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CENTRO UNIVERSITÁRIO DE BELO HORIZONTE - (UNIBH)
FERNANDA BRUGNARA DE MELO CRUZ
 APLICAÇÃO DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA NO
INQUÉRITO POLICIAL.
Belo Horizonte
2022
FERNANDA BRUGNARA DE MELO CRUZ
APLICAÇÃO DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA NO
INQUÉRITO POLICIAL
Projeto de Pesquisa apresentado à disciplina Trabalho
de Conclusão do Centro Universitário de Belo
Horizonte como requisito parcial para obtenção de
nota na disciplina Trabalho de Conclusão.
Orientadora: Prof.ª Cristina Capanema
Belo Horizonte
2022
RESUMO
Este trabalho de conclusão de curso tem por objetivo analisar o sistema aplicado ao
inquérito policial atual, observando a ausência das garantias constitucionais do
contraditório e da ampla defesa, no curso deste, trazendo ao centro uma discussão
doutrinária em torno da possibilidade de aplicação de tais garantias, expondo as ideias
de grandes juristas que entendem que há sim a necessidade de processualização do
inquérito policial, sendo eles favoráveis há um inquérito passado pelo crivo do
contraditório. Cumpre ressaltar que a base ideológica para a execução do presente
trabalho é minoritária. Para a elaboração do presente estudo foi utilizado o método
dedutivo, partindo-se do conceito geral para o mais específico. Para que se chegasse a
uma conclusão foi necessário que se fizesse uma breve explanação histórica, após
passou-se pela exposição de alguns princípios aplicáveis ao tema proposto, ainda por
uma breve exposição dos pontos centrais do inquérito, e, por fim, por um estudo acerca
da possibilidade de aplicação as garantias constitucionais. Pelo exposto chega-se a
indubitável conclusão de que sim há a possibilidade e não só possibilidade de aplicação
do contraditório e da ampla defesa no inquérito, e sim necessidade visto a previsão
constitucional, que está superior a qualquer norma interna, devendo ser imediatamente
afastada a inquisitoriedade do inquérito policial Brasileiro.
Palavras-Chave: Contraditório. Ampla defesa. Inquérito. Processualização. 
ABSTRACT
This course conclusion work aims to analyze the system applied to the current police
investigation, noting the absence of constitutional guarantees of contradictory and full
defense, in the course of this, bringing to the center a doctrinal discussion around the
possibility of applying such guarantees. , exposing the ideas of great jurists who
understand that there is indeed a need to process the police investigation, and they are
in favor of an investigation passed through the sieve of the contradictory. It should be
noted that the ideological basis for the execution of this work is minority. For the
elaboration of the present study, the deductive method was used, starting from the
general concept to the more specific. In order to reach a conclusion, it was necessary to
make a brief historical explanation, after passing through the exposition of some
principles applicable to the proposed theme, still by a brief exposition of the central
points of the investigation, and finally by a study about the possibility of applying
constitutional guarantees. From the foregoing, the undoubted conclusion is reached that
yes there is the possibility and not only the possibility of applying the contradictory and
the full defense in the investigation, but a necessity given the constitutional provision,
which is superior to any internal norm, and the inquisitorially of the Brazilian police
investigation.
Keywords: Contradictory. Broad defense. inquiry. Processing.
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO…………………………………………………………………………………………………………………………..6
2 PRINCÍPIOS PROCESSUAIS PENAIS APLICÁVEIS.............................................................................7
2.1 Noções Básicas.......................................................................................................................7
2.2. Contraditório..........................................................................................................................8
2.3 Ampla Defesa........................................................................................................................11
2.4 Princípio do nemo tenetur se detegere..................................................................................12
2.5 Princípio da Proporcionalidade.............................................................................................13
2.6 Princípio da Verdade Real....................................................................................................14
3. INQUÉRITO POLICIAL..................................................................................................................14
3.1 Conceito................................................................................................................................15
3.2 Finalidade..............................................................................................................................15
3.3 características centrais do inquérito policial.........................................................................16
3.3.1 Procedimento formalizado pela escrita.........................................................................16
3.3.3 Inquisitivo.......................................................................................................................18
3.3.4 Oficioso..........................................................................................................................19
3.4 Valoração do inquérito policial.............................................................................................19
 Detalhes da Jurisprudência, Processo 8832002 PR 883200-2 (Acórdão). Órgão Julgador 5ª 
Câmara Criminal. Julgamento 31 de Maio de 2012. Relator Marcus Vinicius de Lacerda Costa
.....................................................................................................................................................21
4. APLICABILIDADE DOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA...............................22
4.1 Sistemas processuais Penais.................................................................................................23
4.1.1 Sistema acusatório..........................................................................................................23
4.1.2 Sistema Inquisitivo.........................................................................................................29
4.1.3 Sistema misto.................................................................................................................30
4.2 Da inerência da processualização do inquérito policial à aplicação do contraditório e ampla 
defesa, tornando o inquérito de fato Constitucionalizado...........................................................35
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS.............................................................................................................39
REFERÊNCIAS..................................................................................................................................45
6
1 INTRODUÇÃO
Este trabalho, tem como tema o inquérito policial e traz uma análise do atual sistema de
interrogatório, explora a possibilidade de constitucionalização do inquérito policial,
aplicando-lhe os princípios constitucionais consagrados na constituição, mais
especificamente as contradições e as amplas defesas.
No período pré-medieval, os conflitos eram resolvidos pela autopreservação/defesa
privada, ou seja, coação nas mãos do indivíduo, e então as forças de todas as partes
prevaleceram. Com o passar do tempo, devido à natureza pública da punição, o Estado
se atribuiu o poder de punir, tornando-se o único Estado com o direito de aplicá-lo.
Detentor dessa legitimidade, especialmente desde o advento da CR (Constituição da
República Federativa do Brasil em 1988), o Estado deve atentar paraas garantias
constitucionais de salvaguarda da dignidade da pessoa humana no processo penal,
principalmente o devido processo legal. Lei, para prevenir comportamento excessivo e
frustração na aplicação de penalidades. Como foi explanado por EYMERICH (1993), o
inquérito vem do latim inquirire, compõe-se da preposição in (em), e do verbo quaero
(buscar), o inquérito por meio de coleta de indícios visa buscar a verdade, demostrando
se há ou não probabilidade de fato delituoso, em caso positivo demonstrando aptidão
para a formação da peça acusatória.
Para MEIRA (2009), o inquérito policial é de natureza claramente investigativa e visa
apurar se há justificativa para a instauração de processo penal público, que será
realizado pelo Ministério Público para formação de sua opinião criminal e, se
necessário, para apresentar queixa. Nos processos criminais instaurados em processo
penal privado, será instaurado inquérito a pedido da vítima para apurar se os factos do
crime ocorreram, com ou sem persecução penal pelas partes. tribunal. Com base em
normas constitucionais, este projeto busca analisar as garantias individuais
contraditórias e plenamente defendidas e validar sua aplicação em procedimentos
7
investigatórios para demonstrar sua constitucionalização.
Em análise ao disposto no texto da Lei Maior, e tomando-a por referência, vê-se que
estão consagradas diversas garantias processuais penais, dentre elas: a dada pelo
princípio da não autoincriminação; do contraditório e da ampla defesa, estes dois
últimos assegurados no art. 5º, inciso LV da CF/88. 
O escopo desta pesquisa e fazer uma análise acerca do atual procedimento do
inquérito que é inquisitivo, e da possível transformação deste em um inquérito
constitucionalizado, perpassando por uma análise da possibilidade aplicação dos
princípios do contraditório e da ampla defesa.
Este será o cerne da presente pesquisa, utilizando como base para a presente o
postulado pelos doutrinadores: José Boanerges Meira; Aury Lopes JR; Renato
Brasileiro de Lima, dentre outros, bem como a Constituição Federal, Códigos Penal e
de Processo Penal.
2 PRINCÍPIOS PROCESSUAIS PENAIS APLICÁVEIS 
2.1 Noções Básicas 
A priori signifiquemos a palavra princípio por meio das palavras do ilustríssimo José
Aquino:
Princípio é a palavra que deriva do latino principium, princupii, de princeps,
principis, com o significado de primeiro. É forma sincopada de primiceps, de
primus, adjetivo superlativo de prae ou pro, por meio de pris, adverbio com
sentido de antes, primenramente, antigamente, e de capere, significado de
captar, tomar, segurar, prender, conceber. Etimologicamente, principio seria
compreendido como origem, começo, início de qualquer coisa. (AQUINO, 1997,
p.52).
Antes mesmo de adentrar na discussão da aplicação de cada princípio isoladamente,
faz-se necessário uma breve explanação do que se entende por princípios, são um
8
conjunto de valores básicos de uma ordem jurídica elencares de normas e padrões
norteadores do processo, pode-se dizer que são mandamentos centrais de um
determinado sistema.
Os princípios são utilizados, para solucionar conflitos em que a lei foi omissa gerando
lacunas, suprindo então as lacunas desta. Sobre o tema aduz José Aquino:
Princípios gerais do direito servem para suprir ou preencher as lacunas da lei.
Não existe conceito definitivo sobre o que se deve entender por princípios
gerais do direito. Todo conhecimento sistematizado apoia-se sobre alicerces
genéricos, que dão sustento à estrutura sobre eles edificada . Existem, assim,
princípios gerais em cada ramo dos direitos invocáveis no momento em que a
solução para o caso concreto se deva orientar nesse determinado sentido.
(AQUINO, 1997, p.53).
O processo penal, bem como outros ramos do ordenamento jurídico Brasileiro, norteia-
se por princípios estando estes implícitos ou mesmo expressos em nossa Carta Maior.
2.2. Contraditório
De acordo com o art. 5º, inc. LV, da Constituição Federal, “ aos litigantes, em
processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o
contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes”.
Os defensores da inaplicabilidade do princípio do contraditório na fase de investigação
criminal, em sua maioria usam como base o argumento de que o inquérito e apenas
uma peça administrativa, torna-se um contrassenso o apoio de tal argumento, visto que
há previsão expressa na própria constituição que é a base para todo o ordenamento
jurídico Brasileiro, deveria ser, diz contrário.
O princípio do contraditório é inexoravelmente indispensável para o Processo Penal,
pode-se dizer que é um dos mais importantes, este possui previsão expressa na
Constituição Federal, torna-se mais importante ainda na medida que é inerente a outros
9
princípios importantes para o processo penal, quais sejam: o da isonomia e o do devido
processo legal.
Segundo Fernandes (2010, p. 59) “O Contraditório constitui um princípio de grande
importância dentro de todo o ordenamento jurídico. Possui uma ligação direta com os
direitos subjetivos do acusado e o seu direito de ação, podendo observar que na
Constituição Federal de 1988 garante-se em sua redação a aplicação do contraditório e
da ampla defesa”.
LOPES aduzindo acerca de contraditório explicita que:
“O contraditório pode ser inicialmente tratado como um método de confrontação
da prova e comprovação da verdade, fundando-se não mais que o juízo
protestativo, mas sobre o conflito disciplinado e ritualizado, entre partes
contrapostas: a acusação (expressão do interesse punitivo do estado) e a
defesa (expressão do interesse do acusado, e da sociedade em ficar livre de
acusações infundadas e imune a penas arbitrárias e desproporcionadas). É
imprescindível para a própria existência da estrutura dialética” (LOPES,
2017.p.97).
Segundo MARTA SAAD “se não se mostra apropriado falar em contraditório no curso
do inquérito policial, seja porque não há acusação formal, seja porque, na opinião de
alguns, sequer há procedimento”, não se pode afirmar que não se admite o direito a
defesa, porque esta tem lugar em todos os crimes e em qualquer tempo, e estado da
causa, se tratando de resistência a imputação informal, pela lesão ou ameaça de lesão.
Segundo LOPES (2017) a constituição prevê e é garantista ao informar que o processo
penal deverá ser orientado pelo sistema acusatório1, necessariamente passando pelo
crivo do contraditório. E analisa ainda que a constituição na medida em que adota o
sistema acusatório, sistema este contrário ao adotado pelo CPP, que é absolutamente
inquisitivo.
A quem diga que é um exagero, dizer que é inconstitucional o CPP adotar um sistema
contrário ao adotado pela constituição, não é visto a previsão expressa, o mestre
LOPES: 
10
“O problema situa-se, agora, em verificar a falta de conformidade entre a
sistemática prevista no Código de Processo Penal de 1941 e aquele da
Constituição, levando a que afirmemos, desde já, que todos os dispositivos do
CPP que sejam de natureza inquisitória são substancialmente inconstitucionais
e devem ser rechaçados. ” (Lopes,2017, p. 93/94).
Na mesma linha de pensamento do mestre Lopes, nos ensina a Doutora BARROS
(2009), segundo ela um modelo constitucional de processo, deverá se fundar em uma
base principiológica única, utilizando-se como ponto de partida o princípio do
contraditório e da ampla defesa. 
Sobre o assunto J. Canuto de Almeida aduz que:
A verdade atingida pela justiça pública não pode e não deve valer em juízo sem
que haja oportunidade de defesa ao indiciado. É preciso que seja o precedido
de atos inequívocos de comunicação ao réu: de que vai ser acusado; dos
termos precisosdessa acusação; e de seus fundamentos de fato (provas) e de
direito. Necessário também que essa contrariedade seja feita a tempo de
possibilitar a contrariedade: nisso está o prazo conhecimento exato dos
fundamentos probatórios e legais da imputação e para a imposição da
contrariedade e seus fundamentos de fato (prova) e de direito. 
E incontestável que o princípio do contraditório fornece às partes um status de
igualdade, dando o direito de rebater qualquer alegação feita, evitando que qualquer
das partes saia prejudicada, caso não seja oportunizada oportunidade de rebater o
princípio in loco será violado.
Tourinho Filho, sobre o princípio do contraditório nos ensina:
(...) de acordo com tal princípio, a defesa não pode sofrer restrições, mesmo
porque o princípio supõe completa igualdade entre acusação e defesa. Uma e
outra estão atuadas no mesmo plano, em igualdade de condições, e, acima
delas, o órgão jurisdicional, como órgão “superpartes”, para, afinal, depois de
ouviras alegações das partes, depois de apreciar as provas, “ dar a cada um o
que é seu”. (TAURINHO FILHO, 1989, p. 49).
11
Com todo o exposto é perceptível que para que haja verdadeira isonomia entra as
partes deve ser respeitado o princípio do contraditório sem mitigação seja ela qual for,
sob risco de tornar os atos praticados inconstitucionais.
2.3 Ampla Defesa
Conforme preleciona o Professor Rosemiro Pereira Leal:
[...] ao se assegurar a ampla defesa como direito fundamental, assegura-se o
direito a argumentação das minorias no mesmo espaço de tempo procedimental
processualizado das maiorias e vice-versa. Esse direito é que impede o
fechamento dos sistemas (a criação das sociedades fechadas no sentido
Popper). Por isso é que um direito caracterizador da democracia, no sentido
pós-moderno ao se valer de juízos dispositivos, rompe com o dogma a fala
paranoica, se a cada um se se reconhecer constitucionalmente a possibilidade
de apontar aporias (direito ao contraditório) nos discursos juridicamente
normalizados. Em sendo o homem ser da língua, há de ser posto um direito que
lhe permita ser autor de si mesmo ela possibilidade de contrariar linguagens
pré- unificantes e fundar linguisticidades habilitadas a legislar suas opiniões e
vontades por critérios cujos fundamentos sejam continuadamente obtidos em
bases processualísticas[...].(LEAL apud MEIRA, 2009, p. 34).
Segundo MEIRA (2009) ampla defesa e a garantia dada ao réu, trazendo condições
que lhe possibilitem demonstrar elementos que possam comprovar a verdade,
dividindo-se em dois aspectos defesa técnica e de autodefesa, a primeira
necessariamente por meio de um advogado, inscrito nos quadros da OAB, a segunda
dispõe o investigado a realização da própria defesa, ressalta ainda que a defesa
somente será ampla com a conjunção das duas.
Segundo LIMA (2011, pg 24): “quando a Constituição Federal assegura aos litigantes,
em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral a ampla defesa,
entende-se que a proteção deve abranger o direito a defesa técnica e à autodefesa,
havendo entre elas complementariedade.” 
A autodefesa expressa-se na abertura dada ao acusado ou do investigado, para que
este realize sua própria defesa, claro que não em todas as ocasiões. Essa abertura
12
pode ser verificada no momento da oitiva do investigado realizada pela autoridade
policial, ao ainda durante a fase de inquérito, quando o ora investigado reservasse ao
direito de permanecer em silêncio, ou até mesmo deixa de comparecer a determinados
atos.
Segundo MEIRA (2009) os principais elementos do devido processo legal são os
princípios do contraditório e ampla defesa, sendo estes elementos originários que
iluminam o sistema constitucional, que efetivamente adota o sistema de garantias,
servindo de alicerce para um modelo que gera inúmeros reflexos no campo do Direito
Processual Penal.
2.4 Princípio do nemo tenetur se detegere
Com previsão constitucional no art. 5º, inc. LXIII, o presente princípio1 é explicitado da
seguinte forma: “ o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de
permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado”. O
direito de permanecer calado e apenas uma das manifestações do nemo tenetur se
detegere, cujo qual ninguém será obrigado a produzir prova contra si mesmo.
Conforme Maria Elizabeth Queijo nos traz em seus ensinamentos:
O princípio do nemo tenetur se detegere “ objetiva proteger o indivíduo contra
excessos cometidos pelo estado, na persecução penal, incluindo-se nele o
resguardo contra violências físicas e morais, empregadas para compelir o
individuo a cooperar na investigação e apuração de delitos, bem como como
métodos proibitivos de interrogatório, sugestões e dissimulações. ” (QUEIJO
2003, p 55 apud LIMA, 2011, p 56)2
O principio in loco não protege somente o individuo na condição processual de preso,
ou aquele que esteja sendo acusado na prática de determinado delito, a doutrina atual
1O princípio nemo tenetur se detegere garante ao cidadão, além de não poder ser obrigado(a) a prestar
qualquer tipo de informação, também coíbe a possibilidade de fornecer, direta ou indiretamente, qualquer
tipo de prova que possa ensejar autoincriminação. 
2 QUEIJO 2003, P.55 apud LIMA, Renato Brasileiro de, Manual de Processo Penal. Niteroi: Impetus, 
2011. p. 56.
13
e mais aceita, confirma que o nemo tenetur se detegere se presta a proteger além dos
indivíduos em situação processual de preso, o cidadão na situação de suspeito,
acusado, condenado ou indiciado, Ele não será em hipótese alguma, obrigado a
confessar o crime.
Presta-se a proteger ainda a testemunha, ainda que esta tenha o dever de falar a
verdade, sob pena de responder pelo crime de falso testemunho, tipificado no art. 342
do CP, ainda assim não estará obrigado a responder algo que possa incriminá-la.
2.5 Princípio da Proporcionalidade
O princípio da proporcionalidade não possui previsão expressa em nossa Carta Maior,
mas está inserida no aspecto material do principio do devido processo legal, previsto no
art. 5º, inc. LIV da Contituição Federal: “ Ninguem será privado da liberdade ou dos
bens sem o devido processo legal”.
Como observa o Min. Gilmar Mendes:
“a clausula do devido processo legal, objeto de expressa proclamação pelo art.
5º inc. LIV, da Constituição, e que traduz um dos fundamentos dogmáticos do
principio da proporcionalidade- deve ser entendida, na abrangência de sua
noção conceitual, não só sob o aspecto meramente formal, que impõe
restrições de caráter ritual à atuação do poder público, que atua como decisivo
obstáculo à edição de atos normativos revestidos de conteúdo arbitrário ou
irrazoável. A essência do devido processo legal reside na necessidade de
proteger direitos e as liberdades das pessoas contra qualquer modalidade de
legislação ou de regulamentação que se revele opressiva ou destituída do
necessário coeficiente de razoabilidade.”(MENDES, 2004)3
No processo penal, o estado não poderá agir incomedidamente, visto que a atividade
do poder público está condicionado ao principio da razoabilidade, o princípio da
proporcionalidade torna-se essencial na medida que este presta as vezes de coeficiente
de aferição da razoabilidade dos atos estatais, a fim de conter os excessos do Estado.
3 MENDES 2004, apud LIMA, Renato Brasileiro de, Manual de Processo Penal. Niteroi: Impetus, 2011. p.
84-85.
14
2.6 Princípio da Verdade Real
Esse postulado jurídico é um instrumento essencial, para que se alcance a satisfação
da pretensão punitiva estatal, buscando o verdadeiro autor, a fim de que se possa
aplicar a punição desse em decorrência da prática do delito. 
Aduz Mirabete acerta do postulado:
“Com o princípio daverdade real se procura estabelecer que o jus puniendi
somente seja exercido contra aquele que praticou a infração penal e nos exatos
limites de sua culpa numa investigação que não encontra limites na forma ou na
iniciativa das partes”.(MIRABETE,2003.p 47)4
De acordo com os ensinamentos de Meira, acerca da verdade real:
Examina-se, inicialmente, o alcance, no campo processual, da dicotomia da
verdade real como justificativa de intervenção do magistrado durante a
formação da prova. Vários tratadistas têm recorrido à metáfora de que a
verdade real é um privilégio do Direito Processual Penal, ao permitir que o juiz
saia a campo à procura da prova, abandonando a postura inerte e indiferente à
discussão apresentada pelos contendores, para conseguir descobrir elementos
que formem sua convicção. Para tanto, o juiz investigador pode e deve se valer
de poderes para conseguir seu desiderato maior: descobrir a verdade. (MEIRA,
2009. P167) 5
O código de processo penal, traz apontamentos da necessidade de que o juiz pratique
certos atos, a fim de descobrir a verossimilhança do alegado, nos dispositivos legais:
art. 156, 196, 209, 234, 502 parágrafo único.
Em suma, o entendimento que se pode extrair do princípio da verdade real, e a
imposição ao juiz e às partes de um empenho conjunto, a fim de que se desvende os
fatos postos, para a obtenção de uma resposta estatal comedida, sempre em
observancia à falibilidade humana.
3. INQUÉRITO POLICIAL
4 MIRABETE, Julio Fabrini. Processo Penal.2003.p 47.
5 MEIRA, José Boanerges. Inquérito Policial. p 167.
15
3.1 Conceito
O inquérito policial para (MEIRA 2009), é um procedimento que possui caráter preclaro
de investigação, e visa apurar a existência de justa causa, em se tratando de ação
penal pública, será conduzido ao Ministério público, a fim de que este forme ou não de
sua Opinio delicti6, e caso positivo ofereça a denúncia. Caso se trate de ação penal
privada, o inquérito será instaurado para apuração do possível fato, ficando a critério da
parte, apresentar ou não queixa-crime em juízo, LIMA traz em seus ensinamentos o
conceito de inquérito policial de maneira bastante objetiva:
“Inquérito policial é o procedimento administrativo inquisitório e preparatório,
presidido pela autoridade policial, consistente em um conjunto de diligencias
realizadas pela polícia investigativa objetivando a identificação das fontes de
prova e a colheita de elementos de informação quanto à autoria e materialidade
da infração penal, a fim de possibilitar que o titular da ação penal possa
ingressar em juízo. Trata-se de um procedimento de natureza procedimental,
portanto se destina a esclarecer fatos delituosos relatados na notícia crime,
fornecendo subsídios para o prosseguimento ou o arquivamento da persecução
penal. ”(LIMA, 2011.p 113)7
Pode-se dizer então que pelos conceitos acima aduzidos, que o inquérito policial e um
procedimento administrativo de cunho investigatório, presidido por uma autoridade
policial, objetivando esclarecer a autoria do delito e auxiliar na formação da opinio
delicti.
3.2 Finalidade
LOPES leciona acerca dos objetivos do inquérito policial:
O objeto da investigação preliminar é o fato constante na notitia criminis, isto é,
o fumus commissi delicti que dá origem à investigação e sobre o qual recai a
totalidade dos fatos desenvolvidos nessa fase. Toda a investigação está
centrada em esclarecer, em que grau de verossimilitude, fato e a autoria, sendo
que esta última (autoria) é um elemento subjetivo acidental da notícia-crime.
Não é necessário que seja previamente atribuída a uma pessoa determinada. A
6
7 LIMA, Renato Brasileiro de. Manual de Processo Penal. 2011: Impetus. p 113.
16
atividade de identificação e individualização da participação será realizada no
curso da investigação preliminar. (LOPES,2017, p124) 8
O inquérito policial objetiva-se a apurar a existência de uma infração penal, e se há
justa causa, a fim de que se forneça lastro probatório suficiente para que o titular da
ação penal tome as devidas providências, no caso da ação penal pública para que o
Ministério público ofereça Denúncia e da ação penal privada para que a vítima ou o
CADI apresente Queixa-Crime.
A finalidade do inquérito policial pode ainda ser dividida em duas, a finalidade mediata
que poderá ser compreendida como o fornecimento de subsídios para que o órgão
acusador execute a devida ação, e a imediata que nada mais é que a apuração da
autoria e da materialidade do delito.
É imperioso que se realize o inquérito policial com a devida cautela e atenção, visto que
é um instrumento de vital importância para a formação da opinio delicti, deverá ser
concluído de forma completa, passando pela análise de todas as possibilidades.
3.3 características centrais do inquérito policial 
3.3.1 Procedimento formalizado pela escrita 
Segundo o art. 9º do Código de Processo Penal “Todas as peças do inquérito policial
serão, num só processado, reduzidas a escrito ou datilografadas e, nesse caso,
rubricadas pela autoridade.”
Pelo exposto no art 9º do CPP, há uma discussão doutrinária acerca possibilidade do
uso de gravação audiovisual no curso das investigações policiais.
Acerca do tema aduz o ilustre professor Renato Brasileiro de Lima:
8 LOPES, Aury jr. Direito Processual Penal. 2017: Saraiva. p 124.
17
“O nosso juízo, apesar de o CPP não fazer menção à gravação audiovisual de
diligências realizadas no curso do inquérito policial, deve-se atentar para a data
em que o referido códex entrou em vigor (1º de janeiro de 1942). Destarte, seja
por força de uma interpretação progressiva, seja por conta de uma aplicação
subsidiária do art. 405, § 1º, do CPP, há de se admitir a utilização desses novos
meios tecnológicos no curso do inquérito. ”(LIMA, 2011,p 126)9
Portanto, pode-se extrair que deve-se fazer uma interpretação extensiva do art. 9º,
aplicando-o em conjunto com o art. 405, § 1º do CPP, visando obter maior fidelidade
das informações. Tais gravações auxiliam ainda na lisura das investigações, evitando-
se abusos em interrogatórios.
3.3.2 sigiloso
O Código de Processo Penal, dispõe em seu art. 20 que: “A autoridade assegurará no
inquérito o sigilo necessário a elucidação do fato ou exigido pelo interesse da
sociedade.” Portanto, caso a autoridade policial verifique que a publicidade das
investigações possa vir a causar prejuízo à elucidação do fato criminoso, deverá
decretar o inquérito sigiloso com fulcro no art 20 do CPP.
Apesar de haver previsão legal que permite que o inquérito policial possa ser declarado
sigiloso. Em observância ao art. 5º, inc. LXIII da Constituição, que garante ao preso
direito à assistência de advogado, e ainda ao Estatuto do advogado ( Lei. 8.906/ 1994)
em seu art. 7º inc. XIV, dispõe que é direito do advogado: “examinar em qualquer
instituição por conduzir a investigação, mesmo sem procuração, autos de flagrante e de
investigação de qualquer natureza, findos ou em andamento, ainda que conclusos à
autoridade, podendo copiar peças e tomar apontamentos, em meio físico ou digital.”
Sobre o tema se manifesta José Boanerges Meira:
“O sigilo não pode ser estendido ao profissional do direito como meio de impedir
que esse se intere das provas existentes nos autos do inquérito, tanto porque a
advocacia é função pública essencial à justiça, como porque o estatuto da
9 LIMA, Renato Brasileiro de. Manual de Processo Penal. 2011: Impetus. p . 126
18
ordem dos advogados do brasil (OAB) é Lei Federal e não conhece restrições
dessa espécie à atuação do profissional do Direito.”(MEIRA, 2009, p 92)10
Entende-se então que o sigilo não estende-se a todos, mitigando-se quando se tratar
da defesa do investigado, indiciado, acusado. Pode-se retirar do aduzido que, o sigilo
não pode prejudicar o investigado cerceando sua defesa,pois tal cerceamento pode
gerar prejuízos à sua defesa na ação penal futura. 
3.3.3 Inquisitivo
O caráter inquisitivo do inquérito policial está posto no art. 14 do Código de
processo penal, que traz o seguinte texto: “ O ofendido, ou seu representante legal e o
indiciado poderão requerer qualquer diligencia, que será realizada, ou não, a juízo das
autoridades”, tal dispositivo demonstra o elevado grau de discricionariedade do
delegado de polícia ao presidir o inquérito.
Ainda prevalece majoritário o entendimento de que o inquérito policial é e deve
continuar sendo um procedimento inquisitório, não se aplicando o contraditório e a
ampla defesa. O apoio para tal entendimento e de que o inquérito policial e um mero
procedimento de natureza administrativa, não sendo processo por não aplicar sanção.
Entendo que há sim sanção, ainda que não uma sanção física de encarceramento, mas
sim uma causada pela estigmatização social, causada pelo simples fato de ser
investigado em uma investigação de natureza criminal.
Marta Saad ainda que faça parte de uma corrente minoritária nos ilumina com sua
sapiência acerca do tema:
“se não se mostra apropriado falar em contraditório no curso do inquérito
policial, seja porque não há acusação formal, seja porque, na opinião de alguns,
sequer há procedimento, não se pode afirmar que não se admite o direito de
defesa, porque esta tem lugar em todos os crimes e em qualquer tempo, e
estado da causa, e se trata de oposição ou resistência à imputação informal,
pela ocorrência de lesão ou ameaça de lesão” 11
10 MEIRA, José Boanerges, Inquérito Policial, 2009: Mandamentos. p. 92.
11 SAAD, marta apud LIMA, Renato Brasileiro de. 2011: Impetus. p. 133.
19
3.3.4 Oficioso
Conforme aduz o art. 144, § 1º, inc. I, c/c art. 144, § 4º, da Constituição Federal. A
presidência do inquérito policial ficará ao cargo do Delegado de polícia ( federal ou
Civil). A oficiosidade esta diretamente ligada à obrigatoriedade que tem a autoridade
policial, ao tomar conhecimento de uma atividade criminosa que comine em ação penal
pública incondicionada.
No caso de crimes que cominem em ação penal pública condicionada ou ação
penal privada, a abertura de inquérito estará condicionada a manifestação da parte
interessada. No momento em que este demonstrar interesse, a autoridade policial fica
obrigado a agir de ofício.
3.4 Valoração do inquérito policial
Aduz MEIRA, acerca de valoração das provas colhidas no inquérito:
[...] A produção de provas por excelência e produzida em juízo, perpassada pelo
crivo do contraditório e da ampla defesa. É mister ressaltar que tal
procedimento deve se estender para o procedimento administrativo denominado
investigação criminal, para que o investigado, não se torne em qualquer
condição, culpado previamente, ademais as provas colhidas não se revestem
de legitimidade e legalidade por estar ausente o devido processo legal. Por não
terem sido submetidas a um procedimento processualizado, compatível com a
existência de ampla defesa e contraditório.(MEIRA,2009, p 91) 12
Baseado no entendimento de MEIRA13, LEAL afirma que sem procedimento, não há
como operacionalizar democraticamente o instituto da prova. A lei constitucional
Brasileira (CF/88), ao adotar o devido processo legal, institui a hermenêutica cognitiva
como meio legal amplificação de verificação dos fatos. A cognição é o modo legal de
verificação de procedimento instrumentalizado. A prova procedimental (existência de
12 MEIRA, José Boanerges, Inquérito Policial. 2009: Belo Horizonte. Ed. Mandamentos. p. 91
13(2005, p.199 citado por MEIRA 2009, p. 91).
20
procedimento) é direito garantias infestáveis da cognição, porque somente a
interpretação volitiva das autocracias ou das democracias imperfeitas é que afastam a
prova, em sua plenitude teórica.
Para o Professor Renato Brasileiro de Lima (2011) os elementos colhidos na fase
investigatória, sem a participação ativa das partes e sem a observância dos princípios
constitucionais do contraditório e da ampla defesa, tem um valor probatório relativizado
sendo questionável a utilização deste inquérito, como instrumento de formação da
convicção do juiz na fase processual.
Podemos extrair o entendimento de que não se pode fundar condenações, única e
exclusivamente em provas colhidas em inquérito policial, visto que no sistema atual o
inquérito transcorre sem garantias constitucionais mínimas. 
Parcela da doutrina assente com a tese de Aury Lopes Jr. (2001, p. 190), delimita o
Inquérito Policial a apenas uma reunião de atos investigatórios, com eficácia interna a
essa fase apenas, posto que se limitam tão somente a “fundamentar as decisões
interlocutórias tomadas no seu curso (como fundamentar o pedido de prisão temporária
ou preventiva) e para fundamentar a probabilidade do fumus commissi delicti que
justificará o processo ou o não processo”.
Harmonizando-se a essa lição, Norberto Avena (2014, p. 207) registra que “há muito
tempo consolidaram-se os tribunais pátrios no sentido de que o inquérito policial possui
valor probante relativo” e que sua “utilização como instrumento de convicção do juiz
condicionada a que as provas nele produzidas sejam renovadas ou ao menos
confirmadas pelas provas judicialmente realizadas sob o manto do devido processo
legal e dos demais princípios informadores do processo”. 
O Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o Agravo Regimental no Recurso Especial
n°1474507, no ano de 2015, do qual era relatora a Ministra Maria Thereza de Assis
21
Moura, não obstante, pacificou entendimento de que14 “tendo a condenação se
amparado em provas produzidas em juízo sob o crivo do contraditório, além das
colhidas na fase inquisitorial, não há falar em violação do artigo 155 do Código de
Processo Penal, conforme jurisprudência pacífica deste Superior Tribunal de Justiça”.
Ademais, descabe a renúncia da utilização de tal material, composto inclusive por
diversos elementos de informação essencialmente técnicos, a exemplo dos exames
periciais, e arrecadados diretamente do local do crime em consonância ao inciso I do
art. 6° do Código de Processo Penal, que determina à autoridade policial, assim que
tomar conhecimento de fato criminoso, “dirigir-se ao local, providenciando para que não
se alterem o estado e conservação das coisas, até a chegada dos peritos criminais”. O
conteúdo reunido por esses agentes que atuam como longa-manus do Estado,
conforme preceitua o inciso III do aludido dispositivo, isto é, “todas as provas que
servirem para o esclarecimento do fato e suas circunstâncias” descenderam
imediatamente da prática da infração penal, possivelmente dotadas de vestígios hábeis
ao auxílio da reconstrução da verdade histórica do crime, escopo da atividade
probatória e finalidade precípua do processo não pode ter seu valor abdicado,
sobretudo em razão da inviabilidade e até mesmo da impossibilidade de proceder-se a
tais providências apenas no curso processual, considerando o decurso do tempo, com
o consequente desaparecimento de indícios e mácula na dissertação testemunhal. 
Acerca do tema, Nestor Távora e Rosmar Rodrigues Alencar (2019, p. 113) defendem
que “os documentos colhidos na fase preliminar, interceptações telefônicas, objetos
conseguidos mediante busca e apreensão, têm sido valorados na fase processual,
quando serão submetidos à manifestação da defesa, num contraditório diferido ou
postergado”, até mesmo por que “a persecução criminal, em alguns momentos, exige
rapidez e pronta eficiência, de sorte que tais ferramentas acabam sendo úteis à
elucidação dos fatos e captação de elementos para desvendar a verdade”. 
14 Detalhes da Jurisprudência, Processo 8832002 PR 883200-2 (Acórdão). Órgão Julgador 5ªCâmara
Criminal. Julgamento 31 de Maio de 2012. Relator Marcus Vinicius de Lacerda Costa
22
O exame de corpo de delito, nomeadamente, do qual não se pode dispor em regra,
tampouco suprir por prova de outra natureza, atribuído de credibilidade ímpar na
instrução judicial, tem sua relevância assentada por Norberto Avena (2014, p. 119), que
aponta ser a jurisprudência dominante concordante com o fato de “que as provas de
caráter técnicos realizados no decorrer da sindicância policial dispensam repetição em
juízo como condição para que sejam valoradas pelo magistrado, em especial nas
hipóteses em que o material examinado já tenha se exaurido”, casos esses em que
“ocorre o que se vem chamando de contraditório postergado ou diferido, pois será
apenas em momento posterior, por ocasião da fase judicial, que se garantirá ao
acusado o direito de manifestação quanto ao exame realizado por determinação do
Delegado de Polícia”. 
Equânime se verifica o entendimento do Supremo Tribunal Federal, favorável à
utilização dos elementos angariados na fase policial para o embasamento de decisão
judicial, não somente se harmonizadas com as provas submetidas ao contraditório,
mas, igualmente quando não contrapostas por estas, o que se extrai do julgamento do
Recurso Ordinário em Habeas Corpus nº 118.516/SC, no qual era relator o Ministro Luiz
Fux: O livre convencimento do juiz pode decorrer das informações colhidas durante o
inquérito policial, nas hipóteses em que complementam provas que passaram pelo
contraditório, bem como quando não são infirmadas por outras provas colhidas . 
É também o magistério de Renato Marcão (2016, p. 230), que ensina estarem
“expostas ao contraditório diferido, que necessariamente se verificará ao tempo da
persecução penal em juízo, quando então caberá à defesa argumentar e provar
eventual ilegalidade na sua produção e consequente desvalia frente ao ordenamento”.
4. APLICABILIDADE DOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA
23
No presente capítulo será feito um estudo acerca da necessidade de implantação das
garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa, previstas no art. 5º, LV,
da Constituição da República federativa do Brasil de 1988.
Inicialmente faz-se necessária a explanação e analise acerca dos sistemas processuais
existentes, e sobre a adoção deles no ordenamento jurídico Brasileiro.
4.1 Sistemas processuais Penais
FERREIRA,15 define sistema, em termos amplos, como “a reunião coordenada e lógica
de princípios ou ideias relacionadas de modo que abranjam um campo de
conhecimento [...]”. 
4.1.1 Sistema acusatório
Sobre sistema acusatório, preleciona José Marques: 
No sistema acusatório, autor e réu encontram-se em pé de igualdade,
sobrepondo-se a ambos, sobre órgão imparcial de aplicação de lei, o titular da
jurisdição, ou juiz, tal como o consagra o direito Brasileiro. A titularidade da
pretensão punitiva pertence ao estado, representado pelo Ministério público, e
não ao juiz, órgão estatal tão- somente para da aplicação imparcial da lei para
dirimir os conflitos entre o jus puniendi e a liberdade do réu. (MARQUES, 1997,
p 71) 16
LOPES (2017) em sua ilustre explanação, caracteriza o sistema acusatório à luz da lei
maior, por um sistema que possui uma clara distinção entra as atividades de acusar e
julgar, e em decorrência desta lógica distinção, a capacidade probatória passa para as
mãos das partes, mantendo-se o julgador imparcial e apartado das investigações e
coleta de provas, garantindo que haja igualdade entre as partes possibilitando o
contraditório e ampla defesa.
15(1995, p.603 citado por MEIRA 2009, p.56).
16 MARQUES, José Frederico. Elementos de Direito Processual penal. p. 71
24
LOPES (2017, p.43) ensina," Quando o sistema aplicado mantém o juiz afastado da
iniciativa probatória, fortalece-se a estrutura dialética e, acima de tudo, assegura-se a
imparcialidade do julgador".
COUTINHO17 " [...] resta saber, sem embargo, se é isto que, de fato, se quer. Afinal,
crescer no sentido da democracia significa abdicar de algumas regalias e, sim, produzir
um processo penal que expressa a Constituição (ao adotar o sistema acusatório), mas
quantos estão dispostos, de facto, a levar a Carta a sério?".
Observando o conteúdo supramencionado, pode notar que o sistema acusatório é
imparcial contraditório, demonstrando nítidas distinções entre as atividades da defesa
acusação e do Juiz.
O sistema acusatório é mais democrático, e os três poderes de acusação, defesa e
julgamento são separados. Como existem diferentes partes desempenhando cada
função, é garantida a distância igual dos juízes. Caracteriza-se pela justiça do juiz, pelo
efetivo exercício do devido processo legal, pela forte contradição, pela ampla defesa e
pela forte abertura. Segue o princípio da busca da verdade. No sistema de cobrança, a
convicção livre motivada ou a persuasão racional são os princípios, e não há hierarquia
pré-determinada entre as provas, e um juiz pode usar qualquer uma delas para formar
uma condenação, desde que o juiz confirme sua decisão. Este é o sistema adotado no
Brasil. 
A CF/88 não declara explicitamente que o sistema utilizado no Brasil é um sistema de
cobrança. No entanto, a partir da interpretação pública e sistemática do artigo 129 da
Constituição Federal, pode-se concluir que nosso sistema processual penal é pautado
pelo princípio da acusação. Veja se: “Art. 129. São funções institucionais do Ministério
Público, I – Promover, privativamente, a ação penal pública, na forma da lei”.
17(2006, p.391 Citado por MEIRA 2009 p.62).
25
O pacote Anticrime confirmou de forma expressa a adoção do sistema acusatório no
Brasil. O artigo 3ºA do CPP dispõe que o processo penal terá estrutura acusatória,
vedadas a iniciativa do juiz na fase de investigação e a substituição da atuação
probatória do órgão de acusação, “Art. 3º-A. O processo penal terá estrutura acusatória,
vedadas a iniciativa do juiz na fase de investigação e a substituição da atuação
probatória do órgão de acusação”.
Além disso, o pacote anticrime trouxe também a figura do Juiz das garantias, que de
acordo com o artigo 3ºB do CPP é responsável pelo controle da legalidade da
investigação criminal e pela salvaguarda dos direitos individuais, cuja franquia tenha
sido reservada à autorização prévia do Poder Judiciário, competindo-lhe especialmente:
Vale ressaltar que, embora o Pacote Anticrime tenha entrado em vigor, as providências
envolvendo juízes fiadores estão suspensas por tempo indeterminado conforme
decisão do Ministro STF Luiz Fux. No entanto, o STF trata da classe HC 195.807,
impetrada pelo Instituto de Proteção Criminal (IGP), que busca derrubar uma decisão
única do Ministro.
Art. 3º-B. O juiz das garantias é responsável pelo controle da legalidade da
investigação criminal e pela salvaguarda dos direitos individuais cuja franquia
tenha sido reservada à autorização prévia do Poder Judiciário, competindo-lhe
especialmente:
I – Receber a comunicação imediata da prisão, nos termos do inciso LXII
do caput do art. 5º da Constituição federal.
II – Receber o auto da prisão em flagrante para o controle da legalidade
da prisão, observado o disposto no art. 310 deste Código;
III – Zelar pela observância dos direitos do preso, podendo determinar
que este seja conduzido à sua presença, a qualquer tempo;
IV – Ser informado sobre a instauração de qualquer investigação criminal;
V – Decidir sobre o requerimento de prisão provisória ou outra medida
cautelar, observado o disposto no § 1º deste artigo;
VI – Prorrogar a prisão provisória ou outra medida cautelar, bem como
substituí-las ou revogá-las, assegurado, no primeiro caso, o exercício do
contraditório em audiência pública e oral, na forma do disposto neste Código ouem legislação especial pertinente;
26
VII – Decidir sobre o requerimento de produção antecipada de provas
consideradas urgentes e não repetíveis, assegurados o contraditório e a ampla
defesa em audiência pública e oral;
VIII – Prorrogar o prazo de duração do inquérito, estando o investigado
preso, em vista das razões apresentadas pela autoridade policial e observado o
disposto no § 2º deste artigo;
IX – Determinar o trancamento do inquérito policial quando não houver
fundamento razoável para sua instauração ou prosseguimento;
X – Requisitar documentos, laudos e informações ao delegado de polícia
sobre o andamento da investigação;
XI – Decidir sobre os requerimentos de:
a) – Interceptação telefônica, do fluxo de comunicações em sistemas de
informática e telemática ou de outras formas de comunicação;
b) – Afastamento dos sigilos fiscal, bancário, de dados e telefônico;
Diante da recente decisão do Plenário do STF na decisão RE1055941, o projeto já é
parcialmente inconstitucional quanto ao poder do fiador de ordenar a retirada do sigilo
fiscal e bancário, uma vez que o compartilhamento de dados bancários é legal, o O
Ministério da Administração Pública e a Polícia Judiciária têm Cheque sem
intermediário judicial prévio.
c) – Busca e apreensão domiciliar;
d) – Acesso a informações sigilosas;
e) – Outros meios de obtenção da prova que restrinjam direitos
fundamentais do investigado;
XII – Julgar o habeas corpus impetrado antes do oferecimento da
denúncia;
XIII – Determinar a instauração de incidente de insanidade mental;
XIV – Decidir sobre o recebimento da denúncia ou queixa, nos termos do
art. 399 deste Código;
XV – Assegurar prontamente, quando se fizer necessário, o direito
outorgado ao investigado e ao seu defensor de acesso a todos os elementos
informativos e provas produzidos no âmbito da investigação criminal, salvo no
que concerne, estritamente, às diligências em andamento;
27
XVI – Deferir pedido de admissão de assistente técnico para acompanhar
a produção da perícia;
XVII – decidir sobre a homologação de acordo de não persecução penal
ou os de colaboração premiada, quando formalizados durante a investigação;
XVIII – outras matérias inerentes às atribuições definidas no caput deste
artigo.
(…)
§ 2º Se o investigado estiver preso, o juiz das garantias poderá, mediante
representação da autoridade policial e ouvido o Ministério Público, prorrogar, uma
única vez, a duração do inquérito por até 15 (quinze) dias, após o que, se ainda
assim a investigação não for concluída, a prisão será imediatamente relaxada.
Art. 3º-C. A competência do juiz das garantias abrange todas as infrações
penais, exceto as de menor potencial ofensivo, e cessa com o recebimento da
denúncia ou queixa na forma do art. 399 deste Código.
§ 1º Recebida a denúncia ou queixa, as questões pendentes serão
decididas pelo juiz da instrução e julgamento.
§ 2º As decisões proferidas pelo juiz das garantias não vinculam o juiz da
instrução e julgamento, que, após o recebimento da denúncia ou queixa, deverá
reexaminar a necessidade das medidas cautelares em curso, no prazo máximo
de10 (dez) dias.
A figura do juiz das garantias não se confunde com a figura do Juiz instrutor do Código
Penal Português de 1987. O juiz de garantias exerce o controle de legalidade das
investigações, o juiz instrutor do direito europeu efetivamente conduz a investigação, e
exerce todas as funções jurisdicionais até a remessa do processo a julgamento ao juízo
da causa.
No que se refere ao juiz das garantias, vale ainda ressaltar:
• Nos casos de investigados presos, houve a unificação dos prazos de
prorrogação dos Inquéritos policiais que tramitam na justiça federal e estadual
em 15 dias, ressalvadas as normas especificas da legislação especial
• Homologação dos acordos de não persecução penal e os acordos de
colaboração premiadas firmadas durante a fase de investigação criminal.
28
• O juiz de garantias não atuará nos casos de infrações penais de menor potencial
ofensivo e só funcionará até o eventual recebimento da denúncia e da queixa.
Uma vez recebida a ação penal, o juiz de garantias remeterá os autos ao juiz de
instrução e julgamento.
• Não sendo constituído advogado para defesa de profissional de seguranças
públicas vinculadas às instituições: polícia federal, polícia rodoviária federal,
polícia ferroviária federal, polícias civis, polícias militares e corpos de bombeiros
militares, polícias penais federal, estaduais e distrital, como investigados em
inquéritos policiais militares e demais procedimentos extrajudiciais, cujo objeto
for a investigação de fatos relacionados ao uso da força letal praticados no
exercício profissional, de forma consumada ou tentada, o indiciado poderá
constituir defensor no prazo de até 48 horas a contar do recebimento da citação,
conforme o artigo 14 do Código de Processo Penal.
Art. 14ª do CPP:
(…)
§ 2º Esgotado o prazo disposto no § 1º deste artigo com ausência de
nomeação de defensor pelo investigado, a autoridade responsável pela
investigação deverá intimar a instituição a que estava vinculado o investigado à
época da ocorrência dos fatos, para que essa, no prazo de 48 (quarenta e oito)
horas, indique defensor para a representação do investigado. 
Ademais, a nova redação do artigo 28 do CPP prevê que a sistemática de
arquivamento da investigação criminal será realizada inteiramente no âmbito interno do
Ministério Público. Se a vítima, ou seu representante legal, não concordar com o
arquivamento do inquérito policial, poderá, no prazo de 30 dias do recebimento da
comunicação, submeter a matéria à revisão da instância competente do órgão
ministerial. 
29
Art. 28. Ordenado o arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer
elementos informativos da mesma natureza, o órgão do Ministério Público
comunicará à vítima, ao investigado e à autoridade policial e encaminhará os
autos para a instância de revisão ministerial para fins de homologação, na forma
da lei.
§ 1º Se a vítima, ou seu representante legal, não concordar com o
arquivamento do inquérito policial, poderá, no prazo de 30 (trinta) dias do
recebimento da comunicação, submeter a matéria à revisão da instância
competente do órgão ministerial, conforme dispuser a respectiva lei orgânica.
Nas ações penais relativas a crimes praticados em detrimento da União, Estados e
Municípios, a revisão do arquivamento do inquérito policial poderá ser provocada pela
chefia do órgão a quem couber a sua representação judicial.
4.1.2 Sistema Inquisitivo
COUTINHO18 afirma que: trata-se, sem dúvida, do maior engenho jurídico que o
mundo conheceu; e conhece. Sem embargo de sua fonte, a igreja é diabólica na sua
estrutura, persistindo por mais de 700 anos. Não seria em vão: veio com uma finalidade
específica e, por que serve- e continuará servindo, se não acordarmos, mantêm-se
hígido, ao inquisidor cabe o mister de acusar e julgar, transformando-se o imputado em
mero objeto de verificação, razão pela qual a noção de parte não tem nenhum sentido
LOPES (2017), nos traz o ensinamento de que, é próprio do sistema inquisitório o
acumulo nas mãos do julgador, das funções de acusar e julgar, sendo este supremo no
processo, afastando a possibilidade de contraditório e inexistindo parcialidade no
processo.
LIMA (2011) aduz que, é majoritário na doutrina e na jurisprudência, a visão de que o
inquérito policial é um procedimento inquisitivo, não sendo aplicado a ele o contraditório
e a ampla defesa. LIMA reconhece ainda que, apesar de não serem aplicáveis ao
inquérito o contraditório e a ampla defesa, o indiciado e sujeito de direitos
fundamentais, que devem ser observados ainda no curso da investigação criminal.
18(2001 p.18- 23, Apud LOPES 2017, p.42).30
No sistema inquisitivo, o indiciado e tratado como o próprio objeto da persecução, não
havendo contraditório nem ampla defesa, acumula-se nas mãos do juiz as funções de
acusar e julgar retirando asam a imparcialidade do julgamento. Observando este
sistema não há de se falar de qualquer chance real de defesa para o acusado.
Distingue-se pela intensidade da acusação, julgamento e defesa em uma só pessoa:
Juiz investigação. O juiz de instrução, que era o representante do rei, concentrava seus
poderes num reflexo da ordem absolutista. O ex officio inicia acusações criminais,
coleta provas e toma decisões (fato que compromete sua imparcialidade no julgamento.
Além disso, nesse sistema não há sistema de rivalidade (a ausência das partes
impossibilita esse princípio), os atos são sempre escritos e prevalece o sigilo.
No sistema de investigação O réu não é considerado uma questão de direito, mas um
objeto de processo. Para avaliar evidências foi implementado um sistema de provas
legais ou classificadas. Há uma hierarquia predefinida durante o teste. Confissão é
“Rainha da Evidência”.
O julgamento foi confidencial, e mesmo o acusado não teve acesso a provas contra ele.
No entanto, a execução do veredicto é pública. Ser um exemplo para outros membros
da comunidade.
O sistema de interrogatório foi adotado pelo direito canônico entre os séculos XIII e
XVIII e aceita o princípio da verdade (a busca da verdade – mesmo consentindo
métodos como a tortura para obter confissões). Perdeu impulso com a revolução
Francesa. Quando a ideologia liberal fortalece o sistema de acusação.
4.1.3 Sistema misto 
Alguns dos doutrinadores Brasileiros classificam o sistema processual brasileiro
como misto, visto que na fase pré- processual predomina o inquisitório e na processual
o acusatório.
31
Segundo LOPES (2017), o pensamento tradicional acerca do sistema misto e
reducionista, já que na atualidade todos os sistemas são mistos, sendo a pureza na
separação dos sistemas meramente histórica, a mera separação das funções:
acusadora e julgadora e suficiente do sistema acusatório, e uma concepção tola, visto
que, de nada adianta distinguir funções, e logo após permitir que o julgador tenha
iniciativa probatória, determinando conforme aduz o art. 156, determinar provas de
oficio.
Conforme lição dada por LOPES (2017), o sistema acusatório, contraditório e a
imparcialidade estão diretamente ligadas, na medida em que no sistema inquisitório a
um absoluto afastamento da imparcialidade, e garantida no acusatório, logo só haverá
imparcialidade quando além da separação precípua das funções de julgar e acusar,
deve-se afastar o juiz da atividade investigativa. Logo, se falar em sistema acusatório
sem contraditório e imparcialidade, e o mesmo que incorrer em uma mitigação
perigosa.
Há uma confusão doutrinária acerca da classificação do sistema processual
Brasileiro, na medida que há quem diga que o sistema Brasileiro e acusatório, para
estes a fase de inquérito não é processo já que as provas não são usadas para o
convencimento dos magistrados, já a doutrina majoritária defende que o sistema
repressivo brasileiro e misto já que o inquérito policial é processo.
Os doutrinadores Guilherme de Souza Nucci e Denílson Feitosa argumentam
que o sistema processual penal é misto, pois defendem que, de acordo com os artigos
5º, II e 311 do CPP, por exemplo, os juízes tomam decisões de ofício sem requisição
judicial. As partes fornecem provas gerais (busca e apreensão, interceptação telefônica,
audiência de testemunhas e vítimas, provas documentais, pedido de inquérito policial,
prisão preventiva etc.). Para esses estudiosos, essas diversas passagens na legislação
processual penal, embora não formais, mostram que o sistema de inquérito é
claramente dominante no Brasil. Nucci, Eugênio Pacelli de Oliveira [5] (2015, 1.4), alega
32
que a existência do inquérito policial na fase pré-processual já seria, por si só, indicativa
de um sistema misto.
A crítica apontada à posição de Nucci em considerar o sistema penal brasileiro
como misto, por pensar no inquérito policial como fase processual é absolutamente
insuficiente, pois a definição de um sistema processual há que se limitar ao exame do
processo, e inquérito policial não é processo. Segundo Eugênio Pacelli (2015, 1.4):
Não é porque o inquérito policial acompanha a denúncia e segue anexado à
ação penal que se pode concluir pela violação da imparcialidade do julgador ou
pela violação ao devido processo legal. É para isso que se exige, também, que
toda decisão judicial seja necessariamente fundamentada (art. 93, IX, CF).
Decisão sem fundamentação racional ou com fundamento em prova constante
unicamente do inquérito é radicalmente nula.
Para Alvares (2013), Marco Antônio de Barros, “o termo ‘de ofício’ nos parece
impróprio ou abusivo para essa fase, pois, descabe ao juiz assumir as funções que são
próprias de investigação ou de acusação […] melhor que esse dispositivo se torne letra
morta”.
Para considerar tal sistema, não somente a produção de provas, mas a própria
investigação criminal fosse realizada diretamente pelo juiz, o que não ocorre no Brasil,
pelo menos foi corrigida, pela ADI 1.570-2 (STF, 2004), essa discrepância na Lei
nº9.034/95, que previa no “caput” de seu art.3º [6], diligências a serem realizadas
pessoalmente pelo juiz, no que se refere aos dados “fiscais” e “eleitorais”.
Segundo Alvares (2013), essa parcela da doutrina afirma ser mista o sistema
processual brasileiro diante dessa aparente incompatibilidade entre a CF/88 e o CPP,
passando esse sistema misto ter características tanto do regime processual inquisitivo,
quanto do sistema processual acusatório.
Observe-se que a orientação de uma corrente para outra, tem como perspectiva, ora a
constitucional, ora a infraconstitucional, para se chegar à conclusão de qual sistema é o
adotado no Brasil.
33
O que não se pode é cogitar de uma terceira possibilidade, qual seja, a da
coexistência do sistema inquisitivo previsto em dispositivos de legislação
infraconstitucional com o sistema acusatório assegurado em normas
constitucionais, pois isto, a nosso ver, implica negar vigência à Constituição
Federal enquanto Lei Maior. AVENA. 2015, 1.2.5.
Existe a mistura das características de um sistema de inquérito e de um sistema de
acusação. O processo se desdobra em duas etapas. A primeira etapa é de natureza
exploratória e caracteriza-se por instruções preliminares do juiz, sigilosas, escritas e
sem contradições, e tem por finalidade apurar o mérito e autoria do crime. A segunda
etapa, de natureza acusatória, admite defesa contraditória e adequada. Este padrão
apareceu na França no século 18. 
No modelo constitucional, não há dúvidas de que o sistema de acusação foi
estabelecido, mas no modelo CPP, de acordo com a realidade da jurisprudência, o
Brasil possui um sistema de acusação misto por influência de algumas regras
exploratórias. Características que conferem poderes dirigentes aos juízes, como os
artigos 5.º, inciso II, e 13.º, inciso II, do Código de Processo Penal.
POSIÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA (STF/STJ)
O Supremo Tribunal Federal se manifestou, no sentido acusatorial do sistema
processual penal brasileiro, no HC 84580 SP, de relatoria do Ministro Celso de Mello,
em julgado de 25.08.2009, em relação à obrigatoriedade de o Ministério Público
apresentar denúncia apta:
O sistema jurídico vigente no Brasil - tendo presente a natureza dialógica do
processo penal acusatório, hoje impregnado, em sua estrutura formal, de caráter
essencialmente democrático - impõe, ao Ministério Público, notadamente no
denominado "reato societário", a obrigação de expor, na denúncia, de maneira
precisa, objetiva e individualizada, a participaçãode cada acusado na suposta
prática delituosa. - O ordenamento positivo brasileiro […] repudia as imputações
criminais genéricas e não tolera, porque ineptas, as acusações que não
individualizam nem especificam, de maneira concreta, a conduta penal atribuída
ao denunciado. Precedentes. A Pessoa sob investigação penal tem o direito de
não ser acusada com base em denúncia inepta. 
34
[…]
- Para o acusado exercer, em plenitude, a garantia do contraditório, torna-
se indispensável que o órgão da acusação descreva, de modo preciso, os
elementos estruturais ("essentialia delicti") que compõem o tipo penal, sob pena
de se devolver, ilegitimamente, ao réu, o ônus (que sobre ele não incide) de
provar que é inocente.
Uma decisão relevante, em sede de Ação Penal nº 633 (374) /RS, relatoria do
Ministro Ayres Britto, vem dizendo que o juiz pode não deferir produção de prova a
pedido da defesa:
Conforme sabido, em matéria de provas, é conferido ao julgador o poder de
decidir sobre a conveniência e a imprescindibilidade da sua produção, podendo,
de forma sempre fundamentada, indeferir aquelas que entenda irrelevantes
(desnecessárias), impertinentes (desviadas do foco principal da apuração
criminal), ou protelatórias (repetidas ou já demonstradas por outras provas
anteriormente produzidas) (arts. 184 e 400, § 1º, do CPP).Ação Penal nº 633
(374) /RS, relatoria do Ministro Ayres Britto.
Nesse contexto, indeferimento de diligência a pedido da defesa, por não implicar
cerceamento de defesa, e, por via de consequência, não viola o sistema acusatório,
pois ao prudente arbítrio e bom critério do juiz, deixa a lei, a avaliação da necessidade e
conveniência da prova proposta.
Há que se salientar que para o STF considerar o sistema acusatório como sendo o
sistema adotado pelo ordenamento pátrio, exigiu que essa conclusão somente pode ser
feita se outras características acusatórias forem mencionadas, como o respeito ao
devido processo legal e seus subprincípios do contraditório e ampla defesa, juiz natural
e imparcial, presunção de inocência, etc, e não somente se considerar como marco
divisório entre os sistemas inquisitório e o acusatório a característica isolada da
titularidade das funções de acusar e julgar numa mesma pessoa ou órgão (inquisitório),
ou em pessoas ou órgãos distintos (acusatório).
Outra questão pontual, acerca da dúvida se determinado ato processual do juiz afetaria
ou não o sistema acusatório é em relação à ordem de perguntas à testemunha. Antes
35
da alteração legislativa processual penal promovida pela Lei nº 11.690/08,
especialmente no art. 212, CPP, houve discussão se o juiz que primeiro efetuar as
perguntas antes das partes, se afetaria o sistema acusatório. O STJ se pronunciou a
respeito, no HC 175.612/SP, Relatoria do Ministro Jorge Mussi, j. 01.12.11, e sua
fundamentação foi de que se o juiz for o primeiro a perguntar, antes das partes, geraria
nulidade relativa e não absoluta, e por isso, caberia a defesa impugnar o ato de
imediato na audiência de instrução e julgamento, e não ter se tornado silente naquele
ato e arguido somente em momento posterior. Vige aqui o instituto da preclusão, pois a
flagrante violação do sistema acusatório deveria ter sido sanado naquele momento
processual.
O Ministro do STJ ainda salientou que, em vistas ao princípio da instrumentalidade das
formas, o ato impugnado atingiu a sua finalidade, ou seja, houve a produção das provas
requeridas, sendo oportunizada às partes, ainda que em momento posterior, naquele
momento processual de instrução e julgamento, a formulação de questões às
testemunhas ouvidas, mesmo que depois do magistrado, respeitando-se o contraditório
e a ampla defesa constitucionalmente garantidos, não razão pela qual houve qualquer
prejuízo efetivo ao paciente.
Em outro julgado do STJ, HC 27.739[11], de 08.11.2011, relatoria também do Ministro
Jorge Mussi, em mais um entendimento a favor do sistema acusatório, trata-se de
tentativa da defesa, que por meio do HC mencionado, buscava declaração de nulidade
da oitiva de testemunha determinada pelo juízo singular, sem que sequer tenha sido
arrolada pelo órgão ministerial. O Ministro decidiu que o juízo singular poderá proceder
à colheita de depoimento, a fim de formar seu convencimento, devido ao princípio da
busca da verdade real (hoje entendida, conforme Pacelli, como verdade processual),
ouvindo-as como testemunhas do juízo, nos termos do art. 209, CPP.
4.2 Da inerência da processualização do inquérito policial à aplicação do
contraditório e ampla defesa, tornando o inquérito de fato Constitucionalizado. 
36
Como já tratado em diversos pontos do presente trabalho, o inquérito policial é um
procedimento presidido pela autoridade policial, ou seja, o delegado de polícia ( Civil ou
Federal) cuja finalidade é a reunião de provas suficientes de diversas naturezas, a fim
de que se obtenha consistência acerca da autoria e da materialidade do ato delituoso.
Serve ainda para formar a opinio delicti propiciando que o Parquet possa oferecer
denúncia ou tomar outra providência (arquivamento).
Há uma problemática acerca do inquérito policial, pois, alguns doutrinadores enxergam
o inquérito como um procedimento inútil, devendo ele ser extinto, estes defendem que
por todas as provas produzidas em fase de inquérito necessitarem de confirmação na
fase processual, tem força relativizada. Noutro giro há quem diga que o inquérito e um
procedimento de absoluta importância visto que a maioria esmagadora das decisões
proferidas em juízo são com embasamento em provas produzidas em inquérito, mesmo
que indiretamente.
Acerca do aqui aduzido preleciona a Doutora Flaviane de Magalhães Barros:
E não é somente pela escolha do sistema acusatório pela constituição da
República que se precisa chamar a atenção na reforma parcial do Código de
Processo Penal e fazer uma crítica. É preciso adequar as modificações
processuais penais ao modelo constitucional de processo, ou seja, à base de
princípios processuais que sustenta a noção de processo como garantia
constitutiva de direitos fundamentais, próprias do paradigm do estado
Democrático de direito. (BARROS, 2009, p 7)19
Faz-se necessária a adequação do Processo Penal atual ao sistema acusatório
adotado pela constituição. Adotando as bases principiológicas em todo o tramite desde
a fase pré processual até o fim do processo.
Segundo os ensinamentos da professora BARROS:
Uma interpretação constitucionalmente adequada passa pela noção de que o
modelo constitucional do processo é uma base principiológica uníssona, na qual
os princípios que o integram são vistos de maneira codependente. Ou seja, ao
19 BARROS, Flaviane de Magalhães, (RE) Forma do Processo Penal, 2009. p. 7.
37
desrespeitar um dos princípios se afeta também, de forma reflexa, os outros
princípios têm o seu conteúdo específico e diferenciador.(BARROS, 2009, p
17)20
A processualização do inquérito e absolutamente necessária, para que se possa
implantar a garantia do contraditório e da ampla defesa, no caso da ampla defesa já
está mais aceita pela doutrina sua aplicação ao inquérito.
A processualização do inquérito consiste no afastamento do mecanismo
inquisitorial do inquérito, admitindo o contraditório. A processualização enseja a
não repetição em juízo das provas obtidas no procedimento
investigatório.”(JORGE, 2004)21.
O inquérito policial enseja na ausência de confirmação das provas produzidas
neste em juízo, trazendo por conseguinte maior celeridade aos processos, que
convenhamos na atualidade de célere nada tem.
Segundo o CHOUKE (1995) conforme a Constituição Federal, o responsável pela
investigação deve proporcionar ao investigado, meios de prova que favoreçam o
mesmo, garantias constitucionais.Conforme citado por diversas vezes no presente trabalho, o artigo 5º, LV da 
Constituição Federal dispõe que "aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, 
e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os 
meios e recursos a ele inerentes".
Sobre o tema o Delegado JORGE trata da seguinte forma:
Para os juristas defensores da processualização do inquérito policial, essa
norma constitucional reafirma a garantia do contraditório e ampla defesa no
processo penal, e prevê uma característica não constante na Constituição
anterior. O direito ao contraditório e a ampla defesa nos processos
20 BARROS, Flaviane de Magalhães, (RE) Forma do Processo Penal, 2009. p.1 7.
21 JORGE, Higor Vinícius Nogueira. A processualização do inquérito Policial: é possível o 
contraditório no inquérito?Disponívelem:https://jus.com.br/artigos/5840/a-processualizacao-do-
inquerito-policial- pesquisa realizada em: 12/12/2018
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administrativos e judiciais. O contraditório deve ser admitido na investigação
criminal, pois esse procedimento é um procedimento administrativo, composto
por um conflito de interesses, que expressa a existência de litigantes, que
proporciona uma carga processual, e origina a necessidade de garantias
inerentes ao processo.( JORGE, 2004)22
Há manifestação do STF no sentido de acolher a ampla defesa a partir do indiciamento
do investigado:
A situação de ser indiciado gera interesse de agir, que autoriza se constitua,
entre ele e o Juízo, a relação processual, desde que espontaneamente intente
requerer no processo ainda que em fase de inquérito policial. A instauração de
inquérito policial, com indiciados nele configurados, faz incidir nestes a garantia
constitucional da ampla defesa, com os recursos a ela inerentes. 23
Renato de Oliveira Furtado se manifesta acerca da aplicação das garantias
constitucionais ao inquérito policial :
o inquérito policial diante dos princípios e garantias constitucionais hoje
vigentes, não pode sobreviver às fórmulas sigilosas, inquisitórias e arcaicas
ainda empregadas e defendidas pela mais respeitável doutrina. Estamos
desprezando importantíssimas garantias conquistadas em lutas obstinadas
travadas ao longo da história das relações sociais do povo brasileiro. Nós que
de alguma forma militamos com o Direito devemos ter sempre em mente que o
fim de toda atividade estatal é o homem, e que o homem e a sociedade não se
escravizam a um direito; o direito é que deve ajustar se e orientar se no sentido
do fato social.24
Faz-se extremamente necessária a definição de alguns termos importantes, visto que
nossos legisladores em sua maioria não são detentores de grande saber jurídico, não
dominando então certas tecnicidades, sobre tal problemática trata TUCCI:
Essa referência, porém, evidencia reiterada confusão terminológica, e até
mesmo conceitual, entre processo e procedimento, que se tradicionalizou em
22 JORGE, Higor Vinícius Nogueira. A processualização do inquérito Policial: é possível o 
contraditório no inquérito?Disponívelem:https://jus.com.br/artigos/5840/a-processualizacao-do-
inquerito-policial- pesquisa realizada em: 12/12/2018.
23 RT 522/403.
24 FURTADO, apud JORGE, Higor Vinícius Nogueira. A processualização do inquérito Policial: é 
possível o contraditório no inquérito?Disponívelem:https://jus.com.br/artigos/5840/a-processualizacao-
do-inquerito-policial- pesquisa realizada em: 12/12/2018
39
nosso país, falando-se num, quando, na realidade, se quer falar de outro: a
própria constituição, como, visto, expressa “processo administrativo”, quando
se está aludindo a procedimento administrativo (qual seja, entre outros, o
inquérito policial – “procedimento administrativo – persecutório de instrução
provisória, destinado a ação penal”( TUCCI, 1993, p 380)25
Dada a tecnicidade do legislador, aceitável seria se este usasse o vocábulo processo,
daí já se poderia aplicar as garantias constitucionais nem discussões intermináveis,
acerca do tema, permitindo desde a inicialização a aplicação do contraditório.
O mestre MEIRA (2009) aduz que é exatamente na fase pré-processual que mora a
imprescindibilidade de tais regras devem ser aplicadas, visto que as provas acumuladas
nesta fase serão utilizadas como base para a construção da peça acusatória, sem
sequer ter garantido ao acusado influir sobre sua construção. 
Em primorosa, lição o Doutor Rogério Auria Tucuri mostra ser viável, aduzindo:
Trata-se, aliás de orientação que se universaliza, como demonstram os mais
autorizados analistas do tema ao enfatizar que a efetividade dessa garantia
(ampla defesa e ao contraditório) deve concorrer desde a fase endoprocessual,
de natureza investigatória, em que coligadas as provas a serem utilizadas no
iudicium 26 sobre a inocência ou a culpabilidade do indigitado autor da infração
penal, subsequentemente acusado. (Tucuri 1993, p. 115)
É inconcebível dizer que o inquérito não está resguardado pelos mencionados
princípios constitucionais por ser uma peça meramente informativa. 
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente trabalho, visou fazer uma análise cuidadosa acerca possibilidade de
aplicação dos princípios do contraditório e da ampla defesa desde a fase de inquérito
policial, sendo necessária a realização de uma breve introdução sobre a problemática,
passando brevemente pela parte histórica que cerca o tema, explanando alguns
25 TUCCI, Rogério Auria, Direitos e garantias individuais no processo penal Brasileiro. São Paulo: 
Saraiva, 1993. P.380.
26 Termo em latim para julgamento. 
40
princípios aplicáveis, e explicando tecnicidades sobre o inquérito em si, depois
adentrou-se de fato na celeuma central.
Abordou-se a sistemática processual, constatando que o sistema processual penal no
Brasil é misto, adotando na fase pré-processual o sistema inquisitivo e na fase
processual o sistema acusatório, o cerne dos dois sistemas, e basicamente como se
dará a colheita de provas e estabelecer os limites de atuação de cada sujeito do
processo.
No sistema inquisitivo a produção e unilateral, somente o estado na figura da polícia
judiciária atua na produção do inquérito, já no acusatório respeitam-se os princípios
constitucionais, principalmente o do contraditório.
Com isso, visto que o inquérito e um procedimento inquisitivo, não passando então pelo
crivo dos princípios do contraditório e da ampla defesa, o investigado acaba por tornar-
se culpado sumariamente para a sociedade, em virtude do indiciamento informal.
Observando a discricionariedade da autoridade policial e o caráter inquisitivo do
inquérito, constata-se que a inobservância dos princípios constitucionais do
contraditório e da ampla defesa na fase pré- processual, gera prejuízos ao indiciado,
abrindo espaço para que ocorram arbitrariedades.
As arbitrariedades no curso do inquérito geram incontáveis prejuízos ao investigado, um
inquérito policial passado pelo crivo do contraditório e possibilita ao indiciado, contrapor
às provas colhidas e diligencias realizadas, podendo demonstrar à autoridade policial
algum ponto inobservado por este, formular perguntas em interrogatório tornando este
mais efetivo. E consequentemente menos passível de falhas que gerem prejuízos às
partes.
A aplicação das citadas garantias constitucionais, tornaria o inquérito policial mais
proporcional e razoável, resguardando o individuo contra excessos, propiciando que
este participe ativamente da construção do inquérito. Foi possível extrair ainda do
41
presente estudo que, a ausência da necessidade de confirmação das provas colhidas
no inquérito na fase processual tornaria, a futura ação penal extremamente mais célere.
A ausência dos princípios supramencionados na construção do inquérito policial gera
inúmeros prejuízos ao investigado, fazendo-se necessáriaa aplicação das garantias
constitucionais desde logo na investigação criminal, sendo esta essencial para a
formação de um processo penal garantidor.
Pelo exposto, chega-se à ideia de que, a adequação do processo penal em geral
principalmente o inquérito ao modelo constitucional, afastando-se a inquisitoriedade e
mais que necessária, fazendo cumprir a carta maior que já dispõe tal adequação.
Por uma questão de recorte metodológico, não se abordou mais aprofundadamente
acerca de diversos pontos de relevante importância para o tema como a
estigmatização do indiciado gerada pela ausência de garantias constitucionais efetivas
e pela morosidade do processo.
42
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https://www.institutoformula.com.br/direito-processual-penal-sistemas-processuais-
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	Detalhes da Jurisprudência, Processo 8832002 PR 883200-2 (Acórdão). Órgão Julgador 5ª Câmara Criminal. Julgamento 31 de Maio de 2012. Relator Marcus Vinicius de Lacerda Costa
	2 PRINCÍPIOS PROCESSUAIS PENAIS APLICÁVEIS
	2.1 Noções Básicas
	2.2. Contraditório
	2.3 Ampla Defesa
	2.4 Princípio do nemo tenetur se detegere
	2.5 Princípio da Proporcionalidade
	2.6 Princípio da Verdade Real
	3. INQUÉRITO POLICIAL
	3.1 Conceito
	3.2 Finalidade
	3.3 características centrais do inquérito policial
	3.3.1 Procedimento formalizado pela escrita
	3.3.3 Inquisitivo
	3.3.4 Oficioso
	3.4 Valoração do inquérito policial
	4. APLICABILIDADE DOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA
	4.1 Sistemas processuais Penais
	4.1.1 Sistema acusatório
	4.1.2 Sistema Inquisitivo
	4.1.3 Sistema misto
	4.2 Da inerência da processualização do inquérito policial à aplicação do contraditório e ampla defesa, tornando o inquérito de fato Constitucionalizado.
	5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
	REFERÊNCIAS
	Ausência do contraditório e ampla defesa no inquérito policial. Disponível em: https://jus.com.br/artigos/78281/ausencia-do-contraditorio-e-ampla-defesa-no-inquerito-policial. Acesso em: 20/05/2022.

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