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AULA 6 NEUROCIÊNCIA DAS EMOÇÕES Profª Adiele M. S. Corso 02 CONVERSA INICIAL Na maioria dos casos em que crianças são acometidas por desordens emocionais, acompanhadas ou não de psicopatologia infantil, estas poderão persistir na vida adulta. Em muitos casos, a doença progride consideravelmente, evoluindo para quadros psiquiátricos graves se não tratados. Este é o principal objetivo de se conhecer de forma mais profunda a manifestação dos principais quadros psiquiátricos na vida adulta. A saúde mental é vista como um problema de saúde pública mundial, afetando pessoas das mais variadas idades. No caso da depressão, por exemplo, a Organização Mundial da Saúde estima que, em 2020, será a segunda maior causa de morte no mundo, bem como nesse mesmo período a doença mais incapacitante do mundo. Segundo dados da OMS, o Brasil é o país que apresenta o maior percentual de ansiedade no mundo, envolvendo cerca de 9,3% dos indivíduos, equivalendo a cerca de 18,6 milhões de pessoas. Os transtornos de conduta que aparecem na infância, se não tratados nesse período, podem evoluir para transtornos de personalidade, fazendo parte da estrutura do indivíduo. Nesse caso, o prognóstico pode não ser favorável no sentido de cura, e a evolução tende a ser pequena como controle de sintomas. Nas psicoses, o diagnóstico normalmente é feito no início da vida adulta, no entanto algumas características já podem estar presentes na infância e/ou adolescência, como embotamento afetivo (expressão de afeto restrita), pensamento incoerente, algumas percepções errôneas da realidade, etc. Sem contar que a criança em desenvolvimento está envolta de adultos em seu meio, como os familiares e equipe escolar, os quais não estão isentos de apresentar essas psicopatologias. Saindo do entendimento da criança como ser segmentado ou fragmentado e entrando no campo de sua rede de relacionamentos, é fundamental entender mais a fundo o âmbito emocional dessas pessoas que convivem com a criança. No caso de esses adultos estarem acometidos por alguma patologia de ordem emocional, tal desordem pode interferir diretamente no desenvolvimento da criança, bem como na capacidade de aprendizagem e desenvolvimento do sistema nervoso. 03 Com base em todos os fatores citados acima, é fundamental uma melhor compreensão das neurociências voltadas às patologias emocionais ligadas à vida adulta. CONTEXTUALIZANDO Algumas crianças podem apresentar no contexto escolar uma queda abrupta em seu rendimento acadêmico e motivação ao aprendizado. As consequências mais imediatas são falta de atenção, pouco interesse, auto ou heteroagressividade, isolamento social, baixo limiar de frustração, notas baixas, tarefas em branco ou incompletas, entre outros. Após eliminar a possibilidade de doenças físicas, através do médico, o educador que se implica verdadeiramente com essa criança começa a se questionar sobre o que poderia estar acontecendo na vida dessa pessoa. Quando decide chamar os pais, juntamente com uma equipe interdisciplinar, percebe que algum familiar se encontra em sofrimento psíquico. Aí surge a seguinte questão: como fazer com que esse aluno evolua ou se desenvolva quando a base familiar está frágil? A psicopatologia adulta não se apresenta apenas aos pais. Muitas vezes é algum membro da equipe escolar que pode estar doente emocionalmente. Trabalhar com ensino não isenta esses profissionais de estarem sofrendo emocionalmente. Seria o mesmo que um médico nunca pegar uma virose ou gripe, por exemplo, uma crença totalmente disfuncional e distorcida da realidade. Tão importante quanto acolher os pais é realizar o mesmo procedimento quando a patologia se desenvolve em um membro da equipe escolar. Um profissional doente não será capaz de promover o aprendizado efetivo nos educandos. Muitas falhas poderão ocorrer nesse momento, e saber a hora de olhar para si e buscar ajuda profissional especializada provavelmente será de grande valia para o profissional e todos que estão envolvidos no âmbito educacional. TEMA 1 – DEPRESSÃO Um dos fatores que têm relação com o início precoce da depressão seria o abuso infantil, bem como a cronicidade dela. Outro fator precipitador é a perda dos pais precocemente. 04 As neurociências apontam que a tendência a vivenciar eventos vitais negativos é influenciada pela genética, independente do risco genético para a depressão. Ou seja, o indivíduo vivencia uma situação negativa e assim pode alterar a resposta neuro-hormonal a futuros eventos estressores. Exames de neuroimagens, como a ressonância magnética, mostram atrofia neuronal em pessoas deprimidas. Assim também, conforme Andrade, Santos e Bueno (2004), diminuições no córtex dorsolateral pré-frontal, no giro cingulado dorsal e no lobo parietal inferior, as quais estão ligadas aos prejuízos cognitivos da depressão, como diminuição da concentração ou fraqueza de memória. Outro achado mostra diminuição da atividade do giro cingulado anterior, influenciando na atenção executiva, recrutando “esforço” para uma tarefa. Isso explica o motivo por que pessoas deprimidas não têm energia para quase nada, como se tudo fosse difícil para fazer ou iniciar. Quando o giro cingulado está intacto, ele ajuda a dissipar a tristeza e a depressão, aumentando a atividade no compartimento dorsal e diminuindo-a no ventral. O aumento na atividade do compartimento dorsal, de acordo com Andrade, Santos e Bueno (2004) relaciona-se às melhorias na cognição (mais vigília, melhor concentração), e as diminuições na atividade do compartimento ventral estão ligadas com melhorias nos sintomas vegetativos da depressão, como ansiedade, sono ruim e pouca energia. Ainda dentro do sistema límbico, outra estrutura afetada na depressão é o hipocampo (principal sede da memória). Exames de ressonância magnética mostraram que pacientes deprimidos apresentam atrofia no hipocampo, inibindo a formação de novos neurônios. Num estudo publicado no The Journal of the American Academy, Pliszka (2008) mostra que a atividade na amígdala (centro identificador do perigo) e no tálamo (correio do cérebro, que entrega as informações) direito eram maiores em indivíduos depressivos. Em relação aos neurotransmissores, ocorre uma diminuição da serotonina, dopamina e noradrenalina, ligados ao estado de euforia e prazer TEMA 2 – TRANSTORNO BIPOLAR O transtorno bipolar caracteriza-se por uma oscilação entre humor depressivo e maníaco ou hipomaníaco, não necessariamente obedecendo a um 05 padrão de um episódio depressivo ser acompanhado em seguida de uma mania, podendo ser predominantemente depressivo e alguns momentos de mania ou vice-versa. Uma das causas do transtorno bipolar seria uma desordem neuroquímica, ocorrendo uma disfunção na serotonina. Outro componente bastante potente é a forte tendência genética, envolvendo probabilidade entre 25 a 50% de filhos de um dos pais com diagnóstico de bipolaridade também apresentar a doença. É importante lembrar que fatores psicossociais também podem fazer parte da gênese da bipolaridade (Pliszka, 2008). Saiba mais Dentro do DSM-V, a classificação é transtorno bipolar, com CID F31. Nas crises de mania, o núcleo accumbens, sistema de recompensa ligado ao prazer, e o córtex pré-frontal ventromedial, ligados ao comportamento impulsivo, aumentam suas atividades. Em contrapartida, o córtex pré-frontal lateral e o estriado ventral, relacionados à capacidade para analisar riscos na vida da pessoa, diminuem seus potenciais de ação. O estriado interfere na capacidade de julgamento da pessoa, podendo levar, por exemplo, a pessoa a fazer compras compulsivas. Já na fase depressiva, a amígdala, ligada à resposta dada aos estímulos emocionais, é hipoativada, caindo assim e ação do sistema de recompensa. O medo e acrítica excessiva aparecem em decorrência de o sistema de controle sofrer maior ativação. O hormônio ligado ao stress, chamado de cortisol, fica em nível elevado. Assim, os neurotransmissores ligados ao controle do humor, em especial a dopamina, serotonina e noradrenalina, sofrem um desequilíbrio. Os indivíduos bipolares apresentam menor quantidade de serotonina, o que pode levar à atrofia dos neurônios e à depressão. Quando a pessoa tem repetidas crises sem tratamento, a área responsável pela memória de logo prazo no cérebro acaba sendo afetada, podendo levar até uma perda de 10% do hipocampo. Ou seja, cerca de 10% desta estrutura pode deixar de funcionar adequadamente, levando a um quadro de disfunção desta estrutura (Pliszka, 2008). 06 TEMA 3 – TRANSTORNO DE ANSIEDADE GENERALIZADA E TRANSTORNO DO PÂNICO Em muitos contextos, sentir-se preocupado com algo tende a ser normal. No entanto, quando isso interfere de forma significativa no trabalho, em atividades de forma geral ou na vida social, pode ser uma característica ligada ao transtorno de ansiedade generalizada. Nesse caso, a preocupação torna-se incontrolável, extremamente estressante e perturbador, havendo uma tendência a se preocupar com tudo, muitas vezes esperando o pior e tais pensamentos ocorrem quase diariamente. Saiba mais Conforme o DSM-V, a ansiedade generalizada encontra-se dentro dos transtornos de ansiedade, e o CID é F41.1. No transtorno de ansiedade generalizada, ocorre uma disfunção no sistema límbico e pré-frontal. É preciso lembrar que o sistema límbico é responsável pelo processamento das emoções e o pré-frontal pelas funções executivas, em especial no caso dessa patologia pela atenção e memória de trabalho. Nos transtornos de ansiedade, o que ocorre é um aumento da resposta relacionada ao stress. Ou seja, o indivíduo acometido encontra-se hipervigilante o tempo todo, atento aos estímulos do meio ambiente de forma excessiva, gerando como consequência o aumento do stress. Assim, a liberação excessiva do hormônio ligado ao stress, o cortisol, faz com que o indivíduo fique em estado de alerta máximo, utilizando mais energia que a habitual, podendo chegar à exaustão. O transtorno do pânico também se encontra dentro dos transtornos de ansiedade no DSM-V, última versão do DSM. Dentro do CID 10 tem como sigla F 41.0. Para ser caracterizado como transtorno, o indivíduo necessita ter mais de uma crise de ataque de pânico, envolvendo sintomas como náuseas, vertigens, palpitação, sudorese, sensação de perda do controle, dor no peito, respiração rápida e ofegante, formigamento, dentre outros. A crise tende a ser aguda e intensa e seu início pode ser súbito. Exames de neuroimagens mostram mudanças no córtex cerebral em indivíduos com transtorno do pânico. De acordo com Pliszka (2008), estudos mostram aumento do fluxo sanguíneo central no hipocampo (quando não 07 estavam em crise), em especial no lado direito e perturbação no corpo amigdaloide. O sistema límbico faz com que o sistema relacionado à luta e à fuga seja ativado, liberando o neurotransmissor adrenalina, o qual faz com que o coração acelere seus batimentos, bem como a respiração. Então, a glândula suprarrenal libera o cortisol (hormônio do stress). Quando a crise passa, a pessoa sente intensa exaustão e muitas vezes sonolência, pelo alto gasto de energia despendida. Assim, se não tratado, poderá evoluir para um quadro crônico, de difícil controle e tratamento. Em um contexto escolar, as consequências para alunos que tenham pais ou professores com esses transtornos seria o aumento de estímulos negativos, associados com emoções negativas e o decréscimo do rendimento acadêmico e escolar. TEMA 4 – ESQUIZOFRENIA Dentre as psicoses, a mais comum é a esquizofrenia. Uma psicose é definida como uma fuga da realidade, onde o indivíduo acometido acredita nessa nova realidade, como ouvir vozes de comando, ver vultos, acreditar ter poderes divinos, entre outros. Diferentemente dos transtornos da ansiedade, em que a pessoa sabe que o que está pensando é irracional e incontrolável, na psicose ela crê nesses pensamentos, vozes ou visões, o que leva a uma diminuição da capacidade crítica. Saiba mais Conforme o DSM-V, a esquizofrenia encontra-se dentro do espectro da esquizofrenia e o CID é F20.9. O efeito da genética é bem maior na esquizofrenia que no Transtorno Bipolar ou TDAH. Exames de ressonância magnética mostram que indivíduos esquizofrênicos apresentam diminuição do volume total do cérebro e aumento do tamanho dos ventrículos cerebrais. Os principais locais afetados com diminuição do volume são o hipocampo e o lobo frontal. É importante lembrar que hipocampo é a principal sede da memória de longo prazo e o lobo frontal está ligado à capacidade de julgamento, análise e planejamento de metas. 08 Um dos fatores de risco para a esquizofrenia seria um crescimento inicial reduzido do cérebro, embora não seja um fator determinante ou único. Gabbard (2007) mostra que as principais regiões do cérebro afetadas na esquizofrenia são: 1. Lobo frontal: fundamental para a resolução de problemas, análise e demais funções psicológicas superiores. A pessoa com esquizofrenia tem uma dificuldade de analisar de forma crítica uma situação, bem como de organizar seus pensamentos. 2. Lobo occipital: responsável pelo processamento visual das informações vindas do meio. Na esquizofrenia contribui para as alucinações visuais, envolvendo uma interpretação falsa do que está ocorrendo ao seu redor. 3. Lobo temporal: responsável pelo processamento auditivo. Na esquizofrenia, a área afetada é a área de Wernicke, ligada ao processamento e compreensão da fala, dando a ilusão de que as vozes ouvidas são reais. 4. Gânglios basais: ligado à integração da informação sensorial, envolvendo os movimentos e emoções associadas. Na esquizofrenia, seu funcionamento anormal contribui para a paranoia. 5. Hipocampo: ligado à formação de memória de longo prazo, mediando a aprendizagem. Nos esquizofrênicos, ocorre a formação da falsa memória, ao crer que as experiências alucinógenas são verdadeiras. 6. Sistema límbico: sistema ligado às emoções. Na esquizofrenia, ocorre uma disfunção, que contribui para a agitação psicomotora comum neste quadro. Um estudo, coordenado por pesquisadores da Universidade da Califórnia de Los Angeles (Ucla) coordenado por Paul Thompson, professor de neurologia da Escola de Medicina da Ucla, detectou a morte de mais de 10% de massa cerebral no córtex parietal, parte do cérebro que comanda os pensamentos lógicos. Pacientes que tiveram a maior perda registraram também os sintomas mais graves, que incluem alucinações, delírios, pensamentos bizarros e psicóticos, audição de vozes e depressão. Isso mostra o efeito devastador da evolução na esquizofrenia no cérebro. Os principais déficits neuropsicológicos ocorrem na capacidade de atenção e alerta (no sentido de vigilância), na capacidade de solucionar 09 problemas, na memória (incluindo memória de trabalho, aprendizagem verbal e visual), aprendizagem social e nível de fluência verbal. TEMA 5 – TRANSTORNOS DE PERSONALIDADE Os transtornos de personalidade constituem uma categoria de transtornos que acometem a estrutura do indivíduo, ou seja, a sua personalidade, características estas bastante difíceis de serem mudadas. O prognóstico de tratamento tende a ser desfavorável no sentido de cura, mas em alguns casos pode-se diminuir a progressão ou os efeitos da patologia. O mais estudado é o transtorno de personalidade antissocial. Saiba mais Dentro dos transtornos de personalidade, o transtorno de personalidade antissocial encontra-se, no DSM-V, dentro dos transtornos disruptivos, do controle de impulsos e da conduta. O CID é F60.2. Dentro da neuropsicologia,o primeiro caso conhecido de alteração de personalidade devido a uma lesão frontal no cérebro foi visto no século XIX foi o de Phineas Gage, denominado de sociopatia adquirida. Ou seja, neste caso, a patologia foi adquirida após o acidente que Gage sofreu. Ele perdeu parte de seu cérebro em um acidente envolvendo uma barra de ferro e sobreviveu ao acidente, no entanto tornou-se uma pessoa agressiva, abusiva, mentirosa, irresponsável e incapaz de imaginar e planejar. A partir do caso de Phineas Gage, as lesões no lobo frontal (localizadas especificamente na parte pré-frontal) têm sido associadas ao desenvolvimento de comportamento antissocial. Dentre os transtornos de personalidade, este é o mais complexo, dramático e grave. Exames de neuroimagens mostram uma redução do volume da massa cinzenta pré-frontal. Essa redução estaria associada a uma diminuição da resposta autonômica a um evento estressor provocado. Também se observaram alterações na amígdala e diminuições bilaterais no hipocampo, anormalidades no corpo caloso e núcleo caudado. Estudos com PET (tomografia por emissão de pósitrons) mostram importante redução na ativação do metabolismo em regiões frontais, especialmente as regiões mediais e laterais, além de reduções do metabolismo em estruturas do sistema límbico. Kiehl (2001) demonstrou que psicopatas 010 apresentavam uma “diminuição na ativação do complexo amígdala-hipocampo, giro para-hipocampal, estriado ventral e giro do cíngulo posterior a anterior durante o processamento de palavras de valência negativa”. De acordo com Pliszka (2008), a informação sobre a situação social é transmitida tanto para o hipocampo quanto para o corpo amigdaloide e sistema nervoso simpático (ligado às reações somáticas de luta ou fuga). O corpo amigdaloide reage à expressão facial, particularmente a faces consideradas ameaçadoras. O hipocampo acessa a memória e longo prazo, no sentido de perguntar que tipo de resultado essa situação social gerou no passado. Schneider (2000) demonstrou que pacientes com transtorno de personalidade antissocial não diferiam das demais pessoas em relação ao desempenho em uma tarefa, no entanto precisavam recrutar áreas cerebrais adicionais para conseguir, como o hemisfério esquerdo do córtex frontal medial e inferior, cíngulo anterior e regiões temporais. Em relação aos neurotransmissores, percebe-se redução da função serotoninérgica, que apresenta relação com o comportamento agressivo e impulsivo. FINALIZANDO Como fazer um aluno evoluir ou se desenvolver quando um familiar se encontra com uma patologia emocional ou psiquiátrica? Acolhê-los e encaminhá- los a um profissional especializado poderia ser um caminho bastante assertivo. A consequência dessa escuta e encaminhamento poderia ser um estreitamento na relação família-escola. Os pais, assim, podem se sentir pertencentes à esfera educacional e corresponsáveis no processo de ensino e aprendizagem de seus filhos. As neurociências das emoções auxiliam no intuito de compreender os mecanismos neurais da emoção. Para tal, envolvem ciências como a psicologia, a psiquiatria, a neuroanatomia, a neurofisiologia e outras afins com o objetivo de estudar o humor, personalidade e as emoções envolvidas. O impacto das emoções na vida do indivíduo é capaz de direcionar a motivação e atenção para o aprendizado, assim como de mudar o padrão neurológico e comportamental do indivíduo, mostrando novos caminhos para o pensamento, sentimento e atitudes voltadas para o desenvolvimento pessoal e de relacionamento interpessoal. 011 Na esfera educacional, as emoções interferem significativamente no processo de ensino e aprendizagem. Elas oferecem o combustível para gerar motivação e interesse pelos conteúdos oferecidos em sala de aula. Quando algo não vai bem na vida do aluno, seja por sofrimento psíquico em torno de uma psicopatologia infantil ou psicopatologia nos pais ou algum membro da comunidade escolar, a aprendizagem acaba sendo afetada. O aprendizado efetivo é aquele que sai da memorização de conteúdos específicos para um modelo que visa à importância daquele conhecimento para a vida do aluno, levando em consideração todos os contextos em que esta pessoa está inserida – fatores individuais, familiares, da comunidade ou momento histórico em que vive, escola, entre outros. Essa rede encontra-se toda interligada. Outro fator importante é o entendimento e o investimento na inteligência emocional, quais os fatores ligados e como desenvolvê-los. Como já visto, a inteligência emocional não depende apenas de investimento emocional em torno de si, mas também de desenvolvimento de habilidades sociais e interpessoais. Assim, é possível concluir que um modelo de aprendizagem efetiva é possível de ser alcançado aliando-se os conhecimentos de base que cada profissional possui, juntamente com uma formação específica e contínua sobre a inteligência emocional, a aprendizagem frontal e o entendimento da relação entre as emoções e cérebro, todos vistos e abordados nesta disciplina intitulada de Neurociências das Emoções. 012 REFERÊNCIAS ÁLVAREZ, R. J. Distúrbios psicológicos cotidianos. São Paulo: Paulinas, 2010. ANDRADE, V. M; SANTOS, F. H. dos; BUENO, O. F. Neuropsicologia hoje. São Paulo: Artes Médicas, 2004. BARRIOS, M.; GUÁRDIA, J. Relación del cerebelo com las funciones cognitivas: evidencias neuroantómicas, clínicas y neuroimagen. Revista Neurológica, v. 33, p. 582-591, 2001. Disponível em: <http://www.ujaen.es/investiga/cvi296/FisioNeuro/Seminario7.pdf>. Acesso em: 15 abr. 2018. BOGOYAVLENSKY, D. N.; MENCHINSKAYA, N. A. A psicologia da aprendizagem de 1900 a 1960. In: LURIA, A. R. et al. 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