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1 História O Século das Luzes Objetivo Você aprenderá sobre a formação do Iluminismo e seu contexto político, econômico e social. Além disso, conhecerá os principais pensadores iluministas. Se liga Para essa matéria é importante que você tenha visto o conteúdo de Renascimento (cultural, comercial e urbano); além disso, é essencial dar uma olhadinha na matéria de Absolutismo. Curiosidade O pensador François Marie Arouet, popularmente conhecido como Voltaire (1694 – 1778), foi preso na Bastilha (sim, ela mesma, aquela que gerou a treta na Revolução Francesa) em 1717. Olha aí, porque a Bastilha era um dos grandes símbolos do absolutismo francês! Teoria O Século das Luzes Desde o período do Renascimento Urbano e Comercial, com o retorno da circulação de pessoas em cidades, com o crescimento das trocas comerciais e o maior contato com a cultura oriental, a Europa construía um cenário fértil para o surgimento de novas universidades, de pensadores e de uma burguesia forte. Já com o Renascimento Cultural e Artístico, a criação da prensa de tipos móveis, de Johannes Gutenberg (1455), permitiu uma circulação muito maior de livros, textos e panfletos que difundiam as novas ideias que surgiam. Dessa forma, com uma conjuntura propícia para a proliferação de novas ideias, a razão voltou a ganhar grande força entre os filósofos europeus que desejavam compreender o mundo não mais através de misticismos ou da religiosidade, mas sim de forma racional, como já faziam muitos filósofos da antiguidade. O alvorecer da razão na Idade Moderna permitiu que métodos científicos e novas formas de pensar ganhassem espaço entre as antigas “verdades absolutas” pregadas pelos monarcas e pela Igreja Católica. Assim, o questionamento, a crítica, a experimentação e o ato de pensar se tornavam grandes valores intelectuais. Logo no século XIV, um dos grandes precursores do pensamento iluminista, o francês René Descartes, lançou a base do chamado racionalismo, com o seu método da “dúvida hiperbólica”, que consistia em questionar de forma dedutiva todas as teorias preexistentes, para então reconstruir as ideias. Essa constante dúvida sobre tudo levou Descartes a concluir que a única verdade absoluta era a sua capacidade crítica, o poder humano da dúvida; logo, para este pensador, a condição da própria existência seria o pensamento, o que foi sintetizado na famosa expressão “Penso, logo existo”. 2 História Essa metodologia do questionamento constante construiu um novo filtro, sobretudo para a burguesia em ascensão, que passava a ver o mundo através de novas teorias. O pensamento crítico pautado na razão levou essa classe a questionar coisas impostas há séculos como naturais, como o direito divino dos reis, as sociedades estamentais, os privilégios da nobreza e do clero e até mesmo as verdades religiosas. Em 1784, em resposta a um jornalista que havia perguntado “O que é o Iluminismo?”, o filósofo Immanuel Kant respondeu que o iluminismo era um processo de “esclarecimento”, que tiraria o homem da “menoridade” em que ele mesmo se colocou. Essa chamada menoridade seria um período da história europeia em que o homem se encontrava preso às ordens religiosas, à opressão do misticismo e à falta de liberdade de pensamento e expressão, período esse que, para os pensadores ilustrados, teria a Idade Média como o seu auge. Dessa forma, o Iluminismo se consolidou entre a burguesia, que se formava como uma classe econômica dominante e lutava para também dominar a política. Acreditando que a menor interferência do monarca e do Estado nas liberdades individuais e econômicas poderia ampliar seus negócios e poderes, essa burguesia passou a questionar cada vez mais o chamado Antigo Regime, com seu absolutismo e com o mercantilismo. Dessa forma, buscando romper com esse chamado “obscurantismo” medieval e com as supostas verdades impostas pelo absolutismo e pela Igreja, autores dos séculos XVII e XVIII, como John Locke, Kant, Jean- Jacques Rousseau, Voltaire, Montesquieu, Diderot e outros, resolveram questionar tudo o que era considerado natural e verdadeiro, propor novas formas de pensar o mundo e de construir uma sociedade esclarecida. A consequência da difusão desses pensamentos foi uma mudança nas próprias estruturas do mundo ocidental, com a ascensão da burguesia e a formação de grandes nações através de revoluções e independências; dentre elas, destacamos as pioneiras influenciadas pelo Iluminismo: a Independência das 13 colônias inglesas e a Revolução Francesa. Pensadores iluministas Um dos filósofos precursores do Iluminismo foi John Locke (1632-1704). Locke viveu na Inglaterra, no contexto das Revoluções Inglesas e, criticando a sociedade de sua época, defendia a ideia de que os homens possuíam direitos naturais: vida, liberdade, igualdade e propriedade privada – essa última seria derivada do trabalho e, portanto, natural. As ideias de Locke influenciaram a formulação do pensamento iluminista e contribuíram para o conceito de contratualismo, ao defenderem a ideia de que os homens abririam mão dos seus direitos naturais para garantir a segurança e a liberdade individual, e tal garantia deveria ser assegurada pela existência de um Estado. No campo político, é fundamental destacarmos as concepções filosóficas de Montesquieu (1689-1755), que, ao criticar o absolutismo monárquico, defendia a teoria da tripartição dos poderes, ou seja, a divisão do Estado em três poderes: executivo, legislativo e judiciário. Do ponto de vista social, o movimento iluminista criticava a sociedade estamental, em que as desigualdades eram determinadas pelo nascimento. Desse modo, seus filósofos questionavam a ideia de que o primeiro e o segundo estado (clero e nobreza) detinham privilégios, enquanto o terceiro estado (burguesia, camponeses, trabalhadores urbanos) era visto como inferior. Na sociedade absolutista, havia pouquíssima mobilidade social e as desigualdades eram naturalmente aceitas. Os iluministas buscaram, através da razão, questionar esse modelo de sociedade, que garante privilégios oriundos do nascimento, porque, ao 3 História contrário disso, defendiam a igualdade jurídica entre os indivíduos. Podemos dizer que, do ponto de vista social, defendiam que todos os homens nasciam iguais, questionando a sociedade do Antigo Regime, ainda fundamentada em privilégios feudais. Voltaire (1694 – 1778) foi bastante importante nesse aspecto, pois criticou os privilégios da nobreza e da Igreja, defendendo as liberdades individuais. O movimento iluminista também exerceu influência no âmbito econômico. As ideias como a liberdade de mercado e o fim dos monopólios da nobreza e do rei surgiram nessa época. Há, assim, uma crítica às práticas mercantilistas e a defesa do liberalismo econômico. Considerado o pai do liberalismo e um dos grandes nomes da Escola Liberal Clássica, Adam Smith, em seu livro “A Riqueza das Nações”, defendia que o governo não deveria intervir em assuntos econômicos. Para ele, os preços e tarifas seriam regulados pela mão invisível do mercado, a lei da oferta e da procura. Havia ainda uma corrente ideológica que dava destaque às atividades agrícolas. A Fisiocracia defendia, assim como o liberalismo econômico de Adam Smith, a não interferência do Estado nos assuntos econômicos, com a diferença de colocar na atividade agrícola todo o fruto das riquezas das nações. Tal corrente de pensamento representava a ideia de uma valorização da terra e da agricultura como a verdadeira fonte de todas as riquezas. Enquanto a indústria seria apenas uma etapa de um processo, o da transformação da matéria, e o comércio seria outra fase, o da circulação da riqueza, era a agricultura a verdadeira raiz de tudo. Obviamente que, em um mundo de desenvolvimento capitalista e industrial, essa ideologia não ganharia a mesma força que asideias de Adam Smith, assim essa ideologia foi sendo considerada obsoleta com o passar dos anos. Além dos filósofos citados, é importante relembrarmos a importância de Rousseau (1712-1778), considerado o mais radical entre os iluministas, pois criticava a sociedade burguesa. De acordo com ele, para que a liberdade, a segurança e a igualdade pudessem ser conciliadas em uma sociedade, era necessária a crítica à propriedade privada, uma vez que ela era responsável pela desigualdade entre os homens. Um dos mais famosos defensores do contratualismo, o pensador defendia que o homem era originalmente bom, o que o corrompia era a sociedade; logo, o Estado deveria existir para assegurar a liberdade e frear a desordem. Além disso, o autor defendia um governo que representasse a soberania do povo e a vontade geral da população. Uma das principais características do Iluminismo foi a sua visão universalista, que acreditava na construção de conhecimentos e verdades universais. Por mais que hoje tenhamos esse universalismo como uma utopia, muitas vezes eurocêntrica, os pensadores desse período acreditavam e defendiam essas ideias. Tendo em vista essa característica, os franceses Denis Diderot e Jean le Rond D’Alembert realizaram uma compilação de textos, com 130 colaboradores e 35 volumes, que tinham o objetivo de reunir todo o conhecimento humano acumulado até então. Essa empreitada, muito além de lançar bases para pensamentos liberais e iluministas, realizava um trabalho de democratização do conhecimento. Tendo em vista que durante séculos livros e textos só circulavam entre o clero e a nobreza, e a maior parte da população europeia era analfabeta, a chamada Enciclopédia de Diderot teria como missão difundir o conhecimento também entre as classes não privilegiadas. 4 História A concepção de mundo defendida pelos iluministas teve grande adesão da burguesia, cuja insatisfação com os privilégios do clero e da nobreza era cada vez maior. Por isso, muitos pensadores também criticavam o excesso de poder da Igreja dentro da sociedade e defendiam um anticlericalismo, alegando que não havia necessidade de um intermédio entre Deus e os fiéis. Pega a visão: Cuidado! Apesar de muitos criticarem o clericalismo, não significava que eles eram anticristãos; esses homens apenas entendiam que a Igreja, enquanto instituição, não poderia exercer um poder político e social tão grande. Ainda no século XVIII, o Iluminismo se expandiu para outros locais e influenciou diversos acontecimentos fora do eixo europeu. Movimentos como a Revolução Francesa, as Conjurações (mineira e baiana), na América portuguesa, e a Independência das Treze Colônias foram influenciadas pelo Iluminismo. Consolidando princípios do liberalismo político e econômico, o Iluminismo também é central para compreendermos o século XIX, conjuntura em que uma “onda” de revoluções liberais eclodiram para derrubar definitivamente o absolutismo da Europa. 5 História Exercícios de fixação 1. A valorização da razão no século XVIII levou ao aumento das críticas por parte de qual classe social e sobre que tipo regime político? a) camponeses - fisiocracia b) burguesia - feudal c) burguesia - absolutista d) camponeses - capitalismo 2. Dentre as alternativas abaixo qual associa corretamente um pensador iluminista e uma ideia defendia por ele: a) John Locke - ausência de direitos naturais b) Rousseau - critica a propriedade privada c) Rene Descartes - repartição dos poderes d) Adam Smith - defesa da terra como principal riqueza 3. Dentre as características do Iluminismo, podemos citar: a) universalismo e ação baseada na fé b) racionalidade e igualdade econômica c) liberdades individuais e o método dedutivo d) anticlericalismo e a igualdade civil 4. O século XVIII foi marcado por uma série de acontecimentos importantes para a História mundial, dentre eles, podemos citar o Movimento Iluminista, a Revolução Francesa e o (a) a) Revolução Industrial b) Imperialismo c) Expansão Marítima d) Revolução Inglesa 5. Um dos legados deixados pelos pensadores iluministas para a sociedade contemporânea foi: a) a crença no ideal fisiocrata b) o abandono da religiosidade c) a ideia de tripartição dos poderes d) a criação do método indutivo 6 História Exercícios de vestibulares 1. (Enem 2017) Os direitos civis, surgidos na luta contra o Absolutismo real, ao se inscreverem nas primeiras constituições modernas, aparecem como se fossem conquistas definitivas de toda a humanidade. Por isso, ainda hoje invocamos esses velhos “direitos naturais” nas batalhas contra os regimes autoritários que subsistem. (QUIRINO, C. G.; MONTES, M. L. Constituições. São Paulo: Ática, 1992 (adaptado)) O conjunto de direitos ao qual o texto se refere inclui: a) voto secreto e candidatura em eleições. b) moradia digna e vagas em universidade. c) previdência social e saúde de qualidade. d) igualdade jurídica e liberdade de expressão. e) filiação partidária e participação em sindicatos. 2. (UFS 2018) Conhecido como o século das Luzes ou do Iluminismo, o século XVIII foi marcado por um movimento do pensamento europeu (ocorrido mais especificamente na segunda metade do século XVIII) que abrangeu o pensamento filosófico e gerou uma grande revolução nas artes (principalmente na literatura), nas ciências, nos costumes, na teoria política e na doutrina jurídica. O Iluminismo também se distinguiu pela centralidade da ciência e da racionalidade crítica no questionamento filosófico. Disponível em: https://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/15543/15543_3.pdf. Acesso em: 12/09/2017. Tomando como base o contexto abordado, podemos afirmar corretamente que a) o liberalismo econômico deu ênfase à economia mercantilista, na qual o Estado seria responsável pela regulamentação de preços e mercados para evitar abusos que prejudicariam a população. b) a Escola Fisiocrata sustentou a ideia de que existem leis naturais regendo a sociedade, mas que poderiam ser alteradas pelo bem da humanidade, e, além disso, defendeu que a indústria e o comércio seriam responsáveis pela riqueza de uma nação. c) as ideias defendidas por John Locke, na obra O contrato social, afirmam que o soberano deve conduzir o Estado de forma democrática, de acordo com a vontade do povo. d) o Despotismo Esclarecido, ligado à associação entre as ideias das luzes e o poder absolutista dos reis, foi aplicado com ênfase em todos os Estados europeus no início do século XVIII, resultando no nascimento de dezenas de monarquias parlamentaristas. e) o Iluminismo combateu o mercantilismo, o tradicionalismo religioso herdado da Idade Média e a divisão da sociedade em estamentos. 7 História 3. (Uncisal 2015) “Sempre considerei as ações dos homens como as melhores intérpretes dos seus pensamentos.” John Locke A frase de John Locke nos remete ao Iluminismo e seus objetivos nos diversos âmbitos que formam a vida em sociedade. Sobre o ideário iluminista, infere-se que a) seu caráter popular afastou os intelectuais e aproximou a pequena burguesia da nobreza togada. b) o intelectualismo se tornou um obstáculo à expansão do iluminismo, fato que minimizou sua influência nas revoluções burguesas. c) Adam Smith dissocia a liberdade econômica da liberdade política, fazendo prevalecer esta última em detrimento da primeira. d) a razão apresenta um poder emancipador capaz de tirar o homem da menoridade e libertá-lo da opressão política e dos resquícios das trevas medievais. e) o projeto iluminista não se opunha totalmente ao mercantilismo nem ao absolutismo já que preserva em grande parte as instituições do Antigo Regime. 4. (FGV 2020) O século XVIII não se confunde totalmente com as Luzes.As Luzes excedem o século. Parte do século escapa-lhes. As Luzes são o século XVIII duradouro, o que faz parte do nosso patrimônio. Um século XVIII que, antes do mais, se inscreve nas palavras. Partir das palavras, partir do essencial. CHAUNU, P. A civilização da Europa das Luzes. Lisboa: Estampa, 1985, vol. I, p. 23-24. São palavras essenciais do século das Luzes: a) internacionalismo, razão, messianismo e cientificismo. b) progresso, obscurantismo, cientificismo, teocentrismo. c) superstição, empirismo, sensualismo, messianismo. d) socialismo, razão, progresso, superstição. e) racionalismo, cientificismo, progresso, esclarecimento. 8 História 5. (Enem 2018) O século XVIII é, por diversas razões, um século diferenciado. Razão e experimentação se aliavam no que se acreditava ser o verdadeiro caminho para o estabelecimento do conhecimento científico, por tanto tempo almejado. O fato, a análise e a indução passavam a ser parceiros fundamentais da razão. É ainda no século XVIII que o homem começa a tomar consciência de sua situação na história. (ODALIA, N. In: PINSKY, J.; PINSKY, C. B. História da cidadania. São Paulo: Contexto, 2003.) No ambiente cultural do Antigo Regime, a discussão filosófica mencionada no texto tinha como uma de suas características a a) aproximação entre inovação e saberes antigos. b) conciliação entre revelação e metafísica platônica. c) vinculação entre escolástica e práticas de pesquisa. d) separação entre teologia e fundamentalismo religioso. e) contraposição entre clericalismo e liberdade de pensamento. 6. (Unicentro 2017) Nas últimas décadas do século 20, a expressão “neoliberalismo” passou a fazer parte não só do dia a dia de economistas, mas, também, do noticiário jornalístico, que difundiu o termo para toda a sociedade. Obviamente, para haver um “neoliberalismo”, é preciso que tenha havido, anteriormente, um “liberalismo”, doutrina econômica que tem suas bases em autores clássicos, como o filósofo escocês Adam Smith. “O liberalismo vem do individualismo. As três questões básicas do liberalismo são a garantia da propriedade privada, a garantia dos excedentes monetários e a liberdade de usar os excedentes monetários, para qual se usa a doutrina de Adam Smith”, diz o professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Valter Duarte Ferreira Filho. (LIBERALISMO... 2016). O liberalismo econômico surgiu dentro do âmbito da passagem do mundo feudal para o sistema capitalista. Considerando-se esse contexto, é correto afirmar que a) a defesa da liberdade de comércio e da produção se opunha às restrições do sistema mercantilista. b) o controle estatal na economia contribuiu para o pioneirismo inglês no processo da Revolução Industrial. c) a Lei do Máximo, estabelecida pelo governo jacobino no processo da Revolução Francesa, concretizou as concepções de Adam Smith. d) o Império Napoleônico estabeleceu os princípios defendidos por Rousseau e a restrição do comércio com a Inglaterra. e) a teoria da mais valia defendeu, na íntegra, os princípios liberais, ao afirmar que o trabalho seria a única fonte de riqueza. 9 História 7. (UEFS 2013) Os iluministas adotaram o princípio de que a natureza fez com que todos os homens nasçam iguais. Isso quer dizer que a lei deve ser universal, ou seja, todos os homens, exatamente por terem nascidos humanos, têm os mesmos direitos. Portanto, o regime político só seria justo se estabelecesse a igualdade jurídica. [...] não se trata da igualdade social e econômica. Os iluministas não aceitavam as leis e tribunais especiais para os nobres, nem que principais cargos do Estado fossem reservados para as famílias nobres. (SCHMIDT, 2005, p. 250). A concepção iluminista relativa à universalidade da lei, como indicada no texto, opunha-se à antiga concepção do Direito Romano, segundo a qual a) os direitos individuais eram estabelecidos pela religião oficial. b) os patrícios e os plebeus gozavam dos mesmos direitos perante a lei. c) a garantia dos direitos era fundamentada no poder do pater família. d) a desigualdade social definia a posição desigual do indivíduo perante a lei. e) a Lei das Doze Tábuas garantia iguais direitos a todos que nascessem na cidade de Roma, capital do Império. 8. (Unesp 2012) Encontrar uma forma de associação que defenda e proteja a pessoa e os bens de cada associado com toda a força comum, e pela qual cada um, unindo-se a todos, só obedece contudo a si mesmo, permanecendo assim tão livre quanto antes. Esse, o problema fundamental cuja solução o contrato social oferece. [...] Cada um de nós põe em comum sua pessoa e todo o seu poder sob a direção suprema da vontade geral, e recebemos, enquanto corpo, cada membro como parte indivisível do todo. (Jean-Jacques Rousseau. Do contrato social, 1983.) O texto apresenta características a) iluministas e defende a liberdade e a igualdade social plenas entre todos os membros de uma sociedade. b) socialistas e propõe a prevalência dos interesses coletivos sobre os interesses individuais. c) iluministas e defende a liberdade individual e a necessidade de uma convenção entre os membros de uma sociedade. d) socialistas e propõe a criação de mecanismos de união e defesa de todos os trabalhadores. e) iluministas e defende o estabelecimento de um poder rigidamente concentrado nas mãos do Estado. 10 História 9. (PUC Campinas 2017) Os enciclopedistas constituíram uma pequena elite de letrados e de técnicos, ligados à vida material como elementos de ponta do progresso econômico e também estreitamente vinculados ao aparato estatal, o qual se esforçaram por tornar melhor e mais racional. (...) Por toda a parte na Europa das Luzes, encontramos esta pretensão e esta vontade [dos filósofos] de pôr-se à testa e na direção da sociedade. (VENTURI, Franco. Utopia e reforma no Iluminismo. Bauru: Edusc, 2003, p. 44, 239-240) A elite intelectual a que o texto se refere foi responsável pela organização e publicação do mais importante veículo de divulgação das ideias do Iluminismo, no século XVIII: a Enciclopédia. Essa obra de inspiração racionalista, a) defendia a teoria de que a economia deveria funcionar por suas próprias leis e na eliminação da intervenção do Estado sobre os negócios comerciais que entravava as aduanas internas. b) estabelecia a tese segundo a qual as estruturas sociais eram determinadas pelas circunstâncias ambientais e pela liberdade como direito incontestável de todos os homens da época. c) afirmava que a única esperança de garantir os direitos de cada um seria ceder todos esses direitos à comunidade civil para que a governasse de acordo com as ideias dos filósofos iluministas. d) defendia uma monarquia absolutista moderada por um governo baseado na razão e no ideário político e social vigente na época e não mais pelos pressupostos religiosos divulgados pela Igreja. e) propunha, de maneira geral, a imediata autonomização da Igreja em relação ao Estado e o combate às superstições e às diversas manifestações do pensamento dogmático eclesiástico. 11 História 10. (UFG 2013) No século XVIII, criou-se um projeto arquitetônico para as prisões chamado “pan-óptico”. O objetivo era transformar a ambiência do confinamento, distinguindo-a das masmorras do Antigo Regime. Tal como demonstra a imagem, o projeto estabelecia no centro uma torre com um vigia e, na periferia, uma construção em forma de anel. A construção periférica era dividida em celas para os presos, com duas janelas (uma interna ao anel e outra externa), que permitiam a luz atravessar a cela. Com essa disposição espacial, o pan-óptico expressava o ideal iluminista,na medida em que o controle sobre os indivíduos era exercido por meio da a) descentralização dos espaços reservados para os confinados. b) valorização da punição ao comportamento em detrimento da vigilância. c) manutenção de comunicação monitorada entre o ambiente de confinamento e a sociedade. d) hierarquização entre os presos separados pelas celas construídas no anel. e) utilização da claridade para conferir visibilidade aos presos e às suas ações. Sua específica é humanas e quer continuar treinando esse conteúdo? Clique aqui para fazer uma lista extra de exercícios. https://dex.descomplica.com.br/enem/historia/exercicios-o-seculo-das-luzes 12 História Gabaritos Exercícios de fixação 1. C A burguesia aproveitou o movimento iluminista para dar base às suas críticas contra o regime absolutista, à sociedade estamental, que era baseada nos privilégios do clero e da nobreza, e às práticas mercantilistas, que eram vistas como um empecilho para o amplo desenvolvimento comercial e industrial. 2. B Apesar de boa parte do movimento iluminista defender o direito à propriedade privada como um bem inalienável, Rousseau considerava a sua existência como a principal causa da desigualdade entre os homens. Entre os pensadores iluministas, era visto como o mais radical, pela crítica à propriedade privada e a defesa da soberania popular. 3. D O movimento construído ao longo do século XVIII nasce com a proposta de trazer a “luz” para iluminar as “trevas”. Essa última fazia referência ao Antigo Regime. Sendo assim, o anticlericalismo foi uma das bandeiras desses pensadores, que entendiam que a instituição religiosa não poderia interferir na sociedade de forma tão abrangente. Além disso, a igualdade perante a lei visava quebrar a lógica estamental do absolutismo. 4. A Dentre os acontecimentos mais marcantes do século XVIII, podemos citar a Revolução Industrial promovida pela burguesia, que passou a utilizar o discurso iluminista para ganhar poder político e expandir o modo de vida burguês, baseado na industrialização. 5. C O pensador iluminista Montesquieu foi o grande responsável pela formulação da teoria da tripartição dos poderes, ou seja, a divisão do Estado em três poderes: executivo, legislativo e judiciário. Tal modelo, que defende a harmonia e a independência entre os poderes, é aplicado atualmente em diversos locais do mundo, como no Brasil. Exercícios de vestibulares 1. D O século XVIII marca o intenso descontentamento com o absolutismo, tanto no continente europeu quanto no continente americano. Essas críticas ao poder absoluto dos reis se materializaram em independências e revoluções, que originaram o surgimento de constituições e cartas defendendo os direitos inalienáveis dos homens. 13 História 2. E O movimento iluminista nasceu propondo fazer uma critica às principais bases de sustentação da sociedade absolutista, criticando, assim, as práticas mercantilistas, a sociedade estamental e o domínio religioso promovido pela Igreja Católica. 3. D De acordo com a frase de Locke, podemos compreender que, para os iluministas, a razão era a prerrogativa para a emancipação do homem e a fonte do progresso, individual e coletivo, da sociedade. 4. E É importante compreender que o Iluminismo não nasceu do nada, ele é uma continuidade do humanismo que despontou ainda no século XIV e que desembocou no movimento que surge no século XVIII. Portanto, o racionalismo, o cientificismo, o progresso e o esclarecimento são características que foram amadurecendo ao longo dos séculos. 5. E O século XVIII, conhecido também como o “século das luzes”, foi marcado pelo surgimento do movimento iluminista, que valorizava a razão e o cientificismo em detrimento do clericalismo. Além disso, é também nesse século que as ideias liberais ganham força dentro do continente europeu. 6. A Conhecido como “pai do liberalismo econômico”, Adam Smith criticava as restrições do mercantilismo, sistema econômico que estava atrelado ao absolutismo, defendendo uma maior liberdade comercial e produtiva como sinônimo de progresso. 7. D Diferente dos iluministas, que acreditavam, em teoria, que a igualdade perante a lei deveria ser um direito universal (embora seja possível fazer uma série de críticas aqui), os romanos antigos, durante boa parte da sua história, tratavam de forma desigual perante a lei os grupos sociais que detinham menor poder econômico. 8. C Fica claro no texto que Rousseau está falando da teoria do Contrato Social, que, para ele, seria a alternativa viável para garantir a liberdade individual, através de um acordo entre os membros da sociedade. 9. E A Enciclopédia de Diderot tinha como missão difundir o conhecimento também entre as classes não privilegiadas, combatendo assim, o misticismo e as superstições que teriam sido propagados pela Igreja ao logo dos anos. 10. E O projeto pan-óptico nasceu no final do século XVIII, e tinha como uma de suas pretensões disciplinar o homem moderno através de espaços de vigilância que facilitavam o controle social de forma mais eficiente. Dentro desse pensamento, o projeto arquitetônico citado permitia que esses presos fossem vigiados e analisados em 100% do tempo.