Prévia do material em texto
Faculdade de Farmácia da UFMG - Departamento de Farmácia Social Farmacoepidemiologia Débora Almeida Silva - 2017075633 Estudo dirigido III 1) Sobre o medicamento Naproxeno, administrado por via oral com finalidade anti- inflamatória sistêmica, responda as questões abaixo: a) Qual as classificações ATC e DDD definidas pela Organização Mundial de Saúde (OMS)? M SISTEMA MÚSCULO-ESQUELÉTICO M01 PRODUTOS ANTIINFLAMATÓRIOS E ANTIRREUMÁTICOS M01A ANTIINFLAMATÓRIOS E ANTIRREUMÁTICOS, NÃO ESTERÓIDES M01AE Derivados de ácido propiônico M01AE02 NAPROXENO DDD: 0,5 g b) Considerando uma unidade hospitalar especializada em ortopedia com 200 leitos com taxa de ocupação de 95%, calcule a DDD/100 leitos/dia, para o período de 60 dias cujo consumo (segundos dados da dispensação do serviço de Farmácia do hospital) foi de 700 comprimidos (sendo 400 de 500mg e 300 de 250mg). Número de DDD= (1 x 400 x 0,5/ 0,5) = 400 + (1 x 300 x 0,25/0,5) = 150 = 550 N° DDDs/100 leitos/dia = 550 x 100 / 200 x 0,95 x 60 = 4,82 ou 5 c) Em um município de 15000 habitantes no interior do Estado de Minas Gerias, em 2019, foram comercializados um total de 3000 caixas de Naproxeno (sendo que 1000 foram da apresentação de 500mg com 30 comprimidos, 1000 de 250mg com 30 comprimidos, 500 de 275mg com 20 comprimidos e 500 de 550mg com 10 comprimidos). Calcule a DDD/1000 habitantes/dia. Número de DDD= (1000 x 30 x 0,5/ 0,5) = 30.000 + (1000 x 30 x 0,25/0,5) = 15.000 + (500 x 20 x 0,257/0,5)= 5.500 + (500 x 10 x 0,55/0,5)= 5.500 = 56.000 N° DDD/1000 habitantes/dia = 56.000 x 1000/15000 x 365 = 10,22 ou 10 2) Considere os conceitos e definições em farmacovigilância, e correlacione as colunas a seguir: (A) Intoxicação por Medicamento (B) Efeito colateral (C) Efeito Adverso ao medicamento ou Evento Adverso ao Medicamento (D) Qualquer dano ocorrido durante a farmacoterapia do paciente que pode apresentar-se durante o tratamento com um medicamento, mas que não necessariamente tem relação de causalidade com tal tratamento. (A) Representa uma exacerbação dos efeitos terapêuticos, relacionado à dose empregada. (E) É qualquer resposta prejudicial ou indesejável, não intencional, a um medicamento, que ocorre nas https://www.whocc.no/atc_ddd_index/?code=M&showdescription=no https://www.whocc.no/atc_ddd_index/?code=M01&showdescription=no https://www.whocc.no/atc_ddd_index/?code=M01A&showdescription=no https://www.whocc.no/atc_ddd_index/?code=M01AE&showdescription=no (D) Evento Adverso (E) Reação Adversa à Medicamento (RAM) (F) Erro de Medicação (G) Queixa Técnica e/ou Desvio de Qualidade doses usualmente empregadas no homem para profilaxia, diagnóstico, terapia da doença ou para a modificação de funções fisiológicas. (F) É qualquer evento evitável que, de fato ou potencialmente, pode levar ao uso inadequado de medicamento, e que pode ou não causar um dano ao paciente. (C) É qualquer dano causado pelo uso de um ou mais medicamentos com finalidade terapêutica, abrangendo, por exemplo, reações adversas aos medicamentos, erros de medicação, e todos os efeitos indesejáveis, sem considerar os mecanismos. (B) Relacionado a uma propriedade farmacológica, podendo ocorrer por mecanismos diversos, dependentes ou independentes da dose. (G) As suspeitas de irregularidade sanitária, seja por afastamento dos parâmetros de qualidade de um produto, exigidos no processo de registro da Anvisa, ou por outras práticas ilegais, tais como empresas clandestinas, produtos falsificados ou sem registro, venda de medicamentos a empresas sem autorização de funcionamento. 3) Considere o seguinte caso clínico: Sr. Fernando, 79 anos, com histórico de câncer de próstata (diagnosticado há 10 anos), hipertensão arterial (diagnosticado há 20 anos) e dislipidemia (diagnosticado há quase 2 meses). Foi internado no hospital no dia 25/04 apresentando desorientação há 3 dias com piora progressiva, e há 1 semana já havia parado de deambular. Internado para a investigação da desorientação. Foi informado pela família que ele fazia uso dos seguintes medicamentos: Pravastatina 20mg 1x/dia antes de dormir (há 2 meses), Atenolol 50mg 1x/dia pela manhã (há 8 anos), Diltiazem 60mg 1x/dia à tarde (há 3 semanas), e Ciproterona 50mg 2x/dia após almoço e jantar. Relataram que o paciente não se adaptou à Pravastatina, e que no último mês ela foi substituída por Sinvastatina 20mg 2 comprimidos antes de dormir. No dia da internação o exame laboratorial de CK = 4027 U/L, muito acima dos níveis normais. Os familiares informaram que pelo menos há 3 semanas o Sr. Fernando já se queixava de fraqueza e dor nas pernas. No dia 27/04 foi suspensa a Sinvastatina, e o dia 30/04 a CK = 1239 U/L. a) A farmacêutica clínica que está acompanhando o caso do Sr. Fernando, identificou que a internação esteve intimamente relacionada ao uso de um medicamento. Qual é esse medicamento e como tal situação pode ser entendida/definida? Justifique sua resposta utilizando informações pesquisadas e citando referências. O medicamento que está possivelmente associado com a internação do Sr. Fernando, é a Sinvastatina, pois como foi relatado ela foi iniciada mais próxima ao momento da internação e se teve um aumento expressivo da CK, e quando ela foi suspensa se observou uma redução na CK em poucos dias. Sendo assim, se teve uma reação adversa ao medicamento pois foi um dano causado nas doses habituais, e segundo a bula “A sinvastatina, a exemplo de outros inibidores da HMG-CoA redutase, ocasionalmente causa miopatia que se manifesta como dor, dolorimento ou fraqueza muscular associada a aumentos de creatinina quinase (CK) > 10 vezes o limite superior da normalidade.” A dosagem da creatinoquinase é um marcador sensível, mas inespecífico de lesão muscular, principalmente nas patologias que envolvem lesões das células do tecidomuscular esquelético e cardíaco. O valor de referência para homens é de no máximo 190 U/L. Além disso, segundo a bula desse medicamento, pacientes em tratamento concomitante com diltiazem e sinvastatina na dose de 80 mg apresentaram pequeno aumento do risco de miopatia/rabdomiólise . E o diltiazem aumenta a concentração sérica de sinvastatina, que mesmo em doses adequadas de sinvastatina, com a interação medicamentosa se tem um aumento dessa concentração sérica e gera a reação adversa observada. b) Classifique, justificando, a situação descrita no item anterior quanto: b.1 Expectativa: esperada ou inesperada Esperada, uma vez que essa Reação Adversa ao Medicamento é documentada na bula do medicamento. b.2 Tipo A ou Tipo B Tipo B, pois o aumento da CK acima do limite de normalidade e o risco de miopatia/ rabdomiólise não é o efeito terapêutico esperado no uso da sinvastatina , por isso é um efeito bizarro b.3 Gravidade Grave, pois a miopatia é um evento clinicamente significante, o qual necessita intervenção médica, a fim de se evitar óbito, risco à vida, incapacidade significativa ou hospitalização. Além de ser uma reação que ameaça diretamente a vida do usuário, provoca hospitalização e pode causar sequelas permanentes. b.4 Frequência Raro. Segundo a bula da sinvastatina do fabricante Novartis “Investigações: Raro: aumentos de transaminases séricas, níveis elevados de fosfatase alcalina; aumento dos níveis séricos de CK”. c) Existe um procedimento a ser adotado por parte dos profissionais de saúde, relacionado ao “registro” do evento descrito no item anterior. Contudo, a farmacêutica está se sentindo insegura e até com receio/medo de realizar. Que procedimento é este? Ele é obrigatório ou facultativo? Use argumentos para justificar as suas respostas. Deve-se realizar uma notificação de eventos adversos a medicamentos para Anvisa, por meio do site VigiMed. Sendo um procedimento obrigatório, pois segundo o Art. 13 da Lei 13021/2014: Obriga-se o farmacêutico, no exercício de suas atividades, a: I - notificar os profissionaisde saúde e os órgãos sanitários competentes, bem como o laboratório industrial, dos efeitos colaterais, das reações adversas, das intoxicações, voluntárias ou não, e da farmacodependência observados e registrados na prática da farmacovigilância. A notificação deve ser realizar pois além de ser um procedimento obrigatório determinado pela legislação, e por se tratar de um reação adversa, principalmente por grave, por gerar internação a sua notificação é de extrema importância. Além de que, a notificação gera sinais no âmbito da farmacovigilância, podendo estabelecer intervenções para que evite que esse evento adverso ocorra. d) Considerando os dados disponíveis, a farmacêutica entende que é indispensável que ela aplique o Algoritmo Naranjo para poder proceder tal registro. Ela está correta? Por quê? Não é indispensável que ela aplique o algoritmo Naranjo, pois que irá avaliar causalidade será os técnicos da Anvisa. Dessa forma, basta a suspeita de que há relação de causalidade para que seja a feita a notificação. e) Aplique, considerando as informações disponíveis no caso, o algoritmo Naranjo, interpretando-o. 1 – Sim (+1) 2 - Sim (+2) 3 – Sim (+1) 4 – Desconhecido (0) 5 – Não (+2) 6 – Desconhecido (0) 7 – Desconhecido (0) 8 – Desconhecido (0) 9 – Desconhecido (0) 10 - Sim (+1) Total = 7 , sendo uma provável causa 4) Em relação às diferentes avaliações farmacoeconômicas, complete a tabela abaixo: Tipo de Estudo Medida dos custos Medida dos resultados Quando é utilizada? Custo-minimização Monetário - Quando duas ou mais intervenções em saúde apresentam os mesmos resultados. Custo-utilidade Monetário Qualidade de vida Quando se deseja além de aplicar resultado de desfecho clinico, deseja pensar quanto individuo vivem há mais com qualidade de vida Custo-benefício Monetário Monetário Realizada para determinar a aplicabilidade de uma opção terapêutica em termos de suas vantagens ou desvantagens econômicas; nessa análise avaliam se os custos e as consequências, em valores monetários. Sua aplicação torna possível identificar a opção de tratamento que permite reduzir custos ou aumentar lucros. Custo-efetividade Monetário Desfechos clínicos Para identificar entre as tecnologias comparadas, àquela que pode produzir o máximo de efetividade, com menor custo. 5) Sobre o estudo farmacoeconômico “Volume da gota dos colírios lubrificantes: estudo farmacoeconômico”, de Costa e colaboradores, publicado na Revista Brasileira de Oftalmologia em. 2015, disponível em http://www.scielo.br/pdf/rbof/v74n6/0034-7280-rbof-74-06- 0339.pdf, responda as perguntas abaixo: a) Baseado nos 4 tipos de estudos farmacoeconômicos estudados em sala, classifique o tipo de estudo do artigo mencionado, justificando. Custo-minimização, pois o artigo tem como objetivo determinar o volume médio das gotas produzidas pelos frascos de colírios lubrificantes disponíveis no mercado brasileiro quando invertidos a 90º e inclinados a 45º, e determinar o custo médio do tratamento, sendo assim é realizado apenas comparação de custo do volume gastos pelo paciente. b) Qual ou quais tipo(s) de custo(s) foi(ram) considerados no estudo sob avaliação? A partir da posologia de uma gota aplicada em cada olho quatro vezes ao dia, no total de 8 gotas por dia levando em consideração o ângulo aplicado, foi calculado o custo médio da gota, o custo mensal e anual do tratamento de acordo com os valores de preço fábrica (PF), que consiste no teto de preço pelo qual um laboratório ou distribuidor de medicamentos pode comercializar seu produto no mercado brasileiro. Desta maneira, PF vem a ser o preço máximo permitido para vendas de medicamentos destinados a farmácias, drogarias e a entes da Administração Pública. Os valores dos medicamentos analisados está em reais, com ICMS de 18% (valor referente ao estado de São Paulo) e foram obtidos na Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) com atualização de 19 de julho de 2013. c) Qual é a perspectiva desse estudo? Justifique. A perspectiva do estudo é individual, visando o custo médio do tratamento com colírios para pacientes, levando em consideração o volume médio das gotas produzidas pelos frascos de colírios lubrificantes disponíveis no mercado brasileiro. Mesmo que não tenha usado Preço Máximo ao Consumidor, dando a justificativa alguns dos colírios possuem o status de produto liberado, mas mesmo assim possível assumir que é uma perspectiva individual. d) Descreva um outro tipo de estudo farmacoeconômico, diferente do apresentado por Costa e colaboradores. Sobre este outro tipo de estudo, apresente uma vantagem e uma desvantagem frente ao tipo de estudo desenvolvido pelo artigo. O custo-benefício é realizada para determinar a aplicabilidade de uma opção terapêutica em termos de suas vantagens ou desvantagens econômicas; nessa análise avaliam se os custos e as consequências, em valores monetários. E como vantagem em comparação ao custo http://www.scielo.br/pdf/rbof/v74n6/0034-7280-rbof-74-06-0339.pdf http://www.scielo.br/pdf/rbof/v74n6/0034-7280-rbof-74-06-0339.pdf minimização, seria a possibilidade de se ter uma medida de resultado e no caso de custo- benefício, diferentes resultados encontrados podem ser comparados. Porém, existe uma dificuldade em estabelecer valores para unidades de saúde. 6) Considere a existência de tipos de antibiótico terapias (A e B) para tratamento de um tipo específico de pneumonia em crianças. A partir das informações da tabela abaixo, complete as informações “X”, “Y” e “Z”, e interprete o ICER (Razão de Custo-Efetividade Incremental) encontrado. Apresente os cálculos. Tratamento A Tratamento B Custo total (R$) 325,00 450,00 Efetividade (cura) 87% 91% Custo-efetividade médio (R$/cura) X Y ICER - Z X = 325/0,87 = 373,56 reais/cura Y = 450/0,91 = 494,50 reais/cura ICER = 325 – 450/ 0,87 – 0,91 = 3125 reais, dessa forma é necessário gastar 3125 reais a mais para cada cura adicional de pneumonia em crianças, caso queira realizar a troca do tratamento A pelo B.