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ORIENTAÇÕES PARA RECUPERAÇÃO – III ETAPA 2019 – LÍNGUA PORTUGUESA – 8.º ANO/EF LÍNGUA PORTUGUESA – 8.º ANO/EF A Recuperação é uma estratégia do processo educativo que visa à superação de dificuldades específicas encontradas pelo aluno durante a Etapa Letiva. Trata-se de uma oportunidade para que o aluno possa desenvolver as competências e as habilidades contempladas nos componentes curriculares e, dessa forma, alcançar o desempenho esperado. Segue abaixo a relação de Objetos de Conhecimentos e Habilidades que serão verificados na Avaliação de Recuperação. OBJETOS DE CONHECIMENTO HABILIDADES Morfossintaxe (EF08LP08) Identificar, em textos lidos ou de produção própria, verbos na voz ativa e na voz passiva, interpretando os efeitos de sentido de sujeito ativo e passivo (agente da passiva). (EF08LP13) Inferir efeitos de sentido decorrentes do uso de recursos de coesão sequencial: conjunções e articuladores textuais. Modalização (EF08LP16) Explicar os efeitos de sentido do uso, em textos, de estratégias de modalização e argumentatividade (sinais de pontuação, adjetivos, substantivos, expressões de grau, verbos e perífrases verbais, advérbios etc.). Efeitos de sentido (EF69LP05) Inferir e justificar, em textos multissemióticos – tirinhas, charges, memes, gifs etc. —, o efeito de humor, ironia e/ou crítica pelo uso ambíguo de palavras, expressões ou imagens ambíguas, de clichês, de recursos iconográficos, de pontuação etc. Análise de textos legais/normativos, propositivos e reivindicativos (EF69LP27) Analisar a forma composicional de textos pertencentes a gêneros normativos/ jurídicos e a gêneros da esfera política, tais como propostas, programas políticos (posicionamento quanto a diferentes ações a serem propostas, objetivos, ações previstas etc.), propaganda política (propostas e sua sustentação, posicionamento quanto a temas em discussão) e textos reivindicatórios: cartas de reclamação, petição (proposta, suas justificativas e ações a serem adotadas) e suas marcas linguísticas, de forma a incrementar a compreensão de textos pertencentes a esses gêneros e a possibilitar a produção de textos mais adequados e/ou fundamentados quando isso for requerido. Reconstrução da textualidade e compreensão dos efeitos de senti- dos provocados pelos usos de recursos linguísticos e multisse- mióticos (EF69LP48) Interpretar, em poemas, efeitos produzidos pelo uso de recursos expressivos sonoros (estrofação, rimas, aliterações etc), semânticos (figuras de linguagem, por exemplo), gráfico- -espacial (distribuição da mancha gráfica no papel), imagens e sua relação com o texto verbal. ORIENTAÇÕES PARA RECUPERAÇÃO – III ETAPA 2019 – LÍNGUA PORTUGUESA – 8.º ANO/EF OBJETOS DE CONHECIMENTO HABILIDADES Variação linguística (EF69LP56) Fazer uso consciente e reflexivo de regras e normas da norma-padrão em situações de fala e escrita nas quais ela deve ser usada. Argumentação: movimentos argumentativos, tipos de argumento e força argumentativa (EF89LP14) Analisar, em textos argumentativos e propositivos, os movimentos argumentativos de sustentação, refutação e negociação e os tipos de argumentos, avaliando a força/tipo dos argumentos utilizados. Modalização (EF89LP16) Analisar a modalização realizada em textos noticiosos e argumentativos, por meio das modalidades apreciativas, viabilizadas por classes e estruturas gramaticais como adjetivos, locuções adjetivas, advérbios, locuções adverbiais, orações adjetivas e adverbiais, orações relativas restritivas e explicativas etc., de maneira a perceber a apreciação ideológica sobre os fatos noticiados ou as posições implícitas ou assumidas. Morfossintaxe (EF08LP13) Inferir efeitos de sentido decorrentes do uso de recursos de coesão sequencial: conjunções e articuladores textuais. Estratégia de leitura: apreender os sentidos globais do texto Apreciação e réplica (EF89LP04) Identificar e avaliar teses/opiniões/posicionamentos explícitos e implícitos, argumentos e contra-argumentos em textos argumentativos do campo (carta de leitor, comentário, artigo de opinião, resenha crítica etc.), posicionando-se frente à questão controversa de forma sustentada. CAMPO ARTÍSTICO-LITERÁRIO Extraordinário. R. J. Palacio – Trad. de Rechel Agavino Berimbau e outros poemas. Manuel Bandeira (Seleção Elias José) SUGESTÕES DE ATIVIDADES 01. Analise o emprego das conjunções “e” e “por isso” na tira e responda à questão. ARRUDA, Maria Tereza R. Campos. Projeto Athos: língua portuguesa, 8.º ano – São Paulo: FTD, 2014. p. 265. No primeiro quadrinho, há um período composto por coordenação ou subordinação? JUSTIFIQUE a resposta. ORIENTAÇÕES PARA RECUPERAÇÃO – III ETAPA 2019 – LÍNGUA PORTUGUESA – 8.º ANO/EF 02. Leia o texto. Morador de rua 'usa' máquina de cartão para pedir esmola no semáforo "Ô Japonêeees, vem cá! Esse negócio que você inventou de passar cartão vai sair no jornal!", grita o mecânico do outro lado da avenida Rudge, no Bom Retiro, região central. "Japonês" é Alessandro de Assis Koga, 36 — completados nesta terça-feira (30) —, um cara bastante improvável. Nissei, ele diz ter vivido oito anos no Japão trabalhando em fábricas como a Suzuki. No canteiro central da avenida, mora numa barraca de lona mais limpa e arrumada que muita casa. Sobrevive do que arrecada no semáforo — e para isso "usa" uma máquina de cartões de crédito e débito. Improvável, mas não impossível. "Boa tarde, abençoado. Fortalece o meu lado? Não tem trocado? Sem problema", apresenta a maquininha ao motorista de uma SUV preta. "Crédito é, no máximo em cinco parcelas, ok?", completa ele — sem explicar inicialmente que, na verdade, a máquina não funciona. Vez por outra, causa espanto nos motoristas que param na esquina da Rudge com a rua Norma Pieruccini Giannotti, bem em frente à sede da LBV (Legião Brasileira da Boa Vontade) — um prédio amplo com o rosto de Jesus Cristo pintado na fachada. Para quem arregala o olho, ele se explica. Achou a máquina jogada na esquina durante uma madrugada chuvosa. Até funcionava na hora, mas não é para isso que ele quer. "Quem vai me dar o cartão assim? O negócio é que faz o cara prestar atenção em você, dar risada", afirma. Para quem arranca com o carro, faz cara feia ou parece estar morrendo de medo, melhor não explicar nada, só agradecer. "Se não der certo, é porque não ia dar de jeito nenhum mesmo", diz a companheira de Alessandro, Regiane Souza Rodrigues, 43 — a responsável pelo asseio impecável da barraca. Juntos há quatro anos, os dois não se largam. "Desculpe a bagunça e não ter nada para te oferecer, só essas balinhas", diz à reportagem a mulher nascida em Belém. Quem trabalha por ali conhece bem o casal. "São gente boa, não causam problema com ninguém e são extremamente limpos", diz o mecânico Everton de Oliveira, 34, ainda se divertindo com a exposição do "Japonês". Alessandro aprendeu a "não causar problema" quando foi para a rua. Há regras a serem seguidas. A avenida onde ele vive tem três faixas de cada lado; a mais perto da calçada é reservada às mulheres e aos mais velhos. O casal está há cerca de um ano com a barraca no local. Antes do inverno, o "rapa" (fiscalização municipal) costumava tirá-los. "Agora, com o frio, ninguém incomoda, não", afirma Regiane. Nenhum dos dois têm qualquer tipo de documento — segundo eles, levados pelo "rapa" — o que costuma causar ainda mais dificuldades. "A gente fazia uns cursos aí pelo Boracéa", afirma a mulher. "Agora acabou tudo, não tem mais nada". A prefeitura diz que o centro de acolhida atende atualmente 1.320 moradores em situação de rua e que os cursos continuam normalmente... Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2016. Acesso em: 01 set.2016. (Adaptado). No texto I, predominam informações ou comentários sobre o assunto? JUSTIFIQUE sua resposta, incluindo, na justificativa, umexemplo do texto. 03. Leia o texto. Prezado editor, Li a matéria publicada na edição de 6 de julho, sobre os acidentes envolvendo motociclistas, e queria dizer que discordo de uma parte do que foi escrito, ou seja, sobre os causadores dos acidentes envolvendo carros e motos, um contra o outro. Na minha opinião, ao contrário do que foi escrito, creio firmemente que, em tais situações, quem mais causa acidentes são os condutores de veículos de quatro rodas, até mesmo por uma questão de lógica; sendo a moto um transporte tão vulnerável, chega a ser inconcebível e ao mesmo tempo cômico que alguém, conduzindo-a, contribua para a causa de acidentes em que se envolva, eis que muito provavelmente só danos irá colher; é o único resultado alcançado nessas situações, ou sempre quando um veículo de menor porte bate em outro de porte maior. Saudações, J. B. Motociclista – Mossoró, RN SARMENTO, Leila Lauar. Português: Leitura, produção, gramática. 8ºano. 3ed. – São Paulo: Moderna, 2009.p.319. ORIENTAÇÕES PARA RECUPERAÇÃO – III ETAPA 2019 – LÍNGUA PORTUGUESA – 8.º ANO/EF De acordo com o texto, o leitor escreve para contestar o conteúdo de uma matéria jornalística publicada. a) O que o leitor está contestando? JUSTIFIQUE. b) EXPLIQUE qual é a lógica utilizada pelo remetente da carta para sustentar seu argumento de contestação. 04. Leia o texto. ALGUMAS FLORES O quitandeiro Manuel transportava entre os seus legumes e verduras um ramo de flores. Escolhia a mais bonita e dizia: “Esta é para a menina”. A menina olhava para a flor, tomava-lhe o perfume, não se sentia digna de tanta maravilha e colocava-a num copo, diante do Santo ou levava-o para a professora. (Houve um tempo em que as crianças, espontaneamente, sabiam amar e venerar.) Minha amiguinha Josefina passava o dia a fazer raminhos de flores que as senhoras daquele tempo usavam no peito ou na cintura. [...] Houve um tempo em que os namorados se comunicavam através das flores; não sei se diriam sempre coisas belas; mas as palavras de que se utilizavam eram rosas, cravos e cravinas, dálias e violetas, um dicionário imenso e colorido, que se dispunha de diferentes modos, como fazem os poetas. Lia-se flores como, hoje, através do alfabeto. Talvez com essa linguagem poética as pessoas se entendessem melhor. MEIRELES, Cecília, Crônicas para jovens. São Paulo: Global, 2012. p. 30. (Fragmento). Qual é a importância das flores para a construção do sentido dessa crônica? 05. Leia o anúncio a seguir. UNIMED. Folheto; maio. 2017 ORIENTAÇÕES PARA RECUPERAÇÃO – III ETAPA 2019 – LÍNGUA PORTUGUESA – 8.º ANO/EF a) No anúncio, destacam-se duas expressões: “Sorria” e “Faça as contas”. IDENTIFIQUE o modo verbal a que pertencem as formas verbais presentes nas expressões e EXPLIQUE a importância desse modo para o anúncio cumprir sua finalidade. b) EXPLIQUE como pode ser entendida a expressão “Sorria” no contexto do anúncio. 06. Leia os textos. TEXTO I Sabiás Românticos Se eu disser que o mês de agosto chega no bico dos sabiás – quem vai entender? Quem vai me entender, se eu disser que entre as névoas da manhã, sabiás invisíveis — nas mangueiras? Nos ipês? — anunciam o céu azul e o dia mesmo? Ninguém sabe mais o nome das aves. As aves desapareceram com as muralhas de cimento armado, com os fios que cruzam os ares, com a fumaça e os ruídos da cidade hostil. MEIRELES, Cecília. Crônicas para Jovens. São Paulo:Global, 2012. P. 21. (Fragmento) TEXTO II OLHE O PASSARINHO Brasil é o segundo país do mundo com a maior diversidade de aves, que podem ser observadas em serras, parques e chapadas de Norte a Sul. Conhecida internacionalmente como birdwatching, a observação das aves vem ganhando cada vez mais adeptos e novos destinos no Brasil.Atualmente são 35 mil o número de birdwatchers, de acordo com a Avistar Brasil, ONG que organiza o maior encontro de observação de aves da América Latina. Quem quer virar um birdwatcher pode começar pelas aves mais comuns, como bem-te-vi, sabiá-laranjeira, beija-flor e periquitos. Folha de São Paulo: 30 mar. 2017. Turismo, D1,4. Os textos I e II apresentam, em sua temática, abordagem relacionada a pássaros. Que visão tem o locutor do texto II sobre esse assunto? JUSTIFIQUE a sua resposta. 07. Leia o poema. Paraíso Se esta rua fosse minha, eu mandava ladrilhar, não para automóvel matar gente, mas para criança brincar. Se esta mata fosse minha, eu não deixava derrubar. Se cortarem todas as árvores, onde é que os pássaros vão morar? AGUIAR, Vera (Coord.); CASTILHOS,Laura; JACOBY, Sissa. Poesia fora da estante. 23. ed. Porto Alegre: Projeto, 2015.p. 115 ( Fragmento) IDENTIFIQUE a conjunção que liga as orações em destaque e EXPLIQUE o sentido que essa conjunção estabelece entre elas, considerando as intenções do eu lírico. ORIENTAÇÕES PARA RECUPERAÇÃO – III ETAPA 2019 – LÍNGUA PORTUGUESA – 8.º ANO/EF 8. Leia o texto. Coragem “A pior coisa do mundo é a pessoa não ter coragem na vida”. Pincei essa frase do relato de uma moça chamada Florescelia, nascida no Ceará e que passou ( e vem passando) poucas e boas: a morte da mãe quando tinha dois anos, uma madrasta cruel, uma vida sem porto fixo, sem emprego fixo, mas com sonhos diversos que lhe servem de sustentação. Ela segue em frente porque tem o combustível que necessitamos para trilhar o longo caminho desde o nascimento até a morte. Coragem. Quando eu era pequena, achava que coragem era o sentimento que designava o ímpeto de fazer coisas perigosas, e por perigoso eu entendia, por exemplo, andar de tobogã, aquela rampa alta e ondulada em que a gente descia sentada sobre um saco de algodão ou coisa parecida. Por volta dos nove anos, decidi descer o tobogã, mas na hora H, amarelei. Faltou coragem. Assim como faltou também no dia em que meus pais resolveram ir até a Ilha dos Lobos, em Torres, num barco de pescador. No momento de subir no barco, desisti. Foram meu pai, minha mãe, meu irmão, e eu retornei sozinha, caminhando pela praia, até a casa da vó. Muita coragem me faltou na infância: até para colar durante as provas eu ficava nervosa. Mentir para pai e mãe, nem pensar. Ir de bicicleta até ruas muito distantes de casa, não me atrevia. Travada desse jeito, desconfiava que meu futuro seria bem diferente do das minhas amigas. Até que cresci e segui medrosa para andar de helicóptero, escalar vulcões, descer corredeiras d’água. No entanto, aos poucos fui descobrindo que mais importante do que ter coragem para aventuras de fim de semana, era ter coragem para aventuras mais definitivas, como a de mudar o rumo da minha vida se preciso fosse. Coragem, mesmo, é preciso para terminar um relacionamento, trocar de profissão, abandonar um país que não atende nossos anseios, dizer não para propostas lucrativas porém vampirescas, optar por um caminho diferente do da boiada, confiar mais na intuição do que em estatísticas, arriscar-se a decepções para conhecer o outro lado da vida convencional. E, principalmente, coragem para enfrentar a própria solidão e descobrir o quanto ela fortalece cada ser humano. Não subi no barco quando criança – e não gosto de barcos até hoje. Vi minha família sair em expedição pelo mar e voltei sozinha pela praia, uma criança ainda, caminhando em meio ao povo, acreditando que era medrosa. Mas o que parecia medo era a coragem me dando as boas-vindas, me acompanhando naquele recuo solitário, quando aprendi que toda escolha requer ousadia. MEDEIROS, Marta. A graça das coisas. Porto Alegre – RS: L&PM, 2014. p.90-91 (adaptado). Nota-se no texto uma exposição subjetiva sobre o conceito de coragem. Nessa exposição, como a coragem foi definida? JUSTIFIQUE com elementos do texto. 09. Leia o texto a seguir. LAMENTO PELA CIDADE PERDIDA Minha querida cidade, que te aconteceu, que já não te reconheço? Procuro-te em todas as tuas extensões e não te encontro. Para ver-te,preciso alcançar os espelhos da memória. Da saudade. E então sinto que deixaste de ser, que estás perdida. Ah! cidade querida, edificada entre água e montanha, com tuas matas ainda repletas de pássaros; com teus bairros cercados de jardins e pianos; com tuas casas sobrevoadas por pombos, eras o exemplo da beleza simples e gentil. De janela a janela, cumprimentavam-se os vizinhos; os vendedores, pelas ruas, passavam a cantar; as crianças eram felizes em seus quintais, entre as grandes árvores; tudo eram cortesias, pelas calçadas, pelos bondes, ao entrar por uma porta, ao sentar a uma mesa. Bons tempos, minha querida cidade, em que éramos pobres e amáveis! Sabíamos ser alegres, mas não tanto que ofendêssemos os tristes; e em nossa tristeza havia suavidade, porque éramos pacientes e compreensivos. Acreditávamos nos valores do espírito: e neles fundávamos a nossa grandeza e o nosso respeito. Mesmo quando não tínhamos muito, sabíamos partilhar o que tivéssemos com amor e delicadeza. Passávamos pelo povo mais hospitaleiro do mundo, mas esquecíamos a fama, para não nos envaidecermos com ela. ORIENTAÇÕES PARA RECUPERAÇÃO – III ETAPA 2019 – LÍNGUA PORTUGUESA – 8.º ANO/EF Ah! cidade querida, tinhas festas realmente festivas, com sinos e foguetes, procissões e préstitos, comidas e doces tradicionais. Continuávamos o passado, embora caminhando para o futuro. Tínhamos carinho pela nossa bagagem de lembranças, pela experiência dos nossos mortos, que desejávamos honrar. Prezávamos tanto os nossos avós como desejávamos que viessem a ser prezados os nossos filhos. Éramos elos de uma corrente que não queríamos, de modo algum, obscurecer. Éramos modestos e cordiais, sensíveis e discretos. E eis que tudo isso, que era a tua virtude e o teu encanto, desapareceu de súbito, porque uma ambição de grandeza e riqueza toldou a tua beleza tranquila. Como resistiriam os pássaros e as flores aos teus agressivos muros de cimento armado? E os jovens, bruscamente desorientados? Ah! não se pensou nisso... E assim, minha querida cidade, a juventude tem perdido a generosidade, a maturidade tem esquecido sua prudência, e a velhice sua sabedoria: todos aqui têm ficado menores, e meio pobres, à medida que aumentam a tua riqueza e a tua grandeza. E então eu me pergunto que grandeza, que riqueza são essas que fazem diminuir e empobrecer os teus habitantes. Que fundamento funesto existe nessa riqueza e nessa grandeza que, à sua sombra, os homens se tornam mesquinhos, perversos, ardilosos de pensamento e ferozes de coração. Ah! cidade querida, bem sei que tudo isto foi feito por aqueles que não te amaram: os que não te entenderam nem protegeram. Mas, prisioneira agora de tantas emboscadas — poderemos ainda salvar-te? Arrancar-te às falsidades em que te enredaram? Restituir-se o antigo rosto, simples e natural, onde beleza e bondade se confundiam? Poderemos tornar a ver-te, cordial e afetuosa como foste, sem pecados e crimes em cada esquina, — sem este peso de egoísmo e vaidade, de cobiça e de ódio que hoje toldam e enegrecem a tua verdadeira imagem? MEIRELES, Cecília. Crônicas para jovens. São Paulo: Global, 2012. p. 65-66. Leia o seguinte comentário. “A crônica foi um exercício cotidiano de expressão em torno das questões que ocuparam grande parte da vida de Cecília Meireles.” CUNHA, Antonieta. In: MEIRELES, Cecília. Crônicas para jovens. São Paulo: Global, 2012. (Fragmento). a) Pode-se afirmar que o Texto Lamento pela cidade perdida, Cecília Meireles, exemplifica esse comentário? JUSTIFIQUE sua resposta com elementos do texto. b) Releia este trecho. “Minha querida cidade, que te aconteceu, que já não te reconheço?”. Nesse trecho, nota-se que a autora Cecília Meireles coloca a cidade como sua interlocutora. Qual é a intenção da cronista ao “conversar” com a cidade? Morador de rua 'usa' máquina de cartão para pedir esmola no semáforo