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T005
DEPRECIAÇÃO, AMORTIZAÇÃO E EXAUSTÃO
Prof. Gabriela de Bem Fonseca
Nesta unidade temática, você vai aprender
• Conceitos, área de aplicação e métodos de depreciação para ativos imobilizados;
• Conceitos e utilização da exaustão, para recursos naturais;
• Conceitos e utilização de amortização para ativos intangíveis.
No capítulo anterior, tratamos sobre os controles que permeiam o ativo imobilizado de uma empresa e seu teste de
recuperabilidade, mas não falamos sobre o desgaste desse ativo, que se chama depreciação e que, juntamente com o desgaste de
ativos biológicos, chamado de exaustão, e o desgaste de ativos intangíveis, que se chama-se de amortização, será o tema deste
capítulo.
Todos esses ativos, quando adquiridos, carregam consigo uma expectativa de geração futura de benefícios econômicos para a
empresa, mas para tais benefícios ocorrerem o uso desse ativo é condição fundamental. Então, como ciência que estuda o
patrimônio, cabe à contabilidade o fato de registrar esses desgastes.
São essas bases a que vamos nos ater neste capítulo, que são referenciais na vida de qualquer empreendedor e que, dependendo
da atividade da entidade, são pontos de atenção na elaboração das demonstrações contábeis.
Bons estudos.
Depreciação, Amortização e Exaustão
O que tem em comum entre depreciação, amortização ou exaustão é que são métricas de perda de valor de diferentes ativos
durante um determinado tempo que ele vai ser utilizado pela empresa antes de precisar ser descartado e substituído por um
novo. Vamos estudá-los separadamente, pois, como já foi dito, eles se aplicam a classes diferentes de ativos.
A depreciação prevista no art. 183, § 2, da Lei 6.404/76, e posteriormente no Pronunciamento Contábil 27 do Comitê de
Pronunciamento Contábeis, pode ser definida como a diminuição parcelada de valor que sofrem os bens registrados no ativo
imobilizado de uma empresa, em decorrência do desgaste pelo uso, da ação da natureza e da obsolescência. Contabilmente, é
possível considerar o registro da depreciação, despesa ou custo do período da parcela do valor de desgaste dos bens de uso da
empresa.
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Vamos analisar as causas dessa perda de valor dos bens do ativo imobilizado:
• Desgaste pelo Uso: o ativo imobilizado adquiridos para uso, uma vez que entrou em operação, com o decorrer do tempo
sofre desgaste, diminuindo sua capacidade de produção;
• Ação do Tempo: os bens, quando são expostos à ação do tempo e a rigores de variações atmosféricas sofrem desgaste,
diminuem sua capacidade de produção;
• Obsolescência: com a evolução tecnológica, os bens tornam-se ultrapassados, antiquados e caem em desuso, dando
lugar a bens mais modernos, com capacidade produtiva maior.
A depreciação é uma taxa que é aplicada sobre o valor de custo reconhecido no ativo imobilizado. Antes da criação do CPC, que
regulamentava tais taxas, era a Receita Federal do Brasil, através da instrução normativa SRF nº 162, que previa uma extensa
relação de bens, com os respectivos prazos normais de vida útil e taxas anuais de depreciação admitidas. Entretanto, com a
adoção das normas emitidas pelo CPC, as empresas, para fins de divulgação das demonstrações societárias, ficaram dispensadas
de seguir os percentuais estabelecidos para fins de apuração do imposto de renda e passaram a poder utilizar os próprios
percentuais.
A seguir, algumas das taxas referenciais emitidas pela Receita Federal.
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Para fins contábeis, recomenda-se fazer uma análise criteriosa entre os critérios fiscais e contábeis, e um estudo sobre qual
perspectiva reflete melhor o desgaste dos bens da empresa que formam seu Imobilizado e estimar sua vida útil econômica e seu
valor residual, considerando características técnicas, condições gerais de uso e outros fatores que podem influenciar em sua vida
útil.
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E é aqui que chegamos a um ponto central entre a norma do CPC e a norma fiscal, a estimativa
que a empresa tem que fazer de alguns pontos como vida útil econômica, valor residual e o
valor depreciável, vamos analisar os conceitos:
• Vida Útil Econômica: período de tempo durante o qual a entidade espera utilizar um ativo. Dependendo do tipo do
ativo, pode ser também o número de unidades de produção esperadas pela produção do ativo.
• Valor Depreciável: custo de um ativo menos o seu valor residual.
• Valor Residual: valor estimado que a entidade obteria com a venda do ativo, após deduzir as despesas com vendas e no
final de sua vida útil.
Na normativa da Receita Federal não era necessário estimar todas essas variáveis que estavam já genericamente resumidas na
tabela. Resumidamente, a questão principal é determinar com propriedade o tempo de vida útil, pois existem máquinas que
duram mais de 10 anos dependendo das condições de uso e outras duram menos. Como a depreciação é um ponto importante,
acaba-se sempre impactando no resultado.
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Para determinar a vida útil de um bem, podemos refletir sobre as seguintes questões:
1. Uso esperado, capacidade produtiva e necessidade produtiva;
2. Desgaste físico;
3. Tempo de troca e o impacto sobre a obsolescência;
4. Eventuais limites legais e contratuais.
Existem vários métodos que uma empresa pode escolher para realizar a depreciação de seus ativos imobilizados e tal escolha
deve ser fruto de uma reflexão que leve em consideração pelo menos os benefícios esperados de seu ativo imobilizado, sua
maturidade gerencial. Importa destacar que a entidade pode revisitar o método escolhido, pelo menos com a frequência de um
exercício para que exista consistência em suas políticas contábeis.
Método de Quotas Constantes (ou Linear)
É o método mais utilizado no Brasil que contabiliza como despesa ou custo uma parcela constante do valor do bem em cada
período. Vamos criar um exemplo: a empresa ADP comprou, no início de janeiro, um veículo para uso dos gerentes e estimou
sua vida útil em 5 anos. O valor pelo qual o veículo foi adquirido foi de R$ 30.000,00 e o valor residual foi estimado em R$
3.000,00.
O valor anual da depreciação será:
($ 30.000,00 - $ 3.000,00): 5 = $ 5.400,00 por ano.
Para calcularmos o valor da depreciação mensal, para efeito de apuração de resultados mensais, basta dividir o valor da
depreciação anual por 12:
R$ 5.400,00: 12 = R$ 450,00 por mês.
A contabilização do valor da depreciação mensal será efetuada da seguinte forma, mensalmente
Débito – Despesa de Depreciação…………………………...R$ 450,00
Crédito – Depreciação Acumulada…………………………...R$ 450,00
Método da Soma dos Dígitos
Este método consiste em somar os algarismos desde a unidade até o algarismo que representa o número de anos da vida útil do
bem. No exemplo do item anterior, considerando o valor residual, teríamos:
1 + 2 + 3 + 4 + 5 = 15
Quota do 1º Ano = 5/15 x R$ 27.000,00 = R$ 9.000,00
Quota do 2º Ano = 4/15 x R$ 27.000,00 = R$ 7.200,00
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Quota do 3º Ano = 3/15 x R$ 27.000,00 = R$ 5.400,00
Quota do 4º Ano = 2/15 x R$ 27.000,00 = R$ 3.600,00
Quota do 5º Ano = 1/15 x R$ 27.000,00 = R$ 1.800,00
soma = $ 27.000
Nesse método, o valor mensal da depreciação:
No primeiro ano, seria de R$ 9.000,00: 12 = R $750,00.
No segundo ano, seria de R$ 7.200,00: 12 = R $600,00.
No terceiro ano, seria de R$ 5.400,00: 12 = R$ 450,00
No quarto ano, seria de R$ 3.600,00: 12 = R$ 300,00
Noquinto ano, seria de R $1.800,00:12 = R $150,00.
Método de Unidades Produzidas / Horas de Trabalho
Este método é baseado em estimativa do número total de unidades que devem ser produzidas pelo bem a ser depreciado, e a
quota anual de depreciação é expressa pela seguinte fórmula: número de unidades produzidas no período / número de unidades
estimadas a serem produzidas ao longo da vida útil. O resultado é um percentual aplicado ao valor do bem, o mesmo raciocínio
também é válido para horas de trabalho só que a proporção é entre horas de trabalho no mês / capacidade de horas de trabalho,
os lançamentos contábeis são os mesmos o que muda é a forma de cálculo.
A exaustão é o reconhecimento como custo ou despesa, em cada período de apuração, da importância correspondente à
diminuição do valor dos recursos de ativos biológicos como florestas, minerais e outros recursos naturais esgotáveis ou de
exaurimento determinado, resultantes da exploração dos mesmos.
Para calcular a taxa de exaustão utiliza-se para fins contábeis as unidades produzidas (extraídas) e de acordo com esse método,
deve-se estabelecer a porcentagem extraída. Vamos tomar como exemplo aqui o de minério extraído no período em relação à
posse de determinada mina. Tal percentual é aplicado sobre o custo de aquisição ou prospecção dos recursos minerais
explorados.
Para exemplificar, vamos supor que determinada empresa extratora de minério tenha adquirido uma jazida no valor de R
$50.000,00 e que a exaustão acumulada até o presente momento é de R $15.000,00. Tal jazida tem capacidade de extração de
100.000 toneladas de minério e a extração no período atual foi de 10.000 toneladas, gerando uma receita de R$ 60.000,00.
Para cálculo da exaustão divide-se 10.000 toneladas por 100.000, o que gera um percentual de 10%, e aplica-se sobre o valor de
custo da mina que resulta de R$ 5.000,00.
Deve-se ressaltar que em alguns casos específicos há vantagens tributárias sobre algumas exaustões, cabendo estudos mais
aprofundados, sobre casos pontuais.
Amortização é a recuperação contábil do capital aplicado na aquisição de direitos cuja existência ou exercício tenha duração
limitada ou de bens cuja utilização pelo contribuinte tenha o prazo legal ou contratualmente limitado, tais como o intangível e a
recuperação desse capital aplicado se dá pela baixa do valor aplicado contra resultado.
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Para que um ativo seja passível de amortização ele deve atender as seguintes características:
I. Ter seu prazo de duração limitado;
II. Inexistência de indenização.
A amortização é válida se o limitante da vida útil for o tempo, diferentemente da depreciação, que é pelo uso, tempo e
obsolescência.
Para explicar melhor, como exemplo: se alugarmos um imóvel e fizermos benfeitorias nele, só podemos utilizar a amortização se
o contrato de locação for por prazo determinado e não houver direito à indenização das benfeitorias edificadas. Nesse caso, se o
contrato for feito por tempo indeterminado, utilizaremos a depreciação, mas se o contrato prever o ressarcimento do valor das
benfeitorias não há nem amortização e nem depreciação.
Podemos citar como exemplo os seguintes bens que se sujeitam à amortização:
• Patentes de invenção, fórmulas e processos de fabricação, direitos autorais, licenças, autorizações ou concessões;
• Custo de aquisição, prorrogação ou modificação de contratos e direitos de qualquer natureza, inclusive de exploração de
fundos de comércio;
• Custos de construções ou benfeitorias em bens locados ou arrendados, ou em bens de terceiros, quando não houver direito
ao recebimento de seu valor;
• Os demais direitos classificados no ativo intangível.
Para definição, a taxa de amortização é a simples divisão do valor do custo pelo prazo da vida útil.
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BRASIL. Lei 11.638/2007. Altera e revoga dispositivos da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e da Lei no 6.385, de 7 de
dezembro de 1976, e estende às sociedades de grande porte disposições relativas à elaboração e divulgação de demonstrações
financeiras. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/lei/l11638.htm. Acesso em: 01 dez.
2020.
COMITÊ de Pronunciamentos Contábeis. Pronunciamento Técnico CPC 27. Ativo Imobilizado. Disponível em:
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<http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/316_CPC_27_rev%2014.pdf>. Acesso em: 01 dez. 2020.
IUDÍCIBUS, Sérgio de, et al. Contabilidade Introdutória. 12. ed. São Paulo: Atlas 2019.
RIBEIRO, Osni de Moura. Noções de Contabilidade. Vol. 1. Série Fundamentos de Contabilidade. São Paulo: Saraiva, 2019.
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VICECONTI, Paulo Eduardo Vilchez. Contabilidade Básica. 4. ed. Revista e Atualizada. São Paulo: Saraiva, 2018.
Coordenação e Revisão Pedagógica: Claudiane Ramos Furtado
Design Instrucional: Gabriela Rossa
Diagramação: Marcelo Ferreira
Ilustrações: Marcelo Germano e Lucas Dias
Revisão ortográfica: Ane Arduim
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