de resistência Polimorfismos e desempenho atlético Mas qual a função do gene ACE? ● Atua convertendo angiotensina I em angiotensina II > constrição de vasos sanguíneos e elevação da pressão arterial ● Estimula a aldosterona > absorção de água e sal nos rins > elevação da pressão arterial Polimorfismos e desempenho atlético Polimorfismos e desempenho atlético Polimorfismos e desempenho atlético Polimorfismo no PPARGC1A e PPARa ● O gene PPARGC1A está relacionado com a regulação do metabolismo muscular e produção de mitocôndrias, além de estar associado a fibras musculares de contração lenta. ● PPARa: Sua expressão é ativada quando há limitação na produção de energia, e está envolvido em exercícios de resistência física. ● PPARGC1A e PPARα são relacionados produção de energia em períodos mais longos Polimorfismos e desempenho atlético Polimorfismo no PPARa Neste estudo, reuniram os dados de 760 atletas de resistência e 1.792 indivíduos controle para avaliar a associação entre o polimorfismo G/C do gene PPARA e esportes de resistência. Os resultados demonstraram que atletas com alta habilidade em esportes de resistência apresentam maior frequência do genótipo GG e alelo G em relação aos controles. Polimorfismos e desempenho atlético Polimorfismo no PPARa Genótipo C/C > melhor resposta a exercícios de força muscular. Genótipo C/G > resposta moderada a exercícios de resistência física Genótipo G/G > melhor resposta a exercícios de resistência física Polimorfismos e desempenho atlético Polimorfismo no PPARGC1A Nesse estudo, viram que portadores do genótipo rs17650401 CT ou TT podem melhorar efetivamente o IMC por meio de exercícios aeróbicos moderados e dieta hipocalórica, enquanto os portadores do genótipo CC podem obter mais benefícios na perda de peso com exercícios de força adicionais ou treinamento intervalado de alta intensidade e aumento de ingestão dietética de ácidos graxos poliinsaturados ômega-3 Polimorfismos e desempenho atlético Polimorfismo no PPARGC1A Genótipo C/C > maior capacidade aeróbia e resposta a exercícios de resistência física e mais fibrasmusculares de tipo 1 (contração lenta) Genótipo C/T > capacidade aeróbia moderada e resposta intermediária a exercícios de resistência Genótipo T/T > menor capacidade aeróbia e mais fibras musculares de tipo 2 (contração rápida) Polimorfismos e desempenho atlético There were a total of 4064 cases of concussion and 291,472 controls within the databases, with two single nucleotide polymorphisms demonstrating a genome-wide significant association with concussion. Strong, deleterious mutations in SPATA5 cause intellectual disability, hearing loss, and vision loss PLXNA4 plays a key role is axon outgrowth during neural development, and DNA variants in PLXNA4 are associated with risk for Alzheimer’s disease Qual o papel biológico desses genes nas contusões? Fica pra ser estudado… axgen.us Testes para lesões genera.com.br Testes para desempenho Poderíamos construir um super atleta? ACTN3 AGTR2 PPARa PPARGC1A Gene doping O que é o doping? Uso de determinada substância ou método com o objetivo de aperfeiçoar o desempenho físico num contexto esportivo. São legais? Prejuízos na saúde? Banimento no esporte? Agência reguladora: WADA (Agência Mundial AntiDoping) Gene doping E o gene doping? Forma de doping que envolve o uso de ácidos nucleicos com o potencial de melhorar uma performance atlética Terapia Gênica (como abordagem terapêutica para doenças genéticas) Três possíveis formas: 1- Transferência de gene exógeno para as células 2- Silenciamento gênico 3- Edição gênica Gene doping Genes com potencial para o gene doping Existem potenciais genes candidatos para o gene doping associados a uma melhor performance atlética. Gene Tecido Resposta fisiológica Endorfina SNC Aumenta a tolerância à dor VEGF Endotélio Vascular Impulsiona o desenvolvimento dos vasos sanguíneos IGF-1 Músculo Esquelético Melhora e repara a hipertrofia muscular HGH Sistema Endócrino Melhora e repara a hipertrofia muscular PPAR४ Músculo Esquelético Modula o metabolismo de carboidratos e biogênese mitocondrial Miostatina Músculo Esquelético Diminui o crescimento muscular ACE Músculo Esquelético Melhora a resistência ACTN3 Músculo Esquelético Regula a contração de miofibrilas EPO Sistema Hematopoiético Melhora a entrega de oxigênio para as células HIF Sistema Imune e Hematológico Aumenta a produção de células vermelhas e uso da energia celular Gene Tecido Resposta fisiológica Endorfina SNC Aumenta a tolerância à dor VEGF Endotélio Vascular Impulsiona o desenvolvimento dos vasos sanguíneos IGF-1 Músculo Esquelético Melhora e repara a hipertrofia muscular HGH Sistema Endócrino Melhora e repara a hipertrofia muscular PPAR४ Músculo Esquelético Modula o metabolismo de carboidratos e biogênese mitocondrial Miostatina Músculo Esquelético Diminui o crescimento muscular ACE Músculo Esquelético Melhora a resistência ACTN3 Músculo Esquelético Regula a contração de miofibrilas EPO Sistema Hematopoiético Melhora a entrega de oxigênio para as células HIF Sistema Imune e Hematológico Aumenta a produção de células vermelhas e uso da energia celular Adquirir vantagem em atividades aeróbicas Gene Tecido Resposta fisiológica Endorfina SNC Aumenta a tolerância à dor VEGF Endotélio Vascular Impulsiona o desenvolvimento dos vasos sanguíneos IGF-1 Músculo Esquelético Melhora e repara a hipertrofia muscular HGH Sistema Endócrino Melhora e repara a hipertrofia muscular PPAR४ Músculo Esquelético Modula o metabolismo de carboidratos e biogênese mitocondrial Miostatina Músculo Esquelético Diminui o crescimento muscular ACE Músculo Esquelético Melhora a resistência ACTN3 Músculo Esquelético Regula a contração de miofibrilas EPO Sistema Hematopoiético Melhora a entrega de oxigênio para as células HIIF Sistema Imune e Hematológico Aumenta a produção de células vermelhas e uso da energia celular Promoção de hipertrofia muscular Gene Tecido Resposta fisiológica Endorfina SNC Aumenta a tolerância à dor VEGF Endotélio Vascular Impulsiona o desenvolvimento dos vasos sanguíneos IGF-1 Músculo Esquelético Melhora e repara a hipertrofia muscular HGH Sistema Endócrino Melhora e repara a hipertrofia muscular PPAR४ Músculo Esquelético Modula o metabolismo de carboidratos e biogênese mitocondrial Miostatina Músculo Esquelético Diminui o crescimento muscular ACE Músculo Esquelético Melhora a resistência ACTN3 Músculo Esquelético Regula a contração de miofibrilas EPO Sistema Hematopoiético Melhora a entrega de oxigênio para as células HIIF Sistema Imune e Hematológico Aumenta a produção de células vermelhas e uso da energia celular Mudança na qualidade muscular Gene Tecido Resposta fisiológica Endorfina SNC Aumenta a tolerância à dor VEGF Endotélio Vascular Impulsiona o desenvolvimento dos vasos sanguíneos IGF-1 Músculo Esquelético Melhora e repara a hipertrofia muscular HGH Sistema Endócrino Melhora e repara a hipertrofia muscular PPAR४ Músculo Esquelético Modula o metabolismo de carboidratos e biogênese mitocondrial Miostatina Músculo Esquelético Diminui o crescimento muscular ACE Músculo Esquelético Melhora a resistência ACTN3 Músculo Esquelético Regula a contração de miofibrilas EPO Sistema Hematopoiético Melhora a entrega de oxigênio para as células HIIF Sistema Imune e Hematológico Aumenta a produção de células vermelhas e uso da energia celular Auxilia na recuperação de lesões e dores que limitam o desempenho do atleta Gene doping Método usado Terapia gênica Modelo ex vivo Modelo in vivo Diversos órgãos Cérebro Coração Fígado Tecido Muscular Medula Óssea Gene doping Método usado Incertezas Qual a faixa de concentração no qual o transgene deve circular no sangue após o doping? Como conseguir uma concentração de DNA ideal após a extração? Como prevenir a degradação do material genético durante o transporte e entrega às células? Quais as consequências de armazenamento por longos períodos do material genético? Terapia gênica Gene doping Como é possível identificar o gene doping? Testes de detecção de doping Não existem métodos claros e eficazes para identificar o uso de uma técnica de gene doping Isso é extremamente difícil porque o produto doping é uma proteína produzida pelo próprio organismo, com todas as características de uma proteína humana Gene doping Consequências do gene doping Importante revisar as questões de segurança envolvida com o uso do gene doping sgRNA curto (20bp) Possibilidade do sgRNA reconhecer, se ligar e editar outro local do genoma Efeitos off-target Reações adversas A terapia gênica ainda está sendo estudada, considerando que esta apresenta uma série de limitações e riscos ao indivíduo, podendo ativar o sistema imune e levar a uma rejeição pelo indivíduo Gene doping E a Bioética? A modificação genética oriunda do gene doping se configura como terapia ou melhoramento? “A transferência de genes é justificável apenas paras doenças genéticas graves e alto risco de vida, e certamente é não está pronto para não-doença, fins de aprimoramento” Gene doping E a Bioética? Situação hipotética 1: E se por acaso, uma criança com distrofia muscular grave passar por uma terapia gênica durante a infância e o procedimento for tão bem-sucedido que supercompensa a hipertrofia muscular, a ponto de tornar a pessoa uma superatleta. Isso se configura como terapia ou melhoramento? A modificação genética oriunda do gene doping se configura como terapia ou melhoramento? Gene doping E a Bioética? A modificação genética oriunda do gene doping se configura como terapia ou melhoramento? Isenção de Uso Terapêutico A WADA não oferece orientações claras e certas para esse tipo de situação No cenário abordado, em um primeiro momento a criança era refém de cadeira de rodas, em outro ela é uma superatleta, capaz de conquistar medalhas de ouro em olimpíadas. Gene doping E a Bioética? Situação hipotética 2: Digamos que um atleta de Tiro com Arco, mesmo tendo boa visão, se submetea uma Cirurgia Refrativa a Lazer (LASIK) para aperfeiçõar sua visão A modificação genética oriunda do gene doping se configura como terapia ou melhoramento? Esse tipo de caso não é banido pela WADA, ja que é visto como terapia e não melhoramento “Existe uma zona cinzenta de melhorias de desempenho que são legalmente usados em esportes porque são aceitos como tratamentos médicos padrão” “O poder de controlar o futuro genético de nossa espécie é incrível e aterrorizante. Decidir como lidar com isso pode ser o maior desafio que já enfrentamos.” ― Jennifer A. Doudna, A Crack in Creation: Gene Editing and the Unthinkable Power to Control Evolution