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Programa de Educação Continuada a Distância Curso de Atendimento em Nutrição MÓDULO III Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este Programa de Educação Continuada. É proibida qualquer forma de comercialização do mesmo. Os créditos do conteúdo aqui contido são dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas. Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores 41 MÓDULO III 5 PRÁTICA AMBULATORIAL A intervenção nutricional tem como objetivo a prevenção de doenças à proteção de uma vida mais saudável conduzindo ao bem-estar geral de um paciente. A educação e aconselhamento nutricional é o processo pelo qual os clientes são efetivamente auxiliados a selecionar e implementar comportamentos desejáveis de nutrição e estilo de vida. Assim, o resultado desde processo é a mudança de comportamento e não somente a melhora do conhecimento sobre nutrição. A mudança desejada de um comportamento deve ser específica às necessidades e a situação de cada paciente. Um cliente aderente aceita que a causa para o tratamento recomendado é real e que existem benefícios à saúde quando se seguem as prescrições, ou riscos quando não são seguidas. É mais provável que ele siga a prescrição se sentir que a aderência é de seu próprio interesse. Um momento particularmente difícil é o diagnóstico de uma doença, quando a depressão, a negação, a raiva ou a barganha podem sobrepor-se aos esforços de lidar com o problema. É preciso reconhecer que este existe e de fato querer mudá- lo. Sem esse desejo interno de cada indivíduo, todo o trabalho de educação não é efetivo. O conselheiro nutricional é apenas um facilitador das mudanças de comportamento que e dá apoio nutricional, auxilia na identificação de problemas nutricionais e de estilo de vida, sugere comportamentos a serem modificados e facilita a compreensão e o controle do cliente. Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores 42 5.1 ESTRUTURAÇÃO DETALHADA PARA ATENDIMENTO AMBULATORIAL O atendimento em nutrição sistematizado é aquele que considera o paciente nos aspectos biopsicossociais relacionados entre si, promovendo, por meio dos diferentes membros da equipe multiprofissional, a visão global das necessidades do indivíduo, o que determina a eficiência nas ações de saúde. Para que o sistema funcione de maneira satisfatória, todas as áreas que compõem o atendimento nutricional devem caminhar concomitantemente e, para isso, há necessidade de muita organização e método. A organização do trabalho no plano micro se dissipa até o macro, determinado o sucesso das ações como um todo. O atendimento nutricional é uma dessas engrenagens. Para a elaboração sistematizada do atendimento nutricional, a primeira questão a ser analisada é o tipo de empresa em que estaremos inserindo este serviço e sua filosofia. Independentemente da complexidade da corporação, ou seja, em um consultório particular, em uma pequena clinica administrada e operacionalizada por profissionais de saúde, em uma grande assistência medica que ofereça serviço ambulatorial e/o domiciliário ou em um estabelecimento comercial que tenha atendimento nutricional, há a necessidade de se instituir uma filosofia, pois a eficiência deste trabalho depende de uma direção bem definida e organizada. No caso de um consultório próprio, a primeira coisa é estabelecer o público que se deseja atingir, assim como a realidade de mercado para o negócio. A segunda etapa é estabelecer o valor financeiro que poderá ser disponibilizado inicialmente para as despesas mensais fixas, como aluguel, impostos, luz, telefone, secretária, materiais de limpeza, de papelaria, etc. Em seguida, é a procura do local, que deve se adequar ao valor disponível, ser de fácil acesso para os pacientes e de tamanho adequado para que não tenha custo inicial acima do necessário. Depois das instalações físicas, recursos humanos estabelecidos e contratados, móveis e materiais adquiridos, inicia-se a divulgação Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores 43 por meio de contatos pessoais, contatos com profissionais da área de saúde em geral, com propagandas em jornais e revistas, folders, internet etc. No caso de atendimento nutricional em clínicas formadas por profissionais da saúde sob duas opções: aquela em que os profissionais dividem apenas os custos, mas não tem obrigatoriamente uma ligação entre si no que tange aos clientes e atendimentos. O valor despendido pode ser menor do que se estivesse sozinho no local, mas a dificuldade na manutenção é a mesma, pois mesmo com excelente divulgação, localização, indicações de colegas e interesse telefônico por parte da população, o entrave está sempre na questão cultural e principalmente financeira. A segunda opção é aquela em que o nutricionista está interligado aos demais membros da equipe, principalmente médicos, no que tange ao percentual ao nutricionista pelos pacientes atendidos, sobre o valor total recebido pelo médico. Esta pode ser uma boa opção, dependendo dos objetivos de cada profissional. No caso do atendimento nutricional em assistências médicas, o serviço pode ser administrado pela própria instituição ou por empresa terceirizada. A estrutura para o atendimento ambulatorial pode se localizar tanto na própria empresa como ser estabelecido local fixo, próprio para a prestação deste serviço. Em algumas assistências médicas há a possibilidade de se usufruir de uma excelente estrutura física para o atendimento, com ótimas instalações, disponibilidade de microcomputador, aparelho para bioimpedanciometria, adipômetro, aparelhos para medida de glicemia e colesterol capilar, discussões de casos clínicos frequentes entre profissionais, adequação dos objetivos empresariais à ética profissional, etc. Isto demonstra que o controle de custos é importante para a sobrevivência de qualquer empresa, e com ética profissional pode-se oferecer um atendimento de qualidade. Após conhecer a empresa na qual o acompanhamento nutricional será inserido, bem como as instalações e os recursos disponíveis, o próximo passo é estabelecer qual o objetivo deste serviço prestado, de acordo com a filosofia da instituição e o entendimento da mesma quanto ao atendimento nutricional. Podemos citar exemplos como: Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores 44 Uma assistência médica ou programa de check-up que oferece e entende o acompanhamento nutricional (ambulatorial de prevenção em saúde), como um diferencial em relação às demais do mercado. Uma assistência médica que oferece o atendimento e o acompanhamento nutricional domiciliário como simples parte integrante das ações multiprofissionais em saúde. Uma assistência médica que oferece e entende o acompanhamento nutricional domiciliário como parte integrante das ações preventivas de saúde com o propósito de evitar que pacientes com quadros patológicos crônicos reagudizem, acarretando internações hospitalares precoces ou desnecessárias, auxiliando no controle de custos com este tipo de internação hospitalar ou com quadros provenientes do mau estado nutricional. Uma assistência médica que oferece o atendimento e o acompanhamento nutricional ambulatorial como parte de um programa de atenção à saúde preventivo e curativo, destinado a um segmento específico, visando a melhoria da qualidadede vida, diferenciação da empresa no mercado, fidelização do cliente e redução de custos relacionados com a utilização desnecessária, pelos pacientes, dos recursos disponíveis. Quando já definido em que empresa se está, o que se tem disponível, qual a filosofia a ser seguida e o motivo de estar se oferecendo o atendimento em nutrição neste local, inicia-se a sistematização do serviço a ser prestado com a elaboração de um planejamento que deve abranger os seguintes pontos: Objetivo geral do atendimento nutricional onde se define quais são os objetivos do atendimento, ou seja, um produto oferecido como estratégia de marketing e diferencial competitivo para a empresa, como simples parte da equipe multiprofissional. Objetivos específicos do atendimento onde se detalha os benefícios que podem ser obtidos pela empresa com o atendimento em nutrição. É o momento oportuno para mostrá-lo como sendo imprescindível ao sucesso do novo empreendimento da instituição. Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores 45 Instalações físicas onde se descrevem todos os aspectos previamente disponibilizados ou necessários à operacionalização do atendimento, como sala, mobiliário etc. Equipamentos e recursos onde deve-se listar os itens necessários já disponibilizados, como computadores, aparelhos para avaliação nutricional, transporte etc. Atividades a serem desenvolvidas onde cita-se as consultas clínicas, palestras para grupos de pacientes, palestras em empresas, workshops etc. Fluxograma de atendimento onde se desenha de maneira detalhada e esquematizada o acesso do paciente a consulta, sua recepção no local, atendimento clínico e a possibilidade de uma consulta de retorno. Vejamos abaixo uma sugestão de fluxograma: Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores 46 Protocolos operacionais de atendimento onde se ajustam situações para se manter a organização e o método do atendimento em cada local. Abaixo temos um modelo de roteiro como sugestão para controle do atendimento nutricional: 1ª CONSULTA 1) Nutricionista chama o paciente pelo nome para a sala e o convida a entrar com simpatia e cordialidade; 2) Nutricionista se apresenta e fala do currículo; 3) Nutricionista pergunta o objetivo do paciente; 4) Nutricionista pergunta se o paciente já passou com algum nutricionista; 5) Nutricionista pergunta se o paciente conhece o trabalho do nutricionista; 6) Nutricionista fala sobre o papel do nutricionista; 7) Nutricionista realiza a anamnese e anota os itens a serem explicados posteriormente na guia de associação X prescrição; 8) Nutricionista analisa o consumo alimentar do paciente e estado nutricional aparente; 9) Nutricionista realiza orientação verbal ao paciente (negociação); Seguir: a) O que é esta doença. b) O que a alimentação tem a ver com essa doença (fontes etc.). c) O que a alimentação do paciente tem a ver com a doença. 10) Nutricionista manuscreve a orientação no receituário e entrega ao paciente; 11) Nutricionista comunica ao paciente o conteúdo da próxima consulta e a importância da presença dele; 12) Nutricionista agenda o retorno para 30 dias após; 13) Nutricionista recebe o valor da consulta pago pelo paciente e explica os valores da próxima consulta; 14) Nutricionista entrega o formulário de pesquisa de satisfação do cliente. Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores 47 2ª CONSULTA 1) Nutricionista chama o paciente pelo nome para a sala e o convida a entrar com simpatia e cordialidade; 2) Nutricionista conversa com o paciente para saber como está se sentindo; 3) Nutricionista realiza anamnese (antropometria e frequência de consumo); 4) Nutricionista analisa o consumo alimentar do paciente e suas evoluções/regressões; 5) Nutricionista descreve as ocorrências ao paciente (motivação); 6) Nutricionista realiza orientação verbal ao paciente (educação nutricional com ludicidade de acordo com a faixa etária); 7) Nutricionista manuscreve a orientação no receituário e entrega ao paciente; 8) Nutricionista comunica ao paciente o conteúdo da próxima consulta e a importância da presença dele; 9) Nutricionista agenda o retorno para 30 dias após mês; 10) Nutricionista recebe o valor da consulta pago pelo paciente. Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores 48 3ª CONSULTA 1) Nutricionista chama o paciente pelo nome para a sala e o convida a entrar com simpatia e cordialidade; 2) Nutricionista conversa com o paciente para saber como está se sentindo; 3) Nutricionista realiza o que foi combinado para a consulta; 4) Nutricionista explica ao paciente os resultados da análise antropométrica e fala sobre seu estado nutricional; 5) Nutricionista analisa o consumo alimentar do paciente e suas evoluções/regressões; 6) Nutricionista descreve as ocorrências ao paciente (motivação); 7) Nutricionista realiza orientação verbal ao paciente (educação nutricional com ludicidade de acordo com a faixa etária); 8) Nutricionista manuscreve a orientação no receituário e entrega ao paciente; 9) Nutricionista entrega o formulário de registro alimentar e explica seu preenchimento ao paciente; 10) Nutricionista comunica ao paciente o conteúdo da próxima consulta e a importância da presença dele; 11) Nutricionista agenda retorno para 30 dias após; 12) Nutricionista recebe o valor da consulta pago pelo paciente. Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores 49 4ª CONSULTA E SUBSEQUENTES 1) Nutricionista chama o paciente pelo nome para a sala e o convida a entrar com simpatia e cordialidade; 2) Nutricionista conversa com o paciente para saber como está se sentindo; 3) Nutricionista realiza o que foi combinado para a consulta; 4) Nutricionista analisa o consumo alimentar do paciente e suas evoluções/regressões por meio do registro alimentar preenchido pelo paciente; 5) Nutricionista descreve as ocorrências ao paciente (motivação); 6) Nutricionista realiza orientação verbal ao paciente (educação nutricional com ludicidade de acordo com a faixa etária); 7) Nutricionista manuscreve a orientação no receituário e entrega ao paciente; 8) Nutricionista entrega o cardápio personalizado com substituições para o próximo mês; 9) Nutricionista comunica ao paciente o conteúdo da próxima consulta e a importância da presença dele; 10) Nutricionista agenda retorno para 30 dias após; 11) Nutricionista recebe o valor da consulta pago pelo paciente. Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores 50 Protocolo para programação da periodicidade de retorno do paciente onde se programa com padronização com base nos níveis de atenção nutricional de acordo com as necessidades clínicas dos pacientes e prognósticos do seguimento da dietoterapia orientada. Neste caso, utiliza-se para organizar a programação do acompanhamento nutricional podendo haver algumas situações práticas que este deva ser alterado, como por exemplo, na programação ambulatorial de um paciente ocupado pelo trabalho que não retornará em 30 dias conforme programação ambulatorial, pois estará ausente no estado por 45 dias.6 CONSULTA DE NUTRIÇÃO: MATERIAL E METODOLOGIA DETALHADA Após o encaminhamento do paciente ao nutricionista, inicia-se o atendimento em nutrição, onde seguir um método faz com que a consulta fique organizada e completa. O primeiro passo é a introdução à consulta inicial que, como vimos na sugestão do roteiro de consulta, segue os itens abaixo: Apresentação – deve-se iniciar com a apresentação pessoal do nutricionista com nome e total cordialidade e simpatia. Verificação de informações – deve-se saber se o paciente já passou por consulta com algum profissional nutricionista, qual foi a terapia orientada, como foi a adesão por parte do paciente e se o paciente conhece o papel do profissional. Essas informações são importantes para conhecer melhor o paciente, suas experiências anteriores com uma consulta de nutrição e a disponibilidade do mesmo para receber e seguir orientações dadas por um novo profissional. Apresentação do papel do nutricionista – onde o nutricionista explica seu papel e seu objetivo com o paciente: estudar com critérios técnicos fatores subjetivos que influenciem o habito alimentar (cultura, origem, religião, profissão, preferências alimentares, entre outros), confrontá-los com dados clínicos objetivos e oferecer Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores 51 dicas práticas para prevenir doenças ou controlar fatores de risco para desenvolvê- las. Detalhar ao paciente sobre as ações de prevenção e tratamento que serão realizadas. Conhecer os aspectos clínicos do paciente por meio de informações relatadas pelo mesmo e saber os objetivos do paciente, os motivos que o levaram até a consulta. Explicar ao paciente quais procedimentos serão utilizados para que os objetivos traçados de prevenção e tratamento sejam atingidos, como por exemplo: “Hoje, vamos conhecer seu hábito alimentar e todos os fatores que o influenciam, além dos fatores de risco nutricionais para doenças. Por meio de dicas práticas, juntos, contornaremos eventuais fatores de risco nutricionais do seu hábito. Na próxima consulta, iniciaremos o conhecimento dos grupos de alimentos e suas funções fisiológicas”. Desta maneira, consegue-se deixar o paciente menos ansioso com relação a aspectos como fornecimento de cardápios prontos que não se adaptem a sua rotina diária; fornecimento de dietas preestabelecidas para perda ponderal apenas; proibições alimentares; recebimento de advertências por erros alimentares; se serão respeitadas preferências alimentares, entre outras. Inicia-se então a anamnese e anota-se as informações para que se possa explanar ao paciente posteriormente sobre cada colocação feita pelo mesmo. Juntamente com a anamnese está o inquérito alimentar onde nota-se uma dificuldade entre os pacientes em referir seu habito alimentar. A técnica que traz dados mais fidedignos é a história dietética, baseada no levantamento alimentar habitual em medidas caseiras e a avaliação por informação de dieta. Em paralelo há também a frequência de consumo de alimentos mais relacionados aos fatores de risco ou doenças já existentes. Outra preocupação é o local onde as refeições são realizadas e o estilo de vida de cada paciente. Além destes, são coletados, nesta fase, demais dados subjetivos inerentes ao habito alimentar. A seguir, temos um modelo de anamnese: Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores 52 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores 53 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores 54 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores 55 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores 56 A guia de associação x prescrição serve para o profissional anotar as colocações feitas pelo paciente como quando ele cita termos técnicos comumente ouvidos como IMC, gordura trans, entre outros. Neste formulário, o profissional anota as colocações e junto com o paciente vai explicando o que significa e qual a relação com o seu caso clínico, assim como qual será a conduta/prescrição do nutricionista para este caso. Vejamos um exemplo deste formulário: Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores 57 Após realizar as anotações, inicia-se o processo de diagnóstico nutricional do paciente, avaliando inicialmente o consumo alimentar e o estado nutricional aparente. Neste momento, é importante verificar em que pontos a dieta atual é deficiente ou em quais pontos excede, assim como quais são os hábitos incorretos ou inadequados que necessitam de mudanças por parte do paciente. Estes dados devem ser anotados na ficha de anamnese para que possa se analisar no momento da consulta e já se realizar uma orientação nutricional desde a primeira consulta, de modo que o paciente já sinta que iniciará um tratamento e gerar confiabilidade no profissional por parte do paciente. Os dados também serão utilizados posteriormente para que o profissional possa elaborar o cardápio e as demais orientações nutricionais. O próximo passo é a primeira orientação verbal ao paciente seguindo os seguintes tópicos: O que é o problema/patologia? O que a alimentação influencia na causa deste problema? O que a alimentação do paciente tem influenciado na causa deste problema? Neste momento inicia-se o processo de educação nutricional que deve ser inicialmente sucinto para que possa ser aprofundado nas próximas consultas de acordo com o desenvolvimento do tratamento do paciente. É importante observar alguns fatores relacionados à aderência do paciente às orientações realizadas como: Relacionados ao cliente: Quantidade de informações – quanto mais informações recebidas ao mesmo tempo, menor a aderência; Nível de ansiedade – os níveis de ansiedade quanto à mudança alimentar diminuem a taxa de aderência às orientações; Morar sozinho – quando o paciente mora sozinho possui níveis menores de aderência às orientações; Expectativa do paciente – quanto mais positiva a expectativa pela mudança do comportamento, melhor o nível de aderência; Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores 58 Apoio familiar – o envolvimento do cônjuge na aderência às orientações nutricionais é extremamente importante; Irregularidade da rotina – quanto mais irregular o estilo de vida do paciente, menor a aderência. Relacionados ao profissional nutricionista: Grau de satisfação do paciente – quanto mais satisfeito ele estiver com o profissional e com o tratamento, maior o nível de aderência às orientações; Continuidade com o mesmo profissional – quando o paciente encontra o mesmo profissional em cada consulta, melhores são as chances de aderência. Relacionados ao ambiente: Local de atendimento – quando o aconselhamento ocorre em local claro, organizado e limpo, maiores são as chances de aderência às orientações; Tempo de espera – quanto menor o tempo de espera, melhor o nível de aderência. Relacionados à orientação nutricional: Número de mudanças – quanto maior o número de mudançasrecomendadas ao mesmo tempo, menor a taxa de aderência; Complexidade – quanto mais simples e claros os objetivos e o conteúdo dos aconselhamentos, melhores as chances de aderência às recomendações nutricionais. Com base nessas informações, o nutricionista saberá como promover a aderência às orientações nutricionais considerando alguns pontos: Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores 59 Desenvolver um relacionamento estreito, de confiança e de longo prazo. Para isso, é essencial que os pacientes sejam atendidos pelo mesmo profissional em cada consulta. Avaliar os pensamentos e sentimentos do paciente sobre as orientações nutricionais. No início do aconselhamento, identificar e endereçar cada medo, ansiedade, preocupação e expectativa do paciente. Todos esses fatores irão afetar a motivação. Manter contato. Mudar hábitos alimentares requer mais do que uma sessão de 30 minutos. É importante agendar uma serie de sessões de acompanhamento para assegurar o uso de estratégias apropriadas à mudança de comportamento. Ser positivo. Enfatizar os alimentos que o cliente pode comer, incluindo os seus preferidos, antes de abordar restrições. Valorizar o sabor. Fornecer dicas fáceis e convenientes para melhorar o sabor das refeições. Evitar sobrecarga de informações. Uma mudança alimentar pode ser complexa. É fundamental concentrar-se nas informações mais importantes e relevantes, baseadas no estilo de vida do paciente. Estabelecer prioridades. Auxiliar o cliente no estabelecimento de objetivos claros, alcançáveis e de curto prazo. Com cada sucesso, trabalhar junto, gradualmente, para aumentar o número e a complexidade dos objetivos. Praticar com o paciente. As sessões de aconselhamento devem praticar novos comportamentos. É importante pedir ao paciente que repita os objetivos e as estratégias para assegurar que ele compreendeu. Entregar material escrito – estudos mostram que os pacientes esquecem metade do que ouviram após alguns minutos. É importante fornecer materiais escritos simples e criativos. As receitas culinárias, que refletem a mudança desejada, são excelentes ferramentas de fixação da mensagem. Medir o sucesso – realizar periodicamente a avaliação nutricional e metabólica, relatar o resultado ao cliente. Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores 60 Buscar apoio – envolver e solicitar a ajuda de familiares, amigos e outros relacionados. Nenhuma orientação nutricional possui todas as respostas a todos os clientes. Para melhor sucesso no aconselhamento, sugere-se uma abordagem centrada no indivíduo e na resolução de problemas. Alguns aspectos do aconselhamento estão destacados abaixo: Nenhum paciente, ou situação, é igual a outro. Paciente e profissional estão em um estado constante de mudança e fluxo. Nenhuma pessoa ou situação em aconselhamento são ou podem ser estáticas. O conselheiro efetivo exibe um repertorio mais flexível de diretrizes. O paciente é o maior sabedor do mundo sobre seus próprios problemas. O conselheiro usa todos os recursos pessoais e profissionais para o auxílio da situação, mas é totalmente humano no relacionamento e não pode ser mais responsável pelo cliente do que ele mesmo. O conselheiro e o processo de aconselhamento são falíveis, e não pode ser esperado resposta ou sucesso imediato em cada aconselhamento ou situação do paciente. Os conselheiros competentes estão cientes de suas próprias qualificações e deficiências pessoais e profissionais, e têm a responsabilidade de assegurar que o processo de aconselhamento seja conduzido de maneira ética e no melhor interesse do paciente. A segurança do paciente tem preferência sobre a necessidade de satisfação do profissional. Provavelmente não existe nenhuma abordagem ou estratégia melhor do que outra pra lidar com cada problema. Muitos problemas do dilema humano parecem insolúveis, mas existem sempre várias alternativas, e algumas são melhores para um paciente do que para outro. Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores 61 O aconselhamento efetivo em geral é um processo realizado com o paciente mais do que para o paciente. Para a maioria das pessoas que necessitam de mudanças básicas nos seus estilos de vida, três meses é provavelmente o período mínimo, e seis meses não deve ser considerado tempo longo demais para uma orientação. Quando o paciente e o profissional acreditam que é o momento de cessar as orientações, o primeiro deve ter aprendido a identificar seus sinais de risco, que serão a indicação da necessidade de retorno ao acompanhamento. Os resultados do processo de educação e orientação nutricional esperados são os seguintes: Aumentar a autoconsciência de que existe a negação de problemas, afetando sua nutrição ou o estado nutricional, e que estes problemas podem ser resolvidos. Tornar-se ciente de suas forças internas e, dessa forma, ser independente e desafiar crenças antigas sobre a alimentação e o estilo de vida. Aumentar a responsabilidade pelos pensamentos, comportamentos e relacionamentos, em vez de ficar no papel de vítima. Aprender a arriscar-se, ser mais flexível e tolerar mais suas desarmonias. Aprender a confiar mais e dar uma chance a novos comportamentos e pensamentos, antes de descartá-los. Tornar-se mais consciente das alternativas quando responder ao estresse e a outros estímulos, ou quando escolher alimentos com base em novos critérios. Ter um estilo de vida funcional, no qual seus valores e seus comportamentos são consistentes. Ou seja, se existe um bom nível de autoaceitação, ele faz o que acredita que deveria estar fazendo e se sente bem com isso. Para alcançar um aconselhamento efetivo alguns fatores devem ser considerados: Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores 62 Desenvolver um relacionamento construtivo com empatia, calor humano e sinceridade. Criar um ambiente de segurança e confiança, no qual o paciente não se sinta julgado. Ouvir o paciente completa e ativamente. Avaliar a compreensão e os sentimentos do paciente. Fornecer informações precisas, de maneira clara e simples. Esclarecer e corrigir informações incorretas. Valorizar os sentimentos do cliente. Ajudá-lo a avaliar os riscos de comportamentos passados e presentes. Auxiliar o cliente a desenvolver estratégias para redução dos riscos. Ajudá-lo a identificar os obstáculos potenciais para a redução dos riscos de complicações e para melhorar o bem-estar. Ser sensível às diferenças culturais e as outras particularidades do cliente. Fornecer apoio psicológico sempre que necessário. Calcular o potencial para depressão, isolamento ou suicídio. Fazer referências apropriadas para serviços adicionais. Avaliar a motivação do paciente para procurar as referências, e ajudá-lo a minimizar as barreiras para buscar outros serviços necessários. Criar condições para sustentar uma relação de aconselhamento de longo prazo. O maior desafio do educador nutricional é selecionar e adaptar as informações para diferentes indivíduos de idades variadas. As crianças aprendem de maneira diferente dos adolescentes, os quais aprendem de modo diferente dos adultos e idosos. Para melhores resultados, é necessário entender como as pessoas aprendem: Dar definições simples e sempre esclarecer os termos técnicos utilizados. Ser específicosobre a razão de estar lá com o paciente. Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores 63 Envolver o paciente no planejamento de mudanças dos comportamentos nutricionais. Dividir as informações nutricionais em passos manejáveis e arranjados em sequência, para que o paciente seja capaz de alcançar cada um deles. Selecionar o primeiro passo da orientação nutricional para que seja pequeno e alcançado com pouco esforço, porém, não tão fácil a ponto de o paciente achar que não vale a pena. Negociar o processo. Resumir sempre o que aconteceu e o que é esperado na próxima visita pelo conselheiro e pelo cliente. Revisar frequentemente os planos de tratamento. Identificar, com o paciente, qual o apoio social necessário para manter os comportamentos desejados. Quem é a melhor pessoa para dar apoio e como pedir ajuda. Retornar as ligações telefônicas do paciente o mais rápido possível. Não demonstrar desatenção, desinteresse ou insensibilidade. Quando o conselheiro estiver sob pressão ou com problemas, não deve transpassá-los ao cliente. É preciso tratar o cliente como se fosse a pessoa mais importante naquele momento. Não transmitir julgamento sobre as decisões, estilo de vida, comportamentos ou família do paciente. Não tratar o paciente como criança, a menos que o mesmo seja. Não interromper, pois isso faz com que o paciente sinta que o profissional não possui todas as respostas. Não fazer perguntas que já se sabe a resposta. Não focalizar no resultado final, mas em etapas para alcançar o objetivo final. Não acreditar que somente devido ao fato do paciente não reconhecer certos comportamentos inadequados e prejudiciais eles os mudará. Não lhe dizer o que deve ou tem de fazer, mas sim sugerir mudanças. Não falar demais, tomando o espaço do paciente. Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores 64 Evitar ferir os conceitos do paciente, colocar com honestidade e delicadeza sua opinião e os riscos, mas deixar que ele decida que atitude tomar. Ser sensível em como o mundo é percebido pelo paciente. Ouvir com os ouvidos e olhos dando atenção às mensagens não verbais. É importante que o profissional nutricionista tenha em mãos os materiais necessários para elucidar o processo de aconselhamento nutricional, atividades educativas e registrar os dados da consulta e do paciente. Vejamos alguns destes materiais: Folder para apresentação da consulta de nutrição – é importante que o nutricionista tenha em mãos um informativo em forma de folder sobre o papel do nutricionista com uma linguagem simples e didática, que deve ser entregue pela secretária ao paciente na recepção de um consultório, enquanto aguarda a consulta de nutrição; ou oferecido no início da consulta e durante a apresentação pelo nutricionista, ou ao final da consulta ambulatorial, para que o paciente leia em casa. Pois, o paciente tem tabu, que se não esclarecido ao início da consulta e antes de qualquer ação, podem criar ansiedade no paciente e atrapalhar o levantamento de dados, prejudicando o diagnóstico nutricional. Impresso para anamnese e diagnóstico nutricional – como vimos no modelo de anamnese acima, esta ferramenta é utilizada para o registro, por escrito, dos dados necessários para a avaliação e diagnóstico do estado nutricional do paciente, o qual expressa o quanto as necessidades fisiológicas de nutrientes estão sendo atendidas. Realizada de forma completa e segundo normas técnicas, é utilizado para traçar o plano de cuidado nutricional com maior eficiência. Impressos de dietas e orientações – para a orientação dietoterápica podem ser elaborados impressos e manuais contendo informações básicas que devem ser completados no momento da consulta, com as informações relativas a cada paciente e todos os aspectos subjetivos e objetivos relacionados. Este material deve ser elaborado sempre com base em pesquisa bibliográfica e em casos de dúvidas ou erros alimentares frequentemente observados na população atendida. Vejamos um exemplo de impresso de orientação nutricional: Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores 65 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores 66 Aulas em slides animados para educação nutricional – a consulta de nutrição normalmente é realizada em forma de entrevista, mas por ocorrer em várias etapas, sendo apresentação, levantamento de dados, diagnóstico, elucidação acerca dos fatores de risco nutricionais e orientação, é necessários torná-la mais dinâmica para manter a atenção do paciente, aperfeiçoar o aproveitamento das orientações, proporcionar melhor memorização das orientações por meio de recursos visuais, promover diferencial de mercado, incentivar o interesse do paciente por nutrição, gerando dúvidas. Além dos slides, o nutricionista pode utilizar também filmes, documentários, reportagens de revistas, entre outros recursos. Fotografias de alimentos ou alimentos plásticos – podem ser utilizadas fotografias de alimentos recortadas de revistas e plastificadas para a simulação dos alimentos durante a consulta – por exemplo, de um restaurante. Banners ou cartazes – como é necessária a elaboração de materiais para educação nutricional, um material de boa apresentação e de baixo custo sempre é a solução. Os slides podem ser usados não apenas em apresentação no computador como também impressos em forma de flash cards em papel fotográfico encontrado em papelarias comuns, colados em um papel cartão colorido e encapados com papel adesivo para proteção no manuseio. Após a realização das orientações verbais, o nutricionista irá anotar no receituário as mesmas orientações que deverão ser seguidas pelo paciente e posteriormente registrá-las no ficha de acompanhamento de consulta. Vejamos os dois modelos de formulários: Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores 67 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores 68 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores 69 O próximo passo é explicar ao paciente o conteúdo programado para a próxima consulta e dar as orientações do que ele precisa trazer ou fazer até lá. Posteriormente, é realizado o agendamento da consulta de retorno para o período acordado entre paciente e profissional utilizando sempre os níveis de atendimento nutricional, e entrega dos materiais ao paciente. É importante que se faça, após a saída de cada paciente, uma avaliação do atendimento nutricional. Ocorre de duas formas, subjetiva e objetiva. A subjetiva, da qualidade do atendimento, ocorre por meio da observação do comportamento do paciente no momento da consulta e das orientações, observação do entusiasmo do paciente no momento do agendamento da consulta de retorno, mudanças ocorridas no habito alimentar do paciente que demonstram resultados satisfatórios no controle de algumas patologias crônicas ou prevenção do seu aparecimento, formulários preenchidos após a consulta, podendo ou não ser identificados, que questionam a duração da consulta, expectativa inicial e alcance das expectativas. A avaliação subjetivaé de extrema importância, pois com a alta competitividade mercadológica e com maior disponibilidade de serviços de boa qualidade, a excelência no atendimento é primordial para manter o cliente fiel. A avaliação objetiva também se faz necessária e tem como finalidade a obtenção de dados, como número de pacientes atendidos em um determinado período, tipos de dietas orientadas, adesão à dietoterapia, entre outros. Além de direcionar o trabalho realizado, apontando falhas e acertos, a análise estatística também deve ser utilizada para traçar o perfil da população atendida, gerando excelentes trabalhos de cunho científico que podem ser levados a eventos e publicados em periódicos para enriquecer e embasar o profissional nas diversas áreas de atuação. Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores 70 7 PARECER CRN-3 REFERENTE À CONSULTA DE NUTRIÇÃO Em 2008, foi aprovado pelo CRN-3, um parecer sobre consultório de nutrição com o objetivo de padronizar as consultas de nutrição no que tange a normas técnicas, formulários e formas de trabalho. Vejamos o documento na íntegra: PARECER CRN-3 CONSULTÓRIO DE NUTRIÇÃO CONSULTA DE NUTRIÇÃO Para que o nutricionista possa atuar em consultório como profissional credenciado1 ou referenciado2, ele deverá apresentar os documentos exigidos pelas empresas e, também, pelos órgãos públicos, como a Vigilância Sanitária e Secretaria Municipal da Receita. Caso trabalhe como autônomo, o nutricionista deve fazer seu registro na Prefeitura da sua cidade, como profissional liberal de curso superior na área da saúde. Uma vez que, o nutricionista tenha feito o registro, ele deve estar ciente da obrigatoriedade de comunicar a Prefeitura quando alterar, paralisar ou baixar suas atividades, sob as penas da Lei. 1 INSTALAÇÃO DE UM CONSULTÓRIO DE NUTRIÇÃO 1.1 Cadastramento junto aos órgãos oficiais Junto à Vigilância Sanitária do Município o profissional deverá solicitar o cadastramento do consultório, com o preenchimento de formulários específicos (Ex. Anexo tipo I da Resolução nº 2/2006, da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo). 1 Profissional credenciado - quando o convênio é quem arca com o pagamento da consulta. 2 Profissional referenciado - quando o nutricionista é indicado pela operadora ou seguradora e o pagamento é realizado pelo cliente. Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores 71 Para se inscrever no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) o profissional deverá apresentar os seguintes documentos: a) Prova de inscrição do profissional junto ao Conselho Regional como responsável técnico (RT); b) Cópia do registro da clínica no respectivo Conselho Regional (se for constituída pessoa jurídica); c) Cópia dos manuais de rotina e procedimentos (descrição detalhada do conjunto de procedimentos técnicos e atividades realizadas no estabelecimento, assim como das rotinas de esterilização, limpeza e higienização dos equipamentos e dos ambientes); d) Cópia dos contratos de serviços terceirizados e de licença de funcionamento da contratada (empresa de limpeza, vigilância e esterilização, etc..) e) Cópia do certificado de controle de pragas urbanas e da limpeza da caixa d’água; f) Cópia do auto de vistoria do Corpo de Bombeiros; g) Cópia de controle de manutenção preventiva e corretiva dos equipamentos. A Resolução RDC Nº 50 de 21 de fevereiro de 2002 (DOU, 2002), que trata do planejamento, programação, elaboração avaliação e aprovação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde, deverá ser consultada antes da instalação do consultório. 2 CONSULTA DO NUTRICIONISTA 2.1 PRESENCIAL 2.1.1 Registro da consulta em prontuário: A consulta do nutricionista deverá ser devidamente documentada no Prontuário de Nutrição, que é um documento onde ficarão registrados fatos, acontecimentos e situações referentes à saúde e alimentação do cliente, além de toda a assistência nutricional a ele prestada. Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores 72 O prontuário é documento sigiloso e protegido pelo segredo profissional, sendo proibida a divulgação de fatos obtidos no desempenho da profissão, cuja revelação só pode ser feita mediante autorização por escrito do cliente, sob pena de cometimento de crime, infração ético-disciplinar e de responsabilidade civil. O prontuário pode ainda ser utilizado como prova para instruir processos ético-disciplinares no Conselho Regional de Fiscalização Profissional ou em processos judiciais, visando identificar a adequação ou irregularidades na atuação do nutricionista ou na instituição onde ocorreu o atendimento. O registro em prontuário deve contemplar: a) Identificação do cliente; b) Anamnese alimentar; c) Avaliação antropométrica; d) Exames complementares solicitados e seus resultados; e) Diagnóstico nutricional; f) Prescrição da terapia nutricional indicada. Nas consultas subsequentes, deverão ser feitos os registros datados da evolução, as alterações na conduta nutricional (se houver) e a especificação da alta do cliente. O Prontuário de Nutrição, por ser um documento formal e de alcance jurídico, deve obedecer às seguintes diretrizes: Preenchido de maneira impessoal, sem termos populares ou que denotem orientações informais. A linguagem deve ser técnica, mas que permita entendimento por outros membros da equipe multidisciplinar que atende o paciente e que terá acesso às condutas adotadas, avaliações e resultados terapêuticos; Apresentar as informações de forma clara, legível e concisa, possibilitando a visualização da seqüência do atendimento; Preenchido à caneta, com tinta nas cores preta ou azul, nunca a lápis; Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores 73 O prontuário é do cliente e este e/ou seus familiares (desde que expressamente autorizados pelo cliente) podem ter acesso às informações ali contidas. Por se tratar de um documento que poderá ser usado em situações futuras, deve facilitar a rastreabilidade das informações. Para tanto sua guarda deve obedecer aos seguintes critérios: Quando por escrito, o prontuário deve ser guardado por um período de 20 (vinte) anos, garantindo-se a preservação da integridade dos documentos nele contidos e o seu caráter sigiloso; Quando o registro for realizado por meio eletrônico, óptico ou magnético, a guarda deve ser definitiva e ininterrupta. 2.1.2 Diagnóstico nutricional Para estabelecer diagnóstico nutricional enfatiza-se que o profissional deve utilizar todos os dados coletados, pois, este corresponde à conclusão do nutricionista quanto à avaliação antropométrica, clínica e alimentar. O diagnóstico consta de: a) Diagnóstico antropométrico; b) Diagnóstico da adequação do consumo alimentar. Considerando a antropometria como um dos métodos mais utilizados para a avaliação nutricional, por ser de baixo custo e um bom preditor das condições de saúde e nutrição dos pacientes, é importante observar a qualidade e a manutenção dos instrumentos utilizados no consultório como: Balanças, estadiômetro (régua antropométrica), compasso de dobras (plicômetro), fita métrica inextensível e material técnico complementar facultativo (bioimpedância). Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdosão dados aos seus respectivos autores 74 2.1.3. Orientação nutricional A orientação sobre a conduta nutricional do paciente deve contemplar o diagnóstico nutricional realizado e obedecerá a 2 (duas) etapas subsequentes: a) Primeira etapa da orientação nutricional – verbal A orientação verbal deve acontecer com o objetivo de interagir com o cliente, de forma a estabelecer um vínculo, para garantir a compreensão e sua adesão à terapêutica prescrita. b) Segunda etapa da orientação nutricional - por escrito Após orientação nutricional verbal, segue-se a segunda etapa da orientação, da qual o cliente não deve ser privado na sua primeira consulta, que é a orientação por escrito daquilo que foi orientado e combinado durante a orientação verbal e que, portanto, contempla as necessidades nutricionais do cliente e reforça pontos críticos, mas também as sugestões e adaptações aos aspectos subjetivos que influenciam o hábito alimentar, para garantir melhor adesão à terapêutica. Uso do receituário: Pode ser preenchido à mão ou em computador; Deve ser legível, sem rasuras, com português correto; Deve ser personalizado, de acordo com dados levantados; Deve estar assinado, datado e carimbado com indicação do número do respectivo Regional,seguido do número de inscrição; Enfatizar que a orientação tem caráter individual e é intransferível. Uso de impresso de orientações Usar papel timbrado contendo informações atualizadas, claras, sem erros, rasuras ou manchas; Utilizar preferencialmente os termos “Orientações nutricionais para...” ou Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores 75 “Plano alimentar para ....”; Utilizar impressos que contenham orientações gerais, quando há restrição de tempo de consulta, desde que, individualizado, à caneta, pelo profissional; Evitar informações conflitantes nos impressos, entregues ao cliente; Explicar as informações ao cliente, verificando sua compreensão e esclarecendo possíveis dúvidas. 2.1.4 Finalização da consulta A consulta deve ser finalizada por meio do registro em prontuário do: a) Diagnóstico nutricional: antropométrico e adequação do consumo alimentar; b) Objetivos e metas estabelecidas com o cliente; c) Metodologia eleita para orientação verbal e escrita, bem como a prescrição propriamente dita; d) Programação das condutas para a próxima consulta; e) Programação da periodicidade de retorno; f) Quando cabível, anexar uma planilha estatística dos atendimentos realizados. 2.2 NÃO PRESENCIAL O nutricionista, após o atendimento pessoal com levantamento de dados, diagnóstico nutricional e devidas orientações no que se refere ao plano alimentar, poderá contatar o cliente por outros meios, tais como telefone e internet. No intervalo entre consultas até poderá haver contato não presencial desde que atenda à princípios de sigilo, restrito à temas já abordados na consulta presencial e preserve o caráter profissional e cerimonioso que deve presidir a relação cliente profissional. Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores 76 Resumo elaborado por Vera Barros de Leça Pereira, CRN-3 003, e Dulce Lopes Barboza Ribas, CRN-3 4240, baseado no documento do Grupo de Trabalho designado pelo Plenário do CRN-3, em abril de 2008, composto por: Linda Jorge Kalil Bussadori (Coordenadora) - Conselheira (CRN-3 0028) Solange Hypolito Siqueira Freire - Conselheira (CRN-3 3296) Solange de Oliveira Saavedra - Gerente Técnica / Secretária do GT (CRN-3 0054) Mirtes Stancanelli (CRN-3 5227) Evie Grinberg Mandelbaum (CRN-3 6037) Vera Lucia Barreto Belo (CRN-3 0023) Maria Luiza Soares Brandão (CRN-3 0393) Lenita Gonçalves de Borba (CRN-3 6733) Maria Izabel Lamounier de Vasconcelos (CRN-3 2819) Gabriela Halpern (CRN-3 8616) Odete Sanches (CRN-3 2310) Madalena Vallinoti Moya (CRN-3 3483) Izilda Geórgia Cannalonga Rossi (CRN-3 6651) Marle dos Santos Alvarenga (CRN-3 5398) Parecer aprovado na 880ª Reunião Plenária Extraordinária de 23/10/2008. FONTE: Disponível em: <http://www.crn3.org.br/legislacao/doc_pareceres/parecer_consultorio_nutricao.pdf>. Acesso em: 20/01/2010. -----------FIM DO MÓDULO III---------- Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores 77 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ASSIS, A. M. O. et al. O Programa Saúde da Família: contribuições para uma reflexão sobre a inserção do nutricionista na equipe multidisciplinar. Revista de Nutrição de Campinas, v. 15, n. 3, p. 255-266, set./dez., 2002. CHIAVENATO, I.; SAPIRO, A. Planejamento estratégico: fundamentos e aplicações. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003. COSTA, O. V. Direito à saúde no Brasil entre a prevenção de doenças e o tratamento de doentes. Art. São Paulo em perspectiva, v. 13, n. 3, 1999. CUPPARI, L. Guia da nutrição: nutrição clínica no adulto. São Paulo: Manole, 2002. GARCIA, E. M. Atendimento sistematizado em nutrição. São Paulo: Atheneu, 2005. GERSON, G. 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