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CONTABILIDADE GERAL 
AULA 2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Alison Martins Meurer 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Nesta aula, vamos aprender importantes temas relacionados à 
contabilidade, como os tipos de investimentos, elementos do ativo imobilizado, 
depreciação e exaustão, aspectos do ativo intangível, amortização e teste de 
recuperabilidade (teste de impairment). 
Vamos continuar nossos estudos nos aventurando nos exemplos da 
Petter Pão S. A. com o auxílio de fluxogramas e informações adicionais que você 
poderá consultar na seção “Saiba mais” para a fixação do conteúdo e para 
auxiliá-lo a esclarecer os conceitos abordados no decorrer deste material. 
Procuraremos, na medida do possível, abordar esses conteúdos técnicos de 
uma maneira mais fluída e leve. 
CONTEXTUALIZANDO 
As empresas podem se organizar de diferentes formas. Por exemplo, uma 
empresa pode controlar ou participar do quadro societário de outra organização 
a fim de obter vantagens desse relacionamento que vão além de recursos 
originados pela valorização dessa participação ou pelo recebimento da parcela 
de lucros. Para isso, algumas tratativas contábeis específicas devem ser 
realizadas nesses investimentos, tanto para identificar o tipo de investimento que 
está sendo analisado quanto para contabilizar esses valores. 
Ademais, as empresas também alocam recursos em ativos utilizados de 
forma permanente em suas atividades operacionais ou administrativas. Este é o 
caso dos ativos imobilizados e ativos intangíveis. No decorrer do material, vou 
lhe mostrar como reconhecer e mensurar esses elementos nos demonstrativos 
contábeis. Por fim, vamos finalizar esta etapa de estudos abordando os testes 
de recuperabilidade com um enfoque específico para os ativos imobilizados e 
ativos intangíveis. 
TEMA 1 – INVESTIMENTOS 
1.1 Conceito 
O conceito de investimento é intuitivo e de forma cotidiana pode ser 
definido como a aplicação de algum recurso com o intuito de obter algo em troca. 
Por exemplo, neste exato momento você está investindo o seu tempo realizando 
 
 
3 
a leitura deste texto com o intuito de obter conhecimento e possíveis benefícios 
que esse conhecimento possa gerar. 
Logo, você pode estar se questionando: se todos os ativos são recursos 
econômicos e, por sua vez, um recurso econômico é um direito que tem o 
potencial de produzir benefícios econômicos, então todo o ativo é um 
investimento? A sua linha de raciocínio não estaria errada, entretanto, em termos 
contábeis, o conceito de investimento é um pouco mais restrito. Na contabilidade, 
dentro do grupo do ativo não circulante, temos um subgrupo denominado de 
investimentos e para um ativo ser reconhecido (lançado) nesse grupo algumas 
condições devem ser alcançadas. 
Basicamente temos que observar a Lei n. 6.404 de 1976, chamada 
carinhosamente de Lei das Sociedades Anônimas, que em seu art. 179 define 
que no subgrupo de investimentos são registradas as “participações 
permanentes em outras sociedades e direitos de qualquer natureza, não 
classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem a manutenção da 
atividade da companhia ou empresa” (Brasil, 1979). Como a nossa conversa está 
ficando bem técnica, que tal analisarmos separadamente cada elemento desse 
conceito com base na Figura 1? 
Figura 1 – Valores reconhecidos no grupo de investimentos 
 
Observando a Figura 1, é possível perceber que os investimentos são 
participações em outras empresas de caráter duradouro, ou seja, em que não há 
uma expectativa de realizar a venda dessa participação no curto prazo. Mas isso 
significa que a empresa não possa vender essa participação? De forma alguma, 
 
 
4 
pois isso pode ocorrer, mas o que estamos analisando é: se nesse momento, a 
intenção da empresa é manter tais participações a longo prazo, então estamos 
diante de um investimento. Se a empresa colocar essa participação para a 
venda, então os valores serão transferidos do grupo de investimentos (ativo não 
circulante) para o grupo de ativo não circulante mantido para venda (classificado 
no grupo ativo circulante) e seguirá as premissas do CPC 31 (Ativo Não 
Circulante Mantido para Venda e Operação Descontinuada) (CPC, 2009c). 
Também temos nos investimentos as propriedades para investimentos e 
demais investimentos permanentes. As propriedades para investimentos são 
imóveis que não são utilizados nas atividades usuais da empresa e que estão 
sob o seu controle com o objetivo de obter ganhos pela sua valorização, 
recebimento de aluguéis ou ambas as formas. Da mesma forma, os demais 
investimentos permanentes que não são utilizados nas atividades da empresa e 
que são mantidos com o objetivo de obter ganhos pela valorização também 
devem ser reconhecidos neste grupo. Veremos adiante maior detalhamento de 
cada grupo. 
1.2 Investimentos em outras sociedades 
Os investimentos em outras sociedades podem ser avaliados e 
reconhecidos pelo custo de aquisição a valor justo ou pelo método de 
equivalência patrimonial (MEP) (Salotti et al., 2019), sendo que ao longo do curso 
teremos uma disciplina específica que trata dessa temática. No contexto de 
investimentos em outras sociedades, o valor justo se refere ao valor pago (custo) 
para adquirir determinada quota, ação ou qualquer outro título de que dê ao 
investidor uma participação no patrimônio da investida. No momento da 
aquisição, o valor justo e o custo de aquisição são equivalentes, pois o valor 
pago (valor justo) pela participação em uma sociedade é o próprio custo de sua 
aquisição. Entretanto, se a empresa avaliar o investimento pelo valor justo, a 
variação do valor da participação societária subsequente à data de aquisição 
deverá ser reconhecida na contabilidade. 
Vamos analisar um exemplo de investimento avaliado a valor justo. 
Imagine no Cenário 1 que a Petter Pão S. A. decidiu adquirir em 31/01/20X0, 
como forma de investimento permanente, o percentual de 10% das ações da 
TemPÃO S. A. pelo valor de R$ 1.200.000. Nesse caso, o valor justo da 
operação será R$ 1.200.000 e, posteriormente, conforme o valor de mercado 
 
 
5 
das ações da TemPÃO S. A. se alterar ao longo do tempo, então a Petter Pão 
realizará os ajustes desses valores na contabilidade seguindo os preceitos do 
CPC 48 – Instrumentos Financeiros (CPC, 2016). 
Vamos visualizar a contabilização desse exemplo iniciando pelo 
lançamento de aquisição das ações. 
1 - Na aquisição do título – 31/01/20X0 
D – Investimento da TemPÃO S. A. (ativo não circulante – Investimento). R$ 1.200.000 
C - Banco (ativo circulante) R$ 1.200.000 
Suponha que ao final do mês de fevereiro de 20X0, as ações da TemPÃO 
S. A., que foram adquiridas pela Petter Pão S. A. como uma forma de 
investimento permanente, sem o objetivo de ganho com a valorização dos títulos, 
tenham um valor de mercado na bolsa de valores de R$ 1.300.000, ou seja, 
houve uma valorização de R$ 100.000 (R$ 1.300.000 – R$ 1.200.000), então o 
seguinte lançamento contábil será realizado: 
2 – Pela valorização do título – 28/02/20X0 
D – Ajuste a valor justo - Investimento na TemPÃO S. A. (ativo não circulante – Investimento) 
 R$ 100.000 
C – Receita com ajuste a valor justo (resultado) R$ 100.000 
Tabela 1 – Razonetes 
 
Legenda: si representa o saldo inicial da conta. 
Como o investimento da Petter Pão S. A. (investidora) no Cenário 1 é 
avaliado a valor justo, então a oscilação do valor de mercado da TemPÃO S. A. 
é reconhecida no resultado da investidora como uma receita, no caso de 
valorização, ou como uma despesa, no caso de desvalorização das ações. 
Saiba mais 
Normalmente quando uma empresa possui uma ação ou quota de outra 
organização e não exerce influência significante ou controle sobre a investida, 
tais ações são classificadas no ativo não circulante no grupo de realizável a longo 
prazo, poisdificilmente a investidora possui a intenção de manter esses títulos 
de forma permanente, ou seja, seu objetivo comumente está vinculado ao ganho 
pela valorização do título ou pelo recebimento de dividendos, e não pelo 
 
 
6 
relacionamento estabelecido com a investida. Por isso, não é tão comum 
encontrar participações em outras sociedades de forma permanente avaliados a 
valor justo no grupo de investimentos. 
Outro ponto importante, quando não for possível determinar o valor justo, 
é que o título patrimonial ficará reconhecido na contabilidade pelo custo de sua 
aquisição. 
Agora, imagine que, no Cenário 2, a Petter Pão S. A. tivesse que avaliar 
o investimento na TemPÃO S. A. pelo método de equivalência patrimonial 
(MEP). Então na aquisição das ações, a Petter Pão S. A. reconheceria R$ 
1.200.000 e, conforme o patrimônio líquido da TemPÃO S. A. oscilasse, a Petter 
Pão S. A. faria os ajustes para refletir as alterações do patrimônio líquido da 
TemPÃO S. A. na conta de investimento do seu balanço patrimonial. A título de 
simplificação, vamos supor que o valor das ações da TemPÃO S. A. na época 
da aquisição era igual ao valor contábil do seu patrimônio líquido, ou seja, a 
empresa possuía um PL de R$ 12.000.000, sendo que 10% (R$ 1.200.000) 
foram adquiridos pela Petter Pão S. A., não sendo reconhecido nenhum valor 
referente a goodwill ou a mais-valia na operação. A Figura 2 representa essa 
operação. 
Figura 2 – Cenário 2: investimento avaliado pelo MEP (aquisição) 
 
Portanto, na aquisição dos títulos patrimoniais (ações), teríamos o 
seguinte reconhecimento: 
1. Na aquisição do título – 31/01/20X0 
D – Investimento da TemPÃO S. A. (ativo não circulante – investimento) R$ 1.200.000 
C - Banco (ativo circulante) R$ 1.200.000 
Em 28/02/20X0, a TemPÃO S. A. realizou o encerramento de seu balanço 
patrimonial e apurou um lucro de R$ 200.000 que foi transferido para o PL. Logo, 
 
 
7 
o seu patrimônio líquido passou a ser de R$ 12.200.000 (R$ 12.000.000 valor 
anterior somado ao lucro do período de R$ 200.000). Então, a Petter Pão S. A. 
deverá ajustar a conta de investimento na TemPÃO S. A. pelo MEP a fim de 
refletir no seu balanço patrimonial as modificações ocorridas no PL da investida. 
Na Figura 3, é apresentada a modificação do PL da TemPÃO S. A. 
Figura 3 – Cenário 2: investimento avaliado pelo MEP (ajuste pelo MEP) 
 
Os R$ 20.000 de resultado com equivalência patrimonial (REP) a ser 
lançado na conta de investimento na TemPÃO S. A. é justamente a diferença 
entre o valor atual da proporção do PL da investida subtraído do valor já 
reconhecido no balanço patrimonial da Petter Pão S. A. Logo, se antes os 10% 
valiam R$ 1.200.000 (R$ 12.000.000 do PL x 10% de participação) e agora valem 
R$ 1.220.000 (R$ 12.200.000), então caberá à Petter Pão S. A. fazer um 
lançamento de ajuste de R$ 20.000 para refletir essa alteração, conforme 
apresentado a seguir: 
2. Pela alteração do Patrimônio Líquido da TemPÃO – Aplicação do MEP – 
28/02/20X0 
 
D – Investimento da TemPÃO S. A. (ativo não circulante – investimento) R$ 20.000 
C – Resultado de equivalência patrimonial – REP (resultado) R$ 20.000 
Tabela 2 – Razonetes 
 
Legenda: si representa o saldo inicial da conta. 
 
 
8 
Note que, após o reconhecimento da receita de R$ 20.000 apurado pelo 
MEP, o valor do investimento reconhecido no balanço da Petter Pão S. A. 
equivale a exatamente a 10% do valor do PL da TemPÃO S. A. Portanto, em 
resumo, o MEP busca equivaler o valor reconhecido na conta de investimento 
da investidora com o valor do patrimônio líquido da investida. 
Bem, agora você já sabe que há participações em outras sociedades 
avaliadas pelo valor justo (ou custo, quando não for possível mensurar o valor 
justo) e pelo método de equivalência patrimonial (MEP). Mas, como identificar 
qual método a ser utilizado? Vamos tratar disso a partir de agora! 
Inicialmente, é necessário compreender o tipo de relacionamento 
existente entre a investidora e a investida. Esse relacionamento é classificado 
com base na influência significativa ou no controle que a investidora exerce sobre 
a investida, podendo ser 
1. pouca ou nenhuma influência; 
2. influência significativa; 
3. controle em conjunto com outra sociedade; ou 
4. controle. 
Vamos continuar com o caso da compra de 10% da TemPÃO S. A. 
(investida) pela Petter Pão S. A. (investidora). Se a Petter Pão S. A. exercer 
pouca ou nenhuma influência significativa sobre a TemPÃO S. A., então o 
investimento será avaliado e classificado pelo valor justo (na ausência do valor 
justo, o reconhecimento nos períodos subsequentes à aquisição será o próprio 
custo de aquisição da participação, ou seja, R$ 1.200.000). 
Por sua vez, se a Petter Pão S. A. exercer influência significativa sobre a 
TemPÃO S. A., então a investida será uma coligada da investidora e esse 
investimento será avaliado pelo MEP. Agora, se a investidora controlar a 
investida, então a TemPÃO S. A. será uma controlada, o investimento será 
avaliado pelo MEP nas demonstrações individuais da investidora (controladora) 
e haverá a necessidade de realizar a consolidação das demonstrações contábeis 
da controladora e da controlada. Nesse sentido, nas demonstrações individuais, 
cada empresa irá gerar as suas demonstrações contábeis, sendo que a Petter 
Pão S. A. utilizará o MEP para a mensuração e o reconhecimento do 
investimento na TemPÃO S. A. 
Além disso, como a Petter Pão S. A. e a TemPÃO S. A. são controladora 
e controlada, respectivamente, então a Petter Pão S. A. deverá elaborar as 
 
 
9 
demonstrações contábeis, consolidando os valores das contas de ambas as 
empresas e excluindo os resultados não realizados com terceiros originados por 
negócios da companhia com a sua controlada. Por exemplo, se a TemPÃO S. A. 
realizou uma venda para a Petter Pão S. A. e a Petter Pão S. A. ainda não 
vendeu essa mercadoria para terceiros (não realizou o resultado), então essa 
operação deverá ser ajustada para que os seus efeitos não afetem as 
demonstrações consolidadas gerando resultados contábeis artificiais. 
Por fim, se o controle for compartilhado entre duas empresas, por 
exemplo, a Petter Pão S. A. e a Bread Pitt S. A. controlam em conjunto a 
TemPÃO S. A., então o investimento também será avaliado pelo MEP nas 
demonstrações de cada controladora, de acordo com a sua participação no 
capital da investida. Para ficar ainda mais claro, vamos apresentar essa 
classificação de forma mais visual na Figura 4. 
Figura 4 – Mensuração e classificação de participações permanentes em outras 
sociedades de acordo com o grau de influência significativa ou controle exercido 
 
Fonte: Gelbecke et al., 2018. 
Saiba mais 
Influência significativa: possuir mais de 20% do capital com direito a 
voto da empresa investida é um indicativo de uma possível influência significativa 
e/ou se puder comprovar que exerce influência significativa sobre as principais 
tomadas de decisões da empresa, mesmo possuindo participação inferior a 20% 
do capital da investida. Por exemplo, suponha que empresa A possua 8% da 
empresa B. A empresa A ajuda a definir políticas operacionais, financeiras e 
participa de indicações de administradores da empresa B. Então, apesar de A 
não possuir o percentual mínimo de 20% de B, ela exerce influência significativa 
 
 
10 
sobre B e deverá avaliar esse investimento em seu balanço patrimonial pelo 
MEP. 
Controle: se a investidora possuir mais de 50% do capital votante da 
investida ou for o acionista com o maior percentual das ações da empresa, desde 
que os demais investidores não se unam, então tal empresa irá deter o controle 
da investida. Por exemplo, a empresa Y possui 40% do capital votante da 
empresa X, os outros 60% estão distribuídos entre as empresas A, B, C, D, E e 
F, com 10% cada uma. Portanto, se as demaisempresas não se unirem por meio 
de um acordo para superar a participação de Y, então Y será a controladora de 
X. 
Você deve estar curioso para ver esses valores num exemplo concreto de 
balanço patrimonial de uma empresa. Na Figura 5, é exposto um exemplo de 
reconhecimento de investimentos realizado pela Grendene S. A. no balanço 
patrimonial consolidado de 2020. 
Figura 5 – Balanço Patrimonial e notas explicativas da Grendene S. A. no ano 
de 2020 
 
Fonte: Grendene, 2020. 
Note que a Grendene S. A. possui participações em coligadas e 
controladas, e quando é realizada a consolidação das demonstrações contábeis, 
as interações entre controlada e controladora são zeradas, inclusive os valores 
na conta de investimento. 
 
 
 
11 
Saiba mais 
Agora vamos analisar como esse assunto tem sido cobrado em provas do 
Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE). 
INEP 2015 – ENADE – Ciências Contábeis) Conforme o art. 248 da Lei n. 
6.404/1976, atualizado pela Lei n. 11.638/2007 e pela Lei n. 11.941/2009, os 
investimentos em Controladas, Coligadas e em outras sociedades que façam 
parte de um mesmo grupo ou que estejam sob controle comum serão avaliados 
pelo método de equivalência patrimonial. De acordo com legislação vigente, para 
a determinação do valor do investimento por esse método, aplica-se o percentual 
de participação no 
a. Capital social sobre o valor do lucro líquido da Coligada e da Controlada, 
não se computando os resultados não realizados. 
b. Capital social sobre o valor do patrimônio líquido da Coligada e da 
Controlada, somando-se a esse montante os resultados não realizados 
líquidos dos efeitos fiscais. 
c. Patrimônio líquido sobre o valor do capital social da Coligada e da 
Controlada, subtraindo-se desse montante os resultados não realizados 
líquidos decorrentes dos efeitos fiscais. 
d. Capital social sobre o valor do patrimônio líquido da investidora, 
subtraindo-se desse montante os resultados não realizados decorrentes 
de negócios com a Companhia, Coligadas ou Controladas. 
e. Capital social sobre o valor do patrimônio líquido da Coligada e da 
Controlada, não se computando os resultados não realizados decorrentes 
de negócios com a Companhia, Coligadas ou Controladas. 
Resposta: 
Para a determinação do valor do resultado com equivalência patrimonial 
a ser ajustado, é necessário dividir o capital social adquirido pelo patrimônio 
líquido da coligada e da controlada, sendo excluído os resultados não realizados 
das operações entre a companhia investidora e as suas coligadas ou 
controladas. Portanto, o gabarito é a alternativa E. 
Saiba mais 
Para mais informações sobre o assunto, sugiro a leitura dos seguintes 
documentos: 
 
 
12 
CPC – Comitê de Pronunciamentos Contábeis. CPC 18 (R2) - 
Investimento em Coligada, em Controlada e em Empreendimento Controlado em 
Conjunto, de 2012. CVM, n. 696, 7 de dez. 2012. Disponível em: 
<http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-
Emitidos/Pronunciamentos/Pronunciamento?Id=49>. Acesso em: 30 jun. 2021. 
_____. CPC 19 (R2) – Negócios em Conjunto, de Aprovado pela CVM, n. 
694, 9 nov. 2012. Disponível em: <http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-
Emitidos/Pronunciamentos/Pronunciamento?Id=50>. Acesso em: 30 mjun. 
2021. 
_____. CPC 36 (R3) – Demonstrações Consolidadas. CVM, n. 698, 7 dez. 
2012. Disponível em: <http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-
Emitidos/Pronunciamentos/Pronunciamento?Id=67>. Acesso em: 30 jun. 2021. 
_____. CPC 48 – Instrumentos Financeiros. CVM, n. 763, 4 nov. 2016. 
Disponível em: <http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-
Emitidos/Pronunciamentos/Pronunciamento?Id=106>. Acesso em: 30 jun. 2021. 
BRASIL. Lei n. 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Diário Oficial da 
União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 17 dez. 1976. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6404consol.htm>. Acesso em: 30 jun. 
2021. 
1.3 Demais investimentos permanentes 
Vimos, no início deste tópico, que a Lei n. 6.404 de 1976 define que, no 
subgrupo de investimentos, são registradas as “participações permanentes em 
outras sociedades e direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo 
circulante, e que não se destinem a manutenção da atividade da companhia ou 
empresa” (Brasil, 1976). As participações permanentes em outras sociedades já 
abordamos, agora vamos tratar dos outros direitos de qualquer natureza, não 
classificáveis no circulante, e que não se destinam à manutenção da atividade 
da companhia ou da empresa. 
Pense o seguinte: qual é a principal atividade de uma panificadora como 
a Petter Pão S. A., a TemPÃO S. A. ou a Bread Pitt S. A.? Espera-se que seja a 
fabricação e/ou a venda de pães, bolos, salgados, entre outros tipos de 
alimentos. Portanto, os valores aplicados em bens não classificados no ativo 
circulante e que não são classificados como ativo imobilizado ou ativo intangível, 
 
 
13 
visto que não são utilizados nas atividades operacionais da empresa, acabam 
figurando no grupo de investimentos. 
Entre os principais exemplos de outros investimentos permanentes, temos 
as propriedades para investimentos, que são imóveis adquiridos com a finalidade 
de obter ganhos pela valorização, pela renda, como o recebimento de aluguéis, 
ou por ambas as formas. Suponha que a Petter Pão S. A. tenha adquirido dois 
terrenos pelo valor de R$ 200.000 cada, pagos à vista. 
Um dos terrenos será utilizado como estacionamento para os clientes da 
panificadora; já o segundo terreno foi adquirido visando a sua valorização a longo 
prazo. Portanto, o primeiro terreno será classificado como um ativo imobilizado, 
pois este será utilizado nas atividades da empresa. Enquanto o segundo terreno, 
adquirido com o propósito de valorização, irá figurar no grupo de investimentos. 
Os lançamentos contábeis dessa operação são apresentados a seguir: 
1 - Na aquisição dos terrenos – 31/01/20X0 
D – Terrenos (ativo imobilizado) R$ 200.000 
D – Terrenos – Propriedade para investimento (ativo não circulante – investimento) R$ 200.000 
C – Banco (Ativo Circulante) R$ 400.000 
Como funciona a mensuração subsequente (após a aquisição) desses 
terrenos? Para os ativos imobilizados, somente é permitido o reconhecimento de 
perda de valor recuperável e a reversão dessa perda, ambos identificados com 
base no teste de impairment e que serão abordados em tópico adiante, não 
sendo permitido o reconhecimento de ganhos pela valorização ou perda com 
base no valor justo. Portanto, a forma de avaliação dos imóveis no ativo 
imobilizado leva em conta o custo de aquisição. 
Por sua vez, as propriedades para investimento podem ser avaliadas pelo 
método de custo ou pelo método de valor justo. O método de custo consiste em 
manter reconhecido o valor do investimento pelo preço de aquisição. Já o 
método de valor justo é utilizado para reconhecer as variações do valor da 
propriedade para investimento. A empresa pode optar entre ambos os métodos, 
ou seja, manter a propriedade para investimento reconhecida pelo custo ou pelo 
valor justo. 
Saiba mais 
O CPC 28, que trata da temática de propriedades para investimentos, 
permite a escolha da avaliação destas propriedades pelo método de custo ou 
pelo valor justo (CPC, 2009b). Além disso, uma propriedade avaliada pelo 
método de custo pode passar a ser mensurada pelo valor justo. Entretanto, é 
 
 
14 
muito difícil fundamentar a mudança de uma propriedade avaliada pelo valor 
justo para o método de custo. Portanto, os contadores devem ficar atentos às 
políticas contábeis adotadas. 
Vamos retornar ao exemplo anterior: suponha que, após um mês, ambos 
os terrenos passem a ter um valor justo de R$ 220.000, sendo que a Petter Pão 
S. A. optou por avaliar o segundo terreno ao valor justo. Logo, o seguinte 
lançamento deverá ser realizado: 
2 – Reconhecimento da variação do valor do segundo terreno – 28/02/20X0D – Ajuste a Valor Justo - Terrenos – Prop. para investimento (ativo não circulante – investimento)
 R$ 20.000 
C – Receita com ajuste a valor justo (resultado) R$ 20.000 
Perceba que, apesar de ambos os terrenos terem sido valorizados, 
somente foi reconhecido o ajuste a valor justo do segundo terreno, pois somente 
este é uma propriedade para investimento. 
É muito comum observar, no balanço patrimonial de administradoras de 
shoppings, investimentos em propriedades para investimento, visto que a 
intenção destas administradoras é obter renda pelo recebimento de aluguel. 
Vamos analisar um exemplo nas demonstrações da brMalls S. A no ano de 2020 
(Figura 6). 
Figura 6 – Balanço Patrimonial e Notas Explicativas da brMalls S. A. no ano de 
2020 
 
Fonte: brMalls, 2020. 
Note que inicialmente as propriedades para investimentos são 
reconhecidas na brMalls pelo custo, ou seja, pelo valor gasto para construir ou 
 
 
15 
adquirir as propriedades. Após isso, as variações do valor justo também são 
reconhecidas no resultado, como fizemos no exemplo do segundo terreno da 
Petter Pão S. A. 
Mas e as imobiliárias e as incorporadoras, elas também classificam esses 
imóveis como propriedades para investimentos? Como essas propriedades 
fazem parte do curso normal das atividades da empresa, então são consideradas 
como estoques. Por exemplo, qual é a principal atividade de uma imobiliária? 
Vender imóveis, logo essas propriedades, por não terem caráter permanente, 
figuram na conta de estoques (Salotti et al., 2019). 
Além das propriedades para investimento, outro exemplo comum de 
demais investimentos permanentes é o das obras de arte, visto que não estão 
ligadas às atividades operacionais da empresa e são mantidas para valorização. 
Saiba mais 
Vamos agora analisar uma questão desta temática abordada no Exame 
de Suficiência do Conselho Federal de Contabilidade. 
(Cosulplan – 2019.02 – Exame de Suficiência do Conselho Federal de 
Contabilidade) 
A empresa A adquiriu um terreno com a finalidade de mantê-lo em seu 
patrimônio para fins de valorização de capital a longo prazo, não pretendendo 
vendê-lo a curto prazo no curso ordinário dos negócios da entidade. A empresa 
A sabe que no longo prazo é provável que os benefícios econômicos futuros 
associados a esse terreno fluirão para a entidade e o seu custo pode ser 
mensurado confiavelmente. Ainda, a empresa A não almeja utilizá-lo na 
produção ou fornecimento de bens ou serviços ou para finalidades 
administrativas. Com base nas informações apresentadas e considerando a 
Norma Brasileira de Contabilidade NBC TG 28 (R4), esse terreno deverá ser 
reconhecido no patrimônio da empresa A como: 
a. Imobilizado. 
b. Propriedade para Investimento. 
c. Investimento Temporário a Longo Prazo. 
d. Ativo Não Circulante Mantido para Venda. 
Resposta: 
Como a empresa adquiriu o terreno com o intuito de obter uma valorização 
de longo prazo, não pretende vendê-lo no curto prazo, consegue mensurar os 
 
 
16 
seus custos com confiabilidade e não utilizará este terreno em suas atividades 
empresariais. Logo, o terreno se caracteriza como uma propriedade para 
investimento. Portanto, o gabarito é a alternativa B. 
Para encerrar, sugiro enriquecer o seu conhecimento sobre a temática 
estudando o CPC 28 – Propriedade para Investimento. 
CPC – Comitê de Pronunciamentos Contábeis. CPC 28 – Propriedade 
para Investimento. CVM, n. 584, 26 jun. 2009. Disponível em: 
<http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-
Emitidos/Pronunciamentos/Pronunciamento?Id=59 >. Acesso em: 30 jun. 2021. 
TEMA 2 – ATIVO IMOBILIZADO 
O CPC 27 trata dos itens que pertencem ao grupo de ativo imobilizado e 
define esses itens como sendo os bens corpóreos, também conhecidos como 
tangíveis, mantidos pela empresa para uso na produção ou fornecimento de 
mercadorias, serviços ou para fins administrativos (CPC, 2009a). A Lei n. 
6.404/1976, no art. 179, define o ativo imobilizado como 
os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à 
manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos 
com essa finalidade, inclusive decorrentes de operações que 
transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens. 
(Brasil, 1976) 
Perceba que tanto o CPC 27 quanto a Lei 6.404/1976 destacam que o 
ativo imobilizado deve possuir matéria, ser tangível, ou seja, você deve conseguir 
tocá-lo. Além disso, esses itens devem ser utilizados nas atividades operacionais 
ou administrativas da empresa e se espera utilizar esses itens por mais de um 
ano. Esse conceito é muito interessante, pois, ao definir que o ativo imobilizado 
deve possuir matéria, evita-se que itens do ativo intangível sejam classificados 
como imobilizado. 
Quando a norma cita a utilização superior a um ano, almeja-se alinhar os 
aspectos conceituais ao exercício social da empresa, que normalmente dura um 
ano (de janeiro a dezembro) nas organizações. Assim, itens que têm a sua vida 
útil inferior a um ano podem ser lançados diretamente como uma despesa do 
período, não sendo necessário realizar a sua depreciação. 
Por exemplo, se uma empresa adquire determinada máquina que possui 
uma vida útil de 10 meses, o valor dessa máquina pode ser lançado diretamente 
como uma despesa, não sendo necessário reconhecer um ativo imobilizado e 
 
 
17 
depreciá-lo mensalmente. Entretanto, não há uma proibição de a empresa 
reconhecer esse ativo imobilizado e depreciá-lo em 10 meses se julgar que os 
benefícios desse controle serão maiores que os custos. 
Basicamente, para reconhecer no balanço patrimonial um ativo 
imobilizado, é necessário que duas premissas sejam atendidas. A primeira diz 
respeito à probabilidade de que os benefícios econômicos futuros associados ao 
item fluam para a entidade e o segundo é a confiabilidade na mensuração do 
valor deste item. 
 Em continuidade, observa-se que diversos itens podem compor o grupo 
de ativo imobilizado. Por exemplo, as máquinas e equipamentos, móveis e 
utensílios, veículos, instalações, ferramentas, peças, benfeitorias em 
propriedades arrendadas, terrenos, entre outras. Vamos abordar individualmente 
algumas dessas contas (Gelbcke et al., 2018): 
• Máquinas e equipamentos: nessa conta, são reconhecidos todos os 
itens desse conjunto utilizados nas atividades da empresa. É comum 
algumas indústrias separarem as máquinas e equipamentos utilizadas no 
processo produtivo daquelas empregadas em outras atividades, como a 
parte administrativa; 
• Móveis e utensílios: é utilizada para o lançamento de itens como mesas, 
cadeiras, armários, entre outras, que se espera utilizar por mais de um 
ano; 
• Veículos: registro de veículos utilizados pela área administrativa, de 
vendas ou transporte em geral. Os veículos utilizados no processo 
produtivo, como as empilhadeiras, podem ser reconhecidos como 
equipamentos; 
• Ferramentas: são reconhecidas nessa conta as ferramentas que se 
espera utilizar por mais de um ano. As ferramentas de valor pequeno, 
mesmo com vida superior a um ano, podem ser reconhecidas como 
despesas em virtude do custo de controlar tais itens ser maior que o 
benefício gerado por este controle; 
• Peças: são lançadas as peças de máquinas e equipamentos que são 
utilizadas em manutenções preventivas ou substituições de peças com 
avarias. Cabe destacar que itens utilizados na manutenção, como óleo e 
lubrificantes, são reconhecidos como despesas conforme são utilizados 
pela organização; 
 
 
18 
• Benfeitorias em propriedades arrendadas: imagine que a empresa A 
alugou um terreno e construiu uma planta industrial (fábrica) nesse local. 
Sabe-se que a vida útil dessa estrutura construída é de 20 anos. A 
benfeitoria construída pela empresa A deve ser reconhecida no balanço 
patrimonial e depreciada normalmente; 
• Terrenos: os terrenos utilizados pela organização para suas operações 
sãoreconhecidos como ativo imobilizado. Já os terrenos com a finalidade 
de obter ganhos com a sua valorização ou com o aluguel devem ser 
reconhecidos como propriedades para investimento, conforme 
determinado pelo CPC 28 – Propriedades para Investimentos (CPC, 
2009b) e explicado no tópico anterior. 
Saiba mais 
Vamos agora a um exemplo de como esse conteúdo é cobrado em provas 
do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade). 
(INEP – 2012 – Enade Ciências Contábeis) Uma empresa considerou os 
benefícios econômicos futuros e a mensuração confiável do custo de um bem do 
seu ativo imobilizado. Esse procedimento se refere a qual etapa na avaliação 
dos ativos fixos tangíveis? 
a. Reavaliação. 
b. Mensuração. 
c. Reconhecimento. 
d. Identificação de benefícios e riscos. 
e. Verificação da vida útil e depreciação. 
Resposta: 
Como a empresa está avaliando se o ativo pode gerar benefícios 
econômicos futuros e se ela consegue determinar de forma confiável o valor 
desse item, nesse momento está sendo avaliado o reconhecimento do bem, ou 
seja, se este será lançado na contabilidade. Portanto, o gabarito é a alternativa 
C. 
Portanto inúmeros itens podem compor os ativos imobilizados. Que tal 
abordarmos aspectos específicos desses itens? 
2.1 Mensuração do ativo imobilizado 
 
 
19 
Vimos em tópicos anteriores que mensurar é atribuir valor, então como 
devemos mensurar um ativo imobilizado? Como identificar o valor a ser 
reconhecido na contabilidade destes itens? O ativo imobilizado deve ser 
reconhecido pelo seu custo, que, por sua vez, envolve tudo aquilo gasto para 
deixar o imobilizado com condições para ser utilizado, bem como, quando 
possível, o valor estimado para a desmontagem do ativo imobilizado e a 
restauração do local. Vamos esclarecer um pouco mais isso! 
Suponha que a Petter Pão S. A. adquiriu em 01/01/20X1 um forno de 
última geração para utilizar no processo de produção de pães. Sabe-se que o 
valor da nota fiscal de compra do forno é de R$ 200.000, sendo composto por 
R$ 10.000 de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que 
poderá ser recuperado, R$ 20.000 de Imposto sobre Produtos Industrializados 
(IPI) que não poderá ser recuperado pela empresa e R$ 170.000 referentes ao 
valor da máquina. Além disso, a empresa teve que contratar uma transportadora 
terceirizada para trazer o forno até a sua sede, sendo desembolsados R$ 5.000 
de frete e R$ 600 de seguro. Sabe-se que a empresa terá ainda que desembolsar 
R$ 1.500 para realizar a instalação do equipamento. Espera-se também que a 
empresa utilize o forno por 8 anos e que após isso estima-se que a Petter Pão 
S. A. terá um gasto de R$ 3.000 para desmontar o equipamento e restaurar o 
local no qual o mesmo estava instalado. Os valores foram pagos à vista via 
banco. 
Seguindo os elementos dispostos no item 16 do CPC 27, vamos observar 
que o custo de um ativo imobilizado é composto pelos seguintes itens: 
Figura 7 – Elementos que compõem o custo do ativo imobilizado 
 
Fonte: CPC, 2009a. 
Portanto, se analisarmos o caso da Petter Pão S. A., teremos que o custo 
do forno será o seguinte: 
Tabela 3 – Custo do forno da Petter Pão S. A. 
ITEM VALOR 
 
 
20 
Preço de aquisição acrescido de impostos não recuperáveis, 
deduzidos de abatimentos, descontos e impostos recuperáveis 
(+) Valor da máquina R$ 170.000 
(+) Valor de IPI R$ 20.000 
Custos necessários para colocar o ativo imobilizado no local 
 em condições de funcionamento 
(+) Frete R$ 5.000 
(+) Seguro R$ 600 
(+) Instalação do equipamento R$ 1.500 
Estimativa inicial dos custos de desmontagem e remoção do item e 
restauração do local em que estava instalado 
(+) Remoção e restauração R$ 3.000 
(=) CUSTO DO ATIVO IMOBILIZADO R$ 200.100 
Perceba que o valor do ICMS não foi incluído no custo do imobilizado, 
pois como esse valor pode ser recuperado no futuro, logo não representará um 
custo para a empresa. Imagino que você queira visualizar a contabilização 
desses valores. Vamos tratar disso agora: 
1 – Reconhecimento inicial do ativo imobilizado – 31/01/20X0 
D – Máquinas e equipamentos (ativo não circulante – ativo imobilizado) R$ 200.100 
D – ICMS a recuperar (ativo circulante / ativo não circulante – impostos a recuperar) 
 R$ 10.000 
C – Banco (ativo circulante) R$ 207.100 
C - Obrigações por desativação de ativo imobilizado (passivo não circulante) R$ 3.000 
Tabela 4 – Razonetes 
 
Legenda: si representa o saldo inicial da conta. 
Perceba que, no reconhecimento inicial do ativo imobilizado, foram 
reconhecidos os valores que compuseram o custo inicial calculado na Tabela 3, 
e o ICMS recuperável foi lançado nas contas do ativo. A contrapartida desses 
valores foi realizada contra a conta bancária e houve o reconhecimento de uma 
obrigação futura no passivo advinda da estimativa dos custos para a 
desmontagem do forno. Mas por que o valor que foi baixado do banco é diferente 
do valor lançado na conta de máquinas e equipamentos? Note que o ICMS a 
recuperar afeta o banco, pois como esse valor estava embutido na nota fiscal, 
teve que ser pago ao fornecedor, contudo não faz parte do custo inicial do 
imobilizado, pois é um imposto recuperável. Por outro lado, as obrigações por 
desativação fizeram parte do custo inicial do imobilizado, mas não representam 
 
 
21 
uma saída de recursos atual para a empresa, visto que somente daqui a 8 anos 
haverá tal desembolso. 
Outro questionamento que pode surgir é por que o valor do ICMS está 
lançado em contas de ICMS a recuperar no ativo circulante e no ativo não 
circulante? A legislação tributária brasileira permite que o valor do ICMS de 
máquinas e equipamentos utilizados na produção ou prestação de serviços seja 
recuperado em 48 meses (1/48 avo por mês). Portanto, a empresa deverá dividir 
R$ 10.000 por 48 meses e identificar a parte que será alocada no curto e no 
longo prazo. Como não é o foco deste tópico discutir a parte tributária, não 
realizaremos esse detalhamento a fim de simplificar o exemplo exposto. 
Saiba mais 
Para entender mais sobre a temática, busque conteúdos que tratem sobre 
o CIAP – Controle de Crédito de ICMS do Ativo Permanente. 
2.2 Manutenção, reparo e melhorias no ativo imobilizado 
É comum as organizações desembolsarem valores com a manutenção ou 
o reparo de ativo imobilizado. Por exemplo, a troca de óleo, a lubrificação ou a 
troca das peças que compõem determinado ativo imobilizado são exemplos de 
itens que compõem a manutenção preventiva e o reparo dos ativos imobilizados. 
Esse tipo de desembolso tende a ocorrer com uma certa regularidade e por isso 
as empresas normalmente reconhecem esses valores como uma despesa 
(débito) contra a origem do recurso, como caixa, bancos, fornecedores a pagar, 
entre outros (crédito). Se a empresa julgar necessário, poderá apropriar os 
valores gastos com manutenção e reparo ao longo do ano. Essa tratativa é 
recomendada quando houver maior benefício do que custo para realizar tal 
controle. 
Pode ocorrer também de a empresa realizar melhorias no ativo 
imobilizado. Imagine que a Petter Pão S. A. tenha um cilindro responsável por 
moldar as massas dos pães fabricados e que em determinado período foi 
identificada a necessidade de realizar a troca do motor desta máquina. Como a 
troca do motor tem o poder de aumentar a capacidade produtiva da máquina, a 
vida útil e/ou a diminuição do custo operacional da empresa, então o valor gasto 
com o novo motor deverá ser integrado ao valor contábil do cilindro no grupo de 
 
 
22 
ativo imobilizado. Além disso, a empresa deverá baixar o valor do motor antigo, 
visto que ele será trocado por um mais novo. 
2.3 Ativo imobilizado mantido para a venda 
Quando um ativo imobilizado passa a estar livre para ser vendido em 
conjunto ou separadamente, a empresa deverá transferir esse bem para a contade ativo não circulante mantido para venda que fica localizada no ativo circulante. 
Voltando ao caso da Petter Pão S. A., se a empresa decidir realizar a 
venda do cilindro, de forma conjunta ou vendendo as peças separadamente, a 
contabilidade da empresa deverá depreciar o cilindro, realizar o teste de 
impairment e reclassificar esse bem para a conta de ativo não circulante mantido 
para venda. Mas e se a empresa continuar utilizando o cilindro até conseguir 
localizar um comprador, o que acontece? Nesse caso, a empresa deverá avaliar 
se o valor contábil deste item será recuperado principalmente por meio de 
transação de venda ao invés do seu uso contínuo. Se for pela operação de 
venda, então este item será reclassificado como um ativo imobilizado mantido 
para venda. 
Na Figura 8, é apresentado um exemplo do conteúdo aqui explicado, 
sendo aplicado nas demonstrações financeiras da Grendene S. A. 
Figura 8 – Balanço Patrimonial e notas explicativas da Grendene S. A. no ano 
de 2020 – Ativo imobilizado 
 
Fonte: Grendene, 2020. 
2.4 Imobilizado em andamento 
As contas de imobilizado em andamento agrupam itens como construção 
e/ou instalação em andamento, que são todas as obras que estão sendo 
realizadas pela empresa. Enquanto esse processo não é finalizado, todos os 
 
 
23 
custos para deixar a construção e/ou a instalação pronta para uso são 
reconhecidos nessa conta. Com a finalização desse processo, a construção e/ou 
instalação já finalizada é reclassificada para a conta de bens em operação. 
De forma semelhante, quando a empresa estiver realizando a importação 
de algum bem que será classificado como ativo imobilizado, todos os gastos para 
deixar este bem no local e em condições necessárias para a operação deverão 
ser reconhecidos na conta de importações em andamento de bens do 
imobilizado e, ao final desse processo, o bem será transferido para a conta de 
bens em operação e iniciará a sua depreciação (Gelbcke et al., 2018). 
TEMA 3 – DEPRECIAÇÃO E EXAUSTÃO DE ATIVOS IMOBILIZADOS 
 Os ativos imobilizados estão sujeitos à depreciação ou à exaustão. A 
depreciação é aplicada a bens físicos e é um reconhecimento da perda de valor 
do bem devido à redução da sua capacidade de produzir benefícios econômicos 
futuros, visto que a vida útil do bem é reduzida de acordo com o seu uso. 
Portanto, a depreciação é uma despesa que deverá ser reconhecida devido à 
perda da capacidade produtiva do bem. Como exemplo de ativos imobilizados 
depreciados, temos os móveis e utensílios, máquinas e equipamentos, veículos, 
entre diversos outros tipos de bens que possam perder valor pelo seu desgaste 
ou perda de utilidade. 
Por sua vez, a exaustão é a perda do valor decorrente da exploração de 
recursos minerais ou florestais, bem como dos bens aplicados nessa exploração. 
Como exemplo de ativos imobilizados a serem exauridos, temos as minas, as 
jazidas e as florestas. 
3.1 Métodos de depreciação 
Há diferentes métodos de depreciação que podem ser adotados. 
Entretanto, antes de abordar cada um desses métodos, é importante ter em 
mente qual é o valor que será depreciado. Como assim? O valor a ser depreciado 
não seria o valor do bem reconhecido na contabilidade? É isso mesmo, mas 
ocorre que o valor depreciável, em termos societários, dificilmente será o valor 
contábil do bem, pois normalmente ao final da vida útil o bem possui um valor 
residual, que é a parcela que foi investida no bem e que poderá ser recuperada 
ao final da sua vida útil. 
 
 
24 
Suponha que a Petter Pão S. A. possua uma máquina de R$ 60.000 que 
utiliza em suas entregas. A empresa estimou a vida útil da máquina em 6 anos, 
mas ao final desse prazo, é muito provável que essa máquina possua um valor 
de mercado, seja pela revenda da máquina como um todo ou de suas peças 
individualmente. Imagine que esse valor seja de R$ 20.000, portanto, no 
decorrer da vida útil, somente será reconhecida como despesa de depreciação 
a diferença dos R$ 60.000, que é o custo da máquina, subtraído do valor 
residual, que foi estimado em R$ 20.000, sendo o valor depreciável de R$ 
40.000. 
Saiba mais 
Pense que a depreciação é o valor investido pela empresa e que não será 
recuperado ao final do período pela venda do bem. 
Portanto, esse valor depreciável irá diminuir o lucro da empresa em cada 
período, sem diminuir o caixa, visto que o caixa já foi afetado pela aquisição do 
bem. Logo, a depreciação representa uma compensação indireta de caixa, 
quando comparado ao lucro do período, a fim de recuperar o valor que foi 
investido no bem. 
Agora que você já sabe como calcular o valor depreciável do bem, que tal 
conhecer os métodos de depreciação que podem ser utilizados? Basicamente, 
o método de depreciação diz respeito à forma como o valor depreciável (no 
nosso exemplo do veículo, é de R$ 40.000) será alocado nas contas de 
resultados da empresa. A escolha do método deve ser direcionada pela forma 
que reflita o padrão mais adequado do consumo de benefícios econômicos 
futuros propiciados pelo bem. Vamos verificar no Quadro 1 os diferentes tipos de 
métodos que podem ser utilizados. 
Quadro 1 – Aplicação dos diferentes métodos de depreciação 
Método Detalhamento 
Quotas 
constantes 
Este é um dos métodos mais populares, basicamente a empresa deverá dividir 
o valor depreciável do bem pela sua vida útil. 
 
Aplicando ao exemplo da Petter Pão S. A. 
Custo do bem R$ 60.000 
(-) Valor residual do bem R$ 20.000 
(=) Valor depreciável do bem R$ 40.000 
 
Valor da depreciação (custo – valor residual) / número de períodos: 
R$ 40.000 / 6 anos = R$ 3.333,33 ao ano OU 
R$ 40.000 / 72 meses (6 anos) = R$ 555,55 ao mês 
 
 
25 
 
Interpretação: neste método o valor da depreciação é igual entre todos os 
anos. 
Soma dos 
dígitos 
Nesse método, os dígitos que compõem o número de anos da vida útil do bem 
são somados e a depreciação será o resultado da fração do número de anos 
que faltam para o término da vida útil do bem divido pela soma dos dígitos 
calculada. 
 
Aplicando ao exemplo da Petter Pão S. A. 
Custo do bem R$ 60.000 
(-) Valor residual do bem R$ 20.000 
(=) Valor depreciável do bem R$ 40.000 
 
 
Soma dos dígitos: 1 + 2 + 3 + 4 + 5 + 6 = 21 (como são 6 anos, somamos até 
o número 6). 
 
Valor da depreciação (custo – valor residual) / fração: 
 
Ano 1: 6/21 * R$ 40.000 = R$ 11.428,57 
Ano 2: 5/21 * R$ 40.000 = R$ 9.523,81 
Ano 3: 4/21 * R$ 40.000 = R$ 7.619,05 
Ano 4: 3/21 * R$ 40.000 = R$ 5.714,29 
Ano 5: 2/21 * R$ 40.000 = R$ 3.809,52 
Ano 6: 1/21 * R$ 40.000 = R$ 1.904,76 
Total R$ 40.000,00 
 
Interpretação: perceba que nos primeiros anos de vida da máquina há valores 
mais elevados de depreciação. Nesse método, adota-se a lógica de que 
quanto mais novo o bem, maior é o volume de benefícios econômicos gerados 
e, portanto, valores mais elevados de depreciação devem ser alocados no 
resultado da empresa. 
Unidades 
produzidas 
Nesse método, estima-se a quantidade de unidades que um bem deve 
produzir ao longo da sua vida útil e a partir disso é realizada a depreciação 
conforme as unidades produzidas no período. 
 
Aplicando ao exemplo da Petter Pão S. A. 
Custo do bem R$ 60.000 
(-) Valor residual do bem R$ 20.000 
(=) Valor depreciável do bem R$ 40.000 
 
Unidades que devem ser produzidas pelo bem durante a vida útil: 400.000 
unidades. 
 
Ano 1: 100.000 unidades produzidas no ano / 400.000 unidades x R$ 40.000 
valor depreciável = R$ 10.000 
Ano 2: 70.000unidades produzidas no ano / 400.000 unidades x $ 40.000 
valor depreciável = R$ 7.000 
Ano 3: 70.000 unidades produzidas no ano / 400.000 unidades x $ 40.000 
valor depreciável = R$ 7.000 
Ano 4: 60.000 unidades produzidas no ano / 400.000 unidades x R$ 40.000 
valor depreciável = R$ 6.000 
Ano 5: 60.000 unidades produzidas no ano / 400.000 unidades x $ 40.000 
valor depreciável = R$ 6.000 
Ano 6: 40.000 unidades produzidas no ano / 400.000 unidades x R$ 40.000 
valor depreciável = R$ 4.000 
 
Interpretação: a depreciação será proporcional à quantidade produzida pela 
máquina no período. 
Horas de 
trabalho 
Nesse método, a quantidade de horas de trabalho é estimada e o valor da 
depreciação será derivado da quantidade de horas trabalhadas em 
determinado período. 
 
 
 
26 
Aplicando ao exemplo da Petter Pão S. A. 
Custo do bem R$ 60.000 
(-) Valor residual do bem R$ 20.000 
(=) Valor depreciável do bem R$ 40.000 
 
Quantidade de horas que o bem deve trabalhar durante a vida útil: 40.000 
unidades. 
 
Ano 1: 10.000 horas trabalhadas no ano / 40.000 horas x R$ 40.000 valor 
depreciável = R$ 10.000 
Ano 2: 70.000 horas trabalhadas no ano / 400.000 horas x $ 40.000 valor 
depreciável = R$ 7.000 
Ano 3: 70.000 horas trabalhadas no ano / 400.000 horas x $ 40.000 valor 
depreciável = R$ 7.000 
Ano 4: 60.000 horas trabalhadas no ano / 400.000 horas x R$ 40.000 valor 
depreciável = R$ 6.000 
Ano 5: 60.000 horas trabalhadas no ano / 400.000 horas x $ 40.000 valor 
depreciável = R$ 6.000 
Ano 6: 40.000 horas trabalhadas no ano / 400.000 horas x R$ 40.000 valor 
depreciável = R$ 4.000 
 
Interpretação: o valor da depreciação será equivalente a quantidade de horas 
trabalhadas no ano. 
Com relação aos diferentes métodos de depreciação, caberá à empresa 
avaliar qual método melhor reflete a capacidade de geração de benefícios 
econômicos futuros do ativo analisado. Cabe destacar que, no âmbito da 
Contabilidade Tributária, utilizada para o cálculo de impostos, algumas tratativas 
são diferentes, por exemplo, a vida útil mínima de cada ativo imobilizado é 
definida por normas específicas, bem como não há a figura do valor residual. 
3.2 Reconhecimento da depreciação ou exaustão 
A depreciação, assim como a exaustão, é reconhecida na contabilidade 
como uma despesa de depreciação/exaustão ou custo de produção, a depender 
do uso do bem que está sendo depreciado/exaurido. A contrapartida contábil se 
dará contra uma conta retificadora do ativo imobilizado chamada de 
depreciação/exaustão acumulada, a qual rá reduzir o valor do ativo no balanço 
patrimonial, indicando a perda da vida útil desse bem. Espera-se que, ao final da 
vida útil do bem, o valor do custo do ativo subtraído da depreciação/exaustão 
acumulada represente o valor residual que a companhia conseguirá obter com a 
venda desse bem. 
A seguir, é exposto o lançamento de reconhecimento da depreciação da 
máquina da Petter Pão S. A. no Ano 1, utilizando o método de soma dos dígitos, 
bem como a sua representação no balanço patrimonial da empresa: 
1 – Pela aquisição via Banco – 01/01/20X1 
 
 
27 
D – Máquinas e equipamentos (ativo imobilizado) R$ 60.000 
C – Banco (ativo circulante) R$ 60.000 
 
2 – Reconhecimento da depreciação do ativo imobilizado – Ano 1 
D – Despesa com depreciação (resultado) R$ 11.428,57 
C – (-) Depreciação Acumulada (ativo não circulante – ativo imobilizado) R$ 11.428,57 
Tabela 5 – Razonetes 
 
Legenda: si representa o saldo inicial da conta. 
Quadro 2 – Representação do grupo no balanço patrimonial da Petter Pão no 
Ano 1 
 
Saiba mais 
Há itens que não são depreciados, pois os seus benefícios econômicos 
não diminuem ao longo do tempo. O principal exemplo que temos nessa 
categoria são os terrenos. 
Saiba mais 
Sugiro a leitura do CPC 27 – Ativo Imobilizado e CPC 31 - Ativo Não 
Circulante Mantido para Venda e Operação Descontinuada para maior 
detalhamento sobre a temática: 
CPC – Comitê de Pronunciamentos Contábeis. CPC 27 – Ativo 
Imobilizado. CVM, n. 583, 26 jun. 2009. Disponível em: 
<http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-
Emitidos/Pronunciamentos/Pronunciamento?Id=58>. Acesso em: 30 jun. 2021. 
TEMA 4 – ATIVOS INTANGÍVEIS E AMORTIZAÇÃO 
Segundo a Lei n. 6.404/1976, os ativos intangíveis são bens incorpóreos 
destinados à manutenção da empresa, ou seja, os ativos intangíveis são aqueles 
itens que não possuem substância física, os quais não podemos tocar (Brasil, 
1976). São exemplos de ativos intangíveis: licença de uso de softwares, 
 
 
28 
patentes, marcas adquiridas, direitos de exploração, fundos de comércio, entre 
outros. 
De forma similar à depreciação dos itens do ativo imobilizado, os itens 
classificados como ativo intangível são amortizados ao longo do tempo, visto que 
a amortização representa a perda do valor aplicado na aquisição do ativo 
intangível durante a sua vida econômica. Destaca-se que somente são 
amortizados os ativos intangíveis que possuem um prazo de vida útil limitada. 
Por exemplo, se a Petter Pão S. A. adquirir em janeiro de 20X1 por R$ 
20.000 uma licença de uso de um software para controle financeiro com validade 
de 5 anos, então como estamos diante de um direito de uso que possui vida útil 
limitada, haverá a necessidade de amortizar este montante. Contudo, se essa 
mesma licença fosse vitalícia, então não faria sentido amortizar a licença de 
software, visto que não haveria perda de valor dessa licença com o passar dos 
anos. 
A seguir, é exposta a exemplificação do lançamento da aquisição do 
software pela Petter Pão S. A., considerando que o valor foi pago via banco. 
1 – Pela aquisição via Banco – 01/01/20X1 
D – Softwares (ativo imobilizado) R$ 20.000 
C – Banco (ativo circulante) R$ 20.000 
Considerando que a validade da licença é de 5 anos, então o lançamento 
da amortização a ser realizado no Ano 1 será o seguinte: 
Custo com a aquisição do intangível: R$ 50.000 
Período da licença de uso: 5 anos 
Valor da amortização: R$ 4.000 ao ano (R$ 20.000 / 5 anos) 
2 – Reconhecimento da amortização do ativo intangível – Ano 1 
D – Despesa com amortização (resultado) R$ 4.000 
C – (-) Amortização Acumulada (ativo não circulante – ativo imobilizado) R$ 4.000 
 
 
 
29 
Tabela 6 – Razonetes 
 
Quadro 3 – Representação do grupo no balanço patrimonial da Petter Pão no 
Ano 1 
 
Vamos analisar, com base nas demonstrações da Grendene (Figura 9), 
como as informações sobre ativos intangíveis são dispostas. 
Figura 9 – Balanço Patrimonial e Notas Explicativas da Grendene S. A. no ano 
de 2020 – Ativo intangível 
 
Fonte: Grendene, 2020. 
Perceba que a Grendene S. A. apresenta ativos intangíveis denominados 
de softwares em desenvolvimento. Nesse sentido, o CPC 04 (R1) – Ativos 
Intangíveis (CPC, 2011) esclarece que os gastos com ativos gerados 
internamente em fase de pesquisa devem ser reconhecidos como despesas, 
 
 
30 
pois como ainda não há uma garantia mínima da possibilidade de geração de 
benefícios econômicos futuros, não há como realizar o reconhecimento do ativo. 
Por sua vez, quando o ativo intangível se encontra na fase de 
desenvolvimento, então poderão ser reconhecido os valores gastos nessa fase 
como no grupo de ativo intangível, visto que há uma garantia mínima de geração 
de benefícios econômicos futuros. 
Cabe destacar que o CPC 04 (R1) estabelece que todas as seguintes 
condições devem ser atendidas para o reconhecimento de um ativo intangível 
na fase de desenvolvimento (CPC, 2011): 
1. viabilidade técnica para concluir o ativo intangível e disponibilizá-lo para o 
uso ou venda; 
2. intenção de concluir o ativo intangível para usá-lo ou vendê-lo; 
3. demonstrar como o ativo intangível poderá gerar benefícios econômicos 
futuros para a entidade(ela irá utilizar esse ativo? Irá realizar a sua 
venda?); 
4. possuir disponibilidade técnica e financeira para concluir a fase de 
desenvolvimento e utilizar ou vender o ativo intangível; e 
5. mensurar com confiabilidade os gastos para o desenvolvimento do ativo 
intangível. 
Por exemplo, se a Petter Pão S. A. pretendesse criar um novo tipo de pão 
e para isso realizasse uma pesquisa para descobrir o gosto de seus clientes, os 
gastos com a pesquisa seriam lançados como despesas. Por sua vez, ao iniciar 
o desenvolvimento desse novo produto e patenteá-lo, os gastos dessa etapa 
poderiam ser lançados no grupo de ativo intangível desde que as cinco 
condições para o reconhecimento fossem atendidas. A Figura 10 resume essas 
tratativas. 
Figura 10 – Reconhecimento dos gastos na fase de pesquisa e de 
desenvolvimento de ativos intangíveis 
 
 
 
31 
Saiba mais 
A seguir, é apresentada uma questão que exemplifica como esse 
conteúdo é cobrado em provas do Exame de Suficiência do CFC. 
(Exame de Suficiência – CFC – Consulplan – Prova 2019.1) Em 20X1, a 
Sociedade Empresária “A” adquiriu por R$ 1.000.000,00 o direito de explorar a 
marca comercial (registrada) ABC. O direito de exploração dessa marca foi 
estipulado em contrato e tem vigência de 10 anos. A Sociedade Empresária “A” 
não pretende renovar o contrato e julga que o método de amortização linear 
reflete o padrão de consumo pela entidade dos benefícios econômicos futuros 
esperados com a exploração da marca. Com base somente nessas informações 
e considerando-se a NBC TG 04 (R4) – Ativo intangível, assinale a seguir a 
alternativa que evidencia o valor contábil de amortização acumulada da marca 
comercial ABC que estará reconhecido no Balanço Patrimonial da Sociedade 
Empresária “A” ao encerrar o exercício social de 20X1. Admita que não há valor 
residual e que a marca estava disponível para uso em 01/01/20X1, momento em 
que a Sociedade Empresária “A” iniciou a exploração. 
a. R$ 8.300,00 
b. R$ 100.000,00 
c. R$ 200.000,00 
d. R$ 1.000.000,00 
Resposta: 
Como não há valor residual, o valor a ser amortizado é de R$ 1.000.000, 
como a amortização é linear, ou seja, igualitária entre todos os anos, então será 
amortizado R$ 100.000 por ano (R$ 1.000.000/10 anos). Ao final de 20X1, 
haverá um saldo de R$ 100.000 na conta de amortização acumulada no ativo. 
Se a pergunta fosse referente a 20X2, esse valor seria de R$ 200.000 (R$ 
100.000 de 20X1, mais R$ 100.000 de 20X2). Portanto, o gabarito é a alternativa 
B. 
Saiba mais 
Para maiores informações sobre a temática, sugiro a leitura do CPC 04 
(R1) – Ativo Intangível. 
CPC – Comissão de Pronunciamentos Contábeis. CPC 04 (R1) – Ativo 
Intangível. CVM, n. 644, 5 nov. 2011. Disponível em: 
 
 
32 
<http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-
Emitidos/Pronunciamentos/Pronunciamento?Id=35>. Acesso em: 30 jun. 2021. 
TEMA 5 – TESTE DE RECUPERABILIDADE - IMPAIRMENT 
Os ativos devem ser reconhecidos nas demonstrações contábeis pela sua 
capacidade de gerar benefícios econômicos futuros (valor recuperável) para a 
empresa, seja pelo seu uso, seja por sua venda. Um benefício econômico futuro 
se refere à capacidade do ativo de gerar receitas ou reduzir as despesas da 
empresa, ou seja, aumentar as entradas futuras de fluxo de caixa ou reduzir as 
saídas futuras de fluxo de caixa. 
Sempre que um ativo tiver a sua capacidade de geração de benefícios 
econômicos futuros reduzida, então será necessário reduzir o valor recuperável 
por meio do teste de recuperabilidade ou teste de impairment. Por exemplo, se 
a Petter Pão S. A. adquiriu uma máquina por R$ 60.000 em janeiro de 20X1, 
sendo depreciado R$ 11.428,57 no primeiro ano de uso da máquina, ao final de 
20X1, o valor contábil da máquina reconhecido no balanço patrimonial será de 
R$ 48.571,43 (R$ 60.000 de custo de aquisição subtraído da depreciação de R$ 
11.428,57). Dando continuidade, suponha que a Petter Pão S. A. identificou 
evidências de que os benefícios econômicos futuros que podem ser gerados pela 
máquina foram reduzidos. Essa evidência foi identificada com base em um 
relatório elaborado pela empresa que realiza a manutenção do equipamento. 
Após uma projeção de produção da máquina, foi verificado que se a 
empresa se utilizar desta até o final da sua vida útil, serão gerados R$ 47.000 de 
benefícios econômicos. Por sua vez, se a empresa optar pela venda imediata da 
máquina, terá um valor líquido de venda de R$ 46.000 (R$ 48.000 preço de 
venda subtraído de R$ 2.000 de custos de desmontagem e frete que são 
despesas de venda). 
Perceba que há evidências de que o valor máximo que a Petter Pão S.A. 
conseguirá recuperar da máquina é R$ 47.000, pois se vender a máquina, terá 
uma entrada líquida de R$ 46.000 e se optar pelo seu uso até o final da vida útil, 
terá um benefício econômico futuro de R$ 47.000. Então, não faz sentido deixar 
reconhecido no balanço patrimonial uma máquina por R$ 48.571,43, sendo que 
o benefício econômico futuro máximo que ela poderá gerar é de R$ 47.000. 
Nessa situação, é necessário reduzir o valor contábil da máquina de R$ 
 
 
33 
48.571,43 para R$ 47.000, realizando um reconhecimento de perda de valor 
recuperável de R$ 1.571,43. 
Saiba mais 
Antes de abordarmos a contabilização desses valores, vamos explicar 
alguns conceitos básicos sobre essa temática. 
Conceitos essenciais 
Valor contábil: montante pelo qual um ativo está reconhecido no balanço 
patrimonial após as deduções por depreciação, amortização ou exaustão 
acumulada e ajuste para perdas. 
Aplicando a Petter Pão S. A.: será o valor líquido da máquina, ou seja, R$ 
60.000 menos a depreciação de R$ 11.428,57, teremos 48.571,43 de valor 
contábil. 
Valor justo líquido de venda: é o preço que seria recebido pela venda 
de um ativo ou que seria pago pela transferência de um passivo em uma 
transação não forçada, descontado das despesas de vendas. 
Aplicando a Petter Pão S. A.: suponha que a empresa consiga vender a 
máquina por R$ 48.000. Contudo será necessário pagar R$ 1.500 para 
desmontar a máquina e R$ 500 de frete para entregar ao comprador. Então, o 
valor justo de venda é R$ 48.000 e o valor justo líquido de venda é R$ 48.000 
subtraído R$ 2.000 que são as despesas necessárias para vender a máquina, 
resultando em R$ 46.000. 
Valor em uso: é o valor presente dos fluxos de caixa futuros que devem 
advir de um ativo ou de uma unidade geradora de caixa. 
Aplicando a Petter Pão S. A.: é o quanto o uso da máquina conseguirá 
gerar de benefícios econômicos para a empresa. Os produtos fabricados pela 
máquina irão gerar, de forma estimada, R$ 47.000 de benefícios econômicos 
futuros. 
Valor recuperável: é o maior montante entre o seu valor justo líquido de 
despesa de venda e o seu valor em uso. 
Aplicando a Petter Pão S. A.: o valor em uso da máquina é R$ 47.000 e o 
valor justo líquido de despesa de venda são de R$ 46.000, portanto o valor 
recuperável para esse caso é de R$ 47.000 (o maior valor entre os dois). 
O domínio desses conceitos é essencial para a verificação da 
necessidade e possível aplicação do teste de impairment. 
 
 
34 
Em seguida, vamos observar um fluxograma elaborado com base no CPC 
01 (R1) que nos permitirá avaliar em que momento um teste de recuperabilidade 
deverá ser realizado nos ativos imobilizados e ativos intangíveis da empresa. Na 
Figura 11, é apresentado um fluxograma de decisões para a aplicação do teste 
de recuperabilidade, sendo utilizado o exemplo da máquina da Petter Pão S. A. 
Figura 11 – Fluxograma de revisão para aplicação do teste de recuperabilidade 
de ativo aplicado ao caso da Petter Pão S. A. 
 
Fonte: CPC, 2010. 
Perceba que o fluxograma é iniciado por um indicador de perda. Um 
indicador de perda pode ser gerado por fontes internas ou externas à 
organização, por exemplo, um relatório de manutenção da máquina da Petter 
Pão S. A., que é um indicador interno,poderia apontar que a capacidade de 
produção da máquina foi reduzida, consequentemente os benefícios econômicos 
futuros advindos da produção dessa máquina também seriam reduzidos, sendo 
necessário realizar o teste de impairment. 
Mas o que aconteceria se o valor justo líquido de venda ou o valor em uso 
fossem maiores que o valor contábil da máquina (R$ 48.571,43)? Seguindo o 
nosso fluxograma, quando o valor recuperável é maior que o valor contábil, então 
nenhuma perda é reconhecida, mas a máquina ficará reconhecida no ativo pelo 
seu valor contábil. 
 
 
35 
Como regra geral, as empresas devem verificar ao final de cada período 
contábil se há indicativos de desvalorização do seu ativo imobilizado ou 
intangível e, se houver indicativos, realizar o teste de impairment. 
Entretanto, há exceções à regra, por exemplo, independentemente de 
haver indícios de perda de valor recuperável, a empresa deverá testar/analisar 
anualmente o valor recuperável de ativos intangíveis com vida útil indefinida, 
goodwill de combinações de negócios e intangíveis em desenvolvimento. Esse 
teste de redução ao valor recuperável pode ser executado a qualquer momento 
no período de um ano, desde que seja executado todo ano no mesmo período. 
Agora que já vimos as situações em que o teste de recuperabilidade é 
aplicado, que tal verificarmos a contabilização deste procedimento? A seguir, é 
apresentada a contabilização do teste de impairment da Petter Pão S. A: 
1 – Pelo reconhecimento da perda de valor recuperável da máquina – 
31/12/20X1 
D – Perda por redução do valor recuperável - impairment (resultado) R$ 1.571,43 
C – (-) Perda por redução do valor recuperável (ativo imobilizado) R$ 1.571,43 
Tabela 7 – Razonetes 
 
Legenda: sa representa o saldo anterior da conta que foi movimentado no tópico de depreciação. 
Quadro 4 – Representação do grupo no balanço patrimonial da Petter Pão S. A. 
ao final do Ano 1 
 
 
 
 
 
36 
Saiba mais 
Vamos verificar como esta temática é abordada nas provas. 
(Exame de Suficiência – CFC – FBC – Prova 2017.2) Uma Sociedade 
Empresária apresentava em seu Balanço Patrimonial de 31.12.2016, diante da 
presença de indicativo de perda para um determinado ativo imobilizado – mas 
antes da realização do Teste de Redução ao Valor Recuperável –, um 
imobilizado registrado pelo valor contábil de R$ 20.000.000,00, o qual era 
composto pelos seguintes valores: 
• Custo de Aquisição: R$ 24.000.000,00. 
• Depreciação Acumulada: R$ 4.000.000,00. 
Após realizar o Teste de Redução ao Valor Recuperável para este ativo 
imobilizado, a Sociedade Empresária obteve as seguintes informações: 
• Valor em uso do imobilizado: R$ 21.000.000,00. 
• Valor justo líquido das despesas de venda do imobilizado: R$ 
19.000.000,00. 
Considerando-se apenas as informações apresentadas e o que dispõe a 
NBC TG 01 (R3) – Redução ao Valor Recuperável de Ativos, para a correta 
evidenciação dos fatos apresentados nas Demonstrações Contábeis do ano de 
2016, a Sociedade Empresária deve: 
a. manter o valor contábil de R$ 20.000.000,00 no Balanço Patrimonial 
apresentado ao final do ano de 2016. 
b. reconhecer uma perda estimada para redução ao valor recuperável, na 
Demonstração do Resultado do período, no valor de R$ 1.000.000,00. 
c. reconhecer, no resultado do ano de 2016, uma perda estimada para 
redução ao valor recuperável no valor de R$ 3.000.000,00. 
d. reverter parcialmente a Depreciação Acumulada e reconhecer um ganho, 
na Demonstração do Resultado do período, de R$ 1.000.000,00. 
Perceba que o valor recuperável do ativo é R$ 21.000.000 (maior valor 
entre o valor em uso e o valor justo líquido de vendas) e o valor contábil é de R$ 
20.000.000 (custo de aquisição menos depreciação acumulada). Como o valor 
recuperável é maior que o valor contábil, então nenhuma perda deverá ser 
reconhecida, e o ativo continuará sendo reconhecido por R$ 20.000.000 no 
balanço patrimonial. Portanto, o gabarito é a alternativa A. 
 
 
37 
 
 
Saiba mais 
Para mais informações sobre a temática sugiro a leitura do CPC 01 (R1) 
– Redução ao Valor Recuperável de Ativos, bem como do art. 183 da Lei 
6.404/1976. 
CPC – Comitê de Pronunciamentos Contábeis. CPC 01 (R1) – Redução 
ao Valor Recuperável de Ativos. CVM, n. 639, 6 ago. 2010. Disponível em: 
<http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-
Emitidos/Pronunciamentos/Pronunciamento?Id=2>. Acesso em:30 jun. 2021. 
BRASIL. Lei n. 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Diário Oficial da 
União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 17 dez. 1976. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6404consol.htm>. Acesso em: 30 jun. 
2021. 
TROCANDO IDEIAS 
Nesta aula foi possível perceber que o teste de recuperabilidade é uma 
forma de ajustar o valor contábil dos ativos ao seu valor recuperável (quando 
este for menor que o valor contábil reconhecido na contabilidade). Dessa forma, 
apresente dois argumentos que mostrem a importância de realizar o teste de 
recuperabilidade em ativos imobilizados. Contamos com a sua participação no 
fórum da disciplina. 
NA PRÁTICA 
1. A TemPÃO S. A. adquiriu um resfriador industrial por R$ 100.000 para 
armazenar seu estoque de matéria-prima utilizado no processo produtivo. Após 
a aquisição, a empresa contratou uma transportadora para levar o resfriador até 
a sua sede. Além disso, a empresa contratou um profissional para realizar a 
instalação do equipamento pelo qual desembolsou um valor de R$ 3.000. Por 
fim, a empresa estimou que a vida útil deste resfriador será de 9 anos e, ao final 
do período, haverá um gasto de R$ 4.000 para a remoção do equipamento e a 
restauração do local. Nesse sentido, assinale a opção que indica o custo de 
aquisição do equipamento: 
 
 
38 
a. O custo de aquisição do ativo imobilizado será de R$ 100.000, pois o custo 
de aquisição considera o preço de aquisição acrescido de impostos não 
recuperáveis, deduzidos de abatimentos, descontos e impostos 
recuperáveis. 
b. O custo de aquisição do ativo imobilizado será de R$ 103.000, pois o custo 
de aquisição considera o preço de aquisição acrescido de impostos não 
recuperáveis, deduzidos de abatimentos, descontos e impostos 
recuperáveis somado ao custo de transporte. 
c. O custo de aquisição do ativo imobilizado será de R$ 104.000, pois o custo 
de aquisição considera exclusivamente o preço de aquisição acrescido de 
impostos não recuperáveis, deduzidos de abatimentos, descontos e 
impostos recuperáveis, juntamente com todos os custos necessários para 
colocar o ativo imobilizado no local em condições de funcionamento. 
d. O custo de aquisição do ativo imobilizado será de R$ 107.000, pois o custo 
de aquisição considera o preço de aquisição acrescido de impostos não 
recuperáveis, deduzidos de abatimentos, descontos e impostos 
recuperáveis, juntamente com os custos necessários para colocar o ativo 
imobilizado no local em condições de funcionamento, bem como a 
estimativa inicial dos custos de desmontagem e remoção do item e 
restauração do local em que estava instalado. 
2. Avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas. 
I – No método de equivalência patrimonial o valor do investimento no balanço 
patrimonial da investidora equivale ao seu percentual de participação no 
patrimônio líquido da investida; PORQUE 
II – O método de equivalência patrimonial é utilizado na avaliação de todos 
os investimentos realizados em outras sociedades. 
Assinale a alternativa correta. 
a. As asserções I e II são proposições verdadeiras e a II é uma justificativa 
da I. 
b. A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa. 
c. A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira. 
d. As asserções I e II são proposições falsas. 
3. A TemPÃO S. A. possui um ativo imobilizado adquirido por R$ 40.000, 
o qual possui R$ 5.000 de depreciação acumulada. Após uma enchente ocorrida 
 
 
39 
naempresa, foi verificado que o ativo imobilizado sofreu avarias, que o seu valor 
justo líquido de vendas é de R$ 28.000 e que os benefícios econômicos futuros 
gerados pela sua utilização é de R$ 25.000. Com base nessas informações, qual 
é o procedimento correto a ser adotado pela TemPÃO S. A.? 
a. Não realizar o reconhecimento de nenhum valor de perda por redução do 
valor recuperável do ativo, visto que não há indicativos de perda. 
b. Reconhecer uma perda por redução do valor recuperável do ativo de R$ 
12.000. 
c. Reconhecer uma perda por redução do valor recuperável do ativo de R$ 
10.000. 
d. Reconhecer uma perda por redução do valor recuperável do ativo de R$ 
9.000. 
e. Reconhecer uma perda por redução do valor recuperável do ativo de R$ 
7.000. 
FINALIZANDO 
Nesta aula, abordamos os tipos de investimentos permanentes que 
podem ser realizados por uma organização. Pudemos notar a importância de 
diferenciar empresas coligadas, controladas e controladas em conjunto frente a 
outros tipos de participações societárias. Além disso, as propriedades para 
investimentos que são muito comuns em algumas atividades empresariais 
também foram abordadas. 
Em seguida, nos aprofundamos no estudo dos ativos imobilizados e do 
processo de depreciação, exaustão, ativos intangíveis e amortização. Por fim, 
conseguimos notar como é relevante aplicar o teste de recuperabilidade a fim de 
representar de forma fidedigna o valor dos ativos das empresas. 
 
 
 
 
40 
REFERÊNCIAS 
BRASIL. Lei n. 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Diário Oficial da União, 
Poder Legislativo, Brasília, DF, 17 dez. 1976. 
brMALLS. Central de Resultados. brMalls, 2020. Disponível em: 
<https://ri.brmalls.com.br/conteudo_pt.asp?idioma=0&conta=28&tipo=50861>. 
Acesso em: 30 jun. 2021. 
CPC – Comitê de Pronunciamentos Contábeis. CPC 01 (R1) – Redução ao Valor 
Recuperável de Ativos. CVM, n. 639, 6 ago. 2010. Disponível em: 
<http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-
Emitidos/Pronunciamentos/Pronunciamento?Id=2>. Acesso em:30 jun. 2021. 
_____. CPC 04 (R1) – Ativo Intangível. CVM, n. 644, 5 nov. 2011. Disponível em: 
<http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-
Emitidos/Pronunciamentos/Pronunciamento?Id=35>. Acesso em: 30 jun. 2021. 
_____. CPC 18 (R2) - Investimento em Coligada, em Controlada e em 
Empreendimento Controlado em Conjunto, de 2012. CVM, n. 696, 7 de dez. 
2012a. Disponível em: <http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-
Emitidos/Pronunciamentos/Pronunciamento?Id=49>. Acesso em: 30 jun. 2021. 
_____. CPC 19 (R2) – Negócios em Conjunto. CVM, n. 694, 9 nov. 2012b. 
Disponível em: <http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-
Emitidos/Pronunciamentos/Pronunciamento?Id=50>. Acesso em: 30 jun. 2021. 
_____. CPC 27 – Ativo Imobilizado. CVM, n. 583, 26 jun. 2009a. Disponível em: 
<http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-
Emitidos/Pronunciamentos/Pronunciamento?Id=58>. Acesso em: 30 jun. 2021. 
_____. CPC 28 – Propriedade para Investimento. CVM, n. 584, 26 jun. 2009b. 
Disponível em: <http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-
Emitidos/Pronunciamentos/Pronunciamento?Id=59 >. Acesso em: 30 jun. 2021. 
_____. CPC 31 - Ativo Não Circulante Mantido para Venda e Operação 
Descontinuada. CVM, n. 598, 17 jul. 2009c. 
_____. CPC 36 (R3) – Demonstrações Consolidadas. CVM, n. 698, 7 dez. 2012c. 
Disponível em: <http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-
Emitidos/Pronunciamentos/Pronunciamento?Id=67>. Acesso em: 30 jun. 2021. 
 
 
41 
_____. CPC 48 – Instrumentos Financeiros. CVM, n. 763, 4 nov. 2016. 
Disponível em: <http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-
Emitidos/Pronunciamentos/Pronunciamento?Id=106>. Acesso em: 30 jun. 2021. 
GELBECK, E. R. et al. Manual de contabilidade societária. São Paulo: 
Gen/Atlas, 2018. 
GRENDENE. Demonstrações financeiras padronizadas. Grandene, 2020. 
Disponível em: 
<http://static.grendene.aatb.com.br/IFRS_DFP/1756_DFP_2020.pdf>. Acesso 
em: 30 jun. 2021. 
SALOTTI, B. et al. Contabilidade financeira. São Paulo: Gen Atlas, 2019. 
 
 
 
42 
GABARITO 
Na Prática 
1. Justificativa/Gabarito 
Segundo o CPC 27 - Ativo Imobilizado (CPC, 2009a), o custo de aquisição 
do ativo imobilizado engloba o valor preço de aquisição do bem, deduzido dos 
descontos ou abatimentos obtidos juntamente com os descontos recuperáveis. 
Além disso, são somados os custos que são gastos para deixar o bem no local 
e em condições de funcionamento, juntamente com a estimativa dos gastos de 
desmontagem e remoção e restauração do local no qual o ativo estava instalado. 
Portanto, o gabarito é a letra D. 
2. Justificativa/Gabarito 
O método de equivalência patrimonial tem por objetivo atualizar o valor do 
investimento em outra sociedade de acordo com o percentual de participação da 
investidora no patrimônio líquido da investida, portanto a asserção I é verdadeira. 
Por sua vez, o método de equivalência patrimonial somente é utilizado em 
investimentos permanentes em outras sociedades as quais a empresa exerce 
influência significativa ou é controladora/controlada em conjunto. Para as 
controladoras, a sua aplicação ocorre somente nas demonstrações individuais, 
visto que há a exclusão do investimento na demonstração consolidada. Logo a 
assertiva II é falsa, e a I é verdadeira, sendo o gabarito a letra B. 
3. Justificativa/Gabarito 
Seguindo o nosso fluxograma para a avaliação do teste de impairment, 
primeiramente vimos que há um indicativo de perda de valor, visto que, após 
uma enchente, o valor em uso, bem como o valor justo líquido de vendas do ativo 
foram alterados. Ao analisar o valor recuperável do ativo, nota-se que o valor 
justo líquido de vendas é de R$ 28.000, sendo maior que o valor em uso (R$ 
25.000), logo o primeiro será utilizado como proxy do valor recuperável. Em 
seguida, percebe-se que o valor recuperável é menor que o valor contábil do 
ativo imobilizado (custo de aquisição de R$ 40.000 subtraído da depreciação 
acumulada de R$ 5.000 = R$ 35.000), portanto uma perda deverá ser 
reconhecida. O valor da perda por redução do valor recuperável do ativo será a 
diferença do valor recuperável (R$ 28.000) perante o valor contábil (R$ 35.000), 
sendo necessário um reconhecimento de R$ 7.000. Logo, o gabarito é a letra E.

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