Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

AULA 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
INTERNACIONALIZAÇÃO DAS 
POLÍTICAS PÚBLICAS ÀS 
POLÍTICAS PÚBLICAS GLOBAIS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Antonio Osmar Krelling Neto 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
2 
TEMA 1 – INTRODUÇÃO 
A nossa percepção, como sociedade, a respeito das fronteiras tem se 
alterado: tradições e valores são afetados por essa globalização da informação, 
alterando noções nacionais ou locais a respeito de determinado assunto. Isso 
influencia consequentemente a própria dinâmica de políticas públicas, a qual 
possui um novo desenho de comunidade, de modo que as dificuldades 
econômicas e sociais demandam soluções eficientes e eficazes. 
Como ideia, a política pública está abarcada pelas pesquisas da ciência 
política, mas quando da análise do ato governamental, estamos dentro do 
universo do direito. Seja como for, ambas esferas de pesquisa e análise merecem 
atenção e aprofundamento. A primeira será tratada desde já, ao passo que a 
segunda será mais bem elucidada mais adiante, em que pese esta estar sempre 
permeando as discussões até ao final do curso. 
Apenas para fins introdutórios, vale dizer que um conceito básico de política 
pública, sem qualquer presunção de exaurir a ideia, é equivaler-se a uma 
confluência de ações, e/ou omissões, que irão interferir na sociedade civil. Poderá 
ser diretamente proposta ou realizada pelo Estado e por seus agentes, de acordo 
com os interesses e mobilizações de determinada comunidade e irá afetar o 
contexto social. 
Políticas públicas, como teremos oportunidade de analisar, são 
provenientes de ciclos. Em que pese elas variem de acordo com a metodologia, 
bem como com o caso prático, as principais etapas desse ciclo de política pública 
são formulação, implementação e controle/avaliação. 
Dessa maneira, esses ciclos serão propostos e processados por agentes, 
ou verdadeiros empreendedores de políticas públicas, que igualmente estão 
sujeitos a darem prestígio a fatores externos. Assim, é uma realidade crescente a 
influência internacional, mormente em razão da famigerada globalização. 
No outro lado da moeda, atravessamos um momento em que diversos 
países estão com movimentos ultranacionalistas voltando a ter forças, inclusive o 
nosso. Há desconfiança em muitos lugares, e algumas nações se mostram 
relutantes em agir com solidariedade e abertura para com outros povos e cidadãos 
de outros países. 
Exemplificando, a despeito de alguns Estados-Nações estarem 
institucionalmente integrando a Organização das Nações Unidas, muitos não 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
3 
aderem aos seus princípios e diretrizes para transformação geral da sociedade e 
do globo. Ainda nesse sentido, países como Estados Unidos se mostram 
relutantes com movimentos pró meio-ambiente, e o próprio Reino Unido, por meio 
de um plebiscito, desejou abandonar a União Europeia, e, consequentemente, o 
projeto de integração social e econômica. 
No Brasil, a internacionalização das políticas públicas não está na 
velocidade similar em relação ao resto do globo, sobretudo porque os 
empreendedores de políticas públicas ainda não possuem apreço por essas 
variáveis. Igualmente, falta uma maior coordenação de diversos ramos 
interdisciplinares, que pretendemos trabalhar ao longo das aulas, de modo que a 
comunicação entre as diversas áreas sujeitas a políticas públicas sejam de fato 
integradas para auxiliar nos diversos processos e fluxos. 
Seja como for, a internacionalização de políticas públicas é fruto de 
diversos empreendedores políticos em cenário nacional e internacional. Nesse 
sentido, será imperioso que se faça uma análise cuidadosa dos temas que serão 
inseridos na agenda de políticas públicas, pois, como suas origens serão as mais 
diversas, o cuidado com as políticas públicas irá assegurar não só sua eficiência 
e eficácia, mas também sua legitimidade ante o Estado democrático de direito. 
Desse modo, sobretudo sob um viés da administração pública, porquanto 
as políticas públicas prestadas pelo Estado têm uma maior atenção, ainda que 
não consigam esgotar o tema, o estudo auxilia a aprimorar técnicas e processos 
de decisão. 
Portanto, quando estamos falando de internacionalização de políticas 
públicas, é necessário o exame de todo o conglomerado de assuntos científicos, 
econômicos, sociais, políticos para depurar o conteúdo de políticas públicas. 
TEMA 2 – CONCEITO DE POLÍTICA PÚBLICA 
Em verdade, política pública poderia ser conceituada como um amplo 
espectro de definições que ao final convergem a um só termo. Explicando: seu 
conceito variado depende de múltiplas conexões temáticas, bem como de ações 
que fazem dele o centro de atenção de diversas esferas sociais. 
E, a despeito de o Estado e suas instituições já serem alvo de estudo na 
Europa, seu surgimento acadêmico, contudo, tem berço nos Estados Unidos. Os 
americanos concentraram suas atenções sobre a ação dos governos para 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
4 
solucionar problemas públicos, de modo vertical, sem se debruçar 
demasiadamente sobre o Estado em si. 
Buscando um tratamento a respeito da palavra política, temos que é 
diretamente ligada à questão da própria atividade e competição do mundo político. 
Todavia, também é relacionada ao mundo de decisões e ações, porquanto 
podemos perceber em diversas instituições públicas ou privadas que condiz com 
o método de organização e trabalho que se realiza. 
No momento em que estamos tentando invadir a seara de discussão da 
política pública, temos uma maior relação com esse plano de tangível, em que 
realmente as coisas transparecem aos olhos da comunidade. Políticas 
educacionais, de infraestrutura, saúde, segurança, meio ambiente todas são de 
alguma forma percebidas pela população. 
Então, em relação à acepção da palavra política, podemos perceber que 
esta seja como o governo decide agir ou se omitir sobre os conflitos e problemas. 
Por outro lado, o termo pública é responsável por denotar que as ações deverão 
ser condizentes com o povo, ou seja, relacionado diretamente à coletividade. 
A política pública deverá então enfrentar algum problema público. Existirá 
então uma atenção para responder a um problema da população. O Estado agirá 
com intenção de resolver essa situação que foi considerada como relevante e 
recebeu atenção suficiente para tanto. 
Assim, realizando uma leitura conjugada dessas ideias, as políticas 
públicas poderiam ser sintetizadas como uma soma de atividades propostas pelos 
governos, que poderão não só agir diretamente como delegar essas atividades a 
terceiros. Desse modo, essa ação governamental deverá condizer com os anseios 
da comunidade em que está inserida. 
TEMA 3 – BASE TEÓRICA DA FORMULAÇÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS 
Em um primeiro momento, devemos saber sobre como uma questão ou 
problema são sobrelevados a uma relevância tamanha que receba a atenção do 
governo. Em outras palavras, como essa preocupação instigada pela população, 
ou parte de alguma comunidade, ganha conjunto e relevância a fim de se 
transformar em política pública? 
Estudos expoentes na área, e aqui levaremos em conta sobretudo o 
elaborado por Kingdon (2011), levantam quatro processos como precursores de 
uma política pública: estabelecimento de uma agenda de política pública, 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
5 
ponderar caminhos para formular essa política pública, escolher uma opção 
dominante e, por fim, programar e executar a ideia eleita. 
Assim sendo, poderíamos conceituar agenda governamental como 
qualquer tema ou uma soma de diversos pontos para os quais o governo e suas 
ramificações concedem algum tipo de atenção. Com efeito, se existe um interesse 
de empreendedores de políticas públicas, haveráuma agenda governamental de 
políticas públicas. 
Noutro ponto, mas ainda nessa linha de pensamento, será considerado já 
como uma agenda decisional, se houver alguns tópicos que já estiverem 
preparados pelos formuladores de políticas públicas e só demandem uma ação 
para ser dado início às tratativas. 
Num primeiro momento, o fluxo que se observa é a própria existência de 
situações que foram identificadas como problemas. Assim, haverá uma atenção 
governamental que irá incidir na pauta da agenda, o que demonstra cabalmente 
a importância da criação de mecanismos que permitam avaliar com precisão a 
real situação: monitoramento de programas governamentais, relatórios de 
desempenho e principalmente de grandes eventos, como desastres e acidentes. 
Adiante, no que se denomina um segundo fluxo, percebemos algumas 
hipóteses levantadas pelos especialistas para enfrentar o problema levantado. 
Entre esses, estão pesquisadores científicos de diversas áreas, funcionários 
públicos, acadêmicos, apenas para citar três bons exemplos. Desse brainstorm, 
algumas ideias se destacam e podem acabar sendo utilizadas em determinada 
política pública. 
Já o terceiro fluxo é composto pela opinião pública, dos grupos de interesse 
e do Estado em si. Desse modo, a percepção da população, o posicionamento 
das forças organizadas e mobilizadas politicamente e a própria estrutura 
governamental irão convergir em suas discussões e alterar de maneira mais ou 
menos consubstancial as políticas públicas e a maneira de ver o problema. 
 
 
 
 
 
 
 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
6 
Figura 1 – O modelo dos múltiplos fluxos de Kingdon 
 
Fonte: adaptado de Capella, 2002, p. 98; Zahariadis, 2007, p. 71. 
Enfim, vale mencionar que os momentos para interligar esses debates 
podem ser extremamente propícios, como alguma situação extraordinária, ou o 
início de um novo governo, razão pela qual o empreendedor deverá sempre estar 
atento às oportunidades. Apesar de não controlarem as mudanças, eles poderão 
ser protagonistas na mudança de agendas políticas se souberem aproveitar o 
momento adequado e propício para tanto, utilizando-se da própria estrutura ou 
dos eventos respectivos. 
Não obstante, fato é que o empreendedor de políticas públicas será 
diretamente responsável pela agenda governamental, cuja manutenção ou 
mudança dependerá de inúmeras situações, principalmente se levarmos em conta 
a visão que se tem da dimensão do problema e a opinião pública a respeito. 
 
 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
7 
TEMA 4 – EMPREENDEDORES DE POLÍTICAS PÚBLICAS 
A importância de tratar sobre esses agentes, ainda que de maneira 
introdutória, é em razão de terem relevante parcela da responsabilidade sobre 
uma determinada política pública. Podem ser conceituados como indivíduos, ou 
pequenos grupos, que defendem alguma política pública, ou seu ideal, bem como 
percebem momento oportuno para pugnarem por soluções para problemas e 
situações. 
Esses agentes de políticas públicas podem ter três interesses principais. 
Os ganhos futuros almejados podem ser definidos por: 
• Concretos e pessoais: os empreendedores buscam incentivos materiais 
com determinada política pública. Assim, exemplificando, aventa-se 
manutenção ou expansão de financiamento; mais funcionários e 
burocratas; benefícios eleitorais para políticas; proteção de interesses para 
lobistas; 
• Valores: determinados indivíduos atuam para promover ideias em que 
acreditam e se sentem recompensados ao verem suas ideias serem 
propagadas, seja em relação ao Estado na economia; modelo de atuação 
estatal; negócios e valores morais e sociais; 
• Solidários: um tipo de empreendedor levantado pelos estudos de ciência 
política que apenas gostam de fazer parte. Em outras palavras, 
experimentam satisfação ao advogar por alguma causa; apreciam fazer 
parte das ações e estarem sob os holofotes do “jogo político”. 
Noutro vértice, Kingdon ainda levanta três características inerentes e 
necessárias aos empreendedores. 
Primeiro, eles possuem legitimidade em seu discurso e terem a confiança 
de seus ouvintes e/ou seguidores. Para tanto, deverão ser especialistas em sua 
área de atuação, ou ao menos estarem formalmente em posição de influência, do 
mesmo modo que precisam ter habilidade comunicativa e didática ao 
expressarem suas ideias. 
Em segundo lugar, conexões políticas e habilidades de negociação. Ora, o 
meio em que estarão inseridos no momento de advogarem por alguma causa, 
imperiosamente demandará que estejam preparados para o principal meio de 
efetivação de políticas públicas. 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
8 
Derradeiramente, um terceiro ponto é indispensável ao empreendedor de 
políticas públicas: a resiliência. O indivíduo deverá ser persistente, despendendo 
tempo e recursos financeiros para lograr êxito em sua empreitada. Afinal, deverão 
se fazer presentes em congressos, darem palestras, elaborando relatórios, 
conversando pessoalmente, ou por intermédio da tecnologia, com pessoas que 
eventualmente possam auxiliar a consolidar os ideais defendidos. 
Seja qual for a razão que levará esse empreendedor a despender seus 
recursos, a realidade é que suas ações irão impactar as comunidades de políticas 
públicas. E, como natural do ser humano, somos resistentes às mudanças, então, 
caso o indivíduo tenha por escopo alterações nas bases dessas comunidades, ele 
precisará de muito estudo e poder de persuasão. 
Não obstante, serão necessárias a reflexão e a conversa entre diversos 
especialistas com a comunidade. As argumentações e ideias propagadas pelos 
empreendedores, discutidas nesse meio, poderão ser percebidas de uma maneira 
menos defensiva e, então, ser implementadas. 
Os empreendedores deverão apresentar seu trabalho das maneiras mais 
diversas para conseguir a atenção necessária. Aventa-se que lançar um projeto 
de lei bem como requisitar audiências públicas sobre o tema são boas opções 
para tanto. 
TEMA 5 – DIVERSAS DIMENSÕES E CATEGORIAS DAS POLÍTICAS 
Dando seguimento à ideia dos esforços propagados pelos 
empreendedores de políticas públicas para consolidar seus ideais, temos que eles 
estarão imersos a diversas dimensões que perpassam as políticas públicas. E 
dentro da própria política, alguns estudiosos levantaram três dimensões distintas. 
• Política constitucional: a própria natureza do Estado será norteadora dessa 
dimensão. Afinal, o próprio ordenamento jurídico e os direitos e garantias 
fundamentais elencados irão nortear a agenda governamental. Do mesmo 
modo, isso irá afetar a população e sua participação política no Estado. 
Resumindo, os sistemas político-administrativo e jurídico irão estruturar 
essa dimensão da política. 
• Política competitiva: tem por base os conflitos inerentes ao nosso processo 
político. Qualquer tipo de movimento, explícito ou tácito, que leve aos 
principais atores desse processo (representantes do povo ou não) e que 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
9 
cause conflito, consenso, coalização ou cisão estará aqui englobado e, 
sobretudo, percebido em governos democráticos, em que há uma 
verdadeira competição para garantir que os objetivos e interesses de 
determinados grupos se sobressaiam. 
• Política pública: como temos trabalho, isso diz respeito à atividade política 
do Estado, ou seja, um resultado produzido com base em seu regular 
funcionamento. Evidentemente, as políticas públicas serão o fruto das 
políticas competitivas e constitucionais. Somente os conteúdos legítimos 
para o direito e que tenham sido assegurados como ganhadores da 
competição política poderão surgir em um desfecho que crie a política 
pública. 
Com base nessa noção de integração das políticas para gerar a política 
pública,precisamos nos debruçar sobre três categorias que irão reger esse 
diálogo entre os empreendedores de políticas públicas: rede de política, arena de 
política e ciclo de política. 
• Rede de política: Será a junção de instituições públicas ou privadas, 
cidadãos, grupos organizados por cidadãos e quaisquer grupos formados 
pelos Poderes e pela sociedade que versem sobre alguma política de 
interesse público. Dada sua natureza abrangente, conceitua-se em aberta, 
quando há um diálogo aberto com novos membros e outros grupos e 
instituições; fechada, no caso de ser procurada para novas inscrições e não 
se comunicar com facilidade com outros grupos; inclusiva, no caso de o 
grupo não ter muitas exigências para novos membros; e excludente quando 
são diversos pré-requisitos para novos membros. Partidos políticos ou 
movimentos sociais podem construir redes de política. 
• Arena de política: no topo da pirâmide, temos os partidos políticos, 
membros do Legislativo e titulares do Poder Executivo como ocupantes do 
centro dessa arena formal em que ocorrem debates sobre ganhos e perdas 
nos processos de políticas públicas. Em segundo momento, temos equipes 
do governo, burocracia e o Poder Judiciário. Por fim, sindicatos, meios de 
comunicação, empresas permeiam a última categoria em que também 
ocorrem arenas de políticas e também se debate sobre políticas públicas e 
interesses de cada parte da comunidade. 
• Ciclo de política: merecem um tema de estudo à parte, mas já adiantando 
um pouco da ideia, representarão a ligação entre o interesse público e 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
10 
relevância da temática no plano das ideais, a ação do governo, efetiva 
realização no plano concreto até a sua percepção pela comunidade. São 
diversas etapas que permitem analisar e processar tempo, recursos e até 
pessoas no plano de execução da política pública, nos mais variados 
momentos em que as políticas públicas são trabalhadas. 
Saiba mais 
SECCHI, L. Políticas públicas: conceitos, esquemas de análise, casos 
práticos 2. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2017. p. 1-39 
 
 
 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
11 
REFERÊNCIAS 
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Diário Oficial 
da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 5 out. 1988. 
BUCCI, M. P. D. O conceito de política pública em direito. In: BUCCI, 
_____. (Org.). Políticas públicas: reflexões sobre o conceito jurídico. São Paulo: 
Saraiva, 2006. 
CAPELLA, A. C. N. Um estudo sobre o conceito de empreendedor de políticas 
públicas: ideias, interesses e mudanças. Caderno EBAPE.BR, Rio de Janeiro, v. 
14, n. especial, p. 486-505, jul. 2016. Disponível em 
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-
39512016000700486&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 22 jul. 2019. 
_____. Perspectivas teóricas sobre o processo de formulação de políticas 
públicas. In: HOCHMAN, G.; ARRETCHE, M.; MARQUES, E. Políticas públicas 
no Brasil. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2007. 
_____. Perspectivas teóricas sobre o processo de formulação de políticas 
públicas. BIB: Revista Brasileira de Informação Bibliográfica em Ciências 
Sociais, n. 41, São Paulo, Anpocs, 1996. Disponível em: 
<http://www.anpocs.org.br/portal/images/bib61.pdf>. Acesso em: 22 jul. 2019. 
FARIA, C. A. P. de (Org.). Implementação de políticas públicas: teoria e prática. 
Belo Horizonte: Ed. da PUC Minas, 2012. 
_____. (Org.) Políticas públicas e relações internacionais. Brasília: Enap, 
2018. 
KINGDON, J. W. Agendas, alternatives, and public policies. Illinois: Pearson, 
2011. 
LIMA, M. L. O. F. de; MEDEIROS, J. J. Empreendedores de políticas públicas na 
implementação de programas governamentais. Revista de Administração 
Pública, Rio de Janeiro, v. 46, n. 5, p. 1251-1270, out. 2012. Disponível em: 
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-
76122012000500004&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 22 jul. 2019. 
SECCHI, L. Políticas públicas: conceitos, esquemas de análise, casos práticos 
2. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2017. 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
12 
ZAHARIADIS, N. The multiple streams framework: structure, limitations, 
prospects. In: SABATIER, P. A. (Ed.). Theories of the policy process. Boulder: 
Westview, 2007. p. 65-92. 
 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
2 
TEMA 1 – POLÍTICAS PÚBLICAS SOB VIÉS POLÍTICO 
Onde houver governo, haverá políticas públicas. Independentemente do 
modelo estatal, o governo deverá compreender que seu papel precípuo será agir 
para atender a interesses da população. Não é determinante se o regime é 
democrático ou busca o bem-estar da maioria. 
A política pública tem seu viés sobretudo na ciência política. Como também 
se trata da intenção de agir de um governo, essa criação política estará ligada 
intimamente com as artes de governar e mediar interesses. Nesse sentido, cada 
governo irá elucubrar modelos possíveis de políticas públicas que respeitem a 
própria estrutura estatal e as relações institucionais estabelecidas. Então, os 
conjuntos de ideais e objetivos de cada gestão deverá estar condizente com o 
estilo do governo. Para exemplificar, Osborne e Gaber (1994) identificaram alguns 
tipos de governo: 
 catalisador: para o qual é melhor usar o timão do que remar; 
 de propriedade da comunidade: para o qual é melhor facultar do que servir 
diretamente; 
 competitivo: o que imprime competitividade na prestação de serviços; 
 inspirado em objetivos: aquele que pressupõe a transformação das 
organizações, regida por regras; 
 dirigido por resultados: o que busca financiar o produto, não os dados; 
 inspirado no cliente: aquele que deseja satisfazer as necessidades do 
cliente e não da burocracia; 
 empresarial: governo que quer ganhar, ao invés de gastar; 
 previsor: para o qual mais vale prevenir do que remediar; 
 descentralizado: que vai da hierarquia ao incentivo à participação e ao 
trabalho em equipe; 
 orientado para o mercado: o que quer provocar a mudança por intermédio 
do mercado. 
Como atos políticos, sobretudo, as políticas públicas precisam almejar o 
bem-estar do cidadão, o que já engloba diversos pontos específicos. Não 
obstante, é imprescindível que se prestem serviços a fim de proteger a ordem 
pública, que se aloquem recursos que viabilizem todos os direitos sociais do 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
3 
indivíduo, por exemplo mediante efetivação de política agrária, gestão urbana, 
defesa do consumidor. 
A estratégia a ser aplicada a cada política pública depende dos elementos 
que a permeiam, da relação entre a necessidade a possibilidade de realização de 
dada política. Assim, algumas políticas são projetadas para um futuro de curto 
prazo e, com isso, mais se assemelham a políticas de governo, que estão 
vinculadas a outros ideais maiores; ao passo que políticas de Estado são as 
pensadas e discutidas em décadas de aprimoramento. 
Entretanto, o que se vê na prática é que as decisões políticas passam muito 
mais pela politicagem em si do que propriamente pelo atendimento do interesse 
público. Nosso cenário atual ratifica essa percepção de que muitos tratamentos 
concedidos a temas polêmicos passam mais pela via política e cultural que 
propriamente pelo debate sobre o que é melhor para a população. 
Com atenção detida aos nossos Congresso e Senado Federais, podemos 
perceber a forte presença de bancadas que correspondem à representação de 
interesses específicos: dos evangélicos, dos ruralistas, dos seguros de saúde 
privada etc. Essas bancadas nem sempre votarão no sentido de atender aos 
anseios da população; os grupos de interesse que exercem forte influência em 
nosso país (como em boa parte do globo) irão ditar a regra geral das decisõestomadas, que nem sempre estarão alinhadas com o interesse público. 
Noutro vértice, mas ainda nessa linha de raciocínio, a própria politicagem 
faz com que muitos votem de acordo com a barganha feita entre partidos e grupos 
de interesse. Então, ainda há hipótese de o representante do povo sequer votar 
de acordo com seus ideais, se afastando ainda mais do propósito de representar 
seu eleitorado. 
Por tanto, subsistem desafios, no contexto brasileiro. A interpretação é de 
que o processo de políticas públicas está cada vez mais político, de sorte que os 
empreendedores e atores desse meio precisam, cada vez mais, se dedicar para 
pugnar por seus objetivos e participar dos debates inerentes às propostas que 
surgem. 
TEMA 2 – O CONCEITO DE POLÍTICA PÚBLICA PARA O DIREITO 
Políticas públicas fazem parte do estudo jurídico. Afinal, tanto os juristas 
quanto os cientistas políticos precisam compreender que o direito pertence ao 
campo da interdisciplinaridade inerente ao assunto. 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
4 
Um desafio muito claro para consolidar esse ideal é que o direito tem 
algumas complicações em relação à objetividade e à cientificidade de seus 
debates. Entretanto, isso não impede que os direitos sociais sejam construídos 
juridicamente. 
Implementar e consolidar esses direitos sociais por meio de políticas 
públicas têm alguns obstáculos a serem superados pela teoria do direito. A 
despeito da nossa Constituição Federal assegurar direitos que contemplam um 
verdadeiro Estado social (Brasil, 1988), nossas instituições ainda possuem uma 
postura abstencionista. 
Não obstante, temos direitos individuais, sociais e, mais recentemente 
debatidos, os difusos, que estão previstos no ordenamento jurídico, e todo esse 
conteúdo jurídico vai no sentido de atender à dignidade humana em sua plenitude. 
Dessa feita, ante esse processo de ampliação de direitos, que englobam desde a 
liberdade individual até a proteção da ordem econômica e do meio ambiente, o 
Estado precisa compreender sua posição de seu garantidor, com seus poderes 
econômicos e políticos, perante nossas leis e refletir sobre como deverá se 
adaptar para atender àquelas diretrizes. 
Em outras palavras, nosso ordenamento jurídico positivou esses direitos 
sociais que foram amplamente debatidos ao longo dos anos, ao redor do mundo. 
Existem diversos suportes legislativos que atestam esses direitos: textos 
constitucionais, leis e até mesmo regras infralegais. Eles traçam objetivos, 
diretrizes, instrumentos, toda uma base de sustentação daqueles direitos. 
É certo que nós temos diversos problemas socioeconômicos, porquanto 
sermos um país em desenvolvimento, mas isso não exime o Estado de sua função 
de proteger seus cidadãos. A democracia brasileira é recente e a ela cumpre a 
missão de promover direitos, reduzindo desigualdades e ampliando a 
infraestrutura que atenda aos anseios da população. 
 Seja como for, a falta de padrão jurídico para expressar políticas públicas 
atrapalha o trabalho. Vincular outros instrumentos e disciplinas a governos e 
condições políticas atestam a dificuldade de existir controle judicial dessas 
políticas públicas. Se não fosse suficiente, atualmente há um verdadeiro 
movimento de judicialização da política e da Administração Pública. Nosso 
Supremo Tribunal Federal (STF) e nosso Judiciário, como um tudo, têm decidido 
no sentido de efetivar alguns direitos sociais que influenciam diretamente nas 
políticas públicas. 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
5 
TEMA 3 – CONTROLE JUDICIAL DE POLÍTICAS PÚBLICAS 
Admite-se que algumas políticas públicas são traçadas por intervenção do 
Poder Judiciário. Isso ocorre porque, muitas vezes, as decisões jurídicas afetam 
a atividade político-administrativa. Entretanto, todo cuidado é pouco. Aceitar que 
juízes governem seria equivocado, porquanto não sejam membros legítimos para 
representar o povo. Dessa forma, não devem tomar decisões de gestão na 
Administração Pública. 
Aventemos, no entanto, a hipótese de que o Judiciário possa assegurar que 
comunidades que não possuam organização nem empreendedores de políticas 
públicas tenham seus direitos assegurados e um canal de comunicação com o 
governo. Porém, precisa existir, para isso, discernimento ao se aplicar a 
discricionariedade política para se examinar, caso a caso, e se identificar aqueles 
em que há omissões estatais em assegurar os direitos e garantias dos cidadãos. 
Fato é que, apesar de os estudos não serem integrados, as políticas 
públicas precisam ser relacionadas com o mundo do direito. Uma decomposição 
realizada permite deixar essa ideia mais clara: programa, ação de coordenação e 
processo. Esses três termos são utilizados para tentar fornecer maior solidez ao 
complexo processo de políticas públicas, sob a ótica judicial. Cria-se, assim, uma 
terminologia que, apesar das discussões e debates, mostra-se necessária para 
delimitar o conteúdo de determinada política pública. 
O programa consiste em individualizar o plano de ação do Estado. Desse 
modo, um programa administrativo, que representa diversas regulamentações 
jurídicas e governamentais sobre determinada política pública, irá determinar e 
ser determinado por diversos planos de ação. Importante consignar que esses 
programas deverão respeitar o princípio da legalidade, ou seja, todo o nosso 
ordenamento jurídico, na hora de dispor sobre densidade regulamentar, 
concentração institucional e níveis de intervenção e coerência com recursos e 
modalidades. 
Formalmente, são diversos os documentos programáticos redigidos: leis, 
diretrizes, normas; materialmente, qualquer normativa que almeje resolver um 
problema, de maneira que oferte meios para que a Administração Pública realize 
atos para atender às finalidades de uma política pública. 
O programa deverá, também, conter informações extrajurídicas que 
permitam identificar os objetivos a serem atingidos e os meios utilizados, a fim de 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
6 
se permitir sua avaliação posterior. Contudo, os instrumentos para formalizá-lo 
deverão ser jurídicos, para receberem efetivação. 
A ação de coordenação complementa a ideia do programa. Ora, mesmo 
que existam os ideais, nas políticas públicas, conforme percebidos pelo direito, 
elas não se esgotam na sua validade formal. Isso porque, apesar de eficácia 
jurídica e cumprimento estrito das regras legais, as políticas públicas devem 
almejar seus resultados no plano mensurável, ou seja, atingir os objetivos 
elencados no programa e atender à perspectiva da população. 
Validade e eficácia não se excluem mutuamente, porém também não 
pertencem sempre ao mesmo contexto fático. Deve-se adequar e ajustar o 
sistema jurídico-institucional às necessidades de forma a permitir que se realizem 
os objetivos traçados, o que é uma tarefa árdua e que precisa do diálogo entre as 
teorias do direito, da Administração Pública e da ciência política, para que elas 
não se deteriorem entre si. 
Nesse sentido, os Poderes Legislativo, Judiciário e Executivo também 
precisam de melhor coordenação e interação; bem como os níveis federativos da 
União e os municípios e as diversas pastas governamentais. A gestão pública, 
então, demanda consentimento para gerir todas as figuras que comportam a 
abordagem das políticas públicas. 
Nessa linha de raciocínio, o processo se queda como a sequência de atos 
para agregar elementos. E, na ideia do nosso curso, isso representa envolver 
diversos personagens para participação nos processos políticos. O processo 
permite que o interesse público sobressaia de um diálogo multidisciplinar e com 
pluralidade de interesses em jogo. Noutro ponto, temos também que o processo 
irá impor uma regra de tempo para implementação das políticas públicas, assim 
como paraa verificação de seus resultados. Vale lembrar que, em nosso contexto, 
esse processo tem forte influência do calendário eleitoral. 
TEMA 4 – DIREITOS E GARANTIAS SOB PROTEÇÃO DO ESTADO 
Fundamentalmente, o Estado liberal clássico garante a liberdade do 
indivíduo ao se abster de algumas ações contra ele, ou seja, ao deixar de agir 
para não invadir a esfera de garantias do cidadão. Porém, como o outro lado da 
moeda, o Estado precisa tomar decisões e executar atos que promovam outras 
tantas garantias asseguradas à sociedade, como trabalho, moradia, assistência 
social, saúde, infraestrutura. 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
7 
Pois bem: como há diversas dificuldades conceituais, devemos tentar 
simplificar o diálogo com a ciência do direito e compreender que direitos positivos 
e negativos irão permear as discussões de políticas públicas. Tomando o meio 
ambiente como exemplo: ora o Estado deverá se abster de algumas ações, para 
mantê-lo incólume; ora, imperiosamente, irá estruturar normais penais e criar 
instituições que fiscalizem e protejam esse direito fundamental de todos a um meio 
ambiente saudável. 
Essa lógica irá seguir toda a questão de prestação de direitos que 
possuímos em nossa Constituição Federal. Afinal, nossa Carta Magna previu, em 
seus artigos, a implementação de um Estado de bem-estar social, com diversos 
direitos assegurados aos cidadãos, que contariam com a máquina pública para 
promovê-los (Brasil, 1988). 
E é importante que haja essa previsão legal, pois, se por um lado, quando 
estamos falando de ação negativa do Estado, basta que ele não aja, nas ações 
positivas precisamos de objetivos bem determinados. Os direitos, constitucionais 
ou não, deverão ser apreciados por todos que estejam ligados com políticas 
públicas, seja a comunidade organizada, para exigi-los, sejam os poderes da 
Administração Pública que estejam de alguma forma vinculados a eles. 
Substancialmente, devemos nos questionar sempre sobre o que deve ser 
protegido e de que forma. Compreender esse ponto, às vezes, nos afasta mais da 
noção do direito em si e transpassa pesquisa e estudo da tarefa dogmática. 
Assim, a realidade fática nos apresenta que, em algumas questões, o 
Estado terá força suficiente para atuar de acordo com as diretrizes criadas pela 
legislação e pelos anseios da população. Todavia, frequentemente grupos de 
interesse se formam na esfera privada com o objetivo de pleitear a proteção de 
seus direitos. 
Afinal, pode-se aventar a existência de uma verdadeira discricionariedade 
estrutural, que irá analisar e levantar dados que permitam compreender questões 
e problemas, bem como a efetividade de decisões tomadas pelo governo. De um 
lado, há a parte cognitiva dessa discricionariedade, que é como se sopesam essas 
questões; e, do outro, no caso a respeito da efetividade, de que forma se avaliam 
e percebem as situações. 
Dessa forma é que surgem então os direitos à organização e 
procedimentos para demandar garantias constitucionais. O próprio direito à 
proteção jurídica está ligado a essa ideia de salvaguardar outros direitos. 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
8 
Destarte, o Estado democrático de direito, ao permitir revisão das leis e 
atos governamentais, seja por meio do Judiciário, seja por qualquer outro tipo de 
garantia à revisão concedido pela estrutura estatal, proporciona a depuração das 
políticas públicas. As argumentações jurídicas, que, muitas vezes, também 
importam conceitos de outros países, estabelecem metas e finalidades do 
coletivo. 
O juízo de validade das políticas públicas, de suas normas e objetivos, bem 
como de sua eficácia, tem contribuído para a consolidação de direitos sociais de 
todas as ordens. 
TEMA 5 – EXEMPLOS DE DIREITOS POSITIVADOS QUE SÃO OBJETIVOS DE 
POLÍTICAS PÚBLICAS 
Após um denso aporte teórico sobre as questões da relação do 
ordenamento jurídico com as ações governamentais e políticas públicas, seguem 
alguns exemplos que permitem uma melhor compreensão do tema. 
De plano, vejamos os caputs dos art. 5º e 6º da Constituição Federal: 
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer 
natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no 
País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à 
segurança e à propriedade, nos termos seguintes: 
[...] 
Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o 
trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência 
social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos 
desamparados, na forma desta Constituição. (Brasil, 1988) 
Isso posto, vejamos como se aprofunda o texto constitucional acerca de 
alguns desses direitos: 
 Seguridade social: protegida pelos art. 194: 
A seguridade social compreende um conjunto integrado de ações de 
iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar 
os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social. 
Parágrafo único. Compete ao Poder Público, nos termos da lei, organizar 
a seguridade social [...] (Brasil, 1988); e 204 da Constituição Federal 
(Brasil, 1988). 
 Saúde: garantida pelo art. 6º da Constituição Federal e Leis n. 8.212/1991 
(que “Dispõe sobre a organização da Seguridade Social, institui Plano de 
Custeio, e dá outras providências”) e 8.142/1990 (que “Dispõe sobre a 
participação da comunidade na gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
9 
e sobre as transferências intergovernamentais de recursos financeiros na 
área da saúde e dá outras providências”) (Brasil, 1988, 1990b, 1991a). 
 Previdência social: direito assegurado pelas Leis n. 8.212/1991 e n. 
8.213/1991, que tratam sobre custos e benefícios previdenciários (Brasil, 
1991a, 1991b). 
 Educação: assistida pelos art. 205 (“A educação, direito de todos e dever 
do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração 
da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo 
para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”) a 214 da 
Constituição Federal (Brasil, 1988). 
 Cultura: tema dos art. 215 (“O Estado garantirá a todos o pleno exercício 
dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e 
incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais”) e 216 
(“Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e 
imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de 
referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos 
formadores da sociedade brasileira [...]”) da Constituição Federal e da Lei 
n. 8.313/1991 (que “Restabelece princípios da Lei n° 7.505, de 2 de julho 
de 1986, institui o Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac) e dá 
outras providências”) (Brasil, 1988, 1991c). 
 Desporto: assunto do art. 217 (“É dever do Estado fomentar práticas 
desportivas formais e não formais, como direito de cada um [...]”) da 
Constituição Federal e da Lei n. 9.615/1998 (que “Institui normas gerais 
sobre desporto e dá outras providências”) (Brasil, 1988, 1998c). 
 Ciência e tecnologia: pauta dos art. 218 (“O Estado promoverá e incentivará 
o desenvolvimento científico, a pesquisa, a capacitação científica e 
tecnológica e a inovação”) e 219 (“O mercado interno integra o patrimônio 
nacional e será incentivado de modo a viabilizar o desenvolvimento cultural 
e socioeconômico, o bem-estar da população e a autonomia tecnológica do 
País, nos termos de lei federal”) da Constituição Federal (Brasil, 1988). 
 Comunicação social: direito garantido pelos art. 220 (“A manifestação do 
pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, 
processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição [...]”) e 224 da 
Constituição Federal e Leis n. 9.472/1997 (que“Dispõe sobre a 
organização dos serviços de telecomunicações, a criação e funcionamento 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
10 
de um órgão regulador e outros aspectos institucionais, nos termos da 
Emenda Constitucional nº 8, de 1995”) e n. 9.612/1998 (esta “Institui o 
Serviço de Radiodifusão Comunitária e dá outras providências”) (Brasil, 
1988, 1997, 1998b). 
 Meio ambiente: assistido pelos art. 225 (“Todos têm direito ao meio 
ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e 
essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à 
coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e 
futuras gerações”) da Constituição Federal e pela Lei n. 9.605/1998 (Brasil, 
1988, 1998a). 
 Proteção da família, criança, adolescente e idoso: garantida pelos art. 226 
(“A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado”); art. 227: 
É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao 
adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à 
saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à 
cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e 
comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, 
discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão (Brasil, 
1988) 
a 230 (“A família, a sociedade e o Estado têm o dever de amparar as 
pessoas idosas, assegurando sua participação na comunidade, 
defendendo sua dignidade e bem-estar e garantindo-lhes o direito à vida”) 
da Constituição Federal e pelas Leis n. 8.069/1990 (o Estatuto da Criança 
e do Adolescente – ECA) e n. 8.842/1994 (que “Dispõe sobre a política 
nacional do idoso, cria o Conselho Nacional do Idoso e dá outras 
providências”) (Brasil, 1988, 1990a, 1994). 
Importante perceber como nossa Constituição Federal de 1988 de fato 
implementa, com seu texto, diversos direitos sociais de maneira pormenorizada e 
os coloca como missão do Estado (Brasil, 1988). Igualmente, a maior parte das 
leis supracitadas foi implementada logo após a promulgação da nossa Carta 
Magna, a fim de descrever com maior detalhamento todos os pontos necessários 
para que se permita o processo de efetivação de políticas públicas com respeito 
ao ordenamento jurídico. 
 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
11 
LEITURA OBRIGATÓRIA 
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Diário Oficial 
da União, Brasília, 5 out. 1988. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm>. 
Acesso em: 12 ago. 2019. 
BUCCI, M. P. D. O conceito de política pública em direito. In: BUCCI, M. P. D. 
(Org.). Políticas públicas: reflexões sobre o conceito jurídico. São Paulo: 
Saraiva, 2006. 
 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
12 
REFERÊNCIAS 
ALEXY, R. Teoria dos direitos fundamentais. Tradução: Virgílio Afonso da Silva. 
São Paulo: Malheiros, 2008. 
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Diário Oficial 
da União, Brasília, 5 out. 1988. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm>. 
Acesso em: 12 ago. 2019. 
_____. Lei n. 8.069, de 13 de julho de 1990. Diário Oficial da União, Brasília, p. 
13.563, 16 jul. 1990a. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069.htm>. Acesso em: 13 ago. 2019. 
_____. Lei n. 8.142, de 28 de dezembro de 1990. Diário Oficial da União, 
Brasília, p. 25.694, 31 dez. 1990b. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8142.htm>. Acesso em: 13 ago. 2019. 
_____. Lei n. 8.212, de 24 de julho de 1991. Diário Oficial da União, Brasília, p. 
14.801, 25 jul. 1991a. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8212cons.htm>. Acesso em: 13 ago. 
2019. 
_____. Lei n. 8.213, de 24 de julho de 1991. Diário Oficial da União, Brasília, p. 
14.809, 25 jul. 1991b. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8213cons.htm>. Acesso em: 13 ago. 
2019. 
_____. Lei n. 8.313, de 23 de dezembro de 1991. Diário Oficial da União, 
Brasília, p. 30.261, 24 dez. 1991c. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8313cons.htm>. Acesso em: 13 ago. 
2019. 
_____. Lei n. 8.842, de 4 de janeiro de 1994. Diário Oficial da União, Brasília, p. 
77, 5 jan. 1994. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8842.htm>. Acesso em: 13 ago. 2019. 
_____. Lei n. 9.472, de 16 de julho de 1997. Diário Oficial da União, Brasília, p. 
15.081, 17 jul. 1997. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9472.htm>. Acesso em: 13 ago. 
2019. 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
13 
_____. Lei n. 9.605, de 12 de fevereiro de 1998. Diário Oficial da União, Brasília, 
p. 1, 13 fev. 1998a. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9605.htm>. Acesso em: 13 ago. 2019. 
_____. Lei n. 9.612, de 19 de fevereiro de 1998. Diário Oficial da União, Brasília, 
p. 11, 20 fev. 1998b. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/LEIS/L9612.htm>. Acesso em: 13 ago. 
2019. 
_____. Lei n. 9.615, de 24 de março de 1998. Diário Oficial da União, Brasília, 
p. 1, 25 mar. 1998c. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9615consol.htm>. Acesso em: 13 ago. 
2019. 
BUCCI, M. P. D. O conceito de política pública em direito. In: BUCCI, M. P. D. 
(Org.). Políticas públicas: reflexões sobre o conceito jurídico. São Paulo: 
Saraiva, 2006. 
CAPELLA, A. C. N. Um estudo sobre o conceito de empreendedor de políticas 
públicas: ideias, interesses e mudanças. Caderno Ebape.br, Rio de Janeiro, v. 
14, n. esp., p. 486-505, jul. 2016. Disponível em: 
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-
39512016000700486&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 13 ago. 2019. 
CHRISPINO, A. Introdução ao estudo das políticas públicas: uma visão 
interdisciplinar e contextualizada. Rio de Janeiro: FGV Editora, 2016. 
COMPARATO, F. K. Ensaio sobre o juízo de constitucionalidade de políticas 
públicas. Revista de Informação Legislativa, v. 35, n. 138, p. 39-48, abr./jun. 
1998. Disponível em: 
<http://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/496870/RIL138.pdf?sequen
ce=1&isAllowed=y>. Acesso em: 13 ago. 2019. 
FARIA, C. A. P. de (Org.). Implementação de políticas públicas: teoria e prática. 
Belo Horizonte: Ed. PUC Minas, 2012. 
LIMA, M. L. de O. F. de; MEDEIROS, J. J. Empreendedores de políticas públicas 
na implementação de programas governamentais. Revista de Administração 
Pública, Rio de Janeiro, v. 46, n. 5, p. 1.251-1.270, set./out. 2012. Disponível em: 
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-
76122012000500004&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 13 ago. 2019. 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
14 
MARQUES, E.; FARIA, C. A. P. (Org.). A política pública como campo 
multidisciplinar. São Paulo: Ed. Unesp; Rio de Janeiro: Ed. Fiocruz, 2013. 
SECCHI, L. Políticas públicas: conceitos, esquemas de análise, casos práticos. 
2. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2017. 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
2 
TEMA 1 – CICLO DE POLÍTICAS PÚBLICAS 
Para conceituar ciclo de políticas públicas, é necessário compreender que 
se trata de todo o processo de sua elaboração, desde a identificação de um 
problema até sua avaliação. Esse complexo trajeto demanda uma 
esquematização para que fique mais claro compreender as fases que ela possui, 
tentando ao máximo delimitá-las, em que se pese terem seu grau de interação. 
Desde já, cumpre destacar que essas etapas são conhecidas por: 
1) Identificação do problema 
2) Formação da agenda 
3) Formulação de Alternativas 
4) Tomada de Decisão 
5) Implementação 
6) Avaliação 
Com a ilustraçãoa seguir, fica mais compreensível entender como se 
relacionam e o significado de ciclo: 
Figura 1 — Ciclo de políticas públicas 
 
Posto isso, é importante destacar uma vez mais que, na prática, esse ciclo 
é bem mais heterogêneo do que comporta sua definição teórica. O dinamismo da 
vida política faz com que sequer seja possível garantir uma sequência ordinal 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
3 
entre elas, mas, para fins didáticos, essa delimitação se mostra bastante 
proveitosa para compreender o funcionamento de um processo de política pública. 
Ainda nessa linha de ideias, é difícil atestar os marcos temporais de cada 
política pública, ou seja, determinar um ponto de partida e chegada das políticas 
públicas. Seus processos e demarcações podem ser imperceptíveis a um olhar 
descuidado. 
Ante a essa dificuldade de enxergar os principais pontos e conceitos de 
uma política pública, organizar seu processo em ciclos é a lupa necessária para 
possibilitar a análise de um caso concreto. Com efeito, esse estudo conceitual 
permite que políticos, pesquisadores e membros da sociedade civil possam ter 
um conceito representativo que permita comparações e análises de situações 
multifacetadas. 
TEMA 2 – IDENTIFICAÇÃO DO PROBLEMA 
Como problema, entende-se que é a distinção entre o que deveria ser e o 
que é a realidade. Em outras palavras, para uma política pública, problema é 
exatamente a disparidade entre o que a sociedade gostaria que fosse, mas que a 
verdade nos mostra uma situação muito diferente da pretendida. 
Para exemplificar um problema público global, que tem recebido atenção 
nos últimos anos em nosso país, citamos a crise ecológica. Alguns 
empreendedores de políticas públicas têm exigido soluções para frear o desgaste 
do planeta. 
Assim, esses grupos têm se baseado em pesquisas que apresentam 
problemas ecológicos em razão do mau uso da tecnologia e do crescimento 
demográfico, que estão afetando as condições naturais do planeta. Noutro ponto, 
mas ainda nesse raciocínio, igualmente trazem soluções possíveis para esse 
problema, ou seja, que é possível uma realidade diferente da atual que não mais 
teria esse problema. 
Nessa toada, já podemos notar que a percepção do problema público está 
no campo do subjetivismo. Ora, o aumento da população, da poluição, do 
desmatamento, do uso não racional de recursos ambientais, tudo isso já vinha 
afetando nosso planeta há décadas, mas foi somente com movimentos sociais 
que essa questão tomou proporções de interesse político global. 
Em outro vértice, também se faz imprescindível definir e delimitar o 
problema público. Desse modo, levantar quais são os principais elementos que 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
4 
compõem determinado problema e tentar sintetizá-lo em poucas palavras é um 
dos desafios dos empreendedores de políticas públicas. Afinal, eles precisam não 
só apresentar o problema, como também tentar de imediato propor soluções e 
aventar quais são os culpados e os obstáculos a serem superados. 
Por oportuno, destaca-se que o problema pode sofrer mutações ao longo 
do processo. Claramente, esse problema, com o transcurso do tempo – 
lembrando que os ciclos de políticas públicas podem representar diversos anos –
, apresentará novos desafios e obstáculos, bem como poderá ser redefinido e 
adaptado. Razão não é outra para a importância de se explicar e delimitar bem 
qual o problema público a ser debatido, sob chance de seu ideal precípuo se 
perder em meio ao debate. 
Enfim, como já aventado, é importante que, junto com a problematização 
de determinada situação real, os atores de políticas públicas também elenquem 
possíveis soluções. No fim das contas, se socialmente não há resposta para 
determinada questão, não há o que ser debatido e conceitualmente não é um 
problema. 
A responsabilidade de identificar (e propor soluções para) esses problemas 
públicos serão de todos os empreendedores de políticas públicas, por exemplo, 
agentes políticos e organizações não governamentais. Caso ganhe atenção 
suficiente, passará a integrar a lista de prioridades denominada agenda de 
políticas públicas. 
TEMA 3 – FORMAÇÃO DA AGENDA E ALTERNATIVAS DE POLÍTICAS 
PÚBLICAS 
Conforme exposto no Tema 2, a agenda compõe diversos problemas e 
temas que foram tratados como relevantes para a sociedade. Nesse ponto, é 
importante destacar dois tipos de agenda: 
• Agenda Política: Representa quais temas a comunidade identificou como 
importantes para que haja uma intervenção pública que altere essa 
realidade; 
• Agenda Formal: Elenca quais os problemas que o poder público já acatou 
da agenda política e integra um planejamento ou programa 
governamental. 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
5 
Pois bem, há diversas agendas políticas possíveis em uma sociedade; elas 
são afetadas obviamente pela globalização e informações trazidas em escala 
mundial pela mídia. Na mesma linha, também podemos identificar alguns temas 
recebendo diferentes enfoques; em outras palavras, um problema relacionado ao 
tema trabalho será identificado e tratado de maneiras bem distintas, caso seja 
abordado por um Sindicato de Trabalhadores, pela Federação de Indústria, ou 
ainda por uma Organização Internacional do Trabalho — OIT. 
No que comporta políticas públicas globais, então temos que não 
necessariamente esses grupos irão buscar introduzir metas mundiais em seu 
meio, caso não seja de seu agrado, como podemos pensar sobre os diferentes 
grupos citados anteriormente. 
E esse mesmo problema poderá também receber diferentes tratamentos 
da própria agenda. Tentando explicar de outra forma, dentro da própria agenda 
política ou formal, determinado tema poderá ganhar mais ou menos relevância, 
também estando sujeita a perder sua importância com o passar dos anos. 
Dentro da formação da agenda, também é um ciclo inerente que diz 
respeito a essa atenção e relevância de determinado problema: 
1) Fase anterior ao problema; 
2) Fase de descoberta e entusiasmo; 
3) Fase de percepção dos custos necessários para as soluções; 
4) Fase da redução da atenção para o problema; 
5) Fase pós-problema. 
Assim, a maior dificuldade se queda não em estabelecer quais serão as 
prioridades de uma agenda, mas sim sistematizar de maneira ordinal. 
Consequentemente, é de vital importância que, sobretudo os políticos, saibam 
compreender quais problemas são graduais, cíclicos ou intempestivos, para que 
possam receber a devida atenção de maneira eficiente. 
Genericamente, há quatro mecanismos possíveis para induzir determinado 
comportamento: 
• Premiação: São estímulos positivos, caso alguma pessoa aja de acordo; 
• Coerção: Estímulos negativos, com punições e sanções aos eventuais 
transgressores; 
• Conscientização: Construção de uma ideia de um dever moral para com a 
sociedade; 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
6 
• Soluções técnicas: Almeja solucionar problemas e influenciar 
comportamentos de maneira indireta. 
Esses são alguns instrumentos possíveis a serem utilizados por políticas 
públicas, de modo que o debate deverá estar mais ou menos dentro dessas ideias, 
levantando custos e possibilidade de solução. Destarte, o prognóstico deverá ser 
baseado nessas preposições, do mesmo modo que deverá tentar refletir sobre 
qual será a eficiência econômica dessa política pública, pois os recursos para 
interagir com esses problemas são sempre limitados. 
Seja como for, construída a agenda, será necessário que sejam formuladas 
alternativas para lidar com determinado problema. Definir alternativas também se 
desenvolverá com base na escolha de conflitos, situações formais ou não sobre o 
problema, bem como potenciais custos e benefícios de cada alternativa possível. 
No momentoque são estabelecidos objetivos para uma política pública, 
imediatamente criam-se expectativas quanto aos seus resultados. Desse modo, 
deve-se almejar sempre objetivos concretos, com dados mais objetivos e lapso 
de tempo determinado. 
Tentando ilustrar o parágrafo anterior, há uma grande diferença entre uma 
política pública que tenha por objetivo tão somente reduzir os danos contra o meio 
ambiente, contra outra que se propõe a reduzir em 10% o desmatamento em um 
ano. E é desejável que os objetivos sejam mais concretos, porquanto permite uma 
avaliação mais acurada de sua eficiência e eficácia. 
Assim, para facilitar a última etapa do ciclo, faz-se necessário que no 
momento da sua formulação haja objetivos técnicos e concretos para balizar as 
consequências de uma política pública na realidade. Afinal, não necessariamente 
o caminho escolhido será o mais efetivo, razão pela qual não devemos nos olvidar 
de quais foram as diretrizes traçadas nesse momento para que seja possível 
repensar e adaptar de maneira oportuna os programas, métodos, ações ou 
estratégias que almejam solucionar determinado problema. 
TEMA 4 – TOMADA DE DECISÃO E IMPLEMENTAÇÃO DE POLÍTICAS 
PÚBLICAS 
Após serem levantadas alternativas para solucionar determinado problema 
público, os responsáveis diretos terão de escolher e enfrentar a situação com 
alguma das opções levantadas. O já trabalhado, na aula inaugural, fluxo de 
políticas públicas, ajuda a compreender melhor esse momento. 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
7 
Ora, nem sempre a decisão será tomada de maneira racional ou técnica. É 
verificável que os fatores políticos influenciam muito mais os detentores de poder 
para tanto; diante de uma sociedade globalizada, claro que as influências 
internacionais também afetarão diretamente esse percalço. 
Assim, ciente de que esse processo é complexo, bem como os problemas 
e soluções estudados, a tomada de decisão não fugirá desse círculo. Os 
empreendedores de políticas públicas vão agir da maneira que for possível, bem 
como os principais atores responderão de acordo com a situação concreta. 
No que toca à implementação de políticas públicas, pode-se dizer que seu 
resumo é transformação da intenção em ação. A importância de seu estudo 
consiste em perceber quais são os obstáculos que permeiam esse processo nos 
mais diversos temas. De igual modo, permite que seja possível entender quais 
foram os erros e equívocos de outras políticas públicas que também pretendiam 
resolver o mesmo fim. 
Não obstante, é importante também perceber que será nesse momento que 
os atores, sobretudo a administração pública, irão realizar sua atividade principal, 
qual seja, executar as políticas públicas. Nesse sentido, em eventual análise 
desse momento do processo de política pública, deverá o pesquisador 
compreender se a falha decorreu da tomada de decisão, a qual recairá sobre o 
político; ou se da implementação, de sorte que será a administração pública 
como um todo que será responsabilizada. 
TEMA 5 – AVALIAÇÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS 
Um dos momentos mais importantes para o ciclo de políticas públicas é a 
avaliação. Esse período permite que haja uma reflexão sobre os efeitos 
alcançados e pretendidos na hora da sua implementação. 
Com base em critérios indicadores e padrões, essa fase irá compreender a 
eficácia e o acerto de todas as fases antecedentes. Com efeito, realizar um 
processo de julgamento sobre determinada política pública irá demandar algum 
grau de cientificidade e clareza para que seja possível um debate claro sobre o 
tema. 
Entre os principais parâmetros, estão: 
• Economicidade: Aplicação de recursos (públicos ou não); 
• Produtividade: Resultados, ou níveis de saídas, de determinado processo; 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
8 
• Eficiência econômica: A relação direta entre economicidade e 
produtividade; 
• Eficiência administrativa: Aqui, pretende-se analisar se os atos 
praticados seguiram os tramites e métodos preestabelecidos, ou seja, se 
desde a tomada de decisão até o momento da avaliação as pessoas 
envolvidas estão seguindo o processo conforme proposto; 
• Eficácia: Nível de sucesso nas metas e objetivos levantados nas fases 
iniciais (destacando a importância de traçar desígnios claros e objetivos 
que permitam uma análise desse ponto com clareza); 
• Equidade: Homogeneidade da distribuição dos instrumentos de políticas 
públicas entre seus objetivos ou destinatários. 
 Finalmente, depois de realizadas devidamente análises, as quais poderão 
ter conotação jurídica, técnica ou/ e política, será possível comparar como estava 
a situação quando da identificação do problema e o momento temporal da análise. 
É certo que avaliações completas possuem algumas dificuldades, em razão 
do tempo e do próprio custo de se conseguirem alguns dados estatísticos, porém, 
elas podem levar a três desfechos distintos: 
1) Continuidade e seguimento da política pública; 
2) Reforma de alguns pontos práticos da política pública, de modo a aprimorá-
la; 
3) Extinção da política pública, seja porque o problema restou resolvido, ou 
quando está se mostrando inútil em relação ao caso concreto. 
Finalmente, outra dificuldade das análises é trazer informações úteis para 
o debate. Almeja-se, portanto, que se superem os debates simplistas e 
maniqueístas para que possamos afastar a retórica da discussão e trazer ainda 
maior relevância sobre o real desempenho das políticas públicas. 
LEITURA OBRIGATÓRIA 
SECCHI, L. Políticas públicas: conceitos, esquemas de análise, casos práticos. 
2. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2017, p. 43-70. 
 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
9 
REFERÊNCIAS 
ALEXY, R. Teoria dos direitos fundamentais. Tradução Virgílio Afonso da Silva da 
5. ed alemã. São Paulo: Malheiros Editores LTDA, 2008. 
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil (1988). Planalto, S.d. 
Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm>. 
Acesso em: 15 ago. 2019. 
BUCCI, M. P. D. O conceito de política pública em direito. In: BUCCI, M. P. D. (org.). 
Políticas públicas: reflexões sobre o conceito jurídico. São Paulo: Saraiva, 2006. 
CAPELLA, A. C. N. Um estudo sobre o conceito de empreendedor de políticas 
públicas: Ideias, Interesses e Mudanças. Caderno EBAPE.BR, Rio de Janeiro, v. 
14, n. spe, p. 486-505, jul. 2016. Disponível em: 
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-
39512016000700486&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 2 ago. 2019. 
CHRISPINO, A. Introdução ao estudo das políticas públicas: uma visão 
interdisciplinar e contextualizada. Rio de Janeiro: FGV Editora, 2016. 
COMPARATO, F. K. Ensaio sobre o juízo de constitucionalidade de políticas 
públicas. In: Revista de informação legislativa, v. 35, n. 138, p. 39-48, abr./jun. 1998. 
Interesse público, v. 4, n. 16, p. 49-63, out./dez. 2002. Disponível em: 
<http://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/364>. Acessado em: 02 ago. 2019. 
FARIA, C. A. P. de (org.). Implementação de políticas públicas: teoria e prática. Belo 
Horizonte: Ed. PUC Minas, 2012. 
LIMA, M. L. de O. F. de; MEDEIROS, J. J. Empreendedores de políticas públicas 
na implementação de programas governamentais. Revista de Administração 
Pública, out 2012. Rio de Janeiro, v. 46, n. 5, p. 1251-1270, Disponível em: 
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-
76122012000500004&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 2 ago. 2019. 
MARQUES, E.; Faria, C.A.P. Organizadores. A política pública como campo 
multidisciplinar. São Paulo, Rio de Janeiro: Editora Unesp, Editora Fiocruz, 2013. 
SECCHI, L. Políticas públicas: conceitos, esquemas de análise, casos práticos. 2. 
ed. São Paulo: Cengage Learning, 2017. 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com2 
TEMA 1 – INSTITUIÇÕES NO PROCESSO DE POLÍTICA PÚBLICA 
Para entender como as políticas públicas se relacionam com o processo de 
globalização e políticas públicas globais, é preciso verticalizar alguns conceitos 
que traçam regras e diretrizes e definem a influência de políticas públicas globais 
em nosso ordenamento. 
As instituições presentes em políticas públicas são as dimensões espaciais 
onde elas se desenvolvem. Podem ser apontadas como qualquer um dos três 
poderes, quais sejam: 
 Executivo: reuniões entre secretarias e discussões sobre qualquer tema; 
 Legislativo: plenários da Câmara e Senado ou ainda qualquer fórum 
legislativo que possibilite a participação da comunidade; 
 Judiciário: decisões de colegiado que porventura afetem políticas públicas 
ou tomadas de decisão dos membros tanto do Executivo quanto do 
Legislativo. 
Vale mencionar ainda que o plano não governamental também pode 
representar um espaço onde haja debate de políticas públicas. A dinâmica política 
é extremamente volátil, então qualquer confluência pode determinar como critério 
espacial. 
Para compreender esse contexto político, queda-se relevante a pesquisa 
sobre onde ele acontece para compreender melhor as motivações dos 
empreendedores de políticas públicas e os efeitos quando da sua implementação. 
Seja como for, para perceber essas instituições, é preciso compreender 
que elas representam regras formais que adequam a questão comportamental 
dos cidadãos. Assim, no que toca às políticas públicas, instituições representam 
jurisdições, competências e delimitações territoriais. 
Portanto, os atores políticos e empreendedores de políticas públicas 
estarão sujeitos a essas instituições, que são construídas pelo meio social e 
jurídico. Esse conjunto de práticas disciplinadas trarão pressupostos cognitivos e 
normativos para reger todo o processo de políticas públicas. 
Com efeito, ao analisar todas as estruturas e valores políticos, os analistas 
de políticas públicas deverão estar atentos não só a critérios formais presentes 
nessa sociedade, como informais, sendo esses representados pela cultura e 
costumes inerentes à determinada comunidade. No tocante a nossos estudos de 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
3 
globalização e integração de políticas públicas internacionais, vale perceber como 
o processo de influência internacional afeta esses aspectos em nosso país. 
TEMA 2 – GLOBALIZAÇÃO, ESTADO NACIONAL E POLÍTICAS PÚBLICAS 
Atualmente, o termo globalização é aplicado de maneira corriqueira, quase 
vulgar. Contudo, há de se ressaltar que apesar de suas simplificações, devemos 
buscar enaltecer seus principais pontos, quais sejam, entre os positivos, 
desenvolvimento e integração, mas sem deixar de mencionar os negativos, como 
a violência do colonialismo e a desestabilização de algumas áreas. 
Esse processo de globalização representa um vetor que tem se mostrado 
imparável. Tal processo tem acarretado em nossas sociedades algumas 
benesses, entretanto também traz consigo prejuízos como veremos adiante. 
 Sendo assim, é evidente que essas influências também afetam o Estado, 
e consequentemente as políticas públicas. Não que haja necessariamente um 
vínculo exclusivo entre os serviços estatais e direitos sociais com as políticas 
públicas, mas eles denotam boa parte do que concebemos a respeito do tema e, 
portanto, têm realmente toda uma densidade que é afetada pela globalização. 
Nesse sentido, o impacto da globalização faz com que as políticas públicas 
sejam em grande parte internacionalizadas, do mesmo modo que o Estado e suas 
ramificações. Mas fato é que nem todos os países percebem essa globalização 
do mesmo modo, de sorte que suas políticas públicas também irão variar. 
Ainda nessa linha de ideias, os empreendedores de políticas públicas e 
instituições nacionais podem, ou não, agir ao influenciar agentes externos. Ou 
seja, da mesma maneira que podem sofrer influência internacional, também 
poderão receber incentivo de seu Estado nacional para atuar ao redor do mundo. 
Com efeito, os países poderão, conforme exposto, apresentar um 
movimento mais ou menos nacionalista e aderir de forma mais aberta ou não 
políticas públicas internacionais. Do mesmo modo, a depender de sua influência 
econômica, social e cultural eles também podem afetar diretrizes de outros países 
ou blocos econômicos de integração. 
Na década de 1990, a globalização impactou muito mais sobre a questão 
de capital e trabalho, como a ideologia da competitividade que se sobressaía 
sobre a solidariedade, de modo que as políticas sociais tiveram sua prioridade 
alterada. Isso afetou, portanto, muito sobre como os problemas eram percebidos, 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
4 
bem como deixou de ser mutuamente benéfico, ou seja, uma das partes 
necessariamente sairia com uma vantagem, seja ela qual fosse. 
Para exemplificar, trataremos de como a globalização afetou de maneiras 
muito distintas a América Latina e a Europa. A primeira, após um longo período 
de lideranças e partidos neoliberais, passou a ser governada por grupos mais 
situados à esquerda que impulsionaram os investimentos sociais. Já a segunda, 
sob os reflexos da crise econômica de 2008, buscou conter os dispêndios dos 
cofres públicos e diminuiu, sob uma ideia de austeridade, os gastos sociais. 
Logo, a globalização não será determinante, mas sim o que os 
empreendedores de políticas públicas e os agentes políticos irão agir a partir dela. 
Então, o pluralismo político global, quando nos referimos a políticas sociais, será 
composto das interações desse Estado com organizações internacionais, aliando-
se às diversas conversas entre empreendedores de políticas públicas que não 
façam parte dos governos. 
TEMA 3 – GLOBALIZAÇÃO E A CRISE DO ESTADO-NAÇÃO 
Apesar de já ter sido levantada a suposta inevitabilidade do processo de 
globalização, deve-se destacar que esse necessita possuir total respaldo político 
para que haja influência sobre políticas públicas nacionais. Ora, cientes da 
importância que o avanço da tecnologia tem para o planeta, é sobretudo no âmbito 
do mercado global que se verifica uma certa crise do Estado-nação. 
Com a evolução do neoliberalismo, tem-se implementado um mercado 
internacional bem integrado que está de acordo com os tratados internacionais. 
Nesse sentido, o Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT) auxiliou esse 
processo. A intenção desse acordo foi remover barreiras alfandegárias e 
promover o livre comercio entre divisas sem a interferência de cada país sobre 
seu respectivo território. 
Com efeito, os Estados-nação precisam dar alguns passos para trás e 
deixar de interferir no mercado econômico interno. Por consequência, sua 
legitimidade em agir com políticas públicas muitas vezes se queda tolhida em 
razão dessa adesão às regras do mercado financeiro global. 
Alguns críticos aventam, inclusive, riscos à democracia de um país em 
desenvolvimento. Isso porque várias decisões importantes que decidirão a sorte 
de uma nação ficarão sob responsabilidade desse mesmo mercado internacional. 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
5 
Destarte, é importante deixar consignado que a despeito dos benefícios 
inerentes desse mesmo mercado globalizado, precisa-se ter em mente que a 
política nacional deve conter e intervir quando for necessário para salvaguardar 
os interesses de seus cidadãos. Os impactos negativos da globalização podem 
ser bem severos em países que não possuem instituições fortes e estrutura 
econômica, de maneira que a situação acabe se agravando. 
Assim, dentro do que este curso se propõe, impõe-se a necessidade de 
refletir sobre a implementação de qualquer política pública que venha a renunciar 
essa soberania do Estado-nação frente ao processo de globalização.Quando se 
transfere para o Direito Internacional e para as instituições globais a 
responsabilidade do processo de transformação social e econômica, há uma 
chance de refletir em uma governabilidade sem sentido, em que não se aborda as 
reais necessidades daquela sociedade. 
O Estado, enquanto empreendedor de políticas públicas, não pode perder 
de vista sua responsabilidade precípua, qual seja, a de proteger seus cidadãos. 
TEMA 4 – DIFUSÃO INTERNACIONAL DE POLÍTICAS PÚBLICAS 
A difusão internacional de políticas públicas será em grande parte um 
processo internacional que envolverá sobretudo as tecnologias de informação, 
porquanto propagam, com alta velocidade, as comunicações e as notícias entre 
seres humanos. Aproveitando o exemplo, é certo que esse tipo de processo 
deverá abarcar profissionais e estudiosos de todas as áreas para enriquecer e dar 
maior profundidade ao debate, sem qualquer presunção de exaurir a lista: 
cientistas políticos, economistas, internacionalistas, juristas, historiadores etc. 
Vale dizer que o Brasil por diversos anos apenas recebeu políticas públicas 
inspiradas em outros países, todavia nos últimos anos serviu de modelo com 
alguns projetos sociais. Os programas Fome Zero e Bolsa Família são estudados 
ao redor do mundo para serem avaliados e implementados em outros países em 
desenvolvimento. 
Seja como for, alguns estudiosos do tema aduzem que há dois processos 
distintos: transferência e difusão de políticas públicas. Esses dois poderão ser 
distinguidos em razão do estímulo inerente a cada um, os meios de estudo e 
conceito, os agentes sociais que irão impulsioná-los e, por fim, os resultados de 
acordo com sua abrangência. 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
6 
Tentando resumir um pouco da transferência de políticas, fato é que elas 
não têm grande relevância, pois estão mais relacionadas a um plano menor; um 
processo de mudança mais direto, em que o conhecimento e as instituições são 
utilizadas de maneira quase que copiada, ou inspirada, em outro ambiente 
político. 
Desse modo, as transferências podem ser: voluntárias, quando são 
aprendidas com racionalidade; coercitivas, quando impostas diretamente; ou 
mistas, se há uma combinação entre fatores, como pressões internacionais, 
obrigações e condições aliadas às próprias lições racionais. Com efeito, partidos 
políticos e seus representantes bem como grupos de pressão e servidores 
públicos poderão interagir e transferir políticas, programas, ideologias tanto 
internamente quanto globalmente, seja em esfera pública ou privada. 
Enfim, é importante destacar que há algumas dificuldades em razão da 
complexidade do assunto, como problemas estruturais, divergências nos 
conteúdos, e até mesmo no momento de tradução da política pública que pode 
levar ao fracasso dessa transferência pública. Com efeito, deverá ser apurado via 
relatórios, ou até mesmo pela mídia, como foi feita essa transferência e se está 
sendo proveitosa. 
Já a difusão é cada vez mais utilizada por cientistas políticos e sociólogos, 
tentando se fazer valer de uma metodologia quantitativa de alta complexidade, 
mas também de elevada capacidade de previsibilidade dos seus efeitos. 
TEMA 5 – CONVERGÊNCIA DE POLÍTICAS PÚBLICAS 
Trata-se de uma consequência inexorável da própria difusão de políticas 
públicas. Elas vão se alterando, evoluindo, adaptando à medida que são 
difundidas. 
Quatro fatores acabam por acelerar esse processo: 
1. As variadas naturezas que a própria difusão detém. Então, a particularidade 
de uma política pública bem como as experiências nacionais ou 
internacionais, de acordo com os países e seu relacionamento, podem ser 
mais ou menos verticalizadas em relação ao programa inicial; 
2. As especificidades do que está sendo proposto na difusão; 
3. As engrenagens específicas que prevalecem em determinada difusão; 
4. O contexto institucional do país que está adotando a política pública a ser 
difundida. 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
7 
Deste modo, é comum que as políticas públicas acabem por se relacionar 
e apresentar avançado envolvimento, ou seja estejam convergindo em seus 
ideais. Logo, há uma verdadeira pluralidade de raciocínios que confluem, podendo 
ser dada de maneira pluriforme, com influência tanto de importadores quanto de 
exportadores de políticas públicas. 
Vale dizer ainda que não há propriamente um fluxo de convergência. Dessa 
forma, não há homogenia no sentido nem na temática, de modo que a difusão de 
políticas públicas pode se dar de maneiras bem peculiares. Entretanto, ressalva-
se que os pesquisadores denotam que vizinhos territoriais acabam por aderir de 
maneira mais direta as inovações no campo político. 
As denominadas ondas de difusão afetam países de diferentes visões 
políticas e estruturas institucionais e sociais. Então, muitas políticas públicas que 
são importadas demandam o estudo justamente da influência extranacional para 
entender as razões que levaram tal país a absorver a mentalidade que norteou a 
política pública. 
Com efeito, atualmente, a ciência política tem buscado maior diálogo com 
outras ciências sociais, para com o auxílio de demais disciplinas que também 
analisam e refletem sobre o ser humano de maneiras distintas – mas todas com 
extrema relevância – compreender melhor sobre como esses processos exercem 
sua influência em determinado contexto social. Assim, as novas políticas são 
resultado de um complexo sistema de afluência entre práticas cotidianas e junção 
de diretrizes globais. 
Em outro ponto, Ancelovici e Jenson (2013) sugeriram que deveria haver 
algum tipo de padrão mínimo que permitisse a avaliação antes da transferência 
ou difusão de políticas públicas: 
 Certificação: ocorre quando há uma autoridade que valida as práticas a 
serem adotadas pela política pública. Em outras palavras, deverá existir 
uma análise prévia, com ulterior admissão, de alguma parte com poder de 
reconhecer as benesses e apoiá-las e legitimá-las. 
 Descontextualização: importante mecanismo de verificação de uma política 
pública. Aqui, se realiza uma tentativa de retirar do quadro socioeconômico, 
histórico, cultural e político em que dado país está inserido com aquela 
política pública e tentar abstraí-la. Para tanto, também deverão se ignorar 
quais foram os empreendedores de políticas públicas que pugnaram pela 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
8 
ação. Com esse processo, é possível tentar remontar subjetivamente o 
conceito abarcado pela política pública em outro contexto. 
 Enquadramento: trata-se de um método relevante para criar esse padrão 
das políticas públicas. Ora, ao se debater e refletir sobre situações e 
problemas, queda-se mais fácil levantar soluções que estão sendo 
demandadas pela coletividade, ou mais especificamente pelos 
empreendedores de políticas públicas. 
 
 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
9 
REFERÊNCIAS 
ALEXY, R. Teoria dos direitos fundamentais. São Paulo: Malheiros Editores, 
2008. 
ANCELOVICI, M.; JENSON, J. Standardization for Transnational Diffusion: The 
Case of Truth Commissions and Conditional Cash Transfers. International 
Political Sociology, v. 7, n. 3, p. 294-312, set. 2013. 
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. 
Diário Oficial da União, Brasília, DF, 5 out. 1988. Disponível em: <http://www.pl
analto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm>. Acesso em: 20 
ago. 2019. 
BUCCI, M. P. D. O conceito de política pública em direito. In: BUCCI, M. P. D. 
(Org.). Políticas públicas: reflexões sobre o conceito jurídico. São Paulo: 
Saraiva, 2006. 
CAPELLA, A. C. N. Um estudo sobre o conceito de empreendedor de políticas 
públicas: ideias, interesses e mudanças. CadernoEBAPE.BR, Rio de Janeiro, v. 
14, n. spe, p. 486-505, jul. 2016. Disponível em: 
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-
39512016000700486&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 20 ago. 2019. 
CHRISPINO, A. Introdução ao estudo das políticas públicas: uma visão 
interdisciplinar e contextualizada. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2016. 
COMPARATO, F. K. Ensaio sobre o juízo de constitucionalidade de políticas 
públicas. Revista de Informação Legislativa, v. 35, n. 138, p. 39-48, abr./jun. 
1998. Disponível em: <https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/364>. Acesso 
em: 20 ago. 2019. 
FARIA, C. A. P. de. (Org.). Implementação de políticas públicas: teoria e 
prática. Belo Horizonte: PUC Minas, 2012. 
LIMA, M. L. de O. F. de.; MEDEIROS, J. J. Empreendedores de políticas públicas 
na implementação de programas governamentais. Revista de Administração 
Pública, Rio de Janeiro, v. 46, n. 5, p. 1251-1270, out. 2012. Disponível em: 
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-
76122012000500004&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 20 ago. 2019. 
MARQUES, E.; FARIA, C. A. P. (Org.). A política pública como campo 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
10 
multidisciplinar. São Paulo, Rio de Janeiro: Unesp; Fiocruz, 2013. 
SCHEID, C. M. O impacto da globalização na elaboração de políticas públicas 
urbanas: uma possibilidade de aproximar a cidade à cidadania. Disponível em: 
<http://www.publicadireito.com.br/conpedi/manaus/arquivos/anais/bh/cintia_mari
a_scheid.pdf>. Acesso em: 20 ago. 2019. 
SECCHI, L. Políticas públicas: conceitos, esquemas de análise, casos práticos. 
2. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2017. 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
2 
TEMA 1 – ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS E INTERGOVERNAMENTAIS 
As organizações intergovernamentais internacionais têm potencial para 
influenciar políticas públicas nacionais. A despeito dos seus interesses e 
mecanismos, essas organizações podem ser definidas por acordos formais entre 
governos com secretariados permanentes. 
Atualmente, é difícil precisar quantas organizações intergovernamentais 
temos, porquanto algumas listas sobre organizações internacionais também 
comportam as organizações não governamentais. Mas, seja como for, a 
Organização das Nações Unidas é o nosso maior exemplo desse tipo de estrutura. 
Contudo, não é necessário que seja exatamente uma organização global. 
Sua definição permite que variem entre três ou mais Estados soberanos, com 
abrangência desde apenas algumas regiões específicas ou continentais. 
Seja como for, seu estudo para esse curso é de certa relevância, haja vista 
serem importantes atores desse sistema internacional e que impactam políticas 
públicas. Assim, elas terão maior ou menor autoridade para atrair atenção para 
determinado problema, ou seja, de formação de agenda, mas é possível afirmar 
que haverá um grau de relação em provocar os Estados. 
A depender da força dessa organização intergovernamental, tal como já 
discutido, a própria soberania do Estado será questionada para que se respeitem 
as decisões da organização. Noutra ponta, as organizações tendem a ter maiores 
volatilidades de opiniões, dado seu sistema mais aberto. 
Em relação ao diálogo entre as organizações internacionais, deve-se notar 
que nem sempre será de plana cooperação entre elas. Afinal, por diversas vezes, 
suas orientações e crenças levam a acreditar em caminhos bem distintos para 
serem alcançados os mesmos fins, ou, ainda, haver nítidas diferenças sobre quais 
seriam as prioridades daqueles Estados. Sem mencionar, é claro, que os fatores 
de influência e de poder por alguns atores políticos e públicos também não podem 
ser olvidados. 
Vale ressaltar, ainda, que as organizações intergovernamentais 
apresentam características bem complexas e dinâmicas. Parte da literatura sobre 
o tema aponta que as prioridades na década de 1990 foram para expansão das 
políticas sociais. Globalizaram, portanto, as demandas por políticas sociais 
nacionais em um verdadeiro processo de “socialização da política global”. 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
3 
Contudo, outras organizações internacionais acabaram promovendo os 
ideais do neoliberalismo. Essas contestavam o avanço de políticas sociais e 
questionavam sua efetividade; acreditavam mais na importância de um mercado 
financeiro e comercial global com poucas restrições. Como já vimos nesse curso, 
deve haver um cuidado para que o Estado nação não abra mão de sua soberania. 
Seja como for, consistem em bons exemplos para compreendermos a 
dinamicidade do processo de internacionalização de políticas públicas. Afinal, o 
número de organizações intergovernamentais tem aumentado ao longo das 
décadas, e suas atividades também se multiplicaram. Assim, estamos diante de 
uma verdadeira institucionalização do sistema internacional, e sua influência tem 
sido percebida em maior escala pelos países. 
TEMA 2 – FUNÇÕES DAS ORGANIZAÇÕES INTERGOVERNAMENTAIS 
As organizações intergovernamentais devem estabelecer regras e criar 
critérios que permitam a comunicação entre os Estados. Nesse sentido, também 
solucionarão e decidirão conflitos, atuando como arena e mediadoras. 
Mas não só as organizações intergovernamentais podem auxiliar e prestar 
serviços aos Estados; colher, analisar e organizar dados e informações sobre 
determinada região; bem como estudar sobre quais devem ser as atitudes 
tomadas pelos Estados para aprimorarem a sociedade. 
O quadro abaixo foi montado por Faria em seu artigo constante na leitura 
obrigatória. 
Quadro 1 – Funções do Estado 
FUNÇÕES DESCRIÇÃO 
Relativas à informação Coletar, analisar e disseminar dados e 
informações. 
Fórum Servir de arena para o diálogo, 
intercâmbio de pontos de vista e para 
o processo decisório. 
Normativas Definir padrões de comportamento. 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
4 
Criação de regras Fazer as minutas de tratados que, 
assinados pelos Estados, terão o 
poder de lei. 
Supervisão de regras Monitorar o cumprimento das regras 
acordadas, adjudicar disputas e 
garantir o cumprimento das regras. 
Funções operacionais Alocação de recursos, provisão de 
assistência técnica e de auxílio 
humanitário, mobilização de forças. 
Geração de ideias Produzir e fomentar a criação de novos 
conceitos e ideias capazes de pautar a 
atuação dos atores no sistema 
internacional. 
Fonte: Adaptado de Faria, 2018. 
Com efeito, as organizações intergovernamentais tentarão melhorar a 
comunicação entre os Estados nações. Sua influência é relevante no cenário 
internacional e permite que haja maior controle e estabilidade no que tange as 
relações entre os países. 
Historicamente, temos diversas guerras e crises econômicas, razões que 
bastam para seja uma preocupação de todos o bom funcionamento dessas 
organizações. Em termos de políticas globais, as organizações 
intergovernamentais acabam servindo como instrumento para que alguns Estados 
e/ou regiões consigam promover seus próprios interesses ou buscar alterar o 
comportamento de outros. 
TEMA 3 – INFLUÊNCIA DAS ORGANIZAÇÕES INTERGOVERNAMENTAIS NOS 
CICLOS DE POLÍTICAS PÚBLICAS 
Já ciente da relevância das organizações intergovernamentais, do mesmo 
modo que já superamos os estudos sobre ciclos de políticas públicas, podemos 
compreender agora como essas instituições se permeiam. 
No que toca a identificação do problema, as organizações 
intergovernamentais permitem, pela via de coleta de informação, identificar algum 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
5 
problema. Assim, o trabalho dessas organizações faz com que seja possível 
compreender a real situação de determinado país e provocar os empreendedores 
de políticas públicas a fim de que estesse mobilizem para resolver o problema. 
Com efeito, também dada sua função de fórum, o intercâmbio de ideias 
acerca da existência desse problema e como resolvê-lo já permite adentrar na 
próxima etapa do ciclo de política pública. Contudo, é importante destacar que o 
estudo e o debate entre diversas pessoas, Estados e organizações auxilia ao 
melhor decurso da conversa e permite que todo o processo seja melhor para se 
alcançarem os objetivos almejados. 
Nesse sentido, já podemos dizer que há um impacto claro na formação da 
agenda de política pública. As organizações intergovernamentais podem 
promover assuntos identificados como problemas. De um lado, temos que a 
agenda pública é impactada quando as agências da Organização das Nações 
Unidas elaboram cartilhas e publicidade sobre os problemas ambientais e 
educacionais. Agora, a agenda governamental também pode sofrer sérias 
influências, como no caso dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável de 
2015. Isso fez com que diversos governos se vissem obrigados a incluir em pauta 
diversas políticas públicas que satisfizessem essas exigências. Ora, fica claro que 
no momento em que a organização intergovernamental tem como função a 
criação de normas, isso afetará a condução de uma agenda governamental por 
inferência lógica. 
Nessa toada, as sugestões de formulações política também restam 
instigadas pelas organizações intergovernamentais. Ora, não seria correto afirmar 
que essas organizações tão somente levantam problemas sem sequer sugerir 
algumas medidas possíveis que, ao menos, sejam pretendidas como instrumentos 
para se alcançar tal objetivo. Isso transpassa muito pela sua função de geração 
de ideias, produzindo sugestões aos atores políticos que permitam seu diálogo. 
Para a efetiva tomada de decisão e implementação, também podem se 
fazer valer de todo o processo para, na falta de uma palavra melhor, conduzir ao 
desfecho já pretendido desde o início para enfrentar determinado problema já 
identificado. Mas fato é que, dadas suas funções operacionais, as organizações 
intergovernamentais podem auxiliar com recursos, financeiros ou humanos, na 
implementação de determinada política pública. 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
6 
Por fim, mas de importância sobrelevada, a avaliação da política pública 
adotada por determinado país também sofrerá sugestões das organizações 
intergovernamentais. Isso ocorre por duas vias. 
A primeira é quando essa organização solicita um relatório avaliativo que 
permita uma verdadeira "prestação de contas”, quando existe o supracitado 
auxílio de recursos financeiros ou humanos. Assim, a organização 
intergovernamental tem como balizar se determinado país utilizou seu capital 
cedido de maneira eficiente e eficaz. 
A segunda via possível trata-se da hipótese de a organização 
intergovernamental demandar que determinado país apresente esses relatórios 
de maneira quase coercitiva para que sejam apresentados os dados inerentes a 
quaisquer das normas criadas pela própria organização e que julga oportuno. Um 
exemplo possível é quando a ONU solicita relatórios sobre como está a questão 
de violência, do meio ambiente, da educação, enfim, de alguma situação 
potencialmente problemática de interesse mundial e quais são os números 
apresentados. Mas esses relatórios não precisam ficar adstritos a números; afinal, 
pode-se requerer os instrumentos que vêm sido utilizados para resolver 
determinado problema. 
TEMA 4 – IMPACTOS GERAIS NAS POLÍTICAS PÚBLICAS NACIONAIS PELAS 
ORGANIZAÇÕES INTERGOVERNAMENTAIS 
Nos últimos dois temas, foi possível compreender algumas maneiras com 
que as organizações intergovernamentais afetam as políticas públicas nacionais. 
Com o crescimento das organizações, também aumentaram os níveis de 
burocracia inerentes ao seu processo de trabalho. 
Assim, as organizações intergovernamentais apresentam maior autonomia 
e possibilidade de agir frente aos seus Estados membros. Essa percepção se 
queda relevante, pois é justamente nesse ponto que poderemos levantar de que 
maneira as organizações internacionais vão se relacionar. Caso haja a 
possibilidade de uma burocracia diversificada e branda, a organização pode ter 
mais flexibilidade ao buscar a interação com outros Estados ou até mesmo 
organizações não governamentais. 
Veja como exemplo do parágrafo anterior que o Banco Mundial, por dispor 
de características mais adaptáveis, pode ter uma relação mais franca com outras 
instituições. De plano, vale lembrar que se trata de uma instituição financeira que 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
7 
tem como escopo erradicar a problema no globo, bem como auxiliar o 
desenvolvimento dos países. 
Deste modo, foi possível, inclusive, formar coalizações com outras ONGs 
para articular políticas públicas que representassem interesse para todos os 
envolvidos. O Banco Mundial tem algumas parcerias, inclusive com alguns países, 
a fim de se monitorarem e avaliarem a eficácia dos recursos despendidos pelos 
Estados. 
Nesse sentido, vale dizer que o Brasil é um dos países que tem parceria 
com o Banco Mundial. Em 2016, foi feito um “Diagnóstico Sistemático de País” no 
Brasil, que apontou que a estratégia deveria se pautar em: 
1. Sustentabilidade fiscal e melhor prestação de serviços. Esse pilar se 
concentra no apoio ao ajuste fiscal tanto em nível federal quanto em nível 
subnacional, incluindo os sistemas de previdência e proteção social. 
Também aborda maior eficiência na prestação de serviços públicos, 
principalmente nas áreas de educação e saúde. 
2. Crescimento da produtividade e investimento do setor privado. Os objetivos 
desse pilar estão ligados a esforços para reduzir as barreiras regulatórias 
que prejudicam a competitividade, corrigir distorções no mercado de crédito 
e mobilizar investimentos em infraestrutura. 
3. Desenvolvimento inclusivo e sustentável. O objetivo aqui é dar suporte à 
ambiciosa Contribuição Nacionalmente Definida (NDC) estabelecida pelo 
Brasil no Acordo de Paris, por meio da promoção de parcerias globais. 
E com a aprovação dessa Estratégia de Parceria, foi autorizado o repasse 
de US$ 625 milhões para se investir no desenvolvimento do nosso país. 
Entretanto, o famigerado Fundo Monetário Internacional (FMI) já detém um 
corpo administrativo com burocracia concentrada e rígida. A sua finalidade 
precípua é “promover a cooperação monetária global, garantir a estabilidade 
financeira, facilitar o comércio internacional, promover o alto nível de emprego e 
o crescimento econômico sustentável e reduzir a pobreza em todo o mundo. ” 
O FMI busca concretizar seus objetivos por três vias, e, por essa razão, 
exige esse alto nível de burocratização. São elas: o monitoramento do sistema 
monetário internacional; o empréstimo aos países-membros; e os programas de 
capacitação, com assistência técnica e promovendo treinamentos. 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
8 
TEMA 5 – INSTRUMENTOS E MEIOS UTILIZADOS PELAS ORGANIZAÇÕES 
INTERGOVERNAMENTAIS PARA INFLUENCIAR POLÍTICAS PÚBLICAS 
É possível afirmar, com base na doutrina específica, que as organizações 
intergovernamentais têm cinco categorias de instrumentos, quais sejam: 
• Disseminação discursiva; 
• Determinação de padrões; 
• Instrumentos financeiros; 
• Funções coordenativas; 
• Assistência técnica. 
Porém, esses cinco tipos de instrumentos não diferem muito de suas 
próprias funções. O mais importante é perceber que, enquanto empreendedores 
de políticas públicas, eles podem utilizar todo seu aparato para propor soluções 
de problemas e clamar por atenção a determinado debate específico. 
O plano nacional resta, então, tencionado por essas organizações 
intergovernamentais que difundem e criam políticas públicas, ao identificar 
problemas e sugerir agendas.A título exemplificativo, ficam as nove sugestões da 
ONU que influenciaram políticas públicas ao redor do mundo. 
1. Direitos humanos para todos: da aspiração à implementação; 
2. Gênero: da eliminação da discriminação à promoção dos direitos das 
mulheres e de seu empoderamento; 
3. Metas de desenvolvimento: das políticas nacionais e regionais aos 
Objetivos do Milênio; 
4. Relações econômicas internacionais mais justas: da ajuda e dos interesses 
mútuos à solidariedade global; 
5. Estratégias de desenvolvimento: do planejamento nacional ao governo do 
mercado; 
6. Desenvolvimento social: das perspectivas setoriais à abordagem integrada; 
7. Sustentabilidade ambiental: do ambiente e desenvolvimento à preservação 
do planeta; 
8. Paz e segurança: da prevenção do conflito interestatal à proteção dos 
indivíduos; 
9. Desenvolvimento humano: das ações separadas à abordagem integrada. 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
9 
A autoridade e legitimidade da ONU, por exemplo, flutuará de acordo com 
o país tomado como referência. Mas sua influência é certa em todos seus Estados 
membros, de sorte que ainda influenciam o restante do globo. 
Com efeito, as organizações intergovernamentais devem fazer o possível 
para manter sua reputação intacta e buscar a posição mais impessoal possível. A 
neutralidade nem sempre será benéfica, sobretudo quando for gerenciar crises 
entre países, seja de qual ordem for, então deve preponderar critérios racionais, 
técnicos e, até mesmo, legais, para seu reconhecimento seja duradouro e a 
organização amplie sua legitimidade e autoridade para influenciar políticas 
públicas ao redor do mundo. 
Leitura obrigatória 
FARIA, C. A. P. de. As Organizações Internacionais como difusoras de 
políticas públicas. Revista de Relações Internacionais da UFGD, Dourados, v. 
7, n. 13, p. 29-49, set. 2018. Disponível em: 
<http://ojs.ufgd.edu.br/index.php/moncoes/article/view/8718/4548>. Acesso em: 
16 ago. 2019. 
 
 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
10 
REFERÊNCIAS 
ALEXY, R. Teoria dos direitos fundamentais. Trad. Virgílio Afonso da Silva da 
5. ed. São Paulo: Malheiros Editores LTDA, 2008. 
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil (1988). Diário Oficial da 
União, Brasília, DF, 05 out. 1988. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm>. 
Acesso em: 16 ago. 2019. 
BRASIL: aspectos gerais. Banco Mundial, 8 abr. 2019. Disponível em: 
<https://www.worldbank.org/pt/country/brazil/overview>. Acesso em: 16 ago. 
2019. 
BUCCI, M. P. D. O conceito de política pública em direito. In: _____. (Org.). 
Políticas públicas: reflexões sobre o conceito jurídico. São Paulo: Saraiva, 2006. 
CAPELLA, A. C. N. Um estudo sobre o conceito de empreendedor de políticas 
públicas: Ideias, Interesses e Mudanças. Caderno EBAPE.BR, Rio de Janeiro, v. 
14, n. spe, p. 486-505, jul. 2016. Disponível em 
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-
39512016000700486&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 16 ago. 2019. 
CHRISPINO, A. Introdução ao estudo das políticas públicas: uma visão 
interdisciplinar e contextualizada. Rio de Janeiro: FGV Editora, 2016. 
COMPARATO, F. K. Ensaio sobre o juízo de constitucionalidade de políticas 
públicas. Revista de informação legislativa, v. 35, n. 138, p. 39-48, abr./jun. 
1998. Disponível em: <http://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/364>. Acesso 
em: 16 ago. 2019. 
FARIA, C. A. P. de. As Organizações Internacionais como difusoras de políticas 
públicas. Revista de Relações Internacionais da UFGD, Dourados, v. 7, n. 13, 
p. 29-49, set. 2018. Disponível em: 
<http://ojs.ufgd.edu.br/index.php/moncoes/article/view/8718/4548>. Acesso em: 
16 ago. 2019. 
_____. (Org.). Implementação de políticas públicas: teoria e prática. Belo 
Horizonte: Ed. PUC Minas, 2012. 
LIMA, M. L. de O. F. de; MEDEIROS, J. J. Empreendedores de políticas públicas 
na implementação de programas governamentais. Rev. Adm. Pública, Rio de 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
11 
Janeiro, v. 46, n. 5, p. 1251-1270, Oct. 2012. Disponível em: 
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-
76122012000500004&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 16 ago. 2019. 
MARQUES, E.; Faria, C. A. P. (Orgs.). A Política Pública como Campo 
Multidisciplinar. São Paulo; Rio de Janeiro: Editora Unesp; Editora Fiocruz, 
2013. 
NOTAS de políticas públicas – por um ajuste justo com crescimento 
compartilhado. Banco Mundial, 23 ago. 2018. Disponível em 
<http://www.worldbank.org/pt/country/brazil/brief/brazil-policy-notes>. Acesso em: 
16 ago. 2019. 
ONU – Organização das Nações Unidas. FMI – Fundo Monetário Internacional. 
Disponível em <https://nacoesunidas.org/agencia/fmi/>. Acesso em: 16 ago. 
2019. 
SECCHI, L. Políticas públicas: conceitos, esquemas de análise, casos práticos. 
2. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2017. 
SCHEID, C. M. O impacto da globalização na elaboração de Políticas 
Públicas urbanas: uma possibilidade de aproximar a cidade à cidadania. 
Disponível em: 
<http://www.publicadireito.com.br/conpedi/manaus/arquivos/anais/bh/cintia_mari
a_scheid.pdf>. Acesso em: 16 ago. 2019. 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
2 
TEMA 1 – INTEGRAÇÃO REGIONAL E POLÍTICAS PÚBLICAS 
Ainda dentro de uma perspectiva de globalização, o regionalismo permite 
uma análise detida sobre como a regionalização se opõe e complementa a 
globalização. 
De um lado, a globalização, como já exposto em nossas aulas, tem um viés 
de crescimento do mercado internacional, ou seja, há maior facilidade e aumento 
das interações econômicas. Igualmente, pugna por mais diálogos entre temas 
sociopolíticos e por diretrizes internacionais nesses pontos. 
Já a regionalização versa sobre práticas de proteção à determinada região, 
como o nome já sugere. Nesse sentido, a regionalização clama por políticas 
públicas que atendam sobretudo as necessidades de uma determinada região, e 
que não, meramente, se curvem perante pressões internacionais. 
A integração regional, contudo, também envolve relações internacionais, 
porquanto chama para o diálogo países vizinhos. Nesse sentido, essa integração 
pode se apresentar por meio de: 
 sistema de preferências aduaneiras; 
 zonas de livre comércio; 
 união aduaneira; 
 mercado comum; 
 união econômica e monetária. 
Portanto, caso algum bloco econômico seja constituído, ele poderá adotar 
algumas políticas tão somente alfandegarias que permitam o aumento da relação 
comercial. Em outras palavras, reduzindo ou eliminando taxas, permite-se que 
sejam dadas certas preferências de comércio com base em incentivos tributários. 
Já no que toca ao mercado comum e à união econômica e monetária, 
ambos não restringem suas amarras de incentivo no âmbito comercial. Assim, 
produtos, pessoas, bens, capitais e trabalho não têm mais óbices de fronteiras 
nacionais. Mas esta última possui uma distinção, que é a moeda única para todos 
os países, como aconteceu com o Euro na União Europeia. 
Realizando um paralelo com as reflexões sobre a perda de soberania, o 
nosso Mercosul é um exemplo em que se praticam somente as primeiras opções 
de integração regional, de sorte que não há renúncia de soberania. 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
3 
Na União Europeia, todavia, já existe uma parte da soberania renunciada 
para que se sobreponha os interesses do bloco, sobretudo na definição de 
políticas públicas monetárias. 
Seja como for, vejamos como se realizou historicamente o regionalismo na 
América Latina. Compreenderemos de maneira mais específica os efeitos da 
internacionalização de políticas públicas dentro de nosso contexto. 
TEMA 2 – REGIONALISMO NA AMÉRICA LATINA 
O regionalismo na América Latina ainda não temapresentado resultados 
significativos para seus países. Tem-se preponderado ao longo dos anos 
sobretudo um discurso de integração, que em termos práticos não tem sido tão 
alinhado, tampouco frutífero, a fim de alcançar os objetivos propostos. 
Historicamente, é dividido em três momentos: 
1. Regionalismo fechado (1950-1960): a Comissão Econômica para a 
América Latina, agência da Organização das Nações Unidas, promoveu 
uma estratégia de integração regional. Seu propósito era a industrialização 
da região fomentada pelo Estado. Porém, na prática, o mercado interno 
não tinha poder de compra suficiente para auxiliar no processo de 
industrialização. Com efeito, essa política de proteção do mercado regional 
foi pensada para dar conta de alimentar o processo de industrial. O objetivo 
precípuo, por óbvio, era o desenvolvimento econômico por meio da 
proteção da região para que ela não fosse economicamente subjugada por 
países já industrializados que, fatalmente, venceriam uma eventual 
competição com as industriais locais; 
2. Regionalismo aberto (1990): como o próprio nome já sugere, foi uma fase 
que sofreu influência das economias globalizadas em um contexto histórico 
do Pós-Guerra Fria. Esses ideais são trazidos pelo neoliberalismo 
econômico. O objetivo é que os países potencializem suas relações, 
reduzindo entraves burocráticos, tributários e jurídicos a fim de se alimentar 
a competição internacional entre os países latino-americanos em termos 
de processo de industrialização, investimentos e mercados externos. Foi 
nesse contexto que surgiu o Mercosul, em 1991. Ainda que só apresente 
algumas características de integração, seus idealizadores almejavam um 
desenvolvimento econômico edificado sobre pautas de justiça social. A 
despeito de um desempenho conturbado, o fato é que o bloco resiste até 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
4 
os dias de hoje, superando a instabilidade política e econômica de nossa 
região; 
3. Regionalismo Pós-Liberal (2000-): atualmente, após duas ondas de 
regionalismo, os Estados têm aumentado suas pesquisas sobre quais 
seriam as melhores medidas a serem tomadas. Nesse sentido, o Estado 
tenta se apresentar como principal empreendedor de políticas de 
desenvolvimento econômico, mas, agora, com parcerias mais afinadas 
com as organizações privadas. A Aliança Bolivariana Para os Povos da 
Nossa América (ALBA) – Tratado de Comércio dos Povos e a União de 
Nações Sul-Americanas (UNASUL) são alguns exemplos desse momento. 
A UNASUL, inclusive, foi promovida sobretudo pelo Brasil, e possuía 
menos caráter ideológico que a primeira. Vale dizer que a ALBA sofreu com 
a crise do chavismo na Venezuela e ruiu. 
Feitas essas considerações, insta consignar que essa onda em que 
estamos inseridos demanda que sejam feitas interações entre os governos para 
o estabelecimento de políticas públicas. Igualmente, é possível perceber como os 
governos de outros países, como os Estados Unidos e países europeus, também 
tiveram sua parcela de influência nas tomadas de decisão. 
Veja, então, que o nosso período é dirigido por políticas de caráter 
intergovernamental. Há uma cooperação institucionalizada, não mais por regras, 
mas de acordo com a convergência de políticas públicas desses Estados que 
pertencem à determinada região amalgamada sob grupos ou alianças. 
TEMA 3 – REDES TRANSNACIONAIS DE POLÍTICAS PÚBLICAS 
O interesse causado pela mídia internacional em que alguns atores de 
políticas públicas atuem em determinados problemas também deriva da 
globalização. Nesse sentido, o regionalismo inevitavelmente sofre confluência 
desse sistema transnacional. 
Deve-se estudar, portanto, como os grupos de interesse interagem com a 
formulação de políticas públicas. Afinal, trata-se de um processo dinâmico em 
âmbito político-social com fortes traços internacionais e que se expressa por meio 
de empreendedores de políticas públicas que transmitem os valores e diretrizes 
que adquirem dessa globalização de interesses. As redes transnacionais são de 
ordem política e apresentam um grau de estabilidade na comunicação entre as 
mais distintas hierarquias e organizações. Com efeito, essa rede permite uma 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
5 
articulação de interesses em comum para a formulação de agenda de políticas 
públicas. 
Quando há identificação de um problema, os empreendedores de políticas 
públicas buscam apoio, objetivando resolver justamente o imbróglio. Nesse 
sentido, compreendem que a cooperação e o auxílio recíproco entre entidades 
permitem um melhor diálogo com potencial de sucesso muito maior dentro de uma 
ideia de política pública. 
Ora, é certo que alguns problemas e o tratamento desses problemas são 
uma prioridade internacional. 
Há sempre um tipo de amolgação entre essas redes e, a despeito de ser 
independentes, é possível que participem de arenas políticas como organizações 
transnacionais, já estudadas anteriormente, e promovam ideias para solucionar 
esses problemas de maneira eficaz e eficiente. 
Destarte, essas redes, ao se integrar de maneira efetiva, podem contribuir 
e muito. É preciso entender que as redes de políticas possuem a capacidade de 
agir intermediando interesses. Assim, nesse diálogo do Estado com organizações 
privadas e sociedade civil, é possível que essa rede avalie os interesses e 
encontre pontos pacíficos para despender recursos. 
Noutro ponto, a rede permite que seja realizada uma análise 
interorganizacional. A rede permite que as relações levantem essa reflexão crítica 
acerca de diversos aspectos que digam respeito a alguma política pública. 
Por fim, as redes podem agir como uma maneira peculiar de governança. 
Nesse sentido, a ideia de alguns estudiosos é que há uma perspectiva cooperativa 
e inclusiva da rede de políticas públicas, pois ela reduz as noções de hierarquia e 
burocracia inerentes à governança estatal clássica, bem como de exclusão das 
governanças de mercado. Com efeito, a ideia precípua então seria que essa 
interação traria mais coordenação nas ações e no compartilhamento de recursos 
financeiros e humanos. 
Então, as redes, por esses motivos, podem integrar e permitir 
melhoramentos das políticas públicas. Mas devemos cuidar para que elas não 
tomem conta do poder de formação de agenda. 
Veja que no Brasil, onde o lobby não é regulamentado, muitas vezes o 
processo de formação de agenda não é claro para que seja compreendido como 
foi o processo de tomada de decisão. Com efeito, caso não haja esse cuidado é 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
6 
possível que algumas redes detenham o monopólio das tomadas de decisão de 
maneira invisível. 
TEMA 4 – COMUNIDADES EPISTÊMICAS E MOVIMENTOS SOCIAIS 
TRANSNACIONAIS 
As comunidades epistêmicas são organizações que detêm conhecimento 
especializado em alguma área que possa ser relevante para políticas públicas. 
Essa rede de profissionais constitui uma verdadeira comunidade que, com 
projetos em comum, buscam aplicar seus conhecimentos, crenças e princípios na 
resolução de determinado problema público. 
Nesse sentido, vale dizer que como possuem conhecimento específico, 
muitas vezes é a mesma comunidade que identifica o problema e já sugere uma 
alternativa para sua solução. Igualmente, no que toca ao interesse de nosso curso, 
essas comunidades muitas vezes são internacionais, dada a sua verticalização de 
pesquisa. 
Assim, essas comunidades epistêmicas, de maneira sintetizada, colaboram 
para que se compreenda melhor as questões e os processos que causam 
determinados problemas públicos. E, nessa mesma linha de ideias, também 
ajudam a definir o interesse dos países. 
O grande desafio dessas comunidades é manter seu caráter científico, ou 
seja, manter-se imparciais. Nesse sentido, caso consigam influenciarpositivamente o processo político, mas sem adentrar profundamente de maneira 
que seja afetada a sua imparcialidade, terão força legítima para seguir 
participando do processo. 
Os movimentos sociais internacionais, hoje, em muito se assemelham com 
as redes. O que ocorre, em verdade, é que as arenas de debates de políticas 
públicas foram para o cenário internacional, de modo que se demandou que os 
movimentos sociais também criassem um aspecto global para fazer seus 
questionamentos. 
Desse modo, os movimentos transnacionais levantam questões que afetam 
diversos países, de sorte que agem difundindo políticas públicas e afetando 
processos políticos ao redor do mundo. É certo, portanto, que o Brasil também 
será afetado por esses grupos que agem promovendo interesses e criando 
paradigmas e normas. 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
7 
Sem embargo, um cuidado que é imperioso nesse âmbito é que se preste 
atenção se os objetivos iniciais de algum movimento não são deturpados. 
Ora, nesse contexto, alguns movimentos têm viés regional, e ao se 
globalizar os ideais, tem-se o risco de desfigurar suas diretrizes. As proposições 
precisam estar dentro do contexto socioeconômico do país para que seja 
averiguado se o problema tido como global realmente afeta determinado país de 
maneira a ser considerado como prioridade na formação de agenda, bem como 
se as soluções levantadas são possíveis. 
Assim, os movimentos sociais podem atuar como grupos de interesse. Sua 
interação com os países deve passar por mecanismos que permitam não só os 
cuidados citados anteriormente, mas um diálogo frutífero todas as partes. Seja 
como for, estamos muito perto de uma verdadeira sociedade civil global. 
TEMA 5 – CONCLUSÕES 
Um tema específico para as conclusões almeja fazer compreender que a 
expressão políticas públicas globais talvez não seja a mais propícia, como a 
introdução já sugeria. 
Portanto, devemos compreender que a globalização de políticas públicas 
ocorre quando alguns interesses são compartilhados por diversos Estados e 
organizações intergovernamentais. 
Com efeito, a despeito de críticas sobre a falta de um conceito bem 
delimitado, o fato é que políticas globais se apresentam como questões de 
relevância internacional que sofrem influência de diversos atores ao redor do 
globo. Ademais, reitera-se que deve haver uma visão mais ampla que meramente 
a do Estado em sua concepção clássica, nacionalista, como único protagonista 
em políticas públicas. 
A internacionalização de políticas públicas ratifica essa alteração do 
processo, bem como a potencialização dos dinamismos nos ciclos e fluxos 
correspondentes. 
Nesse sentido, se as organizações intergovernamentais, redes 
internacionais, comunidades epistêmicas e movimentos sociais transacionais 
estão potencialmente afetando a demanda de políticas públicas, não há como se 
questionar sobre a internacionalização de políticas públicas. 
Nessa mesma linha de raciocínio, tem-se criado também uma certa 
prestação de contas mais globalizada, de modo que se potencializa o 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
8 
envolvimento da sociedade civil com os temas públicos. Resta, portanto, a 
democracia fortalecida. 
Seja como for, a ideia do curso é mostrar que nosso país está sujeito a 
esse processo de internacionalização de políticas públicas. Assim, faz-se 
obrigatório que haja uma análise mais aprofundada e multidisciplinar da temática 
para que seja possível estudar e aprimorar as normativas e tomadas de decisão, 
de sorte que a soberania estatal não seja colocada de lado, mas, sim, atue 
ativamente em conjunto com os problemas ditos globais. 
 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
9 
REFERÊNCIAS 
ALEXY, R. Teoria dos direitos fundamentais. Tradução de Virgílio Afonso da 
Silva da 5. ed. alemã. São Paulo: Malheiros Editores LTDA, 2008. 
BRASIL: aspectos gerais. Banco Mundial no Brasil, 8 abr. 2019. Disponível em: 
<https://www.worldbank.org/pt/country/brazil/overview>. Acesso em: 28 ago. 
2019. 
_____. Constituição da República Federativa do Brasil, de 5 de out. de 1988. 
Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 5 out. 1988. Disponível 
em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm>. 
Acesso em: 28 ago. 2019. 
BUCCI, M. P. D. O conceito de política pública em direito. In: _____. (Org.). 
Políticas públicas: reflexões sobre o conceito jurídico. São Paulo: Saraiva, 2006. 
CAPELLA, A. C. N. Um estudo sobre o conceito de empreendedor de políticas 
públicas: ideias, interesses e mudanças. Caderno EBAPE.BR, Rio de Janeiro, v. 
14, número especial, p. 486-505, jul. 2016. Disponível em: 
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-
39512016000700486&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 28 ago. 2019. 
CHRISPINO, A. Introdução ao estudo das políticas públicas: uma visão 
interdisciplinar e contextualizada. Rio de Janeiro: FGV Editora, 2016. 
COMPARATO, F. K. Ensaio sobre o juízo de constitucionalidade de políticas 
públicas. Revista de Informação Legislativa, v. 35, n. 138, p. 39-48, abr./jun. 
1998. Disponível em: < http://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/364>. Acesso 
em: 28 ago. 2019. 
FARIA, C. A. P. As organizações Internacionais como difusoras de políticas 
públicas. Monções Revista de Relações Internacionais da UFGD, Dourados, v. 
7, n. 13, p. 29-49, set. 2018. Disponível em: 
<http://ojs.ufgd.edu.br/index.php/moncoes/article/view/8718>. Acesso em: 28 
ago. 2019. 
_____. (Org.). Implementação de políticas públicas: teoria e prática. Belo 
Horizonte: Ed. PUC-Minas, 2012. 
_____. Políticas públicas e relações internacionais. Brasília, DF: Enap, 2018. 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com
 
 
10 
FMI: Fundo Monetário Internacional. Organização das Nações Unidas Brasil, 
S.d. Disponível em: <https://nacoesunidas.org/agencia/fmi/>. Acesso em: 28 ago. 
2019. 
LIMA, M. L. O. F.; MEDEIROS, J. J. Empreendedores de políticas públicas na 
implementação de programas governamentais. Revista de Administração 
Pública, Rio de Janeiro, v. 46, n. 5, p. 1251-1270, out. 2012. Disponível em: 
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-
76122012000500004&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 28 ago. 2019. 
MARQUES, E; Faria, C. A. P. (Orgs.). A política pública como campo 
multidisciplinar. São Paulo: Editora Unesp; Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 
2013. 
NOTAS de políticas públicas: por um ajuste justo com crescimento compartilhado. 
Banco Mundial no Brasil, 23 ago. 2018. Disponível em: 
<http://www.worldbank.org/pt/country/brazil/brief/brazil-policy-notes>. Acesso em: 
28 ago. 2019. 
SCHEID, C. M. O impacto da globalização na elaboração de políticas públicas 
urbanas: uma possibilidade de aproximar a cidade à cidadania. Publica Direito, 
S.d. Disponível em: 
<http://www.publicadireito.com.br/conpedi/manaus/arquivos/anais/bh/cintia_mari
a_scheid.pdf>. Acesso em: 28 ago. 2019. 
SECCHI, L. Políticas públicas: conceitos, esquemas de análise, casos práticos. 
2. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2017. 
 
A
luno: Y
uri G
om
es M
allaco
E
m
ail: yurim
allaco27@
gm
ail.com

Mais conteúdos dessa disciplina